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IndonésiaAnuário das Testemunhas de Jeová de 2016
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Indonésia
ESTE é um relato emocionante sobre cristãos humildes que corajosamente permaneceram firmes diante de distúrbios políticos, conflitos religiosos e uma proscrição instigada por clérigos que durou 25 anos. Conheça a história de um irmão que estava na lista de pessoas que seriam mortas pelos comunistas, e a de um ex-chefe do crime organizado que se tornou um cristão maduro. Leia o relato comovente de duas jovens surdas que se tornaram amigas e depois descobriram que eram irmãs. E saiba como o povo de Jeová está conseguindo pregar as boas novas à maior população muçulmana do mundo.
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Dados gerais sobre a IndonésiaAnuário das Testemunhas de Jeová de 2016
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INDONÉSIA
Dados gerais sobre a Indonésia
País: A Indonésia é cortada pela linha do equador e fica entre a Austrália e a Ásia continental, sendo o maior conjunto de ilhas do mundo. A maioria de suas mais de 17.500 ilhas contém montanhas e densas florestas tropicais. A Indonésia tem mais de cem vulcões ativos, o que faz dela a região com maior atividade vulcânica da Terra.
Povo: A Indonésia é o quarto país com mais habitantes do mundo (depois da China, da Índia e dos Estados Unidos) e abriga mais de 300 grupos étnicos. Mais da metade da população é formada pelo povo javanês e sundanês.
Religião: Cerca de 90% dos indonésios são muçulmanos. Os outros são na maioria hindus, budistas ou afirmam ser cristãos. Muitas pessoas também seguem tradições religiosas nativas.
Idioma: Em todo o país são faladas mais de 700 línguas. O idioma indonésio, derivado do malaio, é usado entre os diversos grupos étnicos do país. A maioria das pessoas também fala uma língua nativa em casa.
Economia: Muitos indonésios são pequenos agricultores ou comerciantes. O país é rico em minérios, madeira, petróleo bruto e gás natural, e é um dos maiores fornecedores de borracha e de azeite de dendê.
Alimentação: O alimento básico é o arroz. Entre os pratos típicos há o nasi goréng (arroz frito com ovos e legumes), o satay (churrasco de espetinho de carne) e o gado-gado (salada com molho de amendoim).
Clima: Quente e úmido. Os ventos periódicos típicos da Ásia, chamados monções, causam duas estações: seca e chuvosa. Tempestades com trovões ocorrem com frequência.
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Eu quero começar aqui!Anuário das Testemunhas de Jeová de 2016
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Testemunhas de Jeová em Semarang, Java (por volta de 1937)
INDONÉSIA
“Eu quero começar aqui!”
Alexander MacGillivray, supervisor da sede na Austrália, estava pensativo, andando de um lado para outro em seu escritório. Já fazia dias que ele tentava resolver um problema. Finalmente ele encontrou uma solução. Mas agora precisava falar com Frank Rice.
Frank, um colportor (pioneiro) de 28 anos, havia chegado à sede poucas semanas antes. Ele aprendeu a verdade quando era adolescente e pouco depois começou a servir como colportor. Durante os dez anos seguintes, Frank pregou em quase toda a Austrália. Ele viajou de cavalo, bicicleta, moto e trailer. Depois de uma rápida passagem por Betel, Frank já estava pronto para assumir sua nova designação de pregação.
O irmão Alexander chamou Frank em seu escritório. Apontando para um mapa que mostrava as ilhas ao norte da Austrália, Alexander perguntou: “Frank, o que você acha de dar início à obra de pregação aqui? Não há nenhum irmão em todas estas ilhas.”
Frank fixou seus olhos em uma fileira de ilhas que brilhavam como pérolas no oceano Índico — as Índias Orientais Holandesas (hoje Indonésia).a Nessas ilhas moravam milhões de pessoas que nunca tinham ouvido falar das boas novas do Reino de Deus. Frank apontou para a capital, Batávia (hoje Jacarta), e disse: “Eu quero começar aqui!”
Pregação em Java
Em 1931, Frank Rice chegou a Jacarta, uma cidade grande e movimentada na ilha de Java. Ele alugou um quarto perto do centro da cidade e o encheu com caixas de publicações bíblicas — o que deixou a proprietária do quarto um tanto espantada.
Frank Rice e Clem Deschamp em Jacarta
Frank disse: “No começo, eu me sentia deslocado e tinha muita saudade de casa. As pessoas andavam tranquilas nas ruas com suas roupas brancas de algodão e chapéus, enquanto eu suava nas minhas pesadas roupas australianas. Eu não sabia uma palavra de holandês ou de indonésio. Então, orei a Jeová pedindo sua orientação e pensei que no centro comercial deveria haver pessoas que sabiam falar inglês. Foi ali que comecei a pregar — e que campo frutífero ele foi!”
Como a maioria dos habitantes de Jacarta falava holandês, Frank estudou bastante para ter um conhecimento básico do idioma e logo começou a pregar de casa em casa. Com algumas dificuldades, Frank aos poucos também aprendeu o indonésio. Ele disse: “O problema é que eu não tinha publicações em indonésio. Com a ajuda de Jeová, conheci um professor indonésio que ficou interessado na verdade e que concordou em traduzir o livreto Onde Estão os Mortos?. Com o tempo, outros livretos foram traduzidos, e logo muitas pessoas que falavam indonésio se interessaram pela verdade.”
Em novembro de 1931, outros dois pioneiros da Austrália chegaram a Jacarta: Clem Deschamp, de 25 anos, e Bill Hunter, de 19. Clem e Bill trouxeram uma espécie de casa de pioneiro sobre rodas, isto é, um trailer, um dos primeiros a chegar à Indonésia. Depois de aprenderem algumas frases em holandês, eles iniciaram uma viagem de pregação pelas principais cidades de Java.
Embaixo, à direita: Charles Harris pregava usando uma bicicleta e um trailer
Charles Harris, outro pioneiro australiano, seguiu os passos de Clem e Bill. Começando em 1935, Charles pregou na maior parte de Java usando trailer e bicicleta, e distribuiu publicações em cinco idiomas: árabe, chinês, holandês, indonésio e inglês. Houve anos em que ele distribuiu umas 17 mil publicações.
A quantidade de publicações que Charles distribuiu chamou a atenção de muitas pessoas. Uma autoridade em Jacarta perguntou a Clem Deschamp: “Quantos de vocês estão trabalhando lá em Java Oriental?”
“Só uma pessoa”, respondeu Clem.
“E você acha que eu vou acreditar nisso?”, gritou o homem. “Pela quantidade de publicações que estão sendo distribuídas, vocês devem ter um exército lá!”
Os primeiros pioneiros tentavam falar com o maior número possível de pessoas, nunca ficando muito tempo no mesmo lugar. Bill Hunter disse: “Nós trabalhamos de uma ponta a outra da ilha, e dificilmente falávamos com a mesma pessoa duas vezes.” Por onde passaram, esses pioneiros plantaram muitas sementes da verdade que, mais tarde, resultaram em uma rica colheita espiritual. — Ecl. 11:6; 1 Cor. 3:6.
As boas novas chegam a Sumatra
Por volta de 1936, os pioneiros em Java pensaram em como poderiam levar as boas novas para Sumatra — a sexta maior ilha do mundo. Cruzada pela linha do equador, essa ilha montanhosa contém grandes cidades, plantações, pântanos e florestas tropicais.
Os pioneiros concordaram em enviar Frank Rice e juntaram os poucos recursos que tinham para pagar a passagem dele. Logo depois, Frank chegou a Medan, Sumatra do Norte, com duas pastas de campo, 40 caixas de publicações e algum dinheiro no bolso. Frank era um homem de muita fé. Ele começou imediatamente o trabalho de pregação, confiando que Jeová proveria o necessário para ele cumprir sua designação. — Mat. 6:33.
Em sua última semana de pregação em Medan, Frank conheceu um holandês simpático que o convidou para entrar e tomar um café. Frank disse ao homem que precisava de um carro para pregar as boas novas em toda a ilha. O homem apontou para um carro quebrado em seu jardim e disse: “Se você conseguir consertá-lo, ele pode ser seu por 100 florins.”b
“Eu não tenho 100 florins”, disse Frank.
O homem olhou bem para Frank e perguntou: “Você quer mesmo pregar em toda Sumatra?”
“Quero”, respondeu Frank.
“Bem, nesse caso, se você consertar o carro, pode ficar com ele”, disse o homem. “Se conseguir o dinheiro, você me paga depois.”
Frank começou a trabalhar no carro e em pouco tempo conseguiu consertá-lo. Mais tarde, ele escreveu: “Com um carro cheio de publicações, um tanque cheio de gasolina e um coração cheio de fé, saí para pregar às pessoas de Sumatra.”
Henry Cockman com Jean e Clem Deschamp em Sumatra, 1940
Um ano mais tarde, depois de ter pregado na ilha inteira, Frank voltou a Jacarta. Lá, ele vendeu o carro por 100 florins e enviou o dinheiro ao homem holandês em Medan.
Algumas semanas depois, Frank recebeu da Austrália uma carta com sua nova designação. Imediatamente, ele arrumou as malas e partiu para iniciar a obra de pregação na Indochina (hoje Camboja, Laos e Vietnã).
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Os primeiros métodos de pregaçãoAnuário das Testemunhas de Jeová de 2016
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INDONÉSIA
Os primeiros métodos de pregação
Programas de rádio
EM 1933, os irmãos começaram a transmitir gravações em inglês de discursos do irmão Rutherford por meio de uma estação de rádio em Jacarta. Os irmãos também pediram que um homem interessado lesse manuscritos de discursos em holandês. Essas transmissões chamaram a atenção de muitas pessoas e ajudaram os irmãos a distribuir mais publicações no serviço de campo.
Um dos discursos transmitidos foi “Os efeitos do ano santo sobre a paz e a prosperidade”, do irmão Rutherford. Esse era um discurso bem direto e deixou os clérigos católicos furiosos.a Usando sua influência, eles conseguiram fazer com que o irmão De Schumaker, que forneceu as gravações, fosse acusado de “calúnia, difamação e de incitar a hostilidade”. O irmão De Schumaker fez de tudo para se defender das acusações, mas foi multado em 25 florinsb e teve de pagar as despesas do processo. Três dos maiores jornais noticiaram o julgamento, o que acabou resultando em um testemunho ainda maior.
O Lightbearer
Em 15 de julho de 1935, o barco a vela Lightbearer (Portador de Luz) chegou a Jacarta depois de uma viagem de pregação de seis meses. Esse barco de 16 metros da Sociedade Torre de Vigia havia saído de Sydney, Austrália, e trazia sete pioneiros zelosos que estavam determinados a pregar as boas novas na Indonésia, em Cingapura e na Malásia.
Durante mais de dois anos, o Lightbearer visitou portos grandes e pequenos em toda a Indonésia, e distribuiu grandes quantidades de publicações bíblicas. Jean Deschamp contou: “Em cada porto pequeno que entrávamos, já ligávamos o fonógrafo e tocávamos um dos discursos do então presidente da Sociedade Torre de Vigia, Joseph Rutherford. Imagine a surpresa dos malaios que viviam em regiões isoladas quando viam um barco grande entrando no porto e ouviam uma voz alta, forte, ecoando pelo ar. Nem um disco voador teria chamado tanta atenção.”
Os clérigos ficaram furiosos com a pregação corajosa dos irmãos e conseguiram pressionar as autoridades a proibir que o Lightbearer entrasse em muitos portos da Indonésia. Em dezembro de 1937, o Lightbearer voltou para a Austrália, deixando para trás um histórico notável de atividade missionária na Indonésia.
Tripulação do Lightbearer
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Os BibelkringsAnuário das Testemunhas de Jeová de 2016
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INDONÉSIA
Os Bibelkrings
NO FINAL da década de 30, surgiu na região do lago Toba, em Sumatra do Norte, um movimento religioso chamado Bibelkring (nome holandês que significa “grupo de estudantes da Bíblia”). Como o movimento começou? Em 1936, vários professores aceitaram publicações de um pioneiro que havia visitado a região do lago Toba, provavelmente Eric Ewins. O que os professores leram os motivou a sair da Igreja Protestante Bataque e a criar grupos que estudavam a Bíblia nas casas das pessoas. Esses grupos cresceram e se espalharam, chegando a centenas de membros.a
Dame Simbolon pertencia aos Bibelkrings e agora é nossa irmã cristã
Por causa das publicações deixadas pelo pioneiro, os primeiros Bibelkrings identificaram várias verdades bíblicas. Dame Simbolon pertencia a esse grupo e aceitou a verdade em 1972. Ela disse: “Eles se recusavam a saudar a bandeira e não comemoravam o Natal nem aniversários. Alguns até pregavam de casa em casa.” Mas, sem o apoio da organização de Deus, o movimento logo se tornou vítima de ideias humanas. Limeria Nadapdap, que também pertencia a esse grupo e agora é nossa irmã cristã, explica: “As mulheres não podiam usar maquiagem, joias, roupas modernas e nem mesmo sapatos. Os membros também eram proibidos de ter um cartão de identidade nacional, e isso irritou muito o governo.”
O movimento dos Bibelkrings com o tempo se dividiu em vários grupos pequenos e por fim acabou. Quando mais tarde os pioneiros voltaram à região do lago Toba, muitos que antes eram membros dos Bibelkrings aceitaram a verdade.
a Algumas fontes calculam que, no auge, os Bibelkrings chegaram a milhares de membros.
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A obra cresce em Java OcidentalAnuário das Testemunhas de Jeová de 2016
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A obra cresce em Java Ocidental
Theodorus Ratu
Em 1933, Frank Rice convidou Theodorus (Theo) Ratu, natural de Sulawesi do Norte, para ajudá-lo a cuidar do depósito de publicações em Jacarta. Theo disse: “Fiquei muito interessado na grandiosa obra do Reino e comecei a pregar com o irmão Frank. Mais tarde, acompanhei Bill Hunter em uma viagem de pregação para Java e me juntei à tripulação do Lightbearer em uma viagem para Sumatra.” Theo, o primeiro indonésio a aceitar a verdade, serviu por décadas como pioneiro em Java, Sulawesi do Norte e Sumatra.
No ano seguinte, Bill Hunter deixou o livreto Onde Estão os Mortos? com Felix Tan, que tinha se mudado para Jacarta para estudar. Felix voltou para Bandung, Java Ocidental, para morar com sua família e mostrou o livreto a seu irmão mais novo, Dodo. Os dois ficaram maravilhados de aprender do livreto que o primeiro homem, Adão, não tinha uma alma imortal. Adão era uma alma. (Gên. 2:7, nota) Isso despertou o interesse espiritual deles. Felix e Dodo vasculharam lojas de livros usados em Bandung em busca de mais publicações. Eles também ensinaram o que haviam aprendido à sua família. Depois de devorarem todos os livros e livretos que encontraram, escreveram ao depósito de publicações em Jacarta. Para sua surpresa, eles receberam uma visita encorajadora de Frank Rice, que trouxe mais publicações.
Família Tan
Logo depois de o irmão Frank voltar a Jacarta, os recém-casados Clem e Jean Deschamp visitaram Bandung por 15 dias. Felix disse: “O irmão Clem perguntou à nossa família se gostaríamos de ser batizados. Quatro membros de nossa família simbolizaram sua dedicação a Jeová: Dodo, minha irmã mais nova Josephine (Pin Nio), minha mãe (Kang Nio) e eu.”a Depois de se batizar, a família Tan se juntou a Clem e Jean numa campanha de pregação de nove dias. Clem lhes mostrou como usar um cartão de testemunho para pregar; o cartão tinha uma mensagem simples da Bíblia em três idiomas. Em pouco tempo, o pequeno grupo em Bandung se tornou uma congregação, a segunda da Indonésia.
O chapéu do papa
A obra de pregação foi ganhando força, e isso não passou despercebido pelos clérigos da cristandade. Eles e seus agentes escreveram artigos em jornais atacando as crenças e a obra das Testemunhas de Jeová. Os artigos levaram o Departamento de Assuntos Religiosos a convocar Frank Rice para prestar depoimento. Satisfeitas com suas respostas, as autoridades permitiram que a obra continuasse sem impedimento.b
No início dos anos 30, a maioria das autoridades coloniais ou não ligava para a obra de pregação ou a tolerava. Mas, quando a Alemanha nazista subiu ao poder na Europa, algumas autoridades mudaram de atitude, especialmente aquelas que eram católicas fervorosas. Clem Deschamp disse: “Um funcionário de alfândega católico confiscou um carregamento de nossos livros, alegando que continham comentários negativos sobre o nazismo. Quando fui à alfândega reclamar, o funcionário que não gostava de nós estava de férias. O homem que ficou em seu lugar era amigável e não era católico. Ele prontamente liberou os livros e disse: ‘Leve tudo que puder enquanto o outro está fora.’”
Jean Deschamp disse: “Em outra ocasião, as autoridades insistiram que removêssemos duas gravuras do livro Inimigos. Eles não gostaram das gravuras de uma serpente se contorcendo (Satanás) e de uma prostituta bêbada (religião falsa), ambas usando um chapéu de papa (mitra).c Estávamos decididos a distribuir o livro. Por isso, nós nos sentamos no chão do cais, no calor escaldante, e folheamos um por um milhares de livros para tapar as imagens do chapéu do papa.”
As duas gravuras do livro Inimigos que as autoridades queriam remover do livro
Conforme a Europa foi se encaminhando para a guerra, nossas publicações continuaram a expor com coragem a hipocrisia da cristandade e sua intromissão na política. O clero, por sua vez, aumentou a pressão sobre as autoridades para restringir nossa obra, e várias de nossas publicações foram proibidas pelo governo.
Mas os irmãos estavam decididos a continuar a obra e fizeram bom uso de uma impressora que receberam da Austrália. (Atos 4:20) Descrevendo uma das táticas que usavam, Jean Deschamp relatou: “Sempre que imprimíamos um novo livreto ou uma revista, tínhamos de levar um exemplar para as autoridades aprovarem. Nós imprimíamos a publicação e a distribuíamos às congregações no início da semana. Daí, no final da semana, levávamos um exemplar à Procuradoria-Geral. Quando a publicação não recebia aprovação, ficávamos tristes, mas corríamos para a gráfica e imprimíamos a próxima publicação.”
Os irmãos que distribuíam publicações proibidas muitas vezes escapavam da polícia por um fio. Por exemplo, enquanto estava pregando em Kediri, Java Oriental, Charles Harris sem querer bateu na casa do inspetor de polícia.
O inspetor disse: “Procurei vocês o dia inteiro. Esperem aqui enquanto procuro a lista de seus livros proibidos.”
Charles conta: “Enquanto o inspetor foi procurar a lista, escondi as publicações proibidas em bolsos secretos do meu casaco. Quando ele voltou, entreguei 15 livretos que não estavam proibidos. Um tanto contrariado, ele me deu a contribuição, e então deixei as publicações proibidas com outros moradores.”
Produção de publicações em épocas difíceis
Quando a Segunda Guerra Mundial se espalhou pela Europa, pararam de vir carregamentos de publicações da Holanda. Tendo previsto problemas, os irmãos por precaução tinham providenciado que as revistas fossem impressas em uma gráfica comercial em Jacarta. Em janeiro de 1939 foi lançado o primeiro número em indonésio de Consolação (agora Despertai!), e A Sentinela foi lançada pouco depois. Os irmãos então compraram uma pequena impressora e começaram eles próprios a imprimir as revistas. Em 1940 eles receberam da Austrália uma impressora maior. Cobrindo as despesas, eles passaram a imprimir livretos e revistas em indonésio e em holandês.
O primeiro equipamento de impressão chega ao depósito de Jacarta
Por fim, em 28 de julho de 1941 as autoridades proibiram todas as publicações da Sociedade Torre de Vigia. Jean Deschamp disse: “Certa manhã, eu estava trabalhando no escritório quando, de repente, as portas se abriram e entraram três policiais e um oficial holandês muito importante com uniforme completo — medalhas, luvas brancas, espada cerimonial e chapéu com plumas. Aquilo não nos surpreendeu. Três dias antes, ficamos sabendo por fontes confiáveis que nossas publicações seriam proibidas em breve. Cheio de orgulho, o oficial leu uma declaração extensa e daí ordenou que o levassem à gráfica para interditar o local. Mas meu marido lhe disse que era tarde demais: a impressora havia sido vendida no dia anterior.”
No entanto, a Bíblia não havia sido proibida. Assim, os irmãos continuaram a pregar de casa em casa, usando apenas a Bíblia. Eles também dirigiam estudos bíblicos. Mas, visto que o perigo de guerra pairava sobre a Ásia, os pioneiros estrangeiros foram orientados a voltar para a Austrália.
a Mais tarde, o pai e três irmãos mais novos de Felix também se tornaram Testemunhas de Jeová. Sua irmã, Josephine, se casou com André Elias, e os dois cursaram a Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia. A biografia dela foi publicada na Despertai! de setembro de 2009.
b Depois da Segunda Guerra Mundial, Frank voltou para a Austrália, casou e teve filhos. Ele terminou sua carreira terrestre em 1986.
c As gravuras se baseavam em Apocalipse 12:9 e 17:3-6.
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Sob o domínio japonêsAnuário das Testemunhas de Jeová de 2016
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INDONÉSIA
Sob o domínio japonês
No início de 1942, o exército japonês tomou conta da Indonésia de maneira firme e brutal. Muitos irmãos foram obrigados a realizar trabalhos braçais pesados, como construir estradas e abrir valas. Outros foram encarcerados em campos de prisão imundos e torturados por se recusarem a apoiar a guerra. Pelo menos três irmãos morreram na prisão.
Johanna Harp, suas duas filhas e Beth Godenze, uma amiga da família (centro)
Johanna Harp, uma irmã holandesa que vivia num povoado isolado nas montanhas de Java Oriental, conseguiu evitar ser presa nos primeiros dois anos da guerra. Ela e seus três filhos adolescentes aproveitaram sua liberdade para traduzir do inglês para o holandês o livro Salvação e alguns números de A Sentinela.a As publicações traduzidas eram então copiadas e distribuídas secretamente às Testemunhas de Jeová em Java.
As poucas Testemunhas de Jeová que ainda estavam livres se reuniam em grupos pequenos e pregavam com cautela. Josephine Elias (anteriormente Tan) disse: “Eu sempre procurava oportunidades para dar testemunho informal. Eu levava um tabuleiro de xadrez ao visitar pessoas interessadas para que os outros pensassem que iríamos apenas jogar.” Felix Tan e sua esposa pregavam de casa em casa fingindo vender sabonete. Felix disse: “Geralmente éramos seguidos por espiões da Kempeitai, a temida polícia militar japonesa. Para evitar suspeitas, visitávamos nossos estudantes em diferentes horários. Seis de nossos estudantes fizeram progresso e foram batizados durante a guerra.”
Divisão em Jacarta
Conforme os irmãos foram se adaptando aos tempos difíceis da guerra, logo enfrentaram outra grande prova. As autoridades japonesas ordenaram que todos os estrangeiros se registrassem e portassem um cartão de identidade com um juramento de lealdade ao Império Japonês. Muitos irmãos se perguntaram se deveriam ou não se registrar e assinar o cartão de identidade.
Josephine Elias com seu irmão Felix
Felix Tan explicou: “Os irmãos em Jacarta disseram que nós que estávamos em Sukabumi deveríamos nos recusar a assinar o cartão de identidade. Mas perguntamos às autoridades se poderíamos mudar os dizeres do cartão de ‘eu, que abaixo assino, juro lealdade ao’ para ‘eu, que abaixo assino, não impedirei o’ exército japonês. Para nossa surpresa, eles concordaram, e assim todos nós obtivemos cartões. Quando os irmãos em Jacarta souberam de nossa decisão, nos chamaram de apóstatas e cortaram relações conosco.”
Infelizmente, a maioria dos irmãos mais radicais em Jacarta foi presa e renunciou à verdade. Um desses irmãos que adotaram uma posição mais inflexível acabou na prisão com André Elias. André disse: “Raciocinei com ele sobre o assunto do cartão de identidade e o ajudei a ter um ponto de vista mais equilibrado. Ele humildemente pediu perdão por ter cortado relações conosco. Daí passamos momentos felizes encorajando um ao outro, mas infelizmente ele morreu por causa das duras condições da prisão.”
“Liberdade!”
Com o fim da guerra em 1945, os irmãos estavam ansiosos para continuar a obra de pregação. Um irmão que tinha sido preso e torturado escreveu à sede na Austrália: “Depois de quatro anos longos e desgastantes, aqui estou: íntegro e com a mesma determinação. Durante todas as minhas provações, nunca me esqueci dos irmãos. Poderiam me enviar alguns livros?”
As tão esperadas publicações logo chegaram ao país, no início aos poucos, depois em grandes carregamentos. Um grupo de dez publicadores em Jacarta retomou a tradução de publicações em indonésio.
Em 17 de agosto de 1945, os líderes do movimento de independência declararam que a Indonésia era uma república independente, dando início a uma revolução de quatro anos contra o domínio colonial holandês. Dezenas de milhares de pessoas morreram no caos que se seguiu, e mais de sete milhões de pessoas tiveram de deixar suas casas.
Durante toda a revolução, os irmãos continuaram a pregar de casa em casa. Josephine Elias disse: “Os patriotas tentaram nos obrigar a dar seu grito de guerra, ‘Liberdade!’, mas dissemos que éramos neutros em assuntos políticos.” Em 1949, os holandeses entregaram a soberania sobre sua colônia de longa data para a República dos Estados Unidos da Indonésia (hoje República da Indonésia).b
Em 1950, os irmãos da Indonésia já tinham suportado quase dez anos de conflito. Mas tinham muito trabalho pela frente. Como pregariam as boas novas aos muitos milhões de indonésios? Do ponto de vista humano, isso parecia impossível. No entanto, os irmãos continuaram a obra com plena fé, certos de que Jeová ‘mandaria trabalhadores para a Sua colheita’. (Mat. 9:38) E foi isso que Jeová fez.
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Chegam os missionários de GileadeAnuário das Testemunhas de Jeová de 2016
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A Congregação Surabaya, 1954
INDONÉSIA
Chegam os missionários de Gileade
Em julho de 1951, a pequena congregação em Jacarta se reuniu para dar boas-vindas a Peter Vanderhaegen, o primeiro missionário formado em Gileade a chegar à Indonésia. Até o fim daquele ano, mais 13 missionários chegaram da Alemanha, Austrália e Holanda, o que quase dobrou o número de publicadores no país.
Fredrika Renskers, uma missionária holandesa, disse: “Eu pensava que teria de ir de casa em casa usando gestos para me comunicar. Mas, como muitas pessoas falavam holandês, inicialmente eu quase só pregava nesse idioma.” Ronald Jacka, da Austrália, contou: “Alguns de nós usávamos um cartão de testemunho com uma pequena mensagem em indonésio. Eu lia o cartão antes de bater nas casas e tentava repetir as palavras de cabeça.”
Com os missionários na liderança da pregação, o número de publicadores logo aumentou de 34 para 91 em apenas um ano. Em 1.º de setembro de 1951, um escritório da Sociedade Torre de Vigia foi estabelecido na casa de André Elias, em Jacarta Central. Ronald Jacka foi designado supervisor da sede.
A pregação alcança outras regiões
Em novembro de 1951, Peter Vanderhaegen foi designado para Manado, Sulawesi do Norte, onde Theo Ratu e sua esposa tinham formado um pequeno grupo. A maioria das pessoas na localidade afirmava ser cristã e tinha grande respeito pela Bíblia. Muitos moradores convidavam as Testemunhas de Jeová para entrar e pediam explicações de doutrinas bíblicas. Geralmente os irmãos falavam com grupos de dez pessoas. Uns 15 minutos depois, umas 50 pessoas estavam escutando. Em menos de uma hora, a palestra tinha de continuar no quintal na frente da casa, com até 200 pessoas presentes.
No início de 1952, Albert e Jean Maltby abriram um lar missionário em Surabaya, Java Oriental, a segunda maior cidade da Indonésia. Seis irmãs missionárias se juntaram a eles: Gertrud Ott, Fredrika Renskers, Susie e Marian Stoove, Eveline Platte e Mimi Harp. Fredrika Renskers diz: “A maioria dos habitantes ali era muçulmana. Eram pessoas muito amigáveis, não radicais. Muitas delas pareciam estar esperando pela verdade, por isso era fácil iniciar estudos bíblicos. Em três anos, a Congregação Surabaya já tinha 75 publicadores.”
Missionários em Jacarta
Por volta daquela época, um muçulmano chamado Azis, de Padang, Sumatra Ocidental, escreveu para a sede pedindo ajuda para aprender mais sobre a Bíblia. Azis tinha estudado com pioneiros australianos nos anos 30, mas havia perdido contato com eles durante a ocupação japonesa. Daí, ele encontrou por acaso um livreto publicado pelas Testemunhas de Jeová. Ele escreveu: “Ver o endereço de Jacarta no livreto me reanimou.” A sede enviou prontamente o superintendente de circuito Frans van Vliet para Padang. Frans descobriu que Azis tinha falado com um vizinho, Nazar Ris, um funcionário público com sede espiritual. Os dois homens e suas famílias aceitaram a verdade. O irmão Azis se tornou um fiel ancião. Nazar Ris se tornou pioneiro especial, e muitos dos seus filhos são zelosas Testemunhas de Jeová.
Frans van Vliet e sua irmã mais nova Nel
Logo depois, Frans van Vliet foi a Balikpapan, Kalimantan Oriental. Ali, ele visitou um irmão holandês inativo que estava na Indonésia trabalhando na reconstrução de uma refinaria de petróleo danificada pela guerra. Frans trabalhou com ele na pregação e o incentivou a dirigir estudos bíblicos com várias pessoas interessadas. Antes de o irmão retornar para a Holanda, ele formou um pequeno grupo em Balikpapan.
Mais tarde, uma irmã recém-batizada, Titi Koetin, se mudou para Banjarmasin, Kalimantan do Sul. Ela pregou para os parentes na comunidade daiaque, ajudando muitos deles a aprender a verdade. Alguns desses novos voltaram para seus povoados isolados em Kalimantan e formaram grupos que se tornaram fortes congregações.
Produção de publicações em indonésio
Com o rápido crescimento da obra de pregação, os irmãos precisavam de ainda mais publicações em indonésio. Em 1951, o livro “Seja Deus Verdadeiro” foi traduzido para esse idioma, mas as autoridades revisaram a ortografia indonésia, tornando necessário que a sede revisasse a tradução.a Quando o livro foi finalmente publicado, despertou muito interesse no campo indonésio.
Em 1953, a sede imprimiu 250 exemplares de A Sentinela em indonésio, a primeira edição impressa nesse idioma em 12 anos. Inicialmente, a revista era mimeografada, tinha 12 páginas e continha apenas os artigos de estudo. Três anos depois, a revista aumentou para 16 páginas, e uma gráfica comercial imprimia 10 mil exemplares por mês.
Em 1957, passou a ser impressa a edição mensal de Despertai! em indonésio. Logo chegou à circulação de 10 mil exemplares. Visto que faltava papel para impressão em todo o país, os irmãos precisavam obter uma licença para comprar papel. O funcionário do governo que cuidou do pedido deles disse: “Acho a Menara Pengawal (Sentinela) uma das melhores revistas na Indonésia e fico muito feliz em ajudá-los com a licença para sua nova revista.”
a Desde 1945, houve duas grandes reformas na ortografia indonésia, em grande parte para substituir a grafia holandesa.
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A obra avança para o lesteAnuário das Testemunhas de Jeová de 2016
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INDONÉSIA
A obra avança para o leste
Em 1953, Peter Vanderhaegen foi designado para o serviço de circuito na Indonésia. Seu circuito incluía todo o país e se estendia 5.100 quilômetros de leste a oeste, e 1.800 quilômetros de norte a sul. A fim de cobrir essa vasta região, ele muitas vezes passou por situações incomuns.
Peter Vanderhaegen
Em 1954, o irmão Peter viajou para a região leste da Indonésia, uma área com várias formações religiosas. Essa região incluía as ilhas de Bali, com uma grande população hindu; Lombok e Sumbawa, com uma população predominantemente muçulmana; Flores, que é principalmente católica; e Sumba, Alor e Timor, que na maior parte é protestante. Viajando em um barco não muito resistente, ele foi pregando ao longo do caminho, fazendo breves paradas em várias ilhas até chegar a Kupang, capital de Timor. Ele contou: “Eu preguei em Timor por duas semanas. Apesar da chuva forte, distribuí todas as minhas publicações, consegui 34 assinaturas das revistas e iniciei vários estudos bíblicos.” Pioneiros especiais cultivaram o interesse demonstrado ali e formaram uma congregação em Kupang. De lá, as boas novas se espalharam pelas ilhas vizinhas de Rotè, Alor, Sumba e Flores.
Quando os clérigos protestantes em Kupang viram que seus seguidores davam atenção às Testemunhas de Jeová, ficaram cheios de ciúme e ira. Certo clérigo de destaque ordenou que Thomas Tubulau, um funileiro idoso que só tinha uma das mãos, parasse de estudar com as Testemunhas de Jeová. O clérigo acrescentou que, se Thomas não parasse de dizer a outros o que tinha aprendido, alguém seria morto. Thomas disse com coragem: “Nenhum cristão diria isso. Você nunca mais vai me ver na sua igreja.” Thomas se tornou um zeloso proclamador do Reino, e sua filha se tornou pioneira especial.
Mesmo assim, os clérigos em Timor estavam determinados a eliminar as Testemunhas de Jeová. Em 1961, eles conseguiram pressionar o Departamento de Assuntos Religiosos e as autoridades militares locais a proibir a pregação de casa em casa. O que os irmãos fizeram? Simplesmente ajustaram seus métodos de testemunho. Falavam com pessoas nos mercados e junto a poços, na praia com pescadores voltando da pesca e no cemitério com famílias que estivessem cuidando de sepulturas de parentes. Depois de um mês, as autoridades militares mudaram de ideia e anunciaram pelo rádio que todas as religiões em Timor estavam liberadas. Quando o Departamento de Assuntos Religiosos insistiu que a pregação de casa em casa continuasse proibida, os irmãos pediram que isso fosse colocado por escrito. As autoridades se recusaram. Após isso, os irmãos retomaram a pregação de casa em casa sem impedimento.
Quando os missionários Piet e Nell de Jager e Hans e Susie van Vuure chegaram a Papua em 1962, eles também enfrentaram oposição do clero da cristandade. Três ministros de destaque confrontaram os missionários e mandaram que eles pregassem em outro lugar. Tanto nos sermões religiosos como na página impressa e no rádio, os clérigos acusavam falsamente as Testemunhas de Jeová de incitar oposição ao governo. Eles também tentavam convencer os paroquianos a desistir de estudar com os missionários, ofereciam suborno ou até os ameaçavam. E pressionavam os chefes da comunidade local a se opor à pregação.
Mas esses esforços acabaram tendo um efeito contrário. O chefe de um povoado convidou os missionários a falar com as pessoas do seu vilarejo. Hans disse: “Depois de o chefe reunir as pessoas do povoado, eu e Piet fizemos dois breves discursos explicando nossa obra. Daí, nossas esposas demonstraram como bateríamos nas casas, aceitaríamos o convite para entrar e mostraríamos uma breve mensagem da Bíblia. O chefe e as pessoas do povoado gostaram de nossa apresentação e permitiram que realizássemos nosso trabalho livremente.”
Houve outros acontecimentos similares a esse. Raramente os muçulmanos se opunham à obra de pregação; quase sempre a oposição vinha do clero da cristandade. E continua assim até hoje.
‘Levados diante de governadores para darem testemunho’
Jesus disse a seus discípulos: “Vocês serão levados diante de governadores e reis, por minha causa, para darem testemunho a eles e às nações.” (Mat. 10:18) Vez após vez vemos na Indonésia como essas palavras são verdadeiras.
Em 1960, um importante teólogo holandês em Jacarta publicou um livro em que acusava as Testemunhas de Jeová de serem falsos cristãos. O livro levou muitos clérigos a partir para o ataque contra os irmãos. Por exemplo, os clérigos de uma cidade escreveram ao Departamento de Assuntos Religiosos acusando as Testemunhas de Jeová de “confundirem os membros” de outras religiões. Quando as autoridades convidaram os irmãos a se pronunciar, eles apresentaram os fatos e deram um bom testemunho. Certa autoridade religiosa aconselhou seu colega: “Deixe as Testemunhas de Jeová em paz. Elas estão despertando os protestantes sonolentos.”
Descarregando caixas do livro Paraíso, 1963
Em 1964, um grupo de clérigos protestantes em Papua recorreu à Comissão Parlamentar de Assuntos Religiosos e Sociais para proibir a obra das Testemunhas de Jeová. Com isso, os irmãos da sede solicitaram uma audiência diante da comissão para se defender. Tagor Hutasoit disse: “Falamos com a comissão por quase uma hora e explicamos claramente nossa obra educativa bíblica. Certo político protestante que se opunha a nós nos acusou falsamente de provocar distúrbios religiosos em Papua. Mas a maioria dos muçulmanos da comissão era compreensiva. Eles disseram: ‘A Constituição garante a liberdade de religião, por isso vocês têm o direito de pregar.’” Após essa reunião, uma alta autoridade governamental em Papua declarou: “O novo governo . . . mantém a liberdade de religião, e isso também se aplica a todas as novas religiões.”
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Chegam mais missionáriosAnuário das Testemunhas de Jeová de 2016
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INDONÉSIA
Chegam mais missionários
Em 9 julho de 1964, o Departamento de Justiça da Indonésia registrou oficialmente a Associação dos Estudantes da Bíblia, uma entidade jurídica usada pelas Testemunhas de Jeová. Mas, antes que os irmãos pudessem ter total liberdade de religião, eles precisavam ser registrados no Departamento de Assuntos Religiosos. Esse órgão consultou a Diretoria Geral da Comunidade Cristã, que era composta por protestantes rigorosos que se opunham fortemente às Testemunhas de Jeová.
Certo dia, um irmão conheceu uma autoridade de destaque que trabalhava de perto com o Ministério de Assuntos Religiosos. Os dois homens descobriram que eram do mesmo povoado, e daí tiveram uma conversa animada em sua língua nativa. Quando o irmão falou dos problemas que as Testemunhas de Jeová estavam tendo com a Diretoria Geral da Comunidade Cristã, o homem providenciou que três irmãos se reunissem com o ministro, um muçulmano agradável e compreensivo. Em 11 de maio de 1968, o ministro emitiu um decreto oficial reconhecendo as Testemunhas de Jeová como uma religião e reafirmando o direito delas de realizar sua obra na Indonésia.
Em vez de levar a questão à Diretoria Geral da Comunidade Cristã, aquela autoridade também se ofereceu para cuidar pessoalmente dos vistos dos missionários estrangeiros. Com a ajuda desse homem imparcial, 64 missionários entraram na Indonésia nos anos seguintes.
Em 1968, já havia mais de 1.200 publicadores e cerca de 300 missionários e pioneiros especiais divulgando as boas novas em toda a Indonésia. Os missionários deram valioso treinamento aos irmãos locais. Essa ajuda acelerou o progresso espiritual deles. O treinamento chegou na hora certa, pois as nuvens de perseguição se aproximavam rapidamente.
Um “presente de Natal” para os clérigos
Em 1974, a Diretoria Geral da Comunidade Cristã retomou sua antiga campanha para proibir a obra das Testemunhas de Jeová. O diretor-geral daquela diretoria escreveu a cada escritório regional do Departamento de Assuntos Religiosos, afirmando falsamente que as Testemunhas de Jeová não tinham reconhecimento legal. Ele incentivou as autoridades locais a agir contra os irmãos sempre que causassem “dificuldades” — um jeito disfarçado de motivar a perseguição contra o povo de Jeová. A maioria das autoridades não seguiu essa orientação. Mas outras aproveitaram a oportunidade para proibir as reuniões e a pregação de casa em casa.
Em 24 de dezembro de 1976, um jornal anunciou a proibição da obra das Testemunhas de Jeová
Por volta dessa época, o Conselho Mundial de Igrejas (CMI) planejava realizar uma assembleia internacional em Jacarta, algo que para os muçulmanos locais era uma afronta. Visto que as tensões religiosas aumentavam, o CMI cancelou a assembleia. No entanto, o proselitismo cristão tinha se tornado um assunto polêmico, e muitos políticos estavam apreensivos. Como era de esperar, os clérigos tentaram culpar as Testemunhas de Jeová por reclamarem abertamente de sua pregação. Isso fez com que mais autoridades tivessem uma opinião negativa das Testemunhas de Jeová.
Em dezembro de 1975, com as tensões religiosas ainda aumentando, a Indonésia invadiu o Timor-Leste, uma ex-colônia portuguesa. Sete meses depois, o Timor-Leste passou a fazer parte da Indonésia, aumentando o fervor patriótico em todo o país. Mas os irmãos permaneceram politicamente neutros e se recusaram a prestar serviço militar ou a saudar a bandeira. Isso despertou a ira de importantes comandantes militares. (Mat. 4:10; João 18:36) Como último golpe, os clérigos exigiram que o governo agisse contra as Testemunhas de Jeová. Por fim, em meados de dezembro de 1976, os clérigos receberam seu “presente de Natal”: o governo anunciou que as Testemunhas de Jeová estavam proscritas.
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Uma assembleia inesquecívelAnuário das Testemunhas de Jeová de 2016
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INDONÉSIA
Uma assembleia inesquecível
DE 15 a 18 de agosto de 1963, centenas de publicadores de todo o país e 122 visitantes internacionais foram à cidade de Bandung, Java Ocidental. Eles vieram para a Assembleia “Boas Novas Eternas”, a primeira assembleia internacional realizada na Indonésia.
Os irmãos tiveram de vencer vários desafios para realizar a assembleia. O local foi mudado três vezes devido às comemorações do Dia da Independência. Por causa da inflação, as autoridades aumentaram a tarifa dos transportes em 400%. Com isso, alguns irmãos simplesmente ajustaram seu meio de transporte. Para chegar à assembleia, certo irmão caminhou por seis dias. Já 70 irmãos de Sulawesi viajaram cinco dias em barcos lotados, em conveses ao ar livre.
Na assembleia, os irmãos indonésios ficaram emocionados de conhecer seus irmãos cristãos de outros países, incluindo dois membros do corpo governante, Frederick Franz e Grant Suiter. Um irmão que estava visitando disse: “Os irmãos aqui parecem tão felizes; eles dão muitas risadas e estão sempre sorrindo.”
Mais de 750 pessoas assistiram à assembleia, e 34 foram batizadas. Ronald Jacka disse: “Essa assembleia histórica motivou muitos interessados a servir a Jeová. E deixou os irmãos empolgados para realizar a obra de Deus.”
1963, Ronald Jacka (à direita), com um intérprete, dando um discurso na Assembleia “Boas Novas Eternas”
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Decididos a prosseguirAnuário das Testemunhas de Jeová de 2016
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Assembleia realizada sob proscrição com parte da assistência em um barco
INDONÉSIA
Decididos a prosseguir
Quando os irmãos na sede ficaram sabendo da proscrição, agiram imediatamente. Ronald Jacka conta: “Transferimos nossos registros confidenciais, suprimentos de publicações e recursos financeiros da sede para lugares seguros espalhados por toda Jacarta. Daí, mudamos a sede para um local secreto e discretamente vendemos a propriedade anterior.”
No geral, os irmãos mostraram coragem e permaneceram ativos. Antes da proscrição, eles tinham enfrentado duras provações, mas continuaram a confiar em Jeová. No entanto, alguns irmãos foram pegos desprevenidos. Houve casos de anciãos que ficaram com medo e assinaram documentos concordando em parar de pregar. Outros revelaram o nome de membros da congregação. A sede do país enviou irmãos maduros para fortalecer as congregações e ajudar os que tinham cedido à pressão. John Booth, membro do Corpo Governante, também visitou a Indonésia e deu conselhos amorosos muito necessários.
Sem dúvida Jeová, o Grandioso Pastor, estava fortalecendo e consolando seu povo. (Eze. 34:15) Cada vez mais os anciãos passaram a exercer a liderança espiritual, e os publicadores encontraram formas novas e discretas de pregar. (Mat. 10:16) Por exemplo, muitos irmãos compravam Bíblias modernas e de preço acessível da Sociedade Bíblica Indonésia. Eles as ofereciam aos moradores e, sempre que possível, apresentavam a mensagem do Reino com tato. Outros distribuíam nossas publicações às pessoas interessadas depois de arrancar a página editora. Muitos pioneiros continuaram a pregar fingindo ser vendedores de porta em porta, assim como os irmãos haviam feito anos antes durante a ocupação japonesa.
Margarete e Norbert Häusler
Então, em 1977, o Departamento de Assuntos Religiosos atacou de novo as Testemunhas de Jeová — eles se recusaram a renovar o visto dos missionários. A maioria dos missionários recebeu novas designações em outros países.a Norbert Häusler, que serviu com a esposa, Margarete, em Manado, Sulawesi do Norte, diz: “Centenas de irmãos vieram se despedir de nós no aeroporto. Caminhamos até as escadas do avião e olhamos para trás. Um mar de pessoas acenava para nós, e as seguintes palavras ecoavam pela pista: ‘Obrigado. Obrigado por tudo.’ Entramos no avião e começamos a chorar.”
Maus-tratos em Sumba
Conforme a notícia da proibição da obra se espalhava pelo país, a União de Igrejas da Indonésia incentivava seus membros a denunciar qualquer atividade das Testemunhas de Jeová para as autoridades. Isso deu início a uma onda de prisões e interrogatórios em muitas ilhas.
Em Waingapu, na ilha de Sumba, o comandante militar distrital convocou 23 irmãos a comparecer ao campo militar e mandou que assinassem uma declaração renunciando sua fé. Quando os irmãos se recusaram a fazer isso, o comandante ordenou que retornassem no dia seguinte, uma viagem de 14 quilômetros a pé, ida e volta.
Os irmãos se apresentaram ao comandante cedo na manhã seguinte. Eles foram chamados um por vez e ordenados a assinar a declaração. Quando um irmão se recusava a assinar, soldados o espancavam com galhos cheios de espinhos. Os soldados ficavam tão violentos que chegavam a deixar alguns irmãos inconscientes. Enquanto isso, os outros irmãos esperavam sua vez. Por fim, um irmão jovem chamado Mone Kele deu um passo à frente, pegou a declaração e começou a escrever nela. Ao verem isso, bateu uma tristeza no coração dos irmãos. E o comandante? Ele ficou louco de raiva, porque o que Mone tinha escrito era: “Vou ser Testemunha de Jeová para sempre!” Mone foi espancado e acabou no hospital, mas permaneceu leal a Jeová.
Por 11 dias o comandante tentou fazer com que os irmãos desistissem de sua fé. Ele mandou que ficassem de pé o dia inteiro no sol quente. Também os forçou a engatinhar por vários quilômetros e a correr longas distâncias com cargas pesadas. Com uma arma no pescoço deles, o comandante lhes ordenou que saudassem a bandeira; mesmo assim, eles recusaram. Por isso, o comandante mandou que eles fossem espancados ainda mais.
Toda manhã os irmãos se arrastavam para o campo se perguntando que novos tormentos os aguardavam. No caminho, eles oravam juntos e encorajavam uns aos outros a permanecer leal. No fim de cada dia, eles voltavam para casa muito feridos, mas alegres de terem permanecido fiéis a Jeová.
Ao saber que os irmãos estavam sendo maltratados, a sede da Indonésia imediatamente protestou contra isso, telegrafando para comandantes militares importantes em Waingapu, Timor, Bali e Jacarta, além de outras autoridades de destaque. Envergonhado de que seu tratamento cruel estava sendo conhecido em toda a Indonésia, o comandante militar em Waingapu parou de perseguir os irmãos.
“As Testemunhas de Jeová são como pregos”
Nos anos que se seguiram, inúmeras Testemunhas de Jeová em toda a Indonésia foram presas, interrogadas e agredidas fisicamente. Bill Perrie, que serve como missionário, conta: “Em certa região, muitos irmãos perderam os dentes da frente em resultado de espancamento. Quando encontravam um irmão que ainda tinha os dentes da frente, eles brincavam: ‘Você ainda tem dentes? Ou você é novo na verdade ou não está permanecendo fiel!’ Apesar dessas provações, aqueles que foram perseguidos nunca perderam a alegria e o zelo de servir a Jeová.”
“Estar na prisão me ensinou a confiar mais em Jeová e, na verdade, me fortaleceu espiritualmente.”
Num período de 13 anos, 93 Testemunhas de Jeová receberam sentenças que variavam de dois meses a quatro anos de prisão. Esses maus-tratos apenas fortaleceram sua determinação de permanecerem leais a Jeová. Depois de cumprir oito meses de prisão, Musa Rade visitou os irmãos em sua região para incentivá-los a continuar a pregar. Ele disse: “Estar na prisão me ensinou a confiar mais em Jeová e, na verdade, me fortaleceu espiritualmente.” Não é de admirar que algumas pessoas tenham dito: “As Testemunhas de Jeová são como pregos. Quanto mais você bate nelas, mais firmes elas ficam.”
Publicadores indo pregar em Ambon, Molucas
a Três missionários foram autorizados a ficar no país: Marian Tambunan (antes Stoove), pois tinha se casado com um indonésio, e os veteranos Peter Vanderhaegen e Len Davis, porque tinham mais de 60 anos. Os três permaneceram ativos e tiveram um ministério produtivo durante a proscrição.
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Eles não deixaram de se reunirAnuário das Testemunhas de Jeová de 2016
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Os irmãos aproveitavam casamentos para realizar assembleias
INDONÉSIA
Eles não deixaram de se reunir
Durante a proscrição, a maioria das congregações continuou a se reunir na casa dos irmãos. Mas, para evitar chamar atenção, muitas congregações não cantavam os cânticos do Reino. As autoridades invadiam alguns locais de reunião, mas em geral isso não era um grande problema.
Muitas vezes os irmãos usavam reuniões de família e festas de casamento para realizar assembleias. Tagor Hutasoit disse: “Os casais costumavam registrar seu casamento e obter uma permissão da polícia para fazer uma grande festa. Nessa ocasião, os noivos ficavam sentados no palco enquanto os irmãos proferiam vários discursos bíblicos.”
Em certa assembleia, um policial foi falar com Tagor.
O policial perguntou: “A maioria dos casamentos dura apenas duas ou três horas. Por que os casamentos de vocês duram o dia inteiro?”
Tagor respondeu: “Alguns noivos têm vários problemas e precisam de muitos conselhos da Bíblia.”
Satisfeito, o policial respondeu: “É, faz sentido.”
Certa vez, os irmãos conseguiram realizar parte do Congresso de Distrito “Unidade do Reino”, de 1983, num grande estádio em Jacarta. Como? Eles usaram um disfarce: realizaram vários casamentos de uma só vez. Um auge de quase 4 mil irmãos e pessoas interessadas assistiu ao congresso, e 125 pessoas foram batizadas de modo discreto antes do programa. Mais tarde, quando a proscrição já não era tão severa, os irmãos realizaram congressos ainda maiores: num desses congressos a assistência foi de mais de 15 mil pessoas.
Construção da sede sob proscrição
Nos anos 80 e 90, a sede pediu vez após vez ao governo que acabasse com a proscrição das Testemunhas de Jeová. Irmãos ao redor do mundo também escreveram aos embaixadores da Indonésia em seus países e ao governo indonésio perguntando por que as Testemunhas de Jeová estavam proscritas. Muitas autoridades eram a favor de acabar com a proscrição, mas várias vezes a influente Diretoria Geral da Comunidade Cristã atrapalhou seus esforços.
Em 1990, os irmãos acharam que daria para construir uma nova sede num local discreto. Naquele mesmo ano, o Corpo Governante aprovou a compra de uma propriedade perto de Bogor, uma pequena cidade a cerca de 40 quilômetros ao sul de Jacarta. Mas poucos irmãos locais sabiam trabalhar com construção. Como então a nova sede seria construída?
A resposta veio da fraternidade internacional. O Escritório de Construção em Brooklyn, EUA, e o Escritório Regional de Engenharia na Austrália enviaram as plantas. Uns cem voluntários internacionais com experiência em construção participaram nesse projeto de dois anos.
Hosea Mansur, um irmão indonésio que agia como intermediário com as autoridades locais, disse: “Quando autoridades muçulmanas viram as iniciais do meu nome no meu capacete, H.M., imaginaram que a letra H significava ‘Hājjī’, um título muito respeitado dado aos que fazem peregrinação para Meca. Por isso, eles me trataram com muito respeito. Esse pequeno mal-entendido facilitou a organização da obra.”
Esta sede foi construída durante a proscrição
A nova sede foi dedicada em 19 de julho de 1996. John Barr, membro do Corpo Governante, fez o discurso de dedicação. Entre os 285 presentes estavam 118 servos do tempo integral especial de outros países, ex-missionários e os 59 membros da família de Betel da Indonésia. Nos dois dias que se seguiram, 8.793 pessoas assistiram ao Congresso de Distrito “Mensageiros da Paz Divina” em Jacarta.
Jeová liberta seu povo
Em 1998, o presidente da Indonésia, Soeharto (Suharto), renunciou ao cargo depois de um longo mandato, abrindo o caminho para um novo governo. Os irmãos, por sua vez, aumentaram seus esforços para que a proscrição à nossa obra fosse suspensa.
Em 2001, o Secretário de Estado da Indonésia, Djohan Effendi, visitou Nova York e conheceu o Betel de Brooklyn. Lá, ele se reuniu com três membros do Corpo Governante. Djohan Effendi ficou muito impressionado com tudo o que viu e admitiu que as Testemunhas de Jeová têm uma boa reputação no mundo inteiro. Ele era a favor de acabar com a proscrição, mas disse que a decisão final estava nas mãos do procurador-geral da Indonésia, Marzuki Darusman.
O procurador-geral também concordava com o fim da proscrição, mas havia autoridades em seu departamento que se opunham à nossa obra. Por isso, ficavam adiando uma decisão na esperança de que o procurador-geral fosse logo substituído. Finalmente, em 1.º de junho de 2001, Tagor Hutasoit foi chamado ao escritório do procurador-geral. Tagor disse: “Uns 25 anos atrás, naquele mesmo escritório, me entregaram um documento que informava que as Testemunhas de Jeová estavam proscritas. Mas, naquele dia, o último do procurador-geral no cargo, ele me deu um documento que anulava a proscrição.”
Em 22 de março de 2002, o Departamento de Assuntos Religiosos deu o registro legal para as Testemunhas de Jeová na Indonésia. O diretor-geral do departamento disse aos representantes da sede: “Não é esse registro que dá a vocês a liberdade de adoração. É Deus quem dá essa liberdade. Tudo o que esse documento faz é declarar que sua religião é reconhecida oficialmente pelo governo. Vocês têm agora os mesmos direitos que as outras religiões, e o governo está ao seu dispor.”
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Amor cristão quando ocorrem desastresAnuário das Testemunhas de Jeová de 2016
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INDONÉSIA
Amor cristão quando ocorrem desastres
A VIDA dos indonésios frequentemente é afetada por terremotos, tsunamis e vulcões. Mas, quando um desastre acontece, as Testemunhas de Jeová agem rapidamente para ajudar as vítimas, em especial seus irmãos na fé. Por exemplo, em 2005, um terremoto muito forte arrasou Gunungsitoli, a maior cidade na ilha de Nias, em Sumatra do Norte. Sem demora, as congregações na ilha de Sumatra, que fica perto de Nias, e a sede do país enviaram suprimentos para a região afetada. O superintendente daquele circuito e um representante da sede viajaram até a ilha para encorajar e consolar os irmãos. Yuniman Harefa, ancião de uma congregação em Nias, disse: “As pessoas à nossa volta estavam paralisadas de medo. Mas a organização de Deus agiu bem rápido, o que nos deu a certeza de que não estávamos sozinhos.”
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A obra ganha impulsoAnuário das Testemunhas de Jeová de 2016
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Pregando em uma feira em Jacarta
INDONÉSIA
A obra ganha impulso
A notícia de que as Testemunhas de Jeová haviam recebido liberdade de adoração foi um golpe duro para os líderes das igrejas da cristandade. Para exigir que o governo voltasse atrás na decisão, sete igrejas protestantes realizaram um seminário em Jacarta. Mais de 700 clérigos e líderes dessas igrejas estiveram presentes. Mas o governo não cedeu.
Ao passo que a notícia do fim da proscrição se espalhava pelo país, muitas pessoas interessadas escreviam à sede pedindo publicações ou estudos bíblicos. Em 2003, mais de 42 mil pessoas assistiram à Celebração — mais do que o dobro de publicadores no país. No mesmo ano, mais de 10 mil pessoas assistiram a uma assembleia em Jacarta, incluindo uma autoridade importante do Departamento de Assuntos Religiosos. Ele ficou impressionado de ver adultos e crianças procurarem em suas Bíblias os textos citados. A autoridade garantiu aos irmãos que estava decidido a corrigir as ideias erradas das pessoas sobre as Testemunhas de Jeová.
O fim da proscrição abriu as portas para que missionários voltassem ao país. Os primeiros a voltar foram Josef e Herawati Neuhardta (das ilhas Salomão), Esa e Wilhelmina Tarhonen (de Taiwan), Rainer e Felomena Teichmann (de Taiwan), e Bill e Nena Perrie (do Japão). Depois deles, missionários recém-formados em Gileade foram designados para Sumatra do Norte, Kalimantan, Sulawesi do Norte e outras áreas mais afastadas.
“Eu gostei muito de poder ajudar os alunos a melhorar seu ensino e sua oratória.” — Julianus Benig
Em 2005, a sede deu início a duas novas escolas teocráticas. Uma delas foi a Escola de Treinamento Ministerial (agora Escola para Evangelizadores do Reino). Julianus Benig, instrutor dessa escola, disse: “Eu gostei muito de poder ajudar os alunos a melhorar seu ensino e sua oratória, e também a se tornarem ainda mais úteis para a organização.” Muitos dos que se formaram nessa escola hoje são pioneiros especiais ou superintendentes de circuito. A outra escola foi a Escola para Superintendentes Viajantes (agora Escola para Superintendentes de Circuito e Suas Esposas). A maioria dos irmãos da primeira turma dessa escola havia recebido seu primeiro treinamento na época em que a obra estava proscrita. A nova escola os ajudou a cuidar de suas designações após o fim da proscrição. Ponco Pracoyo, da primeira turma, disse: “A escola me ajudou a ter mais empatia e a entender a seriedade de meu papel como superintendente de circuito. Ela me fortaleceu e me motivou muito!”
Atendendo a uma necessidade urgente
Durante os 25 anos da proscrição, a maioria das congregações na Indonésia se reunia em casas pequenas. Poucas congregações tinham recursos para construir um Salão do Reino, e obter alvarás de construção era quase impossível. Como muitas congregações já estavam transbordando de publicadores, os irmãos precisavam de novos locais de reunião. Para cuidar dessa necessidade urgente, a sede criou um Departamento de Construção de Salões do Reino (agora Departamento Local de Projeto/Construção).
Uma das primeiras regiões a entrar no novo programa de construção foi a ilha Nias, em Sumatra do Norte. Haogo’aro Gea, que há muitos anos pertence à Congregação Gunungsitoli, diz: “Quando soubemos que teríamos um novo Salão do Reino, ficamos muito felizes. A sede mandou sete voluntários para supervisionar a construção. O salão ficou pronto em 2001.” Faonasökhi Laoli, membro da comissão local de construção, conta: “Antes, nós nos reuníamos em casas pequenas, e as pessoas menosprezavam as Testemunhas de Jeová. Mas, assim que o Salão do Reino ficou pronto, a média de assistência pulou de 20 para 40. Em menos de um ano, nosso aumento já ultrapassava 500%. Nosso salão é mais bonito que os prédios religiosos daqui da região, e agora as pessoas respeitam as Testemunhas de Jeová.”
Salão do Reino em Bandung
Em 2006, em Bandung, Java Ocidental, os irmãos começaram a procurar um local para construir o primeiro Salão do Reino da cidade. Singap Panjaitan, um dos anciãos que participou da comissão de construção, diz: “Levou um ano para encontrarmos o local adequado. Mas as autoridades só nos dariam o alvará de construção se conseguíssemos a autorização de pelo menos 60 vizinhos que não fossem Testemunhas de Jeová. Conseguimos a autorização de 76 vizinhos. Até mesmo uma mulher influente, que no começo não queria a construção, acabou concordando. Quando o salão ficou pronto, nós preparamos uma recepção e convidamos as pessoas da região e o prefeito de Bandung. O prefeito falou: ‘O local de vocês é muito limpo e organizado. É um padrão para todas as outras igrejas.’” O Salão do Reino, de dois andares, foi dedicado em 2010.
Desde 2001, já foram construídos mais de cem Salões do Reino na Indonésia, mas a necessidade ainda é grande.
a A biografia de Herawati Neuhardt foi publicada na Despertai! de fevereiro de 2011.
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Declarando o nome de Jeová com orgulhoAnuário das Testemunhas de Jeová de 2016
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INDONÉSIA
Declarando o nome de Jeová com orgulho
Durante os muitos anos da proscrição, os irmãos na Indonésia precisaram seguir o conselho de Jesus: “Sejam cautelosos como as serpentes, mas inocentes como as pombas.” (Mat. 10:16) Mas, com a obra liberada, muitos tiveram de aprender a pregar “com coragem”. — Atos 4:31.
Por exemplo, alguns irmãos hesitavam em pregar de casa em casa e se concentravam nas revisitas e nos estudos bíblicos. Outros preferiam não falar com muçulmanos. Havia também aqueles que, em vez de se apresentarem como Testemunhas de Jeová, apenas diziam que eram cristãos. Eles até mesmo preferiam usar traduções da Bíblia feitas por outras religiões a usar a Tradução do Novo Mundo.a E ainda outros não costumavam oferecer publicações bíblicas.
Alguns desses hábitos foram herdados da época da proscrição. Outros tinham raízes na própria cultura indonésia: as pessoas preferem ceder a arrumar briga; preferem ser mais sutis a falar logo o que pensam. Como ajudar os irmãos a corrigir seu modo de pensar?
Jeová forneceu essa ajuda por meio de conselhos bondosos de irmãos experientes. (Efé. 4:11, 12) Por exemplo, quando Stephen Lett, membro do Corpo Governante, visitou a Indonésia em 2010, ele incentivou os irmãos a defender o nome de Deus por usarem a Tradução do Novo Mundo na pregação. Misja Beerens, que serve como missionário, conta: “O discurso do irmão Lett mexeu muito com os publicadores. Eles viram a importância de as Testemunhas de Jeová se destacarem como diferentes e de defenderem com orgulho a Palavra de Deus.”
Muitas vezes os muçulmanos indonésios associam as Testemunhas de Jeová com outras religiões que se dizem cristãs. Por isso, o Ministério do Reino em indonésio deu uma sugestão bem útil: “Geralmente é melhor se identificar como Testemunha de Jeová logo no início da conversa. . . . Temos orgulho de representar a Jeová, e queremos que as pessoas de nosso território saibam seu nome e o que ele fará no futuro.” Shinsuke Kawamoto, que serve na sede da Indonésia, diz: “Essa abordagem é direta, mas, como é feita com tato, dá certo. Muitos muçulmanos têm curiosidade sobre as Testemunhas de Jeová. Eles querem saber por que somos diferentes. Isso nos dá uma ótima oportunidade de falar sobre a verdade.”
Outro incentivo que os publicadores receberam foi aumentar a distribuição de A Sentinela e Despertai!. Lothar Mihank, coordenador da Comissão de Filial, explica: “As pessoas só vão saber quem a gente é se lerem nossas revistas. Elas ‘preparam o terreno’ e deixam as pessoas mais receptivas à verdade. Quando distribuímos as revistas em toda ocasião, damos a mais pessoas a oportunidade de aprender sobre Jeová.”
O testemunho público faz sucesso
Em 2013, a sede da Indonésia começou a realizar dois novos métodos de pregação, aprovados pelo Corpo Governante: o testemunho público especial em regiões metropolitanas e o testemunho público pelas congregações. Esses métodos inovadores permitem que cada vez mais pessoas na Indonésia ouçam as boas novas.
Um dos primeiros locais a ter uma mesa de testemunho público foi um grande shopping de eletrônicos em Jacarta Ocidental. Depois, as congregações começaram a colocar carrinhos e mesas em seus territórios. Em menos de um ano, já havia mais de 400 carrinhos e mesas espalhados em várias cidades de toda a Indonésia. Será que esse novo método de pregação está dando certo?
Yusak Uniplaita, um ancião em Jacarta, conta: “Antes do testemunho público, a nossa congregação pedia por mês 1.200 revistas. Seis meses depois, começamos a pedir 6 mil revistas. E agora estamos pedindo 8 mil. Nós também estamos distribuindo muitos livros e brochuras.” Em Medan, Sumatra do Norte, um pequeno grupo de pioneiros colocou carrinhos em três lugares. Só no primeiro mês, foram deixados 115 livros e umas 1.800 revistas. Dois meses depois, uns 60 pioneiros em sete lugares distribuíram mais de 1.200 livros e 12.400 revistas. Jesse Clark, que serve como missionário, diz: “Os irmãos estão muito empolgados. Com esses novos métodos de pregação, vimos que a obra na Indonésia tem um grande potencial de crescimento. Sem dúvida, o testemunho público veio para ficar!”
Usando o idioma que toca o coração
A Indonésia está bem no meio de uma das regiões de maior variedade linguística do mundo.b Embora a maioria das pessoas fale o indonésio, muitas também falam algum outro idioma local — o idioma que toca o seu coração.
Equipe de tradução do bataque-toba, Sumatra do Norte
Em 2012, a sede da Indonésia fez um levantamento das necessidades desse campo linguístico tão variado. Tom Van Leemputten diz: “Nós começamos a traduzir publicações para 12 idiomas que são falados por uns 120 milhões de pessoas. Quando os tradutores do javanês viram impresso o primeiro folheto nesse idioma, eles choraram de alegria. Finalmente tinham alimento espiritual na sua própria língua!”
Apesar disso, quase todas as congregações continuavam a realizar reuniões em indonésio, mesmo em áreas em que a maioria das pessoas falava um idioma nativo. Lothar Mihank se lembra: “Em 2013, eu e minha esposa, Carmen, assistimos a uma assembleia de dois dias na ilha Nias, em Sumatra do Norte. Havia umas 400 pessoas na assistência. A maioria falava o idioma nias, mas todos os discursos foram em indonésio. Depois de consultar os oradores, anunciamos para a assistência que o programa do segundo dia seria em nias. No dia seguinte, o auditório ficou lotado com mais de 600 pessoas.” Carmen acrescenta: “Ficou claro que a assistência prestou mais atenção ao programa em nias do que no dia anterior, quando os discursos foram feitos em indonésio. Eles ficaram muito felizes de ouvir — e entender plenamente — a mensagem da Bíblia em sua própria língua.”
Pregando as boas novas a uma surda
Os surdos na Indonésia também estão “ouvindo” a verdade em sua língua. Desde 2010, a equipe de tradução para a língua de sinais indonésia já produziu sete brochuras e oito folhetos nesse idioma. Além disso, a sede da Indonésia organizou um curso de língua de sinais. Com isso, mais de 750 irmãos em 24 turmas já receberam treinamento. Hoje, há 23 grupos e congregações em língua de sinais na Indonésia. Eles procuram consolar com as boas novas do Reino os mais de três milhões de surdos que moram no país.
Atualmente, o Departamento de Tradução tem 37 equipes de tradução. Há 117 tradutores e 50 irmãos que prestam serviços de apoio em 19 locais espalhados pela Indonésia.
a Depois de sete anos de muito trabalho sob proscrição, a Tradução do Novo Mundo completa em indonésio foi lançada em 1999. Alguns anos depois, também foram traduzidos para o indonésio os volumes da enciclopédia bíblica Estudo Perspicaz das Escrituras e a Watchtower Library (Biblioteca da Torre de Vigia) em CD-ROM — uma façanha e tanto!
b Na Indonésia são falados 707 idiomas. Na vizinha Papua-Nova Guiné, que fica ao leste, são falados 838.
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Um Betel nas nuvensAnuário das Testemunhas de Jeová de 2016
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INDONÉSIA
Um Betel nas nuvens
Escritórios no 31.º andar
Em 2008, o número de publicadores na Indonésia chegou a 21.699. A sede da Indonésia não tinha mais para onde crescer. Além disso, como havia sido construída durante a proscrição, ela ficava em um lugar que não era muito fácil de chegar. Sem dúvida, os irmãos precisavam de um novo Betel, mais perto de Jacarta.
Uns dois anos mais tarde, os irmãos compraram um lugar para a nova sede que era bem diferente do anterior: o 31.º andar de um prédio ultramoderno de 42 andares que fica perto do centro de Jacarta. Depois, foram comprados 12 andares de um prédio residencial próximo para acomodar 80 ou mais betelitas. Os irmãos também adquiriram um prédio de cinco andares, onde ficam alguns departamentos que cuidam do lar de Betel.
As acomodações dos betelitas ocupam 12 andares
Servos de construção de diferentes países e empresas terceirizadas locais trabalharam na reforma dos escritórios e apartamentos. Darren Berg, encarregado da construção, diz: “Tivemos de enfrentar problemas bem complicados, mas Jeová nos ajudou a resolver todos eles. Por exemplo, nós queríamos instalar um sistema de tratamento de água e esgoto bem moderno. Mas as autoridades não conheciam a tecnologia e se recusaram a aprovar o projeto. Então, um engenheiro indonésio que é Testemunha de Jeová levou o nosso caso para uma autoridade superior. Essa autoridade disse que confiava totalmente na recomendação do irmão e aprovou na hora o nosso projeto.”
“Não precisamos mais nos esconder. Agora as pessoas veem as Testemunhas de Jeová. Elas podem ver que viemos para ficar”
A nova sede foi dedicada em 14 de fevereiro de 2015. Anthony Morris III, membro do Corpo Governante, fez o discurso de dedicação. Vincent Ipikkusuma, que serve na Comissão de Filial da Indonésia, diz: “Estamos agora em um bairro nobre, no meio das organizações mais importantes da Indonésia. Não precisamos mais nos esconder. Agora as pessoas veem as Testemunhas de Jeová. Elas podem ver que viemos para ficar.”
Comissão de Filial, da esquerda para a direita: Budi Sentosa Lim, Vincent Ipikkusuma, Lothar Mihank, Hideyuki Motoi
“Pregar aqui parece um sonho!”
Nos últimos anos, muitos irmãos do mundo inteiro se mudaram para a Indonésia para servir onde há mais necessidade. Lothar Mihank explica: “Esses irmãos que vieram de outros lugares têm um papel muito importante em países como o nosso. Eles trazem para as congregações uma bagagem de experiência, madureza e entusiasmo. Eles nos ajudam a ser ainda mais gratos pela nossa fraternidade mundial.” Mas o que motivou esses irmãos a se mudar? E como eles se sentem com a mudança? Veja o que alguns deles dizem.
Eles se colocaram à disposição
1. Janine e Dan Moore
2. Mandy e Stuart Williams
3. Casey e Jason Gibbs
4. Mari (à direita, na frente) e Takahiro Akiyama (à direita, no fundo)
Jason e Casey Gibbs, dos Estados Unidos, contam: “Com a ajuda do Anuário, analisamos a quantidade de publicadores em vários países. Vimos que, se compararmos com a população total, a Indonésia é um país com poucas Testemunhas de Jeová. Então, uns amigos nossos que serviam onde havia mais necessidade nos disseram que a Indonésia tinha muito potencial. Telefonamos para a sede da Indonésia, e eles sugeriram que fôssemos para Bali. O campo de língua inglesa estava começando, e nós poderíamos ajudar logo de início. Nosso plano era ficar só um ano, mas já faz três que estamos aqui. Conversamos com muita gente que nunca havia ouvido falar das Testemunhas de Jeová. Pregar aqui dá muita satisfação!”
Stuart e Mandy Williams, um casal de meia-idade da Austrália, dizem: “Queríamos encontrar pessoas com sede espiritual, por isso decidimos nos mudar para a Indonésia. Em Malang, Java Oriental, centenas de alunos universitários que falam inglês estão ansiosos de escutar as boas novas. E eles amam o site jw.org! A obra de pregação aqui é boa demais.”
Takahiro e Mari Akiyama, pioneiros em Yogyakarta, na ilha de Java, contam: “Aqui nos sentimos mais seguros do que no Japão, onde morávamos. As pessoas são bondosas e educadas. Muitas delas, especialmente os jovens, têm curiosidade de aprender sobre outras religiões. Certa vez, enquanto trabalhávamos na mesa de testemunho público, distribuímos cerca de 2.600 revistas em apenas cinco horas.”
Dan e Janine Moore, um casal de quase 60 anos, explicam: “Quando estamos na pregação, as pessoas ficam ao nosso redor. Nós sorrimos para elas; elas sorriem de volta. Primeiro elas ficam curiosas; depois, interessadas; daí, empolgadas. Quando mostramos algo na Bíblia, algumas dizem: ‘Posso anotar isso?’ Elas ficam impressionadas com a sabedoria da Bíblia. Já estamos aqui há um ano e nos arrependemos de não ter vindo antes. Procurávamos um lugar onde poucos tivessem ouvido a verdade, e encontramos!”
Misja e Kristina Beerens foram para a Indonésia como missionários em 2009 e hoje estão no circuito. Eles contam: “Mesmo na ilha de Madura, em Java Oriental, onde os muçulmanos são mais tradicionais, é impressionante como as pessoas reagem bem à nossa pregação. Elas encostam seus carros para pedir revistas e dizem: ‘Sou muçulmano, mas gosto muito de ler essas revistas. Posso pegar mais algumas para meus amigos?’ Pregar aqui parece um sonho!”
Campos brancos para a colheita
Em 1931, quando Frank Rice chegou a Jacarta, havia uns 60 milhões de pessoas na Indonésia. Hoje a população chega a quase 260 milhões, o que faz da Indonésia o quarto país mais populoso do mundo.
Nesse meio-tempo, as Testemunhas de Jeová na Indonésia também tiveram um aumento impressionante. Em 1946, pouco tempo após o fim da Segunda Guerra Mundial, havia dez publicadores fiéis. Hoje, o país tem mais de 26 mil publicadores, uma prova das bênçãos de Jeová. E, com uma assistência de 55.864 na Celebração de 2015, há um grande potencial de aumento.
Jesus disse: “A colheita, realmente, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, peçam ao Senhor da colheita que mande trabalhadores para a Sua colheita.” (Mat. 9:37, 38) Os servos de Jeová na Indonésia repetem essas palavras. Eles estão decididos a continuar se esforçando para que o grande nome de Jeová seja santificado nessas ilhas da Indonésia. — Isa. 24:15.
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O comércio de especiariasAnuário das Testemunhas de Jeová de 2016
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INDONÉSIA
O comércio de especiarias
NOS anos 1500, o comércio de especiarias era tão importante para a economia mundial quanto o petróleo é hoje. Produtos como a noz-moscada e o cravo-da-índia vinham das famosas ilhas das Especiarias (hoje as províncias de Molucas e Molucas do Norte, na Indonésia) e eram vendidos por preços bem altos na Europa.
Os exploradores Cristóvão Colombo, Vasco da Gama, Fernão de Magalhães, Samuel de Champlain e Henry Hudson procuravam rotas para as ilhas das Especiarias. Foi por causa das buscas pelas especiarias indonésias que os humanos começaram a entender melhor a geografia do planeta.
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Ele dava valor a riquezas espirituaisAnuário das Testemunhas de Jeová de 2016
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INDONÉSIA
Ele dava valor a riquezas espirituais
Thio Seng Bie
ANO DE NASCIMENTO 1906
ANO DE BATISMO 1937
OUTROS DADOS Um ancião fiel que suportou violência racial. — Narrado por sua filha Thio Sioe Nio.
EM MAIO de 1963, revoltas contra os chineses tomaram conta de Java Ocidental. A pior delas aconteceu em Sukabumi, cidade onde nossa família trabalhava com transporte de cargas. Centenas de pessoas enlouquecidas — incluindo alguns de nossos vizinhos — invadiram nossa casa. Aterrorizados, ficamos bem juntos uns dos outros enquanto aquela turba quebrava e roubava nossos pertences.
Quando a turba foi embora, outros vizinhos vieram nos consolar. Meu pai se sentou com eles no chão da sala. No meio de nossos objetos quebrados, ele achou sua grande Bíblia em sundanês. Ele a abriu e disse aos vizinhos que esses problemas haviam sido preditos. Daí, falou sobre a esperança alegre do Reino.
Meu pai nunca se concentrou em acumular tesouros na Terra. Ele sempre nos dizia: “As coisas espirituais devem vir primeiro!” O exemplo zeloso dele fez minha mãe, meus cinco irmãos, meu avô de 90 anos e muitos outros parentes e vizinhos aceitarem a verdade.
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Um pioneiro corajosoAnuário das Testemunhas de Jeová de 2016
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INDONÉSIA
Um pioneiro corajoso
André Elias
ANO DE NASCIMENTO 1915
ANO DE BATISMO 1940
OUTROS DADOS Um pioneiro corajoso que vez após vez se manteve firme sob interrogatórios e ameaças.
DURANTE a Segunda Guerra Mundial, o irmão André e sua esposa, Josephine, compareceram perante autoridades em Sukabumi, Java Ocidental. Eles foram convocados à sede da temida Kempeitai, a polícia militar japonesa. André foi interrogado primeiro. Ele foi bombardeado com perguntas: “Quem são as Testemunhas de Jeová? Você é contra o governo japonês? Você é um espião?”
André respondeu: “Somos servos do Deus Todo-Poderoso e não fizemos nada de errado.” O comandante pegou uma espada de samurai da parede e a ergueu.
O comandante gritou: “E se eu matar você agora?” Orando em silêncio, André posicionou a cabeça na mesa para ser decapitado. Depois de uma longa pausa, os policiais caíram na risada. “Você tem coragem!”, disse o comandante. Daí, chamou Josephine. Quando o comandante viu que o depoimento dela era igual ao de André, ele gritou: “Vocês não são espiões. Saiam daqui!”
Alguns meses depois, André foi denunciado por “falsos irmãos” e encarcerado. (2 Cor. 11:26) Por vários meses, ele conseguiu sobreviver por se alimentar de restos de comida que encontrava na valeta que passava em sua cela. Apesar dos maus-tratos dos carcereiros, André se manteve leal a Jeová. Quando Josephine conseguiu visitá-lo, ele sussurrou através das grades da prisão: “Não se preocupe. Não importa se me matarem ou libertarem, vou permanecer fiel a Jeová. Posso sair daqui morto, mas jamais como um traidor.”
Depois de seis meses na prisão, André se defendeu diante da Suprema Corte de Jacarta e foi libertado.
Uns 30 anos depois, quando o governo da Indonésia proscreveu novamente as Testemunhas de Jeová, o promotor público em Manado, Sulawesi do Norte, intimou André a comparecer ao seu gabinete. “Você sabe que as Testemunhas de Jeová estão proscritas?”, perguntou ele.
“Sim, eu sei”, respondeu André.
“Então você está preparado para mudar de religião?”, perguntou o promotor.
André inclinou-se e, batendo no peito com força, disse com voz alta: “Pode arrancar meu coração, mas você nunca vai me fazer mudar de religião.”
O promotor liberou André e nunca mais o incomodou.
Em 2000, André faleceu com 85 anos, depois de trabalhar zelosamente como pioneiro por 60 anos.
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Uma verdadeira ‘filha de Sara’Anuário das Testemunhas de Jeová de 2016
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INDONÉSIA
Uma verdadeira ‘filha de Sara’
Titi Koetin
ANO DE NASCIMENTO 1928
ANO DE BATISMO 1957
OUTROS DADOS Uma irmã que, com jeito, ajudou seu marido opositor a aprender a verdade. — Narrado por seu filho Mario Koetin.
MINHA mãe era uma pessoa amorosa e extrovertida que amava a Bíblia. Quando conheceu Gertrud Ott, uma missionária em Manado, Sulawesi do Norte, ela logo começou a estudar a Bíblia e aceitou a verdade. Mas meu pai, Erwin, que tinha um cargo importante num banco e mais tarde foi presidente da Bolsa de Valores de Jacarta, se opôs fortemente.
Um dia, meu pai deu uma escolha à minha mãe.
“Sua religião ou seu marido, decida!”, gritou ele.
Minha mãe pensou bastante. Daí, respondeu de modo calmo: “Eu quero os dois: meu marido e Jeová.”
Meu pai ficou sem palavras, e sua ira desapareceu.
Com o tempo, meu pai ficou mais tolerante, pois amava muito minha mãe e valorizava muito a sabedoria e o bom senso dela.
Mas minha mãe queria servir a Jeová junto do seu marido. Depois de orar sinceramente sobre isso, ela se lembrou de que meu pai amava aprender idiomas. Por isso, ela decidiu espalhar textos bíblicos em inglês pela casa. Ela disse para ele: “Estou querendo melhorar meu inglês.” Sabendo que ele dava valor à arte de falar em público, ela também lhe pediu que a ajudasse a treinar suas partes na Escola do Ministério Teocrático. Ele concordou. Tendo em mente que ele era hospitaleiro, ela perguntou se eles poderiam hospedar o superintendente de circuito. Ele disse que sim. E, sabendo que meu pai tinha muito carinho pela família, com jeito ela o convidou a se sentar com eles nos congressos. E ele aceitou.
A paciência e os esforços sutis de minha mãe aos poucos amoleceram o coração de meu pai. Mais tarde, quando nossa família morou na Inglaterra, ele passou a assistir às reuniões conosco. Ele fez amizade com John Barr, que se tornou membro do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová. Naquele mesmo ano, meu pai foi batizado e minha mãe ficou extremamente feliz. Nos anos que se seguiram, ele tratou minha mãe com muito carinho.
Minha mãe era uma mulher decente, respeitosa e profundamente espiritual que influenciou a todos que a conheceram
Alguns de nossos amigos comparam minha mãe à Lídia, uma cristã do primeiro século que mostrou uma hospitalidade notável. (Atos 16:14, 15) Mas eu costumo pensar nela como Sara, que com alegria se sujeitou ao seu marido, Abraão. (1 Ped. 3:4-6) Minha mãe era uma mulher decente, respeitosa e profundamente espiritual que influenciou a todos que a conheceram. Foi o exemplo dela que ajudou meu pai a aceitar a verdade. Para mim, ela era uma verdadeira ‘filha de Sara’.
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Sobrevivi a uma revolta comunistaAnuário das Testemunhas de Jeová de 2016
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INDONÉSIA
Sobrevivi a uma revolta comunista
Ronald Jacka
ANO DE NASCIMENTO 1928
ANO DE BATISMO 1941
OUTROS DADOS Serviu como supervisor da sede da Indonésia por mais de 25 anos.
ERA a madrugada de 1.º de outubro de 1965. Tropas ligadas ao Partido Comunista da Indonésia tentaram dar um golpe de Estado, matando seis generais de destaque. A reação do governo foi rápida e cruel. No que foi descrito como um “surto de violência” nacional, cerca de 500 mil supostos comunistas foram assassinados.
Várias semanas após a fracassada tentativa de golpe, um comandante militar de destaque veio falar comigo. Ele disse que meu nome estava no topo da lista de líderes religiosos em nossa região que os comunistas planejavam matar. O comandante até mesmo se ofereceu para mostrar onde minha sepultura havia sido preparada, mas com jeito rejeitei. Num clima politicamente tenso, eu não queria ser visto ao lado dele e assim colocar em risco minha reputação como um cristão neutro.
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Pioneiro especial por 50 anosAnuário das Testemunhas de Jeová de 2016
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INDONÉSIA
Pioneiro especial por 50 anos
Alisten Lumare
ANO DE NASCIMENTO 1927
ANO DE BATISMO 1962
OUTROS DADOS Ex-inspetor de polícia que serviu como pioneiro especial por mais de 50 anos.
EM 1964, fui designado pioneiro especial em Manokwari, Papua Ocidental, onde uma pequena congregação enfrentava severa oposição do clero. Pouco depois de eu chegar, um ministro protestante veio à minha casa explodindo de raiva.
Ele gritou: “Vou destruir esta casa e livrar Manokwari das Testemunhas de Jeová!”
Como eu tinha sido policial, não fiquei intimidado pelas ameaças dele. Falei com ele de modo calmo, e por fim ele foi embora em paz. — 1 Ped. 3:15.
Naquela época, Manokwari tinha oito publicadores. Hoje, uns 50 anos depois, há sete congregações na região. Mais de 1.200 pessoas assistiram ao congresso em 2014. Quando vejo o que Jeová realizou nessa região isolada, sinto uma satisfação muito grande.
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De chefe do crime organizado a cidadão respeitadoAnuário das Testemunhas de Jeová de 2016
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INDONÉSIA
De chefe do crime organizado a cidadão respeitado
Hisar Sormin
ANO DE NASCIMENTO 1911
ANO DE BATISMO 1952
OUTROS DADOS Ex-chefe do crime organizado que com o tempo se tornou membro da Comissão de Filial.
CERTA VEZ, o diretor do serviço de inteligência chamou o irmão Hisar ao escritório do procurador-geral.
O diretor disse: “Você é indonésio, por isso, seja sincero comigo. O que as Testemunhas de Jeová estão realmente fazendo na Indonésia?”
O irmão Hisar respondeu: “Vou lhe contar minha história. Eu já fui chefe de uma quadrilha, mas agora ensino às pessoas sobre a Bíblia. É isso o que as Testemunhas de Jeová estão fazendo na Indonésia — ajudando pessoas como eu, que não prestavam, a se transformarem em bons cidadãos.”
O diretor disse mais tarde: “Escuto muitas reclamações contra as Testemunhas de Jeová. Mas sei que é uma boa religião, pois ajudou Hisar Sormin a mudar de vida.”
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Nós nos apegamos à nossa féAnuário das Testemunhas de Jeová de 2016
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INDONÉSIA
Nós nos apegamos à nossa fé
Daniel Lokollo
ANO DE NASCIMENTO 1965
ANO DE BATISMO 1986
OUTROS DADOS Um pioneiro especial que se manteve firme apesar de perseguição.
ERA 14 de abril de 1989. Estávamos fazendo uma reunião numa casa em Maumere, uma cidade da ilha de Flores. De repente, autoridades do governo invadiram o local. Eu e mais três pessoas fomos presos.
Os guardas da prisão tentaram nos obrigar a saudar a bandeira. Nós nos recusamos a fazer isso. Então, os guardas começaram a nos espancar e a nos dar pontapés, e nos fizeram ficar de pé sob o sol escaldante por cinco dias. À noite, em nossas celas apertadas, tremíamos de frio sobre o chão de cimento. Estávamos imundos, exaustos e sentindo muitas dores por causa dos ferimentos. O carcereiro falou várias vezes para desistirmos e saudarmos logo a bandeira. Nós respondemos: “Podemos até morrer, mas não vamos saudar a bandeira.” Assim como aconteceu com muitos cristãos do passado, para nós foi um privilégio ‘sofrer por causa da justiça’. — 1 Ped. 3:14.
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A obediência salvou nossas vidasAnuário das Testemunhas de Jeová de 2016
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INDONÉSIA
A obediência salvou nossas vidas
Blasius da Gomes
ANO DE NASCIMENTO 1963
ANO DE BATISMO 1995
OUTROS DADOS Um ancião que, como um pastor amoroso, cuidou dos irmãos durante um conflito religioso em Ambon (parte das ilhas Molucas).
A TENSÃO entre muçulmanos e cristãos aumentava. Em 19 de janeiro de 1999, a uns três quilômetros de casa, começou uma onda de violência. A situação era caótica.a
Depois de garantir que minha família estava segura, telefonei para outros publicadores da congregação para saber como estavam. Eu disse para eles manterem a calma e não passarem por áreas perigosas. Mais tarde, os anciãos visitaram os publicadores para fortalecê-los e incentivá-los a realizar as reuniões em grupos pequenos.
A sede nos orientou a levar os publicadores que moravam em áreas perigosas para um lugar seguro, e avisamos várias famílias sobre essa orientação. Um irmão se recusou a deixar sua casa e ele acabou sendo assassinado por uma turba armada. Mas todos aqueles que seguiram a orientação da sede sobreviveram.
a O conflito durou mais de dois anos e se espalhou pela província de Molucas. Dezenas de milhares de pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas.
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Jeová superou nossas expectativas!Anuário das Testemunhas de Jeová de 2016
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INDONÉSIA
Jeová superou nossas expectativas!
Angeragō Hia
ANO DE NASCIMENTO 1957
ANO DE BATISMO 1997
OUTROS DADOS Voltou a morar no seu povoado isolado na ilha Nias e ajudou a construir um Salão do Reino.
EM 2013, nossa pequena congregação em Tugala Oyo recebeu uma ótima notícia: um Salão do Reino seria construído para nós! As autoridades locais concordaram com o projeto, e 60 vizinhos assinaram um documento dando sua aprovação. Um vizinho nos disse: “Se quiserem 200 assinaturas, a gente consegue.”
Dois voluntários com experiência em construir Salões do Reino vieram supervisionar a obra. O salão ficou pronto em novembro de 2014. Jamais passou pela nossa cabeça que nossa congregação poderia algum dia ter um local tão bonito para adorar a Jeová. Com certeza Jeová superou nossas expectativas!
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Finalmente juntas!Anuário das Testemunhas de Jeová de 2016
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INDONÉSIA
Finalmente juntas!
Narrado por Linda e Sally Ong
Linda: Quando eu tinha 12 anos, minha mãe me contou que eu tinha uma irmã mais nova que havia sido dada para adoção. Fiquei pensando se ela também tinha nascido surda, como eu. Mas cresci sem saber quem ela era.
Sally: Eu não sabia que era adotada. Minha “mãe” me espancava e me tratava como uma empregada. Por isso, eu era uma pessoa triste e me sentia sozinha, algo que só piorava o fato de ter nascido surda. Daí, conheci as Testemunhas de Jeová e comecei a estudar a Bíblia. Quando minha “mãe” ficou sabendo disso, me bateu com um cinto e trocou as fechaduras das portas, me trancando dentro de casa. Com 20 anos, fugi de casa, e os irmãos me acolheram. Fui batizada no início de 2012.
Linda: Com 20 anos, comecei a estudar com as Testemunhas de Jeová. Mais tarde, passei a assistir a congressos de distrito em Jacarta, onde o programa era interpretado para os surdos. Lá, conheci muitos outros surdos, incluindo Sally, uma jovem irmã que morava em Sumatra do Norte. Eu me sentia à vontade com ela, mas não sabia o porquê.
Sally: Eu e Linda nos tornamos amigas. Eu achava que éramos parecidas, mas não liguei muito para isso.
Linda: Em agosto de 2012, na véspera do meu batismo, senti uma vontade muito grande de encontrar minha irmã mais nova. Implorei a Jeová: “Por favor, quero encontrar minha irmã! Eu quero tanto que ela aprenda sobre o Senhor!” Não muito tempo depois, minha mãe recebeu de repente uma mensagem de texto de uma pessoa que sabia sobre minha irmã. Depois de uma série de acontecimentos, acabei contatando Sally.
Sally: Quando Linda explicou que eu era sua irmã, imediatamente peguei um avião para Jacarta para encontrá-la. Na área de desembarque, vi Linda, junto com meu pai, minha mãe e minha outra irmã mais velha. Todos eles estavam me esperando. Eu estava tão emocionada que não parava de tremer. Nós nos abraçamos e nos beijamos; o abraço de minha mãe foi o mais demorado. Todo mundo estava chorando. Com lágrimas nos olhos, meus pais pediram desculpas por me terem dado para adoção. Depois disso, nós nos abraçamos e choramos de novo.
Linda: Por não termos sido criadas pela mesma família, não temos os mesmos hábitos. Além disso, tivemos de aprender a lidar com nossas diferenças de personalidade. Mas nós nos amamos muito.
Sally: Agora eu e Linda moramos juntas e somos da mesma congregação de língua de sinais em Jacarta.
Linda: Ficamos separadas por mais de 20 anos. Agradecemos a Jeová por finalmente termos nos encontrado!
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