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Um profeta antigo com uma mensagem modernaProfecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Um
Um profeta antigo com uma mensagem moderna
1, 2. (a) Que triste estado de coisas vemos no mundo de hoje? (b) Como um senador americano expressou a sua preocupação com respeito à deterioração da sociedade?
QUEM hoje não deseja um alívio dos problemas da humanidade? No entanto, quantas vezes os nossos anseios não se cumprem! Sonhamos com a paz, mas somos afligidos pela guerra. Prezamos a lei e a ordem, mas não conseguimos deter a crescente maré de roubos, estupros e assassinatos. Queremos confiar no próximo, mas temos de trancar as portas para nos proteger. Amamos os nossos filhos e tentamos incutir-lhes valores sadios, mas, quantas vezes, sem nada podermos fazer, os vemos sucumbir à má influência de colegas!
2 Bem que podemos concordar com Jó, que disse que a curta vida humana é ‘empanturrada de agitação’. (Jó 14:1) Parece ser assim especialmente hoje, pois a sociedade está se deteriorando como nunca antes. Um senador americano observou: “A Guerra Fria acabou, mas, tragicamente, o mundo está agora mais propício a vinganças e a selvagerias étnicas, tribais e religiosas. . . . Nós rebaixamos tanto os nossos padrões de moral que deixamos muitos jovens confusos, desanimados e em sérios apuros. Estamos colhendo a safra da negligência parental, do divórcio, do abuso de crianças, da gravidez de adolescentes, da evasão escolar, das drogas ilegais e de ruas cheias de violência. É como se a nossa casa, tendo sobrevivido ao grande terremoto que chamamos de Guerra Fria, estivesse agora sendo consumida por cupins.”
3. Especialmente que livro bíblico dá esperança para o futuro?
3 Contudo, não ficamos sem esperança. Uns 2.700 anos atrás, Deus inspirou um homem do Oriente Médio a declarar uma série de profecias com significação especial para os nossos dias. Essas mensagens estão registradas no livro bíblico que leva o nome desse profeta — Isaías. Quem era Isaías, e por que podemos dizer que as suas profecias, registradas há quase três milênios, são uma fonte de luz para toda a humanidade hoje?
Um homem justo em tempos turbulentos
4. Quem era Isaías, e quando serviu como profeta de Jeová?
4 No primeiro versículo de seu livro, Isaías se apresenta como “filho de Amoz”,a e nos diz que serviu como profeta de Deus ‘nos dias de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá’. (Isaías 1:1) Isso significa que Isaías foi profeta de Deus para a nação de Judá por no mínimo 46 anos, provavelmente a partir do fim do reinado de Uzias — por volta do ano de 778 AEC.
5, 6. O que era evidente na vida familiar de Isaías, e por quê?
5 Em comparação com o que se sabe a respeito de alguns dos outros profetas, sabe-se pouco a respeito da vida pessoal de Isaías. O que se sabe é que ele era casado e que se referia à sua esposa como “profetisa”. (Isaías 8:3) Segundo a Cyclopedia of Biblical, Theological, and Ecclesiastical Literature, de McClintock e Strong, essa maneira de chamar a esposa indica que a vida conjugal de Isaías “não era apenas coerente com a sua vocação, mas também intimamente interligada com ela”. Provavelmente, como algumas outras mulheres piedosas do Israel antigo, a esposa de Isaías tinha a sua própria designação profética. — Juízes 4:4; 2 Reis 22:14.
6 Isaías e sua esposa tinham pelo menos dois filhos homens, cada qual com um nome de significado profético. O primogênito, Sear-Jasube, acompanhou Isaías quando ele transmitiu as mensagens de Deus ao perverso Rei Acaz. (Isaías 7:3) É evidente que Isaías e sua esposa fizeram da adoração a Deus um assunto de família — um belo exemplo para os casais de hoje!
7. Descreva as condições em Judá nos dias de Isaías.
7 Isaías e sua família viveram num período turbulento da história de Judá. A instabilidade política era comum, a propina manchava os tribunais e a hipocrisia rompia a estrutura religiosa da sociedade. Os altos dos morros estavam cobertos de altares de deuses falsos. Até mesmo alguns reis promoviam a adoração pagã. Acaz, por exemplo, não só tolerava a idolatria entre seus súditos mas também a praticava, fazendo seus próprios filhos “passar pelo fogo” num sacrifício ritual ao deus cananeu Moloque.b (2 Reis 16:3, 4; 2 Crônicas 28:3, 4) E tudo isso acontecia entre um povo que estava numa relação pactuada com Jeová! — Êxodo 19:5-8.
8. (a) Que exemplo deram os reis Uzias e Jotão, e será que o povo seguiu a liderança deles? (b) Que intrepidez demonstrou Isaías no meio de um povo rebelde?
8 Elogiosamente, alguns dos contemporâneos de Isaías — incluindo uns poucos governantes — tentaram promover a adoração verdadeira. Entre eles havia o Rei Uzias, que “fazia o que era reto aos olhos de Jeová”. Mesmo assim, no seu reinado “o povo ainda oferecia sacrifícios e fazia fumaça sacrificial nos altos”. (2 Reis 15:3, 4) O Rei Jotão também “fazia o que era direito aos olhos de Jeová”. Contudo, “o povo ainda agia ruinosamente”. (2 Crônicas 27:2) Sim, durante grande parte do ministério profético de Isaías, o estado espiritual e moral do reino de Judá era lastimável. No geral, o povo desprezava qualquer influência positiva da parte dos reis. Compreensivelmente, transmitir as mensagens de Deus a esse povo obstinado não seria uma missão fácil. Não obstante, quando Jeová perguntou: “A quem enviarei e quem irá por nós?”, Isaías não hesitou. Ele exclamou: “Eis-me aqui! Envia-me.” — Isaías 6:8.
Mensagem de salvação
9. O que significa o nome Isaías, e que relação tem isso com o tema de seu livro?
9 O nome Isaías significa “Salvação de Jeová”, que serviria bem como tema de sua mensagem. Algumas profecias de Isaías são condenatórias, é verdade. Ainda assim, o tema da salvação se destaca nitidamente. Vez após vez, Isaías declarou que, no tempo devido, Jeová libertaria os israelitas do cativeiro em Babilônia e permitiria que um restante voltasse a Sião e devolvesse a essa terra o seu antigo esplendor. Sem dúvida, o privilégio de falar e de escrever profecias sobre a restauração de sua amada Jerusalém deu a Isaías a maior alegria!
10, 11. (a) Por que o livro de Isaías nos interessa hoje? (b) Como o livro de Isaías dirige a atenção para o Messias?
10 Mas o que essas mensagens condenatórias e de salvação têm a ver conosco? Felizmente, Isaías não profetizou apenas em benefício do reino (de duas tribos) de Judá. Ao contrário, suas mensagens têm significado especial para os nossos dias. Isaías pinta um quadro glorioso de como o Reino de Deus em breve trará grandes bênçãos à Terra. Nesse respeito, grande parte dos escritos de Isaías focaliza o predito Messias, que governará como Rei do Reino de Deus. (Daniel 9:25; João 12:41) Certamente não é coincidência que os nomes Jesus (“Jeová É Salvação”) e Isaías expressem basicamente a mesma ideia.
11 Naturalmente, Jesus só nasceu uns sete séculos depois dos dias de Isaías. No entanto, as profecias messiânicas no livro de Isaías são tão detalhadas e tão exatas que parecem um relato de testemunha ocular da vida de Jesus na Terra. Certa fonte observou que, em vista disso, o livro de Isaías às vezes é chamado de “Quinto Evangelho”. Assim, não é de admirar que Isaías tenha sido o livro bíblico mais citado por Jesus e seus apóstolos para identificar claramente o Messias.
12. Por que vamos empreender com vivo interesse um estudo do livro de Isaías?
12 Isaías pinta um glorioso quadro dos “novos céus e uma nova terra” em que “um rei reinará para a própria justiça” e príncipes governarão em retidão. (Isaías 32:1, 2; 65:17, 18; 2 Pedro 3:13) Assim, o livro de Isaías aponta para a animadora esperança do Reino de Deus, sob o Messias Jesus Cristo como Rei entronizado. Que encorajamento para vivermos todos os dias com alegre expectativa da “salvação por [Jeová]”! (Isaías 25:9; 40:28-31) Portanto, examinemos com vivo interesse a preciosa mensagem do livro de Isaías. Ao fazermos isso, a nossa confiança nas promessas de Deus será grandemente fortalecida. Também, seremos ajudados a aumentar a nossa convicção de que Jeová é, realmente, o Deus da nossa salvação.
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Um pai e seus filhos rebeldesProfecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Dois
Um pai e seus filhos rebeldes
1, 2. Explique como foi que Jeová veio a ter filhos rebeldes.
COMO todo pai amoroso, ele era um bom provisor para seus filhos. Por muitos anos, nunca os privou de comida, roupa e abrigo. Quando necessário, ele os disciplinava. Mas as punições nunca eram excessivas; sempre eram aplicadas “no grau correto”. (Jeremias 30:11) Pode-se imaginar, portanto, a dor desse pai amoroso ao ter de dizer: “Criei e eduquei filhos, mas eles mesmos se revoltaram contra mim.” — Isaías 1:2b.
2 Esses filhos rebeldes eram o povo de Judá e o pai pesaroso era o Deus Jeová. Que trágico! Jeová havia sustentado os judeus e os elevado a uma posição enaltecida entre as nações. “Fui vestir-te com uma veste bordada, e calçar-te com pele de foca, e envolver-te em linho fino, e cobrir-te com tecido suntuoso”, lembrou-lhes mais tarde por meio do profeta Ezequiel. (Ezequiel 16:10) No entanto, no geral, o povo de Judá não valorizava o que Jeová fazia por eles. Em vez disso, eles se rebelavam, ou se revoltavam.
3. Por que Jeová convocou os céus e a Terra como testemunhas da revolta de Judá?
3 Com boa razão, Jeová prefacia tais palavras a respeito de seus filhos rebeldes com a declaração: “Ouvi, ó céus, e dá ouvidos, ó terra, porque o próprio Jeová falou.” (Isaías 1:2a) Séculos antes, os céus e a Terra ouviram, por assim dizer, os israelitas receberem alertas explícitos sobre as consequências da desobediência. Moisés lhes dissera: “Deveras tomo hoje os céus e a terra por testemunhas contra vós de que positivamente perecereis depressa da terra à qual estais passando o Jordão para tomar posse dela.” (Deuteronômio 4:26) Então, nos dias de Isaías, Jeová convocou os invisíveis céus e a visível Terra como testemunhas da revolta de Judá.
4. Como Jeová preferiu se apresentar a Judá?
4 A gravidade da situação exigia uma abordagem franca e direta. Mas, mesmo nessas circunstâncias desesperadoras, é digno de nota — e animador — que Jeová se apresentasse a Judá como pai amoroso, em vez de como mero dono que os comprara. Assim, Jeová rogava a seu povo que encarasse o assunto do ponto de vista de um pai angustiado com a obstinação de seus filhos. Talvez alguns pais em Judá se identificassem com essa situação aflitiva e se sensibilizassem com essa analogia. Seja como for, Jeová estava em vias de apresentar a sua queixa contra Judá.
Os animais conhecem melhor o seu dono
5. Em contraste com Israel, em que sentido o touro e o jumento demonstravam um senso de fidelidade?
5 Por meio de Isaías, Jeová diz: “O touro conhece bem o seu comprador, e o jumento, a manjedoura de seu dono; o próprio Israel não conheceu, meu próprio povo não se comportou com entendimento.” (Isaías 1:3)a O touro e o jumento são animais de tração bem conhecidos pelos que vivem no Oriente Médio. De fato, os judeus não negariam que mesmo esses animais inferiores demonstram um senso de fidelidade, uma percepção profunda de que têm um dono. Nesse respeito, veja o que um pesquisador bíblico presenciou ao fim de um dia numa cidade do Oriente Médio: “Assim que a manada passou para o lado de dentro dos muros, começou a se dispersar. Cada boi conhecia perfeitamente seu dono e o caminho de casa, e em nenhum momento um deles se perdeu nos labirintos das estreitas e sinuosas vielas. Quanto ao jumento, ele foi direto para o portão e daí para o ‘estábulo de seu dono’.”
6. Como foi que o povo de Judá deixou de agir com entendimento?
6 Visto que cenas assim com certeza eram comuns nos dias de Isaías, o significado da mensagem de Jeová é claro: se até mesmo um animal reconhece seu dono e sua própria manjedoura, que desculpa poderia o povo de Judá apresentar de ter abandonado a Jeová? Realmente, o povo ‘não se comportava com entendimento’. É como se não tivesse consciência de que a sua prosperidade e a sua própria existência dependiam de Jeová. Na verdade, era uma evidência de misericórdia que Jeová ainda se referisse aos judeus como “meu próprio povo”!
7. Cite algumas maneiras de mostrarmos apreço pelas provisões de Jeová.
7 Jamais desejaríamos agir sem entendimento por deixarmos de mostrar apreço por tudo o que Jeová tem feito por nós! Em vez disso, devemos imitar o salmista Davi, que disse: “Vou elogiar-te de todo o meu coração, ó Jeová; vou declarar todas as tuas obras maravilhosas.” (Salmo 9:1) Assimilar continuamente conhecimento sobre Jeová nos incentivará nesse sentido, pois a Bíblia diz que “o conhecimento do Santíssimo é o que é entendimento”. (Provérbios 9:10) Meditar diariamente nas bênçãos de Jeová nos ajudará a ser gratos e a não tratar nosso Pai celestial com descaso. (Colossenses 3:15) “Quem oferece agradecimento como seu sacrifício é quem me glorifica”, diz Jeová, “e quanto àquele que mantém um caminho fixo, eu o vou fazer ver a salvação por Deus”. — Salmo 50:23.
Chocante afronta ao “Santo de Israel”
8. Por que o povo de Judá podia ser chamado de “nação pecadora”?
8 Isaías continua sua mensagem com palavras fortes à nação de Judá: “Ai da nação pecadora, povo carregado de erro, descendência malfeitora, filhos ruinosos! Abandonaram a Jeová, trataram o Santo de Israel com desrespeito, deram para trás.” (Isaías 1:4) Ações perversas podem acumular-se até se tornarem um peso esmagador. Nos dias de Abraão, Jeová classificou os pecados de Sodoma e Gomorra de ‘muito graves’. (Gênesis 18:20) Algo similar era evidente em Judá, pois Isaías diz que o povo estava “carregado de erro”. Além disso, ele o chama de “descendência malfeitora, filhos ruinosos”. Sim, os judeus eram como filhos delinquentes. Eles “deram para trás”, ou, como diz a New Revised Standard Version, “afastaram-se totalmente” de seu Pai.
9. O que significa a expressão “o Santo de Israel”?
9 Pela sua obstinação, o povo de Judá mostrava crasso desrespeito ao “Santo de Israel”. O que significa essa expressão, que ocorre 25 vezes no livro de Isaías? Ser santo significa ser limpo e puro. Jeová é santo em grau superlativo. (Revelação [Apocalipse] 4:8) Os israelitas se lembravam disso sempre que viam as seguintes palavras inscritas na lustrosa lâmina de ouro, no turbante do sumo sacerdote: “A santidade pertence a Jeová.” (Êxodo 39:30) Assim, por referir-se a Jeová como “Santo de Israel”, Isaías sublinha a gravidade do pecado de Judá. Ora, esses rebeldes violavam diretamente o mandamento dado aos seus antepassados: “Tendes de santificar-vos e tendes de mostrar ser santos, porque eu sou santo.” — Levítico 11:44.
10. Como podemos evitar mostrar desrespeito pelo “Santo de Israel”?
10 Os cristãos hoje precisam a todo custo evitar seguir o exemplo de Judá, que desrespeitava “o Santo de Israel”. Precisam imitar a santidade de Jeová. (1 Pedro 1:15, 16) E devem ‘odiar o que é mau’. (Salmo 97:10) Práticas impuras como a imoralidade sexual, a idolatria, o roubo e a bebedeira podem corromper a congregação cristã. É por isso que aqueles que persistem em praticar tais coisas são desassociados da congregação. Por fim, aqueles que sem arrependimento levarem uma vida impura serão excluídos das bênçãos do governo do Reino de Deus. Realmente, todas essas práticas perversas constituem uma chocante afronta ao “Santo de Israel”. — Romanos 1:26, 27; 1 Coríntios 5:6-11; 6:9, 10.
Doentes da cabeça aos pés
11, 12. (a) Descreva as péssimas condições de Judá. (b) Por que não devemos nos penalizar com a sorte de Judá?
11 A seguir, Isaías tenta raciocinar com os habitantes de Judá apontando-lhes a condição doentia deles. Ele diz: “Onde é que seríeis golpeados ainda mais, visto que acrescentais ainda mais revolta?” Em outras palavras, Isaías lhes perguntava: ‘Já não basta o que sofrestes? Por que vos prejudicais ainda mais continuando rebeldes?’ Isaías continua: “A cabeça inteira está numa condição doentia e o coração inteiro está débil. Desde a sola do pé até a cabeça não há nele nenhum ponto são.” (Isaías 1:5, 6a) A condição de Judá era repulsiva, doentia — espiritualmente doente da cabeça aos pés. Um diagnóstico realmente sombrio!
12 Devemos penalizar-nos com a sorte de Judá? Não! Séculos antes, toda a nação de Israel fora devidamente alertada a respeito da penalidade pela desobediência. Em parte, foi-lhe dito: “Jeová te golpeará com um furúnculo maligno em ambos os joelhos e em ambas as pernas, de que não poderás ser curado, desde a sola do teu pé até o alto da tua cabeça.” (Deuteronômio 28:35) Em sentido figurado, Judá sofria exatamente essas consequências de sua obstinação. E tudo isso poderia ter sido evitado se o povo de Judá tão somente tivesse obedecido a Jeová.
13, 14. (a) Que ferimentos foram infligidos a Judá? (b) Será que seus sofrimentos levaram Judá a reconsiderar sua rebeldia?
13 Isaías continua a descrever a situação lastimável de Judá: “Ferimentos e contusões, e vergões novos — não foram espremidos nem pensados, nem houve qualquer amolecimento com óleo.” (Isaías 1:6b) O profeta refere-se aqui a três tipos de lesões: ferimentos (cortes, como os causados por espada ou faca), contusões (marcas de espancamento) e vergões novos (chagas recentes, aparentemente incuráveis). A ideia que se apresenta é a de uma pessoa punida severamente, de toda maneira imaginável, literalmente coberta de ferimentos. A situação de Judá era realmente desesperadora.
14 Será que a condição lastimável de Judá a induziu a retornar a Jeová? Não! Judá era como o rebelde descrito em Provérbios 29:1: “O homem repetidas vezes repreendido, mas que endurece a cerviz, será repentinamente quebrado, e isto sem cura.” O estado da nação parecia crônico. Como diz Isaías, seus ferimentos “não foram espremidos nem pensados, nem houve qualquer amolecimento com óleo”.b Em certo sentido, Judá parecia uma ferida aberta, sem ataduras, que cobria o corpo inteiro.
15. De que maneiras podemos proteger-nos da doença espiritual?
15 Tirando uma lição de Judá, temos de estar alertas contra a doença espiritual. Como a doença física, ela pode acometer a qualquer um de nós. Afinal, quem de nós não é suscetível a desejos carnais? A ganância e o desejo excessivo de prazeres podem enraizar-se no coração. Assim, temos de nos treinar a ‘abominar o que é iníquo’ e a ‘nos agarrar ao que é bom’. (Romanos 12:9) Precisamos também cultivar os frutos do espírito de Deus na nossa vida diária. (Gálatas 5:22, 23) Fazendo isso, evitaremos a situação que afligiu Judá — estar espiritualmente doente da cabeça aos pés.
Uma terra desolada
16. (a) Como descreve Isaías a condição do solo de Judá? (b) Por que alguns dizem que essas palavras provavelmente foram proferidas durante o reinado de Acaz, mas como podemos entendê-las?
16 A seguir, Isaías deixa a sua analogia médica e volta-se para a condição do solo de Judá. Como se estivesse contemplando uma planície cheia de cicatrizes de batalha, ele diz: “Vossa terra é uma desolação, vossas cidades estão queimadas com fogo; vosso solo — estranhos o consomem bem na vossa frente, e a desolação é como um derrubamento por estranhos.” (Isaías 1:7) Alguns eruditos dizem que, embora tais palavras se achem no início do livro de Isaías, provavelmente foram proferidas mais tarde na carreira do profeta, talvez no reinado do perverso Rei Acaz. Eles afirmam que a grande prosperidade do reinado de Uzias não justificaria tal descrição sombria. Admitidamente, não se pode dizer com certeza se o livro de Isaías foi, ou não, compilado em ordem cronológica. É provável, no entanto, que as palavras de Isaías a respeito da desolação sejam proféticas. Na declaração acima, é quase certo que ele tenha empregado um recurso de expressão usado em outras partes da Bíblia — descrever um evento futuro como se já tivesse acontecido, acentuando assim a certeza do cumprimento da profecia. — Note Revelação 11:15.
17. Por que a descrição profética de desolação não devia surpreender o povo de Judá?
17 Seja como for, a descrição profética da desolação de Judá não devia surpreender aquele povo obstinado e desobediente. Séculos antes, Jeová os alertara sobre o que lhes aconteceria caso se rebelassem. Ele disse: “Eu, da minha parte, vou desolar o país, e vossos inimigos que moram nele olharão simplesmente espantados. E a vós é que espalharei entre as nações e vou desembainhar a espada atrás de vós; e vossa terra terá de tornar-se uma desolação e vossas cidades se tornarão ruínas desoladas.” — Levítico 26:32, 33; 1 Reis 9:6-8.
18-20. Quando se cumpriram as palavras de Isaías 1:7, 8, e de que maneira Jeová ‘deixou sobrar uns poucos’ nessa ocasião?
18 As palavras em Isaías 1:7, 8 pelo visto se cumpriram durante as invasões assírias, que resultaram na destruição de Israel e em ampla destruição e sofrimento em Judá. (2 Reis 17:5, 18; 18:11, 13; 2 Crônicas 29:8, 9) Mas Judá não foi totalmente aniquilada. Isaías diz: “A filha de Sião ficou sobrando como uma barraca no vinhedo, como um rancho de vigia no pepinal, como uma cidade bloqueada.” — Isaías 1:8.
19 Em meio a toda a devastação, “a filha de Sião”, Jerusalém, seria poupada. Mas pareceria bem vulnerável — como uma cabana num vinhedo ou uma barraquinha de vigia num pepinal. Numa viagem descendo o rio Nilo, certo erudito do século 19 lembrou-se das palavras de Isaías ao ver barraquinhas semelhantes, que descreveu como “pouco mais do que um tapume contra o vento do norte”. Em Judá, no fim da colheita, essas barracas eram abandonadas e acabavam se desmanchando. Ainda assim, por mais frágil que Jerusalém parecesse ao imbatível exército assírio, ela sobreviveria.
20 Isaías conclui assim essa declaração profética: “Se o próprio Jeová dos exércitos não nos tivesse deixado sobrar uns poucos sobreviventes, nós nos teríamos tornado como Sodoma, teríamos sido semelhantes à própria Gomorra.” (Isaías 1:9)c Jeová por fim socorreria Judá contra o poder da Assíria. Judá não seria varrida do mapa, como Sodoma e Gomorra. Ela sobreviveria.
21. Depois de Babilônia ter destruído Jerusalém, por que Jeová ‘deixou sobrar uns poucos’?
21 Mais de 100 anos mais tarde, Judá estava de novo sob ameaça. O povo não havia tirado uma lição da disciplina infligida por meio da Assíria. ‘Caçoavam continuamente dos mensageiros do Deus verdadeiro, desprezavam as Suas palavras e zombavam de Seus profetas.’ Em resultado disso, “subiu o furor de Jeová contra o seu povo, até que não havia mais cura”. (2 Crônicas 36:16) O monarca babilônio Nabucodonosor conquistou Judá e, dessa vez, nada sobrou, “como uma barraca no vinhedo”. Até mesmo Jerusalém foi destruída. (2 Crônicas 36:17-21) Ainda assim, Jeová ‘deixou sobrar uns poucos’. Embora Judá passasse 70 anos no exílio, Jeová garantiu a continuidade da nação e especialmente da linhagem davídica, que produziria o prometido Messias.
22, 23. No primeiro século, por que Jeová ‘deixou sobrar uns poucos’?
22 No primeiro século, Israel enfrentou sua última crise como povo pactuado de Deus. Quando Jesus se apresentou como o Messias prometido, a nação o rejeitou e, em resultado disso, Jeová a rejeitou. (Mateus 21:43; 23:37-39; João 1:11) Será que com isso Jeová deixou de ter uma nação especial na Terra? Não. O apóstolo Paulo mostrou que Isaías 1:9 teria ainda outro cumprimento. Citando da versão Septuaginta, ele escreveu: “Assim como Isaías dissera outrora: ‘Se Jeová dos exércitos não nos tivesse deixado descendente, teríamos ficado assim como Sodoma, e teríamos sido feitos iguais a Gomorra.’” — Romanos 9:29.
23 Os sobreviventes agora eram os cristãos ungidos, que depositaram fé em Jesus Cristo. Os primeiros desses eram judeus crentes. Mais tarde, juntaram-se a eles gentios crentes. Juntos, constituíram um novo Israel, “o Israel de Deus”. (Gálatas 6:16; Romanos 2:29) Esse “descendente” sobreviveu à destruição do sistema judaico, em 70 EC. De fato, “o Israel de Deus” ainda está entre nós hoje. A ele se juntaram agora milhões de pessoas de fé das nações, que formam ‘uma grande multidão, que nenhum homem pode contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas’. — Revelação 7:9.
24. Ao que todos devem prestar atenção caso desejem sobreviver à maior das crises da humanidade?
24 Em breve, esse mundo enfrentará a batalha do Armagedom. (Revelação 16:14, 16) Essa será uma crise maior do que foi a invasão de Judá pelos assírios ou pelos babilônios, e maior ainda do que a devastação da Judeia pelos romanos (em 70 EC), mas haverá sobreviventes. (Revelação 7:14) Portanto, como é vital que todos prestem bastante atenção às palavras de Isaías a Judá! Elas significaram sobrevivência para os fiéis naquele tempo. E poderão significar sobrevivência para os que hoje creem.
[Nota(s) de rodapé]
a Neste contexto, “Israel” refere-se ao reino de Judá, de duas tribos.
b As palavras de Isaías refletem as práticas médicas de seus dias. O pesquisador bíblico Edward H. Plumptre observa: “‘Fechar’ ou ‘pressionar’ a ferida supurada era o primeiro processo na tentativa de se livrar da secreção purulenta; daí, como no caso de Ezequias (cap. xxxviii. de Is 38:21), ela era ‘atada’ com uma cataplasma, e então se usava um óleo ou unguento estimulantes para limpar a úlcera, provavelmente azeite e vinho, como em Lucas x. 34.”
c A obra Commentary on the Old Testament (Comentário sobre o Velho Testamento), de C. F. Keil e F. Delitzsch, diz: “A mensagem do profeta chegou aqui ao fim de uma seção. Que nesse ponto ela é dividida em duas seções é indicado no texto pelo espaço deixado entre os Is 1 versos 9 e 10. Esse método de dividir seções maiores ou menores, seja por deixar espaços, seja por quebrar a linha, é mais antigo do que os sinais vocálicos e acentos e baseia-se numa tradição da mais remota antiguidade.”
[Foto na página 20]
Judá não ficaria desabitada para sempre, como Sodoma e Gomorra
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“Resolvamos as questões”Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Três
“Resolvamos as questões”
1, 2. A quem Jeová comparou os governantes e o povo de Jerusalém e de Judá, e por que isso era válido?
OS MORADORES de Jerusalém talvez se sentissem inclinados a se justificar, depois de terem ouvido a denúncia registrada em Isaías 1:1-9. Eles sem dúvida apontariam orgulhosamente para os muitos sacrifícios que ofereciam a Jeová. Contudo, os versículos 10 ao 15 de Is 1 fornecem a fulminante resposta de Jeová a tais atitudes. Começa assim: “Ouvi a palavra de Jeová, ditadores de Sodoma. Dai ouvidos à lei de nosso Deus, povo de Gomorra.” — Isaías 1:10.
2 Sodoma e Gomorra foram destruídas não só por causa de suas práticas sexuais pervertidas, mas também devido à sua atitude empedernida e altiva. (Gênesis 18:20, 21; 19:4, 5, 23-25; Ezequiel 16:49, 50) Os ouvintes de Isaías certamente ficaram chocados ao ouvir que estavam sendo comparados ao povo dessas cidades amaldiçoadas.a Mas Jeová via seu povo exatamente como era, e Isaías não abrandou a mensagem de Deus para lhes fazer “cócegas nos ouvidos”. — 2 Timóteo 4:3.
3. O que Jeová quis dizer com a expressão “estou farto” dos sacrifícios do povo, e por que ele se sentia assim?
3 Observe o que Jeová achava da adoração formalista de seu povo. “‘De que me serve a multidão de vossos sacrifícios?’, diz Jeová. ‘Já estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de animais bem cevados; e não me agrado do sangue de novilhos, e de cordeiros, e de cabritos.’” (Isaías 1:11) O povo se esquecera de que Jeová não depende desses sacrifícios. (Salmo 50:8-13) Ele não necessita de nada que os humanos lhe possam oferecer. Assim, o povo estaria enganado se pensasse que por meio de suas ofertas feitas por mera formalidade estaria prestando um favor a Jeová. Jeová usou uma forte figura de linguagem. A expressão “já estou farto” pode também ser traduzida por “estou saciado”, ou “estou empanturrado”. Você conhece a sensação de comer tanto a ponto de sentir repulsa só de ver mais comida? É isso o que Jeová sentia a respeito daquelas ofertas — repulsa total!
4. Como Isaías 1:12 expôs a futilidade do comparecimento do povo ao templo em Jerusalém?
4 Jeová continua: “Quando estais entrando para ver a minha face, quem é que requereu isso da vossa mão, pisar meus pátios?” (Isaías 1:12) Não era a própria lei de Jeová que exigia que o povo ‘entrasse para ver a Sua face’, isto é, que comparecesse ao Seu templo em Jerusalém? (Êxodo 34:23, 24) Sim, mas eles compareciam por mero formalismo, apenas simulando praticar a adoração pura, sem motivações sinceras. Para Jeová, as numerosas visitas deles aos Seus pátios eram um mero “pisar”, que só servia para desgastar o piso.
5. Quais eram alguns dos atos de adoração praticados pelos judeus, e por que haviam se tornado “um fardo” para Jeová?
5 Não é de admirar que Jeová adotasse a seguir uma linguagem ainda mais forte! “Parai de trazer mais ofertas de cereais sem valor algum. Incenso — é algo detestável para mim. Lua nova e sábado, a convocação de um congresso — não posso tolerar o uso de poder mágico junto com a assembleia solene. Minha alma tem odiado as vossas luas novas e as vossas épocas festivas. Tornaram-se para mim um fardo; fiquei cansado de suportá-las.” (Isaías 1:13, 14) Ofertas de cereais, incensos, sábados e assembleias solenes faziam parte da Lei que Deus dera a Israel. Quanto a “luas novas”, a Lei simplesmente mandava celebrá-las, mas, gradativamente, foram estabelecidas tradições salutares em torno dessas celebrações. (Números 10:10; 28:11) A lua nova era considerada um sábado mensal, em que o povo não trabalhava e podia até mesmo reunir-se para receber instruções dos profetas e dos sacerdotes. (2 Reis 4:23; Ezequiel 46:3; Amós 8:5) Tais celebrações não eram erradas. O problema era realizá-las por mero exibicionismo. Ademais, os judeus recorriam ao “poder mágico”, ou práticas espíritas, junto com a sua obediência formalista à Lei de Deus.b Assim, seus atos de adoração a Jeová eram “um fardo” para ele.
6. Em que sentido Jeová ficou “cansado”?
6 Mas como Jeová poderia sentir-se “cansado”? Afinal, ele tem “abundância de energia dinâmica . . . Ele não se cansa nem se fatiga”. (Isaías 40:26, 28) Jeová usou uma vívida figura de linguagem para que pudéssemos entender seus sentimentos. Você alguma vez já carregou um peso por tanto tempo que, totalmente esgotado, desejava simplesmente livrar-se dele? Era assim que Jeová se sentia a respeito da adoração hipócrita de seu povo.
7. Por que Jeová deixou de ouvir as orações de seu povo?
7 A seguir, Jeová aborda o mais íntimo e pessoal dos atos de adoração. “Quando estendeis as palmas das vossas mãos, oculto de vós os meus olhos. Embora façais muitas orações, não escuto; as vossas próprias mãos se encheram de derramamento de sangue.” (Isaías 1:15) Estender os braços com as palmas das mãos viradas para cima é um gesto de súplica. Para Jeová esse gesto nada mais significava, pois as mãos daquele povo estavam cheias de derramamento de sangue. A violência grassava no país. A opressão contra os fracos era comum. Era repulsivo que esse povo injurioso e egoísta orasse a Jeová e pedisse bênçãos. Não é para menos que Jeová dissesse “não escuto”!
8. Que erro a cristandade comete hoje, e como alguns cristãos caem numa armadilha similar?
8 Hoje, a cristandade também tem falhado em ganhar o favor de Deus com as suas incessantes repetições de orações vãs e suas outras “obras” religiosas. (Mateus 7:21-23) É de importância vital não cairmos na mesma armadilha. Um cristão talvez passe a praticar um pecado grave. Daí, ele arrazoa que por simplesmente ocultar seus atos e aumentar suas atividades na congregação cristã suas obras de algum modo contrabalançarão o seu pecado. Tais obras formalistas não agradam a Jeová. Existe uma só cura para a doença espiritual, como mostram os versículos seguintes de Isaías.
Cura para a doença espiritual
9, 10. Que importância tem a limpeza na nossa adoração a Jeová?
9 Jeová, o Deus compassivo, muda agora para um tom mais caloroso, mais cativante. “Lavai-vos; limpai-vos; removei a ruindade das vossas ações de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem; buscai a justiça; endireitai o opressor; fazei julgamento para o menino órfão de pai; pleiteai a causa da viúva.” (Isaías 1:16, 17) Temos aqui uma série de nove imperativos, ou ordens. Os primeiros quatro são negativos, no sentido de que envolvem a remoção de pecados; os últimos cinco são ações positivas, que resultam em bênçãos de Jeová.
10 Lavar e limpar sempre foram uma parte importante da adoração pura. (Êxodo 19:10, 11; 30:20; 2 Coríntios 7:1) Mas Jeová deseja que a limpeza seja mais profunda, que atinja o próprio coração de seus adoradores. O mais importante é a limpeza moral e espiritual, e é a isso que Jeová se refere. As duas primeiras ordens no versículo 16 de Is 1 não são mera repetição. Um gramático hebraico sugere que a primeira, “lavai-vos”, refere-se a um ato inicial do processo de limpeza, ao passo que a segunda, “limpai-vos”, refere-se a esforços constantes para manter tal limpeza.
11. Para combater o pecado, o que devemos fazer, e o que jamais devemos fazer?
11 Não podemos esconder nada de Jeová. (Jó 34:22; Provérbios 15:3; Hebreus 4:13) Assim, a sua ordem “removei a ruindade das vossas ações de diante dos meus olhos” só pode significar uma coisa — cessar de fazer o mal. Isso significa não tentar ocultar pecados graves, pois fazer isso é um pecado em si mesmo. Provérbios 28:13 alerta: “Quem encobre as suas transgressões não será bem-sucedido, mas, ter-se-á misericórdia com aquele que as confessa e abandona.”
12. (a) Por que é importante ‘aprender a fazer o bem’? (b) Como podem em especial os anciãos aplicar as diretrizes de ‘buscar a justiça’ e ‘endireitar o opressor’?
12 Há muito o que aprender das ações positivas que Jeová ordena no versículo 17 de Isaías, capítulo 1. Note que ele não diz meramente “fazei o bem”, mas sim “aprendei a fazer o bem”. É preciso estudo pessoal da Palavra de Deus para entender o que é bom aos olhos de Deus e querer fazer isso. Ademais, Jeová não diz meramente “fazei justiça”, mas sim “buscai a justiça”. Até mesmo anciãos experientes precisam pesquisar cabalmente a Palavra de Deus para descobrir qual é o proceder correto em certos assuntos complexos. É deles também o dever de ‘endireitar o opressor’, como Jeová ordenou a seguir. Essas diretrizes são importantes para os pastores cristãos atuais, pois eles desejam proteger o rebanho contra os “lobos opressivos”. — Atos 20:28-30.
13. Como podemos hoje aplicar as ordens a respeito dos órfãos e das viúvas?
13 As últimas duas ordens envolvem um segmento mais vulnerável do povo de Deus — os órfãos e as viúvas. O mundo não hesita em tirar proveito dessas pessoas, mas não deve ser assim entre o povo de Deus. Anciãos amorosos providenciam “julgamento” para os pequenos órfãos na congregação, cuidando de que recebam tratamento justo e proteção num mundo que deseja explorá-los e corrompê-los. Os anciãos ‘pleiteiam a causa’ da viúva ou, segundo outro sentido da palavra hebraica, “lutam” em favor dela. Realmente, todos os cristãos desejam ser uma fonte de refúgio, de consolo e de justiça para os necessitados no nosso meio, pois são preciosos para Jeová. — Miqueias 6:8; Tiago 1:27.
14. Que mensagem positiva é transmitida em Isaías 1:16, 17?
14 Que mensagem firme e positiva Jeová transmite por meio dessas nove ordens! Há casos em que os envolvidos em pecado convencem a si mesmos de que está simplesmente fora de seu alcance fazer o que é direito. É desanimador pensar assim. Além do mais, eles estão errados. Jeová sabe — e deseja que saibamos — que com a Sua ajuda, qualquer pecador pode abandonar o pecado, dar meia-volta e passar a agir direito.
Apelo compassivo e justo
15. Que mal-entendido ocorre às vezes com a frase “resolvamos as questões entre nós”, e o que ela realmente significa?
15 A seguir, Jeová usa um tom ainda mais caloroso e compassivo. “‘Vinde, pois, e resolvamos as questões entre nós’, diz Jeová. ‘Embora os vossos pecados se mostrem como escarlate, serão tornados brancos como a neve; embora sejam vermelhos como pano carmesim, tornar-se-ão como a lã.’” (Isaías 1:18) O convite que abre esse belo versículo muitas vezes é mal entendido. Por exemplo, a Bíblia Vozes diz: “Vinde, debatamos”, — como se as duas partes talvez tivessem de fazer concessões para chegarem a um acordo. Não é assim! Jeová não tinha culpa nenhuma, muito menos nos seus tratos com aquele povo rebelde e hipócrita. (Deuteronômio 32:4, 5) O versículo não fala de uma troca de concessões entre iguais, mas sim de um fórum para fazer justiça. É como se Jeová desafiasse Israel a um julgamento num tribunal.
16, 17. Como sabemos que Jeová se dispõe a perdoar até mesmo pecados graves?
16 Essa pode parecer uma ideia assustadora, mas Jeová é o mais misericordioso e compassivo Juiz que existe. A sua capacidade de perdoar não tem igual. (Salmo 86:5) Somente ele pode purgar os pecados “como escarlate” de Israel e deixá-los “brancos como a neve”. Nenhum esforço humano, nenhuma combinação de obras, de sacrifícios ou de orações podem remover a mancha do pecado. Apenas o perdão de Jeová pode lavar o pecado. Deus concede tal perdão sob termos que ele estabelece, que inclui arrependimento genuíno, de coração.
17 Essa verdade é tão importante que Jeová a repete numa variação poética — pecados de cor “carmesim” se tornarão como lã branca, nova, não tingida. Jeová quer que saibamos que ele é realmente o Perdoador de pecados, até mesmo de pecados gravíssimos, contanto que nos considere genuinamente arrependidos. Quem acha difícil crer que isso seja assim no seu caso, fará bem em considerar exemplos como o de Manassés. Ele pecou terrivelmente — por anos. No entanto, arrependeu-se e foi perdoado. (2 Crônicas 33:9-16) Jeová deseja que todos nós, incluindo quem cometeu pecados graves, saibamos que ainda não é tarde demais para ‘resolver as questões’ com ele.
18. Que escolha Jeová apresentou a seu povo rebelde?
18 Jeová lembra aos do seu povo que eles têm uma escolha a fazer. “Se quiserdes e deveras escutardes, comereis o bom da terra. Mas, se vos negardes e realmente fordes rebeldes, sereis consumidos pela espada; pois a própria boca de Jeová falou isto.” (Isaías 1:19, 20) Aqui Jeová destaca atitudes, e usa mais uma vívida figura de linguagem para realçar o ponto. Judá podia escolher: consumir ou ser consumido. Se tivessem boa vontade para ouvir e obedecer a Jeová, comeriam o produto bom da terra. Mas, se persistissem em sua rebeldia, seriam consumidos — pela espada de seus inimigos! É quase inimaginável que um povo preferisse a espada de seus inimigos à misericórdia e à fartura oferecidas por um Deus perdoador. Mas foi assim com Jerusalém, como mostram os versículos seguintes de Isaías.
Endecha sobre a cidade amada
19, 20. (a) Como Jeová expressou seu sentimento de ser traído? (b) Em que sentido ‘a justiça pousava em Jerusalém’?
19 Em Isaías 1:21-23 vemos a real dimensão da perversidade de Jerusalém naquela época. Isaías passa a apresentar um poema inspirado em estilo de endecha, ou lamento: “Como a vila fiel se tornou prostituta! Ela estava cheia de juízo [retidão]; a própria justiça costumava pousar nela, mas agora, assassinos.” — Isaías 1:21.
20 Como a cidade, Jerusalém, havia decaído! Outrora uma ‘esposa’ fiel, tornara-se prostituta. Que maneira mais veemente haveria para expressar o sentimento de ser traído e de desapontamento de Jeová? “A própria justiça costumava pousar” nessa cidade. Quando? Bem, mesmo antes de Israel existir, lá nos dias de Abraão, essa cidade se chamava Salém. Era governada por um homem que era tanto rei como sacerdote. Seu nome, Melquisedeque, significa “Rei da Justiça”, o que evidentemente lhe caía bem. (Hebreus 7:2; Gênesis 14:18-20) Uns mil anos depois de Melquisedeque Jerusalém atingiu o apogeu, nos reinados de Davi e de Salomão. “A própria justiça costumava pousar nela”, especialmente quando os reis davam exemplo para o povo, por andarem nos caminhos de Jeová. Nos dias de Isaías, porém, esses tempos já eram uma recordação distante.
21, 22. Que significam a escória e a cerveja diluída, e por que os líderes de Judá mereciam tal comparação?
21 Parece que grande parte do problema eram os líderes do povo. Isaías prossegue com seu lamento: “A própria prata tua tornou-se escória. Tua cerveja de trigo está diluída com água. Teus príncipes são obstinados e parceiros de ladrões. Cada um deles ama o suborno e corre atrás de presentes. Não fazem julgamento para o menino órfão de pai; e nem mesmo a causa da viúva chega perante eles.” (Isaías 1:22, 23) Duas vívidas figuras de linguagem em rápida sucessão definem o tom do que tem de vir a seguir. Na forja, o artífice escuma a escória da prata derretida e a joga fora. Os príncipes e os juízes de Israel eram como a escória, não como a prata. Tinham de ser descartados. Não valiam mais do que cerveja diluída com água, que perdeu o sabor. Tal bebida só serve para ser jogada no ralo!
22 O versículo 23 de Is 1 mostra por que os líderes mereciam essa comparação. A Lei mosaica havia enobrecido o povo de Deus, colocando-o à parte de outras nações. Fez isso, por exemplo, exigindo proteção para os órfãos e as viúvas. (Êxodo 22:22-24) Mas, nos dias de Isaías, o órfão de pai tinha pouca esperança de receber um julgamento favorável. Quanto à viúva, ela não conseguia nem mesmo que alguém ouvisse a sua causa, muito menos que a pleiteasse. Sim, aqueles juízes e líderes estavam ocupados demais na busca de seus próprios interesses — recebendo subornos, correndo atrás de presentes e servindo como parceiros de ladrões, evidentemente protegendo os criminosos e deixando suas vítimas sofrer. Pior ainda, eles eram “obstinados”, ou endurecidos, nas suas transgressões. Que situação lamentável!
Jeová refinaria seu povo
23. Que sentimentos para com seus adversários expressou Jeová?
23 Jeová não toleraria para sempre esse abuso de poder. Isaías continua: “Portanto, a pronunciação do verdadeiro Senhor, Jeová dos exércitos, o Potentado de Israel, é: ‘Ah! Aliviar-me-ei dos meus adversários e vou vingar-me dos meus inimigos.’” (Isaías 1:24) São dadas aqui três qualificações a Jeová, que acentuam a sua legítima autoridade e seu vasto poder. A exclamação “Ah!” provavelmente significa que a piedade de Jeová estava agora mesclada com a determinação de manifestar a sua ira. Certamente, havia razões para isso.
24. A que processo de refinamento Jeová decidiu submeter seu povo?
24 Os do próprio povo de Jeová haviam se transformado em inimigos de Jeová. Mereciam plenamente a vingança divina. Jeová ‘se aliviaria’, ou se livraria, deles. Significaria isso a completa e permanente extinção do povo que levava Seu nome? Não, pois Jeová prossegue: “E vou fazer minha mão retornar sobre ti e depurar-te-ei da tua escória como que com barrela, e vou remover todo o teu refugo.” (Isaías 1:25) Aqui Jeová usa como ilustração o processo de refinamento. Nos tempos antigos, o refinador adicionava barrela para ajudar a separar a escória do metal precioso. De modo similar, Jeová, que não considerava seu povo totalmente perverso, ‘o castigaria no devido grau’. Removeria dele apenas o “refugo” — os obstinados, os indesejáveis, que se recusavam a aprender e a obedecer.c (Jeremias 46:28) Com essas palavras, Isaías teve o privilégio de escrever história com antecedência.
25. (a) Como Jeová refinou seu povo em 607 AEC? (b) Quando Jeová refinou seu povo nos tempos modernos?
25 Jeová realmente refinou seu povo, removendo a escória — os líderes corruptos e outros rebeldes. Em 607 AEC, muito tempo depois dos dias de Isaías, Jerusalém foi destruída e seus moradores foram levados ao exílio de 70 anos, em Babilônia. Em certos sentidos, isso traça um paralelo com uma ação posterior de Deus. A profecia de Malaquias 3:1-5, escrita bem depois do exílio em Babilônia, mostrou que Deus faria de novo um refinamento. Apontou para o tempo em que Jeová Deus viria ao seu templo espiritual junto com seu “mensageiro do pacto”, Jesus Cristo. Isso, evidentemente, ocorreu no fim da Primeira Guerra Mundial. Jeová inspecionou todos os que diziam ser cristãos, separando os genuínos dos falsos. Com que resultado?
26-28. (a) Que cumprimento inicial teve Isaías 1:26? (b) Como essa profecia se cumpriu em nossos tempos? (c) Como pode essa profecia beneficiar os anciãos hoje?
26 Jeová responde: “Vou novamente trazer de volta juízes para ti, como no princípio, e conselheiros para ti, como no início. Depois serás chamada Cidade de Justiça, [Vila] Fiel. A própria Sião será remida com juízo [retidão], e os seus que retornam, com justiça.” (Isaías 1:26, 27) Na Jerusalém antiga houve um cumprimento inicial dessa profecia. Com a volta dos exilados para a sua cidade amada, em 537 AEC, havia de novo juízes e conselheiros fiéis, como no passado. Os profetas Ageu e Zacarias, o sacerdote Josué, o escriba Esdras e o governador Zorobabel, por exemplo, guiaram e orientaram nos caminhos de Deus o fiel restante que retornara do exílio. Contudo, um cumprimento ainda mais importante ocorreu no século 20.
27 Em 1919, o povo de Jeová dos tempos modernos emergiu do período de testes. Foi libertado da servidão espiritual à Babilônia, a Grande, o império mundial da religião falsa. A distinção entre aquele fiel restante ungido e o clero apóstata da cristandade ficou clara. Deus abençoou de novo o seu povo, ‘trazendo-lhes de volta juízes e conselheiros’ — homens fiéis que aconselham o povo de Deus à base de Sua Palavra e não à base de tradições humanas. Hoje, entre o decrescente “pequeno rebanho” e o crescente número de milhões de companheiros das “outras ovelhas”, existem milhares de homens assim. — Lucas 12:32; João 10:16; Isaías 32:1, 2; 60:17; 61:3, 4.
28 Os anciãos têm em mente que, às vezes, agem como “juízes” na congregação, para mantê-la moral e espiritualmente limpa e corrigir transgressores. Eles se preocupam profundamente em fazer as coisas à maneira de Deus, imitando seu misericordioso e equilibrado senso de justiça. Na maioria dos casos, porém, eles servem como “conselheiros”. Isso, naturalmente, é bem diferente de serem príncipes ou tiranos, e eles se esforçam ao máximo para jamais nem mesmo dar a impressão de ‘dominar sobre os que são a herança de Deus’. — 1 Pedro 5:3.
29, 30. (a) Qual era o recado de Jeová para quem não quisesse se beneficiar do refinamento? (b) Em que sentido as pessoas ‘se envergonhariam’ de suas árvores e de seus jardins?
29 Que dizer da “escória” mencionada na profecia de Isaías? O que aconteceria com quem não quisesse se beneficiar do processo de refinamento de Deus? Isaías continua: “E a derrocada dos revoltosos e a dos pecaminosos se dará ao mesmo tempo, e os que abandonam a Jeová chegarão ao seu fim. Pois, envergonhar-se-ão das árvores possantes que desejastes, e vós ficareis encabulados por causa dos jardins que escolhestes.” (Isaías 1:28, 29) Os que se revoltassem e pecassem contra Jeová, desprezando as mensagens alertadoras de Seus profetas até ser tarde demais, sem dúvida seriam ‘derrocados’ e ‘chegariam ao seu fim’. Isso aconteceu em 607 AEC. Mas o que significa essa alusão a árvores e a jardins?
30 Os judeus tinham um contumaz problema com a idolatria. Árvores, jardins e arvoredos muitas vezes figuravam nas suas práticas degradantes. Por exemplo, os adoradores de Baal e de sua consorte, Astorete, acreditavam que, na estação seca, essas duas divindades morriam e eram enterradas. Para induzi-las a despertar e a coabitar, trazendo fertilidade à terra, os idólatras se reuniam para praticar atos sexuais pervertidos debaixo de árvores “sagradas”, em arvoredos ou em jardins. Com a chegada das chuvas e da fertilidade, o crédito ia para os deuses falsos; para os idólatras, isso confirmava as suas superstições. Mas, quando Jeová causasse a derrocada desses idólatras rebeldes, nenhum deus-ídolo os protegeria. Os rebeldes ‘se envergonhariam’ dessas impotentes árvores e jardins.
31. O que, pior do que a vergonha, enfrentariam os idólatras?
31 Os idólatras judeus enfrentariam algo pior do que a vergonha, porém. Mudando a ilustração, Jeová a seguir compara o próprio idólatra a uma árvore. “[Vós] vos tornareis iguais a uma árvore grande cuja folhagem está murchando e iguais a um jardim sem água.” (Isaías 1:30) Essa ilustração se ajusta bem ao clima quente e seco do Oriente Médio. Nenhuma árvore ou jardim dura muito tempo sem um suprimento constante de água. Ressequida, essa vegetação é especialmente vulnerável ao fogo. Assim, a ilustração no versículo 31 de Is 1 é uma sequência natural.
32. (a) Quem é “o homem vigoroso” mencionado no versículo 31 de Is 1? (b) Em que sentido ele viraria “estopa”, que “faísca” o inflamaria, e com que resultado?
32 “O homem vigoroso há de tornar-se estopa, e o produto da sua atividade, uma faísca; e ambos hão de acender-se ao mesmo tempo, sem haver quem os apague.” (Isaías 1:31) Quem é esse “homem vigoroso”? No hebraico, essa expressão transmite a ideia de força e de riqueza. Provavelmente se refere ao próspero e autoconfiante adorador de deuses falsos. Nos dias de Isaías, como nos nossos, não faltam homens que rejeitam a Jeová e a sua adoração pura. Alguns até mesmo parecem ser bem-sucedidos. No entanto, Jeová alerta que tais homens serão como “estopa”, ou toscas fibras de linho, tão frágeis e secas que se desmancham, por assim dizer, ao simples cheiro de fogo. (Juízes 16:8, 9) O produto da atividade do idólatra — seus deuses-ídolos, sua riqueza, ou o que quer que ele adore em vez de a Jeová — será como a “faísca” de ignição. Tanto a faísca como a estopa serão consumidas, extintas, num fogo que ninguém poderá apagar. Nenhum poder no Universo pode anular os perfeitos julgamentos de Jeová.
33. (a) De que maneira os avisos de Deus sobre a vindoura execução também revelam a sua misericórdia? (b) Que oportunidade Jeová dá agora à humanidade, e como isso afeta a cada um de nós?
33 É essa mensagem final compatível com a mensagem de misericórdia e de perdão no versículo 18 de Is 1? Certamente que sim! Jeová fez com que tais avisos fossem escritos e transmitidos por seus servos justamente porque ele é misericordioso. Afinal, ele “não deseja que [ninguém] seja destruído, mas deseja que todos alcancem o arrependimento”. (2 Pedro 3:9) Todo cristão verdadeiro hoje tem o privilégio de proclamar as advertências de Deus à humanidade, para que os arrependidos possam se beneficiar de Seu generoso perdão e viver para sempre. Quão bondoso é da parte de Jeová dar à humanidade uma chance de ‘resolver as questões’ com ele, antes que seja tarde demais!
[Nota(s) de rodapé]
a Segundo a antiga tradição judaica, Isaías foi executado (serrado em pedaços) por ordem do perverso Rei Manassés. (Note Hebreus 11:37.) Segundo certa fonte, para justificar essa sentença de morte, um falso profeta fez esta acusação contra Isaías: “Ele chamou Jerusalém de Sodoma, e os príncipes de Judá e de Jerusalém ele declarou (ser) o povo de Gomorra.”
b A palavra hebraica para “poder mágico” é também traduzida por “aquilo que é prejudicial”, “aquilo que é misterioso” e “errôneo”. Segundo o Theological Dictionary of the Old Testament (Dicionário Teológico do Velho Testamento), os profetas hebreus usavam essa palavra para denunciar “o mal causado pelo mau uso do poder”.
c A expressão “vou fazer minha mão retornar sobre ti” significa que Jeová deixaria de apoiar o seu povo e passaria a puni-lo.
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A casa de Jeová se elevaProfecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Quatro
A casa de Jeová se eleva
1, 2. Que palavras estão inscritas num muro na praça das Nações Unidas, e qual é sua fonte?
“CONVERTERÃO suas espadas em relhas de arado. E suas lanças em podadeiras: nação não levantará espada contra outra nação. Nem aprenderão mais a guerra.” Essas palavras estão inscritas num muro na praça das Nações Unidas, na cidade de Nova York. Por décadas, a fonte dessa citação não foi identificada. Visto que o objetivo da ONU é trabalhar em prol da paz global, era fácil concluir que essa citação tivesse se originado dos fundadores da ONU, em 1945.
2 Em 1975, porém, o nome Isaías foi talhado no muro, debaixo da citação. Ficou evidente então que essas palavras não eram de origem moderna. De fato, elas foram registradas como profecia mais de 2.700 anos atrás, no que é agora o de Is 2 2.º capítulo do livro de Isaías. Por milênios os amantes da paz têm ponderado sobre como e quando as coisas que Isaías predisse ocorreriam. Não há mais motivo para dúvidas a respeito. Hoje, vemos diante de nós o cumprimento notável dessa antiga profecia.
3. Quem são as “nações” que convertem suas espadas em relhas de arado?
3 Quem são as nações que convertem suas espadas em relhas de arado? Certamente, não são as nações políticas e os governos atuais. Até hoje essas nações têm desenvolvido espadas (ou armas) tanto para guerrear como para manter a “paz” por meio da força. Na verdade, a tendência sempre foi as nações converterem relhas de arado em espadas! A profecia de Isaías se cumpre em representantes de todas as nações, pessoas que adoram a Jeová, “o Deus de paz”. — Filipenses 4:9.
As nações que afluem à adoração pura
4, 5. O que predizem os versículos iniciais de Isaías, capítulo 2, e o que reforça a confiabilidade dessas palavras?
4 Isaías, capítulo 2, começa assim: “A coisa que Isaías, filho de Amoz, visionou concernente a Judá e Jerusalém: E na parte final dos dias terá de acontecer que o monte da casa de Jeová ficará firmemente estabelecido acima do cume dos montes e certamente se elevará acima dos morros; e a ele terão de afluir todas as nações.” — Isaías 2:1, 2.
5 Note que a predição de Isaías não é mera especulação. Ele foi guiado a registrar eventos que ‘terão de acontecer’ — sem falta. Tudo o que Jeová se propõe a fazer terá “êxito certo”. (Isaías 55:11) Evidentemente para acentuar a confiabilidade de sua promessa, Deus inspirou o profeta Miqueias, um contemporâneo de Isaías, a registrar em seu livro a mesma profecia assentada em Isaías 2:2-4. — Miqueias 4:1-3.
6. Quando se cumpriria a profecia de Isaías?
6 Quando se cumpriria a profecia de Isaías? “Na parte final dos dias.” A tradução Matos Soares diz: “Nos últimos dias.” As Escrituras Gregas Cristãs predisseram aspectos que identificariam esse período. Entre eles, guerras, terremotos, epidemias, falta de alimentos e “tempos críticos, difíceis de manejar”.a (2 Timóteo 3:1-5; Lucas 21:10, 11) O cumprimento dessas profecias fornece farta evidência de que estamos vivendo “na parte final dos dias”, os últimos dias do atual sistema mundial. Logicamente, então, esperaríamos ver cumpridas em nossos tempos as coisas que Isaías predisse.
Um monte no qual adorar
7. Que quadro profético pinta Isaías?
7 Em poucas palavras, Isaías pinta um vívido quadro profético. Vê-se um monte alto, em cima do qual há uma casa gloriosa, o templo de Jeová. Esse monte se projeta muito acima dos montes e morros em volta. No entanto, não é agourento nem intimidante; é atraente. Pessoas de todas as nações anseiam subir ao monte da casa de Jeová; elas afluem a ele. Isso é fácil de visualizar, mas o que significa?
8. (a) Com o que tinham ligação os morros e os montes nos dias de Isaías? (b) O que a afluência das nações ao “monte da casa de Jeová” representa?
8 Nos dias de Isaías, os morros e os montes muitas vezes tinham ligação com a adoração. Por exemplo, eles serviam como locais de adoração idólatra e de santuários de deuses falsos. (Deuteronômio 12:2; Jeremias 3:6) No entanto, a casa, ou templo, de Jeová adornava o cume do monte Moriá, em Jerusalém. Os israelitas fiéis viajavam a Jerusalém três vezes por ano e subiam o monte Moriá para adorar o Deus verdadeiro. (Deuteronômio 16:16) Portanto, a afluência das nações ao “monte da casa de Jeová” representa o ajuntamento de muitas pessoas à adoração verdadeira.
9. O que “o monte da casa de Jeová” simboliza?
9 Hoje, naturalmente, o povo de Deus não se reúne num monte literal com um templo de pedra. O templo de Jeová em Jerusalém foi destruído pelos exércitos romanos em 70 EC. Além disso, o apóstolo Paulo deixou claro que o templo em Jerusalém e o tabernáculo que o precedeu eram simbólicos. Eles simbolizavam uma realidade espiritual maior, a “verdadeira tenda, que Jeová erigiu, e não algum homem”. (Hebreus 8:2) Essa tenda espiritual é o arranjo para se aproximar de Jeová em adoração, baseado no sacrifício de resgate de Jesus Cristo. (Hebreus 9:2-10, 23) Em harmonia com isso, “o monte da casa de Jeová”, mencionado em Isaías 2:2, simboliza a enaltecida adoração pura de Jeová em nossos tempos. Os que abraçam a adoração pura não se reúnem numa determinada localização geográfica; eles se reúnem numa adoração unida.
A elevação da adoração pura
10, 11. Em que sentido a adoração de Jeová foi elevada em nossos dias?
10 O profeta diz que “o monte da casa de Jeová”, ou adoração pura, ficaria “firmemente estabelecido acima do cume dos montes” e se ‘elevaria acima dos morros’. Muito antes dos dias de Isaías, o Rei Davi levara a arca do pacto ao monte Sião em Jerusalém, que se localizava a uns 750 metros acima do nível do mar. A arca ficou ali até ser transferida para o templo construído no monte Moriá. (2 Samuel 5:7; 6:14-19; 2 Crônicas 3:1; 5:1-10) Assim, nos dias de Isaías a arca sagrada já havia sido literalmente elevada e colocada no templo, numa posição mais alta do que os muitos morros em volta usados para a adoração falsa.
11 Naturalmente, em sentido espiritual, a adoração de Jeová sempre tem sido superior às práticas religiosas dos que adoram deuses falsos. Nos nossos dias, porém, Jeová enalteceu a sua adoração à altura dos céus, acima de todas as formas de adoração impura, sim, muito acima de todos os “morros” e do “cume dos montes”. Como assim? Em grande parte, por meio do ajuntamento dos que desejam adorá-lo “com espírito e verdade”. — João 4:23.
12. Quem são “os filhos do reino”, e que ajuntamento tem ocorrido?
12 Jesus Cristo falou da “terminação dum sistema de coisas” como tempo de colheita em que os anjos reuniriam “os filhos do reino” — aqueles cuja esperança é governar com Jesus na glória celestial. (Mateus 13:36-43) Desde 1919, Jeová tem energizado os “remanescentes” desses filhos para que participem com os anjos na colheita. (Revelação [Apocalipse] 12:17) Assim, primeiro são reunidos “os filhos do reino”, os irmãos ungidos de Jesus. Daí, eles participam numa obra de ajuntamento adicional.
13. De que modo Jeová tem abençoado o restante ungido?
13 Durante esse período de colheita, Jeová progressivamente tem ajudado o restante ungido a entender e a aplicar a Sua Palavra, a Bíblia. Isso também tem contribuído para o enaltecimento da adoração pura. Embora ‘a escuridão cubra a Terra e densas trevas os grupos nacionais’, os ungidos ‘brilham como iluminadores do mundo’ entre a humanidade, tendo sido purificados e refinados por Jeová. (Isaías 60:2; Filipenses 2:15) “Cheios do conhecimento exato da sua vontade, em toda a sabedoria e compreensão espiritual”, esses ungidos pelo espírito ‘brilham tão claramente como o Sol, no reino de seu Pai’. — Colossenses 1:9; Mateus 13:43.
14, 15. Além do ajuntamento dos “filhos do reino” que outro ajuntamento tem ocorrido, e como isso foi predito por Ageu?
14 Ademais, outros têm afluído ao “monte da casa de Jeová”. Chamados por Jesus de “outras ovelhas” suas, a esperança desses é viver para sempre numa Terra paradísica. (João 10:16; Revelação 21:3, 4) A partir dos anos 30, eles surgiram aos milhares, daí às centenas de milhares e agora aos milhões! Numa visão apresentada ao apóstolo João, esses foram descritos como ‘grande multidão, que nenhum homem podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas’. — Revelação 7:9.
15 O profeta Ageu predisse o surgimento dessa grande multidão. Ele escreveu: “Pois assim disse Jeová dos exércitos: ‘Mais uma vez — dentro em pouco — e eu farei tremer os céus, e a terra, e o mar, e o solo seco. E vou fazer tremer todas as nações, e terão de entrar as coisas desejáveis de todas as nações [os que se juntam aos cristãos ungidos na adoração pura]; e eu vou encher esta casa de glória’, disse Jeová dos exércitos.” (Ageu 2:6, 7) A existência dessa ainda crescente “grande multidão” e de seus companheiros ungidos eleva, sim, glorifica, a adoração pura na casa de Jeová. Não há registro de que no passado houvesse alguma vez tantas pessoas unidas na adoração do Deus verdadeiro, e isso resulta em glória para Jeová e seu Rei entronizado, Jesus Cristo. O Rei Salomão escreveu: “Na multidão do povo está o adorno do rei.” — Provérbios 14:28.
Adoração enaltecida na vida das pessoas
16-18. Que mudanças fizeram alguns de modo a poderem adorar a Jeová de maneira aceitável?
16 Jeová merece todo o crédito pelo enaltecimento da adoração pura em nossos tempos. Mesmo assim, os que se aproximam dele têm o privilégio de participar nessa obra. Assim como exige esforço subir um monte, é preciso esforço para aprender as normas justas de Deus e viver de acordo com elas. Como os cristãos no primeiro século, os servos de Deus hoje abandonaram estilos de vida e práticas incompatíveis com a adoração pura. Fornicadores, idólatras, adúlteros, ladrões, gananciosos, beberrões e outros mudaram seu comportamento e foram “lavados” aos olhos de Deus. — 1 Coríntios 6:9-11.
17 Um caso típico é o de certa mulher, que escreveu: “Eu estava perdida, sem esperança. Levava uma vida imoral e bebia muito. Eu tinha doenças sexualmente transmissíveis. Além disso, vendia drogas e não me importava com nada.” Depois de estudar a Bíblia, ela fez grandes mudanças a fim de se ajustar aos padrões de Deus. Agora, ela diz: “Tenho paz mental, autoestima, esperança para o futuro, uma família verdadeira e, melhor de tudo, uma relação com o nosso Pai, Jeová.”
18 Mesmo tendo alcançado uma condição aprovada perante Jeová, todos têm de continuar a enaltecer a adoração pura por dar a ela um lugar de destaque nas suas vidas. Milhares de anos atrás, por meio de Isaías, Jeová expressou sua confiança de que haveria hoje um grande número de pessoas ansiosas de fazer de Sua adoração a coisa mais importante na vida. É você uma delas?
Um povo ensinado nos caminhos de Jeová
19, 20. O que se ensina ao povo de Deus, e onde?
19 Isaías nos fala mais a respeito dos que abraçam a adoração pura hoje. Ele diz: “Muitos povos certamente irão e dirão: ‘Vinde, e subamos ao monte de Jeová, à casa do Deus de Jacó; e ele nos instruirá sobre os seus caminhos e nós andaremos nas suas veredas.’ Pois de Sião sairá a lei e de Jerusalém a palavra de Jeová.” — Isaías 2:3.
20 Jeová não deixa seu povo vaguear como ovelhas perdidas. Através da Bíblia e de publicações relacionadas, ele lhes transmite a sua “lei” e a sua “palavra”, de modo que aprendam os Seus caminhos. Esse conhecimento os equipa a ‘andar nas Suas veredas’. Com corações cheios de apreço e em harmonia com a direção divina, eles falam uns aos outros sobre os caminhos de Jeová. Eles se reúnem em grandes congressos e em grupos menores — em Salões do Reino e em casas — para ouvir e aprender sobre os caminhos de Deus. (Deuteronômio 31:12, 13) Assim, imitam o padrão dos primeiros cristãos, que se reuniam para incentivar e estimular uns aos outros a ser generosos em ‘amor e em obras excelentes’. — Hebreus 10:24, 25.
21. Em que obra participam os servos de Jeová?
21 Eles convidam outros a ‘subir’ à enaltecida adoração de Jeová Deus. Quão bem isso se harmoniza com a ordem de Jesus aos seus discípulos, dada pouco antes de sua ascensão ao céu! Ele disse-lhes: “Ide, portanto, e fazei discípulos de pessoas de todas as nações, batizando-as em o nome do Pai, e do Filho, e do espírito santo, ensinando-as a observar todas as coisas que vos ordenei.” (Mateus 28:19, 20) Com apoio divino, as Testemunhas de Jeová obedientemente vão a todas as partes da Terra, ensinando e fazendo discípulos, e batizando-os.
Espadas em relhas de arado
22, 23. O que prediz Isaías 2:4, e o que disse sobre isso um alto funcionário da ONU?
22 Chegamos ao próximo versículo, parte do qual está inscrito no muro da praça da ONU. Isaías escreve: “Ele certamente fará julgamento entre as nações e resolverá as questões com respeito a muitos povos. E terão de forjar das suas espadas relhas de arado, e das suas lanças, podadeiras. Não levantará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerra.” — Isaías 2:4.
23 Conseguir isso não seria uma tarefa pequena. Federico Mayor, diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, disse, certa vez: “Todas as torpezas da guerra, que chegam a nós hoje por meio de equipamento audiovisual, não parecem capazes de deter o avanço da enorme máquina de guerra montada e mantida ao longo de muitos séculos. Às gerações atuais cabe a quase impossível tarefa bíblica de ‘converter suas espadas em relhas de arado’ e fazer a transição de um instinto guerreiro — desenvolvido desde tempos imemoriais — para um sentimento de paz. Essa seria a melhor e mais nobre consecução da ‘aldeia global’, e o melhor legado para os nossos descendentes.”
24, 25. Em quem se cumprem as palavras de Isaías, e em que sentido?
24 As nações como um todo jamais alcançarão esse sublime objetivo. Está simplesmente fora de seu alcance. As palavras de Isaías se cumprem em indivíduos de muitas nações, unidos na adoração pura. Jeová ‘resolveu as questões’ entre eles. Ensinou seu povo a viver em paz. Realmente, num mundo dividido e belicoso, eles simbolicamente forjaram de suas “espadas relhas de arado, e das suas lanças, podadeiras”. Como assim?
25 Por um lado, não tomam partido nas guerras das nações. Pouco antes da morte de Jesus, homens armados vieram prendê-lo. Quando Pedro puxou a espada para defender seu Mestre, Jesus disse-lhe: “Devolve a espada ao seu lugar, pois todos os que tomarem a espada perecerão pela espada.” (Mateus 26:52) Desde então, os seguidores das pisadas de Jesus têm forjado das suas espadas relhas de arado e têm se refreado de pegar em armas para matar o próximo ou de outras maneiras apoiar os esforços de guerra. Eles ‘empenham-se pela paz com todos’. — Hebreus 12:14.
Empenhos pelos caminhos da paz
26, 27. De que modo o povo de Deus ‘busca a paz e empenha-se por ela’? Exemplifique.
26 A paz do povo de Deus vai além da recusa de se envolver em guerras. Embora estejam presentes em mais de 230 terras e representem incontáveis idiomas e culturas, usufruem paz uns com os outros. Neles há um cumprimento moderno das palavras de Jesus, que disse aos seus discípulos no primeiro século: “Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.” (João 13:35) Os cristãos hoje são “pacificadores”. (Mateus 5:9, nota) Eles ‘buscam a paz e empenham-se por ela’. (1 Pedro 3:11) Quem os sustenta é Jeová, ‘o Deus que dá paz’. — Romanos 15:33.
27 Há exemplos notáveis de pessoas que aprenderam a ser pacificadoras. Certo homem escreveu a respeito de sua mocidade: “As durezas da vida me ensinaram a me defender. Deixaram-me insensível e de mal com a vida. Eu sempre acabava brigando. Todo dia eu brigava com um jovem diferente na vizinhança, às vezes a socos, às vezes com pedras ou garrafas. Cresci sendo muito violento.” Mas, com o tempo, ele aceitou o convite de ir ao “monte da casa de Jeová”. Aprendeu os caminhos de Deus e tornou-se um pacífico servo de Deus.
28. O que podem os cristãos fazer para se empenharem pela paz?
28 A maioria dos servos de Jeová não tem um passado tão violento. Mesmo assim, eles se esforçam em promover a paz com outros até nas coisas relativamente pequenas, como gestos de bondade, perdão e empatia. Embora sejam imperfeitos, procuram aplicar o conselho bíblico de ‘continuar a suportar uns aos outros e a perdoar uns aos outros liberalmente, se alguém tiver razão para queixa contra outro’. — Colossenses 3:13.
Um futuro de paz
29, 30. Que perspectiva existe para a Terra?
29 Jeová tem feito algo maravilhoso nesta “parte final dos dias”. Ele reuniu dentre todas as nações pessoas que desejam servi-lo. Ele as ensinou a andar nos Seus caminhos, os caminhos da paz. Tais pessoas sobreviverão à vindoura “grande tribulação” e entrarão num pacífico novo mundo em que a guerra será abolida para sempre. — Revelação 7:14.
30 Espadas — armamentos — não existirão mais. O salmista escreveu a respeito daquele tempo: “Vinde, observai as atividades de Jeová, como ele tem posto eventos assombrosos na terra. Ele faz cessar as guerras até a extremidade da terra. Destroça o arco e retalha a lança; as carroças ele queima no fogo.” (Salmo 46:8, 9) Em vista dessa perspectiva, a próxima exortação de Isaías é tão apropriada hoje como foi quando a escreveu: “Ó homens da casa de Jacó, vinde, e andemos na luz de Jeová.” (Isaías 2:5) Sim, permitamos que a luz de Jeová ilumine a nossa vereda agora, de modo a andarmos nos Seus caminhos por toda a eternidade. — Miqueias 4:5.
[Nota(s) de rodapé]
a Veja o livro O Que a Bíblia Realmente Ensina?, capítulo 9, (“Estamos vivendo nos ‘últimos dias’?”), publicado pelas Testemunhas de Jeová.
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Jeová humilha os altivosProfecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Cinco
Jeová humilha os altivos
1, 2. Por que a mensagem profética de Isaías aos judeus de seus dias é de interesse para nós?
INDIGNADO com a situação de Jerusalém e de Judá, o profeta Isaías a seguir volta-se para Jeová Deus e declara: ‘Abandonaste o teu povo, a casa de Jacó.’ (Isaías 2:6a) O que levou Deus a rejeitar o povo que ele mesmo escolhera como “propriedade especial”? — Deuteronômio 14:2.
2 A denúncia de Isaías contra os judeus de seus dias é de grande interesse para nós. Por quê? Porque a situação da cristandade hoje é bem similar à do povo de Isaías, assim como o é o julgamento proferido por Jeová. Atentar à proclamação de Isaías nos dará um entendimento claro do que Deus condena e nos ajudará a evitar práticas que ele desaprova. Com viva expectativa, pois, consideremos a palavra profética de Jeová, conforme registrada em Isaías 2:6–4:1.
Curvavam-se com orgulho
3. Que erro de seu povo Isaías confessa?
3 Confessando o erro de seu povo, Isaías diz: “Ficaram cheios daquilo que procede do Oriente e são praticantes da magia, iguais aos filisteus, e abundam em filhos de estrangeiros.” (Isaías 2:6b) Uns 800 anos antes, Jeová ordenara a seu povo escolhido: “Não vos façais impuros por qualquer destas coisas [pelas quais] se fizeram impuras as nações que ponho para fora diante de vós.” (Levítico 18:24) A respeito daqueles a quem selecionara para ser Sua propriedade especial, Jeová obrigou Balaão a dizer: “Vejo-os do cume das rochas, e avisto-os das colinas. Ali residem isolados como povo, e não se consideram entre as nações.” (Números 23:9, 12) No entanto, nos dias de Isaías os escolhidos de Jeová haviam adotado as práticas abomináveis das nações vizinhas e estavam “cheios daquilo que procede do Oriente”. Em vez de terem fé em Jeová e na sua palavra, eles praticavam ‘magia como os filisteus’. Longe de se manterem separados das nações, o país estava cheio de “filhos de estrangeiros” — sem dúvida, estrangeiros que introduziam práticas ímpias entre o povo de Deus.
4. Em vez de torná-los gratos a Jeová, como as riquezas e o poderio militar afetavam os judeus?
4 Notando a prosperidade econômica e o poderio militar de Judá sob o Rei Uzias, Isaías declara: “Sua terra está cheia de prata e de ouro, e não há limite dos seus tesouros. E sua terra está cheia de cavalos, e não há limite dos seus carros [de guerra].” (Isaías 2:7) Será que as pessoas agradeciam a Jeová por tal riqueza e força militar? (2 Crônicas 26:1, 6-15) De modo algum! Em vez disso, elas confiavam na própria riqueza e se desviavam de sua Fonte, Jeová Deus. O resultado? “Sua terra está cheia de deuses que nada valem. Curvam-se diante do trabalho das mãos de alguém, diante daquilo que os dedos de alguém fizeram. E o homem terreno se encurva e o homem fica rebaixado, e não é possível que lhes perdoes.” (Isaías 2:8, 9) Eles desviavam a sua face do Deus vivente e curvavam-se diante de ídolos sem vida.
5. Por que curvar-se diante de ídolos não é um ato de humildade?
5 Curvar-se pode ser um sinal de humildade. Mas curvar-se diante de coisas sem vida é fútil e ‘rebaixa’, ou degenera, o idólatra. Como podia Jeová perdoar tal pecado? O que fariam aqueles idólatras quando Jeová os chamasse para uma prestação de contas?
‘Olhos soberbos teriam de ser rebaixados’
6, 7. (a) O que aconteceria com os altivos no dia da execução do julgamento de Jeová? (b) Contra o que e contra quem Jeová expressou a sua ira, e por quê?
6 Isaías continua: “Entra na rocha e encobre-te no pó por causa do pavor de Jeová e diante da sua esplêndida superioridade.” (Isaías 2:10) No entanto, não haveria nenhuma rocha suficientemente grande para protegê-los, nem cobertura suficientemente espessa para ocultá-los de Jeová, o Todo-Poderoso. Quando ele viesse para executar seu julgamento, ‘os olhos soberbos do homem terreno teriam de ficar rebaixados e o enaltecimento dos homens teria de encurvar-se; e somente Jeová teria de ser sublimado naquele dia’. — Isaías 2:11.
7 “O dia pertencente a Jeová dos exércitos” se aproximava. Seria a ocasião de Deus expressar a sua ira contra “todos os cedros do Líbano, que são altaneiros e elevados, e sobre todas as árvores maciças de Basã; e sobre todos os montes altaneiros e sobre todos os morros elevados; e sobre toda torre alta e sobre toda muralha fortificada; e sobre todos os navios de Társis e sobre todos os barcos desejáveis”. (Isaías 2:12-16) Sim, toda organização erigida pelo homem como símbolo de seu orgulho e todo indivíduo ímpio seria alvo de atenção no dia da ira de Jeová. Assim, ‘a soberba do homem terreno teria de encurvar-se, e o enaltecimento dos homens teria de ficar rebaixado; e somente Jeová teria de ser sublimado naquele dia’. — Isaías 2:17.
8. De que modo o predito dia da execução do julgamento veio sobre Jerusalém em 607 AEC?
8 O predito dia da execução do julgamento veio contra os judeus em 607 AEC quando o babilônio Rei Nabucodonosor destruiu Jerusalém. Os moradores viram o incêndio de sua amada cidade, a demolição de seus edifícios imponentes e a ruína de sua poderosa muralha. O templo de Jeová foi reduzido a escombros. De nada valeram seus tesouros ou seus carros de guerra no “dia pertencente a Jeová dos exércitos”. E seus ídolos? Aconteceu exatamente como Isaías predisse: “Os próprios deuses que nada valem passarão inteiramente.” (Isaías 2:18) Os judeus — incluídos os príncipes e os homens poderosos — foram levados ao exílio em Babilônia. Jerusalém ficaria desolada por 70 anos.
9. Em que sentido a condição da cristandade se parece com a de Jerusalém e de Judá dos dias de Isaías?
9 Como a condição da cristandade se parece com a de Jerusalém e de Judá dos dias de Isaías! A cristandade certamente tem cultivado uma estreita relação com as nações do mundo. Ela apoia entusiasticamente as Nações Unidas e seu domínio está repleto de ídolos e de práticas antibíblicas. Seus adeptos são materialistas e confiam no poderio militar. E não é verdade que consideram seus clérigos como dignos de grande distinção, atribuindo-lhes títulos e honrarias? A altivez da cristandade sem falta será reduzida a nada. Mas quando?
O iminente “dia de Jeová”
10. Para que “dia de Jeová” apontaram os apóstolos Paulo e Pedro?
10 As Escrituras apontam para um “dia de Jeová” que será de muito maior significado do que o dia da execução do julgamento contra as antigas Jerusalém e Judá. O apóstolo Paulo, sob inspiração, associou o vindouro “dia de Jeová” com a presença do entronizado Rei Jesus Cristo. (2 Tessalonicenses 2:1, 2) Pedro falou desse dia em conexão com o estabelecimento de ‘novos céus e uma nova terra nos quais há de morar a justiça’. (2 Pedro 3:10-13) Será o dia de Jeová executar seu julgamento contra todo o perverso sistema mundial, incluindo a cristandade.
11. (a) Quem ‘resistirá’ no vindouro “dia de Jeová”? (b) Como podemos fazer de Jeová nosso refúgio?
11 “Ai do dia”, diz o profeta Joel, “porque está próximo o dia de Jeová, e ele virá como assolação da parte do Todo-Poderoso!”. Em vista da proximidade desse “dia”, não deveria cada um de nós se preocupar com a sua segurança durante aquele atemorizante período? “Quem poderá resistir nele?”, pergunta Joel. Ele responde: “Jeová será refúgio para o seu povo.” (Joel 1:15; 2:11; 3:16) Será Jeová Deus um refúgio para os de espírito altivo e que confiam nas riquezas, no poderio militar e em deuses criados pelo homem? Impossível! Deus abandonou até mesmo seu povo escolhido quando agiram dessa forma. Como é vital que todo servo de Deus ‘procure a justiça, procure a mansidão’ e examine seriamente que lugar a adoração de Jeová ocupa na sua vida! — Sofonias 2:2, 3.
“Diante dos musaranhos e dos morcegos”
12, 13. Por que era apropriado que os idólatras lançassem seus deuses “diante dos musaranhos e dos morcegos” no dia de Jeová?
12 Como os idólatras encarariam seus ídolos durante o grande dia de Jeová? Isaías responde: “As pessoas entrarão nas cavernas das rochas e nas cavidades do pó por causa do pavor de Jeová e diante da sua esplêndida superioridade, quando ele se levantar para fazer a terra sofrer tremores. Naquele dia, o homem terreno lançará diante dos musaranhos e dos morcegos os seus deuses de prata que nada valem e os seus deuses de ouro que nada valem . . . a fim de entrar nas grutas das rochas e nas fendas dos rochedos, por causa do pavor de Jeová e diante da sua esplêndida superioridade, quando ele se levantar para fazer a terra sofrer tremores. Por vossa própria causa, deixai o homem terreno, cujo fôlego está nas suas narinas, pois em que base deve ele mesmo ser tomado em consideração?” — Isaías 2:19-22.
13 Os musaranhos vivem em tocas no solo e os morcegos se empoleiram em cavernas escuras e desoladas. E o lugar onde muitos morcegos se empoleiram fica fétido e com grossas camadas de esterco no chão. Lançar ídolos ali é bem apropriado. Um lugar escuro e imundo é bem o que merecem. Quanto às pessoas, elas buscariam refúgio nas cavernas e nas fendas de rochedo no dia da execução do julgamento de Jeová. Assim, o destino dos ídolos e de seus adoradores seria o mesmo. Fiel à profecia de Isaías, os ídolos sem vida não salvaram seus adoradores nem Jerusalém das mãos de Nabucodonosor, em 607 AEC.
14. Durante o vindouro dia da execução do julgamento de Jeová contra o império mundial da religião falsa, o que farão os homens de mentalidade mundana?
14 Durante o vindouro dia da execução do julgamento de Jeová contra a cristandade e outros segmentos do império mundial da religião falsa, o que farão as pessoas? Diante da piora das condições em toda a Terra, a maioria provavelmente reconhecerá que seus ídolos são inúteis. Em lugar deles, é bem possível que busquem refúgio e proteção em organizações seculares, terrenas, talvez incluindo as Nações Unidas, a “fera cor de escarlate” de Revelação (Apocalipse), capítulo 17. Serão “os dez chifres” dessa fera simbólica que destruirão Babilônia, a Grande, o império mundial da religião falsa, do qual a cristandade é parte significativa. — Revelação 17:3, 8-12, 16, 17.
15. Como somente Jeová será “sublimado” no dia da execução de seu julgamento?
15 Embora a devastação e a queima de Babilônia, a Grande, possa vir a ser uma ação direta desses simbólicos dez chifres, será, de fato, a execução do julgamento de Jeová. A respeito de Babilônia, a Grande, Revelação 18:8 diz: “É por isso que as pragas dela virão num só dia, morte, e pranto, e fome, e ela será completamente queimada em fogo, porque Jeová Deus, quem a julga, é forte.” Portanto, irá para Jeová Deus, o Todo-Poderoso, o crédito pela libertação da humanidade da dominação da religião falsa. Como diz Isaías, “somente Jeová terá de ser sublimado naquele dia. Porque é o dia pertencente a Jeová dos exércitos”. — Isaías 2:11b, 12a.
‘Líderes fazem-te vaguear’
16. (a) O que constitui o ‘sustento e apoio’ da sociedade humana? (b) Que sofrimento causaria ao povo de Isaías a remoção do ‘sustento e apoio’ de sua sociedade?
16 Para ser estável, a sociedade humana precisa de ‘sustento e apoio’ — necessidades como alimentos e água e, mais importante, de líderes confiáveis que possam guiar o povo e manter a ordem social. A respeito do Israel antigo, porém, Isaías predisse: “Pois, eis que o verdadeiro Senhor, Jeová dos exércitos, está removendo de Jerusalém e de Judá o sustento e o apoio, todo o sustento de pão e todo o sustento de água, o poderoso e o guerreiro, o juiz e o profeta, e o adivinho, e o homem idoso, o chefe de cinquenta, e o homem muito respeitado, e o conselheiro, e o hábil em artes mágicas, e o encantador perito.” (Isaías 3:1-3) Meros rapazes se tornariam príncipes e governariam arbitrariamente. Os governantes não apenas oprimiriam o povo, mas ‘as pessoas realmente tiranizariam umas às outras. Arremeteriam, o rapaz contra o homem idoso, e o de pouca estima contra aquele que é para ser honrado’. (Isaías 3:4, 5) Os jovens ‘arremeteriam’ contra os idosos, faltando-lhes com o respeito. As condições de vida se tornariam tão ruins que um diria para o outro, sem qualificações para governar: “Tens uma capa. Devias tornar-te ditador para nós, e esta massa derrocada devia estar debaixo de tua mão.” (Isaías 3:6) Mas quem recebesse esse convite não o aceitaria, insistindo que não tinha a habilidade de curar a terra ferida nem os bens materiais para cuidar dessa responsabilidade. Ele diria: “Não me tornarei pensador de feridas; e na minha casa não há nem pão nem capa. Não me deveis constituir ditador sobre o povo.” — Isaías 3:7.
17. (a) Em que sentido o pecado de Jerusalém e de Judá era “semelhante ao de Sodoma”? (b) A quem Isaías culpa pela condição de seu povo?
17 Isaías continua: “Jerusalém tropeçou e a própria Judá caiu, porque sua língua e suas ações são contra Jeová, comportando-se rebeldemente aos olhos da sua glória. A própria expressão das suas faces testifica realmente contra eles, e contam deveras seu pecado semelhante ao de Sodoma. Não o ocultaram. Ai da sua alma! Pois trouxeram calamidade sobre si mesmos.” (Isaías 3:8, 9) O povo de Deus havia se rebelado contra o Deus verdadeiro em palavras e em ações. Até mesmo as desavergonhadas e impenitentes expressões de suas faces expunham seus pecados, tão repugnantes como os de Sodoma. Eles estavam num pacto com Jeová Deus, mas ele não mudaria Suas normas em favor deles. “Irá bem ao justo, porque eles comerão dos próprios frutos das suas ações. Ai do iníquo! — Calamidade; pois o tratamento dispensado pelas suas próprias mãos será dispensado a ele! Quanto ao meu povo, seus feitores agem com severidade e meras mulheres estão realmente dominando sobre ele. Ó meu povo, os que te encaminham fazem-te vaguear, e confundiram o caminho das tuas veredas.” — Isaías 3:10-12.
18. (a) Que julgamento Jeová pronunciou contra os anciãos e os príncipes dos dias de Isaías? (b) Que lição aprendemos do julgamento de Jeová contra os anciãos e os príncipes?
18 Jeová ‘sentencia’ os anciãos e os príncipes de Judá, e ‘entra em julgamento’ contra eles: “Vós mesmos queimastes o vinhedo. Aquilo que foi roubado do atribulado está nas vossas casas. Que quereis dizer com isso, que esmigalhais meu povo e que moeis as próprias faces dos atribulados?” (Isaías 3:13-15) Em vez de trabalharem pelo bem-estar das pessoas, os líderes se dedicavam a fraudes. Usavam mal a sua autoridade enriquecendo a si mesmos e espoliando os pobres e os necessitados. Mas esses líderes teriam de prestar contas a Jeová dos exércitos por oprimirem os aflitos. Que alerta para os que hoje ocupam cargos de responsabilidade! Que sejam sempre cuidadosos para não usar mal a sua autoridade!
19. De que opressão e perseguição a cristandade é culpada?
19 A cristandade — em especial o clero e os membros de destaque — adquiriu fraudulentamente muita coisa que devia pertencer ao povo, a quem ela oprimiu e continua a oprimir. Ela também tem espancado, perseguido e maltratado o povo de Deus e tem trazido grande vitupério sobre o nome de Jeová. No Seu devido tempo, Jeová certamente ‘entrará em julgamento’ contra ela.
“Marca de fogo em vez de lindeza”
20. Por que Jeová denuncia “as filhas de Sião”?
20 Depois de denunciar os erros dos líderes, Jeová volta-se para as mulheres de Sião, ou Jerusalém. Aparentemente por modismo, “as filhas de Sião” usavam “correntinhas para os passos” — presas nos calcanhares — que produziam um som tilintante. As mulheres restringiam os passos e andavam “com passinhos miúdos”, cultivando o que poderia parecer um elegante jeito feminino. O que havia de errado nisso? A atitude dessas mulheres. Jeová diz: “As filhas de Sião se ensoberbeceram e andam com as gargantas esticadas e com olhares requebrados.” (Isaías 3:16) Essa altivez não escaparia à punição.
21. De que modo o julgamento de Jeová contra Jerusalém afetaria as mulheres judias?
21 Assim, quando Jeová aplicasse seu julgamento contra o país, essas altivas “filhas de Sião” perderiam tudo — até mesmo a beleza da qual tanto se orgulhavam. Jeová prediz: “Também Jeová fará realmente tinhoso o alto da cabeça das filhas de Sião, e Jeová mesmo exporá a própria testa delas. Naquele dia Jeová tirará a beleza das manilhas, e as fitas para a cabeça, e os ornamentos em forma de lua, os pingentes, e os braceletes, e os véus, as coberturas para a cabeça, e as correntinhas para os passos, e as faixas para o busto, e as ‘casas da alma’ [provavelmente receptáculos de perfume], e as ornamentais conchas zunzunantes [ou, amuletos], os anéis, e as argolas para as narinas, os trajes de gala, e as sobrevestes, e as mantas, e as bolsas, e os espelhos de mão, e as peças de roupa interior, e os turbantes, e os véus largos.” (Isaías 3:17-23; veja notas de rodapé da “Tradução do Novo Mundo com Referências”.) Que reviravolta trágica!
22. Além de seus ornamentos, o que mais perderam as mulheres de Jerusalém?
22 A mensagem profética prossegue: “Tem de se dar que em vez de óleo de bálsamo virá a haver apenas um cheiro de mofo; e em vez de um cinto, uma corda; e em vez de um penteado artístico, a calvície; e em vez de uma veste suntuosa, um envoltório de serapilheira; marca de fogo em vez de lindeza.” (Isaías 3:24) Em 607 AEC, as orgulhosas mulheres de Jerusalém caíram da riqueza para a pobreza. Perderam a liberdade e receberam a “marca de fogo” da escravidão.
“Ela certamente será esvaziada”
23. O que Jeová proclama concernente a Jerusalém?
23 Falando agora para a cidade de Jerusalém, Jeová proclama: “Teus próprios homens cairão à espada, e tua potência, pela guerra. E as entradas dela terão de estar de luto e expressar tristeza, e ela certamente será esvaziada. Sentar-se-á no próprio chão.” (Isaías 3:25, 26) Os homens de Jerusalém, até mesmo seus poderosos, seriam mortos em batalha. A cidade seria nivelada. Para ‘as suas entradas’ seria um tempo de “luto e [de] expressar tristeza”. Jerusalém seria “esvaziada” e desolada.
24. A perda de homens pela espada teria que consequências drásticas para as mulheres de Jerusalém?
24 A perda de homens pela espada teria consequências drásticas para as mulheres de Jerusalém. Concluindo essa parte de seu livro profético, Isaías prediz: “Sete mulheres segurarão realmente um só homem, naquele dia, dizendo: ‘Comeremos o nosso próprio pão e vestiremos as nossas próprias capas; apenas sejamos chamadas pelo teu nome, para tirar o nosso vitupério.’” (Isaías 4:1) A falta de homens elegíveis para o casamento se tornaria tão grave que várias mulheres se juntariam a um homem a fim de serem chamadas pelo nome dele — isto é, para serem reconhecidas publicamente como suas esposas — e assim ficarem livres do vitupério de não ter marido. A Lei mosaica exigia que o marido provesse à esposa o sustento e a roupa. (Êxodo 21:10) Contudo, por concordarem em ‘comer o seu próprio pão e usar as suas próprias roupas’, essas mulheres estariam dispostas a desobrigar o homem de seus deveres legais. Que situação desesperadora para as outrora soberbas “filhas de Sião”!
25. O que está reservado para os altivos?
25 Jeová humilha os altivos. Em 607 AEC ele realmente ‘encurvou’ a soberba de seu povo escolhido e ‘rebaixou’ o seu “enaltecimento”. Que os cristãos verdadeiros jamais se esqueçam de que ‘Deus se opõe aos soberbos, mas dá benignidade imerecida aos humildes’! — Tiago 4:6.
[Foto na página 50]
Ídolos, riquezas e bravura militar não salvaram Jerusalém no dia da execução do julgamento de Jeová
[Foto na página 55]
No “dia de Jeová” o império mundial da religião falsa será devastado
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Jeová Deus tem misericórdia de um restanteProfecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Seis
Jeová Deus tem misericórdia de um restante
1, 2. O que o profeta Isaías predisse a respeito de Judá e Jerusalém?
UMA violenta tempestade se abate sobre uma região densamente povoada. Ventos fortes, chuvas torrenciais e enxurradas deixam um enorme rastro de destruição no país, demolindo casas, danificando plantações e ceifando vidas. Mas a tempestade logo passa, seguida de uma calmaria. Para os sobreviventes, é tempo de restauração e reconstrução.
2 O profeta Isaías predisse algo similar a respeito de Judá e Jerusalém. As nuvens de tempestade do julgamento divino se aproximavam perigosamente — e com boa razão! A culpa daquela nação era grande. Tanto os governantes como o povo haviam enchido o país de injustiça e derramamento de sangue. Por meio de Isaías, Jeová expôs a culpa de Judá e alertou que executaria a sentença contra aquela nação delinquente. (Isaías 3:25) A terra de Judá ficaria completamente desolada na esteira dessa tempestade. Essa perspectiva certamente entristecia Isaías.
3. Que boas novas contém a mensagem inspirada em Isaías 4:2-6?
3 Mas havia boas novas! A tempestade do julgamento justo de Jeová passaria, e um restante sobreviveria. Sim, o julgamento de Jeová contra Judá seria temperado com misericórdia! A mensagem inspirada de Isaías, registrada em Isaías 4:2-6, antevia esse tempo abençoado. Assim como quando o sol rompe por entre as nuvens, a cena muda de vistas e sons de julgamento — descritos em Isaías 2:6–4:1 — para uma terra e um povo belamente renovados.
4. Que razões temos para considerar a profecia de Isaías a respeito da restauração de um restante?
4 A profecia de Isaías sobre a restauração de um restante e sua subsequente segurança também se cumpre em nosso tempo — a “parte final dos dias”. (Isaías 2:2-4) Consideremos essa mensagem oportuna, pois ela não só tem significado profético, mas também nos ensina a respeito da misericórdia de Jeová e como nós, individualmente, podemos nos beneficiar dela.
‘O broto de Jeová’
5, 6. (a) Como Isaías descreve o período tranquilo que se seguiria à tempestade? (b) O que significa o termo “broto”, e o que indica isso a respeito da terra de Judá?
5 O tom de Isaías se torna caloroso, ao passo que ele olha além da vindoura tempestade para um período mais tranquilo. Ele escreve: “Naquele dia, aquilo que Jeová fará brotar [“o broto (o que brota) de Jeová”] virá a ser para ornato e para glória, e os frutos da terra serão algo de que se orgulhar e algo belo para os de Israel que escaparam.” — Isaías 4:2, nota.
6 Isaías fala aqui de restauração. O substantivo hebraico traduzido por “broto” refere-se ‘ao que surge, um rebento, um ramo’. É ligado à prosperidade, a aumento e a bênçãos da parte de Jeová. De modo que Isaías pinta um quadro de esperança — a vindoura desolação não duraria para sempre. Com as bênçãos de Jeová, a outrora próspera terra de Judá voltaria a produzir muitos frutos.a — Levítico 26:3-5.
7. Em que sentido o broto de Jeová seria para “ornato e para glória”?
7 Isaías usou termos vívidos para descrever a grandeza da transformação que viria. O broto de Jeová viria “a ser para ornato e para glória”. A palavra “ornato” evoca a beleza da Terra Prometida quando Jeová a deu a Israel, séculos antes. Era tão bela que era considerada “o ornato [“joia”, Bíblia Vozes] de todas as terras”. (Ezequiel 20:6) Assim, as palavras de Isaías garantiam ao povo que a terra de Judá recuperaria a sua anterior glória e beleza. De fato, seria como uma sublime joia na Terra.
8. Quem estaria ali para usufruir a restaurada beleza da terra, e como Isaías descreve os sentimentos deles?
8 Mas quem estaria ali para usufruir a restaurada beleza da terra? “Os de Israel que escaparam”, escreveu Isaías. Sim, alguns sobreviveriam à humilhante destruição predita. (Isaías 3:25, 26) Um restante dos sobreviventes retornaria a Judá e participaria na sua restauração. Para esses que regressavam — “os que escaparam” — o farto produto de sua terra restaurada tornar-se-ia “algo de que se orgulhar e algo belo”. (Isaías 4:2; nota) A humilhação da desolação daria lugar a um renovado sentimento de orgulho.
9. (a) Cumprindo as palavras de Isaías, o que aconteceu em 537 AEC? (b) Por que se pode dizer que “os que escaparam” incluíam alguns que haviam nascido no exílio? (Veja nota de rodapé.)
9 Fiel às palavras de Isaías, a tempestade da execução do julgamento veio em 607 AEC, quando os babilônios destruíram Jerusalém e muitos israelitas morreram. Alguns sobreviveram e foram levados ao exílio em Babilônia, mas, se não fosse pela misericórdia de Deus, não teria havido sobrevivente algum. (Neemias 9:31) Por fim, Judá ficou totalmente desolada. (2 Crônicas 36:17-21) Daí, em 537 AEC, o Deus de misericórdia permitiu que “os que escaparam” retornassem a Judá a fim de restaurar a adoração verdadeira.b (Esdras 1:1-4; 2:1) O arrependimento sincero desses exilados que regressaram é belamente expresso no Salmo 137, provavelmente escrito durante o cativeiro, ou pouco depois. De volta a Judá, eles lavraram o solo e semearam. Imagine como se sentiram ao ver que Deus abençoava seus esforços, fazendo a terra brotar como o frutífero “jardim do Éden”! — Ezequiel 36:34-36.
10, 11. (a) Em que sentido os Estudantes da Bíblia se tornaram cativos de “Babilônia, a Grande”, no início do século 20? (b) Como Jeová abençoou o restante dos israelitas espirituais?
10 Uma restauração similar ocorreu em nossos dias. No início do século 20, os Estudantes da Bíblia (como então se chamavam as Testemunhas de Jeová) vieram a estar cativos, em sentido espiritual, à “Babilônia, a Grande”, o império mundial da religião falsa. (Revelação [Apocalipse] 17:5) Embora já tivessem rejeitado muitos ensinos religiosos falsos, os Estudantes da Bíblia ainda estavam manchados de certos conceitos e costumes babilônicos. Em resultado da oposição instigada pelos clérigos, alguns deles foram literalmente presos. A sua terra espiritual — seu domínio religioso, ou espiritual, — ficou desolado.
11 No entanto, na primavera de 1919, Jeová teve misericórdia desse restante de israelitas espirituais. (Gálatas 6:16) Ele viu seu arrependimento e desejo de adorá-lo em verdade, de modo que os libertou da prisão literal e, mais importante ainda, do cativeiro espiritual. Esses “que escaparam” foram levados de volta ao seu domínio espiritual dado por Deus, que ele fez “brotar” fartamente. A aparência desse domínio espiritual é convidativa e atraente, levando milhões de outras pessoas tementes a Deus a se juntarem ao restante na adoração verdadeira.
12. De que modo as palavras de Isaías magnificam a misericórdia de Jeová para com seu povo?
12 As palavras de Isaías aqui magnificam a misericórdia de Deus para com seu povo. Embora os israelitas como nação tivessem se voltado contra Jeová, ele teve misericórdia de um restante arrependido. Podemos derivar consolo de saber que mesmo aqueles que erram seriamente podem retornar a Jeová com esperança. Os arrependidos não precisam pensar que estão fora do alcance da misericórdia de Jeová, pois ele não rejeita um coração contrito. (Salmo 51:17) A Bíblia garante: “Jeová é misericordioso e clemente, vagaroso em irar-se e abundante em benevolência. Assim como o pai é misericordioso para com os seus filhos, Jeová tem sido misericordioso para com os que o temem.” (Salmo 103:8, 13) Certamente, tal Deus misericordioso merece todo nosso louvor!
Um restante torna-se santo para Jeová
13. Conforme registrado em Isaías 4:3, como Isaías descreve o restante a quem Jeová mostraria misericórdia?
13 Já nos foi falado do restante a quem Jeová mostraria misericórdia, mas agora Isaías os descreve com mais detalhes. Ele escreve: “Terá de acontecer que se dirá dos que restam em Sião e dos que sobram em Jerusalém que são santos para ele, cada um inscrito em Jerusalém para a vida.” — Isaías 4:3.
14. Quem são ‘os que restam’ e ‘os que sobram’, e por que Jeová teria misericórdia deles?
14 Quem são ‘os que restam’ e ‘os que sobram’? Esses são “os que escaparam”, mencionados no versículo anterior — os exilados judeus que teriam permissão de retornar a Judá. Isaías mostrou a seguir por que Jeová teria misericórdia deles — era porque eles seriam “santos para ele”. Santidade significa “limpeza ou pureza religiosa; a qualidade de sagrado”. Ser santo envolve ser limpo, ou puro, em palavra e em ação, ajustar-se ao padrão de Jeová do que é direito e correto. Sim, Jeová teria misericórdia dos que eram “santos para ele” e lhes permitiria voltar para “a cidade santa”, Jerusalém. — Neemias 11:1.
15. (a) A expressão ‘inscritos em Jerusalém para a vida’ nos lembra de que costume judaico? (b) Que solene aviso havia por trás das palavras de Isaías?
15 Será que esse fiel restante permaneceria ali? Eles seriam ‘inscritos em Jerusalém para a vida’, promete Isaías. Isso nos faz lembrar do costume judaico de manter registros meticulosos das famílias e das tribos de Israel. (Neemias 7:5) Estar inscrito num registro significava estar vivo, pois quando a pessoa morria, seu nome era removido. Em outras partes da Bíblia lemos a respeito de um registro (ou livro) figurativo que contém os nomes daqueles a quem Jeová recompensa com a vida. Mas a inscrição de nomes nesse livro é condicional, pois Jeová pode ‘extinguir’ nomes. (Êxodo 32:32, 33; Salmo 69:28) Assim, havia por trás das palavras de Isaías um solene aviso — os que regressavam poderiam continuar vivos na sua terra restaurada apenas se permanecessem santos à vista de Deus.
16. (a) O que Jeová exigiu dos a quem ele permitiu retornar a Judá em 537 AEC? (b) Por que se pode dizer que a misericórdia de Jeová para com o restante ungido e as “outras ovelhas” não tem sido em vão?
16 Em 537 AEC, o restante que retornou a Jerusalém fez isso com motivação pura — restaurar a adoração verdadeira. Ninguém que estivesse contaminado pelas práticas religiosas pagãs, ou pela conduta impura contra a qual Isaías tão veementemente havia alertado, teve o direito de retornar. (Isaías 1:15-17) Apenas aqueles a quem Jeová encarava como santos puderam retornar a Judá. (Isaías 35:8) Similarmente, desde a sua libertação do cativeiro espiritual em 1919, os do restante ungido, ao qual se juntaram agora milhões de “outras ovelhas” — que são os que têm a esperança de vida eterna na Terra — têm feito todo o possível para serem santos à vista de Deus. (João 10:16) Livraram-se de ensinos e de práticas babilônicas. Individualmente, empenham-se em apegar-se às elevadas normas de moral de Deus. (1 Pedro 1:14-16) A misericórdia de Jeová para com eles não tem sido em vão.
17. Os nomes de quem Jeová escreve no seu “livro da vida”, e o que devemos estar decididos a fazer?
17 Lembre-se de que Jeová observou os “santos” em Israel e que ‘inscreveu seus nomes para a vida’. Hoje, também, Jeová observa os nossos esforços para sermos mental e fisicamente limpos ao ‘apresentarmos os nossos corpos como sacrifício vivo, santo e aceitável a Deus’. (Romanos 12:1) E todos os que seguem esse proceder na vida são registrados por Deus no seu “livro da vida” — o registro figurativo dos nomes dos que se habilitam para receber a vida eterna, seja no céu, seja na Terra. (Filipenses 4:3; Malaquias 3:16) Portanto, façamos o máximo para permanecermos santos aos olhos de Deus, pois assim poderemos manter nosso nome nesse precioso “livro”. — Revelação 3:5.
Promessa de ternos cuidados
18, 19. Segundo Isaías 4:4, 5, que limpeza seria efetuada por Jeová, e como seria realizada?
18 A seguir, Isaías mostra como os habitantes da terra restaurada se tornariam santos e que bênçãos os aguardavam. Ele diz: “Quando Jeová tiver lavado o excremento das filhas de Sião, e ele eliminar de enxaguadura até mesmo o derramamento de sangue de Jerusalém, de dentro dela, pelo espírito de julgamento e pelo espírito de queima, então Jeová criará certamente, sobre todo lugar estabelecido do Monte Sião e sobre seu lugar de congresso, uma nuvem, de dia, e fumaça e o clarão de um fogo chamejante, de noite; porque por cima de toda a glória haverá um abrigo.” — Isaías 4:4, 5.
19 Isaías já havia repreendido “as filhas de Sião”, cuja corrupção moral se ocultava debaixo de seus ostensivos enfeites. Ele expôs também a culpa de sangue das pessoas em geral, instando-as a se ‘lavarem’. (Isaías 1:15, 16; 3:16-23) Aqui, porém, ele antevê o tempo em que o próprio Deus terá “lavado o excremento”, ou sujeira moral, e ‘lavado as manchas de sangue’. (Isaías 4:4, Missionários Capuchinhos) Como se faria essa limpeza? Pelo “espírito de julgamento” e pelo “espírito de queima”. A vindoura destruição de Jerusalém e o exílio em Babilônia seriam expressões tempestuosas do julgamento e da ira ardente de Deus contra uma nação impura. Os do restante que sobrevivessem a essas calamidades e retornassem a sua terra teriam aprendido a humildade e teriam sido refinados. É por isso que seriam santos para Jeová e receberiam misericórdia. — Note Malaquias 3:2, 3.
20. (a) O que fazem lembrar as expressões “uma nuvem”, “fumaça” e “fogo chamejante”? (b) Por que os purificados exilados não tinham o que temer?
20 Jeová, por meio de Isaías, prometeu que cuidaria ternamente desse restante purificado. As expressões “uma nuvem”, “fumaça” e “fogo chamejante” fazem lembrar como Jeová cuidou dos israelitas depois que saíram do Egito. Uma “coluna de fogo e de nuvem” protegeu-os dos perseguidores egípcios e também os guiou no deserto. (Êxodo 13:21, 22; 14:19, 20, 24) Quando Jeová se manifestou no monte Sinai, o monte inteiro “fumegava”. (Êxodo 19:18) Portanto, os purificados exilados não tinham o que temer. Jeová seria seu Protetor. Estaria com eles quer se reunissem em suas próprias casas, quer em santos congressos.
21, 22. (a) Com que objetivo muitas vezes se construía uma barraca ou um abrigo? (b) Que perspectiva se apresentava ao purificado restante?
21 Isaías conclui a sua descrição da proteção divina focalizando a vida cotidiana. Ele escreve: “Virá a haver uma barraca para sombra de dia, do calor seco, e para refúgio e para esconderijo contra o temporal e contra a chuva.” (Isaías 4:6) Era comum construir uma barraca, ou abrigo, no vinhedo, ou numa outra plantação, para a muito necessária proteção contra o sol causticante da estação seca e contra o frio e as tempestades da estação chuvosa. — Note Jonas 4:5.
22 Diante do calor abrasador da perseguição e das tempestades da oposição, os membros do purificado restante teriam a Jeová como Fonte de proteção, segurança e refúgio. (Salmo 91:1, 2; 121:5) Tinham assim uma bela perspectiva: se abandonassem as crenças e as práticas impuras de Babilônia, se eles se submetessem ao julgamento purificador de Jeová e se empenhassem em permanecer santos, continuariam seguros, como numa “barraca” de proteção divina.
23. Por que Jeová tem abençoado o restante ungido e seus companheiros?
23 Note que primeiro vem a purificação, depois as bênçãos. Tem sido assim nos nossos dias. Em 1919, o restante ungido humildemente deixou-se refinar e Jeová ‘lavou’ suas impurezas. Desde então, uma “grande multidão” de outras ovelhas também tem se deixado purificar por Jeová. (Revelação 7:9) Assim purificados, o restante e seus companheiros têm sido abençoados — Jeová os tem colocado sob a Sua proteção. Ele não evita milagrosamente o calor de perseguição ou as tempestades de oposição contra eles. Mas ele os protege, sim, como que erigindo sobre eles ‘uma barraca para sombra e para esconderijo contra o temporal’. Como?
24. Por que é evidente que Jeová tem abençoado seu povo como organização?
24 Considere: alguns dos mais poderosos governos da História baniram a obra de pregação das Testemunhas de Jeová, ou tentaram eliminá-las completamente. No entanto, as Testemunhas de Jeová têm se mantido firmes e têm continuado a pregar sem cessar! Por que nações poderosas têm sido incapazes de parar a atividade desse relativamente pequeno e aparentemente indefeso grupo de pessoas? Porque Jeová tem colocado seus servos purificados numa “barraca” protetora que humano algum pode derrubar!
25. O que significa para nós como indivíduos ter a Jeová como Protetor?
25 E nós, como indivíduos? Ter a Jeová como Protetor não significa que tenhamos uma vida sem problemas no mundo atual. Muitos cristãos fiéis enfrentam severas adversidades, como pobreza, desastres naturais, guerras, doença e morte. Ao enfrentarmos tais aflições, jamais nos esqueçamos de que nosso Deus está conosco. Ele nos protege espiritualmente, suprindo o que necessitamos — até mesmo “poder além do normal” — para suportarmos fielmente as provações. (2 Coríntios 4:7) Seguros na Sua presença, não precisamos temer. Afinal, enquanto fizermos o nosso melhor para nos manter santos à Sua vista, nada “será capaz de nos separar do amor de Deus”. — Romanos 8:38, 39.
[Nota(s) de rodapé]
a Alguns eruditos sugerem que a expressão ‘broto de Jeová’ seja uma alusão ao Messias, que só surgiria depois da restauração de Jerusalém. Nos Targuns Aramaicos, a paráfrase dessa expressão reza: “O Messias [Cristo] de Jeová.” Curiosamente, o mesmo substantivo hebraico (tsé·mahh) é mais tarde usado por Jeremias quando ele fala do Messias como “renovo justo” suscitado a Davi. — Jeremias 23:5; 33:15.
b Entre “os que escaparam” havia alguns que haviam nascido no exílio. Podia-se dizer que “escaparam”, pois jamais teriam nascido se seus ancestrais não tivessem sobrevivido à destruição. — Esdras 9:13-15; note Hebreus 7:9, 10.
[Foto na página 63]
Uma tempestade de julgamento divino se formava sobre Judá
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Ai do vinhedo infiel!Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Sete
Ai do vinhedo infiel!
1, 2. O que o “amado” plantou, mas por que isso foi desapontador?
“POR sua primorosa beleza de linguagem e superlativo poder de comunicação, essa parábola é praticamente sem igual.” Assim disse um comentarista bíblico a respeito dos primeiros versículos de Isaías, capítulo 5. Mais do que mera obra de arte, as palavras de Isaías pintam um quadro tocante do desvelo de Jeová para com seu povo. Ao mesmo tempo, essas palavras nos alertam contra coisas que o desagradam.
2 A parábola de Isaías começa assim: “Por favor, cante eu ao meu amado uma canção de meu amado a respeito de seu vinhedo. Havia um vinhedo que meu amado veio a ter numa ladeira fértil. E ele passou a arroteá-lo e a livrá-lo de pedras, e passou a plantar nele uma videira seleta de casta tinta, e a construir uma torre no meio dele. E havia também um lagar que ele escavara. E esperava que produzisse uvas, mas produziu aos poucos uvas bravas.” — Isaías 5:1, 2; note Marcos 12:1.
Os cuidados com o vinhedo
3, 4. Que cuidados especiais foram dispensados ao vinhedo?
3 Quer Isaías tenha literalmente cantado essa parábola a seus ouvintes, quer não, ela certamente captou a atenção deles. A maioria provavelmente conhecia o serviço de plantar um vinhedo, e a descrição de Isaías é vívida e realística. Como os atuais viticultores, o dono do vinhedo não plantou sementes de uva, mas sim uma “seleta”, ou primorosa, ‘videira de casta tinta’ — uma muda, ou broto, de outra videira. Apropriadamente, ele plantou esse vinhedo “numa ladeira fértil”, um lugar em que o vinhedo vicejaria.
4 É trabalhoso fazer um vinhedo produzir. Isaías diz que o dono ‘arroteou o terreno e o livrou de pedras’ — um serviço tedioso e cansativo! Provavelmente ele usou as pedras maiores para “construir uma torre”. Nos tempos antigos tais torres serviam de postos para vigias que guardavam as plantações contra ladrões e animais.a Ele construiu também um muro de retenção, de pedras, para os terraços do vinhedo. (Isaías 5:5) Fazia-se isso em geral para evitar a erosão da vital camada de solo produtivo.
5. O que o dono tinha o direito de esperar de seu vinhedo, mas o que conseguiu?
5 Tendo trabalhado tão arduamente para proteger seu vinhedo, o dono tinha todo o direito de esperar que ele produzisse frutos. Prevendo isso, ele escavou um lagar. Mas houve mesmo a esperada colheita? Não, o vinhedo produziu uvas bravas.
O vinhedo e seu dono
6, 7. (a) Quem é o dono do vinhedo, e o que é o vinhedo? (b) Que julgamento o dono solicita?
6 Quem é o dono, e o que é o vinhedo? O dono do vinhedo indica as respostas a essas perguntas quando ele mesmo diz: “Agora, ó habitantes de Jerusalém e homens de Judá, por favor, julgai entre mim e meu vinhedo. Que se pode ainda fazer por meu vinhedo que eu já não tenha feito nele? Por que é que esperei que produzisse uvas, mas ele produziu aos poucos uvas bravas? E agora, por favor, faça-vos eu saber o que estou fazendo ao meu vinhedo: Haverá a remoção de sua sebe e terá de destinar-se à queima. Terá de haver uma derrocada de seu muro de pedras, e terá de tornar-se um lugar pisado.” — Isaías 5:3-5.
7 Sim, Jeová é o dono do vinhedo, e ele como que se colocou num tribunal, solicitando julgamento entre ele e seu desapontador vinhedo. O que, então, é o vinhedo? O dono explica: “O vinhedo de Jeová dos exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a plantação de que gostava.” — Isaías 5:7a.
8. O que é significativo a respeito de Isaías chamar Jeová de “meu amado”?
8 Isaías chama Jeová, o dono do vinhedo, de “meu amado”. (Isaías 5:1) Isaías podia referir-se a Deus com tal intimidade apenas porque tinha uma estreita relação com Ele. (Note Jó 29:4; Salmo 25:14.) Contudo, o amor do profeta por Deus não era nada em comparação com o amor que Deus havia demonstrado pelo seu “vinhedo” — a nação que ele ‘plantou’. — Note Êxodo 15:17; Salmo 80:8, 9.
9. Em que sentido Jeová tratou a sua nação como um valioso vinhedo?
9 Jeová “plantou” a sua nação na terra de Canaã e forneceu-lhe leis e regulamentos que serviram como muro de proteção contra a corrupção por parte de outras nações. (Êxodo 19:5, 6; Salmo 147:19, 20; Efésios 2:14) Ademais, Jeová cuidou de que a nação tivesse juízes, sacerdotes e profetas para instruí-la. (2 Reis 17:13; Malaquias 2:7; Atos 13:20) Quando Israel sofria ameaças de agressão militar, Jeová providenciava quem os livrasse. (Hebreus 11:32, 33) Com razão, Jeová perguntou: “Que se pode ainda fazer por meu vinhedo que eu já não tenha feito nele?”
Quem é hoje o vinhedo de Deus?
10. Que parábola envolvendo um vinhedo contou Jesus?
10 É possível que Jesus pensasse nas palavras de Isaías quando contou a parábola dos lavradores assassinos: “Havia um homem, dono de casa, que plantou um vinhedo e pôs uma cerca em volta dele, e escavou um lagar, e erigiu uma torre, e o arrendou a lavradores, e foi viajar para fora.” Infelizmente, os lavradores traíram o dono do vinhedo, até mesmo matando o filho dele. Jesus passou a mostrar que essa parábola envolvia mais do que apenas o Israel natural, dizendo: “O reino de Deus vos será tirado [do Israel carnal] e será dado a uma nação que produza os seus frutos.” — Mateus 21:33-41, 43.
11. Que vinhedo espiritual existia no primeiro século, mas o que aconteceu depois da morte dos apóstolos?
11 Essa nova “nação” mostrou ser “o Israel de Deus” — uma nação espiritual de cristãos ungidos totalizando 144 mil. (Gálatas 6:16; 1 Pedro 2:9, 10; Revelação [Apocalipse] 7:3, 4) Jesus comparou esses discípulos a “ramos” da “verdadeira videira”, a saber, ele mesmo. Naturalmente, espera-se que esses ramos produzam frutos. (João 15:1-5) Precisam manifestar qualidades cristãs e participar na pregação das “boas novas do Reino”. (Mateus 24:14; Gálatas 5:22, 23) Mas, desde a morte dos doze apóstolos, a grande maioria dos que afirmam ser ramos da “verdadeira videira” têm se mostrado falsos — produzindo uvas bravas em vez de frutos bons. — Mateus 13:24-30, 38, 39.
12. Em que sentido as palavras de Isaías condenam a cristandade, e que lição contêm para os cristãos verdadeiros?
12 Por conseguinte, a condenação de Judá por Isaías aplica-se hoje à cristandade. Um estudo de sua história — suas guerras, suas cruzadas, suas inquisições — revela quão amargos têm sido seus frutos! No entanto, o verdadeiro vinhedo, composto de cristãos ungidos e da “grande multidão” de companheiros deles, tem de acatar as palavras de Isaías. (Revelação 7:9) Se hão de agradar ao dono do vinhedo, eles precisam, individual e coletivamente, produzir frutos que o agradem.
“Uvas bravas”
13. O que Jeová faria com seu vinhedo visto que produzia maus frutos?
13 Tendo tomado medidas extraordinárias para proteger e cultivar seu vinhedo, Jeová podia de direito esperar que ele se tornasse “uma vinha de vinho espumante”. (Isaías 27:2) No entanto, em vez de produzir frutos bons, o vinhedo produziu “uvas bravas”, literalmente “coisas malcheirosas” ou “frutinhas fétidas (podres)”. (Isaías 5:2; nota; Jeremias 2:21) Por conseguinte, Jeová declarou que removeria a “sebe” que protegia a nação. A nação ficaria “qual coisa destruída” e sofreria abandono e seca. (Leia Isaías 5:6.) Moisés havia alertado que eles sofreriam tais coisas se desobedecessem à Lei de Deus. — Deuteronômio 11:17; 28:63, 64; 29:22, 23.
14. Que frutos Jeová esperava de sua nação, mas, em vez disso, o que ela produzia?
14 Deus esperava que a nação produzisse bons frutos. Miqueias, contemporâneo de Isaías, declarou: “O que é que Jeová pede de volta de ti senão que exerças a justiça, e ames a benignidade, e andes modestamente com o teu Deus?” (Miqueias 6:8; Zacarias 7:9) Mas a nação não atendia à exortação de Jeová. “[Deus] ficou esperando o julgamento, mas eis a violação da lei! A justiça, mas eis um clamor!” (Isaías 5:7b) Moisés predissera que a nação infiel produziria uvas venenosas da “videira de Sodoma”. (Deuteronômio 32:32) Assim, é provável que a imoralidade sexual, incluindo o homossexualismo, fizesse parte do desvio da Lei de Deus por parte da nação. (Levítico 18:22) A expressão “violação da lei” pode também ser traduzida por “derramamento de sangue”. Esse tratamento brutal sem dúvida resultou em “clamor” dos que eram maltratados — clamor que chegou aos ouvidos do Plantador do vinhedo. — Note Jó 34:28.
15, 16. Como podem os cristãos verdadeiros evitar produzir os maus frutos que Israel produzia?
15 Jeová Deus ‘ama a justiça e a retidão’. (Salmo 33:5) Ele ordenou aos judeus: “Não deveis fazer injustiça no julgamento. Não deves tratar com parcialidade ao de condição humilde e não deves dar preferência à pessoa do grande. Com justiça deves julgar o teu colega.” (Levítico 19:15) Portanto, temos de evitar a parcialidade nos nossos tratos uns com os outros, jamais permitindo que coisas como raça, idade, riqueza ou pobreza influenciem o julgamento que fazemos das pessoas. (Tiago 2:1-4) É especialmente importante que os que exercem supervisão ‘não façam nada por parcialidade’, sempre ouvindo ambos os lados de um assunto antes de julgar. — 1 Timóteo 5:21; Provérbios 18:13.
16 Além do mais, seria fácil que cristãos vivendo num mundo anárquico desenvolvessem uma atitude negativa ou rebelde para com as normas divinas. Mas os cristãos verdadeiros precisam estar ‘prontos para obedecer’ às leis de Deus. (Tiago 3:17) Apesar da imoralidade sexual e violência do “atual iníquo sistema”, precisam ‘manter estrita vigilância para não andarem como néscios, mas como sábios’. (Gálatas 1:4; Efésios 5:15) Desejam evitar conceitos permissivos sobre sexo e, em caso de desacordos, devem resolvê-los sem ‘ira, furor, brado e linguagem ultrajante’. (Efésios 4:31) Por cultivarem a justiça, os cristãos verdadeiros trazem honra para Deus e ganham o seu favor.
O preço da ganância
17. Que conduta perversa se condena no primeiro “ai” de Isaías?
17 No versículo 8 de Is 5, Isaías não mais cita as palavras de Jeová. Condenando algumas das “uvas bravas” produzidas em Judá, ele proclama pessoalmente o primeiro de seis “ais”: “Ai dos que juntam casa a casa, e dos que anexam campo a campo, até não haver mais espaço e se ter feito que vós moreis sozinhos no meio da terra! Aos meus ouvidos, Jeová dos exércitos jurou que muitas casas, embora grandes e boas, tornar-se-ão francamente um assombro, sem habitante. Pois, mesmo dez jeiras de vinhedo produzirão apenas a medida de um bato, e mesmo um ômer de semente produzirá apenas a medida de um efa.” — Isaías 5:8-10.
18, 19. Como os contemporâneos de Isaías violavam as leis de Deus sobre propriedade, e que consequências sofreriam?
18 No Israel antigo, o derradeiro dono de todas as terras era Jeová. Toda família tinha uma herança recebida de Deus, que podia alugar ou arrendar, mas jamais vender “em perpetuidade”. (Levítico 25:23) Essa lei coibia abusos, como monopólios imobiliários. Também evitava que as famílias caíssem na miséria absoluta. Alguns em Judá, contudo, gananciosamente violavam as leis de Deus sobre propriedade. Miqueias escreveu: “Desejaram campos e os arrebataram; também casas, e as tomaram; e defraudaram o varão vigoroso e os da sua casa, o homem e sua propriedade hereditária.” (Miqueias 2:2) Mas Provérbios 20:21 alerta: “Uma herança, no princípio, é obtida com avidez, mas o seu próprio futuro não será abençoado.”
19 Jeová prometeu despojar esses gananciosos de seus ganhos ilícitos. As casas que extorquiram ficariam “sem habitante”. As terras que cobiçaram produziriam uma mera fração de sua capacidade. Não se diz exatamente como e quando se cumpriria essa maldição. Provavelmente se refere, pelo menos em parte, às condições que seriam causadas pelo então futuro exílio babilônico. — Isaías 27:10.
20. Como podem os cristãos hoje evitar a atitude gananciosa que alguns demonstravam em Israel?
20 Os cristãos hoje precisam repudiar a ganância insaciável, como a que demonstravam alguns israelitas naquele tempo. (Provérbios 27:20) Quando os bens materiais assumem uma importância exagerada, é fácil condescender a meios inescrupulosos de ganhar dinheiro. A pessoa poderia facilmente enlaçar-se em negócios escusos ou em esquemas irrealistas de enriquecimento rápido. “Aquele que se precipita para enriquecer não ficará inocente.” (Provérbios 28:20) Como é importante, então, estar contente com o que temos! — 1 Timóteo 6:8.
O laço da diversão questionável
21. Que pecados são condenados no segundo “ai” de Isaías?
21 A seguir vem o segundo “ai” de Isaías: “Ai dos que se levantam de manhã cedo somente à procura de bebida inebriante, que ficam até tarde no crepúsculo vespertino, de modo que o próprio vinho os inflama! E terá de mostrar-se haver harpa e instrumento de cordas, pandeiro e flauta, bem como vinho nos seus banquetes; mas eles não olham para a atividade de Jeová e não viram o trabalho das suas mãos.” — Isaías 5:11, 12.
22. Que falta de comedimento havia em Israel, e qual seria o resultado para a nação?
22 Jeová é o “Deus feliz” e ele não priva seus servos de uma recreação razoável. (1 Timóteo 1:11) Mas esses amantes de prazeres passavam de todos os limites! “Os que ficam embriagados usualmente estão embriagados de noite”, diz a Bíblia. (1 Tessalonicenses 5:7) Mas os farristas dessa profecia começavam suas bebedeiras de manhã cedo e iam até de noite! Comportavam-se como se Deus não existisse, como se ele não os considerasse responsáveis por suas ações. Isaías predisse um futuro sombrio para tais pessoas. “Meu povo terá de ir ao exílio por falta de conhecimento; e sua glória serão homens famintos e sua massa de gente ficará ressequida de sede.” (Isaías 5:13) Por se recusarem a agir segundo o conhecimento verdadeiro, o povo pactuado de Deus — os altos e os rebaixados — desceria ao Seol. — Leia Isaías 5:14-17.
23, 24. Que refreio e moderação devem os cristãos mostrar?
23 “Festanças”, ou “festas desregradas”, também eram um problema entre alguns cristãos no primeiro século. (Gálatas 5:21; Byington; 2 Pedro 2:13) Assim, não é de admirar que alguns cristãos dedicados hoje demonstrem mau critério quanto a reuniões sociais. O uso irrestrito de bebidas alcoólicas têm levado alguns a se comportarem de modo ruidoso e turbulento. (Provérbios 20:1) Alguns até tiveram um comportamento imoral sob a influência do álcool, e houve reuniões sociais que duraram quase a noite inteira, prejudicando as atividades cristãs no dia seguinte.
24 Cristãos equilibrados, porém, produzem frutos piedosos e são moderados na escolha de recreação. Eles acatam o conselho de Paulo em Romanos 13:13: “Andemos decentemente, como em pleno dia, não em festanças e em bebedeiras.”
Odiar o pecado e amar a verdade
25, 26. Que raciocínio perverso por parte dos israelitas Isaías expõe em seu terceiro e quarto “ais”?
25 Ouça agora o terceiro e o quarto “ais” de Isaías: “Ai dos que puxam o erro com cordas de inveracidade, e o pecado como que com cordas de carroça; os que dizem: ‘Acelere-se o seu trabalho; que venha depressa, a fim de que o vejamos; e chegue-se e venha o conselho do Santo de Israel, para que o conheçamos!’ Ai dos que dizem que o bom é mau e que o mau é bom, os que põem a escuridão por luz e a luz por escuridão, os que colocam o amargo pelo doce e o doce pelo amargo!” — Isaías 5:18-20.
26 Que descrição vívida dos praticantes de pecado! Eles estão atrelados ao pecado assim como animais de tração estão atrelados a carroças. Esses pecadores não temem nenhum dia vindouro de julgamento. Eles dizem, zombando: “Que venha depressa [o trabalho de Deus]!” Em vez de se submeterem à Lei de Deus, eles torcem as coisas, dizendo que “o bom é mau e que o mau é bom”. — Note Jeremias 6:15; 2 Pedro 3:3-7.
27. Como podem os cristãos hoje evitar uma atitude semelhante à dos israelitas?
27 Os cristãos hoje têm de evitar essa atitude a todo custo. Por exemplo, eles não abraçam o conceito do mundo de que a fornicação e o homossexualismo sejam aceitáveis. (Efésios 4:18, 19) Pode acontecer que um cristão dê “um passo em falso” que poderia levá-lo a cometer um pecado sério, é verdade. (Gálatas 6:1) Os anciãos na congregação estão prontos para ajudar os que caíram e precisam de ajuda. (Tiago 5:14, 15) Com a ajuda de orações e de conselhos bíblicos, a recuperação espiritual é possível. Caso contrário, há o perigo de tornar-se “escravo do pecado”. (João 8:34) Em vez de zombar de Deus e perder de vista o vindouro dia de julgamento, os cristãos esforçam-se em permanecer “sem mancha nem mácula” perante Jeová. — 2 Pedro 3:14; Gálatas 6:7, 8.
28. Que pecados são condenados nos “ais” finais de Isaías, e como podem os cristãos hoje evitar tais pecados?
28 Apropriadamente, Isaías acrescenta estes “ais” finais: “Ai dos que são sábios aos seus próprios olhos e discretos mesmo diante das suas próprias faces! Ai dos que são poderosos em beber vinho e dos homens de energia vital para misturar bebida inebriante, os que declaram justo ao iníquo em troca de suborno e que até mesmo ao justo tiram a sua justiça!” (Isaías 5:21-23) Essas palavras evidentemente foram dirigidas aos que serviam como juízes na terra. Os anciãos congregacionais hoje evitam parecer “sábios aos seus próprios olhos”. Humildemente aceitam as sugestões de outros anciãos e aderem estritamente às instruções organizacionais. (Provérbios 1:5; 1 Coríntios 14:33) Tomam bebidas alcoólicas com moderação, e jamais as tomam antes de cuidar de deveres congregacionais. (Oseias 4:11) Os anciãos evitam também dar a impressão de favoritismo. (Tiago 2:9) Como são diferentes dos clérigos da cristandade! Muitos deles encobrem os pecados dos influentes e ricos em seu meio, em contraste direto com os avisos do apóstolo Paulo em Romanos 1:18, 26, 27; 1 Coríntios 6:9, 10 e Efésios 5:3-5.
29. Que fim calamitoso teria o vinhedo israelita de Jeová?
29 Isaías conclui essa mensagem profética descrevendo um fim calamitoso para os que ‘rejeitaram a lei de Jeová’ e deixaram de produzir frutos justos. (Isaías 5:24, 25; Oseias 9:16; Malaquias 4:1) Ele declara: “[Jeová] levantou um sinal de aviso para uma grande nação longínqua e assobiou para ela na extremidade da terra; e eis que ela se apressará a entrar velozmente.” — Isaías 5:26; Deuteronômio 28:49; Jeremias 5:15.
30. Quem agruparia “uma grande nação” contra o povo de Jeová, e com que resultado?
30 Nos tempos antigos, um poste num lugar elevado podia servir de “sinal”, ou ponto de agrupamento, para pessoas ou exércitos. (Note Isaías 18:3; Jeremias 51:27.) O próprio Jeová agruparia essa inominada “grande nação” para executar Seu julgamento.b Ele ‘assobiaria para ela’, isto é, dirigiria a atenção dela para Seu povo delinquente como objeto digno de conquistar. A seguir, o profeta descreve a veloz e aterradora arremetida desses conquistadores leoninos que se ‘apoderariam da presa’, isto é, a nação de Deus, ‘e a levariam em segurança’ ao cativeiro. (Leia Isaías 5:27-30a.) E que triste resultado para a terra do povo de Jeová! “Olhar-se-á realmente para a terra, e eis que há uma aflitiva escuridão; e até mesmo a luz escureceu por causa das gotas que caem sobre ela.” — Isaías 5:30b.
31. Como podem os cristãos verdadeiros evitar sofrer a punição aplicada ao vinhedo israelita de Jeová?
31 Sim, o vinhedo que Deus tão amorosamente plantou mostrou ser infrutífero — que só merecia ser destruído. Que poderosa lição são essas palavras de Isaías para todos os que querem servir a Jeová hoje! Que se esforcem em produzir somente bons frutos, para o louvor de Jeová e sua própria salvação!
[Nota(s) de rodapé]
a Alguns eruditos acreditam que estruturas temporárias mais em conta, como barracas, ou ranchos, eram bem mais comuns do que torres de pedra. (Isaías 1:8) A existência de uma torre indicaria que o dono fizera esforços incomuns em favor de seu “vinhedo”.
b Em outras profecias, Isaías identifica Babilônia como nação que executaria o devastador julgamento de Jeová contra Judá.
[Foto na página 83]
O pecador está atrelado ao pecado assim como um animal de tração a uma carroça
[Foto de página inteira na página 85]
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Jeová Deus está em seu santo temploProfecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Oito
Jeová Deus está em seu santo templo
1, 2. (a) Quando foi que o profeta Isaías teve a visão do templo? (b) Por que o Rei Uzias perdeu o favor de Jeová?
“NO ANO em que morreu o Rei Uzias, eu, no entanto, cheguei a ver Jeová sentado num trono enaltecido e elevado, e as orlas da sua veste enchiam o templo.” (Isaías 6:1) Com essas palavras do profeta, começa o sexto capítulo do livro de Isaías. Era o ano 778 AEC.
2 Os 52 anos de Uzias como rei de Judá foram, na maior parte, um grande sucesso. Por ‘fazer o que era direito aos olhos de Jeová’, ele tinha o apoio de Deus nos seus empreendimentos militares, de construção e agrícolas. Mas o seu sucesso veio a ser também o seu fracasso. Por fim, seu coração tornou-se altivo, “de modo que agiu de maneira infiel contra Jeová, seu Deus, e entrou no templo de Jeová para queimar incenso”. Por causa desse ato presunçoso e de sua fúria contra os sacerdotes que o censuraram, Uzias morreu leproso. (2 Crônicas 26:3-22) Foi por volta dessa época que Isaías começou a sua atividade profética.
3. (a) Será que Isaías realmente viu Jeová? Explique. (b) Que cenário viu Isaías, e por que motivo?
3 Não somos informados sobre onde Isaías estava quando teve a visão. Mas o que ele viu com seus olhos físicos obviamente era uma visão, não o próprio Todo-Poderoso, pois “nenhum homem jamais viu a Deus”. (João 1:18; Êxodo 33:20) Mesmo assim, ver o Criador, Jeová, mesmo em visão, é uma vista atemorizante. Sentado num trono enaltecido, que simboliza seu papel como Rei e Juiz eterno, via-se o Governante Universal e Fonte de todo governo legítimo! As orlas de suas longas e amplas vestes enchiam o templo. Isaías estava sendo convocado para um serviço profético que magnificaria os soberanos poder e justiça de Jeová. Em preparação para isso, seria dada a ele uma visão da santidade de Deus.
4. (a) Por que as descrições de Jeová observadas em visão e registradas na Bíblia só podem ser simbólicas? (b) O que nos diz a respeito de Jeová a visão de Isaías?
4 Isaías não descreveu a aparência de Jeová na sua visão — diferentemente das visões relatadas por Ezequiel, Daniel e João. E todos esses relatos variam quanto ao que se viu no céu. (Ezequiel 1:26-28; Daniel 7:9, 10; Revelação [Apocalipse] 4:2, 3) No entanto, é preciso ter em mente a natureza e o objetivo dessas visões. Não são descrições literais da presença de Jeová. O olho físico não consegue ver o que é espiritual, nem pode a limitada mente humana entender o domínio espiritual. Assim, as visões apresentam em termos humanos as informações a ser transmitidas. (Note Revelação 1:1.) Na visão de Isaías não há necessidade de uma descrição da aparência de Deus. A visão mostrou a Isaías que Jeová estava em seu santo templo, que Ele é santo e que Seus julgamentos são puros.
Os serafins
5. (a) Quem são os serafins, e o que significa esse termo? (b) Por que os serafins cobriam as faces e os pés?
5 Ouça! Isaías continua: “Acima dele havia serafins de pé. Cada um tinha seis asas. Com duas cobria sua face, e com duas cobria seus pés, e com duas voava.” (Isaías 6:2) O capítulo 6 de Isaías é o único lugar na Bíblia que menciona serafins. Obviamente, trata-se de altamente privilegiadas e honradas criaturas angélicas a serviço de Jeová, posicionadas em torno de Seu trono celestial. Diferentemente do orgulhoso Rei Uzias, elas ocupavam sua posição com toda humildade e modéstia. Por estarem na presença do Soberano celestial, cobriam as faces com um par de asas e, com reverência para com o local santo, cobriam os pés com outro par de asas. Perto do Soberano Universal, os serafins demonstravam grande despretensão para não desviarem a atenção da glória pessoal de Deus. O termo “serafins”, que significa “ardentes” ou “abrasadores”, sugere que irradiavam resplendor; no entanto, escondiam suas faces do brilho e da glória maiores de Jeová.
6. Qual era a posição dos serafins em relação a Jeová?
6 Os serafins usavam seu terceiro par de asas para voar e, sem dúvida, para pairar, ou ficar “de pé”, nas suas posições. (Note Deuteronômio 31:15.) Quanto à posição deles, o professor Franz Delitzsch comenta: “Os serafins não estariam, deveras, sobre a cabeça Daquele que estava sentado no trono, mas adejavam sobre o manto que pertencia Àquele, manto este que enchia o salão.” (Commentary on the Old Testament) Isso parece razoável. Eles estavam ‘em pé acima’, não como superiores a Jeová, mas a Seu serviço, obedientes e prontos para servir.
7. (a) Qual é a atribuição dos serafins? (b) Por que os serafins repetem três vezes que Deus é santo?
7 Ouça, agora, esses privilegiados serafins! “Este clamou para aquele e disse: ‘Santo, santo, santo é Jeová dos exércitos. A plenitude de toda a terra é sua glória.’” (Isaías 6:3) A atribuição deles é cuidar que a santidade de Jeová seja declarada e que Sua glória seja reconhecida por todo o Universo, do qual a Terra é parte. Vê-se a glória de Jeová em tudo o que ele criou e ela será em breve discernida por todos os habitantes da Terra. (Números 14:21; Salmo 19:1-3; Habacuque 2:14) A tripla repetição de “santo” não é evidência de uma Trindade. É na verdade uma ênfase tripla da santidade de Deus. (Note Revelação 4:8.) Jeová é santo em grau superlativo.
8. O que resultou das declarações dos serafins?
8 Embora o número de serafins não seja mencionado, talvez houvesse grupos de serafins posicionados perto do trono. Melodiosamente, eles repetiam um após outro a declaração da santidade e glória de Deus. Que resultado notamos? Ouça de novo, à medida que Isaías continua: “Os pivôs dos limiares começaram a estremecer diante da voz daquele que clamava, e a própria casa encheu-se gradualmente de fumaça.” (Isaías 6:4) Na Bíblia, fumaça ou nuvem muitas vezes são uma evidência visível da presença de Deus. (Êxodo 19:18; 40:34, 35; 1 Reis 8:10, 11; Revelação 15:5-8) Denota uma glória à qual nós, criaturas humanas, não podemos nos aproximar.
Indigno, porém purificado
9. (a) Como Isaías foi afetado pela visão? (b) Que contraste evidente havia entre Isaías e o Rei Uzias?
9 Essa visão do trono de Jeová afetou profundamente a Isaías. Ele registra: “Eu passei a dizer: ‘Ai de mim! Pois, a bem dizer, fui silenciado, porque sou homem de lábios impuros e moro no meio de um povo de lábios impuros; pois os meus olhos viram o próprio Rei, Jeová dos exércitos!’” (Isaías 6:5) Que nítido contraste entre Isaías e o Rei Uzias! Uzias usurpou o cargo do sacerdócio ungido e, irreverentemente, invadiu o compartimento Santo do templo. Embora Uzias visse os candelabros de ouro, o altar de ouro para incenso e as mesas do “pão da Presença”, ele não viu a face de aprovação de Jeová nem recebeu dele qualquer missão especial. (1 Reis 7:48-50; nota, NM com Referências) O profeta Isaías, por sua vez, não descartou o sacerdócio nem invadiu uma área proibida no templo. No entanto, ele teve uma visão de Jeová em seu santo templo e foi honrado com uma missão direta da parte de Deus. Ao passo que os serafins não ousavam contemplar o entronizado Senhor do templo, a Isaías se permitiu, em visão, contemplar “o próprio Rei, Jeová dos exércitos!”.
10. Por que Isaías sentiu medo ao ter a visão?
10 O contraste que Isaías viu entre a santidade de Deus e a sua própria pecaminosidade fez com que ele se sentisse muito impuro. Amedrontado, achava que iria morrer. (Êxodo 33:20) Ele ouviu os serafins louvarem a Deus com lábios puros, mas os seus próprios lábios eram impuros e estavam ainda mais maculados pela impureza dos lábios do povo com o qual convivia e cuja linguagem ouvia. Jeová é santo, e seus servos têm de refletir essa qualidade. (1 Pedro 1:15, 16) Embora já tivesse sido escolhido como porta-voz de Deus, Isaías de repente se deu conta da sua condição pecaminosa e falta de lábios puros, próprios para um porta-voz do glorioso e santo Rei. Qual seria a resposta celestial?
11. (a) O que fez um dos serafins, e o que esse gesto simboliza? (b) Como pode a reflexão sobre o que o serafim disse a Isaías nos ajudar quando nos sentimos indignos quais servos de Deus?
11 Em vez de expulsar o humilde Isaías da presença de Jeová, os serafins passaram a ajudá-lo. O registro diz: “Em vista disso voou para mim um dos serafins, e na sua mão havia uma brasa viva que ele tirara do altar com uma tenaz. E ele passou a tocar-me a boca e a dizer: ‘Eis que isto tocou os teus lábios, e teu erro sumiu e o próprio pecado teu está expiado.’” (Isaías 6:6, 7) Simbolicamente falando, o fogo tem capacidade purificadora. Por tocar os lábios de Isaías com a brasa viva do fogo santo do altar, o serafim garantiu a Isaías a expiação de seus pecados a ponto de habilitá-lo a receber o favor e uma missão da parte de Deus. Como isso nos anima! Nós também somos pecadores e indignos de nos aproximar de Deus. Mas fomos redimidos pelo mérito do sacrifício de resgate de Jesus e podemos receber o favor de Deus e nos dirigir a ele em oração. — 2 Coríntios 5:18, 21; 1 João 4:10.
12. Que altar viu Isaías, e qual foi o efeito do fogo?
12 A menção de “altar” nos relembra de que se tratava de uma visão. (Note Revelação 8:3; 9:13.) Havia dois altares no templo em Jerusalém. Logo na frente da cortina do Santíssimo ficava o pequeno altar do incenso e, em frente da entrada do santuário, o grande altar de sacrifícios, onde o fogo era mantido sempre aceso. (Levítico 6:12, 13; 16:12, 13) Mas esses altares terrestres eram simbólicos, representativos de coisas maiores. (Hebreus 8:5; 9:23; 10:5-10) Na inauguração do templo pelo Rei Salomão, o que consumiu a oferta queimada sobre o altar foi fogo do céu. (2 Crônicas 7:1-3) Mas foi fogo do verdadeiro altar, celestial, que removeu a impureza dos lábios de Isaías.
13. Que pergunta fez Jeová, e a quem incluiu ao dizer “nós”?
13 Ouçamos, junto com Isaías. “Comecei a ouvir a voz de Jeová, dizendo: ‘A quem enviarei e quem irá por nós?’ E eu passei a dizer: ‘Eis-me aqui! Envia-me.’” (Isaías 6:8) A pergunta de Jeová visava claramente extrair uma resposta de Isaías, pois nenhum outro profeta humano aparece na visão. Era um inequívoco convite para Isaías ser mensageiro de Jeová. Mas por que Jeová perguntou “quem irá por nós?” Por mudar do pronome pessoal singular “eu” para o plural “nós”, Jeová incluiu pelo menos mais uma pessoa além de si mesmo. Quem? Não seria seu Filho unigênito, que mais tarde se tornou o homem Jesus Cristo? De fato, foi o mesmo Filho a quem Deus dissera: “Façamos o homem à nossa imagem.” (Gênesis 1:26; Provérbios 8:30, 31) Sim, o Filho unigênito de Jeová estava ao Seu lado nas cortes celestiais. — João 1:14.
14. Como Isaías respondeu ao convite de Jeová, e que exemplo nos deu?
14 Isaías não hesitou em responder! Independentemente de qual poderia ser a mensagem, ele disse logo: “Eis-me aqui! Envia-me.” Tampouco perguntou o que ganharia por aceitar a missão. Seu espírito disposto é um ótimo exemplo para todos os atuais servos de Deus, que têm a incumbência de pregar ‘as boas novas do Reino em toda a Terra habitada’. (Mateus 24:14) Como Isaías, eles se apegam fielmente à sua missão e dão “testemunho a todas as nações” apesar da ampla falta de receptividade. E vão em frente com confiança, como Isaías, sabendo que sua incumbência vem da mais alta fonte.
A missão de Isaías
15, 16. (a) O que Isaías teria de dizer a “este povo”, e como reagiriam as pessoas? (b) Seria a reação do povo devida a alguma falha de Isaías? Explique.
15 A seguir, Jeová delineia o que Isaías teria de dizer e qual seria a reação: “Vai, e tens de dizer a este povo: ‘Ouvi vez após vez, mas não entendais; e vede vez após vez, mas não obtenhais conhecimento.’ Torna embotado o coração deste povo e torna insensíveis os próprios ouvidos deles, e gruda os próprios olhos deles, para que não vejam com os seus olhos e não ouçam com os seus ouvidos, e para que seu próprio coração não entenda, e para que realmente não recuem e obtenham para si a cura.” (Isaías 6:9, 10) Significa isso que Isaías devia falar com rudeza e sem tato, repelir os judeus e mantê-los num estado de hostilidade com Jeová? Absolutamente não! Tratava-se do próprio povo de Isaías, com o qual ele tinha afinidade. Mas as palavras de Jeová indicam qual seria a reação do povo à Sua mensagem, por mais fiel que Isaías fosse no cumprimento de sua tarefa.
16 A falha era do povo. Isaías falaria com eles “vez após vez”, mas eles não aceitariam a mensagem nem obteriam entendimento. A maioria ficaria obstinada e não receptiva, como se estivesse totalmente cega e surda. Por falar-lhes repetidamente, Isaías permitiria que “este povo” mostrasse que não desejava entender. Provariam que estavam fechando as mentes e os corações à mensagem de Isaías — a mensagem de Deus — para eles. Exatamente como fazem as pessoas hoje. Quantas se recusam a ouvir a pregação das Testemunhas de Jeová a respeito das boas novas do iminente Reino de Deus!
17. O que Isaías queria dizer ao perguntar “até quando?”
17 Isaías estava preocupado: “Nisto eu disse: ‘Até quando, ó Jeová?’ Então ele disse: ‘Até que as cidades realmente se desmoronem em ruínas, para ficarem sem habitante, e as casas estejam sem homem terreno, e o próprio solo fique arruinado em desolação; e Jeová realmente remova para longe os homens terrenos e o abandono se torne muito extensivo no meio da terra.’” (Isaías 6:11, 12) Por perguntar “até quando?” Isaías não estava querendo saber quanto tempo ainda teria de pregar a um povo não receptivo. Na verdade, ele se preocupava com as pessoas e perguntava por quanto tempo continuaria a má condição espiritual delas e por quanto tempo o nome de Jeová seria desonrado na Terra. (Veja o Salmo 74:9-11.) Assim, até quando continuaria essa situação insensata?
18. Até quando continuaria a má condição espiritual do povo, e viveria Isaías o suficiente para ver o pleno cumprimento da profecia?
18 Infelizmente, a resposta de Jeová mostra que a má condição espiritual do povo continuaria até que sobreviessem os plenos efeitos da desobediência a Deus, delineados em seu pacto. (Levítico 26:21-33; Deuteronômio 28:49-68) A nação iria à ruína, o povo seria deportado e a terra ficaria desolada. Isaías não viveria o suficiente para ver a destruição de Jerusalém e de seu templo pelo exército babilônio em 607 AEC, embora fosse profetizar por mais de 40 anos, continuando no reinado de Ezequias, bisneto do Rei Uzias. Ainda assim, Isaías continuaria fiel na sua missão até falecer, mais de 100 anos antes daquele desastre nacional.
19. Mesmo que a nação fosse abatida como uma árvore, o que Deus garantiu a Isaías?
19 A destruição que deixaria Judá “arruinado em desolação” viria sem falta, mas nem tudo estava perdido. (2 Reis 25:1-26) Jeová garante a Isaías: “Ainda haverá nela um décimo, e terá de tornar-se novamente algo a ser queimado, qual árvore grande e qual árvore maciça de que há um toco quando se faz o corte delas; uma descendência santa será o toco dela.” (Isaías 6:13) Sim, sobraria “um décimo, . . . uma descendência santa”, assim como o toco de uma grande árvore abatida. Essa certeza, sem dúvida, consolou Isaías — haveria um restante santo entre seu povo. Mesmo que a nação fosse queimada de novo, como uma grande árvore cortada para servir de combustível, sobraria um toco vital da árvore simbólica de Israel. Seria uma semente, ou descendência, santa para Jeová. Com o tempo, brotaria de novo, e a árvore cresceria de novo. — Note Jó 14:7-9; Daniel 4:26.
20. Que cumprimento inicial teve a última parte da profecia de Isaías?
20 Será que essa profecia se cumpriu? Sim. Setenta anos após a desolação da terra de Judá, um restante temente a Deus retornou do exílio em Babilônia. Eles reconstruíram o templo e a cidade, e renovaram a adoração verdadeira no país. Essa volta dos judeus à sua terra natal, que lhes fora dada por Deus, possibilitou um segundo cumprimento dessa profecia que Jeová fez por meio de Isaías. De que se tratava? — Esdras 1:1-4.
Outros cumprimentos
21-23. (a) Em quem a profecia de Isaías teve um cumprimento no primeiro século, e como? (b) Quem era a “descendência santa” no primeiro século, e como foi preservada?
21 A tarefa profética de Isaías prefigurou a obra que o Messias, Jesus Cristo, faria cerca de 800 anos mais tarde. (Isaías 8:18; 61:1, 2; Lucas 4:16-21; Hebreus 2:13, 14) Embora fosse mais eminente que Isaías, Jesus estava igualmente disposto a ser enviado por seu Pai celestial, dizendo: “Eis aqui vim para fazer a tua vontade.” — Hebreus 10:5-9; Salmo 40:6-8.
22 Como Isaías, Jesus cumpriu fielmente a sua tarefa designada e encontrou a mesma reação. Os judeus dos dias de Jesus não foram mais receptivos à mensagem do que os a quem o profeta Isaías pregou. (Isaías 1:4) O uso de ilustrações caracterizava o ministério de Jesus, o que levou seus discípulos a perguntar: “Por que é que lhes falas usando ilustrações?” Jesus respondeu: “A vós é concedido entender os segredos sagrados do reino dos céus, mas a esses não é concedido. É por isso que lhes falo usando ilustrações, porque olhando, olham em vão, e ouvindo, ouvem em vão, nem entendem; e é neles que tem cumprimento a profecia de Isaías, que diz: ‘Ouvindo ouvireis, mas de modo algum entendereis; e olhando olhareis, mas de modo algum vereis. Pois o coração deste povo tem ficado embotado e seus ouvidos têm ouvido sem reação, e eles têm fechado os olhos; para que nunca vissem com os olhos, nem ouvissem com os ouvidos, nem entendessem com os corações e se voltassem, e eu os sarasse.’” — Mateus 13:10, 11, 13-15; Marcos 4:10-12; Lucas 8:9, 10.
23 Por citar de Isaías, Jesus mostrava que essa profecia tinha um cumprimento em seus dias. A atitude de coração do povo como um todo era igual à dos judeus nos dias de Isaías. Fizeram-se de cegos e surdos para com a sua mensagem e foram igualmente destruídos. (Mateus 23:35-38; 24:1, 2) Isso aconteceu quando as forças romanas comandadas pelo General Tito atacaram Jerusalém, em 70 EC, e arrasaram a cidade e seu templo. Mas alguns haviam dado ouvidos a Jesus e se tornado discípulos seus. Jesus os declarou “felizes”. (Mateus 13:16-23, 51) Ele os havia informado de que quando vissem “Jerusalém cercada por exércitos acampados” deveriam “fugir para os montes”. (Lucas 21:20-22) Assim, a “descendência santa” que havia exercido fé e se constituído em nação espiritual, “o Israel de Deus”, foi salva.a — Gálatas 6:16.
24. Que aplicação da profecia de Isaías fez Paulo, e o que isso indica?
24 Por volta de 60 EC, o apóstolo Paulo estava sob prisão domiciliar em Roma. Ele providenciou ali uma reunião com os “homens de destaque dos judeus” e outros, e deu-lhes “cabalmente testemunho a respeito do reino de Deus”. Quando viu que muitos não aceitavam a sua mensagem, Paulo explicou que isso cumpria a profecia de Isaías. (Atos 28:17-27; Isaías 6:9, 10) Assim, os discípulos de Jesus cumpriram uma missão comparável à de Isaías.
25. O que discernem as atuais Testemunhas de Deus, e como reagem?
25 Similarmente, as Testemunhas de Jeová hoje discernem que Jeová Deus está em Seu santo templo. (Malaquias 3:1) Como Isaías, elas dizem: “Eis-me aqui! Envia-me.” Zelosamente, soam a mensagem de aviso sobre o iminente fim deste perverso sistema mundial. Mas, como Jesus indicou, relativamente poucos abrem os olhos e ouvidos para ver, ouvir e ser salvos. (Mateus 7:13, 14) Felizes realmente são os que inclinam seu coração para ouvir e ‘obtêm para si a cura’! — Isaías 6:8, 10.
[Nota(s) de rodapé]
a Em 66 EC, reagindo a uma revolta judaica, as forças romanas comandadas por Céstio Galo cercaram Jerusalém e penetraram na cidade até as muralhas do templo. Daí se retiraram, o que permitiu que os discípulos de Jesus fugissem para as montanhas da Pereia antes que os romanos voltassem, em 70 EC.
[Foto na página 94]
“Eis-me aqui! Envia-me.”
[Foto na página 97]
‘Até que as cidades se desmoronem em ruínas e fiquem sem habitantes’
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Confie em Jeová diante de adversidadesProfecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Nove
Confie em Jeová diante de adversidades
1. Por que os cristãos hoje se beneficiarão de examinar os capítulos 7 e 8 de Isaías?
OS CAPÍTULOS 7 e 8 de Isaías revelam um contraste. Tanto Isaías como Acaz pertenciam a uma nação dedicada a Jeová; ambos haviam recebido designações de Deus, um como profeta, o outro como rei de Judá; e ambos enfrentavam a mesma ameaça — a invasão de Judá por forças inimigas superiores. Isaías, no entanto, enfrentou a ameaça com confiança em Jeová, ao passo que Acaz cedeu ao medo. Por que essas reações diferentes? Visto que os cristãos hoje também estão rodeados de forças hostis, farão bem em examinar esses dois capítulos de Isaías para descobrir que lições eles contêm.
Diante de uma decisão
2, 3. Que sumário Isaías apresenta em suas palavras iniciais?
2 Como o artista que define os contornos de uma nova pintura com alguns traços gerais, Isaías começa seu relato com algumas declarações amplas que assinalam o começo e o fim dos eventos que ele está em vias de relatar: “Aconteceu nos dias de Acaz, filho de Jotão, filho de Uzias, rei de Judá, que Rezim, rei da Síria — e Peca, filho de Remalias, rei de Israel — subiu a Jerusalém para a guerra contra ela, e ele se mostrou incapaz de guerrear contra ela.” — Isaías 7:1.
3 Era o oitavo século AEC. Acaz havia sucedido seu pai, Jotão, como rei de Judá. Os reis Rezim, da Síria, e Peca, do reino setentrional de Israel, haviam invadido Judá, e seus exércitos infligiram duros golpes. Por fim, sitiaram a própria Jerusalém. Mas o sítio fracassou. (2 Reis 16:5, 6; 2 Crônicas 28:5-8) Por quê? Veremos isso mais adiante.
4. Por que Acaz e seu povo estavam com medo?
4 No início da guerra, “informou-se à casa de Davi, dizendo-se: ‘A Síria apoiou-se em Efraim.’ E seu coração e o coração de seu povo começaram a estremecer, como o estremecimento das árvores da floresta por causa do vento”. (Isaías 7:2) Sim, foi assustador para Acaz e seu povo descobrirem que os sírios e os israelitas haviam se unido, e que seus exércitos estavam naquele momento acampados no solo de Efraim (Israel). Estavam apenas a dois ou três dias de marcha de Jerusalém!
5. Em que aspecto o povo de Deus hoje se parece com Isaías?
5 Jeová diz a Isaías: “Por favor, sai . . . ao encontro de Acaz, tu e Sear-Jasube, teu filho, à extremidade do aqueduto do reservatório superior, junto à estrada principal do campo do lavadeiro.” (Isaías 7:3) Imagine! Numa situação em que o rei deveria recorrer ao profeta de Jeová e pedir orientação, o profeta tinha de ir à procura do rei! Mesmo assim, Isaías obedeceu voluntariamente a Jeová. Similarmente, o povo de Deus hoje vai prontamente à procura de pessoas amedrontadas pelas pressões do mundo. (Mateus 24:6, 14) Como é gratificante que todos os anos centenas de milhares delas são receptivas às visitas desses pregadores das boas novas e aceitam a proteção de Jeová!
6. (a) Que animadora mensagem o profeta transmitiu ao Rei Acaz? (b) Que situação existe hoje?
6 Isaías encontrou Acaz fora dos muros de Jerusalém, onde, em preparação para o esperado cerco, o rei inspecionava o suprimento de água da cidade. Isaías transmitiu-lhe a mensagem de Jeová: “Guarda-te e fica sossegado. Não tenhas medo e não se intimide o teu coração por causa das duas pontas finais destes tições fumegantes, por causa da ira acesa de Rezim, e da Síria, e do filho de Remalias.” (Isaías 7:4) Quando os agressores devastaram Judá numa ocasião anterior, a ira deles ardia como chamas. Agora eram apenas ‘duas pontas de tições fumegantes’. Não havia motivo para Acaz ter pavor do rei sírio Rezim, ou do rei israelita Peca, filho de Remalias. A situação é similar hoje. Por séculos, os líderes da cristandade têm submetido os cristãos verdadeiros a uma perseguição ardente. Agora, porém, a cristandade parece um tição quase apagado. Os seus dias estão contados.
7. Por que o nome de Isaías e o de seu filho davam esperança?
7 Nos dias de Acaz, não apenas a mensagem de Isaías, mas também o significado de seu nome e o de seu filho, davam esperança para os que confiavam em Jeová. Judá corria risco, sim, mas o nome Isaías, que significa “Salvação de Jeová”, indica que Jeová providenciaria livramento. Jeová disse a Isaías que levasse consigo seu filho Sear-Jasube, cujo nome significa “Um Mero Restante Retornará”. Mesmo quando o reino de Judá por fim caísse, Deus misericordiosamente traria um restante de volta ao país.
Mais do que uma guerra entre nações
8. Por que o ataque a Jerusalém era mais do que uma guerra entre nações?
8 Jeová, por meio de Isaías, revelou a estratégia dos inimigos de Judá. Eis o que planejavam: “Subamos contra Judá e rompamo-lo em pedaços, e tomemo-lo para nós por meio de brechas; e façamos outro rei reinar nele, o filho de Tabeel.” (Isaías 7:5, 6) A coalizão siro-israelita tramava conquistar Judá e substituir Acaz, um dos filhos de Davi, por um homem da escolha deles. Claramente, o ataque a Jerusalém era então mais do que uma guerra entre nações. Tornara-se uma luta entre Satanás e Jeová. Por quê? Porque Jeová Deus havia feito um pacto com o Rei Davi, assegurando-lhe de que seus filhos governariam o povo de Jeová. (2 Samuel 7:11, 16) Que triunfo seria para Satanás se ele conseguisse instalar outra dinastia no trono em Jerusalém! Poderia até mesmo frustrar o propósito de Jeová de que a linhagem de Davi produzisse um herdeiro permanente, o “Príncipe da Paz”. — Isaías 9:6, 7.
As amorosas garantias de Jeová
9. Que garantias deviam encorajar Acaz bem como os cristãos hoje?
9 Daria certo a trama da Síria e Israel? Não. Jeová declara: “Isto não se efetuará, nem sucederá.” (Isaías 7:7) Por meio de Isaías, Jeová disse que o sítio a Jerusalém não só falharia, mas também que ‘em apenas sessenta e cinco anos Efraim seria desbaratado para não ser povo’. (Isaías 7:8) Sim, em 65 anos Israel não mais existiria como povo.a Essa garantia, com sua especificação de tempo, devia encorajar Acaz. Da mesma maneira, o povo de Deus hoje é fortalecido por saber que o tempo que resta para o mundo de Satanás se esgota.
10. (a) Como podem os cristãos verdadeiros hoje imitar Jeová? (b) Que oferta Jeová fez a Acaz?
10 A face de Acaz talvez estampasse descrença, pois Jeová disse, por meio de Isaías: “A menos que tenhais fé, então não sereis de longa duração.” Paciente como é, Jeová “prosseguiu falando mais a Acaz”. (Isaías 7:9, 10) Que excelente exemplo! Hoje, embora muitos não aceitem prontamente a mensagem do Reino, faremos bem em imitar Jeová e ‘prosseguir falando’ por meio de repetidas visitas. A seguir, Jeová diz a Acaz: “Pede para ti um sinal da parte de Jeová, teu Deus, fazendo-o tão profundo como o Seol ou fazendo-o tão alto como as regiões superiores.” (Isaías 7:11) Acaz podia pedir um sinal, e Jeová o daria como garantia de que protegeria a casa de Davi.
11. Ter Jeová usado a expressão “teu Deus” fornece que garantia?
11 Note que Jeová disse: ‘Pede um sinal da parte de teu Deus.’ Jeová é realmente benigno. Já se relatava que Acaz estava adorando deuses falsos e adotando repugnantes práticas pagãs. (2 Reis 16:3, 4) Apesar disso, e apesar da atitude temerosa de Acaz, Jeová ainda chamava a si mesmo de Deus de Acaz. Isso nos garante que Jeová não rejeita rapidamente os humanos. Ele se dispõe a estender a mão aos que erram, ou aos cuja fé enfraqueceu. Será que essa certeza do amor divino induziria Acaz a aceitar a ajuda de Jeová?
Da dúvida à desobediência
12. (a) Que atitude altiva adotou Acaz? (b) Em vez de recorrer a Jeová, a quem Acaz pediu ajuda?
12 Acaz responde desafiadoramente: “Não o pedirei, nem porei Jeová à prova.” (Isaías 7:12) A preocupação de Acaz não era obedecer à lei: “Não deveis pôr Jeová, vosso Deus, à prova.” (Deuteronômio 6:16) Séculos mais tarde, Jesus citou essa mesma lei, quando Satanás o tentou. (Mateus 4:7) No caso de Acaz, porém, Jeová o convidava a voltar à adoração verdadeira e oferecia-se para fortalecer a fé de Acaz por realizar um sinal. No entanto, Acaz preferia buscar proteção em outro lugar. Possivelmente a essa altura o rei enviou uma grande quantia em dinheiro à Assíria, buscando ajuda contra seus inimigos do norte. (2 Reis 16:7, 8) No ínterim, o exército siro-israelita cercava Jerusalém e iniciava o sítio.
13. Que mudança observamos no versículo 13 de Is 7, e o que significa isso?
13 Com a falta de fé do rei em mente, Isaías diz: “Escutai-me, por favor, ó casa de Davi. É para vós algo de somenos importância fatigardes os homens, que deveis também fatigar o meu Deus?” (Isaías 7:13) Sim, Jeová pode cansar-se de ser constantemente desafiado. Observe, também, que o profeta disse agora “meu Deus”, não “teu Deus”. Uma mudança ominosa! Ao rejeitar a Jeová e recorrer à Assíria, Acaz perdeu uma ótima oportunidade de restaurar sua relação com Deus. Jamais sacrifiquemos a nossa relação com Deus por transigirmos nas nossas crenças bíblicas em favor de vantagens temporárias!
O sinal de Emanuel
14. Como Jeová demonstrou sua fidelidade ao pacto que fizera com Davi?
14 Jeová permanecia fiel a seu pacto com Davi. Um sinal fora oferecido, um sinal seria dado! Isaías continua: “O próprio Jeová vos dará um sinal: Eis que a própria donzela ficará realmente grávida e dará à luz um filho, e ela há de chamá-lo pelo nome de Emanuel. Ele comerá manteiga e mel pelo tempo em que souber rejeitar o mau e escolher o bom. Pois antes que o rapaz saiba rejeitar o mau e escolher o bom, o solo dos dois reis de que tens um pavor mórbido ficará completamente abandonado.” — Isaías 7:14-16.
15. A que duas perguntas responde a profecia sobre Emanuel?
15 Essas eram boas novas para quem quer que temesse que os invasores acabariam com a dinastia davídica. “Emanuel” significa “Conosco Está Deus”. Deus estava com Judá e não permitiria a anulação de Seu pacto com Davi. Ademais, Acaz e seu povo foram informados não só a respeito do que Jeová faria, mas também de quando o faria. Antes que o menino Emanuel tivesse idade suficiente para distinguir entre o bem e o mal, as nações inimigas seriam destruídas. E isso aconteceu!
16. Por que talvez Jeová tenha deixado incerta a identidade de Emanuel nos dias de Acaz?
16 A Bíblia não diz quem eram os pais de Emanuel. Mas, visto que o jovem Emanuel serviria como sinal, e Isaías disse mais tarde que ele e seus filhos ‘eram como sinais’, Emanuel talvez tivesse sido filho desse profeta. (Isaías 8:18) Talvez Jeová tenha deixado incerta a identidade de Emanuel nos dias de Acaz para que as gerações futuras não desviassem sua atenção do Emanuel Maior. Quem seria?
17. (a) Quem é o Emanuel Maior, e o que significou seu nascimento? (b) Por que o povo de Deus hoje pode bradar “Conosco Está Deus”?
17 Fora do livro de Isaías, o nome Emanuel ocorre apenas uma vez na Bíblia, em Mateus 1:23. Jeová inspirou Mateus a aplicar a profecia do nascimento de Emanuel ao nascimento de Jesus, o Herdeiro legítimo do trono de Davi. (Mateus 1:18-23) O nascimento do primeiro Emanuel foi um sinal de que Deus não se esquecera da casa de Davi. Igualmente, o nascimento de Jesus, o Emanuel Maior, foi um sinal de que Deus não se esquecera da humanidade, nem do pacto do Reino que fez com a casa de Davi. (Lucas 1:31-33) Estando o representante principal de Jeová entre a humanidade, Mateus podia dizer corretamente “Conosco Está Deus”. Hoje, Jesus governa como Rei celestial e apoia sua congregação na Terra. (Mateus 28:20) Certamente, o povo de Deus tem motivo adicional para bradar com denodo: “Conosco Está Deus!”
Mais consequências da infidelidade
18. (a) Por que as palavras seguintes de Isaías aterrorizaram seus ouvintes? (b) Que virada de eventos era iminente?
18 Por mais consoladoras que sejam suas últimas palavras, a próxima declaração de Isaías aterroriza seus ouvintes: “Jeová fará vir contra ti, e contra teu povo, e contra a casa de teu pai, dias tais como nunca vieram desde o dia em que Efraim se afastou de junto de Judá, a saber, o rei da Assíria.” (Isaías 7:17) Sim, aproximava-se o desastre, e às mãos do rei da Assíria. A perspectiva de serem dominados pelos notoriamente cruéis assírios com certeza fez com que Acaz e seu povo muitas vezes perdessem o sono. Acaz havia imaginado que agradar a Assíria o livraria de Israel e da Síria. De fato, o rei da Assíria acabaria atendendo ao apelo de Acaz, atacando Israel e a Síria. (2 Reis 16:9) Provavelmente foi por isso que Peca e Rezim seriam obrigados a levantar o cerco a Jerusalém. Assim, a coalizão siro-israelita se mostraria incapaz de tomar Jerusalém. (Isaías 7:1) Agora, porém, Isaías dizia a seus chocados ouvintes que a Assíria, a esperada protetora, se tornaria opressora deles! — Note Provérbios 29:25.
19. Que aviso contém esse drama histórico para os cristãos atuais?
19 Esse relato histórico verídico serve de aviso para os cristãos atuais. Sob pressão, podemos ser tentados a violar princípios cristãos, rejeitando assim a proteção de Jeová. Essa seria uma atitude míope, até mesmo suicida, como provam as palavras adicionais de Isaías. O profeta passa a descrever os efeitos que a invasão assíria teria sobre a terra e o povo.
20. Quem seriam as “moscas” e as “abelhas”, e o que fariam?
20 Isaías divide seus pronunciamentos em quatro partes, cada qual predizendo o que ocorreria “naquele dia” — isto é, no dia em que a Assíria atacasse Judá. “Naquele dia terá de acontecer que Jeová assobiará às moscas que há na extremidade dos canais do Nilo do Egito, e às abelhas que há na terra da Assíria, e elas certamente entrarão e pousarão, todas elas, nos escarpados vales de torrente, e nas fendas dos rochedos, e em todas as moitas de espinhos, e em todos os bebedouros.” (Isaías 7:18, 19) Os exércitos do Egito e da Assíria, como enxames de moscas e de abelhas, dirigiriam sua atenção para a Terra Prometida. Não seria uma invasão passageira. As “moscas” e as “abelhas” pousariam ali, infestando cada cantinho da terra.
21. Em que sentido o rei assírio seria como navalha?
21 Isaías continua: “Naquele dia, por meio duma navalha contratada na região do Rio, sim, por meio do rei da Assíria, Jeová rapará a cabeça e o pelo dos pés, e ela arrasará até mesmo a barba.” (Isaías 7:20) Mencionou-se agora apenas a Assíria, a ameaça principal. Acaz contrataria o rei assírio para ‘rapar’ a Síria e Israel. Contudo, essa “navalha contratada” da região do Eufrates investiria contra a “cabeça” de Judá e a raparia, até mesmo a barba!
22. Que exemplos Isaías usa para mostrar as consequências da iminente invasão da Assíria?
22 Qual seria o resultado? “Naquele dia terá de acontecer que alguém preservará viva uma novilha da manada e duas ovelhas. E terá de acontecer que, devido à abundância da produção de leite, ele comerá manteiga; pois manteiga e mel é o que comerá cada um que se deixou sobrar no meio do país.” (Isaías 7:21, 22) Depois de os assírios terem ‘rapado’ a terra sobraria tão pouca gente que poucos animais seriam necessários para fornecer alimentos. Seriam consumidos “manteiga e mel” — nada mais; nem vinho, nem pão, nem qualquer outra comida básica. Como que para acentuar o grau de desolação, Isaías diz três vezes que em lugar de terras valiosas e produtivas haveria espinheiros e ervas daninhas. Quem se aventurasse a entrar no agreste necessitaria ‘de flechas e de arco’ para se proteger dos animais selvagens à espreita nos matagais. Campos abertos virariam pastagens de touros e ovelhas. (Isaías 7:23-25) Essa profecia começou a cumprir-se nos próprios dias de Acaz. — 2 Crônicas 28:20.
Predições exatas
23. (a) O que se mandou que Isaías fizesse a seguir? (b) Como se confirmaria o sinal da tábua?
23 A seguir, Isaías volta à situação do momento. Enquanto Jerusalém permanecia sitiada pela aliança siro-israelita, ele relata: “Jeová passou a dizer-me: ‘Toma para ti uma grande tábua e escreve nela com o estilo do homem mortal: “Maer-Salal-Hás-Baz.” E haja para mim uma testificação por testemunhas fiéis: Urias, o sacerdote, e Zacarias, filho de Jeberequias.’” (Isaías 8:1, 2) O nome Maer-Salal-Hás-Baz significa “Apressa-te, ó Despojo! Ele Veio Depressa à Pilhagem”. Isaías pediu a dois homens respeitados na comunidade que testificassem a escrita desse nome numa grande tábua, para que pudessem mais tarde confirmar a autenticidade do documento. Mas esse sinal seria confirmado por um segundo sinal.
24. Que efeito deveria ter sobre o povo de Judá o sinal de Maer-Salal-Hás-Baz?
24 Isaías diz: “Cheguei-me então à profetisa, e ela ficou grávida, e no tempo devido deu à luz um filho. Jeová disse-me então: ‘Chama-o pelo nome de Maer-Salal-Hás-Baz, pois antes que o rapazinho saiba chamar: “Meu pai!” e: “Minha mãe!” carregar-se-á com os recursos de Damasco e com o despojo de Samaria perante o rei da Assíria.’” (Isaías 8:3, 4) Tanto a grande tábua como o recém-nascido serviriam de sinais de que a Assíria logo saquearia os opressores de Judá, Síria e Israel. Quão logo? Antes que o bebê aprendesse a falar as primeiras palavras que a maioria dos bebês aprende — “pai” e “mãe”. Tal predição exata deveria edificar a confiança das pessoas em Jeová. Ou poderia levar alguns a zombar de Isaías e de seus filhos. Seja como for, as palavras proféticas de Isaías se cumpririam. — 2 Reis 17:1-6.
25. Que similaridades existem entre os dias de Isaías e a época atual?
25 Os cristãos podem aprender algo dos repetidos avisos de Isaías. O apóstolo Paulo nos revelou que nesse drama histórico Isaías representa Jesus Cristo, e os filhos de Isaías prefiguram os discípulos ungidos de Jesus. (Hebreus 2:10-13) Jesus, por meio de seus seguidores ungidos na Terra, tem lembrado os cristãos verdadeiros da necessidade de se ‘manterem despertos’ nestes tempos críticos. (Lucas 21:34-36) Ao mesmo tempo, os opositores não arrependidos são avisados de sua vindoura destruição, embora tais avisos muitas vezes sejam recebidos com zombaria. (2 Pedro 3:3, 4) O cumprimento de profecias com data marcada, nos dias de Isaías, garante que o cronograma de Deus para os nossos dias também “cumprir-se-á sem falta. Não tardará”. — Habacuque 2:3.
“Águas” devastadoras
26, 27. (a) Que eventos predisse Isaías? (b) O que as palavras de Isaías indicam para os servos de Jeová hoje?
26 Isaías continua seus avisos: “Visto que este povo rejeitou as águas de Siloé, que correm suavemente, e há exultação por causa de Rezim e do filho de Remalias; por isso, pois, eis que Jeová está trazendo contra eles as águas potentes e numerosas do Rio, o rei da Assíria e toda a sua glória. E subirá certamente sobre todos os seus leitos e transbordará todas as suas ribanceiras, e avançará através de Judá. Realmente inundará e passará. Chegará até o pescoço. E terá de ocorrer o esticamento das suas asas para encher a largura da tua terra, ó Emanuel!” — Isaías 8:5-8.
27 “Este povo”, o reino setentrional de Israel, havia rejeitado o pacto de Jeová com Davi. (2 Reis 17:16-18) Para eles, esse pacto parecia tão fraco como o fluxo lento das águas de Siloé, que fornecia a água de Jerusalém. Eles exultavam com a sua guerra contra Judá. Mas esse desprezo não ficaria impune. Jeová permitiria que os assírios ‘inundassem’, ou invadissem, a Síria e Israel, assim como Jeová em breve permitirá que a atual parte política do mundo inunde os domínios da religião falsa. (Revelação [Apocalipse] 17:16; note Daniel 9:26.) A seguir, diz Isaías, as “águas” inundantes ‘avançarão através de Judá’, chegarão “até o pescoço”, até Jerusalém, onde reina o cabeça (rei) de Judá.b Em nossos dias, os executores políticos da religião falsa também fecharão o cerco contra os servos de Jeová, circundando-os “até o pescoço”. (Ezequiel 38:2, 10-16) Qual será o desfecho? Ora, o que aconteceu nos dias de Isaías? Será que os assírios passaram pelas muralhas da cidade e aniquilaram o povo de Deus? Não. Deus estava com seu povo.
Não temais — “Deus está conosco!”
28. Apesar dos esforços estrênuos de seus inimigos, que garantia Jeová deu a Judá?
28 Isaías alerta: “Sede ruinosos, ó povos [opositores do povo pactuado de Deus], e sede desbaratados; e dai ouvidos, todas as partes longínquas da terra! Cingi-vos, e sede desbaratados! Cingi-vos, e sede desbaratados! Formai um plano, e será desfeito! Falai qualquer palavra, e ela não se efetuará, porque Deus está conosco!” (Isaías 8:9, 10) Alguns anos mais tarde, no reinado do fiel Ezequias, filho de Acaz, essas palavras se cumpriram. Quando os assírios ameaçavam Jerusalém, o anjo de Jeová aniquilou 185 mil deles. Obviamente, Deus estava com seu povo e com a linhagem real de Davi. (Isaías 37:33-37) Da mesma forma, na vindoura batalha do Armagedom, Jeová enviará o Emanuel Maior não só para esmigalhar Seus inimigos, mas também para salvar todos os que confiam Nele. — Salmo 2:2, 9, 12.
29. (a) Como os judeus da época de Acaz eram diferentes dos da época de Ezequias? (b) Por que os servos de Jeová hoje evitam fazer alianças religiosas ou políticas?
29 Diferentemente dos judeus da época de Ezequias, os contemporâneos de Acaz não tinham fé na proteção de Jeová. Preferiam um conluio, ou “conspiração”, com os assírios como baluarte contra a coalizão siro-israelita. No entanto, a “mão” de Jeová impeliu Isaías a denunciar o “caminho deste povo”, ou a tendência popular. Ele alerta: “Não deveis temer aquilo de que eles têm medo, nem deveis estremecer diante dele. Jeová dos exércitos — é a Ele que deveis tratar como santo e Ele deve ser o objeto de vosso medo, e Ele é quem vos deve fazer estremecer.” (Isaías 8:11-13) Com isso em mente, os atuais servos de Jeová evitam conspirar por meio de acordos religiosos ou alianças políticas, ou confiar nessas coisas. Os servos de Jeová confiam plenamente na capacidade protetora de Deus. Afinal, se ‘Jeová está do nosso lado, que nos pode fazer o homem terreno?’ — Salmo 118:6.
30. Qual será o destino dos que não confiam em Jeová?
30 Isaías passa a reiterar que Jeová mostraria ser “um lugar sagrado”, uma proteção, para os que confiassem Nele. Em contraste, os que o rejeitassem iriam “tropeçar e cair, e ser quebrados, e ser enlaçados e capturados” — cinco verbos expressivos que não deixam dúvida sobre qual seria o destino dos que não confiassem em Jeová. (Isaías 8:14, 15) No primeiro século, os que rejeitaram Jesus também tropeçaram e caíram. (Lucas 20:17, 18) Um fim similar terão os que hoje negam fidelidade ao entronizado Rei celestial, Jesus. — Salmo 2:5-9.
31. Como podem os cristãos verdadeiros hoje imitar o exemplo de Isaías e dos que aceitaram seus ensinos?
31 Nos dias de Isaías, nem todos tropeçaram. Ele diz: “Embrulha a atestação, põe um selo em volta da lei entre os meus discípulos! E eu vou ficar à espera de Jeová, que esconde a sua face da casa de Jacó, e nele vou esperar.” (Isaías 8:16, 17) Isaías e os que aceitassem seus ensinos não abandonariam a Lei de Deus. Continuariam a confiar em Jeová, mesmo que seus compatriotas transgressores não o fizessem, levando Jeová a esconder a sua face deles. Sigamos o exemplo daqueles que confiavam em Jeová e tenhamos a mesma determinação de nos apegar à adoração pura! — Daniel 12:4, 9; Mateus 24:45; note Hebreus 6:11, 12.
“Sinais” e “milagres”
32. (a) Quem hoje serve “como sinais e como milagres”? (b) Por que os cristãos devem se destacar como diferentes no mundo?
32 Isaías proclama, a seguir: “Eis que eu e os filhos que Jeová me deu somos como sinais e como milagres em Israel, da parte de Jeová dos exércitos, que reside no monte Sião.” (Isaías 8:18) Sim, Isaías, Sear-Jasube e Maer-Salal-Hás-Baz serviam como sinais dos propósitos de Jeová para com Judá. Hoje, Jesus e seus irmãos ungidos também servem como sinais. (Hebreus 2:11-13) E a eles se juntam na sua obra “uma grande multidão” de “outras ovelhas”. (Revelação 7:9, 14; João 10:16) Naturalmente, um sinal só é valioso se ele se destaca entre aquilo que o cerca. Da mesma forma, os cristãos cumprem sua missão como sinais apenas se eles se destacarem como diferentes no mundo, depositando sua plena confiança em Jeová e proclamando com denodo Seus propósitos.
33. (a) O que os cristãos verdadeiros estão decididos a fazer? (b) Por que os cristãos verdadeiros poderão permanecer firmes?
33 Que todos, portanto, sigam os padrões de Deus, não os deste mundo. Continuemos a nos destacar destemidamente — como sinais — levando avante a missão dada ao Isaías Maior, Jesus Cristo: “Proclamar o ano de boa vontade . . . e o dia de vingança da parte de nosso Deus.” (Isaías 61:1, 2; Lucas 4:17-21) De fato, quando a inundação assíria invadir a Terra — mesmo que atinja a altura de nosso pescoço — os cristãos verdadeiros não serão aniquilados. Permaneceremos firmes porque “Deus está conosco”.
[Nota(s) de rodapé]
a Para mais detalhes sobre o cumprimento dessa profecia, veja Estudo Perspicaz das Escrituras, Volume 1, páginas 40-41, 828-829, publicado pelas Testemunhas de Jeová.
b A Assíria foi também comparada a uma ave cujas asas estendidas ‘encheriam a largura da terra’. Assim, por onde quer que a terra (de Judá) se estendesse, seria alcançada pelo exército assírio.
[Foto na página 103]
Isaías levou consigo Sear-Jasube quando transmitiu a mensagem de Jeová a Acaz
[Foto na página 111]
Por que Isaías escreveu “Maer-Salal-Hás-Baz” numa tábua grande?
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A promessa de um Príncipe da PazProfecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Dez
A promessa de um Príncipe da Paz
1. Qual tem sido a experiência humana desde os dias de Caim?
CERCA de seis mil anos atrás, nasceu o primeiro bebê humano. Seu nome era Caim, e seu nascimento foi muito especial. Nem seus pais, nem os anjos, nem mesmo o Criador já havia visto um bebê humano. Esse recém-nascido poderia ter trazido esperança para uma raça humana condenada. Que desapontamento, quando, depois de adulto, ele se tornou assassino! (1 João 3:12) Desde então, a humanidade tem presenciado incontáveis outros assassinatos. Os humanos, com sua inclinação para o mal, não estão em paz entre si nem com Deus. — Gênesis 6:5; Isaías 48:22.
2, 3. Que perspectivas abriu Jesus Cristo, e o que temos de fazer para receber tais bênçãos?
2 Uns quatro milênios depois do nascimento de Caim, nasceu outro bebê. Seu nome era Jesus, e seu nascimento também foi muito especial. Ele nasceu de uma virgem, pelo poder do espírito santo — o único nascimento assim na História. Quando nasceu, uma alegre multidão de anjos cantou louvores a Deus, dizendo: “Glória a Deus nas maiores alturas, e na terra paz entre homens de boa vontade.” (Lucas 2:13, 14) Longe de ser assassino, Jesus abriu o caminho para que os humanos viessem a estar em paz com Deus e ganhassem a vida eterna. — João 3:16; 1 Coríntios 15:55.
3 Isaías profetizou que Jesus seria chamado de “Príncipe da Paz”. (Isaías 9:6) Ele ofereceria sua própria vida em favor da humanidade, possibilitando assim o perdão de pecados. (Isaías 53:11) Hoje, a paz com Deus e o perdão de pecados podem ser conseguidos à base da fé em Jesus Cristo. Mas tais bênçãos não são automáticas. (Colossenses 1:21-23) Quem as deseja precisa aprender a obedecer a Jeová Deus. (1 Pedro 3:11; note Hebreus 5:8, 9.) Nos dias de Isaías, Israel e Judá faziam exatamente o contrário.
Recorriam a demônios
4, 5. Que condições existiam nos dias de Isaías, e a quem alguns recorriam?
4 Por causa de sua desobediência, a condição moral dos contemporâneos de Isaías era deplorável, um verdadeiro abismo de escuridão espiritual. Mesmo no reino meridional de Judá, onde ficava o templo de Deus, não havia paz. Devido à sua infidelidade, o povo de Judá estava sendo ameaçado de invasão pelos assírios, e tempos difíceis viriam. A quem pediriam ajuda? Infelizmente, muitos recorreram a Satanás, não a Jeová. Não, eles não invocaram a Satanás por nome. Na verdade, como o Rei Saul do passado, eles se envolveram com o espiritismo, procurando soluções para seus problemas por tentarem se comunicar com os mortos. — 1 Samuel 28:1-20.
5 Alguns até mesmo promoviam essa prática. Isaías refere-se a essa apostasia, ao dizer: “Caso vos digam: ‘Recorrei aos médiuns espíritas ou aos que têm espírito de predição, que chilram e fazem pronunciações em voz baixa’, não é a seu Deus que qualquer povo devia recorrer? Acaso se deve recorrer a pessoas mortas a favor de pessoas vivas?” (Isaías 8:19) Os médiuns espíritas podem enganar as pessoas, ‘chilrando e fazendo pronunciações em voz baixa’. Por meio de ventriloquismo, um médium pode produzir tais sons, atribuídos a espíritos de mortos. Às vezes, porém, os demônios talvez se envolvam diretamente e finjam ser o morto, como pelo visto aconteceu quando Saul consultou a feiticeira de En-Dor. — 1 Samuel 28:8-19.
6. Por que eram especialmente culpados os israelitas que haviam recorrido ao espiritismo?
6 Tudo isso acontecia em Judá apesar de Jeová ter proibido a prática do espiritismo. Na Lei mosaica, esse delito era punido com a morte. (Levítico 19:31; 20:6, 27; Deuteronômio 18:9-12) Por que um povo que era propriedade especial de Jeová cometia uma transgressão tão grave? Porque haviam dado as costas à Lei e aos conselhos de Jeová e ficaram ‘endurecidos pelo poder enganoso do pecado’. (Hebreus 3:13) ‘O coração deles havia se tornado insensível como a gordura’ e haviam se alienado de seu Deus. — Salmo 119:70.a
7. Como muitos hoje imitam os israelitas dos dias de Isaías, e qual será o futuro deles, caso não se arrependam?
7 Provavelmente, eles pensavam: ‘De que serve a Lei de Jeová diante de um ataque iminente dos assírios?’ Queriam uma solução rápida e fácil para seus apuros, não desejando esperar que Jeová cumprisse a Sua vontade. Hoje também, muitos desconsideram a lei de Jeová e procuram médiuns espíritas, consultam horóscopos e recorrem a outras formas de ocultismo para resolver seus problemas. No entanto, um vivo recorrer a um morto em busca de soluções é tão ridículo hoje como era naquele tempo. O futuro de todos aqueles que sem se arrepender praticam tais coisas será o mesmo que o dos ‘assassinos, dos fornicadores, dos idólatras e de todos os mentirosos’. Não terão futuras perspectivas de vida. — Revelação (Apocalipse) 21:8.
A ‘lei e a atestação’ de Deus
8. O que é a “lei” e a “atestação” às quais devemos recorrer hoje em busca de orientação?
8 A lei de Jeová que proibia o espiritismo, bem como Seus outros mandamentos, não eram desconhecidos em Judá. Estavam preservados por escrito. Hoje, a Palavra de Deus completa existe por escrito. Trata-se da Bíblia, que inclui não apenas uma compilação de leis e regulamentos divinos, mas também um relato dos tratos de Deus com seu povo. Esse relato bíblico dos tratos de Jeová forma uma atestação, ou testemunho, que nos ensina a respeito da natureza e das qualidades de Jeová. Em vez de consultar os mortos, a quem os israelitas deviam pedir orientação? Isaías responde: “À lei e à atestação!” (Isaías 8:20a) Sim, os que buscam o verdadeiro esclarecimento devem recorrer à Palavra escrita de Deus.
9. É de algum valor para pecadores não arrependidos citar de vez em quando a Bíblia?
9 Alguns israelitas que mexiam com o espiritismo talvez expressassem respeito pela Palavra de Deus escrita. Mas tais afirmações eram vazias e hipócritas. Isaías diz: “Seguramente persistirão em dizer o que é segundo esta declaração que não terá a luz da alva.” (Isaías 8:20b) A que declaração se referia Isaías? Talvez a esta: “À lei e à atestação!” É possível que alguns israelitas apóstatas se reportassem à Palavra de Deus, assim como os apóstatas e outros hoje talvez citem as Escrituras. Mas eram meras palavras. Citar as Escrituras não levaria a nenhuma “luz da alva”, ou esclarecimento, da parte de Jeová, se não viesse acompanhado de fazer a vontade de Jeová e evitar práticas impuras.b
“Uma fome, não de pão”
10. O que sofria o povo de Judá por ter rejeitado a Jeová?
10 A desobediência a Jeová resulta em escuridão mental. (Efésios 4:17, 18) Em sentido espiritual, o povo de Judá se tornara cego, sem entendimento. (1 Coríntios 2:14) Isaías descreve a condição deles: “Cada um há de atravessar a terra em duro aperto e faminto.” (Isaías 8:21a) Devido à infidelidade daquela nação — em especial durante o reinado do Rei Acaz — a sobrevivência de Judá como reino independente estava ameaçada. A nação estava cercada de inimigos. O exército assírio atacava uma cidade de Judá após outra. O inimigo desolava o solo produtivo, provocando falta de alimentos. Muitos estavam ‘em duro aperto e famintos’. Mas outro tipo de fome também afligia o país. Algumas décadas antes, Amós profetizara: “‘Eis que vêm dias’, é a pronunciação do Soberano Senhor Jeová, ‘e eu vou enviar uma fome à terra, uma fome, não de pão, e uma sede, não de água, mas de se ouvirem as palavras de Jeová’.” (Amós 8:11) Judá sofria as agruras dessa fome espiritual!
11. Será que Judá aprenderia uma lição da disciplina que receberia?
11 Será que Judá aprenderia a lição e retornaria a Jeová? Será que seu povo abandonaria o espiritismo e a idolatria e retornaria “à lei e à atestação”? Jeová prevê a reação deles: “Terá de acontecer que, por ter fome e se ter indignado, ele realmente invocará o mal sobre o seu rei e sobre o seu Deus, e certamente olhará para cima.” (Isaías 8:21b) Sim, muitos culpariam seu rei humano por levá-los a essa situação. Alguns até mesmo culpariam tolamente a Jeová por suas calamidades! (Note Jeremias 44:15-18.) Hoje, muitos reagem de modo similar, culpando a Deus pelas tragédias causadas pela maldade humana.
12. (a) Ter se afastado de Deus havia resultado em que para Judá? (b) Que perguntas importantes se fazem?
12 Será que amaldiçoar a Deus traria paz aos habitantes de Judá? Não. Isaías prediz: “Olhará para a terra, e eis aflição e escuridão, negrume, tempos difíceis e trevas, sem claridade.” (Isaías 8:22) Depois de erguerem os olhos ao céu para culpar a Deus, eles olhariam de novo à terra, para seu futuro sem esperança. Terem se afastado de Deus havia resultado em calamidade. (Provérbios 19:3) Mas que dizer das promessas que Deus fizera a Abraão, Isaque e Jacó? (Gênesis 22:15-18; 28:14, 15) Deixaria Jeová de cumpri-las? Será que os assírios, ou outra potência militar, acabariam com a dinastia prometida a Judá e a Davi? (Gênesis 49:8-10; 2 Samuel 7:11-16) Seriam os israelitas para sempre condenados à “escuridão”?
Uma terra ‘tratada com desprezo’
13. O que era a “Galileia das nações”, e como veio a ser ‘tratada com desprezo’?
13 A seguir, Isaías alude a um dos piores eventos cataclísmicos a assolar os descendentes de Abraão: “A obscuridade não será como quando a terra estava em aperto, como no tempo anterior, quando se tratava com desprezo a terra de Zebulão e a terra de Naftali, e quando, posteriormente, se fez que fosse honrada — o caminho junto ao mar, na região do Jordão, Galileia das nações.” (Isaías 9:1) A Galileia era um território no reino setentrional de Israel. Na profecia de Isaías incluía “a terra de Zebulão e a terra de Naftali” e também “o caminho junto ao mar”, uma antiga estrada que margeava o mar da Galileia e ia até o mar Mediterrâneo. Nos dias de Isaías, essa região chamava-se “Galileia das nações”, provavelmente porque muitas de suas cidades eram habitadas por não israelitas.c Em que sentido essa terra era ‘tratada com desprezo’? Os pagãos assírios a conquistaram, levaram os israelitas ao exílio e repovoaram toda a região com pagãos, não descendentes de Abraão. Assim, o reino setentrional de dez tribos desapareceu da História como nação própria! — 2 Reis 17:5, 6, 18, 23, 24.
14. Em que sentido a “obscuridade” de Judá seria menor do que a do reino das dez tribos?
14 Judá também estava sendo pressionada pelos assírios. Será que cairia numa “obscuridade” permanente, como o reino das dez tribos, representado por Zebulão e Naftali? Não. “Posteriormente” Jeová abençoaria a região do reino meridional de Judá, e até mesmo a terra governada antes pelo reino setentrional. Como assim?
15, 16. (a) Em que época ‘posterior’ a situação dos “distritos de Zebulão e Naftali” mudou? (b) De que modo a terra que havia sido tratada com desprezo veio a ser honrada?
15 O apóstolo Mateus responde a essa pergunta no seu registro inspirado do ministério terrestre de Jesus. Descrevendo os dias iniciais desse ministério, Mateus diz: “Depois de deixar Nazaré, [Jesus] veio morar em Cafarnaum, à beira do mar, nos distritos de Zebulão e Naftali, para que se cumprisse o que fora falado por intermédio de Isaías, o profeta, dizendo: ‘Ó terra de Zebulão e terra de Naftali, ao longo da estrada do mar, além do Jordão, Galileia das nações! O povo sentado na escuridão viu uma grande luz, e quanto aos sentados numa região de sombra mortífera, levantou-se sobre eles uma luz.’” — Mateus 4:13-16.
16 Sim, o “posteriormente”, predito por Isaías, cumpriu-se no ministério terrestre de Cristo. Jesus passou a maior parte de sua vida terrestre na Galileia. Foi no distrito da Galileia que ele começou seu ministério e passou a anunciar: “O reino dos céus se tem aproximado.” (Mateus 4:17) Na Galileia ele proferiu seu famoso Sermão do Monte, escolheu seus apóstolos, realizou seu primeiro milagre e apareceu a cerca de 500 seguidores, depois de sua ressurreição. (Mateus 5:1–7:27; 28:16-20; Marcos 3:13, 14; João 2:8-11; 1 Coríntios 15:6) Por honrar “a terra de Zebulão e a terra de Naftali”, Jesus cumpriu essa profecia de Isaías. Naturalmente, Jesus não restringiu seu ministério ao povo da Galileia. Por pregar as boas novas em todo o país, Jesus “fez que fosse honrada” a inteira nação de Israel, incluindo Judá.
A “grande luz”
17. Como foi que “uma grande luz” brilhou na Galileia?
17 Mas que dizer da referência de Mateus a “uma grande luz” na Galileia? Isso também foi uma citação da profecia de Isaías, que escreveu: “O povo que andava na escuridão viu uma grande luz. Quanto aos que moram na terra de sombra tenebrosa, resplandeceu sobre eles a própria luz.” (Isaías 9:2) No primeiro século EC, as falsidades pagãs ocultavam a luz da verdade. Os líderes religiosos judaicos haviam agravado o problema por seguirem suas tradições religiosas através das quais haviam ‘invalidado a palavra de Deus’. (Mateus 15:6) Os humildes eram oprimidos e confundidos, seguindo “guias cegos”. (Mateus 23:2-4, 16) Quando veio Jesus, o Messias, os olhos de muitas pessoas humildes foram abertos maravilhosamente. (João 1:9, 12) A obra de Jesus na Terra, e as bênçãos resultantes de seu sacrifício, são bem descritas como “uma grande luz” na profecia de Isaías. — João 8:12.
18, 19. Que motivos de grande alegria tinham aqueles que aceitaram a luz?
18 Os que aceitaram a luz tinham muitos motivos para se alegrar. Isaías continua: “Fizeste populosa a nação; fizeste grande a alegria para ela. Alegraram-se diante de ti como que com a alegria no tempo da colheita, como os que jubilam ao dividirem o despojo.” (Isaías 9:3) Em resultado da pregação de Jesus e de seus seguidores, as pessoas sinceras se manifestaram, expressando seu desejo de adorar a Jeová com espírito e verdade. (João 4:24) Em menos de quatro anos, multidões aceitaram o cristianismo. Três mil pessoas foram batizadas no Pentecostes de 33 EC. Pouco depois, “o número dos homens chegou a cerca de cinco mil”. (Atos 2:41; 4:4) À medida que os discípulos refletiam zelosamente a luz, “o número dos discípulos multiplicava-se grandemente em Jerusalém; e uma grande multidão de sacerdotes começou a ser obediente à fé”. — Atos 6:7.
19 Como aqueles que se alegram com uma colheita farta, ou que se deleitam com a divisão de espólio valioso depois de uma grande vitória militar, os seguidores de Jesus se alegraram com o aumento. (Atos 2:46, 47) Com o tempo, Jeová fez com que a luz brilhasse entre as nações. (Atos 14:27) Assim, pessoas de todas as raças se alegraram de que o caminho de aproximação a Jeová lhes fora aberto. — Atos 13:48.
“Como no dia de Midiã”
20. (a) Como os midianitas mostraram ser inimigos de Israel, e como Jeová acabou com a ameaça que representavam? (b) Num futuro “dia de Midiã”, como Jesus acabará com a ameaça representada pelos inimigos do povo de Deus?
20 Os efeitos da atividade do Messias são permanentes, como mostram as próximas palavras de Isaías: “O jugo do seu fardo e o bastão sobre os seus ombros, a vara daquele que os compele a trabalhar, tu os fragmentaste como no dia de Midiã.” (Isaías 9:4) Séculos antes dos dias de Isaías, os midianitas conspiraram com os moabitas para atrair Israel ao pecado. (Números 25:1-9, 14-18; 31:15, 16) Mais tarde, por sete anos, os midianitas aterrorizaram os israelitas com incursões e saques contra suas aldeias e fazendas. (Juízes 6:1-6) Mas daí Jeová, por meio de seu servo Gideão, desbaratou os exércitos de Midiã. Não há evidência de que depois desse “dia de Midiã” o povo de Jeová tenha de novo sofrido às mãos dos midianitas. (Juízes 6:7-16; 8:28) No futuro próximo, Jesus Cristo, o Gideão maior, aplicará um golpe mortal contra os atuais inimigos do povo de Jeová. (Revelação 17:14; 19:11-21) Daí, “como no dia de Midiã”, será obtida uma vitória completa e duradoura, não por meio da bravura humana, mas pelo poder de Jeová. (Juízes 7:2-22) O povo de Deus nunca mais sofrerá sob o jugo da opressão!
21. O que a profecia de Isaías diz a respeito do futuro das guerras?
21 As demonstrações de poder divino não constituem uma glorificação da guerra. O ressuscitado Jesus é o Príncipe da Paz e, por aniquilar seus inimigos, estabelecerá a paz permanente. Isaías fala a seguir de a parafernália militar estar sendo totalmente destruída pelo fogo: “Toda bota daquele que anda pesadamente com tremores e a capa revolvida em sangue vieram a ser mesmo para a queima, para alimentar o fogo.” (Isaías 9:5) Nunca mais serão sentidos os tremores causados pelo pisar de botas de soldados em marcha. Não mais se verão uniformes manchados de sangue de guerreiros endurecidos pelo combate. Não haverá mais guerras! — Salmo 46:9.
“Maravilhoso Conselheiro”
22. Que múltiplo nome profético se dá a Jesus no livro de Isaías?
22 Por ocasião de seu nascimento miraculoso, o nascido para ser o Messias recebeu o nome de Jesus, que significa “Jeová É Salvação”. Mas ele tem outros nomes, nomes proféticos que resumem seu papel-chave e sua posição elevada. Um desses nomes é Emanuel, que significa “Conosco Está Deus”. (Isaías 7:14, nota) A seguir, Isaías descreve outro nome profético: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o domínio principesco virá a estar sobre o seu ombro. E será chamado pelo nome de Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz.” (Isaías 9:6) Considere o amplo significado desse múltiplo nome profético.
23, 24. (a) Em que sentido Jesus é um “Maravilhoso Conselheiro”? (b) Como podem os conselheiros cristãos hoje imitar o exemplo de Jesus?
23 Conselheiro é aquele que dá conselhos, ou presta assessoria. Quando esteve na Terra, Jesus Cristo deu conselhos maravilhosos. Lemos na Bíblia que ‘as multidões ficavam assombradas com o seu modo de ensinar’. (Mateus 7:28) Ele é um Conselheiro sábio, usa de empatia e tem uma extraordinária compreensão da natureza humana. Seu aconselhamento não se resume a reprimendas ou punições. Na maior parte é em forma de instrução e de conselhos amorosos. Os conselhos de Jesus são maravilhosos porque são sempre sábios, perfeitos e infalíveis. Se forem acatados, conduzirão à vida eterna. — João 6:68.
24 O aconselhamento de Jesus não é mero produto de sua mente brilhante. Em vez disso, ele disse: “O que eu ensino não é meu, mas pertence àquele que me enviou.” (João 7:16) Como no caso de Salomão, Jeová Deus é a Fonte da sabedoria de Jesus. (1 Reis 3:7-14; Mateus 12:42) O exemplo de Jesus deve motivar os instrutores e os conselheiros na congregação cristã a sempre basearem suas instruções na Palavra de Deus. — Provérbios 21:30.
“Deus Poderoso” e “Pai Eterno”
25. O que o nome “Deus Poderoso” nos revela a respeito do celestial Jesus?
25 Jesus é também “Deus Poderoso” e “Pai Eterno”. Isso não significa que ele usurpa a autoridade e a posição de Jeová, que é “Deus, nosso Pai”. (2 Coríntios 1:2) “[Jesus] não deu consideração a uma usurpação, a saber, que devesse ser igual a Deus.” (Filipenses 2:6) Ele é chamado de Deus Poderoso, não de Deus Todo-Poderoso. Jesus jamais se considerou Deus Todo-Poderoso, pois falou de seu Pai como “único Deus verdadeiro”, isto é, o único Deus que deve ser adorado. (João 17:3; Revelação 4:11) Nas Escrituras, a palavra “deus” pode significar “poderoso” ou “forte”. (Êxodo 12:12; Salmo 8:5; 2 Coríntios 4:4) Antes de vir à Terra, Jesus era “um deus”, ou ‘existia em forma de Deus’. Depois de sua ressurreição, ele voltou a uma posição ainda mais alta no céu. (João 1:1; Filipenses 2:6-11) Além disso, a designação “deus” tem ainda outro sentido. Os juízes em Israel eram chamados de “deuses” — certa vez pelo próprio Jesus. (Salmo 82:6; João 10:35) Jesus é o Juiz designado por Jeová, “destinado a julgar os vivos e os mortos”. (2 Timóteo 4:1; João 5:30) Obviamente, é bem apropriado que ele seja chamado de Deus Poderoso.
26. Por que se pode chamar Jesus de “Pai Eterno”?
26 O título “Pai Eterno” refere-se ao poder e à autoridade do Rei messiânico de dar aos humanos a perspectiva de vida eterna na Terra. (João 11:25, 26) O legado de nosso primeiro pai, Adão, foi a morte. Jesus, o último Adão, “tornou-se espírito vivificante”. (1 Coríntios 15:22, 45; Romanos 5:12, 18) Assim como Jesus, o Pai Eterno, viverá para sempre, os humanos obedientes desfrutarão eternamente os benefícios de Sua paternidade. — Romanos 6:9.
“Príncipe da Paz”
27, 28. Que benefícios maravilhosos têm hoje e terão no futuro os súditos do “Príncipe da Paz”?
27 Além de vida eterna, o homem também precisa de paz, com Deus e com o próximo. As pessoas que se sujeitam ao governo do “Príncipe da Paz” já agora ‘forjaram de suas espadas relhas de arado e de suas lanças, podadeiras’. (Isaías 2:2-4) Elas não abrigam rancores causados por divergências políticas, territoriais, raciais ou econômicas. Estão unidas na adoração do único Deus verdadeiro, Jeová, e se empenham por relações pacíficas com seus vizinhos, tanto dentro como fora da congregação. — Gálatas 6:10; Efésios 4:2, 3; 2 Timóteo 2:24.
28 No tempo devido de Deus, Cristo estabelecerá na Terra uma paz global, estabelecida firmemente, para sempre. (Atos 1:7) “Da abundância do domínio principesco e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer firmemente e para o amparar por meio do juízo e por meio da justiça, desde agora e por tempo indefinido.” (Isaías 9:7a) No exercício de sua autoridade como Príncipe da Paz, Jesus não recorrerá à tirania. Seus súditos não serão privados de seu livre-arbítrio e subjugados à força. Em vez disso, tudo o que ele conseguir será “por meio do juízo e por meio da justiça”. Que mudança reanimadora!
29. O que devemos fazer se queremos a bênção da paz duradoura?
29 Em vista das maravilhosas implicações do nome profético de Jesus, Isaías conclui essa parte de sua profecia de modo realmente emocionante. Ele escreve: “O próprio zelo de Jeová dos exércitos fará isso.” (Isaías 9:7b) Sim, Jeová age com zelo. Ele nada faz de maneira irresoluta. Podemos ter certeza de que fará plenamente tudo o que prometeu. Portanto, quem almeja a paz duradoura, sirva a Jeová de todo o coração. Como Jeová Deus e Jesus, o Príncipe da Paz, que todos os servos de Deus sejam ‘zelosos de obras excelentes’! — Tito 2:14.
[Nota(s) de rodapé]
a Muitos acreditam que o Salmo 119 foi escrito por Ezequias, antes de ter se tornado rei. Se for assim, provavelmente foi escrito enquanto Isaías profetizava.
b A expressão “esta declaração”, em Isaías 8:20, talvez se refira à declaração a respeito do espiritismo, citada em Isaías 8:19. Se assim for, Isaías estaria dizendo que os fomentadores do espiritismo em Judá continuariam a instar outros a recorrer a médiuns espíritas, ficando assim sem esclarecimento da parte de Jeová.
c Alguns opinam que as 20 cidades da Galileia que o Rei Salomão ofereceu a Hirão, rei de Tiro, provavelmente eram habitadas por não israelitas. — 1 Reis 9:10-13.
[Mapa/Foto na página 122]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
Corazim
Betsaida
Cafarnaum
Planície de Genesaré
Mar da Galileia
Magadã
Tiberíades
Rio Jordão
GADARA
Gadara
[Fotos na página 119]
Os nascimentos de Caim e de Jesus foram muito especiais. Apenas o de Jesus teve um final feliz
[Foto na página 121]
Haveria uma fome pior do que a fome de pão e a sede de água
[Foto na página 127]
Jesus era uma luz no país
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Ai dos rebeldesProfecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Onze
Ai dos rebeldes!
1. Que erro terrível cometeu Jeroboão?
QUANDO o povo pactuado de Jeová foi dividido em dois reinos, o reino setentrional de dez tribos veio a ser governado por Jeroboão. O novo rei era um governante capaz e dinâmico. Mas faltava-lhe verdadeira fé em Jeová. Isso o levou a cometer um erro terrível, que maculou toda a história do reino setentrional. Sob a Lei mosaica, os israelitas tinham de viajar três vezes por ano ao templo em Jerusalém, que ficava então no reino meridional de Judá. (Deuteronômio 16:16) Temendo que tais viagens periódicas levassem seus súditos a pensar numa reunificação com seus irmãos do sul, Jeroboão “fez dois bezerros de ouro, e disse ao povo: ‘É demais para vós subir a Jerusalém. Eis o teu Deus, ó Israel, que te fez subir da terra do Egito.’ Então colocou um em Betel e o outro em Dã”. — 1 Reis 12:28, 29.
2, 3. Que efeitos teve sobre Israel o erro de Jeroboão?
2 A curto prazo, o plano de Jeroboão parecia funcionar. Aos poucos, o povo deixou de ir a Jerusalém e passou a adorar os dois bezerros. (1 Reis 12:30) No entanto, essa prática religiosa apóstata corrompeu o reino de dez tribos. Em anos posteriores, até mesmo Jeú, que havia demonstrado um zelo tão elogiável em eliminar de Israel a adoração de Baal, curvava-se diante dos bezerros de ouro. (2 Reis 10:28, 29) O que mais resultou da decisão tão tragicamente errada de Jeroboão? Instabilidade política e sofrimento do povo.
3 Visto que Jeroboão se tornara apóstata, Jeová disse que a descendência dele não reinaria sobre o país, e que o reino setentrional acabaria sofrendo um desastre terrível. (1 Reis 14:14, 15) A palavra de Jeová se cumpriu. Sete dos reis de Israel reinaram por dois anos, ou menos — alguns por apenas dias. Um rei se suicidou, e seis foram assassinados por homens ambiciosos que usurparam o trono. Especialmente depois do reinado de Jeroboão II, que findou por volta de 804 AEC (enquanto Uzias reinava em Judá), Israel foi afligido por insurreições, violência e assassinatos. Era essa a situação quando Jeová, por meio de Isaías, mandou um aviso direto, ou “palavra”, ao reino setentrional. “Havia uma palavra enviada por Jeová contra Jacó, e ela caiu sobre Israel.” — Isaías 9:8.a
A altivez e a insolência provocaram a ira de Deus
4. Que “palavra” Jeová proferiu contra Israel, e por quê?
4 A “palavra” de Jeová não seria desconsiderada. “O povo certamente a saberá, sim, todos eles, Efraim e os habitantes de Samaria, por causa da sua altivez e por causa da insolência de seu coração.” (Isaías 9:9) “Jacó”, “Israel”, “Efraim” e “Samaria” referem-se todos ao reino setentrional de Israel, do qual Efraim era a tribo predominante e Samaria a capital. A palavra de Jeová contra esse reino era uma forte declaração judicial, pois Efraim se tornara implacável na apostasia e descaradamente insolente para com Jeová. Deus não protegeria o povo das consequências de seu comportamento perverso. Seriam obrigados a ouvir, ou atentar, à palavra de Deus. — Gálatas 6:7.
5. Que insensibilidade mostravam os israelitas para com as ações punitivas de Jeová?
5 Com a piora das condições, o povo sofria graves perdas, incluindo casas — em geral de adobe e de madeira barata. Abrandou isso o coração deles? Escutaram os profetas de Jeová e retornaram ao Deus verdadeiro?b Isaías registra a reação insolente do povo: “Tijolos é que caíram, mas é com pedra lavrada que construiremos. Sicômoros é que foram cortados, mas é com cedros que faremos a substituição.” (Isaías 9:10) Os israelitas desafiavam a Jeová e repeliam Seus profetas, que lhes diziam por que sofriam tais aflições. Na verdade, o povo dizia: ‘Talvez percamos casas de adobe perecível e de madeira barata, mas nós mais do que compensaremos essas perdas reconstruindo-as com materiais melhores — pedra lavrada e cedro!’ (Note Jó 4:19.) Deixaram Jeová sem alternativa senão discipliná-los ainda mais. — Note Isaías 48:22.
6. Como Jeová minaria a trama siro-israelita contra Judá?
6 Isaías continua: “Jeová porá alto os adversários de Rezim contra ele.” (Isaías 9:11a) Os reis Peca, de Israel, e Rezim, da Síria, eram aliados. Eles tramavam conquistar o reino de Judá, de duas tribos, e colocar no trono de Jeová em Jerusalém um rei fantoche — um certo “filho de Tabeel”. (Isaías 7:6) Mas a conspiração fracassaria. Rezim tinha inimigos poderosos, e Jeová ‘poria alto’ esses inimigos contra “ele”, Israel. A expressão “porá alto” significa que se lhes permitiria travar guerra que resultasse na destruição da aliança e de seus objetivos.
7, 8. Para Israel, o que resultou da conquista da Síria pela Assíria?
7 A dissolução dessa aliança começou quando a Assíria atacou a Síria. “O rei da Assíria subiu a Damasco [capital da Síria] e a capturou, e levou seu povo ao exílio em Quir e a Rezim entregou à morte.” (2 Reis 16:9) Tendo perdido seu poderoso aliado, Peca viu que seus planos com relação a Judá foram frustrados. De fato, pouco depois da morte de Rezim, o próprio Peca foi assassinado por Oseias, que depois usurpou o trono de Samaria. — 2 Reis 15:23-25, 30.
8 A Síria, ex-aliada de Israel, passou a ser vassalo da Assíria, a potência dominante na região. Isaías profetizou como Jeová usaria esse novo alinhamento político: “Incitará os inimigos dele [de Israel], a Síria desde o oriente e os filisteus desde a retaguarda, e eles consumirão Israel de boca aberta. Sua ira não recuou em vista de tudo isso, mas a sua mão ainda está estendida.” (Isaías 9:11b, 12) Sim, a Síria passou a ser inimiga de Israel, que agora tinha de se preparar para um ataque da Assíria e da Síria. A invasão deu certo. A Assíria fez do usurpador Oseias seu servo, exigindo um pesado tributo. (Algumas décadas antes, a Assíria recebera uma grande soma do Rei Menaém, de Israel.) Quão certas as palavras do profeta Oseias: “Estranhos consumiram-lhe o poder [de Efraim]”! — Oseias 7:9; 2 Reis 15:19, 20; 17:1-3.
9. Por que se pode dizer que os filisteus atacaram pela “retaguarda”?
9 Isaías não disse também que os filisteus invadiriam pela “retaguarda”? Sim. Antes da invenção das bússolas magnéticas, os hebreus indicavam a direção segundo a perspectiva de uma pessoa de frente para o nascente. Assim, o “oriente” era a frente, e o ocidente, a pátria costeira dos filisteus, era a “retaguarda”. O “Israel”, mencionado em Isaías 9:12, talvez incluísse Judá nesse caso, pois os filisteus invadiram Judá no reinado do contemporâneo de Peca, Acaz, capturando e ocupando várias cidades e fortalezas judaicas. Como Efraim, no norte, Judá merecia essa punição de Jeová, pois também estava impregnado de apostasia. — 2 Crônicas 28:1-4, 18, 19.
Da ‘cabeça à cauda’— uma nação de rebeldes
10, 11. Como Jeová puniria Israel por sua persistente rebelião?
10 Apesar de todo seu sofrimento — e dos fortes pronunciamentos dos profetas de Jeová — o reino setentrional persistia na rebelião contra Jeová. “Os do próprio povo não retornaram Àquele que os golpeava, e não buscaram a Jeová dos exércitos.” (Isaías 9:13) Consequentemente, diz o profeta: “Jeová decepará de Israel cabeça e cauda, broto e junco, num só dia. O idoso e altamente respeitado é a cabeça, e o profeta que dá instrução falsa é a cauda. E os que encaminham este povo mostram ser os que o fazem vaguear; e os que estão sendo encaminhados são os que estão sendo confundidos.” — Isaías 9:14-16.
11 A “cabeça” e o “broto” simbolizavam ‘os idosos e altamente respeitados’ — os líderes daquela nação. A “cauda” e o “junco” referiam-se aos falsos profetas que diziam coisas que os líderes gostavam de ouvir. Certo erudito bíblico escreveu: “Os falsos profetas são chamados de cauda, pois moralmente eram os mais degradados e porque seguiam servilmente e apoiavam governantes perversos.” O professor Edward J. Young diz a respeito desses falsos profetas: “Eles não eram líderes, mas, seguindo os líderes, simplesmente lisonjeavam e bajulavam, como a cauda balançante de um cão.” — Note 2 Timóteo 4:3.
Até ‘viúvas e órfãos’ eram rebeldes
12. Quão arraigada estava a corrupção na sociedade israelita?
12 Jeová é o Defensor das viúvas e dos órfãos. (Êxodo 22:22, 23) No entanto, ouça o que Isaías diz a seguir: “Jeová não se alegrará nem mesmo com os jovens deles, e não terá misericórdia com os seus meninos órfãos de pai e com as suas viúvas; porque todos eles são apóstatas e malfeitores, e cada boca fala insensatez. Sua ira não recuou em vista de tudo isso, mas a sua mão ainda está estendida.” (Isaías 9:17) A apostasia havia corrompido todas as camadas da sociedade, incluindo as viúvas e os órfãos! Jeová enviava pacientemente seus profetas, na esperança de que o povo mudasse de comportamento. Por exemplo, “volta deveras a Jeová, teu Deus, ó Israel, pois tropeçaste no teu erro”, instava Oseias. (Oseias 14:1) Como deve ter sido doloroso para o Defensor das viúvas e dos órfãos ter de punir até mesmo esses!
13. O que podemos aprender da situação existente nos dias de Isaías?
13 Como Isaías, vivemos em tempos críticos que antecedem o dia de execução da sentença de Jeová contra os perversos. (2 Timóteo 3:1-5) Portanto, como é vital que os cristãos verdadeiros, independentemente de sua situação na vida, permaneçam espiritual, moral e mentalmente puros a fim de reter o favor de Deus! Que cada um de nós preserve zelosamente a sua relação com Jeová! Que ninguém que tenha saído de “Babilônia, a Grande”, jamais volte a “compartilhar com ela nos seus pecados”! — Revelação (Apocalipse) 18:2, 4.
A adoração falsa gera violência
14, 15. (a) O que resulta da adoração demoníaca? (b) Isaías profetizou que Israel experimentaria que crescente sofrimento?
14 Adoração falsa é, na verdade, adoração de demônios. (1 Coríntios 10:20) Como se viu antes do Dilúvio, a influência demoníaca leva à violência. (Gênesis 6:11, 12) Assim, não é de admirar que quando Israel tornou-se apóstata e passou a adorar demônios, a violência e a perversidade tenham enchido o país. — Deuteronômio 32:17; Salmo 106:35-38.
15 Com expressiva linguagem figurada, Isaías descreve a disseminação da perversidade e da violência em Israel: “A iniquidade ficou em chamas como um fogo; consumirá espinheiros e ervas daninhas. E pegará fogo nas moitas da floresta e elas serão levadas para cima como bulcão de fumaça. Na fúria de Jeová dos exércitos incendiou-se a terra, e o povo tornar-se-á como pasto para o fogo. Ninguém terá compaixão nem mesmo de seu irmão. E um cortará à direita e certamente passará fome; e outro comerá à esquerda, e eles certamente não se fartarão. Comerão cada um a carne de seu próprio braço, Manassés a Efraim, e Efraim a Manassés. Juntos serão contra Judá. Sua ira não recuou em vista de tudo isso, mas a sua mão ainda está estendida.” — Isaías 9:18-21.
16. Como se cumpriram as palavras de Isaías 9:18-21?
16 Como uma chama que passa de um espinheiro para outro, a violência fugia ao controle e rapidamente alcançava as “moitas da floresta”, causando um pleno incêndio florestal de violência. Os comentaristas bíblicos Keil e Delitzsch descrevem esse nível de violência como “a mais desumana autodestruição durante uma anárquica guerra civil. Destituídos de quaisquer sentimentos de afeto, eles devoravam uns aos outros sem se saciarem”. Provavelmente, as tribos de Efraim e de Manassés são destacadas aqui porque eram as representantes principais do reino setentrional e, como descendentes dos dois filhos de José, eram as que tinham um parentesco mais forte entre si. Apesar disso, porém, elas interrompiam a sua violência fratricida apenas quando guerreavam contra Judá, no sul. — 2 Crônicas 28:1-8.
Juízes corruptos seriam julgados
17, 18. Que corrupção existia no sistema jurídico e administrativo de Israel?
17 A seguir, Jeová focalizou seu olho judicial nos juízes e em outras autoridades corruptas de Israel. Eles abusavam de seu poder extorquindo os humildes e aflitos que os procuravam em busca de justiça. Isaías diz: “Ai dos que legislam regulamentos prejudiciais e dos que, escrevendo constantemente, têm escrito pura desgraça, a fim de apartar os de condição humilde de alguma causa jurídica e para arrebatar dos atribulados do meu povo a justiça, para que as viúvas se tornem seu despojo e para que saqueiem até mesmo os meninos órfãos de pai!” — Isaías 10:1, 2.
18 A Lei de Jeová proibia todo tipo de injustiça: “Não deveis fazer injustiça no julgamento. Não deves tratar com parcialidade ao de condição humilde e não deves dar preferência à pessoa do grande.” (Levítico 19:15) Desrespeitando essa lei, essas autoridades haviam criado seus próprios “regulamentos prejudiciais”, legitimando assim o roubo flagrante da mais cruel espécie — extorquir os escassos bens de viúvas e de órfãos. Os deuses falsos de Israel estavam, naturalmente, cegos para com essa injustiça, mas Jeová não. Por meio de Isaías, Jeová focalizava agora sua atenção nesses juízes iníquos.
19, 20. Que mudança haveria na situação dos corruptos juízes israelitas, e o que aconteceria com a sua “glória”?
19 “O que fareis vós no dia de se dar atenção e na ruína, quando vier de longe? Para quem fugireis por auxílio e onde deixareis a vossa glória, senão para ter de dobrar-se sob os presos e para as pessoas continuarem a cair debaixo dos que foram mortos?” (Isaías 10:3, 4a) As viúvas e os órfãos não tinham juízes honestos a quem recorrer. Assim, como era apropriado que Jeová perguntasse então a esses juízes israelitas corruptos a quem eles recorreriam, agora que Jeová os chamava para prestar contas! Sim, eles logo saberiam que é ‘terrível cair nas mãos do Deus vivente’. — Hebreus 10:31.
20 A “glória” desses juízes iníquos — o prestígio mundano, a honra e o poder que acompanhavam sua riqueza e seu cargo — seria passageira. Alguns deles se tornariam prisioneiros de guerra, ‘se dobrariam’, ou se curvariam, entre outros prisioneiros, ao passo que o restante deles seria morto e seus corpos seriam cobertos pelos demais mortos na guerra. A sua “glória” incluía também riquezas ilícitas, que seriam saqueadas pelo inimigo.
21. Em vista das punições que a nação de Israel já teria sofrido, será que a ira de Jeová contra ela cessaria?
21 Isaías conclui essa estrofe final com um alerta sombrio: “Sua ira não recuou em vista de tudo isso [o mal que a nação já teria sofrido], mas a sua mão ainda está estendida.” (Isaías 10:4b) Sim, Jeová tinha mais a dizer a Israel. A Sua mão estendida não seria recolhida até que ele aplicasse um golpe final e devastador contra o rebelde reino setentrional.
Jamais caia presa da falsidade e do egoísmo
22. Que lição podemos aprender do que aconteceu com Israel?
22 A palavra de Jeová por meio de Isaías caiu pesado sobre Israel e ‘não voltou a ele sem resultados’. (Isaías 55:10, 11) A História registra o fim trágico do reino setentrional de Israel, e pode-se imaginar o sofrimento que seus habitantes tiveram de suportar. Com a mesma certeza, a palavra de Deus se cumprirá no atual sistema mundial, especialmente na apóstata cristandade. Portanto, como é importante que os cristãos não deem ouvidos à propaganda mentirosa contra Deus! Graças à Palavra de Deus, as astutas estratégias de Satanás há muito foram expostas, de modo que não precisamos ser ludibriados por elas, como foi o povo do Israel antigo. (2 Coríntios 2:11) Jamais cessemos de adorar a Jeová “com espírito e verdade”. (João 4:24) Nesse caso, a mão estendida de Deus não golpeará seus adoradores, como fez com a rebelde Efraim; ele os envolverá afetuosamente nos braços e os ajudará no caminho à vida eterna numa Terra paradísica. — Tiago 4:8.
[Nota(s) de rodapé]
a Isaías 9:8–10:4 compõe-se de quatro estrofes (trechos de um texto rítmico), cada qual terminando com o ominoso refrão: “Sua ira não recuou em vista de tudo isso, mas a sua mão ainda está estendida.” (Isaías 9:12, 17, 21; 10:4) Esse expediente literário interliga Isaías 9:8–10:4, formando uma só “palavra” composta. (Isaías 9:8) Observe também que a mão de Jeová ‘ainda estava estendida’, não para oferecer reconciliação, mas para julgar. — Isaías 9:13.
b Entre os profetas de Jeová no reino setentrional de Israel havia Jeú (não o rei), Elias, Micaías, Eliseu, Jonas, Odede, Oseias, Amós e Miqueias.
[Foto na página 139]
A perversidade e a violência se espalharam em Israel como um incêndio florestal
[Foto na página 141]
Jeová exigiria uma prestação de contas dos que espoliavam os outros
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‘Não tenhas medo do assírio’Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Doze
‘Não tenhas medo do assírio’
1, 2. (a) Do ponto de vista humano, por que Jonas parecia ter boa razão para relutar em aceitar a missão de pregar aos assírios? (b) Como os ninivitas reagiram à mensagem de Jonas?
EM MEADOS do nono século AEC, o profeta hebreu Jonas, filho de Amitai, foi a Nínive, capital do Império Assírio. Ele tinha uma mensagem forte para transmitir. Jeová lhe havia dito: “Levanta-te, vai a Nínive, a grande cidade, e proclama contra ela que subiu perante mim a maldade deles.” — Jonas 1:2, 3.
2 De início, ao receber a sua missão, Jonas fugiu no sentido oposto, para Társis. Do ponto de vista humano, Jonas tinha razão para relutar. Os assírios eram um povo cruel. Note o que um monarca assírio fez com seus inimigos: “Cortei os membros dos oficiais . . . A muitos cativos dentre eles queimei no fogo, e a muitos levei como cativos vivos. De alguns decepei as mãos e os dedos, e de outros decepei o nariz.” Mesmo assim, quando Jonas finalmente transmitiu a mensagem de Jeová, os ninivitas se arrependeram de seus pecados e Jeová poupou a cidade naquela ocasião. — Jonas 3:3-10; Mateus 12:41.
Jeová usaria “a vara”
3. Como a reação dos israelitas aos avisos dos profetas de Jeová foi diferente da reação dos ninivitas?
3 Será que os israelitas, a quem Jonas também pregou, reagiram bem? (2 Reis 14:25) Não. Eles voltaram as costas para a adoração pura. De fato, chegaram a “curvar-se diante de todo o exército dos céus e a servir a Baal”. Ademais, “continuaram a fazer seus filhos e suas filhas passar pelo fogo e a praticar a adivinhação, e a procurar presságios, e foram vender-se para fazer o que era mau aos olhos de Jeová, para o ofender”. (2 Reis 17:16, 17) Diferentemente dos ninivitas, Israel não reagiu bem quando Jeová enviou profetas para alertá-los. Assim, Jeová decidiu tomar medidas mais fortes.
4, 5. (a) O que se queria dizer com “o assírio”, e como Jeová o usaria como “vara”? (b) Quando Samaria caiu?
4 Por algum tempo depois da visita de Jonas a Nínive, houve um declínio na agressão assíria.a Contudo, no início do oitavo século AEC, a Assíria se reafirmou como potência militar, e Jeová a usou de maneira espantosa. O profeta Isaías transmite um aviso de Jeová ao reino setentrional de Israel: “Ah! o assírio, a vara para a minha ira e o bastão na mão deles para a verberação por mim! Enviá-lo-ei contra uma nação apóstata e dar-lhe-ei uma ordem contra o povo da minha fúria, para tomar muito despojo e tomar muito saque, e para fazer dele um lugar pisado como o barro das ruas.” — Isaías 10:5, 6.
5 Que humilhação para os israelitas! Deus usaria uma nação pagã — “o assírio” — como “vara” para puni-los. Em 742 AEC, o rei assírio Salmaneser V lançou o cerco contra Samaria, capital da apóstata nação de Israel. De sua localização estratégica numa elevação de uns 90 metros, Samaria resistiu ao inimigo por quase três anos. Mas nenhuma estratégia humana pode obstruir o propósito de Deus. Samaria caiu em 740 AEC, pisada por pés assírios. — 2 Reis 18:10.
6. Em que sentido o assírio desejava ir além do que Jeová tencionava para ele?
6 Embora tivessem sido usados por Jeová para ensinar uma lição ao Seu povo, os próprios assírios não davam reconhecimento a Jeová. É por isso que Jeová prossegue: “Embora ele [o assírio] talvez não seja assim, sentir-se-á inclinado a isso; embora seu coração talvez não seja assim, maquinará, porque tem no coração aniquilar e decepar não poucas nações.” (Isaías 10:7) Jeová tencionava fazer do assírio um instrumento na mão divina. Mas a inclinação do assírio era querer ser outra coisa. Seu coração o impelia a maquinar algo maior — conquistar o mundo então conhecido!
7. (a) Explique a expressão “não são os meus príncipes ao mesmo tempo reis?” (b) Ao que devem atentar hoje os que abandonam a Jeová?
7 Antes de o assírio conquistá-las, muitas cidades não israelitas eram governadas por reis. Esses ex-reis tinham de submeter-se agora ao rei da Assíria como príncipes vassalos, de modo que ele podia jactar-se, com razão: “Não são os meus príncipes ao mesmo tempo reis?” (Isaías 10:8) Os deuses falsos de cidades importantes das nações não podiam salvar seus adoradores da destruição. Os deuses adorados pelos moradores de Samaria, como Baal, Moloque e os bezerros de ouro, não protegeriam essa cidade. Tendo abandonado a Jeová, Samaria não teria o direito de esperar que ele interviesse. Que todos os que hoje abandonam a Jeová atentem ao destino de Samaria! O assírio podia muito bem jactar-se a respeito de Samaria e de outras cidades que conquistou: “Não é Calno como Carquemis? Não é Hamate como Arpade? Não é Samaria como Damasco?” (Isaías 10:9) Para o assírio eram todas a mesma coisa — despojo à sua disposição.
8, 9. Por que o assírio foi longe demais ao cobiçar Jerusalém?
8 No entanto, a jactância do assírio ia longe demais. Dizia ele: “Quando minha mão tiver alcançado os reinos do deus que nada vale, cujas imagens entalhadas são mais do que as em Jerusalém e em Samaria, não se dará que, como terei feito a Samaria e aos seus deuses que nada valem, assim farei a Jerusalém e aos seus ídolos?” (Isaías 10:10, 11) Os reinos que o assírio já havia derrotado possuíam muito mais ídolos do que Jerusalém ou mesmo Samaria. ‘O que’, raciocinava ele, ‘vai me impedir de fazer a Jerusalém o que fiz a Samaria?’
9 Que fanfarrão! Jeová não permitiria que ele tomasse Jerusalém. É verdade que Judá não tinha um registro imaculado de apoio à adoração verdadeira. (2 Reis 16:7-9; 2 Crônicas 28:24) Jeová havia advertido que, por causa de sua infidelidade, Judá sofreria muito durante a invasão assíria. Mas Jerusalém sobreviveria. (Isaías 1:7, 8) Quando a invasão assíria ocorreu, o rei em Jerusalém era Ezequias. Ele não era como seu pai, Acaz. Ora, logo no primeiro mês de seu reinado, Ezequias reabriu as portas do templo e restaurou a adoração pura! — 2 Crônicas 29:3-5.
10. O que Jeová prometeu a respeito do assírio?
10 Portanto, o planejado ataque da Assíria contra Jerusalém não tinha a aprovação de Jeová. Ele prometeu um acerto de contas com essa insolente potência mundial: “Terá de acontecer que, quando Jeová terminar todo o seu trabalho no monte Sião e em Jerusalém, ajustarei contas pelos frutos da insolência do coração do rei da Assíria e pela vanglória do seu enaltecimento de olhos.” — Isaías 10:12.
Rumo a Judá e Jerusalém!
11. Por que o assírio achava que Jerusalém seria uma presa fácil?
11 Oito anos após a queda do reino setentrional, em 740 AEC, um novo monarca assírio, Senaqueribe, marchou contra Jerusalém. Isaías descreve poeticamente o orgulhoso plano de Senaqueribe: “Removerei os termos de povos e certamente rapinarei as suas coisas armazenadas, e submeterei os habitantes como alguém forte. E como se fosse a um ninho, minha mão alcançará os recursos dos povos; e assim como se ajuntam os ovos que foram deixados, eu é que vou ajuntar até mesmo toda a terra, e certamente não haverá quem bata as suas asas, ou abra a sua boca, ou chilre.” (Isaías 10:13, 14) Senaqueribe pensava que, assim como outras cidades já haviam caído e Samaria não existia mais, Jerusalém seria uma presa fácil. A cidade talvez oferecesse alguma resistência, mas, praticamente sem nenhum chilreio, seus habitantes seriam logo subjugados e seus recursos recolhidos como ovos de um ninho abandonado.
12. Segundo mostrou Jeová, qual era a maneira correta de encarar as jactâncias do assírio?
12 Mas Senaqueribe se esquecia de algo. A apóstata Samaria merecia a punição que recebera. Sob o Rei Ezequias, porém, Jerusalém voltara a ser um baluarte da adoração pura. Quem quer que desejasse tocar em Jerusalém teria de se entender com Jeová! Isaías pergunta, indignado: “Realçar-se-á o machado sobre aquele que corta com ele, ou magnificar-se-á a própria serra sobre aquele que a move para lá e para cá, como se a vara movesse para lá e para cá aqueles que a erguem, como se o bastão erguesse aquele que não é pau?” (Isaías 10:15) O Império Assírio era um mero instrumento na mão de Jeová, assim como o machado, a serra, a vara ou o bastão podem ser usados por um lenhador, um serrador de madeira ou um pastor. Como ousava o bastão engrandecer-se acima daquele que o usava?
13. Identifique e diga o que aconteceria com (a) os “gordos”; (b) ‘as ervas daninhas e os espinheiros’; (c) “a glória da sua floresta”.
13 O que aconteceria com o assírio? “O verdadeiro Senhor, Jeová dos exércitos, continuará a enviar a emaciação sobre os seus gordos, e sob a sua glória estará acesa uma queima como a queima de fogo. E a Luz de Israel terá de tornar-se um fogo, e seu Santo, uma chama; e terá de chamejar e consumir suas ervas daninhas e seus espinheiros num só dia. E Ele acabará com a glória da sua floresta e do seu pomar, desde a própria alma até a carne, e terá de tornar-se igual ao definhamento de quem padece de doença. E o restante das árvores da sua floresta — ficarão em número tal que um mero rapaz as poderá anotar.” (Isaías 10:16-19) Sim, Jeová reduziria aquele “bastão” assírio às suas reais dimensões! Os “gordos” do exército do assírio, seus robustos soldados, sofreriam uma “emaciação”. Não pareceriam muito fortes! Como tantas ervas daninhas e espinheiros, as suas tropas terrestres seriam queimadas pela Luz de Israel, Jeová Deus. E “a glória da sua floresta”, seus oficiais militares, chegariam ao seu fim. Depois de Jeová acabar com o assírio, restariam tão poucos oficiais que um simples menino poderia contá-los nos dedos! — Veja também Isaías 10:33, 34.
14. Até que ponto o assírio havia avançado no solo de Judá em 732 AEC?
14 Ainda assim, para os judeus que viviam em Jerusalém, em 732 AEC, certamente era difícil crer que o assírio seria derrotado. O vasto exército assírio avançava implacavelmente. Veja a lista de cidades de Judá que já haviam caído: “Ele chegou sobre Aiate . . . Migrom . . . Micmás . . . Geba . . . Ramá . . . Gibeá de Saul . . . Galim . . . Laísa . . . Anatote . . . Madmena . . . Gebim . . . Nobe.” (Isaías 10:28-32a)b Por fim, os invasores chegaram a Laquis, apenas 50 quilômetros de Jerusalém. Logo depois, um enorme exército assírio ameaçava a cidade. “Sacode ameaçadoramente a sua mão contra o monte da filha de Sião, o morro de Jerusalém.” (Isaías 10:32b) O que poderia deter o assírio?
15, 16. (a) Por que o Rei Ezequias necessitava de forte fé? (b) Com que base Ezequias tinha fé de que Jeová o socorreria?
15 No seu palácio na cidade, o Rei Ezequias se angustiava. Ele rasgou as suas vestes e cobriu-se de serapilheira. (Isaías 37:1) Mandou emissários ao profeta Isaías a fim de pedir o apoio de Jeová para Judá. Logo esses trouxeram a resposta de Jeová: “Não tenhas medo . . . Eu certamente defenderei esta cidade.” (Isaías 37:6, 35) Mesmo assim, os assírios pareciam ameaçadores e extremamente confiantes.
16 Fé — é isso o que sustentaria o Rei Ezequias nessa crise. Fé é “a demonstração evidente de realidades, embora não observadas”. (Hebreus 11:1) Envolve olhar além do óbvio. Mas a fé se baseia em conhecimento. Provavelmente, Ezequias se lembrava de que Jeová já havia dito estas palavras consoladoras: “Não tenhas medo, povo meu, que moras em Sião, por causa do assírio . . . Pois ainda um pouquinho — e a verberação terá chegado ao fim, e a minha ira, no desgaste deles. E Jeová dos exércitos certamente brandirá contra ele um chicote, como na derrota de Midiã junto à rocha de Orebe; e seu bastão estará sobre o mar, e certamente o levantará na maneira como fez com o Egito.” (Isaías 10:24-26)c Sim, o povo de Deus já havia enfrentado situações difíceis. Junto ao mar Vermelho, parecia que os ancestrais de Ezequias seriam irremediavelmente sobrepujados pelo exército egípcio. Séculos antes, Gideão enfrentou uma estonteante desvantagem numérica quando Midiã e Amaleque invadiram Israel. No entanto, Jeová livrou seu povo nessas duas ocasiões. — Êxodo 14:7-9, 13, 28; Juízes 6:33; 7:21, 22.
17. Como foi “destroçado” o jugo assírio, e por quê?
17 Faria Jeová de novo o que fez nessas ocasiões anteriores? Sim. Ele prometeu: “Naquele dia terá de acontecer que o fardo dele sumirá de cima de teu ombro, e o jugo dele, de cima de teu pescoço, e o jugo certamente será destroçado por causa do óleo.” (Isaías 10:27) O jugo assírio seria removido dos ombros e do pescoço do povo pactuado de Deus. De fato, o jugo seria “destroçado” — e foi destroçado! Numa só noite, o anjo de Jeová matou 185 mil assírios. A ameaça foi removida e os assírios deixaram o solo de Judá para sempre. (2 Reis 19:35, 36) Por quê? “Por causa do óleo.” Isso talvez se refira ao óleo usado para ungir Ezequias como rei na linhagem de Davi. Assim, Jeová cumpriu sua promessa: “Eu certamente defenderei esta cidade para a salvar por minha própria causa e por causa de Davi, meu servo.” — 2 Reis 19:34.
18. (a) Tem a profecia de Isaías mais de um cumprimento? Explique. (b) Que organização hoje se assemelha à antiga Samaria?
18 O relato de Isaías considerado neste capítulo tem a ver com eventos ocorridos em Judá há mais de 2.700 anos. Mas esses eventos são da mais alta importância hoje. (Romanos 15:4) Significa isso que os personagens principais dessa emocionante narrativa — os habitantes de Samaria e de Jerusalém, bem como os assírios — têm correlativos modernos? Sim, eles têm. Como a idólatra Samaria, a cristandade afirma adorar a Jeová, mas ela é totalmente apóstata. Na obra An Essay on the Development of Christian Doctrine (Ensaio Sobre o Desenvolvimento da Doutrina Cristã), o cardeal católico-romano John Henry Newman admite que certos itens que a cristandade usa há séculos, como incenso, velas, água benta, vestes sacerdotais e imagens, “são todos de origem pagã”. O desagrado de Jeová com a adoração paganizada da cristandade não é menor do que era com a idolatria de Samaria.
19. De que a cristandade tem sido alertada, e por quem?
19 Por anos, as Testemunhas de Jeová têm alertado a cristandade a respeito desse desagrado de Jeová. Em 1955, por exemplo, o discurso público “A Cristandade ou o Cristianismo — Qual É ‘a Luz do Mundo’?”, foi proferido no mundo inteiro. Esse discurso mostrava vividamente como a cristandade havia se desviado da genuína doutrina e prática cristã. Depois, cópias desse poderoso discurso foram enviadas pelo correio a clérigos em muitos países. Como organização, a cristandade não tem acatado o aviso. Ela deixa Jeová sem alternativa senão discipliná-la com uma “vara”.
20. (a) Quem servirá como assírio moderno, e como será usado como vara? (b) Quão ampla será a disciplina da cristandade?
20 A quem Jeová usará para disciplinar a rebelde cristandade? A resposta está no capítulo 17 de Revelação (Apocalipse). Apresenta-se ali uma meretriz, “Babilônia, a Grande”, que representa todas as religiões falsas do mundo, incluindo a cristandade. A meretriz está sentada numa fera cor de escarlate com sete cabeças e dez chifres. (Revelação 17:3, 5, 7-12) A fera representa a organização das Nações Unidas.d Assim como o assírio do passado destruiu Samaria, a fera cor de escarlate ‘odiará a meretriz e a fará devastada e nua, e comerá as suas carnes e a queimará completamente no fogo’. (Revelação 17:16) Assim, o assírio moderno (as nações ligadas à ONU) aplicará um duro golpe contra a cristandade e a extinguirá.
21, 22. Quem induzirá a fera a atacar o povo de Deus?
21 Será que as Testemunhas fiéis de Jeová perecerão junto com Babilônia, a Grande? Não. Deus não está descontente com elas. A adoração pura sobreviverá. Contudo, a fera que destruirá Babilônia, a Grande, gananciosamente voltará seus olhos também para o povo de Jeová. Ao fazer isso, a fera não executará o pensamento de Deus, mas sim de outro personagem. De quem? De Satanás, o Diabo.
22 Jeová expôs a presunçosa trama de Satanás: “Naquele dia terá de acontecer que subirão coisas ao teu coração [o de Satanás] e certamente inventarás um ardil maligno; e terás de dizer: ‘. . . Chegarei aos que têm sossego, morando em segurança, todos eles habitando sem muralha [protetora] . . .’ Será para ganhar muito despojo e fazer grande saque.” (Ezequiel 38:10-12) Satanás raciocinará: ‘Ora, por que não incitar as nações a atacar as Testemunhas de Jeová? Elas são vulneráveis, estão desprotegidas, não têm influência política. Não oferecerão resistência. Será tão fácil apanhá-las como a ovos de um ninho desprotegido!’
23. Por que o assírio moderno será incapaz de fazer ao povo de Deus o que fará à cristandade?
23 Mas cuidado, nações! Saibam que se tocarem no povo de Jeová terão de acertar contas com o próprio Deus! Jeová ama seu povo, e ele lutará por eles tão certamente como lutou por Jerusalém nos dias de Ezequias. Ao tentar aniquilar o povo de Jeová, o assírio moderno estará na verdade lutando contra Jeová Deus e o Cordeiro, Jesus Cristo. Uma batalha que o assírio não poderá vencer. “O Cordeiro os vencerá”, diz a Bíblia, “porque ele é Senhor dos senhores e Rei dos reis”. (Revelação 17:14; note Mateus 25:40.) Como o assírio do passado, a fera cor de escarlate ‘irá para a destruição’. Não mais será temida. — Revelação 17:11.
24. (a) O que os cristãos verdadeiros estão determinados a fazer em preparação para o futuro? (b) Como se pode dizer que Isaías olha ainda mais à frente? (Veja quadro na página 155.)
24 Os cristãos verdadeiros poderão enfrentar o futuro sem medo se mantiverem forte a sua relação com Jeová e se derem primazia na vida a fazer a Sua vontade. (Mateus 6:33) Nesse caso, não precisarão ‘temer mal nenhum’. (Salmo 23:4) Com olhos da fé, verão o poderoso braço de Deus erguido, não para puni-los, mas para protegê-los contra Seus inimigos. E seus ouvidos ouvirão as reanimadoras palavras: ‘Não tenhais medo.’ — Isaías 10:24.
[Nota(s) de rodapé]
b Para fins de clareza, Isaías 10:28-32 é considerado antes de Isaías 10:20-27.
c Para uma consideração de Isaías 10:20-23, veja “Isaías olha ainda mais à frente”, na página 155.
d Mais informações sobre a identidade da meretriz e da fera cor de escarlate encontram-se nos capítulos 34 e 35 do livro Revelação — Seu Grandioso Clímax Está Próximo!, publicado pelas Testemunhas de Jeová.
[Quadro/Fotos nas páginas 155, 156]
ISAÍAS OLHA AINDA MAIS À FRENTE
O capítulo 10 de Isaías focaliza primariamente a maneira como Jeová usaria a invasão assíria para executar julgamento contra Israel e a sua promessa de defender Jerusalém. Visto que os versículos 20 ao 23 de Is 10 estão localizados no meio dessa profecia, eles podem ser encarados como tendo um cumprimento geral durante o mesmo período. (Note Isaías 1:7-9.) Contudo, o fraseado indica que esses versículos se aplicam mais especificamente a períodos posteriores, quando Jerusalém também teria de responder pelos pecados de seus habitantes.
O Rei Acaz buscava segurança recorrendo à Assíria. O profeta Isaías predisse que, numa época futura, os sobreviventes da casa de Israel nunca mais agiriam de modo tão insensato. Isaías 10:20 diz que ‘se apoiariam em Jeová, o Santo de Israel, em veracidade’. Mas o versículo 21 de Is 10 mostra que apenas um pequeno número faria isso: “Um mero restante retornará.” Isso nos faz lembrar do filho de Isaías, Sear-Jasube, que era um sinal em Israel e cujo nome significa “Um Mero Restante Retornará”. (Isaías 7:3) O versículo 22 do capítulo 10 de Is alerta sobre um vindouro “extermínio” que havia sido decidido. Tal extermínio seria justo por se tratar de uma punição merecida de um povo rebelde. Em resultado disso, de uma densamente povoada nação “como os grãos de areia do mar”, apenas um restante retornaria. O versículo 23 de Is 10 alerta que esse vindouro extermínio afetaria o país inteiro. Dessa vez Jerusalém não seria poupada.
Esses versículos descrevem bem o que aconteceu em 607 AEC, quando Jeová usou o Império Babilônico como “vara”. O país inteiro, incluindo Jerusalém, caiu diante do invasor. Os judeus foram levados cativos a Babilônia, onde ficaram 70 anos. Depois disso, porém, alguns — mesmo que só “um mero restante” — retornaram para restabelecer a adoração verdadeira em Jerusalém.
A profecia de Isaías 10:20-23 teve outro cumprimento no primeiro século, como mostra Romanos 9:27, 28. (Note Isaías 1:9; Romanos 9:29.) Paulo explica que, em sentido espiritual, um “restante” de judeus ‘retornou’ a Jeová no primeiro século EC, na medida em que um pequeno número de judeus fiéis se tornaram seguidores de Jesus Cristo e passaram a adorar a Jeová “com espírito e verdade”. (João 4:24) A esses se juntaram mais tarde crentes gentios, formando assim uma nação espiritual, “o Israel de Deus”. (Gálatas 6:16) Cumpriram-se então as palavras de Isaías 10:20, de que “nunca mais” uma nação dedicada a Jeová se desviaria dele em busca de apoio de fontes humanas.
[Foto na página 147]
Senaqueribe pensava que juntar as nações seria tão fácil como recolher ovos de um ninho
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Salvação e alegria sob o reinado do MessiasProfecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Treze
Salvação e alegria sob o reinado do Messias
1. Descreva a condição espiritual do povo pactuado de Deus nos dias de Isaías.
NOS dias de Isaías, a condição espiritual do povo pactuado de Deus era ruim. Mesmo sob o reinado de reis fiéis, como Uzias e Jotão, muitos adoravam nos altos. (2 Reis 15:1-4, 34, 35; 2 Crônicas 26:1, 4) Quando Ezequias se tornou rei, teve de remover do país os acessórios da adoração de Baal. (2 Crônicas 31:1) Não é de admirar que Jeová exortasse seu povo a retornar a ele e os advertisse sobre a disciplina que sofreriam.
2, 3. Que encorajamento Jeová fornece para quem deseja servi-lo apesar da generalizada falta de fé?
2 Contudo, nem todos eram rebeldes insolentes. Jeová tinha profetas fiéis, e provavelmente havia alguns judeus que lhes davam ouvidos. Para eles, Jeová tinha palavras encorajadoras. Após descrever as terríveis depredações que Judá sofreria durante a invasão dos assírios, o profeta Isaías foi inspirado a escrever uma das mais belas passagens registradas na Bíblia, uma descrição das vindouras bênçãos sob o reinado do Messias.a Alguns aspectos dessas bênçãos se cumpriram em escala menor quando os judeus retornaram do cativeiro em Babilônia. Mas um cumprimento principal da profecia como um todo ocorre hoje. É verdade que Isaías e judeus fiéis, contemporâneos dele, não viveram para ver essas bênçãos. Mas eles as aguardavam ansiosamente, com fé, e verão o cumprimento das palavras de Isaías após a ressurreição. — Hebreus 11:35.
3 Atualmente, o povo de Jeová também precisa de encorajamento. Os valores morais em rápido declínio no mundo, a feroz oposição à mensagem do Reino e as fraquezas pessoais constituem desafios para todos eles. As maravilhosas palavras de Isaías sobre o Messias e seu reinado podem fortalecer e ajudar o povo de Deus a enfrentar esses desafios.
O Messias — um líder capaz
4, 5. O que Isaías profetizou com respeito à vinda do Messias, e que aplicação Mateus parece ter feito dessas palavras?
4 Séculos antes do nascimento de Isaías, outros escritores bíblicos, hebreus, profetizaram a vinda do Messias, o verdadeiro Líder, a quem Jeová enviaria a Israel. (Gênesis 49:10; Deuteronômio 18:18; Salmo 118:22, 26) Agora, Jeová fornece mais detalhes por meio de Isaías, que escreve: “Do toco de Jessé terá de sair um renovo; e das suas raízes frutificará um rebentão.” (Isaías 11:1; note Salmo 132:11.) As palavras “renovo” e “rebentão” indicam que o Messias seria o descendente de Jessé por meio de seu filho Davi, que havia sido ungido com óleo para ser rei de Israel. (1 Samuel 16:13; Jeremias 23:5; Revelação [Apocalipse] 22:16) Quando chegasse o verdadeiro Messias, esse “rebentão” da casa de Davi produziria frutos de boa qualidade.
5 Jesus é o prometido Messias. Mateus, escritor do Evangelho que leva seu nome, aludiu às palavras de Isaías 11:1 quando disse que o fato de Jesus ser chamado de “Nazareno” cumpria as palavras dos profetas. Por ter sido criado na cidade de Nazaré, Jesus era chamado de Nazareno, nome aparentemente relacionado com a palavra hebraica usada em Isaías 11:1 para “rebentão”.b — Mateus 2:23, nota; Lucas 2:39, 40.
6. De acordo com a profecia, que tipo de governante seria o Messias?
6 Que tipo de governante seria o Messias? Seria como o cruel e obstinado assírio que destruiu o reino setentrional de dez tribos de Israel? É óbvio que não. Isaías diz a respeito do Messias: “Sobre ele terá de pousar o espírito de Jeová, o espírito de sabedoria e de compreensão, o espírito de conselho e de potência, o espírito de conhecimento e do temor de Jeová; e deleitar-se-á no temor de Jeová.” (Isaías 11:2, 3a) O Messias seria ungido, não com óleo, mas com o espírito santo de Deus. Isso aconteceu no batismo de Jesus, quando João, o Batizador, viu o espírito santo de Deus descer sobre Jesus em forma de pomba. (Lucas 3:22) O espírito de Jeová ‘pousou sobre Jesus’, e ele deu evidência de ter esse espírito ao agir com sabedoria, compreensão, obediência, poder e conhecimento. Que excelentes qualidades para um governante!
7. Que promessa Jesus fez aos seus seguidores leais?
7 Os seguidores de Jesus também podem receber espírito santo. Jesus declarou num de seus discursos: “Se vós, embora iníquos, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais o Pai, no céu, dará espírito santo aos que lhe pedirem!” (Lucas 11:13) Por isso, jamais devemos hesitar em pedir espírito santo a Deus, nem deixar de desenvolver seus frutos salutares — “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura, autodomínio”. (Gálatas 5:22, 23) Jeová promete atender os seguidores de Jesus que pedem “sabedoria de cima” a fim de ajudá-los a ser bem-sucedidos em lidar com os desafios da vida. — Tiago 1:5; 3:17.
8. Como Jesus deriva alegria por ter temor de Jeová?
8 Em que sentido o Messias teria temor de Jeová? Jesus obviamente não teria medo de Jeová, ficando temeroso de ser condenado por ele. Em vez disso, o Messias teria respeitoso temor de Deus, uma amorosa reverência por ele. Assim como Jesus, a pessoa que teme a Deus sempre deseja fazer ‘as coisas que Lhe agradam’. (João 8:29) Jesus nos ensina, por palavra e exemplo, que não há alegria maior do que viver cada dia no temor salutar de Jeová.
Um juiz justo e misericordioso
9. Que exemplo Jesus dá aos que precisam atuar como juízes na congregação cristã?
9 Isaías prediz mais sobre as características do Messias: “Não julgará pelo que meramente parece aos seus olhos, nem repreenderá simplesmente segundo a coisa ouvida pelos seus ouvidos.” (Isaías 11:3b) Se você tivesse de comparecer perante um tribunal, não gostaria de ser julgado por um juiz assim? Como Juiz de toda a humanidade, o Messias não é influenciado por argumentos falsos, manobras jurídicas astutas, boatos ou coisas superficiais, como riqueza, por exemplo. Ele detecta qualquer trapaça e vê além das aparências externas desfavoráveis, discernindo “a pessoa secreta do coração”, “o homem oculto”. (1 Pedro 3:4, nota) O exemplo superlativo de Jesus serve de modelo para todos que precisam atuar como juízes na congregação cristã. — 1 Coríntios 6:1-4.
10, 11. (a) De que maneira Jesus corrige seus seguidores? (b) Que sentença Jesus aplicará aos perversos?
10 Como as qualidades superlativas do Messias influenciarão suas decisões judiciais? Isaías explica: “Terá de julgar com justiça os de condição humilde e terá de dar repreensão com retidão em benefício dos mansos da terra. E terá de golpear a terra com a vara da sua boca; e ao iníquo entregará à morte com o espírito de seus lábios. E a justiça terá de mostrar ser o cinto de seus quadris, e a fidelidade, o cinto de seus lombos.” — Isaías 11:4, 5.
11 Quando seus seguidores precisam de correção, Jesus a aplica de uma maneira que possam tirar o maior benefício — um excelente exemplo para os anciãos cristãos. Por outro lado, os que praticam atos perversos podem esperar uma sentença severa. Quando Deus ajustar as contas com este sistema, o Messias irá “golpear a Terra” com sua voz de autoridade, proferindo uma sentença de destruição para todos os perversos. (Salmo 2:9; note Revelação 19:15.) Por fim, não haverá mais pessoas perversas para perturbar a paz da humanidade. (Salmo 37:10, 11) Jesus, que tem os quadris e os lombos cingidos com justiça e fidelidade, tem poder para fazer isso. — Salmo 45:3-7.
Mudança de condições na Terra
12. Que preocupações poderia ter um judeu ao pensar em voltar de Babilônia para a Terra Prometida?
12 Pense num israelita que tivesse acabado de tomar conhecimento do decreto emitido por Ciro para que os judeus voltassem a Jerusalém e reconstruíssem o templo. Deixaria ele a segurança de Babilônia para fazer a longa viagem para casa? Durante os 70 anos de ausência do povo de Israel, o mato tomou conta dos campos abandonados. Lobos, leopardos, leões e ursos vagueavam livremente por eles. Najas também passaram a habitar ali. Para sobreviver, os judeus que regressassem à sua terra teriam de depender de animais domésticos — rebanhos e manadas proveriam leite, lã e carne, e bois puxariam o arado. Seriam os animais devorados por predadores? As crianças seriam picadas por cobras? Que dizer do perigo de caírem em emboscadas durante a viagem?
13. (a) Que quadro emocionante Isaías descreve? (b) Como sabemos que a paz descrita por Isaías envolveria mais do que a segurança contra animais selvagens?
13 A seguir, Isaías descreve um quadro emocionante das condições que Deus implantaria no país. Ele diz: “O lobo, de fato, residirá por um tempo com o cordeiro e o próprio leopardo se deitará com o cabritinho, e o bezerro, e o leão novo jubado, e o animal cevado, todos juntos; e um pequeno rapaz é que será o condutor deles. E a própria vaca e a ursa pastarão; juntas se deitarão as suas crias. E até mesmo o leão comerá palha como o touro. E a criança de peito há de brincar sobre a toca da naja; e a criança desmamada porá realmente sua própria mão sobre a fresta de luz da cobra venenosa. Não se fará dano, nem se causará ruína em todo o meu santo monte; porque a terra há de encher-se do conhecimento de Jeová assim como as águas cobrem o próprio mar.” (Isaías 11:6-9) Palavras emocionantes, não é verdade? Observe que a paz descrita aqui resultaria de terem conhecimento de Jeová. Assim, não se tratava apenas de estarem seguros contra animais selvagens. O conhecimento de Jeová não mudaria animais, mas influenciaria pessoas. Quer em viagem a caminho de casa, quer em sua terra restaurada, os israelitas não precisariam temer os animais selvagens nem os homens com personalidades animalescas. — Esdras 8:21, 22; Isaías 35:8-10; 65:25.
14. Qual é o cumprimento maior de Isaías 11:6-9?
14 Mas essa profecia tem um cumprimento maior. Em 1914, Jesus, o Messias, foi entronizado no monte Sião celestial. Em 1919, os remanescentes do “Israel de Deus” foram libertados do cativeiro babilônico e participaram na restauração da adoração verdadeira. (Gálatas 6:16) Isso abriu caminho para o cumprimento moderno da profecia de Isaías sobre o paraíso. O “conhecimento exato”, o conhecimento sobre Jeová, tem feito com que as pessoas transformem sua personalidade. (Colossenses 3:9, 10) Pessoas violentas tornaram-se pacíficas. (Romanos 12:2; Efésios 4:17-24) Esses acontecimentos já envolveram milhões, porque a profecia de Isaías engloba agora os cristãos com esperança terrestre, cujo número aumenta rapidamente. (Salmo 37:29; Isaías 60:22) Essas pessoas aprenderam a aguardar o tempo em que toda a Terra será transformada num paraíso seguro, pacífico, de acordo com o propósito original de Deus. — Mateus 6:9, 10; 2 Pedro 3:13.
15. É razoável esperarmos que as palavras de Isaías se cumpram literalmente no novo mundo? Explique.
15 Será que a profecia de Isaías terá um cumprimento adicional, talvez mais literal, no Paraíso restaurado? Parece razoável pensar que sim. A profecia dá a todos os que viverão sob o reinado do Messias a mesma garantia que deu aos israelitas que retornavam do cativeiro; eles e seus filhos não sentirão ameaça de fonte alguma — humana ou animal. Sob o reinado do Messias, todos os habitantes da Terra usufruirão condições pacíficas, similares às que Adão e Eva usufruíam no Éden. Obviamente, as Escrituras não revelam cada detalhe sobre como era a vida no Éden ou sobre como será no Paraíso. Mas podemos ter confiança de que, sob o governo sábio e amoroso do Rei Jesus Cristo, todas as coisas serão exatamente como deviam ser.
Restauração da adoração pura por meio do Messias
16. O que serviu como sinal para o povo de Deus em 537 AEC?
16 O primeiro ataque contra a adoração pura se deu no Éden, quando Satanás conseguiu influenciar Adão e Eva a desobedecer a Jeová. Até hoje, Satanás não desistiu do objetivo de desviar de Deus o maior número possível de pessoas. Mas Jeová jamais permitirá que a adoração pura seja eliminada da Terra. Seu nome está envolvido, e ele se importa com os que o servem. Por isso, ele faz uma notável promessa por meio de Isaías: “Naquele dia terá de acontecer que haverá a raiz de Jessé posta de pé qual sinal de aviso para os povos. A ele é que irão consultar as nações, e seu lugar de descanso terá de tornar-se glorioso.” (Isaías 11:10) Em 537 AEC, Jerusalém, a cidade que Davi havia transformado em capital nacional, serviu como sinal, chamando um restante fiel do povo judeu disperso para retornar e reconstruir o templo.
17. Como Jesus ‘surgiu para governar nações’, tanto no primeiro século como em nossos dias?
17 Contudo, a profecia chama atenção para mais do que isso. Como já vimos, ela aponta para o reinado do Messias, o verdadeiro Líder para pessoas de todas as nações. O apóstolo Paulo citou Isaías 11:10 para mostrar que, nos seus dias, as pessoas das nações teriam um lugar na congregação cristã. Citando a tradução desse versículo conforme a versão Septuaginta, ele escreveu: “Isaías diz: ‘Haverá a raiz de Jessé, e haverá um surgindo para governar as nações; nele é que as nações basearão a sua esperança.’” (Romanos 15:12) Além disso, o alcance da profecia se estende até os nossos dias, quando pessoas de todas as nações demonstram amor a Jeová por apoiar os irmãos ungidos do Messias. — Isaías 61:5-9; Mateus 25:31-40.
18. Como Jesus tem servido como “ponto de agrupamento” em nossos dias?
18 No cumprimento moderno, ‘aquele dia’ mencionado por Isaías começou quando o Messias foi entronizado como Rei do Reino celestial de Deus, em 1914. (Lucas 21:10; 2 Timóteo 3:1-5; Revelação 12:10) Desde então, Jesus tem servido como sinal claro, um “ponto de agrupamento” para o Israel espiritual e para pessoas de todas as nações, que anseiam um governo justo. Sob a orientação do Messias, as boas novas do Reino têm sido pregadas a todas as nações, como Jesus predisse. (Mateus 24:14; Marcos 13:10) Essas boas novas têm um efeito poderoso. “Uma grande multidão, que nenhum homem [pode] contar, de todas as nações”, tem se submetido ao Messias por juntar-se ao restante ungido na adoração pura. (Revelação 7:9) À medida que muitos novos continuam a associar-se com o restante na “casa de oração” espiritual de Jeová, eles aumentam a glória do “lugar de descanso” do Messias, o grande templo espiritual de Deus. — Isaías 56:7; Ageu 2:7.
Um povo unido serve a Jeová
19. Em que duas ocasiões Jeová restaurou um restante de seu povo espalhado por toda a Terra?
19 A seguir, Isaías lembra aos israelitas que Jeová os havia salvado numa ocasião em que a nação estava sendo oprimida por um inimigo poderoso. Os judeus fiéis prezavam muito aquela parte da história de Israel — o fato de Jeová ter libertado a nação do cativeiro no Egito. Isaías escreve: “Naquele dia terá de acontecer que Jeová oferecerá novamente a sua mão, pela segunda vez, para adquirir o restante do seu povo, que remanescerá da Assíria, e do Egito, e de Patros, e de Cus, e de Elão, e de Sinear, e de Hamate, e das ilhas do mar. E ele há de levantar um sinal de aviso para as nações e ajuntar os dispersos de Israel; e reunirá os espalhados de Judá desde as quatro extremidades da terra.” (Isaías 11:11, 12) Como que levando-os pela mão, Jeová tiraria um fiel restante, tanto de Israel como de Judá, das nações às quais haviam sido espalhados e os levaria em segurança para casa. Isso aconteceu em pequena escala, em 537 AEC. Mas o cumprimento principal foi muito mais glorioso. Em 1914, Jeová suscitou o entronizado Jesus Cristo como “sinal de aviso para as nações”. Começando em 1919, os remanescentes do “Israel de Deus” passaram a ajuntar-se a esse sinal, ansiosos de participar na adoração pura sob o Reino de Deus. Essa nação espiritual ímpar procede de “toda tribo, e língua, e povo, e nação”. — Revelação 5:9.
20. Que união o povo de Deus usufruiria ao retornar de Babilônia?
20 A seguir, Isaías descreve a união da nação restaurada. Referindo-se ao reino setentrional como Efraim e ao reino meridional como Judá, ele diz: “O ciúme de Efraim terá de afastar-se, e até mesmo os que são hostis a Judá serão decepados. O próprio Efraim não terá ciúmes de Judá, nem será Judá hostil para com Efraim. E terão de voar contra o ombro dos filisteus ao oeste; juntos saquearão os filhos do Oriente. Edom e Moabe serão os sobre quem estenderão sua mão, e os filhos de Amom serão os seus súditos.” (Isaías 11:13, 14) Ao retornarem de Babilônia, os judeus não mais estariam divididos em duas nações. Membros de todas as tribos de Israel voltariam unidos ao seu país. (Esdras 6:17) Não mais demonstrariam ressentimentos e hostilidade uns para com os outros. Como povo unido, assumiriam uma posição triunfante perante seus inimigos das nações vizinhas.
21. Em que sentido é realmente notável a união do povo de Deus hoje?
21 Mais impressionante ainda é a união do “Israel de Deus”. Já por quase 2 mil anos, as 12 tribos simbólicas do Israel espiritual usufruem uma união baseada no amor a Deus e a seus irmãos e irmãs espirituais. (Colossenses 3:14; Revelação 7:4-8) Atualmente, o povo de Jeová em todo o mundo — tanto os do Israel espiritual como os que têm esperança de viver na Terra — desfruta de paz e união sob o governo do Messias, condições que as igrejas da cristandade desconhecem. As Testemunhas de Jeová formam uma frente espiritual unida contra os empenhos de Satanás de interferir na adoração que prestam a Deus. Como um só povo, cumprem a comissão dada por Jesus de pregar e ensinar as boas novas sobre o Reino do Messias em todas as nações. — Mateus 28:19, 20.
Obstáculos a vencer
22. Como Jeová ‘cortaria o esteiro do mar egípcio’ e ‘sacudiria sua mão contra o Rio’?
22 Havia muitos obstáculos, tanto literais como figurativos, dificultando a volta dos israelitas do exílio. Como seriam vencidos? Isaías diz: “Jeová certamente cortará o esteiro do mar egípcio e sacudirá sua mão contra o Rio, no fulgor do seu espírito. E terá de golpeá-lo nas suas sete torrentes e fará as pessoas realmente andar nas suas sandálias.” (Isaías 11:15) O próprio Jeová removeria todos os empecilhos ao retorno de seu povo. Mesmo um obstáculo tão assustador como um esteiro do mar Vermelho (como o golfo de Suez) ou tão intransponível como o poderoso rio Eufrates seria drenado, por assim dizer, para que se pudesse atravessá-lo sem ter de tirar as sandálias!
23. Em que sentido ‘viria a haver uma estrada principal saindo da Assíria’?
23 Nos dias de Moisés, Jeová preparou um caminho para Israel escapar do Egito e marchar para a Terra Prometida. Agora, ele faria algo similar: “Terá de vir a haver uma estrada principal saindo da Assíria para o restante do seu povo, que remanescerá, assim como veio a haver uma para Israel, no dia em que subiu da terra do Egito.” (Isaías 11:16) Jeová conduziria seu povo exilado ao retorno como se estivessem andando por uma estrada desde o exílio até sua terra natal. Opositores tentariam impedi-los, mas seu Deus, Jeová, estaria com eles. Atualmente, os cristãos ungidos e seus companheiros também sofrem ataques violentos, mas prosseguem corajosamente. Saíram da moderna Assíria, o mundo de Satanás, e ajudam outros a fazer o mesmo. Sabem que a adoração pura será bem-sucedida e prosperará. A obra não é de homens, mas de Deus.
Alegria infindável para os súditos do Messias!
24, 25. Que expressões de louvor e gratidão seriam proferidas pelo povo de Jeová?
24 Numa linguagem alegre, Isaías passa a descrever a extrema alegria do povo de Jeová por causa do cumprimento de Sua palavra: “Naquele dia seguramente dirás: ‘Agradecer-te-ei, ó Jeová, pois, embora te irasses comigo, tua ira recuou gradualmente e passaste a consolar-me.’” (Isaías 12:1) Jeová aplicaria uma disciplina severa ao seu povo rebelde. Mas cumpriria o objetivo de restabelecer a relação do povo com ele e restaurar a adoração pura. Jeová reassegurava a salvação aos seus adoradores fiéis. Não é de admirar que expressassem apreço!
25 Os israelitas repatriados teriam sua confiança em Jeová completamente confirmada, e clamariam: “‘Eis que Deus é minha salvação. Confiarei e não ficarei apavorado; porque Jah Jeová é minha força e meu poder, e ele veio a ser minha salvação.’ Com exultação haveis de tirar água dos mananciais de salvação.” (Isaías 12:2, 3) A palavra hebraica traduzida “poder”, no versículo 2 de Is 12, aparece como “louvor” na versão Septuaginta. Os adoradores irromperiam em cantos de louvor devido à salvação da parte de “Jah Jeová”. O termo “Jah”, uma forma abreviada do nome Jeová, é usado na Bíblia para expressar profundos sentimentos de louvor e gratidão. O fato de usarem a expressão “Jah Jeová” — menção dupla do nome divino — aumentaria ainda mais a intensidade do louvor a Deus.
26. Quem atualmente divulga em toda a Terra as ações de Deus?
26 Os verdadeiros adoradores de Jeová não conseguiriam esconder sua alegria. Isaías prediz: “Naquele dia certamente direis: ‘Agradecei a Jeová! Invocai o seu nome. Tornai conhecidas entre os povos as suas ações. Fazei menção de que seu nome deve ser sublimado. Entoai melodias a Jeová, porque agiu magnificamente. Isto se deve dar a conhecer em toda a terra.’” (Isaías 12:4, 5) Desde 1919, os cristãos ungidos — ajudados posteriormente por seus companheiros das “outras ovelhas” — têm ‘divulgado as excelências daquele que os chamou da escuridão para a sua maravilhosa luz’. Eles compõem a “raça escolhida”, a “nação santa” reservada para esse propósito. (João 10:16; 1 Pedro 2:9) Os ungidos declaram que o santo nome de Jeová é sublime e participam em divulgá-lo em toda a Terra. Lideram todos os adoradores de Jeová em alegrar-se com a provisão que ele fez para salvá-los. É exatamente como Isaías exclama: “Grita estridentemente e grita de júbilo, ó moradora de Sião, pois grande no teu meio é o Santo de Israel.” (Isaías 12:6) O Santo de Israel é o próprio Jeová Deus.
Encare o futuro com confiança!
27. Enquanto aguardam a concretização de sua esperança, em que confiam os cristãos?
27 Nos nossos dias, milhões têm se ajuntado ao “sinal de aviso para os povos” — Jesus Cristo entronizado no Reino de Deus. Eles se alegram de ser súditos desse Reino e ficam emocionados por conhecer a Jeová Deus e seu Filho. (João 17:3) Derivam grande felicidade de seu companheirismo cristão unido e empenham-se com determinação para manter a paz, sinal distintivo dos verdadeiros servos de Jeová. (Isaías 54:13) Convencidos de que Jah Jeová é um Deus que cumpre suas promessas, têm confiança na esperança que nutrem e sentem grande alegria de partilhá-la com outros. Cada adorador de Jeová precisa continuar a usar todas as suas forças para servir a Deus e ajudar outros a fazer o mesmo. Que todos tomem a peito as palavras de Isaías e se alegrem na salvação por meio do Messias de Jeová!
[Nota(s) de rodapé]
a “Messias” deriva-se da palavra hebraica ma·shí·ahh, que significa “o Ungido”. A palavra grega equivalente é Khri·stós, ou “Cristo”. — Mateus 2:4, nota.
b A palavra hebraica para “rebentão” é né·tser, e para “Nazareno” é Nots·rí.
[Fotos na página 158]
O Messias seria “um renovo” de Jessé, por meio do Rei Davi
[Foto de página inteira na página 162]
[Foto na página 170]
Isaías 12:4, 5, conforme aparece nos Rolos do Mar Morto (As ocorrências do nome de Deus estão em destaque.)
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Jeová humilhou uma cidade arroganteProfecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Quatorze
Jeová humilhou uma cidade arrogante
1. A que período futuro se reporta agora o livro de Isaías?
O LIVRO profético de Isaías foi escrito no oitavo século AEC, durante a invasão da Terra Prometida pela Assíria. Como já vimos em capítulos anteriores, Isaías prediz o rumo dos acontecimentos com notável exatidão. Mas o livro se reporta a um tempo posterior à ascensão da Assíria. Ele prediz o retorno do povo pactuado de Jeová do exílio em muitas terras, incluindo Sinear, onde ficava Babilônia. (Isaías 11:11) Em Isaías, capítulo 13, encontramos uma notável profecia cujo cumprimento abriria o caminho para tal retorno. Essa profecia se inicia com as seguintes palavras: “A pronúncia contra Babilônia, vista em visão por Isaías, filho de Amoz.” — Isaías 13:1.
“Rebaixarei a altivez”
2. (a) Como foi que Ezequias se envolveu com Babilônia? (b) A que se refere o “sinal de aviso” que seria levantado?
2 Nos dias de Isaías, Judá envolveu-se com Babilônia. O rei Ezequias ficou gravemente doente e depois se recuperou. Embaixadores de Babilônia foram cumprimentá-lo pela recuperação, provavelmente com o objetivo secreto de conseguir que Ezequias se tornasse seu aliado na guerra contra a Assíria. Imprudentemente, o Rei Ezequias mostrou-lhes todos os seus tesouros. Por causa disso, Isaías disse a Ezequias que, após a morte do rei, toda aquela riqueza seria levada para Babilônia. (Isaías 39:1-7) Isso aconteceu em 607 AEC, quando Jerusalém foi destruída e o povo levado ao exílio. No entanto, o povo escolhido de Deus não ficaria em Babilônia para sempre. Jeová predisse como abriria o caminho a fim de que eles voltassem para a sua terra, dizendo: “Levantai um sinal de aviso num monte de rochas calvas. Elevai a voz para eles, acenai com a mão, para que entrem pelas entradas dos nobres.” (Isaías 13:2) O “sinal de aviso” se referia a uma potência mundial em ascensão que derrubaria Babilônia de seu lugar de destaque. Ela seria levantada “num monte de rochas calvas” — claramente visível a grande distância. Convocada a atacar Babilônia, essa nova potência mundial invadiria as “entradas dos nobres”, os portões daquela grande cidade, e a conquistaria.
3. (a) Quem seriam os “santificados” que Jeová suscitaria? (b) Em que sentido exércitos pagãos seriam “santificados”?
3 Em seguida, Jeová diz: “Eu mesmo dei a ordem aos meus santificados. Também chamei os meus poderosos para expressar a minha ira, meus altaneiramente rejubilantes. Escutai! Uma massa de gente nos montes, algo parecido a um povo numeroso! Escutai! O rebuliço de reinos, de nações ajuntadas! Jeová dos exércitos está passando em revista o exército de guerra.” (Isaías 13:3, 4) Quem seriam esses “santificados” incumbidos de humilhar a orgulhosa Babilônia? Seriam exércitos nacionais coligados, “nações ajuntadas”. Eles desceriam de uma região montanhosa distante para atacar Babilônia. “Estão chegando desde a terra longínqua, desde a extremidade dos céus.” (Isaías 13:5) Em que sentido seriam santificados? Certamente não no sentido de ser santos, pois eram exércitos pagãos sem interesse de servir a Jeová. Nas Escrituras Hebraicas, porém, o termo “santificado” significa “reservado para uso de Deus”. Jeová podia santificar os exércitos das nações e usar as ambições egoístas deles a fim de expressar Seu furor. Ele havia usado a Assíria dessa maneira. Usaria Babilônia de maneira similar. (Isaías 10:5; Jeremias 25:9) E usaria outras nações para punir Babilônia.
4, 5. (a) O que Jeová predisse para Babilônia? (b) Com o que teriam de lidar os invasores de Babilônia?
4 Babilônia ainda não era a potência mundial dominante. Contudo, ao emitir uma proclamação por meio de Isaías, Jeová previu tanto o tempo em que ela ocuparia tal posição como a sua queda, dizendo: “Uivai, porque está próximo o dia de Jeová! Chegará como assolação da parte do Todo-poderoso.” (Isaías 13:6) Realmente, a jactância de Babilônia seria substituída por uivos pesarosos. Por quê? Por causa do “dia de Jeová”, o dia em que Jeová executaria a sentença contra ela.
5 Mas como seria possível assolar Babilônia? Quando chegasse o tempo de Jeová fazer isso, a cidade pareceria segura. Em primeiro lugar, os exércitos invasores teriam de transpor as defesas naturais providas pelo rio Eufrates, que corria pelo meio da cidade e era canalizado para encher um fosso protetor e fornecer água potável para a cidade. Depois, haveria as enormes muralhas duplas de Babilônia, aparentemente inexpugnáveis. Além disso, a cidade teria um bom estoque de alimentos. O livro Daily Bible Illustrations (Ilustrações Bíblicas Diárias) diz que Nabonido — o último rei de Babilônia — “teve um trabalho imenso para montar um estoque de provisões na cidade, e calculava-se que havia [alimento] suficiente para sustentar os moradores por vinte anos”.
6. De acordo com a profecia, o que aconteceria inesperadamente quando Babilônia fosse atacada?
6 Mas as aparências podem enganar. Isaías diz: “Por isso é que se abaixarão todas as mãos e se derreterá o próprio coração inteiro do homem mortal. E as pessoas ficaram perturbadas. Apoderam-se delas as próprias convulsões e dores agudas de parto; têm dores de parto como a mulher que está dando à luz. Olham-se mutuamente, pasmados. Suas faces são faces afogueadas.” (Isaías 13:7, 8) Quando os exércitos vitoriosos invadissem a cidade, a tranquilidade de seus moradores seria substituída por uma dor tão repentina e intensa como a de uma mulher que dá à luz. Seus corações se derreteriam de medo. Paralisados, suas mãos se abaixariam, incapazes de defendê-los. Suas faces ficariam “afogueadas” de medo e angústia. Olhariam pasmados uns para os outros, perguntando-se como foi que sua grande cidade caiu.
7. Que “dia de Jeová” era iminente, e quais seriam os resultados para Babilônia?
7 Contudo, ela realmente cairia. Babilônia enfrentaria um dia de ajuste de contas, um “dia de Jeová”, realmente doloroso. O Juiz supremo expressaria sua ira e traria a bem-merecida condenação contra os pecaminosos habitantes de Babilônia. A profecia diz: “Eis que está chegando o próprio dia de Jeová, cruel, tanto com fúria como com ira ardente, para fazer da terra um assombro e para aniquilar nela os pecadores da terra.” (Isaías 13:9) As perspectivas de Babilônia eram sombrias. Era como se o Sol, a Lua e as estrelas fossem deixar de brilhar. “Pois as próprias estrelas dos céus e suas constelações de Quesil não deixarão brilhar a sua luz; o sol realmente escurecerá na sua saída e a própria lua não deixará resplandecer a sua luz.” — Isaías 13:10.
8. Por que Jeová decretou a queda de Babilônia?
8 Por que essa cidade orgulhosa teria tal destino? Jeová diz: “Certamente farei recair sobre o solo produtivo a sua própria maldade, e sobre os próprios iníquos o erro deles. E farei realmente cessar o orgulho dos presunçosos e rebaixarei a altivez dos tiranos.” (Isaías 13:11) A extravasão da ira de Jeová seria a punição pela crueldade de Babilônia para com o povo de Deus. Todo o país sofreria devido à maldade dos babilônios. Aqueles tiranos orgulhosos nunca mais desafiariam abertamente a Jeová.
9. O que aguardava Babilônia no dia de julgamento de Jeová?
9 Jeová diz: “Farei o homem mortal mais raro do que o ouro refinado, e o homem terreno mais raro do que o ouro de Ofir.” (Isaías 13:12) Realmente, a cidade ficaria despovoada, deserta. Jeová continua: “Por isso é que farei que o próprio céu fique agitado, e a terra sairá tremendo do seu lugar diante da fúria de Jeová dos exércitos e diante do dia de sua ira ardente.” (Isaías 13:13) O “céu” de Babilônia, suas multidões de deuses e deusas, ficaria agitado, incapaz de ajudar a cidade numa hora de necessidade. A “terra”, o Império Babilônico, seria desalojada, passando para a História apenas como mais um império extinto. “Terá de acontecer que, qual gazela afugentada e qual rebanho sem alguém que os reúna, virar-se-ão cada um para o seu próprio povo; e fugirão, cada um para a sua própria terra.” (Isaías 13:14) Todos os aliados estrangeiros de Babilônia a abandonariam e fugiriam, esperando estabelecer novos relacionamentos com a potência mundial conquistadora. Babilônia finalmente sentiria a agonia de ser conquistada, uma agonia que ela havia infligido a tantas outras cidades nos dias de sua glória: “Todo aquele que for achado será traspassado, e todo aquele que for apanhado na varredura cairá à espada; e as próprias crianças deles serão despedaçadas diante dos seus olhos. Suas casas serão rapinadas e suas próprias mulheres serão violentadas.” — Isaías 13:15, 16.
Instrumento divino de destruição
10. Quem Jeová usaria para derrotar Babilônia?
10 Que potência governamental Jeová usaria para derrotar Babilônia? Ele deu a resposta com cerca de 200 anos de antecedência: “Eis que desperto contra eles os medos, que reputam a própria prata como nada e que, quanto ao ouro, não se agradam dele. E seus arcos despedaçarão até mesmo os moços. E não terão piedade com o fruto do ventre; seu olho não terá dó dos filhos. E Babilônia, ornato dos reinos, beleza do orgulho dos caldeus, terá de tornar-se como quando Deus derrubou Sodoma e Gomorra.” (Isaías 13:17-19) A magnífica Babilônia cairia, e o instrumento que Jeová usaria para realizar isso seriam os exércitos do longínquo e montanhoso país da Média.a Com o tempo, Babilônia ficaria tão desolada quanto as moralmente depravadas cidades de Sodoma e Gomorra. — Gênesis 13:13; 19:13, 24.
11, 12. (a) Como foi que a Média se tornou uma potência mundial? (b) Que característica incomum dos exércitos da Média menciona a profecia?
11 Nos dias de Isaías, tanto a Média como Babilônia estavam sob jugo assírio. Cerca de um século depois, em 632 AEC, a Média e Babilônia uniram forças e derrubaram Nínive, a capital da Assíria. Isso abriu caminho para Babilônia se tornar a potência mundial dominante. Ela nem imaginava que cerca de 100 anos mais tarde a Média a destruiria. Quem, além de Jeová Deus, poderia fazer uma previsão tão ousada?
12 Ao identificar seu instrumento de destruição, Jeová diz que os exércitos da Média “reputam a própria prata como nada e . . . quanto ao ouro, não se agradam dele”. Uma característica incomum em se tratando de soldados insensibilizados pela guerra! O erudito bíblico Albert Barnes diz: “A verdade é que poucos exércitos invasores não foram influenciados pelo desejo de obter despojos.” Será que os exércitos dos medos agiram de acordo com as predições de Jeová nesse respeito? Sim. Veja o seguinte comentário em The Bible-Work, preparado por J. Glentworth Butler: “Em contraste com a maioria das nações que já travaram guerras, os medos, e especialmente os persas, davam menos importância ao ouro do que à conquista e à glória.”b Em vista disso, não é de surpreender que, ao libertar os israelitas do exílio babilônico, o governante persa, Ciro, lhes tenha devolvido milhares de utensílios de ouro e de prata que Nabucodonosor havia retirado do templo em Jerusalém. — Esdras 1:7-11.
13, 14. (a) Embora não estivessem interessados em despojos, que ambição tinham os guerreiros medos e persas? (b) Como foi que Ciro contornou as famosas defesas de Babilônia?
13 Apesar de não serem aficionados por despojos, os guerreiros medos e persas eram ambiciosos. Não queriam ficar abaixo de nenhuma nação no cenário mundial. Além disso, Jeová colocou “assolação” no coração deles. (Isaías 13:6) Assim, com seus arcos fortes — usados para atirar flechas que ‘despedaçavam’ os soldados inimigos, prole de mães babilônias —, estavam decididos a conquistar Babilônia.
14 Ciro, líder dos exércitos medo-persas, não se deixou desanimar pelas fortificações de Babilônia. Na noite de 5/6 de outubro de 539 AEC, ele ordenou que as águas do rio Eufrates fossem desviadas. À medida que o nível das águas baixava, os invasores entraram sorrateiramente na cidade pelo leito do rio, com a água na altura das coxas. Os moradores de Babilônia foram pegos de surpresa, e ela caiu. (Daniel 5:30) Para não deixar dúvidas de que estava manobrando os acontecimentos, Jeová Deus inspirou Isaías a profetizar esses eventos.
15. Que futuro aguardava Babilônia?
15 Quão abrangente seria a destruição de Babilônia? Ouça o veredicto de Jeová: “Nunca mais será habitada, nem residirá ela por geração após geração. E o árabe não armará ali a sua tenda e os pastores não deixarão seus rebanhos deitar-se ali. E ali se hão de deitar os frequentadores de regiões áridas, e suas casas terão de encher-se de corujões. E ali terão de residir avestruzes, e os próprios demônios caprinos saltitarão por ali. E os chacais terão de uivar nas suas torres de habitação e a cobra grande estará nos palácios de deleite. E a época dela está próxima a chegar, e os próprios dias dela não serão adiados.” (Isaías 13:20-22) O destino da cidade seria a desolação total.
16. Que confiança nos dá a atual condição de Babilônia?
16 Isso não ocorreu imediatamente em 539 AEC. No entanto, atualmente fica bem claro que tudo o que Isaías predisse com respeito a Babilônia se cumpriu. Babilônia “é agora, e tem sido por séculos, um cenário de ampla desolação e um monte de ruínas”, diz um comentarista bíblico. E acrescenta: “É impossível contemplar esse cenário e não se lembrar da exatidão do cumprimento das predições de Isaías e Jeremias.” Obviamente, nenhum homem nos dias de Isaías poderia ter predito a queda de Babilônia e sua posterior desolação. Afinal de contas, a queda de Babilônia diante dos medos e persas ocorreu cerca de 200 anos após Isaías ter escrito seu livro. E sua desolação final se deu séculos mais tarde. Não fortalece isso sua fé na Bíblia como inspirada Palavra de Deus? (2 Timóteo 3:16) Além disso, visto que Jeová cumpriu profecias em tempos passados, podemos ter absoluta confiança de que o cumprimento das profecias bíblicas ainda não cumpridas se dará no Seu tempo devido.
“Descanso da tua dor”
17, 18. A derrota de Babilônia representaria que bênçãos para Israel?
17 A queda de Babilônia seria um alívio para Israel. Significaria libertação do cativeiro e a oportunidade de retornar à Terra Prometida. Por isso, Isaías diz a seguir: “Jeová terá misericórdia com Jacó, e certamente escolherá ainda Israel; e dar-lhes-á realmente descanso sobre o seu solo, e o residente forasteiro terá de ser juntado a eles, e terão de agregar-se à casa de Jacó. E povos realmente os tomarão e os levarão ao próprio lugar deles, e a casa de Israel terá de tomá-los para si como propriedade no solo de Jeová, como servos e como servas; e terão de tornar-se os captores dos que os mantinham cativos e terão de ter em sujeição aqueles que os compeliam a trabalhar.” (Isaías 14:1, 2) O nome “Jacó” citado aqui se refere a Israel como um todo — todas as 12 tribos. Jeová demonstraria misericórdia para com “Jacó” por permitir que a nação voltasse para casa. Eles seriam acompanhados por milhares de estrangeiros, muitos dos quais serviriam aos israelitas como servos no templo. Alguns israelitas viriam a ter autoridade sobre seus ex-captores.c
18 Acabaria a angústia de viverem exilados. Em vez disso, Jeová daria ao seu povo ‘descanso da sua dor, e da sua agitação, e da dura escravidão em que haviam sido escravizados’. (Isaías 14:3) Uma vez libertados dos fardos físicos da escravidão, o povo de Israel não mais sofreria a dor e a agitação, ou perturbação, de viver entre adoradores de deuses falsos. (Esdras 3:1; Isaías 32:18) Comentando isso, o livro Lands and Peoples of the Bible (Terras e Povos Bíblicos) diz: “Para o babilônio, seus deuses eram exatamente como ele mesmo, em todos os piores aspectos de seu ser. Eram covardes, beberrões e imbecis.” Seria um grande alívio ficar livre de tal ambiente religioso degradado!
19. O que seria necessário para Israel obter o perdão de Jeová, e o que aprendemos disso?
19 Contudo, a misericórdia de Jeová não seria incondicional. Seu povo teria de demonstrar remorso pelas maldades que havia cometido, motivo de Deus puni-lo tão severamente. (Jeremias 3:25) A confissão franca, sincera, traria o perdão de Jeová. (Veja Neemias 9:6-37; Daniel 9:5.) Esse mesmo princípio se aplica hoje. Visto que “não há homem que não peque”, todos precisamos da misericórdia de Jeová. (2 Crônicas 6:36) Jeová, o Deus de misericórdia, nos convida amorosamente a lhe confessar nossos pecados, nos arrepender e parar com qualquer proceder errado, a fim de que sejamos sarados. (Deuteronômio 4:31; Isaías 1:18; Tiago 5:16) Isso não apenas nos ajuda a obter novamente o favor de Deus, mas também nos consola. — Salmo 51:1; Provérbios 28:13; 2 Coríntios 2:7.
Uma “expressão proverbial” contra Babilônia
20, 21. Que alegria sentiriam os vizinhos de Babilônia por causa de sua queda?
20 Mais de 100 anos antes da ascensão de Babilônia como potência mundial dominante, Isaías predisse a reação do mundo à sua queda. Profeticamente, ele ordenou o seguinte aos israelitas que seriam libertados do cativeiro nela: “Terás de encetar esta expressão proverbial contra o rei de Babilônia e dizer: ‘Como cessou aquele que compelia outros a trabalhar, como cessou a opressão! Jeová destroçou o bastão dos iníquos, a vara dos governantes, aquele que incessantemente golpeava povos em fúria com um golpe, aquele que subjugava nações em pura ira, com perseguição sem freio.’” (Isaías 14:4-6) Babilônia se tornara famosa como conquistadora, uma opressora que escravizava povos livres. Era muito apropriado que sua queda fosse comemorada com uma “expressão proverbial” dirigida principalmente à dinastia babilônica — começando com Nabucodonosor e terminando com Nabonido e Belsazar — que governaram nos dias de glória da grande cidade.
21 Sua queda faria uma grande diferença. “A terra inteira chegou a descansar, ficou sossegada. As pessoas ficaram animadas, com clamores jubilantes. Até mesmo os juníperos se alegraram de ti, os cedros do Líbano, dizendo: ‘Desde que te deitaste, não sobe contra nós nenhum lenhador.’” (Isaías 14:7, 8) Os governantes de Babilônia haviam considerado os reis das nações vizinhas como árvores a serem cortadas e usadas a seu bel-prazer. Bem, tudo isso era coisa do passado. O lenhador babilônio havia cortado sua última árvore!
22. Em sentido poético, como o Seol é afetado pela queda da dinastia babilônica?
22 A queda de Babilônia seria tão assustadora que até a própria sepultura reagiria: “Até mesmo o Seol, embaixo, ficou agitado por tua causa, para encontrar-se contigo ao entrares. Por ti tem despertado os impotentes na morte, todos os líderes caprinos da terra. Fez que todos os reis das nações se levantassem dos seus tronos. Todos eles respondem e te dizem: ‘Foste tu mesmo também debilitado igual a nós? É a nós que te tornaste comparável? Ao Seol se fez descer o teu orgulho, a barulhada dos teus instrumentos de cordas. Abaixo de ti, os gusanos estão estendidos como leito; e vermes são a tua cobertura.’” (Isaías 14:9-11) Que forte descrição poética! Seria como se a sepultura comum da humanidade despertasse todos os reis falecidos que precederam a dinastia babilônica, para que pudessem saudar o recém-chegado. Eles zombariam do governo de Babilônia, agora indefeso, deitado num leito de gusanos em vez de num divã suntuoso, coberto com vermes, em vez de com linho fino.
“Como um cadáver calcado”
23, 24. Que extrema arrogância demonstraram os reis de Babilônia?
23 Isaías prossegue com a expressão proverbial, dizendo: “Como caíste do céu, ó tu brilhante, filho da alva! Como foste cortado rente à terra, tu que prostravas as nações!” (Isaías 14:12) O orgulho egoísta fez os reis de Babilônia se exaltarem em relação aos demais. Como uma estrela brilhando intensamente no céu da manhã, exerceram poder e autoridade de maneira arrogante. Algo que lhes dava muito orgulho era o fato de Nabucodonosor ter conquistado Jerusalém, um feito que a Assíria não havia conseguido realizar. A expressão proverbial retrata a orgulhosa dinastia babilônica dizendo: “Subirei aos céus. Enaltecerei o meu trono acima das estrelas de Deus e assentar-me-ei no monte de reunião, nas partes mais remotas do norte. Subirei acima dos altos das nuvens; assemelhar-me-ei ao Altíssimo.” (Isaías 14:13, 14) Poderia haver arrogância maior?
24 Na Bíblia, os reis da linhagem de Davi são comparados a estrelas. (Números 24:17) Começando com Davi, aquelas “estrelas” governaram no monte Sião. Após Salomão construir o templo em Jerusalém, o nome Sião passou a aplicar-se à cidade inteira. Sob o pacto da Lei, todos os israelitas do sexo masculino eram obrigados a viajar a Sião três vezes por ano. Por isso, ele se tornou o “monte de reunião”. Ao determinar que os reis de Judá fossem subjugados e então removidos daquele monte, Nabucodonosor declarava sua intenção de colocar-se acima daquelas “estrelas”. Ele não dava a Jeová o mérito por sua vitória sobre eles. Em vez disso, ele na verdade se colocava arrogantemente no lugar de Jeová.
25, 26. Que fim vergonhoso teria a dinastia babilônica?
25 A orgulhosa dinastia babilônica sofreria uma tremenda reviravolta! Babilônia estava muito longe de ser elevada acima das estrelas de Deus. Em vez disso, Jeová disse: “No Seol serás precipitado, nas partes mais remotas do poço. Os que te virem te fitarão; examinar-te-ão de perto, dizendo: ‘É este o homem que agitava a terra, que fazia tremer os reinos, que fez o solo produtivo como o ermo, que lhe derrubou as próprias cidades, que nem aos seus prisioneiros abriu o caminho para casa?’” (Isaías 14:15-17) A ambiciosa dinastia desceria ao Hades (Seol), assim como qualquer humano.
26 Onde estaria então a potência que havia conquistado reinos, destruído terras produtivas e derrubado inúmeras cidades? Onde estaria a potência mundial que costumava fazer cativos e jamais deixá-los voltar para casa? Ora, a dinastia babilônica nem mesmo receberia um enterro decente! Jeová disse: “Todos os outros reis das nações, sim, todos eles, deitaram-se em glória, cada um na sua própria casa. Mas, no que se refere a ti, foste lançado fora sem sepultura para ti, qual rebentão detestado, revestido de homens mortos, traspassados com a espada, que descem às pedras de um poço, como um cadáver calcado. Não te unirás a eles num sepulcro, pois arruinaste a tua própria terra, mataste o teu próprio povo. Por tempo indefinido não se mencionará o nome da descendência dos malfeitores.” (Isaías 14:18-20) No mundo antigo, considerava-se uma vergonha um rei ser privado de um enterro honroso. Com base nisso, qual era a situação da dinastia babilônica? É verdade que alguns reis provavelmente foram enterrados com honra, mas a dinastia imperial de reis descendentes de Nabucodonosor seria descartada “qual rebentão detestado”. Seria como se a dinastia fosse jogada numa cova sem identificação — como um simples soldado de infantaria morto em batalha. Que humilhação!
27. De que maneira as futuras gerações babilônicas sofreriam pelos erros de seus antepassados?
27 A expressão proverbial termina com ordens aos conquistadores medos e persas: “Aprontai um cepo de matança para os seus próprios filhos, por causa do erro dos antepassados deles, para que não se levantem e realmente tomem posse da terra, e encham de cidades a face do solo produtivo.” (Isaías 14:21) A queda de Babilônia seria permanente. A dinastia babilônica seria desarraigada sem possibilidades de ressurgimento. As futuras gerações babilônicas sofreriam por causa ‘do erro de seus antepassados’.
28. Qual era a causa do pecado dos reis babilônios, e o que aprendemos disso?
28 O julgamento pronunciado contra a dinastia babilônica nos ensina uma valiosa lição. A causa do pecado dos reis babilônios era sua insaciável ambição. (Daniel 5:23) Eles tinham um extremo desejo de poder. Queriam dominar outros. (Isaías 47:5, 6) Ansiavam obter glória de homens, algo que de direito pertence a Deus. (Revelação [Apocalipse] 4:11) Isso serve de alerta a qualquer pessoa que exerça autoridade sobre outros — mesmo na congregação cristã. A ambição e o orgulho egoísta são características que Jeová não tolera, quer em pessoas, quer em nações.
29. O orgulho e a ambição dos governantes babilônios eram reflexo de quê?
29 O orgulho dos governantes babilônios era reflexo do espírito do “deus deste sistema de coisas”, Satanás, o Diabo. (2 Coríntios 4:4) Ele também anseia ter poder e ser superior a Jeová Deus. Assim como se deu com o rei de Babilônia e o povo que ele subjugou, a ímpia ambição de Satanás tem causado dor e sofrimento a toda a humanidade.
30. Que outra Babilônia é mencionada na Bíblia, e que espírito tem demonstrado?
30 Além disso, no livro de Revelação lemos sobre outra Babilônia — “Babilônia, a Grande”. (Revelação 18:2) Essa organização, o império mundial da religião falsa, também tem demonstrado um espírito orgulhoso, opressivo e cruel. Por isso, ela também terá de enfrentar um “dia de Jeová” e ser destruída quando Deus determinar. (Isaías 13:6) Desde 1919, tem-se divulgado em toda a Terra a seguinte mensagem: “Caiu Babilônia, a Grande!” (Revelação 14:8) Ela sofreu uma queda quando não conseguiu manter o povo de Deus cativo. Em breve, ela será completamente destruída. Jeová ordenou com respeito à antiga Babilônia: “Retribuí-lhe segundo a sua atuação. Fazei-lhe segundo tudo o que ela fez. Pois foi contra Jeová que ela agiu presunçosamente, contra o Santo de Israel.” (Jeremias 50:29; Tiago 2:13) Babilônia, a Grande, receberá uma condenação similar.
31. O que acontecerá em breve a Babilônia, a Grande?
31 Assim, a declaração final de Jeová nesta profecia do livro de Isaías não se aplica apenas à antiga Babilônia, mas também à Babilônia, a Grande: “Vou levantar-me contra eles . . . E vou decepar de Babilônia o nome, e o restante, e a progênie, e a posteridade . . . E vou constituí-la em propriedade de porcos-espinhos e em banhados de juncos, e vou varrê-la com a vassoura do aniquilamento.” (Isaías 14:22, 23) As ruínas desoladas da antiga Babilônia mostram o que Jeová causará em breve a Babilônia, a Grande. Que alívio para os que têm verdadeiro amor pela adoração pura! Isso serve de grande incentivo para que jamais permitamos que as características satânicas do orgulho, da arrogância, ou da crueldade se desenvolvam em nós.
[Nota(s) de rodapé]
a Isaías menciona apenas os medos, mas diversas nações estariam aliadas contra Babilônia — Média, Pérsia, Elão e outras nações menores. (Jeremias 50:9; 51:24, 27, 28) As nações vizinhas chamavam tanto os medos como os persas de “o medo”. Além disso, nos dias de Isaías, a Média era a potência dominante. Foi somente sob o governo de Ciro que a Pérsia se tornou dominante.
b Tudo indica, porém, que posteriormente os medos e os persas desenvolveram grande amor pelo luxo. — Ester 1:1-7.
c Por exemplo, Daniel foi designado a um posto do alto escalão em Babilônia, sob os medos e persas. E cerca de 60 anos mais tarde, Ester tornou-se rainha do rei persa Assuero, e Mordecai tornou-se primeiro-ministro de todo o Império Persa.
[Foto na página 178]
A Babilônia derrotada se tornaria moradia de criaturas do deserto
[Fotos na página 186]
Babilônia, a Grande, se tornará um montão de ruínas, assim como a antiga Babilônia
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O “conselho” de Jeová contra as naçõesProfecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Quinze
O “conselho” de Jeová contra as nações
1. Que julgamento Isaías registra contra a Assíria?
JEOVÁ podia usar as nações para disciplinar seu povo por causa da perversidade deste. Apesar disso, Jeová não desculparia essas nações por sua crueldade desnecessária, pelo orgulho e animosidade que demonstravam para com a adoração verdadeira. Assim, com bastante antecedência, ele inspirou Isaías a registrar “a pronúncia contra Babilônia”. (Isaías 13:1) No entanto, Babilônia representava uma ameaça futura. Nos dias de Isaías, a Assíria oprimia o povo pactuado de Deus. Ela havia destruído o reino setentrional de Israel e devastado grande parte de Judá. Mas o triunfo da Assíria seria limitado. Isaías escreve: “Jeová dos exércitos jurou, dizendo: ‘Seguramente assim como tencionei, assim terá de acontecer . . . para destroçar o assírio na minha terra e para calcá-lo nos meus próprios montes; e que seu jugo realmente se retire de cima deles e seu próprio fardo suma de cima do ombro deles.’” (Isaías 14:24, 25) Não muito tempo depois de Isaías profetizar isso, a ameaça assíria foi removida de Judá.
2, 3. (a) Contra quem Jeová estendeu sua mão nos tempos antigos? (b) O que significa Jeová estender sua mão contra “todas as nações”?
2 Que dizer, porém, de outras nações inimigas do povo pactuado de Deus? Elas também deviam ser julgadas. Isaías declara: “Este é o conselho que se aconselha contra toda a terra, e esta é a mão que se estende contra todas as nações. Pois o próprio Jeová dos exércitos tem aconselhado, e quem o pode desfazer? E sua mão é a que está estendida, e quem a pode fazer recuar?” (Isaías 14:26, 27) O “conselho” de Jeová é mais do que uma simples recomendação. Representa sua firme determinação, seu decreto. (Jeremias 49:20, 30) A “mão” de Deus representa seu poder em ação. Os últimos versículos do capítulo 14 de Is e os capítulos 15 a 19 de Isaías registram o conselho de Jeová contra a Filístia, Moabe, Damasco, Etiópia e Egito.
3 Contudo, Isaías diz que a mão de Jeová estava estendida contra “todas as nações”. Assim, apesar de essas profecias de Isaías terem se cumprido primeiro nos tempos antigos, elas também se aplicam em princípio durante “o tempo do fim”, quando Jeová estende sua mão contra todos os reinos da Terra. (Daniel 2:44; 12:9; Romanos 15:4; Revelação [Apocalipse] 19:11, 19-21) De maneira confiante e com bastante antecedência, o Deus todo-poderoso, Jeová, revelou seu conselho. Ninguém pode fazer sua mão estendida recuar. — Salmo 33:11; Isaías 46:10.
‘Uma cobra ardente e voadora’ contra a Filístia
4. Quais são alguns detalhes do pronunciamento de Jeová contra a Filístia?
4 Os filisteus são os primeiros a receber atenção. “No ano em que morreu o Rei Acaz ocorreu esta pronúncia: ‘Não te alegres, ó Filístia, qualquer um de ti, só porque foi destroçada a vara de quem te golpeava. Porque da raiz da serpente sairá uma cobra venenosa, e seu fruto será uma cobra ardente, voadora.’” — Isaías 14:28, 29.
5, 6. (a) De que maneira Uzias foi como uma serpente para os filisteus? (b) O que Ezequias provou ser contra a Filístia?
5 O Rei Uzias era suficientemente forte para deter a ameaça que a Filístia representava. (2 Crônicas 26:6-8) Para eles, Uzias era como uma serpente, e sua vara continuava a atingir aquele vizinho hostil. Após a morte de Uzias — ‘sua vara foi destroçada’ — o fiel Jotão passou a governar, mas “o povo ainda agia ruinosamente”. A seguir, Acaz tornou-se rei. As coisas mudaram e os filisteus conseguiram surpreender Judá com vários ataques militares. (2 Crônicas 27:2; 28:17, 18) Mas agora as coisas estavam mudando novamente. Em 746 AEC, o Rei Acaz morreu e o jovem Ezequias assumiu o trono. Se os filisteus achavam que as coisas continuariam a seu favor, estavam completamente enganados. Ezequias provou ser um inimigo mortal. Sendo descendente de Uzias (o “fruto” de sua “raiz”), Ezequias era como “uma cobra ardente, voadora”, lançando-se rapidamente ao ataque, golpeando de maneira repentina e produzindo um efeito ardente como se tivesse injetado veneno em suas vítimas.
6 Essa era uma boa descrição do novo rei. “Foi [Ezequias] quem golpeou os filisteus até Gaza, e também seus territórios.” (2 Reis 18:8) De acordo com os anais do rei assírio Senaqueribe, os filisteus tornaram-se súditos de Ezequias. ‘Os de condição humilde’ — o enfraquecido reino de Judá — passaram a usufruir segurança e prosperidade material, enquanto a Filístia passava fome. — Leia Isaías 14:30, 31.
7. Que declaração de fé devia Ezequias fazer aos embaixadores presentes em Jerusalém?
7 Aparentemente, havia embaixadores em Judá — talvez procurando fazer uma aliança contra a Assíria. O que se devia dizer a eles? “O que se dirá em resposta aos mensageiros da nação?” Devia Ezequias tentar obter segurança por meio de alianças com países estrangeiros? Não! Ele devia dizer aos mensageiros: “O próprio Jeová lançou o alicerce de Sião, e nela se refugiarão os atribulados do seu povo.” (Isaías 14:32) O rei devia ter plena confiança em Jeová. O alicerce de Sião era firme. A cidade sobreviveria como lugar de refúgio da ameaça assíria. — Salmo 46:1-7.
8. (a) Como algumas nações hoje têm sido como a Filístia? (b) Como nos tempos antigos, o que Jeová tem feito para apoiar seu povo atualmente?
8 Assim como a Filístia, algumas nações hoje opõem-se violentamente aos adoradores de Deus. Testemunhas cristãs de Jeová têm sido confinadas em prisões e em campos de concentração. Têm sido proscritas. Muitas foram mortas. Os opositores continuam a fazer “ataques penetrantes à alma do justo”. (Salmo 94:21) Para seus inimigos, esse grupo cristão talvez pareça “de condição humilde” e ‘pobre’. No entanto, com o apoio de Jeová, eles têm abundância espiritual, ao passo que seus inimigos passam fome. (Isaías 65:13, 14; Amós 8:11) Quando Jeová estender a mão contra os atuais filisteus, esses “de condição humilde” estarão seguros. Onde? Em associação com “a família de Deus”, da qual Jesus é a sólida pedra angular de alicerce. (Efésios 2:19, 20) E eles estarão sob a proteção da “Jerusalém celestial”, o Reino celestial de Jeová, cujo rei é Jesus Cristo. — Hebreus 12:22; Revelação 14:1.
Moabe foi silenciado
9. Contra quem foi feito o pronunciamento seguinte, e como esse povo mostrou ser inimigo do povo de Deus?
9 A leste do mar Morto ficava outro vizinho de Israel, Moabe. Em contraste com os filisteus, os moabitas tinham parentesco com Israel, sendo descendentes de Ló, sobrinho de Abraão. (Gênesis 19:37) Apesar disso, Moabe tinha um histórico de inimizade com Israel. Por exemplo, nos dias de Moisés, o rei de Moabe contratou o profeta Balaão na esperança de que ele amaldiçoasse os israelitas. Quando isso não deu certo, Moabe usou a imoralidade e a adoração de Baal para enlaçar Israel. (Números 22:4-6; 25:1-5) Por isso, não é de admirar que Jeová inspirasse Isaías a registrar “a pronúncia contra Moabe”! — Isaías 15:1a.
10, 11. O que aconteceria a Moabe?
10 A profecia de Isaías foi dirigida contra diversas cidades e localidades em Moabe, incluindo Ar, Quir (ou Quir-Haresete) e Díbon. (Isaías 15:1b, 2a) Os moabitas pranteariam pelos bolos de passas de Quir-Haresete, talvez o principal produto da cidade. (Isaías 16:6, 7) Sibma e Jázer, famosas pela viticultura, seriam atacadas. (Isaías 16:8-10) Eglate-Selisaia, cujo nome pode significar “Uma Novilha de Três Anos”, seria como uma vigorosa novilha, emitindo clamores de angústia que inspirariam pena. (Isaías 15:5) A relva do país se secaria enquanto que as “águas de Dimom” se tornariam cheias de sangue por causa da matança dos moabitas. As “águas de Ninrim” se tornariam “puras desolações”, quer em sentido figurativo, quer literal — provavelmente porque as forças inimigas represariam os seus riachos. — Isaías 15:6-9.
11 Os moabitas usariam serapilheira, a vestimenta do luto. Raspariam a cabeça para simbolizar vergonha e lamentação. Suas barbas seriam ‘cortadas’, em sinal de extrema dor e humilhação. (Isaías 15:2b-4) Por ter certeza do cumprimento desses julgamentos, o próprio Isaías ficou muito agitado. Como as vibrantes cordas de uma harpa, suas entranhas se agitaram de pena por causa da aflitiva mensagem contra Moabe. — Isaías 16:11, 12.
12. Como se cumpriram as palavras de Isaías contra Moabe?
12 Quando se cumpriria essa profecia? Em breve. “Esta é a palavra que Jeová falou anteriormente a respeito de Moabe. E agora Jeová falou, dizendo: ‘Dentro de três anos, segundo os anos de um trabalhador contratado, a glória de Moabe também terá de ser degradada com muita comoção de toda sorte, e os que restarem serão extremamente poucos, nada fortes.’” (Isaías 16:13, 14) Em harmonia com isso, há evidência arqueológica de que durante o oitavo século AEC Moabe sofreu grandemente, e muitas de suas localidades ficaram despovoadas. Tiglate-Pileser III mencionou Salamanu, de Moabe, entre os governantes que lhe pagaram tributo. Senaqueribe recebeu tributo de Kammusunadbi, rei de Moabe. Os monarcas assírios Esar-Hadom e Assurbanipal mencionaram os reis moabitas, Musuri e Kamashaltu, como sujeitos a eles. Há séculos, os moabitas deixaram de existir como povo. Descobriram-se ruínas de cidades que, segundo se acredita, eram moabitas, mas até agora as escavações revelaram poucas evidências físicas desse outrora poderoso inimigo de Israel.
A moderna nação de “Moabe” perece
13. Que organização pode atualmente ser comparada a Moabe?
13 Atualmente, existe uma organização mundial similar à antiga Moabe. É a cristandade, a parte principal de “Babilônia, a Grande”. (Revelação 17:5) Tanto Moabe quanto Israel descendiam de Tera, pai de Abraão. De maneira similar, assim como a atual congregação de cristãos ungidos, a cristandade afirma ter raízes na congregação cristã do primeiro século. (Gálatas 6:16) No entanto, assim como Moabe, a cristandade é corrupta, promovendo a imoralidade espiritual e a adoração de deuses rivais ao único Deus verdadeiro, Jeová. (Tiago 4:4; 1 João 5:21) Como classe, os líderes da cristandade se opõem aos que pregam as boas novas do Reino. — Mateus 24:9, 14.
14. Apesar do conselho de Jeová contra a moderna “Moabe”, que esperança existe para os membros dessa organização?
14 Com o tempo, Moabe foi silenciada. O mesmo acontecerá com a cristandade. Usando o equivalente moderno da Assíria, Jeová fará com que ela seja desolada. (Revelação 17:16, 17) Contudo, há uma esperança para as pessoas na atual “Moabe”. Em meio à sua profecia contra Moabe, Isaías diz: “Certamente se estabelecerá firmemente um trono em benevolência; e um terá de assentar-se nele em veracidade na tenda de Davi, julgando e buscando o juízo, e diligente na justiça.” (Isaías 16:5) Em 1914, Jeová estabeleceu firmemente o trono de Jesus, um Governante da linhagem do Rei Davi. O reinado de Jesus é uma expressão da benignidade de Jeová e, em cumprimento do pacto de Deus com o Rei Davi, durará para sempre. (Salmo 72:2; 85:10, 11; 89:3, 4; Lucas 1:32) Muitas pessoas mansas abandonaram a moderna “Moabe” e submeteram-se a Jesus a fim de ganhar a vida eterna. (Revelação 18:4) Essas pessoas acham muito confortador saber que Jesus “esclarecerá às nações o que é justiça”. — Mateus 12:18; Jeremias 33:15.
Damasco virou ruína decadente
15, 16. (a) Que ações hostis Damasco e Israel tomaram contra Judá, e com que resultado para Damasco? (b) Quem estava incluído no pronunciamento contra Damasco? (c) O que os cristãos hoje podem aprender do exemplo de Israel?
15 A seguir, Isaías registra “a pronúncia contra Damasco”. (Leia Isaías 17:1-6.) Damasco, ao norte de Israel, era “a cabeça da Síria”. (Isaías 7:8) Durante o reinado de Acaz, de Judá, Rezim, de Damasco, aliado a Peca, de Israel, invadiu Judá. Mas, a pedido de Acaz, o rei assírio Tiglate-Pileser III guerreou contra Damasco, conquistando-a e exilando muitos de seus habitantes. Dali em diante, Damasco deixou de ser uma ameaça para Judá. — 2 Reis 16:5-9; 2 Crônicas 28:5, 16.
16 Provavelmente por causa da aliança de Israel com Damasco, o pronunciamento de Jeová contra Damasco também incluía expressões de julgamento contra o infiel reino setentrional. (Isaías 17:3) Israel se tornaria como um campo com pouquíssimos grãos na época da colheita, ou como uma oliveira que teve a maior parte das olivas derrubadas de seus galhos. (Isaías 17:4-6) Esse é um exemplo que faz os que são dedicados a Jeová parar para pensar. Jeová espera devoção exclusiva e aceita apenas um serviço sagrado feito de coração. E ele odeia os que se voltam contra seus irmãos. — Êxodo 20:5; Isaías 17:10, 11; Mateus 24:48-50.
Plena confiança em Jeová
17, 18. (a) Como alguns em Israel reagiram aos pronunciamentos de Jeová, mas qual foi a reação da maioria? (b) Como os acontecimentos hoje nos lembram os que ocorreram nos dias de Ezequias?
17 Isaías diz agora: “Naquele dia, o homem terreno atentará para Aquele que o fez e seus próprios olhos olharão para o próprio Santo de Israel. E não atentará para os altares, trabalho das suas mãos; e não olhará para aquilo que seus dedos fizeram, quer para os postes sagrados, quer para os pedestais-incensários.” (Isaías 17:7, 8) Realmente, alguns em Israel acataram o aviso de Jeová. Por exemplo, quando Ezequias enviou um convite aos habitantes de Israel para se juntarem a Judá na celebração da Páscoa, alguns israelitas o aceitaram e viajaram para o sul a fim de se unirem a seus irmãos na adoração pura. (2 Crônicas 30:1-12) Contudo, a maioria dos habitantes de Israel zombou dos mensageiros que levavam o convite. O país havia se tornado irreversivelmente apóstata. Por isso, o conselho de Jeová contra Israel se cumpriu. A Assíria destruiu as cidades de Israel, o país ficou devastado, as pastagens tornaram-se improdutivas. — Leia Isaías 17:9-11.
18 O que dizer de hoje? Israel era uma nação apóstata. Assim, a maneira de Ezequias tentar ajudar pessoas daquela nação a retornar à adoração verdadeira nos lembra de como os cristãos verdadeiros hoje tentam ajudar as pessoas da apóstata organização da cristandade. Desde 1919, mensageiros do “Israel de Deus” percorrem a cristandade convidando pessoas a participar na adoração pura. (Gálatas 6:16) A maioria recusa o convite. Muitas zombam dos mensageiros. Mas algumas reagem bem. Atualmente, o número delas chega a milhões e elas têm prazer em ‘olhar para o Santo de Israel’, sendo ensinadas por ele. (Isaías 54:13) Abandonam a adoração em altares profanos — a devoção e a confiança em deuses feitos pelo homem — e buscam avidamente a Jeová. (Salmo 146:3, 4) Como Miqueias, contemporâneo de Isaías, cada uma delas diz: “Quanto a mim, ficarei à espreita de Jeová. Mostrarei uma atitude de espera pelo Deus da minha salvação. Meu Deus me ouvirá.” — Miqueias 7:7.
19. A quem Jeová censurará, e o que isso significará para tais?
19 Que contraste com aqueles que confiam no homem mortal! Turbulentas ondas de violência e convulsões sociais e políticas golpeiam a humanidade nestes últimos dias. “O mar” da desassossegada e rebelde humanidade faz surgir descontentamento e revolução. (Isaías 57:20; Revelação 8:8, 9; 13:1) Jeová “censurará” essa multidão ruidosa. Seu Reino celestial destruirá toda pessoa e organização que causa problemas e elas irão “fugir para longe . . . como o remoinho de cardos diante do tufão”. — Isaías 17:12, 13; Revelação 16:14, 16.
20. Apesar de serem ‘saqueados’ pelas nações, que confiança têm os cristãos verdadeiros?
20 O resultado? Isaías diz: “No tempo da noitinha, ora, eis o repentino terror. Antes da manhã — não existe mais. Este é o quinhão dos que nos rapinam e a parcela dos que nos saqueiam.” (Isaías 17:14) Muitos saqueiam o povo de Jeová, tratando-o de maneira dura e desrespeitosa. Por não fazerem — e não quererem fazer — parte das religiões tradicionais do mundo, os cristãos verdadeiros são encarados como presa fácil por críticos preconceituosos e opositores fanáticos. Mas o povo de Deus confia que a “manhã” em que suas tribulações terminarão aproxima-se rapidamente. — 2 Tessalonicenses 1:6-9; 1 Pedro 5:6-11.
A Etiópia entregou uma dádiva a Jeová
21, 22. Qual foi a próxima nação a ouvir um julgamento, e como se cumpriram essas palavras inspiradas de Isaías?
21 Em pelo menos duas ocasiões, a Etiópia, ao sul do Egito, ficou envolvida em ação militar contra Judá. (2 Crônicas 12:2, 3; 14:1, 9-15; 16:8) Agora Isaías prediz o julgamento daquela nação: “Ah! terra dos insetos zumbidores com asas, que está na região dos rios da Etiópia!” (Leia Isaías 18:1-6.)a Jeová decretou que a Etiópia fosse ‘decepada, removida e cortada’.
22 A história secular nos conta que na parte final do oitavo século AEC, a Etiópia conquistou o Egito e governou sobre ele por cerca de 60 anos. Em seguida, os imperadores assírios Esar-Hadom e Assurbanipal invadiram o Egito. Com a destruição de Tebas por Assurbanipal, a Assíria subjugou o Egito e, com isso, pôs fim ao domínio da Etiópia sobre o vale do Nilo. (Veja também Isaías 20:3-6.) Como isso se aplica aos nossos dias?
23. Que papel desempenha a “Etiópia” moderna, e por que será destruída?
23 Na profecia de Daniel sobre o “tempo do fim”, o agressivo “rei do norte” é descrito como tendo a Etiópia e a Líbia acompanhando “seus passos”, ou seja, obedecendo suas orientações. (Daniel 11:40-43) A Etiópia também é mencionada como integrando as forças militares de “Gogue da terra de Magogue”. (Ezequiel 38:2-5, 8) As forças de Gogue, incluindo o rei do norte, serão destruídas quando atacarem a nação santa de Jeová. Dessa maneira, a mão de Jeová também se estenderá contra a “Etiópia” moderna, devido à sua oposição à soberania de Jeová. — Ezequiel 38:21-23; Daniel 11:45.
24. De que maneiras Jeová tem recebido “dádivas” das nações?
24 Contudo, a profecia também diz: “Naquele tempo se trará uma dádiva a Jeová dos exércitos, da parte de um povo de elevada estatura e escanhoado, sim, de um povo atemorizante em toda a parte . . . ao lugar do nome de Jeová dos exércitos, o monte Sião.” (Isaías 18:7) Embora as nações não reconheçam a soberania de Jeová, às vezes agem de maneiras que beneficiam o povo de Jeová. Em alguns países, as autoridades promulgaram leis e deram veredictos concedendo direitos legais aos fiéis adoradores de Jeová. (Atos 5:29; Revelação 12:15, 16) E há outras dádivas. “Reis trarão dádivas a ti mesmo. . . . Objetos de bronze virão procedentes do Egito; o próprio Cus [Etiópia] estenderá rapidamente as mãos com dádivas para Deus.” (Salmo 68:29-31) Atualmente, milhões de “etíopes” modernos que temem a Jeová estão trazendo “uma dádiva” na forma de adoração. (Malaquias 1:11) Participam na imensa tarefa de pregar as boas novas do Reino em toda a Terra. (Mateus 24:14; Revelação 14:6, 7) Que excelente dádiva para se oferecer a Jeová! — Hebreus 13:15.
O coração do Egito se derreteu
25. Em cumprimento de Isaías 19:1-11, o que aconteceu ao Egito antigo?
25 O vizinho mais próximo de Judá ao sul era o Egito, antigo inimigo do povo pactuado de Deus. Isaías, capítulo 19, relata a situação conturbada do Egito nos dias do profeta. Havia guerra civil, com “cidade contra cidade, reino contra reino”. (Isaías 19:2, 13, 14) Os historiadores apresentam evidências de dinastias rivais que governavam diferentes partes do país ao mesmo tempo. A alardeada sabedoria do Egito, com seus ‘deuses que nada valem e encantadores’, não o salvou da “mão de um amo duro”. (Isaías 19:3, 4) O Egito foi sucessivamente conquistado pela Assíria, Babilônia, Pérsia, Grécia e Roma. Todos esses eventos cumpriram as profecias de Isaías 19:1-11.
26. No cumprimento maior, como os habitantes do “Egito” moderno reagirão aos atos de julgamento de Jeová?
26 Contudo, na Bíblia, o Egito muitas vezes simboliza o mundo de Satanás. (Ezequiel 29:3; Joel 3:19; Revelação 11:8) Assim, será que a “pronúncia contra o Egito” feita por Isaías terá um cumprimento maior? Sem dúvida! As palavras iniciais da profecia devem fazer com que todos prestem atenção: “Eis que Jeová está cavalgando numa nuvem veloz e está entrando no Egito! E os deuses que nada valem, do Egito, certamente estremecerão por causa dele, e o próprio coração do Egito se derreterá no seu íntimo.” (Isaías 19:1) Em breve, Jeová agirá contra a organização de Satanás. Naquela época, as pessoas verão que os deuses deste sistema são inúteis. (Salmo 96:5; 97:7) “O próprio coração do Egito se derreterá” de medo. Jesus profetizou sobre aquele tempo: “Haverá . . . angústia de nações, não sabendo o que fazer por causa do rugido do mar e da sua agitação, os homens ficando desalentados de temor e na expectativa das coisas que vêm sobre a terra habitada.” — Lucas 21:25, 26.
27. Que divisões internas foram preditas para o “Egito”, e como isso se cumpre atualmente?
27 Falando sobre o tempo que antecederia à execução do seu julgamento, Jeová diz profeticamente: “Eu vou incitar egípcios contra egípcios, e certamente guerrearão cada um contra o seu irmão e cada um contra o seu companheiro, cidade contra cidade, reino contra reino.” (Isaías 19:2) Desde o estabelecimento do Reino de Deus em 1914, ‘o sinal da presença de Jesus’ tem sido marcado por nação levantar-se contra nação e reino contra reino. Massacres tribais, genocídios sangrentos e as chamadas faxinas étnicas ceifaram milhões de vidas durante estes últimos dias. Essas “dores de aflição” aumentam à medida que o fim se aproxima. — Mateus 24:3, 7, 8.
28. No dia do julgamento, conseguirá a religião falsa salvar este sistema?
28 “O espírito do Egito terá de ficar desnorteado no meio dele, e confundirei seu próprio conselho. E por certo hão de recorrer aos deuses que nada valem, e aos encantadores, e aos médiuns espíritas, e aos prognosticadores profissionais de eventos.” (Isaías 19:3) Quando Moisés compareceu diante de Faraó, os sacerdotes do Egito foram envergonhados, incapazes de igualar-se em poder a Jeová. (Êxodo 8:18, 19; Atos 13:8; 2 Timóteo 3:8) Similarmente, no dia do julgamento, a religião falsa não conseguirá salvar este sistema corrupto. (Note Isaías 47:1, 11-13.) Com o tempo, o Egito passou a estar sob “um amo duro”, a Assíria. (Isaías 19:4) Isso prefigura o triste futuro que aguarda este sistema.
29. De que valor serão os políticos no dia de Jeová?
29 O que dizer, porém, dos líderes políticos? Será que poderiam ajudar? “Os príncipes de Zoã são deveras tolos. Quanto aos sábios dos conselheiros de Faraó, seu conselho é algo desarrazoado.” (Leia Isaías 19:5-11.) É desarrazoado esperar que conselheiros humanos possam prestar qualquer ajuda no dia do julgamento. Mesmo com todo o conhecimento do mundo à sua disposição, eles não têm sabedoria divina. (1 Coríntios 3:19) Rejeitaram a Jeová e voltaram-se para a chamada ciência, a filosofia, o dinheiro, os prazeres e outros deuses substitutos. Como resultado, eles não conhecem os propósitos de Deus. Estão enganados e desconcertados. Suas obras são vãs. (Leia Isaías 19:12-15.) “Os sábios ficaram envergonhados. Ficaram aterrorizados e serão apanhados. Eis que rejeitaram a própria palavra de Jeová, e que sabedoria é que eles têm?” — Jeremias 8:9.
Um sinal e uma testemunha para Jeová
30. Em que sentido ‘o solo de Judá se tornaria para o Egito causa de rodopiar’?
30 Contudo, apesar de os líderes do “Egito” estarem fracos “quais mulheres”, há ainda pessoas que procuram obter a sabedoria divina. Os ungidos de Jeová e seus companheiros ‘divulgam as excelências de Deus’. (Isaías 19:16; 1 Pedro 2:9) Eles fazem o que podem para avisar as pessoas sobre o iminente fim da organização de Satanás. Prevendo essa situação, Isaías diz: “O solo de Judá terá de tornar-se para o Egito causa de rodopiar. Todo aquele a quem é mencionado está apavorado por causa do conselho de Jeová dos exércitos, que este está aconselhando contra ele.” (Isaías 19:17) Os fiéis mensageiros de Jeová dizem a verdade às pessoas — incluindo o anúncio das pragas preditas por Jeová. (Revelação 8:7-12; 16:2-12) Isso é perturbador para os líderes religiosos do mundo.
31. Em que sentido “o idioma de Canaã” seria falado em cidades do Egito (a) nos tempos antigos (b) nos tempos modernos?
31 Qual seria o surpreendente resultado dessa proclamação? “Naquele dia virá a haver cinco cidades na terra do Egito, falando o idioma de Canaã e jurando a Jeová dos exércitos. Cidade de Derrubamento se chamará uma cidade.” (Isaías 19:18) Nos tempos antigos, essa profecia aparentemente cumpriu-se quando a língua hebraica era falada em cidades egípcias por judeus que haviam fugido para lá. (Jeremias 24:1, 8-10; 41:1-3; 42:9–43:7; 44:1) Atualmente, há pessoas no território do “Egito” moderno que aprenderam a falar a “língua pura” da verdade bíblica. (Sofonias 3:9) Uma das cinco cidades figurativas é chamada de “Cidade de Derrubamento”, significando que parte da “língua pura” se relaciona com o desmascaramento e o “derrubamento” da organização de Satanás.
32. (a) Que “altar” está no meio da terra do Egito? (b) Como são os ungidos como “coluna” ao lado da fronteira do Egito?
32 Graças à obra de proclamação realizada pelo seu povo, o grande nome de Jeová certamente se tornará conhecido neste sistema. “Naquele dia virá a haver um altar a Jeová no meio da terra do Egito, e uma coluna a Jeová ao lado do seu termo.” (Isaías 19:19) Essas palavras se referem à posição dos cristãos ungidos, que estão numa relação pactuada com Deus. (Salmo 50:5) Como “um altar”, eles oferecem sacrifícios; como “coluna e amparo da verdade”, dão testemunho sobre Jeová. (1 Timóteo 3:15; Romanos 12:1; Hebreus 13:15, 16) Estão “no meio da terra” e são encontrados — junto com seus companheiros das “outras ovelhas” — em mais de 230 países e ilhas do mar. Mas “não fazem parte do mundo”. (João 10:16; 17:15, 16) Estão, por assim dizer, na ‘fronteira’ entre este mundo e o Reino de Deus, preparados para cruzar essa fronteira e receber sua recompensa celestial.
33. De que maneiras os ungidos são um “sinal” e uma “testemunha” no “Egito”?
33 Isaías continua: “Terá de mostrar ser como sinal e como testemunha para Jeová dos exércitos na terra do Egito; pois clamarão a Jeová por causa dos opressores, e ele lhes enviará um salvador, sim, alguém grandioso, que realmente os livrará.” (Isaías 19:20) Como “sinal” e “testemunha”, os ungidos lideram a pregação e exaltam o nome de Jeová neste sistema. (Isaías 8:18; Hebreus 2:13) Os clamores dos oprimidos podem ser ouvidos em todo o mundo, mas, de modo geral, os governos humanos não têm como ajudá-los. Contudo, Jeová enviará um Grande Salvador, o Rei Jesus Cristo, para livrar todos os mansos. Quando estes últimos dias atingirem o seu clímax, na guerra do Armagedom, ele trará alívio e bênçãos eternas para os humanos tementes a Deus. — Salmo 72:2, 4, 7, 12-14.
34. (a) Como os “egípcios” aprenderiam sobre Jeová, e que sacrifício e dádiva lhe dariam? (b) Quando Jeová ferirá o “Egito”, e que cura haverá após isso?
34 Nesse meio tempo, é da vontade de Deus que todo tipo de pessoas obtenham o conhecimento exato e sejam salvas. (1 Timóteo 2:4) Por isso, Isaías escreve: “Jeová certamente se tornará conhecido aos egípcios; e os egípcios terão de conhecer a Jeová naquele dia, e terão de oferecer sacrifício e presente, e terão de fazer um voto a Jeová e pagá-lo. E Jeová certamente ferirá o Egito. Ferir-se-á e curar-se-á; e terão de retornar a Jeová, e terá de deixar-se suplicar por eles e terá de curá-los.” (Isaías 19:21, 22) Pessoas de todas as nações do mundo de Satanás, “egípcios” individuais, aprenderiam sobre Jeová e lhe prestariam sacrifício, “o fruto de lábios que fazem declaração pública do seu nome”. (Hebreus 13:15) Elas fariam um voto a Jeová por se dedicarem a ele, e pagariam esse voto prestando-lhe serviço fiel. Após ‘ferir’ este sistema no Armagedom, Jeová usará seu Reino para curar a humanidade. Durante o Reinado Milenar de Jesus, a humanidade será levada à perfeição espiritual, mental, moral e física — uma verdadeira cura! — Revelação 22:1, 2.
“Bendito seja meu povo”
35, 36. Em cumprimento de Isaías 19:23-25, que ligações vieram a existir entre o Egito, a Assíria e Israel nos tempos antigos?
35 A seguir, o profeta prevê um acontecimento notável: “Naquele dia virá a haver uma estrada principal saindo do Egito para a Assíria, e a Assíria entrará realmente no Egito, e o Egito na Assíria; e certamente prestarão serviço, o Egito com a Assíria. Naquele dia, Israel virá a ser o terceiro, junto com o Egito e com a Assíria, a saber, uma bênção no meio da terra, porque Jeová dos exércitos o terá abençoado, dizendo: ‘Bendito seja meu povo, o Egito, e o trabalho das minhas mãos, a Assíria, e minha herança, Israel.’” (Isaías 19:23-25) Realmente, um dia viria a existir uma relação amigável entre o Egito e a Assíria. Como?
36 Quando Jeová resgatava seu povo dentre as nações nos tempos antigos, ele, por assim dizer, abria-lhes estradas à liberdade. (Isaías 11:16; 35:8-10; 49:11-13; Jeremias 31:21) Um cumprimento limitado dessa profecia ocorreu após a derrota de Babilônia, quando os exilados da Assíria e do Egito, bem como de Babilônia, foram levados de volta à Terra Prometida. (Isaías 11:11) Mas o que dizer de hoje?
37. Em que sentido milhões de pessoas vivem hoje como se houvesse uma estrada entre a “Assíria” e o “Egito”?
37 Atualmente, os do restante ungido do Israel espiritual são “uma bênção no meio da terra”. Eles promovem a adoração pura e declaram a mensagem do Reino a pessoas de todas as nações. Assim como era a Assíria, algumas dessas nações são fortemente militarizadas. Outras são mais liberais, talvez como era o Egito, que em certo período desempenhou o papel do “rei do sul”, na profecia de Daniel. (Daniel 11:5, 8) Milhões de pessoas, tanto das nações militarizadas como das mais liberais, adotaram o caminho da adoração verdadeira. Assim, pessoas de todas as nações ‘prestam serviço’ a Deus de maneira unida. Não existem divisões nacionais entre elas. Demonstram amor mútuo, e pode-se verdadeiramente dizer que a ‘Assíria entra no Egito e o Egito entra na Assíria’. É como se houvesse uma estrada ligando um a outro. — 1 Pedro 2:17.
38. (a) Como Israel ‘viria a ser o terceiro junto com o Egito e a Assíria’? (b) Por que Jeová diz “bendito seja meu povo”?
38 Mas como Israel ‘viria a ser o terceiro junto com o Egito e a Assíria’? No início do “tempo do fim”, a maioria dos que serviam a Jeová na Terra eram membros do “Israel de Deus”. (Daniel 12:9; Gálatas 6:16) A partir da década de 1930, surgiu uma grande multidão de “outras ovelhas”, com esperança terrestre. (João 10:16a; Revelação 7:9) Saindo das nações, prefiguradas pelo Egito e pela Assíria, essas pessoas afluem à casa de adoração de Jeová e convidam outros a fazer o mesmo. (Isaías 2:2-4) Realizam a mesma obra de pregação que seus irmãos ungidos, perseveram sob provas similares, demonstram a mesma fidelidade e integridade e alimentam-se à mesma mesa espiritual. Realmente, os ungidos e as “outras ovelhas” constituem “um só rebanho, um só pastor”. (João 10:16b) Será que alguém pode duvidar de que Jeová se alegra com o trabalho dessas pessoas, ao observar seu zelo e perseverança? Não é de admirar que ele as abençoe, dizendo: “Bendito seja meu povo”!
[Nota(s) de rodapé]
a Alguns eruditos sugerem que a expressão “terra dos insetos zumbidores com asas” se refere às nuvens de gafanhotos que ocasionalmente se formam na Etiópia. Outros dizem que a palavra hebraica para “zumbidores”, tsela·tsál, se parece com o som do nome dado à mosca tsé-tsé, tsaltsalya, pelos gala, um povo camítico que vive na Etiópia moderna.
[Foto na página 191]
Guerreiros filisteus atacando seus inimigos (gravura egípcia do século 12 AEC)
[Foto na página 192]
Relevo em pedra de um guerreiro ou deus moabita (entre o século 11 AEC e o 8.º século AEC)
[Foto na página 196]
Guerreiro sírio andando a camelo (9.º século AEC)
[Foto na página 198]
“O mar” da humanidade rebelde faz surgir descontentamento e revolução
[Foto na página 203]
Os sacerdotes egípcios foram incapazes de igualar-se em poder a Jeová
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Confie na orientação e na proteção de JeováProfecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Dezesseis
Confie na orientação e na proteção de Jeová
1, 2. Que perigo o povo de Deus corria no oitavo século AEC, e a quem muitos estavam propensos a pedir proteção?
COMO vimos em capítulos anteriores deste livro, o povo de Deus enfrentava uma ameaça assustadora no oitavo século AEC. Os sanguinários assírios devastavam um país após outro, e atacarem o reino meridional de Judá era simples questão de tempo. A quem os habitantes do país pediriam proteção? Eles estavam numa relação pactuada com Jeová e deviam confiar na sua ajuda. (Êxodo 19:5, 6) Fora isso o que o Rei Davi fizera. Ele reconheceu: “Jeová é meu rochedo, e minha fortaleza, e Aquele que me põe a salvo.” (2 Samuel 22:2) Mas, evidentemente, muitos no oitavo século AEC não faziam de Jeová a sua fortaleza. Estavam mais propensos a recorrer ao Egito e à Etiópia, na esperança de que essas duas nações servissem de baluarte contra a ameaçadora invasão assíria. Estavam enganados.
2 Por meio de seu profeta Isaías, Jeová alertou que buscar refúgio no Egito ou na Etiópia seria desastroso. As palavras inspiradas do profeta representavam uma sadia lição para seus contemporâneos e contêm uma lição valiosa para nós a respeito da importância de confiar em Jeová.
Terra de derramamento de sangue
3. Que importância dava a Assíria ao poderio militar?
3 Os assírios eram famosos por seu poderio militar. O livro Ancient Cities (Cidades Antigas) observa: “Eles cultuavam a força, e rezavam apenas para colossais ídolos de pedra, leões e touros, cujos membros maciços, asas de águia e cabeças humanas simbolizavam força, coragem e vitória. Lutar era a ocupação principal daquela nação, e os sacerdotes eram fomentadores incessantes da guerra.” Com boa razão o profeta bíblico Naum chama Nínive, a capital da Assíria, de “cidade de derramamento de sangue”. — Naum 3:1.
4. Como os assírios infundiam terror no coração de outras nações?
4 A crueldade das táticas de guerra dos assírios era incomum. Relevos daqueles dias mostram guerreiros assírios conduzindo cativos por meio de ganchos que furavam o nariz ou os lábios das vítimas. Com a lança eles cegavam alguns prisioneiros. Certa inscrição fala de uma conquista em que o exército assírio amputou os membros de seus prisioneiros e fez deles dois amontoados fora da cidade — um de cabeças e o outro de membros. As crianças dos conquistados foram queimadas. O medo dessa crueldade com certeza favorecia militarmente os assírios, pois desestimulava a resistência de quem se interpusesse no caminho de seus exércitos.
A guerra contra Asdode
5. Cite o nome de um poderoso governante assírio dos dias de Isaías e explique como o relato bíblico a respeito dele foi vindicado.
5 Nos dias de Isaías, o Império Assírio atingiu um nível sem precedentes de poder, sob o Rei Sargão.a Por muitos anos, os críticos duvidavam da existência desse governante, pois desconheciam alguma menção dele nas fontes seculares. Mas, com o tempo, os arqueólogos descobriram as ruínas do palácio de Sargão e o relato bíblico foi vindicado.
6, 7. (a) Por que, provavelmente, Sargão mandou atacar Asdode? (b) Como a queda de Asdode afetou os vizinhos da Filístia?
6 Isaías descreve brevemente uma das campanhas militares de Sargão: “Tartã chegou a Asdode, sendo enviado por Sargão, rei da Assíria, e ele passou a guerrear contra Asdode e a capturá-la.” (Isaías 20:1)b Por que Sargão mandou atacar a cidade filisteia de Asdode? Por um lado, a Filístia era aliada do Egito, e Asdode, sede de um templo de Dagom, ficava na estrada litorânea que saía do Egito e atravessava a Palestina. Portanto, a localização da cidade era estratégica. A sua captura podia ser considerada um passo preliminar para a conquista do Egito. Além disso, registros assírios mostram que Azuri, rei de Asdode, conspirava contra a Assíria. Assim, Sargão destituiu o rei rebelde e colocou no trono o irmão mais novo deste, Ahimiti. Mas isso não resolveu o assunto. Surgiu nova revolta e, dessa vez, Sargão agiu com mais dureza. Mandou atacar Asdode, que foi sitiada e conquistada. É provável que Isaías 20:1 se refira a esse evento.
7 A queda de Asdode lançou uma sombra ominosa sobre seus vizinhos, especialmente Judá. Jeová sabia que seu povo tendia a recorrer a “um braço de carne”, como o Egito ou a Etiópia, no sul. Assim, ele incumbiu Isaías de encenar um alerta funesto. — 2 Crônicas 32:7, 8.
“Nu e descalço”
8. Que encenação profética inspirada fez Isaías?
8 Jeová diz a Isaías: “Vai, e tens de soltar a serapilheira de cima dos teus quadris; e deves retirar as tuas sandálias dos teus pés.” Isaías cumpriu a ordem de Jeová. “Ele passou a fazer assim, andando nu e descalço.” (Isaías 20:2) Serapilheira era uma veste rústica comum entre os profetas e às vezes era usada quando proferiam uma mensagem de alerta. Era também usada em tempos de crise, ou ao se ouvirem notícias ruins. (2 Reis 19:2; Salmo 35:13; Daniel 9:3) Será que Isaías andou mesmo despido, sem nenhuma cobertura? Não necessariamente. A palavra hebraica traduzida por “nu” pode também significar estar parcial ou escassamente vestido. (1 Samuel 19:24, nota, NM com Referências) Portanto, Isaías talvez tenha apenas tirado a roupa de cima, ficando com a túnica curta que, em geral, era usada bem junto ao corpo. Os prisioneiros não raro são representados assim em esculturas assírias.
9. Qual era o significado profético do gesto de Isaías?
9 Não há dúvida quanto ao significado desse gesto incomum de Isaías: “Jeová prosseguiu, dizendo: ‘Assim como meu servo Isaías tem andado nu e descalço por três anos como sinal e como portento contra o Egito e contra a Etiópia, assim é que o rei da Assíria conduzirá o grupo dos cativos do Egito e os exilados da Etiópia, rapazes e anciãos, nus e descalços, e com as nádegas desnudas, a nudez do Egito.’” (Isaías 20:3, 4) Sim, os egípcios e os etíopes logo seriam levados como prisioneiros. Ninguém escaparia. Até mesmo “rapazes e anciãos” — crianças e velhos — perderiam todos os seus bens e seriam exilados. Por meio dessa representação sombria, Jeová alertava os habitantes de Judá de que seria fútil confiar no Egito e na Etiópia. A queda dessas nações as levaria à “nudez” — sua humilhação final!
A esperança desmorona, a beleza desvanece
10, 11. (a) Qual seria a reação de Judá quando soubesse que o Egito e a Etiópia eram impotentes diante da Assíria? (b) Por que talvez os habitantes de Judá se inclinassem a confiar no Egito e na Etiópia?
10 A seguir, Jeová descreve profeticamente a reação de seu povo ao perceber que o Egito e a Etiópia, seu esperado refúgio, mostraram-se impotentes diante dos assírios. “Certamente ficarão aterrorizados e envergonhados da Etiópia, sua esperança aguardada, e do Egito, sua beleza. E o habitante deste litoral por certo dirá naquele dia: ‘Eis como está a nossa esperança aguardada, à qual fugimos por auxílio, a fim de sermos livrados por causa do rei da Assíria! E como é que nós mesmos escaparemos?’” — Isaías 20:5, 6.
11 Judá parecia uma mera faixa litorânea em comparação com as potências do Egito e da Etiópia. Alguns habitantes “deste litoral” talvez estivessem encantados com a beleza do Egito — suas impressionantes pirâmides, seus templos altaneiros e suas espaçosas vivendas cercadas de jardins, pomares e lagoas. A imponente arquitetura do Egito dava sinais de estabilidade e perenidade. Esse país com certeza não podia ser devastado! Provavelmente, os judeus também estavam impressionados com os arqueiros, os carros de guerra e os cavaleiros da Etiópia.
12. Em quem Judá devia confiar?
12 Em vista do alerta encenado por Isaías e das palavras proféticas de Jeová, todo aquele dentre o professo povo de Deus que se inclinasse a confiar no Egito e na Etiópia tinha uma reflexão séria a fazer. Quanto melhor seria confiar em Jeová em vez de no homem terreno! (Salmo 25:2; 40:4) O resultado foi que Judá sofreu terrivelmente às mãos do rei da Assíria e, mais tarde, teve seu templo e sua capital destruídos por Babilônia. Mas restou “um décimo”, “uma descendência santa”, como o toco de uma grande árvore. (Isaías 6:13) Quando chegasse o momento, a mensagem de Isaías fortaleceria grandemente a fé desse pequeno grupo que continuava a confiar em Jeová!
Confie em Jeová
13. Que pressões afetam a todos hoje — tanto crentes como descrentes?
13 O alerta em Isaías sobre a futilidade de confiar no Egito e na Etiópia não é apenas história morta. Tem valor prático para os nossos dias. Vivemos em “tempos críticos, difíceis de manejar”. (2 Timóteo 3:1) Desastres econômicos, ampla pobreza, incerteza política, distúrbios civis e guerras, grandes ou pequenas, têm efeitos devastadores — não apenas sobre os que rejeitam o governo de Deus, mas também sobre os que adoram a Jeová. A pergunta com que cada um se confronta é: ‘A quem vou recorrer em busca de ajuda?’
14. Por que devemos confiar apenas em Jeová?
14 Alguns talvez se impressionem com os atuais sábios das finanças, políticos e cientistas que falam de resolver os problemas do homem com a engenhosidade e a tecnologia humanas. Mas a Bíblia diz claramente: “Melhor é refugiar-se em Jeová do que confiar nos nobres.” (Salmo 118:9) Todos os planos humanos em prol da paz e segurança naufragarão, pelo motivo muito bem expresso pelo profeta Jeremias: “Bem sei, ó Jeová, que não é do homem terreno o seu caminho. Não é do homem que anda o dirigir o seu passo.” — Jeremias 10:23.
15. Qual é a única esperança para a humanidade aflita?
15 É imperativo, portanto, que os servos de Deus não fiquem indevidamente impressionados com qualquer aparente força ou sabedoria deste mundo. (Salmo 33:10; 1 Coríntios 3:19, 20) A única esperança para a humanidade aflita é o Criador, Jeová. Os que confiarem nele serão salvos. Como escreveu o inspirado apóstolo João, “o mundo está passando, e assim também o seu desejo, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre”. — 1 João 2:17.
[Nota(s) de rodapé]
a Os historiadores chamam esse rei de Sargão II. Um rei anterior, não da Assíria, mas de Babilônia, é chamado de “Sargão I”.
b “Tartã” não era nome, mas sim um título que designava o comandante-chefe do exército assírio, provavelmente a segunda pessoa mais poderosa do império.
[Foto na página 209]
Os assírios costumavam cegar alguns prisioneiros
[Fotos na página 213]
Alguns talvez se impressionem com os feitos humanos, mas é melhor confiar em Jeová
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“Babilônia caiu!”Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Dezessete
“Babilônia caiu!”
1, 2. (a) Qual é o tema geral da Bíblia, mas que importante tema subsidiário aparece em Isaías? (b) Como a Bíblia desenvolve o tema da queda de Babilônia?
A BÍBLIA pode ser comparada a uma grande composição musical que tem um tema dominante e temas secundários introduzidos para realçar o conjunto. De modo similar, a Bíblia tem um tema principal — a vindicação da soberania de Jeová por meio do governo do Reino Messiânico. Tem também outros temas importantes e recorrentes. Um desses é a queda de Babilônia.
2 Esse tema é apresentado em Isaías, capítulos 13 e 14. Reaparece no capítulo 21 de Is e novamente nos capítulos 44 e 45 de Is. Um século depois, Jeremias discorre sobre o mesmo tema, e o livro de Revelação (Apocalipse) leva-o a uma retumbante conclusão. (Jeremias 51:60-64; Revelação 18:1–19:4) Todo estudante consciencioso da Bíblia precisa levar em conta esse importante tema subsidiário da Palavra de Deus. Isaías, capítulo 21, ajuda nesse sentido, pois fornece detalhes fascinantes a respeito da predita queda dessa grande potência mundial. Mais adiante, veremos que Isaías, capítulo 21, acentua outro importante tema bíblico — que nos ajuda a avaliar nossa vigilância como cristãos hoje.
“Uma visão dura”
3. Por que Babilônia foi chamada de “ermo do mar”, e o que esse título prenunciava a respeito do futuro dela?
3 Isaías, capítulo 21, inicia com uma observação ominosa: “A pronúncia contra o ermo do mar: Avançando como os tufões no sul, está chegando desde o ermo, de uma terra atemorizante.” (Isaías 21:1) Cortada ao meio pelo rio Eufrates se encontrava Babilônia, com sua metade oriental na região entre os grandes rios Eufrates e Tigre. Ficava um pouco distante do mar. Por que, então, foi chamada de “ermo do mar”? Porque a região de Babilônia costumava ser inundada anualmente, criando um vasto e lodoso “mar”. No entanto, os babilônios haviam controlado esse ermo pantanoso criando um complexo sistema de diques, comportas e canais. Usavam engenhosamente essas águas como parte do sistema de defesa da cidade. Mesmo assim, nenhum esforço humano salvaria Babilônia da condenação divina. Ela havia sido um ermo — e um ermo voltaria a ser. A calamidade se aproximava dela, armando-se como uma das violentas tempestades que às vezes assolavam Israel a partir do temível deserto ao sul. — Note Zacarias 9:14.
4. Que referência se faz aos elementos “águas” e “ermo” na visão de “Babilônia, a Grande”, em Revelação, e o que significam as “águas”?
4 Como vimos no capítulo 14 deste livro, a antiga Babilônia tem uma correlativa moderna — “Babilônia, a Grande”, o império mundial da religião falsa. Em Revelação, Babilônia, a Grande, também é representada em associação com “ermo” e “águas”. O apóstolo João foi levado a um ermo, para ver Babilônia, a Grande. Foi-lhe dito que ela estava “sentada sobre muitas águas”, que representam ‘povos, multidões, nações e línguas’. (Revelação 17:1-3, 5, 15) O apoio popular sempre foi uma chave para a sobrevivência da religião falsa, mas tais “águas” não a protegerão no fim. Como a sua antiga correlativa, ela acabará vazia, abandonada e desolada.
5. Como Babilônia veio a granjear a reputação de ser ‘traiçoeira’ e ‘assoladora’?
5 Nos dias de Isaías, Babilônia ainda não era a potência mundial dominante, mas Jeová já previa que, quando chegasse sua vez, ela abusaria de seu poder. Isaías prossegue: “Comunicou-se-me uma visão dura: O traiçoeiro age traiçoeiramente e o assolador assola.” (Isaías 21:2a) Babilônia certamente assolaria e seria traiçoeira com as nações que conquistasse, incluindo Judá. Os babilônios saqueariam Jerusalém, pilhariam seu templo e levariam seu povo cativo para Babilônia. Ali, esses cativos indefesos receberiam um tratamento traiçoeiro, seriam ridicularizados por sua fé e não se lhes daria esperança de voltar para sua pátria. — 2 Crônicas 36:17-21; Salmo 137:1-4.
6. (a) Que suspiros Jeová faria cessar? (b) Que nações, conforme predito, atacariam Babilônia, e como isso se cumpriria?
6 Sim, Babilônia merecia plenamente essa “visão dura”, que significaria tempos difíceis para ela. Isaías continua: “Sobe, ó Elão! Sitia, ó Média! Fiz cessar todos os suspiros devidos a ela.” (Isaías 21:2b) Os oprimidos por esse império traiçoeiro teriam alívio. Finalmente, seus suspiros acabariam! (Salmo 79:11, 12) Como viria esse alívio? Isaías menciona duas nações que atacariam Babilônia: Elão e Média. Dois séculos depois, em 539 AEC, o persa Ciro lideraria uma força conjunta de persas e medos contra Babilônia. Quanto a Elão, os monarcas persas já teriam possuído pelo menos parte desse país antes de 539 AEC.a Assim, as forças persas incluiriam os elamitas.
7. Como a visão de Isaías o afetou, e o que isso significava?
7 Note como Isaías descreve o efeito que essa visão teve sobre ele: “Por isso é que meus quadris ficaram cheios de dores agudas. Apoderaram-se de mim as próprias convulsões, como as convulsões de uma mulher que está dando à luz. Fiquei desconcertado, de modo que nada ouço; fiquei perturbado, de modo que nada vejo. Meu coração ficou vagueando; o próprio estremecimento me aterrorizou. O crepúsculo a que eu me afeiçoara constituiu-se para mim em tremor.” (Isaías 21:3, 4) Parece que o profeta gostava do crepúsculo, um agradável momento para uma calma contemplação. Mas o anoitecer perdera seu encanto, provocando em vez disso apenas medo, dor e tremor. Isaías sofria convulsões, semelhantes às de uma mulher em trabalho de parto, e seu coração ‘vagueava’. Certo erudito traduz essa expressão por “meu coração bate desordenadamente”, mencionando que ela se refere a “uma pulsação agitada e irregular”. Por que tal aflição? Evidentemente, os sentimentos de Isaías eram proféticos. Na noite de 5/6 de outubro de 539 AEC, os babilônios sofreriam um terror similar.
8. Conforme profetizado, como agiam os babilônios, embora seus inimigos estivessem do lado de fora das muralhas?
8 Ao cair a escuridão naquela noite fatídica, os babilônios nem imaginavam que houvesse motivo para terror. Uns dois séculos antes, Isaías predissera: “Ponha-se a mesa em ordem, arranje-se o lugar dos assentos, coma-se, beba-se!” (Isaías 21:5a) Sim, o arrogante Rei Belsazar dava uma festa. Havia assentos para mil altas autoridades, além de muitas esposas e concubinas. (Daniel 5:1, 2) Os festejadores sabiam que havia um exército fora das muralhas, mas eles achavam que a cidade fosse inconquistável. Aparentemente, as muralhas maciças e o fosso profundo impossibilitavam a captura; seus muitos deuses tornavam isso inimaginável. Portanto, “coma-se, beba-se!” Belsazar se embriagou e, provavelmente, não foi o único. Que as altas autoridades também estavam embriagadas é subentendido pela necessidade de levantá-las, como mostram profeticamente as próximas palavras de Isaías.
9. Por que era preciso ‘ungir o escudo’?
9 “Levantai-vos, ó príncipes, ungi o escudo.” (Isaías 21:5b) De repente, a festa acabou. Os príncipes tinham de se levantar! O idoso profeta Daniel foi chamado e viu como Jeová levou o babilônio Rei Belsazar a um estado de terror similar ao descrito por Isaías. As altas autoridades do rei foram lançadas em confusão, à medida que as forças conjuntas dos medos, persas e elamitas rompiam as defesas da cidade. Babilônia caiu rapidamente! Mas o que significa ‘ungir o escudo’? A Bíblia às vezes se refere ao rei de uma nação como escudo, pois o rei é o defensor e protetor do país.b (Salmo 89:18) Assim, esse versículo de Isaías provavelmente predizia a necessidade de um novo rei. Por quê? Porque Belsazar seria morto naquela “mesma noite”. Portanto, era preciso ‘ungir o escudo’, ou designar um novo rei. — Daniel 5:1-9, 30.
10. Que consolo podem os adoradores de Jeová derivar do cumprimento da profecia de Isaías a respeito da ‘traiçoeira’?
10 Todos os que amam a adoração verdadeira derivam consolo desse relato. A Babilônia atual, Babilônia, a Grande, é tão traiçoeira e assoladora como foi sua antiga correlativa. Até hoje os líderes religiosos conspiram para banir, perseguir ou tributar abusivamente as Testemunhas de Jeová. Mas, como essa profecia nos lembra, Jeová observa todos esses atos traiçoeiros e não os deixará impunes. Ele acabará com todas as religiões que o difamam e maltratam Seu povo. (Revelação 18:8) É possível isso? Para edificar nossa fé, basta ver como esses avisos a respeito da queda, tanto da antiga Babilônia como da sua atual correlativa, já se cumpriram.
“Ela caiu!”
11. (a) Qual é a responsabilidade de um vigia, e quem tem estado ativo como vigia hoje? (b) O que representam o carro de guerra de jumentos e o de camelos?
11 A seguir, Jeová fala ao profeta. Isaías relata: “Assim me disse Jeová: ‘Vai, coloca um atalaia para que informe o que vê.’” (Isaías 21:6) Essas palavras apresentam outro tema importante desse capítulo — o do atalaia, ou vigia. Isso interessa a todos os cristãos verdadeiros hoje, pois Jesus instou seus seguidores a ‘se manterem vigilantes’. “O escravo fiel e discreto” jamais deixou de comunicar o que tem visto a respeito da proximidade do dia de juízo de Deus e dos perigos deste mundo corrupto. (Mateus 24:42, 45-47) O que viu o vigia da visão de Isaías? “Ele viu um carro de guerra com uma parelha de corcéis, um carro de guerra de jumentos, um carro de guerra de camelos. E ele deu detida atenção, estando muito atento.” (Isaías 21:7) Cada um desses carros de guerra provavelmente representa colunas de carros de combate que avançam em formação de batalha com a velocidade de corcéis adestrados. O carro de guerra de jumentos e o de camelos representam muito bem as duas potências, a Média e a Pérsia, que se uniriam para lançar esse ataque. Além disso, a História confirma que o exército persa usava tanto jumentos como camelos na guerra.
12. Que qualidades demonstrou o vigia da visão de Isaías, e quem precisa dessas qualidades hoje?
12 A seguir, o vigia foi compelido a se manifestar. “Passou a clamar como leão: ‘Ó Jeová, sobre a torre de vigia estou de pé continuamente, de dia, e no meu posto de vigilância estou postado todas as noites. E eis que agora está chegando um carro de guerra de homens, com uma parelha de corcéis!’” (Isaías 21:8, 9a) O vigia da visão clamou corajosamente “como leão”. Exigia coragem bradar uma mensagem de julgamento contra uma nação tão assustadora como Babilônia. Algo mais também era preciso — perseverança. O vigia ficava a postos dia e noite, sem jamais afrouxar a vigilância. Similarmente, a classe do vigia nestes últimos dias tem necessitado de coragem e de perseverança. (Revelação 14:12) Todos os cristãos verdadeiros precisam dessas qualidades.
13, 14. (a) O que sucederia com a antiga Babilônia, e em que sentido seus ídolos seriam destroçados? (b) Como e quando Babilônia, a Grande, sofreu uma queda similar?
13 O vigia da visão de Isaías viu o avanço de um carro de guerra. Qual era a notícia? “Ele começou a responder e a dizer: ‘Ela caiu! Babilônia caiu, e todas as imagens entalhadas dos seus deuses ele destroçou no chão!’” (Isaías 21:9b) Que informação emocionante! Finalmente cairia essa traiçoeira assoladora do povo de Deus!c Mas em que sentido as imagens entalhadas e os ídolos de Babilônia seriam destroçados? Será que os invasores medo-persas irromperiam nos templos de Babilônia e espatifariam os inumeráveis ídolos? Não, nada disso seria necessário. Os deuses-ídolos de Babilônia seriam destroçados no sentido de que seriam expostos como incapazes de proteger a cidade. E Babilônia cairia ao se tornar incapaz de continuar a oprimir o povo de Deus.
14 Que dizer de Babilônia, a Grande? Por maquinar a opressão do povo de Deus durante a Primeira Guerra Mundial, ela efetivamente os manteve em exílio por algum tempo. A obra de pregação do povo de Deus praticamente parou. O presidente e outros dirigentes da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) foram presos sob acusações falsas. Mas, em 1919, houve uma espantosa reversão. Os dirigentes foram soltos da prisão, o escritório da sede foi reaberto e a obra de pregação recomeçou. Assim, Babilônia, a Grande, caiu no sentido de que seu domínio sobre o povo de Deus foi destroçado.d Em Revelação, essa queda é proclamada duas vezes por um anjo que usa as palavras do anúncio em Isaías 21:9. — Revelação 14:8; 18:2.
15, 16. Em que sentido os do povo de Isaías seriam “trilhados”, e o que podemos aprender da atitude de Isaías para com eles?
15 Isaías conclui essa mensagem profética com uma nota de compaixão para com seu próprio povo. Diz ele: “Ó meus trilhados e filho da minha eira, aquilo que ouvi da parte de Jeová dos exércitos, o Deus de Israel, eu vos comuniquei.” (Isaías 21:10) Na Bíblia, trilhar muitas vezes simboliza a disciplina e o refinamento do povo de Deus. O povo pactuado de Deus se tornaria ‘filhos da eira’, onde o trigo é forçosamente separado da pragana, deixando apenas os refinados e desejados grãos. Isaías não estava se alegrando com essa disciplina. Antes, ele se compadecia desses futuros ‘filhos da eira’, alguns dos quais passariam a vida inteira como cativos numa terra estrangeira.
16 Isso pode servir como lembrete útil para todos nós. Na congregação cristã hoje, alguns talvez tendam a perder a compaixão para com transgressores. E os que são disciplinados muitas vezes talvez se inclinem a se ressentir disso. Contudo, se tivermos em mente que Jeová disciplina seu povo a fim de refiná-los, não menosprezaremos a disciplina e os que humildemente a recebem, nem resistiremos a ela quando chegar a nossa vez. Aceitemos a disciplina divina como expressão do amor de Deus. — Hebreus 12:6.
Perguntas ao vigia
17. Por que Edom é aptamente chamada de “Dumá”?
17 A segunda mensagem profética de Isaías, capítulo 21, destaca a figura do vigia. Começa assim: “A pronúncia contra Dumá: Há um chamando-me desde Seir: ‘Vigia, como está a noite? Vigia, como está a noite?’” (Isaías 21:11) Onde se localizava essa Dumá? Evidentemente, havia várias cidades com esse nome nos tempos bíblicos, mas a nenhuma delas se faz referência aqui. Dumá não se localizava em Seir, que é outro nome para Edom. “Dumá” significa “Silêncio”. Assim, pelo visto, como foi no caso do pronunciamento anterior, deu-se a essa região um nome sugestivo de seu futuro. Edom, há muito um vingativo inimigo do povo de Deus, acabaria em silêncio — o silêncio da morte. Antes disso, porém, alguns indagariam ansiosamente a respeito do futuro.
18. Como se cumpriria na antiga Edom o pronunciamento “a manhã tem de vir, e também a noite”?
18 Na época da escrita de Isaías, Edom se interpunha no caminho do poderoso exército assírio. Alguns em Edom ansiavam saber quando terminaria a sua noite de opressão. A resposta? “O vigia disse: ‘A manhã tem de vir, e também a noite.’” (Isaías 21:12a) Isso não era um bom prenúncio para Edom. Apareceria no horizonte um lampejo da manhã, mas seria breve, ilusório. A noite — mais um período escuro de opressão — viria rapidamente depois da manhã. Que apta descrição do futuro de Edom! A opressão assíria terminaria, mas Babilônia sucederia a Assíria como potência mundial e dizimaria Edom. (Jeremias 25:17, 21; 27: 2-8) Esse ciclo seria repetido. A opressão babilônica seria seguida pela opressão persa e daí pela grega. Em seguida haveria uma breve “manhã” durante o período romano, quando os Herodes — de origem edomita — ganhassem o poder em Jerusalém. Mas essa “manhã” não duraria. Por fim, Edom desceria para sempre ao silêncio, desaparecendo da História. O nome Dumá finalmente lhe caberia bem.
19. Ao declarar “se quiserdes indagar, indagai. Chegai outra vez!”, o que o vigia talvez quisesse dizer?
19 O vigia conclui sua breve mensagem com as palavras: “Se quiserdes indagar, indagai. Chegai outra vez!” (Isaías 21:12b) A expressão “chegai outra vez!” pode referir-se à infindável sucessão de ‘noites’ que aguardavam Edom. Ou, visto que a expressão pode também ser traduzida por “retornai”, o profeta talvez estivesse sugerindo que todo edomita que desejasse escapar da condenação daquela nação teria de se arrepender e ‘retornar’ a Jeová. Seja como for, o vigia sugeria indagações adicionais.
20. Por que o pronunciamento registrado em Isaías 21:11, 12 é significativo para o povo de Jeová hoje?
20 Esse curto pronunciamento tem significado muito para o povo de Jeová nos tempos modernos.e Entendemos que a humanidade se encontra profundamente mergulhada na escura noite de cegueira espiritual e alienação de Deus, que levará à destruição deste sistema mundial. (Romanos 13:12; 2 Coríntios 4:4) Nesse período noturno, quaisquer luzinhas de esperança de que a humanidade possa de alguma forma produzir paz e segurança serão como aqueles ilusórios lampejos da aurora que são seguidos apenas por tempos ainda mais escuros. Aproxima-se uma aurora genuína — a aurora do Reinado Milenar de Cristo sobre a Terra. Mas, enquanto dura a noite, temos de seguir a liderança da classe do vigia estando espiritualmente alertas e corajosamente anunciando a proximidade do fim deste corrupto sistema mundial. — 1 Tessalonicenses 5:6.
Cai a noite na planície desértica
21. (a) Que possível jogo de palavras se pretendia com a frase “a pronúncia contra a planície desértica”? (b) O que eram as caravanas de homens de Dedã?
21 O pronunciamento final de Isaías, capítulo 21, dirige-se contra “a planície desértica”. Começa assim: “A pronúncia contra a planície desértica: Passareis a noite na floresta na planície desértica, ó caravanas de homens de Dedã.” (Isaías 21:13) A planície desértica refere-se evidentemente à Arábia, pois o pronunciamento dirige-se a várias tribos árabes. A palavra para “planície desértica” às vezes é traduzida por “noite”, uma palavra muito parecida em hebraico. Alguns sugerem que se trata de um jogo de palavras, como se uma noite escura — um período de aflição — estivesse para cair sobre aquela região. O pronunciamento inicia com uma cena noturna apresentando caravanas de homens de Dedã, uma importante tribo árabe. Tais caravanas seguiam rotas comerciais de um oásis a outro, transportando especiarias, pérolas e outros bens valiosos. Mas aqui os vemos ser obrigados a abandonar seus movimentados percursos para passar as noites escondidos. Por quê?
22, 23. (a) Que peso esmagador cairia em breve sobre as tribos árabes, e com que efeito sobre elas? (b) Quão cedo viria esse desastre, e às mãos de quem?
22 Isaías explica: “Trazei água ao encontro do sedento. Ó vós habitantes da terra de Tema, confrontai aquele que foge com pão para ele. Pois fugiram por causa das espadas, por causa da espada desembainhada, e por causa do arco retesado, e por causa do peso da guerra.” (Isaías 21:14, 15) Sim, o peso esmagador da guerra cairia sobre essas tribos árabes. Tema, localizada num dos mais bem regados oásis da região, seria obrigada a trazer água e pão para os desafortunados refugiados de guerra. Quando viria essa aflição?
23 Isaías continua: “Assim me disse Jeová: ‘Ainda dentro de um ano, segundo os anos de um trabalhador contratado, toda a glória de Quedar terá mesmo de chegar ao seu fim. E os restantes do número dos arqueiros, os poderosos dos filhos de Quedar, tornar-se-ão poucos, pois o próprio Jeová, o Deus de Israel, falou isso.’” (Isaías 21:16, 17) Quedar era uma tribo tão destacada que às vezes era usada para representar toda a Arábia. Jeová havia determinado que o número de arqueiros e homens poderosos dessa tribo seria reduzido a um mero restante. Quando? “Ainda dentro de um ano”, não mais, assim como o trabalhador contratado não trabalha mais do que o tempo para o qual é pago. Exatamente como tudo isso se cumpriu é incerto. Dois governantes assírios — Sargão II e Senaqueribe — reivindicaram o crédito pela subjugação da Arábia. Tanto um como o outro podiam muito bem ter dizimado essas orgulhosas tribos árabes, conforme predito.
24. Como podemos ter certeza de que a profecia de Isaías contra a Arábia se cumpriu?
24 Podemos ter certeza, no entanto, de que essa profecia se cumpriu ao pé da letra. Nada confirmaria isso mais vigorosamente do que as palavras finais do pronunciamento: “O próprio Jeová, o Deus de Israel, falou isso.” Para os contemporâneos de Isaías podia parecer improvável que Babilônia sobrepujasse a Assíria e que daí fosse derrubada do poder durante os festejos ruidosos de uma única noite. Também podia parecer improvável que a poderosa Edom acabasse em silêncio mortal e que uma noite de agruras e privações cairia sobre as ricas tribos árabes. Mas Jeová disse que seria assim, e assim foi. Hoje, Jeová nos diz que o império mundial da religião falsa será exterminado. Isso não é apenas uma possibilidade; é uma certeza. O próprio Jeová falou isso!
25. Como podemos imitar o exemplo do vigia?
25 Sejamos, portanto, como o vigia. Permaneçamos vigilantes, como que posicionados num elevado posto de observação, perscrutando o horizonte em busca de algum sinal de perigo iminente. Associemo-nos intimamente com a fiel classe do vigia, o remanescente grupo de cristãos ungidos que se encontra na Terra hoje. Unamo-nos a eles em bradar com coragem exatamente o que vemos — a sobrepujante evidência de que Cristo está governando no céu; que ele logo porá fim a essa longa e escura noite em que a humanidade se encontra alienada de Deus; e que, depois disso, introduzirá a verdadeira aurora, o Reinado Milenar sobre uma Terra paradísica!
[Nota(s) de rodapé]
a O rei persa Ciro às vezes era chamado de “Rei de Anxã” — Anxã sendo uma região ou cidade de Elão. Os israelitas dos dias de Isaías — oitavo século AEC — talvez não conhecessem a Pérsia, mas conheciam Elão. Isso talvez explique por que Isaías menciona Elão em vez de Pérsia aqui.
b Muitos comentaristas bíblicos acham que as palavras ‘ungir o escudo’ se referem à antiga prática militar de passar óleo em escudos de couro antes da batalha, para que a maioria dos golpes resvalasse. Embora seja uma interpretação possível, deve-se notar que, na noite em que a cidade caiu, os babilônios mal tiveram tempo de lutar, muito menos de se preparar para a batalha untando seus escudos!
c A profecia de Isaías sobre a queda de Babilônia é tão exata que alguns críticos da Bíblia teorizam que ela deve ter sido escrita depois do evento. Mas, como observa o erudito em hebraico F. Delitzsch, essa especulação é desnecessária se aceitarmos o fato de que é possível que um profeta tenha sido inspirado a prever eventos com centenas de anos de antecedência.
e Durante os primeiros 59 anos de sua publicação, a revista Watchtower (A Sentinela) estampou Isaías 21:11 na capa. O mesmo texto foi tema do último sermão escrito de Charles T. Russell, primeiro presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA). (Veja a ilustração na página anterior.)
[Foto na página 219]
“Coma-se, beba-se!”
[Foto na página 220]
O vigia “passou a clamar como leão”
[Foto na página 222]
“Estou de pé continuamente, de dia, e . . . todas as noites”
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Lições a respeito de infidelidadeProfecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Dezoito
Lições a respeito de infidelidade
1. Como possivelmente seria estar dentro de uma cidade antiga sitiada?
IMAGINE como seria você estar dentro de uma cidade antiga sitiada. Fora das muralhas, lá está o inimigo — forte e cruel. Sabe-se que outras cidades já sucumbiram ao seu ataque. Agora ele está decidido a conquistar e a saquear a cidade em que você está, a violentar e matar seus moradores. O exército inimigo é forte demais para ser combatido diretamente; a única esperança é que as muralhas da cidade o detenham. Olhando por cima das muralhas, você vê as torres de cerco trazidas pelo inimigo. Além disso, ele tem engenhos de cerco capazes de lançar grandes pedras para destroçar as fortificações da cidade. Você vê seus aríetes e escadas de assalto, seus arqueiros e carros de guerra, sua legião de soldados. Que vista aterrorizante!
2. Quando se daria o cerco descrito em Isaías, capítulo 22?
2 Em Isaías, capítulo 22, lemos a respeito de um cerco assim — contra Jerusalém. Quando é que isso se daria? É difícil apontar um cerco específico, em que todos os aspectos mencionados se cumprissem. Evidentemente, é mais fácil entender essa profecia como descrição genérica dos vários cercos que seriam feitos contra Jerusalém, um alerta geral quanto ao que viria.
3. Como reagiriam os moradores de Jerusalém ao cerco descrito por Isaías?
3 Diante do cerco descrito por Isaías, o que fariam os moradores de Jerusalém? Como povo pactuado de Deus, clamariam a Jeová para que os salvasse? Não, a atitude deles seria muito insensata, semelhante à demonstrada hoje por muitos que afirmam adorar a Deus.
Uma cidade sitiada
4. (a) O que era o “vale da visão”, e por que tinha esse nome? (b) Qual era a condição espiritual dos moradores de Jerusalém?
4 No capítulo 21 de Isaías, todas as três mensagens de julgamento iniciam com a expressão “A pronúncia”. (Isaías 21:1, 11, 13) O Isaías capítulo 22 também começa assim. “A pronúncia do vale da visão: Que é que há contigo agora, que subiste na tua inteireza aos terraços?” (Isaías 22:1) O “vale da visão” refere-se a Jerusalém. Essa cidade era chamada de vale porque, mesmo sendo elevada, era cercada de montanhas mais altas. E ela é associada à “visão” porque muitas visões e revelações divinas foram apresentadas ali. Por isso, os moradores da cidade deviam acatar as palavras de Jeová. Em vez disso, eles O ignoravam e haviam se desviado para a adoração falsa. O cerco da cidade pelo inimigo seria um instrumento do julgamento de Deus contra seu povo desobediente. — Deuteronômio 28:45, 49, 50, 52.
5. Por que, provavelmente, as pessoas subiriam aos terraços?
5 Note que os moradores de Jerusalém ‘subiriam na sua inteireza aos terraços’ de suas casas. Nos tempos antigos, as coberturas das casas israelitas eram planas, e as famílias não raro se reuniam ali. Isaías não diz por que fariam isso naquela ocasião, mas suas palavras denotam desaprovação. Assim, é provável que fossem aos terraços para apelar a deuses falsos. Costumavam fazer isso nos anos anteriores à destruição de Jerusalém, em 607 AEC. — Jeremias 19:13; Sofonias 1:5.
6. (a) Que condições haveria dentro de Jerusalém? (b) Por que alguns exultariam, mas o que lhes aguardaria?
6 Isaías continua: “Estiveste cheia de alarido, uma cidade turbulenta, uma vila rejubilante. Os teus que foram mortos não são os que foram mortos à espada, nem os mortos em batalha.” (Isaías 22:2) Multidões afluiriam à cidade, que estaria agitada. As pessoas na rua fariam barulho e sentiriam medo. Mas haveria as que exultariam, talvez por se sentirem seguras ou por acharem que o perigo seria passageiro.a Exultar naquela época, porém, seria tolice. Muitos na cidade teriam uma morte muito mais cruel do que pelo fio da espada. Uma cidade sitiada fica sem fontes externas de alimentos. Os estoques internos acabam. Pessoas famintas e acomodações apinhadas causam epidemias. Assim, muitos em Jerusalém morreriam de fome e de doenças. Isso aconteceu, tanto em 607 AEC como em 70 EC. — 2 Reis 25:3; Lamentações 4:9, 10.b
7. O que os governantes de Jerusalém fariam durante o cerco, e o que realmente aconteceu com eles?
7 Nessa crise, que liderança ofereceriam os governantes de Jerusalém? Isaías responde: “Todos os próprios ditadores teus fugiram de uma só vez. Foram tomados prisioneiros sem necessidade de um arco. Todos os teus que se acharam foram tomados juntamente prisioneiros. Tinham fugido para longe.” (Isaías 22:3) Os governantes e os poderosos fugiriam, mas seriam apanhados! Sem entesar nem mesmo uma única corda de arco contra eles, seriam capturados e levados como prisioneiros. Isso aconteceu em 607 AEC. Depois que a muralha de Jerusalém foi rompida, o Rei Zedequias fugiu de noite junto com seus poderosos. O inimigo soube disso, foi atrás deles e pegou-os nas planícies de Jericó. Os poderosos se dispersaram. Zedequias foi capturado, cegado, preso com grilhões de cobre e arrastado para Babilônia. (2 Reis 25:2-7) Que trágica consequência de sua infidelidade!
Desalento diante da calamidade
8. (a) Como reagiu Isaías diante da profecia de calamidade sobre Jerusalém? (b) Que cenário haveria em Jerusalém?
8 Isaías ficou muito comovido com essa profecia. Diz ele: “Desviai de mim o vosso olhar. Vou mostrar amargura em choro. Não insistais em consolar-me pela assolação da filha do meu povo.” (Isaías 22:4) Isaías lastimou o predito destino de Moabe e de Babilônia. (Isaías 16:11; 21:3) Seu desalento e lamento eram ainda maiores então, quando pensava na tragédia que seu próprio povo sofreria. Ele estava inconsolável. Por quê? “Pois é o dia de confusão, e de calcadura, e de consternação, que o Soberano Senhor, Jeová dos exércitos, tem no vale da visão. Há o demolidor do muro e o grito ao monte.” (Isaías 22:5) Jerusalém ficaria cheia de confusão alucinada. Em pânico, as pessoas andariam de um lado para o outro, sem objetivos. Quando o inimigo começasse a irromper pelas muralhas da cidade, haveria um “grito ao monte”. Significa isso que os moradores da cidade bradariam a Deus em Seu templo santo no monte Moriá? Talvez. Em vista de sua infidelidade, porém, é provável que isso signifique apenas que seus gritos de terror ecoariam nas montanhas ao redor.
9. Descreva o exército que ameaçaria Jerusalém.
9 Que tipo de inimigo ameaçaria Jerusalém? Isaías diz: “O próprio Elão levantou a aljava no carro de guerra do homem terreno, com corcéis; e o próprio Quir expôs o escudo.” (Isaías 22:6) Os inimigos estariam bem armados. Teriam arqueiros com aljavas cheias de setas. Os guerreiros aprontariam seus escudos para a luta. Haveria carros de guerra e cavalos treinados para a batalha. O exército incluiria soldados de Elão, que ficava ao norte do atual golfo Pérsico, e de Quir, provavelmente perto de Elão. A menção desses países indica a grande distância da qual viriam os invasores. Indica também a possível presença de arqueiros elamitas no exército que ameaçaria Jerusalém nos dias de Ezequias.
Tentativas de defesa
10. Que acontecimento seria um mau sinal para a cidade?
10 Isaías descreve a situação que surgiria: “Acontecerá que as mais seletas das tuas baixadas terão de ficar cheias de carros de guerra, e os próprios corcéis, sem falta, terão de colocar-se em posição junto ao portão, e remover-se-á o reposteiro de Judá.” (Isaías 22:7, 8a) Carros de guerra e cavalos cobririam as planícies fora da cidade de Jerusalém e se posicionariam para atacar os portões da cidade. O que era “o reposteiro de Judá” que seria removido? Provavelmente, era um portão da cidade, cuja captura seria um mau sinal para os defensores.c A remoção desse anteparo defensivo deixaria a cidade aberta aos atacantes.
11, 12. Que medidas defensivas tomariam os moradores de Jerusalém?
11 A seguir, Isaías focaliza as tentativas de defesa do povo. A primeira preocupação deles — armas! “Naquele dia olharás para a armaria da casa da floresta, e vós haveis de ver as próprias brechas da Cidade de Davi, pois serão deveras muitas. E apanhareis as águas do reservatório inferior.” (Isaías 22:8b, 9) Armas ficavam estocadas na armaria da casa da floresta. Esse arsenal havia sido construído por Salomão. Visto que fora construído de cedros do Líbano, ficou conhecido como “Casa da Floresta do Líbano”. (1 Reis 7:2-5) As brechas na muralha seriam inspecionadas. Recolheriam água — uma importante medida de defesa. O povo precisaria de água para sobreviver. Sem ela, uma cidade não subsiste. Note, porém, que nada se diz sobre pedirem socorro a Jeová. Em vez disso, confiariam em seus próprios recursos. Jamais cometamos esse erro! — Salmo 127:1.
12 O que se poderia fazer a respeito das brechas na muralha da cidade? “Contareis realmente as casas de Jerusalém. Também demolireis as casas para fazer a muralha inexpugnável.” (Isaías 22:10) As casas seriam avaliadas para ver quais delas poderiam ser demolidas para suprir materiais de reparo para as brechas. Seria um esforço para evitar que o inimigo ganhasse o controle total da muralha.
Um povo sem fé
13. Como o povo tentaria garantir um suprimento de água, mas de quem se esqueceria?
13 “Haverá um açude que tereis de fazer entre as duas muralhas para as águas do reservatório antigo. E certamente não olhareis para o grandioso que o fez, e certamente não vereis aquele que o formou há muito.” (Isaías 22:11) Os esforços para recolher água, mencionados aqui e no versículo 9 de Is 22, lembram-nos da medida que o Rei Ezequias tomou para proteger a cidade contra os invasores assírios. (2 Crônicas 32:2-5) No entanto, o povo da cidade, nessa profecia de Isaías, seria absolutamente sem fé. No seu trabalho de defesa da cidade, não levariam em conta o Criador, como fez Ezequias.
14. Apesar da mensagem alertadora de Jeová, que atitude insensata teriam as pessoas?
14 Isaías continua: “O Soberano Senhor, Jeová dos exércitos, convocará naquele dia ao choro, e ao lamento, e à calvície, e ao cingimento de serapilheira. Mas, eis que há exultação e alegria, a matança de gado vacum e o abate de ovelhas, o consumo de carne e o beber de vinho: ‘Comamos e bebamos, pois amanhã morreremos.’” (Isaías 22:12, 13) Os moradores de Jerusalém não sentiriam remorso por sua rebelião contra Jeová. Não chorariam, não rapariam o cabelo nem usariam serapilheira em sinal de arrependimento. Se fizessem isso, provavelmente Jeová os pouparia dos iminentes horrores. Mas, em vez disso, eles se entregariam aos prazeres sensuais. Essa mesma atitude existe hoje entre muitos que não têm fé em Deus. Por não terem esperança — seja na ressurreição, seja na vida na futura Terra paradísica — levam uma vida de prazeres irrestritos, dizendo: “Comamos e bebamos, pois amanhã morreremos.” (1 Coríntios 15:32) Quanta miopia! Bastaria que confiassem em Jeová para ter uma esperança duradoura! — Salmo 4:6-8; Provérbios 1:33.
15. (a) Qual era a mensagem condenatória de Jeová contra Jerusalém, e quem executaria Seu julgamento? (b) Por que a cristandade terá um destino similar ao que teve Jerusalém?
15 Os sitiados moradores de Jerusalém não teriam segurança. Isaías diz: “Jeová dos exércitos revelou-se aos meus ouvidos: ‘“Este erro não será expiado a vosso favor, até que morrais”, disse o Soberano Senhor, Jeová dos exércitos.’” (Isaías 22:14) Devido à insensibilidade das pessoas, não haveria perdão. A morte viria, sem falta. Era uma certeza. O Soberano Senhor, Jeová dos exércitos, o dissera. Em cumprimento das palavras proféticas de Isaías, a calamidade assolaria duas vezes a infiel Jerusalém. Ela seria destruída pelos exércitos de Babilônia e, mais tarde, pelos de Roma. Da mesma forma, a calamidade virá sobre a infiel cristandade, cujos membros afirmam adorar a Deus, mas realmente o renegam por meio de suas obras. (Tito 1:16) Os pecados da cristandade, somados aos das outras religiões do mundo que desrespeitam os caminhos justos de Deus, “acumularam-se até o céu”. Assim como o erro da apóstata Jerusalém, o erro delas é grande demais para ser expiado. — Revelação (Apocalipse) 18:5, 8, 21.
Um mordomo egoísta
16, 17. (a) Quem recebeu a seguir uma mensagem de alerta de Jeová, e por quê? (b) Por causa de suas ambições, o que aconteceria com Sebna?
16 A seguir, o profeta Isaías desvia sua atenção de um povo infiel para um indivíduo infiel. Ele escreve: “Assim disse o Soberano Senhor, Jeová dos exércitos: ‘Vai, entra até este mordomo, até Sebna, que está sobre a casa: “Que é que te interessa aqui e quem é que te interessa aqui, que aqui escavaste para ti uma sepultura?” Está escavando sua sepultura numa elevação; num rochedo está talhando para si um domicílio.’” — Isaías 22:15, 16.
17 Sebna era ‘mordomo da casa’, provavelmente do Rei Ezequias. Como tal, ele tinha um cargo influente, abaixo apenas do rei. Esperava-se muito dele. (1 Coríntios 4:2) No entanto, em vez de dar primazia aos assuntos do país, Sebna buscava glória pessoal. Ele preparava para si uma sepultura luxuosa — comparável à de um rei — talhada no alto de um rochedo. Vendo isso, Jeová inspirou Isaías a alertar o mordomo infiel: “Eis que Jeová te está arremessando para baixo com um arremesso violento, ó varão vigoroso, e te agarrará à força. Sem falta te enrolará bem apertado, como uma bola para uma terra ampla. Ali morrerás, e ali os carros da tua glória serão a desonra da casa de teu amo. E eu vou empurrar-te do teu posto; e derrubar-te-ão da tua posição oficial.” (Isaías 22:17-19) Por causa de seu egocentrismo, Sebna não teria nem mesmo uma sepultura convencional em Jerusalém. Em vez disso, seria arremessado como uma bola, para morrer numa terra distante. Há nisso um alerta para todos os a quem se confia autoridade entre o povo de Deus. O abuso de poder levará à perda dessa autoridade e, possivelmente, à expulsão.
18. Quem substituiria Sebna, e o que significa que o substituto receberia as vestes oficiais de Sebna e a chave da casa de Davi?
18 Mas como Sebna seria destituído do cargo? Por meio de Isaías, Jeová explica: “Naquele dia terá de acontecer que irei chamar meu servo, a saber, Eliaquim, filho de Hilquias. E vou vesti-lo com a tua veste comprida, e atar firmemente em volta dele a tua faixa, e entregarei teu domínio na mão dele; e ele terá de tornar-se pai para o habitante de Jerusalém e para a casa de Judá. E eu vou pôr a chave da casa de Davi sobre o seu ombro, e ele terá de abrir sem que alguém feche e terá de fechar sem que alguém abra.” (Isaías 22:20-22) Substituindo Sebna, Eliaquim receberia as vestes oficiais do mordomo e a chave da casa de Davi. A Bíblia usa o termo “chave” como símbolo de autoridade, governo ou poder. (Note Mateus 16:19.) Nos tempos antigos, o conselheiro real, a quem se confiavam as chaves, talvez exercesse supervisão geral na corte, até mesmo selecionando os servidores do rei. (Note Revelação 3:7, 8.) Portanto, a função de mordomo era importante, e esperava-se muito dele. (Lucas 12:48) Sebna talvez fosse competente, mas, por ser infiel, Jeová o substituiria.
Dois tarugos simbólicos
19, 20. (a) Em que sentido Eliaquim seria uma bênção para seu povo? (b) O que aconteceria a quem continuasse a recorrer a Sebna?
19 Por fim, Jeová usa linguagem figurada para descrever a transferência de poder de Sebna para Eliaquim. Ele declara: “‘Vou pregá-lo [a Eliaquim] como tarugo num lugar duradouro, e ele terá de tornar-se como trono de glória para a casa de seu pai. E terão de pendurar nele toda a glória da casa de seu pai, os descendentes e a prole, todos os vasos do tipo pequeno, os vasos do tipo tigela bem como todos os vasos das grandes talhas. Naquele dia’, é a pronunciação de Jeová dos exércitos, ‘o tarugo [Sebna] pregado num lugar duradouro será removido, e terá de ser cortado e terá de cair, e a carga que há sobre ele terá de ser decepada, pois o próprio Jeová falou isso’.” — Isaías 22:23-25.
20 Nesses versículos, o primeiro tarugo é Eliaquim. Ele se tornaria um “trono de glória” para a casa de seu pai, Hilquias. Diferentemente de Sebna, ele não desonraria a casa ou a reputação de seu pai. Eliaquim seria um apoio duradouro para os vasos da casa, isto é, para outros servidores do rei. (2 Timóteo 2:20, 21) Em contraste com isso, o segundo tarugo se referia a Sebna. Embora talvez se sentisse seguro, seria removido. Quem continuasse a recorrer a ele, cairia.
21. Nos tempos modernos, quem, como Sebna, foi substituído, por que, e por quem?
21 O caso de Sebna nos faz lembrar de que, entre os que afirmam adorar a Deus, os que aceitam privilégios de serviço devem usá-los para servir outros e produzir louvor para Jeová. Não devem abusar de seu cargo para enriquecer ou ganhar prestígio. Por exemplo, a cristandade há muito se autopromovia como mordomo designado, o representante terrestre de Jesus Cristo. Mas, como Sebna, que desonrava seu pai por buscar a sua própria glória, os líderes da cristandade desonravam o Criador acumulando riquezas e poder para si. Portanto, quando chegou o tempo de o julgamento “principiar com a casa de Deus”, em 1918, Jeová removeu a cristandade. Outro mordomo foi identificado — “o mordomo fiel, o discreto” — e designado sobre a casa terrestre de Jesus. (1 Pedro 4:17; Lucas 12:42-44) Essa classe composta tem se mostrado digna de responder pela “chave” real da casa de Davi. Como um confiável “tarugo”, tem se mostrado ser um apoio confiável para todos os diferentes “vasos”, os cristãos ungidos com diferentes deveres, que buscam nele a sustentação espiritual. E, como no caso do ‘residente forasteiro dentro dos portões’ da Jerusalém antiga, as “outras ovelhas” também dependem desse “tarugo”, o Eliaquim moderno. — João 10:16; Deuteronômio 5:14.
22. (a) Por que foi oportuna a substituição do mordomo Sebna? (b) Nos tempos modernos, por que foi oportuna a designação do “mordomo fiel, o discreto”?
22 Eliaquim substituiu Sebna quando Senaqueribe e suas legiões ameaçavam Jerusalém. Similarmente, “o mordomo fiel, o discreto”, foi designado para servir durante o tempo do fim, que acabará quando Satanás e suas forças promoverem um ataque final contra “o Israel de Deus” e seus companheiros das “outras ovelhas”. (Gálatas 6:16) Como nos dias de Ezequias, esse ataque resultará na destruição dos inimigos da justiça. Quem se apoiar no “tarugo num lugar duradouro”, o mordomo fiel, sobreviverá, assim como os moradores fiéis de Jerusalém sobreviveram à invasão de Judá pelos assírios. Portanto, é muito sensato não se apegar ao desacreditado “tarugo” da cristandade!
23. O que por fim aconteceu com Sebna, e o que podemos aprender disso?
23 O que aconteceu com Sebna? Não temos registro de como se cumpriu a profecia a respeito dele, em Isaías 22:18. Ao se enaltecer e depois ser desonrado, Sebna nos faz lembrar a cristandade, mas é possível que ele tenha aprendido da disciplina. Se assim foi, ele era bem diferente da cristandade. Quando o assírio Rabsaqué exigiu a rendição de Jerusalém, o novo mordomo de Ezequias, Eliaquim, liderou a delegação que foi ao encontro dele. Mas Sebna o acompanhou como secretário do rei. Evidentemente, Sebna ainda estava a serviço do rei. (Isaías 36:2, 22) Que excelente lição para os que perdem algum cargo na organização de Deus! Em vez de se sentirem amargurados e ressentidos, farão bem em continuar a servir a Jeová em qualquer função que ele permita. (Hebreus 12:6) Ao agirem assim, evitarão o desastre que assolará a cristandade. Terão o favor e as bênçãos de Deus por toda a eternidade.
[Nota(s) de rodapé]
a Em 66 EC, muitos judeus exultaram com a retirada do exército romano, que sitiava Jerusalém.
b Segundo o historiador Josefo, do primeiro século, em 70 EC a fome em Jerusalém era tão severa que as pessoas comiam couro, capim e feno. Num caso relatado, uma mãe assou e comeu seu próprio filho.
c Como alternativa, “o reposteiro de Judá” pode referir-se a outra coisa que protegia a cidade, como um grupo de fortalezas que servisse de depósito de armas e de alojamento de soldados.
[Foto na página 231]
Ao fugir, Zedequias foi capturado e cegado
[Foto nas páginas 232, 233]
As perspectivas eram sombrias para os judeus encurralados em Jerusalém
[Foto na página 239]
Ezequias fez de Eliaquim um “tarugo num lugar duradouro”
[Foto na página 241]
Como Sebna, muitos líderes da cristandade têm desonrado ao Criador por acumularem riquezas
[Fotos na página 242]
Nos tempos modernos, uma classe do mordomo, fiel, foi designada sobre a casa de Jesus
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Jeová rebaixou o orgulho de TiroProfecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Dezenove
Jeová rebaixou o orgulho de Tiro
1, 2. (a) Que tipo de cidade era a antiga Tiro? (b) O que Isaías profetizou sobre Tiro?
SUA ‘beleza era perfeita’ e ela possuía uma “abundância de todos os bens”. (Ezequiel 27:4, 12, A Bíblia de Jerusalém) Sua grande frota de navios singrava os mares até lugares distantes. Ela se tornara “muito gloriosa no coração do alto-mar” e, com suas “coisas valiosas”, ‘enriquecia os reis da Terra’. (Ezequiel 27:25, 33) No sétimo século AEC, essa era a condição de Tiro — uma cidade fenícia na extremidade oriental do Mediterrâneo.
2 No entanto, a destruição de Tiro era iminente. Uns cem anos antes de Ezequiel tê-la descrito, o profeta Isaías predisse a queda dessa fortaleza fenícia e o pesar dos que dependiam dela. Isaías predisse também que, depois de algum tempo, Deus voltaria sua atenção para essa cidade, concedendo-lhe uma renovada prosperidade. Como se cumpriram as palavras do profeta? E o que podemos aprender do que aconteceu a Tiro? Entender bem o que aconteceu a essa cidade, e por que aconteceu, fortalecerá a nossa fé em Jeová e nas suas promessas.
“Uivai, navios de Társis!”
3, 4. (a) Onde ficava Társis, e qual era a relação entre Tiro e Társis? (b) Por que os marujos que negociavam com Társis teriam motivo para ‘uivar’?
3 Sob o título “A pronúncia de Tiro”, Isaías declara: “Uivai, navios de Társis, porque foi assolada para não ser porto, para não ser lugar em que se entre.” (Isaías 23:1a) Acredita-se que Társis fazia parte da Espanha, longe de Tiro, no Mediterrâneo oriental.a Mesmo assim, os fenícios eram marujos hábeis, e seus navios eram grandes e bem construídos. Há historiadores que acreditam que os fenícios foram os primeiros a notar a relação entre a Lua e as marés e a usar a astronomia como auxílio à navegação. Assim, a longa distância entre Tiro e Társis não era obstáculo para eles.
4 Nos dias de Isaías, a distante Társis era um mercado para Tiro, talvez a principal fonte de sua riqueza durante parte de sua história. A Espanha tinha ricas minas de prata, de ferro, de estanho e de outros metais. (Note Jeremias 10:9; Ezequiel 27:12.) “Navios de Társis”, provavelmente navios de Tiro que negociavam com Társis, teriam bons motivos para ‘uivar’, lamentando a destruição de seu porto de base.
5. Onde os marinheiros vindos de Társis ficariam sabendo da queda de Tiro?
5 Como é que os marinheiros no mar ficariam sabendo da queda de Tiro? Isaías responde: “Isto lhes foi revelado desde a terra de Quitim.” (Isaías 23:1b) “A terra de Quitim” provavelmente se referia à ilha de Chipre, uns 100 quilômetros a oeste da costa fenícia. Essa era a última escala dos navios que iam de Társis para o leste, antes de chegarem a Tiro. Assim, os marujos saberiam da derrocada de seu amado porto de base ao fazerem uma parada em Chipre. Que choque para eles! Cheios de pesar, ‘uivariam’ em desalento.
6. Descreva a relação entre Tiro e Sídon.
6 O povo do litoral fenício também ficaria desalentado. O profeta diz: “Ficai quietos, ó habitantes do litoral. Os mercadores de Sídon, os que cruzam o mar — eles te encheram. A semente de Sior, a colheita do Nilo, a renda dela, tem estado sobre muitas águas; e veio a ser o ganho das nações.” (Isaías 23:2, 3) Os “habitantes do litoral” — os vizinhos de Tiro — ficariam calados, totalmente pasmos com a calamitosa queda de Tiro. Quem eram “os mercadores de Sídon” que “encheram” esses habitantes, enriquecendo-os? Tiro era originalmente uma colônia da cidade portuária de Sídon, que ficava apenas 35 quilômetros ao norte. Nas suas moedas, Sídon se autoproclamava mãe de Tiro. Embora Tiro tivesse ultrapassado Sídon em riqueza, ela ainda era ‘filha de Sídon’, e seus habitantes ainda se chamavam sidônios. (Isaías 23:12) Assim, a expressão “os mercadores de Sídon” provavelmente se referia à classe mercantil de Tiro.
7. Como os mercadores sidônios espalhavam riquezas?
7 Empenhados no comércio, os ricos mercadores sidônios cruzavam o mar Mediterrâneo. Transportavam para muitos lugares a semente (ou grão) de Sior, o braço mais oriental do rio Nilo, na região do delta do Egito. (Note Jeremias 2:18.) “A colheita do Nilo” também incluía outros produtos do Egito. O comércio e a permuta desses bens eram altamente lucrativos para esses mercadores navegantes, bem como para as nações com as quais negociavam. Os mercadores sidônios ‘enchiam’ Tiro de lucros. Com certeza lamentariam a desolação dela!
8. Como a destruição de Tiro afetaria Sídon?
8 A seguir, Isaías se dirige a Sídon com estas palavras: “Envergonha-te, ó Sídon; porque o mar, ó tu baluarte do mar, disse: ‘Não tive dores de parto e não dei à luz, nem criei jovens, nem eduquei virgens.’” (Isaías 23:4) Depois da destruição de Tiro, a costa onde ficava a cidade pareceria vazia e desolada. Seria como se o mar gritasse angustiado, como uma mãe que perdeu seus filhos e, de tão atormentada, negasse que um dia os teve. Sídon se envergonharia do que aconteceria com a sua filha.
9. O pesar das pessoas após a queda de Tiro seria comparável à consternação que se seguiu a que outro evento?
9 Sim, a notícia da destruição de Tiro causaria um lamento generalizado. Isaías diz: “Assim como diante da notícia referente ao Egito, as pessoas terão igualmente dores agudas diante da notícia sobre Tiro.” (Isaías 23:5) A dor dos enlutados seria comparável à dor resultante da notícia a respeito do Egito. A que notícia se referia o profeta? Possivelmente ao cumprimento de sua anterior “pronúncia contra o Egito”.b (Isaías 19:1-25) Ou talvez o profeta se referisse ao relato da destruição do exército de Faraó nos dias de Moisés, que causou ampla consternação. (Êxodo 15:4, 5, 14-16; Josué 2:9-11) Seja como for, os que ouvissem a notícia sobre a destruição de Tiro sentiriam dores agudas. São convidados a fugir em busca de refúgio na distante Társis, e recebem ordens de expressar ruidosamente seu pesar: “Atravessai para Társis; uivai, ó habitantes do litoral.” — Isaías 23:6.
Rejubilante “desde os seus tempos primitivos”
10-12. Descreva a riqueza, a antiguidade e a influência de Tiro.
10 Tiro era uma cidade antiga, como Isaías nos lembra ao perguntar: “É esta a vossa cidade que rejubilava desde os dias de outrora, desde os seus tempos primitivos? (Isaías 23:7a) A próspera história de Tiro remontava até pelo menos os dias de Josué. (Josué 19:29) Ao longo dos anos, Tiro havia ficado famosa como fabricante de objetos de metal, artigos de vidro e corantes purpurinos. Mantos de púrpura tíria atingiam os mais altos preços e os custosos tecidos de Tiro eram procurados pela nobreza. (Note Ezequiel 27:7, 24.) Tiro era também um núcleo comercial para caravanas que vinham por terra, bem como um entreposto de importação e exportação.
11 Além disso, a cidade era militarmente forte. L. Sprague de Camp escreve: “Embora não fossem essencialmente guerreiros — eles eram homens de negócio, não soldados — os fenícios defendiam suas cidades com coragem e tenacidade fanáticas. Essas qualidades, bem como seu poderio naval, habilitaram os tírios a resistir ao exército assírio, o mais forte da época.”
12 Realmente, Tiro deixou a sua marca no mundo mediterrâneo. “Seus pés costumavam levá-la longe para residir como forasteira.” (Isaías 23:7b) Os fenícios viajavam a lugares distantes, estabeleciam centros de comércio e portos de escala, que, em alguns casos, se transformavam em colônias. Por exemplo, Cartago, na costa norte da África, era uma colônia de Tiro. Com o tempo, ela suplantaria Tiro e rivalizaria com Roma na influência no mundo mediterrâneo.
Seu orgulho seria rebaixado
13. Por que surgiu a pergunta sobre quem ousava condenar Tiro?
13 Em vista da antiguidade e da riqueza de Tiro, cabe bem a pergunta: “Quem é que deu este conselho contra Tiro, a coroadora, cujos mercadores eram príncipes, cujos comerciantes eram os honrados da terra?” (Isaías 23:8) Quem ousava criticar a cidade que nomeara indivíduos poderosos a altos cargos em suas colônias e em outros lugares — tornando-se assim a “coroadora”? Quem ousava criticar a metrópole cujos mercadores eram príncipes e os comerciantes pessoas honradas? Maurice Chehab, ex-diretor de antiguidades do Museu Nacional de Beirute, Líbano, disse: “Do nono ao sexto século a.C., Tiro ocupava uma posição de importância como a de Londres no início do século 20.” Assim, quem ousava criticar essa cidade?
14. Quem proferiu uma condenação contra Tiro, e por quê?
14 A resposta inspirada causaria consternação em Tiro. Isaías diz: “O próprio Jeová dos exércitos deu este conselho, para profanar o orgulho de toda a beleza, para tratar com desprezo todos os honrados da terra.” (Isaías 23:9) Por que Jeová proferiu tal condenação contra essa rica e antiga cidade? Era porque seus habitantes adoravam o falso deus Baal? Ou por causa da relação de Tiro com Jezabel — a filha do Rei Etbaal de Sídon, incluindo Tiro — que se casou com o Rei Acabe de Israel e massacrou os profetas de Jeová? (1 Reis 16:29, 31; 18:4, 13, 19) A resposta a ambas as perguntas é não. Tiro foi condenada por causa de seu orgulho arrogante — ela enriqueceu à custa de outros povos, incluindo os israelitas. No nono século AEC, por meio do profeta Joel, Jeová disse a Tiro e a outras cidades: “Vendestes os filhos de Judá e os filhos de Jerusalém aos filhos dos gregos, a fim de removê-los para longe do seu próprio território.” (Joel 3:6) Poderia Deus tolerar que Tiro tratasse Seu povo pactuado como simples mercadoria?
15. Como reagiria Tiro quando Jerusalém caísse diante de Nabucodonosor?
15 Passarem-se cem anos não mudaria Tiro. Quando o exército do Rei Nabucodonosor, de Babilônia, destruísse Jerusalém, em 607 AEC, Tiro exultaria: “Ah! Ela [Jerusalém] foi quebrada, as portas dos povos! A tendência será certamente para mim. Encher-me-ei — ela foi devastada.” (Ezequiel 26:2) Tiro se alegraria, esperando beneficiar-se da destruição de Jerusalém. Sem a concorrência da capital judaica, ela esperaria expandir seu comércio. Jeová trataria com desprezo os autoproclamados “honrados”, que orgulhosamente mancomunavam com os inimigos de Seu povo.
16, 17. O que aconteceria aos habitantes de Tiro quando a cidade caísse? (Veja nota de rodapé.)
16 Isaías prossegue com a mensagem condenatória de Jeová contra Tiro: “Atravessa a tua terra como o rio Nilo, ó filha de Társis. Não há mais estaleiro. Ele estendeu a sua mão sobre o mar; fez os reinos ficar agitados. O próprio Jeová deu ordem contra a Fenícia, para aniquilar os seus baluartes. E ele diz: ‘Nunca mais deves rejubilar, ó oprimida, filha virgem de Sídon. Levanta-te, atravessa para a própria Quitim. Nem ali será de descanso para ti.’” — Isaías 23:10-12.
17 Por que Tiro é chamada de “filha de Társis”? Talvez porque, depois da derrota de Tiro, Társis se tornaria a cidade mais poderosa das duas.c Os habitantes da arruinada Tiro seriam espalhados como um rio numa inundação, com a queda de suas barrancas e o transbordamento das águas por todas as planícies vizinhas. A mensagem de Isaías para a “filha de Társis” sublinha a gravidade do que aconteceria a Tiro. O próprio Jeová estenderia a mão e daria a ordem. Ninguém poderia alterar o desfecho.
18. Por que Tiro era chamada de “filha virgem de Sídon”, e como mudaria a sua condição?
18 Isaías também fala de Tiro como “filha virgem de Sídon”, indicando que ela ainda não fora capturada e saqueada por conquistadores estrangeiros, desfrutando ainda de uma condição indômita. (Note 2 Reis 19:21; Isaías 47:1; Jeremias 46:11.) Agora, porém, ela seria aniquilada e, como refugiados, alguns de seus moradores cruzariam o mar até a colônia fenícia de Quitim. Não obstante, tendo perdido seu poderio econômico, não encontrariam descanso ali.
Os caldeus a despojariam
19, 20. Quem seria o profetizado conquistador de Tiro, e como se cumpriu essa profecia?
19 Que potência política executaria o julgamento de Jeová contra Tiro? Isaías proclama: “Eis a terra dos caldeus! Este é o povo — a Assíria não o mostrou ser — fundaram-na para os frequentadores do deserto. Erigiram suas torres de sítio; esvaziaram as torres de habitação dela; ela foi constituída em ruína desmoronada. Uivai, navios de Társis, pois o vosso baluarte foi assolado.” (Isaías 23:13, 14) Os caldeus — não os assírios — conquistariam Tiro. Erigiriam suas torres de sítio, arrasariam as moradias de Tiro e fariam desse baluarte dos navios de Társis um montão de ruínas.
20 Fiel à profecia, não muito depois da queda de Jerusalém, Tiro se rebelou contra Babilônia e Nabucodonosor sitiou a cidade. Julgando-se inconquistável, Tiro resistiu. Durante o sítio, a cabeça dos soldados de Babilônia ficou “calva” devido à fricção dos capacetes, e seus ombros ficaram ‘esfolados’ de tanto carregarem materiais para a edificação do cerco. (Ezequiel 29:18) O cerco custou caro para Nabucodonosor. A cidade continental de Tiro foi destruída, mas ele não conseguiu pegar o despojo. O grosso dos tesouros de Tiro havia sido transferido para uma pequena ilha a uns 800 metros da costa. Não dispondo de uma frota de navios, o rei caldeu não pôde conquistar a ilha. Depois de 13 anos, Tiro capitulou, mas sobreviveu e viu o cumprimento de outras profecias.
“Ela terá de retornar à sua paga”
21. Em que sentido Tiro seria “esquecida”, e por quanto tempo?
21 Isaías continua a profetizar: “Naquele dia terá de acontecer que Tiro terá de ser esquecida por setenta anos, igual aos dias de um só rei.” (Isaías 23:15a) Depois da destruição da cidade continental pelos babilônios, a cidade-ilha de Tiro seria “esquecida”. Fiel à profecia, pela duração de “um só rei” — o Império Babilônico — a cidade-ilha de Tiro não seria uma potência financeira importante. Jeová, por meio de Jeremias, incluiu Tiro entre as nações que beberiam do vinho de Seu furor. Ele disse: “Estas nações terão de servir ao rei de Babilônia por setenta anos.” (Jeremias 25:8-17, 22, 27) É verdade que a cidade-ilha de Tiro não ficou sujeita a Babilônia por 70 anos completos, visto que o Império Babilônico caiu em 539 AEC. Evidentemente, os 70 anos representavam o período do maior domínio de Babilônia — quando a dinastia babilônica se jactava de ter erguido seu trono até mesmo acima das “estrelas de Deus”. (Isaías 14:13) Diferentes nações viriam a estar sob esse domínio em diferentes épocas. Mas, no fim dos 70 anos, esse domínio desmoronaria. O que aconteceria então a Tiro?
22, 23. O que aconteceria a Tiro quando se livrasse do domínio babilônico?
22 Isaías prossegue: “Ao fim de setenta anos acontecerá a Tiro assim como no cântico de uma prostituta: ‘Toma uma harpa, faze a ronda da cidade, ó prostituta esquecida. Toca o melhor possível nas cordas; faze muitas as tuas canções, a fim de que sejas lembrada.’ E ao fim de setenta anos terá de acontecer que Jeová voltará a sua atenção para Tiro, e ela terá de retornar à sua paga e cometer prostituição com todos os reinos da terra sobre a superfície do solo.” — Isaías 23:15b-17.
23 Depois da queda de Babilônia, em 539 AEC, a Fenícia se tornaria uma satrapia (província) do Império Medo-Persa. O monarca persa, Ciro, o Grande, era um governante tolerante. Sob esse novo governo, Tiro retomaria suas atividades e tentaria arduamente voltar a ser reconhecida como centro comercial mundial — assim como uma meretriz que foi esquecida e perdeu sua clientela tentaria atrair novos clientes percorrendo a cidade, tocando harpa e entoando canções. Será que Tiro seria bem-sucedida? Sim, Jeová lhe daria sucesso. Com o tempo, essa cidade-ilha se tornaria tão próspera que, pouco antes do fim do sexto século AEC, o profeta Zacarias diria: “Tiro passou a construir para si uma escarpa e a amontoar prata como pó e ouro como a lama das ruas.” — Zacarias 9:3.
‘Seu ganho terá de tornar-se sagrado’
24, 25. (a) Em que sentido o ganho de Tiro se tornaria sagrado para Jeová? (b) Apesar da ajuda que Tiro daria ao povo de Deus, que profecia Jeová inspirou a respeito dela?
24 Como são notáveis as palavras proféticas seguintes! “Seu ganho e sua paga terão de tornar-se algo sagrado para Jeová. Não será armazenada nem acumulada, porque a sua paga virá a ser para os que moram diante de Jeová, para que se coma até à saciedade e para cobertura elegante.” (Isaías 23:18) Em que sentido o ganho material de Tiro se tornaria sagrado? Jeová manobraria as coisas de modo que fosse usado segundo a Sua vontade — para que seu povo pudesse comer até à saciedade e vestir-se bem. Isso se deu depois da volta dos israelitas do exílio em Babilônia. O povo de Tiro os ajudou fornecendo-lhes madeira de cedro para reconstruir o templo. E também voltaram a comerciar com a cidade de Jerusalém. — Esdras 3:7; Neemias 13:16.
25 Apesar disso, Jeová inspirou ainda outro pronunciamento contra Tiro. Zacarias profetizou a respeito da cidade-ilha que então seria rica: “Eis que o próprio Jeová a desapossará e certamente golpeará a sua força militar lançando-a dentro do mar; e ela mesma será devorada pelo fogo.” (Zacarias 9:4) Isso se cumpriu em julho de 332 AEC, quando Alexandre, o Grande, arrasou essa orgulhosa senhora dos mares.
Evite o materialismo e o orgulho
26. Por que Deus condenou Tiro?
26 Jeová condenou Tiro por causa de seu orgulho, uma característica que ele despreza. “Olhos altaneiros” encabeça uma lista de sete coisas que Jeová odeia. (Provérbios 6:16-19) Paulo associou o orgulho com Satanás, o Diabo, e a descrição de Ezequiel da orgulhosa Tiro tem elementos que descrevem o próprio Satanás. (Ezequiel 28:13-15; 1 Timóteo 3:6) Por que Tiro era orgulhosa? Ezequiel, dirigindo-se a ela, diz: “Teu coração começou a ensoberbecer-se por causa da tua riqueza.” (Ezequiel 28:5) A cidade vivia para o comércio e o ajuntamento de dinheiro. Seu êxito deixou-a insuportavelmente soberba. Por meio de Ezequiel, Jeová disse ao “líder de Tiro”: “Teu coração se ensoberbeceu e estás dizendo: ‘Sou deus. No assento de deus me assentei.’” — Ezequiel 28:2.
27, 28. Em que armadilha podem os humanos cair, e como Jesus ilustrou isso?
27 Nações — bem como indivíduos — podem sucumbir ao orgulho e a um falso conceito de riqueza. Jesus contou uma parábola que mostra como esse laço pode ser sutil. Ele falou de um homem rico, cujos campos haviam produzido muito bem. Muito feliz, ele planejava construir silos maiores para seus produtos e, alegremente, imaginava um futuro de conforto e vida longa. Mas isso não aconteceu. Deus disse-lhe: “Desarrazoado, esta noite te reclamarão a tua alma. Quem terá então as coisas que armazenaste?” Sim, o homem morreu, e sua riqueza de nada lhe serviu. — Lucas 12:16-20.
28 Jesus concluiu a parábola, dizendo: “Assim é com o homem que acumula para si tesouro, mas não é rico para com Deus.” (Lucas 12:21) Ser rico não era errado em si mesmo, e ter uma boa safra não era pecado. O erro do homem foi fazer disso a coisa principal na vida. Sua única confiança eram as riquezas. Ao pensar no futuro, não levou em conta Jeová Deus.
29, 30. Que alerta deu Tiago contra a autoconfiança?
29 Tiago apresentou enfaticamente o mesmo ponto. Disse ele: “Vinde agora, vós os que dizeis: ‘Hoje ou amanhã viajaremos para esta cidade e passaremos ali um ano, e negociaremos e teremos lucros’, ao passo que nem sabeis qual será a vossa vida amanhã. Porque sois uma bruma que aparece por um pouco de tempo e depois desaparece. Devíeis dizer, em vez disso: ‘Se Jeová quiser, havemos de viver e também de fazer isso ou aquilo.’” (Tiago 4:13-15) Daí, Tiago mostrou a relação entre riqueza e orgulho, ao acrescentar: “[Vós] vos orgulhais de vossas fanfarrices pretensiosas. Todo esse orgulho é iníquo.” — Tiago 4:16.
30 De novo, negociar não é pecado. O pecado é o orgulho, a arrogância, a autoconfiança que a riqueza pode gerar. Sabiamente, diz um antigo provérbio: “Não me dês nem pobreza nem riquezas.” A pobreza pode tornar muito amarga a vida. Mas as riquezas podem levar a pessoa a ‘renegar a Deus e a dizer: “Quem é Jeová?”’. — Provérbios 30:8, 9.
31. Que perguntas o cristão fará bem em fazer a si mesmo?
31 Vivemos num mundo em que muitos sucumbiram à ganância e ao egoísmo. Devido ao prevalecente apelo comercial, dá-se muita ênfase à riqueza. Assim, o cristão fará bem em examinar a si mesmo para ver se não está caindo na mesma armadilha em que caiu a cidade comercial de Tiro. Gasta ele tanto de seu tempo e energia em empenhos materiais que, na verdade, é um escravo das riquezas? (Mateus 6:24) Será que inveja alguém que talvez tenha mais ou melhores bens do que ele? (Gálatas 5:26) Se for rico, acha orgulhosamente que merece mais atenção ou privilégios do que outros? (Note Tiago 2:1-9.) Se não for rico, está ‘resolvido a ficar rico’, custe o que custar? (1 Timóteo 6:9) Está tão ocupado com assuntos comerciais que reserva apenas um pequeníssimo espaço na sua vida para servir a Deus? (2 Timóteo 2:4) Fica tão absorto na busca de riqueza que desconsidera princípios cristãos em seus negócios? — 1 Timóteo 6:10.
32. Que alerta deu João, e como podemos acatá-lo?
32 Seja qual for a nossa condição financeira, o Reino deve sempre ter prioridade na nossa vida. É vital nunca desperceber as palavras do apóstolo João: “Não estejais amando nem o mundo, nem as coisas no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele.” (1 João 2:15) Temos de usar o sistema financeiro do mundo para sobreviver, é verdade. (2 Tessalonicenses 3:10) Por isso, ‘usamos o mundo’ — mas não “plenamente”. (1 Coríntios 7:31) Se tivermos amor excessivo às coisas materiais — as coisas do mundo — não mais amaremos a Jeová. Ir atrás dos ‘desejos da carne e dos desejos dos olhos’ e ‘ostentar os meios de vida da pessoa’ são incompatíveis com fazer a vontade de Deus.d E é fazer a vontade de Deus o que leva à vida eterna. — 1 João 2:16, 17.
33. Como podem os cristãos evitar a armadilha em que caiu Tiro?
33 Tiro caiu na armadilha de colocar a busca de bens materiais à frente de tudo o mais. Ela saiu-se bem em sentido material, mas tornou-se muito orgulhosa e foi punida por isso. Seu exemplo é um alerta para nações e indivíduos hoje. É muito melhor acatar a admoestação do apóstolo Paulo! Ele exorta os cristãos a ‘não serem soberbos e a não basearem sua esperança nas riquezas incertas, mas em Deus, que nos fornece ricamente todas as coisas para nosso usufruto’. — 1 Timóteo 6:17.
[Nota(s) de rodapé]
a Alguns eruditos identificam Társis com Sardenha, uma ilha no Mediterrâneo ocidental, que também ficava distante de Tiro.
b Veja o capítulo 15 deste livro, páginas 200-207.
c Como alternativa, a “filha de Társis” pode referir-se aos habitantes de Társis. Certa obra de referência diz: “Os nativos de Társis [estavam] agora livres para viajar e comerciar tão livremente como o Nilo quando flui em todas as direções.” Ainda assim, a ênfase é nas drásticas repercussões da queda de Tiro.
d “Ostentação” traduz o termo grego a·la·zo·ní·a, definido como “presunção ímpia e vazia que confia na estabilidade de coisas terrenas”. — The New Thayer’s Greek-English Lexicon.
[Mapa na página 256]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
EUROPA
ESPANHA (Possível localização de TÁRSIS)
MAR MEDITERRÂNEO
SARDENHA
CHIPRE
ÁSIA
SÍDON
TIRO
ÁFRICA
EGITO
[Foto na página 250]
Tiro seria subjugada por Babilônia, não pela Assíria
[Foto na página 256]
Moeda com a estampa de Melcart, principal deidade de Tiro
[Foto na página 256]
Modelo de navio fenício
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Jeová é ReiProfecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Vinte
Jeová é Rei
1, 2. (a) Quem sentiria o furor de Jeová? (b) Ficaria Judá sem punição, e como sabemos isso?
TANTO Babilônia quanto a Filístia, Moabe, a Síria, a Etiópia, o Egito, Edom, Tiro e a Assíria sentiriam o furor de Jeová. Isaías predisse as calamidades que sobreviriam a essas nações e cidades hostis. Mas que dizer de Judá? Ficariam seus habitantes sem punição por seus pecados? O registro histórico responde com um sonoro não!
2 Considere o que aconteceu com Samaria, a capital do reino de dez tribos de Israel. Esse reino não cumpriu o pacto que fizera com Deus. Não se manteve separado das práticas indecentes das nações ao redor. Ao contrário, os moradores de Samaria “persistiram em fazer coisas más para ofender a Jeová . . . Por isso Jeová ficou muito irado com Israel, de modo que os removeu da sua vista”. Retirado à força de seu país, “Israel foi do seu próprio solo para o exílio na Assíria”. (2 Reis 17:9-12, 16-18, 23; Oseias 4:12-14) O que aconteceu a Israel foi um mau presságio para seu reino-irmão, Judá.
Isaías prediz a desolação de Judá
3. (a) Por que Jeová abandonaria o reino de duas tribos de Judá? (b) O que Jeová estava determinado a fazer?
3 Alguns reis de Judá foram fiéis, mas não a maioria. Mesmo sob o reinado do fiel Jotão, o povo não abandonou completamente a adoração falsa. (2 Reis 15:32-35) A perversidade de Judá atingiu um estágio crítico no reinado do sanguinário Rei Manassés que, de acordo com a tradição judaica, assassinou o fiel profeta Isaías por ordenar que fosse serrado em pedaços. (Note Hebreus 11:37.) Esse rei perverso “continuou a seduzir Judá e os habitantes de Jerusalém para fazerem pior do que as nações que Jeová aniquilara de diante dos filhos de Israel”. (2 Crônicas 33:9) Sob o reinado de Manassés, o país tornou-se ainda mais corrompido do que quando os cananeus o controlavam. Por isso, Jeová declarou: “Eis que trago sobre Jerusalém e sobre Judá uma calamidade tal que, ouvindo alguém falar dela, lhe tinirão ambos os ouvidos. . . . Vou esfregar Jerusalém até ficar limpa, assim como se esfrega um tacho sem asas, esfregando-o e emborcando-o. E abandonarei deveras o restante da minha herança, e os entregarei à mão dos seus inimigos, e vão tornar-se saque e rapina para todos os seus inimigos, visto que fizeram o que era mau aos meus olhos e me ofenderam continuamente.” — 2 Reis 21:11-15.
4. O que Jeová faria a Judá, e como se cumpriu essa profecia?
4 Assim como um tacho é emborcado, derramando todo o seu conteúdo, o país ficaria completamente despovoado. Essa desolação que Judá e Jerusalém sofreriam é novamente assunto da profecia de Isaías. Ele começa: “Eis que Jeová está esvaziando a terra e devastando-a, e ele entortou a face dela e espalhou os seus habitantes.” (Isaías 24:1) Essa profecia se cumpriu quando Jerusalém e seu templo foram destruídos pelos exércitos babilônios invasores sob o Rei Nabucodonosor e quando os habitantes de Judá foram dizimados por meio de espada, fome e pestilência. A maioria dos judeus sobreviventes foram levados cativos a Babilônia, e os poucos que foram deixados fugiram para o Egito. Assim, a terra de Judá ficou destruída e completamente despovoada. Nem mesmo os animais domésticos restaram. O país deserto tornou-se um ermo de ruínas sombrias, habitado somente por animais selvagens e pássaros.
5. Ficaria alguém isento do julgamento de Jeová? Explique.
5 Será que alguém em Judá receberia um tratamento preferencial no vindouro julgamento? Isaías responde: “Terá de ser o mesmo para o povo como para o sacerdote; o mesmo para o servo como para o seu amo; o mesmo para a serva como para a sua senhora; o mesmo para o comprador como para o vendedor; o mesmo para quem empresta como para quem toma emprestado; o mesmo para quem cobra juros como para quem paga juros. A terra, sem falta, será esvaziada, e, sem falta, será saqueada, porque o próprio Jeová falou esta palavra.” (Isaías 24:2, 3) O fato de a pessoa ter riquezas e privilégios de serviço no templo não influenciaria o tratamento que receberia. Não haveria exceções. A corrupção no país era tanta que todos os sobreviventes — sacerdotes, servos e amos, compradores e vendedores — deviam ser exilados.
6. Por que Jeová retirou sua bênção da terra?
6 Para que não houvesse mal-entendidos, Isaías descreve a abrangência do então vindouro desastre e explica a razão de ele ocorrer: “A terra pôs-se a prantear, desvaneceu-se. O solo produtivo murchou, desvaneceu-se. Definharam-se os altos do povo da terra. E a própria terra foi poluída sob os seus habitantes, pois deixaram de lado as leis, mudaram o regulamento, violaram o pacto de duração indefinida. Por isso é que a própria maldição consumiu a terra e os que habitam nela são considerados culpados. Por isso é que os habitantes da terra diminuíram em número e restaram muito poucos homens mortais.” (Isaías 24:4-6) Ao receberem a terra de Canaã, os israelitas a consideraram ‘uma terra que manava leite e mel’. (Deuteronômio 27:3) Contudo, continuaram a depender das bênçãos de Jeová. Se obedecessem fielmente Seus estatutos e mandamentos, a terra ‘daria a sua produção’, mas, se deixassem de lado Suas leis e mandamentos, seus esforços para cultivar o solo se ‘gastariam em vão’ e a terra ‘não daria sua produção’. (Levítico 26:3-5, 14, 15, 20) A maldição de Jeová ‘consumiria a terra’. (Deuteronômio 28:15-20, 38-42, 62, 63) Judá agora devia esperar sofrer essa maldição.
7. Como o pacto da Lei seria uma bênção para os israelitas?
7 Cerca de 800 anos antes dos dias de Isaías, os israelitas entraram voluntariamente numa relação pactuada com Jeová e concordaram em cumprir o pacto. (Êxodo 24:3-8) Os termos do pacto da Lei estipulavam que, se obedecessem aos mandamentos de Jeová, eles usufruiriam as Suas ricas bênçãos, mas, se violassem o pacto, perderiam as bênçãos de Jeová e seriam levados cativos pelos inimigos. (Êxodo 19:5, 6; Deuteronômio 28:1-68) Esse pacto da Lei, mediado por Moisés, seria válido por tempo indefinido, não especificado. Serviria para salvaguardar os israelitas até o surgimento do Messias. — Gálatas 3:19, 24.
8. (a) Como foi que o povo ‘deixou de lado as leis’ e ‘mudou o regulamento’? (b) Em que sentido os “altos” foram os primeiros a ‘definhar’?
8 Mas o povo ‘violara o pacto de duração indefinida’. Haviam deixado de lado as leis divinas por desconsiderá-las. Tinham ‘mudado o regulamento’, seguindo práticas legais diferentes das que Jeová lhes havia estabelecido. (Êxodo 22:25; Ezequiel 22:12) Assim, o povo seria removido do país. Não receberia misericórdia no vindouro julgamento. Os “altos”, a nobreza, estariam entre os primeiros a ‘definhar’, pelo fato de Jeová retirar sua proteção e favor. Em cumprimento disso, com a aproximação da destruição de Jerusalém, os reis de Judá foram feitos vassalos, primeiro pelos egípcios e depois pelos babilônios. Subsequentemente, o Rei Joaquim e outros membros da família real estavam entre os primeiros a ser levados ao cativeiro em Babilônia. — 2 Crônicas 36:4, 9, 10.
A terra perderia a sua alegria
9, 10. (a) Que papel desempenhava a agricultura em Israel? (b) O que significava cada um ‘sentar-se debaixo da sua videira e da sua figueira’?
9 A nação de Israel era uma sociedade agrícola. Desde a época em que os israelitas entraram na Terra Prometida, passaram a viver da agricultura e da criação de animais. Assim, a agricultura ocupava um lugar importante na legislação dada a Israel. Com o objetivo de restaurar a fertilidade do solo, a Lei determinava que a cada sete anos a terra tivesse um descanso sabático obrigatório. (Êxodo 23:10, 11; Levítico 25:3-7) As três festividades anuais que a nação recebeu ordens de celebrar eram programadas para coincidir com as estações agrícolas. — Êxodo 23:14-16.
10 Havia muitos vinhedos em todo o país. As Escrituras alistam o vinho, um produto da videira, como dádiva de Deus que “alegra o coração do homem mortal”. (Salmo 104:15) Cada um ‘sentar-se debaixo da sua videira e da sua figueira’ denotava prosperidade, paz e segurança sob o domínio justo de Deus. (1 Reis 4:25; Miqueias 4:4) Uma boa safra de uvas era considerada uma bênção e motivo para cantar e alegrar-se. (Juízes 9:27; Jeremias 25:30) O contrário também era verdade. Quando as videiras murchavam ou não produziam frutos e os vinhedos ficavam desolados e cheios de espinhos, era evidência de que Jeová havia retirado sua bênção — uma época de grande tristeza.
11, 12. (a) Como Isaías ilustra as condições resultantes do julgamento de Jeová? (b) Que perspectivas tenebrosas Isaías descreve?
11 Assim, de maneira apropriada, Isaías usa os vinhedos e seus produtos para ilustrar o que aconteceria por Jeová retirar sua bênção do país: “O vinho novo pôs-se a prantear, e a videira murchou, todos os alegres de coração puseram-se a suspirar. Cessou a exultação dos pandeiros, interrompeu-se o barulho dos grandemente rejubilantes, cessou a exultação da harpa. É sem canção que bebem vinho; a bebida inebriante torna-se amarga para os que a bebem. A vila deserta foi destroçada; cada casa foi fechada para não se entrar nela. Há um clamor nas ruas por falta de vinho. Passou toda a alegria; desapareceu a exultação da terra. Na cidade deixou-se atrás uma condição assombrosa; o portão foi esmiuçado a um mero monte de destroços.” — Isaías 24:7-12.
12 O pandeiro e a harpa são instrumentos que produzem sons agradáveis e eram usados para louvar a Jeová e expressar alegria. (2 Crônicas 29:25; Salmo 81:2) A música desses instrumentos não seria ouvida naquela época de punição divina. Não haveria alegres colheitas de uvas. Não haveria sons alegres nas ruínas desoladas de Jerusalém, cujo portão seria “esmiuçado a um mero monte de destroços” e cujas casas seriam ‘fechadas’ para que ninguém pudesse entrar. Que perspectivas tenebrosas para os habitantes de uma terra normalmente tão fértil!
Um restante ‘gritaria de júbilo’
13, 14. (a) Quais eram as leis de Jeová referentes à colheita? (b) Como Isaías usou as leis sobre a colheita para ilustrar que alguns sobreviveriam ao julgamento de Jeová? (c) Embora viessem a enfrentar períodos de tristes provas, que certeza podiam ter os judeus fiéis?
13 Ao colherem as olivas, os israelitas batiam nas oliveiras com varas para que os frutos caíssem. A Lei de Deus os proibia de revistar os galhos das árvores a fim de colher as olivas que haviam sobrado. Nem deviam juntar as sobras das uvas após as colheitas nos vinhedos. O que restasse das colheitas devia ser deixado para os pobres — “para o residente forasteiro, para o menino órfão de pai e para a viúva” — respigar. (Deuteronômio 24:19-21) Aludindo a essas leis bem conhecidas, Isaías ilustra o fato consolador de que haveria sobreviventes no vindouro julgamento de Jeová: “Pois assim virá a ser no meio da terra, no meio dos povos, igual à batedura da oliveira, igual à rebusca quando acabou a vindima. Eles mesmos elevarão a sua voz, gritarão de júbilo. Na superioridade de Jeová certamente gritarão estridentemente desde o mar. Por isso é que, na região da luz, terão de glorificar a Jeová, nas ilhas do mar, o nome de Jeová, o Deus de Israel. Desde a extremidade da terra temos ouvido melodias: ‘Ornato para o Justo!’” — Isaías 24:13-16a.
14 Assim como alguns frutos permaneciam na árvore ou no vinhedo após a colheita, alguns seriam poupados da execução do julgamento de Jeová — ‘a rebusca quando acabou a vindima’. Conforme registrado no versículo 6 de Is 24, o profeta já falou deles, dizendo que “restaram muito poucos homens mortais”. Apesar de serem poucos, haveria sobreviventes à destruição de Jerusalém e Judá e, posteriormente, um restante voltaria do cativeiro e repovoaria o país. (Isaías 4:2, 3; 14:1-5) Embora os sinceros viessem a enfrentar tristes períodos de provação, podiam estar certos de que seriam libertados e teriam alegria no futuro. Os sobreviventes veriam o cumprimento da palavra profética de Jeová e se dariam conta de que Isaías era um verdadeiro profeta de Deus. Teriam muita alegria ao testemunhar o cumprimento das profecias de restauração. De onde quer que tivessem sido espalhados — das ilhas do Mediterrâneo, no oeste; de Babilônia, “na região da luz” (o nascente, ou o leste); ou de qualquer outro lugar distante — eles louvariam a Deus porque haviam sido preservados e cantariam: “Ornato para o Justo!”
Ninguém escaparia do julgamento de Jeová
15, 16. (a) Como Isaías se sentia por causa do que aconteceria ao seu povo? (b) O que sobreviria aos habitantes infiéis do país?
15 Mas ainda não era o tempo de ficarem alegres. Isaías traz seus contemporâneos de volta ao presente, declarando: “Mas eu digo: ‘Para mim há magreza, para mim há magreza! Ai de mim! Os traiçoeiros agiram traiçoeiramente. Com traição é que os traiçoeiros agiram traiçoeiramente.’ O pavor, e o barranco, e a armadilha estão sobre ti, ó habitante da terra. E terá de acontecer que todo aquele que fugir do som da coisa apavorante cairá no barranco, e todo aquele que subir de dentro do barranco será apanhado pela armadilha. Pois abrir-se-ão realmente as comportas no alto e tremerão os alicerces da terra. A terra rebentou completamente, a terra foi sacudida completamente, a terra foi abalada completamente. A terra oscila completamente igual a um bêbedo, e ela tem balançado para lá e para cá como um rancho de vigia. E sua transgressão se tornou pesada sobre ela e ela terá de cair, de modo que não se levantará mais.” — Isaías 24:16b-20.
16 Isaías ficou muito pesaroso por causa do que sobreviria ao seu povo. A situação ao seu redor o fazia sentir-se doente e aflito. Havia muitas pessoas traiçoeiras, que apavoravam os habitantes da terra. Quando Jeová retirasse sua proteção, os habitantes infiéis de Judá sentiriam pavor dia e noite. Não saberiam se continuariam vivos. Não haveria como escapar do desastre que lhes sobreviria por terem abandonado os mandamentos de Jeová e desconsiderado a sabedoria divina. (Provérbios 1:24-27) Apesar de os traiçoeiros no país tentarem convencer o povo de que tudo sairia bem, usando falsidade e engano para levá-los à destruição, a calamidade certamente viria. (Jeremias 27:9-15) Seriam saqueados e levados cativos por inimigos invasores. Tudo isso era muito perturbador para Isaías.
17. (a) Por que não seria possível escapar do desastre? (b) O que aconteceria à terra quando o poder de julgamento de Jeová fosse liberado dos céus?
17 Contudo, o profeta devia declarar que não haveria maneira de escapar do desastre. Não importava para onde o povo tentasse fugir, seriam apanhados. Alguns talvez escapassem de uma calamidade, mas seriam apanhados por outra — não haveria segurança. Aconteceria o mesmo que se dá com um animal que é caçado e escapa de uma armadilha apenas para ser apanhado por um laço. (Note Amós 5:18, 19.) O poder de julgamento de Jeová seria liberado dos céus e faria tremer os próprios alicerces da terra. Como um homem bêbado, ela cambalearia e cairia, carregada de culpa e incapaz de levantar-se novamente. (Amós 5:2) O julgamento de Jeová era irrevogável. O país sofreria destruição e ruína total.
Jeová reinará com glória
18, 19. (a) A que pode referir-se o “exército do alto”, e como serão eles ajuntados “no calabouço”? (b) Provavelmente, como o “exército do alto” receberá atenção “depois de uma abundância de dias”? (c) Como Jeová dará atenção aos “reis do solo”?
18 A profecia de Isaías assume agora uma abrangência maior, apontando para o desfecho do propósito de Jeová: “Naquele dia terá de acontecer que Jeová voltará a sua atenção para o exército do alto, no alto, e para os reis do solo sobre o solo. E eles hão de ser ajuntados com um ajuntamento como que de presos no poço e ser encerrados no calabouço; e depois de uma abundância de dias dar-se-á atenção a eles. E a lua cheia ficou encabulada e o sol brilhante ficou envergonhado, pois, Jeová dos exércitos tornou-se rei no monte Sião e em Jerusalém, e diante dos seus homens idosos, com glória.” — Isaías 24:21-23.
19 “O exército do alto” pode referir-se aos demoníacos “governantes mundiais desta escuridão, . . . as forças espirituais iníquas nos lugares celestiais”. (Efésios 6:12) Esses governantes têm exercido uma influência poderosa sobre as potências mundiais. (Daniel 10:13, 20; 1 João 5:19) Seu objetivo é desviar as pessoas de Jeová e de sua adoração pura. Eles foram muito bem-sucedidos em seduzir Israel a seguir as práticas corruptas das nações vizinhas e assim merecer a condenação divina. Mas Satanás e seus demônios terão de prestar contas quando Deus finalmente voltar sua atenção para eles e para os governantes da Terra, “os reis do solo sobre o solo”, aos quais têm influenciado a voltar-se contra Deus e transgredir suas leis. (Revelação [Apocalipse] 16:13, 14) Falando em sentido simbólico, Isaías disse que eles seriam ajuntados e “encerrados no calabouço”. “Depois de uma abundância de dias”, talvez quando Satanás e seus demônios (mas não “os reis do solo sobre o solo”) forem temporariamente libertados no fim do Reinado Milenar de Jesus Cristo, Deus trará sobre eles a punição final que merecem. — Revelação 20:3, 7-10.
20. Como e quando Jeová “tornou-se rei”, tanto nos tempos antigos como nos tempos modernos?
20 Essa parte da profecia de Isaías dava aos judeus uma garantia maravilhosa. No seu tempo devido, Jeová causaria a queda da antiga Babilônia e traria os judeus de volta à sua terra natal. Em 537 AEC, quando ele demonstrou assim seu poder e soberania em favor do seu povo, podia-se verdadeiramente dizer a eles: “Teu Deus tornou-se rei!” (Isaías 52:7) Nos tempos modernos, Jeová “tornou-se rei” em 1914, quando empossou Jesus Cristo como Rei em Seu Reino celestial. (Salmo 96:10) Ele também “tornou-se rei” em 1919, quando demonstrou o poder do seu reinado por libertar o Israel espiritual do cativeiro a Babilônia, a Grande.
21. (a) Em que sentido ‘a lua cheia ficará encabulada e o sol brilhante ficará envergonhado’? (b) Que retumbante convocação terá seu mais abrangente cumprimento?
21 Jeová novamente se ‘tornará rei’ ao destruir Babilônia, a Grande, e o restante deste sistema perverso. (Zacarias 14:9; Revelação 19:1, 2, 19-21) Após isso, o domínio do Reino de Jeová será tão magnífico que nem o clarão da lua cheia à noite, nem o brilho do sol ao meio-dia, se compararão à sua glória. (Note Revelação 22:5.) Esses corpos celestes ficarão envergonhados, por assim dizer, ao comparar-se ao glorioso Jeová dos exércitos. Jeová reinará com supremacia. Seu absoluto poder e sua glória serão manifestos a todos. (Revelação 4:8-11; 5:13, 14) Que perspectiva maravilhosa! Naquele tempo, a convocação do Salmo 97:1 ressoará em toda a Terra em seu mais abrangente cumprimento: “O próprio Jeová se tornou rei! Jubile a terra. Alegrem-se as muitas ilhas.”
[Foto na página 262]
Não mais se ouviria música e alegria no país
[Foto na página 265]
Assim como alguns frutos permaneciam na árvore após a colheita, alguns sobreviveriam ao julgamento de Jeová
[Foto na página 267]
Isaías ficou muito pesaroso por causa do que sobreviria ao seu povo
[Foto na página 269]
Nem o Sol nem a Lua se compararão a Jeová em glória
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A mão de Jeová tornou-se elevadaProfecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Vinte e Um
A mão de Jeová tornou-se elevada
1. Por que Isaías tinha apreço por Jeová?
ISAÍAS tinha profundo amor a Jeová e sentia prazer em louvá-lo. Ele clama: “Ó Jeová, tu és o meu Deus. Eu te exalto, elogio o teu nome.” O que ajudava o profeta a ter tanto apreço pelo Criador? Um fator importante era seu conhecimento sobre Jeová e suas atividades. As suas palavras seguintes revelam esse conhecimento: “Pois fizeste maravilhas, conselhos desde tempos anteriores, em fidelidade, em fidedignidade.” (Isaías 25:1) Como Josué, antes dele, Isaías sabia que Jeová é fiel e confiável, e que todos os seus “conselhos” — as coisas que se propõe a fazer — são realizados. — Josué 23:14.
2. Que conselho de Jeová Isaías enuncia a seguir, e qual pode ter sido o alvo desse conselho?
2 Os conselhos de Jeová incluíam declarações de julgamento contra os inimigos de Israel. A seguir, Isaías enuncia uma dessas declarações: “Fizeste uma cidade em um montão de pedras, uma vila fortificada, em uma ruína desmoronada, uma torre de habitação de estranhos, para não ser cidade, que não será reconstruída mesmo por tempo indefinido.” (Isaías 25:2) Qual era essa cidade não identificada? Isaías podia estar se referindo a Ar de Moabe — Moabe era inimiga de longa data do povo de Deus.a Ou a outra cidade, mais forte — Babilônia. — Isaías 15:1; Sofonias 2:8, 9.
3. De que maneira os inimigos de Jeová o glorificariam?
3 Qual seria a reação dos inimigos de Jeová por ocasião do cumprimento desse conselho contra sua cidade forte? “[Glorificar-te-ão] os que são um povo forte; a vila das nações tirânicas, eles te temerão.” (Isaías 25:3) Seria compreensível que os inimigos do Deus Todo-Poderoso o temessem. Mas como o glorificariam? Será que abandonariam seus deuses falsos e adotariam a adoração pura? Dificilmente! Em vez disso, assim como Faraó e Nabucodonosor, eles glorificariam a Jeová quando fossem compelidos a reconhecer sua sobrepujante superioridade. — Êxodo 10:16, 17; 12:30-33; Daniel 4:37.
4. Que “vila das nações tirânicas” existe atualmente, e como até ela se vê obrigada a glorificar a Jeová?
4 Atualmente, “a vila das nações tirânicas” é “a grande cidade que tem um reino sobre os reis da terra”, a saber, “Babilônia, a Grande”, o império mundial da religião falsa. (Revelação [Apocalipse] 17:5, 18) A parte principal desse império é a cristandade. Como os líderes religiosos da cristandade glorificam a Jeová? Por reconhecerem amargamente as coisas maravilhosas que Jeová tem feito em favor de suas Testemunhas. Foi especialmente em 1919 (quando Jeová restaurou a atividade dinâmica de seus servos após libertá-los do cativeiro espiritual à Babilônia, a Grande) que esses líderes “ficaram amedrontados e deram glória ao Deus do céu”. — Revelação 11:13.b
5. Como Jeová protege aqueles que têm absoluta confiança nele?
5 Embora os inimigos de Jeová fiquem atemorizados diante dele, ele é um refúgio para os mansos e humildes que querem servi-lo. Tiranos religiosos e políticos talvez tentem de tudo para quebrantar a fé dos adoradores verdadeiros, mas não conseguem porque esses têm absoluta confiança em Jeová. Com o tempo, ele facilmente silencia seus opositores, como que cobrindo o sol abrasador do deserto com uma nuvem ou bloqueando a força de um temporal com um muro. — Leia Isaías 25:4, 5.
‘Um banquete para todos os povos’
6, 7. (a) Que tipo de banquete Jeová serve, e para quem? (b) O que prefigura o banquete profetizado por Isaías?
6 Como um pai amoroso, Jeová não apenas protege, mas também alimenta seus filhos, especialmente de modo espiritual. Após libertar seu povo em 1919, ele colocou diante deles um banquete de vitória, um abundante suprimento de alimento espiritual: “Jeová dos exércitos há de fazer para todos os povos, neste monte, um banquete de pratos bem azeitados, um banquete de vinhos guardados com a borra, de pratos bem azeitados, cheios de tutano, de vinhos guardados com a borra, filtrados.” — Isaías 25:6.
7 O banquete é servido no “monte” de Jeová. O que é esse monte? É o “monte da casa de Jeová” ao qual as nações afluem “na parte final dos dias”. É o “santo monte” de Jeová, onde seus fiéis adoradores não fazem dano nem causam ruína. (Isaías 2:2; 11:9) Em seu enaltecido lugar de adoração, Jeová serve um abundante banquete para os fiéis. E as boas coisas espirituais atualmente fornecidas de maneira tão generosa prefiguram as boas coisas físicas que serão providas quando o Reino de Deus se tornar o único governo da humanidade. Então, não haverá mais fome. “Virá a haver bastante cereal na terra; no cume dos montes haverá superabundância.” — Salmo 72:8, 16.
8, 9. (a) Que dois grandes inimigos da humanidade serão removidos? Explique. (b) O que Deus fará para remover o vitupério do seu povo?
8 Aqueles que agora se servem do banquete espiritual oferecido por Deus têm perspectivas gloriosas. Ouça as próximas palavras de Isaías. Comparando o pecado e a morte a um “trabalho tecido” sufocante, ou “envoltório”, ele diz: “Neste monte [Jeová] há de tragar a face do envoltório que envolve todos os povos e o trabalho tecido que está entretecido sobre todas as nações. Ele realmente tragará a morte para sempre, e o Soberano Senhor Jeová certamente enxugará as lágrimas de todas as faces.” — Isaías 25:7, 8a.
9 Realmente, não haverá mais pecado nem morte! (Revelação 21:3, 4) Além disso, o vitupério e a calúnia que os servos de Jeová têm suportado por milhares de anos também serão removidos. “De toda a terra ele tirará o vitupério de seu povo, pois o próprio Jeová falou isso.” (Isaías 25:8b) Como acontecerá isso? Jeová removerá a fonte do vitupério, Satanás e sua semente. (Revelação 20:1-3) Não é de admirar que o povo de Deus seja levado a exclamar: “Eis! Este é o nosso Deus. Pusemos nossa esperança nele, e ele nos salvará. Este é Jeová. Pusemos nossa esperança nele. Jubilemos e alegremo-nos na salvação por ele.” — Isaías 25:9.
Os altivos foram rebaixados
10, 11. Que tratamento duro Jeová reservava para Moabe?
10 Jeová salvaria os de seu povo que demonstrassem humildade. Contudo, o vizinho de Israel, Moabe, era orgulhoso e Jeová detesta o orgulho. (Provérbios 16:18) Assim, Moabe estava fadado à humilhação. “A mão de Jeová pousará sobre este monte e Moabe terá de ser trilhado no seu lugar, como quando se trilha um monte de palha na estrumeira. E ele terá de bater com as suas mãos no meio dele, assim como quando o nadador bate com elas para nadar, e terá de rebaixar a sua altivez com os movimentos intricados das suas mãos. E a praça forte, com as tuas altas muralhas de proteção, ele terá de pôr abaixo; terá de rebaixá-la, de pô-la em contato com a terra, ao pó.” — Isaías 25:10-12.
11 A mão de Jeová ‘pousaria’ de modo protetor sobre seu monte santo. No entanto, iria bater na arrogante Moabe, e ela seria trilhada assim como se faz numa “estrumeira”. Na época de Isaías, a palha era pisada junto com montes de esterco para produzir fertilizante; assim, Isaías predisse a humilhação de Moabe apesar de suas muralhas altas e aparentemente seguras.
12. Por que se escolheu Moabe como alvo do conselho de julgamento de Jeová?
12 Por que Jeová escolheu Moabe como alvo desse duro conselho? Os moabitas eram descendentes de Ló, sobrinho de Abraão e adorador de Jeová. Por isso, eles não eram apenas vizinhos, mas também parentes da nação pactuada de Deus. Apesar disso, haviam adotado deuses falsos e demonstrado ferrenha inimizade para com Israel. Eles mereciam aquele destino. Nisso, Moabe se igualava aos atuais inimigos dos servos de Jeová. Aquela nação era especialmente parecida com a cristandade, que afirma ter raízes na congregação cristã do primeiro século, mas que, como já visto, é a parte principal de Babilônia, a Grande.
Um cântico de salvação
13, 14. Que “cidade forte” o povo de Deus tem atualmente, e a quem se permite entrar nela?
13 Que dizer do povo de Deus? Emocionados por terem o favor e a proteção de Jeová, eles elevariam as vozes num cântico. “Naquele dia se cantará este cântico na terra de Judá: ‘Temos uma cidade forte. Ele põe a própria salvação por muralha e por escarpa. Abri os portões, para que entre a nação justa que mantém uma conduta fiel.’” (Isaías 26:1, 2) Apesar de não haver dúvidas de que essas palavras se cumpriram nos tempos antigos, é claro que também se cumprem atualmente. A “nação justa” de Jeová, o Israel espiritual, tem uma organização forte, semelhante a uma cidade. Isso é motivo para ficar alegre e cantar.
14 Que tipo de pessoa entra nessa “cidade”? O cântico responde: “Resguardarás em contínua paz a inclinação bem firmada, porque é em ti que se faz a pessoa confiar. Confiai em Jeová para todo o sempre, pois em Jah Jeová está a Rocha dos tempos indefinidos.” (Isaías 26:3, 4) “A inclinação” que Jeová resguarda é o desejo de obedecer aos seus princípios justos e de confiar nele e não nos cambaleantes sistemas comercial, político e religioso do mundo. “Jah Jeová” é a única Rocha de segurança confiável. Os que têm plena confiança em Jeová recebem sua proteção e usufruem “contínua paz”. — Provérbios 3:5, 6; Filipenses 4:6, 7.
15. Como foi rebaixada a “vila elevada” nos tempos modernos, e de que maneira “os pés do atribulado” a pisam?
15 Que contraste com o que acontece com os inimigos do povo de Deus! “Ele pôs abaixo os que habitavam na altura, na vila elevada. Ele a rebaixa, ele a rebaixa até a terra; ele a traz em contato com o pó. O pé a pisará, os pés do atribulado, as pisadas dos de condição humilde.” (Isaías 26:5, 6) Novamente, Isaías podia estar se referindo aqui a uma “vila elevada” em Moabe ou a alguma outra cidade, como Babilônia, que certamente era elevada no sentido de ser altiva. Em qualquer caso, Jeová inverteria a situação da “vila elevada” e os ‘de condição humilde e atribulados’ de seu povo a pisariam. Atualmente, essa profecia se ajusta bem a Babilônia, a Grande, em especial à cristandade. Em 1919, essa “vila elevada” foi forçada a libertar o povo de Jeová — uma queda humilhante — e eles, por sua vez, têm pisado sobre aquela que anteriormente os mantinha cativos. (Revelação 14:8) Como? Por anunciarem publicamente a vindoura vingança de Jeová contra ela. — Revelação 8:7-12; 9:14-19.
Anelo pela justiça e pela “recordação” de Jeová
16. Que excelente exemplo de devoção Isaías estabeleceu?
16 Após esse cântico triunfante, Isaías revelou a profundidade de sua própria devoção e as recompensas de servir ao Deus de justiça. (Leia Isaías 26:7-9.) O profeta forneceu um excelente exemplo de ‘esperar em Jeová’ e de ter um profundo anelo pelo “nome” e pela “recordação” de Jeová. O que é a recordação de Jeová? Êxodo 3:15 diz: “Jeová . . . é o meu nome por tempo indefinido e esta é a recordação de mim por geração após geração.” Isaías prezava o nome de Jeová e tudo o que ele representa, incluindo Suas normas e modos justos. Os que cultivam similar amor por Jeová têm a garantia de suas bênçãos. — Salmo 5:8; 25:4, 5; 135:13; Oseias 12:5.
17. Que privilégios serão negados aos perversos?
17 Mas nem todos amam a Jeová e suas normas elevadas. (Leia Isaías 26:10.) Os perversos, mesmo quando convidados, recusam-se obstinadamente a aprender a justiça a fim de entrar na “terra da direiteza”, a terra ocupada pelos servos de Jeová, que são direitos em sentido espiritual e moral. Consequentemente, o iníquo “não verá a alteza de Jeová”. Não viverá para usufruir as bênçãos que fluirão para a humanidade após a santificação do nome de Jeová. Mesmo no novo mundo, quando toda a Terra se transformar numa ‘terra de direiteza’, alguns talvez não reajam favoravelmente à benignidade de Jeová. Os nomes dessas pessoas não serão inscritos no livro da vida. — Isaías 65:20; Revelação 20:12, 15.
18. Em que sentido alguns preferiram a cegueira espiritual nos dias de Isaías, e quando seriam forçados a ‘observar’ a Jeová?
18 “Ó Jeová, tua mão ficou elevada, mas eles não a observam. Observarão e ficarão envergonhados diante do zelo pelo teu povo. Sim, o fogo para os teus próprios adversários é que os consumirá.” (Isaías 26:11) Nos dias de Isaías, a mão de Jeová mostrou-se estar enaltecida quando Ele protegeu seu povo por agir contra os inimigos deles. Mas a maioria não reconheceu isso. Com o tempo, os que preferiram a cegueira espiritual seriam forçados a ‘observar’, ou reconhecer, a Jeová quando fossem consumidos pelo fogo de seu zelo. (Sofonias 1:18) Posteriormente, Deus disse a Ezequiel: “Terão de saber que eu sou Jeová.” — Ezequiel 38:23.
“Jeová disciplina aquele a quem ama”
19, 20. Por que e como Jeová disciplinou seu povo, e quem se beneficiou dessa disciplina?
19 Isaías sabia que qualquer medida de paz e prosperidade que seus conterrâneos usufruíssem devia-se às bênçãos de Jeová. “Ó Jeová, tu nos determinarás judicialmente a paz, porque realizaste para nós até mesmo todos os nossos trabalhos.” (Isaías 26:12) Apesar disso e de Jeová ter estendido ao seu povo a oportunidade de tornar-se “um reino de sacerdotes e uma nação santa”, Judá tinha uma história cheia de altos e baixos. (Êxodo 19:6) Repetidas vezes seu povo desviou-se para a adoração de deuses falsos. Por isso, foram disciplinados vez após vez. Mas tal disciplina era evidência do amor de Jeová, porque “Jeová disciplina aquele a quem ama”. — Hebreus 12:6.
20 Jeová muitas vezes disciplinava seu povo por permitir que outras nações, “outros amos”, o dominassem. (Leia Isaías 26:13.) Em 607 AEC, ele permitiu que os babilônios levassem seu povo ao exílio. Foram beneficiados por isso? O sofrimento em si não beneficia a pessoa. Contudo, se ela tirar uma lição do que lhe aconteceu, arrepender-se e der devoção exclusiva a Jeová, nesse caso ela se beneficiará. (Deuteronômio 4:25-31) Será que algum judeu demonstrou arrependimento piedoso? Sim. Isaías diz profeticamente: “Somente por ti faremos menção de teu nome.” Após retornarem do exílio em 537 AEC, os judeus muitas vezes precisaram ser disciplinados por causa de outros pecados, mas nunca mais foram levados a adorar deuses de pedra.
21. O que aconteceria aos que haviam oprimido o povo de Deus?
21 Que dizer dos captores de Judá? “Impotentes na morte, não se levantarão. Por isso voltaste a tua atenção para os aniquilares e para destruíres toda menção deles.” (Isaías 26:14) Babilônia sofreria por causa das crueldades infligidas à nação escolhida de Jeová. Por meio dos medos e dos persas, Jeová iria derrubar a orgulhosa Babilônia e libertar seu povo exilado. Aquela grande cidade, Babilônia, ficaria impotente, como que morta. Com o tempo, deixaria de existir.
22. Como o povo de Deus tem sido abençoado nos tempos modernos?
22 No cumprimento moderno, um restante refinado do Israel espiritual foi libertado de Babilônia, a Grande, e restabelecido no serviço de Jeová em 1919. Revitalizados, os cristãos ungidos devotaram-se zelosamente à pregação. (Mateus 24:14) Por isso, Jeová os tem abençoado com aumentos, até mesmo ajuntando uma grande multidão de “outras ovelhas” para servir com eles. (João 10:16) “Acrescentaste à nação; ó Jeová, acrescentaste à nação; glorificaste-te a ti mesmo. Estendeste para longe todos os limites da terra. Ó Jeová, durante a aflição, voltaram para ti a sua atenção; despejaram um murmúrio de orações quando receberam a tua disciplina.” — Isaías 26:15, 16.
“Eles se levantarão”
23. (a) Que notável demonstração do poder de Jeová ocorreu em 537 AEC? (b) Que demonstração similar ocorreu em 1919 EC?
23 Isaías volta a considerar a situação do reino de Judá enquanto este ainda estava no cativeiro em Babilônia. Ele compara esse reino a uma mulher em trabalho de parto, mas que não consegue dar à luz sem ajuda. (Leia Isaías 26:17, 18.) Essa ajuda chegou em 537 AEC, e o povo de Jeová retornou à sua terra natal, ansioso para reconstruir o templo e restaurar a adoração verdadeira. Era como se a nação fosse levantada dentre os mortos. “Os teus mortos viverão. Um cadáver meu — eles se levantarão. Acordai e gritai de júbilo, os que residis no pó! Pois o teu orvalho é como o orvalho das malvas, e a própria terra deixará nascer mesmo os impotentes na morte.” (Isaías 26:19) Que demonstração do poder de Jeová! Além disso, que grande demonstração de poder houve quando essas palavras se cumpriram em sentido espiritual em 1919! (Revelação 11:7-11) E nós aguardamos ansiosamente o tempo em que essas palavras se cumprirão em sentido literal, no novo mundo, e quando os impotentes na morte ‘ouvirão a voz de Jesus e sairão’ dos túmulos memoriais. — João 5:28, 29.
24, 25. (a) De que maneira é possível que os judeus em 539 AEC tenham obedecido à ordem de Jeová de esconder-se? (b) A que talvez se refiram os “quartos interiores” nos tempos modernos, e que atitude devemos cultivar para com eles?
24 No entanto, para que os fiéis usufruíssem as bênçãos espirituais prometidas por meio de Isaías, eles precisariam obedecer às ordens de Jeová: “Vai, povo meu, entra nos teus quartos interiores e fecha as tuas portas atrás de ti. Esconde-te por um instante, até que passe a verberação. Pois, eis que Jeová está saindo do seu lugar para ajustar contas pelo erro do habitante da terra contra ele, e a terra certamente exporá seu derramamento de sangue e não mais encobrirá os seus que foram mortos.” (Isaías 26:20, 21; note Sofonias 1:14.) Essa passagem pode ter tido um cumprimento inicial quando os medos e os persas, liderados pelo Rei Ciro, conquistaram Babilônia em 539 AEC. Segundo o historiador grego Xenofonte, ao entrar em Babilônia, Ciro ordenou a todos que ficassem em casa, pois sua cavalaria tinha “ordens para matar todos que encontrasse fora de casa”. Atualmente, os “quartos interiores” dessa profecia talvez se relacionem estreitamente com as dezenas de milhares de congregações do povo de Jeová em todo o mundo. Essas congregações continuarão a desempenhar um papel-chave em nossas vidas, mesmo durante a “grande tribulação”. (Revelação 7:14) É vital que mantenhamos uma atitude positiva para com a congregação e que nos associemos regularmente com ela. — Hebreus 10:24, 25.
25 O fim deste mundo de Satanás chegará em breve. Ainda não sabemos como Jeová protegerá seu povo durante aquele tempo atemorizante. (Sofonias 2:3) Contudo, temos certeza de que nossa sobrevivência dependerá de termos fé em Jeová e de sermos leais e obedientes a ele.
26. O que representava o “leviatã” nos dias de Isaías; o que representa em nossos dias, e o que acontecerá a esse “monstro marinho”?
26 Referindo-se àquele tempo, Isaías profetiza: “Naquele dia, Jeová, com a sua espada dura, e grande, e forte, voltará sua atenção para o leviatã, a serpente deslizadora, sim, para o leviatã, a serpente sinuosa, e certamente matará o monstro marinho que há no mar.” (Isaías 27:1) No cumprimento inicial, o “leviatã” referia-se aos países para os quais Israel havia sido espalhado, como Babilônia, Egito e Assíria. Esses países não seriam capazes de impedir que o povo de Jeová retornasse à sua terra natal no tempo devido. Mas a quem representa o leviatã atualmente? Parece ser Satanás — “a serpente original” — e seu perverso sistema terrestre, o instrumento que ele usa para guerrear contra o Israel espiritual. (Revelação 12:9, 10; 13:14, 16, 17; 18:24) Em 1919, o “leviatã” perdeu o domínio que exercia sobre o povo de Deus e, em breve, desaparecerá por completo quando Jeová ‘certamente matar o monstro marinho’. No ínterim, nada que o “leviatã” possa tentar fazer contra o povo de Jeová será realmente bem-sucedido. — Isaías 54:17.
“Uma vinha de vinho espumante”
27, 28. (a) Com o que a vinha de Jeová tem enchido a Terra inteira? (b) Como Jeová protege a sua vinha?
27 Com outro cântico, Isaías passa a ilustrar belamente a produtividade do povo liberto de Jeová: “Naquele dia cantai para ela: ‘Uma vinha de vinho espumante! Eu, Jeová, a resguardo. A todo instante a regarei. Para que ninguém volte a sua atenção contra ela, resguardá-la-ei mesmo noite e dia.’” (Isaías 27:2, 3) O restante do Israel espiritual e seus diligentes companheiros têm realmente enchido a Terra com frutos espirituais. Isso é motivo para comemorar — para cantar. O mérito disso tudo cabe a Jeová, que cuida amorosamente de sua vinha. — Note João 15:1-8.
28 Realmente, a ira de Jeová fora substituída por alegria. “Não tenho furor algum. Quem me dará espinheiros e ervas daninhas na batalha? Vou pisar em tais. Ao mesmo tempo vou pôr fogo a tais. Senão, que tome o meu baluarte, que faça paz comigo; faça ele paz comigo.” (Isaías 27:4, 5) Para garantir que suas videiras continuassem a produzir uma abundância de “vinho espumante”, Jeová esmagaria e consumiria como que com fogo qualquer influência semelhante a ervas daninhas que pudesse corromper sua vinha. Assim, que ninguém coloque em perigo o bem-estar da congregação cristã! Em vez disso, que todos ‘tomem o baluarte de Jeová’, procurando obter seu favor e proteção! Por agirem assim, fazem as pazes com Deus — algo tão importante que Isaías menciona duas vezes. O resultado? “Nos dias vindouros, Jacó lançará raízes, Israel produzirá flores e realmente florescerá; e eles simplesmente encherão de produtos a superfície do solo produtivo.” (Isaías 27:6)c O cumprimento desse versículo é uma evidência maravilhosa do poder de Jeová. Desde 1919, os cristãos ungidos têm enchido a Terra com “produtos”, nutritivo alimento espiritual. Como resultado, têm recebido o apoio de milhões de leais das outras ovelhas que, junto com eles, “prestam [a Deus] serviço sagrado, dia e noite”. (Revelação 7:15) Em meio a um mundo corrupto, eles seguem alegremente os elevados padrões de Jeová. E ele continua a abençoá-los com aumentos. Que nunca nos esqueçamos do grande privilégio de participar dos “produtos” e de partilhá-los com outros por louvarmos a Jeová.
[Nota(s) de rodapé]
a O nome Ar provavelmente significa “Cidade”.
c Isaías 27:7-13 é considerado no quadro da página 285.
[Quadro na página 285]
“Uma grande buzina” anunciaria liberdade
Em 607 AEC, as dores de Judá aumentaram quando Jeová disciplinou sua obstinada nação com o golpe do exílio. (Leia Isaías 27:7-11.) O erro da nação era grande demais para ser expiado por sacrifícios de animais. Portanto, assim como alguém poderia espalhar ovelhas ou cabritos com “um grito para assustar”, ou um vento forte poderia ‘soprar’ folhas, Jeová expulsaria Israel de sua terra natal. Dali em diante, mesmo povos frágeis, simbolizados pelo sexo feminino, conseguiriam explorar o que restasse no país.
No entanto, chegaria o tempo para Jeová libertar seu povo do cativeiro. Ele os libertaria assim como um agricultor pode, por assim dizer, libertar olivas presas em árvores. “Naquele dia terá de acontecer que Jeová abaterá os frutos, desde o caudal do Rio [Eufrates] até o vale da torrente do Egito, e assim vós mesmos sereis apanhados um após outro, ó filhos de Israel. E naquele dia terá de acontecer que se tocará uma grande buzina, e os que estiverem perecendo na terra da Assíria e os que estiverem dispersos na terra do Egito certamente chegarão e se curvarão diante de Jeová no santo monte em Jerusalém.” (Isaías 27:12, 13) Após sua vitória em 539 AEC, Ciro emitiu um decreto libertando todos os judeus em seu império, o que incluía os que estavam na Assíria e no Egito. (Esdras 1:1-4) Era como se soasse “uma grande buzina”, ecoando um hino de liberdade para o povo de Deus.
[Fotos na página 275]
“Um banquete de pratos bem azeitados”
[Foto na página 277]
Babilônia seria pisada pelos que eram prisioneiros nela
[Foto na página 278]
“Entra nos teus quartos interiores”
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Isaías prediz o ‘ato estranho’ de JeováProfecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Vinte e Dois
Isaías prediz o ‘ato estranho’ de Jeová
1, 2. Por que Israel e Judá se sentiam seguras?
POR um breve momento, as nações de Israel e de Judá sentiam-se seguras. Procurando obter segurança num mundo perigoso, seus líderes haviam forjado alianças políticas com nações maiores e mais poderosas. Samaria, a capital de Israel, havia recorrido à vizinha Síria, ao passo que Jerusalém, a capital de Judá, havia depositado sua esperança na impiedosa Assíria.
2 Além de depositarem confiança em novos aliados políticos, alguns no reino setentrional talvez esperassem que Jeová os protegesse — apesar de continuarem a usar bezerros de ouro na adoração. Judá também estava convencida de que podia contar com a proteção de Jeová. Afinal, o templo de Jeová não ficava na sua capital, Jerusalém? Contudo, ambas as nações se deparariam com eventos inesperados. Jeová inspirou Isaías a predizer acontecimentos que pareceriam realmente estranhos para seu povo obstinado. E suas palavras contêm lições vitais para todos atualmente.
Os “ébrios de Efraim”
3, 4. De que se orgulhava o reino setentrional de Israel?
3 Isaías começa sua profecia com palavras surpreendentes: “Ai da coroa altaneira dos ébrios de Efraim e da flor desvanecente do seu ornato de beleza que está na cabeceira do vale fértil dos que foram vencidos pelo vinho! Eis que Jeová tem alguém forte e vigoroso. Qual temporal trovejante de saraiva, . . . ele certamente lançará por terra com força. Com os pés serão pisadas as coroas altaneiras dos ébrios de Efraim.” — Isaías 28:1-3.
4 Efraim, a mais importante das dez tribos setentrionais, passou a representar o inteiro reino de Israel. Sua capital, Samaria, ficava “na cabeceira do vale fértil”, um local belo e estratégico. Os líderes de Efraim tinham orgulho de sua “coroa altaneira” de independência do reinado davídico em Jerusalém. Mas eles eram “ébrios”, espiritualmente embriagados por causa de sua aliança com a Síria contra Judá. Tudo o que prezavam estava para ser pisado pelos invasores. — Note Isaías 29:9.
5. Qual era a situação precária de Israel, mas que esperança apresentou Isaías?
5 Efraim não se dava conta de sua situação precária. Isaías continua: “A flor desvanecente do seu ornato de beleza, que está na cabeceira do vale fértil, terá de tornar-se como o figo temporão antes do verão, o qual, vendo-o aquele que o vê, ele engole enquanto ainda está na palma da sua mão.” (Isaías 28:4) Efraim cairia nas mãos da Assíria, um saboroso petisco a ser consumido numa única mordida. Quer dizer então que não havia esperança? Bem, como acontece muitas vezes, as profecias de condenação de Isaías são temperadas com esperança. Embora a nação viesse a cair, algumas pessoas fiéis sobreviveriam com a ajuda de Jeová. “Jeová dos exércitos tornar-se-á como coroa de ornato e como grinalda de beleza para os remanescentes do seu povo, e como espírito de justiça para o sentado em julgamento, e como potência para os que fazem recuar a batalha do portão.” — Isaías 28:5, 6.
Eles “perderam-se”
6. Quando Israel foi destruída, mas por que Judá não devia alegrar-se com isso?
6 O ajuste de contas com Samaria chegou em 740 AEC, quando os assírios devastaram o país e o reino setentrional deixou de existir como nação independente. E Judá? Sua terra seria invadida pela Assíria e, posteriormente, Babilônia destruiria sua capital. Mas nos dias de Isaías, o templo e o sacerdócio de Judá permaneceriam operantes e seus profetas continuariam a profetizar. Deveria Judá alegrar-se com a vindoura destruição de seu vizinho setentrional? Certamente que não! Jeová também ajustaria contas com Judá e seus líderes por causa de sua desobediência e falta de fé.
7. De que maneira estavam embriagados os líderes de Judá, e com que resultados?
7 Dirigindo sua mensagem a Judá, Isaías continua: “E também estes — por causa do vinho, perderam-se, e por causa da bebida inebriante, andaram vagueando. Sacerdote e profeta — perderam-se por causa da bebida inebriante, ficaram confusos em resultado do vinho, andaram vagueando em resultado da bebida inebriante; perderam-se na sua visão, vacilaram quanto à decisão. Porque as próprias mesas ficaram todas cheias de vômito asqueroso — não há lugar sem ele.” (Isaías 28:7, 8) Quão enojante! A bebedeira literal na casa de Deus já seria ruim. Mas aqueles sacerdotes e profetas estavam espiritualmente embriagados — suas mentes estavam anuviadas pelo excesso de confiança em aliados humanos. Eles haviam enganado a si mesmos pensando que agiam da maneira mais prática, talvez acreditando que tinham um segundo plano, caso a proteção de Jeová não fosse suficiente. Em sua embriaguez espiritual, aqueles líderes religiosos vomitavam expressões impuras e revoltantes, que denunciavam sua grave falta de fé genuína nas promessas de Deus.
8. Qual foi a reação à mensagem de Isaías?
8 Como os líderes de Judá reagiram ao aviso de Jeová? Eles zombaram de Isaías, acusando-o de dirigir-se a eles como se fossem crianças. “A quem se instruirá em conhecimento e a quem se fará compreender o que se ouviu? Os que foram desmamados do leite, os que foram afastados dos peitos? Pois é ‘ordem sobre ordem, ordem sobre ordem, cordel de medir sobre cordel de medir, cordel de medir sobre cordel de medir, um pouco aqui, um pouco ali’.” (Isaías 28:9, 10) As palavras de Isaías soavam muito repetitivas e estranhas para eles. Ele ficava repetindo: ‘Isso é o que Jeová ordenou! Isso é o que Jeová ordenou! Essa é a norma de Jeová! Essa é a norma de Jeová!’a Mas, logo, Jeová ‘falaria’ aos habitantes de Judá por meio de ação. Enviaria contra eles os exércitos de Babilônia — estrangeiros que realmente falavam um idioma diferente. Esses exércitos certamente executariam a “ordem sobre ordem” de Jeová, e Judá cairia. — Leia Isaías 28:11-13.
Ébrios espirituais hoje
9, 10. Quando e como as palavras de Isaías se aplicariam a gerações posteriores?
9 Cumpriram-se as profecias de Isaías somente nos antigos Israel e Judá? De forma alguma! Tanto Jesus quanto Paulo citaram as palavras de Isaías e as aplicaram à nação dos seus dias. (Isaías 29:10, 13; Mateus 15:8, 9; Romanos 11:8) Também hoje existe uma situação semelhante à dos dias de Isaías.
10 Em nossos dias, são os líderes religiosos da cristandade que confiam na política. Ficam cambaleando como os ébrios de Israel e de Judá, interferindo nos assuntos políticos, e gostam de ser consultados pelos chamados grandes deste mundo. Em vez de falarem as verdades puras da Bíblia, falam impurezas. Sua visão espiritual está embaçada, e eles não são guias seguros para a humanidade. — Mateus 15:14.
11. Como os líderes da cristandade reagem às boas novas do Reino de Deus?
11 Como reagem os líderes da cristandade quando as Testemunhas de Jeová lhes chamam a atenção para a única esperança verdadeira, o Reino de Deus? Eles não entendem. Para eles, as Testemunhas de Jeová parecem estar balbuciando repetições como bebês. Os líderes religiosos menosprezam esses mensageiros e zombam deles. Como os judeus dos dias de Jesus, eles não querem o Reino de Deus e também não querem que seus rebanhos ouçam a respeito dele. (Mateus 23:13) Por isso, são avisados de que Jeová não falará para sempre por meio de mensageiros inofensivos. Virá o tempo em que aqueles que não se sujeitam ao Reino de Deus serão ‘quebrados, enlaçados e apanhados’, sim, completamente destruídos.
“Um pacto com a Morte”
12. O que era o suposto “pacto com a Morte” de Judá?
12 Isaías continua seu pronunciamento: “Dissestes: ‘Concluímos um pacto com a Morte; e realizamos uma visão com o Seol; a enxurrada transbordante, caso ela passe, não chegará a nós, pois fizemos da mentira o nosso refúgio e nos escondemos na falsidade.’” (Isaías 28:14, 15) Os líderes de Judá gabavam-se de que suas alianças políticas poderiam protegê-los da derrota. Eles achavam que haviam feito “um pacto com a Morte” para deixá-los em paz. Mas seu falso refúgio não os protegeria. Suas alianças não passavam de uma mentira, uma falsidade. De maneira similar, hoje, o estreito relacionamento da cristandade com os líderes do mundo não a protegerá quando chegar o tempo de Jeová fazer um ajuste de contas com ela. Na verdade, esse relacionamento a levará à ruína. — Revelação (Apocalipse) 17:16, 17.
13. Quem é a “pedra provada”, e como a cristandade a tem rejeitado?
13 Para onde, então, deviam esses líderes religiosos voltar sua atenção? Isaías registra a seguir a promessa de Jeová: “Eis que lanço por alicerce em Sião uma pedra, uma pedra provada, ângulo precioso de um alicerce seguro. Ninguém que exercer fé ficará em pânico. E eu vou fazer do juízo o cordel de medir e da justiça o nível; e a saraiva terá de arrasar o refúgio da mentira e as águas é que levarão de enxurrada o próprio esconderijo.” (Isaías 28:16, 17) Não muito tempo depois de Isaías dizer isso, o Rei Ezequias foi entronizado em Sião, e seu reino foi salvo, não por aliados vizinhos, mas pela intervenção de Jeová. Contudo, essas palavras inspiradas não se cumpriram em Ezequias. Citando as palavras de Isaías, o apóstolo Pedro mostrou que Jesus Cristo, um descendente distante de Ezequias, é a “pedra provada” e que ninguém que exercer fé Nele precisa temer alguma coisa. (1 Pedro 2:6) É muito triste que os líderes da cristandade, apesar de se chamarem cristãos, façam o que Jesus se recusou a fazer. Em vez de esperarem que Jeová estabeleça seu Reino sob o Rei Jesus Cristo, eles buscam destaque e poder neste mundo. — Mateus 4:8-10.
14. Quando seria dissolvido o “pacto com a Morte” de Judá?
14 Quando a “enxurrada transbordante” dos exércitos de Babilônia passasse pelo país, Jeová exporia o refúgio político de Judá como mentira. “Vosso pacto com a Morte há de ser dissolvido”, diz Jeová. “A enxurrada transbordante, quando passar — então tereis de tornar-vos para ela um lugar pisado. Quantas vezes ela passar . . . terá de tornar-se nada mais que uma razão para estremecimento, para fazer outros compreender o que se ouviu.” (Isaías 28:18, 19) Realmente, podemos aprender uma importante lição do que aconteceu com os que afirmavam servir a Jeová, mas que confiavam em alianças com as nações.
15. Como Isaías ilustra o caráter inadequado da proteção de Judá?
15 Considere a situação daqueles líderes de Judá. “O leito mostrou-se curto demais para se estirar nele, e o próprio lençol tecido é demasiado estreito para se enrolar nele.” (Isaías 28:20) Era como se eles se deitassem, em vão, para descansar. Seus pés ficariam descobertos, no frio, ou então eles encolheriam as pernas e a coberta seria estreita demais para envolvê-los e mantê-los aquecidos. Essa era a situação desconfortável nos dias de Isaías. E é a situação de qualquer pessoa que hoje confia no enganoso refúgio da cristandade. É revoltante ver o envolvimento de alguns líderes religiosos da cristandade na política, o que os faz ter certa culpa em atrocidades terríveis, como faxinas étnicas e genocídios.
O ‘ato estranho’ de Jeová
16. Qual seria o ‘ato estranho’ de Jeová, e por que isso seria uma obra incomum?
16 O desfecho dos acontecimentos seria completamente contrário às expectativas dos líderes religiosos de Judá. Jeová faria algo estranho aos ébrios espirituais de Judá. “Jeová se levantará assim como no monte Perazim, ficará agitado como na baixada perto de Gibeão, para fazer o seu ato — seu ato é estranho — e para executar a sua obra — sua obra é incomum.” (Isaías 28:21) Nos dias do Rei Davi, Jeová deu ao seu povo vitórias notáveis sobre os filisteus no monte Perazim e na baixada de Gibeão. (1 Crônicas 14:10-16) Nos dias de Josué, ele até mesmo fez com que o sol ficasse parado sobre Gibeão para que Israel pudesse completar sua vitória sobre os amorreus. (Josué 10:8-14) Isso foi muito incomum! Jeová lutaria novamente, mas dessa vez seria contra os que diziam ser seu povo. Poderia algo ser mais estranho ou incomum do que isso? Não, em vista do fato de que Jerusalém era o centro da adoração de Jeová e a cidade de seu rei ungido. Até então, a casa real de Davi, em Jerusalém, nunca havia sido derrubada. No entanto, Jeová certamente realizaria seu ‘ato estranho’. — Note Habacuque 1:5-7.
17. Que efeito teriam as zombarias no cumprimento da profecia de Isaías?
17 Por isso Isaías adverte: “Não vos mostreis zombadores, para que as vossas ligaduras não se tornem fortes, pois há um extermínio, sim, algo determinado, de que ouvi falar da parte do Soberano Senhor, Jeová dos exércitos, para toda a terra.” (Isaías 28:22) Embora os líderes zombassem dela, a mensagem de Isaías era verdadeira. Ele a havia recebido de Jeová, com quem aqueles líderes estavam numa relação pactuada. De maneira similar hoje, os líderes religiosos da cristandade zombam quando ouvem falar do ‘ato estranho’ de Jeová, e chegam até a esbravejar contra Seu povo. Mas a mensagem que as Testemunhas de Jeová proclamam é verdadeira. É encontrada na Bíblia, um livro que esses líderes religiosos afirmam representar.
18. Como Isaías ilustra o equilíbrio de Jeová ao aplicar a disciplina?
18 Quanto às pessoas sinceras que não seguiam aqueles líderes, Jeová as reajustaria e traria de volta ao seu favor. (Leia Isaías 28:23-29.) Assim como um agricultor usa métodos mais suaves para debulhar grãos mais delicados, como o cominho, Jeová também adapta sua disciplina às circunstâncias e às pessoas. Ele nunca é arbitrário ou opressivo, mas age tendo em vista a potencial reabilitação dos que erram. Realmente, havia esperança para as pessoas que atendessem o apelo de Jeová. Também hoje, apesar de o destino da cristandade como um todo estar selado, qualquer pessoa que se sujeitar ao Reino de Jeová pode evitar o vindouro julgamento adverso.
Ai de Jerusalém!
19. De que maneira Jerusalém se tornaria uma “lareira do altar”, e quando e como isso aconteceu?
19 Mas sobre o que Jeová falou a seguir? “Ai de Ariel, de Ariel, a vila onde Davi se acampou! Acrescentai ano a ano; deixai as festividades correr o ciclo. E terei de fazer as coisas apertadas para Ariel, e terá de chegar a haver luto e lamentação, e ela terá de tornar-se para mim como a lareira do altar de Deus.” (Isaías 29:1, 2) “Ariel” possivelmente significa “A Lareira do Altar de Deus”, e aqui evidentemente refere-se a Jerusalém. Era ali que se localizava o templo com seu altar para sacrifícios. Também era o local em que os judeus seguiam a rotina de celebrar festividades e oferecer sacrifícios, mas Jeová não se agradava de sua adoração. (Oseias 6:6) Ao contrário, ele decretou que a própria cidade se tornaria uma “lareira do altar” num sentido diferente. Assim como um altar, haveria sangue escorrendo dela e ela ficaria sujeita ao fogo. Jeová até mesmo descreveu como isso aconteceria. “Terei de acampar-me contra ti em todos os lados, e terei de sitiar-te com uma paliçada e erigir contra ti obras de sítio. E terás de ficar rebaixada de modo que falarás desde a própria terra, e tua declaração soará baixo, como que do pó.” (Isaías 29:3, 4) Isso se cumpriu para Judá e Jerusalém em 607 AEC, quando o exército babilônico sitiou e destruiu a cidade e queimou o templo. Jerusalém foi rebaixada ao nível do solo sobre o qual estava construída.
20. Qual seria o destino dos inimigos de Deus?
20 Antes daquela ocasião fatídica, de tempos em tempos Judá tinha um rei que obedecia à Lei de Jeová. O que acontecia então? Jeová lutava em favor de seu povo. Embora os inimigos talvez enchessem o país, eles se tornavam como “poeira fina” e “restolho”. Em seu próprio tempo, Jeová os dispersava “com trovão e com tremor, e com um grande ruído, com tufão e tormenta, e com a chama dum fogo devorador”. — Isaías 29:5, 6.
21. Explique a ilustração em Isaías 29:7, 8.
21 Exércitos inimigos talvez estivessem na expectativa de saquear Jerusalém e fartar-se com os despojos de guerra. Mas eles teriam uma surpresa desagradável. Como um homem faminto que sonha estar se banqueteando e então acorda mais faminto do que nunca, os inimigos de Jeová não usufruiriam do banquete que tanto ansiavam. (Leia Isaías 29:7, 8.) Analise o que aconteceu quando o exército assírio, sob Senaqueribe, ameaçou Jerusalém nos dias do fiel Rei Ezequias. (Isaías, capítulos 36 e 37) Em uma noite, sem que um humano levantasse a mão, a amedrontadora máquina de guerra assíria foi rechaçada — 185 mil de seus valentes guerreiros foram mortos. Os sonhos de conquista serão novamente frustrados quando a máquina de guerra de Gogue de Magogue se mobilizar contra o povo de Jeová no futuro próximo. — Ezequiel 38:10-12; 39:6, 7.
22. Como a nação de Judá foi afetada por sua embriaguez espiritual?
22 Na época em que Isaías declarou essa parte da profecia, os líderes de Judá não tinham a mesma fé que Ezequias tinha. Estavam espiritualmente entorpecidos por causa das alianças que haviam feito com nações ímpias. “Demorai-vos, e ficai pasmados; cegai-vos, e ficai cegos. Ficaram embriagados, mas não de vinho; cambalearam, mas não por causa de bebida inebriante.” (Isaías 29:9) Por estarem espiritualmente embriagados, aqueles líderes não conseguiam discernir o significado da visão dada ao verdadeiro profeta de Jeová. Isaías declara: “Jeová tem derramado sobre vós um espírito de profundo sono; e ele fecha os vossos olhos, os profetas, e encobriu até mesmo as vossas cabeças, os visionários. E para vós, a visão de tudo torna-se igual às palavras do livro que foi selado, que se entrega a alguém que sabe escrever, dizendo: ‘Lê isto em voz alta, por favor’, e ele tem de dizer: ‘Não posso, pois está selado’; e o livro tem de ser dado a alguém que não conhece a escrita, dizendo-se: ‘Lê isto em voz alta, por favor’, e ele tem de dizer: ‘Não sei nada de escrita.’” — Isaías 29:10-12.
23. Por que Jeová chamaria Judá a um acerto de contas, e como faria isso?
23 Os líderes religiosos de Judá afirmavam ser espiritualmente criteriosos, mas haviam abandonado a Jeová. Divulgavam suas próprias ideias deturpadas sobre o certo e o errado, justificando sua conduta infiel e imoral e o fato de levarem o povo ao desfavor de Deus. Por meio de “algo maravilhoso” — seu ‘ato estranho’ — Jeová os chamaria a prestar contas por sua hipocrisia. Ele disse: “Visto que este povo se aproxima com a sua boca, e eles me glorificaram apenas com os seus lábios e removeram seu próprio coração para longe de mim, e seu temor para comigo se torna mandamento de homens, que está sendo ensinado, por isso, eis-me aqui, Aquele que de novo agirá maravilhosamente com este povo, dum modo maravilhoso e com algo maravilhoso; e terá de perecer a sabedoria dos seus sábios e se esconderá a própria compreensão dos seus homens discretos.” (Isaías 29:13, 14) As pretensas sabedoria e compreensão de Judá pereceriam quando Jeová manobrasse as coisas para que o inteiro sistema religioso apóstata fosse eliminado pela Potência Mundial Babilônica. O mesmo aconteceu no primeiro século, depois que os supostamente sábios líderes dos judeus desencaminharam a nação. Algo similar acontecerá à cristandade em nossos dias. — Mateus 15:8, 9; Romanos 11:8.
24. Como os judeus revelaram sua falta de temor a Deus?
24 Mas, àquela altura, os jactanciosos líderes de Judá acreditavam que eram bastante espertos para se safar das consequências de terem pervertido a adoração verdadeira. Eram mesmo? Isaías os desmascara, mostrando que lhes faltava o verdadeiro temor a Deus e, assim, não tinham verdadeira sabedoria: “Ai dos que se aprofundam muito em esconder o conselho diante do próprio Jeová, e cujos atos ocorreram num lugar escuro, ao passo que dizem: ‘Quem é que nos vê e quem é que sabe de nós?’ A perversidade de vós, homens! Deve o próprio oleiro ser considerado igual ao barro? Acaso deve a coisa feita dizer referente àquele que a fez: ‘Ele não me fez’? E acaso a própria coisa formada diz realmente referente àquele que a formou: ‘Ele não mostrou entendimento’?” (Isaías 29:15, 16; note o Salmo 111:10.) Apesar de acharem que estavam bem “escondidos”, eles estavam ‘nus e abertamente expostos’ aos olhos de Deus. — Hebreus 4:13.
“Os surdos hão de ouvir”
25. Em que sentido “os surdos” ouviriam?
25 Contudo, haveria salvação para quem exercesse fé. (Leia Isaías 29:17-24; note Lucas 7:22.) “Os surdos” haveriam de “ouvir as palavras do livro”, a mensagem da Palavra de Deus. Sim, essa não seria uma cura da surdez física. Tratava-se de uma cura espiritual. Isaías apontava novamente para o estabelecimento do Reino Messiânico de Deus e a restauração da adoração verdadeira na Terra pelo domínio do Messias. Isso aconteceu em nosso tempo, e milhões de pessoas sinceras estão se deixando corrigir por Jeová e aprendendo a louvá-lo. Que emocionante cumprimento! Finalmente, virá o dia em que todos, toda coisa vivente, louvará a Jeová e santificará seu santo nome. — Salmo 150:6.
26. Que lembretes espirituais os “surdos” ouvem atualmente?
26 O que aprendem atualmente esses “surdos” que ouvem a Palavra de Deus? Aprendem que todos os cristãos, especialmente os que a congregação encara como exemplos, devem escrupulosamente evitar ‘perder-se por causa da bebida inebriante’. (Isaías 28:7) Além disso, jamais devemos nos cansar de ouvir os lembretes de Deus, que nos ajudam a ter um conceito espiritual sobre todas as coisas. Apesar de os cristãos estarem apropriadamente sujeitos às autoridades governamentais e recorrerem a elas para obter certos serviços, a salvação não vem do mundo secular, mas de Jeová Deus. Também, jamais devemos nos esquecer de que assim como se deu no caso da Jerusalém apóstata, esta geração não escapará da execução do julgamento de Deus. Apesar de oposição, com a ajuda de Jeová podemos continuar a proclamar seu aviso, como fez Isaías. — Isaías 28:14, 22; Mateus 24:34; Romanos 13:1-4.
27. Que lições os cristãos podem aprender da profecia de Isaías?
27 Os anciãos e os pais podem aprender da maneira de Jeová disciplinar, sempre procurando restabelecer os errantes no favor de Deus, e não simplesmente puni-los. (Isaías 28:26-29; note Jeremias 30:11.) E todos nós, incluindo os jovens, somos relembrados de como é vital servir a Jeová de coração, não simplesmente fingindo ser cristãos a fim de agradar a homens. (Isaías 29:13) Devemos mostrar que, ao contrário dos habitantes sem fé de Judá, temos temor saudável de Jeová e profundo respeito por ele. (Isaías 29:16) Além disso, precisamos demonstrar que estamos dispostos a ser corrigidos por Jeová e aprender dele. — Isaías 29:24.
28. Como os servos de Jeová encaram Seus atos salvadores?
28 É muito importante ter fé e confiança em Jeová e na sua maneira de fazer as coisas. (Note o Salmo 146:3.) Para a maioria das pessoas, a mensagem de aviso que pregamos soa infantil. A ideia da futura destruição de uma organização que afirma servir a Deus, a cristandade, é estranha e incomum. Mas Jeová realizará seu ‘ato estranho’. Não pode haver dúvida sobre isso. Assim, nestes últimos dias deste sistema mundial, os servos de Deus confiam plenamente em seu Reino e em seu Rei designado, Jesus Cristo. Eles sabem que os atos salvadores de Jeová — junto com a sua ‘obra incomum’ — trarão bênçãos eternas a toda a humanidade obediente.
[Nota(s) de rodapé]
a No hebraico original, Isaías 28:10 é uma rima repetitiva, bem parecida com um verso para crianças. Assim, os líderes religiosos consideravam a mensagem de Isaías repetitiva e infantil.
[Fotos na página 289]
Em vez de confiar em Deus, a cristandade tem confiado em alianças com governantes humanos
[Foto na página 290]
Jeová realizou seu ‘ato estranho’ quando permitiu que Babilônia destruísse Jerusalém
[Foto na página 298]
Aqueles que eram espiritualmente surdos podem “ouvir” a Palavra de Deus
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Fiquemos à espera de JeováProfecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Vinte e Três
Fiquemos à espera de Jeová
1, 2. (a) O que contém Isaías, capítulo 30? (b) Que perguntas consideraremos agora?
EM ISAÍAS, capítulo 30, lemos outros pronunciamentos divinos contra os perversos. No entanto, essa parte da profecia de Isaías destaca algumas das qualidades atraentes de Jeová. De fato, as características de Jeová são descritas em termos tão vívidos que podemos, por assim dizer, ver sua presença consoladora, ouvir sua voz orientadora e sentir seu toque curativo. — Isaías 30:20, 21, 26.
2 Mesmo assim, os patrícios de Isaías, os apóstatas habitantes de Judá, recusavam-se a voltar-se para Jeová. Em vez disso, confiavam no homem. O que Jeová achava disso? E como essa parte da profecia de Isaías ajuda os cristãos hoje a ficar à espera de Jeová? (Isaías 30:18) Vejamos.
Tolice e fatalidade
3. Que conspiração Jeová expõe?
3 Por algum tempo, os líderes de Judá conspiravam para achar um jeito de não caírem no jugo da Assíria. Contudo, Jeová observava isso. Agora, ele expõe a conspiração: “‘Ai dos filhos obstinados’, é a pronunciação de Jeová, ‘os que estão dispostos a executar o conselho, mas não o procedente de mim; e a derramar uma libação, mas não com o meu espírito, a fim de acrescentar pecado a pecado; os que se põem a caminho para descer ao Egito’.” — Isaías 30:1, 2a.
4. Como o povo rebelde de Deus colocou o Egito no lugar de Deus?
4 Que choque para aqueles líderes conspiradores ver que seu plano fora revelado! Viajar ao Egito para fazer uma aliança com ele era mais do que uma ação hostil contra a Assíria; era uma rebelião contra Jeová Deus. Nos dias do Rei Davi, a nação recorria a Jeová como fortaleza, e se refugiava ‘na sombra das Suas asas’. (Salmo 27:1; 36:7) Agora ela ‘se abrigava no baluarte de Faraó’ e ‘se refugiava na sombra do Egito’. (Isaías 30:2b) Havia colocado o Egito no lugar de Deus! Que traição! — Leia Isaías 30:3-5.
5, 6. (a) Por que a aliança com o Egito era um erro fatal? (b) Que anterior jornada do povo de Deus destaca a tolice dessa viagem ao Egito?
5 Como que para refutar qualquer ideia de que a missão ao Egito era uma simples visita casual, Isaías dá mais detalhes. “A pronúncia contra os animais do sul: Através da terra de aflição e de condições difíceis, do leão e do leopardo rosnante, da víbora e da cobra ardente, voadora, carregam seus recursos nos lombos de jumentos adultos e seus suprimentos nas corcovas de camelos.” (Isaías 30:6a) Obviamente, a jornada fora bem planejada. Os emissários organizaram uma caravana de camelos e jumentos carregados de bens custosos e rumaram ao Egito através de um ermo infestado de leões rosnantes e cobras venenosas. Por fim, os emissários chegaram ao destino e entregaram seus tesouros aos egípcios. Eles haviam comprado proteção — ou assim pensavam. Mas Jeová diz: “Não se mostrarão de proveito algum para o povo. E os egípcios são apenas vaidade e sua ajuda será apenas em vão. Por isso chamei a esta: ‘Raabe — são para ficar sentados quietos.’” (Isaías 30:6b, 7) “Raabe”, um “monstro marinho”, veio a simbolizar o Egito. (Isaías 51:9, 10) Ele prometia tudo, mas nada cumpria. A aliança de Judá com ele era um erro fatal.
6 Enquanto Isaías descrevia a jornada dos emissários, seus ouvintes talvez se lembrassem de uma jornada similar feita nos dias de Moisés. Os antepassados deles cruzaram esse mesmo “atemorizante ermo”. (Deuteronômio 8:14-16) Nos dias de Moisés, porém, os israelitas viajaram para fora do Egito e da servidão. Agora os emissários viajavam ao Egito e, consequentemente, à sujeição. Que tolice! Jamais tomemos uma decisão tão desastrosa, trocando a nossa liberdade espiritual pela escravidão! — Note Gálatas 5:1.
Oposição à mensagem do profeta
7. Por que Jeová fez com que Isaías assentasse por escrito Seu aviso a Judá?
7 Jeová disse a Isaías que assentasse por escrito a mensagem que ele acabara de transmitir a fim de que ‘servisse para um dia futuro, como testemunho por tempo indefinido’. (Isaías 30:8) Que Jeová desaprova confiar mais em alianças com o homem do que Nele é algo que teria de ser registrado em benefício de gerações futuras — incluindo a nossa. (2 Pedro 3:1-4) Mas havia uma necessidade mais imediata de um registro escrito. “É um povo rebelde, filhos inverídicos, filhos que não quiseram ouvir a lei de Jeová.” (Isaías 30:9) Aquelas pessoas haviam rejeitado os conselhos de Deus. Assim, era preciso que fossem registrados, para que mais tarde não pudessem negar que foram devidamente avisadas. — Provérbios 28:9; Isaías 8:1, 2.
8, 9. (a) De que modo os líderes de Judá tentavam corromper os profetas de Jeová? (b) Como Isaías mostrou que não se intimidava?
8 A seguir, Isaías exemplifica a atitude rebelde do povo. Eles ‘haviam dito aos que veem: “Não deveis ver”, e aos que têm visões: “Não deveis visionar para nós nenhumas coisas diretas. Falai-nos coisas macias; visionai coisas enganosas.”’ (Isaías 30:10) Por mandar que os fiéis profetas parassem de falar coisas “diretas”, ou verdadeiras, e, em vez disso, falassem coisas “macias” e “enganosas”, ou falsas, os líderes de Judá mostravam que desejavam ouvir apenas o que lhes agradasse. Queriam ser louvados, não condenados. Na opinião deles, todo profeta não disposto a profetizar segundo o gosto deles devia ‘desviar-se do caminho; apartar-se da vereda’. (Isaías 30:11a) Que falasse coisas agradáveis de ouvir, ou então que parasse de pregar!
9 Os opositores de Isaías insistiam: “Fazei o Santo de Israel cessar só por causa de nós.” (Isaías 30:11b) Isaías devia parar de falar em nome de Jeová, o “Santo de Israel”! Esse próprio título os irritava, pois as elevadas normas de Jeová expunham a vil condição deles. A reação de Isaías? Ele declarou: “Assim disse o Santo de Israel.” (Isaías 30:12a) Sem hesitar, Isaías falou exatamente o que seus opositores odiavam ouvir. Não se intimidou. Que bom exemplo para nós! Quando se trata de proclamar a mensagem de Deus, os cristãos jamais devem contemporizar. (Atos 5:27-29) Como Isaías, persistem em proclamar: ‘Assim disse Jeová’!
As consequências da rebelião
10, 11. Quais seriam as consequências da revolta de Judá?
10 Judá havia rejeitado a palavra de Deus, confiado numa mentira e se estribado ‘no que era sinuoso’. (Isaías 30:12b) Quais seriam as consequências? Jeová, em vez de sair de cena, como desejava a nação, faria com que a nação deixasse de existir! Isso aconteceria súbita e completamente, como Isaías frisa com uma ilustração. A rebeldia da nação era como “um setor arrombado, prestes a cair, um bojo numa muralha muito elevada, cujo desmoronamento pode vir repentinamente, num instante”. (Isaías 30:13) Assim como uma crescente saliência numa muralha bem alta com o tempo derruba a muralha, a crescente rebeldia dos contemporâneos de Isaías derrubaria a nação.
11 Com outra ilustração, Isaías mostra a plenitude da vindoura destruição: “Certamente se desmoronará assim como na quebra duma grande talha dos oleiros, esmiuçada sem dó, de modo que não se pode achar entre os seus destroços nenhum caco para retirar fogo da lareira ou para escumar a água dum charco.” (Isaías 30:14) A destruição de Judá seria tão completa que nada de valor sobraria — nem mesmo um caco de cerâmica suficientemente grande para retirar as cinzas quentes de uma lareira ou para escumar água de um charco. Que fim vergonhoso! A vindoura destruição dos que hoje se rebelam contra a adoração verdadeira também será súbita e completa. — Hebreus 6:4-8; 2 Pedro 2:1.
A oferta de Jeová foi rejeitada
12. Como o povo de Judá poderia evitar a destruição?
12 Para os ouvintes de Isaías, porém, a destruição não era inevitável. Havia uma saída. O profeta explica: “Assim disse o Soberano Senhor Jeová, o Santo de Israel: ‘Por retornardes e descansardes, sereis salvos. Vossa potência se mostrará em simplesmente ficardes sossegados e confiantes.’” (Isaías 30:15a) Jeová se dispunha a salvar seu povo — se este mostrasse fé por ‘descansar’, ou deixar de tentar garantir a salvação por meio de alianças humanas; e por ‘ficar sossegado’, ou confiar no poder protetor de Deus por não ceder ao medo. “Mas”, Isaías diz ao povo, “vós não quisestes”. — Isaías 30:15b.
13. Em que confiavam os líderes de Judá, e justificava-se tal confiança?
13 Isaías acrescenta: “E passastes a dizer: ‘Não, mas fugiremos em cavalos!’ Por isso é que fugireis. ‘E montaremos cavalos ligeiros!’ Por isso é que se mostrarão ligeiros os que vos perseguem.” (Isaías 30:16) Os judeus achavam que cavalos rápidos, em vez de Jeová, seriam a salvação deles. (Deuteronômio 17:16; Provérbios 21:31) Contudo, rebate o profeta, a confiança deles seria uma ilusão, pois seus inimigos seriam mais velozes. Mesmo grandes números não os ajudariam. “Mil tremerão por causa da censura de um só; por causa da censura de cinco fugireis.” (Isaías 30:17a) Os exércitos de Judá entrariam em pânico e fugiriam diante do brado de apenas um punhado dos do inimigo.a No fim, ficaria apenas um restante, abandonado como “um mastro no cume dum monte e como um sinal de aviso num morro”. (Isaías 30:17b) Fiel à profecia, quando Jerusalém foi destruída, em 607 AEC, apenas um restante sobreviveu. — Jeremias 25:8-11.
Consolo em meio à condenação
14, 15. De que consolo as palavras de Isaías 30:18 eram para os habitantes de Judá nos tempos antigos, e são hoje para os cristãos verdadeiros?
14 Com essas solenes palavras ainda ecoando nos ouvidos dos ouvintes de Isaías, o tom de sua mensagem muda. A ameaça de desastre dá lugar a uma promessa de bênçãos. “Por isso Jeová ficará à espera para mostrar-vos favor e por isso ele se erguerá para ter misericórdia convosco. Porque Jeová é Deus de julgamento. Felizes todos os que ficam à espera dele.” (Isaías 30:18) Que palavras animadoras! Jeová é um Pai compassivo que anseia ajudar seus filhos. Ele se deleita em mostrar misericórdia. — Salmo 103:13; Isaías 55:7.
15 Essas palavras reanimadoras aplicaram-se ao restante judeu a quem misericordiosamente se permitiu sobreviver à destruição de Jerusalém, em 607 AEC, e aos poucos que retornaram à Terra Prometida, em 537 AEC. Mas essas palavras do profeta também consolam os cristãos hoje. Somos lembrados de que Jeová “se erguerá” em nosso favor, acabando com esse mundo perverso. Os adoradores fiéis podem confiar que Jeová — um “Deus de julgamento” — não permitirá que o mundo de Satanás exista por um único dia a mais do que a justiça exige. Por conseguinte, “os que ficam à espera dele” têm muitas razões para se alegrar.
Jeová consola seu povo por atender a orações
16. Como Jeová consola os desanimados?
16 Alguns talvez se sintam desanimados porque a libertação não veio tão cedo quanto esperavam. (Provérbios 13:12; 2 Pedro 3:9) Que derivem consolo das próximas palavras de Isaías, que destacam um aspecto especial da personalidade de Jeová! “Quando o próprio povo em Sião morar em Jerusalém, tu de modo algum chorarás. Sem falta ele te mostrará favor ao som do teu clamor; assim que ele o ouvir, realmente te responderá.” (Isaías 30:19) Isaías transmite ternura nessas palavras, por mudar do plural “vós”, no versículo 18 de Is 30, para o singular “tu”, no versículo 19 de Is 30. Quando Jeová consola os aflitos, ele trata cada pessoa individualmente. Como Pai, ele não pergunta a um filho desanimado: ‘Por que você não pode ser forte como seu irmão?’ (Gálatas 6:4) Em vez disso, ele escuta atentamente a cada um. De fato, ‘assim que ele ouvir, realmente responderá’. Que palavras reanimadoras! Os desanimados poderão ser muito fortalecidos por orarem a Jeová. — Salmo 65:2.
Ouça a voz orientadora de Deus por ler a Sua Palavra
17, 18. Mesmo em tempos difíceis, como Jeová fornece orientações?
17 Ao continuar o seu pronunciamento, Isaías lembra aos seus ouvintes que a aflição viria. O povo receberia “pão em forma de aflição e água em forma de opressão”. (Isaías 30:20a) A aflição e a opressão que sofreriam sob o cerco se tornariam tão comuns como pão e água. Mesmo assim, Jeová estaria pronto para socorrer os justos. “Teu Grandioso Instrutor não mais se esconderá, e teus olhos terão de tornar-se olhos que veem o teu Grandioso Instrutor. E teus próprios ouvidos ouvirão atrás de ti uma palavra, dizendo: ‘Este é o caminho. Andai nele’, caso vades para a direita ou caso vades para a esquerda.” — Isaías 30:20b, 21.b
18 Jeová é o “Grandioso Instrutor”. É um mestre sem igual. Como, porém, as pessoas podem ‘vê-lo’ e ‘ouvi-lo’? Jeová se revela por meio de seus profetas, cujas palavras estão registradas na Bíblia. (Amós 3:6, 7) Hoje, quando adoradores fiéis leem a Bíblia, é como se a voz paternal de Deus lhes indicasse o caminho a seguir e os exortasse a reajustar a sua conduta de modo a andar nele. Todo cristão deve ouvir cuidadosamente Jeová falar por meio das páginas da Bíblia e das publicações bíblicas fornecidas pelo “escravo fiel e discreto”. (Mateus 24:45-47) Que cada um se aplique à leitura da Bíblia, pois ‘significa a sua vida’. — Deuteronômio 32:46, 47; Isaías 48:17.
Pense nas bênçãos futuras
19, 20. Que bênçãos estão em reserva para os que atendem à voz do Grandioso Instrutor?
19 Aqueles que atendessem à voz do Grandioso Instrutor se livrariam de suas imagens entalhadas, encarando-as como algo repugnante. (Leia Isaías 30:22.) Daí, os que fossem receptivos, receberiam bênçãos maravilhosas. Essas são descritas por Isaías, em Isaías 30:23-26 — uma deleitosa profecia de restauração, que teve cumprimento inicial quando um restante judeu voltou do cativeiro, em 537 AEC. Hoje, essa profecia nos ajuda a ver as bênçãos maravilhosas que o Messias derrama agora no paraíso espiritual e derramará no futuro Paraíso literal.
20 “Ele certamente dará a chuva para a tua semente com que semeias o solo e pão como produto do solo, que terá de tornar-se pingue e oleoso. Teu gado pastará naquele dia num pasto amplo. E o gado vacum e os jumentos adultos que lavram o solo comerão forragem temperada com azeda, joeirada com a pá e com o forcado.” (Isaías 30:23, 24) Pão “pingue e oleoso” — alimentos de alto valor nutritivo — seria a porção diária do homem. O solo produziria tanto que até os animais se beneficiariam disso. O gado comeria “forragem temperada com azeda” — uma forragem saborosa reservada para ocasiões especiais. Essa comida seria até mesmo “joeirada” — um tratamento normalmente reservado para cereais destinados ao consumo humano. Que detalhes prazerosos Isaías apresenta aqui para ilustrar a opulência das bênçãos de Jeová sobre a humanidade fiel!
21. Descreva a plenitude das bênçãos que viriam.
21 “Em cada monte alto e em cada morro elevado terá de vir a haver correntes.” (Isaías 30:25a)c Isaías apresenta um quadro verbal apropriado, acentuando a plenitude das bênçãos de Jeová. Não faltaria água — um bem precioso que fluiria não apenas nas terras baixas, mas em todo monte, até mesmo “em cada monte alto e em cada morro elevado”. Sim, a fome seria coisa do passado. (Salmo 72:16) A seguir, a atenção do profeta se volta para coisas ainda mais altas do que montanhas. “A luz da lua cheia terá de tornar-se como a luz do sol brilhante; e a própria luz do sol brilhante se tornará sete vezes maior, como a luz de sete dias, no dia em que Jeová pensa o quebrantamento do seu povo e sara mesmo o ferimento sério causado pelo golpe dado por ele.” (Isaías 30:26) Que clímax emocionante para essa brilhante profecia! A glória de Deus brilharia com todo esplendor. As bênçãos em reserva para os adoradores fiéis de Deus excederiam em muito — sete vezes mais — qualquer coisa que já tivessem vivenciado.
Julgamento e alegria
22. Em contraste com as bênçãos que receberiam os fiéis, o que Jeová reservava para os maus?
22 O tom da mensagem de Isaías muda de novo. “Eis”, diz ele, como que para captar a atenção de seus ouvintes. “O nome de Jeová está vindo de longe, ardendo com a sua ira e com pesadas nuvens. Quanto aos seus lábios, ficaram cheios de verberação, e sua língua é como um fogo devorador.” (Isaías 30:27) Até então, Jeová não havia interferido, permitindo que os inimigos de seu povo seguissem o seu rumo. Agora Ele se aproximava — como a implacável aproximação de uma tempestade — para executar julgamento. “Seu espírito é como uma torrente inundante que chega até o pescoço, para sacudir as nações para lá e para cá com uma peneira de futilidade; e um freio, que faz vaguear, estará na queixada dos povos.” (Isaías 30:28) Os inimigos do povo de Deus seriam cercados por uma “torrente inundante”, sacudidos violentamente “para lá e para cá com uma peneira”, e domados por um “freio”. Seriam destruídos.
23. O que causa “alegria de coração” nos cristãos hoje?
23 Isaías mais uma vez muda de tom ao descrever a condição feliz dos adoradores fiéis que um dia voltariam para a sua terra. “Vireis a ter uma canção igual à da noite em que a pessoa se santifica para uma festividade, e alegria de coração igual à de alguém andando com uma flauta para entrar no monte de Jeová, até a Rocha de Israel.” (Isaías 30:29) Os cristãos verdadeiros hoje sentem uma “alegria de coração” similar, ao meditarem na condenação do mundo de Satanás, na proteção que Jeová, a “Rocha de salvação”, lhes dá e nas futuras bênçãos do Reino. — Salmo 95:1.
24, 25. Como a profecia de Isaías frisa a certeza da vindoura destruição da Assíria?
24 Depois dessa expressão de alegria, Isaías volta ao tema da condenação e identifica o alvo da ira de Deus. “Jeová certamente fará ouvir a dignidade de sua voz e fará ver a descida do seu braço, na fúria da ira e na chama dum fogo devorador, e na pancada de chuva, e no temporal, e nas pedras de saraiva. Pois, por causa da voz de Jeová, a Assíria ficará aterrorizada; ele a golpeará até com uma vara.” (Isaías 30:30, 31) Com essa vívida descrição, Isaías frisa a certeza de que Deus destruiria a Assíria. Na verdade, a Assíria estaria diante de Deus e tremeria ao ver a ‘descida de Seu braço’ de destruição.
25 O profeta continua: “Cada batida do seu bastão de castigo, que Jeová fará descer sobre a Assíria, certamente mostrará ser com pandeiros e com harpas; e lutará realmente contra eles com batalhas de brandimento de armas. Pois o seu Tofete está posto em ordem desde tempos recentes; está também preparado para o próprio rei. Ele fez profunda a sua pilha de lenha. Há fogo e lenha em abundância. O sopro de Jeová arde contra ele como uma torrente de enxofre.” (Isaías 30:32, 33) Tofete, no vale de Hinom, é usado como simbólico lugar de fogo. Por mostrar que a Assíria acabaria ali, Isaías frisa a súbita e completa destruição que viria sobre aquela nação. — Note 2 Reis 23:10.
26. (a) Que aplicação moderna têm as proclamações de Jeová contra a Assíria? (b) Como os cristãos hoje ficam à espera de Jeová?
26 Embora essa mensagem condenatória seja dirigida contra a Assíria, o significado da profecia de Isaías vai mais além. (Romanos 15:4) De novo, Jeová como que virá de longe para inundar, sacudir e frear todos os que oprimem seu povo. (Ezequiel 38:18-23; 2 Pedro 3:7; Revelação [Apocalipse] 19:11-21) Que tal dia venha rapidamente! No ínterim, os cristãos aguardam ansiosamente o dia do livramento. Eles derivam forças de refletir nas vívidas palavras registradas em Isaías, capítulo 30. Essas palavras incentivam os servos de Deus a prezar o privilégio da oração, a dedicar-se ao estudo da Bíblia e a meditar nas vindouras bênçãos do Reino. (Salmo 42:1, 2; Provérbios 2:1-6; Romanos 12:12) Assim, as palavras de Isaías nos ajudam a ficar à espera de Jeová.
[Nota(s) de rodapé]
a Note que se Judá tivesse sido fiel, poderia acontecer exatamente o oposto. — Levítico 26:7, 8.
b Esse é o único lugar na Bíblia em que Jeová é chamado de “Grandioso Instrutor”.
c Isaías 30:25b diz: “No dia da grande chacina, quando as torres caírem.” No cumprimento inicial, isso talvez se referisse à queda de Babilônia, que abriu o caminho para Israel usufruir as bênçãos preditas em Isaías 30:18-26. (Veja o parágrafo 19.) Pode também referir-se à destruição no Armagedom, que possibilitará o maior dos cumprimentos dessas bênçãos, no novo mundo.
[Fotos na página 305]
Nos dias de Moisés, os israelitas fugiram do Egito. Nos dias de Isaías, Judá foi ao Egito buscar ajuda
[Foto na página 311]
“Em cada monte alto e em cada morro elevado terá de vir a haver correntes”
[Foto na página 312]
Jeová viria “com a sua ira e com pesadas nuvens”
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Nenhuma ajuda da parte deste mundoProfecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Vinte e Quatro
Nenhuma ajuda da parte deste mundo
1, 2. (a) Por que os moradores de Jerusalém estavam aterrorizados? (b) Em vista dos apuros de Jerusalém, que perguntas são apropriadas?
OS MORADORES de Jerusalém estavam aterrorizados — e com boa razão! A Assíria, o mais poderoso império da época, havia atacado ‘todas as cidades fortificadas de Judá e passado a tomá-las’. Agora, a máquina de guerra da Assíria ameaçava a capital de Judá. (2 Reis 18:13, 17) O que fariam o Rei Ezequias e a população de Jerusalém em geral?
2 Visto que as outras cidades de seu país já haviam caído, Ezequias sabia que Jerusalém não era páreo para a poderosa força militar da Assíria. Além disso, os assírios tinham uma reputação ímpar de crueldade e violência. O exército dessa nação era tão apavorante que os oponentes às vezes fugiam sem nem mesmo uma única luta! Diante das terríveis circunstâncias de Jerusalém, a quem seus moradores poderiam pedir ajuda? Daria para escapar do exército assírio? E como foi que o povo de Deus se metera nessa situação? Para responder a essas perguntas, é preciso recuar no tempo e ver como Jeová lidou com a sua nação pactuada em anos anteriores.
Apostasia em Israel
3, 4. (a) Quando e como a nação de Israel foi dividida em dois reinos? (b) Que mau começo Jeroboão deu ao reino setentrional de dez tribos?
3 Desde o tempo em que Israel saiu do Egito até a morte de Salomão, filho de Davi — um período de pouco mais de 500 anos — as 12 tribos de Israel formavam uma só nação. Após a morte de Salomão, Jeroboão liderou as dez tribos setentrionais numa rebelião contra a casa de Davi e, daí em diante, a nação ficou dividida em dois reinos. Isso foi no ano de 997 AEC.
4 Jeroboão foi o primeiro rei do reino setentrional de Israel, e ele enveredou seus súditos no caminho da apostasia substituindo o sacerdócio arônico e a adoração legítima de Jeová por um sacerdócio ilegítimo e um sistema de adoração de bezerros. (1 Reis 12:25-33) Isso era detestável para Jeová. (Jeremias 32:30, 35) Por essa e por outras razões, ele permitiu que a Assíria subjugasse Israel. (2 Reis 15:29) O Rei Oseias tentou quebrar o jugo assírio por conspirar com o Egito, mas a trama falhou. — 2 Reis 17:4.
Israel buscou um refúgio falso
5. A quem Israel pediu ajuda?
5 Jeová desejava que os israelitas recobrassem o bom-senso.a Assim, ele enviou o profeta Isaías com o alerta: “Ai dos que descem ao Egito por auxílio, os que confiam em meros cavalos e os que põem a sua confiança em carros de guerra, por serem numerosos, e em corcéis, por serem muito fortes, mas que não atentaram para o Santo de Israel e que não buscaram o próprio Jeová.” (Isaías 31:1) Quão trágico! Israel confiava mais em cavalos e em carros de guerra do que no Deus vivo, Jeová. Segundo o raciocínio profano de Israel, os cavalos do Egito eram numerosos e poderosos. O Egito certamente seria um aliado valioso contra o exército assírio! Mas os israelitas logo veriam que sua aliança profana com o Egito seria fútil.
6. Por que o apelo de Israel ao Egito revelava uma flagrante falta de fé em Jeová?
6 Por meio do pacto da Lei, os habitantes de Israel e de Judá haviam se dedicado a Jeová. (Êxodo 24:3-8; 1 Crônicas 16:15-17) Por pedir ajuda ao Egito, Israel revelava falta de fé em Jeová e desrespeito pelas leis daquele santo pacto. Por quê? Porque fazia parte dos termos do pacto a promessa de Jeová de proteger seu povo, caso este lhe prestasse devoção exclusiva. (Levítico 26:3-8) Fiel a essa promessa, Jeová repetidas vezes havia sido um ‘baluarte no tempo de aflição’. (Salmo 37:39; 2 Crônicas 14:2, 9-12; 17:3-5, 10) Ademais, por meio de Moisés, o mediador do pacto da Lei, Jeová havia dito a futuros reis de Israel que não acumulassem cavalos para si. (Deuteronômio 17:16) Obedecer a essa diretriz indicaria que esses reis recorriam à proteção do “Santo de Israel”. Infelizmente, os governantes de Israel não tinham tal fé.
7. O que os cristãos podem aprender hoje da falta de fé de Israel?
7 Há uma lição nisso para os cristãos hoje. Israel buscou o apoio visível do Egito, em vez de o apoio muito mais poderoso de Jeová. Similarmente hoje, os cristãos podem ser tentados a confiar em fontes seculares de segurança — contas bancárias, posição social, ligações com pessoas influentes — em vez de em Jeová. Os chefes de família cristãos levam a sério seu dever de sustentar a família, é verdade. (1 Timóteo 5:8) Mas eles não depositam sua confiança nas coisas materiais. E evitam “toda sorte de cobiça”. (Lucas 12:13-21) A única “altura protetora em tempos de aflição” é Jeová Deus. — Salmo 9:9; 54:7.
8, 9. (a) Embora os planos de Israel pudessem parecer estrategicamente bons, qual seria o desfecho, e por quê? (b) Qual é a diferença entre as promessas humanas e as de Jeová?
8 Isaías, na verdade, zombava dos líderes israelitas que elaboraram o tratado com o Egito, dizendo: “Ele é também sábio e introduzirá o que é calamitoso, e não revogou as suas próprias palavras; e ele se há de levantar contra a casa dos malfeitores e contra o auxílio dos que praticam o que é prejudicial.” (Isaías 31:2) Os líderes de Israel talvez se julgassem sábios. Mas não é o Criador do Universo supremamente sábio? A trama de Israel, de pedir ajuda ao Egito, parecia estrategicamente boa. Não obstante, formar tal aliança política constituía adultério espiritual aos olhos de Jeová. (Ezequiel 23:1-10) Por isso, Isaías disse que Jeová ‘introduziria o que é calamitoso’.
9 As promessas humanas são notoriamente falhas, e a proteção humana é incerta. Jeová, porém, não precisa ‘revogar suas próprias palavras’. Ele sem falta cumpre o que promete. Sua palavra não volta a ele sem resultados. — Isaías 55:10, 11; 14:24.
10. O que aconteceria tanto ao Egito como a Israel?
10 Seriam os egípcios uma proteção confiável para Israel? Não. Isaías diz a Israel: “Os egípcios, porém, são homens terrenos, e não Deus; e seus cavalos são carne, e não espírito. E o próprio Jeová estenderá a sua mão, e terá de tropeçar aquele que oferece ajuda, e terá de cair aquele que está sendo ajudado, e ao mesmo tempo todos eles chegarão ao fim.” (Isaías 31:3) Tanto o ajudador (Egito) como o ajudado (Israel) tropeçariam, cairiam, e chegariam ao fim quando Jeová estendesse a mão e executasse seu julgamento por meio da Assíria.
A queda de Samaria
11. Que antecedentes de pecado havia acumulado Israel, e com que desfecho?
11 Misericordiosamente, Jeová sempre enviava profetas para incentivar Israel a se arrepender e a voltar à adoração pura. (2 Reis 17:13) Mesmo assim, Israel agravava seu pecado da adoração de bezerros envolvendo-se na adivinhação, na imoral adoração de Baal e no uso de postes e altos sagrados. Os israelitas até mesmo ‘faziam seus filhos e suas filhas passar pelo fogo’, sacrificando os frutos de sua própria carne a deuses demoníacos. (2 Reis 17:14-17; Salmo 106:36-39; Amós 2:8) Para acabar com a perversidade de Israel, Jeová decretou: “Samaria e seu rei hão de ser silenciados como o raminho quebrado na superfície das águas.” (Oseias 10:1, 7) Em 742 AEC, forças assírias atacaram Samaria, a capital de Israel. Samaria caiu após três anos de cerco e, em 740 AEC, o reino de dez tribos acabou.
12. Que obra Jeová promove hoje, e o que acontecerá aos que desconsiderarem o aviso?
12 Hoje, Jeová promove uma obra mundial de pregação para alertar a ‘todos da humanidade, em toda a parte, que se arrependam’. (Atos 17:30; Mateus 24:14) Os que rejeitarem os meios de salvação de Deus se tornarão como um “raminho quebrado”, sendo destruídos como a apóstata nação de Israel. Por sua vez, os que esperam em Jeová “possuirão a terra e residirão sobre ela para todo o sempre”. (Salmo 37:29) Como é sábio, pois, evitar os erros do antigo reino de Israel! Confiemos totalmente em Jeová para a salvação.
O poder salvador de Jeová
13, 14. Que palavras consoladoras Jeová tinha para Sião?
13 A alguns quilômetros da fronteira sul de Israel ficava Jerusalém, a capital de Judá. Os moradores de Jerusalém sabiam muito bem o que havia acontecido a Samaria. Agora, eles viam-se ameaçados pelo mesmo inimigo aterrorizante que havia aniquilado o vizinho deles, ao norte. Aprenderiam do que havia acontecido a Samaria?
14 As palavras seguintes de Isaías eram um consolo para os moradores de Jerusalém. Ele lhes garantiu que Jeová ainda amava seu povo pactuado, dizendo: “Assim me disse Jeová: ‘Assim como o leão ruge, sim, o leão novo jubado, sobre a sua presa, quando se convoca contra ele o pleno número de pastores, e apesar da voz deles não se aterroriza e apesar da comoção deles não se agacha, assim Jeová dos exércitos descerá para travar guerra pelo monte Sião e pelo seu morro.’” (Isaías 31:4) Como um leão novo sobre a sua presa, Jeová zelosamente protegeria sua cidade santa, Sião. Nenhuma jactância, palavras ameaçadoras ou qualquer outra balbúrdia das tropas assírias afastariam Jeová de seu propósito.
15. Como Jeová lidaria terna e compassivamente com os moradores de Jerusalém?
15 Observe a seguir como Jeová lidaria de modo terno e compassivo com os moradores de Jerusalém: “Como aves voando, assim Jeová dos exércitos defenderá Jerusalém. Defendendo-a, também a há de livrar. Poupando-a, também terá de fazê-la escapar.” (Isaías 31:5) Uma ave-mãe está sempre vigilante para defender seus filhotes. De asas abertas ela adeja sobre eles e, de olhos vigilantes, procura qualquer sinal de perigo. Se um predador se aproxima, ela rapidamente mergulha para o ninho, para defender os filhotes. De modo similar, Jeová cuidaria ternamente dos moradores de Jerusalém por causa dos invasores assírios.
“Retornai”
16. (a) Que apelo cordial Jeová fez ao seu povo? (b) Quando a revolta do povo de Judá ficou especialmente evidente? Explique.
16 A seguir, Jeová lembra seu povo de que pecaram e os incentiva a abandonar seu proceder errado: “Retornai Àquele contra quem os filhos de Israel se revoltaram profundamente.” (Isaías 31:6) A revolta não era exclusividade do reino de dez tribos de Israel. O povo de Judá, que também eram “filhos de Israel”, ‘havia se revoltado profundamente’. Isso ficou especialmente evidente quando, pouco depois de Isaías ter concluído sua mensagem profética, o filho de Ezequias, Manassés, se tornou rei. Segundo o registro bíblico, “Manassés continuou a seduzir Judá e os habitantes de Jerusalém para fazerem pior do que as nações que Jeová aniquilara”. (2 Crônicas 33:9) Imagine! Jeová aniquilara nações pagãs por causa de sua repugnante imundície, mas os habitantes de Judá, que estavam numa relação pactuada com Jeová, eram piores do que os povos dessas nações.
17. Em que sentido as condições hoje são comparáveis às que existiam em Judá sob Manassés?
17 Na aurora do século 21, as condições em muitos sentidos se parecem às que existiam em Judá nos dias de Manassés. O mundo está cada vez mais segmentado por ódios religiosos, raciais e étnicos. Horrendos atos de assassinato, tortura, estupro e a chamada faxina étnica têm feito milhões de vítimas. Sem dúvida, pessoas e nações — especialmente as nações da cristandade — têm ‘se revoltado profundamente’. Mas podemos ter certeza de que Jeová não permitirá que a perversidade continue indefinidamente. Por quê? Por causa do que aconteceu nos dias de Isaías.
Jerusalém foi libertada
18. Que alerta Rabsaqué deu a Ezequias?
18 Os reis assírios atribuíam aos seus deuses as vitórias nos campos de batalha. O livro Ancient Near Eastern Texts (Textos Antigos do Oriente Próximo) contém escritos de Assurbanipal, um monarca assírio que dizia ter sido guiado “por Assur, Bel, Nebo, os grandes deuses, [seus] senhores, que (sempre) marchavam ao [seu] lado, [quando ele] derrotou os (experientes) soldados . . . numa grande batalha campal”. Nos dias de Isaías, Rabsaqué, que representava o Rei Senaqueribe da Assíria, demonstrava uma crença similar no envolvimento de deuses nas guerras humanas ao se dirigir ao Rei Ezequias. Ele alertou o rei judeu a não confiar em Jeová para a salvação, e destacou que os deuses de outras nações haviam fracassado em proteger seus povos contra a poderosa máquina de guerra assíria. — 2 Reis 18:33-35.
19. Como Ezequias reagiu aos escárnios de Rabsaqué?
19 Como reagiu o Rei Ezequias? O relato bíblico diz: “Assim que o Rei Ezequias . . . ouviu, rasgou imediatamente as suas vestes e cobriu-se de serapilheira, e entrou na casa de Jeová.” (2 Reis 19:1) Ezequias reconhecia que existia apenas Um que poderia ajudá-lo nessa situação aterradora. Ele se humilhou e pediu orientação a Jeová.
20. Como Jeová agiria em favor dos habitantes de Judá, e o que deveriam aprender disso?
20 Jeová deu a solicitada orientação. Por meio do profeta Isaías, ele disse: “Naquele dia rejeitarão, cada um, os seus deuses de prata que nada valem e os seus deuses de ouro que nada valem, que as vossas mãos fizeram para vós mesmos como pecado.” (Isaías 31:7) Quando Jeová lutasse pelo seu povo, os deuses de Senaqueribe seriam expostos pelo que eram — inúteis. Essa era uma lição que os habitantes de Judá deviam levar a sério. Apesar da fidelidade do Rei Ezequias, a terra de Judá, como a de Israel, estava cheia de ídolos. (Isaías 2:5-8) Para os habitantes de Judá, reconstruir sua relação com Jeová exigiria arrepender-se de seus pecados e rejeitar ‘cada um seus deuses que nada valiam’. — Veja Êxodo 34:14.
21. Como Isaías descreve profeticamente os atos de execução de Jeová contra os assírios?
21 A seguir, Isaías descreve profeticamente os atos de execução de Jeová contra o temível inimigo de Judá: “O assírio terá de cair à espada, não a de um homem; e a espada, não a do homem terreno, o devorará. E ele terá de fugir por causa da espada e seus próprios jovens virão a ser para o próprio trabalho forçado.” (Isaías 31:8) Na hora da verdade, os moradores de Jerusalém não precisaram nem mesmo desembainhar as suas espadas. A elite das tropas da Assíria foi aniquilada, não pela espada de homens, mas pela espada de Jeová. Quanto ao assírio Rei Senaqueribe, ‘teria de fugir por causa da espada’. De fato, depois que o anjo de Jeová matou 185 mil de seus guerreiros, ele voltou para casa. Mais tarde, ao se ajoelhar diante de seu deus Nisroque, ele foi assassinado pelos seus próprios filhos. — 2 Reis 19:35-37.
22. O que os cristãos podem aprender hoje dos eventos que envolveram Ezequias e o exército assírio?
22 Ninguém, incluindo Ezequias, poderia prever como Jeová livraria Jerusalém do exército assírio. No entanto, a maneira de Ezequias lidar com a crise é um ótimo exemplo para quem enfrenta provações hoje. (2 Coríntios 4:16-18) Em vista da apavorante reputação dos assírios que ameaçavam Jerusalém, era compreensível o medo de Ezequias. (2 Reis 19:3) Mas ele tinha fé em Jeová, e procurou a Sua orientação, não a de homens. Que bênção para Jerusalém foi ele ter feito isso! Os cristãos tementes a Deus hoje talvez também sintam fortes emoções sob pressão. Em muitas situações, o medo é compreensível. No entanto, se ‘lançarmos sobre Jeová toda a nossa ansiedade’, ele cuidará de nós. (1 Pedro 5:7) Ele nos ajudará a vencer nossos temores e nos fortalecerá para lidarmos com a situação estressante.
23. De que modo seria Senaqueribe, e não Ezequias, que ficaria com medo?
23 No fim, seria Senaqueribe, e não Ezequias, que ficaria com medo. A quem ele poderia recorrer? Isaías prediz: “‘Seu próprio rochedo passará de puro horror, e por causa do sinal de aviso seus príncipes terão de ficar aterrorizados’, é a pronunciação de Jeová, cuja luz está em Sião e cuja fornalha está em Jerusalém.” (Isaías 31:9) Os deuses de Senaqueribe — seu “rochedo”, o refúgio no qual confiava — falhariam. ‘Passariam de puro horror’, por assim dizer. Ademais, até mesmo os príncipes de Senaqueribe seriam de pouca ajuda. Eles também ficariam aterrorizados.
24. Que mensagem clara pode se tirar daquilo que aconteceu aos assírios?
24 Essa parte da profecia de Isaías é uma mensagem clara para qualquer eventual oponente de Deus. Não existe arma, poder ou esquema algum que possa frustrar os propósitos de Jeová. (Isaías 41:11, 12) Ao mesmo tempo, os que afirmam servir a Deus, mas se desviam dele em busca de segurança nas coisas materiais, ficarão desapontados. Quem ‘não atentar ao Santo de Israel’ verá Jeová ‘introduzir o que é calamitoso’. (Isaías 31:1, 2) Realmente, o único refúgio real e duradouro é Jeová Deus. — Salmo 37:5.
[Nota(s) de rodapé]
a É provável que os três primeiros versículos de Isaías, capítulo 31 vers. 1-3, sejam dirigidos principalmente a Israel. Os seis versículos Is 31:4-9 finais pelo visto se aplicam a Judá.
[Foto na página 319]
Quem confiar nas coisas materiais ficará desapontado
[Foto na página 322]
Como um leão que guarda a sua presa, Jeová protegeria sua cidade santa
[Fotos na página 324]
O mundo está segmentado por ódios religiosos, raciais e étnicos
[Foto na página 326]
Ezequias foi à casa de Jeová buscar ajuda
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O Rei e seus príncipesProfecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Vinte e Cinco
O Rei e seus príncipes
1, 2. O que podemos dizer sobre o texto do Rolo do Mar Morto de Isaías?
EM FINS da década de 40, uma notável coleção de rolos foi encontrada em cavernas perto do mar Morto, na Palestina. Tornaram-se conhecidos como Rolos do Mar Morto e acredita-se que tenham sido escritos entre 200 AEC e 70 EC. O mais conhecido deles é um rolo do livro de Isaías, escrito no idioma hebraico, em couro de boa durabilidade. O rolo está quase completo, e seu texto difere muito pouco dos manuscritos do texto massorético, datado de aproximadamente mil anos depois. Assim, o rolo é uma prova de que o texto bíblico foi transmitido de maneira exata.
2 Um detalhe digno de nota sobre o Rolo do Mar Morto de Isaías é que um escriba fez um “X” na margem da passagem que hoje é conhecida como o capítulo 32 de Isaías. Não sabemos por que o escriba fez essa marca, mas temos certeza de que há algo especial nessa parte da Bíblia Sagrada.
Governo com justiça e retidão
3. Que administração é profetizada nos livros de Isaías e Revelação?
3 O capítulo 32 de Isaías inicia com uma profecia emocionante que se cumpre de maneira notável em nossos dias. “Eis que um rei reinará para a própria justiça; e quanto a príncipes, governarão como príncipes para o próprio juízo.” (Isaías 32:1) Sim, ‘Eis!’ Essa exclamação nos faz lembrar de outra similar no último livro profético da Bíblia: “O que estava sentado no trono disse: ‘Eis que faço novas todas as coisas.’” (Revelação [Apocalipse] 21:5) Os livros bíblicos de Isaías e Revelação, escritos com cerca de 900 anos de diferença um do outro, apresentam uma vívida descrição de uma nova administração — “um novo céu” composto do Rei, Cristo Jesus, entronizado nos céus em 1914, e de 144 mil corregentes “comprados dentre a humanidade” — junto com “uma nova terra”, uma sociedade humana global, unida.a (Revelação 14:1-4; 21:1-4; Isaías 65:17-25) Tudo isso é possível por meio do sacrifício resgatador de Cristo.
4. Que núcleo da nova terra existe atualmente?
4 Após ter uma visão da selagem final desses 144 mil corregentes, o apóstolo João relata: “Eu vi, e, eis uma grande multidão, que nenhum homem podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro.” Aí está o núcleo da nova terra — uma grande multidão que agora chega a milhões de pessoas que foram ajuntadas ao lado dos poucos remanescentes dos 144 mil, em sua maioria idosos. A essa grande multidão que sobreviverá à grande tribulação, agora tão próxima, se juntarão no Paraíso terrestre os ressuscitados fiéis e os bilhões de outros que receberão a oportunidade de exercer fé. Todos os que fizerem isso serão abençoados com a vida eterna. — Revelação 7:4, 9-17.
5-7. Que papel desempenham no rebanho de Deus os preditos “príncipes”?
5 No entanto, enquanto existir o atual mundo cheio de ódio, os membros da grande multidão precisam de proteção. Em grande medida, essa é provida pelos “príncipes” que ‘governam para o próprio juízo’. Que excelente provisão! Esses “príncipes” são descritos de maneira mais ampla nas luminosas palavras da profecia de Isaías: “Cada um deles terá de mostrar ser como abrigo contra o vento e como esconderijo contra o temporal, como correntes de água numa terra árida, como a sombra dum pesado rochedo numa terra esgotada.” — Isaías 32:2.
6 Atualmente, neste tempo de aflição mundial, há necessidade de “príncipes”, sim, anciãos que ‘prestem atenção a todo o rebanho’, cuidem das ovelhas de Jeová e administrem justiça em harmonia com os princípios justos de Jeová. (Atos 20:28) Tais “príncipes” precisam preencher as qualificações estabelecidas em 1 Timóteo 3:2-7 e Tito 1:6-9.
7 Em sua grande profecia a respeito da angustiante “conclusão do sistema de coisas”, Jesus disse: “Vede que não fiqueis apavorados.” (Mateus 24:3-8) Por que os seguidores de Jesus não ficam apavorados com as perigosas condições do mundo atualmente? Um motivo é que os “príncipes” — quer ungidos, quer das “outras ovelhas” — estão protegendo lealmente o rebanho. (João 10:16) Eles cuidam destemidamente de seus irmãos e irmãs, mesmo diante de coisas horríveis como guerras étnicas e genocídios. Num mundo espiritualmente esgotado, eles certificam-se de que as almas deprimidas sejam revigoradas pelas verdades edificantes da Palavra de Deus, a Bíblia.
8. Como Jeová está treinando e usando os “príncipes” das outras ovelhas?
8 Durante os últimos 50 anos, os “príncipes” têm se manifestado claramente. “Príncipes” das outras ovelhas estão sendo treinados como classe “maioral” em desenvolvimento para que, após a grande tribulação, os qualificados dentre eles estejam prontos para assumir funções administrativas na “nova terra”. (Ezequiel 44:2, 3; 2 Pedro 3:13) Por proverem orientação espiritual e revigoramento à medida que lideram no serviço do Reino, eles demonstram que são “como a sombra de um pesado rochedo”, trazendo alívio ao rebanho em seu domínio de adoração.b
9. Que condições mostram que há necessidade de “príncipes” atualmente?
9 Nestes perigosos últimos dias do mundo perverso de Satanás, os cristãos dedicados realmente precisam dessa proteção. (2 Timóteo 3:1-5, 13) Os fortes ventos das doutrinas falsas e da propaganda enganosa estão soprando. As tempestades assolam em forma de guerras, tanto civis como entre nações, e de ataques diretos contra os adoradores fiéis de Jeová Deus. Num mundo castigado pela seca espiritual, os cristãos precisam muito das correntes da água pura da verdade, não adulterada, para matar a sua sede espiritual. Felizmente Jeová prometeu que seu Rei reinante, por meio de seus irmãos ungidos e dos apoiadores “príncipes” das outras ovelhas, proverá encorajamento e orientação para os deprimidos e desanimados nesta época de necessidade. Assim, Jeová se certificará de que aquilo que é justo e reto prevaleça.
Prestar atenção com olhos, ouvidos e coração
10. Que provisões Jeová tem feito para que seu povo ‘veja’ e ‘ouça’ coisas espirituais?
10 Como a grande multidão tem reagido aos procedimentos teocráticos estabelecidos por Jeová? A profecia continua: “Os olhos dos que veem não ficarão grudados e os próprios ouvidos dos que ouvem atentarão.” (Isaías 32:3) Ao longo dos anos, Jeová tem feito provisões visando a instrução e o amadurecimento dos seus preciosos servos. A Escola do Ministério Teocrático e outras reuniões realizadas nas congregações das Testemunhas de Jeová em todo o mundo, os congressos de distrito, nacionais e internacionais, bem como o treinamento especializado que os “príncipes” recebem para tratar o rebanho com amor, têm contribuído para a edificação de uma irmandade global, unida, composta de milhões de pessoas. Onde quer que esses pastores estejam na Terra, seus ouvidos são bem receptivos a ajustes no entendimento da progressiva palavra da verdade. Com a consciência treinada pela Bíblia, estão sempre prontos para ouvir e obedecer. — Salmo 25:10.
11. Por que o povo de Deus fala atualmente com confiança, não ‘gaguejando’ com incerteza?
11 A profecia adverte, então: “O próprio coração dos apressados demais considerará o conhecimento e até mesmo a língua dos gagos se apressará a falar coisas claras.” (Isaías 32:4) Que ninguém seja apressado em tirar conclusões sobre o que é certo e o que é errado. A Bíblia diz: “Observaste o homem que é precipitado com as suas palavras? Há mais esperança para o estúpido do que para ele.” (Provérbios 29:20; Eclesiastes 5:2) Antes de 1919, até mesmo o povo de Jeová estava maculado por ideias babilônicas. Mas, a partir daquele ano, Jeová lhes deu um entendimento mais claro de seus propósitos. Eles têm percebido que Jeová não lhes revela apressadamente as verdades, mas sim de modo bem ponderado, e agora falam com plena convicção, não ‘gaguejando’ por causa da incerteza.
“O insensato”
12. Quem são ‘os insensatos’ atualmente, e de que maneira não demonstram generosidade?
12 A seguir, a profecia de Isaías traça um contraste: “O insensato não mais será chamado de generoso; e quanto ao homem sem princípios, não se dirá que é nobre; porque o próprio insensato falará mera insensatez.” (Isaías 32:5, 6a) Quem é “o insensato”? Como se quisesse enfatizar, o Rei Davi fornece a resposta duas vezes: “O insensato disse no seu coração: ‘Não há Jeová.’ Agiram ruinosamente, agiram de modo detestável na sua ação. Não há quem faça o bem.” (Salmo 14:1; 53:1) Obviamente, os ateístas confessos dizem que Jeová não existe. De fato, o mesmo dizem os “intelectuais” e outros que agem como se não houvesse Deus, acreditando que não têm de prestar contas a ninguém. Essas pessoas não têm a verdade no íntimo. Não há generosidade em seu coração. Elas não têm o evangelho do amor. Em contraste com os cristãos genuínos, demoram em prover aquilo que as pessoas necessitadas e aflitas precisam, ou simplesmente não fazem isso.
13, 14. (a) Como os modernos apóstatas fazem o que é prejudicial? (b) Do que os apóstatas tentam privar os famintos e sedentos, mas qual será o desfecho?
13 Muitos desses insensatos passam a odiar aqueles que defendem a verdade de Deus. “O próprio coração dele fará o que é prejudicial, para praticar a apostasia e para falar contra Jeová aquilo que é desordenado.” (Isaías 32:6b) Isso certamente acontece com os apóstatas modernos! Em diversos países da Europa e da Ásia, os apóstatas têm se juntado a outros opositores da verdade e contado mentiras descaradas às autoridades, visando a proscrição ou a restrição das Testemunhas de Jeová. Eles manifestam a atitude do “escravo mau”, sobre quem Jesus profetizou: “Se é que aquele escravo mau disser no seu coração: ‘Meu amo demora’, e principiar a espancar os seus coescravos, e a comer e beber com os beberrões inveterados, o amo daquele escravo virá num dia em que não espera e numa hora que não sabe, e o punirá com a maior severidade e lhe determinará a sua parte com os hipócritas. Ali é onde haverá o seu choro e o ranger de seus dentes.” — Mateus 24:48-51.
14 Nesse meio tempo, o apóstata faz “a alma do faminto ficar vazia, e ele faz até mesmo o sedento passar sem a própria bebida”. (Isaías 32:6c) Os inimigos da verdade tentam impedir que as pessoas famintas da verdade obtenham o alimento espiritual, e que os sedentos bebam as águas revigorantes da mensagem do Reino. Mas o desfecho será o que Jeová declara ao seu povo por meio de outro profeta: “Por certo lutarão contra ti, mas não prevalecerão contra ti, pois ‘eu estou contigo’, é a pronunciação de Jeová, ‘para te livrar’.” — Jeremias 1:19; Isaías 54:17.
15. Atualmente, quem, em especial, são os “sem princípios”, que “declarações falsas” têm promovido, e com que resultado?
15 Desde meados do século 20, a imoralidade vem sendo praticada abertamente nos países da cristandade. Por quê? A profecia prediz um motivo: “Quanto ao homem sem princípios, seus instrumentos são maus; ele mesmo aconselhou atos de conduta desenfreada, para estragar os atribulados com declarações falsas, mesmo quando um pobre fala o que é direito.” (Isaías 32:7) Em cumprimento dessas palavras, muitos clérigos, em especial, têm adotado uma atitude permissiva para com o sexo pré-marital, a coabitação de pessoas não casadas, o homossexualismo — realmente, ‘fornicação e impureza de toda sorte’. (Efésios 5:3) Assim, eles ‘estragam’ seus rebanhos com declarações falsas.
16. O que faz com que os cristãos genuínos se tornem felizes?
16 Em contraste, quão revigorante é o cumprimento das palavras seguintes do profeta! “Quanto ao generoso, é para coisas generosas que ele deu conselho; e ele mesmo se levantará a favor de coisas generosas.” (Isaías 32:8) O próprio Jesus incentivou a generosidade, ao dizer: “Praticai o dar, e dar-vos-ão. Derramarão em vosso regaço uma medida excelente, recalcada, sacudida e transbordante. Pois, com a medida com que medis, medirão a vós em troca.” (Lucas 6:38) O apóstolo Paulo também destacou as bênçãos que os generosos recebem, ao dizer: “Tendes de ter em mente as palavras do Senhor Jesus, quando ele mesmo disse: ‘Há mais felicidade em dar do que há em receber.’” (Atos 20:35) Os cristãos genuínos tornam-se felizes não por obter riquezas materiais ou destaque social, mas por serem generosos — assim como seu Deus, Jeová, é generoso. (Mateus 5:44, 45) Sua maior felicidade reside em fazer a vontade de Deus, em dar generosamente de si a fim de divulgar “as gloriosas boas novas do Deus feliz”. — 1 Timóteo 1:11.
17. Quem são hoje como as “filhas descuidadas” mencionadas por Isaías?
17 A profecia de Isaías continua: “Vós, mulheres, que estais despreocupadas, levantai-vos, escutai a minha voz! Vós, filhas descuidadas, dai ouvidos à minha declaração! Dentro de um ano e alguns dias vós descuidadas ficareis agitadas, porque a vindima terá chegado ao fim, mas não entrará nenhum recolhimento de frutos. Tremei, vós mulheres despreocupadas! Ficai agitadas, vós descuidadas!” (Isaías 32:9-11a) A atitude dessas mulheres talvez nos faça lembrar daquelas pessoas que hoje afirmam servir a Deus mas não são zelosas no serviço dele. Elas se encontram nas religiões de “Babilônia, a Grande, a mãe das meretrizes”. (Revelação 17:5) Por exemplo, os membros das religiões da cristandade agem de maneira muito parecida com a descrição dessas “mulheres”, feita por Isaías. São ‘despreocupados’, ou acomodados, em relação à condenação e à ‘agitação’ que logo os envolverá.
18. Quem é instruído a ‘cingir serapilheira sobre os lombos’, e por quê?
18 A seguir, faz-se a convocação às religiões falsas: “Despi-vos e ponde-vos nuas, e cingi serapilheira sobre os lombos. Batei-vos no peito em lamentação pelos campos desejáveis, pela videira frutífera. No solo do meu povo surgem apenas espinhos, espinheiros, pois estão sobre todas as casas de exultação, sim, sobre a vila rejubilante.” (Isaías 32:11b-13) A expressão “despi-vos e ponde-vos nuas” não significa necessariamente ficar totalmente despido. O costume antigo era usar duas roupas sobrepostas. A roupa de cima muitas vezes servia para identificar a pessoa. (2 Reis 10:22, 23; Revelação 7:13, 14) Assim, a profecia ordena aos membros das religiões falsas que removam suas roupas de cima — sua pretensa identidade como servos de Deus — e se vistam de serapilheira, em símbolo de lamento por sua iminente condenação. (Revelação 17:16) Não se encontram frutos piedosos entre as organizações religiosas da cristandade, que afirma ser a “vila rejubilante” de Deus, nem entre os outros membros do império mundial da religião falsa. Seu campo de atuação produz “apenas espinhos, espinheiros”, de negligência e abandono.
19. Que condição da “Jerusalém” apóstata expõe Isaías?
19 Esse quadro de desolação se estende a todas as partes da “Jerusalém” apóstata: “A própria torre de habitação foi abandonada, e o próprio rebuliço da cidade foi deixado; mesmo Ofel e a torre de vigia se tornaram campos baldios, por tempo indefinido a exultação de zebras, pasto de greis.” (Isaías 32:14) Sim, até Ofel estaria incluída. Ofel era uma área elevada de Jerusalém que oferecia uma forte posição de defesa. Que Ofel se tornaria um campo baldio significava predizer a completa desolação da cidade. As palavras de Isaías mostram que a “Jerusalém” apóstata — a cristandade — não está atenta à vontade de Deus. Está espiritualmente improdutiva, totalmente sem verdade e justiça — animalesca ao extremo.
Um glorioso contraste!
20. Qual é o efeito do derramamento do espírito de Deus sobre seu povo?
20 Isaías apresenta a seguir uma esperança acalentadora para quem faz a vontade de Jeová. Qualquer desolação do povo de Deus duraria apenas ‘até que o espírito fosse despejado sobre nós do alto e o ermo se tornasse um pomar, e o próprio pomar fosse considerado uma verdadeira floresta’. (Isaías 32:15) Felizmente, desde 1919, o espírito de Jeová tem sido derramado de maneira abundante sobre seu povo, restaurando, por assim dizer, um frutífero pomar de Testemunhas ungidas, que seria seguido por uma crescente “floresta” de outras ovelhas. A prosperidade e o crescimento são a tônica da organização de Jeová hoje na Terra. No restaurado paraíso espiritual, “a glória de Jeová, o esplendor de nosso Deus”, é refletida por seu povo à medida que proclamam mundialmente seu iminente Reino. — Isaías 35:1, 2.
21. Onde se encontra justiça, sossego e segurança atualmente?
21 Ouça agora a gloriosa promessa de Jeová: “No ermo há de residir o juízo e no pomar morará a própria justiça. E o trabalho da verdadeira justiça terá de tornar-se a paz; e o serviço da verdadeira justiça: sossego e segurança por tempo indefinido.” (Isaías 32:16, 17) Isso descreve muito bem a atual condição espiritual do povo de Jeová. Em contraste com a maioria da humanidade, dividida por ódio, violência e absoluta pobreza espiritual, os cristãos verdadeiros estão mundialmente unidos, mesmo sendo “de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas”. Eles vivem, trabalham e servem em harmonia com a justiça de Deus, fazendo isso na confiança de que, por fim, terão verdadeira paz e segurança por tempo indefinido. — Revelação 7:9, 17.
22. Qual é a diferença entre a condição do povo de Deus e a dos que estão na religião falsa?
22 No paraíso espiritual, Isaías 32:18 já está se cumprindo. O texto diz: “Meu povo terá de morar num lugar de permanência pacífico, e em domicílios de plena confiança, e em lugares de descanso sem perturbação.” Mas para os cristãos de imitação, “há de saraivar quando a floresta descer e a cidade ficar rebaixada a um estado rebaixado”. (Isaías 32:19) Sim, como uma tempestuosa saraivada, a ação condenatória de Jeová está para golpear a fraudulenta cidade da religião falsa e rebaixar sua “floresta” de apoiadores, obliterando-os para sempre.
23. Que obra global está quase completa, e como devem ser considerados os que participam nela?
23 Esta parte da profecia conclui: “Felizes sois vós os que semeais junto a todas as águas, mandando embora os pés do touro e do jumento.” (Isaías 32:20) O touro e o jumento eram animais de carga usados pelo antigo povo de Deus para arar os campos e semear. Atualmente, o povo de Jeová usa equipamentos de impressão, instrumentos eletrônicos, prédios e transportes modernos e, acima de tudo, uma organização teocrática unida para imprimir e distribuir bilhões de publicações bíblicas. Trabalhadores dispostos usam esses instrumentos para espalhar as sementes da verdade do Reino por toda a Terra, literalmente “junto a todas as águas”. Milhões de homens e mulheres tementes a Deus já foram ceifados, e outras multidões estão se juntando a eles. (Revelação 14:15, 16) Todos esses devem realmente ser considerados “felizes”.
[Nota(s) de rodapé]
a O “rei” mencionado em Isaías 32:1 pode ter se aplicado preliminarmente ao Rei Ezequias. No entanto, o principal cumprimento de Isaías, capítulo 32, relaciona-se ao Rei, Cristo Jesus.
b Veja A Sentinela de 1.º de março de 1999, páginas 13-18, publicada pelas Testemunhas de Jeová.
[Fotos na página 331]
Nos Rolos do Mar Morto, o capítulo 32 de Isaías está marcado com um “X”
[Fotos na página 333]
Cada ‘príncipe’ é como abrigo contra o vento, esconderijo contra a chuva, água no deserto, e sombra para proteger do sol
[Foto na página 338]
Os cristãos têm grande prazer em falar das boas novas a outros
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“Nenhum residente dirá: ‘Estou doente’”Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Vinte e Seis
“Nenhum residente dirá: ‘Estou doente’”
1. Por que são consoladoras as palavras de Isaías 33:24?
“TODA a criação junta persiste em gemer e junta está em dores até agora.” Assim disse o apóstolo Paulo. (Romanos 8:22) Apesar dos avanços na medicina, a doença e a morte continuam a afligir a raça humana. Portanto, a promessa culminante desta parte da profecia de Isaías é realmente maravilhosa! Imagine o tempo em que “nenhum residente dirá: ‘Estou doente.’” (Isaías 33:24) Quando e como se cumprirá essa promessa?
2, 3. (a) Em que sentido a nação de Israel estava doente? (b) De que maneira a Assíria serviu como “vara” de disciplina de Deus?
2 Isaías escreveu isso numa época em que o povo pactuado de Deus estava espiritualmente doente. (Isaías 1:5, 6) Haviam ficado tão envolvidos em apostasia e imoralidade que precisavam de disciplina severa da parte de Jeová Deus. A Assíria serviu como “vara” de Jeová para aplicar tal disciplina. (Isaías 7:17; 10:5, 15) Primeiro, o reino setentrional de dez tribos de Israel sucumbiu aos assírios, em 740 AEC. (2 Reis 17:1-18; 18:9-11) Poucos anos depois, o Rei Senaqueribe, da Assíria, lançou um ataque total contra o reino meridional de Judá. (2 Reis 18:13; Isaías 36:1) À medida que o rolo compressor assírio varria o país, a aniquilação completa de Judá parecia inevitável.
3 Mas a Assíria se excedia na sua missão de disciplinar o povo de Deus e seguia a sua própria ambição egoísta de conquistar o mundo. (Isaías 10:7-11) Permitiria Jeová que esses maus-tratos brutais a seu povo ficassem sem punição? Haveria uma cura para a doença espiritual do país? Em Isaías, capítulo 33, lemos as respostas de Jeová a essas perguntas.
Assolando o assolador
4, 5. (a) Como a situação da Assíria mudaria? (b) Que oração Isaías fez em benefício do povo de Jeová?
4 A profecia começa: “Ai de ti que assolas sem seres assolado, e tu que ages traiçoeiramente, sem que outros tenham agido traiçoeiramente contigo! Assim que tiveres acabado como assolador, serás assolado. Assim que terminares de agir traiçoeiramente, agirão traiçoeiramente contigo.” (Isaías 33:1) Isaías se dirigia diretamente ao assolador, a Assíria. No auge do poder, essa nação agressiva parecia invencível. Ela havia ‘assolado sem ser assolada’, devastando as cidades de Judá e até mesmo despojando a casa de Jeová de suas riquezas — fazendo isso com aparente impunidade. (2 Reis 18:14-16; 2 Crônicas 28:21) Mas havia chegado a hora de as coisas se inverterem. “Serás assolado”, declara Isaías corajosamente. Essa profecia era muito consoladora para os fiéis.
5 Durante aquele período assustador, os adoradores leais de Jeová precisariam voltar-se para ele em busca de ajuda. Assim, Isaías ora: “Ó Jeová, mostra-nos favor. Em ti temos esperado. Torna-te o nosso braço [de força e apoio] cada manhã, sim, a nossa salvação no tempo da aflição. Povos fugiram ao som do tumulto. Nações foram dispersadas quando te ergueste.” (Isaías 33:2, 3) Apropriadamente, Isaías orou a Jeová pedindo que livrasse Seu povo, como já fizera muitas vezes. (Salmo 44:3; 68:1) E assim que terminou de orar, Isaías predisse a resposta de Jeová.
6. O que aconteceria à Assíria, e por que isso seria apropriado?
6 “O despojo de vós [assírios] será realmente ajuntado como as baratas quando se ajuntam, como a investida de enxames de gafanhotos que investem contra alguém.” (Isaías 33:4) Judá conhecia os efeitos devastadores da invasão de insetos. Mas, naquela ocasião, os inimigos de Judá é que seriam devastados. A Assíria sofreria uma derrota humilhante, e seus soldados seriam forçados a fugir, deixando muito despojo para os habitantes de Judá. Era bem apropriado que a Assíria, conhecida por sua crueldade, fosse assolada. — Isaías 37:36.
A “Assíria” moderna
7. (a) Quem pode hoje ser comparada à espiritualmente doente nação de Israel do passado? (b) Quem servirá como “vara” de Jeová para destruir a cristandade?
7 Como a profecia de Isaías se aplica aos nossos dias? A nação de Israel, espiritualmente doente, pode ser comparada à cristandade infiel. Assim como Jeová usou a Assíria como “vara” para punir Israel, ele também usará uma “vara” para punir a cristandade — e o restante do império mundial da religião falsa, “Babilônia, a Grande”. (Isaías 10:5; Revelação [Apocalipse] 18:2-8) Essa “vara” será composta de nações-membros das Nações Unidas — organização retratada em Revelação como fera cor de escarlate, de sete cabeças e dez chifres. — Revelação 17:3, 15-17.
8. (a) Quem hoje é comparável a Senaqueribe? (b) A quem o Senaqueribe moderno se atreverá a atacar, e com que resultado?
8 Quando a “Assíria” moderna investir contra o domínio da religião falsa, parecerá invencível. Com atitude similar à de Senaqueribe, Satanás, o Diabo, se atreverá a golpear, não apenas as organizações apóstatas, que merecem punição, mas também os cristãos verdadeiros. Junto com os remanescentes dos filhos espirituais ungidos de Jeová, milhões que saíram do mundo de Satanás (que inclui Babilônia, a Grande) apoiam o Reino de Jeová. Furioso porque os cristãos verdadeiros se recusarão a prestar-lhe homenagem, “o deus deste sistema de coisas”, Satanás, lançará um ataque total contra eles. (2 Coríntios 4:4; Ezequiel 38:10-16) Por mais aterrorizante que seja esse ataque, o povo de Jeová não precisará se encolher de medo. (Isaías 10:24, 25) Eles têm a garantia de que Deus será sua “salvação no tempo da aflição”. Ele intervirá devastando Satanás e seus apoiadores. (Ezequiel 38:18-23) Como nos tempos antigos, quem tentar assolar o povo de Deus será assolado. (Note Provérbios 13:22b.) O nome de Jeová será santificado, e os sobreviventes serão recompensados por terem buscado “sabedoria e conhecimento [e] o temor de Jeová”. — Leia Isaías 33:5, 6.
Aviso aos infiéis
9. (a) O que fariam os “heróis” e os “mensageiros de paz” de Judá? (b) Como os assírios reagiriam às iniciativas de paz de Judá?
9 Mas qual seria o destino dos infiéis em Judá? Isaías pinta um quadro sombrio de sua iminente destruição às mãos da Assíria. (Leia Isaías 33:7.) Os “heróis” militares de Judá clamariam de medo diante do avanço assírio. Os “mensageiros de paz”, diplomatas enviados para negociar a paz com os beligerantes assírios, enfrentariam zombaria e humilhação. Chorariam amargamente por seu fracasso. (Note Jeremias 8:15.) Os cruéis assírios não teriam piedade deles. (Leia Isaías 33:8, 9.) Ignorariam impiedosamente os acordos que haviam feito com os habitantes de Judá. (2 Reis 18:14-16) Os assírios ‘menosprezariam as cidades’ de Judá, encarando-as com desprezo e zombaria, sem consideração para com a vida humana. A situação seria tão devastadora que a própria terra, por assim dizer, prantearia. O Líbano, Sarom, Basã e o Carmelo também lamentariam a desolação.
10. (a) Como os “heróis” da cristandade mostrarão ser ineficazes? (b) Quem protegerá os cristãos genuínos no dia de aflição da cristandade?
10 Circunstâncias similares sem dúvida surgirão no futuro próximo, à medida que as nações começarem a atacar as religiões. Como nos dias de Ezequias, será inútil tentar resistir fisicamente a essas forças destrutivas. Os “heróis” da cristandade — seus políticos, financistas e outras pessoas influentes — serão incapazes de ajudá-la. Os ‘pactos’, ou acordos, políticos e financeiros, feitos para proteger os interesses da cristandade, serão violados. (Isaías 28:15-18) As desesperadas tentativas diplomáticas para evitar a destruição falharão. As atividades comerciais cessarão à medida que as propriedades e os investimentos da cristandade forem confiscados ou destruídos. Quem ainda tiver simpatia para com a cristandade não fará mais do que ficar a uma distância segura e lamentar a destruição dela. (Revelação 18:9-19) Será que o cristianismo verdadeiro será eliminado junto com o falso? Não, pois o próprio Jeová garante: “‘Agora vou levantar-me’, diz Jeová, ‘agora vou enaltecer-me; agora vou elevar-me’.” (Isaías 33:10) Por fim, Jeová intervirá em favor dos fiéis semelhantes a Ezequias e impedirá o avanço do “assírio”. — Salmo 12:5.
11, 12. (a) Quando e como se cumpriram as palavras de Isaías 33:11-14? (b) Que aviso as palavras de Jeová dão para os nossos dias?
11 Os infiéis não poderão contar com tal proteção. Jeová diz: “Vós concebeis grama seca; dareis à luz restolho. Vosso próprio espírito vos consumirá como fogo. E povos terão de tornar-se como as queimas de cal. Como espinhos cortados serão incendiados com o próprio fogo. Ouvi, vós os que estais longe, o que eu tenho de fazer! E vós os que estais perto, conhecei a minha potência. Em Sião, os pecadores ficaram apavorados; o tremor apoderou-se dos apóstatas: ‘Quem de nós pode residir qualquer tempo com um fogo devorador? Quem de nós pode residir qualquer tempo com incêndios de longa duração?’” (Isaías 33:11-14) Essas palavras evidentemente se aplicaram a quando Judá enfrentou um novo inimigo, Babilônia. Após a morte de Ezequias, Judá voltou a agir de maneira ímpia. Nas décadas seguintes, as condições em Judá deterioraram ao ponto de a nação inteira ter de sofrer o fogo da ira de Deus. — Deuteronômio 32:22.
12 Os planos e as tramas perversas dos desobedientes, para evitar que Deus os condenasse, seriam tão inoperantes como restolho. De fato, o espírito orgulhoso e rebelde do país deflagraria os eventos que levariam à sua destruição. (Jeremias 52:3-11) Os perversos se ‘tornariam como as queimas de cal’ — completamente destruídos. À medida que contemplassem essa iminente destruição, os rebeldes habitantes de Judá sentiriam um pavor mórbido. As palavras de Jeová à infiel Judá ilustram a situação atual dos membros da cristandade. Um futuro sombrio lhes aguarda se não acatarem o aviso de Deus.
‘Andar em contínua justiça’
13. Que promessa foi feita àquele que ‘andasse em contínua justiça’, e como ela se cumpriu no caso de Jeremias?
13 Em contraste, Jeová diz a seguir: “Há um que anda em contínua justiça e fala o que é reto, que rejeita o lucro injusto procedente de fraudes, que sacode a sua mão para se livrar de segurar um suborno, que tapa seu ouvido para não escutar falar de derramamento de sangue e que fecha seus olhos para não ver o que é mau. É ele quem residirá nas próprias alturas; sua altura protetora serão lugares rochosos de difícil acesso. Certamente se lhe dará seu próprio pão; seu suprimento de água não falhará.” (Isaías 33:15, 16) Como o apóstolo Pedro expressou posteriormente, “Jeová sabe livrar da provação os de devoção piedosa, mas reservar os injustos para o dia do julgamento, para serem decepados”. (2 Pedro 2:9) Jeremias recebeu tal livramento. Durante o sítio babilônico, o povo teve de “comer pão por peso e em ansiedade”. (Ezequiel 4:16) Algumas mulheres chegaram a comer a carne de seus próprios filhos. (Lamentações 2:20) Contudo, Jeová cuidou para que Jeremias ficasse a salvo.
14. Como os cristãos hoje podem ‘andar em contínua justiça’?
14 Atualmente, os cristãos também devem ‘andar em contínua justiça’, seguindo diariamente as normas de Jeová. (Salmo 15:1-5) Devem ‘falar o que é reto’ e rejeitar as mentiras e as falsidades. (Provérbios 3:32) A fraude e o suborno podem ser comuns em muitos países, mas são repugnantes para quem “anda em contínua justiça”. Os cristãos devem também manter “uma consciência honesta” nos tratos comerciais, evitando cuidadosamente negócios fraudulentos e escusos. (Hebreus 13:18; 1 Timóteo 6:9, 10) E aquele que “tapa seu ouvido para não escutar falar de derramamento de sangue e que fecha seus olhos para não ver o que é mau” será criterioso na escolha de música e entretenimento. (Salmo 119:37) Durante seu dia de julgamento, Jeová protegerá e amparará aqueles que o adoram e seguem essas normas. — Sofonias 2:3.
Contemplando seu Rei
15. Que promessa susteria os fiéis judeus exilados?
15 A seguir, Isaías fornece uma vívida descrição do futuro: “Um rei na sua formosura é o que os teus olhos contemplarão; verão uma terra longínqua. Teu próprio coração comentará em voz baixa uma coisa amedrontadora: ‘Onde está o secretário? Onde está aquele que faz o pagamento? Onde está aquele que conta as torres?’ Não verás nenhum povo insolente, um povo de idioma demasiado profundo para se escutar, de língua gaga, sem a tua compreensão.” (Isaías 33:17-19) A promessa do futuro Rei messiânico e seu Reino susteria os judeus fiéis durante as longas décadas de exílio em Babilônia, embora pudessem ver o Reino apenas de longe. (Hebreus 11:13) Quando o domínio do Messias finalmente se tornasse realidade, a tirania babilônica seria uma lembrança remota. Os sobreviventes do ataque assírio perguntariam, com alegria: “Onde estão aqueles que nos forçavam a pagar tributos, aqueles que cobravam os impostos?” — Isaías 33:18, A Bíblia na Linguagem de Hoje.
16. Desde quando o povo de Deus consegue ‘contemplar’ o Rei messiânico, e com que resultado?
16 Embora as palavras de Isaías garantissem a libertação do cativeiro babilônico, os judeus exilados teriam de esperar a ressurreição para usufruir o cumprimento completo dessa parte da profecia. Que dizer dos servos de Deus hoje? Desde 1914, o povo de Jeová consegue ‘contemplar’, ou discernir, o Rei messiânico, Jesus Cristo, em toda a sua beleza espiritual. (Salmo 45:2; 118:22-26) Como resultado, foram libertados da opressão e do controle do sistema perverso de Satanás. Sob Sião, a sede do Reino de Deus, usufruem verdadeira segurança espiritual.
17. (a) Que promessas são feitas com respeito a Sião? (b) Como se cumprem no Reino messiânico e em seus apoiadores na Terra as promessas de Jeová referentes a Sião?
17 Isaías continua: “Contempla Sião, a vila de nossas festividades! Teus próprios olhos verão Jerusalém, lugar de permanência sem perturbação, tenda que ninguém enfardará. Nunca serão arrancadas as suas estacas de tenda, e nenhuma das suas cordas se romperá. Mas ali o Majestoso, Jeová, será para nós um lugar de rios, de canais largos. Nele não andará nenhuma frota de galeras e nenhum navio majestoso passará por ele.” (Isaías 33:20, 21) Isaías garante que o Reino messiânico de Deus não poderá ser arrancado ou destruído. Além disso, essa proteção se estende claramente aos fiéis apoiadores do Reino na Terra hoje. Mesmo que muitos passem por provas severas, garante-se aos súditos do Reino de Deus que nenhum esforço para destruí-los como congregação tem a mínima chance de dar certo. (Isaías 54:17) Jeová protegerá seu povo assim como um fosso ou um canal protege uma cidade. Qualquer inimigo que os atacar — mesmo que seja tão poderoso quanto uma “frota de galeras”, ou um “navio majestoso” — será destruído.
18. Que responsabilidade Jeová aceita?
18 Mas por que os que amam o Reino de Deus podem ter tanta confiança na proteção divina? Isaías explica: “Porque Jeová é o nosso Juiz, Jeová é o nosso Legislador, Jeová é o nosso Rei; ele mesmo nos salvará.” (Isaías 33:22) Jeová aceita a responsabilidade de proteger e orientar seu povo, que o reconhece como Soberano Supremo. Essas pessoas se submetem voluntariamente ao seu domínio por meio do Rei messiânico, reconhecendo que Jeová tem autoridade não apenas para fazer leis, mas também para executá-las. Contudo, visto que Jeová ama a retidão e a justiça, seu domínio, por meio de seu Filho, não é um fardo para Seus adoradores. Ao contrário, eles ‘tiram proveito’ por se submeterem à sua autoridade. (Isaías 48:17) Jeová nunca abandonará os que lhe são leais. — Salmo 37:28.
19. Como Isaías descreve a ineficácia dos inimigos do povo fiel de Jeová?
19 Isaías diz aos inimigos do povo fiel de Jeová: “Tuas cordas terão de pender soltas; não manterão seu mastro firmemente ereto; não estenderam nenhuma vela. Naquele tempo, até mesmo o despojo em abundância terá de ser dividido; os próprios coxos tomarão realmente um grande saque.” (Isaías 33:23) Qualquer inimigo que se aproximasse seria tão ineficaz e indefeso contra Jeová quanto um navio de guerra com o cordame solto, o mastro frouxo e sem velas. A destruição dos inimigos de Deus resultaria em tantos despojos que até os incapacitados participariam do saque. Assim, podemos ter confiança de que, por meio do Rei Jesus Cristo, Jeová triunfará sobre seus inimigos na vindoura “grande tribulação”. — Revelação 7:14.
Uma cura
20. Que tipo de cura o povo de Deus teria, e quando?
20 Esta parte da profecia de Isaías conclui com uma promessa acalentadora: “Nenhum residente dirá: ‘Estou doente.’ O povo que mora na terra serão os a quem se perdoa seu erro.” (Isaías 33:24) A doença à qual Isaías se refere é, em primeiro lugar, espiritual, pois é relacionada com pecado, ou “erro”. Na primeira aplicação dessas palavras, Jeová prometeu que após a libertação do cativeiro em Babilônia, a nação seria curada em sentido espiritual. (Isaías 35:5, 6; Jeremias 33:6; note o Salmo 103:1-5.) Uma vez perdoados seus pecados, os judeus que teriam retornado restaurariam a adoração pura em Jerusalém.
21. De que maneiras os atuais adoradores de Jeová são curados em sentido espiritual?
21 Contudo, a profecia de Isaías tem um cumprimento moderno. Atualmente, os do povo de Jeová também são curados em sentido espiritual. Têm sido libertados de ensinos falsos como a imortalidade da alma, a Trindade e o inferno de fogo. Recebem orientação moral que os liberta de práticas imorais e os ajuda a tomar decisões acertadas. E graças ao sacrifício resgatador de Jesus Cristo, têm uma condição limpa perante Deus e uma consciência limpa. (Colossenses 1:13, 14; 1 Pedro 2:24; 1 João 4:10) Essa cura espiritual tem benefícios físicos. Por exemplo, por se absterem da imoralidade sexual e do fumo, os cristãos se protegem contra doenças sexualmente transmissíveis e certos tipos de câncer. — 1 Coríntios 6:18; 2 Coríntios 7:1.
22, 23. (a) Que cumprimento grandioso terá Isaías 33:24? (b) Qual é a determinação dos verdadeiros adoradores hoje?
22 Além disso, as palavras de Isaías 33:24 se cumprirão de maneira ainda mais ampla após o Armagedom, no novo mundo de Deus. Sob o domínio do Reino messiânico, os humanos experimentarão uma grandiosa cura física, junto com a cura espiritual. (Revelação 21:3, 4) Pouco depois da destruição do sistema de Satanás, milagres como os que Jesus realizou quando esteve na Terra certamente acontecerão em escala global. Os cegos verão, os surdos ouvirão, os aleijados andarão! (Isaías 35:5, 6) Isso permitirá que todos os sobreviventes da grande tribulação participem na grandiosa obra de restaurar o paraíso na Terra.
23 Posteriormente, quando começar a ressurreição, os ressuscitados sem dúvida voltarão com boa saúde. Mas, à medida que o valor do sacrifício resgatador for aplicado de maneira ampliada, haverá mais benefícios físicos, até que a humanidade seja levada à perfeição. Então, os justos ‘passarão a viver’ no pleno sentido. (Revelação 20:5, 6) Naquela época, “nenhum residente dirá: ‘Estou doente’”, nem em sentido físico nem espiritual. Que promessa animadora! Que todos os verdadeiros adoradores hoje estejam determinados a estar entre aqueles que verão o seu cumprimento!
[Foto na página 344]
Isaías orou confiantemente a Jeová
[Fotos na página 353]
Graças ao sacrifício resgatador, o povo de Jeová tem uma condição limpa diante dele
[Foto na página 354]
No novo mundo, haverá uma grandiosa cura física
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Jeová derrama sua indignação sobre as naçõesProfecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Vinte e Sete
Jeová derrama sua indignação sobre as nações
1, 2. (a) No que diz respeito à vingança de Jeová, de que podemos estar certos? (b) O que Deus realiza por executar vingança?
JEOVÁ DEUS é paciente não apenas com seus servos fiéis, mas também com seus inimigos, quando isso está de acordo com seu propósito. (1 Pedro 3:19, 20; 2 Pedro 3:15) Os adversários de Jeová talvez não reconheçam sua paciência e podem encará-la como incapacidade ou falta de vontade de agir. Apesar disso, como mostra o capítulo 34 de Isaías, no final Jeová sempre exige que seus inimigos prestem contas. (Sofonias 3:8) Por um tempo, Deus havia permitido que Edom e outras nações se opusessem ao seu povo sem intervir. Mas Jeová já havia definido o tempo certo para a retribuição. (Deuteronômio 32:35) Similarmente, no tempo designado, Jeová se vingará de todos os elementos do atual sistema perverso que desafiam sua soberania.
2 O objetivo principal de Deus ao executar vingança é demonstrar sua soberania e glorificar seu nome. (Salmo 83:13-18) Sua retribuição prova também que seus servos são seus verdadeiros representantes e os livra de situações indesejáveis. Além disso, a vingança de Jeová sempre está em plena harmonia com a sua justiça. — Salmo 58:10, 11.
Prestem atenção, nações
3. Que convite Jeová faz às nações por meio de Isaías?
3 Antes de se concentrar na vingança contra Edom, Jeová estende, por meio de Isaías, um convite solene a todas as nações: “Chegai-vos, nações, para ouvir; e prestai atenção, grupos nacionais. Escute a terra e aquilo que a enche, o solo produtivo e todo o seu produto.” (Isaías 34:1) O profeta havia falado repetidas vezes contra as nações ímpias e estava prestes a resumir as advertências divinas contra elas. Será que esses avisos têm algum significado para os nossos dias?
4. (a) O que as nações são convocadas a fazer, conforme registrado em Isaías 34:1? (b) Será que a expressão de condenação de Jeová contra as nações prova que ele é um Deus cruel? (Veja o quadro na página 363.)
4 Sem dúvida! O Soberano do Universo tem uma controvérsia com todos os segmentos deste sistema ímpio. É por isso que os “grupos nacionais” e a ‘Terra’ são convocados a ouvir a mensagem bíblica que Jeová faz anunciar em todo o mundo. Numa linguagem que lembra as palavras do Salmo 24:1, Isaías diz que toda a Terra será coberta com essa mensagem — uma profecia que se tem cumprido em nosso tempo, com a pregação das Testemunhas de Jeová “até à parte mais distante da terra”. (Atos 1:8) Mas as nações não dão ouvidos. Não levam a sério o aviso sobre sua vindoura extinção. Obviamente, isso não impedirá que Jeová cumpra sua Palavra.
5, 6. (a) Qual é o motivo de Deus exigir das nações um ajuste de contas? (b) Em que sentido “os montes terão de derreter-se por causa do sangue deles”?
5 A seguir, a profecia descreve a perspectiva sombria para as nações ímpias — um contraste total com a esplêndida esperança do povo de Deus, descrita posteriormente. (Isaías 35:1-10) O profeta declara: “Jeová tem indignação contra todas as nações e furor contra todo o seu exército. Ele terá de devotá-las à destruição; terá de entregá-las ao abate. E seus mortos serão lançados fora; e quanto aos seus cadáveres, ascenderá o seu mau cheiro; e os montes terão de derreter-se por causa do sangue deles.” — Isaías 34:2, 3.
6 A atenção se focaliza na culpa de sangue das nações. Atualmente, as nações da cristandade têm a maior de todas as culpas de sangue. Em duas guerras mundiais e em muitos conflitos menores, elas encharcaram a Terra com sangue humano. Quem tem o direito de exigir justiça por toda essa culpa de sangue? Somente o Criador, o Grandioso Dador da Vida. (Salmo 36:9) A lei de Jeová estabeleceu a norma: “Terás de dar alma por alma.” (Êxodo 21:23-25; Gênesis 9:4-6) Fiel a essa lei, Jeová fará o sangue das nações jorrar — até que morram. O mau cheiro de seus cadáveres não enterrados impregnará o ar — uma morte realmente vergonhosa! (Jeremias 25:33) O sangue reclamado em retribuição será suficiente para derreter, ou dissolver, por assim dizer, os montes. (Sofonias 1:17) Com a destruição total de suas forças militares, as nações do mundo verão a queda de seus governos, que às vezes são retratados como montes na profecia bíblica. — Daniel 2:35, 44, 45; Revelação (Apocalipse) 17:9.
7. O que representam “os céus” e o “exército dos céus”?
7 Usando outra vívida linguagem figurada, Isaías prossegue: “Todos os do exército dos céus terão de apodrecer. E os céus terão de ser enrolados, como o rolo dum livro; e todo o seu exército terá de engelhar-se, assim como se engelha a folhagem caindo da videira e como o figo engelhado da figueira.” (Isaías 34:4) A expressão “todos os do exército dos céus” não se refere às estrelas e aos planetas literais. Os versículos 5 e 6 de Is 34 falam de uma espada de execução ficar encharcada de sangue nesses “céus”. Assim, isso deve simbolizar algo no domínio humano. (1 Coríntios 15:50) Por causa de sua posição elevada como autoridades superiores, os governos da humanidade são comparados a céus que dominam sobre a sociedade humana terrestre. (Romanos 13:1-4) Portanto, o “exército dos céus” representa o conjunto dos exércitos desses governos da humanidade.
8. Como os céus simbólicos mostrarão ser “como o rolo dum livro”, e o que acontecerá aos seus ‘exércitos’?
8 Esse “exército” virá a “apodrecer”, se decomporá, como algo perecível. (Salmo 102:26; Isaías 51:6) A olho nu, o céu literal acima de nós parece ser curvo como um antigo rolo de livro, cuja escrita geralmente ficava na parte interna. Quando o leitor terminava de ler a parte interna do rolo, este era enrolado e guardado. Similarmente, “os céus terão de ser enrolados, como o rolo dum livro”, no sentido de que os governos humanos deixarão de existir. Tendo chegado à página final de sua história, serão eliminados no Armagedom. Seus impressionantes ‘exércitos’ cairão como as folhas secas da videira ou como “o figo engelhado” da figueira. Seu tempo terá passado. — Note Revelação 6:12-14.
Um dia de retribuição
9. (a) Como se originou a nação de Edom, e que relacionamento se desenvolveu entre ela e Israel? (b) O que Jeová decreta com respeito a Edom?
9 A seguir, a profecia destaca uma nação que existia nos dias de Isaías — Edom. Os edomitas descendiam de Esaú (Edom), que vendeu a primogenitura ao seu irmão gêmeo, Jacó, por pão e um cozido de lentilhas. (Gênesis 25:24-34) Pelo fato de Jacó tê-lo substituído como primogênito, Esaú passou a odiá-lo profundamente. Posteriormente, as nações de Edom e Israel tornaram-se inimigas, embora descendessem de irmãos gêmeos. Por causa dessa hostilidade contra o povo de Deus, Edom havia incorrido na ira de Jeová, que passa a dizer: “Minha espada certamente ficará encharcada nos céus. Eis que descerá sobre Edom e sobre o povo que em justiça devotei à destruição. Jeová tem uma espada; terá de ficar cheia de sangue; terá de ficar untada de gordura, do sangue de carneirinhos e de cabritos, da gordura dos rins de carneiros. Porque Jeová tem um sacrifício em Bozra e um grande abate na terra de Edom.” — Isaías 34:5, 6.
10. (a) A quem Jeová rebaixou ao brandir sua espada “nos céus”? (b) Que atitude Edom demonstrou quando Judá foi atacada por Babilônia?
10 Edom ocupava uma elevada região montanhosa. (Jeremias 49:16; Obadias 8, 9, 19, 21) Mas nem mesmo essas defesas naturais ajudariam quando Jeová brandisse sua espada condenatória “nos céus”, rebaixando os governantes de Edom de sua posição elevada. Edom era fortemente militarizada, e suas forças armadas marchavam por altas cordilheiras para proteger o país. Mas a poderosa Edom não ajudou o reino de Judá quando este foi atacado pelos exércitos de Babilônia. Em vez disso, alegrou-se com a queda de Judá e atiçou seus conquistadores. (Salmo 137:7) Foi até mesmo no encalço dos judeus que fugiam para salvar a vida e os entregou aos babilônios. (Obadias 11-14) Os edomitas planejavam apossar-se do país abandonado pelos israelitas e falavam jactanciosamente contra Jeová. — Ezequiel 35:10-15.
11. Como Jeová faria os edomitas pagar por sua traição?
11 Será que Jeová fez vista grossa a essa atitude nada fraternal dos edomitas? Não. Em vez disso, ele predisse sobre Edom: “Os touros selvagens terão de descer com eles, e os novilhos, com os poderosos; e sua terra terá de ser encharcada com sangue e o próprio pó deles ficará untado de gordura.” (Isaías 34:7) Jeová referiu-se aos grandes e aos pequenos do país como simbólicos touros selvagens e novilhos, como carneirinhos e cabritos. A terra dessa nação culpada de sangue ficaria encharcada com o sangue do próprio povo, por meio da “espada” executora de Jeová.
12. (a) A quem Jeová usou para punir Edom? (b) O que o profeta Obadias predisse com respeito a Edom?
12 Deus estava decidido a punir Edom pela maldade feita à Sua organização terrestre, chamada Sião. A profecia diz: “Jeová tem um dia de vingança, um ano de retribuições pela causa jurídica relativa a Sião.” (Isaías 34:8) Não muito depois da destruição de Jerusalém, em 607 AEC, Jeová começou a expressar sua vingança justa contra os edomitas por meio do rei de Babilônia, Nabucodonosor. (Jeremias 25:15-17, 21) Quando os exércitos de Babilônia avançaram contra Edom, nada pôde salvar os edomitas! Era “um ano de retribuições” sobre aquela terra montanhosa. Jeová predisse por meio do profeta Obadias: “Por causa da violência feita ao teu irmão Jacó cobrir-te-á a vergonha e terás de ser decepado por tempo indefinido. . . . Assim como fizeste, será feito a ti. Tua espécie de tratamento retornará sobre a tua própria cabeça.” — Obadias 10, 15; Ezequiel 25:12-14.
O futuro sombrio da cristandade
13. Quem é atualmente como Edom, e por quê?
13 Nos tempos modernos, existe uma organização com antecedentes similares aos de Edom. Que organização? Bem, quem, nos tempos modernos, tem tomado a liderança em insultar e perseguir os servos de Jeová? Não tem sido a cristandade, por meio de sua classe clerical? Sim! A cristandade tem se elevado a alturas montanhescas no que diz respeito aos assuntos do mundo. Ela reivindica uma posição elevada no sistema da humanidade, e suas religiões constituem a parte dominante de Babilônia, a Grande. Mas Jeová decretou “um ano de retribuições” contra essa Edom moderna por causa de sua maneira ultrajante de tratar Seu povo, Suas Testemunhas.
14, 15. (a) O que aconteceu à terra de Edom e acontecerá também à cristandade? (b) O que significam as referências ao piche ardente e à fumaça que ascenderia por tempo indefinido, e o que não significam?
14 Assim, ao considerarmos o restante dessa parte da profecia de Isaías, pensamos não apenas na Edom antiga, mas também na cristandade: “As torrentes dela terão de transformar-se em piche e seu pó em enxofre; e sua terra terá de tornar-se como piche ardente. Não se apagará nem de noite nem de dia; sua fumaça continuará a ascender por tempo indefinido.” (Isaías 34:9, 10a) A terra de Edom ficaria tão abrasada que seria como se o pó fosse enxofre e os vales das torrentes ficassem cheios de piche, em vez de água. Daí, essas substâncias altamente inflamáveis entrariam em combustão. — Note Revelação 17:16.
15 Alguns encaram a menção de fogo, piche e enxofre como prova da existência de um inferno ardente. Mas Edom não foi lançada num mitológico inferno de fogo para queimar para sempre. Foi realmente destruída, desaparecendo do cenário mundial como se tivesse sido totalmente consumida por fogo e enxofre. Como a profecia prossegue mostrando, o resultado não foi tormento eterno, mas “vácuo . . . vazio . . . nada”. (Isaías 34:11, 12) A fumaça ‘que ascenderia por tempo indefinido’ ilustra isso vividamente. Quando um incêndio destrói uma casa, a fumaça continua subindo das cinzas por algum tempo depois de o fogo se ter apagado, o que prova aos observadores que houve um grande incêndio. Visto que os cristãos ainda hoje aprendem lições da destruição de Edom, é como se, em certo sentido, a fumaça de seu incêndio ainda estivesse ascendendo.
16, 17. O que se tornaria Edom, e por quanto tempo continuaria assim?
16 A profecia de Isaías prediz ainda que a população de Edom seria substituída por animais selvagens, dando a entender uma vindoura desolação: “De geração em geração será abrasada; nunca jamais passará alguém por ela. E o pelicano e o porco-espinho terão de tomar posse dela, e os próprios mochos-orelhudos e os corvos residirão nela; e ele terá de estender sobre ela o cordel de medir do vácuo e as pedras do vazio. Seus nobres — não há ali nenhuns chamados ao próprio reinado, e os próprios príncipes dela tornar-se-ão todos em nada. Espinhos terão de subir nas suas torres de habitação, urtigas e plantas espinhosas, nas suas praças fortes; e ela terá de tornar-se lugar de permanência de chacais, pátio para avestruzes. E os frequentadores de regiões áridas terão de encontrar-se com animais uivantes, e até mesmo o demônio caprino chamará o seu companheiro. Sim, ali o curiango certamente ficará em repouso e achará para si um lugar de descanso. Ali a cobra-cuspideira fez o seu ninho e bota ovos.” — Isaías 34:10b-15.a
17 Sim, Edom se tornaria uma terra vazia, uma terra deserta, cujos habitantes seriam animais selvagens, pássaros e cobras. Como diz o versículo 10 de Is 34, a terra “nunca jamais” sairia daquele estado abrasado. Não haveria restauração. — Obadias 18.
O cumprimento certo da palavra de Jeová
18, 19. O que é o “livro de Jeová”, e o que está reservado para a cristandade nesse “livro”?
18 Isso prenuncia um futuro sem esperança para a correlativa moderna de Edom, a cristandade. Ela tem demonstrado ser inimiga ferrenha de Jeová Deus, cujas Testemunhas ela persegue violentamente. E não há dúvida de que Jeová cumprirá Sua palavra. Sempre que se compara uma profecia com o seu cumprimento, as duas coisas coincidem — tão certo quanto o fato de as criaturas que habitavam a desolada Edom ‘terem cada uma seu companheiro’. Isaías fala a futuros estudantes da profecia bíblica: “Buscai vós mesmos no livro de Jeová e lede em voz alta: nenhuma delas tem faltado; realmente, não deixam de ter cada uma delas seu companheiro, pois foi a boca de Jeová que deu a ordem e foi o seu espírito que as reuniu. E foi Ele quem lançou para elas a sorte, e sua própria mão lhes repartiu o lugar com o cordel de medir. Tomarão posse dele por tempo indefinido; residirão nele de geração em geração.” — Isaías 34:16, 17.
19 A iminente destruição da cristandade foi predita “no livro de Jeová”. Esse “livro de Jeová” detalha o futuro ajuste de contas de Jeová com seus inimigos implacáveis e opressores impenitentes de seu povo. O que foi profetizado com respeito à antiga Edom se cumpriu, e isso fortalece a nossa confiança de que, no que se refere à cristandade — a correlativa moderna de Edom — a profecia também se cumprirá. “O cordel de medir”, o critério à base do qual Jeová age, garante que essa organização espiritualmente moribunda se tornará um baldio desolado.
20. Que destino semelhante ao da antiga Edom terá a cristandade?
20 A cristandade faz, em vão, tudo o que pode para apaziguar seus amigos políticos. Mas de acordo com Revelação, capítulos 17 e 18, Jeová, o Deus Todo-Poderoso, porá em seus corações agirem contra toda a Babilônia, a Grande, incluindo a cristandade. Isso livrará a Terra inteira do falso cristianismo. A situação da cristandade se tornará como a condição sombria descrita em Isaías, capítulo 34. Ela nem mesmo estará presente na todo-decisiva “guerra do grande dia de Deus, o Todo-Poderoso”. (Revelação 16:14) Como a antiga Edom, a cristandade será varrida da superfície da Terra para “nunca jamais” voltar.
[Nota(s) de rodapé]
a Na época de Malaquias, essa profecia já havia se cumprido. (Malaquias 1:3) Malaquias relata que os edomitas tinham esperança de retomar a posse de sua terra desolada. (Malaquias 1:4) Mas essa não era a vontade de Jeová; assim, mais tarde outro povo, os nabateus, tomou posse da terra que havia sido de Edom.
[Quadro na página 363]
Um Deus zangado?
Expressões como as em Isaías 34:2-7 levam muitos a pensar que Jeová, conforme descrito nas Escrituras Hebraicas, é um Deus cruel e furioso. É realmente assim?
Não. Apesar de Deus às vezes expressar sua ira, isso sempre se justifica e se baseia em princípios, não em emoções descontroladas. Além disso, é sempre ditado pelo direito do Criador de receber devoção exclusiva e por sua constância em defender a verdade. A ira de Deus é regida pelo seu amor à justiça e àqueles que a praticam. Jeová vê todas as questões envolvidas num problema e tem conhecimento completo e ilimitado duma situação. (Hebreus 4:13) Ele lê o coração; nota o grau de ignorância, negligência ou pecado deliberado e age com imparcialidade. — Deuteronômio 10:17, 18; 1 Samuel 16:7; Atos 10:34, 35.
Contudo, Jeová Deus é “vagaroso em irar-se e abundante em benevolência”. (Êxodo 34:6) Aqueles que o temem e se esforçam para agir de maneira justa recebem misericórdia, pois o Todo-Poderoso reconhece que o homem herdou a imperfeição e, por isso, lhe demonstra misericórdia. Atualmente, Deus faz isso com base no sacrifício de Jesus. (Salmo 103:13, 14) No devido tempo, a ira de Jeová é removida daqueles que reconhecem seu pecado, se arrependem, e o servem de coração. (Isaías 12:1) Jeová não é um Deus essencialmente irado e inacessível, mas um Deus feliz, acolhedor, pacífico e calmo para com aqueles que se achegam a ele de maneira apropriada. (1 Timóteo 1:11) Isso se contrasta nitidamente com as características cruéis e implacáveis atribuídas aos deuses falsos dos pagãos e retratadas nas suas imagens.
[Mapa na página 362]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
O Grande Mar
Damasco
Sídon
Tiro
ISRAEL
Dã
Mar da Galileia
Rio Jordão
Megido
Ramote-Gileade
Samaria
FILÍSTIA
JUDÁ
Jerusalém
Libna
Laquis
Berseba
Cades-Barneia
Mar Salgado
AMOM
Rabá
MOABE
Quir-Haresete
EDOM
Bozra
Temã
[Fotos na página 359]
A cristandade tem encharcado a Terra com sangue
[Foto na página 360]
“Os céus terão de ser enrolados, como o rolo de um livro”
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O Paraíso restaurado!Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Vinte e Oito
O Paraíso restaurado!
1. Por que muitas religiões oferecem a esperança de viver num paraíso?
“A NOSTALGIA do paraíso acha-se entre as poderosas nostalgias que parecem obcecar os seres humanos. Talvez seja a mais poderosa e persistente de todas. Certo anseio pelo paraíso se evidencia em todos os níveis da vida religiosa.” Assim diz The Encyclopedia of Religion. Tal nostalgia é bem compreensível, pois a Bíblia diz que a vida humana começou no Paraíso — um lindo jardim sem doenças e sem morte. (Gênesis 2:8-15) Não surpreende que muitas religiões ofereçam a esperança de vida futura num ou noutro tipo de paraíso.
2. Onde podemos encontrar a verdadeira esperança do futuro Paraíso?
2 Em muitas partes da Bíblia podemos ler sobre a verdadeira esperança do futuro Paraíso. (Isaías 51:3) Por exemplo, a parte da profecia de Isaías, registrada no capítulo 35 de Is, descreve a transformação de regiões desérticas em parques ajardinados e campos frutíferos. Os cegos ganham visão, os mudos conseguem falar e os surdos ouvir. Nesse prometido Paraíso não há pesar nem lamento, o que dá a entender que nem mesmo a morte existirá. Que promessa maravilhosa! Como devemos entender essas palavras? Será que dão esperança para nós hoje? A consideração desse capítulo de Isaías responderá a essas perguntas.
Uma terra desolada se alegraria
3. De acordo com a profecia de Isaías, que transformação ocorreria na terra de Israel?
3 A inspirada profecia de Isaías sobre o Paraíso restaurado começa com estas palavras: “O ermo e a região árida exultarão, e a planície desértica jubilará e florescerá como o açafrão. Sem falta florescerá e realmente jubilará com exultação e com grito de júbilo. Terá de se lhe dar a própria glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e de Sarom. Haverá os que verão a glória de Jeová, o esplendor de nosso Deus.” — Isaías 35:1, 2.
4. Quando e como a terra natal dos judeus ficou parecida com um ermo?
4 Isaías escreveu essas palavras por volta do ano 732 AEC. Uns 125 anos mais tarde, os babilônios destruíram Jerusalém, e o povo de Judá foi exilado. Sua terra natal ficou despovoada, desolada. (2 Reis 25:8-11, 21-26) Cumpriu-se assim o aviso de Jeová de enviar o povo de Israel ao exílio, caso fosse infiel. (Deuteronômio 28:15, 36, 37; 1 Reis 9:6-8) Com a nação dos hebreus cativa numa terra estrangeira, seus campos e pomares bem irrigados ficaram abandonados por 70 anos e se tornaram como um ermo. — Isaías 64:10; Jeremias 4:23-27; 9:10-12.
5. (a) Como a terra de Israel voltou a ter condições paradisíacas? (b) Em que sentido as pessoas ‘viam a glória de Jeová’?
5 No entanto, a profecia de Isaías predizia que essa terra não ficaria desolada para sempre. Ela voltaria a ser um verdadeiro paraíso. Receberia a “glória do Líbano” e “o esplendor do Carmelo e de Sarom”.a Como? Ao retornarem do exílio, os judeus puderam novamente cultivar e irrigar seus campos, e a terra voltou a ser frutífera como antes. O mérito disso cabia apenas a Jeová. Foi por sua vontade e com seu apoio e bênção que os judeus puderam usufruir tais condições paradisíacas. As pessoas podiam ver “a glória de Jeová, o esplendor de [seu] Deus”, ao reconhecerem a mão de Jeová na impressionante transformação de sua terra.
6. Que importante cumprimento tiveram as palavras de Isaías?
6 Contudo, a restauração da terra de Israel cumpriu um aspecto ainda mais importante das palavras de Isaías. Em sentido espiritual, Israel estivera por muitos anos num estado ressequido, desértico. Enquanto os exilados estavam em Babilônia, a adoração pura havia ficado severamente restrita. Não havia templo, altar, nem sacerdócio organizado. Os sacrifícios diários haviam sido suspensos. Mas Isaías profetizava que a situação seria revertida. Liderados por homens como Zorobabel, Esdras e Neemias, representantes das 12 tribos de Israel retornariam a Jerusalém, reconstruiriam o templo e adorariam a Jeová livremente. (Esdras 2:1, 2) Isso seria um verdadeiro paraíso espiritual!
Animados pelo espírito
7, 8. Por que os judeus exilados precisavam ser positivos, e como as palavras de Isaías serviam de encorajamento?
7 As palavras de Isaías, capítulo 35, têm um tom alegre. O profeta proclamou um futuro brilhante para a nação arrependida. Realmente, ele falou com convicção e otimismo. Dois séculos mais tarde, no limiar de seu retorno à terra natal, os judeus exilados precisavam da mesma convicção e otimismo. Por meio de Isaías, Jeová os exortou profeticamente: “Fortalecei as mãos fracas e firmai os joelhos vacilantes. Dizei aos de coração ansioso: ‘Sede fortes. Não tenhais medo. Eis que vosso próprio Deus chegará com a própria vingança, Deus, até mesmo com retribuição. Ele mesmo chegará e vos salvará.’” — Isaías 35:3, 4.
8 O fim do longo exílio era uma época para agir. O Rei Ciro, da Pérsia, o instrumento de Jeová para acertar contas com Babilônia, havia decretado que a adoração de Jeová seria restaurada em Jerusalém. (2 Crônicas 36:22, 23) Milhares de famílias hebreias tinham de se organizar para fazer a perigosa viagem de Babilônia a Jerusalém. Quando chegassem ali, teriam de construir casas adequadas e se preparar para a tarefa monumental de reconstruir o templo e a cidade. Para alguns judeus em Babilônia, tudo isso pode ter parecido desafiador. Contudo, não era época para fraquezas e apreensão. Os judeus deviam encorajar uns aos outros e confiar em Jeová. Ele lhes havia garantido que seriam salvos.
9. Que promessa magnífica se fazia aos judeus que retornassem do cativeiro?
9 Os que fossem libertados do cativeiro em Babilônia teriam bons motivos para se alegrar, pois teriam um futuro magnífico ao retornar a Jerusalém. Isaías prediz: “Naquele tempo abrir-se-ão os olhos dos cegos e destapar-se-ão os próprios ouvidos dos surdos. Naquele tempo o coxo estará escalando como o veado e a língua do mudo gritará de júbilo.” — Isaías 35:5, 6a.
10, 11. Por que as palavras de Isaías devem ter tido um significado espiritual para os judeus que regressaram, e o que dão a entender?
10 Evidentemente, Jeová pensava na condição espiritual de seu povo. Eles haviam sido punidos com 70 anos de exílio por sua apostasia. Contudo, ao discipliná-los, Jeová não fez com que ficassem literalmente cegos, surdos, coxos ou mudos. Assim, a restauração da nação de Israel não exigia a cura de deficiências físicas. Jeová restabeleceria o que havia sido perdido, ou seja, a saúde espiritual.
11 A cura dos judeus arrependidos se deu por recuperarem os sentidos espirituais — a visão espiritual e a habilidade de ouvir, obedecer e falar a palavra de Jeová. Deram-se conta de que precisavam ficar bem achegados a Jeová. Por meio de sua conduta excelente eles ‘gritaram’, louvando alegremente o seu Deus. Quem havia sido “coxo” ficou animado e cheio de energia para adorar a Jeová. Figurativamente, ‘escalaria como o veado’.
Jeová reanimaria seu povo
12. Até que ponto Jeová abençoaria a terra de Israel com água?
12 É difícil imaginar um paraíso sem água. No Paraíso original, o Éden, havia muita água. (Gênesis 2:10-14) A terra dada a Israel também era ‘uma terra de vales de torrentes de água e de fontes de água’. (Deuteronômio 8:7) Assim, Isaías faz apropriadamente esta promessa animadora: “No ermo terão arrebentado águas, e torrentes na planície desértica. E o solo crestado pelo calor se terá tornado como um banhado de juncos, e a terra sedenta, como fontes de água. No lugar de permanência de chacais, para eles um lugar de repouso, haverá grama verde com canas e plantas de papiro.” (Isaías 35:6b, 7) Quando os israelitas voltassem a cuidar da sua terra, as áreas desoladas onde chacais costumavam vaguear ficariam cobertas de vegetação exuberante. O solo seco e poeirento se transformaria em “brejo”, onde cresceriam o papiro e outros juncos. — Jó 8:11.
13. Que água espiritual estaria disponível em abundância à nação restaurada?
13 Mais importante, porém, era a água espiritual da verdade, que os judeus repatriados teriam em abundância. Jeová lhes daria conhecimento, encorajamento e consolo por meio de sua Palavra. Além disso, anciãos e príncipes fiéis seriam “como correntes de água numa terra árida”. (Isaías 32:1, 2) Aqueles que promovessem a adoração pura, como Esdras, Ageu, Jesua, Neemias, Zacarias e Zorobabel, seriam um verdadeiro testemunho vivo do cumprimento da profecia de Isaías. — Esdras 5:1, 2; 7:6, 10; Neemias 12:47.
O “Caminho de Santidade”
14. O que significava viajar de Babilônia a Jerusalém?
14 Contudo, antes que os judeus exilados pudessem usufruir tais condições paradisíacas em sentido físico e espiritual, teriam de fazer a longa e perigosa viagem de Babilônia a Jerusalém. Em linha reta isso significaria cruzar uns 800 quilômetros de terras áridas e inóspitas. Uma rota menos desafiadora envolveria percorrer 1.600 quilômetros. Independentemente do caminho que tomassem, passariam meses expostos às intempéries e ao risco de se deparar tanto com animais selvagens quanto com homens animalescos. Apesar disso, aqueles que acreditavam na profecia de Isaías não estavam demasiadamente preocupados. Por quê?
15, 16. (a) Que proteção Jeová daria aos judeus fiéis que viajassem de volta para a sua terra? (b) Em que outro sentido Jeová providenciaria uma estrada segura para os judeus?
15 Jeová prometeu por meio de Isaías: “Certamente virá a haver ali uma estrada principal, sim, um caminho; e chamar-se-á Caminho de Santidade. O impuro não passará por ela. E será para aquele que anda no caminho, e nenhuns tolos vaguearão nele. Ali não virá a haver leão e não subirá nele a espécie feroz de animais selváticos. Não se achará ali nenhum deles; e ali terão de andar os resgatados.” (Isaías 35:8, 9) Jeová havia remido seu povo. Eles eram seus “resgatados” e ele lhes garantia salvo-conduto ao retornarem para sua terra. Será que havia entre Babilônia e Jerusalém uma literal estrada pavimentada, elevada e cercada? Não, mas a proteção que Jeová daria aos do seu povo em viagem era tão certa que era como se estivessem numa estrada assim. — Note o Salmo 91:1-16.
16 Além disso, os judeus seriam protegidos de perigos espirituais. A estrada figurativa era o “Caminho de Santidade”. Quem desrespeitasse as coisas sagradas, ou fosse espiritualmente impuro, não se qualificaria para viajar nela. Tais pessoas não eram desejadas na terra restaurada. Os aprovados tinham motivações corretas. Não retornavam a Judá e a Jerusalém com orgulho nacionalista, ou visando satisfazer interesses pessoais. Os judeus de mentalidade espiritual reconheciam que a razão principal de seu retorno era restaurar a adoração pura de Jeová naquela terra. — Esdras 1:1-3.
O povo de Jeová se alegraria
17. Como a profecia de Isaías havia consolado os judeus fiéis durante o longo exílio?
17 O capítulo 35 de Is da profecia de Isaías termina num tom alegre: “Retornarão os próprios remidos por Jeová e certamente chegarão a Sião com clamor jubilante; e sobre a sua cabeça haverá alegria por tempo indefinido. Alcançarão exultação e alegria, e terão de fugir o pesar e o suspiro.” (Isaías 35:10) Os judeus cativos que haviam obtido consolo e esperança dessa profecia durante o exílio talvez se perguntassem como seus diversos detalhes se cumpririam. Provavelmente, não haviam entendido muitos aspectos da profecia. Apesar disso, havia ficado bem claro que eles ‘retornariam e certamente chegariam a Sião’.
18. Como o pesar e o suspiro em Babilônia foram substituídos por exultação e alegria na terra restaurada?
18 Consequentemente, em 537 AEC, cerca de 50 mil homens (incluindo mais de 7 mil escravos), junto com mulheres e crianças, fizeram a viagem de quatro meses de volta a Jerusalém, com plena confiança em Jeová. (Esdras 2:64, 65) Poucos meses mais tarde, o altar de Jeová foi reconstruído, preparando o cenário para a reconstrução total do templo. A profecia de Isaías, escrita 200 anos antes, se cumpriu. O pesar e o suspiro manifestados pela nação em Babilônia foram substituídos por exultação e alegria na terra restaurada. Jeová cumprira a sua promessa. O paraíso — tanto físico como espiritual — havia sido restaurado!
O nascimento de uma nova nação
19. Por que se deve dizer que a profecia de Isaías teve apenas um cumprimento limitado no sexto século AEC?
19 É óbvio que o cumprimento do capítulo 35 de Isaías, no sexto século AEC, foi limitado. As condições paradisíacas usufruídas pelos judeus repatriados não foram permanentes. Com o tempo, a adoração pura foi contaminada por ensinos religiosos falsos e pelo nacionalismo. Em sentido espiritual, os judeus passaram novamente a sentir pesar e a suspirar. Com o tempo, Jeová os rejeitou como seu povo. (Mateus 21:43) Por reincidirem na desobediência, sua alegria não foi permanente. Tudo isso indica que o capítulo 35 de Isaías teria um cumprimento maior no futuro.
20. Que novo Israel surgiu no primeiro século EC?
20 No tempo devido de Jeová, surgiu outro Israel, o Israel espiritual. (Gálatas 6:16) Durante seu ministério terrestre, Jesus aprontou o cenário para o nascimento desse novo Israel. Ele restabeleceu a adoração pura e, com seus ensinos, as águas da verdade começaram a fluir novamente. Ele curou doentes em sentido físico e espiritual. Um clamor jubilante foi emitido à medida que se proclamavam as boas novas do Reino de Deus. Sete semanas depois de sua morte e ressurreição, o glorificado Jesus fundou a congregação cristã, um Israel espiritual composto de judeus e de outros que haviam sido remidos pelo sangue derramado de Jesus, gerados como filhos espirituais de Deus e irmãos de Jesus, e ungidos com o espírito santo. — Atos 2:1-4; Romanos 8:16, 17; 1 Pedro 1:18, 19.
21. Com respeito à congregação cristã do primeiro século, que eventos podem ser encarados como cumprimento de certos detalhes da profecia de Isaías?
21 Ao escrever aos membros do Israel espiritual, o apóstolo Paulo fez menção das palavras de Isaías 35:3, dizendo: “Endireitai as mãos pendentes e os joelhos debilitados.” (Hebreus 12:12) Assim, fica evidente que no primeiro século EC houve um cumprimento das palavras de Isaías, capítulo 35. Em sentido literal, Jesus e seus discípulos milagrosamente deram visão aos cegos e audição aos surdos. Eles habilitaram ‘coxos’ a andar e mudos a falar. (Mateus 9:32; 11:5; Lucas 10:9) Mais importante do que isso foi pessoas justas terem fugido da religião falsa e passado a usufruir um paraíso espiritual dentro da congregação cristã. (Isaías 52:11; 2 Coríntios 6:17) Como no caso dos judeus que retornaram de Babilônia, esses fugitivos descobriram que era essencial serem corajosos e positivos. — Romanos 12:11.
22. Nos tempos modernos, como se deu que cristãos sinceros, que buscavam a verdade, foram submetidos a um cativeiro “babilônico”?
22 Que dizer de nossos dias? Será que a profecia de Isaías tem um cumprimento mais completo envolvendo a atual congregação cristã? Sim. Após a morte dos apóstolos, o número de genuínos cristãos ungidos diminuiu bastante e falsos cristãos, o “joio”, floresceram no cenário mundial. (Mateus 13:36-43; Atos 20:30; 2 Pedro 2:1-3) Mesmo no século 19, quando pessoas sinceras começaram a se separar da cristandade e procurar a adoração pura, seu entendimento permaneceu maculado por ensinos antibíblicos. Em 1914, Jesus foi entronizado como Rei messiânico, mas logo depois a situação parecia sombria para os sinceros que buscavam a verdade. Cumprindo profecia, as nações ‘guerrearam contra eles, e os venceram’, e os empenhos desses cristãos sinceros para pregar as boas novas foram reprimidos. Na realidade, foram submetidos a um cativeiro “babilônico”. — Revelação (Apocalipse) 11:7, 8.
23, 24. Como as palavras de Isaías se cumprem entre o povo de Deus desde 1919?
23 Contudo, em 1919, as coisas mudaram. Jeová libertou seu povo do cativeiro. Eles começaram a rejeitar os ensinos falsos que haviam corrompido sua adoração. Por causa disso, foram curados. Entraram num paraíso espiritual, que até hoje continua a se expandir em toda a Terra. Em sentido espiritual, os cegos aprendem a ver e os surdos a ouvir — tornando-se plenamente alertas à operação do espírito santo de Deus, sempre cientes da necessidade de permanecerem apegados a Jeová. (1 Tessalonicenses 5:6; 2 Timóteo 4:5) Não sendo mais mudos, os cristãos verdadeiros anseiam ‘gritar’, declarando verdades bíblicas a outros. (Romanos 1:15) Os que eram espiritualmente fracos, ou ‘coxos’, demonstram agora zelo e alegria. Em sentido figurativo, conseguem ‘escalar como o veado’.
24 Esses cristãos restaurados andam no “Caminho de Santidade”. Esse “Caminho”, que sai de Babilônia, a Grande, e entra no paraíso espiritual, está aberto a todos os adoradores espiritualmente puros. (1 Pedro 1:13-16) Eles podem contar com a proteção de Jeová e ter confiança de que Satanás não conseguirá eliminar a adoração verdadeira por meio de seus ataques animalescos. (1 Pedro 5:8) Não se permite que os desobedientes e quaisquer pessoas que se comportem como animais selvagens vorazes corrompam os que andam na estrada de santidade de Deus. (1 Coríntios 5:11) Nesse ambiente protegido, aqueles a quem Jeová remiu — os ungidos e os das “outras ovelhas” — têm alegria em servir ao único Deus verdadeiro. — João 10:16.
25. Haverá um cumprimento literal de Isaías, capítulo 35? Explique.
25 Que dizer do futuro? Será que algum dia a profecia de Isaías se cumprirá de maneira literal? Sim. As curas milagrosas realizadas por Jesus e seus apóstolos no primeiro século provaram que Jeová quer e é capaz de realizar tais curas em ampla escala no futuro. Os salmos inspirados falam da vida eterna em condições pacíficas na Terra. (Salmo 37:9, 11, 29) Jesus prometeu a vida no Paraíso. (Lucas 23:43) Desde o primeiro até o último livro, a Bíblia dá esperança de um paraíso literal. Naquele tempo, cegos, surdos, coxos e mudos serão permanentemente curados de tais males físicos. Não haverá mais pesar e suspiro. As pessoas terão alegria por tempo indefinido, para todo o sempre. — Revelação 7:9, 16, 17; 21:3, 4.
26. Como as palavras de Isaías fortalecem os cristãos atualmente?
26 Apesar de aguardarem o restabelecimento do Paraíso terrestre literal, os cristãos verdadeiros já usufruem as bênçãos do paraíso espiritual. Enfrentam provas e tribulações com otimismo. Com firme confiança em Jeová, encorajam-se mutuamente, acatando a admoestação: “Fortalecei as mãos fracas e firmai os joelhos vacilantes. Dizei ao de coração ansioso: ‘Sede fortes. Não tenhais medo.’” Confiam plenamente na garantia profética: “Eis que vosso próprio Deus chegará com a própria vingança, Deus, até mesmo com retribuição. Ele mesmo chegará e vos salvará.” — Isaías 35:3, 4.
[Nota(s) de rodapé]
a As Escrituras descrevem o Líbano antigo como terra frutífera de florestas exuberantes e cedros majestosos, comparável ao jardim do Éden. (Salmo 29:5; 72:16; Ezequiel 28:11-13) Sarom era conhecida por seus riachos e florestas de carvalho; o Carmelo era famoso por seus vinhedos, pomares e escarpas floridas.
[Foto de página inteira na página 370]
[Fotos na página 375]
Lugares desérticos se transformaram em áreas bem irrigadas, com papiros e juncos
[Foto na página 378]
Jesus curou doentes em sentido físico e espiritual
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O rei que foi recompensado pela sua féProfecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Vinte e Nove
O rei que foi recompensado pela sua fé
1, 2. Em que sentido Ezequias foi um rei melhor do que Acaz?
EZEQUIAS tornou-se rei de Judá aos 25 anos de idade. Que tipo de governante seria? Seguiria as pisadas de seu pai, o Rei Acaz, e induziria seus súditos a adorar deuses falsos? Ou conduziria o povo na adoração de Jeová, como fez seu antepassado, o Rei Davi? — 2 Reis 16:2.
2 Logo que subiu ao trono, ficou claro que Ezequias desejava fazer “o que era direito aos olhos de Jeová”. (2 Reis 18:2, 3) No seu primeiro ano, mandou fazer reparos no templo de Jeová e reiniciar as suas atividades. (2 Crônicas 29:3, 7, 11) Daí ele organizou uma grande Páscoa, para a qual toda a nação foi convidada — incluindo as dez tribos setentrionais de Israel. Que festa inesquecível! Não havia acontecido nada igual a isso desde os dias do Rei Salomão. — 2 Crônicas 30:1, 25, 26.
3. (a) Que medida tomaram os habitantes de Israel e de Judá que foram à Páscoa programada por Ezequias? (b) O que os cristãos atuais aprendem da ação resoluta dos que foram àquela Páscoa?
3 No fim dessa Páscoa, os participantes se sentiram induzidos a cortar os postes sagrados, a destroçar as colunas sagradas e a demolir os altos e os altares de seus deuses falsos. Depois, retornaram para suas cidades decididos a servir ao Deus verdadeiro. (2 Crônicas 31:1) Que contraste com a anterior atitude religiosa deles! Os atuais cristãos verdadeiros podem aprender disso o valor de ‘não deixar de se ajuntar’, ou reunir. Tais reuniões, seja nas congregações locais, seja em escala maior em assembleias e congressos, cumprem um papel vital — ali a confraternização e o espírito de Deus motivam os cristãos a ‘se estimularem ao amor e a obras excelentes’. — Hebreus 10:23-25.
A fé foi provada
4, 5. (a) Como Ezequias mostrou sua independência da Assíria? (b) Que ação militar Senaqueribe tomou contra Judá, e o que fez Ezequias para evitar um ataque imediato contra Jerusalém? (c) Como Ezequias se preparou para defender Jerusalém dos assírios?
4 Jerusalém passaria por sérias provações. Ezequias havia rompido uma aliança com os assírios, que fora feita por seu pai, o infiel Acaz. Ezequias chegou a subjugar os filisteus, aliados da Assíria. (2 Reis 18:7, 8) Isso enfureceu o rei da Assíria. Assim, lemos: “Aconteceu então no décimo quarto ano do Rei Ezequias que Senaqueribe, rei da Assíria, subiu contra todas as cidades fortificadas de Judá e passou a tomá-las.” (Isaías 36:1) Talvez na esperança de proteger Jerusalém de um ataque imediato do implacável exército assírio, Ezequias concordou em pagar a Senaqueribe um enorme tributo de 300 talentos de prata e 30 talentos de ouro.a — 2 Reis 18:14.
5 Visto que no tesouro real não havia ouro e prata suficientes para pagar o tributo, Ezequias retirou do templo todo metal precioso que pôde. Além disso, arrancou as portas do templo, revestidas de ouro, e as enviou a Senaqueribe. Isso satisfez o assírio, mas só por pouco tempo. (2 Reis 18:15, 16) Evidentemente, Ezequias sabia que os assírios não deixariam Jerusalém em paz por muito tempo. Assim, era preciso fazer preparativos. O povo bloqueou as possíveis fontes de água para os invasores assírios. Além disso, Ezequias reforçou as defesas de Jerusalém e construiu um arsenal que incluía ‘uma abundância de armas de arremesso e escudos’. — 2 Crônicas 32:4, 5.
6. Em quem Ezequias confiava?
6 Ezequias, porém, não confiava em astutas estratégias de guerra ou em fortificações, mas sim em Jeová dos exércitos. Ele admoestou seus chefes militares: “Sede corajosos e fortes. Não tenhais medo nem fiqueis aterrorizados por causa do rei da Assíria e por causa de toda a massa de gente com ele; pois conosco há mais do que os que estão com ele. Com ele há um braço de carne, mas conosco está Jeová, nosso Deus, para nos ajudar e para travar as nossas batalhas.” Reagindo bem, o povo passou “a firmar-se nas palavras de Ezequias, o rei de Judá”. (2 Crônicas 32:7, 8) Visualize agora os eletrizantes eventos que se seguiram, com o estudo dos capítulos 36 ao 39 de Is da profecia de Isaías.
Os argumentos de Rabsaqué
7. Quem era Rabsaqué, e por que foi enviado a Jerusalém?
7 Senaqueribe enviou Rabsaqué (título militar, não nome pessoal) e dois outros dignitários a Jerusalém para exigir a rendição da cidade. (2 Reis 18:17) Eles foram recebidos fora da muralha da cidade por três representantes de Ezequias: Eliaquim, o supervisor da casa de Ezequias; Sebna, o secretário; e Joá, filho de Asafe, o cronista. — Isaías 36:2, 3.
8. Como Rabsaqué tentou quebrar a resistência de Jerusalém?
8 O intento de Rabsaqué era simples — convencer Jerusalém a se render sem luta. Falando em hebraico, ele começou clamando: “Que confiança é essa em que te estribaste? . . . Em quem puseste confiança de modo que te rebelaste contra mim?” (Isaías 36:4, 5) Daí Rabsaqué zombou dos amedrontados judeus, lembrando-lhes de que estavam completamente isolados. A quem poderiam pedir apoio? Àquela “cana esmagada”, o Egito? (Isaías 36:6) Naquele tempo, o Egito parecia mesmo uma cana esmagada; de fato, essa ex-potência mundial havia sido temporariamente conquistada pela Etiópia, e o então Faraó do Egito, o Rei Tiraca, não era egípcio, mas etíope. E ele estava em vias de ser derrotado pela Assíria. (2 Reis 19:8, 9) Visto que o Egito não podia salvar nem a si mesmo, seria de pouca ajuda para Judá.
9. O que evidentemente levou Rabsaqué a concluir que Jeová abandonaria o Seu povo, mas quais eram os fatos?
9 Em seguida, Rabsaqué argumentou que Jeová não lutaria pelo Seu povo, pois estava descontente com eles. Disse: “Caso me digas: ‘É em Jeová, nosso Deus, que confiamos’, não é ele cujos altos e cujos altares Ezequias removeu?” (Isaías 36:7) Naturalmente, longe de terem rejeitado a Jeová por derrubarem os altos e os altares no país, os judeus na verdade haviam retornado a Jeová.
10. Por que não importava se os defensores de Judá eram muitos ou poucos?
10 Daí Rabsaqué lembrou aos judeus que, militarmente, eles eram irremediavelmente inferiores. Ele lançou este arrogante desafio: “Deixa-me dar-te dois mil cavalos, para ver se tu, da tua parte, podes pôr neles cavaleiros.” (Isaías 36:8) Mas será que realmente importava se os cavaleiros treinados de Judá eram muitos ou poucos? Não, pois a salvação de Judá não dependia de força militar superior. Provérbios 21:31 explica: “O cavalo é algo preparado para o dia da batalha, mas a salvação pertence a Jeová.” Daí Rabsaqué afirmou que as bênçãos de Jeová estavam com os assírios, não com os judeus. Se não fosse assim, argumentou, os assírios jamais poderiam ter penetrado tão fundo no território de Judá. — Isaías 36:9, 10.
11, 12. (a) Por que Rabsaqué insistia em falar no “idioma judaico”, e como tentou engodar os ouvintes judeus? (b) Que efeito as palavras de Rabsaqué poderiam ter sobre os judeus?
11 Os representantes de Ezequias ficaram preocupados com o efeito que os argumentos de Rabsaqué teriam sobre os homens que podiam ouvi-lo do alto da muralha da cidade. Essas autoridades judaicas pediram: “Por favor, fala aos teus servos em sírio, pois estamos escutando; e não nos fales no idioma judaico, aos ouvidos do povo que está sobre a muralha.” (Isaías 36:11) Mas Rabsaqué não queria falar em sírio. Ele desejava lançar sementes de dúvida e de medo entre os judeus, para que se rendessem e Jerusalém fosse conquistada sem luta! (Isaías 36:12) Assim, o assírio falou de novo no “idioma judaico”. Ele alertou os moradores de Jerusalém: “Não deixeis que Ezequias vos engane, pois não vos poderá livrar.” Depois, ele tentou engodar os ouvintes pintando um quadro de como poderia ser a vida dos judeus sob o domínio assírio:“Fazei uma capitulação a mim e saí a mim, e coma cada um da sua própria videira e cada um da sua própria figueira, e beba cada um a água da sua própria cisterna, até que eu venha e realmente vos leve a uma terra igual à vossa própria terra, uma terra de cereais e de vinho novo, uma terra de pão e de vinhedos.” — Isaías 36:13-17.
12 Os judeus não colheriam nada naquele ano — a invasão assíria os havia impedido de plantar. A perspectiva de comer uvas suculentas e beber água fresca certamente era muito tentadora para os homens que ouviam na muralha. Mas Rabsaqué ainda não havia terminado sua tentativa de esmorecer os judeus.
13, 14. Apesar dos argumentos de Rabsaqué, por que aquilo que aconteceu a Samaria era irrelevante para a situação de Judá?
13 De seu arsenal de argumentos, Rabsaqué tirou mais uma arma. Ele alertou os judeus a não crerem em Ezequias, caso ele dissesse: “O próprio Jeová nos livrará.” Rabsaqué lembrou aos judeus de que os deuses de Samaria não puderam evitar que as dez tribos fossem vencidas pelos assírios. E que dizer dos deuses das outras nações conquistadas pela Assíria? “Onde estão os deuses de Hamate e de Arpade?”, indagou. “Onde estão os deuses de Sefarvaim? Livraram eles a Samaria da minha mão?” — Isaías 36:18-20.
14 Naturalmente, Rabsaqué, adorador de deuses falsos, não entendia que existia uma grande diferença entre a apóstata Samaria e a Jerusalém governada por Ezequias. Os deuses falsos de Samaria não tinham o poder de salvar o reino das dez tribos. (2 Reis 17:7, 17, 18) Por outro lado, Jerusalém sob Ezequias havia dado as costas para os deuses falsos e voltado a servir a Jeová. Contudo, os três representantes judeus não tentaram explicar isso a Rabsaqué. “Eles continuaram a ficar calados e não lhe responderam uma palavra, pois era o mandamento do rei, dizendo: ‘Não lhe deveis responder.’” (Isaías 36:21) Eliaquim, Sebna e Joá retornaram a Ezequias e apresentaram um relatório oficial do que Rabsaqué dissera. — Isaías 36:22.
A decisão de Ezequias
15. (a) Com que decisão se confrontava Ezequias agora? (b) Como Jeová tranquilizou seu povo?
15 O Rei Ezequias tinha então uma decisão a tomar. Jerusalém se renderia aos assírios? Juntaria forças com o Egito? Ou ficaria firme e lutaria? Ezequias estava sob grande pressão. Ele foi ao templo de Jeová e, ao mesmo tempo, despachou Eliaquim e Sebna, junto com os anciãos dentre os sacerdotes, para inquirirem a Jeová por meio do profeta Isaías. (Isaías 37:1, 2) Trajados de serapilheira, os emissários do rei disseram a Isaías: “Este dia é um dia de aflição, e de repreensão, e de desaforo . . . Talvez Jeová, teu Deus, ouça as palavras de Rabsaqué, a quem o rei da Assíria, seu senhor, enviou para escarnecer do Deus vivente, e ele realmente o chame às contas pelas palavras que Jeová, teu Deus, ouviu.” (Isaías 37:3-5) Sim, os assírios desafiavam o Deus vivente! Reagiria Jeová aos seus escárnios? Por meio de Isaías, Jeová tranquilizou os judeus: “Não tenhas medo por causa das palavras que ouviste, com que os ajudantes do rei da Assíria me ultrajaram. Eis que ponho nele um espírito, e ele terá de ouvir uma notícia e voltar à sua própria terra; e eu hei de fazê-lo cair pela espada na sua própria terra.” — Isaías 37:6, 7.
16. Que cartas enviou Senaqueribe?
16 No ínterim, Rabsaqué foi convocado para estar ao lado do Rei Senaqueribe, que guerreava em Libna. Senaqueribe cuidaria de Jerusalém mais tarde. (Isaías 37:8) Ainda assim, a retirada de Rabsaqué não aliviou a pressão sobre Ezequias. Senaqueribe enviou cartas ameaçadoras, descrevendo o que os moradores de Jerusalém poderiam esperar caso não se rendessem: “Tu mesmo ouviste o que os reis da Assíria fizeram a todas as terras, devotando-as à destruição, e serás tu mesmo livrado? Livraram-nas os deuses das nações que meus antepassados arruinaram? . . . Onde está o rei de Hamate, e o rei de Arpade, e o rei da cidade de Sefarvaim — de Hena e de Iva?” (Isaías 37:9-13) Basicamente, o assírio dizia que seria insensato resistir — a resistência só causaria mais dificuldades!
17, 18. (a) Com que motivação Ezequias pediu proteção a Jeová? (b) Que resposta Jeová deu ao assírio por meio de Isaías?
17 Profundamente preocupado com as consequências da decisão que teria de tomar, Ezequias estendeu as cartas de Senaqueribe diante de Jeová, no templo. (Isaías 37:14) Numa oração fervorosa, implorou a Jeová que ouvisse as ameaças do assírio, terminando a sua oração com as palavras: “E agora, ó Jeová, nosso Deus, por favor, salva-nos da sua mão, para que todos os reinos da terra saibam que somente tu, ó Jeová, és Deus.” (Isaías 37:15-20) Disso ficou claro que a preocupação maior de Ezequias não era com o seu próprio livramento, mas com o vitupério sobre o nome de Jeová caso a Assíria derrotasse Jerusalém.
18 A resposta de Jeová à oração de Ezequias veio por meio de Isaías. Jerusalém não devia render-se à Assíria; tinha de manter-se firme. Como que falando a Senaqueribe, Isaías destemidamente declarou a mensagem de Jeová ao assírio: “A virgem filha de Sião te desprezou, caçoou de ti. Atrás de ti, a filha de Jerusalém meneou [zombeteiramente] a cabeça.” (Isaías 37:21, 22) Daí Jeová acrescentou, em essência: ‘Quem és tu para caçoar do Santo de Israel? Conheço tuas ações. Tens grandes ambições; fazes grandes jactâncias. Confias no teu poderio militar e já conquistaste muitas terras. Mas não és invencível. Vou frustrar teus planos. Vou conquistar-te. Daí, farei a ti o que fizeste a outros. Porei um gancho no teu nariz e te conduzirei de volta para a Assíria!’ — Isaías 37:23-29.
“Este será o sinal para ti”
19. Que sinal Jeová deu a Ezequias, e o que significava?
19 Que garantia tinha Ezequias de que a profecia de Isaías se cumpriria? Jeová responde: “Este será o sinal para ti: Comer-se-á este ano do que crescer de grãos caídos, e no segundo ano, grãos que brotam por si mesmos; mas no terceiro ano, semeai e colhei, e plantai vinhedos, e comei dos seus frutos.” (Isaías 37:30) Jeová supriria alimentos para os judeus encurralados. Embora impedidos de semear por causa da ocupação assíria, poderiam se alimentar das respigas da safra anterior. No ano seguinte, um ano sabático, teriam de deixar suas terras sem cultivo, apesar da situação desesperadora deles. (Êxodo 23:11) Jeová prometeu que, se o povo obedecesse à sua voz, os campos fariam brotar cereais suficientes para sustentá-los. Daí, no ano seguinte, os homens semeariam normalmente e colheriam os frutos de seu trabalho.
20. Em que sentido os que escapassem do ataque assírio ‘lançariam raízes para baixo e produziriam frutos para cima’?
20 A seguir, Jeová compara seu povo a uma planta difícil de desarraigar: “Os que escaparem, da casa de Judá . . . certamente lançarão raízes para baixo e produzirão frutos para cima.” (Isaías 37:31, 32) Sim, os que confiavam em Jeová nada tinham a temer. Eles e seus descendentes ficariam firmemente estabelecidos no país.
21, 22. (a) O que foi profetizado a respeito de Senaqueribe? (b) Como e quando se cumpriram as palavras de Jeová sobre Senaqueribe?
21 Que dizer das ameaças do assírio contra Jerusalém? Jeová responde: “Ele não entrará nesta cidade, nem atirará flecha nela, nem a confrontará com escudo, nem levantará um aterro de sítio contra ela. Pelo caminho por onde veio, ele voltará, e não entrará nesta cidade.” (Isaías 37:33, 34) No fim das contas, não haveria nenhuma batalha entre a Assíria e Jerusalém. Surpreendentemente, seriam os assírios, não os judeus, que seriam derrotados sem luta.
22 Fiel à sua palavra, Jeová enviou um anjo que aniquilou a elite das tropas de Senaqueribe — 185 mil homens. Isso aparentemente aconteceu em Libna, e o próprio Senaqueribe, ao acordar, viu os líderes, os chefes e outros poderosos de seu exército mortos. Envergonhado, voltou para Nínive, mas, apesar de sua fragorosa derrota, obstinadamente continuou devoto a seu falso deus Nisroque. Alguns anos mais tarde, ao adorar no templo de Nisroque, Senaqueribe foi assassinado por dois de seus filhos. Mais uma vez, o inanimado Nisroque mostrou-se impotente para salvar. — Isaías 37:35-38.
A fé de Ezequias ficou mais forte
23. Que crise enfrentou Ezequias quando Senaqueribe veio inicialmente contra Judá, e quais eram as implicações dessa crise?
23 Por volta da época em que Senaqueribe veio inicialmente contra Judá, Ezequias ficou muito doente. Isaías lhe disse que morreria. (Isaías 38:1) O rei, de 39 anos, ficou arrasado. Ele não se preocupava só com seu próprio bem-estar, mas também com o futuro do povo. Jerusalém e Judá corriam o risco de serem invadidos pelos assírios. Se Ezequias morresse, quem lideraria a luta? Naquele tempo, Ezequias não tinha filho para assumir o reinado. Numa oração fervorosa, Ezequias implorou misericórdia a Jeová. — Isaías 38:2, 3.
24, 25. (a) Como Jeová bondosamente respondeu à oração de Ezequias? (b) Que milagre Jeová fez, conforme relatado em Isaías 38:7, 8?
24 Isaías ainda não tinha deixado os pátios do palácio quando Jeová o enviou de volta à beira do leito do combalido rei com outra mensagem: “Ouvi a tua oração. Vi as tuas lágrimas. Eis que acrescento quinze anos aos teus dias; e livrarei a ti e a esta cidade da palma da mão do rei da Assíria, e vou defender esta cidade.” (Isaías 38:4-6; 2 Reis 20:4, 5) Jeová confirmaria sua promessa com um sinal incomum: “Eis que faço a sombra dos degraus, que descera nos degraus da escada de Acaz devido ao sol, retroceder dez degraus.” — Isaías 38:7, 8a.
25 Segundo o historiador judeu Josefo, havia uma escada dentro do palácio real, provavelmente perto de uma coluna. Ao atingirem a coluna, os raios do sol lançavam sombra nos degraus. Podia-se determinar o período do dia observando o avanço da sombra nos degraus. Mas Jeová faria um milagre. Depois que a sombra tivesse descido os degraus normalmente, ela retrocederia dez degraus. Quem já tinha ouvido falar numa coisa dessas? A Bíblia declara: “E o sol foi gradualmente dez degraus para trás nos degraus da escada pelos quais descera.” (Isaías 38:8b) Pouco depois, Ezequias recuperou a saúde. Essa notícia chegou até a distante Babilônia. Ao saber disso, o rei de Babilônia enviou mensageiros a Jerusalém para apurar os fatos.
26. Qual foi um dos resultados do prolongamento da vida de Ezequias?
26 Uns três anos depois da recuperação milagrosa de Ezequias, nasceu seu primeiro filho, Manassés. Ao tornar-se adulto, Manassés não mostrou apreço pela compaixão de Deus, sem a qual não teria nascido! Em vez disso, na maior parte de sua vida, Manassés fez em larga escala o que era mau aos olhos de Jeová. — 2 Crônicas 32:24; 33:1-6.
Um erro de critério
27. De que maneiras Ezequias mostrou apreço por Jeová?
27 Como seu antepassado Davi, Ezequias era um homem de fé. Ele prezava muito a Palavra de Deus. Segundo Provérbios 25:1, ele providenciou a compilação da matéria que hoje se encontra em Provérbios, capítulos 25 a 29. Alguns acreditam que ele também compôs o Salmo 119. O comovente hino de gratidão que Ezequias compôs depois de recuperar a saúde indica que era um homem de muita sensibilidade. Ele concluiu que a coisa mais importante na vida era poder louvar a Jeová no Seu templo “todos os dias da nossa vida”. (Isaías 38:9-20) Tenhamos todos esse mesmo sentimento para com a adoração pura!
28. Que erro de critério cometeu Ezequias algum tempo depois de ter sido curado milagrosamente?
28 Embora fiel, Ezequias era imperfeito. Ele cometeu um sério erro de critério, algum tempo depois de Jeová o ter curado. Isaías explica: “Naquele tempo, Merodaque-Baladã, filho de Baladã, rei de Babilônia, enviou cartas e um presente a Ezequias, depois de ter ouvido que este estivera doente, mas estava novamente forte. Assim, Ezequias começou a alegrar-se com eles e passou a mostrar-lhes sua casa do tesouro, a prata e o ouro, e o óleo de bálsamo, e o óleo bom, e todo o seu arsenal, e tudo o que se podia achar nos seus tesouros. Não se mostrou haver nada que Ezequias não lhes mostrasse na sua própria casa e em todo o seu domínio.” — Isaías 39:1, 2.b
29. (a) Qual talvez tenha sido a motivação de Ezequias ao mostrar sua riqueza à delegação babilônia? (b) Quais seriam as consequências do erro de critério de Ezequias?
29 Mesmo depois da fragorosa derrota aplicada pelo anjo de Jeová, a Assíria continuou a representar uma ameaça para muitas nações, incluindo Babilônia. Ezequias talvez desejasse impressionar o rei de Babilônia, como prospectivo aliado. Mas Jeová não queria que os habitantes de Judá se unissem aos inimigos deles; queria que confiassem Nele! Por meio do profeta Isaías, Jeová descortinou o futuro a Ezequias: “Vêm dias, e tudo o que há na tua própria casa e o que os teus antepassados armazenaram até o dia de hoje será realmente levado a Babilônia. Não sobrará nada . . . E alguns dos teus próprios filhos que procederão de ti, dos quais te tornarás pai, serão eles próprios tomados e se tornarão realmente oficiais da corte no palácio do rei de Babilônia.” (Isaías 39:3-7) Sim, a própria nação que Ezequias procurou impressionar acabaria saqueando os tesouros de Jerusalém e sujeitaria seus cidadãos à escravidão. Ter Ezequias mostrado seus tesouros aos babilônios só serviu para aguçar o ganancioso apetite deles.
30. Que boa atitude demonstrou Ezequias?
30 Aparentemente referindo-se ao incidente em que Ezequias mostrou seus tesouros aos babilônios, 2 Crônicas 32:26 diz: “Ezequias humilhou-se pela soberba do seu coração, ele e os habitantes de Jerusalém, e a indignação de Jeová não veio sobre eles nos dias de Ezequias.”
31. O que por fim aconteceu com Ezequias, e o que isso nos ensina?
31 Apesar de sua imperfeição, Ezequias era um homem de fé. Ele sabia que seu Deus, Jeová, é uma pessoa real, que tem sentimentos. Quando estava sob pressão, Ezequias orou fervorosamente a Jeová, e foi atendido. Jeová Deus concedeu-lhe paz pelo resto de seus dias, pelo que Ezequias se sentia grato. (Isaías 39:8) Da mesma forma, Jeová deve ser real para nós hoje. Ao surgirem problemas, como no caso de Ezequias, recorramos a Jeová em busca de sabedoria e de uma saída, “pois ele dá generosamente [sabedoria] a todos, e sem censurar”. (Tiago 1:5) Se perseverarmos e exercermos fé em Jeová poderemos estar certos de que ele se tornará “o recompensador dos que seriamente o buscam”, tanto agora como no futuro. — Hebreus 11:6.
[Nota(s) de rodapé]
a Mais de 9,5 milhões de dólares em valores de hoje.
b Depois da derrota de Senaqueribe, nações vizinhas levaram a Ezequias presentes em ouro, em prata, e outras coisas preciosas. Em 2 Crônicas 32:22, 23 e 27 lemos que “Ezequias veio a ter riquezas e glória em abundância muito grande”, e que “ficou elevado aos olhos de todas as nações”. É possível que com esses presentes ele pôde reabastecer a sua casa do tesouro, que havia esvaziado ao pagar o tributo aos assírios.
[Foto na página 383]
O Rei Ezequias confiou em Jeová ao enfrentar a força da Assíria
[Foto de página inteira na página 384]
[Foto na página 389]
O rei enviou emissários a Isaías para ouvir os conselhos de Jeová
[Foto na página 390]
Ezequias orou para que o nome de Jeová fosse magnificado pela derrota da Assíria
[Foto na página 393]
O anjo de Jeová golpeou 185 mil assírios
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‘Consolai o meu povo’Profecia de Isaías — Uma Luz para Toda a Humanidade I
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Capítulo Trinta
‘Consolai o meu povo’
1. Qual é uma das maneiras de Jeová nos consolar?
JEOVÁ é ‘o Deus que provê consolo’. Uma das maneiras de ele nos consolar é por meio das promessas que fez registrar na sua Palavra. (Romanos 15:4, 5) Por exemplo, quando morre uma pessoa amada, haveria consolo maior do que a perspectiva de vê-la ser ressuscitada no novo mundo de Deus? (João 5:28, 29) E que dizer da promessa de Jeová de acabar em breve com a perversidade e fazer da Terra um paraíso? Não é consoladora a perspectiva de sobreviver e entrar nesse Paraíso sem nunca morrer? — Salmo 37:9-11, 29; Revelação (Apocalipse) 21:3-5.
2. Por que podemos confiar nas promessas de Deus?
2 Podemos realmente confiar nas promessas de Deus? Certamente que sim! O Autor dessas promessas é totalmente confiável. Ele tem tanto a capacidade quanto a vontade de cumprir a sua palavra. (Isaías 55:10, 11) Isso ficou enfaticamente demonstrado em conexão com a declaração de Jeová, por meio do profeta Isaías, de que Ele restauraria a adoração verdadeira em Jerusalém. Consideremos essa profecia, em Isaías, capítulo 40, pois isso poderá fortalecer a nossa fé em Jeová, o Cumpridor de promessas.
Uma promessa consoladora
3, 4. (a) Que palavras de consolo, que o povo de Deus necessitaria mais tarde, registrou Isaías? (b) Por que os habitantes de Judá e de Jerusalém seriam exilados para Babilônia, e quanto tempo duraria sua servidão?
3 No oitavo século AEC, o profeta Isaías registrou palavras de consolo que o povo de Jeová necessitaria mais tarde. Logo depois de informar o Rei Ezequias da vindoura destruição de Jerusalém e da deportação do povo judeu para Babilônia, Isaías apresenta as palavras de Jeová que prometiam restauração: “‘Consolai, consolai meu povo’, diz o vosso Deus. ‘Falai ao coração de Jerusalém e clamai para ela que foi cumprido seu serviço militar, que o erro dela foi saldado. Pois ela recebeu da mão de Jeová o pleno montante por todos os seus pecados.’” — Isaías 40:1, 2.
4 “Consolai”, a palavra inicial de Isaías, capítulo 40, resume bem a mensagem de luz e de esperança do restante do livro de Isaías. Por terem se tornado apóstatas, os habitantes de Judá e de Jerusalém seriam exilados para Babilônia, em 607 AEC. Mas esses judeus cativos não serviriam para sempre os babilônios. Não, a servidão duraria apenas até que seu erro fosse “saldado”. Quanto tempo isso levaria? Segundo o profeta Jeremias, 70 anos. (Jeremias 25:11, 12) Depois disso, Jeová conduziria um restante arrependido de Babilônia de volta para Jerusalém. No 70.º ano da desolação de Judá, que consolo seria para os cativos perceberem que a prometida libertação era iminente! — Daniel 9:1, 2.
5, 6. (a) Por que a longa jornada de Babilônia a Jerusalém não impediria o cumprimento da promessa de Deus? (b) Que efeito teria sobre outras nações a volta dos judeus para a sua terra natal?
5 Babilônia ficava a uma distância de 800 a 1.600 quilômetros de Jerusalém, dependendo da rota escolhida. Impediria a longa viagem que a promessa de Deus se cumprisse? De modo algum! Isaías escreve: “Escutai! Alguém está clamando no ermo: ‘Desobstruí o caminho de Jeová! Fazei reta a estrada principal para nosso Deus através da planície desértica. Alteie-se todo vale e abaixe-se todo monte e todo morro. E o terreno acidentado terá de tornar-se terra plana e o terreno escabroso, um vale plano. E certamente se revelará a glória de Jeová, e toda a carne, juntamente, terá de vê-la, pois a própria boca de Jeová falou isso.’” — Isaías 40:3-5.
6 Antes de empreenderem uma viagem, governantes orientais não raro enviavam homens para preparar o caminho, por removerem pedras grandes e até mesmo construírem passagens elevadas e nivelarem morros. No caso dos judeus que regressariam, seria como se o próprio Deus fosse na frente, eliminando qualquer obstáculo. Afinal, era o povo que levava o nome de Jeová, e ao cumprir a sua promessa de levá-los de volta para a terra natal deles ele manifestaria a Sua glória perante todas as nações. Querendo ou não, essas nações veriam que Jeová é o Cumpridor de suas promessas.
7, 8. (a) Que cumprimento tiveram no primeiro século as palavras de Isaías 40:3? (b) Que cumprimento maior teve a profecia de Isaías em 1919?
7 A restauração ocorrida no sexto século AEC não foi o único cumprimento dessa profecia. Houve também um cumprimento no primeiro século EC. João Batista era a voz de alguém que ‘clamava no ermo’, cumprindo Isaías 40:3. (Lucas 3:1-6) Sob inspiração, João aplicou a si as palavras de Isaías. (João 1:19-23) Em 29 EC, João começou a preparar o caminho para Jesus Cristo.a A proclamação antecipada de João estimulou o povo a aguardar o prometido Messias, para que eles, por sua vez, o escutassem e o seguissem. (Lucas 1:13-17, 76) Por meio de Jesus, Jeová conduziria os arrependidos à liberdade que só o Reino de Deus pode produzir — a libertação do jugo do pecado e da morte. (João 1:29; 8:32) As palavras de Isaías tiveram um cumprimento maior na libertação do restante do Israel espiritual de Babilônia, a Grande, em 1919, e na volta deles à adoração verdadeira.
8 Mas que dizer dos que se beneficiariam do cumprimento inicial da promessa — os judeus cativos em Babilônia? Poderiam realmente confiar na promessa de Jeová de levá-los de volta para a sua amada terra natal? Certamente que sim! Com expressivas palavras e ilustrações tiradas do cotidiano, Isaías passa a apresentar-lhes motivos convincentes para terem certeza absoluta de que Jeová cumpriria a sua palavra.
Um Deus cuja palavra dura para sempre
9, 10. Como Isaías contrasta a transitoriedade da vida humana com a perenidade da “palavra” de Deus?
9 Primeiro, a palavra Daquele que prometeu a restauração dura para sempre. Isaías escreve: “Escuta! Alguém está dizendo: ‘Clama!’ E um disse: ‘O que devo clamar?’ ‘Toda a carne é erva verde, e toda a sua benevolência é igual à flor do campo. Secou-se a erva verde, murchou a flor, porque soprou sobre ela o próprio espírito de Jeová. Decerto as pessoas são erva verde. Secou-se a erva verde, murchou a flor; mas, quanto à palavra de nosso Deus, ela durará por tempo indefinido.’” — Isaías 40:6-8.
10 Os israelitas sabiam muito bem que as ervas não duram para sempre. Nas estiagens, o forte calor do sol muda-as de verde para marrom crestado. Em certos sentidos, a vida humana é como a erva — de natureza temporária. (Salmo 103:15, 16; Tiago 1:10, 11) Isaías contrasta a transitoriedade da vida humana com a perenidade da “palavra”, ou propósito declarado, de Deus. Sim, a “palavra de nosso Deus” dura para sempre. Quando Deus fala, nada pode anular as suas palavras ou impedir que se cumpram. — Josué 23:14.
11. Por que podemos confiar que Jeová cumprirá as promessas contidas na sua Palavra escrita?
11 Hoje, temos o propósito declarado de Jeová em forma escrita, na Bíblia. A Bíblia sofreu oposição amarga ao longo dos séculos, e tradutores destemidos e outros arriscaram a vida para preservá-la. No entanto, seus empenhos em si não explicam por que ela sobreviveu. Todo o mérito por sua sobrevivência cabe a Jeová, o “Deus vivente e permanecente” e Preservador de sua Palavra. (1 Pedro 1:23-25) Pense nisto: visto que Jeová preservou a sua Palavra escrita, não podemos confiar que ele cumpra as promessas contidas nela?
Um Deus forte que cuida ternamente de suas ovelhas
12, 13. (a) Por que se podia confiar na promessa de restauração? (b) Que boas novas havia para os judeus exilados, e por que podiam confiar nelas?
12 Isaías fornece um segundo motivo pelo qual se podia confiar na promessa de restauração. Quem prometeu é um Deus forte, que cuida ternamente de seu povo. Isaías continua: “Sobe tu a um monte alto, mulher portadora de boas novas para Sião. Eleva a tua voz mesmo com poder, mulher portadora de boas novas para Jerusalém. Eleva-a. Não tenhas medo. Dize às cidades de Judá: ‘Eis o vosso Deus.’ Eis que o próprio Soberano Senhor Jeová virá mesmo como alguém forte [“mesmo com força”; nota, “NM com Referências”], e seu braço governará por ele. Eis que está com ele a sua recompensa e diante dele está o salário que paga. Qual pastor ele pastoreará a sua própria grei. Com o seu braço reunirá os cordeiros; e os carregará ao colo. Conduzirá com cuidado as que amamentam.” — Isaías 40:9-11.
13 Nos tempos bíblicos, era comum as mulheres celebrarem as vitórias bradando ou cantando as boas novas de batalhas vencidas ou de vindouro alívio. (1 Samuel 18:6, 7; Salmo 68:11) Isaías indicava profeticamente que havia boas novas para os judeus exilados, novas que poderiam ser bradadas destemidamente, mesmo do alto dos montes — Jeová reconduziria seu povo para Jerusalém, que tanto amavam! Podiam confiar nisso, pois Jeová viria “mesmo com força”. Nada, pois, o impediria de cumprir a sua promessa.
14. (a) Como Isaías ilustra a maneira terna em que Jeová conduziria Seu povo? (b) Que exemplo ilustra o cuidado terno que os pastores têm com as ovelhas? (Veja o quadro, na página 405.)
14 Existe, porém, um lado terno nesse Deus forte. Isaías descreve carinhosamente como Jeová conduziria Seu povo de volta para a terra natal deles. Jeová é como um pastor amoroso que reúne seus cordeiros e os carrega “ao colo”. A palavra “colo” aqui evidentemente se refere às dobras superiores da roupa. É ali que os pastores às vezes carregavam cordeiros recém-nascidos, incapazes de acompanhar o passo do rebanho. (2 Samuel 12:3) Esse tocante aspecto da vida pastoril sem dúvida garantia ao povo exilado de Jeová que ele cuidaria ternamente deles. Com certeza, podia-se confiar que esse Deus forte, porém terno, cumpriria o que lhes prometera!
15. (a) Quando Jeová veio “mesmo com força”, e quem é o ‘braço que governa por ele’? (b) Que boas novas têm de ser proclamadas destemidamente?
15 As palavras de Isaías estão repletas de significado profético para os nossos dias. Em 1914, Jeová veio “mesmo com força” e estabeleceu seu Reino no céu. O ‘braço que governa por ele’ é seu Filho, Jesus Cristo, a quem Jeová instalou no Seu trono celestial. Em 1919, Jeová libertou da servidão à Babilônia, a Grande, seus servos ungidos na Terra e passou a restaurar plenamente a adoração pura do Deus vivente e verdadeiro. Essas são boas novas que têm de ser proclamadas destemidamente, como que bradando do alto dos montes, para que a proclamação tenha um alcance amplo. Portanto, ergamos as nossas vozes e informemos destemidamente a outros que Jeová Deus restaurou a sua adoração pura na Terra!
16. Como Jeová conduz seu povo hoje, e que padrão isso estabelece?
16 As palavras de Isaías 40:10, 11 têm ainda outro valor prático para nós hoje. É consolador notar a maneira terna de Jeová conduzir seu povo. Assim como o pastor entende as necessidades de cada ovelha — incluindo os cordeirinhos que não conseguem acompanhar o rebanho — Jeová entende as limitações de cada um de seus servos fiéis. Além disso, Jeová, como terno Pastor, estabelece um padrão para os pastores cristãos. Os anciãos têm de tratar o rebanho com ternura, imitando o amoroso interesse demonstrado pelo próprio Jeová. Precisam estar sempre atentos a como Jeová considera cada membro do rebanho, “que ele comprou com o sangue do seu próprio Filho”. — Atos 20:28.
Todo-poderoso, todo-sábio
17, 18. (a) Por que os judeus exilados podiam confiar na promessa de restauração? (b) Que perguntas que inspiram reverência fez Isaías?
17 Os judeus exilados podiam confiar na promessa de restauração, pois Deus é todo-poderoso e todo-sábio. Isaías diz: “Quem mediu as águas na mera concavidade da sua mão, e mediu as proporções dos próprios céus com o mero palmo, e incluiu numa medida o pó da terra, ou pesou os montes com o fiel e os morros na balança? Quem mediu as proporções do espírito de Jeová, e quem, como seu homem de conselho, pode fazê-lo saber alguma coisa? Com quem se consultou ele para que o faça compreender ou quem o ensina na vereda da justiça, ou lhe ensina conhecimento, ou lhe faz saber o próprio caminho do verdadeiro entendimento?” — Isaías 40:12-14.
18 Essas são perguntas que inspiram reverência, sobre as quais os judeus exilados deviam refletir. Podem os meros humanos deter as marés dos poderosos oceanos? Naturalmente que não! No entanto, para Jeová, os oceanos que cobrem a Terra são como uma gota de água na palma de sua mão.b Podem os pequeninos homens medir o vasto céu estrelado ou pesar os montes e as montanhas da Terra? Não. No entanto, Jeová mede o céu com a mesma facilidade com que um homem mede um objeto com um palmo — a distância entre a ponta do polegar e o dedo mínimo com a mão bem aberta. Deus pode, de fato, pesar montes e montanhas numa balança. Por outro lado, pode até mesmo o humano mais sábio aconselhar Deus sobre como agir nas circunstâncias atuais ou dizer-lhe o que fazer no futuro? Certamente que não!
19, 20. Que expressiva linguagem figurada usa Isaías para acentuar a grandeza de Jeová?
19 Que dizer das poderosas nações da Terra — podem elas resistir a Deus à medida que ele cumpre as suas promessas? Isaías responde, descrevendo assim as nações: “Eis que as nações são como uma gota dum balde; e foram consideradas como a camada fina de pó na balança. Eis que ele levanta as próprias ilhas como se fossem apenas pó miúdo. Até mesmo o Líbano não é suficiente para manter um fogo aceso, e seus animais selváticos não são suficientes para uma oferta queimada. Todas as nações são diante dele como algo inexistente; foram consideradas como nada e como irrealidade para ele.” — Isaías 40:15-17.
20 Para Jeová, nações inteiras são como uma gota de água que cai de um balde. Nada mais são do que a fina camada de pó que se acumula numa balança, que nenhuma diferença faz.c Suponhamos que alguém construísse um altar enorme e usasse como lenha para esse altar todas as árvores que cobrem as montanhas do Líbano. Daí suponhamos que tal pessoa oferecesse como sacrifício todos os animais que vagassem nessas montanhas. Mesmo tal oferta não chegaria à altura do que Jeová merece. Como se todas essas comparações não bastassem, Isaías recorre a uma declaração ainda mais contundente — todas as nações “absolutamente nada contam” para Jeová. — Isaías 40:17, Bíblia Vozes.
21, 22. (a) Como Isaías frisou que Jeová é incomparável? (b) As vívidas descrições de Isaías nos levam a que conclusão? (c) Que declaração solidamente científica registrou o profeta Isaías? (Veja o quadro, na página 412.)
21 Para frisar ainda mais que Jeová é incomparável, Isaías passa a mostrar a insensatez dos que fazem ídolos de ouro, de prata ou de madeira. Como é tolo imaginar que um desses ídolos possa ser uma representação apropriada daquele “que mora acima do círculo da terra” e que governa seus habitantes! — Leia Isaías 40:18-24.
22 Todas essas vívidas descrições nos levam a uma conclusão — nada pode impedir que o todo-poderoso, todo-sábio e incomparável Jeová cumpra o que promete. Que consolo e força as palavras de Isaías devem ter dado aos judeus exilados em Babilônia que ansiavam retornar para a sua terra natal! Nós hoje também podemos confiar que as promessas de Jeová para o nosso futuro se cumprirão.
“Quem criou estas coisas?”
23. Por que os judeus exilados podiam se reanimar, e o que Jeová frisou a seguir a respeito de si mesmo?
23 Os judeus exilados tinham ainda outro motivo para se reanimar. Aquele que prometera a libertação era o Criador de todas as coisas e a Fonte de toda energia dinâmica. Para frisar a sua estonteante capacidade, Jeová chamou a atenção para sua aptidão manifesta na criação: “‘A quem me podeis assemelhar de modo que eu deva ser feito igual a ele?’, diz o Santo. ‘Levantai ao alto os vossos olhos e vede. Quem criou estas coisas? Foi Aquele que faz sair o exército delas até mesmo por número, chamando a todas elas por nome. Devido à abundância de energia dinâmica, sendo ele também vigoroso em poder, não falta nem sequer uma delas.’” — Isaías 40:25, 26.
24. Falando por si, como Jeová mostrou que é sem igual?
24 O Santo de Israel falou por si. Para mostrar que é sem igual, Jeová dirigiu a atenção para as estrelas no céu. Como um comandante militar que conduz as suas tropas, Jeová comanda as estrelas. Se ele as quisesse reunir, ‘não faltaria nem sequer uma’. Embora o número de estrelas seja enorme, ele chama cada uma delas por nome, seja um nome individual, seja uma denominação comparável a um nome. Como soldados obedientes, elas mantêm-se a postos e respeitam a devida ordem, pois seu Líder é abundante em “energia dinâmica” e “vigoroso em poder”. Por conseguinte, os judeus exilados tinham motivos para confiar. O Criador, que comanda as estrelas, tem poder para apoiar seus servos.
25. Como podemos atender ao convite divino registrado em Isaías 40:26, e com que efeito?
25 Quem de nós consegue resistir ao convite divino registrado em Isaías 40:26: “Levantai ao alto os vossos olhos e vede”? As descobertas de astrônomos modernos revelam que o céu estrelado é muito mais assombroso do que parecia nos dias de Isaías. Astrônomos que perscrutam o céu com seus telescópios poderosos estimam que o Universo observável contenha 125 bilhões de galáxias. Ora, apenas uma delas — a Via Láctea — contém, segundo estimativas, mais de 100 bilhões de estrelas! Esse conhecimento deve despertar em nossos corações reverência pelo Criador e plena confiança nas suas promessas.
26, 27. Como foram descritos os sentimentos dos exilados em Babilônia, e que coisas deviam saber?
26 Sabendo que os anos no cativeiro abateriam o ânimo dos judeus exilados, Jeová inspirou Isaías a registrar antecipadamente estas palavras de garantia: “Por que razão dizes, ó Jacó, e falas, ó Israel: ‘Meu caminho ficou escondido de Jeová e a justiça para comigo escapa ao meu próprio Deus’? Acaso não vieste a saber ou não ouviste? Jeová, o Criador das extremidades da terra, é Deus por tempo indefinido. Ele não se cansa nem se fatiga. Não se esquadrinha o seu entendimento.” — Isaías 40:27, 28.d
27 Isaías registrou as palavras de Jeová que expressavam os sentimentos dos exilados em Babilônia, que estavam centenas de quilômetros distantes de sua terra natal. Alguns achavam que seu Deus não via, ou ignorava, o “caminho” — a vida dura — que levavam. Achavam que Jeová era indiferente para com as injustiças que sofriam. Foram lembrados de coisas que deviam saber, se não por experiência pessoal, pelo menos à base de informações transmitidas. Jeová estava disposto e desejoso de libertar o seu povo. Ele é o Deus eterno e Criador de toda a Terra. Assim, ele ainda possuía o poder que demonstrou na criação, e nem a poderosa Babilônia estava fora de seu alcance. É impossível que um Deus assim se canse ou decepcione seu povo. Eles não deviam esperar entender plenamente os atos de Jeová, pois o Seu entendimento — ou perspicácia, discernimento e percepção — estava além de sua compreensão.
28, 29. (a) De que modo Jeová lembra seu povo de que ajudará os cansados? (b) Que ilustração se usa para mostrar como Jeová dá força aos seus servos?
28 Por meio de Isaías, Jeová prossegue encorajando os desalentados exilados: “Ele dá poder ao cansado; e faz abundar a plena força para aquele que está sem energia dinâmica. Rapazes tanto se cansarão como se fatigarão e os próprios jovens sem falta tropeçarão, mas os que esperam em Jeová recuperarão poder. Ascenderão com asas quais águias. Correrão e não se fatigarão; andarão e não se cansarão.” — Isaías 40:29-31.
29 Ao falar da necessidade de dar força ao cansado, Jeová talvez pensasse na penosa viagem que os exilados teriam de fazer ao retornar para a sua terra. Jeová lembrou ao seu povo que é de Seu feitio socorrer os fracos que Lhe pedem apoio. Até mesmo os humanos mais vigorosos — “rapazes” e “jovens” — talvez tivessem sido vencidos pela fadiga e tropeçado de exaustão. No entanto, Jeová prometeu dar força — força incansável para correr e para andar — para quem confiasse nele. O voo aparentemente sem esforço da águia, uma ave poderosa que pode voar por horas a fio, é usado para ilustrar como Jeová dá força aos seus servos.e Com perspectivas de tal apoio divino, os exilados judeus não tinham motivo para desespero.
30. Como podem os cristãos verdadeiros hoje derivar consolo dos versículos finais de Isaías, capítulo 40?
30 Esses versículos finais de Isaías, capítulo 40, contêm palavras de consolo para os cristãos verdadeiros que vivem nos últimos dias deste sistema perverso. Com tantas pressões e problemas que tendem a desanimar, é reanimador saber que as aflições que enfrentamos e as injustiças que sofremos não passam despercebidas ao nosso Deus. Podemos ter certeza de que o Criador de todas as coisas, Aquele cujo “entendimento está além de ser narrado”, no seu devido tempo e à sua maneira corrigirá todas as injustiças. (Salmo 147:5, 6) No ínterim, não precisamos perseverar nas nossas próprias forças. Jeová, cujos recursos são inesgotáveis, pode dar forças — até mesmo “além do normal” — para seus servos em tempos de provação. — 2 Coríntios 4:7.
31 Pense naqueles judeus cativos em Babilônia, no sexto século AEC. Centenas de quilômetros distante dali, sua amada Jerusalém jazia desolada, e seu templo, em ruínas. Para eles, a profecia de Isaías continha uma consoladora promessa de luz e de esperança — Jeová os levaria de volta para a sua terra natal! Em 537 AEC Jeová fez isso, provando que é Cumpridor de promessas. Nós também podemos ter confiança absoluta em Jeová. As suas promessas do Reino, tão belamente expressas na profecia de Isaías, se tornarão realidade. Isso são de fato boas novas — uma mensagem de luz para toda a humanidade!
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