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  • Doença cardíaca: uma ameaça à vida
    Despertai! — 1996 | 8 de dezembro
    • Doença cardíaca: uma ameaça à vida

      TODOS os anos, milhões de homens e mulheres no mundo inteiro sofrem ataques cardíacos. Muitos sobrevivem com poucas seqüelas. Outros não sobrevivem. Ainda outros ficam com o coração tão lesado que “a volta às atividades úteis é questionável”, diz o cardiologista Peter Cohn, acrescentando: “É imperativo, portanto, cortar o mal pela raiz, sempre que possível.”

      O coração é um músculo que bombeia sangue para todo o corpo. Num ataque cardíaco (infarto do miocárdio), parte do músculo do coração morre quando é privado de sangue. Para permanecer sadio, o coração precisa de oxigênio e de outros nutrientes que são transportados pelo sangue. Ele os recebe por meio das artérias coronárias, que cobrem o coração.

      As doenças podem afetar qualquer parte do coração. Mas a mais comum é a insidiosa doença das artérias coronárias, chamada de aterosclerose. Quando isso acontece, formam-se placas, ou depósitos de gordura, nas paredes das artérias. Com o tempo, as placas podem se acumular, endurecer e estreitar as artérias, restringindo o fluxo de sangue ao coração. É dessa doença básica das artérias coronárias que surge o quadro da maioria dos infartos.

      A obstrução numa ou em mais artérias precipita um ataque quando a demanda de oxigênio do coração excede ao fornecimento. Mesmo em artérias menos gravemente estreitadas, um depósito de placas pode romper-se e formar um coágulo sanguíneo (trombo). Artérias doentes são também mais sujeitas a espasmos. Pode ocorrer a formação de um coágulo sanguíneo no local do espasmo, que libera uma substância química que constringe ainda mais a parede arterial, desencadeando um ataque.

      Quando o músculo cardíaco fica sem oxigênio por um certo tempo, o tecido adjacente pode ficar danificado. Diferente de certos tecidos, o músculo cardíaco não se regenera. Quanto mais longo for o ataque, maior será o dano ao coração e a probabilidade de morte. Se o sistema elétrico do coração for danificado, seu ritmo normal pode tornar-se caótico e ele talvez comece a palpitar freneticamente (fibrilar). Nessa arritmia, a capacidade do coração de bombear sangue para o cérebro falha. Em dez minutos o cérebro morre, causando a morte da pessoa.

      Assim, o pronto atendimento por pessoal habilitado é vital. Pode evitar danos ao coração, prevenir ou tratar a arritmia e até salvar a vida da pessoa.

  • Reconhecer os sintomas e agir logo
    Despertai! — 1996 | 8 de dezembro
    • Reconhecer os sintomas e agir logo

      SE HOUVER sintomas de ataque cardíaco é vital ir ao médico imediatamente, pois o risco de vida é maior durante a primeira hora depois do ataque. O tratamento imediato pode poupar o músculo cardíaco de lesões irreparáveis. Quanto mais músculo cardíaco se poupar, tanto melhor o coração bombeará depois do ataque.

      Contudo, há ataques cardíacos silenciosos, sem sintomas externos. Nesses casos, a pessoa talvez nem saiba que tem a doença das coronárias. Infelizmente, para alguns, um forte ataque pode ser a primeira indicação de problemas no coração. Em caso de parada cardíaca (o coração pára de bombear), há pouca chance de sobrevivência a menos que se chame imediatamente uma equipe de socorro e seja aplicada prontamente a ressuscitação cardiopulmonar (RCP).

      Dentre os que têm sintomas de doença das coronárias, diz o boletim Harvard Health Letter, cerca da metade não procura ajuda médica imediatamente. Por que não? “Em geral porque não reconhecem o significado de seus sintomas, ou porque não os levam a sério.”

      João,a uma vítima de ataque cardíaco e Testemunha de Jeová, faz o apelo: “Se você perceber algum problema, não deixe de ir ao médico por receio de parecer melodramático. Quase perdi a minha vida por não ter reagido logo.”

      O que aconteceu

      João explica: “Um ano e meio antes do ataque cardíaco, um médico alertou-me a respeito do meu colesterol elevado, um forte fator de risco de doença das coronárias. Mas eu não me importei com isso, pois achava que era jovem — menos de 40 anos — e tinha boa saúde. Lamento profundamente não ter agido então. Tive outros avisos: falta de ar depois de esforço físico, dores que eu achava ser indigestão e, por vários meses antes do ataque, extrema fadiga. Eu atribuía quase tudo isso à falta de sono e ao excesso de estresse no trabalho. Três dias antes do ataque, tive o que imaginava ser um espasmo muscular no peito. Foi um pequeno ataque anterior ao grande, três dias depois.”

      Dor ou pressão no peito, chamado de angina, é um aviso para cerca da metade dos que sofrem um ataque cardíaco. Alguns sentem falta de ar ou fadiga e fraqueza, o que indica falta de oxigênio no coração devido à obstrução coronária. Esses sinais devem levar a pessoa a ir ao médico para um exame do coração. O Dr. Peter Cohn diz: “O tratamento da angina não garante que não haverá um ataque cardíaco, mas, pelo menos, reduz as possibilidades de um ataque iminente.”

      O ataque

      João continua: “Naquele dia fomos jogar softball. Enquanto eu devorava um hambúrguer e batatas fritas no almoço, não liguei muito para um certo mal-estar, náusea e rigidez na parte superior do corpo. Mas, ao chegar ao parque e começar a jogar, percebi que havia algum problema. Com o passar da tarde, eu piorava cada vez mais.

      “Várias vezes deitei no banco dos jogadores, de costas, tentando estirar os músculos do peito, que enrijeciam cada vez mais. Quando voltava a jogar, eu dizia a mim mesmo: ‘Talvez tenha pegado gripe’, pois, vez por outra, eu suava frio e tinha fraqueza. Quando corria, perdia o fôlego facilmente. Deitei de novo num banco. Ao sentar, não havia dúvidas de que eu estava em sério aperto. Gritei para meu filho, Jaime: ‘Preciso ir ao hospital AGORA!’ Meu peito parecia ter afundado. A dor era tão forte que eu não conseguia me levantar. Pensei: ‘Isso não pode ser um ataque cardíaco, só tenho 38 anos!’”

      O filho de João, com 15 anos na época, conta: “Apenas alguns minutos depois papai perdeu as forças, sendo preciso carregá-lo até o carro. Um amigo meu dirigiu o carro, e fazia perguntas ao meu pai, para acompanhar o seu estado. Por fim, papai não respondia mais. ‘João!’, gritou meu amigo. Mas, mesmo assim, papai não respondeu. Daí, papai fez um movimento brusco no assento, teve convulsões e vomitou. Eu gritava: ‘Papai! eu amo você! Por favor, não morra!’ Passada a convulsão, seu corpo ficou flácido. Pensei que tinha morrido.”

      No hospital

      “Entramos correndo no hospital. Haviam-se passado dois ou três minutos desde aquele momento em que pensei que papai tivesse morrido, mas eu tinha esperança de que ele se salvaria. Para minha surpresa, umas 20 Testemunhas de Jeová que haviam estado no parque estavam agora na sala de espera. Elas me deram consolo e amor, que foi de grande ajuda naquele momento trágico. Uns 15 minutos depois, um médico disse: ‘Conseguimos reanimar seu pai, mas ele teve um forte ataque de coração. Não temos certeza de que vai sobreviver.’

      “Daí ele me permitiu ver meu pai, brevemente. As palavras de amor de papai por nossa família me comoveram. Sentindo muita dor, ele disse: ‘Filho, eu amo você. Lembre-se sempre de que Jeová é a pessoa mais importante na nossa vida. Nunca deixe de servi-lo, e ajude sua mãe e seus irmãos a jamais pararem de servi-lo. Nós temos uma sólida esperança na ressurreição e, se eu morrer, quero ver todos vocês ao voltar.’ Ambos derramávamos lágrimas de amor, angústia e esperança.”

      Maria, esposa de João, chegou uma hora depois. “Quando entrei na sala de emergências, o médico me disse: ‘Seu marido teve um forte ataque cardíaco.’ Fiquei entorpecida. Ele explicou que o coração de João havia sido desfibrilado oito vezes. Essa medida de emergência emprega impulsos elétricos para parar os batimentos caóticos do coração e restaurar o ritmo normal. Junto com a RCP, fornecimento de oxigênio e drogas intravenosas, a desfibrilação é um avançado método de salvar vidas.

      “Quando vi João, fiquei condoída. Ele estava muito pálido, com o corpo cheio de tubos e cabos conectados a monitores. Orei silenciosamente a Jeová pedindo forças para suportar essa aflição, pensando nos nossos três filhos, e pedi orientação para tomar decisões sábias quanto ao que pudesse acontecer. Ao aproximar-me do leito de João, pensei: ‘O que é que se pode dizer a uma pessoa amada numa hora dessas? Estamos realmente preparados para uma situação de risco de vida de tal magnitude?’

      “‘Querida’, disse João, ‘você sabe que eu talvez não escape dessa. Mas é importante que você e os meninos permaneçam fiéis a Jeová, porque este sistema em breve acabará e daí não haverá mais doenças nem morte. Quero acordar naquele novo sistema e ver você e os nossos meninos lá.’ Lágrimas escorriam pelos nossos rostos.”

      O médico explica

      “Mais tarde, o médico explicou-me em particular que os exames apontavam como causa do ataque cardíaco uma obstrução total na artéria descendente anterior esquerda. Havia obstrução também em outra artéria. O médico disse que eu tinha de tomar uma decisão a respeito do tratamento de João. As opções eram drogas e angioplastia. Ele achava que angioplastia seria melhor, assim, optamos por esta. Mas os médicos não deram certeza de êxito, pois a maioria não sobrevive a esse tipo de ataque cardíaco.”

      Angioplastia é uma técnica cirúrgica em que uma sonda, com um pequeno balão na extremidade, é introduzida na artéria coronária; o balão é inflado, desobstruindo a artéria. Esse procedimento tem alto índice de sucesso na restauração do fluxo sanguíneo. Quando várias artérias estão seriamente obstruídas, em geral se recomenda a cirurgia de ponte de safena.

      Prognóstico sombrio

      Depois da angioplastia, a vida de João continuou por um fio, por mais 72 horas. Por fim, seu coração começou a recuperar-se do trauma. Mas ele bombeava com apenas metade de sua capacidade anterior, e boa parte dele se tornara tecido morto. Assim, a possibilidade de João tornar-se cardiopata era quase certa.

      Em retrospecto, João admoesta: “Devemos ao nosso Criador, à nossa família, aos nossos irmãos espirituais e a nós mesmos a obrigação de acatar os avisos e cuidar de nossa saúde — em especial se corrermos risco. Podemos, em grande medida, ser causa de felicidade ou de tristeza. Depende de nós.”

      O caso de João era grave e exigia atenção imediata. Mas nem todo mundo que sente algum tipo de azia precisa ir correndo ao médico. No entanto, o caso dele é um alerta, e os que acham que têm os sintomas devem fazer um exame.

      O que se pode fazer para reduzir o risco de ataque cardíaco? O próximo artigo considerará isso.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Os nomes nestes artigos foram mudados.

      [Quadro na página 6]

      Sintomas de ataque cardíaco

      • Incômoda sensação de pressão, aperto ou dor no peito que dure mais do que alguns minutos. Pode ser confundida com azia intensa

      • Dor que talvez se irradie para o queixo, o pescoço, os ombros, os braços, os cotovelos ou a mão esquerda, ou que se manifeste apenas num desses pontos

      • Dor prolongada no abdômen superior

      • Falta de ar, tontura, desmaio, muita transpiração, ou suor frio

      • Exaustão física, talvez semanas antes do ataque

      • Náusea ou vômito

      • Freqüentes ataques de angina, não provocados por esforço físico

      Os sintomas podem variar de brandos a fortes, e nem todos ocorrem em cada ataque cardíaco. Mas, em caso de combinação desses sintomas, procure ajuda logo. No entanto, há casos sem sintomas; são chamados de ataques cardíacos silenciosos.

      [Quadro na página 7]

      Medidas de sobrevivência

      Se você, ou um conhecido seu, apresentar sintomas de ataque cardíaco:

      • Reconheça os sintomas.

      • Pare o que estiver fazendo, sente-se ou deite-se.

      • Se os sintomas durarem mais de alguns minutos, telefone para uma unidade de emergência. Diga ao plantonista que há suspeita de ataque cardíaco e dê-lhe as informações necessárias para localizar você.

      • Leve a vítima a um pronto-socorro você mesmo, se isto for mais rápido. Se a vítima é você, peça a alguém que o leve lá.

      Enquanto espera pela equipe médica:

      • Afrouxe a roupa apertada, incluindo cinto ou gravata. Coloque a vítima numa posição confortável, com travesseiros para apoiar a cabeça, se necessário.

      • Fique calmo, seja você a vítima ou o socorrista. O nervosismo pode aumentar a probabilidade de arritmia, que pode ser fatal. A oração pode ter um forte efeito calmante.

      Se a vítima aparentemente parou de respirar:

      • Pergunte, em voz alta: “Está me ouvindo?” Se não houver resposta nem pulso, e se a vítima não respirar, comece a ressuscitação cardiopulmonar (RCP).

      • Lembre-se dos três passos básicos da RCP:

      1. Levante o queixo da vítima, para manter livre a passagem de ar.

      2. Com a passagem de ar desobstruída, tape o nariz da vítima e sopre lentamente duas vezes para dentro da boca (respiração boca-a-boca) até elevar um pouco o nível do tórax.

      3. Massageie 10 a 15 vezes no meio do tórax, entre os mamilos, para fazer sair o sangue do coração e do tórax. A cada 15 segundos, faça um ciclo de duas respirações boca-a-boca seguidas de 15 massagens, até que o pulso e a respiração retornem, ou chegue a equipe de socorro.

      A RCP deve ser feita por alguém treinado para isso. Mas, na falta disso, “qualquer RCP é melhor do que nenhuma”, diz o Dr. R. Cummins, diretor de uma unidade de emergência do coração. A menos que alguém inicie esses passos, as chances de sobrevivência são muito remotas. A RCP mantém viva a pessoa até chegar o socorro.

  • Como reduzir os riscos?
    Despertai! — 1996 | 8 de dezembro
    • Como reduzir os riscos?

      A DOENÇA das coronárias (coronariopatia) relaciona-se com vários fatores genéticos, ambientais e de estilo de vida. A coronariopatia e um ataque cardíaco podem resultar de anos, ou até mesmo décadas, de riscos vinculados a um ou mais desses fatores.

      Idade, sexo e hereditariedade

      Com o avanço da idade vem o aumento do risco de ataque cardíaco. Cerca de 55% deles ocorrem em indivíduos de mais de 65 anos. Uns 80% dos que morrem desse ataque têm 65 anos, ou mais.

      Homens com menos de 50 correm mais risco do que mulheres da mesma faixa etária. Na pós-menopausa o risco da mulher aumenta, devido à aguda diminuição do protetor hormônio estrogênio. Segundo estimativas, a terapia de reposição do estrogênio pode reduzir em 40%, ou mais, o risco de doença cardíaca em mulheres, embora possa aumentar o risco de certos tipos de câncer.

      A hereditariedade pode ser um fator importante. Filhos de pais que tiveram um ataque antes dos 50 anos correm um risco maior de também terem um ataque. Mesmo que os pais tenham tido o ataque depois dos 50, o risco ainda é maior. Quando há histórico de problemas cardíacos na família, a prole tem probabilidade maior de vir a ter problemas similares.

      O fator colesterol

      O colesterol, um tipo de lipídio, é essencial para a vida. É produzido pelo fígado e transportado pelo sangue para as células, em moléculas chamadas lipoproteínas. Há lipoproteínas de baixa densidade (LDL-colesterol) e lipoproteínas de alta densidade (HDL-colesterol). O colesterol vira um fator de risco para a doença das coronárias quando há uma concentração excessiva de LDL-colesterol no sangue.

      Pensa-se que o HDL cumpre um papel protetor removendo colesterol dos tecidos e levando-o de volta para o fígado, onde é alterado e eliminado do corpo. Se os exames derem LDL elevado e HDL baixo, o risco de doença do coração é grande. Reduzir a taxa de LDL pode diminuir muito o risco. Medidas dietéticas são fundamentais no tratamento, e os exercícios físicos podem ser úteis. Vários medicamentos podem produzir bons resultados, mas alguns têm desagradáveis efeitos colaterais.a

      Recomenda-se uma dieta baixa em colesterol e gorduras saturadas. Substituir alimentos com muita gordura saturada, tais como manteiga, por outros com menos, tais como óleo de canola ou azeite de oliva, pode baixar o LDL e conservar o HDL. Por outro lado, a American Journal of Public Health diz que os óleos vegetais total ou parcialmente hidrogenados, presentes na maioria das margarinas e gorduras vegetais podem aumentar o LDL e reduzir o HDL. Recomenda-se também diminuir o consumo de carnes muito gordurosas, substituindo-as pelas carnes menos gordurosas de frango ou de peru.

      Estudos indicam que a vitamina E, o beta-caroteno e a vitamina C podem desacelerar a aterosclerose em animais. Um estudo concluiu que esses podem também reduzir a incidência de ataques cardíacos em humanos. O consumo diário de legumes e frutas ricos em beta-caroteno e outros carotenóides e vitamina C, tais como tomate, verduras de folhas verde-escuras, pimentão, cenoura, batata-doce e melão, podem ser efetivos contra a doença das coronárias.

      Também consideradas úteis são a vitamina B6 e o magnésio. Grãos integrais, como de cevada e de aveia, bem como feijões, lentilhas e certas sementes e amêndoas podem ajudar. Pensa-se também que comer peixes, como salmão, cavalinha, arenque e atum, pelo menos duas vezes por semana, pode reduzir o risco de doença das coronárias, pois são ricos em ácidos graxos ômega-3 poliinsaturados.

      Vida sedentária

      Os sedentários correm maior risco de ataque cardíaco. Eles passam a maior parte do dia fisicamente inativos e não se exercitam regularmente. Muitos deles sofrem ataques cardíacos depois de grande esforço físico, como trabalhar vigorosamente no jardim, correr, levantar objetos pesados ou remover entulhos. Mas os riscos diminuem entre os que se exercitam regularmente.

      Uma caminhada vigorosa de 20 a 30 minutos, três ou quatro vezes por semana, pode diminuir o risco de ataque. O exercício regular melhora a capacidade de bombear do coração, ajuda a perder peso e pode baixar as taxas de colesterol e a pressão sanguínea.

      Hipertensão, obesidade e diabetes

      A pressão alta sanguínea (hipertensão) pode lesar as paredes arteriais e permitir que o LDL-colesterol penetre na artéria e favoreça a formação de placas (de gordura). O acúmulo dos depósitos de placa aumenta a resistência ao fluxo de sangue, elevando assim a pressão sanguínea.

      Deve-se medir a pressão sanguínea regularmente, pois pode não haver nenhum sinal externo de problema. Cada redução de um ponto na pressão diastólica (o número inferior), pode reduzir o risco de ataque cardíaco em 2% a 3%. Medicação para baixar a pressão sanguínea pode ser eficaz. A dieta e, em alguns casos, restringir o consumo de sal, junto com exercícios regulares para perda de peso, podem ser efetivos no controle da pressão sanguínea alta.

      O excesso de peso promove a pressão alta sanguínea e anormalidades dos lipídios. Evitar ou tratar a obesidade é uma das maneiras principais de prevenir a diabetes. A diabetes acelera a doença das coronárias e aumenta o risco de ataque cardíaco.

      O fumo

      Fumar é um grande fator no desenvolvimento da doença das coronárias. Nos Estados Unidos, é diretamente responsável por cerca de 20% das mortes por doenças cardíacas e aproximadamente 50% dos ataques cardíacos em mulheres com menos de 55 anos. O cigarro aumenta a pressão sanguínea e introduz substâncias químicas tóxicas, como nicotina e monóxido de carbono, na corrente sanguínea. Essas substâncias, por sua vez, danificam as artérias.

      Os fumantes colocam também em risco os que ficam expostos à fumaça. Estudos revelam que não-fumantes que vivem com fumantes têm risco maior de sofrer ataque cardíaco. Assim, parando de fumar, a pessoa pode reduzir seu próprio risco e, talvez, até mesmo salvar a vida de familiares não-fumantes.

      Estresse

      Quando submetidos a severo estresse emocional ou mental, os que sofrem de doença das coronárias correm um risco bem maior de sofrer um ataque cardíaco e morte súbita do que os que têm artérias sadias. Segundo um estudo, o estresse pode constringir as artérias cheias de placas, o que diminui a circulação de sangue em até 27%. Foi observada uma significativa constrição até mesmo em artérias levemente doentes. Outro estudo indicou que o estresse severo pode criar condições para a ruptura das placas nas paredes arteriais, desencadeando um ataque cardíaco.

      O periódico Consumer Reports on Health diz: “Há pessoas que parecem passar pela vida com atitude má. São cínicas, irritadiças, deixando-se provocar por pouca coisa. Enquanto que a maioria das pessoas releva pequenas ofensas, pessoas hostis as superdimensionam.” A ira e a hostilidade crônicas aumentam a pressão sanguínea, aceleram o ritmo cardíaco e estimulam o fígado a despejar colesterol na corrente sanguínea. Isso danifica as artérias coronárias e contribui para a doença das coronárias. Pensa-se que a ira dobra o risco de ataque cardíaco, e o perigo iminente disso dura por pelo menos duas horas. O que pode ajudar?

      Segundo o jornal The New York Times, o Dr. Murray Mittleman disse que as pessoas que tentam conservar a calma nos conflitos emocionais podem reduzir o risco de sofrer um ataque cardíaco. Isso soa muito parecido com as palavras registradas há séculos na Bíblia: “O coração calmo é a vida do organismo carnal.” — Provérbios 14:30.

      O apóstolo Paulo sabia o que era sentir-se estressado. Ele falou de ansiedades que o acometiam diariamente. (2 Coríntios 11:24-28) Mas ele teve ajuda de Deus, e escreveu: “Não estejais ansiosos de coisa alguma, mas em tudo, por oração e súplica, junto com agradecimento, fazei conhecer as vossas petições a Deus; e a paz de Deus, que excede todo pensamento, guardará os vossos corações e as vossas faculdades mentais por meio de Cristo Jesus.” — Filipenses 4:6, 7.

      Embora existam outros fatores relacionados com problemas do coração, os que foram considerados aqui podem ajudar a identificar o risco, para que a pessoa possa tomar as providências cabíveis. Mas, alguns se perguntam como é a vida depois de um ataque do coração. Até que ponto é possível a recuperação?

  • O caminho da recuperação
    Despertai! — 1996 | 8 de dezembro
    • O caminho da recuperação

      DEPOIS de um ataque cardíaco, é normal sentir medo e preocupação. Terei outro ataque? Ficarei incapacitado, ou limitado, pela dor e perda de energia e vitalidade?

      João, mencionado no nosso segundo artigo, esperava que o mal-estar e a dor no peito que ele sentia diariamente desaparecessem com o tempo. Mas, após alguns meses, ele disse: “Até agora, isso ainda não aconteceu. Essa situação, além do cansaço rápido e das palpitações do coração, sempre me faz perguntar: ‘Será que vou ter logo um novo ataque?’”

      Jane, dos EUA, que quando teve seu ataque cardíaco era uma jovem viúva, admitiu: “Eu achava que não ia sobreviver, ou que outro ataque me mataria. Sentia pânico, pois tinha três filhos para cuidar.”

      Hiroshi, do Japão, relatou: “Foi um choque ouvir dizer que meu coração não funcionaria mais como antes; sua capacidade de bombeamento caíra 50%. Eu tinha quase certeza de que teria de reduzir minhas atividades como ministro das Testemunhas de Jeová, pois eu conseguia fazer menos da metade do que fazia antes.”

      Confrontada com a limitação de suas forças, a pessoa talvez seja assaltada por sentimentos de depressão e de inutilidade. Maria, uma Testemunha de Jeová australiana de 83 anos que era pregadora de tempo integral, lamentou: “Não poder ser ativa como antes me entristecia. Agora, em vez de ajudar outros, eu é que precisava de ajuda.” Na África do Sul, Harold comentou: “Fiquei três meses sem poder trabalhar. O máximo que podia fazer era dar uma voltinha no jardim. Era frustrador!”

      Depois de seu segundo ataque, Thomas, da Austrália, teve de submeter-se a uma operação de ponte de safena. Ele disse: “Acho difícil agüentar a dor, e a perspectiva de uma cirurgia grande era quase intolerável para mim.” Jorge, do Brasil, falou dos efeitos de uma cirurgia cardíaca: “Por causa de problemas financeiros, eu temia deixar minha esposa só e sem assistência. Eu achava que não viveria muito tempo.”

      A recuperação

      O que tem ajudado muitos a se recuperar, a recobrar o equilíbrio emocional? Jane observou: “Nos momentos de pânico, eu sempre orava a Jeová e lançava sobre ele os meus fardos, e os deixava com ele.” (Salmo 55:22) A oração ajuda a pessoa a adquirir a força e a paz mental necessárias para controlar as ansiedades. — Filipenses 4:6, 7.

      João e Hiroshi participaram em programas de reabilitação. Boa dieta e exercícios fortaleceram seus corações, de modo que ambos voltaram ao trabalho. E eles atribuem a sua recuperação mental e emocional ao poder sustentador do espírito de Deus.

      Foi no apoio de seus irmãos cristãos que Thomas encontrou a coragem para enfrentar a sua cirurgia. Ele declarou: “Antes da cirurgia, um superintendente veio visitar-me, e orou comigo. Com muito fervor, ele pediu a Jeová que me fortalecesse. Naquela noite, eu me concentrei na oração dele e senti-me muito abençoado de ter anciãos como ele, cuja empatia durante períodos de grande tensão emocional já é em si parte do processo de cura.”

      Ana, da Itália, explica como faz para lidar com a depressão: “Quando estou desanimada, medito nas bênçãos que já recebi como uma das servas de Deus e nas bênçãos futuras sob o Reino de Deus. Isso me ajuda a recuperar a serenidade.”

      Maria é grata pela ajuda de Jeová. Sua família tem-lhe dado apoio, e ela diz: “Meus irmãos espirituais, que também têm as suas próprias cargas, tiraram tempo para me visitar, telefonar, ou enviar cartões. Como poderia permanecer triste com todo esse carinho?”

      Não ao coração solitário

      Diz-se que coração convalescente não deve ser coração solitário. O apoio da família e dos amigos é importante e positivo na recuperação daqueles cujo coração precisa ser literal e figurativamente consertado.

      Miguel, da África do Sul, comentou: “É difícil descrever o que é sentir-se desalentado. Mas, quando entro no Salão do Reino, o interesse dos irmãos por mim é muito comovente e edificante.” Henry, da Austrália, também foi fortalecido pelo profundo amor e compreensão de sua congregação. Ele afirmou: “Eu realmente precisava dessas ternas palavras de encorajamento.”

      Jorge apreciou muito a profunda preocupação dos que ajudaram a sua família financeiramente, até que ele pudesse voltar a trabalhar. Olga, da Suécia, também apreciou a ajuda prática que ela e sua família receberam de muitos irmãos espirituais. Alguns cuidaram das compras, outros da limpeza da casa.

      Muitos que sofrem do coração precisam limitar as atividades que tanto prezam. Veja o depoimento de Sven, da Suécia: “Evito sair no ministério quando venta muito ou faz muito frio, pois isso provoca o espasmo vascular. Aprecio a compreensão que muitos irmãos demonstram nesse respeito.” E, quando tem de ficar de cama, Sven pode ouvir as reuniões porque os irmãos bondosamente as gravam para ele. “Eles me mantêm informado sobre o que acontece na congregação, o que me faz sentir participante.”

      Maria, confinada ao leito, sente-se feliz de que seus estudantes da Bíblia vêm a ela para estudar. Assim, ela pode continuar a falar sobre o futuro maravilhoso que espera. Thomas agradece a compreensão que lhe demonstram: “Os anciãos têm sido muito compreensivos, e têm me dado menos designações.”

      As famílias precisam de apoio

      O caminho pode ser tão penoso para os membros da família como para a própria vítima. Eles estão sujeitos a muito estresse e medo. A respeito da ansiedade de sua esposa, Alfred, da África do Sul, observou: “Depois que saí do hospital, minha esposa me acordava muitas vezes durante a noite para ver se eu ainda estava bem, e ela insistia que eu fizesse exame médico a cada três meses.”

      Provérbios 12:25 diz que ‘a ansiedade no coração é o que o fará curvar-se’. Carlo, da Itália, diz que, desde seu ataque cardíaco, sua amorosa e prestimosa esposa “caiu em depressão”. Lawrence, da Austrália, disse: “Algo a que se deve estar atento é se o seu cônjuge está recebendo ajuda. A pressão sobre ele pode ser muito grande.” Portanto, temos de zelar pelas necessidades de todos na família, incluindo as crianças. A situação pode exigir muito deles, em sentido físico e emocional.

      Jaime, mencionado no nosso segundo artigo, tornou-se introvertido depois do ataque cardíaco do pai. Ele conta: “Eu achava que não mais podia me divertir, imaginando que, se o fizesse, algo ruim aconteceria.” Falar de seus temores ao pai e empenhar-se por uma boa comunicação com outros ajudaram-no a aliviar as suas preocupações. Naquele período, Jaime fez algo mais que influiu muito na sua vida. Ele disse: “Passei a estudar mais a Bíblia e a preparar-me melhor para as reuniões cristãs.” Três meses depois, ele dedicou a sua vida a Jeová e simbolizou isso pelo batismo em água. “Desde então”, diz ele, “tenho estreitado muito a minha relação com Jeová. Realmente, tenho muito pelo que lhe agradecer”.

      Depois de um ataque cardíaco, a pessoa tem tempo para reexaminar a sua vida. Por exemplo, a perspectiva de João mudou. Ele disse: “Você vê a futilidade dos empenhos mundanos e percebe a importância do amor da família e dos amigos e o quanto significamos para Jeová. Minha relação com Jeová, com minha família e com meus irmãos espirituais têm ainda maior prioridade agora.” Refletindo sobre o seu trauma, ele acrescentou: “Não sei como agüentaria isso sem a nossa esperança de que um dia essas coisas serão corrigidas. Quando fico abatido, penso no futuro, o que parece atenuar o impacto das coisas que acontecem hoje.”

      Nos altos e baixos de seu caminho da recuperação, esses sobreviventes de ataques cardíacos ancoram firmemente a sua esperança no Reino pelo qual Jesus Cristo nos ensinou a orar. (Mateus 6:9, 10) O Reino de Deus dará aos humanos vida eterna em perfeição numa Terra paradísica. Naquele tempo, as doenças do coração e quaisquer outros males serão definitivamente eliminados. O novo mundo é iminente. Realmente, o melhor da vida ainda está por vir! — Jó 33:25; Isaías 35:5, 6; Revelação (Apocalipse) 21:3-5.

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