BIBLIOTECA ON-LINE da Torre de Vigia
BIBLIOTECA ON-LINE
da Torre de Vigia
Português (Brasil)
  • BÍBLIA
  • PUBLICAÇÕES
  • REUNIÕES
  • Um profeta de Deus traz luz para a humanidade
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
    • Capítulo Um

      Um profeta de Deus traz luz para a humanidade

      1, 2. Que circunstâncias atuais causam grande ansiedade para muitos?

      VIVEMOS numa era em que praticamente tudo parece estar ao alcance do homem. Viagens espaciais, informática, engenharia genética e outras inovações científicas têm aberto novas possibilidades para a raça humana, trazendo a esperança de uma vida melhor — talvez até mesmo mais longa.

      2 Será que tais avanços tornaram seguro remover as trancas das portas de sua casa? Eliminaram a ameaça de guerra? Acabaram com as doenças ou com a tristeza de perder um ente querido? Não! O progresso humano, notável como seja, é limitado. “Aprendemos a viajar à Lua, a fazer chips de silício cada vez mais poderosos e a transplantar genes humanos”, diz um relatório do Instituto Worldwatch, dos EUA. “Mas ainda não conseguimos suprir água limpa para um bilhão de pessoas, evitar a extinção de milhares de espécies ou atender à nossa demanda de energia sem desestabilizar a atmosfera.” Compreensivelmente, muitos olham para o futuro com ansiedade, incertos sobre onde buscar consolo e esperança.

      3. Que situação existia em Judá no oitavo século AEC?

      3 A nossa situação hoje é similar à do povo de Deus no oitavo século AEC. Naquele tempo, Deus encarregou seu servo Isaías de declarar uma mensagem de consolo para os habitantes de Judá, e era justamente de consolo que eles precisavam. Eventos turbulentos abalavam a nação. O cruel Império Assírio logo ameaçaria o país, aterrorizando a muitos. Onde o povo de Deus poderia buscar salvação? O nome de Jeová estava nos seus lábios, mas eles preferiam confiar nos homens. — 2 Reis 16:7; 18:21.

      Uma luz na escuridão

      4. Que mensagem dupla Isaías foi encarregado de proclamar?

      4 Devido à rebeldia de Judá, Jerusalém seria destruída e os habitantes do país seriam levados cativos para Babilônia. Sim, aproximava-se uma época sombria. Jeová encarregou seu profeta Isaías de predizer esse período desastroso, mas também o instruiu a proclamar boas novas. Após 70 anos de exílio, os judeus seriam libertados de Babilônia! Um feliz restante retornaria a Sião e teria o privilégio de restaurar a adoração pura ali. Com essa mensagem feliz, Jeová, por meio de seu profeta, lançou uma luz na escuridão.

      5. Por que Jeová revelou seus propósitos com tanta antecedência?

      5 Judá só ficou desolado mais de um século depois de Isaías ter registrado as suas profecias. Por que, então, Jeová revelou seus propósitos com tanta antecedência? Quando essas profecias se cumprissem, já não estariam há muito tempo mortos os que ouviram pessoalmente as proclamações de Isaías? Isso é verdade. Ainda assim, graças às revelações de Jeová a Isaías, aqueles que vivessem nos dias da destruição de Jerusalém, em 607 AEC, teriam um registro escrito das mensagens proféticas de Isaías. Isso seria uma prova irrefutável de que Jeová é “Aquele que desde o princípio conta o final e desde outrora as coisas que não se fizeram”. — Isaías 46:10; 55:10, 11.

      6. Quais são algumas das maneiras em que Jeová é superior a todos os prognosticadores humanos?

      6 Somente Jeová pode legitimamente fazer tal afirmação. Um humano talvez consiga predizer o futuro próximo à base de seu entendimento do clima político ou social do momento. Mas só Jeová pode predizer com certeza absoluta o que acontecerá em qualquer época, mesmo no futuro distante. Ele pode também capacitar seus servos a predizer eventos muito antes de ocorrerem. Diz a Bíblia: “O Soberano Senhor Jeová não fará coisa alguma sem ter revelado seu assunto confidencial aos seus servos, os profetas.” — Amós 3:7.

      Quantos “Isaías”?

      7. Como muitos eruditos têm questionado a autoria do livro de Isaías, e por quê?

      7 A questão de profecias é algo que tem levado muitos eruditos a questionar a autoria de Isaías. Tais críticos insistem que a última parte do livro só pode ter sido escrita por alguém que viveu no sexto século AEC, durante ou depois do exílio babilônico. Segundo eles, as profecias sobre a desolação de Judá foram escritas depois de seu cumprimento, de modo que realmente não eram predições. Tais críticos observam também que, depois do Is capítulo 40, o livro de Isaías fala de Babilônia como se fosse a potência dominante e dos israelitas como se estivessem cativos ali. Assim, deduzem que, quem quer que tenha escrito a última parte de Isaías só pode ter feito isso nessa época — durante o sexto século AEC. Existe base sólida para tal dedução? Absolutamente não!

      8. Quando começou o cepticismo a respeito da autoria do livro de Isaías, e como se espalhou?

      8 Foi só no século 12 da EC que a autoria do livro de Isaías veio a ser questionada. Isso partiu do comentarista judeu Abraham Ibn Ezra. “Em seu comentário sobre Isaías”, diz a Encyclopaedia Judaica, “[Abraham Ibn Ezra] declara que a segunda metade, a partir do Is capítulo 40, foi obra de um profeta que viveu durante o Exílio Babilônico e o início do período do Retorno a Sião”. Durante os séculos 18 e 19, os conceitos de Ibn Ezra foram adotados por vários eruditos, entre eles Johann Christoph Doederlein, teólogo alemão que publicou sua obra exegética sobre Isaías em 1775 e uma segunda edição em 1789. O New Century Bible Commentary observa: “Todos, menos os eruditos mais conservadores, aceitam agora a hipótese de Doederlein . . . de que as profecias nos capítulos 40-66 do livro de Isaías não são as palavras do profeta Isaías do oitavo século, mas se originaram de uma época posterior.”

      9. (a) Que dissecação do livro de Isaías tem havido? (b) Como certo comentarista bíblico resume a controvérsia em torno da autoria do livro de Isaías?

      9 Mas as questões a respeito da autoria do livro de Isaías não pararam ali. A teoria sobre um segundo Isaías — ou Deutero-Isaías — deu origem à noção da possível existência de um terceiro escritor.a Daí o livro de Isaías foi ainda mais dissecado, sendo que um erudito atribui os Is capítulos 15 e 16 a um profeta desconhecido, ao passo que outro questiona a autoria dos Is capítulos 23 a 27. Ainda outro diz que Isaías não podia ter escrito o que se encontra nos Is capítulos 34 e 35. Por que não? Porque a matéria se parece muito com a dos Is capítulos 40 a 66, que já havia sido creditada a um escritor diferente do Isaías do oitavo século! O comentarista bíblico Charles C. Torrey resume concisamente o resultado desse raciocínio. “O outrora grande ‘Profeta do Exílio’”, diz ele, “ficou reduzido a um personagem muito pequeno, quase inteiramente sepultado numa massa de confusas fragmentações”. Mas nem todos os eruditos concordam com essa dissecação do livro de Isaías.

      Evidências de escritor único

      10. Exemplifique como a coerência de expressões evidencia que o livro de Isaías teve um só escritor.

      10 Há fortes motivos para se sustentar que o livro de Isaías é obra de um só escritor. Uma linha de evidência diz respeito à coerência de expressões. Por exemplo, a expressão “o Santo de Israel” aparece 12 vezes nos Is capítulos 1 a 39 de Isaías, e 13 vezes nos Is capítulos 40 a 66; no entanto, essa descrição de Jeová aparece só 6 vezes no restante das Escrituras Hebraicas. O uso repetido dessa expressão em geral pouco usada argumenta a favor da autoria única de Isaías.

      11. Que similaridades existem entre os capítulos 1 a 39 e 40 a 66 de Isaías?

      11 Há outras similaridades entre os Is capítulos 1 a 39 e 40 a 66 de Isaías. Ambas as partes usam muito as mesmas distintivas figuras de linguagem, como mulher com dores de parto e “caminho” ou “estrada principal”.b Há também repetidas referências a “Sião”, um termo usado 29 vezes nos Is capítulos 1 a 39 e 18 vezes nos Is capítulos 40 a 66. De fato, Sião é mencionado mais vezes em Isaías do que em qualquer outro livro bíblico! Tais evidências, observa a The International Standard Bible Encyclopedia (Enciclopédia Bíblica Padrão Internacional), “conferem ao livro uma individualidade difícil de explicar” caso o livro tivesse tido dois, três ou mais escritores.

      12, 13. Que indicação há nas Escrituras Gregas Cristãs de que o livro de Isaías é obra de um só escritor?

      12 A evidência mais forte de que o livro de Isaías teve um só escritor se encontra nas inspiradas Escrituras Gregas Cristãs. Elas indicam claramente que os cristãos do primeiro século criam que o livro de Isaías era obra de um só escritor. Lucas, por exemplo, fala de certa autoridade etíope que lia informações que se acham agora no capítulo 53 de Isaías, a mesma parte que os críticos modernos atribuem a Deutero-Isaías. Lucas, porém, diz que o etíope “lia em voz alta o profeta Isaías”. — Atos 8:26-28.

      13 A seguir, considere o evangelista Mateus, que explica como o ministério de João Batista cumpriu as palavras proféticas que se encontram agora em Isaías 40:3. A quem Mateus atribui a profecia? A um desconhecido Deutero-Isaías? Não, ele identifica o escritor simplesmente como “Isaías, o profeta”.c (Mateus 3:1-3) Noutra ocasião, Jesus leu num rolo as palavras que se acham agora em Isaías 61:1, 2. No seu relato, Lucas declara: “Foi-lhe . . . entregue o rolo do profeta Isaías.” (Lucas 4:17) Na sua carta aos romanos, Paulo cita tanto das partes iniciais como das finais de Isaías, mas nunca nem mesmo insinua que houvesse outro escritor além de Isaías. (Romanos 10:16, 20; 15:12) Obviamente, os cristãos do primeiro século não acreditavam que o livro de Isaías fosse obra de dois, três ou mais escritores.

      14. Como os Rolos do Mar Morto lançam luz sobre o assunto da autoria de Isaías?

      14 Considere, também, o testemunho dos Rolos do Mar Morto — documentos antigos, muitos dos quais datam de antes dos dias de Jesus. Um manuscrito de Isaías, conhecido como Rolo de Isaías, data do segundo século AEC e refuta as afirmações dos críticos de que um Deutero-Isaías assumiu a escrita no Is capítulo 40. Como assim? Nesse documento antigo, o que conhecemos hoje como Is capítulo 40 começa na última linha de uma coluna, a sentença inicial terminando na coluna seguinte. O copista obviamente nada sabia a respeito de uma suposta mudança de escritor ou de divisão do livro nesse ponto.

      15. O que diz o historiador judeu Flávio Josefo, do primeiro século, a respeito das profecias de Isaías sobre Ciro?

      15 Por fim, considere o testemunho do historiador judeu Flávio Josefo, do primeiro século. Ele não somente indica que as profecias de Isaías referentes a Ciro foram escritas no oitavo século AEC, mas diz também que Ciro sabia dessas profecias. Ciro “tinha lido nas profecias de Isaías”, escreveu Josefo, “escritas duzentos e dez anos antes”. Segundo Josefo, saber dessas profecias pode até ter contribuído para Ciro se dispor a enviar os judeus de volta para sua pátria, pois escreveu que ‘esta profecia causou [em Ciro] tal admiração que desejava realizá-la’. — Antiguidades Judaicas, Livro XI, capítulo 1, parágrafo 2.

      16. Que se pode dizer a respeito da afirmação dos críticos de que na parte final de Isaías Babilônia é descrita como a potência dominante?

      16 Como já mencionado, muitos críticos salientam que, do Is capítulo 40 de Isaías em diante, fala-se de Babilônia como potência dominante e dos israelitas como já estando no exílio. Não indicaria isso que o escritor viveu durante o sexto século AEC? Não necessariamente. O fato é que, mesmo antes do Is capítulo 40 de Isaías, Babilônia às vezes é mencionada como potência mundial dominante. Por exemplo, em Isaías 13:19 Babilônia é chamada de “ornato dos reinos”, ou, como o traduz a Versão Brasileira, a “glória dos reinos”. Essas palavras são claramente proféticas, visto que Babilônia só se tornou potência mundial mais de um século depois. Certo crítico “resolve” esse suposto problema simplesmente descartando Isaías 13 como sendo obra de outro escritor! Na verdade, porém, falar de eventos futuros como se já tivessem ocorrido é relativamente comum nas profecias bíblicas. Esse recurso literário sublinha eficazmente a certeza do cumprimento da profecia. (Revelação [Apocalipse] 21:5, 6) De fato, só o Deus de profecias verdadeiras pode declarar: “Estou contando coisas novas. Antes de começarem a surgir, faço que as ouçais.” — Isaías 42:9.

      Um livro de profecias confiáveis

      17. Como se pode explicar a mudança de estilo a partir do capítulo 40 de Isaías?

      17 A que conclusão, então, apontam as evidências? Que o livro de Isaías é obra de um só escritor inspirado. O livro inteiro foi transmitido durante os séculos como obra única, não duas ou mais. Há quem diga que o estilo do livro de Isaías muda um pouco a partir do Is capítulo 40, é verdade. Mas lembre-se de que Isaías serviu como profeta de Deus por nada menos que 46 anos. Seria natural que nesse período o conteúdo de sua mensagem e, com isso, o modo de expressá-la, mudasse. Realmente, a missão confiada por Deus a Isaías não era simplesmente enunciar severos alertas condenatórios. Cabia-lhe também transmitir as palavras de Jeová: “Consolai, consolai meu povo.” (Isaías 40:1) O povo pactuado de Deus seria realmente consolado pela Sua promessa de que, depois de 70 anos de exílio, os judeus seriam repatriados para a sua terra natal.

      18. Qual é um dos temas do livro de Isaías que será considerado nesta publicação?

      18 A libertação dos judeus do cativeiro babilônico é o tema de muitos dos capítulos de Isaías considerados neste livro.d Várias dessas profecias têm um cumprimento moderno, como veremos. Além disso, no livro de Isaías há profecias emocionantes que se cumpriram na vida — e na morte — do Filho unigênito de Deus. Certamente, o estudo das profecias vitais do livro de Isaías beneficiará os servos de Deus e outros em toda a Terra. Essas profecias são, deveras, uma luz para toda a humanidade.

  • Palavras proféticas de consolo que afetam você
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
    • Capítulo Dois

      Palavras proféticas de consolo que afetam você

      Isaías 41:1-29

      1. Por que nos devem interessar as profecias de Isaías?

      ISAÍAS escreveu o livro que leva seu nome quase 3 mil anos atrás, mas ele ainda tem valor real para nós hoje. Podemos aprender princípios vitais dos eventos históricos que Isaías registrou. E podemos edificar a nossa fé pelo estudo das profecias que ele escreveu em nome de Jeová. Sim, Isaías era um profeta do Deus vivo. Jeová inspirou-o a registrar história com antecedência — para narrar eventos antes de acontecerem. Jeová mostrou assim que pode tanto predizer como moldar o futuro. Depois de estudar o livro de Isaías, os cristãos verdadeiros se convencem ainda mais de que Jeová cumprirá tudo o que prometeu.

      2. Que situação existia em Jerusalém quando Isaías escreveu seu livro profético, e que mudança ocorreria?

      2 Na época em que Isaías terminou a escrita de suas profecias, Jerusalém havia sobrevivido à ameaça assíria. O templo ainda existia, e o cotidiano do povo era praticamente o mesmo havia centenas de anos. Mas essa situação mudaria. Chegaria o dia em que a riqueza dos reis judeus seria levada para Babilônia e jovens judeus seriam funcionários da corte nessa cidade.a (Isaías 39:6, 7) Isso ocorreria mais de cem anos depois. — 2 Reis 24:12-17; Daniel 1:19.

      3. Que mensagem se encontra no capítulo 41 de Isaías?

      3 A mensagem de Deus por meio de Isaías, porém, não era apenas uma condenação. O Is capítulo 40 do livro começa com a palavra “Consolai”.b Os judeus seriam consolados com a certeza de que eles, ou então seus filhos, retornariam para a sua terra natal. O Is capítulo 41 prossegue com essa mensagem consoladora e prediz que Jeová suscitaria um rei poderoso para cumprir a Sua vontade. Contém a garantia do apoio divino e encorajamento para confiar Nele. Também expõe como impotentes os deuses falsos em quem os povos das nações confiavam. Nisso tudo havia muita coisa para fortalecer a fé nos dias de Isaías, bem como nos nossos.

      Jeová desafiava as nações

      4. Com que palavras Jeová desafiava as nações?

      4 Jeová diz por meio de seu profeta: “Atentai para mim caladas, ó ilhas; e recuperem poder os próprios grupos nacionais. Aproximem-se eles. Falem nesse tempo. Cheguemo-nos perto para o próprio julgamento.” (Isaías 41:1) Com essas palavras, Jeová desafiava as nações que se opunham ao seu povo. Que comparecessem à Sua presença e se preparassem para falar! Como se verá mais adiante, Jeová exigia, como se fosse um juiz num tribunal, que essas nações apresentassem provas de que seus ídolos eram realmente deuses. Poderiam esses deuses predizer atos de salvação para seus adoradores ou condenações de seus inimigos? Em caso positivo, poderiam cumprir tais profecias? A resposta era não. Somente Jeová podia fazer tais coisas.

      5. Exemplifique como as profecias de Isaías têm mais de um cumprimento.

      5 Ao considerarmos as profecias de Isaías, tenhamos em mente que, como no caso de muitas outras profecias bíblicas, as suas palavras têm mais de um cumprimento. Em 607 AEC, Judá seria exilado em Babilônia. Contudo, as profecias de Isaías revelavam que Jeová libertaria os israelitas cativos ali. Isso ocorreu em 537 AEC. Essa libertação teve um paralelo no início do século 20. Durante a Primeira Guerra Mundial, os servos ungidos de Jeová na Terra passaram por um período de provação. Em 1918, as pressões do mundo de Satanás — instigadas pela cristandade como parte principal de Babilônia, a Grande — praticamente pararam a pregação organizada das boas novas. (Revelação [Apocalipse] 11:5-10) Alguns diretores da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) foram encarcerados sob acusações forjadas. Tudo indicava que o mundo vencera a batalha contra os servos de Deus. Daí, como aconteceu lá em 537 AEC, Jeová inesperadamente os libertou. Em 1919, os diretores foram libertados e, mais tarde, as acusações contra eles foram arquivadas. Em setembro de 1919, um congresso em Cedar Point, Ohio, EUA, revigorou os servos de Jeová para reiniciar a obra de pregação das boas novas do Reino. (Revelação 11:11, 12) Desde então, o alcance dessa obra de pregação tem aumentado notavelmente. Ademais, muitas das palavras de Isaías terão um magnífico cumprimento na vindoura Terra paradísica. Assim, as tão antigas palavras de Isaías têm a ver com todas as nações e povos hoje.

      Convocado um libertador

      6. Como o profeta descreve um futuro conquistador?

      6 Por meio de Isaías, Jeová predisse o surgimento de um conquistador, que tanto salvaria o povo de Deus de Babilônia como puniria seus inimigos. Jeová pergunta: “Quem despertou alguém do nascente? Quem passou a chamá-lo em justiça a Seus pés, para dar diante dele as nações e para fazê-lo subjugar até mesmo reis? Quem continuou a entregá-los como pó à espada, de modo que foram impelidos pelo seu arco como o mero restolho? Quem os esteve perseguindo, passando pacificamente adiante com os seus pés na vereda pela qual não passou a vir? Quem tem estado ativo e tem feito isso, convocando as gerações desde o começo? Eu, Jeová, o Primeiro; e sou o mesmo com os últimos.” — Isaías 41:2-4.

      7. Quem seria o futuro conquistador, e o que fez ele?

      7 Quem seria despertado do nascente, de regiões orientais? Os países da Medo-Pérsia e do Elão ficavam a leste de Babilônia. Seria dali que Ciro, o Persa, marcharia junto com seus poderosos exércitos. (Isaías 41:25; 44:28; 45:1-4, 13; 46:11) Embora não fosse adorador de Jeová, Ciro agiria segundo a vontade de Jeová, o Deus justo. Ciro subjugaria reis, que seriam espalhados como pó perante ele. Na busca de conquistas, ele passaria “pacificamente”, ou seguramente, por veredas normalmente não percorridas, vencendo todos os obstáculos. No ano 539 AEC, Ciro chegou à poderosa cidade de Babilônia e a derrotou. Com isso, o povo de Deus foi libertado, de modo que pudesse voltar para Jerusalém e restabelecer a adoração pura. — Esdras 1:1-7.c

      8. O que somente Jeová pode fazer?

      8 Assim, por meio de Isaías, Jeová predisse a ascensão de Ciro muito antes que esse rei nascesse. Apenas o Deus verdadeiro poderia profetizar isso com exatidão. Jeová era sem igual entre os deuses falsos das nações. Com boa razão, ele declara: “A minha própria glória não darei a outrem.” Somente Jeová pode dizer legitimamente: “Sou o primeiro e sou o último, e além de mim não há Deus.” — Isaías 42:8; 44:6, 7.

      Povos amedrontados confiavam em ídolos

      9-11. Como as nações reagiriam ao avanço de Ciro?

      9 A seguir, Isaías descreve a reação das nações diante desse futuro conquistador: “As ilhas viram isso e começaram a temer. As próprias extremidades da terra começaram a tremer. Chegaram-se e continuaram a vir. Foram ajudar cada um ao seu companheiro, e ele dizia ao seu irmão: ‘Sê forte.’ De modo que o artífice foi fortalecer o trabalhador em metal; aquele que fazia o alisamento com o malho, ao que martelava na bigorna, dizendo referente à soldadura: ‘É boa.’ Finalmente, alguém o prendeu com pregos para que não pudesse ser abalado.” — Isaías 41:5-7.

      10 Olhando uns 200 anos no futuro, Jeová examinava o cenário mundial. Exércitos poderosos sob Ciro avançavam rapidamente, conquistando todos os oponentes. Os povos — mesmo os habitantes de ilhas mais remotas — tremiam diante de sua aproximação. Por medo, eles se uniam contra aquele a quem Jeová chamara do leste para executar a condenação. Tentavam encorajar uns aos outros, dizendo: “Sê forte.”

      11 Artífices se uniam na fabricação de deuses-ídolos para salvar o povo. O carpinteiro fazia uma estrutura de madeira e incentivava o ourives a revesti-la de metal, talvez ouro. O escultor alisava o metal a martelo e aprovava a soldadura. Talvez com certa ironia, fala-se em prender o ídolo com pregos para que não fosse abalado, ou mostrasse fraqueza, como o ídolo de Dagom, que tombou diante da arca de Jeová. — 1 Samuel 5:4.

      Não temais!

      12. Que confirmação de apoio deu Jeová a Israel?

      12 A seguir, Jeová voltou sua atenção para seu povo. Diferentemente das nações que confiavam em ídolos sem vida, os que confiavam no Deus verdadeiro jamais precisariam ter medo. A confirmação de apoio dada por Jeová começa por lembrar que Israel é a descendência de Seu amigo Abraão. Num trecho de grande ternura, Isaías registra as palavras de Jeová: “Tu, ó Israel, és meu servo, tu, ó Jacó, a quem escolhi, a descendência de Abraão, meu amigo; tu, a quem agarrei desde as extremidades da terra, e tu, a quem convoquei mesmo das suas partes remotas. E, assim, eu te disse: ‘Tu és meu servo; eu te escolhi e não te rejeitei. Não tenhas medo, pois estou contigo. Não olhes em volta, pois eu sou teu Deus. Vou fortificar-te. Vou realmente ajudar-te. Vou deveras segurar-te firmemente com a minha direita de justiça.’” — Isaías 41:8-10.

      13. Por que as palavras de Jeová consolariam os judeus cativos?

      13 Quão consoladoras seriam essas palavras para os judeus fiéis cativos no estrangeiro! Quão encorajador seria ouvir Jeová chamá-los de “meu servo” numa época em que eram exilados, servos do rei de Babilônia! (2 Crônicas 36:20) Mesmo que Jeová os disciplinasse por sua infidelidade, ele não os rejeitaria. Israel pertencia a Jeová, não a Babilônia. Não haveria razão para os servos de Deus tremerem diante da aproximação do conquistador Ciro. Jeová estaria com seu povo para ajudá-lo.

      14. De que consolo são para os servos de Deus hoje as palavras de Jeová a Israel?

      14 Essas palavras têm renovado a confiança e fortalecido os servos de Deus até os nossos dias. Em 1918, eles ansiavam saber o que Jeová desejava deles. Almejavam a libertação de seu estado espiritual cativo. Nós hoje ansiamos um alívio das pressões exercidas sobre nós por Satanás, pelo mundo e pela nossa própria imperfeição. Mas damo-nos conta de que Jeová sabe precisamente quando e como agir em favor de seu povo. Como criancinhas, seguramos a sua mão poderosa, confiantes de que ele nos ajudará a suportar o que for preciso. (Salmo 63:7, 8) Jeová preza os que o servem. Ele nos apoia hoje assim como apoiou seu povo durante o período difícil de 1918-1919, e assim como apoiou os israelitas fiéis tanto tempo atrás.

      15, 16. (a) O que aconteceria com os inimigos de Israel, e em que sentido Israel era comparável a um verme? (b) Em vista de que ataque iminente as palavras de Jeová são especialmente encorajadoras hoje?

      15 Veja o que Jeová diz a seguir, por meio de Isaías: “‘Eis que ficarão envergonhados e humilhados todos os que se acaloram contra ti. Os homens que têm uma altercação contigo ficarão como nada e perecerão. Tu os procurarás, mas não os acharás, estes homens que estão em briga contigo. Tornar-se-ão como algo inexistente e como nada, estes homens em guerra contigo. Pois eu, Jeová, teu Deus, agarro a tua direita, Aquele que te diz: “Não tenhas medo. Eu mesmo te ajudarei.” Não tenhas medo, ó verme Jacó, homens de Israel. Eu mesmo te ajudarei’, é a pronunciação de Jeová, sim, teu Resgatador, o Santo de Israel.” — Isaías 41:11-14.

      16 Os inimigos de Israel não prevaleceriam. Os que se acalorassem contra Israel seriam envergonhados. Os que lutassem contra ele pereceriam. Embora os israelitas cativos parecessem tão fracos e indefesos como um verme que se retorcia no pó, Jeová os ajudaria. Que encorajamento isso tem sido durante todos os “últimos dias”, à medida que os cristãos verdadeiros têm enfrentado a decidida hostilidade de tantas pessoas no mundo! (2 Timóteo 3:1) E quão fortalecedora é a promessa de Jeová em vista do iminente ataque de Satanás, a quem a profecia se refere como “Gogue da terra de Magogue”! Sob o ataque feroz de Gogue, o povo de Jeová parecerá tão indefeso como um verme — um povo “habitando sem muralha” e sem “nem mesmo tranca e portas”. No entanto, os que esperam em Jeová não precisarão tremer de medo. O próprio Todo-Poderoso lutará para livrá-los. — Ezequiel 38:2, 11, 14-16, 21-23; 2 Coríntios 1:3.

      Consolo para Israel

      17, 18. Como Isaías descreve o fortalecimento de Israel, e de que cumprimento podemos ter certeza?

      17 Jeová continua a consolar o seu povo: “Eis que fiz de ti um trenó debulhador, um instrumento de debulhar novo, com dentes de fio duplo. Trilharás os montes e os esmagarás; e farás os morros iguais à pragana. Tu os joeirarás e o próprio vento os levará embora, e o próprio vendaval os impelirá por caminhos diferentes. E tu mesmo jubilarás em Jeová. No Santo de Israel jactar-te-ás de ti mesmo.” — Isaías 41:15, 16.

      18 Israel receberia força para tomar a ofensiva e, em sentido espiritual, subjugar seus inimigos ‘montanhescos’. Ao retornar do exílio, Israel triunfaria sobre inimigos que tentariam impedir a reconstrução do templo e das muralhas de Jerusalém. (Esdras 6:12; Neemias 6:16) No entanto, as palavras de Jeová se cumpririam em larga escala no “Israel de Deus”. (Gálatas 6:16) Jesus prometeu aos cristãos ungidos: “Àquele que vencer e observar as minhas ações até o fim, eu darei autoridade sobre as nações, e ele pastoreará as pessoas com vara de ferro, de modo que serão despedaçadas como vasos de barro, assim como recebi de meu Pai.” (Revelação 2:26, 27) Certamente virá o dia em que os irmãos de Cristo, ressuscitados à glória celestial, participarão na destruição dos inimigos de Jeová Deus. — 2 Tessalonicenses 1:7, 8; Revelação 20:4, 6.

      19, 20. O que escreve Isaías a respeito de Israel ser reinstalado num lugar de beleza, e como isso se cumpriu?

      19 Em linguagem figurada, Jeová a seguir reitera a sua promessa de socorrer o seu povo. Escreve Isaías: “Os atribulados e os pobres estão procurando água, mas não há nenhuma. Por causa da sede ressecou-se a própria língua deles. Eu mesmo, Jeová, lhes responderei. Eu, o Deus de Israel, não os abandonarei. Em morros calvos abrirei rios, e no meio dos vales planos, mananciais. Farei do ermo um banhado de juncos e da terra árida, nascentes de água. Porei no ermo o cedro, a acácia e a murta, e o oleastro. Na planície desértica colocarei ao mesmo tempo o junípero, o freixo e o cipreste; a fim de que as pessoas ao mesmo tempo vejam, e saibam, e atentem, e tenham perspicácia, que a própria mão de Jeová fez isso e o próprio Santo de Israel o criou.” — Isaías 41:17-20.

      20 Embora os israelitas exilados residissem na capital de uma rica potência mundial, para eles aquilo era como um deserto árido. Sentiam-se como Davi, quando se escondia do Rei Saul. Em 537 AEC, Jeová abriu-lhes o caminho para que voltassem a Judá e reconstruíssem Seu templo em Jerusalém, restaurando assim a adoração pura. Jeová, em seguida, os abençoou. Numa profecia posterior, Isaías predisse: “Jeová certamente consolará Sião. Com certeza consolará todos os lugares devastados dela, e fará seu ermo igual ao Éden e sua planície desértica igual ao jardim de Jeová.” (Isaías 51:3) Isso realmente aconteceu depois que os judeus voltaram para a sua terra natal.

      21. Que restauração ocorreu nos tempos modernos, e o que acontecerá no futuro?

      21 Algo similar ocorreu nos tempos modernos, quando o Ciro Maior, Jesus Cristo, libertou seus seguidores ungidos do cativeiro espiritual para que pudessem trabalhar pela restauração da adoração pura. Os fiéis foram abençoados com um magnífico paraíso espiritual, um simbólico jardim do Éden. (Isaías 11:6-9; 35:1-7) Em breve, quando Deus destruir seus inimigos, a Terra inteira será transformada num paraíso literal, como Jesus prometeu ao malfeitor na estaca. — Lucas 23:43.

      Um desafio para os inimigos de Israel

      22. Com que palavras Jeová volta a desafiar as nações?

      22 A seguir, Jeová retorna à sua controvérsia com as nações e seus deuses-ídolos: “‘Apresentai o vosso litígio’, diz Jeová. ‘Exponde os vossos argumentos’, diz o Rei de Jacó. ‘Exponde e contai-nos as coisas que vão acontecer. As primeiras coisas — quais foram — contai-nos deveras, para que empenhemos nosso coração e saibamos o futuro delas. Ou fazei-nos ouvir até mesmo as coisas vindouras. Contai as coisas que hão de vir posteriormente, para que saibamos que sois deuses. Sim, devíeis fazer o bem ou fazer o mal, para que possamos olhar em volta e ao mesmo tempo vê-lo. Eis que sois algo inexistente e vossa realização não é nada. Coisa detestável é todo aquele que vos escolhe.’” (Isaías 41:21-24) Tinham os deuses das nações a capacidade de profetizar com exatidão, provando assim ter conhecimentos sobrenaturais? Se tivessem, certamente haveria alguns resultados, bons ou maus, para apoiar suas alegações. Na verdade, porém, os deuses-ídolos nada conseguiam realizar e eram como algo inexistente.

      23. Por que Jeová, por meio de seus profetas, condenou com tanta insistência os ídolos?

      23 Hoje alguns talvez se perguntem por que Jeová, por meio de Isaías e de outros profetas, gastou tanto tempo condenando a tolice da idolatria. A inutilidade de ídolos feitos pelo homem pode parecer óbvia a muitos hoje. Contudo, uma vez que um sistema de crenças falso se instale e seja amplamente aceito, é difícil desarraigá-lo da mente dos que creem nele. Muitas crenças contemporâneas são tão insensatas como a crença de que imagens sem vida sejam realmente deuses. Não obstante, as pessoas se agarram a tais crenças apesar de argumentos convincentes contra elas. É somente por ouvirem a verdade vez após vez que algumas são induzidas a ver a sabedoria de confiar em Jeová.

      24, 25. Que outra menção de Ciro faz Jeová, e de que outra profecia isso nos lembra?

      24 Jeová novamente se refere a Ciro: “Despertei alguém do norte, e ele virá. Do nascente do sol ele invocará meu nome. E ele virá sobre os delegados governantes como se fossem barro e assim como o oleiro pisa a massa úmida.” (Isaías 41:25)d Em contraste com os deuses das nações, Jeová é capaz de realizações. Quando do leste trouxesse Ciro, do “nascente do sol”, Deus demonstraria sua habilidade de predizer e daí moldar o futuro para cumprir suas predições.

      25 Essas palavras nos lembram a descrição profética que o apóstolo João fez dos reis que entrariam em ação nos nossos dias. Em Revelação 16:12 lemos que seria preparado o caminho “para os reis do nascente do sol”. Esses reis são os próprios Jeová Deus e Jesus Cristo. Assim como Ciro muito tempo atrás libertou o povo de Deus, esses reis muito mais poderosos aniquilarão os inimigos de Jeová e guiarão Seu povo através da grande tribulação para um novo mundo justo. — Salmo 2:8, 9; 2 Pedro 3:13; Revelação 7:14-17.

      Jeová é supremo!

      26. Que pergunta faz Jeová a seguir, e é respondida?

      26 Mais uma vez, Jeová declara a verdade de que somente ele é o Deus verdadeiro. Ele pergunta: “Quem é que contou alguma coisa desde o começo, para que a saibamos, ou dos tempos passados, para que digamos: ‘Ele tem razão’? Realmente, não há quem conte algo. Realmente, não há quem faça outro ouvir. Realmente, não há quem ouça quaisquer declarações de vós.” (Isaías 41:26) Nenhum deus-ídolo havia anunciado a chegada de um conquistador para libertar os que confiassem nele. Todos aqueles deuses eram sem vida, mudos. Realmente não eram deuses.

      27, 28. Que verdade vital se acentua nos versículos finais de Isaías 41, e somente quem proclama isso?

      27 Depois de registrar essas incitantes palavras proféticas de Jeová, Isaías volta a mencionar uma verdade vital: “Há primeiro um, dizendo a Sião: ‘Eis que estão aqui!’ e eu darei a Jerusalém um portador de boas novas. E eu estava vendo, e não havia homem; e dentre estes tampouco havia quem desse conselho. E continuei a perguntar-lhes, para que dessem uma resposta. Eis que todos eles são algo inexistente. Seus trabalhos não são coisa alguma. Suas imagens fundidas são vento e irrealidade.” — Isaías 41:27-29.

      28 Jeová é ‘o primeiro’. Ele é supremo! É o Deus verdadeiro, que anuncia a libertação de seu povo, trazendo-lhe boas novas. Apenas suas Testemunhas proclamam a sua grandeza às nações. Desdenhosamente, Jeová condena os que confiam na adoração de ídolos, desprezando seus ídolos como “vento e irrealidade”. Que forte motivo para se apegar ao Deus verdadeiro! Só Jeová merece nossa confiança explícita.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Veja o capítulo 29 de Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I.

      b Veja o capítulo 30 de Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I.

      c O Ciro Maior, que em 1919 libertou “o Israel de Deus” do cativeiro espiritual, é o próprio Jesus Cristo, entronizado como Rei do Reino celestial de Deus desde 1914. — Gálatas 6:16.

      d Embora a terra natal de Ciro ficasse a leste de Babilônia, ao fazer seu ataque final contra a cidade ele veio do norte, da Ásia Menor.

      [Foto na página 19]

      Ciro, embora fosse pagão, foi escolhido para cumprir uma tarefa divina

      [Foto na página 21]

      As nações confiavam em ídolos sem vida

      [Fotos na página 27]

      Israel, como “trenó debulhador”, ‘esmagaria os montes’

  • “Meu escolhido, a quem a minha alma tem aprovado!”
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
    • Capítulo Três

      “Meu escolhido, a quem a minha alma tem aprovado!”

      Isaías 42:1-25

      1, 2. Por que o capítulo 42 de Isaías interessa hoje aos cristãos?

      “‘VÓS sois as minhas testemunhas’, é a pronunciação de Jeová, ‘sim, meu servo a quem escolhi’.” (Isaías 43:10) Essa declaração de Jeová, registrada pelo profeta Isaías no oitavo século AEC, mostra que o antigo povo pactuado de Jeová era uma nação de testemunhas. Constituíam o escolhido servo de Deus. Uns 2.600 anos mais tarde, em 1931, cristãos ungidos declararam publicamente que essas palavras se aplicavam a eles. Adotaram o nome Testemunhas de Jeová e aceitaram de coração as responsabilidades relacionadas com ser servo terrestre de Deus.

      2 As Testemunhas de Jeová desejam sinceramente agradar a Deus. Por essa razão, o capítulo 42 do livro de Isaías é de enorme interesse para cada uma delas, pois apresenta a descrição de um servo a quem Jeová aprova e de outro a quem ele rejeita. Considerar essa profecia e seu cumprimento dá compreensão do que leva à aprovação de Deus e do que leva ao seu desfavor.

      “Pus nele o meu espírito”

      3. O que Jeová profetiza por meio de Isaías a respeito de “meu servo”?

      3 Por meio de Isaías, Jeová profetiza a vinda de um servo a quem Ele mesmo escolheria: “Eis meu servo a quem estou segurando! Meu escolhido, a quem a minha alma tem aprovado! Pus nele o meu espírito. Justiça para as nações é o que ele produzirá. Não clamará nem levantará a sua voz, e não deixará ouvir a sua voz na rua. Não quebrará nenhuma cana esmagada; e quanto à fraca mecha de linho, não a apagará. Produzirá justiça em veracidade. Não se turvará nem será esmagado até estabelecer justiça na própria terra; e por sua lei estarão esperando as próprias ilhas.” — Isaías 42:1-4.

      4. Quem é o predito “escolhido”, e como sabemos disso?

      4 Quem é o Servo aqui mencionado? Não há dúvidas quanto a isso. Encontramos essas palavras citadas no Evangelho de Mateus e aplicadas a Jesus Cristo. (Mateus 12:15-21) Jesus é o Servo amado, o “escolhido”. Quando foi que Jeová pôs seu espírito sobre ele? Em 29 EC, quando Jesus foi batizado. O registro inspirado relata esse batismo e diz que, depois de Jesus ter saído da água, “abriu-se o céu e desceu sobre ele o espírito santo, em forma corpórea, semelhante a uma pomba, e uma voz saiu do céu: ‘Tu és meu Filho, o amado; eu te tenho aprovado.’” Desse modo, Jeová identificou pessoalmente seu Servo amado. O subsequente ministério de Jesus e suas obras milagrosas provaram que o espírito de Jeová realmente estava sobre ele. — Lucas 3:21, 22; 4:14-21; Mateus 3:16, 17.

      ‘Produziria justiça para as nações’

      5. Por que no primeiro século EC era preciso esclarecer o que é justiça?

      5 O Escolhido de Jeová ‘produziria’, ou tornaria manifesta, a verdadeira justiça. “Ele esclarecerá às nações o que é justiça.” (Mateus 12:18) Como isso era necessário no primeiro século EC! Os líderes religiosos judeus ensinavam um conceito distorcido de justiça e retidão. Procuravam ser justos seguindo um rígido conjunto de leis — muitas delas de autoria própria. Na sua justiça legalista não havia lugar para misericórdia e compaixão.

      6. De que maneiras Jesus tornou conhecida a verdadeira justiça?

      6 Em contraste com isso, Jesus revelou o conceito de Deus sobre justiça. Pelo seu ensino e modo de viver, Jesus mostrou que a verdadeira justiça é compassiva e misericordiosa. Considere o seu famoso Sermão do Monte. (Mateus, capítulos 5-7) Que magistral explicação de como praticar a justiça e a retidão! Ao lermos os Evangelhos, não nos comove a compaixão de Jesus pelos pobres e aflitos? (Mateus 20:34; Marcos 1:41; 6:34; Lucas 7:13) Ele levou sua mensagem consoladora a muitos que eram como cana machucada, vergada e golpeada. Pareciam uma mecha fumegante, com sua última centelha de vida quase apagada. Jesus não quebrou uma “cana esmagada” nem extinguiu uma “fraca mecha de linho”. Em vez disso, suas palavras e ações amorosas e compassivas animavam o coração dos mansos. — Mateus 11:28-30.

      7. Por que a profecia podia dizer que Jesus ‘não clamaria nem levantaria a sua voz na rua’?

      7 Mas por que diz a profecia que Jesus ‘não clamaria nem levantaria a sua voz, e não deixaria ouvir a sua voz na rua’? Porque ele não iria se vangloriar, como muitos nos seus dias. (Mateus 6:5) Ao curar um leproso, ele disse ao homem: “Cuida de que não digas nada a ninguém.” (Marcos 1:40-44) Em vez de buscar publicidade e levar as pessoas a tirar conclusões à base de relatos de terceiros, Jesus queria que elas discernissem por si mesmas à base de evidências sólidas que ele era o Cristo, o Servo ungido de Jeová.

      8. (a) Como Jesus produziu “justiça para as nações”? (b) O que a ilustração de Jesus sobre o bom samaritano nos ensina a respeito da justiça?

      8 O Servo Escolhido produziria “justiça para as nações”. Jesus fez isso. Além de acentuar a natureza compassiva da justiça piedosa, ele ensinou que ela devia se estender a todos. Certa vez, Jesus lembrou a um homem versado na Lei de que ele devia amar a Deus e ao próximo. O homem perguntou-lhe: “Quem é realmente o meu próximo?” Talvez esperasse que Jesus respondesse: “Teu compatriota judeu.” Mas Jesus contou a parábola do bom samaritano. Na parábola, um samaritano socorre um homem ferido por assaltantes, ao passo que um levita e um sacerdote haviam se recusado a ajudar. O indagador teve de admitir que, nessa ocasião, o próximo era o desprezado samaritano, não o levita ou o sacerdote. Jesus concluiu a ilustração com o conselho: “Faze tu o mesmo.” — Lucas 10:25-37; Levítico 19:18.

      “Não se turvará nem será esmagado”

      9. Como nos influencia o fato de sabermos o que é a verdadeira justiça?

      9 Visto que Jesus deixou claro a natureza da verdadeira justiça, seus discípulos aprenderam a demonstrar essa qualidade. Temos de fazer o mesmo. Acima de tudo, temos de aceitar as normas de Deus quanto ao que é bom e o que é mau, visto que ele tem o direito de determinar o que é justo e reto. Ao nos esforçarmos em fazer as coisas do modo de Jeová, a nossa boa conduta revelará claramente o que é a verdadeira justiça. — 1 Pedro 2:12.

      10. Por que o exercício da justiça envolve participar na obra de pregação e ensino?

      10 Exercemos também a verdadeira justiça quando participamos diligentemente na atividade de pregação e ensino. Jeová tem fornecido generosamente conhecimento vitalizador sobre si mesmo, seu Filho e Seus propósitos. (João 17:3) Não seria correto ou justo guardar esse conhecimento só para nós. “Não negues o bem àqueles a quem é devido, quando estiver no poder da tua mão fazê-lo”, diz Salomão. (Provérbios 3:27) Fervorosamente, partilhemos com todos o que sabemos sobre Deus, independentemente de sua formação racial, étnica ou nacional. — Atos 10:34, 35.

      11. Imitando a Jesus, como devemos tratar os outros?

      11 Além disso, o cristão genuíno trata os outros como Jesus o fazia. Muitos hoje enfrentam problemas desanimadores e precisam de compaixão e encorajamento. Mesmo alguns cristãos dedicados talvez sejam tão castigados pelas circunstâncias que passam a se parecer com canas esmagadas ou mechas fumegantes. Não precisam eles de nosso apoio? (Lucas 22:32; Atos 11:23) Como é reanimador pertencer a uma associação de cristãos verdadeiros que tentam imitar a Jesus no exercício da justiça!

      12. Por que podemos confiar que a justiça para todos em breve se tornará realidade?

      12 Haverá algum dia justiça para todos? Sim, com certeza. O Escolhido de Jeová “não se turvará nem será esmagado até estabelecer justiça na própria terra”. Muito em breve o Rei entronizado, o ressuscitado Jesus Cristo, ‘trará vingança sobre os que não conhecem a Deus’. (2 Tessalonicenses 1:6-9; Revelação [Apocalipse] 16:14-16) O governo humano será substituído pelo Reino de Deus. Haverá farta justiça e retidão. (Provérbios 2:21, 22; Isaías 11:3-5; Daniel 2:44; 2 Pedro 3:13) Com viva expectativa, os servos de Jeová em toda a parte — mesmo em lugares remotos, as “ilhas” — aguardam esse dia.

      ‘Eu te darei por luz das nações’

      13. O que Jeová profetiza sobre seu Servo Escolhido?

      13 Isaías continua: “Assim disse o verdadeiro Deus, Jeová, o Criador dos céus e o Grandioso que os estendeu; Aquele que estirou a terra e seu produto, Aquele que dá respiração ao povo sobre ela e espírito aos que andam nela.” (Isaías 42:5) Que majestosa descrição de Jeová, o Criador! Esse lembrete do poder de Jeová dá grande peso à sua declaração: “Eu mesmo, Jeová, chamei-te em justiça e passei a agarrar a tua mão. E eu te resguardarei e te darei por pacto do povo, por luz das nações, para abrires os olhos cegos, para fazeres sair o preso do calabouço, da casa de detenção os que estão sentados na escuridão.” — Isaías 42:6, 7.

      14. (a) Em que sentido Jeová ‘agarraria’ a mão de seu Servo aprovado? (b) Que papel desempenharia o Servo Escolhido?

      14 O Grandioso Criador do Universo, o Dador e Sustentador da vida, ‘agarraria’ a mão de seu Servo Escolhido e prometeria pleno e constante apoio. Quão reanimador! Ademais, Jeová o resguardaria a fim de dá-lo como “pacto do povo”. Pacto é um contrato, um acordo, uma promessa solene. Uma ordem bem estabelecida. Sim, Jeová faria de seu Servo “um penhor para o povo”. — An American Translation.

      15, 16. De que modo Jesus serviu de “luz das nações”?

      15 Como “luz das nações”, o Servo prometido abriria “os olhos cegos” e libertaria “os que estão sentados na escuridão”. Foi o que Jesus fez. Por dar testemunho da verdade, ele glorificou o nome de seu Pai celestial. (João 17:4, 6) Expôs falsidades religiosas, pregou as boas novas do Reino e abriu a porta da liberdade espiritual para os em servidão religiosa. (Mateus 15:3-9; Lucas 4:43; João 18:37) Alertou contra realizar obras próprias da escuridão e expôs Satanás como “pai da mentira” e “governante deste mundo”. — João 3:19-21; 8:44; 16:11.

      16 Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo.” (João 8:12) Ele provou ser isso de modo notável quando deu a sua vida humana perfeita como resgate. Assim, ele abriu o caminho para que os que exercessem fé obtivessem o perdão de pecados, uma relação aprovada com Deus e a perspectiva de vida eterna. (Mateus 20:28; João 3:16) Por levar uma vida inteira de perfeita devoção piedosa, Jesus apoiou a soberania de Jeová e provou que o Diabo é mentiroso. Realmente deu visão aos cegos e libertou os presos na escuridão espiritual.

      17. De que maneiras servimos como portadores de luz?

      17 No Sermão do Monte, Jesus disse aos seus discípulos: “Vós sois a luz do mundo.” (Mateus 5:14) Não somos nós também portadores de luz? Pela nossa conduta e pela nossa pregação, temos o privilégio de encaminhar outros a Jeová, a Fonte de esclarecimento verdadeiro. Imitando a Jesus, divulgamos o nome de Jeová, apoiamos a Sua soberania e proclamamos o Seu Reino como única esperança da humanidade. Além disso, como portadores de luz expomos as falsidades religiosas, alertamos contra obras impuras próprias da escuridão e expomos Satanás, o iníquo. — Atos 1:8; 1 João 5:19.

      “Cantai a Jeová um novo cântico”

      18. O que Jeová faz com que seu povo saiba?

      18 A seguir, Jeová volta a atenção para seu povo, dizendo: “Eu sou Jeová. Este é meu nome; e a minha própria glória não darei a outrem, nem o meu louvor a imagens entalhadas. As primeiras coisas — eis que chegaram, mas eu estou contando coisas novas. Antes de começarem a surgir, faço que as ouçais.” (Isaías 42:8, 9) A profecia sobre “meu servo” não foi feita por um dos deuses sem valor, mas sim pelo único Deus vivo e verdadeiro. Estava fadada a se cumprir, e se cumpriu. Jeová Deus é deveras o Autor de coisas novas, e ele faz com que seu povo saiba delas antes que ocorram. Como devemos reagir a isso?

      19, 20. (a) Que cântico é preciso cantar? (b) Quem hoje está cantando o cântico de louvor a Jeová?

      19 Isaías escreve: “Cantai a Jeová um novo cântico, seu louvor desde a extremidade da terra, vós os que desceis ao mar e ao que o enche, vós ilhas e os que nelas habitais. Levantem a sua voz o ermo e suas cidades, os povoados habitados por Quedar. Gritem de júbilo os habitantes do rochedo. Grite-se alto do cume dos montes. Atribua-se a Jeová a glória e conte-se nas ilhas até mesmo o seu louvor.” — Isaías 42:10-12.

      20 Os habitantes de cidades, de vilas no ermo, de ilhas, até mesmo de “Quedar”, ou de acampamentos nos desertos — pessoas em toda a parte — foram instados a cantar um cântico de louvor a Jeová. Como é emocionante que hoje milhões tenham atendido a esse apelo profético! Eles aceitaram a verdade da Palavra de Deus e fizeram de Jeová seu Deus. O povo de Jeová está cantando esse novo cântico — atribuindo glória a Jeová — em mais de 230 terras. Quão emocionante é cantar nesse coro multicultural, multilíngue e multirracial!

      21. Por que os inimigos do povo de Deus não podem ser bem-sucedidos em silenciar o cântico de louvor a Jeová?

      21 Podem os opositores resistir a Deus e silenciar esse cântico de louvor? Impossível! “O próprio Jeová sairá como um poderoso. Como um guerreiro ele despertará o zelo. Bradará, sim, dará um grito de guerra; mostrar-se-á mais poderoso sobre os seus inimigos.” (Isaías 42:13) Existe algum poder que possa resistir a Jeová? Uns 3.500 anos atrás, o profeta Moisés e os filhos de Israel cantaram: “Jeová é pessoa varonil de guerra. Jeová é o seu nome. Atirou no mar os carros de Faraó e suas forças militares, e a elite dos seus guerreiros foi afundada no Mar Vermelho.” (Êxodo 15:3, 4) Jeová venceu a mais poderosa força militar daquele tempo. Nenhum inimigo do povo de Deus pode ser bem-sucedido quando Jeová se apresenta como poderoso guerreiro.

      “Por muito tempo fiquei quieto”

      22, 23. Por que Jeová ‘por muito tempo ficou quieto’?

      22 Jeová é justo e correto, mesmo na condenação de seus inimigos. Diz ele: “Por muito tempo fiquei quieto. Fiquei calado. Continuei a exercer autodomínio. Igual à mulher que dá à luz, vou gemer, ofegar e arfar ao mesmo tempo. Devastarei montes e morros, e secarei toda a sua vegetação. E dos rios vou fazer ilhas e secarei os banhados de juncos.” — Isaías 42:14, 15.

      23 Antes de agir judicialmente, Jeová concede tempo para dar aos transgressores a oportunidade de largar seu mau proceder. (Jeremias 18:7-10; 2 Pedro 3:9) Veja o caso dos babilônios, que, como potência mundial dominante, desolaram Jerusalém no ano 607 AEC. Jeová permitiu isso para disciplinar os israelitas por sua infidelidade. Mas os babilônios não reconheceram o papel que desempenhavam. Trataram o povo de Deus de modo bem mais duro do que Seu julgamento exigia. (Isaías 47:6, 7; Zacarias 1:15) Quão aflitivo deve ter sido para o Deus verdadeiro ver seu povo sofrer! Mas ele se refreou de agir até o seu devido tempo. Daí, ele labutou — como uma mulher que dá à luz — para libertar seu povo pactuado e produzi-lo como nação independente. Para realizar isso, em 539 AEC, secou e devastou Babilônia e suas defesas.

      24. Que perspectiva abria Jeová para seu povo Israel?

      24 Quão emocionado deve ter ficado o povo de Deus quando, depois de tantos anos de exílio, o caminho de volta para sua terra finalmente se abria! (2 Crônicas 36:22, 23) Devem ter-se deleitado em vivenciar o cumprimento da promessa de Jeová: “Vou fazer os cegos andar num caminho que não conheceram; farei que pisem numa senda que não conheceram. O lugar escuro transformarei diante deles em luz, e o terreno escabroso em terra plana. Estas são as coisas que vou fazer para eles e não vou abandoná-los.” — Isaías 42:16.

      25. (a) Que certeza pode ter hoje o povo de Jeová? (b) Qual deve ser a nossa determinação?

      25 Que aplicação têm essas palavras hoje? Bem, já por muito tempo agora — por séculos — Jeová tem permitido que as nações sigam seu próprio caminho. Contudo, seu tempo marcado para corrigir as coisas se aproxima. Nos tempos modernos, ele suscitou um povo para dar testemunho de Seu nome. ‘Aplainando’ qualquer oposição contra eles, removeu os obstáculos para que o adorassem “com espírito e verdade”. (João 4:24) Jeová prometeu: “Não vou abandoná-los”, e ele tem cumprido a sua palavra. E os que persistem em adorar deuses falsos? Ele diz: “Terá de fazer-se que retrocedam, ficarão muito envergonhados, os que põem a sua confiança na imagem entalhada, os que dizem a uma imagem fundida: ‘Vós sois os nossos deuses.’” (Isaías 42:17) Quão vital é permanecermos fiéis a Jeová, como fez seu Escolhido!

      ‘Um servo surdo e cego’

      26, 27. Como Israel mostrou ser ‘um servo surdo e cego’, e com que consequências?

      26 O Servo Escolhido de Deus, Jesus Cristo, permaneceu fiel até a morte. Israel, o povo de Jeová, porém, mostrou ser um servo infiel, surdo e cego em sentido espiritual. Dirigindo-se a eles, diz Jeová: “Ouvi, ó surdos; e olhai para ver, ó cegos. Quem é cego, se não o meu servo, e quem é surdo como o meu mensageiro a quem envio? Quem é cego como o recompensado, ou cego como o servo de Jeová? O caso era de se verem muitas coisas, mas não ficaste vigiando. O caso era de se abrirem os ouvidos, mas não ficaste escutando. O próprio Jeová, por causa da sua justiça, agradou-se de magnificar a lei e de fazê-la majestosa.” — Isaías 42:18-21.

      27 Que lamentável fracasso era Israel! Seu povo repetidas vezes recaía na adoração dos deuses demoníacos das nações. Vez após vez Jeová enviava seus mensageiros, mas Seu povo não os escutava. (2 Crônicas 36:14-16) Isaías prediz as consequências: “É um povo saqueado e rapinado, todos presos em buracos, e eles foram mantidos escondidos nas casas de detenção. Vieram a ficar para o saque, sem livrador, para a rapina, sem que alguém dissesse: ‘Devolve!’ Quem dentre vós dará ouvidos a isso? Quem prestará atenção e escutará para tempos posteriores? Quem entregou Jacó como mera rapina e Israel aos saqueadores? Não foi Jeová, Aquele contra quem pecamos, e em cujos caminhos não quiseram andar e cuja lei não escutaram? De modo que Ele continuou a derramar sobre aquele o furor, sua ira e a força da guerra. E isso o consumia em todo o redor, mas ele não fez caso; e chamejava contra ele, mas não fixava nada no coração.” — Isaías 42:22-25.

      28. (a) O que podemos aprender do exemplo dos habitantes de Judá? (b) Como podemos buscar a aprovação de Jeová?

      28 Devido à infidelidade de seus habitantes, Jeová permitiu que a terra de Judá fosse saqueada e rapinada em 607 AEC. Os babilônios queimaram o templo de Jeová, desolaram Jerusalém e levaram os judeus cativos. (2 Crônicas 36:17-21) Levemos a sério esse exemplo alertador e jamais nos façamos de surdos para com as instruções de Jeová ou cegos para com a sua Palavra escrita. Em vez disso, busquemos a aprovação de Jeová por imitar a Jesus Cristo, o Servo aprovado pelo próprio Jeová. Como Jesus, divulguemos a verdadeira justiça pelo que dizemos e fazemos. Desse modo, permaneceremos entre o povo de Jeová, servindo como portadores de luz que louvam e glorificam o Deus verdadeiro.

      [Fotos na página 33]

      A verdadeira justiça é compassiva e misericordiosa

      [Foto na página 34]

      Na parábola do bom samaritano Jesus mostrou que a verdadeira justiça estende-se a todos

      [Fotos na página 36]

      Por sermos encorajadores e bondosos, exercemos a justiça piedosa

      [Fotos na página 39]

      Pela nossa atividade de pregação demonstramos justiça piedosa

      [Foto na página 40]

      O Servo aprovado foi dado como “luz das nações”

  • “Vós sois as minhas testemunhas”!
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
    • Capítulo Quatro

      “Vós sois as minhas testemunhas”!

      Isaías 43:1-28

      1. Como Jeová usava as profecias, e como seu povo devia reagir ao seu cumprimento?

      A CAPACIDADE de prever o futuro é uma das coisas que distingue o Deus verdadeiro dos deuses falsos. Ao profetizar, porém, Jeová visa mais do que apenas provar a sua Divindade. Como se vê no capítulo 43 de Isaías, Jeová usava as profecias para provar tanto a sua Divindade como seu amor pelos de seu povo pactuado. Os de Seu povo, por sua vez, não deviam apenas discernir o cumprimento de profecias e ficar calados; deviam testemunhar o que viam. Sim, deviam ser testemunhas de Jeová!

      2. (a) Em que condição espiritual estava Israel nos dias de Isaías? (b) Como Jeová abriu os olhos de seu povo?

      2 Infelizmente, nos dias de Isaías a situação do povo de Israel era tão deplorável que Jeová o considerava espiritualmente incapacitado. “Faze sair um povo cego, embora existam os próprios olhos, e os surdos, embora tenham ouvidos.” (Isaías 43:8) Como poderiam pessoas espiritualmente cegas e surdas servir a Jeová como suas testemunhas vivas? Havia apenas uma maneira. Seus olhos e ouvidos tinham de ser abertos milagrosamente. E Jeová os abriu! Como? Primeiro, aplicou uma severa disciplina — os habitantes do reino setentrional de Israel foram exilados em 740 AEC e os de Judá em 607 AEC. Daí, em 537 AEC, Jeová agiu energicamente em favor de seu povo, libertando-o e reconduzindo para sua terra natal um arrependido restante espiritualmente revitalizado. De fato, Jeová tinha tanta certeza de que esse seu propósito não podia ser frustrado que, uns 200 anos antes, falou da libertação de Israel como se já tivesse ocorrido.

      3. Que encorajamento deu Jeová aos futuros exilados?

      3 “Assim disse Jeová, teu Criador, ó Jacó, e teu Formador, ó Israel: ‘Não tenhas medo, porque eu te resgatei. Eu te chamei pelo teu nome. Tu és meu. Se passares pelas águas, vou estar contigo; e pelos rios, eles não passarão por cima de ti. Se andares através do fogo, não ficarás chamuscado, nem te crestará a própria chama. Porque eu sou Jeová, teu Deus, o Santo de Israel, teu Salvador.’” — Isaías 43:1-3a.

      4. Em que sentido Jeová era o Criador de Israel, e como garantiu ele que Seu povo voltaria para sua terra natal?

      4 Jeová tinha interesse especial em Israel porque a nação lhe pertencia. Era sua criação pessoal, em cumprimento do pacto abraâmico. (Gênesis 12:1-3) Assim, o Salmo 100:3 diz: “Sabei que Jeová é Deus. Foi ele quem nos fez, e não nós a nós mesmos. Somos seu povo e ovelhas do seu pasto.” Como Criador e Resgatador de Israel, Jeová reconduziria seu povo com segurança para a sua terra natal. Obstáculos, tais como águas, rios inundantes e desertos escaldantes não os impediriam nem os prejudicariam, assim como coisas similares não detiveram seus antepassados a caminho da Terra Prometida, mil anos antes.

      5. (a) De que consolo são para o Israel espiritual as palavras de Jeová? (b) Quem são os companheiros do Israel espiritual, e quem os prefigurou?

      5 As palavras de Jeová consolam também o atual restante do Israel espiritual, cujos membros constituem uma “nova criação” gerada pelo espírito. (2 Coríntios 5:17) Tendo-se apresentado destemidamente perante as “águas” da humanidade, eles têm usufruído a amorosa proteção de Deus em meio a inundações figurativas. O fogo de seus inimigos não os tem prejudicado, mas em vez disso tem servido para refiná-los. (Zacarias 13:9; Revelação [Apocalipse] 12:15-17) O desvelo de Jeová tem se estendido também à “grande multidão” de “outras ovelhas” que aderiu à nação espiritual de Deus. (Revelação 7:9; João 10:16) Os dessa grande multidão foram prefigurados pela “vasta mistura de gente” que participou do Êxodo do Egito junto com os israelitas e também pelos não judeus que retornaram de Babilônia com os exilados libertados. — Êxodo 12:38; Esdras 2:1, 43, 55, 58.

      6. Como Jeová mostrou ser um Deus justo com respeito ao resgate do (a) Israel carnal? (b) Israel espiritual?

      6 Jeová prometia libertar seu povo de Babilônia por meio dos exércitos da Média e da Pérsia. (Isaías 13:17-19; 21:2, 9; 44:28; Daniel 5:28) Como Deus justo, Jeová pagaria a seus “servidores” medo-persas um resgate adequado em troca de Israel. “Dei o Egito como resgate por ti, a Etiópia e Sebá, em lugar de ti. Devido ao fato de que tens sido precioso aos meus olhos, foste considerado honroso e eu mesmo te amei. Darei homens em lugar de ti e grupos nacionais em lugar da tua alma.” (Isaías 43:3b, 4) A História confirma que o Império Persa realmente conquistou o Egito, a Etiópia e a vizinha Sebá, exatamente como Deus predissera. (Provérbios 21:18) Em 1919, por meio de Jesus Cristo, Jeová similarmente libertou do cativeiro o restante do Israel espiritual. Mas Jesus não precisava de recompensa pelos seus serviços. Ele não era um governante pagão. E ele libertou seus próprios irmãos espirituais. Além disso, em 1914, Jeová já lhe havia dado ‘nações como herança e os confins da Terra como propriedade’. — Salmo 2:8.

      7. Quais eram, e quais são hoje, os sentimentos de Jeová para com seu povo?

      7 Note como Jeová expressou abertamente seus ternos sentimentos para com os exilados resgatados. Ele lhes disse que eram ‘preciosos’ e ‘honrosos’ para ele e que os ‘amava’. (Jeremias 31:3) Jeová sente o mesmo — até mais — pelos seus servos leais hoje. Os cristãos ungidos foram introduzidos numa relação com Deus, não por nascimento, mas pela operação do espírito santo de Deus após a dedicação pessoal deles ao Criador. Jeová os atraiu a seu Filho e a si mesmo e escreveu as Suas leis e princípios nos seus receptivos corações. — Jeremias 31:31-34; João 6:44.

      8. Que confirmação de apoio deu Jeová aos exilados, e o que eles achariam de sua libertação?

      8 Reafirmando seu apoio aos exilados, Jeová acrescenta: “Não tenhas medo, porque eu estou contigo. Do nascente trarei a tua descendência e do poente te reunirei. Direi ao norte: ‘Entrega!’ e ao sul: ‘Não retenhas. Traze meus filhos de longe, e minhas filhas, da extremidade da terra, todo aquele que for chamado pelo meu nome e que eu criei para a minha glória, que eu formei, sim, que eu fiz.’” (Isaías 43:5-7) Nem as partes mais remotas da Terra estariam fora do alcance de Jeová quando chegasse o tempo de libertar seus filhos e filhas e reconduzi-los para sua amada terra natal. (Jeremias 30:10, 11) Sem dúvida, do ponto de vista deles, essa libertação ofuscaria a libertação anterior da nação, do Egito. — Jeremias 16:14, 15.

      9. De que duas maneiras Jeová relacionou seu nome aos seus atos de libertação?

      9 Por lembrar ao seu povo que eles levavam Seu nome, Jeová confirmava a sua promessa de libertar Israel. (Isaías 54:5, 6) Ademais, Jeová ligava seu nome às suas promessas de libertação. Isso garantia que ele receberia a glória quando as suas palavras proféticas se cumprissem. Nem mesmo o conquistador de Babilônia faria jus à honra devida ao único Deus vivente.

      Deuses em julgamento

      10. Que desafio apresentou Jeová às nações e a seus deuses?

      10 A seguir, Jeová fez de sua promessa de libertar Israel a base de uma ação jurídica universal, na qual ele coloca os deuses das nações em julgamento. Lemos: “Sejam reunidas todas as nações num só lugar e sejam ajuntados os grupos nacionais. Quem dentre [seus deuses] pode contar isso? Ou podem fazer-nos ouvir mesmo as primeiras coisas? Forneçam [os deuses] as suas testemunhas, para que sejam declarados justos, ou ouçam e digam: ‘É verdade!’” (Isaías 43:9) Jeová lançava um extraordinário desafio às nações do mundo. Na verdade, ele dizia: ‘Que vossos deuses provem que são deuses por predizerem corretamente o futuro.’ Visto que só o Deus verdadeiro pode profetizar sem errar, esse teste exporia todos os impostores. (Isaías 48:5) Mas o Todo-Poderoso acrescentava mais uma estipulação legal: quem quer que afirmasse ser deus verdadeiro tinha de apresentar testemunhas, tanto de suas predições como de seu cumprimento. Naturalmente, Jeová não se eximia desse requisito legal.

      11. Que incumbência deu Jeová ao seu servo, e o que revelou a respeito de sua Divindade?

      11 Sendo impotentes, os deuses falsos não podiam apresentar testemunhas. Assim, o banco de testemunhas permanecia embaraçosamente vazio. Mas chegara o tempo de Jeová confirmar a sua Divindade. Dirigindo-se ao seu povo, ele diz: “Vós sois as minhas testemunhas, . . . sim, meu servo a quem escolhi, para que saibais e tenhais fé em mim, e para que entendais que eu sou o Mesmo. Antes de mim não foi formado nenhum Deus e depois de mim continuou a não haver nenhum. Eu é que sou Jeová, e além de mim não há salvador. Eu mesmo o comuniquei, e salvei, e fiz que fosse ouvido, quando entre vós não havia nenhum deus estranho. Portanto, vós sois as minhas testemunhas, . . . e eu sou Deus. Também, em todo o tempo sou o Mesmo; e não há quem livre da minha própria mão. Serei ativo, e quem a fará recuar?” — Isaías 43:10-13.

      12, 13. (a) Que farto testemunho o povo de Jeová tinha a apresentar? (b) Como o nome de Jeová veio a se destacar nos tempos modernos?

      12 Em resposta às palavras de Jeová, o banco de testemunhas logo ficou superlotado de uma alegre multidão de ocupantes. Seu testemunho era claro e inatacável. Como Josué, elas testificavam que ‘tudo o que Jeová falara se cumpriu. Nem uma única palavra falhou’. (Josué 23:14) Ainda ressoavam nos ouvidos do povo de Jeová as palavras de Isaías, Jeremias, Ezequiel e outros profetas que, como que numa única voz, haviam predito o exílio de Judá e sua milagrosa libertação. (Jeremias 25:11, 12) O libertador de Judá, Ciro, fora mencionado por nome bem antes de nascer! — Isaías 44:26–45:1.

      13 Em vista dessa montanha de evidências, quem poderia negar que Jeová é o único Deus verdadeiro? Diferentemente dos deuses pagãos, somente Jeová não foi criado por ninguém; somente ele é o Deus verdadeiro.a Assim, o povo que levava o nome de Jeová tinha o ímpar e emocionante privilégio de relatar Seus atos maravilhosos a gerações futuras e a outros que indagassem a Seu respeito. (Salmo 78:5-7) De modo similar, as Testemunhas de Jeová dos tempos modernos têm o privilégio de declarar o nome de Jeová em toda a Terra. Nos anos 20, os Estudantes da Bíblia perceberam gradativamente o profundo significado do nome de Deus, Jeová. Daí, em 26 de julho de 1931, num congresso em Columbus, Ohio, EUA, o presidente da Sociedade, Joseph F. Rutherford, apresentou uma resolução intitulada “Um Novo Nome”. As palavras “desejamos ser conhecidos e chamados pelo nome, a saber, testemunhas de Jeová”, emocionaram os congressistas, que aprovaram a resolução com um retumbante “Sim!”. Desde então, o nome de Jeová tem recebido destaque mundial. — Salmo 83:18.

      14. Do que Jeová lembrou os israelitas, e por que era oportuno esse lembrete?

      14 Jeová se importa muito com os que levam o seu nome honrosamente, encarando-os como “menina de seu olho”. Ele lembrou disso aos israelitas, falando-lhes sobre como os havia libertado do Egito e os conduzido com segurança através do ermo. (Deuteronômio 32:10, 12) Naquele tempo não havia deus estranho entre eles, pois eles viram com seus próprios olhos a humilhação total de todos os deuses do Egito. De fato, o inteiro panteão egípcio não pôde proteger o Egito nem impedir a saída de Israel. (Êxodo 12:12) Igualmente, a poderosa Babilônia, cuja área urbana era dominada por pelo menos 50 templos de deuses falsos, seria incapaz de deter a mão do Todo-Poderoso quando ele libertasse seu povo. Obviamente, ‘não havia salvador’ além de Jeová.

      Cairiam cavalos de guerra, abrir-se-iam prisões

      15. O que Jeová profetizou a respeito de Babilônia?

      15 “Assim disse Jeová, o vosso Resgatador, o Santo de Israel: ‘Por vossa causa vou enviar alguém a Babilônia e fazer descer as grades das prisões e os caldeus nos navios com clamores lamuriantes da sua parte. Eu sou Jeová, vosso Santo, o Criador de Israel, vosso Rei.’ Assim disse Jeová, Aquele que faz um caminho através do próprio mar e uma senda mesmo através de fortes águas, Aquele que faz sair o carro de guerra e o cavalo, a força militar e os fortes, ao mesmo tempo: ‘Deitar-se-ão. Não se levantarão. Serão certamente extinguidos. Qual mecha de linho terão de ser apagados.’” — Isaías 43:14-17.

      16. O que aconteceria com Babilônia, com os mercadores caldeus e com quaisquer pretensos defensores de Babilônia?

      16 Babilônia era como uma prisão para os exilados, pois impedia a volta deles para Jerusalém. Mas as defesas de Babilônia não eram obstáculos para o Todo-Poderoso, Aquele que anteriormente abrira “um caminho através do próprio mar [Vermelho] e uma senda mesmo através de fortes águas” — aparentemente as do Jordão. (Êxodo 14:16; Josué 3:13) De modo similar, o agente de Jeová, Ciro, baixaria o nível das águas do poderoso Eufrates, permitindo a entrada de seus guerreiros na cidade. Mercadores caldeus que trafegavam nos canais de Babilônia — vias navegáveis para milhares de galés mercantes e para barcaças que transportavam os deuses babilônicos — lamentariam a queda de sua poderosa capital. Como os carros de guerra de Faraó no mar Vermelho, os velozes carros de guerra de Babilônia seriam inúteis. Não a salvariam. Com a mesma facilidade com que se apaga uma mecha de linho numa lamparina, o invasor extinguiria a vida de quaisquer pretensos defensores.

      Jeová levaria seu povo de volta para sua terra com segurança

      17, 18. (a) Que coisa ‘nova’ profetiza Jeová? (b) Em que sentido o povo não havia de se lembrar das coisas anteriores, e por que não?

      17 Comparando seus atos anteriores de libertação com o que estava para fazer, Jeová diz: “Não vos lembreis das primeiras coisas e não deis consideração às coisas anteriores. Eis que eu faço algo novo. Agora é que surgirá. Acaso não o sabereis vós? De fato, porei um caminho através do ermo, rios através do deserto. O animal selvático do campo me glorificará, os chacais e as avestruzes; porque terei dado água até mesmo no ermo, rios no deserto, para fazer beber meu povo, meu escolhido, o povo que formei para mim, para que narrassem o meu louvor.” — Isaías 43:18-21.

      18 Ao dizer “não vos lembreis das primeiras coisas”, Jeová não estava sugerindo que seus servos apagassem da memória Seus atos de salvação anteriores. De fato, muitos desses atos eram parte da divinamente inspirada história de Israel, e Jeová ordenara que a fuga do Egito fosse lembrada anualmente na celebração da Páscoa. (Levítico 23:5; Deuteronômio 16:1-4) Contudo, Jeová desejava agora que seu povo o glorificasse à base de “algo novo” — algo que experimentassem em primeira mão. Isso incluiria não apenas a sua libertação de Babilônia, mas também a milagrosa jornada para a terra natal, talvez usando a rota mais direta pelo deserto. Nessa terra inóspita Jeová abriria um “caminho” para eles e realizaria obras poderosas que fariam lembrar o que ele fizera pelos israelitas nos dias de Moisés — de fato, ele alimentaria os regressantes no deserto e lhes saciaria a sede em rios de verdade. As provisões de Jeová seriam tão generosas que até mesmo os animais selvagens glorificariam a Deus e não atacariam o povo.

      19. De que modo o restante do Israel espiritual e seus companheiros andam no “Caminho de Santidade”?

      19 Similarmente, em 1919, os do restante do Israel espiritual foram libertados de um cativeiro babilônico e iniciaram um percurso que Jeová lhes preparara, o “Caminho de Santidade”. (Isaías 35:8) Diferentemente dos israelitas, eles não precisaram cruzar um tórrido deserto de uma localidade geográfica para outra, e sua jornada não terminou depois de alguns meses com uma chegada a Jerusalém. No entanto, o “Caminho de Santidade” realmente conduziu o restante de cristãos ungidos a um paraíso espiritual. No seu caso, eles continuam nesse “Caminho de Santidade”, visto que ainda têm de prosseguir na jornada através deste sistema mundial. Enquanto permanecerem na estrada — enquanto seguirem as normas divinas de pureza e santidade — permanecerão no paraíso espiritual. E quanto se alegram com a adesão duma grande multidão de companheiros “não israelitas”! Em nítido contraste com os que se voltam para o sistema de Satanás, tanto o restante quanto seus companheiros continuam a desfrutar de um precioso banquete espiritual servido por Jeová. (Isaías 25:6; 65:13, 14) Vendo como Jeová abençoa seu povo, muitas pessoas com qualidades animalescas têm mudado seu comportamento e glorificado o Deus verdadeiro. — Isaías 11:6-9.

      Jeová expôs a sua mágoa

      20. De que modo o Israel dos dias de Isaías falhou para com Jeová?

      20 Nos tempos antigos, o restante restaurado do Israel era um povo mudado, em comparação com a geração perversa de Isaías. Sobre ela, Jeová diz: “Tu não me invocaste, ó Jacó, porque te fatigaste de mim, ó Israel. Não me trouxeste o ovídeo do teu holocausto e não me glorificaste com os teus sacrifícios. Não te compeli a servir-me com um presente, nem te fatiguei com olíbano. Não compraste para mim nenhuma cana doce com dinheiro; e não me saturaste com a gordura dos teus sacrifícios. Na realidade, tu me compeliste a servir, por causa dos teus pecados; fatigaste-me com os teus erros.” — Isaías 43:22-24.

      21, 22. (a) Por que se pode dizer que os requisitos de Jeová não eram pesados? (b) Como o povo fazia com que, na verdade, Jeová o servisse?

      21 Ao dizer “não te compeli a servir-me com um presente, nem te fatiguei com olíbano”, Jeová não estava sugerindo que os sacrifícios e o olíbano (um componente do incenso sagrado) fossem desnecessários. Na verdade, constituíam uma parte essencial da adoração pura, sob o pacto da Lei. O mesmo se dava com a “cana”, que se referia ao fragrante cálamo, um ingrediente aromático do óleo de unção sagrada. Os israelitas estavam negligenciando seu uso nos ofícios no templo. Mas eram pesados tais requisitos? De forma alguma! Os requisitos de Jeová eram leves em comparação com os dos deuses falsos. Por exemplo, o falso deus Moloque exigia sacrifício de crianças — algo que Jeová jamais exigiu! — Deuteronômio 30:11; Miqueias 6:3, 4, 8.

      22 Se tão somente tivessem percepção espiritual, os israelitas jamais teriam ‘se fatigado de Jeová’. Uma olhada na Sua Lei lhes teria mostrado o profundo amor de Jeová por eles e prazerosamente lhe teriam oferecido “a gordura” — a melhor parte de seus sacrifícios. Em vez disso, gananciosamente retinham a gordura para si. (Levítico 3:9-11, 16) Quanto essa perversa nação oprimia a Jeová com a carga de seus pecados — na verdade fazendo com que ele a servisse! — Neemias 9:28-30.

      A disciplina produziria frutos

      23. (a) Por que a disciplina de Jeová seria bem-merecida? (b) O que estaria envolvido na disciplina que Deus aplicaria a Israel?

      23 Embora severa, e bem-merecida, a disciplina de Jeová obteria os resultados desejados, possibilitando a misericórdia. “Eu é que sou Aquele que oblitera as tuas transgressões por minha própria causa, e não me lembrarei dos teus pecados. Faze-me lembrar; entremos juntamente em julgamento; narra o teu próprio relato disso para que tenhas razão. Teu próprio pai, o primeiro, pecou, e teus próprios porta-vozes [“intérpretes”, nota] transgrediram contra mim. Portanto, profanarei os príncipes do lugar santo e vou entregar Jacó como homem devotado à destruição, e Israel, a palavras de injúria.” (Isaías 43:25-28) Como todas as nações do mundo, Israel descendia de Adão, “o primeiro”. Assim, nenhum israelita poderia ‘ter razão’. Até mesmo os “porta-vozes” de Israel — seus instrutores, ou intérpretes, da Lei — haviam pecado contra Jeová e ensinado falsidades. Jeová, por sua vez, entregaria a sua inteira nação “à destruição” e “a palavras de injúria”. Além disso, profanaria todos os que prestassem serviços no seu “lugar santo”, ou santuário.

      24. Por que razão primária Jeová perdoaria os do seu povo do passado — e os perdoa hoje —, mas o que Jeová sentia e sente por eles?

      24 Note, porém, que a misericórdia divina não resultaria simplesmente da contrição de Israel; seria pela própria causa de Jeová. Sim, o seu nome estava envolvido. Se ele abandonasse Israel num exílio permanente, seu próprio nome seria vituperado pelos observadores. (Salmo 79:9; Ezequiel 20:8-10) Também hoje, a salvação de humanos é secundária à santificação do nome de Jeová e à vindicação de sua soberania. Não obstante, Jeová ama os que aceitam a sua disciplina sem reservas e que o adoram com espírito e verdade. Ele demonstra seu amor por eles — sejam dos ungidos, sejam das outras ovelhas — por apagar suas transgressões à base do sacrifício de Jesus Cristo. — João 3:16; 4:23, 24.

      25. Que coisas espantosas Jeová realizará no futuro próximo, e como podemos mostrar nosso apreço agora?

      25 Além do mais, Jeová em breve demonstrará seu amor por uma grande multidão de adoradores leais quando fizer algo novo em favor deles, salvando-os na “grande tribulação” para a vida numa “nova terra” purificada. (Revelação 7:14; 2 Pedro 3:13) Eles testemunharão a mais espantosa manifestação do poder de Jeová jamais vista por seres humanos. A expectativa certa desse evento faz com que o restante ungido e todos os que comporão a grande multidão se alegrem e vivam cada dia de acordo com essa elevada incumbência: “Vós sois as minhas testemunhas”! — Isaías 43:10.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Nas mitologias das nações, muitos deuses “nascem” e têm “filhos”.

      [Foto nas páginas 48, 49]

      Jeová apoiaria os judeus na sua volta para Jerusalém

      [Fotos na página 52]

      Jeová desafiou as nações a produzirem testemunhas em favor de seus deuses

      1. Estátua de bronze de Baal  2. Estatuetas de argila de Astorete;  3. Tríade egípcia de Hórus, Osíris e Ísis  4. Deusas gregas Atena (à esquerda) e Afrodite

      [Fotos na página 58]

      “Vós sois as minhas testemunhas.” — Isaías 43:10

  • O Deus verdadeiro predisse a libertação
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
    • Capítulo Cinco

      O Deus verdadeiro predisse a libertação

      Isaías 44:1-28

      1, 2. (a) Que perguntas faz Jeová? (b) Como Jeová provaria que somente ele é o Deus verdadeiro?

      ‘QUEM é o Deus verdadeiro?’ Essa pergunta tem sido feita ao longo dos séculos. Como é surpreendente, então, que no livro de Isaías o próprio Jeová faça essa pergunta! Ele convida os humanos a considerar: ‘É Jeová o único Deus verdadeiro? Ou existe outro que pode desafiar a sua posição?’ Aberta a discussão, Jeová fornece critérios razoáveis para resolver a questão da Divindade. Os argumentos apresentados levam os sinceros a uma conclusão incontestável.

      2 Nos dias de Isaías havia muita adoração de imagens. Na consideração franca e clara registrada no Is capítulo 44 do livro profético de Isaías, quão fútil revela ser a adoração de imagens! No entanto, o próprio povo de Deus havia caído na armadilha da adoração de ídolos. Assim, como se viu nos capítulos anteriores de Isaías, os israelitas mereciam uma forte disciplina. Amorosamente, porém, Jeová garantiu à nação que, mesmo permitindo aos babilônios levar Seu povo cativo, ele os libertaria no seu tempo devido. O cumprimento das profecias de libertação do cativeiro e da restauração da adoração pura provaria além de dúvidas que somente Jeová é o Deus verdadeiro, para vergonha de todos os que adoravam os deuses sem vida das nações.

      3.Como as palavras proféticas de Isaías ajudam os cristãos hoje?

      3 As profecias nessa parte de Isaías e seu cumprimento nos tempos antigos fortalecem a fé dos cristãos hoje. Além do mais, as palavras proféticas de Isaías têm um cumprimento em nossos dias e ainda terão no futuro. E esses eventos envolvem um libertador e uma libertação ainda maiores do que os preditos para o antigo povo de Deus.

      Esperança para os que pertenciam a Jeová

      4. Que encorajamento deu Jeová a Israel?

      4 O capítulo 44 começa num tom positivo, com um lembrete de que Israel fora escolhido por Deus, separado das nações vizinhas para se tornar servo dele. Diz a profecia: “Agora escuta, ó Jacó, meu servo, e tu, ó Israel, a quem escolhi. Assim disse Jeová, Aquele que te fez e Aquele que te formou, que te estava ajudando mesmo desde o ventre: ‘Não tenhas medo, ó meu servo Jacó, e tu, Jesurum, a quem escolhi.’” (Isaías 44:1, 2) Jeová havia cuidado de Israel desde o ventre de sua mãe, por assim dizer, desde que Israel se tornara uma nação após ter saído do Egito. Ele chama seu povo coletivamente de “Jesurum”, que significa “O Reto”, um título que expressa afeto e ternura. Esse nome era também um lembrete de que os israelitas tinham de permanecer retos, o que muitas vezes não acontecia.

      5, 6. Que reanimadoras provisões faria Jeová para Israel, e com que resultado?

      5 Quão agradáveis e reanimadoras são as palavras seguintes de Jeová! Ele diz: “Despejarei água sobre o sedento e regatos sobre o lugar seco. Despejarei meu espírito sobre a tua descendência e minha bênção sobre os teus descendentes. E eles certamente brotarão como entre a grama verde, como os choupos junto às valas de água.” (Isaías 44:3, 4) Mesmo numa terra quente e seca, arvoredos podem crescer junto a fontes de água. Quando Jeová suprisse as suas vitalizadoras águas da verdade e derramasse seu espírito santo, Israel floresceria majestosamente, como árvores ao longo de canais de irrigação. (Salmo 1:3; Jeremias 17:7, 8) Jeová daria aos de seu povo o vigor para cumprirem seu papel de testemunhas de sua Divindade.

      6 Um dos efeitos desse derramamento do espírito santo seria uma renovação de apreço, por parte de alguns, da relação de Israel com Jeová. Assim, lemos: “Este dirá: ‘Pertenço a Jeová.’ E aquele se chamará pelo nome de Jacó, e outro escreverá na sua mão: ‘Pertencente a Jeová.’ E assumir-se-á por título o nome de Israel.” (Isaías 44:5) Sim, seria honroso levar o nome de Jeová, pois ele seria visto como único Deus verdadeiro.

      Um desafio aos deuses

      7, 8. Que desafio Jeová lançou aos deuses das nações?

      7 Sob a Lei mosaica, o resgatador — normalmente um dos parentes masculinos mais próximos — podia resgatar uma pessoa da servidão. (Levítico 25:47-54; Rute 2:20) Jeová agora se identificava como Resgatador de Israel — que redimiria a nação, para o constrangimento de Babilônia e de todos os seus deuses. (Jeremias 50:34) Ele confrontou os deuses falsos e seus adoradores, dizendo: “Assim disse Jeová, o Rei de Israel e seu Resgatador, Jeová dos exércitos: ‘Sou o primeiro e sou o último, e além de mim não há Deus. E quem é semelhante a mim? Que clame, para contá-lo e para apresentá-lo a mim. Desde que designei o povo de há muito tempo, tanto as coisas vindouras como as coisas que chegarão, contem-no da sua parte. Não fiqueis apavorados e não fiqueis estupefatos. Não fiz que ouvisses individualmente e não o contei daquele tempo em diante? E vós sois as minhas testemunhas. Acaso existe outro Deus além de mim? Não, não há nenhuma Rocha. Não reconheci nenhuma.’” — Isaías 44:6-8.

      8 Jeová desafiou os deuses para que se defendessem. Poderiam eles falar de coisas inexistentes como se existissem, prevendo eventos futuros com tanta precisão como se já estivessem ocorrendo? Somente ‘o primeiro e o último’, que já existia quando todos os deuses falsos foram concebidos, e ainda existirá quando todos eles há muito tiverem sido esquecidos, poderia fazer tal coisa. O seu povo não precisava temer dar testemunho dessa verdade, pois tinha o apoio de Jeová, que é firme e estável como uma rocha! — Deuteronômio 32:4; 2 Samuel 22:31, 32.

      A futilidade da adoração de imagens

      9. Era errado para os israelitas fazer algum tipo de representação de coisas vivas? Explique.

      9 O desafio lançado por Jeová aos deuses falsos lembra o segundo dos Dez Mandamentos. Esse mandamento diz claramente: “Não deves fazer para ti imagem esculpida, nem semelhança de algo que há nos céus em cima, ou do que há na terra embaixo, ou do que há nas águas abaixo da terra. Não te deves curvar diante delas, nem ser induzido a servi-las.” (Êxodo 20:4, 5) Naturalmente, isso não proibia os israelitas de fazer representações de coisas para fins decorativos. O próprio Jeová mandara colocar no tabernáculo representações de plantas e querubins. (Êxodo 25:18, 33; 26:31) Mas essas não deviam ser veneradas ou adoradas. Ninguém devia orar ou ofertar sacrifícios a essas representações. O mandamento inspirado por Deus proibia fazer qualquer imagem que fosse usada como objeto de adoração. Adorar imagens ou curvar-se diante delas em reverência é idolatria. — 1 João 5:21.

      10, 11. Por que Jeová considerava vergonhosas as imagens?

      10 A seguir, Isaías descreve a inutilidade de imagens sem vida e a vergonha que passariam seus fabricantes: “Os formadores da imagem esculpida são todos uma irrealidade, e seus próprios queridinhos não serão de proveito algum; e como suas testemunhas não veem nada e não sabem de nada, para que fiquem envergonhados. Quem é que formou um deus ou fez uma mera imagem fundida? Foi de absolutamente nenhum proveito. Eis que mesmo todos os seus associados ficarão envergonhados, e os artífices são dos homens terrenos. Todos eles se reunirão. Ficarão parados. Estarão apavorados. Ao mesmo tempo estarão envergonhados.” — Isaías 44:9-11.

      11 Por que para Deus essas imagens eram tão vergonhosas? Primeiro, com coisas materiais é impossível fazer uma representação exata do Todo-Poderoso. (Atos 17:29) Ademais, adorar algo criado e não o Criador é uma afronta à Divindade de Jeová. E não fere realmente a dignidade do homem, criado “à imagem de Deus”? — Gênesis 1:27; Romanos 1:23, 25.

      12, 13. Por que o homem não podia talhar nenhuma imagem digna de adoração?

      12 Poderia a matéria física de algum modo adquirir santidade se fosse talhada em objeto de adoração? Isaías nos lembra de que fazer imagens é mera obra humana. As ferramentas e as técnicas do fabricante de imagens eram as mesmas de qualquer outro artesão: “Quanto ao escultor de ferro, com o podão, tem estado ocupado nisso com os carvões; e passa a formá-lo com martelos e mantém-se ocupado nisso com seu poderoso braço. Também fica com fome e assim sem poder. Não bebeu água; de modo que se cansa. Quanto ao escultor de madeira, estendeu o cordel de medir; demarca-a com giz vermelho; trabalha-a com a raspadeira; e continua a demarcá-la com o compasso, e aos poucos a faz semelhante à representação de um homem, semelhante à beleza da humanidade, para ficar assentada numa casa.” — Isaías 44:12, 13.

      13 O Deus verdadeiro fez todas as criaturas vivas da Terra, incluindo o homem. A vida consciente é um testemunho maravilhoso da Divindade de Jeová, mas é claro que tudo o que Jeová criou é inferior a ele. Tinha o homem a capacidade de fazer melhor? Podia ele fazer algo superior a si mesmo — tão superior que merecesse sua devoção? Ao fazer uma imagem, o homem se cansava, sentia fome e sede. Eram limitações humanas, mas pelo menos indicavam que o homem estava vivo. A imagem que ele fazia talvez tivesse aparência humana. Podia até ser bela. Mas era sem vida. As imagens de modo algum eram divinas. Além disso, nenhuma imagem esculpida jamais “caiu do céu”, como se procedesse de algo maior do que o homem mortal. — Atos 19:35.

      14. De que modo os fabricantes de imagens dependiam inteiramente de Jeová?

      14 Isaías passa a mostrar que os fabricantes de imagens dependiam inteiramente de processos naturais e materiais criados por Jeová: “Há um cujo negócio é cortar cedros; e ele toma certa espécie de árvore, mesmo uma árvore maciça, e deixa-a ficar forte para si entre as árvores da floresta. Plantou o loureiro, e a própria chuvada o faz crescer. E este se tornou algo para o homem manter o fogo aceso. De modo que toma parte dele para se aquecer. De fato, faz um fogo e realmente coze pão. Também trabalha num deus diante do qual se possa curvar. Fez dele uma imagem esculpida e se prostra diante dele. Metade realmente queima no fogo. Sobre metade assa bem a carne que come e fica satisfeito. Também se aquece e diz: ‘Ah! Aqueci-me. Vi a luz do fogo.’ Mas do restante é que faz mesmo um deus, sua imagem esculpida. Prostra-se diante dele e curva-se, e ora para ele e diz: ‘Livra-me, pois tu és o meu deus.’” — Isaías 44:14-17.

      15. Que total falta de entendimento mostrou o fabricante de imagens?

      15 Poderia um pedaço de madeira não queimado salvar alguém? É claro que não. Somente o Deus verdadeiro pode salvar. Como podiam as pessoas idolatrar coisas inanimadas? Isaías mostra que o verdadeiro problema jazia no coração da pessoa: “Não chegaram a saber nem entendem, porque os seus olhos foram untados para não verem, seu coração, para não terem perspicácia. E ninguém revoca ao coração, ou tem conhecimento ou entendimento, dizendo: ‘Metade queimei no fogo e também cozi pão sobre as suas brasas; assei carne e comi. Mas, farei do resto apenas uma coisa detestável? Prostrar-me-ei diante da madeira ressequida duma árvore?’ Ele se alimenta de cinzas. Seu próprio coração ludibriado o desencaminhou. E ele não livra a sua alma, nem diz: ‘Não há falsidade na minha direita?’” (Isaías 44:18-20) Sim, imaginar que a idolatria possa fornecer algo bom espiritualmente é como comer cinzas em vez de alimentos nutritivos.

      16. Como se originou a idolatria, e o que a torna possível?

      16 Na verdade, a idolatria começou no céu, quando a poderosa criatura espiritual que se tornou Satanás cobiçou a adoração que é devida somente a Jeová. Seu desejo era tão forte que isso a afastou de Deus. Esse foi realmente o começo da idolatria, visto que o apóstolo Paulo disse que a cobiça é o mesmo que idolatria. (Isaías 14:12-14; Ezequiel 28:13-15, 17; Colossenses 3:5) Satanás induziu o primeiro casal humano a entreter ideias egoístas. Eva cobiçou o que Satanás lhe oferecera: “Forçosamente se abrirão os vossos olhos e forçosamente sereis como Deus, sabendo o que é bom e o que é mau.” Jesus declarou que a cobiça brota do coração. (Gênesis 3:5; Marcos 7:20-23) A idolatria se torna possível com a corrupção do coração. Portanto, como é importante que todos nós ‘resguardemos os nossos corações’, jamais permitindo que alguém ou algo ocupe o lugar que, de direito, pertence a Jeová! — Provérbios 4:23; Tiago 1:14.

      Jeová apelava aos corações

      17. De que Israel se devia lembrar?

      17 A seguir, Jeová instou os israelitas a se lembrarem de que eles ocupavam uma posição privilegiada e de responsabilidade. Eram suas testemunhas! Diz ele: “Lembra-te destas coisas, ó Jacó, e tu, ó Israel, porque és meu servo. Eu te formei. Tu és um servo que me pertence. Ó Israel, da minha parte não serás esquecido. Vou obliterar as tuas transgressões como que com uma nuvem, e teus pecados como que com uma massa de nuvens. Volta deveras a mim, porque vou resgatar-te. Gritai de júbilo, ó céus, pois Jeová tomou ação! Bradai em triunfo, partes mais baixas da terra! Ficai animados, ó montes, com clamor jubilante, ó floresta e todas as árvores nela! Porque Jeová resgatou a Jacó e mostra a sua beleza em Israel.” — Isaías 44:21-23.

      18. (a) Por que Israel tinha motivo para se alegrar? (b) Como podem os atuais servos de Jeová imitar seu exemplo de misericórdia?

      18 Não foi Israel que formou Jeová. Ele não era um deus de fabricação humana. Na verdade, Jeová formara Israel para ser seu servo escolhido. E ele provaria sua Divindade mais uma vez quando libertasse a nação. Ele falava com ternura aos de seu povo, garantindo-lhes que, se eles se arrependessem, ele cobriria totalmente os pecados deles, escondendo as transgressões como que atrás de nuvens impenetráveis. Que motivo para Israel se alegrar! O exemplo de Jeová motiva seus servos atuais a imitar a sua misericórdia. Podem fazer isso procurando ajudar os errantes — tentando restabelecê-los espiritualmente, se possível. — Gálatas 6:1, 2.

      O clímax do teste de Divindade

      19, 20. (a) Como Jeová leva seus argumentos a um clímax? (b) Que coisas acalentadoras Jeová profetiza para seu povo, e quem seria seu agente para realizar tais coisas?

      19 A seguir, Jeová leva seu argumento jurídico a um vigoroso clímax. Ele estava para apresentar a sua própria resposta ao mais severo teste de Divindade — a capacidade de predizer o futuro com exatidão. Certo erudito bíblico chamou os próximos cinco versículos do capítulo 44 de Isaías de “poema da transcendência do Deus de Israel”, o único e exclusivo Criador, o único Revelador do futuro e esperança de libertação de Israel. O trecho chega ao clímax com o anúncio, por nome, do homem que libertaria a nação das mãos de Babilônia.

      20 “Assim disse Jeová, teu Resgatador e Aquele que te formou desde o ventre: ‘Eu, Jeová, faço tudo, estendendo os céus por mim mesmo, estirando a terra. Quem estava comigo? Eu frustro os sinais dos paroleiros e eu sou Aquele que faz os próprios adivinhos agir como doidos; Aquele que torna os sábios para trás e Aquele que transforma até mesmo seu conhecimento em estultícia; Aquele que faz que se efetue a palavra de seu servo e Aquele que executa completamente o conselho dos seus próprios mensageiros; Aquele que diz de Jerusalém: “Ela será habitada”, e das cidades de Judá: “Serão reconstruídas, e erigirei os seus lugares desolados”; Aquele que diz à água de profundeza: “Evapora-te, e secarei todos os teus rios”; Aquele que diz a respeito de Ciro: “Ele é meu pastor e executará completamente tudo aquilo em que me agrado”; dizendo eu de Jerusalém: “Ela será reconstruída”, e do templo: “Lançar-se-á teu alicerce.”’” — Isaías 44:24-28.

      21. Que garantia deram as palavras de Jeová?

      21 Sim, Jeová não só tinha a capacidade de predizer eventos futuros, mas também o poder de realizar integralmente seu propósito revelado. Essa declaração serviria de fonte de esperança para Israel. Era uma garantia de que, embora os exércitos babilônios desolassem o país, Jerusalém e suas cidades dependentes se reergueriam e a adoração verdadeira seria restabelecida ali. Mas como?

      22. Em que sentido o rio Eufrates evaporou?

      22 Adivinhadores não inspirados em geral não ousam ser muito específicos nas suas predições, temendo que o tempo revele seu erro. Em contraste com isso, por meio de Isaías, Jeová revelou até mesmo o nome do homem que usaria para libertar Seu povo do cativeiro, para que pudessem voltar para sua terra e reconstruir Jerusalém e o templo. Seu nome era Ciro, e ele era conhecido como Ciro, o Grande, da Pérsia. Jeová forneceu também detalhes da estratégia que Ciro usaria para furar o maciço e sofisticado sistema de defesa de Babilônia. Ela estaria protegida por altas muralhas e cursos de água que corriam pela cidade e a rodeavam. Ciro reverteria em vantagem para si um dos principais elementos daquele sistema — o rio Eufrates. Segundo os antigos historiadores Heródoto e Xenofonte, num ponto acima de Babilônia Ciro desviou as águas do Eufrates até que o nível do rio baixasse o suficiente para que seus soldados pudessem cruzá-lo a pé. Quanto à sua capacidade de proteger Babilônia, o poderoso Eufrates evaporou.

      23. Que registro existe do cumprimento da profecia de que Ciro libertaria Israel?

      23 Que dizer da promessa de que Ciro libertaria o povo de Deus e providenciaria a reconstrução de Jerusalém e do templo? O próprio Ciro, numa proclamação oficial preservada na Bíblia, declarou: “Assim disse Ciro, rei da Pérsia: ‘Jeová, o Deus dos céus, deu-me todos os reinos da terra, e ele mesmo me comissionou para lhe construir uma casa em Jerusalém, que está em Judá. Quem dentre vós for de todo o seu povo, mostre seu Deus estar com ele. Portanto, suba ele a Jerusalém, que está em Judá, e reconstrua a casa de Jeová, o Deus de Israel — ele é o verdadeiro Deus — que havia em Jerusalém.’” (Esdras 1:2, 3) As palavras de Jeová por meio de Isaías se cumpriram plenamente!

      Isaías, Ciro e os cristãos hoje

      24. Que relação existe entre a saída da ordem de Artaxerxes de “restaurar e reconstruir Jerusalém” e a vinda do Messias?

      24 O capítulo 44 de Isaías magnifica Jeová como único Deus verdadeiro e Libertador de seu antigo povo. Além disso, essa profecia tem profundo significado para todos nós hoje. O decreto de Ciro de reconstruir o templo de Jerusalém, emitido em 538/537 AEC, desencadeou eventos que culminaram no cumprimento de outra profecia notável. O decreto de Ciro foi seguido por outro de um governante posterior, Artaxerxes, que ordenou a reconstrução da cidade de Jerusalém. O livro de Daniel revelou que “desde a saída da palavra para se restaurar e reconstruir Jerusalém [em 455 AEC] até o Messias, o Líder”, passariam 69 “semanas” de 7 anos cada uma. (Daniel 9:24, 25) Essa profecia também se cumpriu. Bem na hora, no ano 29 EC, 483 anos depois que o decreto de Artaxerxes entrou em vigor na Terra Prometida, Jesus foi batizado e iniciou seu ministério terrestre.a

      25. O que a queda de Babilônia às mãos de Ciro prenuncia para os tempos modernos?

      25 A libertação de judeus leais do exílio, possibilitada pela queda de Babilônia, prefigurou a libertação de cristãos ungidos do exílio espiritual, em 1919. Essa libertação era uma evidência de que outra Babilônia, descrita como meretriz, Babilônia, a Grande — um símbolo de todas as religiões falsas do mundo encaradas coletivamente — havia tido uma queda. Conforme registrado no livro de Revelação (Apocalipse), o apóstolo João previu a sua queda. (Revelação 14:8) Ele previu também a sua súbita destruição. A descrição de João da destruição desse império mundial cheio de ídolos lembra, em certos aspectos, a descrição de Isaías da bem-sucedida conquista da antiga cidade de Babilônia, por Ciro. Assim como os protetores cursos de água de Babilônia não a salvaram de Ciro, as ‘águas’ da humanidade que apoiam e protegem Babilônia, a Grande, ‘secarão’ antes de ela ser merecidamente destruída. — Revelação 16:12.b

      26. De que modo as profecias de Isaías e seus cumprimentos fortalecem a nossa fé?

      26 De nossa perspectiva, mais de dois milênios e meio depois de Isaías ter enunciado a sua profecia, podemos ver que Deus deveras “executa completamente o conselho dos seus próprios mensageiros”. (Isaías 44:26) O cumprimento das profecias de Isaías é, pois, um exemplo notável da confiabilidade de todas as profecias das Escrituras Sagradas.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Veja o capítulo 11 do livro Preste Atenção à Profecia de Daniel!, publicado pelas Testemunhas de Jeová.

      b Veja os capítulos 35 e 36 do livro Revelação — Seu Grandioso Clímax Está Próximo!, publicado pelas Testemunhas de Jeová.

      [Foto na página 63]

      Poderia um pedaço não queimado de madeira salvar alguém?

      [Foto na página 75]

      Ciro cumpriu profecia ao desviar as águas do Eufrates

  • Jeová — “Deus justo e Salvador”
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
    • Capítulo Seis

      Jeová — “Deus justo e Salvador”

      Isaías 45:1-25

      1, 2. Que garantias são dadas no capítulo 45 de Isaías, e que perguntas serão consideradas?

      AS PROMESSAS de Jeová são confiáveis. Ele é o Deus de revelações e o Deus de criações. Vez após vez tem mostrado ser Deus justo e Salvador de pessoas de todas as nações. Essas são algumas das animadoras garantias encontradas no capítulo 45 de Isaías.

      2 Além disso, o capítulo 45 de Isaías contém um notável exemplo da capacidade profética de Jeová. O espírito de Deus habilitou Isaías a visualizar países distantes e examinar eventos séculos à frente, induzindo-o a descrever um episódio que só Jeová, o Deus de profecias verdadeiras, poderia predizer com tanta exatidão. Que evento? Como afetou o povo de Deus nos dias de Isaías? Que significado tem para nós hoje? Examinemos as palavras do profeta.

      O pronunciamento de Jeová contra Babilônia

      3. Com que vívidas palavras Isaías 45:1-3a descreve as conquistas de Ciro?

      3 “Assim disse Jeová ao seu ungido, a Ciro, cuja direita tomei para sujeitar diante dele nações, a fim de eu descingir até mesmo os quadris de reis; para abrir diante dele as portas duplas, de modo que nem mesmo os portões se fecharão: ‘Eu mesmo irei na tua frente e endireitarei as ondulações do terreno. Destroçarei as portas de cobre e cortarei as trancas de ferro. E vou dar-te os tesouros na escuridão e os tesouros escondidos nos esconderijos.’” — Isaías 45:1-3a.

      4. (a) Por que Jeová chamou Ciro de seu “ungido”? (b) Como Jeová garantiria as vitórias de Ciro?

      4 Por meio de Isaías, Jeová falou a Ciro como se Ciro já existisse, embora nos dias de Isaías ele ainda nem houvesse nascido. (Romanos 4:17) Visto que Jeová designou Ciro com antecedência para uma tarefa específica, podia-se dizer que Ciro era o “ungido” de Deus. Guiado por Deus, ele subjugaria nações, enfraquecendo reis e tornando-os indefesos. Daí, quando Ciro atacasse Babilônia, Jeová cuidaria de que as portas da cidade ficassem abertas, tornando-as inúteis como portões destroçados. Ele iria à frente de Ciro, removendo todos os obstáculos. No fim, as tropas de Ciro conquistariam a cidade e se apossariam de seus “tesouros escondidos”, sua riqueza guardada em depósitos sombrios. Foi isso o que Isaías predisse. Cumpriram-se as suas palavras?

      5, 6. Quando e como se cumpriu a profecia sobre a queda de Babilônia?

      5 No ano 539 AEC — uns 200 anos depois de Isaías ter registrado essa profecia — Ciro deveras chegou às muralhas de Babilônia para atacar a cidade. (Jeremias 51:11, 12) Mas os babilônios não se preocupavam. Achavam que a cidade era inconquistável. As suas muralhas altíssimas se projetavam acima de profundos fossos de água do rio Eufrates, do sistema de defesa da cidade. Por mais de cem anos, nenhum inimigo conseguira assaltar e capturar Babilônia! De fato, Belsazar, o governante residente de Babilônia, sentia-se tão seguro que se banqueteava com membros da corte. (Daniel 5:1) Naquela noite — de 5/6 de outubro — Ciro concluiu uma brilhante estratégia militar.

      6 Rio acima, não longe de Babilônia, a engenharia militar de Ciro havia cavado a margem do rio Eufrates, desviando as águas de modo que não mais corressem para a cidade, ao sul. O nível das águas do rio, dentro e ao redor de Babilônia, logo baixou tanto que as tropas de Ciro podiam vadeá-lo, rumo ao coração da cidade. (Isaías 44:27; Jeremias 50:38) Surpreendentemente, como Isaías predissera, os portões da cidade ao longo do rio estavam abertos. As forças de Ciro invadiram Babilônia, ocuparam o palácio e mataram o Rei Belsazar. (Daniel 5:30) Numa só noite, a conquista estava terminada. Babilônia havia caído, e a profecia se cumprira nos mínimos detalhes.

      7. De que modo o notável cumprimento da profecia de Isaías a respeito de Ciro fortalece os cristãos?

      7 O perfeito cumprimento dessa profecia fortalece a fé dos cristãos hoje. Dá-lhes forte razão para crer que as profecias bíblicas ainda não cumpridas também são totalmente confiáveis. (2 Pedro 1:20, 21) Os adoradores de Jeová hoje sabem que o evento prefigurado pela queda de Babilônia em 539 AEC — a queda de “Babilônia, a Grande” — já ocorreu em 1919. Mas eles ainda aguardam a destruição dessa atual organização religiosa bem como a prometida remoção do sistema político controlado por Satanás, o lançamento de Satanás no abismo e a vinda dos novos céus e da nova terra. (Revelação [Apocalipse] 18:2, 21; 19:19-21; 20:1-3, 12, 13; 21:1-4) Eles sabem que as profecias de Jeová não são promessas vazias, mas sim descrições de eventos específicos futuros. Terem em mente o cumprimento de todos os detalhes da profecia de Isaías sobre a queda de Babilônia fortalece a confiança dos cristãos verdadeiros. Eles sabem que Jeová sempre cumpre a sua palavra.

      Por que Jeová favoreceria Ciro

      8. Qual seria um dos motivos pelos quais Jeová daria a Ciro a vitória sobre Babilônia?

      8 Depois de dizer quem conquistaria Babilônia e como isso se daria, Jeová apresenta uma das razões pelas quais seria dada a vitória a Ciro. Falando profeticamente, ele diz a Ciro: “Para que saibas que eu sou Jeová, Aquele que te chama por teu nome, o Deus de Israel.” (Isaías 45:3b) Seria apropriado que o governante da quarta potência mundial da história bíblica reconhecesse que a sua maior vitória resultara do apoio de alguém maior do que ele — Jeová, o Soberano Universal. Ciro teria de reconhecer que quem o convocara, ou comissionara, era Jeová, o Deus de Israel. O registro bíblico mostra que Ciro de fato atribuiu a Jeová a sua grande vitória. — Esdras 1:2, 3.

      9. Qual era o segundo motivo pelo qual Jeová usaria Ciro para conquistar Babilônia?

      9 Jeová explica o segundo motivo pelo qual ele traria Ciro para conquistar Babilônia: “Por causa do meu servo Jacó e de Israel, meu escolhido, passei mesmo a chamar-te pelo teu nome; passei a dar-te um nome honorífico, embora não me conhecesses.” (Isaías 45:4) A vitória de Ciro sobre Babilônia abalaria o mundo. Marcaria a queda de uma potência mundial e a ascensão de outra, e deixaria sua marca na História para as gerações vindouras. No entanto, as pessoas de nações vizinhas que ansiosamente observassem os eventos provavelmente ficariam espantadas de saber que tudo acontecia pela causa de alguns milhares de “insignificantes” exilados em Babilônia — os judeus, descendentes de Jacó. Mas para Jeová esses sobreviventes da antiga nação de Israel nada tinham de insignificantes. Eram seu “servo”. Dentre todas as nações da Terra, eram o “escolhido” de Deus. Mesmo sem conhecer a Jeová, Ciro seria usado por ele como seu ungido para derrubar a cidade que se negava a libertar os cativos. Deus não queria que seu povo escolhido continuasse a definhar em solo estrangeiro.

      10. Qual era o motivo mais importante pelo qual Jeová usaria Ciro para acabar com a Potência Mundial Babilônica?

      10 Havia um terceiro e ainda mais importante motivo pelo qual Jeová usaria Ciro para derrubar Babilônia. Diz Jeová: “Eu sou Jeová, e não há outro. Além de mim não há Deus. Cingir-te-ei bem, embora não me conhecesses, para que pessoas desde o nascente do sol e desde o seu poente saibam que não há outro além de mim. Eu sou Jeová, e não há outro.” (Isaías 45:5, 6) Sim, a queda da Potência Mundial Babilônica seria uma demonstração da Divindade de Jeová, uma prova para todos que só Ele merecia ser adorado. Por causa da libertação do povo de Deus, pessoas de muitas nações — do leste ao oeste — viriam a reconhecer que Jeová é o único Deus verdadeiro. — Malaquias 1:11.

      11. Como Jeová ilustrou que teria o poder de cumprir seu propósito com relação a Babilônia?

      11 Lembre-se de que essa profecia de Isaías foi registrada uns 200 anos antes do evento. Ao ouvirem-na, alguns talvez se tivessem perguntado: ‘Será que Jeová tem mesmo o poder de cumpri-la?’ Como a História atesta, a resposta é sim. Jeová explica por que é razoável crer que ele pode cumprir o que diz: “Formando a luz e criando a escuridão, fazendo paz e criando calamidade, eu, Jeová, faço todas estas coisas.” (Isaías 45:7) Tudo na criação — da luz à escuridão — e tudo na História — da paz à calamidade — está sujeito ao controle de Jeová. Assim como ele forma a luz do dia e cria a escuridão da noite, ele ‘faria’ a paz para Israel e a calamidade para Babilônia. Assim como teve o poder de criar o Universo, Jeová tem também o poder de cumprir suas profecias. Isso reanima os cristãos hoje, que estudam meticulosamente a palavra profética de Deus.

      12. (a) Jeová faria com que os figurativos céu e terra produzissem o quê? (b) Que consoladora promessa para os cristãos hoje contêm as palavras de Isaías 45:8?

      12 Aptamente, Jeová usa fenômenos corriqueiros na criação para ilustrar coisas que envolveriam os judeus cativos: “Ó céus, fazei-o destilar de cima; e escoe o próprio céu nublado a justiça. Abra-se a terra e seja ela frutífera com salvação, e faça ela a própria justiça brotar ao mesmo tempo. Eu mesmo, Jeová, o criei.” (Isaías 45:8) Assim como o céu literal faz cair a vitalizadora chuva, Jeová faria com que do céu figurativo chovessem influências justas sobre seu povo. E, assim como a Terra ‘abre’ para produzir fartas colheitas, Jeová convocaria a terra figurada para produzir eventos em harmonia com o seu propósito justo — em especial a salvação de seu povo cativo em Babilônia. De modo similar, em 1919 Jeová fez com que o “céu” e a “terra” produzissem eventos a fim de libertar o Seu povo. Saber de tais coisas alegra os cristãos hoje. Por quê? Porque tais eventos fortalecem a sua fé enquanto aguardam o dia em que o céu figurativo, o Reino de Deus, derramará bênçãos sobre uma terra justa. Naquele tempo, a justiça e a salvação originárias do céu e terra figurativos serão em escala muito maior do que quando a antiga Babilônia foi derrubada. Que glorioso cumprimento final das palavras de Isaías isso será! — 2 Pedro 3:13; Revelação 21:1.

      Bênçãos de se reconhecer a soberania de Jeová

      13. Por que era ridículo que os humanos desafiassem os propósitos de Jeová?

      13 Depois dessa descrição de futuras bênçãos jubilosas, o tom da profecia muda abruptamente, e Isaías pronuncia um duplo “ai”: “Ai daquele que contendeu com o seu Formador, como um caco com outros cacos do solo! Devia o barro dizer àquele que o forma: ‘Que estás fazendo?’ E devia dizer tua realização: ‘Ele não tem mãos’? Ai daquele que diz a um pai: ‘De que te tornas pai?’ e à esposa: ‘De que estás em dores de parto?’” (Isaías 45:9, 10) Pelo visto, os filhos de Israel objetavam ao que Jeová predizia. Talvez não acreditassem que Jeová permitiria que Seu povo fosse ao exílio. Ou talvez criticassem a ideia de que Israel seria libertado por um rei de uma nação pagã, em vez de por um rei da casa de Davi. Para retratar o absurdo dessas objeções, Isaías comparou os contestadores a refugadas massas de barro e cacos de cerâmica que ousavam questionar a sabedoria do oleiro. A própria coisa que o oleiro havia formado dizia agora que o oleiro não tinha mãos, ou poder, para formar algo. Quão tolo! Os contestadores eram como criancinhas que questionavam a autoridade dos pais.

      14, 15. O que revelam sobre Jeová os termos “Santo” e “Formador”?

      14 Isaías dá a resposta de Jeová a tais contestadores: “Assim disse Jeová, o Santo de Israel e o Formador dele: ‘Pergunta-me mesmo sobre as coisas vindouras, referentes aos meus filhos; e acerca da atividade das minhas mãos deveis ordenar-me. Eu é que fiz a terra e criei até mesmo o homem sobre ela. Eu — minhas próprias mãos estenderam os céus, e dei ordens a todo o seu exército. Eu é que despertei alguém em justiça e endireitarei todos os seus caminhos. É ele quem construirá a minha cidade e soltará os meus que estão no exílio, não por um preço nem por suborno’, disse Jeová dos exércitos.” — Isaías 45:11-13.

      15 Qualificar a Jeová de “Santo” frisa a sua santidade. Chamá-lo de “Formador” acentua seu direito, como Criador, de decidir o rumo das coisas. Jeová tinha condições de informar os filhos de Israel sobre coisas vindouras e de cuidar da obra de suas mãos, isto é, seu povo. Mais uma vez os princípios de criação e de revelação mostraram estar relacionados. Como Criador do inteiro Universo, Jeová tem o direito de decidir como dirigir os eventos. (1 Crônicas 29:11, 12) No caso em questão, o Governante Soberano tinha decidido suscitar Ciro, um pagão, como libertador de Israel. A vinda de Ciro, embora ainda fosse futura, era tão certa como a existência do céu e da Terra. Que filho de Israel, então, ousaria criticar o Pai, “Jeová dos exércitos”?

      16. Por que os servos de Jeová devem sujeitar-se a ele?

      16 Esses mesmos versículos de Isaías contêm ainda outro motivo pelo qual os servos de Deus devem sujeitar-se a ele. As decisões de Deus visam sempre os melhores interesses de seus servos. (Jó 36:3) Ele criou leis em benefício de seu povo. (Isaías 48:17) Os judeus nos dias de Ciro que aceitaram a soberania de Jeová viram que isso é verdade. Em harmonia com a justiça de Jeová, Ciro os enviou de volta de Babilônia para reconstruírem o templo. (Esdras 6:3-5) Hoje também, os que na vida diária aplicam as leis de Deus e se submetem à sua soberania são abençoados. — Salmo 1:1-3; 19:7; 119:105; João 8:31, 32.

      Bênçãos para outras nações

      17. Além de Israel, quem se beneficiaria dos atos de salvação de Jeová, e como?

      17 Israel não seria a única nação a se beneficiar da queda de Babilônia. Diz Isaías: “Assim disse Jeová: ‘Os próprios labutadores não remunerados do Egito, e os mercadores da Etiópia, e os sabeus, homens altos, virão a ti e se tornarão teus. Andarão atrás de ti; virão em grilhões e se curvarão diante de ti. Orarão a ti, dizendo: “Deveras, Deus está em união contigo, e não há outro; não há outro Deus.”’” (Isaías 45:14) Nos dias de Moisés, “uma vasta mistura de gente”, composta de não israelitas, acompanhou os israelitas no seu Êxodo do Egito. (Êxodo 12:37, 38) De modo similar, estrangeiros acompanhariam os judeus exilados ao saírem de Babilônia de volta para casa. Esses não judeus não seriam obrigados a ir, mas ‘viriam’ espontaneamente. Ao dizer “se curvarão diante de ti” e “orarão a ti”, Jeová se referia à sujeição e lealdade voluntárias desses estrangeiros para com Israel. Se usassem grilhões, seria em sentido voluntário, significando sua espontaneidade de servir ao povo pactuado de Deus, ao qual diriam: “Deus está em união contigo.” Adorariam a Jeová como prosélitos, sob as provisões de Seu pacto com Israel. — Isaías 56:6.

      18. Quem hoje se tem beneficiado de Jeová ter libertado o “Israel de Deus”, e de que maneiras?

      18 Desde 1919, quando “o Israel de Deus” foi libertado do cativeiro espiritual, as palavras de Isaías têm tido um cumprimento maior do que nos dias de Ciro. Milhões em toda a Terra mostram boa disposição de servir a Jeová. (Gálatas 6:16; Zacarias 8:23) Como os “labutadores” e os “mercadores” mencionados por Isaías, alegremente oferecem sua energia física e recursos financeiros para apoiar a adoração verdadeira. (Mateus 25:34-40; Marcos 12:30) Dedicam-se a Deus e andam nos seus caminhos, alegremente se tornando escravos seus. (Lucas 9:23) Adoram apenas a Jeová, usufruindo os benefícios de se associarem com o “escravo fiel e discreto” de Jeová, que está numa relação pactuada especial com Deus. (Mateus 24:45-47; 26:28; Hebreus 8:8-13) Embora não participem nesse pacto, esses “labutadores” e “mercadores” beneficiam-se dele e obedecem às leis ligadas a ele, proclamando com denodo: “Não há outro Deus.” Como é emocionante ser testemunha ocular do grande aumento de tais apoiadores voluntários da adoração verdadeira! — Isaías 60:22.

      19. O que aconteceria com os que insistissem em adorar ídolos?

      19 Depois da revelação de que pessoas das nações também adorariam a Jeová, o profeta exclama: “Verdadeiramente, tu és um Deus que se mantém escondido, o Deus de Israel, Salvador”! (Isaías 45:15) Embora Jeová então se refreasse de mostrar seu poder, no futuro ele não mais se esconderia. Mostraria ser o Deus de Israel, o Salvador de seu povo. Mas Jeová não seria o Salvador dos que confiassem em ídolos. Sobre esses, diz Isaías: “Certamente ficarão envergonhados e até mesmo humilhados, todos eles. Os fabricantes de figuras de ídolos terão de andar juntos em humilhação.” (Isaías 45:16) A sua humilhação seria mais do que uma sensação temporária de desonra e vergonha. Significaria a morte — o contrário do que Jeová prometia a seguir a Israel.

      20. Em que sentido Israel teria “uma salvação por tempos indefinidos”?

      20 “Quanto a Israel, há de ser salvo em união com Jeová com uma salvação por tempos indefinidos. Vós não vos envergonhareis, nem sereis humilhados, pelos tempos indefinidos da eternidade.” (Isaías 45:17) Jeová prometeu salvação eterna para Israel, mas isso era condicional. Israel teria de permanecer “em união com Jeová”. Ao romper essa união, por rejeitar Jesus como Messias, Israel como nação perderia a perspectiva de “salvação por tempos indefinidos”. Mas alguns em Israel exerceriam fé em Jesus e formariam o núcleo do Israel de Deus, que substituiria o Israel carnal. (Mateus 21:43; Gálatas 3:28, 29; 1 Pedro 2:9) O Israel espiritual jamais seria humilhado. Seria introduzido num “pacto eterno”. — Hebreus 13:20.

      Jeová é confiável como Criador e Revelador

      21. Como Jeová se tinha mostrado totalmente confiável como Criador e Revelador?

      21 Podiam os judeus confiar na promessa de Jeová de salvação eterna para Israel? Isaías responde: “Assim disse Jeová, o Criador dos céus, Ele, o verdadeiro Deus, o Formador da terra e Aquele que a fez, Aquele que a estabeleceu firmemente, que não a criou simplesmente para nada, que a formou mesmo para ser habitada: ‘Eu sou Jeová, e não há outro. Não falei num esconderijo, num lugar escuro da terra; nem disse eu à descendência de Jacó: “Procurai-me simplesmente para nada.” Eu sou Jeová, falando o que é justo, contando o que é reto.’” (Isaías 45:18, 19) Pela quarta e última vez nesse capítulo, Isaías abriu um trecho profético de peso com a frase: “Assim disse Jeová.” (Isaías 45:1, 11, 14) O que disse Jeová? Que ele é confiável, tanto como Criador como qual Revelador de seus propósitos. Ele não criou a Terra “simplesmente para nada”. Da mesma forma, ele não pedia que seu povo, Israel, o buscasse “simplesmente para nada”. Tão certo como se cumpriria o propósito de Deus para com a Terra, cumprir-se-ia Seu propósito para com seu povo escolhido. Em contraste com as declarações obscuras dos que serviam a deuses falsos, as palavras de Jeová eram faladas publicamente. As suas palavras eram justas, e se confirmariam. Os que o serviam não o serviam em vão.

      22. (a) De que podiam os judeus exilados em Babilônia ter certeza? (b) Que certeza têm os cristãos hoje?

      22 Para os do povo de Deus exilados em Babilônia, essas palavras garantiam que a Terra Prometida não permaneceria desolada. Ela seria reabitada. E as promessas de Jeová para eles se cumpriram. Por extensão, as palavras de Isaías garantem ao atual povo de Deus que a Terra não se tornará uma ruína desolada — carbonizada por fogo, como alguns creem, ou destruída por bombas nucleares, como outros temem. O propósito de Deus é que a Terra exista para sempre, coberta de beleza paradísica e povoada por habitantes justos. (Salmo 37:11, 29; 115:16; Mateus 6:9, 10; Revelação 21:3, 4) Sim, como no caso de Israel, as palavras de Jeová mostrarão ser confiáveis.

      Jeová mostraria misericórdia

      23. O que aconteceria com os que adoravam ídolos, e qual seria o desfecho para os que adoravam a Jeová?

      23 A salvação de Israel é enfatizada nas palavras seguintes de Jeová: “Reuni-vos e chegai. Aproximai-vos juntos, vós fugitivos das nações. Os que carregam a madeira da sua imagem esculpida não vieram a ter conhecimento, nem tampouco os que oram a um deus que não pode salvar. Fazei a vossa comunicação e a vossa apresentação. Sim, consultem-se eles em união. Quem fez que se ouvisse isso desde outrora? Quem o comunicou desde aquele tempo? Não fui eu, Jeová, além de quem não há outro Deus; Deus justo e Salvador, não havendo outro além de mim?” (Isaías 45:20, 21) Jeová conclamava os “fugitivos” a comparar a salvação deles com o que aconteceria com os que adoravam ídolos. (Deuteronômio 30:3; Jeremias 29:14; 50:28) Visto que os idólatras oravam e serviam a deuses impotentes que não os podiam salvar, eles “não vieram a ter conhecimento”. A adoração deles era em vão — para nada servia. Os que adoravam a Jeová, porém, veriam que ele tinha o poder de fazer com que acontecessem os eventos por ele preditos “desde outrora”, incluindo a salvação de seu povo exilado em Babilônia. Esse poder e capacidade de previsão de Jeová o destacava de todos os outros deuses. Realmente, ele era “Deus justo e Salvador”.

      “Devemos a salvação ao nosso Deus”

      24, 25. (a) Que convite fez Jeová, e por que sua promessa se cumpriria com certeza? (b) O que Jeová legitimamente exigia?

      24 A misericórdia de Jeová o induz a convidar: “Virai-vos para mim e sede salvos, todos vós nos confins da terra; pois eu sou Deus, e não há outro. Jurei por mim mesmo — da minha própria boca saiu a palavra em justiça, de modo que não retornará — que diante de mim se dobrará todo joelho, jurará toda língua, dizendo: ‘Seguramente há plena justiça e força em Jeová. Todos os que se acaloram contra ele virão diretamente a ele e ficarão envergonhados. Toda a descendência de Israel mostrar-se-á direita em Jeová e jactar-se-á.’” — Isaías 45:22-25.

      25 Jeová prometeu a Israel que salvaria os em Babilônia que se voltassem para ele. Seria impossível que essa profecia fracassasse, pois Jeová tinha tanto o desejo como a capacidade de resgatar seu povo. (Isaías 55:11) As palavras de Deus eram confiáveis em si mesmas, mas eram reforçadas quando Jeová acrescentava seu juramento para confirmá-las. (Hebreus 6:13) Ele legitimamente exigia submissão (“se dobrará todo joelho”) e comprometimento (“jurará toda língua”) da parte dos que desejassem seu favor. Os israelitas que perseverassem na adoração de Jeová seriam salvos. Poderiam jactar-se do que Jeová fizera por eles. — 2 Coríntios 10:17.

      26. Como uma “grande multidão” de todas as nações está reagindo ao convite de Jeová de voltar-se para ele?

      26 Mas o convite de Deus para que se voltasse para ele não se limitava aos exilados na antiga Babilônia. (Atos 14:14, 15; 15:19; 1 Timóteo 2:3, 4) Esse convite ainda é feito, e “uma grande multidão” “de todas as nações” o aceita e proclama: “Devemos a salvação ao nosso Deus . . . e ao Cordeiro [Jesus].” (Revelação 7:9, 10; 15:4) Todo ano, centenas de milhares de novos são acrescentados à grande multidão por se voltarem para Deus, reconhecendo plenamente a Sua soberania e declarando publicamente sua lealdade a ele. Além disso, apoiam lealmente o Israel espiritual, o “descendente de Abraão”. (Gálatas 3:29) Expressam seu amor pelo governo justo de Jeová proclamando mundialmente: “Seguramente há plena justiça e força em Jeová.”a Em sua carta aos romanos, o apóstolo Paulo citou a tradução da Septuaginta de Isaías 45:23 para mostrar que, por fim, toda pessoa viva reconhecerá a soberania de Deus e louvará seu nome continuamente. — Romanos 14:11; Filipenses 2:9-11; Revelação 21:22-27.

      27. Por que os cristãos atuais podem confiar plenamente nas promessas de Jeová?

      27 Por que os da grande multidão podem confiar que voltar-se para Deus significa salvação? Porque as promessas de Jeová são confiáveis, como as palavras proféticas no capítulo 45 de Isaías tão claramente mostram. Assim como Jeová teve o poder e a sabedoria de criar os céus e a Terra, ele tem o poder e a sabedoria de fazer com que suas profecias se cumpram. E assim como ele cuidou de que a profecia a respeito de Ciro se cumprisse, ele fará com que se cumpra qualquer outra profecia bíblica que ainda aguarda cumprimento. Portanto, os adoradores de Jeová podem estar certos de que em breve Jeová mostrará novamente ser “Deus justo e Salvador”.

      [Nota(s) de rodapé]

      a A Tradução do Novo Mundo usa a expressão “plena justiça” porque no texto em hebraico a palavra “justiça” está no plural, no caso usado para expressar o alto grau da justiça de Jeová.

      [Fotos nas páginas 80, 81]

      Jeová, que forma a luz e cria a escuridão, pode tanto criar a paz como produzir a calamidade

      [Foto na página 83]

      Jeová faria o “céu” derramar bênçãos e a “terra” produzir salvação

      [Foto na página 84]

      Deveriam os refugados cacos de cerâmica questionar a sabedoria do fabricante?

      [Foto na página 89]

      Jeová não criou a Terra para nada

  • Retorno à adoração de Jeová
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
    • Capítulo Sete

      Retorno à adoração de Jeová

      Isaías 46:1-13

      1. Como se chamavam dois dos principais deuses de Babilônia, e o que se predisse a respeito deles?

      NO SEU exílio em Babilônia, Israel estaria cercado de adoração falsa. Nos dias de Isaías, o povo de Jeová ainda estava na sua própria terra e tinha o templo e o sacerdócio. No entanto, muitos membros da nação dedicada de Deus haviam sucumbido à idolatria. Portanto, era vital prepará-los para que não se deslumbrassem com os deuses falsos de Babilônia nem fossem tentados a servi-los. Assim, profetizando sobre dois dos principais deuses babilônios, Isaías diz: “Bel se dobrou, Nebo se corcova; seus ídolos ficaram para os animais selváticos e para os animais domésticos, seus carregamentos, as peças de bagagem, uma carga para os animais cansados.” (Isaías 46:1) Bel era o principal deus-ídolo dos caldeus. Nebo era venerado como deus da sabedoria e da erudição. O respeito que muitos tinham por esses dois deuses se vê no fato de que seus nomes eram incorporados em muitos nomes pessoais de babilônios — Belsazar, Nabopolassar, Nabucodonosor e Nebuzaradã, para mencionar apenas alguns.

      2. Como se enfatizou a incapacidade dos deuses de Babilônia?

      2 Isaías diz que Bel “se dobrou” e Nebo “se corcova”. Esses deuses falsos seriam derrubados. Quando Jeová executasse julgamento contra Babilônia, esses deuses seriam incapazes de socorrer seus adoradores. Não salvariam nem a si mesmos! Bel e Nebo não mais ocupariam o lugar de honra em procissões, como na festividade do Dia do Ano-Novo. Em vez disso, seus adoradores os carregariam como bagagem comum. Em vez de louvor e adoração, receberiam zombaria e desprezo.

      3. (a) O que chocaria os babilônios? (b) O que se pode aprender do que aconteceu com os deuses de Babilônia?

      3 Que choque seria para os babilônios constatarem que seus queridos ídolos nada mais eram do que uma carga para animais cansados! Similarmente hoje, os deuses do mundo — as coisas em que as pessoas confiam e pelas quais gastam suas energias e até mesmo dão a sua vida — são ilusórias. Riqueza, armamentos, prazeres, governantes, a pátria ou símbolos relacionados e muitas outras coisas passaram a ser objetos de devoção. A inutilidade de tais deuses será exposta no devido tempo de Jeová. — Daniel 11:38; Mateus 6:24; Atos 12:22; Filipenses 3:19; Colossenses 3:5; Revelação (Apocalipse) 13:14, 15.

      4. Em que sentido os deuses de Babilônia ficariam ‘corcovados’ e ‘dobrados’?

      4 Reafirmando o fracasso total dos deuses de Babilônia, a profecia continua: “Terão de corcovar-se; terão de dobrar-se, cada um igual; são simplesmente incapazes de pôr a carga a salvo, mas a sua própria alma terá de ir ao cativeiro.” (Isaías 46:2) Os deuses de Babilônia pareceriam ‘corcovados’ e ‘dobrados’ como que feridos em batalha ou decrépitos. Não poderiam nem mesmo aliviar a carga ou pôr a salvo os humildes animais que os transportassem. Assim, deveria o povo pactuado de Jeová, mesmo cativo em Babilônia, prestar-lhes honra? Não! De modo similar, os servos ungidos de Jeová, mesmo quando estiveram em cativeiro espiritual, não honraram os falsos deuses de “Babilônia, a Grande”, que não puderam evitar a sua queda, em 1919, e não a poderão salvar da calamidade que a atingirá na “grande tribulação”. — Revelação 18:2, 21; Mateus 24:21.

      5. Como os cristãos atuais evitam repetir os erros dos idólatras babilônios?

      5 Os atuais cristãos verdadeiros não se curvam a ídolos de nenhuma espécie. (1 João 5:21) Crucifixos, rosários e imagens de santos não facilitam o acesso ao Criador. Tais coisas não podem interceder a nosso favor. No primeiro século, Jesus ensinou a seus discípulos o modo certo de adorar a Deus, dizendo: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim. Se pedirdes algo em meu nome, eu o farei.” — João 14:6, 14.

      “Carregados desde a madre”

      6. Em que sentido Jeová era diferente dos deuses das nações?

      6 Tendo exposto a inutilidade de adorar os deuses-ídolos de Babilônia, Jeová diz ao seu povo: “Escuta-me, ó casa de Jacó, e todos vós remanescentes da casa de Israel, vós os que fostes transportados por mim desde o ventre, os que fostes carregados desde a madre.” (Isaías 46:3) Quanta diferença entre Jeová e as imagens esculpidas de Babilônia! Os deuses de Babilônia nada podiam fazer pelos seus adoradores. Para se locomover, tinham de ser carregados por animais de carga. Em contraste com isso, Jeová carregava seu povo. Ele os sustentava “desde a madre”, desde o dia em que a nação foi formada. A grata lembrança de que haviam sido “carregados” por Jeová devia incentivar os judeus a evitar a idolatria e a confiar nele como Pai e Amigo.

      7. Em que sentido os ternos cuidados de Jeová para com seus adoradores são até mesmo maiores do que os cuidados dos pais para com os filhos?

      7 Jeová tinha mais palavras carinhosas para seu povo: “Mesmo até a velhice da pessoa, eu sou o Mesmo; e até as cãs da pessoa, eu mesmo continuarei a sustentar. Eu mesmo hei de agir, para que eu mesmo carregue e para que eu mesmo sustente e ponha a salvo.” (Isaías 46:4) Os cuidados de Jeová para com seu povo excedem aos dos mais dedicados pais humanos. À medida que os filhos crescem, os pais talvez sintam cada vez menos responsabilidade para com eles. Quando os pais envelhecem, os filhos muitas vezes cuidam deles. Nunca se dá o mesmo com Jeová. Ele nunca para de cuidar de seus filhos humanos — mesmo na velhice deles. Os atuais adoradores de Deus confiam no seu Criador e o amam, e encontram grande consolo nessa profecia de Isaías. Não precisam ficar ansiosos quanto aos dias ou anos que ainda terão de passar neste sistema. Jeová promete “sustentar” os envelhecidos, dando-lhes a força necessária para perseverarem e permanecerem fiéis. Ele os carregará, fortalecerá e os porá a salvo. — Hebreus 6:10.

      Cuidado com os ídolos modernos!

      8. Que pecado inescusável cometiam alguns dos compatriotas de Isaías?

      8 Imagine o desapontamento que aguardava os babilônios que confiavam em ídolos, que mostrariam ser totalmente inúteis! Deveria Israel crer que tais deuses se pudessem comparar a Jeová? É óbvio que não. Corretamente, Jeová pergunta: “A quem me assemelhareis ou me fareis igual, ou com quem me comparareis para que nos assemelhemos?” (Isaías 46:5) Quão inescusável era o fato de que alguns dos compatriotas de Isaías haviam passado a adorar estátuas mudas, sem vida e impotentes! Uma nação que conhecia a Jeová confiar em imagens sem vida e indefesas, feitas por mãos humanas, era realmente uma tolice.

      9. Descreva o raciocínio vão de alguns idólatras.

      9 Considere o raciocínio vão dos idólatras. A profecia continua: “Há os que são pródigos com o ouro da bolsa e eles pesam a prata com a báscula. Contratam um trabalhador em metal, e ele o transforma num deus. Prostram-se, sim, curvam-se.” (Isaías 46:6) Como se um ídolo dispendioso tivesse mais poder de salvar do que um de madeira, os adoradores não poupavam recursos na fabricação de suas deidades. No entanto, independentemente do esforço feito ou do custo dos materiais, um ídolo sem vida era sempre um ídolo sem vida, nada mais.

      10. Como se descreve a absoluta futilidade da idolatria?

      10 Destacando ainda mais a tolice da idolatria, a profecia continua: “Carregam-no sobre o ombro, sustentam-no e depositam-no no seu lugar para que fique parado. Não se afasta do lugar da sua posição. Clama-se até mesmo para ele, mas não responde; não salva a ninguém da sua aflição.” (Isaías 46:7) Quão ridículo é orar a uma imagem que não tem capacidade de ouvir nem de agir! O salmista descreve muito bem a inutilidade de tais objetos de adoração: “Os ídolos deles são prata e ouro, trabalho das mãos do homem terreno. Têm boca, mas não podem falar; têm olhos, mas não podem ver; têm orelhas, mas não podem ouvir. Têm nariz, mas não podem cheirar. As mãos são deles, mas não podem apalpar. Os pés são deles, mas não podem andar; não proferem som algum com a sua garganta. Iguais a eles se tornarão os que os fazem, todos os que neles confiam.” — Salmo 115:4-8.

      ‘Cobrar ânimo’

      11. O que ajudaria os vacilantes a ‘cobrar ânimo’?

      11 Tendo demonstrado a futilidade da idolatria, Jeová passa a dar ao seu povo motivos para servi-lo: “Lembrai-vos disso, para que cobreis ânimo. Fixai-o no coração, vós transgressores. Lembrai-vos das primeiras coisas de há muito tempo, que eu sou o Divino e não há outro Deus, nem alguém semelhante a mim.” (Isaías 46:8, 9) Aqueles que vacilavam entre a adoração verdadeira e a idolatria deviam lembrar-se da História. Deviam ter em mente as coisas que Jeová já fizera. Isso os ajudaria a cobrar ânimo e a fazer a coisa certa. Seria de ajuda para voltarem à adoração de Jeová.

      12, 13. Em que lutas estão envolvidos os cristãos, e como podem vencer?

      12 Esse encorajamento ainda é necessário hoje. Como os israelitas, os cristãos sinceros têm de lutar contra as tentações e contra suas próprias imperfeições. (Romanos 7:21-24) Além disso, estamos travando uma luta espiritual com um inimigo invisível, porém imensamente poderoso. O apóstolo Paulo disse: “Temos uma pugna, não contra sangue e carne, mas contra os governos, contra as autoridades, contra os governantes mundiais desta escuridão, contra as forças espirituais iníquas nos lugares celestiais.” — Efésios 6:12.

      13 Satanás e seus demônios farão qualquer coisa para desviar os cristãos da adoração verdadeira. Para vencer a luta, os cristãos precisam aplicar o conselho de Jeová e reunir coragem. Como? O apóstolo Paulo explica: “Revesti-vos da armadura completa de Deus, para que vos possais manter firmes contra as maquinações do Diabo.” Jeová não envia seus servos à batalha mal equipados. A armadura espiritual deles inclui ‘o grande escudo da fé, com que podem apagar todos os projéteis ardentes do iníquo’. (Efésios 6:11, 16) Os israelitas eram transgressores porque haviam desprezado as provisões espirituais de Jeová para eles. Se tivessem refletido nos atos poderosos que Jeová repetidas vezes realizara em favor deles, jamais teriam se voltado para a repugnante idolatria. Aprendamos de seu exemplo e estejamos decididos a jamais vacilar na luta para fazer o que é correto. — 1 Coríntios 10:11.

      14. Que capacidade Jeová aponta para mostrar que ele é o único Deus verdadeiro?

      14 Jeová é “Aquele que desde o princípio conta o final e desde outrora as coisas que não se fizeram; Aquele que diz: ‘Meu próprio conselho ficará de pé e farei tudo o que for do meu agrado.’” (Isaías 46:10) Que outro deus se pode comparar a Jeová nesse respeito? A capacidade de predizer o futuro é uma notável prova da Divindade do Criador. No entanto, é necessário mais do que previsão para garantir o cumprimento das coisas preditas. A declaração “meu próprio conselho ficará de pé” frisa a imutabilidade do objetivo traçado por Deus. Visto que o poder de Jeová é ilimitado, nada no Universo pode impedi-lo de realizar a sua vontade. (Daniel 4:35) Por conseguinte, podemos estar certos de que qualquer profecia ainda a se cumprir com certeza se cumprirá no tempo devido de Deus. — Isaías 55:11.

      15. Que exemplo notável do poder de predição de Jeová nos é trazido à atenção?

      15 Um exemplo notável do poder de predição de Jeová e daí fazer cumprir o que diz nos é trazido à atenção a seguir na profecia de Isaías: “Aquele que desde o nascente chama a ave de rapina, de uma terra distante o homem para executar o meu conselho. Eu até mesmo o falei; também o introduzirei. Eu o formei, também o farei.” (Isaías 46:11) Sendo “Aquele que desde o princípio conta o final”, Jeová Deus ajustaria as circunstâncias nos assuntos humanos a fim de realizar Seu conselho. Convocaria Ciro “desde o nascente”, ou a Pérsia, no leste, onde estaria a capital preferida de Ciro, Pasárgada. Ciro seria como “ave de rapina”, que rapidamente e sem aviso se precipitaria sobre Babilônia.

      16. Como é que Jeová confirmou a certeza de sua predição a respeito de Babilônia?

      16 A certeza de cumprimento da predição de Jeová sobre Babilônia foi confirmada pelas palavras: “Eu até mesmo o falei; também o introduzirei.” Enquanto o homem imperfeito tende a fazer promessas impulsivas, o Criador jamais descumpre a sua palavra. Sendo Jeová o Deus “que não pode mentir”, podemos estar certos de que, se ele ‘o formou’, ele ‘também o fará’. — Tito 1:2.

      Corações sem fé

      17, 18. A quem se poderia chamar de “poderosos de coração” (a) nos tempos antigos? (b) hoje?

      17 Mais uma vez, Jeová dirige profeticamente sua atenção aos babilônios: “Escutai-me, vós poderosos de coração, vós os que estais longe da justiça.” (Isaías 46:12) A expressão “poderosos de coração” descreve os que obstinada e decididamente se opunham à vontade de Deus. Sem dúvida, os babilônios estavam muito longe de Deus. Seu ódio a Jeová e a seu povo os induziu a destruir Jerusalém e seu templo e a levar seus habitantes ao exílio.

      18 Hoje, os de coração céptico e descrente obstinadamente se recusam a ouvir a mensagem do Reino, que se prega em toda a Terra. (Mateus 24:14) Não querem reconhecer Jeová como Soberano legítimo. (Salmo 83:18; Revelação 4:11) Com corações “longe da justiça”, resistem e se opõem à Sua vontade. (2 Timóteo 3:1-5) Como os babilônios, recusam-se a escutar a Jeová.

      A salvação de Deus não tardará

      19. Em que sentido Jeová realizaria um ato de justiça em favor de Israel?

      19 As palavras finais do capítulo 46 de Isaías destacam aspectos da personalidade de Jeová: “Fiz chegar perto a minha justiça. Ela não está longe, e a própria salvação da minha parte não tardará. E eu vou dar salvação em Sião a Israel, minha beleza.” (Isaías 46:13) Libertar Israel seria um ato de justiça da parte de Deus. Ele não delongaria o exílio de seu povo. A salvação de Sião viria no tempo apropriado, ‘não tardaria’. Após sua libertação do cativeiro, os israelitas se tornariam um espetáculo para as nações em volta. Libertar Jeová a sua nação seria um testemunho de seu poder salvador. A nulidade dos deuses babilônios Bel e Nebo seria exposta à vista de todos; sua impotência seria revelada. — 1 Reis 18:39, 40.

      20. Que certeza podem os cristãos ter de que a “salvação não tardará”?

      20 Em 1919, Jeová libertou seu povo do cativeiro espiritual. Ele não se atrasou. Esse evento, bem como os eventos na antiguidade quando Babilônia caiu diante de Ciro, nos encoraja hoje. Jeová prometeu acabar com o perverso sistema mundial da atualidade, incluindo a adoração falsa. (Revelação 19:1, 2, 17-21) De um ponto de vista humano, alguns cristãos talvez achem que sua salvação tenha sido retardada. Não obstante, exercer Jeová paciência até seu devido tempo para cumprir essa promessa é, na realidade, um ato de justiça. Afinal, “[Jeová] não deseja que alguém seja destruído, mas deseja que todos alcancem o arrependimento”. (2 Pedro 3:9) Portanto, esteja certo de que, como nos dias do Israel antigo, ‘a salvação não tardará’. De fato, com a aproximação do dia de salvação, Jeová amorosamente continua a convidar: “Buscai a Jeová enquanto pode ser achado. Chamai-o enquanto mostra estar perto. Deixe o iníquo o seu caminho e o homem prejudicial os seus pensamentos; e retorne ele a Jeová, que terá misericórdia com ele, e ao nosso Deus, porque perdoará amplamente.” — Isaías 55:6, 7.

      [Fotos na página 94]

      Os deuses de Babilônia não a protegeram da destruição

      [Fotos na página 98]

      Os cristãos atuais precisam precaver-se contra os ídolos modernos

      [Fotos na página 101]

      Reúna coragem para fazer o que é direito

  • Religião falsa — seu fim dramático está predito
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
    • Capítulo Oito

      Religião falsa — seu fim dramático está predito

      Isaías 47:1-15

      1, 2. (a) Por que alguns acham improvável uma iminente mudança radical no panorama religioso do mundo? (b) Como sabemos que as palavras do capítulo 47 de Isaías têm uma aplicação futura? (c) Por que “Babilônia, a Grande”, é um nome apropriado para o conjunto de religiões falsas?

      “O REAVIVAMENTO da religião.” Essa foi a mensagem de um artigo da The New York Times Magazine. O artigo mostrava que a religião pelo visto ainda exerce forte domínio sobre o coração e a mente de milhões de pessoas. Assim, pode ser difícil crer numa iminente mudança radical no panorama religioso do mundo. Mas o capítulo 47 de Isaías indica que tal mudança vai acontecer.

      2 As palavras de Isaías se cumpriram 2.500 anos atrás. No entanto, as palavras em Isaías 47:8 são citadas no livro de Revelação (Apocalipse) e se lhes dá uma aplicação futura. A Bíblia prediz ali o fim da organização (comparável a uma meretriz) chamada de “Babilônia, a Grande” — o império mundial da religião falsa. (Revelação 16:19) O nome “Babilônia” é apropriado para designar o conjunto de religiões falsas do mundo, pois foi na antiga Babilônia que a religião falsa começou. Dali ela se espalhou para os quatro cantos da Terra. (Gênesis 11:1-9) Doutrinas religiosas originárias de Babilônia, como a imortalidade da alma, o inferno de fogo e a adoração de deuses trinos, fazem parte de praticamente todas as religiões, incluindo as da cristandade.a Será que as profecias de Isaías lançam alguma luz sobre o futuro da religião?

      Babilônia rebaixada ao pó

      3. Descreva a grandeza da Potência Mundial Babilônica.

      3 Ouça esta incitante declaração divina: “Desce e senta-te no pó, ó virgem filha de Babilônia. Senta-te no chão, onde não há trono, ó filha dos caldeus. Pois não mais terás a experiência de pessoas te chamarem de delicada e mimosa.” (Isaías 47:1) Por anos, Babilônia reinava como potência mundial dominante. Era o “ornato dos reinos” — um próspero centro religioso, comercial e militar. (Isaías 13:19) No seu auge, o império de Babilônia estendia-se ao sul até a longínqua fronteira do Egito. E quando Babilônia derrotou Jerusalém, em 607 AEC, parecia que o próprio Deus não poderia impedir suas conquistas! Assim, ela se via como “virgem filha”, que jamais sofreria uma invasão estrangeira.b

      4. O que aconteceria com Babilônia?

      4 Contudo, essa altiva “virgem” seria derrubada de seu trono de indisputável potência mundial e levada a ‘sentar-se no pó’ em humilhação. (Isaías 26:5) Não mais seria considerada “delicada e mimosa”, como uma rainha paparicada. Assim, Jeová ordena: “Toma um moinho manual e mói farinha. Descobre teu véu. Despe tua ampla saia. Descobre tua perna. Cruza os rios.” (Isaías 47:2) Depois de ter escravizado a inteira nação de Judá, a própria Babilônia seria agora tratada como escrava! Os medos e os persas, que a removeriam do poder, a obrigariam a executar trabalhos humilhantes para eles.

      5. (a) Como Babilônia seria despida de seu ‘véu e ampla saia’? (b) O que talvez signifique a ordem de ‘cruzar os rios’ que seria dada a Babilônia?

      5 Desse modo, Babilônia seria despida de seu ‘véu e ampla saia’, perdendo todo vestígio de sua anterior grandeza e dignidade. “Cruza os rios”, ordenariam seus feitores. Possivelmente, alguns babilônios realmente receberiam ordens de realizar serviços externos servis. Ou talvez a profecia signifique que alguns seriam literalmente arrastados através de rios a caminho do exílio. Seja como for, Babilônia não mais viajaria em alto estilo de rainha, que atravessava os cursos de água numa espécie de liteira ou numa carruagem. Em vez disso, seria como uma escrava que tinha de esquecer o pudor, levantando a saia e expondo as pernas ao vadear um rio. Quão humilhante!

      6. (a) Em que sentido seria exposta a nudez de Babilônia? (b) O que significa que Deus ‘não se encontraria com nenhum homem benignamente’? (Veja a nota ao pé da página.)

      6 Jeová continua seu escárnio: “Devias expor a tua nudez. Também se devia ver o teu vitupério. Vingança é o que tomarei e não me encontrarei com nenhum homem benignamente.” (Isaías 47:3)c Sim, Babilônia sofreria vergonha e desonra. O modo perverso e cruel com que ela tratara o povo de Deus seria abertamente exposto. Nenhum humano poderia impedir a vingança divina!

      7. (a) Qual seria a reação dos exilados judeus ao saberem da queda de Babilônia? (b) De que modo Jeová resgataria seu povo?

      7 Depois de ter sido mantido cativo na poderosa Babilônia por 70 anos, o povo de Deus se alegraria muito com a sua queda. Eles bradariam: “Há Um que nos resgata. Jeová dos exércitos é seu nome, o Santo de Israel.” (Isaías 47:4) Na Lei mosaica, se um israelita se vendesse como escravo para pagar dívidas, um resgatador (um parente consanguíneo) poderia comprá-lo, ou resgatá-lo, da escravidão. (Levítico 25:47-54) Visto que os judeus haviam sido vendidos como escravos a Babilônia, eles precisavam ser resgatados, ou libertados. Para os escravos, uma conquista normalmente significava pouco mais do que uma troca de amo. Mas Jeová induziria o conquistador Rei Ciro a libertar os judeus da escravidão. O Egito, a Etiópia e Sebá seriam dados a Ciro como “resgate” em lugar dos judeus. (Isaías 43:3) Apropriadamente, o Resgatador de Israel é chamado de “Jeová dos exércitos”. A aparentemente poderosa força militar de Babilônia seria insignificante em comparação com as invisíveis hostes angélicas de Jeová.

      O preço da crueldade

      8. Em que sentido ‘Babilônia entraria na escuridão’?

      8 Jeová prossegue com sua denúncia profética contra Babilônia: “Senta-te silenciosa e entra na escuridão, ó filha dos caldeus; pois não mais terás a experiência de pessoas te chamarem de Senhora de Reinos.” (Isaías 47:5) Só restaria escuridão e tenebrosidade para Babilônia. Ela não mais dominaria outros reinos como senhora cruel. — Isaías 14:4.

      9. Por que Jeová ficaria indignado com os judeus?

      9 Por que se permitiria, afinal, que Babilônia prejudicasse o povo de Deus? Jeová explica: “Fiquei indignado com o meu povo. Profanei a minha herança e passei a entregá-los na tua mão.” (Isaías 47:6a) Jeová tinha bons motivos para estar indignado com os judeus. Ele os alertara de que a desobediência à sua Lei resultaria em serem expulsos do país. (Deuteronômio 28:64) Quando caíam na idolatria e na imoralidade sexual, Jeová amorosamente enviava profetas para ajudá-los a retornar à adoração pura. Mas eles “caçoavam continuamente dos mensageiros do verdadeiro Deus e desprezavam as suas palavras, e zombavam dos seus profetas até que subiu o furor de Jeová contra o seu povo, até que não havia mais cura”. (2 Crônicas 36:16) De modo que Deus permitiria que sua herança, Judá, fosse profanada quando Babilônia invadisse o país e aviltasse Seu templo santo. — Salmo 79:1; Ezequiel 24:21.

      10, 11. Por que Jeová se irou com Babilônia, apesar de ser da vontade dele que ela conquistasse Seu povo?

      10 Em vista disso, não estaria Babilônia simplesmente executando a vontade de Deus quando escravizasse os judeus? Não, pois Deus diz: “Tu não lhes mostraste misericórdias. Fizeste muito pesado o teu jugo sobre o homem idoso. E continuavas a dizer: ‘Mostrarei ser Senhora por tempo indefinido, para sempre.’ Não fixaste estas coisas no coração; não te lembraste do final do assunto.” (Isaías 47:6b, 7) Deus não ordenara que Babilônia agisse com excessiva crueldade, sem mostrar favor “nem mesmo para com os homens idosos”. (Lamentações 4:16; 5:12) Nem a exortara a sentir prazer sadístico em zombar de seus cativos judeus. — Salmo 137:3.

      11 Babilônia despercebia que seu controle sobre os judeus seria temporário. Ela desprezava os avisos de Isaías de que, no tempo devido, Jeová libertaria seu povo. Agia como se tivesse sido credenciada a dominar eternamente os judeus e a continuar para sempre como senhora de seus países vassalos. Ela não atentava à mensagem de que seu domínio opressivo teria um “final”.

      Predita a queda de Babilônia

      12. Por que Babilônia é chamada de “mulher dada ao prazer”?

      12 Jeová declara: “Agora, ouve isto, ó mulher dada ao prazer, aquela que está sentada em segurança, que diz no seu coração: ‘Sou eu, e não há mais ninguém. Não estarei sentada como viúva e não conhecerei a perda de filhos.’” (Isaías 47:8) A reputação de Babilônia, como dada ao prazer, era bem conhecida. O historiador Heródoto, do quinto século AEC, fala de um “extremamente vergonhoso costume” dos babilônios, a saber, de exigir que todas as mulheres se prostituíssem em homenagem a sua deusa do amor. O antigo historiador Curtius disse também: “Não podia haver nada mais contaminado do que os costumes da cidade; nenhuma corrupção sistemática podia oferecer mais estímulos e engodos à devassidão.”

      13. Como a inclinação de Babilônia para os prazeres apressaria sua queda?

      13 A inclinação de Babilônia para os prazeres apressaria a sua queda. Nas vésperas de sua queda, seu rei e seus dignitários estariam festejando, bebendo até se embriagar. Assim, não prestariam atenção aos exércitos medo-persas que estariam invadindo a cidade. (Daniel 5:1-4) “Sentada em segurança”, Babilônia imaginaria que suas aparentemente inexpugnáveis muralhas e fosso a protegeriam contra a invasão. Ela dizia a si mesma que ‘não havia mais ninguém’ que pudesse ocupar seu lugar de supremacia. Não imaginava que poderia tornar-se “viúva”, perdendo seu governante imperial, bem como seus “filhos”, ou a população. Não obstante, muralha alguma poderia protegê-la do braço vingador de Jeová Deus! Jeová diria mais tarde: “Ainda que Babilônia subisse aos céus e mesmo que fizesse inexpugnável a altura da sua força, chegar-lhe-ão da minha parte os assoladores.” — Jeremias 51:53.

      14. De que maneira Babilônia sofreria “perda de filhos e a viuvez”?

      14 O que aconteceria com Babilônia? Jeová continua: “Mas estas duas coisas chegarão a ti repentinamente, num só dia: a perda de filhos e a viuvez. Terão de vir sobre ti na sua plena medida, pela abundância das tuas feitiçarias, pela plena força dos teus encantamentos — em medida extraordinária.” (Isaías 47:9) Sim, a supremacia de Babilônia como potência mundial acabaria subitamente. Nos antigos países orientais, ficar viúva e perder os filhos era a pior coisa que poderia acontecer a uma mulher. Não sabemos quantos “filhos” Babilônia perdeu na noite de sua queda.d No devido tempo, porém, essa cidade seria inteiramente abandonada. (Jeremias 51:29) Ficaria viúva também no sentido de que seus reis seriam destronados.

      15. Além da crueldade de Babilônia para com os judeus, por que outra razão Jeová estaria furioso com ela?

      15 Os maus-tratos que Babilônia infligiria aos judeus, porém, não era a única razão da ira de Jeová. ‘A abundância de suas feitiçarias’ também o incitaria ao furor. A Lei de Deus a Israel condenava o espiritismo; Babilônia, porém, praticava avidamente o ocultismo. (Deuteronômio 18:10-12; Ezequiel 21:21) O livro Social Life Among the Assyrians and Babylonians (Vida Social dos Assírios e dos Babilônios) diz que a vida dos babilônios “era marcada pelo perene medo dos numerosos demônios pelos quais acreditavam estar rodeados”.

      Confiança na maldade

      16, 17. (a) Em que sentido Babilônia ‘confiava na sua maldade’? (b) Por que não poderia ser evitado o fim de Babilônia?

      16 Poderiam os adivinhos de Babilônia salvá-la? Jeová responde: “Tu continuaste a confiar na tua maldade. Disseste: ‘Não há quem me veja.’ Tua sabedoria e teu conhecimento — isto é o que te afastou; e dizias no teu coração: ‘Sou eu, e não há mais ninguém.’” (Isaías 47:10) Babilônia confiava que por meio de sua sabedoria secular e religiosa, seu poderio militar e sua ardilosa desumanidade poderia manter a sua posição de potência mundial. Ela achava que ninguém podia ‘vê-la’, isto é, responsabilizá-la pelas suas ações perversas. Tampouco vislumbrava um rival no horizonte. “Sou eu, e não há mais ninguém”, dizia a si mesma.

      17 No entanto, por meio de outro de seus profetas, Jeová alertou: “Pode algum homem estar escondido em esconderijos sem que eu mesmo o veja?” (Jeremias 23:24; Hebreus 4:13) Por conseguinte, Jeová declara: “Sobre ti terá de vir a calamidade; não conhecerás nenhum feitiço contra ela. E sobre ti cairá a adversidade; não a poderás evitar. E sobre ti virá repentinamente uma ruína que não estás acostumada a conhecer.” (Isaías 47:11) Nem os deuses de Babilônia nem os ‘feitiços’ de seus espiritistas poderiam evitar a vindoura calamidade — diferente de qualquer coisa que ela já havia passado!

      Os conselheiros de Babilônia falhariam

      18, 19. Como se mostraria desastrosa a confiança de Babilônia nos seus conselheiros?

      18 Com sarcasmo mordaz, Jeová ordena: “Fica, pois, com os teus encantamentos e com a abundância das tuas feitiçarias em que labutaste desde a tua mocidade; para que talvez possas tirar proveito, para que talvez causes susto às pessoas.” (Isaías 47:12) Babilônia era desafiada a ‘ficar’, ou continuar irredutível, na sua confiança na magia. Afinal, como nação, ela labutava no desenvolvimento das artes ocultas desde a sua “mocidade”.

      19 Mas Jeová escarnece dela, dizendo: “Fatigaste-te com a multidão dos teus conselheiros. Que se ponham de pé, pois, e que te salvem, os adoradores dos céus, os contempladores das estrelas, os que divulgam conhecimento nas luas novas a respeito das coisas que virão sobre ti.” (Isaías 47:13)e Babilônia veria o fracasso total de seus conselheiros. Realmente, séculos de observações astronômicas haviam sido consumidos no desenvolvimento da astrologia babilônica. Mas na noite de sua queda, o lastimoso fracasso de seus astrólogos exporia a inutilidade da adivinhação. — Daniel 5:7, 8.

      20. Qual seria o fim dos conselheiros de Babilônia?

      20 Jeová conclui essa parte da profecia dizendo: “Eis que se tornaram qual restolho. O próprio fogo certamente os consumirá. Não livrarão a sua alma do poder da chama. Não haverá nenhum fulgor de brasas para as pessoas se aquecerem, nenhuma luz do fogo diante de que se possam assentar. Assim se hão de tornar para ti estes, com os quais labutaste quais encantadores teus desde a tua mocidade. Realmente vaguearão, cada um para a sua própria região. Não haverá quem te salve.” (Isaías 47:14, 15) Sim, aqueles conselheiros falsos enfrentariam tempos ardentes. Não seria um fogo aconchegante, ao redor do qual as pessoas poderiam se aquecer, mas sim um fogo destrutivo e consumidor que exporia os conselheiros falsos como restolho inútil. Não seria de admirar, então, que os conselheiros de Babilônia fugissem em pânico! Com a perda desse último apoio, não haveria ninguém para salvá-la. Ela teria o mesmo destino que impusera a Jerusalém. — Jeremias 11:12.

      21. Como e quando se cumpriram as palavras proféticas de Isaías?

      21 No ano 539 AEC, essas palavras inspiradas começaram a se cumprir. Os exércitos dos medos e dos persas, liderados por Ciro, capturaram a cidade e mataram o rei em exercício, Belsazar. (Daniel 5:1-4, 30) Numa única noite Babilônia foi derrubada de sua posição de domínio mundial. Isso acabou com séculos de supremacia semítica, e o mundo passou então para o controle ariano. A própria Babilônia entrou num período de séculos de declínio. No quarto século EC, nada mais era do que “montões de pedras”. (Jeremias 51:37) De modo que a profecia de Isaías se cumpriu integralmente.

      Uma Babilônia moderna

      22. Que lição a respeito do orgulho nos ensina a queda de Babilônia?

      22 Essa profecia de Isaías dá muito o que pensar. Por um lado, frisa os perigos do orgulho e da soberba. A queda da orgulhosa Babilônia confirma o provérbio bíblico: “O orgulho vem antes da derrocada e o espírito soberbo antes do tropeço.” (Provérbios 16:18) O orgulho às vezes domina a nossa natureza imperfeita, mas “enfunar-se de orgulho” pode levar a cair “em vitupério e num laço do Diabo”. (1 Timóteo 3:6, 7) Assim, faremos bem em acatar o conselho de Tiago: “Humilhai-vos aos olhos de Jeová, e ele vos enaltecerá.” — Tiago 4:10.

      23. A profecia de Isaías nos ajuda a ter que confiança?

      23 Essas palavras proféticas também nos ajudam a ter confiança em Jeová, que é mais poderoso do que todos os seus opositores. (Salmo 24:8; 34:7; 50:15; 91:14, 15) Esse é um lembrete consolador nestes dias difíceis. A confiança em Jeová fortalece a nossa determinação de permanecer inculpes aos seus olhos, sabendo que ‘o futuro do homem inculpe será pacífico’. (Salmo 37:37, 38) É sempre sábio recorrer a Jeová e não confiar nos nossos próprios recursos em face das “artimanhas” de Satanás. — Efésios 6:10-13, nota.

      24, 25. (a) Por que a astrologia é ilógica, mas por que tantos recorrem a ela? (b) Quais são alguns dos motivos pelos quais os cristãos evitam a superstição?

      24 Notavelmente, somos alertados contra práticas espíritas, em especial a astrologia. (Gálatas 5:20, 21) Quando Babilônia caiu, a astrologia não perdeu seu domínio sobre o povo. Curiosamente, o livro Great Cities of the Ancient World (Grandes Cidades do Mundo Antigo) diz que as constelações mapeadas pelos babilônios “mudaram” de suas antigas posições, “tornando um contrassenso o inteiro conceito [de astrologia]”. Mesmo assim, a astrologia continua a prosperar, e muitos jornais publicam colunas de horóscopos de fácil consulta para os leitores.

      25 O que leva as pessoas — muitas delas bem instruídas — a consultar as estrelas ou a se envolver em outras práticas ilógicas e supersticiosas? A enciclopédia World Book diz: “As superstições provavelmente farão parte da vida enquanto as pessoas tiverem medo umas das outras e incertezas a respeito do futuro.” O medo e a incerteza podem levar a pessoa a tornar-se supersticiosa. Mas os cristãos evitam a superstição. Não têm medo do homem — Jeová é seu apoio. (Salmo 6:4-10) E eles não têm incertezas quanto ao futuro; conhecem os propósitos revelados de Jeová e não têm dúvidas de que “o próprio conselho [intento] de Jeová ficará de pé por tempo indefinido”. (Salmo 33:11) Harmonizar a nossa vida com o propósito de Jeová garante-nos um futuro feliz e duradouro.

      26. Como se revelaram “fúteis” os “raciocínios dos sábios”?

      26 Em anos recentes, alguns têm tentado discernir o futuro por meios mais “científicos”. Existe até uma disciplina chamada futurologia, definida como “estudo que trata de possibilidades futuras à base de tendências atuais”. Por exemplo, em 1972 um grupo conhecido como Clube de Roma, formado por acadêmicos e empresários, predisse que em 1992 as reservas de ouro, mercúrio, zinco e petróleo estariam esgotadas. Bem, o mundo enfrentou problemas terríveis desde 1972, mas essa predição falhou em todos os sentidos. A Terra ainda tem reservas de ouro, mercúrio, zinco e petróleo. De fato, o homem já tentou de tudo para prever o futuro, mas suas conjecturas nunca são confiáveis. Realmente, “os raciocínios dos sábios são fúteis”!

      O iminente fim de Babilônia, a Grande

      27. Quando e de que modo Babilônia, a Grande, sofreu uma queda similar à que sofreu Babilônia em 539 AEC?

      27 As modernas religiões têm perpetuado muitas das doutrinas da antiga Babilônia. Por isso, o império mundial da religião falsa é apropriadamente chamado de Babilônia, a Grande. (Revelação 17:5) Esse conglomerado religioso internacional já sofreu uma queda similar à que sofreu a antiga Babilônia, em 539 AEC. (Revelação 14:8; 18:2) Em 1919, o restante dos irmãos de Cristo saiu de seu cativeiro espiritual e livrou-se da influência religiosa da cristandade, a parte principal de Babilônia, a Grande. Desde então, a cristandade vem perdendo considerável influência em muitos países em que antes era forte.

      28. Como se jacta Babilônia, a Grande, mas o que a espera?

      28 Essa queda, no entanto, foi apenas um prenúncio da destruição final da religião falsa. É interessante que a profecia de Revelação a respeito da destruição de Babilônia, a Grande, nos faz lembrar as palavras proféticas em Isaías 47:8, 9. Como a antiga Babilônia, a atual Babilônia, a Grande, diz: “Estou sentada como rainha, e não sou viúva, e nunca verei pranto.” Mas “as pragas dela virão num só dia, morte, e pranto, e fome, e ela será completamente queimada em fogo, porque Jeová Deus, quem a julga, é forte”. Assim, as palavras proféticas no capítulo 47 de Isaías constituem um aviso para os que ainda se afiliam à religião falsa. Para não serem destruídos junto com ela, devem acatar a ordem inspirada: “Saí dela”! — Revelação 18:4, 7, 8.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Para pormenores sobre o desenvolvimento de doutrinas religiosas falsas, veja o livro O Homem em Busca de Deus, publicado pelas Testemunhas de Jeová.

      b Em hebraico, “virgem filha de Babilônia” é uma expressão idiomática que se refere a Babilônia ou aos seus habitantes. Ela era “virgem” porque nunca fora espoliada por um conquistador desde que se tornara potência mundial.

      c A expressão hebraica vertida por “não me encontrarei com nenhum homem benignamente” tem sido classificada pelos eruditos como “frase extremamente difícil” de traduzir. A Tradução do Novo Mundo insere a palavra “benignamente” para passar a ideia de que a nenhum estranho se permitiria socorrer Babilônia. Uma tradução da Sociedade Publicadora Judaica, em inglês, verte assim essa sentença: ‘Não permitirei que homem algum interceda.’

      d Segundo o livro Nabonidus and Belshazzar (Nabonido e Belsazar), de Raymond Philip Dougherty, embora a Crônica de Nabonido afirme que os invasores de Babilônia entraram “sem luta”, o historiador grego Xenofonte indica que pode ter havido um grande derramamento de sangue.

      e Alguns vertem a expressão hebraica traduzida por “adoradores dos céus” por “divisores dos céus”. Isso deve referir-se à prática de dividir o céu em partes, para fazer horóscopos.

      [Fotos na página 111]

      Babilônia, dada ao prazer, seria rebaixada ao pó

      [Foto na página 114]

      Os astrólogos de Babilônia não teriam como predizer a sua queda

      [Foto na página 116]

      Calendário astrológico babilônico, primeiro milênio AEC

      [Fotos na página 119]

      A atual Babilônia em breve não mais existirá

  • Jeová nos ensina para o nosso bem
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
    • Capítulo Nove

      Jeová nos ensina para o nosso bem

      Isaías 48:1-22

      1. Como as pessoas sábias reagem às palavras de Jeová?

      QUEM é sábio ouve com grande respeito e acata as palavras de Jeová quando ele fala. Tudo o que Jeová diz é em nosso benefício, e ele se interessa muito pelo nosso bem-estar. Por exemplo, como é animador observar a forma que Jeová falou ao seu antigo povo pactuado: “Oh! se tão somente prestasses realmente atenção aos meus mandamentos!” (Isaías 48:18) O comprovado valor dos ensinos de Deus deve induzir-nos a escutá-lo e a seguir a sua orientação. O registro de profecias cumpridas elimina qualquer dúvida quanto à determinação de Jeová de cumprir suas promessas.

      2. Em benefício de quem foram registradas as palavras de Isaías, capítulo 48, e quem mais pode beneficiar-se delas?

      2 As palavras do capítulo 48 do livro de Isaías evidentemente foram escritas em favor dos judeus que estariam exilados em Babilônia. Mas elas contêm também uma mensagem que os cristãos hoje não podem ignorar. No capítulo 47 de Isaías, a Bíblia predisse a queda de Babilônia. O capítulo 48 de Is explica o que Jeová tinha em mente para os judeus exilados nessa cidade. Ele estava contristado pela hipocrisia de seu povo escolhido e sua obstinada descrença nas Suas promessas. Mesmo assim, desejava instruí-los para o bem deles. Predisse um período de refinamento que resultaria na volta de um restante fiel para sua terra natal.

      3. O que havia de errado com a adoração de Judá?

      3 Quanto o povo de Jeová havia se desviado da adoração pura! As palavras iniciais de Isaías denotam seriedade: “Ouvi isto, ó casa de Jacó, vós os que vos chamais pelo nome de Israel e que procedestes das próprias águas de Judá, vós os que jurais pelo nome de Jeová e que fazeis menção até mesmo do Deus de Israel, não em verdade e não em justiça. Pois chamaram-se como sendo da cidade santa e firmaram-se no Deus de Israel, cujo nome é Jeová dos exércitos.” (Isaías 48:1, 2) Quanta hipocrisia! ‘Jurar pelo nome de Jeová’ obviamente nada mais era do que usar o nome de Deus de modo formalístico. (Sofonias 1:5) Antes de seu exílio em Babilônia, os judeus adoravam a Jeová na “cidade santa”, Jerusalém. Mas a adoração deles não era sincera. Seus corações estavam muito longe de Deus e suas práticas de adoração não eram ‘em verdade nem em justiça’. Não tinham a fé dos patriarcas. — Malaquias 3:7.

      4. Que tipo de adoração agrada a Jeová?

      4 As palavras de Jeová nos lembram de que a adoração não deve ser mecânica. Tem de ser de coração. Mero culto pro forma — talvez apenas para agradar ou impressionar outros — não constitui “ações de devoção piedosa”. (2 Pedro 3:11) O simples fato de alguém dizer que é cristão não torna a sua adoração aceitável a Deus. (2 Timóteo 3:5) Reconhecer a existência de Jeová é vital, mas é apenas o começo. Jeová deseja adoração de toda a alma e motivada por profundo amor e apreço. — Colossenses 3:23.

      Predição de coisas novas

      5. Quais foram algumas das “primeiras coisas” preditas por Jeová?

      5 Talvez aqueles judeus em Babilônia necessitassem refrescar a sua memória. Assim, mais uma vez Jeová os lembrava de que ele é o Deus de profecias verdadeiras: “Contei as primeiras coisas mesmo desde aquele tempo e saíram da minha própria boca, e eu fazia que fossem ouvidas. Repentinamente agi, e as coisas passaram a entrar.” (Isaías 48:3) “As primeiras coisas” eram as coisas que Deus já havia realizado, tais como libertar os israelitas do Egito e lhes dar a Terra Prometida como herança. (Gênesis 13:14, 15; 15:13, 14) Tais predições haviam saído da boca de Deus; eram de origem divina. Deus fazia com que os homens ouvissem seus decretos e o que ouviam devia induzi-los a ser obedientes. (Deuteronômio 28:15) Jeová agia repentinamente para cumprir suas predições. Ser ele o Todo-Poderoso garantia o cumprimento de seus propósitos. — Josué 21:45; 23:14.

      6. Até que ponto os judeus se haviam tornado ‘obstinados e rebeldes’?

      6 O povo de Jeová se tornara ‘obstinado e rebelde’. (Salmo 78:8) Jeová lhes diz francamente: ‘És duro e tua cerviz é um tendão de ferro e tua testa é cobre.’ (Isaías 48:4) Como metais, os judeus eram duros de vergar — inflexíveis. Esse era um dos motivos pelos quais Jeová revelava as coisas antes de acontecerem. Se não fosse assim, seu povo diria a respeito das coisas feitas por Jeová: “Meu próprio ídolo as fez, e minha própria imagem esculpida e minha própria imagem fundida as ordenaram.” (Isaías 48:5) Teria a declaração de Jeová algum efeito sobre os infiéis judeus? Deus lhes diz: “Tu ouviste. Observa tudo. Quanto a vós, não o contareis? Eu te fiz ouvir coisas novas do tempo atual, sim, coisas mantidas em reserva, que não conhecias. Terão de ser criadas no tempo atual e não desde aquele tempo, sim, coisas de que antes de hoje não ouviste falar, para que não digas: ‘Eis que eu já as conhecia.’” — Isaías 48:6, 7.

      7. O que os judeus exilados teriam de admitir, e o que poderiam esperar?

      7 Com muita antecedência, Isaías registrou a predição da queda de Babilônia. Agora, como exilados em Babilônia, ordenou-se profeticamente aos judeus que notassem o cumprimento da predição. Poderiam negar que Jeová era o Deus cumpridor de profecias? E, sendo que os habitantes de Judá haviam visto e ouvido que Jeová é o Deus da verdade, não deveriam eles também declarar essa verdade a outros? A palavra revelada de Jeová havia predito coisas novas que ainda não haviam acontecido, como a conquista de Babilônia por Ciro e a libertação dos judeus. (Isaías 48:14-16) Até então, não havia nenhum indício de que tais eventos surpreendentes poderiam ocorrer. Ninguém os poderia prever por apenas observar o cenário mundial. Eles surgiriam como que do nada. Quem causaria tais eventos? Visto que Jeová os predissera uns 200 anos antes, a resposta é óbvia.

      8. Que coisas novas esperam os cristãos atuais, e por que confiam totalmente na palavra profética de Jeová?

      8 Além do mais, Jeová cumpre a sua palavra segundo seu próprio cronograma. Profecias cumpridas comprovaram para os judeus da antiguidade, assim como para os cristãos hoje, a Divindade de Jeová. O registro de numerosas profecias cumpridas no passado — “as primeiras coisas” — é uma garantia de que as coisas novas prometidas por Jeová — a vindoura “grande tribulação”, a sobrevivência de “uma grande multidão” a essa tribulação, a “nova terra”, e muito mais — também acontecerão. (Revelação [Apocalipse] 7:9, 14, 15; 21:4, 5; 2 Pedro 3:13) Atualmente, essa certeza motiva os justos a falar zelosamente sobre Jeová. Eles sentem o mesmo que o salmista, que disse: “Anunciei as boas novas de justiça na grande congregação. Eis que não contenho os meus lábios.” — Salmo 40:9.

      Jeová exerceria autocontrole

      9. Em que sentido a nação de Israel era ‘transgressora desde o ventre’?

      9 A falta de fé dos judeus nas profecias de Jeová os impedia de acatar Seus avisos. É por isso que ele lhes diz a seguir: “Além disso não ouviste, nem soubeste, nem foi aberto teu ouvido daquele tempo em diante. Pois eu bem sei que, sem falta, agias traiçoeiramente e foste chamado de ‘transgressor desde o ventre’.” (Isaías 48:8) Os ouvidos de Judá estavam fechados para com as alegres notícias de Jeová. (Isaías 29:10) A conduta do povo pactuado de Deus indicava que a nação era ‘transgressora desde o ventre’. Desde o nascimento, e por toda a sua história, a nação de Israel acumulava antecedentes de rebeldia. As transgressões e as traições do povo eram faltas inveteradas, não meros pecados ocasionais. — Salmo 95:10; Malaquias 2:11.

      10. Por que Jeová se refrearia?

      10 Não havia mais nenhuma esperança? Havia, sim. Embora Judá fosse rebelde e traiçoeiro, Jeová sempre era verdadeiro e fiel. Pela honra de seu próprio grande nome, ele limitaria a vazão de sua ira. Diz ele: “Por causa do meu nome controlarei a minha ira e por meu louvor me refrearei para contigo, para que não haja decepamento.” (Isaías 48:9) Que contraste! O povo de Jeová, tanto Israel como Judá, era infiel a Ele. Mas Jeová santificaria o seu nome, agindo de um modo que lhe rendesse louvor e honra. Por essa razão, ele não deceparia seu povo escolhido. — Joel 2:13, 14.

      11. Por que Deus não permitiria que seu povo fosse aniquilado?

      11 Os retos entre os exilados judeus seriam despertados pela repreensão de Deus e se mostrariam determinados a acatar seus ensinos. Para tais, a declaração seguinte seria muito reanimadora: “Eis que eu te refinei, mas não em forma de prata. Fiz a escolha de ti no forno de fundição da tribulação. Por minha própria causa, por minha própria causa agirei, pois como pode alguém deixar-se profanar? E a minha própria glória não darei a outrem.” (Isaías 48:10, 11) As provadoras aflições — como que “no forno de fundição da tribulação” — que Jeová permitiria que se abatessem sobre seu povo, os testariam e refinariam, revelando o que tinham no coração. Algo similar acontecera séculos antes, quando Moisés disse aos seus ancestrais: “Jeová, teu Deus, te fez andar estes quarenta anos no ermo para te humilhar, para te pôr à prova, a fim de saber o que havia no teu coração.” (Deuteronômio 8:2) Apesar de sua rebeldia, Jeová não destruiu a nação naquele tempo, nem a destruiria totalmente agora. Assim, Seu nome e Sua honra seriam preservados. Se o seu povo fosse exterminado pelos babilônios, Jeová teria sido infiel ao seu pacto e seu nome seria profanado. Pareceria que o Deus de Israel era impotente para salvar o Seu povo. — Ezequiel 20:9.

      12. Como foram refinados os cristãos verdadeiros durante a Primeira Guerra Mundial?

      12 Também nos tempos modernos, o povo de Jeová tem tido necessidade de refinamentos. Lá nos primórdios do século 20, muitos dentre o pequeno grupo de Estudantes da Bíblia serviam a Jeová com o desejo sincero de agradá-lo, mas alguns tinham motivações erradas, tais como o desejo de destaque. Antes que aquele pequeno grupo pudesse alavancar a pregação mundial das boas novas profetizada para o tempo do fim, eles tinham de ser purificados. (Mateus 24:14) O profeta Malaquias predisse que um refinamento assim de fato ocorreria por ocasião da vinda de Jeová ao seu templo. (Malaquias 3:1-4) As suas palavras se cumpriram em 1918. Os cristãos verdadeiros passaram por um período de teste ardente no calor na Primeira Guerra Mundial, e esse teste culminou na prisão de Joseph F. Rutherford, então presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), e alguns de seus principais diretores. Aqueles cristãos sinceros se beneficiaram do refinamento que sofreram. Eles saíram da Primeira Guerra Mundial mais decididos do que nunca a servir ao seu grandioso Deus da maneira que ele indicasse.

      13. Como o povo de Jeová reagiu às perseguições nos anos depois da Primeira Guerra Mundial?

      13 Desde aqueles dias, as Testemunhas de Jeová vez após vez têm enfrentado as mais malignas formas de perseguição. Isso não as fez duvidar da palavra do Criador. Em vez disso, elas atentaram às palavras do apóstolo Pedro a cristãos perseguidos em seus dias: “[Estais sendo] contristados por várias provações, a fim de que a qualidade provada da vossa fé . . . seja achada causa para louvor, e glória, e honra, na revelação de Jesus Cristo.” (1 Pedro 1:6, 7) A perseguição ardente não destrói a integridade dos cristãos verdadeiros. Em vez disso, revela a pureza de suas motivações. Acrescenta à sua fé uma qualidade testada e mostra a profundeza de sua devoção e de seu amor. — Provérbios 17:3.

      ‘Eu sou o primeiro e o último’

      14. (a) Em que sentido Jeová é “o primeiro” e “o último”? (b) Que obras poderosas Jeová realizou por meio de sua “mão”?

      14 A seguir, Jeová calorosamente apela a seu povo pactuado: “Escuta-me, ó Jacó, e tu, Israel, meu chamado. Eu sou o Mesmo. Sou o primeiro. Além disso, sou o último. Ainda mais, a minha própria mão lançou o alicerce da terra e a minha própria direita estendeu os céus. Eu os chamo para que juntos se mantenham firmes.” (Isaías 48:12, 13) Diferentemente do homem, Deus é eterno e não muda. (Malaquias 3:6) Em Revelação, Jeová declara: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último, o princípio e o fim.” (Revelação 22:13) Antes de Jeová não havia Deus todo-poderoso, e não haverá nenhum depois dele. Ele é o Supremo e Eterno, o Criador. A sua “mão” — seu poder aplicado — estabeleceu a Terra e estendeu os céus estrelados. (Jó 38:4; Salmo 102:25) Ao ‘chamar’ as suas criações, elas prontamente o servem. — Salmo 147:4.

      15. Em que sentido, e com que objetivo, Jeová “amou” Ciro?

      15 Faz-se um convite solene tanto a judeus como a não judeus: “Reuni-vos, todos vós, e ouvi. Quem dentre eles contou estas coisas? O próprio Jeová o amou. Ele fará com a Babilônia o que for do seu agrado e seu próprio braço estará sobre os caldeus. Eu é que tenho falado. Além disso, eu o chamei. Eu o fiz entrar, e far-se-á que seu caminho seja bem-sucedido.” (Isaías 48:14, 15) Somente Jeová era todo-poderoso e capaz de predizer eventos com exatidão. Ninguém entre “eles” (os ídolos inúteis) podia fazer isso. Jeová, não os ídolos, havia ‘amado’ Ciro — isto é, Jeová o escolhera para um propósito específico. (Isaías 41:2; 44:28; 45:1, 13; 46:11) Ele havia previsto o surgimento de Ciro no cenário mundial e o escolhera como futuro conquistador de Babilônia.

      16, 17. (a) Por que se pode dizer que Deus não fazia predições em segredo? (b) Atualmente, como Jeová tem divulgado seus propósitos?

      16 Num tom de convite, Jeová continua: “Chegai-vos a mim. Ouvi isto. Desde o começo, absolutamente não tenho falado num esconderijo. Estive ali desde o tempo da sua ocorrência.” (Isaías 48:16a) As predições de Jeová não haviam sido secretas, nem reveladas apenas a uns poucos iniciados. Os profetas de Jeová falavam sem rodeios em favor de Deus. (Isaías 61:1) Declaravam publicamente a vontade de Deus. Por exemplo, para Deus os eventos relacionados com Ciro não eram novos nem imprevistos. Uns 200 anos antes, Ele os predissera abertamente por meio de Isaías.

      17 Também hoje, Jeová não faz mistério de seus propósitos. Milhões de pessoas em centenas de países e ilhas do mar proclamam de casa em casa, nas ruas, e onde mais puderem, o aviso do iminente fim deste sistema mundial e as boas novas de bênçãos que virão sob o Reino de Deus. Realmente, Jeová é um Deus que comunica seus propósitos.

      ‘Prestai atenção aos meus mandamentos!’

      18. O que Jeová desejava para seu povo?

      18 Energizado pelo espírito de Jeová, o profeta declara: “O próprio Soberano Senhor Jeová [me enviou], sim, seu espírito. Assim disse Jeová, teu Resgatador, o Santo de Israel: ‘Eu, Jeová, sou teu Deus, Aquele que te ensina a tirar proveito, Aquele que te faz pisar no caminho em que deves andar.’” (Isaías 48:16b, 17) Essa amorosa expressão dos cuidados de Jeová deveria reforçar a confiança da nação de Israel de que Deus a libertaria de Babilônia. Ele seria seu Resgatador. (Isaías 54:5) O profundo desejo de Jeová era que os israelitas restaurassem sua relação com ele e atentassem aos seus mandamentos. A adoração verdadeira baseia-se na obediência às instruções divinas. Os israelitas seriam incapazes de andar no caminho certo, a menos que lhes fosse ensinado ‘o caminho em que deviam andar’.

      19. Que apelo sincero faz Jeová?

      19 O desejo de Jeová de ver seu povo evitar a calamidade e usufruir a vida é belamente expresso: “Oh! se tão somente prestasses realmente atenção aos meus mandamentos! A tua paz se tornaria então como um rio e a tua justiça como as ondas do mar.” (Isaías 48:18) Que apelo sincero da parte do todo-poderoso Criador! (Deuteronômio 5:29; Salmo 81:13) Em vez de irem ao cativeiro, os israelitas poderiam ter tanta paz quanto as correntes de água de um rio. (Salmo 119:165) Seus atos de justiça poderiam ser tão inumeráveis como as ondas do mar. (Amós 5:24) Com real interesse neles, Jeová apelava aos israelitas, amorosamente mostrando-lhes o caminho em que deviam andar. Oh! se tão somente escutassem!

      20. (a) O que Deus desejava para Israel, apesar de sua rebeldia? (b) O que nos ensinam sobre Jeová os seus tratos com o seu povo? (Veja o quadro na página 133.)

      20 Que bênçãos haveria se Israel se arrependesse? Jeová diz: “A tua descendência se tornaria como a areia, e os descendentes das tuas entranhas como os grãos dela. Não se deceparia nem se aniquilaria o nome da pessoa diante de mim.” (Isaías 48:19) Jeová lembrava ao povo a sua promessa de que o descendente de Abraão se tornaria numeroso, “como as estrelas dos céus e como os grãos de areia que há à beira do mar”. (Gênesis 22:17; 32:12) Mas esses descendentes de Abraão eram rebeldes e não tinham o direito de receber o cumprimento da promessa. De fato, seus antecedentes eram tão ruins que, pela própria Lei de Jeová, mereciam ser exterminados como nação. (Deuteronômio 28:45) Ainda assim, Jeová não desejava aniquilar o seu povo, nem os abandonar totalmente.

      21. Que bênçãos podemos ter se seguirmos hoje as instruções de Jeová?

      21 Os princípios englobados nessa poderosa mensagem se aplicam também aos atuais adoradores de Jeová. Jeová é a Fonte da vida, e ele sabe melhor do que ninguém como devemos viver. (Salmo 36:9) Ele não nos forneceu diretrizes para nos privar da alegria, mas para nos beneficiar. Os cristãos verdadeiros reconhecem isso por procurarem ser instruídos por Jeová. (Miqueias 4:2) As diretrizes de Jeová protegem a nossa espiritualidade e a nossa relação com ele, e nos resguardam da corrompedora influência de Satanás. Quando apreciamos os princípios por trás das leis de Deus, vemos que Jeová nos ensina para o nosso bem. Percebemos que “seus mandamentos não são pesados”. E não seremos exterminados. — 1 João 2:17; 5:3.

      “Saí de Babilônia!”

      22. Que exortação se deu aos judeus fiéis, e que garantias receberam?

      22 Quando Babilônia caísse, teriam alguns judeus a atitude correta? Aproveitariam a liberdade que Deus lhes daria, voltariam para sua terra e restaurariam a adoração pura? Sim. As palavras seguintes de Jeová expressam sua confiança nisso. “Saí de Babilônia! Fugi dos caldeus. Proclamai até com o som dum clamor jubilante, fazei que se ouça isso. Fazei que saia até a extremidade da terra. Dizei: ‘Jeová resgatou seu servo Jacó. E eles não ficaram sedentos quando os fez andar mesmo através de lugares devastados. Fez que fluísse para eles água duma rocha e ele passou a fender uma rocha para que manasse água.’” (Isaías 48:20, 21) O povo de Jeová foi profeticamente exortado a sair de Babilônia sem demora. (Jeremias 50:8) A sua redenção teria de ser divulgada até os confins da Terra. (Jeremias 31:10) Depois do Êxodo do Egito, Jeová supriu as necessidades de seu povo ao cruzarem as terras desérticas. Ele faria o mesmo quando seu povo saísse de Babilônia, de volta para casa. — Deuteronômio 8:15, 16.

      23. Quem não usufruiria a paz de Deus?

      23 Havia ainda outro princípio vital que os judeus tinham de ter em mente quanto aos atos de salvação de Jeová. Pessoas de índole justa talvez sofressem por causa de seus pecados, mas não seriam destruídas. Mas seria diferente com os maus. “‘Não há paz para os iníquos’, disse Jeová.” (Isaías 48:22) Pecadores impenitentes não teriam a paz que Deus reservava para os que o amavam. Os atos salvadores não beneficiariam os teimosamente iníquos ou os descrentes. Tais atos seriam apenas em favor dos que tivessem fé. (Tito 1:15, 16; Revelação 22:14, 15) Os iníquos não teriam a paz de Deus.

      24. O que causou alegria para o povo de Deus nos tempos modernos?

      24 Em 537 AEC, a oportunidade de sair de Babilônia alegrou muito os israelitas fiéis. Em 1919, a libertação do povo de Deus do cativeiro babilônico por sua vez lhes causou alegria. (Revelação 11:11, 12) Ficaram cheios de esperança e aproveitaram a oportunidade para expandir suas atividades. É verdade que exigiu coragem daquele pequeno grupo de cristãos aproveitar as novas possibilidades para pregar num mundo hostil. Mas, com a ajuda de Jeová, eles empreenderam a pregação das boas novas. A História atesta que Jeová os abençoou.

      25. Por que é importante prestar detida atenção aos justos decretos de Deus?

      25 Essa parte da profecia de Isaías frisa que Jeová nos ensina para o nosso bem. É importantíssimo prestar detida atenção aos justos decretos de Deus. (Revelação 15:2-4) Ter em mente a sabedoria e o amor de Jeová nos ajudará a aceitar o que ele diz ser certo. Todos os seus mandamentos visam o nosso bem. — Isaías 48:17, 18.

      [Quadro/Fotos na página 133]

      O Deus todo-poderoso se refreia

      “Controlarei a minha ira . . . me refrearei”, disse Jeová aos israelitas apóstatas. (Isaías 48:9) Tais declarações nos ajudam a ver que Deus dá um exemplo perfeito em jamais abusar do poder. É verdade que ninguém tem maior poder do que Deus. É por isso que nos referimos a ele como Todo-Poderoso, Onipotente. Ele aplica legitimamente a si mesmo o título “Todo-Poderoso”. (Gênesis 17:1) Ele não só tem força ilimitada, mas também toda a autoridade, porque é o Soberano Senhor do Universo, que ele criou. É por isso que ninguém pode ousar deter-lhe a mão, ou dizer-lhe: “Que estás fazendo?” — Daniel 4:35.

      Deus é vagaroso em irar-se, mesmo diante da necessidade de expressar seu poder contra inimigos. (Naum 1:3) Jeová pode ‘controlar a sua ira’ e ele é apropriadamente descrito como “vagaroso em irar-se”, pois o amor — não a ira — é a sua qualidade dominante. A sua ira, quando expressa, é sempre justa, sempre justificável, sempre controlada. — Êxodo 34:6; 1 João 4:8.

      Por que Jeová age assim? Por causa da perfeição com que ele equilibra seu supremo poder com seus outros três atributos fundamentais — sabedoria, justiça e amor. Seu uso do poder é sempre coerente com essas outras qualidades.

      [Foto na página 122]

      A mensagem de restauração de Isaías forneceu um raio de esperança para os judeus fiéis no exílio

      [Fotos na página 124]

      Os judeus tendiam a atribuir aos ídolos os atos de Jeová

      1. Istar 2. Friso de cerâmica vitrificada do Caminho das Procissões de Babilônia 3. Dragão, símbolo de Marduque

      [Foto na página 127]

      Um ‘forno da tribulação’ pode revelar se a nossa motivação para servir a Jeová é pura ou não

      [Fotos na página 128]

      Os cristãos verdadeiros têm enfrentado as mais cruéis formas de perseguição

  • Um “tempo de boa vontade”
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
    • Capítulo Dez

      Um “tempo de boa vontade”

      Isaías 49:1-26

      1, 2. (a) Que bênção teve Isaías? (b) Quem está envolvido nas palavras proféticas registradas na primeira metade de Isaías, capítulo 49?

      DESDE há muito, os humanos fiéis sempre têm tido a aprovação e a proteção de Deus. Mas Jeová não estende indiscriminadamente a sua boa vontade. É preciso que a pessoa se habilite para tal bênção incomparável, como se deu com Isaías. Ele teve o favor divino e Jeová o usou como instrumento para divulgar a Sua vontade. Um exemplo disso está registrado na primeira metade do capítulo 49 de Is da profecia de Isaías.

      2 São palavras dirigidas profeticamente ao descendente de Abraão. No cumprimento inicial, esse descendente era a nação de Israel, que procedia de Abraão. No entanto, boa parte da linguagem aplica-se claramente ao então muito aguardado Descendente de Abraão, o prometido Messias. Essas palavras inspiradas se aplicam também aos irmãos espirituais do Messias, que se tornam parte do descendente espiritual de Abraão e do “Israel de Deus”. (Gálatas 3:7, 16, 29; 6:16) Notadamente, essa parte da profecia de Isaías descreve a relação especial entre Jeová e seu Filho amado, Jesus Cristo. — Isaías 49:26.

      Designado e protegido por Jeová

      3, 4. (a) Que apoio teria o Messias? (b) A quem falaria o Messias?

      3 O Messias teria a boa vontade, ou aprovação, de Deus. Jeová lhe daria a autoridade e as credenciais necessárias para cumprir a sua missão. Assim, o futuro Messias diria, apropriadamente: “Escutai-me, vós ilhas, e prestai atenção, vós grupos nacionais longínquos. O próprio Jeová me chamou até mesmo desde o ventre. Desde as entranhas de minha mãe ele tem feito menção do meu nome.” — Isaías 49:1.

      4 Essas observações do Messias são dirigidas a povos “longínquos”. Embora o Messias tivesse sido prometido ao povo judeu, seu ministério serviria para abençoar todas as nações. (Mateus 25:31-33) As “ilhas” e os “grupos nacionais”, mesmo não estando num pacto com Jeová, deveriam escutar o Messias de Israel, pois ele seria enviado para trazer a salvação para toda a humanidade.

      5. Que nomes recebeu o Messias mesmo antes de nascer como humano?

      5 A profecia diz que Jeová daria nome ao Messias antes de este nascer como humano. (Mateus 1:21; Lucas 1:31) Muito antes de seu nascimento, Jesus foi chamado de “Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz”. (Isaías 9:6) Emanuel, provavelmente o nome de um dos filhos de Isaías, foi também um nome profético do Messias. (Isaías 7:14; Mateus 1:21-23) Mesmo o nome pelo qual o Messias viria a ser conhecido — Jesus — foi predito antes de ele nascer. (Lucas 1:30, 31) Esse nome vem do termo hebraico que significa “Jeová É Salvação”. Obviamente, Jesus não seria um Cristo autonomeado.

      6. Em que sentido a boca do Messias era como uma espada afiada, e como ele foi escondido, ou ocultado?

      6 As palavras proféticas do Messias continuam: “E passou a fazer a minha boca igual a uma espada afiada. Escondeu-me na sombra da sua mão. E aos poucos fez de mim uma flecha polida. Escondeu-me na sua própria aljava.” (Isaías 49:2) Quando chegou o tempo de o Messias de Jeová começar seu ministério terrestre, em 29 EC, as palavras e as ações de Jesus deveras eram como armas afiadas e polidas, capazes de penetrar no coração de seus ouvintes. (Lucas 4:31, 32) Suas palavras e ações provocaram a ira do grande inimigo de Jeová, Satanás, e de seus agentes. Desde o nascimento de Jesus, Satanás tentou matá-lo, mas Jesus era como uma flecha escondida na própria aljava de Jeová.a Ele podia confiar na proteção de seu Pai. (Salmo 91:1; Lucas 1:35) No tempo designado, Jesus deu a sua vida a favor da humanidade. Mas chegará o tempo em que ele sairá como poderoso guerreiro celestial, armado em sentido diferente, com uma espada afiada saindo de sua boca. Dessa vez, a espada afiada representará a autoridade de Jesus de proferir e executar julgamentos contra os inimigos de Jeová. — Revelação (Apocalipse) 1:16.

      A labuta do Servo de Deus não seria em vão

      7. A quem se aplicariam as palavras de Jeová em Isaías 49:3, e por quê?

      7 A seguir, Jeová profere estas palavras proféticas: “Tu és meu servo, ó Israel, tu és aquele em quem mostrarei a minha beleza.” (Isaías 49:3) Jeová fala da nação de Israel como seu servo. (Isaías 41:8) Mas Jesus Cristo seria o Servo principal de Deus. (Atos 3:13) Nenhuma outra criatura de Deus refletiria melhor a “beleza” de Jeová do que Jesus. Assim, embora nominalmente dirigidas a Israel, a aplicação real dessas palavras seria a Jesus. — João 14:9; Colossenses 1:15.

      8. Que acolhida o Messias teria de seu próprio povo, mas a quem recorreria para julgar seu desempenho?

      8 Mas não seria Jesus desprezado e rejeitado pela maioria dos de seu próprio povo? Sim. Como um todo, a nação de Israel não aceitaria Jesus como Servo ungido de Deus. (João 1:11) Para seus contemporâneos, tudo o que Jesus realizasse na Terra poderia parecer de pouco valor, até mesmo insignificante. Dessa aparente falha em seu ministério, o Messias fala a seguir: “Foi em vão que labutei. Gastei o meu próprio poder para irrealidade e vaidade.” (Isaías 49:4a) Essas declarações não foram feitas porque o Messias se sentiria desanimado. Veja o que ele diz a seguir: “Verdadeiramente, meu julgamento está com Jeová, e meu salário, com o meu Deus.” (Isaías 49:4b) O desempenho do Messias seria julgado por Deus, não por homens.

      9, 10. (a) Que missão o Messias receberia de Jeová, e que resultados obteria? (b) Como podem os cristãos hoje derivar encorajamento das experiências do Messias?

      9 Jesus estaria interessado principalmente na aprovação, ou boa vontade, de Deus. O Messias diz, na profecia: “Agora Jeová, Aquele que me formou desde o ventre como servo seu, disse que eu lhe trouxesse de volta Jacó, a fim de que o próprio Israel fosse ajuntado a ele. E eu serei glorificado aos olhos de Jeová, e meu próprio Deus se terá tornado a minha força.” (Isaías 49:5) O Messias viria para fazer o coração dos filhos de Israel retornar para o Pai celestial deles. A maioria não corresponderia, mas alguns sim. Contudo, o verdadeiro “salário” do Messias viria de Jeová Deus. Seu desempenho não seria medido em termos humanos, mas segundo os padrões do próprio Jeová.

      10 Hoje, os seguidores de Jesus às vezes talvez achem que estão labutando em vão. Em alguns lugares, os resultados de seu ministério podem parecer insignificantes em comparação com a quantidade de trabalho e esforços despendidos. Ainda assim, eles perseveram incentivados pelo exemplo de Jesus. São também fortalecidos pelas palavras do apóstolo Paulo, que escreveu: “Consequentemente, meus amados irmãos, tornai-vos constantes, inabaláveis, tendo sempre bastante para fazer na obra do Senhor, sabendo que o vosso labor não é em vão em conexão com o Senhor.” — 1 Coríntios 15:58.

      “Luz das nações”

      11, 12. Como o Messias tem sido uma “luz das nações”?

      11 Na profecia de Isaías, Jeová encoraja o Messias por lembrar-lhe de que ser Servo de Deus não é “assunto trivial”. Jesus havia de “levantar as tribos de Jacó e trazer de volta os resguardados de Israel”. Jeová explica adicionalmente: “Eu te dei também por luz das nações, para que a minha salvação viesse a existir até a extremidade da terra.” (Isaías 49:6) Como Jesus iluminaria povos “até a extremidade da terra” se seu ministério terrestre seria restrito a Israel?

      12 O registro bíblico mostra que a “luz das nações” de Deus não apagou quando Jesus deixou o cenário terrestre. Uns 15 anos depois da morte de Jesus, os missionários Paulo e Barnabé citaram a profecia de Isaías 49:6 e aplicaram-na aos discípulos de Jesus, os irmãos espirituais dele. Eles explicaram: “Jeová nos tem imposto o mandamento nas seguintes palavras: ‘Eu te designei como luz das nações, para que sejas uma salvação até à extremidade da terra.’” (Atos 13:47) Antes de sua morte, Paulo viu as boas novas de salvação chegarem não apenas aos judeus, mas a “toda a criação debaixo do céu”. (Colossenses 1:6, 23) Hoje, os do restante dos irmãos ungidos de Cristo continuam esse trabalho. Apoiados por uma “grande multidão” que chega a milhões, servem como “luz das nações” em mais de 230 terras ao redor do mundo. — Revelação 7:9.

      13, 14. (a) Que reação à obra de pregação têm enfrentado o Messias e seus seguidores? (b) Que reversão de circunstâncias tem ocorrido?

      13 Jeová sem dúvida tem mostrado ser a força por trás de seu Servo, o Messias, dos irmãos ungidos dele e de todos os da grande multidão que, com eles, continuam a pregar as boas novas. Sim, como Jesus, seus discípulos têm enfrentado desprezo e oposição. (João 15:20) Mas, no seu devido tempo, Jeová sempre causa uma reversão de circunstâncias a fim de salvar e recompensar seus servos leais. A respeito do Messias, que seria “desprezado na alma” e “detestado pela nação”, Jeová promete: “Os próprios reis verão e certamente se levantarão, bem como príncipes, e eles se curvarão em razão de Jeová, que é fiel, o Santo de Israel, que te escolhe.” — Isaías 49:7.

      14 Mais tarde, o apóstolo Paulo escreveu aos cristãos em Filipos a respeito dessa predita reversão de circunstâncias. Ele falou de Jesus como alguém que fora humilhado numa estaca de tortura, mas depois exaltado por Deus. Jeová dera ao seu Servo ‘uma posição superior e lhe dera bondosamente o nome que está acima de todo outro nome, a fim de que, no nome de Jesus, se dobrasse todo joelho’. (Filipenses 2:8-11) Os seguidores fiéis de Cristo são alertados de que também serão perseguidos. Mas, assim como ao Messias, garante-se a eles a boa vontade de Jeová. — Mateus 5:10-12; 24:9-13; Marcos 10:29, 30.

      “O tempo especialmente aceitável”

      15. Que “tempo” especial menciona a profecia de Isaías, e o que isso indica?

      15 A profecia de Isaías continua com uma declaração de grande significado. Jeová diz ao Messias: “Num tempo de boa vontade te respondi e num dia de salvação te ajudei; e eu te estive resguardando para te dar como pacto para o povo.” (Isaías 49:8a) Há uma profecia similar no Salmo 69:13-18. O salmista fala de um “tempo de boa vontade”, usando a expressão “tempo aceitável”. Tais expressões indicam que a boa vontade e a proteção de Jeová seriam estendidas de maneira especial, mas apenas durante um período específico e temporário.

      16. Quando foi o tempo de boa vontade de Jeová para com o Israel antigo?

      16 Quando foi esse tempo de boa vontade? No contexto original, essas palavras eram parte de uma profecia de restauração e predisseram o retorno dos judeus do exílio. A nação de Israel experimentou um tempo de boa vontade quando ‘reabilitou a terra’ e recuperou a posse de suas “desoladas propriedades hereditárias”. (Isaías 49:8b) Não mais estavam “presos” em Babilônia. Na sua jornada para casa, Jeová cuidou de que não passassem “fome” nem “sede”, e tampouco se ‘abatesse sobre eles o calor abrasador ou o sol’. Os israelitas espalhados voltaram para sua terra ‘de longe, do norte e do oeste’. (Isaías 49:9-12) Apesar desse espetacular cumprimento inicial, a Bíblia mostra que essa profecia ainda teria aplicações maiores.

      17, 18. Que tempo de boa vontade Jeová fixou no primeiro século?

      17 Primeiro, quando Jesus nasceu, os anjos proclamaram a paz e a boa vontade (ou favor) de Deus para com os homens. (Lucas 2:13, 14) Essa boa vontade não foi oferecida aos homens (e mulheres) em geral, mas apenas a quem exercesse fé em Jesus. Mais tarde, Jesus leu publicamente a profecia de Isaías 61:1, 2 e aplicou-a a si mesmo como proclamador do “ano aceitável de Jeová”. (Lucas 4:17-21) O apóstolo Paulo disse que Cristo recebeu proteção especial de Jeová durante seus dias na carne. (Hebreus 5:7-9) Assim, esse tempo de boa vontade se aplicou ao favor de Deus para com Jesus durante sua vida como humano.

      18 Mas haveria ainda outra aplicação dessa profecia. Depois de citar as palavras de Isaías a respeito do tempo de boa vontade, Paulo passou a dizer: “Eis que agora é o tempo especialmente aceitável. Eis que agora é o dia de salvação.” (2 Coríntios 6:2) Paulo escreveu isso 22 anos depois da morte de Jesus. Evidentemente, com o nascimento da congregação cristã no Pentecostes de 33 EC, Jeová expandiu seu ano de boa vontade para incluir os seguidores ungidos de Cristo.

      19. Como podem os cristãos hoje se beneficiar do tempo de boa vontade de Jeová?

      19 Que dizer dos atuais seguidores de Jesus que não são ungidos como herdeiros do Reino celestial de Deus? Podem esses cuja esperança é terrestre se beneficiar desse tempo aceitável? Sim. O livro bíblico de Revelação mostra que o atual é um tempo de boa vontade de Jeová para com a grande multidão que ‘sairá da grande tribulação’ para viver numa Terra paradísica. (Revelação 7:13-17) Assim, todos os cristãos podem se beneficiar desse limitado período em que Jeová oferece sua boa vontade a humanos imperfeitos.

      20. Como podem os cristãos evitar desacertar o propósito da benignidade imerecida de Jeová?

      20 O apóstolo Paulo fez um alerta antes da proclamação do tempo aceitável de Jeová. Ele instou os cristãos a ‘não aceitar a benignidade imerecida de Deus e desacertar o propósito dela’. (2 Coríntios 6:1) Concordemente, os cristãos aproveitam toda oportunidade para agradar a Deus e fazer a sua vontade. (Efésios 5:15, 16) Fazem bem em seguir a admoestação de Paulo: “Acautelai-vos, irmãos, para que nunca se desenvolva em nenhum de vós um coração iníquo, falto de fé, por se separar do Deus vivente; mas, persisti em exortar-vos uns aos outros cada dia, enquanto se possa chamar de ‘hoje’, para que nenhum de vós fique endurecido pelo poder enganoso do pecado.” — Hebreus 3:12, 13.

      21. Que declaração alegre encerra a primeira parte de Isaías, capítulo 49?

      21 No fim das expressões proféticas entre Jeová e seu Messias, Isaías faz uma declaração alegre: “Gritai de júbilo, ó céus, e jubila, ó terra. Fiquem animados os montes com clamor jubilante. Porque Jeová tem consolado seu povo e ele mostra misericórdia para com os seus próprios atribulados.” (Isaías 49:13) Que belas palavras de consolo para os israelitas do passado e para o grande Servo de Jeová, Jesus Cristo, bem como para os atuais servos ungidos de Jeová e seus companheiros das “outras ovelhas”! — João 10:16.

      Jeová não se esquece de seu povo

      22. Como Jeová enfatiza que jamais esqueceria seu povo?

      22 A seguir, Isaías continua a apresentar os pronunciamentos de Jeová. Ele prediz que os exilados israelitas tenderiam a se cansar e a perder a esperança. Diz: “Sião dizia: ‘Jeová me abandonou e o próprio Jeová se esqueceu de mim.’” (Isaías 49:14) Seria verdade isso? Abandonaria Jeová seu povo e se esqueceria deles? Agindo como porta-voz de Jeová, Isaías continua: “Pode a mulher esquecer-se de seu nenê, de modo a não se apiedar do filho de seu ventre? Mesmo estas mulheres podem esquecer-se, mas eu é que não me esquecerei de ti.” (Isaías 49:15) Que amorosa resposta de Jeová! Seu amor pelo seu povo era maior do que o de uma mãe pelo seu filho. Ele pensava constantemente nos que lhe eram leais. Ele se lembrava deles como se seus nomes estivessem gravados nas suas mãos: “Eis que te gravei sobre as palmas das minhas mãos! Tuas muralhas estão constantemente diante de mim.” — Isaías 49:16.

      23. Como Paulo encorajou os cristãos a confiar em que Jeová não se esquecerá deles?

      23 Na sua carta aos gálatas, o apóstolo Paulo exortou os cristãos: “Não desistamos de fazer aquilo que é excelente, pois ceifaremos na época devida, se não desfalecermos.” (Gálatas 6:9) Para os hebreus, ele escreveu estas palavras encorajadoras: “Deus não é injusto, para se esquecer de vossa obra e do amor que mostrastes ao seu nome, por terdes ministrado aos santos e por continuardes a ministrar.” (Hebreus 6:10) Jamais devemos achar que Jeová se esqueceu de seu povo. Como a antiga Sião, os cristãos têm bons motivos para se alegrar e esperar pacientemente em Jeová. Ele se apega firmemente aos termos de seu pacto e às suas promessas.

      24. De que maneira Sião seria restaurada, e que perguntas ela faria?

      24 Por meio de Isaías, Jeová oferece consolo adicional. Os que ‘derrubassem [Sião]’, fossem eles os babilônios ou os apóstatas judeus, não seriam mais uma ameaça. Os “filhos” de Sião, os judeus exilados que permaneceriam leais a Jeová, ‘se apressariam’. Seriam “reunidos”. Tendo se apressado na volta para Jerusalém, os judeus repatriados seriam adornos para sua capital, assim como “uma noiva” usa “enfeites”. (Isaías 49:17, 18) Os lugares de Sião estariam “devastados”. Imagine sua surpresa quando subitamente tivesse tantos habitantes que sua ‘morada’ parecesse apertada. (Leia Isaías 49:19, 20.) Naturalmente, ela perguntaria a origem de todos esses filhos: “Tu dirás certamente no teu coração: ‘Quem se tornou para mim o pai destes, visto que sou uma mulher privada de filhos e estéril, exilada e aprisionada? Quanto a estes, quem os criou? Eis que eu mesma fora deixada sozinha. Estes — onde é que estiveram?’” (Isaías 49:21) Que situação feliz para a outrora estéril Sião!

      25. Nos tempos modernos, que restauração experimentou o Israel espiritual?

      25 Essas palavras têm um cumprimento moderno. Nos anos difíceis da Primeira Guerra Mundial, o Israel espiritual atravessou um período de desolação e cativeiro. Mas foi restaurado e passou a estar num paraíso espiritual. (Isaías 35:1-10) Como a outrora cidade devastada descrita por Isaías, o Israel espiritual ficou feliz — por assim dizer — em fervilhar de alegres e ativos adoradores de Jeová.

      ‘Sinal para os povos’

      26. Que orientação Jeová daria ao seu povo liberto?

      26 De modo profético, Jeová a seguir leva Isaías ao tempo em que Seu povo seria libertado de Babilônia. Receberiam alguma orientação divina? Jeová responde: “Eis que levantarei minha mão até para as nações e erguerei meu sinal de aviso para os povos. E eles trarão teus filhos ao colo e carregarão tuas próprias filhas sobre o ombro.” (Isaías 49:22) No cumprimento original, Jerusalém, anteriormente a sede do governo e local do templo de Jeová, se tornaria o “sinal” de Jeová. Mesmo pessoas preeminentes e poderosas de outras nações, como “reis” e “princesas”, ajudariam os israelitas na sua jornada de retorno. (Isaías 49:23a) Os reis persas Ciro e Artaxerxes Longímano e membros de suas casas reais estiveram entre esses ajudadores. (Esdras 5:13; 7:11-26) Mas as palavras de Isaías ainda teriam outra aplicação.

      27. (a) No cumprimento maior, a que “sinal” os povos afluiriam? (b) Que acontecerá quando todas as nações forem obrigadas a se curvar ao domínio do Messias?

      27 Isaías 11:10 fala de um ‘sinal para os povos’. O apóstolo Paulo aplicou essas palavras a Jesus Cristo. (Romanos 15:8-12) Assim, no cumprimento maior, Jesus e seus corregentes ungidos pelo espírito seriam o “sinal” de Jeová para os quais os povos afluiriam. (Revelação 14:1) No devido tempo, todos os povos da Terra — até mesmo as atuais classes governantes — terão de se curvar ao domínio do Messias. (Salmo 2:10, 11; Daniel 2:44) O resultado? Diz Jeová: “Terás de saber que eu sou Jeová, de quem não se envergonharão aqueles que esperam em mim.” — Isaías 49:23b.

      “Nossa salvação está mais próxima”

      28. (a) Com que palavras Jeová mais uma vez assegurava seu povo de que eles seriam libertados? (b) Que compromisso Jeová ainda tem para com seu povo?

      28 Alguns dos exilados em Babilônia possivelmente se perguntariam: ‘Será realmente possível a libertação de Israel?’ Jeová leva em conta essa pergunta, indagando: “Podem os já tomados ser tirados do próprio poderoso ou pode escapar o grupo de cativos do tirano?” (Isaías 49:24) A resposta é sim. Jeová lhes garante: “Até mesmo o grupo de cativos do poderoso será tirado e os já tomados pelo próprio tirano escaparão.” (Isaías 49:25a) Que garantia consoladora! Ademais, a boa vontade de Jeová para com seu povo se manifestava num firme compromisso de protegê-lo. Em termos nada incertos, ele diz: “Eu mesmo contenderei com aquele que contender contigo e eu mesmo salvarei os teus próprios filhos.” (Isaías 49:25b) Esse compromisso ainda vale. Em Zacarias 2:8 Jeová diz a seu povo: “Aquele que toca em vós, toca no globo do meu olho.” Sim, vivemos agora num período de boa vontade, em que pessoas em toda a Terra têm a oportunidade de afluir à Sião espiritual. Mas esse período de boa vontade vai acabar.

      29. Que perspectiva tenebrosa teriam os que se recusassem a obedecer a Jeová?

      29 O que aconteceria com os que obstinadamente se recusassem a obedecer a Jeová e até perseguissem seus adoradores? Ele diz: “Vou fazer que os que te maltratam comam a sua própria carne; e ficarão embriagados com o seu próprio sangue como que com vinho doce.” (Isaías 49:26a) Uma perspectiva tenebrosa! Tais opositores obstinados não teriam futuro a longo prazo. Seriam destruídos. Assim, tanto por salvar seu povo como por destruir os inimigos dele, Jeová seria encarado como Salvador. “Toda a carne terá de saber que eu, Jeová, sou teu Salvador e teu Resgatador, o Potentado de Jacó.” — Isaías 49:26b.

      30. Que atos de salvação Jeová tem realizado em favor de seu povo, e o que ainda fará?

      30 A primeira aplicação dessas palavras foi quando Jeová usou Ciro para libertar Seu povo da servidão em Babilônia. Aplicaram-se também em 1919, quando Jeová usou seu Filho entronizado, Jesus Cristo, para libertar Seu povo da escravidão espiritual. Assim, a Bíblia chama tanto a Jeová como a Jesus de salvadores. (Tito 2:11-13; 3:4-6) Jeová é o nosso Salvador, e Jesus, o Messias, é seu “Agente Principal”. (Atos 5:31) De fato, os atos de salvação de Deus, por intermédio de Jesus Cristo, são maravilhosos. Por meio das boas novas, Jeová liberta os justos da servidão à religião falsa. Por meio do sacrifício de resgate, ele os liberta do jugo do pecado e da morte. Em 1919, ele libertou os irmãos de Jesus da servidão espiritual. E, na iminente guerra do Armagedom, ele salvará uma grande multidão de humanos fiéis, quando os pecadores forem destruídos.

      31. Como devem os cristãos reagir quais beneficiários da boa vontade de Deus?

      31 Portanto, que privilégio é ser beneficiário da boa vontade de Deus! Que todos nós usemos sabiamente esse tempo aceitável! E ajamos em harmonia com a urgência de nossos dias, acatando as palavras de Paulo aos romanos: “Sabeis a época, que já é hora de despertardes do sono, pois agora a nossa salvação está mais próxima do que quando nos tornamos crentes. A noite está bem avançada; o dia já se tem aproximado. Portanto, ponhamos de lado as obras pertencentes à escuridão e revistamo-nos das armas da luz. Andemos decentemente, como em pleno dia, não em festanças e em bebedeiras, nem em relações ilícitas e em conduta desenfreada, nem em rixa e ciúme. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não estejais planejando antecipadamente os desejos da carne.” — Romanos 13:11-14.

      32. Que garantias tem o povo de Deus?

      32 Jeová continuará a favorecer os que acatam seus conselhos. Ele lhes suprirá a força e as habilidades necessárias para a realização da pregação das boas novas. (2 Coríntios 4:7) Jeová usará seus servos assim como usa o Líder deles, Jesus. Ele fará com que a boca deles se torne uma “espada afiada”, para que atinjam o coração dos mansos com a mensagem das boas novas. (Mateus 28:19, 20) Ele protegerá seu povo “na sombra da sua mão”. Como “flecha polida”, Jeová o esconderá “na sua própria aljava”. Certamente não abandonará o seu povo! — Salmo 94:14; Isaías 49:2, 15.

      [Nota(s) de rodapé]

      a “Satanás, sem dúvida, identificando Jesus como o Filho de Deus e aquele de quem se profetizou que lhe machucaria a cabeça (Gên 3:15), fez tudo o que podia para destruir Jesus. Mas quando o anjo Gabriel anunciou a Maria a concepção de Jesus, ele lhe disse: ‘Espírito santo virá sobre ti e poder do Altíssimo te encobrirá. Por esta razão, também, o nascido será chamado santo, Filho de Deus.’ (Lu 1:35) Jeová protegeu seu Filho. Os esforços de destruir Jesus ainda criança não foram bem-sucedidos.” — Estudo Perspicaz das Escrituras, Volume 3, página 544, publicado pelas Testemunhas de Jeová.

      [Foto na página 139]

      O Messias seria como “flecha polida” na aljava de Jeová

      [Foto na página 141]

      O Messias tem sido uma “luz das nações”

      [Foto na página 147]

      O amor de Deus por seu povo é maior do que o de uma mãe pelo seu filho

  • “Não confieis nos nobres”
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
    • Capítulo Onze

      “Não confieis nos nobres”

      Isaías 50:1-11

      1, 2. (a) Que conselho inspirado os judeus não acatavam, e com que resultado? (b) Por que Jeová pergunta: ‘Onde está o certificado de divórcio?’

      “NÃO confieis nos nobres, nem no filho do homem terreno, a quem não pertence a salvação. . . . Feliz aquele que tem o Deus de Jacó por sua ajuda, cuja esperança é em Jeová, seu Deus, Aquele que fez o céu e a terra.” (Salmo 146:3-6) Se os judeus nos dias de Isaías tão somente acatassem esse conselho do salmista! Se tão somente confiassem, não no Egito ou em qualquer outra nação pagã, mas no “Deus de Jacó”! Nesse caso, quando os inimigos atacassem a nação de Judá, Jeová a protegeria. Mas Judá se recusava a recorrer a Jeová. Por isso, ele permitiria que Jerusalém fosse destruída e os habitantes de Judá fossem levados ao cativeiro em Babilônia.

      2 Judá não poderia culpar a ninguém a não ser a si mesma. Não teria razão de afirmar que sua destruição se dera porque Jeová agira traiçoeiramente com ela ou havia desconsiderado seu pacto com a nação. O Criador não viola pactos. (Jeremias 31:32; Daniel 9:27; Revelação [Apocalipse] 15:4) Sublinhando esse fato, Jeová pergunta aos judeus: “Onde está então o certificado de divórcio da vossa mãe, que eu mandei embora?” (Isaías 50:1a) Sob a Lei mosaica, o homem que se divorciasse da esposa teria de dar-lhe um certificado de divórcio. Assim ela estaria livre para se casar com outro homem. (Deuteronômio 24:1, 2) Em sentido figurado, Jeová havia emitido tal certificado ao reino irmão de Judá, Israel, mas não havia feito isso com Judá.a Jeová ainda era seu “dono marital”. (Jeremias 3:8, 14) Judá por certo não estava livre para se unir a nações pagãs. O relacionamento de Jeová com Judá continuaria ‘até que viesse Siló’, o Messias. — Gênesis 49:10.

      3. Por que razão Jeová ‘venderia’ seu povo?

      3 Jeová também pergunta a Judá: “A qual dos meus credores foi que vos vendi?” (Isaías 50:1b) Os judeus não iriam ao cativeiro em Babilônia para cobrir um suposto débito de Jeová. Jeová não era como um israelita pobre que tinha de vender seus filhos para um credor a fim de saldar dívidas. (Êxodo 21:7) Em vez disso, Jeová indica o verdadeiro motivo da escravidão de seu povo: “Eis que fostes vendidos por causa dos vossos próprios erros e vossa mãe foi mandada embora por causa das vossas próprias transgressões.” (Isaías 50:1c) Os judeus é que abandonaram a Jeová; ele não os abandonara.

      4, 5. Como Jeová mostrava seu amor pelo seu povo, mas como reagia Judá?

      4 A próxima pergunta de Jeová destaca claramente seu amor pelo seu povo: “Por que é que não havia ninguém quando entrei? Quando chamei, não havia quem respondesse?” (Isaías 50:2a) Por meio de seus servos, os profetas, Jeová como que entrava na casa de seu povo a fim de pedir que voltassem para ele de todo o coração. Mas a resposta era o silêncio. Os judeus preferiam pedir apoio a “homens terrenos”, às vezes até mesmo ao Egito. — Isaías 30:2; 31:1-3; Jeremias 37:5-7.

      5 Era o Egito um salvador mais confiável do que Jeová? Pelo visto, aqueles judeus infiéis haviam se esquecido dos eventos que levaram ao nascimento de sua nação, séculos antes. Jeová lhes pergunta: “Acaso ficou a minha mão de fato tão curta que não possa remir, ou não há em mim poder para livrar? Eis que com a minha censura seco o mar; faço de rios um ermo. Seus peixes cheiram mal por não haver água e morrem de sede. Visto os céus de negrume e faço da própria serapilheira sua cobertura.” — Isaías 50:2b, 3.

      6, 7. Como Jeová mostrou seu poder de salvação diante da ameaça egípcia?

      6 Em 1513 AEC o Egito era o opressor — não o esperado libertador — do povo de Deus. Os israelitas eram escravos naquela terra pagã. Mas Jeová os libertou, e quão dramática foi essa libertação! Primeiro, ele trouxe Dez Pragas sobre o país. Depois da especialmente devastadora décima praga, o Faraó do Egito instou os israelitas a saírem do país. (Êxodo 7:14–12:31) No entanto, pouco depois de terem feito isso, Faraó mudou de ideia. Reuniu suas tropas e saiu para obrigar os israelitas a voltar para o Egito. (Êxodo 14:5-9) Com uma hoste de soldados egípcios atrás deles e o mar Vermelho à frente, os israelitas estavam encurralados! Mas Jeová lutaria por eles.

      7 Jeová bloqueou o avanço dos egípcios colocando uma coluna de nuvem entre eles e os israelitas. No lado da nuvem onde estavam os egípcios era escuro; no lado dos israelitas era claro. (Êxodo 14:20) Daí, com o exército egípcio imobilizado, Jeová “começou a fazer o mar retroceder por meio dum forte vento oriental, durante toda a noite, e a converter o leito do mar em solo seco”. (Êxodo 14:21) Com as águas partidas, o povo inteiro — homens, mulheres e crianças — cruzou o mar Vermelho rumo à segurança. Quando a travessia de seu povo já estava bem avançada, Jeová ergueu a nuvem. Na sua impetuosa perseguição, os egípcios se precipitaram no leito do mar. Quando seu povo estava a salvo na beira do mar, Jeová liberou as águas, afogando Faraó e seu exército. Assim Jeová lutou pelo seu povo. Que encorajamento isso é para os cristãos hoje! — Êxodo 14:23-28.

      8. Por ignorarem que avisos os habitantes de Judá acabariam indo para o exílio?

      8 Na época de Isaías, haviam se passado setecentos anos desde essa vitória divina. Judá era então uma nação distinta. Às vezes fazia negociações diplomáticas com governos estrangeiros, tais como da Assíria e do Egito. Mas não se podia confiar nos líderes dessas nações pagãs. Eles sempre colocariam seus interesses acima de quaisquer acordos que fizessem com Judá. Em nome de Jeová, os profetas alertavam o povo a não confiar nesses homens, mas suas palavras caíam em ouvidos surdos. Por fim, os judeus seriam exilados para Babilônia, onde passariam 70 anos em servidão. (Jeremias 25:11) Mas Jeová não abandonaria seu povo, nem os rejeitaria indefinidamente. No tempo marcado, ele se lembraria deles e abriria o caminho para a volta deles para sua terra natal a fim de restaurarem a adoração pura. Com que objetivo? Para preparar a vinda de Siló, a quem todos os povos haveriam de obedecer.

      A vinda de Siló

      9. Quem era Siló, e que tipo de instrutor era?

      9 Passaram-se séculos. Chegou “o pleno limite do tempo”, e o chamado Siló, o Senhor Jesus Cristo, apareceu no cenário terrestre. (Gálatas 4:4; Hebreus 1:1, 2) Ter Jeová designado como Porta-Voz para os judeus o seu mais achegado companheiro mostra o quanto Jeová amava seu povo. Que tipo de porta-voz mostrou ser Jesus? Da mais alta categoria! Jesus era mais do que um porta-voz, era um instrutor — um Mestre do ensino. Isso não era de admirar, pois ele tinha um Instrutor magistral — o próprio Jeová Deus. (João 5:30; 6:45; 7:15, 16, 46; 8:26) Isso é confirmado pelo que Jesus diz profeticamente por meio de Isaías: “O próprio Soberano Senhor Jeová me deu a língua dos instruídos, para que eu soubesse responder ao cansado com uma palavra. Ele me desperta de manhã em manhã; desperta-me o ouvido para ouvir como os instruídos.” — Isaías 50:4.b

      10. Como Jesus refletiu o amor de Jeová pelo Seu povo, e que acolhida teve?

      10 Antes de vir à Terra, Jesus trabalhou ao lado de seu Pai, no céu. A calorosa relação Pai e Filho é poeticamente descrita em Provérbios 8:30: ‘Vim a estar ao lado de Jeová como mestre de obras, regozijando-me perante ele todo o tempo.’ Ouvir seu Pai dava grande alegria a Jesus. Ele compartilhava o amor de seu Pai pelos “filhos dos homens”. (Provérbios 8:31) Quando veio à Terra, Jesus ‘respondia ao cansado com uma palavra’. Começou seu ministério lendo um trecho consolador da profecia de Isaías: “O espírito de Jeová está sobre mim, porque me ungiu para declarar boas novas aos pobres, . . . para mandar embora os esmagados, com livramento.” (Lucas 4:18; Isaías 61:1) Boas novas para os pobres! Revigoramento para os esgotados! Que alegria esse anúncio deveria ter trazido ao povo! Alguns realmente se alegraram — mas não todos. No fim, muitos se recusaram a aceitar as credenciais de Jesus como alguém ensinado por Jeová.

      11. Quem passou a estar sob o jugo de Jesus, e o que vivenciaram?

      11 Mas havia os que queriam ouvir mais. Aceitavam de bom grado o caloroso convite de Jesus: “Vinde a mim, todos os que estais labutando e que estais sobrecarregados, e eu vos reanimarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, pois sou de temperamento brando e humilde de coração, e achareis revigoramento para as vossas almas.” (Mateus 11:28, 29) Entre os que se achegaram a Jesus estavam os homens que se tornaram seus apóstolos. Eles sabiam que estar sob o jugo de Jesus significava trabalho árduo para eles. Esse trabalho envolvia, entre outras coisas, pregar as boas novas do Reino até os confins da Terra. (Mateus 24:14) À medida que os apóstolos e outros discípulos participavam nessa obra, descobriam que isso de fato revigorava as suas almas. O mesmo trabalho fazem hoje os cristãos fiéis, e participar nele lhes traz alegrias similares.

      Ele não foi rebelde

      12. De que maneiras Jesus mostrou ser obediente a seu Pai celestial?

      12 Jesus jamais perdeu de vista seu objetivo de ter vindo à Terra — fazer a vontade de Deus. Seu conceito é predito: “O próprio Soberano Senhor Jeová me abriu o ouvido, e eu, da minha parte, não fui rebelde. Não me virei na direção oposta.” (Isaías 50:5) Jesus sempre foi obediente a Deus. De fato, ele chegou a dizer: “O Filho não pode fazer nem uma única coisa de sua própria iniciativa, mas somente o que ele observa o Pai fazer.” (João 5:19) Na sua existência pré-humana, Jesus provavelmente trabalhou junto com seu Pai por milhões, até bilhões, de anos. Depois de ter vindo à Terra, ele continuou a seguir as instruções de Jeová. Quanto mais devemos nós, seguidores imperfeitos de Cristo, seguir as instruções de Jeová!

      13. O que estava em reserva para Jesus, mas que coragem mostrou?

      13 Alguns dos que rejeitaram o Filho unigênito de Jeová o perseguiram, e isso também é predito: “Dei as minhas costas aos que golpeavam e as minhas faces aos que arrancavam o cabelo. Não escondi a minha face de coisas humilhantes e do escarro.” (Isaías 50:6) Segundo a profecia, o Messias sofreria dor e humilhação às mãos de opositores. Jesus sabia disso. Sabia também até que ponto iria essa perseguição. No entanto, perto do fim de seus dias na Terra, ele não mostrou medo. Resolutamente foi a Jerusalém, onde sua vida humana acabaria. A caminho para lá, Jesus disse a seus discípulos: “Aqui estamos, avançando para Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas, e condená-lo-ão à morte e o entregarão a homens das nações, e divertir-se-ão às custas dele, e cuspirão nele, e o açoitarão, e o matarão, mas, três dias depois será levantado.” (Marcos 10:33, 34) Todos esses perversos maus-tratos seriam instigados por homens de quem se esperava o melhor — os sacerdotes principais e os escribas.

      14, 15. Como se cumpriram as palavras de Isaías de que Jesus seria golpeado e humilhado?

      14 Na noite de 14 de nisã de 33 EC Jesus estava no jardim de Getsêmani com alguns seguidores. Ele orava. Subitamente, apareceu uma turba e o levou preso. Mas Jesus não ficou com medo. Sabia que Jeová estava com ele. Ele garantiu a seus aterrorizados apóstolos que, se quisesse, poderia apelar a seu Pai para que enviasse mais de doze legiões de anjos para resgatá-lo, mas acrescentou: “Neste caso, como se cumpririam as Escrituras?” — Mateus 26:36, 47, 53, 54.

      15 Tudo o que fora predito a respeito das provações e da morte do Messias aconteceu. Depois de um julgamento fraudulento no Sinédrio, Jesus foi interrogado por Pôncio Pilatos, que mandou açoitá-lo. Soldados romanos ‘batiam-lhe na cabeça com uma cana e cuspiam nele’. Assim se cumpriram as palavras de Isaías. (Marcos 14:65; 15:19; Mateus 26:67, 68) Embora a Bíblia não diga que fios da barba de Jesus tenham sido literalmente arrancados — um ato de extremo desprezo — isso sem dúvida ocorreu, como Isaías predissera.c — Neemias 13:25.

      16. Que postura adotou Jesus diante de enorme pressão, e por que não se envergonhava?

      16 Diante de Pilatos, Jesus não apelou para que a sua vida fosse poupada, mas manteve uma serena dignidade, sabendo que teria de morrer para que as Escrituras se cumprissem. Quando o governador romano disse que podia condenar Jesus à morte ou libertá-lo, Jesus respondeu com coragem: “Não terias absolutamente nenhuma autoridade contra mim, se não te tivesse sido concedida de cima.” (João 19:11) Os soldados de Pilatos submeteram Jesus a um tratamento desumano, mas não conseguiram envergonhá-lo. Por que deveria envergonhar-se? A punição que recebia não era merecida. Muito pelo contrário, estava sendo perseguido pela causa da justiça. Nesse respeito, cumpriram-se as palavras proféticas adicionais de Isaías: “O próprio Soberano Senhor Jeová me ajudará. Por isso não terei de sentir-me humilhado. Por isso fiz a minha face como pederneira e sei que não serei envergonhado.” — Isaías 50:7.

      17. De que maneiras Jeová sempre esteve ao lado de Jesus no seu ministério?

      17 A coragem de Jesus se fundava na total confiança em Jeová. Seu comportamento se harmonizava plenamente com as palavras de Isaías: “Está perto Aquele que me declara justo. Quem pode contender comigo? Fiquemos juntos de pé. Quem é meu adversário em juízo? Aproxime-se ele de mim. Eis que o próprio Soberano Senhor Jeová me ajudará. Quem é que me pode pronunciar iníquo? Eis que todos eles se gastarão iguais a uma veste. A mera traça os consumirá.” (Isaías 50:8, 9) No dia do batismo de Jesus, Jeová declarou-o justo como filho espiritual de Deus. De fato, ouviu-se a própria voz de Deus naquela ocasião, dizendo: “Este é meu Filho, o amado, a quem tenho aprovado.” (Mateus 3:17) Perto do fim de sua vida terrestre, quando Jesus orava de joelhos no jardim de Getsêmani, ‘apareceu-lhe um anjo do céu e o fortaleceu’. (Lucas 22:41-43) Isso deu a Jesus a certeza de que seu Pai aprovara seu proceder na vida. Esse Filho perfeito de Deus não havia cometido pecado. (1 Pedro 2:22) Seus inimigos o acusavam falsamente de violador do sábado, beberrão e endemoninhado, mas as mentiras deles não desonravam a Jesus. Deus estava com ele, assim, quem poderia estar contra ele? — Lucas 7:34; João 5:18; 7:20; Romanos 8:31; Hebreus 12:3.

      18, 19. Que experiências similares às de Jesus têm tido os cristãos ungidos?

      18 Jesus alertou seus discípulos: “Se me perseguiram a mim, perseguirão também a vós.” (João 15:20) Os eventos logo confirmaram isso. No Pentecostes de 33 EC foi derramado espírito santo sobre os discípulos fiéis de Jesus, nascendo assim a congregação cristã. Quase de imediato, os líderes religiosos tentaram suprimir a pregação desses homens e mulheres fiéis que agora se associavam a Jesus como parte do “descendente de Abraão” e que haviam sido adotados como filhos espirituais de Deus. (Gálatas 3:26, 29; 4:5, 6) Desde o primeiro século até agora, ao passo que tomam uma posição firme em favor da justiça, os cristãos ungidos têm tido de lutar contra a propaganda mentirosa e a amarga perseguição dos inimigos de Jesus.

      19 Mas eles se lembram das palavras encorajadoras de Jesus: “Felizes sois quando vos vituperarem e perseguirem, e, mentindo, disserem toda sorte de coisas iníquas contra vós, por minha causa. Alegrai-vos e pulai de alegria, porque a vossa recompensa é grande nos céus.” (Mateus 5:11, 12) Assim, mesmo sob o mais feroz dos ataques, os cristãos ungidos mantêm-se de cabeça erguida. Não importa o que digam seus opositores, eles sabem que têm sido declarados justos por Deus. À vista de Deus eles são ‘sem mácula, não expostos a nenhuma acusação’. — Colossenses 1:21, 22.

      20. (a) Quem apoia os cristãos ungidos, e o que eles têm vivenciado? (b) Como os cristãos ungidos e as “outras ovelhas” vieram a ter “a língua dos instruídos”?

      20 Nos tempos modernos, os cristãos ungidos são apoiados por uma “grande multidão” de “outras ovelhas”. Essas também se posicionam em favor da justiça. Consequentemente, elas sofrem junto com seus irmãos ungidos e “lavaram as suas vestes compridas e as embranqueceram no sangue do Cordeiro”. Jeová as tem declarado justas visando à sobrevivência na “grande tribulação”. (Revelação 7:9, 14, 15; João 10:16; Tiago 2:23) Mesmo que no momento seus opositores pareçam fortes, a profecia de Isaías diz que, no tempo marcado por Deus, esses opositores serão como uma roupa corroída por traças, que só serve para ser descartada. No ínterim, tanto os cristãos ungidos como as “outras ovelhas” mantêm-se fortes por meio de orações regulares, estudo da Palavra de Deus e assistência às reuniões para adoração. Desse modo são ensinados por Jeová e aprendem a falar com a “língua dos instruídos”.

      Confiança no nome de Jeová

      21. (a) Quem são os que andam na luz, e o que os aguarda? (b) O que acontece com os que andam na escuridão?

      21 Note agora um notável contraste: “Quem dentre vós está em temor de Jeová, escutando a voz de seu servo, que tenha andado em contínua escuridão e para quem não tenha havido nenhuma claridade? Confie ele no nome de Jeová e estribe-se ele em seu Deus.” (Isaías 50:10) Os que escutam a voz do Servo de Deus, Jesus Cristo, andam na luz. (João 3:21) Não apenas usam o nome divino, Jeová, mas também confiam no portador desse nome. Mesmo que outrora tenham andado na escuridão, não mais temem os homens. Eles se estribam em Deus. No entanto, os que persistem em andar na escuridão se tornam presas do temor do homem. Foi assim com Pôncio Pilatos. Mesmo sabendo que Jesus era inocente das acusações falsas feitas contra ele, o temor impediu que essa autoridade romana libertasse Jesus. Os soldados romanos mataram o Filho de Deus, mas Jeová o ressuscitou e o coroou de glória e de honra. Que dizer de Pilatos? Segundo o historiador judeu Flávio Josefo, apenas quatro anos após a morte de Jesus, Pilatos foi substituído como governador romano e convocado a Roma para responder a acusações de delitos graves. E os judeus que causaram a morte de Jesus? Menos de quatro décadas depois, os exércitos de Roma destruíram Jerusalém e seus moradores foram mortos ou levados à escravidão. Não há futuro luminoso para quem prefere a escuridão! — João 3:19.

      22. Por que é o cúmulo da tolice recorrer a homens em busca de salvação?

      22 Recorrer a homens em busca de salvação é o cúmulo da tolice. A profecia de Isaías explica por quê: “Eis que todos vós os que acendeis um fogo, fazendo faíscas luzir, andais na luz do vosso fogo e entre as faíscas que acendestes. Certamente vireis a ter da minha mão o seguinte: Deitar-vos-eis em pura dor.” (Isaías 50:11) Líderes humanos vêm e vão. Um indivíduo carismático talvez capture a imaginação das pessoas por algum tempo. Mas até mesmo o humano mais sincero é limitado no que pode fazer. Em vez de acender um fogaréu, como seus apoiadores esperam, ele talvez consiga apenas produzir algumas “faíscas” que geram um pouco de luz e calor, mas logo se apagam. Por outro lado, quem confia em Siló, o prometido Messias de Deus, jamais se desapontará.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Nos três primeiros versículos do capítulo 50 de Isaías, Jeová descreve a nação de Judá coletivamente como sua esposa e seus habitantes como filhos.

      b Desde o Is 50 versículo 4-11 até o fim do capítulo, o escritor parece falar sobre si mesmo. Isaías talvez tivesse vivenciado algumas das provações que menciona nesses versículos. No sentido mais pleno, porém, essa profecia se cumpre em Jesus Cristo.

      c Curiosamente, na Septuaginta, Isaías 50:6 diz: “Dei minhas costas para açoites, e minhas faces a golpes.”

      [Foto na página 155]

      Os judeus recorriam a governantes humanos em vez de a Jeová

      [Foto nas páginas 156, 157]

      No mar Vermelho, Jeová protegeu seu povo colocando uma coluna de nuvem entre eles e os egípcios

  • Consolo para o povo de Deus
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
    • Capítulo Doze

      Consolo para o povo de Deus

      Isaías 51:1-23

      1. Quais eram as perspectivas sombrias de Jerusalém e de seus moradores, mas que esperança havia?

      SETENTA anos — a duração de uma vida humana normal — seria o quanto duraria o cativeiro da nação de Judá em Babilônia. (Salmo 90:10; Jeremias 25:11; 29:10) A maioria dos israelitas que seriam levados cativos envelheceria e morreria em Babilônia. Pense em quanto seriam humilhados pelos insultos e escárnios dos inimigos. Pense também no vitupério que seria lançado sobre o Deus deles, Jeová, quando a cidade sobre a qual ele colocara seu nome ficasse tanto tempo desolada. (Neemias 1:9; Salmo 132:13; 137:1-3) O amado templo, que havia ficado cheio da glória de Deus quando foi dedicado por Salomão, não existiria mais. (2 Crônicas 7:1-3) Que perspectivas sombrias! Mas Jeová, por meio de Isaías, profetizou uma restauração. (Isaías 43:14; 44:26-28) No capítulo 51 do livro de Isaías encontramos mais profecias sobre esse tema de consolo.

      2. (a) A quem Jeová, por meio de Isaías, dirige sua mensagem de consolo? (b) Em que sentido os judeus fiéis ‘iriam no encalço da justiça’?

      2 Para os em Judá que se voltassem para ele de coração, Jeová diz: “Escutai-me, vós os que ides no encalço da justiça, vós os que procurais a Jeová.” (Isaías 51:1a) ‘Ir no encalço da justiça’ implicava ação. Os que ‘fossem no encalço da justiça’ não apenas afirmariam ser o povo de Deus. Eles se empenhariam zelosamente em ser justos e em viver em harmonia com a vontade de Deus. (Salmo 34:15; Provérbios 21:21) Recorreriam a Jeová como única Fonte de justiça e ‘procurariam a Jeová’. (Salmo 11:7; 145:17) Não fariam isso porque antes não sabiam quem era Jeová, ou como orar a ele. Na verdade, tentariam aproximar-se mais de Jeová, adorando e orando a ele e buscando sua direção em tudo o que fizessem.

      3, 4. (a) Quem é “a rocha” da qual os judeus foram talhados e quem é “a cavidade do poço” da qual haviam sido extraídos? (b) Por que relembrar as suas origens consolaria os judeus?

      3 Mas os que realmente ‘iriam no encalço da justiça’ eram comparativamente poucos em Judá, o que talvez os esmorecesse e desanimasse. Assim, usando como ilustração a exploração de uma pedreira, Jeová os encoraja: “Olhai para a rocha de que fostes talhados e para a cavidade do poço de que fostes extraídos. Olhai para Abraão, vosso pai, e para Sara, que gradualmente vos deu à luz com dores de parto. Pois ele foi um só quando o chamei, e eu passei a abençoá-lo e a fazê-lo muitos.” (Isaías 51:1b, 2) “A rocha” da qual os judeus foram talhados é Abraão, uma figura histórica da qual a nação de Israel muito se orgulhava. (Mateus 3:9; João 8:33, 39) Ele foi o progenitor, a fonte humana da nação. “A cavidade do poço” é Sara, de cujo ventre saíra o ancestral de Israel, Isaque.

      4 Abraão e Sara já haviam passado da idade reprodutiva e não tinham filhos. Mas Jeová prometeu abençoar Abraão e “fazê-lo muitos”. (Gênesis 17:1-6, 15-17) Por meio da restauração divina de suas faculdades reprodutivas, Abraão e Sara tiveram um filho na idade avançada, e dele surgiu a nação pactuada de Deus. Assim, Jeová fez desse único homem pai de uma grande nação, cujo número veio a se tornar tão incontável como as estrelas no céu. (Gênesis 15:5; Atos 7:5) Se Jeová pôde trazer Abraão de uma terra distante e fazer dele uma nação poderosa, certamente poderia cumprir sua promessa de libertar os do restante fiel do jugo de Babilônia, levá-los de volta para sua terra natal e, mais uma vez, fazer deles uma grande nação. A promessa de Deus a Abraão se cumpriu; sua promessa aos judeus cativos também se cumpriria.

      5. (a) A quem retratam Abraão e Sara? Explique. (b) No cumprimento final, quem se origina da “rocha”?

      5 A simbólica extração de pedras descrita em Isaías 51:1, 2 provavelmente ainda tem outra aplicação. Deuteronômio 32:18 chama Jeová de “Rocha” que gerou Israel e ‘Aquele que produziu Israel com dores de parto’. Nessa última expressão é usado o mesmo verbo hebraico que em Isaías 51:2, com relação a Sara dar a luz a Israel. Assim, Abraão é figura profética de Jeová, o Abraão Maior. A esposa de Abraão, Sara, retrata muito bem a universal organização celestial de Jeová, composta de criaturas espirituais, simbolizada nas Escrituras Sagradas como esposa, ou mulher, de Deus. (Gênesis 3:15; Revelação [Apocalipse] 12:1, 5) No cumprimento final dessas palavras da profecia de Isaías, a nação originária da “rocha” é o “Israel de Deus”, a congregação de cristãos ungidos pelo espírito, nascida no Pentecostes de 33 EC. Como já vimos em capítulos anteriores deste livro, em 1918 essa nação foi submetida ao cativeiro babilônico, mas em 1919 teve restaurada a sua prosperidade espiritual. — Gálatas 3:26-29; 4:28; 6:16.

      6. (a) O que aconteceria com a terra de Judá, e que restauração seria necessária? (b) Isaías 51:3 lembra-nos de que restauração moderna?

      6 O consolo de Jeová para Sião, ou Jerusalém, inclui mais do que apenas uma promessa de produzir uma nação populosa. Lemos: “Jeová certamente consolará Sião. Com certeza consolará todos os lugares devastados dela, e fará seu ermo igual ao Éden e sua planície desértica igual ao jardim de Jeová. Exultação e alegria é que se acharão nela, agradecimentos e voz de melodia.” (Isaías 51:3) Durante os 70 anos de desolação, a terra de Judá se tornaria um ermo, coberto de espinheiros, sarças e outras plantas silvestres. (Isaías 64:10; Jeremias 4:26; 9:10-12) Assim, além do reassentamento de Judá, a restauração teria de incluir a recuperação da terra, que seria transformada num jardim edênico com campos produtivos e pomares frutíferos bem regados. O solo pareceria alegrar-se. Em comparação com a desolação durante o exílio, a terra seria paradísica. Em sentido espiritual, o restante ungido do Israel de Deus entrou num paraíso exatamente assim, em 1919. — Isaías 11:6-9; 35:1-7.

      Razões para confiar em Jeová

      7, 8. (a) O que significava o pedido de Jeová para que lhe dessem ouvidos? (b) Por que era importante que Judá escutasse a Jeová?

      7 Solicitando a atenção do seu povo, Jeová diz: “Presta atenção a mim, ó meu povo; e tu, meu grupo nacional, dá-me ouvidos. Pois de mim sairá uma lei e farei a minha decisão judicial ficar em repouso mesmo como uma luz para os povos. Perto está a minha justiça. Há de sair a minha salvação e meus próprios braços julgarão até os povos. Em mim terão esperança as próprias ilhas e por meu braço esperarão.” — Isaías 51:4, 5.

      8 O pedido de Jeová para que lhe dessem ouvidos significava mais do que apenas ouvir a sua mensagem. Significava prestar atenção visando aplicar as coisas ouvidas. (Salmo 49:1; 78:1) A nação tinha de reconhecer a Jeová como Fonte de instrução, justiça e salvação. Somente ele é a Fonte de esclarecimento espiritual. (2 Coríntios 4:6) Ele é o Juiz supremo da humanidade. As leis e decisões judiciais de Jeová são uma luz para quem se deixa guiar por elas. — Salmo 43:3; 119:105; Provérbios 6:23.

      9. Além de seu povo pactuado, quem se beneficiaria dos atos salvadores de Jeová?

      9 Tudo isso se aplicaria não só ao povo pactuado de Deus, mas também a pessoas de inclinações justas em qualquer lugar, mesmo nas mais remotas ilhas do mar. A confiança delas em Deus e na sua capacidade de agir em favor de seus servos fiéis e de salvá-los não seria frustrada. A força, ou poder, de Deus, representada pelo seu braço, é infalível; ninguém a pode deter. (Isaías 40:10; Lucas 1:51, 52) Similarmente hoje, a zelosa obra de pregação dos remanescentes do Israel de Deus tem levado milhões, muitos de remotas ilhas do mar, a se voltar para Jeová e a ter fé nele.

      10. (a) Que verdade o Rei Nabucodonosor seria obrigado a reconhecer? (b) Que “céus” e “terra” seriam eliminados?

      10 A seguir, Jeová fala de uma verdade que o Rei Nabucodonosor, de Babilônia, teria de reconhecer. Nada no céu ou na Terra impediria Jeová de realizar a sua vontade. (Daniel 4:34, 35) Lemos: “Levantai os vossos olhos para os próprios céus e olhai para a terra embaixo. Pois os próprios céus terão de ser dispersados em fragmentos como a fumaça, e a própria terra se gastará como uma veste, e seus próprios habitantes morrerão como um mero borrachudo. Mas, quanto à minha salvação, mostrará ser mesmo por tempo indefinido, e a minha própria justiça não será desbaratada.” (Isaías 51:6) Embora fosse contrário à diretriz dos monarcas babilônios permitir que seus cativos voltassem para sua pátria, isso não impediria que Jeová salvasse o seu povo. (Isaías 14:16, 17) Os “céus”, ou governantes, babilônios sofreriam uma derrota devastadora. A “terra” babilônica, os súditos desses governantes, aos poucos acabaria. Sim, nem mesmo a maior potência daqueles dias poderia resistir ao poder de Jeová, ou impedir seus atos de salvação.

      11. Por que o cumprimento total da profecia de que os “céus” e a “terra” babilônicos seriam eliminados é animador para os cristãos atuais?

      11 Como é animador para os cristãos hoje saber que tais palavras proféticas se cumpriram totalmente! Por quê? Porque o apóstolo Pedro usou expressões similares a respeito de um evento ainda futuro. Ele falou do iminente dia de Jeová, “pelo qual os céus, estando incendiados, serão dissolvidos, e os elementos, estando intensamente quentes, se derreterão”. Daí, ele disse: “Há novos céus e uma nova terra que aguardamos segundo a sua promessa, e nestes há de morar a justiça.” (2 Pedro 3:12, 13; Isaías 34:4; Revelação 6:12-14) Embora as poderosas nações e seus altivos governantes (comparáveis a estrelas) talvez desafiem a Jeová, no Seu tempo marcado serão reduzidos a nada — esmagados tão facilmente como um simples borrachudo. (Salmo 2:1-9) Apenas o justo governo de Deus reinará para sempre, sobre uma sociedade humana justa. — Daniel 2:44; Revelação 21:1-4.

      12. Por que os servos de Deus não devem temer ao serem difamados por opositores humanos?

      12 Falando aos ‘que vão no encalço da justiça’, Jeová diz a seguir: “Escutai-me, vós os que conheceis a justiça, povo em cujo coração está a minha lei. Não tenhais medo do vitupério de homens mortais e não fiqueis aterrorizados por causa das suas palavras injuriosas. Porque a traça os consumirá como se fossem uma veste e a traça roedora os consumirá como se fossem lã. Mas, quanto à minha justiça, mostrará ser mesmo por tempo indefinido, e minha salvação, por inúmeras gerações.” (Isaías 51:7, 8) Os que confiassem em Jeová seriam difamados e ridicularizados por sua posição corajosa, mas isso não seria algo a ser temido. Os vituperadores, quais meros mortais, seriam ‘consumidos’ como uma veste de lã que é corroída por traças.a Como os fiéis judeus da antiguidade, os cristãos verdadeiros hoje não têm motivo para temer quem quer que se lhes oponha. Jeová, o Deus eterno, é seu salvador. (Salmo 37:1, 2) O vitupério da parte dos inimigos de Deus prova que o povo de Jeová tem o Seu espírito. — Mateus 5:11, 12; 10:24-31.

      13, 14. O que retratam as expressões “Raabe” e “monstro marinho”, e como ele foi ‘despedaçado’ e ‘traspassado’?

      13 Como que convocando Jeová à ação em favor de Seu povo cativo, Isaías diz: “Desperta, desperta, reveste-te de força, ó braço de Jeová! Desperta como nos dias de outrora, como durante as gerações de tempos há muito passados. Não és tu aquele que despedaçou Raabe, que traspassou o monstro marinho? Não és tu aquele que secou o mar, as águas da vasta profundeza? Aquele que fez das funduras do mar um caminho a ser atravessado pelos resgatados?” — Isaías 51:9, 10.

      14 Os exemplos históricos mencionados por Isaías foram bem escolhidos. Todo israelita sabia como a nação havia sido libertada do Egito e a respeito da passagem através do mar Vermelho. (Êxodo 12:24-27; 14:26-31) As expressões “Raabe” e “monstro marinho” referem-se ao Egito sob Faraó, que se opôs ao Êxodo de Israel do Egito. (Salmo 74:13; 87:4; Isaías 30:7) Com sua ‘cabeça’ no delta do Nilo e seu alongado ‘corpo’ se estendendo centenas de quilômetros acima no fértil vale do Nilo, o Egito antigo parecia uma monstruosa serpente. (Ezequiel 29:3) Mas esse monstro foi retalhado quando Jeová lançou sobre ele as Dez Pragas. Foi traspassado, gravemente ferido e debilitado quando seu exército foi destruído nas águas do mar Vermelho. Sim, Jeová mostrou o poder de seu braço nos seus tratos com o Egito. Estaria menos disposto a lutar pelo seu povo exilado em Babilônia?

      15. (a) Quando e como o pesar e o suspiro de Sião ‘fugiriam’? (b) Quando o pesar e o suspiro ‘fugiram’ para o Israel de Deus nos tempos modernos?

      15 A seguir, visualizando a libertação de Israel de Babilônia, a profecia continua: “Então retornarão os próprios remidos de Jeová e terão de chegar a Sião com clamor jubilante, e sobre a sua cabeça haverá alegria por tempo indefinido. Alcançarão exultação e alegria. O pesar e o suspiro certamente fugirão.” (Isaías 51:11) Por mais triste que fosse a situação deles em Babilônia, as perspectivas dos que buscassem a justiça de Jeová seriam gloriosas. Viria o tempo em que o pesar e o suspiro acabariam. Clamor jubilante, alegria, exultação — isso é o que se ouviria dos lábios dos remidos, ou resgatados. No cumprimento moderno dessas palavras proféticas, o Israel de Deus foi libertado do cativeiro babilônico em 1919. Eles retornaram ao seu domínio espiritual com grande alegria — alegria que persiste até hoje.

      16. Que preço seria pago para remir os judeus?

      16 Qual seria o preço da redenção dos judeus? A profecia de Isaías já havia revelado que Jeová daria “o Egito como resgate por ti, a Etiópia e Sebá, em lugar de ti”. (Isaías 43:1-4) Isso ocorreria mais tarde. Depois de conquistar Babilônia e libertar os judeus cativos, o Império Persa conquistaria o Egito, a Etiópia e Sebá. Esses seriam dados em lugar das almas dos israelitas. Isso se harmoniza com o princípio em Provérbios 21:18: “O iníquo é resgate para o justo; e quem age traiçoeiramente toma o lugar dos retos.”

      Consolo adicional

      17. Por que os judeus não precisavam temer a fúria de Babilônia?

      17 Jeová reafirma a seu povo: “Eu é que sou Aquele que vos consola. Quem és tu para temer o homem mortal que morrerá, e o filho da humanidade que será constituído em mera erva verde? E para te esqueceres de Jeová, Aquele que te fez, Aquele que estendeu os céus e lançou o alicerce da terra, de modo que estiveste constantemente apavorado, o dia inteiro, por causa do furor daquele que te assediava, como se ele estivesse pronto para te arruinar? E onde está o furor daquele que te assediava?” (Isaías 51:12, 13) Anos de exílio estavam à frente. Mesmo assim, não havia por que temer a fúria de Babilônia. Embora essa nação, a terceira potência mundial do registro bíblico, conquistasse o povo de Deus e procurasse ‘assediá-lo’, ou bloquear a sua via de escape, os judeus fiéis sabiam que Jeová predissera a queda de Babilônia às mãos de Ciro. (Isaías 44:8, 24-28) Em contraste com o Criador — o Deus eterno, Jeová —, os moradores de Babilônia pereceriam como o capim que resseca sob os fortes raios de sol na estiagem. Daí, onde estariam suas ameaças e sua fúria? Quão insensato é temer o homem e esquecer-se de Jeová, que fez o céu e a Terra!

      18. Embora os de seu povo fossem prisioneiros por algum tempo, que garantias Jeová lhes dava?

      18 Embora o povo de Jeová ficasse cativo por algum tempo, como que ‘encurvados em cadeias’, sua libertação seria repentina. Não seriam exterminados em Babilônia, nem morreriam de fome como prisioneiros — largados sem vida no Seol, a cova. (Salmo 30:3; 88:3-5) Jeová lhes garante: “O encurvado em cadeias há de ser prontamente solto, para que não vá morto à cova e para que não lhe falte o pão.” — Isaías 51:14.

      19. Por que os judeus fiéis podiam confiar implicitamente nas palavras de Jeová?

      19 Ainda consolando Sião, Jeová continua: “Mas eu, Jeová, sou teu Deus, Aquele que agita o mar para tumultuar as suas ondas. Jeová dos exércitos é seu nome. E porei as minhas palavras na tua boca e hei de cobrir-te com a sombra da minha mão, a fim de plantar os céus e lançar o alicerce da terra, e para dizer a Sião: ‘Tu és meu povo.’” (Isaías 51:15, 16) A Bíblia fala repetidas vezes da capacidade de Deus de estender seu poder sobre o mar e controlá-lo. (Jó 26:12; Salmo 89:9; Jeremias 31:35) Ele tem controle total sobre as forças da natureza, como mostrou ao libertar seu povo do Egito. Quem, mesmo nas coisas mínimas, poderia ser comparado a “Jeová dos exércitos”? — Salmo 24:10.

      20. Que “céus” e “terra” surgiriam quando Jeová restaurasse Sião, e que palavras de consolo ele proferiria?

      20 Os judeus continuariam sendo o povo pactuado de Deus, e Jeová lhes garantia que retornariam para sua terra natal a fim de viverem de novo sob a Sua Lei. Ali eles reconstruiriam Jerusalém e o templo e reassumiriam seus deveres sob o pacto que Deus fizera com eles por meio de Moisés. Quando os israelitas repatriados e seus animais domésticos começassem a repovoar o país, surgiria uma “nova terra”. Sobre ela seriam colocados “novos céus”, um novo sistema governamental. (Isaías 65:17-19; Ageu 1:1, 14) Jeová diria de novo a Sião: “Tu és meu povo.”

      Chamada à ação

      21. Que chamada à ação faz Jeová?

      21 Tendo renovado a confiança de Sião, Jeová faz uma chamada à ação. Falando como se Sião já tivesse chegado ao fim de seus sofrimentos, ele diz: “Desperta, desperta, levanta-te, ó Jerusalém, tu que bebeste da mão de Jeová o copo do seu furor. O grande cálice, o copo que atordoa bebeste, o esvaziaste.” (Isaías 51:17) Sim, Jerusalém teria de levantar-se de seu estado calamitoso e recuperar sua condição e esplendor anteriores. Viria o tempo em que ela teria esvaziado o simbólico copo da punição divina. Nada sobraria da ira de Deus contra ela.

      22, 23. O que aconteceria com Jerusalém ao tomar o copo do furor de Jeová?

      22 Não obstante, enquanto Jerusalém estivesse sendo punida, nenhum de seus moradores, seus “filhos”, poderia impedir os acontecimentos. (Isaías 43:5-7; Jeremias 3:14) Diz a profecia: “Não havia nenhum de todos os filhos que ela deu à luz que a conduzisse e não havia nenhum de todos os filhos que ela criou que a tomasse pela mão.” (Isaías 51:18) Quanto ela sofreria às mãos dos babilônios! “Estas duas coisas te sobrevieram. Quem se compadecerá de ti? Assolação e desmoronamento, e fome e espada! Quem te consolará? Teus próprios filhos desmaiaram. Deitaram-se na cabeceira de todas as ruas como ovelhas selváticas na rede, como os que estão cheios do furor de Jeová, da censura de teu Deus.” — Isaías 51:19, 20.

      23 Pobre Jerusalém! Ela sofreria “assolação e desmoronamento”, bem como “fome e espada”. Incapazes de guiá-la e mantê-la de pé, seus “filhos” assistiriam a tudo indefesos, emaciados, não suficientemente fortes para repelir os invasores babilônios. Visivelmente, nas cabeceiras, ou esquinas, de ruas jazeriam desmaiados, fracos e exauridos. (Lamentações 2:19; 4:1, 2) Teriam tomado o copo do furor de Deus e estariam tão indefesos como animais presos numa rede.

      24, 25. (a) O que não aconteceria de novo com Jerusalém? (b) Quem, depois de Jerusalém, seria o próximo a tomar do copo do furor de Jeová?

      24 Mas essa situação triste acabaria. Isaías diz consoladoramente: “Portanto, escuta isto, por favor, ó mulher atribulada e embriagada, mas não de vinho. Assim disse o teu Senhor, Jeová, sim, teu Deus, que contende pelo seu povo: ‘Eis que vou tirar-te da mão o copo que atordoa. O grande cálice, meu copo de furor — não mais repetirás o beber dele. E eu vou pô-lo na mão dos que te irritam, os que disseram à tua alma: “Curva-te, para que possamos atravessar”, de modo que costumavas fazer as tuas costas como a terra e como a rua para os que atravessavam.’” (Isaías 51:21-23) Depois de disciplinar Jerusalém, Jeová estaria pronto para mostrar compaixão e um espírito perdoador para com ela.

      25 Jeová desviaria a sua ira de Jerusalém e a dirigiria contra Babilônia. Babilônia havia arrasado Jerusalém e a humilhado. (Salmo 137:7-9) Mas Jerusalém não teria de tomar de novo de tal “copo” às mãos de Babilônia ou de seus aliados. Em vez disso, o copo seria tirado das mãos de Jerusalém e dado aos que se haviam alegrado com a sua desgraça. (Lamentações 4:21, 22) Babilônia tombaria, totalmente embriagada. (Jeremias 51:6-8) No ínterim, Sião se ergueria! Que reversão! Realmente, Sião podia consolar-se com tal perspectiva. E os servos de Jeová podiam ter certeza de que Seu nome seria santificado por meio de Seus atos salvadores.

      [Nota(s) de rodapé]

      a A traça aqui mencionada evidentemente é a destrutiva traça-das-roupas.

      [Foto na página 167]

      Jeová, o Abraão Maior, era a “rocha” da qual seu povo fora ‘talhado’

      [Foto na página 170]

      Os opositores do povo de Deus desaparecerão como uma veste corroída por traças

      [Foto nas páginas 176, 177]

      Jeová demonstrou que tem poder para controlar as forças da natureza

      [Foto na página 178]

      O copo do qual Jerusalém bebera passaria para Babilônia e seus aliados

  • “Gritai de júbilo, em uníssono”
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
    • Capítulo Treze

      “Gritai de júbilo, em uníssono”!

      Isaías 52:1-12

      1. Por que as palavras proféticas do capítulo 52 de Isaías são uma fonte de alegria, e que dois cumprimentos têm?

      LIBERTAÇÃO! Pode haver uma perspectiva mais alegre do que essa para um povo cativo? Visto que um dos temas principais do livro de Isaías é libertação e restauração, não é de admirar que, fora os Salmos, esse livro bíblico contenha mais expressões de alegria do que qualquer outro. Especialmente o capítulo 52 de Isaías dá motivos para o povo de Deus se alegrar. As suas palavras proféticas se cumpriram em Jerusalém, em 537 AEC. E elas têm um cumprimento maior, relacionado com a “Jerusalém de cima”, a organização celestial de Jeová, composta de criaturas espirituais, às vezes chamada de mãe ou esposa. — Gálatas 4:26; Revelação (Apocalipse) 12:1.

      “Reveste-te da tua força, ó Sião!”

      2. Quando Sião despertou, e como isso se deu?

      2 Por meio de Isaías, Jeová brada para Sua amada cidade, Sião: “Desperta, desperta, reveste-te da tua força, ó Sião! Veste as tuas belas roupas, ó Jerusalém, cidade santa! Pois nunca mais entrará em ti o incircunciso e o impuro. Sacode-te do pó, levanta-te, assenta-te, ó Jerusalém. Solta-te das ligaduras sobre o teu pescoço, ó filha cativa de Sião.” (Isaías 52:1, 2) Por terem seus moradores provocado a ira de Jeová, Jerusalém ficou desolada por 70 anos. (2 Reis 24:4; 2 Crônicas 36:15-21; Jeremias 25:8-11; Daniel 9:2) Mas chegou o tempo de ela despertar de seu longo período de inatividade e vestir as belas roupas da liberdade. Jeová induziu o coração de Ciro a libertar a “filha cativa de Sião”, para que os anteriores moradores de Jerusalém e seus descendentes pudessem sair de Babilônia, voltar para Jerusalém e restaurar a adoração verdadeira. Não deveria existir em Jerusalém nenhuma pessoa incircuncisa e impura. — Esdras 1:1-4.

      3. Por que a congregação de cristãos ungidos pode ser chamada de ‘filha de Sião’, e em que sentido foram libertados?

      3 Essas palavras de Isaías se cumprem também na congregação cristã. A congregação de cristãos ungidos pode ser chamada de moderna ‘filha de Sião’, visto que a “Jerusalém de cima” é a sua mãe.a Libertados dos ensinos pagãos e das doutrinas apóstatas, os ungidos precisam manter-se puros perante Jeová, não pela circuncisão na carne, mas pela circuncisão no coração. (Jeremias 31:33; Romanos 2:25-29) Isso inclui manter pureza espiritual, mental e moral perante Jeová. — 1 Coríntios 7:19; Efésios 2:3.

      4. Embora a “Jerusalém de cima” jamais tenha desobedecido a Jeová, que experiências de seus representantes na Terra refletem as dos antigos moradores de Jerusalém?

      4 A “Jerusalém de cima” jamais desobedeceu a Jeová, é verdade. Durante a Primeira Guerra Mundial, porém, seus representantes na Terra — cristãos ungidos — inadvertidamente violaram a lei de Jeová porque não entendiam bem a verdadeira neutralidade cristã. Perdendo o favor divino, passaram a estar no cativeiro espiritual de “Babilônia, a Grande”, o império mundial da religião falsa. (Revelação 17:5) Sua condição escrava culminou em junho de 1918, quando oito membros da equipe da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) foram presos sob acusações falsas, incluindo a de conspiração. Nesse ponto, a pregação organizada das boas novas praticamente parou. Em 1919, porém, ouviu-se uma chamada sonora para o despertar espiritual. Os cristãos ungidos passaram a separar-se mais plenamente da impureza moral e espiritual de Babilônia, a Grande. Levantaram-se do pó do cativeiro e a “Jerusalém de cima” passou a ter o esplendor duma “cidade santa” em que não se permite a impureza espiritual.

      5. Por que Jeová tinha o direito absoluto de resgatar seu povo sem dar nenhuma compensação a seus captores?

      5 Tanto em 537 AEC como em 1919 EC, Jeová tinha o direito absoluto de libertar o seu povo. Isaías explica: “Assim disse Jeová: ‘Foi por nada que fostes vendidos e será sem dinheiro que sereis resgatados.’” (Isaías 52:3) Nem a antiga Babilônia, nem Babilônia, a Grande, pagaram alguma coisa quando tomaram como escravos os do povo pactuado de Deus. Visto que não houve nenhuma transação envolvendo dinheiro, Jeová ainda era o dono legítimo de seu povo. Devia ele sentir-se endividado para com alguém? Naturalmente que não. Em ambos os casos, Jeová podia legitimamente resgatar seus adoradores sem dar nenhuma compensação a seus captores. — Isaías 45:13.

      6. Que lições da História os inimigos de Jeová não haviam aprendido?

      6 Os inimigos de Jeová não haviam aprendido nenhuma lição da História. Lemos: “Assim disse o Soberano Senhor Jeová: ‘Foi ao Egito que meu povo desceu em primeiro lugar para residir ali como forasteiros; e a Assíria, da sua parte, os oprimiu sem causa alguma.’” (Isaías 52:4) O Faraó do Egito escravizou os israelitas, que haviam sido convidados ao seu país para residir como hóspedes. Mas Jeová afogou Faraó e seu exército no mar Vermelho. (Êxodo 1:11-14; 14:27, 28) Quando o rei assírio Senaqueribe ameaçou Jerusalém, o anjo de Jeová aniquilou 185 mil soldados do rei. (Isaías 37:33-37) Similarmente, nem a antiga Babilônia nem Babilônia, a Grande, escaparam das consequências de oprimir o povo de Deus.

      “Meu povo saberá o meu nome”

      7. Que efeito teve sobre o nome de Jeová o cativeiro de Seu povo?

      7 A condição cativa do povo de Jeová afetaria o Seu nome, como mostra a profecia: “‘Agora, que interesse tenho aqui?’, é a pronunciação de Jeová. ‘Pois o meu povo foi tomado por nada. Os próprios que dominam sobre eles estavam uivando’, é a pronunciação de Jeová, ‘e constantemente, o dia inteiro, se tratou meu nome com desrespeito. Por esta razão, meu povo saberá o meu nome, sim, por esta razão, naquele dia, porque sou Eu quem está falando. Eis que sou Eu!’” (Isaías 52:5, 6) Que interesse tinha Jeová na situação? De que preocupação lhe era estar Israel escravizado em Babilônia? Jeová tinha de agir porque Babilônia havia levado Seu povo cativo com brados de triunfo. Por assim se jactar, Babilônia tratou o nome de Jeová com desrespeito. (Ezequiel 36:20, 21) Ela deixou de reconhecer que Jerusalém foi desolada porque Jeová ficou descontente com o seu povo. Mas Babilônia encarou a escravização dos judeus como prova da fraqueza do Deus deles. O corregente babilônio, Belsazar, até mesmo zombou de Jeová usando os vasos de Seu templo numa festa em homenagem aos deuses babilônicos. — Daniel 5:1-4.

      8. Que tratamento tem recebido o nome de Jeová desde a morte dos apóstolos?

      8 Como se aplica tudo isso à “Jerusalém de cima”? Desde que a apostasia se arraigou entre os cristãos professos, pode-se dizer que “o nome de Deus está sendo blasfemado entre as nações por causa [deles]”. (Romanos 2:24; Atos 20:29, 30) Na realidade, devido à superstição, os judeus com o tempo deixaram de usar o nome divino. Logo depois da morte dos apóstolos, os cristãos apóstatas também deixaram de usar o nome de Deus. A apostasia resultou no desenvolvimento da cristandade, uma das partes principais de Babilônia, a Grande. (2 Tessalonicenses 2:3, 7; Revelação 17:5) A desenfreada imoralidade e a descarada culpa de sangue da cristandade têm refletido muito mal sobre o nome de Jeová. — 2 Pedro 2:1, 2.

      9, 10. Que entendimento mais profundo das normas de Jeová e de Seu nome veio a ter o povo pactuado de Deus nos tempos modernos?

      9 Depois que o Ciro Maior, Jesus Cristo, libertou os do povo pactuado de Deus do cativeiro a Babilônia, a Grande, em 1919, eles passaram a entender melhor os requisitos de Jeová. Já se haviam purificado de muitos ensinos da cristandade arraigados no paganismo pré-cristão, como a Trindade, a imortalidade da alma e o tormento eterno num inferno de fogo. Agora eles se empenhavam em livrar-se de todos os vestígios de influência babilônica. Passaram também a ver a importância de manter estrita neutralidade nas controvérsias do mundo. Queriam até mesmo purificar-se de qualquer culpa de sangue em que alguns deles pudessem ter incorrido.

      10 Além disso, os servos de Deus da atualidade passaram a entender mais a fundo a importância do nome de Jeová. Em 1931, adotaram o nome Testemunhas de Jeová, anunciando assim publicamente que apoiavam Jeová e Seu nome. Além disso, por meio da publicação da Tradução do Novo Mundo desde 1950, as Testemunhas de Jeová restauraram o nome divino no seu correto lugar na Bíblia. Sim, vieram a ter apreço pelo nome de Jeová e o estão divulgando até os confins da Terra.

      “Portador de boas novas”

      11. Por que a exclamação “Teu Deus tornou-se rei!” era apropriada com relação aos eventos de 537 AEC?

      11 Agora voltemos a nossa atenção para Sião, ainda no seu estado desolado. Um mensageiro se aproxima com boas novas: “Quão lindos, sobre os montes, são os pés do portador de boas novas, do publicador de paz, do portador de boas novas de algo melhor, do publicador de salvação, daquele que diz a Sião: ‘Teu Deus tornou-se rei!’” (Isaías 52:7) Como se podia dizer, em 537 AEC, que o Deus de Sião se tornara Rei? Jeová já não fora sempre Rei? De fato, ele é o “Rei da eternidade”! (Revelação 15:3) Mas a exclamação “Teu Deus tornou-se rei!” era apropriada porque a queda de Babilônia e o decreto real para reconstruir o templo em Jerusalém e restaurar a adoração pura ali constituíam uma nova expressão da realeza de Jeová. — Salmo 97:1.

      12. Quem tomou a iniciativa em ‘portar boas novas’, e como?

      12 Nos dias de Isaías, nenhum indivíduo, ou grupo de indivíduos, foi identificado como “portador de boas novas”. Hoje, porém, a identidade do portador de boas novas é conhecida. Jesus Cristo é o maior mensageiro de paz de Jeová. Quando esteve na Terra, ele pregou as boas novas de que haveria um livramento de todos os efeitos do pecado herdado de Adão, incluindo as doenças e a morte. (Mateus 9:35) Jesus deu um zeloso exemplo em divulgar essas boas novas de algo melhor, aproveitando toda oportunidade para ensinar as pessoas a respeito do Reino de Deus. (Mateus 5:1, 2; Marcos 6:34; Lucas 19:1-10; João 4:5-26) E seus discípulos seguiram o seu exemplo.

      13. (a) Como o apóstolo Paulo ampliou o sentido da expressão “Quão lindos, sobre os montes, são os pés do portador de boas novas”? (b) Por que se pode dizer que os pés dos mensageiros são “lindos”?

      13 Em sua carta aos romanos, o apóstolo Paulo cita Isaías 52:7 para acentuar a importância da pregação das boas novas. Ele faz várias perguntas que dão o que pensar, incluindo: ‘Como as pessoas ouvirão se não houver quem pregue?’ Daí ele diz: “Assim como está escrito: ‘Quão lindos são os pés daqueles que declaram boas novas de coisas boas!’” (Romanos 10:14, 15) Paulo amplia assim a aplicação de Isaías 52:7, usando a forma “daqueles” em vez de o singular “do portador”, que aparece no texto original de Isaías. Imitando a Jesus Cristo, todos os cristãos são mensageiros das boas novas de paz. Em que sentido são “lindos” os seus pés? Isaías fala como se o arauto se aproximasse de Jerusalém vindo das montanhas vizinhas de Judá. De longe, não dava para ver os pés do mensageiro. Na verdade, o foco é no mensageiro, aqui representado pelos pés. Assim como para os mansos no primeiro século as atividades de Jesus e seus discípulos eram algo bonito de ver, as atuais Testemunhas são uma presença agradável aos humildes que acatam a vitalizadora mensagem das boas novas.

      14. Como Jeová se tornou Rei nos tempos modernos, e desde quando isso vem sendo anunciado à humanidade?

      14 Desde quando nos tempos modernos se ouve o brado “Teu Deus tornou-se rei!”? Desde 1919. Naquele ano, num congresso em Cedar Point, Ohio, EUA, J. F. Rutherford, então presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), emocionou seus ouvintes com o discurso “Comunicado aos Colaboradores”. Com base em Isaías 52:7 e Revelação 15:2, o discurso incentivou todos os presentes a empreender a obra de pregação. Assim, ‘lindos pés’ começaram a aparecer “sobre os montes”. Primeiro os cristãos ungidos e, mais tarde, seus companheiros das “outras ovelhas”, passaram a pregar zelosamente as boas novas de que Jeová se tornara Rei. (João 10:16) Como Jeová se tornara Rei? Ele mais uma vez expressara sua realeza em 1914, ao empossar seu Filho, Jesus Cristo, como Rei no recém-estabelecido Reino celestial. E Jeová fez ainda outra expressão de sua realeza em 1919, ao libertar o “Israel de Deus” de Babilônia, a Grande. — Gálatas 6:16; Salmo 47:8; Revelação 11:15, 17; 19:6.

      “Teus próprios vigias levantaram a voz”

      15. Quem foram os “vigias” que levantaram a voz em 537 AEC?

      15 Será que o brado “Teu Deus tornou-se rei!” provocaria uma reação? Sim. Isaías registra: “Escuta! Teus próprios vigias levantaram a voz. Estão gritando de júbilo, em uníssono; pois verão olho a olho quando Jeová trouxer Sião de volta.” (Isaías 52:8) Em 537 AEC, nenhum vigia literal estava a postos em Jerusalém para acolher os primeiros retornados do exílio. A cidade tinha ficado desolada por 70 anos. (Jeremias 25:11, 12) Assim, os “vigias” que levantaram a voz devem ter sido aqueles israelitas que souberam com antecedência da notícia da restauração de Sião e se tornaram responsáveis de passar a notícia para os demais filhos de Sião. Depois que viram Jeová entregar Babilônia nas mãos de Ciro, em 539 AEC, os vigias não tiveram dúvidas de que Jeová libertaria Seu povo. Junto com os que respondiam à sua chamada, os vigias continuaram a bradar jubilosamente, em uníssono, permitindo que outros ouvissem as boas novas.

      16. Com quem os “vigias” tinham um contato “olho a olho”, e em que sentido?

      16 Os atentos vigias estabeleceram uma estreita e pessoal relação com Jeová, vendo-o “olho a olho” ou face a face, por assim dizer. (Números 14:14) Seu estreito contato com Jeová e uns com os outros realçava a sua união e a natureza alegre de sua mensagem. — 1 Coríntios 1:10.

      17, 18. (a) De que modo a moderna classe do vigia tem erguido a voz? (b) Em que sentido a classe do vigia tem bradado em uníssono?

      17 No cumprimento moderno, a classe do vigia, o “escravo fiel e discreto”, ergue a voz, não apenas para os que já estão na organização visível de Deus, mas também para os de fora. (Mateus 24:45-47) Em 1919 saiu uma chamada para reunir os remanescentes dos ungidos e, em 1922, a chamada intensificou-se no congresso de Cedar Point, Ohio, com a exortação: “Anunciai, anunciai, anunciai o Rei e seu reino.” Desde 1935, a atenção se tem voltado para o ajuntamento de uma grande multidão de pessoas comparáveis a ovelhas. (Revelação 7:9, 10) Em anos recentes, o anúncio da realeza de Jeová tem se intensificado. Como? No ano 2000, cerca de seis milhões de pessoas participavam em falar da realeza de Jeová em mais de 230 países e territórios. Além do mais, A Sentinela, o instrumento principal da classe do vigia, ressoa a alegre mensagem em mais de 130 línguas.

      18 Participar nessa obra unificadora exige humildade e amor fraternal. Para que a chamada seja eficaz, todos os envolvidos têm de pregar a mesma mensagem, destacando o nome, a provisão de resgate, a sabedoria, o amor e o Reino de Jeová. À medida que os cristãos ao redor do mundo trabalham ombro a ombro, seu vínculo pessoal com Jeová se fortalece para soarem em uníssono as alegres notícias.

      19. (a) Como os “lugares devastados de Jerusalém” se tornaram animados? (b) Em que sentido Jeová “desnudou seu santo braço”?

      19 Com o povo de Deus bradando de alegria, até mesmo sua morada parece animada. A profecia prossegue: “Ficai animados, gritai de júbilo, em uníssono, vós lugares devastados de Jerusalém, pois Jeová consolou seu povo; ele resgatou Jerusalém. Jeová desnudou seu santo braço diante dos olhos de todas as nações; e todos os confins da terra terão de ver a salvação da parte de nosso Deus.” (Isaías 52:9, 10) Com a chegada dos retornados de Babilônia, os lugares melancólicos da desolada Jerusalém adquiriram um aspecto animado, pois a adoração pura de Jeová podia ser então restaurada. (Isaías 35:1, 2) Obviamente, a mão de Jeová estava por trás disso. Ele “desnudou seu santo braço”, como que arregaçando as mangas para realizar a tarefa de salvar o seu povo. — Esdras 1:2, 3.

      20. O que já resultou, e ainda resultará, de Jeová desnudar seu santo braço nos tempos modernos?

      20 Nestes “últimos dias”, Jeová tem desnudado seu santo braço a fim de reavivar o restante ungido, as “duas testemunhas” do livro de Revelação. (2 Timóteo 3:1; Revelação 11:3, 7-13) Desde 1919, eles têm sido levados a um paraíso espiritual, o domínio espiritual que agora compartilham com milhões de associados, as outras ovelhas. Por fim, Jeová desnudará seu santo braço para salvar seu povo no “Har-Magedon”. (Revelação 16:14, 16) Daí, “todos os confins da terra terão de ver a salvação da parte de nosso Deus”.

      Um requisito urgente

      21. (a) O que se exigiria dos que ‘carregassem os utensílios de Jeová’? (b) Por que não haveria motivo de pânico para os judeus que partissem de Babilônia?

      21 Os que voltassem para Jerusalém saindo de Babilônia teriam de cumprir um requisito. Isaías escreve: “Desviai-vos, desviai-vos, saí de lá, não toqueis em nada impuro; saí do meio dela, mantende-vos puros, vós os que carregais os utensílios de Jeová. Pois não saireis em pânico e não ireis em fuga. Porque Jeová irá na vossa frente e o Deus de Israel será a vossa retaguarda.” (Isaías 52:11, 12) Os israelitas que partissem de Babilônia teriam de deixar ali qualquer coisa manchada com a adoração falsa de Babilônia. Visto que carregariam os utensílios de Jeová (que haviam sido retirados do templo em Jerusalém), tinham de ser puros, não meramente de uma forma cerimonial exterior, mas primariamente no coração. (2 Reis 24:11-13; Esdras 1:7) Ademais, Jeová iria à frente deles, de modo que não teriam motivo de pânico, nem teriam de correr freneticamente, como que tendo perseguidores sanguinários no seu encalço. O Deus de Israel estaria na sua retaguarda. — Esdras 8:21-23.

      22. Como Paulo frisa a necessidade de pureza entre os cristãos ungidos?

      22 As palavras de Isaías sobre manter-se puro têm um importante cumprimento na descendência da “Jerusalém de cima”. Ao exortar os cristãos coríntios a não entrarem em jugo desigual com descrentes, Paulo citou as palavras de Isaías 52:11: “‘Portanto, saí do meio deles e separai-vos’, diz Jeová, ‘e cessai de tocar em coisa impura’.” (2 Coríntios 6:14-17) Assim como os israelitas que saíram de Babilônia para voltar à sua terra natal, os cristãos precisam manter distância da falsa adoração babilônica.

      23. De que maneiras os atuais servos de Jeová se esforçam em manter-se puros?

      23 Isso se deu especialmente com os seguidores ungidos de Jesus Cristo que fugiram de Babilônia, a Grande, em 1919. Progressivamente, purificaram-se de todos os vestígios da adoração falsa. (Isaías 8:19, 20; Romanos 15:4) Aperceberam-se cada vez mais da importância da pureza moral. Embora as Testemunhas de Jeová sempre defendessem elevadas normas morais, em 1952 A Sentinela publicou artigos que frisavam a necessidade de disciplinar pessoas imorais a fim de manter limpa a congregação. Essas ações disciplinares ajudam também o próprio transgressor a ver a necessidade de arrependimento sincero. — 1 Coríntios 5:6, 7, 9-13; 2 Coríntios 7:8-10; 2 João 10, 11.

      24. (a) O que são os “utensílios de Jeová” nos tempos modernos? (b) Por que os atuais cristãos confiam que Jeová continuará a ir à frente deles e será sua retaguarda?

      24 Os cristãos ungidos e a grande multidão de outras ovelhas estão decididos a não tocar em nada que seja espiritualmente impuro. A sua condição purificada e limpa os habilita a portar os “utensílios de Jeová” — as preciosas provisões de Deus para serviço sagrado no ministério de casa em casa e de estudos bíblicos e em outras formas de atividade cristã. Por manterem a pureza, o povo de Deus hoje pode confiar que Jeová continuará a ir à frente deles e será sua retaguarda. Como povo puro de Deus, têm fartos motivos para ‘gritar de júbilo em uníssono’!

      [Nota(s) de rodapé]

      a Veja no capítulo 15 deste livro um estudo mais detalhado da relação entre a “Jerusalém de cima” e seus ungidos filhos terrestres.

      [Foto na página 183]

      Sião seria libertada do cativeiro

      [Foto na página 186]

      A partir de 1919, ‘lindos pés’ surgiram de novo “sobre os montes”

      [Foto na página 189]

      As Testemunhas de Jeová falam em uníssono

      [Foto na página 192]

      Os que ‘carregavam os utensílios de Jeová’ tinham de ser moral e espiritualmente puros

  • Jeová exaltou seu Servo messiânico
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
    • Capítulo Catorze

      Jeová exaltou seu Servo messiânico

      Isaías 52:13–53:12

      1, 2. (a) Ilustre a situação de muitos judeus no início do primeiro século EC. (b) Que provisão Jeová fizera para ajudar os judeus fiéis a reconhecer o Messias?

      IMAGINE que você tenha um encontro marcado com um importante dignitário. A hora e o local estão determinados. Mas há um problema: você não sabe qual é a aparência dele e sua chegada será discreta, sem alarde. Como o reconheceria? Seria útil ter uma descrição detalhada dele.

      2 No início do primeiro século EC, muitos judeus se viram numa situação similar. Esperavam o Messias — o homem mais importante de todos os tempos. (Daniel 9:24-27; Lucas 3:15) Mas como os judeus fiéis o reconheceriam? Por meio dos profetas hebreus, Jeová havia fornecido uma detalhada descrição escrita dos eventos relativos ao Messias, para que os discernidores o identificassem sem engano.

      3. Que descrição do Messias faz Isaías 52:13–53:12?

      3 Entre as profecias hebraicas sobre o Messias, talvez nenhuma outra forneça um quadro mais claro do que a de Isaías 52:13–53:12. Com mais de 700 anos de antecedência, Isaías descreveu, não a aparência física do Messias, mas detalhes mais significativos — o objetivo e as formas de seu sofrimento e pormenores sobre sua morte, sepultamento e enaltecimento. Um exame dessa profecia e seu cumprimento nos animará e fortalecerá a nossa fé.

      “Meu servo” — quem é ele?

      4. Que opiniões quanto à identidade do “servo” apresentaram alguns eruditos judeus, mas por que não se ajustam à profecia de Isaías?

      4 Isaías acabara de falar da libertação dos judeus do exílio em Babilônia. Daí, vislumbrando um evento bem mais importante, ele registra as palavras de Jeová: “Eis que meu servo agirá com perspicácia. Ele estará num alto posto, e certamente será elevado e muitíssimo exaltado.” (Isaías 52:13) Quem é esse “servo”? Ao longo dos séculos, eruditos judeus apresentaram várias opiniões. Alguns diziam que ele representava a inteira nação de Israel durante seu exílio babilônico. Mas essa explicação não se ajusta à profecia. O Servo de Deus sofreria voluntariamente. Mesmo inocente, sofreria pelos erros de outros. Isso não poderia aplicar-se à nação judaica, que foi exilada por causa de seus próprios pecados. (2 Reis 21:11-15; Jeremias 25:8-11) Outros diziam que o Servo representava a devota elite de Israel, e que ela sofreu em favor dos israelitas pecadores. No entanto, em tempos de aflição em Israel, nenhum grupo específico sofreu por outro.

      5. (a) Que aplicações da profecia de Isaías fizeram alguns eruditos judeus? (Veja nota de rodapé.) (b) Que clara identificação do Servo se faz no livro bíblico de Atos?

      5 Antes do advento do cristianismo, e até certo ponto durante os primeiros séculos da Era Comum, uns poucos eruditos judeus aplicaram essa profecia ao Messias. Que essa é a aplicação correta vê-se nas Escrituras Gregas Cristãs. Segundo o livro de Atos, quando o eunuco etíope disse que não sabia quem era o Servo da profecia de Isaías, Filipe “declarou-lhe as boas novas a respeito de Jesus”. (Atos 8:26-40; Isaías 53:7, 8) Outros livros bíblicos também identificam Jesus Cristo como o Servo messiânico da profecia de Isaías.a Ao considerarmos essa profecia, veremos os inegáveis paralelos entre aquele a quem Jeová chama de “meu servo” e Jesus de Nazaré.

      6. Como indica a profecia de Isaías que o Messias executaria com sucesso a vontade divina?

      6 A profecia começa descrevendo o sucesso final do Messias na execução da vontade divina. A palavra “servo” indica que ele se submeteria à vontade de Deus, assim como um servo se submete à de seu senhor. Assim, ‘agiria com perspicácia’. Perspicácia é a capacidade de discernir uma situação. Agir com perspicácia é agir com discrição. Sobre o verbo hebraico usado aqui, certa obra de referência diz: “No âmago, a ideia é procedimento prudente e sábio. Quem proceder sabiamente terá sucesso.” Que o Messias realmente teria sucesso deduz-se de que a profecia diz que ele ‘seria elevado e muitíssimo exaltado’.

      7. De que modo Jesus Cristo ‘agiu com perspicácia’, e como foi “elevado e muitíssimo exaltado”?

      7 Jesus realmente ‘agiu com perspicácia’, mostrando que entendia as profecias bíblicas que se aplicavam a ele e se guiando por elas para fazer a vontade de seu Pai. (João 17:4; 19:30) Com que resultado? Depois de sua ressurreição e ascensão ao céu, “Deus o enalteceu a uma posição superior e lhe deu bondosamente o nome que está acima de todo outro nome”. (Filipenses 2:9; Atos 2:34-36) Daí, em 1914, o glorificado Jesus foi enaltecido ainda mais. Jeová o exaltou ao trono do Reino messiânico. (Revelação [Apocalipse] 12:1-5) Sim, ele foi “elevado e muitíssimo exaltado”.

      “Olharam para ele assombrados”

      8, 9. Quando o enaltecido Jesus vier para executar o julgamento, como reagirão os governantes terrestres, e por quê?

      8 Como as nações e seus governantes reagiriam ao enaltecido Messias? Deixando de lado por um pouco o comentário parentético na segunda parte do versículo 14, a profecia diz: “Ao ponto que muitos olharam para ele assombrados . . . a tal ponto surpreenderá muitas nações. Por causa dele, reis fecharão a sua boca, pois verão realmente aquilo que não se lhes narrou e terão de dar sua consideração àquilo que não ouviram.” (Isaías 52:14a, 15) Com essas palavras, Isaías não descreve o surgimento inicial do Messias, mas sim seu confronto final com os governantes terrestres.

      9 Quando o enaltecido Jesus vier para executar o julgamento contra este ímpio sistema mundial, os governantes terrestres ‘olharão para ele assombrados’. Os governantes humanos não verão literalmente o glorificado Jesus, é verdade. Mas verão as evidências visíveis de seu poder como Combatente celestial de Jeová. (Mateus 24:30) Serão obrigados a dar sua consideração àquilo que não ouviram de seus líderes religiosos — que Jesus é o Executor dos julgamentos de Deus! O enaltecido Servo com quem eles se defrontarão agirá de um modo que não esperam.

      10, 11. Em que sentido se pode dizer que Jesus foi desfigurado no primeiro século, e como isso é feito hoje?

      10 Segundo o comentário parentético no versículo 14, Isaías diz: “Tanta foi a desfiguração quanto à sua aparência, mais do que a de qualquer outro homem, e quanto à sua figura imponente, mais do que a dos filhos da humanidade.” (Isaías 52:14b) Ficou Jesus de algum modo desfigurado fisicamente? Não. Embora a Bíblia não forneça detalhes sobre a aparência de Jesus, o Filho perfeito de Deus sem dúvida tinha uma fisionomia agradável. Evidentemente, as palavras de Isaías referem-se à humilhação que Jesus sofreu. Ele expôs corajosamente os líderes religiosos de seus dias como hipócritas, mentirosos e assassinos; e eles reagiram insultando-o. (1 Pedro 2:22, 23) Acusaram-no de violador da lei, blasfemador, impostor e sedicioso contra Roma. Assim, esses acusadores falsos pintaram um quadro totalmente desfigurado de Jesus.

      11 Hoje, a representação falsa de Jesus continua. A maioria das pessoas imagina Jesus como bebê numa manjedoura, ou como personagem trágico pregado numa cruz, com o rosto desfigurado e agonizante sob uma coroa de espinhos. O clero da cristandade tem incentivado tais imagens. Não apresentam Jesus como poderoso Rei celestial a quem as nações terão de prestar contas. No futuro próximo, ao se confrontarem com o enaltecido Jesus, os governantes humanos terão de lidar com um Messias que tem “toda a autoridade no céu e na terra”! — Mateus 28:18.

      Quem terá fé nessas boas novas?

      12. Que perguntas instigantes suscitavam as palavras de Isaías 53:1?

      12 Depois de descrever a espantosa transformação do Messias — de ‘desfigurado’ para “muitíssimo exaltado” —, Isaías pergunta: “Quem depositou fé na coisa ouvida por nós? E quanto ao braço de Jeová, a quem foi revelado?” (Isaías 53:1) Essas palavras de Isaías suscitavam perguntas instigantes: Cumprir-se-ia essa profecia? Será que o “braço de Jeová”, que representa sua capacidade de exercer poder, se revelaria e tornaria realidade essas palavras?

      13. Como mostrou Paulo que a profecia de Isaías se cumpriu em Jesus, e que reação houve?

      13 A resposta é inquestionavelmente sim! Em sua carta aos romanos, Paulo cita as palavras de Isaías para mostrar que a profecia ouvida e registrada por Isaías se cumpriu em Jesus. A glorificação de Jesus depois de seus sofrimentos na Terra eram boas novas. “Não obstante”, diz Paulo referindo-se aos judeus descrentes, “nem todos obedeceram às boas novas. Pois Isaías diz: ‘Jeová, quem depositou fé na coisa ouvida de nós?’ De modo que a fé segue à coisa ouvida. Por sua vez, a coisa ouvida vem por intermédio da palavra acerca de Cristo”. (Romanos 10:16, 17) Infelizmente, porém, poucos nos dias de Paulo depositaram fé nas boas novas a respeito do Servo de Deus. Por quê?

      14, 15. Sob que circunstâncias o Messias entraria no cenário terrestre?

      14 A seguir, a profecia explica aos israelitas os motivos das perguntas registradas no versículo 1 e, com isso, lança luz sobre por que muitos não aceitariam o Messias: “Ele subirá qual rebento perante [um observador] e como raiz dentre uma terra árida. Não tem nenhuma figura imponente, nem qualquer esplendor; e vendo-o nós, não há aparência, de modo que o desejássemos.” (Isaías 53:2) Vemos aqui as circunstâncias da entrada do Messias no cenário terrestre. Ele teria um começo humilde e, para os observadores, pareceria improvável que viesse a alcançar notoriedade. Além disso, seria como mero rebento, um raminho, que cresce no tronco ou no galho de uma árvore. Seria também como uma raiz dependente de água num solo seco e pouco promissor. E não viria com pompa e esplendor régios — nem com trajes de realeza ou diademas cintilantes. Ao contrário, seu início seria humilde e despretensioso.

      15 Que boa descrição do começo humilde de Jesus como ser humano! A virgem judia Maria deu à luz a ele num estábulo, numa cidadezinha chamada Belém.b (Lucas 2:7; João 7:42) Maria e seu esposo, José, eram pobres. Uns 40 dias depois do nascimento de Jesus eles trouxeram a oferta pelo pecado facultada aos pobres, “um par de rolas ou dois pombos novos”. (Lucas 2:24; Levítico 12:6-8) Com o tempo, Maria e José estabeleceram-se em Nazaré, onde Jesus se criou numa família grande, provavelmente modesta. — Mateus 13:55, 56.

      16. Em que sentido Jesus não tinha “figura imponente” ou “esplendor”?

      16 Parecia que, como humano, as raízes de Jesus não estavam fincadas no solo certo. (João 1:46; 7:41, 52) Embora fosse um homem perfeito e descendente do Rei Davi, suas circunstâncias humildes não lhe conferiam uma “figura imponente” ou “esplendor” — pelo menos não aos olhos dos que esperavam que o Messias viesse de uma origem mais nobre. Instigados pelos líderes religiosos judeus, muitos não o levaram em conta e até mesmo o desprezaram. Por fim, as multidões não viram nada de desejável no Filho perfeito de Deus. — Mateus 27:11-26.

      “Desprezado e evitado pelos homens”

      17. (a) O que Isaías passa a descrever, e por que escreve no tempo passado? (b) Quem ‘desprezou’ e ‘evitou’ Jesus, e como o fizeram?

      17 A seguir, Isaías passa a detalhar como o Messias seria encarado e tratado: “Ele foi desprezado e evitado pelos homens, homem para ter dores e para conhecer doença. E era como se se ocultasse de nós a face. Foi desprezado e não o tivemos em conta.” (Isaías 53:3) Certo de que suas palavras se cumpririam, Isaías escreve como se isso já tivesse acontecido. Foi Jesus Cristo realmente desprezado e evitado pelos homens? Certamente que sim! Para os líderes religiosos, que se consideravam justos, e seus seguidores ele era o mais vil dos homens. Chamaram-no de amigo de cobradores de impostos e de meretrizes. (Lucas 7:34, 37-39) Cuspiram-lhe no rosto. Deram-lhe socos e o vituperaram. Escarneceram dele. (Mateus 26:67) Influenciados por esses inimigos da verdade, o próprio povo de Jesus ‘não o acolheu’. — João 1:10, 11.

      18. Visto que jamais adoeceu, em que sentido Jesus era um “homem para ter dores e para conhecer doença”?

      18 Como homem perfeito, Jesus jamais adoeceu. No entanto, ele era “homem para ter dores e para conhecer doença”. Tais dores e doenças não eram suas. Jesus veio do céu para um mundo doente. Ele viveu em meio a sofrimentos e dor, mas não evitou os enfermos, quer física, quer espiritualmente. Assim como um médico dedicado, ele chegou a conhecer bem o sofrimento dos que o cercavam. Além do mais, ele podia fazer o que nenhum médico humano comum pode fazer. — Lucas 5:27-32.

      19. A face de quem estava ‘oculta’, e como os inimigos de Jesus ‘não o tiveram em conta’?

      19 Não obstante, os inimigos de Jesus viam a ele como o doente e se recusavam a encará-lo com favor. A face de Jesus estava ‘oculta’, mas não porque ele a escondesse de outros. Na tradução de Isaías 53:3, a Bíblia Vozes usa a frase “era como pessoa de quem se desvia o rosto”. Os opositores de Jesus achavam-no tão revoltante que, na realidade, desviavam-se dele como se fosse repugnante demais para contemplar. Achavam que ele não valia mais do que o preço de um escravo. (Êxodo 21:32; Mateus 26:14-16) Gostavam menos dele do que do assassino Barrabás. (Lucas 23:18-25) Que mais poderiam ter feito para demonstrar seu desprezo por Jesus?

      20. De que consolo são as palavras de Isaías para o povo de Jeová hoje?

      20 Os atuais servos de Jeová podem derivar muito consolo das palavras de Isaías. Ocasionalmente, os opositores talvez zombem dos fiéis adoradores de Jeová, ou não façam caso deles. Mas, como se deu com Jesus, o que importa mesmo é como Jeová Deus nos avalia. Afinal, mesmo que os homens ‘não tenham tido Jesus em conta’, isso certamente não mudou seu grande valor aos olhos de Deus!

      “Traspassado pela nossa transgressão”

      21, 22. (a) O que o Messias carregou e levou sobre si em favor de outros? (b) Como muitos encararam o Messias, e em que culminou seu sofrimento?

      21 Por que o Messias teria de sofrer e morrer? Isaías explica: “Verdadeiramente, foram as nossas doenças que ele mesmo carregou; e quanto às nossas dores, ele as levou. Mas nós mesmos o considerávamos afligido, golpeado por Deus e atribulado. Mas ele estava sendo traspassado pela nossa transgressão; estava sendo esmigalhado pelos nossos erros. O castigo intencionado para a nossa paz estava sobre ele, e por causa das suas feridas tem havido cura para nós. Todos nós temos andado errantes quais ovelhas; viramo-nos cada um para o seu próprio caminho; e o próprio Jeová fez que o erro de todos nós atingisse aquele.” — Isaías 53:4-6.

      22 O Messias carregou as doenças de outros e levou sobre si as suas dores. Ele tirou os fardos de cima deles, por assim dizer, e os carregou nos seus próprios ombros. E, visto que as doenças e as dores são frutos da pecaminosidade da humanidade, o Messias carregou os pecados de outros. Muitos não entenderam a razão dos sofrimentos dele e achavam que Deus o estivesse punindo, afligindo-o com uma doença repulsiva.c Os sofrimentos do Messias culminaram em ser ele traspassado, esmigalhado e ferido — palavras fortes que denotam uma morte violenta e dolorosa. Mas a sua morte tem poder expiatório; fornece a base para recuperar os que perambulam no erro e no pecado, ajudando-os a encontrar a paz com Deus.

      23. Em que sentido Jesus levou sobre si os sofrimentos de outros?

      23 De que modo Jesus levou sobre si os sofrimentos de outros? O Evangelho de Mateus, citando Isaías 53:4, diz: “Trouxeram-lhe muitas pessoas possessas de demônios; e ele expulsou os espíritos com uma palavra e curou a todos os que passavam mal; para que se cumprisse o que fora falado por intermédio de Isaías, o profeta, dizendo: ‘Ele mesmo tomou as nossas doenças e levou as nossas moléstias.’” (Mateus 8:16, 17) Por curar os que vinham a ele com várias doenças, Jesus, com efeito, tomou sobre si os sofrimentos deles. E tais curas consumiam parte de Sua vitalidade. (Lucas 8:43-48) A sua capacidade de curar todo tipo de males — físicos e espirituais — provava que ele tinha o poder de purificar as pessoas do pecado. — Mateus 9:2-8.

      24. (a) Por que parecia a muitos que Jesus havia sido “afligido” por Deus? (b) Por que Jesus sofreu e morreu?

      24 Para muitos, porém, parecia que Jesus fora “afligido” por Deus. Afinal, ele sofreu às instigações de respeitados líderes religiosos. Lembre-se, no entanto, que ele não sofreu devido a algum pecado da parte dele. “Cristo sofreu por vós”, diz Pedro, “deixando-vos um modelo para seguirdes de perto os seus passos. Ele não cometeu pecado, nem se achou engano na sua boca. Ele mesmo levou os nossos pecados no seu próprio corpo, no madeiro, a fim de que acabássemos com os pecados e vivêssemos para a justiça. E ‘pelos seus vergões fostes sarados’”. (1 Pedro 2:21, 22, 24) Todos nós estávamos outrora perdidos no pecado, como ‘ovelhas se perdendo’. (1 Pedro 2:25) Mas, por meio de Jesus, Jeová providenciou a redenção de nosso estado pecaminoso. Fez com que o nosso erro “atingisse” Jesus, que caísse sobre ele. O imaculado Jesus voluntariamente sofreu a penalidade pelos nossos pecados. Por sofrer imerecidamente uma morte vergonhosa numa estaca, tornou possível nos reconciliarmos com Deus.

      “Deixou-se atribular”

      25. Como sabemos que o Messias sofreu e morreu voluntariamente?

      25 Estaria o Messias disposto a sofrer e a morrer? Diz Isaías: “Viu-se apertado e deixou-se atribular; contudo, não abria a sua boca. Foi trazido qual ovídeo ao abate; e como a ovelha fica muda diante dos seus tosquiadores, tampouco ele abria a sua boca.” (Isaías 53:7) Na última noite de sua vida, Jesus poderia ter convocado “mais de doze legiões de anjos” para socorrê-lo. No entanto, ele disse: “Neste caso, como se cumpririam as Escrituras, de que tem de realizar-se deste modo?” (Mateus 26:53, 54) Assim, o “Cordeiro de Deus” não ofereceu resistência. (João 1:29) Quando os sacerdotes principais e os anciãos falsamente o acusaram perante Pilatos, Jesus “não deu nenhuma resposta”. (Mateus 27:11-14) Ele não queria dizer nada que comprometesse a realização da vontade de Deus para com ele. Jesus se dispunha a morrer como Cordeiro sacrificial, sabendo perfeitamente que sua morte livraria a humanidade obediente do pecado, das doenças e da morte.

      26. Em que sentido os opositores de Jesus impuseram “restrição”?

      26 A seguir, Isaías dá outros detalhes sobre os sofrimentos e a humilhação do Messias. Escreve o profeta: “Por causa da restrição e do julgamento, ele foi levado embora; e quem é que se ocupará com os pormenores de sua geração? Pois foi cortado da terra dos viventes. Por causa da transgressão do meu povo, sofreu o golpe.” (Isaías 53:8) Quando Jesus por fim foi tomado pelos seus inimigos, esses opositores religiosos usaram de “restrição” nos seus tratos com ele. Não que se refreassem de expressar seu ódio, mas restringiram, ou negaram, a justiça. Na tradução de Isaías 53:8, a Septuaginta grega diz “humilhação” em vez de “restrição”. Os inimigos de Jesus humilharam-no por lhe negarem o tratamento justo que até mesmo um criminoso comum merecia. O julgamento de Jesus foi uma farsa. Como assim?

      27. Que regras os líderes religiosos judeus ignoraram no julgamento de Jesus, e de que maneiras violaram a Lei de Deus?

      27 No seu afã de se livrarem de Jesus, os líderes religiosos judeus violaram suas próprias regras. Segundo a tradição, os casos sujeitos à pena capital só podiam ser julgados pelo Sinédrio no átrio de pedras talhadas, nos recintos do templo, não na casa do sumo sacerdote. Tais julgamentos tinham de ser feitos de dia, não depois do pôr do sol. E, em caso de pena capital, o veredicto de culpado tinha de ser anunciado no dia seguinte à conclusão das audiências. Assim, nenhum julgamento podia ser realizado na véspera de um sábado ou de uma festividade. Todas essas regras foram ignoradas no julgamento de Jesus. (Mateus 26:57-68) Pior ainda, os líderes religiosos violaram flagrantemente a Lei de Deus ao cuidarem do caso. Por exemplo, usaram de suborno para enlaçar Jesus. (Deuteronômio 16:19; Lucas 22:2-6) Deram ouvidos a testemunhas falsas. (Êxodo 20:16; Marcos 14:55, 56) E conspiraram para libertar um assassino, trazendo assim culpa de sangue sobre si mesmos e seu país. (Números 35:31-34; Deuteronômio 19:11-13; Lucas 23:16-25) Assim, não houve sentença correta e imparcial resultante de um “julgamento” justo.

      28. O que os inimigos de Jesus não levaram em conta?

      28 Será que os inimigos de Jesus procuraram saber quem realmente era o homem que julgavam? Isaías fizera uma pergunta similar: “Quem é que se ocupará com os pormenores de sua geração?” A palavra “geração” pode referir-se à origem, ou à formação, de uma pessoa. Ao julgá-lo no Sinédrio, seus membros não levaram em conta a formação de Jesus — que ele preenchia os requisitos para ser o Messias prometido. Em vez disso, acusaram-no de blasfêmia e condenaram-no à morte. (Marcos 14:64) Depois, o governador romano Pôncio Pilatos cedeu à pressão e sentenciou Jesus a ser pregado numa estaca. (Lucas 23:13-25) Assim, aos 33 anos e meio de idade, na flor da vida, Jesus “foi cortado”, ou eliminado.

      29. Em que sentido Jesus foi sepultado “com os iníquos” e “com a classe rica”?

      29 A respeito da morte e sepultamento do Messias, Isaías escreve a seguir: “Ele fará a sua sepultura mesmo com os iníquos e com a classe rica, na sua morte, apesar do fato de que não praticara nenhuma violência e não havia engano na sua boca.” (Isaías 53:9) Na sua morte e sepultamento, em que sentido Jesus esteve com os iníquos e com os ricos? Em 14 de nisã de 33 EC, ele morreu na estaca de execução, fora dos muros de Jerusalém. Visto que foi pregado entre dois malfeitores, de certa maneira sua sepultura foi entre os iníquos. (Lucas 23:33) Mas, depois da morte de Jesus, José, um homem rico de Arimateia, reuniu coragem para pedir a Pilatos permissão para retirar o corpo de Jesus e sepultá-lo. Junto com Nicodemos, José preparou o corpo para o sepultamento e colocou-o num túmulo recém-escavado que lhe pertencia. (Mateus 27:57-60; João 19:38-42) De modo que a sepultura de Jesus ficou também entre a classe rica.

      “Jeová se agradou em esmigalhá-lo”

      30. Em que sentido Jeová se agradou em esmigalhar Jesus?

      30 A seguir, Isaías diz algo espantoso: “O próprio Jeová se agradou em esmigalhá-lo; fez que adoecesse. Se puseres a sua alma como oferta pela culpa, ele verá a sua descendência, prolongará os seus dias, e na sua mão o agrado de Jeová será bem-sucedido. Por causa da desgraça da sua alma, ele verá, ficará satisfeito. Por meio do seu conhecimento, o justo, meu servo, trará uma posição justa a muita gente; e ele mesmo levará os erros deles.” (Isaías 53:10, 11) Como poderia Jeová ter agrado no esmigalhamento de seu servo fiel? Obviamente, Jeová não causou pessoalmente sofrimentos a seu Filho querido. Os inimigos de Jesus foram plenamente responsáveis pelo que lhe fizeram. Mas Jeová permitiu que agissem cruelmente. (João 19:11) Por que razão? Certamente, o Deus de empatia e de terna compaixão sentia-se penalizado em ver seu Filho inocente sofrer. (Isaías 63:9; Lucas 1:77, 78) Jeová por certo não estava de modo algum descontente com Jesus. Mesmo assim, Jeová se agradou da disposição de seu Filho de sofrer por causa de todas as bênçãos que resultariam disso.

      31. (a) De que modo Jeová colocou a alma de Jesus como “oferta pela culpa”? (b) Depois de toda tribulação que Jesus sofreu como humano, o que, em especial, deve dar-lhe satisfação?

      31 Por um lado, Jeová colocou a alma de Jesus como “oferta pela culpa”. Assim, quando ascendeu de volta para o céu, Jesus entrou na presença de Jeová levando o mérito de sua vida humana sacrificada como oferta pela culpa, e Jeová se agradou em aceitá-la em favor de toda a humanidade. (Hebreus 9:24; 10:5-14) Por meio de sua oferta pela culpa, Jesus adquiriu “descendência”. Como “Pai Eterno”, é capaz de dar vida — vida eterna — aos que exercem fé no seu sangue derramado. (Isaías 9:6) Depois de toda tribulação que Jesus sofreu como alma humana, quão gratificante lhe deve ser a perspectiva de libertar a humanidade do pecado e da morte! Naturalmente, deve ser ainda mais gratificante para ele saber que sua integridade deu a seu Pai celestial uma resposta aos escárnios de Seu Adversário, Satanás, o Diabo. — Provérbios 27:11.

      32. Por meio de que “conhecimento” Jesus concede ‘uma posição justa a muitos’, e quem adquire essa posição?

      32 Outra bênção que resultou da morte de Jesus é que ele ‘traz uma posição justa a muitos’, já agora. Ele faz isso, diz Isaías, “por meio do seu conhecimento”. Evidentemente, trata-se de um conhecimento que Jesus adquiriu por ter se tornado homem e sofrido injustamente por causa de sua obediência a Deus. (Hebreus 4:15) Tendo seu sofrimento levado à morte, Jesus pôde suprir o sacrifício necessário para ajudar outros a adquirir uma posição justa. A quem se concede essa posição justa? Primeiro, a seus seguidores ungidos. Por sua fé no sacrifício de Jesus, Jeová os declara justos visando adotá-los como filhos e fazer deles co-herdeiros de Jesus. (Romanos 5:19; 8:16, 17) Daí, uma “grande multidão” de “outras ovelhas” exercem fé no sangue derramado de Jesus e usufruem uma posição justa visando tornar-se amigos de Deus e sobreviventes do Armagedom. — Revelação 7:9; 16:14, 16; João 10:16; Tiago 2:23, 25.

      33, 34. (a) O que aprendemos a respeito de Jeová que acalenta o nosso coração? (b) Quem são “os muitos” entre os quais o Servo messiânico receberia “um quinhão”?

      33 Por fim, Isaías fala dos triunfos do Messias: “Por isso lhe repartirei um quinhão entre os muitos e será com os potentes que ele repartirá o despojo, devido ao fato de que esvaziou a sua alma até a própria morte e foi contado com os transgressores; e ele mesmo carregou o próprio pecado de muita gente e passou a interceder pelos transgressores.” — Isaías 53:12.

      34 As palavras finais dessa parte da profecia de Isaías ensinam algo tocante sobre Jeová: ele valoriza os que lhe permanecem leais. Isso é indicado pela promessa de que ‘repartiria’, ou concederia, ao Servo messiânico “um quinhão entre os muitos”. Essas palavras pelo visto se derivam do costume de dividir os despojos de guerra. Jeová preza a lealdade dos “muitos” fiéis da antiguidade, como Noé, Abraão e Jó, e ele tem em reserva “um quinhão” para eles no seu vindouro novo mundo. (Hebreus 11:13-16) Similarmente, ele daria um quinhão a seu Servo messiânico. Com certeza, Jeová não deixaria sem recompensa a sua integridade. Nós também podemos estar certos de que Jeová ‘não se esquecerá de nossa obra e do amor que mostramos ao seu nome’. — Hebreus 6:10.

      35. Quem são “os potentes” com os quais Jesus divide os despojos, e o que são esses despojos?

      35 O Servo de Deus ganharia também despojos de guerra pela vitória sobre seus inimigos. Partilharia esses despojos com “os potentes”. No cumprimento, quem são “os potentes”? São os primeiros discípulos de Jesus a vencer o mundo assim como ele venceu — os 144 mil cidadãos do “Israel de Deus”. (Gálatas 6:16; João 16:33; Revelação 3:21; 14:1) E o que são os despojos? Evidentemente, esses incluem as “dádivas em homens”, que Jesus arrancou do controle de Satanás, por assim dizer, e entregou à congregação cristã. (Efésios 4:8-12) Os 144 mil “potentes” recebem também uma parte de outro despojo. Por causa de sua vitória sobre o mundo, eles arrebatam de Satanás qualquer base para escarnecer de Deus. A sua inquebrantável devoção a Jeová exalta-o, alegrando seu coração.

      36. Sabia Jesus que estava cumprindo a profecia a respeito do Servo de Deus? Explique.

      36 Jesus sabia que estava cumprindo a profecia a respeito do Servo de Deus. Na noite de sua prisão, ele citou as palavras de Isaías 53:12 e aplicou-as a si mesmo: “Eu vos digo que se tem de efetuar em mim o que foi escrito, a saber: ‘E ele foi contado com os que são contra a lei.’ Porque aquilo que se refere a mim está sendo efetuado.” (Lucas 22:36, 37) Infelizmente, Jesus foi mesmo tratado como um fora da lei. Foi executado como infrator, pregado numa estaca entre dois assaltantes. (Marcos 15:27) Mas ele aceitou voluntariamente esse vitupério, sabendo muito bem que estava intercedendo por nós. Na realidade, ele se colocou entre os pecadores e o golpe da pena de morte, que recaiu sobre ele.

      37. (a) O registro histórico da vida e da morte de Jesus nos permite fazer que identificação? (b) Por que devemos ser gratos a Jeová Deus e a seu enaltecido Servo, Jesus Cristo?

      37 O registro histórico da vida e da morte de Jesus nos permite fazer uma identificação infalível: Jesus Cristo é o Servo messiânico da profecia de Isaías. Quão gratos devemos ser de que Jeová permitiu que seu Filho amado cumprisse o papel profético do Servo, sofrendo e morrendo de modo que pudéssemos ser redimidos do pecado e da morte! Jeová demonstrou assim grande amor por nós. Romanos 5:8 diz: “Deus recomenda a nós o seu próprio amor, por Cristo ter morrido por nós enquanto éramos ainda pecadores.” Quão gratos também devemos ser a Jesus Cristo, o enaltecido Servo, que voluntariamente esvaziou a sua alma até a própria morte!

      [Nota(s) de rodapé]

      a Na sua versão de Isaías 52:13, o Targum de Jonathan ben Uzziel (primeiro século EC), traduzido por J. F. Stenning, diz: “Observai, meu servo, o Ungido (ou, o Messias), prosperará.” Similarmente, o Talmude Babilônico (c. terceiro século EC), reza: “O Messias — qual é seu nome? . . . [; os] da casa de Rabi [dizem, O doente], como se disse: ‘Certamente ele carregou sobre si as nossas doenças.’” — Sinédrio 98b; Isaías 53:4.

      b O profeta Miqueias referiu-se a Belém como “pequena demais para chegar a estar entre os milhares de Judá”. (Miqueias 5:2) No entanto, Belém teve a honra ímpar de ser a cidade em que nasceu o Messias.

      c A palavra hebraica traduzida por “afligido” é também usada com relação à lepra. (2 Reis 15:5) Segundo certos eruditos, alguns judeus derivaram de Isaías 53:4 a ideia de que o Messias seria leproso. O Talmude Babilônico aplica esse versículo ao Messias, chamando-o de “erudito leproso”. A versão católica Douay Version (em inglês), refletindo a Vulgata latina, traduz assim esse trecho: “Nós o imaginamos um leproso.”

      [Tabela na página 212]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      O SERVO DE JEOVÁ

      Como Jesus cumpriu o papel

      PROFECIA EVENTO CUMPRIMENTO

      Isa. 52:13 Seria elevado Atos 2:34-36; Fil. 2:8-11;

      e enaltecido 1 Ped. 3:22

      Isa. 52:14 Seria difamado Mat. 11:19; 27:39-44, 63, 64;

      e desacreditado João 8:48; 10:20

      Isa. 52:15 Surpreenderia Mat. 24:30;

      muitas nações 2 Tes. 1:6-10; Rev. 1:7

      Isa. 53:1 Não creriam nele João 12:37, 38;

      Rom. 10:11, 16, 17

      Isa. 53:2 Início humano Luc. 2:7; João 1:46

      humilde e despretensioso

      Isa. 53:3 Seria desprezado Mat. 26:67; Luc. 23:18-25;

      e rejeitado João 1:10, 11

      Isa. 53:4 Carregaria nossas Mat. 8:16, 17; Luc. 8:43-48

      doenças

      Isa. 53:5 Seria traspassado João 19:34

      Isa. 53:6 Sofreria pelos 1 Ped. 2:21-25

      erros de outros

      Isa. 53:7 Ficaria quieto, Mat. 27:11-14;

      sem se queixar, Mar. 14:60, 61; Atos 8:32, 35

      diante de acusadores

      Isa. 53:8 Seria julgado e Mat. 26:57-68; 27:1, 2, 11-26;

      condenado João 18:12-14, 19-24, 28-40

      injustamente

      Isa. 53:9 Seria enterrado Mat. 27:57-60; João 19:38-42

      com os ricos

      Isa. 53:10 Teria sua alma Heb. 9:24; 10:5-14

      colocada como

      oferta pela culpa

      Isa. 53:11 Abriria caminho Rom. 5:18, 19; 1 Ped. 2:24;

      para muitos Rev. 7:14

      adquirirem uma

      posição justa

      Isa. 53:12 Seria contado Mat. 26:55, 56; 27:38;

      com pecadores Luc. 22:36, 37

      [Foto na página 203]

      ‘Ele foi desprezado pelos homens’

      [Foto na página 206]

      “Não abria a sua boca”

      [Crédito]

      Detalhe de “Ecce Homo”, de Antonio Ciseri

      [Foto na página 211]

      “Esvaziou a sua alma até a própria morte”

  • A mulher estéril se alegraria
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
    • Capítulo Quinze

      A mulher estéril se alegraria

      Isaías 54:1-17

      1. Por que Sara ansiava ter filhos, e qual era sua situação nesse respeito?

      SARA desejava ter filhos. Infelizmente, porém, ela era estéril, e isso lhe causava muita tristeza. Nos seus dias, a esterilidade era encarada como algo vergonhoso, mas o sofrimento de Sara ia além disso. Ela anelava ver o cumprimento da promessa de Deus feita ao seu marido. Abraão geraria um descendente que seria uma bênção para todas as famílias da Terra. (Gênesis 12:1-3) No entanto, décadas depois de Deus ter feito essa promessa, eles ainda não tinham filhos. Sara envelheceu e continuou estéril. É possível que às vezes ela se tivesse perguntado se suas esperanças não eram em vão. Certo dia, porém, seu desespero se transformou em alegria!

      2. Por que nos deve interessar a profecia registrada no capítulo 54 de Isaías?

      2 A aflição de Sara nos ajuda a entender a profecia registrada no capítulo 54 de Isaías. Fala-se ali a Jerusalém como se fosse uma mulher estéril que viria a conhecer a grande alegria de ter muitos filhos. Por representar seu antigo povo coletivamente como sua esposa, Jeová mostra seus ternos sentimentos para com eles. Além disso, esse capítulo de Isaías nos ajuda a desvendar um aspecto crucial do que a Bíblia chama de “segredo sagrado”. (Romanos 16:25, 26) A identidade da “mulher” e sua experiência predita nessa profecia lançam importante luz sobre a adoração pura hoje.

      Identificada a “mulher”

      3. Por que a “mulher” estéril teria motivos para se alegrar?

      3 O capítulo 54 começa num tom feliz: “‘Grita de júbilo, ó mulher estéril que não deste à luz! Fica animada com clamor jubilante e grita estridentemente, tu que não tiveste dores de parto, porque os filhos da desolada são mais numerosos do que os filhos da mulher que tem um dono marital’, disse Jeová.” (Isaías 54:1) Com quanta emoção Isaías deve ter proferido essas palavras! E quanto consolo seu cumprimento traria aos judeus exilados em Babilônia! Naquele tempo, Jerusalém ainda estaria desolada. Do ponto de vista humano, pareceria não haver esperança de que fosse repovoada, assim como uma mulher estéril normalmente não teria esperança de ter filhos na idade avançada. Mas essa “mulher” tinha uma grande bênção no futuro — tornar-se-ia fértil. Jerusalém ficaria fora de si de alegria. Voltaria a fervilhar de “filhos”, ou moradores.

      4. (a) Como o apóstolo Paulo nos ajuda a ver que o capítulo 54 de Isaías tem de ter um cumprimento maior que o de 537 AEC? (b) O que é a “Jerusalém de cima”?

      4 Isaías talvez não soubesse, mas essa profecia teria mais de um cumprimento. O apóstolo Paulo cita do capítulo 54 de Isaías e explica que a “mulher” significa algo muito mais importante do que a cidade terrestre de Jerusalém. Ele escreve: “A Jerusalém de cima é livre, e ela é a nossa mãe.” (Gálatas 4:26) O que é essa “Jerusalém de cima”? Obviamente não é a cidade de Jerusalém na Terra Prometida. Essa cidade é terrestre, não “de cima”, no domínio celestial. “Jerusalém de cima” é a “mulher” celestial de Deus, sua organização de poderosas criaturas espirituais.

      5. No drama simbólico esboçado em Gálatas 4:22-31, quem é prefigurado por (a) Abraão? (b) Sara? (c) Isaque? (d) Agar? (e) Ismael?

      5 Mas como pode Jeová ter duas mulheres simbólicas — uma celestial e outra terrestre? Existe uma incoerência aqui? De modo algum. O apóstolo Paulo mostra que a resposta está no quadro profético provido pela família de Abraão. (Gálatas 4:22-31; veja “A família de Abraão — um quadro profético”, na página 218.) Sara, ‘a mulher livre’ e esposa de Abraão, representa a organização-esposa de Jeová, composta de criaturas espirituais. Agar, escrava e esposa secundária, ou concubina, de Abraão, representa a Jerusalém terrestre.

      6. Em que sentido a organização celestial de Deus teve um longo período de esterilidade?

      6 Com esse cenário, começamos a ver o profundo significado de Isaías 54:1. Depois de décadas de esterilidade, Sara deu à luz Isaque aos 90 anos de idade. Similarmente, a organização celestial de Jeová teve um longo período de esterilidade. Lá no Éden, Jeová prometera que sua “mulher” produziria o “descendente”. (Gênesis 3:15) Mais de 2 mil anos depois, Jeová fez seu pacto com Abraão a respeito do Descendente da promessa. Mas a “mulher” celestial de Deus teria de esperar muitos, muitos séculos antes de produzir esse Descendente. Ainda assim, chegou o tempo em que os filhos dessa outrora “mulher estéril” eram mais numerosos do que os do Israel carnal. A ilustração da mulher estéril nos ajuda a entender por que os anjos estavam tão ansiosos de testemunhar a chegada do predito Descendente. (1 Pedro 1:12) Quando foi que isso finalmente aconteceu?

      7. Quando foi que a “Jerusalém de cima” teve motivo para jubilar, como predito em Isaías 54:1, e por que responde assim?

      7 O nascimento de Jesus como humano foi certamente uma ocasião de alegria entre os anjos. (Lucas 2:9-14) Mas esse não foi o evento predito em Isaías 54:1. Foi só ao ser gerado pelo espírito santo, em 29 EC, que Jesus se tornou filho espiritual da “Jerusalém de cima”, reconhecido publicamente pelo próprio Deus como seu “Filho, o amado”. (Marcos 1:10, 11; Hebreus 1:5; 5:4, 5) Foi então que a celestial “mulher” de Deus teve motivo para jubilar, em cumprimento de Isaías 54:1. Finalmente tinha produzido o prometido Descendente, o Messias! Seus séculos de esterilidade haviam acabado. Mas sua alegria não parava por aí.

      Numerosos filhos para a mulher estéril

      8. Por que a “mulher” celestial de Deus teve motivo para se alegrar depois de produzir o prometido Descendente?

      8 Depois da morte e ressurreição de Jesus, a “mulher” celestial de Deus se alegrou em acolher de volta esse Filho favorecido como “primogênito dentre os mortos”. (Colossenses 1:18) Daí ela passou a produzir mais filhos espirituais. No Pentecostes de 33 EC, cerca de 120 seguidores de Jesus foram ungidos com espírito santo, sendo assim adotados como co-herdeiros de Cristo. Mais tarde naquele dia, foram acrescentados mais 3 mil. (João 1:12; Atos 1:13-15; 2:1-4, 41; Romanos 8:14-16) Esse grupo de filhos continuou a crescer. Durante os primeiros séculos da apostasia da cristandade, o aumento foi bem lento. Mas isso havia de mudar no século 20.

      9, 10. O que a instrução de ‘tornar mais espaçoso o lugar da tenda’ significava para uma mulher que morava em tendas nos tempos antigos, e por que isso seria um tempo de alegria para tal mulher?

      9 Isaías continua a profetizar sobre um período de crescimento notável: “Faze mais espaçoso o lugar da tua tenda. E estendam-se os panos de tenda do teu grandioso tabernáculo. Não te refreies. Alonga os teus cordões de tenda e faze fortes as tuas estacas de tenda. Pois irromperás pela direita e pela esquerda, e tua própria descendência tomará posse até mesmo de nações, e eles habitarão até mesmo nas cidades desoladas. Não tenhas medo, pois não serás envergonhada; e não te sintas humilhada, pois não ficarás desapontada. Porque te esquecerás até mesmo da vergonha do teu tempo de juventude e não te lembrarás mais do vitupério da tua contínua viuvez.” — Isaías 54:2-4.

      10 Fala-se aqui a Jerusalém como uma esposa e mãe morando em tendas, como Sara. Quando é abençoada com uma família crescente, é tempo de tal mãe providenciar a expansão de seu lar. Ela precisa estender lonas e cordões mais compridos e fixar as estacas da tenda nas suas novas posições. Isso é um serviço alegre para ela e, num período tão atarefado, talvez se esqueça facilmente dos anos em que se perguntava ansiosamente se algum dia teria filhos para dar continuidade à linhagem da família.

      11. (a) Como a “mulher” celestial de Deus foi abençoada em 1914? (Veja nota ao pé da página.) (b) De 1919 em diante, que bênçãos têm experimentado os ungidos na Terra?

      11 A Jerusalém terrestre foi abençoada com tal período de renovação após o exílio babilônico. A “Jerusalém de cima” tem sido ainda mais abençoada.a Especialmente desde 1919, os de sua “descendência” ungida têm florescido em sua recém-restaurada condição espiritual. (Isaías 61:4; 66:8) Eles ‘tomaram posse de nações’ no sentido de que se espalharam em muitos países à procura dos dispostos a se juntar à sua família espiritual. Com isso, ocorreu um aumento explosivo no ajuntamento dos filhos ungidos. Seu número final de 144 mil parecia estar completo em meados dos anos 30. (Revelação [Apocalipse] 14:3) Naquela época, o objetivo primário da pregação deixou de ser o ajuntamento dos ungidos. Ainda assim, a expansão não se restringiu aos ungidos.

      12. Além dos ungidos, quem tem sido ajuntado à congregação cristã desde a década de 1930?

      12 O próprio Jesus predisse que, além de seu “pequeno rebanho” de irmãos ungidos, ele teria “outras ovelhas” que teriam de ser trazidas ao aprisco de cristãos verdadeiros. (Lucas 12:32; João 10:16) Embora não estejam entre os filhos ungidos da “Jerusalém de cima”, esses fiéis companheiros dos ungidos cumprem um papel importante e há muito profetizado. (Zacarias 8:23) Desde os anos 30 até hoje, uma “grande multidão” deles tem sido ajuntada, resultando numa expansão sem precedentes da congregação cristã. (Revelação 7:9, 10) Hoje essa grande multidão chega a milhões. Toda essa expansão tem criado uma necessidade urgente de mais Salões do Reino, Salões de Assembleias e prédios de filiais e congêneres. As palavras de Isaías parecem ainda mais oportunas. Que privilégio é fazer parte dessa predita expansão!

      Uma mãe que zela por sua descendência

      13, 14. (a) Que aparente dificuldade se vê em conexão com algumas expressões dirigidas à “mulher” celestial de Deus? (b) O que podemos discernir do uso ilustrativo que Deus faz das relações familiares?

      13 Vimos que, no cumprimento maior, a “mulher” da profecia representa a organização celestial de Jeová. Mas, ao lermos Isaías 54:4, talvez nos perguntemos em que sentido essa organização de criaturas espirituais alguma vez sofreu vergonha ou vitupério. Os versículos seguintes dizem que a “mulher” de Deus seria rejeitada, afligida e submetida a ataques. Chegaria até mesmo a provocar a indignação de Deus. Como podem tais coisas se aplicar a uma organização de criaturas espirituais perfeitas que jamais pecaram? A resposta está no conceito de família.

      14 Jeová usa relações familiares — marido e esposa, mãe e filhos — para transmitir verdades espirituais profundas porque tais símbolos são significativos para os humanos. Seja qual for o alcance ou a qualidade de nossa própria experiência familiar, provavelmente temos uma ideia do que deve ser um bom casamento, ou uma boa relação entre pais e filhos. Assim, quão vividamente Jeová nos ensina que ele tem uma calorosa, estreita e confiante relação com suas vastas multidões de servos espirituais! E de que maneira expressiva ele nos ensina que sua organização celestial zela pela sua descendência terrestre ungida pelo espírito! Quando os servos humanos sofrem, os fiéis servos celestiais, a “Jerusalém de cima”, também sofrem. Similarmente, Jesus disse: “Ao ponto que o fizestes a um dos mínimos destes meus irmãos [ungidos pelo espírito], a mim o fizestes.” — Mateus 25:40.

      15, 16. Qual seria o cumprimento inicial de Isaías 54:5, 6, e qual seria o cumprimento maior?

      15 Portanto, não é de admirar que muito do que se diz à “mulher” celestial de Jeová reflita as experiências dos filhos dela na Terra. Considere estas palavras: “‘O Grandioso que te fez é teu dono marital, cujo nome é Jeová dos exércitos; e o Santo de Israel é teu Resgatador. Será chamado de Deus de toda a terra. Porque Jeová te chamou como se fosses uma esposa completamente abandonada e de espírito magoado, e como esposa do tempo da mocidade, que então foi rejeitada’, disse o teu Deus.” — Isaías 54:5, 6.

      16 Quem é a esposa a quem se dirigem essas palavras? No cumprimento inicial seria Jerusalém, que representava os do povo de Deus. Durante seu exílio de 70 anos em Babilônia, eles se sentiriam como se Jeová os tivesse rejeitado e abandonado completamente. No cumprimento maior, tais palavras se referem à “Jerusalém de cima” e sua experiência de por fim produzir o “descendente”, cumprindo Gênesis 3:15.

      Disciplina passageira, bênçãos eternas

      17. (a) Como a Jerusalém terrestre experimentaria uma “onda” de indignação divina? (b) Que “onda” sentiram os filhos da “Jerusalém de cima”?

      17 A profecia continua: “‘Por um pequeno instante te abandonei completamente, mas com grandes misericórdias te reunirei. Numa onda de indignação escondi de ti a minha face apenas por um instante, mas vou ter misericórdia de ti com benevolência por tempo indefinido’, disse teu Resgatador, Jeová.” (Isaías 54:7, 8) A Jerusalém terrestre foi inundada por uma “onda” de indignação de Deus no ataque das forças babilônicas, em 607 AEC. Seus 70 anos no exílio poderiam parecer muito tempo. Mesmo assim, tais provações durariam ‘apenas um instante’ se comparadas às bênçãos eternas em reserva para os que aceitassem a disciplina. Similarmente, os filhos ungidos da “Jerusalém de cima” se sentiram como que sobrepujados por uma “onda” de ira divina, quando Jeová permitiu que fossem atacados por elementos políticos instigados por Babilônia, a Grande. Mas quão breve essa medida disciplinar pareceu mais tarde, em contraste com a era de bênçãos espirituais que se seguiram desde 1919!

      18. Que importante princípio se pode discernir a respeito da ira de Jeová contra seu povo, e como isso talvez nos afete pessoalmente?

      18 Esses versículos expressam ainda outra grande verdade — a ira de Deus é fugaz, mas sua misericórdia é eterna. A sua ira se acende contra a transgressão, mas é sempre controlada, sempre objetiva. E, se aceitarmos a disciplina de Jeová, a sua ira dura ‘apenas um instante’, daí desvanece. É substituída por suas “grandes misericórdias” — seu perdão e sua benevolência. Essas duram “por tempo indefinido”. Portanto, se cometermos um pecado, jamais deveremos hesitar em nos arrepender e fazer as pazes com Deus. Se o pecado for sério, devemos contatar imediatamente os anciãos congregacionais. (Tiago 5:14) Talvez seja necessário uma disciplina, é verdade, à qual pode ser difícil se submeter. (Hebreus 12:11) Mas será breve em comparação com as bênçãos eternas resultantes de receber o perdão de Jeová Deus.

      19, 20. (a) O que é o pacto do arco-íris, e por que seria relevante para os exilados em Babilônia? (b) Que garantia oferece o “pacto de paz” aos atuais cristãos ungidos?

      19 A seguir, Jeová dá a seu povo uma garantia consoladora: “‘Isto é para mim como os dias de Noé. Assim como jurei que as águas de Noé não mais passariam sobre a terra, assim jurei que não vou ficar indignado contigo nem vou censurar-te. Pois os próprios montes podem ser removidos e os próprios morros podem ser abalados, mas a minha benevolência é que não será removida de ti, nem tampouco será abalado o meu pacto de paz’, disse Jeová, Aquele que tem misericórdia de ti.” (Isaías 54:9, 10) Depois do Dilúvio, Deus fez um pacto — às vezes chamado de pacto do arco-íris — com Noé e todas as outras criaturas vivas. Jeová prometeu que nunca mais causaria destruição na Terra por meio de um dilúvio global. (Gênesis 9:8-17) O que isso significava para Isaías e seu povo?

      20 Era consolador saber que a necessária punição — os 70 anos de exílio em Babilônia — seria aplicada uma só vez. Quando tivesse passado, nunca mais ocorreria. Depois disso, vigoraria o “pacto de paz” de Deus. A palavra hebraica para “paz” não denota só ausência de guerra, mas também todo tipo de bem-estar. Da parte de Deus, esse pacto seria permanente. Mais fácil seria desaparecerem os montes e os morros do que acabar Sua benevolência para com seu povo fiel. Infelizmente, a nação terrestre de Deus deixou de cumprir sua parte no pacto e abalou sua própria paz por rejeitar o Messias. Mas os filhos da “Jerusalém de cima” se saíram muito melhor. Terminado seu difícil período de disciplina, receberam garantia da proteção divina.

      A segurança espiritual do povo de Deus

      21, 22. (a) Por que se diz que a “Jerusalém de cima” seria atribulada e sacudida pela tormenta? (b) O que a abençoada condição da “mulher” celestial de Deus significaria para sua “descendência” na Terra?

      21 Jeová passa a predizer segurança para seu povo fiel: “Ó mulher atribulada, sacudida pela tormenta, não consolada, eis que assento as tuas pedras com argamassa dura e vou lançar teu alicerce com safiras. E eu vou fazer as tuas ameias de rubis e teus portões de pedras fulgurosas, e todos os teus termos de pedras agradáveis. E todos os teus filhos serão pessoas ensinadas por Jeová e a paz de teus filhos será abundante. Mostrar-te-ás firmemente estabelecida na própria justiça. Estarás longe da opressão — pois não temerás a ninguém — e daquilo que aterroriza, porque não se chegará a ti. Se é que alguém fizer um ataque, não será às minhas ordens. Quem fizer um ataque contra ti cairá mesmo por tua causa.” — Isaías 54:11-15.

      22 Naturalmente, a “mulher” de Jeová no domínio espiritual nunca foi diretamente atribulada ou “sacudida pela tormenta”. Mas ela sofreu quando os de sua “descendência” ungida na Terra sofreram, especialmente quando estavam no cativeiro espiritual, no período de 1918-1919. Inversamente, o enaltecimento da “mulher” celestial reflete uma condição similar prevalecente entre sua descendência. Considere, então, a resplandecente descrição da “Jerusalém de cima”. As pedras preciosas nos portões, a custosa “argamassa dura”, os alicerces e até mesmo os limites sugerem, como diz certa obra de referência, “beleza, suntuosidade, pureza, força e solidez”. O que levaria os cristãos ungidos a tal condição segura e abençoada?

      23. (a) Serem ‘ensinados por Jeová’ tem tido que efeito sobre os cristãos ungidos nos últimos dias? (b) Em que sentido o povo de Deus tem sido abençoado com “termos de pedras agradáveis”?

      23 O versículo 13 do capítulo 54 de Isaías fornece a chave da resposta — todos seriam ‘ensinados por Jeová’. O próprio Jesus aplicou as palavras desse versículo a seus seguidores ungidos. (João 6:45) O profeta Daniel predisse que, neste “tempo do fim”, os ungidos seriam abençoados com muito conhecimento verdadeiro e perspicácia espiritual. (Daniel 12:3, 4) Tal perspicácia os tem capacitado a impulsionar a maior campanha educacional da História, divulgando o ensino divino em toda a Terra. (Mateus 24:14) Ao mesmo tempo, tal perspicácia os tem ajudado a ver a diferença entre a religião verdadeira e a falsa. Isaías 54:12 menciona “termos de pedras agradáveis”. Desde 1919, Jeová tem dado aos ungidos uma compreensão cada vez mais clara dos termos — as linhas de demarcação espiritual — colocando-os à parte da religião falsa e dos elementos ímpios do mundo. (Ezequiel 44:23; João 17:14; Tiago 1:27) Assim, são separados como povo do próprio Deus. — 1 Pedro 2:9.

      24. Como podemos nos certificar de que estamos sendo ensinados por Jeová?

      24 Portanto, cada um de nós fará bem em se perguntar: ‘Estou sendo ensinado por Jeová?’ Não somos ensinados automaticamente. Temos de nos esforçar. Pela leitura regular da Palavra de Deus, com meditação, pela assimilação de instruções através da leitura das publicações bíblicas do “escravo fiel e discreto” e pela preparação e frequência às reuniões cristãs, estaremos sem dúvida sendo ensinados por Jeová. (Mateus 24:45-47) Se nos esforçarmos em aplicar o que aprendemos e permanecermos espiritualmente despertos e vigilantes, o ensino divino nos distinguirá das pessoas deste mundo ímpio. (1 Pedro 5:8, 9) Melhor ainda, nos ajudará a nos ‘achegar a Deus’. — Tiago 1:22-25; 4:8.

      25. Que significa para o povo de Deus nos tempos modernos a promessa divina de paz?

      25 A profecia de Isaías mostra também que os ungidos são abençoados com paz abundante. Significa isso que nunca são atacados? Não, mas Deus garante que não ordenará tais ataques e nem permitirá que sejam bem-sucedidos. Lemos: “‘Eis que eu mesmo criei o artífice, aquele que sopra o fogo de carvão de lenha e produz uma arma como sua feitura. Eu mesmo, também, criei o homem ruinoso para trabalho de demolição. Nenhuma arma que se forjar contra ti será bem-sucedida, e condenarás toda e qualquer língua que se levantar contra ti em julgamento. Esta é a propriedade hereditária dos servos de Jeová, e sua justiça procede de mim’, é a pronunciação de Jeová.” — Isaías 54:16, 17.

      26. Por que é reanimador saber que Jeová é o Criador de toda a humanidade?

      26 Pela segunda vez nesse capítulo de Isaías Jeová lembra seus servos de que ele é o Criador. Anteriormente, ele diz à sua esposa simbólica que ele é o ‘Grandioso que a fez’. Agora, ele diz que é o Criador de toda a humanidade. O versículo 16 retrata um ferreiro avivando as brasas da forja ao criar suas armas de destruição e um guerreiro, um “homem ruinoso para trabalho de demolição”. Homens assim talvez representem um quadro assustador para outros humanos, mas como poderiam esperar prevalecer contra seu próprio Criador? Também hoje, mesmo se as mais poderosas forças deste mundo atacarem o povo de Jeová, não terão chance de sucesso final. Por que não?

      27, 28. De que podemos ter certeza nestes tempos turbulentos, e por que sabemos que os ataques de Satanás contra nós fracassarão?

      27 O tempo para ruinosos ataques contra o povo de Deus e sua adoração com espírito e verdade passou. (João 4:23, 24) Jeová permitiu que Babilônia, a Grande, fizesse um ataque temporariamente bem-sucedido. Por um instante, a “Jerusalém de cima” viu sua descendência ser praticamente silenciada quando a obra de pregação na Terra quase parou. Isso jamais se repetirá! Agora ela exulta por causa de seus filhos, pois eles são, em sentido espiritual, invencíveis. (João 16:33; 1 João 5:4) Ah!, sim, tem havido armas de ataque contra eles, e haverá mais. (Revelação 12:17) Mas essas armas não foram e não serão bem-sucedidas. Satanás não tem arma capaz de sufocar a fé e o zelo fervoroso dos ungidos e seus companheiros. Essa paz espiritual é a “propriedade hereditária dos servos de Jeová”, de modo que ninguém pode tomá-la deles à força. — Salmo 118:6; Romanos 8:38, 39.

      28 Sim, nada que o mundo de Satanás possa fazer jamais acabará com a obra e a perseverante adoração pura dos servos dedicados de Deus. A descendência ungida da “Jerusalém de cima” tem derivado grande consolo dessa garantia. E também os da grande multidão. Quanto mais aprendermos a respeito da organização celestial de Jeová e de seus tratos com seus adoradores na Terra, mais forte será a nossa fé. Enquanto a nossa fé for forte, as armas de Satanás serão fúteis na luta contra nós!

      [Nota(s) de rodapé]

      a Segundo Revelação 12:1-17, a “mulher” de Deus foi muito abençoada por ter dado à luz uma “descendência” da mais alta importância — não um filho espiritual individual, mas o Reino messiânico no céu. Esse nascimento ocorreu em 1914. (Veja Revelação — Seu Grandioso Clímax Está Próximo!, páginas 177-186.) A profecia de Isaías se centraliza na alegria que ela sente em resultado da bênção de Deus sobre seus filhos ungidos na Terra.

      [Quadro nas páginas 218, 219]

      A família de Abraão — um quadro profético

      O apóstolo Paulo explicou que a família de Abraão serve como drama simbólico, um quadro profético da relação de ­Jeová com sua organização celestial e com a nação terrestre de Israel sob o pacto da Lei mosaica. — Gálatas 4:22-31.

      Abraão, como cabeça da família, representa Jeová Deus. A disposição de Abraão de oferecer seu querido filho Isaque como sacrifício prefigura a disposição de Jeová de oferecer seu próprio Filho amado como sacrifício pelos pecados da humanidade. — Gênesis 22:1-13; João 3:16.

      Sara prefigura a “esposa” celestial de Deus, sua organização de seres espirituais. Essa organização celestial é apropriadamente descrita como esposa de ­Jeová, pois está intimamente associada com Jeová, está sujeita à chefia dele e coopera plenamente no cumprimento de Seus propósitos. Ela é também chamada de “Jerusalém de cima”. (Gálatas 4:26) A mesma “mulher” é mencionada em Gênesis 3:15, e é retratada em visão em Revelação 12:1-6, 13-17.

      Isaque tipifica o Descendente espiritual da mulher de Deus. Primariamente, ele é Jesus Cristo. Mas o descendente veio a incluir também os irmãos ungidos de Cristo, que são adotados como filhos espirituais e se tornam co-herdeiros de Cristo. — Romanos 8:15-17; Gálatas 3:16, 29.

      Agar, esposa secundária, ou concubina, de Abraão era escrava. Prefigura muito bem a Jerusalém terrestre, onde imperava a Lei mosaica, que expunha todos os seus aderentes como escravos do pecado e da morte. Paulo disse que “Agar significa Sinai, um monte na Arábia”, porque o pacto da Lei fora estabelecido ali. — Gálatas 3:10, 13; 4:25.

      Ismael, filho de Agar, prefigura os judeus do primeiro século, os filhos de Jerusalém ainda escravizados à Lei mosaica. Assim como Ismael perseguiu Isaque, aqueles judeus perseguiram os cristãos, que eram filhos ungidos da figurativa Sara, a “Jerusalém de cima”. E assim como Abraão mandou Agar e Ismael embora, ­Jeová por fim rejeitou Jerusalém e seus filhos rebeldes. — Mateus 23:37, 38.

      [Foto na página 220]

      Depois de seu batismo, Jesus foi ungido com espírito santo, e Isaías 54:1 começou a ter o seu cumprimento mais importante

      [Foto na página 225]

      Jeová escondeu sua face de Jerusalém “apenas por um instante”

      [Fotos na página 231]

      Poderiam o guerreiro e o ferreiro prevalecer contra seu Criador?

  • Mensagem de esperança para cativos desalentados
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
    • Capítulo Dezesseis

      Mensagem de esperança para cativos desalentados

      Isaías 55:1-13

      1. Descreva a situação dos judeus exilados em Babilônia.

      ERA um período sombrio na história de Judá. O povo pactuado de Deus fora levado à força de sua terra natal e agora penava no cativeiro em Babilônia. Eles tinham certa liberdade para cuidar de seu dia a dia, é verdade. (Jeremias 29:4-7) Alguns aprenderam uma profissão ou se envolveram no comércio.a (Neemias 3:8, 31, 32) Mesmo assim, a vida para os judeus cativos não era fácil. Estavam em servidão, física e espiritual. Vejamos como.

      2, 3. Como o exílio afetou a adoração dos judeus a Jeová?

      2 Quando os exércitos babilônicos destruíram Jerusalém, em 607 AEC, não só devastaram uma nação; também golpearam a adoração verdadeira. Saquearam e destruíram o templo de Jeová, desmantelaram o arranjo sacerdotal, levando alguns da tribo de Levi como cativos e matando outros. Sem casa de adoração, sem altar e sem sacerdócio organizado, os judeus não podiam oferecer sacrifícios ao Deus verdadeiro segundo prescrito na Lei.

      3 Os judeus fiéis ainda podiam preservar sua identidade religiosa praticando a circuncisão e observando a Lei dentro do possível. Por exemplo, podiam evitar alimentos proibidos e guardar o sábado. Mas, com isso, arriscavam-se a atrair a zombaria de seus captores, pois, para os babilônios, os rituais religiosos dos judeus eram tolice. Percebe-se o desalento dos exilados nas palavras do salmista: “Junto aos rios de Babilônia — ali nos sentamos. Também choramos quando nos lembramos de Sião. Nos choupos no meio dela penduramos as nossas harpas. Pois aqueles que nos mantinham cativos nos pediram ali as palavras duma canção, e os que mofavam de nós — alegria: ‘Cantai-nos uma das canções de Sião.’” — Salmo 137:1-3.

      4. Por que seria inútil os judeus recorrerem a outras nações em busca de libertação, mas a quem poderiam pedir ajuda?

      4 De quem, então, podiam os judeus cativos obter consolo? De onde viria sua salvação? Certamente não de alguma nação vizinha! Todas elas eram impotentes diante dos exércitos de Babilônia, e muitas hostilizavam os judeus. Mas a situação não era desesperadora. Jeová, contra quem se haviam rebelado quando eram um povo livre, afavelmente lhes fez um convite caloroso, apesar de estarem no exílio.

      “Vinde à água”

      5. O que significam as palavras “vinde à água”?

      5 Por meio de Isaías, Jeová fala profeticamente aos judeus cativos em Babilônia: “Eh! todos vós sedentos! Vinde à água. E vós os que não tendes dinheiro! Vinde, comprai e comei. Sim, vinde, comprai vinho e leite mesmo sem dinheiro e sem preço.” (Isaías 55:1) Essas palavras são cheias de simbolismos. Veja, por exemplo, o convite: “Vinde à água.” É impossível viver sem água. Sem esse líquido precioso nós, humanos, sobrevivemos apenas por cerca de uma semana. Assim, foi apropriado Jeová ter usado a água como metáfora do efeito que suas palavras teriam sobre os judeus cativos. A sua mensagem os reanimaria, como água fresca num dia quente. Isso os tiraria de seu desânimo e saciaria sua sede de verdade e de justiça. E lhes infundiria a esperança de libertação do cativeiro. Mas, para isso, os judeus exilados teriam de ‘beber’ a mensagem de Deus, prestar atenção a ela e agir de acordo.

      6. Que benefícios teriam os judeus se comprassem “vinho e leite”?

      6 Jeová ofereceu também “vinho e leite”. O leite fortalece organismos jovens e ajuda no desenvolvimento das crianças. Similarmente, as palavras de Jeová fortaleceriam espiritualmente seu povo, possibilitando que solidificassem sua relação com ele. Mas que dizer do vinho? O vinho muitas vezes é usado em ocasiões festivas. Na Bíblia, é associado com prosperidade e alegria. (Salmo 104:15) Por mandar seu povo ‘comprar vinho’, Jeová lhes garantia que o retorno sincero à adoração verdadeira os deixaria ‘de todo alegres’. — Deuteronômio 16:15; Salmo 19:8; Provérbios 10:22.

      7. Por que era notável a compaixão de Jeová para com os exilados, e o que isso nos ensina a Seu respeito?

      7 Quão misericordioso foi Jeová em oferecer tal refrigério espiritual aos judeus exilados! Sua compaixão é ainda mais notável quando nos lembramos do histórico de desobediência e rebeldia dos judeus. Eles não mereciam a aprovação de Jeová. Entretanto, o salmista Davi escrevera séculos antes: “Jeová é misericordioso e clemente, vagaroso em irar-se e abundante em benevolência. Não ralhará para sempre, nem ficará ressentido por tempo indefinido.” (Salmo 103:8, 9) Longe de renegar seu povo, Jeová dava o primeiro passo para a reconciliação. Realmente, ele é um Deus que “se agrada na benevolência”. — Miqueias 7:18.

      Confiança mal depositada

      8. Em quem muitos judeus haviam confiado, apesar de que aviso?

      8 Até então, muitos judeus não haviam confiado plenamente em Jeová para a salvação. Antes da queda de Jerusalém, por exemplo, seus governantes haviam buscado o apoio de nações poderosas, prostituindo-se, por assim dizer, tanto com o Egito como com Babilônia. (Ezequiel 16:26-29; 23:14) Com boa razão, Jeremias os alertara: “Maldito o varão vigoroso que confia no homem terreno e que realmente faz da carne o seu braço, e cujo coração se desvia do próprio Jeová.” (Jeremias 17:5) Mas foi exatamente isso o que o povo de Deus fizera!

      9. Em que sentido muitos judeus talvez estivessem ‘pagando dinheiro por aquilo que não era pão’?

      9 Agora eles estavam escravizados a uma das nações em que haviam confiado. Aprenderam a lição? Possivelmente muitos não aprenderam, pois Jeová pergunta: “Por que continuais a pagar dinheiro por aquilo que não é pão e por que é a vossa labuta por aquilo que não resulta em saciedade?” (Isaías 55:2a) Se os judeus cativos estavam confiando em outro que não fosse Jeová, estavam ‘pagando dinheiro por aquilo que não era pão’. Certamente não seriam libertados por Babilônia, com sua política de jamais permitir que os cativos voltassem para sua terra. Na verdade, Babilônia, com seu imperialismo, comercialismo e adoração falsa, nada tinha a oferecer aos judeus exilados.

      10. (a) Como Jeová recompensaria os judeus exilados caso o escutassem? (b) Que pacto Jeová fizera com Davi?

      10 Jeová suplica a seu povo: “Escutai-me atentamente e comei o que é bom, e deleite-se a vossa alma com a própria gordura. Inclinai o vosso ouvido e vinde a mim. Escutai, e a vossa alma ficará viva, e eu concluirei convosco prontamente um pacto de duração indefinida referente às benevolências para com Davi, que são fiéis.” (Isaías 55:2b, 3) A única esperança para esse povo espiritualmente desnutrido era Jeová, que agora lhes falava profeticamente por meio de Isaías. A própria vida deles dependia de escutarem a mensagem de Deus, pois ele declarou que, por fazerem isso, a ‘alma deles ficaria viva’. Mas o que era o “pacto de duração indefinida” que Jeová selaria com os que o atendessem? Esse pacto era “referente às benevolências para com Davi”. Séculos antes, Jeová prometera a Davi que seu trono ficaria “firmemente estabelecido por tempo indefinido”. (2 Samuel 7:16) Assim, o “pacto de duração indefinida”, aqui mencionado, diz respeito a reinado.

      Herdeiro permanente de um Reino eterno

      11. Por que o cumprimento da promessa de Deus a Davi podia parecer irrealista para os exilados em Babilônia?

      11 Admitidamente, a ideia de um reinado na linhagem de Davi podia parecer irrealista para aqueles judeus exilados. Eles haviam perdido sua terra e até mesmo sua identidade nacional! Mas isso seria apenas temporário. Jeová não se esquecera de seu pacto com Davi. Não importava quão improvável pudesse parecer do ponto de vista humano, o propósito de Deus concernente a um Reino eterno na linhagem de Davi seria realizado. Mas como e quando? Em 537 AEC, Jeová libertou seu povo do cativeiro babilônico e o levou de volta para sua terra natal. Resultou disso o estabelecimento de um reino indefinidamente duradouro? Não, eles continuaram sujeitos a outro império pagão, a Medo-Pérsia. “Os tempos designados” para as nações exercerem seu domínio ainda não haviam expirado. (Lucas 21:24) Sem rei em Israel, a promessa de Jeová a Davi ficaria sem se cumprir por séculos à frente.

      12. Que medida Jeová tomou para cumprir seu pacto do Reino feito com Davi?

      12 Mais de 500 anos após o livramento de Israel do cativeiro babilônico, Jeová tomou uma medida importante para cumprir o pacto do Reino ao transferir a vida de seu Filho primogênito (o princípio de suas obras criativas) da glória celestial para o ventre da virgem judia Maria. (Colossenses 1:15-17) Ao anunciar esse evento, o anjo de Jeová disse a Maria: “Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e Jeová Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e ele reinará sobre a casa de Jacó para sempre, e não haverá fim do seu reino.” (Lucas 1:32, 33) Portanto, Jesus nasceu na linhagem real de Davi e herdou o direito ao trono. Uma vez entronizado, Jesus governaria “por tempo indefinido”. (Isaías 9:7; Daniel 7:14) Assim, estava aberto o caminho para se cumprir a secular promessa de Jeová de dar ao Rei Davi um herdeiro permanente.

      “Comandante para os grupos nacionais”

      13. Em que sentido Jesus foi “testemunha para os grupos nacionais”, tanto durante seu ministério como depois de sua ascensão?

      13 O que faria esse futuro rei? Jeová diz: “Eis que o dei como testemunha para os grupos nacionais, como líder e comandante para os grupos nacionais.” (Isaías 55:4) Quando Jesus cresceu, ele se tornou o representante de Jeová na Terra, a testemunha de Deus para as nações. Durante sua vida como humano, seu ministério foi dirigido “às ovelhas perdidas da casa de Israel”. Contudo, pouco antes de sua ascensão ao céu, Jesus disse a seus seguidores: “Ide, portanto, e fazei discípulos de pessoas de todas as nações . . . Eis que estou convosco todos os dias, até à terminação do sistema de coisas.” (Mateus 10:5, 6; 15:24; 28:19, 20) Assim, com o tempo, a mensagem do Reino foi levada aos não judeus, e alguns deles participaram no cumprimento do pacto feito com Davi. (Atos 13:46) Desse modo, mesmo depois de sua morte, ressurreição e ascensão ao céu, Jesus continuou a ser “testemunha [de Jeová] para os grupos nacionais”.

      14, 15. (a) Como Jesus mostrou ser “líder e comandante”? (b) Que perspectiva tinham os seguidores de Jesus no primeiro século?

      14 Jesus seria também “líder e comandante”. Fiel a essa descrição profética, quando esteve na Terra, Jesus aceitou plenamente as responsabilidades de sua liderança e tomou a dianteira em todos os sentidos, atraindo grandes multidões, ensinando-lhes a verdade e indicando os benefícios resultantes de se seguir a sua liderança. (Mateus 4:24; 7:28, 29; 11:5) Ele treinou bem os seus discípulos, preparando-os para empreenderem a campanha de pregação à frente. (Lucas 10:1-12; Atos 1:8; Colossenses 1:23) Em apenas três anos e meio, Jesus lançou o alicerce de uma congregação internacional unida, com milhares de membros de muitas raças! Apenas um verdadeiro “líder e comandante” poderia ter realizado tal tarefa monumental.b

      15 Aqueles que foram ajuntados à congregação cristã do primeiro século eram ungidos com espírito santo de Deus e tinham a perspectiva de se tornarem corregentes de Jesus no seu Reino celestial. (Revelação 14:1) Mas a profecia de Isaías vai além dos primórdios do cristianismo. A evidência mostra que Jesus Cristo só começou a atuar como Rei do Reino de Deus em 1914. Pouco depois, desenvolveu-se entre os cristãos ungidos na Terra uma situação que tinha muitos paralelos com a dos judeus exilados no sexto século AEC. De fato, o que aconteceu com aqueles cristãos constitui um cumprimento maior da profecia de Isaías.

      Atual cativeiro e libertação

      16. Que aflição se seguiu à entronização de Jesus em 1914?

      16 A entronização de Jesus como Rei, em 1914, foi marcada por aflições mundiais sem precedentes. Por quê? Porque após tornar-se Rei, Jesus expulsou do céu Satanás e as outras criaturas espirituais perversas. Uma vez confinado à Terra, Satanás passou a guerrear contra os santos remanescentes, o restante dos cristãos ungidos. (Revelação 12:7-12, 17) O clímax deu-se em 1918, quando a obra de pregação pública praticamente parou e os diretores da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) foram presos por causa de acusações falsas de sedição. Desse modo, os servos de Jeová dos tempos modernos ficaram restritos a um cativeiro espiritual, o que fazia lembrar o cativeiro físico dos judeus do passado. Sofreram um grande vitupério.

      17. Como se inverteu a condição dos ungidos em 1919, e como foram então fortalecidos?

      17 Entretanto, a condição cativa dos servos ungidos de Deus não durou muito tempo. Em 26 de março de 1919, os diretores foram libertados e, mais tarde, todas as acusações contra eles foram retiradas. Jeová derramou espírito santo sobre seu povo libertado, revigorando-o para a obra à frente. Alegremente, atenderam ao convite de ‘tomar de graça a água da vida’. (Revelação 22:17) Eles compraram “vinho e leite mesmo sem dinheiro e sem preço”, e foram fortalecidos espiritualmente para uma expansão maravilhosa que surgia no horizonte, expansão essa que o restante ungido não havia previsto.

      Uma grande multidão ‘corre’ aos ungidos de Deus

      18. Que dois grupos há entre os discípulos de Jesus Cristo, e o que formam hoje?

      18 Os discípulos de Jesus têm uma ou outra dentre duas esperanças. Primeiro, tem sido ajuntado um “pequeno rebanho” de 144 mil — cristãos ungidos de origem tanto judia como gentia que formam o “Israel de Deus” e têm a esperança de reinar com Cristo no seu Reino celestial. (Lucas 12:32; Gálatas 6:16; Revelação 14:1) Segundo, nos últimos dias tem surgido uma “grande multidão” de “outras ovelhas”. A esperança delas é viver para sempre numa Terra paradísica. Antes do irrompimento da grande tribulação essa multidão — cujo número não é prefixado — serve junto com o pequeno rebanho e ambos os grupos formam “um só rebanho” sob “um só pastor”. — Revelação 7:9, 10; João 10:16.

      19. Como foi que uma “nação” antes desconhecida ao Israel de Deus atendeu à convocação dessa nação espiritual?

      19 Pode-se discernir o ajuntamento dessa grande multidão nas seguintes palavras da profecia de Isaías: “Eis que chamarás uma nação que tu não conheces e correrão a ti os de uma nação que não te conheceram, por causa de Jeová, teu Deus, e pelo Santo de Israel, porque ele te terá embelezado.” (Isaías 55:5) Nos anos seguintes à sua libertação do cativeiro espiritual, os do restante ungido de início não entenderam que, antes do Armagedom, eles serviriam como instrumentos na convocação à adoração de Jeová de uma grande “nação”. Entretanto, com o tempo, muitas pessoas sinceras, que não tinham esperança celestial, passaram a associar-se com os ungidos e a servir a Jeová com o mesmo zelo dos ungidos. Esses recém-chegados observaram a bela condição do povo de Deus, reconhecendo que Jeová estava no meio deles. (Zacarias 8:23) Na década de 30, os ungidos vieram a entender a real identidade desse grupo, cujo número aumentava em seu meio. Vieram a discernir que ainda haveria uma grande obra de ajuntamento no futuro. A grande multidão apressava-se em associar-se com o povo pactuado de Deus, e com bons motivos.

      20. (a) Por que é urgente hoje ‘buscar a Jeová’, e como se faz isso? (b) Que tratamento dará Jeová aos que o buscam?

      20 Nos dias de Isaías, fez-se a convocação: “Buscai a Jeová enquanto pode ser achado. Chamai-o enquanto mostra estar perto.” (Isaías 55:6) Hoje, essas palavras são apropriadas tanto para os que compõem o Israel de Deus como para a crescente grande multidão. A bênção de Jeová não é incondicional, e seu convite não é estendido indefinidamente. Agora é o tempo de buscar o favor de Deus. Quando chegar o tempo marcado para o julgamento de Jeová, será tarde demais. Por isso, Isaías diz: “Deixe o iníquo o seu caminho e o homem prejudicial os seus pensamentos; e retorne ele a Jeová, que terá misericórdia com ele, e ao nosso Deus, porque perdoará amplamente.” — Isaías 55:7.

      21. Como a nação de Israel se mostrou infiel à declaração feita por seus antepassados?

      21 A frase “retorne ele a Jeová” indica que aqueles que precisavam arrepender-se tinham outrora uma relação com Deus. A expressão nos lembra de que muitos aspectos dessa parte da profecia de Isaías se aplicaram em primeiro lugar aos judeus cativos em Babilônia. Séculos antes, os antepassados desses cativos haviam declarado sua determinação de obedecer a Jeová, afirmando: “É inconcebível da nossa parte abandonarmos a Jeová para servir a outros deuses.” (Josué 24:16) A História mostra que o “inconcebível” aconteceu — repetidas vezes! A falta de fé do povo de Deus foi o motivo de seu exílio em Babilônia.

      22. Por que Jeová diz que seus pensamentos e caminhos são mais altos do que os dos humanos?

      22 Que aconteceria se eles se arrependessem? Por meio de Isaías, Jeová promete que ‘perdoaria amplamente’. E acrescenta: “‘Pois os vossos pensamentos não são os meus pensamentos, nem os meus caminhos, os vossos caminhos’, é a pronunciação de Jeová. ‘Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim os meus caminhos são mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, do que os vossos pensamentos.’” (Isaías 55:8, 9) Jeová é perfeito, e seus pensamentos e caminhos são inalcançavelmente elevados. Até mesmo sua misericórdia é de tal magnitude que nós, humanos, jamais poderemos esperar alcançar. Considere: quando nós perdoamos outro ser humano, é uma questão de um pecador perdoar outro pecador. Sabemos que, mais cedo ou mais tarde, vamos precisar que outro humano nos perdoe. (Mateus 6:12) Mas Jeová, mesmo que nunca precise ser perdoado, perdoa “amplamente”! Realmente, é um Deus de grande benevolência. E, na sua misericórdia, Jeová abre as comportas do céu, derramando bênçãos sobre os que retornam a ele de todo o coração. — Malaquias 3:10.

      Bênçãos aos que retornassem para Jeová

      23. Como Jeová ilustra a certeza do cumprimento de sua palavra?

      23 Jeová promete ao seu povo: “Assim como desce dos céus a chuvada e a neve, e não volta àquele lugar, a menos que realmente sature a terra e a faça produzir e brotar, e se dê de fato semente ao semeador e pão ao comedor, assim mostrará ser a minha palavra que sai da minha boca. Não voltará a mim sem resultados, mas certamente fará aquilo em que me agradei e terá êxito certo naquilo para que a enviei.” (Isaías 55:10, 11) Tudo o que Jeová promete se cumprirá com certeza. Assim como a chuva e a neve que caem do céu cumprem a sua finalidade de impregnar o solo e produzir frutos, a palavra que sai da boca de Jeová é totalmente confiável. O que ele promete, ele cumprirá — com certeza absoluta. — Números 23:19.

      24, 25. Que bênçãos teriam os judeus exilados que acolhessem a mensagem de Jeová por meio de Isaías?

      24 Assim, se os judeus acatassem as palavras que lhes foram faladas profeticamente por meio de Isaías, receberiam sem falta a salvação que Jeová lhes prometia. Com isso, sentiriam grande alegria. Jeová declara: “Saireis com alegria e sereis trazidos para dentro com paz. Os próprios montes e morros ficarão animados diante de vós com clamor jubilante, e as próprias árvores do campo, todas, baterão palmas. Em lugar da moita de silvas subirá o junípero. Em lugar da urtiga subirá a murta. E terá de tornar-se para Jeová algo famoso, um sinal por tempo indefinido, que não será decepado.” — Isaías 55:12, 13.

      25 Em 537 AEC, os judeus exilados realmente saíram de Babilônia com alegria. (Salmo 126:1, 2) Ao chegarem a Jerusalém, encontraram uma terra tomada por moitas de silva e urtigas — lembre-se, a terra jazia desolada por décadas. Mas o povo repatriado de Deus podia agora ajudar a realizar uma bela transformação! Altas árvores, como o junípero e a murta, substituiriam os espinhos e as urtigas. As bênçãos de Jeová logo se manifestariam ao passo que seu povo o servisse “com clamor jubilante”. Seria como se o próprio solo se alegrasse.

      26. Que condição abençoada usufrui o povo de Deus hoje?

      26 Em 1919, o restante dos cristãos ungidos foi libertado de seu cativeiro espiritual. (Isaías 66:8) Junto com a grande multidão de outras ovelhas, servem agora a Deus com alegria num paraíso espiritual. Livres de qualquer mancha de influência babilônica, eles usufruem de uma condição favorecida, que se tornou para Jeová “algo famoso”. A sua prosperidade espiritual glorifica Seu nome e o exalta como Deus de profecias verdadeiras. O que Jeová tem feito por eles demonstra sua Divindade e é evidência de sua fidelidade à sua palavra e de sua misericórdia para com os arrependidos. Que todos os que continuam a ‘comprar vinho e leite mesmo sem dinheiro e sem preço’ se alegrem em servi-lo para sempre!

      [Nota(s) de rodapé]

      a Muitos nomes judeus foram encontrados em antigos registros comerciais babilônicos.

      b Jesus ainda supervisiona a obra de fazer discípulos. (Revelação [Apocalipse] 14:14-16) Hoje, os homens e as mulheres cristãos encaram Jesus como Cabeça da congregação. (1 Coríntios 11:3) E no tempo marcado por Deus, Jesus agirá como “líder e comandante” de outra maneira, ao dirigir a batalha decisiva contra os inimigos de Deus na guerra do Armagedom. — Revelação 19:19-21.

      [Foto na página 234]

      Judeus com sede espiritual foram convidados a ‘vir à água’ e a ‘comprar vinho e leite’

      [Foto na página 239]

      Jesus mostrou ser “líder e comandante” para os grupos nacionais

      [Fotos nas páginas 244, 245]

      “Deixe o iníquo o seu caminho”

  • Estrangeiros reunidos à casa de oração de Deus
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
    • Capítulo Dezessete

      Estrangeiros reunidos à casa de oração de Deus

      Isaías 56:1-12

      1, 2. Que anúncio emocionante se fez em 1935, e do que isso fazia parte?

      NA SEXTA-FEIRA, 31 de maio de 1935, Joseph F. Rutherford discursou num congresso em Washington, DC. Ele falou a respeito da identidade da “grande multidão”, visionada pelo apóstolo João. No clímax do discurso, o irmão Rutherford pediu: “Queiram todos os que têm esperança de viver para sempre na Terra pôr-se de pé.” Segundo um dos presentes, “mais da metade da assistência pôs-se de pé”. Daí, o orador disse: “Vede! A grande multidão!” Outro que esteve presente lembra-se: “Primeiro houve um silêncio, daí, um clamor alegre e fortes e prolongados aplausos.” — Revelação (Apocalipse) 7:9.

      2 Esse foi um momento notável no cumprimento em curso de uma profecia escrita uns 2.700 anos antes e que aparece em nossas Bíblias como capítulo 56 de Isaías. Como no caso de muitas outras profecias em Isaías, essa contém tanto promessas consoladoras como severas advertências. Na primeira aplicação, é dirigida ao povo pactuado de Deus nos dias do próprio Isaías, mas seu cumprimento se estende ao longo dos séculos até os nossos dias.

      O que a salvação exige

      3. O que tinham de fazer os judeus que buscavam a salvação da parte de Jeová?

      3 O capítulo 56 de Isaías começa com uma admoestação aos judeus. Entretanto, todos os adoradores verdadeiros devem atentar ao que o profeta escreve. Lemos: “Assim disse Jeová: ‘Guardai o juízo e fazei o que é justo. Pois a minha salvação está prestes a chegar e a minha justiça a ser revelada. Feliz o homem mortal que fizer isso, e o filho da humanidade que se agarrar a isso, guardando o sábado, para não o profanar, e guardando a sua mão, para não fazer nenhuma espécie de maldade.’” (Isaías 56:1, 2) Os habitantes de Judá que buscavam a salvação da parte de Deus tinham de obedecer à Lei mosaica, praticar a justiça e levar uma vida íntegra. Por quê? Porque o próprio Jeová é íntegro. Os que seguem a justiça sentem a felicidade que resulta de ter o favor de Jeová. — Salmo 144:15b.

      4. Por que a guarda do sábado era importante em Israel?

      4 A profecia destaca a guarda do sábado porque o sábado era um aspecto importante da Lei mosaica. De fato, uma das razões de os habitantes de Judá irem ao exílio seria sua negligência com relação ao sábado. (Levítico 26:34, 35; 2 Crônicas 36:20, 21) O sábado era um sinal da relação especial que Jeová tinha com os judeus, e os que o guardavam mostravam que prezavam essa relação. (Êxodo 31:13) Além disso, a guarda do sábado lembraria aos contemporâneos de Isaías que Jeová é o Criador. Tal guarda também os lembraria de Suas misericórdias para com eles. (Êxodo 20:8-11; Deuteronômio 5:12-15) Por fim, a guarda do sábado produziria um arranjo regular e bem estruturado para a adoração de Jeová. Descansar uma vez por semana de seu trabalho costumeiro daria aos habitantes de Judá oportunidade de orar, estudar e meditar.

      5. Em princípio, como podem os cristãos aplicar o conselho de guardar o sábado?

      5 Mas que dizer dos cristãos? Aplica-se a eles o incentivo para guardar o sábado? Não diretamente, pois os cristãos não estão sob a Lei, não tendo, portanto, a obrigação de guardar o sábado. (Colossenses 2:16, 17) Não obstante, o apóstolo Paulo explicou que existe “um descanso sabático” para os cristãos fiéis. Esse “descanso sabático” inclui ter fé no sacrifício resgatador de Jesus para a salvação e deixar de confiar apenas em obras. (Hebreus 4:6-10) Assim, as palavras da profecia de Isaías a respeito do sábado lembram os atuais servos de Jeová da necessidade vital de ter fé no arranjo de Deus para a salvação. É também um excelente lembrete da necessidade de cultivar uma relação estreita com Jeová e de praticar uma adoração regular, constante.

      Consolo para o estrangeiro e o eunuco

      6. Que dois grupos recebem atenção a seguir?

      6 A seguir, Jeová fala a dois grupos que queriam servi-lo, mas que sob a Lei mosaica não se qualificavam para ingressar na congregação judaica. Lemos: “Não diga o estrangeiro que se juntou a Jeová: ‘Sem dúvida, Jeová me separará de seu povo.’ Nem diga o eunuco: ‘Eis que sou uma árvore seca.’” (Isaías 56:3) O estrangeiro temia ser cortado de Israel. A preocupação do eunuco era que jamais teria filhos para preservar seu nome. Ambos os grupos deviam tomar coragem. Antes de vermos por que, consideremos qual era a condição deles sob a Lei, com relação à nação de Israel.

      7. Que limites a Lei impunha aos estrangeiros em Israel?

      7 Os estrangeiros incircuncisos estavam excluídos de participar na adoração junto com Israel. Por exemplo, não lhes era permitido participar na celebração da Páscoa. (Êxodo 12:43) Estrangeiros que não violassem flagrantemente as leis do país eram tratados com justiça e hospitalidade, mas não tinham laços permanentes com a nação. Naturalmente, alguns se sujeitavam plenamente à Lei e, como sinal disso, os homens eram circuncidados. Assim se tornavam prosélitos, que tinham o privilégio de adorar no pátio da casa de Jeová, e eram considerados parte da congregação de Israel. (Levítico 17:10-14; 20:2; 24:22) No entanto, mesmo os prosélitos não eram partícipes plenos no pacto de Jeová com Israel, e não tinham herança de terra na Terra Prometida. Outros estrangeiros podiam voltar-se para o templo para orar e evidentemente podiam ofertar sacrifícios por meio do sacerdócio, desde que os sacrifícios se harmonizassem com a Lei. (Levítico 22:25; 1 Reis 8:41-43) Mas os israelitas não deviam associar-se intimamente com eles.

      Os eunucos receberiam um nome por tempo indefinido

      8. (a) Como eram encarados os eunucos sob a Lei? (b) Como eram usados os eunucos nas nações pagãs, e ao que às vezes se pode referir o termo “eunuco”?

      8 Os eunucos, mesmo se tivessem pais judeus, não eram reconhecidos plenamente como membros da nação de Israel.a (Deuteronômio 23:1) Entre algumas nações pagãs dos tempos bíblicos, os eunucos ocupavam um lugar especial, e era costumeiro castrar alguns meninos feitos cativos na guerra. Os eunucos ocupavam cargos administrativos nas cortes. Um eunuco podia ser “guardião das mulheres”, “guardião das concubinas”, ou assistente da rainha. (Ester 2:3, 12-15; 4:4-6, 9) Não há evidências de que os israelitas seguissem tais costumes, ou que eunucos fossem especialmente destacados para trabalhar para os reis israelitas.b

      9. Que palavras consoladoras Jeová dirige aos fisicamente eunucos?

      9 Além de poderem participar apenas de maneira limitada na adoração do Deus verdadeiro, os fisicamente eunucos em Israel sofriam a grande humilhação de não poderem gerar filhos para perpetuar o nome da família. Assim, como são consoladoras as palavras seguintes da profecia! Lemos: “Assim disse Jeová aos eunucos que guardam os meus sábados e que escolheram aquilo de que me agradei, e que se agarram ao meu pacto: ‘Até mesmo vou dar-lhes na minha casa e dentro das minhas muralhas um monumento e um nome, algo melhor do que filhos e filhas. Dar-lhes-ei um nome por tempo indefinido, um que não será decepado.’” — Isaías 56:4, 5.

      10. Quando mudou a situação dos eunucos, e que privilégio se abriu para eles então?

      10 Sim, viria o tempo em que até ser fisicamente eunuco não mais seria impedimento para ser plenamente aceito como servo de Jeová. Se fossem obedientes, os eunucos teriam “um monumento”, ou um lugar, na casa de Jeová e um nome, algo melhor do que filhos e filhas. Quando isso aconteceu? Só depois da morte de Jesus Cristo. Nessa ocasião, o velho pacto da Lei foi substituído pelo novo pacto, e o Israel carnal foi substituído pelo “Israel de Deus”. (Gálatas 6:16) Desde então, todos os que exercem fé têm o direito de prestar adoração aceitável a Deus. Diferenças carnais e condição física não mais importam. Os que perseverarem fielmente, independentemente de sua condição física, terão ‘um nome por tempo indefinido que não será decepado’. Jeová não se esquecerá deles. Seus nomes serão escritos no seu “livro de recordação” e, no tempo marcado por Deus, receberão vida eterna. — Malaquias 3:16; Provérbios 22:1; 1 João 2:17.

      Estrangeiros adoram com o povo de Deus

      11. Para receberem bênçãos, os estrangeiros são incentivados a fazer o quê?

      11 Mas que dizer dos estrangeiros? A profecia volta a referir-se a eles, para os quais Jeová tem palavras de grande consolo. Isaías escreve: “Os estrangeiros que se juntaram a Jeová para ministrar-lhe e para amar o nome de Jeová, a fim de se tornarem servos seus, todos os que guardam o sábado para não o profanarem e que se agarram ao meu pacto, eu também vou trazer ao meu santo monte e fazê-los alegrar-se dentro da minha casa de oração. Seus holocaustos e seus sacrifícios serão para aceitação sobre o meu altar. Pois a minha própria casa será chamada mesmo de casa de oração para todos os povos.” — Isaías 56:6, 7.

      12. Como se entendia em certa época a profecia de Jesus a respeito das “outras ovelhas”?

      12 Em nossos tempos, “os estrangeiros” surgiram gradativamente. Antes da Primeira Guerra Mundial, entendia-se que o número de pessoas que seriam salvas seria maior do que o número dos que tinham a esperança de reinar no céu com Jesus — aqueles que identificamos hoje como Israel de Deus. Os estudantes da Bíblia conheciam as palavras de Jesus em João 10:16: “Tenho outras ovelhas, que não são deste aprisco; a estas também tenho de trazer, e elas escutarão a minha voz e se tornarão um só rebanho, um só pastor.” Entendia-se que essas “outras ovelhas” constituíam uma classe terrestre. Mas a maioria dos estudantes da Bíblia acreditava que as outras ovelhas surgiriam durante o Reinado Milenar de Jesus Cristo.

      13. Por que se chegou à conclusão de que as ovelhas de Mateus, capítulo 25, teriam de surgir durante os dias finais deste “sistema de coisas”?

      13 Com o tempo, houve progresso no entendimento de um texto relacionado que fala de ovelhas. Em Mateus, capítulo 25, há um registro da parábola de Jesus a respeito das ovelhas e dos cabritos. Nessa parábola, as ovelhas ganham vida eterna porque apoiam os irmãos de Jesus. Assim, elas constituem uma classe separada e distinta da desses irmãos ungidos de Cristo. Em 1923, num congresso em Los Angeles, Califórnia, EUA, foi explicado que essas ovelhas teriam de surgir não durante o Milênio, mas sim durante os dias finais deste “sistema de coisas”. Por quê? Porque a parábola de Jesus foi apresentada como parte de sua resposta à pergunta: “Quando sucederão estas coisas e qual será o sinal da tua presença e da terminação do sistema de coisas?” — Mateus 24:3.

      14, 15. Que progresso se fez em entender a situação das outras ovelhas no tempo do fim?

      14 Durante os anos 20, alguns dos que se associavam com os Estudantes da Bíblia passaram a perceber que o espírito de Jeová não lhes estava dando testemunho de que tinham uma chamada celestial. Não obstante, eram servos zelosos do Deus Altíssimo. A situação deles foi entendida melhor em 1931, com a publicação do livro Vindication (Vindicação). Como parte de uma análise versículo por versículo do livro bíblico de Ezequiel, Vindication explicou a visão do “homem” com o tinteiro de escrevente. (Ezequiel 9:1-11) Esse “homem” é visto percorrendo Jerusalém e marcando a testa das pessoas que suspiravam e gemiam por causa das abominações praticadas ali. O “homem” representa os irmãos de Jesus, o restante dos cristãos ungidos vivos na Terra durante o período de julgamento da antitípica Jerusalém, a cristandade. Os marcados são as outras ovelhas que vivem nesse período. Na visão, elas são poupadas quando os executores de Jeová punem essa cidade apóstata.

      15 Em 1932, um entendimento mais profundo do drama profético do Rei Jeú, de Israel, e Jonadabe, um apoiador não israelita, indicou como essas outras ovelhas apoiam os irmãos ungidos de Cristo — assim como Jonadabe acompanhou e apoiou Jeú na destruição da adoração de Baal. Por fim, em 1935, as outras ovelhas que vivem durante o tempo do fim deste “sistema de coisas” foram identificadas como a grande multidão da visão do apóstolo João. Isso foi explicado pela primeira vez no já mencionado congresso em Washington, DC, quando Joseph F. Rutherford indicou que os que tinham esperança terrestre constituíam “a grande multidão”.

      16. Que privilégios e responsabilidades têm “os estrangeiros”?

      16 Assim, foi-se observando gradativamente que “os estrangeiros” têm um grande papel a desempenhar nos propósitos de Jeová nestes últimos dias. Eles vêm ao Israel de Deus para adorar a Jeová. (Zacarias 8:23) Junto com essa nação espiritual, oferecem sacrifícios aceitáveis a Deus e entram no descanso sabático. (Hebreus 13:15, 16) Além do mais, adoram no templo espiritual de Deus, que, como no caso do templo em Jerusalém, é “casa de oração para todas as nações”. (Marcos 11:17) Eles exercem fé no sacrifício resgatador de Jesus Cristo, ‘lavando suas vestes compridas e as embranquecendo no sangue do Cordeiro’. E servem a Jeová constantemente, ‘prestando-lhe serviço sagrado dia e noite’. — Revelação 7:14, 15.

      17. Em que sentido os estrangeiros dos tempos modernos “agarram” o novo pacto?

      17 Esses estrangeiros dos tempos modernos “agarram” o novo pacto no sentido de que, pela associação com o Israel de Deus, usufruem benefícios e bênçãos derivadas do novo pacto. Embora não sejam partícipes nesse pacto, submetem-se voluntariamente às leis ligadas a ele. Assim, a lei de Jeová está em seus corações, e eles vêm a conhecer a Jeová como Pai celestial e Soberano supremo. — Jeremias 31:33, 34; Mateus 6:9; João 17:3.

      18. Que obra de ajuntamento se realiza no tempo do fim?

      18 A profecia de Isaías prossegue: “A pronunciação do Soberano Senhor Jeová, que está reunindo os dispersos de Israel, é: ‘Reunirei a ele outros além dos seus já reunidos.’” (Isaías 56:8) Durante o tempo do fim, Jeová tem reunido “os dispersos de Israel”, os do restante ungido. Além disso, está reunindo outros, os da grande multidão. Juntos, eles adoram em paz e harmonia sob a supervisão de Jeová e de seu Rei entronizado, Cristo Jesus. Por causa de sua lealdade ao governo de Jeová exercido por Cristo, o Pastor Excelente fez deles um rebanho unido e alegre.

      Vigias cegos e cães mudos

      19. Que convite se faz aos animais selvagens da campina e da floresta?

      19 As calorosas e edificantes palavras acima são seguidas de um tremendo contraste, quase chocante. Jeová se dispunha a mostrar misericórdia para com os estrangeiros e eunucos. Mas muitos que diziam ser membros da congregação de Deus estavam condenados e sujeitos à destruição. Mais ainda, nem mereciam um enterro decente, servindo apenas para ser devorados por animais vorazes. Assim, lemos: “Vós, todos os animais selváticos da campina, vinde comer, vós, todos os animais selváticos na floresta.” (Isaías 56:9) De que se banqueteariam esses animais selvagens? A profecia explica. E isso talvez nos faça lembrar do que está em reserva para os opositores de Deus na vindoura guerra do Armagedom, cujos cadáveres serão devorados por aves do céu. — Revelação 19:17, 18.

      20, 21. Que defeitos tornavam os líderes religiosos inúteis como guias espirituais?

      20 A profecia continua: “Seus vigias são cegos. Nenhum deles se apercebeu. Todos eles são cães mudos; são incapazes de latir, estão ofegantes, deitados, gostando de cochilar. São até mesmo cães fortes em desejo da alma; não conheceram a saciedade. São também pastores que não souberam entender. Todos eles se viraram para o seu próprio caminho, cada um para o seu lucro injusto procedente dos seus próprios limites: ‘Vinde, homens! Deixai-me tomar um pouco de vinho; e tomemos bebida inebriante até o limite. E amanhã certamente virá a ser como hoje, grande, de maneira muito mais ampla.’” — Isaías 56:10-12.

      21 Os líderes religiosos de Judá professavam adorar a Jeová. Afirmavam ser “seus vigias”. Mas eram espiritualmente cegos, mudos e dorminhocos. Se não podiam vigiar e soar o aviso de perigo, para que serviam? Tais vigias religiosos não tinham entendimento, nem condições de dar orientação espiritual a pessoas comparáveis a ovelhas. Além disso, eram corruptos. Tinham desejos egoístas insaciáveis. Em vez de seguirem as instruções de Jeová, seguiam seu próprio caminho, buscavam lucro injusto, excediam-se em bebidas inebriantes e incentivavam outros a fazer o mesmo. Estavam tão desatentos à iminente destruição que diziam às pessoas que, no fim, tudo daria certo.

      22. Por que os líderes religiosos dos dias de Jesus eram semelhantes aos dos dias da antiga Judá?

      22 Isaías já havia usado em sua profecia metáforas similares para descrever os líderes religiosos infiéis de Judá — espiritualmente embriagados, sonolentos e sem entendimento. Eles sobrecarregavam o povo com tradições de homens, falavam mentiras religiosas e confiavam na ajuda da Assíria, em vez de na de Deus. (2 Reis 16:5-9; Isaías 29:1, 9-14) Obviamente, não aprenderam nada. Infelizmente, havia o mesmo tipo de líderes no primeiro século. Em vez de acolherem as boas novas levadas a eles pelo próprio Filho de Deus, eles rejeitaram Jesus e tramaram sua morte. Jesus chamou-os francamente de “guias cegos”, acrescentando que se “um cego guiar outro cego, ambos cairão numa cova”. — Mateus 15:14.

      Vigias da atualidade

      23. Que profecia de Pedro a respeito de líderes religiosos se tem cumprido?

      23 O apóstolo Pedro alertou que surgiriam também falsos instrutores para desencaminhar os cristãos. Ele escreveu: “Houve também falsos profetas entre o povo [de Israel], assim como haverá falsos instrutores entre vós. Estes mesmos introduzirão quietamente seitas destrutivas e repudiarão até mesmo o dono que os comprou, trazendo sobre si mesmos uma destruição veloz.” (2 Pedro 2:1) O que resultou dos ensinos falsos e do sectarismo de tais instrutores falsos? A cristandade, cujos líderes religiosos atuais pedem as bênçãos de Deus sobre seus amigos políticos e daí prometem um futuro brilhante. Os líderes religiosos da cristandade se têm mostrado cegos, mudos e adormecidos com relação a coisas espirituais.

      24. Que união existe entre o Israel espiritual e os estrangeiros?

      24 Contudo, Jeová está atraindo milhões de estrangeiros para adorarem junto com os derradeiros do Israel de Deus em sua grande casa espiritual de oração. Esses estrangeiros, embora procedam de muitas nações, raças e línguas, estão unidos entre si e com o Israel de Deus. Estão convictos de que a salvação só pode vir de Jeová Deus por meio de Jesus Cristo. Motivados por amor a Jeová, eles participam com os irmãos ungidos de Cristo em expressar a sua fé. E são profundamente consolados pelas palavras do apóstolo inspirado, que escreveu: “Se declarares publicamente essa ‘palavra na tua própria boca’, que Jesus é Senhor, e no teu coração exerceres fé, que Deus o levantou dentre os mortos, serás salvo.” — Romanos 10:9.

      [Nota(s) de rodapé]

      a O termo “eunuco” passou também a aplicar-se a uma autoridade na corte, sem referência à mutilação sexual. Visto que o etíope batizado por Filipe evidentemente era um prosélito — ele foi batizado antes de o caminho ser aberto aos incircuncisos não judeus — ele com certeza era eunuco nesse sentido. — Atos 8:27-39.

      b Ebede-Meleque, que socorreu Jeremias e tinha acesso direto ao Rei Zedequias, é chamado de eunuco. Isso pelo visto se refere à sua condição de autoridade na corte e não à de fisicamente mutilado. — Jeremias 38:7-13.

      [Foto na página 250]

      O sábado ofereceria oportunidade para orar, estudar e meditar

      [Fotos na página 256]

      A situação das outras ovelhas foi explicada claramente num congresso em Washington, DC, em 1935 (foto do batismo abaixo, programa à direita)

      [Foto na página 259]

      Os animais selvagens são convidados a se banquetearem

      [Fotos na página 261]

      Os estrangeiros e o Israel de Deus estão unidos entre si

  • Jeová reaviva o espírito dos humildes
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
    • Capítulo Dezoito

      Jeová reaviva o espírito dos humildes

      Isaías 57:1-21

      1. Que garantia deu Jeová, e que perguntas suas palavras suscitam?

      “ASSIM disse o Enaltecido e Elevado, que reside para todo o sempre e cujo nome é santo: ‘No alto e no lugar santo é onde resido, também com o quebrantado e o humilde no espírito, para reavivar o espírito dos humildes e para reavivar o coração dos que estão sendo esmigalhados.’” (Isaías 57:15) Assim escreveu o profeta Isaías, no oitavo século AEC. O que estava acontecendo em Judá que fazia com que essa mensagem fosse tão animadora? Como essas palavras inspiradas ajudam os cristãos hoje? Um estudo do capítulo 57 de Isaías nos ajudará a responder a essas perguntas.

      “Chegai-vos para cá”

      2. (a) A que época, pelo visto, se aplicavam as palavras do capítulo 57 de Isaías? (b) Qual era a situação dos justos nos dias de Isaías?

      2 Pelo visto, essa parte da profecia de Isaías se aplicava nos dias do próprio Isaías. Veja como a perversidade estava enraizada: “O próprio justo pereceu, mas não há quem fixe isso no coração. E homens de benevolência estão sendo recolhidos aos mortos, ao passo que ninguém discerne que é por causa da calamidade que o justo foi recolhido. Ele entra na paz; eles descansam sobre as suas camas, todo aquele que anda de modo direito.” (Isaías 57:1, 2) Quando um justo perecia, ninguém se importava com isso. Sua morte prematura passava despercebida. Adormecer na morte lhe trazia paz, alívio dos sofrimentos infligidos pelos ímpios e livramento da calamidade. A nação escolhida de Deus caíra num estado deplorável. Mas como os que permaneciam fiéis devem ter-se sentido encorajados por saber que Jeová não apenas via o que estava acontecendo, mas também que os apoiaria!

      3. Que palavras Jeová dirige à perversa geração de Judá, e por quê?

      3 Jeová convoca a perversa geração de Judá, dizendo: “Quanto a vós, chegai-vos para cá, vós filhos duma agoureira, descendência duma pessoa adúltera e duma mulher que comete prostituição.” (Isaías 57:3) Cabiam-lhes bem essas descrições vergonhosas de filhos duma agoureira e descendência de adúltero e de prostituta. A adoração falsa para a qual se haviam desviado incluía atos repugnantes de idolatria e de espiritismo, bem como práticas sexuais imorais. Assim, Jeová pergunta a tais pecadores: “A respeito de quem vos divertis? Contra quem estais abrindo largamente a boca, estais estendendo a língua para fora? Não sois filhos da transgressão, descendência da falsidade, os que excitam a paixão entre as grandes árvores, debaixo de cada árvore frondosa, chacinando os filhos nos vales de torrente, debaixo das fendas dos rochedos?” — Isaías 57:4, 5.

      4. De que eram culpados os perversos de Judá?

      4 Os perversos de Judá praticavam abertamente a sua chocante adoração pagã, ‘divertindo-se’. Desdenhosamente, zombavam dos profetas de Deus que haviam sido enviados para corrigi-los, mostrando-lhes a língua num gesto vergonhoso e desrespeitoso. Embora fossem filhos de Abraão, seu comportamento rebelde os tornava filhos da transgressão e descendência da falsidade. (Isaías 1:4; 30:9; João 8:39, 44) Entre as grandes árvores da área rural, eles atiçavam fervor religioso em sua adoração idólatra. E que adoração cruel! Chegavam até mesmo a matar seus próprios filhos, como as nações cujo comportamento detestável levara Jeová a expulsá-las daquela terra! — 1 Reis 14:23; 2 Reis 16:3, 4; Isaías 1:29.

      Ofertas de bebida derramadas sobre pedras

      5, 6. (a) O que os habitantes de Judá preferiam fazer em vez de adorar a Jeová? (b) Quão clamorosa e ampla era a idolatria de Judá?

      5 Veja quão fundo os habitantes de Judá estavam mergulhados na idolatria: “Teu quinhão estava com as pedras lisas do vale de torrente. Elas é que eram a tua sorte. Ademais, foi a elas que derramaste uma oferta de bebida, ofertaste um presente. Por estas coisas, acaso devo consolar-me?” (Isaías 57:6) Os judeus eram o povo pactuado de Deus; mas, em vez de adorá-lo, apanhavam pedras do rio e as transformavam em deuses. Davi havia declarado que Jeová era seu quinhão, mas esses pecadores preferiam ídolos de pedra sem vida, derramando ofertas de bebida para eles. (Salmo 16:5; Habacuque 2:19) Que satisfação poderia Jeová derivar dessa adoração pervertida do povo que levava seu nome?

      6 Em toda a parte — debaixo de árvores grandes, em vales de torrente, nos morros, nas cidades — Judá praticava idolatria. Mas Jeová via tudo isso e, por meio de Isaías, expôs a depravação deles: “Colocaste a tua cama sobre um monte alto e elevado. Subiste também para lá a fim de oferecer sacrifícios. E colocaste a tua recordação atrás da porta e da ombreira.” (Isaías 57:7-8a) Nos lugares elevados, Judá fazia sua cama de impureza espiritual, e ali ofertava sacrifícios a deuses estrangeiros.a Até mesmo nas casas havia ídolos atrás das portas e das ombreiras.

      7. Com que disposição Judá praticava a adoração imoral?

      7 Alguns talvez se perguntem por que Judá se envolvera tanto na adoração impura. Alguma força maior a havia forçado a abandonar a Jeová? A resposta é não. Ela fazia isso voluntária e avidamente. Diz Jeová: “[Tu te] descobriste à parte de mim e passaste a subir; ampliaste a tua cama. E tu, para ti mesma, foste concluir com eles um pacto. Amaste a cama com eles. Contemplaste o membro masculino.” (Isaías 57:8b) Judá fizera um pacto com seus deuses falsos e amava sua relação ilícita com eles. Ela amava em especial as práticas sexuais imorais — provavelmente incluindo o uso de símbolos fálicos — que caracterizavam a adoração desses deuses!

      8. Sob o governo de que rei, em especial, a idolatria floresceu em Judá?

      8 A descrição de crassa imoralidade e cruel idolatria ajusta-se ao que sabemos de vários reis perversos de Judá. Manassés, por exemplo, construiu os lugares elevados, erigiu altares a Baal e colocou altares religiosos falsos em dois pátios do templo. Fez seus filhos passar pelo fogo, praticou magia, empregou adivinhação e promoveu práticas espíritas. O Rei Manassés também colocou no templo de Jeová a imagem esculpida do poste sagrado que havia feito.b Ele seduziu Judá a fazer “o que era mau, mais do que as nações que Jeová aniquilara”. (2 Reis 21:2-9) Alguns acreditam que Manassés tenha mandado matar Isaías, embora o nome Manassés não apareça em Isaías 1:1.

      “Continuaste a mandar teus enviados”

      9. Por que Judá mandava enviados “para longe”?

      9 A transgressão de Judá ia além de servir deuses falsos. Usando Isaías como porta-voz, Jeová diz: “Passaste a descer a Meleque com óleo e continuaste a fazer abundantes os teus unguentos. E continuaste a mandar teus enviados para longe, de modo que rebaixaste as coisas até o Seol.” (Isaías 57:9) O infiel reino de Judá procurou “Meleque”, “o rei”, em hebraico — provavelmente o rei de uma potência estrangeira — e deu-lhe presentes dispendiosos e atraentes, simbolizados pelo óleo e unguentos perfumados. O reino de Judá enviava emissários para lugares distantes. Para quê? Para persuadir as nações gentias a fazer alianças políticas com ele. Tendo dado as costas para Jeová, confiava em reis estrangeiros.

      10. (a) De que modo o Rei Acaz procurou fazer uma aliança com o rei da Assíria? (b) Em que sentido Judá ‘rebaixou as coisas até o Seol’?

      10 Um exemplo disso aconteceu nos dias do Rei Acaz. Sentindo-se ameaçado por uma aliança entre Israel e Síria, esse rei infiel de Judá enviou mensageiros a Tiglate-Pileser III, da Assíria, dizendo: “Sou teu servo e teu filho. Sobe e salva-me da palma da mão do rei da Síria e da palma da mão do rei de Israel, que se estão levantando contra mim.” Acaz mandou prata e ouro como suborno ao rei da Assíria, e o rei retribuiu, lançando um ataque devastador contra a Síria. (2 Reis 16:7-9) Nos seus tratos com as nações gentias, Judá ‘se abateu até o Seol’. (Almeida, IBB) Por causa desses tratos, Judá morreria, ou deixaria de existir como nação independente governada por um rei.

      11. Que falso senso de segurança demonstrava Judá?

      11 Jeová continua a falar a Judá: “Labutaste na multidão dos teus caminhos. Não disseste: ‘É sem esperança!’ Encontraste a reanimação do teu próprio poder. Por isso é que não ficaste doente.” (Isaías 57:10) Sim, a nação se empenhava a fundo nos seus caminhos apóstatas, e não via a futilidade de seus esforços. Ao contrário, ela se iludia pensando que estava sendo bem-sucedida à base de seu próprio poder. Sentia-se reanimada e sadia. Quão tolo!

      12. Que condições na cristandade encontram paralelo nas da antiga Judá?

      12 Existe hoje uma organização cuja conduta faz lembrar a de Judá nos dias de Isaías. A cristandade usa o nome de Jesus, mas busca alianças com as nações e enche de ídolos seus locais de adoração. Seus adeptos até mesmo colocam imagens idólatras nas suas casas. A cristandade tem sacrificado seus jovens nas guerras das nações. Quão ofensivo tudo isso deve ser para o Deus verdadeiro, que ordena aos cristãos: “Fugi da idolatria.” (1 Coríntios 10:14) Por envolver-se na política, a cristandade ‘tem cometido fornicação com os reis da Terra’. (Revelação [Apocalipse] 17:1, 2). Ela é, de fato, uma das principais apoiadoras das Nações Unidas. O que acontecerá com essa meretriz religiosa? Bem, o que foi que Jeová disse ao protótipo dela, a infiel Judá, em especial conforme representada por sua capital, Jerusalém?

      ‘Tua coleção não te livrará’

      13. Que ‘mentira’ praticava Judá, e como reagiu à paciência de Jeová?

      13 “De quem ficaste receosa e a quem começaste a temer, de modo que passaste a mentir?”, diz Jeová. Uma boa pergunta! Judá certamente não demonstrava um temor sadio e piedoso de Jeová. Senão, ela não se teria tornado uma nação de mentirosos, adoradores de deuses falsos. Jeová prossegue: “De mim é que não te lembraste. Não fixaste nada no coração. Não estava eu ficando quieto e ocultando as coisas? Portanto, de mim é que não tiveste medo.” (Isaías 57:11) Jeová havia mantido silêncio, sem infligir imediata punição a Judá. Será que Judá apreciava isso? Não, em vez disso, encarava a indulgência de Deus como indiferença. Havia perdido todo o temor dele.

      14, 15. O que diz Jeová a respeito dos trabalhos de Judá e de sua “coleção de coisas”?

      14 Mas o período de longanimidade de Deus terminaria. Referindo-se a esse tempo, Jeová declara: “Eu mesmo é que contarei a tua justiça e os teus trabalhos, que eles não te aproveitarão. Quando clamares por socorro, a tua coleção de coisas não te livrará, mas um vento carregará mesmo com todas elas. Uma exalação as levará embora.” (Isaías 57:12, 13a) Jeová exporia a falsa justiça de Judá. Seus trabalhos hipócritas não trariam nenhum benefício. A sua “coleção de coisas”, seu estoque de ídolos, não a livraria. Quando a calamidade assolasse, os deuses em quem ela confiava seriam varridos por um mero sopro de vento.

      15 As palavras de Jeová se cumpriram em 607 AEC. Foi quando o rei babilônio Nabucodonosor destruiu Jerusalém, incendiou o templo e levou a maior parte do povo como cativos. “Assim foi exilado Judá do seu solo.” — 2 Reis 25:1-21.

      16. O que acontecerá com a cristandade e o restante de “Babilônia, a Grande”?

      16 Similarmente, o grande estoque de ídolos da cristandade não a livrará no dia da ira de Jeová. (Isaías 2:19-22; 2 Tessalonicenses 1:6-10) Junto com o restante de “Babilônia, a Grande”, o conjunto de religiões falsas do mundo, a cristandade será aniquilada. A simbólica fera cor de escarlate e seus dez chifres deixarão Babilônia, a Grande, ‘devastada e nua, comerão as suas carnes e a queimarão completamente no fogo’. (Revelação 17:3, 16, 17) Como somos gratos de termos obedecido à ordem: “Saí dela, povo meu, se não quiserdes compartilhar com ela nos seus pecados e se não quiserdes receber parte das suas pragas”! (Revelação 18:4, 5) Jamais retornemos a ela ou às suas práticas!

      “Aquele que se refugiar em mim herdará a terra”

      17. Que promessa se faz ‘àquele que se refugia em Jeová’, e quando se cumpriria?

      17 Mas que dizer das palavras seguintes da profecia de Isaías: “Aquele que se refugiar em mim herdará a terra e tomará posse do meu santo monte”? (Isaías 57:13b) A quem Jeová fala aqui? Ele olha além do vindouro cataclismo e prediz a libertação de seu povo de Babilônia e a restauração da adoração pura no Seu monte santo, Jerusalém. (Isaías 66:20; Daniel 9:16) Que fonte de encorajamento isso seria para todo judeu que permanecesse fiel! Jeová diz mais: “Certamente se dirá: ‘Aterrai, aterrai! Desobstruí o caminho. Removei todo obstáculo do caminho do meu povo.’” (Isaías 57:14) Quando chegasse o tempo de Jeová libertar o seu povo, o caminho estaria pronto, com todos os obstáculos removidos. — 2 Crônicas 36:22, 23.

      18. Como se descreve a posição elevada de Jeová, no entanto que preocupação amorosa demonstra ele?

      18 É nesse ponto que o profeta Isaías relata as palavras citadas no início: “Assim disse o Enaltecido e Elevado, que reside para todo o sempre e cujo nome é santo: ‘No alto e no lugar santo é onde resido, também com o quebrantado e o humilde no espírito, para reavivar o espírito dos humildes e para reavivar o coração dos que estão sendo esmigalhados.’” (Isaías 57:15) O trono de Jeová se encontra no mais alto dos céus. Não existe posição mais enaltecida ou elevada. Como é consolador saber que de lá ele vê tudo — não apenas os pecados dos perversos, mas também os atos justos dos que se esforçam a servi-lo! (Salmo 102:19; 103:6) Além do mais, ele ouve os gemidos dos oprimidos e reanima o coração dos esmagados. Essas palavras devem ter tocado o coração dos judeus arrependidos nos tempos antigos. Certamente tocam o nosso coração hoje.

      19. Quando cessa a indignação de Jeová?

      19 Também consoladoras são as palavras seguintes de Jeová: “Não contenderei por tempo indefinido, nem ficarei indignado perpetuamente; pois, por minha causa o próprio espírito se debilitaria, até mesmo as criaturas que respiram, que eu mesmo fiz.” (Isaías 57:16) Nenhuma das criaturas de Jeová poderia sobreviver se Sua ira fosse perpétua, sem fim. Felizmente, porém, a indignação de Deus dura apenas um tempo limitado. Depois de realizado seu objetivo, ela cessa. Esse entendimento inspirado nos ajuda a desenvolver profundo apreço pelo amor de Jeová para com a sua criação.

      20. (a) Como Jeová lida com um transgressor não arrependido? (b) De que maneira Jeová consola a pessoa contrita?

      20 Ganhamos mais entendimento, à medida que Jeová continua. Primeiro, ele diz: “Fiquei indignado com o erro do seu lucro injusto e passei a golpeá-lo, escondendo o meu rosto enquanto eu estava indignado. Mas ele continuou a andar como renegado no caminho do seu coração.” (Isaías 57:17) Os erros cometidos por causa da ganância certamente provocam a ira de Deus. Enquanto a pessoa permanece renegada no coração, Jeová permanece indignado. Mas que dizer se o renegado aceita a disciplina? Nesse caso, Jeová mostra como seu amor e sua compaixão o induzem a agir: “Vi os próprios caminhos dele; e comecei a sará-lo, e a guiá-lo, e a compensá-lo com consolação para ele e para os seus pranteadores.” (Isaías 57:18) Depois de tomar uma medida disciplinar, Jeová sara e consola a pessoa contrita e os que pranteiam com ela. Foi por isso que, em 537 AEC, os judeus puderam voltar para sua terra natal. Judá nunca mais se tornou um reino independente sob um rei da linhagem de Davi, é verdade. Mesmo assim, o templo em Jerusalém foi reconstruído e a adoração verdadeira foi restaurada.

      21. (a) Como Jeová reanimou, em 1919, o espírito dos cristãos ungidos? (b) Que qualidade, como indivíduos, faremos bem em cultivar?

      21 “O Enaltecido e Elevado”, Jeová, cuidou também do bem-estar dos do restante ungido, em 1919. Por demonstrarem um espírito contrito e humilde, o grande Deus, Jeová, bondosamente notou a aflição deles e os libertou do cativeiro babilônico. Removeu todas as pedras de tropeço e conduziu-os à liberdade para que pudessem prestar-lhe adoração pura. Assim, as palavras de Jeová por meio de Isaías tiveram um cumprimento. E, por trás dessas palavras, há princípios eternos que se aplicam a cada um de nós. Jeová só aceita a adoração dos que têm mentalidade humilde. E, se um de seus servos vem a pecar, deve reconhecer prontamente seu erro, aceitar a repreensão e corrigir seus caminhos. Jamais nos esqueçamos de que Jeová sara e consola os humildes, mas “opõe-se aos soberbos”. — Tiago 4:6.

      ‘Paz para quem está longe e para quem está perto’

      22. Que futuro Jeová prediz para (a) os arrependidos? (b) os iníquos?

      22 Contrastando o futuro dos que se arrependem com o dos que persistem em seus maus caminhos, Jeová declara: “Estou criando o fruto dos lábios. Haverá paz contínua para o que está longe e para o que está perto, . . . e vou sará-lo. Mas os iníquos são como o mar revolto, quando não pode sossegar, cujas águas lançam de si algas e lama. Não há paz para os iníquos.” — Isaías 57:19-21.

      23. O que é o fruto dos lábios, e em que sentido Jeová ‘cria’ esse fruto?

      23 O fruto dos lábios é o sacrifício de louvor ofertado a Deus — uma declaração pública em favor de Seu nome. (Hebreus 13:15) Como Jeová ‘cria’ essa declaração pública? Para ofertar um sacrifício de louvor, a pessoa precisa primeiro aprender sobre Deus e daí ter fé nele. A fé — um fruto do espírito de Deus — induz essa pessoa a falar a outros sobre o que ouviu. Em outras palavras, ela faz uma declaração pública. (Romanos 10:13-15; Gálatas 5:22) Deve-se lembrar também que, no fim das contas, é Jeová quem comissiona seus servos para proclamar seu louvor. E é Jeová quem liberta seu povo, possibilitando-lhes oferecer tais sacrifícios de louvor. (1 Pedro 2:9) Assim, pode-se dizer acertadamente que Jeová cria esse fruto dos lábios.

      24. (a) Quem veio a sentir a paz de Deus, e com que resultado? (b) Quem não veio a sentir paz, e com que resultado para eles?

      24 Que emocionante fruto dos lábios ofereceram os judeus ao retornarem para sua terra natal cantando louvores a Jeová! Por certo estavam felizes de sentir a paz de Deus, quer estivessem “longe” — distantes de Judá, ainda esperando para voltar — quer “perto” — já em sua terra natal. Num amplo contraste, como era diferente a situação dos iníquos! Todos os que não correspondiam aos atos disciplinares de Jeová, os iníquos (não importava quem fossem ou onde estivessem), definitivamente não tinham paz. Revoltos como o mar agitado, insistiam em produzir, não o fruto dos lábios, mas “algas e lama”, tudo o que era impuro.

      25. De que modo muitas pessoas, em toda a parte, estão passando a sentir paz?

      25 Hoje, também, os adoradores de Jeová em toda a parte declaram as boas novas do Reino de Deus. Cristãos em mais de 230 terras oferecem o fruto de seus lábios, expressando louvor ao único Deus verdadeiro. Os louvores que cantam são ouvidos “desde a extremidade da terra”. (Isaías 42:10-12) Aqueles que ouvem as suas expressões e as acolhem abraçam a verdade da Palavra de Deus, a Bíblia. Passam a sentir a paz que resulta de servir ao “Deus que dá paz”. — Romanos 16:20.

      26. (a) O que acontecerá com os iníquos? (b) Que grandiosa promessa se faz aos mansos, e qual deve ser a nossa determinação?

      26 De fato, os iníquos não acatam a mensagem do Reino. Em breve, porém, não mais se lhes permitirá perturbar a paz dos justos. “Apenas mais um pouco, e o iníquo não mais existirá”, promete Jeová. Os que se refugiam em Jeová herdarão a Terra de maneira maravilhosa. “Os próprios mansos possuirão a terra e deveras se deleitarão na abundância de paz.” (Salmo 37:10, 11, 29) Que lugar maravilhoso será a Terra! Estejamos todos decididos a jamais perder a paz de Deus, para que possamos cantar louvores a Ele por toda a eternidade.

      [Nota(s) de rodapé]

      a O termo “cama” provavelmente se refere ao altar ou ao local de adoração pagã. Chamá-lo de cama é um lembrete de que tal adoração é prostituição espiritual.

      b Postes sagrados talvez representassem o princípio feminino, e as colunas sagradas talvez fossem símbolos fálicos. Ambos eram usados pelos infiéis habitantes de Judá. — 2 Reis 18:4; 23:14.

      [Foto na página 263]

      Judá praticava a adoração imoral debaixo de toda árvore frondosa

      [Foto na página 267]

      Judá construiu altares por todo o país

      [Foto na página 275]

      “Estou criando o fruto dos lábios”

  • Exposta a hipocrisia!
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
    • Capítulo Dezenove

      Exposta a hipocrisia!

      Isaías 58:1-14

      1. Como Jesus e Jeová encaram a hipocrisia, e como ela se manifestava nos dias de Isaías?

      ‘VÓS pareceis por fora justos aos homens’, disse Jesus aos líderes religiosos de seus dias, “mas por dentro estais cheios de hipocrisia e do que é contra a lei”. (Mateus 23:28) Ao condenar a hipocrisia, Jesus refletia o conceito de seu Pai celestial. O capítulo 58 de Is da profecia de Isaías focaliza a atenção especificamente na disseminada hipocrisia que reinava em Judá. Lutas, opressão e violência eram a ordem do dia, e a guarda do sábado havia degenerado em ritual sem sentido. O povo prestava a Jeová um mero serviço pro forma e ostentava piedade por meio de jejuns insinceros. Não é de admirar que Jeová os expusesse pelo que eram!

      ‘Informa o povo sobre seus pecados’

      2. Com que espírito Isaías declarava a mensagem de Jeová, e quem hoje se assemelha a ele?

      2 Embora Jeová achasse repugnante a conduta de Judá, suas palavras incluíam um apelo sincero à nação para que se arrependesse. Mas Jeová não queria que sua reprovação fosse indistinta. Assim, ele ordena a Isaías: “Clama à plena garganta; não te refreies. Eleva a tua voz qual buzina e informa meu povo sobre a sua revolta e a casa de Jacó sobre os seus pecados.” (Isaías 58:1) Por proclamar destemidamente as palavras de Jeová, Isaías poderia atrair a hostilidade do povo, mas ele não se esquivava. Ainda tinha o mesmo espírito de dedicação que mostrou ao dizer: “Eis-me aqui! Envia-me.” (Isaías 6:8) Que exemplo excelente de perseverança é Isaías para as atuais Testemunhas de Jeová, que também estão incumbidas de pregar a Palavra de Deus e expor a hipocrisia religiosa! — Salmo 118:6; 2 Timóteo 4:1-5.

      3, 4. (a) Que falsa aparência apresentava o povo nos dias de Isaías? (b) Qual era a verdadeira situação em Judá?

      3 Superficialmente, o povo nos dias de Isaías buscava a Jeová e expressava agrado pelos Seus julgamentos justos. Lemos as palavras de Jeová: “Dia após dia fui eu a quem buscavam, e era no conhecimento dos meus caminhos que expressavam seu agrado, qual nação que praticava a própria justiça e que não abandonava o próprio juízo de seu Deus, visto que me pediam julgamentos justos, chegando-se ao Deus em quem se agradavam.” (Isaías 58:2) Era genuíno esse agrado que expressavam pelos caminhos de Jeová? Não. Eles eram “qual nação que praticava a própria justiça”, mas a semelhança era meramente superficial. Na verdade, essa nação havia ‘abandonado o próprio juízo de seu Deus’.

      4 A situação era muito parecida com a revelada mais tarde ao profeta Ezequiel. Jeová informou a Ezequiel que os judeus diziam uns aos outros: “Vinde, por favor, e ouçamos qual é a palavra procedente de Jeová.” Mas Deus alertou Ezequiel sobre a falta de sinceridade deles: “Eles entrarão chegando a ti, . . . e certamente ouvirão as tuas palavras, mas não as porão em prática, porque com a sua boca expressam desejos sensuais e seu coração vai atrás de seu lucro injusto. E eis que tu és para eles como uma canção de amores sensuais, como alguém com voz bonita e que toca bem um instrumento de cordas. E certamente ouvirão as tuas palavras, mas não há quem as ponha em prática.” (Ezequiel 33:30-32) Os contemporâneos de Isaías também afirmavam buscar constantemente a Jeová, mas não obedeciam às suas palavras.

      Jejum hipócrita

      5. Como os judeus tentavam ganhar o favor divino, e como reagiu Jeová?

      5 No empenho de ganhar o favor divino, os judeus jejuavam formalmente, mas sua pretensa piedade apenas os alienava de Jeová. Aparentemente perplexos, eles perguntam: “Por que razão jejuamos e tu não o viste, e atribulamos a nossa alma e tu não o notavas?” Jeová responde francamente, dizendo: “Deveras, vós vos agradastes do próprio dia de vosso jejum, quando havia todos os vossos labutadores que vós impelíeis a trabalhar. Deveras, jejuáveis para altercação e para rixa, e para socar com o punho da iniquidade. Não continuastes a jejuar como no dia para se fazer ouvir a vossa voz na altura? Acaso deve o jejum que eu escolho tornar-se assim, como um dia em que o homem terreno atribula a sua alma? Para encurvar a sua cabeça como o junco e para que estenda apenas serapilheira e cinzas como o seu leito? É isto o que chamais de jejum e de dia aceitável para Jeová?” — Isaías 58:3-5.

      6. Que ações dos judeus revelavam a hipocrisia de seus jejuns?

      6 Enquanto jejuavam, simulando justiça, e até mesmo pedindo os justos julgamentos de Jeová, o povo se dedicava a prazeres egoístas e interesses comerciais. Envolviam-se em lutas, opressão e violência. Numa tentativa de encobrir seu comportamento, praticavam um lamento exibicionista — curvando as cabeças como juncos, sentados em serapilheira e cinzas — aparentemente arrependidos de seus pecados. De que valor era tudo isso se continuavam rebeldes? Não mostravam nenhuma tristeza e arrependimento piedosos que deviam acompanhar os jejuns sinceros. Seus lamentos — embora ruidosos — não eram ouvidos no céu.

      7. Como os judeus dos dias de Jesus agiram hipocritamente, e como muitos hoje fazem o mesmo?

      7 Os judeus nos dias de Jesus também praticavam um jejum cerimonioso exibicionista, alguns duas vezes por semana! (Mateus 6:16-18; Lucas 18:11, 12) E muitos líderes religiosos imitavam a geração de Isaías, sendo duros e dominadores. Assim, Jesus expôs corajosamente esses hipócritas religiosos, dizendo-lhes que sua adoração era fútil. (Mateus 15:7-9) Hoje, também, milhões “declaram publicamente que conhecem a Deus, mas repudiam-no pelas suas obras, porque são detestáveis, e desobedientes, e não aprovados para qualquer sorte de boa obra”. (Tito 1:16) Esses talvez esperem a misericórdia de Deus, mas sua conduta revela falta de sinceridade. Em contraste, as Testemunhas de Jeová demonstram verdadeira devoção piedosa e genuíno amor fraternal. — João 13:35.

      O que significa arrependimento genuíno

      8, 9. Que ações positivas tinham de acompanhar o arrependimento sincero?

      8 Jeová desejava que seu povo fizesse mais do que jejuar por causa de seus pecados; queria que se arrependessem. Nesse caso, ganhariam seu favor. (Ezequiel 18:23, 32) Ele explicou que, para ter valor, o jejum tinha de vir acompanhado de correção de erros passados. Considere as esquadrinhadoras perguntas de Jeová: “Não é este o jejum que escolhi? Soltar os grilhões da iniquidade, desatar as brochas da canga e deixar ir livres os esmagados, e que rompais toda canga?” — Isaías 58:6.

      9 Grilhões e cangas são símbolos apropriados de jugo cruel. Assim, em vez de jejuar e ao mesmo tempo oprimir concrentes, o povo devia acatar a ordem: “Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.” (Levítico 19:18) Deviam libertar todos os a quem haviam oprimido e escravizado injustamente.a Atos religiosos ostentosos, como jejuar, não substituíam a genuína devoção piedosa e as demonstrações de amor fraternal. Um contemporâneo de Isaías, o profeta Miqueias, escreveu: “O que é que Jeová pede de volta de ti senão que exerças a justiça, e ames a benignidade, e andes modestamente com o teu Deus?” — Miqueias 6:8.

      10, 11. (a) Para os judeus, o que seria melhor do que jejuar? (b) Como podem os cristãos hoje aplicar o conselho de Jeová aos judeus?

      10 A justiça, a bondade e a modéstia exigem fazer o bem a outros, que é a essência da Lei de Jeová. (Mateus 7:12) Muito melhor do que jejuar seria partilhar a fartura com os necessitados. Jeová pergunta: “Não é [o jejum que eu aprovo] partilhares o teu pão ao faminto e introduzires na tua casa pessoas atribuladas, sem lar? Que, caso vejas alguém nu, tu o tenhas de cobrir, e que não te ocultes da tua própria carne?” (Isaías 58:7) Sim, em vez de um jejuar exibicionista, os que tinham recursos deviam dar comida, roupa ou abrigo para seus conterrâneos de Judá que passavam necessidade — pessoas de sua própria raça.

      11 Esses belos princípios de amor fraternal e compaixão, expressos por Jeová, não se aplicam apenas aos judeus nos dias de Isaías. Orientam também os cristãos. Assim, o apóstolo Paulo escreveu: “Realmente, então, enquanto tivermos tempo favorável para isso, façamos o que é bom para com todos, mas especialmente para com os aparentados conosco na fé.” (Gálatas 6:10) A congregação cristã tem de ser um refúgio de amor e afeição fraternal, especialmente em vista dos dias cada vez mais críticos em que vivemos. — 2 Timóteo 3:1; Tiago 1:27.

      A obediência produziria ricas bênçãos

      12. O que faria Jeová caso seu povo o obedecesse?

      12 Se o povo de Jeová tão somente tivesse a perspicácia de acatar Sua amorosa reprimenda! Diz Jeová: “Neste caso romperia a tua luz como a alva; e rapidamente surgiria para ti o restabelecimento. E certamente andaria diante de ti a tua justiça; a própria glória de Jeová seria a tua retaguarda. Neste caso chamarias e o próprio Jeová te responderia; clamarias por ajuda e ele diria: ‘Eis-me aqui!’” (Isaías 58:8, 9a) Que palavras calorosas e cativantes! Jeová abençoa e protege os que têm prazer na benignidade e na justiça. Se o povo de Jeová se arrependesse de sua dureza e hipocrisia, e o obedecesse, as coisas se tornariam muito mais radiantes para eles. Jeová providenciaria um “restabelecimento”, a recuperação espiritual e física do país. Ele também os protegeria, como fizera com seus antepassados ao saírem do Egito. E atenderia prontamente seus clamores por ajuda. — Êxodo 14:19, 20, 31.

      13. Que bênçãos teriam os judeus caso acatassem a exortação de Jeová?

      13 A seguir, Jeová acrescenta à sua exortação anterior: “Se removeres do teu meio a canga [de escravidão dura e injusta], o apontar com o dedo [possivelmente em escárnio ou acusação falsa] e falar o que é prejudicial, e concederes ao faminto o teu próprio desejo da alma e fartares a alma atribulada, então certamente raiará a tua luz mesmo na escuridão e as tuas trevas serão como o meio-dia.” (Isaías 58:9b, 10) O egoísmo e a crueldade são destrutivos e provocam a ira de Jeová. A bondade e a generosidade, porém, em especial quando exercidas para com os famintos e aflitos, resultam em ricas bênçãos de Deus. Se os judeus tão somente levassem a sério essas verdades! Nesse caso, seu resplendor e prosperidade espirituais os fariam brilhar como o sol do meio-dia, dispersando qualquer obscuridade. Acima de tudo, trariam honra e louvor a Jeová, a Fonte de sua glória e bênçãos. — 1 Reis 8:41-43.

      Uma nação restaurada

      14. (a) Como os contemporâneos de Isaías reagiram às suas palavras? (b) O que Jeová continuava a oferecer?

      14 Infelizmente, a nação ignorou o apelo de Jeová e afundou cada vez mais na perversidade. Por fim, não restou a Jeová outra escolha senão enviá-los ao exílio, assim como os advertira. (Deuteronômio 28:15, 36, 37, 64, 65) Mesmo assim, as palavras seguintes de Jeová, por meio de Isaías, ainda ofereciam esperança. Deus predizia que um restante disciplinado e contrito alegremente retornaria à terra de Judá, embora ela estivesse desolada.

      15. Que alegre restauração prediz Jeová?

      15 Prevendo a restauração de seu povo, que se daria em 537 AEC, Jeová diz, por meio de Isaías: “Jeová forçosamente te guiará constantemente e fartará a tua alma mesmo numa terra abrasada e revigorará os próprios ossos teus; e terás de tornar-te igual a um jardim bem regado e como nascente de água, cujas águas não mentem [“jamais faltam”, Almeida].” (Isaías 58:11) Jeová faria com que a abrasada terra de Judá recuperasse a sua exuberante produtividade. Mais maravilhoso ainda, ele abençoaria seu povo arrependido, revigorando seus “próprios ossos”, de um estado espiritualmente sem vida para o de plena vitalidade. (Ezequiel 37:1-14) O povo se tornaria como “um jardim bem regado”, cheio de frutos espirituais.

      16. Como o país seria restaurado?

      16 A restauração incluiria a reconstrução de cidades destruídas pelos invasores babilônios em 607 AEC. “Às tuas instâncias, homens certamente edificarão os lugares há muito devastados; erigirás até mesmo os alicerces de gerações contínuas. E serás realmente chamado consertador da brecha, restaurador de sendas junto às quais se pode morar.” (Isaías 58:12) As expressões paralelas “os lugares há muito devastados” e “os alicerces de gerações contínuas” (ou, os alicerces que por gerações jazem em ruínas) mostram que o restante repatriado reconstruiria as cidades arruinadas de Judá, especialmente Jerusalém. (Neemias 2:5; 12:27; Isaías 44:28) Eles consertariam a “brecha” — um termo aqui usado em sentido coletivo para se referir às rupturas nas muralhas de Jerusalém e, sem dúvida, também nas de outras cidades. — Jeremias 31:38-40; Amós 9:14.

      Bênçãos resultantes da fiel guarda do sábado

      17. Que apelo Jeová fez a seu povo para que obedecesse às leis do sábado?

      17 O sábado era uma expressão da profunda preocupação de Deus para com o bem-estar físico e espiritual de seu povo. Jesus disse: “O sábado veio à existência por causa do homem.” (Marcos 2:27) Esse dia santificado por Jeová dava aos israelitas uma oportunidade especial de mostrar seu amor a Deus. Infelizmente, nos dias de Isaías, o sábado havia sido reduzido a um dia de realização de rituais vazios e de entrega a desejos egoístas. Mais uma vez, então, Jeová tinha motivos para censurar seu povo. E, de novo, tentava tocar o coração deles. Disse ele: “Se em vista do sábado fizeres teu pé retornar de fazer os teus próprios agrados no meu dia santo e realmente chamares o sábado de deleite, dia santo de Jeová, um que se glorifica, e tu realmente o glorificares em vez de seguires os teus próprios caminhos, em vez de achares o que te agrada e falares uma palavra, neste caso te deleitarás em Jeová e eu vou fazer-te cavalgar sobre os altos da terra; e eu vou fazer-te comer da propriedade hereditária de Jacó, teu antepassado, porque a própria boca de Jeová falou isso.” — Isaías 58:13, 14.

      18. Qual seria o resultado da falha de Judá em honrar o sábado?

      18 O sábado era um dia para reflexão espiritual, orações e adoração em família. Devia ajudar os judeus a refletirem nas maravilhosas ações de Jeová em favor deles e na justiça e no amor manifestados em Sua Lei. Assim, guardar fielmente esse dia sagrado ajudaria o povo a achegar-se mais a seu Deus. Em vez disso, eles pervertiam o sábado e, com isso, corriam o risco de perder as bênçãos de Jeová. — Levítico 26:34; 2 Crônicas 36:21.

      19. Que ricas bênçãos receberia o povo de Deus se voltasse a guardar o sábado?

      19 Mesmo assim, se os judeus se beneficiassem da disciplina e voltassem a honrar o arranjo do sábado, receberiam ricas bênçãos. Os bons efeitos da adoração verdadeira e do respeito pelo sábado se estenderiam a todos os aspectos da vida. (Deuteronômio 28:1-13; Salmo 19:7-11) Por exemplo, Jeová faria seu povo “cavalgar sobre os altos da terra”. Essa expressão significava segurança e vitória sobre inimigos. Quem controlasse os altos — as colinas e os montes — controlaria a terra. (Deuteronômio 32:13; 33:29) Houve tempo em que Israel obedecia a Jeová, e a nação tinha sua proteção e era respeitada, até mesmo temida, por outras nações. (Josué 2:9-11; 1 Reis 4:20, 21) Se de novo se voltassem a Jeová em obediência, parte dessa glória anterior seria restaurada. Jeová daria a seu povo uma plena participação na “propriedade hereditária de Jacó” — as bênçãos prometidas por meio de Seu pacto com seus antepassados, em especial a bênção de garantia de propriedade da Terra Prometida. — Salmo 105:8-11.

      20. Que “descanso sabático” existe para os cristãos?

      20 Há nisso uma lição para os cristãos? Com a morte de Jesus Cristo, a Lei mosaica foi revogada, incluindo os requisitos do sábado. (Colossenses 2:16, 17) Entretanto, o espírito que a guarda do sábado deveria ter incentivado em Judá — colocar em primeiro lugar os interesses espirituais e estreitar a relação com Jeová — ainda é vital para os adoradores de Jeová. (Mateus 6:33; Tiago 4:8) Ademais, Paulo diz na sua carta aos hebreus: “Resta um descanso sabático para o povo de Deus.” Os cristãos entram nesse “descanso sabático” por serem obedientes a Jeová e buscarem a justiça baseada na fé no sangue derramado de Jesus Cristo. (Hebreus 3:12, 18, 19; 4:6, 9-11, 14-16) Para os cristãos, esse tipo de guarda do sábado não é apenas um dia por semana, mas todos os dias. — Colossenses 3:23, 24.

      O Israel espiritual ‘cavalga sobre os altos da terra’

      21, 22. Em que sentido Jeová fez o Israel de Deus “cavalgar sobre os altos da terra”?

      21 Desde a sua libertação do cativeiro babilônico, em 1919, os cristãos ungidos têm observado fielmente o que foi prefigurado pelo sábado. Em resultado disso, Jeová os fez “cavalgar sobre os altos da terra”. Em que sentido? Lá em 1513 AEC, Jeová fez um pacto com os descendentes de Abraão no sentido de que, se fossem obedientes, eles se tornariam um reino de sacerdotes e uma nação santa. (Êxodo 19:5, 6) Durante os 40 anos no ermo, Jeová os carregou com segurança, como a águia carrega seus filhotes, e os abençoou com provisões abundantes. (Deuteronômio 32:10-12) Mas a nação não tinha fé e, por fim, deixou de receber todos os privilégios que poderia ter tido. Apesar disso, Jeová tem um reino de sacerdotes hoje. É o espiritual Israel de Deus. — Gálatas 6:16; 1 Pedro 2:9.

      22 No “tempo do fim”, essa nação espiritual tem feito o que o Israel antigo deixou de fazer. Tem mantido a fé em Jeová. (Daniel 8:17) À medida que seus membros seguem estritamente os altos padrões e os elevados caminhos de Jeová, Ele os eleva em sentido espiritual. (Provérbios 4:4, 5, 8; Revelação [Apocalipse] 11:12) Protegidos das impurezas que os cercam, têm um ‘elevado’ estilo de vida e, em vez de insistir em seguir seus próprios caminhos, ‘deleitam-se em Jeová’ e em sua Palavra. (Salmo 37:4) Jeová os tem mantido espiritualmente seguros, apesar de decidida oposição em todo o mundo. Desde 1919, sua “terra” espiritual não sofreu rupturas. (Isaías 66:8) Continuam a ser um povo para Seu nome enaltecido, que eles alegremente proclamam em todo o mundo. (Deuteronômio 32:3; Atos 15:14) Além disso, um crescente número de pessoas mansas de todas as nações partilham agora com eles do grande privilégio de ser ensinados nos caminhos de Jeová e de ser ajudados a andar nas suas veredas.

      23. Em que sentido Jeová tem feito com que seus servos ungidos ‘comam da propriedade hereditária de Jacó’?

      23 Jeová tem feito com que seus servos ungidos ‘comam da propriedade hereditária de Jacó’. Quando Isaque abençoou Jacó em vez de Esaú, as palavras do patriarca prediziam bênçãos para todos os que exercessem fé no prometido Descendente de Abraão. (Gênesis 27:27-29; Gálatas 3:16, 17) Como Jacó — e diferentemente de Esaú —, os cristãos ungidos e seus companheiros ‘estimam coisas sagradas’, em especial o farto alimento espiritual fornecido por Deus. (Hebreus 12:16, 17; Mateus 4:4) Esse alimento espiritual — que inclui conhecimento do que Jeová está realizando por meio do Descendente prometido e dos associados dele — é fortalecedor, revigorante e vital para sua vida espiritual. Assim, é fundamental que assimilem constantemente nutrição espiritual por lerem a Palavra de Deus e meditarem nela. (Salmo 1:1-3) É imperativo que se associem com concrentes nas reuniões cristãs. E é essencial que sustentem os elevados padrões da adoração pura à medida que alegremente partilham com outros essa nutrição espiritual.

      24. Como agem hoje os cristãos verdadeiros?

      24 Enquanto aguardam ansiosamente o cumprimento das promessas de Jeová, que os cristãos verdadeiros continuem a repudiar a hipocrisia de toda sorte! Nutridos pela “propriedade hereditária de Jacó”, possam eles continuar a usufruir a segurança espiritual nos “altos da terra”!

      [Nota(s) de rodapé]

      a Jeová fizera provisão para que os de seu povo que se endividassem pudessem vender a si mesmos como escravos para saldar a dívida, o que basicamente significava tornar-se trabalhador contratado. (Levítico 25:39-43) Mas a Lei exigia que os escravos fossem bem tratados. Os que fossem tratados com brutalidade deviam ser libertados. — Êxodo 21:2, 3, 26, 27; Deuteronômio 15:12-15.

      [Foto na página 278]

      Os judeus jejuavam e curvavam a cabeça fingindo arrependimento — mas não mudavam sua conduta

      [Foto na página 283]

      Os que tinham recursos para isso ofereciam acomodação, roupa ou provisões para os necessitados

      [Foto na página 286]

      Se Judá se arrependesse, poderia reconstruir suas cidades devastadas

  • A mão de Jeová não ficou curta
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
    • Capítulo Vinte

      A mão de Jeová não ficou curta

      Isaías 59:1-21

      1. Qual era a situação em Judá, e o que muitos se perguntavam?

      A NAÇÃO de Judá afirmava estar numa relação pactuada com Jeová. No entanto, havia problemas em toda a parte. A justiça era escassa, o crime e a opressão grassavam e as esperanças de melhora não se concretizavam. Algo estava muito errado. Muitos se perguntavam se Jeová algum dia corrigiria as coisas. Essa era a situação nos dias de Isaías. Mas o relato de Isaías a respeito desse tempo é mais do que mera história antiga. Suas palavras contêm avisos proféticos para todo aquele que diz adorar a Deus, mas viola as Suas leis. E a profecia inspirada, registrada no capítulo 59 de Isaías, dá caloroso encorajamento para todos os que lutam para servir a Jeová mesmo vivendo em tempos difíceis e perigosos.

      Isolados do Deus verdadeiro

      2, 3. Por que Jeová não estava protegendo Judá?

      2 Imagine — o povo pactuado de Deus se tornara apóstata! Haviam voltado as costas para o Criador, distanciando-se assim de Sua mão protetora. Por isso, passavam grandes aflições. Talvez culpassem a Jeová por seus tempos difíceis. Isaías lhes diz: “Eis que a mão de Jeová não ficou tão curta que não possa salvar, nem ficou seu ouvido tão pesado que não possa ouvir. Não, mas os vossos próprios erros tornaram-se as coisas que causam separação entre vós e vosso Deus, e os vossos próprios pecados fizeram que escondesse de vós a sua face para não ouvir.” — Isaías 59:1, 2.

      3 Essas são palavras sem rodeios, mas verdadeiras. Jeová ainda era o Deus de salvação. Como “Ouvinte de oração”, ele ouvia as orações de seus servos fiéis. (Salmo 65:2) Entretanto, ele não abençoava transgressores. As próprias pessoas eram responsáveis por estarem alienadas de Jeová. A própria perversidade delas fizera com que ele ‘escondesse sua face’ delas.

      4. Que acusações se faziam contra Judá?

      4 Na verdade, Judá tinha antecedentes terríveis. A profecia de Isaías alista algumas das acusações contra ela: “As palmas das vossas próprias mãos ficaram poluídas com sangue, e os vossos dedos, com erro. Vossos próprios lábios falaram falsidade. Vossa própria língua tem murmurado pura injustiça.” (Isaías 59:3) O povo mentia e falava coisas injustas. A referência a “palmas . . . poluídas com sangue” indica que alguns haviam cometido até mesmo assassinato. Que desonra para Deus, cuja Lei não apenas proibia o assassinato, mas também “odiar teu irmão no teu coração”! (Levítico 19:17) A pecaminosidade desenfreada dos habitantes de Judá e o desfecho inevitável devem lembrar a cada um de nós que temos de controlar pensamentos e sentimentos pecaminosos. Senão, podemos acabar cometendo atos perversos que nos separarão de Deus. — Romanos 12:9; Gálatas 5:15; Tiago 1:14, 15.

      5. Quão ampla era a corrupção de Judá?

      5 A doença do pecado havia contaminado toda a nação. Diz a profecia: “Não há quem clame em justiça e absolutamente ninguém foi a juízo em fidelidade. Confiava-se na irrealidade e falava-se futilidade. Concebia-se desgraça e dava-se à luz o que é prejudicial.” (Isaías 59:4) Ninguém falava o que é justo. Mesmo nos tribunais, raramente se encontrava alguém confiável e fiel. Judá havia voltado as costas para Jeová e confiado em alianças com nações, até mesmo em ídolos sem vida. Todas essas coisas eram “irrealidade”, sem valor algum. (Isaías 40:17, 23; 41:29) Em resultado disso, falava-se muito, mas tudo em vão. Concebiam-se planos, mas esses resultavam em problemas e danos.

      6. De que modo os antecedentes da cristandade são semelhantes aos de Judá?

      6 A injustiça e a violência em Judá têm um notável paralelo na cristandade. (Veja “Jerusalém apóstata — um paralelo da cristandade”, na página 294.) Duas ferozes guerras mundiais foram travadas envolvendo nações chamadas cristãs. Até o presente, a forma de religião da cristandade tem sido incapaz de acabar com as faxinas étnicas e as matanças intertribais entre seus próprios membros. (2 Timóteo 3:5) Embora Jesus ensinasse seus seguidores a confiar no Reino de Deus, as nações da cristandade continuam a buscar segurança em arsenais militares e alianças políticas. (Mateus 6:10) De fato, a maioria dos principais fabricantes de armas do mundo se encontra nas nações da cristandade! Sim, quando a cristandade confia em esforços e instituições humanas para um futuro seguro, ela também está confiando numa “irrealidade”.

      Colheita de frutos amargos

      7. Por que os planos de Judá só produziam coisas prejudiciais?

      7 A idolatria e a desonestidade não podem produzir uma sociedade sadia. Por terem recorrido a tais coisas, os infiéis judeus colhiam a tribulação que eles mesmos semearam. Lemos: “Ovos duma cobra venenosa é o que eles chocaram e estavam tecendo a mera teia duma aranha. Qualquer que comia dos seus ovos morria e o ovo esmagado era chocado para resultar numa víbora.” (Isaías 59:5) Da concepção à realização, os planos de Judá não produziam nada substancial. Seus raciocínios errados só produziam coisas ruins, assim como os ovos de cobra venenosa só produzem cobras venenosas. E a nação sofria.

      8. O que mostra que o modo de pensar de Judá era falho?

      8 Alguns dos habitantes de Judá talvez usassem de violência para se proteger, mas fracassariam. Como proteção, a força física não pode substituir a confiança em Jeová e as obras de justiça, assim como teias de aranha não podem substituir um bom tecido como proteção contra o tempo inclemente. Isaías declara: “A mera teia deles não servirá de roupa, nem se cobrirão eles com os seus trabalhos. Seus trabalhos são trabalhos prejudiciais e há atividade de violência nas palmas das suas mãos. Seus próprios pés estão correndo para a pura maldade e eles se apressam a derramar sangue inocente. Seus pensamentos são pensamentos prejudiciais; a assolação e o desmoronamento estão nas suas estradas principais.” (Isaías 59:6, 7) O modo de pensar da nação de Judá era falho. Por usar a violência para tentar resolver seus problemas, ela demonstrava uma atitude ímpia. Pouco lhe importava que muitas de suas vítimas eram inocentes e que algumas eram servos genuínos de Deus.

      9. Por que a paz verdadeira está fora do alcance dos líderes da cristandade?

      9 Essas palavras inspiradas nos lembram da história sangrenta da cristandade. Certamente, Jeová exigirá dela um ajuste de contas pela trágica deturpação do cristianismo! Como os judeus nos dias de Isaías, a cristandade tem adotado um proceder moral distorcido, porque seus líderes acreditam que esse seja o único proceder prático. Enquanto falam em paz, agem com injustiça. Que duplicidade! Visto que os líderes da cristandade continuam a usar essa tática, a paz verdadeira permanecerá longe de seu alcance. É como a profecia passa a dizer: “Desconheceram o caminho da paz e não há juízo nos seus trilhos. Suas sendas eles perverteram para si mesmos. Absolutamente ninguém que pisar nelas conhecerá realmente a paz.” — Isaías 59:8.

      Vagueando na escuridão espiritual

      10. Que confissão faz Isaías em nome de Judá?

      10 Jeová não podia abençoar o comportamento tortuoso e destrutivo de Judá. (Salmo 11:5) Assim, falando em nome de toda a nação, Isaías confessa o erro de Judá: “O juízo ficou longe de nós e a justiça não nos alcança. Continuamos a esperar luz, mas eis a escuridão; a claridade, mas estávamos andando em contínuas trevas. Continuamos a tatear pelo muro assim como os cegos e prosseguimos tateando como os que não têm olhos. Tropeçamos ao meio-dia como no crepúsculo vespertino; entre os robustos somos como mortos. Estamos gemendo, todos nós, assim como ursos; e como pombas arrulhamos em lamento.” (Isaías 59:9-11a) Os judeus não permitiam que a Palavra de Deus fosse uma lâmpada para seus pés e uma luz para sua senda. (Salmo 119:105) Assim, as coisas pareciam sombrias. Mesmo ao meio-dia, eles tateavam como se fosse noite. Estavam como que mortos. Na ânsia de alívio, gemiam alto como ursos famintos ou feridos. Alguns arrulhavam melancolicamente, como pombas solitárias.

      11. Por que eram inúteis as esperanças de justiça e salvação de Judá?

      11 Isaías sabia muito bem que o motivo das aflições de Judá era a revolta contra Deus. Diz ele: “Esperávamos o juízo, mas não havia nenhum; a salvação, mas ela ficou longe de nós. Pois as nossas revoltas tornaram-se muitas diante de ti; e quanto aos nossos pecados, cada um testificou contra nós. Porque as nossas revoltas estão conosco; e quanto aos nossos erros, conhecemo-los bem. Houve transgressão e renegação de Jeová; e recuou-se de nosso Deus, falando-se de opressão e de revolta, concebendo-se e murmurando-se palavras de falsidade procedentes do próprio coração.” (Isaías 59:11b-13) Visto que os habitantes de Judá não se haviam arrependido, seus pecados ainda pesavam contra eles. A justiça havia deixado o país porque o povo havia deixado Jeová. Eles eram totalmente falsos, oprimindo até mesmo seus irmãos. Quanta semelhança com os da cristandade hoje! Muitos não só desprezam a justiça, mas também perseguem ativamente Testemunhas de Jeová fiéis, que procuram fazer a vontade de Deus.

      Jeová executa o julgamento

      12. Qual era a atitude dos responsáveis pela aplicação da justiça em Judá?

      12 Parecia não haver retidão, justiça ou verdade em Judá. “O juízo foi forçado a recuar e a própria justiça ficou simplesmente parada de longe. Pois a verdade tropeçou mesmo na praça pública, e aquilo que é direito não pode entrar.” (Isaías 59:14) Atrás dos portões das cidades, em Judá, havia praças públicas onde anciãos se reuniam para realizar atos judiciais. (Rute 4:1, 2, 11) Tais homens deviam julgar com justiça e retidão, sem aceitar suborno. (Deuteronômio 16:18-20) Em vez disso, julgavam segundo seus próprios conceitos egoístas. Pior ainda, encaravam como presa fácil todo aquele que sinceramente tentasse fazer o bem. Lemos: “A verdade mostra estar faltando, e quem se desvia da maldade está sendo despojado.” — Isaías 59:15a.

      13. Visto que os juízes de Judá negligenciavam seus deveres, o que faria Jeová?

      13 Os que deixam de denunciar a perversão moral se esquecem de que Deus não é cego, nem ignorante, nem impotente. Isaías escreve: “Jeová chegou a ver isso, e era mau aos seus olhos que não havia juízo. E quando viu que não havia homem, começou a mostrar-se espantado que não havia quem intercedesse. E seu braço passou a salvá-lo e sua própria justiça era o que o sustentava.” (Isaías 59:15b, 16) Visto que os juízes designados negligenciavam seus deveres, Jeová interviria no assunto. Ao assim fazer, agiria com justiça e poder.

      14. (a) Que atitude têm muitos hoje? (b) Como Jeová se preparava para agir?

      14 Existe uma situação similar hoje. Vivemos num mundo em que muitos ‘ficaram além de todo o senso moral’. (Efésios 4:19) Poucos acreditam que Jeová algum dia intervirá para eliminar o mal da Terra. Mas a profecia de Isaías mostra que Jeová observa de perto os assuntos humanos. Ele faz julgamentos e, no seu devido tempo, age de acordo com esses. São justos os seus julgamentos? Isaías mostra que sim. No caso da nação de Judá, ele escreve: “Então [Jeová] vestiu a justiça qual cota de malha e pôs o capacete de salvação na cabeça. Além disso, trajou as vestes da vingança qual vestimenta e envolveu-se no zelo como se fosse uma túnica sem mangas.” (Isaías 59:17) Essas palavras proféticas representam Jeová como guerreiro que se preparava para a batalha. Ele estava decidido a salvar a sua causa. Estava certo de sua própria absoluta e incontestável justiça. E seria destemidamente zeloso nos seus atos de julgamento. Não havia dúvida de que a justiça prevaleceria.

      15. (a) Como agirão os cristãos verdadeiros quando Jeová executar o julgamento? (b) O que se pode dizer a respeito dos julgamentos de Jeová?

      15 Hoje, em alguns países, os inimigos da verdade tentam impedir a obra dos servos de Jeová espalhando propaganda falsa e difamatória. Os cristãos verdadeiros não hesitam em defender a verdade, mas jamais buscam a vingança pessoal. (Romanos 12:19) Mesmo quando Jeová acertar as contas com a apóstata cristandade, Seus adoradores na Terra não participarão na sua destruição. Eles sabem que Jeová reservou para si a vingança e que agirá apropriadamente quando chegar a hora. A profecia nos assegura: “De acordo com as ações, retribuirá correspondentemente: furor aos seus adversários, o tratamento devido aos seus inimigos. Retribuirá às ilhas o tratamento devido.” (Isaías 59:18) Como nos dias de Isaías, os julgamentos de Deus serão tanto justos como completos. Chegarão até mesmo “às ilhas”, a partes distantes. Ninguém estará tão longe ou isolado que ficará fora do alcance dos atos de julgamento de Jeová.

      16. Quem sobreviverá aos atos de julgamento de Jeová, e que efeito terá sobre eles a sobrevivência?

      16 Os que se esforçam em fazer o que é direito são julgados com justiça por Jeová. Isaías prediz que, de um horizonte a outro — por toda a Terra — eles sobreviverão. E sentirem a proteção de Jeová fortalecerá profundamente sua reverência e respeito por ele. (Malaquias 1:11) Lemos: “Começarão a temer o nome de Jeová desde o poente e a glória dele desde o nascente do sol, pois ele chegará como um rio de aflição, impelido pelo próprio espírito de Jeová.” (Isaías 59:19) Como um poderoso vendaval que impele uma destrutiva muralha de água que arrasta tudo no seu caminho, o espírito de Jeová eliminará todas as barreiras ao cumprimento de sua vontade. Seu espírito é mais poderoso do que qualquer força que o homem possua. Quando ele o usar para executar o julgamento contra homens e nações, terá êxito certo e completo.

      Esperança e bênçãos para os arrependidos

      17. Quem é o Resgatador de Sião, e quando foi que ele resgatou Sião?

      17 Na Lei de Moisés, o israelita que se vendesse como escravo podia ser remido da escravidão por um resgatador. Anteriormente no livro profético de Isaías, Jeová havia sido caracterizado como Resgatador de pessoas arrependidas. (Isaías 48:17) Agora ele é de novo descrito como Resgatador dos arrependidos. Isaías registra a promessa de Jeová: “‘O Resgatador certamente chegará a Sião e aos que recuam da transgressão em Jacó’, é a pronunciação de Jeová.” (Isaías 59:20) Essa promessa reanimadora se cumpriu em 537 AEC. Mas ela teria um cumprimento adicional. O apóstolo Paulo citou essas palavras da versão Septuaginta e aplicou-as aos cristãos. Escreveu: “Desta maneira é que todo o Israel será salvo. Assim como está escrito: ‘O libertador sairá de Sião e afastará de Jacó as práticas ímpias. E este é o pacto da minha parte com eles, quando eu tirar os seus pecados.’” (Romanos 11:26, 27) Realmente, a profecia de Isaías tem uma aplicação bem ampliada — que se estende aos nossos tempos e além. Como assim?

      18. Quando e como Jeová trouxe à existência o “Israel de Deus”?

      18 No primeiro século, um pequeno restante da nação de Israel aceitou Jesus como Messias. (Romanos 9:27; 11:5) No Pentecostes de 33 EC, Jeová derramou seu espírito santo sobre cerca de 120 desses crentes e introduziu-os no seu novo pacto mediado por Jesus Cristo. (Jeremias 31:31-33; Hebreus 9:15) Naquele dia veio à existência o “Israel de Deus”, uma nova nação cujos membros não se caracterizam pela descendência carnal de Abraão, mas sim por serem gerados pelo espírito de Deus. (Gálatas 6:16) Começando com Cornélio, a nova nação incluía gentios incircuncisos. (Atos 10:24-48; Revelação 5:9, 10) Eles foram assim adotados por Jeová Deus e se tornaram seus filhos espirituais, co-herdeiros de Jesus. — Romanos 8:16, 17.

      19. Que pacto fez Jeová com o Israel de Deus?

      19 A seguir, Jeová faz um pacto com o Israel de Deus. Lemos: “‘Quanto a mim, é este o meu pacto com eles’, disse Jeová. ‘Meu espírito que está sobre ti e minhas palavras que pus na tua boca — não se removerão da tua boca, nem da boca da tua descendência, nem da boca da descendência da tua descendência’, disse Jeová, ‘desde agora e por tempo indefinido’.” (Isaías 59:21) Quer essas palavras tenham tido uma aplicação no próprio Isaías, quer não, elas certamente se cumpriram em Jesus, a quem se assegurou que ‘veria a sua descendência’. (Isaías 53:10) Jesus falou palavras que havia ouvido de Jeová, e o espírito de Jeová estava sobre ele. (João 1:18; 7:16) Apropriadamente, seus irmãos e co-herdeiros, membros do Israel de Deus, também recebem o espírito santo de Jeová e pregam a mensagem que aprenderam de seu Pai celestial. São todos “pessoas ensinadas por Jeová”. (Isaías 54:13; Lucas 12:12; Atos 2:38) Seja por meio de Isaías, seja por meio de Jesus, a quem Isaías profeticamente representa, Jeová se comprometeu a jamais substituí-los, mas usá-los como suas testemunhas por tempo indefinido. (Isaías 43:10) Mas quem constitui sua “descendência” que também se beneficia desse pacto?

      20. Como se cumpriu no primeiro século a promessa de Jeová a Abraão?

      20 Nos tempos antigos, Jeová prometeu a Abraão: “Todas as nações da terra hão de abençoar a si mesmas por meio de teu descendente.” (Gênesis 22:18) Em harmonia com isso, o pequeno restante de israelitas naturais que aceitou o Messias foi a muitas nações, pregando as boas novas a respeito do Cristo. Começando com Cornélio, muitos gentios incircuncisos ‘abençoaram a si mesmos’ por meio de Jesus, o Descendente de Abraão. Tornaram-se parte do Israel de Deus e parte secundária do descendente de Abraão. São parte da “nação santa” de Jeová, cuja incumbência é ‘divulgar as excelências daquele que os chamou da escuridão para a sua maravilhosa luz’. — 1 Pedro 2:9; Gálatas 3:7-9, 14, 26-29.

      21. (a) Que “descendência” o Israel de Deus tem produzido nos tempos modernos? (b) Como a “descendência” tem sido consolada pelo pacto, ou contrato, que Jeová fez com o Israel de Deus?

      21 Hoje, o número do Israel de Deus pelo visto já está completo. Ainda assim, as nações continuam a ser abençoadas — e em grande escala. Como? No sentido de que o Israel de Deus tem tido “descendência”, discípulos de Jesus cuja esperança é a vida eterna num paraíso terrestre. (Salmo 37:11, 29) Essa “descendência” também é ensinada por Jeová e instruída nos seus caminhos. (Isaías 2:2-4) Embora não sejam batizados com espírito santo, ou considerados partícipes do novo pacto, eles são fortalecidos pelo espírito santo de Jeová para vencer todos os obstáculos que Satanás coloca no caminho de sua obra de pregação. (Isaías 40:28-31) Seu número agora chega a milhões e continua a aumentar à medida que eles mesmos produzem descendência. O pacto, ou contrato, de Jeová com os ungidos dá a essa “descendência” confiança de que Jeová continuará a usar também a eles como porta-vozes seus por tempo indefinido. — Revelação 21:3, 4, 7.

      22. Que confiança podemos ter em Jeová, e como isso nos deve afetar?

      22 Que todos nós, então, mantenhamos a fé em Jeová. Ele tanto deseja como pode salvar! Sua mão jamais será curta; ele sempre livrará seu povo fiel. Todos os que confiam nele continuarão a ‘ter na sua boca’ as Suas boas palavras “desde agora e por tempo indefinido”.

      [Quadro na página 294]

      Jerusalém apóstata — um paralelo da cristandade

      Jerusalém, a capital da nação escolhida de Deus, prefigurava a organização celestial de Deus, composta de criaturas espirituais, e também o conjunto de cristãos ungidos ressuscitados ao céu qual noiva de Cristo. (Gálatas 4:25, 26; Revelação [Apocalipse] 21:2) Muitas vezes, porém, os moradores de Jerusalém foram infiéis a Jeová, e a cidade foi descrita como prostituta e adúltera. (Ezequiel 16:3, 15, 30-42) Nessas condições, Jerusalém foi um modelo adequado da cristandade apóstata.

      Jesus chamou Jerusalém de “matadora dos profetas e apedrejadora dos que lhe são enviados”. (Lucas 13:34; Mateus 16:21) Como a infiel Jerusalém, a cristandade afirma servir ao Deus verdadeiro, mas desvia-se amplamente de Seus caminhos justos. Podemos ter certeza de que Jeová julgará a cristandade à base dos mesmos padrões justos com os quais julgou a Jerusalém apóstata.

      [Foto na página 296]

      Os juízes deviam julgar com justiça e retidão, sem aceitar suborno

      [Foto na página 298]

      Como um rio transbordante, os julgamentos de Jeová eliminarão todos os obstáculos à realização de Sua vontade

      [Foto na página 302]

      Jeová comprometeu-se a fazer com que seu povo jamais perdesse o privilégio de ser Suas testemunhas

  • A adoração verdadeira se expande mundialmente
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
    • Capítulo Vinte e Um

      A adoração verdadeira se expande mundialmente

      Isaías 60:1-22

      1. Que mensagem animadora contém o capítulo 60 de Isaías?

      O CAPÍTULO 60 de Isaías é escrito em forma de drama inspirador. Nos versículos iniciais, uma cena tocante prende a nossa atenção. E uma série de eventos em rápida sucessão nos conduz a um final emocionante. O capítulo descreve em expressivas metáforas a restauração da adoração verdadeira na Jerusalém antiga e a expansão mundial da adoração verdadeira hoje. Além disso, fala de bênçãos eternas em reserva para todos os adoradores leais de Deus. Cada um de nós pode participar no cumprimento dessa fascinante parte da profecia de Isaías. Portanto, vamos examiná-la detidamente.

      A luz brilharia na escuridão

      2. Que ordem recebe uma mulher que jazia na escuridão, e por que era urgente que obedecesse?

      2 As palavras iniciais deste capítulo de Isaías se dirigem a uma mulher em tristes circunstâncias. Evidentemente, ela jazia prostrada na escuridão. De repente, a luz corta as trevas com a ordem de Jeová, por meio de Isaías: “Levanta-te, ó mulher, dá luz, pois chegou a tua luz e raiou sobre ti a própria glória de Jeová.” (Isaías 60:1) Sim, a “mulher” devia erguer-se e refletir a glória de Deus! Por que isso era urgente? A profecia continua: “Eis que a própria escuridão cobrirá a terra e densas trevas os grupos nacionais; mas sobre ti raiará Jeová e sobre ti se verá a sua própria glória.” (Isaías 60:2) Em benefício dos que estavam ao redor dela ainda tateando no escuro, a “mulher” tinha de ‘dar luz’. Com que resultado? “Nações hão de ir à tua luz e reis à claridade do teu raiar.” (Isaías 60:3) Essas palavras iniciais são a essência do que é explicado em mais detalhes nos versículos seguintes — a adoração verdadeira tem de expandir-se mundialmente!

      3. (a) Quem era a “mulher”? (b) Por que a “mulher” jazia na escuridão?

      3 Embora falasse de eventos futuros, Jeová diz à “mulher” que a luz dela “chegou”. Isso acentua a certeza de que a profecia se cumpriria. A “mulher” mencionada era Sião, ou Jerusalém, a capital de Judá. (Isaías 52:1, 2; 60:14) A cidade representava toda a nação. Na época do primeiro cumprimento dessa profecia, a “mulher” jazia na escuridão, onde estava desde que Jerusalém fora destruída, em 607 AEC. Entretanto, em 537 AEC, um restante fiel de judeus exilados voltou para Jerusalém e restaurou a adoração pura. Por fim, Jeová fez a luz raiar sobre sua “mulher”, e Seu povo restaurado tornou-se fonte de iluminação entre as nações espiritualmente em trevas.

      Cumprimento maior

      4. Quem hoje na Terra representa a “mulher”, e a quem se aplicam por extensão as palavras proféticas?

      4 Nosso interesse nessas palavras proféticas vai além de seu cumprimento na Jerusalém do passado. Hoje, a “mulher” celestial de Jeová é representada na Terra pelo “Israel de Deus”. (Gálatas 6:16) Durante o período de sua existência, do Pentecostes de 33 EC até agora, essa nação espiritual veio a totalizar 144 mil membros ungidos pelo espírito, “comprados da terra” com a perspectiva de governar com Cristo no céu. (Revelação [Apocalipse] 14:1, 3) O cumprimento moderno do capítulo 60 de Isaías centraliza-se nos membros dos 144 mil que estão vivos na Terra durante os “últimos dias”. (2 Timóteo 3:1) A profecia também diz respeito aos companheiros desses cristãos ungidos, a “grande multidão” de “outras ovelhas”. — Revelação 7:9; João 10:11, 16.

      5. Em que ocasião os membros remanescentes do Israel de Deus jaziam na escuridão, e quando a luz de Jeová raiou sobre eles?

      5 Por um curto período no início dos anos 1900, os do Israel de Deus que ainda estavam na Terra se encontravam prostrados na escuridão, por assim dizer. A situação deles no fim da Primeira Guerra Mundial é descrita simbolicamente no livro de Revelação — seus cadáveres jaziam “na rua larga da grande cidade que em sentido espiritual se chama Sodoma e Egito”. (Revelação 11:8) Em 1919, porém, Jeová fez raiar sobre eles a Sua luz. Com isso, eles se ergueram e passaram a refletir a luz de Deus, proclamando destemidamente as boas novas do Reino de Deus. — Mateus 5:14-16; 24:14.

      6. Como o mundo, em geral, tem acolhido a proclamação da presença régia de Jesus, mas quem tem sido atraído à luz de Jeová?

      6 Influenciada por Satanás, chefe dos “governantes mundiais desta escuridão”, a humanidade em geral tem rejeitado o anúncio da presença régia de Jesus Cristo, “a luz do mundo”. (Efésios 6:12; João 8:12; 2 Coríntios 4:3, 4) Não obstante, milhões de pessoas foram atraídas à luz de Jeová, incluindo “reis” (os que se tornam co-herdeiros ungidos do Reino celestial) e “nações” (a grande multidão de outras ovelhas).

      A expansão causa alegria sincera

      7. Que visão acalentadora recebe a “mulher”?

      7 Desenvolvendo o tema apresentado em Isaías 60:3, Jeová dá à “mulher” ainda outra ordem: “Levanta os olhos olhando ao redor e vê!” Ao fazer isso, a “mulher” é brindada com uma visão acalentadora — seus filhos voltando para casa! “Todos eles foram reunidos; chegaram a ti. De longe estão chegando os teus próprios filhos e tuas filhas, das quais se cuidará sobre o lado.” (Isaías 60:4) Em resultado da proclamação internacional do Reino, que começou em 1919, milhares de adicionais “filhos” e “filhas” ungidos juntaram-se ao Israel de Deus. Desse modo, Jeová deu os passos para completar o predito número de 144 mil, que reinarão com Cristo. — Revelação 5:9, 10.

      8. Que motivo de felicidade tem tido o Israel de Deus desde 1919?

      8 Esse aumento causou alegria. “Naquele tempo verás e certamente ficarás radiante, e teu coração realmente tremerá e se expandirá, porque a ti se encaminhará a opulência do mar; os próprios recursos das nações chegarão a ti.” (Isaías 60:5) O ajuntamento de ungidos durante as décadas de 20 e de 30 trouxe grande felicidade para o Israel de Deus. Mas eles tiveram um motivo a mais para alegria. Especialmente desde meados dos anos 30, pessoas que faziam parte do “mar” da humanidade alienada de Deus passaram a sair de todas as nações para adorar junto com o Israel de Deus. (Isaías 57:20; Ageu 2:7) Essas pessoas não se apresentam para servir a Deus cada qual à sua própria maneira. Em vez disso, elas vêm à “mulher” de Deus e se tornam parte do unido rebanho de Deus. Assim, todos os servos de Deus participam na expansão da adoração verdadeira.

      Nações convergem a Jerusalém

      9, 10. Quem era visto convergindo a Jerusalém, e como Jeová os recebia?

      9 Ilustrando com coisas que os contemporâneos de Isaías conheciam, Jeová descreve a expansão. A “mulher”, olhando da sua posição privilegiada no monte Sião, primeiro perscrutava o horizonte oriental. O que via? “A própria massa movimentada de camelos te cobrirá, os machos novos dos camelos de Midiã e de Efá. Todos os de Sabá — eles chegarão. Carregarão ouro e olíbano. Anunciarão os louvores de Jeová.” (Isaías 60:6) Caravanas de camelos usadas por mercadores viajantes de várias tribos cruzavam os caminhos que levavam a Jerusalém. (Gênesis 37:25, 28; Juízes 6:1, 5; 1 Reis 10:1, 2) Havia camelos por toda a parte, como uma chuva inundante! As caravanas traziam presentes valiosos, mostrando que os mercadores tinham intenções pacíficas. Queriam adorar a Jeová e dar-lhe o melhor possível.

      10 Esses mercadores não eram os únicos em marcha. “Todos os rebanhos de Quedar — serão reunidos a ti. Os carneiros de Nebaiote — ministrarão a ti.” Sim, tribos pastoris também rumavam a Jerusalém. Traziam dádivas de suas posses mais valiosas — rebanhos de ovelhas — e se ofereciam como ministros. Como Jeová os recebia? Diz ele: “Subirão com aprovação ao meu altar e eu embelezarei a minha própria casa de beleza.” (Isaías 60:7) Jeová aceitava as suas dádivas, que seriam usadas na adoração pura. — Isaías 56:7; Jeremias 49:28, 29.

      11, 12. (a) O que via a “mulher” ao mirar o ocidente? (b) Por que tantos se apressam em ir a Jerusalém?

      11 A seguir, Jeová dirige o olhar da “mulher” para o poente, e pergunta: “Quem são estes que vêm voando como nuvem e como pombas para as aberturas de seu pombal?” O próprio Jeová responde: “Em mim as próprias ilhas continuarão a ter esperança, também os navios de Társis, como no começo, a fim de trazer de longe teus filhos, estando com eles sua prata e seu ouro, ao nome de Jeová, teu Deus, e ao Santo de Israel, porque ele te terá embelezado.” — Isaías 60:8, 9.

      12 Imagine você ao lado da “mulher”, mirando o oeste sobre o Grande Mar. O que vê? Uma distante nuvem de pontinhos brancos singrando as águas. Parecem pássaros, mas, ao se aproximarem, você vê que são navios com velas desfraldadas. Eles vêm “de longe”.a (Isaías 49:12) Tantos navios convergem velozmente a Sião que parecem um bando de pombas regressando aos pombais. Por que a frota está com tanta pressa? Está ansiosa de entregar suas levas de adoradores de Jeová vindos de portos distantes. De fato, todos os recém-chegados — tanto israelitas como estrangeiros, do leste ou do oeste e de terras próximas ou longínquas — apressam-se em ir a Jerusalém para dedicar tudo o que possuem ao nome de Jeová, seu Deus. — Isaías 55:5.

      13. Nos tempos modernos, quem são os “filhos” e as “filhas”, e quem são os “recursos das nações”?

      13 Isaías 60:4-9 pinta um retrato muito vívido da expansão mundial em curso desde que a “mulher” de Jeová passou a irradiar luz em meio à escuridão deste mundo. Primeiro vieram os “filhos” e as “filhas” da Sião celestial, os que se tornaram cristãos ungidos. Em 1931, eles se identificaram publicamente como Testemunhas de Jeová. Daí, uma nuvem de pessoas mansas, “os próprios recursos das nações” e “a opulência do mar”, apressaram-se em juntar-se aos remanescentes dos irmãos de Cristo.b Hoje, todos esses servos de Jeová dos quatro cantos do globo e de todas as rodas da vida juntam-se ao Israel de Deus em louvar seu Soberano Senhor, Jeová, e em exaltar seu nome como o maior nome do Universo.

      14. Em que sentido os recém-chegados ‘sobem ao altar’ de Deus?

      14 Mas o que significa esses recém-chegados das nações ‘subirem ao altar’ de Deus? Os sacrifícios são colocados sobre um altar. O apóstolo Paulo usou uma expressão relacionada com sacrifício, ao escrever: “Eu vos suplico . . . que apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo, santo e aceitável a Deus, um serviço sagrado com a vossa faculdade de raciocínio.” (Romanos 12:1) Os cristãos genuínos estão dispostos a dar de si mesmos. (Lucas 9:23, 24) Dedicam seu tempo, energias e habilidades à promoção da adoração pura. (Romanos 6:13) Ao fazerem isso, oferecem a Deus sacrifícios aceitáveis de louvor. (Hebreus 13:15) Como é animador ver que milhões de adoradores de Jeová hoje, jovens e idosos, relegam seus desejos pessoais em favor dos interesses do Reino de Deus! Demonstram um genuíno espírito de abnegação. — Mateus 6:33; 2 Coríntios 5:15.

      Recém-chegados participam na expansão

      15. (a) Nos tempos antigos, como Jeová mostrou misericórdia para com os estrangeiros? (b) Nos tempos modernos, como os “estrangeiros” têm participado na edificação da adoração verdadeira?

      15 Os recém-chegados oferecem tanto suas posses como seus serviços pessoais em apoio da “mulher” de Jeová. “Estrangeiros construirão realmente as tuas muralhas, e seus próprios reis ministrarão a ti; pois na minha indignação eu te terei golpeado, mas na minha boa vontade vou certamente ter misericórdia de ti.” (Isaías 60:10) Jeová mostrou sua misericórdia no sexto século AEC, quando estrangeiros ajudaram nas obras de construção em Jerusalém. (Esdras 3:7; Neemias 3:26) No atual cumprimento maior, os “estrangeiros”, os da grande multidão, apoiam o restante ungido na construção, ou edificação, da adoração verdadeira. Ajudam a desenvolver qualidades cristãs em seus estudantes da Bíblia e, assim, a edificar congregações cristãs e fortalecer as “muralhas” (como as de uma cidade) da organização de Jeová. (1 Coríntios 3:10-15) Eles também constroem em sentido literal, trabalhando arduamente na edificação de Salões do Reino, Salões de Assembleias e prédios de Betel. Assim, eles se juntam aos seus irmãos ungidos em cuidar das necessidades da crescente organização de Jeová. — Isaías 61:5.

      16, 17. (a) Como os “portões” da organização de Deus têm sido mantidos abertos? (b) Em que sentido “reis” ministraram a Sião? (c) O que acontecerá com os que tentam fechar os “portões” que Jeová deseja que sejam mantidos abertos?

      16 Todos os anos, em resultado do programa de edificação espiritual, centenas de milhares de “estrangeiros” passam a associar-se com a organização de Jeová, e o caminho está aberto para ainda mais. Diz Jeová: “Os teus portões ficarão de fato constantemente abertos; não serão fechados nem de dia nem de noite, a fim de que se tragam a ti os recursos das nações, e seus reis tomarão a dianteira.” (Isaías 60:11) Mas quem são os “reis” que tomariam a dianteira em trazer os recursos das nações a Sião? Nos tempos antigos, Jeová induziu o coração de certos governantes para ‘ministrar a’ Sião. Ciro, por exemplo, tomou a iniciativa em enviar os judeus de volta para Jerusalém, a fim de reconstruírem o templo. Mais tarde, Artaxerxes liberou recursos e enviou Neemias para reconstruir as muralhas de Jerusalém. (Esdras 1:2, 3; Neemias 2:1-8) De fato, “o coração do rei é como correntes de água na mão de Jeová”. (Provérbios 21:1) Nosso Deus pode induzir até mesmo governantes poderosos a agir em harmonia com a Sua vontade.

      17 Nos tempos modernos, muitos “reis”, ou autoridades seculares, tentaram fechar os “portões” da organização de Jeová. No entanto, outros ministraram a Sião por tomarem decisões que ajudaram a manter abertos esses “portões”. (Romanos 13:4) Em 1919, autoridades seculares libertaram Joseph F. Rutherford e seus companheiros da prisão injusta. (Revelação 11:13) Governos humanos ‘tragaram’ a torrente de perseguição lançada por Satanás depois de sua queda do céu. (Revelação 12:16) Alguns governos têm promovido a tolerância religiosa, às vezes especificamente em favor das Testemunhas de Jeová. Esse tipo de ministério tem tornado mais fácil que multidões de pessoas mansas entrem na organização de Jeová através dos “portões” abertos. E que dizer dos opositores que tentam fechar tais “portões”? Jamais o conseguirão. A respeito deles, Jeová diz: “A nação e o reino que não te servirem perecerão; e as próprias nações, sem falta, sofrerão a devastação.” (Isaías 60:12) Todos os que lutam contra a “mulher” de Deus — sejam indivíduos, sejam organizações — perecerão o mais tardar na guerra do Armagedom. — Revelação 16:14, 16.

      18. (a) Qual é o significado da promessa de que árvores floresceriam em Israel? (b) O que é o ‘lugar dos pés de Jeová’ hoje?

      18 Depois desse alerta de condenação, a profecia volta a promessas de exaltação e prosperidade. Falando à sua “mulher”, Jeová declara: “A ti chegará a própria glória do Líbano, o junípero, o freixo e o cipreste, ao mesmo tempo, a fim de embelezar o lugar do meu santuário; e eu glorificarei o próprio lugar dos meus pés.” (Isaías 60:13) Árvores frondosas simbolizam beleza e produtividade. (Isaías 41:19; 55:13) Os termos “santuário” e “lugar dos meus pés”, nesse versículo, referem-se ao templo de Jerusalém. (1 Crônicas 28:2; Salmo 99:5) No entanto, o apóstolo Paulo explicou que o templo em Jerusalém era uma representação típica que prefigurava um templo espiritual maior, o arranjo para adorar a Jeová à base do sacrifício de Cristo. (Hebreus 8:1-5; 9:2-10, 23) Hoje Jeová glorifica o ‘lugar de seus pés’, o pátio terrestre desse grandioso templo espiritual. Esse se torna tão convidativo que atrai pessoas de todas as nações para participarem ali na adoração verdadeira. — Isaías 2:1-4; Ageu 2:7.

      19. O que os opositores serão forçados a reconhecer, e o mais tardar quando?

      19 Referindo-se de novo aos opositores, Jeová diz: “Terão de ir a ti os filhos dos que te atribulam, encurvando-se; e todos os que te tratam com desrespeito terão de curvar-se junto às próprias solas dos teus pés e terão de chamar-te de cidade de Jeová, Sião do Santo de Israel.” (Isaías 60:14) Sim, ver o grande aumento e o modo de vida superior que as bênçãos de Deus produzem em Seu povo compelirá alguns opositores a se curvarem perante a “mulher” e a invocá-la. Isto é, serão forçados a reconhecer — o mais tardar no Armagedom — que o restante ungido e seus companheiros realmente representam a celestial organização de Deus, a “cidade de Jeová, Sião do Santo de Israel”.

      Uso de recursos disponíveis

      20. Que grande mudança ocorreria nas circunstâncias da “mulher”?

      20 Que grande mudança nas circunstâncias da “mulher” de Jeová! Jeová diz: “Em vez de mostrares estar completamente abandonada e odiada, sem que alguém passe por ti, vou pôr-te como uma coisa de orgulho, por tempo indefinido, como exultação, de geração em geração. E realmente sugarás o leite de nações e mamarás aos peitos de reis; e certamente saberás que eu, Jeová, sou teu Salvador, e que o Potentado de Jacó é teu Resgatador.” — Isaías 60:15, 16.

      21. (a) De que modo a Jerusalém antiga se tornou “uma coisa de orgulho”? (b) Que bênçãos têm tido os servos ungidos de Jeová desde 1919, e em que sentido sugam o “leite de nações”?

      21 Por 70 anos, a Jerusalém antiga ficou fora do mapa, por assim dizer, ‘sem que alguém passasse por ela’. Mas, em 537 AEC, Jeová passou a repovoar a cidade, tornando-a “uma coisa de orgulho”. Similarmente, perto do fim da Primeira Guerra Mundial, o Israel de Deus passou por um período de desolação em que se sentia ‘completamente abandonado’. No entanto, em 1919, Jeová resgatou seus servos ungidos do cativeiro e os tem abençoado com expansão e prosperidade espiritual sem precedentes. Seu povo suga o “leite de nações”, fazendo bom uso de recursos das nações para o avanço da adoração verdadeira. Por exemplo, a tecnologia moderna possibilita a tradução e a publicação de Bíblias e de publicações bíblicas em centenas de línguas. Com isso, todos os anos centenas de milhares de pessoas estudam a Bíblia com as Testemunhas de Jeová e vêm a saber que Jeová, por meio de Cristo, é seu Salvador e Resgatador. — Atos 5:31; 1 João 4:14.

      Progresso organizacional

      22. Que tipo especial de progresso Jeová promete?

      22 Junto com o crescimento numérico do povo de Jeová vem o progresso organizacional. Jeová declara: “Em lugar de cobre trarei ouro, e em lugar de ferro trarei prata, e em lugar de madeira, cobre, e em lugar de pedras, ferro; e eu vou designar a paz como teus superintendentes e a justiça como teus feitores.” (Isaías 60:17) Substituir cobre por ouro é uma melhora, e o mesmo se dá com os outros materiais mencionados. Concordemente, ao longo dos últimos dias o povo de Jeová tem passado por melhoras organizacionais.

      23, 24. Que melhoras organizacionais tem havido entre o povo de Jeová desde 1919?

      23 Em 1919, as congregações tinham anciãos e diáconos eleitos democraticamente. Naquele ano, passou-se a designar teocraticamente um diretor de serviço para supervisionar o serviço de campo na congregação, mas alguns anciãos eleitos resistiam ao diretor de serviço. Em 1932, as coisas mudaram. Por meio da revista A Sentinela, as congregações foram instruídas a descontinuar a eleição de anciãos e diáconos. Em vez disso, elegeriam uma comissão de serviço para trabalhar junto com o diretor de serviço. Foi uma grande melhora.

      24 Em 1938, mais “ouro” foi introduzido quando ficou estabelecido que todos os servos nas congregações seriam designados teocraticamente. A administração da congregação passou às mãos de um servo de companhia (mais tarde, servo de congregação) e dos vários servos que o auxiliavam, todos designados sob a supervisão do “escravo fiel e discreto”.c (Mateus 24:45-47) Em 1972, porém, viu-se que o método bíblico de supervisionar uma congregação é por meio de um corpo de anciãos, em vez de por meio de um só homem. (Filipenses 1:1) Outras mudanças foram feitas, tanto nas congregações como no Corpo Governante. Um exemplo disso se viu em 7 de outubro de 2000, quando foi anunciado que membros do Corpo Governante que serviam como diretores da Sociedade Torre de Vigia de Pensilvânia (EUA) e de sociedades jurídicas filiadas haviam voluntariamente colocado seu cargo à disposição. Assim, o Corpo Governante, representando o escravo fiel e discreto, está em condições de dar mais atenção à supervisão espiritual da “congregação de Deus” e de seus associados, as outras ovelhas. (Atos 20:28) Todos esses arranjos têm sido aprimoramentos. Têm fortalecido a organização de Jeová e abençoado os adoradores de Jeová.

      25. Quem tem estado por trás do progresso organizacional do povo de Jeová, e que benefícios se têm colhido?

      25 Quem tem estado por trás desses aprimoramentos? Devem-se eles à habilidade organizacional ou ao raciocínio engenhoso de alguns humanos? Não, pois Jeová declarou: “[Eu] trarei ouro.” Todo esse progresso resulta de orientação divina. À medida que o povo de Jeová se submete à Sua direção e faz ajustes, colhe benefícios. Há paz entre eles e o amor à justiça os impele a servi-Lo.

      26. Que marca identificadora dos cristãos verdadeiros até mesmo opositores observam?

      26 A paz de Deus tem um efeito transformador. Jeová promete: “Não mais se ouvirá de violência na tua terra, de assolação ou de desmoronamento dentro dos teus termos. E certamente chamarás as tuas próprias muralhas de Salvação e os teus portões de Louvor.” (Isaías 60:18) Quanta verdade! Até mesmo opositores admitem que a paz é uma marca notável dos cristãos verdadeiros. (Miqueias 4:3) Essa paz com Deus, e entre as próprias Testemunhas de Jeová, torna cada local de reuniões cristãs um oásis revigorante num mundo violento. (1 Pedro 2:17) É um antegosto da fartura de paz que haverá quando todos os habitantes da Terra forem “pessoas ensinadas por Jeová”. — Isaías 11:9; 54:13.

      A luz gloriosa da aprovação divina

      27. Que luz constante brilha sobre a “mulher” de Jeová?

      27 A intensidade da luz que brilha sobre Jerusalém é descrita por Jeová, ao declarar: “Para ti, o sol não mais se mostrará uma luz de dia, e para claridade, a própria lua não mais te dará luz. E Jeová terá de tornar-se para ti uma luz de duração indefinida, e teu Deus, a tua beleza. Não mais se porá o teu sol, nem minguará a tua lua; pois o próprio Jeová se tornará para ti uma luz de duração indefinida e terão acabado os dias do teu pranto.” (Isaías 60:19, 20) Jeová continuará a ser “uma luz de duração indefinida” para sua “mulher”. Jamais se ‘porá’ como o Sol, ou ‘minguará’ como a Lua.d Sua constante luz de aprovação brilha sobre os cristãos ungidos, os representantes humanos da “mulher” de Deus. Junto com a grande multidão, eles usufruem uma luz espiritual tão forte que nenhuma escuridão do cenário político ou econômico do mundo pode ofuscar. E confiam no futuro luminoso que Jeová lhes oferece. — Romanos 2:7; Revelação 21:3-5.

      28. (a) O que se promete a respeito dos que voltariam para Jerusalém? (b) De que os cristãos ungidos tomaram posse em 1919? (c) Por quanto tempo os justos possuirão a Terra?

      28 A respeito dos moradores de Jerusalém, Jeová passa a dizer: “Quanto ao teu povo, todos eles serão justos; por tempo indefinido terão posse da terra, rebentão da minha plantação, trabalho das minhas mãos, para eu ser embelezado.” (Isaías 60:21) Ao retornar de Babilônia, o Israel natural tomou “posse da terra”. Mas, nesse caso, “por tempo indefinido” se estendeu até o primeiro século EC, quando os exércitos de Roma destruíram Jerusalém e o Estado judaico. Em 1919, o restante dos cristãos ungidos saiu do cativeiro espiritual e tomou posse duma terra espiritual. (Isaías 66:8) Essa terra, ou domínio de atividades, é marcada por uma paradísica prosperidade espiritual que jamais desvanecerá. Diferentemente do Israel antigo, o Israel espiritual como um todo não será infiel. Ademais, a profecia de Isaías terá também um cumprimento quando a Terra se transformar num paraíso literal, caracterizado por uma “abundância de paz”. Daí, os justos que têm esperança terrestre possuirão a Terra para sempre. — Salmo 37:11, 29.

      29, 30. Como o “pequeno” se tornou “mil”?

      29 No fim do capítulo 60 de Isaías encontra-se uma promessa solene, à qual Jeová deu como garantia o seu próprio nome. Ele declara: “O próprio pequeno tornar-se-á mil e o menor, uma nação forte. Eu mesmo, Jeová, apressarei isso ao seu próprio tempo.” (Isaías 60:22) Quando os ungidos dispersos reassumiram suas atividades, em 1919, eles eram o “pequeno”.e Mas seu número se multiplicava, à medida que os israelitas espirituais remanescentes eram reunidos. E o aumento tornou-se fenomenal, depois que começou o ajuntamento da grande multidão.

      30 Em pouco tempo, a paz e a justiça do povo de Deus atraíram tantas pessoas sinceras que o “menor” literalmente se transformou numa “nação forte”. No presente, é mais populosa do que um bom número de Estados soberanos do mundo. Obviamente, Jeová, por meio de Jesus Cristo, dirige a obra do Reino e a acelera. Como é emocionante ver a expansão mundial da adoração verdadeira e participar nisso! Sim, é uma alegria perceber que esse aumento traz glória a Jeová, que há tanto tempo profetizou essas coisas.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Társis provavelmente ficava onde hoje é a Espanha. No entanto, segundo algumas obras de referência, a expressão “os navios de Társis” refere-se ao tipo de navios — “embarcações grandes, oceânicas” — “apropriadas para trafegar até Társis”, ou seja, navios considerados adequados para longas viagens a portos distantes. — 1 Reis 22:48.

      b Embora houvesse cristãos zelosos e ativos com esperança terrestre associados com o Israel de Deus antes de 1930, seu número começou a aumentar notavelmente nos anos 30.

      c Naqueles dias, as congregações eram chamadas de companhias.

      d O apóstolo João usa palavras similares ao descrever a “nova Jerusalém”, os 144 mil na sua glória celestial. (Revelação 3:12; 21:10, 22-26) Isso é apropriado, pois a “nova Jerusalém” representa todos os membros do Israel de Deus após terem recebido sua recompensa celestial, quando se tornam, com Jesus Cristo, a parte principal da “mulher” de Deus, a “Jerusalém de cima”. — Gálatas 4:26.

      e Em 1918, a média dos que participavam todos os meses na pregação da Palavra de Deus era menos de 4 mil.

      [Foto na página 305]

      A “mulher” recebeu ordens de ‘levantar-se’

      [Foto nas páginas 312, 313]

      “Os navios de Társis” trazem suas levas de adoradores de Jeová

  • A justiça brota em Sião
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
    • Capítulo Vinte e Dois

      A justiça brota em Sião

      Isaías 61:1-11

      1, 2. Que mudança experimentaria Israel, e quem a realizaria?

      PROCLAME-SE a liberdade! Jeová decidira libertar seu povo e reconduzi-lo para a terra de seus ancestrais. Como a semente que germina depois de uma chuva leve, a adoração verdadeira ressurgiria. Naquele dia, o desespero daria lugar ao louvor alegre e as cabeças, antes cobertas de cinzas de lamúria, teriam sobre si a aprovação divina.

      2 Quem realizaria essa transformação maravilhosa? Somente Jeová poderia fazer tal coisa. (Salmo 9:19, 20; Isaías 40:25) O profeta Sofonias ordenou profeticamente: “Grita de júbilo, ó filha de Sião! Dá brados de aplauso, ó Israel! Alegra-te e rejubila de todo o coração, ó filha de Jerusalém! Jeová removeu de ti os julgamentos.” (Sofonias 3:14, 15) Que época feliz seria essa! Quando Jeová tirasse de Babilônia os do restante, em 537 AEC, isso pareceria a realização de um sonho. — Salmo 126:1.

      3. Que cumprimentos têm as palavras proféticas do capítulo 61 de Isaías?

      3 Essa restauração é predita no capítulo 61 de Isaías. Mas, embora tenha tido um cumprimento óbvio em 537 AEC, a profecia cumpriu-se em maiores detalhes num período posterior. O cumprimento mais detalhado envolve Jesus e seus seguidores, no primeiro século, e o povo de Jeová, nos tempos modernos. Portanto, como são significativas essas palavras inspiradas!

      “O ano de boa vontade”

      4. Quem foi encarregado de anunciar boas novas no primeiro cumprimento de Isaías 61:1, e quem no segundo?

      4 Isaías escreve: “O espírito do Soberano Senhor Jeová está sobre mim, visto que Jeová me ungiu para anunciar boas novas aos mansos. Enviou-me para pensar os quebrantados de coração, para proclamar liberdade aos que foram levados cativos e ampla abertura dos olhos aos próprios presos.” (Isaías 61:1) Quem foi encarregado de anunciar boas novas? Provavelmente, em primeira instância foi Isaías, que foi inspirado por Deus para registrar boas novas aos cativos em Babilônia. Mas Jesus indicou o cumprimento principal ao aplicar as palavras de Isaías a si mesmo. (Lucas 4:16-21) Sim, Jesus fora enviado para anunciar boas novas aos mansos e, para isso, foi ungido com espírito santo ao ser batizado. — Mateus 3:16, 17.

      5. Quem tem pregado as boas novas por cerca de 2 mil anos?

      5 Além disso, Jesus ensinou seus seguidores a ser evangelizadores, ou pregadores das boas novas. No Pentecostes de 33 EC, cerca de 120 deles foram ungidos com espírito santo e tornaram-se filhos espirituais de Deus. (Atos 2:1-4, 14-42; Romanos 8:14-16) Eles também foram encarregados de anunciar as boas novas aos mansos e aos de coração quebrantado. Esses 120 foram os primeiros dos 144 mil a serem assim ungidos. Os últimos desse grupo ainda estão ativos na Terra. Assim, por cerca de 2 mil anos, os seguidores ungidos de Jesus têm dado testemunho “do arrependimento para com Deus e da fé em nosso Senhor Jesus”. — Atos 20:21.

      6. Quem recebeu alívio ao ouvir as boas novas nos tempos antigos, e que dizer de hoje?

      6 A mensagem inspirada de Isaías trouxe alívio para os judeus arrependidos em Babilônia. Nos dias de Jesus e de seus discípulos, trouxe alívio para os judeus de coração quebrantado devido à perversidade em Israel, e que penavam na escravidão às tradições religiosas falsas do judaísmo do primeiro século. (Mateus 15:3-6) Hoje, milhões de pessoas presas a costumes pagãos e tradições que desonram a Deus, comuns na cristandade, “suspiram e gemem” por causa das coisas detestáveis que se fazem nesse sistema religioso. (Ezequiel 9:4) Os que aceitam as boas novas são libertados dessa situação deplorável. (Mateus 9:35-38) Seus olhos do entendimento são abertos amplamente ao aprenderem a adorar a Jeová “com espírito e verdade”. — João 4:24.

      7, 8. (a) Quais são os dois ‘anos de boa vontade’? (b) Quais são os ‘dias de vingança’ de Jeová?

      7 Existe um cronograma para a pregação das boas novas. Jesus e seus seguidores receberam a missão: “Proclamar o ano de boa vontade da parte de Jeová e o dia de vingança da parte de nosso Deus; para consolar a todos os que pranteiam.” (Isaías 61:2) Um ano é um período longo, mas tem começo e fim. O “ano de boa vontade” de Jeová é o período em que ele dá aos mansos a oportunidade de aceitar a Sua proclamação de liberdade.

      8 No primeiro século, o ano de boa vontade para com a nação judaica começou em 29 EC, quando Jesus iniciou seu ministério terrestre. Ele disse aos judeus: “Arrependei-vos, pois o reino dos céus se tem aproximado.” (Mateus 4:17) Aquele ano de boa vontade durou até o “dia de vingança” de Jeová, que culminou em 70 EC, quando Jeová permitiu que os exércitos romanos destruíssem Jerusalém e seu templo. (Mateus 24:3-22) Vivemos hoje em outro ano de boa vontade, que começou com o estabelecimento do Reino de Deus no céu, em 1914. Esse ano terminará com um dia de vingança mais amplo, quando Jeová destruir este inteiro sistema mundial na “grande tribulação”. — Mateus 24:21.

      9. Quem hoje se beneficia do ano de boa vontade de Jeová?

      9 Quem hoje se beneficia do ano de boa vontade de Deus? Os que aceitam a mensagem, demonstram mansidão e apoiam zelosamente a proclamação do Reino de Deus em “todas as nações”. (Marcos 13:10) Eles descobrem que as boas novas dão consolo genuíno. Por outro lado, os que rejeitam a mensagem, recusando-se a beneficiar-se do ano de boa vontade de Jeová, terão em breve de encarar a realidade de Seu dia de vingança. — 2 Tessalonicenses 1:6-9.

      Frutos espirituais que glorificam a Deus

      10. Que efeito teve sobre os judeus que voltaram de Babilônia o grande ato de Jeová em favor deles?

      10 Os judeus que retornaram de Babilônia sabiam que Jeová realizara um grande ato em favor deles. Os seus lamentos como cativos se transformaram em exultação e louvor, pois finalmente estavam livres. Assim, Isaías cumpriu a sua missão profética, isto é, “designar aos que pranteiam por Sião, para dar-lhes uma cobertura para a cabeça em lugar de cinzas, o óleo de exultação em vez de luto, o manto de louvor em vez de um espírito desanimado; e terão de ser chamados de grandes árvores de justiça, plantação de Jeová, para ele ser embelezado”. — Isaías 61:3.

      11. Quem, no primeiro século, tinha bons motivos para louvar a Jeová pela Sua grande ação?

      11 No primeiro século, os judeus que aceitaram a libertação da servidão à religião falsa também louvaram a Deus pela sua grande ação em favor deles. Seu espírito desanimado foi substituído por um “manto de louvor”, ao serem libertados duma nação espiritualmente morta. Os discípulos de Jesus passaram primeiro por essa mudança quando o lamento deles, pela morte de Jesus, transformou-se em alegria por terem sido ungidos com espírito santo pelo ressuscitado Senhor deles. Pouco depois, 3 mil pessoas mansas experimentaram uma mudança similar ao aceitarem a pregação desses recém-ungidos cristãos e serem batizadas no Pentecostes de 33 EC. (Atos 2:41) Como foi bom terem a certeza das bênçãos de Jeová! Em vez de ‘prantearem por Sião’, elas receberam espírito santo e foram revigoradas pelo “óleo de exultação”, que simboliza a exultação dos que são abençoados ricamente por Jeová. — Hebreus 1:9.

      12, 13. (a) Quem eram as “grandes árvores de justiça” entre os judeus que voltaram em 537 AEC? (b) Quem tem sido “grandes árvores de justiça” desde o Pentecostes de 33 EC?

      12 Jeová abençoou seu povo com “grandes árvores de justiça”. Quem eram essas grandes árvores? Nos anos depois de 537 AEC, eram pessoas que estudavam a Palavra de Deus, meditavam nela e cultivavam as normas justas de Jeová. (Salmo 1:1-3; Isaías 44:2-4; Jeremias 17:7, 8) Homens como Esdras, Ageu, Zacarias e o sumo sacerdote Josué foram notáveis “grandes árvores” — resolutos em favor da verdade e contra a poluição espiritual na nação.

      13 Do Pentecostes de 33 EC em diante, Deus plantou similares “grandes árvores de justiça” — corajosos cristãos ungidos — no domínio espiritual de sua nova nação, o “Israel de Deus”. (Gálatas 6:16) Ao longo dos séculos, essas “árvores” vieram a somar 144 mil, produzindo frutos de justiça para embelezar, ou glorificar, a Jeová Deus. (Revelação [Apocalipse] 14:3) As últimas dessas “árvores” majestosas têm florescido nos anos desde 1919, quando Jeová reviveu os remanescentes do Israel de Deus de sua temporária inatividade. Por dar-lhes um farto suprimento de águas espirituais, Jeová tem produzido uma autêntica floresta de frutíferas árvores de justiça. — Isaías 27:6.

      14, 15. Que empreendimentos os adoradores libertados de Jeová iniciaram em (a) 537 AEC? (b) 33 EC? (c) 1919?

      14 Destacando o trabalho dessas “árvores”, Isaías continua: “Terão de reconstruir os lugares há muito devastados; erigirão até mesmo os lugares desolados de outrora e certamente renovarão as cidades devastadas, os lugares desolados de geração em geração.” (Isaías 61:4) Sob decreto do Rei Ciro, da Pérsia, os judeus fiéis que retornaram de Babilônia reconstruíram Jerusalém e seu templo, que havia tanto tempo estavam devastados. Projetos de restauração marcariam também os anos que se seguiram a 33 EC e 1919.

      15 Em 33 EC, a prisão, julgamento e morte de Jesus causou muita tristeza aos seus discípulos. (Mateus 26:31) Mas a perspectiva deles mudou quando Jesus lhes apareceu depois de ressuscitado. E, depois de ter sido derramado espírito santo sobre eles, passaram a pregar diligentemente as boas novas, “tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até à parte mais distante da terra”. (Atos 1:8) Assim, começaram a restaurar a adoração pura. De modo similar, de 1919 em diante, Jesus Cristo fez com que o restante de seus irmãos ungidos reconstruísse “os lugares desolados de geração em geração”. Por séculos, o clero da cristandade havia deixado de transmitir o conhecimento sobre Jeová, substituindo-o por tradições humanas e doutrinas antibíblicas. Os cristãos ungidos expurgaram de suas congregações as práticas manchadas pela religião falsa, para que a restauração da adoração verdadeira pudesse prosseguir. E iniciaram o que veio a se tornar a maior campanha de testemunho que o mundo já conheceu. — Marcos 13:10.

      16. Quem são os que têm ajudado os cristãos ungidos na sua obra de restauração, e que tarefas lhes foram confiadas?

      16 Tratava-se de uma missão enorme. Como poderiam os relativamente poucos remanescentes do Israel de Deus cumprir tal tarefa? Jeová inspirou Isaías a declarar: “Estranhos estarão realmente de pé e pastorearão os vossos rebanhos, e estrangeiros serão os vossos lavradores e os vossos vinhateiros.” (Isaías 61:5) Os estranhos e estrangeiros figurativos mostraram ser uma “grande multidão” de “outras ovelhas” de Jesus.a (Revelação 7:9; João 10:11, 16) Eles não são ungidos com espírito santo com vistas a uma herança celestial. Em vez disso, têm a esperança de vida eterna numa Terra paradísica. (Revelação 21:3, 4) Ainda assim, amam a Jeová e, espiritualmente falando, foram-lhes confiados deveres de pastoreio, de lavra e de cultivo de vinhas. Não são atividades servis. Sob a direção dos remanescentes do Israel de Deus, esses trabalhadores ajudam no pastoreio, na alimentação e na colheita de pessoas. — Lucas 10:2; Atos 20:28; 1 Pedro 5:2; Revelação 14:15, 16.

      17. (a) Como seriam chamados os membros do Israel de Deus? (b) Qual é o único sacrifício necessário para o perdão de pecados?

      17 Que dizer do Israel de Deus? Jeová lhes diz, por meio de Isaías: “Quanto a vós, sereis chamados de sacerdotes de Jeová; dir-se-á que sois ministros de nosso Deus. Comereis os recursos das nações e na glória delas falareis exultantemente de vós mesmos.” (Isaías 61:6) No Israel antigo, Jeová proveu o sacerdócio levítico para ofertar sacrifícios em favor dos próprios sacerdotes e dos outros israelitas. Em 33 EC, porém, Jeová deixou de usar o sacerdócio levítico e inaugurou um arranjo melhor. Ele aceitou a vida perfeita de Jesus como sacrifício pelos pecados da humanidade. Desde então, não foi mais necessário nenhum outro sacrifício. O sacrifício de Jesus vale para sempre. — João 14:6; Colossenses 2:13, 14; Hebreus 9:11-14, 24.

      18. Que tipo de sacerdócio o Israel de Deus forma, e qual é sua missão?

      18 Em que sentido, então, os membros do Israel de Deus são “sacerdotes de Jeová”? Escrevendo para seus concristãos ungidos, o apóstolo Pedro disse: “Vós sois ‘raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo para propriedade especial, para que divulgueis as excelências’ daquele que vos chamou da escuridão para a sua maravilhosa luz.” (1 Pedro 2:9) Assim, como grupo, os cristãos ungidos formam um sacerdócio com uma missão específica: divulgar às nações a glória de Jeová. Devem ser Suas testemunhas. (Isaías 43:10-12) No decorrer dos últimos dias, os cristãos ungidos têm cumprido fielmente essa missão vital. Em resultado disso, milhões agora participam com eles no testemunho a respeito do Reino de Jeová.

      19. Que serviço os cristãos ungidos terão o privilégio de realizar?

      19 Além disso, os membros do Israel de Deus poderão servir como sacerdotes de ainda outra maneira. Ao morrerem, eles são ressuscitados para a vida espiritual, imortal, no céu. Ali, eles servem não apenas como governantes junto com Jesus em seu Reino, mas também como sacerdotes de Deus. (Revelação 5:10; 20:6) Como tais, terão o privilégio de aplicar os benefícios do sacrifício resgatador de Jesus aos fiéis da humanidade, na Terra. Na visão do apóstolo João, registrada no capítulo 22 de Revelação, eles são de novo mencionados como “árvores”. Todas as 144 mil “árvores” são vistas no céu, produzindo “doze safras de frutos, dando os seus frutos cada mês. E as folhas das árvores [são] para a cura das nações”. (Revelação 22:1, 2) Que maravilhoso serviço sacerdotal!

      Vergonha e humilhação, depois júbilo

      20. Apesar de oposição, que bênçãos teria o sacerdócio régio?

      20 Desde 1914, quando começou o ano de boa vontade de Jeová, o sacerdócio régio tem enfrentado oposição constante do clero da cristandade. (Revelação 12:17) No entanto, todos os esforços para pôr fim à pregação das boas novas acabam falhando. A profecia de Isaías prediz isso, dizendo: “Em vez de vossa vergonha haverá uma porção dupla, e em vez de humilhação gritarão de júbilo por causa de seu quinhão. Portanto, na terra deles tomarão posse mesmo de uma porção dupla. A alegria tornar-se-á sua por tempo indefinido.” — Isaías 61:7.

      21. Como os cristãos ungidos vieram a usufruir uma porção dupla de bênçãos?

      21 Durante a Primeira Guerra Mundial, o restante ungido sofreu vergonha e humilhação às mãos da nacionalista cristandade. Membros do clero estavam entre os que acusaram falsamente de sedição oito irmãos fiéis na sede mundial em Brooklyn, EUA. Esses irmãos ficaram presos injustamente por nove meses. Por fim, na primavera de 1919 foram libertados e, mais tarde, todas as acusações contra eles foram retiradas. Assim, a trama para acabar com a obra de pregação saiu pela culatra. Em vez de permitir que seus adoradores sofressem vergonha duradoura, Jeová os libertou e os reconduziu ao seu domínio espiritual, a “terra deles”. Ali, receberam uma porção dupla de bênçãos. Terem a bênção de Jeová mais do que compensou todo o sofrimento que tiveram. De fato, eles tinham motivos para gritar de júbilo!

      22, 23. Como os cristãos ungidos têm imitado a Jeová, e como ele os tem recompensado?

      22 O que Jeová diz a seguir é outro motivo para os cristãos hoje se alegrarem: “Eu, Jeová, amo a justiça, odiando o roubo junto com a injustiça. E vou dar-lhes o seu salário em veracidade e concluirei para com eles um pacto de duração indefinida.” (Isaías 61:8) De seu estudo da Bíblia, os do restante ungido aprenderam a amar a justiça e odiar a iniquidade. (Provérbios 6:12-19; 11:20) Aprenderam a “forjar das suas espadas relhas de arado”, mantendo-se neutros nas guerras e nos distúrbios políticos da humanidade. (Isaías 2:4) Abandonaram também práticas que desonram a Deus, tais como calúnia, adultério, roubo e bebedeira. — Gálatas 5:19-21.

      23 Visto que os cristãos ungidos partilham o amor à justiça de seu Criador, Jeová lhes tem dado ‘seus salários em veracidade’. Um desses ‘salários’ é um pacto de duração indefinida — o novo pacto — que Jesus anunciou a seus seguidores na noite anterior à sua morte. É à base desse pacto que eles se tornaram uma nação espiritual, o povo especial de Deus. (Jeremias 31:31-34; Lucas 22:20) Sob esse pacto, Jeová aplicará todos os benefícios do sacrifício resgatador de Jesus, incluindo o perdão de pecados, tanto dos ungidos como de todos os outros humanos fiéis.

      Alegria por causa das bênçãos de Jeová

      24. Quem dentre as nações é a “descendência” abençoada, e como se tornam “descendência”?

      24 Alguns dentre as nações têm reconhecido as bênçãos de Jeová sobre seu povo. Isso é predito na promessa de Jeová: “Sua descendência há de ser conhecida mesmo entre as nações, e seus descendentes, entre os povos. Todos os que os virem os reconhecerão, que são a descendência que Jeová tem abençoado.” (Isaías 61:9) Membros do Israel de Deus, os cristãos ungidos, têm estado ativos entre as nações durante o ano de boa vontade de Jeová. Hoje, os que reagem favoravelmente ao seu ministério chegam a milhões. Por trabalharem intimamente com o Israel de Deus, os das nações têm o privilégio de se tornarem “a descendência que Jeová tem abençoado”. A sua condição feliz pode ser vista por toda a humanidade.

      25, 26. Em que sentido todos os cristãos ecoam os sentimentos expressos em Isaías 61:10?

      25 Todos os cristãos, tanto os ungidos como os das outras ovelhas, esperam louvar a Jeová por toda a eternidade. Concordam de coração com o profeta Isaías, que diz sob inspiração: “Sem falta, exultarei em Jeová. Minha alma jubilará em meu Deus. Pois ele me trajou das vestes de salvação; envolveu-me na túnica sem mangas da justiça, igual ao noivo que, à maneira sacerdotal, põe uma cobertura para a cabeça, e igual à noiva que se atavia com os seus adornos.” — Isaías 61:10.

      26 Trajando a “túnica sem mangas da justiça”, os cristãos ungidos estão decididos a permanecer puros e limpos aos olhos de Jeová. (2 Coríntios 11:1, 2) Declarados justos por Jeová com vistas a herdar a vida celestial, jamais retornarão aos domínios desolados de Babilônia, a Grande, dos quais foram libertados. (Romanos 5:9; 8:30) Para eles, as vestes de salvação não têm preço. Seus companheiros das outras ovelhas também estão decididos a observar os elevados padrões da adoração pura de Jeová Deus. Tendo ‘lavado as suas vestes compridas e as embranquecido no sangue do Cordeiro’, são declarados justos e sobreviverão à “grande tribulação”. (Revelação 7:14; Tiago 2:23, 25) Até então, eles imitam seus companheiros ungidos em evitar ser contaminados por Babilônia, a Grande.

      27. (a) Que notável ‘brotamento’ haverá no Reinado Milenar? (b) Como a justiça já brota entre a humanidade?

      27 Hoje, os adoradores de Jeová alegram-se de estar num paraíso espiritual. Em breve usufruirão também um paraíso literal. Aguardamos de todo o coração esse tempo, descrito vividamente nas palavras finais do capítulo 61 de Isaías: “Assim como a própria terra produz o seu renovo e assim como o próprio jardim faz as coisas semeadas nele brotar, assim o Soberano Senhor Jeová fará brotar a justiça e o louvor na frente de todas as nações.” (Isaías 61:11) Durante o Reinado Milenar de Cristo ‘brotará a justiça’ na Terra. Os humanos bradarão triunfantemente, e a justiça se estenderá até os confins da Terra. (Isaías 26:9) Nós, porém, não precisamos esperar esse dia glorioso para louvar “na frente de todas as nações”. A justiça já está brotando entre os milhões que glorificam o Deus do céu e proclamam as boas novas de seu Reino. Mesmo agora, a nossa fé e a nossa esperança nos dão todos os motivos para exultar com as bênçãos de nosso Deus.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Isaías 61:5 pode ter tido um cumprimento nos tempos antigos, visto que não judeus acompanharam judeus naturais na sua volta para Jerusalém e, provavelmente, ajudaram a restaurar a terra. (Esdras 2:43-58) Entretanto, a partir do versículo 6, parece que a profecia se aplica apenas ao Israel de Deus.

      [Foto na página 323]

      Isaías tinha boas novas para os judeus cativos

      [Foto na página 331]

      A partir de 33 EC, Jeová plantou 144 mil “grandes árvores de justiça”

      [Foto na página 334]

      A Terra fará brotar a justiça

  • “Um novo nome”
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
    • Capítulo Vinte e Três

      “Um novo nome”

      Isaías 62:1-12

      1. Que garantias registra o capítulo 62 de Isaías?

      CONFIANÇA renovada, consolo, esperança de restauração — era disso que precisavam os desalentados judeus em Babilônia. Haviam-se passado décadas desde a destruição de Jerusalém e de seu templo. A uns 800 quilômetros de Babilônia, Judá jazia desolada, e parecia que Jeová se esquecera dos judeus. O que poderia melhorar a situação deles? As promessas de Jeová de os reconduzir para a sua terra e lhes permitir restaurar a adoração pura. Daí, descrições como “completamente abandonada” e “desolada” seriam substituídas por nomes que denotariam a aprovação de Deus. (Isaías 62:4; Zacarias 2:12) O capítulo 62 de Isaías está repleto dessas promessas. Contudo, como outras profecias de restauração, esse capítulo aborda questões muito além da libertação dos judeus do cativeiro em Babilônia. No seu cumprimento principal, o capítulo 62 de Isaías nos garante que a salvação da nação espiritual de Jeová, o “Israel de Deus”, é certa. — Gálatas 6:16.

      Jeová não ‘sossegará’

      2. De que modo Jeová mais uma vez mostrou favor a Sião?

      2 Babilônia foi derrubada em 539 AEC. Depois disso, o Rei Ciro, da Pérsia, baixou um decreto que permitia aos judeus tementes a Deus voltar para Jerusalém e restaurar a adoração de Jeová. (Esdras 1:2-4) Em 537 AEC, os primeiros judeus já estavam de volta na sua terra. Jeová mais uma vez mostrou favor a Jerusalém, o que se reflete no tom caloroso de sua declaração profética: “Por causa de Sião, não ficarei quieto, e por causa de Jerusalém, não sossegarei até que saia a sua justiça assim como a claridade e a sua salvação, como uma tocha ardente.” — Isaías 62:1.

      3. (a) Por que a Sião terrestre acabou sendo rejeitada por Jeová, e quem a substituiu? (b) Que desvio houve e quando, e em que período vivemos hoje?

      3 Em 537 AEC, Jeová cumpriu sua promessa de restaurar Sião, ou Jerusalém. Seus moradores foram salvos por Jeová e a justiça deles passou a brilhar intensamente. Mais tarde, porém, eles se desviaram de novo da adoração pura. Por fim, rejeitaram a Jesus como Messias e Jeová os abandonou como nação escolhida. (Mateus 21:43; 23:38; João 1:9-13) Jeová fez nascer uma nova nação, o “Israel de Deus”. Essa nova nação se tornou o povo especial de Deus e, no primeiro século, seus membros pregaram zelosamente as boas novas em todo o mundo então conhecido. (Gálatas 6:16; Colossenses 1:23) Infelizmente, depois da morte dos apóstolos, houve um desvio da religião verdadeira. Com isso se desenvolveu uma forma apóstata de cristianismo, como existe hoje na cristandade. (Mateus 13:24-30, 36-43; Atos 20:29, 30) Por séculos, tem-se permitido que a cristandade cause grande vitupério ao nome de Jeová. Finalmente, porém, em 1914 começou o “ano de boa vontade” de Jeová, junto com o cumprimento principal dessa parte da profecia de Isaías. — Isaías 61:2.

      4, 5. (a) A quem Sião e seus filhos simbolizam hoje? (b) De que modo Jeová tem usado Sião para que ‘a salvação dela seja como tocha ardente’?

      4 Nos nossos dias, a promessa de Jeová de restaurar Sião cumpriu-se na sua organização celestial, a “Jerusalém de cima”, representada na Terra por seus filhos, os cristãos ungidos pelo espírito. (Gálatas 4:26) A organização celestial de Jeová serve como ajudadora dedicada — vigilante, amorosa e diligente. Que ocasião emocionante, em 1914, quando ela deu à luz o Reino messiânico! (Revelação [Apocalipse] 12:1-5) Em especial desde 1919, seus filhos terrestres pregam às nações a respeito da justiça e da salvação dela. Como Isaías predisse, esses filhos têm iluminado a escuridão como uma tocha, deixando brilhar a sua luz. — Mateus 5:15, 16; Filipenses 2:15.

      5 Jeová está muito interessado em seus adoradores, e não descansará, ou ‘sossegará’, enquanto não cumprir todas as suas promessas a Sião e a seus filhos. Os remanescentes dos ungidos, e seus companheiros das “outras ovelhas”, também se recusam a silenciar. (João 10:16) São realmente ardorosos ao indicar às pessoas o único caminho da salvação. — Romanos 10:10.

      Jeová daria “um novo nome”

      6. O que Jeová tinha em mente para Sião?

      6 O que Jeová tinha em mente para Sião, sua “mulher” celestial, representada pela antiga Jerusalém? Ele declara: “As nações hão de ver a tua justiça, ó mulher, e todos os reis a tua glória. E serás realmente chamada por um novo nome, que a própria boca de Jeová determinará.” (Isaías 62:2) À medida que os israelitas agissem com justiça, as nações seriam obrigadas a observar isso atentamente. Até mesmo reis seriam forçados a reconhecer que Jeová estaria usando Jerusalém, e que qualquer dominação que exercessem seria nada em comparação com o Reino de Jeová. — Isaías 49:23.

      7. O que significava o novo nome de Sião?

      7 A seguir, Jeová confirmou a situação mudada de Sião, dando-lhe um novo nome. Esse novo nome significava a condição abençoada e a posição honrosa dos filhos terrestres de Sião, a partir de 537 AEC.a Indicava que Jeová reconhecia que Sião lhe pertencia. Hoje, o Israel de Deus se emociona em saber que Jeová se agrada deles, e as outras ovelhas se alegram com eles.

      8. De que maneiras Jeová tem honrado Sião?

      8 Tendo dado a Sião um novo nome, Jeová promete então: “Terás de tornar-te uma coroa de beleza na mão de Jeová e um turbante régio na palma da mão de teu Deus.” (Isaías 62:3) Jeová dá projeção à sua esposa simbólica, a Sião celestial, para que seja admirada. (Salmo 48:2; 50:2) A coroa de beleza e o “turbante régio” indicam que ela se traja com honra e autoridade. (Zacarias 9:16) Representando a Sião celestial, ou “Jerusalém de cima”, o Israel de Deus é um notável resultado da mão de Deus — seu poder aplicado — em ação. (Gálatas 4:26) Com a ajuda de Jeová, essa nação espiritual tem um monumental registro de integridade e devoção. Milhões, tanto dos ungidos como das outras ovelhas, são fortalecidos para demonstrar notável fé e amor. Durante o Reinado Milenar de Cristo, os ungidos, tendo obtido sua gloriosa recompensa celestial, serão instrumentos na mão de Jeová para ajudar a ‘criação que geme’ a ganhar a vida eterna. — Romanos 8:21, 22; Revelação 22:2.

      ‘Jeová tem-se agradado de ti’

      9. Descreva a transformação de Sião.

      9 Dar novo nome é parte da agradável transformação da Sião celestial, conforme representada por seus filhos terrestres. Lemos: “Não mais se dirá que és uma mulher completamente abandonada; e não mais se dirá que a tua própria terra está desolada; mas tu mesma serás chamada Meu Deleite Está Nela, e tua terra, Possuída Como Esposa. Porque Jeová se terá agradado de ti e tua própria terra será possuída como esposa.” (Isaías 62:4) Desde a sua destruição, em 607 AEC, a Sião terrestre estava desolada. Mas as palavras de Jeová deram-lhe certeza de que sua terra seria restaurada e repovoada. A outrora devastada Sião não mais seria uma “mulher completamente abandonada”, e sua terra não mais ficaria desolada. A restauração de Jerusalém, em 537 AEC, dava-lhe uma nova condição, totalmente diferente de seu anterior estado arruinado. Jeová declara que Sião seria chamada “Meu Deleite Está Nela”, e sua terra, “Possuída Como Esposa”. — Isaías 54:1, 5, 6; 66:8; Jeremias 23:5-8; 30:17; Gálatas 4:27-31.

      10. (a) Que transformação experimentou o Israel de Deus? (b) O que é a “terra” do Israel de Deus?

      10 A partir de 1919, o Israel de Deus passou por uma mudança similar. Durante a Primeira Guerra Mundial, parecia que Deus repudiara os cristãos ungidos. Mas, em 1919, sua condição favorecida foi restaurada e sua maneira de adorar foi purificada. Isso afetou seus ensinos, sua organização e suas atividades. O Israel de Deus chegara à sua “terra”, seu domínio espiritual, ou esfera de atividade. — Isaías 66:7, 8, 20-22.

      11. Em que sentido os judeus tomariam posse de sua mãe como esposa?

      11 Confirmando a nova e favorecida posição de seu povo, Jeová declara: “Assim como o jovem toma posse duma virgem como sua esposa, teus filhos tomarão posse de ti como esposa. E teu Deus exultará sobre ti com a exultação de um noivo sobre a noiva.” (Isaías 62:5) Como poderiam os judeus, os “filhos” de Sião, tomar posse de sua mãe como esposa? No sentido de que os filhos de Sião, libertados do exílio babilônico, regressariam para tomar posse de sua antiga capital e voltariam a morar nela. Com isso, Sião não mais estaria desolada, mas sim repleta de filhos. — Jeremias 3:14.

      12. (a) De que modo Jeová deixou claro que os cristãos ungidos são parte da organização unida a ele em casamento? (b) Em que sentido os tratos de Jeová com o seu povo fornecem um elevado modelo para o casamento hoje? (Veja o quadro na página 342.)

      12 De modo paralelo, desde 1919, os filhos da Sião celestial têm tomado posse de sua terra, seu domínio espiritual, que tem o nome profético de “Possuída como Esposa”. As suas atividades cristãs nessa terra provam que esses cristãos ungidos são o ‘povo para o nome de Jeová’. (Atos 15:14) Por produzirem os frutos do Reino e divulgarem o Seu nome, ficou evidente que Jeová se agrada desses cristãos. Ele tem deixado claro que eles são parte da organização ligada a ele numa união inquebrantável. Por ungir esses cristãos com espírito santo, libertando-os do cativeiro espiritual, e usando-os para pregar a esperança do Reino a toda a humanidade, Jeová tem demonstrado que se alegra com eles assim como o noivo se alegra com a noiva. — Jeremias 32:41.

      “Não haja silêncio da vossa parte”

      13, 14. (a) Nos tempos antigos, como Jerusalém se tornou uma cidade que oferecia segurança? (b) Nos tempos modernos, como Sião se tornou um “louvor na terra”?

      13 O figurativo novo nome, dado por Jeová, fazia seu povo sentir-se seguro. Eles sabiam que Jeová os reconhecia e que Lhe pertenciam. A seguir, usando uma ilustração diferente, Jeová fala a seu povo como que a uma cidade murada: “Sobre as tuas muralhas, ó Jerusalém, comissionei vigias. Que não fiquem quietos o dia inteiro e a noite inteira, constantemente. Vós os que fazeis menção de Jeová, não haja silêncio da vossa parte e não lhe deis silêncio até que ele fixe solidamente, sim, até que ele ponha Jerusalém por louvor na terra.” (Isaías 62:6, 7) No tempo devido de Jeová, depois que o restante fiel voltou de Babilônia, Jerusalém realmente se tornou um “louvor na terra” — uma cidade murada que oferecia segurança para seus moradores. Dia e noite, vigias postados nessas muralhas estavam atentos para garantir a segurança da cidade e transmitir alertas a seus cidadãos. — Neemias 6:15; 7:3; Isaías 52:8.

      14 Nos tempos modernos, Jeová tem usado seus vigias ungidos para mostrar aos mansos o caminho da liberdade da escravidão à religião falsa. Estes têm sido convidados a ingressar na Sua organização, onde encontram proteção contra a contaminação espiritual, as influências ímpias e o desagrado de Jeová. (Jeremias 33:9; Sofonias 3:19) Para tal proteção, é vital o papel da classe do vigia, o “escravo fiel e discreto”, que supre “alimento [espiritual] no tempo apropriado”. (Mateus 24:45-47) Trabalhando com a classe do vigia, a “grande multidão” também desempenha um papel significativo em tornar Sião um “louvor na terra”. — Revelação 7:9.

      15. Como a classe do vigia e seus companheiros servem a Jeová constantemente?

      15 O serviço da classe do vigia e de seus companheiros continua! Sua atitude fervorosa se reflete na atividade zelosa de milhões de pessoas fiéis, apoiadas por superintendentes viajantes e suas esposas; voluntários nos muitos lares de Betel e gráficas das Testemunhas de Jeová; missionários; e pioneiros especiais, regulares e auxiliares. Além disso, trabalham arduamente na construção de Salões do Reino, em visitar doentes, em ajudar pessoas que enfrentam situações de saúde desafiadoras e em providenciar socorro urgente a vítimas de tragédias e acidentes. Muitas dessas pessoas abnegadas não raro servem literalmente “dia e noite”! — Revelação 7:14, 15.

      16. De que modo os servos de Jeová ‘não dão a Jeová silêncio’?

      16 Os servos de Jeová são incentivados a orar sem cessar, a pedir a Deus que ‘se realize a Sua vontade, como no céu, assim também na Terra’. (Mateus 6:9, 10; 1 Tessalonicenses 5:17) São exortados: ‘Não deis a Jeová silêncio’ até que os desejos e as esperanças a respeito da restauração da adoração verdadeira se concretizem. Jesus frisou a necessidade de orar constantemente, instando seus seguidores a ‘clamar a Deus dia e noite’. — Lucas 18:1-8.

      O serviço a Deus será recompensado

      17, 18. (a) Em que sentido os moradores de Sião podiam esperar usufruir os frutos de seu trabalho? (b) De que modo o povo de Jeová hoje usufrui os frutos de seu trabalho?

      17 O novo nome que Jeová deu ao seu povo garantia-lhes que seus esforços não eram em vão. “Jeová jurou com a sua direita e com o seu braço forte: ‘Não mais vou dar o teu cereal por alimento aos teus inimigos, nem beberão os estrangeiros o teu vinho novo pelo qual labutaste. Mas os próprios que o recolhem o comerão e eles certamente louvarão a Jeová; e os próprios que o vindimam o beberão nos meus santos pátios.’” (Isaías 62:8, 9) A mão direita e o braço forte de Jeová simbolizam seu poder e sua força. (Deuteronômio 32:40; Ezequiel 20:5) Ter jurado por meio desses mostrava sua determinação de mudar a situação de Sião. Em 607 AEC, Jeová permitiu que inimigos de Sião a roubassem e saqueassem seus bens. (Deuteronômio 28:33, 51) Mas agora, as posses de Sião seriam usufruídas apenas pelos que tinham direito a elas. — Deuteronômio 14:22-27.

      18 No cumprimento moderno dessa promessa, o povo restaurado de Jeová goza de uma grande prosperidade espiritual. Usufruem plenamente os frutos de seu labor — um crescente número de discípulos cristãos e fartura de alimento espiritual. (Isaías 55:1, 2; 65:14) Devido à fidelidade de seu povo, Jeová não permite que seus inimigos interfiram na sua prosperidade espiritual, nem que os privem dos resultados de seu serviço de toda a alma. Nenhum trabalho que se faz no serviço de Jeová é em vão. — Malaquias 3:10-12; Hebreus 6:10.

      19, 20. (a) Como foi desobstruído o caminho da volta dos judeus para Jerusalém? (b) Como, nos tempos modernos, o caminho foi desobstruído para a entrada dos mansos na organização de Jeová?

      19 O novo nome também tornou a organização de Jeová atraente para os sinceros. Multidões afluem a ela, e o caminho é mantido aberto para eles. A profecia de Isaías declara: “Passai, passai pelos portões. Desobstruí o caminho do povo. Aterrai, aterrai a estrada principal. Livrai-a de pedras. Erigi um sinal de aviso para os povos.” (Isaías 62:10) Em primeira instância, essa convocação provavelmente se referia à passagem pelos portões das cidades de Babilônia rumo a Jerusalém. Os que voltassem deviam tirar as pedras do caminho, para facilitar a jornada e erigir um sinal indicativo do caminho. — Isaías 11:12.

      20 Desde 1919, os cristãos ungidos foram separados para o serviço divino e percorrem o “Caminho de Santidade”. (Isaías 35:8) Foram os primeiros a passar pela estrada espiritual que sai de Babilônia, a Grande. (Isaías 40:3; 48:20) Deus lhes deu o privilégio de tomar a dianteira em declarar as Suas obras poderosas e em indicar a outros o acesso àquela estrada. A remoção das pedras no caminho — a eliminação de obstáculos — beneficiou em especial a eles mesmos. (Isaías 57:14) Eles precisavam ver claramente os propósitos e os ensinos de Deus. Crenças falsas são pedras de tropeço no caminho para a vida, mas a Palavra de Jeová é “como o malho que despedaça o rochedo”. Com ela, os cristãos ungidos despedaçaram possíveis pedras de tropeço para os que querem servir a Jeová. — Jeremias 23:29.

      21, 22. Que sinal Jeová estabeleceu para os que saem da religião falsa, e como sabemos disso?

      21 Em 537 AEC, Jerusalém tornou-se o sinal que indicou ao restante judaico que devia voltar e reconstruir o templo. (Isaías 49:22) Em 1919, quando os do restante ungido foram libertados do jugo à religião falsa, eles não ficaram vagando a esmo. Sabiam qual era sua destinação, pois Jeová estabelecera um sinal para eles. Que sinal? O mesmo sinal predito em Isaías 11:10, que diz: “Naquele dia terá de acontecer que haverá a raiz de Jessé posta de pé qual sinal de aviso para os povos.” O apóstolo Paulo aplica essas palavras a Jesus. (Romanos 15:8, 12) Sim, o sinal é Jesus Cristo, que governa como Rei no monte Sião celestial! — Hebreus 12:22; Revelação 14:1.

      22 Em torno de Jesus Cristo, tanto os cristãos ungidos como as outras ovelhas são reunidos para participar na adoração unificadora do Deus Altíssimo. Seu governo vindica a soberania universal de Jeová e abençoa os sinceros de todas as nações da Terra. Não é isso um motivo suficiente para que todos nós participemos em exaltá-lo com louvor?

      “Está chegando a tua salvação”!

      23, 24. Como vem a salvação para os que têm fé em Deus?

      23 O novo nome que Jeová deu à sua organização, comparável a uma esposa, tem a ver com a salvação eterna de seus filhos. Isaías escreve: “Eis que o próprio Jeová fará que se ouça isso até a parte mais longínqua da terra: ‘Dizei à filha de Sião: “Eis que está chegando a tua salvação! Eis que está com ele a recompensa que dá e está diante dele o salário que paga.”’” (Isaías 62:11) A salvação ‘chegou’ aos judeus quando Babilônia caiu e eles retornaram para sua terra. Mas essas palavras apontam para algo maior. A declaração de Jeová faz lembrar a profecia de Zacarias a respeito de Jerusalém: “Jubila grandemente, ó filha de Sião. Brada em triunfo, ó filha de Jerusalém. Eis que vem a ti o teu próprio rei. Ele é justo, sim, salvo; humilde, e montado num jumento, sim, num animal plenamente desenvolvido, filho de jumenta.” — Zacarias 9:9.

      24 Três anos e meio depois que foi batizado em água e ungido com o espírito de Deus, Jesus entrou em Jerusalém montado num jumento e purificou o templo. (Mateus 21:1-5; João 12:14-16) Hoje, Jesus Cristo é quem traz salvação da parte de Jeová a todos os que têm fé em Deus. Desde a sua entronização, em 1914, Jesus é também o Juiz e Executor designado por Jeová. Em 1918, três anos e meio depois de sua entronização, ele purificou o templo espiritual de Jeová, representado na Terra pela congregação de cristãos ungidos. (Malaquias 3:1-5) Ser ele erguido como sinal marcou o começo de um grande ajuntamento de pessoas de toda a Terra, em apoio ao Reino Messiânico. Seguindo o padrão antigo, a “salvação” chegou aos do Israel de Deus quando foram libertados de Babilônia, a Grande, em 1919. A “recompensa”, ou o “salário”, para os abnegados trabalhadores da colheita é a vida imortal no céu ou a vida eterna na Terra. Todos os que permanecerem fiéis podem estar certos de que seu “labor não é em vão em conexão com o Senhor”. — 1 Coríntios 15:58.

      25. Que garantias se dá ao povo de Jeová?

      25 Quão positiva é a perspectiva da organização celestial de Deus, de seus representantes ungidos na Terra e de todos os que se associam ativamente com eles! (Deuteronômio 26:19) Isaías profetiza: “Homens certamente os chamarão de povo santo, os resgatados por Jeová; e tu mesma serás chamada de Buscada, Cidade Não Abandonada Completamente.” (Isaías 62:12) Houve tempo em que a “Jerusalém de cima”, representada pelo Israel de Deus, se sentia abandonada. Ela jamais sentirá isso de novo. Jeová protegerá para sempre o seu povo, que terá Seu contínuo sorriso de aprovação.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Nas profecias bíblicas, “um novo nome” pode significar uma nova posição ou privilégio. — Revelação 2:17; 3:12.

      [Quadro na página 342]

      Elevado modelo para o casamento

      Quando se casam, as pessoas levam suas próprias expectativas para a união conjugal. Mas quais são as expectativas de Deus? Foi ele quem instituiu o casamento. Qual era seu propósito para com o casamento?

      Um indicativo do que Deus pensa a respeito é a sua relação com a nação de Israel. Isaías compara essa relação a um casamento. (Isaías 62:1-5) Note o que Jeová Deus, como “marido”, faz por sua “noiva”. Ele a protege e a santifica. (Isaías 62:6, 7, 12) Ele a honra e a valoriza. (Isaías 62:3, 8, 9) E agrada-se dela, como indicam os novos nomes que lhe dá. — Isaías 62:4, 5, 12.

      Nas Escrituras Gregas Cristãs, ao comparar a relação de marido e mulher à relação de Cristo e a congregação de cristãos ungidos, Paulo imita a descrição de Isaías a respeito da relação de Jeová e Israel. — Efésios 5:21-27.

      Paulo incentivou os cristãos a imitarem em seu casamento a relação entre Jesus e a congregação. Não pode haver amor maior do que o demonstrado por Jeová para com Israel e o de Cristo para com a congregação. Esses relacionamentos simbólicos fornecem um elevado modelo para um casamento bem-sucedido e feliz entre cristãos. — Efésios 5:28-33.

      [Foto na página 339]

      Jeová daria um novo nome à Sião celestial

      [Fotos na página 347]

      Nos tempos modernos, a classe do vigia de Jeová não tem silenciado

  • Jeová faz para si um belo nome
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
    • Capítulo Vinte e Quatro

      Jeová faz para si um belo nome

      Isaías 63:1-14

      1, 2. (a) Que interesse pessoal têm os cristãos no vindouro “dia de Jeová”? (b) Que questão elevada está em jogo na vinda do dia de Jeová?

      POR uns dois mil anos, os cristãos vêm “aguardando e tendo bem em mente a presença do dia de Jeová”. (2 Pedro 3:12; Tito 2:13) É compreensível que eles anseiem a chegada desse dia. Afinal, marcará o começo de seu alívio dos estragos da imperfeição. (Romanos 8:22) Significará também o fim das pressões que eles sofrem nestes “tempos críticos, difíceis de manejar”. — 2 Timóteo 3:1.

      2 Contudo, ao passo que o dia de Jeová trará alívio para os justos, significará também a destruição para “os que não conhecem a Deus e os que não obedecem às boas novas acerca de nosso Senhor Jesus”. (2 Tessalonicenses 1:7, 8) Isso induz a uma reflexão. Será que Deus realmente destruirá os perversos simplesmente para livrar seu povo de condições aflitivas? O capítulo 63 de Isaías mostra que está em jogo uma questão muito mais elevada, a saber, a santificação do nome de Deus.

      A marcha do guerreiro vitorioso

      3, 4. (a) Qual é o pano de fundo da profecia no capítulo 63 de Isaías? (b) Quem Isaías viu marchando para Jerusalém, e com quem alguns eruditos o identificam?

      3 No capítulo 62 de Isaías lemos a respeito da libertação dos judeus do cativeiro em Babilônia e da volta deles para sua terra de origem. Naturalmente, surge a pergunta: ao voltarem, precisariam os judeus temer outra devastação por parte de alguma nação inimiga? A visão de Isaías contribuiu muito para afastar o temor deles. A profecia começa assim: “Quem é este que está chegando de Edom, o que tem vestes de cores brilhantes de Bozra, este que é honroso na sua vestimenta, marchando na abundância do seu poder?” — Isaías 63:1a.

      4 Isaías viu um guerreiro, vigoroso e triunfante, marchando para Jerusalém. As suas vestes magníficas indicam que ele é do mais alto escalão. Ele vinha da direção de Bozra, a cidade mais importante de Edom, sugerindo que obtivera uma grande vitória sobre essa terra inimiga. Quem é esse guerreiro? Alguns eruditos o identificam com Jesus Cristo. Outros acham que seja o líder militar judeu Judas Macabeu. No entanto, o próprio guerreiro se identifica ao responder à pergunta acima, dizendo: “Eu, Aquele que fala em justiça, Aquele que abunda em poder para salvar.” — Isaías 63:1b.

      5. Quem é o guerreiro visto por Isaías, e por que responde assim?

      5 Não há dúvida de que esse guerreiro é o próprio Jeová Deus. Em outros lugares ele é descrito como alguém ‘abundante em energia dinâmica’ e que ‘fala o que é justo’. (Isaías 40:26; 45:19, 23) As vestes magníficas do guerreiro nos fazem lembrar das palavras do salmista: “Ó Jeová, meu Deus, mostraste ser muito grande. Tu te vestiste de dignidade e de esplendor.” (Salmo 104:1) Ao passo que Jeová é o Deus de amor, a Bíblia mostra que ele assume o papel de guerreiro, quando necessário. — Isaías 34:2; 1 João 4:16.

      6. Por que Jeová retornava de uma batalha em Edom?

      6 Mas por que Jeová retornava de uma batalha em Edom? Os edomitas, perpetuadores de uma animosidade que começou com seu antepassado, Esaú, eram velhos inimigos do povo pactuado de Deus. (Gênesis 25:24-34; Números 20:14-21) A intensidade do ódio de Edom por Judá tornou-se especialmente evidente durante a desolação de Jerusalém, quando os edomitas instigaram os soldados babilônios. (Salmo 137:7) Jeová considerava essa animosidade como ofensa a si mesmo. Não é para menos que ele decidisse brandir sua espada de vingança contra Edom! — Isaías 34:5-15; Jeremias 49:7-22.

      7. (a) Que cumprimento inicial teve a profecia contra Edom? (b) O que simboliza Edom?

      7 A visão de Isaías foi, portanto, muito animadora para os judeus que voltavam para Jerusalém. Garantia-lhes uma habitação segura no seu novo lar. De fato, já nos dias do profeta Malaquias, Deus havia feito dos “montes [de Edom] um baldio desolado e a sua herança para os chacais do ermo”. (Malaquias 1:3) Significava isso que a profecia de Isaías se cumprira plenamente nos dias de Malaquias? Não, pois apesar de sua condição desolada, Edom estava decidido a reconstruir seus lugares devastados, e Malaquias continuou a chamar Edom de “território da iniquidade” e “povo que Jeová verberou por tempo indefinido”.a (Malaquias 1:4, 5) Profeticamente, porém, Edom engloba mais do que os descendentes de Esaú. É símbolo de todas as nações inimigas dos adoradores de Jeová. As nações da cristandade têm sido notórias nesse respeito. O que acontecerá com esse Edom moderno?

      O lagar de vinho

      8, 9. (a) Que atividade realizava o guerreiro visto por Isaías? (b) Quando e como será pisado o lagar simbólico?

      8 Isaías pergunta ao guerreiro que retornava: “Por que é que a tua vestimenta está vermelha e tuas vestes estão como as de alguém que pisa no lagar de vinho?” Jeová responde: “Pisei sozinho a cuba de vinho, não havendo comigo nenhum homem dos povos. E continuei a pisá-los na minha ira e continuei a calcá-los no meu furor. E seu sangue em jorros salpicava minhas vestes, e poluí toda a minha vestimenta.” — Isaías 63:2, 3.

      9 Essas vívidas palavras descrevem um banho de sangue. Ora, até mesmo a fina roupa de Deus estava manchada, como a de alguém que pisou um lagar de vinho! O lagar de vinho é um símbolo apropriado de como os inimigos de Jeová ficam encurralados quando ele age para destruí-los. Quando será pisado esse lagar simbólico? As profecias de Joel e do apóstolo João também falam de um lagar de vinho simbólico. O lagar dessas profecias será pisado quando Jeová calcar seus inimigos, destruindo-os no Armagedom. (Joel 3:13; Revelação [Apocalipse] 14:18-20; 16:16) O lagar profético de Isaías aponta para a mesma ocasião.

      10. Por que Jeová disse que pisou sozinho o lagar de vinho?

      10 Mas por que Jeová disse que pisou sozinho o lagar de vinho por não haver com ele nenhum “homem dos povos”? Não tomará Jesus Cristo, como representante de Deus, a dianteira em pisar o lagar? (Revelação 19:11-16) Sim, mas Jeová se referia a humanos, não a criaturas espirituais. Ele quis dizer que nenhum humano está à altura da tarefa de livrar a Terra dos seguidores de Satanás. (Isaías 59:15, 16) Caberá ao Deus Todo-Poderoso pisá-los na sua ira, até esmagá-los completamente.

      11. (a) Por que Jeová trará um “dia de vingança”? (b) Quem foram os “resgatados” nos tempos antigos, e quem são eles hoje?

      11 Jeová dá mais explicações sobre por que realizará pessoalmente essa tarefa, dizendo: “O dia de vingança está no meu coração, e tem chegado o próprio ano dos meus resgatados.” (Isaías 63:4)b Somente Jeová tem o direito de executar vingança contra os que prejudicam seu povo. (Deuteronômio 32:35) Nos tempos antigos, os “resgatados” eram os judeus que haviam sofrido às mãos dos babilônios. (Isaías 35:10; 43:1; 48:20) Nos tempos modernos, são os do restante ungido. (Revelação 12:17) Como seus correlativos do passado, eles foram resgatados do cativeiro religioso. E como aqueles judeus, os ungidos, junto com seus companheiros das “outras ovelhas”, têm sido vítimas de perseguição e oposição. (João 10:16) Assim, a profecia de Isaías garante aos cristãos atuais que Deus, no seu tempo devido, intervirá em favor deles.

      12, 13. (a) Em que sentido Jeová não tem ajudador? (b) Como o braço de Jeová provê salvação, e em que sentido Seu furor O sustenta?

      12 Jeová continua: “Eu estava olhando, mas não havia nenhum ajudador; e comecei a mostrar-me espantado, mas não havia quem oferecesse apoio. De modo que meu braço me proveu salvação e foi meu furor que me sustentou. E continuei a calcar povos na minha ira, e passei a embriagá-los com o meu furor e a fazer seu sangue em jorros descer à terra.” — Isaías 63:5, 6.

      13 Nenhum ajudador humano pode reivindicar o crédito pelo grande dia de vingança de Jeová. E Jeová nem precisará de apoio humano para executar a sua vontade.c Seu imensuravelmente poderoso braço de força basta para isso. (Salmo 44:3; 98:1; Jeremias 27:5) Além do mais, Seu furor O sustenta. Como assim? No sentido de que o furor de Deus não é emoção descontrolada, mas indignação justa. Visto que Jeová sempre age à base de princípios justos, seu furor o sustenta, ou dá apoio, e motiva-o a fazer “descer à terra” o “sangue em jorros” de seus inimigos, para a humilhação e derrota deles. — Salmo 75:8; Isaías 25:10; 26:5.

      As benevolências de Deus

      14. Que lembretes apropriados Isaías dá a seguir?

      14 Em tempos idos, os judeus rapidamente perdiam o apreço pelas coisas que Jeová fazia por eles. Apropriadamente, pois, Isaías lembrou a eles por que Jeová fazia tais coisas. Ele declara: “Mencionarei as benevolências de Jeová, os louvores de Jeová, segundo tudo o que Jeová nos fez, sim, a bondade abundante para com a casa de Israel, que teve para com eles segundo as suas misericórdias e segundo a abundância das suas benevolências. E ele prosseguiu, dizendo: ‘Por certo, são o meu povo, filhos que não se mostrarão falsos.’ Portanto, foi para eles que se tornou Salvador. Durante toda a aflição deles, foi aflitivo para ele. E seu próprio mensageiro pessoal os salvou. Ele mesmo os resgatou no seu amor e na sua compaixão, e passou a levantá-los e a carregá-los todos os dias de há muito tempo.” — Isaías 63:7-9.

      15. Como e por que Jeová foi benevolente com a descendência de Abraão no Egito?

      15 Que grande exemplo Jeová deu em mostrar benevolência, ou amor leal! (Salmo 36:7; 62:12) Ele desenvolveu com Abraão uma relação baseada em amor leal. (Miqueias 7:20) Prometeu a esse patriarca que, por meio da descendência dele, todas as nações da Terra abençoariam a si mesmas. (Gênesis 22:17, 18) Jeová apegou-se a essa promessa, sendo muito benevolente com a casa de Israel. Um de seus notáveis atos leais foi libertar a descendência de Abraão da escravidão no Egito. — Êxodo 14:30.

      16. (a) Que ponto de vista tinha Jeová quando fez seu pacto com Israel? (b) Como Deus lida com o seu povo?

      16 Depois do Êxodo, Jeová conduziu Israel ao monte Sinai e prometeu: “Se obedecerdes estritamente à minha voz e deveras guardardes meu pacto, então vos haveis de tornar minha propriedade especial . . . E vós mesmos vos tornareis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa.” (Êxodo 19:5, 6) Era enganosa essa oferta de Jeová? Não, pois Isaías revela que Jeová disse a si mesmo: “Por certo, são o meu povo, filhos que não se mostrarão falsos.” Certo erudito diz: “O ‘por certo’ não é o ditame da soberania ou da presciência: é a esperança e a confiança do amor.” Sim, Jeová fez seu pacto com boa fé, desejando sinceramente que seu povo se saísse bem. Apesar de seus óbvios defeitos, ele mostrou confiança neles. Como é bom adorar um Deus que mostra tal confiança nos seus adoradores! Os anciãos hoje contribuem muito para fortalecer os que foram confiados aos seus cuidados quando manifestam confiança similar na boa qualidade básica do povo de Deus. — 2 Tessalonicenses 3:4; Hebreus 6:9, 10.

      17. (a) Que provas deu Jeová de seu amor pelos israelitas? (b) Que confiança podemos ter hoje?

      17 Não obstante, o salmista diz a respeito dos israelitas: “Esqueceram-se de Deus, seu Salvador, Aquele que fez grandes coisas no Egito.” (Salmo 106:21) A desobediência e obstinação deles muitas vezes os colocou em situação terrível. (Deuteronômio 9:6) Deixou Jeová de lhes mostrar benevolência? Ao contrário, Isaías relata que “durante toda a aflição deles, foi aflitivo para ele”. Quanta empatia Jeová demonstrou! Como acontece com todo pai amoroso, doía-lhe ver seus filhos sofrerem, mesmo quando o sofrimento se devia à própria tolice deles. Conforme predito, e provando seu amor, Jeová enviou seu “mensageiro pessoal”, provavelmente Jesus em sua existência pré-humana, para liderá-los rumo à Terra Prometida. (Êxodo 23:20) Assim, Jeová levantou a nação e carregou-a “como um homem carrega seu filho”. (Deuteronômio 1:31; Salmo 106:10) Hoje, podemos ter certeza de que Jeová também se apercebe de nossos sofrimentos e se compadece de nós ao enfrentarmos sérias dificuldades. Podemos confiantemente ‘lançar sobre ele toda a nossa ansiedade, porque ele tem cuidado de nós’. — 1 Pedro 5:7.

      Deus se torna inimigo

      18. Por que Jeová se tornou inimigo de seu povo?

      18 No entanto, jamais devemos abusar da benevolência de Deus. Isaías prossegue: “Eles mesmos se rebelaram e fizeram seu espírito santo sentir-se magoado. Transformou-se então em inimigo deles; ele mesmo guerreou contra eles.” (Isaías 63:10) Jeová alertou que, embora seja um Deus misericordioso e clemente, “de modo algum isentará da punição”. (Êxodo 34:6, 7) Os israelitas trouxeram sobre si a punição por estabelecerem um padrão de rebeldia. “Não te esqueças de como indignaste Jeová, teu Deus, no ermo”, lembrou Moisés. “Desde o dia em que saíste da terra do Egito até que chegastes a este lugar, mostrastes-vos rebeldes no vosso comportamento para com Jeová.” (Deuteronômio 9:7) Por resistirem aos seus efeitos sadios, eles magoaram, ou contristaram, o espírito de Deus. (Efésios 4:30) Obrigaram Jeová a se tornar inimigo deles. — Levítico 26:17; Deuteronômio 28:63.

      19, 20. De que coisas os judeus se lembravam, e por quê?

      19 Em meio à sua aflição, alguns judeus passaram a refletir sobre o passado. Isaías diz: “Começaram a ser lembrados os dias de há muito tempo, Moisés, seu servo: ‘Onde está Aquele que os fez subir do mar com os pastores do seu rebanho? Onde está Aquele que pôs nele Seu próprio espírito santo? Aquele que fez o Seu belo braço ir à direita de Moisés; Aquele que partiu as águas diante deles, a fim de fazer para si um nome de duração indefinida; Aquele que os fez andar através das águas empoladas, de modo que, qual cavalo no ermo, não tropeçaram? Assim como quando o próprio animal desce ao vale plano, o próprio espírito de Jeová passou a fazê-los descansar.’” — Isaías 63:11-14a.d

      20 Sim, sofrendo os resultados da desobediência, os judeus estavam saudosos dos dias em que Jeová era seu Libertador, em vez de seu inimigo. Lembravam-se de como seus “pastores”, Moisés e Arão, conduziram-nos com segurança através do mar Vermelho. (Salmo 77:20; Isaías 51:10) Recordavam o tempo em que, em vez de magoarem o espírito de Deus, foram conduzidos por ele por meio da liderança de Moisés e de outros anciãos designados pelo espírito. (Números 11:16, 17) Lembravam-se também de terem visto o “belo braço” de força, de Jeová, ser usado em favor deles por meio de Moisés. Com o tempo, Deus os tirou do grande e atemorizante ermo e os levou a uma terra que manava leite e mel — um lugar de descanso. (Deuteronômio 1:19; Josué 5:6; 22:4) Agora, porém, os israelitas sofriam porque haviam perdido sua boa relação com Deus.

      ‘Um belo nome para si’

      21. (a) Que grande privilégio Israel poderia ter tido em relação ao nome de Deus? (b) Qual foi a razão primária de Deus ter libertado os descendentes de Abraão do Egito?

      21 Ainda assim, a perda material dos israelitas era insignificante em comparação com a perda do privilégio que haviam desprezado, ou seja, participar na glorificação do nome de Deus. Moisés prometera aos israelitas: “Jeová te estabelecerá para si como povo santo, assim como te jurou, por continuares a guardar os mandamentos de Jeová, teu Deus, e teres andado nos seus caminhos. E todos os povos da terra terão de ver que o nome de Jeová foi invocado sobre ti e hão de ficar com medo de ti.” (Deuteronômio 28:9, 10) Quando Jeová agiu em defesa dos descendentes de Abraão, libertando-os da escravidão no Egito, ele não fez isso simplesmente para tornar-lhes a vida mais conveniente ou agradável. Ele agiu em favor de algo muito mais importante — seu nome. Sim, ele cuidou de que seu nome fosse “declarado em toda a terra”. (Êxodo 9:15, 16) E, quando Deus foi misericordioso após a rebelião de Israel no ermo, a razão disso não foi mero sentimentalismo. O próprio Jeová disse: “Eu prossegui, agindo em prol do meu próprio nome, para que não fosse profanado perante os olhos das nações.” — Ezequiel 20:8-10.

      22. (a) No futuro, por que Jeová lutará de novo em favor de seu povo? (b) De que maneiras o nosso amor ao nome de Deus afeta nossas ações?

      22 Portanto, que conclusão poderosa Isaías dá a essa profecia! Ele diz: “Assim conduziste o teu povo, a fim de fazer para ti mesmo um belo nome.” (Isaías 63:14b) Agora se podia ver de forma clara por que Jeová lutava tão poderosamente pelos interesses de seu povo. Era para fazer um belo nome para si mesmo. Assim, a profecia de Isaías é um poderoso lembrete de que levar o nome de Jeová é tanto um espantoso privilégio como uma grande responsabilidade. Os atuais cristãos verdadeiros amam o nome de Jeová mais do que suas próprias vidas. (Isaías 56:6; Hebreus 6:10) Têm aversão a fazer algo que possa trazer vitupério a esse nome sagrado. Correspondem ao amor leal de Deus por permanecerem leais a ele. E, visto que amam o belo nome de Jeová, anseiam o dia em que ele pisará Seus inimigos no lagar de Sua ira — não meramente porque os beneficiará, mas porque resultará na glorificação do nome do Deus que amam. — Mateus 6:9.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Os Herodes do primeiro século eram edomitas.

      b A expressão “ano dos meus resgatados” talvez se refira ao mesmo período que a expressão “dia de vingança”. Note o uso paralelo de expressões similares, em Isaías 34:8.

      c Jeová expressa espanto de que ninguém lhe oferece apoio. Pode realmente ser considerado um espanto que, quase 2 mil anos depois da morte de Jesus, os poderosos da humanidade ainda sejam contra a vontade de Deus. — Salmo 2:2-12; Isaías 59:16.

      d Esta parte do versículo pode também começar assim: “[Ele] começou a lembrar.” (Isaías 63:11, nota) Mas isso não significa necessariamente que se refira a Jeová. As palavras que se seguem expressam os sentimentos do povo de Deus, não do próprio Jeová. Assim, a Soncino Books of the Bible (Os Livros da Bíblia, de Soncino) verte assim essas palavras: “Então, o Seu povo lembrou-se dos dias da antiguidade.”

      [Foto na página 359]

      Jeová tinha grandes expectativas com relação ao seu povo

  • Uma oração de arrependimento
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
    • Capítulo Vinte e Cinco

      Uma oração de arrependimento

      Isaías 63:15–64:12

      1, 2. (a) Qual é o objetivo da disciplina divina? (b) Que escolha teriam os judeus depois de Jeová os disciplinar?

      A DESTRUIÇÃO de Jerusalém e de seu templo, em 607 AEC, foi uma disciplina da parte de Jeová, uma expressão de sua extrema desaprovação. A desobediente nação de Judá mereceu essa punição severa. Mas Jeová não desejava o extermínio dos judeus. O apóstolo Paulo falou do objetivo da disciplina de Jeová, ao dizer: “É verdade que nenhuma disciplina parece no momento ser motivo de alegria, mas sim de pesar; no entanto, depois dá fruto pacífico, a saber, a justiça, aos que têm sido treinados por ela.” — Hebreus 12:11.

      2 Como os judeus reagiriam a essa dura experiência? Odiariam a disciplina de Jeová? (Salmo 50:16, 17) Ou a aceitariam como treinamento? Será que se arrependeriam e seriam curados? (Isaías 57:18; Ezequiel 18:23) A profecia de Isaías sugere que pelo menos alguns dos anteriores habitantes de Judá reagiriam bem à disciplina. A partir dos últimos versículos 15-19 do capítulo 63 de Is, e depois no capítulo 64 de Is, a nação de Judá é representada como um povo contrito que faz súplicas sinceras a Jeová. O profeta Isaías faz uma oração de arrependimento em favor de seus conterrâneos que, no futuro, estariam no exílio. Ao fazer isso, ele fala de eventos vindouros como se já estivessem ocorrendo diante de seus olhos.

      Um pai compassivo

      3. (a) De que modo a oração profética de Isaías exalta a Jeová? (b) Como a oração de Daniel mostra que a oração profética de Isaías realmente representava os pensamentos de judeus arrependidos em Babilônia? (Veja o quadro na página 362.)

      3 Isaías ora a Jeová: “Olha desde o céu e vê desde a tua morada excelsa de santidade e beleza.” O profeta se refere ao céu espiritual, onde habitam Jeová e suas criaturas espirituais invisíveis. Expressando os pensamentos dos judeus no exílio, Isaías continua: “Onde estão o teu zelo e a tua plena potência, a comoção das tuas entranhas e as tuas misericórdias? Refrearam-se para comigo.” (Isaías 63:15) Jeová havia refreado seu poder e controlado seus sentimentos profundos — “a comoção das [suas] entranhas e as [suas] misericórdias” — para com seu povo. No entanto, Jeová era o “Pai” da nação judaica. Abraão e Israel (Jacó) eram seus antepassados naturais, mas, caso eles voltassem a viver, talvez se inclinassem a rejeitar sua descendência apóstata. A compaixão de Jeová era maior. (Salmo 27:10) Isaías diz, com gratidão: “Tu, ó Jeová, és nosso Pai. Nosso Resgatador de há muito tempo é o teu nome.” — Isaías 63:16.

      4, 5. (a) Em que sentido Jeová fez com que seu povo vagueasse de Seus caminhos? (b) Que tipo de adoração Jeová deseja?

      4 Isaías prossegue, com profundo sentimento: “Por que, ó Jeová, continuas a fazer-nos vaguear dos teus caminhos? Por que endureces o nosso coração contra o temor de ti? Retorna por causa dos teus servos, as tribos de tua propriedade hereditária.” (Isaías 63:17) Sim, Isaías orou para que Jeová desse de novo atenção aos seus servos. Mas em que sentido Jeová fez os judeus vaguearem de Seus caminhos? Era Jeová culpado pela dureza dos seus corações, que os levou a não o temerem? Não, mas ele o permitiu e, no seu desespero, os judeus lamentaram que Jeová lhes tivesse dado tal liberdade. (Êxodo 4:21; Neemias 9:16) O desejo deles era que Jeová tivesse interferido para evitar que praticassem o erro.

      5 Naturalmente, não é assim que Deus lida com os humanos. Nós temos livre-arbítrio, e Jeová nos permite decidir obedecê-lo, ou não. (Deuteronômio 30:15-19) Jeová deseja adoração de coração e mente motivados pelo amor genuíno. Assim, ele permitiu que os judeus exercessem seu livre-arbítrio, mesmo que isso possibilitasse a rebeldia deles contra ele. Foi nesse sentido que ele endureceu o coração deles. — 2 Crônicas 36:14-21.

      6, 7. (a) O que resultou de os judeus terem abandonado os caminhos de Jeová? (b) Que desejo vão é expresso, mas o que os judeus não tinham o direito de esperar?

      6 Qual foi o resultado? Isaías diz, profeticamente: “Por um pouco de tempo teu povo santo estava de posse. Nossos próprios adversários calcaram o teu santuário. Por muito tempo nos tornamos como aqueles sobre os quais não governaste, como aqueles sobre os quais não se invocou teu nome.” (Isaías 63:18, 19) Por algum tempo, o povo de Jeová esteve de posse de Seu santuário. Daí, Jeová permitiu que o santuário fosse destruído e que sua nação fosse levada ao exílio. Quando isso aconteceu, era como se nunca tivesse havido pacto entre Jeová e os descendentes de Abraão, e como se eles nunca tivessem levado Seu nome. Agora cativos em Babilônia, os judeus clamavam na sua desesperança: “Oh! se tão somente tivesses rasgado os céus, se tivesses descido, se por tua causa tivessem tremido os próprios montes, como quando o fogo incendeia gravetos secos e o fogo faz a própria água ferver, para que desses a conhecer teu nome aos teus adversários, para que as nações ficassem agitadas por tua causa!” (Isaías 64:1, 2) Jeová tem de fato o poder de salvar. Ele certamente poderia ter “descido” para combater pelo seu povo, rasgando sistemas governamentais comparáveis a céus e destroçando impérios comparáveis a montes. Jeová poderia ter tornado conhecido o seu nome por mostrar seu zelo ardente em favor de seu povo.

      7 Jeová fizera coisas assim no passado. Isaías relembra: “Quando fizeste coisas atemorizantes, que não podíamos esperar, tu desceste. Por tua causa tremeram os próprios montes.” (Isaías 64:3) Tais atos grandiosos demonstraram o poder e a Divindade de Jeová. Contudo, os infiéis judeus dos dias de Isaías não tinham o direito de esperar que Jeová agisse assim em benefício deles.

      Só Jeová pode salvar

      8. (a) Qual é uma das diferenças entre Jeová e os falsos deuses das nações? (b) Por que Jeová não salvou o seu povo, embora pudesse fazê-lo? (c) Como Paulo citou e aplicou Isaías 64:4? (Veja o quadro na página 366.)

      8 Os deuses falsos não realizam nenhum ato poderoso de salvação em favor de seus adoradores. Isaías escreve: “Desde há muito tempo, ninguém ouviu, nem deu alguém ouvidos, nem viu o próprio olho a um Deus, exceto a ti, que age por aquele que está à sua espera. Encontraste aquele que exulta e que faz a justiça, os que se lembram de ti nos teus próprios caminhos.” (Isaías 64:4, 5a) Somente Jeová é “o recompensador dos que seriamente o buscam”. (Hebreus 11:6) Ele age para proteger os que praticam a justiça e se lembram dele. (Isaías 30:18) Haviam os judeus agido assim? Não. Isaías diz a Jeová: “Eis que tu mesmo ficaste indignado, enquanto estávamos pecando — neles por muito tempo, e devíamos nós ser salvos?” (Isaías 64:5b) Devido ao longo registro de persistente pecaminosidade do povo de Deus, não havia base para Jeová conter sua indignação e salvá-los.

      9. O que os judeus arrependidos podiam esperar, e o que podemos aprender disso?

      9 Os judeus não podiam desfazer o passado, mas, caso se arrependessem e retornassem à adoração pura, poderiam esperar pelo perdão e bênçãos futuras. Jeová recompensaria os arrependidos no seu tempo devido, por libertá-los do cativeiro babilônico. Mas eles teriam de ser pacientes. Apesar do arrependimento deles, Jeová não mudaria seu cronograma. Se eles se mantivessem alertas e receptivos à vontade de Deus, contudo, poderiam estar certos de que acabariam sendo libertados. Similarmente, os cristãos hoje continuam pacientemente à espera de Jeová. (2 Pedro 3:11, 12) Levamos a sério as palavras do apóstolo Paulo: “Não desistamos de fazer aquilo que é excelente, pois ceifaremos na época devida, se não desfalecermos.” — Gálatas 6:9.

      10. Que incapacidade é francamente admitida na oração de Isaías?

      10 A oração profética de Isaías é mais do que uma confissão formal de pecado. Ela expressa o reconhecimento sincero da incapacidade da nação de salvar a si mesma. O profeta diz: “Tornamo-nos como alguém impuro, todos nós, e todos os nossos atos de justiça são como uma veste para os períodos de menstruação; e desvaneceremos como a folhagem, todos nós, e os nossos próprios erros nos levarão embora como o vento.” (Isaías 64:6) Na parte final do exílio, é possível que os judeus arrependidos tivessem deixado de praticar a apostasia. Talvez se tivessem voltado para Jeová com atos de justiça. Mas ainda eram imperfeitos. No que diz respeito à expiação de pecados, as suas boas ações, embora louváveis, não eram melhores do que roupas sujas. O perdão de Jeová é uma dádiva imerecida, motivada por sua misericórdia. Não é algo que se possa merecer. — Romanos 3:23, 24.

      11. (a) Que condição espiritual doentia existia entre a maioria dos judeus no exílio, e com que possível causa? (b) Cite alguns dos belos exemplos de fé durante o exílio.

      11 Ao olhar à frente, o que Isaías vê? O profeta ora: “Ninguém invoca o teu nome, ninguém desperta para agarrar-te; pois escondeste de nós a tua face e fazes que nos derretamos por força de nosso erro.” (Isaías 64:7) A condição espiritual da nação era abismal. O povo não invocava o nome de Deus em oração. Embora não fossem mais culpados do pecado crasso da idolatria, evidentemente negligenciavam a sua adoração, e ‘ninguém despertava para se agarrar’ em Jeová. Obviamente, não tinham uma relação sadia com o Criador. Alguns talvez se sentissem indignos de orar a Jeová. Outros talvez vivessem o seu cotidiano sem levá-Lo em conta. Naturalmente, havia entre os exilados exemplos excelentes de pessoas de fé, como Daniel, Hananias, Misael, Azarias e Ezequiel. (Hebreus 11:33, 34) Com a aproximação do fim do cativeiro de 70 anos, homens como Ageu, Zacarias, Zorobabel e o sumo sacerdote Josué estavam prontos para assumir uma excelente liderança em invocar o nome de Jeová. Ainda assim, a oração profética de Isaías pelo visto descreve a condição da maioria dos exilados.

      “Obedecer é melhor do que um sacrifício”

      12. Como Isaías expressa o desejo de judeus arrependidos mudarem a sua conduta?

      12 Os judeus arrependidos estavam dispostos a mudar. Representando-os, Isaías ora a Jeová: “Agora, ó Jeová, tu és nosso Pai. Somos o barro e tu és o nosso Oleiro; e todos nós somos trabalho da tua mão.” (Isaías 64:8) Essas palavras mais uma vez reconhecem a autoridade de Jeová como Pai, ou Dador da Vida. (Jó 10:9) Os judeus que se arrependessem eram comparados a barro maleável. Os que aceitassem a disciplina de Jeová podiam, em sentido figurado, ser moldados, ou formados, em harmonia com os padrões de Deus. Mas isso só seria possível se Jeová, o Oleiro, desse o perdão. Assim, Isaías apela duas vezes a Jeová, lembrando-lhe de que os judeus são o Seu povo: “Não fiques indignado ao extremo, ó Jeová, e não te lembres para todo o sempre de nosso erro. Olha agora, por favor: somos todos teu povo.” — Isaías 64:9.

      13. Qual era a condição da terra de Israel enquanto o povo de Deus estava no exílio?

      13 Durante o exílio, os judeus suportavam muito mais do que um simples cativeiro numa terra pagã. A desolação de Jerusalém e de seu templo trazia vitupério sobre eles e seu Deus. A oração de arrependimento de Isaías menciona algumas das causas desse vitupério: “Tuas próprias cidades santas tornaram-se um ermo. A própria Sião tornou-se um mero ermo, Jerusalém, um baldio desolado. Nossa casa de santidade e beleza, em que nossos antepassados te louvaram, tornou-se ela mesma algo a ser queimado no fogo; e cada uma das nossas coisas desejáveis se tornou uma devastação.” — Isaías 64:10, 11.

      14. (a) Que alerta dera Jeová quanto à situação que agora existia? (b) Embora Jeová se agradasse de seu templo e dos sacrifícios ofertados ali, o que é mais importante?

      14 Naturalmente, Jeová sabia muito bem qual era a situação na terra ancestral dos judeus. Uns 420 anos antes da destruição de Jerusalém, ele alertou seu povo de que, caso se desviassem de seus mandamentos e servissem a outros deuses, ele ‘os deceparia da superfície do solo’, e o belo templo ‘se tornaria montões de ruínas’. (1 Reis 9:6-9) É verdade que Jeová se agradava da terra que havia dado ao seu povo, do templo magnífico construído em Sua honra e dos sacrifícios que lhe eram ofertados. Mas a lealdade e a obediência são mais importantes do que coisas materiais, até mesmo sacrifícios. O profeta Samuel disse apropriadamente ao Rei Saul: “Tem Jeová tanto agrado em ofertas queimadas e em sacrifícios como em que se obedeça à voz de Jeová? Eis que obedecer é melhor do que um sacrifício, prestar atenção é melhor do que a gordura de carneiros.” — 1 Samuel 15:22.

      15. (a) Que apelo Isaías fez profeticamente a Jeová, e como foi atendido? (b) Que eventos levaram Jeová a rejeitar definitivamente Israel como nação?

      15 Não obstante, poderia o Deus de Israel ver a calamidade de seu povo arrependido e não sentir compaixão? Essa é a pergunta com que Isaías termina a sua oração profética. Ele suplica, em favor dos judeus exilados: “Em face destas coisas, continuarás a refrear-te, ó Jeová? Ficarás quieto e deixarás que sejamos afligidos ao extremo?” (Isaías 64:12) Jeová de fato acabou perdoando seu povo e, em 537 AEC, ele os reconduziu para a terra deles, para que pudessem recomeçar a adoração pura ali. (Joel 2:13) Séculos mais tarde, porém, Jerusalém e seu templo foram novamente destruídos, e a nação pactuada de Deus acabou sendo rejeitada por ele. Por quê? Porque o povo de Jeová havia se afastado de seus mandamentos e rejeitado o Messias. (João 1:11; 3:19, 20) Quando isso aconteceu, Jeová substituiu Israel por uma nação nova, uma nação espiritual, a saber, o “Israel de Deus”. — Gálatas 6:16; 1 Pedro 2:9.

      Jeová, o “Ouvinte de oração”

      16. O que a Bíblia ensina a respeito do perdão de Jeová?

      16 Podem-se aprender lições importantes do que aconteceu com Israel. Vemos que Jeová é ‘bom e pronto a perdoar’. (Salmo 86:5) Como criaturas imperfeitas, a nossa salvação depende de sua misericórdia e perdão. Nenhuma obra de nossa parte nos pode ajudar a merecer tais bênçãos. Contudo, Jeová não perdoa indiscriminadamente. Apenas os que se arrependem de seus pecados e mudam de proceder podem receber o perdão divino. — Atos 3:19.

      17, 18. (a) Como sabemos que Jeová está genuinamente interessado em nossos pensamentos e sentimentos? (b) Por que Jeová é paciente com os humanos pecaminosos?

      17 Aprendemos também que Jeová se interessa profundamente em nossos pensamentos e sentimentos quando os expressamos a ele em oração. Ele é o “Ouvinte de oração”. (Salmo 65:2, 3) O apóstolo Pedro nos garante: “Os olhos de Jeová estão sobre os justos e os seus ouvidos estão atentos às súplicas deles.” (1 Pedro 3:12) Além disso, aprendemos que a oração de arrependimento tem de incluir uma humilde confissão de pecados. (Provérbios 28:13) Mas isso não significa que podemos abusar da misericórdia de Deus. A Bíblia alerta os cristãos a ‘não aceitar a benignidade imerecida de Deus e desacertar o propósito dela’. — 2 Coríntios 6:1.

      18 Por fim, aprendemos qual é o objetivo da paciência de Deus para com seu povo pecaminoso. O apóstolo Pedro explica que Jeová é paciente “porque não deseja que alguém seja destruído, mas deseja que todos alcancem o arrependimento”. (2 Pedro 3:9) No entanto, os que persistentemente abusam da paciência de Deus acabam sendo punidos. Sobre isso, lemos: “[Jeová] dará a cada um segundo as suas obras: vida eterna aos que estão buscando glória, e honra e incorruptibilidade, pela perseverança na obra que é boa; no entanto, para os que são briguentos e que desobedecem à verdade, mas que obedecem à injustiça, haverá furor e ira.” — Romanos 2:6-8.

      19. Que qualidades imutáveis Jeová sempre demonstrará?

      19 Foi dessa maneira que Deus lidou com o Israel antigo. A nossa relação com Jeová hoje é governada pelos mesmos princípios, porque Jeová não muda. Embora não deixe de punir quando merecido, ele sempre será “Jeová, Deus misericordioso e clemente, vagaroso em irar-se e abundante em benevolência e em verdade, preservando a benevolência para com milhares, perdoando o erro, e a transgressão, e o pecado”. — Êxodo 34:6, 7.

      [Quadro/Fotos na página 362]

      Oração de arrependimento, de Daniel

      O profeta Daniel viveu em Babilônia durante todo o período de 70 anos do cativeiro dos judeus. Algum tempo durante o 68.º ano do exílio, ele discerniu da profecia de Jeremias que a permanência dos judeus em Babilônia se aproximava do fim. (Jeremias 25:11; 29:10; Daniel 9:1, 2) Daniel fez uma oração a Jeová — uma oração de arrependimento em favor da inteira nação judaica. Ele relata: “Passei a pôr a minha face para Jeová, o verdadeiro Deus, para o procurar com oração e com rogos, com jejum e com serapilheira e cinzas. E comecei a orar a Jeová, meu Deus, e a fazer confissão.” — Daniel 9:3, 4.

      Daniel fez essa oração uns duzentos anos depois que Isaías escreveu a oração profética nos capítulos 63 e 64 de seu livro. Sem dúvida, muitos judeus sinceros oravam a Jeová durante os anos difíceis do exílio. Mas a Bíblia destaca a oração de Daniel, que, pelo visto, representava os sentimentos de muitos judeus fiéis. Assim, sua oração mostra que os sentimentos da oração profética de Isaías eram realmente os sentimentos dos judeus fiéis em Babilônia.

      Note algumas similaridades entre a oração de Daniel e a de Isaías.

      Isaías 63:16 Daniel 9:15

      Isaías 63:18 Daniel 9:17

      Isaías 64:1-3 Daniel 9:15

      Isaías 64:4-7 Daniel 9:4-7

      Isaías 64:6 Daniel 9:9, 10

      Isaías 64:10, 11 Daniel 9:16-18

      [Quadro na página 366]

      “O olho não tem visto”

      Na sua carta aos coríntios, o apóstolo Paulo citou do livro de Isaías, ao escrever: “Como está escrito: ‘O olho não tem visto e o ouvido não tem ouvido, nem foram concebidas no coração do homem as coisas que Deus tem preparado para os que o amam.’” (1 Coríntios 2:9)a Nem a declaração de Paulo nem as expressões de Isaías se referem às coisas que Jeová preparou para seu povo numa herança celestial ou num futuro paraíso terrestre. Paulo aplicou as palavras de Isaías às bênçãos que os cristãos já desfrutavam no primeiro século, tais como entender as coisas profundas de Deus e receber esclarecimento espiritual de Jeová.

      Nós só podemos entender as coisas espirituais profundas quando chega o tempo de Jeová revelá-las — e, mesmo então, só se formos pessoas espiritualizadas e de estreita relação com Jeová. As palavras de Paulo se aplicam aos que têm pouca ou nenhuma espiritualidade. Seus olhos não podem ver, ou discernir, as verdades espirituais, e seus ouvidos não conseguem ouvir, ou entender, tais coisas. O conhecimento das coisas que Deus preparou para os que o amam nem mesmo penetra no coração de tais pessoas. Mas para os que são dedicados a Deus, como Paulo era, Deus tem revelado essas coisas por meio de seu espírito. — 1 Coríntios 2:1-16.

      [Nota(s) de rodapé]

      a As palavras de Paulo não se encontram nas Escrituras Hebraicas exatamente como ele as citou. Pelo visto, ele combinou as ideias de Isaías 52:15; 64:4 e Isa. 65:17.

      [Foto na página 367]

      O povo de Deus esteve de posse de Jerusalém e de seu templo por “um pouco de tempo”

  • “Jubilai para todo o sempre naquilo que estou criando”
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
    • Capítulo Vinte e Seis

      “Jubilai para todo o sempre naquilo que estou criando”

      Isaías 65:1-25

      1. Que palavras reanimadoras escreveu o apóstolo Pedro, e que pergunta surge?

      VEREMOS algum dia o fim das injustiças e do sofrimento? Mais de 1.900 anos atrás, o apóstolo Pedro escreveu estas palavras reanimadoras: ‘Há novos céus e uma nova terra que aguardamos segundo a promessa de Deus, e nestes há de morar a justiça.’ (2 Pedro 3:13) Pedro e muitos outros servos fiéis de Deus ao longo dos séculos aguardavam o grande dia em que a violação da lei, a opressão e a violência cessariam e a justiça prevaleceria. Podemos ter certeza do cumprimento dessa promessa?

      2. Que profeta havia falado de “novos céus e uma nova terra”, e que cumprimentos tem essa antiga profecia?

      2 Podemos, sim! Ao falar de “novos céus e uma nova terra”, Pedro não estava apresentando uma ideia nova. Uns 800 anos antes, por meio do profeta Isaías, Jeová falara palavras similares. Essa promessa anterior cumpriu-se em pequena escala em 537 AEC, quando os judeus foram libertados do cativeiro babilônico, possibilitando a volta deles para sua terra natal. Mas a profecia de Isaías está tendo um grandioso cumprimento hoje, e aguardamos um cumprimento ainda mais emocionante, no futuro novo mundo de Deus. De fato, essa acalentadora profecia, feita por meio de Isaías, é um vislumbre das bênçãos que Deus tem em reserva para os que o amam.

      Jeová rogou a “um povo obstinado”

      3. Que pergunta nos é respondida no capítulo 65 de Isaías?

      3 Lembre-se de que Isaías 63:15–64:12 contém a oração profética de Isaías em favor dos judeus que estavam exilados em Babilônia. As palavras de Isaías deixam claro que muitos judeus não estavam então adorando a Jeová de toda a alma, mas alguns haviam se arrependido e voltado a Ele. Será que Jeová restauraria a nação por causa desse restante contrito? Encontramos a resposta no capítulo 65 de Isaías. Mas, antes de prometer libertação para os poucos fiéis, Jeová fala da condenação à espera dos muitos que não tinham fé.

      4. (a) Em contraste com o Seu povo rebelde, quem buscaria a Jeová? (b) Que aplicação de Isaías 65:1, 2 fez o apóstolo Paulo?

      4 Jeová havia suportado a rebelião persistente de seu povo. Viria o tempo, porém, em que ele os abandonaria às mãos de seus inimigos e, bondosamente, estenderia a outros o seu favor. Por meio de Isaías, Jeová diz: “Deixei-me buscar por aqueles que não perguntaram por mim. Deixei-me achar por aqueles que não me tinham procurado. Eu disse: ‘Eis-me aqui, eis-me aqui!’ a uma nação que não invocava o meu nome.” (Isaías 65:1) Que descrédito para o povo pactuado de Jeová, que pessoas das nações buscariam a Jeová ao passo que a obstinada Judá, como um todo, se recusaria a fazer isso! Isaías não foi o único profeta que predisse que Deus, por fim, escolheria um povo anteriormente não reconhecido. (Oseias 1:10; 2:23) O apóstolo Paulo citou Isaías 65:1, 2, da Septuaginta, para provar que pessoas das nações alcançariam “a justiça que resulta da fé”, ainda que judeus de nascimento se recusassem a fazê-lo. — Romanos 9:30; 10:20, 21.

      5, 6. (a) Que desejo sincero Jeová havia manifestado, mas como reagiu o seu povo? (b) O que aprendemos dos tratos de Jeová com Judá?

      5 Jeová explica por que permitiria que seu próprio povo sofresse a calamidade: “O dia inteiro estendi as minhas mãos para um povo obstinado, os que andam no caminho que não é bom, atrás dos seus pensamentos.” (Isaías 65:2) Estender as mãos denota um convite, ou uma súplica. Jeová havia estendido as mãos, não apenas brevemente, mas “o dia inteiro”. Seu desejo sincero era que Judá voltasse para ele. Mas esse povo obstinado não correspondeu.

      6 Que lição reconfortante aprendemos dessas palavras de Jeová! Ele deseja que nos acheguemos a ele, pois é um Deus acessível. (Tiago 4:8) Elas também nos mostram que Deus é humilde. (Salmo 113:5, 6) Afinal, ele continuou a estender as mãos simbolicamente, rogando a seu povo que retornasse, apesar do fato de que a obstinação deles o ‘magoara’. (Salmo 78:40, 41) Foi somente depois de séculos de apelo que ele os abandonou às mãos dos inimigos. Mesmo então, não fechou as portas aos humildes entre eles.

      7, 8. De que maneiras o obstinado povo de Jeová o havia provocado?

      7 Os obstinados judeus haviam repetidas vezes provocado a Jeová por meio de conduta vergonhosa. Jeová descreve as ações repulsivas deles: “O povo que se compõe dos que de contínuo me ofendem diretamente à minha face, sacrificando nos jardins e fazendo fumaça sacrificial sobre os tijolos, sentando-se entre as sepulturas, que também passam a noite nas guaritas das sentinelas, comendo carne de porco, havendo nos seus vasos até mesmo caldo de coisas imundas; os que dizem: ‘Fica onde estás. Não te aproximes de mim, pois eu certamente te transmitirei santidade.’ Estes são fumaça nas minhas narinas, um fogo ardendo o dia inteiro.” (Isaías 65:3-5) Esses indivíduos, aparentemente piedosos, ofendiam a Jeová ‘diretamente à sua face’ — uma expressão que talvez implique audácia e desrespeito. Eles nem se importavam em ocultar suas abominações. Não é especialmente repreensível pecar na própria presença Daquele que deve ser honrado e obedecido?

      8 Esses pecadores farisaicos diziam, na verdade, a outros judeus: ‘Mantende distância, pois somos mais santos do que vós.’ Que hipocrisia! Esses “piedosos” ofertavam sacrifícios e queimavam incenso a deidades falsas, o que a Lei de Deus condena. (Êxodo 20:2-6) Sentavam-se entre as sepulturas, o que os tornava impuros segundo a Lei. (Números 19:14-16) Comiam carne de porco, um alimento impuro.a (Levítico 11:7) No entanto, suas atividades religiosas faziam com que se sentissem mais santos do que os outros judeus, e queriam que eles se mantivessem afastados, para que não se santificassem, por assim dizer, ou se purificassem, pelo simples contato. Mas essa de maneira nenhuma era como o Deus que exige “devoção exclusiva” encarava as coisas! — Deuteronômio 4:24.

      9. Como Jeová encarava os pecadores farisaicos?

      9 Em vez de considerá-los santos, Jeová diz a respeito desses indivíduos farisaicos: “São fumaça nas minhas narinas.” A palavra hebraica para “nariz”, ou “narina”, muitas vezes é usada como símbolo de ira. A fumaça também é associada com a ira ardente de Jeová. (Deuteronômio 29:20) A repugnante idolatria do povo de Jeová havia provocado a Sua ira ardente.

      10. Que ‘retribuição’ daria Jeová aos judeus pelos seus pecados?

      10 Por Sua justiça, Jeová não podia permitir a impunidade desses pecadores voluntários. Isaías escreve: “‘Eis que está escrito diante de mim. Não ficarei quieto, mas vou dar uma recompensa; vou pôr mesmo uma recompensa no seu próprio seio, pelos seus próprios erros e pelos erros dos seus antepassados ao mesmo tempo’, disse Jeová. ‘Visto que fizeram fumaça sacrificial sobre os montes e me vituperaram sobre os morros, também eu vou medir-lhes seu salário primeiro de tudo no seu próprio seio.’” (Isaías 65:6, 7) Por praticarem a adoração falsa, esses judeus haviam vituperado a Jeová. Fizeram com que a adoração do Deus verdadeiro não parecesse ser melhor do que a praticada pelas nações vizinhas. “Pelos seus próprios erros”, incluindo a idolatria e o espiritismo, Jeová lhes retribuiria “no seu próprio seio”. O termo “seio” evidentemente se refere a uma dobra na parte superior da roupa das pessoas, que formava uma bolsa, e diretamente ali os vendedores podiam colocar uma quantidade medida dos produtos que vendiam. (Lucas 6:38) Para os judeus apóstatas, o significado era claro — Jeová mediria a “recompensa”, ou punição, deles. O Deus de justiça exigiria uma penalidade. (Salmo 79:12; Jeremias 32:18) Visto que ele não muda, temos certeza de que, no seu tempo devido, Jeová de modo similar determinará a punição do atual perverso sistema mundial. — Malaquias 3:6.

      “Por causa dos meus servos”

      11. Como Jeová indicou que salvaria um restante fiel?

      11 Seria Jeová misericordioso com os fiéis entre o seu povo? Isaías explica: “Assim disse Jeová: ‘Do mesmo modo como o vinho novo se acha no cacho e alguém tem de dizer: “Não o arruínes, porque há uma bênção nele”, assim farei por causa dos meus servos, para não arruinar a todos. E eu vou fazer sair de Jacó uma descendência e de Judá o possuidor hereditário dos meus montes; e meus escolhidos terão de tomar posse dela e meus próprios servos residirão ali.’” (Isaías 65:8, 9) Ao comparar o seu povo a um cacho de uvas, Jeová usou uma ilustração que eles podiam prontamente entender. Havia muitas uvas no país, e o vinho feito de uvas é uma bênção para a humanidade. (Salmo 104:15) O quadro apresentado pode ser o de um cacho de uvas em que algumas, mas não todas, eram boas. Ou a ideia pode ser que um cacho era bom, ao passo que outros estavam verdes ou estragados. Seja como for, o viticultor não destruiria as uvas boas. Com isso, Jeová garantiu ao seu povo que não destruiria totalmente a nação, mas pouparia um restante fiel. Ele declarou que aquele restante favorecido tomaria posse de Seus “montes”, isto é, Jerusalém e a terra de Judá, a terra montanhosa que Jeová reivindicava como sua.

      12. Que bênçãos receberia o restante fiel?

      12 Que bênçãos receberia aquele restante fiel? Jeová explica: “Sarom terá de tornar-se pastagem para ovelhas e a baixada de Acor, um lugar de repouso para o gado vacum, para meu povo que me terá buscado.” (Isaías 65:10) Os rebanhos eram um fator importante na vida de muitos judeus, e a fartura de pastagens ajudava a criar prosperidade em tempos de paz. Jeová referiu-se a duas extremidades do país, a fim de pintar um quadro de paz e prosperidade. A oeste a planície de Sarom, famosa por sua beleza e fertilidade, estendia-se pela costa do Mediterrâneo. O vale de Acor fazia parte da fronteira nordeste do país. (Josué 15:7) Durante o futuro exílio, essas áreas ficariam desoladas, junto com o resto do país. Mas Jeová prometeu que, depois do exílio, elas se tornariam belas pastagens para o restante que voltasse ao país. — Isaías 35:2; Oseias 2:15.

      Confiança no “deus da Boa Sorte”

      13, 14. Que práticas mostram que o povo de Deus o havia abandonado, e o que lhes aconteceria por isso?

      13 A seguir, a profecia de Isaías volta-se para os que haviam abandonado a Jeová e persistido na idolatria. Diz: “Vós sois os que abandonais a Jeová, os que vos esqueceis do meu santo monte, os que pondes em ordem uma mesa para o deus da Boa Sorte e os que estais enchendo vinho misturado para o deus do Destino.” (Isaías 65:11) Por prepararem uma mesa de alimentos e bebidas para o “deus da Boa Sorte” e o “deus do Destino”, aqueles judeus reincidentes haviam caído nas práticas idólatras das nações pagãs.b O que aconteceria com aqueles que ingenuamente confiassem nesses deuses?

      14 Jeová os alerta, sem rodeios: “Eu vou destinar-vos à espada e todos vós vos dobrareis para serdes abatidos; visto que eu chamei, mas vós não respondestes; falei, mas vós não escutastes; e continuastes a fazer o que era mau aos meus olhos e escolhestes a coisa de que não me agradei.” (Isaías 65:12) Num trocadilho com o nome do deus do Destino, no hebraico original, Jeová diz que os adoradores dessa deidade falsa seriam ‘destinados à espada’, isto é, à destruição. Por meio de seus profetas, Jeová repetidas vezes havia pedido que se arrependessem, mas eles o haviam ignorado e obstinadamente escolhido fazer o que sabiam ser errado aos Seus olhos. Que desprezo para com Deus! Em cumprimento do aviso divino, a nação sofreria uma grande catástrofe em 607 AEC, quando Jeová permitiria que os babilônios destruíssem Jerusalém e seu templo. Naquele dia, o “deus da Boa Sorte” fracassaria em proteger seus devotos em Judá e em Jerusalém. — 2 Crônicas 36:17.

      15. De que modo os cristãos verdadeiros hoje acatam o alerta em Isaías 65:11, 12?

      15 Os cristãos verdadeiros hoje acatam o alerta em Isaías 65:11, 12. Não acreditam na “Boa Sorte”, como se fosse um tipo de força sobrenatural capaz de distribuir favores. Recusando-se a desperdiçar seus recursos na tentativa de apaziguar o “deus da Boa Sorte”, evitam todas as formas de jogatina. Estão convencidos de que os devotos desse deus acabarão perdendo tudo, pois, para eles, Jeová diz: “Vou destinar-vos à espada.”

      “Eis que os meus próprios servos se alegrarão”

      16. De que maneiras Jeová abençoaria seus servos fiéis, mas o que se daria com os que o haviam abandonado?

      16 Ao reprovar os que haviam abandonado a Jeová, a profecia descreve os resultados contrastantes para os que adoravam a Deus com sinceridade e para os que o faziam hipocritamente: “Assim disse o Soberano Senhor Jeová: ‘Eis que os meus próprios servos comerão, mas vós passareis fome. Eis que os meus próprios servos beberão, mas vós passareis sede. Eis que os meus próprios servos se alegrarão, mas vós passareis vergonha. Eis que os meus próprios servos gritarão de júbilo por causa da boa condição do coração, mas vós fareis clamores por causa da dor de coração e uivareis por causa do puro quebrantamento do espírito.’” (Isaías 65:13, 14) Jeová abençoaria seus servos fiéis. Com corações transbordantes de alegria, eles bradariam de júbilo. Comer, beber e alegrar-se são termos que denotam que Jeová satisfaria amplamente as necessidades de seus adoradores. Em contraste, os que haviam escolhido abandonar a Jeová passariam fome e sede em sentido espiritual. As suas necessidades não seriam atendidas. Eles clamariam e uivariam por causa da angústia e da aflição que sentiriam.

      17. Por que o povo de Deus hoje tem bons motivos para bradar de alegria?

      17 As palavras de Jeová descrevem muito bem a condição espiritual atual dos que meramente afirmam servir a Deus. Ao passo que os milhões na cristandade sofrem de angústia e aflição, os adoradores de Jeová bradam de alegria. E têm bons motivos para se alegrarem. São bem alimentados espiritualmente. Jeová fornece-lhes uma fartura de alimento espiritual por meio de publicações bíblicas e reuniões cristãs. Realmente, as edificantes verdades e as consoladoras promessas da Palavra de Deus nos dão uma “boa condição do coração”.

      18. O que sobraria dos que haviam abandonado a Jeová, e o que o uso de seus nomes num juramento talvez sugira?

      18 Jeová continua a falar aos que o haviam abandonado: “Certamente depositareis o vosso nome para um juramento pelos meus escolhidos, e o Soberano Senhor Jeová realmente vos entregará individualmente à morte, mas aos seus próprios servos ele chamará por outro nome; de modo que todo aquele que abençoar a si mesmo na terra abençoará a si mesmo pelo Deus de fé, e todo aquele que fizer uma declaração juramentada na terra jurará pelo Deus de fé; porque as aflições anteriores realmente terão sido esquecidas e porque ficarão realmente escondidas dos meus olhos.” (Isaías 65:15, 16) A única coisa que sobraria dos que haviam abandonado a Jeová seriam seus nomes, que seriam usados apenas num juramento, ou maldição. Isso talvez signifique que quem quisesse se comprometer de maneira solene, por meio de juramento, diria, efetivamente: ‘Se eu não cumprir essa promessa, que venha sobre mim o castigo aplicado àqueles apóstatas.’ Pode até significar que seus nomes seriam usados de modo ilustrativo, como Sodoma e Gomorra, como símbolos da punição de Deus contra os perversos.

      19. Em que sentido os servos de Deus seriam chamados por outro nome, e por que teriam confiança no Deus de fidelidade? (Veja também a nota de rodapé.)

      19 Quão diferente seria a sorte dos servos de Deus! Seriam chamados por outro nome. Isso significa a condição abençoada e a honra que teriam quando voltassem para sua terra natal. Não buscariam a bênção de um deus falso, nem jurariam em nome de um ídolo sem vida. Em vez disso, quando abençoassem a si mesmos, ou fizessem um juramento, fariam isso em nome do Deus de fidelidade. (Isaías 65:16, nota) Os habitantes do país teriam razões para confiar plenamente em Deus, pois ele se teria mostrado fiel às suas promessas.c Seguros na sua terra natal, os judeus logo se esqueceriam das aflições anteriores.

      “Crio novos céus e uma nova terra”

      20. Como se cumpriu, em 537 AEC, a promessa de Jeová de criar “novos céus e uma nova terra”?

      20 A seguir, Jeová dá mais detalhes sobre sua promessa de restaurar um restante arrependido, depois que este voltasse do exílio em Babilônia. Por meio de Isaías, Jeová diz: “Eis que crio novos céus e uma nova terra; e não haverá recordação das coisas anteriores, nem subirão ao coração.” (Isaías 65:17) A promessa divina de restauração se cumpriria com certeza, de modo que Jeová fala dessa restauração futura como se já estivesse ocorrendo. Essa profecia se cumpriu inicialmente em 537 AEC, quando o restante judeu voltou para Jerusalém. O que constituíam os “novos céus” naquele tempo? O governo de Zorobabel, apoiado pelo Sumo Sacerdote Josué, e centralizado em Jerusalém. O restante judeu que voltou formava uma “nova terra”, uma sociedade purificada que se submeteu a essa administração e ajudou a restabelecer a adoração pura no país. (Esdras 5:1, 2) A alegria dessa restauração superou todo o sofrimento anterior; as aflições passadas nem eram mais lembradas. — Salmo 126:1, 2.

      21. Que novos céus vieram à existência em 1914?

      21 Lembre-se, porém, que Pedro aludiu à profecia de Isaías e mostrou que ela ainda teria um cumprimento futuro. O apóstolo escreveu: “Há novos céus e uma nova terra que aguardamos segundo a sua promessa, e nestes há de morar a justiça.” (2 Pedro 3:13) Em 1914, os havia muito aguardados novos céus vieram à existência. O Reino messiânico, nascido naquele ano, governa do próprio céu, e Jeová concedeu a esse Reino a autoridade sobre toda a Terra. (Salmo 2:6-8) Esse governo do Reino, sob Cristo e seus 144 mil corregentes, constitui os novos céus. — Revelação (Apocalipse) 14:1.

      22. De quem se constituirá a nova terra, e como as pessoas já estão sendo preparadas para formar o núcleo desse arranjo?

      22 Que dizer da nova terra? Seguindo o padrão do cumprimento antigo, a nova terra se comporá de pessoas que espontaneamente se submeterem ao domínio do novo governo celestial. Mesmo agora, milhões de pessoas de propensão para a justiça se sujeitam a esse governo e se empenham em obedecer as suas leis, contidas na Bíblia. São pessoas de todas as nacionalidades, línguas e raças, e trabalham juntas em servir ao Rei reinante, Jesus Cristo. (Miqueias 4:1-4) Depois do fim do atual perverso sistema mundial, esse grupo formará o núcleo de uma nova terra que, por fim, constituirá uma sociedade global de humanos tementes a Deus que herdarão o domínio terrestre do Reino de Deus. — Mateus 25:34.

      23. Que informações sobre “um novo céu e uma nova terra” contém o livro de Revelação, e como se cumprirá essa profecia?

      23 O livro de Revelação descreve uma visão que o apóstolo João teve do vindouro dia de Jeová, quando o atual sistema mundial será eliminado. Após isso, Satanás será lançado no abismo. (Revelação 19:11–20:3) Depois dessa descrição, João faz alusão às palavras proféticas de Isaías, escrevendo: “Eu vi um novo céu e uma nova terra.” Os versículos seguintes do relato dessa visão gloriosa falam do tempo em que Jeová Deus mudará radicalmente para melhor as condições na Terra. (Revelação 21:1, 3-5) Obviamente, a promessa de Isaías, de “novos céus e uma nova terra”, terá um cumprimento maravilhoso no novo mundo de Deus. Sob os novos céus governamentais, uma nova sociedade terrestre desfrutará de um paraíso tanto espiritual como literal. É sem dúvida consoladora a promessa de que “não haverá recordação das coisas anteriores [doenças, sofrimento e os muitos outros males que os humanos enfrentam], nem subirão ao coração”. O que quer que nos lembremos naquele tempo não nos causará a dor profunda, ou a mágoa, que hoje pesa no coração de tantas pessoas.

      24. Por que Jeová jubilaria com a restauração de Jerusalém, e o que não se ouviria mais nas ruas dessa cidade?

      24 A profecia de Isaías continua: “Exultai e jubilai para todo o sempre naquilo que estou criando. Pois eis que crio Jerusalém como causa para júbilo e seu povo como causa para exultação. E eu vou jubilar em Jerusalém e exultar pelo meu povo; e não se ouvirá mais nela o som de choro, nem o som dum clamor de queixume.” (Isaías 65:18, 19) Não só os judeus jubilariam com a volta para sua terra natal, mas também o próprio Deus, pois ele adornaria Jerusalém — que voltaria a ser o centro da adoração verdadeira na Terra. Não mais se ouviria o som de choro por causa da calamidade, que se ouvira décadas antes nas ruas da cidade.

      25, 26. (a) Em nossos dias, como Jeová faz de Jerusalém uma “causa para júbilo”? (b) Como Jeová usará a Nova Jerusalém, e por que podemos exultar hoje?

      25 Também hoje, Jeová faz de Jerusalém uma “causa para júbilo”. Como assim? Conforme já vimos, os novos céus, que vieram à existência em 1914, terão por fim 144 mil corregentes no governo celestial. Eles são profeticamente chamados de “Nova Jerusalém”. (Revelação 21:2) É com respeito à Nova Jerusalém que Deus diz: “Eis que crio Jerusalém como causa para júbilo e seu povo como causa para exultação.” A Nova Jerusalém será usada por Deus para derramar indizíveis bênçãos sobre a humanidade obediente. Não mais se ouvirá o som de choro ou um “clamor de queixume”, pois Jeová concederá “os pedidos do [nosso] coração”. — Salmo 37:3, 4.

      26 Realmente, temos hoje todos os motivos para exultar! Em breve, Jeová santificará seu ilustre nome, destruindo todos os opositores. (Salmo 83:17, 18) Daí, os novos céus exercerão o pleno controle. Que razões maravilhosas para exultar e jubilar para sempre com o que Deus está criando!

      Promessa de um futuro seguro

      27. Como Isaías descreve a segurança que teriam os judeus que iriam voltar para sua terra natal?

      27 No primeiro cumprimento, como seria a vida dos judeus que iriam voltar para sua terra, sob o governo dos novos céus? Jeová diz: “Não virá a haver mais um nenê de poucos dias procedente daquele lugar, nem ancião que não tenha cumprido os seus dias; pois morrer-se-á como mero rapaz, embora da idade de cem anos; e quanto ao pecador, embora tenha cem anos de idade, invocar-se-á sobre ele o mal.” (Isaías 65:20) Que bela representação da segurança que teriam os exilados que iriam voltar para sua restaurada terra natal! A morte prematura não vitimaria um recém-nascido, de apenas alguns dias de vida. Nem uma pessoa de mais idade, que ainda não tivesse completado seu curso normal de vida.d Quão reconfortantes eram as palavras de Isaías para os judeus que iriam voltar para Judá! Seguros na sua terra, não precisariam temer que inimigos raptassem os bebês ou matassem os homens.

      28. O que nos ensinam as palavras de Jeová a respeito da vida no novo mundo sob o Seu Reino?

      28 O que as palavras de Jeová nos dizem a respeito da vida no vindouro novo mundo? Sob o Reino de Deus, toda criança terá a perspectiva de um futuro seguro. A morte jamais ceifará a vida de uma pessoa temente a Deus, na flor da idade. Em vez disso, a humanidade obediente estará salva, segura, em condições de usufruir a vida. E se alguém decidir rebelar-se contra Deus? Perderá o privilégio de viver. Mesmo se o pecador rebelde tiver “cem anos de idade”, morrerá. Nesse caso, será um “mero rapaz” em comparação com o que se poderia ter tornado — um homem de vida sem fim.

      29. (a) Que alegrias teriam os do povo de Deus obedientes na restaurada terra de Judá? (b) Por que as árvores ilustram bem a longevidade? (Veja nota de rodapé.)

      29 Jeová continua sua descrição das condições que existiriam na terra restaurada de Judá: “Hão de construir casas e as ocuparão; e hão de plantar vinhedos e comer os seus frutos. Não construirão e outro terá morada; não plantarão e outro comerá. Porque os dias do meu povo serão como os dias da árvore; e meus escolhidos usufruirão plenamente o trabalho das suas próprias mãos.” (Isaías 65:21, 22) Quando voltassem para a desolada terra de Judá, que sem dúvida estaria sem casas e sem vinhedos, os do povo de Deus obedientes teriam a alegria de morar nas suas próprias casas e de comer os frutos de seus próprios vinhedos. Deus abençoaria o seu trabalho, e eles teriam uma vida longa — como a de uma árvore — para usufruir os frutos de seus labores.e

      30. Qual é a situação feliz dos servos de Jeová hoje, e o que usufruirão no novo mundo?

      30 Em nossos dias, tem havido um cumprimento dessa profecia. O povo de Jeová saiu do exílio espiritual, em 1919, e passou a restaurar a sua “terra”, ou domínio de atividade e de adoração. Formaram congregações e cultivaram a produtividade espiritual. Em resultado disso, mesmo agora o povo de Jeová usufrui um paraíso espiritual e paz divina. Temos certeza de que essa paz continuará no Paraíso literal. Não se pode nem imaginar o que Jeová realizará no novo mundo, com os corações e mãos dispostos de seus adoradores. Que alegria será construir a sua própria casa e morar nela! Sob o governo do Reino, não haverá falta de trabalho gratificante. Quão recompensador será sempre ‘ver o que é bom’ pelos frutos de seus próprios labores! (Eclesiastes 3:13) Teremos tempo suficiente para usufruir plenamente o trabalho de nossas mãos? Certamente que sim! A vida infindável de humanos fiéis será “como os dias da árvore” — milhares de anos, e mais!

      31, 32. (a) Que bênçãos teriam os exilados que iriam voltar para sua terra? (b) No novo mundo, que perspectiva terão os humanos fiéis?

      31 Jeová menciona ainda outras bênçãos à espera dos exilados que iriam voltar: “Não labutarão em vão, nem darão à luz para perturbação; porque são a descendência composta dos abençoados por Jeová, e seus descendentes com eles.” (Isaías 65:23) Aqueles judeus que voltariam para sua terra seriam abençoados por Jeová, de modo que não trabalhariam em vão. Os pais não teriam filhos simplesmente para que estes morressem prematuramente. Os ex-exilados não desfrutariam sozinhos das bênçãos da restauração; seus descendentes estariam com eles. Deus estava tão ansioso de suprir as necessidades de seu povo, que prometeu: “Há de acontecer que antes que clamem, eu mesmo responderei; enquanto ainda estiverem falando, eu mesmo ouvirei.” — Isaías 65:24.

      32 Como Jeová cumprirá essas promessas no futuro novo mundo? Temos de esperar para ver. Jeová não deu todos os detalhes, mas podemos ter certeza de que os humanos fiéis nunca mais “labutarão em vão”. A grande multidão de sobreviventes do Armagedom, e os filhos que porventura vierem a ter depois, terão a perspectiva de uma vida bem longa e satisfatória — vida eterna! Os que voltarem na ressurreição, e decidirem viver de acordo com as normas de Deus, também encontrarão alegria no novo mundo. Jeová atentará às suas necessidades, até mesmo antecipando-as. De fato, Jeová abrirá a sua mão e ‘satisfará os desejos [corretos] de toda coisa vivente’. — Salmo 145:16.

      33. Na volta dos judeus para sua terra natal, em que sentido os animais estariam em paz?

      33 Quão ampla será a prometida paz e segurança? Jeová conclui essa parte da profecia, dizendo: “‘O lobo e o cordeirinho . . . pastarão como se fossem um, e o leão comerá palha como o touro; e quanto à serpente, seu alimento será o pó. Não farão dano nem causarão ruína em todo o meu santo monte’, disse Jeová.” (Isaías 65:25) Quando o fiel restante judeu voltasse para sua terra natal, estaria sob os cuidados de Jeová. O leão na verdade comeria palha como um touro, pois o leão não causaria dano aos judeus, nem aos seus animais domésticos. Essa promessa era segura, pois conclui com as palavras “disse Jeová”. E a Sua palavra sempre se cumpre! — Isaías 55:10, 11.

      34. Que cumprimento emocionante têm hoje as palavras de Jeová, e como se cumprirão no novo mundo?

      34 As palavras de Jeová têm hoje um cumprimento emocionante entre os adoradores verdadeiros. Desde 1919, Deus tem abençoado a terra espiritual de seu povo, transformando-a num paraíso espiritual. Os que entram nesse paraíso espiritual fazem notáveis mudanças na vida. (Efésios 4:22-24) Com a ajuda do espírito de Deus, pessoas que antes tinham uma personalidade animalesca — que talvez explorassem ou de outra forma prejudicassem seu próximo — fazem progresso em domar características indesejáveis. Assim, elas gozam de paz e de união de adoração com outros fiéis. As bênçãos que o povo de Jeová tem agora no seu paraíso espiritual se estenderão ao Paraíso literal, onde a paz entre os humanos será acompanhada pela paz com os animais. Podemos estar certos de que, no Seu tempo devido, a incumbência original de Deus à humanidade se cumprirá apropriadamente: “Sujeitai [a Terra], e tende em sujeição os peixes do mar, e as criaturas voadoras dos céus, e toda criatura vivente que se move na terra.” — Gênesis 1:28.

      35. Por que temos todos os motivos para ‘jubilar para todo o sempre’?

      35 Como somos gratos pela promessa de Jeová de criar “novos céus e uma nova terra”! Essa promessa teve um cumprimento em 537 AEC e está tendo outro cumprimento hoje. Os dois cumprimentos apontam o caminho para um futuro glorioso para a humanidade obediente. Jeová bondosamente nos deu, por meio das profecias de Isaías, um vislumbre do que ele tem em reserva para os que o amam. Realmente, temos todos os motivos para acatar as palavras de Jeová: “Jubilai para todo o sempre naquilo que estou criando”! — Isaías 65:18.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Muitos acham que esses pecadores iam às sepulturas para tentar se comunicar com os mortos. Comerem carne de porco talvez se relacionasse com a idolatria.

      b Comentando esse versículo, o tradutor bíblico Jerônimo (nascido no quarto século EC) fala de uma antiga prática de idólatras, que era observada no último dia do ano do calendário deles. Ele escreveu: “Eles punham uma mesa coberta de diversas espécies de alimentos, e um copo duma mistura de vinho doce, para assegurar a boa sorte da fertilidade, quer do ano que passou, quer do próximo.”

      c Segundo Isaías 65:16 no texto hebraico massorético, Jeová é o “Deus do Amém”. “Amém” significa “assim seja”, ou “certamente”, e é uma afirmação, ou garantia, de que algo é verdadeiro ou que vai acontecer com certeza. Por cumprir tudo o que promete, Jeová mostra que aquilo que ele diz é verdade.

      d A Bíblia de Jerusalém traduz Isaías 65:20 assim: “Não haverá ali criancinhas que vivam apenas alguns dias, nem velho que não complete a sua idade.”

      e As árvores ilustram bem a longevidade, pois estão entre as mais duráveis coisas vivas conhecidas. A oliveira, por exemplo, produz frutos por centenas de anos e pode viver mil anos.

      [Foto na página 389]

      No novo mundo de Deus, teremos tempo suficiente para usufruir o trabalho de nossas mãos

  • Jeová abençoa a adoração pura
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
    • Capítulo Vinte e Sete

      Jeová abençoa a adoração pura

      Isaías 66:1-14

      1. Que temas se destacam no último capítulo de Isaías, e que perguntas são respondidas?

      NO ÚLTIMO capítulo de Isaías, alguns dos temas principais desse livro profético atingem um clímax retumbante, e várias perguntas vitais são respondidas. Entre os temas de destaque estão a sublimidade de Jeová, seu ódio à hipocrisia, sua determinação de punir os maus e seu amor e desvelo pelos fiéis. Também são respondidas as seguintes perguntas: O que distingue a adoração verdadeira da falsa? Como podemos ter certeza de que Jeová punirá os hipócritas que fingem ser santos enquanto oprimem o povo de Deus? E como Jeová abençoará os que lhe permanecerem fiéis?

      A chave da adoração pura

      2. Que declaração Jeová faz a respeito de sua grandeza, e o que não significa essa declaração?

      2 Para começar, a profecia enfatiza a grandeza de Jeová: “Assim disse Jeová: ‘Os céus são o meu trono e a terra é o meu escabelo. Onde, então, está a casa que vós me podeis construir, e onde, então, é o lugar como lugar de descanso para mim?’” (Isaías 66:1) Alguns acham que o profeta estava desestimulando os judeus de reconstruírem o templo de Jeová, quando a nação voltasse para sua terra natal. Não; o próprio Jeová ordenaria a reconstrução do templo. (Esdras 1:1-6; Isaías 60:13; Ageu 1:7, 8) O que, então, significa esse texto?

      3. Por que é apropriado que a Terra seja chamada de “escabelo” de Jeová?

      3 Primeiro, vejamos por que a Terra é chamada de “escabelo” de Jeová. Não é um termo depreciativo. Entre todos os bilhões de corpos celestes no Universo, somente à Terra se dá esse nome especial. O nosso planeta permanecerá para sempre como ímpar, pois foi aqui que o Filho unigênito de Jeová pagou o resgate, e é aqui que Jeová vindicará a sua soberania, por meio do Reino messiânico. Como é apropriado que a Terra seja chamada de escabelo de Jeová! Um rei talvez usasse o escabelo para subir ao trono e depois para descansar os pés.

      4. (a) Por que é impossível que algum edifício na Terra seja um “lugar de descanso” para Jeová? (b) O que significa a expressão “todas estas coisas”, e o que se conclui a respeito de adorar a Jeová?

      4 Naturalmente, um rei não residiria no escabelo, assim como Jeová não reside na Terra. Ora, até mesmo os vastos céus literais não o podem conter! Muito menos poderia um mero edifício na Terra acomodar Jeová, servindo-lhe literalmente de casa. (1 Reis 8:27) O trono de Jeová e seu “lugar de descanso” localizam-se no domínio espiritual, que é o sentido do termo “céus”, em Isaías 66:1. O versículo seguinte esclarece: “‘Todas estas coisas foram feitas pela minha própria mão, de modo que todas elas vieram a existir’, é a pronunciação de Jeová.” (Isaías 66:2a) Imagine Jeová, num gesto amplo, apontando para “todas estas coisas” — tudo no céu e na Terra. (Isaías 40:26; Revelação [Apocalipse] 10:6) Como Grandioso Criador do Universo, ele merece mais do que um mero edifício dedicado a ele. Merece mais do que uma adoração meramente pro forma.

      5. Como mostramos que ficamos ‘atribulados e contritos no espírito’?

      5 Que tipo de adoração é apropriado para o Soberano Universal? Ele mesmo nos diz: “Olharei, pois, para este, para o atribulado e para o contrito no espírito e que treme da minha palavra.” (Isaías 66:2b) Sim, é essencial para a adoração pura que o adorador tenha uma atitude correta de coração. (Revelação 4:11) O adorador de Jeová tem de se sentir ‘atribulado e contrito no espírito’. Significa isso que Jeová deseja que sejamos infelizes? Não, ele é o “Deus feliz”, e quer que seus adoradores também o sejam. (1 Timóteo 1:11; Filipenses 4:4) No entanto, todos nós pecamos com frequência, e não devemos encarar levianamente os nossos pecados. Eles devem nos ‘atribular’, entristecer, por não conseguirmos seguir com perfeição os justos padrões de Jeová. (Salmo 51:17) Temos de mostrar que ficamos ‘contritos no espírito’ por nos arrepender, lutar contra as nossas tendências pecaminosas e orar pelo perdão de Jeová. — Lucas 11:4; 1 João 1:8-10.

      6. Em que sentido os adoradores verdadeiros devem ‘tremer da palavra de Deus’?

      6 Além disso, Jeová olha para os que ‘tremem da Sua palavra’. Significa isso que ele deseja que tremamos de medo toda vez que lemos suas declarações? Não, o que ele deseja é que encaremos com reverência e profundo respeito o que ele diz. Buscamos sinceramente os seus conselhos, usando-os como guia em todos os assuntos da vida. (Salmo 119:105) Também podemos ‘tremer’ no sentido de que tememos até mesmo a ideia de desobedecer a Deus, de poluir a sua verdade com tradições humanas, ou de tratá-la levianamente. Tal humildade é essencial para a adoração pura — mas, infelizmente, é algo raro no mundo de hoje.

      Jeová odeia a adoração hipócrita

      7, 8. Como Jeová encarava a adoração formalista de religiosos hipócritas?

      7 Ao observar seus contemporâneos, Isaías se apercebia muito bem que poucos tinham a disposição que Jeová procura em seus adoradores. Por isso, a apóstata Jerusalém merecia a destruição iminente. Note como Jeová encarava a adoração que se praticava ali: “Quem abate o touro é como quem golpeia um homem. Quem sacrifica o ovídeo é como quem quebra a nuca de um cão. Quem oferece um presente — sangue de porco! Quem apresenta uma recordação de olíbano é como quem diz uma bênção com palavras mágicas. Eles são também os que escolheram os seus próprios caminhos e a própria alma deles agradou-se das suas coisas repugnantes.” — Isaías 66:3.

      8 Essas palavras nos fazem lembrar das expressões de Jeová registradas no primeiro capítulo de Isaías. Ali, Jeová diz ao seu povo rebelde que a adoração formalista deles não só não o agradava, mas, na verdade, aumentava a sua ira justa, porque os adoradores eram hipócritas. (Isaías 1:11-17) Similarmente, Jeová agora compara as ofertas deles a crimes hediondos. Sacrificar um custoso touro não faria mais para apaziguar Jeová do que assassinar um ser humano! Outros sacrifícios são comparados a ofertar um cão ou um porco, animais impuros sob a Lei mosaica, e certamente impróprios para sacrifício. (Levítico 11:7, 27) Permitiria Jeová que tal hipocrisia religiosa ficasse impune?

      9. Como a maioria dos judeus reagia às advertências de Jeová por meio de Isaías, e qual seria o resultado inevitável?

      9 Jeová diz, a seguir: “Eu mesmo, da minha parte, escolherei modos de maltratá-los; e trarei sobre eles as coisas que amedrontam; visto que eu chamei, mas não houve quem respondesse; falei, mas não houve quem escutasse; e eles continuaram a fazer o que era mau aos meus olhos e escolheram a coisa de que não me agradei.” (Isaías 66:4) Isaías podia certamente proferir essas palavras com profunda convicção. Já por muitos anos ele era o instrumento de Jeová, ‘chamando’ Seu povo, e ‘falando-lhe’. O profeta bem sabia que, de modo geral, ninguém escutava. Por persistirem no mal, a punição seria inevitável. Jeová certamente ‘escolheria’ a punição deles, e traria eventos amedrontadores sobre seu povo apóstata.

      10. O que os tratos de Jeová com Judá revelam sobre como ele encara a cristandade?

      10 A cristandade atual também tem praticado coisas que não agradam a Jeová. A idolatria floresce nas igrejas, filosofias e tradições antibíblicas são glorificadas nos púlpitos, e sua sede de poder político aprofunda cada vez mais a sua relação adúltera com as nações do mundo. (Marcos 7:13; Revelação 18:4, 5, 9) Como se deu com a Jerusalém antiga, a merecida punição da cristandade — algo ‘amedrontador’ — cairá implacavelmente sobre ela. Uma das razões para sua punição inescapável é a maneira como ela tem tratado o povo de Deus.

      11. (a) O que agravava o pecado dos apóstatas nos dias de Isaías? (b) Em que sentido os contemporâneos de Isaías excluíam os fiéis ‘por causa do nome de Deus’?

      11 Isaías continua: “Ouvi a palavra de Jeová, vós os que tremeis da sua palavra: ‘Vossos irmãos que vos odeiam, que vos excluem por causa do meu nome, disseram: “Glorificado seja Jeová!” Ele terá de aparecer também com alegria da vossa parte, e eles serão os envergonhados.’” (Isaías 66:5) Os “irmãos” de Isaías, seus próprios conterrâneos, tinham a responsabilidade divina de representar a Jeová Deus e de se submeter à sua soberania. Sua falha nesse respeito era certamente um pecado grave. Mas o agravante do pecado deles era o ódio que sentiam para com os fiéis e humildes, como Isaías. Esses apóstatas odiavam e excluíam os fiéis, pois eles representavam verdadeiramente a Jeová Deus. Nesse sentido, a exclusão era ‘por causa do nome de Deus’. Ao mesmo tempo, esses falsos servos de Jeová afirmavam representá-Lo, usando santimoniosamente expressões de tom religioso, tais como: “Glorificado seja Jeová!”a

      12. Quais são alguns exemplos de religiosos hipócritas perseguirem os servos fiéis de Jeová?

      12 O ódio que a religião falsa tem pelos praticantes da adoração pura não é novidade. É parte do cumprimento da profecia em Gênesis 3:15, que predisse uma inimizade duradoura entre o descendente de Satanás e o Descendente da “mulher” de Deus. Jesus disse a seus seguidores ungidos, no primeiro século, que eles também sofreriam às mãos de seus conterrâneos — exclusão da sinagoga e perseguição, que poderia resultar em morte. (João 16:2) Que dizer dos tempos modernos? No começo dos “últimos dias”, o povo de Deus discerniu que logo viria uma perseguição similar. (2 Timóteo 3:1) Lá em 1914, A Sentinela (em inglês) citou Isaías 66:5, observando: “Praticamente todas as perseguições contra o povo de Deus têm partido de cristãos professos.” O artigo disse também: “Não sabemos se irão a extremos em nossos dias — matar socialmente, matar eclesiasticamente, talvez matar fisicamente.” Quão certas mostraram ser essas palavras! Não muito depois de elas terem sido publicadas, a perseguição, instigada pelo clero, atingiu sua intensidade máxima durante a Primeira Guerra Mundial. Mas a cristandade foi envergonhada, exatamente como predito. Como?

      Restauração rápida e súbita

      13. No cumprimento original, o que era o “som de um rebuliço procedente da cidade”?

      13 Isaías profetiza: “Há o som de um rebuliço procedente da cidade, um som procedente do templo! É o som de Jeová retribuindo aos seus inimigos o que merecem.” (Isaías 66:6) No cumprimento original dessas palavras, a “cidade” era Jerusalém, onde ficava o templo de Jeová. O “som de um rebuliço” implica o tumulto de guerra, ouvido na cidade quando foi atacada pelos exércitos babilônicos invasores, em 607 AEC. Mas que dizer do cumprimento atual?

      14. (a) O que Malaquias predisse a respeito da vinda de Jeová ao Seu templo? (b) Segundo a profecia de Ezequiel, o que resultou da vinda de Jeová ao Seu templo? (c) Quando foi que Jeová e Jesus inspecionaram o templo espiritual, e que efeito isso teve sobre os que diziam representar a adoração pura?

      14 Essas palavras em Isaías se harmonizam com outras duas declarações proféticas, uma registrada em Ezequiel 43:4, 6-9 e a outra em Malaquias 3:1-5. Tanto Ezequiel como Malaquias predisseram um tempo em que Jeová Deus viria ao Seu templo. A profecia de Malaquias mostra que Jeová viria para inspecionar a sua casa de adoração pura e para agir como Refinador, rejeitando os que o representassem mal. A visão de Ezequiel retrata Jeová entrando no templo e exigindo a remoção de todos os vestígios de imoralidade e idolatria.b No cumprimento moderno dessas profecias, houve um importante evento espiritual em 1918, relacionado com a adoração de Jeová. Nessa época, Jeová e Jesus evidentemente fizeram uma inspeção de todos os que diziam representar a adoração pura. Essa inspeção levou à rejeição final da corrupta cristandade. Para os seguidores ungidos de Cristo, a inspeção significou um breve período de refinamento, seguido de uma rápida restauração espiritual, em 1919. — 1 Pedro 4:17.

      15. Que nascimento é predito, e como se cumpriu em 537 AEC?

      15 Essa restauração é bem retratada nos seguintes versículos de Isaías: “Antes de começar a ter dores de parto, ela deu à luz. Antes de lhe chegarem as dores agudas ao dar à luz, teve o parto de um filho varão. Quem é que já ouviu uma coisa destas? Quem é que já viu coisas como estas? Porventura será uma terra dada à luz com dores de parto num só dia? Ou nascerá uma nação de uma só vez? Pois Sião teve dores de parto bem como deu à luz seus filhos.” (Isaías 66:7, 8) Para os judeus exilados em Babilônia, essas palavras tiveram um emocionante cumprimento inicial. Sião, ou Jerusalém, é novamente retratada como uma mulher que dá à luz. Mas que nascimento incomum! É tão rápido, tão súbito, que acontece antes de começarem as dores de parto! É uma representação apropriada. O renascimento do povo de Deus como nação separada, em 537 AEC, foi tão rápido e tão súbito que parecia milagroso. Ora, o tempo decorrido desde que Ciro libertou os judeus do cativeiro, até o dia em que um restante fiel estava de volta à sua terra natal, foi mera questão de meses! Que contraste com os eventos que levaram ao nascimento original da nação de Israel! Em 537 AEC, não foi preciso pedir liberdade a um monarca irredutível, nem fugir de um exército hostil e tampouco vagar 40 anos no ermo.

      16. No cumprimento moderno de Isaías 66:7, 8, o que prefigura Sião, e em que sentido sua descendência teve um renascimento?

      16 No cumprimento moderno, Sião representa a “mulher” celestial de Jeová, Sua organização de seres espirituais. Em 1919, essa “mulher” se alegrou com o nascimento de seus filhos ungidos na Terra como povo organizado, “uma nação”. Esse renascimento foi rápido e súbito.c Em questão de meses, os ungidos, como grupo, passaram de um estado de inatividade semelhante à morte para o de uma vida vibrante e ativa na sua “terra”, seu domínio de atividade espiritual, dado por Deus. (Revelação 11:8-12) No outono de 1919, até anunciaram a publicação de uma nova revista, para complementar A Sentinela. Chamada de The Golden Age (A Idade de Ouro, agora Despertai!), essa nova publicação era uma evidência de que o povo de Deus estava revitalizado e novamente organizado para o serviço.

      17. Como Jeová garantiu ao seu povo que nada poderia impedi-lo de realizar seu propósito com relação ao Israel espiritual?

      17 Nenhuma força no Universo poderia impedir esse renascimento espiritual. O versículo seguinte atesta isso vividamente: “‘Quanto a mim, acaso causaria o irrompimento e não faria que se desse à luz?’, diz Jeová. ‘Ou causo eu o parto e realmente faço haver um fechamento?’, disse o teu Deus.” (Isaías 66:9) Assim como é impossível deter o processo de nascimento, uma vez começado, seria impossível parar o renascimento do Israel espiritual, uma vez iniciado. Houve oposição, é verdade, e provavelmente haverá mais no futuro. Mas só Jeová pode parar o que ele começa, algo que ele nunca faz! Mas como Jeová trataria seu povo revitalizado?

      Os ternos cuidados de Jeová

      18, 19. (a) Que tocante ilustração Jeová usa, e como se aplicaria isso a seu povo exilado? (b) Como o restante ungido hoje se tem beneficiado de alimentação e cuidados amorosos?

      18 Os quatro versículos seguintes pintam um quadro tocante dos ternos cuidados de Jeová. Primeiro, Isaías diz: “Alegrai-vos com Jerusalém e jubilai com ela, todos os que a amais. Exultai grandemente com ela, todos os que estais pranteando por ela, visto que mamareis e certamente vos fartareis do peito de plena consolação por ela; visto que sorvereis e tereis deleite com a mama de sua glória.” (Isaías 66:10, 11) Jeová usa aqui a ilustração de uma mulher que amamenta seu bebê. Quando a criança sente fome, ela chora insistentemente. Mas, quando se aproxima do seio da mãe para mamar, sua aflição se transforma em alegria e satisfação. De modo similar, o restante de judeus fiéis em Babilônia passaria rapidamente de um estado de pranto para o de felicidade e satisfação, quando chegasse o tempo de libertação e restauração. Sentir-se-iam jubilantes. A glória de Jerusalém se renovaria, com a sua reconstrução e repovoamento. E a glória da cidade incluiria seus moradores fiéis. Voltariam a ser alimentados espiritualmente, por meio de um sacerdócio ativo. — Ezequiel 44:15, 23.

      19 O Israel espiritual também foi abençoado com fartura de alimento, depois da restauração, em 1919. Desde então, tem sido constante o fluxo de alimento espiritual servido por meio do “escravo fiel e discreto”. (Mateus 24:45-47) Tem sido realmente um tempo de consolo e de alegria para o restante ungido. Mas tem havido mais bênçãos.

      20. Como Jerusalém foi abençoada com uma “torrente inundante”, tanto nos tempos antigos como nos tempos modernos?

      20 A profecia continua: “Assim disse Jeová: ‘Eis que lhe estendo a paz como um rio e a glória de nações como torrente inundante, e vós haveis de mamar. Sobre o lado sereis carregados e sobre os joelhos sereis afagados.’” (Isaías 66:12) Aqui a figura da amamentação se combina com o quadro de um grande fluxo de bênçãos — “um rio” e uma “torrente inundante”. Jerusalém não seria abençoada somente com muita paz da parte de Jeová, mas também com “a glória de nações”, que flui para o povo de Deus e o abençoa. Isso significa que pessoas das nações afluiriam ao povo de Jeová. (Ageu 2:7) No cumprimento antigo, um bom número de pessoas de várias nações realmente se juntou a Israel, tornando-se prosélitos. Contudo, um cumprimento bem maior tem ocorrido em nossos tempos, quando ‘uma grande multidão, de todas as nações, tribos, povos e línguas’ — realmente uma “torrente inundante” de pessoas — tem-se juntado ao restante de judeus espirituais. — Revelação 7:9; Zacarias 8:23.

      21. Numa cativante linguagem figurada, que tipo de consolo se prediz?

      21 Isaías 66:12 fala também de expressões de amor materno — afagar uma criança sobre os joelhos e carregá-la “sobre o lado”. No versículo seguinte há uma ideia similar, com uma interessante mudança de enfoque. “Como a um homem a quem a sua própria mãe está consolando, assim eu mesmo continuarei a consolar-vos; e no caso de Jerusalém, sereis consolados.” (Isaías 66:13) A criança agora é um “homem”, um adulto. Mas sua mãe não perdeu o desejo de consolá-lo num tempo de aflição.

      22. Como Jeová mostra a ternura e a força de seu amor?

      22 Desse modo cativante, Jeová ilustra a força e a ternura de seu amor pelo seu povo. Até mesmo o mais forte amor materno é apenas um diminuto reflexo do profundo amor de Jeová pelo seu povo fiel. (Isaías 49:15) Como é vital que todos os cristãos reflitam essa qualidade de seu Pai celestial! O apóstolo Paulo fez isso, deixando assim um belo exemplo para os anciãos nas congregações cristãs. (1 Tessalonicenses 2:7) Jesus disse que o amor fraternal seria o principal identificador de seus seguidores. — João 13:34, 35

      23. Descreva a condição feliz do povo restaurado de Jeová.

      23 Jeová expressa seu amor em ações. Assim, ele prossegue: “Certamente vereis, e vosso coração forçosamente exultará, e os vossos próprios ossos florescerão como a tenra relva. E a mão de Jeová há de ser dada a conhecer aos seus servos, mas ele verberará realmente os seus inimigos.” (Isaías 66:14) Um gramático da língua hebraica opina que a expressão “certamente vereis” sugere que, para onde quer que os exilados regressantes olhassem, na sua terra restaurada, “seus olhos veriam alegria”. Sem dúvida exultariam, com indescritível emoção, por estarem de volta na sua amada terra natal. Sentir-se-iam rejuvenescidos, como se seus ossos estivessem recuperando a força, revigorados como a relva na primavera. Todos saberiam que tal condição feliz não se devia a algum esforço humano, mas sim à “mão de Jeová”.

      24. (a) O que você conclui ao considerar os eventos que afetam o povo de Jeová hoje? (b) Qual deve ser a nossa determinação?

      24 Reconhece a mão de Jeová em ação entre seu povo hoje? Seria impossível a algum humano restaurar a adoração pura. Seria inconcebível que algum humano causasse a torrente de milhões de pessoas preciosas, de todas as nações, que se juntam ao fiel restante na sua terra espiritual. Somente Jeová Deus pode fazer tais coisas. Essas expressões do amor de Jeová nos dão motivo de profunda alegria. Jamais deixemos de prezar o seu amor. Continuemos a ‘tremer de Sua palavra’. Decidamos viver à altura dos princípios bíblicos e encontremos deleite em servir a Jeová.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Hoje, muitos na cristandade se recusam a usar o nome de Jeová, e até mesmo o removeram de numerosas traduções da Bíblia. Alguns zombam do povo de Deus, por usarem o Seu nome. No entanto, muitos desses usam santimoniosamente a expressão “aleluia”, que significa “louvai a Jah”.

      b A expressão “os cadáveres de seus reis”, usada em Ezequiel 43:7, 9, refere-se a ídolos. Os líderes e o povo rebeldes de Jerusalém haviam poluído o templo de Deus com ídolos e, na verdade, os haviam transformado em reis.

      c O nascimento profetizado aqui não é o mesmo que o descrito em Revelação 12:1, 2, 5. Nesse capítulo de Revelação, o “filho, um varão”, simboliza o Reino messiânico, que entrou em operação em 1914. No entanto, a “mulher” de ambas as profecias é a mesma.

      [Foto na página 395]

      “Todas estas coisas foram feitas pela minha própria mão”

      [Foto na página 402]

      Jeová estenderia a Sião “a glória de nações”

  • Uma luz para as nações
    Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade II
    • Capítulo Vinte e Oito

      Uma luz para as nações

      Isaías 66:15-24

      1, 2. Por que a luz é vital, e que tipo de escuridão cobre a Terra hoje?

      JEOVÁ é a Fonte de luz, “o Dador do sol para luz de dia, dos estatutos da lua e das estrelas para luz de noite”. (Jeremias 31:35) Isso em si já bastaria para reconhecê-lo como Fonte da vida, visto que a luz significa vida. Se a Terra não fosse banhada constantemente pelo calor e luz do Sol, a vida como a conhecemos seria impossível. O nosso planeta seria inabitável.

      2 Assim, é de máximo interesse para nós que Jeová, olhando para os nossos dias, tenha predito um tempo de escuridão, não de luz. Sob inspiração, Isaías escreveu: “Eis que a própria escuridão cobrirá a terra e densas trevas os grupos nacionais.” (Isaías 60:2) Naturalmente, essas palavras se referem à escuridão espiritual, não literal, mas não se deve subestimar a sua seriedade. A vida por fim se torna impossível para quem não tem luz espiritual, da mesma forma que para os privados da luz solar.

      3. Nestes tempos de escuridão, de onde podemos obter luz?

      3 Nestes tempos de trevas, não podemos nos dar ao luxo de desprezar a luz espiritual que Jeová nos oferece. É essencial recorrermos à Palavra de Deus para iluminar o nosso caminho, ler a Bíblia diariamente, se possível. (Salmo 119:105) Nas reuniões cristãs podemos nos encorajar uns aos outros para permanecermos na “vereda dos justos”. (Provérbios 4:18; Hebreus 10:23-25) Do estudo diligente da Bíblia e da sadia associação cristã derivamos a força que nos ajuda a não sermos tragados pela escuridão destes “últimos dias”, que culminarão no grande “dia da ira de Jeová”. (2 Timóteo 3:1; Sofonias 2:3) Esse dia se aproxima a passos largos! Chegará tão certamente como chegou um dia similar para os moradores da Jerusalém antiga.

      Jeová “encetará a controvérsia”

      4, 5. (a) De que modo Jeová viria contra Jerusalém? (b) Por que podemos concluir que relativamente poucos sobreviveriam à destruição de Jerusalém em 607 AEC? (Veja a nota de rodapé.)

      4 Nos versículos finais da emocionante profecia de Isaías, Jeová descreve vividamente eventos que levarão ao dia de Sua ira. Lemos: “Jeová mesmo chega como o próprio fogo, e seus carros são como um tufão, a fim de pagar de volta a sua ira com puro furor e sua censura com chamas de fogo. Pois, como fogo, o próprio Jeová, de fato, encetará a controvérsia, sim, com a sua espada, contra toda a carne; e os mortos de Jeová tornar-se-ão certamente muitos.” — Isaías 66:15, 16.

      5 Essas palavras deviam ajudar os contemporâneos de Isaías a perceberem a seriedade de sua situação. Aproximava-se o tempo em que os babilônios, como executores de Jeová, viriam contra Jerusalém, com seus carros de guerra levantando nuvens de pó como um tufão. Que vista aterrorizante seria! Jeová usaria os invasores para expressar Seus próprios julgamentos ardentes contra toda a infiel “carne” judaica. Seria como se o próprio Jeová estivesse lutando contra seu povo. Seu “puro furor” não recuaria. Muitos judeus cairiam como “os mortos de Jeová”. Essa profecia se cumpriu em 607 AEC.a

      6. Que práticas repreensíveis ocorriam em Judá?

      6 Estaria Jeová justificado em ‘encetar a controvérsia’ contra seu povo? Certamente que sim! No nosso estudo do livro de Isaías vimos muitas vezes que os judeus, embora supostamente dedicados a Jeová, mergulhavam profundamente na adoração falsa — e Jeová estava bem apercebido das ações deles. Vemos isso de novo nas seguintes palavras da profecia: “‘Os que se santificam e purificam para os jardins, atrás de um no centro, comendo carne de porco e aquilo que é repugnante, até mesmo o roedor saltante, chegarão todos juntos ao seu término’, é a pronunciação de Jeová.” (Isaías 66:17) Ao ‘se santificarem e se purificarem’, estavam aqueles judeus se preparando para a adoração pura? Obviamente não. Em vez disso, realizavam rituais de purificação pagãos em jardins especiais. Depois, devoravam avidamente carne de porco e de outros animais considerados impuros pela Lei mosaica. — Levítico 11:7, 21-23.

      7. Em que sentido a cristandade se assemelha à idólatra Judá?

      7 Que situação repulsiva para uma nação que se encontrava numa relação pactuada com o único Deus verdadeiro! Mas considere: uma situação repulsiva comparável existe hoje entre as religiões da cristandade. Elas também afirmam servir a Deus, e muitos de seus líderes assumem ares de santidade. Mas eles se aviltam com ensinos e tradições pagãs, mostrando que estão em escuridão espiritual. Que grande escuridão! — Mateus 6:23; João 3:19, 20.

      ‘Terão de ver a minha glória’

      8. (a) O que aconteceria com Judá, e o que acontecerá com a cristandade? (b) Em que sentido as nações veriam e verão a ‘glória de Jeová’?

      8 Observa Jeová as ações repreensíveis e os ensinos falsos da cristandade? Leia as seguintes palavras de Jeová, registradas por Isaías, e tire a sua conclusão: “Quanto aos seus trabalhos e seus pensamentos, estou chegando para reunir todas as nações e línguas; e terão de chegar e ver a minha glória.” (Isaías 66:18) Jeová está alerta e preparado para julgar não apenas as obras, mas também os pensamentos dos que professam ser seus servos. Judá professava crer em Jeová, mas as suas obras idólatras e práticas pagãs desmentiam tal afirmação. Era em vão que seus cidadãos se ‘purificavam’ em rituais pagãos. A nação seria devastada e, quando isso ocorresse, seria à plena vista de seus vizinhos idólatras. Eles ‘veriam a glória de Jeová’ no sentido de que seriam testemunhas dos eventos e obrigados a admitir que a palavra de Jeová se cumprira. Como é que tudo isso se aplica à cristandade? Quando ela chegar ao fim, muitos de seus ex-amigos e ex-parceiros comerciais serão obrigados a observar, sem nada poderem fazer, o cumprimento da palavra de Jeová. — Jeremias 25:31-33; Revelação (Apocalipse) 17:15-18; 18:9-19.

      9. Que boa nova declara Jeová?

      9 Significava a destruição de Jerusalém, em 607 AEC, que Jeová não mais teria testemunhas na Terra? Não. Notáveis pessoas de integridade, como Daniel e seus três companheiros, continuariam a servir a Jeová, mesmo como exilados em Babilônia. (Daniel 1:6, 7) Sim, a cadeia de fiéis testemunhas de Jeová permaneceria intacta e, no fim dos 70 anos, homens e mulheres fiéis deixariam Babilônia e voltariam para Judá a fim de restaurar a adoração pura ali. É a isso que Jeová se refere a seguir: “Vou pôr entre eles um sinal e vou enviar alguns dos que escaparam às nações, a Társis, Pul e Lude, os que entesam o arco, Tubal e Javã, as ilhas longínquas, que não ouviram notícias sobre mim nem viram a minha glória; e por certo contarão a minha glória entre as nações.” — Isaías 66:19.

      10. (a) Em que sentido os judeus fiéis libertados de Babilônia serviriam como sinal? (b) Quem hoje serve como sinal?

      10 A multidão de homens e mulheres fiéis, que voltaria para Jerusalém em 537 AEC, seria um espantoso sinal, uma prova de que Jeová libertara seu povo. Quem poderia imaginar que os judeus cativos algum dia seriam libertados para praticar a adoração pura no templo de Jeová? De maneira comparável, no primeiro século, os que serviam ‘como sinais e milagres’ eram os cristãos ungidos, aos quais se juntavam os mansos que desejavam servir a Jeová. (Isaías 8:18; Hebreus 2:13) Hoje, os cristãos ungidos, prosperando em sua terra restaurada, servem como espantoso sinal na Terra. (Isaías 66:8) São prova viva do poder do espírito de Jeová, que atrai os mansos cujos corações os impelem a servir a Jeová.

      11. (a) Depois da restauração, como é que os das nações viriam a conhecer a Jeová? (b) Que cumprimento inicial teve Zacarias 8:23?

      11 Como, porém, pessoas das nações, que não haviam ouvido falar sobre Jeová, viriam a conhecê-lo depois da restauração, em 537 AEC? Bem, nem todos os judeus fiéis voltariam para Jerusalém, no fim do cativeiro babilônico. Alguns, como Daniel, permaneceriam em Babilônia. Outros seriam dispersos para os quatro cantos da Terra. No quinto século AEC, havia judeus morando em todo o Império Persa. (Ester 1:1; 3:8) Sem dúvida, alguns deles falaram sobre Jeová a seus vizinhos pagãos, pois muitos dessas nações se converteram ao judaísmo. Evidentemente, esse foi o caso do eunuco etíope, a quem o discípulo cristão Filipe pregou no primeiro século. (Atos 8:26-40) Tudo isso aconteceu como cumprimento inicial das palavras do profeta Zacarias: “Naqueles dias, dez homens dentre todas as línguas das nações agarrarão, sim, agarrarão realmente a aba da veste dum homem judeu, dizendo: ‘Iremos convosco, pois ouvimos que Deus está convosco.’” (Zacarias 8:23) Certamente, Jeová enviou luz para as nações! — Salmo 43:3.

      Um “presente a Jeová”

      12, 13. De que modo “irmãos” seriam trazidos a Jerusalém a partir de 537 AEC?

      12 Longe de sua terra natal, os judeus dispersos encarariam a reconstruída cidade de Jerusalém, e seu sacerdócio restaurado, como centro da adoração pura. Muitos viajariam longas distâncias para assistir às festividades anuais ali. Sob inspiração, Isaías escreve: “‘Realmente trarão todos os vossos irmãos dentre todas as nações como presente a Jeová, em cavalos e em carros, e em carroças cobertas, e em mulos, e em velozes fêmeas de camelo, ao meu santo monte, Jerusalém’, disse Jeová, ‘assim como quando os filhos de Israel trazem o presente num vaso limpo à casa de Jeová. E dentre eles tirarei também alguns para os sacerdotes, para os levitas’.” — Isaías 66:20, 21.

      13 Alguns desses “irmãos dentre todas as nações” estavam presentes no Pentecostes em que foi derramado espírito santo sobre os discípulos de Jesus. Diz o relato: “Acontece que moravam em Jerusalém judeus, homens reverentes, de toda nação das debaixo do céu.” (Atos 2:5) Eles haviam ido a Jerusalém para adorar segundo o costume judaico, mas, quando ouviram as boas novas a respeito de Jesus Cristo, muitos mostraram fé nele e foram batizados.

      14, 15. (a) De que modo os cristãos ungidos ajuntaram mais “irmãos” espirituais depois da Primeira Guerra Mundial, e como eles foram trazidos a Jeová como “presente num vaso limpo”? (b) Em que sentido Jeová ‘tirou alguns para os sacerdotes’? (c) Mencione alguns cristãos ungidos que participaram no ajuntamento de seus irmãos espirituais. (Veja o quadro na página 409.)

      14 Tem essa profecia um cumprimento moderno? Certamente que sim. Depois da Primeira Guerra Mundial, os servos ungidos de Jeová discerniram, à base das Escrituras, que o Reino de Deus havia sido estabelecido no céu, em 1914. Por meio do estudo meticuloso da Bíblia, aprenderam que haveria um ajuntamento adicional de herdeiros do Reino, ou “irmãos”. Ministros intrépidos viajaram “até à parte mais distante da terra”, usando todos os meios de transporte, em busca de prospectivos membros do restante ungido, a maioria dos quais saiu das religiões da cristandade. Ao serem localizados, eram trazidos como “presente” para Jeová. — Atos 1:8.

      15 Os ungidos que foram reunidos naqueles primeiros anos não achavam que Jeová os aceitaria na condição em que se encontravam quando conheceram a verdade bíblica. Tomaram medidas para se purificarem de aviltamentos espirituais e morais, para que pudessem ser apresentados como “presente num vaso limpo”, ou, como disse o apóstolo Paulo, “como virgem casta ao Cristo”. (2 Coríntios 11:2) Além de rejeitarem erros doutrinais, os ungidos tinham de aprender a permanecer estritamente neutros nos assuntos políticos do mundo. Em 1931, quando seus servos já haviam atingido um grau de pureza apropriado, Jeová misericordiosamente concedeu-lhes o privilégio de levar o Seu nome como Testemunhas de Jeová. (Isaías 43:10-12) Mas em que sentido Jeová ‘tirou alguns para os sacerdotes’? Como grupo, esses ungidos se tornaram parte de um “sacerdócio real, nação santa”, que oferece sacrifícios de louvor a Deus. — 1 Pedro 2:9; Isaías 54:1; Hebreus 13:15.

      O ajuntamento continua

      16, 17. Quem mostrou ser a “vossa descendência” depois da Primeira Guerra Mundial?

      16 O número total desse “sacerdócio real” é 144 mil e, com o tempo, o ajuntamento deles se completou. (Revelação 7:1-8; 14:1) Foi esse o fim da obra de ajuntamento? Não. A profecia de Isaías continua: “‘Assim como os novos céus e a nova terra que eu faço estão postos diante de mim’, é a pronunciação de Jeová, ‘assim ficarão postos a vossa descendência e o vosso nome’.” (Isaías 66:22) No cumprimento inicial dessas palavras, os judeus que iriam sair do cativeiro babilônico e voltar para sua terra teriam filhos ali. Assim, o restaurado restante judaico (a “nova terra”), sob a nova administração judaica (os “novos céus”), ficaria firmemente estabelecido. No entanto, essa profecia tem tido um cumprimento bem notável em nossos dias.

      17 A “descendência” que a nação de irmãos espirituais produz são os da “grande multidão”, que esperam viver para sempre na Terra. Estes saem “de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas”, e estão “em pé diante do trono e diante do Cordeiro”. Eles “lavaram as suas vestes compridas e as embranqueceram no sangue do Cordeiro”. (Revelação 7:9-14; 22:17) Hoje, os da “grande multidão” estão passando da escuridão espiritual para a luz que Jeová provê. Exercem fé em Jesus Cristo e, assim como seus irmãos e irmãs ungidos, esforçam-se em manter-se espiritual e moralmente limpos. Como grupo, continuam a servir sob a direção de Cristo, e “ficarão postos” para sempre! — Salmo 37:11, 29.

      18. (a) De que modo os da grande multidão têm agido de maneira semelhante à de seus irmãos ungidos? (b) Em que sentido os ungidos e seus companheiros adoram a Jeová “de lua nova a lua nova e de sábado a sábado”?

      18 Esses diligentes homens e mulheres com esperança terrestre sabem que, ao passo que é vital permanecer moral e espiritualmente limpos, há mais envolvido em agradar a Jeová. A obra de ajuntamento está em pleno andamento, e eles querem ter uma participação nisso. O livro de Revelação profetiza a respeito deles: “Estão diante do trono de Deus; e prestam-lhe serviço sagrado, dia e noite, no seu templo.” (Revelação 7:15) Essas palavras nos fazem lembrar do penúltimo versículo da profecia de Isaías: “‘Há de acontecer que de lua nova a lua nova e de sábado a sábado chegará a mim toda a carne para se curvar diante de mim’, disse Jeová.” (Isaías 66:23) Isso está acontecendo hoje. “De lua nova a lua nova e de sábado a sábado” — isto é, regularmente, toda semana de todo mês — cristãos ungidos e seus companheiros, a grande multidão, reúnem-se para adorar a Jeová. Fazem isso por, entre outras coisas, assistir a reuniões cristãs e participar no ministério público. É você um dos que regularmente ‘chegam e se curvam diante de Jeová’? O povo de Jeová deriva muita alegria de fazer isso, e os da grande multidão aguardam o tempo em que “toda a carne” — todos os humanos vivos — servirá a Jeová “de lua nova a lua nova e de sábado a sábado”, por toda a eternidade.

      O fim derradeiro dos inimigos de Deus

      19, 20. A que objetivo servia a Geena nos tempos bíblicos, e o que simboliza?

      19 Ainda falta um versículo no nosso estudo das profecias de Isaías. O livro conclui com estas palavras: “Realmente sairão e olharão para os cadáveres dos homens que transgrediram contra mim; pois os próprios vermes sobre eles não morrerão e o próprio fogo deles não se apagará, e terão de tornar-se algo repulsivo para toda a carne.” (Isaías 66:24) Jesus Cristo provavelmente pensava nessa profecia quando incentivou seus discípulos a simplificar a vida e dar prioridade aos interesses do Reino. Ele disse: “Se o teu olho te fizer tropeçar, lança-o fora; melhor te é entrares com um olho no reino de Deus, do que seres com os dois olhos lançado na Geena, onde o seu gusano não morre e o fogo não se extingue.” — Marcos 9:47, 48; Mateus 5:29, 30; 6:33.

      20 O que é esse lugar chamado Geena? Séculos atrás, o erudito judeu David Kimhi escreveu: “É um lugar . . . adjacente a Jerusalém, e é um lugar repugnante, e eles lançam ali coisas impuras e cadáveres. Havia ali também um fogo contínuo para queimar as coisas impuras e os ossos dos cadáveres. Por isso, o julgamento dos iníquos é parabolicamente chamado de Gehinnom.” Se, como sugere esse erudito judeu, a Geena era usada para a destinação de lixo e de cadáveres dos que não eram considerados dignos de sepultamento, o fogo seria um meio adequado para eliminar tais detritos. O que o fogo não consumisse, os gusanos o fariam. Que simbolismo apropriado do fim derradeiro de todos os inimigos de Deus!b

      21. Para quem o livro de Isaías conclui num tom positivo, e por quê?

      21 Com tal referência a cadáveres, fogo e vermes, não é verdade que a emocionante profecia de Isaías conclui num tom apavorante? Os inimigos declarados de Deus sem dúvida pensariam assim. Mas, para os amigos de Deus, a descrição de Isaías da destruição eterna dos perversos é muito animadora. O povo de Jeová precisa dessa garantia de que seus inimigos nunca mais terão o predomínio. Esses inimigos, que causaram tanta aflição para o povo de Deus e trouxeram tanto vitupério sobre o Seu nome, serão destruídos para sempre. Então, “a aflição não se levantará pela segunda vez”. — Naum 1:9.

      22, 23. (a) Cite alguns benefícios que você tirou de seu estudo do livro de Isaías. (b) Tendo estudado o livro de Isaías, qual é a sua determinação, e qual é a sua esperança?

      22 Ao terminarmos o nosso estudo do livro de Isaías, certamente compreendemos que esse livro bíblico não é história morta. Ao contrário, contém uma mensagem para nós hoje. Ao refletirmos no período de trevas em que Isaías viveu, podemos ver as similaridades entre aquele período e os nossos dias. Agitação política, hipocrisia religiosa, corrupção judicial e opressão dos fiéis e dos pobres caracterizavam os dias de Isaías, e também os nossos. Os judeus fiéis no sexto século AEC com certeza se sentiam gratos pela profecia de Isaías, e o seu estudo hoje nos consola.

      23 Nestes tempos críticos, em que a escuridão cobre a Terra e densas trevas os grupos nacionais, todos nós somos profundamente gratos de que Jeová, por meio de Isaías, proveu luz para toda a humanidade! Essa luz espiritual significa nada menos que vida eterna para todos os que a aceitam de todo o coração, independentemente de sua origem nacional ou étnica. (Atos 10:34, 35) Portanto, prossigamos a andar na luz da Palavra de Deus, lendo-a diariamente, meditando nela e prezando a sua mensagem. Isso resultará em bênçãos eternas para nós e em louvor ao santo nome de Jeová!

Publicações em Português (1950-2026)
Sair
Login
  • Português (Brasil)
  • Compartilhar
  • Preferências
  • Copyright © 2025 Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania
  • Termos de Uso
  • Política de Privacidade
  • Configurações de Privacidade
  • JW.ORG
  • Login
Compartilhar