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  • g76 8/10 pp. 16-20
  • Seu lar é sua oficina

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  • Seu lar é sua oficina
  • Despertai! — 1976
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Despertai! — 1976
g76 8/10 pp. 16-20

Seu lar é sua oficina

Do correspondente de “Despertai!” no Japão

COMO missionário, gosto de me familiarizar com as pessoas no Japão e com seu modo de vida. Visito regularmente as casas delas, a fim de partilhar com elas as boas novas encontradas na Bíblia, mas elas, também partilham comigo coisas interessantes. Em especial, achei fascinante saber sobre suas “indústrias domésticas”.

Venha comigo conhecer algumas dessas pessoas, e ouça-as, ao explicarem o que fazem.

Assunto Familiar

Foi nesta casa que conheci um rapaz que trabalha junto com a família na fabricação de washi. Diz que nunca ouviu falar nisso? Bem, ele o explicou da seguinte forma: “Washi é às vezes chamado de ‘papel de arroz’, embora nada tenha que ver com arroz.”

Como é fabricado? “Nosso serviço começa com a amoreira do papel”, disse. “Tratamos as fibras da casca interna e as limpamos cabalmente. Daí, adicionamos pegajoso líquido da raiz do hibisco. As fibras longas da amoreira do papel e o líquido do hibisco distinguem o washi dos outros papéis. A substância pegajosa assegura uma distribuição uniforme das fibras. É emocionante ver o produto final. Olhe só estes lindos padrões pintados em nosso papel. O apreço pelo nosso trabalho se estende até à Alemanha Ocidental e aos Estados Unidos.”

Quando indaguei como é que começara tal negócio, ele explicou: “Há sessenta anos atrás, meu bisavô, que era professor, ficou muito doente. Não podendo continuar em seu emprego regular, pensou em um trabalho que pudesse fazer em casa. Por mais de cem anos, aqui na cidade de Ogawa, a grande indústria doméstica tem fabricado o washi. Meu bisavô aprendeu a arte e começou a fabricá-lo em nossa casa. Ainda o fabricamos. Trabalho junto com meus pais, dois tios e duas tias.”

O que me disse sobre as horas de trabalho me fez ficar pensando em como ele se sentia pessoalmente quanto aos negócios da família. Mas, ele me assegurou: “Gosto muito do que faço. É por isso que não me incomodo de trabalhar doze horas por dia. Desejo que a arte da fabricação de papel seja preservada. É um desafio excitante. Outros adolescentes dizem a mesma coisa, mas não estão de forma alguma preparados para fazer tal trabalho. Muitos acham que é cansativo. Mas, se tentassem, talvez o achassem interessante.”

Maridos e Esposas Trabalham Juntos

Ao visitar outras casas, tenho notado que não é incomum que maridos e esposas trabalhem juntos em casa. Preferem isso a ver o marido sair de casa para o trabalho e deixar a esposa sozinha em casa.

Um casal que tem trabalhado junto por vinte anos explicou seu empreendimento: “Foi um amigo nosso quem sugeriu que talvez gostássemos de fabricar capas de livros. Em realidade, o que fazemos é apenas um estágio do trabalho. Recebemos, em casa, as encomendas de tiras de nove metros de temido e colamos papel do lado avesso. Cerca de trinta minutos são necessários para completar uma tira. Fazemos isso juntos. Meu marido, que tem 65 anos, não goza de boa saúde, e eu tenho 60 anos. Trabalhamos segundo nosso próprio ritmo, e isso nos agrada. Estamos muito contentes.”

Outro marido e esposa me contaram que fabricam quebra-luzes de bambu. Fornecendo pormenores, o senhor me disse: “Trabalhando continuamente, podemos fazer cinco grandes quebra-luzes por semana, cada um pesando três quilos. Começo por serrar as varetas de bambu nos tamanhos desejados; então removo os nós. Colocando uma vareta de bambu em pé, corto-a no meio com uma faca e continuo a talhá-la até que consigo a grossura desejada. Algumas varetas ficam tão finas e maleáveis como um barbante — no ponto exato para o trançado. Usando um disco de plástico, com pequeno orifício no centro, começo a trançar ao redor do círculo. Gradualmente, vem a se parecer com enorme roda trançada. Para manter maleável o bambu, aplico-lhe água. Quando atinge o tamanho necessário, modelo a roda num globo ou cúpula. Por fim, revisto-o de uma mistura de cola e água para reter seu formato. Esse trabalho consome tempo, mas achamos que vale a pena. Sentimo-nos honrados de ver nossos quebra-luzes pendurados por todo um restaurante na exposição mundial do Canadá.”

De um lavrador e sua esposa também aprendi muita coisa sobre a indústria da seda. Ele apontou para alguns bosques no campo e perguntou: “Sabe o que são tais bosques? São amoreiras, e qualquer lavrador que as cultiva fará a mesma coisa que nós. Esses bosques são a comida do bicho-da-seda. Enquanto o bicho-da-seda ainda é pequenino, tratamo-lo como um bebê, picando folhas tenras para ele, duas vezes por dia. Até que tenha vinte e cinco dias, colocamos os ramos sobre suas esteiras de alimentação. Fazemos isso em nossa casa.”

“Em sua casa”, perguntei-lhe, boquiaberto. “Não se preocupe”, afirmou. “Eles não perambulam como os gatos e cachorros. O bicho-da-seda gosta demais de sua comida para abandonar sua esteira. Quando garoto, tínhamos esteiras de bichos-da-seda empilhadas bem alto em todo espaço disponível. O ruído de sua mastigação nos embalava o sono à noite. Eu não me importava com isso, mas minha esposa me persuadiu a manter nosso dormitório separado dos bichos-da-seda, não é mesmo, querida?”

“É, sim”, respondeu ela. “Naqueles dias quase tínhamos de sair de casa para deixar os bichos-da-seda nela. Mas, nossa casa é maior agora. Como parte do meu trabalho, eu teço. Tenho um tear de cem anos de idade que se ajusta bem à nossa saleta de um metro e oitenta por dois e setenta. Se eu trabalhar continuamente um dia inteiro, posso terminar um novelo. Algumas pessoas que não têm feito isso já por tanto tempo levam dois ou três dias para produzir a mesma quantidade.”

Trabalho Para Mulheres

Logo compreendi que, em certas casas, são as mulheres que dirigem os negócios. Ao fazer visitas certo dia em Morioka, conheci uma senhora que nos prestou as seguintes informações: “Nós, também, estamos envolvidas na indústria doméstica, mas a nossa é só pára mulheres. Há cerca de quarenta anos atrás, em Morioka, as viúvas se juntaram e começaram a fazer a fiação em casa. Havia muitas ovelhas em Morioka. A fiação e tecelagem eram uma escolha óbvia. Mas, visto que a variedade de ovelhas de Morioka só produzia lã grossa, começamos a importar lã do País de Gales, nas Ilhas Britânicas.”

A meu pedido, ela me explicou bondosamente os passos envolvidos na produção do tecido. “Não é difícil”, disse ela. “Primeiro, separamos a lã em três categorias — para roupas de mulher, para roupas de homem e para tapetes. Depois de a lã ser bem lavada, tingimo-la. A sujeira remanescente é retirada e a lã é escovada. Enrolamos o maço felpudo em nossos dedos e orientamos o futuro fio na fiandeira. Então já estamos prontas para tecer, mas, primeiramente, o fio tem de ser colocado em água quente durante quinze minutos e então enrolado num carretel. Uma vez terminada a tecelagem, removemos os nós, e consertamos qualquer pedaço ruim. Daí, com botas de borracha, tratamos o tecido com água por uma hora ou uma hora e meia. Sai mais sujeira dele. Já então o tecido pode ser pendurado ao ar livre para secar e então pode ser enrolado na forma que vê nas lojas de tecidos.”

Fiquei surpreso de saber que todos esses passos são dados em casa. A senhora reconheceu que outro serviço poderia render mais. Contudo, explicou: “Desse modo, dispomos de nosso próprio tempo, e fazer tal serviço significa que podemos ficar em casa, com nossos filhos, e trabalhar ao mesmo tempo.”

Pais e Filhos Negociam Juntos

Nem sempre acontece, mas, muitos filhos seguem o mesmo trabalho que seus pais lhes ensinaram. Para exemplificar: certo senhor me contou que ele e seu irmão já trabalhavam com seu pai por 40 anos. Fabricam tesouras — aproximadamente quinhentas por mês. São para hospitais, jardins e uso doméstico. Perguntei-lhe como elas diferiam das produzidas em massa, e ele respondeu: “Tomamos cuidado na fabricação de cada uma. As lâminas se ajustam perfeitamente. Embora custem um pouco mais, prestarão bons serviços durante anos.” Essas certamente são qualidades que não se deve desprezar.

Um senhor que, junto seus filhos, tem uma firma impressora, ajudou-me a compreender quão especializadas são com freqüência as indústrias domésticas. “Para imprimir livros”, disse ele, “várias casas em minha comunidade incluem fábricas. Apenas um estágio é feito numa casa, e então o artigo é enviado para a outra casa, para o estágio seguinte, e assim por diante, até que o livro fique pronto. Em nossa casa, não fazemos nada senão imprimir as páginas.”

Similar especialização é encontrada na fabricação das clássicas bonecas ornamentais japonesas. Um senhor em Iwatsuki me mostrou sua oficina doméstica, onde só fabricam as cabeças das bonecas. Descreveu como colocam os olhos em suas órbitas, como pintam o rosto e grudam os cabelos. “Parece simples”, observou, “mas são necessários dez anos antes de se poder produzir cabeças perfeitas. A pintura delicada dos rostos consome tempo e exige mão firme.”

Em tal lar, três gerações trabalham juntas. Fui apresentado ao pai, de 81 anos, que ainda faz sua parte do trabalho. O filho dele partilhava a sala com ele. Em outra sala, o filho de meu anfitrião fazia o mesmo trabalho, mas cuidava de seus próprios pedidos.

“Quando era garoto”, recordava o senhor “parecia a coisa mais natural do mundo seguir as pisadas do meu pai, e fiquei feliz de fazer isso. Mas, a instrução levou alguns de nossos filhos a desprezar a indústria doméstica. Para eles, usar um terno vistoso, levar uma pasta e viajar de trem para o trabalho é ‘uma boa’. É forte o desejo de ser como outros jovens. Mas, estou feliz de que meu filho dá prosseguimento à nossa indústria doméstica e, assim, tornou-se verdadeiro membro da família. Com mão-de-obra perita, como a nossa, ele pode usufruir de confortável existência sem ter de trabalhar por horas desarrazoadamente longas.”

É óbvio que há vantagens nas indústrias domésticas. Alguns tipos exigem mais horas do que outros. Mas, todos oferecem a oportunidade de se determinar suas próprias horas de trabalho.

Ao conduzi-lo nesta excursão, só toquei na superfície. A variedade de oficinas domésticas é quase que ilimitada. Cada tipo de coisa fabricada tem a sua própria história fascinante.

A indústria doméstica prospera quando as pessoas se dispõem a trabalhar. Ao mesmo tempo, pode contribuir para saudável espírito de união na família. Sente-se atraído por ela?

[Foto na página 17]

‘Depois de escovarmos a lã, enrolamos o maço felpudo em nossos dedos e orientamos o futuro fio na fiandeira.’

[Foto na página 18]

A lã é devidamente dividida em três partes e usada como segue: (1) Para roupas de mulher. (2) Para roupas de homem. (3) Para tapetes.

[Foto na página 10]

A pintura delicada dos rostos das bonecas consome tempo e exige mão firme.

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