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“Vejam! Este é o nosso Deus!”Achegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 1
“Vejam! Este é o nosso Deus!”
1, 2. (a) Que perguntas você gostaria de fazer a Deus? (b) O que Moisés perguntou a Deus?
CONSEGUE se imaginar conversando com Deus? A própria ideia disso assusta — um diálogo com o Soberano do Universo? De início, você hesita, mas daí consegue falar. Deus escuta, responde e até lhe permite fazer qualquer pergunta. Que pergunta você faria?
2 Muito tempo atrás, um homem se encontrava justamente nessa situação. Seu nome era Moisés. A pergunta que ele fez a Deus, porém, talvez o surpreenda. Ele não perguntou a respeito de si mesmo, de seu futuro, ou mesmo da aflição da humanidade. Em vez disso, perguntou o nome de Deus. Que coisa estranha! Moisés já sabia o nome de Deus. Portanto, a pergunta deve ter tido um sentido mais profundo. De fato, foi a pergunta mais significativa que Moisés podia ter feito. A resposta afeta a todos nós. Pode ajudar você a tomar medidas importantes a fim de achegar-se a Deus. Como assim? Vamos dar uma olhada nesse notável diálogo.
3, 4. Que incidentes levaram a um diálogo entre Moisés e Deus, e qual foi a essência dessa conversa?
3 Moisés estava com 80 anos de idade. Ele havia passado quatro décadas exilado de seu povo, os israelitas, que eram escravos no Egito. Certo dia, enquanto cuidava dos rebanhos de seu sogro, ele viu um fenômeno estranho. Um espinheiro estava em chamas, mas não se consumia. Simplesmente continuava queimando, reluzindo como um farol na encosta do monte. Moisés se aproximou para olhar. Como deve ter ficado espantado ao ouvir uma voz do meio do fogo! Daí, por meio de um porta-voz angélico, Deus e Moisés dialogaram longamente. E, como talvez saiba, naquela ocasião, Jeová incumbiu o hesitante Moisés de deixar a sua vida tranquila e voltar ao Egito para libertar os israelitas da escravidão. — Êxodo 3:1-12.
4 Naquele momento, Moisés podia ter feito qualquer pergunta a Deus. Mas note a que ele escolheu: “Suponhamos que eu vá aos israelitas e lhes diga: ‘O Deus dos seus antepassados me enviou a vocês’, e eles me perguntem: ‘Qual é o nome dele?’ O que devo dizer a eles?” — Êxodo 3:13.
5, 6. (a) Que verdade simples e vital nos ensina a pergunta de Moisés? (b) Que coisa repreensível tem sido feita com o nome de Deus? (c) Por que é tão significativo que Deus tenha revelado seu nome à humanidade?
5 Essa pergunta nos ensina, acima de tudo, que Deus tem nome. Não devemos encarar levianamente essa verdade simples. Muitos, porém, o fazem. O nome de Deus foi removido de inúmeras traduções da Bíblia e substituído por títulos, como “Senhor” e “Deus”. Essa é uma das coisas mais tristes e repreensíveis feitas em nome da religião. Afinal, qual é a primeira coisa que você faz ao conhecer alguém? Não é perguntar o nome? É similar quando se trata de conhecer a Deus. Ele não é um ser sem nome e distante, impossível de se conhecer ou entender. Embora seja invisível, é uma Pessoa e tem nome — Jeová.
6 Além disso, quando Deus revela seu nome, há algo mais envolvido, algo grandioso e emocionante. Ao fazer isso, ele na verdade nos convida a conhecê-lo. Deseja que façamos a melhor escolha na vida — achegar-nos a ele. Mas Jeová faz mais do que apenas nos dizer o seu nome. Ele também nos ensina sobre a Pessoa que esse nome representa.
O significado do nome de Deus
7. (a) Entende-se que o nome de Deus significa o quê? (b) O que Moisés realmente queria saber ao perguntar a Deus o seu nome?
7 O próprio Jeová escolheu seu nome, que é rico em significado. Entende-se que “Jeová” significa “Ele faz com que venha a ser”. Não existe ninguém igual a ele em todo o Universo, pois ele trouxe à existência todas as coisas. Ele também faz com que todos os seus propósitos se tornem realidade e pode até fazer seus servos humanos imperfeitos se tornarem o que ele escolher. Essas ideias inspiram reverência. Mas será que existe outro aspecto relacionado ao significado do nome de Deus? Moisés, evidentemente, desejava aprender mais. Ele já sabia que Jeová é o Criador e conhecia o nome de Deus. O nome divino não era novo. Fazia séculos que as pessoas o usavam. Realmente, ao perguntar o nome de Deus, Moisés indagava a respeito da Pessoa representada pelo nome. Era como se ele dissesse: ‘O que posso dizer a teu respeito ao teu povo, Israel, algo que edifique a fé que eles têm em ti, que os convença de que realmente os libertarás?’
8, 9. (a) Como Jeová respondeu à pergunta de Moisés, e o que há de errado na maneira em que sua resposta muitas vezes é traduzida? (b) O que significa a declaração “Eu Me Tornarei O Que Eu Decidir Me Tornar”?
8 Em resposta, Jeová revelou um aspecto emocionante de sua personalidade, algo relacionado com o significado de seu nome. Ele disse a Moisés: “Eu Me Tornarei O Que Eu Decidir Me Tornar.” (Êxodo 3:14) Muitas traduções da Bíblia dizem aqui: “Eu sou o que sou.” Mas traduções cuidadosas mostram que Deus não estava meramente confirmando sua própria existência. Em vez disso, Jeová estava ensinando a Moisés — e por extensão a todos nós — que Ele ‘escolheria se tornar’ o que quer que fosse preciso para cumprir as Suas promessas. Outra tradução verte apropriadamente esse versículo: “Tornar-me-ei o que for da minha vontade.” (Rotherham) Certo versado em hebraico bíblico explica assim essa expressão: “Qualquer que seja a situação ou a necessidade . . . , Deus ‘se torna’ a solução para essa necessidade.”
9 O que isso significava para os israelitas? Não importa que obstáculos enfrentassem, ou quanto fosse difícil a situação deles, Jeová se tornaria o que quer que fosse necessário para libertá-los da escravidão e levá-los à Terra Prometida. Certamente, esse nome inspirava confiança em Deus. Pode fazer o mesmo por nós hoje. (Salmo 9:10) Por quê?
10, 11. Por que o nome de Jeová nos faz pensar nele como o mais versátil e o melhor Pai imaginável? Ilustre.
10 Para ilustrar: os pais sabem como é preciso ser versátil e adaptável na criação dos filhos. Num só dia, o pai (ou a mãe) talvez tenha de ser enfermeiro, cozinheiro, professor, disciplinador, juiz e muito mais. Muitos se sentem sobrecarregados pelos muitos papéis diferentes que se espera que desempenhem. Sabem que os filhos têm total confiança neles, jamais duvidando que papai ou mamãe possam aliviar a dor, resolver disputas, consertar qualquer brinquedo quebrado e responder a qualquer pergunta que surja nas suas mentes sempre tão cheias de indagações. Alguns pais se sentem humilhados e, às vezes, frustrados por causa de suas próprias limitações. Sentem-se terrivelmente despreparados para cumprir muitos desses papéis.
11 Jeová também é um Pai amoroso. No entanto, no âmbito de seus padrões perfeitos, não há nada que ele não possa se tornar para cuidar de seus filhos terrestres do melhor modo possível. Portanto, o seu nome, Jeová, nos faz pensar nele como o melhor Pai imaginável. (Tiago 1:17) Moisés e todos os outros israelitas fiéis logo perceberam que Jeová faz jus ao seu nome. Observaram assombrados como Jeová se tornou um Comandante Militar imbatível, o Senhor de todos os elementos naturais, um inigualável Legislador, Juiz, Arquiteto, Provisor de alimentos e de água, Preservador de roupas e calçados — e mais.
12. Como a atitude de Faraó para com Jeová foi diferente da de Moisés?
12 Desse modo, Deus tornou conhecido seu nome, revelou coisas emocionantes sobre a Pessoa representada por esse nome e até mesmo demonstrou que o que ele diz sobre si mesmo é verdade. Sem dúvida, Jeová quer que o conheçamos. Como reagimos? Moisés desejava conhecer a Deus. Esse desejo intenso moldou sua vida e fez com que se achegasse bem ao seu Pai celestial. (Números 12:6-8; Hebreus 11:27) Infelizmente, poucos dos contemporâneos de Moisés tinham o mesmo desejo. Quando ele mencionou o nome de Jeová a Faraó, esse altivo monarca egípcio retrucou: “Quem é Jeová?” (Êxodo 5:2) Faraó não queria se informar mais a respeito de Jeová. Em vez disso, cinicamente descartou o Deus de Israel como sendo sem importância ou irrelevante. Essa atitude ainda é muito comum hoje. Ela cega a pessoa a uma das verdades mais importantes que existe: Jeová é o Soberano Senhor.
O Soberano Senhor Jeová
13, 14. (a) Por que a Bíblia dá muitos títulos a Jeová e quais são alguns deles? (Veja o quadro na página 14.) (b) Por que somente Jeová merece ser chamado de “Soberano Senhor”?
13 Jeová é tão versátil, tão adaptável, que tem merecidamente uma grande variedade de títulos nas Escrituras. Eles não rivalizam com o seu nome; em vez disso, nos ensinam mais sobre o que o nome representa. Por exemplo, ele é chamado de “Soberano Senhor Jeová”. (2 Samuel 7:22) Esse título sublime, que ocorre cerca de 300 vezes na Bíblia, fala-nos da posição de Deus. Só ele tem o direito de ser o Governante de todo o Universo. Veja por quê.
14 Jeová é único como Criador. Apocalipse 4:11 diz: “Digno és, Jeová, nosso Deus, de receber a glória, a honra e o poder, porque criaste todas as coisas, e por tua vontade elas vieram à existência e foram criadas.” Essas palavras sublimes não são aplicáveis a nenhum outro ser. Tudo no Universo deve sua existência a Jeová! Sem dúvida, ele é digno da honra, do poder e da glória que vêm com o fato de ele ser o Soberano Senhor e Criador de todas as coisas.
15. Por que Jeová é chamado de “Rei da eternidade”?
15 Outro título aplicado exclusivamente a Jeová é “Rei da eternidade”. (1 Timóteo 1:17; Apocalipse 15:3) O que isso significa? É difícil para a nossa mente limitada entender, mas Jeová é eterno em ambas as direções — passado e futuro. O Salmo 90:2 diz: “De eternidade a eternidade, tu és Deus.” Portanto, Jeová nunca teve princípio; ele sempre existiu. É corretamente chamado de “Antigo de Dias” — existia por uma eternidade antes de alguém ou alguma coisa no Universo ter vindo à existência! (Daniel 7:9, 13, 22) Quem pode questionar validamente seu direito de ser o Soberano Senhor?
16, 17. (a) Por que não podemos ver a Jeová, e por que isso não nos deve surpreender? (b) Em que sentido Jeová é mais real do que qualquer coisa que possamos ver ou tocar?
16 No entanto, alguns realmente questionam esse direito, como fez Faraó. Parte do problema é que os homens imperfeitos confiam demais no que podem ver com os olhos literais. Não podemos ver o Soberano Senhor. Ele é um ser espiritual, invisível aos olhos humanos. (João 4:24) Além disso, se um ser humano, de carne e sangue, viesse a estar na presença literal de Jeová, isso lhe seria fatal. O próprio Jeová disse a Moisés: “Você não pode ver a minha face, pois nenhum homem pode me ver e continuar vivo.” — Êxodo 33:20; João 1:18.
17 Isso não nos deve surpreender. Moisés chegou a ver apenas uma parte da glória de Jeová, evidentemente por meio de um representante angélico. Com que efeito? O rosto de Moisés “brilhava intensamente” por um bom tempo depois. Os israelitas temiam até mesmo olhar diretamente para o rosto dele. (Êxodo 33:21-23; 34:5-7, 29, 30) Certamente, pois, nenhum mero ser humano poderia ver o próprio Soberano Senhor em toda a sua glória! Isso significa, então, que ele é menos real do que aquilo que podemos ver e tocar? Não, nós aceitamos prontamente como reais muitas coisas que não podemos ver — o vento, as ondas de rádio e os pensamentos, por exemplo. Além do mais, Jeová é permanente, não é afetado pela passagem do tempo, nem mesmo por incontáveis bilhões de anos! Nesse sentido, ele é muito mais real do que qualquer coisa que possamos tocar ou ver, pois o ambiente físico está sujeito ao envelhecimento e à decadência. (Mateus 6:19) Devemos imaginá-lo, então, como simples força abstrata, impessoal, ou como vaga Causa Primária? Vejamos.
Um Deus de personalidade
18. Que visão Ezequiel teve e o que simbolizam as quatro faces das “criaturas viventes” próximas a Jeová?
18 Embora não possamos ver a Deus, há emocionantes trechos na Bíblia que nos dão vislumbres do próprio céu. Um exemplo é o primeiro capítulo de Ezequiel. Esse profeta teve uma visão da parte celestial da organização universal de Jeová, na forma de um enorme carro celestial. Especialmente impressionante é a descrição das poderosas criaturas espirituais em volta de Deus. (Ezequiel 1:4-10) Essas “criaturas viventes” se associam intimamente com Jeová, e sua aparência nos revela algo importante sobre o Deus a quem servem. Cada qual tem quatro faces: de touro, de leão, de águia e de homem. Essas evidentemente representam quatro qualidades que formam a base da impressionante personalidade de Jeová. — Apocalipse 4:6-8, 10.
19. Que qualidade representa (a) a face de touro? (b) a face de leão? (c) a face de águia? (d) a face de homem?
19 Na Bíblia, o touro muitas vezes representa força, ou poder, e merecidamente, pois é um animal muito forte. O leão, por sua vez, representa a justiça, pois a verdadeira justiça exige coragem, uma qualidade destacada dos leões. As águias são bem conhecidas por sua visão aguçada, podendo enxergar até mesmo pequenos objetos a quilômetros de distância. Assim, a face de águia representaria bem a previdente sabedoria de Deus. E a face de homem? Bem, o homem, feito à imagem de Deus, é único na capacidade de refletir a principal qualidade divina: o amor. (Gênesis 1:26) Essas facetas da personalidade de Jeová — poder, justiça, sabedoria e amor — são tantas vezes destacadas nas Escrituras que podem ser chamadas de atributos principais de Deus.
20. Temos motivos para temer que a personalidade de Jeová tenha mudado? Por que responde assim?
20 Devemos temer que Deus possa ter mudado nos milhares de anos desde que foi descrito na Bíblia? Não, a personalidade de Deus não muda. Ele nos diz: “Eu sou Jeová; eu não mudo.” (Malaquias 3:6) Em vez de mudar arbitrariamente, Jeová mostra ser um Pai ideal no modo de reagir a cada situação. Ele manifesta os aspectos de sua personalidade que sejam mais apropriados. De todas as qualidades de Deus, a predominante é o amor, que permeia tudo o que Deus faz. Ele exerce o poder, a justiça e a sabedoria de maneira amorosa. De fato, a Bíblia declara algo extraordinário a respeito de Deus e dessa qualidade. Diz: “Deus é amor.” (1 João 4:8) Note que não diz que Deus tem amor ou que Deus é amoroso, e sim que Deus é amor. O amor, a sua própria essência, motiva-o em tudo o que ele faz.
“Vejam! Este é o nosso Deus!”
21. A que conclusão chegaremos à medida que conhecermos melhor as qualidades de Jeová?
21 Já viu alguma vez uma criancinha apontar o pai para seus amiguinhos e dizer, toda contente e orgulhosa: “Esse é o meu pai!”? Os adoradores de Jeová têm todos os motivos para sentirem o mesmo a respeito dele. A Bíblia predisse um tempo em que as pessoas fiéis exclamariam: “Vejam! Este é o nosso Deus!” (Isaías 25:8, 9) Quanto mais você entender as qualidades de Jeová, tanto mais verá que tem o melhor Pai imaginável.
22, 23. Como a Bíblia retrata o nosso Pai celestial e como sabemos que ele quer que nos acheguemos a ele?
22 Esse Pai não é frio, arredio ou distante — apesar do que têm ensinado alguns religiosos e filósofos rígidos. Dificilmente nos sentiríamos atraídos a um Deus frio, e não é assim que a Bíblia retrata nosso Pai celestial. Ao contrário, ela o chama de “Deus feliz”. (1 Timóteo 1:11) Ele tem sentimentos tanto fortes como ternos. Falando de um tempo em que suas criaturas inteligentes violaram as diretrizes que ele forneceu para o bem-estar delas, a Bíblia diz: “Seu coração se entristeceu.” (Gênesis 6:6; Salmo 78:41) Mas, quando agimos sabiamente segundo a sua Palavra, ‘alegramos seu coração’. — Provérbios 27:11.
23 Nosso Pai deseja que nos acheguemos a ele. A sua Palavra nos incentiva a ‘tatearmos à procura dele e realmente o acharmos, embora, na verdade, ele não esteja longe de cada um de nós’. (Atos 17:27) Mas como é possível que meros humanos se acheguem ao Soberano Senhor do Universo?
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É mesmo possível ‘achegar-se a Deus’?Achegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 2
É mesmo possível ‘achegar-se a Deus’?
1, 2. (a) O que muitos talvez achem fantasioso, mas que garantia a Bíblia nos dá? (b) Abraão foi recompensado com que relacionamento e por quê?
COMO se sentiria se o Criador do céu e da Terra dissesse a seu respeito: “Este é meu amigo”? Muitos talvez achem isso fantasioso. Afinal, como poderia um mero ser humano ter amizade com Jeová? Mas a Bíblia garante que podemos realmente nos achegar a Deus.
2 Abraão, da antiguidade, foi um dos que desfrutaram tal achego. Jeová referiu-se a esse patriarca como “meu amigo”. (Isaías 41:8) Sim, Deus o considerava como amigo pessoal. Abraão foi recompensado com esse relacionamento porque “depositou fé em Jeová”. (Tiago 2:23) Também hoje, Jeová busca oportunidades de ter amizade achegada com os que o servem e de ‘demonstrar seu amor’ por eles. (Deuteronômio 10:15) A sua Palavra exorta: “Acheguem-se a Deus, e ele se achegará a vocês.” (Tiago 4:8) Essas palavras, na verdade, são tanto um convite como uma promessa.
3. Que convite Jeová nos faz e que promessa se relaciona com esse convite?
3 Jeová nos convida a nos achegarmos a ele. Ele se dispõe a nos aceitar como amigos. E promete que, se dermos os passos nesse sentido, ele fará o mesmo: se achegará a nós. Assim, podemos ter algo realmente precioso: “amizade íntima com Jeová”. (Salmo 25:14) “Amizade íntima” dá a ideia de conversa confidencial com um amigo especial.
4. Como descreveria um amigo bem achegado? De que modo Jeová mostra ser um amigo desse tipo para os que se achegam a ele?
4 Você tem um amigo bem achegado em quem pode confiar? Um amigo assim se importa com a sua pessoa. É alguém em quem você confia, pois mostrou-se leal. Partilhar suas alegrias com ele deixa você ainda mais feliz. Quando você está triste e precisa desabafar, ele o ouve com empatia. Mesmo quando ninguém mais parece entender você, ele entende. Da mesma forma, quando nos achegamos a Deus, ganhamos um Amigo especial que realmente nos valoriza, que se importa profundamente conosco e nos entende plenamente. (Salmo 103:14; 1 Pedro 5:7) Podemos ter a mais profunda confiança nele, sabendo que Deus é leal aos que lhe são leais. (Salmo 18:25) No entanto, essa privilegiada amizade com Deus só está ao nosso alcance porque ele a tornou possível.
Jeová abriu o caminho
5. O que Jeová fez para possibilitar que nos achegássemos a ele?
5 Como pecadores, jamais poderíamos nos achegar a Deus sem ajuda. (Salmo 5:4) “Mas Deus recomenda a nós o seu próprio amor, por Cristo ter morrido por nós enquanto ainda éramos pecadores”, escreveu o apóstolo Paulo. (Romanos 5:8) Sim, Jeová providenciou que Jesus ‘desse a sua vida como resgate em troca de muitos’. (Mateus 20:28) Nossa fé nesse sacrifício de resgate possibilita nos achegarmos a Deus. Visto que ele “nos amou primeiro”, lançou a base para entrarmos numa relação de amizade com ele. — 1 João 4:19.
6, 7. (a) Como sabemos que Jeová não é um Deus oculto e indecifrável? (b) De que maneiras Jeová se revelou a nós?
6 Jeová tomou outra medida: revelou-se a nós. Numa amizade, só pode haver achego se realmente conhecermos a pessoa, valorizando suas qualidades e seu modo de ser. Assim, se Jeová fosse um Deus oculto e indecifrável, jamais poderíamos nos achegar a ele. No entanto, longe de se ocultar, Deus quer que o conheçamos. (Isaías 45:19) Além do mais, o que ele revela sobre si mesmo está disponível a todos, mesmo aos que são considerados humildes segundo os padrões do mundo. — Mateus 11:25.
Jeová revela a si mesmo por meio de suas obras criativas e de sua Palavra escrita
7 Como Jeová se revela a nós? As suas obras criativas dão a conhecer certos aspectos de sua personalidade: seu vasto poder, sua profunda sabedoria, seu incomparável amor. (Romanos 1:20) Mas Jeová não se revela apenas por meio das coisas que criou. Como Grandioso Comunicador, ele forneceu uma revelação escrita a respeito de si mesmo na sua Palavra, a Bíblia.
Como Jeová se revela na sua Palavra
8. Por que se pode dizer que a própria Bíblia é evidência do amor de Jeová por nós?
8 A própria Bíblia é evidência do amor de Jeová por nós. Em sua Palavra, ele revela a si mesmo em termos que podemos compreender — uma prova de que ele não apenas nos ama, mas deseja que o conheçamos e amemos. O que lemos nesse livro precioso nos possibilita nos achegar a ele. (Salmo 1:1-3) Vejamos algumas das animadoras maneiras pelas quais Jeová se revela na sua Palavra.
9. Cite alguns exemplos de declarações bíblicas diretas que identificam as qualidades de Deus.
9 As Escrituras contêm muitas declarações diretas que identificam as qualidades de Deus. Note alguns exemplos. “Jeová ama a justiça.” (Salmo 37:28) Deus é “grande em poder”. (Jó 37:23) “‘Eu sou leal’, diz Jeová.” (Jeremias 3:12) “Ele tem coração sábio.” (Jó 9:4) Ele é “Deus misericordioso e compassivo, paciente e cheio de amor leal e de verdade”. (Êxodo 34:6) “Tu, ó Jeová, és bom e estás sempre pronto a perdoar.” (Salmo 86:5) E, como mencionado no capítulo anterior, uma qualidade é predominante: “Deus é amor.” (1 João 4:8) Ao refletir sobre essas qualidades agradáveis, não se sente atraído a esse Deus incomparável?
10, 11. (a) Para nos ajudar a entender melhor a sua personalidade, o que Jeová incluiu na sua Palavra? (b) Que exemplo bíblico nos ajuda a visualizar o poder de Deus em ação?
10 Além de nos revelar as suas qualidades, Jeová amorosamente incluiu na sua Palavra exemplos reais dessas qualidades em ação. Esses relatos vívidos nos ajudam a visualizar e entender melhor as várias facetas de sua personalidade, contribuindo para que nos acheguemos mais a ele. Veja um exemplo.
A Bíblia nos ajuda a nos achegar a Jeová
11 Uma coisa é ler que Deus tem “atemorizante poder”. (Isaías 40:26) Outra bem diferente é ler sobre como ele libertou Israel no mar Vermelho e, daí, sustentou a nação no deserto por 40 anos. Imagine as águas agitadas se abrindo. Tente visualizar a nação — talvez 3 milhões de pessoas — caminhando no leito seco do mar, com as águas estáticas, como enormes paredes, em ambos os lados. (Êxodo 14:21; 15:8) Pense em como Deus cuidou deles no deserto: providenciou que jorrasse água de uma rocha e fez surgir sobre o solo um alimento que parecia sementes brancas. (Êxodo 16:31; Números 20:11) Jeová revelou ali que não somente tem poder, mas que o usa em favor de seu povo. Não é reconfortante saber que as nossas orações ascendem a um Deus poderoso que “é nosso refúgio e nossa força, uma ajuda encontrada prontamente em tempos de aflição”? — Salmo 46:1.
12. Como Jeová nos ajuda a “vê-lo” em termos que podemos entender?
12 Jeová, que é Espírito, fez ainda mais para nos ajudar a conhecê-lo. Como humanos, nossa visão se limita às realidades visíveis, de modo que não podemos ver o domínio espiritual. Se Deus descrevesse a si mesmo para nós usando termos espirituais, seria como tentar explicar detalhes de nossa aparência, como a cor dos olhos ou a existência de sardas, a um cego de nascença. Em vez disso, Jeová bondosamente nos ajuda a “vê-lo” em termos que podemos entender. Às vezes, emprega metáforas e analogias, comparando-se a coisas que conhecemos. Ele até mesmo descreve a si mesmo como tendo certas características humanas.a
13. O que vem à nossa mente quando lemos Isaías 40:11 e como isso afeta você?
13 Note a descrição de Jeová, em Isaías 40:11: “Como um pastor ele cuidará do seu rebanho. Com o seu braço reunirá os cordeiros e os carregará no colo.” Jeová é comparado aqui a um pastor que apanha os cordeiros com o “braço”. Isso denota que Deus pode proteger e apoiar o seu povo, mesmo os mais vulneráveis. Podemos nos sentir seguros nos seus fortes braços, pois, se formos leais, ele jamais nos abandonará. (Romanos 8:38, 39) O Grandioso Pastor carrega os cordeiros “no colo” — uma expressão que se refere a folgadas dobras na parte superior da roupa, onde o pastor às vezes carregava um cordeiro recém-nascido. Isso nos assegura de que Jeová nos preza e cuida ternamente de nós. É somente natural querer achegar-se a ele.
‘O Filho quer revelá-lo’
14. Por que se pode dizer que Jeová fornece a mais clara revelação de si mesmo por meio de Jesus?
14 Na sua Palavra, Jeová fornece a mais clara revelação de si mesmo por meio de seu Filho amado, Jesus. Ninguém poderia refletir melhor o modo de pensar e os sentimentos de Deus, ou explicá-lo mais vividamente, do que Jesus. Afinal, esse Filho primogênito existia junto a seu Pai antes de outras criaturas espirituais e o Universo físico serem criados. (Colossenses 1:15) Jesus conhecia muito bem a Jeová. É por isso que podia dizer: “Ninguém sabe quem o Filho é, exceto o Pai; e ninguém sabe quem o Pai é, exceto o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-lo.” (Lucas 10:22) Quando esteve na Terra como homem, Jesus revelou seu Pai de duas maneiras importantes.
15, 16. De que duas maneiras Jesus revelou seu Pai?
15 Primeiro, os ensinos de Jesus nos ajudam a conhecer o seu Pai. Jesus descreveu Jeová em termos que tocam o nosso coração. Por exemplo, para explicar que Deus é misericordioso e acolhe de volta pecadores arrependidos, Jesus assemelhou Jeová a um pai perdoador que, de tão comovido que fica ao ver seu filho pródigo voltar, sai correndo e o abraça e o beija ternamente. (Lucas 15:11-24) Jesus também retratou Jeová como Deus que ‘atrai’ pessoas retas porque as ama como indivíduos. (João 6:44) Ele sabe até mesmo quando um pequenino pardal cai ao chão. “Não tenham medo”, Jesus explicou, “vocês valem mais do que muitos pardais”. (Mateus 10:29, 31) Não podemos deixar de nos sentir atraídos a um Deus tão afetuoso.
16 Segundo, o exemplo de Jesus nos mostra como Jeová é. Jesus refletiu seu Pai com tanta perfeição, que podia dizer: “Quem me vê, vê também o Pai.” (João 14:9) Assim, quando lemos sobre ele nos Evangelhos — os sentimentos que demonstrou e como tratou os outros —, estamos de certa forma vendo um retrato vivo de seu Pai. Jeová não poderia nos ter dado uma revelação mais clara de suas qualidades do que essa. Por quê?
17. Ilustre o que Jeová fez para nos ajudar a entender como ele é.
17 Para ilustrar: imagine tentar explicar o que é bondade. Você poderia defini-la em palavras. Mas, se pudesse apontar alguém realizando um ato bondoso e dizer: “Isso é um exemplo de bondade”, a palavra assumiria maior significado e ficaria mais fácil de entender. Jeová fez algo similar para nos ajudar a entender como ele é. Além de descrever a si mesmo em palavras, forneceu-nos o exemplo vivo de seu Filho. Em Jesus, as qualidades de Deus são vistas em ação. Por meio dos relatos evangélicos a respeito de Jesus, Jeová está, na realidade, dizendo: “É assim que eu sou.” Como o registro inspirado descreve Jesus quando esteve na Terra?
18. Como Jesus expressou as qualidades de poder, justiça e sabedoria?
18 Jesus expressou muito bem as quatro qualidades principais de Deus. Ele tinha poder sobre as doenças, a fome e até mesmo a morte. No entanto, ao contrário de homens egoístas que abusam do poder, Jesus jamais usou o poder milagroso em benefício próprio, ou para prejudicar outros. (Mateus 4:2-4) Ele amava a justiça. Seu coração encheu-se de indignação justa ao ver vendedores inescrupulosos explorando o povo. (Mateus 21:12, 13) Ele tratou os pobres e os oprimidos com imparcialidade, ajudando-os a ‘achar revigoramento’ para si mesmos. (Mateus 11:4, 5, 28-30) Havia inigualável sabedoria nos ensinos de Jesus, que era “maior do que Salomão”. (Mateus 12:42) Mas Jesus jamais fez uso exibicionista de sua sabedoria. Suas palavras tocavam o coração das pessoas comuns, pois seus ensinos eram claros, simples e práticos.
19, 20. (a) De que maneira Jesus foi um exemplo notável de amor? (b) Ao lermos e refletirmos a respeito do exemplo de Jesus, o que temos de ter em mente?
19 Jesus foi um exemplo notável de amor. Durante todo o seu ministério, ele demonstrou amor em suas muitas facetas, incluindo a empatia e a compaixão. Ele não deixava de sentir pena ao ver o sofrimento alheio. Vez após vez, essa sensibilidade induziu-o à ação. (Mateus 14:14) Embora curasse doentes e alimentasse famintos, Jesus mostrou compaixão de um modo muito mais vital. Ele ajudou outros a conhecer, a aceitar e a amar a verdade a respeito do Reino de Deus, que trará bênçãos eternas à humanidade. (Marcos 6:34; Lucas 4:43) Acima de tudo, Jesus mostrou amor abnegado por entregar voluntariamente a sua vida em favor de outros. — João 15:13.
20 É de admirar que pessoas de todas as idades e formações se sentissem atraídas a esse homem tão caloroso e de sentimentos tão profundos? (Marcos 10:13-16) Ao lermos e refletirmos a respeito do exemplo vivo de Jesus, porém, tenhamos sempre em mente que nesse Filho vemos um reflexo claro de seu Pai. — Hebreus 1:3.
Um compêndio que nos ajuda
21, 22. O que está envolvido em buscar a Jeová, e o que este livro contém para nos ajudar nesse esforço?
21 Por revelar a si mesmo tão claramente na sua Palavra, Jeová não deixa dúvidas de que deseja que nos acheguemos a ele. Ao mesmo tempo, ele não nos obriga a procurar uma relação aprovada com ele. Cabe a nós buscarmos a Jeová “enquanto ele pode ser achado”. (Isaías 55:6) Isso envolve vir a conhecer as suas qualidades e o seu modo de agir, revelados na Bíblia. O livro que você está lendo foi produzido para ajudá-lo nesse sentido.
22 Verá que este livro é dividido em seções correspondentes às quatro qualidades principais de Jeová: poder, justiça, sabedoria e amor. Cada seção começa com um resumo da respectiva qualidade. Os capítulos seguintes da seção abordam como Jeová manifesta essa qualidade, em seus vários aspectos. Cada seção contém também um capítulo que mostra como Jesus exemplificou a qualidade e outro que examina como podemos refleti-la na nossa vida.
23, 24. (a) Explique a parte especial “Perguntas para Meditação”. (b) Como a meditação nos ajudará a nos achegar ainda mais a Deus?
23 Começando neste capítulo, há uma parte especial chamada “Perguntas para Meditação”. Como exemplo, veja o quadro na página 24. Os textos e as perguntas não foram preparados para servir como recapitulação do capítulo. Antes, seu objetivo é ajudar você a refletir sobre outros aspectos importantes do assunto. Como poderá usar bem essa parte? Procure todos os textos citados e leia-os atentamente. Daí, tente responder à pergunta que acompanha cada citação. Medite nas respostas. Talvez possa fazer pesquisas. Faça a si mesmo perguntas adicionais: ‘O que essa informação me diz a respeito de Jeová? Como afeta a minha vida? Como posso usar isso para ajudar outros?’
24 Essa meditação nos ajudará a nos achegarmos ainda mais a Jeová. Por quê? A Bíblia associa a meditação com o coração. (Salmo 19:14) Quando refletimos com apreço sobre o que aprendemos a respeito de Deus, as informações se infiltram no nosso coração simbólico, onde afetam o nosso modo de pensar, estimulam os sentimentos e, por fim, nos movem à ação. O nosso amor a Deus se aprofunda e esse amor, por sua vez, nos move a desejar agradá-lo como nosso Amigo mais querido. (1 João 5:3) Para chegar a essa relação, temos de conhecer as qualidades e o modo de Jeová agir. Primeiro, no entanto, vamos considerar um aspecto da natureza de Deus que nos impele a nos achegar a ele — a santidade.
a Por exemplo, a Bíblia fala da face, olhos, ouvidos, narinas, boca, braços e pés de Deus. (Salmo 18:15; 27:8; 44:3; Isaías 60:13; Mateus 4:4; 1 Pedro 3:12) Tais expressões, assim como as referências a Jeová como “Rocha” ou “escudo”, não devem ser entendidas literalmente. — Deuteronômio 32:4; Salmo 84:11.
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“Santo, santo, santo é Jeová”Achegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 3
“Santo, santo, santo é Jeová”
1, 2. Que visão teve o profeta Isaías e o que ela nos ensina sobre Jeová?
ISAÍAS ficou pasmado com o que presenciou numa visão da parte de Deus. Parecia tão real! Mais tarde, ele escreveu que realmente ‘viu Jeová’ em Seu trono enaltecido e Suas longas ‘vestes’ que enchiam o enorme templo de Jerusalém. — Isaías 6:1, 2.
2 Isaías também ficou pasmado com o que ouviu: um canto tão forte que estremecia os alicerces do templo. Os cantores eram serafins, criaturas espirituais de altíssimo posto. A poderosa melodia deles soava palavras de pura grandeza: “Santo, santo, santo é Jeová dos exércitos. A terra inteira está cheia da sua glória.” (Isaías 6:3, 4) Entoar a palavra “santo” três vezes conferiu-lhe ênfase especial e isso é bem apropriado, pois Jeová é santo em grau superlativo. (Apocalipse 4:8) A santidade de Jeová é enfatizada na Bíblia inteira. Centenas de versículos associam o Seu nome às palavras “santo” e “santidade”.
3. Por que certos conceitos errados sobre a santidade de Jeová afastam muitos de Deus, em vez de achegá-los a ele?
3 Obviamente, pois, uma das primeiras coisas que Jeová deseja que entendamos a seu respeito é que ele é santo. Essa ideia, no entanto, afasta a muitos hoje que erroneamente associam santidade com farisaísmo, ou falsa piedade. Para pessoas que lutam contra sentimentos negativos a respeito de si mesmas, a santidade de Deus pode parecer mais intimidadora do que atraente. Talvez temam jamais ser dignas de se achegarem a esse Deus santo. Assim, muitos se afastam dele por causa de sua santidade. Isso é lamentável, pois a santidade de Deus, na verdade, deveria impelir-nos a nos achegarmos a ele. Como assim? Antes de respondermos a essa pergunta, vejamos o que é a verdadeira santidade.
O que é santidade?
4, 5. (a) O que significa “santidade” e o que não significa? (b) Em que dois sentidos importantes Jeová está “separado”?
4 Ser santo não significa que Deus seja presunçoso, altivo ou arrogante. Ao contrário, ele odeia essas características. (Provérbios 16:5; Tiago 4:6) Assim, o que realmente significa a palavra “santo”? No hebraico bíblico, ela deriva de um termo que significa “separado”. Na adoração, “santo” se aplica ao que é separado do uso comum, ou tido como sagrado. A santidade tem também forte conotação de limpeza e pureza. Em que sentido essa palavra se aplica a Jeová? Significa que ele está “separado” de humanos imperfeitos, bem longe de nós?
5 De modo algum. Como “Santo de Israel”, Jeová garantiu ao seu povo que morava no “meio” deles, embora eles fossem pecaminosos. (Isaías 12:6; Oseias 11:9) Assim, a santidade de Jeová não o torna distante. Em que sentido, então, ele está “separado”? De duas maneiras importantes. Primeiro, ele está separado, ou distinto, de toda a criação no sentido de que somente ele é o Altíssimo. A sua pureza é absoluta e infinita. (Salmo 40:5; 83:18) Segundo, Jeová está inteiramente separado de toda pecaminosidade, uma ideia consoladora. Por quê?
6. Por que o fato de Jeová estar absolutamente separado da pecaminosidade é consolador?
6 Vivemos num mundo em que a verdadeira santidade é uma raridade. Tudo a respeito da sociedade humana alienada de Deus é poluído de alguma maneira, manchado com pecado e imperfeição. Todos nós temos de lutar contra o pecado dentro de nós. E todos corremos o risco de sermos vencidos pelo pecado, se baixarmos a guarda. (Romanos 7:15-25; 1 Coríntios 10:12) Jeová não corre esse risco. Totalmente afastado da pecaminosidade, jamais será manchado pelo mais leve traço do pecado. Isso reforça nosso conceito de Jeová como Pai ideal, pois significa que ele é inteiramente confiável. Ao contrário de muitos pais humanos pecadores, Jeová jamais se tornará corrupto, dissoluto ou abusivo. A sua santidade impede tais coisas. Algumas vezes, Jeová até mesmo jurou em nome de sua própria santidade, pois nada poderia ser mais digno de confiança. (Amós 4:2) Não acha isso animador?
7. Por que se pode dizer que a santidade faz parte da própria natureza de Jeová?
7 A santidade faz parte da própria natureza de Jeová. O que isso significa? Para ilustrar: considere as palavras “homem” e “imperfeito”. Não podemos falar da primeira sem lembrar da segunda. Somos marcados pela imperfeição e ela deixa vestígios em tudo o que fazemos. Considere agora duas palavras bem diferentes: “Jeová” e “santo”. A santidade é própria de Jeová. Tudo a seu respeito é limpo, puro e correto. Não podemos conhecer a Jeová como ele realmente é sem entender essa palavra profunda — “santo”.
“A santidade pertence a Jeová”
8, 9. O que mostra que Jeová ajuda humanos imperfeitos a se tornarem santos em sentido relativo?
8 Visto que Jeová personifica a qualidade da santidade, pode-se dizer corretamente que ele é a fonte de toda a santidade. Ele não retém egoistamente essa qualidade preciosa; divide-a com outros, de forma generosa. Ora, quando Deus falou a Moisés, por meio de um anjo no espinheiro ardente, até mesmo o solo em volta tornou-se santo devido à sua ligação com Jeová! — Êxodo 3:5.
9 Podem humanos imperfeitos se tornar santos com a ajuda de Jeová? Sim, em sentido relativo. Deus ofereceu ao seu povo Israel a perspectiva de se tornarem “uma nação santa”. (Êxodo 19:6) Ele abençoou essa nação com um sistema de adoração santo, limpo e puro. De modo que a santidade é um tema recorrente na Lei mosaica. De fato, o sumo sacerdote usava uma lâmina de ouro na frente do turbante, onde todos podiam vê-la reluzindo. Gravadas nela havia as palavras: “A santidade pertence a Jeová.” (Êxodo 28:36) Portanto, a adoração dos israelitas e, sem dúvida, seu modo de vida, se distinguiriam por um alto padrão de limpeza e pureza. Jeová disse-lhes: “Vocês devem ser santos, porque eu, Jeová, seu Deus, sou santo.” (Levítico 19:2) Enquanto viviam à altura dos conselhos de Deus, dentro dos limites da imperfeição humana, os israelitas eram santos em sentido relativo.
10. Na questão da santidade, que contraste havia entre o Israel antigo e as nações vizinhas?
10 Essa ênfase na santidade estava em nítido contraste com a adoração praticada pelas nações vizinhas de Israel. Essas nações pagãs adoravam deuses cuja própria existência era uma mentira e uma farsa, deuses estes representados como violentos, gananciosos e promíscuos. Eram pervertidos em todos os sentidos. A adoração de tais deuses pervertia as pessoas. Por isso, Jeová alertou seus servos a se manterem separados dos adoradores pagãos e de suas contaminadas práticas religiosas. — Levítico 18:24-28; 1 Reis 11:1, 2.
11. Como a santidade da organização celestial de Jeová é evidente (a) nos anjos? (b) nos serafins? (c) em Jesus?
11 Quando muito, a nação escolhida de Jeová, o Israel antigo, podia fornecer apenas um leve reflexo da santidade da parte celestial da organização de Deus. Os milhões de criaturas espirituais que servem lealmente a Deus são chamados de “santas miríades”. (Deuteronômio 33:2; Judas 14) Eles refletem com perfeição o brilho e a pura beleza da santidade de Deus. E lembre-se dos serafins que Isaías observou na visão. O conteúdo do cântico deles sugere que essas poderosas criaturas espirituais desempenham um papel importante na divulgação da santidade de Jeová em todo o Universo. Mas há uma criatura espiritual que está acima de todos eles — o Filho unigênito de Deus. Jesus é o mais sublime reflexo da santidade de Jeová. Corretamente, ele é conhecido como “o Santo de Deus”. — João 6:68, 69.
Nome santo, espírito santo
12, 13. (a) Por que o nome de Deus é apropriadamente chamado de santo? (b) Por que é preciso limpar o nome de Deus de toda acusação?
12 Que dizer do nome do próprio Deus? Como vimos no Capítulo 1, esse nome não é mero título ou rótulo. Representa a Jeová Deus, englobando todas as suas qualidades. Assim, a Bíblia nos diz que seu “nome é santo”. (Isaías 57:15) A Lei mosaica previa a pena de morte para quem profanasse o nome de Deus. (Levítico 24:16) E note o que Jesus colocou como prioridade na oração: “Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome.” (Mateus 6:9) Santificar algo significa colocá-lo à parte como sagrado e venerá-lo, defendê-lo como santo. Mas por que algo puro por natureza, como o nome do próprio Deus, necessitaria ser santificado?
13 O santo nome de Deus tem sido desonrado e manchado com mentiras e calúnias. No Éden, Satanás mentiu a respeito de Jeová e deu a entender que Ele é um Soberano injusto. (Gênesis 3:1-5) Desde então, Satanás — o governante deste mundo ímpio — tem cuidado de que as mentiras a respeito de Deus se multiplicassem. (João 8:44; 12:31; Apocalipse 12:9) As religiões têm representado a Deus como arbitrário, distante ou cruel. Têm afirmado ter o apoio dele em suas guerras sangrentas. O crédito pelas maravilhosas criações de Deus muitas vezes é dado ao acaso cego, ou evolução. Sim, o nome de Deus tem sido maldosamente difamado. Precisa ser santificado; a sua merecida glória tem de ser restabelecida. Ansiamos pelo dia em que Jeová limpará seu nome para sempre de toda acusação. Ele fará isso por meio do Reino governado por seu Filho. Alegra-nos ter certa participação nesse grandioso objetivo.
14. Por que o espírito de Deus é chamado de santo, e por que é tão sério blasfemar o espírito santo?
14 Há algo mais, estreitamente ligado a Jeová, que quase sempre é chamado de santo: seu espírito, ou força ativa. (Gênesis 1:2) Jeová usa essa força poderosa para realizar seus propósitos. Deus realiza tudo de maneira santa, pura e limpa, de modo que sua força ativa é apropriadamente chamada de espírito santo, ou espírito de santidade. (Lucas 11:13; Romanos 1:4) Blasfemar esse espírito santo, que implica agir deliberadamente contra os propósitos de Jeová, é um pecado imperdoável. — Marcos 3:29.
Por que a santidade de Jeová nos atrai a ele?
15. Por que ter temor é uma reação apropriada à santidade de Jeová? O que envolve esse temor?
15 Não é difícil ver, portanto, por que a Bíblia faz uma ligação entre a santidade de Deus e o temor da parte do homem. Por exemplo, o Salmo 99:3 reza: “Que eles louvem o teu grande nome, pois inspira temor e é santo.” Esse temor é um senso profundo de reverência, respeito na sua forma mais enobrecedora. É apropriado sentir-se assim, visto que a santidade de Deus está tão acima de nós. Ela é fulgurantemente limpa, gloriosa. Ainda assim, não nos deve repelir. Ao contrário, o conceito correto sobre a santidade de Deus nos achegará ainda mais a ele. Por quê?
16. (a) Como a santidade é associada à glória, ou beleza? Dê um exemplo. (b) Como as descrições visionárias de Jeová acentuam a limpeza, a pureza e a luz?
16 Por um lado, a Bíblia associa a santidade à beleza. Em Isaías 63:15, o céu é descrito como “elevada morada, santa e gloriosa [ou, “bela”, nota]”. A glória e a beleza nos atraem. Por exemplo, veja a foto na página 33. Acha esse cenário atraente? Por quê? Note como a água parece pura. Até mesmo o ar deve ser limpo, pois o céu é azul e a luz parece cintilar. Mas se o cenário fosse alterado — o riacho entulhado de lixo, as árvores e as pedras cobertas de pichações, o ar poluído — não nos atrairia mais; nos repeliria. Normalmente, associamos a beleza à limpeza, à pureza e à luz. Essas mesmas palavras podem ser usadas para descrever a santidade de Jeová. Não é de admirar que as descrições visionárias de Jeová nos encantem! Reluzente, deslumbrante como pedras preciosas, fulgurante como fogo, ou como os mais puros e brilhantes metais preciosos — assim é a glória, ou beleza, de nosso Deus santo. — Ezequiel 1:25-28; Apocalipse 4:2, 3.
Assim como a beleza, a santidade deve nos atrair
17, 18. (a) Qual foi a reação inicial de Isaías diante da visão que teve? (b) Como Jeová usou um serafim para consolar Isaías, e que significado teve o gesto do serafim?
17 Mas será que a santidade de Deus deveria nos fazer sentir inferiores, em comparação? A resposta, naturalmente, é sim. Afinal, somos mesmo muitíssimo inferiores a Jeová, para dizer o mínimo. Seria esse um motivo para nos afastarmos dele? Considere a reação de Isaías ao ouvir os serafins proclamarem a santidade de Jeová. “Eu disse: ‘Ai de mim! A bem dizer já estou morto, pois sou um homem de lábios impuros e moro no meio de um povo de lábios impuros; pois os meus olhos viram o próprio Rei, Jeová dos exércitos!’” (Isaías 6:5) Sim, a infinita santidade de Jeová lembrou Isaías de como ele era pecaminoso e imperfeito. Inicialmente, esse homem fiel ficou arrasado. Mas Jeová não o deixou nesse estado.
18 Um serafim prontamente consolou o profeta. Como? Esse poderoso espírito voou até o altar, apanhou uma brasa ali e, com ela, tocou nos lábios de Isaías. Isso talvez pareça mais uma tortura do que um consolo. Mas lembre-se de que era uma visão, rica em simbolismos. Isaías, um judeu fiel, bem sabia que diariamente eram oferecidos sacrifícios no altar do templo, para expiação de pecados. E o serafim amorosamente lembrou o profeta de que, embora fosse mesmo imperfeito, “de lábios impuros”, ainda assim podia ter uma posição limpa perante Deus.a Jeová se dispunha a considerar santo um homem imperfeito e pecaminoso — pelo menos em sentido relativo. — Isaías 6:6, 7.
19. Como podemos ser santos em sentido relativo, mesmo sendo imperfeitos?
19 O mesmo se aplica hoje. Todos aqueles sacrifícios oferecidos no altar em Jerusalém eram apenas sombras de algo maior — o perfeito sacrifício único, oferecido por Jesus Cristo em 33 EC. (Hebreus 9:11-14) Se realmente nos arrependermos de nossos pecados, corrigirmos nosso modo errado de agir e exercermos fé nesse sacrifício, seremos perdoados. (1 João 2:2) Também podemos ter uma posição limpa perante Deus. Assim, o apóstolo Pedro nos lembra: “Está escrito: ‘Sejam santos, porque eu sou santo.’” (1 Pedro 1:16) Note que Jeová não disse que temos de ser tão santos quanto ele. Ele jamais espera o impossível de nós. (Salmo 103:13, 14) Em vez disso, Jeová diz para sermos santos porque ele é santo. “Como filhos amados”, tentamos imitá-lo da melhor maneira, dentro do que é possível para humanos imperfeitos. (Efésios 5:1) Portanto, alcançar a santidade é um processo contínuo. À medida que crescemos espiritualmente, procuramos ‘aperfeiçoar a santidade’ todos os dias. — 2 Coríntios 7:1.
20. (a) Por que é importante entender que podemos ser puros aos olhos de nosso Deus santo? (b) Como Isaías reagiu quando soube que seus pecados haviam sido expiados?
20 Jeová ama o que é direito e puro. Ele odeia o pecado. (Habacuque 1:13) Mas ele não nos odeia. Enquanto encararmos o pecado como ele o encara — odiarmos o que é mau e amarmos o que é bom — e nos esforçarmos em seguir as pisadas perfeitas de Cristo Jesus, Jeová perdoará nossos pecados. (Amós 5:15; 1 Pedro 2:21) Quando entendemos que podemos ser puros aos olhos de nosso Deus santo, os efeitos são profundos. Lembre-se de que a santidade de Jeová, de início, fez Isaías lembrar-se de sua própria impureza. Ele bradou: “Ai de mim!” Mas, uma vez que entendeu que seus pecados haviam sido expiados, sua disposição mudou. Quando Jeová pediu um voluntário para cumprir certa designação, Isaías respondeu prontamente, sem nem saber do que se tratava. Ele exclamou: “Aqui estou! Envia-me!” — Isaías 6:5-8.
21. Que base temos para confiar que podemos cultivar a qualidade da santidade?
21 Fomos feitos à imagem do Deus santo, dotados de qualidades morais e da capacidade de exercer espiritualidade. (Gênesis 1:26) Existe um potencial de santidade dentro de cada um de nós. À medida que continuarmos a cultivá-la, Jeová terá prazer em ajudar. Nesse processo, nos achegaremos cada vez mais ao nosso Deus santo. Além disso, ao considerarmos as qualidades de Jeová nos próximos capítulos, veremos que existem muitos motivos fortes para nos achegarmos a ele.
a A expressão “de lábios impuros” é apropriada, pois a Bíblia muitas vezes usa os lábios como símbolo da fala, ou linguagem. Em todos os humanos imperfeitos, uma grande proporção de pecados pode ser atribuída ao modo de usar a faculdade da fala. — Provérbios 10:19; Tiago 3:2, 6.
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“Jeová é . . . grande em poder”Achegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 4
“Jeová é . . . grande em poder”
1, 2. Que coisas espantosas Elias já havia visto, mas que eventos espetaculares presenciou à entrada de uma caverna no monte Horebe?
ELIAS já havia visto coisas espantosas: corvos lhe trouxeram comida duas vezes por dia, enquanto vivia num esconderijo; dois recipientes supriram farinha e azeite sem nunca esvaziar durante uma fome prolongada; até mesmo fogo caiu do céu em resposta à sua oração. (1 Reis, capítulos 17, 18) Mas Elias nunca havia visto nada como o que se segue.
2 Abrigado à entrada de uma caverna no monte Horebe, ele presenciou uma série de eventos espetaculares. Primeiro, um vento. Deve ter causado um ruído ensurdecedor, pois, de tão forte, “partia montes e despedaçava rochedos”. Depois houve um terremoto, que liberou forças tremendas confinadas na crosta terrestre. Em seguida, fogo. Enquanto esse ardia, Elias deve ter sentido o sopro de seu calor escaldante. — 1 Reis 19:8-12.
3. Elias presenciou evidências de que qualidade divina e onde podemos ver evidências dessa mesma qualidade?
3 Todos esses eventos de naturezas diversas, presenciados por Elias, tiveram algo em comum — eram demonstrações do grande poder de Jeová. Naturalmente, não é preciso ver um milagre para discernir que Deus tem essa qualidade. Ela é óbvia. A Bíblia diz que a criação é prova do “poder eterno e Divindade” de Jeová. (Romanos 1:20) Pense nos clarões e estrondos de uma tempestade, na majestosa precipitação das águas de uma cachoeira, na estonteante vastidão de um céu estrelado! Não vê nessas manifestações o poder de Deus? No entanto, poucos no mundo atual realmente reconhecem o poder divino. Menos ainda encaram de maneira apropriada esse poder. Entender essa qualidade divina, porém, nos dá muitos motivos para nos achegar a Jeová. Nesta seção, vamos realizar um estudo detalhado do poder inigualável de Jeová.
“Jeová estava passando”
Qualidade essencial de Jeová
4, 5. (a) O que a Bíblia diz sobre o nome de Jeová? (b) Por que é apropriado que Jeová tenha escolhido o touro como símbolo de seu poder?
4 Jeová é incomparável em poder. Jeremias 10:6 diz: “Ninguém é como tu, ó Jeová. Tu és grande, e o teu nome é grande e poderoso.” Note que o nome de Jeová é descrito como grande e poderoso. Lembre-se de que esse nome evidentemente significa “Ele faz com que venha a ser”. O que habilita Jeová a criar qualquer coisa que ele queira e se tornar o que quer que ele deseje se tornar? O poder. Sim, Jeová tem capacidade ilimitada para agir, para cumprir a sua vontade. Esse poder é uma de suas qualidades essenciais.
5 Visto que jamais poderíamos entender a plenitude de seu poder, Jeová usa ilustrações para nos ajudar. Como já vimos, ele usa o touro como símbolo de poder. (Ezequiel 1:4-10) É uma escolha apropriada, pois mesmo o touro domesticado é uma criatura grande e poderosa. O povo da Palestina nos tempos bíblicos raramente, se é que alguma vez, se confrontava com algum animal mais forte. Mas eles conheciam, sim, um tipo de touro ainda mais temível — o touro selvagem, ou auroque, hoje extinto. (Jó 39:9-12) Júlio César, um governante romano, disse certa vez que os touros selvagens eram quase do tamanho de elefantes. “É grande a força deles”, escreveu, “e é grande a sua velocidade”. Imagine como você se sentiria pequeno e fraco perto de uma criatura dessas!
6. Por que somente Jeová é chamado de “o Todo-Poderoso”?
6 Similarmente, o homem é bem pequeno e fraco em comparação com o Deus de poder, Jeová. Para este, até mesmo nações poderosas são como mera camada fina de pó numa balança. (Isaías 40:15) Diferentemente de qualquer criatura, o poder de Jeová é ilimitado, pois só ele é chamado de “o Todo-Poderoso”.a (Apocalipse 15:3) Jeová tem “atemorizante poder” e “imensa energia dinâmica”. (Isaías 40:26) Ele é a Fonte perene, inesgotável, de força e de poder. Ele não depende de uma fonte externa de energia, pois “a força pertence a Deus”. (Salmo 62:11) De que maneiras, porém, Jeová usa seu poder?
Como Jeová usa seu poder
7. O que é o espírito santo de Jeová, e que ideia transmitem as palavras dos idiomas originais usadas na Bíblia?
7 Espírito santo emana de Jeová em quantidade ilimitada. É o poder de Deus em ação. De fato, em Gênesis 1:2 a Bíblia refere-se ao espírito santo como “força ativa” de Deus. As palavras hebraica e grega originais vertidas “espírito” podem, em outros contextos, ser traduzidas por “vento”, “fôlego” e “sopro”. Segundo os lexicógrafos, as palavras dos idiomas originais transmitem a ideia de uma força invisível em ação. Assim como o vento, o espírito de Deus é invisível para nós, mas seus efeitos são reais e discerníveis.
8. Que expressões simbólicas a Bíblia usa para referir-se ao espírito santo, e por que são apropriadas?
8 O espírito santo de Deus é infinitamente versátil. Jeová pode usá-lo para realizar qualquer propósito que tenha em mente. É apropriado, pois, que na Bíblia o espírito santo seja simbolicamente chamado de “dedo”, “mão poderosa” ou “braço estendido” de Deus. (Lucas 11:20; Deuteronômio 5:15; Salmo 8:3) Assim como o homem pode usar as mãos para realizar uma grande variedade de tarefas que exigem diferentes graus de força ou de destreza, Deus podia, e ainda pode, usar seu espírito para realizar qualquer coisa — como criar o infinitésimo átomo, partir o mar Vermelho ou capacitar os cristãos do primeiro século a falar em línguas.
9. Até que ponto vai o poder de comando de Jeová?
9 Jeová também usa o poder no exercício de sua autoridade como Soberano Universal. Consegue imaginar ter sob seu comando milhões e milhões de súditos inteligentes e capazes, ansiosos de cumprir as suas ordens? Jeová tem tal poder de comando. Ele tem servos humanos, que as Escrituras muitas vezes comparam a um exército. (Salmo 68:11; 110:3) No entanto, o ser humano é uma criatura fraca, em comparação com um anjo. Ora, quando os soldados assírios atacaram o povo de Deus, um único anjo matou 185 mil deles numa só noite! (2 Reis 19:35) Os anjos de Deus são “fortes e poderosos”. — Salmo 103:19, 20.
10. (a) Por que o Todo-Poderoso é chamado de Jeová dos exércitos? (b) Quem é a criatura mais poderosa de Jeová?
10 Quantos anjos existem? O profeta Daniel, numa visão que teve do céu, observou bem mais de 100 milhões de criaturas espirituais perante o trono de Jeová. Mas nada indica que ele tenha visto a totalidade dos anjos. (Daniel 7:10) Portanto, talvez existam centenas de milhões de anjos. De modo que Deus é chamado de Jeová dos exércitos. Esse título indica sua posição poderosa de Comandante de uma vasta e organizada formação de anjos poderosos. Acima de todas essas criaturas espirituais ele colocou alguém como responsável, seu Filho amado, “o primogênito de toda a criação”. (Colossenses 1:15) Como arcanjo — superior a todos os anjos, serafins e querubins —, Jesus é a criatura mais poderosa de Jeová.
11, 12. (a) De que maneiras a palavra de Deus exerce poder? (b) Como Jesus atestou a grandeza do poder de Jeová?
11 Mas Jeová usa o poder ainda de outras maneiras. Hebreus 4:12 diz: “A palavra de Deus é viva e exerce poder.” Já observou o poder fenomenal da palavra de Deus, a mensagem inspirada pelo espírito, preservada na Bíblia? Ela pode nos fortalecer, edificar a nossa fé e nos ajudar a fazer grandes mudanças pessoais. O apóstolo Paulo alertou concrentes contra indivíduos que levavam uma vida crassamente imoral. Daí acrescentou: “No entanto, isso é o que alguns de vocês foram.” (1 Coríntios 6:9-11) Sim, “a palavra de Deus” havia exercido seu poder sobre eles e os ajudado a fazer mudanças.
12 O poder de Jeová é tão imenso, e seus meios de usá-lo são tão eficazes, que nada pode impedi-lo. Jesus disse: “Para Deus todas as coisas são possíveis.” (Mateus 19:26) Com que objetivos Jeová usa seu poder?
Poder guiado por um propósito
13, 14. (a) Por que se pode dizer que Jeová não é uma fonte impessoal de energia ou poder? (b) De que maneiras Jeová usa seu poder?
13 O espírito de Jeová é muito superior a qualquer força física; e Jeová não é uma força impessoal, uma mera fonte de energia. É um Deus pessoal, no pleno controle de seu próprio poder. O que, então, o induz a usá-lo?
14 Como veremos, Deus usa seu poder para criar, destruir, proteger e restaurar — em suma, para fazer tudo o que se enquadra nos seus propósitos perfeitos. (Isaías 46:10) Em certos casos, Jeová usa o poder para revelar aspectos importantes de sua personalidade e de seus padrões. Acima de tudo, ele o usa para cumprir Sua vontade — santificar seu santo nome por meio do Reino messiânico, mostrando que Seu modo de governar é o melhor. Nada pode frustrar esse propósito.
15. Com que propósito relacionado com os seus servos Jeová usa o seu poder, e como se viu isso no caso de Elias?
15 Jeová também usa seu poder para nos beneficiar pessoalmente. Note o que diz 2 Crônicas 16:9: “Os olhos de Jeová percorrem toda a terra, para mostrar a sua força a favor daqueles que têm o coração pleno para com ele.” O que aconteceu com Elias, conforme mencionado no início, ilustra isso. Por que Jeová lhe fez aquelas demonstrações assombrosas de poder divino? Bem, a perversa Rainha Jezabel havia jurado matar Elias. O profeta estava fugindo para salvar a vida. Ele se sentia sozinho, assustado e desanimado — como se todo o seu trabalho árduo tivesse sido em vão. Para consolar esse homem aflito, Jeová lembrou-o vividamente da grandeza do poder divino. O vento, o terremoto e o fogo indicavam que o Ser mais poderoso do Universo apoiava Elias. Por que deveria ter medo de Jezabel, tendo o apoio do Deus Todo-Poderoso? — 1 Reis 19:1-12.b
16. Quando meditamos no grande poder de Jeová, por que isso nos consola?
16 Embora atualmente não seja sua época de fazer milagres, Jeová não mudou desde os dias de Elias. (1 Coríntios 13:8) Ele está tão desejoso como sempre esteve de usar seu poder em favor dos que o amam. É verdade que ele reside num elevado domínio espiritual, mas não está longe de nós. Seu poder é ilimitado, de modo que a distância não é nenhum obstáculo. Na verdade, “Jeová está perto de todos os que o invocam”. (Salmo 145:18) Certa vez, quando o profeta Daniel orou a Jeová pedindo ajuda, um anjo lhe apareceu antes mesmo de ele terminar de orar! (Daniel 9:20-23) Nada pode impedir Jeová de ajudar e fortalecer aqueles a quem ele ama. — Salmo 118:6.
O grande poder de Deus o torna inacessível?
17. Em que sentido o poder de Jeová nos inspira temor, mas que tipo de temor não inspira?
17 Será que deveríamos temer a Deus por causa do seu poder? A única resposta possível é sim e não. Sim, no sentido de que tal qualidade nos dá amplos motivos para termos temor reverente, aquele profundo respeito que consideramos brevemente no capítulo anterior. Esse temor, diz a Bíblia, é “o princípio da sabedoria”. (Salmo 111:10) Mas também respondemos não, no sentido de que o poder de Deus não nos dá motivo para ter pavor dele ou evitar nos dirigir a ele.
18. (a) Por que muitos não confiam em pessoas poderosas? (b) Que certeza temos de que o poder de Jeová não pode corrompê-lo?
18 “O poder tende a corromper; o poder absoluto corrompe absolutamente.” Assim escreveu o historiador inglês Lorde Acton, em 1887. Essa declaração já foi citada muitas vezes, talvez porque tantas pessoas veem nela uma verdade inegável. Humanos imperfeitos costumam abusar do poder, como a História confirma vez após vez. (Eclesiastes 4:1; 8:9) Por isso, muitos não confiam nos poderosos e se afastam deles. Tendo em vista que o poder de Jeová é absoluto, será que isso o corrompeu de alguma maneira? Certamente que não! Como já vimos, ele é santo, absolutamente incorruptível. Jeová é diferente dos imperfeitos homens e mulheres de poder neste mundo corrupto. Ele nunca abusou de seu poder, e jamais o fará!
19, 20. (a) Jeová sempre usa seu poder em harmonia com que outras qualidades, e por que isso é reanimador? (b) Como você ilustraria o autocontrole de Jeová, e por que isso o atrai?
19 Lembre-se de que o poder não é a única qualidade de Jeová. Ainda estudaremos sua justiça, sua sabedoria e seu amor. Mas não pense que as qualidades de Jeová se manifestam de modo rígido ou mecânico, como se ele exercesse apenas uma delas por vez. Ao contrário, veremos nos próximos capítulos que Jeová sempre usa seu poder em harmonia com a justiça, a sabedoria e o amor. Considere ainda outra qualidade de Deus, rara entre os governantes do mundo — o autocontrole.
20 Imagine encontrar um homem tão alto e tão forte que você se sinta intimidado por ele. Com o tempo, porém, você percebe que ele parece ser gentil. Está sempre disposto e ansioso para usar seu poder para ajudar e proteger as pessoas, em especial os indefesos e vulneráveis. Ele jamais abusa de sua força. Você o vê ser caluniado sem justa causa e ainda assim o comportamento dele é firme, porém calmo, digno, até mesmo bondoso. Talvez fique imaginando se seria capaz de mostrar a mesma mansidão e autocontrole, em especial se fosse tão forte quanto ele! À medida que fosse conhecendo melhor esse homem, não teria vontade de se achegar mais a ele? Temos muitos outros motivos para nos achegar ao todo-poderoso Jeová. Note a sentença inteira em que se baseia o título deste capítulo: “Jeová é paciente e grande em poder.” (Naum 1:3) Jeová não se apressa em usar seu poder contra as pessoas, nem mesmo contra os perversos. Ele é brando e bondoso. Mostrou ser “paciente” diante de muitas provocações. — Salmo 78:37-41.
21. Por que Jeová não obriga as pessoas a fazer a Sua vontade, e o que isso nos ensina a respeito dele?
21 Considere o autocontrole de Jeová de outro ângulo. Se você tivesse poder ilimitado, acha que se sentiria, às vezes, tentado a obrigar as pessoas a fazer as coisas do seu jeito? Jeová, com todo o seu poder, não compele as pessoas a servi-lo. Embora servir a Deus seja o único caminho para a vida eterna, ele não nos obriga a prestar-lhe tal serviço. Em vez disso, bondosamente dignifica cada pessoa com a liberdade de escolha. Ele alerta contra as consequências das escolhas erradas e fala das recompensas das escolhas certas. Mas nós é que temos de escolher. (Deuteronômio 30:19, 20) Jeová simplesmente não tem interesse em que seus servos o obedeçam por obrigação, ou por temor mórbido de seu assombroso poder. Ele procura os que se oferecem voluntariamente para servi-lo, por amor. — 2 Coríntios 9:7.
22, 23. (a) Que indicações há de que Jeová se agrada em dar poder a outros? (b) O que consideraremos no próximo capítulo?
22 Vejamos mais um motivo pelo qual não precisamos ter pavor do Deus Todo-Poderoso. Humanos poderosos, em geral, temem partilhar o poder. Jeová, no entanto, se agrada em dar poder a seus adoradores leais. Ele delega grande autoridade a outros, como a seu Filho, por exemplo. (Mateus 28:18) Jeová também dá poder a seus servos de outra maneira. A Bíblia explica: “Teus, ó Jeová, são a grandeza, o poder, a glória, o esplendor e a majestade; pois tudo o que há nos céus e na terra pertence a ti. . . . Nas tuas mãos há força e poder, e nas tuas mãos há a capacidade para engrandecer e para fortalecer a todos.” — 1 Crônicas 29:11, 12.
23 Sim, Jeová terá prazer em lhe dar força. Ele até mesmo confere “poder além do normal” aos que desejam servi-lo. (2 Coríntios 4:7) Não se sente atraído a esse Deus dinâmico, que usa seu poder de modo tão bondoso e correto? No próximo capítulo, focalizaremos como Jeová usa seu poder para criar.
a A palavra grega traduzida por “Todo-Poderoso” literalmente significa “Governante de todos; Aquele que tem todo o poder”.
b A Bíblia diz que ‘Jeová não estava no vento, no terremoto ou no fogo’. Ao contrário dos adoradores de míticos deuses da natureza, os servos de Jeová não o procuram dentro das forças da natureza. Ele é grandioso demais para ficar confinado em algo que ele mesmo criou. — 1 Reis 8:27.
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Poder criativo — “Aquele que fez o céu e a terra”Achegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 5
Poder criativo — “Aquele que fez o céu e a terra”
1, 2. De que modo o Sol demonstra o poder criativo de Jeová?
JÁ FICOU alguma vez perto do fogo numa noite fria? Talvez tenha mantido as mãos na distância certa das chamas, para sentir seu calor agradável. Se você momentaneamente chegou perto demais, o calor ficou insuportável. E, caso tenha se afastado demais, o ar gelado da noite o fez sentir frio.
2 Existe um “fogo” que esquenta o nosso corpo durante o dia. Está a uma distância de uns 150 milhões de quilômetros.a Para que sintamos o calor do Sol de uma distância tão grande, que tremenda energia ele precisa ter! Mas a Terra orbita essa assombrosa fornalha termonuclear na distância exata. Perto demais, as águas da Terra evaporariam; longe demais, congelariam. Ambos os extremos eliminariam a vida no nosso planeta. Essencial para a vida na Terra, a luz solar é também limpa e eficiente, além de agradável. — Eclesiastes 11:7.
3. O Sol confirma que verdade importante?
3 No entanto, a maioria das pessoas encara o Sol como algo corriqueiro, embora dependam dele para viver. Com isso, deixam de aprender uma lição importante. A Bíblia diz a respeito de Jeová: “Fizeste a luz e o sol.” (Salmo 74:16) Sim, o Sol honra a Jeová, “Aquele que fez o céu e a terra”. (Salmo 19:1; 146:6) Ele é apenas um dos incontáveis corpos celestes que nos conscientizam do tremendo poder criativo de Jeová. Vamos examinar alguns desses e depois voltaremos nossa atenção para a Terra e sua grande variedade de vida.
‘Jeová fez a luz e o sol’
“Ergam os olhos para o céu e vejam”
4, 5. Qual é a capacidade e o tamanho do Sol, mas como se compara isso com outras estrelas?
4 Como sem dúvida sabe, o Sol é uma estrela. Ele parece ser maior do que as estrelas noturnas, pois está bem mais perto de nós. Qual é a sua capacidade? No núcleo, sua temperatura é de uns 15 milhões de graus Celsius. Se você pudesse apanhar do núcleo do Sol um pedacinho do tamanho de uma cabeça de alfinete e trazê-lo aqui para a Terra, ninguém estaria seguro a menos de 140 quilômetros distante dessa minúscula fonte de calor! A cada segundo, o Sol emite energia equivalente à explosão de muitas centenas de milhões de bombas nucleares.
5 O Sol é tão grande que, dentro dele, caberiam mais de 1 milhão e 300 mil Terras. Mas será que ele é uma estrela excepcionalmente grande? Não, os astrônomos chamam-na de anã amarela. O apóstolo Paulo escreveu que “uma estrela difere de outra estrela em glória”. (1 Coríntios 15:41) Ele nem tinha noção de como essas palavras inspiradas eram verdadeiras. Existe uma estrela tão grande que, se fosse colocada no lugar do Sol, a Terra ficaria dentro dela. Se fosse feita a mesma coisa com outra estrela gigante, essa ocuparia todo o espaço até Saturno — embora esse planeta esteja tão distante da Terra que uma espaçonave, viajando 40 vezes mais rápido do que uma bala de fuzil, levou quatro anos para chegar lá!
6. Como a Bíblia mostra que o número de estrelas é vasto do ponto de vista humano?
6 Ainda mais assombroso do que o tamanho das estrelas é a sua quantidade. De fato, a Bíblia sugere que as estrelas são praticamente inumeráveis, tão difíceis de contar como a “areia do mar”. (Jeremias 33:22) Isso subentende que há muito mais estrelas do que se pode ver a olho nu. Afinal, se um escritor bíblico, como Jeremias, erguesse os olhos e tentasse contar as estrelas à noite, teria contado apenas umas três mil — o total que se pode detectar a olho nu numa noite estrelada. Isso é comparável ao número de grãos num mero punhado de areia. Na realidade, porém, o número de estrelas é inimaginável, como o de grãos de areia do mar.b Quem seria capaz de contá-lo?
“Ele chama a todas elas por nome”
7. O que se pode dizer sobre o número de estrelas na nossa galáxia ou sobre o número de galáxias no Universo?
7 Isaías 40:26 responde: “Ergam os olhos para o céu e vejam. Quem criou estas coisas? Foi Aquele que as faz sair como um exército, por número; ele chama a todas elas por nome.” O Salmo 147:4 diz: “Ele conta o número das estrelas.” Qual é “o número das estrelas”? Não é uma pergunta fácil de ser respondida. Os astrônomos calculam que há mais de 100 bilhões delas só na nossa galáxia, a Via Láctea.c Alguns dizem que há muito mais. Mas a nossa galáxia é apenas uma dentre muitas outras, muitas das quais fervilham com mais estrelas ainda. Quantas galáxias existem? Astrônomos dizem centenas de bilhões, até mesmo trilhões. Parece que o homem ainda não consegue determinar nem mesmo o número de galáxias e muito menos o total exato dos bilhões de estrelas que elas contêm. Mas Jeová sabe quantas são. Além disso, ele dá um nome a cada estrela!
8. (a) Como se pode ter uma ideia do tamanho da galáxia Via Láctea? (b) Por que meios Jeová controla os movimentos dos corpos celestes?
8 A nossa reverência só pode aumentar quando pensamos no tamanho das galáxias. Calcula-se que a extensão da Via Láctea seja de uns 100 mil anos-luz. Imagine um raio de luz viajando à tremenda velocidade de 300 mil quilômetros por segundo. Esse raio levaria 100 mil anos para cruzar a nossa galáxia! E há galáxias muito maiores do que a nossa. A Bíblia diz que Jeová estende “os céus” como se fossem um simples tecido. (Salmo 104:2) Ele também controla os movimentos dessas criações. Desde a menor partícula de poeira interestelar até a mais poderosa galáxia, tudo se move segundo leis físicas formuladas e aplicadas por Deus. (Jó 38:31-33) Assim, alguns cientistas comparam os movimentos precisos dos corpos celestes à coreografia de um complexo balé. Pense, então, Naquele que criou essas coisas. Não sente profunda reverência pelo Deus de tamanho poder criativo?
“Aquele que fez a terra com o seu poder”
9, 10. De que maneiras é evidente o poder de Jeová no posicionamento do sistema solar, de Júpiter, da Terra e da Lua?
9 O poder criativo de Jeová é evidente em nosso lar, a Terra. Ele a situou com muita precisão dentro do vasto Universo. Alguns cientistas acreditam que muitas galáxias sejam inóspitas para um planeta em que há vida, como o nosso. A maior parte da Via Láctea evidentemente não foi projetada para sustentar vida. O centro galáctico está coalhado de estrelas. A radiação é alta e quase colisões entre estrelas são comuns. Nas extremidades da galáxia não existem muitos dos elementos essenciais à vida. O nosso sistema solar se localiza no ponto ideal, entre esses extremos.
10 A Terra se beneficia de um remoto, porém gigante, protetor — o planeta Júpiter. Mais de mil vezes maior do que a Terra, Júpiter exerce uma tremenda influência gravitacional. O resultado? Ele absorve ou desvia objetos que cruzam o espaço. Os cientistas calculam que, se não fosse Júpiter, a chuva de projéteis maciços que atingem a Terra seria 10 mil vezes maior do que é no presente. Mais perto, a Terra é abençoada com um satélite incomum — a Lua. Mais do que um ornamento e fonte de “luz noturna”, a Lua mantém a Terra numa inclinação constante e firme. Essa inclinação produz aqui estações previsíveis e estáveis — outro fator importante que favorece a vida.
11. Como a atmosfera da Terra foi projetada para servir de escudo protetor?
11 O poder criativo de Jeová é evidente em todas as facetas do projeto da Terra. Veja a atmosfera, que serve como um grande escudo. O Sol emite tanto raios benéficos como mortíferos. Ao atingirem a parte superior da atmosfera, os raios letais transformam o oxigênio comum em ozônio. A resultante camada de ozônio, por sua vez, absorve a maioria desses raios. Assim, nosso planeta tem seu próprio “guarda-chuva” protetor.
12. Como o ciclo de água atmosférico ilustra o poder criativo de Jeová?
12 Esse é apenas um dos aspectos da atmosfera, uma complexa mistura de gases, ideal para sustentar a vida das criaturas na superfície da Terra ou perto dela. Outra maravilha da atmosfera é o ciclo da água. Todo ano, o sol faz mais de 400 mil quilômetros cúbicos de água evaporar dos oceanos e mares da Terra. Essas águas formam nuvens, que os ventos atmosféricos espalham por toda a parte. Depois, filtradas e purificadas, elas caem como chuva, neve ou gelo, reabastecendo os suprimentos de água. É exatamente como diz Eclesiastes 1:7: “Todos os rios correm para o mar; mesmo assim, o mar não fica cheio. Os rios voltam para o lugar de onde saíram, a fim de correr novamente.” Somente Jeová poderia ter acionado tal ciclo.
13. Que evidências do poder do Criador vemos na vegetação e no solo da Terra?
13 Onde existe vida, há evidência do poder do Criador. Desde as majestosas sequoias-sempre-verdes (mais altas do que um prédio de 30 andares) até as plantas microscópicas que pululam nos oceanos e suprem grande parte do oxigênio que respiramos, o poder criativo de Jeová é evidente. O próprio solo fervilha de coisas vivas — minhocas, fungos e micróbios, todos interagindo de maneiras complexas que ajudam no crescimento das plantas. Apropriadamente, a Bíblia fala do solo como tendo “poder”. — Gênesis 4:12, nota.
14. Que poder latente existe até mesmo no minúsculo átomo?
14 Sem dúvida, é Jeová “Aquele que fez a terra com o seu poder”. (Jeremias 10:12) O poder de Deus é evidente até mesmo nas menores criações. Por exemplo, um milhão de átomos colocados lado a lado não atingiriam a espessura de um fio de cabelo humano. E, mesmo se um átomo fosse aumentado até a altura de um prédio de 14 andares, seu núcleo seria do tamanho de um mero grão de sal no sétimo andar. No entanto, esse infinitésimo núcleo é a fonte da espantosa energia liberada numa explosão nuclear!
“Tudo que respira”
15. Ao referir-se a vários animais selvagens, que lição Jeová ensinou a Jó?
15 Outra prova vívida do poder criativo de Jeová é a abundância de vida animal na Terra. Entre as muitas coisas que louvam a Jeová, alistadas no Salmo 148, o versículo 10 inclui “animais selvagens e todos os animais domésticos”. Para mostrar por que o homem deve ter reverência pelo Criador, Jeová falou certa vez a Jó a respeito de animais como o leão, a zebra, o touro selvagem, o Beemote (ou hipopótamo) e o Leviatã (pelo visto, o crocodilo). Qual era o ponto em questão? Se o homem se admira dessas criaturas fortes, temíveis e indomáveis, como deveria se sentir com relação ao Criador delas? — Jó, capítulos 38-41.
16. O que o impressiona a respeito de algumas aves criadas por Jeová?
16 O Salmo 148:10 menciona também “pássaros”. Pense na enorme variedade! Jeová falou a Jó da avestruz, que “ri do cavalo e do cavaleiro”. De fato, essa ave de 2,5 metros de altura talvez não saiba voar, mas pode correr a 65 quilômetros por hora, com passadas de até uns 4 metros! (Jó 39:13, 18) O albatroz, por sua vez, é um planador nato que passa a maior parte da vida no ar, sobre os oceanos. Essa ave tem uns 3 metros de envergadura e pode planar por horas a fio sem bater as asas. Em contraste, o beija-flor-abelha, de apenas uns 5 centímetros de comprimento, é a menor ave do mundo. Ele pode bater as asas 80 vezes por segundo! Beija-flores, reluzentes como pequeninas gemas aladas, podem pairar no ar como helicópteros e até voar de marcha a ré.
17. Qual é o tamanho da baleia-azul? A que conclusão natural devemos chegar ao meditar nos animais que Jeová criou?
17 O Salmo 148:7 diz que até mesmo os “grandes criaturas marinhas” louvam a Jeová. Considere o que em geral é considerado o maior animal que já viveu neste planeta, a baleia-azul. Essa criatura que nada em “águas profundas” pode chegar a mais de 30 metros de comprimento. Pode igualar-se ao peso de uma manada de 30 elefantes adultos. Só a sua língua tem o peso de um elefante. O coração é do tamanho de um carro popular. Esse enorme órgão bate apenas 9 vezes por minuto — em contraste com o coração do beija-flor, que pode bater umas 1.200 vezes por minuto. Pelo menos um dos vasos sanguíneos da baleia-azul é tão grande que uma criança poderia se arrastar por dentro dele. Com certeza, nosso coração nos induz a repetir a exortação final do livro dos Salmos: “Tudo que respira, louve a Jah.” — Salmo 150:6.
Aprendamos do poder criativo de Jeová
18, 19. Até que ponto chega a diversidade das coisas vivas feitas por Jeová na Terra, e o que a criação nos ensina a respeito de Sua soberania?
18 O que nos ensina o uso do poder criativo de Jeová? A diversidade da criação nos assombra. Certo salmista exclamou: “Quantas são as tuas obras, ó Jeová! . . . A terra está cheia dos teus trabalhos.” (Salmo 104:24) É verdade! Os biólogos já identificaram bem mais de um milhão de espécies de coisas vivas na Terra; mas as opiniões variam em relação a quantos milhões mais de espécies podem existir. Um artista humano pode achar que às vezes esgota a sua criatividade. Em contraste, a criatividade de Jeová — seu poder de inventar e criar coisas diversificadas — é obviamente inesgotável.
19 O uso que Jeová faz de seu poder criativo nos ensina algo a respeito de Sua soberania. A própria palavra “Criador” distingue Jeová de qualquer outra coisa no Universo, onde tudo o que existe é “criação”. Até mesmo o Filho unigênito de Jeová, que serviu como “trabalhador perito” durante a criação, jamais é chamado de Criador, ou de Cocriador, na Bíblia. (Provérbios 8:30; Mateus 19:4) Em vez disso, ele é “o primogênito de toda a criação”. (Colossenses 1:15) A posição de Jeová como Criador dá a ele o direito inerente de exercer exclusivo poder soberano sobre todo o Universo. — Romanos 1:20; Apocalipse 4:11.
20. Em que sentido Jeová descansou depois de terminar sua criação terrestre?
20 Será que Jeová parou de usar seu poder criativo? Bem, a Bíblia diz que Jeová “passou a descansar, no sétimo dia, de toda a obra que fez” nos anteriores seis dias criativos. (Gênesis 2:2) O apóstolo Paulo indicou que a duração desse sétimo “dia” é de milhares de anos, pois ainda estava em curso nos seus dias. (Hebreus 4:3-6) Mas será que “descansar” significa que Jeová parou totalmente de trabalhar? Não, Jeová nunca para de trabalhar. (Salmo 92:4; João 5:17) Portanto, seu descanso deve simplesmente significar que ele encerrou suas obras criativas materiais com relação à Terra. As obras para cumprir os seus propósitos, porém, têm continuado sem interrupção. Essas obras incluem a inspiração das Escrituras Sagradas e até mesmo “uma nova criação”, assunto que será abordado no Capítulo 19. — 2 Coríntios 5:17.
21. Como o poder criativo de Jeová afetará os humanos fiéis por toda a eternidade?
21 Quando o dia de descanso de Jeová chegar ao fim, ele poderá classificar de “muito bom” tudo o que fez com relação à Terra, assim como fez no fim de cada um dos seis dias criativos. (Gênesis 1:31) Como ele vai decidir usar o seu ilimitado poder criativo depois disso, resta ver. Seja como for, podemos ter certeza de que o uso do poder criativo de Deus continuará a nos fascinar. Por toda a eternidade, aprenderemos mais coisas a respeito de Jeová por meio de suas criações. (Eclesiastes 3:11) Quanto mais aprendermos sobre ele, mais profunda será a nossa reverência — e mais nos achegaremos ao nosso Grandioso Criador.
a Para ter uma ideia da enormidade desse número, imagine: cobrir essa distância de carro — a 160 quilômetros por hora, 24 horas por dia — levaria mais de cem anos!
b Alguns acham que os antigos, nos tempos bíblicos, devem ter usado algum tipo de telescópio primitivo. Senão, ponderam, como as pessoas daquele tempo poderiam saber que o número de estrelas é tão vasto e incontável do ponto de vista humano? Essa especulação infundada não leva em conta Jeová, o Autor da Bíblia. — 2 Timóteo 3:16.
c Sabe quanto tempo você levaria apenas para contar 100 bilhões de estrelas? Se pudesse contar uma por segundo — 24 horas por dia —, levaria 3.171 anos!
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Poder de destruição — “Jeová é um poderoso guerreiro”Achegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 6
Poder de destruição — “Jeová é um poderoso guerreiro”
1-3. (a) Que ameaça dos egípcios os israelitas enfrentaram? (b) Como Jeová lutou pelo seu povo?
OS ISRAELITAS estavam encurralados — espremidos entre rochedos íngremes de um lado e um mar intransponível de outro. O exército egípcio, uma cruel máquina de matança, os perseguia a todo o vapor, decidido a aniquilá-los.a Apesar disso, Moisés exortou o povo de Deus a não perder a esperança. “O próprio Jeová lutará por vocês”, garantiu-lhes. — Êxodo 14:14.
2 Mesmo assim, Moisés pelo visto invocou a Jeová, que lhe respondeu: ‘Por que você persiste em clamar a mim? Erga o seu bastão, estenda a mão sobre o mar e divida-o.’ (Êxodo 14:15, 16) Imagine o desenrolar dos eventos. Jeová imediatamente deu ordens ao seu anjo e, assim, a coluna de nuvem passou para a retaguarda de Israel, talvez se estendendo como uma parede e bloqueando a linha de ataque egípcia. (Êxodo 14:19, 20; Salmo 105:39) Moisés estendeu a mão. Impelido por um vento forte, o mar se abriu. As águas de alguma maneira ficaram estáticas e se ergueram como muralhas, abrindo uma passagem suficientemente larga para a nação inteira! — Êxodo 14:21; 15:8.
3 Diante dessa prova de poder, Faraó deveria ter ordenado o recuo de suas tropas. Mas ele era orgulhoso demais para isso e mandou atacar. (Êxodo 14:23) Os egípcios lançaram-se ao leito do mar atrás dos israelitas, mas a caçada logo virou um caos, porque as rodas dos carros de guerra começaram a se desprender. Quando os israelitas estavam seguros na outra margem, Jeová ordenou a Moisés: “Estenda a mão sobre o mar, para que as águas voltem sobre os egípcios, sobre seus carros de guerra e seus cavaleiros.” As muralhas de água desabaram, afogando Faraó e suas forças. — Êxodo 14:24-28; Salmo 136:15.
4. (a) O que Jeová mostrou ser no mar Vermelho? (b) Como alguns talvez reajam ao saber que Jeová é descrito dessa maneira?
4 A salvação do povo de Israel no mar Vermelho foi um evento momentoso na história dos tratos de Deus com a humanidade. Naquela ocasião, Jeová mostrou ser “um poderoso guerreiro”. (Êxodo 15:3) Mas como reage ao saber que Jeová às vezes é descrito dessa maneira? Na verdade, as guerras têm causado muitas dores e sofrimento para a humanidade. Acha, então, que o poder de destruição de Deus parece mais um obstáculo do que um incentivo para se achegar a ele?
No mar Vermelho, Jeová mostrou ser “um poderoso guerreiro”
Guerras divinas versus conflitos humanos
5, 6. (a) Por que Deus é chamado apropriadamente de “Jeová dos exércitos”? (b) Em que diferem as guerras divinas das guerras humanas?
5 Umas duzentas e sessenta vezes nas Escrituras Hebraicas, e duas vezes nas Escrituras Gregas Cristãs, Deus é chamado de “Jeová dos exércitos”. (1 Samuel 1:11) Como Governante Soberano, Jeová comanda um vasto exército de forças angélicas. (Josué 5:13-15; 1 Reis 22:19) O potencial de destruição desse exército é assombroso. (Isaías 37:36) A ideia de destruir seres humanos não é agradável. Mas cabe lembrar que as guerras divinas são diferentes dos mesquinhos conflitos humanos. Líderes militares e políticos talvez tentem atribuir motivos nobres à sua agressão. Mas as guerras humanas são sempre marcadas pela ganância e pelo egoísmo.
6 Em contraste com isso, Jeová não se guia pela emoção cega. Deuteronômio 32:4 diz: “A Rocha — perfeito é tudo o que ele faz, pois todos os seus caminhos são justos. Deus de fidelidade, que nunca é injusto; justo e reto é ele.” A Palavra de Deus condena a fúria, a crueldade e a violência desenfreadas. (Gênesis 49:7; Salmo 11:5) Portanto, Jeová jamais age sem motivos. Seu poder de destruição é usado com moderação e como último recurso. É como ele declarou por meio de seu profeta Ezequiel: “‘Por acaso eu tenho algum prazer na morte de uma pessoa má?’ diz o Soberano Senhor Jeová. ‘Não prefiro que ele abandone os seus caminhos e continue vivo?’” — Ezequiel 18:23.
7, 8. (a) O que Jó concluiu erroneamente a respeito de seus sofrimentos? (b) Como Eliú corrigiu o raciocínio de Jó nesse respeito? (c) Que lição podemos aprender daquilo que Jó passou?
7 Por que, então, Jeová usa o poder de destruição? Antes de responder, convém lembrar-nos de Jó, um homem justo. Satanás duvidava de que Jó — na realidade de que qualquer ser humano — se manteria íntegro sob provação. Jeová aceitou o desafio, permitindo que Satanás testasse a integridade de Jó. Em resultado disso, Jó sofreu doenças, perda dos bens e dos filhos. (Jó 1:1–2:8) Sem saber das questões envolvidas, Jó concluiu erroneamente que seu sofrimento era uma punição injusta da parte de Deus. Ele perguntou a Deus por que fizera dele um “alvo”, um “inimigo”. — Jó 7:20; 13:24.
8 Um jovem chamado Eliú expôs a falha do raciocínio de Jó, dizendo: “Será que você está tão convicto de que está certo a ponto de dizer: ‘Sou mais justo do que Deus’?” (Jó 35:2) Sim, é insensato pensar que sabemos mais do que Deus, ou supor que ele tenha agido com injustiça. “O verdadeiro Deus jamais faria o que é mau, o Todo-Poderoso nunca faria o que é errado!”, disse Eliú. Mais adiante, acrescentou: “Entender o Todo-Poderoso está além do nosso alcance; ele é grande em poder e nunca viola sua justiça e sua abundante retidão.” (Jó 34:10; 36:22, 23; 37:23) Podemos ter certeza de que Deus, quando luta, tem bons motivos para fazê-lo. Com isso em mente, analisemos algumas das razões de o Deus de paz às vezes vestir o manto de guerreiro. — 1 Coríntios 14:33.
Por que o Deus de paz é impelido a lutar
9. Por que o Deus de santidade às vezes precisa lutar?
9 Depois de louvar a Deus como “um poderoso guerreiro”, Moisés declarou: “Quem entre os deuses é semelhante a ti, ó Jeová? Quem se mostra supremo em santidade como tu?” (Êxodo 15:11) O profeta Habacuque também escreveu: “Teus olhos são puros demais para ver o que é mau; não podes tolerar a maldade.” (Habacuque 1:13) Embora Jeová seja um Deus de amor, ele é também um Deus de santidade, de retidão e de justiça. Às vezes, tais qualidades o impelem a usar o seu poder de destruição. (Isaías 59:15-19; Lucas 18:7) Portanto, Deus não macula a sua santidade quando luta. Na verdade, ele luta porque é santo. — Êxodo 39:30.
10. De que única maneira poderia ser resolvida a inimizade predita em Gênesis 3:15 e com que benefícios para os humanos justos?
10 Considere a situação que surgiu depois que o primeiro casal humano, Adão e Eva, se rebelou contra Deus. (Gênesis 3:1-6) Se tivesse tolerado a iniquidade deles, Jeová teria minado sua posição como Soberano Universal. Como Deus justo, foi obrigado a condená-los à morte. (Romanos 6:23) Na primeira profecia bíblica, ele predisse inimizade entre seus servos e os seguidores da “serpente”, Satanás. (Apocalipse 12:9; Gênesis 3:15) Essa inimizade só poderia ser definitivamente resolvida pelo esmagamento de Satanás. (Romanos 16:20) Mas executar esse julgamento resultaria em grandes bênçãos para os humanos justos, livrando a Terra da influência de Satanás e abrindo o caminho para um paraíso global. (Mateus 19:28) Até chegar esse dia, os partidários de Satanás constituiriam uma ameaça constante ao bem-estar físico e espiritual do povo de Deus. Vez por outra, Jeová teria de intervir.
Deus age para eliminar a perversidade
11. Por que Deus se viu na obrigação de provocar um dilúvio global?
11 O Dilúvio dos dias de Noé é um exemplo dessa intervenção. Gênesis 6:11, 12 diz: “A terra tinha ficado arruinada à vista do verdadeiro Deus, e a terra estava cheia de violência. Sim, Deus olhou para a terra e viu que estava arruinada; toda a humanidade havia arruinado seu caminho na terra.” Será que Deus permitiria que os perversos apagassem o último vestígio de boa moral na Terra? Não. Jeová viu-se obrigado a provocar um dilúvio global para livrar a Terra das pessoas fortemente propensas à violência e à imoralidade.
12. (a) O que Jeová predissera a respeito do “descendente” de Abraão? (b) Por que os amorreus tinham de ser exterminados?
12 A situação era similar no caso da condenação divina dos cananeus. Jeová havia revelado que Abraão teria um “descendente”, por meio do qual todas as famílias da Terra abençoariam a si mesmas. Em harmonia com esse propósito, Deus decretou que a descendência de Abraão receberia a terra de Canaã, que era habitada por um povo chamado de amorreus. Que justificativa Deus teria para expulsar essas pessoas de sua terra? Jeová predisse que a expulsão só ocorreria depois de uns 400 anos — só depois de ‘o erro dos amorreus atingir a plena medida’.b (Gênesis 12:1-3; 13:14, 15; 15:13, 16; 22:18) Nesse período, aquele povo se afundou cada vez mais na corrupção moral. Canaã tornou-se uma terra de idolatria, derramamento de sangue e práticas sexuais degradantes. (Êxodo 23:24; 34:12, 13; Números 33:52) Os habitantes do país até mesmo matavam crianças em fogos sacrificiais. Poderia um Deus santo expor seu povo a tais perversidades? Não! Ele declarou: “A terra é impura, e eu trarei sobre ela punição pelo seu erro, e a terra vomitará os seus habitantes.” (Levítico 18:21-25) Mas Jeová não executou as pessoas indiscriminadamente. Cananeus de índole justa, como Raabe e os gibeonitas, foram poupados. — Josué 6:25; 9:3-27.
Deus luta em favor de Seu nome
13, 14. (a) Por que Jeová se viu na obrigação de santificar o seu nome? (b) Como Jeová limpou seu nome?
13 Visto que Jeová é santo, seu nome também é santo. (Levítico 22:32) Jesus ensinou seus discípulos a orar: “Santificado seja o teu nome.” (Mateus 6:9) A rebelião no Éden profanou o nome de Deus, lançando dúvidas sobre Sua reputação e maneira de governar. Jeová jamais poderia tolerar essa calúnia e rebelião. Ele viu-se na obrigação de limpar seu nome de toda a desonra. — Isaías 48:11.
14 Considere, mais uma vez, o caso dos israelitas. Enquanto eram escravos no Egito, a promessa de Deus a Abraão — de que por meio de sua descendência todas as famílias da Terra abençoariam a si mesmas — parecia sem sentido. Mas, ao libertá-los e fazer deles uma nação, Jeová limpou seu nome. Assim, o profeta Daniel se dirigiu ao seu Deus em oração com as seguintes palavras: “Ó Jeová, nosso Deus, que tiraste teu povo da terra do Egito com mão poderosa e fizeste para ti um nome.” — Daniel 9:15.
15. Por que Jeová libertou os judeus do cativeiro em Babilônia?
15 Curiosamente, Daniel fez essa oração numa época em que os judeus precisavam que Jeová agisse de novo pela causa de Seu nome. Os judeus desobedientes estavam no cativeiro, dessa vez em Babilônia. A capital deles, Jerusalém, estava em ruínas. Daniel sabia que a volta dos judeus para sua terra natal magnificaria o nome de Jeová. De modo que orou: “Ó Jeová, perdoa. Ó Jeová, presta atenção e age! Não demores, por tua própria causa, ó meu Deus, pois a tua cidade e o teu povo levam o teu nome.” — Daniel 9:18, 19.
Deus luta pelo seu povo
16. Explique por que o interesse de Jeová em defender o seu nome não significa que ele seja frio e egocêntrico.
16 Será que o interesse de Jeová em defender o seu nome indica que ele é frio e egocêntrico? Não, porque agindo de acordo com a sua santidade e seu amor à justiça, Deus protege o seu povo. Analise Gênesis, capítulo 14. Lemos ali que quatro reis invasores raptaram o sobrinho de Abraão, Ló, junto com a família deste. Com a ajuda de Deus, Abraão impôs uma derrota colossal a forças imensamente superiores! O relato dessa vitória provavelmente foi o primeiro registro no “Livro das Guerras de Jeová”, que pelo visto era um livro que documentava também alguns embates militares não registrados na Bíblia. (Números 21:14) Muitas outras vitórias se seguiriam.
17. Que indicação há de que Jeová lutou pelos israelitas depois de terem entrado na terra de Canaã? Dê exemplos.
17 Pouco antes de os israelitas entrarem na terra de Canaã, Moisés garantiu-lhes: “Jeová, seu Deus, irá na sua frente e lutará por vocês, assim como fez no Egito.” (Deuteronômio 1:30; 20:1) Começando com o sucessor de Moisés, Josué, e continuando por todo o período dos juízes e dos reinados de reis fiéis de Judá, Jeová realmente lutou pelo seu povo, dando-lhe muitas vitórias espetaculares sobre seus inimigos. — Josué 10:1-14; Juízes 4:12-17; 2 Samuel 5:17-21.
18. (a) Por que podemos ser gratos de que Jeová não mudou? (b) O que acontecerá quando a inimizade mencionada em Gênesis 3:15 chegar ao clímax?
18 Jeová não mudou; tampouco mudou o seu propósito de fazer deste planeta um pacífico paraíso. (Gênesis 1:27, 28) Deus ainda odeia a perversidade. Ao mesmo tempo, ele ama ternamente o seu povo e agirá em breve em favor dele. (Salmo 11:7) De fato, a inimizade mencionada em Gênesis 3:15 deve chegar a um ponto dramático e violento no futuro próximo. Para santificar seu nome e proteger seu povo, Jeová de novo se tornará “um poderoso guerreiro”! — Zacarias 14:3; Apocalipse 16:14, 16.
19. (a) Ilustre por que o uso do poder de destruição de Deus pode nos achegar a ele. (b) Que efeito deve ter sobre nós a disposição de Deus de lutar?
19 Veja uma ilustração: suponha que uma mãe e seus filhos estivessem sendo atacados por um animal feroz e que o pai entrasse na luta e matasse o violento animal. Acha que esse ato afastaria dele a esposa e os filhos? Ao contrário, seria de se esperar que eles se comovessem com o amor abnegado do pai. De modo similar, não devemos nos afastar de Deus por ele usar seu poder de destruição. Sua disposição de lutar para nos proteger deve aumentar nosso amor a ele. E deve aprofundar nosso respeito pelo seu poder ilimitado. Assim, podemos “prestar a Deus serviço sagrado de modo aceitável, com temor e reverência”. — Hebreus 12:28.
Achegue-se ao “poderoso guerreiro”
20. Ao ler relatos bíblicos de guerras divinas que talvez não entendamos plenamente, como devemos reagir? Por quê?
20 Naturalmente, a Bíblia não explica em cada caso todos os detalhes das decisões de Jeová a respeito de guerras divinas. Mas de uma coisa podemos estar certos: Jeová jamais usa o poder de destruição de modo injusto, leviano ou cruel. Muitas vezes, considerar o contexto de um relato bíblico, ou certas informações de fundo, nos ajuda a colocar as coisas na perspectiva correta. (Provérbios 18:13) Mesmo se não tivermos todos os detalhes, simplesmente aprender mais sobre Jeová e meditar nas suas preciosas qualidades pode nos ajudar a dirimir qualquer dúvida que surja. Se fizermos isso, veremos que temos amplos motivos para confiar em nosso Deus, Jeová. — Jó 34:12.
21. Embora às vezes seja “um poderoso guerreiro”, o que Jeová é no coração?
21 Embora Jeová seja “um poderoso guerreiro” quando a situação exige, isso não significa que ele tenha um coração de guerreiro. Na visão que Ezequiel teve do carro celestial, Jeová é retratado como estando pronto para lutar contra seus inimigos. No entanto, Ezequiel viu Deus rodeado de um arco-íris — um símbolo da paz. (Gênesis 9:13; Ezequiel 1:28; Apocalipse 4:3) Obviamente, Jeová é sereno e pacífico. “Deus é amor”, escreveu o apóstolo João. (1 João 4:8) Todas as qualidades de Jeová existem em perfeito equilíbrio. Portanto, como é grande o nosso privilégio de podermos nos achegar a um Deus de tamanho poder, porém amoroso!
a Segundo o historiador judeu Josefo, os hebreus foram perseguidos por “seiscentos carros de guerra, cinquenta mil cavaleiros e duzentos mil homens de infantaria bem armados”. — Antiguidades Judaicas, Volume 1, p. 244.
b Ao que tudo indica, o termo “amorreus” aqui inclui todos os povos de Canaã. — Deuteronômio 1:6-8, 19-21, 27; Josué 24:15, 18.
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Poder protetor — “Deus é nosso refúgio”Achegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 7
Poder protetor — “Deus é nosso refúgio”
1, 2. Que perigo os israelitas corriam ao entrar na região do Sinai em 1513 AEC, e que encorajamento Jeová lhes deu?
OS ISRAELITAS corriam perigo ao entrar na região do Sinai, no início de 1513 AEC. Tinham à frente uma jornada assustadora, por um “enorme e perigoso deserto, cheio de cobras venenosas e escorpiões”. (Deuteronômio 8:15, Bíblia na Linguagem de Hoje) Havia também a ameaça de ataque de nações hostis. Jeová havia levado seu povo a essa situação. Como Deus deles, poderia protegê-los?
2 As palavras de Jeová eram muito animadoras: “Vocês viram com os seus próprios olhos o que fiz ao Egito, e como carreguei vocês sobre asas de águias e os trouxe a mim.” (Êxodo 19:4) Jeová lembrou ao seu povo que ele os havia libertado dos egípcios, usando águias, por assim dizer, para levá-los à segurança. Mas há outros motivos pelos quais “asas de águias” ilustram bem a proteção divina.
3. Por que “asas de águias” ilustram bem a proteção divina?
3 A águia não usa suas asas largas e fortes apenas para planar nas alturas. No calor do dia, a mãe águia arqueia as asas — que podem se estender até dois metros — formando uma sombra que protege os filhotinhos do sol escaldante. Outras vezes, ela encobre os filhotes com as asas para protegê-los do vento frio. Assim como a águia os protege, Jeová havia defendido e protegido a jovem nação de Israel. Então no deserto, seu povo continuaria a se refugiar à sombra de Suas asas poderosas, desde que permanecesse fiel. (Deuteronômio 32:9-11; Salmo 36:7) Mas, e nós hoje, podemos contar com a proteção de Deus?
A promessa de proteção divina
4, 5. Por que podemos ter confiança absoluta na promessa de proteção divina?
4 Jeová certamente é capaz de proteger seus servos. Ele é o “Deus Todo-Poderoso” — um título que indica que seu poder é insuperável. (Gênesis 17:1) Como uma indomável onda do mar, é impossível impedir o poder aplicado de Jeová. Visto que Ele pode fazer tudo o que dita a sua vontade, nos perguntamos: ‘É da vontade de Jeová usar seu poder para proteger seu povo?’
5 A resposta é bem simples: sim! Jeová nos garante que protegerá seu povo. “Deus é nosso refúgio e nossa força, uma ajuda encontrada prontamente em tempos de aflição”, diz o Salmo 46:1. Visto que Deus “não pode mentir”, podemos ter confiança absoluta na sua promessa de proteção. (Tito 1:2) Vejamos alguns vívidos exemplos da linguagem figurada que Jeová usa para descrever seus cuidados protetores.
6, 7. (a) Que proteção o pastor nos tempos bíblicos dava às ovelhas? (b) Como a Bíblia ilustra o desejo sincero de Jeová de proteger suas ovelhas e zelar por elas?
6 Jeová é nosso Pastor, e nós “somos o seu povo e as ovelhas do seu pasto”. (Salmo 23:1; 100:3) Poucos animais são tão indefesos como a ovelha doméstica. O pastor dos tempos bíblicos tinha de ser corajoso para proteger as ovelhas contra leões, lobos e ursos, bem como contra ladrões. (1 Samuel 17:34, 35; João 10:12, 13) Mas havia momentos em que proteger as ovelhas exigia ternura. Se uma delas desse à luz longe do curral, o prestimoso pastor acudiria o animal nesses momentos difíceis, apanharia o filhote indefeso e o levaria até o curral.
‘Ele os carregará no colo’
7 Comparando-se a um pastor, Jeová nos garante seu desejo sincero de nos proteger. (Ezequiel 34:11-16) Lembre-se do que se diz sobre Jeová em Isaías 40:11, considerado no Capítulo 2 deste livro: “Como um pastor ele cuidará do seu rebanho. Com o seu braço reunirá os cordeiros e os carregará no colo.” Como é que um cordeirinho viria a estar no “colo” do pastor — nas dobras na parte superior de sua roupa? Ele talvez se aproximasse do pastor, até mesmo tocando de leve nas suas pernas. Mas é o pastor que precisaria se abaixar, pegar o cordeirinho e delicadamente acomodá-lo na segurança do colo. Que terna representação da disposição de nosso Grandioso Pastor de nos defender e proteger!
8. (a) A quem se estende a promessa divina de proteção, e como Provérbios 18:10 indica isso? (b) O que está envolvido em encontrar refúgio no nome de Deus?
8 A promessa de proteção divina é condicional — só a recebe quem se achega a Jeová. Provérbios 18:10 diz: “O nome de Jeová é uma torre forte. O justo corre para dentro dela e recebe proteção.” Nos tempos bíblicos, às vezes se construíam torres nos lugares desabitados como locais de refúgio. Mas cabia a quem estivesse em perigo fugir até a torre em busca de segurança. É similar no caso de encontrar refúgio no nome de Deus. Isso envolve mais do que apenas repeti-lo; o nome divino em si não é um talismã. Em vez disso, temos de conhecer o Portador desse nome, confiar Nele e viver de acordo com os seus padrões justos. Quanta bondade da parte de Jeová em nos garantir que, se o buscarmos com fé, ele se tornará uma torre de proteção para nós!
‘Nosso Deus pode nos salvar’
9. De que modo Jeová tem feito mais do que apenas prometer proteção?
9 Jeová tem feito mais do que apenas prometer proteção. Nos tempos bíblicos, ele mostrou de maneiras milagrosas que pode proteger seu povo. Durante a história de Israel, a “mão” de Jeová muitas vezes reprimiu inimigos poderosos. (Êxodo 7:4) Mas Jeová também usou seu poder protetor em favor de indivíduos.
10, 11. Que exemplos bíblicos mostram como Jeová usou seu poder protetor em favor de indivíduos?
10 Quando três jovens hebreus — conhecidos como Sadraque, Mesaque e Abednego — se recusaram a curvar-se perante a imagem de ouro do Rei Nabucodonosor, o rei furioso ameaçou lançá-los numa fornalha superaquecida. “Quem é o deus que pode salvá-los das minhas mãos?”, zombou Nabucodonosor, o monarca mais poderoso da Terra. (Daniel 3:15) Os três rapazes tinham confiança absoluta no poder de seu Deus para os proteger, mas não pressupunham que ele faria isso. Assim, responderam: “Se tiver de ser assim, nosso Deus, a quem servimos, pode nos salvar.” (Daniel 3:17) Ora, aquela fornalha, mesmo que aquecida sete vezes mais do que o normal, não representava nenhum desafio para o Deus todo-poderoso. Ele realmente protegeu os três hebreus, e o rei foi obrigado a reconhecer: “Não há outro deus que possa salvar como esse.” — Daniel 3:29.
11 Jeová fez também uma demonstração realmente notável de seu poder protetor ao transferir a vida de seu Filho unigênito para o ventre da virgem judia Maria. Um anjo disse a Maria que ela ‘ficaria grávida e daria à luz um filho’. O anjo explicou: “Espírito santo virá sobre você e poder do Altíssimo a cobrirá com a sua sombra.” (Lucas 1:31, 35) Pelo visto, o Filho de Deus nunca havia estado tão vulnerável. Será que o pecado e a imperfeição da mãe humana maculariam o embrião? Satanás seria capaz de ferir ou matar esse Filho antes que nascesse? Impossível! Na verdade, a partir do momento da concepção, Jeová como que cercou Maria de uma muralha protetora, de modo que nada — imperfeição, força prejudicial, assassino humano ou algum demônio — poderia prejudicar o desenvolvimento do embrião. Jeová continuou a proteger Jesus durante sua juventude. (Mateus 2:1-15) Até que chegasse o tempo marcado por Deus, seu amado Filho seria inatacável.
12. Por que Jeová protegeu milagrosamente algumas pessoas nos tempos bíblicos?
12 Por que Jeová protegeu algumas pessoas de tais maneiras milagrosas? Em muitos casos, ele fez isso a fim de proteger algo muito mais importante: a realização de Seu propósito. Por exemplo, a sobrevivência do menino Jesus era essencial para o cumprimento do propósito de Deus, que, por fim, beneficiaria toda a humanidade. O registro das muitas demonstrações de poder protetor faz parte das Escrituras inspiradas, “escritas para a nossa instrução, a fim de que, por meio da nossa perseverança e por meio do consolo das Escrituras, [tenhamos] esperança”. (Romanos 15:4) Sem dúvida, esses exemplos fortalecem nossa fé no Deus todo-poderoso. Mas que proteção podemos esperar de Deus hoje?
Que tipo de proteção divina não se pode esperar
13. Jeová é obrigado a realizar milagres em nosso favor? Explique.
13 A promessa de proteção divina não significa que Jeová seja obrigado a fazer milagres em nosso favor. Não, nosso Deus não nos garante uma vida sem problemas neste velho sistema. Muitos servos fiéis de Jeová sofrem severas adversidades, incluindo pobreza, guerras, doenças e morte. Jesus disse claramente a seus discípulos que, como indivíduos, poderiam ser mortos por causa de sua fé. É por isso que Jesus frisou a necessidade de perseverar até o fim. (Mateus 24:9, 13) Se Jeová usasse seu poder de efetuar libertações milagrosas em todos os casos, Satanás sem dúvida zombaria dele e questionaria a genuinidade de nossa devoção a Deus. — Jó 1:9, 10.
14. Que exemplos mostram que Jeová nem sempre protege todos os seus servos de maneiras idênticas?
14 Mesmo nos tempos bíblicos, Jeová não usou seu poder protetor para poupar da morte prematura cada um de seus servos. Por exemplo, o apóstolo Tiago foi executado por Herodes, por volta de 44 EC; no entanto, pouco tempo depois, Pedro foi livrado “das mãos de Herodes”. (Atos 12:1-11) E João, irmão de Tiago, viveu mais do que Pedro e Tiago. Obviamente, não podemos esperar que Deus proteja todos os seus servos de maneiras idênticas. Além disso, “o tempo e o imprevisto” sobrevêm a todos nós. (Eclesiastes 9:11) Como, então, Jeová nos protege hoje em dia?
Jeová dá proteção física
15, 16. (a) Qual é a evidência de que Jeová dá proteção física para seus adoradores como grupo? (b) Por que podemos confiar que Jeová protegerá seus servos agora e durante a “grande tribulação”?
15 Considere, primeiro, o aspecto da proteção física. Nós, adoradores de Jeová, podemos ter certeza de que ele nos protegerá como grupo. Do contrário, seríamos presa fácil de Satanás. Pense nisso: Satanás, “o governante deste mundo”, teria o maior prazer em eliminar a adoração verdadeira. (João 12:31; Apocalipse 12:17) Alguns dos mais poderosos governantes da Terra proibiram nossa obra de pregação e tentaram nos exterminar. No entanto, o povo de Jeová permanece firme e continua a pregar sem cessar! Por que nações poderosas não conseguiram parar a atividade desse grupo de cristãos relativamente pequeno e aparentemente indefeso? Porque Jeová, de modo simbólico, nos protege com suas poderosas asas! — Salmo 17:7, 8.
16 Podemos esperar ter proteção física durante a vindoura “grande tribulação”? Não precisamos temer a execução dos julgamentos de Deus. Afinal, “Jeová sabe livrar da provação os que têm devoção a ele, mas reservar os injustos para serem destruídos no dia do julgamento”. (Apocalipse 7:14; 2 Pedro 2:9) Nesse meio-tempo, podemos sempre estar certos de duas coisas. Primeiro, Jeová jamais permitirá que seus servos leais sejam varridos da Terra. Segundo, ele recompensará os íntegros com vida eterna no seu novo mundo justo — se necessário, por meio da ressurreição. Para os que morrem, não existe lugar mais seguro do que estar na memória de Deus. — João 5:28, 29.
17. Como Jeová nos protege por meio de sua Palavra?
17 Mesmo agora, Jeová nos protege por meio de sua “palavra” viva, cuja força motiva as pessoas, curando seu coração e ajudando-as a mudar de vida. (Hebreus 4:12) Pela aplicação de seus princípios podemos, em certos sentidos, ser protegidos contra danos físicos. ‘Eu, Jeová, ensino o que é melhor para você’, diz Isaías 48:17. Sem dúvida, viver em harmonia com a Palavra de Deus pode melhorar nossa saúde e prolongar a vida. Por exemplo, se aplicarmos o conselho bíblico de evitar a imoralidade sexual e nos ‘purificar de toda a imundície’, evitaremos práticas impuras e hábitos nocivos que causam estragos na vida de muitos que não temem a Deus. (Atos 15:29; 2 Coríntios 7:1) Como somos gratos pela proteção da Palavra de Deus!
Jeová nos protege espiritualmente
18. Que proteção espiritual Jeová nos dá?
18 O mais importante é que Jeová nos dá proteção espiritual. Nosso Deus amoroso nos protege contra o dano espiritual, fornecendo-nos o que precisamos para suportar provações e preservar nossa relação com ele. Desse modo, Jeová age para preservar nossa vida, não apenas por alguns anos, mas pela eternidade. Considere algumas das provisões de Deus que podem proteger-nos espiritualmente.
19. Como o espírito de Jeová pode nos ajudar a enfrentar qualquer provação?
19 Jeová é o “Ouvinte de oração”. (Salmo 65:2) Quando as pressões da vida parecerem esmagadoras, abrir nosso coração a ele pode nos dar muito alívio. (Filipenses 4:6, 7) Jeová talvez não acabe milagrosamente com as provações, mas, em resposta a nossas orações sinceras, ele pode nos dar a sabedoria para lidar com elas. (Tiago 1:5, 6) Mais do que isso, Jeová dá espírito santo aos que lhe pedem. (Lucas 11:13) Esse poderoso espírito nos ajuda a enfrentar qualquer provação ou problema que tenhamos. Pode dar-nos “poder além do normal” para suportarmos todos os problemas dolorosos até que Jeová os remova no novo mundo tão próximo. — 2 Coríntios 4:7.
20. Como o poder protetor de Jeová é expresso por meio de nossos irmãos cristãos?
20 Às vezes, o poder protetor de Jeová é expresso por meio de nossos irmãos cristãos. Jeová reuniu seu povo numa “fraternidade” mundial. (1 Pedro 2:17; João 6:44) O amor que caracteriza essa fraternidade é um testemunho vivo do poder do espírito santo de Deus de influenciar pessoas para o bem. Esse espírito produz frutos em nós — belas e preciosas qualidades, como o amor, a bondade e a benignidade. (Gálatas 5:22, 23) Assim, quando estamos angustiados e um concrente se sente movido a nos dar conselhos úteis, ou a expressar palavras de encorajamento muito necessárias, podemos agradecer a Jeová por tais expressões de Seu cuidado protetor.
21. (a) Que alimento espiritual oportuno Jeová fornece por meio do “escravo fiel e prudente”? (b) Que benefícios você já derivou das provisões de Jeová para nossa proteção espiritual?
21 Jeová nos dá algo mais para nos proteger: alimento espiritual oportuno. Para nos ajudar a derivar força de sua Palavra, Jeová encarregou o “escravo fiel e prudente” de distribuir alimento espiritual. Esse escravo fiel usa publicações, como as revistas A Sentinela e Despertai!, bem como nosso site jw.org, reuniões, assembleias e congressos, para nos fornecer “alimento no tempo apropriado” — o que necessitamos e quando o necessitamos. (Mateus 24:45) Já ouviu alguma vez numa reunião cristã — num comentário, num discurso, ou mesmo numa oração — algo que lhe deu exatamente a força e o encorajamento de que precisava? Já lhe aconteceu de um artigo específico de nossas revistas lhe tocar profundamente? Lembre-se, Jeová faz todas essas provisões para nos proteger espiritualmente.
22. De que maneiras Jeová sempre usa seu poder? Por que isso é nos nossos melhores interesses?
22 Jeová é certamente um escudo “para todos os que se refugiam nele”. (Salmo 18:30) Entendemos que ele não usa seu poder protetor para nos defender de toda calamidade agora. Mas ele sempre o usa para garantir a realização de seu propósito. A longo prazo, isso resulta nos melhores interesses de seu povo. Se nos achegarmos a ele e permanecermos no seu amor, Jeová nos dará uma eternidade de vida perfeita. Com essa perspectiva em mente, podemos de fato encarar qualquer sofrimento neste sistema como “momentâneo e leve”. — 2 Coríntios 4:17.
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Poder de restauração — Jeová ‘está fazendo novas todas as coisas’Achegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 8
Poder de restauração — Jeová ‘está fazendo novas todas as coisas’
1, 2. Que perdas afligem a família humana hoje, e como nos afetam?
JÁ VIU uma criança chorar de tristeza por ter perdido ou quebrado seu brinquedo preferido? É de partir o coração! Mas quando o pai ou a mãe encontra o brinquedo ou o conserta, o rosto da criança se ilumina com um sorriso! Para os pais, talvez tenha sido uma tarefa simples. Mas a criança fica muito contente e admirada. O que parecia perdido para sempre foi recuperado!
2 Jeová, o Pai supremo, tem o poder de recuperar, ou restaurar, o que seus filhos terrestres talvez encarem como perda irremediável. Naturalmente, não estamos falando de meros brinquedos. Nestes “tempos críticos, difíceis de suportar”, enfrentamos perdas muito mais sérias. (2 Timóteo 3:1-5) Muitas das coisas que as pessoas têm em alta estima parecem estar sempre em perigo — a casa, os bens, o emprego, até mesmo a saúde. Também nos entristece ver a destruição do meio ambiente e a extinção de muitas espécies de coisas vivas. No entanto, nada nos atinge mais duramente do que a morte de uma pessoa amada. Os sentimentos de perda e de impotência podem ser esmagadores. — 2 Samuel 18:33.
3. Que perspectiva consoladora apresenta Atos 3:21, e que meios Jeová usará para isso?
3 Portanto, como é consolador aprender a respeito do poder de restauração de Jeová! Conforme veremos, o número de coisas que Deus pode e vai restaurar para seus filhos terrestres é espantosamente grande. De fato, a Bíblia mostra que Jeová deseja o “restabelecimento de todas as coisas”. (Atos 3:21) Para isso, ele usará o Reino messiânico, governado por seu Filho, Jesus Cristo. As evidências mostram que esse Reino começou a governar em 1914.a (Mateus 24:3-14) O que será restabelecido, ou restaurado? Vejamos alguns dos grandiosos atos de restauração de Jeová. Um desses já podemos ver e sentir. Outros ocorrerão em larga escala no futuro.
A restauração da adoração pura
4, 5. O que aconteceu com o povo de Deus em 607 AEC, e que esperança Jeová lhes deu?
4 Uma das coisas já restauradas por Jeová é a adoração pura. Para entendermos o que isso significa, examinemos brevemente a História do reino de Judá. Isso nos dará uma emocionante visão do poder de restauração de Jeová em ação. — Romanos 15:4.
5 Tente imaginar como os judeus fiéis se sentiram em 607 AEC, quando Jerusalém foi destruída. A amada cidade deles foi arruinada, suas muralhas foram derrubadas. Pior ainda, o glorioso templo construído por Salomão, que era o único centro da adoração pura de Jeová na Terra, ficou em ruínas. (Salmo 79:1) Os sobreviventes foram exilados para Babilônia, e a terra natal deles virou um desolado refúgio de animais selvagens. (Jeremias 9:11) Do ponto de vista humano, tudo parecia perdido. (Salmo 137:1) Mas Jeová, que muito antes havia predito essa destruição, apresentou a esperança de um futuro período de restauração.
6-8. (a) Que tema recorrente se encontra nos escritos dos profetas hebreus, e que cumprimento inicial tiveram essas profecias? (b) Nos tempos modernos, como se cumpriram no povo de Deus muitas profecias de restauração?
6 Realmente, a restauração era um tema recorrente nos escritos dos profetas hebreus.b Por meio deles, Jeová prometera uma terra restaurada e repovoada, fértil, protegida contra animais selvagens e ataques de inimigos. Sua descrição da terra restaurada era de um autêntico paraíso! (Isaías 65:25; Ezequiel 34:25; 36:35) Acima de tudo, a adoração pura seria restabelecida e o templo, reconstruído. (Miqueias 4:1-5) Essas profecias deram esperança para os judeus exilados, ajudando-os a suportar o cativeiro de 70 anos em Babilônia.
7 Finalmente, chegara o tempo de restauração. Libertados de Babilônia, os judeus retornaram para Jerusalém e reconstruíram o templo de Jeová ali. (Esdras 1:1, 2) Enquanto praticavam a adoração pura, Jeová os abençoava e fazia com que a terra deles fosse fértil e próspera. Ele os protegia contra inimigos e os animais selvagens que, por décadas, haviam ocupado a terra. Quanta alegria deve ter-lhes dado o poder de restauração de Jeová! Mas esses acontecimentos eram apenas um cumprimento inicial e limitado das profecias de restauração. Viria um cumprimento maior “na parte final dos dias”, nos nossos tempos, quando o Herdeiro do Rei Davi, há muito prometido, estaria entronizado. — Isaías 2:2-4; 9:6, 7.
8 Pouco depois de ter sido entronizado no Reino celestial em 1914, Jesus passou a suprir as necessidades espirituais do povo fiel de Deus na Terra. Assim como o conquistador persa Ciro libertou um restante de judeus de Babilônia em 537 AEC, Jesus libertou um restante de judeus espirituais — seguidores de suas pisadas — da influência de “Babilônia, a Grande”, o império mundial da religião falsa. (Apocalipse 18:1-5; Romanos 2:29) De 1919 em diante, a adoração pura voltou a ocupar o lugar correto na vida dos cristãos genuínos. (Malaquias 3:1-5) Desde então, o povo de Jeová o adora no Seu templo espiritual purificado — Seu sistema de adoração pura. Por que isso é importante para nós hoje?
Restauração espiritual — Por que é importante?
9. Depois da era apostólica, como as religiões da cristandade deturparam a adoração divina, mas o que Jeová fez em nossos dias?
9 Analise a História. Os cristãos no primeiro século tiveram muitas bênçãos espirituais. Mas Jesus e os apóstolos predisseram que a adoração verdadeira seria corrompida e desapareceria. (Mateus 13:24-30; Atos 20:29, 30) Depois da era apostólica, surgiu a cristandade. Seu clero adotou ensinos e práticas pagãs. Além disso, tornou praticamente impossível achegar-se a Deus, retratando-o como uma incompreensível Trindade, ensinando o povo a confessar pecados a sacerdotes e a orar a Maria e a vários “santos”, em vez de a Jeová. Essa falsidade persistiu por muitos séculos, mas o que Jeová fez então? No meio do mundo atual — abarrotado de mentiras religiosas e poluído por práticas pecaminosas —, ele interveio e restaurou a adoração pura! Pode-se dizer, sem exagero, que essa restauração é um dos acontecimentos mais importantes dos tempos modernos.
10, 11. (a) O paraíso espiritual abrange que dois aspectos e como isso o afeta? (b) Que tipo de pessoas Jeová tem trazido ao paraíso espiritual, e o que elas terão o privilégio de presenciar?
10 Por isso, os cristãos verdadeiros na atualidade desfrutam um paraíso espiritual que está sempre melhorando, sempre se desenvolvendo. O que esse paraíso abrange? Primariamente, dois aspectos. O primeiro é a adoração pura do Deus verdadeiro, Jeová. Ele nos abençoou com uma forma de adoração sem mentiras e distorções. E também nos abençoou com alimento espiritual. Assim, podemos aprender a respeito de nosso Pai celestial, agradá-lo e nos achegar a ele. (João 4:24) O segundo aspecto do paraíso espiritual envolve pessoas. Conforme Isaías predisse, “na parte final dos dias” Jeová ensina seus adoradores a serem pacíficos. Ele aboliu a guerra entre nós. Apesar de nossas imperfeições, ele nos ajuda a desenvolver a “nova personalidade”. Abençoa nossos esforços dando-nos seu espírito santo, que produz excelentes qualidades em nós. (Efésios 4:22-24; Gálatas 5:22, 23) Se você age em harmonia com o espírito de Deus, realmente faz parte do paraíso espiritual.
11 Jeová tem trazido a esse paraíso espiritual o tipo de pessoas que ele ama — pessoas que o amam, que amam a paz e têm “consciência de sua necessidade espiritual”. (Mateus 5:3) Elas terão o privilégio de presenciar uma restauração ainda mais espetacular — da humanidade e da Terra inteira.
“Veja! Estou fazendo novas todas as coisas”
12, 13. (a) Por que as profecias de restauração ainda terão de ter outro cumprimento? (b) Qual é o propósito de Jeová para a Terra, conforme declarado no Éden, e por que isso nos dá esperança?
12 Muitas das profecias de restauração se referem a mais do que apenas uma restauração espiritual. Isaías, por exemplo, escreveu a respeito de um tempo em que doentes, deficientes físicos, cegos e surdos seriam curados e até mesmo a morte seria eliminada para sempre. (Isaías 25:8; 35:1-7) Tais promessas não se cumpriram literalmente no Israel antigo. E, embora elas se cumpram em nossos dias em sentido espiritual, há todos os motivos para crer que, no futuro, haverá um cumprimento literal em plena escala. Como sabemos disso?
13 Lá no Éden, Jeová deixou claro qual era seu propósito para a Terra: ser habitada por uma família humana feliz, sadia e unida. O homem e a mulher cuidariam deste planeta e de todas as suas criaturas, transformando todo ele num paraíso. (Gênesis 1:28) Isso é bem diferente de como as coisas são hoje em dia. Mas você pode estar certo disto: os propósitos de Jeová nunca falham. (Isaías 55:10, 11) Jesus, como Rei messiânico designado por Jeová, tornará realidade esse Paraíso global. — Lucas 23:43.
14, 15. (a) Como Jeová fará “novas todas as coisas”? (b) Como será a vida no Paraíso, e que aspecto mais o atrai?
14 Imagine ver a Terra inteira ser transformada num Paraíso! Jeová diz a respeito daquele tempo: “Veja! Estou fazendo novas todas as coisas.” (Apocalipse 21:5) Pense no que isso significará. Depois de Jeová ter usado seu poder de destruição contra este perverso velho sistema, existirão “novos céus e uma nova terra”. Isso significa que um novo governo regerá do céu uma nova sociedade terrestre composta de pessoas que amam a Jeová e fazem a Sua vontade. (2 Pedro 3:13) Satanás e seus demônios estarão fora de ação. (Apocalipse 20:3) Pela primeira vez em milhares de anos, a humanidade ficará livre dessa influência corrompedora, odiosa e prejudicial. Que sensação de alívio!
15 Finalmente, poderemos cuidar deste belo planeta como deveria ter sido desde o princípio. A Terra tem capacidades naturais de recuperação. Lagos e rios poluídos limparão a si mesmos se a fonte da poluição for eliminada; paisagens danificadas pela guerra podem se recuperar, se os conflitos cessarem. Que prazer será trabalhar em harmonia com as leis naturais da Terra, ajudando a transformá-la num parque ajardinado, um Éden global de infinita variedade! Em vez de levianamente exterminar espécies animais e vegetais, o homem estará em paz com toda a criação na Terra. Nem mesmo as crianças terão qualquer temor dos animais selvagens. — Isaías 9:6, 7; 11:1-9.
16. No Paraíso, que restauração afetará todas as pessoas fiéis?
16 Teremos uma restauração também em nível pessoal. Após o Armagedom, os sobreviventes presenciarão curas milagrosas em escala global. Como fez quando esteve na Terra, Jesus usará o poder divino para restaurar a visão aos cegos, a audição aos surdos e corpos sadios e normais aos deficientes físicos e aos doentes. (Mateus 15:30) Os idosos ficarão felizes ao recuperar a força, a saúde e o vigor da juventude. (Jó 33:25) As rugas desaparecerão, os membros se regenerarão e os músculos recuperarão o vigor. Todos os humanos obedientes sentirão os efeitos do pecado e da imperfeição diminuir gradativamente, até desaparecer. Quanta gratidão sentiremos a Jeová Deus por seu maravilhoso poder de restauração! Focalizemos agora um aspecto especialmente animador desse emocionante tempo de restauração.
Mortos voltarão a viver
17, 18. (a) Por que Jesus repreendeu os saduceus? (b) Que circunstâncias levaram Elias a pedir a Jeová que realizasse uma ressurreição?
17 No primeiro século EC, alguns líderes religiosos, chamados saduceus, não criam na ressurreição. Jesus os repreendeu com as palavras: “Vocês estão enganados, porque não conhecem nem as Escrituras, nem o poder de Deus.” (Mateus 22:29) Sim, as Escrituras revelam que Jeová tem esse poder de restauração. Como assim?
18 Visualize o que aconteceu nos dias de Elias. Uma viúva segurava nos braços o corpo inerte de seu filho único. O menino estava morto. O profeta Elias, que havia sido hóspede dela por algum tempo, com certeza estava chocado. Anteriormente, ele havia ajudado a salvar essa criança da inanição. É provável que Elias tivesse se apegado ao garoto. A mãe estava arrasada. O menino era a única lembrança viva de seu falecido esposo. Ela talvez esperasse que esse filho cuidasse dela na velhice. Desolada, a viúva temia estar sendo punida por algum erro do passado. Elias não suportou ver essa tragédia. Com cuidado, apanhou o cadáver do colo da mãe, subiu ao seu quarto e pediu a Jeová que restaurasse a vida da criança. — 1 Reis 17:8-21.
19, 20. (a) Como Abraão mostrou que tinha fé no poder de restauração de Jeová, e qual era a base dessa fé? (b) Como Jeová recompensou a Elias por sua fé?
19 Elias não foi a primeira pessoa a crer na ressurreição. Séculos antes, Abraão já acreditava que Jeová tem tal poder de restauração — e com bons motivos. Quando Abraão tinha 100 anos de idade e Sara tinha 90, Jeová restaurou as faculdades reprodutivas do casal, tornando possível que Sara milagrosamente tivesse um filho. (Gênesis 17:17; 21:2, 3) Mais tarde, quando o filho já era adulto, Jeová pediu a Abraão que o sacrificasse. Abraão mostrou fé, reconhecendo que Jeová poderia restaurar a vida de seu amado Isaque. (Hebreus 11:17-19) Essa forte fé talvez explique por que Abraão, antes de subir ao monte para oferecer seu filho, garantiu aos seus servos que ele e Isaque voltariam juntos. — Gênesis 22:5.
“Veja! Seu filho está vivo!”
20 Jeová poupou Isaque, de modo que não foi preciso uma ressurreição naquela ocasião. No caso de Elias, porém, o filho da viúva já estava morto — mas não por muito tempo. Jeová recompensou a fé do profeta ressuscitando a criança. Em seguida, Elias entregou o menino à mãe, com estas palavras inesquecíveis: “Veja! Seu filho está vivo!” — 1 Reis 17:22-24.
21, 22. (a) Qual foi o objetivo das ressurreições registradas nas Escrituras? (b) Qual será a extensão da ressurreição no Paraíso e quem a realizará?
21 Essa é a primeira vez, no registro bíblico, em que vemos Jeová usar seu poder para restaurar uma vida humana. Mais tarde, Jeová também capacitou Eliseu, Jesus, Paulo e Pedro para ressuscitar mortos. Naturalmente, os que foram ressuscitados por fim morreram de novo. Mas esses relatos bíblicos indicam maravilhosas perspectivas para o futuro.
22 No Paraíso, Jesus cumprirá seu papel de ser “a ressurreição e a vida”. (João 11:25) Ele ressuscitará incontáveis milhões de pessoas, dando-lhes a oportunidade de viverem para sempre no Paraíso na Terra. (João 5:28, 29) Imagine o reencontro de amigos e parentes, há muito separados pela morte, ao se abraçarem — quase fora de si de tanta alegria! Toda a humanidade louvará a Jeová por esse poder de restauração.
23. Qual foi a maior de todas as demonstrações do poder de Jeová? Que garantia isso nos dá para o futuro?
23 Jeová forneceu uma garantia sólida como uma rocha de que tais esperanças são seguras. Na maior de todas as demonstrações de poder, ele ressuscitou seu Filho, Jesus, como poderosa criatura espiritual, colocando-o numa posição inferior apenas à Sua própria. O ressuscitado Jesus apareceu a centenas de testemunhas oculares. (1 Coríntios 15:5, 6) Até mesmo para os cépticos, essa evidência deve ser conclusiva. Jeová tem o poder de restaurar a vida.
24. Por que podemos ter certeza de que Jeová ressuscitará os mortos? Que esperança cada um de nós pode prezar?
24 Jeová não apenas tem o poder de ressuscitar os mortos, mas também o desejo de fazer isso. Pelo que o fiel Jó foi inspirado a dizer podemos deduzir que Jeová realmente anseia ressuscitar os mortos. (Jó 14:15, nota) Não se sente atraído ao nosso Deus, que está ansioso de usar seu poder de restauração de maneira tão amorosa? Lembre-se, porém, de que a ressurreição é apenas um dos aspectos da futura grande obra de restauração de Jeová. Ao se achegar cada vez mais a ele, preze sempre a preciosa esperança de poder estar presente para ver Jeová “fazendo novas todas as coisas”. — Apocalipse 21:5.
a “O tempo do restabelecimento de todas as coisas” começou quando o Reino messiânico foi estabelecido, tendo no trono um herdeiro do fiel Rei Davi. Jeová havia prometido a Davi que um herdeiro seu seria rei para sempre. (Salmo 89:35-37) Mas, depois que Babilônia destruiu Jerusalém, em 607 AEC, nenhum descendente humano de Davi ocupou o trono de Deus. Após algum tempo, Jesus nasceu na Terra como herdeiro de Davi. Quando foi entronizado no céu, Jesus tornou-se aquele Rei há muito prometido.
b Por exemplo, Moisés, Isaías, Jeremias, Ezequiel, Oseias, Joel, Amós, Obadias, Miqueias e Sofonias abordaram esse tema.
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“Cristo é o poder de Deus”Achegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 9
“Cristo é o poder de Deus”
1-3. (a) Que situação assustadora os discípulos enfrentaram no mar da Galileia, e o que Jesus fez? (b) Por que foi apropriado o apóstolo Paulo dizer que “Cristo é o poder de Deus”?
OS DISCÍPULOS estavam apavorados. Quando atravessavam o mar da Galileia, também conhecido como lago de Genesaré, uma tempestade começou de repente. Sem dúvida, eles já haviam enfrentado tempestades naquele lago, afinal alguns deles eram pescadores experientes.a (Mateus 4:18, 19) Mas essa era “uma violenta tempestade” que rapidamente agitou as águas, deixando o mar em fúria. Os homens faziam de tudo para controlar a embarcação, mas a tempestade era forte demais. Ondas altas “se lançavam sobre o barco”, inundando-o. Apesar de toda essa agitação, Jesus dormia profundamente na popa, exausto depois de um dia ensinando as multidões. Temendo por suas vidas, os discípulos acordaram-no e imploraram: “Senhor, salve-nos, pois estamos prestes a morrer!” — Marcos 4:35-38; Mateus 8:23-25.
2 Jesus não demonstrou nenhum medo. Com total confiança, censurou o vento e disse ao mar: “Silêncio! Cale-se!” Ambos obedeceram imediatamente — a tempestade cessou, as ondas desapareceram e “houve uma grande calmaria”. Os discípulos ficaram muito assustados. “Quem é realmente este homem?”, cochicharam entre si. De fato, que homem era esse que censurava o vento e o mar como se repreendesse uma criança levada? — Marcos 4:39-41; Mateus 8:26, 27.
3 Jesus não era um homem qualquer. Jeová demonstrou poder a favor dele e por meio dele de maneiras extraordinárias. O apóstolo Paulo disse apropriadamente, sob inspiração: “Cristo é o poder de Deus.” (1 Coríntios 1:24) De que maneiras o poder de Deus se manifestou em Jesus? E como o modo de Jesus usar o poder deve influenciar nossa vida?
O poder do Filho unigênito de Deus
4, 5. (a) Que poder e autoridade Jeová delegou para seu Filho unigênito? (b) Como o Filho conseguiu executar as tarefas criativas de que o Pai lhe incumbiu?
4 Pense no poder que Jesus tinha durante sua existência pré-humana. Jeová exerceu seu “poder eterno” quando criou seu Filho unigênito, que veio a ser conhecido como Jesus Cristo. (Romanos 1:20; Colossenses 1:15) Depois, Jeová delegou grande poder e autoridade ao Filho para, por meio dele, criar tudo o que existe. A respeito do Filho, a Bíblia diz: “Todas as coisas vieram a existir por meio dele, e sem ele nem mesmo uma só coisa veio a existir.” — João 1:3.
5 Nós nem fazemos ideia da grandiosidade dessa incumbência. Imagine o poder necessário para criar milhões de anjos poderosos, o Universo físico com seus bilhões de galáxias e a Terra com sua enorme variedade de formas de vida! Para realizar essas tarefas, o Filho unigênito tinha à disposição a força mais poderosa do Universo: o espírito santo de Deus. O Filho teve muito prazer em ser o trabalhador perito usado por Jeová para criar todas as outras coisas. — Provérbios 8:22-31.
6. Após sua morte e ressurreição, que poder e autoridade Jesus recebeu?
6 Será que o Filho unigênito receberia ainda mais poder e autoridade? Depois de sua morte e ressurreição, Jesus disse: “Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra.” (Mateus 28:18) Portanto, foram concedidos a Jesus tanto a capacidade como o direito de exercer poder em todo o Universo. Como “Rei dos reis e Senhor dos senhores”, ele recebeu autorização de reduzir “a nada todo governo, toda autoridade e poder” — visível ou invisível — que se oponha ao seu Pai. (Apocalipse 19:16; 1 Coríntios 15:24-26) Deus “não deixou nada que não ficasse sujeito” a Jesus, exceto, é claro, ele próprio, Jeová. — Hebreus 2:8; 1 Coríntios 15:27.
7. Por que podemos ter certeza de que Jesus nunca usará mal o poder que Jeová lhe concedeu?
7 Será que precisamos ficar preocupados que Jesus use mal seu poder? De modo algum! Jesus ama de verdade o seu Pai e nunca faria nada para desagradá-lo. (João 8:29; 14:31) Ele sabe que Jeová nunca usa mal seu poder ilimitado. Observou de primeira mão como o Criador procura oportunidades de “mostrar a sua força a favor daqueles que têm o coração pleno para com ele”. (2 Crônicas 16:9) De fato, Jesus, assim como seu Pai, ama muito a humanidade, de modo que podemos ter confiança de que ele sempre usará seu poder para o bem. (João 13:1) As ações de Jesus no passado confirmam isso. Ele jamais usou mal o poder. Vamos analisar o poder que ele tinha quando estava na Terra e como se sentiu motivado a usá-lo.
“Poderoso em . . . palavras”
8. Depois de ser ungido, que poder Jesus recebeu e como o usou?
8 Evidentemente, Jesus não realizou milagres quando era menino e crescia em Nazaré. Mas isso mudou depois que ele foi batizado em 29 EC, com cerca de 30 anos de idade. (Lucas 3:21-23) A Bíblia nos diz: “Deus o ungiu com espírito santo e poder; e ele andou por toda a região fazendo o bem e curando todos os oprimidos pelo Diabo.” (Atos 10:38) “Fazendo o bem” — isso indica que Jesus usou corretamente o poder, não acha? Depois de ser ungido, ele “foi um profeta poderoso em ações e palavras”. — Lucas 24:19.
9-11. (a) Onde Jesus realizou a maior parte da sua obra de ensinar e por que isso era um desafio? (b) Por que as multidões ficaram maravilhadas com o modo de Jesus ensinar?
9 Em que sentido Jesus era poderoso em palavras? Ele muitas vezes ensinava ao ar livre: à beira de lagos, nas colinas, nas ruas e nas praças. (Marcos 6:53-56; Lucas 5:1-3; 13:26) Ou seja, seus ouvintes poderiam simplesmente ir embora se suas palavras não prendessem a atenção. Naquela época, em que não havia livros impressos, os ouvintes apreciativos tinham de guardar as palavras dele na mente e no coração. De modo que o ensino de Jesus tinha de prender a atenção, ser fácil de entender e de lembrar. Mas isso não era problema para ele. Veja um exemplo: o Sermão do Monte.
10 Certa manhã, no início do ano 31 EC, uma multidão se reuniu numa colina perto do mar da Galileia. Alguns haviam vindo da Judeia e de Jerusalém, que ficavam à distância de 100 a 110 quilômetros dali. Outros haviam vindo da região costeira de Tiro e Sídon, ao norte. Muitos doentes se aproximaram de Jesus para tocá-lo e ele curou a todos. Quando já não havia nenhuma pessoa gravemente doente entre eles, ele começou a ensinar. (Lucas 6:17-19) Quando terminou de falar algum tempo depois, as pessoas estavam fascinadas com o que tinham ouvido. Por quê?
11 Anos depois, alguém que havia ouvido aquele sermão escreveu: “As multidões ficaram maravilhadas com seu modo de ensinar, pois ele as ensinava como quem tinha autoridade.” (Mateus 7:28, 29) As pessoas sentiam o poder de Jesus quando ele falava como representante divino, baseando seu ensino na autoridade da Palavra de Deus. (João 7:16) As declarações de Jesus eram claras, suas exortações, persuasivas; e seus argumentos, irrefutáveis. Suas palavras chegavam ao âmago das questões e tocavam o coração dos ouvintes. Ele os ensinou a encontrar felicidade, a orar, a buscar o Reino de Deus e a ter um futuro seguro. (Mateus 5:3–7:27) Suas palavras estimulavam o coração dos que tinham fome da verdade e da justiça. Esses se dispunham a ‘negar’ a si mesmos e a abandonar tudo para segui-lo. (Mateus 16:24; Lucas 5:10, 11) Que demonstração do poder das palavras de Jesus!
“Poderoso em ações”
12, 13. Por que se diz que Jesus era “poderoso em ações”, e em que sentidos seus milagres eram variados?
12 Jesus também era “poderoso em ações”. (Lucas 24:19) Os Evangelhos relatam mais de 30 milagres específicos que ele realizou — todos pelo “poder de Jeová”.b (Lucas 5:17) Os milagres de Jesus beneficiaram milhares de pessoas. Em apenas dois desses milagres — quando ele alimentou primeiro 5 mil homens e mais tarde 4 mil homens. Com mulheres e crianças, as multidões provavelmente incluíram muitos outros milhares de pessoas. — Mateus 14:13-21; 15:32-38.
13 Os milagres de Jesus eram bem variados. Ele tinha autoridade sobre demônios, expulsando-os facilmente. (Lucas 9:37-43) Tinha poder sobre elementos físicos, transformando água em vinho. (João 2:1-11) Imagine a surpresa dos discípulos quando eles “viram Jesus andando sobre o mar”. (João 6:18, 19) Tinha o poder de curar todo tipo de defeitos físicos, de doenças crônicas, ou potencialmente fatais. (Marcos 3:1-5; João 4:46-54) As maneiras de ele curar também variavam. Alguns foram curados à distância; outros foram tocados diretamente por Jesus. (Mateus 8:2, 3, 5-13) Alguns foram curados na hora; outros, aos poucos. — Marcos 8:22-25; Lucas 8:43, 44.
“Viram Jesus andando sobre o mar”
14. Em que circunstâncias Jesus demonstrou que tinha o poder de anular a morte?
14 Além disso, Jesus tinha uma habilidade notável: o poder de anular a morte. Há registros de três ocasiões em que ele ressuscitou mortos: devolveu uma menina de 12 anos aos pais; um filho único à mãe, que era viúva; e um irmão muito querido às suas irmãs. (Lucas 7:11-15; 8:49-56; João 11:38-44) Para ele, nenhuma circunstância era tão difícil que o impedisse de realizar uma ressurreição. A menina de 12 anos, por exemplo, foi trazida de volta à vida pouco depois de ter morrido. Já o filho da viúva foi ressuscitado quando era transportado no seu esquife, sem dúvida no mesmo dia em que morreu. E a ressurreição de Lázaro se deu quatro dias depois de ele ter morrido.
Poder usado de forma altruísta, responsável e compassiva
15, 16. O que demonstra que Jesus usava o poder de forma altruísta?
15 Consegue imaginar o que aconteceria se o poder de Jesus caísse nas mãos de um governante imperfeito? Possivelmente, haveria abuso de poder. Mas Jesus não tinha pecado. (1 Pedro 2:22) Ele se recusou a ser manchado pelo egoísmo, pela ambição e pela ganância que levam os humanos imperfeitos a usar o poder para prejudicar outros.
16 Jesus usava o poder de forma altruísta, nunca para obter vantagens pessoais. Quando estava faminto, recusou-se a transformar pedras em pão, em proveito próprio. (Mateus 4:1-4) Ele tinha poucos bens, o que demonstra claramente que não usava o poder para obter lucros materiais. (Mateus 8:20) Há outro fato que prova que suas obras poderosas não tinham motivação egoísta. Realizar milagres lhe custava algo. Quando curava doentes, saía poder dele. Ele sentia isso até quando curava uma única pessoa. (Marcos 5:25-34) Mesmo assim, deixava que multidões o tocassem, e elas eram curadas. (Lucas 6:19) Que abnegação!
17. Como Jesus mostrou que usava o poder de modo responsável?
17 Jesus usava o poder de modo responsável. Ele nunca fez obras poderosas só para se mostrar ou por exibicionismo, sem um propósito. (Mateus 4:5-7) Ele se recusou a realizar sinais só para satisfazer a curiosidade de Herodes, que tinha motivações erradas. (Lucas 23:8, 9) Em vez de propagar os seus feitos aos quatro ventos, Jesus muitas vezes dizia aos curados que não contassem nada a ninguém. (Marcos 5:43; 7:36) Não queria que as pessoas tirassem conclusões a seu respeito com base em relatos sensacionalistas. — Mateus 12:15-19.
18-20. (a) O que influenciava o modo de Jesus usar o poder? (b) O que você acha do modo de Jesus curar um surdo?
18 Jesus era um homem poderoso, mas era bem diferente de certos governantes que exercem o poder de forma insensível, sem levar em conta as necessidades e o sofrimento dos outros. Jesus se preocupava com as pessoas. Só de ver os aflitos, ele sentia tanta compaixão que simplesmente tinha de aliviar seu sofrimento. (Mateus 14:14) Ele levava em consideração seus sentimentos e necessidades, e essa preocupação amorosa influenciava seu modo de usar o poder. Em Marcos 7:31-37 encontra-se um exemplo comovente disso.
19 Naquela ocasião, grandes multidões encontraram Jesus e trouxeram-lhe muitos doentes, e ele curou a todos. (Mateus 15:29, 30) Mas Jesus mostrou consideração especial por um homem surdo que mal conseguia falar. Talvez ele tenha percebido que o homem estava muito nervoso ou embaraçado. Bondosamente, levou o homem para longe da multidão. Daí, em particular, usou sinais para explicar ao homem o que faria. Então, “pôs os dedos nos ouvidos do homem e, depois de cuspir, tocou na língua dele”.c (Marcos 7:33) Depois, Jesus olhou para o céu e suspirou. Com essas ações, ele queria dizer ao homem: “O que vou fazer por você se deve ao poder de Deus.” Por fim, Jesus disse: “Abra-se.” (Marcos 7:34) Com isso, a audição do homem foi restaurada e ele começou a falar normalmente.
20 Como é emocionante pensar que, mesmo quando usava o poder dado por Deus para curar os aflitos, Jesus mostrava empatia e consideração pelos sentimentos deles! Não ficamos mais tranquilos de saber que Jeová colocou o Reino messiânico nas mãos de um Governante tão bondoso e compassivo?
Prenúncio do futuro
21, 22. (a) O que os milagres de Jesus indicavam para o futuro? (b) Visto que Jesus tem controle sobre as forças da natureza, o que podemos esperar sob seu domínio no Reino?
21 As obras poderosas que Jesus realizou na Terra dão apenas uma ideia das bênçãos muito maiores que haverá sob seu reinado. No novo mundo de Deus, Jesus novamente fará milagres, mas em escala mundial. Veja quais são algumas das perspectivas emocionantes para o futuro.
22 Jesus restaurará o equilíbrio ecológico da Terra. Lembre-se de que ele acalmou um vendaval, o que demonstra que ele tem controle sobre as forças da natureza. Sem dúvida, então, sob o seu domínio no Reino, a humanidade não precisará ter medo de tufões, terremotos, erupções vulcânicas ou outras calamidades naturais. Visto que foi o trabalhador perito usado por Jeová para criar a Terra e todas as formas de vida nela, Jesus entende plenamente a constituição do planeta. Sabe como usar seus recursos de forma apropriada. Sob seu domínio, a Terra inteira será transformada num Paraíso. — Lucas 23:43.
23. Como Rei, de que formas Jesus satisfará as necessidades da humanidade?
23 E as necessidades da humanidade? Usando poucas provisões, Jesus forneceu alimento mais do que suficiente a milhares de pessoas. Isso nos assegura que, sob seu domínio, a fome desaparecerá. De fato, haverá muito alimento, que será distribuído de forma justa, eliminando a fome para sempre. (Salmo 72:16) Como ele é capaz de curar doenças, podemos ter certeza de que os enfermos, cegos, surdos, mutilados e deficientes físicos serão curados de forma completa e permanente. (Isaías 33:24; 35:5, 6) E ele também tem a habilidade de trazer os mortos de volta à vida! Portanto, podemos ter certeza de que, como poderoso Rei celestial, ele ressuscitará os incontáveis milhões que seu Pai guarda na memória. — João 5:28, 29.
24. Ao refletirmos no poder de Jesus, o que é bom termos em mente, e por quê?
24 Ao refletirmos no poder de Jesus, é bom termos em mente que ele imita seu Pai de forma perfeita. (João 14:9) Assim, o modo como o Filho usa o poder mostra-nos claramente como Jeová também o usa. Por exemplo, pense em como Jesus mostrou consideração ao curar um leproso. Cheio de compaixão, Jesus tocou no homem e disse: “Eu quero!” (Marcos 1:40-42) Em relatos como esse, é como se Jeová nos dissesse: “É assim que eu uso o poder!” Não sente vontade de louvar nosso Deus todo-poderoso e agradecer-lhe por usar seu poder de modo tão amoroso?
a Tempestades súbitas são comuns no mar da Galileia, que fica numa depressão (uns 200 metros abaixo do nível do mar). O ar ali é muito mais quente do que nas regiões ao redor, o que gera perturbações atmosféricas. Ventos fortes descem o vale do Jordão vindos do monte Hermom, que fica ao norte. Num momento, tudo está calmo; no outro, pode começar uma tempestade violenta.
b Além disso, os Evangelhos às vezes agrupam muitos milagres sob uma única descrição geral. Por exemplo, em certa ocasião uma “cidade toda” foi vê-lo e ele curou “muitos” doentes. — Marcos 1:32-34.
c Cuspir era um método ou sinal de cura conhecido tanto por judeus como por gentios, e o uso de saliva em curas está registrado em escritos rabínicos. Possivelmente, Jesus cuspiu apenas para mostrar ao homem que ele ia ser curado. Seja como for, Jesus não usou a saliva como substância curativa natural.
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“Tornem-se imitadores de Deus” no uso do poderAchegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 10
“Tornem-se imitadores de Deus” no uso do poder
1. Com frequência, os humanos, que são imperfeitos, caem em que laço sutil?
“NÃO há poder sem sutil laço.” Essas palavras de uma poetisa do século 19 revelam um perigo insidioso: o mau uso do poder. Infelizmente, com muita frequência os humanos, que são imperfeitos, caem nesse laço. De fato, ao longo de toda a História, “homem domina homem para o seu prejuízo”. (Eclesiastes 8:9) O poder exercido sem amor tem resultado em indescritível sofrimento para a humanidade.
2, 3. (a) O que é notável quanto ao modo de Jeová usar o poder? (b) O que está incluído no nosso poder e como devemos usá-lo?
2 Não acha notável, então, que Jeová Deus nunca use mal seu poder ilimitado? Como notamos nos capítulos anteriores, ele sempre usa seu poder — criativo, de destruição, protetor ou de restauração — em harmonia com seus propósitos amorosos. Se analisarmos seu modo de usar o poder, sentiremos o desejo de nos achegar a ele. Isso, por sua vez, nos motivará a nos tornarmos “imitadores de Deus” ao usar nosso poder. (Efésios 5:1) Mas que poder nós, humanos frágeis, possuímos?
3 Lembre-se de que os humanos foram criados “à imagem de Deus” e à Sua semelhança. (Gênesis 1:26, 27) De modo que também temos certa medida de poder: o poder de fazer coisas, de trabalhar; o controle ou a autoridade sobre outros; a habilidade de influenciar outros, em especial os que nos amam; a força física (vigor); ou os recursos materiais. O salmista disse o seguinte a respeito de Jeová: “Contigo está a fonte da vida.” (Salmo 36:9) Portanto, direta ou indiretamente, Deus é a fonte de todo poder legítimo que possamos ter. Assim, devemos usá-lo de forma a agradar a Ele. Como fazer isso?
O segredo é o amor
4, 5. (a) Qual é o segredo para usar corretamente o poder, e como o exemplo do próprio Deus demonstra isso? (b) Como o amor nos ajudará a usar corretamente nosso poder?
4 O segredo para usarmos corretamente o poder é o amor. O exemplo do próprio Deus demonstra isso. Lembre-se dos quatro atributos principais de Deus, analisados no Capítulo 1: poder, justiça, sabedoria e amor. Qual é a mais destacada dessas quatro qualidades? O amor. “Deus é amor”, diz 1 João 4:8. Na verdade, o amor é a própria essência do que Jeová é e influencia tudo o que ele faz. Assim, quando usa seu poder, o Criador sempre é motivado pelo amor e tem por objetivo final o bem dos que o amam.
5 O amor também nos ajudará a usar corretamente o poder. Afinal, a Bíblia diz que o amor é “bondoso” e “não procura os seus próprios interesses”. (1 Coríntios 13:4, 5) Assim, ele não nos deixará agir de modo duro ou cruel para com os que estão debaixo de nossa autoridade. Pelo contrário, trataremos os outros com dignidade e colocaremos suas necessidades e sentimentos à frente dos nossos. — Filipenses 2:3, 4.
6, 7. (a) O que é o temor de Deus e por que essa qualidade nos ajudará a evitar usar mal o poder? (b) Ilustre a ligação que existe entre o temor de desagradar a Deus e o amor a Ele.
6 O amor está relacionado a outra qualidade que nos ajuda a usar bem o poder: o temor de Deus. Por que essa qualidade é importante? “Por temer a Jeová a pessoa se afasta do mal”, diz Provérbios 16:6. O uso incorreto do poder sem dúvida está incluído entre as coisas más das quais devemos nos afastar. O temor de Deus impedirá que tratemos mal aqueles que estão sob nossa autoridade. Por quê? Um dos motivos é que sabemos que teremos de prestar contas a Deus pelo modo como os tratamos. (Neemias 5:1-7, 15) Mas o temor de Deus envolve mais do que isso. Os termos para “temor” nas línguas originais muitas vezes se referem à profunda reverência a Deus e à admiração por ele. Assim, a Bíblia associa o temor com o amor a Deus. (Deuteronômio 10:12, 13) Essa admiração reverente inclui o temor saudável de desagradar a Deus, não apenas porque temos medo das consequências, mas porque realmente o amamos.
7 Para ilustrar: pense no bom relacionamento entre um garotinho e seu pai. O menino sente o interesse carinhoso e amoroso do pai por ele. Mas também sabe o que o pai exige dele e que vai discipliná-lo se ele se comportar mal. O menino não vive com um medo mórbido do pai. Pelo contrário, ele o ama muito. Procura agir de um modo que venha a ter a aprovação do pai. O mesmo se dá com o temor de Deus. Visto que amamos a Jeová, nosso Pai celestial, tememos fazer algo que ‘entristeça seu coração’. (Gênesis 6:6) Temos muita vontade de alegrar o coração Dele. (Provérbios 27:11) É por isso que nos esforçamos para usar corretamente nosso poder. Vamos analisar em mais detalhes como podemos fazer isso.
Na família
8. (a) Que autoridade o marido tem na família, e como se espera que ele a exerça? (b) Como o marido pode mostrar que honra a esposa?
8 Analisemos primeiro o círculo familiar. “O marido é cabeça da esposa”, diz Efésios 5:23. Como o marido deve exercer a autoridade que recebeu de Deus? A Bíblia diz que os maridos devem morar com a esposa “segundo o conhecimento”. E devem ‘dar-lhe honra como a um vaso mais frágil’. (1 Pedro 3:7) O substantivo grego traduzido “honra” significa “preço, valor, . . . respeito”. Algumas formas dessa palavra são traduzidas como “presentes” e “precioso”. (Atos 28:10; 1 Pedro 2:7) O marido que honra a esposa nunca a ataca fisicamente, nem a humilha ou rebaixa, fazendo com que se sinta inútil. Ao contrário, ele reconhece o valor dela e a trata com respeito. Mostra por suas palavras e ações — em público e em particular — que ela é preciosa para ele. (Provérbios 31:28) O marido que age assim não só obtém o amor e o respeito da esposa, mas também, o que é mais importante, a aprovação de Deus.
Maridos e esposas usam corretamente seu poder tratando um ao outro com amor e respeito
9. (a) Que poder a esposa tem na família? (b) O que ajudará a esposa a usar suas habilidades para apoiar o marido, e com que resultado?
9 A esposa também tem certo poder na família. A Bíblia menciona mulheres tementes a Deus que, sem desrespeitar a chefia, tomaram a iniciativa, influenciando o marido de modo positivo ou ajudando-o a não cometer erros de critério. (Gênesis 21:9-12; 27:46–28:2) A esposa talvez tenha um raciocínio mais rápido do que o do marido, ou outras habilidades que ele não possui. Mesmo assim, ela deve ter “profundo respeito” por ele e ‘estar sujeita’ a ele “como ao Senhor”. (Efésios 5:22, 33) O desejo de agradar a Deus a ajudará a usar suas habilidades para apoiar o marido, em vez de rebaixá-lo ou tentar dominá-lo. Essa “mulher realmente sábia” coopera com o marido para edificar a família. Assim, ela mantém a paz com Deus. — Provérbios 14:1.
10. (a) Que autoridade Deus concedeu aos pais? (b) Qual é o sentido da palavra “disciplina” e como deve ser administrada? (Veja também a nota.)
10 Os pais também têm autoridade dada por Deus. A Bíblia incentiva: “Pais, não irritem os seus filhos, mas continuem a criá-los na disciplina e na instrução de Jeová.” (Efésios 6:4) Na Bíblia, a palavra “disciplina” pode significar “criação, treinamento, instrução”. As crianças precisam de disciplina; elas crescem felizes quando têm orientações, restrições e limites claros. A Bíblia associa essa disciplina, ou instrução, com o amor. (Provérbios 13:24) Portanto, “a vara da disciplina” nunca deve ser usada de forma abusiva, quer em sentido emocional quer físico.a (Provérbios 22:15; 29:15) Pais que disciplinam de forma rígida, cruel ou desamorosa estão abusando da autoridade e podem esmagar o espírito da criança. (Colossenses 3:21) Por outro lado, a disciplina equilibrada e administrada de forma correta demonstra para a criança que os pais a amam e se preocupam com o tipo de pessoa que ela está se tornando.
11. Como os filhos podem usar corretamente o seu poder?
11 E os filhos? Como podem usar corretamente o seu poder? “A glória dos jovens é a sua força”, diz Provérbios 20:29. Sem dúvida, o melhor modo de os jovens usarem sua força e seu vigor é servindo ao nosso “Grandioso Criador”. (Eclesiastes 12:1) É bom que os jovens se lembrem de que suas ações podem afetar os sentimentos dos pais. (Provérbios 23:24, 25) Quando os filhos obedecem aos pais tementes a Deus e seguem o caminho correto, alegram o coração dos pais. (Efésios 6:1) Agir assim é algo “agradável ao Senhor”. — Colossenses 3:20.
Na congregação
12, 13. (a) Como os anciãos devem encarar sua autoridade na congregação? (b) Ilustre por que os anciãos devem tratar o rebanho com bondade.
12 Jeová providenciou que superintendentes tomassem a dianteira na congregação cristã verdadeira. (Hebreus 13:17) Esses homens qualificados devem usar a autoridade concedida por Deus para dar a ajuda necessária e contribuir para o bem-estar do rebanho. Será que, devido à sua posição, os anciãos têm o direito de dominar sobre os concrentes? De modo algum! Esses homens devem ter um conceito equilibrado e humilde sobre o seu papel na congregação. (1 Pedro 5:2, 3) A Bíblia diz aos superintendentes: “[Pastoreiem] a congregação de Deus, que ele comprou com o sangue do seu próprio Filho.” (Atos 20:28) Esta última expressão revela uma razão muito importante para tratar cada membro do rebanho com bondade.
13 Para ilustrar isso, digamos que um grande amigo lhe pedisse para cuidar de um bem precioso. Você sabe que o seu amigo pagou um preço muito alto por ele. Não o trataria com delicadeza, com extremo cuidado? De modo similar, Deus encarregou os anciãos da responsabilidade de cuidar de um bem muito valioso: a congregação, cujos membros são comparados a ovelhas. (João 21:16, 17) Jeová considera suas ovelhas tão preciosas que as comprou com o sangue valioso do seu Filho unigênito, Jesus Cristo — o preço mais alto que Ele poderia ter pago por elas. Anciãos humildes não se esquecem disso e tratam as ovelhas de Jeová concordemente.
O “poder da língua”
14. Que poder tem a língua?
14 “Morte e vida estão no poder da língua”, diz a Bíblia. (Provérbios 18:21) De fato, a língua pode causar grandes estragos. Quem de nós nunca se sentiu magoado por um comentário impensado ou depreciativo? Mas a língua também tem o poder de curar. “A língua dos sábios é uma cura”, diz Provérbios 12:18. De fato, palavras positivas e benéficas são comparáveis a uma pomada suavizante e curativa para o coração. Veja alguns exemplos.
15, 16. De que maneiras podemos usar a língua para animar outros?
15 “Consolem os que estão deprimidos”, incentiva 1 Tessalonicenses 5:14. Até servos fiéis de Jeová vez por outra talvez tenham de lutar contra a depressão. Como podemos ajudá-los? Dê elogios sinceros a respeito de pontos específicos que os ajudem a ver como são preciosos aos olhos de Jeová. Leia com eles trechos das Escrituras que revelam como Jeová ama e se importa com os “que têm coração quebrantado” e “espírito esmagado”. (Salmo 34:18) Quando usamos o poder da língua para consolar outros, imitamos nosso Deus compassivo, “que consola os desanimados”. — 2 Coríntios 7:6.
16 Também podemos usar o poder da língua para dar a outros o incentivo de que precisam. Conhece um concrente que perdeu uma pessoa querida? Palavras compassivas que expressem nossa preocupação ajudarão a consolar o coração do enlutado. Um irmão idoso está se sentindo inútil? Palavras compreensivas podem reanimar os idosos, assegurando-lhes que são valiosos e apreciados. Sabe de alguém que está lutando contra uma doença crônica? Palavras bondosas em um bilhete, ditas pelo telefone ou pessoalmente podem contribuir muito para melhorar a disposição de ânimo do adoentado. Como nosso Criador deve ficar contente quando usamos o poder da fala para proferir “o que for bom para a edificação”! — Efésios 4:29.
17. De que maneira importante podemos usar a língua para o benefício de outros e por que devemos fazer isso?
17 Mas a maneira mais importante de usarmos o poder da língua é transmitindo as boas novas do Reino de Deus a outros. “Não deixe de fazer o bem a quem você deve fazê-lo, se estiver ao seu alcance ajudar”, diz Provérbios 3:27. É nossa obrigação transmitir a outros as boas novas de salvação. Não seria correto guardar para nós mesmos a mensagem urgente que Jeová nos transmitiu de forma tão generosa. (1 Coríntios 9:16, 22) Mas até que ponto Jeová espera que participemos dessa obra?
Transmitir as boas novas — um modo excelente de usar nosso poder
Sirvamos a Jeová com ‘toda a nossa força’
18. O que Jeová espera de nós?
18 O amor por Jeová nos leva a participar plenamente no ministério cristão. O que ele espera de nós nesse respeito? Algo que todos nós, não importa a situação na vida, podemos dar: “O que for que fizerem, trabalhem nisso de toda a alma, como para Jeová, e não para homens.” (Colossenses 3:23) Segundo Jesus, o maior mandamento de todos é: “Ame a Jeová, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de toda a sua mente e de toda a sua força.” (Marcos 12:30) De modo que aquilo que Jeová espera de cada um de nós é que o amemos e o sirvamos de toda a alma.
19, 20. (a) Visto que a alma abrange o coração, a mente e a força, por que se mencionam essas outras faculdades em Marcos 12:30? (b) O que significa servir a Jeová de toda a alma?
19 O que significa servir a Deus de toda a alma? A alma se refere à pessoa como um todo, com todas as suas habilidades físicas e mentais. Visto que a alma abrange o coração, a mente e a força, por que se mencionam essas outras faculdades em Marcos 12:30? A seguinte ilustração nos ajudará a entender: nos tempos bíblicos, a pessoa podia vender a si mesma (a sua alma) como escrava. Mas o escravo talvez não servisse ao dono de todo o coração; é possível que não usasse toda sua energia ou todas as suas habilidades mentais em benefício do dono. (Colossenses 3:22) Assim, provavelmente Jesus mencionou essas outras faculdades para enfatizar que não devemos reter nada de Deus no nosso serviço a Ele. Servi-lo de toda a alma significa dar de nós mesmos, usando nossa força e energias ao máximo possível no seu serviço.
20 Será que o serviço de toda a alma significa que todos temos de gastar a mesma quantidade de tempo e energia no ministério? Isso seria impossível, porque as circunstâncias e habilidades diferem de pessoa para pessoa. Por exemplo, um jovem com boa saúde e vigor físico talvez possa gastar mais tempo na pregação do que aqueles cuja força diminuiu devido à idade avançada. Uma pessoa solteira, livre de obrigações familiares, possivelmente conseguirá realizar mais do que aqueles que têm uma família para cuidar. Se nossa força e circunstâncias nos permitem fazer muito no ministério, devemos ser gratos por isso. Naturalmente, não devemos nos tornar críticos, comparando-nos com outros nessas questões. (Romanos 14:10-12) Em vez disso, queremos usar nosso poder para incentivar outros.
21. Qual é a melhor e mais importante maneira de usar nosso poder?
21 Jeová deu o exemplo perfeito em usar o poder corretamente. Nós, humanos imperfeitos, devemos nos esforçar para imitá-lo da melhor maneira possível. Podemos usar bem o poder tratando com dignidade os que estão sob nossa autoridade. Além disso, queremos realizar de toda a alma a obra salvadora de que Jeová nos incumbiu: a pregação. (Romanos 10:13, 14) Jeová fica muito contente quando vê que você — sua alma — está dando o seu melhor. Não se sente motivado de coração a fazer tudo o que pode no serviço desse Deus amoroso e compreensivo? Não existe maneira melhor ou mais importante de usar nosso poder.
a Nos tempos bíblicos, a palavra hebraica para “vara” significava um bastão ou cajado, como o que o pastor usava para guiar as ovelhas. (Salmo 23:4) De modo similar, “a vara” de autoridade dos pais sugere orientação amorosa, não punição cruel ou brutal.
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“Todos os seus caminhos são justos”Achegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 11
“Todos os seus caminhos são justos”
1, 2. (a) Que tremendas injustiças José sofreu? (b) Como Jeová as corrigiu?
QUE injustiça! Ele era um homem bonito e não havia cometido nenhum crime. Mesmo assim foi jogado num calabouço, sob a acusação falsa de tentativa de estupro. Mas não era a primeira vez que esse jovem, José, se deparava com injustiças. Anos antes, quando tinha 17 anos, ele havia sido traído pelos próprios irmãos, que quase o assassinaram. Acabou sendo vendido como escravo em um país estrangeiro. Ali resistiu às propostas imorais da esposa do seu dono que, sentindo-se rejeitada, forjou a acusação falsa que levou José à prisão. Lamentavelmente, parecia que ninguém ia intervir a favor dele.
2 Mas o Deus que “ama a retidão e a justiça” observava tudo. (Salmo 33:5) Jeová manobrou os eventos e fez com que se corrigisse a injustiça, de modo que José — que havia sido lançado numa prisão — por fim foi libertado. E não foi só isso! Ele acabou sendo designado para um cargo de grande responsabilidade e extraordinária honra. (Gênesis 40:15; 41:41-43; Salmo 105:17, 18) Com o tempo a inocência de José ficou provada, e ele usou sua posição de destaque a favor dos propósitos de Deus. — Gênesis 45:5-8.
José sofreu injustamente na prisão
3. Por que não é de admirar que todos tenhamos o desejo de ser tratados de modo justo?
3 Não acha esse relato emocionante? Quem nunca testemunhou ou foi vítima de uma injustiça? De fato, todos nós desejamos ser tratados de modo justo e imparcial. Era de se esperar que nos sentíssemos assim, porque Jeová colocou em nós qualidades que refletem sua personalidade, e a justiça é um de Seus atributos principais. (Gênesis 1:27) Para conhecer bem a Jeová, precisamos entender seu senso de justiça. Assim, apreciaremos ainda mais seus modos maravilhosos e nos sentiremos motivados a nos achegar a ele.
O que é justiça?
4. Do ponto de vista humano, o que é considerado justiça?
4 Do ponto de vista humano, considera-se como justiça a mera aplicação imparcial das leis. Certo livro diz que “a justiça está relacionada com leis, obrigações, direitos e deveres, e confere suas decisões segundo a igualdade ou o mérito”. (Right and Reason—Ethics in Theory and Practice [Direito e Razão — a Ética na Teoria e na Prática]) Mas a justiça de Jeová não envolve apenas impor regulamentos de forma insensível, devido a um senso de dever ou obrigação.
5, 6. (a) Qual é o sentido das palavras originais que expressam a ideia de justiça? (b) Quando se afirma que Deus é justo, o que se quer dizer?
5 Podemos entender melhor o pleno alcance da justiça de Jeová analisando as palavras que descrevem essa qualidade nas línguas originais em que a Bíblia foi escrita. Nas Escrituras Hebraicas, usam-se três palavras principais para expressar essa ideia. Uma delas, que muitas vezes é traduzida por “justiça”, também pode ser vertida como “o que é justo”, ou correto. (Gênesis 18:25) As outras duas em geral são traduzidas por “justiça” e algumas vezes por “retidão”. Nas Escrituras Gregas Cristãs, a palavra traduzida “justiça” é definida como “qualidade de ser direito ou justo”. Basicamente, justiça e retidão estão intimamente relacionadas. — Amós 5:24.
6 Assim, quando a Bíblia diz que Deus é justo, quer dizer que ele sempre faz o que é correto e direito, de modo imparcial. (Romanos 2:11) Na verdade, é impensável que ele possa agir de outra maneira. O fiel Eliú declarou: “O verdadeiro Deus jamais faria o que é mau, o Todo-Poderoso nunca faria o que é errado!” (Jó 34:10) Para Jeová, é impossível ‘fazer o que é errado’. Por quê? Por duas razões importantes.
7, 8. (a) Por que Jeová é incapaz de agir injustamente? (b) O que leva Jeová a ser justo nos seus tratos?
7 Primeiramente, porque ele é santo. Como notamos no Capítulo 3, Jeová é infinitamente puro e direito. Portanto, ele é incapaz de agir de modo injusto. Pense no que isso significa. Visto que nosso Pai celestial é santo, temos boas razões para confiar que ele nunca tratará mal os seus filhos. Jesus tinha essa confiança. Na última noite da sua vida terrestre, ele orou: “Santo Pai, vigia sobre eles [os discípulos] por causa do teu nome.” (João 17:11) “Santo Pai” — nas Escrituras esse título é aplicado única e exclusivamente a Jeová. Isso é apropriado porque nenhum pai humano se compara a Ele em santidade. Jesus tinha total confiança que seus discípulos ficariam a salvo sob os cuidados do Pai, que é absolutamente puro, limpo e separado de todo pecado. — Mateus 23:9.
8 Em segundo lugar, porque o amor altruísta é parte essencial da própria personalidade de Deus. Esse amor o leva a ser justo nos seus tratos com outros. A injustiça em suas muitas formas — incluindo racismo, discriminação e parcialidade — muitas vezes surge devido à ganância e ao egoísmo, que são opostos ao amor. Falando sobre o Deus de amor, a Bíblia nos assegura: “Jeová é justo; ele ama atos justos.” (Salmo 11:7) Jeová diz o seguinte a seu próprio respeito: “Eu, Jeová, amo a justiça.” (Isaías 61:8) Não ficamos mais tranquilos sabendo que nosso Deus sente prazer em fazer o que é certo, ou justo? — Jeremias 9:24.
A misericórdia e a justiça perfeita de Jeová
9-11. (a) Que ligação existe entre a justiça e a misericórdia de Jeová? (b) Como a justiça e a misericórdia de Deus ficam evidentes no modo como ele lida com humanos imperfeitos?
9 A justiça de Jeová, como todas as outras facetas de sua personalidade incomparável, é perfeita, impecável. Moisés louvou a Jeová, dizendo: “A Rocha — perfeito é tudo o que ele faz, pois todos os seus caminhos são justos. Deus de fidelidade, que nunca é injusto; justo e reto é ele.” (Deuteronômio 32:3, 4) Quando expressa sua justiça, Jeová sempre o faz com perfeição — nunca é tolerante demais, nem severo demais.
10 A justiça e a misericórdia de Jeová estão intimamente ligadas. O Salmo 116:5 diz: “Jeová é compassivo e justo; nosso Deus é misericordioso.” De fato, Jeová é justo e misericordioso. Essas duas qualidades não são conflitantes. A misericórdia divina não abranda ou suaviza sua justiça, como se esta fosse severa demais. Em vez disso, Deus muitas vezes demonstra as duas qualidades ao mesmo tempo, às vezes até no mesmo ato. Veja um exemplo.
11 Todos os humanos herdaram o pecado e, portanto, merecem a penalidade correspondente: a morte. (Romanos 5:12) Mas Jeová não se agrada da morte de pecadores. Ele é “um Deus sempre pronto a perdoar, compassivo e misericordioso”. (Neemias 9:17) Mas como é santo, ele não pode tolerar a injustiça. Como seria possível, então, mostrar misericórdia para com humanos inerentemente pecadores? A resposta encontra-se em uma das verdades mais preciosas da Palavra de Deus: o resgate que Jeová providenciou para a salvação da humanidade. No Capítulo 14, aprenderemos mais sobre essa dádiva amorosa, que é, ao mesmo tempo, extremamente justa e maravilhosamente misericordiosa. Por meio dela, Jeová pode expressar terna misericórdia para com pecadores arrependidos e, ainda assim, defender Suas normas perfeitas de justiça. — Romanos 3:21-26.
A justiça de Jeová acalenta nosso coração
12, 13. (a) Por que a justiça de Jeová nos atrai a ele? (b) No que se refere à justiça de Jeová, a que conclusão Davi chegou, e como isso nos tranquiliza?
12 A justiça de Jeová não é uma qualidade fria, que nos afasta; é atraente e nos faz querer achegar-nos a ele. A Bíblia descreve claramente como a justiça de Jeová é compassiva. Analisemos algumas das maneiras animadoras em que Jeová exerce sua justiça.
13 A justiça perfeita de Jeová o leva a agir com fidelidade e lealdade para com seus servos. O salmista Davi vivenciou essa faceta da justiça de Jeová. Com base na experiência pessoal e no estudo do modo de Deus agir, a que conclusão Davi chegou? Ele declarou: “Jeová ama a justiça e não abandonará aqueles que lhe são leais. Eles serão sempre protegidos.” (Salmo 37:28) Que promessa tranquilizadora! Nem por um momento sequer nosso Deus abandonará os que lhe são leais. Assim, podemos ter certeza de que ele sempre estará perto de nós, demonstrando seu cuidado amoroso para conosco. Sua justiça garante isso! — Provérbios 2:7, 8.
14. Como a preocupação de Jeová para com os menos favorecidos fica evidente na Lei que ele deu a Israel?
14 A justiça divina leva em conta as necessidades dos aflitos. A preocupação de Jeová para com os menos favorecidos é evidente na Lei que ele deu a Israel. Por exemplo, a Lei tinha regulamentos especiais que asseguravam que órfãos e viúvas fossem bem cuidados. (Deuteronômio 24:17-21) Sabendo que a vida dessas pessoas podia ser muito difícil, o próprio Jeová assumiu o papel de seu Juiz e Protetor paterno, aquele que “faz justiça ao órfão e à viúva”.a (Deuteronômio 10:18; Salmo 68:5) Jeová avisou aos israelitas que, se eles se aproveitassem de mulheres e crianças indefesas, ele sem dúvida ouviria o clamor delas. Ele declarou: “Minha ira se acenderá.” (Êxodo 22:22-24) Embora a ira não seja uma das qualidades dominantes de Jeová, atos deliberados de injustiça, em especial contra os humildes e indefesos, o deixam indignado — e com toda a razão. — Salmo 103:6.
15, 16. Qual é um exemplo realmente notável da imparcialidade de Jeová?
15 Jeová também nos assegura que ele “não trata a ninguém com parcialidade nem aceita suborno”. (Deuteronômio 10:17) Diferentemente de muitos humanos que têm poder ou prestígio, Jeová não é influenciado por riquezas ou aparência. Ele não tem absolutamente nenhum preconceito, nem demonstra favoritismo. Veja um exemplo notável da imparcialidade de Jeová. A oportunidade de adorar a ele em verdade, com a perspectiva de vida infindável, não se restringe a uma pequena elite. Muito pelo contrário, “em toda nação, ele aceita aquele que o teme e que faz o que é direito”. (Atos 10:34, 35) Essa perspectiva maravilhosa está aberta a todos, não importa qual seja sua posição social, a cor da pele ou o país onde vive. Não concorda que isso é justiça expressa com perfeição?
16 Há outro aspecto da justiça perfeita de Jeová que merece nossa consideração e respeito: o modo como ele lida com os que violam suas normas justas.
Não deixa de punir
17. Explique por que as injustiças do mundo não refutam a justiça de Jeová.
17 Alguns se perguntam: ‘Visto que Jeová não aprova a injustiça, como se explica o sofrimento injusto e as práticas corruptas tão comuns no mundo hoje?’ Essas injustiças de modo algum refutam a justiça de Jeová. As muitas injustiças que vemos neste mundo perverso são consequências do pecado que os humanos imperfeitos herdaram de Adão. Visto que eles escolheram seguir seus próprios modos pecaminosos, a injustiça se espalhou por toda a parte — mas não continuaria por muito tempo. — Deuteronômio 32:5.
18, 19. O que mostra que Jeová não tolerará para sempre os que violam deliberadamente suas leis justas?
18 Embora demonstre grande misericórdia para com os que se achegam a ele sinceramente, Jeová não tolerará para sempre uma situação que envergonha seu santo nome. (Salmo 74:10, 22, 23) Não se pode zombar do Deus de justiça; ele não impedirá que pecadores deliberados recebam o julgamento merecido. Jeová é um “Deus misericordioso e compassivo, paciente e cheio de amor leal e de verdade . . . Mas de modo algum deixará impune o culpado”. (Êxodo 34:6, 7) Em harmonia com essas palavras, Jeová às vezes acha necessário executar julgamento nos que deliberadamente violam suas leis justas.
19 Pense, por exemplo, nos tratos dele com o Israel antigo. Mesmo depois de estabelecidos na Terra Prometida, os israelitas repetidas vezes se tornaram infiéis. Embora seus modos corrompidos fizessem Jeová “sentir-se magoado”, ele não os rejeitou imediatamente. (Salmo 78:38-41) Demonstrando misericórdia, deu-lhes oportunidades de mudar de proceder. Ele disse: “Não tenho prazer na morte de quem é mau, mas sim em que a pessoa má mude seu caminho e continue viva. Recuem, recuem dos seus maus caminhos. Afinal, por que vocês deveriam morrer, ó casa de Israel?” (Ezequiel 33:11) Jeová encara a vida como preciosa e, por isso, enviou os seus profetas vez após vez para incentivar os israelitas a abandonar a conduta errada. Mas, de modo geral, teimosamente o povo recusou-se a escutar e a se arrepender. Finalmente, por causa do seu santo nome e de tudo o que esse significa, Jeová os entregou nas mãos de seus inimigos. — Neemias 9:26-30.
20. (a) O modo de Jeová lidar com Israel nos ensina o que a respeito Dele? (b) Por que é apropriado que o leão esteja associado à presença e ao trono de Deus?
20 A maneira como Jeová lidou com Israel nos ensina muito a respeito Dele. Aprendemos que seus olhos observam tudo, incluindo a injustiça, e que aquilo que ele vê o aflige profundamente. (Provérbios 15:3) É também tranquilizador saber que ele procura mostrar misericórdia quando há base para isso. Além disso, aprendemos que ele nunca exerce a justiça de forma precipitada. Visto que ele mostra paciência, muitas pessoas concluem erroneamente que Jeová nunca executará um julgamento contra os perversos. Mas isso não é verdade, porque os tratos Dele com Israel também nos mostram que a paciência divina tem limites. Jeová é inabalável ao defender a justiça. Diferentemente dos humanos, que muitas vezes se refreiam de exercê-la, ele sempre defende corajosamente o que é direito. De forma bem apropriada, o leão, que é símbolo de justiça corajosa, está associado à presença e ao trono de Deus.b (Ezequiel 1:10; Apocalipse 4:7) Assim, podemos ter certeza de que ele cumprirá sua promessa de acabar com a injustiça na Terra. Seu modo de julgar pode ser resumido da seguinte maneira: firmeza quando necessário, misericórdia sempre que possível. — 2 Pedro 3:9.
Como se achegar ao Deus de justiça
21. Quando meditamos na maneira de Jeová exercer a justiça, como devemos pensar nele e por quê?
21 Quando meditamos na maneira de Jeová exercer a justiça, não devemos encará-lo como um juiz frio e severo, preocupado apenas em sentenciar os transgressores. Em vez disso, devemos pensar nele como um Pai amoroso, mas firme, que sempre lida com os filhos da melhor maneira possível. Como Pai justo, Jeová concilia a firmeza a favor do que é certo com a terna compaixão para com seus filhos terrestres, que precisam de sua ajuda e do seu perdão. — Salmo 103:10, 13.
22. Guiado por sua justiça, Jeová tornou possível que tivéssemos que perspectiva, e por que ele lida conosco dessa forma?
22 Como somos gratos de que a justiça divina envolve muito mais do que sentenciar transgressores! Guiado por essa qualidade, Jeová tornou possível que tivéssemos uma perspectiva emocionante: vida perfeita e infindável num mundo onde “morará a justiça”. (2 Pedro 3:13) Nosso Deus lida conosco dessa forma porque sua justiça tem por objetivo salvar em vez de condenar. De fato, entender melhor o pleno alcance da justiça de Jeová nos achega a ele. Nos próximos capítulos, analisaremos com mais atenção as maneiras em que Ele expressa essa qualidade admirável.
a A expressão “órfão” mostra que Jeová se preocupa muito com as crianças sem pai, tanto meninos quanto meninas. Jeová incluiu na Lei um relato sobre uma decisão judicial que assegurou a herança das filhas de Zelofeade. Aquela decisão estabeleceu um precedente que defendia os direitos das órfãs. — Números 27:1-8.
b O interessante é que Jeová comparou a si mesmo com um leão ao executar julgamento contra o Israel infiel. — Jeremias 25:38; Oseias 5:14.
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“Há injustiça da parte de Deus?”Achegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 12
“Há injustiça da parte de Deus?”
1. Que reação costumamos ter diante de injustiças?
VIÚVA idosa é vítima de fraude e perde as economias de uma vida inteira. Bebê indefeso é abandonado pela mãe insensível. Homem é preso por um crime que não cometeu. Como reage a isso? Provavelmente, fica perturbado, o que é bem compreensível. Nós, humanos, temos um forte senso do que é certo e do que é errado. Quando vemos uma injustiça, ficamos indignados. Queremos que a vítima seja compensada e o causador da injustiça, punido. Quando isso não acontece, alguns se perguntam: ‘Será que Deus não vê o que acontece? Por que ele não faz nada?’
2. Como Habacuque reagiu à injustiça, e por que Jeová não o censurou?
2 Ao longo da História, servos fiéis de Jeová fizeram perguntas similares. Por exemplo, o profeta Habacuque orou a Deus: “Por que me fazes ver tanta maldade? Por que toleras a injustiça? Estou cercado de destruição e violência; há brigas e lutas por toda parte.” (Habacuque 1:3, Bíblia na Linguagem de Hoje) Jeová não censurou Habacuque por ter feito essas perguntas francas. Afinal de contas, foi Ele mesmo quem nos abençoou com uma pequena medida do seu profundo senso de justiça.
Jeová odeia a injustiça
3. Por que se pode dizer que Jeová está muito mais ciente da injustiça do que nós?
3 Jeová não é indiferente à injustiça. Ele vê o que está acontecendo. A Bíblia nos diz o seguinte sobre os dias de Noé: “Jeová viu que a maldade do homem era grande na terra e viu que toda inclinação dos pensamentos do seu coração era só má, todo o tempo.” (Gênesis 6:5) Pense no que isso significa. Muitas vezes, nosso conceito de injustiça baseia-se em alguns poucos incidentes sobre os quais ouvimos falar ou que presenciamos. Em contraste, Jeová vê todas as injustiças, em escala global! Mais do que isso, ele discerne as inclinações do coração, os raciocínios depravados por trás dos atos injustos. — Jeremias 17:10.
4, 5. (a) Como a Bíblia mostra que Jeová se importa com os que foram tratados injustamente? (b) Como o próprio Jeová sofreu injustiças?
4 Mas Jeová faz mais do que simplesmente observar a injustiça. Ele também se preocupa com os que foram vítimas dela. Quando seu povo era tratado cruelmente por nações inimigas, Jeová ficava perturbado com os “seus gemidos, causados pelos que os oprimiam e pelos que os tratavam de modo cruel”. (Juízes 2:18) Talvez já tenha percebido o que acontece com algumas pessoas: quanto mais são expostas à violência, mais se tornam insensíveis a ela. Isso não acontece com Jeová! Ele viu todo tipo de injustiça imaginável ao longo de uns 6 mil anos, mas seu ódio por ela não diminuiu nem um pouco. Pelo contrário, a Bíblia assegura que coisas como “língua mentirosa”, “mãos que derramam sangue inocente” e “a testemunha falsa que só fala mentiras” são detestáveis para ele. — Provérbios 6:16-19.
5 Note também como Jeová censurou fortemente os líderes injustos de Israel. Ele inspirou um profeta a perguntar-lhes: “Vocês não deviam saber o que é justo?” Depois de descrever em termos vívidos o abuso de poder desses homens corruptos, Jeová predisse o resultado para eles: “Clamarão a Jeová por ajuda, mas ele não lhes responderá. Naquele tempo ele esconderá deles a sua face, por causa das suas maldades.” (Miqueias 3:1-4) Como Jeová abomina a injustiça! Ora, ele mesmo tem sofrido por causa dela! Há milhares de anos, Satanás o desafia injustamente. (Provérbios 27:11) Além disso, Jeová foi profundamente afetado pelo mais horrível ato de injustiça: seu Filho, que “não cometeu pecado”, foi executado como criminoso. (1 Pedro 2:22; Isaías 53:9) É óbvio que Jeová não ignora o sofrimento das vítimas de injustiças, nem é indiferente a ele.
6. Como muitas vezes reagimos quando nos confrontamos com injustiças, e por quê?
6 Mesmo assim, quando vemos uma injustiça — ou quando nós mesmos nos tornamos vítimas dela —, é natural ficarmos indignados. Afinal, fomos criados à imagem de Deus, e a injustiça é exatamente o contrário de tudo o que Jeová representa. (Gênesis 1:27) Por que, então, Deus permite a injustiça?
A questão importante
7. Descreva como o nome e o modo de governar de Jeová foram desafiados.
7 A resposta a essa pergunta tem que ver com uma questão importante. Como vimos, o Criador tem o direito de dominar sobre a Terra e todos os que moram nela. (Salmo 24:1; Apocalipse 4:11) Mas logo no início da história humana o bom nome de Jeová foi caluniado e seu modo de governar foi desafiado. Como isso aconteceu? Jeová ordenou que o primeiro homem, Adão, não comesse de certa árvore que crescia no jardim, seu lar paradisíaco. E se ele desobedecesse? Deus avisou: “Você certamente morrerá.” (Gênesis 2:17) Não seria difícil para Adão nem para sua esposa, Eva, cumprir a ordem de Deus. Contudo, Satanás convenceu Eva de que Deus estava sendo indevidamente restritivo. Segundo ele, o que aconteceria se Eva comesse da árvore? Satanás afirmou: “Vocês certamente não morrerão. Pois Deus sabe que, no mesmo dia em que comerem dele, seus olhos se abrirão e vocês serão como Deus, sabendo o que é bom e o que é mau.” — Gênesis 3:1-5.
8. (a) Quando falou com Eva, o que na verdade Satanás afirmou? (b) No que se refere ao nome e à soberania de Deus, qual foi o desafio de Satanás?
8 Ao dizer isso, Satanás estava na verdade afirmando que Jeová não só havia omitido informações vitais, mas também que havia mentido para Eva. O Tentador fez Eva questionar o tipo de Pessoa por trás do nome Jeová. Desse modo, Satanás manchou o nome de Deus. Ele também atacou a soberania de Jeová, ou seja, seu modo de governar. Ele tomou o cuidado de não questionar o fato de que Deus era soberano. Antes, seu desafio foi: Será que Deus exerce a soberania de modo legítimo, merecido e justo? Em outras palavras, ele afirmou que Jeová não exercia seu governo de modo justo e não visava os melhores interesses dos Seus súditos.
9. (a) Para Adão e Eva, qual foi a consequência da desobediência, e que questões importantes foram levantadas? (b) Por que Jeová simplesmente não destruiu os rebeldes?
9 Depois disso, tanto Adão como Eva desobedeceram a Jeová e comeram da árvore proibida. Devido à sua desobediência, com o tempo receberiam a punição (a morte), exatamente como Deus havia decretado. Mas a mentira de Satanás levantou algumas perguntas muito importantes: Jeová tem mesmo o direito de reinar sobre a humanidade ou será que o homem pode se governar sozinho? Deus exerce sua soberania da melhor maneira possível? O Criador poderia ter usado seu poder ilimitado para destruir os rebeldes na hora. Mas o que se questionou não foi o poder de Deus, mas seu nome, o que envolve seu modo de governar. Assim, eliminar Adão, Eva e Satanás não teria comprovado que o domínio de Deus é justo. Pelo contrário, poderia ter levantado ainda mais dúvidas a esse respeito. A única maneira de determinar se os humanos conseguiriam ser bem-sucedidos em governar a si mesmos de maneira independente de Deus, era dar tempo ao tempo.
10. No que se refere ao domínio humano, o que a História demonstra?
10 Com o passar do tempo, o que ficou comprovado? Ao longo dos milênios, as pessoas experimentaram muitas formas de governo: autocracia, democracia, socialismo, comunismo, etc. Qual foi o resultado? A seguinte declaração sucinta e honesta da Bíblia responde muito bem: “Homem domina homem para o seu prejuízo.” (Eclesiastes 8:9) O profeta Jeremias tinha boas razões para afirmar: “Bem sei, ó Jeová, que o caminho do homem não pertence a ele. Não cabe ao homem nem mesmo dirigir os seus passos.” — Jeremias 10:23.
11. Por que Jeová permitiu que a raça humana sofresse?
11 Jeová sabia desde o início que o governo humano independente dele resultaria em muito sofrimento. Foi injusto da parte dele, então, permitir que o inevitável acontecesse? De modo algum! Para ilustrar: suponhamos que seu filho precise de uma cirurgia por causa de uma doença que poderia matá-lo. Você sabe que a operação causará certo sofrimento ao seu filho e isso o deixa muito triste. Ao mesmo tempo, sabe que ela permitirá que seu filho tenha saúde melhor. De modo similar, Deus sabia — e até predisse — que, ao permitir que os humanos se governassem sozinhos, o resultado seria dor e sofrimento. (Gênesis 3:16-19) Mas sabia também que o alívio duradouro e significativo só seria possível se ele permitisse que toda a humanidade visse os maus resultados da rebelião. Dessa forma, a questão seria resolvida de uma vez para sempre.
A questão da integridade do homem
12. Como ilustrado no caso de Jó, que acusação Satanás lançou contra os humanos?
12 Há algo mais a se levar em conta. Satanás contestou o domínio divino — se era legítimo e justo — e, ao fazer isso, difamou a soberania e o nome de Jeová. Mas não parou por aí. Com esse desafio, ele também caluniou os servos de Deus a respeito da sua integridade. Note, por exemplo, o que Satanás disse a Jeová a respeito de Jó, um homem justo: “Não puseste uma cerca de proteção em volta dele, da sua casa e de tudo o que ele tem? Tu abençoaste o trabalho das suas mãos, e os rebanhos dele se espalham pela terra. Mas agora, levanta a mão e atinge tudo o que ele tem, e com certeza ele te amaldiçoará na tua própria face.” — Jó 1:10, 11.
13. O que Satanás deu a entender com suas acusações contra Jó, e como isso envolve a todos os humanos?
13 Satanás afirmou que Jeová usava Seu poder protetor para comprar a devoção de Jó. Isso, por sua vez, dava a entender que a integridade de Jó era só da boca para fora, que ele adorava a Deus apenas por interesse. Satanás disse que, se fosse privado da bênção de Deus, até mesmo Jó amaldiçoaria ao Criador. O Diabo sabia que Jó se destacava como ‘homem íntegro e justo, que temia a Deus e rejeitava o que é mau’.a Se conseguisse destruir a integridade de Jó, o que se poderia esperar do restante da humanidade? Assim, o Diabo na verdade estava questionando a lealdade de todos os que querem servir a Deus. De fato, levando a questão mais adiante, Satanás disse a Jeová: “O homem dará tudo o que tem pela sua vida.” — Jó 1:8; 2:4.
14. O que a História tem mostrado quanto à acusação de Satanás contra os humanos?
14 A História demonstra que muitos, como Jó, permaneceram leais a Jeová em face de provações — exatamente o contrário do que Satanás afirmou. Pela sua fidelidade, alegraram o coração de Jeová e permitiram que Ele desmentisse o desafio arrogante do Diabo de que os humanos não serviriam a Deus se passassem por dificuldades. (Hebreus 11:4-38) Muitas pessoas sinceras se recusaram a dar as costas a Deus. Quando confrontadas com as situações mais perturbadoras, elas confiaram totalmente que Jeová lhes daria forças para perseverar. — 2 Coríntios 4:7-10.
15. Que perguntas talvez surjam acerca dos julgamentos passados e futuros de Deus?
15 Mas a justiça de Jeová não tem que ver apenas com as questões da soberania e da integridade do homem. A Bíblia apresenta um registro dos julgamentos de Jeová contra pessoas e até nações inteiras. Também contém profecias sobre julgamentos que ele fará no futuro. Será que Jeová sempre foi justo nos seus julgamentos? Por que podemos ter confiança que Ele sempre julgará com justiça?
Por que a justiça divina é superior
Jeová nunca ‘eliminará os justos junto com os maus’
16, 17. Que exemplos demonstram que os humanos não entendem bem o que é a verdadeira justiça?
16 Sobre Jeová, pode-se dizer corretamente: “Todos os seus caminhos são justos.” (Deuteronômio 32:4) Nenhum de nós pode afirmar isso a seu próprio respeito, porque muitas vezes nossa limitada compreensão das coisas impede que entendamos plenamente o que é certo. Veja um exemplo disso. Quando Jeová estava para destruir Sodoma, por causa da maldade excessiva daquela cidade, Abraão perguntou-lhe: “Eliminarás realmente os justos junto com os maus?” (Gênesis 18:23-33) É claro que a resposta era não. Só depois que o justo Ló e suas filhas estavam a salvo na cidade de Zoar é que Jeová “fez chover fogo e enxofre sobre Sodoma”. (Gênesis 19:22-24) Em contraste, quando Deus estendeu misericórdia ao povo de Nínive, Jonas “ficou muito irado”. Visto que já havia anunciado a destruição da cidade, ele queria vê-la aniquilada — apesar do arrependimento de coração dos seus habitantes. — Jonas 3:10–4:1.
17 Jeová assegurou a Abraão que sua justiça incluía não só destruir os perversos, mas também salvar os justos. Por outro lado, Jonas teve de aprender que Jeová é misericordioso. Se pessoas perversas mudam de atitude, ele está “sempre pronto a perdoar”. (Salmo 86:5) Ao contrário de alguns humanos inseguros, Jeová não executa julgamentos desfavoráveis só para reafirmar seu poder, nem deixa de mostrar compaixão por medo de ser encarado como fraco. Seu modo de agir é mostrar misericórdia sempre que há base para ela. — Isaías 55:7; Ezequiel 18:23.
18. Use a Bíblia para mostrar que Jeová não age por sentimentalismo.
18 Mas Jeová não se deixa cegar por sentimentalismo. Quando seu povo se atolou na idolatria, Jeová declarou à nação, com firmeza: “Vou julgá-la conforme os seus caminhos e vou ajustar contas com você por todas as suas ações detestáveis. Meu olho não terá dó de você, nem terei compaixão, pois trarei sobre você os efeitos dos seus próprios caminhos.” (Ezequiel 7:3, 4) De modo que, quando humanos ficam obstinados no seu modo de agir, Jeová julga-os de acordo com isso. Mas seu julgamento baseia-se em provas conclusivas. Assim, quando um alto clamor chegou aos seus ouvidos por causa de Sodoma e Gomorra, Jeová declarou: “Descerei para ver se de fato eles estão agindo de acordo com o clamor que chegou a mim.” (Gênesis 18:20, 21) Como somos gratos de que Jeová não é como muitos humanos que tiram conclusões precipitadas antes de ouvir todos os fatos! Na verdade, Jeová é, como a Bíblia o descreve muito bem, “Deus de fidelidade, que nunca é injusto”. — Deuteronômio 32:4.
Tenha confiança na justiça de Jeová
19. O que devemos fazer se ficarmos intrigados ao estudar as demonstrações da justiça de Jeová?
19 A Bíblia não esclarece cada dúvida a respeito das ações de Jeová no passado, nem fornece todos os detalhes de como ele julgará pessoas e grupos no futuro. Quando ficamos intrigados com relatos ou profecias bíblicas que não dão esses detalhes, devemos demonstrar a mesma lealdade que o profeta Miqueias, que escreveu: “Esperarei pacientemente pelo Deus da minha salvação.” — Miqueias 7:7.
20, 21. Por que podemos ter certeza de que Jeová sempre fará o que é certo?
20 Podemos estar certos de que, em todas as situações, Jeová sempre fará o que é certo. Embora às vezes os humanos aparentemente ignorem as injustiças, Jeová promete: “A vingança é minha; eu retribuirei.” (Romanos 12:19) Nossa atitude de espera revelará que temos a mesma convicção que o apóstolo Paulo: “Há injustiça da parte de Deus? Certamente que não!” — Romanos 9:14.
21 Enquanto isso, vivemos em “tempos críticos, difíceis de suportar”. (2 Timóteo 3:1) Por causa da injustiça e dos “atos de opressão”, presenciamos muitos abusos cruéis. (Eclesiastes 4:1) Mas Jeová não mudou. Ele ainda odeia a injustiça e se preocupa muito com as vítimas dela. Se permanecermos leais a Jeová e à sua soberania, ele nos dará forças para perseverarmos até o tempo designado, sob o domínio do seu Reino, quando ele corrigirá todas as injustiças. — 1 Pedro 5:6, 7.
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“A lei de Jeová é perfeita”Achegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 13
“A lei de Jeová é perfeita”
1, 2. Por que muitas pessoas desprezam a lei, mas como talvez venhamos a nos sentir em relação às leis de Deus?
“A LEI é um buraco sem fundo, . . . engole tudo.” Essa declaração aparece num livro publicado em 1712. O autor expressava sua desaprovação a um sistema jurídico em que os processos muitas vezes se arrastavam por anos nos tribunais, resultando em ruína financeira para os que buscavam justiça. Em muitos países, o sistema judicial e legal é tão complexo, tão cheio de injustiças, preconceitos e incoerências que o desprezo pela lei se tornou comum.
2 Em contraste, veja estas palavras escritas há uns 2.700 anos: “Como eu amo a tua lei!” (Salmo 119:97) Por que o salmista tinha sentimentos tão intensos? Porque a lei que ele amava não havia sido criada por governos seculares, mas por Jeová Deus. À medida que estudar as leis de Jeová, provavelmente você também se sentirá cada vez mais como o salmista. Esse estudo o ajudará a entender um pouco melhor o maior Legislador do Universo.
O Legislador supremo
3, 4. De que modos Jeová mostrou ser Legislador?
3 “Há somente um que é Legislador e Juiz”, diz a Bíblia. (Tiago 4:12) De fato, Jeová é o Legislador por excelência. Até os movimentos dos corpos celestes são governados pelas “leis dos céus”, que ele criou. (Jó 38:33; A Bíblia de Jerusalém) Os milhares e milhares de santos anjos de Jeová estão organizados em categorias definidas e servem sob a ordem direta de Deus, como Seus ministros. Portanto, também são governados pela lei divina. — Salmo 104:4; Hebreus 1:7, 14.
4 Jeová também deu leis à humanidade. Cada um de nós tem uma consciência, que reflete o senso de justiça de Jeová. Ela é uma espécie de lei interior que nos ajuda a distinguir o certo do errado. (Romanos 2:14) Nossos primeiros pais foram abençoados com uma consciência perfeita, de modo que precisavam de poucas leis. (Gênesis 2:15-17) Humanos imperfeitos, porém, precisam de mais leis para orientá-los a fim de fazer a vontade de Deus. Patriarcas, como Noé, Abraão e Jacó, receberam leis de Jeová Deus e as transmitiram às suas famílias. (Gênesis 6:22; 9:3-6; 18:19; 26:4, 5) Jeová se tornou Legislador de uma forma sem precedentes quando deu à nação de Israel o código da Lei por meio de Moisés. Esse código jurídico nos ajuda a entender melhor o senso de justiça de Jeová.
Lei mosaica — um apanhado geral
5. Pode-se dizer que a Lei mosaica era um conjunto de leis volumoso e complexo? Por que responde assim?
5 Muitos acham que a Lei mosaica era um conjunto de leis volumoso e complexo. Mas estão redondamente enganados! O código inteiro incluía mais de 600 leis. Isso talvez pareça bastante, mas pense: no fim do século 20, as leis federais dos Estados Unidos enchiam 150 mil páginas de livros jurídicos. A cada dois anos, acrescentavam-se mais umas 600 leis! Assim, em termos apenas de volume, a Lei mosaica parece minúscula em comparação com essa montanha de leis humanas. Mas a lei de Deus orientava os israelitas em áreas da vida que as leis modernas nem de longe abrangem. Vamos ver um apanhado geral dela.
6, 7. (a) O que torna a Lei mosaica diferente de qualquer outro código jurídico, e qual era o maior mandamento expresso nela? (b) Como os israelitas mostravam que aceitavam a soberania de Jeová?
6 A Lei exaltava a soberania de Jeová. Por isso, nenhum outro código jurídico se compara a ela. A maior de suas leis era: “Escute, ó Israel: Jeová, nosso Deus, é um só Jeová. Ame a Jeová, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de toda a sua força.” Como o povo de Deus poderia expressar amor por Ele? Deveriam servi-lo e se sujeitar à Sua soberania. — Deuteronômio 6:4, 5; 11:13.
7 Como os israelitas mostravam que aceitavam a soberania de Jeová? Sujeitando-se àqueles que representavam a autoridade divina, como pais, maiorais, juízes, sacerdotes e, mais tarde, reis. Jeová encarava qualquer rebelião contra essas autoridades como rebelião contra ele próprio. Por outro lado, autoridades que lidassem de forma injusta ou arrogante com o povo de Jeová se arriscavam a incorrer na ira dele. (Êxodo 20:12; 22:28; Deuteronômio 1:16, 17; 17:8-20; 19:16, 17) Assim, ambas as partes deveriam defender a soberania de Deus.
8. Como a Lei defendia a norma divina de santidade?
8 A Lei defendia a norma divina de santidade. As palavras “santo” e “santidade” aparecem mais de 280 vezes na Lei mosaica. A Lei ajudava o povo de Deus a distinguir entre o que era puro e o que era impuro, citando cerca de 70 coisas que tornavam um israelita cerimonialmente impuro. Essas leis traziam benefícios notáveis para a saúde, porque tratavam de higiene física, dieta e até manejo de lixo e resíduos.a Mas elas tinham um objetivo mais nobre: manter o povo no favor de Jeová, separado das práticas pecaminosas das nações degeneradas que os rodeavam. Vejamos um exemplo.
9, 10. O pacto da Lei incluía que estatutos sobre relações sexuais e parto, e que benefícios essas leis traziam?
9 Estatutos do pacto da Lei declaravam que o parto e as relações sexuais — mesmo entre casados — resultavam num período de impureza. (Levítico 12:2-4; 15:16-18) Isso não depreciava essas dádivas puras de Deus. (Gênesis 1:28; 2:18-25) Ao contrário, essas leis defendiam a santidade de Jeová, ajudando Seus adoradores a evitar depravações. Como? As nações ao redor de Israel costumavam misturar sexo e ritos de fertilidade na sua adoração. A religião cananeia incluía prostituição masculina e feminina. O resultado disso era depravação da pior espécie, que se espalhava facilmente. Em contraste com isso, a Lei separava totalmente a adoração de Jeová de assuntos sexuais.b Também havia outros benefícios.
10 Essas leis serviam para ensinar uma verdade fundamental.c Afinal de contas, como é que o pecado adâmico é transmitido de geração para geração? Não é por meio das relações sexuais e do parto? (Romanos 5:12) De modo que a Lei de Deus lembrava ao Seu povo que o pecado era uma realidade da vida. De fato, todos nascemos com ele. (Salmo 51:5) Precisamos de perdão e redenção para poder nos achegar ao nosso Deus santo.
11, 12. (a) A Lei sustentava que princípio fundamental de justiça? (b) Ela incluía que regulamentos para evitar que a justiça fosse deturpada?
11 A Lei defendia a justiça perfeita de Jeová. Ela sustentava o princípio da equivalência, ou equilíbrio, em questões judiciais. Por isso, declarava: “Será vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé.” (Deuteronômio 19:21) Portanto, a punição pelos crimes tinha de ser proporcional à gravidade deles. Esse aspecto da justiça divina permeava a Lei e até hoje é essencial para entendermos o sacrifício de resgate de Cristo Jesus, conforme mostrará o Capítulo 14. — 1 Timóteo 2:5, 6.
12 A Lei também incluía regulamentos para evitar que a justiça fosse deturpada. Por exemplo, era preciso pelo menos duas testemunhas para confirmar uma acusação. A penalidade por perjúrio era severa. (Deuteronômio 19:15, 18, 19) Também se proibia categoricamente a corrupção e o suborno. (Êxodo 23:8; Deuteronômio 27:25) Até mesmo nas práticas comerciais o povo de Deus devia defender as elevadas normas divinas de justiça. (Levítico 19:35, 36; Deuteronômio 23:19, 20) A Lei mosaica era um código jurídico sublime e justo. Foi uma grande bênção para Israel.
Leis que ressaltavam a misericórdia e a imparcialidade
13, 14. Como a Lei promovia o tratamento imparcial e justo para com ladrões e vítimas?
13 A Lei mosaica era um conjunto de regras rígidas e impiedosas? Nada disso! O Rei Davi foi inspirado a escrever: “A lei de Jeová é perfeita.” (Salmo 19:7) Ele sabia muito bem que a Lei promovia a misericórdia e a imparcialidade. Como?
14 Em alguns países hoje, parece que as leis mostram mais compaixão e consideração pelos criminosos do que pelas vítimas. Por exemplo, os ladrões são mandados para a prisão, mas, nesse meio-tempo, as vítimas ficam privadas dos bens roubados e ainda têm de pagar os impostos que servem para abrigar e alimentar os criminosos. No Israel antigo, não havia prisões como as que existem hoje, e leis específicas determinavam a severidade das punições. (Deuteronômio 25:1-3) O ladrão tinha de indenizar a vítima por aquilo que havia roubado e ainda pagar uma multa adicional. De quanto? Isso variava. Em Levítico 6:1-7 estipula-se uma multa bem menor do que a mencionada em Êxodo 22:7. Pelo visto, isso se dava porque os juízes tinham autonomia para avaliar diversos fatores, como o arrependimento do transgressor, antes de estipular o valor da multa.
15. Como a Lei refletia tanto misericórdia como justiça no caso daqueles que matavam alguém por acidente?
15 Numa demonstração de misericórdia, a Lei reconhecia que nem todos os pecados são deliberados. Por exemplo, se alguém matasse outra pessoa por acidente, não precisava pagar vida por vida se tomasse a ação correta: fugir para uma das cidades de refúgio espalhadas pelo território de Israel. Juízes capacitados examinavam o caso e o fugitivo tinha de morar na cidade de refúgio até a morte do sumo sacerdote. Daí, estaria livre para morar onde quisesse. Assim, ele se beneficiava da misericórdia divina, mas ao mesmo tempo essa lei lembrava o grande valor da vida humana. — Números 15:30, 31; 35:12-25.
16. Como a Lei defendia certos direitos individuais?
16 A Lei defendia os direitos individuais. Veja como ela protegia os endividados. Era proibido que alguém entrasse na casa de outra pessoa para pegar um bem como garantia de uma dívida. O credor tinha de esperar, na porta, que o devedor trouxesse o bem até ele. Ou seja, o lar de um homem era considerado inviolável. Se o credor pegasse a roupa exterior de alguém como garantia, deveria devolvê-la à noite, visto que o devedor provavelmente precisaria dela para se aquecer. — Deuteronômio 24:10-14.
17, 18. No que se refere à guerra, em que sentidos os israelitas eram diferentes das outras nações, e por quê?
17 A Lei tinha regulamentos até mesmo em relação à guerra. O povo de Deus ia à guerra, não para satisfazer uma ânsia por poder ou conquistas, mas para servir como representantes de Deus nas “Guerras de Jeová”. (Números 21:14) Em muitos casos, os israelitas eram obrigados a oferecer a rendição primeiro. Somente se a cidade rejeitasse a oferta é que Israel podia sitiá-la, mas ainda assim era preciso seguir as orientações de Deus. Diferentemente de muitos soldados ao longo da História, os homens do exército de Israel não podiam estuprar as mulheres nem promover massacres injustificáveis. Deviam até mesmo respeitar o meio ambiente: não podiam derrubar as árvores frutíferas nas terras do inimigo.d Outros exércitos não tinham essas restrições. — Deuteronômio 20:10-15, 19, 20; 21:10-13.
18 Fica horrorizado quando ouve falar que, em alguns países, crianças são treinadas como soldados? No Israel antigo, nenhum homem com menos de 20 anos podia ser recrutado para o exército. (Números 1:2, 3) Até homens adultos eram eximidos se tivessem muito medo. Um recém-casado era eximido por um ano inteiro para que, antes de partir para esse serviço perigoso, pudesse ver o nascimento de um herdeiro. Dessa forma, explicava a Lei, o jovem marido poderia “permanecer em casa e alegrar sua esposa”. — Deuteronômio 20:5, 6, 8; 24:5.
19. Como a Lei protegia mulheres, crianças, famílias, viúvas e órfãos?
19 A Lei também protegia e fazia provisões para mulheres, crianças e famílias. Ela ordenava que os pais dessem constante atenção e instrução espiritual aos filhos. (Deuteronômio 6:6, 7) Proibia toda forma de incesto, sob pena de morte. (Levítico, capítulo 18) Proibia também o adultério, que muitas vezes destrói famílias e acaba com sua segurança e dignidade. A Lei estipulava provisões para viúvas e órfãos e proibia, nos termos mais fortes possíveis, que fossem maltratados. — Êxodo 20:14; 22:22-24.
20, 21. (a) Por que a Lei mosaica permitia a poligamia em Israel? (b) Na questão do divórcio, por que a Lei era diferente da norma que mais tarde Jesus restaurou?
20 Nesse respeito, porém, alguns se perguntam: ‘Por que a Lei permitia a poligamia?’ (Deuteronômio 21:15-17) É preciso analisar essas leis no seu contexto histórico. Quem avalia a Lei mosaica à luz da cultura e dos tempos modernos com certeza vai entendê-la mal. (Provérbios 18:13) A norma de Jeová, estabelecida lá no Éden, era que o casamento fosse uma união duradoura entre um só homem e uma só mulher. (Gênesis 2:18, 20-24) Mas, quando Jeová deu a Lei a Israel, costumes como o da poligamia já eram praticados por séculos. Jeová sabia muito bem que seu ‘povo obstinado’ frequentemente falharia em obedecer até aos mandamentos mais simples, como o que proibia a idolatria. (Êxodo 32:9) Assim, de forma muito sensata, ele não tentou fazer naquela época grandes reformas nos costumes matrimoniais. É preciso lembrar, porém, que não foi Jeová quem instituiu a poligamia. Mas ele usou a Lei mosaica para regulamentar essa prática entre o seu povo e evitar abusos.
21 De modo similar, a Lei mosaica apresentava uma lista relativamente ampla de razões graves que permitiam que um homem se divorciasse da esposa. (Deuteronômio 24:1-4) Jesus chamou isso de uma concessão da parte de Deus ao povo judeu “por causa da dureza do coração” deles. Mas essa era uma concessão temporária. Para seus seguidores, Jesus restaurou a norma original de Jeová para o casamento. — Mateus 19:8.
A Lei promovia o amor
22. De que modos e a quem a Lei mosaica incentivava que se demonstrasse amor?
22 Sabe de algum sistema jurídico moderno que incentive o amor? Pois a Lei mosaica promovia o amor acima de tudo. Só no livro de Deuteronômio a palavra “amor”, e outras derivadas, aparece mais de 20 vezes. O segundo maior mandamento de toda a Lei era: “Ame o seu próximo como a si mesmo.” (Levítico 19:18; Mateus 22:37-40) O povo de Deus devia mostrar esse amor não só a outros israelitas, mas também aos imigrantes que morassem entre eles, lembrando-se de que eles próprios haviam vivido numa terra estrangeira no passado. Deviam mostrar amor pelos pobres e sofredores, ajudando-os em sentido material e não tirando vantagem de sua situação. Os israelitas foram até mesmo orientados a tratar seus animais de carga com bondade e consideração. — Êxodo 23:6; Levítico 19:14, 33, 34; Deuteronômio 22:4, 10; 24:17, 18.
23. O escritor do Salmo 119 se sentiu motivado a fazer o quê, e o que devemos estar decididos a fazer?
23 Que outra nação foi abençoada com um código jurídico semelhante? Não é de estranhar, então, que o salmista escrevesse: “Como eu amo a tua lei!” Longe de ser apenas um sentimento, seu amor o movia à ação — ele se esforçava a obedecer àquela lei e a viver segundo os seus princípios. Ele prosseguiu, dizendo: “Medito [na tua lei] o dia inteiro.” (Salmo 119:11, 97) Ele regularmente passava tempo estudando as leis de Jeová. Sem dúvida, à medida que fazia isso, aumentava o seu amor tanto por essas leis quanto pelo Legislador, Jeová Deus. Continue a estudar a lei divina e você também se achegará mais a Jeová, o Grandioso Legislador, o Deus de justiça.
a Por exemplo, leis que exigiam que o excremento humano fosse enterrado, que doentes fossem postos de quarentena e que aqueles que tocassem num cadáver se lavassem estavam séculos à frente do seu tempo. — Levítico 13:4-8; Números 19:11-13, 17-19; Deuteronômio 23:13, 14.
b Nos templos cananeus havia salas reservadas para atividades sexuais, mas a Lei mosaica declarava que alguém impuro não podia nem mesmo entrar no templo. Assim, visto que as relações sexuais resultavam num período de impureza, ninguém poderia legalmente incluir o sexo como parte da adoração na casa de Jeová.
c O objetivo principal da Lei era ensinar. Na verdade, a obra Conhecimento Judaico menciona que a palavra hebraica para “lei”, tohráh, significa “instrução”.
d A Lei perguntava de modo direto: “Será que você deveria sitiar uma árvore do campo assim como faria com um homem?” (Deuteronômio 20:19) Filo, erudito judeu do primeiro século, citou essa lei, explicando que Deus acha “injusto que a ira que se acende contra homens seja lançada contra coisas que são inocentes de todo o mal”.
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Jeová providenciou um “resgate em troca de muitos”Achegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 14
Jeová providenciou um “resgate em troca de muitos”
1, 2. Como a Bíblia descreve a condição da humanidade e qual é a única saída?
“TODA a criação junta continua a gemer e a sentir dores.” (Romanos 8:22) Essas palavras do apóstolo Paulo descrevem muito bem o estado deplorável em que nos encontramos. Do ponto de vista humano, parece não haver saída do sofrimento, do pecado e da morte. Mas Jeová não é como os humanos — ele não tem limitações. (Números 23:19) O Deus de justiça providenciou uma maneira de escaparmos do sofrimento. Chama-se resgate.
2 O resgate é o maior presente de Jeová para a humanidade. Torna possível que sejamos libertos do pecado e da morte. (Efésios 1:7) É a base da esperança de vida eterna, quer no céu quer no Paraíso na Terra. (Lucas 23:43; João 3:16; 1 Pedro 1:4) Mas o que é exatamente o resgate? O que nos ensina sobre a inigualável justiça de Jeová?
Como surgiu a necessidade de um resgate
3. (a) Por que surgiu a necessidade de um resgate? (b) Por que Deus não podia simplesmente mudar a sentença de morte da descendência de Adão?
3 O resgate se tornou necessário devido ao pecado de Adão. Ele desobedeceu a Deus e, com isso, deixou para a sua descendência uma herança de doença, pesar, dor e morte. (Gênesis 2:17; Romanos 8:20) Deus não podia simplesmente ceder ao sentimentalismo e substituir a sentença de morte por um castigo menor. Se fizesse isso, estaria ignorando sua própria lei: “O salário pago pelo pecado é a morte.” (Romanos 6:23) E se Jeová desconsiderasse suas próprias normas de justiça, o resultado seria caos e anarquia universais.
4, 5. (a) Como Satanás caluniou a Deus, e por que este se sentiu na obrigação de responder aos desafios? (b) Do que Satanás acusou os servos leais de Jeová?
4 Como vimos no Capítulo 12, a rebelião no Éden levantou questões ainda mais importantes. Satanás difamou o bom nome de Deus. Na verdade, ele acusou Jeová de ser um mentiroso, um ditador cruel que privava Suas criaturas de liberdade. (Gênesis 3:1-5) Quando aparentemente frustrou o propósito divino de encher a Terra de humanos justos, Satanás também deu a entender que Deus era um fracassado. (Gênesis 1:28; Isaías 55:10, 11) Se Jeová tivesse deixado de responder a esses desafios, muitas de suas criaturas inteligentes talvez tivessem perdido a confiança no Seu domínio.
5 Satanás também caluniou os servos leais de Jeová, acusando-os de servir a Ele apenas por motivos egoístas e afirmando que, sob pressão, nenhum deles permaneceria fiel a Deus. (Jó 1:9-11) Essas questões eram muito mais importantes do que as dificuldades da humanidade. Com toda a razão, Jeová se sentiu na obrigação de responder às acusações caluniosas de Satanás. Mas como Ele poderia resolver essas questões e ainda assim salvar a humanidade?
Resgate — uma equivalência
6. Quais são algumas expressões usadas na Bíblia para descrever o modo de Deus salvar a humanidade?
6 A solução que Jeová apresentou era totalmente misericordiosa, extremamente justa e maravilhosamente simples — uma solução que nenhum humano poderia ter imaginado. É chamada de várias maneiras: compra, reconciliação, redenção, propiciação e expiação. (Salmo 49:8, nota; Daniel 9:24; Gálatas 3:13; Colossenses 1:20; Hebreus 2:17) Mas a expressão que melhor a define é aquela usada pelo próprio Jesus, que disse: “O Filho do Homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate [em grego, lýtron] em troca de muitos.” — Mateus 20:28.
7, 8. (a) O que o termo “resgate” significa nas Escrituras? (b) Por que se diz que o resgate envolve equivalência?
7 O que é um resgate? A palavra grega usada aqui vem de um verbo que significa “deixar ir, libertar”. Esse termo era usado para o preço pago em troca da liberdade de prisioneiros de guerra. Basicamente, então, pode-se definir resgate como algo pago para recomprar outra coisa. Nas Escrituras Hebraicas, a palavra para “resgate” (kófer) deriva de um verbo que significa “cobrir”. Por exemplo, Deus disse a Noé que revestisse’, ou cobrisse, (uma forma da mesma palavra) a arca com alcatrão. (Gênesis 6:14) Isso nos ajuda a entender que resgatar também significa cobrir pecados. — Salmo 65:3.
8 Um dicionário teológico afirma que essa palavra (kófer) “sempre denota uma equivalência”, ou correspondência. (Theological Dictionary of the New Testament) Assim, a fim de resgatar, ou cobrir, o pecado, era preciso pagar um preço que correspondesse, ou cobrisse, plenamente o dano causado pelo pecado. Em harmonia com isso, a Lei de Deus a Israel declarava: “Será vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé.” — Deuteronômio 19:21.
9. Por que razão homens fiéis ofereceram sacrifícios de animais, e como Jeová encarava esses sacrifícios?
9 Homens fiéis, a partir de Abel, ofereceram sacrifícios de animais a Deus. Ao fazer isso, demonstraram que estavam cientes de que o pecado existia e que se precisava de redenção, e mostraram sua fé na libertação prometida por Deus por intermédio do seu “descendente”. (Gênesis 3:15; 4:1-4; Levítico 17:11; Hebreus 11:4) Jeová se agradava desses sacrifícios e concedia uma condição limpa a seus adoradores. Contudo, os sacrifícios de animais eram, na melhor das hipóteses, apenas representativos. Não podiam cobrir totalmente os pecados humanos, pois os animais são inferiores ao homem. (Salmo 8:4-8) Por isso, a Bíblia diz: “Não é possível que o sangue de touros e de bodes tire pecados.” (Hebreus 10:1-4) Esses sacrifícios eram apenas ilustrativos, simbolizando o verdadeiro sacrifício de resgate futuro.
“Resgate correspondente”
10. (a) O resgatador tinha de ser equivalente a quem, e por quê? (b) Por que foi necessário só um sacrifício humano?
10 “Em Adão todos morrem”, disse o apóstolo Paulo. (1 Coríntios 15:22) Assim, o resgate precisava envolver a morte do equivalente exato de Adão: um humano perfeito. (Romanos 5:14) Nenhuma outra criatura podia equilibrar a balança da justiça. Somente um humano perfeito, que não estivesse debaixo da sentença de morte adâmica, poderia oferecer um “resgate correspondente por todos” — perfeitamente correspondente a Adão. (1 Timóteo 2:6) Não seria preciso que incontáveis milhões de humanos se sacrificassem para corresponder a cada descendente de Adão. O apóstolo Paulo explicou: “Por meio de um só homem [Adão] o pecado entrou no mundo, e a morte por meio do pecado.” (Romanos 5:12) E “visto que a morte veio por meio de um homem”, Deus providenciou a redenção para a humanidade “por meio de um homem”. (1 Coríntios 15:21) Como?
Um “resgate correspondente por todos”
11. (a) Em que sentido o resgatador ‘provaria a morte por todos’? (b) Por que Adão e Eva não se beneficiariam do resgate? (Veja a nota.)
11 Jeová tomou providências para que um homem perfeito sacrificasse voluntariamente a sua vida. Segundo Romanos 6:23, “o salário pago pelo pecado é a morte”. Ao sacrificar sua vida, o resgatador ‘provaria a morte por todos’. Em outras palavras, pagaria o salário pelo pecado de Adão. (Hebreus 2:9; 2 Coríntios 5:21; 1 Pedro 2:24) Isso teria profundas implicações jurídicas. Ao anular a sentença de morte sobre a descendência obediente de Adão, o resgate eliminaria o poder destrutivo do pecado direto na fonte.a — Romanos 5:16.
12. Ilustre como o pagamento de uma única dívida pode beneficiar muitas pessoas.
12 Para ilustrar: imagine-se morando numa cidade em que a maioria dos habitantes trabalha em uma grande fábrica. Você e seus vizinhos têm um bom salário e uma vida confortável. Até que um dia a fábrica fecha as portas. Por que motivo? O diretor se tornou corrupto e levou a firma à falência. De repente, você e seus vizinhos estão desempregados e as contas começam a se acumular. Cônjuges, filhos e credores sofrem por causa da corrupção daquele homem. Existe saída? Sim! Um benfeitor rico resolve intervir. Ele sabe quanto vale a companhia e imagina o que os empregados e suas famílias estão passando. Assim, paga as dívidas da firma e reabre a fábrica. O cancelamento daquela única dívida traz alívio para muitos empregados, suas famílias e credores. De modo similar, o cancelamento da dívida de Adão beneficia incontáveis milhões de pessoas.
Quem providenciou o resgate?
13, 14. (a) Como Jeová providenciou o resgate para a humanidade? (b) A quem este é pago, e por que esse pagamento é necessário?
13 Somente Jeová poderia providenciar “o Cordeiro . . . que tira o pecado do mundo”. (João 1:29) Mas Deus não enviou um simples anjo para resgatar a humanidade. Enviou Aquele que poderia fornecer uma resposta definitiva e conclusiva à acusação de Satanás contra os servos de Jeová. De fato, Deus fez o sacrifício supremo de enviar seu Filho unigênito, “aquele de quem ele gostava especialmente”. (Provérbios 8:30, nota) Voluntariamente, o Filho de Deus “se esvaziou” de sua natureza espiritual. (Filipenses 2:7, nota) De forma milagrosa, Jeová transferiu a vida do seu Filho primogênito do céu para o útero de uma virgem judia, chamada Maria. (Lucas 1:27, 35) Como homem, recebeu o nome de Jesus. Mas em sentido jurídico, poderia ser chamado de o segundo Adão, porque era o equivalente exato de Adão. (1 Coríntios 15:45, 47) Assim, Jesus podia se oferecer em sacrifício como resgate pela humanidade pecadora.
14 A quem o resgate seria pago? O Salmo 49:7 diz especificamente que seria pago “a Deus”. Mas não foi Jeová quem providenciou o resgate? Sim, mas isso não é razão para encararmos esse ato como uma troca inútil e mecânica, como se ele tirasse dinheiro de um bolso e colocasse no outro. Deve-se entender que o resgate não é uma troca física, mas uma transação jurídica. Ao providenciar o pagamento do resgate, a um enorme custo para si mesmo, Jeová confirmou sua inabalável aderência à sua própria justiça perfeita. — Gênesis 22:7, 8, 11-13; Hebreus 11:17; Tiago 1:17.
15. Por que era necessário que Jesus sofresse e morresse?
15 No início do ano 33 EC, Jesus Cristo voluntariamente se submeteu a uma provação que resultou no pagamento do resgate. Ele se deixou ser preso sob acusações falsas, julgado culpado e pregado numa estaca de execução. Era realmente necessário que Jesus sofresse tanto? Sim, porque era preciso resolver a questão da integridade dos servos de Deus. O interessante é que Deus não permitiu que Herodes matasse Jesus enquanto este era bebê. (Mateus 2:13-18) Mas quando se tornou adulto, Jesus estava apto a resistir aos ataques de Satanás com pleno entendimento das questões envolvidas.b Ao se manter “leal, inocente, sem mancha, separado dos pecadores” apesar do horrível tratamento que recebeu, Jesus provou de forma maravilhosa e conclusiva que Jeová tem mesmo servos que permanecem fiéis sob provações. (Hebreus 7:26) Não é de admirar, então, que no momento de sua morte Jesus clamasse em triunfo: “Está consumado!” — João 19:30.
Ele leva até o fim seu trabalho de redenção
16, 17. (a) Como Jesus concluiu seu trabalho de redenção? (b) Por que era necessário que Jesus aparecesse “perante Deus em nosso favor”?
16 Jesus ainda tinha de concluir seu trabalho de redenção. No terceiro dia depois da sua morte, Jeová o ressuscitou dos mortos. (Atos 3:15; 10:40) Por meio desse ato marcante, Jeová não só recompensou o Filho por seu serviço fiel, mas também lhe deu a oportunidade de terminar seu trabalho de redenção como Sumo Sacerdote de Deus. (Romanos 1:4; 1 Coríntios 15:3-8) O apóstolo Paulo explica: “Quando Cristo veio como sumo sacerdote . . . , ele entrou no lugar santo, não com o sangue de bodes e de novilhos, mas com o seu próprio sangue, de uma vez para sempre, e obteve para nós um livramento eterno. Pois Cristo não entrou num lugar santo feito por mãos humanas, que é uma cópia da realidade, mas no próprio céu, de modo que agora comparece perante Deus em nosso favor.” — Hebreus 9:11, 12, 24.
17 Cristo não podia levar seu sangue literal para o céu. (1 Coríntios 15:50) Em vez disso, ele levou o que o sangue simbolizava: o valor legal do sacrifício de sua vida humana perfeita. Daí, perante a Pessoa de Deus, ele apresentou formalmente o valor da sua vida como resgate em troca da humanidade pecadora. Será que Jeová aceitou esse sacrifício? Sim, e isso ficou evidente no Pentecostes de 33 EC, quando foi derramado espírito santo sobre cerca de 120 discípulos em Jerusalém. (Atos 2:1-4) Embora isso tenha sido emocionante, era apenas o primeiro dos maravilhosos benefícios que o resgate ainda traria.
Benefícios do resgate
18, 19. (a) Que dois grupos se beneficiam da reconciliação possibilitada pelo sangue de Cristo? (b) Para os membros da “grande multidão”, quais são alguns dos benefícios atuais e futuros do resgate?
18 Na sua carta aos colossenses, Paulo explica que Deus achou bom reconciliar Consigo mesmo, por meio de Cristo, todas as outras coisas, fazendo a paz por intermédio do sangue que Jesus derramou na estaca de tortura. Paulo também explica que essa reconciliação envolve dois grupos de pessoas: “as coisas nos céus” e “as coisas na terra”. (Colossenses 1:19, 20; Efésios 1:10) O primeiro grupo é composto de 144 mil cristãos que recebem a esperança de servir como sacerdotes celestiais e reinar sobre a Terra com Cristo Jesus. (Apocalipse 5:9, 10; 7:4; 14:1-3) Por intermédio deles, os benefícios do resgate serão aplicados gradativamente à humanidade obediente por um período de mil anos. — 1 Coríntios 15:24-26; Apocalipse 20:6; 21:3, 4.
19 “As coisas na terra” são aqueles que aguardam ter vida perfeita na Terra transformada num paraíso. Apocalipse 7:9-17 descreve-os como “uma grande multidão” que sobreviverá à vindoura “grande tribulação”. Mas não precisam esperar até lá para se beneficiar do resgate. Eles já “lavaram as suas vestes compridas e as embranqueceram no sangue do Cordeiro”. Visto que exercem fé no resgate, desde já recebem bênçãos espirituais por meio dessa provisão amorosa. Por exemplo, são declarados justos como amigos de Deus. (Tiago 2:23) Em resultado do sacrifício de Jesus, podem ‘com confiança, se aproximar do trono de bondade imerecida’. (Hebreus 4:14-16) Quando erram, recebem perdão genuíno. (Efésios 1:7) Apesar de imperfeitos, têm uma consciência limpa. (Hebreus 9:9; 10:22; 1 Pedro 3:21) Assim, a reconciliação com Deus não é algo que aguardam para o futuro — já é uma realidade! (2 Coríntios 5:19, 20) Durante o Milênio, eles aos poucos serão ‘libertados da escravidão à decadência’ e finalmente terão “a liberdade gloriosa dos filhos de Deus”. — Romanos 8:21.
20. Ao meditar no resgate, como isso o afeta pessoalmente?
20 ‘Damos graças a Deus que, por meio de Jesus Cristo’, providenciou o resgate! (Romanos 7:25) Em essência, trata-se de algo simples, mas é tão profundo que nos enche de admiração. (Romanos 11:33) Se meditarmos com apreço no resgate, ele tocará nosso coração e nos achegará cada vez mais ao Deus de justiça. Como o salmista, temos ótimos motivos para louvar a Jeová, aquele que “ama a retidão e a justiça”. — Salmo 33:5.
a Adão e Eva não podiam se beneficiar do resgate. A Lei mosaica declarou o seguinte princípio com respeito a assassinos deliberados: “Não aceitem nenhum resgate pela vida de um assassino que merece morrer.” (Números 35:31) É óbvio que Adão e Eva mereciam morrer porque desobedeceram a Deus deliberadamente e com plena consciência dos seus atos. Dessa forma, abriram mão de suas perspectivas de vida eterna.
b Para contrabalançar o pecado de Adão, Jesus tinha de morrer, não como criança perfeita, mas como homem perfeito. Lembre-se de que o pecado de Adão foi deliberado, cometido com pleno conhecimento da seriedade do ato e de suas consequências. Assim, a fim de se tornar “o último Adão” e cobrir o pecado, Jesus tinha de fazer uma escolha madura e consciente de manter a integridade a Jeová. (1 Coríntios 15:45, 47) De modo que a conduta fiel de Jesus durante toda a vida — incluindo sua morte sacrificial — serviu como “um só ato de justificação”. — Romanos 5:18, 19.
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Jesus ‘estabelece a justiça na Terra’Achegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 15
Jesus ‘estabelece a justiça na Terra’
1, 2. Qual foi uma ocasião em que Jesus ficou furioso, e por quê?
CONSEGUE imaginar Jesus furioso? Talvez ache isso difícil porque, afinal de contas, ele era conhecido como um homem muito manso. (Mateus 21:5) Houve uma ocasião, porém, em que ele ficou realmente zangado. É claro que, apesar disso, Jesus manteve perfeito controle — sua raiva era totalmente justa.a Mas o que havia deixado esse homem pacífico tão furioso? Uma vergonhosa injustiça.
2 Jesus prezava muito o templo em Jerusalém. No mundo todo, aquele era o único lugar sagrado dedicado à adoração de seu Pai celestial. Judeus de muitos lugares viajavam grandes distâncias para adorar ali. Até mesmo gentios tementes a Deus vinham e ficavam no pátio do templo reservado para eles. Mas certa vez, no início do seu ministério, quando entrou no templo, Jesus ficou chocado com o que viu. E não era para menos, o lugar mais parecia um mercado do que uma casa de adoração! Estava cheio de comerciantes e cambistas. Mas qual era a injustiça? Para esses homens, o templo de Deus não passava de um lugar para explorar e até roubar as pessoas. Como assim? — João 2:14.
3, 4. Que exploração gananciosa acontecia na casa de Jeová, e que ação Jesus tomou para corrigir o problema?
3 Uma regra, inventada pelos líderes religiosos, dizia que somente um tipo específico de moeda poderia ser usado para pagar o imposto do templo. Os visitantes tinham de trocar o dinheiro para conseguir essas moedas. De modo que os cambistas armavam suas mesas dentro do templo e cobravam uma taxa pelas transações. O negócio de venda de animais também era muito lucrativo. Os visitantes que quisessem oferecer sacrifícios podiam comprar animais de qualquer comerciante da cidade, mas os funcionários do templo poderiam julgá-los impróprios como ofertas e rejeitá-los. Por outro lado, os animais para sacrifício comprados no templo sempre eram aceitos. Assim, com o povo à sua mercê, os comerciantes muitas vezes cobravam preços exorbitantes.b Isso não era apenas uma prática comercial condenável. Era, na realidade, roubo!
4 Jesus não podia tolerar essa injustiça. Tratava-se da casa do seu próprio Pai! Ele fez um chicote de cordas e expulsou o gado e as ovelhas do templo. Daí, se dirigiu aos cambistas e virou suas mesas. Imagine todas aquelas moedas rolando pelo chão de mármore! Com voz firme, ele ordenou aos vendedores de pombas: “Tirem estas coisas daqui!” (João 2:15, 16) Parece que ninguém se atreveu a opor-se a esse homem corajoso.
“Tirem estas coisas daqui!”
“Tal pai, tal filho”
5-7. (a) Como a existência pré-humana de Jesus influenciou seu senso de justiça, e o que aprendemos ao estudar seu exemplo? (b) Como Jesus tem lidado com as injustiças instigadas por Satanás, e o que ele fará sobre isso no futuro?
5 Naturalmente, depois de algum tempo os comerciantes voltaram. Cerca de três anos depois, Jesus se deparou com a mesma injustiça e dessa vez citou as palavras do próprio Jeová que condenou os que transformavam Sua casa em “um abrigo de ladrões”. (Jeremias 7:11; Mateus 21:13) Quando viu a ganância daqueles exploradores e como o templo de Deus havia sido profanado, Jesus se sentiu exatamente como seu Pai. E não é de admirar! Por incontáveis milhões de anos, Jesus foi ensinado por seu Pai celestial. Em resultado disso, desenvolveu o mesmo senso de justiça que Jeová. Nele, se cumpriu bem o ditado: “Tal pai, tal filho.” Assim, se quisermos entender plenamente a justiça divina, não há nada melhor do que meditar no exemplo de Jesus Cristo. — João 14:9, 10.
6 O Filho unigênito de Jeová estava presente quando Satanás injustamente chamou o Criador de mentiroso e levantou a questão sobre se o Seu domínio era justo. Que calúnia! O Filho também ouviu o desafio posterior de Satanás de que ninguém serviria a Jeová altruistamente, por amor. Dá para imaginar que essas acusações falsas deixaram aquele Filho justo profundamente magoado. Quando soube que desempenharia o papel principal em resolver essas questões, como isso deve tê-lo deixado emocionado! (2 Coríntios 1:20) Como faria isso?
7 Como aprendemos no Capítulo 14, Jesus Cristo deu a resposta definitiva, conclusiva, à acusação de Satanás contra a integridade das criaturas de Jeová. Assim, lançou a base para limpar o nome santo de Deus, Jeová, de toda a calúnia — incluindo a de que Seu modo perfeito de governar é errado. Como Agente Principal de Jeová, Jesus estabelecerá a justiça divina em todo o Universo. (Atos 5:31) Seu modo de vida na Terra também refletia a justiça divina. A respeito dele, Jeová disse: “Porei sobre ele o meu espírito, e ele esclarecerá às nações o que é justiça.” (Mateus 12:18) Como Jesus cumpriu essas palavras?
Jesus esclarece “o que é justiça”
8-10. (a) Como as tradições orais dos líderes religiosos judeus promoviam o desprezo pelos não judeus e pelas mulheres? (b) De que modo as leis orais tornaram a lei do sábado de Jeová um fardo?
8 Jesus amava a Lei de Jeová e vivia de acordo com ela. Mas os líderes religiosos dos seus dias distorciam a Lei e a aplicavam incorretamente. Jesus lhes disse: “Ai de vocês, escribas e fariseus, hipócritas! . . . Desconsideram as questões mais importantes da Lei, isto é, a justiça, a misericórdia e a fidelidade.” (Mateus 23:23) É óbvio que esses instrutores da Lei de Deus não estavam esclarecendo “o que é justiça”. Pelo contrário, eles obscureciam a justiça divina. Como? Veja alguns exemplos.
9 Jeová ordenou que Seu povo se mantivesse separado das nações pagãs ao seu redor. (1 Reis 11:1, 2) Mas alguns líderes religiosos fanáticos incentivavam o povo a desprezar todos os não judeus. A Míxena até incluía a seguinte regra: “Não se deve deixar gado nas hospedarias dos gentios, pois se suspeita que pratiquem a bestialidade.” Esse preconceito generalizado contra todos os não judeus era injusto e totalmente contrário ao espírito da Lei mosaica. (Levítico 19:34) Outras regras criadas por homens rebaixavam as mulheres. A lei oral dizia que a mulher tinha de andar atrás, não ao lado, do marido. Os homens não deviam conversar com mulheres em público, nem com a própria esposa. Depoimentos de mulheres, assim como os de escravos, não eram aceitos nos tribunais. Havia até uma oração formal na qual os homens agradeciam a Deus por não terem nascido mulher.
10 Os líderes religiosos soterraram a Lei de Deus sob uma montanha de regras e regulamentos inventados por homens. A lei do sábado, por exemplo, simplesmente proibia o trabalho naquele dia, reservando-o para adoração, revigoramento espiritual e descanso. Mas os fariseus transformaram aquela lei num fardo. Assumiram a tarefa de determinar exatamente o que significava a expressão “trabalho”. Consideravam 39 atividades como trabalho, entre elas colher e caçar. Por causa dessas classificações, surgiam perguntas intermináveis. Se um homem matasse uma pulga no sábado, isso seria considerado caçar? Se arrancasse um punhado de cereais para comer ao passar por uma plantação, estaria colhendo? Se curasse um doente, estaria trabalhando? Havia regras rígidas e detalhadas para tratar dessas questões.
11, 12. Como Jesus indicou que era contrário às tradições não bíblicas dos fariseus?
11 Em um ambiente como esse, como Jesus ajudaria as pessoas a entender o que é justiça? Nos seus ensinos e no seu modo de vida, ele tomou uma posição corajosa contra os líderes religiosos. Primeiramente, veja como ele fez isso por meio dos seus ensinos. Ele condenou diretamente os milhares de regras inventadas por homens, dizendo: “Vocês invalidam a palavra de Deus pela tradição que transmitiram.” — Marcos 7:13.
12 Jesus ensinou de modo vigoroso que os fariseus estavam errados a respeito da lei do sábado — que, na verdade, não haviam captado o espírito daquela lei. O Messias, explicou ele, é “Senhor do sábado” e, portanto, podia curar pessoas naquele dia. (Mateus 12:8) Para ressaltar isso, ele abertamente realizou curas milagrosas no sábado. (Lucas 6:7-10) Essas curas eram uma amostra daquelas que ele realizará na Terra inteira durante seu Reinado Milenar. Aquele Milênio será o sábado definitivo, em que toda a humanidade fiel por fim descansará dos séculos de labuta sob o fardo do pecado e da morte.
13. Que lei entrou em vigor em resultado do ministério terrestre de Cristo, e em que ela é diferente de sua predecessora?
13 Jesus também esclareceu o que é justiça por meio de uma nova lei, “a lei do Cristo”, que entrou em vigor depois que ele terminou seu ministério terrestre. (Gálatas 6:2) Diferentemente de sua predecessora, a Lei mosaica, essa nova lei se baseava, na maior parte, não em uma série de mandamentos escritos, mas em princípios. Mas ela também incluía alguns mandamentos diretos. Jesus chamou um deles de “novo mandamento”. Ensinou seus seguidores a amar uns aos outros assim como ele os amou. (João 13:34, 35) O amor altruísta deveria ser o sinal identificador de todos os que vivessem sob “a lei do Cristo”.
Exemplo vivo de justiça
14, 15. Como Jesus mostrou que reconhecia os limites de sua autoridade, e por que isso nos tranquiliza?
14 Em vez de simplesmente ensinar o amor, Jesus viveu “a lei do Cristo”. Ela fazia parte da sua conduta diária. Vejamos três modos em que o exemplo de Jesus esclareceu o que é justiça.
15 Primeiro, ele evitou escrupulosamente cometer qualquer injustiça. Já notou que, quando humanos imperfeitos se tornam arrogantes e extrapolam os limites da sua autoridade, isso muitas vezes resulta em injustiças? Jesus não tinha esse problema. Em certa ocasião, um homem se aproximou dele e disse: “Instrutor, diga a meu irmão que divida comigo a herança.” Qual foi a resposta de Jesus? “Homem, quem me designou como juiz ou me deu o direito de repartir os bens entre vocês dois?” (Lucas 12:13, 14) Não acha isso notável? O intelecto, o discernimento e até a autoridade de Jesus — que Deus lhe dera — eram muito superiores aos de qualquer outra pessoa na Terra; mesmo assim, ele se recusou a envolver-se no assunto, visto que não recebera autoridade específica para isso. Nesse respeito, Jesus sempre foi modesto, até durante os milênios de sua existência pré-humana. (Judas 9) Uma de suas qualidades notáveis é que ele confia humildemente no que Jeová determina ser justo.
16, 17. (a) Como Jesus mostrou justiça ao pregar as boas novas do Reino de Deus? (b) Como Jesus demonstrou não só justiça, mas também misericórdia?
16 Segundo, Jesus mostrou justiça no seu modo de pregar as boas novas do Reino de Deus. Ele nunca agiu com preconceito. Pelo contrário, se esforçava muito para alcançar todo tipo de pessoas, quer fossem ricas quer pobres. Em contraste com isso, os fariseus desprezavam as pessoas comuns; referiam-se a elas usando o termo preconceituoso ‛am ha·’á·rets (“povo da terra”). O Filho de Deus corajosamente denunciou essa injustiça. Quando ensinava as boas novas às pessoas — ou quando comia com elas, as curava ou as ressuscitava —, Jesus defendia a justiça de Deus, visto que Ele deseja alcançar “todo tipo de pessoas”.c — 1 Timóteo 2:4.
17 Terceiro, o senso de justiça de Jesus estava ligado a profunda misericórdia. Ele se esforçava a ajudar os pecadores. (Mateus 9:11-13) Defendia prontamente os indefesos. Por exemplo, Jesus não agia como os líderes religiosos que promoviam a desconfiança contra todos os gentios. Ele ajudou e ensinou misericordiosamente alguns estrangeiros, embora sua missão principal fosse pregar aos judeus. Ele concordou em fazer uma cura milagrosa para um oficial do exército romano, dizendo: “Em ninguém em Israel encontrei tamanha fé.” — Mateus 8:5-13.
18, 19. (a) De que maneiras Jesus promoveu a dignidade feminina? (b) Como o exemplo de Jesus nos ajuda a entender a relação entre coragem e justiça?
18 De modo similar, Jesus não defendeu os conceitos comuns sobre as mulheres; ele fez corajosamente o que era justo. As samaritanas eram consideradas tão impuras quanto os gentios. Mas Jesus não hesitou em pregar para uma samaritana junto ao poço em Sicar. De fato, foi a essa mulher que Jesus, pela primeira vez, identificou-se abertamente como o prometido Messias. (João 4:6, 25, 26) Os fariseus diziam que não se devia ensinar a lei de Deus às mulheres, mas Jesus gastou bastante tempo e energia ensinando-as. (Lucas 10:38-42) E embora a tradição considerasse que o depoimento de mulheres não era digno de confiança, Jesus deu a várias mulheres a honra de serem as primeiras a vê-lo após a ressurreição. Ele até lhes disse que fossem contar a seus discípulos a respeito desse evento importantíssimo! — Mateus 28:1-10.
19 De fato, Jesus esclareceu às nações o que é justiça. Em muitos casos, ele fez isso apesar de correr grandes riscos. O exemplo dele nos ajuda a entender que defender a verdadeira justiça requer coragem. Ele foi apropriadamente chamado de “o Leão da tribo de Judá”. (Apocalipse 5:5) Lembre-se de que o leão é símbolo de justiça corajosa. No futuro próximo, porém, Jesus executará ainda mais atos de justiça. Ele estabelecerá ‘a justiça na Terra’ no mais pleno sentido. — Isaías 42:4.
O Rei messiânico ‘estabelece a justiça na Terra’
20, 21. Nos nossos tempos, como o Rei messiânico promove a justiça em toda a Terra e na congregação cristã verdadeira?
20 Desde que se tornou o Rei messiânico em 1914, Jesus tem promovido a justiça na Terra. Como? Ele tem dado orientações para que se cumpra sua profecia encontrada em Mateus 24:14. Os seguidores de Cristo na Terra ensinam a pessoas de todas as nações a verdade sobre o Reino de Jeová. Como Jesus, pregam de maneira imparcial e justa, procurando dar a todos — jovens ou idosos, ricos ou pobres, homens ou mulheres — a oportunidade de vir a conhecer a Jeová, o Deus de justiça.
21 Jesus também promove a justiça dentro da congregação cristã verdadeira, da qual ele é o Cabeça. Conforme profetizado, ele providenciou “dádivas em homens”, fiéis anciãos cristãos que tomam a dianteira na congregação. (Efésios 4:8-12) Ao pastorear o precioso rebanho de Deus, esses homens seguem o exemplo de Jesus Cristo em promover a justiça. Sempre têm em mente que Jesus deseja que suas ovelhas sejam tratadas com justiça, não importa qual seja sua posição, status ou situação financeira.
22. Como Jeová se sente em relação às injustiças tão comuns no mundo hoje, e ele designou seu Filho para fazer o que a esse respeito?
22 Contudo, no futuro próximo, Jesus estabelecerá justiça na Terra numa escala sem precedentes. Neste mundo corrupto, a injustiça é generalizada. Cada criança que morre de fome é vítima de uma injustiça imperdoável, em especial quando pensamos no dinheiro e no tempo desperdiçados na produção de armas de guerra ou na satisfação dos caprichos egoístas daqueles que se empenham pelos prazeres. Os milhões de mortes desnecessárias a cada ano são apenas uma das muitas formas de injustiça. E todas elas provocam a justa indignação de Jeová. Ele designou seu Filho para travar uma guerra justa contra este inteiro sistema perverso, a fim de eliminar todas as injustiças de uma vez por todas. — Apocalipse 16:14, 16; 19:11-15.
23. Depois do Armagedom, como Cristo promoverá a justiça por toda a eternidade?
23 Mas a justiça de Jeová exige mais do que a mera destruição dos perversos. Ele também designou seu Filho para reinar como “Príncipe da Paz”. Depois da guerra do Armagedom, o domínio de Jesus estabelecerá paz em toda a Terra e ele dominará “por meio da justiça”. (Isaías 9:6, 7) Jesus então terá prazer em desfazer todas as injustiças que causaram tanta dor e sofrimento no mundo. Por toda a eternidade, ele defenderá fielmente a justiça perfeita de Jeová. Portanto, é vital que nos esforcemos a imitar a justiça de Jeová agora. Vejamos como podemos fazer isso.
a Quando demonstrou ira justa, Jesus imitou a Jeová, que “está pronto para demonstrar o seu furor” contra toda a maldade. (Naum 1:2) Por exemplo, depois de dizer ao seu povo rebelde que eles haviam transformado sua casa em “um abrigo de ladrões”, Jeová acrescentou: “Vejam! Minha ira e meu furor serão derramados sobre este lugar.” — Jeremias 7:11, 20.
b Segundo a Míxena, anos depois aconteceu um protesto contra os preços cobrados pelas pombas vendidas no templo. Imediatamente, o preço foi reduzido em 99%! Quem é que mais lucrava com esse comércio? Alguns historiadores indicam que os mercados do templo eram de propriedade da casa do Sumo Sacerdote Anás, o que contribuía muito para a vasta riqueza daquela família sacerdotal. — João 18:13.
c Os fariseus consideravam os humildes, que não eram versados na Lei, como ‘amaldiçoados’. (João 7:49) Diziam que não se deviam instruir essas pessoas, nem ter negócios, comer ou orar com elas. Permitir que uma filha se casasse com um desses humildes era considerado pior do que expô-la a animais selvagens. Afirmavam que tais pessoas não podiam esperar ser ressuscitadas.
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“Pratique a justiça” ao andar com DeusAchegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 16
“Pratique a justiça” ao andar com Deus
1-3. (a) Por que temos uma dívida com Jeová? (b) O que nosso amoroso Resgatador pede que façamos?
IMAGINE-SE preso num navio que está afundando. Quando acha que não há mais esperança, aparece alguém que o resgata e leva para um lugar seguro. Que alívio você sente quando ele lhe diz: “Agora você está a salvo”! Não se sentiria em dívida com essa pessoa? No mais pleno sentido, poderia dizer: “Devo minha vida a você.”
2 Em certos aspectos, isso ilustra o que Jeová fez por nós. É evidente que temos uma dívida com ele. Afinal, ele forneceu o resgate, que tornou possível nosso livramento das garras do pecado e da morte. Nós nos sentimos seguros por saber que, enquanto exercermos fé naquele sacrifício valioso, nossos pecados serão perdoados e nosso futuro eterno estará assegurado. (1 João 1:7; 4:9) Como vimos no Capítulo 14, o resgate é a suprema expressão do amor e da justiça de Jeová. Em vista disso, qual deveria ser nossa atitude?
3 Nada mais apropriado do que analisarmos o que nosso amoroso Resgatador pede que façamos em troca. Por meio do profeta Miqueias, Jeová diz: “Ele o informou, ó homem, sobre o que é bom. E o que Jeová pede de você? Apenas que pratique a justiça, ame a lealdade e ande modestamente com o seu Deus!” (Miqueias 6:8) Note que uma das coisas que Jeová nos pede é que ‘pratiquemos a justiça’. Como podemos fazer isso?
Empenhe-se pela “verdadeira justiça”
4. Como sabemos que Jeová espera que vivamos em harmonia com suas normas justas?
4 Jeová espera que sigamos suas normas do que é certo e do que é errado. Visto que elas são justas, quando as obedecemos estamos nos empenhando pela justiça. “Aprendam a fazer o bem, busquem a justiça”, diz Isaías 1:17. A Palavra de Deus nos incentiva a ‘buscar a justiça’. (Sofonias 2:3) Ela também nos encoraja a nos revestirmos “da nova personalidade, que foi criada segundo a vontade de Deus, em verdadeira justiça”. (Efésios 4:24) A verdadeira justiça não admite a violência, a impureza e a imoralidade, visto que essas práticas violam o que é santo. — Salmo 11:5; Efésios 5:3-5.
5, 6. (a) Por que não deve ser difícil demais para nós nos harmonizarmos com as normas de Jeová? (b) Como a Bíblia indica que se empenhar pela justiça é um processo contínuo?
5 É difícil demais para nós nos harmonizarmos com as normas justas de Jeová? Não. Se estivermos achegados a Deus de coração, não consideraremos a vontade Dele um fardo. Visto que amamos o tipo de pessoa que nosso Criador é, queremos levar a vida de um modo que o agrade. (1 João 5:3) Lembre-se de que Jeová “ama atos justos”. (Salmo 11:7) Se realmente imitarmos a justiça divina, nos esforçaremos a amar o que Jeová ama e odiar o que ele odeia. — Salmo 97:10.
6 Para humanos imperfeitos, não é fácil empenhar-se pela justiça. Temos de nos livrar da velha personalidade com suas práticas pecaminosas e nos revestir duma nova, que, segundo a Bíblia, está “sendo renovada” por meio do conhecimento exato. (Colossenses 3:9, 10) A expressão “sendo renovada” indica que revestir-se da nova personalidade é um processo contínuo, que exige bastante esforço. Mas, não importa quanto tentemos fazer o que é direito, haverá ocasiões em que nossa natureza imperfeita nos fará tropeçar em pensamento, palavras ou ações. — Romanos 7:14-20; Tiago 3:2.
7. Ao nos empenharmos pela justiça, como devemos encarar nossas recaídas?
7 Ao nos empenharmos pela justiça, como devemos encarar nossas recaídas? É claro que não devemos minimizar a seriedade do pecado. Ao mesmo tempo, jamais devemos desistir, achando que nossas falhas nos tornam indignos de servir a Jeová. Nosso Deus bondoso tomou providências para que os sinceramente arrependidos voltem a ter o Seu favor. Note estas palavras tranquilizadoras do apóstolo João: “Eu lhes escrevo estas coisas para que vocês não cometam pecado.” Mas daí, de forma bem realista, ele acrescentou: “Contudo, se alguém cometer um pecado [por causa da imperfeição herdada], temos um ajudador junto ao Pai: Jesus Cristo.” (1 João 2:1) De modo que Jeová forneceu o sacrifício resgatador de Jesus para que pudéssemos servir-lhe aceitavelmente apesar de nossa natureza pecaminosa. Isso nos motiva a querer fazer o melhor para agradar a Jeová, não é verdade?
As boas novas e a justiça divina
8, 9. Como a proclamação das boas novas demonstra a justiça de Jeová?
8 Podemos praticar — ou melhor, imitar — a justiça divina participando plenamente na pregação das boas novas do Reino de Deus a outros. Mas que relação existe entre a justiça de Jeová e as boas novas?
9 Jeová não acabará com este sistema perverso sem antes dar o aviso. Na sua profecia sobre o que aconteceria no tempo do fim, Jesus disse: “Em todas as nações, as boas novas têm de ser pregadas primeiro.” (Marcos 13:10; Mateus 24:3) O uso da palavra “primeiro” indica que outros eventos se seguiriam à obra de pregação mundial. Esses incluem a predita grande tribulação, na qual os perversos serão destruídos, abrindo caminho para um novo mundo justo. (Mateus 24:14, 21, 22) Com certeza, ninguém pode acusar a Jeová de ser injusto para com os perversos. Ele soa o aviso e, assim, dá toda a oportunidade para que mudem de vida e escapem da destruição. — Jonas 3:1-10.
10, 11. Como a nossa participação na pregação das boas novas reflete a justiça divina?
10 Como a nossa pregação das boas novas reflete a justiça divina? Em primeiro lugar, nos empenharmos ao máximo para ajudar outros a ganhar a salvação é a coisa certa a fazer. Pense novamente na ilustração sobre ser resgatado dum navio que está afundando. Quando estivesse seguro num bote salva-vidas, você sem dúvida tentaria ajudar outros que ainda estivessem na água. De modo similar, temos uma obrigação para com os que ainda estão se debatendo nas “águas” deste mundo perverso. É verdade que muitos rejeitam a nossa mensagem. Mas, enquanto Jeová continuar a demonstrar paciência, temos a responsabilidade de dar-lhes a oportunidade de ‘alcançar o arrependimento’ e de se candidatar à salvação. — 2 Pedro 3:9.
11 Quando pregamos as boas novas a todos os que encontramos, demonstramos justiça de outro modo importante: mostramos imparcialidade. Lembre-se de que “Deus não é parcial, mas, em toda nação, ele aceita aquele que o teme e faz o que é direito”. (Atos 10:34, 35) Se queremos imitar a justiça dele, não podemos prejulgar as pessoas. Antes, devemos transmitir as boas novas a outros não importa qual seja sua raça, posição social ou situação financeira. Assim, damos a todos os que nos escutam a oportunidade de ouvir as boas novas e reagir a elas. — Romanos 10:11-13.
Nosso modo de tratar outros
12, 13. (a) Por que não devemos nos apressar a julgar outros? (b) Qual é o sentido do conselho de Jesus de ‘parar de julgar’ e ‘parar de condenar’? (Veja também a nota.)
12 Também podemos exercer justiça tratando outros como Jeová nos trata. É muito fácil julgar alguém, criticando seus defeitos e questionando suas motivações. Mas quem de nós gostaria que Jeová inspecionasse impiedosamente todas as nossas motivações e falhas? Não é assim que ele lida conosco. O salmista perguntou: “Se vigiasses os erros, ó Jah, quem, ó Jeová, poderia ficar de pé?” (Salmo 130:3) Não somos gratos de que nosso Deus justo e misericordioso prefere não se concentrar nos nossos defeitos? (Salmo 103:8-10) Como, então, devemos tratar outros?
13 Se compreendermos a natureza misericordiosa da justiça divina, não vamos nos apressar a julgar outros em questões que, na verdade, não nos competem ou que são de pouca importância. No seu Sermão do Monte, Jesus avisou: “Parem de julgar, para que não sejam julgados.” (Mateus 7:1) Segundo o relato de Lucas, Jesus acrescentou: “Parem de condenar, e de modo algum serão condenados.”a (Lucas 6:37) Com essas palavras, Jesus demonstrou que se apercebia que humanos imperfeitos têm a tendência de julgar outros. Se algum de seus ouvintes tinha esse hábito, deveria parar com isso.
Mostramos justiça divina quando transmitimos as boas novas a outros de forma imparcial
14. Por que razões devemos ‘parar de julgar’ outros?
14 Por que devemos ‘parar de julgar’ outros? Primeiro, porque nossa autoridade é limitada. O discípulo Tiago nos lembra: “Há somente um que é Legislador e Juiz”: Jeová. De modo que ele apropriadamente pergunta: “Quem é você para julgar o seu próximo?” (Tiago 4:12; Romanos 14:1-4) Além disso, nossa natureza pecaminosa pode facilmente nos levar a sermos injustos no julgamento. Muitas atitudes e motivações — incluindo preconceito, orgulho ferido, ciúme e achar-nos justos — podem distorcer o modo como encaramos outras pessoas. Temos outras limitações e, se refletirmos nelas, isso nos ajudará a tolerar os defeitos de outros. Não podemos ler o coração, nem temos como saber de todas as circunstâncias que outros enfrentam. Quem somos nós, então, para atribuir motivações erradas a concrentes ou criticar os esforços deles ao servir a Deus? É muito melhor imitarmos a Jeová olhando o que nossos irmãos têm de bom, em vez de nos concentrarmos nas falhas deles.
15. Entre os adoradores de Deus, não há lugar para que tipo de palavras ou atitudes, e por quê?
15 E os membros da nossa família? Infelizmente, hoje em dia o lar — que deveria ser um lugar de refúgio e paz — muitas vezes é onde as pessoas são mais duramente julgadas. Com frequência, ouvimos falar de maridos, esposas ou pais que “sentenciam” seus familiares a uma saraivada constante de abusos verbais ou físicos. Mas entre os adoradores de Deus não há lugar para palavras duras, sarcasmo cruel e tratamento abusivo. (Efésios 4:29, 31; 5:33; 6:4) O conselho de Jesus de ‘parar de julgar’ e ‘parar de condenar’ se aplica mesmo quando estamos em casa. Lembre-se de que praticar a justiça envolve tratar os outros como Jeová nos trata. E nosso Deus nunca é duro ou cruel ao lidar conosco. Pelo contrário, ele “é muito terno em afeição” para com os que o amam. (Tiago 5:11, nota) Que exemplo maravilhoso para imitarmos!
Anciãos que servem “para o próprio juízo”
16, 17. (a) O que Jeová espera dos anciãos? (b) O que é preciso fazer quando um pecador deixa de demonstrar arrependimento genuíno, e por quê?
16 Todos temos de praticar justiça, mas quem tem a maior responsabilidade nesse sentido são os anciãos da congregação cristã verdadeira. Note a descrição profética dos “príncipes”, ou anciãos, registrada por Isaías: “Vejam! Um rei reinará com retidão, e príncipes governarão com justiça.” (Isaías 32:1) De fato, Jeová espera que os anciãos defendam a justiça. Como podem fazer isso?
17 Esses homens espiritualmente qualificados sabem muito bem que a justiça exige que a congregação seja mantida limpa. Às vezes, surge a necessidade de julgarem casos de transgressão grave. Ao fazer isso, lembram-se de que a justiça divina procura estender misericórdia quando possível. Assim, procuram conduzir o pecador ao arrependimento. Mas o que fazer se ele deixa de demonstrar arrependimento genuíno, apesar dos esforços de ajudá-lo? Em perfeita justiça, a Palavra de Jeová diz que se deve tomar uma atitude firme: “Removam do meio de vocês a pessoa má.” Isso quer dizer expulsá-lo da congregação. (1 Coríntios 5:11-13; 2 João 9-11) Os anciãos ficam tristes quando têm de tomar essa ação, mas reconhecem que isso é necessário a fim de proteger a pureza moral e espiritual da congregação. Mesmo depois disso, esperam que, algum dia, o pecador caia em si e volte à congregação. — Lucas 15:17, 18.
18. De que os anciãos devem se lembrar ao dar conselhos bíblicos a outros?
18 Servir aos interesses da justiça também envolve dar conselhos bíblicos quando necessário. É claro que os anciãos não procuram defeitos nos outros. Nem ficam dando conselho sobre cada coisinha. Mas um concristão talvez “sem perceber, dê um passo em falso”. Lembrando-se de que a justiça divina não é cruel nem insensível, os anciãos se sentem motivados a tentar “reajustar esse homem num espírito de brandura”. (Gálatas 6:1) Assim, não seria correto que eles insultassem a pessoa que errou ou falassem com ela de forma grosseira. O que encoraja o aconselhado são conselhos amorosos. Mesmo quando dão repreensão pertinente — indicando de forma bem direta as consequências de um proceder imprudente —, os anciãos têm em mente que um concristão que errou é uma ovelha do rebanho de Jeová.b (Lucas 15:7) Quando fica óbvio que o conselho ou a repreensão são motivados por amor e dados de forma amorosa, é mais provável que o transgressor mude de atitude.
19. Que decisões os anciãos precisam tomar, e em que eles devem se basear?
19 Muitas vezes, os anciãos precisam tomar decisões que afetam a vida de concrentes. Por exemplo, eles se reúnem periodicamente para avaliar se outros irmãos na congregação se qualificam para serem recomendados como anciãos ou servos ministeriais. Os anciãos sabem que é importante ser imparcial. Em vez de confiar em sentimentos pessoais, deixam que os requisitos de Deus para essas designações os orientem nas suas decisões. Assim, agem “sem preconceito nem parcialidade”. — 1 Timóteo 5:21.
20, 21. (a) Os anciãos se esforçam a ser o quê, e por quê? (b) O que os anciãos podem fazer para ajudar “os que estão deprimidos”?
20 Os anciãos administram a justiça divina ainda de outras maneiras. Depois de predizer que eles serviriam “com justiça”, Isaías continuou: “Cada um deles será como abrigo contra o vento, como esconderijo contra o temporal, como correntes de água numa terra árida, como a sombra de um enorme rochedo num deserto.” (Isaías 32:1, 2) Assim, os anciãos se esforçam a ser fontes de consolo e revigoramento para seus concrentes.
21 Hoje, com tantos problemas que tendem a causar desânimo, muitos precisam de encorajamento. Anciãos, o que podem fazer para ajudar “os que estão deprimidos”? (1 Tessalonicenses 5:14) Escutem-nos com empatia. (Tiago 1:19) Devido à ansiedade, talvez esses irmãos precisem desabafar com alguém em quem confiam. (Provérbios 12:25) Assegurem-lhes de que são queridos, valiosos e amados — tanto por Jeová como pelos irmãos. (1 Pedro 1:22; 5:6, 7) Além disso, orem com eles e a favor deles. É muito consolador ouvir um ancião orar de coração a nosso favor. (Tiago 5:14, 15) Seus esforços amorosos de ajudar os deprimidos não passarão despercebidos ao Deus de justiça.
Os anciãos refletem a justiça de Jeová quando encorajam os desanimados
22. De que maneiras podemos imitar a justiça de Jeová, e com que resultado?
22 Na verdade, quando imitamos a justiça de Jeová, nos achegamos cada vez mais a ele. Quando defendemos suas normas justas, participamos em transmitir as boas novas de salvação a outros e procuramos nos concentrar nas boas qualidades das pessoas, em vez de procurar seus defeitos, estamos demonstrando justiça divina. Anciãos, quando vocês protegem a pureza da congregação, dão conselhos bíblicos edificantes, tomam decisões imparciais e encorajam os desanimados, refletem a justiça divina. Como o coração de Jeová deve ficar feliz quando ele olha desde os céus e observa que o seu povo procura, da melhor maneira possível, ‘praticar a justiça’ ao andar com seu Deus!
a Algumas traduções dizem “não julguem” e “não condenem”. Essas expressões transmitem a ideia de que ‘não se deve começar a julgar’ e ‘não se deve começar a condenar’. Mas os escritores bíblicos usaram a forma negativa do tempo presente (contínuo). De modo que as ações descritas estavam acontecendo naquele momento, mas deviam cessar.
b Em 2 Timóteo 4:2, a Bíblia diz que os anciãos às vezes têm de ‘repreender, censurar, exortar’. A palavra grega traduzida ‘exortar’ (pa·ra·ka·lé·o) pode significar “encorajar”. Uma palavra derivada, pa·rá·kle·tos, pode se referir a um assistente legal ou advogado. Assim, mesmo quando os anciãos dão repreensão firme, devem agir como ajudadores dos que precisam de orientação espiritual.
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‘Como é profunda a sabedoria de Deus!’Achegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 17
‘Como é profunda a sabedoria de Deus!’
1, 2. Qual era o propósito de Jeová para o sétimo dia, e como a sabedoria divina foi posta à prova no início desse dia?
QUE pena! O sexto dia criativo de Deus havia atingido seu ponto culminante com a criação da humanidade. Jeová dissera, então, que “tudo o que tinha feito” — incluindo os humanos — “era muito bom”. (Gênesis 1:31) Mas, no início do sétimo dia, Adão e Eva decidiram se juntar à rebelião de Satanás. A raça humana de repente se viu atolada no pecado, na imperfeição e na morte.
2 Talvez parecesse que o propósito de Jeová para o sétimo dia havia sido irremediavelmente frustrado. Aquele dia, como os seis que o precederam, duraria milhares de anos. Jeová o havia declarado sagrado e, quando terminasse, a Terra inteira seria um paraíso, habitado por uma família humana perfeita. (Gênesis 1:28; 2:3) Mas, depois daquela rebelião catastrófica, como isso se daria? O que Deus faria? Esse seria um grande teste para a sabedoria de Jeová, talvez o teste decisivo.
3, 4. (a) Por que a reação de Jeová à rebelião no Éden é um exemplo admirável de sua sabedoria? (b) À medida que estudarmos a sabedoria de Jeová, de que não devemos nos esquecer?
3 Jeová tomou providências imediatas. Sentenciou os rebeldes no Éden e, ao mesmo tempo, forneceu informações sobre algo maravilhoso: seu propósito de corrigir todos os males que surgiriam em resultado daquela rebelião. (Gênesis 3:15) O propósito de Jeová estende-se desde o Éden, passando por todos os milhares de anos da História humana e avança para o futuro. É maravilhosamente simples, mas tão profundo que um leitor da Bíblia poderia passar uma vida inteira estudando-o e meditando nele. Além disso, o propósito de Jeová tem êxito garantido. Resultará no fim de toda a maldade, pecado e morte. Levará a humanidade fiel à perfeição. Tudo isso se dará antes do fim do sétimo dia, de modo que, apesar de tudo, Jeová cumprirá seu propósito para a Terra e a humanidade bem dentro do cronograma.
4 Não fica admirado com essa demonstração de sabedoria? O apóstolo Paulo sentiu-se motivado a escrever: ‘Como é profunda a sabedoria de Deus!’ (Romanos 11:33) À medida que estudarmos várias facetas dessa qualidade divina, não se esqueça do seguinte: na melhor das hipóteses, só conseguiremos arranhar a superfície da profunda sabedoria de Jeová. (Jó 26:14) Mas, primeiro, vamos definir o que é essa qualidade admirável.
O que é a sabedoria divina?
5, 6. Qual é a relação entre conhecimento e sabedoria e qual é o alcance do conhecimento de Jeová?
5 Sabedoria não é a mesma coisa que conhecimento. Os computadores podem armazenar enormes quantidades de conhecimento, mas dificilmente alguém os consideraria máquinas sábias. Contudo, o conhecimento e a sabedoria estão relacionados. (Provérbios 10:14) Por exemplo, se precisasse de conselho sábio sobre um problema de saúde, consultaria alguém com pouco ou sem nenhum conhecimento de medicina? É pouco provável! De modo que o conhecimento exato é essencial para a verdadeira sabedoria.
6 O conhecimento de Jeová é infinito. Como “Rei da eternidade”, somente ele é eterno. (Apocalipse 15:3) E durante todas as incontáveis eras, ele sempre soube de tudo. A Bíblia diz: “Não há criação que esteja escondida da vista dele, mas todas as coisas estão nuas e abertamente expostas aos olhos daquele a quem temos de prestar contas.” (Hebreus 4:13; Provérbios 15:3) Como Criador, Jeová entende plenamente tudo o que fez e tem observado as atividades humanas desde o início. Ele examina o coração humano; nada lhe escapa. (1 Crônicas 28:9) Visto que nos criou com livre-arbítrio, fica feliz quando nos vê fazer escolhas sábias na vida. Como “Ouvinte de oração”, ele escuta inúmeras expressões ao mesmo tempo! (Salmo 65:2) E nem é preciso mencionar que a memória de Jeová é perfeita.
7, 8. Como Jeová demonstra entendimento, discernimento e sabedoria?
7 Porém, Jeová tem mais do que conhecimento. Ele também entende a inter-relação dos fatos e tem a visão geral dos assuntos, levando em consideração incontáveis detalhes. Ele avalia e julga, distinguindo entre o que é bom e o que é mau, o importante e o trivial. Além disso, ele olha mais fundo; examina o coração. (1 Samuel 16:7) Assim, Jeová tem entendimento e discernimento, qualidades superiores ao conhecimento. Mas a sabedoria é superior a todas essas.
8 Sabedoria envolve usar, em conjunto, o conhecimento, o discernimento e o entendimento, colocando-os em prática. De fato, algumas das palavras bíblicas originais traduzidas “sabedoria” literalmente significam “trabalho eficiente” ou “sabedoria prática”. De modo que a sabedoria de Jeová não é meramente teórica; é prática, funciona. Com base no seu amplo conhecimento e profundo entendimento, o Criador sempre toma as melhores decisões possíveis e as executa da melhor maneira imaginável. Isso é verdadeira sabedoria! Jeová demonstra a veracidade da declaração de Jesus: “A sabedoria se prova justa pelas suas obras.” (Mateus 11:19) As obras de Deus espalhadas pelo Universo dão poderoso testemunho de sua sabedoria.
Indícios da sabedoria divina
9, 10. (a) Que tipo de sabedoria Jeová demonstra e como? (b) Como a célula dá indícios da sabedoria de Jeová?
9 Já ficou impressionado com o talento de um artesão que, de forma habilidosa, produz objetos lindos que funcionam bem? Esse é um tipo notável de sabedoria. (Êxodo 31:1-3) O próprio Jeová é a Fonte e o maior Detentor dessa sabedoria. Sobre ele, o Rei Davi disse: “Eu te louvo porque fui feito maravilhosamente, de um modo espantoso. Tuas obras são maravilhosas, eu sei disso muito bem.” (Salmo 139:14) De fato, quanto mais aprendemos sobre o corpo humano, mais nos maravilhamos da sabedoria de Jeová.
10 Para ilustrar: quando sua vida começou, você era uma única célula — um óvulo de sua mãe, fertilizado por um espermatozoide do seu pai. Logo, aquela célula começou a se dividir. Você, o produto final, tem uns 100 trilhões de células. Elas são minúsculas. Na cabeça de um alfinete cabem cerca de 10 mil células de tamanho médio. Mas cada uma delas é uma criação tão complexa que nos deixa pasmados. A célula é muito mais intrincada do que qualquer máquina ou fábrica humana. Os cientistas comparam-na a uma cidade murada: tem entradas e saídas vigiadas, sistema de transporte, rede de comunicações, usinas de energia, fábricas, centrais de tratamento de lixo e reciclagem, órgãos de defesa e até uma espécie de governo central no núcleo. Além disso, a célula pode fazer uma cópia completa de si mesma em poucas horas!
11, 12. (a) O que faz com que as células de um embrião em desenvolvimento se diferenciem, e como isso se harmoniza com o Salmo 139:16? (b) De que maneiras o cérebro humano mostra que nosso corpo foi “feito maravilhosamente”?
11 Naturalmente, nem todas as células são iguais. À medida que as células do embrião vão se dividindo, elas assumem funções bem distintas. Algumas se tornarão células nervosas; outras, células ósseas, musculares, sanguíneas ou oculares. Toda essa diferenciação está programada no “arquivo” de plantas genéticas da célula: o DNA. O interessante é que Davi foi inspirado a dizer sobre Jeová: “Teus olhos até mesmo me viram quando eu era um embrião; todas as partes dele estavam escritas no teu livro.” — Salmo 139:16.
12 Alguns órgãos do corpo são extremamente complexos. Um exemplo disso é o cérebro humano. Alguns o chamam de o mais complexo objeto já descoberto no Universo. Contém cerca de 100 bilhões de células nervosas; nossa galáxia tem talvez a mesma quantidade de estrelas. Cada uma dessas células se ramifica, estabelecendo milhares de conexões com outras células. Os cientistas dizem que um cérebro humano poderia conter as informações de todas as bibliotecas do mundo e que, de fato, talvez seja impossível medir sua capacidade de armazenamento. Já faz décadas que os cientistas estudam esse órgão que foi “feito maravilhosamente”, mas admitem que talvez nunca consigam entender totalmente como ele funciona.
13, 14. (a) Como as formigas e outras criaturas demonstram que são “instintivamente sábias”, e o que isso nos ensina sobre o Criador delas? (b) Por que podemos dizer que criações como a teia de aranha foram feitas “com sabedoria”?
13 Os humanos, porém, são apenas um exemplo da sabedoria criativa de Jeová. O Salmo 104:24 diz: “Quantas são as tuas obras, ó Jeová! Fizeste todas elas com sabedoria. A terra está cheia dos teus trabalhos.” A sabedoria de Jeová é evidente em todas as criações que nos rodeiam. As formigas, por exemplo, são “instintivamente sábias”. (Provérbios 30:24) Realmente, os formigueiros são muito bem organizados. Algumas colônias de formigas criam “gado”: cuidam, abrigam e se nutrem de insetos chamados afídeos. Há também formigas “agricultoras”, que cultivam “plantações” de fungos. Muitas outras criaturas foram programadas com um instinto que lhes permite fazer coisas notáveis. Uma mosca comum realiza feitos aeronáuticos que nem as mais avançadas aeronaves humanas são capazes de imitar. As aves migratórias se guiam pelas estrelas, pelo campo magnético da Terra ou por algum tipo de mapa interno. Os biólogos passam anos estudando os comportamentos sofisticados que foram programados nessas criaturas. Como deve ser sábio, então, o Programador divino!
14 Os cientistas já aprenderam muita coisa sobre a sabedoria criativa de Jeová. Existe até um ramo da engenharia, chamado biomimética, que procura imitar os projetos encontrados na natureza. Por exemplo, talvez já tenha admirado a beleza de uma teia de aranha. Mas um engenheiro vê nela um projeto espetacular. Alguns desses fios que parecem tão frágeis são, proporcionalmente, mais resistentes do que o aço, mais fortes do que as fibras usadas em coletes à prova de bala. Uma comparação ajuda a entender como são resistentes: imagine uma teia de aranha que fosse ampliada em escala até ficar do tamanho de uma rede usada num barco de pesca. Uma teia dessas proporções conseguiria apanhar um avião de passageiros em pleno voo! De fato, Jeová fez todas as coisas “com sabedoria”.
Quem programou as criaturas da Terra de modo a serem “instintivamente sábias”?
Sabedoria fora da Terra
15, 16. (a) Os céus estrelados dão que evidência da sabedoria de Jeová? (b) Como a posição de Jeová, de Comandante Supremo de incontáveis milhões de anjos, demonstra que ele é um administrador sábio?
15 A sabedoria de Jeová é evidente em suas obras espalhadas por todo o Universo. As estrelas, que já analisamos um pouco no Capítulo 5, não estão espalhadas a esmo pelo espaço. Em sabedoria, Jeová estabeleceu as “leis dos céus”, de modo que o espaço está elegantemente organizado em galáxias estruturadas, agrupadas em aglomerados que, por sua vez, se juntam para formar superaglomerados. (Jó 38:33, A Bíblia de Jerusalém) Não é de admirar que Jeová se refira aos corpos celestes como “exército”. (Isaías 40:26) Mas existe outro exército que comprova de modo ainda mais notável a sabedoria de Jeová.
16 Como vimos no Capítulo 4, Deus tem o título de “Jeová dos exércitos” devido à sua posição como Comandante Supremo de um vasto exército de centenas de milhões de criaturas espirituais. Isso evidencia o poder de Jeová. Mas como a sabedoria está envolvida? Pense no seguinte: Jeová e Jesus nunca ficam desocupados. (João 5:17) A conclusão lógica, portanto, é que os ministros angélicos do Altíssimo também estão sempre atarefados. E lembre-se de que eles são superiores aos humanos, superinteligentes e superpoderosos. (Hebreus 1:7; 2:7) Apesar disso, há bilhões de anos Jeová mantém todos esses anjos ocupados, fazendo alegremente trabalho significativo — cumprindo “a sua palavra” e fazendo “a sua vontade”. (Salmo 103:20, 21) A sabedoria desse Administrador é de fato impressionante!
Jeová “é o único sábio”
17, 18. Por que a Bíblia diz que Jeová “é o único sábio”, e por que sua sabedoria deve nos deixar abismados?
17 Em vista desses indícios, é de admirar que a Bíblia afirme que a sabedoria de Jeová é sem igual? Por exemplo, as Escrituras dizem que Jeová “é o único sábio”. (Romanos 16:27) Somente Ele possui sabedoria no grau absoluto; é a Fonte de toda a verdadeira sabedoria. (Provérbios 2:6) É por isso que Jesus, embora fosse a mais sábia das criaturas de Jeová, não confiava na própria sabedoria, mas falava o que o Pai havia mandado. — João 12:48-50.
18 Note como o apóstolo Paulo descreveu a inigualável sabedoria de Jeová: “Como são profundas as riquezas, a sabedoria e o conhecimento de Deus! Como são insondáveis os seus julgamentos, e impenetráveis os seus caminhos!” (Romanos 11:33) Em grego, Paulo iniciou o versículo com uma palavra que poderia ser traduzida como “Ó”, que revela forte emoção — nesse caso, profunda reverência. O termo grego que ele usou para “profundas” está diretamente relacionado com a palavra para “abismo”. Podemos, assim, formar uma vívida imagem mental. Quando refletimos na sabedoria de Jeová, é como se olhássemos para dentro de um precipício aparentemente sem fundo, tão profundo e vasto que não podemos sequer imaginar sua imensidão — que dirá avaliar todos os seus detalhes! (Salmo 92:5) Não nos sentimos humildes ao pensar nisso?
19, 20. (a) Por que a águia é um símbolo apropriado da sabedoria divina? (b) Como Jeová demonstrou sua habilidade de ver o futuro?
19 Jeová “é o único sábio” também em outro sentido: somente ele é capaz de ver o futuro. Lembre-se de que Jeová usa a águia como símbolo da sabedoria divina. Uma águia-real pesa apenas uns cinco quilos, mas seus olhos são maiores do que os de um homem adulto. Sua visão é incrivelmente aguçada, permitindo que ela localize pequenas presas mesmo quando está voando a centenas de metros — ou talvez até a quilômetros — do chão! O próprio Jeová certa vez disse o seguinte sobre a águia: “Seus olhos enxergam longe.” (Jó 39:29) De modo similar, Jeová pode olhar para “longe” no tempo — para o futuro!
20 A Bíblia tem muitas provas de que isso é verdade: centenas de profecias, ou seja, História escrita previamente. Entre as predições encontradas nas Escrituras estão o resultado de guerras, a ascensão e a queda de potências mundiais e até estratégias de batalha específicas que seriam usadas por comandantes militares. Algumas dessas foram proferidas com centenas de anos de antecedência. — Isaías 44:25–45:4; Daniel 8:2-8, 20-22.
21, 22. (a) Por que não existe base para concluir que Jeová previu todas as escolhas que você fará na vida? Ilustre isso. (b) Como sabemos que a sabedoria de Jeová não é fria e insensível?
21 Significa isso, porém, que Deus já previu as escolhas que você fará na vida? Aqueles que pregam a doutrina da predestinação insistem em dizer que a resposta é Sim. Mas esse conceito na verdade rebaixa a sabedoria de Jeová, porque dá a entender que ele é incapaz de controlar sua habilidade de ver o futuro. Para ilustrar: digamos que sua voz fosse de uma beleza sem igual. Quer dizer, então, que você não teria escolha a não ser cantar dia e noite? Isso seria um absurdo! De modo similar, Jeová tem a habilidade de predizer o futuro, mas ele não a usa o tempo todo. Se fizesse isso, estaria infringindo nosso livre-arbítrio, uma dádiva preciosa que Jeová nunca revogará. — Deuteronômio 30:19, 20.
22 O pior é que a ideia da predestinação sugere que a sabedoria de Jeová é fria, desamorosa, insensível ou sem compaixão. Mas isso não é verdade. A Bíblia ensina que Jeová “tem coração sábio”. (Jó 9:4) Não que ele tenha um coração literal, mas a Bíblia muitas vezes usa esse termo com relação àquilo que a pessoa tem no íntimo, incluindo suas motivações e sentimentos, como o amor. Assim, a sabedoria de Jeová, como suas outras qualidades, é guiada pelo amor. — 1 João 4:8.
23. A superioridade da sabedoria de Jeová deve nos motivar a fazer o quê?
23 Naturalmente, a sabedoria de Jeová é perfeitamente confiável. É tão superior à nossa sabedoria que a Palavra de Deus nos incentiva amorosamente: “Confie em Jeová de todo o seu coração; não confie no seu próprio entendimento. Lembre-se dele em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas.” (Provérbios 3:5, 6) Vamos agora analisar com cuidado a sabedoria de Jeová para que possamos nos achegar mais ao nosso Deus totalmente sábio.
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Sabedoria encontrada na ‘Palavra de Deus’Achegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 18
Sabedoria encontrada na ‘Palavra de Deus’
1, 2. Que “carta” Jeová nos escreveu e por quê?
LEMBRA-SE da última vez que recebeu uma carta de uma pessoa querida, de bem longe? Poucas coisas nos deixam mais contentes do que isso. Ficamos felizes de saber de seu bem-estar, o que tem feito e quais são seus planos. Assim, nos sentimos mais achegados ao remetente da carta, embora fisicamente ele talvez esteja longe.
2 O que, então, poderia nos dar mais prazer do que receber uma mensagem escrita do Deus que amamos? Jeová, em certo sentido, nos escreveu uma “carta”: sua Palavra, a Bíblia. Nela, ele nos conta quem é, o que fez, o que vai fazer e muito mais. Jeová nos deu sua Palavra porque deseja que nos acheguemos a ele. Nosso Deus sábio escolheu o melhor método possível para se comunicar conosco. O modo em que a Bíblia foi escrita e o seu conteúdo revelam sabedoria incomparável.
Por que uma mensagem escrita?
3. De que modo Jeová transmitiu a Lei a Moisés?
3 Alguns se perguntam: ‘Por que Jeová não usou um método mais chamativo — como, por exemplo, uma voz ressoando desde o céu — para se comunicar com o homem?’ Para falar a verdade, em algumas ocasiões Jeová se comunicou mesmo desde o céu por meio de representantes angélicos. Fez isso, por exemplo, quando deu a Lei a Israel. (Gálatas 3:19) A voz que ressoou do céu foi assombrosa — tanto que os israelitas apavorados pediram que Jeová não falasse com eles dessa maneira, mas que se comunicasse por meio de Moisés. (Êxodo 20:18-20) Assim, a Lei, que consistia em uns 600 estatutos, foi ditada a Moisés palavra por palavra.
4. Explique por que a transmissão oral não seria um método confiável de preservar as leis de Deus.
4 Mas o que provavelmente teria acontecido se aquela Lei nunca tivesse sido colocada por escrito? Acha que Moisés teria se lembrado de todas as palavras daquele código detalhado e as transmitido com exatidão para o restante da nação? E as gerações posteriores? Teriam de se basear apenas em relatos orais? Esse não seria um método muito confiável de se transmitir as leis de Deus. Possivelmente você já brincou de telefone sem fio, um jogo em que a primeira pessoa de uma fila diz uma frase no ouvido de quem está ao seu lado e assim sucessivamente até chegar ao fim da fila. Quando a última pessoa diz o que entendeu, em geral trata-se de algo bem diferente do original. A Lei de Deus não correu o perigo de ser deturpada da mesma maneira. Por quê?
5, 6. Jeová instruiu Moisés a fazer o que com Suas palavras, e por que é uma bênção para nós o fato de termos a Palavra de Jeová por escrito?
5 Porque, sabiamente, Jeová decidiu que suas palavras fossem escritas. Ele instruiu a Moisés: “Você deve escrever essas palavras, porque de acordo com essas palavras faço um pacto com você e com Israel.” (Êxodo 34:27) Assim, em 1513 AEC, começou o período de escrita da Bíblia. Durante os 1.610 anos que se seguiram, Jeová “falou . . . em muitas ocasiões e de muitos modos” com os cerca de 40 humanos que escreveram a Bíblia. (Hebreus 1:1) Durante esse mesmo período, copistas dedicados cuidadosamente produziram cópias exatas das Escrituras, a fim de preservá-las. — Esdras 7:6; Salmo 45:1.
6 Sem dúvida, para nós é uma grande bênção o fato de Jeová se comunicar conosco por escrito. Já recebeu uma carta tão especial — talvez porque o consolou numa hora em que você precisava — que você a guardou e releu vez após vez? Isso se dá com a “carta” de Jeová para nós. Visto que ele pôs suas palavras por escrito, podemos lê-las regularmente e meditar no que dizem. (Salmo 1:2) Podemos ter o “consolo das Escrituras” sempre que precisamos. — Romanos 15:4.
Por que usou escritores humanos?
7. Por que podemos dizer que foi uma expressão da sabedoria de Jeová usar ele humanos para escrever a Bíblia?
7 Numa demonstração de sabedoria, Jeová usou humanos para escrever sua Palavra. Imagine: se Jeová tivesse usado anjos para escrever a Bíblia, será que ela seria tão fascinante? É verdade que os anjos poderiam ter descrito a Jeová do ângulo da sua posição privilegiada, expressado sua devoção a Ele e contado a história de fiéis servos humanos de Deus. Mas será que nos identificaríamos com o ponto de vista de criaturas espirituais perfeitas, cujo conhecimento, experiência e força são muito superiores aos nossos? — Hebreus 2:6, 7.
8. Até que ponto os escritores bíblicos tiveram permissão de usar suas faculdades mentais? (Veja também a nota.)
8 Ao usar homens como escritores, Jeová nos deu exatamente o que precisávamos: um registro ‘inspirado por Deus’, mas que ainda assim é profundamente humano. (2 Timóteo 3:16) Como conseguiu essa façanha? Em muitos casos, ele evidentemente permitiu que os escritores usassem suas faculdades mentais para escolher “palavras agradáveis e registrar com exatidão palavras de verdade”. (Eclesiastes 12:10, 11) Isso explica a diversidade de estilos encontrados na Bíblia; os escritos refletem a formação e a personalidade de cada escritor.a Mas esses homens “falaram da parte de Deus conforme eram movidos por espírito santo”. (2 Pedro 1:21) De modo que o produto final é, de fato, “a palavra de Deus”. — 1 Tessalonicenses 2:13.
“Toda a Escritura é inspirada por Deus”
9, 10. Por que o fato de Deus ter usado escritores humanos faz com que a Bíblia tenha maior impacto emocional sobre nós?
9 Por que a leitura da Bíblia tem um impacto emocional tão forte sobre nós? Porque seus escritores eram homens com sentimentos iguais aos nossos. Sendo imperfeitos, enfrentaram provações e pressões semelhantes às nossas. Em alguns casos, o espírito de Jeová os inspirou a escrever, na primeira pessoa, sobre seus sentimentos e dificuldades pessoais, algo que nenhum anjo poderia ter feito. — 2 Coríntios 12:7-10.
10 Veja o exemplo do Rei Davi, de Israel. Depois de cometer vários erros graves, ele compôs um salmo em que abria seu coração, implorando o perdão de Deus. Escreveu: “Purifica-me do meu pecado. Pois eu tenho consciência das minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Na verdade, já nasci culpado de erro, e minha mãe me concebeu em pecado. Não me expulses da tua presença; e não tires de mim o teu espírito santo. Os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado; um coração quebrantado e esmagado, ó Deus, não rejeitarás.” (Salmo 51:2, 3, 5, 11, 17) Dá para sentir a angústia do escritor nessas palavras, não é verdade? Quem, além de um homem imperfeito, poderia expressar sentimentos tão sinceros?
Por que um livro sobre pessoas?
11. Por que se pode dizer que os casos da vida real incluídos na Bíblia são “para a nossa instrução”?
11 Há mais uma coisa que torna a Bíblia fascinante. Na maior parte, trata-se de um livro sobre pessoas reais que serviram, ou não, a Deus. Lemos sobre o que passaram na vida, suas dificuldades e alegrias. Aprendemos sobre o resultado das escolhas que fizeram. Esses relatos foram incluídos na Bíblia “para a nossa instrução”. (Romanos 15:4) Por meio desses casos da vida real, Jeová nos ensina de uma maneira que toca o coração. Veja alguns exemplos.
12. De que maneira os relatos bíblicos sobre humanos infiéis são de ajuda para nós?
12 A Bíblia relata o que aconteceu com os infiéis ou perversos. Nesses relatos, vemos qualidades indesejáveis em ação, o que torna mais fácil entendê-las. Por exemplo, consegue pensar em uma maneira melhor de condenar a deslealdade do que descrever o exemplo de Judas ao executar sua conspiração traiçoeira contra Jesus? (Mateus 26:14-16, 46-50; 27:3-10) Relatos como esse tocam mais eficazmente o nosso coração, ajudando-nos a identificar e rejeitar características ruins.
13. De que maneira a Bíblia nos ajuda a entender qualidades desejáveis?
13 A Bíblia também descreve muitos servos fiéis de Deus. Lemos sobre sua devoção e lealdade. Podemos observar na prática as qualidades que temos de cultivar a fim de nos achegarmos a Deus. Veja o caso da fé. A Bíblia traz a definição dela e nos diz que ela é essencial para agradarmos a Deus. (Hebreus 11:1, 6) Mas as Escrituras também contêm exemplos significativos de fé em ação. Pense na fé que Abraão demonstrou quando tentou oferecer Isaque. (Gênesis, capítulo 22; Hebreus 11:17-19) Relatos como esse fazem com que a palavra “fé” assuma um sentido totalmente novo e tornam mais fácil entendê-la. Como foi sábio da parte de Jeová não só nos incentivar a cultivar qualidades desejáveis, mas também nos dar exemplos delas em ação!
14, 15. O que a Bíblia nos diz sobre uma mulher que compareceu ao templo e o que esse relato nos ensina sobre Jeová?
14 Os relatos da vida real, encontrados na Bíblia, muitas vezes nos ensinam algo a respeito do tipo de pessoa que Jeová é. Um exemplo é o caso duma mulher que Jesus observou no templo. Enquanto estava sentado perto dos cofres do tesouro, Jesus observava as pessoas colocando suas contribuições. Muitos ricos vinham e davam “do que lhes sobrava”. Mas Jesus se concentrou numa viúva humilde. Sua dádiva foi “duas pequenas moedas de pouquíssimo valor”.b Era o último dinheirinho que ela possuía. Jesus, que refletia com perfeição o conceito de Jeová sobre os assuntos, disse: “Esta viúva pobre pôs nos cofres do tesouro mais do que todos os outros.” Segundo essas palavras, ela contribuiu mais do que todos os outros juntos. — Marcos 12:41-44; Lucas 21:1-4; João 8:28.
15 Não é significativo que, de todas as pessoas que compareceram ao templo naquele dia, essa viúva tenha sido escolhida para ser mencionada na Bíblia? Por meio desse exemplo, Jeová nos ensina que ele é um Deus apreciativo. Ele fica contente de receber nossas dádivas de toda a alma, não importa o valor delas em comparação com o que outros possam dar. Jeová não poderia ter achado uma maneira melhor de nos ensinar essa verdade comovente!
O que a Bíblia não contém
16, 17. Como se pode observar a sabedoria de Jeová até naquilo que ele decidiu não incluir na sua Palavra?
16 Quando resolve escrever uma carta para um amigo ou parente, você tem de usar de bom-senso e decidir o que vai incluir nela; ela precisa ter um limite. De modo similar, Jeová decidiu mencionar determinadas pessoas ou acontecimentos na sua Palavra. Mas a Bíblia nem sempre dá todos os detalhes desses relatos descritivos. (João 21:25) Por exemplo, quando se mencionam os julgamentos de Deus, nem sempre as informações fornecidas na Bíblia são suficientes para responder a todas as perguntas que possamos ter. A sabedoria de Jeová fica evidente até naquilo que ele decidiu não incluir na sua Palavra. Como assim?
17 O modo em que a Bíblia foi escrita serve para testar o que temos no coração. Hebreus 4:12 diz: “A palavra [ou, mensagem] de Deus é viva e exerce poder, e é mais afiada do que qualquer espada de dois gumes, e penetra a ponto de fazer divisão entre a alma e o espírito . . . e é capaz de discernir os pensamentos e as intenções do coração.” A mensagem da Bíblia penetra fundo, revelando nossos verdadeiros raciocínios e motivações. Aqueles que a leem com olho crítico muitas vezes ficam perplexos, porque se deparam com relatos que não contêm todas as informações que os satisfariam. Essas pessoas talvez até questionem se, de fato, Jeová é amoroso, sábio e justo.
18, 19. (a) Por que não devemos nos sentir perturbados se determinado relato bíblico levantar questões para as quais não encontramos respostas imediatas? (b) O que é preciso para entender a Palavra de Deus, e como isso é uma evidência da grande sabedoria de Jeová?
18 Em contraste, quando estudamos cuidadosamente a Bíblia com coração sincero, passamos a conhecer a Jeová no contexto em que a sua Palavra o apresenta. Assim, não ficamos perturbados se determinado relato levanta algumas questões para as quais não encontramos respostas imediatas. Para ilustrar: se estiver montando um grande quebra-cabeça, talvez de início você não consiga encontrar determinada peça ou não entenda como uma peça se encaixa. Mas talvez já tenha juntado peças suficientes para entender qual é a aparência geral do quadro. De modo similar, quando estudamos a Bíblia, pouco a pouco aprendemos sobre o tipo de Deus que Jeová é e formamos um quadro mental dele. Mesmo que, de início, não entendamos certo relato nem percebamos como ele se encaixa na personalidade do Criador, nosso estudo da Bíblia já nos ensinou mais do que o suficiente sobre Jeová para sabermos que ele é um Deus infalivelmente amoroso, imparcial e justo.
19 Assim, para entender a Palavra de Deus, devemos lê-la e estudá-la com coração sincero e mente aberta. Não é essa uma evidência da grande sabedoria de Jeová? Homens inteligentes são capazes de escrever livros que somente os ‘sábios e os intelectuais’ conseguem entender. Mas para escrever um livro que só pode ser entendido por aqueles que têm a correta motivação de coração é preciso sabedoria divina! — Mateus 11:25.
Um livro de “sabedoria prática”
20. Por que somente Jeová pode nos dizer qual é o melhor modo de vida, e o que a Bíblia contém que pode nos ajudar?
20 Na sua Palavra, Jeová nos ensina qual é o melhor modo de vida. Como nosso Criador, ele conhece nossas necessidades melhor do que nós mesmos. E as necessidades humanas básicas — incluindo o desejo de ser amado e feliz, e de ter relacionamentos bem-sucedidos — ainda são as mesmas. A Bíblia contém muita “sabedoria prática” que pode nos ajudar a ter uma vida significativa. (Provérbios 2:7) Cada seção deste livro contém um capítulo que mostra como aplicar o conselho sábio da Bíblia, mas vejamos só um exemplo.
21-23. Que conselhos sábios nos ajudam a não alimentar a raiva nem guardar ressentimento?
21 Já notou que as pessoas que guardam rancor ou ressentimento muitas vezes acabam magoando a si mesmas? O ressentimento é um fardo muito pesado para carregar. Quando o nutrimos, ele absorve os pensamentos, tira nossa paz e sufoca a alegria. Estudos científicos indicam que alimentar a raiva pode aumentar o risco de doenças cardíacas e muitas outras doenças crônicas. Bem antes desses estudos científicos, porém, a Bíblia já dizia sabiamente: “Deixe a ira e abandone o furor.” (Salmo 37:8) Mas como podemos fazer isso?
22 A Palavra de Deus dá o seguinte conselho prudente: “A perspicácia do homem faz com que ele não se ire facilmente, e é bonito da sua parte deixar passar a ofensa.” (Provérbios 19:11) Perspicácia é a habilidade de ver abaixo da superfície, de ver além do óbvio. A perspicácia resulta em compreensão, porque nos ajuda a discernir por que a outra pessoa falou ou agiu de determinada maneira. Se nos esforçarmos a entender suas verdadeiras motivações, sentimentos e circunstâncias, isso nos ajudará a deixar de lado pensamentos e sentimentos negativos para com ela.
23 A Bíblia traz outro conselho: “Continuem a suportar uns aos outros e a perdoar uns aos outros liberalmente.” (Colossenses 3:13) A expressão “continuem a suportar uns aos outros” indica que se deve ter paciência, tolerando algumas características das outras pessoas que talvez achemos irritantes. Essa longanimidade nos ajudará a evitar guardar rancor por coisinhas sem importância. “Perdoar” transmite a ideia de cessar de ter ressentimento. Nosso Deus sabe que precisamos perdoar outros quando há base sólida para isso. Não se trata de algo proveitoso apenas para a outra pessoa, mas também preserva nossa própria paz mental e de coração. (Lucas 17:3, 4) Quanta sabedoria encontramos na Palavra de Deus!
24. Qual é o resultado quando harmonizamos nossa vida com a sabedoria divina?
24 Devido ao seu amor ilimitado, Jeová quis se comunicar conosco. Ele escolheu o melhor método possível: uma “carta” escrita por homens sob a orientação do espírito santo. Em resultado disso, encontramos nas páginas dela a sabedoria do próprio Jeová. Trata-se de sabedoria ‘muito confiável’. (Salmo 93:5) Quando harmonizamos nossa vida com ela e a transmitimos a outros, nos achegamos naturalmente ao nosso Deus sábio. No próximo capítulo, analisaremos outro exemplo notável da sabedoria de Jeová: sua habilidade de prever o futuro e de cumprir seus propósitos.
a Por exemplo, Davi, que havia sido pastor, empregou exemplos tirados da vida no campo. (Salmo 23) Mateus, um ex-cobrador de impostos, fez várias referências a números e valores monetários. (Mateus 17:27; 26:15; 27:3) O médico Lucas usou palavras que refletiam sua formação. — Lucas 4:38; 14:2; 16:20.
b Cada moeda dessas era um lépton, a menor moeda judaica em circulação naquele tempo. Dois léptons equivaliam a 1/64 do salário de um dia. Essas duas moedinhas não eram suficientes nem para comprar um único pardal, a ave mais barata usada como alimento pelos pobres.
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“Sabedoria de Deus expressa em segredo sagrado”Achegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 19
“Sabedoria de Deus expressa em segredo sagrado”
1, 2. Que “segredo sagrado” deve nos interessar e por quê?
SEGREDOS! Por que é tão difícil guardá-los? Talvez tenha algo que ver com sua aura de mistério que nos deixa intrigados e fascinados. Mas a Bíblia diz: “A glória de Deus é manter um assunto em segredo.” (Provérbios 25:2) De modo que, como Governante Supremo e Criador, Jeová mantém algumas coisas em segredo até que chegue o Seu tempo devido para revelá-las à humanidade.
2 Mas há um segredo fascinante e intrigante que Jeová revelou na sua Palavra. É chamado de ‘o segredo sagrado da vontade de Deus’. (Efésios 1:9) Se o conhecermos, além de satisfazer a curiosidade, nos candidataremos a obter a salvação e entenderemos um pouco mais a imensurável sabedoria de Jeová.
Revelado progressivamente
3, 4. De que maneira a profecia de Gênesis 3:15 dava esperança, mas que mistério, ou “segredo sagrado”, ela englobava?
3 Quando Adão e Eva pecaram, talvez parecesse que o propósito de Jeová de ter um paraíso na Terra, povoado por humanos perfeitos, havia sido frustrado. Mas Deus imediatamente atacou o problema. Ele disse: “Porei inimizade entre você [a serpente] e a mulher, e entre o seu descendente e o descendente dela. Ele esmagará a sua cabeça, e você ferirá o calcanhar dele.” — Gênesis 3:15.
4 Que palavras intrigantes e misteriosas! Quem era a mulher? a serpente? e o “descendente” que esmagaria a cabeça da serpente? O casal infiel (Adão e Eva) não tinha como saber. Mas as palavras de Deus dariam esperança aos descendentes deles que se mostrassem fiéis. A justiça haveria de triunfar. O propósito de Jeová seria realizado. Mas como? Ah! Isso era um mistério. A Bíblia o chama de “sabedoria de Deus expressa em segredo sagrado, a sabedoria escondida”. — 1 Coríntios 2:7.
5. Ilustre por que Jeová revelou seu segredo aos poucos.
5 Como “Deus que revela segredos”, Jeová com o tempo divulgaria detalhes pertinentes sobre o desfecho desse segredo. (Daniel 2:28) Mas faria isso gradativamente, aos poucos. Para ilustrar, pense na resposta que um pai amoroso dá quando o filhinho pergunta: “Pai, de onde eu vim?” Se for sensato, o pai só dará as informações que o menino tem condições de entender. À medida que ele for crescendo, o pai explicará mais detalhes. De modo similar, Jeová determina quando seu povo está preparado para receber revelações adicionais de sua vontade e propósito. — Provérbios 4:18; Daniel 12:4.
6. (a) Para que serve um pacto, ou contrato? (b) Por que é notável que Jeová faça pactos com humanos?
6 Como Jeová fez essas revelações? Ele usou uma série de pactos, ou contratos, que revelavam muitos detalhes. Possivelmente você já assinou um contrato: ao comprar uma casa, ao fazer um empréstimo ou ao emprestar dinheiro a alguém. Um contrato é uma garantia legal de que os termos dum acordo serão cumpridos. Mas por que Jeová precisava fazer pactos, ou contratos, formais com o homem? Naturalmente, Sua palavra é garantia suficiente de que ele cumprirá Suas promessas. Mesmo assim, em várias ocasiões, Deus bondosamente reforçou a validade da sua palavra fazendo contratos legais. Esses acordos invioláveis dão a nós, humanos imperfeitos, uma base ainda mais sólida para confiar nas promessas de Jeová. — Hebreus 6:16-18.
O pacto com Abraão
7, 8. (a) Que pacto Jeová fez com Abraão, esclarecendo o que a respeito do segredo sagrado? (b) Como Jeová aos poucos foi dando detalhes mais específicos sobre a linhagem do descendente prometido?
7 Mais de 2 mil anos depois de o homem ter sido expulso do Paraíso, Jeová disse a seu servo fiel Abraão: “Certamente multiplicarei o seu descendente como as estrelas dos céus . . . e todas as nações da terra obterão para si uma bênção por meio do seu descendente, porque você escutou a minha voz.” (Gênesis 22:17, 18) Isso não era apenas uma promessa; Jeová formulou-a como um pacto legal e confirmou-a com um juramento imutável. (Gênesis 17:1, 2; Hebreus 6:13-15) Que fato notável! O Soberano Senhor fez um contrato para abençoar a humanidade.
“Multiplicarei o seu descendente como as estrelas dos céus”
8 O pacto abraâmico revelou que o descendente prometido viria como humano, pois descenderia de Abraão. Mas quem seria? Com o tempo Jeová revelou que, dos filhos de Abraão, Isaque seria antepassado do descendente. Entre os dois filhos de Isaque, Jacó foi escolhido. (Gênesis 21:12; 28:13, 14) Mais tarde, Jacó disse as seguintes palavras proféticas a respeito de um de seus 12 filhos: “O cetro não se afastará de Judá, nem o bastão de governante de entre os seus pés, até que venha Siló [ou, “aquele a quem pertence”, nota], e a ele pertencerá a obediência dos povos.” (Gênesis 49:10) A partir daí, soube-se que o descendente seria um rei e que Judá seria seu ancestral.
O pacto com Israel
9, 10. (a) Que pacto Jeová fez com a nação de Israel e que proteção esse pacto oferecia? (b) Como a Lei demonstrou que a humanidade precisava do resgate?
9 Em 1513 AEC, Jeová concluiu um pacto com os descendentes de Abraão, a nação de Israel. Isso preparou o caminho para novas revelações a respeito do segredo sagrado. Embora não esteja mais em vigor hoje, o pacto da Lei mosaica era parte essencial do propósito de Jeová de produzir o descendente prometido. Como? De três modos. Primeiro, a Lei era como um muro de proteção. (Efésios 2:14) Seus estatutos justos serviam como barreira entre judeus e gentios. Assim, ajudou a preservar a linhagem do descendente prometido. Em grande parte por causa dessa proteção, a nação de Israel ainda existia quando chegou o tempo devido de Deus para que o Messias nascesse na tribo de Judá.
10 Segundo, a Lei, que era perfeita, demonstrou que a humanidade precisava mesmo do resgate, pois o homem imperfeito era incapaz de cumprir todos os seus requisitos. Assim, ela serviu para “tornar conhecidas as transgressões, até que chegasse o descendente a quem a promessa havia sido feita”. (Gálatas 3:19) Por meio de sacrifícios de animais, a Lei oferecia expiação provisória dos pecados. Mas visto que, como Paulo escreveu, “não é possível que o sangue de touros e de bodes tire pecados”, essas ofertas só prefiguravam o sacrifício de resgate de Cristo. (Hebreus 10:1-4) De modo que, para os judeus fiéis, aquele pacto se tornou um “tutor, conduzindo a Cristo”. — Gálatas 3:24.
11. Que perspectiva maravilhosa o pacto da Lei oferecia a Israel, mas por que a nação como um todo perdeu essa oportunidade?
11 Terceiro, o pacto da Lei deu à nação de Israel uma perspectiva maravilhosa: tornar-se “um reino de sacerdotes e uma nação santa”. Mas Jeová lhes disse que isso só aconteceria se eles fossem fiéis àquele contrato. (Êxodo 19:5, 6) E, de fato, com o tempo, o Israel carnal acabou fornecendo os primeiros membros de um reino celestial de sacerdotes. Mas, como um todo, aquela nação se rebelou contra o pacto da Lei, rejeitou o descendente messiânico e perdeu essa oportunidade. Quem, então, completaria o reino de sacerdotes? E que relação teria aquela nação abençoada com o descendente prometido? Esses aspectos do segredo sagrado seriam revelados no tempo devido de Deus.
O pacto davídico do Reino
12. Que pacto Jeová fez com Davi e que detalhe sobre o segredo sagrado isso ajudou a esclarecer?
12 No século 11 AEC, Jeová esclareceu mais detalhes sobre o segredo sagrado quando fez outro pacto. Ele prometeu ao fiel Rei Davi: “Farei surgir o seu descendente, . . . e estabelecerei firmemente o reino dele. . . . Eu estabelecerei firmemente o trono do seu reino para sempre.” (2 Samuel 7:12, 13; Salmo 89:3) Com isso, a linhagem do descendente prometido ficava restrita à família de Davi. Mas será que um simples governante humano poderia reinar “para sempre”? (Salmo 89:20, 29, 34-36) E poderia esse rei humano resgatar a humanidade do pecado e da morte?
13, 14. (a) Segundo o Salmo 110, que promessa Jeová fez ao seu Rei ungido? (b) Que revelações adicionais a respeito do vindouro descendente foram feitas por meio dos profetas de Jeová?
13 Sob inspiração, Davi escreveu: “Jeová declarou ao meu Senhor: ‘Sente-se à minha direita, até que eu ponha os seus inimigos debaixo dos seus pés.’ Jeová fez um juramento, e não voltará atrás: ‘Você é sacerdote para sempre à maneira de Melquisedeque!’” (Salmo 110:1, 4) As palavras de Davi se aplicavam diretamente ao descendente prometido, ou Messias. (Atos 2:35, 36) Esse Rei governaria, não em Jerusalém, mas desde os céus, à “direita” de Jeová. Isso lhe daria autoridade não só sobre o território de Israel, mas sobre toda a Terra. (Salmo 2:6-8) Mais um detalhe foi revelado naquela declaração. Note que Jeová fez o juramento solene de que o Messias seria “sacerdote . . . à maneira de Melquisedeque” — um rei-sacerdote que viveu nos dias de Abraão. Como Melquisedeque, o vindouro descendente seria designado diretamente por Deus para ser Rei e Sacerdote! — Gênesis 14:17-20.
14 Ao longo dos anos, Jeová usou seus profetas para fazer revelações adicionais sobre o segredo sagrado. Por exemplo, Isaías revelou que o descendente teria uma morte sacrificial. (Isaías 53:3-12) Miqueias profetizou o lugar em que o Messias nasceria. (Miqueias 5:2) E Daniel predisse até o tempo exato do aparecimento do descendente e de sua morte. — Daniel 9:24-27.
Revelado o segredo sagrado!
15, 16. (a) Como o Filho de Jeová veio a nascer “de uma mulher”? (b) O que Jesus herdou de seus pais humanos e quando ele surgiu como o descendente da promessa?
15 Como essas profecias se cumpririam continuou a ser um mistério até que o descendente finalmente apareceu. Gálatas 4:4 diz: “Quando se completou o tempo, Deus enviou o seu Filho, que nasceu de uma mulher.” No ano 2 AEC, um anjo disse a uma virgem judia chamada Maria: “Agora você ficará grávida e dará à luz um filho, e deve lhe dar o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e Jeová Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai . . . Espírito santo virá sobre você e poder do Altíssimo a cobrirá com a sua sombra. E, por essa razão, aquele que nascer será chamado santo, Filho de Deus.” — Lucas 1:31, 32, 35.
16 Depois, Jeová transferiu a vida de seu Filho do céu para o útero de Maria, de modo que ele nasceu duma mulher imperfeita. Mas Jesus não herdou a imperfeição dela porque era “Filho de Deus”. No entanto, os pais humanos de Jesus eram descendentes de Davi, de modo que ele herdou deles tanto o direito natural como legal de ser herdeiro daquele rei. (Atos 13:22, 23) Quando Jesus se batizou, em 29 EC, Jeová o ungiu com espírito santo e disse: “Este é meu Filho, o amado.” (Mateus 3:16, 17) Finalmente, ali estava o descendente! (Gálatas 3:16) Chegara o tempo para se revelar mais detalhes sobre o segredo sagrado. — 2 Timóteo 1:10.
17. Como se esclareceu o significado de Gênesis 3:15?
17 Durante seu ministério, Jesus identificou a serpente de Gênesis 3:15 como Satanás e o descendente da serpente como os seguidores do Diabo. (Mateus 23:33; João 8:44) Posteriormente, revelou-se como esses seriam esmagados para sempre. (Apocalipse 20:1-3, 10, 15) E a mulher foi identificada como a “Jerusalém de cima”, ou a esposa de Deus, isto é, a parte celestial da organização de Jeová, composta de criaturas espirituais.a — Gálatas 4:26; Apocalipse 12:1-6.
O novo pacto
18. Qual é o objetivo do “novo pacto”?
18 Uma das revelações mais emocionantes foi dada na noite antes da morte de Jesus, quando ele falou aos seus discípulos fiéis sobre “o novo pacto”. (Lucas 22:20) Como seu predecessor, o pacto da Lei mosaica, esse novo pacto deveria produzir “um reino de sacerdotes”. (Êxodo 19:6; 1 Pedro 2:9) Mas, em vez de estabelecer uma nação carnal, fundaria uma nação espiritual, “o Israel de Deus”, composta exclusivamente de fiéis seguidores ungidos de Cristo. (Gálatas 6:16) Com Jesus, esses participantes do novo pacto abençoariam a raça humana.
19. (a) Por que o novo pacto consegue produzir “um reino de sacerdotes”? (b) Por que os cristãos ungidos são chamados de “uma nova criação” e quantos reinarão no céu com Cristo?
19 Mas por que o novo pacto consegue produzir “um reino de sacerdotes” para abençoar a humanidade? Porque, em vez de condenar os discípulos de Cristo como pecadores, ele permite o perdão dos seus pecados mediante o sacrifício Dele. (Jeremias 31:31-34) Quando eles obtêm uma condição justa perante Jeová, este os adota como parte de sua família celestial, ungindo-os com espírito santo. (Romanos 8:15-17; 2 Coríntios 1:21) Assim, passam por “um novo nascimento para uma esperança viva . . . reservada nos céus”. (1 Pedro 1:3, 4) Visto que uma condição tão enaltecida é algo totalmente novo para os humanos, os cristãos ungidos e gerados pelo espírito são chamados de “uma nova criação”. (2 Coríntios 5:17) A Bíblia revela que, por fim, 144 mil ajudarão a reinar desde o céu sobre a humanidade resgatada. — Apocalipse 5:9, 10; 14:1-4.
20. (a) Que faceta do segredo sagrado foi revelada em 36 EC? (b) Quem desfrutará as bênçãos prometidas a Abraão?
20 Com Jesus, os ungidos se tornam a “descendência de Abraão”.b (Gálatas 3:29) Os primeiros a serem escolhidos foram judeus carnais. Mas, em 36 EC, outra faceta do segredo sagrado foi revelada: gentios (não judeus) também teriam parte na esperança celestial. (Romanos 9:6-8; 11:25, 26; Efésios 3:5, 6) Os cristãos ungidos seriam os únicos a desfrutar as bênçãos prometidas a Abraão? Não, porque o sacrifício de Jesus beneficia o mundo inteiro. (1 João 2:2) Com o tempo, Jeová revelou que um número não especificado de pessoas faria parte de uma “grande multidão” que sobreviveria ao fim do sistema de Satanás. (Apocalipse 7:9, 14) Muitos outros seriam ressuscitados com a perspectiva de viver para sempre no Paraíso! — Lucas 23:43; João 5:28, 29; Apocalipse 20:11-15; 21:3, 4.
A sabedoria de Deus e o segredo sagrado
21, 22. De que maneiras o segredo sagrado de Jeová demonstra a sabedoria Dele?
21 O segredo sagrado é uma demonstração impressionante da “grandemente diversificada sabedoria de Deus”. (Efésios 3:8-10) Como Jeová foi sábio em esboçar esse segredo e, daí, revelá-lo aos poucos! Ele sabiamente levou em conta as limitações dos humanos, permitindo que esses manifestassem sua verdadeira condição de coração. — Salmo 103:14.
22 Jeová também demonstrou incomparável sabedoria ao escolher Jesus como Rei. No Universo inteiro, não existe criatura mais digna de confiança do que o Filho de Deus. Ao viver como homem de carne e sangue, Jesus passou por todo tipo de adversidade. Por isso, ele entende muito bem os problemas humanos. (Hebreus 5:7-9) E que tipo de corregentes Jesus terá? Ao longo dos séculos, tanto homens como mulheres — de todas as raças, línguas e formações — foram ungidos. Simplesmente, não existe problema que algum deles não tenha enfrentado e superado. (Efésios 4:22-24) Será maravilhoso viver sob o domínio desses reis-sacerdotes misericordiosos!
23. Que privilégio os cristãos têm com respeito ao segredo sagrado de Jeová?
23 O apóstolo Paulo escreveu: “O segredo sagrado que estava escondido desde os sistemas de coisas passados e as gerações passadas . . . tem sido revelado aos Seus santos.” (Colossenses 1:26) De fato, os santos ungidos de Jeová entenderam os muitos detalhes referentes ao segredo sagrado e transmitiram esse conhecimento a milhões de pessoas. Que privilégio todos nós temos! Jeová “nos [fez] saber o segredo sagrado da sua vontade”. (Efésios 1:9) Contemos esse maravilhoso segredo a outros, ajudando-os a também entender um pouco melhor a imensurável sabedoria de Jeová Deus!
a “O segredo sagrado da devoção a Deus” também foi revelado em Jesus. (1 Timóteo 3:16) Durante muito tempo foi um segredo, ou mistério, se alguém conseguiria manter perfeita integridade a Jeová. Jesus forneceu a resposta. Ele manteve a integridade durante todas as provações que Satanás lançou contra ele. — Mateus 4:1-11; 27:26-50.
b Jesus também fez “um pacto para um reino” com o mesmo grupo. (Lucas 22:29, 30) Trata-se de um contrato que ele fez com o “pequeno rebanho” para que reinem com ele no céu como parte secundária do descendente de Abraão. — Lucas 12:32.
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“Tem coração sábio”, mas é humildeAchegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 20
“Tem coração sábio”, mas é humilde
1-3. Por que podemos ter certeza de que Jeová é humilde?
UM PAI quer ensinar uma lição importante ao filho, tocando-lhe o coração. Que método usar? Deve ficar de pé de forma intimidadora e usar palavras duras? Ou seria melhor agachar-se diante da criança e falar de modo bondoso e amistoso? Sem dúvida, um pai sábio e humilde escolheria a segunda opção.
2 Que tipo de Pai é Jeová: orgulhoso ou humilde? severo ou bondoso? Jeová sabe de tudo, quer dizer, é sábio em escala absoluta. Já notou, porém, que o conhecimento e a inteligência nem sempre tornam as pessoas mais humildes? Como diz a Bíblia, “o conhecimento enche a pessoa de orgulho”. (1 Coríntios 3:19; 8:1) Mas Jeová, que “tem coração sábio”, é também humilde. (Jó 9:4) Não que ele esteja numa posição inferior ou pouco enaltecida; mas percebe-se nele a total ausência de arrogância. Por que isso se dá?
3 Jeová é santo. Visto que a arrogância é uma qualidade que avilta a pessoa, ela é completamente inexistente nele. (Marcos 7:20-22) Além disso, note o que o profeta Jeremias disse a Jeová: “Tu certamente te lembrarás e te curvarás sobre mim.”a (Lamentações 3:20) Imagine! Jeová, o Soberano Senhor do Universo, estava disposto a ‘se curvar’, ou se colocar no mesmo nível que Jeremias, a fim de mostrar favor àquele humano imperfeito. (Salmo 113:7) De fato, Jeová é humilde. Mas o que está envolvido na humildade divina? O que ela tem que ver com a sabedoria? E por que é importante para nós?
Como Jeová demonstra humildade
4, 5. (a) O que é humildade, como se manifesta e por que não deve ser confundida com fraqueza ou acanhamento? (b) Como Jeová demonstrou humildade ao lidar com Davi e de que importância é para nós essa qualidade de Deus?
4 Humildade é ausência de orgulho ou arrogância; despretensão. Trata-se de uma qualidade íntima, do coração, e manifesta-se em características como brandura, paciência e razoabilidade. (Gálatas 5:22, 23) Mas não se engane! Essas qualidades de Jeová não têm nada que ver com fraqueza ou acanhamento, porque não o impedem de expressar ira justa nem de usar seu poder para destruir. Na verdade, a humildade e a brandura de Jeová revelam seu imenso poder, pois ele é capaz de controlar-se com perfeição. (Isaías 42:14) Qual é a ligação entre humildade e sabedoria? Uma obra de referência bíblica afirma: “Humildade é conclusivamente definida . . . em termos de altruísmo e é uma base essencial para toda a sabedoria.” A sabedoria genuína, portanto, não pode existir sem humildade. Como a humildade de Jeová nos beneficia?
O pai sábio trata os filhos de forma humilde e branda
5 O Rei Davi cantou a Jeová: “Tu me darás o teu escudo de salvação, a tua mão direita me ampara, e a tua humildade me engrandece.” (Salmo 18:35) Jeová como que se curvou para lidar com esse mero humano imperfeito, protegendo-o e amparando-o dia após dia. Davi entendia que era só por causa da disposição de Deus de humilhar-se desse modo que ele podia esperar receber a salvação e chegar a ter certa medida de grandeza como rei. De fato, quem de nós poderia ter esperança de salvação se Jeová não fosse humilde, se ele não estivesse disposto a se rebaixar para lidar conosco como um Pai bondoso e amoroso?
6, 7. (a) Por que a Bíblia nunca fala que Jeová é modesto? (b) Qual é a relação entre brandura e sabedoria, e quem dá o melhor exemplo nesse respeito?
6 É bom notarmos que há uma diferença entre humildade e modéstia. Esta última é uma bela qualidade que os humanos fiéis devem cultivar. Como a humildade, ela está ligada à sabedoria. Por exemplo, Provérbios 11:2 diz: “A sabedoria está com os modestos.” Mas a Bíblia nunca fala que Jeová é modesto. Por que não? Conforme usada nas Escrituras, modéstia pode ter o sentido de conscientizar-se das próprias limitações. O Todo-Poderoso não tem limitações, exceto as que ele impõe a si mesmo por causa de suas normas justas. (Marcos 10:27; Tito 1:2) Além disso, como o Altíssimo, ele não está sujeito a ninguém. Assim, o conceito de modéstia simplesmente não se aplica a Jeová.
7 Mas Jeová é humilde e brando. Por meio de sua Palavra, ele ensina a seus servos que a brandura é essencial para a verdadeira sabedoria, mencionando “a brandura que vem da sabedoria”.b (Tiago 3:13) Note o exemplo que o Criador dá nesse respeito.
Jeová delega e escuta humildemente
8-10. (a) Por que a disposição de Jeová de delegar responsabilidades e de escutar é notável? (b) Como o Todo-Poderoso usou de humildade ao lidar com os anjos?
8 Há muitos indícios da humildade de Jeová. Entre esses se destaca a sua disposição de delegar responsabilidades e de escutar. O mero fato de Deus fazer isso já é, em si mesmo, surpreendente, pois ele não precisa de ajuda ou conselho. (Isaías 40:13, 14; Romanos 11:34, 35) Mesmo assim, a Bíblia mostra repetidas vezes que ele se dispõe a agir desse modo.
9 Veja, por exemplo, um incidente notável na vida de Abraão. Ele recebeu três visitantes e dirigiu-se a um deles como “Jeová”. Na verdade, os visitantes eram anjos, mas um deles veio e agiu em nome de Deus. O que aquele anjo falou e fez era, na verdade, como se o próprio Jeová estivesse falando e agindo. Por meio dele, Deus contou a Abraão que tinha ouvido um imenso “clamor contra Sodoma e Gomorra”. Jeová declarou: “Descerei para ver se de fato eles estão agindo de acordo com o clamor que chegou a mim. E, se não for assim, ficarei sabendo disso.” (Gênesis 18:3, 20, 21) Naturalmente, essa declaração de Jeová não significava que o Todo-Poderoso ‘desceria’ em pessoa. Ele enviou anjos para representá-lo. (Gênesis 19:1) Por quê? Será que Jeová, que vê tudo, não tinha os meios para ‘ficar sabendo’, por conta própria, da real condição daquela região? É claro que sim. Mas em vez disso, ele humildemente deu àqueles anjos uma designação de investigar a situação e visitar Ló e sua família em Sodoma.
10 Além disso, Jeová escuta. Certa vez, ele pediu aos anjos que sugerissem várias maneiras de trazer a ruína ao perverso Rei Acabe. É claro que Jeová não precisava de ajuda. Mesmo assim, aceitou a sugestão de um anjo e o designou para executar o plano. (1 Reis 22:19-22) Quanta humildade!
11, 12. Como Abraão veio a entender a humildade de Jeová?
11 Jeová está até mesmo disposto a escutar humanos imperfeitos que desejem expressar suas preocupações. Por exemplo, quando ele contou a Abraão a sua intenção de destruir Sodoma e Gomorra, aquele homem fiel ficou perplexo. “Longe de ti agires dessa maneira”, disse Abraão, e acrescentou: “Não fará o Juiz de toda a terra o que é justo?” Ele perguntou se Jeová pouparia as cidades caso houvesse 50 homens justos nelas. Deus lhe assegurou que as pouparia. Mas Abraão continuou perguntando, abaixando o número para 45, daí para 40, e assim por diante. Apesar das garantias de Jeová, Abraão prosseguiu, até que o número chegou a apenas 10 homens. Talvez Abraão ainda não entendesse plenamente o alcance da misericórdia divina. Seja como for, Jeová de modo paciente e humilde permitiu que seu amigo e servo Abraão expressasse suas preocupações. — Gênesis 18:23-33.
12 Quantos humanos inteligentes e bem instruídos escutariam com tanta paciência a uma pessoa de intelecto muitíssimo inferior?c Mas nosso Deus é tão humilde que faz exatamente isso. Durante a mesma conversa, Abraão também se apercebeu de que Jeová é “paciente”. (Êxodo 34:6) Talvez se dando conta de que não tinha o direito de questionar as ações do Altíssimo, o patriarca implorou duas vezes: “Jeová, por favor, não se acenda a tua ira.” (Gênesis 18:30, 32) É claro que isso não aconteceu. Deus sem dúvida tem a “brandura que vem da sabedoria”.
Jeová é razoável
13. Conforme usada na Bíblia, qual é o sentido da palavra “razoável”? Por que essa é uma boa descrição de Jeová?
13 A humildade de Jeová também é demonstrada por outra bela qualidade: a razoabilidade. Infelizmente, os humanos imperfeitos falham de forma lamentável em demonstrá-la. Além de escutar suas criaturas inteligentes, Jeová se dispõe a ceder quando não há conflito com seus princípios justos. A palavra “razoável”, conforme usada na Bíblia, literalmente significa “flexível, disposto a ceder”. Trata-se de uma característica própria da sabedoria divina. Tiago 3:17 diz: “A sabedoria de cima é . . . razoável.” Em que sentido Jeová, que é totalmente sábio, é também razoável? Em primeiro lugar, ele é adaptável. Lembre-se de que até mesmo seu nome indica que ele se torna tudo o que for necessário para cumprir seus propósitos. (Êxodo 3:14) Isso revela Sua adaptabilidade e razoabilidade, não concorda?
14, 15. O que a visão que Ezequiel teve do carro celestial de Jeová nos ensina sobre a parte celestial da Sua organização? Em que sentido ela é diferente das organizações do mundo?
14 Há uma notável passagem bíblica que nos ajuda a ter uma ideia de como Jeová é adaptável. Em uma visão, o profeta Ezequiel observou a parte celestial da organização de Deus, composta de criaturas espirituais, representada por um carro de dimensões assombrosas — o próprio “veículo” de Jeová, sempre sob o Seu controle. O modo como esse carro se movia era muito interessante. Suas rodas gigantescas tinham quatro lados cheios de olhos para que pudessem ver em todas as direções e mudar de rumo instantaneamente, sem precisar parar nem se virar. E esse carro gigantesco não se arrastava pesadamente como um veículo desengonçado feito por humanos. Podia mover-se à velocidade de um raio e até mudar de direção em ângulos retos! (Ezequiel 1:1, 14-28) De fato, a organização de Jeová, assim como o Soberano todo-poderoso que a controla, é totalmente adaptável, ajustando-se a situações e necessidades em constante mutação.
15 O máximo que o ser humano pode fazer é procurar imitar essa perfeita adaptabilidade. Na maioria dos casos, os humanos e suas organizações tendem mais a ser rígidos do que adaptáveis; costumam ser inflexíveis em vez de maleáveis. Para ilustrar: o tamanho e a força de um superpetroleiro ou de um trem de carga são impressionantes. Mas conseguem fazer mudanças súbitas para ajustar-se às circunstâncias? Suponhamos que surja um obstáculo nos trilhos à frente de um trem de carga. O que fazer? Mudar de direção é impossível. Parar subitamente também não é muito fácil. Para se ter uma ideia, um trem de carga carregado ainda percorrerá quase dois quilômetros antes de parar, depois de acionados os freios. Algo similar acontece com um superpetroleiro. Ele ainda se deslocará uns oito quilômetros depois de os motores terem sido desligados. Mesmo que se reverta a rotação dos motores, o navio continuará a se arrastar por uns três quilômetros. As organizações humanas são semelhantes: caracterizam-se pela rigidez e falta de razoabilidade. Devido ao orgulho, muitas pessoas se recusam a adaptar-se a novas necessidades e circunstâncias. Essa intransigência já levou empresas à falência e derrubou governos. (Provérbios 16:18) Como ficamos contentes de saber que nem Jeová nem sua organização são assim!
Como Jeová demonstra razoabilidade
16. Como Jeová demonstrou razoabilidade ao lidar com Ló antes da destruição de Sodoma e Gomorra?
16 Vamos voltar a atenção novamente à destruição de Sodoma e Gomorra. Ló e sua família receberam instruções específicas do anjo de Jeová: “Fuja para a região montanhosa.” Mas Ló não ficou muito contente com isso e implorou: “Ali não, por favor, Jeová!” Convencido de que morreria se fugisse para as montanhas, implorou para que ele e sua família recebessem permissão de fugir para uma cidade próxima, Zoar. Bem, Jeová pretendia destruir aquela cidade. Além disso, os temores de Ló eram infundados. Sem dúvida, Deus tinha capacidade de preservá-lo vivo nas montanhas! Apesar disso, Jeová cedeu ao pedido dele e poupou Zoar. O anjo disse a Ló: “Está bem, também mostrarei consideração a você por não destruir a cidade de que está falando.” (Gênesis 19:17-22) Não foi uma demonstração de razoabilidade da parte de Jeová?
17, 18. Ao lidar com os ninivitas, como Jeová mostrou razoabilidade?
17 Jeová também se adapta diante do arrependimento de coração, sempre fazendo o que é misericordioso e correto. Pense no que aconteceu quando o profeta Jonas foi enviado a Nínive, uma cidade cheia de perversidade e violência. Quando marchou pelas ruas daquela cidade poderosa, a mensagem inspirada que proclamou era bem simples: ela seria destruída em 40 dias. Mas as circunstâncias mudaram drasticamente. Os ninivitas se arrependeram! — Jonas, capítulo 3.
18 É instrutivo compararmos a reação de Jeová com a de Jonas diante da mudança nas circunstâncias. Nesse caso, Jeová se adaptou, tornando-se Perdoador de pecados em vez de “um poderoso guerreiro”.d (Êxodo 15:3) Jonas, por outro lado, foi inflexível e nada misericordioso. Em vez de refletir a razoabilidade de Jeová, ele reagiu mais como o trem de carga ou o superpetroleiro já mencionados. Ele havia proclamado destruição e era isso que tinha de acontecer! Mas Jeová pacientemente ensinou ao profeta inconformado uma lição memorável de razoabilidade e misericórdia. — Jonas, capítulo 4.
Jeová é razoável e entende nossas limitações
19. (a) Por que podemos ter certeza de que Jeová é razoável no que espera de nós? (b) Como Provérbios 19:17 mostra que Jeová é um Dono ‘bom, razoável’ e profundamente humilde?
19 Por fim, Jeová é razoável no que espera de nós. O Rei Davi disse: “Ele sabe bem como somos formados, lembra-se de que somos pó.” (Salmo 103:14) Jeová entende nossas limitações e imperfeições melhor do que nós mesmos. Nunca espera de nós mais do que podemos dar. A Bíblia contrasta os donos humanos que são “bons e razoáveis” com os que são “difíceis de agradar”. (1 Pedro 2:18) Que tipo de Dono Jeová é? Note o que Provérbios 19:17 diz: “Quem mostra favor ao pobre empresta a Jeová.” É óbvio que só um dono bom e razoável prestaria atenção a cada ato de bondade realizado a favor dos humildes. Mais do que isso, esse texto indica que o Criador do Universo na verdade se considera endividado para com meros seres humanos que agem com misericórdia! Isso é humildade no mais alto grau.
20. Que confirmação temos de que Jeová ouve e responde nossas orações?
20 Ainda hoje Jeová demonstra ser manso e razoável nos seus tratos com seu povo. Quando oramos com fé, ele nos escuta. E embora não envie mensageiros angélicos para falar conosco, não devemos concluir que ele não responda nossas orações. Lembre-se de que o apóstolo Paulo pediu que concrentes ‘continuassem a orar’ para que ele fosse libertado da prisão, e daí acrescentou: “Para que eu seja restituído a vocês mais depressa.” (Hebreus 13:18, 19) Assim, nossas orações podem levar Jeová a fazer algo que de outro modo não faria! — Tiago 5:16.
21. No que se refere à humildade de Jeová, a que conclusão nunca devemos chegar? Em vez disso, o que devemos reconhecer a respeito dele?
21 É claro que nenhuma dessas manifestações da humildade de Jeová — sua brandura, disposição de escutar, paciência e razoabilidade — significa que Ele transija nos Seus princípios justos. Os clérigos da cristandade talvez pensem que estão sendo razoáveis quando fazem cócegas nos ouvidos do seu rebanho, abrandando as normas de moral de Jeová. (2 Timóteo 4:3) Mas a tendência humana de transigir por conveniência não tem nada que ver com a razoabilidade divina. Jeová é santo; nunca vai profanar suas normas justas. (Levítico 11:44) Assim, demonstremos apreço pela razoabilidade de Jeová devido ao que ela realmente é: uma prova de sua humildade. Não fica emocionado de pensar que Jeová Deus, o Ser mais sábio do Universo, é também extremamente humilde? Que maravilha é nos achegarmos a esse Deus espantoso, mas brando, paciente e razoável!
a Os escribas antigos (soferins) alteraram esse versículo para dizer que Jeremias, não Jeová, é que se curvava. Pelo visto, acharam impróprio atribuir a Deus um ato humilde como esse. Em resultado disso, muitas traduções deixam de transmitir corretamente a ideia desse belo versículo. Mas uma Bíblia em inglês traduz de forma exata a expressão de Jeremias para Deus, dizendo: “Lembra-te, ó lembra-te, e inclina-te na minha direção.” — The New English Bible.
b Outras versões falam da “humildade que provém da sabedoria” e da “mansidão própria da sabedoria”.
c O interessante é que a Bíblia contrasta a paciência com a arrogância. (Eclesiastes 7:8) A paciência de Jeová é outra evidência de sua humildade. — 2 Pedro 3:9.
d No Salmo 86:5, diz-se que Jeová ‘é bom e está sempre pronto a perdoar’. Quando esse salmo foi traduzido para o grego, a expressão “sempre pronto a perdoar” foi vertida pela palavra e·pi·ei·kés, ou “razoável”.
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Jesus revela a “sabedoria da parte de Deus”Achegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 21
Jesus revela a “sabedoria da parte de Deus”
1-3. Como os anteriores vizinhos de Jesus reagiram ao seu ensino e o que não reconheceram a respeito dele?
OS OUVINTES estavam assombrados. O jovem Jesus, de pé diante deles na sinagoga, ensinava. Conheciam-no muito bem; ele havia crescido naquela cidade e, durante anos, trabalhara ali como carpinteiro. Talvez alguns deles morassem em casas que Jesus havia ajudado a construir ou, quem sabe, trabalhassem com arados e jugos que ele havia feito com as próprias mãos.a Mas como reagiriam aos ensinos desse ex-carpinteiro?
2 A maioria dos presentes, espantados, perguntavam: “Onde este homem obteve essa sabedoria?” Mas também comentavam: “Não é este o carpinteiro, filho de Maria?” (Mateus 13:54-58; Marcos 6:1-3) Infelizmente, os anteriores vizinhos de Jesus raciocinaram: “Esse carpinteiro é só um homem como qualquer um de nós.” Apesar das palavras sábias dele, rejeitaram-no. Mal sabiam que a sabedoria que ele transmitia não era dele.
3 De onde, afinal, Jesus obteve toda aquela sabedoria? “O que eu ensino não é meu”, disse ele, “mas pertence àquele que me enviou”. (João 7:16) O apóstolo Paulo explicou que Jesus “se tornou para nós sabedoria da parte de Deus”. (1 Coríntios 1:30) A sabedoria do próprio Jeová é revelada por meio de seu Filho, Jesus. Tanto que este podia dizer: “Eu e o Pai somos um.” (João 10:30) Analisemos três campos em que Jesus manifestou a “sabedoria da parte de Deus”.
Seu ensino
4. (a) Qual era o tema da mensagem de Jesus e por que isso era relevante? (b) Por que os conselhos de Jesus sempre eram práticos e visavam os melhores interesses dos seus ouvintes?
4 Primeiro, vamos analisar aquilo que Jesus ensinava. O tema da sua mensagem eram “as boas novas do Reino”. (Lucas 4:43) Isso era muito relevante em vista do papel que o Reino desempenharia em santificar o nome de Jeová, o que inclui sua reputação como Governante justo, e em trazer bênçãos duradouras para a humanidade. No seu ensino, Jesus também deu conselhos sábios para a vida cotidiana. Comprovadamente, ele foi um “Maravilhoso Conselheiro”, conforme havia sido profetizado. (Isaías 9:6) E, de fato, seus conselhos não poderiam ser nada mais nada menos do que maravilhosos. Afinal, ele conhecia em detalhes a Palavra e a vontade de Deus, entendia a fundo a natureza humana e amava muito a humanidade. De modo que seus conselhos sempre eram práticos e visavam os melhores interesses dos seus ouvintes. Jesus transmitiu “declarações de vida eterna”. Sem dúvida, seguir os conselhos dele resulta em salvação. — João 6:68.
5. Quais são alguns dos assuntos de que Jesus tratou no Sermão do Monte?
5 O Sermão do Monte é um exemplo notável da sabedoria sem igual encontrada nos ensinos de Jesus. Conforme registrado em Mateus 5:3–7:27, provavelmente levaria apenas uns 20 minutos para proferi-lo. Mas seus conselhos são de valor permanente e são tão relevantes hoje como no dia em que foram proferidos. Jesus tratou de diversos assuntos: como melhorar relacionamentos (5:23-26, 38-42; 7:1-5, 12), como se manter moralmente limpo (5:27-32) e como ter uma vida significativa (6:19-24; 7:24-27). Mas Jesus fez mais do que apenas dizer a seus ouvintes qual é a maneira sábia de agir; ele mostrou-lhes isso, explicando, raciocinando e apresentando provas.
6-8. (a) Que fortes razões Jesus apresenta para evitarmos a ansiedade? (b) O que mostra que os conselhos de Jesus refletem sabedoria de origem divina?
6 Veja, por exemplo, o conselho sábio de Jesus sobre como lidar com as ansiedades relacionadas às coisas materiais, conforme registrado no capítulo 6 de Mateus: “Parem de se preocupar tanto com a sua vida, quanto ao que comer ou quanto ao que beber, e com o seu corpo, quanto ao que vestir.” (Versículo 25) Alimento e roupa são necessidades básicas e é natural preocupar-se em obtê-las. Mas Jesus nos diz para ‘pararmos de nos preocupar tanto’ com essas coisas.b Por quê?
7 Preste atenção ao raciocínio convincente de Jesus. Visto que Jeová nos deu a vida e o corpo, será que ele não pode nos fornecer o alimento para sustentar a vida e roupas para proteger o corpo? (Versículo 25) Se Deus dá alimento às aves e veste lindamente as flores, quanto mais cuidará de seus adoradores humanos! (Versículos 26, 28-30) Na verdade, preocupar-se demais é inútil. Não vai aumentar a duração de nossa vida nem um segundo sequer.c (Versículo 27) Mas então como evitar a ansiedade? Jesus nos aconselha: continue a dar prioridade à adoração de Deus. Quem faz isso pode ter confiança de que todas as suas necessidades diárias lhe “serão acrescentadas”. (Versículo 33) Por fim, Jesus dá uma sugestão muito prática: viva um dia por vez. Por que juntar as ansiedades de amanhã com as que você já tem hoje? (Versículo 34) Além disso, por que se preocupar indevidamente com coisas que talvez nunca aconteçam? Aplicar esses conselhos sábios pode nos poupar muitas dores de cabeça neste mundo estressante.
8 É evidente que os conselhos de Jesus são tão práticos hoje como eram 2 mil anos atrás. Não é esse um indício de sabedoria divina? Até as melhores recomendações de conselheiros humanos tendem a se tornar obsoletas e logo têm de ser revisadas ou substituídas. Os ensinos de Jesus, porém, resistiram à passagem do tempo. Mas isso não deveria nos surpreender, porque esse Maravilhoso Conselheiro transmitiu “as declarações de Deus”. — João 3:34.
Seu modo de ensinar
9. O que alguns soldados disseram sobre o ensino de Jesus e por que eles não estavam exagerando?
9 Um segundo campo em que Jesus refletiu a sabedoria de Deus foi na sua maneira de ensinar. Em certa ocasião, alguns soldados enviados para prendê-lo voltaram de mãos vazias, dizendo: “Nunca homem algum falou assim!” (João 7:45, 46) Eles não estavam exagerando. De todos os humanos que já viveram, Jesus, que era “dos domínios de cima”, tinha o mais vasto cabedal de conhecimento e experiência. (João 8:23) Ele realmente ensinava de uma maneira que nenhum outro humano poderia ensinar. Vejamos apenas dois dos métodos usados por esse Instrutor sábio.
“As multidões ficaram maravilhadas com seu modo de ensinar”
10, 11. (a) Por que ficamos maravilhados com o modo como Jesus usava ilustrações? (b) O que são parábolas e que exemplo ilustra que as parábolas de Jesus são um método de ensino muito eficaz?
10 Uso eficaz de ilustrações. “Jesus falou . . . às multidões por meio de ilustrações”, nos diz a Bíblia. “Realmente, nada lhes falava sem ilustração.” (Mateus 13:34) É impossível não ficarmos maravilhados com sua capacidade inigualável de usar coisas do dia a dia para ensinar verdades profundas. Agricultores semeando, mulheres fazendo pão, crianças brincando na feira, pescadores puxando as redes, pastores procurando ovelhas perdidas — seus ouvintes tinham visto essas coisas muitas vezes. Relacionar coisas conhecidas com verdades importantes faz com que estas fiquem, quase que de imediato, profundamente gravadas na mente e no coração. — Mateus 11:16-19; 13:3-8, 33, 47-50; 18:12-14.
11 Jesus usava muitas parábolas, quer dizer, histórias curtas das quais se aprende uma verdade moral ou espiritual. Visto que é mais fácil entender e lembrar histórias do que ideias abstratas, as parábolas ajudaram a preservar os ensinos de Jesus. Em muitas delas, ele descreveu seu Pai com termos vívidos que dificilmente seriam esquecidos. Por exemplo, quem não entenderia o ponto-chave da parábola do filho perdido: que quando alguém que se desviou mostra arrependimento genuíno, Jeová sente pena dele e amorosamente o aceita de volta? — Lucas 15:11-32.
12. (a) Para que Jesus usava perguntas no seu ensino? (b) Como Jesus calou os que questionavam sua autoridade?
12 Uso perito de perguntas. Jesus usava perguntas para ajudar os ouvintes a tirar as próprias conclusões, examinar suas motivações ou tomar decisões. (Mateus 12:24-30; 17:24-27; 22:41-46) Quando líderes religiosos questionaram se Jesus tinha mesmo autoridade da parte de Deus, ele respondeu: “O batismo de João era do céu ou dos homens?” Perplexos com a pergunta, eles raciocinaram entre si: “Se dissermos: ‘Do céu’, ele dirá: ‘Então, por que vocês não acreditaram nele?’ Mas nos atrevemos a dizer: ‘Dos homens’?” Mas “eles tinham medo da multidão, pois todos achavam que João realmente tinha sido um profeta”. Por fim, responderam: “Não sabemos.” (Marcos 11:27-33; Mateus 21:23-27) Com uma simples pergunta, Jesus os deixou sem palavras e denunciou o coração traiçoeiro deles.
13-15. Como a parábola do bom samaritano reflete a sabedoria de Jesus?
13 Às vezes, Jesus combinava os métodos, introduzindo perguntas intrigantes em suas ilustrações. Quando um advogado judeu lhe perguntou o que era preciso para ganhar a vida eterna, Jesus mencionou a Lei mosaica que ordenava amar a Deus e ao próximo. Querendo se mostrar justo, o homem perguntou: “Quem é realmente o meu próximo?” Em resposta, Jesus contou uma história. Um judeu viajava sozinho quando foi atacado por assaltantes, que o deixaram quase morto. Passaram dois outros judeus por aquela estrada: primeiro um sacerdote, depois um levita. Ambos o ignoraram. Mas então passou um samaritano. Com pena do judeu, ele bondosamente tratou das feridas dele e amorosamente o levou para um lugar seguro, uma hospedaria, onde poderia se recuperar. Concluindo a história, Jesus perguntou ao advogado: “Qual desses três você acha que mostrou ser o próximo do homem que caiu nas mãos de assaltantes?” O homem teve de responder: “Aquele que agiu misericordiosamente com ele.” — Lucas 10:25-37.
14 Como essa parábola reflete a sabedoria de Jesus? Naquele tempo, os judeus só aplicavam o termo “próximo” aos que guardavam suas tradições, o que não era o caso dos samaritanos. (João 4:9) Se na história que Jesus contou a vítima fosse o samaritano e o judeu o ajudasse, será que isso teria ajudado a combater o preconceito? Sabiamente, Jesus formulou a história de tal modo que o samaritano é quem cuidou bondosamente do judeu. Note também a pergunta que Jesus fez no fim da história. Ele mudou o foco do termo “próximo”. O advogado tinha, em outras palavras, perguntado: “Quem deve ser o alvo do meu amor, ou seja, meu próximo?” Mas Jesus perguntou: “Qual desses três você acha que mostrou ser o próximo?” Jesus não enfocou aquele que recebeu a bondade (a vítima), mas aquele que a demonstrou (o samaritano). Quem realmente age como “próximo” toma a iniciativa de mostrar amor aos outros, não importa qual seja a origem étnica desses. Não dá para imaginar uma maneira melhor de Jesus ressaltar esse ponto.
15 É de admirar, então, que as pessoas ficassem assombradas com o “modo de ensinar” de Jesus e se achegassem a ele? (Mateus 7:28, 29) Em certa ocasião, “uma grande multidão” o acompanhou por três dias, ficando até mesmo sem comer! — Marcos 8:1, 2.
Seu modo de vida
16. De que modo Jesus deu “prova prática” de que se deixava guiar pela sabedoria divina?
16 O terceiro campo em que Jesus refletiu a sabedoria de Jeová foi no seu modo de vida. A sabedoria funciona na prática. “Quem entre vocês é sábio?”, perguntou o discípulo Tiago. Daí, respondeu à própria pergunta, dizendo: “Que sua conduta correta dê prova prática disso.” (Tiago 3:13, The New English Bible) A conduta de Jesus dava “prova prática” de que ele se deixava guiar pela sabedoria divina. Vejamos como ele mostrou bom critério, tanto no seu modo de vida como nos tratos com outros.
17. O que indica que Jesus levava uma vida perfeitamente equilibrada?
17 Já notou que as pessoas que não têm bom critério muitas vezes se tornam extremistas? Isso se dá porque é preciso sabedoria para ser equilibrado. Refletindo a sabedoria divina, Jesus tinha perfeito equilíbrio. Acima de tudo, deu primazia às coisas espirituais. Envolveu-se plenamente na obra de declarar as boas novas. “Foi por isso que vim”, disse ele. (Marcos 1:38) É evidente que bens materiais não eram de importância primária para ele, pois aparentemente ele tinha muito pouco em sentido material. (Mateus 8:20) Mas ele não era um asceta. Como seu Pai, o “Deus feliz”, Jesus era uma pessoa alegre e contribuía para a felicidade de outros. (1 Timóteo 1:11; 6:15) Quando assistiu a uma festa de casamento — onde é comum haver música, canto e alegria —, ele não agiu como desmancha-prazeres. Pelo contrário, quando acabou a bebida, ele transformou água em vinho, “que alegra o coração do homem”. (Salmo 104:15; João 2:1-11) Jesus aceitou muitos convites para refeições e, com frequência, usou essas ocasiões para ensinar. — Lucas 10:38-42; 14:1-6.
18. Como Jesus demonstrou impecável bom critério ao lidar com seus discípulos?
18 Jesus demonstrou impecável bom critério ao lidar com outros. Sua compreensão da natureza humana lhe permitia ter um conceito claro sobre os seus discípulos. Sabia muito bem que eles não eram perfeitos. Mas percebia suas boas qualidades. Via o potencial desses homens que Jeová havia atraído. (João 6:44) Apesar de suas falhas, Jesus estava disposto a dar-lhes um voto de confiança. Demonstrando isso, delegou uma responsabilidade muito grande aos discípulos: pregar as boas novas. Confiava na habilidade deles de cumprir essa tarefa. (Mateus 28:19, 20) O livro de Atos confirma que realizaram fielmente a obra que ele lhes mandara fazer. (Atos 2:41, 42; 4:33; 5:27-32) É óbvio, então, que Jesus havia sido sensato ao confiar neles.
19. Como Jesus demonstrou que era de “temperamento brando e humilde de coração”?
19 Como vimos no Capítulo 20, a Bíblia associa a humildade e a brandura com a sabedoria. Naturalmente, o melhor exemplo em demonstrar essas qualidades é o de Jeová. Mas e Jesus? É emocionante ver a humildade que ele mostrou ao lidar com os discípulos. Como homem perfeito, ele era superior a eles. Mas não os menosprezava. Nunca os fez se sentir inferiores ou incompetentes. Pelo contrário, levava em conta as limitações deles e era paciente quando erravam. (Marcos 14:34-38; João 16:12) Não acha interessante que até crianças se sentiam à vontade com Jesus? Sem dúvida, sentiam-se atraídas a ele porque percebiam que ele era de “temperamento brando e humilde de coração”. — Mateus 11:29; Marcos 10:13-16.
20. Como Jesus mostrou razoabilidade ao lidar com uma mulher gentia cuja filha estava endemoninhada?
20 Jesus refletiu a humildade divina de outra maneira importante. Ele era razoável, ou flexível, quando a misericórdia tornava isso apropriado. Lembre-se, por exemplo, da ocasião em que uma mulher gentia lhe implorou que curasse sua filha terrivelmente endemoninhada. De três maneiras, Jesus indicou que não a ajudaria: primeiro, não respondeu; segundo, disse diretamente que havia sido enviado, não aos gentios, mas aos judeus; e terceiro, contou uma ilustração que bondosamente ressaltou esse mesmo ponto. Mas a mulher persistiu, dando evidência de que tinha fé extraordinária. Em vista dessa circunstância excepcional, como Jesus reagiu? Ele fez exatamente aquilo que afirmara que não faria: curou a filha da mulher. (Mateus 15:21-28) Que notável demonstração de humildade! E lembre-se de que a humildade é a base da verdadeira sabedoria.
21. Por que devemos nos esforçar a imitar a personalidade, a maneira de falar e a conduta de Jesus?
21 Como somos gratos de que os Evangelhos nos revelam as palavras e ações do homem mais sábio que já viveu! Lembre-se de que Jesus refletia com perfeição o modo de agir do Seu Pai. Se imitarmos a personalidade, a maneira de falar e a conduta de Jesus, estaremos cultivando a sabedoria de cima. No próximo capítulo, veremos como podemos pôr a sabedoria divina em prática na nossa vida.
a Nos tempos bíblicos, os carpinteiros eram contratados para construir casas, fabricar móveis e fazer implementos agrícolas. Justino, o Mártir, do segundo século EC, escreveu sobre Jesus: “Enquanto estava entre os homens, tinha por hábito trabalhar como carpinteiro fabricando arados e jugos.”
b O verbo grego traduzido “se preocupar tanto” significa “ter a mente distraída”. Conforme usado em Mateus 6:25, refere-se ao temor apreensivo que distrai ou divide a mente, tirando a alegria de viver.
c Na verdade, estudos científicos revelaram que preocupação e estresse excessivos aumentam os riscos de doenças cardiovasculares e de muitas outras enfermidades que encurtam a vida.
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Está pondo em prática “a sabedoria de cima”?Achegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 22
Está pondo em prática “a sabedoria de cima”?
1-3. (a) Como Salomão demonstrou sabedoria extraordinária no modo como resolveu uma disputa entre duas mulheres? (b) O que Jeová promete nos dar? Que perguntas surgem?
ERA um caso difícil: duas mulheres discutiam por causa de um bebê. Elas viviam na mesma casa e, com poucos dias de diferença, cada uma havia dado à luz um filho. Um dos bebês morrera e agora cada mulher afirmava ser a mãe do que estava vivo.a Não havia testemunhas do acontecido. Possivelmente, o caso já havia sido apresentado a um tribunal de menor instância, mas não se chegara a um veredicto. Por fim, a disputa foi levada a Salomão, rei de Israel. Será que ele conseguiria descobrir a verdade?
2 Depois de escutar um pouco a discussão das mulheres, Salomão pediu uma espada. Daí, aparentemente cheio de convicção, ordenou que a criança fosse cortada em duas partes e que se desse metade a cada uma das mulheres. Imediatamente, a mãe verdadeira implorou que o rei desse o bebê — seu querido filho — à outra mulher, que insistia que a criança fosse cortada em dois. Salomão descobrira a verdade. Ele sabia da compaixão e do carinho que uma mãe sente pelo filho que carregou no ventre e usou esse conhecimento para resolver a disputa. Imagine o alívio da mãe quando Salomão lhe entregou seu bebê e disse: “Ela é a mãe.” — 1 Reis 3:16-27.
3 Que sabedoria extraordinária, não concorda? Quando as pessoas souberam como Salomão resolvera o caso, ficaram assombradas, “pois viram que a sabedoria de Deus estava com ele”. De fato, a sabedoria de Salomão era uma dádiva divina. Jeová lhe concedera “um coração sábio e entendido”. (1 Reis 3:12, 28) E nós? Será que também podemos receber a sabedoria divina? Sim, porque sob inspiração Salomão escreveu: “É Jeová quem dá sabedoria.” (Provérbios 2:6) Jeová promete dar sabedoria — a habilidade de usar bem o conhecimento, o entendimento e o discernimento — a todos que a buscam com sinceridade. Como podemos obter a sabedoria de cima? E como podemos aplicá-la na vida?
Como ‘adquirir sabedoria’?
4-7. Quais são quatro requisitos para adquirir sabedoria?
4 Precisamos de inteligência extraordinária ou de muita instrução para receber a sabedoria divina? Não. Jeová está disposto a partilhá-la conosco não importa qual seja a nossa formação ou quanto estudo tenhamos. (1 Coríntios 1:26-29) Mas temos de tomar a iniciativa, porque a Bíblia nos incentiva a ‘adquirir sabedoria’. (Provérbios 4:7) Como podemos fazer isso?
5 Primeiro, é preciso temer a Deus. “O temor de Jeová é o início da sabedoria [“o primeiro passo para a sabedoria”, The New English Bible]”, diz Provérbios 9:10. O temor de Deus é a base da sabedoria verdadeira. Por quê? Lembre-se de que a sabedoria envolve a habilidade de usar com êxito o conhecimento. Temer a Deus não significa encolher-se de medo diante dele, mas curvar-se com assombro, respeito e confiança. Esse temor é saudável e nos motiva a harmonizar nossa vida com o conhecimento da vontade e dos modos de Deus. Essa é a maneira mais sensata de agir, pois as normas de Jeová sempre resultam nos maiores benefícios para os que as seguem.
6 Em segundo lugar, precisamos ser humildes e modestos. Essas qualidades são vitais para se obter sabedoria divina. (Provérbios 11:2) Por quê? Se formos humildes e modestos, estaremos dispostos a admitir que não temos resposta para tudo, que nossas opiniões nem sempre são corretas e que precisamos saber qual é o conceito de Jeová sobre os assuntos. “Deus se opõe aos arrogantes”, mas alegremente dá sabedoria aos humildes de coração. — Tiago 4:6.
7 Um terceiro fator essencial é estudar a Palavra escrita de Deus, visto que a sabedoria divina é revelada nela. Para obter essa sabedoria, temos de nos esforçar para buscá-la. (Provérbios 2:1-5) Um quarto requisito é a oração. Se formos sinceros ao pedir sabedoria a Deus, ele a dará generosamente. (Tiago 1:5) Se solicitarmos a ajuda do Seu espírito em oração, ele sem dúvida responderá. O espírito de Jeová nos orientará para que encontremos os tesouros da sua Palavra que nos ajudarão a resolver problemas, evitar perigos e tomar decisões sábias. — Lucas 11:13.
Para obter sabedoria divina, temos de nos esforçar para buscá-la
8. Se realmente adquirimos sabedoria divina, em que isso ficará óbvio?
8 Como mencionamos no Capítulo 17, a sabedoria de Jeová é prática. Assim, se realmente a adquirimos, isso ficará óbvio no modo como nos comportamos. O discípulo Tiago descreveu os frutos da sabedoria divina: “A sabedoria de cima é primeiramente pura, depois pacífica, razoável, pronta para obedecer, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem hipocrisia.” (Tiago 3:17) Ao analisarmos cada um desses aspectos da sabedoria divina, podemos nos perguntar: ‘Será que estou pondo em prática na vida a sabedoria de cima?’
“Pura, depois pacífica”
9. O que significa ser puro? Por que é apropriado que a pureza seja a primeira qualidade da sabedoria a ser alistada?
9 “Primeiramente pura.” Ser puro significa ser imaculado não só externamente, mas também no íntimo. A Bíblia diz que a sabedoria está ligada ao coração, mas ela não pode penetrar num coração aviltado por pensamentos, desejos e motivações errados. (Provérbios 2:10; Mateus 15:19, 20) Contudo, se nosso coração for puro — isto é, ao ponto em que isso é possível para humanos imperfeitos —, nós nos ‘desviaremos do mal e faremos o bem’. (Salmo 37:27; Provérbios 3:7) Não acha apropriado que a pureza seja a primeira qualidade da sabedoria a ser alistada? Afinal, se não formos moral e espiritualmente limpos, como poderemos refletir de forma plena as outras qualidades da sabedoria de cima?
10, 11. (a) Por que é importante sermos pacíficos? (b) Se achar que ofendeu um companheiro de adoração, como poderá mostrar ser um pacificador? (Veja também a nota.)
10 “Depois pacífica.” A sabedoria celestial nos motiva a nos empenharmos pela paz, que é um aspecto do fruto do espírito de Deus. (Gálatas 5:22) Fazemos tudo o que é possível para não romper o “vínculo . . . da paz” que une o povo de Jeová. (Efésios 4:3) Também procuramos restaurar a paz quando ela é perturbada. Por que isso é importante? A Bíblia diz: “Continuem . . . a viver pacificamente; e o Deus de amor e de paz estará com vocês.” (2 Coríntios 13:11) De modo que o Deus de paz estará conosco desde que continuemos a viver pacificamente. O modo como tratamos os companheiros de adoração afeta de forma direta o nosso relacionamento com Jeová. Como podemos mostrar ser pacificadores? Veja um exemplo.
11 O que fazer se perceber que ofendeu um companheiro de adoração? Jesus disse: “Então, se você levar a sua dádiva ao altar e ali se lembrar de que o seu irmão tem algo contra você, deixe a sua dádiva ali na frente do altar e vá. Faça primeiro as pazes com o seu irmão, então volte e ofereça a sua dádiva.” (Mateus 5:23, 24) Poderá aplicar esse conselho tomando a iniciativa de ir falar com o irmão. Com que objetivo? ‘Fazer as pazes.’b Para conseguir isso, talvez seja necessário admitir, não negar, que você feriu os sentimentos dele. Se ao conversarem você mantiver em mente que o seu objetivo é restaurar a paz, é bem provável que se esclareçam os mal-entendidos, se peçam desculpas e se estenda o perdão. Quando toma a iniciativa de fazer as pazes, você mostra que se deixa guiar pela sabedoria divina.
“Razoável, pronta para obedecer”
12, 13. (a) Qual é o sentido da palavra traduzida “razoável” em Tiago 3:17? (b) Como podemos mostrar que somos razoáveis?
12 “Razoável.” O que significa ser razoável? Segundo certos eruditos, é difícil traduzir a palavra grega original vertida “razoável” em Tiago 3:17. Ela passa a ideia de estar disposto a ceder. Alguns tradutores usaram termos como “bondosa”, “condescendente” e “compreensiva”. Como podemos demonstrar que aplicamos esse aspecto da sabedoria de cima na nossa vida?
13 “Que a sua razoabilidade seja conhecida de todos os homens”, diz Filipenses 4:5. Outra tradução diz: “Tende a reputação de ser razoáveis.” (The New Testament in Modern English, de J. B. Phillips) Note que não é tanto uma questão de como encaramos a nós mesmos; devemos levar em conta como outros nos encaram, como somos conhecidos. A pessoa razoável não insiste em aplicar a lei ao pé da letra ou em que as coisas sejam sempre feitas do seu jeito. Em vez disso, está disposta a escutar outros e, quando apropriado, a ceder aos desejos deles. Uma pessoa assim não é dura ou grosseira, mas bondosa nos seus tratos com outros. Embora essa qualidade seja essencial para todos os cristãos, é especialmente importante para os que servem como anciãos. Se estes forem atenciosos, outros se sentirão atraídos a eles, considerando-os acessíveis. (1 Tessalonicenses 2:7, 8) Seria bom nos perguntarmos: ‘Tenho a reputação de ser alguém compreensivo, flexível e bondoso?’
14. Como podemos demonstrar que somos ‘prontos para obedecer’?
14 “Pronta para obedecer.” A palavra grega traduzida “pronta para obedecer” não se encontra em nenhuma outra parte das Escrituras Gregas Cristãs. Segundo certo erudito, essa palavra “é muitas vezes usada referente à disciplina militar”. Transmite a ideia de ser “fácil de persuadir” e “submisso”. Quem é governado pela sabedoria de cima se submete prontamente ao que as Escrituras dizem. Não é conhecido como alguém que toma uma decisão e daí se recusa a ser influenciado por quaisquer fatos que contrariem seu ponto de vista. Pelo contrário, está sempre pronto a fazer mudanças quando lhe apresentam provas bíblicas incontestáveis de que sua atitude está errada ou de que tirou conclusões incorretas. Será que você é conhecido como alguém que age assim?
“Cheia de misericórdia e de bons frutos”
15. O que é misericórdia? Por que é apropriado que “misericórdia” e “bons frutos” sejam mencionados juntos em Tiago 3:17?
15 “Cheia de misericórdia e de bons frutos.”c A misericórdia é uma parte importante da sabedoria de cima, que é descrita como sendo “cheia de misericórdia”. Note que se mencionam juntos a “misericórdia” e os “bons frutos”. Isso é apropriado porque, na Bíblia, a misericórdia em geral se refere à preocupação ativa com outros, à compaixão que produz uma grande quantidade de atos bondosos. Uma obra de referência define misericórdia como “sentimento de tristeza devido à situação ruim de alguém e a tentativa de fazer algo a respeito”. De modo que a sabedoria divina não é severa, fria ou meramente intelectual. Pelo contrário, ela é branda, calorosa e sensível. Como podemos mostrar que estamos cheios de misericórdia?
16, 17. (a) Além do amor a Deus, o que mais nos motiva a participar na obra de pregação e por quê? (b) De que maneiras podemos mostrar que estamos cheios de misericórdia?
16 Sem dúvida, um modo importante de fazer isso é por transmitir as boas novas do Reino de Deus a outros. O que nos leva a fazer essa obra? Em primeiro lugar, o amor a Deus. Mas também somos motivados pela misericórdia, ou compaixão por outros. (Mateus 22:37-39) Muitas pessoas hoje são “esfoladas e jogadas de um lado para outro como ovelhas sem pastor”. (Mateus 9:36) Falsos pastores religiosos as negligenciam e cegam em sentido espiritual. Em resultado disso, elas não sabem que a Palavra de Deus tem orientações sábias nem que o Reino logo trará bênçãos para a Terra. Quando meditamos nas necessidades espirituais dos que nos rodeiam, nossa compaixão de coração nos motiva a fazer tudo o que podemos para lhes falar dos amorosos propósitos de Jeová.
Quando mostramos misericórdia, ou compaixão, para com outros, refletimos “a sabedoria de cima”
17 De que outras maneiras podemos mostrar que estamos cheios de misericórdia? Lembra-se da ilustração de Jesus sobre o samaritano que encontrou um viajante caído à beira da estrada após ser espancado e assaltado? Movido pela compaixão, o samaritano “agiu misericordiosamente”, tratando dos ferimentos da vítima e cuidando dela. (Lucas 10:29-37) Isso ilustra muito bem que a misericórdia envolve dar ajuda prática aos necessitados. A Bíblia nos ordena que façamos “o bem a todos, mas especialmente aos que fazem parte da nossa família na fé”. (Gálatas 6:10) Veja alguns exemplos: um concrente idoso precisa de transporte para assistir às reuniões cristãs. Uma viúva da congregação precisa de ajuda para fazer alguns consertos em casa. (Tiago 1:27) Uma pessoa deprimida precisa de uma “boa palavra” que a reanime. (Provérbios 12:25) Quando mostramos misericórdia dessas maneiras, damos prova de que colocamos em prática a sabedoria de cima.
“Imparcial, sem hipocrisia”
18. Se formos guiados pela sabedoria de cima, o que nos esforçaremos a eliminar do coração? Por quê?
18 “Imparcial.” A sabedoria divina dá forças para se superar o preconceito racial e o orgulho nacional. Se formos guiados por ela, nos esforçaremos a eliminar do coração toda tendência de mostrar favoritismo. (Tiago 2:9) Não favoreceremos outros em virtude da sua formação educacional, condição financeira ou responsabilidade congregacional; nem desprezaremos companheiros de adoração, não importa o quanto pareçam humildes. Se Jeová demonstrou o Seu amor por eles, sem dúvida devemos considerá-los dignos do nosso amor.
19, 20. (a) Qual é a origem da palavra grega para “hipócrita”? (b) Como podemos demonstrar “afeição fraternal sem hipocrisia”? Por que isso é importante?
19 “Sem hipocrisia.” A palavra grega para “hipócrita” pode significar “aquele que faz o papel de ator”. No passado, os atores gregos e romanos usavam grandes máscaras quando representavam. Assim, a palavra grega para “hipócrita” passou a ser usada para quem é fingido ou falso. Sabermos que a sabedoria divina é “sem hipocrisia” deve influenciar não só o modo como tratamos nossos companheiros de adoração, mas também como nos sentimos em relação a eles.
20 O apóstolo Pedro mencionou que nossa “obediência à verdade” deve resultar em “amor fraternal sem hipocrisia”. (1 Pedro 1:22) De modo que nossa afeição pelos irmãos não pode ser apenas da boca para fora. Não devemos ‘usar máscaras’ nem ‘desempenhar um papel’ para enganar outros. Nossa afeição precisa ser genuína, de coração. Assim, conquistaremos a confiança de nossos concrentes, porque eles perceberão que somos exatamente o que parecemos ser, ou seja, sinceros. Isso nos possibilitará ter relacionamentos abertos e honestos com outros cristãos e criará um clima de confiança na congregação.
“Resguarda a sabedoria prática”
21, 22. (a) Como Salomão deixou de resguardar a sabedoria? (b) Como podemos resguardar a sabedoria e que benefícios isso nos trará?
21 A sabedoria divina é uma dádiva de Jeová, por isso, devemos resguardá-la. Salomão disse: “Meu filho, . . . resguarde a sabedoria prática e o raciocínio.” (Provérbios 3:21) Infelizmente, o próprio Salomão deixou de fazer isso. Ele continuou a ser sábio enquanto manteve um coração obediente. Mas, por fim, suas muitas esposas estrangeiras desviaram seu coração da adoração pura de Jeová. (1 Reis 11:1-8) O que aconteceu com Salomão ilustra que apenas ter conhecimento não adianta muita coisa se esse não for aplicado corretamente.
22 Como podemos resguardar a sabedoria prática? Além de ler regularmente a Bíblia e as publicações baseadas nela, fornecidas pelo “escravo fiel e prudente”, devemos nos empenhar em aplicar o que aprendemos. (Mateus 24:45) Temos motivos de sobra para fazer isso. A sabedoria divina torna a nossa vida muito melhor agora. Permite que nos ‘apeguemos firmemente à verdadeira vida’, quer dizer, à vida no novo mundo de Deus. (1 Timóteo 6:19) E, o mais importante de tudo, cultivar a sabedoria de cima nos achega à Fonte de toda a sabedoria, Jeová Deus.
a Conforme 1 Reis 3:16, as duas mulheres eram prostitutas. A obra Estudo Perspicaz das Escrituras diz: “Tais mulheres podem ter sido prostitutas, não em sentido comercial, mas mulheres que tinham cometido fornicação, quer mulheres judias, quer, bem possivelmente, mulheres de ascendência estrangeira.” — Publicada pelas Testemunhas de Jeová.
b A expressão grega traduzida ‘faça as pazes’ tem sido definida como “mudar de inimizade para amizade; ficar reconciliado; voltar a ter relações normais ou harmonia”. De modo que o seu objetivo é ocasionar uma mudança, se possível removendo o rancor do coração do ofendido. — Romanos 12:18.
c Ao verter essas palavras, outras traduções usaram expressões como “cheia de compaixão” e “boas ações”. — Tradução Ecumênica; Bíblia na Linguagem de Hoje.
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“Ele nos amou primeiro”Achegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 23
“Ele nos amou primeiro”
1-3. Quais são alguns fatores que tornaram a morte de Jesus diferente de todas as outras na História?
QUASE 2 mil anos atrás, um homem inocente foi julgado, condenado por crimes que não cometera e torturado até à morte. Essa não foi a primeira execução cruel e injusta da História — nem a última, infelizmente. Mas aquela morte foi diferente de todas as outras.
2 À medida que aquele homem sofria suas agonizantes horas finais, viram-se indícios no próprio céu de que se tratava de um acontecimento incomum. Embora fosse o meio do dia, subitamente uma escuridão cobriu a terra, ou, como descreveu um historiador, “a luz do sol falhou”. (Lucas 23:44, 45) Daí, pouco antes de dar seu último suspiro, aquele homem proferiu estas palavras inesquecíveis: “Está consumado!” Na verdade, ao dar sua vida, ele consumou, ou realizou, algo maravilhoso. Seu sacrifício foi o maior ato de amor já realizado por qualquer ser humano. — João 15:13; 19:30.
3 Aquele homem, naturalmente, era Jesus Cristo. Seu sofrimento e morte naquele dia sombrio, 14 de nisã de 33 EC, são bem conhecidos. Mas um fato importante é frequentemente ignorado: embora Jesus sofresse muito, houve alguém que sofreu mais do que ele. De fato, naquele dia outra pessoa fez um sacrifício ainda maior, o maior ato de amor já feito por qualquer pessoa no Universo inteiro. Qual foi? A resposta a essa pergunta servirá de introdução apropriada para começarmos a analisar o mais importante de todos os assuntos: o amor de Jeová.
O maior ato de amor
4. Como um soldado romano percebeu que Jesus não era um homem comum e a que conclusão chegou?
4 O centurião romano que supervisionou a execução de Jesus ficou assombrado tanto com a escuridão que precedeu sua morte como com o fortíssimo terremoto que se seguiu. “Certamente este era o Filho de Deus”, disse ele. (Mateus 27:54) É evidente que Jesus não era um homem comum. Aquele soldado havia ajudado a executar o Filho unigênito do Deus Altíssimo! Qual a intensidade do amor que o Pai sentia por seu Filho?
5. Como se pode ilustrar a imensa duração do tempo que Jeová e seu Filho passaram juntos no céu?
5 A Bíblia chama Jesus de “primogênito de toda a criação”. (Colossenses 1:15) Imagine: o Filho de Jeová existia antes de ser criado o Universo físico. Então, por quanto tempo Pai e Filho estiveram juntos? Alguns cientistas calculam a idade do Universo em 13 bilhões de anos. Consegue imaginar todo esse tempo? Para ajudar as pessoas a entender a idade do Universo, conforme calculada pelos cientistas, certo planetário tem uma linha do tempo de 110 metros de comprimento. Os visitantes caminham ao longo dessa linha e cada passo deles representa cerca de 75 milhões de anos na existência do Universo. No fim da linha do tempo, toda a História humana é representada por uma única marca da espessura de um fio de cabelo humano! Mesmo que essa estimativa esteja correta, aquela inteira linha do tempo não é suficiente para representar a duração da vida do Filho de Jeová! O que ele fazia durante todas aquelas eras?
6. (a) O que o Filho de Jeová fazia durante sua existência pré-humana? (b) Como é a ligação que existe entre Jeová e seu Filho?
6 O Filho alegremente serviu como “trabalhador perito” do Pai. (Provérbios 8:30) A Bíblia diz: “Sem [o Filho] nem mesmo uma só coisa veio a existir.” (João 1:3) De modo que Jeová e seu Filho, trabalhando em conjunto, fizeram tudo que existe. Quantos momentos emocionantes e felizes passaram juntos! Pois bem, a maioria das pessoas reconhece que o amor entre pais e filhos é extremamente forte. E o amor “é o perfeito vínculo de união”. (Colossenses 3:14) Assim, será que algum de nós consegue sequer imaginar como é forte a ligação — desenvolvida ao longo de tanto tempo — entre Jeová Deus e seu Filho? É óbvio que eles estão unidos pelo mais forte vínculo de amor que já existiu.
7. Quando Jesus se batizou, como Jeová expressou seus sentimentos em relação ao Filho?
7 Mesmo assim, Jeová enviou seu Filho para a Terra, onde nasceu como bebê humano. Ao fazer isso, o Pai abriu mão, por algumas décadas, do companheirismo achegado com seu Filho amado no céu. Com grande interesse, observou desde o céu Jesus crescer até se tornar um homem perfeito. Com cerca de 30 anos de idade, Jesus foi batizado. Não é preciso tentar adivinhar como Jeová se sentiu em relação a ele. O Pai em pessoa falou desde o céu: “Este é meu Filho, o amado, a quem eu aprovo.” (Mateus 3:17) Como deve ter ficado contente ao ver Jesus cumprir fielmente tudo o que havia sido profetizado, tudo o que lhe havia sido pedido! — João 5:36; 17:4.
8, 9. (a) O que Jesus sofreu em 14 de nisã de 33 EC e como isso afetou seu Pai celestial? (b) Por que Jeová permitiu que seu Filho sofresse e morresse?
8 Mas como Jeová se sentiu em 14 de nisã de 33 EC quando Jesus foi traído e preso por uma turba à noite; quando foi abandonado por seus amigos e submetido a um julgamento ilegal; quando o ridicularizaram, cuspiram nele e o esmurraram; quando foi açoitado, até que suas costas ficaram em carne viva; quando pregaram as mãos e os pés em um poste de madeira e ele foi pendurado para morrer, ao passo que as pessoas zombavam dele? Como o Pai se sentiu quando seu Filho amado, agonizando, clamou a ele? Como Jeová se sentiu quando Jesus deu seu último suspiro, quando, pela primeira vez desde o início de toda a criação, Seu Filho querido não existia mais? — Mateus 26:14-16, 46, 47, 56, 59, 67; 27:38-44, 46; João 19:1.
9 É impossível descrever apropriadamente os sentimentos de Jeová. Não há palavras para expressar a dor que ele sentiu com a morte de seu Filho. Mas o que pode ser explicado é o motivo de Jeová ter permitido que isso acontecesse. Por que o Pai se submeteu a esses sentimentos? Em João 3:16, um versículo bíblico tão importante que já foi chamado de “o Evangelho em miniatura”, Jeová nos faz uma revelação maravilhosa, dizendo: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele exercer fé não seja destruído, mas tenha vida eterna.” Assim, Jeová se sujeitou a todo aquele sofrimento por um só motivo: amor. Aquela dádiva de Deus — enviar seu Filho para sofrer e morrer por nós — foi o maior ato de amor de todos os tempos.
“Deus . . . deu o seu Filho unigênito”
Como se define o amor divino?
10. Que necessidade os humanos têm e o que se pode dizer sobre o sentido da palavra “amor”?
10 O que significa a palavra “amor”? O amor já foi descrito como a maior necessidade humana. Do berço ao túmulo, as pessoas o procuram, se desenvolvem sob sua influência e até definham e morrem por falta dele. Mesmo assim, é incrivelmente difícil defini-lo. É claro que as pessoas falam de amor o tempo todo. Incontáveis livros, canções e poemas são lançados sobre esse tema. Mas isso não ajuda a compreendê-lo melhor. Na verdade, a palavra é usada com tanta frequência que parece cada vez mais difícil descobrir o que realmente significa.
11, 12. (a) Onde podemos aprender muito sobre o amor, e por que ali? (b) O grego antigo tinha termos específicos para que tipos de amor e qual dessas palavras é usada com mais frequência nas Escrituras Gregas Cristãs? (Veja também a nota.) (c) Que ideia a palavra a·gá·pe passa muitas vezes nas Escrituras?
11 A Bíblia, porém, explica claramente o que é o amor. Um dicionário de termos bíblicos diz: “O amor só pode ser conhecido pelas ações que promove.” (Expository Dictionary of New Testament Words, de Vine) O registro bíblico sobre as ações de Jeová nos ensina muito sobre seu amor, a afeição bondosa que ele sente por suas criaturas. Por exemplo, já analisamos o supremo ato de amor de Jeová. Consegue pensar em uma maneira melhor de aprendermos sobre essa qualidade? Nos capítulos seguintes, veremos muitos outros exemplos do amor de Jeová em ação. Além disso, analisarmos as palavras originais para “amor” usadas na Bíblia nos ajudará a compreender melhor essa qualidade. No grego antigo, havia quatro palavras para “amor”.a Dessas, a mais frequentemente usada nas Escrituras Gregas Cristãs é a·gá·pe. Um dicionário bíblico diz que essa é “a mais poderosa palavra imaginável para amor”. Por quê?
12 Conforme usada na Bíblia, a palavra a·gá·pe muitas vezes passa a ideia de amor guiado por princípios. Assim, é mais do que apenas uma reação emocional em relação a outra pessoa. Seu alcance é maior; ele é mais absorvente e envolve reflexão. Acima de tudo, o amor cristão é totalmente abnegado. Por exemplo, leia novamente João 3:16. O que é “o mundo” que Deus amou tanto que deu seu Filho unigênito por ele? É o mundo da humanidade que pode ser resgatada. Inclui muitas pessoas que levam uma vida de pecado. Será que Jeová ama a cada uma delas como amigos pessoais, assim como amou o fiel Abraão? (Tiago 2:23) Não, mas Jeová amorosamente demonstra bondade a todos, mesmo que isso envolva grandes sacrifícios para si mesmo. Ele deseja que todos se arrependam e mudem de vida. (2 Pedro 3:9) Muitos fazem isso, e Ele tem prazer em acolher a esses como seus amigos.
13, 14. O que mostra que o amor cristão muitas vezes inclui afeição calorosa?
13 Alguns, porém, têm um conceito errado sobre o uso de a·gá·pe na Bíblia. Acham que se trata de um tipo de amor frio e intelectual. Na verdade, o amor cristão muitas vezes inclui calorosa afeição pessoal. Por exemplo, quando João escreveu: “O Pai ama o Filho”, usou uma forma da palavra a·gá·pe. Será que esse amor não inclui a afeição? Note que Jesus disse: “O Pai tem afeição pelo Filho”, usando uma forma da palavra fi·lé·o. (João 3:35; 5:20, nota) O amor de Jeová muitas vezes inclui terna afeição. Mas essa qualidade dele nunca é influenciada por mero sentimentalismo; sempre é guiada por princípios sábios e justos.
14 Como vimos, todas as qualidades de Jeová são inigualáveis, perfeitas e atraentes. Mas a que mais nos atrai a Ele é o amor. Felizmente, esta é também Sua qualidade dominante. Como sabemos disso?
“Deus é amor”
15. Que declaração a Bíblia faz sobre o atributo do amor de Jeová, e em que sentido essa declaração é única? (Veja também a nota.)
15 A Bíblia usa uma expressão, a respeito do amor, que nunca utiliza para descrever nenhum dos outros atributos principais de Jeová. As Escrituras não dizem que Deus é poder, que Deus é justiça nem mesmo que Deus é sabedoria. Ele possui essas qualidades, é a derradeira Fonte delas e, no que se refere a demonstrá-las, ninguém se compara a ele. Mas a respeito do quarto atributo, usa-se uma expressão que dá o que pensar: “Deus é amor.”b (1 João 4:8) O que isso significa?
16-18. (a) Por que a Bíblia diz que “Deus é amor”? (b) De todas as criaturas na Terra, por que o homem é um símbolo apropriado do atributo divino do amor?
16 A expressão “Deus é amor” não se trata de uma espécie de fórmula matemática, como se a Bíblia quisesse dizer que “Deus é igual a amor”. Além disso, não se pode inverter a ordem da frase; seria incorreto dizer: “O amor é Deus.” Jeová é muito mais do que uma qualidade abstrata. Ele é uma Pessoa com muitos sentimentos e características além do amor. Mas essa qualidade é parte fundamental de Deus como pessoa. Por isso, uma obra de referência diz o seguinte sobre esse versículo: “O amor está na própria essência ou natureza de Deus.” De modo geral, podemos entender a questão da seguinte maneira: o poder de Jeová lhe possibilita agir; a justiça e a sabedoria guiam seus atos; mas é o amor que o motiva a agir. E, quando usa seus outros atributos, Jeová sempre inclui o amor.
17 Muitas vezes se diz que Jeová é a própria personificação do amor. Assim, se quisermos aprender a respeito desse amor baseado em princípios, temos de aprender sobre Ele. É claro que os humanos também são capazes de demonstrar essa bela qualidade. Por quê? Na época da criação, Jeová falou, evidentemente ao seu Filho: “Façamos o homem à nossa imagem, segundo a nossa semelhança.” (Gênesis 1:26) De todas as criaturas na Terra, apenas o ser humano pode decidir amar e, assim, imitar seu Pai celestial. Lembre-se de que Jeová usou várias criaturas para simbolizar seus atributos principais. Mas escolheu sua mais elevada criação terrestre, o homem, como símbolo de Sua qualidade dominante, o amor. — Ezequiel 1:10.
18 Se nosso amor for altruísta e baseado em princípios, estaremos refletindo a qualidade dominante de Jeová. É exatamente como o apóstolo João escreveu: “Nós amamos porque ele nos amou primeiro.” (1 João 4:19) Mas de que maneiras Jeová nos amou primeiro?
Jeová tomou a iniciativa
19. Por que se pode dizer que o amor desempenhou um papel vital na obra criativa de Jeová?
19 O amor não é algo novo. Afinal, o que levou Jeová a começar a criar? Não foi solidão nem necessidade de companhia. Jeová é completo e perfeito em si mesmo; não lhe falta nada que outra pessoa possa suprir. Mas seu amor, uma qualidade ativa, o motivou a querer partilhar as alegrias da vida com criaturas inteligentes, capazes de apreciar essa dádiva. “O princípio da criação de Deus” foi seu Filho unigênito. (Apocalipse 3:14) Daí, Jeová usou esse trabalhador perito para trazer todas as outras coisas à existência, a começar pelos anjos. (Jó 38:4, 7; Colossenses 1:16) Abençoados com liberdade, inteligência e sentimentos, esses espíritos poderosos tiveram a oportunidade de formar seus próprios laços de amor: uns com os outros e, acima de tudo, com Jeová Deus. (2 Coríntios 3:17) Assim, amaram porque foram amados primeiro.
20, 21. Que provas Adão e Eva tinham de que Jeová os amava, mas como reagiram?
20 O mesmo se deu com a humanidade. Desde o início, Adão e Eva estavam praticamente cercados de amor. Para todo lado que olhassem no seu lar paradisíaco, o Éden, podiam ver provas do amor de seu Pai por eles. A Bíblia diz: “Jeová Deus plantou um jardim no Éden, no leste, e ali pôs o homem que havia formado.” (Gênesis 2:8) Já esteve num belíssimo jardim ou parque? Do que gostou mais? Da luz atravessando as folhagens e iluminando um canto sombrio? Do impressionante arco-íris de flores num canteiro? Da música de fundo produzida pelo murmúrio de um riacho, pelo canto dos pássaros e pelo zumbido dos insetos? Do perfume de árvores, flores e frutos? Seja como for, nenhum parque de hoje chega aos pés do Éden. Por quê?
21 O próprio Jeová plantou aquele jardim! Deve ter sido um lugar indescritivelmente belo. Havia ali todo tipo de árvore frutífera ou ornamental. O jardim era bem irrigado, espaçoso e com uma variedade fascinante de animais. Adão e Eva tinham tudo de que precisavam para ter uma vida feliz e satisfatória, incluindo trabalho gratificante e companheirismo perfeito. Jeová os amou primeiro e eles tinham motivos de sobra para retribuir esse amor. Mas não fizeram isso. Em vez de amorosamente obedecer ao seu Pai celestial, eles, de forma egoísta, se rebelaram contra Ele. — Gênesis, capítulo 2.
22. Como a reação de Jeová à rebelião no Éden provou que Seu amor é leal?
22 Como isso deve ter sido doloroso para Jeová! Mas será que Jeová ficou ressentido por causa dessa rebelião? Não! “O seu amor leal dura para sempre.” (Salmo 136:1) Assim, de forma amorosa, ele imediatamente tomou providências para resgatar os descendentes de Adão e Eva que tivessem a disposição correta. Como vimos, entre esses preparativos estava o sacrifício de resgate de Seu Filho amado, que lhe custou tão caro. — 1 João 4:10.
23. Por que Jeová é o “Deus feliz”, e o próximo capítulo tratará de que pergunta vital?
23 De fato, desde o início Jeová tomou a iniciativa de mostrar amor à humanidade. De incontáveis maneiras, “ele nos amou primeiro”. O amor promove harmonia e alegria, de modo que não é de admirar que Jeová seja descrito como o “Deus feliz”. (1 Timóteo 1:11) Mas surge uma pergunta importante: Será que Jeová realmente nos ama em base individual? O próximo capítulo tratará dessa questão.
a O verbo fi·lé·o, que significa “ter afeição por ou gostar de (como de um amigo achegado ou irmão)”, é usado com frequência nas Escrituras Gregas Cristãs. Uma forma da palavra stor·gé, o amor por parentes achegados, é usada em 2 Timóteo 3:3 para mostrar que esse amor estaria em falta nos últimos dias. É·ros, o amor romântico entre os sexos, não é um termo usado nas Escrituras Gregas Cristãs, embora esse tipo de amor seja mencionado na Bíblia. — Provérbios 5:15-20.
b Outras declarações bíblicas têm estrutura semelhante. Por exemplo, “Deus é luz” e “Deus é um fogo consumidor”. (1 João 1:5; Hebreus 12:29) Mas essas devem ser entendidas como metáforas, pois comparam Jeová a coisas físicas. Ele é como a luz, pois é santo e reto. A “escuridão”, ou impureza, não tem nada que ver com ele. E ele pode ser comparado ao fogo, porque pode usar seu poder de forma destrutiva.
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Nada pode “nos separar do amor de Deus”Achegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 24
Nada pode “nos separar do amor de Deus”
1. Que sentimentos negativos afligem muitas pessoas, incluindo alguns cristãos verdadeiros?
SERÁ que Jeová Deus ama você como pessoa? Alguns concordam que Deus ama a humanidade em geral, conforme diz João 3:16, mas pensam: “Deus nunca poderia amar a mim como indivíduo.” Até mesmo cristãos verdadeiros vez por outra têm dúvidas a esse respeito. Um homem desanimado disse: “Acho muito difícil crer que Deus se importe comigo.” Sente dúvidas como essas de vez em quando?
2, 3. Quem deseja que acreditemos que, aos olhos de Jeová, somos inúteis ou que não merecemos ser amados? Como podemos combater essa ideia?
2 O que Satanás mais deseja é fazer-nos acreditar que Jeová Deus não nos ama nem nos dá valor. É verdade que muitas vezes ele seduz as pessoas apelando para a vaidade e o orgulho. (2 Coríntios 11:3) Mas ele também tem prazer em destruir o amor-próprio das pessoas mais vulneráveis. (João 7:47-49; 8:13, 44) Isso se dá, em especial, nestes “últimos dias” críticos. Muitos hoje são criados em famílias ‘desnaturadas’; outros têm tratos diários com gente violenta, egoísta e teimosa. (2 Timóteo 3:1-5) Anos de maus-tratos, racismo ou ódio talvez os tenham convencido de que não valem nada e que não merecem ser amados.
3 Se você tiver esses sentimentos negativos no íntimo, não se desespere. Muitos de nós, de vez em quando, somos um pouco duros demais com nós mesmos. Mas lembre-se de que a Palavra de Deus serve para “endireitar as coisas” e “demolir fortalezas”. (2 Timóteo 3:16; 2 Coríntios 10:4) A Bíblia diz: “Tranquilizaremos o nosso coração diante dele sempre que o nosso coração nos condenar, porque Deus é maior do que o nosso coração e sabe todas as coisas.” (1 João 3:19, 20) Vamos analisar, então, quatro maneiras em que as Escrituras nos ajudam a ‘tranquilizar o nosso coração’ com relação ao amor de Jeová.
Jeová o considera precioso
4, 5. Como a ilustração de Jesus sobre os pardais mostra que temos valor aos olhos de Jeová?
4 Primeiro, a Bíblia ensina de forma bem direta que Deus dá valor a cada um de seus servos. Por exemplo, Jesus disse: “Não se vendem dois pardais por uma moeda de pequeno valor? Contudo, nem mesmo um deles cairá no chão sem o conhecimento do Pai de vocês. Mas até mesmo os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados. Portanto, não tenham medo; vocês valem mais do que muitos pardais.” (Mateus 10:29-31) Vejamos o que essas palavras significavam para os ouvintes de Jesus no primeiro século.
“Vocês valem mais do que muitos pardais””
5 Talvez você se pergunte por que alguém compraria um pardal. Acontece que, nos dias de Jesus, o pardal era a ave mais barata vendida como alimento. Note que, com uma moeda de pouco valor, o comprador podia levar dois pardais. Mais tarde, porém, Jesus declarou que, se a pessoa tivesse duas moedas, poderia comprar, não quatro pardais, mas cinco. O pássaro extra era acrescentado como se não tivesse nenhum valor. Talvez essas criaturas fossem sem valor aos olhos dos homens, mas como o Criador as encarava? Jesus disse: “Nem mesmo um deles [nem mesmo o pássaro extra] é esquecido por Deus.” (Lucas 12:6, 7) Com isso, começamos a entender o que Jesus queria dizer: se Jeová dá tanto valor a um único pardal, quanto mais valioso ele deve considerar um ser humano! Como Jesus explicou, Deus sabe de todos os detalhes a nosso respeito. Ora, até os nossos cabelos estão contados!
6. Como sabemos que Jesus estava sendo realista quando falou que nossos cabelos estão contados?
6 Nossos cabelos estão contados? Alguns acham essa ilustração de Jesus um pouco fantasiosa. Mas pense na esperança da ressurreição. Jeová deve nos conhecer muito bem para poder nos recriar. Ele nos considera tão valiosos que se lembra de cada detalhe, incluindo nosso código genético, todos os nossos anos de lembranças e as coisas que passamos na vida.a Em comparação com isso, contar nossos cabelos (em média a cabeça humana tem uns 100 mil fios) seria uma façanha simples.
O que Jeová vê em nós?
7, 8. (a) Ao sondar o coração dos humanos, Jeová fica contente quando se depara com que qualidades? (b) Quais são algumas das nossas obras a que Jeová dá valor?
7 Em segundo lugar, a Bíblia ensina-nos o que Jeová aprecia nos seus servos: em termos simples, nossas boas qualidades e nossos esforços. O Rei Davi disse ao seu filho Salomão: “Jeová examina todos os corações e discerne toda inclinação dos pensamentos.” (1 Crônicas 28:9) Ao sondar bilhões de corações humanos neste mundo violento e cheio de ódio, como Jeová deve ficar contente quando encontra um coração que ama a paz, a verdade e a justiça! O que acontece quando Deus encontra um coração cheio de amor por ele, que procura aprender sobre ele e transmitir esse conhecimento a outros? Jeová nos informa que ele presta atenção aos que falam com outros a Seu respeito. Ele até mesmo tem “um livro de recordação” para todos ‘os que temem a Jeová e para os que meditam no seu nome’. (Malaquias 3:16) Para ele, essas qualidades são preciosas.
8 Quais são algumas das boas obras a que Jeová dá valor? Sem dúvida, aos esforços que fazemos para imitar o seu Filho, Jesus Cristo. (1 Pedro 2:21) Uma obra muito importante que Deus aprecia é a divulgação das boas novas do Reino. Lemos, em Romanos 10:15: “Como são lindos os pés daqueles que declaram boas novas de coisas boas!” Normalmente talvez não consideremos nossos humildes pés como “lindos”, ou belos. Mas aqui eles representam os esforços dos servos de Jeová para pregar as boas novas. Esse empenho é belo e precioso aos Seus olhos. — Mateus 24:14; 28:19, 20.
9, 10. (a) Por que podemos ter certeza de que Jeová dá valor à nossa perseverança em face de várias dificuldades? (b) Jeová nunca tem que conceito negativo sobre seus servos fiéis?
9 Jeová também dá valor à nossa perseverança. (Mateus 24:13) Lembre-se de que Satanás quer que você dê as costas a Jeová. Cada dia que você permanece leal a Deus é mais um dia em que ajudou a dar uma resposta às zombarias de Satanás. (Provérbios 27:11) Nem sempre é fácil perseverar. Problemas de saúde, dificuldades financeiras, aflição emocional e outros obstáculos podem tornar cada dia que passa uma provação. Expectativas adiadas também podem ser muito desanimadoras. (Provérbios 13:12) Quando nos mantemos firmes em face dessas provações, Jeová dá ainda mais valor à nossa perseverança. Foi por isso que o Rei Davi pediu que Deus guardasse suas lágrimas num “odre” e acrescentou, confiante: “Não estão registradas no teu livro?” (Salmo 56:8) Sem dúvida, Jeová dá muito valor a todas as nossas lágrimas e aos sofrimentos que suportamos ao manter nossa lealdade a ele, não se esquecendo disso. São coisas valiosas aos seus olhos.
Jeová aprecia a nossa perseverança em face de provações
10 Mas talvez achemos difícil aceitar essas provas de nosso valor aos olhos de Deus se o nosso coração nos condena. Ele talvez sussurre insistentemente: ‘Mas há tantos outros que são mais exemplares do que eu. Como Jeová deve ficar desapontado quando me compara com eles!’ Mas o Criador não faz comparações, nem tem um conceito rígido ou severo. (Gálatas 6:4) Ele examina a fundo os corações humanos e dá valor às boas qualidades, mesmo que sejam mínimas.
Jeová procura o que temos de bom
11. Ao analisar o modo como Jeová lidou com Abias, o que aprendemos sobre nosso Criador?
11 Terceiro, quando Jeová nos examina, ele procura cuidadosamente o que temos de bom. Por exemplo, quando decretou que toda a dinastia apóstata do Rei Jeroboão fosse executada, Ele ordenou que Abias, um dos filhos do rei, recebesse um enterro decente. Por quê? “Jeová, o Deus de Israel, achou algo de bom” nele. (1 Reis 14:1, 10-13) Jeová, na verdade, examinou o coração daquele jovem e encontrou “algo de bom” nele. Talvez se tratasse de muito pouca bondade, mas mesmo assim Deus considerou apropriado registrar isso na sua Palavra. Ele até recompensou aquele único membro de uma família apóstata, mostrando-lhe a misericórdia que julgou apropriada.
12, 13. (a) Como o caso do Rei Jeosafá mostra que Jeová procura o que temos de bom mesmo quando pecamos? (b) No que se refere a nossas boas obras e qualidades, em que sentido Jeová age como um Pai amoroso?
12 Há um exemplo ainda mais positivo: o do bom Rei Jeosafá. Quando ele cometeu um ato tolo, o profeta de Jeová lhe disse: “Por causa disso, Jeová está indignado com o senhor.” De fato, palavras preocupantes! Mas a mensagem de Jeová não parou por aí. Acrescentou: “No entanto, há coisas boas no senhor.” (2 Crônicas 19:1-3) De modo que, apesar de sua ira justa, Jeová não ficou cego para com a bondade de Jeosafá. Como isso é diferente do modo como agem os humanos imperfeitos! Quando ficamos aborrecidos com outros, nossa tendência é desconsiderar o que eles têm de bom. E, quando pecamos, o desapontamento, a vergonha e a culpa que sentimos nos fazem esquecer das boas qualidades que nós mesmos temos. Lembre-se, porém, de que, se nos arrependermos de nossos pecados e fizermos bastante esforço para não repeti-los, Jeová nos perdoará.
13 Quando nos examina, Jeová põe de lado esses pecados, mais ou menos como um minerador à procura de ouro descarta o cascalho sem valor. E o que faz com nossas boas qualidades e obras? Ah, essas são as “pepitas” que ele guarda. Já notou que pais amorosos muitas vezes guardam os desenhos e trabalhos escolares dos filhos — às vezes por décadas, quando os filhos até já se esqueceram deles? Jeová é o Pai mais amoroso que existe. Se permanecermos fiéis, ele nunca se esquecerá de nossas boas obras e qualidades. De fato, ele consideraria uma injustiça esquecer-se delas — e ele nunca é injusto. (Hebreus 6:10) Jeová também procura o que temos de bom de outra maneira.
14, 15. (a) Por que nossas imperfeições não impedem Jeová de notar o que temos de bom? Ilustre isso. (b) O que Jeová fará com as coisas boas que achar em nós, e como ele encara seu povo fiel?
14 Em vez de se concentrar em nossas imperfeições, Jeová vê o nosso potencial. Para ilustrar: os amantes da arte não medem esforços para restaurar pinturas ou outras obras seriamente danificadas. Por exemplo, quando alguém danificou com uma espingarda um esboço de Leonardo da Vinci, avaliado em mais de 30 milhões de dólares, na Galeria Nacional, em Londres, ninguém sugeriu que o desenho fosse jogado fora só porque estava danificado. O trabalho de restauração da obra-prima de quase 500 anos começou imediatamente. Por quê? Porque ela era preciosa para os amantes da arte. Será que você não vale mais do que um desenho a giz e carvão? Aos olhos de Deus, sem dúvida vale — não importa quanto a imperfeição herdada o tenha danificado. (Salmo 72:12-14) Jeová Deus, o perito Criador da família humana, fará o que for preciso para restabelecer à perfeição todos os que corresponderem ao seu cuidado amoroso. — Atos 3:21; Romanos 8:20-22.
15 É evidente que Jeová vê o que cada um de nós tem de bom, mesmo que nós não vejamos isso. E à medida que o servirmos, ele fará com que aquilo que temos de bom aumente até que, por fim, alcancemos a perfeição. Não importa como o mundo de Satanás tenha nos tratado, Jeová considera seus servos fiéis como preciosos. — Ageu 2:7.
Jeová demonstra seu amor de forma ativa
16. Qual é a maior prova do amor de Jeová por nós, e como sabemos que essa dádiva foi feita para nós pessoalmente?
16 Em quarto lugar, Jeová faz muitas coisas para provar seu amor por nós. Sem dúvida, a melhor resposta à mentira satânica de que nós não valemos nada e que não merecemos ser amados é o sacrifício resgatador de Cristo. Nunca se esqueça de que a morte agonizante de Jesus na estaca de tortura e a agonia ainda maior que Jeová teve de suportar, observando a morte de seu Filho amado, foram prova do amor deles por nós. Infelizmente, muitas pessoas acham difícil aceitar que essa dádiva foi feita para elas pessoalmente. Sentem-se indignas. Lembre-se, porém, de que o apóstolo Paulo, que havia sido perseguidor dos seguidores de Cristo, escreveu: ‘O Filho de Deus me amou e se entregou por mim.’ — Gálatas 1:13; 2:20.
17. De que maneiras Jeová nos atrai a si mesmo e ao seu Filho?
17 Jeová nos dá provas de seu amor ajudando cada um de nós a tirar proveito do sacrifício de Cristo, que disse: “Ninguém pode vir a mim, a menos que o Pai, que me enviou, o atraia.” (João 6:44) Ou seja, Jeová pessoalmente nos atrai a seu Filho e à esperança de vida eterna. Como? Por meio da pregação, que alcança cada um de nós, e do seu espírito santo, que ele usa para nos ajudar a compreender e aplicar as verdades espirituais, apesar de nossas limitações e imperfeições. Por isso, Jeová pode dizer a nosso respeito o mesmo que disse sobre Israel: “Eu amo você com um amor eterno. Por isso eu [o] atraí a mim com amor leal.” — Jeremias 31:3.
18, 19. (a) Por meio do que sentimos o amor de Jeová por nós de forma mais íntima, e o que mostra que ele cuida dessa atribuição pessoalmente? (b) Como a Palavra de Deus nos assegura que Jeová escuta com empatia?
18 É possivelmente por meio do privilégio da oração que sentimos o amor de Jeová de forma mais íntima. A Bíblia convida cada um de nós a ‘orar constantemente’ a Deus. (1 Tessalonicenses 5:17) Ele nos escuta. É até mesmo chamado de “Ouvinte de oração”. (Salmo 65:2) Não delegou essa função a nenhuma outra pessoa — nem mesmo ao seu próprio Filho. Imagine: o Criador do Universo incentiva-nos a nos dirigir a ele em oração, com franqueza no falar. E que tipo de ouvinte ele é: frio, apático, insensível? De modo algum.
19 Jeová demonstra empatia. O que quer dizer essa palavra? Um fiel servo idoso de Jeová disse: “A empatia é a sua dor no meu coração.” Será que Jeová é mesmo afetado pela nossa dor? A respeito do sofrimento de seu povo, Israel, lemos: “Durante toda a aflição deles, ele também ficou aflito.” (Isaías 63:9) Jeová não apenas via os problemas deles; ele sofria junto com seu povo. Comprovando quanto ele sente, note essas palavras do próprio Jeová aos seus servos: “Aquele que toca em vocês, toca na menina do meu olho.”b (Zacarias 2:8) Isso seria muito doloroso. De fato, Jeová compartilha a nossa dor. Quando sofremos, ele sofre junto.
20. Se quisermos obedecer ao conselho de Romanos 12:3, que raciocínio desequilibrado deveremos evitar?
20 Naturalmente, nenhum cristão equilibrado usaria essa evidência do amor e da estima de Deus como desculpa para demonstrar orgulho ou egoísmo. O apóstolo Paulo escreveu: “Por meio da bondade imerecida que me foi concedida, digo a cada um de vocês que não pense de si mesmo mais do que é necessário pensar, mas que cada um pense de um modo que revele bom senso, conforme a medida de fé que Deus lhe deu.” (Romanos 12:3) Outra tradução diz assim: “Digo a todos vocês que não se achem melhores do que realmente são. Pelo contrário, pensem com humildade a respeito de vocês mesmos.” (Bíblia na Linguagem de Hoje) Assim, ao passo que desfrutamos do amor de nosso Pai celestial, devemos ser ajuizados e lembrar-nos de que o amor de Deus é imerecido. — Lucas 17:10.
21. Que mentiras satânicas devemos continuar a rejeitar, e que verdade divina nos ajudará a nos ‘tranquilizarmos’, ou nos convencermos de coração, que Jeová nos ama?
21 Façamos tudo ao nosso alcance para rejeitar todas as mentiras de Satanás, incluindo a de que não valemos nada e que não merecemos ser amados. Se por causa daquilo que passou na vida você se considera um obstáculo tão grande que nem mesmo o amor imenso de Deus pode superar, ou pensa que suas boas obras são insignificantes demais para serem notadas mesmo pelos olhos dele, que observam tudo, ou acha seus pecados graves demais para serem cobertos mesmo pela morte do Filho precioso dele, então lhe ensinaram uma mentira. Rejeite de todo o coração mentiras como essas! Que a verdade expressa nas palavras inspiradas do apóstolo Paulo nos ajude a nos ‘tranquilizarmos’, ou nos convencermos de coração, que Jeová nos ama! Ele disse: “Estou convencido de que nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem governos, nem coisas presentes, nem coisas por vir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criação será capaz de nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.” — Romanos 8:38, 39.
a A Bíblia vez após vez relaciona a esperança da ressurreição com a memória de Jeová. O fiel Jó lhe disse: “Quem dera que . . . estabelecesses um tempo e então te lembrasses de mim!” (Jó 14:13) Jesus falou da ressurreição de “todos os que estão nos túmulos memoriais”. Isso é apropriado porque Jeová se lembra perfeitamente dos mortos que ele vai ressuscitar. — João 5:28, 29.
b Algumas traduções desse texto dão a entender que quem toca no povo de Deus toca no próprio olho ou no olho de Israel, não no de Deus. Esse erro foi introduzido por escribas que consideravam esse trecho irreverente e, por isso, o “corrigiram”. Esse esforço mal direcionado obscureceu a intensidade da empatia pessoal de Jeová.
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A “terna compaixão do nosso Deus”Achegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 25
A “terna compaixão do nosso Deus”
1, 2. (a) Qual é a reação natural da mãe ao choro do bebê? (b) Que sentimento é mais forte do que a compaixão materna?
UM CHORO no meio da noite. Imediatamente, a mãe acorda. Desde que o bebê nasceu, ela nunca mais dormiu tão profundamente como antes. Além disso, aprendeu a identificar os diferentes choros do filho e, assim, sabe se ele quer mamar, ser embalado ou se precisa de alguma outra coisa. Mas não importa qual seja a razão do choro do bebê, a mãe sempre lhe dá atenção. Seu coração a impede de ignorar as necessidades da criança.
2 A compaixão da mãe pelo filho está entre os sentimentos mais afetuosos conhecidos pelos humanos. Mas existe um sentimento infinitamente mais forte: a terna compaixão de nosso Deus, Jeová. Uma análise dessa qualidade maravilhosa ajudará a nos achegarmos mais a Ele. Vejamos, então, o que é compaixão e como nosso Deus a manifesta.
O que é compaixão?
3. Qual é o significado do verbo hebraico traduzido “mostrar misericórdia” ou “ter pena”?
3 Na Bíblia, compaixão e misericórdia estão intimamente ligadas. Várias palavras hebraicas e gregas transmitem a ideia de terna compaixão. Veja, por exemplo, o verbo hebraico ra·hhám, frequentemente traduzido “mostrar misericórdia” ou “ter pena”. Uma obra de referência explica que o verbo ra·hhám “expressa um sentimento profundo e terno de compaixão, tal como o que é provocado por vermos fraquezas ou sofrimentos naqueles que nos são queridos ou que precisam da nossa ajuda”. Esse termo hebraico, que Jeová aplica a si mesmo, se relaciona com a palavra para “útero” e pode ser descrito como “compaixão maternal”.a — Êxodo 33:19; Jeremias 33:26.
“Será que uma mulher pode se esquecer do seu bebê?”
4, 5. Como a Bíblia usa os sentimentos que a mãe tem pelo bebê para nos ensinar sobre a compaixão de Jeová?
4 A Bíblia usa os sentimentos que a mãe tem pelo bebê para nos ensinar o sentido da compaixão de Jeová. Em Isaías 49:15 lemos: “Será que uma mulher pode se esquecer do seu bebê, e não sentir compaixão [ra·hhám] pelo filho do seu ventre? Mesmo que essas mulheres se esquecessem, eu nunca me esqueceria de você.” Essa descrição emocionante destaca a intensidade da compaixão de Jeová pelo seu povo. Como assim?
5 É difícil imaginar que uma mãe se esqueça de amamentar e cuidar do bebê. Afinal, a criança é indefesa e precisa da atenção e do afeto materno 24 horas por dia! Infelizmente, porém, a negligência materna não é tão incomum assim, em especial nestes “tempos críticos” marcados pela existência de pessoas ‘desnaturadas’. (2 Timóteo 3:1, 3) Mas Jeová diz: “Eu nunca me esqueceria de você.” A terna compaixão que Deus sente pelo seu povo é infalível. O mais afetuoso sentimento natural que conhecemos é a compaixão que a mãe costuma sentir pelo bebê. Mas a compaixão divina é incomparavelmente mais forte. Não é de admirar que um comentarista tenha dito o seguinte sobre Isaías 49:15: “Essa é uma das mais intensas (talvez a mais intensa) expressões do amor de Deus no Velho Testamento.”
6. Qual é a opinião de muitos humanos imperfeitos a respeito da terna compaixão, mas do que Jeová nos assegura?
6 Será que essa terna compaixão é sinal de fraqueza? Na opinião de muitos humanos imperfeitos, sim. Por exemplo, o filósofo romano Sêneca, contemporâneo de Jesus e um dos mais importantes intelectuais de Roma, ensinava que “sentir pena é uma fraqueza da mente”. Sêneca era partidário do estoicismo, a filosofia que dava ênfase à calma desprovida de sentimentos. O sábio podia ajudar os necessitados, dizia ele, mas não devia ter pena, porque esse sentimento o privaria da serenidade. Segundo esse raciocínio egocêntrico, era inadmissível demonstrar compaixão de coração. Mas Jeová não é assim. Na sua Palavra, ele nos assegura que “tem grande compaixão e é misericordioso”. (Tiago 5:11) Como veremos, a compaixão não é uma fraqueza, mas uma qualidade forte e vital. Analisemos como Jeová, igual a um pai ou uma mãe amorosos, a manifesta.
Jeová mostrou compaixão por uma nação
7, 8. Como os israelitas sofreram no Egito antigo, e qual foi a reação de Jeová aos sofrimentos deles?
7 Pode-se observar claramente a compaixão de Jeová no modo como ele lidou com a nação de Israel. No fim do século 16 AEC, milhões de israelitas eram escravos no Egito antigo. Ali, eram muito oprimidos, pois os egípcios “tornaram a sua vida amarga com a pesada tarefa de fabricar argamassa de argila e tijolos, e com toda forma de escravidão”. (Êxodo 1:11, 14) Por causa da aflição, os israelitas clamaram a Jeová por ajuda. Como o Deus de terna compaixão reagiu?
8 A súplica do povo tocou o coração de Jeová. Ele disse: “Certamente vi a aflição do meu povo, que está no Egito, e ouvi seu clamor por causa daqueles que os obrigam a trabalhar; e sei muito bem quanto estão sofrendo.” (Êxodo 3:7) Jeová não conseguia ver o sofrimento do seu povo ou ouvir seus clamores sem sentir pena deles. Como vimos no Capítulo 24 deste livro, Jeová é um Deus de empatia. Essa qualidade — definida como a habilidade de sentir a dor dos outros — está intimamente ligada à compaixão. Mas, em vez de apenas sentir pena do seu povo, Jeová foi motivado a agir em favor dele. Isaías 63:9 diz: “Por amor e compaixão, ele os resgatou.” Com “mão poderosa”, Deus resgatou os israelitas do Egito. (Deuteronômio 4:34) Posteriormente, forneceu-lhes alimento de forma milagrosa e conduziu-os a uma terra fértil.
9, 10. (a) Por que Jeová libertou os israelitas repetidas vezes depois de eles se estabelecerem na Terra Prometida? (b) Nos dias de Jefté, Jeová libertou os israelitas de que opressão, e o que o levou a fazer isso?
9 A compaixão de Jeová, porém, não parou por aí. Depois de se estabelecer na Terra Prometida, Israel repetidas vezes se tornou infiel e sofreu as consequências disso. Mas então o povo caía em si, suplicava a Jeová e ele os livrava, vez após vez. Por quê? “Porque tinha compaixão do seu povo.” — 2 Crônicas 36:15; Juízes 2:11-16.
10 Veja o que aconteceu nos dias de Jefté. Visto que os israelitas haviam passado a adorar deuses falsos, Jeová permitiu que os amonitas os oprimissem por 18 anos. Por fim, se arrependeram. A Bíblia nos diz: “E eles eliminaram os deuses estrangeiros que havia no meio deles e serviram a Jeová, de modo que ele não suportou mais ver o sofrimento de Israel.”b (Juízes 10:6-16) Uma vez que seu povo demonstrou arrependimento genuíno, Jeová não pôde mais suportar vê-los sofrer. De modo que o Deus de terna compaixão habilitou Jefté para livrar os israelitas das mãos de seus inimigos. — Juízes 11:30-33.
11. Quando analisamos os tratos de Jeová com os israelitas, o que aprendemos sobre a compaixão?
11 O que os tratos de Jeová com a nação de Israel nos ensinam a respeito da terna compaixão? Primeiro, é fácil perceber que não se trata apenas de notar os problemas que as pessoas estão passando. Lembre-se do exemplo de compaixão da mãe que dá pronta atenção ao choro do bebê. De modo similar, Jeová não se faz de surdo diante das súplicas do seu povo. Sua terna compaixão o motiva a aliviar o sofrimento dele. Além disso, o modo como Jeová lidou com os israelitas nos ensina que a compaixão não é uma fraqueza, pois essa qualidade bondosa o levou a tomar ação firme e decisiva a favor do seu povo. Mas será que Jeová só mostra compaixão aos seus servos coletivamente?
Jeová demonstra compaixão em base individual
12. Como a Lei refletia a compaixão que Jeová sente pelas pessoas em base individual?
12 A Lei que Deus deu à nação de Israel mostrou a compaixão que ele sente pelas pessoas em base individual. Um exemplo disso é sua preocupação com os pobres. Jeová sabia que, devido a circunstâncias inesperadas, um israelita poderia acabar se atolando na pobreza. Como os pobres deviam ser tratados? Jeová deu uma ordem direta aos israelitas: “Não endureça o coração nem feche a mão para o seu irmão pobre. Você deve lhe dar generosamente; não deve lhe dar com má vontade, pois é por isso que Jeová, seu Deus, abençoará todos os seus trabalhos e tudo que você realizar.” (Deuteronômio 15:7, 10) Deus também ordenou que não colhessem totalmente as beiradas dos campos nem juntassem as sobras. A respiga deveria ser deixada para os menos favorecidos. (Levítico 23:22; Rute 2:2-7) Quando a nação de Israel obedecia a essas leis bondosas a favor dos pobres no seu meio, esses não precisavam mendigar por comida. Não concorda que isso refletia a terna compaixão de Jeová?
13, 14. (a) Como as palavras de Davi nos asseguram que Jeová está profundamente interessado em nós como indivíduos? (b) Como se pode ilustrar que Jeová está perto quando estamos com o “coração quebrantado” ou o “espírito esmagado”?
13 Hoje também nosso Deus amoroso está profundamente interessado em nós como indivíduos. Podemos ter certeza de que ele está plenamente ciente de qualquer sofrimento que passemos. O salmista Davi escreveu: “Os olhos de Jeová estão sobre os justos, e os seus ouvidos escutam o seu clamor por ajuda. Jeová está perto dos que têm coração quebrantado, ele salva os que têm espírito esmagado.” (Salmo 34:15, 18) Um comentarista bíblico disse o seguinte a respeito dos que são descritos nas palavras acima: “Têm o coração quebrantado e espírito contrito, isto é, o pecado os torna humildes e têm pouca autoestima; eles se acham insignificantes e não confiam nos próprios méritos.” Talvez achem que Jeová está muito distante deles e que são insignificantes demais para que Deus se preocupe com eles. Mas não é bem assim. As palavras de Davi nos asseguram que Jeová não abandona os que “se acham insignificantes”. Nosso Deus compassivo sabe que, nessas ocasiões, precisamos dele mais do que nunca e ele está sempre perto de nós.
14 Preste atenção à seguinte história: uma mãe nos Estados Unidos correu para o hospital com o filho de dois anos que estava com uma grave inflamação na garganta. Depois de examinar o menino, os médicos informaram a mãe de que, aquela noite, ele teria de ficar em observação no hospital. Onde você acha que a mãe passou a noite? Numa cadeira no quarto de hospital, ao lado do leito do filho! Seu filhinho estava doente e ela simplesmente tinha de ficar por perto. Sem dúvida, podemos esperar que nosso amoroso Pai celestial faça ainda mais por nós! Afinal, fomos criados à imagem dele. (Gênesis 1:26) As palavras comoventes do Salmo 34:18 nos dizem que, quando estamos com o “coração quebrantado” ou o “espírito esmagado”, Jeová, como um pai amoroso, “está perto” — sempre compassivo e pronto para ajudar.
15. De que maneiras Jeová nos ajuda individualmente?
15 Como, então, Jeová nos ajuda individualmente? Nem sempre ele remove a causa dos nossos sofrimentos. Mas ele fez muitas provisões para os que imploram a Sua ajuda. Sua Palavra, a Bíblia, fornece conselhos práticos que auxiliam bastante. Na congregação, Jeová providenciou que superintendentes espiritualmente qualificados, que se esforçam para refletir a compaixão divina, deem atenção aos seus companheiros de adoração. (Tiago 5:14, 15) Como “Ouvinte de oração”, ele dará “espírito santo aos que lhe pedirem”. (Salmo 65:2; Lucas 11:13) Esse espírito pode nos dar o “poder além do normal” a fim de perseverarmos até que o Reino de Deus remova todos os problemas estressantes. (2 Coríntios 4:7) Não somos gratos por tudo o que Jeová faz por nós? Não nos esqueçamos de que essas são demonstrações da terna compaixão de Deus.
16. Qual é o maior exemplo da compaixão de Jeová, e como nos afeta pessoalmente?
16 Naturalmente, o maior exemplo da compaixão de Jeová é o fato de ele ter entregado seu Filho mais querido para nos resgatar. Foi um sacrifício amoroso da parte de Jeová e abriu caminho para a nossa salvação. Lembre-se de que o resgate se aplica a cada um de nós. Com toda a razão, Zacarias, pai de João Batista, predisse que essa dádiva magnificaria a “terna compaixão do nosso Deus”. — Lucas 1:78.
Quando Jeová se refreia de mostrar compaixão
17-19. (a) Como a Bíblia mostra que a compaixão de Jeová tem limites? (b) O que fez com que a compaixão de Jeová para com seu povo chegasse ao limite?
17 Quer dizer, então, que a terna compaixão de Jeová não tem limites? Muito pelo contrário, a Bíblia mostra claramente que, quando alguém se opõe aos modos corretos de Jeová, ele refreia-se de demonstrar compaixão — o que é bastante justo. (Hebreus 10:28) Para entender por que ele age assim, lembre-se do exemplo da nação de Israel.
18 Embora vez após vez Jeová libertasse os israelitas dos seus inimigos, Sua compaixão por fim chegou ao limite. Aquele povo teimoso praticava idolatria a tal ponto que trazia seus ídolos repulsivos para dentro do templo de Jeová! (Ezequiel 5:11; 8:17, 18) Além disso, lemos: “Eles caçoavam dos mensageiros do verdadeiro Deus, desprezavam as Suas palavras e zombavam dos seus profetas, até que o furor de Jeová veio contra o seu povo e não havia mais remédio.” (2 Crônicas 36:16) Os israelitas chegaram a um ponto em que não havia mais base para compaixão. Despertaram a ira justa de Jeová. Qual foi o resultado?
19 Jeová não pôde mais mostrar compaixão pelo seu povo. Declarou: “Não terei compaixão, nem sentirei dó, nem mostrarei misericórdia; nada me impedirá de destruí-los.” (Jeremias 13:14) Assim, Jerusalém e seu templo foram destruídos e os israelitas foram levados para Babilônia como prisioneiros. Quando humanos pecadores se tornam tão rebeldes que ultrapassam os limites da compaixão divina, o resultado só pode ser trágico. — Lamentações 2:21.
20, 21. (a) O que ocorrerá quando a compaixão divina atingir o seu limite nos nossos dias? (b) Que demonstração da compaixão de Jeová será analisada no próximo capítulo?
20 Qual é a situação hoje? Jeová não mudou. Por compaixão, ele incumbiu suas Testemunhas de pregar as “boas novas do Reino” em toda a Terra habitada. (Mateus 24:14) Ele ajuda os sinceros que aceitam essa mensagem a entender o sentido dela. (Atos 16:14) Mas essa obra não continuará para sempre. Não seria compassivo da parte de Jeová se ele permitisse que este mundo perverso, com toda a sua dor e sofrimento, continuasse existindo indefinidamente. Quando a compaixão divina atingir o limite, Jeová executará seu julgamento contra o atual sistema. Mesmo então, esse será um ato de compaixão — compaixão pelo seu “santo nome” e por seus servos dedicados. (Ezequiel 36:20-23) Jeová eliminará a maldade e introduzirá um novo mundo justo. Falando dos perversos, ele declara: “Meu olho não terá dó, nem terei compaixão. Farei as consequências do proceder deles recair sobre a sua própria cabeça.” — Ezequiel 9:10.
21 Enquanto esse dia não chegar, Jeová continuará a sentir compaixão pelas pessoas, até pelas que se encaminham para a destruição. Os humanos pecadores que se arrependem sinceramente podem beneficiar-se de uma das maiores demonstrações da compaixão de Jeová: o seu perdão. No próximo capítulo, veremos algumas lindas ilustrações bíblicas que indicam o alcance do perdão divino.
a O interessante, porém, é que no Salmo 103:13 o verbo hebraico ra·hhám denota a misericórdia, ou compaixão, que um pai demonstra aos filhos.
b A expressão “ele não suportou mais” significa literalmente “sua alma foi encurtada; sua paciência se esgotou”. A Bíblia Pastoral diz: “Não pôde mais suportar o sofrimento de Israel.” A Bíblia — Mensagem de Deus traduz assim esse trecho: “Não tolerou mais a desgraça de Israel.”
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Um Deus “sempre pronto a perdoar”Achegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 26
Um Deus “sempre pronto a perdoar”
1-3. (a) Que fardo pesado o salmista Davi tinha de levar e como ele obteve consolo para o seu coração aflito? (b) Quando pecamos, que fardo talvez tenhamos de suportar, mas o que Jeová nos assegura?
“MEUS erros pairam acima da minha cabeça”, escreveu o salmista Davi. “Como um fardo pesado, são demais para eu carregar. Fiquei entorpecido e me sinto completamente esmagado.” (Salmo 38:4, 8) Davi sabia que o fardo duma consciência culpada podia ser muito pesado. Mas ele obteve consolo para seu coração aflito. Estava ciente de que, embora odeie o pecado, Jeová não odeia o pecador, desde que este realmente se arrependa e rejeite seu proceder pecaminoso. Com plena fé na disposição de Jeová de conceder misericórdia aos arrependidos, Davi disse: “Tu, ó Jeová, . . . estás sempre pronto a perdoar.” — Salmo 86:5.
2 Quando pecamos, talvez tenhamos de suportar, também, o fardo esmagador duma consciência pesada. Mas sentir remorso é saudável, porque pode induzir-nos a tomar medidas positivas para corrigir nossos erros. Há o perigo, contudo, de sermos esmagados pela culpa. Nosso coração talvez nos condene, insistindo que Jeová nunca nos perdoará, não importa quanto estejamos arrependidos. Se formos ‘vencidos pela excessiva tristeza’, Satanás tentará nos fazer acreditar que Jeová nos considera inúteis ou que não somos dignos de servi-lo e que, portanto, só nos resta desistir. — 2 Coríntios 2:5-11.
3 É isso que Jeová pensa? De modo algum! O perdão é um aspecto do seu grande amor. Em sua Palavra, ele nos assegura que, quando mostramos genuíno arrependimento de coração, ele está disposto a nos perdoar. (Provérbios 28:13) Para que nunca cheguemos à conclusão de que o perdão de Deus é inalcançável para nós, vamos examinar por que e como ele perdoa.
Por que Jeová está “sempre pronto a perdoar”
4. De que Jeová se lembra quanto à nossa natureza, e como isso afeta o modo como ele nos trata?
4 Jeová está ciente das nossas limitações. “Ele sabe bem como somos formados, lembra-se de que somos pó”, diz o Salmo 103:14. Ele não se esquece de que somos criaturas de pó, fracas devido à imperfeição. A declaração de que ele sabe “como somos formados” lembra-nos de que, na Bíblia, Jeová é comparado a um oleiro, e nós a vasos de barro que ele molda. (Jeremias 18:2-6) O Grande Oleiro modera seus tratos conosco por causa da fragilidade de nossa natureza pecaminosa e de acordo com o modo como reagimos à sua orientação.
5. Como o livro de Romanos descreve até que ponto vai o domínio do pecado sobre nós?
5 Jeová entende o poder que o pecado exerce sobre nós. As Escrituras descrevem o pecado como uma força poderosa, que segura o homem nas suas garras mortíferas. Até que ponto vai o domínio do pecado? No livro de Romanos, o apóstolo Paulo explica: estamos “debaixo do pecado”, assim como soldados estão sob a autoridade dum comandante (Romanos 3:9); ele tem ‘reinado’ sobre a humanidade (Romanos 5:21); “mora” em nós (Romanos 7:17, 20); sua “lei” opera continuamente em nós, na realidade, tentando controlar nosso modo de agir. (Romanos 7:23, 25) Que domínio poderoso o pecado exerce sobre nossa carne decaída! — Romanos 7:21, 24.
6, 7. (a) Como Jeová encara os que buscam seu perdão com o coração arrependido? (b) Por que nunca devemos abusar da misericórdia de Deus?
6 Portanto, Jeová sabe que para nós é impossível sermos perfeitamente obedientes, não importa quanto tentemos. Ele nos assegura amorosamente que, se buscarmos sua misericórdia com o coração arrependido, ele nos concederá o perdão. O Salmo 51:17 diz: “Os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado; um coração quebrantado e esmagado, ó Deus, não rejeitarás.” Jeová nunca rejeitará ou repudiará um coração “quebrantado e esmagado” pelo fardo da culpa.
7 Significa isso, porém, que podemos abusar da misericórdia de Deus, usando nossa natureza pecaminosa como desculpa para o pecado? De modo algum! Jeová não é governado por mero sentimentalismo. Sua misericórdia tem limites. Ele de modo algum perdoará os que obstinadamente praticam pecados de forma deliberada sem mostrar arrependimento. (Hebreus 10:26) Por outro lado, quando detecta arrependimento de coração, ele está pronto a perdoar. Vamos analisar agora algumas das expressões vívidas usadas na Bíblia para descrever essa maravilhosa faceta do amor de Jeová.
Até que ponto vai o perdão de Jeová?
8. O que podemos dizer que Jeová faz quando perdoa nossos pecados, e que confiança isso nos dá?
8 O arrependido Davi disse: “Finalmente te confessei o meu pecado; não encobri meu erro. . . . E tu perdoaste meu erro e meus pecados.” (Salmo 32:5) A expressão “perdoaste” traduz uma palavra hebraica cujo sentido básico é “levantar” ou “levar”. Conforme usada aqui, ela significa remover “a culpa, o pecado, a transgressão”. De modo que Jeová como que levantou e levou embora os pecados de Davi. Sem dúvida, isso aliviou o sentimento de culpa que ele vinha suportando. (Salmo 32:3) Nós também podemos ter plena confiança em Deus, porque ele leva embora os pecados dos que procuram seu perdão à base da fé no sacrifício resgatador de Jesus. — Mateus 20:28.
9. A que distância Jeová põe de nós os nossos pecados?
9 Davi usou outra expressão vívida para descrever o perdão de Jeová: “Tão longe como o nascente é do poente, tão longe ele põe de nós as nossas transgressões.” (Salmo 103:12) O sol nasce no leste e se põe no oeste. A que distância o leste fica do oeste? Pode-se dizer que eles estão no ponto mais distante um do outro; esses dois pontos cardeais nunca se encontram. Um erudito diz que essa expressão significa “o mais longe possível, o mais longe que alguém possa imaginar”. As palavras inspiradas de Davi nos ensinam que, quando perdoa, Jeová coloca os nossos pecados o mais longe que podemos imaginar.
“Seus pecados . . . serão tornados brancos como a neve”
10. Quando Jeová perdoa nossos pecados, por que não devemos pensar que levaremos a mancha deles pelo resto da vida?
10 Já tentou remover uma mancha de uma roupa clara? Talvez, apesar de todo o seu esforço, a mancha não tenha saído totalmente. Note como Jeová descreve Sua capacidade de perdoar: “Embora os seus pecados sejam como escarlate, serão tornados brancos como a neve; embora sejam vermelhos como pano carmesim, se tornarão como a lã.” (Isaías 1:18) A palavra “escarlate” refere-se a uma cor vermelha muito viva.a “Carmesim” era uma cor escura encontrada em tecidos tingidos. (Naum 2:3) Por meio de nossos próprios esforços, nunca seríamos capazes de remover a mancha do pecado. Mas Jeová pode remover pecados semelhantes a escarlate e carmesim, tornando-os brancos como a neve ou a lã não tingida. Quando Deus perdoa nossos pecados, não precisamos levar a mancha deles pelo resto da vida.
11. Em que sentido Jeová joga nossos pecados atrás de si?
11 Num comovente cântico de gratidão, composto depois de ele ter sido poupado de uma doença mortífera, Ezequias disse a Jeová: “Lançaste todos os meus pecados atrás de ti.” (Isaías 38:17) Aqui, descreve-se Jeová como que pegando os pecados do transgressor arrependido e jogando-os para trás de si, onde Ele não pode vê-los nem notá-los mais. Segundo um dicionário, a ideia desse texto pode ser expressa assim: “Acabaste com os [meus pecados] como se eles não tivessem acontecido.” Não acha isso reanimador?
12. Como o profeta Miqueias indica que, quando nos perdoa, Jeová remove nossos pecados permanentemente?
12 Numa profecia de restauração, o profeta Miqueias expressou a convicção de que Jeová perdoaria seu povo arrependido: “Quem é Deus como tu, que . . . deixa passar a transgressão do restante da sua herança? . . . Tu lançarás nas profundezas do mar todos os pecados deles.” (Miqueias 7:18, 19) Imagine o que essas palavras significavam para as pessoas dos tempos bíblicos. Havia alguma possibilidade de recuperar algo lançado “nas profundezas do mar”? Assim, as palavras de Miqueias indicam que, quando nos perdoa, Jeová remove nossos pecados permanentemente.
13. Qual é o sentido das palavras de Jesus: “Perdoa-nos as nossas dívidas”?
13 Jesus usou o relacionamento entre credores e devedores para ilustrar como Jeová perdoa. Ele nos incentivou a orar: “Perdoa-nos as nossas dívidas.” (Mateus 6:12) Jesus compara assim pecados a dívidas. (Lucas 11:4) Quando pecamos, tornamo-nos “devedores” de Jeová. Uma obra de referência diz que o sentido do verbo grego traduzido ‘perdoar’ é “abrir mão ou desistir de uma dívida, não exigindo o pagamento”. Em certo sentido, quando Jeová perdoa, ele cancela a dívida que de outro modo seria lançada na nossa conta. De modo que os pecadores arrependidos podem consolar-se. Jeová nunca exigirá o pagamento duma dívida que ele cancelou! — Salmo 32:1, 2.
14. A expressão “que os seus pecados sejam apagados” traz que ideia?
14 O perdão de Jeová é descrito adicionalmente em Atos 3:19: “Arrependam-se, portanto, e deem meia-volta, a fim de que os seus pecados sejam apagados.” O trecho final é a tradução de um verbo grego que pode significar “‘apagar’, . . . ‘cancelar’ ou ‘destruir’”. Segundo alguns eruditos, a ideia expressa é a de apagar algo escrito à mão. Como se fazia isso? A tinta costumeiramente usada na antiguidade era feita duma mistura que incluía carvão, goma e água. Pouco depois de usá-la, a pessoa podia apagar a escrita com uma esponja úmida. Essa é uma bela maneira de ilustrar a misericórdia de Jeová. Quando ele perdoa nossos pecados, é como se os apagasse com uma esponja.
15. O que Jeová deseja que saibamos sobre ele?
15 Quando refletimos nessas ilustrações variadas, a que conclusão chegamos? Evidentemente, Jeová deseja que saibamos que ele está pronto a perdoar nossos pecados, desde que encontre em nós arrependimento sincero. Não precisamos temer que, no futuro, ele nos condene por esses pecados, porque a Bíblia revela algo mais sobre a grande misericórdia de Jeová: quando perdoa, ele esquece.
Jeová deseja que saibamos que ele está “sempre pronto a perdoar”
“Não me lembrarei mais do seu pecado”
16, 17. Quando a Bíblia afirma que Jeová se esquece dos nossos pecados, o que quer dizer, e por que responde assim?
16 A respeito dos que fazem parte do novo pacto, Jeová prometeu o seguinte: “Perdoarei o seu erro e não me lembrarei mais do seu pecado.” (Jeremias 31:34) Será que isso significa que, quando perdoa, Jeová é incapaz de se lembrar dos pecados? É óbvio que não. A Bíblia nos fala dos pecados de muitos a quem Deus perdoou, incluindo Davi. (2 Samuel 11:1-17; 12:13) Sem dúvida, Jeová ainda está ciente dos erros que cometeram. O registro dos pecados deles, bem como do seu arrependimento e do perdão de Deus, foi preservado para nosso benefício. (Romanos 15:4) Então, o que se quer dizer quando a Bíblia afirma que Jeová ‘não se lembra’ dos pecados daqueles a quem perdoa?
17 O verbo hebraico vertido “lembrarei” não significa apenas recordar o passado. Segundo o Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, inclui “a implicação de agir em consonância com o pensamento”. Portanto, nesse sentido, “lembrar” pecados envolve agir contra pecadores. (Oseias 9:9) Mas quando Jeová diz: “Não me lembrarei mais do seu pecado”, ele nos assegura que, depois de perdoar a um pecador arrependido, não agirá contra ele no futuro por causa dos mesmos pecados. (Ezequiel 18:21, 22) Assim, ele esquece no sentido de não mencionar vez após vez os nossos pecados, acusando-nos ou punindo-nos repetidamente. Não acha consolador saber que Deus perdoa e esquece?
E as consequências?
18. Por que o perdão não significa que o pecador arrependido fique isento das consequências de suas ações erradas?
18 Será que a prontidão de Jeová em perdoar significa que o pecador arrependido fica isento de todas as consequências de suas ações erradas? De forma alguma. Não podemos pecar e escapar impunes. Paulo escreveu: “O que a pessoa semear, isso também colherá.” (Gálatas 6:7) Teremos de enfrentar as consequências de nossa ação, mas isso não quer dizer que, depois de conceder perdão, Jeová nos faça sofrer adversidades. Ao surgirem dificuldades, o cristão não deve pensar: “Jeová talvez esteja me punindo por pecados passados.” (Tiago 1:13) Por outro lado, Deus não nos poupa dos efeitos de nossas ações erradas. Divórcio, gravidez indesejada, doenças sexualmente transmissíveis, perda de confiança ou de respeito — essas podem ser algumas das lamentáveis e inevitáveis consequências do pecado. Lembre-se de que, embora perdoasse os pecados de Davi relacionados com Bate-Seba e Urias, Jeová não o protegeu contra as consequências desastrosas. — 2 Samuel 12:9-12.
19-21. (a) Como a lei registrada em Levítico 6:1-7 beneficiava tanto a vítima quanto o ofensor? (b) Se outros foram prejudicados pelos nossos pecados, Jeová se agradará se tomarmos que medidas?
19 Nossos pecados também podem ter outras consequências, em especial se outros foram prejudicados pelas nossas ações. Por exemplo, analise o relato em Levítico, capítulo 6. Ali, a Lei mosaica trata de um erro grave: apossar-se dos bens de outro israelita por meio de roubo, extorsão ou fraude. Se o pecador negasse a culpa, atrevendo-se até mesmo a jurar falsamente, tornava-se um caso da palavra de um contra outro. No entanto, mais tarde o ofensor talvez sofresse devido à consciência pesada e confessasse seu pecado. Para obter o perdão de Deus, ele tinha de fazer mais três coisas: devolver o que havia tomado, pagar à vítima uma multa equivalente a 20% do valor dos bens roubados e oferecer um carneiro como oferta pela culpa. Daí, a lei dizia: “O sacerdote fará expiação por ele perante Jeová, e ele receberá o perdão.” — Levítico 6:1-7.
20 Essa lei de Deus era muito misericordiosa, porque favorecia a vítima, cuja propriedade era devolvida e que, sem dúvida, se sentia aliviada quando o ofensor finalmente admitia seu pecado. Ao mesmo tempo, a lei beneficiava aquele cuja consciência por fim o induzia a admitir a culpa e corrigir o erro. De fato, se ele se negasse a fazer isso, não poderia esperar obter o perdão divino.
21 Embora não estejamos sujeitos à Lei mosaica, ela nos ajuda a entender um pouco da mentalidade de Jeová, incluindo o modo como ele encara o perdão. (Colossenses 2:13, 14) Se outros foram prejudicados pelos nossos pecados, Deus se agradará se fizermos o possível para corrigir o erro. (Mateus 5:23, 24) Isso talvez envolva reconhecer nosso pecado, admitir a culpa e até pedir desculpas à vítima. Então podemos apelar para Jeová, à base do sacrifício de Jesus, e ter a certeza de que fomos perdoados por Deus. — Hebreus 10:21, 22.
22. Apesar de conceder perdão, o que Jeová talvez administre?
22 Igual a um pai amoroso, Jeová às vezes, ao conceder perdão, também administra disciplina. (Provérbios 3:11, 12) O cristão arrependido talvez tenha de renunciar ao seu privilégio de servir como ancião, servo ministerial ou evangelizador de tempo integral. Possivelmente será doloroso para ele perder por algum tempo privilégios que lhe eram preciosos. Isso, porém, não significa que Jeová não o perdoou. Temos de nos lembrar que a disciplina da parte de Jeová é prova do seu amor por nós. Aceitá-la e aplicá-la só resultará em bem para nós. — Hebreus 12:5-11.
23. Por que nunca deveríamos concluir que estamos além do alcance da misericórdia de Jeová? Por que devemos imitar o perdão divino?
23 Como é reanimador saber que nosso Deus está “sempre pronto a perdoar”! Apesar dos erros que talvez tenhamos cometido, nunca devemos concluir que estamos além do alcance da misericórdia de Jeová. Se nos arrependermos de coração, tomarmos medidas para endireitar o erro e orarmos seriamente pedindo perdão à base do sangue derramado de Jesus, poderemos ter plena confiança em que Jeová nos perdoará. (1 João 1:9) Imitemos o seu perdão ao lidar com outros. Afinal, se Jeová, que não peca, nos perdoa tão amorosamente, não deveríamos nós, humanos pecadores, fazer todo o possível para perdoar uns aos outros?
a Um erudito afirma que o escarlate “era uma cor firme, que não desbotava. Não saía com orvalho, chuva, lavagem nem com o uso”.
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“Como é grande a bondade dele!”Achegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 27
“Como é grande a bondade dele!”
1, 2. O que a bondade de Deus inclui, e como a Bíblia enfatiza essa qualidade?
BANHADO pelo reflexo de um belíssimo pôr do sol, um grupo de amigos faz uma refeição ao ar livre — riem e conversam, enquanto admiram a paisagem. Longe dali, um agricultor olha para as plantações e sorri satisfeito — estão se formando nuvens escuras que logo trarão as primeiras gotas de chuva. Em outro lugar, um homem e a esposa ficam orgulhosos de ver o filhinho dar os primeiros passos inseguros.
2 Quer se deem conta disso quer não, todas essas pessoas estão se beneficiando da mesma coisa: a bondade de Jeová Deus. É comum ouvirmos pessoas religiosas dizerem: “Deus é bom!” Mas a Bíblia é muito mais enfática. Ela diz: “Como é grande a bondade dele!” (Zacarias 9:17) Parece, contudo, que poucas pessoas hoje sabem realmente o que significam essas palavras. O que, de fato, está envolvido na bondade de Jeová Deus? Como essa qualidade divina afeta cada um de nós?
Uma faceta notável do amor de Deus
3, 4. O que é bondade, e por que é mais correto descrever a bondade de Jeová como expressão do seu amor?
3 Em muitas línguas modernas, “bondade” é um termo um tanto genérico. Seu uso bíblico, porém, é bem diferente. Primariamente, essa palavra refere-se a virtude e excelência moral. Pode-se dizer, então, que a bondade faz parte da própria natureza de Jeová. Todos os seus atributos — incluindo poder, justiça e sabedoria — são inteiramente bons. Mas é mais correto descrever a bondade como expressão do amor de Jeová. Por quê?
4 A bondade é uma qualidade ativa, expressa em ações para com outros. Segundo o apóstolo Paulo, as pessoas se sentem mais atraídas a quem é bondoso do que a um justo. (Romanos 5:7) Pode-se confiar em que alguém justo siga fielmente os requisitos legais; mas quem é bom faz mais do que isso. Ele toma a iniciativa, procurando meios de beneficiar outros. Como veremos, é nesse sentido que Jeová é bom. A bondade divina deriva do seu amor infinito.
5-7. Por que Jesus se recusou a ser chamado de “Bom Instrutor”, e que verdade profunda ele queria ensinar?
5 No que se refere à bondade, Jeová é inigualável. Pouco antes da morte de Jesus, um homem se aproximou dele para fazer uma pergunta e chamou-o de “Bom Instrutor”. Jesus respondeu: “Por que você me chama de bom? Ninguém é bom, a não ser um só, Deus.” (Marcos 10:17, 18) Bem, você talvez fique um pouco perplexo com essa resposta. Por que Jesus corrigiu aquele homem? Afinal, Jesus era um “Bom Instrutor”, não era?
6 É evidente que o homem usou as palavras “Bom Instrutor” como título lisonjeiro. Jesus modestamente direcionou toda a glória ao seu Pai celestial, que é bom em sentido absoluto. (Provérbios 11:2) Mas Jesus também estava explicando uma verdade profunda: Jeová fornece o único padrão pelo qual se pode determinar o que é bom. Somente ele tem o direito soberano de especificar o que é bom e o que é mau. Quando Adão e Eva, de forma rebelde, comeram da árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau, tentaram reivindicar para si esse direito. Diferentemente deles, Jesus de maneira humilde deixa que seu Pai decida esses assuntos.
7 Além disso, Jesus sabia que Jeová é a Fonte de tudo o que é realmente bom. Ele é o Dador de “toda boa dádiva e todo presente perfeito”. (Tiago 1:17) Vejamos como a generosidade de Jeová revela sua bondade.
Provas da imensa bondade de Jeová
8. Como Jeová demonstra bondade para com toda a humanidade?
8 Todos os humanos já se beneficiaram da bondade de Jeová. O Salmo 145:9 diz: “Jeová é bom para todos.” Quais são alguns exemplos de sua bondade ilimitada? A Bíblia diz: “Não [deixou] de dar testemunho de si mesmo, pois demonstrou sua bondade dando-lhes chuvas do céu e épocas de colheita abundante, satisfazendo-os com alimentos e enchendo seu coração de alegria.” (Atos 14:17) Já sentiu aquela sensação de prazer ao saborear uma deliciosa refeição? Se não fosse pela bondade de Jeová em projetar a Terra com seu suprimento reciclável de água doce e com “épocas de colheita abundante”, não haveria refeições. Jeová demonstra essa bondade não só para com os que o amam, mas para com todos. Jesus disse: “Ele faz o seu sol se levantar sobre os maus e sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos.” — Mateus 5:45.
9. Como a maçã ilustra a bondade de Jeová?
9 Muitos tratam com descaso a impressionante generosidade que Jeová demonstra à humanidade ao fornecer continuamente sol, chuva e estações frutíferas. Por exemplo, pense na maçã. Trata-se de uma fruta muito comum nas regiões de clima temperado. É bonita, deliciosa, suculenta, refrescante e cheia de nutrientes vitais. Sabia que, no mundo todo, há cerca de 7.500 variedades de maçã? Existem maçãs das mais variadas cores (vermelhas, douradas, amarelas, verdes) e tamanhos (algumas são pouco maiores que uma cereja; outras, pouco menores que um coco). Uma semente de maçã parece insignificante. Mas quando cresce se torna uma das árvores mais bonitas que existe. (O Cântico de Salomão 2:3) Na primavera, a macieira fica coberta por um lindíssimo manto de flores; no outono, produz os frutos. A produção média anual de uma macieira — que dá frutos por cerca de 75 anos — é suficiente para encher 20 caixotes de quase 20 quilos cada um!
Jeová nos dá “chuvas do céu e épocas de colheita abundante”
Desta semente pequena nasce uma árvore que, por décadas, alimenta e dá prazer às pessoas
10, 11. Como os nossos sentidos demonstram a bondade de Deus?
10 Na sua infinita bondade, Jeová providenciou que nosso corpo fosse “feito maravilhosamente”, com sentidos que nos ajudam a perceber suas obras e ter prazer com elas. (Salmo 139:14) Pense de novo nas cenas descritas na introdução deste capítulo. O sentido da visão é que tornou esses momentos agradáveis. As bochechas coradas de uma criança feliz; a chuva caindo sobre os campos; o vermelho, dourado e violeta do pôr do sol — tudo isso agrada ao olho humano, que é capaz de distinguir centenas de milhares, talvez até milhões, de cores! E o sentido da audição nos permite notar as nuances de tom de voz de uma pessoa querida, o sussurro do vento entre as árvores, a risada gostosa de uma criancinha. Por que conseguimos desfrutar essas vistas e sons? A Bíblia diz: “O ouvido que ouve e o olho que vê, foi Jeová que fez a ambos.” (Provérbios 20:12) Mas esses são apenas dois dos sentidos.
11 O olfato é outra prova da bondade de Jeová. O nariz humano é capaz de distinguir uma enorme quantidade de odores — as estimativas variam de milhares a 1 trilhão. Pense em alguns deles: sua comida favorita, flores, folhas caídas, a fumaça de uma lareira aconchegante. E o sentido do tato permite que você sinta a brisa suave no rosto, o abraço amigo de alguém que você ama, a suavidade de uma fruta. Quando você dá uma mordida nela, entra em ação o paladar. Sua boca é inundada por uma mistura de sabores sutis, à medida que as papilas gustativas captam a complexa composição química da fruta. De fato, temos motivos de sobra para exclamar sobre Jeová: “Como é grande a tua bondade! Tu a reservaste para os que te temem.” (Salmo 31:19) Mas como Jeová ‘reserva’ bondade para os que têm temor dele?
Os benefícios eternos da bondade
12. Quais são as dádivas mais importantes de Jeová e por quê?
12 Jesus disse: “Está escrito: ‘O homem não deve viver somente de pão, mas de toda palavra que vem da boca de Jeová.’” (Mateus 4:4) De fato, as dádivas espirituais de Jeová podem nos beneficiar muito mais do que as físicas, pois resultam em vida eterna. No Capítulo 8 deste livro, vimos que, durante estes últimos dias, Jeová está usando seu poder para ajudar as pessoas a voltar a adorá-lo da maneira correta e para criar um paraíso espiritual. Uma das principais características desse paraíso é que nele há fartura de alimento espiritual.
13, 14. (a) Que visão o profeta Ezequiel teve, e qual o significado dela para nós hoje? (b) Que dádivas espirituais vitalizadoras Jeová faz para seus servos fiéis?
13 Numa das grandes profecias bíblicas sobre restauração, o profeta Ezequiel recebeu uma visão dum templo restaurado e glorificado, de onde fluía um rio, que se alargava e aprofundava até se tornar uma torrente. Por todo lugar onde passava, aquele rio trazia bênçãos. Nas suas margens, cresciam árvores que forneciam alimento e cura. O rio até mesmo trouxe vida e prosperidade ao mar Morto, que é extremamente salgado e sem vida. (Ezequiel 47:1-12) Mas o que significava tudo isso?
14 A visão do templo indicava que Jeová restauraria a adoração pura. Ela voltaria a seguir os padrões justos dele. Como o rio daquela visão, as dádivas de Deus para a vida fluiriam para o Seu povo em quantidades cada vez maiores. Desde que a adoração pura foi restaurada em 1919, Jeová tem abençoado seu povo com dádivas vitalizadoras. Como? Bíblias, publicações bíblicas, reuniões e congressos levam verdades vitais a milhões de pessoas. Por esses meios, Jeová lhes ensina sobre sua dádiva mais importante para a vida: o sacrifício de resgate de Cristo, que torna possível que todos os que realmente amam e temem a Deus tenham uma posição limpa perante ele e esperança de vida eterna.a Assim, ao longo desses últimos dias, ao passo que o mundo está espiritualmente faminto, o povo de Jeová usufrui um banquete espiritual. — Isaías 65:13.
15. Em que sentido a bondade de Jeová fluirá para a humanidade durante o Reinado Milenar de Cristo?
15 Mas o rio da visão de Ezequiel não vai parar de correr quando este velho sistema chegar ao fim. Pelo contrário, ele fluirá com ímpeto ainda maior durante o Reinado Milenar de Cristo. Então, por meio do Reino messiânico, Jeová aplicará o pleno valor do sacrifício de Jesus, elevando gradativamente a humanidade fiel à perfeição. Como exultaremos então por causa da bondade de Jeová!
Facetas adicionais da bondade de Jeová
16. Como a Bíblia mostra que a bondade de Jeová inclui outras qualidades, e quais são algumas dessas?
16 A bondade divina envolve mais do que generosidade. Deus disse a Moisés: “Farei toda a minha bondade passar diante de você e vou declarar diante de você o nome de Jeová.” Mais adiante o relato diz: “Jeová passou diante dele, declarando: ‘Jeová, Jeová, Deus misericordioso e compassivo, paciente e cheio de amor leal e de verdade.’” (Êxodo 33:19; 34:6) Assim, a bondade de Jeová inclui várias qualidades excelentes. Vamos analisar só duas delas.
17. Como Jeová lida com meros humanos imperfeitos, e que qualidade faz com que ele aja assim?
17 “Compassivo.” Essa qualidade de Jeová faz com que ele seja educado e acessível ao lidar com suas criaturas. Em vez de ser grosseiro, frio ou tirânico, como muitas vezes são os que detêm poder, Jeová é gentil e bondoso. Por exemplo, Jeová disse a Abrão: “Levante os olhos, por favor; do lugar onde você está, olhe para o norte, para o sul, para o leste e para o oeste.” (Gênesis 13:14) Muitas traduções omitem a expressão “por favor”. Mas eruditos bíblicos afirmam que a fraseologia usada no hebraico original inclui uma partícula que transforma uma ordem em um pedido educado. Há outras ocorrências semelhantes. (Gênesis 31:12; Ezequiel 8:5) Imagine só: o Soberano do Universo diz “por favor” a meros humanos! Num mundo onde a grosseria, a agressividade e a descortesia são a norma, não é reanimador lembrar-nos de que o nosso Deus clemente, Jeová, é educado e acessível?
18. Em que sentido Jeová é “cheio de . . . verdade”, e por que essas palavras são reanimadoras?
18 “Cheio de . . . verdade.” A desonestidade é comum no mundo hoje. Mas a Bíblia nos lembra: “Deus não é um homem para mentir.” (Números 23:19) De fato, Tito 1:2 diz que “Deus . . . não pode mentir”. Ele é bom demais para isso. Assim, as promessas de Jeová são completamente dignas de confiança; sua palavra sempre se cumpre. Ele é até mesmo chamado de “Deus da verdade”. (Salmo 31:5) Além de não mentir, ele transmite uma abundância de verdades. Não é reservado, fechado ou cheio de segredos; pelo contrário, ele generosamente usa sua infindável sabedoria para dar esclarecimentos aos seus servos fiéis.b Ele até mesmo os ensina a viver de acordo com as verdades que transmite, de modo que possam continuar “andando na verdade”. (3 João 3) Que efeito a bondade de Jeová deveria ter em cada um de nós?
‘Fique radiante com a bondade de Jeová’
19, 20. (a) Como Satanás procurou abalar a confiança de Eva na bondade de Jeová, e qual foi o resultado? (b) A bondade de Jeová deve ter que efeito sobre nós, e por quê?
19 Quando Satanás tentou Eva no jardim do Éden, sua primeira tática foi abalar sutilmente a confiança dela na bondade de Jeová. O Criador dissera a Adão: “De toda árvore do jardim, você pode comer à vontade.” Dos milhares de árvores que devem ter adornado aquele jardim, Jeová reservara apenas uma. Mas note como Satanás formulou sua primeira pergunta a Eva: “Foi isso mesmo que Deus disse, que vocês não devem comer de toda árvore do jardim?” (Gênesis 2:9, 16; 3:1) Satanás distorceu as palavras de Jeová para fazer Eva pensar que Ele a estava impedindo de ter algo bom. Infelizmente, a tática funcionou. Eva, como muitos homens e mulheres depois dela, começou a duvidar da bondade de Deus, a fonte de tudo o que ela possuía.
20 Todos sabemos quais foram os lastimáveis resultados dessas dúvidas. Por isso, tenhamos bem em mente as palavras de Jeremias 31:12: “Eles . . . ficarão radiantes com a bondade de Jeová.” A bondade de Deus deveria, de fato, nos deixar extremamente alegres. Não precisamos duvidar das motivações de nosso Deus bondoso. Podemos confiar totalmente nele, porque ele deseja só o bem para aqueles que o amam.
21, 22. (a) De que maneiras você pode corresponder à bondade de Jeová? (b) Que qualidade analisaremos no próximo capítulo, e em que ela difere da bondade?
21 Além disso, ficamos contentes quando temos oportunidades de falar a outros sobre a bondade de Deus. A respeito do Seu povo, o Salmo 145:7 diz: “Falarão empolgados ao lembrar da tua imensa bondade.” A cada dia da nossa vida, nos beneficiamos de alguma forma da bondade de Jeová. Que tal tomar por hábito agradecer a Jeová todo dia por sua bondade, sendo o mais específico possível? Se pensarmos nessa qualidade, agradecermos a Jeová diariamente por demonstrá-la e falarmos a outros sobre ela, ficará mais fácil imitarmos nosso Deus bondoso. E à medida que buscarmos maneiras de fazer o que é bom, como Jeová faz, nos achegaremos cada vez mais a ele. O idoso apóstolo João escreveu: “Amado, não imite o que é mau, mas imite o que é bom. Quem faz o bem se origina de Deus.” — 3 João 11.
22 A bondade de Jeová está relacionada a outras qualidades. Por exemplo, Deus é “cheio de amor leal”. (Êxodo 34:6) Essa qualidade é mais específica do que a bondade, pois Jeová a expressa em especial para com seus servos fiéis. No próximo capítulo, aprenderemos como ele faz isso.
a O resgate é o maior exemplo da bondade de Jeová. Entre os milhões de criaturas espirituais que Jeová poderia ter escolhido, ele selecionou seu amado Filho unigênito para morrer a nosso favor.
b Apropriadamente, a Bíblia relaciona verdade com luz. “Envia a tua luz e a tua verdade”, cantou o salmista. (Salmo 43:3) Jeová emite muita luz espiritual para os que se dispõem a ser ensinados, ou esclarecidos, por ele. — 2 Coríntios 4:6; 1 João 1:5.
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“Só tu és leal”Achegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 28
“Só tu és leal”
1, 2. Por que se pode dizer que o Rei Davi sabia muito bem o que era deslealdade?
O REI Davi sabia muito bem o que era deslealdade. A certa altura de seu reinado turbulento, ele se viu confrontado com intrigas e tramas às mãos de seus próprios conterrâneos. Além disso, foi traído por alguns daqueles que deveriam ser seus companheiros mais achegados. Por exemplo, Mical, sua primeira esposa, de início “estava apaixonada por Davi”, sem dúvida apoiando-o em seus deveres reais. Mais tarde, porém, ela “começou a desprezá-lo no coração”, até mesmo encarando Davi como “um tolo”. — 1 Samuel 18:20; 2 Samuel 6:16, 20.
2 Outro exemplo de traição na vida de Davi foi o de seu conselheiro pessoal, Aitofel. Seus conselhos, muito apreciados, eram considerados como a palavra do próprio Jeová. (2 Samuel 16:23) Mas com o tempo esse confidente de Davi tornou-se um traidor, juntando-se a uma rebelião organizada contra o rei. E quem era o instigador da conspiração? Um dos próprios filhos de Davi, Absalão! Aquele oportunista astuto “conquistava a lealdade dos homens de Israel”, estabelecendo-se como rei rival. A revolta de Absalão atingiu tamanhas proporções que o Rei Davi foi obrigado a fugir para salvar a vida. — 2 Samuel 15:1-6, 12-17.
3. Que confiança Davi tinha?
3 Será que, durante todas aquelas provações, ninguém permaneceu leal a Davi? Aquele rei sabia que alguém sempre lhe era leal. Quem? Ninguém mais ninguém menos do que Jeová Deus. “Com alguém leal, ages com lealdade”, disse Davi a Jeová. (2 Samuel 22:26) O que é lealdade e como Jeová dá o melhor exemplo em demonstrá-la?
O que é lealdade?
4, 5. (a) O que é “lealdade”? (b) Em que sentido lealdade e fidelidade são diferentes?
4 “Lealdade”, conforme usada nas Escrituras Hebraicas, é bondade que amorosamente se apega ao objeto dessa lealdade e não desiste até que seu propósito com relação a ele se realize. Ela vai além da fidelidade, ou confiabilidade. Afinal, alguém pode ser fiel apenas por senso de dever. Em contraste com isso, a lealdade baseia-se no amor.a A palavra “fiel” também pode ser usada para descrever coisas inanimadas. Por exemplo, o salmista chamou a Lua de “fiel testemunha nos céus” devido à regularidade com que ela surge. (Salmo 89:37) Mas não se pode dizer que a Lua é leal. Por que não? Porque a lealdade é uma expressão de amor, uma qualidade que coisas inanimadas não podem demonstrar.
A Lua é chamada de testemunha fiel, mas apenas criaturas vivas e inteligentes são capazes de refletir a lealdade de Jeová
5 No sentido bíblico, a lealdade é uma qualidade cordial. Pressupõe um relacionamento entre aquele que demonstra lealdade e a pessoa a quem ela é demonstrada. Não se trata de uma qualidade instável, como as ondas do mar, alteradas por ventos mutáveis. Pelo contrário, a lealdade, ou amor leal, tem estabilidade e força para superar os mais difíceis obstáculos.
6. (a) Atualmente, até que ponto a lealdade é rara entre os humanos, e como isso é indicado na Bíblia? (b) Qual é a melhor maneira de aprender o que significa lealdade, e por quê?
6 É verdade que esse tipo de lealdade é raro atualmente. Muitos companheiros achegados estão “prontos para acabar um com o outro”. Cada vez mais ouvimos falar em pessoas que abandonam o marido ou a esposa. (Provérbios 18:24; Malaquias 2:14-16) A traição é tão comum que talvez digamos, como o profeta Miqueias: “Desapareceu da terra quem é leal.” (Miqueias 7:2) Embora os humanos muitas vezes falhem em demonstrar lealdade, essa é uma qualidade destacada de Jeová e muito valiosa. De fato, a melhor maneira de aprender exatamente o que significa lealdade é examinar como Jeová demonstra essa faceta notável do seu amor.
A incomparável lealdade de Jeová
7, 8. Por que se pode dizer que só Jeová é leal?
7 Sobre Jeová, a Bíblia diz: “Só tu és leal.” (Apocalipse 15:4) Por que se diz isso? Não é verdade que humanos e anjos têm às vezes demonstrado lealdade notável? (Jó 1:1; Apocalipse 4:8) E pense em Jesus Cristo. Não é ele a pessoa mais leal a Deus? (Salmo 16:10) Por que, então, se pode dizer que só Jeová é leal?
8 Primeiro, lembre-se de que a lealdade é uma faceta do amor. Visto que “Deus é amor” — é a própria personificação dessa qualidade —, quem poderia demonstrar lealdade mais plenamente do que ele? (1 João 4:8) É claro que anjos e humanos são capazes de refletir os atributos divinos, mas apenas Jeová é leal em grau superlativo. Como “o Antigo de Dias”, ele demonstra lealdade há muito mais tempo do que qualquer criatura na Terra ou no céu. (Daniel 7:9) De modo que Jeová é a lealdade em pessoa. Ele demonstra essa qualidade de um modo que nenhuma criatura é capaz de igualar. Veja alguns exemplos.
9. Como Jeová é “leal em tudo o que faz”?
9 Jeová é “leal em tudo o que faz”. (Salmo 145:17) De que modo? O Salmo 136 dá a resposta. Nele, citam-se vários atos salvadores de Jeová, incluindo a extraordinária libertação dos israelitas quando os conduziu pelo mar Vermelho. O interessante é que todos os versículos desse salmo terminam com a expressão: “O seu amor leal dura para sempre.” Lendo esse salmo — incluído nas “Perguntas para Meditação”, na página 289 —, é impossível não ficar impressionado com os muitos modos em que Jeová usou de amor leal para com seu povo. De fato, Deus demonstra lealdade para com seus servos fiéis ouvindo seus pedidos de ajuda e agindo no tempo devido. (Salmo 34:6) O amor leal de Jeová para com seus servos é inabalável, desde que estes permaneçam leais a ele.
10. Como Jeová demonstra lealdade no que se refere às suas normas?
10 Além disso, Jeová demonstra lealdade aos seus servos apegando-se às suas normas. Ao contrário de alguns humanos volúveis, que se deixam levar por caprichos pessoais ou sentimentalismo, Jeová não vacila nos seus conceitos do que é certo e do que é errado. Ao longo dos milênios, seu ponto de vista em relação a questões como espiritismo, idolatria e assassinato não mudou. “Até a sua velhice, eu serei o mesmo”, declarou ele por meio do profeta Isaías. (Isaías 46:4) Assim, podemos ter confiança que, se seguirmos as claras orientações morais encontradas na Palavra de Deus, sempre seremos beneficiados. — Isaías 48:17-19.
11. Dê exemplos que comprovam que Jeová é fiel a suas promessas.
11 Outra maneira de Jeová demonstrar lealdade é cumprindo suas promessas. Tudo o que ele prediz se cumpre. Assim, ele podia declarar: “A palavra que sai da minha boca . . . não voltará a mim sem resultados, mas certamente realizará o que for do meu agrado, e sem falta cumprirá o objetivo para o qual a enviei.” (Isaías 55:11) Permanecendo fiel à sua palavra, Jeová demonstra lealdade para com seu povo. Ele não os deixa na expectativa ansiosa de algo que não pretende tornar realidade. Nesse sentido, a reputação de Jeová é tão impecável que seu servo Josué pôde dizer: “De todas as boas promessas que Jeová havia feito à casa de Israel, nem uma única promessa falhou; todas elas se cumpriram.” (Josué 21:45) Podemos confiar, então, que nunca ficaremos desapontados por causa de alguma falha da parte de Jeová em cumprir suas promessas. — Isaías 49:23; Romanos 5:5.
12, 13. Em que sentidos o amor leal de Jeová “dura para sempre”?
12 Conforme já mencionado, a Bíblia nos diz que o amor leal de Jeová “dura para sempre”. (Salmo 136:1) Como isso se dá? Um aspecto é que Jeová perdoa pecados permanentemente. Como vimos no Capítulo 26, ele não repisa erros passados dos quais a pessoa já tenha sido perdoada. Visto que “todos pecaram e não atingem a glória de Deus”, deveríamos ser gratos de que o amor leal de Jeová dura para sempre. — Romanos 3:23.
13 Mas o amor leal de Deus dura para sempre também em outro sentido. Sua Palavra diz que o justo “será como uma árvore plantada junto a correntes de água, uma árvore que dá fruto na sua estação e cuja folhagem não murcha. Tudo o que ele fizer será bem-sucedido”. (Salmo 1:3) Imagine uma árvore frondosa cuja folhagem nunca murcha. De modo similar, se tivermos apreço genuíno pela Palavra de Deus, nossa vida será longa, pacífica e frutífera. As bênçãos que Jeová lealmente concederá aos seus servos fiéis serão eternas. De fato, no novo mundo justo que ele trará, a humanidade obediente desfrutará o seu amor leal para sempre. — Apocalipse 21:3, 4.
Jeová “não abandonará aqueles que lhe são leais”
14. Como Jeová demonstra apreço pela lealdade dos seus servos?
14 Jeová, com frequência, demonstra lealdade para com seus servos fiéis e, como ele é perfeito, a intensidade dessa qualidade nunca diminui. O salmista escreveu: “Fui jovem e agora sou velho, mas nunca vi um justo abandonado nem os seus filhos procurando pão. Pois Jeová ama a justiça e não abandonará aqueles que lhe são leais.” (Salmo 37:25, 28) É verdade que, sendo o Criador, Jeová merece nossa adoração. (Apocalipse 4:11) Mesmo assim, por ser leal ele aprecia nossos atos fiéis. — Malaquias 3:16, 17.
15. Explique como os tratos de Jeová com Israel ressaltam Sua lealdade.
15 No seu amor leal, Jeová vez após vez vem em auxílio do seu povo quando esse passa por dificuldades. O salmista nos diz: “Ele guarda a vida dos que lhe são leais; livra-os da mão dos maus.” (Salmo 97:10) Veja os seus tratos com a nação de Israel. Depois de serem milagrosamente libertados através do mar Vermelho, os israelitas proclamaram o seguinte, em um cântico para Jeová: “No teu amor leal guiaste o povo que resgataste.” (Êxodo 15:13) A libertação no mar Vermelho sem dúvida foi um ato de amor leal da parte de Jeová. Por isso, Moisés disse aos israelitas: “Não foi por serem o mais numeroso de todos os povos que Jeová mostrou afeição por vocês e os escolheu, pois vocês eram o menor de todos os povos. Mas foi porque Jeová os amou e porque cumpriu o juramento que havia feito aos seus antepassados. Por isso, Jeová os tirou de lá com mão poderosa, para o resgatar da terra da escravidão, do poder de Faraó, rei do Egito.” — Deuteronômio 7:7, 8.
16, 17. (a) Os israelitas mostraram que lamentável falta de apreço, mas como Jeová mostrou compaixão para com eles? (b) Como a maioria dos israelitas demonstrou que “não havia mais remédio” para eles, e o que isso nos ensina?
16 Sabemos muito bem que a nação de Israel, como um todo, deixou de demonstrar apreço pelo amor leal de Jeová, porque depois de sua libertação “eles continuaram a pecar contra [Jeová], rebelando-se contra o Altíssimo”. (Salmo 78:17) Ao longo dos séculos, rebelaram-se vez após vez, abandonando a Jeová e voltando-se para deuses falsos e práticas pagãs que só resultaram em corrupção entre eles. Mesmo assim, Jeová não rompeu seu pacto. Em vez disso, por meio do profeta Jeremias, ele implorou ao povo: “Volte para mim, rebelde Israel . . . Não olharei com ira para vocês, pois eu sou leal.” (Jeremias 3:12) Como vimos no Capítulo 25, porém, a maioria dos israelitas não se comoveu com essa súplica. De fato, “caçoavam dos mensageiros do verdadeiro Deus, desprezavam as Suas palavras e zombavam dos seus profetas”. Com que resultado? Por fim, “o furor de Jeová veio contra o seu povo e não havia mais remédio”. — 2 Crônicas 36:15, 16.
17 O que aprendemos disso? Que a lealdade de Jeová não é cega nem ingênua. É verdade que Deus é “cheio de amor leal” e tem prazer em mostrar misericórdia quando existe base para isso. Mas como ele reage quando um transgressor demonstra ser incorrigivelmente perverso? Nesse caso, Jeová adere a suas próprias normas justas e pune o pecador. Como se disse a Moisés, Jeová “de modo algum deixará impune o culpado”. — Êxodo 34:6, 7.
18, 19. (a) Como a punição que Jeová trará sobre os perversos é em si mesma um ato de lealdade? (b) De que modo Jeová demonstrará lealdade para com os seus servos que foram perseguidos até a morte?
18 A própria punição que Deus trará sobre os perversos já é em si mesma um ato de lealdade. Como assim? Para entender isso, veja a ordem que Jeová deu a sete anjos numa visão registrada no livro de Apocalipse: “Vão e derramem sobre a terra as sete tigelas da ira de Deus.” Quando o terceiro anjo derrama sua tigela “nos rios e nas fontes de água”, eles se transformam em sangue. Daí, o anjo diz a Jeová: “Tu, Aquele que é e que era, o Leal, és justo, pois decretaste esses julgamentos, pois eles derramaram o sangue dos santos e dos profetas, e tu lhes deste sangue para beber; isso é o que merecem.” — Apocalipse 16:1-6.
19 Note que, no meio da mensagem de julgamento, o anjo se refere a Jeová como “o Leal”. Por quê? Porque ao destruir os maus Jeová demonstra lealdade aos seus servos, muitos dos quais foram perseguidos até a morte. Lealmente, Jeová os mantém bem vivos na memória. Ele anseia ver de novo esses seus servos fiéis que faleceram e, como a Bíblia confirma, seu propósito é recompensá-los por meio da ressurreição. (Jó 14:14, 15) Jeová não se esquece de seus servos leais simplesmente porque eles não estão mais vivos. Pelo contrário, “para ele, todos eles vivem”. (Lucas 20:37, 38) O propósito do Criador de trazer de volta à vida todos os que estão na sua memória é uma forte comprovação de sua lealdade.
Jeová lealmente se lembrará dos que foram leais até a morte e os ressuscitará
Bernard Luimes (à esquerda) e Wolfgang Kusserow (ao centro) foram executados pelos nazistas
Moses Nyamussua (à direita) foi morto com lanças por um grupo político
O amor leal de Jeová abre o caminho para a salvação
20. Quem são os “vasos de misericórdia”, e como Jeová lhes demonstrou lealdade?
20 Ao longo de toda a História, Jeová tem demonstrado notável lealdade para com humanos fiéis. De fato, durante milhares de anos, ele “tolerou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a destruição”. Por quê? “Ele fez isso a fim de dar a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que ele preparou antecipadamente para glória.” (Romanos 9:22, 23) Esses “vasos de misericórdia” são humanos de disposição correta que foram ungidos pelo espírito santo para serem herdeiros com Cristo no seu Reino. (Mateus 19:28) Ao abrir o caminho da salvação para esses vasos de misericórdia, Jeová demonstrou sua lealdade a Abraão, a quem fizera a seguinte promessa relacionada com seu pacto: “Todas as nações da terra obterão para si uma bênção por meio do seu descendente, porque você escutou a minha voz.” — Gênesis 22:18.
Devido à lealdade de Jeová, todos os seus servos fiéis têm uma esperança em que podem confiar
21. (a) Como Jeová demonstra lealdade a “uma grande multidão” que tem a perspectiva de sobreviver à “grande tribulação”? (b) A lealdade de Jeová motiva você a fazer o quê?
21 De modo similar, Jeová demonstra lealdade a “uma grande multidão” que tem a perspectiva de sobreviver à “grande tribulação”. (Apocalipse 7:9, 10, 14) Embora esses servos seus sejam imperfeitos, o Criador lealmente lhes apresenta a oportunidade de viver para sempre no Paraíso na Terra. Como faz isso? Por meio do resgate: a maior demonstração da lealdade de Jeová. (João 3:16; Romanos 5:8) Essa qualidade atrai os que, de coração, anseiam a justiça. (Jeremias 31:3) Não se sente mais achegado a Jeová por causa da grande lealdade que ele demonstrou e ainda demonstrará? Se o nosso desejo é nos achegar mais a Deus, demonstremos isso reagindo favoravelmente ao seu amor, fortalecendo nossa determinação de servi-lo com lealdade.
a O interessante é que a palavra traduzida “lealdade” em 2 Samuel 22:26 é em outras partes traduzida “amor leal”.
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“Conhecer o amor do Cristo”Achegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 29
“Conhecer o amor do Cristo”
1-3. (a) O que motivou Jesus a querer ser como seu Pai? (b) Que facetas do amor de Jesus examinaremos?
JÁ OBSERVOU um menininho tentando imitar o jeito de o pai caminhar, falar ou agir? Com o tempo, ele possivelmente aprenderá até os valores morais e espirituais do pai. De fato, por causa do amor e da admiração que sente por seu pai amoroso, o filho quer ser como ele.
2 Como é o relacionamento entre Jesus e seu Pai celestial? “Eu amo o Pai”, disse Jesus em certa ocasião. (João 14:31) Ninguém ama a Jeová mais do que seu Filho, que estava ao lado do Pai muito antes de qualquer outra criatura vir a existir. O amor motivou esse Filho leal a querer ser como o Pai. — João 14:9.
3 Em capítulos anteriores deste livro, vimos como Jesus imitou com perfeição o poder, a justiça e a sabedoria de Jeová. Como, porém, ele refletiu o amor de seu Pai? Examinemos três facetas do amor de Jesus: o espírito abnegado, a terna compaixão e a disposição de perdoar.
“Ninguém tem maior amor”
4. Como Jesus deu o maior exemplo de amor abnegado por parte de um humano?
4 Jesus foi um excelente exemplo de amor abnegado. Abnegação envolve altruistamente pôr as necessidades e preocupações de outros à frente das nossas. Como Jesus demonstrou esse tipo de amor? Ele mesmo explicou: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos.” (João 15:13) Jesus voluntariamente deu sua vida perfeita por nós. Essa foi a maior expressão de amor já feita por um humano. Mas ele também mostrou amor abnegado de outras maneiras.
5. Por que deixar os céus foi um sacrifício amoroso da parte do Filho unigênito de Deus?
5 Em sua existência pré-humana, o Filho unigênito de Deus tinha uma posição privilegiada e exaltada nos céus. Teve associação íntima com Jeová e com multidões de criaturas espirituais. Abrindo mão desses privilégios, o Filho amado “abriu mão de tudo que tinha, assumiu a forma de escravo e se tornou humano”. (Filipenses 2:7) Ele voluntariamente veio viver entre humanos pecadores num mundo que “está no poder do Maligno”. (1 João 5:19) Não foi esse um sacrifício amoroso da parte do Filho de Deus?
6, 7. (a) De que modos Jesus demonstrou amor abnegado durante seu ministério terrestre? (b) Que exemplo comovente de amor altruísta encontramos em João 19:25-27?
6 Ao longo do seu ministério terrestre, Jesus demonstrou amor abnegado de várias maneiras. Ele era totalmente altruísta. Estava tão envolvido no seu trabalho que se dispôs a abrir mão dos confortos normais a que o homem está acostumado. “As raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos”, disse ele, “mas o Filho do Homem não tem onde deitar a cabeça”. (Mateus 8:20) Jesus era carpinteiro profissional e poderia ter tirado tempo para construir uma casa confortável para morar, ou para fazer lindos móveis e vendê-los a fim de ter dinheiro extra. Mas não usou suas habilidades para conseguir bens.
7 Um exemplo realmente comovente do amor abnegado de Jesus se encontra em João 19:25-27. Imagine como Jesus devia estar preocupado na tarde da sua morte! Enquanto sofria na estaca, ele pensava nos seus discípulos, na obra de pregação, e especialmente na própria integridade e em como ela refletiria sobre o nome de seu Pai. De fato, o futuro de toda a humanidade estava nas mãos dele! Mas um pouco antes de morrer, Jesus mostrou preocupação com sua mãe, Maria, que aparentemente já era viúva. Ele pediu que João cuidasse dela como se fosse sua própria mãe e, depois disso, o apóstolo levou-a para a casa dele. Assim, Jesus providenciou que se cuidassem das necessidades materiais e espirituais de sua mãe. Que comovente demonstração de amor altruísta!
“Teve pena”
8. Qual é o sentido da palavra grega que a Bíblia usa para descrever a compaixão de Jesus?
8 Como seu Pai, Jesus tinha compaixão. As Escrituras descrevem-no como alguém que fazia de tudo para ajudar os necessitados porque se sentia profundamente comovido. Ao descrever a compaixão de Jesus, a Bíblia usa uma palavra grega que é traduzida “teve pena”. Um erudito diz o seguinte a respeito dela: “Descreve . . . uma emoção que comove o homem até às próprias profundezas do seu ser. É a palavra mais enfática em grego para o sentimento da compaixão.” Vejamos algumas situações em que Jesus sentiu profunda compaixão que o motivou a agir.
9, 10. (a) Que circunstâncias levaram Jesus e seus apóstolos a buscar um lugar sossegado? (b) Como Jesus reagiu diante da falta de privacidade e por quê?
9 Motivado a atender às necessidades espirituais. O relato de Marcos 6:30-34 mostra o que, principalmente, levou Jesus a expressar pena. Imagine a cena. Os apóstolos estavam alegres porque haviam acabado de voltar de uma extensa viagem de pregação. Quando encontraram Jesus, contaram-lhe com entusiasmo todas as coisas que haviam visto e ouvido. Mas ajuntou-se uma grande multidão, de modo que Jesus e os apóstolos não tiveram tempo nem para comer. Muito observador, ele notou que os apóstolos estavam cansados. Disse-lhes: “Venham comigo, vamos sozinhos a um lugar isolado para descansar um pouco.” Entraram num barco e atravessaram a extremidade norte do mar da Galileia, rumo a um lugar sossegado. Mas a multidão os viu partir. Outros ficaram sabendo disso. Todos eles correram ao longo da costa norte e chegaram ao outro lado antes do barco!
10 Será que Jesus ficou irritado com essa falta de privacidade? De modo algum! Ao ver milhares de pessoas esperando-o, ficou comovido de coração. Marcos escreveu: “Ele viu uma grande multidão e teve pena deles, porque eram como ovelhas sem pastor. E começou a lhes ensinar muitas coisas.” Jesus percebeu as necessidades espirituais dessas pessoas. Eram como ovelhas perdidas, sem pastor para guiá-las ou protegê-las. Jesus sabia que, em vez de agirem como pastores amorosos, os líderes religiosos insensíveis desprezavam o povo. (João 7:47-49) Penalizado, começou a ensinar-lhes sobre o “Reino de Deus”. (Lucas 9:11) Note que Jesus sentiu pena das pessoas antes de ver qual seria a reação delas aos seus ensinos. Em outras palavras, a terna compaixão não foi o resultado de seu ensino às multidões, mas o motivo de ele ensiná-las.
“Estendeu a mão, tocou no homem”
11, 12. (a) Como os leprosos eram encarados nos tempos bíblicos, mas como Jesus reagiu quando um homem “coberto de lepra” se aproximou dele? (b) Como o toque de Jesus possivelmente afetou o leproso, e como o relato dum médico nos ajuda a entender isso?
11 Motivado a aliviar o sofrimento. Pessoas com várias doenças percebiam a compaixão de Jesus e, por isso, se achegavam a ele. Isso ficou especialmente evidente quando um homem “coberto de lepra” se aproximou de Jesus e da multidão que o seguia. (Lucas 5:12) Nos tempos bíblicos, os leprosos ficavam de quarentena para proteger os outros contra a contaminação. (Números 5:1-4) Com o tempo, porém, os líderes rabínicos desenvolveram um conceito cruel em relação à lepra e impuseram suas próprias regras opressivas.a Note, porém, como Jesus respondeu ao leproso: “Aproximou-se dele também um leproso, suplicando-lhe até de joelhos: ‘Se o senhor apenas quiser, pode me purificar.’ Em vista disso, ele teve pena; e estendeu a mão, tocou no homem e lhe disse: ‘Eu quero! Seja purificado.’ Imediatamente a lepra desapareceu dele.” (Marcos 1:40-42) Jesus sabia que, pela lei, o leproso não poderia nem estar ali. Mesmo assim, em vez de rejeitá-lo, Jesus ficou tão profundamente comovido que fez algo impensável: tocou no homem!
12 Consegue imaginar o que aquele toque significou para o leproso? Para ajudá-lo a entender, acompanhe o relato do Dr. Paul Brand, especialista em lepra. Ele conta que, ao examinar um leproso na Índia, colocou a mão no ombro do homem e explicou, por meio de uma intérprete, o tratamento a que ele teria de se submeter. De repente, o leproso começou a chorar. “Eu disse algo que não devia?”, perguntou o médico. A intérprete perguntou ao jovem na língua dele e respondeu: “Não, doutor. Ele disse que está chorando porque o senhor colocou a mão no ombro dele. Fazia anos que ninguém tocava nele.” Para o leproso que se aproximou de Jesus, aquele toque teve um significado ainda maior. Resultou no fim da doença que o transformara num pária!
13, 14. (a) Com o que Jesus se deparou ao se aproximar da cidade de Naim, e por que essa era uma situação especialmente trágica? (b) A compaixão de Jesus o moveu a fazer o que a favor da viúva de Naim?
13 Motivado a acabar com o pesar. Jesus ficava muito comovido com o pesar alheio. Analise, por exemplo, o relato de Lucas 7:11-15. Naquela ocasião, mais ou menos no meio do seu ministério, Jesus se aproximava da cidade galileia de Naim quando se deparou com um cortejo fúnebre, próximo ao portão da cidade. As circunstâncias envolvidas eram especialmente trágicas. Um jovem — filho único de uma viúva — havia morrido. Ela já passara, em outra ocasião, por algo semelhante ao perder o marido. Agora, seu filho, talvez a única fonte de sustento, estava morto. A multidão acompanhante talvez incluísse outros pranteadores declamando lamentações e músicos tocando melodias fúnebres. (Jeremias 9:17, 18; Mateus 9:23) Mas o olhar de Jesus fixou-se na mãe aflita que, sem dúvida, caminhava perto do esquife que transportava o corpo do filho.
14 Jesus “teve pena” da mãe enlutada. Num tom reanimador, ele lhe disse: “Pare de chorar.” Sem ser convidado, aproximou-se e tocou no esquife. Os carregadores — e talvez o resto da multidão — pararam. Com voz de autoridade, Jesus falou para o corpo sem vida: “Jovem, eu lhe digo: Levante-se!” O que aconteceu? “O morto se sentou e começou a falar” como se tivesse sido acordado de um sono profundo! Note esta descrição comovente do que aconteceu a seguir: “E Jesus o entregou à sua mãe.”
15. (a) Os relatos bíblicos que falam de Jesus ter pena mostram que ligação entre compaixão e ações? (b) Como podemos imitar Jesus nesse respeito?
15 O que aprendemos desses relatos? Em cada caso, note a ligação entre compaixão e ações. Jesus não conseguia observar o sofrimento alheio sem sentir pena, e essa compaixão, por sua vez, o impelia a agir. Como podemos seguir o exemplo dele? Como cristãos, temos a obrigação de pregar as boas novas e fazer discípulos. Em primeiro lugar, somos motivados pelo amor a Deus. Mas lembre-se de que essa obra também é motivada pela compaixão. Se sentirmos pena das pessoas como Jesus sentia, nosso coração nos motivará a fazer tudo o que pudermos para transmitir-lhes as boas novas. (Mateus 22:37-39) Devemos também mostrar compaixão a concrentes que sofrem ou choram por terem perdido alguém amado. Não podemos curar milagrosamente a dor física nem ressuscitar os mortos. Mas podemos agir em harmonia com a compaixão, tomando a iniciativa de expressar nossa preocupação ou de dar ajuda prática. — Efésios 4:32.
“Pai, perdoa-lhes”
16. Como Jesus demonstrou disposição de perdoar até na estaca de tortura?
16 Outra maneira importante de Jesus refletir com perfeição o amor de seu Pai foi por estar “sempre pronto a perdoar”. (Salmo 86:5) Essa disposição ficou evidente até quando ele estava na estaca de tortura. Confrontando-se com uma morte vergonhosa, com pregos atravessando-lhe as mãos e os pés, o que Jesus falou? Pediu que Jeová punisse seus executores? Muito pelo contrário, entre as últimas palavras de Jesus estavam: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo.” — Lucas 23:34.b
17-19. De que modos Jesus demonstrou que havia perdoado o apóstolo Pedro, que o negara três vezes?
17 Um exemplo ainda mais comovente do perdão de Jesus é demonstrado no modo como ele lidou com o apóstolo Pedro. Não há dúvidas de que Pedro amava muito a Jesus. Em 14 de nisã, a última noite da vida terrestre de Jesus, aquele apóstolo lhe disse: “Estou pronto para ir com o Senhor tanto para a prisão como para a morte.” Mas, poucas horas depois, três vezes ele negou até mesmo conhecer a Jesus! A Bíblia nos conta o que aconteceu quando Pedro o negou pela terceira vez: “O Senhor se virou e olhou diretamente para Pedro.” Arrasado pela gravidade do pecado, ele “saiu e chorou amargamente”. Quando Jesus morreu, mais tarde naquele dia, o apóstolo talvez tenha se perguntado: ‘Será que o Senhor me perdoou?’ — Lucas 22:33, 61, 62.
18 Pedro não teve de esperar muito para ter uma resposta. Na manhã de 16 de nisã, Jesus foi ressuscitado e, evidentemente naquele mesmo dia, apareceu a Pedro. (Lucas 24:34; 1 Coríntios 15:4-8) Por que Jesus deu atenção especial ao apóstolo que o havia negado de forma tão enfática? Talvez ele quisesse confirmar ao arrependido Pedro que seu Senhor ainda o amava e prezava. Mas Jesus fez ainda mais para reanimar a Pedro.
19 Pouco tempo depois, ele apareceu aos discípulos junto ao mar da Galileia. Nessa ocasião, Jesus perguntou a Pedro três vezes (o mesmo número de vezes que ele negara o Senhor) se este o amava. Depois da terceira vez, Pedro respondeu: “Senhor, o senhor sabe todas as coisas. O senhor sabe que eu o amo.” De fato, Jesus podia ler o coração e estava plenamente ciente do amor e da afeição de Pedro por ele. Mesmo assim, ele deu ao apóstolo a oportunidade de confirmar seu amor. Mais do que isso, Jesus comissionou-o a alimentar e pastorear suas “ovelhinhas”. (João 21:15-17) Pedro já havia recebido uma designação de pregar. (Lucas 5:10) Mas então, numa notável demonstração de confiança, Jesus lhe deu outra grande responsabilidade: cuidar dos que se tornariam seguidores de Cristo. Logo depois, Jesus designou a Pedro um papel de destaque nas atividades dos discípulos. (Atos 2:1-41) Como Pedro deve ter ficado aliviado de saber que Jesus o perdoara e ainda confiava nele!
Você ‘conhece o amor do Cristo’?
20, 21. Como podemos vir a “conhecer o amor do Cristo” de forma plena?
20 A Palavra de Jeová apresenta uma bela descrição do amor de Cristo. Como, porém, devemos reagir a esse amor? A Bíblia nos incentiva a “conhecer o amor do Cristo, que é superior ao conhecimento”. (Efésios 3:19) Como vimos, os relatos evangélicos sobre a vida e o ministério de Jesus nos ensinam muita coisa a respeito do amor dele. Mas “conhecer o amor do Cristo” de forma plena envolve mais do que aprender o que a Bíblia diz sobre ele.
21 O termo grego traduzido “conhecer” significa conhecer “na prática, por experiência própria”. Quando demonstramos amor assim como Jesus demonstrou — de forma altruísta dando de nós mesmos a favor de outros, compassivamente correspondendo às suas necessidades e perdoando-os de coração —, passamos realmente a entender Seus sentimentos. Desse modo, chegamos a conhecer, por experiência própria, “o amor do Cristo, que é superior ao conhecimento”. E nunca nos esqueçamos de que, quanto mais nos assemelharmos a Cristo, mais nos achegaremos àquele que Jesus imitou com perfeição, nosso Deus amoroso, Jeová.
a As regras rabínicas determinavam que era preciso ficar no mínimo a quatro côvados (cerca de 1,80 metro) de um leproso. Mas, se estivesse ventando, o leproso tinha de ficar a pelo menos 100 côvados (uns 45 metros). O Midrash Rabah (O Grande Midrash) fala de um rabino que se escondia dos leprosos e de outro que jogava pedras neles para afastá-los. Assim, esses doentes sabiam como era doloroso sentir-se rejeitado, desprezado e indesejado.
b A primeira parte de Lucas 23:34 foi omitida de certos manuscritos antigos. Mas, visto que essas palavras se encontram em muitos outros manuscritos confiáveis, a Tradução do Novo Mundo e muitas outras traduções incluem-nas no texto. Jesus provavelmente se referia aos soldados romanos que o executaram. Eles não sabiam o que faziam; eles ignoravam quem Jesus realmente era. Ele talvez também tivesse em mente os judeus que exigiram que ele fosse executado, mas que depois exerceram fé nele. (Atos 2:36-38) Naturalmente, os líderes religiosos que instigaram a execução eram muito mais repreensíveis, pois agiram deliberada e maldosamente. Muitos deles jamais seriam perdoados. — João 11:45-53.
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“Continuem andando em amor”Achegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 30
“Continuem andando em amor”
1-3. Qual é o resultado quando imitamos o exemplo de Jeová em demonstrar amor?
“HÁ MAIS felicidade em dar do que em receber.” (Atos 20:35) Essas palavras de Jesus destacam uma verdade importante: o amor altruísta é recompensador em si mesmo. Embora receber amor dê muita felicidade, há felicidade ainda maior em dar, ou demonstrar, amor a outros.
2 Ninguém sabe disso melhor do que nosso Pai celestial. Como vimos nos capítulos anteriores desta seção, Jeová é o exemplo supremo de amor. Ninguém demonstrou amor de maneiras mais grandiosas ou por um período mais longo do que ele. É de admirar, então, que ele seja chamado de “Deus feliz”? — 1 Timóteo 1:11.
3 Nosso Deus amoroso deseja que procuremos ser como ele, em especial no que se refere a demonstrar amor. Efésios 5:1, 2 nos diz: “Tornem-se imitadores de Deus, como filhos amados, e continuem andando em amor.” Quando imitamos o exemplo de Jeová em demonstrar amor, sentimos a felicidade maior que vem de dar. Também temos a satisfação de saber que agradamos a Jeová, pois a sua Palavra nos incentiva a ‘amarmos uns aos outros’. (Romanos 13:8) Mas há outras razões para ‘continuarmos andando em amor’.
Por que o amor é essencial
O amor nos motiva a expressar confiança nos irmãos
4, 5. Por que é importante que demonstremos amor abnegado a concrentes?
4 Por que é importante que demonstremos amor a concrentes? Dito de maneira simples, o amor é a essência do cristianismo verdadeiro. Se não demonstrarmos essa qualidade, não poderemos desenvolver um relacionamento achegado com outros cristãos e, mais importante ainda, nossos esforços não terão valor aos olhos de Jeová. Veja como a Palavra de Deus destaca essas verdades.
5 Na última noite de sua vida terrestre, Jesus disse aos seus seguidores: “Eu lhes dou um novo mandamento: Amem uns aos outros; assim como eu amei vocês, amem também uns aos outros. Por meio disto todos saberão que vocês são meus discípulos: se tiverem amor entre si.” (João 13:34, 35) “Assim como eu amei vocês” — essa é a ordem para os cristãos: mostrar o mesmo tipo de amor que Jesus demonstrou. No Capítulo 29, vimos que Jesus deu um exemplo maravilhoso em demonstrar amor abnegado, colocando as necessidades e os interesses de outros à frente dos seus. Nós também devemos demonstrar amor altruísta de forma tão clara que ele fique evidente até para os de fora da congregação cristã verdadeira. De fato o amor fraternal abnegado é o sinal que nos identifica como verdadeiros seguidores de Cristo.
6, 7. (a) Como sabemos que a Palavra de Jeová dá grande ênfase a se demonstrar amor? (b) As palavras de Paulo, registradas em 1 Coríntios 13:4-8, enfocam que aspecto do amor?
6 E se não demonstrarmos amor? “Se eu . . . não tiver amor”, disse o apóstolo Paulo, “sou um gongo que ressoa ou um címbalo que retine”. (1 Coríntios 13:1) Um címbalo que retine produz um som desagradável. E um gongo que ressoa? Que ilustrações apropriadas! A pessoa sem amor é como um instrumento musical que faz um barulho alto e estridente, que repele em vez de atrair. Como uma pessoa assim poderia ter relacionamentos achegados com outros? Paulo também disse: “Se eu tiver toda a fé, a ponto de mover montanhas, mas não tiver amor, nada sou.” (1 Coríntios 13:2) Imagine só! Uma pessoa sem amor ‘não presta para nada’, não importa que obras realize. (Novo Testamento, Interconfessional) Não fica claro que a Palavra de Jeová dá grande ênfase a se demonstrar amor?
7 Mas como podemos demonstrar essa qualidade ao lidar com outros? Para nos ajudar a responder a essa pergunta, analisemos as palavras de Paulo, encontradas em 1 Coríntios 13:4-8. Esses versículos não se concentram no amor de Deus por nós nem no nosso amor por Ele. Em vez disso, o enfoque das palavras de Paulo é em como devemos demonstrar amor uns pelos outros. Ele descreveu certas coisas que o amor é e outras que ele não é.
O que o amor é
8. Como a paciência pode nos ajudar nos nossos tratos com outros?
8 “O amor é paciente.” Amar, então, significa suportar pacientemente as outras pessoas. (Colossenses 3:13) Todos precisamos demonstrar esse tipo de paciência, não é verdade? Visto que somos criaturas imperfeitas servindo ombro a ombro, é de esperar que, de vez em quando, nossos irmãos cristãos nos irritem e que nós também os incomodemos. Mas a paciência e o autocontrole podem nos ajudar a lidar com pequenas desavenças e atritos que surgirem nos nossos tratos com outros, preservando assim a paz da congregação.
9. De que maneiras podemos demonstrar bondade a outros?
9 “O amor é . . . bondoso.” A bondade é demonstrada por atos prestativos e palavras que revelam consideração pelos outros. O amor nos motiva a procurar maneiras de demonstrar bondade, em especial para com os mais necessitados. Por exemplo, um concrente idoso talvez se sinta solitário e precise de uma visita de encorajamento. Uma mãe sem cônjuge ou uma irmã que vive num lar dividido em sentido religioso pode estar precisando de ajuda. Uma pessoa doente ou que passa por problemas graves talvez precise ouvir palavras bondosas de um amigo leal. (Provérbios 12:25; 17:17) Quando tomamos a iniciativa de demonstrar bondade dessas maneiras, comprovamos que nosso amor é genuíno. — 2 Coríntios 8:8.
10. Como o amor nos ajudará a defender a verdade e a não mentir, mesmo quando isso não for fácil?
10 “O amor . . . se alegra com a verdade.” Outra versão da Bíblia diz: “O amor . . . alegremente fica do lado da verdade.” O amor nos motiva a defender a verdade e a ‘falar a verdade uns com os outros’. (Zacarias 8:16) Se, por exemplo, uma pessoa querida se envolveu num pecado grave, o amor por Jeová — e por aquele que errou — nos ajudará a defender as normas de Deus em vez de tentar esconder, racionalizar ou até mentir sobre a transgressão. É verdade que talvez seja difícil aceitar a situação. Mas, para o próprio bem da pessoa, estaremos interessados em que ela receba e aceite a disciplina amorosa de Deus. (Provérbios 3:11, 12) Como cristãos amorosos, também desejamos “nos comportar honestamente em todas as coisas”. — Hebreus 13:18.
11. Visto que o amor “suporta todas as coisas”, como devemos agir em relação às falhas de nossos concrentes?
11 “O amor . . . suporta todas as coisas.” Essa expressão significa, literalmente, “cobre todas as coisas”. (Kingdom Interlinear) Em 1 Pedro 4:8 lemos: “O amor cobre uma multidão de pecados.” De fato, um cristão guiado pelo amor não estará sempre ansioso para expor todas as imperfeições e defeitos de seus irmãos cristãos. Em muitos casos, os erros e as falhas de nossos concristãos não são muito graves e podem ser cobertos pelo amor. — Provérbios 10:12; 17:9.
12. Como o apóstolo Paulo deu um voto de confiança a Filêmon, e o que aprendemos do exemplo de Paulo?
12 “O amor . . . acredita em todas as coisas.” Outra tradução diz que o amor está “sempre ansioso para crer no melhor”. (Moffatt) Não desconfiamos indevidamente de concrentes, questionando cada motivação deles. O amor nos ajuda a “crer no melhor” em relação aos nossos irmãos e a confiar neles.a Note um exemplo disso na carta de Paulo a Filêmon. Ele escreveu para incentivar Filêmon a receber bondosamente de volta seu escravo fugitivo, Onésimo, que havia se tornado cristão. Em vez de coagir Filêmon a fazer isso, porém, Paulo fez um apelo baseado no amor. Afirmou ter confiança em que aquele homem faria a coisa certa, dizendo: “Estou confiante em que você atenderá ao meu pedido; por isso estou escrevendo, pois sei que fará ainda mais do que as coisas que digo.” (Versículo 21) Motivados pelo amor, procuremos, de forma semelhante, dar um voto de confiança a nossos irmãos. Isso os ajudará a revelarem o que têm de melhor.
13. Como podemos demonstrar que esperamos o melhor de nossos irmãos?
13 “O amor . . . espera todas as coisas.” Além de demonstrar confiança, o amor gera esperança. Movidos pelo amor, esperamos o melhor de nossos irmãos. Por exemplo, se um irmão, ‘sem perceber, dá um passo em falso’, esperamos que ele reaja aos esforços amorosos de corrigi-lo. (Gálatas 6:1) Temos também esperança de que os fracos na fé se recuperarão. Somos pacientes com eles, ajudando-os na medida do possível a fortalecer a sua fé. (Romanos 15:1; 1 Tessalonicenses 5:14) Mesmo que alguém que amamos se desvie, não perdemos a esperança de que, algum dia, ele caia em si e volte para Jeová, como o filho perdido da ilustração de Jesus. — Lucas 15:17, 18.
14. De que maneiras nossa perseverança pode ser provada na congregação? O amor nos ajudará a reagir de que maneira?
14 “O amor . . . persevera em todas as coisas.” A perseverança nos capacitará para manter-nos firmes quando enfrentarmos desapontamentos ou dificuldades. As provas para a nossa perseverança não vêm apenas de fora da congregação; às vezes, vêm de dentro. Devido à imperfeição, nossos irmãos vez por outra nos desapontarão. Uma palavra impensada pode nos magoar. (Provérbios 12:18) Talvez um assunto congregacional não seja cuidado do modo como achamos que devia. A conduta de um irmão respeitado talvez nos incomode, fazendo-nos pensar: “Como um cristão pode agir assim?” Quando nos depararmos com situações como essas, abandonaremos a congregação e deixaremos de servir a Jeová? Não, se tivermos amor! Essa qualidade impedirá que sejamos cegados pelas falhas de um irmão a ponto de não conseguir ver mais nada de bom nele, nem na congregação como um todo. O amor nos ajudará a permanecer fiéis a Deus e a apoiar a congregação, não importa o que outros humanos imperfeitos possam dizer ou fazer. — Salmo 119:165.
O que o amor não é
15. O que é ciúme e como o amor nos ajudará a evitar essa emoção destrutiva?
15 “O amor não é ciumento.” O ciúme pode nos tornar invejosos daquilo que os outros têm: seus bens, privilégios ou habilidades. Trata-se de uma emoção egoísta e destrutiva que, se não for controlada, pode perturbar a paz da congregação. O que nos ajudará a resistir à tendência de invejar? (Tiago 4:5) O amor. Essa qualidade preciosa fará com que nos alegremos com os que parecem ter certas vantagens na vida que nós mesmos não temos. (Romanos 12:15) Se outros forem elogiados por suas habilidades excepcionais ou realizações notáveis, o amor nos ajudará a não encarar isso como uma afronta pessoal.
16. Se realmente amarmos os irmãos, por que evitaremos nos gabar de nossas realizações no serviço de Jeová?
16 “O amor . . . não se gaba, não é orgulhoso.” O amor pelos irmãos nos impedirá de nos gabarmos de nossos talentos ou realizações, do êxito no ministério ou dos privilégios na congregação. Isso só os desanimaria, fazendo-os sentir-se inferiores. O amor não deixará que nos gabemos de coisas que Deus nos permite fazer no Seu serviço. (1 Coríntios 3:5-9) Afinal, o amor “não é orgulhoso”, ou, como diz certa versão, não “nutre ideias exageradas sobre sua própria importância”. O amor nos impedirá de ter um conceito distorcido sobre nós mesmos. — Romanos 12:3.
17. O amor nos motivará a mostrar que consideração pelos outros, e por isso que tipo de conduta evitaremos?
17 “O amor . . . não se comporta indecentemente.” Quem se comporta indecentemente age de modo impróprio ou ofensivo. Essa atitude é desamorosa, porque mostra total desrespeito pelos sentimentos e pelo bem-estar de outros. Em contraste com isso, o amor é cortês, levando-nos a mostrar consideração pelos outros. Ele promove boas maneiras, conduta reverente e respeito pelos concristãos. Assim, o amor não permitirá que nos envolvamos em “conduta vergonhosa”, ou seja, em qualquer proceder que chocaria ou ofenderia nossos irmãos cristãos. — Efésios 5:3, 4.
18. Por que a pessoa amorosa não exige que tudo seja feito do seu jeito?
18 “O amor . . . não procura os seus próprios interesses.” Nesse texto, certa versão diz: “O amor não insiste em que as coisas sejam feitas do seu jeito.” Quem é amoroso nunca terá essa atitude, como se suas opiniões sempre estivessem corretas. Não manipulará os outros, usando sua habilidade de persuasão para vencer pelo cansaço os que têm uma opinião diferente. Isso seria teimosia e revelaria orgulho, e a Bíblia diz: “O orgulho vem antes da queda.” (Provérbios 16:18) Se realmente amarmos os nossos irmãos, respeitaremos seus pontos de vista e, sempre que possível, estaremos dispostos a ceder. Essa disposição para ceder está em harmonia com as palavras de Paulo: “Que cada um persista em buscar não a sua própria vantagem, mas a da outra pessoa.” — 1 Coríntios 10:24.
19. O amor nos ajuda a reagir de que maneira quando outros nos ofendem?
19 “O amor . . . não se irrita com facilidade . . . não leva em conta o dano.” O amor não se irrita facilmente com o que outros dizem ou fazem. É natural ficarmos contrariados quando outros nos ofendem. Mas, mesmo que tenhamos boas razões para ficarmos bravos, o amor nos ajudará a não continuar irritados. (Efésios 4:26, 27) Não manteremos como que um registro das palavras ou ações que nos magoaram, para não esquecê-las. Em vez disso, o amor nos levará a imitar nosso Deus amoroso. Como vimos no Capítulo 26, Jeová perdoa quando há base sólida para isso. Quando perdoa, ele esquece, quer dizer, jamais vai nos condenar por esses pecados no futuro. Não ficamos contentes de que Jeová não leva em conta o dano?
20. Como devemos reagir quando um concrente é enlaçado pelo pecado e sofre as consequências?
20 “O amor . . . não se alegra com a injustiça.” Nesse texto, a Bíblia na Linguagem de Hoje diz: “Quem ama não fica alegre quando alguém faz uma coisa errada.” Outra tradução diz: “O amor nunca fica contente quando outros erram.” (Moffatt) O amor não deriva nenhum prazer da injustiça, de modo que não fazemos vista grossa a nenhum tipo de imoralidade. Mas como reagimos quando um concrente é enlaçado pelo pecado e sofre as consequências? O amor não permitirá que nos alegremos, como se disséssemos: “Bem feito! Ele merecia!” (Provérbios 17:5) Mas nós nos alegramos, sim, quando um irmão que errou toma as medidas necessárias para recuperar-se de sua queda espiritual.
“Um caminho superior”
21-23. (a) O que Paulo queria dizer quando escreveu: “O amor nunca acaba”? (b) O que analisaremos no último capítulo?
21 “O amor nunca acaba.” O que Paulo queria dizer com essas palavras? Como se nota no contexto, ele comentava os dons do espírito que os cristãos do primeiro século receberam. Esses serviam como sinais de que o favor de Deus estava com essa congregação recém-formada. Mas nem todos os cristãos tinham o poder de curar, profetizar ou falar em línguas. Isso, porém, não importava, pois de qualquer maneira os dons milagrosos com o tempo cessariam. Contudo, uma coisa permaneceria, algo que todos os cristãos poderiam cultivar e que era mais duradouro e permanente do que qualquer dom milagroso. De fato, Paulo o chamou de “um caminho superior”. (1 Coríntios 12:31) Que “caminho” era esse? O caminho do amor.
22 De fato, o amor cristão que Paulo descreveu “nunca acaba”, isto é, nunca tem fim. Até hoje o amor fraternal abnegado identifica os verdadeiros seguidores de Jesus. Não vemos evidência desse amor nas congregações dos adoradores de Jeová em toda a Terra? Essa qualidade existirá para sempre, porque Jeová promete vida eterna aos seus servos fiéis. (Salmo 37:9-11, 29) Continuemos fazendo todo o possível para ‘continuar andando em amor’. Assim, sentiremos a felicidade maior que vem de dar. Mais do que isso, poderemos continuar a viver — e amar — por toda a eternidade, imitando nosso Deus amoroso, Jeová.
O povo de Jeová é identificado pelo amor que tem uns pelos outros
23 Neste capítulo, que conclui a seção sobre o amor, vimos como podemos demonstrar amor uns pelos outros. Mas, em vista dos muitos modos em que nos beneficiamos do amor de Jeová — bem como do seu poder, justiça e sabedoria —, faríamos bem em perguntar: ‘Como posso mostrar a Jeová que realmente o amo?’ Essa pergunta será analisada no último capítulo.
a Naturalmente, o amor cristão não é de modo algum ingênuo. A Bíblia nos exorta: ‘Fiquem atentos àqueles que causam divisões e dão motivos para tropeço; afastem-se deles.’ — Romanos 16:17.
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“Acheguem-se a Deus, e ele se achegará a vocês”Achegue-se a Jeová
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CAPÍTULO 31
“Acheguem-se a Deus, e ele se achegará a vocês”
1-3. (a) O que podemos aprender sobre a natureza humana observando a interação entre um bebê e seus pais? (b) Que processo ocorre naturalmente quando alguém nos demonstra amor e que pergunta importante podemos nos fazer?
UM SORRISO do filhinho recém-nascido enche os pais de alegria. Às vezes, eles chegam bem pertinho dele, falando com ternura e sorrindo entusiasmados. Esperam uma reação. E ela logo vem: formam-se covinhas nas bochechas do bebê, seus lábios se curvam e surge um lindo sorriso. Aquele sorriso expressa afeição de um jeito todo especial. O bebê está começando a aprender com os pais a expressar amor.
2 O sorriso do bebê nos faz lembrar de algo importante a respeito da natureza humana: quando recebemos amor, nossa reação natural é amar. Foi assim que fomos criados. (Salmo 22:9) À medida que crescemos, vamos desenvolvendo nossa capacidade de reagir ao amor. Você talvez se lembre de quando era criança e de como seus pais, parentes e amigos expressavam amor por você. A afeição se arraigou no seu coração, cresceu e deu frutos: você passou a demonstrar amor também. Será que acontece algo similar no seu relacionamento com Jeová Deus?
3 A Bíblia diz: “Nós amamos porque ele nos amou primeiro.” (1 João 4:19) A matéria das Seções 1 a 3 deste livro lembrou você que Jeová Deus, de forma amorosa, exerceu poder, justiça e sabedoria em seu benefício. E, na Seção 4, viu que ele expressou Seu amor diretamente à humanidade — e a você pessoalmente — de modos notáveis. Mas surge uma questão. De certa forma, esta é a pergunta mais importante que você pode fazer a si mesmo: ‘Como posso corresponder ao amor de Jeová?’
O que significa amar a Deus
4. Por que as pessoas estão confusas sobre o que significa amar a Deus?
4 Jeová, o Originador do amor, sabe muito bem que essa qualidade tem o dom de revelar o que há de melhor nas pessoas. Assim, apesar da constante rebeldia da humanidade infiel, ele sempre teve confiança de que alguns humanos corresponderiam ao seu amor. E, de fato, milhões corresponderam. Infelizmente, porém, as religiões deste mundo corrupto deixaram as pessoas confusas sobre o que significa amar a Deus. Muitas pessoas dizem que o amam, mas parecem achar que se trata apenas de um sentimento que se expressa em palavras. O amor a Deus talvez comece dessa forma, assim como o amor do bebê pelos pais se manifesta inicialmente por meio de um sorriso. Mas, no caso dos adultos, o amor envolve mais coisas.
5. Como a Bíblia define o amor de Deus? Por que não deveríamos achar essa definição desagradável?
5 Jeová explica o que significa amá-lo. Sua Palavra diz: “O amor a Deus significa o seguinte: que obedeçamos aos seus mandamentos.” Assim, o amor a Deus precisa ser expresso em ações. É verdade que muitas pessoas não acham agradável a ideia de ter de obedecer. Mas o mesmo versículo bondosamente esclarece: “Contudo, os . . . mandamentos [de Deus] não são pesados.” (1 João 5:3) O objetivo das leis e dos princípios de Jeová não é nos oprimir, mas nos beneficiar. (Isaías 48:17, 18) A Palavra de Deus está cheia de princípios que ajudam a nos achegarmos mais a ele. Como? Examinemos três aspectos de nosso relacionamento com Deus: comunicação, adoração e imitação.
Comunicação com Jeová
6-8. (a) De que maneiras podemos escutar a Jeová? (b) Como podemos dar vida ao que lemos nas Escrituras?
6 O Capítulo 1 começa com a pergunta: “Consegue se imaginar conversando com Deus?” Vimos que essa não é uma ideia sem cabimento. De fato, Moisés conversou com Jeová. E nós? Atualmente, Ele não envia anjos para conversar com humanos. Mas ainda tem meios excelentes de se comunicar conosco. Como podemos escutar a Jeová?
7 Visto que “toda a Escritura é inspirada por Deus”, escutamos a Jeová quando lemos sua Palavra, a Bíblia. (2 Timóteo 3:16) O salmista incentivou os servos de Deus a fazer essa leitura “dia e noite”. (Salmo 1:1, 2) Isso exige esforço considerável da nossa parte. Mas vale a pena! Como vimos no Capítulo 18, a Bíblia é como uma carta valiosa de nosso Pai celestial. Assim, não devemos encarar a leitura dela como uma obrigação. Devemos dar vida ao que lemos nas Escrituras. Como se faz isso?
8 Visualize o relato bíblico à medida que lê. Procure encarar os personagens bíblicos como pessoas reais. Tente entender a formação, as circunstâncias e as motivações deles. Daí, analise bem o que lê, fazendo perguntas como: ‘O que esse relato me ensina sobre Jeová? Que qualidades dele ficam evidentes? Que princípio Jeová deseja que eu aprenda e como posso aplicá-lo na vida?’ Leia, medite e aplique. À medida que fizer isso, a Palavra de Deus ganhará vida. — Salmo 77:12; Tiago 1:23-25.
9. Quem faz parte do “escravo fiel e prudente”? Por que é importante prestar atenção a esse “escravo”?
9 Jeová também fala conosco por meio do “escravo fiel e prudente”. Como Jesus predisse, um pequeno grupo de homens cristãos ungidos foi designado para fornecer “alimento no tempo apropriado” durante estes turbulentos últimos dias. (Mateus 24:45-47) Quando lemos publicações preparadas para nos ajudar a obter conhecimento exato da Bíblia e quando assistimos a reuniões e congressos cristãos, estamos recebendo alimento espiritual desse escravo. Visto que se trata do escravo de Cristo, convém pôr em prática as palavras de Jesus: “Prestem atenção a como escutam.” (Lucas 8:18) Escutamos com atenção porque reconhecemos que o escravo fiel é um dos meios que Jeová usa para se comunicar conosco.
10-12. (a) Por que a oração é uma dádiva maravilhosa de Jeová? (b) Como podemos orar de um modo que agrade a Jeová e por que podemos ter certeza de que ele aprecia nossas orações?
10 Mas como nos comunicamos com Deus? Podemos falar com ele? Essa é uma ideia espantosa! Se tentasse obter uma audiência com o governante mais poderoso de seu país a fim de tratar de alguns assuntos pessoais, quais seriam suas chances de sucesso? Em alguns casos, a mera tentativa já seria perigosa. Nos dias de Ester e Mordecai, a pessoa podia ser morta se tentasse aproximar-se do monarca persa sem um convite real. (Ester 4:10, 11) Imagine então nos aproximarmos do Soberano Senhor do Universo, em comparação com quem os mais poderosos humanos “são como gafanhotos”! (Isaías 40:22) Deveríamos nos sentir intimidados? De jeito nenhum!
11 Jeová nos deu um meio direto e simples de chegarmos a ele: a oração. Até uma criança pode orar a Jeová com fé, em nome de Jesus. (João 14:6; Hebreus 11:6) Mas a oração nos permite transmitir nossos pensamentos e sentimentos mais complexos e íntimos, até mesmo aqueles que são tão dolorosos que nem sabemos expressar em palavras. (Romanos 8:26) Não adianta nada tentar impressionar Jeová com um vocabulário vasto e sofisticado ou com orações longas e verbosas. (Mateus 6:7, 8) Por outro lado, ele não especifica a duração máxima de nossas orações nem com que frequência podemos fazê-las. Sua Palavra até nos convida a ‘orar constantemente’. — 1 Tessalonicenses 5:17.
12 Lembre-se de que só Jeová é chamado de “Ouvinte de oração”, e ele escuta com verdadeira empatia. (Salmo 65:2) Será que ele apenas tolera as orações de seus servos fiéis? Não, ele realmente deriva prazer delas. Sua Palavra as compara a incenso que, quando queimado, libera uma nuvem de fumaça de cheiro doce e repousante. (Salmo 141:2; Apocalipse 5:8; 8:4) Não é consolador saber que nossas orações sinceras, de modo similar, ascendem até o Soberano Senhor e lhe agradam? Assim, se quiser se achegar a Jeová, ore a ele humilde e frequentemente, todo dia. Abra seu coração para ele, sem receio. (Salmo 62:8) Fale ao seu Pai celestial sobre suas preocupações e alegrias; expresse seus agradecimentos e louvores. Em resultado disso, o vínculo entre você e ele ficará cada vez mais forte.
Adoração a Jeová
13, 14. O que significa adorar a Jeová e por que é apropriado fazermos isso?
13 A comunicação com Jeová Deus é diferente de uma conversa com um amigo ou parente, em que simplesmente escutamos e falamos. Quando nos comunicamos com ele, estamos na verdade adorando-o, dando-lhe a honra reverente que lhe é bem merecida. A adoração verdadeira é a nossa vida. É o modo de demonstrarmos a Jeová nosso amor e devoção de toda a alma. Ela une todas as criaturas fiéis de Jeová, no céu e na Terra. Em visão, o apóstolo João ouviu um anjo dar esta ordem: “Adorem Aquele que fez o céu, a terra, o mar e as fontes de água.” — Apocalipse 14:7.
14 Por que devemos adorar a Jeová? Pense nas qualidades que analisamos: santidade, poder, autodomínio, justiça, coragem, misericórdia, sabedoria, humildade, amor, compaixão, lealdade e bondade. Vimos que Jeová é o próprio ápice, o padrão mais elevado possível, de cada um desses atributos valiosos. Quando procuramos entender plenamente essas qualidades como um todo, notamos que o Criador é muito mais do que um Personagem grandioso e notável. Ele é glorioso ao extremo e incomparavelmente mais elevado do que nós. (Isaías 55:9) Sem sombra de dúvida, Jeová tem o direito de ser nosso Soberano e, por certo, merece nossa adoração. Mas como devemos adorá-lo?
15. Como podemos adorar a Jeová “com espírito e verdade”? As reuniões cristãs nos dão que oportunidade?
15 Jesus disse: “Deus é espírito, e os que o adoram têm de adorá-lo com espírito e verdade.” (João 4:24) Para adorar a Deus “com espírito”, precisamos ter seu espírito e ser guiados por ele. Além disso, nossa adoração deve estar em harmonia com a verdade, o conhecimento exato encontrado na Palavra de Deus. Temos uma ótima oportunidade para adorar a Jeová “com espírito e verdade” sempre que nos reunimos com companheiros de adoração. (Hebreus 10:24, 25) Quando entoamos cânticos a Jeová, nos unimos em oração a Ele, prestamos atenção ao estudo da sua Palavra e participamos dele, expressamos nosso amor a Ele em adoração pura.
As reuniões cristãs são ocasiões agradáveis para adorar a Jeová
16. Qual é um dos maiores mandamentos de que os cristãos verdadeiros foram incumbidos, e por que nos sentimos impelidos a obedecer?
16 Também adoramos a Jeová quando falamos dele a outros, dando-lhe louvor em público. (Hebreus 13:15) De fato, pregar as boas novas do Reino de Deus é um dos maiores mandamentos de que os cristãos verdadeiros foram incumbidos. (Mateus 24:14) Obedecemos entusiasticamente porque amamos ao Criador. “O deus deste mundo”, Satanás, o Diabo, “cegou a mente dos descrentes”, espalhando mentiras cruéis sobre Jeová. Por isso, ansiamos servir como Testemunhas a favor do nosso Deus, combatendo essas calúnias. (2 Coríntios 4:4; Isaías 43:10-12) E, quando meditamos nas maravilhosas qualidades de Jeová, não sentimos um desejo cada vez mais forte de falar dele a outros? De fato, não há privilégio maior do que ajudar outras pessoas a conhecer e a amar nosso Pai celestial assim como nós.
17. O que a nossa adoração a Jeová abrange, e por que devemos adorar em integridade?
17 Mas não é só isso. A adoração a Jeová abrange cada aspecto de nossa vida. (Colossenses 3:23) Se realmente aceitarmos a Jeová como nosso Senhor Soberano, procuraremos fazer sua vontade em tudo: na vida familiar, no serviço secular, nos tratos com outros, no tempo de folga. Faremos empenho para servir a Jeová “de coração pleno”, com integridade. (1 Crônicas 28:9) Nesse tipo de adoração, não há lugar para um coração dividido nem para vida dupla (a atitude hipócrita de aparentemente servir a Jeová enquanto se praticam pecados graves em segredo). Para quem realmente demonstra integridade, é impossível ser hipócrita; quem é amoroso acha a hipocrisia repugnante. O temor de Deus também ajuda. A Bíblia afirma que essa reverência contribui para uma amizade íntima com Jeová. — Salmo 25:14.
Imitar a Jeová
18, 19. Por que não é irrealista pensar que meros humanos imperfeitos sejam capazes de imitar a Jeová Deus?
18 Cada seção deste livro termina com um capítulo que explica como podemos nos ‘tornar imitadores de Deus, como filhos amados’. (Efésios 5:1) É vital lembrarmos que, apesar da nossa imperfeição, podemos realmente imitar o modo perfeito de Jeová usar o poder, exercer a justiça, empregar a sabedoria e demonstrar amor. Como sabemos que é realmente possível imitar o Todo-Poderoso? Lembre-se de que o significado do nome de Jeová nos ensina que ele pode se tornar tudo o que decide ser para cumprir seus propósitos. É natural ficarmos espantados com essa habilidade, mas será que ela está completamente fora do nosso alcance? Não.
19 Fomos criados à imagem de Deus. (Gênesis 1:26) Assim, o homem é diferente de todas as outras criaturas da Terra. Não somos guiados por mero instinto, pela genética ou por fatores ambientais. Jeová nos deu uma dádiva preciosa: o livre-arbítrio. Apesar de nossas limitações e imperfeições, somos livres para escolher o que nos tornaremos. Além disso, lembre-se de que o nome de Deus também significa que ele faz com que seus adoradores se tornem o que ele decidir. Então, você deseja ser uma pessoa amorosa, sábia e justa que usa corretamente o poder? Graças à ajuda do espírito de Jeová, você pode ser exatamente assim! Pense em todo o bem que você poderá realizar.
20. Que bem realizamos quando imitamos a Jeová?
20 Você agradará seu Pai celestial, alegrando Seu coração. (Provérbios 27:11) Poderá até ‘agradar plenamente’ a Jeová, pois ele entende suas limitações. (Colossenses 1:9, 10) E, à medida que continuar desenvolvendo boas qualidades ao imitar seu Pai amoroso, será abençoado com um grande privilégio: num mundo em escuridão, alienado de Deus, você será um portador de luz. (Mateus 5:1, 2, 14) Ajudará a espalhar pela Terra alguns reflexos da gloriosa personalidade de Jeová. Que honra!
“Acheguem-se a Deus, e ele se achegará a vocês”
Achegue-se cada vez mais a Jeová
21, 22. Que jornada infindável se encontra diante de todos os que amam a Jeová?
21 O incentivo simples registrado em Tiago 4:8 não coloca diante de nós apenas um objetivo. Trata-se de uma jornada. Desde que permaneçamos fiéis, essa jornada nunca terminará. Nunca deixaremos de nos achegar cada vez mais a Jeová. Afinal, sempre haverá coisas a aprender sobre ele. Não pense que este livro ensinou tudo o que se pode saber sobre Jeová. Nós mal começamos a analisar tudo o que a Bíblia diz sobre o nosso Deus! E nem a Bíblia inteira contém todas as informações sobre ele. O apóstolo João acreditava que, se tudo o que Jesus fez durante seu ministério terrestre tivesse sido escrito, “o próprio mundo não poderia conter os rolos escritos”. (João 21:25) Se isso se dá no caso do Filho, quanto mais com o Pai!
22 Nem mesmo a vida eterna será suficiente para aprender tudo sobre Jeová. (Eclesiastes 3:11) Pense, então, no que nos aguarda. Depois de viver por centenas, milhares, milhões ou até bilhões de anos, saberemos muito mais sobre Jeová Deus do que sabemos hoje. Mas ainda haverá incontáveis outras coisas maravilhosas para aprendermos. Ficaremos ansiosos de aprender mais, pois sempre teremos razões para nos sentir como o salmista, que cantou: “É bom me achegar a Deus.” (Salmo 73:28) A vida eterna será inimaginavelmente significativa e variada — e a parte mais recompensadora dela sempre será achegar-nos mais a Jeová.
23. Você é incentivado a fazer o quê?
23 Corresponda agora ao amor de Jeová, amando-o de todo o coração, alma, mente e força. (Marcos 12:29, 30) Desenvolva amor leal e inabalável. Que todas as decisões — pequenas ou grandes — que você toma dia após dia reflitam o mesmo princípio orientador: fazer todo o possível para fortalecer cada vez mais o relacionamento com seu Pai celestial! Acima de tudo, achegue-se cada vez mais a Jeová e ele se achegará cada vez mais a você — por toda a eternidade!
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“Atemorizante poder”Achegue-se a Jeová
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SEÇÃO 1
“Atemorizante poder”
Nesta seção examinaremos relatos bíblicos que atestam o poder de Jeová de criar, destruir, proteger e restaurar. Entender como Jeová Deus, que tem “atemorizante poder”, usa a sua “imensa energia dinâmica” encherá o nosso coração de coragem e esperança. — Isaías 40:26.
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“Jeová ama a justiça”Achegue-se a Jeová
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SEÇÃO 2
“Jeová ama a justiça”
Hoje se vê injustiça em toda a parte, e muitos equivocadamente culpam a Deus por isso. Mas a Bíblia ensina uma verdade maravilhosa: “Jeová ama a justiça.” (Salmo 37:28) Nesta seção, aprenderemos como ele demonstrou que essas palavras são verdadeiras. Isso é motivo de esperança para toda a humanidade.
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“Tem coração sábio”Achegue-se a Jeová
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SEÇÃO 3
“Tem coração sábio”
A sabedoria genuína é um dos tesouros mais preciosos que se pode desejar. Jeová é a única Fonte dela. Nesta seção, vamos analisar de perto a sabedoria ilimitada de Jeová Deus. Sobre ele, o fiel Jó disse: “Ele tem coração sábio.” — Jó 9:4.
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“Deus é amor”Achegue-se a Jeová
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SEÇÃO 4
“Deus é amor”
De todas as qualidades de Jeová, o amor é a principal. É também a mais atraente. Ao examinarmos algumas das lindas facetas dessa qualidade preciosa, entenderemos melhor por que a Bíblia diz que “Deus é amor”. — 1 João 4:8.
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