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  • Por que precisa Jeová de Testemunhas?
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 1

      Por que precisa Jeová de Testemunhas?

      AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ são conhecidas mundialmente pela sua persistência em falar às pessoas em toda a parte sobre Jeová Deus e seu Reino. Gozam também da reputação de ser pessoas que se apegam às suas crenças, apesar de toda sorte de oposição, até mesmo a morte.

      “As principais vítimas da perseguição religiosa nos Estados Unidos no século vinte foram as Testemunhas de Jeová”, diz o livro The Court and the Constitution (O Tribunal e a Constituição), de Archibald Cox (1987). “As Testemunhas de Jeová . . . têm sido molestadas e perseguidas por governos no mundo inteiro”, diz Tony Hodges. “Na Alemanha nazista, foram arrebanhadas e enviadas para os campos de concentração. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Sociedade [Torre de Vigia] foi proscrita na Austrália e no Canadá. . . . Hoje [na década de 70] as Testemunhas de Jeová estão sendo acossadas na África.” — Jehovah’s Witnesses in Africa, Edição de 1985.

      Por que essa perseguição? Qual é o objetivo da pregação? Foram as Testemunhas de Jeová realmente comissionadas por Deus? Por que afinal precisa Jeová ter testemunhas — e além do mais testemunhas humanas imperfeitas? As respostas têm a ver com questões em litígio num processo jurídico universal — decididamente o caso mais crítico já pleiteado. Precisamos examinar essas questões para entendermos por que Jeová tem testemunhas e por que essas testemunhas estão dispostas a suportar até mesmo a mais intensa oposição.

      Contestada a soberania de Jeová

      Essas questões de suma importância têm a ver com a legitimidade da soberania, ou governo supremo, de Jeová Deus. Ele é o Soberano Universal em razão de ser Criador, Deus e Todo-Poderoso. (Gên. 17:1; Êxo. 6:3; Rev. 4:11) Por conseguinte, é legítima a sua dominação sobre tudo, no céu e na Terra. (1 Crô. 29:12, nota) Mas, ele sempre administra sua soberania com amor. (Veja Jeremias 9:24.) O que, pois, pede ele em troca disso de suas criaturas inteligentes? Que o amem e mostrem apreço pela Sua soberania. (Sal. 84:10) Contudo, milhares de anos atrás a soberania legítima de Jeová foi contestada. Como? Por quem? Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, lança luz sobre o assunto.

      Relata que Deus criou o primeiro casal humano, Adão e Eva, e lhe deu um lindo lar ajardinado. Ordenou também o seguinte: “De toda árvore do jardim podes comer à vontade. Mas, quanto à árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau, não deves comer dela, porque no dia em que dela comeres, positivamente morrerás.” (Gên. 2:16, 17) O que era a “árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau”, e o que significaria comer de seu fruto?

      Era uma árvore real, mas Deus a usou com objetivo simbólico. Chamando-a de “árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau” e ordenando ao primeiro casal humano que não comesse dela, essa árvore simbolizava apropriadamente o direito de Deus decidir para os humanos o que é “bom” (o que agrada a Deus) e o que é “mau” (o que desagrada a Deus). De modo que a presença dessa árvore testava o respeito do homem pela soberania de Deus. Infelizmente, o primeiro casal humano desobedeceu a Deus e comeu do fruto proibido. Saiu-se mal neste simples, porém profundo, teste de obediência e apreço. — Gên. 3:1-6.

      Este aparentemente pequeno ato constituiu rebelião contra a soberania de Jeová. De que modo? Entender como nós, humanos, fomos feitos é a chave para compreender o significado do que Adão e Eva fizeram. Ao criar o primeiro casal humano, Jeová deu-lhe uma notável dádiva — o livre-arbítrio. Complementando essa dádiva, Jeová os dotou de faculdades mentais que incluíam a capacidade de percepção, de raciocínio e de critério. (Heb. 5:14) Não eram como robôs que não pensam; nem como animais que agem essencialmente por instinto. Sua liberdade era, porém, relativa, sujeita aos regulamentos das leis divinas. (Compare com Jeremias 10:23, 24.) Adão e Eva escolheram comer do fruto proibido. Isto foi, portanto, um abuso de sua liberdade. O que fez que agissem assim?

      A Bíblia explica que uma criatura espiritual de Deus adotou, de livre vontade, um proceder de oposição e resistência a Ele. Tal criatura, que mais tarde veio a ser conhecida como Satanás, falou por intermédio de uma serpente, no Éden, e levou Eva e, por intermédio dela, Adão a se desviarem da sujeição à soberania de Deus. (Rev. 12:9) Comendo do fruto, Adão e Eva colocaram o seu critério acima do de Deus, indicando assim que queriam julgar por si mesmos o que é bom e o que é mau. — Gên. 3:22.

      Portanto, a questão suscitada foi: tem Jeová o direito de governar a humanidade, e exerce ele sua soberania para o máximo benefício de seus súditos? Essa questão estava claramente implícita nas palavras que a Serpente dirigiu a Eva: “É realmente assim que Deus disse, que não deveis comer de toda árvore do jardim?” Deu-se a entender que Deus estava injustamente retendo algo de bom da mulher e de seu marido. — Gên. 3:1.

      A rebelião no Éden levantou outra questão: podem os humanos, quando testados, ser fiéis a Deus? Essa questão relacionada foi esclarecida 24 séculos mais tarde com respeito ao fiel Jó. Satanás, a ‘voz’ por trás da serpente, desafiou a Jeová abertamente, dizendo: “Acaso é por nada que Jó teme a Deus?” Satanás acusou: “Não puseste tu mesmo uma sebe em volta dele, e em volta da sua casa, e em volta de tudo o que ele tem? Abençoaste o trabalho das suas mãos, e o próprio gado dele se tem espalhado pela terra.” De modo que Satanás insinuou que a retidão de Jó era motivada por interesse egoísta. Ele afirmou ainda mais: “Pele por pele, e tudo o que o homem tem dará pela sua alma.” Visto que, como Jeová dissera, ‘não havia ninguém igual a ele [Jó] na terra’, Satanás realmente sustentava que podia quebrar a integridade de qualquer servo de Deus. (Jó 1:8-11; 2:4) Indiretamente, contestou-se assim a integridade e lealdade de todos os servos de Deus para com a Sua soberania.

      Uma vez suscitadas, essas questões tinham de ser resolvidas. A passagem do tempo — cerca de 6.000 anos agora — e o infeliz fracasso dos governos humanos manifestarão claramente que os humanos necessitam da soberania de Deus. Mas, será que a desejam? Existem humanos que demonstrarão reconhecimento sincero da justa soberania de Jeová? Sim! Jeová tem suas testemunhas! Mas, antes de considerarmos seu testemunho, examinemos primeiro o que está envolvido em alguém ser uma testemunha.

      O que significa ser testemunha

      As palavras nos idiomas originais, traduzidas por “testemunha”, suprem entendimento sobre o que significa ser testemunha a favor de Jeová. Nas Escrituras Hebraicas, o substantivo traduzido por “testemunho” (ʽedh) deriva-se de um verbo (ʽudh) que significa “retornar” ou “repetir, fazer de novo”. Quanto ao substantivo (ʽedh), a obra Theological Wordbook of the Old Testament (Manual Teológico de Termos do Velho Testamento) diz: “Testemunha é alguém que, por reiteração, afirma enfaticamente seu testemunho. A palavra [ʽedh] é um termo familiar em linguagem de tribunal.” A obra A Comprehensive Etymological Dictionary of the Hebrew Language for Readers of English (Dicionário Etimológico Exaustivo da Língua Hebraica para os Que Lêem Inglês) acrescenta: “O significado orig[inal] [do verbo ʽudh] provavel[mente] era ‘ele disse repetida e vigorosamente’.”

      Nas Escrituras cristãs, as palavras gregas traduzidas “testemunho” (már·tys) e “testemunhar” (mar·ty·ré·o) também tinham uma conotação jurídica, ainda que, com o tempo, viessem a assumir um significado mais amplo. Segundo o Theological Dictionary of the New Testament (Dicionário Teológico do Novo Testamento), “o conceito do testemunho [é empregado] tanto no sentido de testemunho de fatos certificáveis como de testemunho de verdades, i.e., de tornar conhecidas e confessar convicções”. Portanto, uma testemunha relata fatos com conhecimento pessoal direto, ou proclama conceitos ou verdades dos quais está convicta.a

      O proceder fiel dos cristãos do primeiro século ampliou ainda mais o significado de “testemunha”. Muitos daqueles primitivos cristãos deram testemunho sob perseguição e em face da morte. (Atos 22:20; Rev. 2:13) Em resultado disso, por volta do segundo século EC, a palavra grega para testemunha (már·tys, da qual se derivou também a palavra “mártir”) adquiriu o significado aplicado a pessoas que estavam dispostas a “selar a seriedade de seu testemunho, ou confissão, com a morte”. Não foram chamadas de testemunhas porque morreram; elas morreram porque eram testemunhas leais.

      Quem foram, pois, as primeiras testemunhas de Jeová? Quem eram os que estavam dispostos a proclamar “repetida e vigorosamente” — com palavras e com o seu modo de viver — que Jeová é o legítimo e digno Soberano? Quem eram os que estavam dispostos a manter-se íntegros para com Deus, mesmo até à morte?

      As primitivas testemunhas de Jeová

      O apóstolo Paulo diz: “Temos a rodear-nos uma tão grande nuvem [gr.: né·fos, denotando massa de nuvens] de testemunhas.” (Heb. 12:1) Essa ‘massa de nuvens’ de testemunhas começou a se formar pouco depois da rebelião contra a soberania de Deus no Éden.

      Em Hebreus 11:4, Paulo identifica Abel como a primeira testemunha de Jeová, dizendo: “Pela fé Abel ofereceu a Deus um sacrifício de maior valor do que Caim, sendo por esta fé que se lhe deu testemunho de que era justo, dando Deus testemunho com respeito a suas dádivas; e por intermédio dela, embora morto, ainda fala.” De que modo serviu Abel como testemunha a favor de Jeová? A resposta gira em torno da razão pela qual o sacrifício de Abel era de “maior valor” do que o de Caim.

      Declarado de modo simples, Abel fez a oferta certa com motivo certo e sustentou-a com obras certas. Como dádiva, ele deu um sacrifício de sangue, representando a vida das primícias de seu rebanho — ao passo que Caim ofereceu produtos sem vida. (Gên. 4:3, 4) O sacrifício de Caim não tinha aquilo que motivara a fé que fez com que a oferta de Abel fosse aceitável. Caim precisava mudar sua adoração. Em vez disso, ele manifestou sua má atitude de coração, rejeitando o conselho e o aviso de Deus e assassinando o fiel Abel. — Gên. 4:6-8; 1 João 3:11, 12.

      Abel demonstrou ter a fé que faltou a seus pais. Mediante seu proceder fiel, ele tornou conhecida a sua convicção de que a soberania de Jeová é justa e digna. Durante o período de mais ou menos um século que viveu, Abel demonstrou que o homem pode ser fiel a Deus a ponto de selar seu testemunho com a morte. E o sangue de Abel ainda ‘fala’, pois o registro inspirado de seu martírio foi preservado na Bíblia para as gerações futuras!

      Uns cinco séculos após a morte de Abel, Enoque começou a ‘andar com Deus’, seguindo um proceder em harmonia com as normas de Jeová sobre o que é bom e o que é mau. (Gên. 5:24) A essa altura, a rejeição da soberania de Deus tinha levado à proliferação de práticas ímpias entre a humanidade. Enoque estava convencido de que o Supremo Soberano agiria contra as pessoas ímpias, e o espírito de Deus o impeliu a proclamar a destruição futura delas. (Judas 14, 15) Enoque permaneceu uma testemunha fiel mesmo até a morte, pois Jeová “o tomou”, pelo que parece, poupando-o de morte violenta às mãos de seus inimigos. (Heb. 11:5) Assim, o nome de Enoque pôde ser acrescentado na crescente lista da ‘grande nuvem de testemunhas’ da era pré-cristã.

      Um espírito de impiedade continuou a permear os assuntos humanos. Nos dias de Noé, que nasceu cerca de 70 anos depois da morte de Enoque, filhos angélicos de Deus vieram à Terra, materializando-se evidentemente em forma humana, e coabitaram com mulheres atraentes. A prole que produziram era conhecida como nefilins; eles eram gigantes entre os homens. (Gên. 6:1-4) Qual foi o resultado dessa união desnatural de criaturas espirituais com humanos e da raça híbrida assim produzida? O registro inspirado responde: “Por conseguinte, Jeová viu que a maldade do homem era abundante na terra e que toda inclinação dos pensamentos do seu coração era só má, todo o tempo. Deus viu, pois, a terra e eis que estava arruinada, porque toda a carne havia arruinado seu caminho na terra.” (Gên. 6:5, 12) Que lástima que a Terra, o escabelo de Deus, estava “cheia de violência”! — Gên. 6:13; Isa. 66:1.

      Em contraste com isso, “Noé era homem justo”, e “mostrou-se sem defeito entre os seus contemporâneos”. (Gên. 6:9) Demonstrou sua submissão à soberania de Deus, fazendo ‘exatamente o que Deus lhe mandara’. (Gên. 6:22) Agindo com fé, “construiu uma arca para a salvação de sua família”. (Heb. 11:7) Mas Noé era mais do que um construtor; como “pregador [ou arauto] da justiça”, ele avisou sobre a vindoura destruição. (2 Ped. 2:5) Mas, apesar do corajoso testemunho de Noé, os daquela geração má “não fizeram caso, até que veio o dilúvio e os varreu a todos”. — Mat. 24:37-39.

      Após os dias de Noé, Jeová tinha testemunhas entre os patriarcas do após-Dilúvio. Abraão, Isaque, Jacó e José são mencionados como parte antiga da nuvem de testemunhas pré-cristãs. (Heb. 11:8-22; 12:1) Eles demonstraram seu apoio à soberania de Jeová, mantendo-se íntegros. (Gên. 18:18, 19) Contribuíram assim para a santificação do nome de Jeová. Em vez de buscarem segurança em algum reino terrestre, “declararam publicamente que eram estranhos e residentes temporários no país” e, com fé, ‘aguardavam a cidade que tem verdadeiros alicerces, cujo construtor e fazedor é Deus’. (Heb. 11:10, 13) Aceitaram a Jeová como Governante, ancorando sua fé no prometido Reino celestial como expressão de Sua legítima soberania.

      No século 16 AEC, os descendentes de Abraão eram escravos em necessidade de libertar-se do jugo egípcio. Foi então que Moisés e seu irmão Arão se tornaram figuras-chaves numa ‘batalha dos deuses’. Compareceram diante de Faraó e apresentaram o ultimato de Jeová: “Manda embora meu povo.” Mas o orgulhoso Faraó endureceu seu coração; ele não queria perder uma enorme nação de trabalhadores escravos. “Quem é Jeová”, replicou ele, “que eu deva obedecer à sua voz para mandar Israel embora? Não conheço Jeová, e ainda mais, não vou mandar Israel embora”. (Êxo. 5:1, 2) Com essa resposta de desprezo, Faraó, que era crido ser ele próprio um deus vivo, recusou reconhecer que Jeová é Deus.

      Uma vez suscitada a questão quanto a quem era Deus, Jeová passou a provar que ele é o verdadeiro Deus. Faraó, por meio de seus sacerdotes-magos, convocou todo o poder dos deuses do Egito em desafio ao poder de Jeová. Mas Jeová enviou dez pragas, cada uma delas anunciada por Moisés e Arão, para demonstrar Sua dominação sobre os elementos e as criaturas da Terra, bem como Sua supremacia sobre os deuses do Egito. (Êxo. 9:13-16; 12:12) Após a décima praga, Jeová tirou Israel do Egito por meio de “forte mão”. — Êxo. 13:9.

      Exigiu muita coragem e fé da parte de Moisés, “o mais manso de todos os homens”, comparecer diante de Faraó não apenas uma, mas muitas vezes. (Núm. 12:3) Contudo, Moisés nunca diluiu a mensagem que Jeová lhe ordenou que levasse a Faraó. Nem mesmo a ameaça de morte pôde silenciar seu testemunho! (Êxo. 10:28, 29; Heb. 11:27) Moisés era testemunha no verdadeiro sentido da palavra; ele testificou “repetida e vigorosamente” que Jeová é Deus.

      Em seguida àquela libertação da escravidão no Egito, em 1513 AEC, Moisés escreveu o livro de Gênesis. Começou assim uma nova era — a era da escrita da Bíblia. Visto que Moisés evidentemente escreveu o livro de Jó, ele tinha alguma compreensão da questão em litígio entre Deus e Satanás. Mas, com o prosseguimento da escrita da Bíblia, as questões relacionadas com a soberania de Deus e de manter-se o homem íntegro seriam claramente registradas; assim todos os interessados poderiam obter pleno conhecimento das grandes questões envolvidas. No ínterim, em 1513 AEC, Jeová lançou o alicerce para produzir uma nação de testemunhas.

      Uma nação de testemunhas

      No terceiro mês após terem deixado o Egito, Jeová levou os israelitas a uma exclusiva relação pactuada com ele, tornando-os sua “propriedade especial”. (Êxo. 19:5, 6) Através de Moisés, ele passou a ter tratos com eles como nação, dando-lhes um governo teocrático fundado sobre o pacto da Lei como sua constituição nacional. (Isa. 33:22) Eram o povo escolhido de Jeová, organizado para o representarem como seu Soberano Senhor.

      Entretanto, nos séculos que se seguiram, essa nação nem sempre reconheceu a soberania de Jeová. Depois de se estabelecer na Terra Prometida, Israel, às vezes, desviou-se para a adoração dos deuses demoníacos das nações. Por deixarem de obedecer-lhe como legítimo Soberano, Jeová permitiu que eles fossem saqueados, parecendo assim que os deuses das nações eram mais fortes do que Jeová. (Isa. 42:18-25) Mas, no oitavo século AEC, Jeová desafiou abertamente os deuses das nações para eliminar a impressão errada e resolver a questão: quem é o verdadeiro Deus?

      Por intermédio do profeta Isaías, Jeová lançou o desafio: “Quem dentre eles [os deuses das nações] pode contar isso [profetizar com precisão]? Ou podem fazer-nos ouvir mesmo as primeiras coisas [isto é, coisas com antecedência]? Forneçam [como deuses] as suas testemunhas, para que sejam declarados justos, ou [os povos das nações] ouçam e digam: ‘É verdade!’” (Isa. 43:9) Sim, que os deuses das nações forneçam testemunhas que possam testificar a respeito da profecia de seus deuses: “É verdade!” Mas nenhum desses deuses pôde produzir verdadeiras testemunhas que testificassem que eles eram realmente deuses!

      Jeová tornou clara à nação de Israel a responsabilidade que esta tinha na solução da questão: quem é o verdadeiro Deus? Ele disse: “Vós sois as minhas testemunhas . . . sim, meu servo a quem escolhi, para que saibais e tenhais fé em mim, e para que entendais que eu sou o Mesmo. Antes de mim não foi formado nenhum Deus e depois de mim continuou a não haver nenhum. Eu é que sou Jeová, e além de mim não há salvador. Eu mesmo o comuniquei, e salvei, e fiz que fosse ouvido, quando entre vós não havia nenhum deus estranho. Portanto, vós sois as minhas testemunhas . . . e eu sou Deus.” — Isa. 43:10-12.

      Portanto, Israel, o povo de Jeová, constituía uma nação de testemunhas. Podiam afirmar enfaticamente a legitimidade e dignidade da soberania de Jeová. Com base em suas experiências passadas, podiam proclamar com convicção que Jeová é o Grande Libertador de seu povo e o Deus da profecia verdadeira.

      Testemunho concernente ao Messias

      Apesar do abundante testemunho daquela ‘massa de nuvens’ de testemunhas pré-cristãs, o lado de Deus nas questões ainda não tinha sido completamente resolvido. Por que não? Porque, no devido tempo de Deus, depois de se demonstrar claramente que os humanos precisam do governo de Jeová e que não conseguem de modo autônomo governar com êxito, Jeová executará, pois, a sentença contra todos os que recusam respeitar Sua legítima autoridade. Ademais, as questões suscitadas vão muito além da esfera humana. Visto que um anjo se rebelara no Éden, a questão de se manter íntegro para com a soberania de Deus chegou a atingir e envolver as criaturas celestiais de Deus. Por conseguinte, Jeová propôs que um filho espiritual viesse à Terra, onde Satanás teria plena oportunidade de pô-lo à prova. Esse filho espiritual receberia a oportunidade de resolver, de modo perfeito, a questão: ficará alguém fiel a Deus sob qualquer provação que lhe for imposta? Provando assim a sua lealdade, este filho de Deus seria habilitado, como o grande vindicador de Jeová, para destruir os iníquos e cumprir plenamente o propósito original de Deus com respeito à Terra.

      Mas, como seria esse identificado? No Éden, Jeová havia prometido um “descendente” (semente) que machucaria a cabeça do Adversário serpentino e vindicaria a soberania de Deus. (Gên. 3:15) Por meio dos profetas hebreus, Jeová forneceu muitos pormenores sobre esse “descendente” messiânico — seus antecedentes e suas atividades, até mesmo o tempo em que apareceria. — Gên. 12:1-3; 22:15-18; 49:10; 2 Sam. 7:12-16; Isa. 7:14; Dan. 9:24-27; Miq. 5:2.

      Já em meados do quinto século AEC, uma vez completadas as Escrituras Hebraicas, as profecias estavam assentadas por escrito, à espera da chegada do Messias para as cumprir. O testemunho desta testemunha — de fato, a maior testemunha de Deus — será considerado no capítulo seguinte.

  • Jesus Cristo, a Testemunha Fiel
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 2

      Jesus Cristo, a Testemunha Fiel

      POR uns 4.000 anos, uma longa lista de testemunhas pré-cristãs havia dado seu testemunho. Mas as questões sobre a soberania de Deus e sobre seus servos se manterem íntegros estavam longe de serem solucionadas. Chegara então o tempo de aparecer na Terra o prometido “descendente” (literalmente: “semente”) régio, o Messias. — Gên. 3:15.

      Dentre todos os milhões de filhos espirituais, a quem escolheu Jeová para essa incumbência? Todos eles haviam presenciado o que acontecera no Éden e estavam sem dúvida cientes das questões universais ali suscitadas. Mas quem estava mais ansioso de se empenhar em limpar o nome de Jeová e vindicar a Sua soberania? Quem poderia fornecer a resposta mais conclusiva ao desafio de Satanás de que ninguém se manteria, sob teste, íntegro à soberania de Deus? O escolhido por Jeová foi seu Primogênito, seu Filho unigênito, Jesus. — João 3:16; Col. 1:15.

      Jesus aceitou com zelo e humildade essa incumbência, embora significasse deixar o lar celeste que partilhava com seu Pai por mais tempo do que qualquer outro. (João 8:23, 58; Fil. 2:5-8) O que o motivou? O profundo amor a Jeová e seu ardente desejo de ver Seu nome absolvido de toda acusação. (João 14:31) Jesus agiu também por amor à humanidade. (Pro. 8:30, 31; compare com João 15:13.) Seu nascimento na Terra, em princípios do outono do ano 2 AEC, foi possível mediante o espírito santo — por meio do qual Jeová transferiu a vida de Jesus do céu para o ventre da virgem judia Maria. (Mat. 1:18; Luc. 1:26-38) De modo que Jesus nasceu na nação de Israel. — Gál. 4:4.

      Mais do que qualquer outro israelita, Jesus sabia que ele tinha de ser uma testemunha de Jeová. Por quê? Porque ele era membro daquela nação à qual Jeová, por meio do profeta Isaías, dissera: “Vós sois as minhas testemunhas.” (Isa. 43:10) Além disso, no batismo de Jesus no rio Jordão, em 29 EC, Jeová o ungira com espírito santo. (Mat. 3:16) Assim, Jesus foi autorizado, conforme testificou mais tarde, a “proclamar o ano de boa vontade da parte de Jeová”. — Isa. 61:1, 2; Luc. 4:16-19.

      Jesus cumpriu fielmente a sua incumbência e tornou-se a maior testemunha de Jeová que já houve na Terra. Com toda a razão, pois, o apóstolo João, que estava perto de Jesus quando este morreu, chama-o de “Testemunha Fiel”. (Rev. 1:5) E, em Revelação (Apocalipse) 3:14, o glorificado Jesus chama a si mesmo de “o Amém” e “a testemunha fiel e verdadeira”. Que testemunho deu essa “Testemunha Fiel”?

      ‘Deu testemunho da verdade’

      Quando estava sendo julgado perante o governador romano Pilatos, Jesus declarou: “Para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que está do lado da verdade escuta a minha voz.” (João 18:37) De que verdade deu Jesus testemunho? Da verdade de Deus, a revelação dos propósitos eternos de Jeová. — João 18:33-36.

      Como, porém, deu Jesus testemunho dessa verdade? O verbo grego para “dar testemunho” significa também “declarar, confirmar, testificar favoravelmente, falar bem (de), aprovar”. Nos antigos papiros gregos, a ocorrência comum de outra forma do verbo (mar·ty·ró) vinha depois de uma assinatura, como em transações comerciais. Por meio de seu ministério, pois, Jesus tinha de confirmar a verdade de Deus. Isto certamente requeria que ele declarasse, ou pregasse, essa verdade a outros. Entretanto, era necessário muito mais do que falar.

      “Eu sou . . . a verdade”, disse Jesus. (João 14:6) Sim, ele vivia de forma tal que cumprisse a verdade de Deus. O propósito de Deus em relação com o Reino e seu Governante messiânico havia sido detalhado na profecia. Jesus, por tudo o que empreendeu na vida terrestre, que culminou em morte sacrificial, cumpriu todas as coisas profetizadas a seu respeito. Ele confirmou e garantiu assim a verdade da palavra profética de Jeová. Por isso, o apóstolo Paulo podia dizer: “Não importa quantas sejam as promessas de Deus, elas se tornaram Sim por meio dele. Portanto, também por intermédio dele se diz o ‘amém’ [que significa “assim seja”, ou “certamente”] a Deus, para glória por nosso intermédio.” (2 Cor. 1:20) Sim, Jesus é aquele em quem se cumprem as promessas de Deus. — Rev. 3:14.

      Testemunho a favor do nome de Deus

      Jesus ensinou seus seguidores a orar: “Nosso Pai nos céus, santificado seja [ou “seja tido por sagrado; seja tratado como santo”] o teu nome.” (Mat. 6:9, nota) Na última noite de sua vida terrestre, em oração a seu Pai celestial, Jesus disse também: “Tenho feito manifesto o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus e tu mos deste, e eles têm observado a tua palavra. E eu lhes tenho dado a conhecer o teu nome e o hei de dar a conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e eu em união com eles.” (João 17:6, 26) Este era, de fato, o principal propósito de Jesus vir à Terra. O que estava envolvido em ele dar a conhecer o nome de Deus?

      Os seguidores de Jesus já conheciam e usavam o nome de Deus. Eles o haviam visto e lido nos rolos da Bíblia hebraica, disponíveis nas suas sinagogas. Também o haviam visto e lido na Septuaginta — uma tradução grega das Escrituras Hebraicas que eles usavam ao ensinarem e escreverem. Em que sentido Jesus manifestou ou deu a conhecer o nome divino se já o conheciam?

      Nos tempos bíblicos, os nomes não eram meros rótulos. Diz A Greek-English Lexicon of the New Testament (Léxico Grego-Inglês do Novo Testamento), de J. H. Thayer: “O nome de Deus no N[ovo] T[estamento] é usado para descrever todas aquelas qualidades que para seus adoradores estão encerradas nesse nome, e pelo qual Deus se dá a conhecer aos homens.” Jesus deu a conhecer o nome de Deus não apenas o usando, mas revelando a Pessoa por trás desse nome — seus propósitos, atividades e qualidades. Tendo ‘estado na posição junto ao seio do Pai’, Jesus podia revelar o Pai de uma forma como nenhum outro podia. (João 1:18) Além disso, Jesus refletia tão perfeitamente a seu Pai que os discípulos de Jesus podiam ‘ver’ o Pai no Filho. (João 14:9) Por aquilo que ele disse e fez, Jesus deu testemunho a favor do nome de Deus.

      Deu testemunho a respeito do Reino de Deus

      Como “a Testemunha Fiel”, Jesus era notável proclamador do Reino de Deus. Enfaticamente ele disse: “Tenho de declarar as boas novas do reino de Deus . . ., porque fui enviado para isso.” (Luc. 4:43) Ele proclamou esse Reino celestial por toda a Palestina, percorrendo centenas de quilômetros a pé. Pregava onde quer que houvesse pessoas que ouviam: às margens de lagos, nas encostas de colinas, nas cidades e aldeias, nas sinagogas e no templo, nas feiras e nas casas das pessoas. Mas Jesus sabia que havia um limite na área que ele podia cobrir e no número de pessoas a quem podia dar testemunho. (Veja João 14:12.) Portanto, tendo em vista abranger o campo mundial, Jesus treinou seus discípulos e os enviou como proclamadores do Reino. — Mat. 10:5-7; 13:38; Luc. 10:1, 8, 9.

      Jesus era uma testemunha diligente e zelosa, e não se deixou desviar de seu propósito. Embora mostrasse preocupação pessoal pelas necessidades do povo, não ficou tão absorto em fazer coisas que trariam alívio a curto prazo a ponto de negligenciar a incumbência dada por Deus de indicar para as pessoas a solução duradoura de seus problemas — o Reino de Deus. Certa vez, depois de ter alimentado miraculosamente cerca de 5.000 homens (talvez bem mais de 10.000 pessoas, incluindo-se as mulheres e as crianças), um grupo de judeus queria apanhá-lo e fazer dele um rei terrestre. Que fez Jesus? “Retirou-se novamente para o monte, sozinho.” (João 6:1-15; compare com Lucas 19:11, 12; Atos 1:6-9.) Embora realizasse muitos milagres de cura, Jesus não era principalmente conhecido como Operador de Milagres, mas, antes, era reconhecido tanto pelos crentes como pelos descrentes como “Instrutor”. — Mat. 8:19; 9:11; 12:38; 19:16; 22:16, 24, 36; João 3:2.

      Claramente, a obra mais importante que Jesus podia fazer era dar testemunho do Reino de Deus. É a vontade de Jeová que toda pessoa saiba o que o Seu Reino vem a ser e como este cumprirá Seus propósitos. Deus o preza muito em seu coração, pois é o meio pelo qual santificará Seu nome, limpando-o de todo vitupério. Jesus sabia disso, de modo que fez desse Reino o tema de sua pregação. (Mat. 4:17) Participando de todo o coração em proclamá-lo, Jesus sustentou a legítima soberania de Jeová.

      Uma testemunha fiel mesmo até a morte

      Ninguém poderia amar a Jeová e a Sua soberania mais do que Jesus. Como “primogênito de toda a criação”, Jesus ‘conhecia plenamente’ o Pai, devido à sua estreita associação com ele como criatura espiritual no céu. (Col. 1:15; Mat. 11:27) Ele se sujeitara voluntariamente à soberania de Deus durante incontáveis eras antes da criação do primeiro homem e da primeira mulher. (Veja João 8:29, 58.) Quão profundamente magoado deve ter ficado quando Adão e Eva deram as costas à soberania de Deus! Contudo, esperou com paciência nos céus por uns 4.000 anos, e, por fim, chegou o tempo para ele servir como a maior testemunha de Jeová que já houve na Terra!

      Jesus estava plenamente ciente de que as questões universais o envolviam diretamente. Podia parecer que Jeová havia posto uma sebe em volta dele. (Compare com Jó 1:9-11.) É verdade que ele havia demonstrado sua fidelidade e devoção nos céus, mas será que se manteria íntegro como humano na Terra sob qualquer tipo de teste? Poderia resistir a Satanás numa situação em que seu inimigo aparentemente levava vantagem?

      O Adversário serpentino não perdeu tempo. Pouco depois do batismo e da unção de Jesus, Satanás o tentou a demonstrar egoísmo, a se exaltar e a finalmente rejeitar a soberania de seu Pai. Mas a inequívoca declaração de Jesus a Satanás: “É a Jeová, teu Deus, que tens de adorar e é somente a ele que tens de prestar serviço sagrado”, mostrou qual era a sua posição nas questões suscitadas. Quão diferente de Adão! — Mat. 4:1-10.

      O proceder reservado para Jesus significava sofrimento e morte, e Jesus bem sabia disso. (Luc. 12:50; Heb. 5:7-9) Contudo, “quando se achou na feição de homem, humilhou-se e tornou-se obediente até à morte, sim, morte numa estaca de tortura”. (Fil. 2:7, 8) Jesus provou assim que Satanás é um monstruoso mentiroso, resolvendo completamente a questão: Manter-se-ia alguém íntegro à soberania de Deus caso se permitisse a Satanás submetê-lo à prova? A morte de Jesus, porém, realizou muito mais do que isso.

      Por meio de sua morte na estaca de tortura, Jesus também deu “sua alma como resgate em troca de muitos”. (Mat. 20:28; Mar. 10:45) Sua vida humana perfeita tinha valor sacrificial. Ter Jesus sacrificado sua vida não só possibilita recebermos o perdão de pecados, mas abre também para nós a oportunidade da vida eterna numa Terra paradísica, em harmonia com o propósito original de Deus. — Luc. 23:43; Atos 13:38, 39; Heb. 9:13, 14; Rev. 21:3, 4.

      Jeová mostrou que amava e aprovava Jesus como “a Testemunha Fiel” ressuscitando-o no terceiro dia. Isto confirmou que o testemunho que Jesus havia dado a respeito do Reino era verdadeiro. (Atos 2:31-36; 4:10; 10:36-43; 17:31) Depois de permanecer na vizinhança da Terra por 40 dias, período em que ele apareceu a seus apóstolos em diversas ocasiões, Jesus ascendeu ao céu. — Atos 1:1-3, 9.

      Jesus havia indicado que o estabelecimento do Reino messiânico de Deus se daria num futuro muito distante. (Luc. 19:11-27) Esse evento marcaria também o início da ‘presença de Jesus e da terminação do sistema de coisas’. (Mat. 24:3) Mas, como poderiam seus seguidores na Terra discernir quando estas coisas ocorreriam? Jesus lhes deu um “sinal” — um sinal composto que abrange muitas evidências, que incluem guerras, terremotos, escassez de alimentos, pestilências e aumento de anarquia. Uma parte significativa desse sinal também era que as boas novas do Reino seriam pregadas em toda a Terra habitada como testemunho a todas as nações. Todas as características desse notável sinal podem ser vistas em nossos dias, o que indica que vivemos no tempo da presença de Jesus como Rei celestial e da terminação deste sistema de coisas.a — Mat. 24:3-14.

      Que dizer, porém, dos seguidores de Jesus? Durante este tempo da presença de Jesus, indivíduos que pertencem a muitas diferentes religiões dizem estar seguindo a Cristo. (Mat. 7:22) Contudo, a Bíblia diz que há “uma só fé”. (Efé. 4:5) Então, como se pode identificar a verdadeira congregação cristã, aquela que conta com a aprovação e direção de Deus? Pode-se fazer isso examinando o que a Bíblia diz sobre a congregação cristã do primeiro século e daí ver quem hoje segue o mesmo padrão.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Veja o capítulo 10, “Uma Profecia Bíblica Cujo Cumprimento Presenciamos”, no livro A Bíblia — Palavra de Deus ou de Homem?, publicado pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados.

      [Destaque na página 20]

      ‘Nasceu para dar testemunho da verdade.’

      [Destaque na página 21]

      Jesus fez do Reino de Deus o tema de sua pregação.

      [Destaque na página 22]

      Jesus Cristo foi a maior testemunha de Jeová que já houve na Terra.

      [Gravura de página inteira na página 23]

  • Testemunhas Cristãs de Jeová do primeiro século
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 3

      Testemunhas Cristãs de Jeová do primeiro século

      “SEREIS testemunhas de mim . . . até à parte mais distante da terra.” (Atos 1:8) Com estas palavras de despedida, Jesus comissionou seus discípulos para serem testemunhas. Mas, testemunhas de quem? “Testemunhas de mim”, disse Jesus. Significam essas palavras que não seriam testemunhas de Jeová? Longe disso!

      Na realidade, os discípulos de Jesus receberam um privilégio sem precedentes — o de serem testemunhas tanto de Jeová como de Jesus. Quais fiéis judeus, os primeiros discípulos de Jesus já eram testemunhas de Jeová. (Isa. 43:10-12) Mas agora haviam de ser também testemunhas do papel vital desempenhado por Jesus na santificação do nome de Jeová por meio de Seu Reino messiânico. O testemunho que davam a respeito de Jesus visava, pois, à glorificação de Jeová. (Rom. 16:25-27; Fil. 2:9-11) Testificavam que Jeová não mentira, que depois de mais de 4.000 anos por fim suscitara o há muito prometido Messias ou Cristo!

      As testemunhas cristãs de Jeová do primeiro século também receberam uma responsabilidade ímpar — responsabilidade esta que recai sobre os cristãos genuínos até hoje.

      “Ide . . . fazei discípulos”

      Depois da ressurreição de Jesus dentre os mortos, ele apareceu a seus discípulos que se haviam reunido num monte da Galiléia. Ali, Jesus esboçou a responsabilidade deles: “Ide, portanto, e fazei discípulos de pessoas de todas as nações, batizando-as em o nome do Pai, e do Filho, e do espírito santo, ensinando-as a observar todas as coisas que vos ordenei. E eis que estou convosco todos os dias, até à terminação do sistema de coisas.” (Mat. 28:19, 20) Considere o que envolvia essa pesada incumbência.

      “Ide”, disse Jesus. Mas ir a quem? A “pessoas de todas as nações”. Tratava-se de um mandamento novo, especialmente desafiador para os crentes judeus. (Veja Atos 10:9-16, 28.) Antes dos dias de Jesus, os gentios eram bem acolhidos quando eles vinham a Israel por interesse na adoração verdadeira. (1 Reis 8:41-43) Mais cedo em seu ministério, Jesus havia dito aos apóstolos que ‘fossem pregar’, mas apenas “às ovelhas perdidas da casa de Israel”. (Mat. 10:1, 6, 7) Agora a ordem era ir a pessoas de todas as nações. Com que objetivo?

      “Fazei discípulos”, ordenou Jesus. Sim, seus discípulos foram incumbidos de fazer discípulos. O que implica isso? Um discípulo é um aprendiz, alguém ensinado — não apenas um aluno, mas um aderente. Um discípulo aceita a autoridade de Jesus não só no íntimo, crendo nele, mas externamente, obedecendo-lhe. Segundo o Theological Dictionary of the New Testament (Dicionário Teológico do Novo Testamento), a palavra grega traduzida por “discípulo” (ma·the·tés) “implica a existência de um apego pessoal que molda a inteira vida daquele descrito como [discípulo]”.

      “Ensinando-as”, acrescentou Jesus, “a observar todas as coisas que vos ordenei”. Para desenvolver apego pessoal a Jesus, a pessoa precisa ser ensinada “a observar todas as coisas” que Cristo ordenou, incluindo a ordem de pregar as “boas novas do reino”. (Mat. 24:14) Só assim poderá tornar-se discípulo no verdadeiro sentido da palavra. E apenas os que aceitam esse ensinamento e se tornam discípulos genuínos é que são batizados.

      “Estou convosco”, assegurou-lhes Jesus, “todos os dias, até à terminação do sistema de coisas”. O ensinamento de Jesus é sempre pertinente, jamais antiquado. Nessa base, até hoje os cristãos têm a obrigação de fazer discípulos.

      De modo que se confiou aos seguidores de Cristo uma incumbência de grande responsabilidade, a saber, efetuar uma obra de fazer discípulos entre todas as nações. Para fazerem discípulos de Cristo, porém, tinham de dar testemunho a respeito do nome e do Reino de Jeová, pois foi isso que fez Jesus, seu Exemplo. (Luc. 4:43; João 17:26) Os que aceitaram o ensinamento de Cristo e se tornaram discípulos vieram assim a ser testemunhas cristãs de Jeová. Tornar-se alguém uma testemunha de Jeová não mais se dava por nascença — na nação judaica — mas por opção. Os que se tornaram testemunhas fizeram isso porque amavam a Jeová e desejavam sinceramente submeter-se ao Seu governo soberano. — 1 João 5:3.

      Mas, será que as testemunhas cristãs de Jeová do primeiro século cumpriram a sua comissão de servir quais testemunhas de Deus e de Cristo e de ‘fazer discípulos de pessoas de todas as nações’?

      “Até à parte mais distante da terra”

      Pouco depois de ter comissionado seus discípulos, Jesus retornou à corte celeste de seu Pai. (Atos 1:9-11) Dez dias mais tarde, no Pentecostes de 33 EC, começou a extensiva obra de fazer discípulos. Jesus derramou o prometido espírito santo sobre seus discípulos que estavam à espera. (Atos 2:1-4; compare com Lucas 24:49 e Atos 1:4, 5.) Isto lhes infundiu zelo para pregarem a respeito do ressuscitado Cristo e sua futura volta investido do poder do Reino.

      Seguindo as instruções de Jesus, aqueles discípulos do primeiro século começaram ali mesmo em Jerusalém a dar testemunho sobre Deus e sobre Cristo. (Atos 1:8) Tomando a dianteira, na Festividade de Pentecostes, o apóstolo Pedro ‘deu cabalmente testemunho’ a milhares de celebrantes judeus procedentes de muitas nações. (Atos 2:5-11, 40) Só o número de crentes varões logo ascendeu a uns 5.000. (Atos 4:4; 6:7) Mais tarde, Filipe declarou aos samaritanos “as boas novas do reino de Deus e do nome de Jesus Cristo”. — Atos 8:12.

      Mas havia muito mais trabalho a ser feito. A partir de 36 EC, com a conversão de Cornélio, um gentio incircunciso, as boas novas passaram a ser divulgadas a não-judeus de todas as nações. (Atos, cap. 10) De fato, foi tão rápida a divulgação que, por volta de 60 EC, o apóstolo Paulo podia dizer que as boas novas haviam sido “pregadas em toda a criação debaixo do céu”. (Col. 1:23) Assim, até o fim do primeiro século, os fiéis seguidores de Jesus haviam feito discípulos em todo o Império Romano — na Ásia, Europa e África!

      Visto que as testemunhas cristãs de Jeová no primeiro século realizaram tanto em tão pouco tempo, surgem as perguntas: Estavam organizadas? Em caso afirmativo, de que maneira?

      Organização da congregação cristã

      Desde o tempo de Moisés a nação judaica tinha uma posição ímpar — servia como congregação de Deus. Essa congregação fora altamente organizada por Deus para funcionar sob a direção de anciãos, cabeças, juízes e oficiais. (Jos. 23:1, 2) Mas a nação judaica perdeu sua posição privilegiada porque rejeitou o Filho de Jeová. (Mat. 21:42, 43; 23:37, 38; Atos 4:24-28) No Pentecostes de 33 EC, a congregação de Israel foi substituída pela congregação cristã de Deus.a Como estava organizada essa congregação cristã?

      Já no dia de Pentecostes, os discípulos ‘devotaram-se ao ensino dos apóstolos’, o que indica que começaram com uma união baseada em ensinos. A partir daquele primeiro dia, eles se reuniam “de comum acordo”. (Atos 2:42, 46) À medida que se expandia a obra de fazer discípulos, começavam a se formar congregações de crentes, primeiro em Jerusalém e depois fora dela. (Atos 8:1; 9:31; 11:19-21; 14:21-23) Costumavam reunir-se em lugares públicos, bem como em residências. — Atos 19:8, 9; Rom. 16:3, 5; Col. 4:15.

      O que impediu que a crescente congregação cristã se tornasse uma associação desagregada de congregações locais independentes? Elas estavam unidas sob a direção de um só Líder. Desde o início, Jesus Cristo era o nomeado Senhor e Cabeça da congregação, e assim reconhecido por todas as congregações. (Atos 2:34-36; Efé. 1:22) A partir do céu, Cristo dirigia ativamente os assuntos de sua congregação na Terra. De que maneira? Por meio do espírito santo e dos anjos que Jeová colocara à sua disposição. — Atos 2:33; compare com Atos 5:19, 20; 8:26; 1 Ped. 3:22.

      Cristo tinha algo mais à sua disposição para manter a união da congregação cristã — um corpo governante visível. De início, o corpo governante era composto dos fiéis apóstolos de Jesus. Mais tarde, incluía outros anciãos da congregação de Jerusalém, bem como o apóstolo Paulo, embora não residisse em Jerusalém. Cada congregação reconhecia a autoridade desse corpo central de anciãos e buscava a sua orientação quando surgiam questões organizacionais ou doutrinais. (Atos 2:42; 6:1-6; 8:14-17; 11:22; 15:1-31) Com que resultado? “Portanto, as congregações continuavam deveras a ser firmadas na fé e a aumentar em número, dia a dia.” — Atos 16:4, 5.

      O corpo governante, sob a orientação do espírito santo, supervisionava a nomeação de superintendentes e de seus ajudantes, os servos ministeriais, para cuidarem de cada congregação. Eram homens que tinham qualificações espirituais aplicáveis em todas as congregações, não sendo apenas normas estabelecidas localmente. (1 Tim. 3:1-13; Tito 1:5-9; 1 Ped. 5:1-3) Instava-se com os superintendentes que seguissem as Escrituras e fossem submissos à orientação do espírito santo. (Atos 20:28; Tito 1:9) Todos nas congregações eram incentivados a ‘ser obedientes aos que tomavam a dianteira’. (Heb. 13:17) Assim, mantinha-se a união não só no âmbito de cada congregação, mas também no da congregação cristã como um todo.

      Embora alguns homens ocupassem cargos de responsabilidade, não havia distinção de clérigos e leigos entre as testemunhas cristãs de Jeová do primeiro século. Todos eles eram irmãos; havia apenas um Líder, o Cristo. — Mat. 23:8, 10.

      Identificados por conduta santa e amor

      O testemunho das testemunhas de Jeová do primeiro século não se limitava ao “fruto dos lábios”. (Heb. 13:15) O discipulado moldava a inteira vida de uma testemunha cristã. Por conseguinte, aqueles cristãos não só proclamavam suas crenças, mas estas transformavam a sua vida. Despiram-se de sua velha personalidade com suas práticas pecaminosas e se esforçaram em revestir-se da nova personalidade criada segundo a vontade de Deus. (Col. 3:5-10) Eram verazes e honestos, bem como laboriosos e fidedignos. (Efé. 4:25, 28) Eram moralmente limpos — a imoralidade sexual era rigorosamente proibida. Também a bebedice e a idolatria. (Gál. 5:19-21) Com boa razão, pois, o cristianismo tornou-se conhecido como “O Caminho”, um caminho ou modo de viver que girava em torno da fé em Jesus, seguindo de perto as suas pegadas. — Atos 9:1, 2; 1 Ped. 2:21, 22.

      Uma qualidade, porém, se destaca acima de todas — a do amor. Os primitivos cristãos demonstravam preocupação amorosa pelas necessidades de concrentes. (Rom. 15:26; Gál. 2:10) Amavam uns aos outros não como a si mesmos, porém mais do que a si mesmos. (Compare com Filipenses 2:25-30.) Estavam até mesmo dispostos a morrer uns pelos outros. Mas isto não era de surpreender. Não se dispusera Jesus a morrer por eles? (João 15:13; compare com Lucas 6:40.) Ele pôde dizer a seus discípulos: “Eu vos dou um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.” (João 13:34, 35) Cristo ordenou a seus seguidores que mostrassem esse amor abnegado; e seus discípulos do primeiro século seguiram de perto essa ordem. — Mat. 28:20.

      ‘Não faziam parte do mundo’

      Para cumprirem sua responsabilidade de fazer discípulos e de serem testemunhas de Deus e de Cristo, os cristãos do primeiro século não podiam deixar-se desviar por assuntos do mundo; tinham de manter a sua comissão em nítido foco. Jesus fez realmente isso. Ele disse a Pilatos: “Meu reino não faz parte deste mundo.” (João 18:36) E declarara explicitamente a seus discípulos: “Não fazeis parte do mundo.” (João 15:19) Como Jesus, os primitivos cristãos se mantiveram separados do mundo; não se envolveram na política nem nas guerras. (João 6:15) Tampouco ficaram enlaçados nos caminhos do mundo — sua ávida busca de coisas materiais e excessiva dedicação aos prazeres. — Luc. 12:29-31; Rom. 12:2; 1 Ped. 4:3, 4.

      Visto que se mantiveram separadas do mundo, as testemunhas cristãs do primeiro século eram pessoas que se distinguiam. Diz o historiador E. G. Hardy em seu livro Christianity and the Roman Government (Cristianismo e o Governo Romano): “Os cristãos eram estranhos e peregrinos no mundo ao seu redor; sua cidadania era do céu; o reino que aguardavam não era deste mundo. O conseqüente desinteresse pelos assuntos públicos tornou-se assim desde o início uma particularidade notável do cristianismo.”

      Perseguidos por causa de seu amor à justiça

      “O escravo não é maior do que o seu amo”, avisou Jesus. “Se me perseguiram a mim, perseguirão também a vós.” (João 15:20) Antes de sua morte na estaca de tortura, Jesus sofreu severa perseguição. (Mat. 26:67; 27:26-31, 38-44) E, exatamente como avisara, seus discípulos logo sofreram tratamento similar. (Mat. 10:22, 23) Mas por quê?

      Não levou muito tempo para os primitivos cristãos serem notados. Eram pessoas de elevados princípios de moral e integridade. Efetuavam com grande franqueza e zelo um serviço de fazer discípulos; em resultado disso, literalmente milhares de pessoas abandonaram os sistemas da religião falsa e se tornaram cristãos. Recusaram-se a se envolver em assuntos do mundo. Não participavam em adorar o imperador. Não é de surpreender, pois, que prontamente se tornassem alvo de cruel perseguição instigada pelos líderes da religião falsa e por governantes políticos mal informados. (Atos 12:1-5; 13:45, 50; 14:1-7; 16:19-24) Esses, porém, eram apenas agentes humanos do verdadeiro perseguidor — “a serpente original”, Satanás. (Rev. 12:9; compare com Revelação 12:12, 17.) Seu objetivo? A supressão do cristianismo e do destemido testemunho deste.

      Mas, perseguição alguma podia calar as testemunhas cristãs de Jeová do primeiro século! A incumbência de pregar lhes fora dada por Deus, por meio de Cristo, e elas estavam decididas a obedecer a Deus antes que aos homens. (Atos 4:19, 20, 29; 5:27-32) Confiavam na força de Jeová, certas de que ele recompensaria suas testemunhas leais por causa da perseverança delas. — Mat. 5:10; Rom. 8:35-39; 15:5.

      A História confirma que a perseguição por parte de autoridades do Império Romano não conseguiu acabar com as primitivas testemunhas cristãs de Jeová. Josefo, historiador judeu do primeiro século EC, diz: “E a tribo dos cristãos, que derivam seu nome de [Jesus], ainda não desapareceu até hoje [cerca de 93 EC].” — Jewish Antiquities (Antiguidades Judaicas), XVIII, 64 (iii, 3).

      A história do testemunho dado pelas testemunhas cristãs de Jeová do primeiro século revela, pois, diversas características claramente identificáveis: elas cumpriram com destemor e zelo a incumbência de dar testemunho a respeito de Deus e de Cristo e de efetuar uma obra de fazer discípulos; tinham uma estrutura organizacional na qual todos eram irmãos, sem distinção de clérigos e leigos; apegavam-se a elevados princípios morais e amavam uns aos outros; mantinham-se separadas dos caminhos e dos assuntos do mundo; e eram perseguidas por causa de seu amor à justiça.

      Em fins do primeiro século, porém, essa unida e una congregação cristã estava ameaçada de um grave e insidioso perigo.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Nas Escrituras Gregas Cristãs, “congregação” é às vezes usada em sentido coletivo, referindo-se à congregação cristã em geral (1 Cor. 12:28); pode também referir-se a um grupo local em alguma cidade ou no lar de alguém. — Atos 8:1; Rom. 16:5.

      [Destaque na página 26]

      Os novos discípulos tinham de ser não meros crentes passivos, mas seguidores obedientes.

      [Destaque na página 27]

      Tornar-se testemunha de Jeová não mais era por nascença, mas por opção.

      [Destaque na página 28]

      Até o fim do primeiro século, as testemunhas cristãs de Jeová haviam feito discípulos na Ásia, Europa e África!

      [Destaque na página 29]

      Não havia distinção de clérigos e leigos entre os cristãos do primeiro século.

      [Quadro na página 27]

      O cristianismo difundiu-se por meio de pregação zelosa

      Com ardente e inextinguível zelo, as primitivas testemunhas cristãs de Jeová dedicaram o máximo de vigor à mais ampla proclamação possível das boas novas. Edward Gibbon, em “The Decline and Fall of the Roman Empire” (Declínio e Queda do Império Romano), diz que o “zelo dos cristãos . . . os espalhava a toda província e a quase toda cidade do império [romano]”. O professor J. W. Thompson, em “History of the Middle Ages” (História da Idade Média), diz: “O cristianismo se difundiu com notável rapidez no mundo romano. Já no ano 100 provavelmente toda província que confinava com o Mediterrâneo tinha uma comunidade cristã.”

      [Quadro na página 30]

      ‘Os triunfos do cristianismo’

      Fontes extra-bíblicas confirmam a excelente conduta e o amor que caracterizavam os primitivos cristãos. O historiador John Lord disse: “Os verdadeiros triunfos do cristianismo foram transformar em homens bons os que professavam suas doutrinas. . . . Temos testemunho em favor de sua vida inculpe, de sua moral irrepreensível, de serem bons cidadãos e de suas virtudes cristãs.” — “The Old Roman World” (O Antigo Mundo Romano).

      [Foto na página 31]

      Um corpo governante central ajudava a dar orientação às congregações, mas todos consideravam Cristo como seu único Líder.

      [Foto na página 32]

      Os primitivos cristãos foram alvo de cruel perseguição.

  • O desenvolvimento da grande apostasia
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 4

      O desenvolvimento da grande apostasia

      “UM SÓ Senhor, uma só fé.” (Efé. 4:5) Quando, sob inspiração, o apóstolo Paulo escreveu essas palavras (cerca de 60-61 EC), havia uma só fé cristã. Hoje, porém, há uma profusão de denominações, seitas e cultos que afirmam ser cristãos, embora ensinem doutrinas conflitantes e adiram a diferentes normas de conduta. Quão diferente da congregação cristã unida e una que começou no Pentecostes de 33 EC! Como surgiram essas divisões? Para obtermos a resposta, temos de voltar ao primeiro século da Era Comum.

      Bem desde o início, o Adversário, Satanás, tentou silenciar as testemunhas cristãs de Jeová trazendo sobre essas perseguição da parte dos de fora da congregação. (1 Ped. 5:8) Foi movida primeiro pelos judeus e, daí, pelo Império Romano gentio. Os primitivos cristãos suportaram com êxito toda sorte de oposição. (Veja Revelação [Apocalipse] 1:9; 2:3, 19.) Mas, o Adversário não desistiu. Se não conseguia silenciá-las por meio de pressão externa, por que não corrompê-las internamente? Enquanto a congregação cristã ainda se achava na infância, sua própria existência foi ameaçada por um inimigo interno — a apostasia.a

      Mas a apostasia não se infiltrou sem aviso na congregação. Como Cabeça da congregação, Cristo cuidou de que seus seguidores fossem advertidos de antemão. — Col. 1:18.

      “Haverá falsos instrutores entre vós”

      “Vigiai-vos”, acautelou Jesus, “dos falsos profetas que se chegam a vós em pele de ovelha”. (Mat. 7:15) Jesus sabia que Satanás tentaria dividir e corromper Seus seguidores. Portanto, desde cedo no seu ministério, ele os advertiu sobre os falsos instrutores.

      Donde surgiriam esses falsos instrutores? “Dentre vós mesmos”, disse o apóstolo Paulo, por volta de 56 EC, ao falar a superintendentes em Éfeso. Sim, de dentro da congregação ‘surgiriam homens e falariam coisas deturpadas, para atrair a si os discípulos’. (Atos 20:29, 30) Tais apóstatas egoístas não se contentariam em fazer seus próprios discípulos; buscariam “atrair a si os discípulos”, isto é, os discípulos de Cristo.

      O apóstolo Pedro (em cerca de 64 EC) também predisse a corrupção interna e até mesmo descreveu o método que tais apóstatas usariam: “Haverá falsos instrutores entre vós. Estes mesmos introduzirão quietamente seitas destrutivas . . . Explorar-vos-ão também em cobiça com palavras simuladas.” (2 Ped. 2:1, 3) Como espiões ou traidores num campo inimigo, os falsos instrutores, apesar de surgirem de dentro da congregação, introduziriam seus conceitos corrompedores de maneira secreta ou camuflada.

      Essas advertências de Jesus e de seus apóstolos não eram em vão. A oposição interna teve começos pequenos, mas logo veio à tona na congregação cristã.

      “Já está operando”

      Menos de 20 anos após a morte de Jesus, o apóstolo Paulo indicou que ‘já estavam operando’ os esforços de Satanás de causar divisão e desviar as pessoas da fé verdadeira. (2 Tes. 2:7) Já em cerca de 49 EC, numa carta enviada às congregações, o corpo governante observou: “Ouvimos falar que alguns dentre nós vos causaram aflição com discursos, tentando subverter as vossas almas, embora não lhes déssemos nenhumas instruções.” (Atos 15:24) Portanto, alguns dentro da congregação expressavam com veemência seu conceito contrário — neste caso evidentemente sobre a questão de se os cristãos gentios deviam ser circuncidados e observar a Lei mosaica ou não. — Atos 15:1, 5.

      Ao avançar o primeiro século, raciocínios divisórios espalharam-se como gangrena. (Compare com 2 Timóteo 2:17.) Em cerca de 51 EC, alguns em Tessalônica erroneamente prediziam que “a presença” do Senhor Jesus era iminente. (2 Tes. 2:1, 2) Por volta de 55 EC, alguns em Corinto haviam rejeitado o claro ensinamento cristão sobre a ressurreição dos mortos. (1 Cor. 15:12) Por volta de 65 EC, outros diziam que a ressurreição já havia ocorrido, que ela era do tipo simbólico, pela qual passavam os cristãos em vida. — 2 Tim. 2:16-18.

      Não há escritos inspirados sobre o que aconteceu dentro da congregação cristã durante os 30 anos seguintes. Mas, por volta do tempo em que o apóstolo João escreveu suas cartas (cerca de 98 EC), havia “muitos anticristos” — pessoas que negavam que “Jesus é o Cristo” e que é o Filho de Deus, que veio “na carne”. — 1 João 2:18, 22; 4:2, 3.

      Por mais de 60 anos, os apóstolos haviam ‘agido como restrição’, empenhando-se em impedir a onda de apostasia. (2 Tes. 2:7; 2 João 9, 10) Mas, quando a congregação cristã estava para entrar no segundo século, morreu o último apóstolo sobrevivente, João, por volta de 100 EC. A apostasia que aos poucos começara a se infiltrar na congregação estava então a ponto de irromper irrestritamente, com repercussões devastadoras em termos de organização e doutrina.

      Clérigos e leigos

      “Todos vós sois irmãos”, havia dito Jesus a seus discípulos. “O vosso Líder é um só, o Cristo.” (Mat. 23:8, 10) Portanto, não havia classe clerical dentro das congregações cristãs do primeiro século. Como irmãos de Cristo, ungidos pelo espírito, todos os primitivos cristãos tinham a perspectiva de ser sacerdotes celestiais com Cristo. (1 Ped. 1:3, 4; 2:5, 9) Quanto à organização, cada congregação era supervisionada por um corpo de superintendentes ou anciãos espirituais.b Todos os anciãos tinham autoridade igual, e nenhum deles estava autorizado a ‘dominar sobre’ o rebanho aos seus cuidados. (Atos 20:17; Fil. 1:1; 1 Ped. 5:2, 3) Entretanto, com o avanço da apostasia, as coisas começaram a mudar — rapidamente.

      Um dos primeiros desvios foi uma distinção entre os termos “superintendente” (grego: e·pí·sko·pos) e “homem mais idoso” ou “ancião” (grego: pre·sbý·te·ros), de modo que não mais foram usados para se referir ao mesmo cargo de responsabilidade. Apenas cerca de uma década depois da morte do apóstolo João, Inácio, “bispo” de Antioquia, em sua carta aos esmirneus, escreveu: “Cuidem de seguir o bispo [superintendente], assim como Jesus Cristo segue o Pai, e o presbitério [corpo de homens mais idosos] como se fossem os Apóstolos.” Inácio defendia assim a tese de que cada congregação devia ser supervisionada por um bispo,c ou superintendente, que este devia ser reconhecido como distinto dos presbíteros, ou homens mais idosos, e tendo mais autoridade do que estes.

      Como, porém, surgiu essa distinção? Augusto Neander, em seu livro The History of the Christian Religion and Church, During the Three First Centuries (História da Religião e da Igreja Cristãs, nos Três Primeiros Séculos), explica o que aconteceu: “No segundo século . . . , deve ter sido criado o cargo permanente de presidente dos presbíteros, a quem, considerando-se que tinha especialmente a supervisão de tudo, se deu o nome de [e·pí·sko·pos], e assim ele se distinguia dos demais presbíteros.”

      Estava assim lançada a base para o aparecimento gradual de uma classe clerical. Cerca de um século mais tarde, Cipriano, “bispo” de Cartago, África do Norte, era forte defensor da autoridade dos bispos — como grupo separado dos presbíteros (mais tarde conhecidos como sacerdotesd), dos diáconos e dos leigos. Mas ele não era a favor da primazia de um bispo sobre os demais.e

      Ao passo que bispos e presbíteros escalavam os degraus da hierarquia, deixavam em posição de inferioridade os demais crentes na congregação. Isto resultou numa separação entre clérigos (os que lideravam) e leigos (o passivo corpo de crentes). A Cyclopedia de McClintock e Strong explica: “Desde o tempo de Cipriano [que morreu em cerca de 258 EC], pai do sistema hierárquico, a distinção entre clérigos e leigos tornou-se preeminente, e foi logo aceita universalmente. De fato, a partir do terceiro século, o termo clerus . . . era quase exclusivamente aplicado ao ministério para distingui-lo dos leigos. Com o desenvolvimento da hierarquia romana, o clero veio a ser não meramente uma ordem distinta . . . mas também a ser reconhecido como o único sacerdócio.”

      Assim, uns 150 anos após a morte do último dos apóstolos, duas grandes mudanças organizacionais ocorreram na congregação: primeiro, a separação entre o bispo e os presbíteros, com o bispo no topo da hierarquia; segundo, a separação entre clérigos e leigos. Em vez de todos os crentes gerados pelo espírito formarem “um sacerdócio real”, o clero era então “reconhecido como o único sacerdócio”.f — 1 Ped. 2:9.

      Tais mudanças marcaram um desvio do método bíblico de governar as congregações, empregado nos dias apostólicos. Mudanças organizacionais, porém, não foram as únicas conseqüências da apostasia.

      Infiltração de ensinamentos pagãos

      Os ensinamentos puros de Cristo estão assentados por escrito — preservados nas Escrituras Sagradas. Por exemplo, Jesus ensinou claramente que Jeová é “o único Deus verdadeiro” e que a alma humana é mortal. (João 17:3; Mat. 10:28) Contudo, com a morte dos apóstolos e o enfraquecimento da estrutura organizacional, tais ensinamentos claros foram corrompidos com a infiltração no cristianismo de doutrinas pagãs. Como podia isso acontecer?

      Um fator importante foi a sutil influência da filosofia grega. Explica The New Encyclopœdia Britannica: “A partir de meados do 2.º século AD, os cristãos que tinham conhecimentos de filosofia grega passaram a sentir a necessidade de expressar a sua fé em termos dessa, tanto para sua própria satisfação intelectual como para converter pagãos instruídos.” Desde que pessoas de mentalidade filosófica se tornaram cristãos, não levou muito tempo para que a filosofia grega e o “cristianismo” se tornassem inseparavelmente ligados.

      Em resultado dessa união, doutrinas pagãs, como a Trindade e a imortalidade da alma, infiltraram-se no cristianismo contaminado. Esses ensinamentos, porém, remontam a uma época muito anterior à dos filósofos gregos. Na realidade, os gregos os obtiveram de culturas mais antigas, pois há evidência de tais ensinamentos nas antigas religiões egípcias e babilônicas.

      Ao passo que doutrinas pagãs continuavam a se infiltrar no cristianismo, outros ensinamentos bíblicos também foram deturpados ou abandonados.

      Desvanece-se a esperança do Reino

      Os discípulos de Jesus sabiam muito bem que tinham de manter-se vigilantes, à espera da prometida “presença” de Jesus e da vinda de seu Reino. Com o tempo, reconheceu-se que esse Reino dominará a Terra por mil anos e a transformará num paraíso. (Mat. 24:3; 2 Tim. 4:18; Rev. 20:4, 6) Os escritores bíblicos cristãos exortaram as testemunhas do primeiro século a se manterem espiritualmente despertos e separados do mundo. (Tia. 1:27; 4:4; 5:7, 8; 1 Ped. 4:7) Mas, logo que os apóstolos morreram, a expectativa cristã da presença de Cristo e da vinda de seu Reino se desvaneceu. Por quê?

      Um fator foi a contaminação espiritual causada pela doutrina grega da imortalidade da alma. À medida que esta se firmava entre os cristãos, a esperança do milênio foi gradativamente abandonada. Por quê? Explica The New International Dictionary of New Testament Theology: “A doutrina da imortalidade da alma foi introduzida para tomar o lugar da escatologia [ensinamento sobre “As Últimas Coisas”] no NT [Novo Testamento], com sua esperança da ressurreição dos mortos e da nova criação (Rev. 21), de modo que a alma recebe o julgamento após a morte e alcança o paraíso, agora considerado ser no além-mundo.” Em outras palavras, os cristãos apóstatas pensavam que a alma sobrevivia ao corpo e que as bênçãos do Reino Milenar de Cristo tinham a ver, por conseguinte, com o domínio espiritual. Transferiram assim o Paraíso da Terra para o céu, que, segundo criam, a alma salva alcança por ocasião da morte. Portanto, não havia necessidade de aguardar a presença de Cristo e a vinda de seu Reino, visto que na morte todos esperavam unir-se a Cristo no céu.g

      Ainda outro fator, porém, fez realmente parecer inútil aguardar a vinda do Reino de Cristo. Explica The New Encyclopœdia Britannica: “A [aparente] demora da Parousia resultou no enfraquecimento da expectativa iminente na igreja primitiva. Neste processo de ‘desescatolizar’ [enfraquecer o ensinamento sobre as “Últimas Coisas”], a igreja institucional substituiu incrementadamente o esperado Reino de Deus. A formação da Igreja Católica como instituição hierárquica relaciona-se diretamente com o declínio da iminente expectativa.” (O grifo é nosso.) Portanto, não só foram transferidas da Terra para o céu as bênçãos do milênio, mas o Reino foi deslocado do céu para a Terra. Esta “relocalização” foi completada por Agostinho de Hippo (354-430 EC). Em sua famosa obra The City of God (A Cidade de Deus), ele declarou: “A Igreja mesmo agora é o reino de Cristo e o reino dos céus.”

      No ínterim, em cerca de 313 EC, durante o domínio do imperador romano Constantino, o cristianismo, já então grandemente de mentalidade apóstata, recebeu reconhecimento legal. Os líderes religiosos se dispunham a colocar-se a serviço do Estado e, de início, o Estado controlava os assuntos religiosos. (Em pouco tempo, a religião passou a controlar os assuntos do Estado.) Assim começou a cristandade,h parte da qual (a religião católica) com o tempo se tornou a oficial religião estatal de Roma. Agora, o “reino” não só estava no mundo, mas fazia parte do mundo. Que enorme diferença entre isto e o Reino que Cristo pregou! — João 18:36.

      A Reforma — um retorno à adoração verdadeira?

      Como joio que viceja entre o trigo sufocado, a Igreja de Roma, sob seu governante papal, dominou os assuntos do mundo por séculos. (Mat. 13:24-30, 37-43) Ao se tornar cada vez mais parte do mundo, a Igreja afastou-se mais e mais do cristianismo do primeiro século. Através dos séculos as seitas “heréticas” exigiram reformas dentro da Igreja, mas esta continuou a praticar abuso de poder e a acumular riquezas. Daí, no século 16, a Reforma Protestante, uma revolta religiosa, irrompeu com toda a fúria.

      Reformadores, como Martinho Lutero (1483-1546), Ulrich Zwingli (1484-1531) e João Calvino (1509-64), atacaram a Igreja em vários assuntos: Lutero, sobre a venda de indulgências, Zwingli, o celibato do clero e a mariolatria, e Calvino, a necessidade de a Igreja retornar aos princípios originais do cristianismo. O que produziram tais empenhos?

      Com certeza, a Reforma realizou algumas coisas boas, sendo a mais notável a tradução da Bíblia para as línguas do povo. O livre-pensamento da Reforma conduziu a uma pesquisa mais objetiva da Bíblia e a um aumentado entendimento das línguas da Bíblia. A Reforma, porém, não foi um retorno à adoração e doutrina verdadeira.i Por que não?

      Os efeitos da apostasia se haviam arraigado profundamente, até nos próprios fundamentos da cristandade. Assim, embora vários grupos protestantes se desligassem da autoridade papal de Roma, levaram consigo algumas das falhas básicas da Igreja Católica Romana, que haviam resultado do abandono do verdadeiro cristianismo. Por exemplo, embora variasse um pouco a maneira de administrar as igrejas protestantes, foi mantida a fundamental divisão da igreja numa classe de clérigos dominadores e de leigos subjugados. Foram mantidas também doutrinas antibíblicas, como a Trindade, a imortalidade da alma e o tormento eterno após a morte. E, semelhantes à Igreja Romana, as igrejas protestantes continuaram a fazer parte do mundo, pelo seu íntimo envolvimento nos sistemas políticos e nas classes governantes da elite.

      No ínterim, que dizer da expectativa cristã — aguardar a presença de Jesus e a vinda de seu Reino? Por séculos depois da Reforma, as igrejas — tanto católicas como protestantes — ficaram profundamente comprometidas com o poder secular e tendiam a pôr de lado a expectativa da vinda do Reino de Cristo.

      Reavivamentos da vigilância

      No século 19, porém, o clima religioso conduziu a reavivamentos da vigilância cristã. Em resultado da pesquisa bíblica feita por alguns clérigos e eruditos da Bíblia, foram reestudados ensinamentos tais como a imortalidade da alma, o tormento eterno após a morte, a predestinação e a Trindade. Além disso, alguns estudantes da Bíblia estavam examinando de perto as profecias da Bíblia referentes aos últimos dias. Por conseguinte, vários grupos começaram a pensar seriamente na prometida volta do Senhor. — Mat. 24:3.

      Nos Estados Unidos, William Miller predissera que a volta de Cristo em forma visível se daria em 1843 ou em 1844. O teólogo alemão J. A. Bengel fixara a data de 1836; os irvingianos, na Inglaterra, aguardaram primeiro em 1835, daí em 1838, 1864 e 1866. Havia um grupo de menonitas na Rússia que esperaram primeiro que se daria em 1889, depois em 1891.

      Tais empenhos de vigilância serviram para despertar em muitos a perspectiva da volta do Senhor. Entretanto, esses empenhos de vigilância cristã terminaram em decepções. Por quê? Em grande parte, porque se confiou demais nos homens e não suficientemente nas Escrituras. Depois de algumas décadas, a maioria desses grupos deixou de existir.

      No ínterim, outros desenvolvimentos nesse período tiveram um impacto sobre as esperanças e as expectativas humanas.

      A era do “iluminismo” e da industrialização

      Em 1848, Karl Marx e Friedrich Engels publicaram O Manifesto Comunista. Em vez de patrocinarem a religião, que Marx chamou de “ópio do povo”, eles defendiam o ateísmo. Embora fossem ostensivamente contra toda religião, na realidade promoveram a religião, ou adoração, do Estado e de seus líderes.

      Cerca de uma década depois, em 1859, foi publicada a obra A Origem das Espécies, de Charles Darwin; ela influenciou profundamente o raciocínio científico e religioso daquela época. As teorias da evolução conduziram à contestação da veracidade do relato bíblico sobre a criação e o início do pecado pela desobediência do primeiro casal humano. (Gên., caps. 1-3) O resultado foi o enfraquecimento da fé que muitos tinham na Bíblia.

      No ínterim, a Revolução Industrial estava em andamento e tomava impulso. A ênfase passou da agricultura para a indústria e para a produção de máquinas. O aperfeiçoamento da locomotiva a vapor (em princípios do século 19) levara a uma expansão das ferrovias que cruzavam os países de ponta a ponta. Na segunda metade do século 19 foi inventado o telefone (1876), o fonógrafo (1877), a luz elétrica (1878-79), bem como o uso da linotipo para a produção de linhas de tipos para impressão (1884).

      A humanidade entrava no período do maior desenvolvimento, de transportes rápidos e meios de comunicação, de toda a História. Embora tais benefícios fossem usados para promover objetivos comerciais e políticos, também estariam disponíveis para o campo religioso. Estava assim montado o cenário para uma modesta iniciativa de um pequeno grupo de estudantes da Bíblia, que viria a ter repercussões internacionais.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Nas Escrituras Gregas Cristãs, o substantivo “apostasia” (grego: a·po·sta·sí·a) tem o sentido de “deserção, abandono ou rebelião”. (Atos 21:21, nota) Ali, refere-se primariamente a deserção religiosa; um afastamento ou abandono da adoração verdadeira.

      b Nas Escrituras, os termos “superintendente” e “homem mais idoso”, ou “ancião”, referem-se ao mesmo cargo. (Atos 20:17, 28; Tito 1:5, 7) “Ancião” indica as qualidades maduras daquele assim designado, e “superintendente”, a responsabilidade inerente à designação — zelar pelos interesses das pessoas confiadas aos seus cuidados.

      c A palavra “bispo” deriva-se do termo grego e·pí·sko·pos (“superintendente”), do latim vulgar biscopus, variante do latim pós-clássico episcopus.

      d A palavra “presbítero” vem de pre·sbý·te·ros (“homem mais idoso”, ou “ancião”); em latim vulgar é prester; em inglês, “priest” (sacerdote).

      e Com o tempo, o bispo de Roma, afirmando ser sucessor de Pedro, foi considerado bispo supremo e papa. — Veja O Homem em Busca de Deus, publicado pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1990, páginas 270-2.

      f É interessante o que diz o Dr. Neander: “Tirou-se a conclusão errada de que, assim como havia no Velho Testamento um sacerdócio visível relacionado com uma determinada classe de homens, tinha de haver também o mesmo no Novo T[estamento] . . . A comparação errada do sacerdócio cristão com o judaico promoveu mais ainda a elevação do episcopado acima do cargo de presbíteros.” — The History of the Christian Religion and Church, traduzido por Henry John Rose, Segunda Edição, Nova Iorque, 1848, página 111.

      g Este conceito presume erroneamente que na morte todos os cristãos vão para o céu. Todavia, a Bíblia ensina que apenas 144.000 pessoas são chamadas para reinar com Cristo no céu. (Rev. 7:4-8; 20:4-6) Incontáveis outras pessoas podem ter a esperança da vida eterna num paraíso terrestre sob o Reino de Cristo. — Mat. 6:10; Rev. 7:9, 15.

      h Conforme usado neste livro, o termo “cristandade” refere-se ao cristianismo professo, em contraste com o verdadeiro cristianismo da Bíblia.

      i Para uma consideração mais completa sobre a Reforma e o que ela conseguiu, veja o capítulo 13, “A Reforma — A Busca Toma um Novo Rumo”, no livro O Homem em Busca de Deus.

      [Destaque na página 33]

      Quando ainda na infância, a congregação cristã foi ameaçada pela apostasia.

      [Destaque na página 34]

      A oposição interna teve pequenos começos.

      [Destaque na página 37]

      Os apóstatas não só transferiram as bênçãos do milênio da Terra para o céu, mas também deslocaram o Reino, do céu para a Terra.

      [Foto na página 35]

      Cipriano, “bispo” de Cartago, considerava os bispos uma classe separada dos presbíteros, dos diáconos e dos leigos.

      [Foto na página 38]

      “A Igreja mesmo agora é o reino de Cristo e o reino dos céus.” (Agostinho de Hippo)

      [Fotos na página 39]

      Martinho Lutero

      João Calvino

      Ulrich Zwingli

      Reformadores que atacaram a Igreja em vários assuntos.

      [Fotos na página 40]

      “O Manifesto Comunista”, de Karl Marx, na realidade promoveu a adoração do Estado. “A Origem das Espécies”, de Charles Darwin, influenciou profundamente o conceito científico e religioso daquela época.

      [Fotos na página 41]

      Locomotiva a vapor

      Luz elétrica

      O primeiro telefone

      Antiga linotipo

      Fonógrafo

      [Quadro na página 36]

      Platão e o “cristianismo”

      O filósofo grego Platão (nasceu em cerca de 428 AEC) nunca podia imaginar que seus ensinamentos se introduziriam posteriormente no cristianismo apóstata. As principais contribuições de Platão para o “cristianismo” se relacionavam com os ensinamentos da Trindade e da imortalidade da alma.

      As idéias de Platão sobre Deus e a natureza influenciaram a doutrina trinitária da cristandade. O “Nouveau Dictionnaire Universel” explica: “A Trindade platônica, sendo em si mesma meramente um rearranjo de trindades mais antigas que remontam a povos mais antigos, parece ser a trindade filosófica racional de atributos, que deu à luz as três hipóstases ou pessoas divinas que as igrejas cristãs ensinam. . . . O conceito desse filósofo grego sobre a trindade divina . . . pode ser encontrado em todas as antigas religiões [pagãs].” — Volume 2, página 1467.

      Quanto à doutrina da alma imortal, a “New Catholic Encyclopedia” diz: “O conceito cristão de uma alma espiritual criada por Deus e implantada no corpo por ocasião da concepção para tornar o homem um todo vivente é fruto de um longo desenvolvimento na filosofia cristã. Foi só com Orígenes [morreu em cerca de 254 EC] no Oriente e Sto. Agostinho [morreu em 430 EC] no Ocidente que a alma foi estabelecida como uma substância espiritual e se formou um conceito filosófico sobre sua natureza. . . . A doutrina [de Agostinho] . . . deve muito (incluindo algumas falhas) ao neoplatonismo.” — Volume XIII, páginas 452, 454.

  • A proclamação da volta do Senhor (1870-1914)
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 5

      A proclamação da volta do Senhor (1870-1914)

      “O histórico a seguir é apresentado não só porque se instasse comigo para fazer um retrospecto das orientações de Deus no caminho da luz, mas, especialmente, porque acho ser preciso contar a verdade com modéstia para desarmar os falsos conceitos e as distorções prejudiciais, e para que nossos leitores vejam como até agora o Senhor tem ajudado e orientado.”a

      DEPOIS dessas palavras, Charles Taze Russell passou a descrever em linhas gerais os acontecimentos que levaram à publicação de Millennial Dawn (Aurora do Milênio, chamada mais tarde de Studies in the Scriptures [Estudos das Escrituras]) e da Zion’s Watch Tower and Herald of Christ’s Presence (Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo [hoje conhecida por A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová]). Este histórico é de interesse especial para as Testemunhas de Jeová. Por quê? Porque o seu atual entendimento das verdades bíblicas e as suas atividades remontam à década de 1870 e à obra de C. T. Russell e de seus associados, e de lá à Bíblia e ao cristianismo primitivo.

      Quem foi Charles Taze Russell? Existe na história de sua obra alguma evidência de ajuda e orientação do Senhor?

      Em busca da verdade

      C. T. Russell nasceu nos Estados Unidos, em Allegheny (hoje parte de Pittsburgh), Pensilvânia, em 16 de fevereiro de 1852. Era o segundo filho de Joseph L. e Ann Eliza (Birney) Russell, presbiterianos e de descendência escocesa-irlandesa. A mãe de Charles faleceu quando ele tinha apenas nove anos, mas, desde a tenra idade, Charles foi influenciado pelos seus pais que tinham fortes inclinações religiosas. Conforme disse um associado posterior de C. T. Russell, “eles educaram o rebento; e ele cresceu na orientação do Senhor”. Embora criado como presbiteriano, Charles acabou filiando-se à Igreja Congregacional, pois preferia os conceitos desta.

      O jovem Charles evidentemente tinha bom tino comercial. Com apenas 11 anos, tornou-se sócio de seu pai numa próspera loja de roupas masculinas. Charles ampliou os negócios, passando com o tempo a dirigir uma cadeia de lojas. Embora se saísse bem nos negócios, espiritualmente se sentia muito atribulado. Por quê?

      Os pais de Charles criam sinceramente nos credos das religiões da cristandade e o educaram de modo que os aceitasse também. Ensinou-se, pois, ao jovem Charles que Deus é amor, mas que criara os homens inerentemente imortais e providenciara um lugar ardente onde atormentaria para sempre a todos, exceto aos que foram predestinados para serem salvos. Essa idéia era repulsiva ao coração honesto do ainda adolescente Charles. Ele raciocinava: “Um Deus que usasse seu poder para criar seres humanos, prevendo e predestinando que seriam atormentados eternamente, não poderia ser nem sábio, nem justo, nem amoroso. Suas normas seriam mais baixas do que as de muitos homens.”

      Mas o jovem Russell não era ateu; simplesmente não podia concordar com os comumente aceitos ensinamentos das igrejas. Ele explicou: “Aos poucos fui compreendendo que, embora cada um dos credos contivesse alguns elementos de verdade, eram em geral enganosos e contradiziam a Palavra de Deus.” De fato, nos credos das igrejas, os “elementos de verdade” estavam ocultos sob emaranhados ensinamentos pagãos que se infiltraram no cristianismo corrompido durante séculos de apostasia. Abandonando os credos das igrejas e em busca da verdade, Russell examinou algumas das principais religiões orientais, vindo a descobrir que eram insatisfatórias.

      Restaurado na fé

      Esse “rebento”, porém, fora educado por pais que temiam a Deus; ele estava inclinado à “orientação do Senhor”. Enquanto Charles ainda estava à procura da verdade, certa noite de 1869, aconteceu algo que restaurou sua abalada fé. Caminhando pela Rua Federal, perto da loja dos Russells, ele ouviu um hino religioso que vinha de uma sala num subsolo. Nas suas próprias palavras, eis o que aconteceu:

      “Como que por acaso, certa noite visitei uma sala poeirenta e mal-iluminada, onde eu ouvira dizer que se realizavam cultos religiosos, para ver se o punhado de pessoas que se reunia ali tinha algo mais sensato a oferecer do que as crenças das grandes religiões. Ali, pela primeira vez, ouvi algo sobre os conceitos dos adventistas [Igreja Cristã do Advento], sendo o Sr. Jonas Wendell o pregador . . . Assim, reconheço estar endividado com os adventistas e com outras denominações. Embora a exposição bíblica feita por ele não fosse inteiramente clara, . . . foi o suficiente, sob a orientação de Deus, para restaurar minha abalada fé na inspiração divina da Bíblia e para mostrar que os escritos dos apóstolos e dos profetas estão indissoluvelmente vinculados. O que ouvi me fez voltar à minha Bíblia para estudá-la com mais zelo e cuidado do que nunca antes, e serei sempre grato ao Senhor por esta orientação; pois, embora o adventismo não me tenha ajudado em nenhuma verdade específica, ajudou-me grandemente a desaprender erros, e assim me preparou para a Verdade.”

      Aquela reunião renovou a determinação do jovem Russell de buscar a verdade bíblica. Fez com que retornasse à Bíblia com mais afinco do que nunca antes. Russell logo chegou a crer que estava perto o tempo para os que serviam ao Senhor chegarem a um conhecimento claro de Seu propósito. Portanto, em 1870, cheio de entusiasmo, ele e alguns conhecidos em Pittsburgh e na vizinha Alle gheny decidiram formar uma classe para estudo da Bíblia. Segundo um posterior associado de Russell, a pequena classe de estudo bíblico era dirigida assim: “Alguém fazia uma pergunta. Eles a consideravam. Procuravam todas as passagens bíblicas sobre esse ponto e, daí, quando ficavam satisfeitos com a harmonia dessas passagens, declaravam finalmente a conclusão a que chegavam e a registravam.” Como Russell mais tarde reconheceu, o período “entre 1870 e 1875 foi um tempo de constante crescimento na graça, no conhecimento e no amor de Deus e de sua Palavra”.

      Ao passo que pesquisavam as Escrituras, muitas coisas se tornaram mais claras para esses sinceros pesquisadores da verdade. Compreenderam as verdades bíblicas sobre a mortalidade da alma humana e que a imortalidade era um dom a ser alcançado por aqueles que se tornaram herdeiros em comum com Cristo no seu Reino celestial. (Eze. 18:20; Rom. 2:6, 7) Começaram a entender a doutrina do sacrifício resgatador de Jesus Cristo e a oportunidade que esta provisão abriu para a humanidade. (Mat. 20:28) Vieram a reconhecer que, embora Jesus tivesse vindo primeiro à Terra na carne como homem, na sua volta ele estaria presente de forma invisível, como pessoa espiritual. (João 14:19) Aprenderam também que o objetivo da volta de Jesus não era destruir a todos, mas abençoar as famílias obedientes da Terra. (Gál. 3:8) Russell escreveu: “Ficamos bastante contristados com o erro dos adventistas que esperavam Cristo na carne e ensinavam que o mundo e todos nele, exceto os adventistas, seriam queimados.”

      As verdades bíblicas que se tornaram claras para esta pequena classe de estudo bíblico eram certamente diferentes das doutrinas pagãs que se infiltraram no cristianismo durante séculos de apostasia. Mas, será que Russell e seus associados de mentalidade espiritual obtiveram essas verdades da Bíblia sem a ajuda de outros?

      Influência de outros

      Russell mencionava bem abertamente a ajuda que recebera de outros no estudo bíblico. Não só reconhecia estar endividado com o adventista Jonas Wendell, mas referia-se com afeto a duas outras pessoas que o ajudaram no estudo da Bíblia. Russell disse a respeito desses dois homens: “O estudo da Palavra de Deus com esses queridos irmãos levou, passo a passo, a pastagens mais verdejantes.” Um deles, George W. Stetson, era zeloso estudante da Bíblia e pastor da Igreja Cristã do Advento, em Edinboro, Pensilvânia, EUA.

      O outro, George Storrs, era editor da revista Bible Examiner, em Brooklyn, Nova Iorque. Storrs, nascido em 13 de dezembro de 1796, fora inicialmente estimulado a examinar o que a Bíblia diz sobre a condição dos mortos em resultado da leitura de algo publicado (embora naquele tempo anonimamente) por um estudioso da Bíblia, Henry Grew, de Filadélfia, Pensilvânia. Storrs passou a ser um zeloso defensor daquilo que era chamado de imortalidade condicional — o ensinamento de que a alma é mortal e que a imortalidade é um dom a ser alcançado pelos cristãos fiéis. Ele raciocinava também que, uma vez que os maus não têm imortalidade, não há tormento eterno. Storrs viajava muito, proferindo palestras sobre a inexistência da imortalidade para os ímpios. Entre suas obras publicadas achava-se Six Sermons (Seis Sermões), que chegou a ter uma tiragem de 200.000 exemplares. Sem dúvida, os firmes conceitos bíblicos de Storrs sobre a mortalidade da alma, bem como sobre a expiação e a restauração (a restauração do que se perdeu devido ao pecado adâmico; Atos 3:21) tiveram forte e positiva influência sobre o jovem Charles T. Russell.

      No entanto, outro homem que influenciou profundamente a vida de Russell também fez com que sua lealdade à verdade bíblica fosse posta à prova.

      Profecias sobre cronologia e a presença de Cristo

      Certa manhã de janeiro de 1876, Russell, de 23 anos de idade, recebeu um exemplar de um periódico religioso chamado Herald of the Morning (Arauto da Aurora). Pela gravura na capa, percebeu que se identificava com o adventismo. O editor, Nelson H. Barbour, de Rochester, Nova Iorque, acreditava que o objetivo da volta de Cristo não era destruir as famílias da Terra, mas abençoá-las, e que a sua vinda não seria na carne, mas em espírito. Ora, isto estava de acordo com o que Russell e seus associados em Allegheny criam já por algum tempo!b Curioso, porém, era que Barbour cria, à base de profecias sobre cronologia bíblica, que Cristo já estava presente (de modo invisível) e que a obra de colheita e ajuntamento do “trigo” (os cristãos verdadeiros que constituem a classe do Reino) já devia ser feita. — Mat., cap. 13.

      Russell evitava profecias sobre cronologia bíblica. Agora, porém, perguntava-se: “Será que as profecias sobre cronologia, que por tanto tempo desprezei, por causa do uso errado pelos adventistas, visavam realmente a indicar quando o nosso Senhor estaria presente invisivelmente para estabelecer seu Reino?” Com sua insaciável sede da verdade bíblica, Russell precisava aprender mais. Portanto, marcou um encontro com Barbour em Filadélfia. Esse encontro confirmou que concordavam em diversos ensinamentos bíblicos e deu ensejo a trocarem idéias. “Quando nos reunimos pela primeira vez”, disse mais tarde Russell, “ele tinha muito a aprender de mim sobre a plenitude da restauração baseada na suficiência do resgate dado por todos, assim como eu tinha muito a aprender dele sobre cronologia”. Barbour conseguiu convencer Russell de que a presença invisível de Cristo já começara em 1874.c

      “Decidi empreender uma vigorosa campanha pela verdade”

      C. T. Russell era homem de convicções positivas. Convencido de que a presença invisível de Cristo havia começado, ele estava decidido a proclamar isso. Mais tarde, ele disse: “O conhecimento do fato de que já estávamos no período da colheita impulsionou-me a divulgar a Verdade como nunca antes. Imediatamente decidi empreender uma vigorosa campanha pela Verdade.” Russell resolveu então renunciar a seus interesses comerciais para devotar-se à pregação.

      Para neutralizar os conceitos errados sobre a volta do Senhor, Russell escreveu o panfleto The Object and Manner of Our Lord’s Return (O Objetivo e a Maneira da Volta de Nosso Senhor). Foi publicado em 1877. Naquele mesmo ano Barbour e Russell publicaram juntos Three Worlds, and the Harvest of This World (Três Mundos, e a Colheita Deste Mundo). Esse livro de 196 páginas abordava os temas da restauração e profecias sobre cronologia bíblica. Embora cada um dos assuntos já tivesse sido considerado por outros, no conceito de Russell, este livro era “o primeiro a combinar a idéia da restauração com profecias sobre cronologia”. Apresentava o conceito de que a presença invisível de Jesus Cristo havia começado no outono (hemisfério norte) de 1874.

      À medida que Russell viajava e pregava, tornava-se claro para ele que havia necessidade de algo mais para conservar vivas e regadas as sementes da verdade que ele lançava. A solução? “Uma revista mensal”, disse Russell. Portanto, ele e Barbour decidiram reiniciar a publicação do Herald, que fora suspensa por causa de assinaturas canceladas e por falta de recursos. Russell contribuiu com seu próprio dinheiro para reiniciar a publicação do periódico, tornando-se um dos co-editores.

      Tudo correu bem por algum tempo — isto é, até 1878.

      Russell rompe com Barbour

      Na edição de agosto de 1878 do Herald of the Morning, apareceu um artigo de Barbour que negava o valor substitutivo da morte de Cristo. Russell, que era quase 30 anos mais novo do que Barbour, percebeu que isso significava, na realidade, negar a parte essencial da doutrina do resgate. Portanto, logo na edição seguinte (setembro de 1878), Russell, num artigo intitulado “A Expiação”, sustentou o resgate e contradisse as declarações de Barbour. A controvérsia continuou nas páginas da revista por alguns meses. Por fim, Russell decidiu deixar de se associar com o Sr. Barbour e não mais contribuiu financeiramente para a publicação do Herald.

      C. T. Russell, porém, achou que não bastava desligar-se do Herald; a doutrina do resgate tinha de ser defendida, e a presença de Cristo tinha de ser proclamada. Portanto, em julho de 1879, Russell começou a publicar Zion’s Watch Tower and Herald of Christ’s Presence.d Russell era o editor e o publicador, com mais cinco alistados originalmente como colaboradores de redação. A primeira edição foi de 6.000 exemplares. Já em 1914 a tiragem de cada número era de cerca de 50.000 exemplares.

      ‘Não novo, não nosso, mas do Senhor’

      C. T. Russell usou a Watch Tower e outras publicações para sustentar as verdades bíblicas e para refutar os falsos ensinamentos religiosos e as filosofias humanas que contradiziam a Bíblia. Todavia, ele não alegou ter descoberto novas verdades.

      Desde fins do século 18, muitos pastores religiosos e eruditos bíblicos vinham expondo as falsas doutrinas da imortalidade da alma e do castigo eterno para os ímpios. Essa exposição fora feita cabalmente no livro Bible Vs. Tradition (A Bíblia Versus a Tradição), de Aaron Ellis, publicado originalmente na Inglaterra e depois nos Estados Unidos, em 1853, por George Storrs. Mas ninguém naquele tempo se empenhou mais do que C. T. Russell e seus associados em tornar conhecida essa verdade.

      Que dizer de outras doutrinas bíblicas que foram consideradas na Watch Tower e em outras publicações? Reivindicou Russell todo o mérito de ter desvendado essas gemas da verdade? Russell explicou: “Descobrimos que por séculos várias seitas e grupos dividiram entre si as doutrinas da Bíblia, misturando-as, em grau maior ou menor, com especulação e erro humano . . . Descobrimos que a importante doutrina da justificação pela fé e não pelas obras fora claramente enunciada por Lutero e mais recentemente por muitos cristãos; que a justiça, o poder e a sabedoria divina foram cuidadosamente preservados pelos presbiterianos, embora não discernidos claramente; que os metodistas apreciaram e louvaram o amor e a compaixão de Deus; que os adventistas prezaram a doutrina sobre a volta do Senhor; que os batistas, entre outros pontos, sustentaram corretamente a doutrina do batismo em sentido simbólico, embora tivessem perdido de vista o verdadeiro batismo; que, fazia tempo, alguns universalistas sustentavam vagamente alguns pensamentos relativos à ‘restauração’. Assim, quase todas as denominações deram evidência de que seus fundadores vinham buscando a verdade: mas bem evidentemente o grande Adversário lutou contra eles e erroneamente repartiu a Palavra de Deus, que ele não podia destruir totalmente.”

      A respeito da cronologia que apresentava com freqüência, Russell disse: “Quando dizemos ‘nossa’ cronologia, referimo-nos meramente àquela que nós usamos, à cronologia da Bíblia, que pertence a todos os do povo de Deus que a aprovam. De fato, muito antes de nossos dias, foi usada praticamente na forma em que a apresentamos, assim como várias profecias que usamos foram usadas para um propósito diferente pelos adventistas, e diversas doutrinas, que sustentamos e que parecem tão novas, atuais e diferentes, foram sustentadas de alguma forma muito tempo atrás: por exemplo — a Eleição, a Graça Gratuita, a Restauração, a Justificação, a Santificação, a Glorificação, a Ressurreição.”

      Então, como entendeu Russell o papel que ele e seus associados desempenharam em divulgar a verdade bíblica? Ele explicou: “Nosso trabalho . . . tem sido de ajuntar estes fragmentos da verdade há muito espalhados e apresentá-los ao povo do Senhor — não como novos, não como nossos, mas como do Senhor. . . . Precisamos rejeitar qualquer mérito até mesmo de termos encontrado e reagrupado as jóias da verdade.” Ele disse mais: “A obra em que o Senhor se agradou em usar nossos humildes talentos tem sido menos uma obra de originação do que de reconstrução, reajuste, harmonização.”

      Russell foi, portanto, bastante modesto quanto a suas realizações. Entretanto, os ‘espalhados fragmentos da verdade’ que ele ajuntou e apresentou ao povo do Senhor estavam isentos das doutrinas pagãs que desonram a Deus, tais como a Trindade e a imortalidade da alma, que se haviam enraizado nas religiões da cristandade em resultado da grande apostasia. Como ninguém naquele tempo, Russell e seus associados proclamaram mundialmente o significado da volta do Senhor e do propósito divino, e o que este envolvia.

      ‘Edificação mútua na santíssima fé’

      As pessoas de coração honesto prontamente acolheram as verdades libertadoras que C. T. Russell e seus associados proclamavam pela página impressa e por meio de discursos. Russell, ainda com menos de 30 anos, logo discerniu que os leitores da Watch Tower precisavam conhecer seus concrentes e se encorajar mutuamente. Os Estudantes da Bíblia em Pittsburgh faziam isso mediante reuniões regulares, mas o que se podia fazer para ajudar os leitores da Watch Tower em outros lugares?

      A resposta veio nas edições da Watch Tower de maio e de junho de 1880. Nessas Russell anunciou seus planos de visitar diversas pequenas e grandes cidades em Pensilvânia, Nova Jérsei, Massachusetts e Nova Iorque. Com que objetivo? “Nossos leitores”, explicava o anúncio, “estão muito dispersos, em alguns lugares há 2 e 3, e no máximo 50. Em muitos lugares realmente não se conhecem, privando-se assim da comiseração e do consolo que nosso Pai propôs que recebessem mediante ‘Reunirem-se, como é a maneira de alguns’. É desígnio de Deus que nos ‘Edifiquemos uns aos outros’ e firmemos uns aos outros na santíssima fé. Esperamos que as propostas reuniões possam levar a se conhecerem pessoalmente”. — Heb. 10:24, 25.

      As “propostas reuniões” foram realizadas durante as viagens de Russell e foram muito bem-sucedidas; os leitores da Watch Tower ficaram mais estreitamente unidos. Estas e outras viagens para visitar “os pequenos grupos daqueles que aguardam” resultaram logo na formação de diversas classes, ou eclesias, (mais tarde chamados de congregações) localizados nas acima mencionadas áreas, bem como em Ohio e em Michigan. Incentivou-se que essas classes realizassem reuniões regulares. Mas que espécie de reuniões?

      A classe de Pittsburgh estabelecera o costume de se reunir pelo menos duas vezes por semana. Uma das reuniões da classe de Pittsburgh não raro incluía um discurso para a inteira eclesia, proferido por um orador qualificado, talvez num salão alugado. Mas nas outras reuniões, realizadas geralmente nas casas, os na assistência eram convidados a trazer a Bíblia, concordância, lápis e papel — e a participar.

      A calorosa associação espiritual que reinava nessas reuniões semanais regulares representava uma mudança revigorante da atmosfera fria e impessoal dos cultos de muitas das igrejas da cristandade. Mas Russell e seus associados não foram os pioneiros da idéia de se reunirem regularmente. Esse costume de se reunir, até mesmo nas casas, fora estabelecido pelos cristãos do primeiro século. — Rom. 16:3, 5; Col. 4:15.

      “Estás pregando?”

      C. T. Russell e seus associados criam firmemente estarem num tempo de colheita e que as pessoas precisavam ouvir a verdade libertadora. Contudo, eles eram poucos. A Watch Tower preenchia uma necessidade vital, mas poder-se-ia fazer mais? Russell e seus colaboradores achavam que sim. Em 1880, começaram a produzir Bible Students’ Tracts (Tratados dos Estudantes da Bíblia, mais tarde chamados também de Old Theology Quarterly [Publicação Trimestral da Velha Teologia]), que eram fornecidos aos leitores da Watch Tower para distribuição gratuita ao público.

      Sim, os leitores da Watch Tower foram incentivados a partilhar com outros as preciosas verdades que aprendiam. “Estás pregando?” era a pergunta suscitada na edição conjunta da Watch Tower de julho-agosto de 1881. Quão importante lhes era pregar? O artigo passava a declarar: “Cremos que ninguém será do pequeno rebanho, exceto os pregadores . . . Sim, fomos chamados para sofrer com ele [Jesus] e para proclamar essas boas novas agora, para que no devido tempo sejamos glorificados e realizemos as coisas que agora se pregam. Não fomos chamados nem ungidos para receber honra e acumular riqueza, mas para gastar e ser gastos, para pregar as boas novas.”

      Foi apropriado que aqueles primeiros Estudantes da Bíblia sentissem profundamente a necessidade de pregar as boas novas. De fato, a comissão de pregar foi dada aos cristãos do primeiro século; é um dever que recai sobre todos os cristãos verdadeiros até o presente. (Mat. 24:14; 28:19, 20; Atos 1:8) Mas qual era o objetivo da pregação de Russell e dos primeiros leitores da Watch Tower? Era simplesmente distribuir publicações bíblicas ou despertar os freqüentadores de igreja para verdades bíblicas?

      “Precisas . . . abandoná-la”

      “Saí dela, povo meu”, advertiu há muito a Bíblia. Sair de quê? De “Babilônia, a Grande, a mãe das meretrizes e das coisas repugnantes da terra”. (Rev. 17:5; 18:4) Por que sair de Babilônia? “Pois os pecados dela acumularam-se até o céu, e Deus se lembrou dos atos injustos dela.” (Rev. 18:5) Quem é esta mãe meretriz da qual as pessoas devem separar-se?

      Martinho Lutero e outros líderes da Reforma achavam que Babilônia, a Grande, fosse a Igreja Católica e seu papado. Que dizer das igrejas protestantes que surgiram em resultado da Reforma? O fato é que, à parte de rejeitarem a primazia do papa, algumas delas não eram muito diferentes do catolicismo em matéria de estrutura de igreja, e conservaram doutrinas antibíblicas, tais como a Trindade, a imortalidade da alma e o tormento eterno. Por isso, alguns pregadores instavam as pessoas a se desligarem não só da Igreja Católica, mas também dos principais sistemas de religiões protestantes.

      C. T. Russell e seus associados também compreenderam que essa infame meretriz não era meramente a Igreja Católica. Assim, ao passo que a Watch Tower de novembro de 1879 identificava Babilônia, a Grande, com o “Papado como SISTEMA”, o artigo dizia mais: “Precisamos ir mais além e mostrar que ela se refere (não aos membros individuais, mas aos sistemas de religiões) a outras religiões unidas com os Impérios da Terra. Toda religião que afirme ser virgem casta desposada com Cristo, mas que na realidade esteja unida ao mundo (a fera) e tenha seu apoio, temos de condenar como sendo, em linguagem bíblica, uma religião meretriz.”

      O que, então, foram os leitores da Watch Tower incentivados a fazer? Russell escreveu: “Se a igreja à qual te afilias vive em união adúltera com o mundo, precisas, se desejares conservar brancas as tuas vestes, abandoná-la.” Russell e seus associados não entendiam então o pleno alcance da influência de Babilônia, a Grande. Contudo, instou-se com os leitores da Watch Tower que se separassem dos sistemas de religiões corruptas e mundanas. — João 18:36.

      “A verdade contida nele logo cativou meu coração”

      A divulgação das verdades bíblicas deu um importante passo à frente em 1886 com o lançamento do primeiro volume de uma prometida série de livros chamada Millennial Dawn, escrita por C. T. Russell. O Volume I se chamava The Divine Plan of the Ages (O Plano Divino das Eras). Continha estudos sobre 16 assuntos, tais como “Estabelecida a Existência de um Criador Supremo e Inteligente”, “A Bíblia Qual Revelação Divina Considerada à Luz da Razão”, “A Volta de Nosso Senhor — Seu Objetivo, a Restauração de Todas as Coisas” e “A Permissão do Mal e Sua Relação com o Plano de Deus”. Com o tempo, C. T. Russell escreveu mais cinco livros da série Millennial Dawn.e

      Russell não viveu para escrever um intencionado sétimo volume da série, mas a ampla circulação dos seis volumes que ele completou despertou reações favoráveis da parte de pessoas de coração honesto. “Vosso livro MILLENNIAL DAWN chegou-me às mãos no outono passado”, escreveu uma senhora em 1889, “quando tive o primeiro sinal da existência dessa obra. Recebi-o ao anoitecer de sábado, comecei a lê-lo imediatamente e não o larguei, exceto quando era obrigada, até terminar. A verdade contida nele logo cativou meu coração; depois disso, abandonei a Igreja Presbiteriana onde por tanto tempo eu vinha tateando no escuro em busca da verdade sem a encontrar”.

      Abandonar alguém a sua religião naquela época exigia verdadeira coragem. Exemplificando isso, há o caso de uma mulher em Manitoba, Canadá, que em 1897 viera a adquirir a série Millennial Dawn. De início, ela procurou continuar em sua igreja e ensinar nas escolas dominicais locais. Chegou o dia, em 1903, em que ela decidiu abandonar a igreja. Ela se pôs de pé e disse a todos os presentes por que achava que tinha de abandonar a igreja. Sua vizinha mais próxima (nas pequenas localidades da época, os vizinhos eram estimados) tentou convencê-la a retornar à igreja. Mas ela se manteve firme, embora não existisse congregação dos Estudantes da Bíblia ali perto. Como mais tarde seu filho descreveu a situação dela: “Não havia nenhum servo de estudo [ancião] em que se apoiar. Não havia reuniões. Um coração contrito. Uma Bíblia gasta. Longas horas de oração.”

      O que é que havia em Millennial Dawn, na Watch Tower e em outras publicações da Sociedade que cativava o coração das pessoas e as motivava a tomar tal ação decisiva? C. T. Russell tinha um método de explicar os ensinamentos da Bíblia que era diferente de muitos escritores de sua época. Ele cria que a Bíblia era a infalível Palavra de Deus e que seus ensinamentos só podiam ser harmoniosos. Assim, se alguma parte da Bíblia fosse difícil de entender, ele achava que devia ser esclarecida e interpretada por outra parte da Palavra inspirada. Ele não procurava apoiar as explicações que apresentava com o testemunho de teólogos de seus dias ou com os conceitos dos chamados primitivos padres da igreja. Conforme ele escreveu no Volume I de Millennial Dawn: “Achamos ser uma falha comum de hoje, e de todos os tempos, os homens crerem em certas doutrinas porque outros, em quem tinham confiança, creram. . . . Os que buscam a verdade devem esvaziar de suas vasilhas as águas lamacentas da tradição e enchê-las na fonte da verdade — a Palavra de Deus.”

      À medida que um crescente número dos que procuravam a verdade aceitavam o que liam nas publicações da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), foi preciso fazer algumas mudanças inesperadas em Allegheny.

      Sede na Casa da Bíblia

      Os Estudantes da Bíblia em Allegheny, associados com a publicação da Watch Tower, eram considerados os mais experientes em efetuar a obra do Senhor, e todas as eclesias, ou congregações, os reconheciam como estando na liderança. De início, tinham escritórios centrais na Quinta Avenida, 101, em Pittsburgh, e mais tarde, na Rua Federal, 44, Allegheny. Em fins da década de 1880, porém, tornou-se necessário ampliar. Portanto, Russell providenciou a construção de dependências maiores. Em 1889, foi terminada a construção de um prédio de tijolos, de quatro pavimentos, na Rua Arch, 56-60, Allegheny. Avaliado em US$ 34.000, era conhecido por Casa da Bíblia. Serviu como sede da Sociedade por cerca de 19 anos.

      A partir de 1890, a pequena família da Casa da Bíblia servia as necessidades de centenas de associados ativos da Sociedade Torre de Vigia. Mas, com o decorrer da década de 1890, mais pessoas se interessavam no que eles faziam. De fato, segundo um relatório incompleto, publicado na Watch Tower, a Comemoração da morte de Cristo, em 26 de março de 1899, foi celebrada em 339 reuniões separadas, com 2.501 participantes. O que, porém, ajudaria a manter unido o crescente número de Estudantes da Bíblia?

      Unificação do crescente rebanho

      C. T. Russell incentivou todos os leitores da Watch Tower a se juntarem onde pudessem para se formarem grupos, pequenos ou grandes, visando à edificação espiritual mútua. Forneciam-se conselhos bíblicos através das colunas da Watch Tower. Além disso, representantes viajantes da Sociedade Torre de Vigia eram enviados da sede para manterem o contato com os vários grupos e edificá-los espiritualmente.

      De tempos em tempos, havia também assembléias especiais que contavam com a presença de Estudantes da Bíblia de muitos lugares. “Este é um CONVITE ESPECIAL a todo leitor que puder vir”, instava a Watch Tower de março de 1886. Qual era a ocasião? A comemoração anual da Refeição Noturna do Senhor, que seria realizada no domingo, 18 de abril de 1886, em Alle gheny. Mais coisas, porém, estavam programadas: uma série de reuniões especiais para as noites da semana que se seguia. Os Estudantes da Bíblia em Allegheny gratuitamente abriram seus lares — e seus corações — para os visitantes. Por alguns anos depois disso, realizaram-se assembléias similares em Allegheny por ocasião da Comemoração da morte do Senhor.

      Em fins da década de 1890, começou-se a organizar congressos em muitos lugares. C. T. Russell com freqüência discursava nessas ocasiões. Qual era o seu estilo?

      Ralph Leffler, que ouviu C. T. Russell dar discursos, recordava: “Quando na tribuna, diante de uma assistência, ele sempre usava uma sobrecasaca preta e uma gravata branca. Sua voz não era forte, e nunca usava microfone nem alto-falante, pois ainda não haviam sido inventados; contudo, de alguma forma, sua voz ia até à parte mais distante do auditório. Ele conseguia prender a atenção de uma grande assistência não só por uma hora, mas, às vezes, por duas ou três horas. Começava sempre seu discurso com uma leve mesura à assistência. Enquanto discursava, não ficava parado feito estátua, mas sempre se movimentava, gesticulava com os braços e dava passos de um lado a outro ou para frente ou para trás. Nunca o vi levar anotações ou um manuscrito nas mãos — apenas a Bíblia, que usava com muita freqüência. Ele falava do coração, de modo muito convincente. Em geral, a única coisa na tribuna naquela época era uma mesinha com uma Bíblia, um jarro de água e um copo, do qual o orador tomava ocasionalmente um gole de água.”

      Aqueles antigos congressos eram ocasiões de calorosa associação e revigoramento espiritual. Serviam para estreitar a união de todos os Estudantes da Bíblia e para divulgar verdades bíblicas. No ínterim, ao passo que se aproximava o fim da década de 1890, tornava-se claro aos Estudantes da Bíblia que havia necessidade de fazer muito mais para disseminar a verdade bíblica. Mas ainda eram relativamente poucos. Haveria um meio de alcançar outros milhões de pessoas mais do que pudessem ser contatados pelos métodos usados naquela época? Havia, sim!

      Abre-se a porta da “evangelização através de jornais”

      Perto do fim do século 19, o mundo era entrecruzado por linhas de telégrafo. A comunicação telegráfica era barata e rápida; revolucionou a imprensa. As notícias podiam ser transmitidas rapidamente a grandes distâncias e publicadas em jornais. No início do século 20, C. T. Russell e seus associados perceberam que os jornais seriam um meio eficaz de alcançar um grande número de pessoas. Mais tarde, Russell disse: “O jornal tornou-se o grande fator de influência na vida diária do mundo civilizado.”

      A Watch Tower de 1.º de dezembro de 1904 anunciava que os sermões de C. T. Russell estavam aparecendo em três jornais. O número seguinte da Watch Tower, sob o título “Evangelização Através de Jornais”, relatava: “Milhões de sermões foram assim espalhados em toda a parte; e pelo menos alguns produziram bons efeitos. Se o Senhor quiser, teremos a satisfação de ver esta ‘porta’ permanecer aberta, ou abrir-se ainda mais.” A porta da “evangelização através de jornais” abriu-se realmente mais ainda. De fato, em 1913, calculou-se que, através de 2.000 jornais, os sermões de Russell alcançavam 15.000.000 de leitores!

      Como, porém, conseguia Russell mandar imprimir um sermão semanal mesmo quando em viagem? Toda semana, ele telegrafava um sermão (de cerca de duas colunas de jornal) a uma agência noticiosa. A agência, por sua vez, o retelegrafava aos jornais nos Estados Unidos, Canadá e Europa.

      Russell estava convencido de que o Senhor abrira bem a porta para a pregação através de jornais. Durante a primeira década do século 20, a mensagem bíblica que Russell e seus associados proclamavam tornou-se amplamente conhecida por meio de tais sermões em jornais. Uma publicação chamada The Continent certa vez disse sobre Russell: “Diz-se que seus escritos têm maior circulação em jornais semanalmente do que os de qualquer outro homem vivo; maior, sem dúvida, do que a circulação conjunta dos escritos de todos os sacerdotes e pregadores da América do Norte.”

      Mudança para Brooklyn

      Ao passo que a pregação através dos jornais tomava impulso, os Estudantes da Bíblia procuravam outro local donde se originassem os sermões. Por quê? A Casa da Bíblia em Allegheny tornara-se pequena demais. Achava-se também que, se os sermões de Russell procedessem de uma cidade maior e mais conhecida, resultaria na publicação dos sermões em mais jornais. Mas que cidade? A Watch Tower de 15 de dezembro de 1908 explicava: “Concluímos juntos, depois de buscarmos a orientação Divina, que Brooklyn, N.I., com uma grande população da classe média, e conhecida como ‘A Cidade das Igrejas’, seria, por esses motivos, nosso mais adequado centro para a obra de colheita durante os poucos anos remanescentes.”

      Portanto, em 1908, diversos representantes da Sociedade Torre de Vigia, incluindo seu assistente jurídico, Joseph F. Rutherford, foram enviados à Cidade de Nova Iorque. Com que fim? Com o fim de adquirirem uma propriedade que C. T. Russell vira numa viagem anterior. Compraram o antigo “Betel de Plymouth”, situado à Rua Hicks, 13-17, Brooklyn. Era um prédio da missão da Igreja Congregacional de Plymouth naquelas imediações, onde Henry Ward Beecher servira como pastor. Os representantes da Sociedade compraram também a antiga residência de Beecher, um prédio de arenito pardo, de quatro pavimentos, em Columbia Heights, 124, a alguns quarteirões dali.

      O prédio da Rua Hicks foi reformado e chamado de Tabernáculo de Brooklyn. Abrigava os escritórios da Sociedade e um auditório. Depois de muitos reparos, a antiga residência de Beecher, em Columbia Heights, 124, tornou-se o novo lar da equipe da sede da Sociedade. Como se chamaria? a Watch Tower de 1.º de março de 1909 explicava: “O novo lar chamaremos de ‘Betel’ [que significa: “Casa de Deus”].”f

      A “evangelização através de jornais”, como era chamada, tomou impulso depois da mudança para Brooklyn. Mas esse não era o único meio de alcançar as massas.

      Expande-se a proclamação das boas novas

      Em 1912, Russell e seus associados iniciaram um ousado empreendimento educacional muito avançado para a época. De fato, alcançaria milhões de pessoas no mundo inteiro. Tratava-se do Photo-Drama of Creation (Fotodrama da Criação) — uma combinação de filme cinematográfico e slides, sincronizada com gravações musicais e discursos gravados em fonógrafos. Durava cerca de oito horas e era apresentada em quatro sessões. Além do “Fotodrama” normal, havia também o “Drama Eureka”, que consistia em discursos e músicas gravados ou então gravações junto com slides. Apesar de ser sem os filmes cinematográficos, foi apresentado com sucesso em áreas menos populosas.

      Imagine o cenário histórico: Em janeiro de 1914, durante a era do cinema mudo,g uma assistência de 5.000 pessoas reuniu-se no Templo, um prédio situado à Rua 63 Oeste, em Nova Iorque. Muitos mais não conseguiram entrar por falta de lugar. A ocasião? Ora, a primeira exibição, em Nova Iorque, do “Fotodrama da Criação”! Diante da assistência havia uma enorme tela de cinema. Ao passo que as pessoas observavam — e ouviam — algo realmente surpreendente aconteceu. C. T. Russell, naquela época com pouco mais de 60 anos, apareceu na tela. Seus lábios começaram a se mover, e as suas palavras podiam ser ouvidas! No decorrer da apresentação, a assistência foi transportada — por meio de palavras, imagens coloridas e música — desde a criação da Terra até o fim do Reino Milenar de Cristo. Durante a apresentação, os espectadores viram também (por meio de técnica de aceleramento) outras coisas que os deixaram assombrados — uma flor desabrochar e um pintinho sair da casca do ovo. Ficaram realmente impressionados!

      Até fins de 1914, o “Fotodrama” havia sido apresentado a milhões de pessoas na América do Norte, Europa, Nova Zelândia e Austrália. O “Fotodrama” certamente foi um meio eficaz de alcançar as massas em relativamente curto período.

      Nesse meio tempo, que dizer de outubro de 1914? Por décadas Russell e seus associados vinham proclamando que os Tempos dos Gentios terminariam em 1914. Grandes eram as expectativas. C. T. Russell criticara os que haviam fixado várias datas para a volta do Senhor, como William Miller e alguns grupos de adventistas. Contudo, desde a época de sua antiga associação com Nelson Barbour, ele estava convencido de que existia uma cronologia exata, baseada na Bíblia, e que ela indicava 1914 como o fim dos Tempos dos Gentios.

      Com a aproximação desse ano significativo, havia grandes expectativas entre os Estudantes da Bíblia, mas nem tudo o que esperavam estava diretamente declarado nas Escrituras. Que aconteceria?

      [Nota(s) de rodapé]

      a Watch Tower (A Sentinela), de 15 de julho de 1906, p. 229.

      b Nem Barbour nem Russell foram os primeiros a explicar que a volta do Senhor se daria na forma de presença invisível. Muito antes, Sir Isaac Newton (1642-1727) escrevera que Cristo retornaria e reinaria de modo “invisível aos mortais”. Em 1856, Joseph Seiss, um pastor luterano na Filadélfia, Pensilvânia, escrevera sobre um segundo advento em duas etapas — uma pa·rou·sí·a, ou presença, invisível, seguida de uma manifestação visível. Daí, em 1864, Benjamin Wilson publicou sua Bíblia Emphatic Diaglott, com a tradução interlinear de pa·rou·sí·a por “presença”, não “vinda”, e B. W. Keith, um associado de Barbour, havia levado isso à atenção de Barbour e de seus associados.

      c Um entendimento mais claro da cronologia bíblica foi publicado em anos posteriores. Veja o Capítulo 10, “Crescimento no conhecimento exato da verdade”.

      d A expressão “Watch Tower” (“Torre de Vigia”) não é exclusividade dos escritos de Russell nem das Testemunhas de Jeová. George Storrs publicou um livro na década de 1850 intitulado The Watch Tower: Or, Man in Death; and the Hope for a Future Life (A Torre de Vigia: Ou, o Homem na Morte; e a Esperança de Uma Vida Futura). Esse nome foi também incorporado no título de vários periódicos religiosos. Origina-se da idéia de manter-se vigilante sobre o desenrolar dos propósitos de Deus. — Isa. 21:8, 11, 12; Eze. 3:17; Hab. 2:1.

      e Estes eram (em inglês): Volume II, O Tempo Está Próximo (1889); Volume III, Venha Teu Reino (1891); Volume IV, O Dia da Vingança (1897); chamado mais tarde A Batalha do Armagedom; Volume V, A Expiação Entre Deus e o Homem (1899); e o Volume VI, A Nova Criação (1904). Quando os volumes Millennial Dawn passaram a ser chamados de Studies in the Scriptures, o Volume I foi chamado de “Série I”, o Volume II, de “Série II”, e assim por diante. O nome Studies in the Scriptures foi adotado em edições limitadas a partir de mais ou menos outubro de 1904, e esse novo nome foi usado de modo geral a partir de 1906.

      f Mais tarde, foi comprada a propriedade do lado, em Columbia Heights, 122, o que ampliou o Lar de Betel. Também, em 1911, construiu-se um anexo nos fundos do Lar de Betel, aumentando assim a capacidade de alojamento.

      g Embora houvesse tentativas anteriores para combinar filmagem com som, a era dos filmes sonoros começou em agosto de 1926, com o lançamento de Don Juan (com música, mas não falado), seguido de The Jazz Singer (falado), em outubro de 1927.

      [Destaque na página 51]

      ‘Chamados para pregar as boas novas.’

      [Quadro/Foto na página 44]

      “Deixai ambos crescer juntos até a colheita”

      Que aconteceu com o verdadeiro cristianismo após o primeiro século? Numa ilustração, Jesus advertira que o Diabo semearia “joio”, cristãos de imitação, entre “o trigo”, os cristãos verdadeiros, “os filhos do reino”. Ambos cresceriam juntos até “a colheita”, a “terminação dum sistema de coisas”. (Mat. 13:24-30, 36-43) Durante a grande apostasia que se desenvolveu após a morte dos apóstolos, “o joio” predominou por muitos séculos.

      Mas o que dizer do “trigo”? Quem eram “os filhos do reino” durante os séculos de apostasia? Não sabemos com certeza. O joio literal da ilustração de Jesus é geralmente considerado ser a cizânia, que se parece muito com o trigo até amadurecer, quando pode ser facilmente distinguida do trigo pelas suas menores sementes pretas. Similarmente, só na época da “colheita” é que se distinguiriam claramente os pseudo-cristãos dos verdadeiros “filhos do reino”. Contudo, Jesus disse: “Deixai ambos crescer juntos até a colheita.” Portanto, o verdadeiro cristianismo nunca foi completamente eliminado.

      Através dos séculos sempre houve os que amaram a verdade. Mencionando-se apenas alguns: João Wicliffe (c. 1330-1384) e Guilherme Tindale (c. 1494-1536) promoveram a tradução da Bíblia com o risco de sua própria vida ou liberdade. Wolfgang Fabrício Capito (1478-1541), Martin Cellarius (1499-1564), João Campanus (c. 1500-1575) e Thomas Emlyn (1663-c. 1741) aceitaram a Bíblia como Palavra de Deus e rejeitaram a Trindade. Henry Grew (1781-1862) e George Storrs (1796-1879) não só aceitaram a Bíblia e rejeitaram a Trindade, mas também expressaram seu apreço pelo sacrifício de resgate de Cristo.

      Embora não possamos identificar positivamente nenhuma dessas pessoas com “o trigo” da ilustração de Jesus, certamente “Jeová conhece os que lhe pertencem”. — 2 Tim. 2:19.

      [Quadro na página 45]

      George W. Stetson — “homem de notável habilidade”

      C. T. Russell reconhecia com gratidão a ajuda que recebera de George W. Stetson, de Edinboro, Pensilvânia, no estudo das Escrituras. Stetson morreu em 9 de outubro de 1879, aos 64 anos. No mês seguinte, a “Watch Tower” trazia uma nota sobre o falecimento de Stetson, que revelava o profundo respeito que Russell, de 27 anos, tinha por ele. “Nosso irmão era homem de notável habilidade”, escreveu Russell, “e renunciou a brilhantes perspectivas de honras do mundo e da política para poder pregar a Cristo”. Antes de morrer, Stetson pediu que C. T. Russell fizesse seu sermão fúnebre; Russell atendeu ao pedido. “Cerca de mil e duzentas pessoas assistiram ao serviço fúnebre”, relatou Russell, “o que era uma evidência da elevada estima de que nosso irmão gozava”. — “Watch Tower” de novembro de 1879.

      [Foto/Quadro na página 46]

      George Storrs — “um amigo e irmão”

      C. T. Russell sentia-se endividado com George Storrs, que era uns 56 anos mais velho do que ele. Russell aprendera muito de Storrs sobre a mortalidade da alma. Portanto, quando Storrs estava gravemente enfermo em fins de 1879, Russell prontificou-se a publicar na “Watch Tower” uma nota sobre o estado de saúde de Storrs. “Nosso irmão”, escreveu Russell, “por muito tempo editor de ‘The Bible Examiner’, é conhecido da maioria de nossos leitores; é sabido também que ele se viu obrigado a descontinuar seu periódico devido a grave enfermidade”. Na opinião de Russell, Storrs tinha “bastante motivo para render graças a Deus por ser privilegiado com uma vida tão longa e tão consagrada a seu Mestre”. Storrs faleceu em 28 de dezembro de 1879, com 83 anos. Uma nota de seu falecimento apareceu na “Watch Tower” de fevereiro de 1880, que dizia: “Lastimamos o falecimento de um amigo e irmão em Cristo, contudo ‘não como os que não têm esperança’.”

      [Foto]

      George Storrs

      [Foto/Quadro na página 48]

      “Eu vos deixo o ‘Herald’”

      Na primavera de 1879, C. T. Russell retirou todo seu apoio da revista “Herald of the Morning”, de cuja publicação participara com N. H. Barbour. Numa carta dirigida a Barbour, datada de 3 de maio de 1879, Russell explicava a razão disso: “Tem surgido uma diferença de conceito entre nós quanto ao ensinamento da palavra de nosso Pai [com respeito ao valor substitutivo do resgate] e, embora eu vos atribua mérito por toda a sinceridade e honestidade de vossos conceitos, que reivindico para mim com conceito oposto, preciso, contudo, deixar-me guiar pelo meu próprio entendimento da palavra de nosso Pai, e, conseqüentemente, julgo que estais errado. . . . Os pontos de divergência me parecem tão fundamentais e importantes que a total solidariedade e afinidade que devem existir entre publicadores e editores de um periódico ou revista não mais existe entre nós, e em razão disso acho que nosso relacionamento deve cessar.”

      Numa carta subseqüente, datada de 22 de maio de 1879, Russell escreveu: “Agora eu vos deixo o ‘Herald’. Retiro-me inteiramente dele, não vos pedindo nada . . . Peço que seja anunciado no próximo N.º do ‘Herald’ essa dissolução e meu nome seja retirado.” A partir da edição de junho de 1879, o nome de Russell não mais apareceu como editor assistente do “Herald”.

      Barbour continuou a publicar o “Herald” até 1903, quando, segundo registros de biblioteca disponíveis, cessou a sua publicação. Barbour morreu poucos anos mais tarde, em 1906.

      [Foto]

      Nelson H. Barbour

      [Quadro na página 54]

      Por que era chamado de Pastor

      Charles Taze Russell era chamado de Pastor Russell pelos seus associados. Por quê? Por causa de suas atividades em pastorear o rebanho de Deus. Efésios 4:11 diz que Cristo daria à sua congregação alguns como “pastores” (“Almeida”). O irmão Russell certamente serviu na qualidade de pastor espiritual na congregação cristã.

      Em razão do serviço pastoral que fazia sob o Pastor Principal, Jesus Cristo, certas congregações o reconheceram por voto como seu pastor. Não foi um título atribuído a si próprio. O primeiro grupo que o elegeu como pastor foi a congregação em Pittsburgh, Pensilvânia, em 1882. Dali em diante, umas 500 outras congregações nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha votaram também, reconhecendo-o como pastor.

      Naquela época, era costumeiro as congregações votarem anualmente para escolher quem presidiria entre eles. Hoje, os anciãos cristãos entre as Testemunhas de Jeová não são eleitos pelas congregações locais, mas são nomeados pelo Corpo Governante das Testemunhas de Jeová. Toma-se também cuidado para não usar como títulos expressões tais como “pastor” ou “ancião”.

      [Quadro/Fotos nas páginas 56, 57]

      O “Fotodrama da Criação”

      O “Fotodrama da Criação” era uma combinação de filmes cinematográficos com apresentação de “slides”, sincronizada com som. Essa notável apresentação transportava a assistência desde o tempo da criação até o fim do Milênio.

      No mínimo, foram preparados 20 conjuntos de quatro partes cada um, o que tornava possível que uma parte do “Fotodrama” fosse exibida em 80 cidades todo dia. Era um verdadeiro desafio cumprir com esses 80 compromissos. Os horários de trem nem sempre eram convenientes. As congregações nem sempre podiam alugar locais de exibição nas datas desejadas. Contudo, até fins de 1914, o “Fotodrama” havia sido exibido a assistências que totalizavam mais de 9.000.000 de pessoas na América do Norte, Europa e Austrália.

      [Fotos]

      “Sinopse” do “Fotodrama” com os discursos e as muitas ilustrações

      Cinemas usados para exibições ininterruptas do “Fotodrama”

      Chicago

      Nova Iorque

      Projetor cinematográfico

      Projetor de “slides”

      Discos fonográficos

      “Slides” do “Fotodrama”

      Volante de publicidade

      [Quadro na página 60]

      “Prestai atenção a 1914!”

      Quando estourou a Primeira Guerra Mundial em 1914, “The World”, um dos principais jornais da cidade de Nova Iorque naquela época, dizia, no seu suplemento: “O horrível irrompimento da guerra na Europa tem cumprido uma profecia extraordinária. . . . ‘Prestai atenção a 1914!’ tem sido o brado de centenas de evangelistas viajantes que, representando esta estranha crença [associada com Russell], percorreram o país de ponta a ponta, anunciando a doutrina de que ‘o Reino de Deus está próximo’.” — “The World Magazine”, 30 de agosto de 1914.

      [Foto na página 42]

      Charles Taze Russell

      [Foto na página 43]

      Joseph L. Russell, pai de Charles, era membro da classe de estudos bíblicos de Allegheny e associado íntimo de seu filho nas atividades da Sociedade Torre de Vigia até sua morte em 1897.

      [Foto na página 50]

      Os Estudantes da Bíblia distribuíram dezenas de milhões de exemplares de tratados que expunham os erros religiosos, explicavam as verdades bíblicas e proclamavam o importante ano de 1914.

      [Foto na página 52]

      C. T. Russell escreveu seis volumes de “Millennial Dawn” (1886 a 1904), bem como tratados, folhetos e artigos da “Watch Tower” no decorrer de uns 37 anos.

      [Foto na página 53]

      Quando dava discursos públicos, o irmão Russell não usava anotações e estava sempre em movimento — gesticulando com os braços e caminhando no palco.

      [Foto na página 58]

      Calculou-se que num ano, através de 2.000 jornais, os sermões de C. T. Russell alcançavam 15.000.000 de leitores.

  • Um período de provação (1914-1918)
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 6

      Um período de provação (1914-1918)

      “Seja lembrado que estamos num período de provação. . . . Se há alguma razão que induziria alguém a renunciar ao Senhor e à Sua Verdade e cessar de sacrificar-se pela Causa do Senhor, então não é o puro amor a Deus no coração que impeliu o interesse no Senhor, mas outra coisa; provavelmente a esperança de que o tempo fosse curto; a consagração foi só por um certo tempo. Se assim for, agora é um tempo oportuno para renunciar.”

      ESTAS palavras, que apareceram em The Watch Tower (A Sentinela) de 1.º de novembro de 1914, não poderiam ser mais apropriadas. Os anos de 1914 a 1918 revelaram ser deveras um “período de provação” para os Estudantes da Bíblia. Algumas das provações surgiram de dentro; outras vieram de fora. Todas elas, porém, testaram os Estudantes da Bíblia de várias maneiras que revelaram se realmente tinham ‘o amor de Deus no coração’. Apegar-se-iam “ao Senhor e à sua Verdade” ou renunciariam?

      Grandes expectativas

      Em 28 de junho de 1914, o arquiduque Francisco Fernando, da Áustria-Hungria, foi abatido pela bala de um assassino. Esse assassinato desencadeou a Grande Guerra, como era chamada originalmente a Primeira Guerra Mundial. O combate começou em agosto de 1914 quando a Alemanha invadiu a Bélgica e a França. Até o outono [hemisfério norte] daquele ano o banho de sangue já estava bem alastrado.

      “Terminaram os Tempos dos Gentios; seus reis já tiveram seus dias”! Assim exclamou o irmão Russell ao entrar no refeitório da sede da Sociedade Torre de Vigia nos EUA, em Brooklyn, na manhã de sexta-feira, 2 de outubro de 1914. Houve muita emoção. A maioria dos presentes já por anos vinha aguardando 1914. Mas o que traria o fim dos Tempos dos Gentios?

      A Primeira Guerra Mundial estava em andamento, e naquela época cria-se que a guerra conduziria a um período de anarquia global que resultaria no fim do existente sistema de coisas. Havia também outras expectativas com respeito a 1914. Alexander H. Macmillan, batizado em setembro de 1900, recordava mais tarde: “Alguns de nós pensávamos seriamente que iríamos para o céu durante a primeira semana daquele mês de outubro.”a De fato, relembrando aquela manhã em que Russell anunciou o fim dos Tempos dos Gentios, Macmillan admitiu: “Ficamos muito emocionados e eu não teria ficado surpreso se naquele momento começássemos a subir, sendo aquele anúncio o sinal para começarmos a ascender ao céu — mas, naturalmente, nada disso aconteceu.”

      As expectativas desiludidas da volta do Senhor Jesus fizeram com que, no século 19, muitos seguidores de William Miller e vários grupos de adventistas perdessem a fé. Mas o que dizer dos Estudantes da Bíblia associados com Russell? Será que alguns haviam sido atraídos pensando na iminência de sua própria salvação, em vez de por amor a Deus e forte desejo de fazer a Sua vontade?

      ‘Irmão Russell, não ficou decepcionado?’

      O irmão Russell vinha incentivando os Estudantes da Bíblia a se manterem vigilantes e decididos a continuar na obra do Senhor mesmo se as coisas não culminassem tão cedo quanto talvez esperassem.

      O mês de outubro de 1914 passou, e C. T. Russell e seus associados ainda se achavam na Terra. Daí, o outubro de 1915 também passou. Ficou Russell decepcionado? Ele escreveu na The Watch Tower de 1.º de fevereiro de 1916: “‘Mas, irmão Russell, o que pensa sobre o tempo de nossa mudança? Não ficou decepcionado que não aconteceu como esperávamos que acontecesse?’ talvez perguntem. Não, não ficamos decepcionados, é a nossa resposta. . . . Irmãos, os dentre nós que temos uma atitude correta para com Deus não estamos decepcionados com nenhuma de Suas providências. Não era nosso desejo que a nossa vontade fosse feita; portanto, quando descobrimos que o que estávamos esperando em outubro de 1914 era errado, ficamos contentes que o Senhor não mudou Seu Plano para nos agradar. Não queríamos que Ele fizesse isso. Meramente desejamos entender Seus planos e propósitos.”

      Não, os Estudantes da Bíblia não foram ‘levados para seu lar’, para o céu, em outubro de 1914. Todavia, os Tempos dos Gentios terminaram realmente naquele ano. Os Estudantes da Bíblia tinham obviamente mais a aprender sobre o significado de 1914. No ínterim, o que deviam fazer? Trabalhar! Como dizia The Watch Tower de 1.º de setembro de 1916: “Imaginávamos que a obra da Colheita, do ajuntamento da Igreja [os ungidos], seria realizada antes do fim dos Tempos dos Gentios; mas nada na Bíblia dizia isso. . . . Lamentamos que a obra da Colheita continue? Não, absolutamente . . . Nossa atitude atual, amados irmãos, deve ser de muita gratidão a Deus, de mais apreço pela bela Verdade que Ele nos concedeu o privilégio de enxergar e de ser identificados com ela e de incrementado zelo em ajudar a levar essa Verdade ao conhecimento de outros.”

      Mas, havia muito mais para se fazer na obra da colheita? O irmão Russell obviamente achava que sim. Uma conversação que ele teve com o irmão Macmillan no outono de 1916 indica isso. Chamando Macmillan a seu gabinete no Betel de Brooklyn, Russell lhe disse: “A obra está crescendo rapidamente, e continuará a crescer, pois há uma obra mundial a ser feita na pregação do ‘evangelho do reino’ no mundo inteiro.” Russell passou três horas e meia explicando para Macmillan o que lhe parecia ser, segundo a Bíblia, a grande obra à frente.

      Os Estudantes da Bíblia haviam passado por uma provação difícil. Mas, com a ajuda da The Watch Tower foram fortalecidos para triunfarem sobre o desapontamento. O período de prova, porém, estava longe do fim.

      “O que vai acontecer agora?”

      Em 16 de outubro de 1916 o irmão Russell e seu secretário Menta Sturgeon empreenderam uma previamente programada turnê de conferências nas regiões do oeste e do sudoeste dos Estados Unidos. Mas Russell estava gravemente enfermo naquele tempo. A turnê os levou primeiro a Detroit, Michigan, via Canadá. Daí, depois de escalas em Illinois, Kansas e no Texas, os dois chegaram à Califórnia, onde Russell proferiu, em Los Angeles, seu último discurso, no domingo, 29 de outubro. Dois dias depois, no começo da tarde de terça-feira, 31 de outubro, Charles Taze Russell, aos 64 anos, faleceu num trem, em Pampa, Texas. A notícia de sua morte apareceu na The Watch Tower de 15 de novembro de 1916.

      Que efeito teve sobre a família de Betel o anúncio da morte do irmão Russell? A. H. Macmillan, que servira como auxiliar de Russell no escritório na ausência dele, lembrou mais tarde a manhã em que ele leu o telegrama para a família de Betel: “Ouviu-se um lamento em todo aquele refeitório. Alguns choraram audivelmente. Ninguém tomou desjejum naquela manhã. Todos ficaram muito pesarosos. No fim do período do café da manhã juntaram-se em pequenos grupos para conversar e falar em voz baixa: ‘O que vai acontecer agora?’ Pouco se trabalhou naquele dia. Não sabíamos o que fazer. Foi tão inesperado, embora Russell tivesse tentado preparar-nos para isso. O que faríamos? O choque inicial de nossa perda de C. T. Russell foi o pior. Naqueles primeiros dias o nosso futuro parecia um livro com páginas em branco. Durante toda a sua vida Russell tinha sido ‘a Sociedade’. O trabalho girava em torno de sua dinâmica determinação de cuidar de que a vontade de Deus fosse feita.”

      Após os funerais no Templo, em Nova Iorque, e no Carnegie Hall, em Pittsburgh, o irmão Russell foi enterrado em Allegheny, no terreno da família de Betel, a pedido dele. Uma breve biografia de Russell e seu testamento foram publicados na The Watch Tower de 1.º de dezembro de 1916 e em edições subseqüentes do primeiro volume de Studies in the Scriptures (Estudos das Escrituras).

      O que aconteceria então? Era difícil os Estudantes da Bíblia imaginarem outra pessoa no lugar do irmão Russell. Continuaria o entendimento bíblico deles a ser progressivo, ou pararia ali? Tornar-se-iam uma seita centralizada nele? O próprio Russell deixara bem claro que ele esperava que a obra prosseguisse. Portanto, após a sua morte, surgiram logo algumas perguntas óbvias: quem supervisionaria o conteúdo da The Watch Tower e das outras publicações? Quem sucederia a Russell como presidente?

      Mudança na administração

      No seu testamento, o irmão Russell delineara a provisão de uma Comissão Editorial de cinco membros para decidirem sobre o conteúdo da The Watch Tower.b Além disso, a diretoria da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados providenciou uma Comissão Executiva de três membros — A. I. Ritchie, W. E. Van Amburgh e J. F. Rutherford — para assumirem a supervisão geral de toda a obra da Sociedade, sujeita ao controle da diretoria.c Entretanto, quem se tornaria o novo presidente? Essa decisão seria tomada na próxima reunião anual da Sociedade, uns dois meses mais tarde, em 6 de janeiro de 1917.

      De início, a Comissão Executiva fez o melhor que pôde para estabilizar a situação, incentivando os Estudantes da Bíblia a se manterem ativos e não perderem o ânimo. A revista The Watch Tower continuou a ser publicada, contendo artigos que Russell havia escrito antes de morrer. Mas, com a aproximação da reunião anual, a tensão se avolumava. Alguns até mesmo faziam um pouco de campanha eleitoral para conseguir que um homem de sua escolha fosse eleito presidente. Outros, em razão de seu profundo respeito pelo irmão Russell, pareciam mais preocupados em imitar suas qualidades e desenvolver uma espécie de culto em torno dele. A maioria dos Estudantes da Bíblia, porém, estava principalmente interessada em continuar a obra à qual Russell se devotara completamente.

      Ao se aproximar a época da eleição, continuava a pergunta: quem sucederia a Russell como presidente? A The Watch Tower de 15 de janeiro de 1917 relatou o resultado da reunião anual, explicando: “O irmão Pierson, com apropriadíssimas observações e expressões de apreço e amor pelo irmão Russell, declarou que recebera recado dos irmãos de todo o país, por meio de procurações, para que seus votos fossem para o irmão J. F. Rutherford como presidente, e declarou também que ele estava de pleno acordo com isso.” Tendo sido proposto e endossado o nome de Rutherford para o cargo, não houve outras indicações, de modo que “o Secretário fez a apuração dos votos, segundo orientado, e o irmão Rutherford foi declarado Presidente por escolha unânime da Convenção”.

      Decidida a eleição, como foi recebido o novo presidente? A The Watch Tower, acima mencionada, relatava: “Os irmãos em toda a parte oraram fervorosamente pedindo a orientação e a direção do Senhor neste assunto da eleição; e, ao se concluir, todos ficaram contentes e felizes, crendo que o Senhor dirigira suas deliberações e respondera às suas orações. Reinava perfeita harmonia entre todos os presentes.”

      Essa “perfeita harmonia”, porém, não durou muito. O novo presidente foi recebido calorosamente por muitos, mas não por todos.

      O novo presidente impulsiona a obra

      O irmão Rutherford não se inclinava a mudar a orientação da organização, mas a dar prosseguimento ao padrão de avanço estabelecido por Russell. Foi aumentado de 69 para 93 o número dos representantes viajantes da Sociedade (conhecidos por peregrinos). Acelerou-se a distribuição dos tratados gratuitos da Sociedade ocasionalmente aos domingos na frente das igrejas e de modo regular no ministério de casa em casa.

      A “obra pastoral”, iniciada antes da morte de Russell, foi intensificada. Tratava-se de uma obra de acompanhamento, similar à atividade de revisitas feita hoje pelas Testemunhas de Jeová. Para revitalizar ainda mais a obra de pregação, o novo presidente da Sociedade expandiu a obra de colportores. O número dos colportores (antecessores dos pioneiros hoje) foi aumentado de 372 para 461.

      “O ano de 1917 iniciou com perspectivas um tanto desanimadoras”, dizia The Watch Tower de 15 de dezembro de 1917. Sim, após a morte de C. T. Russell, havia algumas apreensões, dúvidas e temores. Contudo, o relatório do fim do ano foi animador; a atividade de campo aumentara. Claramente, a obra prosseguia. Haviam os Estudantes da Bíblia passado por outra provação — a morte de C. T. Russell — com êxito?

      Esforços para ganhar o controle

      Nem todos apoiavam o novo presidente. C. T. Russell e J. F. Rutherford eram homens muito diferentes. Tinham personalidade e formação diferentes. Para alguns, essas diferenças eram difíceis de aceitar. Na mente deles, ‘não havia substituto à altura do irmão Russell’.

      Uns poucos, especialmente na sede, tinham até ressentimentos contra o irmão Rutherford. O fato de a obra estar prosseguindo e de estar ele fazendo todo o empenho para seguir as disposições estabelecidas por Russell não parecia impressioná-los. A oposição não demorou a se manifestar. Quatro membros da diretoria da Sociedade foram ao ponto de tentar arrancar das mãos de Rutherford o controle administrativo. A situação chegou a um ponto culminante no verão de 1917, com o lançamento de The Finished Mystery (O Mistério Consumado), o sétimo volume de Studies in the Scriptures.

      O irmão Russell não conseguira produzir esse volume em vida, embora esperasse fazer isso. Após sua morte, a Comissão Executiva da Sociedade providenciou que dois associados, Clayton J. Woodworth e George H. Fisher, preparassem esse livro que trazia comentários sobre Revelação (Apocalipse), O Cântico de Salomão e Ezequiel. Em parte, baseava-se naquilo que Russell escrevera sobre esses livros bíblicos, e outros comentários e explicações foram acrescentados. O manuscrito completado foi aprovado para publicação por diretores da Sociedade e o lançamento do livro para a família de Betel se deu no refeitório, na terça-feira, 17 de julho de 1917. Nessa mesma ocasião, fez-se um surpreendente anúncio — os quatro diretores oponentes haviam sido demitidos e o irmão Rutherford havia nomeado quatro outros para preencherem as vagas. Qual foi a reação?

      Foi como se tivesse estourado uma granada! Os quatro diretores expulsos aproveitaram a ocasião para incitar uma controvérsia de cinco horas perante a família de Betel sobre a administração dos assuntos da Sociedade. Vários membros da família de Betel apoiaram os opositores. A oposição continuou por várias semanas, e os perturbadores ameaçavam “derrubar a existente tirania”, para citar as palavras deles. Mas o irmão Rutherford tinha base sólida para a ação que tomara. Como assim?

      Acontecia que, embora os quatro diretores oponentes tivessem sido nomeados pelo irmão Russell, essas nomeações não haviam sido confirmadas por votos dos membros da corporação na reunião anual da Sociedade. Portanto, esses quatro definitivamente não eram membros legais da diretoria! Rutherford sabia disso, mas não havia mencionado de início. Por que não? Ele queria evitar dar a impressão de estar contra os desejos do irmão Russell. Contudo, quando se tornou evidente que não descontinuariam sua oposição, Rutherford agiu de acordo com a sua autoridade e responsabilidade como presidente para substituí-los por outros quatro cuja nomeação seria confirmada na reunião anual seguinte, a ser realizada em janeiro de 1918.

      Em 8 de agosto, os ex-diretores descontentes e seus apoiadores deixaram a família de Betel; foram despedidos por causa do distúrbio que vinham causando. Logo começaram a divulgar sua oposição por meio de intensa campanha de discursos e cartas em todos os Estados Unidos, Canadá e Europa. Em resultado disso, depois do verão de 1917, diversas congregações dos Estudantes da Bíblia se dividiram em dois grupos — os que eram leais à Sociedade e os que foram presa fácil da fala macia dos opositores.

      Mas será que os diretores expulsos, num esforço de assumirem o controle da organização, tentariam influenciar os que viriam a estar presentes na reunião anual? Para prevenir tal reação, Rutherford achou aconselhável fazer um levantamento em todas as congregações. Os resultados? Segundo o relatório publicado na The Watch Tower de 15 de dezembro de 1917, os votantes expressaram enorme apoio a J. F. Rutherford e aos diretores que cooperavam com ele! Isto foi confirmado na reunião anual.d Os esforços dos opositores de assumir o controle fracassaram!

      O que aconteceu com os opositores e seus apoiadores? Depois da reunião anual de 1918, os opositores se separaram, e até mesmo resolveram celebrar sozinhos a Comemoração da morte de Cristo, em 26 de março de 1918. Qualquer união que porventura tinham durou pouco, e logo se dividiram em várias seitas. Na maioria dos casos, o número deles caiu e a sua atividade diminuiu ou cessou por completo.

      Claramente, após a morte do irmão Russell, os Estudantes da Bíblia enfrentaram um verdadeiro teste de lealdade. Como disse Tarissa P. Gott, batizada em 1915: “Muitos dos que pareciam tão fortes, tão devotados ao Senhor, começaram a se desviar. . . . Nada disso parecia certo, mas estava acontecendo e nos perturbou. Mas, eu dizia comigo mesma: ‘Não foi esta organização que Jeová usou para nos livrar dos laços da religião falsa? Não provamos a Sua bondade? Se a abandonássemos agora, para onde iríamos? Não acabaríamos seguindo algum homem?’ Não víamos motivo para acompanhar os apóstatas, por isso permanecemos.” — João 6:66-69; Heb. 6:4-6.

      Alguns que abandonaram a organização mais tarde se arrependeram e se associaram de novo com os Estudantes da Bíblia na adoração. A grande maioria, como a irmã Gott, continuou a cooperar com a Sociedade Torre de Vigia e com o irmão Rutherford. O vínculo de amor e união deles estreitara-se através de anos de associação nas reuniões e nos congressos. Não permitiriam que nada rompesse esse vínculo de união. — Col. 3:14.

      Até 1918 os Estudantes da Bíblia haviam sobrevivido às provações internas. O que dizer, porém, se surgisse oposição externa?

      Alvos de ataque

      Em fins de 1917 e começo de 1918, os Estudantes da Bíblia distribuíram vigorosamente o novo livro: The Finished Mystery. Em fins de 1917, as impressoras estavam imprimindo 850.000 exemplares. A The Watch Tower de 15 de dezembro de 1917 relatava: “A venda do Sétimo Volume não encontra paralelo com a venda de qualquer outro livro conhecido, no mesmo espaço de tempo, exceto a Bíblia.”

      Mas nem todos vibravam com o sucesso do Finished Mystery. O livro fazia algumas referências bem cortantes ao clero da cristandade. Isto deixou os clérigos tão irados que instigaram o governo a suprimir as publicações dos Estudantes da Bíblia. Em resultado dessa oposição instigada pelos clérigos, o Finished Mystery foi proscrito no Canadá em princípios de 1918. A oposição contra os Estudantes da Bíblia nos Estados Unidos não demorou.

      Com o fim de expor esta pressão instigada pelo clero, a Sociedade Torre de Vigia lançou, em 15 de março de 1918, o tratado Kingdom News (Notícias do Reino) N.º 1. A mensagem? O título, da largura de seis colunas, dizia: “Intolerância Religiosa — Perseguidos os Seguidores do Pastor Russell por Falarem a Verdade ao Povo.” Sob o título “Tratamento dos Estudantes da Bíblia Cheira à ‘Era do Obscurantismo’”, foram apresentados os fatos sobre a perseguição e a proscrição iniciadas no Canadá. Quem eram os instigadores? O tratado não fez rodeios, apontando o clero, descrito como “uma classe intolerante de homens que sistematicamente procuravam impedir que as pessoas entendessem a Bíblia e suprimiam todo ensinamento da Bíblia que não viesse através deles”.e Que mensagem pungente!

      Como reagiu o clero a tal exposição? Este já havia causado dificuldades à Sociedade Torre de Vigia. Mas agora passou a ser maldoso! Na primavera de 1918, foi lançada uma onda de violenta perseguição contra os Estudantes da Bíblia na América do Norte e na Europa. A oposição instigada pelo clero culminou em 7 de maio de 1918, quando foram emitidos mandados de prisão federais dos EUA de J. F. Rutherford e de diversos de seus colaboradores íntimos. Em meados de 1918, Rutherford e sete colaboradores seus estavam na penitenciária federal de Atlanta, Geórgia.

      Mas, com o Juiz Rutherford e seus colaboradores na prisão, o que aconteceu com a operação da sede?

      Continuaram a ‘tocar o barco’

      Em Brooklyn, designou-se uma Comissão Executiva para cuidar da obra. A principal preocupação dos irmãos designados era manter The Watch Tower em circulação. Os Estudantes da Bíblia em toda a parte certamente necessitavam de todo o encorajamento espiritual que lhes pudesse ser dado. De fato, durante todo esse “período de provação”, não se deixou de imprimir um número sequer de The Watch Tower!f

      Qual era o espírito prevalecente na sede? Thomas (Bud) Sullivan, que mais tarde serviu como membro do Corpo Governante, recordava: “Tive o privilégio de visitar o Betel de Brooklyn em fins do verão de 1918 durante o encarceramento dos irmãos. Os irmãos encarregados da obra em Betel não estavam de forma alguma temerosos nem desanimados. De fato, dava-se o contrário. Eram otimistas e confiavam que Jeová por fim daria a seu povo a vitória. Tive o privilégio de estar à mesa no café da manhã de segunda-feira quando os irmãos enviados a designações no fim da semana fizeram seus relatórios. Obteve-se um quadro excelente da situação. Todos os irmãos se sentiam confiantes, na certeza de que Jeová continuaria a dirigir suas atividades.”

      Contudo, eles se deparavam com muitos problemas. A Primeira Guerra Mundial ainda continuava. Havia falta de papel e de carvão, coisas essenciais para o trabalho na sede. Com o patriotismo intenso, havia muita hostilidade contra a Sociedade; os Estudantes da Bíblia eram considerados traidores. Nessas circunstâncias extremamente difíceis, parecia impossível continuar as operações em Brooklyn. Portanto, a Comissão Executiva, depois de consultar outros irmãos, vendeu o Tabernáculo de Brooklyn e fechou o lar de Betel. Em 26 de agosto de 1918, as operações foram transferidas de volta para Pittsburgh, num prédio de escritórios nas ruas Federal e Reliance.

      Todavia, prevalecia um bom espírito. Martha Meredith relembrava: “Nós, em Pittsburgh, chegamos a um acordo para ‘tocar o barco’ até que os irmãos saíssem da prisão. Naquela época, o escritório de Brooklyn foi mudado para Pittsburgh, de modo que os irmãos se mantiveram ocupados escrevendo artigos para The Watch Tower e mandando imprimi-los. Quando as revistas ficavam prontas, nós, as irmãs, as colocávamos em invólucros e as enviávamos aos leitores.”

      Os Estudantes da Bíblia haviam enfrentado algumas duras provações desde o fim dos Tempos dos Gentios no outono de 1914. Tinham condições de continuar sobrevivendo? Tinham realmente ‘o amor de Deus no coração’ ou não? Ficariam firmes do lado do ‘Senhor e de Sua Verdade’, segundo Russell os acautelara, ou renunciariam?

      [Nota(s) de rodapé]

      a As citações de A. H. Macmillan neste capítulo são extraídas de seu livro Faith on the March (A Fé em Marcha), publicado em 1957 pela Prentice-Hall, Inc.

      b Os cinco membros da Comissão Editorial mencionados no testamento de Russell eram William E. Page, William E. Van Amburgh, Henry Clay Rockwell, E. W. Brenneisen e F. H. Robison. Além disso, para preencherem quaisquer vagas, outros foram mencionados — A. E. Burgess, Robert Hirsh, Isaac Hoskins, G. H. Fisher, J. F. Rutherford e John Edgar. Page e Brenneisen, porém, prontamente declinaram — Page porque não podia fixar residência em Brooklyn e Brenneisen (a grafia foi mais tarde mudada para Brenisen), porque tinha de fazer serviço secular para sustentar a família. Rutherford e Hirsh, cujos nomes foram alistados na Watch Tower de 1.º de dezembro de 1916, entraram no lugar deles como membros da Comissão Editorial.

      c Segundo os estatutos da Sociedade Torre de Vigia, a diretoria tinha de ser constituída de sete membros. Os estatutos estipulavam que os membros vivos da diretoria preenchessem vagas ao surgirem estas. Portanto, dois dias após a morte de Russell, a diretoria se reuniu e elegeu A. N. Pierson como membro. Os sete membros da diretoria nessa época eram A. I. Ritchie, W. E. Van Amburgh, H. C. Rockwell, J. D. Wright, I. F. Hoskins, A. N. Pierson e J. F. Rutherford. A diretoria de sete membros elegeu então a Comissão Executiva de três membros.

      d Na reunião anual realizada em 5 de janeiro de 1918, as sete pessoas que receberam maior número de votos foram J. F. Rutherford, C. H. Anderson, W. E. Van Amburgh, A. H. Macmillan, W. E. Spill, J. A. Bohnet e G. H. Fisher. Dentre estes sete membros da diretoria foram escolhidos os três dirigentes — J. F. Rutherford como presidente, C. H. Anderson como vice-presidente e W. E. Van Amburgh como secretário-tesoureiro.

      e Houve mais dois tratados com mensagem pungente. Kingdom News N.º 2, de 15 de abril de 1918, trazia uma mensagem ainda mais pungente sob o título “‘O Mistério Consumado’ e Por Que Suprimido”. Depois, o tratado Kingdom News N.º 3, de maio de 1918, trazia o significativo título “Duas Grandes Batalhas em Ação — Certa a Queda da Autocracia”.

      f Em ocasiões anteriores, haviam sido conjugados números da Watch Tower, mas isso não foi feito durante o período de 1914-18.

      [Destaque na página 68]

      Rutherford pediu aos opositores que deixassem Betel.

      [Quadro na página 62]

      ‘Alguns de nós fomos um pouco precipitados demais’

      Ao se aproximar o outubro de 1914, alguns dos Estudantes da Bíblia esperavam que, no fim dos Tempos dos Gentios, como cristãos ungidos pelo espírito, receberiam sua recompensa celestial. Um caso num congresso dos Estudantes da Bíblia, em Saratoga Springs, Nova Iorque, de 27 a 30 de setembro de 1914, ilustra isso. A. H. Macmillan, batizado 14 anos antes, deu um discurso na quarta-feira, 30 de setembro. Nesse discurso ele disse: “Este é provavelmente o meu último discurso público, porque em breve iremos para a nossa morada [o céu].”

      Entretanto, dois dias mais tarde (na sexta-feira, 2 de outubro), brincou-se com Macmillan em Brooklyn, onde os congressistas iam tornar a se reunir. Sentado à cabeceira da mesa, C. T. Russell anunciou: “Vamos fazer algumas mudanças no programa de domingo [4 de outubro]. Na manhã de domingo, às 10h30, o irmão Macmillan proferirá para nós um discurso.” A reação? Macmillan escreveu mais tarde: “Todos riram muito, lembrando o que eu havia dito na quarta-feira em Saratoga Springs — meu ‘último discurso público’!”

      “Bem”, continuou Macmillan, “tive então de me atarefar para encontrar algo para dizer. Encontrei no Salmo 74:9: ‘Não vimos os nossos sinais; não há mais nenhum profeta, e ninguém conosco sabe por quanto tempo.’ Isto era algo diferente. Nesse discurso procurei mostrar aos irmãos que alguns de nós fomos talvez um pouco precipitados demais em pensar que iríamos para o céu imediatamente, e que devíamos manter-nos ocupados no serviço do Senhor até que ele decidisse quando quaisquer de seus servos aprovados seriam levados para a morada celeste.”

      [Quadro na página 67]

      A formação de J. F. Rutherford

      Joseph Franklin Rutherford nasceu de pais batistas numa fazenda no Condado de Morgan, Missouri, EUA, em 8 de novembro de 1869. Quando Joseph tinha 16 anos, seu pai permitiu que cursasse faculdade, conquanto arcasse com as despesas para isso e também pagasse um empregado para substituí-lo na fazenda. Joseph, jovem decidido, tomou empréstimo de um amigo e conseguiu cursar a faculdade, fazendo também curso de Direito.

      Depois de terminar seus estudos, Rutherford passou dois anos sob a tutela do juiz E. L. Edwards. Aos 20 anos de idade, tornou-se escrivão oficial de tribunal da Décima Quarta Jurisdição de Missouri. Em 5 de maio de 1892, obteve sua licença para exercer direito em Missouri. Rutherford serviu mais tarde durante quatro anos como promotor público em Boonville, Missouri. Mais tarde ainda, serviu ocasionalmente como juiz especial da Oitava Jurisdição do Tribunal de Missouri. Foi por isso que se tornou conhecido como “Juiz” Rutherford.

      É curioso que, para ajudar a custear seus estudos, Rutherford vendia enciclopédias de casa em casa. Não era um trabalho fácil — havia muitas recusas. Certa vez, ele quase morreu quando caiu num rio gelado ao visitar as fazendas. Ele prometeu a si mesmo que, quando se tornasse advogado, se alguém viesse ao seu escritório vendendo livros, ele os compraria. Fiel à sua palavra, ele aceitou três volumes de “Millennial Dawn” (Aurora do Milênio) de duas colportoras que apareceram no seu escritório em princípios de 1894. Algumas semanas mais tarde, ele leu os livros e escreveu imediatamente uma carta à Sociedade Torre de Vigia, em que dizia: “Eu e minha querida esposa lemos esses livros com profundo interesse, e consideramos que foi provisão de Deus e uma grande bênção termos tido a oportunidade de entrar em contato com eles.” Em 1906, Joseph F. Rutherford foi batizado, e um ano mais tarde tornou-se consultor jurídico da Sociedade Torre de Vigia, dos EUA.

      [Quadro/Foto na página 69]

      ‘Não há homens na Terra mais altamente favorecidos’

      Em 21 de junho de 1918, J. F. Rutherford e diversos de seus colaboradores íntimos foram condenados a 20 anos de prisão, tendo sido falsamente declarados culpados de conspiração. Como se sentiram? Numa nota escrita à mão, datada de 22-23 de junho (que aparece abaixo), enviada da prisão da Rua Raymond, em Brooklyn, Nova Iorque, o irmão Rutherford escreveu: “Provavelmente, não há homens na Terra hoje mais altamente favorecidos e que se sentem mais felizes do que os sete irmãos agora na prisão. Estão cientes de sua total inocência de algum mal intencionado, e regozijam-se de estarem sofrendo com Cristo por servirem a Ele lealmente.”

      [Quadro na página 70]

      Vítimas de perseguição instigada por clérigos

      Em meados de 1918, J. F. Rutherford e sete de seus associados estavam na prisão — vítimas da oposição instigada por clérigos. Mas esses oito homens não foram os únicos a serem alvos de tal ódio. Anos antes disso, C. T. Russell fora o principal alvo de ataque da parte de clérigos e da imprensa. Agora os próprios Estudantes da Bíblia eram as vítimas. “The Golden Age” (A Idade de Ouro, hoje “Despertai!”), de 29 de setembro de 1920, publicou uma reportagem vívida e extensiva sobre a cruel perseguição que eles sofreram nos Estados Unidos. Parecia algo saído dos anais da Inquisição.g Havia os seguintes relatos:

      “Em 22 de abril de 1918, em Wynnewood, Oklahoma, Claud Watson foi primeiro lançado na prisão e depois solto deliberadamente à mercê de uma turba, composta de pregadores, comerciantes e outros que o derrubaram, mandaram um negro açoitá-lo e, quando estava parcialmente recuperado, mandaram que o açoitasse de novo. Daí, cobriram-no todo de piche e de penas, esfregando-lhe o piche nos cabelos e no couro cabeludo.”

      “Em 29 de abril de 1918, em Walnut Ridge, Arkansas, W. B. Duncan, de 61 anos, Edward French, Charles Franke, um senhor de nome Griffin e a Sra. D. Van Hoesen foram encarcerados. A cadeia foi invadida por uma turba que usou a mais vil e mais obscena linguagem, os açoitou, os cobriu de piche e de penas e os expulsou da cidade. Duncan foi forçado a caminhar quarenta e dois quilômetros até sua casa, e mal se recuperou. Griffin foi a bem dizer cegado e morreu alguns meses depois em resultado da agressão.”

      “Em 30 de abril de 1918, . . . em Minerva, Ohio, S. H. Griffin foi primeiro lançado na prisão e depois solto à mercê de uma turba, sendo em seguida censurado durante quinze minutos pelo pastor, daí, golpeado repetidas vezes, insultado, chutado, pisoteado, ameaçado de enforcamento e afogamento, expulso da cidade, cuspido, feito tropeçar repetidas vezes, espetado várias vezes com um guarda-chuva, proibido de tomar condução, seguido por cinco milhas [8 km] até Malvern, Ohio, onde foi de novo detido, encarcerado para segurança em Carrollton e, finalmente, levado para casa por corajosas e fiéis autoridades que, depois de examinarem suas publicações, disseram sucintamente: ‘Não achamos falta neste homem.’”

      [Nota(s) de rodapé]

      g Pp. 712-17.

      [Fotos na página 64]

      Em 31 de outubro de 1916, Charles Taze Russell, de 64 anos, faleceu num trem, em Pampa, Texas; muitos jornais noticiaram o funeral.

      [Foto na página 66]

      J. F. Rutherford tinha um aspecto imponente, com um metro e oitenta e oito centímetros de altura e pesando uns 100 quilos.

      [Foto na página 69]

      A prisão da Rua Raymond, em Brooklyn, Nova Iorque, onde o irmão Rutherford e diversos outros colaboradores íntimos foram retidos por sete dias logo depois de serem sentenciados.

      [Foto na página 71]

      Thomas (Bud) Sullivan visitou a sede em 1918 e mais tarde serviu como membro do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová.

  • Anunciai o Rei e o Reino! (1919-1941)
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 7

      Anunciai o Rei e o Reino! (1919-1941)

      “Acreditais que o Rei de glória começou a reinar? Então, retornai ao campo, ó filhos do Deus Altíssimo! Ponde vossa armadura! Sede sóbrios, sede vigilantes, sede ativos, sede valentes. Sede fiéis e genuínas testemunhas do Senhor. Avançai na luta até que todo vestígio de Babilônia fique desolado. Anunciai a mensagem por toda a parte. O mundo tem de saber que Jeová é Deus e que Jesus Cristo é Rei dos reis e Senhor dos senhores. Este é o maior de todos os dias. Vede, o Rei reina! Vós sois seus agentes de publicidade. Portanto, anunciai, anunciai, anunciai o Rei e seu reino.”

      ESSA impressionante convocação para atividade, feita por J. F. Rutherford no congresso internacional de Cedar Point, Ohio, EUA, em 1922, influiu profundamente nos que estavam presentes. Os Estudantes da Bíblia deixaram aquele congresso com ardente desejo de anunciar o Reino. Alguns anos antes, porém, a perspectiva de servirem como agentes de publicidade do Reino parecia deveras desanimadora. J. F. Rutherford e sete associados estavam na prisão, e o futuro papel deles na organização parecia incerto. Como foram superadas essas dificuldades?

      “Sei algo sobre a lei dos leais”

      Programara-se um congresso em Pittsburgh, Pensilvânia, para 2 a 5 de janeiro de 1919, na época em que o irmão Rutherford e seus associados estavam na prisão. Mas não se tratava de um congresso comum — estava conjugado com a reunião anual da Sociedade Torre de Vigia, no sábado, 4 de janeiro de 1919. O irmão Rutherford estava bem ciente da importância dessa reunião. Naquela tarde de sábado, ele procurou o irmão Macmillan e o encontrou na quadra de tênis da prisão. Segundo Macmillan, eis o que aconteceu:

      “Rutherford disse: ‘Mac, desejo falar contigo.’

      “‘Sobre o que desejas falar?’

      “‘Desejo falar sobre o que está acontecendo em Pittsburgh.’

      “‘Eu gostaria de primeiro terminar esta partida.’

      “‘Não estás interessado no que está acontecendo? Não sabes que hoje é dia de eleição dos diretores? Talvez sejas ignorado e excluído, e ficaremos aqui para sempre.’

      “‘Irmão Rutherford’, disse eu, ‘permite-me dizer-te algo em que talvez não tenhas pensado. Esta é a primeira vez desde que a Sociedade foi fundada que poderá tornar-se claramente evidente quem Jeová Deus deseja que seja o presidente.’

      “‘O que queres dizer com isso?’

      “‘Quero dizer que o irmão Russell detinha voto determinante e nomeava os diferentes diretores. Agora, estando nós aparentemente sem encargo, a situação é diferente. Mas, se saíssemos em tempo para ir a essa assembléia, a essa reunião de eleição de diretores, acabaríamos sendo aceitos para ocupar o lugar de Russell com a mesma honra que se lhe conferiu. Poderia parecer uma obra de homens, não de Deus.’

      “Rutherford simplesmente ficou pensativo e afastou-se.”

      Naquele dia, houve uma reunião tensa em Pittsburgh. “Por algum tempo, prevaleceu confusão, dissensão e discussões”, recordava Sara C. Kaelin, criada na região de Pittsburgh. “Alguns queriam adiar a reunião por seis meses; outros questionavam a legalidade da eleição de diretores que estavam na prisão; e outros sugeriram eleger novos diretores para todos os cargos.”

      Após extensivos debates, W. F. Hudgings, diretor da Associação Púlpito do Povo,a leu para a assistência uma carta do irmão Rutherford. Nela ele transmitia amor e saudações aos que estavam reunidos. “As principais armas de Satanás são ORGULHO, AMBIÇÃO e MEDO”, advertia ele. Mostrando desejo de se sujeitar à vontade de Jeová, até mesmo sugeriu humildemente homens adequados caso os membros decidissem eleger novos diretores para a Sociedade.

      A discussão continuou por mais um pouco, e depois, E. D. Sexton, que fora nomeado presidente da comissão de nomeações, falou corajosamente:

      “Acabo de chegar. Meu trem estava com quarenta e oito horas de atraso, ficando retido pela neve. Tenho algo a dizer e, para meu próprio alívio, é melhor que o diga agora mesmo. Meus queridos irmãos, vim aqui, como os demais, com certas idéias em mente — pró e contra. . . . Não há nenhum obstáculo jurídico. Se desejamos reeleger nossos irmãos [presos] no Sul para algum cargo que possam exercer, não vejo nem acho, à base de qualquer aconselhamento [jurídico] que recebi, que isso possa de alguma maneira ou forma interferir no aspecto do caso deles perante o Tribunal Federal ou o público.

      “Creio que o maior elogio que podemos fazer ao nosso querido irmão Rutherford é reelegê-lo presidente da Sociedade T[orre de] V[igia de] B[íblias] e T[ratados]. Acho que não há dúvidas na mente do público quanto à nossa posição neste assunto. Mesmo que nossos irmãos tivessem de alguma forma violado tecnicamente uma lei que não entendiam, sabemos que suas motivações são boas. E, perante o Todo-Poderoso [Deus], eles não violaram nenhuma lei divina ou humana. Manifestaremos a máxima confiança se reelegermos o irmão Rutherford como presidente da Associação.

      “Não sou advogado, mas, no que diz respeito à legalidade da situação, sei algo sobre a lei dos leais. A lealdade é o que Deus requer. Não consigo imaginar confiança maior que poderíamos manifestar do que realizar uma eleição E REELEGER O IRMÃO RUTHERFORD COMO PRESIDENTE.”

      Pois bem, o irmão Sexton expressou evidentemente os sentimentos da maioria na assistência. Os candidatos foram indicados; realizou-se a eleição; e J. F. Rutherford foi eleito presidente, C. A. Wise, vice-presidente e W. E. Van Amburgh, secretário-tesoureiro.

      No dia seguinte, o irmão Rutherford deu umas batidinhas na parede da cela de Macmillan e disse: “Põe a mão para fora.” Ele entregou então a Macmillan um telegrama que dizia que Rutherford fora reeleito presidente. “Ele estava muito feliz”, recordou mais tarde Macmillan, “de ver essa manifestação da certeza de que Jeová estava dirigindo a Sociedade”.

      A eleição terminou, mas o irmão Rutherford e os demais sete ainda estavam na prisão.

      “Um clamor no país inteiro” a favor dos presos

      “Nas últimas semanas, começara um clamor no país inteiro a favor desses irmãos”, dizia The Watch Tower (A Sentinela) de 1.º de abril de 1919. Alguns jornais exigiam a soltura de J. F. Rutherford e de seus associados. Estudantes da Bíblia de todas as partes dos Estados Unidos mostraram seu apoio escrevendo cartas a editores de jornais, a membros do Congresso, a senadores e a governadores, instando com eles que tomassem ação a favor dos oito presos. Claramente, os Estudantes da Bíblia não descansariam enquanto seus oito irmãos não fossem libertados.

      Em março de 1919, os Estudantes da Bíblia nos Estados Unidos fizeram circular um abaixo-assinado, solicitando ao Presidente Woodrow Wilson que usasse sua influência para realizar uma das seguintes coisas a favor dos irmãos presos:

      “PRIMEIRO: Uma completa absolvição, caso isso seja agora possível, OU

      “SEGUNDO: Mandar o Departamento da Justiça arquivar o processo contra eles, e pô-los em plena liberdade, OU

      “TERCEIRO: Permitir-lhes imediatamente prestar caução, ficando pendente a decisão final do caso por tribunais superiores.”

      Em duas semanas, os Estudantes da Bíblia obtiveram 700.000 assinaturas. O abaixo-assinado, porém, nunca chegou a ser apresentado ao presidente ou ao governo. Por que não? Porque antes que se pudesse fazer isso, os oito homens foram postos em liberdade sob fiança. O que, então, se conseguiu com o movimento do abaixo-assinado? A The Watch Tower de 1.º de julho de 1919 dizia: “É esmagadora a evidência de que o Senhor desejava que este movimento fosse feito, não tanto para que os irmãos saíssem da prisão como para que se desse testemunho da verdade.”

      “Bem-vindos ao lar, irmãos!”

      Na terça-feira, 25 de março, os oito irmãos partiram de Atlanta para Brooklyn. As notícias da soltura logo se espalharam. Era realmente uma cena comovente — Estudantes da Bíblia reunidos nas estações de trem, ao longo do percurso, na esperança de vê-los e de expressar alegria por terem sido soltos. Outros correram para o Lar de Betel, em Brooklyn, que havia sido fechado, a fim de prepararem um banquete de boas-vindas. Em Brooklyn, em 26 de março, permitiu-se que os irmãos pagassem uma fiança de US$ 10.000 cada um, e daí foram postos em liberdade.

      “Imediatamente diversos irmãos os acompanharam até o Lar de Betel, onde estavam reunidos uns quinhentos a seiscentos irmãos para lhes dar boas-vindas”, relatava The Watch Tower de 15 de abril de 1919. Havia no refeitório uma grande faixa que dizia: “Bem-vindos ao lar, irmãos!” Quase 50 anos mais tarde, Mabel Haslett, que estivera nesse banquete, recordava: “Lembro-me de ter feito uma centena de roscas, que os irmãos pareciam apreciar depois de terem passado nove meses com comida de prisão. Ainda posso ver o irmão Rutherford estendendo o braço para pegá-las. Foi uma ocasião inesquecível em que ele e outros relataram suas experiências. Lembro-me também do irmão DeCecca, de baixa estatura, de pé numa cadeira para que todos o pudessem ver e ouvir.”

      Na manhã de terça-feira, 1.º de abril, o irmão Rutherford chegou a Pittsburgh, onde estavam nessa época localizados os escritórios centrais. Ali também, ao saberem que ele chegaria, os irmãos prepararam um banquete, realizado naquela noite no Hotel Chatham. Mas as condições na prisão haviam cobrado um elevado tributo do irmão Rutherford. Ele ficara com os pulmões enfraquecidos, e em resultado disso, depois de ser solto contraiu uma pneumonia aguda. Portanto, pouco depois, por causa de sua saúde precária, teve de ir à Califórnia, onde tinha parentes.

      O teste em Los Angeles

      Agora que o irmão Rutherford e os outros estavam livres, surgiu a pergunta: O que será da obra de proclamação do Reino de Deus? Durante o período em que esses irmãos estavam na prisão, a supervisão organizada da obra de pregação havia sido grandemente reduzida. O Tabernáculo de Brooklyn fora vendido e o Lar de Betel havia sido fechado. Os escritórios centrais em Pittsburgh eram pequenos, e havia poucos recursos financeiros. Além disso, quanto interesse havia realmente na mensagem do Reino? Lá na Califórnia, o irmão Rutherford decidiu fazer um teste.

      Programou-se uma reunião no Auditório Clune, em Los Angeles, para o domingo, 4 de maio de 1919. O título do discurso ao qual o público foi convidado era “Esperança Para a Humanidade Angustiada”. Mas o discurso seria proferido por J. F. Rutherford — um homem que acabava de sair da prisão. Por meio de extensa publicidade em jornais, Rutherford prometeu fazer uma apresentação franca dos fatos, inclusive uma explanação das razões da condenação ilegal dos diretores da Sociedade. Haveria pessoas com suficiente interesse para comparecer?

      A resposta foi notável. De fato, 3.500 pessoas vieram ouvir o discurso, e umas 600 pessoas não puderam entrar por falta de espaço. O irmão Rutherford ficou radiante! Ele concordou em discursar na segunda-feira à noite para os que não conseguiram entrar, e 1.500 pessoas compareceram. Mas ele estava tão doente que não conseguiu terminar o discurso. Depois de uma hora, precisou ser substituído por um companheiro. Contudo, o teste de Los Angeles foi um sucesso. O irmão Rutherford ficou convencido de que havia considerável interesse pela mensagem do Reino, e decidiu cuidar de que fosse proclamada.

      Avante com a obra!

      Em julho de 1919, o irmão Rutherford estava de volta ao trabalho na sede em Pittsburgh. As coisas aconteceram em rápida sucessão nos meses que se seguiram. Programou-se um congresso dos Estudantes da Bíblia em Cedar Point, Ohio, de 1.º a 8 de setembro de 1919. Os escritórios da Sociedade foram transferidos de novo para Brooklyn, e em 1.º de outubro estavam funcionando ali.

      O que fariam agora? Sua missão fora claramente enfatizada no congresso de Cedar Point. Na terça-feira, 2 de setembro, o irmão Rutherford explicara: “A missão do cristão na Terra . . . é proclamar a mensagem do Reino de justiça do Senhor, Reino este que trará bênçãos a toda a criação que geme.” Três dias mais tarde, na sexta-feira, 5 de setembro, que foi chamado de Dia dos Colaboradores, o irmão Rutherford disse mais: “Nos momentos sérios, o cristão naturalmente se pergunta: Por que estou na Terra? E a resposta deve forçosamente ser: O Senhor graciosamente fez de mim seu embaixador para levar a mensagem divina de reconciliação ao mundo, e meu privilégio e dever é anunciar essa mensagem.”

      Sim, era tempo de prosseguir com o trabalho de proclamar o Reino de Deus! E, para ajudar na execução dessa comissão, o irmão Rutherford anunciou: “Pela providência do Senhor, programamos publicar uma nova revista chamada THE GOLDEN AGE (A Idade de Ouro).” Mal sabiam os congressistas quão corajosa revelaria ser a revista The Golden Age.

      “Aquele primeiro congresso após a Primeira Guerra Mundial foi um grande incentivo para todos nós”, relembrava Herman L. Philbrick, que viajara de sua casa em Boston, Massachusetts, para o congresso. Realmente, aquele congresso em Cedar Point estimulou os Estudantes da Bíblia a atividade. Estavam prontos para levar avante a obra de proclamação das boas novas. Era como se tivessem retornado à vida. — Compare com Ezequiel 37:1-14; Revelação (Apocalipse) 11:11, 12.

      No ínterim, aconteceram coisas importantes no cenário mundial. O Tratado de Versalhes foi assinado em 28 de junho de 1919, e entrou em vigor em 10 de janeiro de 1920. Pondo oficialmente fim às ações militares contra a Alemanha na Primeira Guerra Mundial, o tratado prescrevia também a formação da Liga das Nações — uma sociedade internacional criada para a manutenção da paz no mundo.

      ‘Anunciai o Rei e o Reino’

      Em 1922, os Estudantes da Bíblia voltaram a Cedar Point para um programa de nove dias de duração, de 5 a 13 de setembro. Era grande a emoção ao passo que os congressistas chegavam a esse congresso internacional. O ponto culminante do congresso foi na sexta-feira, 8 de setembro, quando o irmão Rutherford proferiu o discurso “O Reino”.

      Thomas J. Sullivan lembrava mais tarde: “Os que tiveram o privilégio de assistir a essa reunião podem ainda hoje visualizar o irmão Rutherford dizer com fervor às poucas pessoas desassossegadas que andavam de um lado para outro por causa do intenso calor que se ‘SENTASSEM’ e ‘ESCUTASSEM’ o discurso a todo custo.” Os que assim fizeram não ficaram decepcionados, pois foi o discurso histórico em que o irmão Rutherford instou com seus ouvintes: ‘Anunciai o Rei e o Reino.’

      A assistência reagiu com grande entusiasmo. A The Watch Tower relatou: “Todos os presentes ficaram plenamente impressionados com o fato de que a cada um dos consagrados se impõe a obrigação de deste momento em diante agir como agente de publicidade do Rei e do reino.” Os Estudantes da Bíblia voltaram desse congresso com zelo ardente pela obra de pregação. Como disse a irmã Ethel Bennecoff, uma colportora que na época beirava os 30 anos de idade: “Fomos incentivados a ‘anunciar, anunciar, anunciar o Rei e seu Reino’ — sim, com mais zelo e amor em nossos corações do que nunca antes.”

      À medida que a luz espiritual de entendimento se tornava mais brilhante, os Estudantes da Bíblia começavam a entender emocionantes verdades bíblicas. (Pro. 4:18) O entendimento dessas preciosas verdades deu um poderoso impulso à sua obra de proclamar o Reino de Deus. Ao mesmo tempo, tiveram de ajustar seu modo de pensar — o que para alguns foi uma verdadeira provação.

      “Esperanças não realizadas não são exclusividade dos nossos dias”

      “Abrahão, Isaac e Jacob . . . e outros fiéis antigos”, dizia lá em 1920, em inglês, o folheto Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão, “podemos esperar em 1925 a volta [dentre os mortos] desses homens . . . ressurgindo . . . à perfeição humana”. Não só se esperava a ressurreição dos homens fiéis da antiguidade em 1925, mas alguns esperavam que os cristãos ungidos recebessem sua recompensa celestial naquele ano.b

      O ano de 1925 chegou e passou. Alguns abandonaram a sua esperança. Mas a vasta maioria dos Estudantes da Bíblia permaneceu fiel. “Nossa família”, explicou Herald Toutjian, cujos avós se tornaram Estudantes da Bíblia no início do século, “chegou a reconhecer que esperanças não realizadas não são exclusividade dos nossos dias. Os próprios apóstolos tiveram semelhantes expectativas indevidas. . . . Jeová é digno de serviço leal e de louvor com ou sem a recompensa final”. — Compare com Atos 1:6, 7.

      Que organização — de Jeová ou de Satanás?

      “O Nascimento de Uma Nação” — era o título de um impressionante artigo publicado na The Watch Tower de 1.º de março de 1925. Apresentava um entendimento mais claro sobre Revelação, capítulo 12, que alguns acharam difícil de aceitar.

      Os personagens simbólicos, mencionados neste capítulo de Revelação, foram identificados assim: a “mulher” que dá à luz (vv. 1, 2 de Rev. 12) com a “organização [celestial] de Deus”; o “dragão” (v. 3 de Rev. 12) com a “organização do diabo”; e o “filho, um varão” (v. 5 de Rev. 12) com “o novo reino, ou novo governo”. Nessa base, esclareceu-se bem uma coisa pela primeira vez: Há duas organizações distintas e opostas — a de Jeová e a de Satanás. E, após a “guerra no céu” (v. 7 de Rev. 12), Satanás e seus apoiadores, os demônios, foram expulsos do céu e lançados abaixo, à Terra.

      “Sentamo-nos e pusemo-nos a estudar a noite inteira de modo que cheguei a entender isso muito bem”, escreveu Earl E. Newell, que mais tarde serviu como representante viajante da Sociedade Torre de Vigia. “Fomos a uma assembléia em Portland, Oregon, e encontramos ali os irmãos todo abalados e alguns prestes a descartar The Watch Tower por causa desse artigo.” Por que para alguns era tão difícil de aceitar essa explicação de Revelação, capítulo 12?

      Primeiro, era marcantemente diferente do que havia sido publicado em The Finished Mystery (O Mistério Consumado), em grande parte uma compilação póstuma dos escritos do irmão Russell.c Walter J. Thorn, que serviu como peregrino viajante, explicou: “O artigo sobre ‘O Nascimento de Uma Nação’ foi . . . difícil de aceitar por causa de uma interpretação anterior feita pelo querido irmão Russell, que acreditávamos fosse a última palavra sobre Revelação.” Não é de admirar, pois, que alguns tropeçassem por causa dessa explicação. “Inquestionavelmente, essa interpretação pode revelar ser um meio de peneiramento”, disse J. A. Bohnet, outro peregrino, “mas os genuinamente zelosos e sinceros na fé ficarão firmes e se regozijarão”.

      Deveras, os genuinamente zelosos e sinceros regozijaram-se com a nova explicação. Estava agora muito claro para eles: toda pessoa pertence ou à organização de Jeová ou à de Satanás. “Seja lembrado”, explicava o artigo “O Nascimento de Uma Nação”, “será nosso privilégio . . . lutar com bravura pela causa de nosso Rei anunciando a mensagem que ele nos comissionou para proclamar”.

      Ao passo que as décadas de 20 e de 30 avançavam, houve mais lampejos de entendimento bíblico. As comemorações e dias santificados mundanos, como o Natal, foram descontinuados. Outras práticas e crenças também foram descartadas quando se percebeu que tinham raízes que desonravam a Deus.d Os Estudantes da Bíblia não só abandonaram práticas e crenças erradas, mas também continuaram a esperar em Jeová em busca de revelações progressivas da verdade.

      “Vós sois as minhas testemunhas”

      “‘Vós sois as minhas testemunhas’, é a pronunciação de Jeová, ‘e eu sou Deus’.” (Isa. 43:12) A partir da década de 20, os Estudantes da Bíblia começaram a entender cada vez mais o profundo significado dessas palavras do profeta Isaías. Através das páginas de The Watch Tower, chamou-se repetidas vezes atenção para a nossa responsabilidade de dar testemunho a favor do nome de Jeová e de seu Reino. Atingiu-se um marco, porém, no congresso realizado em Columbus, Ohio, em 1931.

      No domingo, 26 de julho, ao meio-dia, o irmão Rutherford proferiu o discurso público “O Reino, a Esperança do Mundo”, que foi transmitido por meio de uma vasta cadeia de emissoras de rádio, sendo a mensagem retransmitida depois por mais de 300 estações adicionais. No fim do discurso, o irmão Rutherford advertiu a cristandade lendo uma pungente resolução intitulada “Aviso de Jeová”, dirigida “Aos Governantes e ao Povo”. Ao convite que fez para a adoção da resolução, a inteira assistência visível se pôs de pé e clamou: “Sim!” Os telegramas recebidos mais tarde indicavam que muitos dos que ouviram pelo rádio também ergueram a voz concordando.

      Das treze horas, quando o discurso público terminou, até as dezesseis horas, quando o irmão Rutherford voltou ao auditório, o clima era de emoção. O irmão Rutherford pedira de modo especial a todos os presentes que realmente estavam interessados no aviso dado ao meio-dia à cristandade, que estivessem sentados às quatro horas da tarde.

      Às quatro horas em ponto, o irmão Rutherford iniciou dizendo que achava que o que ele ia declarar era de suma importância para todos os que pudessem ouvir a sua voz. Os ouvintes estavam profundamente interessados. Durante seu discurso, ele apresentou outra resolução intitulada “Um Novo Nome”, culminando com a declaração: “Desejamos ser conhecidos e chamados pelo nome, a saber, testemunhas de Jeová.” Os emocionados congressistas de novo pularam de seus assentos com um retumbante “Sim!” Seriam daí em diante conhecidos como Testemunhas de Jeová!

      “O espírito de Jeová nos tornava destemidos”

      Durante 1927, os do povo de Jeová foram incentivados a gastar uma parte de todos os domingos no testemunho em grupo. Surgiu imediatamente oposição legal. Nos anos seguintes, começaram a aumentar as detenções — 268 só nos Estados Unidos em 1933, 340 em 1934, 478 em 1935 e 1.149 em 1936. Com que acusação? Na verdade, com várias acusações que incluíam venda sem licença, perturbar a paz e violar as leis de descanso nos domingos. Os grupos locais de Testemunhas não estavam preparados para lidar com policiais e tribunais. A obtenção de assistência jurídica local era ou dispendiosa demais ou impossível por causa de preconceitos. Portanto, a Sociedade Torre de Vigia sabiamente criou um departamento legal em Brooklyn para prestar assistência jurídica.

      Uma forte defesa jurídica, porém, não bastava. Essas sinceras Testemunhas de Jeová estavam decididas a viver à altura do nome que aceitaram. Portanto, em princípios da década de 30, lutaram na ofensiva. De que modo? Usando missões especiais de pregação conhecidas por campanhas divisionais. Milhares de voluntários em todos os Estados Unidos foram organizados em divisões. Quando Testemunhas eram detidas numa cidade por pregarem de casa em casa, uma divisão de voluntários de outras regiões logo chegava e “sitiava” a cidade, dando um testemunho cabal.e

      Essas campanhas divisionais fortaleciam muito as Testemunhas locais. Em cada divisão, havia irmãos qualificados treinados para lidarem com as autoridades. Para os irmãos que residiam numa região onde havia dificuldades, talvez numa pequena cidade, era um grande encorajamento saber que não estavam sozinhos na proclamação do Reino de Deus.

      Participar nas campanhas divisionais da década de 30 exigia muita coragem. Durante o período da Grande Depressão os empregos eram escassos. Contudo, Nicholas Kovalak Jr., um superintendente viajante já por uns 40 anos, recorda: “Quando chegava a chamada para pregar num lugar crítico, o ‘diretor de serviço’ convocava voluntários. Pedia-se que não se apresentassem os que temiam perder seu emprego. . . . Mas sempre nos sentíamos felizes de ver uma resposta 100% positiva!” John Dulchinos, um superintendente de Springfield, Massachusetts, disse: “Deveras, foram anos emocionantes, e as recordações são preciosas. O espírito de Jeová nos tornava destemidos.”

      No ínterim, desenvolvia-se um lampejo de entendimento bíblico que viria a ter um tremendo impacto sobre a obra.

      Que dizer dos jonadabes?

      Em 1932, explicou-se que Jonadabe, companheiro do Rei Jeú, prefigurou uma classe de pessoas que gozariam de vida eterna na Terra.f (2 Reis 10:15-28) Os jonadabes, como vieram a ser conhecidos, consideravam ser um privilégio estarem associados com os servos ungidos de Jeová e terem parte com eles em anunciar o Reino. Mas naquela época não se fazia esforço especial para ajuntar e organizar essas pessoas com esperança terrestre.

      Entretanto, deu-se verdadeiro encorajamento aos jonadabes na The Watchtower de 15 de agosto de 1934. O artigo “Sua Bondade” dizia: “Deve um jonadabe consagrar-se ao Senhor e ser batizado? Resposta: Com toda a certeza, é apropriado um jonadabe consagrar-se para fazer a vontade de Deus. Ninguém jamais obterá a vida sem fazer isso. A imersão em água é meramente um símbolo de se ter feito a consagração [ou, como diríamos hoje: a dedicação] para fazer a vontade de Deus, e isso não seria fora de propósito.” Os jonadabes ficaram exuberantes!

      Contudo, uma alegria ainda maior os aguardava. Na primavera seguinte, diversas edições de The Watchtower, a começar com a de 1.º de abril de 1935, traziam o anúncio: “Novamente The Watchtower lembra a seus leitores que será realizado em Washington, DC, um congresso das testemunhas de Jeová e dos jonadabesg que começará em 30 de maio e terminará em 3 de junho de 1935.” Os jonadabes aguardaram com vivo interesse aquele congresso.

      A “grande multidão”, predita em Revelação 7:9-17, foi o tema de um discurso que o irmão Rutherford proferiu na segunda tarde do congresso. Naquele discurso, ele explicou que a grande multidão era composta dos jonadabes dos dias atuais e que esses jonadabes tinham de mostrar o mesmo grau de fidelidade a Jeová que os ungidos. Bem, a assistência estava exuberante! A pedido do orador, os jonadabes se puseram de pé. “Primeiro houve um silêncio”, recordava Mildred Cobb, que fora batizada no verão de 1908, “daí, um clamor alegre e fortes e prolongados aplausos”.

      Esse lampejo de entendimento bíblico teve um efeito profundo sobre a atividade das Testemunhas de Jeová. “Com muito entusiasmo”, disse Sadie Carpenter, pregadora de tempo integral por mais de 60 anos, “retornamos aos nossos territórios à procura dessas pessoas semelhantes a ovelhas que ainda tinham de ser ajuntadas”. Mais tarde, o Anuário das Testemunhas de Jeová de 1936 (em inglês) relatava: “Esta revelação incentivou os irmãos e os estimulou a renovadas atividades, e de toda a parte da Terra vêm relatórios que demonstram alegria no fato de que o restante tem agora o privilégio de levar a mensagem aos da grande multidão, e estes trabalham unidamente para a honra do nome do Senhor.” Com o fim de ajudá-los neste trabalho, o livro Riches (Riquezas), publicado em 1936, continha uma extensiva explicação sobre as perspectivas bíblicas para a grande multidão.

      Finalmente, os membros dedicados e batizados da grande multidão estavam encontrando seu devido lugar ao lado dos ungidos em anunciar o Reino de Deus!

      “Passar o couro na velha dama”

      Na década de 30, a mensagem que essas zelosas Testemunhas proclamavam incluía uma pungente exposição da religião falsa. Lançou-se um instrumento útil neste respeito no congresso geral das Testemunhas de Jeová, de 15 a 20 de setembro de 1937, em Columbus, Ohio, EUA.

      No sábado, 18 de setembro, após o discurso matutino, o irmão Rutherford lançou um livro de capa bege, chamado Enemies (Inimigos). Denunciava a religião falsa como um “grande inimigo, que age sempre em prejuízo da humanidade”. Os praticantes da religião falsa foram identificados como “agentes do Diabo, quer estejam conscientes desse fato, quer não”. Ao apresentar o livro à assistência, o irmão Rutherford disse: “Notareis que a capa é da cor de couro, bege, e com ele vamos passar o couro [dar uma surra] na velha dama.”h A assistência reagiu com um sonoro e entusiástico apoio.

      Por muitos anos o fonógrafo desempenhou seu papel em ‘passar o couro na velha dama’. Mas, sobre o trabalho com fonógrafos, houve uma surpresa no congresso de 1937. “Nessa assembléia iniciou-se a obra com o uso de fonógrafo portátil às portas”, relembra Elwood Lunstrum, que tinha nessa época apenas 12 anos. “Antes, nós levávamos o fonógrafo ao serviço de campo, mas só o tocávamos quando éramos convidados a entrar. . . . Delineou-se uma organização de ‘Pioneiros Especiais’ no congresso de Columbus para liderarem o uso do fonógrafo às portas e para darem assistência às pessoas interessadas (chamado nessa ocasião pela primeira vez de ‘revisitas’) e estudos bíblicos com uma provisão chamada de ‘estudo-modelo’.”

      O povo de Jeová voltou desse congresso bem equipado para a obra de proclamar o Reino de Deus. Certamente necessitava de todo o encorajamento possível. A crescente onda de nacionalismo na década de 30 trouxe oposição, e em alguns casos violência de turbas, da parte de pessoas decididas a impedir que as Testemunhas de Jeová se reunissem e pregassem.

      “Bando de saqueadores”

      Surgiu forte oposição de certos grupos da Ação Católica. Em 2 de outubro de 1938, o irmão Rutherford falou sem meias palavras ao proferir seu discurso “Fascismo ou Liberdade”, publicado mais tarde em forma de folheto e distribuído aos milhões de exemplares. O irmão Rutherford apresentou em pormenores neste discurso diversos incidentes de atos ilegais para demonstrar o conluio entre certas autoridades públicas e representantes da Igreja Católica Romana.

      Depois de apresentar os fatos, Rutherford disse: “Quando se diz ao povo os fatos a respeito de um bando que age sob o manto da religião para lhe roubar os direitos, a Hierarquia uiva e diz: ‘Mentira! Amordaçai-os e não lhes permitais falar.’” Daí, perguntou: “É mal publicar a verdade a respeito dum bando de saqueadores que roubam o povo? Não! . . . Serão homens honestos amordaçados e obrigados a permanecer em silêncio enquanto este bando de saqueadores destrói as liberdades do povo? Acima de tudo, negar-se-ão ao povo seus privilégios divinos de reunir-se pacificamente e ter a liberdade de adorar ao Deus Todo-Poderoso, e a liberdade de falar a respeito de Seu reino e daqueles que se lhe opõem?”

      Depois dessa forte denúncia, a oposição da parte de grupos da Ação Católica em todos os Estados Unidos continuou. As Testemunhas de Jeová travaram batalhas jurídicas em prol da liberdade de adoração e de seu direito de proclamar o Reino de Deus. Mas a situação piorou ainda mais quando o mundo entrou em guerra. As Testemunhas de Jeová também sofreram restrições legais e prisões num país após outro na Europa, na África e na Ásia.

      “Todos queriam ir a Saint Louis”

      “Em 1941”, recorda Norman Larson, que acabava de entrar no ministério de tempo integral, “todos nós sentimos que viriam dias difíceis, com a guerra então em andamento na Europa. Portanto, todos queriam ir a Saint Louis”. Para quê? Ora, para a Assembléia Teocrática das Testemunhas de Jeová, em Saint Louis, Missouri, EUA, de 6 a 10 de agosto de 1941! E “todo mundo” foi. O local do congresso ficou superlotado. Segundo uma estimativa da Polícia, o pico de assistência foi de 115.000 pessoas.

      Desde o primeiro dia, o programa do congresso deu oportuno encorajamento. O discurso de abertura do irmão Rutherford, “Integridade”, enunciou a idéia fundamental do congresso. “Compreendemos mais claramente do que nunca por que Jeová permitia tão intensa perseguição de seu povo no mundo inteiro”, recordava Hazel Burford, que serviu como missionária por quase 40 anos, até sua morte em 1983. Num relatório sobre o congresso, o Anuário das Testemunhas de Jeová de 1942 (em inglês) acrescentava: “Todos viam claramente que tinham diante de si uma grande obra de pregação a ser feita, e que fazendo isto estariam mantendo a sua integridade, embora fossem odiados por todos os homens e organizações mundanos.”

      Uma cena comovente no congresso ocorreu no domingo, 10 de agosto, o “Dia dos Filhos”. Ao iniciar a sessão da manhã, 15.000 jovens — entre 5 e 18 anos de idade — reuniram-se no auditório principal, diretamente em frente da tribuna, e num lugar semelhante reservado numa cidade de carros-reboques, onde uma multidão excedente ouvia. Quando o irmão Rutherford, já então com 70 e poucos anos, subiu à tribuna, os jovens se alegraram e aplaudiram. Ele acenou com o lenço, e os jovens corresponderam ao aceno. Daí, com voz clara e meiga, ele se dirigiu à inteira assistência sobre o tema “Filhos do Rei”. Depois de discursar por uma hora para a assistência em geral, ele dirigiu suas observações aos jovens sentados nas seções reservadas.

      “Todos vós . . . jovens”, disse ele, fixando sua atenção nos rostos juvenis e sorridentes diante dele, “que concordais em fazer a vontade de Deus e vos colocais do lado do Governo Teocrático por Cristo Jesus e que concordais em obedecer a Deus e a seu Rei, por favor, ponde-vos de pé”. Os jovens levantaram-se à uma. “Vede”, exclamou o orador com entusiasmo, “mais de 15.000 novas testemunhas a favor do Reino!” Houve estrondosos aplausos. “Todos vós, os que fareis tudo ao vosso alcance para falar a outros sobre o reino de Deus e as bênçãos acompanhantes, dizei Sim.” Seguiu-se um retumbante “Sim!”

      Como clímax de tudo isso, o irmão Rutherford anunciou o lançamento do livro Children (Filhos), que foi recebido com brados de alegria e tremendos aplausos. Depois disso, o orador, um homem alto, participou na distribuição de exemplares grátis do livro ao passo que uma longa fileira de jovens subia à tribuna e passava diante dele. Esta cena fez muitos chorar de emoção.

      Havia na assistência naquele domingo de manhã muitos jovens que viveram à altura de seu retumbante “Sim!” LaVonne Krebs, Merton Campbell e Eugene e Camilla Rosam estavam entre os jovens que receberam o livro Filhos naquela ocasião. Servindo ainda na sede da Sociedade em 1992, têm devotado 51, 49, 49, e 48 anos respectivamente ao ministério de tempo integral. Alguns dos jovens, com o tempo, passaram a servir em designações missionárias no estrangeiro, entre os quais estão Eldon Deane (Bolívia), Richard e Peggy Kelsey (Alemanha), Ramon Templeton (Alemanha) e Jennie Klukowski (Brasil). Deveras, o programa daquela manhã de domingo em Saint Louis causou uma duradoura impressão em muitos corações juvenis!

      No domingo à tarde, o irmão Rutherford tinha algumas palavras de despedida para os congressistas. Ele os incentivou a levar avante a obra de proclamação do Reino de Deus. “Tenho absoluta certeza”, disse-lhes, “que daqui para frente . . . os que irão formar a grande multidão crescerão a passos largos”. Instou com eles que retornassem a seus respectivos lugares no país e “trabalhassem a todo vapor . . . devotando o máximo de tempo que pudessem”. Depois, suas palavras finais à assistência: “Bem, meus queridos irmãos, que o Senhor vos abençoe. Não vou dizer adeus, pois espero ver-vos de novo algum dia.”

      Mas para muitos esta foi a última vez que viram o irmão Rutherford.

      Os últimos dias de J. F. Rutherford

      O irmão Rutherford tinha câncer do cólon e estava com a saúde abalada no congresso de Saint Louis. Mesmo assim, conseguiu dar cinco vigorosos discursos. Após o congresso, porém, seu estado piorou, e precisou fazer uma colostomia. Arthur Worsley recorda-se do dia em que o irmão Rutherford se despediu da família de Betel. “Ele nos confidenciou que ia submeter-se a uma cirurgia grave e, quer sobrevivesse, quer não, estava certo de que continuaríamos a proclamar o nome de Jeová. Concluiu dizendo: ‘Portanto, se Deus quiser, eu vos verei de novo. Mesmo que não, continuai o combate.’ Todos na família tinham lágrimas nos olhos.”

      O irmão Rutherford, com 72 anos, sobreviveu à cirurgia. Pouco depois foi levado a uma residência na Califórnia, que ele chamara de Bete-Sarim. Era evidente a seus entes queridos e à classe médica que ele não se recuperaria. De fato, precisou de outra cirurgia.

      Em meados de dezembro, Nathan H. Knorr, Frederick W. Franz e Hayden C. Covington chegaram de Brooklyn. Hazel Burford, que cuidava do irmão Rutherford durante aqueles dias tristes e atribulados, disse mais tarde: “Eles passaram vários dias com ele repassando o relatório anual para o Anuário e outros assuntos organizacionais. Depois de partirem, o irmão Rutherford continuou a enfraquecer e, umas três semanas depois, na quinta-feira, 8 de janeiro de 1942, ele terminou fielmente sua carreira terrestre.”i

      Como foi recebida a notícia do falecimento do irmão Rutherford em Betel? “Jamais esquecerei o dia em que ficamos sabendo do falecimento do irmão Rutherford”, relembrava William A. Elrod, que já era membro da família de Betel por nove anos. “Foi ao meio-dia, quando a família estava reunida para o almoço. O anúncio foi breve. Não houve discursos. Ninguém deixou de trabalhar para prantear. Em vez disso, retornamos à gráfica e trabalhamos mais arduamente do que nunca antes.”

      Foram tempos extremamente provadores para as Testemunhas de Jeová. A guerra passara a conflito global. Os combates estenderam-se da Europa para a África e daí para o que era então conhecido por União Soviética. Em 7 de dezembro de 1941, apenas um mês antes da morte do irmão Rutherford, o ataque do Japão a Pearl Harbor arrastara os Estados Unidos à guerra. Em muitos lugares as Testemunhas eram alvos da violência de turbas e de outras formas de intensa perseguição.

      O que aconteceria a seguir?

      [Nota(s) de rodapé]

      a Uma sociedade de Nova Iorque formada em 1909 em vista da transferência dos escritórios principais da Sociedade para Brooklyn, Nova Iorque.

      b Veja o Capítulo 28, “Provas e peneiramento internos”.

      c Segundo a interpretação feita em The Finished Mystery, a mulher, em Revelação, capítulo 12, era “a primitiva Igreja”, o dragão, “o Império Romano pagão”, e o filho varão, “o papado”.

      d Veja o Capítulo 14: “Não fazem parte do mundo.”

      e Veja o Capítulo 30: “‘Defendendo e estabelecendo legalmente as boas novas.’”

      f Livro Vindication, Volume Três, página 77. Veja também o Capítulo 12, “A grande multidão — viverá no Céu? ou na Terra?”

      g Naquela época, os jonadabes não eram considerados “testemunhas de Jeová”. (Veja The Watchtower de 15 de agosto de 1934, página 249.) Mas, uns anos mais tarde, The Watchtower de março de 1943 declarava: “Estas ‘outras ovelhas’ [jonadabes] tornam-se testemunhas Dele, assim como os fiéis antes da morte de Cristo, remontando de João Batista a Abel, eram testemunhas de Jeová que nunca desistiam.”

      h Refere-se à “grande meretriz”, mencionada em Revelação, capítulo 17. O livro Inimigos declarava: “Todas as organizações da terra em oposição a Deus e seu reino [recebem] . . . o nome de ‘Babilônia’ e ‘meretriz’, e esses nomes aplicam-se especialmente à principal organização religiosa, a igreja católica romana.” (Página 172) Anos mais tarde, compreendeu-se que a meretriz representa realmente o império mundial de toda religião falsa.

      i O irmão Rutherford deixou viúva e órfão a esposa Mary e o filho deles, Malcolm. Em razão de saúde precária e achar os invernos em Nova Iorque (onde ficava a sede da Sociedade) muito difíceis de suportar, ela e Malcolm vinham residindo no sul da Califórnia, onde o clima era melhor para a saúde dela. A irmã Rutherford faleceu em 17 de dezembro de 1962, aos 93 anos de idade. Uma nota de seu falecimento, que apareceu no Daily News-Post de Monróvia, Califórnia, dizia: “Até ficar confinada em casa por causa de sua saúde precária, ela participou ativamente na obra ministerial das Testemunhas de Jeová.”

      [Destaque na página 73]

      “As principais armas de Satanás são ORGULHO, AMBIÇÃO e MEDO.”

      [Destaque na página 74]

      “Certeza de que Jeová estava dirigindo a Sociedade.”

      [Destaque na página 75]

      ‘Soltos da prisão, não tanto por causa deles, mas para que se desse um testemunho da verdade.’

      [Destaque na página 77]

      “A missão do cristão na Terra . . . é proclamar a mensagem do Reino . . . do Senhor.”

      [Destaque na página 78]

      ‘Anunciai o Reino com mais zelo e amor do que nunca antes.’

      [Destaque na página 82]

      ‘Desejamos ser conhecidos como Testemunhas de Jeová.’

      [Destaque na página 83]

      Sim! Os jonadabes deviam ser batizados.

      [Destaque na página 84]

      ‘À procura dos semelhantes a ovelhas que ainda seriam ajuntados.’

      [Destaque na página 85]

      Rutherford era direto ao censurar os opositores religiosos.

      [Destaque na página 86]

      15.000 crianças tomam o lado do Reino.

      [Destaque na página 89]

      “Se Deus quiser, eu vos verei de novo. Mesmo que não, continuai o combate.”

      [Foto na página 79]

      J. A. Bohnet

      [Foto na página 88]

      De 1917, quando J. F. Rutherford se tornou presidente, a 1941, a Sociedade Torre de Vigia produziu uma enorme quantidade de publicações, inclusive 24 livros, 86 folhetos, “Anuários”, bem como artigos para as revistas “The Watch Tower” e “The Golden Age” (mais tarde chamada de “Consolation”).

      [Foto/Quadro na página 76]

      “Casa dos Príncipes”

      O irmão Rutherford contraiu uma pneumonia aguda depois de ser solto em 1919 de encarceramento injusto. Após isso, ele só tinha um pulmão sadio. Nos anos 20, sob tratamento médico, ele foi a San Diego, Califórnia, e o médico instou com ele para que passasse tanto tempo quanto possível ali. Desde 1929, o irmão Rutherford passava os invernos trabalhando numa residência em San Diego que ele chamara de Bete-Sarim. A construção de Bete-Sarim foi realizada com fundos contribuídos diretamente para esse fim. A escritura, publicada na íntegra na revista “Golden Age” de 19 de março de 1930, transferia essa propriedade a J. F. Rutherford e depois à Sociedade Torre de Vigia, dos EUA.

      Sobre Bete-Sarim, o livro “Salvation” (“Salvação”), publicado em 1939, explica: “As palavras hebraicas ‘Bete-Sarim’ significam ‘Casa dos Príncipes’; e o intento de adquirir essa propriedade e edificar a casa foi para que houvesse alguma prova tangível de que existem pessoas na terra atualmente que acreditam plenamente em Deus e em Cristo Jesus e em seu reino, crendo que os fiéis da antiguidade serão brevemente ressuscitados pelo Senhor, voltarão à terra e se encarregarão dos negócios visíveis da terra.”

      Alguns anos após a morte do irmão Rutherford, a diretoria da Sociedade Torre de Vigia decidiu vender Bete-Sarim. Por quê? “The Watchtower” de 15 de dezembro de 1947 explicava: “Havia cumprido plenamente seu objetivo e agora só servia como monumento bastante dispendioso de manter; nossa fé no retorno dos homens da antiguidade aos quais o Rei Cristo Jesus fará príncipes em TODA a Terra (não apenas na Califórnia) baseia-se não nessa casa Bete-Sarim, mas na promessa contida na Palavra de Deus.”j

      [Nota(s) de rodapé]

      j Naquela época, acreditava-se que os homens fiéis da antiguidade, tais como Abraão, José e Davi, seriam ressuscitados antes do fim deste sistema de coisas e serviriam quais “príncipes em toda a terra”, em cumprimento do Salmo 45:16. Este conceito foi ajustado em 1950, quando estudos adicionais das Escrituras indicaram que esses antepassados terrestres de Jesus Cristo serão ressuscitados depois do Armagedom. — Veja “A Sentinela” de agosto de 1951, páginas 119-21.

      [Fotos/Quadro nas páginas 80, 81]

      Transmissão da mensagem do Reino pelo rádio

      Em questão de dois anos depois de começar a radiodifusão comercial, o rádio já era usado para transmitir a mensagem do Reino. Assim, em 26 de fevereiro de 1922, o irmão Rutherford proferiu seu primeiro discurso pelo rádio, na Califórnia. Dois anos mais tarde, em 24 de fevereiro de 1924, a emissora WBBR, de propriedade da Sociedade Torre de Vigia, em Staten Island, Nova Iorque, começou a operar. Com o tempo, a Sociedade organizou cadeias mundiais para transmitir por rádio programas e discursos bíblicos. Em 1933, havia 408 emissoras que transmitiam a mensagem do Reino em seis continentes!

      [Fotos]

      A Sociedade Torre de Vigia operou a WBBR, em Nova Iorque, de 1924 a 1957.

      Orquestra da WBBR em 1926

      J. F. Rutherford proferindo o discurso “Encare os Factos”, no Royal Albert Hall, em Londres, Inglaterra, em 11 de setembro de 1938; mais de 10.000 pessoas superlotaram o auditório (abaixo), ao passo que milhões mais ouviram pelo rádio.

      Programa inicial da WBBR

      A equipe na estação 2HD, Newcastle, NGS, Austrália

      A emissora CHCY em Edmonton, Alberta, era uma das diversas emissoras de propriedade da Sociedade e operadas por ela no Canadá.

      Transmissão para a Finlândia, via emissora de rádio na Estônia

      Equipamento de radiodifusão na emissora WORD, perto de Chicago, Illinois; de propriedade da Sociedade e operada por ela.

      [Fotos/Quadro na página 87]

      A pregação com fonógrafos

      Em 1933, as Testemunhas de Jeová começaram a empregar outro método inovador de pregação. Um fonógrafo transportável, com amplificador e alto-falante, era usado para fazer ouvir os discursos de rádio do irmão Rutherford, gravados em discos de 33 1/3 rpm, em salões, parques e outros lugares públicos. Eram também usados carros e barcos de som para fazer soar a mensagem do Reino.

      O uso eficiente dos fonógrafos levou a outra inovação — a pregação de casa em casa com fonógrafos leves. Em 1934, a Sociedade começou a produzir fonógrafos portáteis e uma série de discos de 78 rpm que continham discursos bíblicos de 4 1/2 minutos. Com o tempo, foram usadas gravações em disco que abrangiam 92 assuntos diferentes. Ao todo, a Sociedade produziu mais de 47.000 fonógrafos para fazer retumbar a mensagem do Reino. Entretanto, com o tempo, deu-se mais ênfase às apresentações orais da mensagem do Reino, de modo que o serviço com os fonógrafos foi aos poucos eliminado.

      [Fotos]

      Com um carro de som no alto de uma colina, a mensagem do Reino podia ser ouvida a quilômetros de distância (acima).

      Uso de fonógrafo no México (à direita).

      Demonstrando o uso do fonógrafo de modelo vertical, em 1940 (à direita).

      Uso de um fonógrafo no serviço de campo (à esquerda).

      Um barco de som fazendo reprodução fonográfica no rio Tâmisa, em Londres, Inglaterra (acima).

  • Declarando sem cessar as boas novas (1942-1975)
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 8

      Declarando sem cessar as boas novas (1942-1975)

      “A TODOS OS AMANTES DA TEOCRACIA:

      Em 8 de janeiro de 1942, nosso caríssimo irmão J. F. Rutherford terminou fielmente sua carreira terrestre . . . Foi para ele júbilo e conforto ver e saber que todas as testemunhas do Senhor estão seguindo, não a algum homem, mas ao Rei Cristo Jesus como o seu Chefe, e que prosseguirão no serviço em completa unidade de ação.” — Carta que anunciava a morte do irmão Rutherford.a

      A NOTÍCIA do falecimento do irmão Rutherford foi um choque momentâneo para as Testemunhas de Jeová em todo o mundo. Muitas delas sabiam que ele estava doente, mas não esperavam que morresse tão cedo. Ficaram tristes com a perda de seu querido irmão, contudo estavam decididas a ‘levar avante a obra’ — a obra de proclamar o Reino de Deus. Não consideravam J. F. Rutherford seu líder. Charles E. Wagner, que trabalhara no escritório do irmão Rutherford, disse: “Os irmãos em toda a parte vieram a ter forte convicção de que a obra de Jeová não dependia de nenhum homem.” Contudo, alguém precisava assumir as responsabilidades que o irmão Rutherford levara como presidente da Sociedade Torre de Vigia dos EUA.

      “Decidido a manter-se achegado ao Senhor”

      Era o desejo sincero do irmão Rutherford que as Testemunhas de Jeová declarassem as boas novas sem cessar. Portanto, em meados de dezembro de 1941, algumas semanas antes de sua morte, ele convocou quatro diretores das duas principais entidades jurídicas usadas pelas Testemunhas de Jeová e sugeriu que, tão logo possível, após sua morte, todos os membros das duas diretorias fossem convocados a uma reunião conjunta para a eleição de um presidente e um vice-presidente.

      Na tarde de 13 de janeiro de 1942, só cinco dias após a morte de Rutherford, todos os membros das diretorias das duas sociedades se reuniram conjuntamente no Betel de Brooklyn. Vários dias antes, o vice-presidente da Sociedade, Nathan H. Knorr, de 36 anos de idade, sugerira que se buscasse fervorosamente sabedoria divina por meio de oração e meditação. Os membros das diretorias compreendiam que, embora o irmão eleito presidente fosse administrar os assuntos legais da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), serviria também como superintendente principal da organização. Quem tinha as necessárias qualificações espirituais para essa pesada responsabilidade de cuidar da obra de Jeová? A reunião conjunta foi iniciada com oração e, depois de cuidadosa consideração, o irmão Knorr foi unanimemente eleito presidente das duas sociedades, e Hayden C. Covington, de 30 anos, advogado da Sociedade, foi eleito vice-presidente.b

      Mais tarde naquele dia, W. E. Van Amburgh, secretário-tesoureiro da Sociedade, anunciou à família de Betel os resultados da eleição. R. E. Abrahamson, que estava presente nessa ocasião, recordava o que Van Amburgh disse: ‘Lembro-me do tempo quando C. T. Russell morreu e foi substituído por J. F. Rutherford. O Senhor continuou a dirigir e a fazer prosperar a Sua obra. Agora, espero plenamente que a obra seja levada avante com Nathan H. Knorr como presidente, porque se trata da obra do Senhor, não de algum homem.’

      Qual foi a reação dos membros da família de Betel em Brooklyn aos resultados da eleição? Uma comovente carta da parte deles, datada de 14 de janeiro de 1942, um dia depois da eleição, responde: “Sua transferência [a de Rutherford] não nos fará diminuir o passo na realização da tarefa que o Senhor nos consignou. Estamos decididos a nos manter achegados ao Senhor e uns aos outros, a firmemente fazer recuar a peleja até a porta, lutando ombro a ombro. . . . Nossa estreita associação com o irmão Knorr, por aproximadamente vinte anos, . . . habilita-nos a reconhecer a orientação do Senhor na escolha do irmão Knorr como presidente e, por conseguinte, o cuidado atencioso e amoroso do Senhor para com Seu povo.” Do mundo inteiro não demorou a chegar à sede um grande número de cartas e cabogramas de apoio.

      Não houve nenhuma sensação de incerteza sobre o que fazer. Foi preparado um artigo especial para A Atalaia (hoje A Sentinela) de março de 1942, a mesma edição que anunciava a morte de J. F. Rutherford. “A reunião [o ajuntamento] final pelo Senhor está se realizando”, dizia o artigo. “Que nenhuma coisa nem por um instante interrompa o impulso progressivo do seu povo pactuado no serviço divino. . . . A coisa TODO-IMPORTANTE agora é conservar a nossa integridade para com o Deus Onipotente.” As Testemunhas de Jeová foram incentivadas a continuar a declarar com zelo as boas novas.

      Mas, ‘manter a integridade’ era um verdadeiro desafio no início da década de 40. O mundo ainda estava em guerra. As restrições do tempo de guerra em muitas partes da Terra dificultavam para as Testemunhas de Jeová sua obra de pregação. As detenções e os ataques de turbas contra as Testemunhas continuavam sem cessar. Hayden Covington, assistente jurídico da Sociedade, liderava a batalha jurídica, às vezes de seu escritório na sede de Brooklyn e outras vezes de dentro de um trem, ao viajar para cuidar de casos na justiça. Trabalhando com advogados locais, tais como Victor Schmidt, Grover Powell e Victor Blackwell, o irmão Covington lutou muito pelos direitos constitucionais das Testemunhas de Jeová de pregar de casa em casa e distribuir publicações bíblicas sem restrições da parte de autoridades locais.c

      Ressoa a ordem: “Avante!”

      Em princípios de março de 1942, apesar do racionamento de alimentos e de combustível devido à guerra, fez-se o anúncio sobre os planos para a Assembléia Teocrática do Novo Mundo, que seria realizada de 18 a 20 de setembro. Para facilitar as viagens, foram escolhidas 52 cidades de congresso através dos Estados Unidos, muitas delas ligadas por telefone com a cidade-chave de Cleveland, Ohio. Por volta da mesma época, as Testemunhas de Jeová se reuniram em 33 outras cidades por toda a Terra. Qual era o objetivo dessa assembléia?

      ‘Não estamos reunidos aqui para meditar sobre o passado ou sobre o que indivíduos fizeram’, disse o presidente das sessões, o irmão Covington, nas suas palavras introdutórias na sessão inicial. Daí, ele apresentou o discurso principal “A Única Luz”, baseado em Isaías, capítulos 59 e 60, que foi proferido pelo irmão Franz. Referindo-se à ordem profética de Jeová, registrada por Isaías, o orador declarou com eloqüência: “Aqui, pois, está o sinal da Mais Elevada Autoridade para irmos ‘Avante!’, para prosseguirmos com a Sua [obra] de testemunho, não importa o que aconteça antes de chegar o Armagedom.” (Isa. 6:1-12) Não era tempo para afrouxar as mãos e descansar.

      “Há mais trabalho a ser feito; muito trabalho!” disse N. H. Knorr no discurso seguinte do programa. Para ajudar seus ouvintes a reagir ao sinal de ir “avante”, o irmão Knorr anunciou o lançamento de uma edição da versão King James da Bíblia, impressa nas próprias impressoras da Sociedade, contendo uma concordância especialmente destinada para uso pelas Testemunhas de Jeová no seu ministério de campo. Esse lançamento refletia o profundo interesse do irmão Knorr na impressão e distribuição da Bíblia. De fato, depois de se tornar presidente da Sociedade anteriormente naquele ano, o irmão Knorr agira com rapidez na obtenção dos direitos de impressão dessa tradução e em coordenar a preparação da concordância e outros aspectos. Em questão de meses, essa edição especial da King James Version estava pronta para lançamento no congresso.

      No último dia da assembléia, o irmão Knorr proferiu o discurso “Paz — Pode Durar?”. Apresentou uma poderosa evidência, baseada em Revelação (Apocalipse) 17:8, de que a Segunda Guerra Mundial, então em pleno andamento, não culminaria no Armagedom, como alguns pensavam, mas que a guerra terminaria e haveria um período de paz. Ainda havia trabalho a ser feito em proclamar o Reino de Deus. Informou-se aos congressistas que, com o fim de ajudar a cuidar do previsto aumento na organização, a partir do mês seguinte, a Sociedade enviaria “servos aos irmãos” para trabalharem com as congregações. Todas as congregações seriam visitadas de seis em seis meses.

      “Aquela Assembléia Teocrática do Novo Mundo consolidou grandemente a organização de Jeová para a obra à frente”, diz Marie Gibbard que com seus pais assistiu em Dallas, Texas. E havia muito trabalho a ser feito. As Testemunhas de Jeová aguardavam ansiosamente o período de paz que viria. Estavam decididas a avançar a todo custo em meio à oposição e perseguição, declarando as boas novas sem cessar!

      Uma era de incrementada instrução

      Usava-se o cartão de testemunho e o fonógrafo na pregação de casa em casa, mas poderia toda testemunha de Jeová melhorar sua habilidade de explicar, com base nas Escrituras, a razão de sua esperança? O terceiro presidente da Sociedade, N. H. Knorr, achava que sim. C. James Woodworth, cujo pai fora por muitos anos o editor da Golden Age (A Idade de Ouro) e de Consolação, disse: “Ao passo que nos dias do irmão Rutherford se dava ênfase a que ‘Religião É Laço e Extorsão’, despontava agora a era da expansão global, e a educação — bíblica e organizacional — começou daí em diante numa escala até então desconhecida pelo povo de Jeová.”

      A era da educação começou quase imediatamente. Em 9 de fevereiro de 1942, cerca de um mês depois de N. H. Knorr ser eleito presidente da Sociedade, fez-se no Betel de Brooklyn um anúncio de grande alcance. Ultimaram-se os preparativos em Betel para um Curso Adiantado do Ministério Teocrático — uma escola com currículo de pesquisas bíblicas e oratória.

      No ano seguinte, já estava lançado o fundamento para uma escola similar que seria realizada nas congregações locais das Testemunhas de Jeová. Na Assembléia “Chamada à Ação”, realizada em todos os Estados Unidos, em 17 e 18 de abril de 1943, foi lançado o folheto Course in Theocratic Ministry. Instou-se com todas as congregações para que iniciassem a nova escola, e a Sociedade nomeou instrutores para presidirem e darem conselhos construtivos sobre discursos de estudantes proferidos pelos inscritos do sexo masculino. Logo que possível, o curso foi traduzido e passou a operar em outros países.

      Em resultado disso, oradores qualificados, treinados nessa escola do ministério, começaram a participar numa campanha mundial de discursos públicos para proclamarem a mensagem do Reino. Muitos desses puderam fazer bom uso de seu treinamento como oradores em congressos e em cuidar de grandes responsabilidades organizacionais.

      Achava-se entre esses Angelo C. Manera Jr., um superintendente viajante por cerca de 40 anos. Ele foi um dos primeiros inscritos na escola em sua congregação, e disse: “Os dentre nós que assistimos às reuniões e fomos ao serviço de campo por muitos anos sem essa provisão, consideramos isso um grande passo em nosso progresso pessoal e organizacional.”

      George Gangas, tradutor grego na época, disse mais tarde sobre o treinamento que recebeu na escola inaugurada no Betel de Brooklyn em 1942: “Lembro-me da ocasião em que dei meu primeiro discurso de seis minutos. Eu não estava seguro de mim mesmo, de modo que o fiz por escrito. Mas, quando me levantei para proferi-lo, o medo da assistência tomou conta de mim, gaguejei e me atrapalhei, as idéias me fugiram da mente. Então, recorri à leitura do meu manuscrito. Mas minhas mãos tremiam tanto que as linhas pareciam pular para cima e para baixo!” Contudo, ele não desistiu. Com o tempo, passou a dar discursos perante grandes assistências em congressos, chegando até mesmo a servir como membro do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová.

      Uma escola fundada em fé

      Em 24 de setembro de 1942, houve outro grande avanço na era de incrementada instrução. Numa reunião conjunta das diretorias das duas entidades jurídicas, o irmão Knorr sugeriu que a Sociedade fundasse mais uma escola, usando um prédio que fora construído na Fazenda do Reino, em South Lansing, Nova Iorque, 410 quilômetros ao noroeste da cidade de Nova Iorque. O objetivo dessa escola seria treinar missionários para servirem em países onde houvesse grande necessidade de proclamadores do Reino. A sugestão foi aceita unanimemente.

      Albert D. Schroeder, que tinha na época 31 anos, foi encarregado dos registros e serviu como presidente da comissão que organizaria a nova escola. “Oh! como nosso coração pulou de alegria ao recebermos essa surpreendente nova designação!” disse ele. Os instrutores entraram em ação imediatamente; tinham apenas quatro meses para organizar os cursos, preparar as preleções e organizar uma biblioteca. “O curso adiantado de educação cristã era de 20 semanas, sendo a Bíblia o principal compêndio”, explica o irmão Schroeder, que serve agora como membro do Corpo Governante.

      Na segunda-feira, 1.º de fevereiro de 1943, um dia frio de inverno, no interior do Estado de Nova Iorque, começou a primeira turma, com 100 estudantes. Uma escola fundada verdadeiramente em fé. Em meio à Segunda Guerra Mundial, havia bem poucas áreas no mundo para as quais podiam ser enviados missionários. Contudo, com plena certeza de que haveria um período de paz em que eles poderiam ser usados, os prospectivos missionários foram treinados.

      Reorganização após a guerra

      Em maio de 1945, terminaram as hostilidades da Segunda Guerra Mundial na Europa. Quatro meses depois, em setembro, cessaram as lutas no Pacífico. Acabara a Segunda Guerra Mundial. Em 24 de outubro de 1945, um pouco mais de três anos depois de o presidente da Sociedade ter proferido o discurso “Paz — Pode Durar?” entrou em vigor a Carta das Nações Unidas.

      Tinham vindo aos poucos da Europa notícias sobre as atividades das Testemunhas de Jeová. A ponto de surpreender seus irmãos e suas irmãs em todo o mundo, a obra de proclamação do Reino prosseguira nos países da Europa, apesar da guerra. The Watchtower de 15 de julho de 1945 relatava: “Em 1940, a França tinha 400 publicadores; agora há 1.100 que falam sobre o Reino. . . . Em 1940, a Holanda tinha 800 publicadores. Quatrocentos deles foram arrastados para campos de concentração na Alemanha. Os que foram deixados prosseguiram falando sobre o Reino. O resultado? Há nesse país agora 2.000 publicadores do Reino.” A porta aberta da liberdade apresentava agora oportunidades para declarar mais ainda as boas novas não só na Europa, mas em todo o mundo. Primeiro, porém, havia necessidade de muita reconstrução e reorganização.

      Ansioso de saber das necessidades das Testemunhas de Jeová nos países devastados pela guerra, o presidente da Sociedade, com seu secretário, Milton G. Henschel, iniciou uma turnê pela Grã-Bretanha, França, Suíça, Bélgica, Países-Baixos e Escandinávia, em novembro de 1945, para encorajar os irmãos e inspecionar as filiais da Sociedade.d Eles tinham por objetivo a reorganização pós-guerra. Providenciou-se o envio de publicações, bem como de alimentos e de roupas aos irmãos em necessidade. Foram reabertas as filiais.

      O irmão Knorr estava bem apercebido de que havia necessidade de boa organização nas filiais para manter o passo com o avanço da obra de pregação. Suas habilidades naturais em organizar foram plenamente usadas na expansão de filiais da Sociedade no mundo inteiro. Em 1942, quando ele se tornou presidente, havia 25 filiais. Em 1946, apesar das proscrições e dos empecilhos da Segunda Guerra Mundial, havia filiais em 57 países. Nos 30 anos seguintes, até 1976, o número de filiais aumentou para 97.

      Equipados para serem instrutores

      Baseado em suas viagens internacionais pouco depois da guerra, o presidente da Sociedade decidiu que as Testemunhas de Jeová precisavam ficar mais bem equipadas para serem instrutores da Palavra de Deus. Havia necessidade de educação bíblica adicional, bem como de instrumentos adequados para uso no ministério de campo. Essas necessidades foram satisfeitas cedo no período do após-guerra.

      Na Assembléia Teocrática das Nações Alegres, realizada em Cleveland, Ohio, de 4 a 11 de agosto de 1946, o irmão Knorr proferiu o discurso “Equipado Para Toda Boa Obra”. A assistência inteira estava curiosa quando ele fez perguntas tais como: “Não seria uma tremenda ajuda ter informações sobre cada um dos sessenta e seis livros da Bíblia? Não nos ajudaria a entender as Escrituras se soubéssemos quem escreveu cada um dos livros da Bíblia? Quando cada um deles foi escrito? Onde foi escrito?” Todos estavam ansiosos de ouvir quando ele disse: “Irmãos, obterão todas essas informações, e muitas outras, no novo livro intitulado ‘Equipado Para Toda Boa Obra’!” Esse anúncio foi seguido de estrondosos aplausos. A nova publicação serviria de compêndio para a escola do ministério nas congregações.

      Não só ficaram as Testemunhas de Jeová equipadas com uma publicação para aprofundar seu conhecimento das Escrituras, mas receberam também excelentes ajudas para uso no campo. O congresso de 1946 será lembrado por muito tempo por causa do lançamento do primeiro número de Despertai!. Essa nova revista substituiu Consolação (conhecida antes como A Idade de Ouro). Foi também lançado (em inglês) o livro “Seja Deus Verdadeiro”.e Henry A. Cantwell, que mais tarde serviu como superintendente viajante, explica: “Fazia tempo que precisávamos muito de um livro que pudesse ser usado com eficácia para dirigir estudos bíblicos com pessoas recém-interessadas e que abrangesse as doutrinas e verdades básicas da Bíblia. Agora, com o lançamento de ‘Seja Deus Verdadeiro’, tínhamos exatamente o que precisávamos.”

      Munidas de tais valiosas ajudas para o ensino, as Testemunhas de Jeová esperavam maior e mais rápida expansão. O irmão Knorr, ao proferir nesse congresso o discurso sobre o tema “Os Problemas da Reconstrução e da Expansão”, explicou que durante os anos da guerra global não houve paralisação de esforços em dar testemunho. De 1939 a 1946, o número de proclamadores do Reino havia aumentado para mais de 110.000. Para atender à crescente demanda mundial de publicações bíblicas, a Sociedade planejava expandir a gráfica e o Lar de Betel de Brooklyn.

      O aguardado período de paz mundial havia começado. A era da expansão global e de educação bíblica estava em franco desenvolvimento. As Testemunhas de Jeová regressaram da Assembléia Teocrática das Nações Alegres mais bem equipadas para serem instrutores das boas novas.

      A proclamação do Reino ganha novo impulso

      Visando à expansão mundial, o presidente da Sociedade e seu secretário, Milton G. Henschel, iniciaram em 6 de fevereiro de 1947 uma viagem mundial de serviço, de 76.916 quilômetros. Esta os levou às ilhas do Pacífico, Nova Zelândia, Austrália, Sudeste Asiático, Índia, Oriente Médio, região do Mediterrâneo, Europa Central e Ocidental, Escandinávia, Inglaterra e Terra Nova. Era a primeira vez desde 1933 que representantes da equipe da sede da Sociedade em Brooklyn podiam visitar seus irmãos na Alemanha. As Testemunhas de Jeová em todo o mundo seguiram os dois viajantes ao passo que os relatórios da viagem eram publicados em edições de The Watchtower durante todo o ano de 1947.f

      “Foi a nossa primeira oportunidade de conhecer os irmãos na Ásia e em outros lugares e ver quais eram as necessidades”, explica o irmão Henschel, agora membro do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová. “Tínhamos em mente enviar missionários, de modo que precisávamos saber o que encontrariam e o que necessitariam.” Após a viagem, um constante fluxo de missionários treinados em Gileade chegou a solo estrangeiro como pontas-de-lança na obra de proclamação do Reino. E os resultados foram impressionantes. Nos cinco anos que se seguiram (1947-52), o número dos pregadores do Reino em todo o mundo mais do que dobrou, de 207.552 para 456.265.

      Aumento da teocracia

      Em 25 de junho de 1950, as forças militares da República Democrática Popular da Coréia invadiram a República da Coréia, ao sul. Com o tempo, foram enviadas para lá tropas de 16 outros países. Mas, enquanto a guerra lançava grandes nações umas contra as outras, as Testemunhas de Jeová se preparavam para se reunir num congresso internacional que demonstraria não só sua união mundial, mas também que Jeová as estava abençoando com aumentos. — Isa. 60:22.

      A Assembléia Aumento da Teocracia foi programada para 30 de julho a 6 de agosto de 1950. Este seria, de longe, o maior congresso já realizado pelas Testemunhas de Jeová num só local. Uns 10.000 congressistas estrangeiros, da Europa, África, Ásia, América Latina, ilhas do Pacífico — de 67 terras ao todo — afluíram ao Estádio Ianque, na cidade de Nova Iorque. A assistência máxima de mais de 123.000 pessoas no discurso público — comparado com o pico de 80.000 que assistiram à Assembléia Teocrática Nações Alegres apenas quatro anos antes — foi em si uma impressionante evidência de aumento.

      Um fator importante no aumento das Testemunhas de Jeová tem sido a impressão e distribuição da Palavra de Deus. Marcou época, em 2 de agosto de 1950, o lançamento feito pelo irmão Knorr da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs, em inglês moderno. Os congressistas ficaram radiantes de saber que esta nova tradução restaurara o nome divino, Jeová, 237 vezes no texto principal, de Mateus a Revelação! Ao concluir seu discurso, o orador fez a inspiradora recomendação: “Levem esta tradução. Leiam-na do começo ao fim. Estudem-na, pois ajudará a melhorar seu entendimento da Palavra de Deus. Distribuam-na.” Outras partes foram publicadas por etapas durante a década seguinte, de modo que por fim as Testemunhas de Jeová tinham uma tradução exata e de fácil leitura da Bíblia inteira que podiam oferecer com entusiasmo a outros.

      Antes de deixarem a cidade do congresso, os congressistas foram convidados a visitar as novas dependências de Betel, na Rua Columbia Heights, 124, e a grandemente ampliada gráfica, na Rua Adams, 117, em Brooklyn, Nova Iorque. Construídas com o apoio financeiro das Testemunhas de Jeová no mundo inteiro, as novas dependências completavam o vasto programa de expansão anunciado e entusiasticamente aprovado no congresso de Cleveland, em 1946. Mal sabiam então as Testemunhas de Jeová quanta expansão ainda haveria, não apenas em Brooklyn, mas em todo o mundo. Mais e maiores gráficas seriam necessárias para atender o constante aumento de publicadores do Reino.

      Treinamento intensificado no ministério de casa em casa

      Na Assembléia da Sociedade do Novo Mundo, realizada na cidade de Nova Iorque, de 19 a 26 de julho de 1953, novas publicações foram fornecidas para as próprias Testemunhas de Jeová e para uso especial na proclamação do Reino de casa em casa. Por exemplo, o lançamento (em inglês) de “Certificai-vos de Todas as Coisas”, na segunda-feira, 20 de julho, foi seguido de estrondosos aplausos dos 125.040 presentes. Esse livro de bolso, de 416 páginas, um instrumento de fácil manejo para o serviço de campo, reúne mais de 4.500 textos bíblicos debaixo de 70 temas principais. As Testemunhas de Jeová tinham agora à sua pronta disposição as respostas bíblicas a perguntas que eram levantadas na pregação de casa em casa.

      Na manhã de quarta-feira, no discurso “A Obra Principal de Todos os Servos”, o irmão Knorr anunciou mais um passo na educação progressiva das Testemunhas de Jeová — um extensivo programa de treinamento de casa em casa a ser posto em funcionamento em todas as congregações. Pediu-se aos publicadores mais experientes que ajudassem os menos experientes a se tornarem regulares e eficazes proclamadores do Reino, de casa em casa. Este programa de grande alcance começou a vigorar em 1.º de setembro de 1953. Jesse L. Cantwell, um superintendente viajante que participou do serviço de treinamento, disse: “Este programa ajudou realmente os publicadores a se tornarem mais eficientes.”

      Nos meses que se seguiram a julho de 1953, foram realizados outros congressos assim nos cinco continentes, com o mesmo programa adaptado localmente. Desse modo, o treinamento intensificado no ministério de casa em casa foi iniciado nas congregações das Testemunhas de Jeová em todo o mundo. Naquele mesmo ano, o número de proclamadores do Reino atingiu um auge de 519.982.

      Como se fez face à expansão global

      Em meados da década de 50, houve provisões adicionais para se fazer face ao rápido crescimento na organização. Por mais de uma década, N. H. Knorr viajara em todo o globo para inspecionar o funcionamento das filiais. Essas viagens realizaram muito no sentido de assegurar a devida supervisão da obra em cada um dos países e fortalecer a união mundial das Testemunhas de Jeová. O irmão Knorr tinha profundo amor pelos missionários e pelos que serviam nas filiais em todo o mundo. Onde quer que fosse, ele tomava tempo para falar com eles sobre os problemas e as necessidades deles, e para encorajá-los no ministério. Mas, em 1955, havia 77 filiais da Sociedade Torre de Vigia e 1.814 missionários treinados em Gileade que serviam em 100 diferentes países. Compreendendo que não podia cuidar sozinho de tudo, o irmão Knorr providenciou incluir outros nesta importante obra de visitar as filiais e os lares missionários.

      Programou-se dividir a Terra em dez zonas, cada zona compreendendo certo número de filiais da Sociedade. Irmãos qualificados da sede de Brooklyn e experientes superintendentes de filial foram designados como servos de zona (hoje chamados superintendentes zonais) e foram treinados pelo irmão Knorr para esse trabalho. Em 1.º de janeiro de 1956, o primeiro desses servos de zona inaugurou esse novo serviço de visitar as filiais. Em 1992, mais de 30 irmãos, incluindo membros do Corpo Governante, serviam na qualidade de superintendentes zonais.

      Instrução sobre a vontade divina

      No verão de 1958, surgiu a ameaça da guerra no Oriente Médio. Apesar da tensão das relações internacionais, as Testemunhas de Jeová prepararam-se para um congresso internacional que as instruiria ainda mais sobre a vontade divina. Seria também o seu maior congresso numa só cidade.

      Um auge de 253.922 congressistas procedentes de 123 terras afluíram ao Estádio Ianque e Campo de Pólo, na cidade de Nova Iorque, para a Assembléia Internacional da Vontade Divina, de 27 de julho a 3 de agosto. “As Testemunhas de Jeová Afluem Lotando os Estádios”, dizia o Daily News de Nova Iorque, de 26 de julho de 1958. “Oito trens especiais, 500 ônibus fretados e 18.000 carros estão trazendo os membros, além de dois navios fretados e 65 aviões fretados.”

      Missionários treinados em Gileade haviam informado a sede da Sociedade sobre o desafio que enfrentavam para ensinar a verdade bíblica aos que não estavam familiarizados com as crenças e as doutrinas das religiões da cristandade. Se tão-somente tivessem uma publicação que apresentasse apenas os verdadeiros ensinamentos bíblicos, e fosse de fácil leitura e compreensão! Para o deleite dos 145.488 congressistas presentes na tarde de quinta-feira, 31 de julho, o irmão Knorr anunciou o lançamento (em inglês) do livro Do Paraíso Perdido ao Paraíso Recuperado.

      O irmão Knorr instou com todos para que usassem o novo livro no ministério de campo. Ele disse também que os pais o achariam útil para ensinar a verdade bíblica a seus filhos. Muitos pais levaram isso a sério. Grace A. Estep, uma professora que fora criada numa pequena cidade perto de Pittsburgh, Pensilvânia, disse: “Uma inteira geração de crianças cresceu folheando o livro Paraíso, levando-o consigo às reuniões, partilhando-o com seus coleguinhas e sendo capazes de contar, muito antes de terem suficiente idade para ler, toda uma série de histórias bíblicas com base apenas nas gravuras do livro.”

      Providenciou-se também matéria sólida para estudantes adiantados da Palavra de Deus. Na conclusão de seu emocionante discurso “Faça-se a Tua Vontade”, o irmão Knorr deixou a assistência radiante anunciando o lançamento (em inglês) do livro ‘Seja Feita a Tua Vontade na Terra’. Esta nova publicação, que contém um estudo extensivo do livro de Daniel, instrui seus leitores sobre como a vontade divina foi e está sendo feita agora. “Vão gostar imensamente deste livro!” disse o orador. Por meio de estrondosos aplausos a enorme assistência de 175.441 pessoas expressou regozijo ao receber esse novo instrumento para aprofundar seu apreço para com a vontade divina!

      Nas suas observações finais, o irmão Knorr anunciou mais programas especiais de educação que beneficiariam a organização mundial. “A obra educacional não está em declínio”, disse Knorr, “ao contrário, está avançando”. Ele esboçou os planos de um curso de dez meses de treinamento, em Brooklyn, para superintendentes de filiais da Sociedade em todo o mundo. Também, em muitos países do mundo haveria cursos de treinamento de um mês para superintendentes viajantes e os que supervisionavam nas congregações. Por que toda essa instrução? “Desejamos passar para níveis mais elevados de entendimento”, explicou ele, “de modo que possamos penetrar mais a fundo nos pensamentos de Jeová expressos na sua Palavra”.

      Empreendeu-se imediatamente a preparação da matéria dos cursos de estudo para esses programas de treinamento. Sete meses mais tarde, em 9 de março de 1959, a primeira turma de uma nova escola, a Escola do Ministério do Reino, começou em South Lansing, Nova Iorque, sede da Escola de Gileade. O que foi iniciado ali logo se estendeu ao mundo inteiro, ao passo que a nova escola era usada para treinar os que supervisionavam nas congregações.

      Fortalecidos para ‘manterem-se firmes na fé’

      Na década de 60, a sociedade humana viu-se mergulhada numa onda de mudanças religiosas e sociais. Clérigos classificavam partes da Bíblia de mitos ou diziam que eram obsoletas. A ideologia de que “Deus está morto” ganhava crescente popularidade. A sociedade humana afundava cada vez mais no lamaçal da imoralidade sexual. Através de A Sentinela e de outras publicações, bem como de programas de congresso, o povo de Jeová foi fortalecido para ‘manter-se firme na fé’ durante aquela década turbulenta. — 1 Cor. 16:13.

      Numa série de congressos realizados em todo o mundo em 1963, o discurso “O Livro das ‘Boas Novas Eternas’ É Proveitoso” defendia a Bíblia contra os ataques dos críticos. “Os críticos da Bíblia não precisam chamar atenção para o fato de que meros homens escreveram esse livro”, explicou o orador. “A própria Bíblia honestamente nos informa isso. Mas o que torna esse livro diferente de qualquer outro livro escrito por homens é que a Bíblia Sagrada é ‘inspirada por Deus’.” (2 Tim. 3:16, 17) Esse emocionante discurso culminou com o lançamento (em inglês) do livro “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”. Essa nova publicação incluía uma explicação sobre cada um dos livros da Bíblia, dando o fundo histórico do livro, tal como quem o escreveu, quando e onde foi escrito, bem como a evidência de sua autenticidade. Depois, apresentava um resumo do livro bíblico em questão, seguido de uma parte chamada “Por Que É Proveitoso”, que mostrava de que modo tal livro bíblico é de grande valia para o leitor. Essa publicação, um instrumento valioso no prosseguimento da educação bíblica das Testemunhas de Jeová, ainda é usada como compêndio na Escola do Ministério Teocrático uns 30 anos após seu lançamento!g

      As Testemunhas de Jeová não escaparam aos efeitos da revolução sexual da década de 60. De fato, milhares — uma pequena porcentagem de seu total — tiveram de ser desassociados a cada ano, a maioria por causa de imoralidade sexual. Foi com boa razão, pois, que os do povo de Jeová receberam conselhos diretos numa série de congressos de distrito realizada em 1964. Lyle Reusch, um superintendente viajante, de Saskatchewan, Canadá, recorda-se do discurso “Manter Pura e Casta a Organização de Servos Públicos”. Reusch disse: “Uma linguagem franca e direta sobre moral explicou claramente as coisas.”

      O conteúdo desse discurso foi publicado em A Sentinela de 15 de julho de 1965. Entre outras coisas, dizia: “Moças, não se façam de toalha suja para o uso público, disponível para as mãos sujas de qualquer bordeleiro, de qualquer ‘cão’ simbólico.” — Veja Revelação 22:15.

      Tal conselho franco se destinava a ajudar as Testemunhas de Jeová como povo a se manterem moralmente puras, aptas para continuarem a proclamar a mensagem do Reino. — Veja Romanos 2:21-23.

      “Diga-me, que significa esse 1975?”

      As Testemunhas já por muito tempo partilhavam a crença de que o Reinado Milenar de Cristo viria depois de 6.000 anos da história humana. Mas quando terminariam os 6.000 anos da existência humana? O livro Vida Eterna — na Liberdade dos Filhos de Deus, lançado (em inglês) numa série de congressos de distrito em 1966, apontava para 1975. Já no congresso, quando os irmãos examinaram o conteúdo, o novo livro suscitou muitos comentários sobre 1975.

      No congresso realizado em Baltimore, Maryland, F. W. Franz deu o discurso concludente. Ele começou por dizer: “Pouco antes de eu subir à tribuna, um jovem se aproximou de mim e disse: ‘Diga-me, que significa esse 1975?’” O irmão Franz mencionou muitas perguntas feitas sobre se a matéria no novo livro queria dizer que em 1975 o Armagedom teria terminado, e Satanás estaria amarrado. Ele disse, em síntese: ‘Pode ser. Mas não estamos dizendo isso. Todas as coisas são possíveis a Deus. Mas não estamos dizendo isso. E que ninguém seja específico ao falar sobre o que irá acontecer a partir de agora até 1975. Mas, prezados irmãos, a grande questão é: o tempo é curto. O tempo está-se esgotando, não resta dúvida sobre isso.’

      Nos anos que se seguiram a 1966, muitas Testemunhas de Jeová agiram em harmonia com o espírito do conselho dado. Todavia, outras declarações foram publicadas sobre esse assunto, e algumas foram provavelmente mais taxativas do que seria aconselhável. Isso foi reconhecido em A Sentinela de 15 de setembro de 1980 (página 17). Mas as Testemunhas de Jeová foram também acauteladas no sentido de se concentrarem principalmente em fazer a vontade de Jeová e não ficarem excessivamente preocupadas com datas e expectativas de pronta salvação.h

      Um instrumento para apressar a obra

      Em fins da década de 60, as Testemunhas de Jeová estavam pregando as boas novas com um senso de expectativa e de urgência. Em 1968, o número de publicadores do Reino aumentou para 1.221.504 em 203 terras. Ainda assim, não era incomum algumas pessoas estudarem a Bíblia por muitos anos sem agir de acordo com o conhecimento adquirido. Haveria algum modo de apressar a obra de fazer discípulos?

      A resposta veio em 1968 com o lançamento de um novo compêndio bíblico: A Verdade Que Conduz à Vida Eterna. Esse livro de bolso, de 192 páginas, foi preparado tendo-se em mente os recém-interessados. Continha 22 cativantes capítulos sobre assuntos tais como “Por Que É Sábio que Examine Sua Religião”, “Por que Envelhecemos e Morremos”, “Onde Estão os Mortos?”, “Por Que Permitiu Deus a Iniqüidade Até Hoje?”, “Como se Identifica a Religião Verdadeira” e “Estabelecendo Uma Vida Feliz em Família”. O livro Verdade destinava-se a incentivar o estudante da Bíblia a raciocinar sobre a matéria considerada e aplicá-la à sua própria vida.

      Essa nova publicação seria usada num programa de estudo bíblico de seis meses de duração. A edição de fevereiro de 1969 do Ministério do Reino explicava como o novo programa seria efetuado: “Seria bom tentar estudar um capítulo do livro ‘Verdade’ por semana, embora talvez não seja possível com todos os moradores ou com todos os capítulos do livro. . . . Se, no fim de seis meses de estudo intenso e esforço consciencioso para levá-los às reuniões, eles ainda não se associarem com a congregação, então talvez seja melhor usar seu tempo para estudar com alguém que realmente deseja aprender a verdade e fazer progresso. Tome por alvo apresentar as boas novas nos estudos bíblicos de tal modo que os interessados tomem ação dentro de seis meses!”

      E realmente tomaram ação! Num curto período, o programa de estudos bíblicos por seis meses teve surpreendente êxito. Nos três anos de serviço, a partir de 1.º de setembro de 1968 a 31 de agosto de 1971, um total de 434.906 pessoas foram batizadas — mais que o dobro do número dos que foram batizados durante os três anos de serviço precedentes! Tendo chegado numa época em que havia um senso de expectativa e urgência entre as Testemunhas de Jeová, o livro Verdade e a campanha de estudo bíblico por seis meses ajudaram muito a apressar a obra de fazer discípulos. — Mat. 28:19, 20.

      “Tem de funcionar; isso vem de Jeová”

      Por muitos anos, as congregações das Testemunhas de Jeová foram organizadas de forma tal que um homem espiritualmente qualificado era designado pela Sociedade para ser servo, ou “superintendente”, de congregação, sendo ajudado por outros “servos” designados.i (1 Tim. 3:1-10, 12, 13) Esses homens haviam de servir o rebanho, não dominar sobre este. (1 Ped. 5:1-4) Mas poderiam as congregações aderir mais estreitamente à estrutura das congregações cristãs do primeiro século?

      Em 1971, numa série de congressos realizados em toda a Terra, foi proferido o discurso “A Organização Teocrática no Meio das Democracias e do Comunismo”. Em 2 de julho, F. W. Franz proferiu o discurso no Estádio Ianque, na cidade de Nova Iorque. Ele indicou nesse discurso que, onde havia suficientes homens qualificados disponíveis, as congregações do primeiro século tinham mais de um superintendente. (Fil. 1:1) “O grupo congregacional dos superintendentes”, disse ele, “constitui ‘o corpo de anciãos’ . . . Os membros de tal ‘corpo [ou: assembléia] de anciãos’ estavam todos em igualdade, tendo a mesma posição, e nenhum deles era o mais importante, o mais destacado e o mais poderoso membro da congregação”. (1 Tim. 4:14) Esse discurso realmente emocionou o congresso inteiro. Que impacto teria esta informação sobre as congregações das Testemunhas de Jeová em todo o mundo?

      A resposta veio dois dias depois, no discurso final de N. H. Knorr. A partir de 1.º de outubro de 1972, entrariam em vigor os ajustes na supervisão das congregações no mundo inteiro. Não mais haveria apenas um servo ou superintendente de congregação. Mas, nos meses até 1.º de outubro de 1972, homens responsáveis, maduros, em cada congregação recomendariam à Sociedade para nomeação os nomes dos que serviriam como um corpo de anciãos (e os nomes dos que serviriam como servos ministeriais). Um ancião seria designado presidente,j mas todos os anciãos teriam autoridade igual e participariam da responsabilidade de fazer decisões. “Esses ajustes organizacionais”, explicou o irmão Knorr, “ajudarão a tornar o funcionamento das congregações mais de acordo com a Palavra de Deus, e isso certamente resultará em maiores bênçãos da parte de Jeová”.

      Como foi recebida pelos congressistas reunidos essa informação sobre ajustes organizacionais? Um superintendente viajante sentiu-se compelido a dizer: “Tem de funcionar; isso vem de Jeová.” Outra Testemunha de muita experiência acrescentou: “Será um incentivo para todos os homens maduros assumirem responsabilidades.” Deveras, tantos homens quantos se qualificavam podiam agora ‘procurar alcançar’ o “cargo de superintendente” e ser nomeados. (1 Tim. 3:1) Um maior número de irmãos podia assim ganhar valiosa experiência em arcar com responsabilidades na congregação. Embora de início não se apercebessem disso, todos esses seriam necessários para pastorear a grande afluência de novos nos anos que se seguiriam.

      A matéria apresentada no congresso conduziu também a certos esclarecimentos e ajustes que envolviam o Corpo Governante. Em 6 de setembro de 1971, foi decidido que haveria rodízio, feito em ordem alfabética, dos membros do Corpo Governante para presidirem às sessões. Umas semanas mais tarde, em 1.º de outubro de 1971, F. W. Franz tornou-se o presidente do Corpo Governante por um ano.

      No ano seguinte, em setembro de 1972, começou o rodízio de responsabilidades nas congregações e, em 1.º de outubro, completou-se o rodízio na maioria das congregações. Nos três anos que se seguiram, as Testemunhas de Jeová tiveram impressionante crescimento — mais de três quartos de milhão de pessoas se batizaram. Mas, confrontavam-se então com o outono de 1975. Se não se concretizassem todas as expectativas a respeito de 1975, como afetaria isso seu zelo pela atividade de pregação global, bem como pela sua união mundial?

      Além disso, Nathan H. Knorr, um homem de personalidade dinâmica e notável habilidade como organizador, por décadas desempenhara um papel-chave em promover instrução dentro da organização, em conseguir que a Bíblia chegasse às mãos das pessoas e em ajudá-las a entendê-la. Como a mudança para uma supervisão mais de perto da parte do Corpo Governante influiria nesses objetivos?

      [Nota(s) de rodapé]

      a A Atalaia (A Sentinela) de março de 1942, p. 45; Consolation (Consolação), de 4 de fevereiro de 1942, p. 17.

      b Em setembro de 1945, o irmão Covington pediu deferentemente para ser eximido de continuar como vice-presidente da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (de Pensilvânia), explicando que desejava anuir àquilo que na época se entendia ser a vontade de Jeová para todos os membros e juntas da diretoria — a saber, que fossem cristãos ungidos pelo espírito, pois ele professava ser um dos componentes das “outras ovelhas”. Em 1.º de outubro, Lyman A. Swingle foi eleito para fazer parte da junta dos diretores, e em 5 de outubro, Frederick W. Franz foi escolhido como vice-presidente. (Veja Anuário das Testemunhas de Jeová de 1946 (em inglês) pp. 221-4; The Watchtower (A Sentinela) de 1.º de novembro de 1945, pp. 335-6.)

      c Veja o Capítulo 30, “‘Defendendo e estabelecendo legalmente as boas novas’”.

      d Relatórios pormenorizados da viagem foram publicados em The Watchtower durante 1946. — Veja as páginas 14-16, 28-31, 45-8, 60-4, 92-5, 110-12, 141-4.

      e Em poucos anos, esse compêndio para estudo da Bíblia veio a ser conhecido ao redor do mundo. Revisado em 1.º de abril de 1952, foram impressos mais de 19.000.000 de exemplares em 54 idiomas.

      f Veja as páginas 140-4, 171-6, 189-92, 205-8, 219-23, 236-40, 251-6, 267-72, 302-4, 315-20, 333-6, 363-8.

      g O livro “Toda Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa” foi atualizado em 1990.

      h Por exemplo, foram publicados os seguintes artigos em A Sentinela: “Fazer Uso Sábio do Tempo Que Resta” (1.º de novembro de 1968); “Sirva com a Eternidade em Vista” (15 de dezembro de 1974); “Por Que não Fomos Informados Acerca ‘Daquele Dia e Daquela Hora’” e “Como o Afeta não Saber ‘Dia e Hora’?” (1.º de novembro de 1975). Antes disso, em 1963, o livro “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa” havia declarado: “Não adianta usar a cronologia bíblica para especular sobre datas que se acham no futuro na corrente do tempo. — Mat. 24:36.”

      i Veja o Capítulo 15, “Desenvolvimento da estrutura da organização”.

      j O orador explicou também que, a partir de 1.º de outubro de 1972, haveria um rodízio anual da presidência dentre os do corpo de anciãos da congregação. Isso foi ajustado em 1983, quando se solicitou a cada corpo de anciãos que recomendasse um superintendente presidente que, depois de ser nomeado pela Sociedade, serviria por período indefinido como presidente do corpo de anciãos.

      [Destaque na página 92]

      Pregação apesar de detenções e motins

      [Destaque na página 94]

      ‘Expansão e educação global num âmbito nunca antes conhecido’

      [Destaque na página 103]

      Defendendo a Bíblia contra os ataques dos críticos.

      [Destaque na página 104]

      ‘Irmãos, a grande questão é: o tempo é curto.’

      [Destaque na página 106]

      “Um incentivo para todos os homens maduros assumirem responsabilidades.”

      [Foto na página 95]

      A Escola de Gileade em South Lansing, Nova Iorque

      [Foto na página 97]

      O irmão Knorr, aqui em visita a Cuba, viajou pelo mundo inteiro muitas vezes.

      [Fotos na página 98]

      Inglaterra

      Líbano

      O irmão Knorr achava que toda Testemunha de Jeová devia ser capaz de pregar de casa em casa.

      [Foto na página 99]

      Como presidente da Sociedade, o irmão Knorr trabalhou intimamente com o irmão Franz por mais de 35 anos.

      [Foto na página 100]

      A junta dos diretores da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados de Pensilvânia (EUA), em meados dos anos 50. (Da esquerda para a direita) Lyman A. Swingle, Thomas J. Sullivan, Grant Suiter, Hugo H. Riemer, Nathan H. Knorr, Frederick W. Franz, Milton G. Henschel

      [Foto na página 102]

      Em 1958, congressistas de 123 terras afluíram ao Estádio Ianque para a Assembléia Internacional da Vontade Divina.

      [Fotos na página 107]

      Publicações para treinar as Testemunhas de Jeová para o ministério.

      Algumas das publicações para uso no ministério de campo

      Livros que forneceram alimento sólido para fortalecer espiritualmente o povo de Jeová.

      Compêndios de pesquisa e estudo

      [Mapa na página 96]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      Viagens de Serviço de N. H. Knorr, 1945-56

      1945-46: América Central, América do Sul, América do Norte, Europa, Caribe

      1947-48: América do Norte, ilhas do Pacífico, Oriente, Oriente Médio, Europa, África

      1949-50: América do Norte, América Central, América do Sul, Caribe

      1951-52: América do Norte, ilhas do Pacífico, Oriente, Europa, Oriente Médio, África

      1953-54: América do Sul, Caribe, América do Norte, América Central

      1955-56: Europa, Ilhas do Pacífico, Oriente, América do Norte, Oriente Médio, África do Norte

      [Quadro na página 91]

      Formação de N. H. Knorr

      Nathan Homer Knorr nasceu em Bethlehem, Pensilvânia, EUA, em 23 de abril de 1905. Quando tinha 16 anos, associou-se com a Congregação Allentown dos Estudantes da Bíblia. Em 1922, assistiu ao congresso em Cedar Point, Ohio, onde decidiu abandonar a Igreja Reformada. No ano seguinte, em 4 de julho de 1923, depois de Frederick W. Franz, do Betel de Brooklyn, ter proferido um discurso de batismo, Nathan, de 18 anos, estava entre os que foram batizados no rio Little Lehigh, no leste da Pensilvânia. Em 6 de setembro de 1923, o irmão Knorr tornou-se membro da família de Betel em Brooklyn.

      O irmão Knorr aplicou-se diligentemente no Departamento de Expedição, e suas habilidades naturais para organizar logo foram percebidas. Quando o superintendente da gráfica da Sociedade, Robert J. Martin, faleceu em 23 de setembro de 1932, o irmão Knorr foi designado para substituí-lo. Em 11 de janeiro de 1934, o irmão Knorr foi eleito um dos diretores da Associação Púlpito do Povo (agora Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados de Nova Iorque, Inc.) e, no ano seguinte, foi nomeado vice-presidente da Associação. Em 10 de junho de 1940 tornou-se vice-presidente da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (da sociedade de Pensilvânia). Sua eleição à presidência de ambas as sociedades e da sociedade britânica, Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia, aconteceu em janeiro de 1942.

      Nos anos que se seguiram, um dos associados e conselheiros de confiança mais chegados do irmão Knorr era Frederick W. Franz, homem de mais idade do que ele e cujo conhecimento de línguas e erudição bíblica já haviam provado ser de grande valor para a organização.

      [Quadro na página 93]

      Uma previsão encorajadora

      Os congressistas na Assembléia Teocrática do Novo Mundo, em Cleveland, Ohio, EUA, em setembro de 1942, ficaram encantados quando o idoso secretário-tesoureiro da Sociedade, W. E. Van Amburgh, discursou no congresso. O irmão Van Amburgh mencionou que o primeiro congresso ao qual ele assistira fora em Chicago, em 1900, e havia sido “grande” — com cerca de 250 pessoas na assistência. Depois de enumerar outros “grandes” congressos, no decorrer dos anos, ele concluiu com esta encorajadora previsão: “Este congressok nos parece agora grande, mas, assim como este congresso é grande em comparação com aqueles aos quais eu assisti no passado, prevejo que este congresso será bem pequeno em comparação com os do futuro próximo quando o Senhor começar a ajuntar seu povo de todos os cantos do globo.”

      [Nota(s) de rodapé]

      k Um auge de 26.000 pessoas assistiram em Cleveland, com uma assistência total de 129.699 nas 52 cidades de congresso por todos os Estados Unidos.

      [Quadro na página 105]

      “Hoje comecei a refletir novamente”

      Lançado em 1968, o livro “A Verdade Que Conduz à Vida Eterna” foi amplamente usado pelas Testemunhas de Jeová no estudo da Bíblia com pessoas interessadas. Essa provisão oportuna ajudou centenas de milhares de pessoas pensantes a obter conhecimento exato das Escrituras. Uma carta de apreço, recebida em 1973 de uma leitora nos Estados Unidos, dizia: “Uma senhora muito gentil veio hoje à minha porta e deu-me um livro chamado ‘A Verdade Que Conduz à Vida Eterna’. Acabo de lê-lo. É a primeira vez que leio 190 páginas de alguma coisa em um só dia da minha vida. Em 29 de junho de 1967, eu havia deixado de crer em Deus. Hoje comecei a refletir novamente.”

  • A divulgação da palavra de Jeová prossegue rapidamente (1976-1992)
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 9

      A divulgação da palavra de Jeová prossegue rapidamente (1976-1992)

      “Finalmente, irmãos, fazei orações por nós, para que a palavra de Jeová prossiga rapidamente [ou: ‘possa estar correndo’] e seja glorificada, assim como de fato se dá convosco.” — 2 Tes. 3:1, “Kingdom Interlinear”.

      COM essas palavras o apóstolo Paulo pedia a seus concrentes em Tessalônica que orassem para que ele e seus companheiros fossem bem-sucedidos em proclamar a palavra de Jeová sem impedimento. Jeová atendeu essa oração. Mas isso não significa que o apóstolo não tivesse problemas com que lidar. Ele enfrentou severa oposição do mundo e teve de lidar com falsos irmãos que agiram enganosamente. (2 Cor. 11:23-27; Gál. 2:4, 5) Contudo, apesar disso, depois de cerca de dez anos, Paulo podia escrever que, em resultado da bênção de Deus, as boas novas estavam ‘dando fruto e aumentando em todo o mundo’. — Col. 1:6.

      Da mesma forma hoje — mas numa escala jamais antes alcançada — as boas novas estão produzindo frutos. Mais pessoas estão sendo alcançadas com as boas novas e as estão aceitando como nunca antes. O cumprimento do que a Palavra de Deus predisse prossegue rapidamente, como o corredor numa corrida. — Isa. 60:22.

      Reajustes organizacionais

      Em 1976, o irmão Knorr tinha trabalhado diligentemente como presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) por mais de três décadas. Ele viajara ao redor do globo muitas vezes, visitando e encorajando missionários, ensinando e instruindo as equipes de filial. Teve o privilégio de ver o número de Testemunhas ativas aumentar de 117.209, em 1942, para 2.248.390, em 1976.

      Mas, em meados de 1976, N. H. Knorr, de 71 anos, observara que tinha a tendência de chocar-se com objetos. Exames posteriores indicaram que ele tinha um tumor cerebral inoperável. Por alguns meses, lutou para continuar a trabalhar, mas o prognóstico de sua saúde era ruim. Será que sua saúde precária impediria o progresso da obra?

      O aumento no número de membros do Corpo Governante já havia começado em 1971. Era composto de 17 membros em 1975. Durante grande parte daquele ano, o Corpo Governante dera séria consideração, com orações, a como cuidar da melhor maneira possível de tudo o que está envolvido na pregação mundial e no trabalho de ensino delineados na Palavra de Deus para os nossos dias. (Mat. 28:19, 20) Em 4 de dezembro de 1975, o Corpo Governante havia aprovado unanimemente um dos mais importantes reajustes organizacionais da história moderna das Testemunhas de Jeová.

      A partir de 1.º de janeiro de 1976, todas as atividades da Sociedade Torre de Vigia e das congregações das Testemunhas de Jeová em toda a Terra foram postas sob a supervisão de seis comissões administrativas do Corpo Governante. De acordo com essa provisão, em 1.º de fevereiro de 1976, haviam entrado em vigor mudanças em todas as filiais da Sociedade em toda a Terra. Não mais era cada filial supervisionada por um só superintendente de filial, mas três ou mais homens maduros serviam como Comissão de Filial, servindo um de seus membros como coordenador permanente.a Depois de as comissões já estarem operando por alguns meses, o Corpo Governante disse: “Mostrou-se providencial que vários irmãos se consultem entre si para considerarem os interesses da obra do Reino. — Pro. 11:14; 15:22; 24:6.”

      Em meados do segundo semestre de 1976, apesar de seu estado de saúde precário, o irmão Knorr participou em dar instrução nas reuniões realizadas na sede com membros de Comissões de Filial e outros trabalhadores de filial de todo o mundo. Além de participar das reuniões durante o dia, o irmão Knorr convidava esses irmãos, em grupos pequenos, para o seu quarto às noitinhas. Desse modo ele e sua esposa, Audrey, tiveram estreita associação com homens que o conheciam e amavam e com os quais ele tivera tratos tão de perto ao longo dos anos. Depois dessas reuniões, a saúde do irmão Knorr foi piorando até a sua morte, em 8 de junho de 1977.

      Em 22 de junho de 1977, duas semanas após a morte do irmão Knorr, Frederick W. Franz, de 83 anos, foi eleito presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA). A respeito do irmão Franz, A Sentinela de 15 de outubro de 1977 dizia: “Sua notável reputação como eminente erudito bíblico e seu trabalho incansável a favor dos interesses do Reino lhe granjearam a confiança e o apoio leal das Testemunhas de Jeová em toda a parte.”

      Por ocasião dessa transição, novas diretrizes organizacionais já estavam em funcionamento, o que assegurou o andamento da obra.

      Publicações bíblicas atendem às necessidades espirituais

      As Testemunhas de Jeová foram bem alimentadas espiritualmente antes de 1976. Mas um exame do que tem acontecido desde então, sob a direção do Corpo Governante e sua Comissão de Redação, revela que as águas da verdade têm fluído em quantidades ainda maiores e em formas mais diversificadas.

      Muitas das publicações produzidas preencheram necessidades específicas das próprias Testemunhas. Demonstrou-se interesse especial nos jovens. Com o fim de ajudá-los a aplicar os princípios bíblicos a situações que enfrentam na vida, publicou-se em 1976 Sua Juventude — O Melhor Modo de Usufruí-la e, em 1989, Os Jovens Perguntam — Respostas Práticas. O livro ilustrado Meu Livro de Histórias Bíblicas, preparado tendo-se em mente as crianças, foi lançado em 1978. Naquele mesmo ano, apresentaram-se em Torne Feliz Sua Vida Familiar conselhos práticos e orientações para fortalecer as famílias.

      Às vezes, necessidades específicas do povo de Jeová têm sido preenchidas por meio de conselhos oportunos nas páginas de A Sentinela. Por exemplo, o relatório mundial da atividade das Testemunhas de Jeová de 1977/78 mostrava uma diminuição no número dos que participavam na obra de pregação. Teria sido a diminuição, pelo menos em parte, devida à decepção sobre expectativas a respeito de 1975? Talvez. Mas houve outros fatores que influenciaram. O que se podia fazer?

      O Corpo Governante tomou medidas para fortalecer a convicção entre as Testemunhas de Jeová da necessidade de continuar zelosamente a proclamar o Reino de casa em casa. A Sentinela de 1.º de março de 1980 continha os artigos “Zelo Pela Casa de Jeová”, “Pregação num Mundo sem Lei”, “Elas Pregaram de Casa em Casa” e “O Que Outros Disseram Sobre Ir de Casa em Casa Para Dar Testemunho”. Estes e outros artigos reafirmavam que a pregação de casa em casa tem base sólida nas Escrituras e instavam uma participação zelosa e de toda a alma nesta importante atividade.b — Atos 20:20; Col. 3:23.

      Ainda outra situação necessitava também de atenção. Por volta de 1980, algumas pessoas que haviam participado nas atividades das Testemunhas de Jeová por vários anos, incluindo alguns que haviam servido com destaque na organização, vinham tentando de vários modos causar divisão e se opunham à obra das Testemunhas de Jeová. Para fortalecer o povo de Jeová contra essa influência apóstata, A Sentinela publicou artigos tais como “Permaneça ‘Sólido na Fé’” (1.º de fevereiro de 1981), “Introduzirão Quietamente Seitas Destrutivas” (15 de junho de 1984) e “Rejeite a Apostasia, Apegue-se à Verdade!” (1.º de outubro de 1983), ao passo que o livro “Venha o Teu Reino” (1981) sublinhava a realidade de que o Reino está próximo, tendo sido estabelecido nos céus em 1914. O Corpo Governante não permitiu que os esforços dos opositores o desviassem do objetivo primário das Testemunhas de Jeová — proclamar o Reino de Deus!

      Todavia, o que dizer da necessidade das Testemunhas de Jeová de continuar a ampliar seu conhecimento da verdade bíblica? Para um estudo compenetrado da Bíblia, editou-se, em inglês, em 1984, uma edição revisada, com referências, da Tradução do Novo Mundo, que contém extensivas referências marginais, notas e um apêndice. Quatro anos mais tarde, em 1988, os do povo de Jeová se emocionaram ao receberem comentários atualizados, versículo por versículo, sobre Revelação (Apocalipse) na forma do livro Revelação — Seu Grandioso Clímax Está Próximo!, também a enciclopédia bíblica, em três volumes, Estudo Perspicaz das Escrituras. Depois, em 1991, foi publicado o belamente ilustrado livro O Maior Homem Que Já Viveu, um estudo extensivo sobre a vida e os ensinamentos de Jesus Cristo.

      Mas o que dizer das necessidades de pessoas que não são Testemunhas de Jeová? Como instrumento para instruir recém-interessados, foi lançada em 1982 a publicação Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra. Foi elaborado para ajudar os estudantes da Bíblia a cumprir os requisitos de Jeová para a vida num paraíso terrestre. Para ajudar pessoas que talvez perguntem a respeito da origem e do objetivo da vida na Terra, foi providenciado em 1985 o livro A Vida — Qual a Sua Origem? A Evolução ou a Criação?. Isto foi seguido em 1989 do livro, que fortalece a fé, A Bíblia — Palavra de Deus ou de Homem?.

      Deu-se atenção também a pessoas humildes com necessidade de ajuda especial por causa de sua formação cultural ou religiosa. Para ensinar a verdade sobre o Reino de Jeová aos analfabetos ou aos com pouca leitura, foi lançada em 1982 a brochura de 32 páginas intitulada Viva Para Sempre em Felicidade na Terra!. Até 1992, mais de 76.000.000 de exemplares haviam sido impressos, e estava sendo publicada em 200 idiomas em todo o mundo, o que a transformou na mais amplamente traduzida publicação da Sociedade Torre de Vigia.

      Em 1983, foram produzidos três folhetos com o objetivo especial de ajudar os muçulmanos, os budistas e os hindus. Para alcançar pessoas dessas e de outras formações religiosas, é útil entender algo sobre a religião delas — seus ensinamentos e sua história. Para preencher essa necessidade, foi lançado em 1990 o livro O Homem em Busca de Deus.

      O Corpo Governante estava profundamente interessado em alcançar o máximo número possível de pessoas com a mensagem do Reino — pessoas ‘de todas as nações, tribos e línguas’. (Rev. 7:9) Para esse fim, providenciou-se a tradução das publicações em muito mais idiomas. Por exemplo, de 1976 a 1992, houve um aumento de cerca de 42 por cento no número de línguas em que A Sentinela era editada. Em outubro de 1992, o número era de 111. Para tornar possível rápida tradução, naquele mesmo ano mais de 800 tradutores em todo o mundo participavam desse trabalho.

      Enriquecidos e diversificados programas de educação

      Sob a direção do Corpo Governante e sua Comissão de Ensino, os programas de instrução para a equipe da sede mundial e das famílias de Betel nas filiais em todo o mundo foram enriquecidos e tornados mais diversificados. Além da leitura da Bíblia e do Anuário como parte da adoração matinal, iniciou-se uma análise profunda do trecho da Bíblia lido durante a semana precedente com uma aplicação da matéria aos que servem em Betel. Iniciou-se a apresentação de relatórios regulares de diversos departamentos de Betel, bem como relatórios mais freqüentes dos superintendentes zonais.

      Para preencher as necessidades dos com responsabilidades adicionais dentro da organização, mais programas educativos foram preparados e postos em funcionamento. Em 1977, foram feitas provisões para que todos os anciãos fizessem um curso, de 15 horas de duração, da Escola do Ministério do Reino. (Atos 20:28) Desde então, vêm sendo realizadas sessões similares de duração variada a cada poucos anos; e a partir de 1984, os servos ministeriais também recebem treinamento na Escola do Ministério do Reino. Em Brooklyn, a partir de dezembro de 1977, iniciou-se um curso especial, de cinco semanas, para membros de Comissões de Filial.

      Mostrou-se também interesse especial pelos que se aplicavam ao ministério de tempo integral como pioneiros. Em dezembro de 1977, foi inaugurada nos Estados Unidos a Escola do Serviço de Pioneiro, um curso de duas semanas para treinar pioneiros, curso este que, com o tempo, se estendeu a todas as partes da Terra. Nos 14 anos seguintes, o número de pioneiros aumentou mais de cinco vezes — de 115.389 para 605.610!

      Uma nova escola foi iniciada em outubro de 1987 — a Escola de Treinamento Ministerial. Essa escola foi estabelecida para treinar irmãos solteiros, habilitados, com certa experiência como anciãos ou servos ministeriais e dispostos a servir onde houvesse necessidade no campo mundial. Até 1992, o curso tinha sido realizado na Alemanha, Austrália, Áustria, El Salvador, Espanha, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, México, Nigéria e Suécia. O resultado tem sido não uma classe de pessoas consideradas superiores a outros na congregação, mas antes, um aumento no número de homens bem qualificados para servirem a seus irmãos.

      Para promover a obra mundial de educação bíblica, foram programados congressos internacionais em cidades estrategicamente localizadas — alguns em países onde as Testemunhas de Jeová tinham sido proscritas. Esses congressos serviram para fortalecer os irmãos nessas áreas e para dar um forte impulso à pregação das boas novas nesses países.c

      Prédios e instalações para atender ao crescimento

      Ao passo que a divulgação da palavra de Jeová prosseguia rapidamente, foram necessários alguns empreendimentos emocionantes nas áreas de construção e de impressão — campos sob a supervisão do Corpo Governante e sua Comissão Editora.

      Testemunhas com experiência em construção ofereceram seus préstimos, e seus empenhos foram coordenados para ajudar na construção de novos e maiores prédios de filial em todo o mundo. De 1976 a 1992, realizou-se em cerca de 60 países a construção de prédios de filial totalmente novos. Além disso, iniciaram-se em 30 países construções para a ampliação de prédios já existentes. O modo como o trabalho foi executado (com voluntários de muitas congregações — às vezes de outros países) serviu para estreitar os vínculos de amor e união entre o povo de Jeová.d

      Para atender às crescentes necessidades da Sociedade no que tange à impressão multilíngüe, Testemunhas com experiência em computação desenvolveram um sistema computadorizado de pré-impressão chamado MEPS (Sistema Eletrônico de Fotocomposição Multilíngüe). O projeto foi concluído em 1986. Em resultado disso, em 1992, A Sentinela era impressa simultaneamente em 66 idiomas. A vasta maioria das Testemunhas de Jeová podia assim receber o mesmo alimento espiritual ao mesmo tempo.e

      Ao passo que continuava a ampliação dos prédios e instalações da Sociedade Torre de Vigia, havia necessidade de mais voluntários na sede em Brooklyn, bem como nas filiais em todo o mundo. De 1976 a 1992, a família internacional de Betel triplicou em tamanho, de cerca de 4.000 para mais de 12.900 membros que serviam em toda a Terra. O Corpo Governante e sua Comissão do Pessoal vêm cuidando das necessidades pessoais e espirituais deste grande exército de trabalhadores voluntários de tempo integral.

      Atenção dada às congregações e à obra de evangelização

      Ao passo que a divulgação da palavra de Jeová prosseguia rapidamente, o Corpo Governante e sua Comissão de Serviço direcionavam suas energias em edificar as congregações mundialmente e em expandir a obra global de evangelização.

      Será que se podia fazer mais para ajudar os muitos novos que a cada ano se batizavam? Em princípios de 1977, tomaram-se providências para fortalecer espiritualmente as novas Testemunhas. Nosso Serviço do Reino explicava: “Achamos que se devem estudar pelo menos dois livros com todos aqueles que chegam a conhecer a verdade. . . . De modo que o estudo deve continuar após o batismo até se completar o segundo livro.” Deste modo, Testemunhas recém-batizadas receberam mais plena oportunidade de obter conhecimento e entendimento e de ter crescente apreço pelo significado do batismo. Essa nova provisão incentivou também a associação mais estreita entre os novos e as Testemunhas que os ajudaram em seu estudo bíblico.

      Para se cuidar dos que afluem à organização de Jeová, mais de 29.000 congregações foram formadas em todo o mundo entre 1976 e 1992. (Miq. 4:1) Mais superintendentes de circuito e de distrito foram designados pelo Corpo Governante e enviados para prestarem ajuda. O número desses superintendentes viajantes passou de uns 2.600, em 1976, para cerca de 3.900 em 1992.

      À medida que aumentava o número de congregações, havia também uma crescente necessidade de mais salões de reunião. Haveria um modo mais rápido de construir Salões do Reino? Na década de 70, as Testemunhas de Jeová nos Estados Unidos organizaram um programa de construção em que trabalhadores habilitados em construção, de lugares próximos no país, eram convidados para ajudar Testemunhas locais a construir um Salão do Reino. Com centenas de pessoas ajudando, podia-se construir um salão rapidamente — não raro em apenas dois ou três dias. Na década de 80, Salões do Reino de construção rápida surgiam também em outras partes da Terra.

      Mudanças políticas na Europa Oriental também influíram nas Testemunhas de Jeová. Que emoção foi para nossos irmãos em países tais como Alemanha Oriental (como então se chamava), Hungria, Polônia, Romênia e no que era então chamado de União Soviética, saber que haviam recebido reconhecimento legal, em alguns casos depois de 40 anos de proscrição! A maior liberdade nesses países agora tornava mais fácil alcançar uns 380.000.000 de pessoas com as boas novas! As Testemunhas de Jeová não perderam tempo em aproveitar sua recém-encontrada liberdade para participar na atividade de pregação pública.

      E os resultados? A divulgação da palavra de Jeová tem prosseguido rapidamente! Por exemplo, em abril de 1992, o número dos proclamadores do Reino que relataram na Polônia era de 106.915. E as perspectivas de aumento futuro eram notáveis: naquele mesmo mês, a assistência à Comemoração da morte de Cristo foi de 214.218. Similarmente, nos países outrora conhecidos como a União Soviética, 173.473 pessoas assistiram à Comemoração em 1992, um aumento de 60 por cento sobre o ano anterior.

      Em alguns países, porém, a persistente perseguição e as calamidades naturais apresentaram obstáculos. Em 1992, as atividades das Testemunhas de Jeová ainda estavam sob restrições governamentais em 24 países. A Comissão do Presidente do Corpo Governante faz o que é possível para lhes dar assistência e informar a irmandade internacional sobre maneiras de prestarem ajuda a co-Testemunhas que servem em condições adversas. (Veja 1 Coríntios 12:12-26.) Nem as campanhas de perseguição nem as calamidades naturais têm conseguido parar a pregação da palavra de Jeová!

      “Um povo peculiarmente seu”

      Portanto, nos anos de 1976 a 1992, a divulgação da palavra de Jeová deveras tem prosseguido rapidamente. A organização quase dobrou em tamanho, para mais de 4.470.000 publicadores do Reino!

      O povo de Jeová tem continuado a proclamar zelosamente o Reino de Deus, agora em mais idiomas do que nunca antes. Usando as publicações providas, tem aprofundado seu conhecimento da Bíblia e ajudado pessoas interessadas a aprender as verdades bíblicas. Tiram proveito dos programas educativos instituídos para os que têm responsabilidades adicionais dentro da organização. Jeová sem dúvida tem abençoado sua atividade de proclamação de Seu Reino.

      Desde a década de 1870 até agora, certos homens contribuíram de modo notável para o progresso da obra do Reino, homens tais como Charles T. Russell, Joseph F. Rutherford, Nathan H. Knorr e Frederick W. Franz, bem como outros que têm servido como membros do Corpo Governante. Mas, de forma alguma as Testemunhas de Jeová se tornaram uma seita edificada em torno da personalidade de um desses homens. Em vez disso, têm apenas um líder, “o Cristo”. (Mat. 23:10) Ele é Cabeça dessas Testemunhas organizadas de Jeová, aquele a quem ‘foi dada toda a autoridade’ para dirigir esta obra “todos os dias, até à terminação do sistema de coisas”. (Mat. 28:18-20) Estão determinadas a se submeter à chefia de Cristo, a se apegar à Palavra de Deus e a cooperar com a direção do espírito santo, para que continuem a avançar na adoração do único Deus verdadeiro e a provar ser “um povo peculiarmente seu, zeloso de obras excelentes”. — Tito 2:14.

      Mas quais são alguns dos ensinos básicos e normas de conduta que distinguem as Testemunhas de Jeová de todas as outras religiões? Como chegaram a ser conhecidas como Testemunhas de Jeová? Como é financiada a sua atividade? Por que se mantêm estritamente separadas das outras religiões e do mundo em geral? Por que se tornaram alvo de intensa perseguição em tantos lugares na Terra? Estas e muitas outras perguntas serão respondidas nos capítulos seguintes.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Veja o Capítulo 15, “Desenvolvimento da estrutura da organização”.

      b De 1980 a 1985, houve um aumento de 33 por cento no número dos que participavam na obra de pregação, e de 1985 a 1992, houve um aumento adicional de 47,9 por cento.

      c Veja o Capítulo 17, “Congressos — uma prova de nossa fraternidade”.

      d Veja o Capítulo 20: “Construindo juntos em escala global”.

      e Veja o Capítulo 26: “Produção de publicações bíblicas para uso no ministério”.

      [Destaque na página 117]

      Não uma seita edificada em torno da personalidade de algum homem.

      [Foto na página 109]

      Toda filial da Sociedade é supervisionada por uma comissão de irmãos, como esta que supervisiona a obra na Nigéria.

      [Fotos na página 116]

      O Corpo Governante das Testemunhas de Jeová

      Janeiro de 1992

      Carey W. Barber

      John E. Barr

      W. Lloyd Barry

      John C. Booth

      Frederick W. Franz

      George D. Gangas

      Milton G. Henschel

      Theodore Jaracz

      Karl F. Klein

      Albert D. Schroeder

      Lyman A. Swingle

      Daniel Sydlik

      [Foto/Gráfico na página 110]

      De 1976 a 1992, houve um aumento de 42 por cento no número de línguas em que “A Sentinela” era editada.

      111

      78

      1976 1992

      [Gráfico na página 112]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      Aumentos no número de pioneiros

      600.000

      400.000

      200.000

      1976

      1981

      1986

      1992

      [Gráfico na página 113]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      Aumentos na família mundial de Betel

      12.000

      9.000

      6.000

      3.000

      1976

      1981

      1986

      1992

      [Gráfico na página 114]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      Congregações que se multiplicam

      80.000

      60.000

      40.000

      20.000

      1976

      1981

      1986

      1992

      [Gráfico na página 115]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      Aumentos em proclamadores do Reino

      4.000.000

      3.000.000

      2.000.000

      1.000.000

      1976

      1981

      1986

      1992

      [Quadro na página 111]

      Formação de F. W. Franz

      Frederick William Franz nasceu em Covington, Kentucky, EUA, em 12 de setembro de 1893. Em 1899, sua família mudou-se para Cincinnati, onde Frederick cursou o segundo grau em 1911. Ele ingressou então na Universidade de Cincinnati e fez curso de humanidades. Ele decidira tornar-se pastor presbiteriano, de modo que se aplicou diligentemente ao estudo do grego bíblico. Na universidade, Frederick foi selecionado para receber uma bolsa de estudos, qualificando-se para ingressar na Universidade de Oxford, na Inglaterra. Entretanto, antes que se anunciasse isso, Frederick perdeu todo o interesse na bolsa de estudos e pediu que retirassem seu nome da lista dos concorrentes.

      Anteriormente, seu irmão Albert lhe enviara um folheto que obtivera dos Estudantes Internacionais da Bíblia. Mais tarde, Albert lhe deu os três primeiros volumes de “Estudos das Escrituras”. Frederick ficou maravilhado com o que aprendeu e decidiu desligar-se da Igreja Presbiteriana e associar-se com a congregação dos Estudantes da Bíblia. Em 30 de novembro de 1913, ele foi batizado. Em maio de 1914, deixou a universidade e imediatamente fez preparativos para ser colportor (pioneiro).

      Em junho de 1920, tornou-se membro da família de Betel de Brooklyn. Após a morte de N. H. Knorr, em junho de 1977, o irmão Franz foi eleito presidente da Sociedade. Ele serviu fielmente como membro do Corpo Governante até sua morte em 22 de dezembro de 1992, com 99 anos de idade.

  • Crescimento no conhecimento exato da verdade
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 10

      Crescimento no conhecimento exato da verdade

      AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ não têm procurado iniciar novas doutrinas, uma nova forma de adoração, uma nova religião. Em vez disso, sua história dos tempos atuais reflete seu esforço consciente no sentido de ensinar o que está na Bíblia, a inspirada Palavra de Deus. Apontam para ela como a base de todas as suas crenças e de seu modo de vida. Em vez de desenvolverem crenças que reflitam as tendências permissivas do mundo atual, elas têm procurado harmonizar-se cada vez mais de perto com os ensinamentos bíblicos e práticas do cristianismo do primeiro século.

      Em princípios da década de 1870, Charles Taze Russell e seus associados passaram a se dedicar a um diligente estudo da Bíblia. Tornou-se óbvio para eles que a cristandade se desviara muito dos ensinamentos e das práticas do primitivo cristianismo. O irmão Russell não alegou ser o primeiro a discernir isto, e reconheceu abertamente estar endividado com outros pela ajuda que prestaram durante seus primeiros anos de estudo das Escrituras. Falou com apreço da boa obra que vários movimentos da Reforma fizeram visando deixar brilhar a verdade cada vez mais. Ele citou nominalmente certos homens de mais idade, como Jonas Wendell, George Stetson, George Storrs e Nelson Barbour, que contribuíram pessoalmente de vários modos para seu entendimento da Palavra de Deus.a

      Ele declarou também: “Diversas doutrinas que apoiamos e que parecem tão novas, atuais e diferentes eram sustentadas de alguma forma muito tempo atrás: por exemplo — Eleição, Graça Gratuita, Restauração, Justificação, Santificação, Glorificação, Ressurreição.” Com freqüência, porém, um grupo religioso se distinguia pelo entendimento mais claro de certa verdade bíblica; outro grupo, por outra verdade. O progresso adicional deles era muitas vezes impedido porque estavam presos a doutrinas e credos que continham crenças originárias da antiga Babilônia e Egito ou haviam sido emprestadas dos filósofos gregos.

      Mas, que grupo, com a ajuda do espírito de Deus, paulatinamente se apegaria de novo ao inteiro “modelo de palavras salutares”, prezado pelos cristãos do primeiro século? (2 Tim. 1:13) No caso de quem revelaria ser sua vereda “como a luz clara que clareia mais e mais até o dia estar firmemente estabelecido”? (Pro. 4:18) Quem realmente faria a obra ordenada por Jesus, ao dizer: “Sereis testemunhas de mim . . . até à parte mais distante da terra”? Quem não só faria discípulos, mas também ‘os ensinaria a observar todas as coisas’ que Jesus ordenara? (Atos 1:8; Mat. 28:19, 20) Deveras, estava próximo o tempo em que o Senhor faria uma clara distinção entre os cristãos verdadeiros, que ele assemelhou ao trigo, e os de imitação, aos quais se referiu como joio (realmente um tipo de erva daninha que até amadurecer se parece muito com o trigo)?b (Mat. 13:24-30, 36-43) Quem provaria ser “o escravo fiel e discreto” a quem o Amo, Jesus Cristo, na sua presença, empossado no Reino, confiaria maiores responsabilidades relacionadas com a obra predita para a terminação deste sistema de coisas? — Mat. 24:3, 45-47.

      Deixar brilhar a luz

      Jesus instruiu seus discípulos no sentido de partilharem com outros a luz da verdade divina que receberam dele. “Vós sois a luz do mundo”, disse ele. “Deixai brilhar a vossa luz perante os homens.” (Mat. 5:14-16; Atos 13:47) Charles Taze Russell e seus associados reconheciam que tinham a obrigação de fazer isso.

      Achavam eles que tinham todas as respostas, a plena luz da verdade? A essa pergunta o irmão Russell respondeu de modo explícito: “Certamente que não; tampouco as teremos até o ‘dia perfeito’.” (Pro. 4:18, Almeida) Referiam-se com freqüência às suas crenças bíblicas como “a verdade atual” — não com a idéia de que a verdade em si mudasse, mas sim no sentido de que o entendimento por parte deles era progressivo.

      Esses zelosos estudantes da Bíblia não se esquivavam da idéia de que, em matéria de religião, existe a verdade. Reconheciam a Jeová como “Deus da verdade” e a Bíblia como sua Palavra veraz. (Sal. 31:5; Jos. 21:45; João 17:17) Davam-se conta de que ainda havia muita coisa que não conheciam, mas não deixavam de declarar com convicção o que haviam aprendido da Bíblia. E, quando doutrinas e práticas religiosas tradicionais contradiziam o que eles encontravam claramente expresso na inspirada Palavra de Deus, então, imitando a Jesus Cristo, eles expunham a falsidade, embora isso lhes acarretasse ridicularização e ódio da parte do clero. — Mat. 15:3-9.

      Para alcançar e alimentar outros espiritualmente, C. T. Russell começou a publicar, em julho de 1879, a revista Zion’s Watch Tower and Herald of Christ’s Presence.

      A Bíblia — realmente a Palavra de Deus

      A confiança que Charles Taze Russell tinha na Bíblia não era meramente aceitar um ponto de vista tradicional que estivesse em voga na época. Ao contrário, o comumente aceito naquela época era a alta crítica. Os que a aceitavam desafiavam a confiabilidade do registro bíblico.

      Quando jovem, Russell se filiara à Igreja Congregacional onde veio a ser ativo, mas a irracionalidade dos dogmas tradicionais o levaram a se tornar céptico. Ele descobriu que o que lhe fora ensinado não podia ser defendido de modo satisfatório pela Bíblia. Portanto, abandonou os dogmas dos credos da igreja e, junto com tais, a Bíblia. Daí, pesquisou as principais religiões orientais, mas essas também se mostraram insatisfatórias. Então, começou a se perguntar se a Bíblia estava sendo talvez mal representada pelos credos da cristandade. Incentivado pelo que ouvira certa noite numa reunião adventista, começou a fazer um estudo sistemático das Escrituras. O que ele viu desvendar-se diante de si era deveras a inspirada Palavra de Deus.

      Ficou profundamente impressionado com a harmonia da própria Bíblia e com a personalidade Daquele identificado como seu Autor Divino. Para ajudar outros a tirar proveito disto, ele mais tarde escreveu o livro The Divine Plan of the Ages (O Plano Divino das Eras), que publicou em 1886. Nele incluiu uma extensiva análise sobre o assunto “A Bíblia Como Revelação Divina Considerada à Luz da Razão”. Perto do fim do capítulo, ele declarou inequivocamente: “A profundeza, e o poder, e a sabedoria, e o escopo do testemunho da Bíblia nos convencem de que o autor dos planos e das revelações que ela engloba não é o homem, mas sim o Deus Todo-Poderoso.”

      A confiança na Bíblia inteira como a Palavra de Deus continua sendo o fundamento das crenças das Testemunhas de Jeová hoje. Em todo o mundo, elas têm compêndios bíblicos que as habilitam a examinar pessoalmente a evidência de sua inspiração. Aspectos deste assunto são freqüentemente considerados nas suas revistas. Em 1969, publicaram o livro É a Bíblia Realmente a Palavra de Deus? Vinte anos mais tarde, o livro A Bíblia — Palavra de Deus ou de Homem? considerou com novo enfoque a autenticidade da Bíblia, chamou atenção para as evidências adicionais e chegou à mesma conclusão: a Bíblia é, realmente, a inspirada Palavra de Deus. Outro de seus livros, publicado primeiro em 1963 e atualizado em 1990, é “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”. Mais pormenores acham-se na sua enciclopédia bíblica Estudo Perspicaz das Escrituras, publicada em 1988.

      Pelo estudo pessoal e congregacional dessa matéria, convenceram-se de que, embora cerca de 40 homens, durante um período de 16 séculos, fossem usados para escrever o que se acha nos 66 livros da Bíblia, o próprio Deus orientou ativamente a escrita mediante seu espírito. O apóstolo Paulo escreveu: “Toda a Escritura é inspirada por Deus.” (2 Tim. 3:16; 2 Ped. 1:20, 21) Esta convicção é um poderoso fator na vida das Testemunhas de Jeová. Comentando isso, um jornal britânico observou: “Por trás de tudo o que uma Testemunha [de Jeová] faz há uma razão bíblica. Deveras, seu único princípio fundamental é reconhecer a Bíblia como . . . verdadeira.”

      Conhecimento do verdadeiro Deus

      Ao passo que o irmão Russell e seus associados estudavam as Escrituras, não levou muito tempo para entenderem que o Deus apresentado na Bíblia não é o deus da cristandade. Isto foi um assunto importante, pois, conforme Jesus Cristo disse, a perspectiva de vida eterna das pessoas depende de conhecerem o único Deus verdadeiro e aquele que ele enviou, seu Agente Principal da salvação. (João 17:3; Heb. 2:10) C. T. Russell e o grupo que participava com ele no estudo da Bíblia discerniram que a justiça de Deus está em perfeito equilíbrio com a Sua sabedoria, amor e poder, e que estes atributos são manifestos em todas as suas obras. Com base no conhecimento que eles tinham então sobre o propósito de Deus, prepararam uma análise sobre por que se permite o mal e a incluíram numa de suas primeiras e mais distribuídas publicações, o livro de 162 páginas Food for Thinking Christians (Matéria Para Cristãos Refletivos), lançado primeiro como edição especial da Zion’s Watch Tower em setembro de 1881.

      Seu estudo da Palavra de Deus os ajudou a compreender que o Criador tem um nome pessoal e que torna possível a humanos conhecê-lo e gozar de estreita relação com ele. (1 Crô. 28:9; Isa. 55:6; Tia. 4:8) A Watch Tower de outubro-novembro de 1881 destacava: “JEOVÁ é o nome que identifica nenhum outro senão o Ser Supremo — nosso Pai e aquele a quem Jesus chamou de Pai e Deus.” — Sal. 83:18; João 20:17.

      No ano seguinte, em resposta à pergunta: “Afirmais que a Bíblia não ensina que há três pessoas em um só Deus?” foi dito: “Sim: ao contrário, ela nos diz de fato que há um só Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo de quem são todas as coisas (ou que criou todas as coisas). Cremos assim em Um só Deus e Pai, e também em um só Senhor Jesus Cristo . . . Mas estes são dois, e não um só ser. Eles são um apenas no sentido de estarem em harmonia. Cremos também num espírito de Deus . . . Mas não é uma pessoa, como o espírito de demônios, o espírito do Mundo e o espírito do Anticristo tampouco são pessoas.” — Zion’s Watch Tower, de junho de 1882; João 17:20-22.

      Crescente apreço pelo nome de Deus

      Aos poucos, esses Estudantes da Bíblia ficaram cada vez mais apercebidos do destaque que as inspiradas Escrituras dão ao nome pessoal de Deus. Este nome foi obscurecido em inglês pelas traduções católica romana Douay e protestante King James da Bíblia, como se deu mais tarde com a maioria das traduções em muitos idiomas no século 20. Mas diversas traduções, bem como obras bíblicas de referência, atestaram que o nome Jeová ocorre no texto, no idioma original, milhares de vezes — na realidade, mais vezes do que qualquer outro nome, e mais vezes do que o total conjunto de vezes em que aparecem títulos tais como Deus e Senhor. Como “povo para o seu nome”, seu próprio apreço pelo nome divino aumentou. (Atos 15:14) Na Watch Tower de 1.º de janeiro de 1926, apresentaram o que reconheciam ser uma questão que toda pessoa precisa enfrentar, a saber, “Quem Honrará a Jeová?”.

      A ênfase que deram ao nome de Deus não era simplesmente uma questão de conhecimento religioso. Segundo explicado no livro Prophecy (publicado em 1929), a questão de superlativa importância com que toda criação inteligente se confronta envolve o nome e a palavra de Jeová Deus. As Testemunhas de Jeová frisam que a Bíblia mostra que toda pessoa precisa conhecer o nome de Deus e tratá-lo como algo sagrado. (Mat. 6:9; Eze. 39:7) Tem de ser limpo de todo vitupério lançado sobre ele não só por aqueles que desafiaram abertamente a Jeová, mas também por aqueles que o representaram mal por meio de suas doutrinas e ações. (Eze. 38:23; Rom. 2:24) Com base nas Escrituras, as Testemunhas reconhecem que o bem-estar de todo o Universo e seus habitantes depende da santificação do nome de Jeová.

      Compreendem que, antes de Jeová tomar ação para destruir os iníquos, é dever e privilégio de suas testemunhas falar a verdade a respeito dele a outros. As Testemunhas de Jeová vêm fazendo isso em toda a Terra. Tão zelosas têm sido em desincumbir-se dessa responsabilidade que, no mundo todo, qualquer pessoa que freqüentemente usa o nome Jeová é logo reconhecida como Testemunha de Jeová.

      Exposta a Trindade

      Quais testemunhas de Jeová, C. T. Russell e seus associados compreendiam que tinham a grande responsabilidade de expor os ensinamentos que representavam mal a Deus, para ajudar os amantes da verdade a compreender que tais não se baseiam na Bíblia. Eles não foram os primeiros a reconhecer que a Trindade não é bíblica,c mas reconheciam que, se haviam de ser servos fiéis de Deus, tinham a responsabilidade de tornar conhecida a verdade sobre isso. Corajosamente, em benefício dos amantes da verdade, expuseram as raízes pagãs dessa doutrina central da cristandade.

      A Watch Tower de junho de 1882 dizia: “Muitos filósofos pagãos, descobrindo que seria boa política juntar-se à religião emergente [uma forma de cristianismo apóstata endossado pelos imperadores romanos do quarto século EC], passaram a preparar um terreno fácil para ela, tentando descobrir correspondências entre o cristianismo e o paganismo, e assim mesclar os dois. Conseguiram fazer isso com êxito. . . . Visto que a antiga teologia tinha diversos deuses principais, com muitos semideuses de ambos os sexos, os pagano-cristãos (se é que podemos cunhar tal palavra) passaram a reconstruir a lista da nova teologia. Nessa ocasião, portanto, inventou-se a doutrina de três Deuses — Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.”

      Alguns dos clérigos se empenharam em dar um colorido bíblico ao seu ensinamento, citando passagens como de 1 João 5:7, mas o irmão Russell apresentou evidência que mostrava ser de amplo conhecimento dos eruditos que um trecho desse texto era uma interpolação, uma inserção espúria, feita por um escriba em apoio de um ensinamento que não se encontra nas Escrituras. Outros apologistas da Trindade recorreram a João 1:1, mas a Watch Tower analisou essa passagem com base tanto no conteúdo como no contexto para mostrar que isto de forma alguma apoiava a crença da Trindade. Em harmonia com isto, a Watch Tower de julho de 1883 dizia: “Mais estudo da Bíblia e menos teologia de hinário teria tornado o assunto mais claro para todos. A doutrina da trindade é totalmente contrária à Escritura.”

      O irmão Russell expôs abertamente a insensatez de afirmar crer na Bíblia e, ao mesmo tempo, ensinar uma doutrina como a Trindade que contradiz a Bíblia. De modo que escreveu: “Em que embrulhada de contradições e confusão se acham os que dizem que Jesus e o Pai são um só Deus! Isto daria a idéia de que nosso Senhor Jesus foi hipócrita quando esteve na Terra e que simplesmente fingia dirigir-se a Deus em oração, sendo Ele Próprio o mesmo Deus. . . . Também, o Pai sempre foi imortal, por conseguinte, não podia morrer. Então, como podia Jesus morrer? Todos os Apóstolos foram testemunhas falsas ao falarem da morte e da ressurreição de Jesus, se é que Ele não morreu. As Escrituras declaram, porém, que Ele morreu realmente.”d

      Assim, cedo na sua história moderna, as Testemunhas de Jeová rejeitaram terminantemente o dogma da Trindade, da cristandade, a favor do ensinamento lógico e animador da própria Bíblia.e O trabalho que têm feito em divulgar essas verdades e em dar às pessoas em toda a parte a oportunidade de ouvi-las tem assumido proporções nunca antes alcançadas por qualquer indivíduo ou grupo, no passado ou no presente.

      Qual é a condição dos mortos?

      O que o futuro reservava para os que não aceitaram a provisão divina de salvação era uma profunda preocupação para C. T. Russell desde jovem. Quando menino, ele acreditava no que os clérigos diziam sobre o inferno de fogo; pensava que eles pregavam a Palavra de Deus. Ele saía de noite para escrever com giz passagens da Bíblia em lugares visíveis para que operários que passassem por lá fossem avisados e salvos da terrível condenação ao tormento eterno.

      Mais tarde, depois de ter constatado pessoalmente o que a Bíblia realmente ensina, foi citado por um de seus associados como tendo dito: “Se a Bíblia realmente ensina que a tortura eterna é o destino de todos exceto dos santos, isto deve ser pregado — sim, gritado do alto das casas a cada semana, dia e hora; se ela não ensina isso, deve-se dar a conhecer esse fato, e a sórdida mancha que macula o nome santo de Deus deve ser removida.”

      No início de seu estudo da Bíblia, C. T. Russell viu claramente que o inferno não é um lugar de tormento para as almas após a morte. Ele foi bem provavelmente ajudado nisto por George Storrs, editor da Bible Examiner, a quem o irmão Russell mencionava com caloroso apreço nos seus escritos e que havia escrito muito sobre o que tinha discernido da Bíblia a respeito da condição dos mortos.

      Mas o que dizer da alma? Apoiavam os Estudantes da Bíblia a crença de que ela é uma parte espiritual do homem, algo que sobrevive à morte do corpo? Ao contrário, em 1903, a Watch Tower dizia: “Precisamos notar cuidadosamente que o ponto em questão não é que o homem tem uma alma, mas sim que o homem é uma alma, ou ser. Usemos uma ilustração da natureza — o ar que respiramos: ele é composto de oxigênio e nitrogênio, mas nenhum destes é atmosfera, ou ar; porém, quando os dois são juntados, em proporções químicas adequadas, resulta em atmosfera. Assim se dá com a alma. Deus fala de nós deste ponto de vista, de cada um de nós ser uma alma. Ele não se dirige aos nossos corpos nem ao nosso fôlego de vida, mas dirige-se realmente a nós como seres inteligentes, ou almas. Ao declarar a penalidade pela violação de sua lei, ele não se dirigiu especificamente ao corpo de Adão, mas ao homem, a alma, o ser inteligente: ‘Tu!’ ‘No dia em que tu comeres dela, certamente tu morrerás.’ ‘A alma que pecar, essa morrerá.’ — Gên. 2:17; Eze. 18:20.” Isto estava em harmonia com o que a Watch Tower havia declarado já em abril de 1881.f

      Como se desenvolveu então a crença na imortalidade inerente da alma humana? Quem foi seu autor? Após examinar cuidadosamente tanto a Bíblia como a história religiosa, o irmão Russell escreveu na Watch Tower de 15 de abril de 1894: “Evidentemente não partiu da Bíblia . . . A Bíblia declara distintamente que o homem é mortal, que a morte lhe é possível. . . . Examinando as páginas da história, descobrimos que, embora a doutrina da imortalidade humana não seja ensinada pelas testemunhas inspiradas por Deus, é a própria essência de todas as religiões pagãs. . . . Não é verdade, portanto, que Sócrates e Platão foram os primeiros a ensinar essa doutrina: ela teve um instrutor anterior a esses dois, e ainda mais capaz. . . . O primeiro registro deste ensinamento falso se acha na mais antiga história conhecida pelo homem — a Bíblia. O instrutor falso foi Satanás.”g

      Apontando a “mangueira” contra o inferno

      Em harmonia com o forte desejo do irmão Russell de remover do nome de Deus a sórdida mancha resultante do ensinamento do tormento eterno no inferno de fogo, ele escreveu um tratado sobre o assunto: “Ensinam as Escrituras que o Tormento Eterno É o Salário do Pecado?” (The Old Theology [A Velha Teologia], 1889) Nele ele dizia:

      “A teoria do tormento eterno teve origem pagã, embora no conceito dos pagãos não fosse aquela doutrina sem misericórdia como veio a ser depois, quando começou gradativamente a se ligar ao cristianismo nominal no período em que tal cristianismo se mesclou com filosofias pagãs, no segundo século. Foi a grande apostasia que acrescentou à filosofia pagã os horríveis pormenores agora tão geralmente cridos, que os pintou nas paredes das igrejas, como fez na Europa, que os escreveu nos seus credos e hinos e perverteu tanto a Palavra de Deus para dar um aparente apoio divino a essa blasfêmia que desonra a Deus. Por conseguinte, a credulidade de hoje a recebe não como um legado do Senhor, ou dos apóstolos, ou dos profetas, mas do espírito de transigência que sacrificou a verdade e a lógica e vergonhosamente perverteu as doutrinas do cristianismo, por causa de ambição profana e luta por poder, riqueza e números. O tormento eterno como penalidade pelo pecado era desconhecido dos patriarcas dos tempos antigos; era desconhecido dos profetas da era judaica; e era desconhecido do Senhor e dos apóstolos; mas tem sido a principal doutrina do Cristianismo Nominal desde a grande apostasia — o flagelo por meio do qual os crédulos, os ignorantes e os supersticiosos do mundo têm sido levados a uma obediência servil à tirania. O tormento eterno era a condenação proferida contra todos os que resistissem à autoridade de Roma ou a repelissem, e a punição começava na vida atual sempre que ela [a Igreja] retinha o poder.”

      O irmão Russell estava bem ciente de que a maioria das pessoas sensatas não cria realmente na doutrina do inferno de fogo. Mas, conforme ele disse, em 1896, no folheto What Say the Scriptures About Hell? (Que Dizem as Escrituras Sobre o Inferno?), “já que pensam que a Bíblia o ensina, todo passo dado por eles em direção à verdadeira inteligência e benignidade fraterna . . . é na maioria dos casos um passo em sentido oposto da Palavra de Deus que falsamente acusam de ensinar tal doutrina”.

      Para atrair essas pessoas refletidas de volta à Palavra de Deus, ele apresentou nesse folheto todas as passagens da King James Version em que se encontrava a palavra inferno, para que os leitores pudessem ver por si mesmos o que diziam, e daí declarou: “Graças a Deus, não encontramos tal lugar de tortura eterna que os credos, os hinários e muitos sermões do púlpito erroneamente ensinam. Entretanto, encontramos um ‘inferno’, seol, hades, ao qual toda a raça humana foi condenada por causa do pecado de Adão, e do qual todos são remidos pela morte de nosso Senhor; e esse ‘inferno’ é o túmulo — a condição de morte. E encontramos outro ‘inferno’ (geena — a segunda morte — a destruição total) para o qual se chama nossa atenção como a penalidade final de todos os que, depois de serem remidos e levados a um pleno conhecimento da verdade, e a uma plena capacidade de obedecer, escolherem não obstante a morte decidindo seguir um proceder de oposição a Deus e à justiça. E nosso coração diz: Amém. Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações! Quem não temerá e não glorificará o teu nome, ó Senhor? pois só tu és santo; por isso todas as nações virão e adorarão diante de ti, porque os teus atos de justiça se fizeram manifestos.” — Rev. 15:3, 4, Almeida, atualizada.

      O que ele ensinava era fonte de irritação e embaraço para o clero da cristandade. Em 1903, ele foi desafiado para um debate público. A condição dos mortos foi um dos pontos da série de debates entre C. T. Russell e o Dr. E. L. Eaton que servia como porta-voz de uma aliança extra-oficial de ministros protestantes do oeste de Pensilvânia.

      Durante esses debates, o irmão Russell defendeu firmemente a proposição de que a “morte é morte, que nossos entes queridos, ao nos deixarem, estão realmente mortos e não vivos nem com os anjos nem com os demônios num lugar de desespero”. Em apoio disso, ele citou passagens bíblicas tais como Eclesiastes 9:5, 10; Romanos 5:12; 6:23; e Gênesis 2:17. Também disse: “As escrituras estão em plena harmonia com o que vós e eu e qualquer outra pessoa sensata e racional no mundo admitirá que é o caráter razoável e próprio de nosso Deus. O que está declarado sobre nosso Pai celestial? Que ele é justo, que ele é sábio, que ele é amoroso, que ele é poderoso. Todo cristão reconhecerá estes atributos do caráter divino. Se assim for, podemos imaginar, em algum sentido da palavra, que Deus seja justo e ao mesmo tempo castigue uma criatura, produto de Suas próprias mãos, por toda a eternidade, não importa qual tenha sido seu pecado? Não sou apologista do pecado; eu mesmo não vivo no pecado, e nunca prego o pecado. . . . Mas eu vos digo que todas essas pessoas a nossa volta aqui que nosso irmão [o Dr. Eaton] diz que falam irreverentemente, blasfemando a Deus e o santo nome de Jesus Cristo, são todas elas pessoas a quem se ensinou esta doutrina do tormento eterno. E a todos os assassinos, ladrões e malfeitores nas penitenciárias se ensinou essa doutrina. . . . São doutrinas ruins; prejudicaram o mundo por todo esse tempo; absolutamente não fazem parte do ensinamento do Senhor, e nosso prezado irmão ainda não retirou a nuvem do obscurantismo de seus olhos.”

      Relatou-se que, depois do debate, um clérigo que estava na assistência se aproximou de Russell e disse: “Estou contente de vê-lo apontar a mangueira contra o inferno e apagar o fogo.”

      Para dar ainda mais ampla publicidade à verdade sobre a condição dos mortos, o irmão Russell participou duma extensiva série de congressos de um dia de duração, entre 1905 e 1907, em que proferiu o discurso público “Ida e Volta do Inferno! Quem Está Lá? A Esperança do Retorno de Muitos”. O título era curioso e atraía muita atenção. As pessoas superlotavam os salões de assembléia nas cidades, tanto grandes como pequenas, nos Estados Unidos e no Canadá, para ouvir o discurso.

      Entre os que ficaram profundamente impressionados com o que a Bíblia diz sobre a condição dos mortos estava um estudante universitário em Cincinnati, Ohio, que se preparava para se tornar pastor presbiteriano. Em 1913, ele recebeu de seu irmão carnal o folheto Onde Estão os Mortos?, escrito por John Edgar, um Estudante da Bíblia que era médico na Escócia. O estudante que recebeu esse folheto foi Frederick Franz. Depois de o ler cuidadosamente, disse com firmeza: “Esta é a verdade.” Sem hesitação, mudou seus alvos na vida e entrou no ministério de tempo integral como evangelizador colportor. Em 1920, tornou-se membro da equipe da sede da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA). Muitos anos depois, tornou-se membro do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová e, mais tarde, presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA).

      O sacrifício de resgate de Jesus Cristo

      Em 1872, em relação com sua pesquisa das Escrituras, o irmão Russell e seus associados reexaminaram o assunto da restauração, do ponto de vista do resgate provido por Jesus Cristo. (Atos 3:21, Imprensa Bíblica Brasileira) Ele ficou radiante ao ver em Hebreus 2:9 que ‘Jesus, pela graça de Deus, provou a morte por todo homem’. Isso não o levou a crer na salvação universal, pois ele sabia que as Escrituras também dizem que a pessoa precisa exercer fé em Jesus Cristo para ser salva. (Atos 4:12; 16:31) Mas começou a entender — embora não duma só vez — a maravilhosa oportunidade que o sacrifício de resgate de Jesus Cristo tornou possível para a humanidade. Abriu o caminho para ela ter o que Adão perdeu, a perspectiva da vida eterna em perfeição humana. O irmão Russell não era passivo sobre o assunto; ele discerniu o profundo significado do resgate e vigorosamente o defendeu, mesmo quando associados íntimos se deixaram corromper em seu raciocínio por conceitos filosóficos.

      Em meados de 1878, o irmão Russell já era, por cerca de um ano e meio, co-editor da revista Herald of the Morning (Arauto da Aurora), da qual N. H. Barbour era o editor principal. Mas, quando Barbour, na edição de agosto de 1878 dessa revista, desprezou o ensinamento bíblico do resgate, Russell respondeu com uma vigorosa defesa dessa verdade bíblica vital.

      Sob o título “A Expiação”, Barbour ilustrara o que ele achava desse ensinamento, dizendo: “Digo a meu filho, ou a um dos criados: se o Jaime morder sua irmã, apanhe uma mosca, espete um alfinete no corpo desta e prenda-a na parede, e eu perdoarei ao Jaime. Isto ilustra a doutrina da substituição.” Embora professasse crer no resgate, Barbour dizia que a idéia de que Cristo, pela sua morte, pagou a penalidade pelo pecado para a descendência de Adão era “antibíblica e repugnante a todo o nosso conceito de justiça”.h

      Logo no número seguinte de Herald of the Morning (setembro de 1878), o irmão Russell discordou fortemente daquilo que Barbour havia escrito. Russell analisou o que as Escrituras realmente diziam e sua harmonia com “a perfeição da justiça [de Deus], e finalmente sua grande misericórdia e amor”, segundo expressos por meio da provisão do resgate. (1 Cor. 15:3; 2 Cor. 5:18, 19; 1 Ped. 2:24; 3:18; 1 João 2:2) Na primavera seguinte, após repetidos esforços de ajudar Barbour a ver as coisas de modo bíblico, Russell retirou seu apoio à revista Herald; e, a partir da edição de junho de 1879, seu nome não aparecia mais como co-editor dessa publicação. Sua corajosa e intransigente posição quanto a este ensinamento central da Bíblia teve efeitos de grande alcance.

      Em toda a sua história moderna, as Testemunhas de Jeová têm coerentemente defendido o ensinamento bíblico do resgate. Já a primeira edição da Zion’s Watch Tower (julho de 1879) salientava que “o mérito perante Deus está . . . no sacrifício perfeito de Cristo”. Em 1919, num congresso patrocinado pela Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia, em Cedar Point, Ohio, EUA, o programa impresso trazia em destaque as palavras “Bem-vindos! Todos os Que Crêem no Grandioso Sacrifício de Resgate”. Na contracapa de A Sentinela continua-se a chamar atenção para o resgate, onde se diz a respeito do objetivo da revista: “Exorta à fé em Jesus Cristo, o agora reinante Rei designado por Deus, cujo sangue derramado abre o caminho para a humanidade obter vida eterna.”

      Progressivos, não presos a credos

      O entendimento claro da Palavra de Deus não foi obtido de uma vez. Não raro, os Estudantes da Bíblia captavam um pormenor do padrão geral da verdade, mas não entendiam a questão toda. No entanto, estavam dispostos a aprender. Não estavam presos a credos; eram progressivos. O que aprendiam, partilhavam com outros. Não atribuíam a si o mérito pelo que ensinavam; procuravam ser “ensinados por Jeová”. (João 6:45) E reconheceram que Jeová torna possível o entendimento dos pormenores de seu propósito na devida época e de sua própria maneira. — Dan. 12:9; compare com João 16:12, 13.

      Aprender coisas novas requer ajustes de pontos de vista. Admitir erros e fazer mudanças benéficas exige humildade. Essa qualidade e seus frutos são desejáveis a Jeová, e tal proceder atrai fortemente aos que amam a verdade. (Sof. 3:12) Mas é ridicularizado pelos que se glorificam em credos que têm permanecido imutáveis por muitos séculos, embora formulados por homens imperfeitos.

      A maneira da volta do Senhor

      Foi em meados da década de 1870 que o irmão Russell e os que com ele examinavam diligentemente as Escrituras discerniram que, na sua volta, o Senhor seria invisível aos olhos humanos. — João 14:3, 19.

      O irmão Russell disse mais tarde: “Sentimo-nos muito tristes diante do erro dos adventistas, que esperavam Cristo na carne e ensinavam que o mundo e tudo o que há nele, exceto os adventistas, seriam queimados em 1873 ou 1874, cuja fixação de datas e desapontamentos e idéias geralmente vagas sobre o objetivo e a maneira de sua vinda trouxeram até certo ponto descrédito sobre nós e sobre todos os que aguardavam e proclamavam seu vindouro Reino. Esses conceitos errados, tão generalizados, tanto sobre o objetivo como sobre a maneira da volta do Senhor, levaram-me a escrever um panfleto — ‘The Object and Manner of Our Lord’s Return’ (O Objetivo e a Maneira da Volta de Nosso Senhor).” Esse panfleto foi publicado em 1877. O irmão Russell mandou imprimir e distribuir uns 50.000 exemplares dele.

      Nesse panfleto, ele escreveu: “Cremos que as escrituras ensinam que, na Sua vinda e por algum tempo depois de ter vindo, Ele permanecerá invisível, manifestando-Se depois ou mostrando-Se em julgamentos e várias formas, de modo que ‘todo olho O verá’.” Em apoio disso, considerou textos tais como Atos 1:11 (‘ele virá da mesma maneira em que o observastes ir’ — isto é, não visto pelo mundo) e João 14:19, (“ainda um pouco, e o mundo não me verá mais”). O irmão Russell referiu-se também ao fato de que The Emphatic Diaglott, que em 1864 fora publicada pela primeira vez em forma completa, com tradução interlinear palavra por palavra, em inglês, dava evidência de que a expressão grega pa·rou·sí·a significava “presença”. Ao analisar o uso bíblico desse termo, Russell explicou nesse panfleto: “A palavra grega geralmente usada para se referir ao segundo advento — Parousia, muitas vezes traduzida por vinda — significa invariavelmente presença pessoal, como já tendo vindo, chegado, e nunca significa estar a caminho, como na palavra chegando.”

      Ao considerar o objetivo da presença de Cristo, Russell tornou claro que não se tratava de algo que se realizaria num único momento de abalar o mundo. “O segundo advento, como o primeiro”, escreveu ele, “abrange um período, e não é um evento momentâneo”. Nesse período, escreveu ele, os do “pequeno rebanho” receberiam sua recompensa junto com o Senhor como co-herdeiros no Seu Reino; outros, talvez bilhões de pessoas, receberiam a oportunidade de uma vida perfeita na Terra restaurada em beleza edênica. — Luc. 12:32.

      Em apenas alguns anos, com base num estudo adicional das Escrituras, Russell compreendeu que Cristo não só voltaria de modo invisível, mas também permaneceria invisível, mesmo ao manifestar sua presença executando a sentença contra os iníquos.

      Em 1876, quando Russell leu pela primeira vez um exemplar de Herald of the Morning, ficou sabendo de outro grupo que cria que a volta de Cristo seria invisível e relacionava essa volta com as bênçãos para todas as famílias da Terra. Por meio do Sr. Barbour, editor daquela publicação, Russell também ficou persuadido de que a presença invisível de Cristo começara em 1874.i Mais tarde, chamou-se atenção para isso mediante o subtítulo “Arauto da Presença de Cristo” que aparecia na capa da revista Zion’s Watch Tower.

      O reconhecimento de que a presença de Cristo seria invisível tornou-se um importante fundamento sobre o qual se basearia o entendimento de muitas profecias bíblicas. Aqueles primeiros Estudantes da Bíblia entenderam que a presença do Senhor devia ser de interesse primário para todos os verdadeiros cristãos. (Mar. 13:33-37) Estavam vividamente interessados na volta do Amo e atentos ao fato de que tinham o dever de divulgar isso, mas ainda não discerniam bem todos os pormenores. Contudo, foi realmente notável o que o espírito de Deus bem no início já os habilitou a entender. Uma dessas verdades dizia respeito a uma data muito significativa apontada nas profecias bíblicas.

      Fim dos Tempos dos Gentios

      O assunto sobre cronologia bíblica tinha sido por muito tempo de grande interesse para os estudantes da Bíblia. Comentaristas haviam apresentado vários conceitos sobre a profecia de Jesus a respeito dos “tempos dos gentios” e do relato do profeta Daniel sobre o sonho de Nabucodonosor dum toco de árvore que ficou atado por “sete tempos”. — Luc. 21:24, Al; Dan. 4:10-17.

      Já em 1823, John A. Brown, cuja obra foi publicada em Londres, Inglaterra, calculara os “sete tempos” de Daniel 4 como sendo de 2.520 anos de duração. Mas ele não discerniu claramente a data em que o período profético começou, ou quando terminaria. Contudo, relacionou esses “sete tempos” com os Tempos dos Gentios de Lucas 21:24. Em 1844, E. B. Elliott, um clérigo britânico, chamou atenção para 1914 como possível data do fim dos “sete tempos” de Daniel, mas apresentou também um conceito alternativo que apontava para o tempo da Revolução Francesa. Robert Seeley, de Londres, em 1849, considerou o assunto de modo similar. O mais tardar em 1870, uma publicação de Joseph Seiss e seus associados, impressa em Filadélfia, Pensilvânia, apresentava cálculos que indicavam 1914 como data importante, embora o raciocínio contido se baseasse numa cronologia que C. T. Russell mais tarde rejeitou.

      Depois, nas edições de Herald of the Morning, de agosto, setembro e outubro de 1875, N. H. Barbour ajudou a harmonizar pormenores indicados por outros. Usando a cronologia compilada por Christopher Bowen, um clérigo da Inglaterra, e publicada por E. B. Elliott, Barbour identificou o início dos Tempos dos Gentios com a remoção do Rei Zedequias do reinado, conforme predita em Ezequiel 21:25, 26, e apontou para 1914 como marcando o fim dos Tempos dos Gentios.

      Em princípios de 1876, C. T. Russell recebeu um exemplar de Herald of the Morning. Ele escreveu prontamente para Barbour e daí passou algum tempo com ele em Filadélfia durante o verão, quando consideraram, entre outras coisas, os tempos proféticos. Pouco depois, num artigo intitulado “Os Tempos dos Gentios: Quando Terminam?” Russell também raciocinou sobre o assunto com base nas Escrituras e disse que a evidência mostrava que “os sete tempos terminarão em 1914 EC”. Esse artigo foi impresso na edição de outubro de 1876 da Bible Examiner.j O livro Three Worlds, and the Harvest of This World (Três Mundos e a Colheita Deste Mundo), produzido em 1877 por N. H. Barbour com a cooperação de C. T. Russell, apresentava a mesma conclusão. Depois, alguns dos primeiros números da Watch Tower, como os de dezembro de 1879 e de julho de 1880, chamavam atenção para 1914 EC como um ano altamente significativo do ponto de vista das profecias bíblicas. Em 1889, o inteiro quarto capítulo do Volume II de Millennial Dawn (Aurora do Milênio), mais tarde chamado Studies in the Scriptures, fez um estudo sobre “Os Tempos dos Gentios”. Mas o que significaria o fim dos Tempos dos Gentios?

      Os Estudantes da Bíblia não estavam plenamente seguros do que aconteceria. Estavam convencidos de que não resultaria na queima da Terra nem no desaparecimento da vida humana. Mas sabiam que marcaria um ponto significativo com respeito ao governo divino. De início, pensaram que nessa data o Reino de Deus teria assumido pleno controle universal. Quando isso não aconteceu, sua confiança nas profecias bíblicas que marcavam essa data não vacilou. Concluíram que, em vez disso, a data marcava apenas um ponto de partida quanto ao domínio do Reino.

      Similarmente, pensaram também de início que as dificuldades globais, que culminariam numa anarquia (entendiam que esta estaria associada com a guerra do “grande dia de Deus, o Todo-poderoso”), precederiam essa data. (Rev. 16:14) Mas, depois, dez anos antes de 1914, a Watch Tower sugeria que um tumulto mundial que resultaria no aniquilamento das instituições humanas ocorreria logo após o fim dos Tempos dos Gentios. Esperavam que o ano de 1914 marcasse um significativo momento decisivo para Jerusalém, pois a profecia dizia que ‘Jerusalém seria pisada’ até terminarem os Tempos dos Gentios. Quando viram que 1914 estava terminando e eles ainda não tinham morrido quais humanos nem sido ‘arrebatados nas nuvens’ para se encontrarem com o Senhor — segundo as expectativas anteriores — passaram a esperar sinceramente que sua mudança se daria no fim dos Tempos dos Gentios. — 1 Tes. 4:17.

      Com o passar dos anos, examinando e reexaminando as Escrituras, sua fé nas profecias permaneceu firme, e eles não deixaram de declarar o que esperavam que ocorresse. Com variados graus de êxito, esforçaram-se em evitar ser dogmáticos a respeito de pormenores não declarados explicitamente nas Escrituras.

      Será que o “despertador” tocou cedo demais?

      Um grande tumulto certamente irrompeu no mundo em 1914 com a deflagração da Primeira Guerra Mundial, que por muitos anos foi chamada simplesmente de a Grande Guerra, mas não conduziu imediatamente à queda de todos os governos humanos existentes. Com o desenrolar dos eventos relacionados com a Palestina após 1914, os Estudantes da Bíblia achavam ter visto evidência de mudanças significativas para Israel. Mas, passaram meses e depois anos, e os Estudantes da Bíblia não receberam a recompensa celestial na época que esperavam. Como reagiram a isso?

      A Watch Tower de 1.º de fevereiro de 1916 chamava especificamente atenção para 1.º de outubro de 1914 e dizia: “Este foi o último ponto relacionado com tempo que a cronologia bíblica nos indicava com respeito às experiências da Igreja. Disse o Senhor que seríamos levados para lá [para o céu]? Não. O que disse Ele? Sua Palavra e o cumprimento das profecias pareciam indicar inequivocamente que essa data marcou o fim dos Tempos dos Gentios. Nós deduzimos disso que a ‘mudança’ da Igreja se daria nessa data ou antes. Mas Deus não nos disse que seria assim. Ele permitiu que fizéssemos essa dedução; e cremos que revelou ser um necessário teste dos estimados santos de Deus em toda parte.” Mas mostraram esses acontecimentos que sua gloriosa esperança foi em vão? Não. Simplesmente significava que nem tudo estava acontecendo tão cedo como esperavam.

      Alguns anos antes de 1914, Russell havia escrito: “A cronologia (as profecias cronológicas em geral) evidentemente não se destinava a dar ao povo de Deus informações cronológicas exatas todo o tempo através dos séculos. Evidentemente, destinava-se mais a servir como despertador para acordar e energizar o povo do Senhor no tempo certo. . . . Mas, suponhamos, por exemplo, que outubro de 1914 passe e não ocorra nenhuma queda séria do poder gentio. O que provará ou deixará de provar isso? Não deixará de provar nenhuma parte do Plano Divino das Eras. O preço de resgate consumado no Calvário ainda permanecerá como garantia do cumprimento final do grande Programa Divino para a restauração humana. A ‘sublime chamada’ da Igreja para sofrer com o Redentor e ser glorificada com ele quais membros seus ou Noiva ainda será a mesma. . . . A única coisa afetada pela cronologia será o tempo do cumprimento dessas gloriosas esperanças para a Igreja e para o mundo. . . . E, se essa data passar, provará meramente que a nossa cronologia, o nosso ‘despertador’, tocou um pouco antes da hora. Consideraríamos uma grande calamidade se nosso despertador nos acordasse alguns momentos mais cedo na manhã de um grande dia cheio de alegria e prazer? Certamente que não!”

      Mas esse “despertador” não tocou cedo demais. Na realidade, foram as coisas para as quais o “despertador” os acordara que não eram exatamente o que eles esperavam.

      Anos mais tarde, quando a luz se tornou mais clara, eles reconheceram: “Muitos dos estimados santos pensavam que todo o trabalho já estava feito. . . . Regozijaram-se por causa da clara prova de que o mundo terminara, que o reino do céu estava próximo, e que o dia de sua libertação era iminente. Mas desperceberam outra coisa que precisava ser feita. As boas novas que haviam recebido tinham de ser divulgadas; porque Jesus ordenara: ‘Será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então virá o fim.’ (Mateus 24:14)” — The Watch Tower de 1.º de maio de 1925.

      Quando começaram a se desenrolar os eventos após 1914 e os Estudantes da Bíblia compararam esses com o que o Amo predissera, compreenderam gradativamente que estavam vivendo nos últimos dias do velho sistema, e isso desde 1914. Compreenderam também que no ano de 1914 começou a presença invisível de Cristo e que isso se deu não mediante ele voltar em pessoa (nem mesmo invisivelmente) à vizinhança da Terra, mas por voltar a sua atenção à Terra como Rei reinante. Entenderam e aceitaram sua responsabilidade vital de proclamar “estas boas novas do Reino” para testemunho a todas as nações neste período crítico da história humana. — Mat. 24:3-14.

      O que era precisamente a mensagem a respeito do Reino que tinham de pregar? Era de algum modo diferente da mensagem dos cristãos do primeiro século?

      O Reino de Deus, a única esperança da humanidade

      Em resultado do estudo meticuloso da Palavra de Deus, os Estudantes da Bíblia associados com o irmão Russell entenderam que o Reino de Deus era o governo que Jeová prometera estabelecer por meio de seu Filho para a bênção da humanidade. Jesus Cristo, no céu, teria um “pequeno rebanho” de associados quais governantes selecionados por Deus dentre a humanidade. Entenderam que esse governo seria representado por homens fiéis da antiguidade que serviriam como príncipes em toda a Terra. Estes eram chamados os “dignos da antiguidade”. — Luc. 12:32; Dan. 7:27; Rev. 20:6; Sal. 45:16.

      A cristandade por muito tempo ensinou ‘o direito divino dos reis’ como meio de manter o povo em sujeição. Mas esses Estudantes da Bíblia compreenderam pelas Escrituras que o futuro dos governos humanos não era assegurado por nenhuma garantia divina. Em harmonia com o que aprendiam, a Watch Tower de dezembro de 1881 declarava: “O estabelecimento desse reino obviamente significará a queda de todos os reinos da Terra, pois todos eles — mesmo os melhores — fundam-se na injustiça e nos direitos desiguais, bem como na opressão de muitos a favor de poucos — conforme lemos: ‘Esmiuçará e consumirá todos estes reinos, e será estabelecido para sempre.’” — Dan. 2:44.

      Quanto a como esses reinos opressivos seriam esmagados, os Estudantes da Bíblia ainda tinham muito que aprender. Ainda não entendiam claramente como os benefícios do Reino de Deus alcançariam toda a humanidade. Mas não confundiam o Reino de Deus com um sentimento vago no coração ou com o governo de uma hierarquia religiosa que usasse o Estado secular como braço.

      Até 1914, os fiéis servos pré-cristãos de Deus não haviam sido ressuscitados na Terra quais representantes principescos do Reino messiânico, conforme se esperava, tampouco foram os do restante do “pequeno rebanho” juntados a Cristo no Reino celestial naquele ano. Contudo, a Watch Tower de 15 de fevereiro de 1915 dizia confiantemente que 1914 era o tempo devido “para nosso Senhor assumir Seu grande poder e reino”, terminando assim os milênios da ininterrupta dominação gentia. No número de 1.º de julho de 1920, a Watch Tower reafirmava essa posição e ligava a isso as boas novas que, segundo predissera Jesus, seriam proclamadas em toda a Terra antes do fim. (Mat. 24:14) No congresso dos Estudantes da Bíblia, em Cedar Point, Ohio, EUA, em 1922, esse entendimento foi reafirmado numa resolução geral, e o irmão Rutherford instou com os congressistas: “Anunciai, anunciai, anunciai o Rei e seu reino.”

      Entretanto, naquela época os Estudantes da Bíblia achavam que o estabelecimento do Reino, sua plena instituição no céu, não ocorreria até que os últimos membros da noiva de Cristo fossem glorificados. Marcou época, portanto, em 1925, a publicação do artigo “Nascimento de Uma Nação” na Watch Tower de 1.º de março. O artigo fazia um estudo esclarecedor sobre Revelação (Apocalipse), capítulo 12. Apresentava evidências de que o Reino messiânico nascera — fora estabelecido — em 1914, que Cristo começara então a governar no seu trono celestial e que, depois disso, Satanás fora precipitado do céu para a vizinhança da Terra. Estas eram as boas novas que tinham de ser proclamadas, as novas de que o Reino de Deus já estava operando. Quanto este entendimento aclarado estimulou esses proclamadores do Reino a pregar até os confins da Terra!

      Por todos os meios adequados, o povo de Jeová deu testemunho de que só o Reino de Deus podia trazer duradouro alívio e resolver os entranhados problemas que afligiam a humanidade. Em 1931, essa mensagem foi apresentada em transmissão radiofônica por J. F. Rutherford através da maior cadeia internacional de rádio que já se montara. Além disso, o texto transmitido foi publicado em muitos idiomas no folheto The Kingdom, the Hope of the World (em português sob o título O Reino de Deus É a Felicidade do Povo) — dos quais milhões de exemplares foram distribuídos em poucos meses. Além da ampla distribuição ao público, fez-se esforço especial para fazê-los chegar a políticos, a destacados homens de negócios e a clérigos.

      Entre outras coisas, o folheto dizia: “Os atuais governos injustos do mundo não podem apresentar nenhuma esperança ao povo. O juízo divino contra eles declara que eles têm de ser destruídos. Portanto, a esperança deste mundo, e a única, é o justo reino ou governo de Deus, tendo Cristo Jesus como Governador invisível.” Tal Reino, compreenderam eles, traria a verdadeira paz e segurança à humanidade. Sob tal governo, a Terra se tornaria um verdadeiro paraíso, e a doença e a morte não mais existiriam. — Rev. 21:4, 5.

      As boas novas do Reino de Deus continuam a ser parte essencial das crenças das Testemunhas de Jeová. Desde o número de 1.º de março de 1939, sua principal revista, agora publicada em mais de 110 idiomas, leva o título The Watchtower Announcing Jehovah’s Kingdom (A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová).

      Mas, antes que a dominação do Reino transforme a Terra num paraíso, o atual sistema ímpio precisa desaparecer. Como se dará isso?

      A guerra do grande dia de Deus, o Todo-Poderoso

      A guerra mundial que começou em 1914 abalou os alicerces do existente sistema. Por algum tempo, parecia que os eventos ocorreriam como os Estudantes da Bíblia esperavam.

      Em agosto de 1880, o irmão Russell escrevera: “Entendemos que antes que a família humana seja restaurada, ou até mesmo comece a ser abençoada, os atuais reinos da Terra que escravizam e oprimem a humanidade serão todos derrubados e que o reino de Deus assumirá o controle, e que a bênção e a restauração virão através do novo reino.” Como aconteceria tal ‘derrubada dos reinos’? Com base nas condições que ele via desenvolverem-se no mundo naquela época, Russell acreditava que na guerra do Armagedom Deus usaria facções da humanidade em disputa para derrubar as instituições existentes. Ele disse: “A obra de demolição do império humano está começando. O poder que os derrubará está operando. O povo já está reunindo suas forças sob o nome de comunistas, socialistas, niilistas, etc.”

      O livro The Day of Vengeance (O Dia da Vingança; chamado mais tarde de The Battle of Armageddon, A Batalha do Armagedom), publicado em 1897, ampliou ainda mais o modo como os Estudantes da Bíblia entendiam o assunto na época, dizendo: “O Senhor, por meio de sua providência preponderante, assumirá um domínio geral deste grande exército de descontentes — patriotas, reformadores, socialistas, moralistas, anarquistas, ignorantes e desesperançados — e usará suas esperanças, seus temores, suas loucuras e seu egoísmo, segundo Sua sabedoria divina, a fim de cumprir seu grandioso propósito de derrubar as atuais instituições, para a preparação do homem para o Reino de Justiça.” Assim, entendiam que a guerra do Armagedom estaria associada com uma violenta revolução social.

      Mas, seria o Armagedom meramente uma luta entre as facções disputantes da humanidade, uma revolução social que Deus usaria para derrubar as instituições existentes? Num estudo adicional das passagens bíblicas sobre esse assunto, a Watch Tower de 15 de julho de 1925 chamava atenção para Zacarias 14:1-3 dizendo: “Por meio disso entendemos que todas as nações da Terra, sob a direção de Satanás, serão ajuntadas para a batalha contra a classe de Jerusalém, a saber, os que se colocam do lado do Senhor . . . Revelação 16:14, 16.”

      No ano seguinte, no livro Libertação, focalizou-se a atenção no verdadeiro objetivo dessa guerra, dizendo: “Agora, de acordo com a sua Palavra, Jeová fará uma demonstração do seu poder que será tão clara e incontestável que o povo reconhecerá e ficará convencido do seu procedimento ímpio e perverso, compreendendo então que Jeová é Deus. Foi por esta razão que Deus trouxe o dilúvio, derrubou a Torre de Babel, destruiu o exército de Senaqueribe, o rei da Assíria, e derrotou os egípcios; e também é a razão por que ele vai trazer outra grande tribulação sobre o mundo. As outras calamidades foram apenas sombras daquela que agora está próxima. A reunião é para o grande dia de Deus Todo-Poderoso. É de fato, ‘o grande e terrível dia do Senhor’ (Joel 2:31), quando Deus fizer para si o seu nome. Neste grande conflito final os povos de todas as nações aprenderão que Jeová é o Deus Todo-Poderoso, justo e sábio.” Mas os servos de Jeová na Terra foram advertidos: “Nesta grande batalha nenhum cristão dará um golpe. A razão disto é porque Jeová disse: ‘Pois a peleja não é vossa, mas sim de Deus.’” A guerra em questão aqui definitivamente não era aquela travada entre as nações, que começou em 1914. Ela ainda estava por vir.

      Ainda outras perguntas precisavam ser respondidas com base nas Escrituras. Uma dessas dizia respeito à identidade da Jerusalém que seria pisoteada até o fim dos Tempos dos Gentios, como diz em Lucas 21:24; e com isto estava relacionada a identificação do Israel ao qual se faz alusão em muitas das profecias sobre a restauração.

      Traria Deus os judeus de volta à Palestina?

      Os Estudantes da Bíblia estavam bem cientes das muitas profecias sobre a restauração enunciadas ao antigo Israel pelos profetas de Deus. (Jer. 30:18; 31:8-10; Amós 9:14, 15; Rom. 11:25, 26) Até 1932, entendiam que se aplicavam especificamente aos judeus naturais. Assim, acreditavam que Deus mostraria de novo favor a Israel, trazendo gradualmente os judeus de volta à Palestina, abrindo-lhes os olhos para a verdade com respeito a Jesus qual Redentor e Rei messiânico e usando-os como instrumento para estender bênçãos a todas as nações. Com tal entendimento, o irmão Russell falou a grandes audiências de judeus em Nova Iorque e na Europa sobre o assunto “Sionismo na Profecia”, e o irmão Rutherford escreveu, em 1925, o livro Comfort for the Jews (Conforto Para os Judeus).

      Mas, aos poucos, tornou-se evidente que o que estava acontecendo na Palestina com respeito aos judeus não era o cumprimento das grandiosas profecias de Jeová sobre a restauração. A desolação sobreveio à Jerusalém do primeiro século porque os judeus rejeitaram o Filho de Deus, o Messias, aquele que fora enviado em nome de Jeová. (Dan. 9:25-27; Mat. 23:38, 39) Tornava-se cada vez mais óbvio que, como povo, não haviam mudado de atitude. Não houve arrependimento da ação injusta cometida pelos seus antepassados. O retorno de alguns à Palestina não foi motivado pelo amor a Deus ou pelo desejo de que Seu nome fosse magnificado mediante o cumprimento de sua Palavra. Isto foi claramente explicado no segundo volume de Vindication, publicado pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados em 1932.k Que esse entendimento era correto foi confirmado em 1949, quando o Estado de Israel, na época recentemente formado como nação e pátria dos judeus, se tornou membro das Nações Unidas, mostrando assim que não confiavam em Jeová, mas sim nas nações políticas do mundo.

      O que vinha acontecendo em cumprimento dessas profecias de restauração apontava para outra direção. Os servos de Jeová começaram a compreender que se tratava do Israel espiritual, “o Israel de Deus”, composto de cristãos ungidos pelo espírito, que, em cumprimento do propósito de Deus, gozavam de paz com Deus por meio de Jesus Cristo. (Gál. 6:16) Seus olhos foram então abertos para discernirem, nos tratos de Deus com tais cristãos verdadeiros, um maravilhoso cumprimento espiritual daquelas promessas de restauração. Com o tempo, chegaram também a compreender que a Jerusalém exaltada no fim dos Tempos dos Gentios não era mera cidade terrestre, tampouco um povo na Terra representado por essa cidade, mas, antes, a “Jerusalém celestial”, onde, em 1914, Jeová empossara seu Filho, Jesus Cristo, com autoridade governante. — Heb. 12:22.

      Uma vez esclarecidos esses assuntos, as Testemunhas de Jeová tinham melhores condições de cumprir, sem parcialidade para com qualquer grupo que fosse, a incumbência de pregar as boas novas do Reino “em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações”. — Mat. 24:14.

      A quem cabe o mérito de todas essas explicações da Bíblia que têm aparecido nas publicações da Torre de Vigia?

      Os meios pelos quais os servos de Jeová são ensinados

      Jesus Cristo predisse que depois de retornar ao céu ele enviaria o espírito santo sobre seus discípulos. Isto serviria como ajudador, guiando-os em “toda a verdade”. (João 14:26; 16:7, 13) Jesus disse também que, como Senhor ou Amo dos cristãos verdadeiros, ele teria um “escravo fiel e discreto”, um “mordomo fiel”, que daria o “alimento [espiritual] no tempo apropriado” aos domésticos, os trabalhadores na família da fé. (Mat. 24:45-47; Luc. 12:42) Quem é este escravo fiel e discreto?

      Logo o primeiro número da Watch Tower fazia alusão a Mateus 24:45-47 ao dizer que o objetivo dos editores dessa revista era manterem-se atentos aos eventos relacionados com a presença de Cristo e darem ‘o sustento espiritual a seu tempo’ à família da fé. Mas o editor da revista não alegava ser ele próprio o escravo fiel e discreto, ou o “servo fiel e prudente” (segundo a tradução Almeida).

      Assim, no número de outubro-novembro de 1881 dessa revista, C. T. Russell disse: “Cremos que todo membro deste corpo de Cristo está empenhado no abençoado trabalho, quer direta, quer indiretamente, de dar sustento a seu tempo aos da família da fé. ‘Quem é, pois, esse servo fiel e prudente a quem seu Senhor constituiu sobre a sua casa’ para dar o sustento a seu tempo? Não é esse ‘pequeno rebanho’ de servos consagrados que vêm fielmente cumprindo seus votos de consagração — o corpo de Cristo — e não é o inteiro corpo individual e coletivamente que dá o sustento a seu tempo aos da família da fé — a grande companhia dos que crêem? Bendito é esse servo (o inteiro corpo de Cristo) a quem seu Senhor ao chegar (gr.: elthon) o encontrar fazendo assim. ‘Em verdade vos digo que o porá sobre todos os seus bens.’”

      Mais de uma década depois, porém, a esposa do irmão Russell expressou publicamente a idéia de que o próprio Russell era o servo fiel e prudente.l O conceito que ela expressara sobre a identidade do ‘servo fiel’ chegou a ser sustentado de modo geral pelos Estudantes da Bíblia por uns 30 anos. O irmão Russell não rejeitou o conceito deles, mas pessoalmente evitou fazer tal aplicação do texto, o que salientava a sua oposição à idéia de uma classe clerical comissionada a ensinar a Palavra de Deus em contraste com uma classe leiga não comissionada assim. O entendimento expresso pelo irmão Russell em 1881 de que o servo fiel e prudente era na realidade um servo coletivo, composto de todos os membros ungidos pelo espírito, que constituem o corpo de Cristo na Terra, foi reafirmado na Watch Tower de 15 de fevereiro de 1927. — Compare com Isaías 43:10.

      Como considerava o irmão Russell o papel que ele desempenhava? Afirmava ele ter alguma revelação especial de Deus? Na Watch Tower de 15 de julho de 1906 (página 229), Russell humildemente respondeu: “Não, caros amigos, não alego nenhuma superioridade, nem poder sobrenatural, nem dignidade ou autoridade; tampouco pretendo exaltar a mim mesmo na estima de meus irmãos da família da fé, exceto no sentido daquilo que o Amo instou, dizendo: ‘Qualquer que entre vós quiser ser grande seja vosso servo.’ (Mat. 20:27) . . . As verdades que apresento, como porta-voz de Deus, não foram reveladas em visões ou sonhos, tampouco pela voz audível de Deus, nem todas elas de uma só vez, mas gradativamente . . . Tampouco é este claro desvendamento da verdade devido a qualquer habilidade ou grande percepção humana, mas por causa do simples fato de que chegou o tempo devido de Deus; e, se eu não falasse e não se pudesse achar outro instrumento, as próprias pedras clamariam.”

      Os leitores da Watch Tower foram incentivados a olhar para Jeová como seu Grandioso Instrutor, como se dá hoje com todas as Testemunhas de Jeová. (Isa. 30:20) Isto foi fortemente enfatizado na Watchtower de 1.º de novembro de 1931, no artigo “Ensinados por Deus”, que dizia: “The Watchtower reconhece que a verdade pertence a Jeová, não a alguma criatura. The Watchtower não é instrumento de algum homem ou grupo de homens, tampouco é publicada segundo o desejo de homens. . . . Jeová Deus é o grandioso Instrutor de seus filhos. Realmente, a publicação dessas verdades é feita por homens imperfeitos, e por este motivo elas não são absolutamente perfeitas em forma; mas são apresentadas de tal modo que refletem a verdade que Deus ensina a seus filhos.”

      No primeiro século, quando surgiam perguntas sobre doutrina ou procedimento, essas eram apresentadas a um corpo governante central, composto de homens mais idosos, em sentido espiritual. As decisões eram feitas depois de se considerar o que as Escrituras diziam, bem como a evidência de atividade que estivesse em harmonia com essas Escrituras e que prosperasse em resultado da operação do espírito santo. As decisões eram transmitidas por escrito às congregações. (Atos 15:1-16:5) Esse mesmo proceder está em operação entre as Testemunhas de Jeová hoje.

      Fornece-se instrução espiritual por meio de artigos de revistas, livros, congressos e esboços de discursos para congregações — tudo isso preparado sob a orientação do Corpo Governante do escravo fiel e discreto. Seu conteúdo demonstra claramente que o que Jesus predisse é verdade hoje — que ele realmente tem uma classe do escravo fiel e discreto que ensina lealmente ‘todas as coisas que ele ordenou’; que esse instrumento está ‘vigilante’, atento aos eventos, em cumprimento da profecia bíblica e especialmente com respeito à presença de Cristo; que está ajudando os tementes a Deus a entender o que significa ‘observar’ as coisas ordenadas por Jesus e assim provar que são realmente seus discípulos. — Mat. 24:42; 28:20; João 8:31, 32.

      Progressivamente, com o passar dos anos, foram eliminadas práticas que pudessem ter o efeito de atrair indevida atenção a certas pessoas no que tange à preparação de alimento espiritual. Até a morte de C. T. Russell, seu nome como editor constava em quase todos os números da Watch Tower. Com freqüência, o nome ou as iniciais de outros colaboradores apareciam no fim dos artigos que escreviam. Depois, a partir da edição de 1.º de dezembro de 1916, em vez de constar o nome de um só homem como editor, The Watch Tower alistava os nomes de uma comissão editora. No número de 15 de outubro de 1931, até mesmo essa lista foi eliminada, sendo substituída por Isaías 54:13. Citado da Versão Brasileira, reza: “Todos os teus filhos serão ensinados de Jeová; e grande será a paz de teus filhos.” Desde 1942 tem sido regra geral as publicações da Sociedade Torre de Vigia não chamarem atenção para nenhuma pessoa como escritor.a Sob a supervisão do Corpo Governante, cristãos dedicados na América do Norte e do Sul, na Europa, na África, na Ásia e nas ilhas do mar têm participado em preparar a matéria para o uso das congregações das Testemunhas de Jeová mundialmente. Mas todo o mérito é atribuído a Jeová Deus.

      A luz brilha cada vez mais

      Segundo reflete a sua história moderna, a experiência das Testemunhas de Jeová tem sido como a descrita em Provérbios 4:18: “A vereda dos justos é como a luz clara que clareia mais e mais até o dia estar firmemente estabelecido.” A luz tem clareado progressivamente, assim como a aurora é seguida pelo nascer do sol e a plena luz de um novo dia. Considerando os assuntos à luz do conhecimento disponível na época, elas tinham às vezes conceitos incompletos, até mesmo inexatos. Por mais que se esforçassem, simplesmente não podiam entender certas profecias até que estas começassem a se cumprir. Ao passo que Jeová tem lançado mais luz sobre a sua Palavra por meio de seu espírito, seus servos têm estado dispostos humildemente a fazer os necessários ajustes.

      Tal entendimento progressivo não se limitou ao período inicial de sua história moderna. Continua até o presente. Por exemplo, em 1962, houve um ajuste de entendimento sobre “as autoridades superiores”, em Romanos 13:1-7.

      Por muitos anos, os Estudantes da Bíblia haviam ensinado que “as autoridades superiores” eram Jeová Deus e Jesus Cristo. Por quê? Na Watch Tower de 1.º e 15 de junho de 1929, citou-se uma variedade de leis seculares e mostrou-se que o que era permitido num país era proibido em outro. Chamou-se também atenção para leis seculares que exigiam que as pessoas fizessem o que Deus proibia, ou que proibiam o que Deus ordenava que seus servos fizessem. Por causa de seu desejo sincero de mostrar respeito à autoridade suprema de Deus, parecia aos Estudantes da Bíblia que “as autoridades superiores” tinham de ser Jeová Deus e Jesus Cristo. Continuavam a obedecer às leis seculares, mas frisava-se a obediência primeiro a Deus. Foi uma lição importante, uma lição que os fortaleceu durante os anos de tumulto mundial que se seguiram. Mas não entendiam claramente o que Romanos 13:1-7 dizia.

      Anos mais tarde, fez-se um cuidadoso reexame desse texto junto com seu contexto e seu significado à luz do resto da Bíblia. Assim, em 1962, compreendeu-se que “as autoridades superiores” são os governantes seculares, mas, com a ajuda da Tradução do Novo Mundo, discerniu-se claramente o princípio da sujeição relativa.b Isto não exigiu nenhuma mudança de vulto na atitude das Testemunhas de Jeová para com os governos do mundo, mas corrigiu seu entendimento de um trecho importante das Escrituras. Deu oportunidade para as Testemunhas individualmente considerarem com cuidado se estavam de fato vivendo à altura de suas responsabilidades tanto para com Deus como para com as autoridades seculares. Esse claro entendimento das “autoridades superiores” tem servido de proteção para as Testemunhas de Jeová, especialmente nos países em que ondas de nacionalismo e clamores por maior liberdade resultaram em violência e na formação de novos governos.

      No ano seguinte, 1963, apresentou-se uma aplicação mais abrangente de “Babilônia, a Grande”.c (Rev. 17:5) Um exame da história secular e religiosa levou à conclusão de que a influência da antiga Babilônia permeou não só a cristandade, mas todas as partes da Terra. Entendeu-se assim que Babilônia, a Grande, é o inteiro império mundial da religião falsa. O conhecimento disso tem habilitado as Testemunhas de Jeová a ajudar muito mais pessoas de diferentes formações a acatar a ordem bíblica: “Saí dela, povo meu.” — Rev. 18:4.

      De fato, o desenrolar dos eventos preditos no inteiro livro de Revelação tem fornecido grande esclarecimento espiritual. Em 1917, publicou-se no livro The Finished Mystery (O Mistério Consumado) um estudo sobre Revelação. Mas o “dia do Senhor”, mencionado em Revelação 1:10, nessa época mal começava; muitas das coisas preditas ainda não haviam acontecido e não eram claramente entendidas. Entretanto, os acontecimentos nos anos posteriores lançaram mais luz sobre o significado dessa parte da Bíblia, e esses eventos tiveram um profundo efeito sobre o estudo muito esclarecedor de Revelação, publicado em 1930, em dois volumes intitulados Light (Luz). Na década de 60, mais conhecimento atualizado foi apresentado nos livros “Caiu Babilônia, a Grande!” O Reino de Deus já Domina! e “Cumprir-se-á, Então, o Mistério de Deus”. Duas décadas depois, fez-se outro estudo profundo dessa parte da Bíblia. A linguagem figurativa de Revelação foi cuidadosamente analisada à luz de expressões similares em outras partes da Bíblia. (1 Cor. 2:10-13) Foram examinados os eventos do século vinte em cumprimento das profecias. Os resultados foram publicados em 1988 no empolgante livro Revelação — Seu Grandioso Clímax Está Próximo!.

      Nos primórdios de sua história moderna lançavam-se os alicerces. Supriu-se muito alimento espiritual de grande valor. Em anos recentes, uma diversidade maior de matéria de estudo bíblico foi providenciada para atender tanto às necessidades de cristãos maduros como de novos estudantes de variadas formações. O estudo contínuo das Escrituras, junto com o cumprimento das profecias divinas, tem em muitos casos tornado possível definir ensinamentos bíblicos com maior clareza. Visto que seu estudo da Palavra de Deus é progressivo, as Testemunhas de Jeová têm fartura de alimento espiritual, uma situação predita nas Escrituras para os servos de Deus. (Isa. 65:13, 14) Ajustes de conceitos nunca são feitos para torná-los mais aceitáveis ao mundo adotando-se seus valores morais em decadência. Ao contrário, a história das Testemunhas de Jeová mostra que as mudanças visam fazê-las aderir ainda mais de perto à Bíblia, torná-las ainda mais semelhantes aos cristãos fiéis do primeiro século e, assim, tornarem-se mais aceitáveis a Deus.

      Portanto, a experiência das Testemunhas de Jeová harmoniza-se com a oração do apóstolo Paulo, que escreveu a concristãos: “Não cessamos de orar por vós e de pedir que fiqueis cheios do conhecimento exato da sua vontade, em toda a sabedoria e compreensão espiritual, para andardes dignamente de Jeová, com o fim de lhe agradardes plenamente, ao prosseguirdes em dar fruto em toda boa obra e em aumentar no conhecimento exato de Deus.” — Col. 1:9, 10.

      Esse aumento do conhecimento exato de Deus tinha também que ver com o seu nome — Testemunhas de Jeová.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Revista Zion’s Watch Tower and Herald of Christ’s Presence (A Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo, hoje A Sentinela), de 15 de julho de 1906, pp. 229-31.

      b Veja Estudo Perspicaz das Escrituras, publicado pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, Volume 1, página 828.

      c Por exemplo: (1) Já no século 16, eram fortes na Europa os movimentos antitrinitários. Ferenc Dávid (1510-79), húngaro, sabia e ensinava que o dogma da Trindade não era bíblico. Por causa de suas crenças, ele morreu na prisão. (2) A Igreja Reformada Menor, que prosperou na Polônia por cerca de cem anos durante os séculos 16 e 17, também rejeitava a Trindade, e os aderentes dessa igreja espalharam publicações por toda a Europa até que os jesuítas conseguiram fazer com que fossem banidos da Polônia. (3) Sir Isaac Newton (1642-1727), na Inglaterra, rejeitou a doutrina da Trindade e escreveu pormenorizadas razões históricas e bíblicas para isso, mas não mandou publicá-las em vida, evidentemente por medo das conseqüências. (4) Entre outros na América, Henry Grew expôs a Trindade como antibíblica. Em 1824, considerou o assunto extensivamente em An Examination of the Divine Testimony Concerning the Character of the Son of God (Um Exame do Testemunho Divino Concernente ao Caráter do Filho de Deus).

      d Veja também Studies in the Scriptures (Estudos das Escrituras), Série V, páginas 41-82.

      e Estudos completos sobre a evidência histórica e bíblica em apoio deste assunto foram publicados em várias ocasiões pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados. Veja “O Verbo” — Quem É Ele Segundo João? (1962), ‘Coisas em Que É Impossível Que Deus Minta’ (1965), Raciocínios à Base das Escrituras (1985) e Deve-se Crer na Trindade? (1989).

      f O que as Escrituras dizem sobre a alma é do conhecimento tanto dos eruditos judeus como dos da cristandade, mas isso é raramente ensinado nos seus locais de adoração. Veja New Catholic Encyclopedia (1967), Volume XIII, páginas 449-50; The Eerdmans Bible Dictionary (1987), páginas 964-5; The Interpreter’s Dictionary of the Bible, editado por G. Buttrick (1962), Volume 1, página 802; The Jewish Encyclopedia (1910), Volume VI, página 564.

      g Num exame mais pormenorizado do assunto, em 1955, o folheto Que Dizem as Escrituras Acerca da “Sobrevivência Após a Morte”? indicou que o relato bíblico mostra que Satanás realmente incentivou Eva a crer que ela não morreria na carne em resultado de desconsiderar a proibição imposta por Deus quanto a comer do fruto da “árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau”. (Gên. 2:16, 17; 3:4) Com o tempo, isso obviamente revelou ser falso, mas houve desenvolvimentos posteriores que tiveram origem naquela primeira mentira. As pessoas adotaram o conceito de que uma parte invisível do homem continuava viva. Após o Dilúvio dos dias de Noé, isto foi fortalecido por práticas espíritas demoníacas originárias de Babilônia. — Isa. 47:1, 12; Deut. 18:10, 11.

      h Barbour afirmava crer no resgate, que Cristo morreu por nós. O que ele rejeitava era a idéia da “substituição” — que Cristo morreu em lugar de nós, que, por meio de sua morte, Cristo pagou a penalidade do pecado para a descendência de Adão.

      i Isso foi influenciado pela crença de que o sétimo milênio da história humana começara em 1873 e que um período de desfavor divino (de duração igual ao período anterior considerado ser de favor) sobre o Israel natural terminaria em 1878. A cronologia estava errada por se basear numa tradução inexata de Atos 13:20, na King James Version, crendo-se que havia um erro de transcrição em 1 Reis 6:1, e por não se levar em conta os sincronismos bíblicos na datação dos reinados dos reis de Judá e de Israel. Um entendimento mais claro da cronologia bíblica foi publicado em 1943 no livro “A Verdade Vos Tornará Livres” e refinado no ano seguinte no livro “Está Próximo o Reino”, bem como em publicações posteriores.

      j Revista publicada por George Storrs, Brooklyn, Nova Iorque.

      k Em 1978, quando interrogado pela imprensa sobre a posição das Testemunhas de Jeová a respeito do sionismo, o Corpo Governante disse: “As Testemunhas de Jeová continuam na sua posição bíblica de neutralidade para com todos os movimentos e governos políticos. Estão convencidas de que nenhum movimento humano conseguirá fazer o que apenas o reino celestial de Deus pode realizar.”

      l Infelizmente, foi pouco depois disso que ela o abandonou por causa de seu próprio desejo de destaque pessoal.

      a Nos países onde a lei exige, porém, um representante local pode ser mencionado como responsável por aquilo que é publicado.

      b A Sentinela de 1.º e 15 de junho e de 1.º de julho de 1963.

      c A Sentinela, 15 de maio e 1.º de junho de 1964.

      [Destaque na página 120]

      C. T. Russell reconheceu abertamente a ajuda que outros prestaram durante seus primeiros anos de estudo da Bíblia.

      [Destaque na página 122]

      Examinaram pessoalmente a evidência de que a Bíblia é realmente a Palavra de Deus.

      [Destaque na página 123]

      Os Estudantes da Bíblia discerniram que a justiça de Deus está em perfeito equilíbrio com sua sabedoria, seu amor e poder.

      [Destaque na página 127]

      Russell viu claramente que o inferno não é um lugar de tormento após a morte.

      [Destaque na página 129]

      A maioria das pessoas sensatas não acreditava na doutrina do inferno de fogo.

      [Destaque na página 132]

      A posição firme de Russell sobre o resgate teve efeitos de grande alcance.

      [Destaque na página 134]

      Entenderam que 1914 estava claramente marcado pelas profecias bíblicas.

      [Destaque na página 136]

      Nem tudo aconteceu tão cedo como esperavam.

      [Destaque na página 139]

      As boas novas a serem proclamadas: O Reino de Deus já está em funcionamento!

      [Destaque na página 140]

      Seria o Armagedom meramente uma revolução social?

      [Destaque na página 141]

      Finalmente, em 1932, o verdadeiro “Israel de Deus” foi identificado.

      [Destaque na página 143]

      “O escravo fiel e discreto” — uma pessoa ou uma classe de pessoas?

      [Destaque na página 146]

      Aos poucos, eliminaram-se práticas que atraíssem indevida atenção para certos homens.

      [Destaque na página 148]

      As mudanças visam uma aderência ainda maior à Palavra de Deus.

      [Quadro na página 124]

      Tornar conhecido o nome de Deus

      ◆ Desde 1931, o nome Testemunhas de Jeová tem sido usado para designar os que adoram e servem a Jeová como o único Deus verdadeiro.

      ◆ Desde 15 de outubro de 1931, o nome pessoal de Deus, Jeová, tem aparecido na capa de cada número da revista “A Sentinela”.

      ◆ Numa época em que o nome pessoal de Deus estava sendo omitido da maioria das traduções modernas da Bíblia, as Testemunhas de Jeová começaram a publicar, em 1950, a “Tradução do Novo Mundo”, que restaurou o nome divino no seu devido lugar.

      ◆ Além da própria Bíblia, muitas outras publicações têm sido publicadas pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados para focalizar atenção especial no nome divino — por exemplo, os livros “Jeová” (1934), “Santificado Seja o Teu Nome” (1961) e “‘As Nações Terão de Saber que Eu Sou Jeová’ — Como?” (1971), bem como a brochura “O Nome Divino Que Durará Para Sempre” (1984).

      [Quadro na página 126]

      ‘Devemos contradizer o próprio Cristo?’

      Depois de expor a doutrina da Trindade como antibíblica e ilógica, C. T. Russell expressou justa indignação quando perguntou: “Devemos contradizer assim os Apóstolos e os Profetas e o próprio Jesus, e desconsiderar a lógica e o bom senso, para nos apegar a um dogma que nos foi transmitido desde um passado obscuro e supersticioso por uma Igreja corrupta e apóstata? Não! ‘À Lei e ao Testemunho! se eles não falarem segundo esta palavra, nunca verão a alva.’” — “The Watch Tower” de 15 de agosto de 1915.

      [Quadro na página 133]

      A verdade progressiva

      Em 1882, C. T. Russell escreveu: “A Bíblia é o nosso único padrão, e seus ensinamentos, o nosso único credo, e, reconhecendo o caráter progressivo do desvendamento das verdades bíblicas, estamos prontos e preparados para aumentar ou modificar nosso credo (fé — crença) à medida que recebemos mais luz de nosso Padrão.” — “Watch Tower” de abril de 1882, p. 7.

      [Quadro nas páginas 144, 145]

      As crenças das Testemunhas de Jeová

      ◆ A Bíblia é a inspirada Palavra de Deus. (2 Tim. 3:16, 17)

      Seu conteúdo não é mera história ou opinião humana, mas sim a palavra de Deus, registrada para nosso benefício. (2 Ped. 1:21; Rom. 15:4; 1 Cor. 10:11)

      ◆ Jeová é o único Deus verdadeiro. (Sal. 83:18; Deut. 4:39)

      Jeová é o Criador de todas as coisas, e como tal, só ele merece ser adorado. (Rev. 4:11; Luc. 4:8)

      Jeová é o Soberano Universal a quem devemos plena obediência. (Atos 4:24; Dan. 4:17; Atos 5:29)

      ◆ Jesus Cristo é o Filho unigênito de Deus, o único criado diretamente pelo próprio Deus. (1 João 4:9; Col. 1:13-16)

      Jesus foi o primeiro dentre as criações de Deus; portanto, antes de ser concebido e nascer como humano, Jesus vivia no céu. (Rev. 3:14; João 8:23, 58)

      Jesus adora seu Pai como o único Deus verdadeiro; Jesus nunca afirmou ser igual a Deus. (João 17:3; 20:17; 14:28)

      Jesus deu a sua vida humana perfeita como resgate pela humanidade. Seu sacrifício torna possível a vida eterna para todos os que realmente exercem fé nele. (Mar. 10:45; João 3:16, 36)

      Jesus foi ressuscitado dentre os mortos como espírito imortal. (1 Ped. 3:18; Rom. 6:9)

      Jesus voltou (tendo dirigido sua atenção como Rei para a Terra) e está agora presente como glorioso espírito. (Mat. 24:3, 23-27; 25:31-33; João 14:19)

      ◆ Satanás é o invisível “governante deste mundo”. (João 12:31; 1 João 5:19)

      Originalmente, ele era um filho perfeito de Deus, mas permitiu que sentimentos de presunção se desenvolvessem em seu coração, ansiou uma adoração que pertencia só a Jeová e engodou Adão e Eva a obedecerem a ele próprio em vez de escutarem a Deus. Assim ele fez de si mesmo Satanás, que significa “Adversário”. (João 8:44; Gên. 3:1-5; compare com Deuteronômio 32:4, 5; Tiago 1:14, 15; Lucas 4:5-7.)

      Satanás “está desencaminhando toda a terra habitada”; ele e seus demônios são responsáveis pela crescente angústia na Terra neste tempo do fim. (Rev. 12:7-9, 12)

      No tempo marcado por Deus, Satanás e seus demônios serão destruídos para sempre. (Rev. 20:10; 21:8)

      ◆ O Reino de Deus, sob Cristo, substituirá todos os governos humanos e se tornará o único governo sobre toda a humanidade. (Dan. 7:13, 14)

      O presente sistema iníquo será completamente destruído. (Dan. 2:44; Rev. 16:14, 16; Isa. 34:2)

      O Reino de Deus governará com justiça e trará verdadeira paz a seus súditos. (Isa. 9:6, 7; 11:1-5; 32:17; Sal. 85:10-12)

      Os iníquos serão eliminados para sempre, e os adoradores de Jeová gozarão de segurança duradoura. (Pro. 2:21, 22; Sal. 37:9-11; Mat. 25:41-46; 2 Tes. 1:6-9; Miq. 4:3-5)

      ◆ Vivemos agora, desde 1914,d no “tempo do fim” deste mundo iníquo. (Mat. 24:3-14; 2 Tim. 3:1-5; Dan. 12:4)

      Neste ínterim, está sendo dado um testemunho a todas as nações; depois virá o fim, não do globo, mas do sistema iníquo e das pessoas ímpias. (Mat. 24:3, 14; 2 Ped. 3:7; Ecl. 1:4)

      ◆ Existe apenas um caminho para a vida; nem todas as religiões ou práticas religiosas são aprovadas por Deus. (Mat. 7:13, 14; João 4:23, 24; Efé. 4:4, 5)

      A adoração verdadeira enfatiza não um ritual e uma exibição externa, mas um genuíno amor a Deus, demonstrado pela obediência a seus mandamentos e pelo amor ao próximo. (Mat. 15:8, 9; 1 João 5:3; 3:10-18; 4:21; João 13:34, 35)

      Pessoas de todas as nações, raças e grupos lingüísticos podem servir a Jeová e ter a Sua aprovação. (Atos 10:34, 35; Rev. 7:9-17)

      A oração deve ser dirigida só a Jeová por intermédio de Jesus; as imagens não devem ser usadas como objetos de devoção nem como ajuda na adoração. (Mat. 6:9; João 14:6, 13, 14; 1 João 5:21; 2 Cor. 5:7; 6:16; Isa. 42:8)

      As práticas espíritas têm de ser rejeitadas. (Gál. 5:19-21; Deut. 18:10-12; Rev. 21:8)

      Não há distinção de clero e leigos entre os cristãos verdadeiros. (Mat. 20:25-27; 23:8-12)

      O cristianismo verdadeiro não inclui guardar um sábado semanal ou satisfazer outros requisitos da Lei mosaica para se ganhar a salvação; fazer isso seria rejeitar a Cristo, que cumpriu a Lei. (Gál. 5:4; Rom. 10:4; Col. 2:13-17)

      Os que praticam a adoração verdadeira não se empenham em ecumenismo. (2 Cor. 6:14-17; Rev. 18:4)

      Todos os que são realmente discípulos de Jesus são batizados por imersão total. (Mat. 28:19, 20; Mar. 1:9, 10; Atos 8:36-38)

      Todos os que seguem o exemplo de Jesus e obedecem a seus mandamentos dão testemunho a outros sobre o Reino de Deus. (Luc. 4:43; 8:1; Mat. 10:7; 24:14)

      ◆ A morte resulta de se ter herdado de Adão o pecado. (Rom. 5:12; 6:23)

      Na morte, é a própria alma que morre. (Eze. 18:4)

      Os mortos não estão cônscios de nada. (Sal. 146:4; Ecl. 9:5, 10)

      O inferno (seol, hades) é a sepultura comum da humanidade. (Jó 14:13, “Douay”; Rev. 20:13, 14, “Almeida”)

      O ‘lago de fogo’ para onde são destinados os incorrigivelmente iníquos, segundo diz a própria Bíblia, é “a segunda morte”, a morte eterna. (Rev. 21:8)

      A ressurreição é a esperança para os mortos e para os que perderam entes queridos na morte. (1 Cor. 15:20-22; João 5:28, 29; compare com João 11:25, 26, 38-44; Marcos 5:35-42.)

      A morte em conseqüência do pecado adâmico não existirá mais. (1 Cor. 15:26; Isa. 25:8; Rev. 21:4)

      ◆ Um “pequeno rebanho”, apenas 144.000, irá para o céu. (Luc. 12:32; Rev. 14:1, 3)

      Esses são os que ‘nascem de novo’ quais filhos espirituais de Deus. (João 3:3; 1 Ped. 1:3, 4)

      Deus seleciona estes dentre todos os povos e nações para governarem quais reis com Cristo no Reino. (Rev. 5:9, 10; 20:6)

      ◆ Outros que têm a aprovação de Deus viverão para sempre sobre a Terra. (Sal. 37:29; Mat. 5:5; 2 Ped. 3:13)

      A Terra nunca será destruída ou despovoada. (Sal. 104:5; Isa. 45:18)

      Em harmonia com o propósito original de Deus, toda a Terra se tornará um paraíso. (Gên. 1:27, 28; 2:8, 9; Luc. 23:42, 43)

      Haverá moradias adequadas e fartura de alimentos para o usufruto de todos. (Isa. 65:21-23; Sal. 72:16)

      As doenças, todas as formas de incapacidade física e a própria morte se tornarão coisas do passado. (Rev. 21:3, 4; Isa. 35:5, 6)

      ◆ As autoridades seculares devem ser tratadas com o devido respeito. (Rom. 13:1-7; Tito 3:1, 2)

      Os cristãos verdadeiros não participam de rebelião contra as autoridades governamentais. (Pro. 24:21, 22; Rom. 13:1)

      Obedecem a todas as leis que não conflitam com a lei de Deus, mas a obediência a Deus vem primeiro. (Atos 5:29)

      Imitam a Jesus mantendo-se neutros em assuntos políticos. (Mat. 22:15-21; João 6:15)

      ◆ Os cristãos precisam harmonizar-se com as normas da Bíblia no que diz respeito ao sangue, bem como à moralidade sexual. (Atos 15:28, 29)

      Introduzir sangue no corpo, quer pela boca, quer pelas veias, é violação da lei de Deus. (Gên. 9:3-6; Atos 15:19, 20)

      Os cristãos têm de ser moralmente puros; a fornicação, o adultério e o homossexualismo não podem ter lugar em sua vida, tampouco a bebedice ou o abuso de drogas. (1 Cor. 6:9-11; 2 Cor. 7:1)

      ◆ A honestidade pessoal e a fidelidade nas responsabilidades maritais e familiares são importantes para os cristãos. (1 Tim. 5:8; Col. 3:18-21; Heb. 13:4)

      A desonestidade em palavra ou nos negócios e ser hipócrita não são compatíveis com ser cristão. (Pro. 6:16-19; Efé. 4:25; Mat. 6:5; Sal. 26:4)

      ◆ A adoração aceitável de Jeová requer que o amemos acima de tudo. (Luc. 10:27; Deut. 5:9)

      Fazer a vontade de Jeová, trazendo assim honra ao Seu nome, é a coisa mais importante na vida de um cristão verdadeiro. (João 4:34; Col. 3:23; 1 Ped. 2:12)

      Ao passo que fazem o bem a toda pessoa na medida do possível, os cristãos reconhecem que têm uma obrigação especial para com seus conservos de Deus; portanto, prestam ajuda especialmente a estes em casos de doença e calamidade. (Gál. 6:10; 1 João 3:16-18)

      O amor a Deus requer dos cristãos verdadeiros não só que obedeçam ao mandamento de amar o próximo, mas também que não amem o modo de vida imoral e materialista do mundo. Os cristãos verdadeiros não fazem parte do mundo e, por isso, evitam atividades que os identificariam como compartilhando seu espírito. (Rom. 13:8, 9; 1 João 2:15-17; João 15:19; Tia. 4:4)

      [Nota(s) de rodapé]

      d Para pormenores, veja o livro “Venha o Teu Reino”.

      [Foto na página 121]

      C. T. Russell começou a publicar a “Zion’s Watch Tower” em 1879, quando tinha 27 anos.

      [Fotos na página 125]

      Sir Isaac Newton e Henry Grew estavam entre os que já haviam rejeitado a Trindade como antibíblica.

      [Fotos na página 128]

      Num debate público, Russell argumentou que os mortos estão realmente mortos, não vivos com os anjos nem com os demônios num lugar de desespero.

      Carnegie Hall, em Allegheny, Pensilvânia — onde foi realizado o debate.

      [Foto na página 130]

      Russell viajou para cidades grandes e pequenas com o fim de falar a verdade sobre o inferno.

      [Foto na página 131]

      Quando Frederick Franz, um estudante universitário, aprendeu a verdade a respeito da condição dos mortos, mudou completamente seus alvos na vida.

      [Foto na página 135]

      1914 como fim dos Tempos dos Gentios foi amplamente divulgado pelos Estudantes da Bíblia, como neste tratado da I.B.S.A. que distribuíram em 1914.

      [Fotos na página 137]

      Em 1931, fazendo uso da maior cadeia de rádio que já se montara, J. F. Rutherford mostrou que só o Reino de Deus pode trazer alívio duradouro para a humanidade.

      O discurso “O Reino, a Esperança do Mundo”, foi transmitido simultaneamente por 163 emissoras de rádio e mais tarde por mais 340 emissoras.

      [Foto na página 142]

      A. H. Macmillan foi enviado de navio para a Palestina em 1925 por causa de interesse especial no papel dos judeus com respeito às profecias bíblicas.

  • Como viemos a ser conhecidos quais Testemunhas de Jeová
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 11

      Como viemos a ser conhecidos quais Testemunhas de Jeová

      NAS primeiras décadas de sua história moderna, eles eram com freqüência chamados simplesmente de Estudantes da Bíblia. Quando as pessoas perguntavam sobre o nome da organização, nossos irmãos não raro respondiam: “Somos cristãos.” O irmão Russell respondeu a essa pergunta, dizendo, na Watch Tower (hoje A Sentinela): “Não nos separamos de outros cristãos tomando qualquer nome distintivo ou peculiar. Estamos satisfeitos com o nome, cristãos, pelo qual os primitivos santos eram conhecidos.” — Edição de setembro de 1888.

      Como, então, viemos a ser hoje conhecidos quais Testemunhas de Jeová?

      O nome cristão

      Os verdadeiros seguidores de Jesus Cristo, tanto do primeiro século como dos tempos atuais, têm chamado a si mesmos e a seus concrentes de “irmãos”, “amigos” e “a congregação de Deus”. (Atos 11:29; 3 João 14; 1 Cor. 1:2) Além disso, eles têm-se referido a Cristo como “o Amo” e a si mesmos como “escravos de Cristo Jesus” e “escravos de Deus”. (Col. 3:24; Fil. 1:1; 1 Ped. 2:16) Tais designações têm sido usadas amplamente dentro da congregação, e com boa compreensão.

      No primeiro século, a maneira de viver centralizada na fé em Jesus Cristo (e, por extensão, a própria congregação) era chamada “O Caminho”. (Atos 9:2; 19:9) Diversas traduções de Atos 18:25 indicam que foi também chamada “o caminho de Jeová”.a Por outro lado, alguns de fora da congregação desdenhosamente a chamavam de “seita dos nazarenos”. — Atos 24:5.

      Em 44 EC ou não muito tempo depois, os fiéis seguidores de Jesus Cristo começaram a ser conhecidos por cristãos. Há quem diga que foram os de fora que os apelidaram de cristãos, de modo depreciativo. Entretanto, diversos lexicógrafos e comentaristas bíblicos dizem que um verbo empregado em Atos 11:26 dá a entender orientação ou revelação divina. Assim, na Tradução do Novo Mundo, essa passagem reza: “Foi primeiro em Antioquia que os discípulos, por providência divina, foram chamados cristãos.” (Encontram-se traduções similares em Literal Translation of the Holy Bible [Tradução Literal da Bíblia Sagrada], de Robert Young, Edição Revisada, de 1898; The Simple English Bible [A Bíblia em Inglês Simplificado], de 1981; e no New Testament [Novo Testamento] de Hugo McCord, de 1988.) Em cerca de 58 EC, o nome cristão era bem conhecido até mesmo de autoridades romanas. — Atos 26:28.

      Enquanto os apóstolos de Cristo ainda viviam, o nome cristão era distintivo e específico. (1 Ped. 4:16) Todos os que professavam ser cristãos, mas cujas crenças ou conduta negavam isso, eram expulsos da comunidade cristã. Todavia, conforme Jesus predissera, após a morte dos apóstolos, Satanás lançou sementes que produziram cristãos falsos. Esses produtos de falsificação também usavam o nome de cristão. (Mat. 13:24, 25, 37-39) Quando o cristianismo apóstata recorreu a conversões forçadas, alguns professaram ser cristãos simplesmente para evitar perseguição. Com o tempo, qualquer europeu que não professasse ser judeu, muçulmano ou ateu era com freqüência considerado cristão, quaisquer que fossem suas crenças ou sua conduta.

      Apelidos escarnecedores

      A partir do século 16, essa situação criou um problema para os reformadores. Visto que o nome cristão era usado tão amplamente, como podiam eles distinguir-se dos demais que afirmavam ser cristãos?

      Com freqüência, simplesmente anuíam ao uso de um apelido escarnecedor que lhes era dado pelos inimigos. Assim, os oponentes teológicos de Martinho Lutero, na Alemanha, foram os primeiros a chamar seus seguidores pelo seu nome, chamando-os de luteranos. Os que se associaram com John Wesley, na Inglaterra, foram chamados de metodistas porque eram incomumente precisos e metódicos na observância dos deveres religiosos. Os batistas de início resistiram ao apelido anabatista (que significa “rebatizante”), mas, aos poucos, adotaram o nome batista até certo ponto como concessão.

      Que dizer dos Estudantes da Bíblia? Foram chamados de russelitas e rutherfordistas pelo clero. Mas a adoção de tal nome teria promovido um espírito sectário. Teria sido incoerente com a repreensão dada aos primitivos cristãos pelo apóstolo Paulo que escreveu: “Quando um diz: ‘Eu pertenço a Paulo’, mas outro diz: ‘Eu a Apolo’, não sois simples homens [isto é, carnais no conceito em vez de espirituais]?” (1 Cor. 3:4) Algumas pessoas os chamavam de “auroristas do milênio”; mas o Reino Milenar de Cristo era apenas um de seus ensinamentos. Outros os chamavam de “povo da Torre de Vigia”; mas isso também era inadequado, pois a Watch Tower (A Torre de Vigia, hoje A Sentinela) era meramente uma das publicações que usavam para disseminar a verdade bíblica.

      A necessidade de um nome distintivo

      Com o tempo, tornou-se cada vez mais evidente que além do nome cristão, a congregação dos servos de Jeová precisava realmente de um nome que a distinguisse. O significado do nome cristão deturpara-se na mente do público por causa dos que afirmavam ser cristãos que não raro tinham pouca ou nenhuma idéia sobre quem era Jesus Cristo, o que ele ensinara e o que deviam fazer para serem realmente seus seguidores. Além disso, à medida que nossos irmãos progrediam no seu entendimento da Palavra de Deus, viam claramente a necessidade de estarem separados e de serem diferentes dos sistemas religiosos que fraudulentamente afirmavam ser cristãos.

      É verdade que nossos irmãos muitas vezes se referiam a si mesmos como Estudantes da Bíblia e, a partir de 1910, usaram o nome Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia com referência às suas reuniões. Em 1914, para evitarem ser confundidos com a sua recém-formada sociedade legal chamada Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia, adotaram para seus grupos locais o nome Estudantes da Bíblia Associados. Mas a adoração que praticavam envolvia mais do que o estudo da Bíblia. Além do mais, havia outros que também estudavam a Bíblia — alguns, com devoção; outros, como críticos; e não poucos a estudavam porque a consideravam simplesmente uma bela literatura. Daí, após a morte do irmão Russell, alguns ex-associados recusaram cooperar com a Sociedade Torre de Vigia e com a Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia, opondo-se até mesmo à obra dessas sociedades. Tais grupos fragmentados usavam diversos nomes, aderindo alguns deles ao nome Estudantes da Bíblia Associados. Isto causou mais confusão.

      Todavia, em 1931, adotamos o nome que realmente nos distingue: Testemunhas de Jeová. O escritor Chandler W. Sterling chama isso de “o maior golpe de gênio” da parte de J. F. Rutherford, então presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA). Na opinião desse escritor, foi um passo inteligente que não só forneceu um nome oficial para esse grupo, mas também facilitou a interpretação de todas as referências bíblicas a “testemunho” e “testemunhar” como aplicando-se especificamente às Testemunhas de Jeová. Em contraste, A. H. Macmillan, um colaborador administrativo de três presidentes da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), disse a respeito do anúncio feito pelo irmão Rutherford: “Não há dúvida alguma em minha mente — nem naquele tempo nem agora — de que o Senhor o guiou nisso, e de que é o nome que Jeová deseja que levemos, e estamos felicíssimos e muito contentes de tê-lo.” Qual desses pontos de vista é apoiado pelos fatos? Foi esse nome ‘um golpe de gênio’ da parte do irmão Rutherford, ou foi providência divina?

      Desenvolvimentos que apontaram para esse nome

      Foi no oitavo século AEC que Jeová fez com que Isaías escrevesse: “‘Vós sois as minhas testemunhas’ é a pronunciação de Jeová, ‘sim, meu servo a quem escolhi, para que saibais e tenhais fé em mim, e para que entendais que eu sou o Mesmo. Antes de mim não foi formado nenhum Deus e depois de mim continuou a não haver nenhum. . . . Vós sois as minhas testemunhas’, é a pronunciação de Jeová, ‘e eu sou Deus.’” (Isa. 43:10, 12) Conforme indicado nas Escrituras Gregas Cristãs, muitas profecias registradas por Isaías têm cumprimento em relação com a congregação cristã. (Compare Isaías 8:18 com Hebreus 2:10-13; Isaías 66:22 com Revelação [Apocalipse] 21:1, 2.) Contudo, Isaías 43:10, 12 nunca fora considerado em pormenores na Watch Tower nos seus primeiros 40 anos de publicação.

      Depois disso, porém, o estudo das Escrituras dirigiu a atenção dos servos de Jeová para novos desenvolvimentos significativos. O Reino de Deus, tendo a Jesus como Rei messiânico, nascera nos céus em 1914. Em 1925, ano em que isto foi esclarecido na Watch Tower, a ordem profética, em Isaías, capítulo 43, para serem testemunhas de Jeová, recebeu atenção em 11 diferentes edições da revista.

      Em The Watch Tower, de 1.º de janeiro de 1926, o artigo principal trazia a pergunta desafiadora: “Quem Honrará a Jeová?” Nos cinco anos que se seguiram, The Watch Tower considerou partes de Isaías 43:10-12 em 46 diferentes edições da revista, e todas as vezes fez aplicação disso aos cristãos verdadeiros.b Em 1929, indicou-se que a questão principal que confronta toda a criação inteligente envolve honrar o nome de Jeová. E com relação à responsabilidade que os servos de Jeová têm nesta questão, repetidamente foi considerada a passagem de Isaías 43:10-12.

      Assim, os fatos mostram que, em resultado de estudo da Bíblia, repetidamente se chamava atenção para a sua obrigação de ser testemunhas de Jeová. O assunto em consideração não era o nome de um grupo, mas a obra que haviam de fazer.

      Mas, com que nome deviam essas testemunhas ser conhecidas? O que seria apropriado em vista da obra que efetuavam? A que conclusão apontava a própria Palavra de Deus? Esse assunto foi considerado num congresso em Columbus, Ohio, EUA, de 24 a 30 de julho de 1931.

      Um novo nome

      As grandes letras JW apareciam destacadamente na capa do programa do congresso. O que significavam? Foi só no domingo, 26 de julho, que se explicou seu significado. Naquele dia, o irmão Rutherford proferiu o discurso público “O Reino, a Esperança do Mundo”. Nesse discurso, ao identificar os que são proclamadores do Reino de Deus, o orador fez menção especial do nome Jehovah’s Witnesses (Testemunhas de Jeová).

      Mais tarde naquele dia o irmão Rutherford complementou isso com outro discurso em que considerou os motivos de se precisar de um nome distintivo.c Que nome indicavam as próprias Escrituras? O orador citou Atos 15:14, que dirige atenção para o propósito de Deus de tirar das nações “um povo para seu nome”. No seu discurso, ele salientou que, conforme declarado em Revelação 3:14, Jesus Cristo é “a testemunha fiel e verdadeira”. Citou João 18:37, onde Jesus disse: “Para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade.” Ele dirigiu a atenção para 1 Pedro 2:9, 10, que diz que os servos de Deus devem ‘divulgar as excelências daquele que os chamou da escuridão para a sua maravilhosa luz’. Considerou diversas passagens de Isaías, não sendo todas claramente entendidas naquele tempo, mas, daí, culminou sua apresentação com Isaías 43:8-12, que inclui a comissão divina: “‘Vós sois as minhas testemunhas’, é a pronunciação de Jeová, ‘e eu sou Deus.’” A que conclusão, então, os levava a própria Palavra de Jeová? Que nome estaria em harmonia com a maneira em que Deus efetivamente os usava?

      A resposta óbvia foi incluída numa resolução adotada entusiasticamente nessa ocasião.d Essa resolução, em parte, dizia:

      “A fim de que a nossa verdadeira posição fique conhecida, e crendo que isto se harmoniza com a vontade de Deus, como se acha expressa na sua Palavra, RESOLVE-SE, o seguinte, a saber:

      “QUE, apesar de termos grande amor pelo irmão Charles T. Russell, por causa do seu serviço, e reconhecermos gratamente que o Senhor o usou e abençoou grandemente seu trabalho, todavia, para estarmos em harmonia com a Palavra de Deus, não podemos consentir ser chamados pelo nome de ‘russelitas’; que a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, a Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia e a Associação do Púlpito do Povo são apenas nomes de sociedades que nós, como grupo de cristãos, temos, dirigimos e usamos para efetuar o nosso trabalho, em obediência aos mandamentos de Deus, entretanto, nenhum desses nomes se referem ou se aplicam corretamente a nós como grupo de cristãos seguidores das pisadas de nosso Senhor e Mestre, Cristo Jesus; que somos estudantes da Bíblia, mas, como grupo de cristãos que compõem uma associação, recusamos adotar ou ser chamados pelo nome de ‘estudantes da Bíblia’ ou por quaisquer nomes semelhantes como meio de identificar a nossa devida posição perante o Senhor; recusamos levar o nome ou ser chamados pelo nome de qualquer homem;

      “QUE, tendo sido comprados com o precioso sangue de Jesus Cristo, nosso Senhor e Redentor, justificados e gerados por Jeová Deus e chamados para o seu reino, nós, sem hesitação, declaramos nossa inteira lealdade e devoção a Jeová Deus e ao seu reino; que somos servos de Jeová Deus, comissionados a trabalhar em seu nome, e, em obediência ao seu mandamento, a dar testemunho de Jesus Cristo e tornar conhecido às pessoas que Jeová é o Deus verdadeiro e Todo-Poderoso; portanto, é com alegria que aceitamos e levamos o nome pelo qual a boca do Senhor Deus nos chamou, e desejamos ser conhecidos e chamados pelo nome, a saber, Testemunhas de Jeová. — Isa. 43:10-12.”e

      Os estrondosos e prolongados aplausos que se seguiram a essa apresentação da inteira resolução indicaram o pleno acordo da assistência com o que se declarou.

      Aceitação da responsabilidade

      Que honra é levar o nome do único Deus verdadeiro, o Soberano do Universo! Mas isso vem acompanhado de uma responsabilidade. É uma responsabilidade que outros grupos religiosos não querem assumir. Como disse o irmão Rutherford no seu discurso: “Felizes são os que podem levar um nome que ninguém na Terra deseja, exceto os que estão plena e incondicionalmente devotados a Jeová.” Todavia, quão apropriado é que os servos de Jeová levem o nome pessoal de Deus, que o tornem conhecido e que ele esteja proeminentemente associado com a proclamação de Seu propósito!

      Qualquer grupo ou indivíduo que fale em nome de Jeová se coloca sob a obrigação de transmitir Sua palavra com veracidade. (Jer. 23:26-28) Precisa tornar conhecidos não só as provisões de Jeová para a bênção dos que amam a justiça, mas também Seus julgamentos sobre os que praticam a injustiça. Como Jeová ordenou a seus profetas no passado, também hoje, suas testemunhas não devem omitir nada da palavra de Deus, deixando de torná-la conhecida. (Jer. 1:17; 26:2; Eze. 3:1-11) Precisam proclamar tanto “o ano de boa vontade da parte de Jeová” como “o dia de vingança da parte de nosso Deus”. (Isa. 61:1, 2) Os que adotaram a resolução acima reconheceram essa responsabilidade, e na parte final da resolução, declararam:

      “Como testemunhas de Jeová, nosso único e exclusivo propósito é ser inteiramente obedientes aos seus mandamentos; dar a conhecer que ele é o único Deus verdadeiro e Todo-Poderoso; que a sua Palavra é verdadeira e que o seu nome é digno de toda honra e glória; que Cristo é o Rei escolhido por Deus a quem este colocou sobre o seu trono de autoridade; que é vindo agora o seu reino, e, em obediência aos mandamentos do Senhor, temos de declarar agora estas boas novas, como notificação ou testemunho às nações, e informar os governantes e o povo acerca da cruel e opressora organização de Satanás, especialmente com referência à ‘cristandade’, que é a parte mais perversa dessa organização visível, e também a respeito do propósito divino de destruir em breve a organização de Satanás, o que será um ato grandioso a ser seguido logo do ato de Cristo, o Rei, de trazer aos povos obedientes da Terra paz e prosperidade, liberdade e saúde, felicidade e vida eterna; que o reino de Deus é a esperança do mundo e não há outra e que esta mensagem tem de ser proclamada por todos aqueles que se identificam como testemunhas de Jeová.

      “Convidamos humildemente todas as pessoas que se acham inteiramente devotadas a Jeová e ao seu reino a se juntarem na proclamação destas boas novas aos outros, a fim de que o justo estandarte do Senhor seja gloriosamente arvorado e todos os povos do mundo saibam onde se encontra a verdade e a esperança confortadoras; e, acima de tudo, para que o santo e excelso nome de Jeová Deus seja vindicado e exaltado.”

      Não foi só em Columbus, Ohio, nos Estados Unidos, mas até na longínqua Austrália que os ouvintes irromperam em aplausos diante do anúncio desse novo nome. No Japão, depois de horas de esforço, apenas uma breve parte do programa foi captada em rádio de ondas curtas no meio da noite. Foi imediatamente traduzida. Assim, o pequeno grupo ali ouviu a resolução e os estrondosos aplausos. Matsue Ishii estava presente, e, segundo ela escreveu mais tarde, eles ‘clamaram de alegria em harmonia com seus irmãos na América’. Após o congresso em Columbus, assembléias e congressos das Testemunhas de Jeová em todos os países onde realizavam seu ministério expressaram estar de pleno acordo com essa resolução. Da Noruega, para se citar apenas um exemplo, veio este relatório: “No nosso congresso anual . . . em Oslo, todos nós nos pusemos de pé e com grande entusiasmo clamamos ‘Ja’ [Sim], ao adotarmos nosso novo nome ‘testemunhas de Jeová’.”

      Mais do que um rótulo

      Ficaria o mundo em geral sabendo que nossos irmãos adotaram esse novo nome? Sim, deveras! O discurso em que foi feito o anúncio do nome foi proferido através da maior cadeia de rádio já formada até aquele tempo. Além disso, a resolução que apresentava o novo nome foi incluída no folheto The Kingdom, the Hope of the World (em português: O Reino de Deus É a Felicidade do Povo). Após o congresso, as Testemunhas de Jeová distribuíram milhões de exemplares desse folheto em muitos idiomas na América do Norte e do Sul, Europa, África, Ásia e nas ilhas do mar. Além de oferecerem exemplares de casa em casa, fizeram esforço especial de entregar um exemplar a toda autoridade governamental, homem de negócios e clérigo. Alguns que ainda vivem em 1992 se lembram bem de terem participado daquela importante campanha.

      Nem todos receberam com agrado o folheto. Eva Abbott relembra que, ao deixar a casa de um clérigo nos Estados Unidos, o folheto veio voando por cima de sua cabeça e caiu no chão. Ela não queria deixá-lo ali, de modo que se abaixou para apanhá-lo; mas um enorme cão, rosnando, arrancou-o de sua mão e o levou a seu dono, o pastor. Disse ela: “O que eu não consegui entregar, o cão entregou!”

      Martin Poetzinger, que mais tarde serviu como membro do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová, lembrava: “A cada porta viam-se rostos surpresos quando nos apresentávamos com as palavras: ‘Venho visitá-lo hoje como uma das Testemunhas de Jeová.’ As pessoas meneavam a cabeça ou perguntavam: ‘Mas vocês ainda são estudantes da Bíblia, não são? Ou ingressaram numa nova seita?’” Aos poucos a situação mudou. Várias décadas depois de terem começado a usar o nome distintivo, o irmão Poetzinger escreveu: “Que mudança! Antes de eu começar a falar, as pessoas dizem: ‘Deve ser uma Testemunha de Jeová.’” Sim, agora elas conhecem o nome.

      Esse nome não é mero rótulo. Sejam jovens ou idosos, homens ou mulheres, todas as Testemunhas de Jeová tomam parte na obra de dar testemunho a respeito de Jeová e seu grandioso propósito. Em resultado disso, C. S. Braden, professor de história religiosa, escreveu: “As Testemunhas de Jeová cobriram literalmente a Terra com seu testemunho.” — These Also Believe (Estes Também Crêem).

      Embora o testemunho dado pelos nossos irmãos antes de adotarem o nome Testemunhas de Jeová abrangesse o globo inteiro, em retrospecto, parece que Jeová os estava preparando para uma obra ainda maior — o ajuntamento de uma grande multidão que seria preservada viva através do Armagedom, com a oportunidade de viver para sempre numa Terra paradísica.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas; A Literal Translation of the New Testament . . . From the Text of the Vatican Manuscript, de Herman Heinfetter; e seis traduções para o hebraico. Veja também a nota ao pé da página sobre Atos 19:23 na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas.

      b Entre os principais artigos na Watch Tower, publicados durante esse período, estavam “Jeová e Suas Obras”, “Honrai Seu Nome”, “Um Povo Para Seu Nome”, “Enaltecido o Seu Nome”, “A Testemunha Verdadeira e Fiel”, “Louvai a Jeová!” “Deleitai-vos em Jeová”, “Jeová, o Supremo”, “Vindicação de Seu Nome”, “Seu Nome” e “Cantai a Jeová”.

      c Veja o artigo “Um Novo Nome”, em The Watch Tower de 1.º de outubro de 1931.

      d The Watch Tower de 15 de setembro de 1931, pp. 278-9.

      e Embora a evidência indique persuasivamente a orientação de Jeová na escolha do nome Testemunhas de Jeová, A Sentinela (de dezembro de 1944, pp. 189-90, e de 15 de março de 1958, pp. 190-1) e o livro “Novos Céus e Uma Nova Terra” (pp. 238-45) indicaram mais tarde que esse nome não é o “novo nome” mencionado em Isaías 62:2; 65:15; e em Revelação 2:17, ainda que o nome se harmonize com a nova relação mencionada nos dois textos de Isaías.

      [Destaque na página 149]

      “Os discípulos, por providência divina, foram chamados cristãos.”

      [Destaque na página 150]

      O nome cristão deturpara-se na mente do público.

      [Destaque na página 151]

      Eles eram mais do que Estudantes da Bíblia.

      [Destaque na página 157]

      “‘Vós sois as minhas testemunhas’, é a pronunciação de Jeová, ‘e eu sou Deus.’”

      [Quadro na página 151]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      O Nome Testemunhas de Jeová nas Américas

      Árabe ش‍هود ‍ي‍هوه‍

      Armênio Եհովայի Վկաներ

      Chinês 耶和華見證人

      Coreano 여호와의증인

      Espanhol Testigos de Jehová

      Francês Témoins de Jéhovah

      Grego Μάρτυρες του Ιεχωβά

      Groenlandês Jehovap Nalunaajaasui

      Inglês Jehovah’s Witnesses

      Italiano Testimoni di Geova

      Japonês エホバの証人

      Papiamento Testigonan di Jehova

      Polonês Świadkowie Jehowy

      Português Testemunhas de Jeová

      Samoano Molimau a Ieova

      Sranantongo Jehovah Kotoigi

      Tagalo Mga Saksi ni Jehova

      Vietnamita Nhân-chứng Giê-hô-va

      [Quadro na página 152]

      Outros compreenderam

      Não foi só “A Sentinela” que indicou com base na Bíblia que Jeová teria testemunhas na Terra. Como exemplo disso, H. A. Ironside, no livro “Lectures on Daniel the Prophet” (Discursos Sobre Daniel, o Profeta, publicado originalmente em 1911), mencionou aqueles em quem se cumpririam as preciosas promessas de Isaías, capítulo 43, e disse: “Estes serão testemunhas de Jeová, atestando o poder e a glória do único Deus verdadeiro, quando a cristandade apóstata tiver sido entregue à grande ilusão de crer na mentira do Anticristo.”

      [Quadro na página 153]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      O nome Testemunhas de Jeová no Oriente e nas ilhas do Pacífico

      Bengali যিহোবার সাক্ষিরা

      Bicol, cebuano, hiligaino,

      samareno, tagalo Mga Saksi ni Jehova

      Bislama Ol Wetnes blong Jeova

      Canarês ಯೆಹೋವನ ಸಾಕ್ಷಿಗಳು

      Chinês 耶和華見證人

      Cingalês යෙහෝවාගේ සාක්ෂිකරුවෝ

      Coreano 여호와의 증인

      Fijiano Vakadinadina i Jiova

      Guzerate યહોવાહના સાક્ષીઓ

      Hindi यहोवा के साक्षी

      Hiri motu Iehova ena Witness Taudia

      Ilocano Dagiti Saksi ni Jehova

      Indonésio Saksi-Saksi Yehuwa

      Inglês Jehovah’s Witnesses

      Japonês エホバの証人

      Malaiala യഹോവയുടെ സാക്ഷികൾ

      Marata यहोवाचे साक्षीदार

      Marshallês Dri Kennan ro an Jeova

      Mianmar ယေဟောဝါသက်သေများ

      Nepali यहोवाका साक्षीहरू

      Niueano Tau Fakamoli a Iehova

      Palauan reSioning er a Jehovah

      Pangasino Saray Tasi nen Jehova

      Pidgin da Nova Guiné Ol Witnes Bilong Jehova

      Pidgin das ilhas Salomão all’gether Jehovah’s Witness

      Ponapean Sounkadehde kan en Siohwa

      Rarotonganês Au Kite o Iehova

      Russo Свидетели Иеговы

      Samoano, tuvaluano Molimau a Ieova

      Tai พยานพระยะโฮวา

      Taitiano Ite no Iehova

      Tâmil யெகோவாவின் சாட்சிகள்

      Télugo యెహోవాసాక్షులు

      Tonganês Fakamo‘oni ‘a Sihova

      Trukese Ekkewe Chon Pwarata Jiowa

      Urdu

      Vietnamita Nhân-chứng Giê-hô-va

      Yapese Pi Mich Rok Jehovah

      [Quadro na página 154]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      O nome Testemunhas de Jeová na África

      Africâner Jehovah se Getuies

      Amárico የይሖዋ ምሥክሮች

      Árabe ش‍هود ‍ي‍هوه‍

      Chicheva Mboni za Yehova

      Chona Zvapupu zvaJehovha

      Cibemba Inte sha kwa Yehova

      Efique Mme Ntiense Jehovah

      Eve Yehowa Ðasefowo

      Francês Témoins de Jéhovah

      Ga Yehowa Odasefoi

      Gun Kunnudetọ Jehovah tọn lẹ

      Haussá Shaidun Jehovah

      Ibo Ndịàmà Jehova

      Inglês Jehovah’s Witnesses

      Ioruba Ẹlẹ́rìí Jehofa

      Kiluba Ba Tumoni twa Yehova

      Kinyarwanda Abahamya ba Yehova

      Kirundi Ivyabona vya Yehova

      Kisi Seiyaa Jɛhowaa

      Kwanyama Eendombwedi daJehova

      Lingala Batemwe ya Jéhovah

      Luganda Abajulirwa ba Yakuwa

      Malgaxe Vavolombelon’i Jehovah

      Mouro A Zeova Kaset rãmba

      Ndonga Oonzapo dhaJehova

      Português Testemunhas de Jeová

      Sango A-Témoin ti Jéhovah

      Sepedi Dihlatse tša Jehofa

      Sesoto Lipaki tsa Jehova

      Silozi Lipaki za Jehova

      Suaíli Mashahidi wa Yehova

      Tchiluba Bantemu ba Yehowa

      Tigrinia ናይ የሆዋ መሰኻኽር

      Tsonga Timbhoni ta Yehova

      Tsvana Basupi ba ga Jehofa

      Tvi Yehowa Adansefo

      Venda Ṱhanzi dza Yehova

      Xosa amaNgqina kaYehova

      Zulu oFakazi BakaJehova

      O nome Testemunhas de Jeová na Europa e no Oriente Médio

      Albanês Dëshmitarët e Jehovait

      Alemão Jehovas Zeugen

      Árabe ش‍هود ‍ي‍هوه‍

      Armênio Եհովայի Վկաներ

      Búlgaro Свидетелите на Йехова

      Croácio Jehovini svjedoci

      Dinamarquês Jehovas Vidner

      Eslovaco Jehovovi svedkovia

      Esloveno Jehovove priče

      Espanhol Testigos de Jehová

      Estoniano Jehoova tunnistajad

      Finlandês Jehovan todistajat

      Francês Témoins de Jéhovah

      Grego Μάρτυρες του Ιεχωβά

      Hebraico עדי־יהוה

      Holandês Jehovah’s Getuigen

      Húngaro Jehova Tanúi

      Inglês Jehovah’s Witnesses

      Islandês Vottar Jehóva

      Italiano Testimoni di Geova

      Macedônio,

      sérvio Јеховини сведоци

      Maltês Xhieda ta’ Jehovah

      Norueguês Jehovas vitner

      Polonês Świadkowie Jehowy

      Português Testemunhas de Jeová

      Romeno Martorii lui Iehova

      Russo Свидетели Иеговы

      Sueco Jehovas vittnen

      Tcheco svĕdkové Jehovovi

      Turco Yehova’nın Şahitleri

      Ucraniano Свідки Єгови

      [Foto na página 155]

      As iniciais JW (sem explicação) destacaram-se no congresso de 1931 nos EUA. Seu significado foi revelado num emocionante discurso sobre o novo nome.

      [Fotos na página 156]

      Orgulhavam-se de dar a conhecer a outros que eram Testemunhas de Jeová.

  • A grande multidão viverá no céu? ou na terra?
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 12

      A grande multidão viverá no céu? ou na terra?

      EM CONTRASTE com os membros das religiões da cristandade, a maioria das Testemunhas de Jeová espera ganhar vida eterna não no céu, mas na Terra. Por quê?

      Nem sempre foi assim. Os cristãos do primeiro século esperavam um dia governar com Jesus Cristo quais reis celestiais. (Mat. 11:12; Luc. 22:28-30) Jesus lhes havia dito, porém, que os herdeiros do Reino seriam apenas um “pequeno rebanho”. (Luc. 12:32) Quem seria incluído? Quantos haveria? Não souberam dos pormenores senão mais tarde.

      No Pentecostes de 33 EC, os primeiros discípulos judeus de Jesus foram ungidos com espírito santo para serem co-herdeiros de Cristo. No ano 36 EC, a operação do espírito de Deus tornou claro que os gentios incircuncisos também teriam parte nessa herança. (Atos 15:7-9; Efé. 3:5, 6) Passaram-se mais 60 anos antes de ser revelado ao apóstolo João que apenas 144.000 seriam tomados da Terra para terem parte no Reino celestial com Cristo. — Rev. 7:4-8; 14:1-3.

      Charles Taze Russell e seus associados tinham essa esperança, como a maioria das Testemunhas de Jeová até meados da década de 30. Sabiam também, com base nos seus estudos das Escrituras, que a unção com espírito santo significava não só que tais pessoas serviriam no futuro quais reis e sacerdotes com Cristo nos céus, mas também que tinham um trabalho especial a fazer enquanto ainda estavam na carne. (1 Ped. 1:3, 4; 2:9; Rev. 20:6) Que trabalho? Eles conheciam bem e citavam muitas vezes Isaías 61:1, que diz: “O espírito do Soberano Senhor Jeová está sobre mim, visto que Jeová me ungiu para anunciar boas novas aos mansos.”

      Pregação com que objetivo?

      Embora fossem poucos, esforçavam-se a transmitir a toda pessoa possível a verdade a respeito de Deus e seu propósito. Imprimiam e distribuíam enormes quantidades de publicações que anunciavam as boas novas sobre a provisão divina de salvação por meio de Cristo. Mas seu objetivo não era de forma alguma a conversão de todos os a quem pregavam. Então, por que lhes pregavam? A Watch Tower (A Sentinela) de julho de 1889 explicava: “Somos representantes [de Jeová] na Terra; a honra de seu nome será vindicada na presença de seus inimigos e diante de muitos de seus filhos desencaminhados; seu glorioso plano será amplamente divulgado em oposição a todos os projetos dos sábios do mundo que os homens estão tentando e tentaram inventar.”

      Deu-se atenção especial aos que professavam ser o povo do Senhor, muitos dos quais eram membros das igrejas da cristandade. Qual era o objetivo de pregar a esses? Conforme o irmão Russell muitas vezes explicou, o desejo dos primeiros Estudantes da Bíblia não era atrair membros de igrejas para alguma outra organização, mas ajudá-los a se aproximarem mais do Senhor como membros da igreja una e verdadeira. Os Estudantes da Bíblia sabiam, porém, que, em obediência a Revelação (Apocalipse) 18:4, essas pessoas tinham que sair de “Babilônia”, que, segundo entendiam, era manifestada na igreja nominal, o conjunto de igrejas da cristandade com todos os seus ensinamentos antibíblicos e divisões sectárias. Já no primeiro número da Watch Tower (julho de 1879), o irmão Russell disse: “Entendemos que o objetivo do testemunho dado atualmente é ‘tirar um povo para Seu nome’ — a Igreja — que na vinda de Cristo está unido a Ele e recebe Seu nome. Rev. iii. 12.”

      Eles compreenderam que, naquele tempo, apenas uma ‘chamada’ estava sendo feita a todos os verdadeiros cristãos. Era um convite para serem membros da noiva de Cristo, cujo número por fim seria de apenas 144.000. (Efé. 4:4; Rev. 14:1-5) Procuravam incentivar todos os que professassem fé no sacrifício de resgate de Cristo, quer fossem membros de uma igreja, quer não, a apreciar as “promessas preciosas e mui grandiosas” de Deus. (2 Ped. 1:4; Efé. 1:18) Empenhavam-se em instar com eles para se ajustarem, com zelo, aos requisitos para o pequeno rebanho de herdeiros do Reino. Para o fortalecimento espiritual de todos esses que, segundo achavam, constituíam ‘os aparentados na fé’ (porque professavam ter fé no resgate), o irmão Russell e seus associados procuravam diligentemente tornar disponível o alimento espiritual “a seu tempo” por meio das colunas da Sentinela e de outras publicações baseadas na Bíblia. — Gál. 6:10; Mat. 24:45, 46, Almeida.

      Eles podiam ver, porém, que nem todos os que professavam ter feito uma “consagração” (ou: ‘ter-se entregado plenamente ao Senhor’, conforme entendiam que significava) continuavam depois disso a levar uma vida de abnegação espontânea, fazendo do serviço do Senhor seu principal interesse na vida. Contudo, segundo explicavam, os cristãos consagrados haviam concordado de livre vontade em renunciar à natureza humana, tendo em vista uma herança celestial; não havia retorno; se não ganhassem vida no domínio espiritual, a segunda morte os aguardaria. (Heb. 6:4-6; 10:26-29) Mas, muitos cristãos supostamente consagrados estavam seguindo o caminho fácil, não manifestando o verdadeiro zelo pela causa do Senhor e evitando a abnegação. Entretanto, aparentemente não haviam repudiado o resgate, e levavam uma vida razoavelmente limpa. O que aconteceria com tais pessoas?

      Durante muitos anos os Estudantes da Bíblia pensavam que se tratava do grupo descrito em Revelação 7:9, 14, que menciona “uma grande multidão” que sai da grande tribulação e está de pé “diante do trono” de Deus e diante do Cordeiro, Jesus Cristo. Arrazoavam que, embora esses evitassem uma vida de abnegação, se confrontariam com testes de fé que culminariam em morte durante um período de tribulação após a glorificação dos últimos membros da noiva de Cristo. Pensavam que, se esses mencionados como sendo a grande multidão permanecessem fiéis naquele tempo, seriam ressuscitados para a vida celestial — não para governarem como reis, mas para tomarem posição diante do trono. Julgava-se que receberiam tais posições secundárias porque seu amor pelo Senhor não fora suficientemente ardente, porque não haviam mostrado bastante zelo. Pensava-se que eram pessoas geradas pelo espírito de Deus, mas que haviam sido negligentes em obedecer a Deus, apegando-se possivelmente ainda às igrejas da cristandade.

      Pensavam também que talvez — apenas talvez — os “dignos da antiguidade” que iriam servir quais príncipes na Terra durante a era do milênio fossem, no fim desse período, de algum modo agraciados com a vida celestial. (Sal. 45:16) Ponderavam que uma perspectiva similar talvez aguardasse a quaisquer que se “consagrassem” depois de terem sido finalmente escolhidos os 144.000 herdeiros do Reino, mas antes do tempo de começar a restauração na Terra. Até certo ponto, isso era uma reminiscência do conceito da cristandade de que todos os suficientemente bons vão para o céu. Mas havia uma crença, baseada nas Escrituras, que os Estudantes da Bíblia prezavam e que os distinguiu de toda a cristandade. Qual era essa crença?

      Viver na Terra para sempre com perfeição

      Eles compreendiam que, ao passo que a um número limitado dentre a humanidade se daria a vida celestial, haveria muitos mais que seriam favorecidos com a vida eterna na Terra, em condições similares às que existiam no Paraíso do Éden. Jesus ensinara seus seguidores a orar: “Realize-se a tua vontade, como no céu, assim também na terra.” Também havia dito: “Felizes os de temperamento brando, porque herdarão a terra.” — Mat. 5:5; Mat. 6:10.

      Em harmonia com isso, uma tabelaa publicada como suplemento na Watch Tower de julho-agosto de 1881 indicava que haveria muitos dentre a humanidade que ganhariam o favor de Deus durante o Reino Milenar de Cristo e que constituiriam “o mundo da humanidade levada à vida e perfeição humana”. Essa tabela foi usada por muitos anos como base para discursos perante grupos grandes e pequenos.

      Em que condições viveriam as pessoas na Terra durante essa era do milênio? The Watch Tower de 1.º de julho de 1912 explicou: “Antes de ter entrado o pecado no mundo, a provisão divina para nossos primeiros pais era o Jardim do Éden. Ao pensarmos sobre isso, voltemos nossa mente para o futuro, orientados pela Palavra de Deus; em visão mental vemos o Paraíso restaurado — não simplesmente um jardim, mas a Terra inteira tornada bela, frutífera, sem pecado, feliz. Daí, lembramos a promessa inspirada com a qual estamos tão familiarizados — ‘E Deus enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor’, pois as coisas anteriores, o pecado e a morte, terão passado, e todas as coisas terão sido feitas novas! — Rev. 21:4, 5.”

      Quem haveria de viver para sempre na Terra?

      O irmão Russell não pensava que Deus estivesse oferecendo à humanidade uma escolha — a vida no céu para os que a desejassem e a vida numa Terra paradísica para os que preferissem isso. A Watch Tower de 15 de setembro de 1905 dizia: “Nossos sentimentos ou aspirações não são a chamada. Do contrário, daria a entender que nós é que fazemos nossa própria chamada. Falando sobre nosso sacerdócio, o Apóstolo diz: ‘Ninguém toma para si esta honra, senão o que é chamado por Deus’ (Heb. 5:4, Almeida, ed. rev. e corr.), e não é nos nossos sentimentos que devemos buscar certeza quanto a qual é a chamada de Deus, mas sim na própria Palavra de revelação de Deus.”

      Quanto à oportunidade de viver num restaurado paraíso terrestre, os Estudantes da Bíblia criam que ela se estenderia às pessoas só depois de todo o pequeno rebanho ter recebido a sua recompensa e de ter iniciado plenamente a era do milênio. Entendiam que esse seria o tempo da “restauração de todas as coisas”, mencionada em Atos 3:21. (Imprensa Bíblica Brasileira) Até mesmo os mortos seriam então ressuscitados para que todos pudessem partilhar dessa provisão amorosa. Os irmãos imaginavam que toda a humanidade (exceto os chamados para a vida no céu) receberia nessa época a oportunidade de escolher a vida. Segundo entendiam, esse seria o tempo em que Cristo, no seu trono celestial, separaria as pessoas umas das outras, como um pastor separa as ovelhas dos cabritos. (Mat. 25:31-46) Os obedientes, quer nascidos como judeus, quer como gentios, revelariam ser “as outras ovelhas” do Senhor. — João 10:16.b

      Uma vez terminados os Tempos dos Gentios, eles achavam que o tempo da restauração estava muito próximo; portanto, de 1918 a 1925, proclamavam: “Milhões que agora vivem jamais morrerão.” Sim, entendiam que as pessoas que viviam naquele tempo — a humanidade em geral — tinham a oportunidade de sobreviver, de entrar no tempo da restauração e receber então instruções concernentes aos requisitos de Jeová para a vida. Sendo obedientes, atingiriam gradativamente a perfeição humana. Sendo rebeldes, seriam, com o tempo, destruídos para sempre.

      Naqueles anos primordiais, os irmãos não podiam imaginar que a mensagem do Reino seria proclamada tão extensivamente e por tantos anos como tem sido. Mas continuaram a examinar as Escrituras e esforçavam-se a acatar o que estas indicavam quanto a que obra Deus queria que eles fizessem.

      As “ovelhas” à direita de Cristo

      Um passo realmente importante no entendimento do propósito de Jeová girava em torno da parábola de Jesus sobre as ovelhas e os cabritos, em Mateus 25:31-46. Nessa parábola, Jesus disse: “Quando o Filho do homem chegar na sua glória, e com ele todos os anjos, então se assentará no seu trono glorioso. E diante dele serão ajuntadas todas as nações, e ele separará uns dos outros assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. E porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à sua esquerda.” Segundo a parábola passa a mostrar, as “ovelhas” são os que ajudam os “irmãos” de Cristo, procurando até mesmo socorrê-los quando são perseguidos e estão na prisão.

      Por muito tempo se pensava que esta parábola se aplicasse durante a era do milênio, no tempo da restauração, e que o julgamento final mencionado na parábola fosse aquele que ocorreria no fim do milênio. Mas, em 1923, foram apresentadas razões para outro conceito sobre o assunto por J. F. Rutherford, presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), num discurso esclarecedor proferido em Los Angeles, Califórnia. Essa matéria foi publicada mais tarde naquele ano na edição de 15 de outubro da Watch Tower.

      Ao considerar o tempo em que essa parábola profética se cumpriria, o artigo mostrava que Jesus a incluíra como parte de sua resposta à pergunta sobre ‘o sinal da sua presença e da terminação do sistema de coisas’. (Mat. 24:3) O artigo explicava por que os “irmãos” mencionados na parábola não podiam ser os judeus da era do Evangelho nem humanos que demonstrassem fé durante o período de teste e de julgamento, no milênio, mas sim os herdeiros com Cristo do Reino celestial; daí a razão pela qual o cumprimento da parábola tinha de se dar num tempo em que alguns dos co-herdeiros de Cristo ainda estivessem na carne. — Compare com Hebreus 2:10, 11.

      O que esses ungidos irmãos de Cristo vivenciaram ao se empenharem em dar testemunho ao clero e ao povo associado com as igrejas da cristandade indicou também que a profecia encerrada na parábola de Jesus já estava tendo cumprimento. De que modo? A reação de muitos clérigos e membros destacados de suas igrejas era de hostilidade — não houve um revigorante copo de água, quer literal, quer figurativo; em vez disso, alguns desses instigaram turbas a rasgar a roupa dos irmãos e a bater neles, ou exigiram que as autoridades os lançassem na prisão. (Mat. 25:41-43) Em contraste com isso, muitos humildes membros de igreja receberam a mensagem do Reino com alegria, ofereceram refrigério para os que a traziam, e fizeram tudo ao seu alcance para ajudá-los, mesmo quando os ungidos estavam na prisão por causa das boas novas. — Mat. 25:34-36.

      Segundo o que os Estudantes da Bíblia podiam entender, os a quem Jesus chamou de ovelhas ainda estavam nas igrejas da cristandade. Imaginavam que eram os que não professavam ser consagrados ao Senhor, mas que tinham grande respeito por Jesus Cristo e pelo seu povo. Mas, podiam eles permanecer nas igrejas?

      Posição firme a favor da adoração verdadeira

      Um estudo das profecias do livro bíblico de Ezequiel lançou luz sobre isso. O primeiro dos três volumes de comentários a respeito, intitulados Vindication (Vindicação), foi publicado em 1931. Explicava o significado daquilo que Ezequiel escreveu sobre a ira de Jeová contra as antigas Judá e Jerusalém apóstatas. Embora o povo de Judá afirmasse servir o Deus vivente e verdadeiro, adotaram os ritos religiosos das nações vizinhas, ofereceram incenso a ídolos sem vida e colocaram imoralmente sua confiança em alianças políticas, em vez de demonstrarem fé em Jeová. (Eze. 8:5-18; 16:26, 28, 29; 20:32) Em tudo isso, eram exatamente como a cristandade; portanto, coerentemente, Jeová executaria a sentença de julgamento contra a cristandade assim como fez contra Judá e Jerusalém infiéis. Mas o capítulo 9 de Ezequiel mostra que, antes da execução divina de julgamento, alguns seriam marcados para serem preservados. Quem são esses?

      A profecia diz que os marcados seriam os que “suspiram e gemem por causa de todas as coisas detestáveis que se fazem no meio” da cristandade, ou Jerusalém antitípica. (Eze. 9:4) Certamente, pois, não podiam participar deliberadamente dessas coisas detestáveis. Por conseguinte, o primeiro volume de Vindication identificava os que tinham o sinal como sendo aqueles que recusavam fazer parte das organizações eclesiásticas da cristandade e que de alguma forma tomavam posição ao lado do Senhor.

      A essa matéria seguiu-se, em 1932, um estudo do relato bíblico sobre Jeú e Jonadabe e seus significados proféticos. Jeú foi comissionado por Jeová para ser rei sobre o reino de Israel de dez tribos e para executar o julgamento de Jeová sobre a iníqua casa de Acabe e de Jezabel. Quando Jeú estava a caminho de Samaria para erradicar a adoração de Baal, Jonadabe, filho de Recabe, foi ao seu encontro. Jeú perguntou a Jonadabe: “É teu coração reto para comigo?” e Jonadabe respondeu: “É.” “Dá-me deveras a tua mão”, solicitou Jeú, conduzindo Jonadabe para dentro de seu carro. Daí, Jeú instou: “Vem deveras comigo e vê como não tolero rivalidade para com Jeová.” (2 Reis 10:15-28) Jonadabe, embora não fosse israelita, concordou com o que Jeú estava fazendo; ele sabia que se devia dar devoção exclusiva a Jeová, o Deus verdadeiro. (Êxo. 20:4, 5) Séculos depois, os descendentes de Jonadabe ainda demonstravam um espírito que Jeová aprovava, de modo que Ele prometeu: “De Jonadabe, filho de Recabe, não se decepará homem, impedindo-o de ficar de pé diante de mim para sempre.” (Jer. 35:19) Surgiu então a pergunta: há na Terra hoje pessoas que não são israelitas espirituais cujo galardão é celestial, mas que são como Jonadabe?

      The Watchtower de 1.º de agosto de 1932 explicava: “Jonadabe representou ou prefigurou a classe de pessoas hoje na Terra . . . [que] estão em desarmonia com a organização de Satanás, que tomam a sua posição do lado da justiça, e são aqueles a quem o Senhor resguardará durante o Armagedom, e os fará sobreviver àquela tribulação e lhes dará a vida eterna na Terra. Esses constituem a classe das ‘ovelhas’ que favorecem os ungidos de Deus, porque sabem que os ungidos do Senhor estão fazendo a obra do Senhor.” Os que manifestavam esse espírito foram convidados a participar em levar a mensagem do Reino a outros, assim como os ungidos. — Rev. 22:17.

      Havia alguns (embora relativamente poucos naquele tempo) associados com as Testemunhas de Jeová que reconheciam que o espírito de Deus não havia gerado neles a esperança da vida celestial. Chegaram a ser conhecidos por jonadabes, pois, como o antigo Jonadabe, consideravam um privilégio ser identificados com os servos ungidos de Jeová, e alegravam-se em participar dos privilégios que a Palavra de Deus lhes indicava. Será que tais pessoas que tinham a perspectiva de nunca morrer se tornariam numerosos antes do Armagedom? Seria possível, conforme se havia dito, tornarem-se milhões?

      Os da “grande multidão” — quem são?

      Quando se fez o anúncio das providências tomadas para a realização de um congresso das Testemunhas de Jeová em Washington, DC, de 30 de maio a 3 de junho de 1935, The Watchtower dizia: “Até agora não são muitos os jonadabes que tiveram o privilégio de assistir a um congresso, e o congresso de Washington poderá ser um verdadeiro consolo e benefício para eles.” Certamente revelou ser assim.

      Naquele congresso, considerou-se de modo especial Revelação 7:9, 10, que diz: “Depois destas coisas eu vi, e, eis uma grande multidão, que nenhum homem podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, trajados de compridas vestes brancas; e havia palmas nas suas mãos. E gritavam com voz alta, dizendo: ‘Devemos a salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro.’” De quem se compõe essa grande multidão?

      Por muitos anos, até 1935, não se entendia que eles eram os mesmos da parábola de Jesus sobre as ovelhas e os cabritos. Como já mencionado, pensava-se que fossem uma classe celestial secundária — secundária por terem sido negligentes em obedecer a Deus.

      Todavia, esse conceito suscitava contínuas perguntas. Algumas dessas foram consideradas em princípios de 1935, durante o almoço, na sede da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA). Alguns dos que se expressaram naquela ocasião sugeriram que a grande multidão era uma classe terrestre. Grant Suiter, que mais tarde se tornou membro do Corpo Governante, lembrava: “Num estudo em Betel, dirigido pelo irmão T. J. Sullivan, perguntei: ‘Visto que a grande multidão ganhará a vida eterna, será que os que constituem esse grupo mantêm a integridade?’ Houve muitos comentários, mas nenhuma resposta definitiva.” Bem, na sexta-feira, 31 de maio de 1935, no congresso de Washington, DC, foi dada uma resposta satisfatória. O irmão Suiter estava sentado na galeria olhando por cima da multidão, e quão emocionado ficou ao ouvir o desenrolar do discurso!

      Pouco depois do congresso, The Watchtower, nas suas edições de 1.º e de 15 de agosto de 1935, publicou o que foi declarado naquele discurso. Indicava que um fator importante para a compreensão correta de assuntos é reconhecer o fato de que o principal propósito de Jeová não é a salvação do homem, mas a vindicação de Seu próprio nome (ou, como diríamos hoje, a vindicação de sua soberania). Assim, a aprovação de Jeová está sobre os que mantêm a integridade para com ele; ele não recompensa os que concordam em fazer a Sua vontade, mas depois trazem vitupério sobre seu nome transigindo com a organização do Diabo. Este requisito de fidelidade se aplica a todos os que desejam a aprovação de Deus.

      Em harmonia com isto, The Watchtower dizia: “Revelação 7:15 é realmente a chave para identificar a grande multidão. . . . A descrição, em Revelação, dos que compõem a grande multidão é que ‘estão diante do trono de Deus e o servem publicamente’ . . . Eles vêem, entendem e obedecem as palavras de Jesus, o Cordeiro de Deus, que lhes diz: ‘Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás’; palavras estas que se aplicam a todas as criaturas que Jeová aprova.” (Mat. 4:10) Portanto, o que a Bíblia diz sobre a grande multidão não podia ser explicado corretamente como provendo uma recompensa alternativa para pessoas que professassem amar a Deus, mas que fossem indiferentes em fazer a Sua vontade.

      É, então, a grande multidão uma classe celestial? The Watchtower mostrou que a linguagem do texto não indicava tal conclusão. Quanto à sua localização “diante do trono”, mostrava que Mateus 25:31, 32 fala sobre todas as nações serem ajuntadas diante do trono de Cristo, contudo essas nações estão na Terra. A grande multidão, porém, está “em pé” diante do trono porque tem a aprovação Daquele que está no trono. — Compare com Jeremias 35:19.

      Mas, onde se podia encontrar tal grupo de pessoas — pessoas “de todas as nações” que não fazem parte do Israel espiritual (descrito anteriormente em Revelação 7:4-8), pessoas que têm fé no resgate (tendo figurativamente lavado suas vestes no sangue do Cordeiro), pessoas que aclamam a Cristo como Rei (com ramos de palmeira nas mãos, como a multidão que saudou a Jesus qual Rei quando ele entrou em Jerusalém), pessoas que se apresentam realmente diante do trono de Jeová para o servirem? Existia tal grupo de pessoas na Terra?

      Cumprindo a sua palavra profética, o próprio Jeová forneceu a resposta. Webster Roe, que estava no congresso de Washington, lembrava que no ponto culminante de seu discurso, o irmão Rutherford solicitou: “Queiram todos os que têm esperança de viver para sempre na Terra pôr-se de pé.” Segundo o irmão Roe, “mais da metade da assistência pôs-se de pé”. Em harmonia com isso, The Watchtower de 15 de agosto de 1935 dizia: “Vemos agora um grupo que se enquadra exatamente na descrição feita em Revelação, [capítulo] sete, concernente à grande multidão. Em anos recentes, e dentro do período em que ‘este evangelho do reino é pregado como testemunho’, grande número de pessoas se apresentaram (e ainda estão vindo) que confessam que o Senhor Jesus é seu Salvador e Jeová, seu Deus, a quem adoram em espírito e em verdade e servem alegremente. Esses são também chamados ‘os jonadabes’. Estes estão sendo batizados em símbolo, atestando assim que . . . tomaram a sua posição do lado de Jeová e servem a ele e a seu Rei.”

      Compreendeu-se naquele tempo que os da grande multidão, de Revelação 7:9, 10, estão incluídos entre as “outras ovelhas” mencionadas por Jesus (João 10:16); são os que ajudam os “irmãos” de Cristo (Mat. 25:33-40); são os marcados para a sobrevivência, porque estão horrorizados devido às coisas detestáveis feitas dentro da cristandade e as evitam (Eze. 9:4); são como Jonadabe, que se identificou abertamente com o servo ungido de Jeová em levar avante a comissão que este servo recebera de Deus (2 Reis 10:15, 16). As Testemunhas de Jeová entendem que se trata de servos leais a Deus que sobreviverão ao Armagedom com a perspectiva de vida eterna numa Terra levada de volta à condição de Paraíso.

      Trabalho urgente a ser feito

      Seu entendimento desses textos teve efeitos de grande alcance na atividade dos servos de Jeová. Compreenderam que não eram os que selecionariam e ajuntariam os membros da grande multidão; não lhes cabia dizer às pessoas se a sua esperança devia ser celestial ou terrestre. O Senhor dirigiria os assuntos em harmonia com a sua vontade. Mas, quais Testemunhas de Jeová, tinham uma séria responsabilidade. Tinham de servir quais proclamadores da Palavra de Deus, partilhando as verdades que Ele os habilitara a entender, de modo que as pessoas conhecessem as provisões de Jeová e tivessem a oportunidade de acolhê-las com apreço.

      Além do mais, reconheciam que havia grande urgência em seu serviço. Numa série de artigos intitulados “Ajuntamento da Multidão”, publicados em 1936, The Watchtower explicava: “As Escrituras sustentam fortemente a conclusão de que no Armagedom Jeová destruirá os povos da Terra e salvará apenas os que obedecem a Seus mandamentos de tomar posição ao lado de sua organização. No passado, muitos milhões de pessoas desceram à cova sem terem ouvido sobre Deus e Cristo, e esses, no devido tempo, precisam ser despertados da morte e receber conhecimento da verdade para poderem fazer uma escolha. A situação é diferente, porém, com respeito às pessoas hoje na Terra. . . . Os da grande multidão precisam receber esta mensagem do evangelho antes do dia da batalha do grande dia do Deus Todo-Poderoso, que é o Armagedom. Se a grande multidão não receber agora a mensagem da verdade, será tarde demais quando começar a obra de matança.” — Veja 2 Reis 10:25; Ezequiel 9:5-10; Sofonias 2:1-3; Mateus 24:21; 25:46.

      Em resultado deste entendimento das Escrituras, as Testemunhas de Jeová ficaram imbuídas de renovado zelo pela obra de dar testemunho. Leo Kallio, que mais tarde serviu como superintendente viajante na Finlândia, disse: “Não me lembro de ter sentido alguma vez maior alegria e zelo do que naquele tempo, tampouco me lembro de ter pedalado mais rapidamente a minha bicicleta do que naqueles dias, quando me apressava a levar aos interessados as novas de que, por causa da benignidade imerecida de Jeová, se lhes oferecia a vida eterna na Terra.”

      Nos cinco anos seguintes, à medida que o número de Testemunhas de Jeová aumentava, diminuía gradativamente o número dos que participavam dos emblemas na Comemoração anual da morte de Cristo. Contudo, a afluência dos da grande multidão não foi tão rápida quanto o irmão Rutherford esperava que fosse. Certa vez, ele até mesmo disse a Fred Franz, que se tornou o quarto presidente da Sociedade: “Parece que a ‘grande multidão’, afinal, não vai ser tão grande assim.” Mas, desde então, o número de Testemunhas de Jeová subiu vertiginosamente para milhões, ao passo que o número dos que esperam uma herança celestial continuou em geral a diminuir.

      Um só rebanho sob um só pastor

      Não há rivalidade entre a classe ungida e a grande multidão. Os que têm esperança celestial não desprezam os que ansiosamente esperam ganhar a vida eterna num paraíso terrestre. Cada um deles aceita com gratidão os privilégios concedidos por Deus, não achando que a sua posição de certa forma o torne melhor ou de alguma maneira inferior aos outros. (Mat. 11:11; 1 Cor. 4:7) Conforme predisse Jesus, os dois grupos se tornaram verdadeiramente “um só rebanho”, servindo com submissão a ele como seu “um só pastor”. — João 10:16.

      O sentimento que os irmãos ungidos de Cristo têm para com seus companheiros da grande multidão está bem expresso no livro Segurança Mundial sob o “Príncipe da Paz”: “Desde a Segunda Guerra Mundial, o cumprimento da profecia de Jesus a respeito da ‘terminação do sistema de coisas’ se deve na maior parte ao papel desempenhado pelos da ‘grande multidão’ das ‘outras ovelhas’. A iluminação provida pelas lâmpadas acesas do restante lhes tem aclarado os olhos do coração, e eles foram ajudados a refletir essa luz sobre outros que ainda permanecem na escuridão deste mundo. . . . Tornaram-se companheiros inseparáveis do restante da classe da noiva. . . . Cabem assim profusos agradecimentos à ‘grande multidão’ internacional, multilíngüe, pelo papel sobrepujante que tem desempenhado no cumprimento da profecia do Noivo, em Mateus 24:14!”

      Entretanto, à medida que as Testemunhas de Jeová, incluindo-se a grande multidão, têm unidamente participado em proclamar as gloriosas novas do Reino de Deus, o público chegou a notá-las por outra coisa além de seu zeloso testemunho.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Essa “Tabela das Eras” foi mais tarde reproduzida no livro The Divine Plan of the Ages (O Plano Divino das Eras).

      b Zion’s Watch Tower de 15 de março de 1905, pp. 88-91.

      [Destaque na página 159]

      A maioria das Testemunhas de Jeová espera ter vida eterna na Terra.

      [Destaque na página 161]

      Uma crença que os distinguiu de toda a cristandade.

      [Destaque na página 164]

      Tempo do cumprimento da parábola das ovelhas e dos cabritos

      [Destaque na página 165]

      Vieram a ser conhecidos por jonadabes.

      [Destaque na página 166]

      Em 31 de maio de 1935, a “grande multidão” foi claramente identificada.

      [Destaque na página 170]

      Uma esperança celestial ou terrestre — quem a determina?

      [Foto na página 167]

      No congresso de Washington, DC, 840 foram batizados.

      [Foto/Quadro na página 168]

      A Terra, o lar eterno do homem

      Qual era o propósito original de Deus para a humanidade?

      “Deus os abençoou e Deus lhes disse: ‘Sede fecundos e tornai-vos muitos, e enchei a terra, e sujeitai-a, e tende em sujeição os peixes do mar, e as criaturas voadoras dos céus, e toda criatura vivente que se move na terra.’” — Gên. 1:28.

      Mudou o propósito de Deus para com a Terra?

      “A minha palavra . . . não voltará a mim sem resultados, mas certamente fará aquilo em que me agradei e terá êxito certo naquilo para que a enviei.” — Isa. 55:11.

      “Assim disse Jeová, o Criador dos céus, Ele, o verdadeiro Deus, o Formador da terra e Aquele que a fez, Aquele que a estabeleceu firmemente, que não a criou simplesmente para nada, que a formou mesmo para ser habitada: ‘Eu sou Jeová, e não há outro.’” — Isa. 45:18.

      “Portanto, tendes de orar do seguinte modo: ‘Nosso Pai nos céus, santificado seja o teu nome. Venha o teu reino. Realize-se a tua vontade, como no céu, assim também na terra.’” — Mat. 6:9, 10.

      “Os próprios malfeitores serão decepados, mas os que esperam em Jeová são os que possuirão a terra. Os próprios justos possuirão a terra e residirão sobre ela para todo o sempre.” — Sal. 37:9, 29.

      Que condições existirão na Terra sob o Reino de Deus?

      “Há novos céus e uma nova terra que aguardamos segundo a sua promessa, e nestes há de morar a justiça.” — 2 Ped. 3:13.

      “Não levantarão espada, nação contra nação, nem aprenderão mais a guerra. E realmente sentar-se-ão, cada um debaixo da sua videira e debaixo da sua figueira, e não haverá quem os faça tremer; porque a própria boca de Jeová dos exércitos falou isso.” — Miq. 4:3, 4.

      “Hão de construir casas e as ocuparão; e hão de plantar vinhedos e comer os seus frutos. Não construirão e outro terá morada; não plantarão e outro comerá. Porque os dias do meu povo serão como os dias da árvore; e meus escolhidos usufruirão plenamente o trabalho das suas próprias mãos.” — Isa. 65:21, 22.

      “Nenhum residente dirá: ‘Estou doente.’” — Isa. 33:24.

      “O próprio Deus estará com eles. E enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor. As coisas anteriores já passaram.” — Rev. 21:3, 4; veja também João 3:16.

      “Quem realmente não te temerá, Jeová, e glorificará o teu nome, porque só tu és leal? Pois virão todas as nações e adorarão perante ti, porque os teus justos decretos foram manifestos.” — Rev. 15:4.

      [Foto/Quadro na página 169]

      Os que vão para o céu

      Quantos humanos irão para o céu?

      “Não temas, pequeno rebanho, porque vosso Pai aprovou dar-vos o reino.” — Luc. 12:32.

      “E eu vi, e eis o Cordeiro [Jesus Cristo] em pé no monte Sião [celestial], e com ele cento e quarenta e quatro mil, que têm o nome dele e o nome de seu Pai escrito nas suas testas. E estão cantando como que um novo cântico diante do trono e diante das quatro criaturas viventes e dos anciãos; e ninguém podia aprender esse cântico, exceto os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados da terra.” — Rev. 14:1, 3.

      São os 144.000 todos judeus?

      “Não há nem judeu nem grego, não há nem escravo nem homem livre, não há nem macho nem fêmea; pois todos vós sois um só em união com Cristo Jesus. Além disso, se pertenceis a Cristo, sois realmente descendente de Abraão, herdeiros com referência a uma promessa.” — Gál. 3:28, 29.

      “Não é judeu aquele que o é por fora, nem é circuncisão aquela que a é por fora, na carne. Mas judeu é aquele que o é no íntimo, e a sua circuncisão é a do coração, por espírito, e não por um código escrito.” — Rom. 2:28, 29.

      Por que leva Deus alguns para o céu?

      “Serão sacerdotes de Deus e do Cristo, e reinarão com ele durante os mil anos.” — Rev. 20:6.

      [Gráfico na página 171]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      Relatório sobre a Comemoração

      Participantes

      Assistência

      1.500.000

      1.250.000

      1.000.000

      750.000

      500.000

      250.000

      1935 1940 1945 1950 1955 1960

      Em 25 anos, o número dos que assistiam à Comemoração já era mais de 100 vezes o número dos participantes.

      [Quadro na página 160]

      Tempo para entendimento

      Mais de 250 anos atrás, Sir Isaac Newton escreveu um interessante artigo sobre o entendimento de profecias, incluindo aquela a respeito da “grande multidão” de Revelação 7:9, 10. Em sua obra “Observations Upon the Prophecies of Daniel, and the Apocalypse of St. John,” publicada em 1733, ele disse: “Essas Profecias de Daniel e de João não serão entendidas até o tempo do fim: mas naquela época, alguns hão de profetizar a respeito disso em condição de aflição e de pranto por muito tempo, e de modo obscuro para converter só a poucos. . . . Depois, diz Daniel, muitos correrão de um lado a outro, e o conhecimento aumentará. Pois o Evangelho tem de ser pregado em todas as nações antes da grande tribulação e do fim do mundo. A multidão com palmas nas mãos, que sai dessa grande tribulação, não pode tornar-se inumerável dentre todas as nações, a não ser que assim se torne pela pregação do Evangelho antes que essa tribulação ocorra.”

  • Somos reconhecidos pela nossa conduta
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 13

      Somos reconhecidos pela nossa conduta

      VIVEMOS numa era em que as normas morais outrora respeitadas têm sido rejeitadas por grandes segmentos da humanidade. A maioria das religiões da cristandade tem feito o mesmo, quer em nome da tolerância, quer argumentando que os tempos mudaram e os tabus das gerações anteriores não mais se aplicam. Quanto ao resultado, Samuel Miller, deão da Escola de Teologia de Harvard, disse: “A igreja simplesmente não tem voz ativa. Ela aceitou a cultura do nosso tempo e a absorveu.” Tem sido devastador o efeito disso na vida dos que olhavam para essas religiões em busca de orientação.

      Em contraste com isso, num exame sobre as Testemunhas de Jeová, L’Eglise de Montréal, boletim semanal da arquidiocese católica de Montreal, Canadá, dizia: “Elas têm notáveis valores morais.” Numerosos professores, empregadores e autoridades concordam com isso. Qual o motivo de tal reputação?

      Ser Testemunha de Jeová significa muito mais do que apegar-se a certa estrutura de crenças doutrinais e dar testemunho sobre essas crenças a outros. O primitivo cristianismo era conhecido como “O Caminho”, e as Testemunhas de Jeová reconhecem que a verdadeira religião hoje precisa ser um modo de vida. (Atos 9:2) Como no caso de outras coisas, porém, as Testemunhas hodiernas não tiveram de imediato um apreço equilibrado do que isto significa.

      “Caráter ou pacto — qual?”

      Embora iniciassem com sólidos conselhos bíblicos sobre a necessidade de serem como Cristo, a ênfase que alguns dos primeiros Estudantes da Bíblia davam ao “desenvolvimento de caráter”, como o chamavam, tendia a minimizar certos aspectos do verdadeiro cristianismo. Alguns pareciam ser da opinião de que por serem polidos — parecendo sempre amáveis e bons, usando fala macia, evitando qualquer demonstração de ira e lendo diariamente as Escrituras — isso garantiria a sua entrada no céu. Mas estes perderam de vista o fato de que Cristo deu a seus seguidores um trabalho a fazer.

      Esse problema foi abordado com rigor no artigo “Caráter ou Pacto — Qual?” na edição de 1.º de maio de 1926 de The Watch Tower (A Sentinela).a Mostrava que os esforços para o desenvolvimento de um “caráter perfeito”, enquanto na carne, faziam com que alguns desistissem por desânimo, mas, ao mesmo tempo, levavam outros a julgar-se “mais santos”, tendendo a fazer com que perdessem de vista o mérito do sacrifício de Cristo. Após enfatizar a fé no sangue derramado de Cristo, o artigo destacava a importância de a pessoa ‘fazer coisas’ no serviço ativo a Deus, para dar evidência de estar seguindo um proceder que agrade a ele. (2 Ped. 1:5-10) Naquele tempo, quando grande parte da cristandade ainda aparentava apegar-se às normas morais da Bíblia, esta ênfase sobre a atividade sublinhou o contraste entre as Testemunhas de Jeová e a cristandade. O contraste se tornou ainda mais evidente ao passo que as questões morais que se tornavam comuns tinham de ser tratadas por todos os que professavam ser cristãos.

      ‘Abstende-vos da fornicação’

      A norma cristã a respeito da moralidade sexual foi há muito estabelecida em linguagem clara na Bíblia. “Isto é o que Deus quer, a vossa santificação, que vos abstenhais de fornicação . . . Pois Deus nos chamou, não como uma concessão para impureza, mas em conexão com a santificação. Assim, pois, quem mostra falta de consideração, não desconsidera o homem, mas a Deus.” (1 Tes. 4:3-8) “O matrimônio seja honroso entre todos e o leito conjugal imaculado, porque Deus julgará os fornicadores e os adúlteros.” (Heb. 13:4) “Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não sejais desencaminhados. Nem fornicadores, . . . nem adúlteros, nem homens mantidos para propósitos desnaturais, nem homens que se deitam com homens . . . herdarão o reino de Deus.” — 1 Cor. 6:9, 10.

      Na Watch Tower, chamou-se atenção a esta norma para os cristãos verdadeiros já em novembro de 1879. Mas não foi considerada repetidas vezes nem extensivamente como se esse fosse um problema grande entre os primeiros Estudantes da Bíblia. Entretanto, ao se tornar mais permissiva a atitude do mundo, chamou-se cada vez mais atenção para esse requisito, especialmente nos anos que cercaram a Segunda Guerra Mundial. Isto foi necessário porque alguns entre as Testemunhas de Jeová estavam adotando o conceito de que, conquanto se ocupassem com o testemunho, um pouco de relaxamento na moralidade sexual era mero assunto pessoal. É verdade que The Watchtower de 1.º março de 1935 já tinha dito claramente que a participação no ministério de campo não dava licença para conduta imoral. Mas, nem todos levaram isso a sério. Portanto, na edição de julho de 1941, A Atalaia (agora A Sentinela) considerou de novo esse assunto, e de modo bastante extenso, num artigo intitulado “Dia de Noé”. Esclareceu que a devassidão sexual nos dias de Noé foi um dos motivos de Deus destruir o mundo daquele tempo, e mostrou que o que Deus fez naquele tempo estabeleceu um padrão do que fará em nossos dias. Em linguagem clara, advertia que um servo íntegro de Deus não podia dedicar parte do dia a fazer a vontade do Senhor e daí, depois das horas de serviço, entregar-se às “obras da carne”. (Gál. 5:17-21) Isto foi complementado, em The Watchtower de 1.º de julho de 1942, com outro artigo que condenava a conduta que estivesse em desarmonia com as normas morais da Bíblia para solteiros e casados. Ninguém devia concluir que a participação na pregação pública da mensagem do Reino como Testemunha de Jeová lhe dava direito a uma vida devassa. (1 Cor. 9:27) Com o tempo, medidas ainda mais firmes seriam tomadas para resguardar a pureza moral da organização.

      Alguns que naquele tempo expressavam o desejo de ser Testemunhas de Jeová haviam sido criados em lugares em que o casamento experimental era aceito, onde as relações sexuais entre noivos eram toleradas ou onde as relações consensuais entre pessoas não casadas eram consideradas normais. Alguns casados se esforçavam em abster-se de relações sexuais. Outras pessoas, embora não divorciadas, estavam imprudentemente separadas de seus cônjuges. Para fornecer a necessária orientação, A Sentinela, durante a década de 50, abordou todas essas situações, considerou as responsabilidades maritais, enfatizou que a Bíblia proíbe a fornicação e explicou o que é fornicação, de modo que não houvesse entendimento errado.b — Atos 15:19, 20; 1 Cor. 6:18.

      Em lugares onde as pessoas que começavam a se associar com a organização de Jeová não levavam a sério as normas morais da Bíblia, isso recebeu atenção especial. Assim, em 1945, quando N. H. Knorr, o terceiro presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), visitou Costa Rica, proferiu um discurso sobre a moralidade cristã em que ele disse: “Dou um conselho a todos vocês aqui presentes esta noite que vivem com uma mulher, mas não registraram legalmente seu casamento. Vão à Igreja Católica e alistem-se como membros dela, porque lá vocês podem praticar tais coisas. Mas esta é a organização de Deus, e vocês não podem praticar essas coisas aqui.”

      A partir da década de 60, quando os homossexuais passaram a assumir mais suas práticas, muitas igrejas debateram o assunto e daí os aceitaram como membros. Algumas igrejas agora até mesmo ordenam homossexuais como clérigos. Para ajudar as pessoas sinceras que tinham perguntas sobre esses assuntos, as publicações das Testemunhas de Jeová consideraram também essas questões. Mas, entre as Testemunhas, nunca houve dúvida sobre como considerar o homossexualismo. Por quê? Porque não consideram os requisitos da Bíblia como se fossem meramente opiniões de homens de outra época. (1 Tes. 2:13) Comprazem-se em dirigir estudos bíblicos com homossexuais para que estes possam aprender os requisitos de Jeová, e tais pessoas podem assistir às reuniões das Testemunhas de Jeová para ouvir, mas ninguém que continue a praticar o homossexualismo pode ser Testemunha de Jeová. — 1 Cor. 6:9-11; Judas 7.

      Em anos recentes, a permissividade sexual por parte de jovens solteiros tornou-se comum no mundo. Jovens nas famílias de Testemunhas de Jeová sentiram a pressão, e alguns começaram a adotar o proceder do mundo em volta deles. Como lidou a organização com essa situação? A Sentinela e Despertai! publicaram artigos visando ajudar os pais e os jovens a considerar as coisas de modo bíblico. Dramas baseados na vida real foram apresentados em congressos para ajudar a todos a se conscientizarem dos frutos resultantes da rejeição das normas morais da Bíblia e dos benefícios da obediência aos mandamentos de Deus. Um dos primeiros dramas, encenado em 1969, intitulava-se “Espinhos e Laços Estão no Caminho Daquele Que É Independente”. Livros especiais foram preparados para ajudar os jovens a reconhecer a sabedoria dos conselhos bíblicos. Entre eles: Sua Juventude — O Melhor Modo de Usufruí-la (publicado em 1976) e Os Jovens Perguntam — Respostas Práticas (publicado em 1989). Anciãos locais deram ajuda espiritual a indivíduos e a famílias. As congregações das Testemunhas de Jeová foram também resguardadas mediante a expulsão dos transgressores impenitentes.

      O colapso moral do mundo não levou a um conceito mais permissivo entre as Testemunhas de Jeová. Pelo contrário, o Corpo Governante das Testemunhas de Jeová tem dado crescente ênfase à necessidade de evitar não só atos sexuais ilícitos, mas também influências e situações que corrompem os valores morais. Nas últimas três décadas, tem fornecido instrução para fortalecer pessoas contra “pecados ocultos”, como a masturbação, e alertá-las sobre o perigo da pornografia, das novelas e da música degradante. Assim, ao passo que a moral do mundo vem decaindo, a das Testemunhas de Jeová se eleva.

      Vida familiar governada por normas divinas

      O firme apego às normas bíblicas da moralidade sexual tem beneficiado grandemente a vida familiar das Testemunhas de Jeová. Mas, ser Testemunha de Jeová não é garantia de que tal pessoa nunca terá problemas domésticos. Contudo, as Testemunhas estão convencidas de que a Palavra de Deus fornece os melhores conselhos sobre como enfrentar tais problemas. Têm à sua disposição muitas provisões da organização para ajudá-las a pôr em prática tais conselhos; e, quando os seguem, os resultados são deveras benéficos.

      Já em 1904, o sexto volume de Studies in the Scriptures (Estudos das Escrituras) trazia uma extensiva consideração sobre responsabilidades maritais e obrigações parentais. Desde então, centenas de artigos foram publicados e muitos discursos foram proferidos em todas as congregações das Testemunhas de Jeová para ajudar a cada membro de família a reconhecer o papel que lhe foi confiado por Deus. Essa educação na vida familiar sadia não é meramente para recém-casados, mas é um programa contínuo que envolve a congregação inteira. — Efé. 5:22-6:4; Col. 3:18-21.

      Seria aceita a poligamia?

      Embora os costumes relacionados com o casamento e a vida em família difiram de um país para outro, as Testemunhas de Jeová reconhecem que as normas estabelecidas na Bíblia se aplicam em toda a parte. À medida que a sua obra se desenvolvia na África neste século 20, as Testemunhas ensinavam, como o fazem em toda a parte, que o casamento cristão permite um só cônjuge. (Mat. 19:4, 5; 1 Cor. 7:2; 1 Tim. 3:2) Entretanto, houve centenas de pessoas que aceitaram a denúncia da Bíblia contra a idolatria e prazerosamente aceitaram o que as Testemunhas de Jeová lhes ensinaram sobre o Reino de Deus, mas foram batizadas sem abandonar a poligamia. Para corrigir essa situação, A Sentinela, de abril de 1947, salientou que o cristianismo não permite a poligamia, não importa qual o costume local. Uma carta enviada às congregações notificava que a quaisquer pessoas que professassem ser Testemunhas de Jeová, mas que fossem polígamas, dava-se o prazo de seis meses para harmonizarem seus assuntos maritais com a norma bíblica. Isto foi reforçado por um discurso do irmão Knorr por ocasião de sua visita à África naquele mesmo ano.

      Na Nigéria, muitas pessoas do mundo predisseram que os esforços para abolir a poligamia entre as Testemunhas de Jeová significaria o fim dessas. E é verdade que nem todos os polígamos que haviam sido batizados como Testemunhas de Jeová fizeram as exigidas mudanças mesmo em 1947. Por exemplo, Asuquo Akpabio, um superintendente viajante, relata que uma Testemunha em cuja casa estava hospedado em Ifiayong o despertou à meia-noite e exigiu que mudasse o que fora anunciado a respeito do requisito da monogamia. Por recusar-se a fazer isso, seu hospedeiro o pôs para fora da casa naquela mesma noite debaixo de chuva torrencial.

      Mas o amor a Jeová deu a outros a necessária força para obedecerem a seus mandamentos. A seguir, veja apenas alguns exemplos. No Zaire, um homem, que fora tanto católico como polígamo, despediu duas de suas esposas para poder ser Testemunha de Jeová, embora fosse uma dura prova de sua fé despedir a que mais amava, pois ela não era a ‘esposa de sua mocidade’. (Pro. 5:18) Em Daomé (agora Benin), um ex-metodista que ainda tinha cinco esposas transpôs dificílimos obstáculos legais para obter os necessários divórcios a fim de se qualificar para o batismo. Todavia, ele continuou a sustentar suas ex-esposas e seus filhos, como fizeram outros que despediram esposas secundárias. Warigbani Whittington, uma nigeriana, era a segunda das duas esposas de seu marido. Quando decidiu que agradar a Jeová, o Deus verdadeiro, era a coisa mais importante para ela, enfrentou a ira do marido e depois a de sua própria família. O marido deixou que ela partisse junto com seus dois filhos, mas sem dar ajuda financeira — nem mesmo para transporte. Contudo, ela disse: ‘Nenhum benefício material que abandonei pode comparar-se com agradar a Jeová.’

      Que dizer sobre o divórcio?

      Nos países ocidentais, a poligamia não é amplamente praticada, mas estão em voga outras atitudes que conflitam com as Escrituras. Uma dessas é a idéia de que é melhor divorciar-se do que perpetuar um casamento infeliz. Em anos recentes, algumas Testemunhas de Jeová começaram a imitar esse espírito, pedindo divórcio por motivos tais como “incompatibilidade”. Como têm as Testemunhas enfrentado isso? Uma vigorosa campanha de educação sobre o que Jeová acha do divórcio é feita regularmente pela organização para beneficiar tanto as Testemunhas antigas como as centenas de milhares que a cada ano se juntam às suas fileiras.

      Para que orientações bíblicas tem A Sentinela chamado atenção? Entre outras, para a seguinte: no relato bíblico sobre o primeiro casamento humano, salienta-se a unicidade do marido e da esposa; diz ali: ‘O homem tem de se apegar à sua esposa, e eles têm de tornar-se uma só carne.’ (Gên. 2:24) Mais tarde, em Israel, a Lei proibia o adultério e condenava à morte qualquer pessoa que o cometesse. (Deut. 22:22-24) O divórcio por razões outras que não o adultério era permitido, mas apenas ‘por causa da dureza do coração deles’, conforme Jesus explicou. (Mat. 19:7, 8) Como considerava Jeová o costume de abandonar o cônjuge para se casar com outro? Malaquias 2:16 declara: “Ele tem odiado o divórcio.” Entretanto, ele permitiu que os que obtinham divórcio permanecessem na congregação de Israel. Ali, se aceitassem a disciplina que Jeová administrava a seu povo, seu coração de pedra poderia com o tempo ser substituído por um coração mais mole que pudesse expressar genuíno amor pelos Seus caminhos. — Veja Ezequiel 11:19, 20.

      A Sentinela tem muitas vezes dito que Jesus, ao falar sobre o divórcio segundo praticado no Israel antigo, mostrou que uma norma mais elevada havia de ser instituída entre seus seguidores. Ele disse que, se alguém se divorciasse da esposa, a não ser por motivo de fornicação (por·neí·a, “relações sexuais ilícitas”), e se casasse com outra, estaria cometendo adultério; e, mesmo se não se casasse, exporia sua esposa ao adultério. (Mat. 5:32; 19:9) Assim, A Sentinela tem mostrado que, para os cristãos, o divórcio é um assunto muito mais sério do que era em Israel. Embora as Escrituras não ordenem que toda pessoa que se divorcie seja expulsa da congregação, os que também cometem adultério e são impenitentes são desassociados pelas congregações das Testemunhas de Jeová. — 1 Cor. 6:9, 10.

      Mudanças revolucionárias têm acontecido nos últimos anos nas atitudes do mundo concernentes ao casamento e à vida familiar. Apesar disso, as Testemunhas de Jeová continuam a aderir às normas de Deus, o Originador do casamento, normas estas esboçadas na Bíblia. Usando essas orientações, têm procurado ajudar as pessoas de coração honesto a vencer as circunstâncias difíceis em que muitas se encontram.

      Em resultado disso, muitos que aceitaram a instrução bíblica ministrada pelas Testemunhas de Jeová fizeram mudanças notáveis em sua vida. Homens que antes batiam na esposa, homens que não arcavam com suas responsabilidades, homens que proviam materialmente, mas não em sentido emocional e espiritual — muitos milhares deles se tornaram maridos e pais amorosos que cuidam bem da família. Mulheres que eram extremamente independentes, mulheres que negligenciavam seus filhos e não cuidavam de si mesmas nem de sua casa — muitas dessas se tornaram esposas que respeitam a chefia e seguem um proceder que faz com que sejam muito amadas pelo marido e pelos filhos. Jovens que eram descaradamente desobedientes a seus pais e rebeldes contra a sociedade em geral, jovens que arruinavam sua vida por meio de coisas que praticavam, causando assim angústia a seus pais — muitos desses vieram a ter um objetivo piedoso na vida, e isso os tem ajudado a transformar sua personalidade.

      Naturalmente, um fator importante no êxito no círculo familiar é a honestidade uns com os outros. A honestidade é também vital em outros relacionamentos.

      Até que ponto se exige honestidade?

      As Testemunhas de Jeová reconhecem que se exige honestidade em tudo o que fazem. Como base de seu conceito, indicam textos bíblicos tais como: Jeová é “o Deus da verdade”. (Sal. 31:5) Por outro lado, como disse Jesus, o Diabo é “o pai da mentira”. (João 8:44) Compreensivelmente, pois, entre as coisas que Jeová odeia está a “língua falsa”. (Pro. 6:16, 17) Sua Palavra nos diz: “Sendo que agora pusestes de lado a falsidade, falai a verdade.” (Efé. 4:25) E não só devem os cristãos falar a verdade, mas, como o apóstolo Paulo, precisam ‘comportar-se honestamente em todas as coisas’. (Heb. 13:18) Não existem aspectos na vida em que as Testemunhas de Jeová possam legitimamente ter outros valores.

      Quando Jesus visitou a casa do coletor de impostos Zaqueu, este admitiu que suas práticas comerciais haviam sido impróprias, e deu passos para corrigir seus anteriores atos de extorsão. (Luc. 19:8) Em anos recentes, para terem uma consciência limpa perante Deus, algumas pessoas que começaram a se associar com as Testemunhas de Jeová têm tomado ação similar. Por exemplo, na Espanha, um ladrão inveterado começou a estudar a Bíblia com as Testemunhas de Jeová. Logo sua consciência começou a perturbá-lo; de modo que devolveu objetos roubados a seu ex-empregador e a vizinhos, e outros à Polícia. Exigiu-se que pagasse uma multa e ficou preso por um curto período, mas agora ele tem uma consciência limpa. Na Inglaterra, depois de estudar a Bíblia com uma Testemunha de Jeová por apenas dois meses, um ex-ladrão de diamantes entregou-se à Polícia que ficou espantada; ele vinha sendo procurado já por uns seis meses. Daí, durante os dois anos e meio que passou na prisão, ele estudou a Bíblia diligentemente e aprendeu a partilhar as verdades bíblicas com outros. Depois de ser solto, apresentou-se para o batismo como Testemunha de Jeová. — Efé. 4:28.

      A reputação de honestidade das Testemunhas de Jeová é bem conhecida. Muitos patrões já sabem que as Testemunhas não só não roubam deles, mas tampouco mentem nem falsificam registros por ordem de seus patrões — não, nem mesmo se ameaçadas de perder o emprego. Para as Testemunhas de Jeová, uma boa relação com Deus é muito mais importante do que a aprovação de qualquer homem. E reconhecem que, não importa onde estejam ou o que quer que façam, “todas as coisas estão nuas e abertamente expostas aos olhos daquele com quem temos uma prestação de contas”. — Heb. 4:13; Pro. 15:3.

      Na Itália, o jornal La Stampa disse a respeito das Testemunhas de Jeová: “Elas praticam o que pregam . . . Os ideais morais do amor ao próximo, recusa de poder, não-violência e a honestidade pessoal (que para a maioria dos cristãos são ‘regras dominicais’, boas apenas para serem pregadas do púlpito) incorporam-se no seu modo de vida ‘diário’.” E nos Estados Unidos, Louis Cassells, editor de assuntos religiosos da United Press International, Washington, DC, escreveu: “As Testemunhas aderem às suas crenças com grande fidelidade, mesmo quando fazer isso lhes custe muito caro.”

      Por que a jogatina não tem sido um problema entre elas

      Em tempos idos, a honestidade relacionava-se em geral com a disposição de trabalhar arduamente. A jogatina, isto é, arriscar dinheiro numa aposta sobre o resultado de um jogo ou de outro evento, era malvista pela sociedade em geral. Mas, quando o século 20 começou a ser invadido por um espírito de egoísmo e de querer enriquecer, a jogatina — legal e ilegal — tornou-se comum. É patrocinada não só pelo submundo, mas, não raro, também por igrejas e governos seculares para angariarem fundos. Como lidam as Testemunhas de Jeová com essa mudança de atitude na sociedade? À base de princípios bíblicos.

      Segundo tem sido indicado em suas publicações, não há uma ordem específica na Bíblia que diga: não deves jogar. Mas os frutos da jogatina são sempre maus, e esses frutos podres têm sido expostos em A Sentinela e Despertai! já por meio século. Além disso, essas revistas têm mostrado que a jogatina de qualquer espécie envolve atitudes contra as quais a Bíblia adverte. Por exemplo, o amor ao dinheiro: “O amor ao dinheiro é raiz de toda sorte de coisas prejudiciais.” (1 Tim. 6:10) E o egoísmo: “Nem deves almejar egoistamente . . . qualquer coisa que pertença ao teu próximo.” (Deut. 5:21; compare com 1 Coríntios 10:24.) Também a ganância: “[Cessai] de ter convivência com qualquer que se chame irmão, que for . . . ganancioso.” (1 Cor. 5:11) Além disso, a Bíblia avisa contra recorrer à “Boa Sorte”, como se fosse uma espécie de força sobrenatural que concedesse favores. (Isa. 65:11) Por levarem a sério esses avisos bíblicos, as Testemunhas de Jeová evitam terminantemente a jogatina. E desde 1976 têm feito esforço especial para evitar ter em seu meio qualquer pessoa cujo emprego a identifique claramente qual parte de algum estabelecimento de jogatina.

      A jogatina nunca foi uma grande questão entre as Testemunhas de Jeová. Sabem que, em vez de promover um espírito de ganhar à custa dos outros, a Bíblia as incentiva a trabalhar com suas mãos, a ser fiéis em cuidar do que lhes foi confiado, a ser generosas, a partilhar com os que estão em necessidade. (Efé. 4:28; Luc. 16:10; Rom. 12:13; 1 Tim. 6:18) É isto prontamente reconhecido pelos outros que têm tratos com elas? Sim, especialmente por aqueles com quem têm tratos comerciais. Não é incomum empregadores seculares procurarem Testemunhas de Jeová para contratá-las por saberem que elas são conscienciosas e fidedignas. Reconhecem que é a religião das Testemunhas que as torna a espécie de pessoas que são.

      Que dizer do fumo e do abuso de drogas?

      A Bíblia não menciona o fumo (tabaco), tampouco as muitas outras drogas usadas com abuso hoje em dia. Mas ela fornece orientações que têm ajudado as Testemunhas de Jeová a determinar qual a conduta que agrada a Deus. Assim, já em 1895, quando a Watch Tower comentava o uso do fumo, chamou atenção para 2 Coríntios 7:1, que diz: “Portanto, amados, visto que temos estas promessas, purifiquemo-nos de toda imundície da carne e do espírito, aperfeiçoando a santidade em temor de Deus.”

      Por muitos anos, esse conselho parecia o suficiente. Mas, quando as fábricas de cigarro começaram a fazer propaganda para glamorizar o fumar e, depois, quando se tornou comum o abuso de drogas “ilegais”, foi preciso fazer mais. Outros princípios da Bíblia foram destacados: o respeito por Jeová, o Dador da vida (Atos 17:24, 25); o amor ao próximo (Tia. 2:8) e o fato de que uma pessoa que não ama seu próximo não ama realmente a Deus (1 João 4:20); também a obediência aos governantes seculares (Tito 3:1). Mostrou-se que a palavra grega far·ma·kí·a, que significa basicamente “drogaria”, foi usada pelos escritores da Bíblia para se referir à “prática do espiritismo” por causa do uso de drogas nas práticas espíritas. — Gál. 5:20.

      Já em 1946, a revista Consolação expunha a natureza muitas vezes fraudulenta dos depoimentos pagos usados na propaganda de cigarros. Quando se tornou disponível a evidência científica, Despertai!, sucessora de Consolação, também publicou provas de que o uso do fumo causa câncer, doenças cardíacas, danos ao nascituro de uma mulher grávida e danos aos não-fumantes que são obrigados a inalar ar cheio de fumaça, bem como evidências de que a nicotina vicia. Chamou-se atenção para o efeito entorpecente da maconha e a evidência de que seu uso pode resultar em dano cerebral. Da mesma forma, os graves perigos de outras drogas viciadoras foram considerados repetidas vezes em benefício dos leitores das publicações da Torre de Vigia.

      Muito antes de órgãos governamentais chegarem a um acordo quanto até que ponto deviam alertar as pessoas sobre os danos do uso do fumo, The Watchtower, na sua edição de 1.º de março de 1935, tornou claro que nenhum usuário de tabaco podia ser membro da equipe da sede da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos EUA) nem ser um de seus representantes nomeados. Depois que todos os servos nas congregações das Testemunhas de Jeová passaram a ser designados pela Sociedade (sistema iniciado em 1938), The Watchtower de 1.º de julho de 1942 dizia que a proibição do fumo se aplicava também a todos esses servos designados. Em algumas regiões, levou vários anos para que isso fosse plenamente implantado. Entretanto, a maioria das Testemunhas de Jeová acatou esse conselho bíblico e o bom exemplo dos que tomavam a liderança entre elas.

      Como passo adicional na aplicação coerente desse conselho bíblico, a partir de 1973 nenhuma pessoa que ainda fumava foi aceita para o batismo. Nos meses que se seguiram, os que estavam ativamente envolvidos na produção de fumo ou em promover a venda de produtos de fumo foram ajudados a compreender que não podiam continuar a fazer isso e ser aceitos como Testemunhas de Jeová. O conselho da Palavra de Deus tem de ser aplicado coerentemente a todos os aspectos da vida. Essa aplicação dos princípios bíblicos ao uso de tabaco, da maconha e das chamadas drogas pesadas tem protegido as Testemunhas. Com o uso das Escrituras, puderam também ajudar muitos milhares de pessoas cuja vida estava sendo arruinada pelo abuso de drogas.

      São diferentes as bebidas alcoólicas?

      As publicações da Torre de Vigia não adotaram o conceito de que o uso de bebidas alcoólicas seja o mesmo que o abuso de drogas. Por que não? Elas explicam: o Criador sabe como somos feitos, e sua Palavra permite o uso moderado de bebidas alcoólicas. (Sal. 104:15; 1 Tim. 5:23) Mas a Bíblia avisa também contra ‘o excesso no beber’, e condena fortemente a embriaguez. — Pro. 23:20, 21, 29, 30; 1 Cor. 6:9, 10; Efé. 5:18.

      Visto que o consumo imoderado de bebidas inebriantes estava arruinando a vida de muitas pessoas, Charles Taze Russell era a favor da abstinência total. Contudo, ele reconhecia que Jesus fez uso de vinho. Durante o século 19 e no início do século 20, havia muita agitação pública a favor da proibição legal de bebidas alcoólicas nos Estados Unidos. A Watch Tower expressou abertamente solidariedade para com os que tentavam combater os danos resultantes de bebidas alcoólicas, mas não aderiu à campanha deles para se baixarem leis proibitivas. Entretanto, a revista mostrou firmemente o dano resultante de beber demais e muitas vezes disse que seria melhor abster-se totalmente de vinho ou de outras bebidas alcoólicas. Os que achavam que podiam fazer uso moderado de bebidas alcoólicas foram incentivados a considerar Romanos 14:21 que diz: “É bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer algo que faça teu irmão tropeçar.”

      Todavia, em 1930, quando o superintendente da Liga de Temperança nos Estados Unidos foi ao ponto de afirmar publicamente que sua organização “nasceu de Deus”, J. F. Rutherford, então presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), usou a ocasião para dar discursos pelo rádio, mostrando que tal afirmativa era uma calúnia contra Deus. Por quê? Porque a Palavra de Deus não proíbe totalmente o uso de vinho; porque a lei seca não estava pondo fim à bebedice que Deus deveras condena; e porque a lei seca havia, ao contrário, causado a produção e distribuição ilegal de bebidas alcoólicas e a corrupção governamental.

      O uso de bebidas alcoólicas ou a abstinência delas é considerado pelas Testemunhas de Jeová um assunto pessoal. Mas aderem ao requisito bíblico de que os superintendentes devem ser “moderados nos hábitos”. Essa expressão é traduzida do grego ne·fá·li·on, que literalmente significa ‘sóbrio, temperado; que se abstém de vinho, quer totalmente, quer, pelo menos, do uso imoderado’. Os servos ministeriais também precisam ser homens “não dados a muito vinho”. (1 Tim. 3:2, 3, 8) Portanto, os que bebem em excesso não se qualificam para privilégios especiais de serviço. O fato de que os que tomam a liderança entre as Testemunhas de Jeová dão bom exemplo lhes propicia liberdade de falar ao ajudarem outros que talvez tenham a tendência de recorrer a bebidas alcoólicas para combater o estresse ou que na realidade precisem ser totalmente abstêmios para permanecerem sóbrios. Quais são os resultados?

      Por exemplo, certa notícia da África centro-sul dizia: “Segundo a opinião geral, aquelas regiões em que as Testemunhas de Jeová são mais fortes entre os africanos são agora regiões com menos problemas do que a média. Certamente, elas têm sido ativas contra agitadores, contra a feitiçaria, a bebedice e a violência de toda sorte.” — The Northern News (Zâmbia).

      Outra maneira importante em que a conduta das Testemunhas de Jeová difere da do mundo é no que toca ao —

      Respeito pela vida

      Tal respeito vem do reconhecimento do fato de que a vida é um dom de Deus. (Sal. 36:9; Atos 17:24, 25) Inclui reconhecimento de que mesmo a vida do nascituro é preciosa aos olhos de Deus. (Êxo. 21:22-25; Sal. 139:1, 16) Leva em conta que “cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus”. — Rom. 14:12.

      Em harmonia com esses princípios bíblicos, as Testemunhas de Jeová têm coerentemente evitado a prática do aborto. Para fornecer sólida orientação a seus leitores, a revista Despertai! tem-nas ajudado a reconhecer que a castidade é um requisito divino; tem considerado extensivamente as maravilhas do processo de procriação, bem como os fatores psicológicos e fisiológicos envolvidos no parto. Na era após a Segunda Guerra Mundial, à medida que os abortos se tornaram mais comuns, A Sentinela mostrou claramente que essa prática é contrária à Palavra de Deus. Sem rodeios, a edição de 15 de junho de 1970 dizia: “Um aborto simplesmente para se livrar dum filho indesejável é igual a se tirar deliberadamente uma vida humana.”

      Por que recusam transfusões de sangue

      O respeito pela vida que as Testemunhas de Jeová têm influiu também na sua posição com relação às transfusões de sangue. Quando se viram confrontadas com a questão das transfusões de sangue, The Watchtower de 1.º de julho de 1945 explicou em pormenores o conceito cristão a respeito da santidade do sangue.c Mostrou que tanto o sangue animal como o dos humanos estavam incluídos na proibição divina que se tornou obrigatória para Noé e todos os seus descendentes. (Gên. 9:3-6) Mostrou que este requisito foi salientado novamente no primeiro século na ordem de ‘se absterem de sangue’ dada aos cristãos. (Atos 15:28, 29) Esse mesmo artigo tornava claro, à base das Escrituras, que só o uso sacrificial do sangue era aprovado por Deus, e que, visto que os sacrifícios animais oferecidos sob a Lei mosaica prefiguravam o sacrifício de Cristo, a desconsideração do requisito para os cristãos ‘se absterem de sangue’ seria evidência de crasso desrespeito pelo sacrifício de resgate de Jesus Cristo. (Lev. 17:11, 12; Heb. 9:11-14, 22) Coerente com esse entendimento da questão, a partir de 1961, quem quer que desconsiderasse esse requisito divino, aceitando transfusão de sangue, e manifestasse uma atitude impenitente seria desassociado da congregação das Testemunhas de Jeová.

      De início, os efeitos colaterais físicos das transfusões de sangue não foram considerados nas publicações da Torre de Vigia. Mais tarde, quando essas informações se tornaram disponíveis, essas também foram publicadas — não como a razão de as Testemunhas de Jeová recusarem transfusões de sangue, mas para fortalecer seu apreço pela proibição que o próprio Deus impôs sobre o uso do sangue. (Isa. 48:17) Para esse fim, em 1961 foi publicado o folheto cuidadosamente documentado O Sangue, a Medicina e a Lei de Deus. Em 1977, publicou-se outro folheto. Este, intitulado As Testemunhas de Jeová e a Questão do Sangue, salientou de novo o fato de que a posição tomada pelas Testemunhas de Jeová é religiosa, baseada no que a Bíblia diz, e não depende de fatores de risco clínico. Outra atualização do assunto foi apresentada em 1990 na brochura Como Pode o Sangue Salvar Sua Vida?. Com o uso dessas publicações, as Testemunhas de Jeová têm feito muito esforço para conseguir a cooperação dos médicos e ajudá-los a entender a posição delas. Entretanto, por muitos anos, o uso de transfusões de sangue tem gozado de elevada estima da classe médica.

      Embora as Testemunhas de Jeová dissessem aos médicos que não tinham objeção religiosa a tratamentos alternativos, não foi fácil recusar transfusões de sangue. Muitas vezes, fez-se muita pressão sobre as Testemunhas e suas famílias para que se submetessem àquilo que era então o procedimento médico de praxe. Em Porto Rico, em novembro de 1976, Ana Paz de Rosario, de 45 anos, concordou em submeter-se a uma cirurgia e à necessária medicação, mas solicitou que, em razão de suas crenças religiosas, não se usasse sangue. Contudo, munidos de ordem judicial, cinco policiais e três enfermeiras foram ao seu quarto no hospital, depois da meia-noite, amarram-na ao leito e administraram-lhe à força uma transfusão de sangue, contrária ao seu desejo e ao de seu marido e filhos. Ela entrou em choque e morreu. Este de forma alguma é um caso isolado, e não foi só em Porto Rico que tais violências ocorreram.

      Na Dinamarca, pais Testemunhas de Jeová foram perseguidos pela polícia, em 1975, porque recusaram permitir uma transfusão de sangue forçada a seu filho, buscando, em vez disso, um tratamento alternativo. Na Itália, em 1982, um casal, que amorosamente procurou assistência médica em quatro países para sua filha incuravelmente enferma, foi condenado a 14 anos de prisão sob a acusação de homicídio depois de a filha morrer enquanto recebia uma transfusão por ordem judicial.

      Não raro, com relação a tentativas de impor transfusões a filhos menores de Testemunhas de Jeová, tem sido incitada grande hostilidade pública através da imprensa. Em alguns casos, até mesmo sem uma audiência em que os pais pudessem falar, juízes têm emitido ordens para administrar transfusões a filhos de Testemunhas. Em mais de 40 casos no Canadá, porém, as crianças que receberam transfusões foram devolvidas mortas a seus pais.

      Nem todos os médicos e juízes concordam com tais métodos arbitrários. Alguns começaram a instar por uma atitude mais prestativa. Alguns médicos empregaram suas habilidades em fornecer tratamento sem sangue. Nesse processo, ganharam muita experiência com todos os tipos de cirurgia sem sangue. Demonstrou-se aos poucos que todos os tipos de cirurgia podiam ser realizados com êxito, tanto em adultos como em crianças, sem transfusões de sangue.d

      Para evitar desnecessárias confrontações em casos de emergência, as Testemunhas de Jeová, em princípios da década de 60, começaram a fazer visitas especiais a seus médicos para considerar com eles a sua posição e fornecer-lhes literatura apropriada. Mais tarde, solicitaram que uma declaração por escrito fosse colocada nos seus respectivos prontuários, na qual se declara que não lhes sejam administradas transfusões de sangue. Na década de 70, tomaram por hábito carregar consigo um cartão para notificar à classe médica que não lhes sejam administradas transfusões de sangue em nenhuma circunstância. Depois de consultarem médicos e advogados, o estilo do cartão foi ajustado para torná-lo um documento legal.

      Com o fim de amparar as Testemunhas de Jeová na sua determinação de evitar que lhes sejam dadas transfusões de sangue e para eliminar equívocos da parte de médicos e hospitais, bem como estabelecer um espírito mais cooperativo entre as instituições médicas e pacientes Testemunhas de Jeová, formaram-se Comissões de Ligação com Hospitais sob a direção do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová. De um punhado de tais comissões, em 1979, elas aumentaram para mais de 800 em mais de 70 países. Anciãos selecionados foram treinados e prestam esse serviço na América do Norte, no Extremo Oriente, nos principais países do Pacífico Sul, na Europa e na América Latina. Além de explicarem a posição das Testemunhas de Jeová, esses anciãos alertam as equipes hospitalares sobre o fato de que existem alternativas válidas para infusões de sangue. Em casos de emergência, eles ajudam a providenciar que haja contatos entre o médico inicialmente consultado e cirurgiões que já trataram de casos similares em Testemunhas sem o uso de sangue. Quando necessário, essas comissões têm visitado não só equipes hospitalares, mas também juízes envolvidos em casos em que os hospitais procuraram ordens judiciais para administrar transfusões.

      Nos casos em que o respeito pela sua crença religiosa sobre a santidade do sangue não pôde ser assegurado por outros meios, as Testemunhas de Jeová têm ocasionalmente processado médicos e hospitais. Elas têm geralmente procurado simplesmente uma ordem de restrição ou um interdito. Em anos recentes, porém, têm até mesmo instaurado processos de indenização contra médicos e hospitais que agiram arbitrariamente. Em 1990, o Tribunal de Recursos de Ontário, no Canadá, deu respaldo a tal processo de indenização por danos em razão de ter o médico desconsiderado um cartão na bolsa da paciente em que se dizia claramente que a Testemunha não aceitaria transfusão de sangue em circunstância alguma. Nos Estados Unidos, desde 1985, pelo menos dez desses processos de indenização por danos foram instaurados em várias partes do país, e freqüentemente os processados têm decidido resolver a questão à parte do tribunal com uma determinada importância, em vez de enfrentarem a possibilidade de um júri estipular mais para a indenização por danos. As Testemunhas de Jeová estão terminantemente decididas a obedecer à proibição divina ao uso de sangue. Preferem não processar médicos, mas farão isso, se for necessário, para impedi-los de administrar à força um tratamento que lhes é moralmente repugnante.

      O público se torna cada vez mais ciente dos perigos inerentes de transfusões de sangue. Isto se dá, em parte, por causa do medo da AIDS. As Testemunhas, porém, são motivadas pelo seu desejo sincero de agradar a Deus. Em 1987, o diário médico francês Le Quotidien du Médecin dizia: “Talvez as Testemunhas de Jeová estejam certas em recusar produtos que contenham sangue, pois é verdade que considerável número de agentes patogênicos podem ser transmitidos pelo sangue transfundido.”

      A posição das Testemunhas de Jeová não se baseia em conhecimento médico superior que se originasse delas. Simplesmente confiam que a maneira de Jeová é certa e que ele ‘não reterá nada de bom’ de seus servos leais. (Sal. 19:7, 11; 84:11) Mesmo se uma Testemunha morrer em resultado de perda de sangue — e isso tem acontecido ocasionalmente — as Testemunhas de Jeová confiam plenamente que Deus não se esquece dos que lhe são fiéis, e lhes restituirá a vida por meio da ressurreição. — Atos 24:15.

      Quando as pessoas decidem desconsiderar as normas bíblicas

      Milhões de pessoas estudaram a Bíblia com as Testemunhas de Jeová, mas nem todas se tornaram Testemunhas. Quando certas pessoas aprendem as elevadas normas que precisam seguir, decidem que não é a espécie de vida que desejam. Todos os que chegam a ser batizados recebem primeiro uma instrução cabal sobre os ensinamentos fundamentais da Bíblia, e depois (especialmente desde 1967) os anciãos na congregação recapitulam esses ensinamentos com cada candidato ao batismo. Faz-se todo o esforço para se certificar de que os batizandos entendam claramente não só a doutrina, mas também o que realmente significa a conduta cristã. Entretanto, que dizer se alguns desses mais tarde permitirem que o amor ao mundo os engode a cometer grave transgressão?

      Já em 1904, no livro The New Creation (A Nova Criação), chamou-se atenção para a necessidade de tomar a devida ação para não permitir a desmoralização da congregação. O entendimento que os Estudantes da Bíblia tinham sobre as medidas a tomar no caso de transgressores, esboçadas em Mateus 18:15-17, foi considerado ali. Em harmonia com isso, houve em raras ocasiões ‘julgamentos na igreja’ em que se apresentou à inteira congregação a evidência de transgressão em casos graves. Anos mais tarde, A Sentinela, de abril de 1945, recapitulou o assunto à luz da Bíblia inteira e mostrou que tais assuntos que envolviam a congregação deviam ser tratados por irmãos encarregados de supervisão na congregação. (1 Cor. 5:1-13; compare com Deuteronômio 21:18-21.) Isto foi seguido, na Sentinela de dezembro de 1952 e de janeiro de 1953, de artigos que enfatizavam não só o proceder correto, mas a necessidade de se tomarem medidas para manter limpa a organização. Repetidamente desde então, deu-se consideração a esse assunto. Mas os objetivos sempre permaneceram os mesmos: (1) manter limpa a organização e (2) inculcar no transgressor a necessidade de sincero arrependimento, visando sua recuperação.

      No primeiro século, houve alguns que abandonaram a fé em troca de uma vida devassa. Outros se desviaram por causa de doutrinas apóstatas. (1 João 2:19) A mesma coisa continua a acontecer entre as Testemunhas de Jeová neste século 20. Infelizmente, em tempos recentes foi necessário desassociar dezenas de milhares de transgressores impenitentes a cada ano. Houve entre esses até mesmo anciãos preeminentes. Os mesmos requisitos bíblicos se aplicam a todos. (Tia. 3:17) As Testemunhas de Jeová compreendem que é vital conservar a organização moralmente limpa para se continuar a ter a aprovação de Jeová.

      Revestir-se da nova personalidade

      Jesus instou com as pessoas para que fossem limpas não só externamente, mas também no íntimo. (Luc. 11:38-41) Ele mostrou que as coisas que dizemos e fazemos são um reflexo daquilo que há em nosso coração. (Mat. 15:18, 19) Segundo explicou o apóstolo Paulo, se formos realmente ensinados por Cristo, seremos ‘feitos novos na força que ativa a nossa mente’, e ‘nos revestiremos da nova personalidade, que foi criada segundo a vontade de Deus, em verdadeira justiça e lealdade’. (Efé. 4:17-24) Os que estão sendo ensinados por Cristo buscam adquirir “a mesma atitude mental que Cristo Jesus teve”, portanto, pensam e agem como ele. (Rom. 15:5) A conduta das Testemunhas de Jeová quais indivíduos reflete até que ponto fizeram realmente isso.

      As Testemunhas de Jeová não dizem que sua conduta seja impecável. Mas são sinceras nos seus esforços de imitar a Cristo ao passo que se harmonizam com a elevada norma bíblica de conduta. Não negam que haja outras pessoas que aplicam elevadas normas morais em sua vida. Mas, no caso das Testemunhas de Jeová, não é só quais indivíduos, mas como organização internacional que são prontamente reconhecidas por causa de sua conduta que se harmoniza com as normas da Bíblia. São motivadas pelo conselho inspirado, registrado em 1 Pedro 2:12: “Mantende a vossa conduta excelente entre as nações, para que . . . em resultado das vossas obras excelentes, das quais são testemunhas oculares, glorifiquem a Deus.”

      [Nota(s) de rodapé]

      a  Em The Watchtower de 15 de outubro de 1941, esse assunto tornou a ser considerado, de forma um tanto abreviada, sob o título “Caráter ou Integridade — Qual?”.

      b  A Sentinela de novembro de 1951 definiu a fornicação como “relações sexuais voluntárias por parte de uma pessoa solteira com uma pessoa do sexo oposto”. The Watchtower de 1.º de janeiro de 1952 acrescentou que o termo bíblico podia também aplicar-se à imoralidade sexual da parte de uma pessoa casada.

      c  Considerações anteriores sobre a santidade do sangue apareceram em The Watch Tower de 15 de dezembro de 1927, bem como na Watchtower de 1.º de dezembro de 1944, que mencionaram especificamente as transfusões de sangue.

      d  Contemporary Surgery, de março de 1990, pp. 45-9; The American Surgeon, de junho de 1987, pp. 350-6; Miami Medicine, de janeiro de 1981, p. 25; New York State Journal of Medicine, de 15 de outubro de 1972, pp. 2524-7; The Journal of the American Medical Association, de 27 de novembro de 1981, pp. 2471-2; Cardiovascular News, de fevereiro de 1984, p. 5; Circulation, de setembro de 1984.

      [Destaque na página 172]

      “Elas têm notáveis valores morais.”

      [Destaque na página 174]

      Houve alguma vez dúvida sobre como considerar o homossexualismo?

      [Destaque na página 175]

      O colapso moral no mundo não fez com que as Testemunhas se tornassem permissivas.

      [Destaque na página 176]

      Alguns tentaram ser Testemunhas sem abandonar a poligamia.

      [Destaque na página 177]

      Vigoroso programa para ensinar o conceito de Jeová sobre o divórcio.

      [Destaque na página 178]

      Mudanças notáveis na vida das pessoas

      [Destaque na página 181]

      Fumar — Não!

      [Destaque na página 182]

      Bebidas alcoólicas — moderadamente, se é que fazem uso de tais.

      [Destaque na página 183]

      Terminantemente decididas a não aceitar sangue.

      [Destaque na página 187]

      Desassociação — para manter moralmente limpa a organização.

      [Quadro na página 173]

      ‘Desenvolvimento do caráter’ — os frutos nem sempre foram bons

      Um relatório da Dinamarca: ‘Muitos, especialmente entre os irmãos mais antigos, nos seus sinceros esforços de se revestir de uma personalidade cristã, procuravam evitar tudo o que tivesse a mínima mancha de mundanismo e deste modo tornar-se mais dignos do Reino celestial. Não raro, considerava-se impróprio sorrir durante as reuniões, e muitos dos irmãos mais antigos só usavam ternos pretos, sapatos pretos, gravatas pretas. Contentavam-se com freqüência em levar uma vida calma e pacífica no Senhor. Achavam que bastava realizar reuniões e deixar que os colportores fizessem a pregação.’

      [Quadro na página 179]

      O que outros observam nas Testemunhas

      ◆ “Münchner Merkur”, um jornal alemão, noticiava a respeito das Testemunhas de Jeová: “São os mais honestos e mais pontuais contribuintes de impostos da República Federal. Sua obediência às leis pode ser vista na maneira em que dirigem automóvel, bem como nas estatísticas sobre crimes. . . . Obedecem aos em autoridade (pais, professores, governo). . . . A Bíblia, a base de todas as suas ações, é seu apoio.”

      ◆ O prefeito de Lens, França, disse às Testemunhas, depois de usarem o estádio municipal para um de seus congressos: “O que gosto é que cumprem a palavra e os acordos, e além disto, são limpos, disciplinados e organizados. Gosto de sua sociedade. Sou contra a desordem, e não gosto de pessoas que andam por aí sujando e quebrando as coisas.”

      ◆ O livro “Voices From the Holocaust” (Vozes do Holocausto) contém memórias de uma sobrevivente polonesa dos campos de concentração de Auschwitz e de Ravensbrück, que escreveu: “Vi pessoas que se tornaram muito, muito boas e pessoas que se tornaram totalmente más. O grupo mais agradável era o das Testemunhas de Jeová. Tiro o chapéu diante dessas pessoas. . . . Fizeram coisas maravilhosas para os outros. Ajudaram os doentes, repartiram o seu pão e deram consolo espiritual a todos os perto delas. Os alemães as odiavam e as respeitavam ao mesmo tempo. Davam-lhes os piores trabalhos, mas elas os aceitavam de cabeça erguida.”

  • “Não fazem parte do mundo”
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 14

      “Não fazem parte do mundo”

      ATUALMENTE, as religiões, na maioria, fazem em grande medida parte do mundo, pois participam nas celebrações do mundo e refletem seu espírito de nacionalismo. Seus clérigos não raro reconhecem esse fato, e muitos dentre eles gostam que assim seja. Em nítido contraste, Jesus disse sobre seus verdadeiros seguidores: “Não fazem parte do mundo, assim como eu não faço parte do mundo.” — João 17:16.

      O que revelam os antecedentes das Testemunhas de Jeová neste respeito? Dão evidência convincente de que não fazem parte do mundo?

      Atitude para com o próximo

      Os antigos Estudantes da Bíblia estavam bem cientes de que os cristãos verdadeiros não fariam parte do mundo. The Watch Tower (A Sentinela) explicou que, por serem os seguidores ungidos de Cristo santificados e gerados pelo espírito santo para poderem participar do Reino celestial, foram por meio desse ato de Deus apartados do mundo. Além disso, indicou que tinham a obrigação de evitar o espírito do mundo — seus objetivos, suas ambições e esperanças, bem como seus caminhos egoístas. — 1 João 2:15-17.

      Influiu isso na atitude dos Estudantes da Bíblia para com os que não partilhavam suas crenças? Certamente não os tornou reclusos. Mas os que realmente aplicavam o que aprendiam das Escrituras não procuravam companheirismo com pessoas mundanas para partilhar seu modo de vida. The Watch Tower apresentou aos servos de Deus o conselho da Bíblia no sentido de ‘fazerem o que é bom para com todos’. Aconselhou também que, quando perseguidos, deviam procurar evitar o espírito de vingança, mas, ao contrário, como Jesus disse, deviam ‘amar os seus inimigos’. (Gál. 6:10; Mat. 5:44-48) Em especial, instou com eles a partilhar com outros a preciosa verdade a respeito da provisão divina de salvação.

      Fazendo essas coisas, compreensivelmente o mundo os consideraria diferentes. Mas, não fazer parte do mundo envolve mais do que isso — muito mais.

      Separadas e distintas de Babilônia, a Grande

      Para não fazerem parte do mundo, não podiam fazer parte dos sistemas religiosos profundamente envolvidos nos assuntos do mundo e cujas doutrinas e costumes se originaram da antiga Babilônia, inimiga de longa data da adoração verdadeira. (Jer. 50:29) Quando estourou a Primeira Guerra Mundial, por décadas os Estudantes da Bíblia vinham expondo as raízes pagãs de doutrinas da cristandade tais como a Trindade, a imortalidade da alma humana e do inferno de fogo. Haviam também exposto os antecedentes das igrejas em tentar manobrar os governos para seus próprios fins egoístas. Por causa das doutrinas e práticas da cristandade, os Estudantes da Bíblia a haviam identificado com “Babilônia, a Grande”. (Rev. 18:2) Mostraram que ela misturara a verdade com o erro, o cristianismo pouco zeloso com o mundanismo descarado, e que o nome bíblico “Babilônia” (que significa “Confusão”) descrevia bem essa condição. Instaram com os amantes de Deus a sair de “Babilônia”. (Rev. 18:4) Com esse objetivo, em fins de dezembro de 1917 e início de 1918, distribuíram 10.000.000 de exemplares da edição de The Bible Students Monthly (O Mensário dos Estudantes da Bíblia) que trazia o assunto “A Queda de Babilônia”, que foi uma pungente exposição da cristandade. Isto, por sua vez, resultou em amarga inimizade da parte do clero que aproveitou a histeria do tempo de guerra para tentar esmagar a obra das Testemunhas de Jeová.

      Forçosamente, sair de Babilônia, a Grande, envolvia deixar de ser membro de organizações que ensinavam suas doutrinas falsas. Os Estudantes da Bíblia fizeram isso, embora por muitos anos considerassem como irmãos cristãos àqueles nas igrejas que professavam plena consagração e fé no resgate. Contudo, não só os Estudantes da Bíblia escreviam cartas pedindo para serem excluídos como membros das igrejas da cristandade, mas, quando possível, alguns liam suas cartas em voz alta nas reuniões da igreja onde era costume os membros se expressarem. Quando isso não era possível, enviavam uma cópia de sua carta pedindo exclusão — carta bondosa que continha testemunho apropriado — a todos os membros da congregação.

      Asseguravam-se também de não levar consigo quaisquer dos costumes e práticas não piedosas dessas organizações? Qual era a situação no período até a Primeira Guerra Mundial?

      Devia a religião mesclar-se na política?

      No campo político, os governantes de muitas das principais nações, por causa de suas ligações com uma igreja, católica ou protestante, por muito tempo vinham sustentando que governavam ‘por direito divino’ quais representantes do Reino de Deus e que eram agraciados de modo especial por Deus. A igreja dava sua bênção ao governo; este, por sua vez, apoiava a igreja. Agiam assim também os Estudantes da Bíblia?

      Em vez de imitarem as igrejas da cristandade, procuravam aprender dos ensinamentos e do exemplo de Jesus Cristo e de seus apóstolos. O que lhes revelou seu estudo da Bíblia? As antigas publicações da Torre de Vigia mostram que eles estavam cientes de que, quando interrogado pelo governador romano Pôncio Pilatos, Jesus dissera: “Meu reino não faz parte deste mundo.” Em resposta à pergunta sobre qual era o papel desempenhado por Jesus, este disse ao governador: “Para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade.” (João 18:36, 37) Os Estudantes da Bíblia sabiam que Jesus se apegava sem vacilar a essa tarefa. Quando o Diabo lhe ofereceu todos os reinos do mundo e sua glória, ele rejeitou isso. Quando as pessoas quiseram fazer dele um rei, ele se retirou. (Mat. 4:8-10; João 6:15) Os Estudantes da Bíblia não passaram por alto o fato de Jesus se referir ao Diabo como “o governante do mundo” e de dizer que o Diabo ‘não tinha nenhum poder sobre ele’. (João 14:30) Podiam notar que Jesus não procurava envolvimento, nem para si nem para seus seguidores, no sistema político de Roma, mas estava plenamente ocupado em declarar as “boas novas do reino de Deus”. — Luc. 4:43.

      Será que o fato de crerem nessas coisas escritas na Palavra de Deus fomentou desrespeito pela autoridade governamental? Não, de forma alguma. Ao contrário, ajudou-os a entender por que os problemas enfrentados pelos governantes são tão grandes, por que há tanta anarquia e por que os programas governamentais para melhorar a situação das pessoas não raro são frustrados. Sua crença fez com que fossem pacientes em face de dificuldades, porque confiavam que Deus, no seu devido tempo, traria alívio permanente por meio de seu Reino. Naquela época, eles entendiam que “as autoridades superiores”, mencionadas em Romanos 13:1-7, eram os governantes seculares. Em harmonia com isso, instavam mostrar respeito pelas autoridades governamentais. Ao considerar Romanos 13:7, C. T. Russell disse, no livro The New Creation (A Nova Criação, publicado em 1904), que os verdadeiros cristãos “devem naturalmente ser os mais sinceros no seu reconhecimento dos grandes deste mundo, e os mais obedientes às leis e às exigências da lei, salvo estas estejam em conflito com as ordens e os mandamentos celestiais. Poucos governantes terrestres em nossos dias, se é que alguns, acharão falta em reconhecermos um Criador supremo e em nossa suprema lealdade a seus mandamentos. Por conseguinte, [os cristãos verdadeiros] devem estar entre os que no tempo atual melhor acatam as leis — não devem ser agitadores, nem briguentos, nem críticos”.

      Quais cristãos, os Estudantes da Bíblia sabiam que a obra à qual tinham de devotar-se era a pregação do Reino de Deus. E, segundo declarado no primeiro volume de Studies in the Scriptures (Estudos das Escrituras), “se isso for feito fielmente, não haverá tempo nem inclinação para se mesclar na política dos governos atuais”.

      Neste respeito, eram bastante semelhantes aos primitivos cristãos descritos por Augustus Neander no livro The History of the Christian Religion and Church, During the Three First Centuries (História da Religião e da Igreja Cristã nos Três Primeiros Séculos): “Os cristãos se mantinham alheios e separados do estado, . . . e o cristianismo parecia capaz de influenciar a vida civil apenas desse modo, sendo este, é preciso confessar, o mais puro, por praticamente se esforçarem a incutir mais e mais o sentimento sagrado nos cidadãos do estado.”

      Quando o mundo entrou em guerra

      Em todo o globo os eventos da Primeira Guerra Mundial testaram severamente as afirmações dos que professavam ser cristãos. Foi a mais horrível guerra travada até então; quase a população inteira do mundo ficou envolvida de uma forma ou outra.

      O Papa Benedito XV, apesar da simpatia do Vaticano pelas Potências do Eixo, procurou manter uma aparência de neutralidade. Entretanto, em nenhuma nação o clero, quer católico, quer protestante, manteve tal posição de neutralidade. Com respeito à situação nos Estados Unidos, o Dr. Ray Abrams escreveu no seu livro Preachers Present Arms (Pregadores Apresentam Armas): “As igrejas assumiram uma união de propósito até então desconhecida nos anais religiosos. . . . Os líderes não perderam tempo para se organizarem cabalmente numa base de tempo de guerra. Dentro de vinte e quatro horas após a declaração de guerra, o Conselho Federal das Igrejas de Cristo na América fez planos para a mais plena cooperação. . . . A Igreja Católica Romana, organizada para um serviço similar, sob o Conselho Nacional Católico de Guerra, dirigido por quatorze arcebispos e tendo o Cardeal Gibbons como presidente, demonstrou igual devoção à causa da guerra. . . . Muitas das igrejas foram ainda mais longe do que o que se lhes pediu. Tornaram-se centros de recrutamento para o alistamento de soldados.” O que fizeram os Estudantes da Bíblia?

      Embora se empenhassem em fazer o que achavam que agradava a Deus, sua posição nem sempre foi de estrita neutralidade. O que fizeram foi influenciado pela crença, partilhada em comum com outros cristãos professos, de que “as autoridades superiores” eram “ordenadas por Deus”, segundo a fraseologia da King James Version. (Rom. 13:1) Assim, em concordância com uma proclamação feita pelo presidente dos Estados Unidos, The Watch Tower instou com os Estudantes da Bíblia que participassem em observar 30 de maio de 1918 como um dia de orações e súplicas com respeito ao resultado da guerra mundial.a

      Durante os anos de guerra, as circunstâncias em que cada Estudante da Bíblia foi impelido eram variadas. A maneira de agirem em tais situações foi também variada. Sentindo-se obrigados a obedecer às “autoridades existentes”, já que se referiam aos governantes seculares, alguns entraram nas trincheiras das linhas de combate com fuzis e baionetas. Mas, tendo em mente o texto: “Não matarás”, atiravam no ar ou tentavam simplesmente derrubar a arma das mãos do inimigo. (Êxo. 20:13, Almeida) Alguns, como Remigio Cuminetti, na Itália, se recusaram a usar uniforme militar. O governo italiano naquele tempo não fazia exceção a quem quer que fosse que por motivos de consciência recusasse pegar em armas. Ele foi julgado cinco vezes, sendo lançado em prisões e numa instituição para doentes mentais, mas sua fé e sua determinação permaneceram inabaláveis. Na Inglaterra, alguns que requereram isenção foram designados a trabalhos de importância nacional ou a corpos de soldados não-combatentes. Outros, como Pryce Hughes, adotaram uma posição de estrita neutralidade, não obstante as conseqüências para si.

      Nessa ocasião, pelo menos, os antecedentes de modo geral dos Estudantes da Bíblia não eram bem como os dos primitivos cristãos descritos por E. W. Barnes, em The Rise of Christianity (A Ascensão do Cristianismo), que escreveu: “Uma cuidadosa análise de toda a informação disponível mostra que, até o tempo de Marco Aurélio [imperador romano de 161 a 180 EC], nenhum cristão se tornou soldado; e nenhum soldado, depois de tornar-se cristão, permaneceu no serviço militar.”

      Mas, depois, no fim da Primeira Guerra Mundial, surgiu outra situação que requeria que os grupos religiosos mostrassem onde estava a sua lealdade.

      Uma expressão política do Reino de Deus?

      Um tratado de paz, que incluía o Pacto da Liga das Nações, foi assinado em Versalhes, França, em 28 de junho de 1919. Mesmo antes de ser assinado esse tratado de paz, o Conselho Federal das Igrejas de Cristo na América entrou nas notícias por proclamar que a Liga seria “a expressão política do Reino de Deus na Terra”. E o Senado dos EUA recebeu uma avalanche de cartas de grupos religiosos que instavam que ratificasse o Pacto da Liga das Nações.

      As Testemunhas de Jeová não aderiram a essa campanha. Mesmo antes de ser ratificado o tratado de paz (em outubro), J. F. Rutherford proferiu um discurso em Cedar Point, Ohio, em 7 de setembro de 1919, em que ele mostrou que não a Liga das Nações, mas sim o Reino estabelecido pelo próprio Deus era a única esperança para a humanidade angustiada. Apesar de reconhecerem que uma aliança humana para melhorar as condições pudesse realizar muitas coisas boas, aqueles Estudantes da Bíblia não viraram as costas para o Reino de Deus em troca de um expediente político estabelecido por políticos e abençoado pelo clero. Em vez disso, empreenderam a obra de dar um testemunho global sobre o Reino que Deus colocara nas mãos de Jesus Cristo. (Rev. 11:15; 12:10) Em The Watch Tower de 1.º de julho de 1920, explicou-se que esta era a obra predita por Jesus, em Mateus 24:14.

      De novo, após a Segunda Guerra Mundial, os cristãos se viram confrontados com uma questão similar. Desta vez, relacionava-se com as Nações Unidas, uma organização sucessora da Liga. Enquanto continuava a Segunda Guerra Mundial, em 1942, as Testemunhas de Jeová já haviam discernido, com base na Bíblia, em Revelação (Apocalipse) 17:8, que a organização de paz mundial surgiria de novo, também que fracassaria em trazer paz permanente. Isto foi explicado por N. H. Knorr, então presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), no discurso proferido num congresso: “Paz — Pode Durar?”. As Testemunhas de Jeová proclamaram destemidamente esse conceito sobre a situação mundial em curso. Por outro lado, líderes católicos, protestantes e judaicos participaram realmente nas deliberações em São Francisco, EUA, em 1945, durante as quais foi redigida a Carta da ONU. Aos observadores desses acontecimentos, ficou claro quem desejava ser “amigo do mundo” e quem eram os que se esforçavam a ‘não fazer parte do mundo’, segundo Jesus havia dito que se daria com os seus discípulos. — Tia. 4:4; João 17:14.

      Antecedentes de neutralidade cristã

      Embora as Testemunhas de Jeová logo discernissem algumas questões que envolviam a relação dos cristãos com o mundo, outros assuntos precisavam de mais tempo. Todavia, quando a Segunda Guerra Mundial ganhava ímpeto na Europa, um importante artigo em A Torre de Vigia (agora A Sentinela) de fevereiro de 1940, ajudou-as a compreender o que significava a neutralidade cristã. Os seguidores de Jesus Cristo, dizia o artigo, têm obrigação perante Deus de estar totalmente devotados a ele e a seu Reino, a Teocracia. Suas orações devem ser a favor do Reino de Deus, não do mundo. (Mat. 6:10, 33) À luz daquilo que Jesus revelou com respeito à identidade do governante invisível do mundo (João 12:31; 14:30), o artigo raciocinava: como poderia alguém devotado ao Reino de Deus favorecer um lado ou outro num conflito entre facções do mundo? Não havia Jesus dito sobre seus seguidores: “Não fazem parte do mundo, assim como eu não faço parte do mundo”? (João 17:16) Esta posição de neutralidade cristã não seria entendida de modo geral pelo mundo. Mas viveriam realmente as Testemunhas de Jeová à altura disso?

      Sua neutralidade foi posta a uma severa prova durante a Segunda Guerra Mundial, principalmente na Alemanha. O historiador Brian Dunn disse: ‘As Testemunhas de Jeová eram incompatíveis com o nazismo. A mais importante das objeções do nazismo contra elas era a sua atitude de neutralidade política. Isto significava que nenhum crente portaria armas, nem ocuparia um cargo político, nem tomaria parte em festas públicas, tampouco faria qualquer saudação de lealdade.’ (The Churches’ Response to the Holocaust [A Resposta das Igrejas ao Holocausto], 1986) Em A History of Christianity, Paul Johnson disse mais: “Muitos foram sentenciados à morte por recusarem prestar serviço militar . . . ou foram levados a Dachau ou a manicômios.” Quantas Testemunhas na Alemanha foram presas? As Testemunhas de Jeová relataram depois que 6.262 foram presas e 2.074 dessas foram postas em campos de concentração. Os escritores seculares geralmente optam por números mais elevados.

      Na Grã-Bretanha, onde tanto homens como mulheres foram convocados, a lei tinha provisão de isenção; mas isto foi recusado às Testemunhas de Jeová por muitos tribunais, e os juízes lhes impuseram termos de prisão de mais de 600 anos, no total. Nos Estados Unidos, centenas de Testemunhas de Jeová quais ministros cristãos receberam isenção do serviço militar. A mais de 4.000 outras, negou-se a isenção provida pela Lei do Serviço de Recrutamento, sendo presas e encarceradas durante períodos de até cinco anos. Em todos os países da Terra, as Testemunhas de Jeová mantiveram a mesma posição de neutralidade cristã.

      Contudo, o teste da genuinidade de sua neutralidade não cessou com o fim da guerra. Embora a crise de 1939-45 tivesse terminado, surgiram outros conflitos; e mesmo em tempos de relativa paz, muitas nações decidiram conservar o serviço militar obrigatório. As Testemunhas de Jeová, quais ministros cristãos, continuaram a enfrentar prisões quando não se lhes concedia a isenção. Em 1949, quando John Tsukaris e George Orphanidis se recusaram a pegar em armas contra seus semelhantes, o governo grego ordenou a execução deles. O tratamento (de várias formas) dado às Testemunhas de Jeová na Grécia foi repetidamente tão cruel que com o tempo o Conselho da Europa (O Comitê dos Direitos Humanos) se empenhou em usar sua influência a favor delas, mas, em resultado de pressão da parte da Igreja Ortodoxa Grega, até 1992, suas instâncias, com poucas exceções, foram malogradas. Contudo, alguns governos acharam repulsivo continuar a punir as Testemunhas de Jeová por causa de suas conscienciosas crenças religiosas. Na década de 90, em alguns países, como na Suécia, Finlândia, Polônia, Países Baixos e Argentina, o governo não pressionava as Testemunhas ativas a fazer o serviço militar ou serviço nacional alternativo compulsório, embora cada caso fosse examinado cuidadosamente.

      Num lugar após outro, as Testemunhas de Jeová viram-se confrontadas com situações que desafiavam sua neutralidade cristã. Os governos no poder na América Latina, África, Oriente Médio, Irlanda do Norte e em outras partes têm enfrentado violenta oposição de forças revolucionárias. Em resultado disso, tanto os governos como as forças da oposição têm pressionado as Testemunhas de Jeová a dar apoio ativo. Mas as Testemunhas de Jeová têm mantido completa neutralidade. Algumas delas foram cruelmente espancadas, até mesmo executadas, por causa da posição que tomaram. Não raro, porém, a genuína neutralidade cristã das Testemunhas de Jeová lhes granjeou o respeito das autoridades de ambos os lados, e permite-se às Testemunhas prosseguir sem molestação sua obra de falar a outros sobre as boas novas do Reino de Jeová.

      Nas décadas de 60 e 70, a neutralidade das Testemunhas sofreu testes brutais em relação com a exigência feita para que todos os cidadãos de Malaui comprassem um cartão que os identificasse como membros do partido político no poder. As Testemunhas de Jeová consideraram que a participação nisso seria contrária às suas crenças cristãs. Como resultado, sofreram perseguição sem precedentes em crueldade sádica. Dezenas de milhares foram forçadas a fugir do país, e muitas delas foram com o tempo repatriadas a força para enfrentarem mais brutalidade.

      Embora violentamente perseguidas, as Testemunhas de Jeová não reagem com espírito de rebelião. Suas crenças não põem em perigo nenhum governo sob o qual vivem. Em contraste com isso, o Conselho Mundial de Igrejas tem ajudado a custear revoluções, e sacerdotes católicos têm apoiado forças de guerrilhas. Mas, se uma Testemunha de Jeová participasse em atividade subversiva, isso seria o mesmo que renunciar à sua fé.

      É fato que as Testemunhas de Jeová acreditam que todos os governos humanos serão eliminados pelo Reino de Deus. Isto é o que a Bíblia diz, em Daniel 2:44. Mas, conforme as Testemunhas mostram, em vez de dizer que humanos estabelecerão esse Reino, o texto declara que “o Deus do céu estabelecerá um reino”. Da mesma forma, explicam que esse texto não diz que humanos estejam autorizados por Deus a abrir o caminho para esse Reino eliminando os governos humanos. As Testemunhas de Jeová reconhecem que a obra dos cristãos verdadeiros é pregar e ensinar. (Mat. 24:14; 28:19, 20) Em harmonia com seu respeito pela Palavra de Deus, seus antecedentes mostram que nenhuma delas jamais tentou derrubar um governo de espécie alguma no mundo, tampouco jamais fizeram algum complô para prejudicar alguma autoridade pública. O jornal italiano La Stampa dizia a respeito das Testemunhas de Jeová: “São os cidadãos mais leais que se possa desejar: não sonegam impostos nem procuram esquivar-se de leis inconvenientes a seus próprios lucros.” Todavia, por reconhecer a seriedade do assunto aos olhos de Deus, cada uma delas está firmemente decidida a ‘não fazer parte do mundo’. — João 15:19; Tia. 4:4.

      Quando emblemas nacionais se tornaram objetos de devoção

      Com a ascensão de Adolf Hitler ao poder na Alemanha, houve uma onda de histeria patriótica no mundo. Para arregimentar as pessoas, tornou-se compulsória a participação em cerimônias patrióticas. Na Alemanha, exigia-se de toda pessoa que fizesse determinada continência e bradasse: “Heil Hitler!” Isto significava enaltecer Hitler como salvador; tinha por objetivo transmitir a idéia de que todas as esperanças das pessoas se centralizavam na liderança dele. Mas as Testemunhas de Jeová não podiam compartilhar tais sentimentos. Sabiam que só podiam prestar adoração a Jeová e que Ele suscitara a Jesus Cristo como Salvador da humanidade. — Luc. 4:8; 1 João 4:14.

      Mesmo antes de Hitler tornar-se ditador na Alemanha, as Testemunhas de Jeová, no folheto The Kingdom, the Hope of the World (publicado em 1931, com título em português O Reino de Deus É a Felicidade do Povo), consideraram o exemplo bíblico dos três corajosos companheiros hebreus do profeta Daniel em Babilônia. Quando o rei lhes ordenou que se curvassem diante de uma imagem ao toque de certa música, aqueles fiéis hebreus recusaram transigir, e Jeová mostrou claramente sua aprovação libertando-os. (Dan. 3:1-26) O folheto indicava que as Testemunhas de Jeová enfrentaram nos tempos modernos cerimônias patrióticas com similar desafio de sua fidelidade.

      Aos poucos, a agitação a favor de cerimônias patrióticas compulsórias se alastrou para além da Alemanha. Em 3 de junho de 1935, num congresso em Washington, DC, quando se pediu a J. F. Rutherford que fizesse comentário sobre a saudação à bandeira nas escolas, ele frisou a questão da fidelidade a Deus. Alguns meses mais tarde, quando Carleton B. Nichols Jr., de oito anos, em Lynn, Massachusetts, se recusou a saudar a bandeira americana e cantar um hino patriótico, isso foi noticiado nos jornais no país inteiro.

      Para explicar a questão, o irmão Rutherford deu um discurso pelo rádio, em 6 de outubro, sobre o tema “Saudação à Bandeira”, em que ele disse: “Para muitas pessoas a saudação à bandeira é simples formalismo e tem pouco ou nenhum significado. Para os que sinceramente a consideram do ponto de vista bíblico, significa muito.

      “A bandeira representa os poderes governamentais visíveis. Tentar por meio da lei obrigar um cidadão ou um filho menor de um cidadão a saudar qualquer objeto ou coisa que seja, ou cantar os chamados ‘hinos patrióticos’, é inteiramente injusto e errado. As leis são feitas e impostas para prevenir o cometimento de atos manifestos que resultem em dano a outros, e não são feitas para obrigar alguém a violar sua consciência, especialmente quando essa consciência é orientada em harmonia com a Palavra de Jeová Deus.

      “A recusa de saudar a bandeira e o fato de se manter calado, como fez esse menino, não podem causar dano a ninguém. Se a pessoa sinceramente crê que o mandamento de Deus é contra a saudação a bandeiras, então compeli-la a saudar uma bandeira, o que está em conflito com a Palavra de Deus e é contrário à sua consciência, causa grande dano a tal pessoa. O Estado não tem direito, por lei ou de outra forma, de causar dano às pessoas.”

      Uma explicação adicional das razões da posição adotada pelas Testemunhas de Jeová foi fornecida no folheto Loyalty (Lealdade), publicado também em 1935. Chamou-se atenção para os seguintes textos: Êxodo 20:3-7, que ordena que só se deve adorar a Jeová e diz que os servos de Deus não devem fazer imagem alguma ou semelhança de coisa alguma, quer no céu, quer na Terra, nem curvar-se diante dela; Lucas 20:25, onde Jesus Cristo orientou que não só se deviam pagar a César as coisas de César, mas o que pertence a Deus deve ser dado a Ele; e Atos 5:29, onde os apóstolos firmemente declararam: “Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens.”

      Nos Estados Unidos, foi levada perante a justiça a questão quanto a se é correto compelir alguém a saudar a bandeira. Em 14 de junho de 1943, o Supremo Tribunal dos EUA revogou a sua própria decisão anterior e, no caso da Junta de Educação do Estado de Virgínia do Oeste v. Barnette, decidiu que a saudação compulsória à bandeira era incoerente com a garantia da liberdade concedida pela própria constituição daquela nação.b

      A questão que envolvia cerimônias nacionalísticas não se limitava de forma alguma à Alemanha e aos Estados Unidos. Na América do Norte e do Sul, Europa, África e Ásia, as Testemunhas de Jeová têm sido cruelmente perseguidas por causa de sua não-participação, muito embora se conservem de pé respeitosamente durante as cerimônias de saudação à bandeira ou similares. Crianças têm sido espancadas; muitas delas foram expulsas das escolas. Muitos casos foram debatidos em tribunais.

      Os observadores se sentiram impelidos a reconhecer, porém, que neste e em outros assuntos as Testemunhas de Jeová têm revelado ser como os primitivos cristãos. Contudo, segundo declarado no livro The American Character (O Caráter Americano): “Para a sobrepujante maioria . . ., as objeções das Testemunhas eram tão incompreensíveis quanto eram para Trajano e Plínio as objeções dos cristãos [no Império Romano] a fazer sacrifício formal ao Imperador Divino.” Isso era de esperar, pois as Testemunhas de Jeová, como os cristãos primitivos, consideram as coisas não como o mundo, mas segundo os princípios bíblicos.

      Sua posição claramente expressa

      Depois de as Testemunhas de Jeová passarem por terríveis testes de sua neutralidade cristã por muitos anos, A Sentinela de 1.º de junho de 1980 reafirmou a posição delas. Explicou também a razão da ação tomada pelas Testemunhas individualmente, ao dizer: “Em resultado de um cuidadoso estudo da Palavra de Deus, estes jovens cristãos puderam tomar uma decisão. Ninguém fez esta decisão por eles. Puderam fazê-la individualmente baseados na sua consciência treinada pela Bíblia. A decisão deles foi refrear-se de atos de ódio e de violência contra seu próximo em outras nações. Sim, acreditavam e desejavam participar no cumprimento da bem conhecida profecia de Isaías: ‘Terão de forjar das suas espadas relhas de arado, e das suas lanças, podadeiras. Não levantará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerra.’ (Isa. 2:4) Estes jovens de todas as nações fizeram justamente isso.”

      Durante os anos em que foi provada a sua lealdade para com a neutralidade cristã, um reexame do que a Bíblia diz, em Romanos 13:1-7, sobre “as autoridades superiores”, levou a uma declaração mais clara da relação das Testemunhas com os governos seculares. Isto foi publicado nas edições de A Sentinela de 1.º e 15 de junho e de 1.º de julho de 1963, sendo reafirmado no número de 1.º de novembro de 1990. Esses artigos frisaram a posição de Jeová Deus como “o Supremo”, ao passo que indicaram que os governantes seculares são “autoridades superiores” apenas em relação com outros humanos e na esfera de atividade em que Deus lhes permite agir no atual sistema de coisas. Os artigos mostraram a necessidade de cristãos verdadeiros honrarem conscienciosamente tais governantes seculares e lhes obedecerem em tudo o que não conflite com a lei de Deus e sua consciência treinada pela Bíblia. — Dan. 7:18; Mat. 22:21; Atos 5:29; Rom. 13:5.

      O firme apego a essas normas bíblicas por parte das Testemunhas de Jeová lhes granjeou a reputação de estarem separadas do mundo, o que faz lembrar os primitivos cristãos.

      Quando o mundo guarda feriados

      Quando as Testemunhas de Jeová rejeitaram ensinamentos religiosos que têm raízes pagãs, abandonaram também muitos costumes similarmente corrompidos. Mas, por algum tempo, certos feriados não foram cuidadosamente examinados como precisavam ser. Um desses foi o Natal.

      Esse feriado era celebrado anualmente até mesmo por membros da equipe da sede da Torre de Vigia no Lar de Betel de Brooklyn, Nova Iorque. Por muitos anos, sabiam que 25 de dezembro não era a data certa, mas arrazoavam que a data já por muito tempo havia sido associada popularmente com o nascimento do Salvador e que era apropriado fazer o bem a outros em qualquer data. Entretanto, depois de uma investigação mais a fundo do assunto, os membros da equipe da sede da Sociedade, bem como as equipes das filiais da Sociedade na Inglaterra e na Suíça, decidiram deixar de participar das festividades do Natal, de modo que nunca mais se celebrou ali o Natal depois de 1926.

      R. H. Barber, um membro da equipe da sede que fez uma investigação cabal da origem dos costumes do Natal e dos frutos que produziam, apresentou os resultados numa transmissão por rádio. Essa informação foi também publicada na revista The Golden Age de 12 de dezembro de 1928. Foi uma exposição cabal das raízes do Natal que desonram a Deus. Desde então, as raízes pagãs dos costumes do Natal têm sido de conhecimento público em geral, mas poucas pessoas fazem mudanças em sua vida em resultado disso. Por outro lado, as Testemunhas de Jeová estavam dispostas a fazer as necessárias mudanças para se tornarem servos de Jeová mais aceitáveis.

      Ao se lhes demonstrar que a celebração do nascimento de Jesus se tornara realmente de maior interesse às pessoas do que o resgate fornecido pela sua morte; que a orgia do feriado e o espírito em que muitos presentes eram dados não honravam a Deus; que os magos, cuja dádiva de presentes se imitava, eram realmente astrólogos inspirados por demônios; que os pais davam mau exemplo a seus filhos em mentir sobre o que lhes contavam a respeito de Papai Noel; que “São Nicolau” (Papai Noel) era confessamente outro nome do próprio Diabo; e que tais festividades eram, conforme admitiu o Cardeal Newman, em seu Essay on the Development of Christian Doctrine (Ensaio Sobre o Desenvolvimento da Doutrina Cristã), “instrumentos e acessórios da própria adoração de demônios”, adotados pela igreja — ao ficarem cientes dessas coisas, as Testemunhas de Jeová pronta e permanentemente abandonaram toda e qualquer participação nas celebrações do Natal.

      As Testemunhas de Jeová passam momentos agradáveis com suas famílias e amigos. Mas não participam de feriados e celebrações relacionados com deuses pagãos (como se dá com feriados tais como a Páscoa da cristandade, o Ano-Novo, a Festa da Primavera, o Dia das Mães). (2 Cor. 6:14-17) Como os primitivos cristãos,c nem mesmo celebram aniversários natalícios. Também, refreiam-se respeitosamente de participar de feriados nacionais que comemoram eventos políticos ou militares e evitam prestar honra adorativa a heróis nacionais. Por quê? Porque as Testemunhas de Jeová não fazem parte do mundo.

      Ajuda ao próximo

      A reverência aos deuses girava em torno da vida social e cultural do Império Romano. Visto que os cristãos se abstinham de participar de qualquer coisa que fosse corrompida por deuses pagãos, o povo considerava o cristianismo um insulto ao seu modo de vida; e, segundo o historiador Tácito, os cristãos eram considerados odiadores da humanidade. Revelando espírito similar, Minúcio Félix, nos seus escritos, cita um romano que disse a um conhecido cristão: “Não vais a espetáculos; não participas de procissões . . . detestas jogos sagrados.” O povo no antigo mundo romano pouco compreendia os cristãos.

      Da mesma forma hoje, as Testemunhas de Jeová não são compreendidas por muitos no mundo. As pessoas talvez admirem as elevadas normas morais das Testemunhas, mas acham que estas deviam fazer parte do mundo que as cerca e de suas atividades, envolvendo-se em ajudar a fazer do mundo um lugar melhor. Entretanto, os que chegam a conhecer as Testemunhas de Jeová logo ficam sabendo que há uma razão bíblica para tudo o que fazem.

      Longe de se afastarem do resto da humanidade, as Testemunhas de Jeová devotam sua vida a ajudar seu próximo do modo como Jesus Cristo deu exemplo. Ajudam as pessoas a aprender a enfrentar com êxito os problemas da vida agora, familiarizando-as com o Criador e as regras para a vida esboçadas na Sua Palavra inspirada. Partilham gratuitamente com seus vizinhos as verdades bíblicas que podem transformar o inteiro conceito de uma pessoa sobre a vida. Uma parte central de sua crença é compreender que “o mundo está passando”, que em breve Deus intervirá para pôr fim ao atual sistema iníquo, e que um glorioso futuro aguarda os que continuam a não fazer parte do mundo e têm plena fé no Reino de Deus. — 1 João 2:17.

      [Nota(s) de rodapé]

      a The Watch Tower de 1.º de junho de 1918, p. 174.

      b Para mais pormenores, veja o Capítulo 30, “‘Defendendo e estabelecendo legalmente as boas novas’”.

      c The History of the Christian Religion and Church, During the Three First Centuries, de Augustus Neander, p. 190.

      [Destaque na página 188]

      Não são reclusos, contudo não tomam parte no modo de vida do mundo.

      [Destaque na página 189]

      Abandonaram as igrejas da cristandade.

      [Destaque na página 190]

      “Os cristãos se mantinham alheios e separados do estado.”

      [Destaque na página 194]

      Posta à prova a neutralidade cristã.

      [Destaque na página 198]

      ‘Ninguém fez a decisão por eles.’

      [Destaque na página 199]

      Por que deixaram de celebrar o Natal.

      [Fotos na página 189]

      Dez milhões de exemplares foram distribuídos.

      [Fotos na página 191]

      Alguns foram às trincheiras com fuzis, mas outros, incluindo A. P. Hughes, da Inglaterra, e R. Cuminetti, da Itália, recusaram tal envolvimento.

      [Fotos na página 193]

      As Testemunhas de Jeová recusaram-se a endossar a Liga das Nações ou a ONU como procedente de Deus, mas advogaram apenas o Reino de Deus por meio de Cristo.

      [Foto na página 197]

      Carleton e Flora Nichols. Quando o filho deles recusou saudar a bandeira, isto se tornou notícia nacional.

      [Fotos/Quadro nas páginas 200, 201]

      Práticas que foram abandonadas

      Esta foi a sua última celebração do Natal no Betel de Brooklyn, em 1926. Os Estudantes da Bíblia chegaram a reconhecer aos poucos que nem a origem desse feriado nem as práticas associadas com ele honravam a Deus.

      Por muitos anos, os Estudantes da Bíblia usavam uma cruz e coroa como insígnia para os identificar, e esse símbolo achava-se na capa da “Watch Tower” de 1891 a 1931. Mas, em 1928, sublinhou-se que não um símbolo decorativo, mas sim a atividade de alguém como testemunha indicava que ele era cristão. Em 1936, apresentou-se a evidência de que Cristo morreu numa estaca, não numa cruz com duas vigas.

      No seu livro “Daily Manna” (Maná Diário), os Estudantes da Bíblia guardavam uma lista de aniversários natalícios. Mas, depois de terem abandonado a celebração do Natal e quando compreenderam que as celebrações de aniversários natalícios davam indevida honra a criaturas (um dos motivos de os primitivos cristãos nunca celebrarem aniversários natalícios), os Estudantes da Bíblia abandonaram também esse costume.

      Por uns 35 anos, o Pastor Russell pensava que a Grande Pirâmide de Gizé fosse a pedra de testemunho de Deus que confirmava períodos bíblicos. (Isa. 19:19) Mas as Testemunhas de Jeová abandonaram a idéia de que uma pirâmide egípcia tenha algo que ver com a adoração verdadeira. (Veja os números de 15 de novembro e de 1.º de dezembro de 1928 da “Watchtower”.)

      [Quadro na página 195]

      Não representam perigo para nenhum governo

      ◆ Num artigo sobre o tratamento dado às Testemunhas de Jeová num país da América Latina, um editorial do “World- Herald” de Omaha, Nebraska, EUA, dizia: “É preciso uma imaginação fanática e paranóica para crer que as Testemunhas de Jeová representam alguma espécie de perigo para qualquer regime político; são um grupo religioso tão não-subversivo e amante da paz quanto é possível ser, e apenas pedem ser deixadas em paz para praticarem a sua crença do modo como desejam.”

      ◆ “Il Corriere di Trieste”, um jornal italiano, dizia: “As Testemunhas de Jeová devem ser admiradas pela sua firmeza e coerência. Ao contrário de outras religiões, sua união como grupo de pessoas impede que orem ao mesmo Deus, em nome do mesmo Cristo, para que abençoe dois lados oponentes de um conflito, ou que misturem a política com a religião para servirem os interesses de Chefes de Estado ou partidos políticos. Por último na ordem, mas não em importância, estão dispostas a enfrentar a morte antes que violar . . . a ordem NÃO MATARÁS!”

      ◆ Depois de as Testemunhas de Jeová terem suportado 40 anos de proscrição na Tchecoslováquia, o jornal “Nová Svoboda” dizia, em 1990: “A crença das Testemunhas de Jeová proíbe o uso de armas contra humanos, e os que recusaram fazer serviço militar básico e os que não foram trabalhar nas minas de carvão foram presos, por termos de até quatro anos. Só disto se pode ver claramente que elas têm uma tremenda força moral. Poderíamos usar tais pessoas altruístas até mesmo nos mais elevados cargos políticos — mas nunca conseguiremos levá-las a isso. . . . Naturalmente, reconhecem as autoridades governamentais, mas crêem que só o Reino de Deus é capaz de solucionar todos os problemas humanos. Mas, uma coisa é certa — não são fanáticas. São pessoas absorvidas em humanitarismo.”

  • Desenvolvimento da estrutura da organização
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 15

      Desenvolvimento da estrutura da organização

      TÊM ocorrido importantes mudanças no funcionamento da organização das Testemunhas de Jeová desde que Charles Taze Russell e seus associados começaram a estudar a Bíblia juntos em 1870. Quando os antigos Estudantes da Bíblia eram poucos, tinham pouca coisa que os de fora pudessem descrever como sendo uma organização. Todavia, hoje, quando as pessoas observam as congregações das Testemunhas de Jeová, seus congressos e seu trabalho de pregação das boas novas em mais de 200 terras, ficam admiradas com a suavidade do funcionamento da organização. Como se desenvolveu isso?

      Os Estudantes da Bíblia não só estavam profundamente interessados em entender as doutrinas da Bíblia, mas também o modo como o trabalho de Deus devia ser realizado, conforme indicado pelas Escrituras. Compreenderam que a Bíblia não dá margem para clérigos com títulos e leigos aos quais eles haveriam de pregar. O irmão Russell estava decidido que não haveria entre eles uma classe clerical.a Nas colunas da Watch Tower (A Sentinela), os leitores eram freqüentemente lembrados que Jesus havia dito a seus seguidores: “O vosso Líder é um só, o Cristo”, mas “todos vós sois irmãos”. — Mat. 23:8, 10.

      Antiga associação dos Estudantes da Bíblia

      Os leitores da Watch Tower e publicações afins logo perceberam que, para agradar a Deus, tinham de cortar as relações com qualquer igreja que revelasse ser infiel a Deus, colocando credos e tradições de homens na frente de Sua Palavra escrita. (2 Cor. 6:14-18) Mas, depois de se desligarem das igrejas da cristandade, para onde foram?

      Num artigo intitulado “A Eclésia”,b o irmão Russell mostrou que a verdadeira igreja, a congregação cristã, não é uma organização com membros que endossem algum credo feito pelo homem e cujos nomes estejam inscritos num rol de membros de igreja. Ao contrário, explicou ele, é constituída de pessoas que “consagraram” (ou dedicaram) seu tempo, seus talentos e sua vida a Deus e que têm a perspectiva de ter parte no Reino celestial com Cristo. Tais, disse ele, são cristãos que estão unidos por vínculos de amor cristão e interesses comuns, que se sujeitam à orientação do espírito de Deus e à chefia de Cristo. O irmão Russell não estava interessado em instituir algum outro sistema, e opunha-se fortemente a contribuir de alguma forma para o sectarismo existente entre os cristãos professos.

      Ao mesmo tempo, ele reconhecia plenamente a necessidade de os servos do Senhor se reunirem, em harmonia com o conselho em Hebreus 10:23-25. Empreendeu pessoalmente viagens para visitar e edificar os leitores da Watch Tower, bem como para reuni-los com outros em sua própria região que tivessem a mesma mentalidade. Em princípios de 1881, ele solicitou a todos os que realizavam reuniões regulares que informassem o escritório da Torre de Vigia sobre os locais de tais reuniões. Ele reconhecia o valor da comunicação mútua.

      Entretanto, o irmão Russell frisou que eles não estavam tentando estabelecer uma “organização terrestre”. Antes, disse ele, “aderimos unicamente àquela organização celestial — ‘cujos nomes são alistados nos céus’. (Heb. 12:23; Luc. 10:20.)” Em razão da ignóbil história da cristandade, a menção de “organização eclesiástica” fazia lembrar geralmente o sectarismo, a dominação clerical e ser membro que aderia ao credo formulado por um concílio religioso. Por isso, o irmão Russell achava melhor empregar o termo “associação” ao se referir a si e a seus associados.

      Ele estava bem ciente de que os apóstolos de Cristo haviam formado congregações e designado anciãos em cada uma delas. Mas ele cria que Cristo estava de novo presente, embora de modo invisível, e dirigia pessoalmente a colheita final dos que seriam herdeiros com ele. Devido às circunstâncias, o irmão Russell de início achava que durante o tempo da colheita era desnecessário fazer designação de anciãos como nas congregações cristãs do primeiro século.

      Todavia, à medida que aumentava o número dos Estudantes da Bíblia, o irmão Russell compreendeu que o Senhor estava manobrando as coisas de um modo diferente daquilo que ele próprio imaginara. Havia necessidade de um ajuste de conceito. Mas em que base?

      Supridas as necessidades iniciais da crescente associação

      A Watch Tower de 15 de novembro de 1895 foi dedicada quase inteiramente a um estudo intitulado “Decentemente e em Ordem”. O irmão Russell admitiu candidamente: “Os apóstolos falaram muito à primitiva Igreja sobre ordem nas reuniões dos santos; e, pelo que parece, temos sido um tanto negligentes a respeito desse conselho sábio, achando ser de pouca importância, porque a Igreja está tão perto do fim de sua carreira e por ser a colheita um tempo de seleção.” O que fez com que considerassem esse conselho com novo enfoque?

      Aquele artigo alistava quatro circunstâncias: (1) Era evidente que o desenvolvimento espiritual variava de pessoa para pessoa. Havia tentações, provações, dificuldades e perigos que nem todos estavam preparados de maneira igual para enfrentar. Havia assim necessidade de superintendentes sábios e prudentes, homens de experiência e habilidade, profundamente interessados em cuidar do bem-estar espiritual de todos, estando habilitados a instruí-los na verdade. (2) Percebeu-se que o rebanho precisava ser protegido contra ‘lobos vestidos como ovelhas’. (Mat. 7:15, Almeida, ed. rev. e corr.) Precisavam ser fortalecidos mediante ajuda para obter conhecimento cabal da verdade. (3) A experiência mostrava que, quando não havia designação de anciãos para resguardar o rebanho, alguns assumiam essa posição e consideravam o rebanho como pertencente a eles. (4) Sem uma disposição ordeira, as pessoas leais à verdade poderiam achar que seus préstimos eram indesejados, por causa da influência de uma minoria que discordava delas.

      Sob este aspecto, a Watch Tower declarou: “Não hesitamos em recomendar às Igrejasc em toda a parte, quer seus números sejam grandes, quer pequenos, o conselho apostólico de que em todas as companhias os anciãos sejam escolhidos entre seu número para ‘apascentarem’ e ‘supervisionarem’ o rebanho.” (Atos 14:21-23; 20:17, 28) As congregações localmente seguiram esse sábio conselho bíblico. Isto foi um passo importante para estabelecer uma estrutura congregacional em harmonia com o que existia nos dias dos apóstolos.

      De acordo com o entendimento dos assuntos naquela época, porém, a escolha de anciãos e de diáconos para os ajudarem era feita por votos nas congregações. Cada ano, ou com mais freqüência quando necessário, as qualificações dos que poderiam servir em tal cargo eram consideradas, e votava-se. Era basicamente um sistema democrático, mas com limitações como precaução. Instava-se com todos na congregação que examinassem cuidadosamente as qualificações bíblicas e expressassem por votos não a sua própria opinião, mas o que achavam ser a vontade do Senhor. Visto que apenas os “plenamente consagrados” eram elegíveis para votarem, o voto coletivo deles, quando orientado pela Palavra e pelo espírito do Senhor, era considerado a expressão da vontade do Senhor nesse assunto. Embora o irmão Russell talvez não se desse plenamente conta disso, sua recomendação desse método pode ter sido influenciada até certo ponto não só pela sua determinação de evitar qualquer semelhança com uma enaltecida classe clerical, mas também pela sua própria formação quando adolescente na Igreja Congregacional.

      Quando o volume intitulado The New Creation (A Nova Criação) da obra Millennial Dawn (Aurora do Milênio) considerou de novo, em pormenores, o papel dos anciãos e como deviam ser escolhidos, focalizou-se atenção especial em Atos 14:23. Foram citadas concordâncias compiladas por James Strong e Robert Young como peso para o conceito de que a declaração “eles os ordenaram como anciãos” (King James) deveria ser traduzida “eles os elegeram anciãos pelo levantamento de mãos”.d Algumas traduções da Bíblia até dizem que os anciãos eram ‘nomeados por voto’. (Literal Translation of the Holy Bible, de Young; Emphasised Bible, de Rotherham) Mas quem deveria votar?

      Adotar o conceito de que o voto devia ser feito pela congregação como um todo nem sempre produzia os resultados esperados. Os que votavam deviam ser pessoas “plenamente consagradas”, e alguns que foram eleitos realmente satisfaziam as qualificações bíblicas e humildemente serviam seus irmãos. Mas a votação não raro refletia preferência pessoal em vez de refletir a Palavra e o espírito de Deus. Assim, em Halle, na Alemanha, quando certas pessoas que achavam que deviam ser anciãos não obtiveram a posição que desejavam, causaram séria dissensão. Em Barmen, na Alemanha, entre os que eram candidatos em 1927, havia homens que se opunham à obra da Sociedade, e houve muita gritaria durante o levantamento de mãos por ocasião da votação. Portanto, foi necessário mudar para voto secreto.

      Em 1916, anos antes desses incidentes, o irmão Russell, movido de profunda preocupação, escrevera: “Prevalece uma condição horrível em algumas Classes quando se faz a eleição. Os servos da Igreja tentam ser governantes, ditadores — às vezes, até mesmo presidem à reunião com o aparente objetivo de fazer com que eles e seus amigos íntimos sejam eleitos Anciãos e Diáconos. . . . Alguns tentam sorrateiramente tirar vantagem da Classe realizando a eleição numa época especialmente favorável para eles e para seus amigos. Outros procuram encher a reunião com seus amigos, trazendo pessoas a bem dizer estranhas que não pretendem freqüentar a Classe, mas que vêm só como um ato de amizade para votar num de seus amigos.”

      Será que o que precisavam era simplesmente aprender a cuidar das eleições por métodos democráticos de modo mais suave, ou havia algo na Palavra de Deus que eles ainda não discerniam?

      Organizando-se para a pregação das boas novas

      Já bem de início, o irmão Russell reconhecia que uma das mais importantes responsabilidades de todo membro da congregação cristã era a obra de evangelização. (1 Ped. 2:9) A Watch Tower explicou que não era só a Jesus, mas a todos os seus seguidores ungidos pelo espírito que as palavras proféticas de Isaías 61:1 se aplicavam, a saber: “Jeová me ungiu para anunciar boas novas”, ou, conforme a King James Version verte a citação feita por Jesus desta passagem: “Ele me tem ungido para pregar o evangelho.” — Luc. 4:18.

      Já em 1881, a Watch Tower trazia o artigo “Precisa-se de 1.000 Pregadores”. Isto foi um apelo a todo membro de congregação para dedicar o tempo que pudesse (meia hora, uma hora, ou duas, ou três) em participar na divulgação da verdade bíblica. Homens e mulheres, sem dependentes, que pudessem dedicar metade ou mais de seu tempo exclusivamente à obra do Senhor foram incentivados a empreender o serviço de evangelização quais colportores. O número variava consideravelmente de ano para ano, mas até 1885 já havia cerca de 300 que participavam neste serviço quais colportores. Alguns outros participavam, mas em escala mais limitada. Davam-se sugestões aos colportores sobre a maneira de se executar o trabalho. Mas o campo era vasto, e, pelo menos no início, eles escolhiam seu próprio território, daí passavam de uma região para outra em grande parte como lhes parecia melhor. Depois, quando se reuniam em congressos, faziam os necessários ajustes para coordenar seus empenhos.

      No mesmo ano em que começou o serviço de colportor, o irmão Russell providenciou a impressão de diversos tratados (ou folhetos) para distribuição grátis. Destacava-se entre esses o tratado Food for Thinking Christians (Matéria Para Cristãos Refletivos), sendo distribuídos 1.200.000 deles nos primeiros quatro meses. O trabalho relacionado com a devida impressão e distribuição resultou em se formar a Sociedade Torre de Vigia de Sião (dos EUA) para se cuidar dos necessários pormenores. A fim de que não houvesse interrupção do trabalho caso morresse, e para facilitar a administração dos donativos a serem usados nesse serviço, o irmão Russell entrou com um pedido de registro legal da Sociedade, que foi oficialmente feito em 15 de dezembro de 1884. Veio assim à existência uma necessária agência legal.

      Ao surgir a necessidade, foram estabelecidas filiais da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) em outros países. A primeira foi em Londres, Inglaterra, em 23 de abril de 1900. Outra, em Elberfeld, Alemanha, em 1902. Dois anos mais tarde, do outro lado da Terra, formou-se uma filial em Melbourne, Austrália. Na ocasião da escrita deste, havia 99 filiais em todo o mundo.

      Embora se tomassem as providências organizacionais necessárias para o fornecimento de muitas publicações bíblicas, foi deixado de início ao critério das congregações decidir sobre como organizar localmente a distribuição dessa matéria para o público. Numa carta datada de 16 de março de 1900, o irmão Russell expressou o que ele achava sobre a questão. Essa carta, dirigida a ‘Alexander M. Graham e à Igreja de Boston, Massachusetts’, dizia: “Conforme todos sabem, é minha decidida intenção deixar a cada companhia do povo do Senhor a administração de seus próprios assuntos, segundo seu próprio critério, e ofereço sugestões não para interferir, mas apenas como recomendação.” Isso incluía não só as reuniões, mas também como efetuavam o ministério de campo. Assim, depois de dar aos irmãos alguns conselhos práticos, ele concluiu com este comentário: “Isto é apenas uma sugestão.”

      Algumas atividades exigiam orientações mais específicas da Sociedade. Com respeito à exibição do “Photo-Drama of Creation” (Fotodrama da Criação), foi deixada a cada congregação decidir se queria e podia alugar um cinema ou outra dependência para uma apresentação local. Entretanto, era preciso transportar o equipamento de uma cidade a outra e seguir um cronograma; de modo que nestas questões a Sociedade fornecia orientação centralizada. Aconselhou-se que toda congregação tivesse uma Comissão para o Fotodrama, com o objetivo de cuidar dos preparativos locais. Mas um superintendente enviado pela Sociedade dava cuidadosa atenção aos pormenores, para assegurar que tudo corresse suavemente.

      À medida que passava o ano de 1914 e depois o de 1915, os cristãos ungidos pelo espírito aguardavam ansiosamente a realização de sua esperança celestial. Ao mesmo tempo, foram incentivados a se manterem ocupados no serviço do Senhor. Embora achassem que o tempo que lhes restava na carne fosse muito curto, tornou-se evidente que, para efetuarem a pregação das boas novas de modo ordeiro, havia necessidade de mais orientação do que quando o número deles era de apenas umas centenas. Logo depois de J. F. Rutherford se tornar o segundo presidente da Sociedade Torre de Vigia, essa orientação assumiu novos aspectos. O número de 1.º de março de 1917 de The Watch Tower anunciava que doravante todos os territórios a serem trabalhados pelos colportores e pelos trabalhadores pastoraise nas congregações seriam designados pelo escritório da Sociedade. Onde havia tanto trabalhadores locais como colportores que participavam em tal serviço de campo numa cidade ou num condado, o território era dividido entre eles por uma comissão distrital nomeada localmente. Tal providência contribuiu para uma distribuição realmente notável de The Finished Mystery (O Mistério Consumado) em apenas alguns meses em 1917-18. Foi também de grande valor para se efetuar uma distribuição veloz de 10.000.000 de exemplares de uma poderosa exposição da cristandade num tratado que falava sobre “A Queda de Babilônia”.

      Pouco depois disto, os membros da junta administrativa da Sociedade foram presos, e em 21 de junho de 1918, foram sentenciados a 20 anos de prisão. A pregação das boas novas ficou a bem dizer paralisada. Chegara finalmente o tempo de se unirem ao Senhor em glória celestial?

      Alguns meses depois, terminou a guerra. No ano seguinte, os diretores da Sociedade foram postos em liberdade. Ainda estavam na carne. Não se deu como esperavam, mas concluíram que Deus ainda tinha um trabalho para eles aqui na Terra.

      Acabavam de passar por duras provas de sua fé. Todavia, em 1919, The Watch Tower os fortaleceu com emocionantes estudos bíblicos sobre o tema “Benditos os Destemidos”. Em seguida, publicou-se o artigo “Oportunidades de Serviço”. Mas os irmãos não previam os extensivos desenvolvimentos organizacionais que ocorreriam nas décadas seguintes.

      Exemplo correto para o rebanho

      O irmão Rutherford compreendia realmente que, para a obra continuar a progredir de modo ordeiro e unificado, por mais curto que fosse o tempo, era vital dar o exemplo correto para o rebanho. Jesus havia descrito seus seguidores como ovelhas, e as ovelhas seguem seu pastor. Naturalmente, o próprio Jesus é o Pastor Excelente, mas ele usa também homens mais maduros, ou anciãos, quais subpastores de seu povo. (1 Ped. 5:1-3) Esses anciãos precisam ser homens que participam eles próprios na obra que Jesus comissionou e que incentivam outros a fazê-la. Eles precisam ter genuíno espírito de evangelização. Na época da distribuição de The Finished Mystery, porém, alguns dos anciãos se esquivaram; alguns haviam sido bastante terminantes em desincentivar outros de participar nisso.

      Deu-se um passo altamente significativo em 1919 para corrigir essa situação quando começou a ser publicada a revista The Golden Age (A Idade de Ouro). Esta se tornaria um poderoso instrumento na divulgação do Reino de Deus como a única solução permanente para os problemas da humanidade. Toda congregação que desejasse participar nesta atividade foi convidada a pedir à Sociedade que a registrasse como “organização de serviço”. Daí, um diretor, ou diretor de serviço, como veio a ser conhecido, não sujeito à eleição anual, foi designado pela Sociedade.f Como representante local da Sociedade, ele tinha de organizar a obra, designar territórios e incentivar a participação por parte da congregação no serviço de campo. Assim, além dos anciãos e diáconos eleitos democraticamente, começou a funcionar um outro sistema organizacional que reconhecia a autoridade de nomeação fora da congregação local e ressaltava a pregação das boas novas do Reino de Deus.g

      Nos anos que se seguiram, deu-se um tremendo impulso à obra de proclamação do Reino, como que por uma força irresistível. Os eventos em 1914 e após tornaram evidente que se cumpria a grande profecia em que o Senhor Jesus Cristo descreveu a terminação do velho sistema. À luz disso, em 1920 The Watch Tower mostrou que, segundo predito em Mateus 24:14, chegara o tempo para a proclamação das boas novas a respeito do “fim da velha ordem de coisas e o estabelecimento do reino do Messias”.h (Mat. 24:3-14) Depois de assistirem ao congresso dos Estudantes da Bíblia em Cedar Point, Ohio, EUA, em 1922, os congressistas partiram levando consigo a frase que lhes tinia nos ouvidos: “Anunciai, anunciai, anunciai o Rei e seu reino.” O papel dos cristãos verdadeiros ficou ainda mais ressaltado em 1931 quando foi adotado o nome Testemunhas de Jeová.

      Era evidente que Jeová incumbira seus servos de um serviço do qual todos podiam participar. Houve reação entusiástica. Muitos fizeram grandes ajustes em sua vida para devotarem tempo integral a essa obra. Mesmo entre os que devotaram tempo parcial, um grande número passava dias inteiros no serviço de campo nos fins de semana. Atendendo ao incentivo contido em A Torre de Vigia (hoje A Sentinela) e no Informante, em 1938 e 1939, muitas Testemunhas naquele tempo empenharam-se conscienciosamente em dedicar 60 horas por mês ao serviço de campo.

      Entre aquelas zelosas Testemunhas havia diversos servos humildes e devotados de Jeová que eram anciãos nas congregações. Entretanto, em alguns lugares, na década de 20 e em princípios da década de 30, houve bastante resistência à idéia de todos participarem no serviço de campo. Os anciãos eleitos democraticamente não raro expressavam com veemência seu desacordo com o que A Torre de Vigia dizia sobre a responsabilidade de pregar aos de fora da congregação. A recusa de escutar o que o espírito de Deus, por meio das Escrituras Sagradas, tinha a dizer à congregação sobre este assunto impedia o fluxo do espírito de Deus sobre aqueles grupos. — Rev. 2:5, 7.

      Tomaram-se medidas em 1932 para corrigir essa situação. A principal preocupação não era se alguns anciãos preeminentes ficariam ofendidos ou se alguns associados com as congregações se afastariam. Antes, o desejo dos irmãos era agradar a Jeová e fazer a Sua vontade. Para esse fim, os números de 15 de agosto e de 1.º de setembro de The Watchtower naquele ano deram atenção especial ao assunto “Organização de Jeová”.

      Aqueles artigos mostraram incisivamente que todos os que faziam realmente parte da organização de Jeová deviam estar efetuando o trabalho que Sua Palavra disse que tem de ser feito neste tempo. Os artigos defendiam o ponto de vista de que ser ancião cristão não era um cargo ao qual alguém podia ser eleito, mas uma condição alcançável pelo crescimento espiritual. Deu-se atenção especial à oração de Jesus para que seus seguidores “todos sejam um” — em união com Deus e Cristo, e assim em união uns com os outros em fazer a vontade de Deus. (João 17:21) E com que resultado? O segundo artigo respondia que “cada um dos do restante precisa ser uma testemunha para o nome e o reino de Jeová Deus”. A supervisão não devia ser confiada a quem deixasse de fazer ou recusasse fazer aquilo que razoavelmente podia em dar testemunho público.

      Na conclusão do estudo destes artigos, as congregações foram convidadas a passar uma resolução que indicasse seu acordo. Assim, foi eliminada nas congregações a eleição anual de homens quais anciãos e diáconos. Em Belfast, na Irlanda do Norte, como em outros lugares, alguns dos antigos “anciãos eletivos” se afastaram; outras pessoas que tinham o mesmo ponto de vista se afastaram também. Isto abaixou o número dos associados, mas a inteira organização se fortaleceu. Os que permaneceram eram pessoas dispostas a assumir a responsabilidade cristã de dar testemunho. Em vez de votarem para eleger anciãos, as congregações — ainda usando métodos democráticos — escolhiam uma comissão de serviço,i constituída de homens espiritualmente maduros que participavam ativamente em dar testemunho público. Os membros das congregações votavam também para eleger um presidente das sessões para suas reuniões, bem como um secretário e um tesoureiro. Todos esses eram homens que eram testemunhas ativas de Jeová.

      Estando a supervisão da congregação agora confiada a homens interessados não em posição pessoal, mas em executar o serviço de Deus — de dar testemunho de seu nome e Reino — e que davam bom exemplo pela sua própria participação nisso, a obra progrediu com mais suavidade. Embora não o soubessem naquela época, havia muito a ser feito, um testemunho mais extenso do que já havia sido dado, um ajuntamento que não esperavam. (Isa. 55:5) Jeová evidentemente os estava preparando para isso.

      Uns poucos que tinham esperança de vida eterna na Terra começaram a se associar com eles.j Todavia, a Bíblia predizia o ajuntamento de uma grande multidão que seria preservada durante a vindoura grande tribulação. (Rev. 7:9-14) Em 1935, tornou-se clara a identidade dessa grande multidão. Mudanças na maneira de escolher superintendentes na década de 30 equiparam melhor a organização para cuidar do serviço de ajuntar, ensinar e treinar esses.

      Para a maioria das Testemunhas de Jeová, esta ampliação da obra era um emocionante progresso. Seu ministério de campo assumiu novo significado. Entretanto, alguns não tinham zelo pela pregação. Refrearam-se e tentaram justificar sua inatividade argumentando que não haveria ajuntamento de uma grande multidão senão após o Armagedom. Mas a maioria percebeu a oportunidade adicional de demonstrar sua lealdade a Jeová e seu amor ao próximo.

      Como se enquadravam na estrutura da organização esses da grande multidão? Mostrou-se-lhes o papel a desempenhar que a Palavra de Deus confiou ao “pequeno rebanho” dos ungidos pelo espírito, e eles trabalharam de bom grado em harmonia com tal providência. (Luc. 12:32-44) Aprenderam também que, como os ungidos pelo espírito, eles tinham a responsabilidade de partilhar as boas novas com outros. (Rev. 22:17) Visto que desejavam ser súditos terrestres do Reino de Deus, esse Reino devia estar em primeiro lugar em sua vida, e deviam ser zelosos em falar a outros sobre isso. Para se enquadrarem na descrição feita pela Bíblia daqueles que seriam preservados através da grande tribulação para o novo mundo de Deus, tinham de ser pessoas que “gritavam com voz alta, dizendo: ‘Devemos a salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro.’” (Rev. 7:10, 14) Em 1937, ao passo que aumentava o número deles e seu zelo pelo Senhor se tornava manifesto, foram também convidados a ajudar a levar a carga de responsabilidade na supervisão congregacional.

      Contudo, lembrou-se-lhes que a organização é de Jeová, não de algum homem. Não devia existir divisão entre o restante dos ungidos pelo espírito e os da grande multidão de outras ovelhas. Deviam trabalhar juntos como irmãos e irmãs no serviço de Jeová. Segundo Jesus havia dito: “Tenho outras ovelhas, que não são deste aprisco; a estas também tenho de trazer, e elas escutarão a minha voz e se tornarão um só rebanho, um só pastor.” (João 10:16) A realidade disto tornava-se evidente.

      Surpreendentes desenvolvimentos haviam ocorrido na organização num período relativamente curto. Mas, havia mais coisas que precisavam ser feitas para que os assuntos das congregações fossem dirigidos em plena harmonia com os modos que Jeová indicara na sua inspirada Palavra?

      A organização teocrática

      “Teocracia” significa “governo de Deus”. Era essa espécie de governo que prevalecia nas congregações? Não só adoravam a Jeová, mas também buscavam a direção dele em assuntos congregacionais? Estavam plenamente em conformidade com o que ele dizia sobre esses assuntos na sua inspirada Palavra? O artigo “Organização”, publicado em duas partes em A Torre de Vigia de junho-julho de 1938, dizia especificamente: “A organização de Jeová não é de modo algum democrática. Jeová é supremo e seu governo ou organização é estritamente teocrático.” Contudo, nas congregações locais das Testemunhas naquela época, empregavam-se ainda métodos democráticos na escolha da maioria dos que estavam encarregados da supervisão das reuniões e do serviço de campo. Convinha fazer mudanças adicionais.

      Mas não indicava Atos 14:23 que os anciãos nas congregações deviam ser nomeados ao cargo por ‘levantamento de mãos’, tal como se faz ao se votar? O primeiro desses artigos da Torre de Vigia, intitulados “Organização”, reconhecia que esse texto no passado havia sido entendido erroneamente. Não era com o ‘levantamento de mãos’ da parte de todos os membros da congregação que se faziam as nomeações entre os cristãos do primeiro século. Em vez disso, mostrou-se que os apóstolos e os autorizados por eles eram os que ‘levantavam a mão’. Isto não se dava pela participação em votos na congregação, mas pela imposição das mãos nas pessoas qualificadas. Era um símbolo de confirmação, aprovação ou nomeação.k As congregações dos primitivos cristãos faziam, às vezes, recomendações de homens qualificados, mas a escolha, ou aprovação, final era feita pelos apóstolos que haviam sido diretamente comissionados por Cristo, ou pelos autorizados pelos apóstolos. (Atos 6:1-6) A Torre de Vigia chamava atenção para o fato de que apenas em cartas a superintendentes responsáveis (Timóteo e Tito) é que o apóstolo Paulo, sob a direção do espírito santo, dava instruções para nomear superintendentes. (1 Tim. 3:1-13; 5:22; Tito 1:5) Nenhuma das cartas inspiradas dirigidas às congregações continha essas instruções.

      Como, então, deviam ser feitas atualmente as novas designações para serviço na congregação? A análise feita pela Torre de Vigia sobre a organização teocrática mostrava, com base nas Escrituras, que Jeová designou Jesus Cristo “cabeça da . . . congregação”; que, quando Cristo retornasse como o Amo, confiaria a seu “escravo fiel e discreto” a responsabilidade “sobre todos os seus bens”; que este escravo fiel e discreto era constituído de todos os na Terra que foram ungidos com espírito santo para serem co-herdeiros com Cristo e que unidamente serviam sob a sua direção; e que Cristo usaria essa classe do escravo como instrumento para fornecer a necessária supervisão das congregações. (Col. 1:18; Mat. 24:45-47; 28:18) Seria dever da classe do escravo cumprir com oração as instruções claramente expressas na inspirada Palavra de Deus, usando-a para determinar quem se qualificava para os cargos de serviço.

      Visto que a agência visível que Cristo usaria é o escravo fiel e discreto (e os fatos da história da atualidade já considerados mostram que este “escravo” emprega a Sociedade Torre de Vigia como instrumento legal), A Torre de Vigia explicou que o método teocrático requereria que as designações de serviço fossem feitas por meio dessa agência. Assim como as congregações do primeiro século reconheciam o corpo governante em Jerusalém, também hoje as congregações não prosperariam em sentido espiritual sem uma supervisão central. — Atos 15:2-30; 16:4, 5.

      Para considerar as coisas nas suas devidas relações, porém, mostrou-se que, quando A Torre de Vigia mencionava “A Sociedade”, isto significava não um mero instrumento legal, mas o grupo dos cristãos ungidos que havia formado essa entidade jurídica e a usava. Assim, a expressão representava o escravo fiel e discreto com seu Corpo Governante.

      Mesmo antes de serem publicados em 1938 na Torre de Vigia os artigos intitulados “Organização”, as congregações em Londres, Nova Iorque, Chicago e Los Angeles, que haviam aumentado ao ponto em que era aconselhável dividi-las em grupos menores, solicitaram que a Sociedade designasse todos os seus servos. A edição de junho-julho de 1938 de A Torre de Vigia convidou então todas as outras congregações a tomar ação similar. Para esse fim, sugeriu-se a seguinte resolução:

      “Nós, a companhia do povo de Deus tirado para seu nome, e agora em . . . . . . . . . . . . . . . . , reconhecemos que o governo de Deus é pura teocracia e que Cristo Jesus está no templo e em pleno cargo e domínio tanto da organização visível de Jeová como da invisível; e que ‘A SOCIEDADE é o representante visível do Senhor na Terra, e, portanto, pedimos à ‘Sociedade’ que organize esta companhia para serviço e que nomeie os diversos servos da mesma, de sorte que todos trabalhemos juntos em paz, justiça, harmonia e unidade completa. Juntamos aqui uma lista de nomes de pessoas desta companhia que nos parecem as mais aptas para preencher as respectivas posições designadas para o serviço.”l

      A bem dizer todas as congregações das Testemunhas de Jeová concordaram prontamente. As poucas que não fizeram isso logo cessaram totalmente de participar na proclamação do Reino e assim deixaram de ser Testemunhas de Jeová.

      Os benefícios da direção teocrática

      É óbvio que, se os ensinamentos, as normas de conduta e os métodos organizacionais ou de dar testemunho fossem decididos localmente, a organização logo perderia sua identidade e unidade. Os irmãos poderiam facilmente ser divididos por diferenças sociais, culturais e nacionais. A direção teocrática, por outro lado, asseguraria que os benefícios decorrentes do progresso espiritual chegassem a todas as congregações no mundo inteiro sem impedimento. Chegaria assim a existir a genuína união que Jesus orou que prevalecesse entre seus verdadeiros seguidores, e a obra de evangelização que ele ordenou seria realizada plenamente. — João 17:20-22.

      Contudo, alguns diziam que, com a instituição dessa mudança organizacional, J. F. Rutherford estava simplesmente procurando obter maior controle sobre as Testemunhas e que usava esse meio para consolidar sua própria autoridade. Era esse realmente o caso? Não resta dúvida de que o irmão Rutherford era um homem de fortes convicções. Ele falava francamente e com vigor, e sem abrir mão, em defesa daquilo que ele cria ser a verdade. Ele chegava a ser bastante brusco ao lidar com situações quando percebia que as pessoas estavam mais interessadas em si do que no serviço do Senhor. Mas o irmão Rutherford era genuinamente humilde diante de Deus. Conforme escreveu mais tarde Karl Klein, que se tornou membro do Corpo Governante em 1974: “As orações do irmão Rutherford, na adoração matutina . . . o tornaram muito querido para mim. Embora tivesse uma voz tão forte, quando ele se dirigia a Deus, parecia um garotinho conversando com seu querido pai. Que excelente relacionamento revelava ter ele com Jeová!” O irmão Rutherford estava plenamente convencido da identidade da organização visível de Jeová, e ele procurou assegurar que nenhum homem ou grupo de homens impedisse os irmãos de receber a nível local o pleno benefício do alimento espiritual e a direção que Jeová fornecia para Seus servos.

      Embora o irmão Rutherford servisse 25 anos como presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) e devotasse toda a sua energia a promover a obra da organização, ele não era o líder das Testemunhas de Jeová, e não o queria ser. Num congresso em St. Louis, Missouri, EUA, em 1941, pouco antes de sua morte, ele falou sobre o assunto da liderança e disse: “Quero que quaisquer estranhos aqui saibam o que pensais a respeito de um homem ser vosso líder, para que não esqueçam. Toda vez que surge algo e começa a progredir, diz-se que há um líder com muitos seguidores. Se qualquer pessoa nesta assistência pensa que eu, este homem que está aqui de pé, sou o líder das testemunhas de Jeová, diga Sim.” A resposta foi um impressionante silêncio que foi quebrado por um enfático “Não” de diversos na assistência. O orador continuou: “Se os que estão aqui acreditam que eu sou apenas um dos servos do Senhor, e que estamos trabalhando ombro a ombro em união, servindo a Deus e servindo a Cristo, digam Sim.” A assistência clamou em uníssono um decisivo “Sim!” No mês seguinte, uma assistência na Inglaterra respondeu exatamente do mesmo modo.

      Em alguns lugares, os benefícios da organização teocrática foram sentidos rapidamente. Em outros, levou mais tempo; os que não revelaram ser servos maduros e humildes foram com o tempo removidos e outros foram designados.

      Contudo, ao passo que os métodos teocráticos se estabeleciam mais plenamente, as Testemunhas de Jeová se regozijavam com o cumprimento do que fora predito em Isaías 60:17. Usando termos figurativos para descrever as condições melhoradas que existiriam entre os servos de Deus, Jeová diz ali: “Em lugar de cobre trarei ouro, e em lugar de ferro trarei prata, e em lugar de madeira, cobre, e em lugar de pedras, ferro; e eu vou designar a paz como teus superintendentes e a justiça como teus feitores.” Isto não é uma descrição do que os humanos fariam, mas, antes, o que o próprio Deus faria e os benefícios que seus servos receberiam ao se sujeitarem a isso. Tem de prevalecer a paz entre eles. O amor à justiça deve ser a força motivadora para prestarem serviço.

      Do Brasil, Maud Yuille, esposa do superintendente da filial, escreveu para o irmão Rutherford: “O artigo ‘Organização’, nos números de 1.º e 15 de junho [de 1938] da Watchtower, impelem-me a, em poucas palavras, expressar a vós, cujo serviço fiel Jeová está usando, minha gratidão a Jeová pela maravilhosa provisão que ele fez para a Sua organização visível, conforme esboçada nestas duas edições da Watchtower. . . . Que alívio é ver o fim da autonomia, inclusive ‘dos direitos das mulheres’ e de outros métodos não-bíblicos que sujeitavam algumas pessoas a opiniões locais e critérios particulares, em vez de a [Jeová Deus e a Jesus Cristo], trazendo assim vitupério sobre o nome de Jeová. É verdade que só ‘no passado recente a Sociedade chamou a todos na organização de “servos”’, contudo observo que, por muitos anos antes desse tempo, tendes reconhecido em vossa correspondência com os irmãos ser ‘vosso irmão e servo, pela Sua graça’.”

      Com respeito a este ajuste organizacional, a filial nas Ilhas Britânicas relatou: “O bom efeito disto foi bastante surpreendente. A descrição poética e profética disto em Isaías, capítulo sessenta, é cheia de beleza, mas não é exagerada. Todos os que estão na verdade falaram sobre isso. Era o principal assunto de conversação. Um sentimento geral de revigoramento prevalecia — uma prontidão para dar vigoroso prosseguimento a uma batalha dirigida. Ao aumentar a tensão mundial, prevalecia grande alegria resultante da direção teocrática.”

      Superintendentes viajantes fortalecem as congregações

      Os vínculos organizacionais foram fortalecidos ainda mais em resultado do serviço dos superintendentes viajantes. No primeiro século, o apóstolo Paulo se empenhou notavelmente nessa atividade. Às vezes, homens como Barnabé, Timóteo e Tito também participavam nisso. (Atos 15:36; Fil. 2:19, 20; Tito 1:4, 5) Eram todos evangelizadores zelosos. Além disso, encorajavam as congregações com seus discursos. Quando surgiam questões que pudessem afetar a união das congregações, eram submetidas à apreciação do corpo governante central. Depois, “enquanto viajavam através das cidades”, aqueles incumbidos dessa responsabilidade “entregavam aos que estavam ali, para a sua observância, os decretos decididos pelos apóstolos e anciãos, que estavam em Jerusalém”. O resultado? “As congregações continuavam deveras a ser firmadas na fé e a aumentar em número, dia a dia.” — Atos 15:1-16:5; 2 Cor. 11:28.

      Já na década de 1870, o irmão Russell visitava grupos de Estudantes da Bíblia — grupos de dois e de três, bem como grupos maiores — com o fim de edificá-los espiritualmente. Alguns outros irmãos também participaram nisso na década de 1880. Depois, em 1894, a Sociedade providenciou despachar mais regularmente oradores bem qualificados para ajudarem os Estudantes da Bíblia a progredir em conhecimento e apreço da verdade e para estreitar mais os vínculos de união.

      Quando possível, o orador passava um dia ou talvez vários dias com um grupo, proferia um ou dois discursos e depois visitava grupos menores e algumas pessoas para palestrar sobre alguns pontos mais profundos da Palavra de Deus. Fez-se empenho no sentido de que todos os grupos nos Estados Unidos e no Canadá fossem visitados duas vezes por ano, embora não geralmente pelo mesmo irmão. Na seleção desses oradores viajantes, ressaltava-se a mansidão, a humildade e o entendimento claro da verdade, bem como o leal apego a ela e a habilidade de ensiná-la com clareza. Não era de forma alguma um ministério remunerado. Eles recebiam apenas alimento e abrigo fornecidos pelos irmãos locais, e, conforme a necessidade, a Sociedade os ajudava com as despesas de viagem. Tornaram-se conhecidos por peregrinos.

      Muitos desses representantes viajantes da Sociedade eram bem estimados por aqueles a quem serviam. A. H. Macmillan, canadense, é lembrado como um irmão para quem a Palavra de Deus era “como um fogo aceso”. (Jer. 20:9) Ele simplesmente tinha de falar a respeito, e fazia isso para assistências não só no Canadá, mas também em muitas partes dos Estados Unidos e em outras terras. William Hersee, outro peregrino, é lembrado com carinho por causa da atenção especial que dava aos jovens. Suas orações causavam também uma impressão duradoura, porque refletiam profunda espiritualidade que tocava o coração tanto de jovens como de idosos.

      As viagens nos primórdios da obra não eram fáceis para os peregrinos. Por exemplo, para servir o grupo perto de Klamath Falls, em Oregon, Edward Brenisen viajou primeiro de trem, depois a noite inteira de carruagem, e finalmente de carroça sem mola, que sacudia o corpo dos pés à cabeça, por regiões montanhosas até o sítio onde se reuniriam. De manhã cedo, no dia seguinte, um irmão providenciou um cavalo para que viajasse uns 100 quilômetros até a mais próxima estação ferroviária para poder ir à sua designação seguinte. Era uma vida árdua, mas os esforços dos peregrinos produziram bons resultados. Os do povo de Jeová foram fortalecidos, unificados no seu entendimento da Palavra de Deus, e foram estreitados os vínculos de união, embora estivessem bastante espalhados geograficamente.

      Em 1926, o irmão Rutherford começou a implantar métodos que mudaram o trabalho dos peregrinos, de meros oradores viajantes para supervisores viajantes e promovedores do serviço de campo nas congregações. Para ressaltar suas novas responsabilidades, eles foram chamados, em 1928, de diretores de serviço regionais. Trabalhavam junto com os irmãos locais, dando-lhes instrução pessoal no serviço de campo. Naquele tempo, conseguiam visitar todas as congregações nos Estados Unidos e em algumas outras terras cerca de uma vez por ano, mantendo também contato com pessoas individualmente e com pequenos grupos que ainda não haviam sido organizados para o serviço.

      Nos anos seguintes, o serviço dos superintendentes viajantes sofreu várias modificações.a Foi grandemente intensificado em 1938 quando todos os servos nas congregações foram designados teocraticamente. As visitas às congregações, a intervalos regulares, nos anos que se seguiram forneceram oportunidade de treinamento pessoal a todos os servos designados e ajuda adicional no serviço de campo para todos. Em 1942, antes de serem de novo enviados às congregações, os superintendentes viajantes fizeram um curso intensivo; como resultado, o serviço deles passou a ser efetuado com maior uniformidade. Suas visitas eram bastante breves (de um a três dias, dependendo do tamanho da congregação). Durante esse período, verificavam os registros das congregações, reuniam-se com todos os servos para lhes dar quaisquer conselhos necessários, proferiam um ou mais discursos para a congregação e tomavam a liderança no serviço de campo. Em 1946, as visitas foram prolongadas para uma semana em cada congregação.

      Essa provisão de visitas às congregações foi complementada em 1938 pelo serviço do servo regional com um novo papel a desempenhar. Ele percorria uma área maior, passando periodicamente uma semana com cada um dos irmãos que viajavam numa zona (circuito) para visitar as congregações. Durante a sua visita, ele servia no programa de uma assembléia à qual todas as congregações naquela zona assistiam.b Tal provisão era um grande estímulo para os irmãos e fornecia oportunidade regular para o batismo de novos discípulos.

      “Alguém que ame o serviço”

      Um dos que participaram nesse serviço a partir de 1936 foi John Booth, que se tornou em 1974 membro do Corpo Governante. Quando entrevistado como supervisor viajante em potencial, foi-lhe dito: “Necessitamos não de oradores eloqüentes, mas apenas alguém que ame o serviço e tome a dianteira nele e fale sobre serviço nas reuniões.” O irmão Booth tinha tal amor pelo serviço de Jeová, segundo evidenciado pelo seu zeloso serviço de pioneiro desde 1928, e ele inspirava zelo nos outros pelo serviço de evangelização tanto pelo seu exemplo como com palavras encorajadoras.

      A primeira congregação que ele visitou, em março de 1936, foi a de Easton, em Pensilvânia. Mais tarde, ele escreveu: “Costumava chegar a tempo para o serviço de campo de manhã, realizava uma reunião com os servos à tardinha e depois uma com toda a companhia. Eu passava geralmente apenas dois dias com uma companhia e apenas um dia com um grupo menor, visitando às vezes seis de tais grupos por semana. Estava sempre viajando.”

      Dois anos mais tarde, em 1938, qual servo regional, ele foi designado para cuidar de uma assembléia de zona (hoje conhecida por assembléia de circuito) a cada semana. Isto ajudou a fortalecer os irmãos num tempo em que a perseguição em algumas regiões se tornava intensa. Relembrando aquele tempo e suas variadas responsabilidades, o irmão Booth disse: “Na mesmíssima semana [em que eu era testemunha num caso judicial que envolveu cerca de 60 Testemunhas em Indianápolis, Indiana], fui réu noutro caso em Joliet, Illinois, advogado de defesa para um irmão em outro caso ainda, em Madison, Indiana, e, além disso, tinha a responsabilidade de uma assembléia regional todo fim de semana.”

      Dois anos depois de serem reiniciadas essas assembléias de zona em 1946 (agora assembléias de circuito), Carey Barber estava entre os designados para servir como servos de distrito. Ele já havia sido membro da família de Betel em Brooklyn, Nova Iorque, por 25 anos. Seu primeiro distrito abrangia a inteira parte ocidental dos Estados Unidos. No início, as viagens entre assembléias eram de cerca de 1.600 quilômetros por semana. Ao passo que o número e o tamanho das congregações se multiplicavam, essas distâncias se tornaram menores, e numerosas assembléias de circuito eram realizadas não raro dentro de uma única região metropolitana. Depois de 29 anos de experiência como superintendente viajante, o irmão Barber foi convidado a retornar à sede mundial, em 1977, como membro do Corpo Governante.

      Durante os períodos de guerra e de intensa perseguição, os superintendentes viajantes punham em perigo muitas vezes sua liberdade e a própria vida para cuidar do bem-estar espiritual de seus irmãos. Durante a ocupação nazista da Bélgica, André Wozniak continuou a visitar as congregações e ajudou a fornecer-lhes publicações. A Gestapo estava freqüentemente no encalço dele, mas nunca conseguiu pegá-lo.

      Na Rodésia (hoje conhecida por Zimbábue), em fins da década de 70, as pessoas viviam com medo, e as viagens estavam sujeitas a restrições durante um período de guerra interna. Mas os superintendentes viajantes das Testemunhas de Jeová, quais pastores e superintendentes amorosos, revelaram ser “como abrigo contra o vento” para seus irmãos. (Isa. 32:2) Alguns caminhavam por muitos dias pela mata, subindo e descendo montes, atravessando rios perigosos, dormindo à noite ao relento — tudo para chegarem a isoladas congregações e publicadores, a fim de os encorajarem a permanecer firmes na fé. Entre esses estava Isaiah Makore, que escapou por um triz quando balas zuniam sobre sua cabeça durante um combate entre soldados do governo e “lutadores pela liberdade”.

      Outros superintendentes viajantes têm servido por muitos anos a organização em caráter internacional. Os presidentes da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) têm viajado freqüentemente para outras terras, com o fim de cuidarem das necessidades organizacionais e proferir discursos em congressos. Essas visitas têm ajudado muito as Testemunhas de Jeová em toda a parte a estar profundamente apercebidas de sua fraternidade internacional. O irmão Knorr, em especial, empreendia essa atividade regularmente, visitando todas as filiais e lares missionários. Com o crescimento da organização, o mundo foi dividido em dez zonas internacionais, e, a partir de 1.º de janeiro de 1956, irmãos qualificados, sob a direção do presidente, começaram a ajudar neste serviço para se dar assistência regular. Essas visitas zonais, agora realizadas sob a direção da Comissão de Serviço, do Corpo Governante, continuam a contribuir para a união global e o avanço da inteira organização.

      Ainda outros desenvolvimentos importantes contribuíram para a atual estrutura da organização.

      Ajustes teocráticos adicionais

      Durante a Segunda Guerra Mundial, Joseph F. Rutherford faleceu, em 8 de janeiro de 1942, e Nathan H. Knorr se tornou o terceiro presidente da Sociedade Torre de Vigia dos EUA. A organização estava sob grande pressão por causa das proscrições impostas à sua atividade em muitos países, da violência de motins, sob o pretexto de patriotismo, e das detenções de Testemunhas enquanto distribuíam publicações bíblicas em seu ministério público. Resultaria essa mudança de administração na diminuição da obra em tal período crítico? Os irmãos que cuidavam de assuntos administrativos recorreram a Jeová em busca de ajuda para obter orientação e bênção. Em harmonia com o seu desejo de orientação divina, reexaminaram a própria estrutura da organização para ver em que pontos se poderia harmonizá-la mais de perto com os modos de Jeová.

      Depois, em 1944, realizou-se uma assembléia de serviço, em Pittsburgh, Pensilvânia, relacionada com a reunião anual da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA). Em 30 de setembro, antes daquela reunião anual, foi dada uma série de discursos altamente significativos sobre o que as Escrituras dizem a respeito da organização dos servos de Jeová.c A atenção se enfocou no Corpo Governante. Naquela ocasião, frisou-se que os princípios teocráticos têm de ser aplicados a todos os instrumentos usados pela classe do escravo fiel e discreto. Explicou-se que a Sociedade legal não tinha quais membros todos os “consagrados” de Deus. Simplesmente os representava, servindo como instrumento legal em favor deles. Entretanto, já que a Sociedade era a agência publicadora usada para fornecer às Testemunhas de Jeová publicações que continham esclarecimento espiritual, o Corpo Governante estava, pois, lógica e necessariamente associado de perto com os administradores e diretores dessa Sociedade legal. Será que estavam sendo aplicados plenamente os princípios teocráticos a seus assuntos?

      Os estatutos da Sociedade estabeleceram uma provisão de direito a votos em que todo associado que contribuísse um total de US$10 tinha direito a voto na escolha dos membros da junta de diretores e administradores da Sociedade. Parecia, talvez, que tais contribuições davam evidência de genuíno interesse na obra da organização. Entretanto, essa provisão criava problemas. O irmão Knorr, presidente da Sociedade, explicou: “Pelas provisões dos estatutos da Sociedade, parecia que fazer parte do corpo governante dependia de contribuições à Sociedade legal. Mas, segundo a vontade de Deus, não podia ser assim entre seu verdadeiro povo escolhido.”

      É verdade que Charles Taze Russell, o principal entre os do corpo governante nos primeiros 32 anos da Sociedade, era o maior contribuinte da Sociedade em sentido financeiro, físico e mental. Mas não foi uma contribuição monetária que determinou a maneira como o Senhor o usou. Foi a sua total dedicação, seu incansável zelo, sua posição intransigente a favor do Reino de Deus e sua inquebrantável lealdade e fidelidade que fizeram com que ele fosse apto aos olhos de Deus para o serviço. Com respeito à organização teocrática, aplica-se a regra: “Deus pôs agora os membros no corpo, cada um deles assim como lhe agradou.” (1 Cor. 12:18) “Todavia”, explicou o irmão Knorr, “considerando que os estatutos da Sociedade determinavam que os direitos de voto fossem dados aos contribuintes de fundos para a obra da Sociedade, isso tendia a ofuscar ou violar este princípio teocrático com respeito ao corpo governante; e também tendia a comprometê-lo ou a criar-lhe obstáculos”.

      Por conseguinte, na reunião administrativa com todos os membros da Sociedade que tinham direito a voto, em 2 de outubro de 1944, foi unanimemente decidido que os estatutos da Sociedade fossem revisados e harmonizados mais de perto com os princípios teocráticos. A participação como membro não mais seria ilimitada em número, mas se restringiria a entre 300 e 500, devendo todos ser homens escolhidos pela junta de diretores, não com base nas contribuições monetárias, mas por serem Testemunhas de Jeová maduras, ativas e fiéis que estivessem servindo por tempo integral na obra da organização ou que fossem ministros ativos nas congregações das Testemunhas de Jeová. Esses membros votariam para a escolha da junta de diretores, e a junta de diretores por sua vez selecionaria seus componentes. Esse novo sistema entrou em vigor no ano seguinte, em 1.º outubro de 1945. Que proteção tem isto revelado ser numa era em que elementos hostis têm manipulado com freqüência assuntos administrativos para assumir o controle das entidades jurídicas e depois reestruturá-las segundo seus próprios objetivos!

      As bênçãos de Jeová sobre esses passos progressivos, em harmonia com os princípios teocráticos, têm sido manifestas. Apesar da extrema pressão sobre a organização durante a Segunda Guerra Mundial, o número de proclamadores do Reino continuou a crescer. Sem cessar, continuaram vigorosamente a dar testemunho a respeito do Reino de Deus. De 1939 a 1946, houve um surpreendente aumento de 157 por cento no número de Testemunhas de Jeová, e elas alcançaram mais seis países com as boas novas. Nos 25 anos que se seguiram, o número de Testemunhas ativas aumentou quase outros 800 por cento, e relataram atividade regular em outras 86 terras.

      Treinamento especializado para superintendentes

      Alguns observadores de fora achavam inevitável que, quando a organização se tornasse maior, suas normas fossem atenuadas. Mas, pelo contrário, a Bíblia predizia que a justiça e a paz prevaleceriam entre os servos de Jeová. (Isa. 60:17) Isso exigiria uma cuidadosa e contínua educação na Palavra de Deus administrada a superintendentes responsáveis, um claro entendimento das Suas normas judicativas e a aplicação coerente dessas normas. Tal educação foi fornecida. Tem-se proporcionado progressivamente em A Sentinela um estudo cabal sobre os justos requisitos de Deus, e essa matéria tem sido estudada sistematicamente por todas as congregações das Testemunhas de Jeová em todo o mundo. Além disso, os superintendentes do rebanho têm recebido muita instrução adicional.

      Os principais superintendentes das filiais da Sociedade têm sido convocados para treinamento especial por ocasião de congressos internacionais. Entre 1961 e 1965, foram-lhes proporcionados, em Nova Iorque, cursos especialmente destinados a eles, de oito a dez meses de duração. De 1977 a 1980, houve outra série de cursos especiais para eles, de cinco semanas de duração. O treinamento incluía um estudo versículo por versículo de todos os livros da Bíblia, bem como uma consideração de pormenores organizacionais e métodos para a promoção da pregação das boas novas. Não existem divisões nacionalistas entre as Testemunhas de Jeová. Onde quer que vivam, elas se apegam aos mesmos elevados princípios bíblicos e crêem e ensinam as mesmas coisas.

      Os superintendentes de circuito e de distrito também têm recebido atenção especial. Muitos deles cursaram a Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia ou uma Extensão da Escola de Gileade. Periodicamente, são também convidados às filiais da Sociedade, ou reúnem-se em outros locais convenientes para seminários por alguns dias ou por uma semana.

      Em 1959, outra notável provisão entrou em operação. Trata-se da Escola do Ministério do Reino para superintendentes de circuito e de distrito, bem como para superintendentes de congregação. Começou como um curso de um mês inteiro de estudos. Depois do primeiro ano de cursos nos Estados Unidos, a matéria do curso foi traduzida em outras línguas e foi usada progressivamente ao redor do globo. Visto que não era possível todos os superintendentes programarem ausentar-se de seu serviço secular por um mês inteiro, usou-se, a partir de 1966, uma versão do curso de duas semanas de duração.

      Esse curso não era um seminário em que homens estivessem sendo treinados em preparação para ordenação. Os que cursaram já eram ministros ordenados. Muitos deles já eram superintendentes e pastores do rebanho por décadas. O curso dava oportunidade para considerarem em pormenores as instruções da Palavra de Deus sobre seu trabalho. Ressaltou-se muito a importância do ministério de campo e como realizá-lo eficazmente. Por causa da mudança das normas morais no mundo, dispendeu-se também considerável tempo para examinar as normas bíblicas sobre moral. Esse curso tem sido seguido, em tempos recentes, a cada dois ou três anos, de seminários, bem como de reuniões úteis dirigidas por superintendentes viajantes com anciãos locais diversas vezes por ano. Dão ensejo a se dar atenção especial às necessidades do momento. Servem de salvaguarda contra o abandono das normas bíblicas, e contribuem para se cuidar de modo uniforme de situações em todas as congregações.

      As Testemunhas de Jeová levam a sério a admoestação contida em 1 Coríntios 1:10: “Exorto-vos agora, irmãos, por intermédio do nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que todos faleis de acordo, e que não haja entre vós divisões, mas que estejais aptamente unidos na mesma mente e na mesma maneira de pensar.” Não se trata de conformismo forçado; é produto da educação nos caminhos de Deus, segundo indica a Bíblia. As Testemunhas de Jeová se deleitam nos caminhos e propósitos de Deus. Se quaisquer pessoas deixarem de ter satisfação em viver segundo as normas bíblicas, estão livres para abandonar a organização. Mas, se alguém começar a pregar outras crenças ou desconsiderar a moralidade bíblica, os superintendentes tomarão ação para resguardar o rebanho. A organização aplica o conselho bíblico: “[Ficai] de olho nos que causam divisões e motivos para tropeço contra o ensino que aprendestes, e [evitai-os].” — Rom. 16:17; 1 Cor. 5:9-13.

      A Bíblia predisse que Deus faria com que existisse exatamente tal clima entre seus servos, em que a justiça prevaleceria e produziria frutos pacíficos. (Isa. 32:1, 2, 17, 18) Essas condições atraem fortemente as pessoas que amam o que é correto.

      Quantos desses que amam a justiça serão ajuntados antes do fim do velho sistema? As Testemunhas de Jeová não sabem. Mas Jeová sabe o que sua obra requererá, e, no Seu devido tempo e modo, cuidará de que sua organização esteja equipada para fazer face a isso.

      Preparativos para um aumento explosivo

      Quando, sob a supervisão do Corpo Governante, se faziam pesquisas para a preparação da obra de referência Ajuda ao Entendimento da Bíblia, voltou-se de novo a atenção para o modo como a congregação cristã do primeiro século estava organizada. Fez-se um estudo cuidadoso sobre termos bíblicos, tais como “ancião”, “superintendente” e “ministro”. Será que havia margem para a organização das Testemunhas de Jeová dos dias atuais harmonizar-se mais plenamente com o padrão que foi preservado nas Escrituras qual guia?

      Os servos de Jeová estavam decididos a continuar a se submeter à orientação divina. Numa série de congressos realizados em 1971, dirigiu-se atenção para os métodos administrativos da primitiva congregação cristã. Salientou-se que a expressão pre·sbý·te·ros (homem mais velho, ancião), empregada na Bíblia, não se limitava a pessoas idosas, tampouco se aplicava a todos nas congregações que fossem espiritualmente maduros. Era empregada especialmente num sentido oficial referente aos superintendentes das congregações. (Atos 11:30; 1 Tim. 5:17; 1 Ped. 5:1-3) Esses receberam suas posições por nomeação, em harmonia com os requisitos que se tornaram parte das Escrituras inspiradas. (Atos 14:23; 1 Tim. 3:1-7; Tito 1:5-9) Onde existiam suficientes homens qualificados, havia mais de um ancião na congregação. (Atos 20:17; Fil. 1:1) Esses constituíam “o corpo de anciãos”, todos os quais tinham a mesma condição oficial, e nenhum deles era o membro mais preeminente ou mais poderoso na congregação. (1 Tim. 4:14) Para ajudar os anciãos, explicou-se que existiam também “servos ministeriais”, segundo os requisitos indicados pelo apóstolo Paulo. — 1 Tim. 3:8-10, 12, 13.

      Foram prontamente tomadas medidas para harmonizar mais de perto a organização com este padrão bíblico. Começou-se com o próprio Corpo Governante. Aumentou-se o número de seus membros para mais do que os sete que, quais membros da diretoria da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados de Pensilvânia, EUA, vinham servindo na qualidade de corpo governante para as Testemunhas de Jeová. Não se fixou determinado número de membros do Corpo Governante. Em 1971, havia 11; por alguns anos chegou a haver até 18; em 1992, havia 12. Todos eles são homens ungidos de Deus quais co-herdeiros de Jesus Cristo. Os 12 membros em exercício do Corpo Governante, em 1992, tinham ao todo mais de 728 anos de serviço de tempo integral quais ministros de Jeová Deus.

      Foi decidido, em 6 de setembro de 1971, que haveria rodízio anual do presidente das sessões do Corpo Governante, em ordem alfabética do sobrenome de seus membros. Isto entrou realmente em vigor em 1.º de outubro. Os membros do Corpo Governante fizeram também rodízio semanal em presidir à adoração matinal e ao Estudo da Sentinela com os membros do pessoal da sede.d Isto entrou em vigor em 13 de setembro de 1971 quando Frederick W. Franz dirigiu o programa de adoração matinal na sede da Sociedade, em Brooklyn, Nova Iorque.

      No decorrer do ano seguinte, foram feitos preparativos para ajustes na supervisão das congregações. Não mais haveria apenas um servo de congregação assistido por um número específico de outros servos. Homens biblicamente qualificados seriam designados para servirem quais anciãos. Outros que cumpriam os requisitos bíblicos seriam designados como servos ministeriais. Isto abriu o caminho para um número maior participar nas posições de responsabilidade e assim obter valiosa experiência. Nenhuma Testemunha de Jeová naquele tempo imaginava que o número de congregações aumentaria 156 por cento nos 21 anos seguintes, atingindo um total de 69.558 em 1992. Mas o Cabeça da congregação, o Senhor Jesus Cristo, estava claramente fazendo preparativos para o que viria.

      Em princípios da década de 70, refletiu-se com minúcia sobre reorganizar adicionalmente o Corpo Governante. Desde que foi estatuída a Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), em 1884, a produção de publicações, a supervisão da obra global de evangelização e a programação de escolas e congressos tinham ficado a cargo do escritório do presidente da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos EUA). Mas, depois de cuidadosa análise e consideração de pormenores por vários meses, adotaram-se unanimemente novas medidas em 4 de dezembro de 1975. Foram formadas seis comissões do Corpo Governante.

      A Comissão do Presidente (constituída do atual presidente do Corpo Governante, do presidente anterior e do próximo a servir como presidente das sessões) recebe relatórios sobre grandes emergências, calamidades e campanhas de perseguição, e cuida de que tais assuntos sejam prontamente tratados com o Corpo Governante. A Comissão de Redação supervisiona o trabalho de assentar por escrito, gravar ou colocar em forma de vídeo o alimento espiritual para as Testemunhas de Jeová e para distribuição ao público, e supervisiona o trabalho de tradução em centenas de línguas. A responsabilidade da Comissão de Ensino é supervisionar as escolas e assembléias, também congressos de distrito e internacionais, para o povo de Jeová, bem como cuidar da instrução para a família de Betel e esquematizar a matéria a ser usada para esses fins. A Comissão de Serviço supervisiona todas as áreas da obra de evangelização, inclusive a atividade das congregações e dos superintendentes viajantes. A impressão, publicação e expedição das publicações, bem como a operação das gráficas, e cuidar de assuntos legais e administrativos são todos supervisionados pela Comissão Editora. E a Comissão do Pessoal supervisiona as provisões de ajuda pessoal e espiritual aos membros das famílias de Betel, e está incumbida de convidar novos membros para servirem nas famílias de Betel em todo o mundo.

      Outras comissões úteis são designadas para supervisionarem as gráficas, os lares de Betel e as fazendas associadas com a sede mundial. Nessas comissões o Corpo Governante faz uso liberal das habilidades de membros da “grande multidão”. — Rev. 7:9, 15.

      Foram também feitos ajustes na supervisão das filiais da Sociedade. Desde 1.º de fevereiro de 1976, cada filial tem sido supervisionada por uma comissão de três ou mais membros, dependendo das necessidades e do tamanho da filial. Estes trabalham sob a direção do Corpo Governante em cuidar da obra do Reino na sua região.

      Em 1992, providenciou-se ajuda adicional para o Corpo Governante quando diversos ajudantes, principalmente de entre os da grande multidão, foram designados para participarem das reuniões e do trabalho das comissões de Redação, de Ensino, de Serviço, Editora e do Pessoal.e

      Esta distribuição de responsabilidades revelou ser muito útil. Junto com ajustes já efetuados nas congregações, ajudou a tirar do caminho qualquer obstáculo que pudesse impedir pessoas de reconhecer que Cristo é o Cabeça da congregação. Tem-se mostrado vantajosíssimo que diversos irmãos se consultem sobre assuntos pertinentes à obra do Reino. Além disso, esta reorganização tornou possível fornecer em muitas áreas a devida supervisão urgentemente necessária num período de aumento organizacional em proporções realmente explosivas. Por meio do profeta Isaías, há muito Jeová predisse: “O próprio pequeno tornar-se-á mil e o menor, uma nação forte. Eu mesmo, Jeová, apressarei isso ao seu próprio tempo.” (Isa. 60:22) Não só ele tem acelerado o aumento, mas tem fornecido a necessária orientação para que a sua organização visível possa cuidar disso.

      O interesse imediato das Testemunhas de Jeová está na obra que Deus lhes confiou para fazer durante estes dias finais do velho mundo, e estão bem organizadas para realizá-la. As Testemunhas de Jeová vêem evidência inconfundível de que não se trata de uma organização de homem, mas de Deus, e o próprio filho de Deus, Jesus Cristo, é quem a dirige. Na qualidade de Rei empossado, Jesus resguardará seus fiéis súditos através da vindoura grande tribulação e assegurará que estejam eficazmente organizados para o cumprimento da vontade de Deus durante o vindouro milênio.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Em 1894, o irmão Russell providenciou que a Sociedade Torre de Vigia de Tratados de Sião (dos EUA) despachasse irmãos qualificados quais oradores. Estes receberam certificados assinados para uso ao se apresentarem aos grupos locais. Esses certificados não lhes outorgavam autoridade para pregar, tampouco significavam que aquilo que o portador dissesse deveria ser aceito sem a devida investigação à luz da Palavra de Deus. Todavia, em razão de algumas pessoas interpretarem erroneamente o objetivo disso, dentro de um ano o irmão Russell pediu o recolhimento desses certificados. Procurou cautelosamente evitar qualquer coisa que aos observadores pudesse sequer dar a aparência de uma classe clerical.

      b Zion’s Watch Tower, de outubro-novembro de 1881, pp. 8-9.

      c Às vezes, os grupos locais eram chamados “igrejas”, em harmonia com a linguagem empregada na King James Version. Eram também chamadas de eclésias, de acordo com o termo empregado no texto bíblico grego. A expressão “classes” era também usada, pois eram na realidade um corpo discente que se reunia regularmente para estudar. Mais tarde, quando foram chamados de companhias, isto mostrava que estavam cientes de estarem numa guerra espiritual. (Veja o Salmo 68:11, Imprensa Bíblica Brasileira.) Depois da publicação da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs, em 1950, o termo bíblico “congregação”, em linguagem moderna, passou a ser de uso comum na maioria dos países.

      d O sentido literal da palavra empregada no texto bíblico grego (khei·ro·to·né·o) é “estender, esticar ou levantar a mão”, e, por extensão, pode significar também “eleger ou escolher para um cargo pelo levantamento de mãos”. — A Greek and English Lexicon to the New Testament, de John Parkhurst, 1845, p. 673.

      e Para pormenores, veja o capítulo 25, “Pregação pública e de casa em casa”.

      f Por meio do diretor de serviço, o serviço de campo dos associados com a congregação, ou classe, tinha de ser relatado semanalmente à Sociedade a partir de 1919.

      g Segundo esboçado na folha Organization Method, toda congregação devia eleger um auxiliar para o diretor e alguém para cuidar dos suprimentos. Estes, junto com o diretor designado pela Sociedade, constituíam a comissão de serviço na localidade.

      h The Watch Tower de 1.º de julho de 1920, pp. 195-200.

      i A comissão de serviço naquela época incluía não mais do que dez membros. Um destes era o diretor de serviço, não eleito localmente, mas nomeado pela Sociedade. Os outros colaboravam com ele para organizar e executar o trabalho de pregação.

      j Por diversos anos, a partir de 1932, esses eram chamados de jonadabes.

      k Quando o verbo grego khei·ro·to·né·o é definido como significando apenas ‘eleger pelo levantamento de mãos’, isto deixa de levar em consideração o significado posterior da palavra. Assim, A Greek-English Lexicon, de Liddell e Scott, editado por Jones e McKenzie e reimpresso em 1968, define essa palavra como significando “estender a mão, com o fim de dar um voto numa assembléia . . . II c. acc. pers. [com o acusativo de pessoa], eleger, prop[riamente] pelo levantamento de mãos . . . b. mais tarde, geralmente, nomear, . . . nomear para um cargo na Igreja, [pres·sby·té·rous] At. Ap. [Atos dos Apóstolos] 14.23.” Esse emprego posterior era comum nos dias dos apóstolos; o termo foi empregado nesse sentido pelo historiador judeu Josefo do primeiro século em Jewish Antiquities (Antiguidades Judaicas), Livro 6, capítulo 4, parágrafo 2, e capítulo 13, parágrafo 9. A estrutura gramatical em si só, de Atos 14:23, no grego original, mostra que foram Paulo e Barnabé que fizeram o que se descreveu ali.

      l Mais tarde naquele mesmo ano, 1938, foi publicado o folheto de quatro páginas Organization Instructions, que dava pormenores adicionais. Explicava que a congregação local devia designar uma comissão para que agisse em favor dela. Essa comissão devia considerar os irmãos à luz das qualificações indicadas nas Escrituras, e fazer recomendações à Sociedade. Quando representantes viajantes da Sociedade visitavam as congregações, repassavam as qualificações dos irmãos locais e sua fidelidade em executar suas designações. As recomendações deles também eram levadas em consideração pela Sociedade ao fazer designações.

      a De 1894 a 1927, os oradores viajantes enviados pela Sociedade eram conhecidos primeiro como representantes da Sociedade Torre de Tratados, depois como peregrinos. De 1928 a 1936, com a incrementada ênfase dada ao serviço de campo, foram chamados de diretores de serviço regionais. A partir de julho de 1936, para ressaltar sua correta relação com os irmãos locais, tornaram-se conhecidos por servos regionais. De 1938 a 1941, os servos de zona foram designados para trabalhar com um número limitado de congregações de modo rotatório, retornando assim aos mesmos grupos a intervalos regulares. Depois de uma interrupção de cerca de um ano, este serviço foi reiniciado em 1942, sendo esses viajantes chamados de servos aos irmãos. Em 1948, foi adotado o termo servo de circuito; hoje, superintendente de circuito.

      De 1938 a 1941, os servos regionais, desempenhando um novo papel, serviam regularmente assembléias locais, onde Testemunhas de uma área (região) limitada se reuniam para um programa especial. Quando esse trabalho foi reiniciado em 1946, esses superintendentes viajantes eram conhecidos por servos de distrito; hoje, superintendentes de distrito.

      b Essa provisão passou a vigorar a partir de 1.º de outubro de 1938. Eram cada vez mais as dificuldades para a realização de assembléias nos anos de guerra, por isso, em fins de 1941, foram descontinuadas as assembléias de zona. Mas foram reiniciadas em 1946, e as reuniões com várias congregações para instrução especial passaram a ser chamadas de assembléias de circuito.

      c A essência desses discursos acha-se nas edições de outubro e novembro de A Sentinela de 1945.

      d Mais tarde, foram selecionados outros membros da família de Betel para participarem dessas incumbências.

      e A Sentinela de 15 de abril de 1992, pp. 7-17, 31.

      [Destaque na página 204]

      Não havia entre eles uma classe clerical.

      [Destaque na página 205]

      Não houve tentativa de estabelecer uma “organização terrestre”.

      [Destaque na página 206]

      Como eram escolhidos os anciãos?

      [Destaque na página 212]

      Um diretor designado pela Sociedade

      [Destaque na página 213]

      Alguns anciãos não queriam pregar fora da congregação.

      [Destaque na página 214]

      Houve um declínio no número dos associados, mas um fortalecimento da organização.

      [Destaque na página 218]

      Como deviam ser feitas as designações?

      [Destaque na página 220]

      Estava Rutherford simplesmente procurando obter maior controle?

      [Destaque na página 222]

      Mantido o contato com grupos de dois e três, bem como com grupos maiores.

      [Destaque na página 223]

      Novas responsabilidades para superintendentes viajantes

      [Destaque na página 234]

      Corpo Governante ampliado, com rodízio na presidência das sessões

      [Destaque na página 235]

      Supervisão necessária numa era de aumentos explosivos

      [Foto na página 210]

      Para uma supervisão mais de perto, foram estabelecidas filiais. A primeira foi em Londres, Inglaterra, neste prédio.

      [Foto na página 221]

      J. F. Rutherford em 1941. As Testemunhas sabiam que ele não era seu líder.

      [Foto na página 226]

      John Booth, superintendente viajante nos EUA de 1936 a 1941

      [Foto na página 227]

      Carey Barber, cujo distrito incluía uma vasta parte dos Estados Unidos.

      [Foto na página 228]

      O irmão Knorr visitava regularmente todas as filiais e lares missionários.

      [Foto na página 230]

      Principais superintendentes das filiais da Sociedade têm sido convocados para treinamento especial (Nova Iorque, 1958).

      [Fotos na página 231]

      A Escola do Ministério do Reino tem fornecido instrução valiosa a superintendentes ao redor do globo.

      Uma Escola do Ministério do Reino num campo de refugiados na Tailândia, em 1978; nas Filipinas, em 1966 (no alto, à esquerda).

      [Foto na página 232]

      Instruções sobre a organização têm sido progressivamente publicadas (primeiro em inglês, depois em outros idiomas) para se coordenar a atividade das Testemunhas e informar a todos a respeito das provisões feitas para ajudá-los no seu ministério.

      [Fotos/Quadro nas páginas 208, 209]

      Prédios usados pela Sociedade um século atrás na região de Pittsburgh

      A Casa da Bíblia, mostrada aqui, serviu de sede por 19 anos, de 1890 a 1909.f

      O gabinete do irmão Russell ficava aqui.

      Membros da família da Casa da Bíblia que serviam aqui em 1902.

      O prédio incluía este departamento de composição e paginação (acima, à direita), um departamento de expedição (embaixo, à direita), um depósito de publicações, moradia para a equipe e uma capela (salão de reuniões) com capacidade para umas 300 pessoas.

      [Nota(s) de rodapé]

      f Em 1879, a sede se achava na Quinta Avenida, 101, Pittsburgh, Pensilvânia. Os escritórios foram transferidos para a Rua Federal, 44, Allegheny (zona norte de Pittsburgh), em 1884; e mais tarde, naquele mesmo ano, para a Rua Federal, 40. (Em 1887, o nome mudou para Rua Robinson, 151.) Quando houve necessidade de mais espaço, em 1889, o irmão Russell construiu a Casa da Bíblia, que aparece à esquerda, à Rua Arch, 56-60, Allegheny. (Mais tarde o número mudou e ficou sendo Rua Arch, 610-614.) Por um breve período, em 1918-19, de novo tinham o escritório principal em Pittsburgh, no terceiro pavimento da Rua Federal, 119.

      [Fotos/Quadro nas páginas 216, 217]

      Prédios usados em Brooklyn nos primórdios da obra

      Lar de Betel

      Columbia Heights, 122-124

      Refeitório no Lar de Betel

      Tabernáculo

      Escritórios, depósito de publicações, departamento de selagem, equipamento de composição gráfica e auditório, com 800 assentos, estavam todos localizados aqui, à Rua Hicks, 17 (usado de 1909 a 1918).

      Auditório

      Primeiras gráficas

      Membros da família de Betel que trabalharam na gráfica da Avenida Myrtle, em 1920 (à direita).

      Avenida Myrtle, 35 (1920-22)

      Rua Concord, 18 (1922-27)

      Rua Adams, 117 (1927- )

      [Fotos/Quadro na página 224, 225]

      Superintendentes viajantes

      Alguns dos milhares que serviram assim

      Canadá, 1905-33

      Inglaterra, 1920-32

      Finlândia, 1921-26, 1947-70

      Estados Unidos, 1907-15

      Acomodações itinerantes na Namíbia

      Viajando de uma congregação para outra — 

      Groenlândia

      Venezuela

      Lesoto

      México

      Peru

      Serra Leoa

      Participação com Testemunhas locais no serviço de campo no Japão

      Reunião com anciãos locais na Alemanha

      Dando conselhos práticos a pioneiros no Havaí.

      Dando instrução a uma congregação na França.

      [Quadro na página 207]

      Por que a mudança?

      Quando se lhe perguntou sobre sua mudança de conceito a respeito da escolha de anciãos nos vários grupos do povo do Senhor, C. T. Russell respondeu:

      “Primeiro de tudo, asseguro-vos de imediato que nunca pretendi infalibilidade. . . . Não negamos que aumentamos nosso conhecimento, e que vemos agora sob um prisma ligeiramente diferente a vontade do Senhor com respeito a Anciãos ou líderes nos vários grupos pequenos de seu povo. Nosso erro de conceito foi que esperamos demais dos estimados irmãos que, tendo conhecido a Verdade cedo, se tornaram os líderes naturais dessas pequenas companhias. O conceito ideal que nutríamos com otimismo era que o conhecimento da Verdade teria o efeito de produzir neles grande humildade, fazendo com que reconhecessem sua própria insignificância, e que tudo o que sabiam e podiam apresentar aos outros era na qualidade de porta-vozes de Deus, por serem usados por ele. Nossas esperanças ideais eram que esses fossem, no pleno sentido da palavra, exemplos para o rebanho; e que, se a providência do Senhor trouxesse para dentro da pequena companhia um ou mais igualmente ou mais competentes para apresentarem a Verdade, o espírito de amor os levaria a honrosamente estimar uns aos outros, e assim ajudar e instar uns aos outros a participar no serviço da Igreja, o corpo de Cristo.

      “Com esse pensamento, concluímos que as maiores medidas de graça e verdade aguardadas agora e apreciadas pelo povo consagrado do Senhor tornariam desnecessário seguir o proceder indicado pelos apóstolos na primitiva Igreja. Nosso erro consistiu em deixar de nos aperceber que as provisões indicadas pelos apóstolos, sob a supervisão divina, são superiores a tudo o que os outros possam formular, e que a Igreja como um todo precisa ter os regulamentos instituídos pelos apóstolos até que, pela nossa mudança na ressurreição, sejamos todos completos e perfeitos e estejamos diretamente associados com o Amo.

      “Apercebemo-nos gradualmente de nosso erro ao observarmos entre os estimados irmãos até certo ponto um espírito de rivalidade, e da parte de muitos, o desejo de assumir a liderança das reuniões como um posto, não como um serviço, e de excluir e impedir o desenvolvimento, como líderes, de outros irmãos de igual habilidade natural e igual conhecimento da Verdade e com competência para manejar a espada do Espírito.” — “Zion’s Watch Tower” de 15 de março de 1906, p. 90.

      [Quadro na página 211]

      É obra de quem?

      Perto do fim de sua vida terrestre, Charles Taze Russell escreveu: “Demasiadas vezes o povo de Deus se esquece de que o Senhor está Ele mesmo na dianteira de Sua obra. Muitas vezes, a idéia é: nós efetuaremos uma obra e faremos com que em nossa obra Deus colabore conosco. Tenhamos o conceito correto sobre o assunto, e percebamos que Deus propôs uma grande obra e a está efetuando; e que ela será bem-sucedida, completamente, sem depender de nós e de nossos esforços; e que é um grande privilégio concedido ao povo de Deus colaborar com seu Criador no cumprimento de Seus planos, Seus desígnios, Suas providências, a Seu modo. Considerando as coisas deste ponto de vista, nossa oração e nossa vigilância devem visar conhecer e cumprir a vontade do Senhor, estando contentes com qualquer papel que nos seja dado para desempenharmos, pois é o nosso Deus que nos conduz. Este é o plano que a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados tem procurado seguir.” — “The Watch Tower” de 1.º de maio de 1915.

      [Quadro na página 215]

      Perguntas V. D. M.

      As letras V. D. M. representam as palavras latinas “Verbi Dei Minister”, ou Ministro da Palavra Divina.

      Em 1916, foi preparada pela Sociedade uma lista de perguntas sobre assuntos bíblicos. Solicitou-se aos que representariam a Sociedade na qualidade de oradores que respondessem por escrito a cada uma dessas perguntas. Isto habilitou a Sociedade a saber os pensamentos, sentimentos e entendimento desses irmãos com respeito às verdades fundamentais da Bíblia. As respostas por escrito eram verificadas cuidadosamente por uma banca examinadora nos escritórios da Sociedade. Os que eram reconhecidos como oradores qualificados tinham de acertar 85 por cento ou mais.

      Mais tarde, muitos dos anciãos, diáconos e outros Estudantes da Bíblia solicitaram a lista das perguntas. Com o tempo, foi dito que seria útil as classes selecionarem como representantes apenas os que estivessem qualificados como V. D. M.

      Quando a Sociedade conferia a alguém o grau de Ministro da Palavra Divina, não significava que ele fosse ordenado. Simplesmente significava que a banca examinadora do escritório da Sociedade havia analisado seu desenvolvimento doutrinal, e até um ponto razoável a sua reputação, e concluíra ser ele digno de ser chamado ministro da Palavra divina.

      As perguntas para V. D. M. eram as seguintes:

      (1) Qual foi o primeiro ato criativo de Deus?

      (2) Qual é o significado da palavra “Logos” conforme associada com o Filho de Deus? e o que representam as palavras Pai e Filho?

      (3) Quando e como entrou o pecado no mundo?

      (4) Qual é a penalidade divina pelo pecado para os pecadores? e quem são os pecadores?

      (5) Por que precisava o “Logos” tornar-se carne? Era Ele uma “encarnação”?

      (6) Qual era a natureza do Homem Cristo Jesus desde bebê até a morte?

      (7) Qual é a natureza de Jesus a partir de sua ressurreição; e qual é a Sua relação oficial com Jeová?

      (8) Qual é o trabalho de Jesus durante esta Era do Evangelho — desde o Pentecostes até agora?

      (9) O que tem feito Jeová Deus até agora para o mundo da humanidade? e o que tem feito Jesus?

      (10) Qual é o propósito divino a respeito da Igreja quando esta estiver completa?

      (11) Qual é o propósito divino a respeito do mundo da humanidade?

      (12) Qual será o resultado para os que por fim forem incorrigíveis?

      (13) Que recompensas ou bênçãos advirão ao mundo da humanidade pela obediência ao Reino messiânico?

      (14) Dando que passos pode um pecador chegar a uma relação vital com Cristo e com o Pai Celestial?

      (15) Depois de um cristão ser gerado pelo Espírito Santo, qual é seu proceder, segundo orienta a Palavra de Deus?

      (16) Já te desviaste do pecado para servir o Deus vivente?

      (17) Fizeste plena consagração de tua vida e de todas as tuas faculdades e talentos ao Senhor e seu serviço?

      (18) Já simbolizaste esta consagração pela imersão em água?

      (19) Já fizeste o Voto da A. I. E. B. [Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia] de santidade de vida?

      (20) Já leste cuidadosa e cabalmente todos os seis volumes de STUDIES IN THE SCRIPTURES (Estudos das Escrituras)?

      (21) Derivaste deles muito esclarecimento e proveito?

      (22) Achas que tens considerável e estável conhecimento da Bíblia que te tornará mais eficiente como servo do Senhor pelo resto da vida?

      [Quadro na página 229]

      Primeiras sociedades legais

      Zion’s Watch Tower Tract Society (Sociedade Torre de Vigia de Tratados de Sião). Fundada em 1881 e registrada legalmente no Estado de Pensilvânia (EUA) em 15 de dezembro de 1884. O nome foi mudado em 1896 para Watch Tower Bible and Tract Society (Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados). Desde 1955, tem sido conhecida por Watch Tower Bible and Tract Society of Pennsylvania.

      Peoples Pulpit Association (Associação Púlpito do Povo). Fundada em 1909 em vista da transferência dos escritórios principais da Sociedade para Brooklyn, Nova Iorque. Em 1939, o nome foi mudado para Watchtower Bible and Tract Society, Inc. Desde 1956 tem sido conhecida por Watchtower Bible and Tract Society of New York, Inc.

      International Bible Students Association. Registrada em Londres, Inglaterra, em 30 de junho de 1914.

      Para cumprir as exigências legais, outras sociedades têm sido formadas pelas Testemunhas de Jeová em muitas comunidades e terras. Entretanto, as Testemunhas de Jeová não estão divididas em organizações nacionais ou regionais. São uma unida fraternidade global.

      [Quadro na página 234]

      “Semelhantes à primitiva comunidade cristã”

      A publicação religiosa “Interpretation” dizia, em julho de 1956: “Na sua organização e obra de testemunho, elas [as Testemunhas de Jeová] são mais semelhantes à primitiva comunidade cristã do que qualquer outro grupo. . . . Poucos são os outros grupos que fazem uso tão extensivo da Escritura nas suas mensagens, tanto orais como escritas, quanto elas.”

  • Reuniões para adoração, instrução e encorajamento
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 16

      Reuniões para adoração, instrução e encorajamento

      AS REUNIÕES de congregação são uma parte importante da atividade das Testemunhas de Jeová. Mesmo quando as circunstâncias dificultam muito a assistência regular às reuniões, elas procuram fazer isso em harmonia com a exortação bíblica: “Consideremo-nos uns aos outros para nos estimularmos ao amor e a obras excelentes, não deixando de nos ajuntar, como é costume de alguns, mas encorajando-nos uns aos outros, e tanto mais quanto vedes chegar o dia.” (Heb. 10:24, 25) Onde possível, toda congregação realiza reuniões três vezes por semana, num total de 4 horas e 45 minutos. Todavia, a natureza e a freqüência das reuniões têm variado de acordo com a necessidade da época.

      No primeiro século, as manifestações dos dons milagrosos do espírito faziam parte preeminente das reuniões cristãs. Por quê? Porque, por meio desses dons, Deus dava testemunho de que não mais usava o sistema religioso judaico, mas que seu espírito estava agora sobre a recém-formada congregação cristã. (Atos 2:1-21; Heb. 2:2-4) Nas reuniões dos primitivos cristãos, faziam-se orações, entoavam-se louvores a Deus e dava-se ênfase a profetizar (isto é, transmitir revelações da vontade e do propósito de Deus) e a dar instrução que edificasse os ouvintes. Aqueles cristãos viviam num tempo em que havia maravilhosos desenvolvimentos relacionados com o propósito de Deus. Eles precisavam entendê-los e saber trabalhar em harmonia com isso. Entretanto, alguns não lidavam com assuntos de modo equilibrado em suas reuniões, e, segundo mostra a Bíblia, havia necessidade de conselhos para que as coisas fossem feitas da maneira mais proveitosa. — 1 Cor. 14:1-40.

      Será que os aspectos que caracterizavam as reuniões dos primitivos cristãos estavam evidentes também quando os Estudantes da Bíblia se reuniam na década de 1870 e depois?

      Como se cuidava das necessidades espirituais dos antigos Estudantes da Bíblia

      Charles Taze Russell e um pequeno grupo de associados em Allegheny, Pensilvânia, e cercanias, formaram, em 1870, uma classe de estudos bíblicos. Em resultado dessas reuniões, aumentaram paulatinamente no seu amor a Deus e à Sua Palavra, e chegaram a saber de modo progressivo o que a própria Bíblia ensina. Nessas reuniões, não figurava o falar milagrosamente em línguas. Por que não? Porque tais dons milagrosos haviam cumprido seu objetivo no primeiro século, e, conforme predizia a Bíblia, tinham cessado. “O próximo passo de progresso”, explicou o irmão Russell, “foi a manifestação dos frutos do Espírito, segundo S. Paulo indica bem claramente”. (1 Cor. 13:4-10) Além disso, como no primeiro século, havia uma urgente obra de evangelização a fazer, e eles precisavam ser incentivados a fazer isso. (Heb. 10:24, 25) Logo passaram a realizar duas reuniões por semana.

      O irmão Russell compreendeu que era importante os servos de Jeová serem um povo unido, não importa onde estivessem espalhados ao redor do globo. Portanto, em 1879, pouco depois de começar a ser publicada a Watch Tower (A Sentinela), os leitores foram convidados a solicitar a visita do irmão Russell ou de um de seus associados. Uma explicitamente declarada estipulação era: “Não se cobra nada nem se aceita dinheiro.” Depois de receber diversas solicitações, o irmão Russell empreendeu uma viagem de um mês que o levou até Lynn, Massachusetts, realizando reuniões que duravam de quatro a seis horas por dia em cada escala que fazia. O assunto em pauta era “Coisas Concernentes ao Reino de Deus”.

      Em princípios de 1881, o irmão Russell instou com os leitores da Watch Tower que ainda não tinham reuniões regulares em sua região: “Estabelecei uma em vossa própria casa com vossa própria família, ou até mesmo com poucos que estejam interessados. Lede, estudai, louvai e adorai juntos, e onde dois ou três estiverem reunidos em Seu nome, o Senhor estará no vosso meio — será vosso instrutor. Essa era a natureza de algumas das reuniões da igreja nos dias dos Apóstolos. (Vede Filêmon, 2.)”

      O programa de reuniões se desenvolveu gradativamente. Ofereciam-se sugestões, mas deixava-se ao critério de cada grupo local decidir o que era melhor em suas circunstâncias. Acontecia às vezes que um orador proferia um discurso, mas dava-se maior ênfase às reuniões em que todos podiam participar livremente. Algumas classes dos Estudantes da Bíblia no início não faziam muito uso das publicações da Sociedade em suas reuniões, mas os ministros viajantes, os peregrinos, os ajudaram a compreender o valor de se fazer isso.

      Depois de terem sido publicados alguns dos volumes de Millennial Dawn (Aurora do Milênio), esses começaram a ser usados como base para estudos. Em 1895, os grupos de estudo começaram a ser conhecidos por Círculos da Aurora de Estudos Bíblicos.a Mais tarde, alguns na Noruega os chamaram de “reuniões de leitura e conversação”, acrescentando: “Extratos dos livros do irmão Russell eram lidos em voz alta e, quando pessoas tinham comentários ou perguntas, levantavam a mão.” O irmão Russell recomendou que em tais estudos os participantes fizessem uso de uma variedade de traduções das Escrituras, de referências marginais na Bíblia e de concordâncias da Bíblia. Os estudos eram realizados não raro com grupos de tamanho moderado, em residências, numa noite conveniente para o grupo. Eram precursores do atual Estudo de Livro de Congregação.

      O irmão Russell compreendeu que se precisava mais do que apenas estudar assuntos doutrinais. Devia haver também expressões de devoção, a fim de que o coração das pessoas fosse motivado pelo apreço para com o amor de Deus e pelo desejo de honrá-lo e servi-lo. Instou-se com as classes que programassem uma reunião especial para esse fim uma vez por semana. Tais reuniões eram às vezes chamadas de “Reuniões de Chalé”, porque eram realizadas em residências. O programa incluía orações, cânticos de louvor e testemunhos relatados pelos na assistência.b Esses testemunhos eram às vezes experiências encorajadoras; estavam também incluídas as provações, dificuldades e perplexidades enfrentadas dias antes. Em alguns lugares, essas reuniões deixavam consideravelmente de alcançar seu objetivo por se dar excessiva ênfase a pessoas. The Watch Tower trazia bondosas sugestões para melhora.

      Recordando essas reuniões, Edith Brenisen, esposa de um dos primeiros peregrinos nos Estados Unidos, disse: “Era uma noite de meditação sobre o cuidado amoroso de Jeová, e de estreita associação com nossos irmãos e irmãs. Ao ouvirmos algumas de suas experiências, chegávamos a conhecê-los melhor. Observar sua fidelidade e ver como venciam suas dificuldades não raro nos ajudava a solucionar algumas de nossas próprias perplexidades.” Com o tempo, porém, tornou-se evidente que eram mais proveitosas as reuniões destinadas a equipar cada um para a obra de evangelização.

      O modo como era realizada a reunião aos domingos em alguns lugares causava preocupação aos irmãos. Algumas classes tentavam considerar a Bíblia versículo por versículo. Mas, às vezes, as diferenças de opinião quanto ao sentido não eram nada edificantes. Para melhorar a situação, alguns da congregação de Los Angeles, Califórnia, elaboraram esboços de estudos bíblicos por tópicos, com perguntas e referências a serem examinadas por toda a classe antes de comparecer à reunião. Em 1902, a Sociedade tornou disponível uma Bíblia que continha “Ajudas de Estudos Bíblicos Bereanos”, inclusive um índice de tópicos.c Para simplificar ainda mais as coisas, a partir do número de 1.º de março de 1905 da Watch Tower, começou-se a publicar esboços para consideração na congregação, com perguntas, bem como com referências à Bíblia e às publicações da Sociedade para pesquisas. Esses continuaram até 1914, época em que se publicaram perguntas de estudo para os volumes de Studies in the Scriptures (Estudos das Escrituras), para uso como base dos Estudos Bereanos.

      Todas as classes tinham a mesma matéria disponível, mas o número de reuniões semanais variava de um a quatro ou mais, dependendo da programação local. Em Colombo, Ceilão (hoje Sri Lanka), a partir de 1914, as reuniões eram realizadas na verdade sete dias por semana.

      Os Estudantes da Bíblia foram incentivados a aprender a fazer pesquisas, a ‘pôr todas as coisas à prova’, a expressar pensamentos em suas próprias palavras. (1 Tes. 5:21, King James) O irmão Russell incentivava uma consideração plena e livre da matéria de estudo. Também, acautelou: “Nunca vos esqueçais que a Bíblia é nosso Padrão e que, não obstante as ajudas dadas a nós por Deus, elas são ‘ajudas’, e não substituem a Bíblia.”

      Comemoração da morte do Senhor

      A partir de cerca de 1876, os Estudantes da Bíblia providenciaram comemorar a cada ano a morte do Senhor.d De início, o grupo de Pittsburgh, Pensilvânia, e das redondezas reunia-se na casa de um irmão. Em 1883, a assistência aumentara para cerca de cem ali, e usava-se um salão alugado. Para acomodar a grande assistência esperada em Pittsburgh, em 1905, os irmãos decidiram contratar o uso do espaçoso Carnegie Hall.

      Os Estudantes da Bíblia reconheciam que se tratava de uma observância anual, não algo que tinha de ser celebrado semanalmente. A data em que faziam a celebração correspondia a 14 de nisã no calendário judaico, data da morte de Jesus. Com o passar dos anos, houve alguns refinamentos no modo de se calcular essa data.e Mas o principal assunto de interesse era o significado em si do próprio evento.

      Embora os Estudantes da Bíblia se reunissem para essa comemoração em grupos de tamanhos variados, em muitos lugares, quaisquer deles que pudessem reunir-se com os irmãos em Pittsburgh eram bem acolhidos. De 1886 a 1893, os leitores da Watch Tower foram especialmente convidados a ir a Pittsburgh, se possível, e fizeram isso, indo de várias partes dos Estados Unidos e do Canadá. Isto não só lhes permitiu celebrar a Comemoração juntos, mas também os ajudou a cimentar os laços da união espiritual. Entretanto, com o aumento no número de classes, tanto nos Estados Unidos como em outras partes do mundo, não mais era prático tentar reunir todos num só lugar, e compreenderam que resultaria em maior benefício se se reunissem com concrentes na região onde residiam.

      Segundo indicado na Watch Tower, havia muitos que professavam crer no resgate, e a nenhum desses se impedia de comparecer à comemoração anual. Mas a ocasião tinha significado especial para os que realmente pertenciam ao “pequeno rebanho” de Cristo. Estes são os que participariam no Reino celestial. Na noite antes da morte de Jesus, quando ele instituiu a Comemoração, foi a pessoas às quais essa esperança estava sendo oferecida que Cristo disse: “Persisti em fazer isso em memória de mim.” — Luc. 12:32; 22:19, 20, 28-30.

      Especialmente a partir da década de 30, os prospectivos membros da “grande multidão” de outras ovelhas começaram a manifestar-se. (Rev. 7:9, 10; João 10:16) Estes eram nessa época chamados de jonadabes. Pela primeira vez, no número de 15 de fevereiro de 1938, The Watchtower os convidou especificamente a estar presentes na Comemoração, dizendo: “Depois das dezoito horas de 15 de abril, que cada companhia dos ungidos se reúna e celebre a Comemoração, com a presença também de seus companheiros, os jonadabes.” Eles assistiram não como participantes, mas como observadores. Sua presença começou a aumentar o número dos que compareciam à Comemoração da morte de Cristo. Em 1938, a assistência total foi de 73.420, ao passo que o número dos que participaram do pão e do vinho emblemáticos foi de 39.225. Nos anos que se seguiram, os que compareciam como observadores passaram a incluir também grandes números de recém-interessados e outros que ainda não se haviam tornado Testemunhas ativas de Jeová. Assim, em 1992, quando o número máximo dos que participavam no ministério de campo era de 4.472.787, a assistência à Comemoração foi de 11.431.171, e o número dos participantes dos emblemas foi de apenas 8.683. Em alguns países, a assistência tem sido cinco ou seis vezes maior do que o número de Testemunhas ativas.

      Por causa de sua profunda consideração pelo significado da morte de Cristo, as Testemunhas de Jeová celebram a Comemoração mesmo quando se vêem em circunstâncias muito difíceis. Durante a década de 70, quando os toques de recolher na Rodésia (hoje conhecida por Zimbábue) impossibilitavam sair à noitinha, todos os irmãos em algumas regiões se reuniam na casa de uma Testemunha de Jeová durante o dia e daí celebravam a Comemoração à noitinha. Naturalmente, não podiam retornar para casa depois da reunião, assim pernoitavam ali. As demais horas, à noitinha, eram usadas para entoar cânticos do Reino e relatar experiências, o que era fonte de revigoramento adicional.

      Nos campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial, a Comemoração era celebrada, embora isso pudesse ter resultado em severa punição se os guardas descobrissem. Quando isolado na prisão, na China comunista, de 1958 a 1963, por causa de sua fé cristã, Harold King celebrava a Comemoração do melhor modo nas circunstâncias em que se encontrava. Ele disse mais tarde: “Da janela da prisão eu observava a lua tornar-se lua cheia perto do início da primavera. Calculava tão cuidadosamente quanto podia a data da celebração.” Ele improvisava os necessários emblemas, fazendo um pouco de vinho de groselhas pretas e usando arroz, que não é fermentado, para o pão. Ele disse também: “Eu cantava, orava e proferia o discurso costumeiro para a ocasião, assim como se faria numa congregação do povo de Jeová. Assim, eu sentia unir-me todo ano a meus irmãos em todo o mundo nesta ocasião de máxima importância.”

      Onde se enquadram os jovens

      Durante aqueles primeiros anos, as publicações e as reuniões dos Estudantes da Bíblia não eram especialmente elaboradas para preencher as necessidades dos jovens. Eles podiam assistir às reuniões, e alguns deles faziam isso e escutavam com vivo interesse. Mas não havia esforço especial para incluí-los no que ocorria ali. Por que não?

      O entendimento dos irmãos naquele tempo era que restava apenas um período muito curto até que todos os membros da noiva de Cristo fossem unidos com ele em glória celestial. A Watch Tower, em 1883, explicou: “Nós, que estamos sendo treinados para a chamada acima, não podemos desviar-nos da obra especial desta era — a obra de preparar ‘a Noiva, a esposa do Cordeiro’. A Noiva precisa preparar-se; e neste exato momento, quando os últimos toques de adorno estão sendo dados na preparação para as núpcias, o serviço de todos os membros é necessário para esta importantíssima obra atual.”

      Os pais foram firmemente instados a arcar com a sua própria responsabilidade conferida por Deus de cuidar da instrução espiritual de seus filhos. Não se incentivavam escolas dominicais separadas para jovens. Era óbvio que o emprego de escolas dominicais da cristandade havia causado muito dano. Os pais que enviavam seus filhos a tais escolas muitas vezes eram da opinião de que essa provisão os eximia da responsabilidade de dar instrução religiosa a seus filhos. As crianças, por sua vez, por não recorrerem a seus pais como a principal fonte de instrução sobre Deus, não foram motivadas a honrar seus pais e a obedecer-lhes como deveriam.

      Entretanto, de 1892 a 1927, a Watch Tower reservou espaço para comentários sobre o texto das “Lições da Escola Dominical Internacional”, de uso comum em muitas igrejas protestantes na época. Esses textos foram por muitos anos selecionados por F. N. Peloubet, um clérigo congregacional, e pelos seus assistentes. A Watch Tower considerava esses textos do ponto de vista do entendimento adiantado dos Estudantes da Bíblia, isento dos credos da cristandade. Esperava-se que assim a Watch Tower conseguisse infiltrar-se em algumas igrejas, que a verdade fosse assim apresentada e que alguns membros das igrejas a aceitassem. Naturalmente, era bem evidente a diferença, e isto enfureceu o clero protestante.

      Chegou o ano de 1918, e o restante, ou os remanescentes dos ungidos, ainda estava no cenário terrestre. O número de crianças em suas reuniões também havia aumentado grandemente. Com freqüência, simplesmente se permitia que as crianças brincassem enquanto os pais estudavam. Contudo, os jovens também precisavam aprender a ‘buscar a justiça, a buscar a mansidão’, se haviam de ser “escondidos no dia da ira do Senhor”. (Sof. 2:3, Almeida, ed. rev. e corr.) Portanto, em 1918, a Sociedade incentivou as congregações a programar uma classe juvenil para jovens de 8 a 15 anos de idade. Em alguns lugares, havia até mesmo classes primárias para os que eram pequenos demais para a classe juvenil. Ao mesmo tempo, frisou-se de novo a responsabilidade dos pais.

      Isto levou a outros desenvolvimentos. The Golden Age (A Idade de Ouro), em 1920, tinha uma parte intitulada “Estudo Bíblico Juvenil”, com perguntas acompanhadas de citações bíblicas nas quais se podiam encontrar as respostas. Naquele mesmo ano, foi publicado The Golden Age ABC; era um folheto ilustrado para ser usado pelos pais para ensinarem verdades bíblicas fundamentais e qualidades cristãs a seus filhos pequenos. Foi seguido, em 1924, de um livro intitulado The Way to Paradise (O Caminho Para o Paraíso), escrito por W. E. Van Amburgh. Era adaptado a “estudantes intermediários da Bíblia”. Por algum tempo, foi usado nas reuniões para jovens. Além disso, na América, as “Testemunhas Jovens” tinham seus próprios programas de serviço de campo. Na Suíça, um grupo de jovens formou uma associação, chamada “Jovens de Jeová”, para os de 13 a 25 anos de idade. Tinham sua própria sede em Berna, e uma revista especial, Jehovas Jugend (Jovens de Jeová), era editada e impressa nas prensas da Sociedade ali. Esses jovens tinham suas próprias reuniões e até mesmo encenavam dramas bíblicos, como fizeram na Volkshaus em Zurique, perante uma assistência de 1.500 pessoas.

      O que acontecia, porém, era que uma organização se estava desenvolvendo dentro da organização dos servos de Jeová. Isto não contribuiria para união, e foi descontinuado em 1936. Em abril de 1938, durante uma visita à Austrália, J. F. Rutherford, o presidente da Sociedade, notou que uma classe para crianças estava sendo dirigida à parte do congresso dos adultos. Ele tomou medidas imediatas para que todas as crianças fossem trazidas para o congresso principal, que era de grande proveito para elas.

      Naquele mesmo ano, The Watchtower considerou cabalmente a questão sobre classes separadas para jovens na congregação. Esse estudo ressaltava novamente a responsabilidade dos pais de instruir seus próprios filhos. (Efé. 6:4; veja Deuteronômio 4:9, 10; Jeremias 35:6-10.) Mostrava também não haver na Bíblia precedentes para segregar os jovens por meio de classes para jovens. Em vez disso, deviam estar presentes com seus pais para ouvir a Palavra de Deus. (Deut. 31:12, 13; Jos. 8:34, 35) Caso precisassem de explicação adicional da matéria de estudo, tal podia ser dada pelos pais em casa. Além disso, os artigos explicavam que as provisões de tais classes separadas estavam na realidade cerceando a pregação das boas novas de casa em casa. De que modo? Porque os instrutores deixavam de sair no serviço de campo para preparar e dirigir essas classes. Portanto, todas as classes separadas para jovens foram descontinuadas.

      Até o presente momento, continua a ser costume entre as Testemunhas de Jeová os membros da inteira família assistir às reuniões de congregação juntos. Os filhos são ajudados pelos pais a se prepararem para participar de maneira apropriada. Adicionalmente, forneceu-se uma excelente coleção de publicações para os pais usarem ao darem instrução a seus filhos jovens em casa. Entre estas estão os livros: Filhos, em 1941; Escute o Grande Instrutor, em 1971; Sua Juventude — O Melhor Modo de Usufruí-la, em 1976; Meu Livro de Histórias Bíblicas, em 1978; e Os Jovens Perguntam — Respostas Práticas, em 1989.

      Equipando todos para serem evangelizadores ativos

      Desde que foram publicados os primeiros números da Watch Tower, seus leitores têm sido regularmente lembrados do privilégio e da responsabilidade de todos os verdadeiros cristãos de proclamar as boas novas sobre o propósito de Deus. As reuniões de congregação têm ajudado a preparar seu coração e mente para esta atividade, edificando seu amor a Jeová e seu conhecimento sobre Seus propósitos. Mas, especialmente depois do congresso em Cedar Point, Ohio, em 1922, ressaltou-se grandemente o que se realizava no serviço de campo e como se podia participar nele com eficácia.

      O Bulletin,f uma folha que continha informações diretamente relacionadas com o serviço de campo, trazia um breve testemunho para a pregação de casa em casa, que era decorado e usado para dar testemunho às pessoas. Na maior parte do ano de 1923, no começo de cada mês, como estímulo para os esforços unidos de anunciar o Reino, metade do tempo da Reunião de Oração, Louvor e Testemunho, nas quartas-feiras, era reservada a testemunhos sobre o serviço de campo.

      Já em 1926, as reuniões mensais em que se considerava o serviço de campo eram chamadas de Reuniões dos Trabalhadores. Os que realmente participavam nesse serviço eram em geral os que compareciam. Nessas reuniões, consideravam-se os métodos usados para dar testemunho a outros, e faziam-se planos para futura atividade. Em 1928, a Sociedade instava com as congregações para que realizassem essas reuniões semanalmente. Quatro anos mais tarde, as congregações começaram a substituir a Reunião de Testemunho (ou de Declaração) por aquilo que veio a ser chamado de Reunião de Serviço, e a Sociedade incentivou todos a assistir a essa reunião. Por mais de 60 anos, essa reunião semanal tem sido realizada pelas congregações. Por meio de discursos, palestras que envolvem a participação da assistência, demonstrações e entrevistas, tem-se fornecido ajuda específica relacionada com todos os aspectos do ministério cristão.

      Este tipo de reunião certamente não se originou no século 20. O próprio Jesus deu instruções pormenorizadas a seus discípulos antes de enviá-los a pregar. (Mat. 10:5-11:1; Luc. 10:1-16) Mais tarde, eles edificaram uns aos outros, reunindo-se para relatar suas experiências no ministério. — Atos 4:21-31; 15:3.

      Quanto ao treinamento para proferir discursos, nos primeiros anos isto não era feito nas reuniões regulares de congregação. Todavia, pelo menos a partir de 1916, sugeriu-se aos que achavam que tinham algum potencial como oradores que realizassem classes à parte, talvez com um ancião presente como examinador para ouvi-los e oferecer conselhos, a fim de melhorarem o conteúdo e o proferimento de seus discursos. Essas reuniões, às quais compareciam só os varões na congregação, mais tarde chegaram a ser conhecidas por Escolas dos Profetas. Recordando os eventos daquela época, Grant Suiter disse: “A crítica construtiva que me fizeram na escola não foi nada em comparação com a que recebi de meu pai pessoalmente depois de ele ter assistido a uma das sessões para me ouvir tentar proferir um discurso.” Para ajudar os que estavam tentando fazer progresso, os irmãos compilaram e imprimiram em particular um compêndio de instruções sobre proferimento de discursos, junto com esboços para uma variedade de discursos. Com o tempo, porém, essas Escolas dos Profetas foram descontinuadas. Para preencher a necessidade especial que existia naquele tempo, deu-se plena atenção a habilitar todo membro de congregação para uma participação cabal na obra de evangelização de casa em casa.

      Seria possível habilitar cada membro desta crescente organização internacional não só para dar um breve testemunho e oferecer publicações bíblicas, mas também para falar eficazmente e ser um instrutor da Palavra de Deus? Esse era o objetivo de uma escola especial estabelecida em cada congregação das Testemunhas de Jeová a partir de 1943. Ela já estava em funcionamento na sede mundial das Testemunhas de Jeová desde fevereiro de 1942. Toda semana, dava-se instrução, e os estudantes proferiam discursos e recebiam conselhos sobre esses. De início, só os varões davam discursos na escola, embora a congregação inteira fosse incentivada a comparecer, a preparar as lições e a participar nas recapitulações. Em 1959, as irmãs também tiveram o privilégio de se matricular, para treinamento em palestras sobre assuntos bíblicos entre uma pessoa e outra.

      Quanto ao efeito dessa escola, a filial da Sociedade Torre de Vigia na África do Sul relatou: “Este excelente arranjo teve êxito, em pouco tempo, em ajudar muitos irmãos, que imaginavam que nunca seriam oradores públicos, a se tornarem mui desenvoltos na tribuna e mais eficazes no campo. Em todas as partes da África do Sul, os irmãos acolheram esta nova provisão de Jeová e a puseram em operação com entusiasmo. Isto foi feito apesar de grandes obstáculos da língua e da falta de instrução da parte de alguns.”

      A Escola do Ministério Teocrático continua a ser uma reunião importante nas congregações das Testemunhas de Jeová. Quase todos os que podem matriculam-se. Jovens e idosos, Testemunhas novas e as com muita experiência participam. É um programa contínuo de instrução.

      O público é convidado a ver e ouvir

      As Testemunhas de Jeová em nenhum sentido são uma sociedade secreta. Suas crenças bíblicas são plenamente explicadas em publicações disponíveis a todos. Além disso, fazem esforço especial para convidar o público às suas reuniões para verem e ouvirem pessoalmente o que se faz ali.

      Jesus Cristo deu instrução pessoal a seus discípulos, mas ele proferiu também discursos públicos — junto à praia, na encosta de um monte, nas sinagogas, na área do templo em Jerusalém — onde as multidões o podiam ouvir. (Mat. 5:1, 2; 13:1-9; João 18:20) Imitando isso, já na década de 1870, os Estudantes da Bíblia começaram a realizar reuniões onde irmãos, vizinhos e outros que porventura tivessem interesse pudessem ouvir um discurso sobre o propósito de Deus para a humanidade.

      Fez-se esforço especial de realizar esses discursos em lugares convenientes para o público. Isto era conhecido por trabalho de extensão das classes. Em 1911, as congregações que tinham suficientes oradores talentosos foram incentivadas a programar que alguns desses fossem a cidades e vilas circunvizinhas para realizarem reuniões em salões municipais. Onde possível, programavam uma série de seis discursos. Depois do último da série, o orador perguntava sobre quantos na assistência tinham suficiente interesse em estudos bíblicos para se reunirem regularmente. Mais de 3.000 desses discursos foram proferidos no primeiro ano.

      A partir de 1914, o “Fotodrama da Criação” também foi levado ao público. Os irmãos não cobravam entrada. Desde então, têm feito outras exibições de filmes cinematográficos e de slides. A partir da década de 20, o uso extensivo do rádio pela Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) habilitou as pessoas a ouvir discursos bíblicos em suas próprias casas. Depois, na década de 30, discursos proferidos por J. F. Rutherford foram gravados e tocados em milhares de reuniões públicas.

      Em 1945, já havia um grande número de oradores públicos treinados na Escola do Ministério Teocrático. Em janeiro daquele ano, iniciou-se uma campanha bem coordenada de reuniões públicas. A Sociedade forneceu esboços para uma série de oito discursos oportunos. Convites e, às vezes, cartazes eram usados para se fazer publicidade. Além de usarem o costumeiro local de reunião das congregações, os irmãos fizeram esforços especiais para programar essas reuniões públicas em territórios onde não existiam congregações. Todos nas congregações podiam participar — fazendo publicidade das reuniões, assistindo a essas pessoalmente, bem como dando boas-vindas aos novos, e respondendo às suas perguntas. Durante o primeiro ano desta atividade especial, 18.646 reuniões públicas foram realizadas nos Estados Unidos, com uma assistência total de 917.352. No ano seguinte, o número de reuniões públicas aumentou para 28.703 no campo americano. E no Canadá, onde 2.552 dessas reuniões foram realizadas em 1945, houve 4.645 no ano seguinte.

      Na maioria das congregações das Testemunhas de Jeová, as Reuniões Públicas fazem agora parte de seu programa regular de reuniões semanais. São em forma de um discurso, durante o qual todos são incentivados a procurar textos bíblicos chaves ao passo que vão sendo lidos e considerados. Essas reuniões são uma rica fonte de instrução espiritual para a congregação e para os recém-chegados.

      As pessoas que assistem às reuniões das Testemunhas de Jeová pela primeira vez ficam muitas vezes agradavelmente surpresas. Um proeminente político em Zimbábue foi a um Salão do Reino para ver o que ocorria ali. Tratava-se de um homem de temperamento violento, e ele foi propositadamente sem fazer a barba e com os cabelos despenteados. Ele achava que as Testemunhas o expulsariam de lá. Em vez disso, mostraram genuíno interesse nele e o incentivaram a aceitar um estudo bíblico domiciliar. Hoje ele é uma humilde e pacífica Testemunha cristã.

      Há milhões de pessoas que, depois de assistirem a reuniões das Testemunhas de Jeová, se sentiram impelidas a dizer: “Deus está realmente entre vós.” — 1 Cor. 14:25.

      Lugares adequados para reuniões

      Nos dias dos apóstolos de Jesus Cristo, os cristãos não raro realizavam suas reuniões em residências. Em alguns lugares, podiam falar em sinagogas judaicas. Em Éfeso, o apóstolo Paulo deu discursos por dois anos no auditório de uma escola. (Atos 19:8-10; 1 Cor. 16:19; Filêm. 1, 2) Similarmente, perto do fim do século 19, os Estudantes da Bíblia se reuniam em casas, davam discursos, às vezes, em capelas de igreja e usavam outros salões alugados quando disponíveis. Em alguns casos, adquiriram mais tarde prédios antes usados por outros grupos religiosos e fizeram uso desses em caráter regular. Esse foi o caso do Tabernáculo de Brooklyn e do Tabernáculo de Londres.

      Mas não precisavam nem desejavam prédios pomposos para as suas reuniões. Algumas congregações adquiriram e reformaram imóveis adequados; outras construíram salões novos. Depois de 1935, o nome Salão do Reino veio a ser usado gradativamente para designar esses lugares de reuniões de congregação. Esses são geralmente de aspecto atraente, mas não são ostentosos. A arquitetura pode variar de lugar para lugar, mas o propósito da construção é funcional.

      Unificado programa de instrução

      Na última parte do século 19 e em princípios do século 20, variava consideravelmente de uma congregação para outra o desenvolvimento espiritual e a atividade. Tinham em comum certas crenças básicas que as distinguiam da cristandade. Contudo, ao passo que alguns irmãos apreciavam profundamente o meio empregado por Jeová para alimentar seu povo, outros eram facilmente desviados pelas idéias de pessoas opiniáticas em determinados assuntos.

      Antes de morrer, Jesus orou para que seus seguidores ‘fossem todos um’ — em união com Deus e Cristo e uns com os outros. (João 17:20, 21) Não devia ser uma união forçada. Resultaria de um unificado programa de educação que encontrasse aceitação em corações receptivos. Conforme se predissera muito tempo atrás: “Todos os teus filhos serão pessoas ensinadas por Jeová e a paz de teus filhos será abundante.” (Isa. 54:13) Para gozarem dessa paz em plena medida, todos precisavam ter oportunidade de tirar proveito da instrução progressiva que Jeová provia por intermédio de seu canal visível de comunicação.

      Por muitos anos, os Estudantes da Bíblia usaram os vários volumes de Studies in the Scriptures, junto com a Bíblia, como base para palestras. Esses continham deveras “alimento [espiritual] no tempo apropriado”. (Mat. 24:45) Entretanto, o exame contínuo das Escrituras, sob a direção do espírito de Deus, tornava evidente que os servos de Jeová tinham muito a aprender e ainda precisavam purificar-se muito em sentido espiritual. (Mal. 3:1-3; Isa. 6:1-8) Além disso, depois do estabelecimento do Reino em 1914, muitas profecias estavam tendo cumprimento em rápida sucessão, e essas apontavam para uma obra urgente em que todos os verdadeiros cristãos deviam empenhar-se. Essas oportunas informações bíblicas foram fornecidas regularmente através das colunas de The Watch Tower.

      Percebendo que nem todos nas congregações estavam tirando proveito desses artigos, alguns representantes viajantes da Sociedade recomendavam à sede que, em reuniões semanais regulares, todas as congregações estudassem The Watch Tower. Essa recomendação foi transmitida às congregações, e, a partir da edição de 15 de maio de 1922, figurava na revista a seção “Perguntas Bereanas” para uso no estudo dos principais artigos da Watch Tower. A maioria das congregações tinha esse estudo uma ou mais vezes por semana, mas variava quanto da revista estudavam realmente. Em alguns lugares, em razão de o dirigente ter muito a dizer, esse estudo durava duas horas ou mais.

      Na década de 30, porém, a organização teocrática substituiu os métodos democráticos. Isto influiu grandemente sobre como era considerado o estudo de The Watchtower.g Dirigiu-se maior atenção ao entendimento da matéria de estudo fornecida pela Sociedade. Os que tiravam partido das reuniões para expressar conceitos pessoais e relutavam em assumir a responsabilidade de participar no ministério de campo foram paulatinamente se afastando. Com ajuda paciente, os irmãos aprenderam a limitar o estudo a uma hora. Em resultado disso, houve maior participação; as reuniões ficaram mais animadas. Também, passou a permear nas congregações um espírito de genuína união, baseada num programa unificado de alimento espiritual em que a Palavra de Deus era o padrão para a verdade.

      Em 1938, The Watchtower era publicada em cerca de 20 línguas. Tudo era publicado primeiro em inglês. Geralmente não se tornava disponível em outras línguas senão vários meses depois, ou talvez um ano mais tarde, por causa do tempo que se precisava para traduzir e imprimir. Entretanto, com a mudança de métodos de impressão, conseguiu-se, na década de 80, a publicação simultânea de A Sentinela em muitas línguas. Em 1992, as congregações que entendiam uma de 66 línguas podiam estudar a mesma matéria ao mesmo tempo. Assim, a vasta maioria das Testemunhas de Jeová mundialmente participa do mesmo alimento espiritual semana após semana. Em toda a América do Norte e do Sul, na maior parte da Europa, em numerosas terras do Oriente, em muitos lugares na África e em diversas ilhas ao redor do globo, os do povo de Jeová usufruem provisão simultânea de alimento espiritual. Juntos eles estão sendo “aptamente unidos na mesma mente e na mesma maneira de pensar”. — 1 Cor. 1:10.

      Os números dos que assistem às reuniões congregacionais indicam que as Testemunhas de Jeová levam a sério as suas reuniões. Na Itália, onde havia cerca de 172.000 Testemunhas ativas em 1989, a assistência semanal às reuniões no Salão do Reino foi de 220.458. Em contraste com isso, uma agência de imprensa católica diz que 80 por cento dos italianos dizem que são católicos, mas que apenas cerca de 30 por cento assistem aos ofícios da igreja com certa regularidade. Proporcionalmente, acontece o mesmo no Brasil. Na Dinamarca, em 1989, a Igreja Nacional afirmava que 89,7 por cento dos habitantes eram membros, mas apenas 2 por cento desses freqüentavam a igreja uma vez por semana! Entre as Testemunhas de Jeová na Dinamarca, a assistência semanal, nessa mesma época, era de 94,7 por cento. Na Alemanha, um estudo feito pelo Instituto Allensbach de Pesquisa de Opinião, em 1989, indicava que 5 por cento dos luteranos e 25 por cento dos católicos na República Federal freqüentavam regularmente a igreja. Entretanto, nos Salões do Reino das Testemunhas de Jeová, a assistência semanal foi maior do que o número de Testemunhas.

      Os na assistência muitas vezes fazem grandes esforços para estar presentes. Na década de 80, uma senhora de 70 anos, no Quênia, caminhava regularmente dez quilômetros e atravessava um rio vadeando para chegar às reuniões toda semana. Para assistir a reuniões em seu próprio idioma, uma Testemunha coreana nos Estados Unidos viajava regularmente três horas para ir e três para voltar, de ônibus, trem e barco, também caminhando. No Suriname, uma família de pouca renda gastava o salário de um dia em passagens de ônibus semanalmente para chegar às reuniões. Na Argentina, uma família viajava 50 quilômetros e gastava um quarto da renda da família para assistir às reuniões de estudos bíblicos. Nos casos em que a enfermidade impede totalmente alguns de assistir às reuniões da congregação, tomam-se muitas vezes medidas para transmitir-lhes por telefone ou para que ouçam o programa numa fita gravada.

      As Testemunhas de Jeová levam a sério o conselho bíblico de não deixarem de se reunir, para a sua edificação espiritual. (Heb. 10:24, 25) E não é só às reuniões em suas congregações locais que comparecem. Assistir aos congressos é também um ponto alto em seu programa anual de eventos.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Mais tarde, estas reuniões foram chamadas de Círculos Bereanos de Estudos Bíblicos, em imitação dos bereanos do primeiro século que foram elogiados porque ‘examinavam cuidadosamente as Escrituras’. — Atos 17:11.

      b Por aquilo que englobavam, essas reuniões eram também chamadas de Reuniões de Oração, Louvor e Testemunho. Em vista da importância da oração, com o tempo recomendou-se que uma vez a cada três meses a reunião fosse simplesmente de orações, incluindo cânticos, mas sem experiências.

      c Em 1907, as ajudas de estudos bereanos foram revisadas, grandemente ampliadas e atualizadas. Acrescentaram-se umas 300 páginas de matéria útil na edição de 1908.

      d Era, às vezes, chamada de Páscoa antitípica, isto é, a comemoração da morte de Jesus Cristo, prefigurado pelo cordeiro pascoal e assim chamado “Cristo, a nossa páscoa”, em 1 Coríntios 5:7. Em harmonia com 1 Coríntios 11:20 (Imprensa Bíblica Brasileira), era também chamada de Ceia do Senhor. Foi às vezes chamada de “Ceia do Aniversário”, chamando assim atenção para o fato de que era uma comemoração anual.

      e Veja a Watchtower de março de 1891, páginas 33-4; 15 de março de 1907, página 88; 1.º de fevereiro de 1935, página 46; e A Sentinela de março de 1948, páginas 41-3.

      f Mesmo antes de 1900, enviava-se um panfleto intitulado Suggestive Hints to Colporteurs (Idéias Sugestivas Para Colportores) aos que se alistavam neste serviço especial. A partir de 1919, o Bulletin foi publicado para fornecer estímulo no serviço de campo, primeiro em distribuir The Golden Age e mais tarde com relação a vários tipos de atividade evangelizadora.

      g O nome Zion’s Watch Tower and Herald of Christ’s Presence (A Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo) foi mudado em 1.º de janeiro de 1909 para The Watch Tower and Herald of Christ’s Presence (A Torre de Vigia e Arauto da Presença de Cristo). A partir de 15 de outubro de 1931, o nome passou para The Watchtower and Herald of Christ’s Presence.

      [Destaque na página 237]

      Reuniões que incentivavam participação pessoal.

      [Destaque na página 238]

      Não meramente uma filosofia mental, mas expressões que motivassem o coração.

      [Destaque na página 246]

      Todos na família são incentivados a assistir às reuniões juntos.

      [Destaque na página 252]

      Unificação do programa de alimentação espiritual

      [Destaque na página 253]

      As Testemunhas levam a sério as suas reuniões.

      [Foto na página 243]

      Embora isolado numa prisão chinesa, Harold King continuou a celebrar a Comemoração.

      [Foto na página 244]

      Classe bíblica juvenil na Alemanha, em princípios da década de 30

      Na Suíça, em meados da década de 30, jovens Testemunhas publicavam esta revista (abaixo) e encenavam dramas bíblicos (segundo aparece abaixo, no centro) para grandes assistências.

      [Foto na página 247]

      O “Bulletin” (1919-35), o “Director” (1935-36), o “Informante” (1936-56), e agora “Nosso Ministério do Reino”, em 100 línguas — todos têm fornecido instruções regulares para o unido ministério de campo das Testemunhas de Jeová.

      [Foto na página 248]

      Demonstrações nas Reuniões de Serviço ajudam as Testemunhas a melhorar seu próprio ministério de campo (Suécia).

      [Foto na página 249]

      Jovem Testemunha no Quênia ganha experiência dando discurso a seu pai na Escola do Ministério Teocrático.

      [Foto na página 250]

      Em 1992, a matéria de estudo bíblico para as congregações das Testemunhas de Jeová era publicada simultaneamente em 66 línguas, e mais línguas continuam a ser acrescentadas.

      [Fotos/Quadro na página 239]

      Primeiras congregações

      Já em 1916 havia uns 1.200 grupos de Estudantes da Bíblia em todo o mundo.

      Durban, África do Sul, 1915 (no alto, à direita); Guiana Inglesa (Guiana), 1915 (no meio, à direita); Trondheim, Noruega, 1915 (embaixo, à direita); Hamilton, Ont., Canadá, 1912 (embaixo); Ceilão (Sri Lanka), 1915 (embaixo, à esquerda); Índia, 1915 (no alto, à esquerda).

      [Fotos/Quadro nas páginas 240, 241]

      Louvor a Jeová com cânticos

      Assim como os antigos israelitas e o próprio Jesus usavam cânticos na adoração, as Testemunhas de Jeová fazem isso nos tempos atuais. (Nee. 12:46; Mar. 14:26) Ao mesmo tempo em que expressa louvor a Jeová e apreço pelas suas obras, tal entoar de cânticos tem ajudado a inculcar na mente e no coração as verdades bíblicas.

      Karl Klein dirigindo orquestra num congresso em 1947.

      Com o passar dos anos, muitas coleções de cânticos têm sido usadas pelas Testemunhas de Jeová. A letra tem sido atualizada em harmonia com o entendimento progressivo da Palavra de Deus.

      1879: “Songs of the Bride” (Cânticos da Noiva)

      (144 hinos que expressavam os desejos e as esperanças da noiva de Cristo.)

      1890: “Poems and Hymns of Millennial Dawn” (Poemas e Hinos da Aurora do Milênio)

      (151 poemas e 333 hinos, publicados sem a música. A maioria era obra de escritores bem conhecidos.)

      1896: A “Watch Tower” de 1.º de fevereiro foi dedicada a “Zion’s Glad Songs of the Morning” (Alegres Cânticos Matutinos de Sião)

      (Letra de 11 cânticos, com música; a letra foi escrita por Estudantes da Bíblia.)

      1900: “Zion’s Glad Songs” (Cânticos Alegres de Sião)

      (82 cânticos, muitos dos quais foram escritos por um Estudante da Bíblia; para complementar a coleção anterior.)

      1905: “Hymns of the Millennial Dawn” (Hinos da Aurora do Milênio)

      (Os 333 cânticos publicados em 1890, com a música)

      1925: “Kingdom Hymns” (Hinos do Reino)

      (80 cânticos, com música, especialmente para crianças)

      1928: “Cânticos de Louvor a Jeová”

      (337 cânticos, uma mistura de hinos novos, escritos pelos Estudantes da Bíblia, e de outros mais antigos. Na letra, fez-se esforço especial de afastar-se de sentimentos da religião falsa e da adoração de criaturas.)

      1944: “Cancioneiro do Serviço do Reino”

      (62 cânticos. Adaptados às necessidades do serviço do Reino naquela época. Não trazia nome de autores ou compositores.)

      1950: “Cânticos em Louvor a Jeová”

      (91 cânticos. Este cancioneiro tinha temas mais atualizados e dispensava a linguagem arcaica. Foi traduzido em 18 línguas.)

      1966: “Cantando e Acompanhando-vos com Música nos Vossos Corações”

      (119 cânticos que abrangiam todo aspecto da vida e da adoração cristã. Foram omitidas músicas que se sabia serem de origem secular ou de fontes da religião falsa. Foram feitas gravações orquestradas do inteiro cancioneiro e estas eram usadas extensivamente como acompanhamento nas reuniões de congregação. Foram gravados também alguns deles em coro. A partir de 1980, gravações com arranjos orquestrados das “Melodias do Reino” foram produzidas para as pessoas as usufruírem em casa como música edificante.)

      1984: “Cantemos Louvores a Jeová”

      (225 cânticos do Reino, com letras e melodias compostas inteiramente por servos dedicados de Jeová de todas as partes da Terra. Foram produzidas gravações fonográficas e em cassetes para servirem de acompanhamento.)

      Nas suas antigas Reuniões de Chalé, os Estudantes da Bíblia incluíam cânticos de louvor. Os cânticos logo se tornaram um aspecto de seus congressos. Alguns entoavam um cântico antes do café da manhã, em ligação com a adoração matinal, como se fazia por muitos anos na Casa da Bíblia. Embora o entoar de cânticos nas congregações locais fosse em grande parte dispensado por volta de 1938, foi reiniciado em 1944, e continua a ser um aspecto importante das reuniões de congregação e dos congressos das Testemunhas de Jeová.

      [Gráfico na página 242]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      Comemoração da morte de Cristo

      Testemunhas ativas

      Assistência

      11.000.000

      10.000.000

      9.000.000

      8.000.000

      7.000.000

      6.000.000

      5.000.000

      4.000.000

      3.000.000

      2.000.000

      1.000.000

      1935 1945 1955 1965 1975 1985 1992

  • Congressos uma prova de nossa fraternidade
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 17

      Congressos uma prova de nossa fraternidade

      OS CONGRESSOS se tornaram um aspecto regular da organização das Testemunhas de Jeová nos tempos modernos. Mas havia reuniões nacionais e internacionais de adoradores de Jeová muito antes do século 20.

      Jeová exigia que todos os varões no Israel antigo se reunissem em Jerusalém para três festividades sazonais todo ano. Alguns desses homens levavam consigo a inteira família. De fato, a Lei mosaica requeria que todos os membros da família — homens, mulheres e crianças — estivessem presentes em certas ocasiões. (Êxo. 23:14-17; Deut. 31:10-13; Luc. 2:41-43) De início, os que compareciam eram pessoas que residiam dentro dos limites de Israel. Mais tarde, quando os judeus se dispersaram amplamente, os que compareciam vinham de muitas nações. (Atos 2:1, 5-11) Eram atraídos a se reunir não simplesmente porque Israel e Abraão fossem seus antepassados, mas porque reconheciam a Jeová como grandioso Pai celestial. (Isa. 63:16) Essas festividades eram ocasiões felizes. Ajudavam também a todos os que estavam presentes a manter a mente na palavra de Deus e a não ficar tão envolvidos nos assuntos cotidianos da vida a ponto de esquecerem os assuntos espirituais mais importantes.

      Da mesma forma, os congressos das Testemunhas de Jeová nos tempos atuais têm como ponto central os interesses espirituais. Para os observadores sinceros, esses congressos dão evidência inegável de que as Testemunhas estão unidas por fortes laços de fraternidade cristã.

      Antigos congressos dos Estudantes da Bíblia

      A programação de ajuntamentos de Estudantes da Bíblia de várias cidades e países se desenvolveu gradativamente. Dessemelhantes dos grupos religiosos tradicionais, os Estudantes da Bíblia, por meio de seus congressos, chegaram a conhecer rapidamente concrentes de outras partes. De início, esses congressos eram realizados em Allegheny, Pensilvânia, EUA, relacionados com a comemoração anual da morte do Senhor. Em 1891, avisou-se especificamente que haveria um “congresso para estudos da Bíblia e para a celebração da Ceia Comemorativa do Senhor”. No ano seguinte, a Watch Tower (A Sentinela) trazia um destacado título que anunciava “CONGRESSO DOS QUE CRÊEM, EM ALLEGHENY, PA, . . . DE 7 A 14 DE ABRIL, INCLUSIVE, DE 1892”.

      O público em geral não era convidado a esses primeiros congressos. Mas, em 1892, estavam presentes umas 400 pessoas que haviam dado evidência de fé no resgate e interesse sincero na obra do Senhor. O programa foi de cinco dias de intensivo estudo da Bíblia e mais dois dias de conselhos úteis para colportores.

      Disse uma pessoa que foi pela primeira vez a uma dessas reuniões: “Já compareci a muitos Congressos, mas nunca a um como este, em que a vontade e o plano de Deus são o único e incessante tópico, desde manhã até à noite; em casa, na rua, na reunião, no almoço e em toda a parte.” Sobre o espírito demonstrado pelos congressistas, alguém em Wisconsin, EUA, escreveu: “Impressionou-me muito o espírito de amor e bondade fraterna manifestado em todas as ocasiões.”

      Em 1893, houve uma mudança na programação de congressos anuais. Para aproveitarem preços favoráveis de passagens de trem, relacionados com a Exposição Colombiana naquele verão, os Estudantes da Bíblia se reuniram em Chicago, Illinois, de 20 a 24 de agosto. Este foi seu primeiro congresso fora da região de Pittsburgh. Entretanto, visando fazer o melhor uso do tempo e do dinheiro na obra do Senhor, não se realizaram outros congressos gerais por alguns anos.

      Depois, a partir de 1898, os Estudantes da Bíblia em vários lugares começaram a tomar a iniciativa localmente de programar assembléias, às quais compareceriam pessoas de uma área limitada. Em 1900, a Sociedade organizou 3 congressos gerais; mas houve também 13 assembléias locais nos Estados Unidos e no Canadá, a maioria por apenas um dia e não raro realizada em relação com a visita de um peregrino. O número continuou a aumentar. Em 1909, houve na América do Norte pelo menos 45 assembléias locais, além dos congressos servidos pelo irmão Russell em viagens especiais que o levaram a várias partes do continente. Uma parte destacada do programa de assembléias de um dia visava especialmente incentivar o interesse do público. As assistências podiam variar de uma centena a milhares de pessoas.

      Por outro lado, os congressos gerais, aos quais compareciam principalmente os Estudantes da Bíblia, davam ênfase à instrução dos que já estavam um tanto bem firmados no caminho da verdade. A esses congressos, trens especiais lotados traziam congressistas das principais cidades. A assistência chegava às vezes a 4.000, incluindo até mesmo alguns congressistas da Europa. Eram ocasiões de genuíno revigoramento espiritual que resultava em maior zelo e amor da parte do povo de Jeová. Um irmão disse no fim de um desses congressos, em 1903: “Eu não trocaria nem por mil dólares os benefícios que recebi neste Congresso; — embora eu seja pobre.”

      Os peregrinos que porventura estivessem na região proferiam discursos nas assembléias. O irmão Russell também procurava estar presente e participar no programa de assembléias locais, bem como em congressos maiores nos Estados Unidos e muitas vezes no Canadá. Isso representava viajar bastante. A maioria dessas viagens era feita em fins de semana. Mas, em 1909, um irmão em Chicago fretou diversos vagões de trem para transportar congressistas que viajavam com o irmão Russell de um congresso a outro numa turnê. Em 1911 e 1913, composições inteiras foram fretadas pelo mesmo irmão para levar centenas de congressistas em turnês de congressos que duravam um mês ou mais, cobrindo o oeste dos Estados Unidos e o Canadá.

      Viajar num trem de congresso era uma experiência memorável. Em 1913, Malinda Keefer embarcou num desses trens em Chicago, Illinois. Anos mais tarde, ela disse: “Em pouco tempo compreendemos que éramos uma só grande família . . . e o trem era nosso lar por um mês.” Quando o trem saía da estação, os que se despediam dos que partiam cantavam “Deus Esteja Convosco Até que nos Encontremos de Novo”, e todos acenavam com chapéus e lenços até o trem desaparecer de vista. A irmã Keefer disse mais: “Em cada parada da viagem havia congressos em andamento — a maioria deles era de três dias, e nós ficávamos um dia em cada um. Durante essas escalas, o irmão Russell proferia dois discursos, um para os irmãos, à tarde, e outro para o público, à noite, sobre o tema ‘O Além-Túmulo’.”

      Em outros países o número de assembléias também aumentava. Muitas vezes eram bem pequenas. Cerca de 15 pessoas compareceram à primeira dessas na Noruega, em 1905; mas foi um começo. Seis anos mais tarde, quando o irmão Russell visitou a Noruega, fez-se esforço especial para convidar o público, e a assistência naquela ocasião foi estimada em 1.200. Em 1909, quando Russell assistiu a congressos na Escócia, ele falou a cerca de 2.000 pessoas em Glasgow e a mais 2.500 em Edimburgo sobre o intrigante tema “O Ladrão no Paraíso, o Rico no Inferno e Lázaro no Seio de Abraão”.

      Na conclusão dos primeiros congressos, os irmãos realizavam o que chamavam de festa de amor, refletindo seu sentimento de fraternidade cristã. Em que consistia essa “festa de amor”? Como exemplo, os oradores se enfileiravam com pratos de pão cortado em pequenos cubos, e daí os presentes passavam em fila, participando do pão, trocavam um aperto de mão e cantavam “Bendito o Vínculo Que Une Nossos Corações em Amor Cristão”. Lágrimas de alegria não raro corriam de suas faces enquanto cantavam. Mais tarde, por causa de seu aumento numérico, eles dispensaram o aperto de mão e o partir do pão, mas concluíam com cântico e oração e, muitas vezes, com prolongados aplausos para expressar seu apreço.

      Lançamento de uma campanha global de proclamação do Reino

      O primeiro congresso grande depois da Primeira Guerra Mundial realizou-se em Cedar Point, Ohio (junto ao lago Erie, 96 quilômetros ao oeste de Cleveland), de 1.º a 8 de setembro de 1919. Após a morte do irmão Russell, alguns associados de destaque da organização se afastaram. Os irmãos passaram por severas provas. Mais cedo naquele ano, 1919, o presidente da Sociedade e seus associados haviam sido soltos da prisão injusta. De modo que havia vívidas expectativas. Embora a assistência do primeiro dia fosse um tanto baixa, mais congressistas chegaram em trens especiais mais tarde naquele dia. Com isso, os funcionários de hotéis que haviam oferecido acomodar os congressistas ficaram sobrecarregados. R. J. Martin e A. H. Macmillan (ambos estavam entre o grupo recém-libertado da prisão) prontificaram-se para ajudar. Trabalharam designando quartos até depois da meia-noite, e o irmão Rutherford junto com muitos outros tiveram divertidos momentos servindo quais mensageiros de hotel, carregando malas e acompanhando os irmãos até seus quartos. Havia entre todos um contagiante espírito de entusiasmo.

      Esperava-se a presença de umas 2.500 pessoas. Entretanto, em todos os sentidos, o congresso superou as expectativas. Já no segundo dia, o auditório estava superlotado, e salões adicionais foram usados. Quando nem isso bastou, as sessões foram transferidas para o ar livre, num agradável arvoredo. Estavam presentes cerca de 6.000 Estudantes da Bíblia dos Estados Unidos e do Canadá.

      Para o discurso principal no domingo, pelo menos 1.000 dentre o público também compareceram, elevando a assistência para 7.000 pessoas, às quais o orador falou ao ar livre sem microfone nem sistema de amplificação de som. Naquele discurso, “Esperança Para a Humanidade Angustiada”, J. F. Rutherford esclareceu que o Reino messiânico de Deus é a solução dos problemas da humanidade, e mostrou também que a Liga das Nações (que então estava sendo criada e já havia sido endossada pelo clero) não era de forma alguma a expressão política do Reino de Deus. O Register (jornal local) de Sandusky trazia uma longa reportagem sobre esse discurso público, bem como uma sinopse da atividade dos Estudantes da Bíblia. Exemplares desse jornal foram enviados aos jornais em todos os Estados Unidos e Canadá. Mas a publicidade desse congresso envolvia muito mais.

      O verdadeiro clímax do congresso foi o discurso do irmão Rutherford “Comunicado aos Colaboradores”, publicado mais tarde sob o título “Anunciando o Reino”. Foi dirigido aos próprios Estudantes da Bíblia. Durante o discurso, foi esclarecido o significado das letras GA que apareciam no programa e em vários pontos do congresso. Fez-se o anúncio da publicação de uma nova revista, The Golden Age (A Idade de Ouro), como instrumento ao se dirigir a atenção das pessoas para o Reino messiânico. Depois de explicar o trabalho a ser feito, o irmão Rutherford disse à assistência: “Abre-se diante de vós a porta de oportunidade. Entrai por ela rapidamente. Lembrai-vos de que ao empreenderdes este serviço não estareis meramente fazendo promoção como representantes de uma revista, mas sois embaixadores do Rei dos reis e Senhor dos senhores, e de que desta maneira dignificada anunciais às pessoas a vindoura Idade de Ouro, o glorioso reino de nosso Senhor e Amo, pelo qual os cristãos verdadeiros têm esperado e orado por séculos.” (Veja Revelação [Apocalipse] 3:8.) Quando o orador perguntou quantos queriam participar nessa obra, a reação entusiástica foi inspiradora de ver. A assistência de 6.000 à uma pôs-se de pé. No ano seguinte, mais de 10.000 participavam no serviço de campo. O congresso inteiro teve um efeito unificador e revigorante sobre os presentes.

      Três anos mais tarde, em 1922, outro congresso memorável foi realizado em Cedar Point. Foi um programa de nove dias, de 5 a 13 de setembro. Além dos congressistas dos Estados Unidos e do Canadá, alguns vieram da Europa. Houve reuniões em dez línguas. A assistência média diária foi de cerca de 10.000; e para o discurso “Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão”, o público presente foi tão grande que o total da assistência quase dobrou.

      Os Estudantes da Bíblia não se reuniram nesse congresso pensando que estivessem planejando trabalho a ser feito aqui na Terra por décadas à frente. De fato, disseram que aquele bem poderia ser seu último congresso geral antes da “libertação da igreja . . . para o plano celestial do reino de Deus, e deveras na real e própria presença de nosso Senhor e de nosso Deus”. Mas, por mais curto que fosse o tempo, fazer a vontade de Deus era seu principal interesse. Com isso em mente, na sexta-feira, 8 de setembro, o irmão Rutherford proferiu o notável discurso “O Reino”.

      Antes disso, haviam sido colocadas em vários pontos do congresso grandes faixas com as letras ADV. Durante o discurso, o significado dessas letras se tornou claro quando o orador instou: “Sede testemunhas fiéis e verdadeiras do Senhor. Avançai na luta até que fique desolado todo vestígio de Babilônia. Proclamai a mensagem em toda a parte. O mundo precisa saber que Jeová é Deus e que Jesus Cristo é Rei dos reis e Senhor dos senhores. Este é o dia dos dias. Eis que o Rei reina! Vós sois os seus agentes de publicidade. Portanto, anunciai, anunciai, anunciai o Rei e seu reino.” Naquele instante, uma grande faixa de 11 metros de comprimento foi desdobrada diante da assistência. Nela estava o estimulante lema: “Anunciai [em inglês Advertise, representado por ADV] o Rei e o Reino.” Foi um momento emocionante. A assistência aplaudiu entusiasticamente. O idoso irmão Pfannebecker, da orquestra da assembléia, acenou com seu violino acima de sua cabeça e disse em voz alta com seu forte sotaque alemão: “Ach, Ya! Und now ve do it, no (Ah! sim. E agora vamos fazer isso, não)?” E fizeram realmente.

      Quatro dias mais tarde, com o congresso ainda em andamento, o irmão Rutherford participou pessoalmente com outros congressistas na obra de proclamação do Reino de casa em casa na área num raio de 72 quilômetros do local do congresso. Mas isso não parou aí. A proclamação do Reino recebera um poderoso impulso que se faria sentir ao redor do globo. Naquele ano, mais de 17.000 trabalhadores zelosos, em 58 países, participaram em dar testemunho. Décadas mais tarde, George Gangas, que estava presente naquele congresso e que mais tarde se tornou membro do Corpo Governante, disse a respeito daquele programa em Cedar Point: “Foi algo que ficou indelevelmente escrito na minha mente e no meu coração, que jamais será esquecido enquanto eu viver.”

      Marcos no crescimento espiritual

      Todos os congressos têm sido ocasiões de revigoramento e instrução na Palavra de Deus. Mas alguns deles têm sido lembrados por décadas como marcos espirituais.

      Sete desses ocorreram um ano após outro, de 1922 a 1928, nos Estados Unidos, Canadá e Grã-Bretanha. Um motivo da importância desses congressos foram as poderosas resoluções adotadas, sendo que todas as sete estão alistadas no quadro na página seguinte. Embora as Testemunhas fossem relativamente poucas, distribuíram mundialmente nada menos que 45 milhões de cópias de uma resolução e 50 milhões de diversas outras, em muitas línguas. Algumas foram transmitidas por cadeias internacionais de rádio. Assim, deu-se um tremendo testemunho.

      Outro congresso histórico foi realizado em Columbus, Ohio, em 1931. No domingo, 26 de julho, depois de ouvirem uma argumentação bíblica, os Estudantes da Bíblia adotaram um novo nome — Testemunhas de Jeová. Quão apropriado! É um nome que dirige atenção primária ao próprio Criador e identifica claramente a responsabilidade dos que o adoram. (Isa. 43:10-12) A adoção desse nome infundiu nos irmãos um zelo sem precedentes quais proclamadores do nome e do Reino de Deus. Conforme expresso numa carta escrita naquele ano por uma Testemunha dinamarquesa: “Oh! que nome magnífico, Testemunhas de Jeová, sim, que todos nós o sejamos.”

      Em 1935, outro congresso memorável foi realizado em Washington, DC. No segundo dia desse congresso, na sexta-feira, 31 de maio, o irmão Rutherford discursou sobre a grande multidão mencionada em Revelação 7:9-17. Por mais de meio século, os Estudantes da Bíblia haviam procurado em vão identificar corretamente esse grupo. Agora, no tempo devido de Jeová e à luz dos eventos já em andamento, explicou-se que se trata de pessoas que têm a perspectiva de viver para sempre aqui mesmo na Terra. Este entendimento deu novo significado à obra de evangelização e explicou biblicamente uma importante mudança que mal começava na constituição organizacional das Testemunhas de Jeová dos tempos atuais.

      O congresso em St. Louis, Missouri, EUA, em 1941, é lembrado por muitos que estiveram presentes para ouvir o discurso “Integridade”, no dia de abertura, em que o irmão Rutherford focalizou a atenção na grande questão que confronta toda a criação inteligente. Desde que fora proferido o discurso “Governante Para o Povo”, em 1928, as questões levantadas pela rebelião de Satanás haviam recebido repetida atenção. Mas agora se explicava que “a questão primária suscitada pelo desafio insolente de Satanás era e é a DOMINAÇÃO UNIVERSAL”. O reconhecimento dessa questão e a importância de manter integridade a Jeová como Soberano Universal tem sido um poderoso fator de motivação na vida dos servos de Jeová.

      Em meio à Segunda Guerra Mundial, em 1942, quando alguns se perguntavam se a obra de pregação estava talvez quase terminada, o discurso público no congresso, proferido por N. H. Knorr, o recém-nomeado presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), foi “Paz — Pode Durar?”. A explicação dada nesse discurso sobre a simbólica “fera cor de escarlate”, de Revelação 17, abriu os olhos das Testemunhas de Jeová para um período após a Segunda Guerra Mundial em que haveria oportunidade de conduzir ainda mais pessoas para o Reino de Deus. Isto deu impulso a uma campanha global que, no decorrer dos anos, alcançou mais de 235 terras, e ainda não terminou.

      Outro marco foi alcançado durante um congresso no Estádio Ianque, em Nova Iorque, EUA, em 2 de agosto de 1950. Nessa ocasião, uma assistência surpresa e muitíssimo feliz recebeu em primeira mão a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs (em inglês). O restante da Tradução do Novo Mundo foi lançado em etapas durante a década seguinte. Essa tradução em linguagem moderna das Escrituras Sagradas restaurou o nome pessoal de Deus no seu devido lugar em sua Palavra. Sua fidelidade ao texto nas línguas originais da Bíblia tornou-a de imenso valor para as Testemunhas de Jeová nos seus próprios estudos das Escrituras, bem como para a sua obra de evangelização.

      No penúltimo dia desse congresso, F. W. Franz, então vice-presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), falou à assistência sobre “Novos Sistemas de Coisas”. Por muitos anos as Testemunhas de Jeová criam que, mesmo antes do Armagedom, alguns dos servos pré-cristãos de Jeová seriam levantados dentre os mortos para serem príncipes do novo mundo, em cumprimento do Salmo 45:16. Pode-se imaginar, pois, o efeito sobre a vasta assistência quando o orador perguntou: “Ficaria esta assembléia internacional feliz de saber que aqui, esta noite, em nosso meio, estão diversos dos prospectivos príncipes da nova terra?” Houve estrondosos e prolongados aplausos, junto com clamores de alegria. Daí, o orador mostrou que o emprego bíblico do termo traduzido por “príncipe” e o registro de fidelidade de muitos das “outras ovelhas” dos tempos atuais davam margem para crer que alguns que agora vivem poderão ser escolhidos por Jesus Cristo para serviço principesco. Explicou também que não se darão, porém, títulos àqueles a quem se confiar tal serviço. Ao concluir seu discurso, ele instou: “Avante, pois, firmemente, todos nós juntos, como sociedade do Novo Mundo!”

      Houve muitos outros discursos altamente significativos nos congressos das Testemunhas de Jeová: Em 1953, “A Sociedade do Novo Mundo Atacada do Extremo Norte” foi uma explicação empolgante do significado do ataque de Gogue de Magogue, conforme descrito em Ezequiel, capítulos 38 e 39. Naquele mesmo ano, o discurso “Enchendo a Casa de Glória” emocionou os ouvintes, ao passo que viam diante de seus próprios olhos uma evidência tangível do cumprimento da promessa de Jeová, em Ageu 2:7, de trazer as coisas preciosas, as coisas desejáveis, de todas as nações para a casa de Jeová.

      O mais notável congresso dos tempos modernos, porém, foi realizado em Nova Iorque, em 1958, quando mais de 250.000 pessoas superlotaram os maiores locais disponíveis para ouvir o discurso “O Reino de Deus Já Domina — Está Próximo o Fim do Mundo?”. Havia delegados de 123 países, e seus relatos ao congresso ajudaram a fortalecer os vínculos da fraternidade internacional. A fim de contribuir para o crescimento espiritual dos ali presentes e para seu uso ao ensinarem outros, foram lançadas publicações em 54 línguas naquele extraordinário congresso.

      Em 1962, uma série de discursos sobre o tema “Sujeição às Autoridades Superiores” corrigiu o entendimento que as Testemunhas tinham sobre o significado de Romanos 13:1-7. Em 1964, os discursos “Passar da Morte Para a Vida” e “Dos Túmulos Para a Ressurreição” ampliaram seu apreço da grande misericórdia de Jeová manifestada na provisão da ressurreição. E muitos, muitos outros pontos altos de congressos poderiam ser citados.

      Cada ano, dezenas de milhares, sim, centenas de milhares de pessoas novas comparecem aos congressos. Embora as informações apresentadas nem sempre sejam novas para a organização como um todo, não raro dão a esses novos um entendimento da vontade divina que realmente os emociona. Talvez vejam oportunidades de serviço e se sintam induzidos a apegar-se a tais, mudando seu inteiro rumo na vida.

      Em muitos congressos, tem-se focalizado atenção sobre o significado de certos livros da Bíblia. Por exemplo, em 1958 e de novo em 1977, foram lançados livros encadernados dedicados ao estudo de profecias registradas pelo profeta Daniel a respeito do propósito de Deus de ter um só governo mundial com Cristo como Rei. Em 1971, deu-se atenção ao livro de Ezequiel, com sua ênfase na declaração divina: “As nações terão de saber que eu sou Jeová.” (Eze. 36:23) Em 1972, as profecias registradas por Zacarias e Ageu receberam consideração pormenorizada. Em 1963, 1969 e 1988, houve extensivos estudos sobre as emocionantes profecias de Revelação, que predizem vividamente a queda de Babilônia, a Grande, e a chegada dos gloriosos novos céus e nova terra de Deus.

      Os congressos têm destacado variados temas — Aumento da Teocracia, Adoração Pura, Adoradores Unidos, Ministros Corajosos, Frutos do Espírito, Fazer Discípulos, Boas Novas Para Todas as Nações, Nome Divino, Soberania Divina, Serviço Sagrado, Fé Vitoriosa, Lealdade ao Reino, Mantenedores da Integridade, Confiança em Jeová, Devoção Piedosa, Portadores de Luz e muitos mais. Cada um desses tem contribuído para o crescimento espiritual da organização e de seus associados.

      Estímulo à evangelização

      Congressos grandes, bem como assembléias menores, têm sido fonte de muito encorajamento em relação com a pregação das boas novas. Discursos e demonstrações têm fornecido instrução prática. Sempre constam do programa experiências do ministério de campo, bem como as relatadas por pessoas recentemente ajudadas a aprender a verdade bíblica. Além disso, foi muito proveitoso o próprio serviço de campo que por muitos anos se fazia durante os congressos. Dava um excelente testemunho na cidade do congresso e era uma fonte de grande encorajamento para as próprias Testemunhas.

      O serviço de campo fazia parte da programada atividade do congresso em Winnipeg, Manitoba, no Canadá, em janeiro de 1922. Foi também programado para o congresso geral realizado em Cedar Point, Ohio, EUA, mais tarde naquele ano. Depois disso, tornou-se costumeiro reservar um dia, parte de um dia ou partes de vários dias para os congressistas participarem juntos na atividade de pregação na própria cidade do congresso e arredores. Nas grandes áreas metropolitanas, isto dava às pessoas que talvez fossem raras vezes contatadas pelas Testemunhas uma oportunidade de ouvirem as boas novas a respeito do propósito de Deus de dar vida eterna aos que amam a justiça.

      Na Dinamarca, o primeiro de tais dias de serviço de campo num congresso foi programado em 1925, quando de 400 a 500 pessoas se reuniram em Nørrevold. Muitos dos 275 que participaram no serviço de campo naquele congresso o faziam pela primeira vez. Alguns estavam apreensivos. Mas, depois de experimentarem, tornaram-se evangelizadores entusiásticos também nos lugares em que moravam. Depois desse congresso e até o fim da Segunda Guerra Mundial, houve na Dinamarca muitas assembléias de um dia com serviço de campo, e os irmãos foram convidados de cidades circunvizinhas. Era evidente o incrementado zelo ao passo que participavam unidamente no ministério e daí se reuniam para ouvir discursos. Similares assembléias de serviço — mas de dois dias de duração — foram realizadas na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos.

      Nos congressos maiores, a atividade de campo dos congressistas não raro era de grandes proporções. A partir de 1936, o discurso público dos congressos era anunciado por ordeiros desfiles de Testemunhas que usavam cartazes e distribuíam convites. (Esses cartazes eram inicialmente chamados de “anúncios-sanduíches”, porque eram usados um na frente e outro nas costas.) Às vezes, mil ou mais Testemunhas participavam nesses desfiles em determinado congresso. Outros faziam as costumeiras visitas de casa em casa, convidando a todos a vir e ouvir o programa. Era muito encorajador para as Testemunhas trabalhar com outros e ver centenas, até mesmo milhares, de outras Testemunhas participar no ministério. Ao mesmo tempo, o público, dentro de um considerável raio, vinha a saber que as Testemunhas de Jeová estavam na cidade; as pessoas tinham a oportunidade de ouvir pessoalmente os ensinamentos das Testemunhas e observar a sua conduta.

      Os discursos proferidos nos congressos muitas vezes eram ouvidos por muito mais pessoas do que as na assistência visível. Quando o irmão Rutherford, num congresso em Toronto, Canadá, em 1927, proferiu o discurso “Liberdade dos Povos”, esse foi transmitido por uma histórica cadeia de 53 estações de rádio para uma vasta audiência internacional de radiouvintes. No ano seguinte, de Detroit, Michigan (EUA), o discurso “Governante Para o Povo” foi transmitido pelo dobro do número de estações, e por ondas curtas foi levado ao ar para ouvintes até as distantes Austrália, Nova Zelândia e África do Sul.

      Em 1931, grandes cadeias de rádio recusaram-se a cooperar com os planos de transmissão de um discurso de congresso do irmão Rutherford; portanto, a Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), operando com a Companhia Telefônica e Telegráfica Americana, formou a sua própria cadeia de 163 estações, incluindo a maior cadeia de transmissão por fio já levada ao ar, para transmitir a mensagem “O Reino, a Esperança do Mundo”. Além disso, mais de 300 outras emissoras em muitas partes do mundo transmitiram o programa por meio de gravações fonográficas.

      No congresso em Washington, DC, em 1935, o irmão Rutherford falou sobre o tema “Governo”, chamando vigorosamente atenção para o fato de que o Reino de Jeová sob Cristo logo substituirá todos os governos humanos. Mais de 20.000 no Auditório de Washington o ouviram. O discurso foi também transmitido por rádio e por linhas telefônicas ao redor do globo, chegando à América Central e do Sul, Europa, África do Sul, ilhas do Pacífico e terras do Oriente. Os que ouviram o discurso deste modo bem podem ter sido milhões. Dois destacados jornais de Washington quebraram seus compromissos de publicar o discurso. Mas os irmãos prepararam carros com alto-falantes em 3 pontos da cidade e em 40 outros lugares nas imediações de Washington, e através desses o discurso foi retransmitido a calculadamente mais de 120.000 pessoas.

      Depois, em 1938, do Royal Albert Hall, em Londres, Inglaterra, o discurso franco “Encare os Factos” foi transmitido a umas 50 cidades de congresso ao redor do globo, com uma assistência total de cerca de 200.000. Além disso, uma vasta audiência ouviu esse discurso por transmissão radiofônica.

      Assim, embora as Testemunhas de Jeová fossem relativamente poucas, seus congressos desempenharam um papel importante na proclamação pública da mensagem do Reino.

      Congressos pós-guerra na Europa

      Para os que estiveram presentes, alguns congressos se destacaram de todos os demais. Foi assim nos realizados na Europa logo após a Segunda Guerra Mundial.

      Um desses congressos foi realizado em Amsterdã, nos Países Baixos (Holanda), em 5 de agosto de 1945, menos de quatro meses depois de as Testemunhas de Jeová terem sido soltas dos campos de concentração alemães. Esperavam-se uns 2.500 congressistas; 2.000 desses precisariam de hospedagem. Para atender a necessidade de lugares para pernoite, as Testemunhas locais espalharam palha no chão de suas casas. Os congressistas afluíram de todas as direções, usando todos os meios possíveis de transporte — navio, caminhão, bicicleta, e alguns pedindo carona.

      No congresso, riam e choravam, cantavam e agradeciam a Jeová a sua bondade. Como disse um dos ali presentes: “Tinham a indizível alegria de uma organização teocrática que acabava de ser libertada dos grilhões!” Antes da guerra, havia menos de 500 Testemunhas nos Países Baixos. Ao todo, 426 Testemunhas foram detidas e lançadas na prisão; destas, 117 morreram em resultado direto da perseguição. Que alegria foi quando alguns na assembléia encontraram entes queridos que julgavam estivessem mortos! Outros verteram lágrimas ao procurarem em vão. Naquela noite, 4.000 ouviram com detida atenção o discurso público que explicava por que as Testemunhas de Jeová haviam sido alvo de tão intensa perseguição. Apesar daquilo que haviam sofrido, organizavam-se para prosseguir com a obra que Deus lhes dera para fazer.

      No ano seguinte, 1946, os irmãos na Alemanha programaram um congresso em Nurembergue. Foi-lhes concedido o uso do Zeppelinwiese, outrora lugar para os desfiles de Hitler. No segundo dia do congresso, Erich Frost, que havia pessoalmente experimentado a brutalidade da Gestapo e passara muitos anos num campo de concentração nazista, proferiu o discurso público “Cristãos no Crisol”. Às 6.000 Testemunhas presentes na ocasião juntaram-se 3.000 do público de Nurembergue.

      O último dia desse congresso era o mesmo em que seriam anunciadas ali em Nurembergue as sentenças dos julgamentos por crimes de guerra. As autoridades militares decretaram toque de recolher para aquele dia, mas, depois de prolongadas negociações, concordaram que, devido à posição que as Testemunhas de Jeová haviam adotado em face da oposição nazista, seria impróprio impedir-lhes de concluir em paz o seu congresso. Assim, naquele último dia, os irmãos se reuniram para ouvir o empolgante discurso “Destemidos Apesar de Conspiração Mundial”.

      Eles viram a mão de Jeová naquilo que ocorria. No mesmo instante em que homens que representavam um regime que tentara exterminá-las estavam sendo sentenciados, as Testemunhas de Jeová se reuniam para adorar a Jeová no lugar onde Hitler exibira algumas das mais espetaculares demonstrações do poder nazista. Disse o presidente do congresso: “Só o fato de poder presenciar este dia, que é apenas um antegosto do triunfo do povo de Deus sobre seus inimigos na batalha do Armagedom, valeu a pena eu ter passado nove anos nos campos de concentração.”

      Outros congressos memoráveis

      Com a expansão da atividade das Testemunhas de Jeová, realizaram-se congressos ao redor da Terra. Todos tiveram aspectos notáveis para os que compareceram.

      Em Kitwe, Rodésia do Norte (hoje Zâmbia), no centro do cinturão do cobre, programou-se um congresso que coincidia com a visita do presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) em 1952. Foi realizado numa grande área nas imediações de um campo de mineração, num lugar hoje chamado Chamboli. Um cupinzeiro abandonado foi nivelado e construiu-se ali um abrigo com telhado de colmo para servir de tribuna. Outros abrigos-dormitórios com telhado de colmo, de dois andares, se estendiam por 180 metros da principal área de assentos como os raios de uma roda. Homens e meninos dormiram em alguns; as mulheres e as meninas, em outros. Alguns dos congressistas haviam viajado duas semanas de bicicleta. Outros haviam caminhado durante vários dias e completado a viagem num ônibus antigo.

      A assistência ficou muito atenta durante as sessões, embora os assentos fossem duros bancos de bambu e ao ar livre. Eles vieram para ouvir, e não queriam perder nenhuma palavra. O entoar de cânticos daquela assistência de 20.000 pessoas provocou lágrimas — era muito bonito. Não havia acompanhamento de instrumentos musicais, mas era encantadora a harmonia das vozes. Não só no seu cantar, mas de todas as formas, a união era evidente entre essas Testemunhas, apesar de serem de muitas culturas e tribos diferentes.

      Pode também imaginar os sentimentos das Testemunhas de Jeová em Portugal quando, depois de lutarem pela liberdade de adoração por quase 50 anos, elas obtiveram reconhecimento legal em 18 de dezembro de 1974. Naquela época somavam apenas cerca de 14.000. Em poucos dias, 7.586 superlotaram um pavilhão de esportes em Porto. No dia seguinte, mais 39.284 superlotaram um estádio de futebol em Lisboa. Os irmãos Knorr e Franz estavam com eles nessa ocasião feliz, que muitos jamais esquecerão.

      Organização de reuniões internacionais

      Por bem mais de meio século, as Testemunhas de Jeová têm realizado grandes congressos simultaneamente em muitas cidades de muitos países. Sentem mais intensamente sua fraternidade internacional nessas ocasiões quando todos podem ouvir os discursos principais a partir de uma cidade-chave.

      Não foi senão em 1946, porém, que um grande congresso internacional reuniu numa só cidade congressistas de muitas partes da Terra. Isto se deu em Cleveland, Ohio. Embora ainda fosse difícil viajar no período pós-guerra, a assistência chegou a 80.000 pessoas, incluindo 302 congressistas de 32 países fora dos Estados Unidos. Foram realizadas sessões em 20 línguas. Deu-se muita instrução prática visando a expansão da obra de evangelização. Um dos pontos altos do congresso foi o discurso do irmão Knorr sobre problemas de reconstrução e expansão. A assistência aplaudiu entusiasticamente ao ouvir sobre planos de ampliação da gráfica e dos escritórios da sede da Sociedade, bem como das instalações de sua emissora de rádio, de abertura de filiais nos principais países do mundo, e de expansão do serviço missionário. Imediatamente depois desse congresso, foram acertados os pormenores para os irmãos Knorr e Henschel partirem numa viagem ao redor do mundo para implantarem o que havia sido considerado.

      Nos anos que se seguiram, foram realizados no Estádio Ianque, na cidade de Nova Iorque, congressos que realmente marcaram época. No primeiro desses, de 30 de julho a 6 de agosto de 1950, havia congressistas de 67 países. Estavam incluídos no programa breves relatórios de servos de filial, missionários e outros congressistas. Estes deram ao congresso emocionantes relances da intensa obra de evangelização que se fazia em todas as terras donde vieram. No último dia, a assistência aumentou para 123.707 no discurso “Podeis Viver Para Sempre em Felicidade na Terra?”. O tema do congresso foi “Aumento da Teocracia”. Chamou-se atenção para os grandes aumentos. Contudo, como o presidente do congresso, Grant Suiter, enfaticamente explicou, isto não era em louvor a cérebros brilhantes dentro da organização visível. Antes, declarou ele: “A nova força numérica se dedica à honra de Jeová. É assim que deve ser, e não queremos que seja de outra forma.”

      Em 1953, realizou-se outro congresso no Estádio Ianque, em Nova Iorque. A assistência desta vez chegou ao auge de 165.829. Como no caso do primeiro congresso ali, o programa estava repleto de palestras sobre emocionantes profecias bíblicas, conselhos práticos sobre como pregar as boas novas e relatórios de muitos países. Embora as sessões começassem por volta das 9h30, em geral não terminavam senão às 21 horas ou às 21h30. O congresso proporcionou oito dias inteiros de feliz banquete espiritual.

      Para o seu maior congresso, em Nova Iorque, em 1958, foi necessário usar não só o Estádio Ianque, mas também o vizinho Campo de Pólo, além de áreas fora dos estádios, para acomodar as multidões. No último dia, quando todos os assentos estavam ocupados, concedeu-se permissão especial para usar até mesmo o campo de jogos do Estádio Ianque, e que vista emocionante foi quando milhares entraram ali, tirando os sapatos e sentando-se no gramado! A contagem indicou 253.922 pessoas presentes para ouvir o discurso público. Uma evidência adicional da bênção de Jeová sobre o ministério de seus servos foi vista quando 7.136 pessoas neste congresso simbolizaram a sua dedicação pela imersão em água — bem mais do dobro do número dos que foram batizados na ocasião histórica do Pentecostes de 33 EC, segundo relatado na Bíblia! — Atos 2:41.

      A inteira operação desses congressos deu evidência de muito mais do que organização eficiente. Era uma manifestação do espírito de Deus em operação entre seu povo. O amor fraterno, que tem por base o amor a Deus, estava evidente em toda a parte. Não havia organizadores altamente assalariados. Todos os departamentos funcionavam por meio de voluntários não-remunerados. Irmãos e irmãs cristãos, muitas vezes famílias, atendiam nos balcões de lanches. Preparavam também refeições quentes e, em enormes tendas fora do estádio, serviam os congressistas no ritmo de mil refeições por minuto. Dezenas de milhares — todos eles alegres de terem parte na obra — serviram quais indicadores, cuidaram de toda a construção necessária, prepararam e serviram refeições, fizeram limpeza e muito mais coisas.

      Outros voluntários dedicaram centenas de milhares de horas para cuidar das necessidades de hospedagem dos congressistas. Em alguns anos, para acomodar pelo menos parte dos congressistas, foram organizadas cidades de carros-reboque e de tendas. Em 1953, as Testemunhas fizeram a colheita de 16 hectares de cereal gratuitamente para um fazendeiro de Nova Jérsei que cedeu o uso de suas terras para a cidade de carros-reboque das Testemunhas de Jeová. Fizeram-se instalações sanitárias, elétricas, de chuveiros, lavanderias, restaurante e mercearias, tudo isso para uma população de mais de 45.000 pessoas. Ao se mudarem para lá, surgiu uma cidade da noite para o dia. Dezenas de outros milhares foram hospedados em hotéis e em residências em Nova Iorque e arredores. Foi um empreendimento gigantesco. Com a bênção de Jeová, foi efetuado com êxito.

      Congressos itinerantes

      Os membros desta fraternidade internacional estão profundamente interessados nas suas co-Testemunhas em outros países. Em resultado disso, têm aproveitado as oportunidades de assistir a congressos em outros países.

      Quando a primeira da série Assembléias Adoração Pura se reuniu no Estádio Wembley, em Londres, Inglaterra, em 1951, Testemunhas de 40 países estavam presentes. O programa salientava o lado prático da adoração verdadeira e fazer do ministério uma carreira vitalícia. Da Inglaterra, muitas Testemunhas viajaram para o Continente, onde mais nove congressos seriam realizados nos dois meses seguintes. O maior desses foi em Frankfurt am Main, Alemanha, onde 47.432 pessoas compareceram, procedentes de 24 países. A cordialidade dos irmãos foi demonstrada no encerramento do programa quando a orquestra começou a tocar e os irmãos alemães entoaram espontaneamente um cântico de despedida, encomendando a Deus suas co-Testemunhas que tinham vindo do exterior para se reunir com eles. Acenou-se com lenços, e centenas de congressistas afluíram para o outro lado do campo para expressar pessoalmente agradecimentos por este grandioso festival teocrático.

      Em 1955, mais Testemunhas programaram visitar seus irmãos cristãos no exterior por ocasião dos congressos. Em dois navios fretados (cada um com 700 passageiros) e em 42 aviões fretados, congressistas dos Estados Unidos e do Canadá foram à Europa. A edição européia do jornal The Stars and Stripes, publicada na Alemanha, descrevia a afluência de Testemunhas como “provavelmente o maior movimento de massas de americanos na Europa desde a invasão dos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial”. Outros congressistas vieram da América Central e do Sul, da Ásia, da África e da Austrália. Apesar dos esforços do clero da cristandade de impedir que as Testemunhas realizassem congressos em Roma e em Nurembergue, estes dois e mais seis outros foram realizados na Europa naquele verão. As assistências variavam de 4.351 em Roma a 107.423 em Nurembergue. Outro grupo de 17.729 se reuniu em Waldbühne, na então chamada Berlim Ocidental, aonde os irmãos da zona Leste daquela época podiam ir com menos riscos. Muitos desses haviam estado na prisão por causa de sua fé ou tinham membros de sua família que naquele tempo estavam presos, mas ainda estavam firmes na fé. Quão apropriado foi o tema do congresso — “Reino Triunfante”!

      Embora já tivessem sido realizados muitos congressos internacionais, o que aconteceu em 1963 foi algo inédito. Foi um congresso ao redor do mundo. Começando em Milwaukee, Wisconsin, nos Estados Unidos, passou para Nova Iorque; a seguir, para quatro cidades grandes da Europa; para o Oriente Médio; para a Índia, Birmânia (agora Mianmar), Tailândia, Hong Kong, Cingapura, Filipinas, Indonésia, Austrália, Taiwan (Formosa), Japão, Nova Zelândia, Fiji, República da Coréia e Havaí; e, depois, de volta ao continente norte-americano. Ao todo, estiveram presentes congressistas de 161 terras. A assistência total ultrapassou 580.000. Houve 583 pessoas de uns 20 países que viajaram com o congresso, assistindo num país após outro, fazendo uma completa volta no globo. Excursões especiais os habilitaram a ver lugares de interesse religioso, e também participaram com os irmãos e as irmãs locais no ministério de casa em casa. Esses viajantes custearam suas próprias despesas.

      Os congressistas latino-americanos foram bem representados na maioria desses congressos internacionais. Mas em 1966-67, foi a sua vez de receber congressistas. Os que compareceram jamais esquecerão o drama que fez viver o relato sobre Jeremias, e isso ajudou todos a apreciar seu significado para os nossos dias.a Foram fortalecidos os vínculos de amor cristão ao passo que os visitantes viam pessoalmente o cenário de uma vasta campanha de educação bíblica que está sendo levada a efeito na América Latina. Ficaram profundamente comovidos pela forte fé demonstrada pelos seus concrentes, muitos dos quais venceram obstáculos aparentemente intransponíveis — oposição da família, enchentes, perda de bens — para estarem presentes. Foram muito encorajados por experiências tais como a de uma franzina pioneira especial uruguaia que foi entrevistada e que tinha consigo na tribuna muitas das 80 pessoas que ela já ajudara a progredir até o batismo cristão! (Em 1992, ela tinha ajudado 105 pessoas até o batismo. Ainda era franzina e ainda pioneira especial!) Quão animador também foi encontrar missionários das primeiras turmas de Gileade ainda ativos em suas designações! Esses congressos foram um excelente estímulo para a obra naquela parte do mundo. Em muitos desses países, há atualmente 10, 15 ou até 20 vezes mais louvadores de Jeová do que naquela época.

      Alguns anos mais tarde, em 1970-71, foi possível as Testemunhas de outros países associarem-se com seus irmãos em congressos internacionais na África. O maior desses foi em Lagos, na Nigéria, onde foi preciso construir todas as instalações desde a estaca zero. Para proteger os congressistas contra o sol ardente, construiu-se uma cidade de bambu — áreas para se sentar, dormitórios, restaurante e outros departamentos. Isto requereu 100.000 varas de bambu e 36.000 esteiras grandes — tudo preparado por irmãos e irmãs. O programa foi apresentado simultaneamente em 17 línguas. A assistência chegou a 121.128, e 3.775 novas Testemunhas foram batizadas. Numerosos grupos tribais estavam representados, e muitos dos que estavam presentes costumavam guerrear uns contra os outros. Mas agora, que alegria era vê-los unidos em vínculos de genuína fraternidade cristã!

      Depois do congresso, alguns dos congressistas estrangeiros viajaram de ônibus para Ibolândia, a fim de verem a área mais gravemente afetada pela recente guerra civil. Grande foi a sensação causada numa cidade após outra ao passo que os visitantes eram cumprimentados e abraçados pelas Testemunhas locais. As pessoas corriam para as ruas para observar. Tal demonstração de amor e união entre negros e brancos foi algo que nunca antes haviam visto.

      Em certos países, o número de Testemunhas de Jeová lhes impossibilita reunir-se num só lugar. Entretanto, ocasionalmente, diversos congressos grandes foram realizados ao mesmo tempo, seguidos por outros, semana após semana. Em 1969, a união sentida nos congressos assim programados ficou em evidência pelo fato de que alguns dos oradores principais viajavam de um congresso a outro de avião, proferindo discursos em todos eles. Em 1983 e 1988, uma união similar foi sentida quando diversos congressos grandes que empregavam o mesmo idioma foram ligados, até internacionalmente, por transmissão telefônica nos discursos-chaves proferidos por membros do Corpo Governante. A verdadeira base de união entre as Testemunhas de Jeová, porém, é que todos adoram a Jeová como o único Deus verdadeiro, todos se apegam à Bíblia como guia, todos se beneficiam do mesmo programa de alimentação espiritual, todos olham para Jesus Cristo como seu Líder, todos procuram manifestar os frutos do espírito de Deus em sua vida, todos confiam no Reino de Deus e todos participam em levar a outros as boas novas desse Reino.

      Organizados para louvor internacional a Jeová

      As Testemunhas de Jeová têm aumentado em número, a ponto de ultrapassarem a população de dezenas de nações. Para que seus congressos produzam o maior benefício, há necessidade de muito planejamento meticuloso. Entretanto, simples solicitações por escrito quanto a em que lugar Testemunhas de determinadas áreas deverão assistir é geralmente o que basta para assegurar que haja amplo espaço para todos. Quando se planejam congressos internacionais, é agora muitas vezes necessário o Corpo Governante considerar não só o número de Testemunhas de outros países que gostariam de ir e que estão em condições de fazer isso, mas também o tamanho dos locais de congresso disponíveis, o número de Testemunhas locais que estarão presentes e a disponibilidade de acomodações para os congressistas; daí, pode-se estimar um número máximo para cada país. Assim se deu no caso dos três Congressos “Devoção Piedosa” realizados na Polônia em 1989.

      Esperavam-se para esses congressos cerca de 90.000 Testemunhas de Jeová da Polônia além de milhares de pessoas recém-interessadas. Muitos foram também convidados da Grã-Bretanha, do Canadá e dos Estados Unidos. Grandes delegações vieram da Itália, França e Japão. Outros vieram da Escandinávia e da Grécia. No mínimo 37 países estavam representados. Em certas partes do programa, foi necessário interpretar discursos proferidos em polonês ou em inglês para 16 outras línguas. A assistência total foi de 166.518.

      Grandes grupos de Testemunhas nesses congressos vieram da outrora União Soviética e Tchecoslováquia; também estavam presentes grandes grupos procedentes de outros países do Leste Europeu. Os hotéis e os dormitórios em escolas não podiam acomodar a todos. Hospitaleiramente, as Testemunhas polonesas abriram seu coração e seu lar, partilhando alegremente o que possuíam. Uma congregação de 146 membros forneceu acomodações para mais de 1.200 congressistas. Alguns que assistiram a esses congressos nunca antes haviam estado numa reunião com mais de 15 ou 20 dos do povo de Jeová. Seus corações se encheram de apreço ao verem dezenas de milhares de pessoas à sua volta nos estádios, ao se unirem a elas em oração e unirem suas vozes em cânticos de louvor a Jeová. Quando se misturavam nos intervalos, havia calorosos abraços, mesmo quando a diferença de idioma muitas vezes os impedia de dizer em palavras o que tinham no coração.

      Ao terminar o congresso, seus corações transbordavam de gratidão a Jeová, que tornou tudo isso possível. Em Varsóvia, depois dos comentários de despedida do presidente da sessão, a assistência irrompeu em aplausos que duraram por pelo menos dez minutos. Depois do cântico e oração finais, houve novos aplausos, e a assistência permaneceu nas arquibancadas por muito tempo. Eles haviam esperado por muitos anos esta ocasião, e não queriam que terminasse.

      No ano seguinte, 1990, menos de cinco meses depois de ter sido sustada uma proscrição de 40 anos contra as Testemunhas de Jeová, no que era então a Alemanha Oriental, outro emocionante congresso internacional foi realizado, desta vez em Berlim. Entre os 44.532 presentes havia congressistas de 65 países. De alguns países, só uns poucos vieram; da Polônia, uns 4.500. Não há palavras para expressar os profundos sentimentos dos que nunca antes tinham tido liberdade de assistir a um congresso assim, e, quando a assistência inteira se unia em cânticos de louvor a Jeová, não conseguiam conter as lágrimas de alegria.

      Mais tarde naquele ano, quando um congresso similar foi realizado em São Paulo, Brasil, foi necessário usar dois grandes estádios para acomodar a assistência internacional de 134.406 pessoas. Isto foi seguido de um congresso na Argentina, onde também foram usados dois estádios simultaneamente para acomodar a assistência internacional. Ao começar o ano de 1991, outros congressos internacionais estavam sendo realizados nas Filipinas, em Taiwan e na Tailândia. Grandes assistências, de muitas nações, estavam também presentes naquele ano nos congressos na Europa Oriental — Hungria, antiga Tchecoslováquia e onde agora é a Croácia. E em 1992, congressistas de 28 países consideraram um privilégio especial estar entre os 46.214 em S. Petersburgo por ocasião do primeiro congresso realmente internacional das Testemunhas de Jeová na Rússia.

      Oportunidades de revigoramento espiritual regular

      Nem todos os congressos realizados pelas Testemunhas de Jeová são reuniões internacionais. Entretanto, o Corpo Governante programa congressos grandes uma vez por ano, e o mesmo programa é apresentado mundialmente em muitos idiomas. Esses congressos podem ser bem grandes, fornecendo oportunidade de companheirismo com outras Testemunhas de muitos lugares, ou podem ser menores e realizados em muitas cidades, tornando mais fácil aos novos assistir a eles e possibilitando ao público em centenas de cidades menores ver de perto o perfil de um grande grupo representativo de Testemunhas de Jeová.

      Além disso, uma vez por ano, cada circuito (em geral composto de umas 20 congregações) se reúne para um programa de dois dias de conselhos espirituais e encorajamento.b Também, desde setembro de 1987, uma assembléia especial de um dia, com um programa edificante de um dia, é programada para cada circuito uma vez por ano. Quando possível, um membro da sede da Sociedade ou alguém da filial local é enviado para participar no programa. Esses programas são grandemente apreciados pelas Testemunhas de Jeová. Em muitas áreas, o local da assembléia não fica longe nem é de difícil acesso. Mas nem sempre isso se dá. Um superintendente viajante recorda-se de um casal idoso que caminhou 76 quilômetros, carregando malas e cobertores, para assistir a uma assembléia de circuito em Zimbábue.

      O serviço de campo durante o congresso não faz mais parte de todas essas assembléias, mas isso não se dá porque as Testemunhas de alguma forma considerem isso menos importante. Na maioria dos casos, as pessoas que residem perto dos locais de assembléia estão sendo visitadas agora regularmente pelas Testemunhas locais — em alguns casos, a cada poucas semanas. Os congressistas mantêm-se alertas a oportunidades de testemunho informal, e a sua conduta cristã também é um poderoso testemunho.

      Evidência de verdadeira fraternidade

      A fraternidade demonstrada entre as Testemunhas nos seus congressos é prontamente evidente aos observadores. Podem perceber que não há parcialidade entre elas e que a cordialidade genuína é evidente mesmo entre os que talvez se estejam encontrando pela primeira vez. Por ocasião da Assembléia Internacional da Vontade Divina, em Nova Iorque, em 1958, o Amsterdam News (de 2 de agosto) de Nova Iorque noticiava: “Em toda a parte, negros, brancos e orientais, de todas as camadas sociais e de todas as partes do mundo, misturam-se alegre e livremente. . . . Testemunhas devotas, procedentes de 120 países, têm vivido e adorado unidamente e em paz, mostrando aos americanos quão fácil é fazer isso. . . . A Assembléia é um exemplo brilhante de como pessoas podem trabalhar e viver juntas.”

      Mais recentemente, quando as Testemunhas de Jeová realizaram congressos simultâneos em Durban e Johanesburgo, África do Sul, em 1985, as delegações incluíam todos os principais grupos raciais e lingüísticos da África do Sul, bem como representantes de 23 outras terras. O cordial companheirismo entre as 77.830 pessoas na assistência era bem evidente. “É lindo”, disse uma jovem senhora indiana. “Ver mestiços, indianos, brancos e negros, todos se misturando, mudou toda a minha perspectiva da vida.”

      Este sentimento de fraternidade vai além dos sorrisos, de um aperto de mão e de chamar uns aos outros de “irmão” e “irmã”. Como exemplo, quando se faziam os preparativos para a realização no mundo inteiro da Assembléia “Boas Novas Eternas”, em 1963, as Testemunhas de Jeová foram informadas de que se desejassem ajudar outros financeiramente a assistir a um congresso a Sociedade teria a satisfação de cuidar de que os fundos beneficiassem irmãos de todas as partes da Terra. Não se fez solicitação, e nada foi descontado para despesas administrativas. Os fundos foram totalmente usados para o fim declarado. Deste modo, 8.179 foram ajudados a assistir ao congresso. Congressistas de todos os países da América Central e do Sul receberam ajuda, bem como milhares da África e muitos do Oriente Médio e do Extremo Oriente. Boa parte dos que receberam ajuda eram irmãos e irmãs que haviam dedicado muitos anos ao ministério de tempo integral.

      Em fins de 1978, programou-se um congresso em Auckland, Nova Zelândia. Testemunhas das ilhas Cook sabiam a respeito e ansiavam comparecer. Mas a situação econômica nas ilhas era tal que a viagem teria custado uma pequena fortuna a cada uma delas. Entretanto, amorosos irmãos e irmãs espirituais na Nova Zelândia contribuíram com passagens de ida e volta para uns 60 ilhéus. Quão felizes se sentiram de estar presentes para participar do banquete espiritual com seus irmãos maoris, samoanos, niueanos e caucasianos!

      Típico do espírito entre as Testemunhas de Jeová foi o que aconteceu no fim do Congresso de Distrito “Justiça Divina”, em Montreal, Canadá, em 1988. Por quatro dias os congressistas de língua árabe, espanhola, francesa, grega, inglesa, italiana e portuguesa haviam tido o mesmo programa, mas em suas próprias línguas. Entretanto, no fim da sessão concludente, todos os 45.000 se reuniram no Estádio Olímpico, numa comovente demonstração de fraternidade e união de propósito. Cantaram juntos, cada grupo em sua própria língua: “Cantai a Jah . . . Jeová é Rei. Rejubilai.”

      [Nota(s) de rodapé]

      a Mais setenta desses dramas foram encenados nos congressos nos 25 anos que se seguiram.

      b De 1947 a 1987, estas assembléias eram realizadas duas vezes por ano. Até 1972, eram de três dias; depois, instituiu-se um programa de dois dias.

      [Destaque na página 255]

      “Impressionou-me muito o espírito de amor e bondade fraterna.”

      [Destaque na página 256]

      Trens para os congressos — todos a bordo!

      [Destaque na página 275]

      Não eram altamente assalariados organizadores de congressos, mas voluntários não remunerados.

      [Destaque na página 278]

      União entre negros e brancos

      [Foto na página 256]

      Congressistas no congresso da IBSA (Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia) em Winnipeg, Manitoba, Canadá, em 1917

      [Fotos na página 258]

      J. F. Rutherford falando em Cedar Point, Ohio, em 1919. Instou todos a participar zelosamente em anunciar o Reino de Deus, usando a revista “The Golden Age”.

      [Foto na página 259]

      Congresso em Cedar Point, em 1922. Fez-se a convocação: “Anunciai o Rei e o Reino.”

      [Foto na página 260]

      George Gangas estava em Cedar Point em 1922. Por cerca de 70 anos desde então, ele tem proclamado zelosamente o Reino de Deus.

      [Foto nas páginas 262, 263]

      Congressistas no congresso de 1931 em Columbus, Ohio, que entusiasticamente adotaram o nome Testemunhas de Jeová.

      [Fotos na página 264]

      A “Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs” sendo lançada por N. H. Knorr em 1950.

      Discursos de F. W. Franz sobre o cumprimento de profecias bíblicas foram destaques do congresso (Nova Iorque, 1958).

      [Fotos na página 265]

      Por muitos anos, o serviço de campo era um aspecto destacado de todos os congressos.

      Los Angeles, EUA, 1939 (embaixo); Estocolmo, Suécia, 1963 (foto menor)

      [Fotos na página 266]

      Quando J. F. Rutherford falou em Washington, DC, em 1935, a mensagem foi transmitida por rádio e linhas telefônicas a seis continentes.

      [Foto na página 268]

      Em Nurembergue, Alemanha, em 1946, Erich Frost proferiu o ardente discurso “Cristãos no Crisol”.

      [Foto na página 269]

      Congresso ao ar livre em Kitwe, Rodésia do Norte, durante a visita de N. H. Knorr em 1952

      [Fotos nas páginas 270, 271]

      Em 1958, uma assistência de 253.922, superlotando dois grandes estádios em Nova Iorque, ouviu a mensagem “O Reino de Deus Já Domina — Está Próximo o Fim do Mundo?”

      Campo de Pólo

      Estádio Ianque

      [Fotos na página 274]

      Grant Suiter, presidente do congresso no Estádio Ianque, em 1950.

      John Groh (sentado), considerando a organização do congresso com George Couch em 1958.

      [Fotos na página 277]

      Em 1963, realizou-se um congresso em volta ao mundo, com congressistas de uns 20 países que viajaram em volta do globo com o congresso.

      Kyoto, Japão (embaixo, à esquerda) foi uma das 27 cidades do congresso. Congressistas na República da Coréia se conheceram (centro). Cumprimento à moda dos maoris na Nova Zelândia (embaixo, à direita)

      [Fotos na página 279]

      Um congresso que serviu 17 grupos lingüísticos simultaneamente numa ‘cidade’ de bambu, construída para essa ocasião (Lagos, Nigéria, 1970).

      [Fotos na página 280]

      Três grandes congressos foram realizados na Polônia em 1989, com congressistas de 37 países.

      T. Jaracz (à direita) falou aos congressistas em Poznan.

      Milhares foram batizados em Chorzów.

      A assistência aplaudiu prolongadamente em Varsóvia.

      Congressistas da antiga URSS (embaixo)

      Partes do programa, em Chorzów, foram traduzidas em 15 línguas.

      [Foto/Quadro na página 261]

      Sete importantes resoluções em congressos

      Em 1922, a resolução intitulada “Um Desafio aos Líderes do Mundo” convidava-os a provar que os humanos têm a sabedoria para governar esta Terra ou então admitir que a paz, a vida, a liberdade e a felicidade eterna só podem vir de Jeová por intermédio de Jesus Cristo.

      Em 1923, deu-se o “Aviso a Todos os Cristãos” sobre a urgente necessidade de fugirem das organizações que fraudulosamente afirmam representar a Deus e a Cristo.

      Em 1924, “Acusados os Eclesiásticos” expunha as doutrinas e práticas antibíblicas do clero da cristandade.

      Em 1925, “Mensagem de Esperança” mostrava por que os que afirmam ser luzes orientadoras do mundo deixaram de satisfazer as maiores necessidades do homem, e como somente o Reino de Deus pode fazer isso.

      Em 1926, “Um Testemunho aos Governantes do Mundo” avisou-os de que Jeová é o único Deus verdadeiro e que Jesus Cristo domina agora como legítimo Rei da Terra. Instava os governantes a usar sua influência para voltar a mente das pessoas para o Deus verdadeiro, a fim de que não lhes sobreviesse a calamidade.

      Em 1927, a “Resolução aos Povos da Cristandade” expunha a combinação comércio-política-religião que oprime a humanidade. Instava as pessoas a abandonar a cristandade e confiar em Jeová e em seu Reino às mãos de Cristo.

      Em 1928, a “Declaração Contra Satanás e a Favor de Jeová” tornava claro que o ungido Rei de Jeová, Jesus Cristo, em breve restringirá a Satanás e destruirá sua organização maligna, e instava todos os amantes da justiça a se colocarem do lado de Jeová.

      [Fotos/Quadro nas página 272, 273]

      Cenas de alguns dos grandes congressos

      Centenas de entusiásticos congressistas vieram de navio, milhares de avião e dezenas de milhares de automóvel e de ônibus.

      Precisou-se de boa organização e de muitos trabalhadores dispostos para encontrar e designar suficientes hospedagens.

      Durante estes congressos de oito dias, refeições quentes — às dezenas de milhares — foram servidas regularmente aos congressistas.

      Em 1953, uma cidade de carros-reboque e de tendas acomodou mais de 45.000 congressistas.

      Em Nova Iorque, em 1958, foram batizados 7.136 — mais do que em qualquer outra ocasião desde o Pentecostes de 33 EC.

      Havia letreiros com saudações de muitos países, e as sessões foram realizadas em 21 idiomas, em Nova Iorque, 1953.

  • “Buscar primeiro o Reino”
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 18

      “Buscar primeiro o Reino”

      O PRINCIPAL tema da Bíblia é a santificação do nome de Jeová por meio do Reino. Jesus Cristo ensinou seus seguidores a buscar primeiro o Reino, colocando-o acima de outros interesses na vida. Por quê?

      A Sentinela muitas vezes tem explicado que, por ser o Criador, Jeová é o Soberano Universal. Ele merece a mais alta estima de suas criaturas. (Rev. 4:11) Entretanto, bem cedo na história humana, um filho espiritual de Deus, que fez de si Satanás, o Diabo, contestou desafiadoramente a soberania de Jeová. (Gên. 3:1-5) Além disso, Satanás atribuiu motivos egoístas a todos os que serviam a Jeová. (Jó 1:9-11; 2:4, 5; Rev. 12:10) Assim, foi tirada a paz do Universo.

      Já por décadas as publicações da Torre de Vigia têm explicado que Jeová fez provisão para resolver essas questões dum modo que magnifique não só sua onipotência, mas também a magnitude de sua sabedoria, justiça e amor. O âmago dessa provisão é o Reino messiânico de Deus. Por meio dele, a humanidade recebe ampla oportunidade de aprender os caminhos da justiça. Por meio desse Reino, os iníquos serão destruídos, a soberania de Jeová será vindicada e será cumprido seu propósito de fazer da Terra um paraíso povoado por pessoas que realmente amam a Deus e umas às outras, e que serão abençoadas com vida perfeita.

      Por causa da importância do Reino, Jesus aconselhou seus seguidores: “Persisti, pois, em buscar primeiro o reino.” (Mat. 6:10, 33) As Testemunhas de Jeová nos tempos modernos têm dado muita evidência de que procuram seguir esse conselho.

      Deixaram tudo por causa do Reino

      Bem cedo, os Estudantes da Bíblia atentaram para o que significa buscar primeiro o Reino. Eles consideraram a parábola de Jesus, em que ele comparou o Reino a uma pérola de tão grande valor que um homem “vendeu . . . todas as coisas que tinha e a comprou”. (Mat. 13:45, 46) Ponderaram sobre o significado do conselho de Jesus a um jovem governante rico de vender tudo, distribuir aos pobres e segui-lo. (Mar. 10:17-30)a Compreenderam que, para se mostrarem dignos de participar do Reino de Deus, precisavam fazer dele seu principal interesse, colocando prazerosamente sua vida, suas habilidades e seus recursos a serviço desse Reino. Todas as outras coisas na vida tinham de vir em segundo lugar.

      Charles Taze Russell levou a sério esse conselho. Vendeu seu próspero negócio relacionado com lojas de artigos para homem, reduziu gradativamente outros interesses comerciais e depois usou todas as suas posses terrenas para ajudar as pessoas em sentido espiritual. (Veja Mateus 6:19-21.) Não foi algo que fez só por alguns anos. Até a morte, usou todos os seus recursos — suas faculdades mentais, sua saúde física, seus bens materiais — para ensinar a outros a grandiosa mensagem do Reino messiânico. No enterro de Russell, um associado, Joseph F. Rutherford, disse: “Charles Taze Russell foi leal a Deus, leal a Cristo Jesus, leal à causa do Reino messiânico.”

      Em abril de 1881 (quando apenas algumas centenas de pessoas assistiam às reuniões dos Estudantes da Bíblia), a Watch Tower publicou um artigo intitulado “Precisa-se de 1.000 Pregadores”. Era um convite para homens e mulheres, sem dependentes, empreenderem a obra como evangelizadores colportores. Empregando a linguagem da parábola de Jesus, em Mateus 20:1-16, a Watch Tower perguntava: “Quem tem desejo ardente de ir trabalhar na Vinha, e tem orado para que o Senhor abra o caminho”? Os que podiam dedicar pelo menos metade de seu tempo exclusivamente à obra do Senhor foram incentivados a se candidatar. Para ajudá-los nas despesas de viagem, alimentação, roupa e abrigo, a Sociedade Torre de Vigia de Tratados de Sião fornecia aos primitivos colportores publicações bíblicas para distribuição, dizia qual a modesta contribuição que podiam pedir pela publicação e convidava os colportores a ficar com uma parte dos fundos assim recebidos. Quem correspondeu a essas iniciativas e assumiu o serviço de colportor?

      Por volta de 1885, havia cerca de 300 colportores associados com a Sociedade. Em 1914, o número finalmente passou de 1.000. Não era um trabalho fácil. Depois de visitar as casas em quatro cidades pequenas e encontrar apenas três ou quatro pessoas com certo grau de interesse, um dos colportores escreveu: “Confesso que me senti bastante só viajando tão longe, encontrando tantas pessoas, mas achando tão pouco interesse no plano e na Igreja de Deus. Ajudai-me com vossas orações, para que eu possa apresentar correta e destemidamente a verdade e não me canse de fazer o bem.”

      Apresentaram-se voluntariamente

      Aqueles colportores foram verdadeiros desbravadores. Penetravam nas regiões mais inacessíveis do país numa época em que os meios de transporte eram muito primitivos e as estradas eram, em grande parte, nada mais do que trilhas de carroça. A irmã Early, na Nova Zelândia, estava entre esses. Tendo começado bem antes da Primeira Guerra Mundial, ela dedicou 34 anos a esse serviço de tempo integral antes de seu falecimento em 1943. Cobriu grande parte do país viajando de bicicleta. Mesmo quando ficou aleijada por sofrer de artrite e não podia mais andar de bicicleta, ela usava a bicicleta para se apoiar nela e para carregar seus livros na zona comercial de Christchurch. Podia subir escadas, mas, para descer, tinha de fazê-lo de costas por causa de sua deficiência debilitante. Entretanto, enquanto lhe restava alguma energia, usava-a no serviço de Jeová.

      Essas pessoas não empreenderam essa obra por se sentirem autoconfiantes. Algumas delas eram muito tímidas por natureza, mas amavam a Jeová. Antes de dar testemunho em território comercial, uma irmã pediu a cada Estudante da Bíblia na sua região que orasse por ela. Com o tempo, ao ganhar experiência, tornou-se muito entusiástica nesta atividade.

      Quando, em 1907, Malinda Keefer falou com o irmão Russell sobre seu desejo de entrar no serviço de tempo integral, ela disse que achava que precisava primeiro obter mais conhecimento. De fato, fora apenas no ano precedente que ela entrara em contato com as publicações dos Estudantes da Bíblia. O irmão Russell respondeu: “Se quiseres esperar até saber tudo, nunca começarás, mas aprenderás ao passo que prosseguires.” Sem se esquivar, ela iniciou prontamente em Ohio, nos Estados Unidos. Muitas vezes, lembrava-se do Salmo 110:3, que diz: “Teu povo se oferecerá voluntariamente.” Nos 76 anos seguintes, ela continuou a fazer precisamente isso.b Começou ainda solteira. Depois de casada, trabalhou por 15 anos. E depois da morte do marido, ela continuou sem cessar, com a ajuda de Jeová. Relembrando os anos decorridos, ela disse: “Quão grata me sinto por me ter apresentado voluntariamente para ser pioneira quando eu era jovem e por ter sempre colocado em primeiro lugar os interesses do Reino!”

      Quando se realizavam congressos gerais em tempos antigos, muitas vezes programavam-se sessões especiais com os colportores. Respondiam-se a perguntas, fornecia-se treinamento para os novos e dava-se encorajamento.

      A partir de 1919, houve muito mais servos de Jeová que tinham tanto apreço pelo Reino de Deus que fizeram suas vidas girar em torno dele. Alguns conseguiram deixar de lado os empreendimentos seculares para se dedicarem plenamente ao ministério.

      Cuidar das necessidades materiais

      Como cuidavam de suas necessidades materiais? Anna Petersen (mais tarde Rømer), evangelizadora por tempo integral na Dinamarca, recordava-se: “Recebíamos ajuda com a distribuição de publicações para as despesas diárias, e não necessitávamos de muita coisa. Quando havia despesas maiores, essas eram sempre cuidadas de uma forma ou de outra. As irmãs costumavam dar-nos algumas roupas, vestidos ou casacos, e nós podíamos usá-los de imediato, assim andávamos bem vestidas. E houve invernos em que eu fazia algum serviço de escritório por uns meses. . . . Comprando em liquidações, eu conseguia adquirir as roupas que precisava para o ano inteiro. Tudo correu bem. Nunca passamos necessidade.” As coisas materiais não eram seu principal interesse. Seu amor a Jeová e a Seus caminhos era como um fogo ardente dentro deles, e simplesmente tinham de expressá-lo.

      Para acomodações, às vezes alugavam um cômodo modesto enquanto visitavam o povo na região. Alguns usavam um carro-reboque — nada requintado, apenas um lugar para dormir e para comer. Outros dormiam em tendas ao se mudarem de um lugar para outro. Em alguns lugares, os irmãos preparavam “acampamentos de pioneiros”. As Testemunhas naquela região forneciam talvez uma casa, e alguém era designado para supervisioná-la. Os pioneiros que serviam naquela região podiam usar as acomodações e dividiam as despesas relacionadas.

      Esses trabalhadores de tempo integral não permitiam que a falta de dinheiro impedisse as pessoas semelhantes a ovelhas de obter publicações bíblicas. Os pioneiros muitas vezes as trocavam por produtos tais como batatas, manteiga, ovos, frutas frescas e em conserva, galinhas, sabão e quase qualquer outra coisa. Não enriqueciam; antes, este era um meio de ajudar as pessoas sinceras a receber a mensagem do Reino, ao mesmo tempo que os pioneiros obtinham as coisas necessárias para sua subsistência, a fim de poderem continuar no seu ministério. Confiavam na promessa de Jesus de que, se ‘persistissem em buscar primeiro o reino e a justiça de Deus’, então o necessário alimento e cobertura seriam fornecidos. — Mat. 6:33.

      Dispostos a servir onde quer que houvesse necessidade

      Seu desejo sincero de fazer a obra que Jesus comissionara seus discípulos a fazer conduzia os trabalhadores de tempo integral a novos territórios, até mesmo a novas terras. Quando Frank Rice foi convidado a deixar a Austrália para iniciar a pregação das boas novas em Java (hoje parte da Indonésia), em 1931, ele tinha dez anos de experiência no ministério de tempo integral. Mas havia agora novos costumes, bem como novas línguas, para aprender. Ele podia usar o inglês para dar testemunho a alguns em lojas e em escritórios, mas ele queria dar testemunho também a outros. Estudou com diligência, e em três meses sabia holandês o suficiente para começar a ir de casa em casa. Depois, estudou malaio.

      Frank só tinha 26 anos quando foi para Java, e, durante a maior parte dos seis anos em que esteve ali e em Sumatra, trabalhou sozinho. (Em fins de 1931, Clem Deschamp e Bill Hunter chegaram da Austrália para ajudar na obra. Os dois fizeram uma turnê de pregação pelo interior, ao passo que Frank trabalhou dentro e nos arredores de Java, a capital. Mais tarde, Clem e Bill também receberam designações que os levaram a regiões separadas.) Não havia reuniões de congregação que Frank pudesse freqüentar. Às vezes, sentia-se muito só, e mais de uma vez teve de lutar contra pensamentos de desistir e retornar à Austrália. Mas persistiu. Como? O alimento espiritual contido em The Watch Tower ajudava a fortalecê-lo. Em 1937, foi para uma designação na Indochina, onde escapou da morte por um triz durante as violentas convulsões depois da Segunda Guerra Mundial. Esse espírito de prontidão para servir ainda estava vivo nele na década de 70 quando escreveu para expressar sua alegria de que sua inteira família estava servindo a Jeová e para dizer que ele e sua esposa se preparavam novamente para se mudar para um lugar na Austrália onde havia maior necessidade.

      ‘Confiaram em Jeová de todo o coração’

      Claude Goodman estava decidido a ‘confiar em Jeová de todo o coração e não se estribar na sua própria compreensão’, de modo que escolheu o serviço de colportor como evangelizador cristão em vez de uma oportunidade em negócios seculares. (Pro. 3:5, 6) Junto com Ronald Tippin, que o ajudara a aprender a verdade, serviu como colportor na Inglaterra por mais de um ano. Depois, em 1929, os dois se dispuseram a ir para a Índia.c Que desafio isso representava!

      Nos anos que se seguiram, eles viajaram não só a pé, de trem de passageiros e de ônibus, mas também de trem de carga, de carro de boi, de camelo, de sampana, de jinriquixá e até de avião e de trem particular. Às vezes, eles estendiam seus colchonetes em salas de espera de ferrovias, em estábulos, sobre o capim na selva, ou no piso de excremento de gado num casebre, mas houve também ocasiões em que dormiram em hotéis de luxo e também no palácio de um rajá. Como o apóstolo Paulo, aprenderam o segredo do contentamento, quer tivessem poucas provisões, quer tivessem abundância. (Fil. 4:12, 13) Em geral, tinham muito pouco de valor material, mas nunca lhes faltou o que realmente necessitavam. Viram pessoalmente o cumprimento da promessa de Jesus de que, se buscassem primeiro o Reino e a justiça de Deus, as necessidades materiais da vida seriam providas.

      Tiveram graves crises de febre de dengue, malária e tifo, mas suas co-Testemunhas deram amorosa assistência. Havia serviço a ser feito no meio da imundície de cidades tais como Calcutá, e precisava-se dar testemunho nas plantações de chá, nas montanhas do Ceilão (hoje conhecido por Sri Lanka). Para satisfazerem as necessidades espirituais das pessoas, ofereciam publicações, tocavam gravações nos idiomas locais, e proferiam discursos. Com o aumento da obra, Claude aprendeu também a operar uma impressora e a prestar serviços nas filiais da Sociedade.

      Aos 87 anos, ele podia relembrar uma vida cheia de experiências no serviço de Jeová na Inglaterra, Índia, Paquistão, Ceilão, Birmânia (agora Mianmar), Malaia, Tailândia e Austrália. Como rapaz solteiro, depois como marido e pai, manteve o Reino em primeiro lugar em sua vida. Foi menos de dois anos após seu batismo que ele iniciou o serviço de tempo integral, e considerou esse serviço sua carreira pelo resto da vida.

      O poder de Deus aperfeiçoado na fraqueza

      Ben Brickell foi também uma Testemunha zelosa — era bem igual a outras pessoas, no sentido de que tinha as mesmas necessidades e os mesmos padecimentos físicos. Ele tinha uma fé notável. Em 1930, começou o trabalho como colportor na Nova Zelândia, onde deu testemunho em territórios que não foram cobertos de novo por décadas. Dois anos mais tarde, na Austrália, fez uma viagem de pregação de cinco meses, através do interior deserto, onde não se dera nenhum testemunho antes. Sua bicicleta ia pesadamente carregada de cobertores, roupas, alimentos e livros para distribuir. Embora outros homens tivessem perecido ao tentarem viajar por aquela região, ele foi avante, confiando em Jeová. Depois, serviu na Malaísia, onde teve graves problemas cardíacos. Ele não desistiu. Depois de um período de convalescença, reiniciou a atividade de pregação por tempo integral na Austrália. Uns dez anos depois, ele foi hospitalizado por causa de uma grave enfermidade, e, quando recebeu alta, o médico lhe disse que estava “85 por cento incapacitado para o trabalho”. Nem conseguia caminhar na rua para fazer compras sem descansar a intervalos.

      Mas Ben Brickell estava decidido a reiniciar o seu serviço, e isso ele fez, parando para descansar quando necessário. Em pouco tempo, já estava de novo pregando no agreste interior da Austrália. Fazia o que podia para cuidar da saúde, mas seu serviço a Jeová era a coisa principal em sua vida até a sua morte, 30 anos mais tarde, quando tinha cerca de 65 anos.d Ele reconhecia que a sua deficiência resultante de sua fraqueza física podia ser compensada com o poder de Jeová. Num congresso em Melbourne, em 1969, ele serviu no setor do serviço de pioneiros, usando um enorme crachá que dizia: “Se deseja saber sobre o serviço de pioneiro, pergunte a mim.” — Veja 2 Coríntios 12:7-10.

      Alcançando as aldeias nas selvas e campos de mineração nas montanhas

      O zelo pelo serviço de Jeová induziu não só homens, mas também mulheres a trabalhar em campos virgens. Freida Johnson era ungida, de pequena estatura, nos seus 50 e poucos anos quando trabalhou sozinha em partes da América Central, cobrindo a cavalo regiões como o litoral norte de Honduras. Exigia fé trabalhar sozinha naquela região, visitando dispersas plantações de banana, as cidades de La Ceiba, Tela e Trujillo, e até as distantes vilas isoladas próximas do Caribe. Ela deu testemunho ali em 1930 e 1931, de novo em 1934, e em 1940 e 1941, distribuindo milhares de publicações que continham a verdade bíblica.

      Durante aqueles anos, outra trabalhadora zelosa começou sua carreira de ministério de tempo integral. Era Kathe Palm, nascida na Alemanha. O que a motivou a ação foi ter assistido ao congresso em Columbus, Ohio, em 1931, onde os Estudantes da Bíblia adotaram o nome Testemunhas de Jeová. Foi então que ela se decidiu a buscar primeiro o Reino, e em 1992, aos 89 anos de idade, ainda fazia isso.

      Seu serviço de pioneiro começou na cidade de Nova Iorque. Mais tarde, em Dakota do Sul, ela teve uma companheira por alguns meses, mas depois continuou sozinha, viajando a cavalo. Quando foi convidada a servir na Colômbia, América do Sul, aceitou prontamente, chegando ali em fins de 1934. De novo tinha uma companheira por algum tempo, mas depois ficou sozinha. Isto não a fez achar que devia desistir.

      Um casal a convidou a juntar-se a eles no Chile. Ali havia outro território vasto, que se estendia por 4.265 quilômetros ao longo da costa ocidental do continente sul-americano. Depois de pregar em edifícios de escritórios da capital, ela partiu para o longínquo norte. Em todo campo de mineração, em toda comunidade, grande e pequena, ela dava testemunho de casa em casa. Trabalhadores no alto dos Andes ficavam surpresos de ver uma mulher sozinha visitá-los, mas ela estava decidida a não passar por alto a ninguém na região que lhe fora designada. Mais tarde, ela se mudou para o sul, onde algumas estancias (fazendas de criação de ovelhas) cobriam uma área de até 100.000 hectares. As pessoas ali eram amistosas e hospitaleiras, e convidavam-na para comer na hora das refeições. Deste e de outros modos, Jeová cuidou dela, de modo que tinha as coisas físicas necessárias para a sua subsistência.

      A pregação das boas novas do Reino de Deus tornou sua vida plena de realizações.e Fazendo um retrospecto dos anos de serviço, ela disse: “Sinto que tive uma vida muito rica. Cada ano, quando assisto a uma assembléia do povo de Jeová, tenho um sentimento caloroso e satisfatório quando vejo tantas pessoas com quem dirigi estudo bíblico publicar as boas novas, ajudando outros a vir à água da vida.” Ela teve a alegria de ver o número de louvadores de Jeová no Chile aumentar de uns 50 para mais de 44.000.

      “Eis-me aqui! Envia-me”

      Depois de ouvir um discurso baseado no convite de Jeová para o serviço, registrado em Isaías 6:8, e a positiva resposta do profeta: “Eis-me aqui! Envia-me”, Martin Poetzinger, na Alemanha, foi batizado. Dois anos mais tarde, em 1930, ele iniciou seu ministério de tempo integral na Baviera.f Pouco depois, as autoridades ali proibiram a pregação das Testemunhas, fecharam os locais de reuniões e confiscaram as publicações. A Gestapo ameaçou. Mas aqueles acontecimentos em 1933 não acabaram com o ministério do irmão Poetzinger.

      Ele foi convidado a servir na Bulgária. Usavam-se cartões de testemunho em búlgaro para apresentar as publicações bíblicas. Mas muitos eram analfabetos. Portanto, o irmão Poetzinger tomou aulas para aprender o idioma deles que empregava o alfabeto cirílico. Quando se deixava uma publicação com uma família, era muitas vezes necessário que as criancinhas a lessem para os pais.

      Na maior parte do primeiro ano, o irmão Poetzinger esteve sozinho, e escreveu: “Na Comemoração, eu mesmo proferi o discurso, orei sozinho e terminei a reunião sozinho.” Em 1934, os estrangeiros foram expulsos, portanto ele foi para a Hungria. Ali tinha de aprender mais um novo idioma para poder compartilhar as boas novas. Da Hungria ele foi para os países então conhecidos como Tchecoslováquia e Iugoslávia.

      Ele teve muitas experiências felizes — encontrar pessoas amantes da verdade ao caminhar pelo interior e pelas vilas com um fardo de publicações nas costas; sentir o cuidado de Jeová ao passo que pessoas hospitaleiras lhe ofereciam alimento e até uma cama para passar a noite; falar até tarde da noite com os que vinham à sua hospedagem para ouvir mais a respeito da consoladora mensagem do Reino.

      Sofreu também duras provas de fé. Servindo fora de sua terra natal, e sem recursos, ficou gravemente enfermo. Nenhum médico quis consultá-lo. Mas Jeová fez provisão. Como? Finalmente, contatou-se o principal médico consultante do hospital local. Esse homem, que acreditava firmemente na Bíblia, cuidou do irmão Poetzinger como se fosse um filho seu, fazendo isso sem cobrar nada. O médico ficou impressionado com o espírito abnegado desse jovem, evidenciado pelo trabalho que fazia, e aceitou como presente uma coleção de livros da Sociedade.

      Outra dura prova veio quatro meses depois de seu casamento. O irmão Poetzinger foi preso em dezembro de 1936 e foi detido primeiro num campo de concentração e depois em outro, ao passo que sua esposa foi retida em outro desses campos. Eles não se viram por nove anos. Jeová não impediu tal perseguição cruel, mas deveras fortaleceu a Martin, a sua esposa Gertrud e a milhares de outros para poderem suportá-la.

      Depois de ele e sua esposa serem libertados, o irmão Poetzinger serviu por muitos anos como superintendente viajante na Alemanha. Ele esteve presente em emocionantes congressos realizados na era do pós-guerra no lugar usado outrora para os desfiles de Hitler em Nurembergue. Mas agora o local estava sendo usado por uma vasta multidão de leais apoiadores do Reino de Deus. Ele assistiu a congressos inesquecíveis no Estádio Ianque, em Nova Iorque. Tirou pleno benefício de seu treinamento na Escola Bíblica de Gileade. E em 1977, tornou-se membro do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová. Seu conceito, até terminar sua carreira terrestre em 1988, pode ser melhor expresso nas palavras: ‘Faço uma única coisa — buscar primeiro o Reino.’

      Saber o que realmente significa

      É óbvio que o espírito de abnegação não é coisa nova entre as Testemunhas de Jeová. Quando foi publicado o primeiro volume do Millennial Dawn (Aurora do Milênio), lá em 1886, o assunto da consagração (ou, como diríamos hoje, dedicação) foi considerado de modo franco. Explicou-se que, à base das Escrituras, os cristãos verdadeiros “consagram” tudo a Deus; isso inclui suas habilidades, suas posses materiais, até mesmo sua vida. Os cristãos se tornam assim mordomos daquilo que foi “consagrado” a Deus, e, como mordomos, têm de prestar contas — não a homens, mas a Deus.

      Um crescente número de Estudantes da Bíblia realmente deu de si no serviço de Deus. Usaram plenamente suas habilidades, suas posses, sua vitalidade, para fazer a vontade de Deus. Por outro lado, houve os que achavam que o mais importante era cultivar o que chamavam de caráter cristão, a fim de se qualificarem para participar com Cristo no Reino.

      Embora a responsabilidade de todo cristão verdadeiro de dar testemunho a outros sobre o Reino de Deus fosse muitas vezes trazida à atenção pelo irmão Russell, isto recebeu maior ênfase depois da Primeira Guerra Mundial. O artigo “Caráter ou Pacto — Qual?” em The Watch Tower de 1.º de maio de 1926, é um notável exemplo. Considerava francamente os efeitos nocivos do que era chamado de desenvolvimento de caráter, e depois salientava a importância do cumprimento de obrigações para com Deus por meio de ações.

      Antes disso, The Watch Tower de 1.º de julho de 1920 já havia examinado a grande profecia de Jesus sobre ‘o sinal de sua presença e o fim do mundo’. (Mat. 24:3, King James) Focalizava a atenção na obra de pregação que precisa ser feita em cumprimento de Mateus 24:14 e identificava a mensagem a ser proclamada, dizendo: “As boas novas referidas aqui são a respeito do fim da velha ordem de coisas e o estabelecimento do reino do Messias.” The Watch Tower explicava que, à base de onde Jesus declarara isto em relação com outros aspectos do sinal, esta obra tinha de ser efetuada “entre o tempo da grande guerra mundial [Primeira Guerra Mundial] e o tempo da ‘grande tribulação’ mencionada pelo Amo em Mateus 24:21, 22.” Esse trabalho era urgente. Quem o faria?

      Esta responsabilidade recaía claramente sobre os membros da “igreja”, a verdadeira congregação cristã. Entretanto, em 1932, com a edição de 1.º de agosto de 1932 de The Watchtower, esses foram aconselhados a encorajar a “classe dos jonadabes” a participar com eles na obra, em harmonia com o espírito de Revelação (Apocalipse) 22:17. A classe dos jonadabes — cuja esperança é ter vida eterna na Terra paradísica — atendeu, e muitos deles fizeram isso com zelo.

      A importância vital desta obra tem sido fortemente enfatizada: “É tão essencial participar no serviço do Senhor como é assistir a uma reunião”, dizia The Watch Tower em 1921. “Cada um deve ser pregador do evangelho”, explicava em 1922. “Jeová fez da pregação a obra mais importante que qualquer de nós poderia efetuar neste mundo”, dizia em 1949. A declaração do apóstolo Paulo em 1 Coríntios 9:16 tem sido citada freqüentemente: “Pois me é imposta a necessidade. Realmente, ai de mim se eu não declarasse as boas novas!” Este texto tem sido aplicado a cada uma das Testemunhas de Jeová.

      Quantos fazem a pregação? Até que ponto? Por quê?

      Foi alguém compelido a participar dessa obra contra sua vontade? “Não”, respondia The Watch Tower, no seu número de 1.º de agosto de 1919, “ninguém é compelido a fazer o que quer que seja. É tudo um serviço puramente voluntário, realizado por amor ao Senhor e à sua causa de justiça. Jeová nunca recruta a ninguém.” Quanto à motivação de tal serviço, The Watch Tower de 1.º de setembro de 1922 dizia também: “Quem realmente está grato no coração e aprecia o que Deus tem feito por ele desejará fazer algo em retribuição; e quanto mais aumentar seu apreço pela bondade de Deus com ele, tanto maior será seu amor; e quanto maior seu amor, tanto maior será seu desejo de servi-lo.” Explicou-se que o amor a Deus é demonstrado mediante guardar seus mandamentos, e um desses mandamentos é pregar as boas notícias do Reino de Deus. — Isa. 61:1, 2; 1 João 5:3.

      Os que empreendem essa atividade não são atraídos por ambição mundana. Tem-se-lhes dito francamente que, ao irem de casa em casa ou oferecerem publicações na esquina de uma rua, serão considerados “tolos, fracos, medíocres”, que serão “desprezados, perseguidos” e classificados como “sem muita importância do ponto de vista do mundo”. Mas eles sabem que Jesus e seus primeiros discípulos foram tratados assim. — João 15:18-20; 1 Cor. 1:18-31.

      Pensam as Testemunhas de Jeová que de algum modo vão ganhar a salvação pela sua atividade de pregação? De forma alguma! O livro Unidos na Adoração do Único Deus Verdadeiro, usado desde 1983 para ajudar estudantes a progredir à madureza cristã, considera esse assunto. Diz: “O sacrifício de Jesus abriu também para nós a oportunidade de vida eterna . . . Esta não é uma recompensa que merecemos. Não importa quanto fazemos no serviço de Jeová, nunca podemos obter tanto mérito, que Deus nos deva a vida. A vida eterna é ‘o dom dado por Deus . . . por Cristo Jesus, nosso Senhor’. (Rom. 6:23; Efé. 2:8-10) Não obstante, se tivermos fé nesse dom e apreço pela maneira em que foi tornado disponível, manifestaremos isso. Por discernirmos quão maravilhosamente Jeová usou Jesus para realizar a Sua vontade e quão vital é que todos nós sigamos de perto os passos de Jesus, faremos do ministério cristão uma das coisas mais importantes em nossa vida.”

      Pode-se dizer que todas as Testemunhas de Jeová são proclamadores do Reino de Deus? Sim! É isso que significa ser Testemunha de Jeová. Há mais de meio século, havia alguns que achavam que não era necessário participar no serviço de campo, pregando publicamente e de casa em casa. Mas hoje nenhuma Testemunha de Jeová reivindica isenção desse serviço por causa de seu cargo na congregação local ou na organização mundial. Jovens e idosos, de ambos os sexos, participam. Encaram-no como precioso privilégio, um serviço sagrado. Não poucos o fazem, apesar de saúde muito precária. E no caso dos que simplesmente não têm condições físicas para ir de casa em casa, eles encontram outros meios de contatar pessoas e lhes dar testemunho pessoal.

      No passado, havia, às vezes, a tendência de deixar os mais novos participar no serviço de campo um pouco cedo demais. Mas, nas décadas recentes, dá-se maior ênfase à sua qualificação antes de serem convidados a participar. O que significa isso? Não significa que precisam saber explicar tudo o que está na Bíblia. Mas, como explica o livro Organizados Para Efetuar o Nosso Ministério, precisam conhecer os ensinamentos básicos da Bíblia e crer neles. Precisam também levar vida limpa, em harmonia com as normas da Bíblia. Cada um precisa realmente desejar ser Testemunha de Jeová.

      Não se espera que toda Testemunha de Jeová faça a mesma quantidade de serviço de pregação. As circunstâncias das pessoas variam. A idade, a saúde, as responsabilidades familiares e a profundeza de apreço são todos fatores contribuintes. Isto sempre foi reconhecido. Foi salientado pela Watchtower, na sua edição de 1.º de dezembro de 1950, ao considerar o “solo excelente” da parábola de Jesus sobre o semeador, em Lucas 8:4-15. O Curso da Escola do Ministério do Reino, preparado para anciãos em 1972, analisou o requisito de ‘amar a Jeová de toda a alma’ e explicou que “aquilo que é vital não é a quantidade que a pessoa faz em relação com o que outrem faça, mas fazer o que a pessoa pode”. (Mar. 14:6-8) Incentivando fazer uma cuidadosa introspecção, porém, mostrou também que tal amor significa “que cada fibra da existência da pessoa se acha envolvida em servir amorosamente a Deus; nenhuma função, capacidade ou desejo na vida é excetuado”. Todas as nossas faculdades, nossa inteira alma, precisam estar mobilizadas para fazer a vontade de Deus. Esse compêndio enfatizou que “Deus requer não a simples participação, mas o serviço de toda a alma”. — Mar. 12:30.

      Infelizmente, a tendência dos humanos imperfeitos é ir a extremos, enfatizar uma coisa e negligenciar outra. Portanto, já em 1906, o irmão Russell achou necessário alertar que a abnegação não significa sacrificar outros. Não significa a pessoa deixar de fazer provisões razoáveis para a esposa, para os filhos dependentes ou para pais idosos, a fim de estar livre para pregar a outros. De tempos a tempos desde então, lembretes similares têm aparecido nas publicações da Torre de Vigia.

      Gradativamente, com a ajuda da Palavra de Deus, a organização inteira tem procurado chegar a um equilíbrio cristão — manifestar zelo pelo serviço de Deus, dando ao mesmo tempo a devida atenção a todos os aspectos de se ser verdadeiro cristão. Embora o “desenvolvimento de caráter” se baseasse num entendimento errado, The Watchtower tem mostrado que os frutos do espírito e a conduta cristã não devem ser subestimados. Em 1942, The Watchtower disse claramente: “Alguns têm insensatamente concluído que, conquanto participem na obra de testemunho de casa em casa, podem seguir livremente, sem punição, qualquer proceder que satisfaça seus desejos. A pessoa deve lembrar-se de que a simples participação na obra de testemunho não é tudo o que se requer.” — 1 Cor. 9:27.

      Colocar as prioridades no seu devido lugar

      As Testemunhas de Jeová vieram a reconhecer que ‘buscar primeiro o Reino e a justiça de Deus’ é uma questão de colocar no devido lugar as prioridades. Inclui dar o devido lugar na vida da pessoa ao estudo pessoal da Palavra de Deus e a assistir regularmente às reuniões de congregação, e não permitir que outros empreendimentos tenham prioridade. Envolve fazer decisões que reflitam genuíno desejo de se harmonizar com os requisitos do Reino de Deus, segundo indicados na Bíblia. Isso inclui usar os princípios bíblicos como base para as decisões que envolvem a vida familiar, recreação, educação secular, emprego, práticas comerciais e o relacionamento com o próximo.

      Buscar primeiro o Reino é mais do que apenas ter alguma participação cada mês em falar com outros sobre o propósito de Deus. Significa a pessoa dar aos interesses do Reino o primeiro lugar em toda a sua vida, ao passo que cuida devidamente de outras obrigações bíblicas.

      Há muitas maneiras pelas quais as Testemunhas devotadas de Jeová promovem os interesses do Reino.

      O privilégio do serviço de Betel

      Alguns servem quais membros da família global de Betel. É uma equipe de ministros de tempo integral que se prontificaram a fazer o que quer que lhes fosse designado na preparação e impressão de publicações bíblicas, em cuidar do necessário serviço de escritório e em prestar serviços de apoio a tais operações. Não se trata de trabalho em que ganhem destaque pessoal ou bens materiais. Seu desejo é honrar a Jeová, e estão satisfeitos com as provisões feitas para eles em matéria de alimento, acomodação e um modesto reembolso de despesas pessoais. Por causa do modo de vida da família de Betel, as autoridades seculares nos Estados Unidos, por exemplo, consideram a tais como uma ordem religiosa que fez voto de pobreza. Os que estão em Betel alegram-se de poder usar sua vida plenamente no serviço de Jeová e em fazer um trabalho que beneficia grande número de seus irmãos cristãos e pessoas recém-interessadas, às vezes internacionalmente. Como outras Testemunhas de Jeová, participam também regularmente no ministério de campo.

      A primeira família de Betel (ou família da Casa da Bíblia, como era conhecida na época) achava-se em Allegheny, Pensilvânia, nos EUA. Em 1896, a equipe era composta de 12 membros. Em 1992, havia mais de 12.900 membros na família de Betel que serviam em 99 países. Além disso, quando não há suficientes acomodações nos prédios da Sociedade, centenas de outros voluntários se locomovem diariamente de suas casas para lares de Betel e gráficas, a fim de participarem no trabalho. Acham ser um privilégio participar no trabalho que se faz. Conforme a necessidade, milhares de outras Testemunhas se prontificam a deixar seu serviço secular e outras atividades por períodos variados para ajudar na construção de prédios que a Sociedade necessita em relação com a pregação mundial das boas novas do Reino de Deus.

      Muitos dos membros da família global de Betel fizeram disso um trabalho vitalício. Frederick W. Franz, que em 1977 se tornou o quarto presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), já era naquela época membro da família de Betel de Nova Iorque por 57 anos, e continuou no serviço de Betel por mais 15 anos até sua morte, em 1992. Heinrich Dwenger começou seu serviço de Betel na Alemanha, em 1911, servindo daí em diante modestamente onde quer que fosse designado; e em 1983, ano de sua morte, ainda derivava satisfação de seu serviço como membro da família de Betel em Thun, na Suíça. George Phillips, da Escócia, aceitou uma designação na filial da África do Sul em 1924 (quando esta supervisionava a atividade de pregação desde a Cidade do Cabo até o Quênia) e continuou a servir na África do Sul até sua morte em 1982 (ocasião em que sete filiais da Sociedade e cerca de 160.000 Testemunhas estavam ativas naquela área). Irmãs cristãs, como Kathryn Bogard, Grace DeCecca, Irma Friend, Alice Berner e Mary Hannan, também dedicaram sua vida adulta ao serviço de Betel, fazendo isso até o fim. Muitos outros membros da família de Betel têm servido da mesma forma 10, 30, 50, 70 e mais anos.g

      Abnegados superintendentes viajantes

      Em todo o mundo, há uns 3.900 superintendentes de circuito e de distrito que, junto com as respectivas esposas, cuidam também de designações onde quer que sejam necessários, geralmente em seu próprio país. Muitos desses deixaram sua casa e se mudam agora cada semana ou cada poucas semanas para servir as congregações designadas. Não recebem salário, mas são gratos pelo alimento e acomodação onde servem, junto com uma modesta provisão para despesas pessoais. Nos Estados Unidos, onde 499 superintendentes de circuito e de distrito serviam em 1992, a idade, em média, desses anciãos viajantes era de 54 anos, e alguns tinham servido nessa função por 30, 40 ou mais anos. Em diversos países, esses superintendentes viajam de automóvel. O território da área do Pacífico exige muitas vezes o uso de aviões comerciais e navios. Em muitos lugares, os superintendentes de circuito chegam às congregações remotas a cavalo ou a pé.

      Os pioneiros preenchem uma necessidade importante

      Para se dar início à pregação das boas novas em lugares onde não há Testemunhas, ou para fornecer ajuda especialmente necessitada em determinada região, o Corpo Governante pode providenciar o envio de pioneiros especiais. Estes são evangelizadores de tempo integral que dedicam pelo menos 140 horas todo mês ao ministério de campo. Dispõem-se a servir onde quer que sejam necessários no seu próprio país ou, em alguns casos, em países vizinhos. Visto que seus requisitos de serviço lhes deixam pouco ou nenhum tempo para serviço secular para atender às suas necessidades materiais, eles recebem um modesto reembolso de despesas de habitação e outras necessidades. Em 1992, havia mais de 14.500 pioneiros especiais em várias partes da Terra.

      Quando os primeiros pioneiros especiais foram enviados em 1937, eles encabeçaram o serviço de tocar discursos bíblicos gravados para os moradores ouvirem na própria porta de sua casa, e em usar gravações como base de suas palestras nas revisitas. Isto foi feito em cidades grandes onde já havia congregações. Depois de alguns anos, os pioneiros especiais começaram a ser enviados especialmente a regiões onde não existiam congregações ou onde as congregações tinham grande necessidade de ajuda. Em resultado de seu trabalho eficiente, centenas de novas congregações foram formadas.

      Em vez de cobrirem um território e passarem para outro, trabalhavam repetidas vezes determinada região, revisitando todos os interessados e dirigindo estudos bíblicos. Realizavam-se reuniões para os interessados. Assim, em Lesoto, na África meridional, um pioneiro especial, na sua primeira semana numa nova designação, convidou toda pessoa que encontrava a vir ver como as Testemunhas de Jeová dirigem a Escola do Ministério Teocrático. Ele com a família apresentaram o programa inteiro. Daí, ele convidou todos para o Estudo da Sentinela. Depois de ter sido satisfeita a curiosidade inicial, 30 continuaram a assistir ao Estudo da Sentinela, e a média de assistência na escola era de 20. Nos países onde missionários treinados em Gileade fizeram muito para dar início à pregação das boas novas, aumentos mais rápidos ocorreram às vezes quando Testemunhas naturais do país começaram a se qualificar para o serviço de pioneiro especial, pois esses podiam muitas vezes trabalhar com ainda mais eficácia entre o povo local.

      Além desses zelosos trabalhadores, há centenas de milhares de outras Testemunhas de Jeová que também promovem vigorosamente os interesses do Reino. Estes incluem jovens e idosos, de ambos os sexos, casados e solteiros. Os pioneiros regulares dedicam no mínimo 90 horas por mês ao ministério de campo; os pioneiros auxiliares, pelo menos 60 horas. Eles decidem onde gostariam de pregar. A maioria deles trabalha com congregações estabelecidas; alguns se mudam para lugares isolados. Atendem às suas próprias necessidades materiais fazendo algum serviço secular, ou membros de sua família talvez os ajudem nesse respeito. Em 1992, mais de 914.500 participaram nesse serviço como pioneiros regulares ou auxiliares por pelo menos parte do ano.

      Escolas com objetivos especiais

      Para equipar voluntários para certos tipos de serviço, há provisão de escolas especiais. Desde 1943, por exemplo, a Escola de Gileade treinou milhares de ministros experientes para a obra missionária, e os formados têm sido enviados a todas as partes da Terra. Em 1987, a Escola de Treinamento Ministerial começou a funcionar para ajudar a preencher necessidades especiais, que incluem cuidar de congregações, bem como de outras responsabilidades. A provisão de haver cursos dessa escola em vários lugares reduz a necessidade de estudantes viajarem a um ponto central, bem como de aprenderem um outro idioma para poderem fazer o curso. Todos os que são convidados a essa escola são anciãos ou servos ministeriais que deram evidência de estarem realmente buscando primeiro o Reino. Muitos se dispuseram a servir em outros países. Eles têm espírito semelhante ao do profeta Isaías, que disse: “Eis-me aqui! Envia-me.” — Isa. 6:8.

      Para melhorar a eficiência dos que já servem como pioneiros regulares e especiais, iniciou-se em 1977 a Escola do Serviço de Pioneiro. Onde possível, a realização desse curso foi programada para todo circuito ao redor do mundo. Todos os pioneiros foram convidados a fazer esse curso de duas semanas. Desde então, progressivamente, os pioneiros que completaram seu primeiro ano de serviço receberam o mesmo treinamento. Até 1992, mais de 100.000 pioneiros haviam sido treinados nessa escola só nos Estados Unidos; mais de 10.000 foram treinados anualmente. Outros 55.000 foram treinados no Japão, 38.000 no México, 25.000 no Brasil e 25.000 na Itália. Além deste curso, os pioneiros têm em base regular uma reunião especial com o superintendente de circuito durante suas visitas semi-anuais a cada congregação e uma sessão de treinamento especial com o superintendente de circuito e de distrito por ocasião da anual assembléia de circuito. Assim, o grande exército de proclamadores do Reino que servem quais pioneiros não só são trabalhadores voluntários, mas também ministros bem treinados.

      Servir onde a necessidade é maior

      Muitos milhares de Testemunhas de Jeová — alguns dos quais são pioneiros e outros não — dispuseram-se a servir não só na própria comunidade, mas também em outras partes onde há grande necessidade de proclamadores das boas novas. Todo ano, milhares delas gastam um período de semanas ou meses, segundo o que podem programar pessoalmente, em regiões muitas vezes bastante distantes de onde moram para dar testemunho a pessoas que não são visitadas regularmente pelas Testemunhas de Jeová. Milhares mais se mudaram para outras regiões, a fim de darem essa ajuda por um período mais prolongado. Muitos desses são casados ou são famílias com filhos. Em muitos casos, mudaram-se para lugares relativamente próximos, mas alguns se mudaram repetidas vezes com o passar dos anos. Muitas dessas zelosas Testemunhas até mesmo passaram a trabalhar no estrangeiro — algumas por poucos anos, outras em caráter permanente. Fazem o necessário serviço secular para a sua subsistência, e a mudança é custeada por elas mesmas. Seu único desejo é participar o mais plenamente possível de acordo com suas circunstâncias em divulgar a mensagem do Reino.

      Quando o chefe de família não é Testemunha, talvez ele se mude com a família por causa de emprego. Mas os membros da família que são Testemunhas talvez vejam nisso uma oportunidade de divulgar a mensagem do Reino. Foi assim com duas Testemunhas dos Estados Unidos que foram parar num núcleo de construção nas selvas, no Suriname, em fins de 1970. Duas vezes por semana, levantavam-se às 4 horas da manhã, pegavam um ônibus da companhia e faziam uma dura viagem de uma hora até uma vila, onde passavam o dia pregando. Logo estavam dirigindo 30 estudos bíblicos semanalmente com pessoas famintas da verdade. Hoje, existe uma congregação nessa parte da floresta equatorial, outrora não alcançada.

      Aproveitam todas as oportunidades para dar testemunho

      Naturalmente, nem todas as Testemunhas de Jeová se mudam para outros países, nem mesmo para outras cidades, a fim de cumprirem seu ministério. As circunstâncias talvez não permitam que sejam pioneiros. Contudo, estão bem apercebidas da admoestação bíblica de fazer “esforço sério” e de ter “bastante para fazer na obra do Senhor”. (2 Ped. 1:5-8; 1 Cor. 15:58) Mostram que buscam primeiro o Reino quando colocam os interesses deste na frente do serviço secular e da recreação. Aqueles cujo coração está cheio de apreço pelo Reino participam regularmente no ministério de campo na medida que suas circunstâncias permitem, e muitos deles ajustam suas circunstâncias para poderem participar mais plenamente. Estão também constantemente alertas para aproveitar oportunidades apropriadas para dar testemunho a outros a respeito do Reino.

      Como exemplo, John Frugala, que tinha uma loja de ferragens em Guayaquil, Equador, fez uma atraente exibição de publicações bíblicas na loja. Enquanto seu funcionário atendia os pedidos, John dava testemunho ao freguês.

      Na Nigéria, uma zelosa Testemunha, que sustentava a família trabalhando como empreiteiro eletricista, estava também decidido a usar bem seus contatos para dar testemunho. Sendo ele o proprietário da firma, determinava o horário de suas atividades. Toda manhã, antes do trabalho, reunia a esposa, os filhos, os empregados e os aprendizes para uma palestra sobre o texto bíblico diário junto com experiências do Anuário das Testemunhas de Jeová. No início de cada ano, ele dava também aos fregueses um exemplar do calendário da Sociedade Torre de Vigia junto com duas revistas. Em resultado disso, alguns dos empregados e fregueses passaram também a adorar a Jeová.

      Há muitas Testemunhas de Jeová que têm esse mesmo espírito. Quaisquer que sejam suas atividades, estão sempre à procura de oportunidades para partilhar com outros as boas novas.

      Um grande exército de felizes evangelizadores por tempo integral

      Com o passar dos anos, o zelo das Testemunhas de Jeová pela pregação das boas novas não diminuiu. Mesmo que muitos moradores lhes tenham dito bastante firmemente que não estão interessados, há grande número dos que estão gratos de que as Testemunhas os ajudam a entender a Bíblia. A determinação das Testemunhas de Jeová é continuar a pregar até que o próprio Jeová indique claramente que esta obra está terminada.

      Em vez de diminuir, a associação mundial das Testemunhas de Jeová realmente tem intensificado a sua atividade de pregação. Em 1982, o anual relatório global mostrava que 384.856.622 horas haviam sido gastas no ministério de campo. Dez anos mais tarde (em 1992), 1.024.910.434 horas foram dedicadas a esta obra. A que se deve esse grande aumento de atividade?

      É verdade que o número de Testemunhas de Jeová aumentou. Mas não a esse ponto. Durante esse período, ao passo que o número de Testemunhas aumentou 80 por cento, o número de pioneiros subiu 250 por cento. Em média, cada mês, 1 de cada 7 Testemunhas de Jeová mundialmente estava em alguma modalidade do serviço de pregação por tempo integral.

      Quem foram os que participaram em tal serviço de pioneiro? Como exemplo, na República da Coréia, muitas Testemunhas são donas-de-casa. As responsabilidades familiares talvez não permitam que todas sejam pioneiras em base regular, mas muitas delas têm usado as longas férias escolares de inverno como oportunidades para o serviço de pioneiro auxiliar. Assim, 53 por cento do total de Testemunhas na República da Coréia estavam em alguma modalidade do serviço de tempo integral em janeiro de 1990.

      Em anos passados, foi um zeloso espírito de pioneiro da parte de Testemunhas filipinas que as habilitou a alcançar com a mensagem do Reino centenas de ilhas habitadas nas Filipinas. Esse zelo tem sido ainda mais evidente desde então. Em 1992, todo mês, em média, 22.205 publicadores participaram no ministério de campo como pioneiros nas Filipinas. Entre eles havia muitos jovens que escolheram ‘lembrar-se do seu Criador’ e usar seu vigor juvenil em Seu serviço. (Ecl. 12:1) Depois de uma década de serviço de pioneiro, um desses jovens disse: “Aprendi a ser paciente, a levar uma vida simples, a confiar em Jeová e a ser humilde. É verdade que também passei por dificuldades e desânimo, mas nada disso se compara com as bênçãos resultantes do serviço de pioneiro.”

      Em abril e maio de 1989, A Sentinela fez uma exposição de Babilônia, a Grande, que é a religião falsa em suas muitas formas em todo o mundo. Os artigos foram publicados simultaneamente em 39 idiomas e houve grande distribuição. No Japão, onde o número de Testemunhas que são pioneiros tem sido muitas vezes mais de 40 por cento, um novo auge de 41.055 pioneiros auxiliares se alistou para ajudar na obra naquele mês de abril. Na Congregação Otsuka, na prefeitura de Osaka, na cidade de Takatsuki, 73 dos 77 publicadores batizados participaram em alguma forma do serviço de pioneiro naquele mês. Em 8 de abril, quando todos os publicadores no Japão foram incentivados a participar na divulgação desta mensagem vital, centenas de congregações, como a Congregação Ushioda, na cidade de Yokohama, programaram serviço de um dia inteiro nas ruas e de casa em casa, das 7 da manhã às 8 da noite, para poderem alcançar toda pessoa possível na área.

      Como se dá em toda a parte, as Testemunhas de Jeová no México trabalham para sua subsistência. Contudo, cada mês durante 1992, em média, 50.095 Testemunhas de Jeová ali também deram lugar em sua vida ao serviço de pioneiro para ajudar as pessoas famintas da verdade a aprender sobre o Reino de Deus. Em algumas famílias, todos os membros cooperaram para que todos eles, ou pelo menos alguns, fossem pioneiros. Seu ministério é frutífero. Em 1992, as Testemunhas de Jeová no México dirigiam regularmente 502.017 estudos bíblicos domiciliares com pessoas e famílias.

      Os anciãos que cuidam das necessidades das congregações das Testemunhas de Jeová têm pesadas responsabilidades. A maioria dos anciãos na Nigéria são chefes de família, assim como anciãos em muitos outros lugares. Contudo, além de se prepararem para dirigir as reuniões congregacionais ou participarem nelas, bem como fazerem o necessário serviço de pastoreio do rebanho de Deus, alguns desses homens são também pioneiros. Como é isso possível? A cuidadosa programação do tempo e a boa cooperação da família são muitas vezes fatores importantes.

      É óbvio que, mundialmente, as Testemunhas de Jeová têm levado a sério a admoestação de Jesus de ‘persistir em buscar primeiro o reino’. (Mat. 6:33) O que fazem é uma expressão genuína de seu amor a Jeová e seu apreço pela Sua soberania. Como o salmista Davi, eles dizem: “Vou exaltar-te, ó meu Deus, o Rei, e vou bendizer teu nome por tempo indefinido, para todo o sempre.” — Sal. 145:1.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Watch Tower (A Sentinela) de 15 de agosto de 1906, pp. 267-71.

      b Veja The Watchtower de 1.º de fevereiro de 1967, páginas 92-5.

      c Veja A Sentinela de 15 de março de 1974, páginas 184-9.

      d Veja A Sentinela de 1.º de março de 1973, páginas 153-7.

      e A Sentinela de 1.º de junho de 1964, pp. 348-50.

      f Veja A Sentinela de 15 de maio de 1970, páginas 315-18; 15 de setembro de 1988, página 31.

      g Veja A Sentinela de 1.º maio de 1987, páginas 22-30; de 1.º de outubro de 1964, páginas 596-9; The Watchtower de 1.º de dezembro de 1956, páginas 712-19; de 15 de agosto de 1970, páginas 507-10; A Sentinela de 15 de junho de 1961, páginas 380-3; de 15 de dezembro de 1968, páginas 744-7; de 1.º de outubro de 1968, páginas 598-603; The Watchtower de 1.º de abril de 1959, páginas 220-3.

      [Destaque na página 292]

      Aumentada ênfase sobre a responsabilidade de pregar

      [Destaque na página 293]

      Consideram ser precioso privilégio dar testemunho de casa em casa.

      [Destaque na página 294]

      Compreenderam o que significa serviço de toda a alma.

      [Destaque na página 295]

      O que realmente significa “buscar primeiro o reino”.

      [Destaque na página 301]

      Testemunhas zelosas colocam os interesses do Reino acima do serviço secular e da recreação.

      [Foto na página 284]

      A irmã Early viajou por grande parte da Nova Zelândia de bicicleta para compartilhar a mensagem do Reino.

      [Foto na página 285]

      Durante 76 anos — solteira, casada e depois viúva — Malinda Keefer dedicou-se ao ministério por tempo integral.

      [Fotos na página 286]

      Simples carros-moradia serviam de alojamento para alguns dos primeiros pioneiros ao irem de um lugar para outro.

      Canadá

      Índia

      [Foto na página 287]

      Frank Rice (de pé à direita), Clem Deschamp (sentado na frente de Frank, com a esposa de Clem, Jean, ao lado deles), e um grupo de pessoas em Java, incluindo outras Testemunhas e recém-interessados.

      [Fotos na página 288]

      A vida de Claude Goodman no ministério de tempo integral o levou a servir na Índia e em sete outros países.

      [Foto na página 289]

      Quando Ben Brickell tinha boa saúde, alegrava-se em usá-la no serviço de Jeová; sérios problemas de saúde nos anos posteriores não o fizeram desistir.

      [Foto na página 290]

      Kathe Palm deu testemunho em todo tipo de território, desde edifícios de escritórios em grandes cidades até o mais remoto campo de mineração e fazenda de criação de ovelhas no Chile.

      [Foto na página 291]

      A determinação de Martin e Gertrud Poetzinger está expressa nas palavras: ‘Faço uma única coisa — buscar primeiro o Reino.’

      [Foto na página 300]

      A Escola do Serviço de Pioneiro (conforme mostrada aqui no Japão) tem dado treinamento especial a dezenas de milhares de trabalhadores zelosos.

      [Fotos nas página 296, 297]

      Serviço de Betel

      O estudo pessoal é importante para os membros da família de Betel.

      Em todo Lar de Betel, o dia começa com a consideração de um texto bíblico.

      Espanha

      Finlândia

      O serviço é variado, mas tudo é feito em apoio da proclamação do Reino de Deus.

      França

      Papua Nova Guiné

      Estados Unidos

      Alemanha

      Filipinas

      México

      Como no caso das Testemunhas de Jeová em toda a parte, os membros da família de Betel participam no serviço de campo.

      Toda segunda-feira à noite a família de Betel estuda “A Sentinela” em conjunto.

      Suíça

      Itália

      Grã-Bretanha

      Nigéria

      Países Baixos

      Brasil

      África do Sul

      Japão

      Em 1992 havia 12.974 que participavam no serviço de Betel em 99 países.

      [Fotos na página 298]

      Alguns com longo tempo de serviço em Betel

      Heinrich Dwenger — Alemanha (cerca de 15 anos de 1911-33), Hungria (1933-35), Tchecoslováquia (1936-39), depois Suíça (1939-83)

      George Phillips — África do Sul (1924-66, 1976-82)

      F. W. Franz — Estados Unidos (1920-92)

      Irmãs carnais (Kathryn Bogard e Grace DeCecca) que dedicaram em conjunto 136 anos ao serviço de Betel. — Estados Unidos

      [Foto/Quadro na página 288]

      “Onde Estão os Nove?”

      Na Comemoração da morte de Cristo, em 1928, um tratado distribuído a todos os presentes intitulava-se “Onde Estão os Nove?”. A sua explicação sobre Lucas 17:11-19 tocou o coração de Claude Goodman e motivou-o a entrar no serviço de colportor, ou pioneiro, e a perseverar nesse serviço.

      [Gráfico na página 303

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      Aumenta o número de pioneiros!

      Porcentagem de aumento desde 1982

      250%

      200%

      150%

      100%

      50%

      1982 1984 1986 1988 1990 1992

      Pioneiros

      Publicadores

  • Crescer juntos em amor
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 19

      Crescer juntos em amor

      ESCREVENDO a concristãos, os apóstolos de Jesus Cristo explicaram a necessidade de as pessoas crescerem não só no conhecimento exato, mas também no amor. A base para isso era o amor demonstrado pelo próprio Deus e o amor abnegado de Cristo, cujas pisadas eles se esforçaram a seguir. (João 13:34, 35; Efé. 4:15, 16; 5:1, 2; Fil. 1:9; 1 João 4:7-10) Eram uma irmandade, e, quando ajudavam uns aos outros, os vínculos de amor se tornavam ainda mais fortes.

      Quando uma fome causou dificuldades econômicas para os irmãos na Judéia, cristãos na Síria e na Grécia compartilharam seus bens para ajudá-los. (Atos 11:27-30; Rom. 15:26) Quando alguns eram perseguidos, seu sofrimento era profundamente sentido por outros cristãos, e estes procuravam prestar ajuda. — 1 Cor. 12:26; Heb. 13:3.

      Naturalmente, todos os humanos têm a capacidade de amar, e outros além dos cristãos praticam ações humanitárias. Mas o povo no mundo romano reconhecia que o amor demonstrado pelos cristãos era diferente. Tertuliano, que havia sido jurista em Roma, citou as observações dos do mundo romano a respeito dos cristãos, dizendo: “‘Observai’, dizem eles, ‘como amam uns aos outros . . . e como se dispõem a morrer uns pelos outros.’” (Apology, XXXIX, 7) John Hurst, em sua History of the Christian Church (História da Igreja Cristã, Volume 1, página 146), relata que as pessoas nas antigas Cartago e Alexandria, durante os surtos de pestes, afugentavam de sua presença os que estavam atacados e arrancavam do corpo dos moribundos qualquer coisa que fosse de valor. Em contraste com isso, conta ele, os cristãos nesses lugares repartiam seus bens, cuidavam dos doentes e enterravam os mortos.

      Praticam as Testemunhas de Jeová dos tempos atuais obras que demonstram tal preocupação pelo bem-estar dos outros? Se assim for, são estas apenas por parte de algumas pessoas isoladas, ou incentiva e apóia a organização como um todo os esforços neste sentido?

      Ajuda amorosa nas congregações locais

      Entre as Testemunhas de Jeová, cuidar dos órfãos e das viúvas na congregação, bem como de quaisquer pessoas fiéis que sofram severa adversidade, é considerado parte da adoração. (Tia. 1:27; 2:15-17; 1 João 3:17, 18) Os governos seculares em geral providenciam hospitais, abrigo para os idosos, e assistência social para os desempregados na comunidade como um todo, e as Testemunhas de Jeová apóiam tais provisões pagando conscienciosamente os impostos. Entretanto, reconhecendo que só o Reino de Deus pode solucionar de modo permanente os problemas da humanidade, as Testemunhas de Jeová dedicam a si próprias e seus recursos principalmente a ensinar outros a respeito disso. Trata-se de um serviço vital que não é prestado por nenhum governo humano.

      Nas mais de 69.000 congregações das Testemunhas de Jeová mundialmente, as necessidades especiais que surgem por causa de idade avançada e doença são geralmente cuidadas em caráter individual. Segundo mostra 1 Timóteo 5:4, 8, cabe a cada cristão a responsabilidade primária de cuidar de sua própria família. Os filhos, netos e outros parentes próximos demonstram amor cristão provendo ajuda aos idosos e enfermos segundo o que necessitam. As congregações das Testemunhas de Jeová não enfraquecem esse senso de responsabilidade assumindo as obrigações familiares. Entretanto, quando não existem parentes próximos, ou quando os que têm a responsabilidade simplesmente não conseguem levar a carga sozinhos, outros na congregação amorosamente prestam ajuda. Quando necessário, a congregação como um todo faz provisão para dar certa ajuda a um irmão ou irmã em necessidade que tenha antecedentes de longo tempo de serviço fiel. — 1 Tim. 5:3-10.

      A ajuda em tais casos não é deixada ao acaso. Nos cursos da Escola do Ministério do Reino, que os anciãos têm repetidas vezes feito desde 1959, sua obrigação perante Deus neste respeito, como pastores do rebanho, não raro tem recebido atenção especial. (Heb. 13:1, 16) Não que estivessem despercebidos dessa necessidade antes disso. Em 1911, por exemplo, foi fornecida ajuda material pela Congregação Oldham, de Lancashire, Inglaterra, aos que em seu meio tinham graves problemas econômicos. Entretanto, desde então, a organização global cresceu, o número dos que sofrem problemas graves aumentou, e as Testemunhas de Jeová estão cada vez mais cientes daquilo que a Bíblia mostra que devem fazer em tais situações. Especialmente nos anos recentes, as responsabilidades dos cristãos para com os dentre eles que têm necessidades especiais — os idosos, enfermos, famílias em que falta o pai ou a mãe e os que sofrem dificuldades econômicas — têm sido consideradas por todas as congregações em suas reuniões.a

      A preocupação das Testemunhas individuais para com outros vai muito além de simplesmente dizer: “Mantende-vos aquecidos e bem alimentados.” Demonstram amoroso interesse pessoal. (Tia. 2:15, 16) Considere alguns exemplos.

      Quando uma jovem sueca, Testemunha de Jeová, contraiu meningite enquanto visitava a Grécia em 1986, ela também sentiu o que significa ter irmãos e irmãs cristãos em muitos países. Seu pai na Suécia foi avisado. Imediatamente ele entrou em contato com um ancião da congregação local das Testemunhas de Jeová na Suécia e, através dele, com uma Testemunha na Grécia. Até que ela pôde retornar à Suécia três semanas mais tarde, os novos amigos da jovem Testemunha, na Grécia, em momento algum a deixaram sem assistência.

      Da mesma forma, quando uma Testemunha de idade avançada, um viúvo, em Wallaceburg, Ontário, Canadá, precisou de ajuda, uma família a quem ele ajudara espiritualmente mostrou apreço integrando-o na família. Alguns anos mais tarde, quando a família se mudou para Barry’s Bay, ele também foi junto. Morou com essa família e foi cuidado com amor por 19 anos, até a sua morte em 1990.

      Na cidade de Nova Iorque, um casal de Testemunhas cuidou de um idoso que assistia às reuniões no seu Salão do Reino, fazendo isso por uns 15 anos, até a morte dele em 1986. Quando ele sofreu um derrame, eles passaram a cuidar de suas necessidades de compras, limpeza, comida e roupa. Trataram-no como se fosse seu próprio pai.

      Outras necessidades também são cuidadas com amor. Um casal de Testemunhas nos Estados Unidos havia vendido sua casa e se mudara para Montana para ajudar a congregação ali. Com o tempo, porém, surgiram sérios problemas de saúde, o irmão perdeu o emprego e os recursos financeiros minguaram. Como se sairiam? O irmão orou a Jeová pedindo ajuda. Ao terminar de orar, uma Testemunha bateu à sua porta. Ambos saíram para tomar café. Quando o irmão retornou, encontrou o balcão da cozinha repleto de mantimentos. Junto com os mantimentos havia um envelope com dinheiro e um bilhete que dizia: “De seus irmãos e irmãs que os amam muito.” A congregação notara que estavam necessitados, e todos participaram em preencher essa necessidade. Profundamente comovidos pelo amor demonstrado, ele e sua esposa não conseguiram conter as lágrimas nem deixar de agradecer a Jeová, cujo exemplo de amor motiva seus servos.

      É de conhecimento geral o generoso interesse que as Testemunhas de Jeová mostram por aqueles que entre elas padecem necessidades. Às vezes, impostores têm tirado partido disso. Portanto, as Testemunhas tiveram de aprender a ser cautelosas, embora não sufoquem seu desejo de ajudar os merecedores.

      Quando a guerra deixa as pessoas na penúria

      Em muitas partes da Terra, as pessoas ficaram na penúria em resultado da guerra. Organizações de assistência procuram dar ajuda, mas esse mecanismo não raro funciona devagar. As Testemunhas de Jeová não adotam o conceito de que o trabalho efetuado por essas agências de assistência as exima da responsabilidade para com seus irmãos cristãos nessas áreas. Quando ficam sabendo que seus irmãos sofrem privações, não lhes ‘fecham a porta das suas ternas compaixões’, mas fazem prontamente tudo ao seu alcance para socorrê-los. — 1 João 3:17, 18.

      Durante a Segunda Guerra Mundial, mesmo nos países onde havia muita escassez, as Testemunhas do interior que ainda tinham alimentos repartiram estes com os irmãos menos afortunados nas cidades. Nos Países Baixos, isto foi feito com grandes riscos, por causa das severas restrições impostas pelos nazistas. Numa dessas missões de assistência, Gerrit Böhmermann liderava um grupo de irmãos em bicicletas de transporte, carregadas de alimentos cobertos com lonas. De repente, chegaram a um posto de fiscalização na cidade de Alkmaar. “Não havia outra solução senão confiar plenamente em Jeová”, disse Gerrit. Sem diminuir muito a velocidade, ele perguntou bem alto para o guarda: “Wo ist Amsterdam?” (Qual o caminho para Amsterdã?) O guarda saiu do caminho, apontou para a frente e gritou: “Geradeaus!” (Em frente!) “Danke schön!” (Muito obrigado!) foi a resposta de Gerrit ao passo que a frota inteira de bicicletas passava em velocidade máxima e uma multidão surpresa os observava. Em outra ocasião, as Testemunhas conseguiram levar para seus irmãos em Amsterdã um barco com um carregamento inteiro de batatas.

      Dentro dos próprios campos de concentração na Europa, este espírito era demonstrado pelas Testemunhas de Jeová. Estando encarcerado num campo perto de Amersfoort, nos Países Baixos, um jovem de 17 anos perdera tanto peso que ficara reduzido a um esqueleto ambulante. Mas, em anos posteriores, jamais esqueceu que, certa vez, depois de terem sido forçados a fazer exercícios debaixo de chuva torrencial até meia-noite e depois disso ficado privados de alimento, uma Testemunha de outra parte do campo conseguiu chegar até ele e pôs-lhe na mão um pedaço de pão. Também, no campo de concentração de Mauthausen, na Áustria, uma Testemunha, cujo serviço requeria que fosse de uma parte do campo a outra, arriscava muitas vezes a sua vida levando alimento, que Testemunhas haviam economizado de suas escassas porções, para outras Testemunhas que sofriam mais privações do que elas.

      Após a guerra, as Testemunhas de Jeová que saíram das prisões e dos campos de concentração alemães não tinham nada a não ser a roupa da prisão que traziam no corpo. A propriedade de muitos dos que não estavam presos tinha sido destruída. Havia escassez de alimentos, roupas e de combustíveis em grande parte da Europa. As Testemunhas de Jeová nesses países organizaram rapidamente reuniões de congregação e começaram a ajudar outros espiritualmente, compartilhando as boas novas do Reino de Deus. Mas elas próprias necessitavam de ajuda em outros sentidos. Muitas estavam tão enfraquecidas pela fome que não raro desmaiavam durante as reuniões.

      Eis uma situação que as Testemunhas não haviam enfrentado antes em tão grande escala. Entretanto, no próprio mês em que terminou oficialmente a guerra na área do Pacífico, as Testemunhas de Jeová realizaram um congresso especial em Cleveland, Ohio, onde consideraram o que era preciso fazer para prestar socorros a seus irmãos cristãos nos países dilacerados pela guerra e como realizar isso. O animador discurso “Sua Indescritível Dádiva”, proferido por F. W. Franz, apresentava conselho bíblico bem oportuno para aquela situação.b

      Em questão de algumas semanas, logo que se permitiu viajar por aquela área, N. H. Knorr, presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), e M. G. Henschel partiram para a Europa com o fim de verem pessoalmente as condições ali. Mesmo antes de empreenderem essa viagem, já estavam sendo tomadas medidas para fornecer ajuda.

      De início, foram feitas remessas da Suíça e da Suécia. Em seguida, do Canadá, dos Estados Unidos e de outros países. Embora o número de Testemunhas nos países que tinham condições de fornecer tal ajuda na época fosse só cerca de 85.000, eles incumbiram-se de enviar roupas e alimentos a suas co-Testemunhas na Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, China, Dinamarca, Filipinas, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Inglaterra, Itália, Noruega, Países Baixos, Polônia, Romênia e Tchecoslováquia. Não foi um esforço feito apenas uma vez. Continuou-se a enviar ajuda durante dois anos e meio. Entre janeiro de 1946 e agosto de 1948, eles despacharam 479.114 quilos de roupa, 124.110 pares de sapatos e 326.081 quilos de gêneros alimentícios como dádivas para suas co-Testemunhas. Não se tirou nada desses fundos para despesas administrativas. A separação e o empacotamento foram feitos por voluntários não-remunerados. Os fundos contribuídos foram integralmente usados para ajudar as pessoas às quais se destinavam.

      Naturalmente, a necessidade de ajuda a refugiados e a outros destituídos pela guerra não terminou na década de 40. Houve centenas de guerras desde 1945. E a mesma preocupação amorosa tem continuado a ser mostrada pelas Testemunhas de Jeová. Isto foi feito durante e depois da guerra da Biafra, na Nigéria, de 1967 a 1970. Deu-se ajuda similar a Moçambique durante a década de 80.

      Também na Libéria houve fome resultante da guerra que começou em 1989. Ao passo que as pessoas fugiam, as dependências da Torre de Vigia em Monróvia ficaram apinhadas de centenas de refugiados. Todo alimento disponível ali, bem como a água do poço, foi compartilhado com Testemunhas e com vizinhos que não eram Testemunhas. Depois, logo que as circunstâncias permitiram, chegaram mais suprimentos enviados por Testemunhas da Serra Leoa e da Côte d’Ivoire (Costa do Marfim), na África Ocidental, dos Países Baixos e da Itália, na Europa, e dos Estados Unidos.

      Também, em 1990, depois de a guerra no Líbano ter deixado partes de Beirute como se tivessem sofrido um terremoto, os anciãos entre as Testemunhas de Jeová organizaram uma comissão de socorros de emergência para dar a necessária assistência aos irmãos. Não precisaram convocar voluntários; todo dia muitos ofereciam seus préstimos.

      Num período de grande convulsão política e econômica na Europa, as Testemunhas de Jeová da Áustria, Hungria, Iugoslávia e Tchecoslováquia enviaram mais de 70 toneladas de artigos necessários para os irmãos cristãos na Romênia, em 1990.

      Isto foi seguido de outras missões de socorro na Europa Oriental. O Corpo Governante pediu para a congênere da Sociedade Torre de Vigia na Dinamarca que organizasse um serviço de assistência para as Testemunhas necessitadas na Ucrânia. As congregações foram notificadas e prontificaram-se entusiasticamente a participar. Em 18 de dezembro de 1991, cinco caminhões e dois furgões dirigidos por Testemunhas voluntárias chegaram a Lvov com 22 toneladas de suprimentos — uma expressão de interesse amoroso pelos seus irmãos cristãos. Continuando em 1992, as Testemunhas na Áustria também enviaram ajuda — mais de 100 toneladas de alimentos e roupas. Suprimentos adicionais foram enviados por Testemunhas nos Países Baixos — primeiro 26 toneladas de alimentos, depois um comboio de 11 caminhões com roupas, daí mais alimentos para as necessidades da ocasião. Os que receberam ficaram gratos a Deus e buscaram a Sua sabedoria ao fazerem uso daquilo que lhes fora provido. Uniram-se em oração antes do descarregamento dos caminhões e de novo quando a tarefa estava terminada. Outros grandes carregamentos de socorros foram enviados pelas Testemunhas da Itália, Finlândia, Suécia e Suíça. Na ocasião em que tudo isso acontecia, as condições turbulentas entre as repúblicas que antes constituíam a Iugoslávia causaram penúria ali. Também para essa área foram enviados mantimentos, roupas e remédios. No ínterim, as Testemunhas nas cidades ali abrigaram em suas casas aqueles cujas moradias haviam sido destruídas.

      Às vezes, os que necessitam desesperadamente de ajuda se acham em lugares remotos, e a situação deles não é de conhecimento geral. Isso aconteceu com 35 famílias de Testemunhas de Jeová na Guatemala. Seus povoados haviam sido invadidos por facções em guerra. Quando puderam finalmente retornar em 1989, precisavam de ajuda para reconstruir. Complementando a ajuda fornecida pelo governo aos repatriados, a congênere da Sociedade Torre de Vigia formou uma comissão de emergência para ajudar essas famílias de Testemunhas, e cerca de 500 outras Testemunhas de 50 congregações se prontificaram a ajudar na reconstrução.

      Há também outras situações que deixam as pessoas em grande necessidade sem que tenham culpa nisso. Terremotos, furacões e enchentes são ocorrências freqüentes. Em média, diz-se que o mundo é atingido por mais de 25 calamidades grandes por ano.

      Quando as forças da natureza assolam

      Quando calamidades provocam grandes emergências que atingem as Testemunhas de Jeová, tomam-se medidas imediatas para prestar a ajuda necessária. Os anciãos locais aprenderam que, quando confrontados com situações assim, devem fazer esforço diligente de contatar a cada um na congregação. A congênere da Sociedade Torre de Vigia, que supervisiona a obra do Reino na respectiva área, verifica prontamente a situação e daí faz um relatório à sede mundial. Onde há necessidade de mais ajuda do que se pode providenciar localmente, tomam-se medidas cuidadosamente coordenadas, às vezes até mesmo a nível internacional. O objetivo não é tentar elevar o nível de vida dos assim afetados, mas ajudá-los a ter o essencial para a vida segundo costumavam ter.

      Uma simples notícia de calamidade na televisão é o suficiente para fazer com que muitas Testemunhas telefonem aos anciãos responsáveis na área para oferecer seus préstimos, para colocar à disposição dinheiro ou materiais. Outros talvez enviem recursos à filial ou à sede mundial, com o objetivo de serem usados para fins de socorros. Sabem que há necessidade de ajuda, e desejam participar em fornecê-la. Onde há maior necessidade, a Sociedade Torre de Vigia pode até mesmo informar os irmãos numa determinada área, para poderem dar ajuda conforme suas possibilidades. Uma comissão de assistência é formada para coordenar as coisas na área de calamidade.

      Assim, quando grande parte de Manágua, na Nicarágua, foi devastada por um forte terremoto em dezembro de 1972, superintendentes de congregações das Testemunhas de Jeová naquela área se reuniram em questão de horas para coordenar os seus empenhos. Fez-se imediatamente uma verificação de como estava cada Testemunha na cidade. Naquele mesmo dia, começaram a chegar suprimentos de socorros enviados pelas congregações vizinhas; pouco depois, chegaram suprimentos da Costa Rica, Honduras e El Salvador. Quatorze pontos de distribuição foram instalados nos arredores de Manágua. Dinheiro e suprimentos doados por Testemunhas em muitas partes do mundo foram canalizados para a Nicarágua através da sede internacional da Sociedade Torre de Vigia. Alimentos e outros suprimentos (inclusive velas, fósforos e sabão) foram distribuídos segundo o tamanho de cada família, dando-se a cada uma o suficiente para sete dias. No auge das operações, umas 5.000 pessoas — Testemunhas, suas famílias e os parentes com os quais estavam hospedadas — foram alimentados. As operações de socorros continuaram por dez meses. Ao verem o que se fazia, as agências do governo e a Cruz Vermelha também tornaram disponíveis alimentos, tendas e outros suprimentos.

      Em 1986, quando erupções vulcânicas forçaram a evacuação de 10.000 pessoas da ilha de Izu-Oshima, perto da costa do Japão, os barcos que transportavam refugiados eram esperados pelas Testemunhas de Jeová que buscaram diligentemente localizar seus irmãos espirituais. Disse um dos refugiados: “Quando partimos de Oshima, nós mesmos não sabíamos para onde iríamos.” Tudo aconteceu muito depressa. “Ao desembarcarmos do navio, contudo, vimos um letreiro que dizia: ‘Testemunhas de Jeová.’ . . . Lágrimas rolaram dos olhos de minha esposa, visto que ela ficou muito emocionada e aliviada de ver os irmãos ali para nos receberem no cais.” Depois de observarem como as Testemunhas refugiadas foram assistidas não só ao chegarem, mas também depois, até mesmo pessoas que antes as condenavam ao ostracismo disseram: “Bem fizeram vocês de se apegar a essa religião.”

      As Testemunhas fazem todo esforço de levar o mais rápido possível ajuda a áreas de calamidade. Em 1970, quando o Peru foi atingido por um dos mais devastadores terremotos de sua história, imediatamente foram enviados recursos da sede mundial em Nova Iorque, seguidos de 15 toneladas de roupa. Mas, mesmo antes de essa remessa chegar, Testemunhas haviam conduzido uma caravana de veículos com suprimentos de socorros até à área onde as cidades e vilas haviam sido destruídas, fazendo isso em questão de poucas horas depois de serem liberadas as estradas. Progressivamente, nos dias e semanas que se seguiram, forneceram a ajuda necessária, tanto em sentido material como espiritual, aos vários grupos no alto dos Andes. E, em 1980, quando partes da Itália foram sacudidas por um grave terremoto na noite de 23 de novembro, o primeiro caminhão carregado de suprimentos, despachado pelas Testemunhas, chegou à área atingida logo no dia seguinte. Elas instalaram imediatamente sua própria cozinha, donde se distribuiu diariamente comida preparada pelas irmãs. Certa pessoa que observava a prestação de socorros numa das ilhas do Caribe disse: “As Testemunhas trabalharam mais rápido do que o Governo.” Talvez isto às vezes seja verdade, mas as Testemunhas de Jeová definitivamente apreciam a ajuda das autoridades que facilitam seus empenhos de chegar rapidamente a tais áreas de calamidade.

      Durante um período de fome em Angola, em 1990, ficou-se sabendo que as Testemunhas ali necessitavam desesperadamente de alimentos e roupas. Ir até elas poderia, porém, causar problemas, porque as Testemunhas de Jeová estavam proscritas naquele país já por muitos anos. Todavia, seus irmãos cristãos da África do Sul carregaram um caminhão com 25 toneladas de suprimentos de socorros. A caminho, visitaram o consulado de Angola e foi-lhes concedida a permissão de atravessar a fronteira. Para chegarem até os irmãos, tinham de passar por 30 barricadas militares de estrada, e, onde uma ponte tinha sido explodida, tiveram de atravessar o rio na época das cheias sobre uma estrutura temporária que havia sido construída em seu lugar. Apesar de tudo isso, o carregamento todo foi entregue com segurança.

      Em épocas de calamidade, faz-se mais do que simplesmente enviar suprimentos de socorros para a respectiva área. Quando explosões e incêndio devastaram uma área num subúrbio da Cidade do México, em 1984, as Testemunhas chegaram rapidamente para prestar ajuda. Mas não se sabia onde se achavam muitas das Testemunhas daquela área, portanto os anciãos organizaram uma busca sistemática para localizar a cada uma delas. Algumas se haviam espalhado para outros lugares. Contudo, os anciãos persistiram até encontrar a todas elas. Prestou-se ajuda conforme a necessidade. No caso de uma irmã que perdera o marido e um filho, isso incluía cuidar dos funerais e daí dar pleno apoio tanto material como espiritual à irmã e seus outros filhos.

      Muitas vezes, precisa-se muito mais do que remédios, algumas refeições e umas roupas. Em 1989, uma tempestade destruiu as casas de 117 Testemunhas em Guadalupe e danificou seriamente as casas de outras 300. As Testemunhas de Jeová da Martinica logo chegaram para prestar ajuda; depois, as Testemunhas na França despacharam mais de 100 toneladas de materiais de construção como dádiva para ajudá-las. Na ilha de St. Croix, quando uma Testemunha que tinha perdido sua casa disse a colegas de serviço que suas co-Testemunhas iam chegar de Porto Rico para ajudar, disseram: “Eles não vão fazer nada por você. Você é negra, não hispânica como eles.” Que surpresa foi para tais colegas quando ela em pouco tempo já tinha uma casa totalmente nova! Depois de um terremoto em Costa Rica, em 1991, Testemunhas locais e voluntários internacionais trabalharam juntos para ajudar suas co-Testemunhas na área da calamidade. Não esperando nada em retribuição, reconstruíram 31 casas e 5 Salões do Reino, e consertaram ainda outros. Certos observadores disseram: ‘Os outros grupos falam de amor; vocês o demonstram.’

      A eficiência com que as medidas de socorro têm sido tomadas pelas Testemunhas de Jeová não raro tem surpreendido os observadores. Na Califórnia, EUA, em 1986, uma barragem no rio Yuba rompeu e as águas inundantes obrigaram dezenas de milhares de pessoas a abandonar suas casas. Os anciãos cristãos na área entraram em contato com a sede da Sociedade em Nova Iorque, e formou-se uma comissão para socorros. Logo que as águas começaram a baixar, centenas de voluntários estavam prontos para entrar em ação. Antes que agências seculares de socorros conseguissem começar a fazer algo, as casas das Testemunhas já estavam sendo renovadas. Por que puderam agir tão rapidamente?

      Um fator principal era a prontidão das Testemunhas de se oferecerem imediatamente e sem remuneração, bem como o fato de doarem o material necessário. Outro fator era que tinham experiência em se organizar e trabalhar juntos, visto que fazem isso regularmente na operação de congressos e na construção de Salões do Reino. Ainda outro fator vital é que têm refletido muito sobre o significado daquilo que a Bíblia diz: “Tende intenso amor uns pelos outros.” — 1 Ped. 4:8.

      As contribuições para preencher tais necessidades com freqüência são feitas por pessoas que têm elas próprias muito pouco. Conforme dizem muitas vezes as cartas acompanhantes: ‘O donativo é pequeno, mas solidarizamo-nos com nossas irmãs e nossos irmãos.’ ‘Gostaria de poder enviar mais, entretanto o que Jeová me permitiu ter gostaria de partilhar.’ Assim como os cristãos na Macedônia, do primeiro século, elas rogam sinceramente ter o privilégio de participar em prover as coisas essenciais para a vida aos necessitados. (2 Cor. 8:1-4) Quando mais de 200.000 coreanos ficaram ao desabrigo em resultado de uma enchente em 1984, as Testemunhas de Jeová na República da Coréia reagiram tão generosamente que a filial teve de informar que não havia mais necessidade de ajuda.

      Os observadores podem ver prontamente que algo mais do que um senso de responsabilidade ou de humanitarismo geral motiva as Testemunhas. Elas amam realmente a seus irmãos e irmãs cristãos.

      Além de fornecerem ajuda para as necessidades físicas, as Testemunhas de Jeová dão atenção especial às necessidades espirituais de seus irmãos nas áreas de calamidade. Tomam-se providências o mais rápido possível para o prosseguimento das reuniões congregacionais. Na Grécia, em 1986, isto exigiu armar uma grande tenda fora da cidade de Kalamata para ser usada como Salão do Reino e outras pequenas em vários locais para os Estudos de Livro de Congregação no meio da semana. Similarmente, depois de atendidas as necessidades materiais dos sobreviventes da devastadora avalanche de lama em Armero, na Colômbia, em 1985, os fundos que restaram foram usados para construir novos Salões do Reino para três congregações naquela área.

      Mesmo enquanto tais obras de reconstrução estão sendo efetuadas, as Testemunhas de Jeová continuam a consolar outros com respostas satisfatórias que a Palavra de Deus dá a suas perguntas sobre o objetivo da vida, a razão das calamidades e da morte, e a esperança no futuro.

      Os esforços das Testemunhas em prover assistência não visam cuidar das necessidades materiais de todas as pessoas na área de calamidade. Em harmonia com Gálatas 6:10, esses são primariamente ‘para com os aparentados com elas na fé’. Ao mesmo tempo, ajudam alegremente outros conforme podem. Fizeram isso, por exemplo, ao fornecerem alimentos para as vítimas de terremoto na Itália. Nos Estados Unidos, ao ajudarem as vítimas de enchentes e de tempestades, limparam e consertaram também as casas dos angustiados vizinhos das Testemunhas. Quando se lhes pergunta por que fazem tais atos de bondade para um estranho, elas respondem simplesmente que amam seu próximo. (Mat. 22:39) Após um devastador furacão no sul da Flórida, EUA, em 1992, o bem organizado programa de prestação de socorros das Testemunhas era tão conhecido que alguns estabelecimentos comerciais e pessoas que não eram Testemunhas e que queriam fazer donativos grandes de suprimentos de socorros confiaram estes às Testemunhas de Jeová. Sabiam que sua dádiva não seria simplesmente deixada num depósito nem seria usada para lucro, mas beneficiaria realmente as vítimas do furacão, tanto as que eram Testemunhas como as que não eram. Sua prontidão em ajudar em tempo de calamidade pessoas que não são Testemunhas foi tão apreciada em Davao del Norte, nas Filipinas, que as autoridades municipais baixaram uma resolução que expressava tal apreço.

      Todavia, nem todos amam os verdadeiros cristãos. Com freqüência, são alvos de cruel perseguição. Essa situação também produz generoso apoio amoroso a seus concristãos.

      Em face de cruel perseguição

      O apóstolo Paulo comparou a congregação cristã ao corpo humano e disse: ‘Seus membros devem ter o mesmo cuidado uns para com os outros. E, se um membro sofre, todos os outros membros sofrem com ele.’ (1 Cor. 12:25, 26) É assim que as Testemunhas de Jeová reagem quando ouvem notícias sobre a perseguição de seus irmãos cristãos.

      Na Alemanha, durante a era do nazismo, o governo tomou duras medidas de repressão contra as Testemunhas de Jeová. Havia apenas umas 20.000 Testemunhas na Alemanha naquele tempo, um grupo relativamente pequeno que era desprezado por Hitler. Havia necessidade de ação unida. Em 7 de outubro de 1934, todas as congregações das Testemunhas de Jeová em toda a Alemanha se reuniram secretamente, oraram juntas e enviaram uma carta ao governo em que declaravam sua determinação de continuar a servir a Jeová. Daí, muitos dos presentes saíram a pregar destemidamente a seus vizinhos sobre o nome e o Reino de Jeová. No mesmo dia, as Testemunhas de Jeová em todo o resto da Terra também se reuniram em suas congregações e, depois de orarem em conjunto, enviaram cabogramas ao governo de Hitler em apoio de seus irmãos cristãos.

      Em 1948, depois que a perseguição das Testemunhas de Jeová na Grécia, instigada pelo clero, foi exposta, o presidente da Grécia e vários ministros do governo receberam milhares de cartas das Testemunhas de Jeová a favor de seus irmãos cristãos. Essas cartas chegaram das Filipinas, Austrália, América do Norte e do Sul e de outras partes.

      Quando a revista Despertai! expôs os métodos inquisitoriais empregados contra as Testemunhas na Espanha em 1961, cartas de protesto inundaram as autoridades ali. As autoridades ficaram chocadas de saber que pessoas no mundo inteiro sabiam exatamente o que estavam fazendo, e em resultado disso, embora a perseguição continuasse, alguns da Polícia começaram a tratar as Testemunhas com mais moderação. Também, em vários países da África, as autoridades receberam cartas de Testemunhas de muitas outras partes do mundo quando estas souberam que seus irmãos e irmãs cristãos estavam sendo tratados cruelmente ali.

      Mesmo que não haja reação favorável da parte do governo, as Testemunhas perseguidas não são esquecidas. Por persistirem na perseguição religiosa por muitos anos, alguns governos foram repetidas vezes inundados com cartas de apelo e de protesto. Isso se deu na Argentina. Certa vez, em 1959, o secretário do Ministro dos Assuntos Estrangeiros e de Cultos levou um de nossos irmãos para uma sala onde havia várias estantes cheias de cartas que tinham chegado em grandes quantidades do mundo inteiro. Ele estava surpreso de que alguém de um lugar tão distante como Fiji escrevesse apelando a favor da liberdade de adoração na Argentina.

      Em certos casos, concedeu-se maior liberdade quando os governantes ficaram sabendo que pessoas no mundo inteiro sabiam o que eles estavam fazendo e que havia muitos que realmente se importavam. Isso se deu na Libéria, em 1963. Os soldados do governo trataram com atrocidade os congressistas no congresso em Gbarnga. O presidente da Libéria foi inundado com cartas de protesto vindas do mundo inteiro, e o Departamento de Estado dos EUA interveio por causa de um cidadão dos EUA envolvido. Finalmente, o presidente Tubman telegrafou para a sede da Sociedade Torre de Vigia dizendo que estava disposto a receber uma delegação das Testemunhas de Jeová para discutir o assunto. Dois da delegação — Milton Henschel e John Charuk — haviam estado em Gbarnga. O Sr. Tubman reconheceu que o que ocorrera foi “um ultraje” e disse: “Sinto muito que isso tenha acontecido.”

      Após a entrevista, foi emitida uma Ordem Executiva que notificava a “toda pessoa no país inteiro que as Testemunhas de Jeová devem ter o direito e o privilégio de livre acesso a qualquer parte do país para efetuarem sua obra missionária e adoração religiosa sem molestação da parte de ninguém. Devem ter a proteção da lei tanto de sua pessoa como de seus bens, e o direito de adorar livremente a Deus segundo os ditames de sua consciência, observando ao mesmo tempo as leis da República por respeitarem a bandeira nacional quando esta é içada ou abaixada em cerimônias e por ficarem de pé, em posição de sentido”. Mas não se exigiu que fizessem saudação violando sua consciência cristã.

      Entretanto, até 1992, ainda não havia um pronunciamento oficial assim em Malaui, embora a violência contra as Testemunhas de Jeová ali tivesse diminuído consideravelmente. As Testemunhas de Jeová ali foram vítimas de uma das mais cruéis perseguições religiosas da história da África. Uma onda de tais perseguições varreu o país em 1967; outra começou em princípios da década de 70. De todas as partes do mundo, dezenas de milhares de cartas a favor das Testemunhas de Jeová foram escritas. Foram feitos telefonemas. Enviaram-se cabogramas. Muitas pessoas de projeção no mundo foram movidas por humanitarismo a expressar-se.

      Tão extrema foi a brutalidade que umas 19.000 Testemunhas de Jeová e seus filhos fugiram, atravessando a fronteira, para Zâmbia, em 1972. As congregações das Testemunhas na redondeza, em Zâmbia, rapidamente ajuntaram alimentos e cobertores para seus irmãos. Dinheiro e provisões doados pelas Testemunhas de Jeová do mundo inteiro chegaram em grandes quantidades às congêneres da Sociedade Torre de Vigia e foram encaminhados para os refugiados pela sede em Nova Iorque. Recebeu-se mais do que o suficiente para atender às necessidades dos refugiados no campo de Sinda Misale. Quando correu a notícia da chegada de caminhões com alimentos, roupa e lonas para prover abrigo, os irmãos malauianos não conseguiram conter as lágrimas de alegria por causa da evidência do amor de seus irmãos cristãos.

      Quando quaisquer delas são mantidas presas, suas co-Testemunhas não se esquecem delas nem mesmo em face de risco pessoal. Durante a proscrição na Argentina, quando um grupo de Testemunhas foi detido por 45 horas, quatro outras Testemunhas lhes levaram alimento e roupa, resultando em elas próprias também serem encarceradas. Em 1989, a esposa de um superintendente de circuito em Burundi, ao saber da situação triste de seus irmãos cristãos, tentou levar-lhes alimento na prisão. Mas ela própria foi detida e mantida como refém por duas semanas, porque a Polícia estava à procura de seu marido.

      Além do que elas podiam fazer de todas essas formas, o amor a seus irmãos cristãos move as Testemunhas de Jeová a erguer a voz em oração a Deus a favor deles. Não oram pedindo que Deus ponha fim a guerras e escassez de alimentos, porque Jesus Cristo predisse que essas coisas ocorreriam em nossos dias. (Mat. 24:7) Tampouco oram a Deus para que impeça toda perseguição, porque a Bíblia diz claramente que os verdadeiros cristãos serão perseguidos. (João 15:20; 2 Tim. 3:12) Mas pedem fervorosamente que seus irmãos e irmãs cristãos sejam fortalecidos para se manterem firmes na fé em face de quaisquer dificuldades que lhes sobrevenham. (Veja Colossenses 4:12.) Os fatos que atestam a sua força espiritual são uma grande evidência de que tais orações têm sido atendidas.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Veja A Sentinela de 1.º de maio de 1981, páginas 21-7; 15 de outubro de 1986, páginas 10-21; 1.º de junho de 1987, páginas 4-18; 15 de julho de 1988, páginas 21-3; 1.º de março de 1990, páginas 20-2.

      b Veja The Watchtower, de 1.º de dezembro de 1945, páginas 355-63.

      [Destaque na página 305]

      O atendimento de casos de necessidade especial não é deixado ao acaso.

      [Destaque na página 307]

      Ajuda resultante do amoroso interesse pessoal

      [Destaque na página 308]

      Fazem frente a grandes necessidades de socorro.

      [Destaque na página 312]

      Uma busca sistemática para encontrar cada uma das Testemunhas na área da calamidade.

      [Destaque na página 315]

      Faz-se o bem da mesma forma aos que não são Testemunhas.

      [Destaque na página 317]

      Lágrimas de alegria por causa do amor de seus irmãos cristãos

      [Fotos na página 306]

      Depois da Segunda Guerra Mundial, despacharam alimentos e roupas a co-Testemunhas necessitadas em 18 países.

      Estados Unidos

      Suíça

      [Foto na página 310]

      Em 1990, Testemunhas em países vizinhos uniram seus esforços para ajudar concrentes na Romênia.

      [Fotos na página 311]

      Testemunhas que sobreviveram a um terremoto no Peru construíram sua própria cidade de refúgio e ajudaram uns aos outros.

      Suprimentos de socorros trazidos por outras Testemunhas (abaixo) estavam entre os primeiros a chegar àquela área.

      [Fotos na página 313]

      As medidas de socorro não raro incluem suprir materiais de construção e voluntários para ajudarem suas co-Testemunhas a reconstruir suas casas.

      Panamá

      México

      Guatemala

      [Foto na página 314]

      As medidas de socorro das Testemunhas incluem a edificação espiritual. Tanto em Kalamata, Grécia, como fora da cidade, foram erigidas rapidamente tendas para reuniões.

      [Quadro na página 309]

      “Vocês realmente amam uns aos outros”

      No Líbano dilacerado pela guerra, depois de observarem Testemunhas voluntárias restaurar por completo a casa seriamente danificada de uma irmã cristã, os vizinhos desta se sentiram compelidos a perguntar: “De onde vem este amor? Que tipo de pessoas são vocês?” E uma senhora muçulmana, ao observar a casa de uma Testemunha ser limpa e consertada, disse: “Vocês realmente amam uns aos outros. Sua religião é a verdadeira.”

      [Quadro na página 316]

      Verdadeiros irmãos e irmãs

      Sobre Testemunhas cubanas refugiadas em Fort Chaffee, Arkansas, o “Arkansas Gazette” dizia: “Foram os primeiros a serem alojados em novas casas porque seus ‘irmãos e irmãs’ americanos — suas co-Testemunhas de Jeová — os procuraram. . . . Quando as Testemunhas chamam seus pares em sentido espiritual em qualquer terra de ‘irmãos e irmãs’, estão realmente falando sério.” — Edição de 19 de abril de 1981.

  • Construindo juntos em escala global
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 20

      Construindo juntos em escala global

      O SENTIMENTO de genuína fraternidade entre as Testemunhas de Jeová manifesta-se de muitas maneiras. Quem assiste às suas reuniões vê evidências disso. Em seus congressos, isso é demonstrado em escala maior. É também muito evidente quando trabalham juntas para providenciarem lugares adequados de reunião para suas congregações.

      No início da década de 90, havia mais de 60.000 congregações das Testemunhas de Jeová em todo o mundo. Na década anterior, tinham sido acrescentadas anualmente, em média, 1.759 novas congregações. Ao começar a década de 90, esse índice havia aumentado para mais de 3.000 por ano. Providenciar locais adequados para todas elas se reunirem tem sido uma tarefa monumental.

      Salões do Reino

      Como no caso dos cristãos do primeiro século, muitas congregações das Testemunhas de Jeová inicialmente usavam residências para a maioria das reuniões. Em Estocolmo, Suécia, os poucos que realizaram as primeiras reuniões regulares alugaram uma carpintaria, que eles usavam depois de encerradas as atividades do dia ali. Devido à perseguição, um pequeno grupo na província de La Coruña, Espanha, realizava suas primeiras reuniões num pequeno depósito, ou celeiro.

      Quando se precisava de mais espaço, as congregações das Testemunhas de Jeová, em países onde havia liberdade, alugavam um local para reuniões. No entanto, quando se tratava de um salão usado também por outras organizações, era preciso transportar ou instalar o equipamento para cada reunião, e o local muitas vezes cheirava a fumaça de cigarro. Quando possível, os irmãos alugavam uma loja desocupada ou uma sala num sobrado, para uso exclusivo da congregação. Mas, com o tempo, em muitos lugares os aluguéis elevados e a falta de locais adequados tornaram necessário tomar outras providências. Em alguns casos, compravam-se e reformavam-se prédios.

      Antes da Segunda Guerra Mundial, algumas congregações construíram locais de reunião especialmente projetados para seu uso. Mesmo já em 1890, um grupo de Estudantes da Bíblia nos Estados Unidos, em Mount Lookout, Virgínia Ocidental, construiu seu próprio local de reuniões.a No entanto, a ampla construção de Salões do Reino só começou a partir da década de 50.

      O nome Salão do Reino foi sugerido em 1935 por J. F. Rutherford, que na época era o presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA). Ele providenciou que os irmãos construíssem um salão anexo ao prédio da filial da Sociedade, em Honolulu, Havaí, para a realização de reuniões. Quando James Harrub perguntou que nome o irmão Rutherford daria a essa construção, ele respondeu: “Não acha que devemos chamá-la de ‘Salão do Reino’, visto que é isso que estamos fazendo, pregando as boas novas do Reino?” Dali em diante, onde possível, os salões regularmente usados pelas Testemunhas de Jeová passaram pouco a pouco a ser identificados por letreiros com os dizeres “Salão do Reino”. Assim, o Tabernáculo de Londres recebeu o novo nome de Salão do Reino ao ser reformado em 1937-38. Com o tempo, em todo o mundo, o principal local em que as congregações realizavam as reuniões passou a ser conhecido como Salão do Reino das Testemunhas de Jeová.

      Mais de uma maneira de construir

      A decisão de alugar ou construir Salões do Reino é tomada pelas congregações locais. Elas também arcam com as despesas de construção e de manutenção. Para economizar, a grande maioria das congregações procura fazer tanto quanto possível da construção sem recorrer a construtoras.

      Os salões podem ser construídos de tijolo, de pedra, de madeira ou de outros materiais, dependendo dos custos e do que está disponível na região. Em Katima Mulilo, Namíbia, usou-se sapé para a cobertura, e as paredes e o piso foram feitos de barro de cupinzeiro (que endurece muito). As Testemunhas de Jeová em Segóvia, Colômbia, fabricaram seus próprios blocos de cimento. Em Colfax, Califórnia, EUA, usou-se lava rudimentar do monte Lassen.

      Visto que a assistência às reuniões muitas vezes passava de 200 pessoas, em 1972, a congregação em Maseru, Lesoto, percebeu que era preciso construir um Salão do Reino adequado. Todos ajudaram na construção. Irmãos idosos chegavam a andar uns 30 quilômetros para participar. Crianças rolavam tambores de água até o local. As irmãs forneciam refeições. Elas também usavam os pés para socar o chão, compactando-o em preparação para a concretagem do piso, entoando o tempo todo cânticos do Reino e batendo os pés no ritmo da música. Usou-se arenito nas paredes, que bastava apanhar nas montanhas próximas. O resultado foi um Salão do Reino com cerca de 250 assentos.

      Às vezes, Testemunhas de Jeová de congregações próximas ajudavam nas construções. Por exemplo, em 1985, quando as Testemunhas de Jeová de Imbali, uma comunidade negra na África do Sul, construíram um salão para acomodar confortavelmente 400 pessoas, Testemunhas das vizinhas localidades de Pietermaritzburg e de Durban vieram ajudar. Pode imaginar quão surpresos ficaram os vizinhos ao verem, numa época de conturbações raciais na África do Sul, dezenas de Testemunhas de Jeová brancas, mestiças e indianas chegar àquela cidade e trabalhar ombro a ombro com seus irmãos africanos negros? Como disse o prefeito: “Isto só pode ser realizado com amor.”

      Não obstante a boa disposição, as congregações observaram que as circunstâncias locais limitavam o que os irmãos podiam fazer. Os homens nas congregações tinham família para sustentar e, em geral, só podiam trabalhar na construção nos fins de semana e talvez um pouquinho à noite durante a semana. Muitas congregações tinham poucos profissionais de construção, se é que os tinham. Todavia, era possível erigir, em alguns dias ou talvez em algumas semanas, estruturas relativamente simples e parcialmente abertas, adequadas para os trópicos. Com a ajuda de Testemunhas de Jeová de congregações vizinhas, dava para construir salões mais resistentes em cinco ou seis meses. Em outros casos, era preciso um ou dois anos.

      No entanto, ao adentrarem na década de 70, as Testemunhas de Jeová em todo o mundo aumentavam num índice de duas ou três novas congregações por dia. No início da década de 90, esse crescimento era de até nove congregações por dia. Seria possível suprir a sua urgente necessidade de novos Salões do Reino?

      Técnicas de construção rápida

      Em princípios da década de 70, nos Estados Unidos, mais de 50 Testemunhas de Jeová de congregações vizinhas uniram seus esforços na construção de um Salão do Reino em Carterville, Missouri, para o grupo que se reunia na Cidade de Webb. Num único fim de semana erigiram a estrutura principal e adiantaram bem o trabalho no telhado. Ainda havia muito a ser feito, e levou meses para terminar o serviço; mas uma parte significativa fora concluída num período bastante curto.

      Na década seguinte, à medida que os irmãos trabalhavam em uns 60 salões, superavam-se obstáculos e desenvolviam-se métodos mais eficazes. Com o tempo, perceberam que, uma vez concluído o alicerce, talvez pudessem praticamente terminar um inteiro Salão do Reino num único fim de semana.

      Diversos superintendentes de congregação — todos do centro-oeste dos Estados Unidos — passaram a trabalhar visando esse objetivo. Quando as congregações pediam ajuda para a construção de seu Salão do Reino, um ou mais desses irmãos consideravam com elas o projeto e forneciam pormenores sobre os preparativos a serem feitos localmente antes da realização do trabalho. Entre outras coisas, era preciso obter alvarás de construção, concretar o alicerce e o piso, providenciar energia elétrica, instalar o encanamento subterrâneo e tomar providências para a entrega confiável de materiais de construção. Daí, podia-se marcar a data para a construção propriamente dita do Salão do Reino. O prédio não seria pré-fabricado; seria construído no próprio local, do alicerce ao telhado.

      Quem realizaria a construção? Na medida do possível, isso seria feito com mão-de-obra voluntária, não remunerada. Muitas vezes, famílias inteiras participavam. Os organizadores do projeto contatavam Testemunhas de Jeová que eram profissionais e haviam expressado desejo de cooperar. Muitas aguardavam ansiosamente cada novo projeto de construção. Outras Testemunhas que ficavam sabendo dos projetos queriam participar; centenas delas das redondezas — e de lugares mais distantes — dirigiam-se aos canteiros de obras, ansiosas por oferecer seus serviços da maneira que lhes fosse possível. Na maioria, não eram profissionais em construção, mas certamente davam evidência de que se enquadravam na descrição daqueles que seriam apoiadores do Rei Messiânico de Jeová, segundo o Salmo 110:3: “Teu povo se oferecerá voluntariamente.”

      Na noite da quinta-feira antes da grande arrancada, os supervisores do projeto reuniam-se para elaborar os últimos pormenores. Na noite seguinte, os trabalhadores assistiam a uma apresentação de slides sobre os métodos, para que entendessem como se realizaria o trabalho. Frisava-se a importância de qualidades piedosas. Os irmãos eram incentivados a trabalhar juntos em amor, a ser bondosos, a mostrar paciência e consideração. Todos eram incentivados a trabalhar em ritmo constante, mas sem se afobar nem hesitar em tirar uns minutos para partilhar com alguém uma experiência encorajadora. A construção começava logo cedo na manhã seguinte.

      Cedo na manhã de sábado, na hora marcada, todos paravam o que estivessem fazendo para ouvir a consideração do texto bíblico do dia. Fazia-se uma oração, pois reconhecia-se que o êxito do inteiro empreendimento dependia da bênção de Jeová. — Sal. 127:1.

      Quando o trabalho começava, seguia rápido. Em uma hora, as vigas das paredes já estavam erguidas. Daí vinham as tesouras do telhado. O revestimento das paredes era pregado. Os eletricistas começavam a fazer a fiação. Instalavam-se os dutos de ar-condicionado e de aquecimento. Os armários eram fabricados e instalados. Às vezes, chovia todo o fim de semana, ou o tempo ficava excessivamente frio ou quente, mas o trabalho prosseguia. Não havia competição nem rivalidade entre os profissionais.

      Era comum que antes do pôr-do-sol do segundo dia o Salão do Reino já estivesse terminado — belamente decorado por dentro e talvez até ajardinado por fora. Quando era mais prático, programava-se o serviço para três dias, ou talvez para dois fins de semana. Concluído o projeto, muitos trabalhadores permaneciam ali, cansados, mas muito felizes, para assistir à primeira reunião congregacional regular, o estudo de A Sentinela.

      Duvidando de que se pudesse fazer um trabalho de qualidade com tanta rapidez, várias pessoas em Guymon, Oklahoma, EUA, chamaram o inspetor de obras da cidade. “Eu lhes disse que, se quisessem ver algo bem executado, deviam visitar o salão!” disse o inspetor, ao contar depois o incidente às Testemunhas de Jeová. “Vocês fazem muito bem até mesmo o que ficará escondido e não será visto!”

      À medida que aumentava a necessidade de Salões do Reino, os irmãos que haviam desenvolvido muitos dos métodos de construção rápida treinavam outros. As notícias do que se fazia chegaram a outros países. Poderiam esses métodos de construção ser usados lá também?

      Construção rápida num âmbito internacional

      A construção de Salões do Reino no Canadá estava muito longe de suprir as necessidades das congregações. As Testemunhas de Jeová do Canadá convidaram os organizadores de projetos de construção rápida nos Estados Unidos para explicarem como realizavam isso. A princípio, os canadenses duvidavam um pouco que isso pudesse ser feito no Canadá, mas decidiram tentar. O primeiro Salão do Reino construído assim no Canadá foi em Elmira, Ontário, em 1982. Em 1992, 306 Salões do Reino no Canadá já haviam sido construídos dessa maneira.

      As Testemunhas de Jeová em Northampton, Inglaterra, acharam que também podiam fazer o mesmo. Seu projeto, em 1983, foi o primeiro da Europa. Irmãos dos Estados Unidos e do Canadá, experientes nesse tipo de construção, foram supervisionar a obra e ajudar as Testemunhas locais a executá-la. Havia outros voluntários, de lugares tão longínquos como o Japão, a Índia, também da França e da Alemanha. Estavam lá como voluntários, não assalariados. Como foi tudo isso possível? O supervisor duma equipe de Testemunhas de Jeová irlandesas que trabalharam num desses projetos disse: ‘É um sucesso porque todos os irmãos e irmãs cooperam sob a influência do espírito de Jeová.’

      Mesmo quando os regulamentos locais de construção parecem impossibilitar a realização desses projetos, as Testemunhas de Jeová constatam que as autoridades municipais muitas vezes cooperam de bom grado quando os pormenores lhes são explicados.

      Depois da conclusão de um projeto de construção rápida na Noruega, ao norte do Círculo Ártico, o jornal Finnmarken exclamou: “Simplesmente fantástico! Essa é a única expressão que encontramos para descrever o que as Testemunhas de Jeová fizeram no último fim de semana.” De modo similar, quando as Testemunhas de Jeová da ilha do Norte, Nova Zelândia, construíram um atraente Salão do Reino em dois dias e meio, a manchete do jornal local foi: “Construção Quase Milagrosa.” O artigo dizia mais: “Talvez o aspecto mais incrível do trabalho tenha sido a organização e a completa serenidade da operação.”

      Ser distante o lugar em que o Salão do Reino se faz necessário não é uma barreira intransponível. Em Belize, executou-se um projeto de construção rápida, embora isso significasse transportar todo o material para uma ilha a quase 60 quilômetros da Cidade de Belize. A construção em um único fim de semana de um Salão do Reino com ar-condicionado em Port Hedland, Austrália Ocidental, foi realizada com materiais e mão-de-obra trazidos quase que totalmente de 1.600 quilômetros de distância ou mais. Os trabalhadores pagaram as despesas de viagem de seus próprios bolsos. A maioria dos que participaram no projeto não conhecia pessoalmente as Testemunhas de Jeová da Congregação Port Hedland, e bem poucos assistiriam a reuniões lá algum dia. Mas isso não os impediu de expressar dessa maneira o seu amor.

      Mesmo o número reduzido de Testemunhas de Jeová locais não tem impedido o uso desses métodos de construir salões. Cerca de 800 Testemunhas de Trinidad ofereceram-se para ir a Tobago a fim de ajudarem seus 84 irmãos e irmãs cristãos locais a construir um salão em Scarborough, em 1985. As 17 Testemunhas (na maioria mulheres e crianças) de Goose Bay, Labrador, no Canadá, precisavam mesmo de ajuda se é que um dia haveriam de ter um Salão do Reino próprio. Em 1985, Testemunhas de Jeová de outras partes do Canadá fretaram três aviões para levar 450 delas a Goose Bay para realizar a tarefa. Depois de dois dias de trabalho árduo, já no domingo, à noite, realizaram o programa de dedicação no salão terminado.

      Isso não significa que atualmente todos os Salões do Reino sejam construídos com métodos de construção rápida, mas tem sido assim com um sempre crescente número de salões.

      Comissões regionais de construção

      Em meados de 1986, aumentara muito a demanda de novos Salões do Reino. No ano anterior, formaram-se em todo o mundo 2.461 novas congregações; 207 destas, nos Estados Unidos. Alguns Salões do Reino eram utilizados por três, quatro ou até cinco congregações. Como predito nas Escrituras, Jeová estava realmente apressando a obra de ajuntamento. — Isa. 60:22.

      Para garantir o melhor uso possível da mão-de-obra e permitir que todos que estivessem construindo Salões do Reino se beneficiassem da experiência acumulada, a Sociedade passou a coordenar essa atividade. Para começar, em 1987, os Estados Unidos foram divididos entre 60 Comissões Regionais de Construção. Todas tinham muito que fazer; algumas, em pouco tempo já tinham projetos para um ano ou mais. Os designados para servir nessas comissões eram, antes de mais nada, homens espiritualmente qualificados, anciãos congregacionais, exemplares em manifestar os frutos do espírito de Deus. (Gál. 5:22, 23) Muitos também tinham experiência no ramo imobiliário, em engenharia, construção, administração comercial, segurança e campos relacionados.

      As congregações foram incentivadas a consultar a Comissão Regional de Construção antes de escolherem um local para um novo Salão do Reino. Nos lugares onde havia mais de uma congregação na cidade, foram também aconselhadas a consultar o(s) superintendente(s) de circuito, o superintendente de cidade e anciãos das congregações vizinhas. As congregações que planejavam fazer reformas grandes ou construir um novo Salão do Reino foram aconselhadas a beneficiar-se da experiência dos irmãos da Comissão Regional de Construção da sua região e das diretrizes fornecidas pela Sociedade a esses irmãos. Mediante essa comissão, coordenavam-se arranjos para reunir o necessário pessoal capacitado dentre irmãos e irmãs, habilitados em umas 65 profissões, que já se haviam oferecido para ajudar nesses projetos.

      À medida que os métodos eram aprimorados, foi sendo possível reduzir a quantidade de trabalhadores envolvidos nas construções. Em vez de milhares de pessoas ficarem observando ou oferecendo seus serviços no canteiro de obras, raramente havia mais de 200 no local ao mesmo tempo. Em vez de ficarem todo o fim de semana ali, os trabalhadores compareciam apenas quando suas habilidades específicas eram necessárias. Assim, tinham mais tempo para a família e para atividades nas suas próprias congregações. Quando os irmãos locais conseguiam realizar certos serviços num tempo razoável, muitas vezes se constatava ser mais prático convocar o grupo de construção rápida apenas para os aspectos da obra em que a sua presença era mais urgentemente necessária.

      Embora a inteira operação avançasse numa velocidade espantosa, isso não era de importância primária. O mais importante era oferecer uma construção de qualidade de Salões do Reino modestos, projetados para preencherem as necessidades locais. Fazia-se meticuloso planejamento para se atingir esse objetivo e ainda assim manter as despesas reduzidas ao mínimo. Cuidava-se de que a segurança recebesse grande prioridade — a segurança dos trabalhadores, dos vizinhos, dos transeuntes e dos futuros usuários do Salão do Reino.

      À medida que as notícias sobre esse arranjo de construção de Salões do Reino chegavam a outros países, as filiais da Sociedade que achavam que isso seria vantajoso em seus respectivos territórios foram informadas dos necessários pormenores. Em 1992, Comissões Regionais de Construção, designadas pela Sociedade, ajudavam na construção de Salões do Reino na África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Canadá, Espanha, França, Grã-Bretanha, Japão e México. Os métodos de construção eram adaptados às circunstâncias locais. Quando surgia a necessidade de ajuda de uma outra filial para a construção de Salões do Reino, providenciava-se tal ajuda por intermédio da sede da Sociedade. Em algumas partes do mundo, construíam-se salões em poucos dias; em outras, em semanas ou talvez em alguns meses. Com meticuloso planejamento e esforço coordenado, o tempo necessário para construir um Salão do Reino ia sendo definitivamente reduzido.

      As atividades de construção das Testemunhas de Jeová não se limitam a Salões do Reino. Há necessidade de locais mais amplos, para que grupos de congregações se reúnam em assembléias de circuito, anuais, e em assembléias especiais de um dia.

      Suprindo a necessidade de Salões de Assembléias

      Ao longo dos anos, as assembléias de circuito têm sido realizadas em locais dos mais variados tipos. As Testemunhas de Jeová têm alugado auditórios cívicos, escolas, teatros, salões militares, ginásios de esportes e recintos de exposição. Em alguns lugares, conseguiam-se locais ótimos por um preço razoável. Na maioria das vezes, era preciso muito tempo e esforço para limpar o local, instalar o equipamento de som, montar o palco e transportar cadeiras. Às vezes, ocorriam cancelamentos de última hora. À medida que aumentava a quantidade de congregações, ficava cada vez mais difícil encontrar suficientes locais adequados. O que poderia ser feito?

      Novamente, a solução era as Testemunhas de Jeová terem seus próprios locais de reunião. Isso significava reformar edifícios adequados e construir novos. O primeiro desses Salões de Assembléias nos Estados Unidos foi um teatro na Cidade de Long Island, Nova Iorque, reformado e posto em uso pelas Testemunhas de Jeová em fins de 1965.

      Por volta da mesma época, as Testemunhas de Jeová na ilha de Guadalupe, no Caribe, projetavam um Salão de Assembléias que suprisse suas necessidades. Achavam que seria vantajoso se pudessem realizar as assembléias de circuito em muitos lugares diferentes. Mas a maioria das cidades não dispunha de locais com espaço suficiente. Portanto, as Testemunhas construíram uma estrutura portátil, de tubos de aço e telhado de alumínio, com capacidade para 700 pessoas e erigível onde quer que houvesse disponível um terreno relativamente plano. Tiveram de ampliar esse salão vez após vez, até que atingiu a capacidade de 5.000 pessoas. Imagine o que era transportar, montar e desmontar 30 toneladas de material para cada assembléia! Esse Salão de Assembléias foi montado e desmontado várias vezes por ano durante 13 anos, até que ficou difícil achar onde instalar o salão portátil e veio a ser necessário adquirir um terreno e construir um Salão de Assembléias permanente, que agora serve para assembléias de circuito e congressos de distrito.

      Em muitos lugares, a construção de Salões de Assembléias se fez aproveitando-se estruturas já existentes. Na Inglaterra, em Hays Bridge, Surrey, uma escola construída há 50 anos foi adquirida e reformada. Situa-se num terreno de 11 hectares, numa bela região rural. Alguns antigos cinemas e um depósito industrial foram reformados e postos em uso na Espanha; uma tecelagem desativada na Austrália; um salão de baile em Quebec, Canadá; uma casa de jogo de boliche no Japão; um depósito na República da Coréia. Todos foram transformados em atraentes Salões de Assembléias que podiam servir como grandes centros de instrução bíblica.

      Outros Salões de Assembléias eram inteiramente novos, tendo sido construídos desde o alicerce. O singular formato octogonal do salão de Hellaby, South Yorkshire, na Inglaterra, além de grande parte do trabalho ter sido realizada com mão-de-obra voluntária, deu origem a um artigo na revista do Instituto de Engenheiros Estruturais. O Salão de Assembléias de Saskatoon, Saskatchewan, no Canadá, foi projetado para acomodar 1.200 pessoas; mas, quando as paredes interiores são puxadas, a estrutura pode ser usada como quatro Salões do Reino contíguos. O Salão de Assembléias do Haiti (pré-fabricado e despachado dos Estados Unidos) é aberto de dois lados para que a assistência se beneficie do ar fresco trazido pelos ventos constantes — um agradável alívio do sol quente do Haiti. O salão de Port Moresby, Papua Nova Guiné, foi projetado de tal modo que certas partes das paredes possam ser abertas como portas, a fim de acomodar assistências que ultrapassam a capacidade interna.

      A decisão de construir um Salão de Assembléias não é tomada por um pequeno grupo de superintendentes, que depois espera que todos apóiem o projeto. Antes de se construir um Salão de Assembléias, a Sociedade certifica-se de que se faça meticulosa análise da necessidade de um salão e de quão freqüentemente será usado. Leva-se em conta não só o entusiasmo local pelo projeto, mas também as necessidades globais do campo. Considera-se isso com todas as congregações que estarão envolvidas, para avaliar o desejo dos irmãos e as possibilidades de darem seu apoio.

      Assim, quando a obra tem início, as Testemunhas de Jeová da região a apóiam de todo o coração. Os projetos são financiados pelas próprias Testemunhas. As necessidades financeiras são apresentadas, mas as contribuições são voluntárias e anônimas. Faz-se criterioso planejamento antecipado, e o projeto se beneficia da experiência já adquirida na construção de Salões do Reino e, muitas vezes, de Salões de Assembléias em outros lugares. Quando necessário, algumas fases da obra são confiadas a construtoras, mas a maior parte em geral é realizada por entusiásticas Testemunhas de Jeová. Isso pode reduzir o custo pela metade.

      Com mão-de-obra constituída de profissionais habilitados e de outros que oferecem seu tempo e aptidões, a construção em geral progride rápido. Em alguns casos talvez leve mais de um ano. Mas, na ilha de Vancouver, Canadá, em 1985, uns 4.500 voluntários construíram um Salão de Assembléias de 2.300 metros quadrados em apenas nove dias. A estrutura inclui também um Salão do Reino com 200 lugares, para uso das congregações locais. Na Nova Caledônia, em 1984, o governo impôs um toque de recolher por causa de inquietações políticas, mas, mesmo assim, até 400 voluntários trabalharam por vez no Salão de Assembléias, e a obra foi concluída em apenas quatro meses. Perto de Estocolmo, Suécia, construiu-se em sete meses um belo e prático Salão de Assembléias com 900 poltronas estofadas, de madeira de carvalho.

      Às vezes, são necessários esforços persistentes nos tribunais para a obtenção de alvarás para a construção desses Salões de Assembléias. Foi assim no Canadá, em Surrey, Colúmbia Britânica. Quando o terreno foi adquirido, as leis de zoneamento da região permitiam a construção de locais de adoração. Mas, depois de se dar entrada nas plantas, em 1974, o Conselho do Distrito de Surrey baixou um estatuto que estipulava que igrejas e salões de assembléias só podiam ser construídos na Zona P-3 — zona que não existia! No entanto, 79 igrejas já haviam sido construídas no município sem dificuldade alguma. O assunto foi levado ao tribunal. Várias decisões judiciais foram emitidas a favor das Testemunhas de Jeová. Quando finalmente se removeram os obstáculos criados por autoridades preconceituosas, os voluntários trabalharam no projeto com tanto entusiasmo que o concluíram em cerca de sete meses. Como aconteceu com Neemias em seus esforços para reconstruir as muralhas da antiga Jerusalém, eles sentiram que a ‘mão de Deus estava sobre eles’ para a realização da obra. — Nee. 2:18.

      Quando as Testemunhas de Jeová nos Estados Unidos adquiriram o Teatro Stanley, na Cidade de Jérsei, Nova Jérsei, o edifício já estava tombado como patrimônio histórico do Estado. Embora estivesse em deplorável estado de abandono, o teatro tinha excelente potencial para ser usado como Salão de Assembléias. No entanto, quando as Testemunhas de Jeová quiseram realizar a necessária restauração, as autoridades da cidade negaram os alvarás. O prefeito não queria as Testemunhas de Jeová naquela área; ele tinha outros planos para a propriedade. Foi preciso mover uma ação judicial para impedir que as autoridades usassem ilicitamente sua autoridade. O tribunal decidiu a favor das Testemunhas de Jeová. Pouco depois, uma eleição local removeu o prefeito do cargo. As obras no salão progrediram rápido. O resultado foi um lindo Salão de Assembléias que acomoda mais de 4.000 pessoas. É um lugar que causa orgulho aos homens de negócios e aos habitantes da cidade.

      Nos últimos 27 anos, em muitas partes do globo, as Testemunhas de Jeová construíram Salões de Assembléias atraentes e práticos para servirem como centros de instrução bíblica. Esses salões agora existem em números sempre crescentes nas Américas do Norte e do Sul, na Europa, na África e no Oriente, bem como em muitas ilhas. Em alguns países — por exemplo, Nigéria, Itália e Dinamarca — as Testemunhas de Jeová chegaram a construir locais maiores, permanentes e abertos que podem ser usados para seus congressos de distrito.

      Entretanto, Salões de Assembléias e Salões do Reino não são as únicas construções que as Testemunhas de Jeová realizam para promover a proclamação do Reino de Deus.

      Escritórios, gráficas e lares de Betel em todo o mundo

      Ao redor do globo, em 1992, havia 99 filiais da Sociedade Torre de Vigia dos EUA, sendo que cada qual coordenava as atividades das Testemunhas de Jeová em sua respectiva parte do campo mundial. Mais de metade dessas filiais produziam matéria impressa de algum tipo para promover a obra de instrução bíblica. De modo geral, os que trabalham nas filiais residem como uma grande família em lares chamados Betel, que significa “Casa de Deus”. Devido ao aumento no número de Testemunhas de Jeová e em sua atividade de pregação, tem sido necessário ampliar as filiais já existentes e construir novas.

      O crescimento da organização tem sido tão rápido que não raro há de 20 a 40 desses programas de expansão de filial em andamento ao mesmo tempo. Isso requer um imenso programa internacional de construção.

      Devido à enorme quantidade de construções em andamento no mundo todo, a Sociedade Torre de Vigia tem seu próprio Departamento de Engenharia e Projetos na sua sede mundial, em Nova Iorque, EUA. Engenheiros, com muitos anos de experiência, deixaram seu serviço secular e se ofereceram para ajudar por tempo integral em projetos de construção relacionados diretamente com a atividade do Reino. Além disso, os experientes treinam homens e mulheres em serviços de engenharia, projeto e desenho. Coordenando-se o trabalho mediante esse departamento, a experiência adquirida na construção de filiais em qualquer parte do mundo pode beneficiar os que trabalham em projetos de construção em outros países.

      Com o tempo, o grande volume de trabalho tornou proveitoso abrir no Japão um Escritório Regional de Engenharia para ajudar a produzir plantas de projetos no Oriente. Existem Escritórios Regionais de Engenharia também na Europa e na Austrália, com profissionais procedentes de vários países. Esses escritórios trabalham em estreita ligação com a sede mundial, e seus serviços, junto com o emprego da tecnologia da informática, reduzem o tamanho da equipe de projetistas nos respectivos canteiros de obras.

      Algumas construções são de tamanho relativamente modesto. Foi o caso da filial no Taiti, em 1983. Incluía escritórios, depósitos e acomodações para oito voluntários. O mesmo se deu com a filial de três andares construída na ilha de Martinica, no Caribe, de 1982 a 1984. Essas construções talvez não pareçam extraordinárias para quem mora em cidades grandes em outros países, mas chamaram a atenção do público. O jornal France-Antilles dizia que a filial em Martinica era “uma obra-prima de arquitetura” que refletia “grande amor por trabalho bem executado”.

      Em contraste, no que diz respeito a tamanho, os prédios terminados no Canadá em 1981 compreendiam uma gráfica com mais de 9.300 metros quadrados de espaço útil e um bloco residencial para 250 voluntários. Em Cesário Lange, no Brasil, um conjunto de prédios da Sociedade Torre de Vigia, concluído naquele mesmo ano, compreendia oito blocos, com aproximadamente 46.000 metros quadrados de espaço útil. Foi preciso 10.000 caminhões de cimento, pedra e areia, bem como estacas de concreto suficientes para atingir duas vezes a altura do monte Everest! Em 1991, quando se concluiu uma grande nova gráfica nas Filipinas, foi também preciso construir um prédio residencial de 11 andares.

      Para suprir as necessidades do crescente número de proclamadores do Reino na Nigéria, iniciou-se em Igieduma, em 1984, uma grande construção. Compreenderia uma gráfica, um espaçoso prédio de escritórios, quatro alas residenciais interligadas e outras dependências necessárias. Fizeram-se planos para que a gráfica fosse inteiramente pré-fabricada e despachada dos Estados Unidos. Mas, daí, os irmãos defrontaram-se com prazos de importação aparentemente impossíveis de cumprir. Quando esses prazos foram cumpridos e tudo chegou em segurança ao canteiro de obras, as Testemunhas de Jeová não tomaram para si o mérito, mas deram graças a Jeová pela Sua bênção.

      Rápida expansão ao redor do globo

      No entanto, o crescimento da obra de proclamação do Reino tem sido tão rápido que, mesmo depois duma grande ampliação na filial de um país, muitas vezes é necessário começar a construir de novo dentro de relativamente pouco tempo. Veja alguns exemplos.

      No Peru, concluiu-se em fins de 1984 a construção dum excelente novo prédio da filial — com espaço para escritórios, 22 quartos, bem como outras dependências básicas para os membros da família de Betel, e um Salão do Reino. Mas a aceitação da mensagem do Reino nesse país sul-americano foi bem maior do que se previa. Quatro anos depois, foi necessário duplicar o conjunto de prédios da filial, desta vez com um projeto anti-sísmico.

      Concluiu-se na Colômbia, em 1979, a construção dum espaçoso novo conjunto de prédios da filial. Parecia que haveria amplo espaço por muitos anos. Mas, em sete anos, o número de Testemunhas de Jeová na Colômbia já havia quase dobrado e a filial imprimia as revistas La Atalaya e ¡Despertad! não só para a Colômbia, mas também para quatro países vizinhos. Tiveram de começar a construir novamente em 1987 — desta vez onde havia mais terreno para expansão.

      Em 1980, as Testemunhas de Jeová no Brasil dedicaram cerca de 14.000.000 de horas à pregação pública da mensagem do Reino. Essa cifra aumentou tremendamente para quase 50.000.000 em 1989. Mais pessoas mostravam desejo de saciar a sua fome espiritual. As amplas instalações dedicadas em 1981 haviam-se tornado pequenas. Já em setembro de 1988 se faziam escavações para uma nova gráfica. Esta forneceria 80 por cento mais espaço útil do que havia na gráfica então existente, e, naturalmente, também haveria necessidade de acomodações para a ampliada família de Betel.

      Em Selters/Taunus, Alemanha, dedicou-se em 1984 o segundo maior parque gráfico da Sociedade Torre de Vigia. Cinco anos depois, devido a aumentos na Alemanha e oportunidades de expandir a obra de testemunho em países para os quais essa filial imprime publicações, já se faziam planos para ampliar a gráfica em mais de 85 por cento e para acrescentar outras dependências complementares.

      A filial do Japão mudara-se de Tóquio para novos prédios maiores em Numazu, em 1972. Houve outra grande ampliação em 1975. Em 1978 adquiriu-se outro terreno, em Ebina; e logo tiveram início as obras para uma gráfica mais de três vezes maior do que a de Numazu. Esta foi concluída em 1982. Ainda não foi suficiente; construíram-se outros prédios até 1989. Não seria possível construir apenas uma única vez e fazer uma obra suficientemente grande? Não. O número de proclamadores do Reino no Japão dobrou vez após vez duma maneira que nenhum humano poderia ter previsto. De 14.199, em 1972, seu número aumentou para 137.941, em 1989, e grande proporção deles devotava-se por tempo integral ao ministério.

      Nota-se um padrão similar em outras partes do globo. Em uma década — e às vezes em apenas alguns anos — após a construção de grandes filiais equipadas para impressão, foi necessário fazer uma ampliação ainda maior. Foi assim no México, no Canadá, na África do Sul e na República da Coréia, entre outros países.

      Quem realiza a construção propriamente dita? Como se consegue tudo isso?

      Milhares ansiosos de ajudar

      Na Suécia, das 17.000 Testemunhas que havia no país na época da construção da filial em Arboga, cerca de 5.000 se ofereceram para ajudar na obra. A maioria eram apenas ajudantes dispostos, mas havia também suficientes profissionais bem habilitados para cuidarem de que o trabalho fosse feito corretamente. Qual a motivação? O amor a Jeová.

      Ao ficar sabendo que todo o trabalho de construção da nova filial da Dinamarca, em Holbæk, seria realizado por Testemunhas de Jeová, um funcionário do departamento de inspeção de obras expressou dúvidas. Entretanto, encontrou-se entre as Testemunhas que se ofereceram para ajudar toda a habilitação necessária. Mas, teria sido mais vantajoso contratar os serviços de construtoras? Depois de terminada a construção, técnicos do departamento de edificações da cidade visitaram os prédios e comentaram o primoroso acabamento — algo que eles raramente vêem hoje em dia em obras comerciais. Quanto ao funcionário que expressara dúvidas, ele disse sorrindo: “Bem, naquele tempo eu não conhecia o tipo de organização que os senhores têm.”

      Os centros populacionais na Austrália estão muito espalhados; assim, a maioria dos 3.000 que se ofereceram para trabalhar na filial em Ingleburn, entre 1978 e 1983, teve de viajar pelo menos uns 1.500 quilômetros. No entanto, foram fretados ônibus para grupos de voluntários, e as congregações no caminho ofereceram hospitaleiramente refeições e associação com os irmãos em pontos de parada. Alguns irmãos venderam a casa, encerraram negócios, tiraram férias e fizeram outros sacrifícios para participar na construção. Equipes de profissionais experientes se apresentaram — algumas mais de uma vez — para fazer concretagens, instalar forros e construir cercas. Outros doaram materiais de construção.

      A maioria dos voluntários nesses empreendimentos não era especializada, mas, com um pouco de treinamento, alguns deles assumiram grandes responsabilidades e fizeram excelente serviço. Aprenderam a fabricar janelas, operar tratores, preparar concreto e assentar tijolos. Eles levavam uma nítida vantagem sobre os trabalhadores não Testemunhas de Jeová que fazem o mesmo tipo de serviço comercialmente. Em que sentido? Os que tinham experiência entre as Testemunhas de Jeová estavam dispostos a ensinar o que sabiam. Ninguém receava que outrem assumisse seu trabalho; todos tinham muito que fazer. E havia forte motivação para se realizar um trabalho de qualidade, porque era feito como expressão de amor a Deus.

      Em todos os canteiros de obras, algumas Testemunhas formam o núcleo da “família” da construção. Durante as obras em Selters/Taunus, Alemanha, de 1979 a 1984, em geral centenas de trabalhadores constituíam esse núcleo. Milhares de outros se juntavam a eles por períodos variados, muitos nos fins de semana. Fazia-se meticuloso planejamento para que, ao chegarem os voluntários, houvesse suficiente trabalho para eles.

      Enquanto as pessoas forem imperfeitas, surgirão problemas, mas os que trabalham nesses projetos procuram resolvê-los à base de princípios bíblicos. Sabem que fazer as coisas do modo cristão é mais importante do que a eficiência. Como lembrete disso, no canteiro de obras em Ebina, no Japão, havia grandes cartazes com desenhos de trabalhadores que usavam capacetes de segurança, e em cada capacete estava escrito, em caracteres japoneses, um dos frutos do espírito de Deus: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura, autodomínio. (Gál 5:22, 23) Quem visita os canteiros de obras pode ver e ouvir a diferença. Comentando suas próprias impressões, um repórter que visitou a construção da filial no Brasil disse: “Não há desordens nem falta de cooperação . . . Esse ambiente cristão faz com que lá seja diferente desses que se está acostumado a ver nas construções civis brasileiras.”

      Crescimento constante na sede mundial

      Ao passo que as filiais da Sociedade Torre de Vigia crescem, também é necessário ampliar as dependências da sede mundial. Desde a Segunda Guerra Mundial, mais de dez vezes houve grandes ampliações da gráfica e dos escritórios em Brooklyn e em outros locais no Estado de Nova Iorque. Para alojar o pessoal, tem sido necessário construir ou adquirir e reformar vários edifícios, grandes e pequenos. Em agosto de 1990 e em janeiro de 1991, foram anunciadas outras grandes ampliações em Brooklyn — embora ainda estivesse em andamento, ao norte da cidade de Nova Iorque, a construção do amplo Centro Educacional da Torre de Vigia, iniciada em 1989 e projetada para alojar 1.200 pessoas entre pessoal efetivo e estudantes.

      Desde 1972 realizam-se sem cessar obras na sede mundial em Brooklyn e em outros prédios intimamente relacionados em outras partes de Nova Iorque e em Nova Jérsei. Com o tempo, ficou óbvio que, embora o departamento de construção tivesse um efetivo de centenas de trabalhadores, eles não podiam dar conta de todo o trabalho. Portanto, instituiu-se em 1984 um programa permanente de trabalhadores temporários. Enviaram-se cartas às 8.000 congregações que havia nos Estados Unidos, a fim de convidar irmãos qualificados para ajudarem por uma semana ou mais. (Um programa similar funcionara bem em algumas filiais, entre as quais a Austrália, em que aqueles que podiam permanecer duas semanas foram convidados a se oferecer.) Os trabalhadores receberiam acomodações e refeições, mas arcariam com suas próprias despesas de viagem e não receberiam salários. Quem se ofereceria?

      Em 1992, bem mais de 24.000 petições já haviam sido recebidas e atendidas! Pelo menos 3.900 eram de pessoas que voltavam pela segunda ou terceira vez, e até pela décima ou vigésima vez. A maioria eram anciãos, servos ministeriais ou pioneiros — pessoas com excelentes qualificações espirituais. Todos se ofereciam para fazer o que fosse necessário, quer isso requeresse utilizar sua profissão, quer não. O trabalho muitas vezes era pesado e sujo. Mas consideravam um privilégio contribuir assim para a promoção dos interesses do Reino. Alguns acharam que isso os ajudou a compreender melhor o espírito de abnegação que caracteriza o trabalho realizado na sede mundial. Todos se sentiam ricamente recompensados em assistir diariamente à adoração matinal da família de Betel e ao estudo semanal de A Sentinela em família.

      Voluntários internacionais

      Visto que aumentava a necessidade de ampliações rápidas, em 1985 teve início o arranjo de voluntários internacionais. De forma alguma era o começo da cooperação internacional em construção, mas esse arranjo passou então a ser criteriosamente coordenado pela sede mundial. Todos os que participam são Testemunhas de Jeová que se oferecem para ajudar em serviços de construção fora de seu próprio país. São trabalhadores habilitados, e há também mulheres que acompanham o marido para ajudar no que puderem. A maioria deles arca com as suas próprias despesas de viagem; ninguém é assalariado pelo que faz. Alguns vão para períodos curtos, geralmente de duas semanas a três meses. Outros são voluntários por períodos mais longos e permanecem um ano ou mais, talvez até a conclusão da obra. Mais de 3.000 Testemunhas de Jeová de 30 países participaram nisso nos primeiros cinco anos, e mais estavam ansiosas de participar à medida que suas aptidões fossem necessárias. Acham ser um privilégio dar de si mesmas e de seus recursos materiais para promover assim os interesses do Reino de Deus.

      Os voluntários internacionais recebem acomodações e refeições. Os confortos em geral são mínimos. As Testemunhas locais apreciam muito o que seus irmãos visitantes fazem e, quando possível, hospedam-nos de bom grado em suas casas, mesmo sendo modestas. As refeições em geral são tomadas no local da construção.

      Os irmãos do exterior não estão ali para realizar todo o trabalho. Seu objetivo é cooperar com a equipe local de construção. E centenas, até mesmo milhares, de outras pessoas no país talvez compareçam para ajudar nos fins de semana ou por uma semana ou mais de cada vez. Na Argentina, 259 voluntários de outros países trabalharam com milhares de irmãos locais, alguns dos quais todos os dias, outros por algumas semanas e ainda muitos outros nos fins de semana. Na Colômbia, mais de 830 voluntários internacionais ajudaram por períodos variados. Mais de 200 voluntários locais também participaram na construção por tempo integral e, cada fim de semana, outros 250 ou mais ajudavam. Ao todo, mais de 3.600 diferentes pessoas participaram.

      A diferença de idioma pode representar problemas, mas não impede os grupos internacionais de trabalhar juntos. A linguagem de sinais, expressões faciais, um bom senso de humor e vontade de realizar um trabalho que honrará a Jeová ajudam a realizar o serviço.

      Às vezes, ocorre um notável crescimento na organização — conseqüentemente a necessidade de filiais maiores — em países em que a quantidade de profissionais de construção é limitada. Mas isso não é um empecilho entre as Testemunhas de Jeová, que de bom grado ajudam umas às outras. Elas trabalham juntas como parte duma família global, não dividida por nacionalidade, cor da pele ou idioma.

      Em Papua Nova Guiné, cada voluntário procedente da Austrália e da Nova Zelândia treinou em sua profissão um papuásio, em conformidade com o requisito do Ministério do Trabalho, do governo. Assim, ao passo que davam de si, as Testemunhas locais aprendiam profissões que poderiam ajudá-las a cuidar de suas próprias necessidades e de sua família.

      Quando surgiu a necessidade de um novo prédio de filial em El Salvador, os irmãos locais receberam a ajuda de 326 voluntários do exterior. Para o projeto de construção no Equador, 270 Testemunhas de Jeová de 14 países cooperaram com seus irmãos equatorianos. Alguns voluntários internacionais ajudaram em vários projetos simultaneamente em andamento. Eles se revezavam entre construções na Europa e na África, segundo a necessidade de suas aptidões profissionais.

      Até 1992, já haviam sido enviados voluntários internacionais a 49 filiais a fim de ajudarem as equipes locais de construção. Em alguns casos, os que receberam ajuda desse programa puderam, por sua vez, ajudar outros. Assim, depois de se beneficiarem do trabalho de uns 60 servos internacionais semipermanentes e que colaboraram na construção da filial nas Filipinas, bem como de mais de 230 voluntários do exterior, que ajudaram por períodos mais curtos, alguns filipinos se puseram à disposição para auxiliar nas construções em outras partes do sudeste asiático.

      As Testemunhas de Jeová têm construído por causa das necessidades que agora existem relacionadas com a pregação das boas novas. Com a ajuda do espírito de Jeová, desejam dar o maior testemunho possível durante o tempo que resta antes do Armagedom. Estão convencidas de que o novo mundo de Deus está muito próximo e têm fé que sobreviverão como povo organizado para esse novo mundo, sob o domínio do Reino Messiânico de Deus. Sua esperança também é que talvez muitos dos excelentes prédios por elas construídos e dedicados a Jeová continuem a ser usados após o Armagedom como centros a partir dos quais se possa difundir conhecimento do único Deus verdadeiro até que realmente encha a Terra. — Isa. 11:9.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Era conhecido como Igreja “Nova Luz”, porque os que se reuniam ali achavam que a leitura de publicações da Sociedade Torre de Vigia lhes proporcionava nova luz da Bíblia.

      [Destaque na página 322]

      Testemunhas de Jeová de congregações vizinhas ajudavam na obra.

      [Destaque na página 323]

      A construção era feita com mão-de-obra voluntária, não remunerada.

      [Destaque na página 324]

      Dava-se ênfase às qualidades espirituais.

      [Destaque na página 326]

      Construções de qualidade, segurança, custo mínimo, rapidez

      [Destaque na página 328]

      Um Salão de Assembléias portátil!

      [Destaque na página 331]

      Recorrendo aos tribunais.

      [Destaque na página 332]

      Grande expansão num âmbito internacional

      [Destaque na página 333]

      Os trabalhadores atribuíram o êxito da obra não a si próprios, mas a Jeová.

      [Destaque na página 334]

      Crescimento num ritmo que nenhum humano poderia imaginar.

      [Destaque na página 336]

      Consideraram um privilégio ajudar na construção na sede mundial.

      [Destaque na página 339]

      Trabalham como família global, não dividida por nacionalidade, cor da pele ou idioma.

      [Foto na página 318]

      O primeiro local de reuniões chamado de Salão do Reino, no Havaí.

      [Foto na página 319]

      Muitos dos primeiros Salões do Reino eram locais alugados ou simplesmente salas em cima de lojas; uns poucos eram construídos por Testemunhas de Jeová.

      [Fotos na página 320, 321]

      Trabalhando juntos para a construção rápida de Salões do Reino

      Milhares de congregações são formadas todo ano. Na maioria dos casos, as próprias Testemunhas de Jeová constroem os novos Salões do Reino. Estas fotos foram tiradas durante a construção de um Salão do Reino em Connecticut, EUA, em 1991.

      Sexta-feira, 7h40

      Sexta-feira, 12 horas

      Pede-se a bênção de Jeová e reserva-se tempo para considerar conselhos de sua Palavra.

      Todos são voluntários não-assalariados, felizes de trabalhar lado a lado.

      Sábado, 19h41

      Grande parte do trabalho está terminada, domingo, 18h10.

      [Fotos na página 327]

      Salões do Reino em vários países

      Os locais de reunião usados pelas Testemunhas de Jeová em geral são despretensiosos. São limpos, confortáveis e com atraente área externa.

      Peru

      Filipinas

      Japão

      Colômbia

      França

      Papua Nova Guiné

      Noruega

      República da Coréia

      Irlanda

      Lesoto

      [Fotos na página 329]

      Dois dos primeiros Salões de Assembléias

      Cidade de Nova Iorque

      Guadalupe

      [Fotos na página 330]

      Salões de Assembléias das Testemunhas de Jeová

      Para realizar assembléias periódicas, as Testemunhas de Jeová em alguns lugares acham prático construir seu próprio Salão de Assembléias. Boa parte do trabalho de construção é feita por Testemunhas locais. Estes são apenas alguns desses salões em uso em princípios da década de 90.

      Grã-Bretanha

      Venezuela

      Itália

      Alemanha

      Canadá

      Japão

      [Fotos na página 337]

      Trabalhadores temporários de construção recém-chegados à sede mundial, em Nova Iorque

      Cada grupo é lembrado de que ser pessoa espiritual e realizar um trabalho de qualidade têm prioridade sobre a rapidez.

      [Fotos na página 338]

      O programa de construção internacional supre necessidades urgentes

      O rápido crescimento da organização requer a expansão contínua de escritórios, gráficas e lares de Betel ao redor do globo.

      Voluntários internacionais ajudam as Testemunhas locais.

      Os métodos de construção utilizados tornam possível que muitos voluntários com experiência limitada realizem um trabalho valioso.

      A utilização de materiais duráveis ajuda a manter reduzidas as despesas de manutenção a longo prazo.

      Trabalhadores habilitados de bom grado põem seus serviços à disposição.

      O trabalho de alta qualidade resulta do interesse pessoal dos que o realizam; é uma expressão de seu amor a Jeová.

      Esses empreendimentos são ocasiões agradáveis; surgem muitas amizades duradouras.

      Cartaz no Japão lembrava aos trabalhadores as medidas de segurança, também a necessidade de demonstrarem os frutos do espírito de Deus.

      Grã-Bretanha

      Espanha

      Canadá

      Porto Rico

      Nova Zelândia

      Grécia

      Brasil

      Colômbia

  • Como se financia a obra?
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 21

      Como se financia a obra?

      É ÓBVIO que a obra realizada pelas Testemunhas de Jeová requer dinheiro. Para construir Salões do Reino, Salões de Assembléias, escritórios, gráficas e lares de Betel é preciso dinheiro, e a manutenção também requer dinheiro. A impressão e distribuição de publicações para o estudo da Bíblia também representam despesas. Como se financia tudo isso?

      Pessoas que se opõem à obra das Testemunhas de Jeová divulgam especulações infundadas a esse respeito. Mas uma consideração das evidências comprova a resposta que as próprias Testemunhas dão. Qual? A maior parte do trabalho é feita por voluntários, que não esperam nem desejam remuneração por seus serviços, e as despesas organizacionais são custeadas por donativos voluntários.

      “Entrada franca. Não se faz coleta.”

      Já na segunda edição da Watch Tower (A Sentinela), de agosto de 1879, o irmão Russell declarou: “A ‘Zion’s Watch Tower’ tem, cremos, a JEOVÁ como seu apoiador, e, enquanto este for o caso, jamais solicitará nem pedirá aos homens que a custeiem. Quando Aquele que diz: ‘Todo o ouro e a prata das montanhas são meus’, deixar de prover os fundos necessários, entenderemos que é o tempo de suspender a publicação.” Em conformidade com isso, não se faz solicitação de dinheiro nas publicações das Testemunhas de Jeová.

      O que se aplica a suas publicações aplica-se também a suas reuniões. Não se fazem apelos emocionais para fundos em suas congregações ou em seus congressos. Não se passam pratos de coleta; não se distribuem envelopes para neles se colocar dinheiro; não se enviam cartas solicitando dinheiro a membros das congregações. As congregações nunca recorrem a bingo ou a rifas para arrecadarem fundos. Já em 1894, quando a Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) passou a enviar oradores viajantes, publicou-se esta nota para o benefício de todos: “Seja entendido desde o princípio que coletas ou outras solicitações de dinheiro não são autorizadas nem aprovadas por esta Sociedade.”

      Assim, bem desde o começo da história moderna das Testemunhas de Jeová, os impressos que convidam o público para assistir às suas reuniões trazem o lema: “Entrada Franca. Não Se Faz Coleta.”

      A partir de princípios de 1914, os Estudantes da Bíblia alugavam teatros e outros auditórios e convidavam o público para assistir ao “Photo-Drama of Creation” (Fotodrama da Criação). Era uma apresentação em quatro partes, de oito horas de duração ao todo, em forma de slides e filmes sincronizados com som. Já no primeiro ano, milhões de pessoas na América do Norte, na Europa, na Austrália e na Nova Zelândia assistiram a essa apresentação. Embora os proprietários de alguns teatros cobrassem os lugares reservados, os Estudantes da Bíblia jamais cobraram ingressos. E não se faziam coletas.

      Depois, por mais de 30 anos, a Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) operou a emissora de rádio WBBR na cidade de Nova Iorque. As Testemunhas de Jeová também usavam os serviços de centenas de outras emissoras para transmitir programas de instrução bíblica. Mas nunca usaram essas transmissões radiofônicas para solicitar dinheiro.

      Então, como são obtidos os donativos que financiam sua atividade?

      Donativos voluntários

      A Bíblia estabelece o padrão. Sob a Lei mosaica, certas contribuições eram voluntárias. Outras eram exigidas do povo. Dar o dízimo, ou décima parte, era uma dessas exigências. (Êxo. 25:2; 30:11-16; Núm. 15:17-21; 18:25-32) Mas a Bíblia também mostra que Cristo cumpriu a Lei, e Deus pôs fim a essa lei; de modo que os cristãos não estão presos a tais regulamentos. Não dão o dízimo nem têm a obrigação de dar alguma contribuição num montante especificado ou em certas ocasiões específicas. — Mat. 5:17; Rom. 7:6; Col. 2:13, 14.

      Em vez disso, são incentivados a cultivar o espírito de generosidade e liberalidade, em imitação do exemplo maravilhoso do próprio Jeová e de seu Filho, Jesus Cristo. (2 Cor. 8:7, 9; 9:8-15; 1 João 3:16-18) Assim, com respeito a dar, o apóstolo Paulo escreveu à congregação cristã em Corinto: “Faça cada um conforme tem resolvido no seu coração, não de modo ressentido, nem sob compulsão, pois Deus ama o dador animado.” Serem informados de certa necessidade submeteu-os a ‘uma prova da genuinidade do seu amor’, conforme Paulo explicou. Ele também disse: “Se houver primeiro a prontidão, é especialmente aceitável segundo o que a pessoa tem, não segundo o que a pessoa não tem.” — 2 Cor. 8:8, 12; 9:7.

      À luz disso, é interessante o comentário de Tertuliano sobre as reuniões realizadas por pessoas que se esforçavam em praticar o cristianismo nos seus dias (c. 155-depois de 220 EC). Ele escreveu: “Mesmo que haja alguma espécie de fundo, este não é constituído de dinheiro pago como taxas de admissão, como se religião fosse uma questão de contrato. Todo homem, uma vez por mês, traz algumas moedas modestas — ou quando quiser, e só se quiser e puder; pois ninguém é obrigado; é uma oferta voluntária.” (Apology, XXXIX, 5) Nos séculos desde então, porém, as igrejas da cristandade têm-se empenhado em todo plano imaginável de arrecadar fundos para financiar suas atividades.

      Charles Taze Russell não quis imitar as igrejas. Ele escreveu: “Nossa opinião é que o dinheiro arrecadado por meio dos vários métodos de solicitação no nome de nosso Senhor é repulsivo e inaceitável para ele, e não traz sua bênção sobre os dadores nem sobre a obra realizada.”

      Em vez de procurar bajular os abastados, o irmão Russell dizia claramente, em harmonia com as Escrituras, que a maioria dos do povo do Senhor seria pobre no que diz respeito a bens deste mundo, mas rica na fé. (Mat. 19:23, 24; 1 Cor. 1:26-29; Tia. 2:5) Em vez de frisar a necessidade de dinheiro para a divulgação da verdade da Bíblia, ele focalizava a atenção na importância de cultivar o espírito de amor, o desejo de dar e de ajudar os outros, especialmente por partilhar a verdade com eles. Aos que tinham facilidade em ganhar dinheiro e sugeriam que teriam mais para contribuir em sentido financeiro se se devotassem principalmente aos negócios, ele dizia que seria melhor limitarem essas atividades e darem de si e de seu tempo na divulgação da verdade. Essa ainda é a posição do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová.a

      Na prática, quanto dão as pessoas? O que fazem é assunto de decisão pessoal. No entanto, no que diz respeito a dar, deve-se notar que as Testemunhas de Jeová não pensam apenas em termos de bens materiais. Nos congressos de distrito de 1985-86, elas consideraram o assunto “Honremos a Jeová com as Nossas Coisas Valiosas”. (Pro. 3:9) Frisou-se que essas coisas valiosas não só incluem bens materiais, mas também recursos físicos, mentais e espirituais.

      Em 1904, o irmão Russell salientou que aquele que fez a Deus uma plena consagração (ou dedicação, como dizemos agora) “já deu tudo o que tem ao Senhor”. Assim, deve agora “considerar-se designado pelo Senhor para administrar seu próprio tempo, influência, dinheiro, etc., e cada um deve procurar usar esses talentos segundo o melhor de suas habilidades, para a glória do Amo”. Ele acrescentou que, guiado pela sabedoria de cima, “na medida em que seu amor e seu zelo pelo Senhor crescem dia a dia através do conhecimento da Verdade e da assimilação do espírito da Verdade, ele percebe que dá cada vez mais de seu tempo, cada vez mais de sua influência e cada vez mais dos recursos que possui, em favor do serviço à Verdade”. — Studies in the Scriptures (Estudos das Escrituras), “A Nova Criação”, pp. 344-5.

      Naqueles primeiros anos, a Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) tinha o que ela chamava de Fundo de Tratados da Torre. O que era isso? Os pormenores interessantes que se seguem estavam escritos no verso de papel de carta usado às vezes pelo irmão Russell: “Este fundo consiste em ofertas voluntárias daqueles que têm sido sustentados e fortalecidos pelo ‘alimento no tempo certo’ que as publicações acima [tornadas disponíveis pela Sociedade Torre de Vigia], como instrumentos de Deus, agora apresentam aos santos consagrados, no mundo todo.

      “Esse fundo é constantemente usado para o envio grátis de milhares de exemplares da ZION’S WATCH TOWER e dos OLD THEOLOGY TRACTS [Tratados da Velha Teologia], dentre os mais apropriados para novos leitores. Auxilia também na divulgação das edições brochadas da série DAWN [Aurora], prestando ajuda aos dispostos a distribuí-las — colportores e outros. Provê também um ‘fundo para pobres’ por meio do qual quaisquer filhos do Senhor que não tenham condições de assinar a WATCH TOWER, devido a idade, ou doença, ou outro motivo, a recebam gratuitamente, desde que enviem uma carta ou cartão no início de cada ano, indicando seu desejo e suas limitações.

      “A ninguém jamais se solicita que contribua para esse fundo: todos os donativos têm de ser voluntários. Lembramos aos nossos leitores as palavras do Apóstolo (1 Cor. 16:1, 2) e as corroboramos, dizendo que aqueles que podem dar, e assim o fazem, para a divulgação da verdade, com certeza receberão retribuição na forma de favores espirituais.”

      A atividade global das Testemunhas de Jeová na proclamação das boas novas do Reino de Deus continua a ser apoiada por donativos voluntários. Além das próprias Testemunhas, muitas pessoas interessadas e que têm apreço consideram um privilégio apoiar esta obra cristã com contribuições voluntárias.

      Como se financiam os locais de reuniões

      Todas as congregações das Testemunhas de Jeová têm caixas de contribuição apropriadas, nas quais as pessoas podem depositar quaisquer donativos que desejarem — quando o quiserem e se o puderem. Isso é feito em particular, de modo que em geral os outros não sabem o que a pessoa faz. Fica entre ela e Deus.

      Não há salários a pagar, mas a manutenção de um local de reuniões custa dinheiro. Para se suprir essa necessidade, os membros da congregação têm de ser inteirados disso. No entanto, há mais de 70 anos, The Watch Tower deixou claro que, no que tange a contribuições, não se deve implorar nem insistir — devem-se apenas expor clara e francamente os fatos. Em harmonia com esse ponto de vista, as reuniões congregacionais não tratam freqüentemente de assuntos financeiros.

      Às vezes, porém, há necessidades especiais. Talvez se planeje reformar ou ampliar um Salão do Reino ou construir um novo. Para avaliar quanto dinheiro estará disponível, os anciãos talvez peçam aos membros da congregação que escrevam num papel quanto crêem poder doar individualmente para o projeto ou, quem sabe, tornar disponível por alguns anos. Além disso, pode ser que os anciãos peçam que pessoas ou famílias escrevam num papel quanto, com a bênção de Jeová, acham que podem contribuir em base semanal ou mensal. Ninguém assina seu nome. Esses papéis não são promissórias, mas dão base para um planejamento racional. — Luc. 14:28-30.

      Em Tarma, na Libéria, a congregação conseguiu os fundos necessários de modo um tanto diferente. Alguns membros da congregação cuidaram da plantação de arroz de outra Testemunha enquanto esta ficou um ano inteiro cortando árvores e serrando tábuas manualmente que depois foram vendidas para se conseguir dinheiro para a construção. Em Paramaribo, no Suriname, embora os materiais de construção tivessem de ser comprados, certa congregação não precisou de dinheiro para o terreno, porque uma Testemunha doou seu terreno para o Salão do Reino e pediu apenas que sua casa fosse transferida para os fundos do terreno. Os elevadíssimos preços do mercado imobiliário em Tóquio, no Japão, dificultavam a aquisição de terrenos pelas congregações para construírem Salões do Reino. Para ajudarem a resolver esse problema, várias famílias ofereceram o terreno em que a sua própria casa estava construída. Pediram apenas que, depois de a casa ser substituída por um novo Salão do Reino, se construísse para elas um apartamento em cima.

      À medida que as congregações cresciam e se dividiam, as que ficavam dentro de uma determinada região muitas vezes procuravam ajudar umas às outras a conseguir Salões do Reino adequados. Apesar do espírito generoso, precisava-se de algo mais. Os preços de terrenos e os custos de construção subiram vertiginosamente, e as congregações muitas vezes achavam impossível enfrentar sozinhas a situação. O que se poderia fazer?

      Nos Congressos de Distrito “Unidade do Reino”, em 1983, o Corpo Governante delineou um arranjo que se baseava na aplicação do princípio estabelecido em 2 Coríntios 8:14, 15, que incentiva que o excedente daqueles que têm muito contrabalance a deficiência dos outros, para que “haja igualdade” (Almeida). Assim, os que tivessem pouco não teriam tão pouco a ponto de sofrerem empecilhos nos seus empenhos de servir a Jeová.

      As congregações foram incentivadas a providenciar uma caixa com a identificação “Contribuições Para o Fundo da Sociedade Para Salões do Reino”. O que fosse colocado nessa caixa seria utilizado apenas para esse fim. Assim, o dinheiro contribuído em todo o país ficaria disponível para contrabalançar a carência de congregações que precisavam muito de um Salão do Reino, mas que não podiam arcar com as condições impostas pelos bancos locais. Depois de meticulosa pesquisa para avaliar onde a necessidade era realmente mais urgente, a Sociedade começou a tornar disponível esse dinheiro às congregações que precisavam construir ou de outra maneira adquirir novos Salões do Reino. À medida que se recebiam mais contribuições e os empréstimos (nos países onde se podia fazer isso) eram liquidados, outras congregações podiam ser ajudadas.

      Essa provisão entrou em operação primeiro nos Estados Unidos e no Canadá, e desde então chegou a mais de 30 países na Europa, na África, na América Latina e no Extremo Oriente. Em 1992, em apenas oito desses países, já se havia fornecido dinheiro para ajudar a providenciar 2.737 Salões do Reino, o que beneficiou 3.840 congregações.

      Mesmo nos países em que não havia tal provisão, mas onde havia urgente necessidade de Salões do Reino, que não podiam ser financiados localmente, o Corpo Governante se empenhou em tomar outras providências para certificar-se de que se desse ajuda. Houve assim uma compensação, de modo que os que tivessem pouco não tivessem pouco demais.

      O financiamento da expansão na sede mundial

      O funcionamento da sede mundial também requer fundos. Após a Primeira Guerra Mundial, quando a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos EUA) achou vantajoso imprimir e encadernar seus próprios livros, providenciou-se a compra da necessária maquinaria no nome de pessoas físicas — conservos de Jeová. Em vez de pagar os lucros duma empresa pela fabricação dos livros, a Sociedade usou essa quantia para saldar em parcelas mensais a dívida pela compra do equipamento. À medida que os benefícios disso se manifestavam, o custo de grande parte das publicações para o público ficava reduzido a cerca da metade. O que se fazia visava promover a pregação das boas novas, não enriquecer a Sociedade Torre de Vigia.

      Em poucos anos, ficou evidente que se precisava de dependências maiores na sede mundial para cuidar da obra global de pregação do Reino. Vez após vez, à medida que a organização cresce e a atividade de pregação se intensifica, é necessário ampliar as dependências. Em vez de recorrer a bancos para a obtenção dos necessários fundos para ampliar e equipar os escritórios e as gráficas da sede, bem como os anexos e áreas em Nova Iorque e redondezas, a Sociedade tem explicado a necessidade aos irmãos. Não se fez isso com freqüência, mas apenas 12 vezes no período de 65 anos.

      Nunca se fizeram solicitações. Quem quer que desejasse doar algo era incentivado a fazê-lo. Aqueles que preferiam emprestar fundos recebiam a garantia de que, se surgisse uma necessidade inesperada e urgente, o empréstimo seria restituído ao ser solicitada a devolução. Por dessa forma tratar dos assuntos, a Sociedade procurava evitar causar dificuldades a pessoas e a congregações que bondosamente ofereciam seus recursos. O apoio das Testemunhas de Jeová mediante contribuições sempre possibilitou à Sociedade restituir todos os empréstimos. As contribuições à Sociedade não são recebidas sem reconhecimento. Na medida do possível, seu recebimento é acusado em cartas e com outras expressões de apreço.

      A obra da organização não é mantida por donativos de um grupo de doadores abastados. A maior parte das contribuições vem de pessoas de recursos modestos — muitas delas com pouquíssimos bens deste mundo. Entre elas há crianças que desejam participar dessa maneira em apoiar a obra do Reino. O coração de todos esses doadores é motivado pelo profundo apreço da bondade de Jeová e pelo desejo de ajudar outros a aprender sobre Suas benévolas provisões. — Compare com Marcos 12:42-44.

      Como se financia a expansão das filiais

      À medida que a obra de pregação do Reino assume maiores proporções em várias partes do mundo, é necessário ampliar as filiais da organização. Isto é feito sob a direção do Corpo Governante.

      Assim, depois de consideradas as recomendações da filial da Alemanha, deram-se instruções, em 1978, para a procura de um local apropriado e construção de uma filial inteiramente nova. Teriam as Testemunhas alemãs condições de arcar com as despesas? A oportunidade de fazer isso lhes foi oferecida. Terminada a construção, em 1984, em Selters, na borda ocidental dos montes Taunus, a filial relatou: “Dezenas de milhares de Testemunhas de Jeová — ricas e pobres, jovens e idosas — contribuíram milhões de dólares para ajudar a cobrir o custo dos novos prédios. Devido à sua generosidade, o projeto todo foi concluído sem a necessidade de tomarmos empréstimos de organizações seculares ou de termos de ficar endividados.” Além disso, cerca de 1 em cada 7 Testemunhas da República Federal da Alemanha trabalhou na construção propriamente dita em Selters/Taunus.

      Em alguns outros países, a economia local ou a situação financeira das Testemunhas de Jeová dificultam muito e até impossibilitam a construção necessária de escritórios para supervisionar a obra ou de gráficas para a impressão de publicações bíblicas nas línguas locais. As Testemunhas desses países recebem a oportunidade de fazer o que está ao seu alcance. (2 Cor. 8:11, 12) Mas não se permite que a falta de fundos num país impeça a divulgação da mensagem do Reino ali quando os necessários recursos financeiros estão disponíveis em outro lugar.

      Assim, embora as Testemunhas locais façam o que está ao seu alcance, em grande parte do mundo uma considerável parcela do dinheiro necessário para a construção de filiais vem de donativos de Testemunhas de Jeová de outros países. Foi o que aconteceu na construção das grandes filiais da África do Sul, em 1987; da Nigéria, em 1990; e das Filipinas, em 1991. Foi também o caso de Zâmbia, onde uma futura gráfica ainda estava em construção em 1992. Algo semelhante aconteceu com muitas construções menores, tais como as concluídas na Índia, em 1985; no Chile, em 1986; em Costa Rica, no Equador, na Guiana, no Haiti e em Papua Nova Guiné, em 1987; em Gana, em 1988; e em Honduras, em 1989.

      Em alguns países, porém, os irmãos ficam surpresos com o que conseguem realizar localmente com a bênção de Jeová sobre seus esforços unidos. No início da década de 80, por exemplo, a filial da Espanha estava tomando providências para uma grande ampliação das instalações. A filial solicitou ao Corpo Governante os necessários recursos. Mas, devido a pesadas despesas com outras coisas na época, essa ajuda não estava disponível. Se lhes fosse dada a oportunidade, conseguiriam as Testemunhas da Espanha, com seus salários relativamente baixos, fornecer fundos suficientes para esse empreendimento?

      A situação lhes foi explicada. De bom grado ofereceram jóias, anéis e pulseiras a fim de que fossem vendidos para levantar fundos. Ao ser indagada se tinha certeza de que realmente desejava doar a pesada pulseira de ouro que havia contribuído, uma Testemunha idosa respondeu: “Irmão, ela será muito mais útil para cobrir as despesas de um novo Betel do que no meu pulso!” Outra irmã idosa tirou do esconderijo uma pilha de bolorentas notas de dinheiro que ela guardara durante anos debaixo do soalho de sua casa. Casais contribuíram o dinheiro poupado para viagens. Crianças enviaram suas economias. Certo jovem que planejava comprar um violão doou o dinheiro para a construção da filial. Como os israelitas na época da construção do tabernáculo no ermo, as Testemunhas na Espanha se mostraram generosas e dispostas de coração a contribuir com o que fosse necessário em sentido material. (Êxo. 35:4-9, 21, 22) Depois, ofereceram a si mesmas — por tempo integral, nas férias, nos fins de semana — para trabalharem na construção propriamente dita. Vieram de toda a Espanha — milhares delas. Testemunhas de outros países, como da Alemanha, Suécia, Grã-Bretanha, Grécia e Estados Unidos, para se mencionarem apenas alguns, juntaram-se a elas para terminar o que a princípio parecia uma tarefa impossível.

      Dão lucro as publicações?

      Em 1992, imprimiam-se publicações bíblicas na sede mundial e em 32 filiais ao redor do mundo. Grandes quantidades eram produzidas para distribuição pelas Testemunhas de Jeová. Mas nada era feito para ganho comercial. As decisões sobre as línguas em que as publicações seriam impressas e a que países seriam enviadas eram tomadas não visando vantagens comerciais, mas unicamente com o objetivo de realizar a obra que Jesus Cristo incumbira a seus seguidores.

      Já em julho de 1879, por ocasião da publicação de sua primeira edição, a Watch Tower anunciou que as pessoas tão sem recursos que não pudessem pagar o valor de uma assinatura (na época apenas 50 centavos de dólar por ano) poderiam recebê-la de graça, bastando para isso que escrevessem solicitando-a. O objetivo principal era ajudar pessoas a aprender sobre o grandioso propósito de Jeová.

      Para tanto, desde 1879 já se distribuíram ao público, gratuitamente, enormes quantidades de publicações bíblicas. De 1881 em diante aproximadamente 1.200.000 exemplares de Food for Thinking Christians (Matéria Para Cristãos Refletivos) foram distribuídos grátis. Muitos desses eram em forma de livro de 162 páginas; outros, em formato de jornal. Grande número de tratados de vários tamanhos foi publicado nos anos seguintes. A vasta maioria deles (literalmente centenas de milhões de exemplares) foi distribuída gratuitamente. A quantidade de tratados e de outras publicações distribuídas continuou a aumentar. Só em 1915, o relatório mostrou que 50.000.000 de tratados em uns 30 idiomas foram fornecidos para distribuição mundial sem se cobrar nada. De onde vinha o dinheiro para tudo isso? Principalmente de donativos voluntários para o Fundo de Tratados, da Sociedade.

      Algumas publicações também eram oferecidas por uma contribuição durante as primeiras décadas da história da Sociedade, mas a contribuição sugerida era a menor possível. Entre essas publicações havia livros de 350 a 744 páginas. Quando as ofereciam ao público, os colportores da Sociedade (como então se chamavam os pregadores de tempo integral) mencionavam qual era a contribuição sugerida. Seu objetivo, porém, não era ganhar dinheiro, mas levar as verdades vitais da Bíblia às pessoas. Queriam que elas lessem as publicações e tirassem proveito.

      Estavam mais do que dispostos a dar publicações (e nesse caso eles mesmos contribuíam) aos moradores sem recursos. Observou-se, porém, que muitos ficavam mais inclinados a ler se tivessem dado algo em troca da publicação, e sua contribuição poderia, é claro, ser usada para imprimir mais publicações. No entanto, frisando que os Estudantes da Bíblia não visavam ganhos financeiros, a folha de instruções de serviço da Sociedade, o Bulletin, de 1.º de outubro de 1920, dizia: “Dez dias depois de deixares o folheto [um que tinha 128 páginas], faze outra visita às pessoas e verifica se o leram. Se não o leram, pede que devolvam o folheto e restitui-lhes o dinheiro. Dize-lhes que não és vendedor de livros, mas que estás interessado em transmitir esta mensagem de consolo e ânimo a todos, e que, se elas não estão suficientemente interessadas num fato que tanto lhes diz respeito . . ., desejas levar o folheto a quem se interesse.” As Testemunhas de Jeová descontinuaram esse método, pois constataram que outros membros da família às vezes pegam a publicação e tiram proveito; mas o que se fazia naquela época destaca realmente o verdadeiro objetivo das Testemunhas.

      Por muitos anos elas se referiam à distribuição de suas publicações como “venda”. Mas essa terminologia causava certa confusão, de modo que, a partir de 1929, isso foi aos poucos descontinuado. Esse termo realmente não se ajustava a sua atividade, pois sua obra não era comercial. O objetivo não era ganhar dinheiro. O único motivo era pregar as boas novas do Reino de Deus. Por isso, em 1943 a Suprema Corte dos Estados Unidos decretou que não se podia requerer das Testemunhas de Jeová a obtenção duma licença comercial de venda para distribuírem suas publicações. E, depois disso, o poder judiciário do Canadá citou com aprovação a argumentação apresentada pela Suprema Corte dos EUA nessa decisão.b

      Em muitos países, as Testemunhas de Jeová costumeiramente oferecem suas publicações por uma contribuição. A contribuição sugerida é tão pequena, em comparação com outros livros e revistas, que muitos se propõem dar mais. Mas a organização tem feito grande esforço para manter pequena a contribuição sugerida, para que fique dentro das possibilidades de milhões de pessoas de pouquíssimos bens materiais que, contudo, aceitam com gratidão uma Bíblia ou publicações bíblicas. O objetivo de sugerir uma contribuição, porém, não é enriquecer a organização das Testemunhas de Jeová.

      Nos lugares em que a lei considera como atividade comercial qualquer distribuição de publicações bíblicas se o distribuidor sugerir uma contribuição por essas publicações, as Testemunhas de Jeová de bom grado as deixam a quem mostre interesse sincero e prometa lê-las. Quem deseja doar algo para promover a obra de instrução bíblica pode dar o que deseja. É o que acontece, por exemplo, no Japão. Na Suíça, até recentemente se aceitavam contribuições, mas até um valor estipulado; assim, quando os moradores desejavam dar mais, as Testemunhas simplesmente devolviam o excedente ou lhes forneciam outras publicações. Seu desejo não era arrecadar dinheiro, mas pregar as boas novas do Reino de Deus.

      Em 1990, devido a escândalos financeiros amplamente noticiados que envolviam certas religiões da cristandade, além da crescente tendência dos governos de classificar a atividade religiosa como empreendimento comercial, as Testemunhas de Jeová fizeram alguns ajustes em sua atividade para evitar equívocos. O Corpo Governante orientou que todas as publicações distribuídas pelas Testemunhas de Jeová nos Estados Unidos — Bíblias, tratados, folhetos, revistas e livros que explicam a Bíblia — sejam fornecidas ao público com a única condição de que as leiam, sem que se sugira uma contribuição. A atividade das Testemunhas de Jeová de modo algum é comercial, e esse arranjo serviu para diferençá-las ainda mais de grupos religiosos que comercializam a religião. Naturalmente, a maioria das pessoas sabe que custa dinheiro imprimir essas publicações, e aquelas que apreciam o serviço realizado pelas Testemunhas talvez desejem fazer um donativo para ajudar a obra. Explica-se a essas pessoas que a obra mundial de instrução bíblica dirigida pelas Testemunhas de Jeová é custeada por donativos voluntários. Os donativos são aceitos de bom grado, mas não são solicitados.

      Os que participam no ministério de campo não o fazem por ganho financeiro. Doam seu tempo e arcam com as despesas de seu próprio transporte. Quando alguém mostra interesse, providenciam voltar toda semana, sem cobrar nada, para dar-lhe instrução pessoal da Bíblia. Só o amor a Deus e ao próximo poderia motivá-los a continuar empenhados nessa atividade, muitas vezes diante de indiferença e franca oposição.

      Os fundos recebidos na sede mundial das Testemunhas de Jeová ou em suas filiais não são utilizados para o enriquecimento da organização ou de alguma pessoa, mas para promover a pregação das boas novas. Em 1922, The Watch Tower relatou que, devido à situação econômica na Europa, os livros que ali se imprimiam para a Sociedade eram custeados primariamente pela filial dos Estados Unidos e muitas vezes eram deixados às pessoas abaixo do custo. Embora as Testemunhas de Jeová operem agora gráficas em muitos países, alguns outros países, para os quais se enviam publicações, não podem enviar fundos para o exterior a fim de cobrir o custo. Os generosos donativos voluntários das Testemunhas de Jeová, em países em que elas têm recursos suficientes, ajudam a contrabalançar a carência de outros países.

      A Sociedade Torre de Vigia sempre se tem empenhado em usar todos os recursos à sua disposição para promover a pregação das boas novas. Em 1915, Charles Taze Russell, como presidente da Sociedade, disse: “Nossa Sociedade não procura acumular riquezas terrenas, mas, em vez disso, é uma instituição que gasta integralmente os recursos de que dispõe. O que quer que a providência de Deus nos envie sem solicitação procuramos gastar o mais criteriosamente possível em harmonia com a Palavra e o Espírito do Senhor. Há muito anunciamos que, quando os fundos cessassem, as atividades da Sociedade cessariam proporcionalmente; e que, à medida que os fundos aumentassem, as atividades da Sociedade seriam ampliadas.” A Sociedade continua a fazer exatamente isso.

      Até o presente, a organização usa os fundos disponíveis para enviar superintendentes viajantes a fim de fortalecerem as congregações e as incentivarem no ministério público. Continua a enviar missionários e formados da Escola de Treinamento Ministerial a países em que há necessidade especial. Também, usa quaisquer fundos disponíveis para enviar pioneiros especiais a regiões em que se fez pouca ou nenhuma pregação da mensagem do Reino. Como publicado no Anuário das Testemunhas de Jeová de 1993, no ano de serviço anterior foram gastos US$ 45.218.257,56 para esses fins.

      Não servem visando ganho pessoal

      Nenhum dos membros do Corpo Governante nem os diretores das sociedades jurídicas, tampouco quaisquer outras pessoas de destaque associadas com a organização lucram financeiramente em resultado da obra das Testemunhas de Jeová.

      Sobre C. T. Russell, que serviu por mais de 30 anos como presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), um de seus associados escreveu: “Para avaliar se seu proceder se harmonizava com as Escrituras, também para demonstrar sua própria sinceridade, ele decidiu testar a aprovação do Senhor conforme se segue: (1) devotar sua vida à causa; (2) investir sua fortuna na disseminação da obra; (3) proibir coletas em todas as reuniões; (4) depender de contribuições não solicitadas (inteiramente voluntárias) para dar continuidade à obra depois de esgotada sua fortuna.”

      Em vez de usar a atividade religiosa para adquirir riquezas materiais, o irmão Russell gastou todos os seus recursos na obra do Senhor. Após sua morte, The Watch Tower noticiou: “Ele dedicou sua fortuna particular inteiramente à causa em favor da qual deu a vida. Recebia a soma nominal de 11 dólares por mês para despesas pessoais. Morreu sem deixar patrimônio algum.”

      Concernente aos que dariam continuidade à obra da Sociedade, o irmão Russell estipulou em seu testamento: “Quanto a remuneração, creio ser prudente manter o antigo proceder da Sociedade com respeito a salários — que não se paguem salários; que se concedam apenas módicos reembolsos de despesas aos que servem a Sociedade ou a sua obra duma maneira ou de outra.” Os que serviriam nos lares de Betel, nos escritórios e nas gráficas da Sociedade, bem como seus representantes viajantes, receberiam apenas alimento, abrigo e uma pequena importância para despesas — o suficiente para necessidades imediatas, mas “nenhuma provisão . . . para acumular dinheiro”. O mesmo padrão é adotado hoje.

      Todos os que são aceitos para o serviço especial de tempo integral na sede mundial das Testemunhas de Jeová fazem voto de pobreza, assim como fizeram todos os membros do Corpo Governante e todos os demais membros da família de Betel ali. Isto não significa que sua vida seja austera, sem confortos. Significa, sim, que partilham, sem parcialidade, as modestas provisões de alimento, abrigo e reembolso de despesas, fornecidos a todos os que participam nesse serviço.

      Assim, a organização dá continuidade a sua obra com plena dependência da ajuda que Deus dá. Sem compulsão, mas como genuína fraternidade espiritual que chega a todas as partes da Terra, as Testemunhas de Jeová usam de bom grado seus recursos para realizar a obra que Jeová, seu grandioso Pai celestial, lhes incumbiu.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Veja The Watchtower de 1.º setembro de 1944, página 269; A Sentinela de 15 de dezembro de 1987, páginas 19-20.

      b Murdock v. Commonwealth of Pennsylvania, 319 U.S. 105 (1943); Odell v. Trepanier, 95 C.C.C. 241 (1949).

      [Destaque na página 340]

      “Solicitações de dinheiro não são autorizadas nem aprovadas por esta Sociedade.”

      [Destaque na página 342]

      Dá-se ênfase principalmente ao valor de partilhar a verdade com outros.

      [Destaque na página 343]

      Uma exposição clara e franca dos fatos.

      [Destaque na página 344]

      As congregações ajudam umas às outras para conseguirem os necessários Salões do Reino.

      [Destaque na página 345]

      A maior parte das contribuições vem de pessoas de recursos modestos.

      [Destaque na página 348]

      Grande parte das publicações é distribuída gratuitamente — quem as custeia?

      [Destaque na página 349]

      Deixam de bom grado publicações a quem mostre interesse sincero e prometa lê-las.

      [Destaque na página 350]

      O que se faz com o dinheiro doado?

      [Destaque na página 351]

      “Ele dedicou sua fortuna particular inteiramente à causa em favor da qual deu a vida.”

      [Quadro na página 341]

      Deus não faz solicitações

      “Aquele que disse: ‘Se eu tivesse fome, não to diria a ti; pois meu é o mundo e a sua plenitude. . . . Não tomarei da tua casa novilhos, nem dos teus apriscos, bodes. Pois meus são todos os animais do bosque, e os gados sobre milhares de outeiros’ (Sal. 50:12, 9, 10), pode dar continuidade a sua grande obra sem fazer solicitação de fundos nem ao mundo nem a seus filhos. Tampouco compelirá ele seus filhos a sacrificar algo em seu serviço, nem aceitará deles alguma coisa, senão uma oferta prazenteira e voluntária.” — “Zion’s Watch Tower”, setembro de 1886, p. 6.

      [Quadro na página 347]

      Os donativos nem sempre eram em dinheiro

      As Testemunhas de Jeová do extremo norte de Queensland prepararam e enviaram ao canteiro de obras da Sociedade Torre de Vigia, em Sídnei, Austrália, quatro caminhões grandes carregados de madeira de primeira, cujo valor foi calculado na época entre 60.000 e 70.000 dólares australianos.

      Durante a ampliação da gráfica da Sociedade Torre de Vigia, em Elandsfontein, África do Sul, um irmão das Índias Orientais telefonou e pediu que fossem buscar um donativo de 500 sacos (de 50 quilos cada um) de cimento — numa época em que havia escassez desse produto no país. Outros colocaram seus caminhões à disposição da Sociedade. Uma irmã africana pagou uma empresa para entregar 15 metros cúbicos de areia para construção.

      Nos Países Baixos, durante a construção das novas dependências da filial em Emmen, doaram-se enormes quantidades de ferramentas e de roupas de trabalho. Uma irmã, embora muito doente, tricotou um par de meias de lã para cada um que trabalhou no período do inverno.

      Para a construção duma nova filial e futura gráfica em Lusaca, Zâmbia, os materiais de construção foram comprados com os fundos fornecidos por Testemunhas de outros países. Os materiais e os equipamentos que não estavam disponíveis localmente foram enviados de caminhão para Zâmbia como donativos para a obra.

      Em 1977, uma Testemunha no Equador doou um terreno de 34 hectares. Construiu-se ali um Salão de Assembléias e uma nova filial.

      Testemunhas no Panamá ofereceram suas casas para hospedar voluntários; algumas que possuíam ônibus forneceram condução; outras participaram em providenciar as 30.000 refeições servidas no canteiro de obras.

      Para os trabalhadores da construção em Arboga, Suécia, certa congregação fez e enviou 4.500 pãezinhos. Outras congregações enviaram mel, frutas e geléias. Um fazendeiro das imediações do local da construção, embora não fosse Testemunha, forneceu duas toneladas de cenoura.

  • Sede mundial e principais escritórios das Testemunhas de Jeová — em fotos
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Sede mundial e principais escritórios das Testemunhas de Jeová — em fotos

      SEDE MUNDIAL DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ

      [Foto na página 352, 353]

      A atividade global das Testemunhas de Jeová tem sido dirigida de Brooklyn, Nova Iorque, EUA, desde 1909. Estes prédios abrigam os escritórios da sede mundial desde 1980.

      [Foto na página 352]

      Centro Educacional da Torre de Vigia em Patterson, Nova Iorque (em construção em 1992)

      [Fotos na página 353]

      Alguns dos prédios residenciais para os milhares que servem na sede mundial.

      [Fotos na página 354]

      Antigos hotéis em Brooklyn reformados para acomodarem outros 1.476 trabalhadores voluntários.

      [Fotos na página 354]

      Alojamentos para a família de Betel em Wallkill, Nova Iorque

      [Fotos na página 354, 355]

      Nestes prédios da gráfica (em Brooklyn, Nova Iorque) produzem-se Bíblias, livros e brochuras em 180 línguas para distribuição global.

      [Fotos na página 356]

      Milhões de fitas cassete com matéria bíblica são produzidas anualmente nesta gráfica em Brooklyn. Daqui também se coordena a expedição. Mais de 15.000 toneladas de publicações bíblicas e outros itens são despachados anualmente a todas as partes do mundo.

      [Fotos na página 356]

      Nesta gráfica nas Fazendas da Torre de Vigia, perto de Wallkill, Nova Iorque, centenas de milhões de exemplares de “A Sentinela” e “Despertai!”, em 14 línguas, são impressas anualmente.

      As Testemunhas de Jeová e as entidades jurídicas que elas usam têm escritórios e gráficas em muitas partes do mundo. As fotos nas páginas seguintes mostram muitos desses prédios, embora nem todos. Onde estavam sendo construídos novos prédios em 1992, mostram-se as maquetes. As estatísticas são de 1992.

      AMÉRICA DO NORTE E O CARIBE

      [Fotos na página 357]

      ALASCA

      Os que visitam a filial da Sociedade recebem uma calorosa acolhida. Aqui no Alasca, como em outros lugares, as Testemunhas de Jeová pregam de casa em casa, embora a temperatura às vezes chegue a cair para -50°C.

      Avião usado para transportar proclamadores do Reino a partes remotas do território.

      [Foto na página 357]

      BAAMAS

      As publicações da Torre de Vigia chegaram a Baamas por volta de 1901. Testemunho regular foi dado pela primeira vez aqui em 1926. Desde então, bem mais de 4,6 milhões de publicações bíblicas foram distribuídas nas ilhas supervisionadas atualmente por este escritório.

      [Fotos na página 358]

      BARBADOS

      Mais de 140 grupos religiosos em Barbados afirmam ser cristãos. Desde 1905, as Testemunhas de Jeová vêm ajudando as pessoas aqui a ver por si mesmas o que a Bíblia diz.

      [Fotos na página 358]

      BELIZE

      Cerca de metade da população de Belize vive em áreas rurais. Para chegarem a certos povoados no interior, as Testemunhas de Jeová fazem viagens anuais a pé, carregando mochilas e pastas.

      [Foto na página 358]

      COSTA RICA

      A Sociedade abriu uma filial em Costa Rica em 1944. Desde a década de 50, os costarriquenhos que participam da adoração verdadeira vieram a ser milhares.

      [Fotos na página 359]

      REPÚBLICA DOMINICANA

      Já em 1932 se fazia distribuição das publicações da Torre de Vigia aqui. Mas a instrução pessoal dos interessados começou em 1945, quando chegaram os missionários que aparecem à esquerda. Em anos recentes, quando dezenas de milhares de pessoas mostraram muito desejo de estudar a Bíblia com as Testemunhas, tornaram-se necessários estes prédios de filial.

      [Fotos na página 359]

      EL SALVADOR

      Deu-se algum testemunho aqui em 1916. Entretanto, foi pela primeira vez em 1945 que pelo menos uma pessoa em El Salvador estava preparada para se submeter à imersão cristã em água (que aparece na foto). Desde então, milhares mais se tornaram servos de Jeová.

      [Fotos na página 359]

      GUADALUPE

      A proporção de publicadores com relação à população no território servido por esta filial é uma das melhores do mundo. Muitas pessoas em Guadalupe ouvem com apreço as boas novas.

      [Fotos nas páginas 360, 361]

      CANADÁ

      A filial da Sociedade no Canadá supervisiona a pregação das boas novas no segundo maior país do mundo. Bem mais de 100.000 proclamadores do Reino estão ativos neste país.

      Prédio administrativo (sobre a foto do atual conjunto de prédios da filial)

      Territórios do Noroeste

      Serrarias de campo na Colúmbia Britânica

      Fazendas de criação de gado em Alberta

      Quebec francês

      Províncias marítimas

      [Fotos na página 360]

      GUATEMALA

      Embora o espanhol seja a língua oficial da Guatemala, uma variedade de complexas línguas indígenas são faladas aqui. A filial da Sociedade empenha-se em cuidar de que todos tenham a oportunidade de ouvir a respeito do Reino de Deus.

      [Fotos na página 361]

      HAITI

      Servir a Jeová traz grande alegria às Testemunhas de Jeová no Haiti, apesar das condições muitas vezes difíceis que as cercam.

      [Fotos na página 362]

      HONDURAS

      Desde 1916, bem mais de 23 milhões de horas foram dedicadas a ensinar a Bíblia aos habitantes deste país. Às vezes, as Testemunhas de Jeová tiveram também de ensinar as pessoas a ler e a escrever (como se vê aqui), a fim de habilitá-las a estudar pessoalmente a Palavra de Deus.

      [Fotos na página 362]

      JAMAICA

      Centenas de pessoas na Jamaica tornaram-se devotados servos de Jeová no período em que prospectivos herdeiros do Reino celestial estavam sendo ajuntados. Desde 1935, milhares mais se uniram na pregação da mensagem do Reino. Esta filial está sendo construída para ajudar a cuidar das suas necessidades espirituais.

      [Fotos na página 362]

      ILHAS DE SOTAVENTO (ANTÍGUA)

      Já em 1914 as boas novas estavam sendo pregadas nas ilhas agora supervisionadas por esta filial. Vez após vez, desde então, as pessoas nesta parte da Terra foram convidadas a ‘tomar de graça a água da vida’. — Rev. 22:17.

      [Fotos na página 363]

      MÉXICO

      Novo centro de educação bíblica que está sendo construído pelas Testemunhas de Jeová no México.

      Escritórios em uso em 1992.

      Publicações bíblicas produzidas aqui suprem mais de 410.000 zelosas Testemunhas no México e outros países vizinhos de língua espanhola.

      De 1986 a 1992, bem mais de 10 por cento dos estudos bíblicos domiciliares dirigidos pelas Testemunhas mundialmente foram dirigidos no México, muitos destes com famílias.

      [Gráfico na página 363]

      (Para o texto formatado e as fotos, veja a publicação)

      Estudos bíblicos no México

      500.000

      250.000

      1950 1960 1970 1980 1992

      [Fotos na página 364]

      MARTINICA

      Sementes da verdade foram lançadas aqui já em 1946. Mas, quando Xavier e Sara Noll (vistos aqui) chegaram da França em 1954, puderam permanecer e cultivar o interesse encontrado. Em 1992, mais de 3.200 pessoas participavam com eles na proclamação da mensagem do Reino.

      [Fotos na página 364]

      ANTILHAS HOLANDESAS (CURAÇAU)

      Vinte e três missionários vieram a servir no território desta filial. Dois do grupo original (vistos aqui) que chegou em 1946 ainda estavam ativos em 1992.

      [Fotos na página 364]

      NICARÁGUA

      Começando em 1945, quando chegaram missionários, as Testemunhas de Jeová na Nicarágua começaram a aumentar. Em 1992, havia mais de 9.700. As pessoas que desejam que as Testemunhas lhes ensinem a Bíblia agora excedem muito em número as Testemunhas locais.

      [Fotos na página 365]

      PANAMÁ

      Desde o fim do século 19, as pessoas no Panamá têm recebido ajuda para aprender os requisitos de Deus para a vida eterna.

      [Foto na página 365]

      PORTO RICO

      Desde 1930, mais de 83 milhões de publicações bíblicas foram distribuídas em Porto Rico, e 25 milhões de revisitas foram feitas para fornecer mais ajuda às pessoas interessadas. O serviço de tradução feito aqui ajuda a tornar disponíveis publicações bíblicas para cerca de 350 milhões de pessoas que falam espanhol em todo o mundo.

      [Fotos na página 365]

      TRINIDAD

      As boas novas já eram intensamente proclamadas em Trinidad em 1912. Muitas Testemunhas, inclusive estas três que foram treinadas na Escola de Gileade, dedicaram tempo integral a esta obra.

      AMÉRICA DO SUL

      [Fotos na página 366]

      ARGENTINA

      Foi em 1924 que pela primeira vez um proclamador do Reino foi enviado a este país. Muita ajuda foi dada mais tarde por missionários treinados em Gileade, incluindo Charles Eisenhower (na foto) que chegou com a esposa em 1948. Em 1992, a supervisão geral e as publicações bíblicas eram fornecidas a partir destes prédios a mais de 96.000 Testemunhas de Jeová na Argentina. Publicações eram também enviadas daqui para suprir mais de 44.000 Testemunhas no Chile.

      [Fotos na página 367]

      BOLÍVIA

      Os bolivianos têm ouvido a mensagem do Reino desde 1924. Milhares deles recebem publicações bíblicas com apreço e se beneficiam regularmente de estudos bíblicos domiciliares.

      [Fotos na página 367]

      CHILE

      Já em 1919, publicações da Torre de Vigia haviam chegado ao Chile. A pregação supervisionada por esta filial estende-se agora das fazendas de criação de carneiros, no ventoso sul, aos remotos campos de mineração no norte e da cordilheira dos Andes ao oceano.

      [Fotos na página 367]

      EQUADOR

      Uma grande contribuição para a pregação das boas novas no Equador foi feita por mais de 870 Testemunhas (como as duas que aqui aparecem) que deixaram sua terra natal para servir onde a necessidade era maior. Esta filial fornece agora ajuda para mais de 22.000 zelosos louvadores de Jeová.

      [Fotos nas páginas 368, 369]

      BRASIL

      Em 1992, quando os escritórios, a gráfica e o Lar de Betel da Sociedade estavam sendo ampliados a este tamanho, as Testemunhas de Jeová no Brasil eram mais de 335.000 e batizavam mais de 27.000 discípulos por ano. A gráfica aqui produz também publicações para distribuição na Bolívia, no Paraguai e no Uruguai.

      Dois grandes estádios usados para um congresso internacional das Testemunhas de Jeová em São Paulo, em 1990; mais de 100 outros congressos foram também programados.

      [Gráfico na página 369]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      Proclamadores do Reino no Brasil

      100.000

      200.000

      300.000

      1950 1960 1970 1980 1992

      [Fotos na página 368]

      GUIANA

      A Sociedade tem uma filial na Guiana desde 1914. As Testemunhas penetraram bem no interior e empenharam-se em dar a todos a oportunidade de ouvir as boas novas. Embora a população do país mesmo agora seja de menos de um milhão, as Testemunhas dedicaram mais de 10 milhões de horas à pregação e ao ensino neste país.

      [Fotos na página 369]

      PARAGUAI

      A pregação das boas novas no Paraguai já era feita em meados da década de 20. Desde 1946, 112 missionários treinados em Gileade ajudaram a dar testemunho. Para pregarem a grupos lingüísticos diferentes além dos das línguas locais, o espanhol e o guarani, outras Testemunhas de vários países também ofereceram mudar-se para cá.

      Da Alemanha

      Da Coréia

      Do Japão

      [Fotos nas páginas 370, 371]

      COLÔMBIA

      Em 1915, foi enviada pelo correio uma publicação da Torre de Vigia a um senhor interessado na Colômbia. Em 1992, as publicações bíblicas impressas nesses prédios estavam sendo despachadas para suprir mais de 184.000 evangelizadores na Colômbia, Equador, Panamá, Peru e Venezuela.

      [Mapa na página 371]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      COLÔMBIA

      PERU

      EQUADOR

      PANAMÁ

      VENEZUELA

      [Fotos na página 370]

      PERU

      Foram distribuídas publicações bíblicas no Peru já em 1924 por um Estudante da Bíblia em visita. A primeira congregação foi formada aqui 21 anos depois. Existem agora no Peru mais de 43.000 ativos proclamadores do Reino de Deus.

      Pioneiros pregando no alto dos Andes.

      [Fotos na página 371]

      SURINAME

      Por volta de 1903, formou-se aqui o primeiro grupo de estudos. Hoje são necessários estes prédios de filial para supervisionar congregações espalhadas em todo o país — em regiões primitivas, nos distritos e nas cidades.

      [Fotos na página 372]

      URUGUAI

      Desde 1945, mais de 80 missionários contribuíram para a proclamação do Reino no Uruguai. As que aparecem aqui servem no Uruguai desde a década de 50. Em 1992, mais de 8.600 Testemunhas locais serviam junto com elas.

      [Fotos na página 372]

      VENEZUELA

      Algumas publicações da Torre de Vigia foram distribuídas na Venezuela em meados da década de 20. Uma década depois, duas pioneiras dos Estados Unidos, mãe e filha, começaram aqui um zeloso período de pregação, cobrindo a capital vez após vez, bem como indo a cidades em todo o país. Há agora mais de 60.000 Testemunhas ativas na Venezuela.

      Praça de touros, em Valência, com 74.600 pessoas numa assembléia especial em 1988

      EUROPA E O MEDITERRÂNEO

      [Fotos na página 373]

      ÁUSTRIA

      Já na década de 1890, algumas pessoas na Áustria receberam a oportunidade de se beneficiar das boas novas. Desde a década de 20, tem havido constante crescimento, embora moderado, no número de louvadores de Jeová neste país.

      Mais de 270 congregações se reúnem em Salões do Reino em toda a Áustria.

      [Fotos na página 373]

      BÉLGICA

      A Bélgica tornou-se um dos pontos no mundo onde existe encontro de culturas. Para cuidar da variada população local, esta filial distribui publicações bíblicas em mais de 100 idiomas.

      [Fotos na página 374]

      GRÃ-BRETANHA

      A atividade de mais de 125.000 Testemunhas de Jeová na Grã-Bretanha é supervisionada por esta filial. Testemunhas da Grã-Bretanha também aceitaram designações para difundir a mensagem do Reino em outros países europeus, bem como na África, América do Sul, Austrália, Oriente e ilhas do mar.

      Watch Tower House

      IBSA House

      As publicações bíblicas são impressas aqui em inglês, maltês, guzerate e suaíli.

      O Departamento de Serviço cuida de mais de 1.300 congregações na Grã-Bretanha.

      Enviam-se publicações a todas as partes da Inglaterra, Escócia, País de Gales, Irlanda e Malta, bem como a lugares na África e no Caribe.

      [Fotos na página 375]

      FRANÇA

      A tradução e a fotocomposição de todas as publicações da Torre de Vigia impressas mundialmente para as pessoas de língua francesa são feitas na filial da França. (Mais de 120 milhões de pessoas falam o francês.) As publicações são impressas regularmente aqui numa variedade de idiomas e são enviadas a países da Europa, África, Oriente Médio, oceano Índico e oceano Pacífico.

      Gráfica/escritório em Louviers

      Tradução

      Fotocomposição

      Escritório/residência em Boulogne-Billancourt

      Residência em Incarville para alojar a família de Betel.

      [Fotos nas páginas 376, 377]

      ALEMANHA

      Não obstante os esforços cruéis de exterminá-las na Alemanha durante a era do nazismo, as Testemunhas de Jeová não renunciaram à sua fé. Desde 1946, dedicaram mais de 646 milhões de horas à difusão da verdade bíblica em todo o país.

      Dependências ampliadas em Selters/Taunus.

      Além de traduzir publicações bíblicas para o alemão, esta filial, em Selters/Taunus, imprime publicações em mais de 40 línguas.

      Grandes quantidades de publicações produzidas aqui são despachadas regularmente para mais de 20 terras; revistas são impressas em muitas línguas e enviadas para mais de 30 países.

      Caminhões próprios da Sociedade são usados para a entrega de publicações em toda a Alemanha.

      [Foto na página 376]

      CHIPRE

      Pouco depois da morte de Jesus Cristo, as boas novas eram pregadas ao povo em Chipre. (Atos 4:32-37; 11:19; 13:1-12) Nos tempos modernos, essa pregação foi renovada, e um testemunho cabal continua a ser dado sob a direção desta filial.

      [Fotos na página 377]

      DINAMARCA

      Desde a década de 1890, vem sendo dado testemunho intensivo na Dinamarca. Têm-se impresso aqui publicações bíblicas não só em dinamarquês, mas também em feróico, groenlandês e islandês.

      Vista aérea da filial (a entrada principal aparece na foto menor)

      [Fotos nas páginas 378, 379]

      ITÁLIA

      As publicações bíblicas em italiano são traduzidas e impressas aqui. Esta filial imprime e encaderna livros para uso especialmente na Itália e em outros países próximos.

      Diversas vistas dos prédios da filial perto de Roma

      Dezenas de milhares, ao verem o que a Bíblia realmente diz, passaram a se reunir com as Testemunhas de Jeová.

      Em face de constante hostilidade da parte da Igreja Católica Romana, as Testemunhas de Jeová na Itália dedicaram mais de 550 milhões de horas desde 1946 a visitas pessoais a seus vizinhos para lhes falar sobre a Bíblia. Em resultado disso, 194.000 pessoas na Itália são agora ativos adoradores de Jeová.

      [Foto na página 378]

      FINLÂNDIA

      A verdade bíblica, procedente da Suécia, chegou à Finlândia em 1906. Desde então, tem sido levada a todos os cantos do país, até mesmo muito além do Círculo Ártico. Dezenas de pessoas daqui cursaram a Escola de Gileade para serem treinadas para o serviço onde quer que fossem necessárias no campo mundial. Outros se mudaram por conta própria para servir em países onde a necessidade era maior.

      [Fotos na página 379]

      ISLÂNDIA

      Na Islândia, com uma população de apenas cerca de 260.000, mais de 1.620.000 publicações bíblicas foram distribuídas para ajudar as pessoas a escolher a vida. Agora mais de 260 aqui servem a Jeová, o Deus verdadeiro.

      Georg Lindal, que foi pioneiro aqui entre 1929 e 1953; durante a maior parte desse tempo, ele foi a única Testemunha no país.

      [Fotos na página 380]

      GRÉCIA

      O apóstolo Paulo foi um dos primeiros a declarar as boas novas na Grécia. (Atos 16:9-14; 17:15; 18:1; 20:2) Embora a Igreja Ortodoxa Grega tenha perseguido intensamente as Testemunhas de Jeová por muitos anos, existem agora mais de 24.000 servos fiéis de Jeová neste país. A filial mostrada aqui fica uns 65 quilômetros ao norte de Atenas.

      Dando testemunho em Atenas.

      Foto tirada em 1990 durante uma manifestação instigada por clérigos contra as Testemunhas.

      [Fotos na página 380]

      IRLANDA

      Por muitos anos a aceitação da mensagem da Bíblia na Irlanda foi lenta. Enfrentou-se muita oposição do clero. Mas, depois de 100 anos de persistente testemunho, a colheita espiritual agora é abundante.

      A filial em Dublim

      Duas pioneiras veteranas no serviço de campo

      [Fotos na página 381]

      POLÔNIA

      Estes prédios estão sendo usados para se dar ajuda a mais de 100.000 Testemunhas na Polônia. De 1939 a 1945, a adoração praticada por elas estava proscrita, mas seu número aumentou de 1.039 em 1939 para 6.994 em 1946. Quando foi proscrita de novo em 1950, elas somavam 18.116; mas, logo depois de ser revogada a proscrição em 1989, os relatórios mostravam que havia mais de 91.000.

      Por muitos anos, realizavam pequenas assembléias nos bosques; agora seus congressos lotam os maiores estádios do país — e mais de um ao mesmo tempo.

      Poznan (1985)

      [Foto na página 382]

      LUXEMBURGO

      O Luxemburgo é uma das nações bem pequenas da Europa. Mas, por uns 70 anos, a mensagem do Reino é pregada aqui também. Principalmente antes da Segunda Guerra Mundial, Testemunhas vindas da França, Alemanha e Suíça prestaram ajuda.

      [Fotos na página 382]

      PAÍSES BAIXOS (HOLANDA)

      Desta filial em Emmen supervisiona-se a atividade de mais de 32.000 zelosas Testemunhas nos Países Baixos. A tradução de todas as publicações para o holandês é feita nestes prédios. Grande parte da reprodução de videocassetes bíblicos em idiomas europeus é também feita aqui.

      [Fotos na página 383]

      NORUEGA

      Há cem anos, um norueguês, que se mudara para a América e aprendera as verdades bíblicas ali, levou as boas novas à sua cidade. Desde então, as Testemunhas de Jeová têm visitado todas as regiões da Noruega vez após vez para falar com as pessoas sobre o Reino de Deus.

      [Fotos na página 383]

      PORTUGAL

      Por décadas depois de o governo ter assinado uma concordata com o Vaticano, a polícia prendia as Testemunhas e expulsava os missionários. Mas as Testemunhas remanescentes continuavam a se reunir para adoração, continuavam a pregar e a multiplicar-se. Finalmente, em 1974 foi-lhes concedida a legalização.

      Esta filial supervisiona a atividade de mais de 40.000 Testemunhas em Portugal. Tem dado também muita ajuda a terras africanas que tinham fortes ligações com Portugal.

      Congresso internacional realizado em Lisboa em 1978.

      [Fotos na página 383]

      SUÉCIA

      Por mais de 100 anos, as Testemunhas de Jeová vêm pregando na Suécia. Nos últimos dez anos, dedicaram mais de 38 milhões de horas a essa atividade. Em muitas congregações na Suécia fala-se qualquer de uma dezena de línguas fora o sueco.

      Para ajudar pessoas de toda espécie na Suécia, mantêm-se aqui suprimentos de publicações em 70 línguas.

      [Fotos na página 384]

      ESPANHA

      Esta filial cuida de mais de 92.000 Testemunhas na Espanha. Imprime “A Sentinela” e “Despertai!” tanto para a Espanha como para Portugal. Apesar dos esforços implacáveis do clero católico de usar o Estado para interceptar as Testemunhas de Jeová, elas têm compartilhado as verdades bíblicas com o povo espanhol desde 1916. Por fim, em 1970, quando as Testemunhas de Jeová na Espanha eram mais de 11.000, foi-lhes concedida a legalização. Desde então, seu número aumentou cerca de oito vezes mais.

      Mais de 1.100 congregações se reúnem agora livremente em Salões do Reino espalhados por todo o país.

      [Foto na página 384]

      SUÍÇA

      Desde 1903, a Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) tem uma filial na Suíça. Uma das mais antigas gráficas européias da Sociedade achava-se neste país. Por muitos anos a filial aqui em Thun imprimiu revistas para uso em dezenas de outros países.

      ÁFRICA

      [Fotos na página 385]

      BENIN

      Benin compõe-se de uns 60 grupos étnicos que falam 50 dialetos. Quando milhares dessas pessoas se libertaram de suas anteriores religiões, isto enfureceu tanto os sacerdotes fetichistas como o clero da cristandade. Mas, repetidas ondas de perseguição não impediram a disseminação da adoração verdadeira neste país.

      Congresso realizado em 1990.

      [Foto na página 385]

      REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA

      Já em 1947, a mensagem do Reino começou a alcançar as pessoas aqui. Um homem, que assistira a algumas reuniões das Testemunhas em outra parte, compartilhou com outros o que aprendera. Em pouco tempo, surgiu um grupo de estudo, e os que compareciam começaram logo a dar testemunho, aumentando assim o número dos que adoravam a Jeová.

      [Fotos na página 386]

      CÔTE D’IVOIRE (COSTA DO MARFIM)

      Missionários treinados em Gileade ajudaram a introduzir a adoração verdadeira neste país da África Ocidental em 1949. Mais de cem desses missionários têm servido aqui. Cada ano, bem mais de um milhão de horas são dedicadas agora ao serviço de procurar as pessoas famintas da verdade na área supervisionada por esta filial.

      [Fotos nas páginas 386, 387]

      GANA

      A pregação das boas novas na República de Gana começou em 1924. Agora esta filial em Acra supervisiona mais de 640 congregações nesse país de Gana. Tem também traduzido e impresso publicações bíblicas nas línguas eve, ga e tvi.

      Reunião no Salão do Reino adjacente à filial

      [Fotos na página 387]

      QUÊNIA

      Em 1931, duas Testemunhas de Jeová viajaram da África do Sul para pregar no Quênia. Desde 1963, a filial da Sociedade no Quênia forneceu, em várias ocasiões, supervisão da evangelização em muitos outros países da África Oriental (conforme mostrado abaixo). Congressos internacionais no Quênia, em 1973, 1978 e 1985, contribuíram para o testemunho dado.

      Congresso em Nairóbi (1973)

      [Mapa na página 387]

      (Para o texto formatado veja a publicação)

      QUÊNIA

      UGANDA

      SUDÃO

      ETIÓPIA

      DJIBUTI

      SOMÁLIA

      IÊMEN

      SEICHELES

      TANZÂNIA

      BURUNDI

      RUANDA

      [Fotos na página 388]

      NIGÉRIA

      As boas novas têm sido pregadas neste país desde princípios da década de 20. Foram também enviados evangelizadores da Nigéria para outras partes da África Ocidental, e as publicações bíblicas impressas aqui continuam a preencher as necessidades de países vizinhos. Na própria Nigéria, as Testemunhas de Jeová colocaram nas mãos do povo mais de 28 milhões de publicações como ajuda para o entendimento da Palavra de Deus.

      Do Departamento de Serviço, provê-se supervisão a bem mais de 160.000 proclamadores do Reino na Nigéria.

      Congresso em Calabar, Nigéria (1990)

      [Foto na página 388]

      LIBÉRIA

      Os que se tornaram Testemunhas de Jeová aqui têm enfrentado muitas provações de sua fé — ao abandonarem as superstições locais, ao deixarem a poligamia, ao serem perseguidos pelas autoridades que haviam sido mal informadas a respeito delas e ao serem cercados por grupos políticos e étnicos em guerra. Contudo, a adoração verdadeira continua a unir pessoas de todo tipo neste país.

      [Fotos na página 389]

      MAURÍCIO

       Já em 1933, zelosas Testemunhas da África do Sul visitaram esta ilha do oceano Índico. Há hoje mais de mil Testemunhas em Maurício que instam seus semelhantes a buscar a Jeová a fim de poderem ser considerados com favor quando Ele destruir o atual sistema iníquo. — Sof. 2:3.

      [Fotos nas páginas 390, 391]

      ÁFRICA DO SUL

      Por mais de 80 anos, a Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) tem uma filial na África do Sul. Zelosos evangelizadores daqui fizeram muito para difundir a mensagem do Reino em outros países da África meridional e oriental. No território que antes era supervisionado por esta filial (onde havia 14.674 proclamadores do Reino em 1945), há atualmente mais de 300.000 Testemunhas de Jeová ativas.

      Mais de 110 tradutores trabalham sob a direção desta filial para preparar publicações bíblicas em 16 línguas africanas.

      Imprime-se aqui em mais de 40 línguas.

      [Fotos na página 390]

      SENEGAL

      Embora o número de Testemunhas aqui seja reduzido, a filial tem feito empenho para que toda cidade, todo grupo étnico e pessoas de todas as religiões não só no Senegal, mas também nos países ao redor tenham oportunidade de ouvir a animadora mensagem da Bíblia.

      [Foto na página 391]

      SERRA LEOA

      A pregação das boas novas na Serra Leoa começou em 1915. O aumento foi às vezes lento. Mas, quando os que não se apegaram às elevadas normas de Jeová foram excluídos e os que não serviam com bons motivos se retiraram, os que eram leais a Jeová prosperaram espiritualmente.

      [Fotos na página 392]

      ZÂMBIA

      Esta filial supervisiona a atividade de mais de 110.000 Testemunhas na África centro-meridional. O primeiro escritório da Sociedade foi aberto aqui em 1936. Desde então, as Testemunhas de Jeová em Zâmbia fizeram mais de 186 milhões de revisitas para dar ajuda adicional aos interessados. Ensinaram também muitas pessoas a ler, a fim de que pudessem estudar por si mesmas a Bíblia e compartilhá-la com outros.

      A uma série de congressos em Zâmbia, em 1992, 289.643 pessoas assistiram.

      [Fotos na página 392]

      ZIMBÁBUE

      As Testemunhas de Jeová têm estado ativas em Zimbábue desde a década de 20. Durante os anos seguintes, enfrentaram proscrições de suas publicações, proibição de realizar assembléias e recusa de permissão para missionários pregarem entre a população africana. Aos poucos, foram vencidos os obstáculos, e esta filial cuida agora de mais de 20.000 Testemunhas.

      O ORIENTE

      [Fotos na página 393]

      HONG KONG

      As publicações da Torre de Vigia são traduzidas aqui para o chinês, que, em seus muitos dialetos, é falado por mais de um bilhão de pessoas. Em Hong Kong, a pregação das boas novas começou quando C. T. Russell proferiu um discurso na prefeitura, em 1912.

      [Fotos na página 393]

      ÍNDIA

      Esta filial supervisiona a proclamação da mensagem do Reino a mais de um sexto da população da Terra. Atualmente, esta filial supervisiona a tradução em 18 línguas e a impressão em 19. Entre estas, acha-se o hindi (falado por 367 milhões de pessoas), também assamês, bengali, canarês, guzerate, malaiala, marata, nepali, oriá, punjabi, tâmil, télugo e urdu (cada uma destas é falada por dezenas de milhões de pessoas).

      Testemunhas que pregam nos idiomas malaiala,

      . . . nepali

      . . . e guzerate.

      [Fotos na página 394]

      JAPÃO

      As Testemunhas de Jeová no Japão, como em outros lugares, são zelosos proclamadores do Reino de Deus. Só em 1992, dedicaram mais de 85 milhões de horas à pregação das boas novas. Em média, cerca de 45 por cento das Testemunhas japonesas participam no serviço de pioneiro todo mês.

      As publicações bíblicas são produzidas aqui em muitas línguas, inclusive japonês, chinês e línguas das Filipinas.

      Um Escritório Regional de Engenharia ajuda no trabalho de construção de prédios de filial em vários países.

      [Gŕafico na página 394]

      (Para o texto formatado veja a publicação)

      Pioneiros no Japão

      1975 1980 1985 1992

      25.000

      50.000

      75.000

      [Fotos na página 395]

      REPÚBLICA DA CORÉIA

      Cerca de 16 milhões de publicações bíblicas, além de tratados, são produzidos aqui anualmente para atender a demanda de mais de 70.000 Testemunhas na República da Coréia. Uns 40 por cento das Testemunhas coreanas estão no serviço de pioneiro.

      [Fotos na página 395]

      MIANMAR

      Quando a Sociedade Torre de Vigia abriu um escritório aqui em 1947, havia apenas 24 Testemunhas de Jeová no país. As mais de 2.000 Testemunhas agora ativas em Mianmar procuram alcançar não só os habitantes das cidades, mas também a população rural que é mais numerosa.

      [Fotos na página 396]

      FILIPINAS

      Em 1912, C. T. Russell falou no Grande Teatro Lírico de Manila sobre o tema “Onde Estão os Mortos?”. Desde aquele tempo as Testemunhas de Jeová aqui dedicaram mais de 483 milhões de horas ao serviço de dar testemunho a pessoas que vivem numas 900 ilhas habitadas das Filipinas. Esta filial exerce a supervisão geral de mais de 110.000 Testemunhas em 3.200 congregações. Imprime-se aqui em oito línguas para preencher as necessidades locais.

      Testemunhas dentre alguns dos maiores grupos lingüísticos das Filipinas

      [Fotos na página 397]

      SRI LANKA

      Antes da Primeira Guerra Mundial, as boas novas eram pregadas no Ceilão (agora Sri Lanka), ao sul da Índia. Em pouco tempo, formou-se um grupo de estudo. Desde 1953, a Sociedade tem uma filial na capital, para dar aos cingaleses, aos tâmeis e a outros grupos étnicos neste país a oportunidade de ouvirem a mensagem do Reino.

      [Fotos na página 397]

      TAIWAN (FORMOSA)

      Deu-se algum testemunho aqui na década de 20. Mas, em caráter mais contínuo, começou na década de 50. Agora, estes novos prédios da filial estão sendo construídos para servirem de centro de atividades incrementadas nesta parte da Terra.

      Congregação em Taipé

      [Fotos na página 397]

      TAILÂNDIA

      Na década de 30, chegaram da Grã-Bretanha, Alemanha, Austrália e Nova Zelândia Testemunhas que eram pioneiros, a fim de compartilharem a verdade bíblica com o povo da Tailândia (conhecida então por Sião). Congressistas de muitos países assistiram a congressos internacionais aqui realizados em 1963, 1978, 1985 e 1991 para encorajarem Testemunhas locais e estimularem a difusão da mensagem do Reino.

      Congresso em 1963

      Congressistas do estrangeiro em 1991

      ILHAS DO PACÍFICO

      [Fotos na página 398]

      FIJI

      O escritório em Fiji foi aberto em 1958. Por algum tempo supervisionava a obra de proclamação do Reino em 12 países e em 13 idiomas. Hoje a filial de Fiji concentra sua atenção em aproximadamente cem ilhas habitadas do arquipélago de Fiji.

      Congressos internacionais aqui, em 1963, 1969, 1973 e 1978, ajudaram a aproximar as Testemunhas locais às de outros países.

      [Fotos na página 398]

      GUAM

      A filial de Guam dirige a pregação das boas novas em ilhas espalhadas sobre uns 8 milhões de quilômetros quadrados do oceano Pacífico. A tradução de literatura bíblica em nove línguas está sob a sua supervisão.

      O superintendente de circuito muitas vezes viaja de avião de ilha em ilha.

      As Testemunhas locais (segundo se mostra aqui na Micronésia) às vezes usam barcos para chegar até o território.

      [Foto na página 399]

      HAVAÍ

      A Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) tem uma filial em Honolulu desde 1934. Alguns irmãos do Havaí têm participado na obra de evangelização não só nas ilhas havaianas, mas também no Japão, Taiwan (Formosa), Guam e nas ilhas da Micronésia.

      [Foto na página 399]

      NOVA CALEDÔNIA

      Apesar de impedimentos por parte de opositores religiosos, as Testemunhas de Jeová levaram a mensagem do Reino de Deus à Nova Caledônia. Muitos ouviram com apreço. Em 1956, formou-se a primeira congregação. Hoje há aqui mais de 1.300 louvadores de Jeová.

      [Fotos na página 399]

      NOVA ZELÂNDIA

      Em 1947, a Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) abriu uma filial na Nova Zelândia para uma supervisão mais de perto da pregação das boas novas aqui.

      A tradução feita nesta filial possibilita aos habitantes de Samoa, Rarotonga e Niue receber regularmente edificação espiritual.

      Tradutores e revisores cooperam em suprir publicações de alta qualidade.

      [Fotos/Mapa na página 400]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      AUSTRÁLIA

      PAPUA NOVA GUINÉ

      NOVA CALEDÔNIA

      ILHAS SALOMÃO

      FIJI

      SAMOA OCIDENTAL

      TAITI

      NOVA ZELÂNDIA

      [Fotos]

      AUSTRÁLIA

      A Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) tem filial na Austrália desde 1904. No passado, esta filial supervisionava a obra de proclamação do Reino em quase um quarto da superfície do globo, incluindo a China, o Sudeste Asiático e as ilhas do Pacífico Sul.

      Atualmente, esta filial imprime publicações bíblicas em mais de 25 línguas. A gráfica aqui ajuda a fornecer publicações necessárias para cerca de 78.000 Testemunhas que se encontram nas áreas supervisionadas por oito filiais no Pacífico Sul.

      Países aos quais a filial da Austrália fornece publicações.

      O Escritório Regional de Engenharia ajuda na construção de filiais no Pacífico Sul e no Sudeste Asiático.

      [Fotos na página 400]

      PAPUA NOVA GUINÉ

      As Testemunhas de Jeová nesse país enfrentam um desafio especial — o povo fala umas 700 línguas. Testemunhas de pelo menos dez outros países se mudaram para cá a fim de participarem na obra. Têm-se aplicado muito para aprender as línguas locais. Os interessados servem de intérpretes para os que falam outra língua. Faz-se também uso eficaz de gravuras como ajuda no ensino.

      [Fotos na página 401]

      ILHAS SALOMÃO

      Um estudo bíblico dirigido internacionalmente por correspondência trouxe a mensagem do Reino às ilhas Salomão em princípios da década de 50. Apesar de graves obstáculos, a verdade bíblica se difundiu. Esta filial e o espaçoso Salão de Assembléias são o resultado de inventividade local, cooperação internacional e muito do espírito de Jeová.

      [Fotos na página 401]

      TAITI

      Em princípios da década de 30, as Testemunhas de Jeová já haviam alcançado o Taiti com a mensagem do Reino. Aqui, no meio do oceano Pacífico, está sendo dado um testemunho cabal. Só nos últimos quatro anos, o testemunho dado representa, em média, mais de cinco horas falando-se a todo homem, mulher e criança na ilha.

      [Foto na página 401]

      SAMOA OCIDENTAL

      A Samoa Ocidental é uma das menores nações do mundo, mas as Testemunhas de Jeová têm uma filial aqui também. Este prédio estava sendo construído em 1992 para se cuidar das atividades nestas ilhas e em outras ilhas próximas, incluindo a Samoa Americana.

  • Parte 1 — Testemunhas até à parte mais distante da terra
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 22

      Parte 1 — Testemunhas até à parte mais distante da terra

      Esta é a primeira de cinco partes de um capítulo que relata como a atividade das Testemunhas de Jeová tem coberto a Terra. A Parte 1, que cobre o período a partir da década de 1870 até 1914, está nas páginas 404 a 422. A sociedade humana jamais se recuperou das convulsões causadas pela Primeira Guerra Mundial, que começou em 1914. Este foi o ano para o qual os Estudantes da Bíblia há muito haviam apontado como o ano que marcaria o fim dos Tempos dos Gentios.

      ANTES de ascender ao céu, Jesus Cristo comissionou seus apóstolos, dizendo: “Sereis testemunhas de mim . . . até à parte mais distante da terra.” (Atos 1:8) Ele predissera também que ‘estas boas novas do reino seriam pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações’. (Mat. 24:14) Esse trabalho não foi terminado no primeiro século. Uma parte significativa dele tem sido feita nos tempos modernos. E o registro dos resultados alcançados da década de 1870 até o presente é realmente emocionante.

      Embora Charles Taze Russell viesse a ficar bem conhecido pelos seus amplamente divulgados discursos sobre a Bíblia, seu interesse não se limitava a grandes audiências pois se interessava também pelas próprias pessoas. Assim, pouco depois de ter começado a publicar a revista Watch Tower (A Sentinela), em 1879, ele fez muitas viagens para visitar pequenos grupos de leitores da revista para considerar as Escrituras com eles.

      Charles T. Russell instou os que criam nas preciosas promessas da Palavra de Deus a que participassem em divulgá-las a outros. Aqueles cujos corações se sentiam tocados pelo que aprendiam mostraram verdadeiro zelo em fazer justamente isso. Para ajudar na obra, providenciou-se matéria impressa. Em princípios de 1881 surgiram diversos tratados. Matéria destes foi então combinada com matéria adicional para formar o mais abrangente Food for Thinking Christians (Matéria Para Cristãos Refletivos), sendo produzidos 1.200.000 exemplares para distribuição. Mas como poderia aquele pequeno grupo de Estudantes da Bíblia (talvez 100 na época) distribuir todos eles?

      Distribuição a membros de igrejas

      Alguns foram dados a parentes e amigos. Bom número de jornais concordou em enviar um exemplar a cada assinante. (Deu-se preferência a jornais semanais e mensais, para que Food for Thinking Christians chegasse a muitos que moravam em áreas rurais.) Grande parte da distribuição, porém, foi feita em vários domingos consecutivos na frente de igrejas nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha. Não havia Estudantes da Bíblia suficientes para fazer isso pessoalmente, de modo que contrataram outros para ajudar.

      O irmão Russell enviou dois associados seus, J. C. Sunderlin e J. J. Bender, à Grã-Bretanha para supervisionar a distribuição de 300.000 exemplares ali. O irmão Sunderlin foi a Londres, e o irmão Bender para o norte, até a Escócia, e de lá seguiu rumo ao sul. Deu-se atenção primária a cidades maiores. Por meio de anúncios em jornais foram localizados homens capazes e fizeram-se contratos com eles para que providenciassem ajudantes suficientes para distribuir a sua quota de exemplares. Cerca de 500 distribuidores foram recrutados somente em Londres. O trabalho foi feito rapidamente, em dois domingos consecutivos.

      Naquele mesmo ano, tomaram-se medidas para que os Estudantes da Bíblia que pudessem dedicar metade ou mais de seu tempo exclusivamente à obra do Senhor fossem colportores, para a distribuição de publicações para estudo bíblico. Esses precursores dos que hoje são conhecidos como pioneiros levaram a efeito uma divulgação realmente notável das boas novas.

      Durante a década seguinte, o irmão Russell preparou vários tratados de fácil manejo na disseminação de algumas verdades bíblicas de destaque que se haviam aprendido. Escreveu também vários volumes de Millennial Dawn (Aurora do Milênio, depois conhecido como Studies in the Scriptures [Estudos das Escrituras]). Daí ele começou a fazer viagens pessoais de evangelização a outros países.

      Russell viaja ao exterior

      Em 1891 ele visitou o Canadá, onde o suficiente interesse criado desde 1880 possibilitou a realização de uma assembléia de 700 pessoas, em Toronto. Russell viajou também à Europa, em 1891, para ver o que se poderia fazer para promover a divulgação da verdade ali. Nessa viagem ele foi à Irlanda, à Escócia, à Inglaterra, a muitos países do continente europeu, à Rússia (na região agora conhecida como Moldova) e ao Oriente Médio.

      O que concluiu ele de seus contatos nessa viagem? “Não vimos nenhuma abertura ou prontidão para a verdade na Rússia . . . Nada vimos que nos encorajasse a esperar uma colheita na Itália, na Turquia, na Áustria ou na Alemanha”, relatou. “Mas a Noruega, a Suécia, a Dinamarca, a Suíça, e especialmente a Inglaterra, a Irlanda e a Escócia são campos maduros à espera da colheita. Esses campos pareciam bradar: ‘Vinde ajudar-nos!’” Era uma época em que a Igreja Católica ainda proibia a leitura da Bíblia, quando muitos protestantes abandonavam as igrejas, e quando não poucos, desiludidos com as suas igrejas, rejeitavam categoricamente a Bíblia.

      Para ajudar essas pessoas espiritualmente famintas, depois da viagem do irmão Russell em 1891 intensificaram-se os empenhos para traduzir publicações para os idiomas da Europa. Providenciou-se também a impressão e a estocagem de publicações em Londres, para que estivessem mais prontamente disponíveis na Grã-Bretanha. O campo britânico mostrou que, de fato, estava maduro para a colheita. Em 1900, já havia nove congregações e 138 Estudantes da Bíblia — entre os quais alguns zelosos colportores. Quando o irmão Russell visitou novamente a Grã-Bretanha, em 1903, mil pessoas se reuniram em Glasgow para ouvi-lo falar sobre “Esperanças e Perspectivas do Milênio”; 800 compareceram em Londres e 500 a 600 em cada uma das outras cidades.

      Confirmando as observações do irmão Russell, porém, só 17 anos após a sua visita foi formada a primeira congregação de Estudantes da Bíblia na Itália, em Pinerolo. E que dizer da Turquia? Em fins da década de 1880, Basil Stephanoff havia pregado na Macedônia, na então Turquia européia. Embora alguns parecessem interessados, certos elementos que se diziam irmãos prestaram depoimentos falsos, levando à prisão de Basil. Foi só em 1909 que uma carta de um grego de Esmirna (agora Izmir), Turquia, informou que um grupo ali estudava com apreço as publicações da Torre de Vigia. Quanto à Áustria, o próprio irmão Russell voltou em 1911 para falar em Viena, mas a reunião foi interrompida por uma turba. Na Alemanha, a reação apreciativa também demorava a acontecer. Os escandinavos, porém, mostravam maior consciência de sua necessidade espiritual.

      Os escandinavos partilham entre si

      Muitos suecos viviam na América. Em 1883, uma amostra da Watch Tower traduzida para o sueco tornou-se disponível para distribuição entre eles. Logo foram enviadas amostras a amigos e parentes na Suécia. Ainda não havia sido produzida nenhuma publicação em norueguês. Não obstante, em 1892, o ano depois da viagem do irmão Russell à Europa, Knud Pederson Hammer, um norueguês que aprendera a verdade na América, voltou à Noruega para testemunhar a seus parentes.

      Daí, em 1894, quando se começou a publicar literatura em dano-norueguês, Sophus Winter, um américo-dinamarquês de 25 anos, foi enviado à Dinamarca com um suprimento para distribuir. Na primavera seguinte, ele já havia colocado 500 volumes de Millennial Dawn. Em pouco tempo, outros que haviam lido as publicações se juntaram a ele no trabalho. Infelizmente, mais tarde ele perdeu de vista o valor desse seu privilégio precioso; mas outros continuaram a deixar a luz brilhar.

      Antes de abandonar o serviço, contudo, Winter trabalhou um pouco como colportor na Suécia. Pouco depois, na casa de um amigo seu na ilha de Sturkö, August Lundborg, um jovem capitão do Exército de Salvação, viu dois volumes de Millennial Dawn. Ele os tomou emprestado, leu-os avidamente, renunciou à igreja e passou a partilhar com outros o que aprendera. Outro homem jovem, P. J. Johansson, abriu os olhos em resultado da leitura de um tratado que achou no banco de um parque.

      À medida que o grupo sueco aumentava, alguns foram à Noruega para distribuir publicações bíblicas. Mesmo antes disso, já haviam chegado à Noruega publicações enviadas por parentes na América. Foi assim que Rasmus Blindheim começou no serviço de Jeová. Entre outros na Noruega, Theodor Simonsen, um pregador da Missão Livre, recebeu a verdade naqueles primórdios. Passou a refutar o ensino do inferno de fogo nos seus sermões na Missão Livre. Seus ouvintes pulavam de alegria, emocionados com essa maravilhosa novidade; mas, quando se descobriu que ele tinha contatos com a “Millennial Dawn”, foi demitido da igreja. Mas ele simplesmente continuou a falar das boas coisas que havia aprendido. Outro jovem senhor que recebeu algumas publicações foi Andreas Øiseth. Uma vez convencido de que tinha a verdade, ele deixou a fazenda da família e entrou no serviço de colportor. Trabalhou sistematicamente em direção ao norte, daí para o sul ao longo dos fiordes, sem excluir nenhuma localidade. No inverno ele carregava seus pertences — alimentos, roupas e publicações — num trenó impulsionado com um pé, e pessoas hospitaleiras arranjavam-lhe um lugar para dormir. Numa viagem de oito anos, ele cobriu quase todo o país com as boas novas.

      A esposa de August Lundborg, Ebba, foi da Suécia à Finlândia para trabalhar como colportora, em 1906. Por volta dessa época, certos homens que voltavam dos Estados Unidos trouxeram algumas publicações da Torre de Vigia e passaram a partilhar com outros o que aprendiam. Assim, depois de alguns anos, Emil Österman, que procurava algo melhor do que as igrejas ofereciam, veio a possuir The Divine Plan of the Ages (O Plano Divino das Eras). Ele o partilhava com seu amigo Kaarlo Harteva, que também procurava algo melhor. Reconhecendo o valor do que tinham, Harteva traduziu-o para o finlandês e, com o apoio financeiro de Österman, providenciou a sua publicação. Juntos passaram a distribuí-la. Demonstrando genuíno espírito evangelizador, eles falavam a pessoas em locais públicos, faziam visitas de casa em casa e proferiam discursos em grandes auditórios superlotados. Em Helsinque, depois de expor as doutrinas falsas da cristandade, o irmão Harteva convidou a assistência a usar a Bíblia para defender a crença na imortalidade da alma, se pudessem. Todos os olhos se voltaram para os clérigos presentes. Ninguém se manifestou; ninguém pôde refutar as claras palavras de Ezequiel 18:4. Alguns disseram que mal puderam dormir naquela noite depois daquilo que ouviram.

      Humilde jardineiro torna-se evangelizador na Europa

      No ínterim, Adolf Weber, incentivado por um amigo anabatista idoso, saiu da Suíça para os Estados Unidos em busca de um entendimento mais pleno das Escrituras. Ali, atendendo a um anúncio, tornou-se jardineiro do irmão Russell. Com a ajuda de The Divine Plan of the Ages (já então disponível em alemão) e de reuniões dirigidas pelo irmão Russell, Adolf adquiriu o conhecimento bíblico que procurava e foi batizado em 1890. Os ‘olhos de seu coração foram iluminados’, de modo que realmente teve apreço pela grande oportunidade que lhe fora aberta. (Efé. 1:18) Depois de zelosamente dar testemunho por algum tempo nos Estados Unidos, ele voltou ao seu país de origem para realizar o serviço “no vinhedo do Senhor” ali. Assim, em meados da década de 1890, ele estava de volta à Suíça, partilhando a verdade bíblica com os de coração receptivo.

      Adolf ganhava a vida como jardineiro e guarda florestal, mas seu interesse primário era a evangelização. Ele dava testemunho aos com quem trabalhava, bem como a pessoas nas vizinhas cidadezinhas e aldeias suíças. Conhecia vários idiomas, e usou esse conhecimento para traduzir as publicações da Sociedade para o francês. Com a chegada do inverno, ele enchia sua mochila de publicações bíblicas e ia a pé à França, e, às vezes, rumava para o nordeste, até a Bélgica, e para o sul, até a Itália.

      Para alcançar os que não pudesse contatar pessoalmente, ele colocava anúncios em jornais e em revistas, chamando atenção às publicações disponíveis para estudo bíblico. Elie Thérond, na França central, respondeu a um desses anúncios, reconhecendo o tom da verdade no que leu, e logo passou a também divulgar a mensagem. Na Bélgica, Jean-Baptiste Tilmant também viu um dos anúncios, em 1901, e adquiriu dois volumes de Millennial Dawn. Quão emocionante foi para ele ver a verdade bíblica ser apresentada tão claramente! Jamais poderia deixar de falar disso a seus amigos! No ano seguinte, um grupo de estudo reunia-se regularmente na sua casa. Pouco depois, a atividade desse grupinho produzia frutos até mesmo na região norte da França. O irmão Weber manteve-se em contato com eles, visitando periodicamente os vários grupos que haviam surgido, edificando-os espiritualmente e ensinando-lhes como partilhar as boas novas com outros.

      As boas novas chegam à Alemanha

      Pouco depois que algumas publicações começaram a sair em alemão, em meados da década de 1880, germano-americanos que as apreciavam passaram a enviar exemplares a parentes em sua terra natal. Uma enfermeira que trabalhava num hospital em Hamburgo distribuiu exemplares de Millennial Dawn a outros no hospital. Em 1896, Adolf Weber, na Suíça, colocava anúncios em jornais de língua alemã e enviava tratados para a Alemanha pelo correio. No ano seguinte foi aberto um depósito de publicações na Alemanha, para facilitar a distribuição da Watch Tower em alemão, mas os resultados eram lentos. Contudo, em 1902, Margarethe Demut, que aprendera a verdade na Suíça, mudou-se para Tailfingen, a leste da Floresta Negra. Seu zeloso testemunho pessoal ajudou a lançar a base para um dos primeiros grupos de Estudantes da Bíblia na Alemanha. Samuel Lauper, da Suíça, mudou-se para Bergisches Land, a nordeste de Colônia, para divulgar as boas novas naquela região. Em 1904, realizavam-se reuniões nessa região, em Wermelskirchen. Entre os que freqüentavam havia um homem de 80 anos, Gottlieb Paas, que havia procurado a verdade. No seu leito de morte, não muito tempo depois de essas reuniões terem começado, Paas ergueu uma Watch Tower e disse: “Esta é a verdade; apegai-vos a ela.”

      O número de interessados nessas verdades bíblicas aumentava gradativamente. Embora fosse dispendioso, providenciou-se inserir exemplares grátis da Watch Tower em jornais da Alemanha. Um relatório de 1905 diz que mais de 1.500.000 exemplares dessas amostras da Watch Tower haviam sido distribuídos. Foi uma consecução e tanto para um grupo tão pequeno.

      Nem todos os Estudantes da Bíblia achavam que por terem alcançado as pessoas perto de sua casa já haviam feito o que era necessário. Já em 1907, o irmão Erler, da Alemanha, fez viagens a Boêmia, no que era então a Áustria-Hungria (posteriormente parte da Tchecoslováquia). Ele distribuiu publicações que alertavam a respeito do Armagedom e falavam das bênçãos que viriam à humanidade depois. Em 1912, outro Estudante da Bíblia havia distribuído publicações bíblicas na região de Memel, no que agora é a Lituânia. Muitos reagiram entusiasticamente à mensagem, e vários grupos um tanto grandes de Estudantes da Bíblia logo foram formados. Contudo, quando perceberam que os cristãos verdadeiros precisam também ser testemunhas, seu número começou a minguar. Não obstante, uns poucos mostraram ser imitadores genuínos de Cristo, “a testemunha fiel e verdadeira”. — Rev. 3:14.

      Quando Nikolaus von Tornow, um barão alemão dono de grandes propriedades na Rússia, esteve na Suíça por volta de 1907, foi-lhe entregue um dos tratados da Sociedade Torre de Vigia. Dois anos mais tarde ele apareceu na Congregação de Berlim, Alemanha, trajado com a sua melhor roupa e acompanhado de seu ajudante de ordens. Levou algum tempo para que ele compreendesse por que Deus confiaria verdades tão inestimáveis a pessoas tão despretensiosas, mas, o que ele leu em 1 Coríntios 1:26-29 o ajudou: “Observais a vossa chamada da parte dele, irmãos, que não foram chamados muitos sábios em sentido carnal, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre estirpe . . . a fim de que nenhuma carne se jacte à vista de Deus.” Convencido de que encontrara a verdade, von Tornow vendeu suas propriedades na Rússia e dedicou a si mesmo e seus recursos à promoção dos interesses da adoração pura.

      Em 1911, quando o irmão Herkendell se casou, a noiva pediu ao pai dela, como dote, dinheiro para uma lua-de-mel incomum. O jovem casal alemão pretendia fazer uma árdua viagem de muitos meses. A lua-de-mel deles seria uma viagem de pregação à Rússia, para alcançar pessoas de língua alemã ali. Assim, de muitas maneiras, pessoas de toda sorte partilhavam com outros o que aprendiam sobre o maravilhoso propósito de Deus.

      Crescimento no campo britânico

      Depois da intensa distribuição de publicações na Grã-Bretanha, em 1881, alguns freqüentadores de igreja viram a necessidade de agir à base do que haviam aprendido. Tom Hart, de Islington, Londres, foi um dos que seguiram o conselho bíblico da Watch Tower: “Saí dela, povo meu” — isto é, sair das religiões babilônicas da cristandade e seguir os ensinamentos da Bíblia. (Rev. 18:4) Ele desligou-se da igreja em 1884, seguido de diversos outros.

      Muitos dos que se associavam com os grupos de estudo tornaram-se evangelizadores eficientes. Alguns ofereciam publicações bíblicas nos parques de Londres e em outros lugares em que as pessoas se descontraíam. Outros se concentravam em casas de comércio. O método mais comum, porém, eram visitas de casa em casa.

      Sarah Ferrie, assinante da Watch Tower, escreveu ao irmão Russell dizendo que ela e alguns amigos em Glasgow colocavam-se à disposição para participar na distribuição de tratados. Que surpresa foi quando um caminhão estacionou à sua porta com 30.000 panfletos para distribuição gratuita! Puseram mãos à obra. Minnie Greenlees, junto com seus três filhos rapazes, usando como transporte uma “pequena carroça a cavalo”, empenharam-se na distribuição de publicações bíblicas no interior escocês. Mais tarde, Alfred Greenlees e Alexander MacGillivray, viajando de bicicleta, distribuíram tratados em boa parte da Escócia. Em vez de se pagar a outros para distribuir as publicações, o serviço agora era feito por voluntários dedicados.

      Seu coração os impeliu

      Numa de suas parábolas, Jesus disse que as pessoas que ‘ouvissem a palavra com um coração excelente e bom’ produziriam frutos. O apreço sincero pelas provisões amorosas de Deus as induziria a partilhar as boas novas sobre o Reino de Deus com outros. (Luc. 8:8, 11, 15) Independentemente de suas circunstâncias, achariam um meio de fazê-lo.

      Assim, foi de um marujo italiano que um viajante argentino obteve um suprimento do tratado Food for Thinking Christians. Quando de passagem pelo Peru, o viajante escreveu solicitando mais tratados e, com interesse aumentado, ele escreveu de novo, da Argentina, em 1885, ao editor da Watch Tower pedindo publicações. Naquele mesmo ano um membro da Marinha Britânica, que foi enviado com a sua unidade de artilharia para Cingapura, levou a Watch Tower consigo. Ficou radiante com o que aprendeu da revista e usou-a amplamente para divulgar o conceito da Bíblia sobre tópicos que eram temas de discussão pública. Em 1910, um navio que levava a bordo duas mulheres cristãs fez escala no porto de Colombo, Ceilão, (agora Sri Lanka). Elas aproveitaram a oportunidade para dar testemunho ao Sr. Van Twest, o chefe aduaneiro. Falaram-lhe entusiasticamente das boas coisas que aprenderam no livro The Divine Plan of the Ages. Em resultado, o Sr. Van Twest tornou-se Estudante da Bíblia, e a pregação das boas novas teve início em Sri Lanka.

      Mesmo os que não podiam viajar procuravam meios de partilhar verdades bíblicas acalentadoras com pessoas de outros países. Como indica uma carta de apreço publicada em 1905, alguém nos Estados Unidos enviou The Divine Plan of the Ages para certo homem em São Tomás, no que era então as Índias Ocidentais Dinamarquesas. Depois de lê-lo, esse homem ajoelhou-se e expressou seu fervoroso desejo de ser usado por Deus na execução de Sua vontade. Em 1911, Bellona Ferguson, do Brasil, citou seu caso como “prova positiva e viva de que não há ninguém longe demais para ser alcançado” pelas águas da verdade. Pelo visto, ela recebia publicações da Sociedade pelo correio desde 1899. Algum tempo antes da Primeira Guerra Mundial, um imigrante alemão no Paraguai encontrou um tratado da Sociedade na caixa de correio. Ele encomendou mais publicações e logo rompeu seus vínculos com as igrejas da cristandade. Não havendo mais ninguém no país para fazer isso, ele e seu cunhado decidiram batizar um ao outro. Deveras, dava-se testemunho nas partes distantes da Terra, e isso produzia frutos.

      Outros Estudantes da Bíblia, porém, sentiram-se impelidos a viajar à sua terra natal, ou à de seus pais, para falar a amigos e a parentes sobre o maravilhoso propósito de Jeová e como poderiam ter parte nele. Assim, em 1895, o irmão Oleszynski retornou à Polônia com as boas novas sobre “o resgate, a restituição e a soberana vocação”; embora, infelizmente, não tenha perseverado nesse serviço. Em 1898, um ex-professor, húngaro, deixou o Canadá para divulgar a urgente mensagem da Bíblia em sua terra natal. Em 1905, um homem que se tornara Estudante da Bíblia na América retornou à Grécia para dar testemunho. E, em 1913, um homem jovem levou sementes da verdade bíblica de Nova Iorque de volta à cidade natal de sua família, Ramalá, perto de Jerusalém.

      Abertura na região do Caribe

      Ao passo que o número de evangelizadores aumentava nos Estados Unidos, no Canadá e na Europa, a verdade bíblica começava também a penetrar no Panamá, na Costa Rica, na Guiana Holandesa (agora Suriname) e na Guiana Inglesa (agora Guiana). Joseph Brathwaite, que estava na Guiana Inglesa quando foi ajudado a entender os propósitos de Deus, partiu para Barbados, em 1905, para dedicar tempo integral a ensinar essas verdades ao povo local. Louis Facey e H. P. Clarke, que ouviram as boas novas quando trabalhavam na Costa Rica, retornaram à Jamaica em 1897 para partilhar sua recém-encontrada fé com o seu próprio povo. Os que aceitaram a verdade ali eram trabalhadores muito zelosos. Só em 1906, o grupo da Jamaica distribuiu cerca de 1.200.000 tratados e outros tipos de publicações. Outro trabalhador imigrante, que aprendera a verdade no Panamá, levou a mensagem de esperança da Bíblia de volta para Granada.

      A revolução no México em 1910-11 foi mais um fator que contribuiu para levar a mensagem do Reino de Deus a pessoas famintas da verdade. Muitos fugiram para o norte, para os Estados Unidos. Ali, alguns deles entraram em contato com os Estudantes da Bíblia, aprenderam a respeito do propósito de Jeová de trazer paz duradoura à humanidade e enviaram publicações de volta ao México. Contudo, esta não era a primeira vez que o México havia sido alcançado com essa mensagem. Já em 1893, a Watch Tower publicou uma carta de F. de P. Stephenson, do México, que havia lido algumas publicações da Sociedade Torre de Vigia e desejava obter mais para distribuir entre seus amigos tanto no México como na Europa.

      Para que a pregação das verdades bíblicas e a organização de reuniões regulares para estudo chegasse a ainda outros países do Caribe, o irmão Russell enviou E. J. Coward ao Panamá, em 1911, e daí para as ilhas. O irmão Coward era um orador enfático e expressivo, e freqüentemente centenas de pessoas se reuniam para ouvir seus discursos em que refutava as doutrinas do inferno de fogo e da imortalidade da alma humana, falando também a respeito do glorioso futuro da Terra. Ele ia de cidade em cidade e de ilha em ilha — Sta. Lúcia, Dominica, São Cristóvão, Barbados, Granada e Trinidad — alcançando o maior número possível de pessoas. Falou também na Guiana Inglesa. No Panamá, o irmão Coward conheceu W. R. Brown, um zeloso jovem irmão jamaicano, que depois serviu junto com ele em várias ilhas caribenhas. Mais tarde, o irmão Brown ajudou a abrir ainda outros campos.

      Em 1913, o próprio irmão Russell falou no Panamá, em Cuba e na Jamaica. Num discurso público que proferiu em Kingston, Jamaica, dois auditórios ficaram superlotados e mais umas 2.000 pessoas não puderam entrar. O fato de o orador não ter falado em dinheiro e não ter sido feito coleta chamou a atenção da imprensa.

      A luz da verdade chega à África

      Nesse período, a luz da verdade penetrava também na África. Uma carta enviada da Libéria, em 1884, revelou que um leitor da Bíblia local adquirira um exemplar de Food for Thinking Christians e desejava exemplares adicionais para distribuição. Alguns anos depois, foi relatado que um clérigo da Libéria abandonara o púlpito para poder ensinar livremente as verdades bíblicas que ele aprendia com a ajuda da Watch Tower e que um grupo de Estudantes da Bíblia se reunia regularmente ali.

      Um ministro da Igreja Reformada Holandesa levou consigo algumas publicações de C. T. Russell quando foi enviado da Holanda à África do Sul, em 1902. Embora não tivesse tirado benefício perene delas, o mesmo não se deu com Frans Ebersohn e Stoffel Fourie, que viram essas publicações na biblioteca do ministro. Alguns anos depois, as fileiras nessa parte do campo foram reforçadas quando duas zelosas Estudantes da Bíblia emigraram da Escócia para Durbã, na África do Sul.

      Infelizmente, entre os que adquiriam publicações escritas pelo irmão Russell e as usavam para ensinar certas partes a outros, havia uns poucos, como Joseph Booth e Elliott Kamwana, que introduziam idéias próprias para criar agitação visando mudanças sociais. Para alguns observadores na África do Sul e na Niassalândia (mais tarde Malaui), isso tendia a confundir a identidade dos Estudantes da Bíblia genuínos. Não obstante, muitos ouviam e mostravam apreço pela mensagem que dirigia atenção ao Reino de Deus como solução dos problemas da humanidade.

      Uma pregação ampla na África, porém, ainda estava por vir.

      Para o Oriente e ilhas do Pacífico

      Pouco depois de as publicações bíblicas preparadas por C. T. Russell terem sido pela primeira vez distribuídas na Grã-Bretanha, elas também chegaram ao Oriente. Em 1883, a Srta. C. B. Downing, missionária presbiteriana em Chefu (Ientai), China, recebeu um exemplar da Watch Tower. Ela gostou do que aprendeu sobre a ‘restituição’ e passou a revista a outros missionários, inclusive Horace Randle, ligado ao Conselho da Missão Batista. Mais tarde, seu interesse foi estimulado ainda mais por um anúncio da série Millennial Dawn no jornal Times de Londres, e também pelos próprios livros — um deles recebido da Srta. Downing e outro enviado pela mãe dele, da Inglaterra. De início, ele ficou chocado com o que leu. Mas, uma vez convencido de que a Trindade não é um ensino bíblico, desligou-se da Igreja Batista e passou a transmitir a outros missionários o que aprendera. Em 1900 ele informou que havia enviado 2.324 cartas e uns 5.000 tratados a missionários na China, no Japão, na Coréia e em Sião (Tailândia). Naquele tempo, no Oriente, o testemunho era dado principalmente a missionários da cristandade.

      Durante esse mesmo período, as sementes da verdade também estavam sendo lançadas na Austrália e na Nova Zelândia. A primeira dessas “sementes” que chegaram à Austrália talvez tenha sido levada em 1884, ou pouco depois, por um homem que teve seu primeiro contato com um Estudante da Bíblia num parque na Inglaterra. Outras “sementes” chegaram pelo correio, enviadas por amigos e parentes no além-mar.

      Poucos anos depois que a Comunidade da Austrália foi formada, em 1901, centenas de pessoas locais eram assinantes da Watch Tower. Em resultado da atividade dos que viam o privilégio de partilhar a verdade com outros, milhares de tratados foram enviados a pessoas cujos nomes constavam nas listas eleitorais. Outros foram distribuídos nas ruas, e maços deles eram lançados de janelas de trem a trabalhadores e moradores isolados nas áreas remotas ao longo das ferrovias. As pessoas estavam sendo notificadas da aproximação do fim dos Tempos dos Gentios, que se daria em 1914. Arthur Williams falava sobre isso a todos os fregueses de sua loja, na Austrália Ocidental, e convidava os interessados à sua casa para palestras adicionais.

      Quem primeiro chegou à Nova Zelândia com a verdade bíblica não se sabe no momento. Mas em 1898, Andrew Anderson, morador da Nova Zelândia, já havia lido o suficiente das publicações da Torre de Vigia para sentir-se induzido a divulgar a verdade ali como colportor. Em 1904 recebeu reforço de outros colportores que vieram da América e da filial da Sociedade que foi aberta no mesmo ano na Austrália. A esposa de Thomas Barry, em Christchurch, adquiriu seis volumes de Studies in the Scriptures de um dos colportores. Seu filho Bill leu-os em 1909 durante uma viagem de seis semanas de navio à Inglaterra e reconheceu a veracidade de seu conteúdo. Anos mais tarde, o filho deste, Lloyd, tornou-se membro do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová.

      Entre os trabalhadores zelosos daqueles primórdios havia Ed Nelson, que, embora não tivesse o tato como seu ponto forte, dedicou tempo integral por 50 anos à divulgação da mensagem do Reino desde a ponta norte da Nova Zelândia até o sul. Depois de alguns anos ele recebeu a companhia de Frank Grove, que desenvolveu sua memória para compensar a visão fraca e também trabalhou como pioneiro por mais de 50 anos, até a sua morte.

      Turnê mundial para promover a pregação das boas novas

      Outro grande empenho para ajudar as pessoas do Oriente foi feito em 1911-12. A Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia enviou uma comissão de sete homens, encabeçada por C. T. Russell, para examinar em primeira mão as condições locais. Aonde quer que fossem, eles falavam sobre o propósito de Deus de trazer bênçãos à humanidade por meio do Reino messiânico. Às vezes a assistência era pequena, mas, nas Filipinas e na Índia, era de milhares. Eles não endossavam a campanha, então popular na cristandade, de coletar fundos para a conversão do mundo. O que constataram foi que a maior parte dos empenhos dos missionários da cristandade voltava-se para a promoção da educação secular. Mas o irmão Russell estava convencido de que o que o povo necessitava era “o Evangelho da amorosa provisão de Deus, o vindouro Reino do Messias”. Em vez de esperarem converter o mundo, os Estudantes da Bíblia entendiam das Escrituras que o que se devia fazer então era dar testemunho, e que isso levaria ao ajuntamento de “poucos eleitos de todas as nações, povos, tribos e línguas como membros da classe-Noiva [de Cristo] — para sentar-se com Ele em Seu trono durante os mil anos, cooperando na obra de erguer a raça [humana] como um todo”.a — Rev. 5:9, 10; 14:1-5.

      Depois de passarem algum tempo no Japão, na China, nas Filipinas e em outros lugares, os membros da comissão estenderam a sua viagem por mais uns 6.500 quilômetros, na Índia. Algumas pessoas que viviam na Índia haviam lido as publicações da Sociedade e escrito cartas de apreço já em 1887. Também, desde 1905 havia sido dado testemunho ativo entre o povo de língua tâmil por um homem jovem que, quando estudava na América, havia conhecido o irmão Russell e aprendido a verdade. Esse homem ajudou a formar 40 grupos de estudo bíblico no sul da Índia. Mas, depois de pregar a outros, ele mesmo se desqualificou, abandonando as normas cristãs. — Compare com 1 Coríntios 9:26, 27.

      Por volta dessa época, contudo, A. J. Joseph, de Travancore (Querala), em resposta a uma pergunta que enviara a um destacado adventista, recebeu um volume de Studies in the Scriptures. Neste ele encontrou respostas bíblicas satisfatórias às suas perguntas sobre a Trindade. Não muito depois, ele e outros membros da família percorriam os arrozais e as plantações de coco no sul da Índia partilhando suas recém-encontradas crenças. Depois da visita do irmão Russell em 1912, o irmão Joseph entrou no serviço de tempo integral. Ele viajava de trem, de carro de boi, de barcaça e a pé para distribuir publicações bíblicas. Seus discursos públicos muitas vezes eram interrompidos pelo clero e seus seguidores. Em Kundara, quando um clérigo “cristão” usava seus seguidores para interromper uma reunião e atirar esterco no irmão Joseph, um senhor hindu influente veio ver qual era o motivo de tanto barulho. Ele perguntou ao clérigo: ‘É este o exemplo que Cristo deixou para os cristãos, ou será que isso que o senhor está fazendo se parece à conduta dos fariseus dos dias de Jesus?’ O clérigo bateu em retirada.

      Antes de a comissão da AIEB terminar a sua turnê mundial de quatro meses, o irmão Russell providenciou que R. R. Hollister fosse o representante da Sociedade no Oriente e desse continuidade à divulgação da mensagem da amorosa provisão de Deus, o Reino messiânico, às pessoas ali. Foram preparados tratados especiais em dez línguas, e milhões destes foram distribuídos por toda a Índia, China, Japão e Coréia, por distribuidores locais. Em seguida, foram traduzidos livros para quatro dessas línguas para suprir mais alimento espiritual para os interessados. Havia ali um vasto campo, e restava muito para ser feito. Todavia, o que se conseguira realizar até então era realmente espantoso.

      Foi dado um impressionante testemunho

      Antes de começar a devastação da Primeira Guerra Mundial, havia sido dado um extensivo testemunho no mundo todo. O irmão Russell havia feito viagens de conferências a centenas de cidades nos Estados Unidos e no Canadá, fizera repetidas viagens à Europa, havia falado no Panamá, na Jamaica e em Cuba, bem como nas principais cidades do Oriente. Dezenas de milhares de pessoas haviam ouvido pessoalmente seus estimulantes discursos bíblicos e viram-no responder publicamente à base das Escrituras perguntas suscitadas tanto por amigos como por inimigos. Criou-se assim muito interesse, e milhares de jornais na América, na Europa, na África do Sul e na Austrália publicavam regularmente os sermões do irmão Russell. Milhões de livros, bem como centenas de milhões de tratados e outras publicações em 35 línguas, haviam sido distribuídos pelos Estudantes da Bíblia.

      Por mais notável que tenha sido seu papel, não era apenas o irmão Russell que pregava. Outros, espalhados em volta do globo, também uniam as suas vozes como testemunhas de Jeová e de seu Filho, Jesus Cristo. Nem todos os que participavam eram oradores públicos. Procediam de todas as classes sociais, e usavam todos os meios apropriados disponíveis para divulgar as boas novas.

      Em janeiro de 1914, faltando menos de um ano para o fim dos Tempos dos Gentios, ainda outro testemunho intenso foi iniciado. Era o “Photo-Drama of Creation” (“Fotodrama da Criação”), que frisava de maneira nova o propósito de Deus para com a Terra. Fazia isso por meio de belos slides coloridos pintados a mão e filmes sincronizados com som. A imprensa nos Estados Unidos publicou que, semanalmente, por todo o país, centenas de milhares de pessoas assistiam ao Fotodrama. No fim do primeiro ano, a assistência total nos Estados Unidos e no Canadá chegou a quase oito milhões. Em Londres, Inglaterra, multidões superlotavam a Opera House e o Royal Albert Hall para ver essa apresentação que consistia em quatro partes de duas horas cada uma. Em meio ano, mais de 1.226.000 pessoas haviam assistido à exibição em 98 cidades nas Ilhas Britânicas. Multidões na Alemanha e na Suíça superlotavam os auditórios disponíveis. Houve também grandes audiências na Escandinávia e no Pacífico Sul.

      Que testemunho notável, intenso e global foi dado naquelas primeiras décadas da história moderna das Testemunhas de Jeová! Mas, realmente, a obra estava apenas começando.

      Apenas algumas centenas haviam participado ativamente na divulgação da verdade bíblica em princípios da década de 1880. Em 1914, segundo relatórios disponíveis, havia cerca de 5.100 que participavam no trabalho. Outros talvez tivessem ocasionalmente distribuído alguns tratados. Os trabalhadores eram relativamente poucos.

      Esse pequeno grupo de evangelizadores já havia, de várias maneiras, estendido a sua proclamação do Reino de Deus a 68 países em fins de 1914. E a sua obra como pregadores e instrutores da Palavra de Deus estava estabelecida em base semiconstante em 30 desses países.

      Milhões de livros e centenas de milhões de tratados haviam sido distribuídos antes do fim dos Tempos dos Gentios. Além disso, em 1913, nada menos que 2.000 jornais publicavam regularmente sermões preparados por C. T. Russell, e no ano de 1914 assistências de mais de 9.000.000 de pessoas em três continentes viram o “Photo-Drama of Creation”.

      Realmente, fora dado um espantoso testemunho! Muito mais, porém, estava para vir.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Um relatório completo dessa turnê mundial saiu em The Watch Tower de 15 de abril de 1912.

      [Mapa/Foto na página 405]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      C. T. Russell proferiu discursos bíblicos em mais de 300 cidades (nas áreas indicadas pelos pontos) na América do Norte e no Caribe — em muitas delas 10 ou 15 vezes.

      [Mapa]

      (Veja a publicação)

      [Mapa na página 407]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      Turnês de pregação de Russell à Europa, em geral a partir da Inglaterra

      1891

      1903

      1908

      1909

      1910 (duas vezes)

      1911 (duas vezes)

      1912 (duas vezes)

      1913

      1914

      [Mapa/Foto na página 408]

      Quando se convenceu de que havia encontrado a verdade, Andreas Øiseth distribuiu zelosamente publicações bíblicas em quase toda parte da Noruega.

      [Mapa]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      NORUEGA

      Círculo Ártico

      [Mapa/Foto na página 409]

      Adolf Weber, um humilde jardineiro, a partir da Suíça divulgou as boas novas a outros países na Europa.

      [Mapa]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      ALEMANHA

      BÉLGICA

      FRANÇA

      SUÍÇA

      ITÁLIA

      [Mapa/Foto na página 413]

      Bellona Ferguson, do Brasil: “Não há ninguém longe demais para ser alcançado.”

      [Mapa]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      BRASIL

      [Mapa na página 415]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      ALASCA

      CANADÁ

      GROENLÂNDIA

      SÃO PIERRE E MIQUELON

      ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

      BERMUDAS

      BAAMAS

      ILHAS TURCOS E CAICOS

      CUBA

      MÉXICO

      BELIZE

      JAMAICA

      HAITI

      REPÚBLICA DOMINICANA

      PORTO RICO

      ILHAS CAIMÃ

      GUATEMALA

      EL SALVADOR

      HONDURAS

      NICARÁGUA

      COSTA RICA

      PANAMÁ

      VENEZUELA

      GUIANA

      SURINAME

      GUIANA FRANCESA

      COLÔMBIA

      EQUADOR

      PERU

      BRASIL

      BOLÍVIA

      PARAGUAI

      CHILE

      ARGENTINA

      URUGUAI

      ILHAS FALKLAND (MALVINAS)

      ILHAS VIRGENS (EUA)

      ILHAS VIRGENS (GRÃ-BRETANHA)

      ANGÜILA

      SÃO MARTINHO

      SABA

      STO. EUSTÁQUIO

      SÃO CRISTÓVÃO

      NEVIS

      ANTÍGUA

      MONTSERRAT

      GUADALUPE

      DOMINICA

      MARTINICA

      STA. LÚCIA

      SÃO VICENTE

      BARBADOS

      GRANADA

      TRINIDAD

      ARUBA

      BONAIRE

      CURAÇAU

      OCEANO ATLÂNTICO

      MAR DO CARIBE

      OCEANO PACÍFICO

      [Mapa nas páginas 416, 417]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      GROENLÂNDIA

      GROENLÂNDIA

      SUÉCIA

      ISLÂNDIA

      NORUEGA

      ILHAS FÉROE

      FINLÂNDIA

      RÚSSIA

      ESTÔNIA

      LETÔNIA

      LITUÂNIA

      BIELARUS

      UCRÂNIA

      MOLDOVA

      GEÓRGIA

      ARMÊNIA

      AZERBAIJÃO

      TURCOMENISTÃO

      USBEQUISTÃO

      CASAQUISTÃO

      TADJIQUISTÃO

      QUIRGUISTÃO

      POLÔNIA

      ALEMANHA

      PAÍSES BAIXOS

      DINAMARCA

      GRÃ-BRETANHA

      IRLANDA

      BÉLGICA

      LUXEMBURGO

      LIECHTENSTEIN

      SUÍÇA

      ANDORRA

      TCHECOSLOVÁQUIA

      ÁUSTRIA

      HUNGRIA

      ROMÊNIA

      IUGOSLÁVIA

      ESLOVÊNIA

      CROÁCIA

      BÓSNIA-HERZEGOVINA

      BULGÁRIA

      ALBÂNIA

      ITÁLIA

      SÃO MARINHO

      GIBRALTAR

      ESPANHA

      PORTUGAL

      AÇORES

      MADEIRA

      MARROCOS

      SAARA OCIDENTAL

      SENEGAL

      CABO VERDE

      ARGÉLIA

      LÍBIA

      EGITO

      LÍBANO

      ISRAEL

      CHIPRE

      SÍRIA

      TURQUIA

      IRAQUE

      IRÃ

      BAREIN

      KUWAIT

      JORDÂNIA

      ARÁBIA

      SAUDITA

      CATAR

      EMIRADOS

      ÁRABES UNIDOS

      OMÃ

      IÊMEN

      DJIBUTI

      SOMÁLIA

      ETIÓPIA

      SUDÃO

      CHADE

      NÍGER

      MALI

      MAURITÂNIA

      GÂMBIA

      GUINÉ-BISSAU

      SERRA LEOA

      LIBÉRIA

      CÔTE D’IVOIRE (COSTA DO MARFIM)

      GANA

      TOGO

      BENIN

      GUINÉ EQUATORIAL

      STA. HELENA

      GUINÉ

      BURKINA FASO

      NIGÉRIA

      REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA

      CAMARÕES

      SÃO TOMÉ

      CONGO

      GABÃO

      ZAIRE

      ANGOLA

      ZÂMBIA

      NAMÍBIA

      BOTSUANA

      ÁFRICA DO SUL

      LESOTO

      SUAZILÂNDIA

      MOÇAMBIQUE

      MADAGASCAR

      REUNIÃO

      MAURÍCIO

      RODRIGUES

      ZIMBÁBUE

      MAYOTTE

      CÔMORAS

      SEICHELES

      MALAUI

      TANZÂNIA

      BURUNDI

      RUANDA

      UGANDA

      FRANÇA

      PAQUISTÃO

      AFEGANISTÃO

      NEPAL

      BUTÃO

      MIANMAR

      BANGLADESH

      ÍNDIA

      SRI LANKA

      GRÉCIA

      MALTA

      TUNÍSIA

      QUÊNIA

      OCEANO ATLÂNTICO

      OCEANO ATLÂNTICO

      OCEANO ÍNDICO

      ALASCA

      MONGÓLIA

      REPÚBLICA DEMOCRÁTICA POPULAR DA CORÉIA

      JAPÃO

      REPÚBLICA DA CORÉIA

      CHINA

      MACAU

      TAIWAN (FORMOSA)

      HONG KONG

      LAOS

      TAILÂNDIA

      VIETNÃ

      CAMBOJA

      FILIPINAS

      BRUNEI

      MALAÍSIA

      CINGAPURA

      INDONÉSIA

      SAIPÃ

      ROTA

      GUAM

      YAP

      BELAU

      CHUUK

      POHNPEI

      COSRAI

      ILHAS MARSHALL

      NAURU

      PAPUA NOVA GUINÉ

      AUSTRÁLIA

      NOVA ZELÂNDIA

      ILHA NORFOLK

      NOVA CALEDÔNIA

      ILHAS WALLIS E FUTUNA

      VANUATU

      TUVALU

      FIJI

      KIRIBATI

      TOQUELAU

      HAVAÍ

      ILHAS MARQUESAS

      SAMOA OCIDENTAL

      SAMOA AMERICANA

      NIUE

      TONGA

      ILHAS COOK

      TAITI

      ILHAS SALOMÃO

      OCEANO PACÍFICO

      OCEANO PACÍFICO

      OCEANO ÍNDICO

      [Mapa/Foto na página 421]

      A. J. Joseph, da Índia, com sua filha Gracie, que serviu como missionária formada em Gileade.

      [Mapa]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      ÍNDIA

      [Foto na página 411]

      Hermann Herkendell, junto com a esposa, fez uma viagem de lua-de-mel de muitos meses para pregar a pessoas de língua alemã na Rússia.

      [Fotos na página 412]

      Colportores na Inglaterra e na Escócia empenharam-se em dar a todos a oportunidade de receber testemunho; até mesmo seus filhos ajudaram na distribuição de tratados.

      [Foto na página 414]

      E. J. Coward divulgou zelosamente a verdade bíblica na área do Caribe.

      [Foto na página 418]

      Frank Grove (à esquerda) e Ed Nelson (vistos aqui com suas esposas) dedicaram cada qual mais de 50 anos à divulgação da mensagem do Reino em tempo integral por toda a Nova Zelândia.

      [Fotos na página 420]

      C. T. Russell e seis associados fizeram uma viagem ao redor do mundo em 1911-12 para promover a pregação das boas novas.

  • Parte 2 — Testemunhas até à parte mais distante da terra
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 22

      Parte 2 — Testemunhas até à parte mais distante da terra

      A obra de proclamação do Reino, de 1914 a 1935, é abrangida nas páginas 423 a 443. As Testemunhas de Jeová apontam para 1914 como o ano em que Jesus Cristo foi entronizado como Rei celestial com autoridade sobre as nações. Quando esteve na Terra, Jesus predisse que a pregação global da mensagem do Reino, apesar de intensa perseguição, seria parte do sinal de sua presença, investido do poder do Reino. O que realmente aconteceu nos anos seguintes a 1914?

      EM 1914, a Primeira Guerra Mundial rapidamente engolfou a Europa. Daí, espalhou-se por países que cobriam estimadamente 90 por cento da população mundial. Que efeito tiveram os eventos relacionados com essa guerra sobre as atividades de pregação dos servos de Jeová?

      Os anos sombrios da Primeira Guerra Mundial

      Nos primeiros anos de guerra havia poucos obstáculos, exceto na Alemanha e na França. Tratados eram distribuídos abertamente em muitos lugares e continuava-se a usar o “Photo-Drama”, embora em escala muito mais limitada depois de 1914. À medida que a febre da guerra se intensificava, o clero nas Índias Ocidentais Britânicas espalhou o rumor de que E. J. Coward, que representava a Sociedade Torre de Vigia, era um espião alemão, de modo que recebeu ordens de partir. Quando teve início a distribuição do livro The Finished Mystery (O Mistério Consumado), em 1917, a oposição se tornou generalizada.

      O público ficou ansioso para obter esse livro. O pedido inicial que a Sociedade fez aos impressores teve de ser aumentado em mais de dez vezes em apenas alguns meses. Mas o clero da cristandade se enfureceu com a exposição de suas doutrinas falsas. Aproveitou a histeria do tempo de guerra para denunciar os Estudantes da Bíblia às autoridades. Nos Estados Unidos, homens e mulheres identificados com a distribuição de publicações dos Estudantes da Bíblia eram atacados por turbas e cobertos com alcatrão e penas. No Canadá, vasculhavam-se casas, e as pessoas que possuíssem certas publicações da Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia ficavam sujeitas a pesada multa ou a prisão. Todavia, Thomas J. Sullivan, que na época estava em Port Arthur, Ontário, contou que certa vez, quando ficou preso por uma noite, os policiais da cidade levaram para casa os livros proscritos, para si e para os amigos, distribuindo assim todo o estoque — uns 500 ou 600 exemplares.

      A própria sede mundial da Sociedade Torre de Vigia sofreu investidas, e membros do corpo administrativo receberam longas sentenças de prisão. Parecia aos inimigos que os Estudantes da Bíblia haviam recebido um golpe mortal. Estes praticamente pararam de dar testemunho duma maneira que atraísse generalizada atenção pública.

      No entanto, mesmo os Estudantes da Bíblia presos encontravam oportunidades de falar a outros detentos sobre os propósitos de Deus. Ao chegarem à prisão em Atlanta, Geórgia, EUA, os diretores da Sociedade e seus associados íntimos foram, a princípio, proibidos de pregar. Mas eles consideravam a Bíblia entre si, e outros se sentiram atraídos a eles por causa de seus modos, sua maneira de viver. Depois de alguns meses, o vice-diretor do presídio incumbiu-os de dar instrução religiosa a outros detentos. O número dos que assistiam às aulas chegou a umas 90 pessoas.

      Outros cristãos leais também encontraram maneiras de dar testemunho durante os anos de guerra. Isso às vezes resultava na divulgação da mensagem do Reino em países onde as boas novas ainda não haviam sido pregadas. Assim, em 1915, um Estudante da Bíblia colombiano, de Nova Iorque, EUA, enviou pelo correio a edição em espanhol de The Divine Plan of the Ages (O Plano Divino das Eras) a um homem em Bogotá, na Colômbia. Depois de uns seis meses, Ramón Salgar respondeu. Ele estudara meticulosamente o livro, ficara maravilhado e desejava 200 exemplares para distribuir a outras pessoas. O irmão J. L. Mayer, de Brooklyn, Nova Iorque, enviou também por correio muitos exemplares em espanhol do Bible Students Monthly (O Mensário dos Estudantes da Bíblia). Considerável quantidade foi para a Espanha. E, quando Alfred Joseph, que na época estava em Barbados, assumiu um contrato de trabalho em Serra Leoa, África Ocidental, ele aproveitou as oportunidades para dar testemunho ali sobre as verdades da Bíblia que havia aprendido recentemente.

      Para os colportores, cujo ministério envolvia visitar residências e estabelecimentos comerciais, muitas vezes era mais difícil. Mas vários que foram para El Salvador, Honduras e Guatemala mantinham-se ocupados ali em 1916, partilhando verdades vitalizadoras com as pessoas. Nesse período, Fanny Mackenzie, colportora de nacionalidade britânica, fez duas viagens de navio ao Oriente, parando na China, no Japão e na Coréia para distribuir publicações bíblicas, e depois cultivou o interesse por meio de cartas.

      No entanto, segundo registros disponíveis, o número de Estudantes da Bíblia que de algum modo participavam na pregação das boas novas em 1918 diminuiu em 20 por cento no mundo todo, em comparação com o relatório de 1914. Depois do tratamento cruel recebido durante os anos de guerra, persistiriam eles no ministério?

      Imbuídos de renovada vida

      Em 26 de março de 1919, o presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) e seus associados foram libertados do encarceramento injusto. Logo se fizeram planos para impulsionar a proclamação mundial das boas novas do Reino de Deus.

      Num congresso geral em Cedar Point, Ohio, em setembro daquele ano, J. F. Rutherford, então presidente da Sociedade, proferiu um discurso que destacou a proclamação do estabelecimento do glorioso Reino Messiânico de Deus como a obra realmente importante para os servos de Jeová.

      No entanto, o número efetivo dos que então participavam nessa obra era pequeno. Alguns dos que temerosamente se haviam refreado em 1918 voltaram à atividade, e mais uns poucos juntaram-se a eles. Mas os registros disponíveis mostram que em 1919 apenas uns 5.700 estavam ativos em dar testemunho, em 43 países. Todavia, Jesus predissera: “Estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações.” (Mat. 24:14) Como se conseguiria isso? Eles não sabiam, e tampouco sabiam por quanto tempo a obra de dar testemunho ainda continuaria. Entretanto, os que eram servos leais de Deus estavam dispostos e ansiosos para dar continuidade à obra. Tinham certeza de que Jeová dirigiria os assuntos em harmonia com a Sua vontade.

      Imbuídos de zelo pelo que viam claramente indicado na Palavra de Deus, puseram-se a trabalhar. Em três anos, o número dos que participavam em proclamar publicamente o Reino de Deus quase triplicou, segundo relatórios disponíveis, e em 1922 eles pregavam em 15 países a mais do que em 1919.

      Um assunto intrigante

      Que mensagem empolgante proclamavam — “milhões que agora vivem jamais morrerão!” O irmão Rutherford proferira em 1918 um discurso sobre esse assunto. Era também o título dum folheto de 128 páginas publicado em 1920. De 1920 a 1925, esse mesmo assunto foi abordado vez após vez em todo o mundo em reuniões públicas em todas as regiões em que houvesse oradores, e em mais de 30 idiomas. Em vez de ensinar, como faz a cristandade, que todos os bons vão para o céu, esse discurso focalizava a atenção na esperança bíblica de vida eterna na Terra paradísica para a humanidade obediente. (Isa. 45:18; Rev. 21:1-5) E expressava a convicção de que o tempo para a realização dessa esperança estava bem próximo.

      Os discursos eram anunciados em jornais e em cartazes. O assunto era intrigante. Em 26 de fevereiro de 1922, mais de 70.000 pessoas ouviram o discurso em 121 locais só na Alemanha. Não era incomum uma única assistência chegar a milhares. Na Cidade do Cabo, África do Sul, por exemplo, 2.000 pessoas compareceram para ouvir esse discurso na Opera House. No auditório da universidade na capital da Noruega, tantas pessoas ficaram impossibilitadas de entrar que o programa teve de ser repetido uma hora e meia depois — novamente com casa cheia.

      Em Klagenfurt, Áustria, Richard Heide disse a seu pai: “Vou ouvir este discurso apesar do que outros possam dizer. Quero saber se é apenas um blefe, ou se há alguma verdade nisso!” Ele ficou profundamente comovido com o que ouviu, e pouco tempo depois ele, sua irmã e seus pais falavam a outros sobre o assunto.

      Mas a mensagem da Bíblia não era só para pessoas que compareciam a discursos públicos. Era preciso que outros também a conhecessem. Não só o público em geral, mas também líderes políticos e religiosos precisavam ouvi-la. Como se conseguiria isso?

      Distribuição de declarações poderosas

      A página impressa era usada para alcançar milhões de pessoas que antes haviam apenas ouvido falar dos Estudantes da Bíblia e da mensagem que proclamavam. De 1922 a 1928, deu-se um testemunho eficaz por meio de sete declarações poderosas, resoluções adotadas nos congressos anuais dos Estudantes da Bíblia. A quantidade de exemplares impressos da maioria de cada uma das resoluções distribuídas após aqueles congressos chegava a 45 ou 50 milhões — um feito realmente surpreendente para o pequeno grupo de proclamadores do Reino então existente!

      A resolução de 1922 foi intitulada “Um Desafio aos Líderes do Mundo” — sim, um desafio para que justificassem a sua alegação de que podiam estabelecer paz, prosperidade e felicidade para a humanidade ou, então, se fracassassem nisso, que reconhecessem que apenas o Reino de Deus por meio de seu Messias pode fazer isso. Na Alemanha, essa resolução foi enviada como correspondência registrada ao kaiser alemão no exílio, ao presidente e a todos os membros da Dieta Imperial; e cerca de 4,5 milhões de exemplares foram distribuídos ao público. Na África do Sul, Edwin Scott, com uma sacola de publicações nas costas e uma vara na mão para se defender de cães ferozes, visitou 64 cidadezinhas, distribuindo pessoalmente 50.000 exemplares. Dali em diante, quando o clero holandês na África do Sul visitava os paroquianos para fazer coletas, muitos destes mostravam a resolução ao clérigo e diziam: “O senhor devia ler isto e assim não mais voltaria para tirar dinheiro de nós.”

      Em 1924, a resolução “Acusados os Eclesiásticos” denunciou os ensinos e as práticas antibíblicas do clero, expôs seu papel durante a guerra mundial e incentivou as pessoas a estudar a Bíblia para que aprendessem por si mesmas a respeito das provisões maravilhosas de Deus para a bênção da humanidade. Na Itália, naquela época, exigia-se dos impressores que pusessem seu nome em tudo que imprimissem, e cabia a eles a responsabilidade pelo conteúdo dos impressos. O Estudante da Bíblia que supervisionava a obra na Itália submeteu um exemplar da resolução às autoridades, que a examinaram e prontamente deram permissão para impressão e distribuição. Os impressores também concordaram em publicá-la. Os irmãos na Itália distribuíram 100.000 cópias. Certificaram-se em especial de que o papa e outras destacadas autoridades do Vaticano recebessem a sua.

      Na França, a distribuição dessa resolução resultou em reações veementes, não raro violentas, da parte do clero. Em desespero, um clérigo em Pomerânia, Alemanha, processou a Sociedade e seu diretor, mas perdeu a causa quando o tribunal tomou conhecimento do conteúdo da resolução na íntegra. Para evitar interferência na obra por parte daqueles que não desejavam que as pessoas conhecessem a verdade, os Estudantes da Bíblia na província de Quebec, no Canadá, deixavam as resoluções nas casas de madrugada, a partir das 3 horas. Eram tempos emocionantes!

      Gratidão pelas respostas satisfatórias

      Durante a Primeira Guerra Mundial, muitos armênios foram impiedosamente expulsos de suas casas e de sua terra. Apenas duas décadas antes, centenas de milhares de armênios haviam sido massacrados, e outros haviam fugido para salvar a vida. Alguns desse povo haviam lido as publicações da Sociedade Torre de Vigia em sua terra. Mas muitos outros receberam testemunho nos países em que se refugiaram.

      Depois das crueldades que sofreram, muitos tinham sérias dúvidas quanto a por que Deus permitia o mal. Por quanto tempo ainda continuaria? Quando acabaria? Alguns deles ficaram gratos por aprenderem as respostas satisfatórias encontradas na Bíblia. Rapidamente surgiram grupos de Estudantes da Bíblia armênios em várias cidades do Oriente Médio. Seu zelo pela verdade da Bíblia influía na vida de outros. Na Etiópia, na Argentina e nos Estados Unidos, outros armênios abraçavam as boas novas e aceitavam de bom grado o dever de partilhá-las com outros. Um deles foi Krikor Hatzakortzian, pioneiro que, sozinho, divulgou a mensagem do Reino na Etiópia em meados da década de 30. Certa vez, ao ser falsamente acusado por opositores, ele teve a oportunidade de dar testemunho ao imperador, Hailé Selassié.

      Levaram preciosas verdades de volta à terra natal

      O desejo ardente de partilhar verdades bíblicas vitais impeliu muitos a voltar a sua terra natal a fim de evangelizar. Sua reação foi similar à das pessoas, procedentes de muitos países, que estavam em Jerusalém, em 33 EC, e que se tornaram crentes quando o espírito santo induziu os apóstolos e seus associados a falar em muitas línguas “sobre as coisas magníficas de Deus”. (Atos 2:1-11) Assim como os crentes do primeiro século levaram consigo a verdade ao retornar a suas respectivas terras, também o fizeram esses discípulos da atualidade.

      Homens e mulheres que aprenderam a verdade no exterior retornaram à Itália. Procediam dos Estados Unidos, da Bélgica e da França, e proclamavam zelosamente a mensagem do Reino onde se estabeleciam. Colportores do cantão suíço de Ticino, de língua italiana, também se mudaram para a Itália a fim de levar avante a obra. Embora fossem poucos, em resultado de sua atividade unida eles logo alcançaram quase todas as cidades principais e muitos povoados da Itália. Não registravam as horas dedicadas a esse trabalho. Convencidos de que pregavam verdades que Deus desejava que as pessoas soubessem, muitas vezes trabalhavam desde a manhã até à noite para contatar o máximo possível de pessoas.

      Gregos que se tornaram Estudantes da Bíblia na vizinha Albânia e na distante América também deram atenção a sua terra. Ficaram emocionados ao aprender que a adoração de ícones não é bíblica (Êxo. 20:4, 5; 1 João 5:21), que os pecadores não são queimados no inferno de fogo (Ecl. 9:5, 10; Eze. 18:4; Rev. 21:8) e que o Reino de Deus é a genuína e única esperança da humanidade (Dan. 2:44; Mat. 6:9, 10). Ficaram ansiosos de partilhar essas verdades com os conterrâneos — pessoalmente ou por carta. Em resultado disso, começaram a surgir grupos de Testemunhas de Jeová na Grécia e nas ilhas gregas.

      Depois da Primeira Guerra Mundial, milhares de pessoas da Polônia mudaram-se para a França a fim de trabalhar nas minas de carvão. As congregações francesas não as passaram por alto só porque falavam outra língua. Acharam maneiras de partilhar verdades bíblicas com esses mineradores e suas famílias, e o número dos que acataram a mensagem logo ultrapassou o de Testemunhas francesas. Quando 280 pessoas tiveram de retornar à Polônia, em 1935, devido a uma ordem de deportação da parte do governo, isso apenas serviu para dar ímpeto à divulgação da mensagem do Reino ali. Assim, em 1935, havia 1.090 proclamadores do Reino que davam testemunho na Polônia.

      Outros aceitaram convites de sair de seu país para trabalhar em campos estrangeiros.

      Zelosos evangelizadores europeus ajudam em campos estrangeiros

      Com cooperação internacional, os Estados Bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia) ouviram as acalentadoras verdades sobre o Reino de Deus. Nas décadas de 20 e de 30, irmãos zelosos da Alemanha, da Dinamarca, da Finlândia e da Inglaterra deram um amplo testemunho naquela região. Distribuíram-se muitas publicações, e milhares de pessoas ouviram os discursos bíblicos proferidos. Programas bíblicos transmitidos regularmente pelo rádio na Estônia, em várias línguas, chegaram até o que então era a União Soviética.

      Trabalhadores dispostos da Alemanha, nas décadas de 20 e de 30, aceitaram designações para países como Áustria, Bélgica, Bulgária, Espanha, França, Iugoslávia, Luxemburgo, Países Baixos e Tchecoslováquia. Willy Unglaube era um desses. Depois de servir algum tempo no Betel de Magdeburgo, na Alemanha, ele cumpriu designações como evangelizador de tempo integral na França, Argélia, Espanha, Cingapura, Malaísia e Tailândia.

      Quando a França pediu ajuda na década de 30, colportores da Grã-Bretanha mostraram estar cientes de que a comissão cristã de pregar requeria evangelizar em outras partes da Terra, além de em seu próprio país. (Mar. 13:10) John Cooke foi um dos trabalhadores zelosos que atenderam à chamada ‘macedônia’. (Compare com Atos 16:9, 10.) Nas seis décadas seguintes, ele cumpriu designações de serviço na França, na Espanha, na Irlanda, em Portugal, em Angola, em Moçambique e na África do Sul. Eric, irmão de John, deixou o emprego no Banco Barclay e juntou-se a ele no ministério de tempo integral na França; depois, ele também serviu na Espanha e na Irlanda, e fez serviço missionário na Rodésia do Sul (agora Zimbábue) e na África do Sul.

      Em maio de 1926, George Wright e Edwin Skinner, da Inglaterra, aceitaram o convite de ajudar a expandir a obra do Reino na Índia. Sua designação era enorme! Incluía o Afeganistão, a Birmânia (agora Mianmar), o Ceilão (agora Sri Lanka), a Índia e a Pérsia (agora Irã). Ao chegarem a Bombaim, foram saudados pelas chuvas de monção. No entanto, visto que não se preocupavam demais com conforto ou conveniências pessoais, logo estavam viajando para as regiões remotas do país a fim de localizar Estudantes da Bíblia de quem já tinham conhecimento e encorajá-los. Além disso, distribuíram enormes quantidades de publicações para estimular o interesse de outros. O trabalho foi intenso. Assim, em 1928, os 54 proclamadores do Reino em Travancore (Querala), no sul da Índia, programaram 550 reuniões públicas às quais compareceram cerca de 40.000 pessoas. Em 1929, mais quatro pioneiros do campo britânico mudaram-se para a Índia a fim de ajudar na obra. E em 1931 outros três da Inglaterra chegaram a Bombaim. Vez após vez, eles faziam esforços para alcançar várias partes desse vasto país, distribuindo publicações nas línguas indianas, além de em inglês.

      Nesse ínterim, o que acontecia na Europa Oriental?

      Uma colheita espiritual

      Antes da Primeira Guerra Mundial, sementes da verdade bíblica haviam sido espalhadas na Europa Oriental, e algumas haviam criado raízes. Em 1908, Andrásné Benedek, uma humilde senhora húngara, retornara à Áustria-Hungria, para partilhar com outros as coisas boas que aprendera. Dois anos depois, Károly Szabó e József Kiss também retornaram a esse país e divulgaram a verdade bíblica especialmente em regiões que mais tarde vieram a ser conhecidas como Romênia e Tchecoslováquia. Apesar da violenta oposição da parte do clero irado, formaram-se grupos de estudo e deu-se um amplo testemunho. Outros juntaram-se a eles na declaração pública de sua fé, e, por volta de 1935, o total de proclamadores do Reino na Hungria já havia aumentado para 348.

      A Romênia quase dobrou em tamanho quando o mapa da Europa foi reformulado pelos vitoriosos depois da Primeira Guerra Mundial. Relatou-se que naquele país aumentado havia, em 1920, cerca de 150 grupos de Estudantes da Bíblia, com os quais 1.700 pessoas se associavam. No ano seguinte, na celebração da Refeição Noturna do Senhor, umas 2.000 pessoas participaram dos emblemas da Comemoração, indicando assim que professavam ser irmãos de Cristo, ungidos pelo espírito. Esse número aumentou extraordinariamente nos quatro anos seguintes. Em 1925, 4.185 pessoas compareceram à Comemoração, e, como era o costume na época, a maioria certamente participou dos emblemas. No entanto, a fé de todos esses seria provada. Mostrar-se-iam “trigo” genuíno ou apenas imitação? (Mat. 13:24-30, 36-43) Efetuariam realmente a obra de dar testemunho, de que Jesus incumbira seus seguidores? Perseverariam nisso diante de intensa oposição? Seriam fiéis, mesmo quando outros demonstrassem um espírito como o de Judas Iscariotes?

      O relatório de 1935 indica que nem todos tinham o tipo de fé que os habilitaria a perseverar. Naquele ano, apenas 1.188 participaram de alguma forma em dar testemunho na Romênia, embora o número dos que participavam dos emblemas da Comemoração naquela época fosse mais de duas vezes maior. Todavia, os fiéis se mantiveram ocupados no serviço do Amo. Partilhavam com outras pessoas humildes as verdades da Bíblia que alegravam o seu próprio coração. Uma maneira notável de fazerem isso foi pela distribuição de publicações. Entre 1924 e 1935, eles já haviam distribuído aos interessados mais de 800.000 livros e folhetos, além de tratados.

      Que dizer da Tchecoslováquia, que se tornara uma nação em 1918, após o colapso do Império Austro-Húngaro? Um testemunho ainda mais intenso contribuía para a colheita espiritual ali. A pregação nesse país fora feita anteriormente em húngaro, russo, romeno e alemão. Daí, em 1922, vários Estudantes da Bíblia retornaram dos Estados Unidos para dar atenção à população de língua eslovaca, e, no ano seguinte, um casal da Alemanha concentrou-se no território tcheco. Assembléias regulares, embora pequenas, ajudavam a encorajar e unificar os irmãos. Depois de as congregações ficarem mais bem organizadas para a evangelização de casa em casa, em 1927, o crescimento tornou-se mais evidente. Em 1932, o congresso internacional em Praga, ao qual compareceram cerca de 1.500 pessoas da Tchecoslováquia e de países vizinhos, deu um poderoso ímpeto à obra. Além disso, multidões assistiram a uma versão de quatro horas de duração do “Photo-Drama of Creation” (Fotodrama da Criação), apresentada de ponta a ponta no país. Em apenas uma década, mais de 2.700.000 exemplares de publicações bíblicas foram distribuídos aos vários grupos lingüísticos nesse país. Toda essa obra de plantar, cultivar e regar em sentido espiritual contribuiu para uma colheita em que 1.198 proclamadores do Reino participaram em 1935.

      A Iugoslávia (conhecida primeiro como Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos) viera à existência em resultado da reformulação do mapa da Europa após a Primeira Guerra Mundial. Já em 1923, relatava-se que um grupo de Estudantes da Bíblia dava testemunho em Belgrado. Mais tarde, o “Photo-Drama of Creation” foi apresentado a multidões em todo o país. Quando as Testemunhas de Jeová passaram a sofrer severa perseguição na Alemanha, o número de publicadores na Iugoslávia aumentou devido à chegada de pioneiros alemães. Sem se preocuparem com o conforto pessoal, eles se esforçaram para levar a pregação até as partes mais remotas desse país montanhoso. Outros pioneiros foram para a Bulgária. Na Albânia também se faziam esforços para pregar as boas novas. Em todos esses lugares, lançaram-se sementes da verdade do Reino. Algumas deram frutos. Mas somente anos depois é que haveria uma colheita maior nesses lugares.

      Mais ao sul, no continente africano, as boas novas também eram divulgadas por aqueles que tinham profundo apreço pelo privilégio de ser testemunhas do Altíssimo.

      A luz espiritual brilha na África Ocidental

      Uns sete anos depois de ter ido para a África Ocidental a fim de cumprir um contrato de trabalho, um Estudante da Bíblia de Barbados escreveu à Sociedade Torre de Vigia, em Nova Iorque, para informar que muitos mostravam interesse na Bíblia. Alguns meses depois, em 14 de abril de 1923, a convite do irmão Rutherford, W. R. Brown, que servia em Trinidad, chegou a Freetown, Serra Leoa, com a família.

      Providenciou-se imediatamente que o irmão Brown proferisse um discurso no Salão Memorial de Wilberforce. Em 19 de abril, a assistência era de umas 500 pessoas, entre as quais a maioria dos clérigos de Freetown. No domingo seguinte ele falou novamente. O assunto era o mesmo que C. T. Russell abordara muitas vezes — “Ida e Volta do Inferno! Quem Está Lá.” Os discursos do irmão Brown costumavam ser recheados de citações bíblicas apresentadas à assistência por meio de slides com lanterna. À medida que proferia o discurso, ele dizia: “Não é Brown quem diz, mas é a Bíblia quem diz.” Por isso, ele veio a ser conhecido como “Bíblia Brown”. E, em resultado de sua apresentação lógica e bíblica, alguns ilustres membros de igreja renunciaram e passaram a servir a Jeová.

      “Bíblia Brown” fez extensivas viagens para dar início à obra do Reino em outras regiões. Para tanto, proferia numerosos discursos e distribuía grandes quantidades de publicações, e incentivava outros a fazer o mesmo. Sua evangelização levou-o a Costa do Ouro (agora Gana), Libéria, Gâmbia e Nigéria. A partir da Nigéria, outras pessoas levaram a mensagem do Reino para Benin (então conhecido como Daomé) e Camarões. O irmão Brown sabia que o público tinha pouca estima pelo que eles chamavam de “religião do homem branco”, de modo que, no Salão Memorial de Glover, em Lagos, ele falou sobre o fracasso da religião da cristandade. Após a reunião, a entusiástica assistência obteve 3.900 livros para ler e partilhar com outros.

      Quando o irmão Brown foi para a África Ocidental, só um punhado de pessoas havia ouvido a mensagem do Reino ali. Ao partir, 27 anos depois, bem mais de 11.000 eram ativas Testemunhas de Jeová na região. As falsidades religiosas estavam sendo expostas; a adoração verdadeira criara raízes e se espalhava rapidamente.

      Na costa leste da África

      Bem cedo no século 20, algumas publicações de C. T. Russell foram introduzidas no sudeste da África por pessoas que haviam adotado alguns conceitos apresentados nesses livros, mas que os haviam misturado com a sua própria filosofia. Isso resultou em vários dos chamados movimentos Torre de Vigia, que não tinham ligação alguma com as Testemunhas de Jeová. Alguns desses movimentos tinham orientação política e atiçavam inquietação entre os africanos nativos. Durante muitos anos, a má reputação desses grupos representou obstáculos para a obra das Testemunhas de Jeová.

      No entanto, vários africanos discerniram a diferença entre o verdadeiro e o falso. Trabalhadores itinerantes levavam as boas novas do Reino de Deus a países vizinhos e as partilhavam com pessoas que falavam línguas africanas. A população de língua inglesa no sudeste da África ouvia a mensagem principalmente através de contatos com a África do Sul. Em alguns países, porém, a forte oposição das autoridades, instigada pelo clero da cristandade, impedia que as Testemunhas européias pregassem entre os grupos de línguas africanas. Mas a verdade se difundia, embora muitos que mostravam interesse na mensagem da Bíblia precisassem de mais ajuda para aplicar corretamente o que aprendiam.

      Algumas autoridades sem preconceito não aceitavam sem questionar as acusações perversas do clero da cristandade contra as Testemunhas de Jeová. Foi o caso de um delegado de polícia na Niassalândia (agora Malaui) que se disfarçava e ia às reuniões das Testemunhas nativas para descobrir por conta própria que tipo de pessoas elas eram. Ele teve uma boa impressão. Quando o governo aprovou a entrada e a permanência de um representante europeu, Bert McLuckie e, mais tarde, seu irmão, Bill, foram enviados para aquele país em meados da década de 30. Eles se mantinham em contato com a Polícia e os delegados distritais, para que essas autoridades entendessem bem as suas atividades e não confundissem as Testemunhas de Jeová com nenhum dos movimentos falsamente chamados de Torre de Vigia. Ao mesmo tempo, trabalharam pacientemente, junto com Gresham Kwazizirah, uma Testemunha local, madura, a fim de ajudar as centenas de pessoas que desejavam associar-se com as congregações a reconhecer que a imoralidade sexual, o abuso de bebidas alcoólicas e a superstição não têm lugar na vida das Testemunhas de Jeová. — 1 Cor. 5:9-13; 2 Cor. 7:1; Rev. 22:15.

      Em 1930, havia apenas umas cem Testemunhas de Jeová em todo o sul da África. No entanto, sua designação incluía mais ou menos toda a África ao sul do equador e alguns territórios que se estendiam para o norte do equador. Cobrir essa vasta extensão de território com a mensagem do Reino exigia verdadeiros pioneiros. Frank e Gray Smith eram desses.

      Partindo da Cidade do Cabo, eles viajaram de navio 4.800 quilômetros no sentido leste e norte e depois prosseguiram de carro por quatro dias em estradas acidentadas para chegar a Nairóbi, no Quênia (na África Oriental Britânica). Em menos de um mês, distribuíram 40 caixas de publicações bíblicas. Mas, infelizmente, na viagem de retorno, Frank morreu de malária. Apesar disso, pouco tempo depois, Robert Nisbet e David Norman partiram — dessa vez com 200 caixas de publicações — para pregar no Quênia e em Uganda, além de em Tanganica e em Zanzibar (ambos agora Tanzânia), alcançando o maior número possível de pessoas. Outras viagens similares divulgaram a mensagem do Reino nas ilhas de Maurício e Madagascar, no oceano Índico, e de Sta. Helena, no oceano Atlântico. Sementes da verdade foram lançadas, mas elas não germinaram e cresceram imediatamente em toda parte.

      Da África do Sul, a pregação das boas novas também se estendeu à Basutolândia (agora Lesoto), à Bechuanalândia (agora Botsuana) e à Suazilândia, já em 1925. Uns oito anos depois, quando pioneiros novamente pregavam na Suazilândia, o Rei Sobuza II deu-lhes uma acolhida régia. Ele reuniu sua guarda pessoal de cem guerreiros, ouviu um testemunho cabal e adquiriu todas as publicações da Sociedade de que os irmãos dispunham.

      Gradualmente, o número de Testemunhas de Jeová cresceu nessa parte do campo mundial. Outros se juntaram aos poucos que deram início à obra na África no princípio deste século 20, e, por volta de 1935, 1.407 pessoas no continente africano relatavam participação na obra de dar testemunho do Reino de Deus. Boa parte delas estava na África do Sul e na Nigéria. Outros grupos grandes que se identificavam como Testemunhas de Jeová estavam na Niassalândia (agora Malaui), na Rodésia do Norte (agora Zâmbia) e na Rodésia do Sul (agora Zimbábue).

      Durante esse mesmo período, também se dava atenção a países de língua espanhola e portuguesa.

      Cultivando campos espanhóis e portugueses

      Com a Primeira Guerra Mundial ainda em andamento, publicou-se em espanhol o primeiro número de The Watch Tower (A Sentinela). Trazia o endereço de um escritório em Los Angeles, Califórnia, aberto para dar atenção especial ao campo de língua espanhola. Irmãos desse escritório deram muita ajuda pessoal aos interessados nos Estados Unidos e em países ao sul.

      Juan Muñiz, que se tornara servo de Jeová em 1917, foi incentivado pelo irmão Rutherford, em 1920, a sair dos Estados Unidos e retornar à Espanha, sua terra, para organizar ali a obra de pregação do Reino. No entanto, os resultados foram limitados, não por falta de zelo de sua parte, mas porque ele era constantemente vigiado pela Polícia; assim, depois de alguns anos, foi transferido para a Argentina.

      No Brasil, alguns adoradores de Jeová já pregavam. Oito humildes marinheiros haviam aprendido a verdade enquanto estavam de folga do navio, em Nova Iorque. De volta ao Brasil no início de 1920, ocuparam-se em partilhar a mensagem da Bíblia com outros.

      George Young, um canadense, foi enviado para o Brasil em 1923. Ele certamente ajudou a estimular a obra. Proferindo muitos discursos públicos por meio de intérpretes, mostrou o que a Bíblia diz sobre a condição dos mortos, expôs o espiritismo como demonismo e explicou o propósito de Deus para a bênção de todas as famílias da Terra. Seus discursos eram ainda mais persuasivos porque às vezes ele projetava numa tela os textos bíblicos em consideração para que a assistência os lesse em sua própria língua. Enquanto ele estava no Brasil, Bellona Ferguson, de São Paulo, finalmente pôde ser batizada, junto com quatro filhos. Ela esperara 25 anos por essa oportunidade. Entre os que aceitaram a verdade, alguns se ofereceram na época para ajudar na tradução de publicações para o português. Logo havia um bom suprimento de publicações nessa língua.

      Do Brasil o irmão Young foi para a Argentina, em 1924, e providenciou a distribuição gratuita de 300.000 exemplares de publicações em espanhol em 25 das principais cidades. Naquele mesmo ano, ele também foi pessoalmente ao Chile, ao Peru e à Bolívia para distribuir tratados.

      George Young logo recebeu uma nova designação. Dessa vez era a Espanha e Portugal. Depois de ser apresentado pelo embaixador britânico a autoridades locais, ele conseguiu providenciar que o irmão Rutherford discursasse em Barcelona, em Madri e na capital de Portugal. Após os discursos, ao todo mais de 2.350 pessoas deram o nome e o endereço com pedidos de mais informações. Depois, o discurso foi publicado num importante jornal da Espanha, e foi enviado pelo correio em forma de tratado para pessoas em todo o país. Foi publicado também pela imprensa portuguesa.

      Por esses meios, a mensagem chegou a muito além das fronteiras da Espanha e de Portugal. Em fins de 1925, as boas novas haviam penetrado nas ilhas Cabo Verde (agora República de Cabo Verde), em Madeira, na África Oriental Portuguesa (agora Moçambique), na África Ocidental Portuguesa (agora Angola) e em ilhas do oceano Índico.

      No ano seguinte, fizeram-se arranjos para a impressão da poderosa resolução “Um Testemunho aos Regentes do Mundo”, no jornal espanhol La Libertad. Transmissões radiofônicas e distribuição de livros, folhetos e tratados, bem como apresentações do “Photo-Drama of Creation”, ajudaram a intensificar o testemunho. Em 1932, vários pioneiros ingleses aceitaram o convite de dar ajuda nesse campo, e sistematicamente percorreram grandes partes do país com publicações bíblicas até que a Guerra Civil Espanhola os obrigou a partir.

      Nesse ínterim, ao chegar à Argentina, o irmão Muñiz logo começou a pregar, ao passo que se sustentava consertando relógios. Além da obra que realizava na Argentina, ele dava atenção ao Chile, ao Paraguai e ao Uruguai. A seu pedido, alguns irmãos vieram da Europa para dar testemunho à população de língua alemã. Muitos anos depois, Carlos Ott contou que eles começavam o dia de serviço às 4 da madrugada, deixando tratados debaixo de todas as portas no território. Mais tarde no mesmo dia, eles voltavam para dar um testemunho adicional e oferecer outras publicações bíblicas aos moradores interessados. Partindo de Buenos Aires, os que participavam no ministério de tempo integral espalharam-se por todo o país, primeiro seguindo as ferrovias que se irradiavam por centenas de quilômetros desde a capital, como dedos bem abertos, e depois usando todo meio de transporte que encontrassem. Eles tinham muito pouco em sentido material e suportavam muitas dificuldades, mas eram espiritualmente ricos.

      Um desses trabalhadores zelosos na Argentina era Nicolás Argyrós, um grego. Em princípios de 1930, ao obter algumas publicações da Sociedade Torre de Vigia, ele ficou especialmente impressionado com o folheto Hell (Inferno), cujos subtítulos perguntavam: “O Que É? Quem Está Lá? Podem Eles Sair?” Ficou maravilhado ao constatar que o folheto não retratava pecadores sendo assados numa grelha. Que surpresa teve ao se dar conta de que o inferno de fogo é uma mentira religiosa inventada para amedrontar as pessoas, como se dera no seu caso! Prontamente passou a partilhar a verdade — primeiro, com os gregos; depois, à medida que seu espanhol melhorava, com outros. Ele dedicava mensalmente de 200 a 300 horas a partilhar as boas novas com outros. A pé e por quaisquer outros meios de transporte disponíveis, ele divulgou verdades bíblicas em 14 das 22 províncias da Argentina. Ao passo que se mudava de um lugar para outro, ele dormia numa cama quando pessoas hospitaleiras lhe ofereciam uma, outras vezes dormia ao relento, e até mesmo num estábulo, tendo um burro como despertador!

      Outro que tinha o espírito de um verdadeiro pioneiro era Richard Traub, que aprendera a verdade em Buenos Aires. Ele ficou ansioso de partilhar as boas novas com as pessoas do outro lado dos Andes, no Chile. Em 1930, cinco anos depois de ser batizado, ele chegou ao Chile — a única Testemunha de Jeová num país de 4.000.000 de pessoas. A princípio, só tinha a Bíblia para trabalhar, mas começou a fazer visitas de casa em casa. Não havia reuniões congregacionais a que pudesse assistir, de modo que, aos domingos, na hora costumeira da reunião, ele ia para o monte San Cristóbal, sentava à sombra de uma árvore e se absorvia em estudo pessoal e oração. Depois de alugar um apartamento, passou a convidar as pessoas para reuniões ali. O único, além dele, que compareceu à primeira reunião foi Juan Flores, que perguntou: “E os outros, quando virão?” O irmão Traub simplesmente respondeu: “Eles virão.” E vieram mesmo. Em menos de um ano, 13 pessoas se tornaram servos batizados de Jeová.

      Quatro anos depois, duas Testemunhas de Jeová que não se conheciam juntaram-se para pregar as boas novas na Colômbia. Depois de um produtivo ano ali, Hilma Sjoberg teve de retornar aos Estados Unidos. Mas Kathe Palm embarcou para o Chile, usando os 17 dias no navio para dar testemunho à tripulação e aos passageiros. Durante a década seguinte, ela trabalhou de Arica, porto no extremo norte do Chile, à Terra do Fogo, território no extremo sul. Visitou o comércio e deu testemunho a autoridades. Usando um alforje nos ombros para carregar publicações e algumas coisas necessárias, como um cobertor para dormir, ela alcançou os mais distantes campos de mineração e fazendas de criação de ovelhas. Era a vida de um verdadeiro pioneiro. E havia outros que tinham o mesmo espírito — alguns solteiros, outros casados, tanto jovens como idosos.

      Em 1932, fez-se um esforço especial para divulgar a mensagem do Reino nos países da América Latina em que até então se pregara pouco. Naquele ano, o folheto The Kingdom, the Hope of the World, que em português saiu com o título de O Reino de Deus É a Felicidade do Povo, teve notável distribuição. Esse folheto continha um discurso que já havia sido ouvido numa transmissão radiofônica internacional. Dessa feita, cerca de 40.000 exemplares impressos do discurso foram distribuídos no Chile, 25.000 na Bolívia, 25.000 no Peru, 15.000 no Equador, 20.000 na Colômbia, 10.000 em Santo Domingo (agora República Dominicana) e 10.000 em Porto Rico. A mensagem do Reino estava mesmo sendo proclamada, e com grande intensidade.

      Por volta de 1935, havia na América do Sul apenas 247 pessoas que juntaram suas vozes para proclamar que somente o Reino de Deus trará verdadeira felicidade à humanidade. Mas que testemunho davam!

      Mesmo nas regiões mais remotas

      As Testemunhas de Jeová de modo algum achavam que seu dever perante Deus estaria cumprido se simplesmente conversassem com alguns que por acaso fossem seus vizinhos. Elas se empenhavam para alcançar a todos com as boas novas.

      As pessoas que moravam em lugares aonde na época as Testemunhas não tinham condições de ir pessoalmente podiam ser alcançadas de outras maneiras. Assim, em fins da década de 20, as Testemunhas de Jeová na Cidade do Cabo, África do Sul, enviaram pelo correio 50.000 folhetos a todos os agricultores, faroleiros, guardas florestais e a outros que moravam em regiões de difícil acesso. Conseguiu-se também um guia postal atualizado de toda a África do Sudoeste (agora conhecida como Namíbia), e enviou-se pelo correio um exemplar do folheto The Peoples Friend (O Amigo do Povo) a todos cujo nome constava no guia.

      Em 1929, F. J. Franske ficou encarregado da escuna Morton, pertencente à Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), e foi designado, junto com Jimmy James, a alcançar as pessoas em Labrador e em todos os povoados pesqueiros de Terra Nova. No inverno, o irmão Franske viajava pela costa com um trenó puxado por cachorros. Para cobrir o custo das publicações bíblicas que ele lhes deixava, os esquimós e os terra-novenses davam-lhe artigos de couro e peixes, entre outras coisas. Alguns anos depois, ele fez um esforço para visitar mineradores, madeireiros, caçadores, fazendeiros e índios na agreste região do Cariboo, na Colúmbia Britânica. Durante a viagem, ele caçava para obter carne, colhia frutinhas silvestres e assava pão numa frigideira numa fogueira ao ar livre. Depois, em outra ocasião, ele e um companheiro usaram um barco para pesca de salmão como meio de transporte, à medida que levavam a mensagem do Reino a toda ilha, estreito, acampamento madeireiro, farol e povoado ao longo da costa oeste do Canadá. Ele era apenas um dos muitos que faziam esforços especiais para alcançar as pessoas que moravam em regiões remotas da Terra.

      A partir de fins da década de 20, Frank Day viajou rumo ao norte pelos povoados do Alasca, pregando, distribuindo publicações, ao passo que vendia óculos para cuidar de suas necessidades materiais. Embora mancasse com uma perna artificial, ele cobriu a região que se estendia de Ketchikan até Nome, uma distância de cerca de 1.900 quilômetros. Já em 1897, um minerador de ouro obtivera exemplares de Millennial Dawn (Aurora do Milênio) e da Watch Tower enquanto esteve na Califórnia e planejava levá-los para o Alasca ao retornar. E, em 1910, o Capitão Beams, comandante dum baleeiro, distribuíra publicações em seus portos de escala no Alasca. Mas a atividade de pregação passou a se alastrar à medida que o irmão Day fazia suas viagens de verão pelo Alasca vez após vez por mais de 12 anos.

      Duas outras Testemunhas, usando um barco a motor chamado Ester, subiram pela costa norueguesa e foram longe no Ártico. Eles deram testemunho nas ilhas, em faróis, em povoados costeiros e em lugares isolados nas montanhas. Muitos os recebiam bem, e, no decorrer de um ano, eles conseguiram distribuir de 10.000 a 15.000 livros e folhetos que explicavam o propósito de Deus para com a humanidade.

      As ilhas ouvem os louvores de Jeová

      Não foram só as ilhas próximas dos continentes que receberam testemunho. Em princípios da década de 30, Sydney Shepherd viajou de barco por dois anos pelo oceano Pacífico, pregando nas ilhas Cook e no Taiti. Mais ao oeste, George Winton visitava as Novas Hébridas (agora Vanuatu) com as boas novas.

      Por volta da mesma época, Joseph dos Santos, um americano de ascendência portuguesa, também partiu para alcançar territórios até então nunca trabalhados. Primeiro, ele deu testemunho nas ilhas exteriores do Havaí; depois, empreendeu uma viagem de pregação em volta do mundo. Ao chegar às Filipinas, porém, recebeu uma carta do irmão Rutherford, solicitando-lhe que permanecesse ali para estabelecer e organizar a atividade de pregação do Reino. Ele o fez, por 15 anos.

      Nessa época, a filial da Sociedade na Austrália dava atenção à obra no Pacífico Sul e nas proximidades. Dois pioneiros foram enviados para Fiji, onde deram amplo testemunho em 1930-31. A Samoa recebeu testemunho em 1931. A Nova Caledônia foi alcançada em 1932. Um casal de pioneiros da Austrália chegou a trabalhar na China, em 1933, e deu testemunho em 13 das principais cidades nos anos seguintes.

      Os irmãos na Austrália perceberam que se poderia fazer mais se tivessem um barco. Com o tempo, eles equiparam um barco a velas, de 16 metros, a que chamaram de Lightbearer (Portador de Luz), e a partir de princípios de 1935 usaram-no como base de operações por vários anos para um grupo de irmãos zelosos, à medida que davam testemunho nas Índias Orientais Holandesas (agora Indonésia), Cingapura e Malásia. A chegada do barco sempre atraía muita atenção, e isso muitas vezes abria o caminho para os irmãos pregarem e distribuírem muitas publicações.

      Nesse ínterim, no outro lado da Terra, duas pioneiras da Dinamarca decidiram fazer uma viagem de férias às ilhas Féroe, no oceano Atlântico Norte, em 1935. Mas sua intenção era fazer mais do que uma viagem de turismo. Elas levaram milhares de exemplares de publicações, e as usaram bem. Enfrentando com destemor o vento, a chuva e a hostilidade do clero, durante a sua estada elas cobriram o máximo número possível das ilhas habitadas.

      Mais ao oeste, Georg Lindal, um canadense de ascendência islandesa, assumiu uma designação que durou muito mais tempo. Por sugestão do irmão Rutherford, ele mudou-se para a Islândia, para servir como pioneiro, em 1929. Quanta perseverança ele mostrou! Durante a maior parte dos 18 anos seguintes ele serviu ali sozinho. Visitava as cidades e povoados vez após vez. Dezenas de milhares de exemplares de publicações foram distribuídos, mas, na época, nenhum islandês juntou-se a ele no serviço de Jeová. Com exceção de apenas um ano, não havia Testemunhas de Jeová com as quais ele pudesse associar-se na Islândia até 1947, quando chegaram dois missionários treinados em Gileade.

      Quando os homens proíbem o que Deus ordena

      Ao passo que participavam no ministério público, não era incomum, especialmente da década de 20 até a década de 40, as Testemunhas de Jeová encontrarem oposição, em geral atiçada por clérigos locais e, às vezes, por autoridades.

      Numa zona rural ao norte de Viena, Áustria, as Testemunhas viram-se confrontadas por uma multidão hostil de aldeões agitados pelo sacerdote local, que tinha o apoio da Polícia. Os sacerdotes estavam decididos a não permitir a pregação das Testemunhas de Jeová em seus povoados. Mas as Testemunhas, decididas a cumprir a incumbência que Deus lhes dera, mudaram de tática e voltaram outro dia, entrando nos povoados por outros caminhos.

      Apesar de ameaças e exigências da parte de homens, as Testemunhas de Jeová davam-se conta de que tinham a obrigação perante Deus de proclamar Seu Reino. Escolhiam obedecer a Deus como governante antes que aos homens. (Atos 5:29) Quando autoridades locais procuravam negar liberdade religiosa às Testemunhas de Jeová, elas simplesmente traziam ainda mais Testemunhas de Jeová.

      Depois de repetidas detenções em certa região da Baviera, na Alemanha, em 1929, elas fretaram dois trens especiais — um que partiu de Berlim e outro de Dresden. Estes se juntaram em Reichenbach, e, às 2 horas da madrugada, os trens, já acoplados, entraram na região de Regensburg com 1.200 passageiros ansiosos de participar em dar testemunho. Viajar era caro, e cada um pagou sua própria passagem. Em cada estação ferroviária, alguns desembarcavam. Vários haviam levado bicicleta para que pudessem chegar às zonas rurais. Todo o distrito foi coberto num único dia. À medida que viam os resultados de seus esforços unidos, só lhes restava pensar na promessa de Deus aos seus servos: “Nenhuma arma que se forjar contra ti será bem sucedida.” — Isa. 54:17.

      As Testemunhas de Jeová na Alemanha eram tão zelosas que, entre 1919 e 1933, distribuíram, segundo se calcula, pelo menos 125.000.000 de livros, folhetos e revistas, bem como milhões de tratados. No entanto, havia apenas cerca de 15.000.000 de famílias na Alemanha na época. Naquele período, a Alemanha recebeu um testemunho tão cabal quanto o que fora dado em qualquer país do mundo. Naquela parte da Terra encontrava-se uma das maiores concentrações de pessoas que professavam ser seguidores de Cristo, ungidos pelo espírito. Mas, nos anos seguintes, elas também passaram por algumas das mais duras provas de integridade. — Rev. 14:12.

      Em 1933, a oposição das autoridades à obra das Testemunhas de Jeová na Alemanha intensificou-se muito. As casas das Testemunhas e a filial da Sociedade foram vasculhadas repetidas vezes pela Gestapo. Impuseram-se proscrições à atividade das Testemunhas na maioria dos estados alemães, e algumas foram presas. Muitas toneladas de Bíblias e de publicações bíblicas foram queimadas publicamente. Em 1.º de abril de 1935, promulgou-se uma lei nacional que proscrevia os Ernste Bibelforscher (Fervorosos Estudantes da Bíblia, ou Testemunhas de Jeová), e fizeram-se esforços sistemáticos para privá-los dos seus meios de vida. Por sua vez, as Testemunhas realizavam todas as suas reuniões sempre em locais diferentes e em pequenos grupos, providenciavam a duplicação do material de estudo bíblico em formas que a Gestapo não reconhecesse prontamente e adotavam métodos de pregação que não chamassem tanta atenção.

      Mesmo antes disso, desde 1925, os irmãos na Itália já viviam sob a ditadura fascista, e, em 1929, a Igreja Católica e o Estado Fascista assinaram uma concordata. Os cristãos genuínos eram caçados sem misericórdia. Alguns se reuniam em estábulos e em palheiros para evitar serem presos. As Testemunhas de Jeová na Itália naquele tempo eram bem poucas; no entanto, seus esforços de divulgar a mensagem do Reino foram reforçados em 1932 quando 20 Testemunhas da Suíça entraram na Itália e fizeram uma distribuição relâmpago de 300.000 exemplares do folheto O Reino de Deus É a Felicidade do Povo.

      A pressão aumentava também no Extremo Oriente. Algumas Testemunhas de Jeová foram presas no Japão. Grandes quantidades de suas publicações foram destruídas pelas autoridades em Seul (no que agora é a República da Coréia) e em Pyongyang (no que agora é a República Democrática Popular da Coréia).

      Em meio a essa crescente pressão, em 1935, as Testemunhas de Jeová tiveram um entendimento bíblico claro a respeito da identidade da “grande multidão” de Revelação (Apocalipse) 7:9-17. Esse entendimento conscientizou-as duma obra que não haviam previsto e que era urgente. (Isa. 55:5) Já não achavam que todos os que não eram do “pequeno rebanho” de herdeiros do Reino celestial teriam, em alguma época no futuro, a oportunidade de harmonizar sua vida com os requisitos de Jeová. (Luc. 12:32) Davam-se conta de que chegara a época de fazer discípulos dessas pessoas, visando a sua sobrevivência para o novo mundo de Deus. Não sabiam por quanto tempo prosseguiria o ajuntamento dessa grande multidão de todas as nações, embora achassem que o fim do sistema iníquo devia estar muito perto. Não tinham certeza de exatamente como a obra se realizaria em face de perseguição, que se espalhava e se tornava mais cruel. Entretanto, tinham certeza do seguinte: visto que ‘a mão de Jeová não é curta demais’, ele lhes abriria o caminho para que fizessem sua vontade. — Isa. 59:1.

      Em 1935, as Testemunhas de Jeová eram relativamente poucas — apenas 56.153 no mundo todo.

      Elas pregavam em 115 países naquele ano; mas em aproximadamente metade desses países havia menos de dez Testemunhas. Apenas dois países tinham 10.000 ou mais Testemunhas de Jeová ativas (Estados Unidos, com 23.808; Alemanha, segundo se calcula, com 10.000 dos 19.268 que puderam relatar dois anos antes). Sete outros países (Austrália, Canadá, França, Grã-Bretanha, Polônia, Romênia e Tchecoslováquia) relataram, cada um, mais de 1.000, mas menos de 6.000 Testemunhas. O registro de atividade em 21 outros países mostra que em cada um havia entre 100 e 1.000 Testemunhas de Jeová. No entanto, naquele único ano, esse zeloso grupo de Testemunhas devotou em todo o mundo 8.161.424 horas à proclamação do Reino de Deus como a única esperança da humanidade.

      Além dos países em que atuavam em 1935, elas já haviam divulgado as boas novas em outros lugares, de modo que 149 países e grupos de ilhas haviam, até então, sido alcançados com a mensagem do Reino.

      [Destaque na página 424]

      Embora presos, eles encontravam oportunidades de pregar.

      [Destaque na página 425]

      Dispostos e ansiosos de dar prosseguimento à obra!

      [Destaque na página 441]

      Eles enfrentavam com destemor o vento, a chuva e a hostilidade do clero.

      [Destaque na página 442]

      Deu-se um testemunho de proporções extraordinárias na Alemanha antes de os “Ernste Bibelforscher” serem proscritos ali.

      [Mapa/Fotos na página 423]

      Enquanto o mundo estava em guerra, R. R. Hollister e Fanny Mackenzie atarefavam-se em levar uma mensagem de paz ao povo da China, do Japão e da Coréia.

      [Mapa]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      CORÉIA

      JAPÃO

      CHINA

      OCEANO PACÍFICO

      [Mapa na página 428]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      Ao aprenderem sobre os maravilhosos propósitos de Deus para abençoar a humanidade, emigrantes de cada um dos países que aparecem nesse mapa sentiram-se impelidos a levar essas novas à sua terra natal.

      AS AMÉRICAS

      ↓ ↓

      ÁUSTRIA

      BULGÁRIA

      CHIPRE

      TCHECOSLOVÁQUIA

      DINAMARCA

      FINLÂNDIA

      ALEMANHA

      GRÉCIA

      HUNGRIA

      ITÁLIA

      PAÍSES BAIXOS (HOLANDA)

      NORUEGA

      POLÔNIA

      PORTUGAL

      ROMÊNIA

      ESPANHA

      SUÉCIA

      SUÍÇA

      TURQUIA

      IUGOSLÁVIA

      [Mapa na página 432]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      Durante as décadas de 20 e de 30, evangelizadores mudaram-se da Alemanha para muitos países a fim de dar testemunho.

      ALEMANHA

      ↓ ↓

      AMÉRICA DO SUL

      ÁFRICA DO NORTE

      ÁSIA

      [Mapa/Fotos na página 435]

      Pioneiros zelosos como Frank Smith e seu irmão, Gray (que aparece na foto de cima), divulgaram as boas novas subindo a costa leste da África.

      [Mapa]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      UGANDA

      QUÊNIA

      TANZÂNIA

      ÁFRICA DO SUL

      [Mapa/Foto na página 439]

      Em toda a África do Sudoeste (agora Namíbia), as pessoas receberam este folheto pelo correio em 1928.

      [Mapa]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      NAMÍBIA

      [Mapa/Fotos na página 440]

      A bordo do “Lightbearer”, pioneiros zelosos divulgavam a mensagem do Reino no sudeste da Ásia.

      [Mapa]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      MALÁSIA

      BORNÉU

      CÉLEBES

      SUMATRA

      JAVA

      TIMOR

      NOVA GUINÉ

      AUSTRÁLIA

      OCEANO PACÍFICO

      [Fotos na página 426]

      Em muitos países, o discurso “Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão” atraiu grandes audiências.

      [Fotos na página 427]

      Edwin Scott, na África do Sul, distribuiu pessoalmente 50.000 exemplares de “Um Desafio aos Líderes do Mundo”.

      [Foto na página 429]

      Atendendo à convocação para evangelizadores, Willy Unglaube serviu na Europa, na África e no Oriente.

      [Fotos na página 430]

      Em 1992, Eric Cooke e seu irmão John (sentado) estavam no serviço de tempo integral já por mais de 60 anos cada um, tendo vivido experiências emocionantes na Europa e na África.

      [Foto na página 431]

      Ao ir para a Índia, em 1926, Edwin Skinner tinha uma designação que incluía cinco países; ele continuou pregando ali fielmente por 64 anos.

      [Foto na página 433]

      Alfred e Frieda Tuček, equipados com necessidades básicas da vida e publicações para dar testemunho, serviram como pioneiros na Iugoslávia Antiga.

      [Fotos na página 434]

      Por toda a África Ocidental, “Bíblia Brown” participou vigorosamente em expor a adoração falsa.

      [Foto na página 436]

      George Young participou na ampla proclamação do Reino de Deus na América do Sul, na Espanha e em Portugal.

      [Foto na página 437]

      Juan Muñiz (à esquerda), que pregava na América do Sul desde 1924, estava presente para receber N. H. Knorr em sua primeira visita à Argentina mais de 20 anos depois.

      [Foto na página 438]

      Nicolás Argyrós divulgou a verdade libertadora da Bíblia em 14 províncias argentinas.

      [Fotos na página 439]

      F. J. Franske, viajando em terra e de barco, procurou alcançar povoados remotos com a verdade da Bíblia.

  • Parte 3 — Testemunhas até à parte mais distante da terra
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 22

      Parte 3 — Testemunhas até à parte mais distante da terra

      O relatório global da pregação da mensagem do Reino, de 1935 a 1945, é apresentado nas páginas 444 a 461. O ano de 1935 é muitíssimo significativo, porque nessa época se identificou a grande multidão de Revelação (Apocalipse) 7:9. Relacionado com o ajuntamento desse grupo, as Testemunhas de Jeová passaram a discernir que a Bíblia as incumbia duma obra de proporções maiores do que as de qualquer outra já realizada. Como conseguiram fazer isso quando as nações se envolveram na Segunda Guerra Mundial e a maioria dos países impôs proscrições a elas ou às suas publicações bíblicas?

      NA DÉCADA de 30, o objetivo das Testemunhas de Jeová na sua participação no ministério era alcançar o máximo possível de pessoas com a mensagem do Reino. Se discernissem um interesse excepcional, algumas talvez passassem boa parte da noite explicando verdades da Bíblia e respondendo a perguntas para saciar os espiritualmente famintos. Mas, na maioria dos casos, as Testemunhas faziam apenas apresentações breves, elaboradas para suscitar o interesse dos moradores, e então deixavam que as publicações ou os discursos públicos bíblicos fizessem o resto. Sua obra era informar as pessoas, lançar sementes da verdade do Reino.

      Grande esforço para levar as boas novas a muitos

      A obra era realizada com senso de urgência. Por exemplo, ao ler a clara exposição da verdade bíblica nos folhetos Hell (Inferno) e Onde Estão os Mortos?, no início da década de 30, Armando Menazzi, de Córdoba, Argentina, agiu com determinação. (Sal. 145:20; Ecl. 9:5; Atos 24:15) Motivado pelo que aprendeu, e influenciado pelo zelo que Nicolás Argyrós mostrava, ele vendeu sua oficina mecânica para dedicar-se à pregação da verdade como pioneiro. Depois, em princípios da década de 40, com seu incentivo, as Testemunhas em Córdoba compraram um ônibus usado, instalaram camas e usaram esse veículo para levar dez ou mais publicadores em viagens de pregação que duravam uma ou duas semanas, ou até três meses. À medida que essas viagens eram planejadas, dava-se a diferentes irmãos da congregação a oportunidade de participar. Cada componente do grupo recebia uma tarefa — fazer limpeza, cozinhar, ou ir pescar ou caçar em busca de alimentos. Esse grupo zeloso pregou de casa em casa em pelo menos dez províncias argentinas, cobrindo cidades e povoados e alcançando fazendas espalhadas.

      Manifestava-se um espírito similar no campo australiano. Dava-se muito testemunho nas cidades costeiras densamente povoadas. Mas as Testemunhas também procuravam alcançar as pessoas em regiões remotas. Assim, em 31 de março de 1936, Arthur Willis e Bill Newlands iniciaram uma viagem de ao todo 19.710 quilômetros, que visava alcançar os que moravam nas fazendas de criação de ovelha ou de gado espalhadas pelo interior. Na maior parte do percurso não havia estradas — apenas trilhas através do sertão com seu calor sufocante e uivantes tempestades de pó. Mas eles foram em frente. Quando encontravam alguém interessado, tocavam discursos bíblicos gravados e deixavam publicações. Em outras oportunidades, John E. (Ted) Sewell os acompanhou; e depois se ofereceu para servir no sudeste da Ásia.

      O território supervisionado pela filial da Sociedade na Austrália ia muito além da própria Austrália. Incluía a China e grupos de ilhas e nações que se estendiam do Taiti, a leste, até a Birmânia (agora Mianmar), ao oeste, uma distância de 13.700 quilômetros. Nesse território havia lugares como Hong Kong, Indochina (agora Camboja, Laos e Vietnã), Índias Orientais Holandesas (incluindo ilhas como Sumatra, Java e Bornéu), Nova Zelândia, Sião (agora Tailândia) e Malásia. O superintendente de filial, Alexander MacGillivray, escocês, costumava chamar um pioneiro zeloso e jovem ao seu escritório, mostrar-lhe um mapa do território da filial e perguntar: ‘Gostaria de ser missionário?’ Daí, apontando para uma região em que pouca ou nenhuma pregação fora feita, perguntava: ‘Que acha de iniciar a obra nesse território?’

      No início da década de 30, alguns desses pioneiros já haviam trabalhado bastante nas Índias Orientais Holandesas (agora Indonésia) e em Cingapura. Em 1935, Frank Dewar, neozelandês, viajou até Cingapura com um grupo desses pioneiros a bordo do barco Lightbearer (Portador de Luz). Daí, pouco antes de o barco prosseguir para a costa noroeste da Malásia, o capitão Eric Ewins disse: “Bem, Frank, chegamos. Só podemos levar-te até aqui. Escolheste ir para Sião. Agora, vai!” Mas Frank já havia quase esquecido Sião. Estava gostando do trabalho com o grupo no barco. Dali em diante estava sozinho.

      Frank fez uma parada em Kuala Lumpur a fim de juntar dinheiro para o restante da viagem, mas, enquanto estava ali, sofreu um acidente — um caminhão o atropelou, derrubando-o da bicicleta. Recuperado, com apenas cinco dólares no bolso, tomou um trem de Cingapura para Bancoque. Com fé na capacidade de Jeová prover, prosseguiu com o trabalho. Claude Goodman pregara ali brevemente em 1931; mas, quando Frank chegou, em julho de 1936, não havia Testemunhas para recebê-lo. Nos anos seguintes, porém, outros participaram no trabalho — Willy Unglaube, Hans Thomas e Kurt Gruber, da Alemanha, e Ted Sewell, da Austrália. Distribuíram muitas publicações, mas a maior parte em inglês, chinês e japonês.

      Quando escreveram à sede da Sociedade dizendo que os irmãos precisavam de publicações na língua tai, mas que não tinham tradutor, o irmão Rutherford respondeu: “Eu não estou na Tailândia; vós é que estais. Tende fé em Jeová e trabalhai diligentemente, e encontrareis um tradutor.” E realmente encontraram. Chomchai Inthaphan, ex-diretora da Escola Feminina Presbiteriana, em Chiang Mai, aceitou a verdade e, por volta de 1941, traduzia publicações bíblicas para a língua tai.

      Uma semana depois de Frank Dewar iniciar a pregação em Bancoque, Frank Rice, que fora o pioneiro da obra do Reino em Java (agora parte da Indonésia), passou a caminho de uma nova designação no que então era a Indochina Francesa. Como fizera em seu território anterior, ele pregava aos que falavam inglês enquanto aprendia o idioma local. Depois de cobrir a cidade de Saigon (agora Ho Chi Minh), ele deu aulas de inglês a fim de comprar um carro usado que lhe fosse útil para alcançar o norte do país. Sua preocupação não era confortos materiais, mas os interesses do Reino. (Heb. 13:5) Com o carro que comprou, deu testemunho em cidadezinhas, em povoados e em casas isoladas ao longo de todo o percurso até Hanói.

      Publicidade intrépida

      Para suscitar interesse na mensagem do Reino e alertar as pessoas para a necessidade de agir com determinação, em muitos países as Testemunhas usaram recursos visuais. Começando em Glasgow, Escócia, em 1936, as Testemunhas anunciaram discursos de congressos usando cartazes presos ao corpo e distribuindo convites em áreas comerciais. Dois anos depois, em 1938, por ocasião de um congresso em Londres, Inglaterra, acrescentou-se outro notável meio de publicidade. Nathan H. Knorr e Albert D. Schroeder, que mais tarde serviram juntos no Corpo Governante, lideraram uma marcha de aproximadamente mil Testemunhas pelo distrito comercial no centro de Londres. Alternando entre um e outro, os participantes da marcha usavam cartazes presos ao corpo para anunciar o discurso público “Encare os Factos”, que seria proferido por J. F. Rutherford no Royal Albert Hall. Os que iam entre aqueles que usavam cartazes junto ao corpo levavam outros cartazes na mão, com os dizeres “A Religião É Laço e Extorsão”. (Naquele tempo, eles entendiam que religião era toda adoração que não se harmonizava com a Palavra de Deus, a Bíblia.) Mais tarde, na mesma semana, para neutralizar a reação hostil de alguns dentre o público, intercalaram-se outros cartazes com os dizeres “Sirva a Deus e a Cristo, o Rei”. Essa atividade não era fácil para muitas Testemunhas de Jeová, mas elas a consideravam como outra maneira de servir a Jeová, outra prova de sua lealdade a ele.

      Nem todos se agradavam da publicidade intrépida que as Testemunhas de Jeová davam a sua mensagem. O clero na Austrália e na Nova Zelândia pressionou os administradores de emissoras de rádio a suprimir todas as transmissões patrocinadas pelas Testemunhas de Jeová. Em abril de 1938, quando o irmão Rutherford estava a caminho da Austrália para proferir um discurso no rádio, autoridades públicas permitiram ser influenciadas a cancelar os arranjos já feitos para que ele usasse o Sydney Town Hall e a rádio. Logo foi alugado o Sydney Sports Grounds, e, em resultado da ampla publicidade em torno da oposição à visita do irmão Rutherford, uma multidão ainda maior compareceu para ouvir o discurso. Em outras ocasiões, quando se negava às Testemunhas o uso do rádio, elas reagiam fazendo intensa publicidade das reuniões em que os discursos do irmão Rutherford eram retransmitidos com fonógrafo.

      O clero na Bélgica mandava crianças jogar pedras nas Testemunhas, e os sacerdotes iam pessoalmente nas casas para recolher as publicações distribuídas. Mas alguns dos aldeões gostavam do que aprendiam das Testemunhas de Jeová. Muitas vezes diziam: “Dá-me vários folhetos; quando o sacerdote chegar, poderei dar-lhe um para satisfazê-lo e ficar com os outros para ler!”

      Os anos seguintes, porém, levaram à intensificação da oposição às Testemunhas de Jeová e à mensagem do Reino que elas proclamavam.

      Pregando na Europa apesar da perseguição do tempo de guerra

      Por não abandonarem sua fé nem desistirem de pregar, milhares de Testemunhas de Jeová na Alemanha, na Áustria, na Bélgica, na França e nos Países Baixos foram presas ou enviadas para campos de concentração nazistas. A ordem do dia ali era tratar com brutalidade. Os que ainda não estavam presos levavam avante seu ministério cautelosamente. Muitas vezes trabalhavam só com a Bíblia e ofereciam outras publicações apenas ao revisitarem interessados. Para não serem presas, as Testemunhas visitavam um apartamento num edifício e depois talvez fossem para outro prédio, ou, depois de visitarem apenas uma casa, iam para outra rua antes de se dirigirem a outra casa. Mas de modo algum temiam dar testemunho.

      Em 12 de dezembro de 1936, apenas alguns meses depois de a Gestapo ter prendido milhares de Testemunhas de Jeová e pessoas interessadas, num esforço nacional de parar sua obra, as próprias Testemunhas realizaram uma campanha. Numa operação relâmpago, elas colocaram dezenas de milhares de exemplares duma resolução em caixas de correio e debaixo das portas de pessoas em toda a Alemanha. A resolução protestava contra o tratamento cruel dispensado a seus irmãos cristãos. Uma hora após o início da distribuição, a Polícia já tentava freneticamente prender os distribuidores, mas conseguiram pegar só uns doze em todo o país.

      As autoridades ficaram chocadas por ainda se conseguir realizar uma campanha como essa depois de tudo que o governo nazista fizera para eliminar a obra. Além disso, passaram a temer a população. Por quê? Porque, quando a Polícia e outras autoridades uniformizadas visitavam as casas e perguntavam aos moradores se haviam recebido esse panfleto, a maioria negava. De fato, a maioria não o recebera mesmo. Apenas duas ou três famílias em cada prédio haviam recebido um exemplar. Mas a Polícia não sabia disso. Achava que se deixara um em cada porta.

      Nos meses seguintes, as autoridades nazistas negaram veementemente as acusações feitas naquela resolução impressa. Assim, em 20 de junho de 1937, as Testemunhas de Jeová ainda livres distribuíram outra mensagem, uma carta aberta que revelava uma abundância de pormenores sobre a perseguição, um documento que fornecia nomes de autoridades e citava datas e lugares. Foi grande a consternação da Gestapo por causa dessa exposição e da habilidade das Testemunhas de fazer essa distribuição.

      Muitas experiências da família Kusserow, de Bad Lippspringe, Alemanha, revelaram essa mesma determinação de dar testemunho. Um exemplo foi o que aconteceu depois de Wilhelm Kusserow ser executado publicamente em Münster pelo regime nazista por se recusar a transigir na fé. Hilda, a mãe de Wilhelm, foi imediatamente à prisão e solicitou com urgência o corpo para sepultamento. Ela disse a sua família: “Daremos um grande testemunho a quem o conhecia.” No funeral, Franz, pai de Wilhelm, fez uma oração que expressava fé nas provisões amorosas de Jeová. Na sepultura, Karl-Heinz, irmão de Wilhelm, disse algumas palavras de consolo à base da Bíblia. Eles não ficaram sem punição por isso, mas o importante para eles era honrar a Jeová dando um testemunho a respeito do Seu nome e do Seu Reino.

      À medida que as pressões do tempo de guerra se intensificavam nos Países Baixos, as Testemunhas prudentemente faziam ajustes em seus arranjos de reuniões. Passaram a ser realizadas apenas em grupos de dez ou menos em residências particulares. Os locais de reunião eram freqüentemente mudados. As Testemunhas só compareciam ao seu próprio grupo, e ninguém divulgava o endereço do estudo, nem para um amigo de confiança. Naquela altura dos acontecimentos, quando populações inteiras eram expulsas de sua terra por causa da guerra, as Testemunhas de Jeová sabiam que as pessoas precisavam com urgência da mensagem consoladora encontrada apenas na Palavra de Deus, e destemidamente a partilhavam com elas. Mas uma carta da filial lembrou os irmãos da cautela que Jesus demonstrara em várias ocasiões ao se confrontar com opositores. (Mat. 10:16; 22:15-22) Devido a isso, quando encontravam alguém que mostrava hostilidade, eles anotavam cuidadosamente o endereço para que se tomassem precauções especiais ao se trabalhar naquele território novamente.

      Na Grécia, a população sofreu muito durante a ocupação alemã. No entanto, o tratamento mais severo dispensado às Testemunhas de Jeová resultou da deturpação maldosa propagada pelo clero da Igreja Ortodoxa Grega, que insistia em que a Polícia e os tribunais agissem contra elas. Muitas Testemunhas foram presas ou expulsas de sua cidade natal e enviadas para povoados remotos ou confinadas a ilhas áridas sob duras condições. Todavia, elas continuaram a dar testemunho. (Compare com Atos 8:1, 4.) Muitas vezes faziam isso ao conversarem com as pessoas em bancos de parques e jardins públicos, sentando ao lado delas e falando sobre o Reino de Deus. Quando se encontrava alguém genuinamente interessado, emprestava-se a essa pessoa uma preciosa publicação bíblica. A publicação era devolvida depois e utilizada vez após vez. Muitos amantes da verdade aceitavam com gratidão a ajuda oferecida pelas Testemunhas de Jeová e até se juntavam a elas em partilhar as boas novas com outros, embora isso lhes causasse amarga perseguição.

      Um fator importante na coragem e perseverança das Testemunhas de Jeová é que elas eram edificadas por alimento espiritual. Embora os suprimentos de publicações para distribuição ao público com o tempo tenham ficado um tanto esgotados em algumas partes da Europa durante a guerra, elas conseguiam fazer circular entre si matéria para fortalecer a fé, preparada pela Sociedade para o estudo das Testemunhas de Jeová em todo o mundo. Arriscando a vida, August Kraft, Peter Gölles, Ludwig Cyranek, Therese Schreiber e muitos outros participavam em reproduzir e distribuir matérias de estudo introduzidas clandestinamente na Áustria, procedentes da Itália, da Suíça e da Tchecoslováquia. Nos Países Baixos, foi um bondoso carcereiro que ajudou, arranjando uma Bíblia para Arthur Winkler. Apesar de todas as precauções tomadas pelo inimigo, as águas revigorantes da verdade da Bíblia, em A Sentinela, entravam até mesmo nos campos de concentração alemães e circulavam entre as Testemunhas.

      O confinamento em prisões e campos de concentração não impedia as Testemunhas de Jeová de ser testemunhas. Na prisão, em Roma, o apóstolo Paulo escreveu: “Estou sofrendo o mal a ponto de estar em cadeias . . . Não obstante, a palavra de Deus não está amarrada.” (2 Tim. 2:9) Aconteceu o mesmo no caso das Testemunhas de Jeová na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. Os guardas observavam sua conduta; alguns faziam perguntas, e uns poucos se tornaram crentes, embora isso significasse a perda da própria liberdade. Muitos que estavam presos com as Testemunhas procediam de países como a Rússia, onde se fizera pouquíssima pregação das boas novas. Depois da guerra, alguns desses retornaram à sua terra como Testemunhas de Jeová, ansiosos de divulgar a mensagem do Reino.

      A perseguição brutal e os efeitos da guerra total não foram capazes de impedir o predito ajuntamento de pessoas na grande casa espiritual de Jeová para adoração. (Isa. 2:2-4) De 1938 a 1945, a maioria dos países da Europa teve substanciais aumentos no número dos que participavam publicamente nessa adoração, proclamando o Reino de Deus. Na Finlândia, na França, na Grã-Bretanha e na Suíça, as Testemunhas tiveram aumentos de aproximadamente 100 por cento. Na Grécia, o aumento foi de quase sete vezes. Nos Países Baixos, de doze vezes. Mas, por volta do fim de 1945, ainda não haviam sido recebidos pormenores da Alemanha nem da Romênia, e apenas relatórios incompletos haviam chegado de vários outros países.

      Fora da Europa durante os anos de guerra

      No Oriente, a guerra mundial também fez surgir severas dificuldades para as Testemunhas de Jeová. No Japão e na Coréia, elas eram presas, espancadas e torturadas por advogarem o Reino de Deus e não adorarem o imperador japonês. Por fim, perderam todo contato com as Testemunhas de outros países. Para muitas delas, as únicas oportunidades de dar testemunho surgiam em interrogatórios ou em julgamentos no tribunal. No fim da guerra, o ministério público das Testemunhas de Jeová nesses países havia praticamente parado.

      Quando a guerra chegou às Filipinas, as Testemunhas foram maltratadas pelos dois lados porque não apoiavam os japoneses nem as forças de resistência. Para evitarem ser presas, muitas Testemunhas abandonaram suas casas. Mas, à medida que se mudavam de um lugar para outro, elas pregavam — emprestando publicações quando disponíveis e, mais tarde, usando apenas a Bíblia. Ao passo que a frente de batalha recuava, elas até equipavam vários barcos para levar grandes grupos de Testemunhas a ilhas onde pouco ou nenhum testemunho fora dado.

      Na Birmânia (agora Mianmar), o que causou a proscrição das publicações das Testemunhas de Jeová em maio de 1941 não foi a invasão japonesa, mas a pressão que os clérigos anglicanos, metodistas, católico-romanos e batistas americanos exerceram sobre as autoridades coloniais. Duas Testemunhas de Jeová que trabalhavam na agência de telégrafos viram um telegrama que as alertou para o que viria, de modo que os irmãos rapidamente tiraram as publicações do depósito da Sociedade para evitar que fossem confiscadas. Fizeram-se então esforços para enviar boa parte das publicações por via terrestre para a China.

      Na época, o governo dos EUA transportava de caminhão grandes quantidades de material bélico pela Estrada da Birmânia para apoiar o Governo Nacionalista da China. Os irmãos tentaram conseguir espaço num desses caminhões, mas seu pedido foi rejeitado. Fracassaram também os esforços de arranjar em Cingapura um veículo. No entanto, ao fazer a solicitação a um alto oficial dos EUA, Mick Engel, encarregado do depósito da Sociedade em Rangum (agora Yangum), conseguiu permissão para transportar as publicações em caminhões do exército.

      Todavia, depois disso, quando Fred Paton e Hector Oates procuraram o oficial que controlava o comboio que ia para a China e pediram espaço, ele quase teve um ataque! “O quê?” gritou ele. “Como lhes posso dar espaço precioso nos meus caminhões para seus miseráveis tratados quando nem tenho espaço para suprimentos militares e médicos urgentemente necessitados, que estão apodrecendo aqui ao relento?” Fred pausou, tirou da pasta a carta de autorização e salientou que seria muito grave ignorar a orientação dos oficiais de Rangum. Além de providenciar o transporte de duas toneladas de livros, o controlador rodoviário colocou uma camioneta, com motorista e suprimentos, à disposição dos irmãos. Seguiram na direção nordeste pela perigosa estrada de montanha até a China com sua preciosa carga. Depois de darem testemunho em Pao-shan, prosseguiram até Chungking (Pahsien). Milhares de exemplares de publicações sobre o Reino de Jeová foram distribuídos durante o ano em que ficaram na China. Entre aqueles a quem pessoalmente deram testemunho estava Chiang Kai-shek, o presidente do Governo Nacionalista da China.

      Nesse ínterim, à medida que os bombardeios se intensificavam na Birmânia, todas as Testemunhas, com exceção de três, deixaram o país, a maioria indo para a Índia. A atividade dos três que permaneceram era, necessariamente, limitada. Mas continuaram a dar testemunho informal, e seus esforços produziram frutos depois da guerra.

      Na América do Norte, as Testemunhas de Jeová também se confrontaram com graves obstáculos durante a guerra. A violência generalizada da parte de turbas e a aplicação inconstitucional de leis locais resultaram em grande pressão sobre a obra de pregação. Milhares foram presos por tomarem posição como cristãos neutros. Mas isso não diminuiu o ritmo do ministério de casa em casa das Testemunhas de Jeová. Ademais, a partir de fevereiro de 1940, tornou-se comum vê-las nas ruas de zonas comerciais oferecendo A Sentinela e Consolação (agora Despertai!). Seu zelo ficou ainda mais forte. Embora sofressem uma das mais intensas perseguições já ocorridas naquela parte do mundo, as Testemunhas de Jeová mais do que dobraram em número nos Estados Unidos e no Canadá de 1938 a 1945, e o tempo que dedicavam ao ministério público triplicou.

      Em muitos países identificados com a Comunidade Britânica de Nações (na América do Norte, na África, na Ásia e em ilhas do Caribe e do Pacífico), quer as Testemunhas de Jeová, quer suas publicações, sofreram proscrição governamental. Um desses países foi a Austrália. Uma nota oficial publicada em 17 de janeiro de 1941, sob a ordem do governador-geral, tornava ilegal as Testemunhas de Jeová se reunirem para adoração, distribuírem quaisquer de suas publicações ou até as possuírem. A lei possibilitava contestar a proscrição no tribunal, o que se fez prontamente. Mas levou mais de dois anos para o juiz Starke, do Supremo Tribunal, declarar que os regulamentos em que se baseava a proscrição eram “arbitrários, caprichosos e opressivos”. O Supremo Tribunal removeu unanimemente a proscrição. O que faziam as Testemunhas de Jeová nesse ínterim?

      Em imitação aos apóstolos de Jesus Cristo, elas ‘obedeciam a Deus como governante antes que aos homens’. (Atos 4:19, 20; 5:29) Continuavam pregando. Apesar de muitos obstáculos, chegaram a organizar um congresso em Hargrave Park, perto de Sídnei, de 25 a 29 de dezembro de 1941. Visto que o governo negou-se a fornecer transporte ferroviário a alguns congressistas, um grupo do oeste da Austrália equipou seus veículos com gasogênios à base de carvão e fez uma viagem de 14 dias para cruzar o país, o que incluiu passar uma semana atravessando a implacável planície de Nullarbor. Chegaram sãos e salvos e assistiram ao programa junto com seis mil outros congressistas. No ano seguinte realizou-se outra assembléia, mas dessa vez ela foi dividida em 150 grupos menores em sete cidades principais do país, com os oradores indo de um local para o outro.

      À medida que a situação na Europa deteriorava em 1939, alguns pioneiros das Testemunhas de Jeová ofereciam-se para servir em outros campos. (Compare com Mateus 10:23; Atos 8:4.) Três pioneiros alemães foram enviados da Suíça para Xangai, China. Vários foram para a América do Sul. Entre os transferidos para o Brasil estavam Otto Estelmann, que visitava e ajudava as congregações na Tchecoslováquia, e Erich Kattner, que servira na congênere da Sociedade Torre de Vigia em Praga. Sua nova designação não era fácil. Descobriram que em algumas regiões agrícolas as Testemunhas levantavam-se bem cedo, pregavam até às 7 horas da manhã, mais tarde no dia voltavam ao serviço de campo e prosseguiam às vezes até altas horas da noite. O irmão Kattner lembra-se de que, ao se mudar de um lugar para outro, muitas vezes dormia ao relento, usando a pasta de publicações como travesseiro. — Compare com Mateus 8:20.

      Os irmãos Estelmann e Kattner haviam sido procurados pela polícia secreta nazista na Europa. Ficaram livres de perseguição com a mudança para o Brasil? Pelo contrário, depois de apenas um ano, ficaram sob prolongada prisão domiciliar às instigações de autoridades que aparentemente eram simpatizantes do nazismo! Também era comum a oposição do clero católico, mas as Testemunhas persistiam na obra de que Deus lhes incumbira. Constantemente se esforçavam a chegar a cidades e a povoados no Brasil onde a mensagem do Reino ainda não havia sido pregada.

      Um exame da situação global mostra que, na maioria dos países em que havia Testemunhas de Jeová durante a Segunda Guerra Mundial, elas se confrontaram com proscrições governamentais, quer à sua organização, quer às suas publicações. Embora pregassem em 117 países em 1938, nos anos da guerra (1939-45) houve proscrições à sua organização ou às suas publicações, ou deportação de seus ministros, em mais de 60 desses países. Mesmo onde não houve proscrições, elas enfrentaram a violência de turbas e eram freqüentemente presas. Apesar de tudo isso, a pregação das boas novas não parou.

      A grande multidão começa a manifestar-se na América Latina

      Bem no meio dos anos de guerra, em fevereiro de 1943, pensando na obra que seria realizada na era pós-guerra, a Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) inaugurou a Escola de Gileade, no Estado de Nova Iorque, a fim de treinar missionários para o serviço no exterior. Antes do fim do ano, 12 desses missionários já serviam em Cuba. O campo ali mostrava-se muito produtivo.

      Já em 1910, algumas sementes da verdade da Bíblia haviam chegado a Cuba. C. T. Russell proferira ali um discurso em 1913. J. F. Rutherford falara pelo rádio em Havana em 1932, e a matéria foi retransmitida em espanhol. Mas o crescimento era lento. Havia amplo analfabetismo e muito preconceito religioso naquela época. A princípio, os interessados eram na maior parte dentre a população de língua inglesa procedente da Jamaica e de outros lugares. Em 1936, havia apenas 40 proclamadores do Reino em Cuba. Mas a obra de plantar e regar as sementes da verdade do Reino passou então a produzir mais frutos.

      Em 1934, os primeiros cubanos foram batizados; depois, outros seguiram o exemplo. A partir de 1940, transmissões radiofônicas diárias junto com intrépido testemunho nas ruas reforçou o ministério de casa em casa. Mesmo antes da chegada de missionários de Gileade, em 1943, 950 pessoas em Cuba aceitaram as boas novas e pregavam-nas a outros, embora nem todos o fizessem regularmente. Nos dois anos seguintes à chegada dos missionários, os números aumentaram com ainda maior rapidez. Em 1945, as Testemunhas de Jeová em Cuba totalizavam 1.894. Embora a maior parte procedesse duma religião que lhes ensinou que todos os fiéis apoiadores da Igreja iriam para o céu, a vasta maioria dos que se tornaram Testemunhas de Jeová aceitou com entusiasmo a perspectiva de vida eterna na Terra no paraíso restaurado. (Gên. 1:28; 2:15; Sal. 37:9, 29; Rev. 21:3, 4) Apenas 1,4 por cento professava ser dos irmãos de Cristo ungidos pelo espírito.

      A sede mundial da Sociedade forneceu ajuda ao campo latino-americano de ainda outra maneira. No início de 1944, N. H. Knorr, F. W. Franz, W. E. Van Amburgh e M. G. Henschel passaram dez dias em Cuba para fortalecer espiritualmente os irmãos. Realizou-se nesse período um congresso em Havana, e elaboraram-se arranjos para melhor coordenação da obra de pregação. Essa viagem também levou os irmãos Knorr e Henschel à Costa Rica, à Guatemala e ao México para ajudar as Testemunhas de Jeová nesses países.

      Em 1945 e 1946, N. H. Knorr e F. W. Franz fizeram viagens que lhes possibilitaram conversar e trabalhar com as Testemunhas de 24 países na região que vai do México ao extremo sul da América do Sul e com as do Caribe. Passaram cinco meses nessa parte do mundo, dando ajuda e orientação amorosa. Em alguns lugares, reuniram-se com apenas um punhado de pessoas interessadas. Para que houvesse arranjos regulares de reuniões e serviço de campo, ajudaram pessoalmente na organização das primeiras congregações em Lima, no Peru, e em Caracas, na Venezuela. Nos lugares em que já se realizavam reuniões regulares, eles compareciam e, às vezes, aconselhavam sobre como aprimorar seu valor prático com relação à evangelização.

      Quando possível, programavam-se palestras bíblicas para o público durante essas visitas. Essas palestras recebiam ampla publicidade por meio de cartazes que as Testemunhas de Jeová usavam presos ao corpo e pela distribuição de convites nas ruas. Em resultado disso, as 394 Testemunhas no Brasil alegraram-se com a assistência de 765 pessoas no congresso realizado em São Paulo. No Chile, onde havia 83 proclamadores do Reino, 340 pessoas foram ouvir o discurso anunciado com destaque. Na Costa Rica, as 253 Testemunhas regozijaram-se com o total de 849 pessoas presentes em suas duas assembléias. Eram ocasiões de caloroso companheirismo para os irmãos.

      O objetivo, porém, não era só realizar congressos memoráveis. Nesses roteiros, os representantes da sede davam ênfase especial à importância de revisitar os interessados e dirigir estudos bíblicos domiciliares para essas pessoas. Se elas haviam de tornar-se genuínos discípulos, precisariam de instrução regular da Palavra de Deus. Em resultado disso, o número de estudos bíblicos domiciliares aumentou rapidamente nessa parte do mundo.

      Enquanto os irmãos Knorr e Franz cumpriam esse roteiro de serviço, mais missionários treinados em Gileade chegavam a suas designações. Em fins de 1944, alguns serviam na Costa Rica, no México e em Porto Rico. Em 1945, outros missionários ajudavam a organizar melhor a obra de pregação em Barbados, no Brasil, no Chile, na Colômbia, em El Salvador, na Guatemala, no Haiti, nas Honduras Britânicas (agora Belize), na Jamaica, na Nicarágua, no Panamá e no Uruguai. Quando os dois primeiros missionários chegaram à República Dominicana, em 1945, eles eram as únicas Testemunhas no país. O efeito do ministério dos primeiros missionários logo foi sentido. Trinidad Paniagua disse sobre os primeiros missionários enviados para a Guatemala: “Era exatamente o que precisávamos — instrutores da Palavra de Deus que nos ajudassem a entender como realizar a obra.”

      Portanto, lançava-se a base para a expansão nessa parte do campo mundial. Nas ilhas do Caribe, havia 3.394 proclamadores do Reino em fins de 1945. No México 3.276 e 404 na América Central. Na América do Sul, 1.042. Para essa parte do mundo, isso era um aumento de 386 por cento nos sete anos anteriores, um período muito turbulento da história humana. Mas era só o começo. Ainda estava à frente um crescimento de proporções realmente explosivas! A Bíblia predissera que “uma grande multidão . . . de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas”, seria ajuntada como adoradores de Jeová antes da grande tribulação. — Rev. 7:9, 10, 14.

      No começo da Segunda Guerra Mundial, em 1939, havia apenas 72.475 Testemunhas de Jeová pregando em 115 países (se contados segundo as divisões nacionais do início da década de 90). Apesar da intensa perseguição que sofreram em escala global, seu número mais do que dobrou até o fim da guerra. Assim, o relatório de 1945 indicou 156.299 Testemunhas ativas nos 107 países para os quais foi possível compilar relatórios. Naquele tempo, porém, 163 países já haviam sido de fato alcançados com a mensagem do Reino.

      O testemunho dado de 1936 a 1945 foi deveras surpreendente. Durante essa década de turbulência mundial, essas zelosas Testemunhas de Jeová dedicaram 212.069.285 horas a proclamar para o mundo que o Reino de Deus é a única esperança da humanidade. Distribuíram também 343.054.579 livros, folhetos e revistas para ajudar as pessoas a entender a base bíblica dessa confiança. Para ajudar os sinceramente interessados, em 1945 elas dirigiam em média 104.814 estudos bíblicos domiciliares gratuitos.

      [Destaque na página 455]

      Embora as condições do tempo de guerra as obrigassem a fugir, elas continuaram a pregar.

      [Quadro/Fotos nas páginas 451-453]

      Mesmo Presos, Negaram-se a Parar de Dar Testemunho

      Aparecem aqui apenas alguns dos milhares que sofreram por sua fé em prisões e campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial.

      1. Adrian Thompson, Nova Zelândia. Preso em 1941 na Austrália; seu pedido de isenção de recrutamento foi rejeitado quando a Austrália proscreveu as Testemunhas de Jeová. Depois de ser libertado, como superintendente viajante, fortaleceu as congregações no ministério público. Serviu como missionário e foi o primeiro superintendente viajante no Japão do pós-guerra; continuou a pregar zelosamente até sua morte em 1976.

      2. Alois Moser, Áustria. Esteve em sete prisões e campos de concentração. Ainda uma Testemunha ativa em 1992, aos 92 anos.

      3. Franz Wohlfahrt, Áustria. A execução de seu pai e de seu irmão não intimidou Franz. Passou cinco anos no campo de concentração de Rollwald, na Alemanha. Ainda dando testemunho em 1992, aos 70 anos de idade.

      4. Thomas Jones, Canadá. Preso em 1944, daí mantido em dois campos de trabalho. Depois de 34 anos de serviço de tempo integral, foi designado em 1977 membro da Comissão de Filial que supervisiona a obra de pregação em todo o Canadá.

      5. Maria Hombach, Alemanha. Presa muitas vezes; ficou na solitária três anos e meio. Como mensageira, arriscava a vida para levar publicações bíblicas a outras Testemunhas. Em 1992 ainda um membro fiel da família de Betel aos 90 anos.

      6. Max e Konrad Franke, Alemanha. Pai e filho, ambos presos muitas vezes, e por muitos anos. (A esposa de Konrad, Gertrud, também esteve na prisão.) Todos permaneceram servos leais e zelosos de Jeová, e Konrad estava na vanguarda da reestruturação da obra de pregação das Testemunhas na Alemanha do pós-guerra.

      7. A. Pryce Hughes, Inglaterra. Sentenciado a duas penas no presídio de Wormwood Scrubs, Londres; também ficou preso durante a Primeira Guerra Mundial por causa de sua fé. Esteve na vanguarda da obra de pregação do Reino na Grã-Bretanha até sua morte em 1978.

      8. Adolphe e Emma Arnold, com a filha Simone; França. Depois de Adolphe ser preso, Emma e Simone continuaram a dar testemunho e também a distribuir publicações a outras Testemunhas. Na prisão, Emma foi colocada na solitária porque dava persistentemente testemunho a outras prisioneiras. Simone foi enviada a um reformatório. Todos continuaram a ser Testemunhas zelosas.

      9. Ernst e Hildegard Seliger, Alemanha. Ao todo, mais de 40 anos em prisões e campos de concentração por causa de sua fé. Mesmo presos, persistiam em partilhar verdades da Bíblia com outros. Quando em liberdade, dedicavam tempo integral à pregação das boas novas. O irmão Seliger morreu como servo leal de Deus em 1985; a irmã Seliger, em 1992.

      10. Carl Johnson, Estados Unidos. Dois anos depois de ser batizado, foi preso com centenas de outras Testemunhas em Ashland, Kentucky. Serviu como pioneiro e como superintendente de circuito; em 1992, ainda tomava a liderança no ministério de campo como ancião.

      11. August Peters, Alemanha. Separado à força da esposa e dos quatro filhos, ficou preso de 1936-37 e de 1937-45. Depois de ser libertado, em vez de pregar menos, ele pregou mais, no serviço de tempo integral. Em 1992, aos 99 anos, ainda servia como membro da família de Betel e vira o número de Testemunhas de Jeová na Alemanha aumentar para 163.095.

      12. Gertrud Ott, Alemanha. Presa em Lodz, Polônia, depois enviada para o campo de concentração de Auschwitz; daí para os de Gross-Rosen e de Bergen-Belsen, na Alemanha. Depois da guerra, serviu zelosamente como missionária na Indonésia, no Irã e em Luxemburgo.

      13. Katsuo Miura, Japão. Sete anos depois de sua detenção e prisão em Hiroxima, a maior parte da prisão em que ele estava foi destruída pela bomba atômica que devastou a cidade. No entanto, os médicos não encontraram evidência de que ele tivesse sofrido danos devido à radiação. Passou os últimos anos da vida como pioneiro.

      14. Martin e Gertrud Poetzinger, Alemanha. Poucos meses depois de se casarem, foram presos e separados à força por nove anos. Martin foi enviado para Dachau e Mauthausen; Gertrud, para Ravensbrück. Apesar do tratamento brutal, sua fé não vacilou. Depois de libertados, dedicaram todos os seus esforços ao serviço de Jeová. Durante 29 anos, ele serviu como superintendente viajante por toda a Alemanha; depois, como membro do Corpo Governante, até sua morte em 1988. Em 1992, Gertrud continuava como zelosa evangelizadora.

      15. Jizo e Matsue Ishii, Japão. Depois de distribuírem publicações bíblicas por todo o Japão durante uma década, eles foram presos. Embora a obra das Testemunhas de Jeová no Japão tenha sido esmagada durante a guerra, o irmão e a irmã Ishii voltaram a dar zeloso testemunho depois da guerra. Em 1992, Matsue Ishii viu o número de Testemunhas ativas no Japão aumentar para mais de 171.000.

      16. Victor Bruch, Luxemburgo. Preso em Buchenwald, em Lublin, em Auschwitz e em Ravensbrück. Aos 90 anos, ainda ativo como ancião das Testemunhas de Jeová.

      17. Karl Schurstein, Alemanha. Superintendente viajante antes de Hitler subir ao poder. Preso por oito anos e depois morto pelas SS, em Dachau, em 1944. Mesmo no campo de concentração, continuou a edificar outros em sentido espiritual.

      18. Kim Bong-nyu, Coréia. Presa por seis anos. Aos 72 anos, ainda falava a outros sobre o Reino de Deus.

      19. Pamfil Albu, Romênia. Após um tratamento brutal, foi enviado para um campo de trabalho na Iugoslávia, por dois anos e meio. Após a guerra, foi preso mais duas vezes, por 12 anos. Não parou de falar sobre o propósito de Deus. Antes de sua morte, ajudou milhares de pessoas na Romênia a servir com a organização global das Testemunhas de Jeová.

      20. Wilhelm Scheider, Polônia. Em campos de concentração nazistas, de 1939-45. Em prisões comunistas, de 1950-56 e 1960-64. Até sua morte, em 1971, dedicou suas energias resolutamente à proclamação do Reino de Deus.

      21. Harald e Elsa Abt, Polônia. Durante e depois da guerra, Harald passou 14 anos na prisão e em campos de concentração por causa de sua fé, mas continuou a pregar mesmo ali. Elsa foi separada à força de sua filhinha e mantida em seis campos na Polônia, na Alemanha e na Áustria. Apesar duma proscrição de 40 anos às Testemunhas de Jeová na Polônia mesmo depois da guerra, os três continuaram a ser zelosos servos de Jeová.

      22. Ádám Szinger, Hungria. Em seis julgamentos, foi sentenciado a 23 anos, dos quais serviu 8 anos e meio na prisão e em campos de trabalho. Ao ser libertado, serviu como superintendente viajante por 30 anos. Aos 69 anos, ainda era um ancião leal na congregação.

      23. Joseph dos Santos, Filipinas. Dedicou 12 anos como proclamador da mensagem do Reino por tempo integral antes de ser preso, em 1942. Revitalizou a atividade das Testemunhas de Jeová nas Filipinas após a guerra e continuou no serviço de pioneiro até sua morte, em 1983.

      24. Rudolph Sunal, Estados Unidos. Preso em Mill Point, Virgínia Ocidental. Depois de libertado, dedicou tempo integral à divulgação do conhecimento do Reino de Deus — como pioneiro, membro da família de Betel e superintendente de circuito. Ainda um pioneiro em 1992, aos 78 anos.

      25. Martin Magyarosi, Romênia. Da prisão, de 1942-44, continuou a orientar a pregação das boas novas na Transilvânia. Ao ser libertado, viajou extensivamente para incentivar outras Testemunhas na pregação e era pessoalmente uma Testemunha destemida. Preso novamente em 1950, morreu num campo de trabalho em 1953, como leal servo de Jeová.

      26. R. Arthur Winkler, Alemanha e Países Baixos. Enviado primeiro para o campo de concentração de Esterwegen; continuou pregando no campo. Mais tarde, nos Países Baixos, foi espancado pela Gestapo até ficar irreconhecível. Por fim foi enviado para Sachsenhausen. Testemunha leal e zelosa até sua morte em 1972.

      27. Park Ock-hi, Coréia. Três anos no Presídio de Sodaemun, Seul; submetida a indescritíveis torturas. Aos 91 anos, em 1992, ainda dava testemunho zelosamente como pioneira especial.

      [Mapa/Foto na página 446]

      Alexander MacGillivray, como superintendente de filial da Austrália, ajudou a planejar viagens de pregação a muitos países e ilhas.

      [Mapa]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      AUSTRÁLIA

      NOVA ZELÂNDIA

      TAITI

      TONGA

      FIJI

      NOVA GUINÉ

      JAVA

      BORNÉU

      SUMATRA

      BIRMÂNIA

      HONG KONG

      MALÁSIA

      CINGAPURA

      SIÃO

      INDOCHINA

      CHINA

      OCEANO PACÍFICO

      Os nomes dos lugares são os que estavam em uso na década de 30.

      [Mapa/Fotos na página 460]

      Em fins de 1945, missionários da Escola de Gileade já serviam em 18 países nessa parte do mundo.

      Charles e Lorene Eisenhower

      Cuba

      John e Adda Parker

      Guatemala

      Emil Van Daalen

      Porto Rico

      Olaf Olson

      Colômbia

      Don Burt

      Costa Rica

      Gladys Wilson

      El Salvador

      Hazel Burford

      Panamá

      Louise Stubbs

      Chile

      [Mapa]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      CUBA

      COSTA RICA

      MÉXICO

      PORTO RICO

      TRINIDAD

      BELIZE

      BRASIL

      CHILE

      COLÔMBIA

      REPÚBLICA DOMINICANA

      EL SALVADOR

      GUATEMALA

      HAITI

      JAMAICA

      NICARÁGUA

      PANAMÁ

      URUGUAI

      BOLÍVIA

      BARBADOS

      [Foto na página 444]

      Alguns colportores distribuíam muitas caixas de publicações; os moradores recebiam muitos sermões bíblicos em cada livro.

      [Foto na página 445]

      Armando Menazzi (no centro, em frente) e um grupo alegre que fez com ele uma viagem de pregação em sua “casa de pioneiro sobre rodas”.

      [Foto na página 445]

      Arthur Willis, Ted Sewell e Bill Newlands — três que levaram a mensagem do Reino ao interior da Austrália.

      [Foto na página 447]

      Frank Dewar (com a esposa e as duas filhas) foi sozinho para a Tailândia como pioneiro, em 1936, e ainda era pioneiro especial em 1992.

      [Foto na página 447]

      Chomchai Inthaphan usou sua habilidade como tradutora para alcançar o povo tai com as boas novas da Bíblia.

      [Foto na página 448]

      Na Alemanha, as Testemunhas de Jeová deram a essa carta aberta ampla distribuição ao público, em 1937, embora sua adoração estivesse proscrita pelo governo.

      [Foto na página 449]

      A família de Franz e Hilda Kusserow — todos fiéis Testemunhas de Jeová, embora todos da família (exceto um filho que morrera num acidente) tenham sido confinados em campos de concentração, prisões ou escolas reformatórias, por causa de sua fé.

      [Fotos na página 450]

      Alguns na Áustria e na Alemanha que arriscaram a vida para copiar ou distribuir matéria preciosa para estudo bíblico, como a que aparece no fundo.

      Therese Schreiber

      Peter Gölles

      Elfriede Löhr

      Albert Wandres

      August Kraft

      Ilse Unterdörfer

      [Foto na página 454]

      Testemunhas de Jeová num congresso em Xangai, China, em 1936; nove desse grupo foram batizados nessa ocasião.

      [Foto na página 456]

      Apesar duma proscrição à sua adoração, essas Testemunhas realizaram um congresso em Hargrave Park, perto de Sídnei, Austrália, em 1941.

      [Foto na página 458]

      Testemunhas cubanas num congresso em Cienfuegos, em 1939.

      [Foto na página 459]

      N. H. Knorr (à esquerda) num congresso em São Paulo, em 1945, com Erich Kattner como intérprete.

  • Parte 4 — Testemunhas até à parte mais distante da terra
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 22

      Parte 4 — Testemunhas até à parte mais distante da terra

      Com a Segunda Guerra Mundial ainda em andamento, as Testemunhas de Jeová faziam planos para atividades intensificadas na era pós-guerra. O relato nas páginas 462 a 501 apresenta pormenores fascinantes do que realmente aconteceu de 1945 a 1975, à medida que elas aumentavam, alcançavam muitos outros países e se dedicavam a pregar e a ensinar a Palavra de Deus de maneira mais cabal do que nunca.

      A MAIORIA das ilhas das Índias Ocidentais havia sido alcançada de algum modo com a mensagem do Reino até 1945. Mas era preciso dar um testemunho mais cabal. Missionários treinados na Escola de Gileade desempenhariam um papel importante.

      Missionários intensificam o testemunho nas Índias Ocidentais

      Por volta de 1960, os missionários já haviam servido em 27 ilhas ou grupos de ilhas no Caribe. Em metade desses lugares não havia congregação das Testemunhas de Jeová quando os missionários chegaram. Eles passaram a dirigir estudos bíblicos domiciliares para os interessados e organizaram reuniões regulares. Onde já havia congregação, deram valioso treinamento aos publicadores locais. Assim, a qualidade das reuniões e a eficiência no ministério melhoraram.

      Os antigos Estudantes da Bíblia pregaram em Trinidad já antes da Primeira Guerra Mundial, mas, depois da chegada dos missionários de Gileade, em 1946, a obra de dirigir estudos bíblicos domiciliares para os interessados recebeu forte ímpeto. Na Jamaica, a pregação das boas novas já se fazia há quase meio século, e havia mil Testemunhas locais quando o primeiro missionário chegou; mas elas sentiam-se felizes de ter ajuda para alcançar as pessoas mais instruídas, especialmente nos bairros nobres da capital. Por outro lado, em Aruba, já se havia dado muito testemunho à comunidade de língua inglesa, de modo que os missionários deram atenção à população nativa. Todos precisavam ouvir as boas novas.

      Em 1948, para que as pessoas em todas as ilhas nessa parte da Terra tivessem oportunidade de ouvir sobre o Reino de Deus, a Sociedade Torre de Vigia (EUA) transformou o barco a velas Sibia, de 18 metros, em lar missionário flutuante. A tripulação foi designada a levar a mensagem do Reino a toda ilha das Índias Ocidentais em que não houvesse ninguém ativo na pregação das boas novas. Gust Maki era o capitão, acompanhado de Stanley Carter, Ronald Parkin e Arthur Worsley. Começaram com as ilhas Externas do grupo das Baamas, depois trabalharam rumo ao sudeste pelas ilhas de Sotavento e pelas ilhas de Barlavento. Que efeito tiveram suas visitas? Em S. Martinho, um homem de negócios lhes disse: “As pessoas aqui nunca falavam sobre a Bíblia, mas, desde que vocês estiveram aqui, todo mundo está falando sobre a Bíblia.” Mais tarde, o Sibia foi substituído por um barco maior, o Light (Luz). A tripulação também mudou. Em uma década, o trabalho especial realizado com o uso desses barcos havia sido concluído, e proclamadores das boas novas com base em terra davam prosseguimento à obra.

      Primeiro nas cidades maiores

      Como se deu nas Índias Ocidentais, também na América Central e do Sul já havia pessoas em muitas regiões que tinham algumas publicações da Sociedade Torre de Vigia antes da chegada dos missionários de Gileade. Mas, para alcançar a todos com as boas novas e ajudar os sinceros a se tornar discípulos genuínos, era preciso melhor organização.

      No fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, havia centenas de Testemunhas de Jeová na Argentina e no Brasil; umas três mil no México; algumas congregações bem pequenas no Chile, na Guiana Holandesa (agora Suriname), na Guiana Inglesa (agora Guiana), no Paraguai e no Uruguai; alguns publicadores na Colômbia, na Guatemala e na Venezuela. Mas, na Bolívia, em El Salvador, no Equador, em Honduras e na Nicarágua, a atividade das Testemunhas de Jeová só foi estabelecida em base permanente com a chegada dos missionários que receberam treinamento na Escola de Gileade.

      Os missionários deram atenção especial primeiro aos principais centros urbanos. É digno de nota que no primeiro século o apóstolo Paulo efetuou boa parte da pregação em cidades ao longo das principais rotas de viagem na Ásia Menor e na Grécia. Em Corinto, uma das cidades mais destacadas da antiga Grécia, Paulo dedicou 18 meses ao ensino da Palavra de Deus. (Atos 18:1-11) Em Éfeso, uma encruzilhada de rotas e atividades comerciais no mundo antigo, ele proclamou o Reino de Deus por mais de dois anos. — Atos 19:8-10; 20:31.

      De maneira similar, quando Edward Michalec e Harold Morris, missionários da Escola de Gileade, chegaram à Bolívia em 1945, eles não procuraram um lugar com o clima mais agradável. Em vez disso, deram atenção primeiro a La Paz, a capital, que fica nos Andes, a uma elevação de quase 3.700 metros. Subir as ruas íngremes a essa altitude é uma luta para recém-chegados; seu coração muitas vezes bate como martelo de forja. Mas os missionários encontraram muitos interessados na mensagem da Bíblia. Ali, na capital, era comum lhes dizerem: “Sou católico apostólico romano, mas não gosto dos padres.” Em apenas dois meses, os dois missionários já dirigiam 41 estudos bíblicos domiciliares.

      Nos dez anos seguintes, à medida que chegavam mais missionários e o número de Testemunhas locais aumentava, dava-se atenção a outras cidades bolivianas: Cochabamba, Oruro, Santa Cruz, Sucre, Potosí e Tarija. Depois, pôde-se dar mais atenção às cidades menores e também às zonas rurais.

      De modo similar, os missionários na Colômbia organizaram a pregação na capital, Bogotá, em 1945, e na cidade costeira de Barranquilla no ano seguinte. Depois, deu-se progressivamente atenção a Cartagena, Santa Marta, Cali e Medellín. Mais pessoas podiam ser alcançadas num curto período trabalhando-se primeiro nas cidades maiores. Com a ajuda dos que aprendiam a verdade ali, a mensagem logo era levada às regiões vizinhas.

      Quando havia bem pouco interesse numa cidade, os missionários eram transferidos para outros lugares. Assim, no Equador, em meados da década de 50, depois que três anos de trabalho não haviam produzido uma única pessoa que tivesse a coragem de tomar posição a favor da verdade na fanaticamente religiosa cidade de Cuenca, Carl Dochow foi transferido para Machala, cujos habitantes eram tolerantes e de mente aberta. Uns dez anos depois, porém, o povo de Cuenca recebeu outra oportunidade. Encontrou-se um espírito diferente, os obstáculos foram superados, e, em 1992, em Cuenca e nas redondezas, mais de 1.200 pessoas já se haviam tornado Testemunhas de Jeová e estavam organizadas em 25 congregações!

      Procura paciente dos comparáveis a ovelhas

      Tem sido necessário muita paciência na procura de pessoas com genuínas características de ovelha. Para localizá-las no Suriname, as Testemunhas de Jeová pregaram a ameríndios, chineses, indonésios, judeus, libaneses, descendentes de colonos holandeses e tribos das selvas, compostas de negros cujos antepassados eram escravos foragidos. Entre todos esses têm-se encontrado centenas de pessoas realmente famintas da verdade. Algumas tiveram de romper com um profundo envolvimento com o animismo e com práticas espíritas. Um desses era Paitu, um curandeiro, que levou a sério a mensagem da Bíblia e jogou no rio seus ídolos, amuletos e poções. (Compare com Deuteronômio 7:25; 18:9-14; Atos 19:19, 20.) Em 1975, dedicou-se a Jeová, o verdadeiro Deus.

      Considerável número de habitantes do Peru vivem em pequenos povoados espalhados nas encostas dos Andes e na selva que circunda as cabeceiras do Amazonas. Como poderiam ser alcançados? Em 1971, um casal de Testemunhas dos Estados Unidos foi ao Peru para visitar o filho missionário, Joe Leydig. Ao se darem conta do grande número de povoados aninhados cá e acolá nos vales das montanhas, sua preocupação por essas pessoas induziu-os a fazer algo. Ajudaram a providenciar uma pequena casa volante, depois mais duas, bem como motocicletas, para uso em extensas viagens de pregação naquelas regiões remotas.

      Apesar do esforço, em muitos lugares parecia que bem poucos tinham interesse na mensagem da Bíblia. Pode-se imaginar como se sentia o grupo de seis jovens missionários em Barquisimeto, Venezuela, em princípios da década de 50 quando, depois de um ano inteiro de diligente pregação, praticamente não viam nenhum progresso. Embora as pessoas fossem bastante amistosas, a maioria estava profundamente envolvida em superstições e achava ser pecado até mesmo ler um texto da Bíblia. Quem quer que se interessasse era logo desestimulado pelos familiares ou vizinhos. (Mat. 13:19-21) Mas, confiantes em que devia haver pessoas comparáveis a ovelhas em Barquisimeto e em que Jeová as ajuntaria no tempo devido, os missionários continuaram a fazer visitas de casa em casa. Assim, quão acalentador foi para Penny Gavette quando, certo dia, uma senhora de cabelos grisalhos escutou-a e depois disse:

      “Senhorita, desde mocinha eu tenho esperado que alguém viesse à minha porta e explicasse as coisas que você acaba de me falar. Quando jovem, eu limpava a casa do sacerdote, e ele tinha uma Bíblia na biblioteca. Eu sabia que éramos proibidos de lê-la, mas tinha tanta curiosidade de saber o motivo disso, que, certo dia, quando não havia ninguém por perto, levei-a para casa e li-a secretamente. O que li fez-me perceber que a Igreja Católica não nos ensinara a verdade e, por isso, não era a religião verdadeira. Tive medo de dizer alguma coisa a alguém, mas tinha certeza de que um dia aqueles que ensinam a religião verdadeira viriam à nossa cidade. Quando a religião protestante chegou, pensei a princípio que deviam ser eles, mas logo descobri que ensinavam muitas das mesmas falsidades que a Igreja Católica ensinava. Agora, o que você acaba de me falar é o que eu li naquela Bíblia tantos anos atrás.” Ela concordou animadamente em estudar a Bíblia e se tornou Testemunha de Jeová. Apesar da oposição da família, serviu a Jeová fielmente até à morte.

      Era preciso grande esforço para ajuntar esses comparáveis a ovelhas em congregações e treiná-los a participar no serviço de Jeová. Como exemplo, na Argentina, Rosendo Ojeda viajava regularmente uns 60 quilômetros de General San Martín, Chaco, para dirigir uma reunião na casa de Alejandro Sozoñiuk, um interessado. A viagem muitas vezes levava dez horas, parte de bicicleta, parte a pé, às vezes cruzando rios com água quase à altura dos ombros. Durante cinco anos, ele fazia essa viagem uma vez por mês, sempre ficando na região uma semana para dar testemunho. Valeu a pena? Ele não tem dúvida disso, pois o resultado foi uma congregação feliz de louvadores de Jeová.

      Promovendo instrução para a vida

      No México, as Testemunhas de Jeová executavam sua obra em conformidade com as leis que regiam as organizações culturais locais. O objetivo das Testemunhas era fazer mais do que apenas realizar reuniões em que se proferiam discursos. Queriam que as pessoas fossem como os bereanos nos dias do apóstolo Paulo, que puderam ‘examinar cuidadosamente as Escrituras para ver se as coisas que lhes haviam sido ensinadas eram realmente assim’. (Atos 17:11) No México, como em muitos outros países, isso muitas vezes envolvia dar ajuda especial a pessoas sem escolaridade, que, no entanto, desejavam poder ler a inspirada Palavra de Deus.

      As aulas de alfabetização ministradas pelas Testemunhas de Jeová no México têm ajudado dezenas de milhares de pessoas a aprender a ler e escrever. Esse trabalho é apreciado pelo Departamento de Educação Pública, do México, e, em 1974, um diretor do Escritório Geral para Educação de Adultos escreveu a La Torre del Vigía de México, a associação civil usada pelas Testemunhas de Jeová: “Aproveito o ensejo para congratulá-los cordialmente . . . pela elogiável cooperação que sua associação tem prestado ano após ano em benefício do nosso povo.”

      Ao passo que prepara as pessoas para a vida eterna como súditos do Reino de Deus, a instrução fornecida pelas Testemunhas de Jeová também melhora sua vida familiar agora. Depois de realizar várias vezes cerimônias de casamento de Testemunhas de Jeová, um juiz de El Salta, no Estado de Durango, disse em 1952: “Nós dizemos que somos bons patriotas e cidadãos, mas somos envergonhados pelas Testemunhas de Jeová. Elas são um exemplo para nós porque não admitem nem sequer uma pessoa em sua organização que esteja vivendo consensualmente e não tenha legalizado seu relacionamento. E vocês, católicos, quase todos levam uma vida imoral e não legalizaram seu casamento.”

      Esse programa educacional também ajuda as pessoas a aprenderem a viver juntas em paz, a se amarem umas às outras em vez de se odiarem e se matarem. Quando certa Testemunha começou a pregar em Venado, Estado de Guanajuato, ela notou que praticamente todas as pessoas andavam armadas com rifles e pistolas. Velhas inimizades levavam ao extermínio de famílias. Mas a instrução bíblica causou grandes mudanças. Rifles foram vendidos para comprar Bíblias. Mais de 150 pessoas da região logo se tornaram Testemunhas de Jeová. Figurativamente, elas ‘transformaram suas espadas em relhas de arado’ e passaram a se empenhar pelos caminhos da paz. — Miq. 4:3.

      Muitos mexicanos tementes a Deus têm levado a sério o que as Testemunhas de Jeová lhes ensinam da Palavra de Deus. Em resultado disso, os poucos milhares de publicadores que havia no México depois da Segunda Guerra Mundial logo se tornaram 10.000, depois 20.000, 40.000, 80.000 e mais, à medida que as Testemunhas mostravam a outros como aplicar os conselhos da Palavra de Deus e ensiná-los a outros.

      Reunindo-se sob adversidades

      No entanto, à medida que o número de Testemunhas de Jeová aumentava, elas percebiam que, num país após outro, tinham de superar obstáculos difíceis a fim de realizar assembléias para instrução cristã. Na Argentina, foram proscritas pelo governo em 1950. Todavia, por obediência a Deus, não pararam de pregar nem deixaram de se reunir. As coisas eram um pouco mais complicadas, mas as assembléias eram realizadas.

      Por exemplo, em fins de 1953, os irmãos Knorr e Henschel visitaram a Argentina para servir a uma assembléia que se realizaria em todo o país. O irmão Knorr entrou no país pelo oeste e o irmão Henschel começou suas visitas no sul. Falaram a grupos reunidos em fazendas, num pomar, num piquenique perto de um riacho nas montanhas e em residências. Muitas vezes tinham de viajar longas distâncias entre um grupo e outro. Ao chegarem a Buenos Aires, cada um serviu em programas em nove localidades num único dia e em onze residências no dia seguinte. No total, falaram a 56 grupos, para 2.505 pessoas ao todo. Foi um programa cansativo, mas eles se alegraram de servir assim a seus irmãos.

      Ao fazerem preparativos para uma assembléia na Colômbia, em 1955, as Testemunhas de Jeová firmaram um contrato para usar um salão em Barranquilla. Mas, pressionados pelo bispo, o prefeito e o governador intervieram, e o contrato foi cancelado. Avisados apenas um dia antes, os irmãos arranjaram outro local para a assembléia, providenciando realizá-la na filial da Sociedade. Entretanto, logo no início da primeira sessão, à noite, policiais armados chegaram com ordens de dissolver a assembléia. Os irmãos persistiram. Um apelo ao prefeito na manhã seguinte resultou num pedido de desculpas de seu secretário, e quase 1.000 pessoas se comprimiram na filial da Sociedade para o último dia do programa da Assembléia “Reino Triunfante”. Apesar das circunstâncias então existentes, os irmãos foram assim fortalecidos com necessários conselhos espirituais.

      Servindo onde a necessidade é maior

      O campo era enorme, e a necessidade de trabalhadores era grande na América Latina, assim como em muitos outros lugares. Em 1957, em congressos no mundo todo, indivíduos e famílias que eram Testemunhas de Jeová maduras foram incentivados a pensar em mudar-se para áreas de maior necessidade a fim de fixar residência e efetuar ali seu ministério. Deu-se similar incentivo de várias maneiras depois disso. O convite era muito parecido ao que Deus fez ao apóstolo Paulo, que teve a visão de um homem que lhe suplicava: “Passa à Macedônia e ajuda-nos.” (Atos 16:9, 10) Qual foi a reação ao convite moderno? Os servos de Jeová ofereceram-se de bom grado. — Sal. 110:3.

      Uma família com crianças precisa de uma grande dose de fé para cortar raízes, deixar os parentes, a casa e o emprego, e viajar para um ambiente completamente novo. A mudança talvez requeira aceitar um padrão de vida muito diferente e, em alguns casos, aprender uma nova língua. No entanto, milhares de Testemunhas de Jeová, individualmente e em família, têm feito essas mudanças para ajudar outros a aprender sobre as provisões amorosas de Jeová para a vida eterna.

      Correspondendo rápido ao incentivo, várias Testemunhas de Jeová mudaram-se em fins da década de 50; outras na década de 60; ainda outras na década de 70. E a mudança de Testemunhas para regiões de maior necessidade continua até o presente.

      De onde procedem? Grandes números da Austrália, do Canadá, dos Estados Unidos e da Nova Zelândia. Muitos da Alemanha, da França e da Grã-Bretanha. Também da Áustria, da Bélgica, da Dinamarca, da Espanha, da Finlândia, da Itália, do Japão, da Noruega, da República da Coréia, da Suécia e da Suíça, entre outros. À medida que aumenta o número de Testemunhas de Jeová na Argentina, no Brasil, no México e em outros países latino-americanos, esses também fornecem trabalhadores dispostos a servir em outros países em que há grande necessidade. Similarmente, zelosos trabalhadores na África têm mudado de um país para outro a fim de ajudar no testemunho.

      Para que regiões têm mudado? Para terras como Afeganistão, Malaísia e Senegal, e ilhas como Reunião e Sta. Lúcia. Cerca de 1.000 mudaram-se para a Irlanda, onde serviram por variados períodos. Um número considerável foi para a Islândia, apesar de seus invernos longos e escuros, e alguns permaneceram, tornando-se colunas nas congregações e dando ajuda amorosa aos mais novos. Tem-se feito um bom trabalho especialmente na América Central e do Sul. Mais de 1.000 Testemunhas de Jeová mudaram-se para a Colômbia, mais de 870 para o Equador, mais de 110 para El Salvador.

      Harold e Anne Zimmerman estavam entre aqueles que se mudaram. Já haviam servido como instrutores missionários na Etiópia. No entanto, em 1959, quando concluíam os arranjos para mudar-se dos Estados Unidos para a Colômbia a fim de participar na divulgação da mensagem do Reino, eles criavam quatro filhos, de cinco meses a cinco anos. Harold foi na frente para procurar emprego. As notícias que encontrou no país o perturbaram. Travava-se uma guerra civil não declarada, e havia assassinatos em massa no interior. Ele se perguntava: ‘Quero mesmo trazer minha família para viver nessas condições?’ Procurou lembrar-se de algum exemplo ou princípio orientador da Bíblia. O que lhe veio à mente foi o relato bíblico sobre os espias temerosos que levaram ao acampamento israelita informações ruins sobre a Terra Prometida. (Núm. 13:25-14:4; 14:11) Isso resolveu a questão; ele não queria ser como aqueles espias! Providenciou imediatamente a mudança da família. Só arranjou serviço quando seus recursos já haviam minguado para apenas três dólares, mas eles tinham o que era realmente necessário. O quanto ele precisava trabalhar para sustentar sua família variava ao longo dos anos, mas ele sempre se esforçou a dar primazia aos interesses do Reino. Ao chegarem à Colômbia, havia umas 1.400 Testemunhas de Jeová no país. Que surpreendente crescimento eles têm visto desde então!

      Servir onde a necessidade de Testemunhas é maior nem sempre requer que a pessoa vá para outro país. Milhares de Testemunhas, individualmente e em família, mudam-se para outras regiões em seu próprio país. Uma família no Estado da Bahia, Brasil, mudou-se para a cidade de Prado, onde não havia Testemunhas. Apesar das objeções do clero, eles moraram e trabalharam nessa cidade e nas redondezas durante três anos. Uma igreja abandonada foi adquirida e transformada em Salão do Reino. Em pouco tempo, já havia mais de cem Testemunhas ativas na região. E isso foi só o começo.

      Em números sempre crescentes, os amantes da justiça na América Latina aceitam o convite registrado no Salmo 148: ‘Louvai a Jah! Louvai a Jeová desde a terra, vós grupos nacionais.’ (Vv 1, 7-11) De fato, em 1975 havia louvadores de Jeová em todos os países da América Latina. O relatório daquele ano mostrou que 80.481 pessoas, organizadas em 2.998 congregações, serviam no México. Outras 24.703, em 462 congregações, falavam sobre o reinado de Jeová na América Central. E na América do Sul havia 206.457 louvadores públicos de Jeová em 3.620 congregações.

      Alcançando as ilhas do Pacífico

      Enquanto ocorria essa rápida expansão na América do Sul, as Testemunhas de Jeová também davam atenção às ilhas do Pacífico. Existem centenas de ilhas espalhadas entre a Austrália e as Américas, muitas delas mal se projetando sobre as águas do oceano. Algumas são habitadas por apenas poucas famílias; outras, por dezenas de milhares de pessoas. Em princípios da década de 50, o preconceito das autoridades impossibilitou a Sociedade Torre de Vigia de enviar missionários a muitas dessas ilhas. Mas as pessoas ali também precisavam ouvir sobre Jeová e seu Reino. Isso está em harmonia com a profecia registrada em Isaías 42:10-12: “Cantai a Jeová um novo cântico, seu louvor desde a extremidade da terra . . . Conte-se nas ilhas até mesmo o seu louvor.” Assim, em 1951, num congresso em Sídnei, Austrália, os pioneiros e superintendentes de circuito interessados em participar na divulgação da mensagem do Reino nas ilhas foram convidados para uma reunião com o irmão Knorr. Naquela ocasião, 30 se ofereceram para pregar nas ilhas tropicais.

      Entre eles estava Tom e Rowena Kitto, que logo foram para Papua, onde, na época, não havia Testemunhas. Começaram o trabalho entre os europeus em Port Moresby. Em pouco tempo, já passavam algumas noites em Hanuabada, o “Grande Povoado”, com um grupo de 30 a 40 papuásios famintos da verdade espiritual. Desses, a mensagem se espalhou para outros povoados. Em pouco tempo, os keremas enviaram uma delegação para pedir que se dirigisse um estudo bíblico para eles. Daí, veio um chefe de Haima, suplicando: “Por favor, venham ensinar a verdade ao meu povo!” E assim a verdade se espalhava.

      Outro casal, John e Ellen Hubler, foi para a Nova Caledônia a fim de estabelecer a obra. Ao chegarem, em 1954, seus vistos eram para apenas um mês, como turistas. Mas John arranjou um emprego, e isso os ajudou a conseguir uma prorrogação. Com o tempo, outras Testemunhas — 31 ao todo — também se mudaram. A princípio, efetuavam o ministério em regiões retiradas para não chamar muita atenção. Mais tarde, passaram a pregar na capital, Nouméia. Formou-se uma congregação. Daí, em 1959, um membro da Ação Católica passou a ocupar um importante cargo no governo. As Testemunhas de Jeová não mais conseguiam renovar os vistos. Os Hublers tiveram de deixar o país. As publicações da Torre de Vigia foram proscritas. No entanto, as boas novas do Reino já se haviam firmado, e o número de Testemunhas continuou a aumentar.

      No Taiti, muitos mostraram interesse na obra das Testemunhas de Jeová quando alguns irmãos fizeram breves visitas ali. Mas, em 1957, não havia Testemunhas locais, a obra estava proscrita e os missionários da Torre de Vigia não recebiam permissão de entrar no país. Todavia, Agnes Schenck, cidadã do Taiti, que na época morava nos Estados Unidos, tornara-se Testemunha de Jeová. Ao ficarem sabendo da necessidade de proclamadores do Reino no Taiti, ela, o marido e o filho partiram da Califórnia, de navio, em maio de 1958. Pouco depois, duas outras famílias juntaram-se a eles, embora só tivessem conseguido vistos de turista para três meses. No ano seguinte, formou-se uma congregação em Papeete. E, em 1960, o governo concedeu validade legal a uma associação das Testemunhas de Jeová organizada localmente.

      Para divulgarem a mensagem do Reino, duas missionárias, no caminho de retorno à sua designação, fizeram uma escala na ilha de Niue a fim de visitar uma parenta. O mês que elas passaram ali foi bem produtivo; encontrou-se muito interesse. Mas, com a chegada do próximo navio, elas tiveram de partir. No entanto, Seremaia Raibe, fijiano, logo assinou um contrato de trabalho com o Departamento de Obras Públicas em Niue e então passou a usar todo tempo livre para pregar. Entretanto, devido à pressão do clero, o visto de permanência do irmão Raibe foi cancelado depois de alguns meses, e, em setembro de 1961, a Assembléia Legislativa decidiu não mais permitir a entrada de Testemunhas de Jeová no país. Todavia, a pregação das boas novas continuou. Como? As Testemunhas locais, embora muito novas, perseveraram no serviço de Jeová. Ademais, o governo local já havia admitido como funcionário a William Lovini, um niueano nativo, que morava na Nova Zelândia. Por que estava ansioso de retornar a Niue? Porque se tornara Testemunha de Jeová e desejava servir onde a necessidade era maior. Em 1964, o número de Testemunhas aumentou para 34.

      Em 1973, David Wolfgramm, cidadão de Tonga, morava com a esposa e oito filhos numa casa confortável na Nova Zelândia. Mas deixaram isso para trás e mudaram-se para Tonga a fim de promover os interesses do Reino. A partir dali, participaram em levar a obra a ainda outras ilhas de Tonga, umas 30 das quais são habitadas.

      É preciso muito tempo, esforço e gastos para alcançar as ilhas. Mas as Testemunhas de Jeová consideram a vida do próximo como preciosa e não poupam esforços para ajudá-lo a beneficiar-se da amorosa provisão de Jeová de vida eterna no novo mundo.

      Uma família que vendeu sua fazenda na Austrália e mudou-se para uma das ilhas do Pacífico resumiu assim seus sentimentos: “Ouvir os ilhéus dizer que vieram a conhecer a Jeová, ouvi-los chamar nossos filhos de seus filhos, em virtude do grande amor que têm a eles por causa da verdade, observar o crescimento tanto dos interesses do Reino como da assistência às reuniões, ouvir essas pessoas amáveis dizer: ‘Meus filhos vão casar somente no Senhor’, e isso depois de muitos séculos de tradição e de casamentos do tipo oriental, observá-los endireitar moral e legalmente a vida conjugal, . . . vê-los estudando enquanto zelam do gado na beira da estrada, depois do trabalho estafante no arrozal, saber que falam sobre o erro da idolatria e sobre a beleza do nome de Jeová na mercearia e em outros lugares, ser chamado de irmão e irmã por uma mãe idosa das Índias Orientais e ouvi-la pedir para acompanhá-lo a fim de conversar com as pessoas sobre o verdadeiro Deus . . . Tudo isso contribui para uma inestimável recompensa por termos dado o passo que demos em resposta à chamada procedente do Pacífico Sul.”

      Contudo, outras pessoas além desses ilhéus do Pacífico recebiam atenção. A partir de 1964, pioneiros experientes das Filipinas foram designados a ajudar missionários zelosos que já trabalhavam em Hong Kong, Indonésia, República da Coréia, Laos, Malaísia, Taiwan (Formosa), Tailândia e Vietnã.

      Em face de pressões da família e da comunidade

      Quando alguém se torna Testemunha de Jeová, isso nem sempre é aceito pela família e pela comunidade como simples questão de decisão pessoal. — Mat. 10:34-36; 1 Ped. 4:4.

      A maioria dos que se tornam Testemunhas de Jeová em Hong Kong são jovens. Mas esses jovens ficam sob tremenda pressão num sistema que dá prioridade à instrução superior e a empregos bem remunerados. Os pais consideram os filhos como um investimento que lhes garantirá conforto no fim da vida. Assim, quando os pais de um rapaz em Kwun Tong perceberam que o estudo da Bíblia, a assistência às reuniões e o serviço de campo interfeririam na carreira secular do filho, sua oposição tornou-se intensa. O pai correu atrás dele com um cutelo de açougueiro; a mãe cuspiu nele em público. Os abusos verbais foram quase ininterruptos durante meses. Certa vez, ele perguntou aos pais: “Vocês não me criaram por amor?” E eles responderam: “Não, por dinheiro!” Todavia, o rapaz continuou a dar primazia à adoração de Jeová; mas, mesmo depois de sair de casa, continuou a ajudar financeiramente os pais segundo suas possibilidades, pois sabia que isso agradaria a Jeová. — Mat. 15:3-9; 19:19.

      Em comunidades de vínculos bem achegados, muitas vezes a forte pressão não vem só da parte da família imediata. Um dos que passaram por isso foi Fuaiupolu Pele, na Samoa Ocidental. Achava-se inconcebível um samoano rejeitar os costumes e a religião dos antepassados, e Pele sabia que teria de se explicar. Estudou com afinco e orou fervorosamente a Jeová. Ao ser convocado pelo chefe principal da família para uma reunião em Faleasiu, foi confrontado por seis chefes, três oradores, dez pastores, dois professores de teologia, o chefe principal, que presidia, e anciãos e mulheres de mais idade da família. Eles amaldiçoaram e censuraram a ele e a outro membro da família que mostrava interesse nas Testemunhas de Jeová. Houve um debate; durou até às quatro da madrugada. Pele usou a Bíblia, o que irritou a alguns dos presentes, que gritaram: “Tirem dele essa Bíblia! Largue essa Bíblia!” Mas, por fim, o chefe principal disse, com voz fraca: “Você venceu, Pele.” Mas Pele disse: “Desculpe-me, senhor, eu não venci. Esta noite o senhor ouviu a mensagem do Reino. Meu desejo sincero é que a aceite.”

      Quando há intensa oposição do clero

      Os missionários da cristandade chegaram às ilhas do Pacífico no século 19. Sua chegada, em muitos lugares, fora pacífica; em outros, fora protegida por forças militares. Em algumas regiões, eles haviam dividido as ilhas entre si por um “acordo de cavalheiros”. Mas houvera também guerras religiosas, nas quais católicos e protestantes lutaram uns contra os outros por domínio. Esses “pastores” religiosos, o clero, usavam agora todos os meios ao seu dispor para manter as Testemunhas de Jeová fora do que consideravam seu próprio território. Às vezes pressionavam as autoridades a expulsar as Testemunhas de certas ilhas. Em outras ocasiões, tomavam a lei nas próprias mãos.

      Na ilha da Nova Bretanha, no povoado de Vunabal, um grupo da tribo sulca mostrava muito interesse na verdade da Bíblia. Mas, certo domingo, em 1959, enquanto John Davison dirigia um estudo da Bíblia para eles, uma turba de católicos, orientados pelo catequista católico, invadiram a casa e puseram fim ao estudo, gritando e cometendo abusos. Deu-se parte à Polícia, em Kokopo.

      Em vez de abandonar as ovelhas, as Testemunhas retornaram na semana seguinte para continuar a dar ajuda espiritual a quem tivesse apreço, em Vunabal. O sacerdote católico estava lá também, embora não tivesse sido convidado pelos aldeões, e com ele centenas de católicos de outra tribo. Depois de serem incitados pelo sacerdote, os freqüentadores de sua igreja xingaram as Testemunhas, cuspiram nelas, brandiram os punhos ameaçadoramente e estraçalharam as Bíblias dos aldeões, ao passo que o sacerdote, parado, de braços cruzados, sorria. Os policiais que procuravam controlar a situação ficaram visivelmente abalados. Muitos aldeões também ficaram amedrontados. Mas pelo menos um aldeão mostrou-se corajoso e tomou posição a favor do que sabia ser a verdade. Agora, centenas de outros naquela ilha têm feito o mesmo.

      No entanto, nem todos os instrutores religiosos mostravam um espírito antagônico para com as Testemunhas de Jeová. Shem Irofa’alu, nas ilhas Salomão, sentia uma responsabilidade sincera para com aqueles que recorriam a ele como líder religioso. Depois de ler o livro Do Paraíso Perdido ao Paraíso Recuperado, da Sociedade Torre de Vigia, deu-se conta de que alguém mentira para ele. Ele e os instrutores religiosos sob sua jurisdição ouviram palestras das Testemunhas, fizeram perguntas e consultaram os textos na Bíblia. Daí chegaram à conclusão de que desejavam tornar-se Testemunhas de Jeová, de modo que passaram a transformar as igrejas de seus 28 povoados em Salões do Reino.

      Torrente contínua da verdade na África

      Especialmente a partir do início da década de 20, fez-se muito esforço para que as pessoas em toda parte da África tivessem oportunidade de vir a conhecer a Jeová, o verdadeiro Deus, e beneficiar-se de suas provisões amorosas. Quando a Segunda Guerra Mundial terminou, havia Testemunhas de Jeová ativas em 14 países do continente africano. Outros 14 países africanos já haviam sido alcançados com a mensagem do Reino, mas em 1945 nenhuma Testemunha de Jeová relatava atividades nesses países. Nos 30 anos seguintes, até 1975, a pregação das boas novas penetrou em mais 19 países da África. Em quase todos esses países, bem como em ilhas vizinhas, começaram a surgir congregações — umas poucas em certos países, mais de mil na Zâmbia, quase duas mil na Nigéria. Como tudo isso aconteceu?

      A divulgação da mensagem do Reino era como uma torrente contínua de água. Em geral, a água corre pelos canais dos rios, embora um pouco transborde para as margens; e, se algo obstrui o fluxo, a água toma outro curso ou aumenta em volume e pressão até irromper por cima.

      Usando os costumeiros canais organizacionais, a Sociedade Torre de Vigia designou ministros de tempo integral — pioneiros, pioneiros especiais e missionários — a países em que pouca ou nenhuma pregação havia sido feita. Onde quer que iam, eles convidavam as pessoas a ‘tomar de graça a água da vida’. (Rev. 22:17) Por exemplo, no norte da África, quatro pioneiros especiais da França fizeram esse convite ao povo da Argélia, em 1952. Em pouco tempo uma adivinha aceitou a verdade, reconheceu que tinha de abandonar sua profissão para agradar a Jeová e passou a dar testemunho aos ex-clientes. (Deut. 18:10-12) Os pioneiros usaram eficazmente o livro “Seja Deus Verdadeiro” para ajudar os sinceros a ver a diferença entre a Bíblia Sagrada e as tradições religiosas. Esse livro era tão eficaz em libertar as pessoas dos costumes da religião falsa que um clérigo o expôs no púlpito e lançou uma maldição sobre ele, sobre quem o distribuía e sobre quem o lia.

      Em 1954, um missionário foi expulso da Espanha católica por ensinar a Bíblia sem a aprovação do clero; assim, no ano seguinte, ele e seu colega no serviço de pioneiro foram pregar no Marrocos. Pouco depois, juntou-se a eles uma família de cinco Testemunhas de Jeová que havia sido deportada da Tunísia, onde surgira grande agitação quando um casal judeu aceitou a Jesus como o Messias e logo passou a partilhar sua nova fé com outros. Mais ao sul, alguns pioneiros de Gana foram enviados para Mali, em 1962. Depois, pediu-se a pioneiros franceses que serviam na Argélia que também fossem ajudar em Mali. Por sua vez, grande número dos que mais tarde se tornaram Testemunhas ali ingressaram no serviço de tempo integral. Em 1966, oito pioneiros especiais da Nigéria aceitaram designações no Níger, país esparsamente habitado que inclui parte do deserto do Saara. Burundi teve oportunidade de ouvir a mensagem do Reino quando dois pioneiros especiais foram enviados da Rodésia do Norte (agora Zâmbia) para lá, em 1963, e depois quatro missionários treinados na Escola de Gileade.

      Na Etiópia também havia missionários no início da década de 50. O governo etíope pediu que estabelecessem uma missão religiosa e escola, e eles fizeram isso. Mas, além disso, mantinham-se ocupados ensinando a Bíblia, e logo era constante o movimento de pessoas que iam ao lar missionário, recém-interessados chegando todo dia para pedir que alguém os ajudasse a entender a Bíblia. Durante as três décadas após a Segunda Guerra Mundial, 39 países do continente africano beneficiaram-se da ajuda dos missionários treinados em Gileade.

      Ao mesmo tempo, as águas da verdade transbordavam para regiões espiritualmente ressequidas, mediante Testemunhas de Jeová cujo emprego as punha em contato com outros povos. Assim, um casal de Testemunhas, no Egito, cujo emprego exigiu sua mudança para a Líbia, em 1950, pregava zelosamente nas horas livres. Naquele mesmo ano, uma Testemunha, comerciante de lã, mudou-se com a família do Egito para Cartum, no Sudão. Ele adotou o costume de dar testemunho aos clientes antes de fazer negócios com eles. Uma das primeiras Testemunhas no Senegal (que então fazia parte da África Ocidental Francesa) foi para lá em 1951 como representante duma firma. Ele também reconhecia suas responsabilidades como Testemunha do Altíssimo. Em 1959, devido ao emprego, uma Testemunha mudou-se para Fort-Lamy (agora N’Djamena), no que mais tarde se tornou o Chade, e aproveitou a oportunidade para divulgar a mensagem do Reino naquele país. Em países vizinhos do Níger havia comerciantes que eram Testemunhas de Jeová; assim, embora houvesse pioneiros especiais ativos no Níger de 1966 em diante, esses comerciantes também pregavam a pessoas procedentes do Níger com quem faziam negócios. E duas Testemunhas cujos maridos foram trabalhar na Mauritânia, em 1966, aproveitaram a oportunidade para dar testemunho na região.

      As pessoas que eram revigoradas pela ‘água da vida’ partilhavam-na com outros. Por exemplo, em 1947, alguém que assistira a algumas reuniões, mas que não era Testemunha de Jeová, mudou-se de Camarões para Ubangi-Shari (agora República Centro-Africana). Ao ficar sabendo de um homem em Bangui que estava muito interessado na Bíblia, ele bondosamente providenciou que a congênere da Sociedade Torre de Vigia na Suíça lhe enviasse um livro. Etienne Nkounkou, que recebeu o livro, ficou radiante com o alimento espiritual sadio apresentado, e toda semana lia um pouco para um grupo de interessados. Eles contataram a sede da Sociedade. À medida que o conhecimento foi aumentando, esse grupo de estudo tornou-se também um grupo de pregadores. Embora a pressão do clero levasse o governo a proscrever as publicações da Torre de Vigia, essas novas Testemunhas continuaram a pregar apenas com a Bíblia. As pessoas nesse país gostam muito de ouvir palestras bíblicas, de modo que, em 1957, quando a proscrição a algumas publicações da Sociedade foi suspensa, já havia mais de 500 Testemunhas.

      Quando surgiam obstáculos

      Quando obstáculos impediam o fluxo de água vitalizadora, ele logo prosseguia de alguma outra maneira. Ayité Sessi, pioneiro de Daomé (agora Benin), pregara no Togo francês (agora Togo) por apenas um breve período em 1949, quando o governo obrigou-o a partir. Mas, no ano seguinte, Akakpo Agbetor, ex-boxeador, originário de Togo, voltou para sua terra junto com seu irmão. Por ser sua terra natal, ele pôde dar testemunho com bastante liberdade, chegando até a realizar reuniões. Embora pioneiros que haviam aceitado designações em Fernando Pó (agora parte da Guiné Equatorial), por volta de 1950, fossem deportados pouco tempo depois devido à intolerância religiosa, outras Testemunhas mais tarde conseguiram contratos de trabalho que lhes permitiram morar naquela região. E, naturalmente, em harmonia com a ordem de Jesus, elas pregavam. — Mar. 13:10.

      Em 1959, Emmanuel Mama, superintendente de circuito de Gana, foi enviado ao Alto Volta (agora Burkina Faso) para passar algumas semanas e pôde dar muito testemunho em Ouagadougou, a capital. Mas não havia Testemunhas morando no país. Quatro anos depois, sete Testemunhas, originárias do Togo, de Daomé (agora Benin) e do Congo, mudaram-se para Ouagadougou e procuraram emprego para que pudessem servir nessa região. Alguns meses depois, vários pioneiros especiais de Gana juntaram-se a eles. No entanto, em 1964, devido à pressão do clero sobre as autoridades, menos de um ano depois de as Testemunhas terem chegado, eles foram presos, detidos por 13 dias e então expulsos do país. Valeram a pena seus esforços? Emmanuel Johnson, que residia no país, ficara sabendo onde se podia encontrar a verdade da Bíblia. Ele continuou a estudar com as Testemunhas de Jeová por correspondência e foi batizado em 1969. Sim, a obra do Reino se firmara em mais um país.

      Quando se solicitaram vistos de entrada para que missionários treinados em Gileade servissem na Costa do Marfim, as autoridades francesas não concederam aprovação. Portanto, em 1950, Alfred Shooter, da Costa do Ouro (agora Gana), foi enviado como pioneiro para a capital da Costa do Marfim. Uma vez estabelecido, sua esposa juntou-se a ele; e, alguns meses depois, chegou um casal de missionários, Gabriel e Florence Paterson. Surgiram problemas. Certo dia, suas publicações foram apreendidas por não terem sido aprovadas pelo governo, e os irmãos foram multados. Mais tarde, porém, encontraram seus livros à venda no mercado, de modo que os compraram e fizeram bom uso deles.

      Entrementes, esses irmãos visitaram muitas repartições do governo no esforço de conseguir vistos permanentes. O Sr. Houphouët-Boigny, que depois se tornou presidente da Costa do Marfim, ofereceu ajuda. “Para a verdade”, comentou ele, “não existe nenhuma barreira. É como um poderoso rio; represe-o, e ele transbordará da represa”. Quando um sacerdote católico e um ministro metodista tentaram interferir, Ouezzin Coulibaly, um deputado, disse: “Eu represento o povo deste país. Nós somos o povo, e nós gostamos das Testemunhas de Jeová e, por conseguinte, queremos que permaneçam aqui neste país.”

      Discípulos que realmente entendem

      Ao instruir que se ‘fizessem discípulos de pessoas de todas as nações’, Jesus Cristo também orientou que aqueles que se tornassem discípulos — aqueles que cressem nos seus ensinos e os aplicassem — fossem batizados. (Mat. 28:19, 20) Em harmonia com isso, há arranjos para o batismo de novos discípulos nas assembléias e nos congressos periódicos das Testemunhas de Jeová. O número de batizados em cada ocasião pode ser relativamente pequeno. No entanto, num congresso na Nigéria, em 1970, 3.775 novas Testemunhas foram imersas. Todavia, o objetivo não são grandes números.

      Em 1956, ao se perceber que alguns que se batizavam na Costa do Ouro não haviam edificado sua fé sobre um alicerce adequado, instituiu-se ali o arranjo de examinar os batizandos. Ficou a cargo dos superintendentes das congregações na Costa do Ouro a responsabilidade de examinar pessoalmente cada candidato à imersão para se certificarem de que tinha conhecimento correto de verdades básicas da Bíblia, de que vivia em harmonia com os padrões da Bíblia e de que entendia claramente as obrigações das Testemunhas dedicadas e batizadas de Jeová. Com o tempo, adotou-se um procedimento similar no mundo todo. Em 1967, forneceu-se um esboço pormenorizado para a recapitulação de ensinos bíblicos básicos com candidatos ao batismo no livro “Lâmpada Para o Meu Pé É a Tua Palavra”. Depois de anos de experiência, publicou-se em 1983 outro refinamento desse esboço no livro Organizados Para Efetuar o Nosso Ministério.

      Levaram-se em conta nesse arranjo as necessidades de pessoas que têm pouca ou nenhuma escolaridade?

      O problema do analfabetismo

      Em 1957, a Organização das Nações Unidas Para a Educação, a Ciência e a Cultura calculava que aproximadamente 44 por cento da população mundial com 15 anos ou mais de idade não sabia ler nem escrever. Relatava-se que em 42 países da África, 2 das Américas, 28 da Ásia e 4 da Oceania, 75 por cento dos adultos eram analfabetos. No entanto, eles também precisavam ter oportunidade de aprender a lei de Deus, para que pudessem preparar-se para ser súditos do Seu Reino. Muitos que não sabiam ler tinham mente alerta e conseguiam lembrar-se de muita coisa que ouviam, mas ainda não podiam ler a preciosa Palavra de Deus e usar publicações para o estudo da Bíblia.

      Já por anos, algumas Testemunhas davam ajuda pessoal àqueles que quisessem aprender a ler. Mas, em 1949 e 1950, as Testemunhas de Jeová iniciaram aulas de alfabetização em todas as suas congregações em muitos países africanos. As aulas em geral eram dadas em Salões do Reino, e, em certos lugares, o povoado inteiro era convidado para tirar proveito do programa.

      Nos lugares em que o governo patrocinava um programa de alfabetização, as Testemunhas de Jeová de bom grado cooperavam com isso. Em muitas regiões, porém, as Testemunhas tiveram de elaborar e usar suas próprias cartilhas. Dezenas de milhares de pessoas, incluindo milhares de mulheres e idosos, têm sido alfabetizadas por meio das aulas dadas pelas Testemunhas de Jeová. Devido ao método de ensino elaborado, elas não só aprendem a ler e escrever, mas ao mesmo tempo se familiarizam com verdades básicas da Santa Palavra de Deus. Isso tem ajudado a habilitá-las para participar na obra de fazer discípulos ordenada por Jesus. De fato, o desejo de fazer isso eficazmente tem motivado muitos a se esforçar diligentemente para aprender a ler.

      Quando um novo publicador em Daomé (agora Benin), na África Ocidental, foi despachado por um morador por não saber ler, esse publicador decidiu vencer o problema. Além de freqüentar as aulas de alfabetização, ele se aplicou. Seis semanas depois, visitou o mesmo morador; este ficou tão surpreso de ouvir a pessoa que havia tão pouco tempo era analfabeta ler a Palavra de Deus, que mostrou interesse também no que o publicador ensinava. Com o tempo, alguns dos que foram instruídos nessas aulas de alfabetização chegaram até a se tornar superintendentes viajantes, com várias congregações para ensinar. Foi assim com Ezekiel Ovbiagele, na Nigéria.

      Instruindo mediante filmes e slides

      Para ajudar os que demonstravam interesse na Bíblia a reconhecer a magnitude da organização visível de Jeová, exibiu-se um filme em 1954. Esse filme, A Sociedade do Novo Mundo em Ação, também ajudou a eliminar o preconceito de algumas comunidades.

      No que agora é a Zâmbia, muitas vezes era preciso um gerador portátil para exibir o filme. Um pano branco estendido entre duas árvores servia de tela. Na província de Barotse, o chefe supremo assistiu ao filme com a família real, e depois quis que fosse apresentado ao público. Em resultado disso, na noite seguinte 2.500 pessoas assistiram ao filme. A assistência total às exibições em Zâmbia num período de 17 anos passou de um milhão. Os presentes deleitavam-se com o que viam. Na vizinha Tanganica (agora parte da Tanzânia), relatou-se que depois da exibição do filme a multidão bradou: “Ndaka, ndaka” (Obrigado, obrigado).

      Depois do filme A Sociedade do Novo Mundo em Ação, produziram-se outros filmes: A Felicidade da Sociedade do Novo Mundo, Proclamando as “Boas Novas Eternas” ao Redor do Mundo, Deus não Pode Mentir e Herança. Tem havido também exibições de slides, com comentários, sobre a praticidade da Bíblia nos nossos dias, as raízes pagãs de doutrinas e costumes da cristandade e o significado das condições mundiais à luz das profecias bíblicas, além de sobre as Testemunhas de Jeová como organização, apresentando uma visita à sua sede mundial, emocionantes congressos em países em que elas anteriormente estavam proscritas e uma consideração de sua história moderna. Tudo isso tem ajudado as pessoas a perceber que Jeová realmente tem um povo na Terra e que a Bíblia é Sua Palavra inspirada.

      Identificando as verdadeiras ovelhas

      Em certos países, pessoas que simplesmente possuíam algumas publicações da Sociedade Torre de Vigia se diziam Testemunhas de Jeová ou usavam o nome Torre de Vigia. Mas será que haviam mudado suas crenças e seu modo de vida para se harmonizarem aos padrões da Bíblia? Ao receberem a necessária instrução, mostrar-se-iam pessoas realmente comparáveis a ovelhas, que prestam atenção à voz do Amo, Jesus Cristo? — João 10:4, 5.

      Em 1954, a congênere da Sociedade Torre de Vigia na África do Sul recebeu uma carta surpreendente de um grupo de africanos da Baía dos Tigres, uma colônia penal no sul de Angola. O escritor, João Mancoca, disse: “O grupo de Testemunhas de Jeová em Angola se compõe de 1.000 membros. Estes têm como líder a Simão Gonçalves Toco.” Quem era Toco? Eram seus seguidores realmente Testemunhas de Jeová?

      Providenciou-se que John Cooke, missionário que sabia falar português, visitasse Angola. Depois duma longa entrevista com uma autoridade da colônia, o irmão Cooke recebeu permissão de visitar Mancoca. O irmão Cooke ficou sabendo que na década de 40, quando Toco se associava com uma missão batista no Congo Belga (agora Zaire), ele obtivera algumas publicações da Torre de Vigia e partilhara com associados íntimos o que aprendera. Mas então o grupo foi influenciado por espíritas, e com o tempo Toco deixou completamente de usar as publicações da Torre de Vigia e a Bíblia. Em vez disso, ele buscava orientação por meio de médiuns espíritas. Seus seguidores foram deportados pelo governo para Angola e daí foram dispersos para várias partes do país.

      Mancoca fora um dos associados de Toco, mas procurara persuadir outros a parar de praticar o espiritismo e a aderir à Bíblia. Alguns seguidores de Toco não gostaram disso e denunciaram Mancoca às autoridades portuguesas sob acusações falsas. Isso resultou na deportação de Mancoca e daqueles que partilhavam seus conceitos para uma colônia penal. Ali, ele entrou em contato com a Sociedade Torre de Vigia e obteve mais publicações bíblicas. Ele era humilde, de mentalidade espiritual e muito interessado em trabalhar intimamente com a organização mediante a qual aprendera a verdade. Depois de o irmão Cooke ter passado muitas horas considerando verdades bíblicas com esse grupo, não restava nenhuma dúvida em sua mente de que João Mancoca era mesmo uma das ovelhas do Senhor. Sob as mais difíceis circunstâncias, o irmão Mancoca tem provado isso já por muitos anos.

      Realizaram-se também entrevistas com Toco e alguns de seus seguidores. Com poucas exceções, porém, eles não deram evidência das qualidades comparáveis às de ovelhas dos seguidores de Cristo. Portanto, naquela época, não havia 1.000 Testemunhas de Jeová em Angola, mas apenas umas 25.

      Nesse ínterim, surgira outra confusão de identidade no Congo Belga (agora Zaire). Havia um movimento político-religioso conhecido como Kitawala, que às vezes também usava o nome Torre de Vigia. Nas casas de alguns de seus membros havia publicações das Testemunhas de Jeová, obtidas pelo correio. Mas as crenças e práticas do Kitawala (incluindo racismo, subversão da autoridade para causar mudanças políticas e sociais, e crassa imoralidade sexual em nome da adoração) de modo algum representavam as crenças das Testemunhas de Jeová. No entanto, certos relatórios publicados procuravam envolver a Sociedade Torre de Vigia das Testemunhas de Jeová com o Kitawala.

      Repetidos esforços das Testemunhas de Jeová de enviar supervisores treinados para o país foram frustrados pelas autoridades belgas. Grupos católicos e protestantes se deleitaram com isso. Especialmente a partir de 1949, tomaram-se cruéis medidas repressivas no Congo Belga contra aqueles que procuravam estudar a Bíblia com a ajuda das publicações da Torre de Vigia. Mas era como disse uma das fiéis Testemunhas locais: “Somos como um saco de milho africano. Aonde quer que nos levem, a Palavra cairá, uma a uma, até o tempo em que vier a chuva, e eles nos verão crescer em todo lugar.” E foi assim que, apesar de difíceis condições, de 1949 a 1960, o número dos que relatavam atividades como Testemunhas de Jeová aumentou de 48 para 1.528.

      Gradualmente, as autoridades chegaram a reconhecer que as Testemunhas de Jeová são muito diferentes do Kitawala. Quando as Testemunhas receberam certa liberdade para reunir-se, observadores do governo muitas vezes comentavam sobre sua boa conduta e ordem. Quando ocorriam manifestações violentas pela independência política, as pessoas sabiam que as Testemunhas de Jeová não estavam envolvidas. Em 1961, uma Testemunha qualificada, Ernest Heuse, Jr., da Bélgica, finalmente pôde entrar como supervisor no país. Com muito esforço diligente, foi possível aos poucos ajudar os irmãos a harmonizar mais plenamente suas congregações e sua vida pessoal com a Palavra de Deus. Havia muito que aprender, e isso exigiu grande paciência.

      Achando que isso realçaria sua posição, o Kitawala de algumas regiões enviou longas listas dos seus membros que desejavam ser reconhecidos como Testemunhas de Jeová. Prudentemente, o irmão Heuse enviou irmãos qualificados a essas regiões para descobrir que tipo de pessoas eram. Em vez de aceitarem esses grandes grupos, eles dirigiram estudos bíblicos para cada pessoa.

      Com o tempo, as verdadeiras ovelhas, aqueles que realmente consideravam a Jesus Cristo como seu Pastor, se manifestaram. E havia muitos desses. Eles, por sua vez, ensinavam a outros. Ao longo dos anos, muitos missionários da Torre de Vigia vieram do exterior para trabalhar com eles, para ajudá-los a assimilar um conhecimento mais exato da Palavra de Deus e para dar o necessário treinamento. Em 1975, 17.477 Testemunhas de Jeová no Zaire, organizadas em 526 congregações, ocupavam-se em pregar e ensinar a Palavra de Deus a outros.

      Quebrando o poder do fetiche

      Ao oeste da Nigéria, fica Benin (antes conhecido como Daomé), com uma população dividida em 60 grupos étnicos que falam umas 50 línguas e dialetos. Como acontece na maior parte da África, o animismo é a religião tradicional, conjugada com a adoração dos antepassados. Esse ambiente religioso atormenta a vida das pessoas com superstições e medo. Muitos que professam ser cristãos também praticam o animismo.

      Do fim da década de 20 até a década de 40, as Testemunhas de Jeová da Nigéria espalharam muitas sementes da verdade da Bíblia em Daomé por meio de visitas numa ou noutra ocasião para distribuir publicações bíblicas. Muitas daquelas sementes precisavam apenas de um pouco de água para se tornarem frutíferas. Essa atenção foi providenciada em 1948, quando Nouru Akintoundé, nativo de Daomé que morava na Nigéria, retornou a Daomé para ser pioneiro. Dentro de quatro meses, 300 pessoas aceitaram a verdade e participaram com ele no ministério de campo. Essa reação superou todas as expectativas razoáveis.

      Em resultado dessa atividade, logo surgiu agitação não só entre o clero da cristandade, mas também entre os animistas. Quando a secretária do convento fetichista em Porto-Novo mostrou interesse na verdade, o chefe fetichista proclamou que a secretária morreria em sete dias. Mas essa ex-secretária do convento disse firmemente: “Se o fetiche é que fez a Jeová, eu morrerei; mas se Jeová é o supremo Deus, então ele derrotará o fetiche.” (Compare com Deuteronômio 4:35; João 17:3.) Para que sua predição se cumprisse, na noite do sexto dia, o chefe fetichista fez todo tipo de feitiçaria e então proclamou que essa ex-secretária do convento estava morta. No entanto, houve grande consternação entre os adoradores fetichistas no dia seguinte, quando ela foi ao mercado em Cotonou bem viva. Mais tarde, um dos irmãos alugou um carro e passeou com ela em Porto-Novo para que todos vissem por si mesmos que ela estava viva. Depois, muitos outros adoradores fetichistas tomaram firme posição a favor da verdade. — Compare com Jeremias 10:5.

      Devido a intensa pressão religiosa, as publicações da Torre de Vigia logo foram proscritas em Daomé. Mas, em obediência a Jeová, as Testemunhas continuaram a pregar, muitas vezes só com a Bíblia. Às vezes, realizavam o trabalho de casa em casa como “comerciantes”, com todo tipo de mercadorias. Quando a conversa era boa, elas voltavam a atenção para a Bíblia, e podiam até tirar dum grande bolso interno uma preciosa publicação bíblica.

      Quando a Polícia lhes causava muitas dificuldades nas cidades, elas pregavam nas zonas rurais. (Compare com Mateus 10:23.) E quando eram presas, pregavam na prisão. Em 1955, as Testemunhas que estavam na prisão encontraram pelo menos 18 pessoas interessadas entre prisioneiros e autoridades carcerárias em Abomey.

      Dentro de apenas uma década depois de o pioneiro daomeano ter retornado a sua terra para pregar, 1.426 já participavam no ministério — e isso embora sua obra estivesse proscrita pelo governo!

      Mais trabalhadores participam na colheita

      Mas era óbvio que havia muitas pessoas famintas da verdade na África. A colheita era grande, mas os trabalhadores poucos. Portanto, foi encorajador para os irmãos observar o Senhor da colheita, Jesus Cristo, responder suas orações por mais trabalhadores para ajudar no recolhimento espiritual. — Mat. 9:37, 38.

      Muitas publicações foram distribuídas no Quênia na década de 30 por pioneiros viajantes, mas pouco se fez para cultivar o interesse. Mas em 1949 Mary Whittington emigrou da Grã-Bretanha com os três filhos pequenos para morar em Nairóbi com o marido, que trabalhava lá. A irmã Whittington estava batizada havia apenas um ano, mas tinha espírito de pioneiro. Embora não soubesse da existência de nenhuma outra Testemunha no Quênia, ela se pôs a ajudar outros naquele grande território a aprender a verdade. Apesar dos obstáculos, ela não recuou. Outras Testemunhas também foram — da África do Sul, da Austrália, do Canadá, dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha, da Suécia e da Zâmbia — fazendo arranjos pessoais para mudar-se para lá a fim de partilhar a esperança do Reino com as pessoas.

      Além disso, casais de missionários foram enviados para ajudar na colheita. A princípio, os homens eram obrigados a realizar um trabalho secular para permanecer no país, de modo que o tempo que tinham para o ministério era limitado. Mas as esposas tinham liberdade para servir como pioneiras. Com o tempo, bem mais de cem missionários treinados em Gileade foram para o Quênia. Quando a independência estava próxima, com o fim da segregação imposta pelo governo colonial britânico, as Testemunhas européias estudaram suaíli e logo ampliaram as suas atividades para alcançar os africanos nativos. O número de Testemunhas nessa parte do campo global aumentou rapidamente.

      Em 1972, Botsuana também recebeu ajuda para a colheita espiritual quando Testemunhas da África do Sul, da Grã-Bretanha e do Quênia mudaram-se para suas cidades maiores. Três anos depois, missionários treinados em Gileade também foram para lá. Mas a população, em grande parte, acha-se espalhada em povoados rurais. Para alcançar essas pessoas, as Testemunhas da África do Sul viajavam pela região desértica conhecida como Calaári. Em comunidades isoladas, elas davam testemunho aos chefes dos povoados, aos professores e muitas vezes a grupos de 10 ou 20 ouvintes apreciativos. Um homem idoso disse: “Vocês percorreram toda essa distância para nos falar essas coisas? Isso é muita bondade de sua parte.”

      “Bíblia Brown” proferira vigorosos discursos bíblicos na Libéria na década de 20, mas houve considerável oposição. Na verdade, a obra de colheita espiritual ali só progrediu com a chegada de missionários da Escola de Gileade. Harry Behannan, que foi para lá em 1946, foi o primeiro. Muitos outros participaram nos anos seguintes. Liberianos nativos gradualmente se juntaram a eles na obra, e, em 1975, o número de louvadores de Jeová passou de mil.

      Na Nigéria, “Bíblia Brown” pregara ainda mais. Era uma nação dividida em numerosos reinos, cidades-estados e sistemas sociais, em que as pessoas falavam mais de 250 línguas e dialetos. A religião era mais um fator divisório. Com pouco tato, mas com convincentes argumentos das Escrituras, as primeiras Testemunhas expuseram o clero e seus ensinos falsos. Quando as publicações foram proscritas durante a Segunda Guerra Mundial, os irmãos pregavam só com a Bíblia. As pessoas que amavam a verdade reagiram com apreço. Largavam as igrejas, abandonavam a poligamia e deixavam seus jujus, que as igrejas haviam tolerado. Em 1950, o número de Testemunhas de Jeová que participavam na proclamação da mensagem do Reino na Nigéria era de 8.370. Em 1970, havia mais de dez vezes esse número.

      Foi preciso superar persistentes obstáculos jurídicos para dar ajuda espiritual aos interessados na Rodésia do Sul (agora conhecida como Zimbábue). Os esforços para obter reconhecimento legal começaram em meados da década de 20. Em 1932, os pioneiros da África do Sul receberam ordens de deixar o país e foram informados arbitrariamente de que não seria possível apelar. Mas apelaram mesmo assim. Acusações de que as publicações da Torre de Vigia eram sediciosas tiveram de ser julgadas nos tribunais. No início da década de 40, os irmãos passaram algum tempo na prisão por distribuírem publicações que explicavam a Bíblia. Só em 1966 as Testemunhas de Jeová receberam pleno reconhecimento legal como organização religiosa em Zimbábue. Por mais de 40 anos, a obra de colheita espiritual fora realizada sob consideráveis dificuldades, mas durante esse tempo trabalhadores corajosos ajudaram mais de 11.000 pessoas a se tornarem servos de Jeová Deus.

      Dando testemunho a governadores e reis

      Jesus sabia que seus discípulos encontrariam oposição em seu ministério. Ele lhes disse que seriam entregues aos “tribunais locais”, até mesmo a “governadores e reis”, e que isso resultaria num “testemunho para eles e para as nações”. (Mat. 10:17, 18) As Testemunhas de Jeová têm passado exatamente pelo que Jesus predisse, e, em harmonia com o que ele disse, têm procurado usar essas oportunidades para dar testemunho.

      Algumas autoridades permitem que o medo as impeça de fazer o bem aos seguidores de Cristo. (João 12:42, 43) Llewelyn Phillips viu provas disso em 1948, quando teve audiências pessoais com várias autoridades do governo no Congo Belga, com a intenção de conseguir alívio para as Testemunhas perseguidas ali. Ele explicou as crenças e as atividades das Testemunhas de Jeová a esses homens. Mas, durante a entrevista, o governador-geral disse, pensativo: “E, se eu os ajudar, o que acontecerá comigo?” Ele sabia que a Igreja Católica Romana exercia grande influência naquele país.

      No entanto, o chefe supremo da nação suazi, Rei Sobhuza II, não estava muito preocupado com a opinião do clero. Ele havia conversado muitas vezes com as Testemunhas de Jeová, possuía várias publicações e tinha boa disposição para com elas. Anualmente, na “Sexta-Feira Santa”, ele convidava os clérigos africanos para sua aldeia real. Deixava-os falar, mas também convidava uma Testemunha de Jeová para falar. Em 1956, a Testemunha falou sobre a doutrina da imortalidade da alma e títulos honorários de líderes religiosos. Quando ele terminou, o chefe supremo perguntou aos clérigos: “Essas coisas ditas aqui pelas Testemunhas de Jeová são verdadeiras ou falsas? Se são falsas, digam em quê.” Eles não conseguiram refutá-las. Em certa ocasião, o chefe supremo chegou a soltar uma gargalhada diante da consternação do clero pelo que uma Testemunha dissera.

      Muitas vezes cabia à Polícia indagar das Testemunhas o porquê de suas ações. Algumas Testemunhas da congregação de Tânger, no Marrocos, viajavam regularmente a Ceuta, um porto sob controle espanhol, mas situado na costa marroquina. Detidas pela Polícia em certa ocasião, em 1967, as Testemunhas foram interrogadas por duas horas, durante as quais se deu um excelente testemunho. A certa altura, dois inspetores de polícia perguntaram se as Testemunhas acreditavam na “Virgem Maria”. Quando se lhes disse que os relatos evangélicos mostram que Maria teve outros filhos depois do nascimento virginal de Jesus, e que eles eram meios-irmãos de Jesus, os inspetores com ar de espanto disseram que isso nunca poderia ser achado na Bíblia. Quando se mostrou João 7:3-5 a um deles, este o examinou demoradamente sem dizer nada, de modo que o outro disse: “Dê-me essa Bíblia. Eu explicarei o texto!” O primeiro replicou: “Não se incomode. O texto é muito claro.” Muitas outras perguntas foram feitas e respondidas num ambiente descontraído. Depois, houve bem pouca interferência das autoridades à medida que as Testemunhas pregavam naquela área.

      Homens de destaque no governo ficam bem familiarizados com as Testemunhas de Jeová e seu ministério. Alguns reconhecem que a obra das Testemunhas é realmente proveitosa para o povo. Em fins de 1959, quando se faziam preparativos para a independência da Nigéria, o governador-geral, Dr. Nnamdi Azikiwe, solicitou que W. R. Brown comparecesse como representante das Testemunhas de Jeová. Ele disse ao seu Conselho de Ministros: “Se todas as denominações religiosas fossem como as Testemunhas de Jeová, não mais haveria assassinatos, assaltos, delinqüências, presidiários e bombas atômicas. As portas não ficariam trancadas dia e noite.”

      Uma colheita espiritual realmente grande estava em andamento na África. Em 1975, 312.754 Testemunhas pregavam as boas novas em 44 países do continente africano. Em nove desses países, menos de 50 haviam tomado posição a favor da verdade bíblica e participavam na obra de evangelização. Mas as Testemunhas consideram preciosa a vida de cada uma das pessoas. Em 19 desses países, os que participavam no ministério de casa em casa como Testemunhas de Jeová chegavam aos milhares. Relataram-se extraordinários aumentos em certas regiões. Em Angola, por exemplo, de 1970 a 1975, o número de Testemunhas aumentou de 355 para 3.055. Na Nigéria, em 1975, havia 112.164 Testemunhas de Jeová. Não eram pessoas que apenas gostavam de ler as publicações da Torre de Vigia, nem que simplesmente assistiam de vez em quando às reuniões no Salão do Reino. Todos eram proclamadores ativos do Reino de Deus.

      O Oriente produz louvadores de Jeová

      Como aconteceu em muitos outros lugares, a atividade das Testemunhas de Jeová nas Filipinas expandiu-se rapidamente depois da Segunda Guerra Mundial. Tão logo foi possível depois de sua libertação da prisão em 13 de março de 1945, Joseph dos Santos contatou o escritório da Sociedade Torre de Vigia, em Nova Iorque. Ele queria obter todas as publicações bíblicas e instruções organizacionais que os irmãos nas Filipinas haviam perdido durante a guerra. Daí, visitou pessoalmente as congregações para unificá-las e fortalecê-las. Naquele mesmo ano realizou-se um congresso nacional em Lingayen, na província de Pangasinan, em que se deram instruções sobre como ensinar pessoas famintas da verdade por meio de estudos bíblicos domiciliares. Nos anos seguintes, fez-se um esforço conjunto para traduzir e imprimir mais publicações nas línguas locais — tagalo, ilocano e cebuano. Lançava-se o alicerce para expansão, o que ocorreu rapidamente.

      Em 10 anos após o fim da guerra o número de Testemunhas nas Filipinas aumentou de umas 2.000 para mais de 24.000. Em mais 20 anos havia ali bem mais de 78.000 louvadores de Jeová.

      Um dos primeiros países do Oriente para os quais se enviaram missionários da Escola de Gileade foi a China. Harold King e Stanley Jones chegaram a Xangai em 1947; Lew Ti Himm, em 1949. Foram recebidos pelos três pioneiros alemães que começaram a trabalhar ali em 1939. Era um país em que a maioria das pessoas era budista e não se dispunha de pronto a conversar sobre a Bíblia. Nas suas casas havia santuários e altares. Com espelhos pendurados em cima das portas, procuravam afastar maus espíritos. Pedacinhos de pano vermelho com dizeres de ‘boa sorte’ e desenhos atemorizantes de deuses budistas adornavam os portões. Mas eram tempos de grandes mudanças na China. Sob o domínio comunista, todo mundo era obrigado a estudar ‘os pensamentos de Mao Tse-Tung’. Depois do trabalho, eles tinham de assistir a longas sessões de explicação do comunismo. Em meio a tudo isso, os nossos irmãos pregavam com afinco as boas novas do Reino de Deus.

      Muitos dos dispostos a estudar com as Testemunhas de Jeová já haviam tido algum contato com a Bíblia por meio das religiões da cristandade. Foi o caso de Nancy Yuen, obreira da igreja e dona-de-casa grata pelo que as Testemunhas lhe mostravam na Bíblia. Em pouco tempo ela participava zelosamente no serviço de casa em casa e dirigia seus próprios estudos bíblicos. Outros a quem eles pregavam eram de formação tipicamente chinesa e budista e não tinham nenhum conhecimento prévio da Bíblia. Em 1956, alcançou-se o auge de 57 publicadores. Mas, naquele mesmo ano, depois de ser presa seis vezes por pregar, Nancy Yuen foi mantida na prisão. Outros foram presos ou obrigados a deixar o país. Stanley Jones e Harold King foram presos em 14 de outubro de 1958. Antes de serem julgados, ficaram detidos por dois anos. Durante esse tempo, eles sofreram constantes interrogatórios. Quando finalmente foram a julgamento, em 1960, receberam longas sentenças de prisão. Assim, em outubro de 1958, a atividade pública das Testemunhas de Jeová na China foi interrompida à força. Mas a pregação nunca parou completamente. Mesmo na prisão e em campos de trabalhos forçados, havia maneiras de dar testemunho. Far-se-ia mais nesse vasto país? Isso viria a tona no tempo devido.

      Nesse ínterim, o que acontecia no Japão? Apenas umas cem Testemunhas de Jeová haviam pregado ali antes da Segunda Guerra Mundial. Confrontados com medidas repressivas brutais durante os anos de guerra, muitos transigiram. Embora alguns tenham mantido a integridade, a pregação pública organizada parou. No entanto, a proclamação do Reino de Jeová teve novo começo naquela parte do mundo quando Don Haslett, missionário treinado em Gileade, chegou a Tóquio em janeiro de 1949. Dois meses depois, sua esposa, Mabel, pôde juntar-se a ele. Era um campo em que havia muitas pessoas famintas da verdade. O imperador renunciara à sua afirmação de ser deus. O xintoísmo, o budismo, o catolicismo e o kyodan (composto de vários grupos protestantes no Japão) haviam perdido o prestígio junto ao povo por terem apoiado o esforço de guerra do Japão, que acabara em derrota.

      Em fins de 1949, 13 missionários da Escola de Gileade trabalhavam no Japão. Outros vieram depois — mais de 160 ao todo. Havia pouquíssimas publicações para o trabalho. Alguns missionários falavam o japonês antigo do Havaí, mas tiveram de aprender a língua moderna. Os demais haviam aprendido alguns fundamentos, mas tinham de recorrer muitas vezes ao dicionário japonês-inglês até conhecerem melhor a nova língua. As famílias Ishii e Miura, que não haviam abandonado sua fé durante os anos de guerra, logo contataram a organização e recomeçaram a sua participação no ministério público.

      Pouco a pouco abriram-se lares missionários em Kobe, Nagóia, Osaca, Iocoama, Quioto e Sendai. De 1949 a 1957, a tarefa mais importante foi estabelecer a obra do Reino nas cidades grandes da principal ilha do Japão. Depois os trabalhadores foram mudando para outras cidades. O campo era enorme. Era óbvio que, para que todo o Japão recebesse um testemunho cabal, seria preciso muitos ministros pioneiros. Deu-se ênfase a isso, muitos se ofereceram, e houve uma reação maravilhosa aos esforços unidos desses ministros diligentes! A primeira década produziu 1.390 louvadores de Jeová. Em meados da década de 70, havia 33.480 zelosos louvadores de Jeová espalhados por todo o Japão. E o ritmo do ajuntamento acelerava.

      No mesmo ano em que Don Haslett chegou ao Japão, 1949, a obra do Reino na República da Coréia também recebeu grande ímpeto. A Coréia estivera sob domínio japonês durante a guerra mundial, e as Testemunhas foram impiedosamente perseguidas. Embora houvesse depois da guerra um pequeno grupo que se reunia para estudo, só se fez contato com a organização internacional depois que Choi Young-won viu um relatório sobre as Testemunhas de Jeová, em 1948, no jornal Stars and Stripes do Exército Americano. No ano seguinte formou-se uma congregação de 12 publicadores em Seul. Depois, naquele mesmo ano chegaram os primeiros missionários da Escola de Gileade, Don e Earlene Steele. Sete meses depois, chegaram mais seis missionários.

      Os missionários estavam tendo resultados excelentes — uma média de 20 estudos bíblicos para cada um e assistência às reuniões de até 336 pessoas. Daí, irrompeu a Guerra da Coréia. Apenas três meses depois de aquele último grupo de missionários ter chegado, todos eles foram levados para o Japão. Só depois de mais de um ano Don Steele pôde retornar a Seul, e só depois de mais de um ano Earlene pôde juntar-se a ele. No ínterim, os irmãos coreanos permaneceram firmes e foram zelosos na pregação, apesar de alguns terem perdido a sua casa e muitos deles serem refugiados. Mas, com o fim das hostilidades, deu-se atenção à produção de mais publicações em coreano. Congressos e a chegada de mais missionários deram estímulo à obra. Em 1975, havia 32.693 Testemunhas de Jeová na República da Coréia — quase tanto quanto no Japão — e havia potencial para excelente aumento, porque se dirigiam mais de 32.000 estudos bíblicos domiciliares.

      Qual era a situação na Europa?

      O fim da Segunda Guerra Mundial na Europa não resultou em plena liberdade para as Testemunhas de Jeová realizarem sua obra de instrução bíblica sem oposição. Em alguns lugares, as autoridades as respeitavam por causa de sua posição firme durante a guerra. Mas, em outros lugares, fortes marés de nacionalismo e animosidade religiosa geraram mais perseguição.

      Entre as Testemunhas na Bélgica algumas haviam vindo da Alemanha para pregar as boas novas. Por não apoiarem o regime nazista, a Gestapo as caçara como a animais selvagens. Mas agora as autoridades belgas acusavam algumas dessas mesmas Testemunhas de ser nazistas, prendiam-nas e as deportavam. Apesar de tudo isso, o número de Testemunhas que participavam no ministério de campo na Bélgica mais do que triplicou em cinco anos depois da guerra.

      O que estava por trás da maior parte da perseguição? A Igreja Católica Romana. Onde quer que tivesse o poder para isso, ela era implacável em sua guerra para acabar com as Testemunhas de Jeová.

      Sabendo que muitos no Ocidente temiam o comunismo, o clero católico na cidade irlandesa de Cork, em 1948, incitou oposição às Testemunhas de Jeová, referindo-se constantemente a elas como “diabos comunistas”. Assim, quando certa vez Fred Metcalfe participava no ministério de campo, ele foi confrontado por uma turba que lhe deu socos e chutes, e espalhou suas publicações bíblicas na rua. Felizmente, um policial apareceu nessa hora e dispersou a turba. Apesar de tudo isso, as Testemunhas perseveraram. Nem todos os irlandeses concordavam com a violência. Mais tarde, até mesmo alguns que participaram nisso lamentaram ter participado. A maioria dos católicos na Irlanda nunca vira uma Bíblia. Mas, com amorosa paciência, alguns deles foram ajudados a aceitar a verdade que liberta os homens. — João 8:32.

      Embora em 1946 só houvesse umas cem Testemunhas na Itália, três anos depois já havia 64 congregações — pequenas, mas laboriosas. O clero ficou preocupado. Incapaz de refutar as verdades bíblicas pregadas pelas Testemunhas de Jeová, o clero católico pressionou as autoridades do Governo para tentar livrar-se delas. Assim, em 1949, os missionários das Testemunhas receberam ordens de deixar o país.

      O clero católico romano tentou vez após vez perturbar ou impedir a realização de assembléias das Testemunhas de Jeová na Itália. Usou agitadores para tentar acabar com uma assembléia em Sulmona, em 1948. Em Milão, pressionou o chefe de polícia para cancelar a permissão para um congresso no Teatro dell’Arte, em 1950. E em 1951 fez a Polícia cancelar a permissão para uma assembléia em Cerignola. Mas, em 1957, quando a Polícia mandou encerrar um congresso das Testemunhas em Milão, a imprensa italiana objetou, e surgiram debates no parlamento. O semanário Il Mondo, de Roma, de 30 de julho de 1957, não hesitou em dizer que a ação fora tomada “para satisfazer o arcebispo”, Giovanni Battista Montini, que mais tarde se tornou o Papa Paulo VI. Sabia-se muito bem que por séculos a Igreja Católica proibira a circulação da Bíblia nas línguas do público em geral. Mas as Testemunhas de Jeová persistiram em deixar que os católicos sinceros vissem por si mesmos o que a Bíblia diz. O contraste entre a Bíblia e os dogmas da Igreja era óbvio. Apesar dos intensos esforços da Igreja Católica para impedir isso, milhares deixaram a Igreja e, em 1975, havia 51.248 Testemunhas de Jeová na Itália. Todas eram evangelizadores ativos, e seus números multiplicavam-se rapidamente.

      Na Espanha católica, quando a atividade organizada das Testemunhas de Jeová foi gradualmente restaurada depois de 1946, não surpreendeu que o clero também pressionasse autoridades seculares para tentar detê-las. Reuniões congregacionais das Testemunhas de Jeová eram dissolvidas à força. Os missionários foram obrigados a deixar o país. Testemunhas eram presas simplesmente por possuírem a Bíblia ou publicações bíblicas. Muitas vezes eram detidas em prisões imundas por até três dias e depois libertadas — só para serem detidas, interrogadas e presas de novo. Muitas cumpriram sentenças de um mês ou mais. Os sacerdotes instavam autoridades seculares a ir no encalço de quem quer que estudasse a Bíblia com as Testemunhas de Jeová. Mesmo depois de promulgada a Lei de Liberdade Religiosa, em 1967, as mudanças eram lentas. No entanto, quando as Testemunhas de Jeová finalmente receberam reconhecimento legal, em 1970, já havia mais de 11.000 na Espanha. E, cinco anos depois, já eram mais de 30.000, cada uma delas um evangelizador ativo.

      E que dizer de Portugal? Ali os missionários também foram expulsos do país. Instigada pelo clero católico, a Polícia vasculhava as casas das Testemunhas de Jeová, confiscava suas publicações e dissolvia suas reuniões. Em janeiro de 1963, o comandante da Polícia de Segurança Pública, de Caldas da Rainha, chegou a emitir uma ordem escrita que as proibia de ‘exercer suas atividades de leitura da Bíblia’. Mas as Testemunhas não desistiram de seu serviço a Deus. Havia mais de 13.000 quando obtiveram reconhecimento legal em Portugal, em 1974.

      Em outras partes da Europa, as autoridades seculares levantaram obstáculos à pregação das boas novas classificando a distribuição de publicações bíblicas como atividade comercial, sujeita a leis fiscais. Em vários cantões [estados] da Suíça, decretos sobre vendas ambulantes foram aplicados à distribuição de publicações pelas Testemunhas de Jeová à base de contribuições voluntárias. Ao realizarem suas atividades, as Testemunhas muitas vezes foram presas e processadas. Quando os casos foram julgados, porém, alguns tribunais, entre os quais o Supremo Tribunal do cantão de Vaud, em 1953, decidiram que a atividade das Testemunhas de Jeová não podia ser corretamente considerada como venda ambulante. Nesse ínterim, tentava-se na Dinamarca limitar as horas durante as quais as Testemunhas podiam oferecer publicações, restringindo suas atividades a horários autorizados por lei para o funcionamento de lojas. Isso também teve de ser levado à justiça. Apesar dos obstáculos, as Testemunhas de Jeová continuaram a proclamar o Reino de Deus como a única esperança da humanidade.

      Outra questão que afetava as Testemunhas de Jeová na Europa e em outras partes da Terra era a neutralidade cristã. Visto que sua consciência cristã não lhes permitia envolver-se em conflitos entre facções do mundo, elas eram sentenciadas à prisão num país após outro. (Isa. 2:2-4) Isso tirou rapazes do ministério regular de casa em casa. Mas um resultado positivo foi que se deu amplo testemunho a advogados, juízes, militares e carcereiros. Mesmo na prisão as Testemunhas achavam uma maneira de pregar. Embora o tratamento em alguns presídios fosse brutal, as Testemunhas presas no presídio de Santa Catalina, em Cádiz, Espanha, conseguiram usar parte do tempo para dar testemunho por carta. E na Suécia fez-se muita publicidade sobre como eram tratados os casos de neutralidade de Testemunhas de Jeová. Assim, de muitos modos, as pessoas ficavam sabendo que Jeová realmente tem testemunhas na Terra e que elas aderem firmemente aos princípios bíblicos.

      Algo mais fazia com que as Testemunhas ficassem bem conhecidas. Isso também exercia um efeito poderoso e fortalecedor sobre a sua obra de evangelização.

      Congressos contribuíam para dar testemunho

      Quando as Testemunhas de Jeová realizaram um congresso internacional em Paris, França, em 1955, os noticiários na televisão transmitiram para toda a nação relances do que aconteceu. Em 1969, realizou-se perto de Paris outro congresso, e ficou evidente que o ministério das Testemunhas havia sido frutífero. Os batizados no congresso foram 3.619, ou cerca de 10 por cento da assistência média. Sobre isso, o popular vespertino France-Soir, de Paris, de 6 de agosto de 1969, disse: “O que preocupa os clérigos de outras religiões não são os meios de distribuição espetacular de publicações, usados pelas testemunhas de Jeová, mas sim como fazem prosélitos. Toda testemunha de Jeová tem a obrigação de testemunhar ou proclamar sua fé usando a Bíblia de casa em casa.”

      Durante um período de três semanas naquele mesmo verão de 1969, realizaram-se mais quatro grandes congressos internacionais na Europa — em Londres, Copenhague, Roma e Nurembergue. Ao congresso de Nurembergue compareceram 150.645 pessoas de 78 países. Além de aviões e navios, foram necessários uns 20.000 carros, 250 ônibus e 40 trens especiais para transportar os congressistas.

      Os congressos não apenas fortaleciam e equipavam as Testemunhas de Jeová para seu ministério, mas também davam ao público a oportunidade de ver por si mesmo que tipo de pessoas elas são. Em 1965, quando se programou um congresso internacional para Dublim, Irlanda, usou-se intensa pressão religiosa para forçar o cancelamento da programação. Mas o congresso foi realizado, e muitos em Dublim hospedaram os congressistas. Com que resultado? “Não nos contaram a verdade a seu respeito”, comentaram algumas donas-de-casa depois do congresso. “Os sacerdotes mentiram para nós, mas, agora que os conhecemos, sempre teremos prazer em recebê-los.”

      Quando as pessoas falam outra língua

      Em décadas recentes, as Testemunhas de Jeová na Europa têm constatado que comunicar-se com pessoas de outras nacionalidades é um desafio especial. Muitos têm-se mudado de um país para outro por causa de oportunidades de emprego. Algumas cidades européias tornaram-se sede de importantes instituições internacionais, com membros que nem sempre falam a língua local.

      Naturalmente, territórios multilíngües são uma realidade há séculos em alguns lugares. Na Índia, por exemplo, existem 14 línguas principais e talvez 1.000 línguas menos importantes e dialetos. Papua Nova Guiné tem mais de 700 línguas. Mas foi em especial nas décadas de 60 e 70 que as Testemunhas em Luxemburgo constataram que seu território passara a incluir pessoas de mais de 30 nações — e, depois disso, surgiram pelo menos mais 70 nacionalidades. A Suécia relata que deixou de ser um país com uma só língua usada por quase todos para se tornar uma sociedade que fala 100 idiomas. Como têm as Testemunhas de Jeová lidado com isso?

      A princípio, elas muitas vezes apenas procuravam descobrir a língua do morador e daí tentavam obter publicações que ele pudesse ler. Na Dinamarca, providenciaram-se gravações para que turcos sinceros ouvissem a mensagem em sua própria língua. A Suíça tinha um grande contingente de trabalhadores estrangeiros da Itália e da Espanha. A experiência de Rudolf Wiederkehr em ajudar alguns deles é típica de como as coisas começaram. Ele tentou dar testemunho a um italiano, mas nenhum dos dois conhecia bem o idioma do outro. O que fazer? Nosso irmão deixou com ele uma Sentinela em italiano. Apesar do problema com o idioma, o irmão Wiederkehr retornou. Iniciou-se um estudo bíblico com aquele homem, a esposa e o filho de 12 anos. O livro que o irmão Wiederkehr usava para o estudo era em alemão, mas ele forneceu livros em italiano àquela família. Quando faltavam palavras, usavam-se gestos. Às vezes, o rapazinho, que estudava alemão na escola, servia de intérprete. A família toda aceitou a verdade e começou logo a partilhá-la com outros.

      Mas literalmente milhões de trabalhadores da Espanha, da Grécia, da Itália, da Iugoslávia, de Portugal e da Turquia mudavam-se para a Alemanha e outros países. A ajuda espiritual podia ser mais eficaz se fosse dada em suas próprias línguas. Algumas Testemunhas locais logo passaram a aprender as línguas dos trabalhadores estrangeiros. Na Alemanha, a filial chegou a providenciar aulas de turco. Testemunhas de outros países que sabiam falar a língua necessária eram convidadas a mudar-se para lugares em que havia necessidade especial de ajuda.

      Alguns trabalhadores estrangeiros nunca haviam encontrado as Testemunhas de Jeová e estavam realmente famintos de coisas espirituais. Eram gratos pelo esforço que se fazia para ajudá-los. Formaram-se muitas congregações de língua estrangeira. Com o tempo, alguns desses estrangeiros voltaram para sua terra a fim de realizar o ministério em regiões em que antes não se dera um testemunho cabal sobre o Reino de Deus.

      Colheita abundante apesar de obstáculos

      As Testemunhas de Jeová utilizam métodos uniformes de pregação em toda a Terra. Na América do Norte elas têm evangelizado ativamente por mais de um século. Não é de surpreender, portanto, que haja uma abundante colheita espiritual ali. Em 1975, havia 624.097 Testemunhas de Jeová ativas nos Estados Unidos continentais e no Canadá. No entanto, isso não foi porque sua pregação na América do Norte era realizada sem oposição.

      Embora o governo canadense tivesse sustado a proscrição às Testemunhas de Jeová e às suas corporações legais em 1945, os benefícios dessa decisão não foram sentidos imediatamente na província de Quebec. Em setembro de 1945, turbas de católicos atacaram as Testemunhas de Jeová em Châteauguay e Lachine. Testemunhas foram presas e acusadas de sedição porque as publicações que distribuíam criticavam a Igreja Católica Romana. Outros foram presos por distribuírem publicações bíblicas que não haviam sido aprovadas pelo chefe de polícia. Em 1947, havia 1.700 processos pendentes nos tribunais de Quebec.

      Enquanto se apresentavam jurisprudências para a consideração dos tribunais, as Testemunhas eram instruídas a pregar o evangelho oralmente, usando apenas a Bíblia — a versão Douay, católica, quando possível. Ministros de tempo integral de outras partes do Canadá ofereceram-se para aprender francês e mudaram-se para Quebec a fim de participar na divulgação da verdadeira adoração.

      Muitos católicos sinceros convidavam as Testemunhas a entrar e faziam perguntas, embora muitas vezes dissessem: ‘Sou católico-romano e nunca mudarei.’ Mas, ao verem por si mesmos o que a Bíblia diz, dezenas de milhares de fato mudaram, por amor à verdade e pelo desejo de agradar a Deus.

      Nos Estados Unidos também foi necessário disputar nos tribunais pela consolidação do direito de as Testemunhas de Jeová pregarem publicamente e de casa em casa. De 1937 a 1953, 59 desses processos que envolviam as Testemunhas foram levados até o Supremo Tribunal de Washington, DC.

      Atenção a territórios não-designados

      O objetivo das Testemunhas de Jeová não é apenas fazer alguma coisa na pregação das boas novas, mas alcançar a tantos quantos possível com a mensagem do Reino. Para tanto, o Corpo Governante das Testemunhas de Jeová encarrega cada filial da responsabilidade por uma parte específica do campo mundial. À medida que se formam congregações no território da filial, cada congregação recebe uma parte desse território para pregar. Daí a congregação divide essa área em setores que podem ser designados a grupos ou a ministros individuais na congregação. Esses procuram alcançar cada morador em base regular. Mas que dizer de regiões ainda não designadas às congregações?

      Em 1951 foi feita uma lista de todos os condados dos Estados Unidos para determinar quais deles não recebiam visitas regulares das Testemunhas de Jeová. Na época, cerca de 50 por cento não eram trabalhados ou eram apenas parcialmente cobertos. Fizeram-se arranjos para que as Testemunhas realizassem seu ministério nessas regiões nos meses de verão ou em outras ocasiões apropriadas, com o objetivo de formar congregações. Quando não havia ninguém em casa, às vezes se deixava uma mensagem impressa, junto com uma publicação bíblica. Dirigiam-se estudos bíblicos por correspondência. Mais tarde, enviaram-se pioneiros especiais a esses territórios para cultivar o interesse encontrado.

      Essa atividade não se limitou à década de 50. Ao redor do mundo, nos países em que as cidades principais recebem testemunho, mas que têm territórios não-designados, continua sendo feito um esforço vigoroso para se alcançar as pessoas que não são contatadas regularmente. No Alasca, na década de 70, cerca de 20 por cento da população morava em povoados remotos. Seria mais fácil encontrar muitas dessas pessoas no inverno, quando a pesca praticamente pára. Mas essa é a época em que o rigoroso congelamento e o fenômeno dos dias brancos, ou reflexão múltipla, tornam perigoso voar. No entanto, a população esquimó, indígena e aleúte precisava receber a oportunidade de aprender sobre a provisão de vida eterna sob o Reino de Deus. Para alcançá-la, um grupo de 11 Testemunhas, usando aviões pequenos, visitou uns 200 povoados espalhados numa região de 844.000 quilômetros quadrados num período de dois anos. Tudo isso foi custeado por contribuições voluntárias feitas pelas Testemunhas locais.

      Além dessas viagens de pregação, Testemunhas maduras têm sido incentivadas a considerar a possibilidade de realmente mudar-se para regiões em seu próprio país em que a necessidade de proclamadores do Reino é maior. Milhares têm correspondido ao incentivo. Entre os que se mudaram nos Estados Unidos estão Eugene e Delia Shuster, que partiram de Illinois em 1958 para servir em Hope, Arkansas. Permaneceram ali por mais de três décadas para encontrar pessoas interessadas, agrupá-las em congregação e ajudá-las a atingir a madureza cristã.

      Em 1957, incentivados pelo superintendente de circuito, Alexander B. Green e sua esposa partiram de Dayton, Ohio, para servir no Mississípi. Foram designados primeiro para Jackson e, dois anos depois, para Clarksdale. Com o tempo, o irmão Green serviu em cinco outras localidades. Em todas estas havia pequenas congregações que precisavam de ajuda. Ele se sustentava fazendo serviços de porteiro ou zelador, jardinagem, acabamento de móveis, conserto de automóveis e assim por diante. Mas seus esforços principais dirigiam-se para a pregação das boas novas. Ele ajudou as Testemunhas locais a crescer espiritualmente, trabalhou com elas para alcançar as pessoas no território e muitas vezes ajudou-as a construir um Salão do Reino antes de mudar-se.

      Em 1967, quando Gerald Cain se tornou Testemunha de Jeová no oeste dos Estados Unidos, ele e sua família sentiram fortemente a urgência da obra de evangelização. Mesmo antes de qualquer um deles ser batizado, já faziam arranjos para servir onde a necessidade fosse maior. Durante quatro anos eles trabalharam com a congregação em Needles, na Califórnia. Esta era responsável por um território que incluía partes de três estados no oeste dos Estados Unidos. E quando por razões de saúde eles tiveram de se mudar, novamente escolheram um lugar onde havia necessidade especial de ajuda e converteram parte de sua casa em Salão do Reino. Eles fizeram outras mudanças, mas sempre deram grande importância a arranjar um lugar onde pudessem ser da maior ajuda em dar testemunho.

      À medida que o número de congregações se multiplica, em alguns lugares a necessidade de anciãos habilitados é muito grande. Para suprir essa necessidade, milhares de anciãos têm-se oferecido para se deslocar regularmente (e à sua própria custa) para congregações distantes de sua casa. Eles viajam três, quatro, cinco ou mais vezes por semana — para participar nas reuniões congregacionais e no ministério de campo e também para pastorear o rebanho. Isso tem sido feito não só nos Estados Unidos, mas em El Salvador, na Espanha, no Japão, nos Países Baixos e em muitos outros países. Em alguns casos, os anciãos mudam-se com a família a fim de suprir essa necessidade.

      Quais têm sido os resultados? Veja o que aconteceu nos Estados Unidos. Em 1951, quando pela primeira vez foram anunciados os arranjos para trabalhar em território não-designado, havia umas 3.000 congregações no país, com 45 publicadores em média por congregação. Em 1975, havia 7.117 congregações, e a média de Testemunhas ativas associadas com as congregações subira para quase 80.

      O testemunho dado em favor do nome e do Reino de Jeová, de 1945 a 1975, foi bem maior do que tudo o que já se fizera antes.

      O número de Testemunhas em volta do globo aumentara de 156.299, em 1945, para 2.179.256, em 1975. Cada uma teve participação pessoal em pregar publicamente o Reino de Deus.

      Em 1975, as Testemunhas de Jeová estavam ativas em 212 terras (contadas segundo a maneira em que o mapa se achava dividido no início da década de 90). Nos EUA continentais e no Canadá, 624.097 efetuavam seu ministério. Na Europa, fora da antiga União Soviética, havia mais 614.826. A África ouvia a mensagem de verdade da Bíblia de 312.754 Testemunhas que participavam na obra ali. O México, a América Central e a América do Sul eram servidas por 311.641 Testemunhas; a Ásia, por 161.598; a Austrália e as muitas ilhas em toda a Terra, por 131.707.

      Durante os 30 anos até 1975, as Testemunhas de Jeová dedicaram 4.635.265.939 horas à pregação e ao ensino públicos. Além disso, distribuíram 3.914.971.158 livros, folhetos e revistas a pessoas interessadas para ajudá-las a ver como poderiam beneficiar-se do amoroso propósito de Jeová. Em harmonia com a ordem de Jesus de fazer discípulos, elas fizeram 1.788.147.329 revisitas a pessoas interessadas, e, em 1975, dirigiam a média de 1.411.256 estudos bíblicos domiciliares gratuitos para pessoas e famílias.

      Em 1975, a pregação das boas novas já havia alcançado 225 terras. Em mais de 80 terras alcançadas pelas boas novas até 1945, mas em que não havia congregações naquele ano, em 1975 já prosperavam congregações de zelosas Testemunhas. Entre essas terras estavam a República da Coréia com 470 congregações, a Espanha com 513, o Zaire com 526, o Japão com 787, e a Itália com 1.031.

      No período de 1945 a 1975, a vasta maioria dos que se tornaram Testemunhas de Jeová não professava ser ungida com o espírito de Deus com esperança de vida celestial. Em meados do primeiro semestre de 1935, o número dos que participaram dos emblemas da Refeição Noturna do Senhor totalizou plenos 93 por cento dos que participavam no ministério de campo. (Mais tarde naquele mesmo ano, a “grande multidão” de Revelação 7:9 foi identificada como composta de pessoas que viveriam para sempre na Terra.) Em 1945, o número de Testemunhas cuja esperança era a vida na Terra paradísica aumentara a ponto de constituir 86 por cento dos que participavam em pregar as boas novas. Em 1975, os que professavam ser cristãos ungidos pelo espírito eram menos de meio por cento da organização mundial de Testemunhas de Jeová. Embora espalhados em uns 115 países naquela época, esses ungidos continuaram a servir como corpo unificado sob Jesus Cristo.

      [Destaque na página 463]

      “Desde que vocês estiveram aqui, todo mundo está falando sobre a Bíblia.”

      [Destaque na página 466]

      “O que você acaba de me falar é o que eu li naquela Bíblia tantos anos atrás.”

      [Destaque na página 470]

      Milhares mudaram-se para outras regiões em seu próprio país onde era maior a necessidade de Testemunhas.

      [Destaque na página 472]

      “Uma inestimável recompensa”

      [Destaque na página 475]

      Testemunhas habilitadas foram enviadas a países onde havia necessidade especial.

      [Destaque na página 486]

      Com convincentes argumentos das Escrituras, as primeiras Testemunhas na Nigéria expuseram o clero e seus ensinos falsos.

      [Destaque na página 497]

      Quando faltavam palavras, usavam-se gestos.

      [Destaque na página 499]

      O objetivo? Alcançar a tantos quanto possível com a mensagem do Reino.

      [Quadro/Fotos na página 489]

      Fez-se muito esforço para se alcançar as pessoas da China com as boas novas do Reino de Jeová.

      Milhares de cartas, tratados e livros foram enviados de Chefu, entre 1891 e 1900.

      C. T. Russell falou em Xangai e visitou 15 cidades e povoados, em 1912.

      Colportores distribuíram muitas publicações por toda a extensão da costa da China, com viagens ao interior, de 1912-18.

      Colportores japoneses serviram aqui, de 1930-31.

      Fizeram-se transmissões radiofônicas em chinês de Xangai, de Pequim e de Tientsin, na década de 30; em resultado disso, chegaram cartas de muitas partes da China solicitando publicações.

      Pioneiros da Austrália e da Europa deram testemunho em Xangai, Pequim, Tientsin, Tsingtau, Pei-tai-ho, Chefu, Weihaiwei, Cantão, Suatou, Amoí, Fuchou, Hankou e Nanquim nas décadas de 30 e 40. Outros vieram pela Estrada da Birmânia e deram testemunho em Pao-shan, Chungquing, Ch’eng-tu. Pioneiros locais serviram em Shensi e Ningpo.

      [Foto]

      Missionários treinados em Gileade, como Stanley Jones (à esquerda) e Harold King (à direita), serviram aqui de 1947 a 1958, junto com famílias de zelosas Testemunhas locais.

      [Mapa]

      CHINA

      [Mapa/Fotos na página 462]

      O “Sibia” serviu como lar missionário flutuante nas Índias Ocidentais.

      G. Maki

      S. Carter

      R. Parkin

      A. Worsley

      [Mapa]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      BAAMAS

      ILHAS DE SOTAVENTO

      ILHAS VIRGENS (EUA)

      ILHAS VIRGENS (GRÃ-BRETANHA)

      ILHAS DE BARLAVENTO

      [Mapa na página 477]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      Vitalizadoras águas da verdade transbordaram pelas fronteiras nacionais em muitas direções na África.

      EGITO

      SENEGAL

      QUÊNIA

      GANA

      QUÊNIA

      MALAUI

      NIGÉRIA

      SERRA LEOA

      ZÂMBIA

      ÁFRICA DO SUL

      [Fotos na página 464]

      Como missionários na Bolívia, Edward Michalec (à esquerda) e Harold Morris (à direita) pregaram primeiro aqui em La Paz.

      [Foto na página 465]

      O barco “El Refugio”, construído por Testemunhas de Jeová no Peru, foi usado para levar a mensagem do Reino às pessoas ao longo dos rios na região do alto Amazonas.

      [Foto na página 467]

      As aulas de alfabetização ministradas pelas Testemunhas no México têm habilitado dezenas de milhares de pessoas a ler a Palavra de Deus.

      [Foto na página 468]

      O irmão Knorr (na frente, à direita) reuniu-se com as Testemunhas em pequenas assembléias realizadas em fazendas e nas montanhas na Argentina, quando se lhes negou liberdade de reunir-se mais abertamente.

      [Foto na página 469]

      Entre os milhares de Testemunhas que se mudaram para outros países a fim de servir onde a necessidade era maior havia famílias, como Harold e Anne Zimmerman com seus quatro filhinhos. (Colômbia)

      [Foto na página 471]

      Atendendo a uma convocação de voluntários, Tom e Rowena Kitto mudaram-se para Papua a fim de ensinar a verdade da Bíblia.

      [Foto na página 471]

      John e Ellen Hubler, além de outras 31 Testemunhas, mudaram-se para a Nova Caledônia. Antes de terem sido obrigados a partir, estabeleceu-se firmemente uma congregação.

      [Foto na página 473]

      Ainda jovem, na Samoa Ocidental, Fuaiupolu Pele enfrentou forte pressão da família e da comunidade ao decidir tornar-se Testemunha de Jeová.

      [Foto na página 474]

      Depois de Shem Irofa’alu e seus associados se convencerem de que o que as Testemunhas de Jeová ensinam é realmente a verdade, igrejas em 28 povoados nas ilhas Salomão foram transformadas em Salões do Reino.

      [Fotos na página 476]

      Para poderem pregar na Etiópia no início da década de 50, as Testemunhas de Jeová foram obrigadas a estabelecer uma missão e escola.

      [Foto na página 478]

      Ao ser ameaçado de deportação, Gabriel Paterson (visto aqui) foi tranqüilizado por uma autoridade de destaque: ‘A verdade é como um poderoso rio; represe-o, e ele transbordará da represa.’

      [Fotos na página 479]

      Em 1970, num congresso na Nigéria, 3.775 novas Testemunhas foram imersas; tomaram-se cuidados para certificar-se de que cada uma realmente se qualificava.

      [Fotos na página 481]

      Exibições de filmes (na África e ao redor do mundo) deram às platéias um vislumbre da magnitude da organização visível de Jeová.

      [Foto na página 482]

      João Mancoca (com sua esposa, Mary) serve lealmente a Jeová há décadas, apesar de condições muito difíceis.

      [Foto na página 483]

      Em 1961, Ernest Heuse Jr., com sua família, conseguiu entrar no Zaire (então chamado de Congo) para ajudar a dar instrução espiritual àqueles que realmente desejavam servir a Jeová.

      [Foto na página 485]

      Embora estivesse batizada por apenas um ano e não soubesse da existência de outras Testemunhas no Quênia, Mary Whittington pôs-se a ajudar outros a aprender a verdade.

      [Foto na página 487]

      Mary Nisbet (na frente, no centro), com os filhos Robert e George, que serviu como pioneira na África Oriental na década de 30, e (no fundo) seu filho William e sua nora Muriel, que serviram na África Oriental de 1956 a 1973.

      [Fotos na página 488]

      Num congresso nas Filipinas, em 1945, deram-se instruções sobre como ensinar por meio de estudos bíblicos domiciliares.

      [Fotos na página 490]

      Don e Mabel Haslett, os primeiros missionários do pós-guerra no Japão, dando testemunho nas ruas.

      [Foto na página 491]

      Durante 25 anos, Lloyd Barry (à direita) serviu no Japão, primeiro como missionário e depois como superintendente de filial.

      [Foto na página 491]

      Don e Earlene Steele, os primeiros de muitos missionários que serviram na República da Coréia.

      [Foto na página 492]

      No passado, Fred Metcalfe às vezes era perseguido por turbas ao tentar pregar a Bíblia na Irlanda; mas, tempos depois, quando as pessoas passaram a escutar, milhares tornaram-se Testemunhas de Jeová.

      [Foto na página 493]

      Apesar da oposição do clero, milhares assistiram aos congressos das Testemunhas na Itália. (Roma, 1969)

      [Foto na página 494]

      No período das proscrições, as reuniões congregacionais muitas vezes eram realizadas no interior, em estilo de piquenique, como aqui, em Portugal.

      [Fotos na página 495]

      As Testemunhas presas, em Cádiz, na Espanha, continuaram a pregar escrevendo cartas.

      [Fotos na página 496]

      Grandes congressos deram ao público a oportunidade de ver e ouvir por si mesmo que tipo de pessoas são as Testemunhas de Jeová.

      Paris, França (1955)

      Nurembergue, Alemanha (1955)

      [Fotos na página 498]

      Para alcançar a todos em Luxemburgo com as boas novas, tem sido necessário as Testemunhas de Jeová usarem publicações em pelo menos cem línguas.

  • Parte 5 — Testemunhas até à parte mais distante da terra
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 22

      Parte 5 — Testemunhas até à parte mais distante da terra

      Em 1975, tomaram-se importantes decisões no que diz respeito à maneira em que a atividade das Testemunhas de Jeová seria dirigida da sua sede mundial. Na época elas não sabiam que campos talvez ainda fossem abertos para um amplo testemunho antes do fim do atual sistema mundial ou quanta pregação ainda se faria nos países em que haviam pregado livremente por muitos anos. Mas queriam fazer o melhor uso possível de toda oportunidade. As páginas 502 a 520 relatam empolgantes acontecimentos.

      TÊM ocorrido grandes mudanças na América do Sul. Não faz muitos anos que as Testemunhas de Jeová no Equador confrontavam-se com turbas de católicos, que os sacerdotes católicos no México dominavam a bem dizer como reis em muitos povoados e que se impuseram proscrições governamentais às Testemunhas de Jeová na Argentina e no Brasil. Mas as circunstâncias mudaram significativamente. Agora, muitos dos que foram ensinados a temer ou a odiar as Testemunhas são eles mesmos Testemunhas de Jeová. Outros escutam de bom grado quando as Testemunhas os visitam para partilhar a mensagem de paz da Bíblia. As Testemunhas de Jeová são bem conhecidas e amplamente respeitadas.

      O tamanho de seus congressos e a conduta cristã dos congressistas têm chamado atenção. Dois desses congressos, realizados simultaneamente em São Paulo e no Rio de Janeiro, Brasil, em 1985, tiveram o auge de assistência de 249.351. Depois, 23 outros congressos, realizados em benefício de pessoas interessadas no restante do Brasil, elevaram a assistência total para 389.387. Os resultados do trabalho das Testemunhas de Jeová no Brasil como instrutores da Palavra de Deus foram claramente evidenciados quando 4.825 pessoas simbolizaram sua dedicação a Jeová pela imersão em água nessa série de congressos. Apenas cinco anos depois, em 1990, foi necessário realizar 110 congressos no Brasil para atender os 548.517 que compareceram. Dessa vez, 13.448 se apresentaram para a imersão em água. Em todo o país, centenas de milhares de pessoas e de famílias aceitavam alegremente a instrução que as Testemunhas de Jeová lhes davam da Palavra de Deus.

      E que dizer da Argentina? Depois de décadas de restrições governamentais, as Testemunhas de Jeová puderam novamente reunir-se livremente em 1985. Que alegria foi 97.167 pessoas comparecerem à primeira série de congressos! Sob a manchete “Um Reino Que Cresce — O das Testemunhas de Jeová”, o jornal Ahora admirou-se da ordem da multidão congregada em Buenos Aires, da total ausência de racismo e de preconceito social, da pacificidade e do amor manifestado por elas. Daí concluiu: “Concordemos ou não com suas idéias e doutrinas, toda essa multidão merece o maior respeito.” No entanto, muitos argentinos foram além disso. Passaram a estudar a Bíblia com as Testemunhas de Jeová e a assistir às reuniões no Salão do Reino para observar como as Testemunhas aplicam os princípios da Bíblia em sua vida. Daí, esses observadores tomaram uma decisão. Nos sete anos seguintes, dezenas de milhares deles dedicaram sua vida a Jeová, e o número de Testemunhas na Argentina aumentou em 71 por cento!

      A receptividade às boas novas do Reino de Deus foi ainda mais extraordinária no México. No passado, as Testemunhas de Jeová muitas vezes eram atacadas por turbas instigadas por sacerdotes. Mas as Testemunhas não retaliavam nem buscavam vingança, e isso impressionou muito as pessoas sinceras de coração. (Rom. 12:17-19) Elas observaram também que as Testemunhas baseavam todas as suas crenças na Bíblia, a inspirada Palavra de Deus, em vez de em tradições humanas. (Mat. 15:7-9; 2 Tim. 3:16, 17) Podiam ver que as Testemunhas tinham fé que realmente as sustentava ao enfrentarem adversidades. Cada vez mais famílias aceitavam um estudo bíblico domiciliar gratuito com as Testemunhas de Jeová. De fato, em 1992, 12 por cento dos estudos bíblicos dirigidos pelas Testemunhas no mundo todo estavam no México, e bom número de estudos era com famílias grandes. Em resultado disso, o número de Testemunhas de Jeová no México — não apenas aqueles que assistiam às reuniões, mas os que eram ativos pregadores públicos do Reino de Deus — subiu vertiginosamente de 80.481, em 1975, para 354.023, em 1992!

      Também na Europa eventos extraordinários contribuíram para a divulgação da mensagem do Reino.

      Surpreendentes acontecimentos na Polônia

      Embora a obra das Testemunhas de Jeová estivesse proscrita na Polônia de 1939 a 1945 (durante a dominação nazista e soviética) e novamente a partir de julho de 1950 (sob controle soviético), as Testemunhas de Jeová não pararam de pregar. Embora fossem apenas 1.039 em 1939, havia 18.116 proclamadores do Reino em 1950, e estes continuaram a ser evangelizadores zelosos (embora cautelosos). (Mat. 10:16) As assembléias, porém, eram realizadas fora da vista do público: em zonas rurais, em celeiros, em florestas. Mas, a partir de 1982, o governo polonês permitiu-lhes realizar assembléias de um dia, de tamanho moderado, em locais alugados.

      Daí, em 1985 os maiores estádios da Polônia foram postos à disposição das Testemunhas de Jeová para quatro grandes congressos no mês de agosto. Ao desembarcar no aeroporto, um congressista da Áustria ficou surpreso ao ouvir no alto-falante boas-vindas às Testemunhas de Jeová para seu congresso na Polônia. Ciente de que isso indicava uma mudança na atitude do governo, uma Testemunha polonesa idosa que fora receber o visitante chorou de alegria. A esses congressos compareceram 94.134 congressistas, incluindo grupos de 16 países. Será que o público sabia o que estava acontecendo? Sim, sabia! Durante e depois dos congressos, eles leram notícias nos principais jornais, viram as multidões de congressistas na televisão e ouviram partes do programa na emissora nacional de rádio. Muitos gostaram do que viram e ouviram.

      Planejavam-se congressos ainda maiores na Polônia, quando, em 12 de maio de 1989, o governo concedeu reconhecimento legal às Testemunhas de Jeová como associação religiosa. Dentro de três meses, realizaram-se três congressos internacionais — em Chorzów, Poznan e Varsóvia — com assistência conjunta de 166.518. Surpreendentemente, milhares de Testemunhas procedentes da ex-União Soviética (URSS) e da ex-Tchecoslováquia conseguiram obter a necessária permissão para viajar e estiveram presentes. Será que a obra de fazer discípulos realizada pelas Testemunhas de Jeová estava produzindo resultados nesses países, onde o ateísmo fora fortemente advogado pelo Estado durante décadas? A resposta foi evidente quando 6.093, entre os quais muitos jovens, apresentaram-se para a imersão em água nesses congressos.

      O público não pôde deixar de ver que as Testemunhas eram diferentes — de maneira muito salutar. A imprensa publicou declarações como a seguinte: “Aqueles que adoram a Jeová Deus — como eles mesmos chamam — estimam grandemente suas reuniões, que são certamente uma manifestação de união entre eles. . . . No que se refere à ordem, paz e limpeza, os participantes do congresso são exemplos a imitar.” (Życie Warszawy) Alguns poloneses decidiram fazer mais do que apenas observar os congressistas. Queriam que as Testemunhas de Jeová estudassem a Bíblia com eles. Devido à instrução na Palavra de Deus, o número de Testemunhas de Jeová na Polônia aumentou de 72.887, em 1985, para 107.876, em 1992; e neste ano, elas dedicaram mais de 16.800.000 horas a falar a outros sobre a maravilhosa esperança apresentada nas Escrituras.

      No entanto, a Polônia não era o único lugar em que ocorriam mudanças emocionantes.

      Outras partes da Europa Oriental abrem suas portas

      A Hungria concedeu legalidade às Testemunhas de Jeová em 1989. A antiga República Democrática Alemã (RDA) removeu em 1990 sua proscrição de 40 anos às Testemunhas, apenas quatro meses depois do início da demolição do Muro de Berlim. No mês seguinte, a Associação Cristã das Testemunhas de Jeová na Romênia foi oficialmente reconhecida pelo novo governo romeno. Em 1991, o Ministério da Justiça em Moscou declarou que o Alvará de Licença da “Organização Religiosa das Testemunhas de Jeová na URSS” estava oficialmente registrado. Naquele mesmo ano, concedeu-se reconhecimento legal à obra das Testemunhas de Jeová na Bulgária. Em 1992 concedeu-se legalidade às Testemunhas de Jeová na Albânia.

      O que fizeram as Testemunhas de Jeová com a liberdade concedida? Um jornalista perguntou a Helmut Martin, coordenador da obra das Testemunhas de Jeová na RDA: “Vai envolver-se na política?” Afinal, era isso o que muitos do clero da cristandade estavam fazendo. “Não”, respondeu o irmão Martin, “Jesus deu a seus discípulos uma designação bíblica, e reconhecemos que essa é a nossa principal tarefa”. — Mat. 24:14; 28:19, 20.

      As Testemunhas de Jeová certamente não estavam apenas começando a cuidar dessa responsabilidade naquela parte do mundo. Embora tivesse sido necessário que realizassem suas atividades em circunstâncias muito difíceis por muitos anos, na maioria desses países havia congregações (que se reuniam em pequenos grupos), e fora dado testemunho. Mas se abria então uma nova oportunidade. Elas podiam realizar reuniões para as quais era possível livremente convidar o público. Podiam pregar abertamente de casa em casa, sem medo de ser presas. Eram países com população conjunta de mais de 390.000.000, em que havia muito trabalho a ser feito. Com aguçada compreensão de que vivemos nos últimos dias do atual sistema mundial, as Testemunhas de Jeová agiram rápido.

      Mesmo antes de se conceder reconhecimento legal, membros do Corpo Governante haviam visitado vários países para ver o que se poderia fazer para ajudar seus irmãos cristãos. Depois de suspensas as proscrições, eles foram a outras dessas regiões para ajudar a organizar a obra. Em poucos anos, encontraram-se e conversaram pessoalmente com Testemunhas na Polônia, na Hungria, na Romênia, na Tchecoslováquia, na Rússia, na Ucrânia, na Estônia e na Bielarus.

      Providenciaram-se congressos para fortalecer as Testemunhas que moravam nesses países e para levar de modo destacado a mensagem do Reino de Deus ao público. Menos de cinco meses depois de a proscrição ser suspensa pelo que então era a RDA, realizou-se um desses congressos no Estádio Olympia, em Berlim. Testemunhas de 64 países aceitaram prontamente o convite de comparecer. Consideravam um privilégio desfrutar essa ocasião com irmãos cristãos que por décadas haviam demonstrado lealdade a Jeová apesar de intensa perseguição.

      Em 1990 e 1991, realizaram-se outros congressos na Europa Oriental. Depois da realização de quatro assembléias na Hungria, em 1990, tomaram-se providências para um ajuntamento internacional no Népstadion, em Budapeste, em 1991. Na assistência, havia 40.601 pessoas de 35 países. Pela primeira vez em mais de 40 anos, as Testemunhas de Jeová puderam realizar congressos públicos na Romênia em 1990. Realizou-se naquele ano uma série de assembléias em toda a nação, e mais tarde dois congressos maiores. Houve mais oito congressos em 1991, com uma assistência de 34.808. Em 1990, no que era então a Iugoslávia, realizaram-se congressos em cada uma das repúblicas que constituíam o país. No ano seguinte, embora o país estivesse ameaçado pela guerra civil, 14.684 Testemunhas de Jeová assistiram a um congresso internacional em Zagreb, capital da Croácia. A Polícia ficou abismada ao ver croatas, montenegrinos, sérvios, eslovenos e outros reunidos em paz para ouvir o programa.

      Logo se providenciaram congressos também no que na época era a Tchecoslováquia. Em 1990, compareceram 23.876 pessoas a um congresso nacional em Praga. Os administradores do estádio gostaram tanto do que viram que colocaram à disposição das Testemunhas o maior estádio do país para o próximo congresso. Naquela ocasião histórica, em 1991, 74.587 entusiásticos congressistas lotaram o Estádio Strahov, em Praga. Os congressistas tchecos e eslovacos ficaram maravilhados e aplaudiram entusiasticamente quando se anunciou o lançamento da inteira Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas em sua própria língua, para uso no ministério público e no estudo pessoal e congregacional.

      Foi também em 1991 que, pela primeira vez na história, as Testemunhas de Jeová puderam realizar congressos abertamente em lugares que na época estavam dentro da União Soviética. Depois de um congresso em Tallinn, Estônia, houve um na Sibéria. Realizaram-se quatro em importantes cidades da Ucrânia e um no Casaquistão. A assistência totalizou 74.252. E, como frutos recentes da obra de fazer discípulos das Testemunhas de Jeová nessas regiões, 7.820 pessoas apresentaram-se para a imersão em água. Não foi uma decisão por emoção devido a se sentirem emocionadas com o congresso. Os batizandos haviam sido cuidadosamente preparados de antemão durante meses e, em alguns casos, anos.

      De onde vinham todas aquelas pessoas? Era óbvio que a obra das Testemunhas de Jeová não estava apenas começando naquela parte da Terra. Em 1887, enviaram-se publicações da Torre de Vigia pelo correio para um interessado que morava na Rússia. O primeiro presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) visitou Kishinev (agora na Moldova) em 1891. Alguns Estudantes da Bíblia haviam ido para a Rússia a fim de pregar na década de 20; mas havia forte resistência das autoridades, e os poucos grupos que mostravam interesse na mensagem da Bíblia eram pequenos. Mas a situação mudou durante e depois da Segunda Guerra Mundial. As fronteiras nacionais foram redemarcadas, e grandes segmentos da população foram remanejados. Em resultado disso, mais de mil Testemunhas que falavam ucraniano, no que fora o leste da Polônia, viram-se dentro da União Soviética. Outras Testemunhas que moravam na Romênia e na Tchecoslováquia descobriram que os lugares em que moravam se haviam tornado parte da União Soviética. Além disso, russos que se haviam tornado Testemunhas de Jeová nos campos de concentração da Alemanha retornaram a sua terra e levaram consigo as boas novas do Reino de Deus. Em 1946, havia 4.797 Testemunhas ativas na União Soviética. Muitas delas foram mudadas de um lugar para outro pelo governo ao longo dos anos. Algumas foram postas novamente em campos de prisioneiros. Aonde quer que fossem, elas davam testemunho. Seu número aumentou. Mesmo antes de o governo conceder-lhes reconhecimento legal, havia grupos delas ativos desde Lvov, ao oeste, até Vladivostoque, na fronteira oriental da União Soviética, perto do mar do Japão.

      Muitos agora dispostos a ouvir

      Quando as Testemunhas realizaram congressos na antiga URSS, em 1991, o público teve oportunidade de examiná-las mais de perto. Qual foi a reação? Em Lvov, Ucrânia, um policial disse a um congressista: “Vocês se destacam em ensinar aos outros o que é bom, falam sobre Deus e não praticam violência. Estávamos conversando sobre por que os perseguíamos, e concluímos que não lhes demos ouvidos e não sabíamos nada a seu respeito.” Mas muitos já escutavam, e as Testemunhas de Jeová queriam ajudá-los.

      Para realizarem sua obra mais eficazmente nesses países, elas precisavam de publicações bíblicas. Fez-se grande esforço para providenciá-las logo. Em Selters/Taunus, Alemanha, as Testemunhas de Jeová quase dobraram suas instalações gráficas. Embora essa expansão ainda não estivesse concluída, umas duas semanas depois de a proscrição ter sido suspensa na antiga Alemanha Oriental, despacharam-se para lá 25 toneladas de publicações do parque gráfico em Selters. Desde a época da suspensão de proscrições em países da Europa Oriental até 1992, foram enviadas da Alemanha para esses vários países quase 10.000 toneladas de publicações em 14 idiomas principais, 633 toneladas da Itália e outras da Finlândia.

      Tendo ficado em geral isoladas por muitos anos, as Testemunhas em alguns países também precisavam de ajuda em assuntos de supervisão das congregações e de administração da organização. Para suprir essa necessidade urgente, anciãos experientes, aqueles que sabiam falar a língua do país, quando possível, foram contatados na Alemanha, nos Estados Unidos, no Canadá e em outros lugares. Estariam dispostos a mudar-se para esses países na Europa Oriental a fim de ajudar a suprir essa necessidade? A reação foi realmente gratificante! Quando vantajoso, anciãos treinados na Escola de Gileade ou na Escola de Treinamento Ministerial também foram enviados.

      Daí, realizou-se em 1992 um notável congresso internacional em S. Petersburgo, a segunda maior cidade na Rússia. Cerca de 17.000 congressistas eram de 27 países fora da Rússia. Fez-se ampla publicidade do congresso. Entre os presentes, havia pessoas que nunca tinham ouvido falar das Testemunhas de Jeová. A assistência chegou a 46.214 pessoas. Havia congressistas de todas as partes da Rússia, alguns da ilha Sacalina, no distante leste, perto do Japão. Grandes grupos vieram da Ucrânia, de Moldova e de outros países que antes faziam parte da URSS. Eles levaram boas novas consigo. Os relatórios mostraram que havia congregações em cidades como Kiev, Moscou e S. Petersburgo com assistências às reuniões de em média o dobro ou mais do número de Testemunhas. Muitos que desejavam que as Testemunhas de Jeová estudassem com eles tinham de ficar em listas de espera. Da Letônia, compareceram uns 600 congressistas, e ainda mais da Estônia. Uma congregação de S. Petersburgo tinha mais de cem pessoas preparadas para o batismo no congresso. Muitos dos que mostram interesse são jovens ou pessoas bem instruídas. Deveras, uma grande obra de colheita espiritual está em andamento nesse vasto território, que por muito tempo foi considerado pelo mundo como um baluarte do ateísmo!

      Campos maduros para a colheita

      À medida que as atitudes com respeito à liberdade de religião mudavam, outros países também suspendiam restrições às Testemunhas de Jeová ou lhes concediam o reconhecimento legal que por muito tempo fora negado. Em muitos desses lugares, uma abundante colheita espiritual estava pronta para ser ajuntada. As condições eram como as que Jesus mencionou aos seus discípulos ao dizer: “Erguei os vossos olhos e observai os campos, que estão brancos para a colheita.” (João 4:35) Considere apenas alguns lugares em que foi assim na África.

      O ministério de casa em casa das Testemunhas de Jeová fora proscrito em Zâmbia em 1969. Em resultado disso, as Testemunhas ali dedicavam mais tempo a dirigir estudos bíblicos domiciliares para os interessados. Outras pessoas também passaram a procurar as Testemunhas para que fossem instruídas. Gradualmente, as restrições do governo foram amainadas, e a assistência às reuniões aumentou. Em 1992, 365.828 pessoas assistiram à Refeição Noturna do Senhor em Zâmbia, 1 em cada 23 habitantes!

      Ao norte de Zâmbia, no Zaire, outros milhares queriam aprender o que as Testemunhas de Jeová ensinam sobre o modo de vida cristão e o propósito de Deus para a humanidade. Em 1990, quando as circunstâncias permitiram às Testemunhas reabrir seus Salões do Reino, em algumas regiões até 500 pessoas afluíam a suas reuniões. Em dois anos, as 67.917 Testemunhas no Zaire dirigiam 141.859 estudos bíblicos domiciliares para essas pessoas.

      O número de países em que ocorria uma abertura era surpreendente. Em 1990, missionários da Torre de Vigia que haviam sido expulsos de Benin 14 anos antes receberam oficialmente a oportunidade de retornar, e a porta estava aberta para outros. Naquele mesmo ano, o Ministro da Justiça na República de Cabo Verde assinou um decreto que aprovava os estatutos da Associação das Testemunhas de Jeová local, concedendo-lhes assim reconhecimento legal. Daí, em 1991 as autoridades removeram a proscrição às Testemunhas de Jeová em Moçambique (onde anteriores governantes as haviam perseguido severamente), em Gana (onde suas atividades haviam sofrido restrições do governo) e na Etiópia (onde não fora possível pregar livremente nem realizar assembléias por 34 anos). Antes do fim do ano, o Níger e o Congo também lhes concederam reconhecimento legal. No início de 1992, suspenderam-se as proscrições ou concedeu-se reconhecimento legal às Testemunhas de Jeová no Chade, no Quênia, em Ruanda, no Togo e em Angola.

      Nesses países os campos estavam maduros para a colheita espiritual. Em Angola, por exemplo, as Testemunhas logo tiveram um aumento de 31 por cento; além disso, os quase 19.000 proclamadores do Reino ali dirigiam quase 53.000 estudos bíblicos domiciliares. Para dar a necessária ajuda administrativa para esse vasto programa de instrução bíblica em Angola, bem como em Moçambique (onde muitos falam português), anciãos habilitados de Portugal e do Brasil foram convidados a mudar-se para a África a fim de efetuar seu ministério. Missionários que falam português foram designados para o recém-aberto território da Guiné-Bissau. E Testemunhas habilitadas da França e de outros países foram convidadas a ajudar a realizar a urgente obra de pregação e de fazer discípulos em Benin, no Chade e no Togo, onde muitos falam francês.

      Entre as regiões que têm produzido safras especialmente abundantes de louvadores de Jeová estão aquelas que antes eram baluartes católico-romanos. Além da América Latina, foi assim na França (onde o relatório de 1992 mostrou que havia 119.674 Testemunhas evangelizadoras), na Espanha (onde havia 92.282), nas Filipinas (com 114.335), na Irlanda (com um índice anual de aumento de Testemunhas de 8 a 10 por cento) e em Portugal.

      Em 1978, quando 37.567 pessoas assistiram a um congresso das Testemunhas em Lisboa, Portugal, a revista Opção disse: “Para quem já esteve em Fátima em época de romaria, isso na realidade é bem diferente. . . . Aqui [no congresso das Testemunhas de Jeová] o misticismo desaparece, dando lugar à realização de uma reunião de crentes que, de comum acordo, consideram seus problemas, sua fé e sua perspectiva espiritual. A conduta entre eles leva a característica distintiva de um relacionamento de ajuda mútua.” Na década seguinte, o número de Testemunhas em Portugal aumentou em quase 70 por cento.

      E que dizer da Itália? Uma grave falta de candidatos ao sacerdócio católico tem obrigado alguns seminários a fechar as portas. Muitas igrejas não mais têm um pároco. Em muitos casos, igrejas foram transformadas em lojas ou escritórios. Apesar de tudo isso, a Igreja tem lutado com afinco para deter as Testemunhas de Jeová. No passado, eles pressionavam autoridades para que deportassem missionários das Testemunhas e exigiam que a Polícia encerrasse suas reuniões. Em algumas regiões, na década de 80, párocos mandaram colocar adesivos nas portas de todos os moradores (incluindo alguns que eram Testemunhas de Jeová) com os dizeres: “Não bata. Somos católicos.” Os jornais traziam as manchetes: “Grito de Alerta da Igreja Contra as Testemunhas de Jeová” e “‘Guerra Santa’ Contra as Testemunhas de Jeová”.

      Quando o sacerdócio judaico do primeiro século tentou silenciar os apóstolos, Gamaliel, um instrutor da Lei, aconselhou sabiamente: “Se este desígnio ou esta obra for de homens, será derrubada; mas, se for de Deus, não podereis derrubá-los.” (Atos 5:38, 39) Qual foi o resultado quando o sacerdócio católico do século 20 tentou silenciar as Testemunhas de Jeová? A obra das 120 Testemunhas na Itália, em 1946, não foi derrubada. Em vez disso, em 1992 havia 194.013 Testemunhas ativas associadas com 2.462 congregações em todo o país. Elas praticamente inundaram a Itália com o ensino da Palavra de Deus. Desde 1946, já dedicaram mais de 550 milhões de horas a falar com outros italianos sobre o Reino de Deus. Ao fazerem isso, distribuíram milhões de exemplares da própria Bíblia e mais de 400 milhões de livros, folhetos e revistas que explicam as Escrituras. Querem ter certeza de que o povo da Itália tenha plena oportunidade de tomar posição ao lado de Jeová antes do Armagedom. Ao fazerem isso, têm presente o que o apóstolo Paulo escreveu em 2 Coríntios 10:4, 5: “As armas de nosso combate não são carnais, mas poderosas em Deus para demolir as coisas fortemente entrincheiradas. Pois estamos demolindo raciocínios e toda coisa altiva levantada contra o conhecimento de Deus.”

      Não é só a anteriores baluartes católicos que as Testemunhas de Jeová dirigem atenção. Sabem que Jesus Cristo disse: “Em todas as nações têm de ser pregadas primeiro as boas novas.” (Marcos 13:10) E essa é a obra das Testemunhas. Em 1992, havia 12.168 Testemunhas ocupadas em falar ao povo da Índia sobre o Reino de Deus. Outras 71.428 pregavam na República da Coréia. No Japão, havia 171.438, e seus números aumentam todo mês. Elas também continuaram a alcançar terras em que se fizera pouca ou nenhuma pregação.

      Assim, em fins da década de 70, elas puderam, pela primeira vez, levar a mensagem do Reino ao povo das ilhas Marquesas e de Cosrai — no oceano Pacífico. Alcançaram também Butão, na fronteira sul da China, e Cômoras, perto da costa leste da África. Na década de 80, o primeiro trabalho de pregação das Testemunhas de Jeová foi relatado das ilhas Wallis e Futuna, bem como das ilhas de Nauru e de Rota, no sudoeste do Pacífico. Alguns desses lugares são relativamente pequenos, mas há pessoas ali, e vidas são preciosas. As Testemunhas de Jeová estão muito cônscias da profecia de Jesus de que, antes de vir o fim, a mensagem do Reino será pregada “em toda a terra habitada”. — Mat. 24:14.

      Ao encontro de pessoas onde possível e sempre que possível

      Embora a pregação de casa em casa continue a ser o método principal utilizado pelas Testemunhas de Jeová para alcançar pessoas, elas se dão conta de que nem mesmo com esse método sistemático conseguem contatar todas elas. Com senso de urgência, continuam a procurar pessoas onde quer que possam ser encontradas. — Compare com João 4:5-42; Atos 16:13, 14.

      Quando navios atracam nos portos da Alemanha e dos Países Baixos, mesmo que para uma breve escala, as Testemunhas de Jeová procuram visitá-los, dando testemunho primeiro ao comandante e depois à tripulação. Levam publicações bíblicas em muitas línguas para os marinheiros. Nos mercados nativos do Chade, na África Central, é comum ver um grupo de 15 ou 20 pessoas em volta de uma Testemunha de Jeová enquanto esta lhes fala sobre a esperança do Reino de Deus. Trabalhando em turnos, as Testemunhas conversam com vendedores e com os milhares de fregueses nas manhãs de sábado no mercado de objetos usados em Auckland, Nova Zelândia. As pessoas que passam por terminais rodoviários em Guayaquil, Equador — muitas das quais de regiões distantes do país —, são abordadas pelas Testemunhas que lhes oferecem uma oportuna brochura ou La Atalaya e ¡Despertad!. Aqueles que trabalham à noite em mercados/lanchonetes que funcionam 24 horas em Nova Iorque são visitados no local de trabalho pelas Testemunhas, para que também tenham a oportunidade de ouvir as boas novas.

      Ao viajarem de avião, trem, ônibus e metrô, muitas Testemunhas de Jeová partilham preciosas verdades da Bíblia com outros passageiros. Nos intervalos de almoço no emprego, e nos intervalos de lanche na escola, bem como quando são visitadas por alguém por razões comerciais, elas aproveitam as oportunidades para dar testemunho. Sabem que muitas dessas pessoas podem não estar em casa quando as Testemunhas fazem suas visitas regulares.

      Ao darem testemunho aos outros, não se esquecem de familiares achegados e de outros parentes. Mas, quando Maria Caamano, uma Testemunha na Argentina, procurou falar a sua família sobre quão profundamente comovida estava com o que aprendia da Bíblia, uns zombaram dela e outros ficaram indiferentes. Ela não desistiu, mas fez uma viagem de 1.900 quilômetros para dar testemunho a seus parentes. Alguns foram receptivos. Pouco a pouco, outros escutaram. Em resultado disso, mais de 80 adultos e de 40 crianças entre seus parentes aceitaram as verdades da Bíblia e as partilham com outros.

      Para ajudar seus parentes, Michael Regan voltou para sua cidade natal, Boyle, no condado de Roscommon, Irlanda. Deu testemunho a todos eles. Sua sobrinha ficou impressionada pelo espírito feliz e pelo modo de vida sadio dos filhos de Michael. Pouco depois, essa sobrinha e seu marido aceitaram um estudo da Bíblia. Ao serem batizados, o pai dela proibiu-a de ir à casa dele. Gradualmente, porém, a atitude dele abrandou, e ele aceitou algumas publicações — com o objetivo de expor o “erro” das Testemunhas. Mas logo percebeu que o que lia era a verdade, de modo que, com o tempo, foi batizado. Agora, mais de 20 membros dessa família associam-se com a congregação, a maioria dos quais já estão batizados.

      Que dizer de presidiários? Podem beneficiar-se da mensagem do Reino de Deus? As Testemunhas de Jeová não os ignoram. Numa penitenciária na América do Norte, as providências de estudos bíblicos personalizados para detentos, junto com a assistência às reuniões regulares realizadas no presídio pelas Testemunhas de Jeová, foram tão boas que a administração do presídio tornou possível a realização de assembléias ali. Além dos presidiários, compareciam também milhares de Testemunhas de fora. Em outros países também se fazem esforços diligentes para dar testemunho a homens e mulheres presos.

      As Testemunhas de Jeová não acreditam que o estudo da Bíblia regenere todo presidiário. Mas sabem por experiência que alguns podem ser ajudados e querem dar-lhes a oportunidade de aceitar a esperança do Reino de Deus.

      Repetidos esforços para tocar corações

      As Testemunhas de Jeová vez após vez visitam as pessoas. Como fizeram os primitivos discípulos de Jesus, elas ‘vão continuamente’ às pessoas em seus territórios designados para procurar suscitar interesse no Reino de Deus. (Mat. 10:6, 7) Em alguns lugares, visitam todas as famílias da região apenas uma vez por ano; em outros, no intervalo de alguns meses. Em Portugal, na grande Lisboa, onde há 1 Testemunha para cada 160 habitantes, as pessoas são visitadas pelas Testemunhas mais ou menos toda semana. Na Venezuela, há cidades cujos territórios são cobertos mais de uma vez por semana.

      Fazendo repetidas visitas, as Testemunhas de Jeová não estão tentando impor a mensagem da Bíblia às pessoas. Simplesmente procuram dar-lhes oportunidade de fazer uma decisão inteligente. Hoje, alguns talvez digam não estar interessados, mas mudanças drásticas em suas vidas ou nas condições mundiais podem torná-los mais receptivos em outra ocasião. Por causa de preconceito ou apenas por estarem ocupados demais para ouvir, muitos realmente nunca ouviram o que as Testemunhas ensinam. Mas repetidas visitas amistosas podem levá-los a prestar atenção. As pessoas muitas vezes ficam impressionadas pela honestidade e integridade moral das Testemunhas que moram na vizinhança ou que são colegas de trabalho. Com o tempo, isso resulta em alguns se interessarem o bastante para descobrir o objetivo de sua mensagem. Uma dessas pessoas na Venezuela disse, depois de aceitar de bom grado publicações e um estudo bíblico domiciliar gratuito: “Ninguém nunca me explicou essas coisas.”

      As Testemunhas procuram bondosamente tocar o coração daqueles com quem conversam. Em Guadalupe, onde havia 1 Testemunha para cada 57 habitantes em 1992, é comum os moradores dizerem: “Não estou interessado.” A isso, Eric Dodote dizia: “Compreendo, e coloco-me em seu lugar.” Daí acrescentava: “Mas pergunto: Gostaria de viver em condições melhores do que as de hoje?” Depois de ouvir o que o morador dizia, ele usava a Bíblia para mostrar como Deus faria dessas condições uma realidade em Seu novo mundo.

      Cobertura mais cabal de territórios

      Em anos recentes tem ficado cada vez mais difícil achar pessoas em casa em certos países. Muitas vezes marido e mulher trabalham fora e, nos fins de semana, vão descontrair-se fora de casa. Para lidar com essa situação, as Testemunhas de Jeová em muitos países cada vez mais dão testemunho de porta em porta depois do entardecer. Na Grã-Bretanha, além de algumas Testemunhas visitarem os não-em-casa entre seis e oito horas da noite, outras, no esforço de contatar pessoas antes de saírem para o trabalho, fazem essas visitas antes das oito horas da manhã.

      Mesmo onde há pessoas em casa, pode ser muito difícil alcançá-las sem um convite prévio, devido a medidas de alta segurança tomadas em razão da alta criminalidade. Mas, no Brasil, quando algumas pessoas difíceis de ser contatadas caminham de manhã no calçadão da praia de Copacabana, elas talvez sejam abordadas por uma Testemunha zelosa que fica ali desde cedo conversando com outros sobre como o Reino de Deus resolverá os problemas da humanidade. Em Paris, França, quando as pessoas voltam para seu apartamento no fim da tarde, talvez encontrem um amistoso casal de Testemunhas perto da entrada do edifício, pronto para conversar com os moradores dispostos a gastar alguns minutos para ouvir sobre os meios que Deus usará para trazer verdadeira segurança. Em Honolulu, em Nova Iorque e em muitos outros lugares, também se fazem esforços para alcançar por telefone os moradores de edifícios de alta segurança.

      Se conseguem contatar alguém em cada casa, as Testemunhas ainda não dão sua tarefa por cumprida. Seu desejo é alcançar o máximo de pessoas em cada casa. Às vezes se consegue isso fazendo visitas em dias ou horas diferentes. Em Porto Rico, quando uma moradora disse não estar interessada, uma Testemunha perguntou se havia outra pessoa na casa com quem pudesse conversar. Isso levou a uma conversa com o dono da casa, que estava doente já por 14 anos e na maior parte do tempo ficava confinado à cama. Seu coração foi acalentado pela esperança da Palavra de Deus. Com renovado interesse pela vida, ele logo saiu da cama, passando a assistir às reuniões no Salão do Reino e partilhando sua recém-encontrada esperança com outros.

      Testemunho intensificado ao se aproximar o fim

      Outro fator tem contribuído muito para a intensificação do testemunho em anos recentes. É o aumento no número de Testemunhas que servem como pioneiros. Com intenso desejo de dedicar o máximo possível de seu tempo ao serviço de Deus e preocupação amorosa pelo próximo, elas organizam seus assuntos para dedicar mensalmente 60, 90, 140 horas ou mais ao ministério de campo. Assim como aconteceu com o apóstolo Paulo ao pregar em Corinto, na Grécia, aqueles que fazem o serviço de pioneiro ficam ‘intensamente ocupados com a palavra’, procurando dar testemunho ao máximo de pessoas sobre o Reino messiânico. — Atos 18:5.

      Em 1975, havia 130.225 pioneiros no mundo todo. Em 1992, a média mensal era 605.610 (incluindo pioneiros regulares, auxiliares e especiais). Assim, durante um período em que o número de Testemunhas mundialmente aumentou em 105 por cento, os que deram lugar ao ministério de tempo integral aumentaram em 365 por cento! Em resultado disso, a quantidade de tempo dedicada ao testemunho elevou-se de cerca de 382 milhões para mais de um bilhão de horas por ano!

      ‘O pequeno torna-se mil’

      Jesus Cristo comissionou seus seguidores para ser suas testemunhas até à parte mais distante da Terra. (Atos 1:8) Por meio do profeta Isaías, Jeová havia predito: “O próprio pequeno tornar-se-á mil e o menor, uma nação forte. Eu mesmo, Jeová, apressarei isso ao seu próprio tempo.” (Isa. 60:22) O registro mostra claramente que as Testemunhas de Jeová realizam a obra que Jesus predisse, e elas têm experimentado o tipo de crescimento que o próprio Deus prometeu.

      No fim da Segunda Guerra Mundial, elas se encontravam principalmente na América do Norte e na Europa; existiam algumas na África; e outras, em grupos menores, estavam espalhadas ao redor do globo. De modo algum haviam alcançado todos os países com a mensagem do Reino, nem todas as partes dos países em que já pregavam. Mas, essa situação tem mudado com surpreendente rapidez.

      Considere a América do Norte. O continente estende-se do Canadá, no norte, até o Panamá, com nove terras nessa faixa. Em 1945, havia 81.410 Testemunhas nessa vasta região. Quatro países relataram menos de 20 Testemunhas cada um, e num país nem mesmo havia pregação organizada. Desde então, tem-se dado um testemunho intenso e constante em todas essas terras. Em 1992, havia 1.440.165 Testemunhas de Jeová nessa parte da Terra. Na maioria dessas terras, cada Testemunha tem agora, em média, apenas algumas centenas de pessoas a quem dar testemunho. Grande proporção da população é visitada pelas Testemunhas a cada poucos meses; muitos são visitados semanalmente. Mais de 1.240.000 estudos bíblicos domiciliares são regularmente dirigidos para pessoas e grupos interessados.

      Que dizer da Europa? Essa parte do globo vai da Escandinávia ao Mediterrâneo. Com exceção da maior parte da região antes conhecida como União Soviética, já se havia dado um amplo testemunho na Europa antes da Segunda Guerra Mundial. Desde então surgiram novas gerações, e a estes também se mostra nas Escrituras que o Reino de Deus em breve substituirá todos os governos humanos. (Dan. 2:44) Dos poucos milhares de Testemunhas que realizavam sua atividade de pregação sob severas restrições durante a guerra, o número de proclamadores do Reino nos 47 países sobre os quais se publicaram relatórios em 1992 havia aumentado para 1.176.259, incluindo aqueles nos lugares que antes faziam parte da URSS, tanto na Europa como na Ásia. Em cada um dos cinco países — Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália e Polônia — havia bem mais de 100.000 Testemunhas zelosas. E o que todas essas Testemunhas faziam? Seu relatório de 1992 mostra que durante esse ano elas dedicaram mais de 230.000.000 de horas à pregação pública, às visitas de casa em casa e aos estudos bíblicos domiciliares. Na evangelização, as Testemunhas não ignoraram nem mesmo a pequena república de São Marinho, principados como Andorra e Liechtenstein, ou Gibraltar. De fato, o predito testemunho estava sendo dado.

      A África também está recebendo um amplo testemunho. O registro mostra que até 1945 as boas novas haviam alcançado 28 países nesse continente, mas na verdade se dera bem pouco testemunho na maioria desses países. Desde aquela época, porém, tem-se feito muita coisa ali. Em 1992, havia 545.044 Testemunhas zelosas no continente africano, pregando as boas novas em 45 países. Na celebração da Refeição Noturna do Senhor nesse ano, havia 1.834.863 presentes. Assim, além de o aumento ser surpreendente, o potencial para expansão adicional é extraordinário!

      O relatório da América do Sul não é menos notável. Embora apenas um dos 13 países não tenha sido alcançado com a mensagem da Bíblia antes da Segunda Guerra Mundial, naquela época havia somente 29 congregações em todo o continente, e até então a atividade de pregação não estava organizada em alguns países. A maior parte da obra de pregação do Reino seria realizada no futuro. Desde aquele tempo, as Testemunhas ali têm trabalhado vigorosamente. Os que são revigorados pela água da vida de bom grado convidam a outros, dizendo: ‘Venham, e tomem de graça a água da vida.’ (Rev. 22:17) Em 1992, havia 683.782 servos de Jeová em 10.399 congregações na América do Sul, participando alegremente nessa obra. Alguns alcançavam regiões que não haviam recebido um testemunho cabal. Outros faziam constantes visitas onde já se dera testemunho, para incentivar as pessoas a ‘saborear e ver que Jeová é bom’. (Sal. 34:8) Dirigiam regularmente 905.132 estudos bíblicos domiciliares para ajudar pessoas interessadas a fazer dos caminhos de Jeová o seu próprio modo de vida.

      Considere também a Ásia e as muitas ilhas e grupos de ilhas ao redor do globo. O que se tem feito ali? Até a era do pós-guerra, muitos desses lugares mal haviam sido alcançados com a proclamação do Reino. Mas Jesus Cristo predisse que as boas novas do Reino seriam pregadas “em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações”. (Mat. 24:14) Em harmonia com isso, nas décadas desde a Segunda Guerra Mundial, a pregação das boas novas que já havia alcançado 76 desses países, ilhas e grupos de ilhas chegou a outras 40 terras e foi intensificada em lugares alcançados antes. Em 1992, havia nesse vasto território 627.537 devotadas Testemunhas que tinham grande deleite em divulgar os “atos potentes e a glória do esplendor do seu reinado”. (Sal. 145:11, 12) Seu ministério não era fácil. Em alguns lugares, tinham de viajar por horas de navio ou de avião para alcançar ilhas remotas em seu território. Mas, em 1992, dedicaram mais de 200.000.000 de horas à obra de evangelização e dirigiram 685.211 estudos bíblicos domiciliares regulares.

      A promessa de que ‘o pequeno se tornaria mil’ certamente se tem cumprido, e de maneira abundante! Em cada uma de mais de 50 terras onde não havia nem mesmo um ‘pequeno’ — onde não existia uma única Testemunha de Jeová em 1919, onde elas não haviam feito nenhuma pregação — há hoje mais de mil louvadores de Jeová. Em algumas dessas terras, existem agora dezenas de milhares, sim, até mais de cem mil Testemunhas de Jeová, que são zelosos proclamadores do Reino de Deus! No mundo todo, as Testemunhas de Jeová têm-se tornado “uma nação forte” — mais numerosas como unida congregação global do que a população de qualquer uma de pelo menos 80 nações autônomas do mundo.

      Quanto testemunho em “outros países”?

      Incluídos em tudo isso, ainda havia, em 1992, 24 “outros países” — aqueles em que as Testemunhas de Jeová estavam sob severas restrições governamentais e sobre os quais não se publicam relatórios pormenorizados. Tem-se dado muito testemunho em alguns desses países. No entanto, em certas terras o número de Testemunhas é bem limitado. Ainda há pessoas que não ouviram a mensagem do Reino. Mas as Testemunhas de Jeová têm certeza de que o necessário testemunho será dado. Por quê?

      Porque as Escrituras mostram que o próprio Jesus Cristo, em seu trono celestial, está supervisionando a obra. (Mat. 25:31-33) Sob sua direção, um “anjo voando pelo meio do céu” está incumbido da responsabilidade de declarar boas novas eternas e de incentivar “toda nação, e tribo, e língua, e povo” a ‘temer a Deus e dar-lhe glória’. (Rev. 14:6, 7) Não há poder no céu ou na Terra que possa impedir que Jeová atraia a si os que estão “corretamente dispostos para com a vida eterna”. — Atos 13:48; João 6:44.

      Nenhuma parte do mundo é tão isolada que a mensagem do Reino não possa alcançá-la. Os parentes visitam. O telefone e o correio levam notícias. Homens de negócios, trabalhadores, estudantes e turistas entram em contato com pessoas de outras nações. Assim como no passado, também hoje as notícias vitais de que Jeová entronizou seu Rei celestial, que tem autoridade sobre as nações, continuam a ser divulgadas por esses meios. Os anjos podem cuidar de que os famintos e sedentos da verdade e da justiça sejam alcançados.

      Se for da vontade do Senhor que se faça uma pregação mais direta da mensagem do Reino em alguns lugares em que os governos a têm impedido até agora, Deus pode fazer surgir condições que façam com que esses governos mudem suas diretrizes. (Pro. 21:1) E onde se abrirem portas de oportunidade, as Testemunhas de Jeová de bom grado darão de si mesmas para que as pessoas nessas terras recebam o máximo de assistência possível para aprender o propósito amoroso de Jeová. Elas estão decididas a continuar a servir sem cessar até que Jeová por meio de Jesus Cristo diga que a obra está concluída!

      Em 1992, as Testemunhas de Jeová estavam ocupadas pregando em 229 terras. Naquele ano, as boas novas do Reino de Deus já haviam chegado de várias maneiras a 235 terras. Dez dessas só foram alcançadas depois de 1975.

      Quão intenso foi o testemunho dado? Bem, nos primeiros 30 anos depois da Segunda Guerra Mundial, as Testemunhas de Jeová dedicaram 4.635.265.939 horas à pregação e ao ensino sobre o nome e o Reino de Jeová. No entanto, com mais Testemunhas e maior proporção delas no serviço de tempo integral, nos 15 anos seguintes (apenas metade do período anterior), dedicaram-se 7.858.677.940 horas a dar testemunho em público e de casa em casa, bem como a dirigir estudos bíblicos domiciliares. E a intensidade da obra continuou a aumentar, visto que relataram mais 951.870.021 horas nessa atividade durante 1990/91 e mais de um bilhão de horas no ano seguinte.

      A quantidade de publicações bíblicas distribuídas pelas Testemunhas para divulgar o Reino, além da variedade de línguas em que elas têm sido postas à disposição, é sem igual em todo campo de empenho humano. Os registros são incompletos, mas os relatórios ainda disponíveis mostram que, em 294 línguas, 10.107.565.269 livros, folhetos, brochuras e revistas, bem como bilhões de tratados não contados, foram distribuídos a pessoas interessadas entre 1920 e 1992.

      Ao reunirmos esses dados, o testemunho global ainda não terminou. Mas a obra já realizada e as circunstâncias nas quais ela tem sido realizada dão evidência convincente da operação do espírito de Deus.

      [Destaque na página 502]

      Grandes congressos e a conduta cristã dos congressistas chamaram atenção.

      [Destaque na página 505]

      “No que se refere à ordem, paz e limpeza, os participantes do congresso são exemplos a imitar.”

      [Destaque na página 507]

      Realizaram-se congressos históricos em lugares em que as Testemunhas por décadas estiveram proscritas.

      [Destaque na página 508]

      Milhares de toneladas de publicações bíblicas foram enviadas a países da Europa Oriental.

      [Destaque na página 509]

      Anciãos habilitados ofereceram-se a mudar-se para países em que havia necessidade especial.

      [Destaque na página 516]

      Seu desejo é alcançar o máximo de pessoas em cada casa.

      [Destaque na página 518]

      Aumento surpreendente e potencial para expansão adicional

      [Gráfico/Fotos na página 513]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      Aumento de proclamadores do Reino no Oriente

      Índia

      10.000

      5.000

      1950 1960 1970 1980 1992

      República da Coréia

      60.000

      30.000

      1950 1960 1970 1980 1992

      Japão

      150.000

      100.000

      50.000

      1950 1960 1970 1980 1992

      [Foto na página 503]

      Em 1985, foi preciso usar simultaneamente o Estádio do Morumbi, em São Paulo (abaixo), e o Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, Brasil, para reunir multidões para o congresso das Testemunhas de Jeová.

      [Fotos na página 504]

      Alguns dos batizandos em Chorzów, Polônia, em 1989

      [Fotos na página 506]

      Congressos Históricos em 1991

      Praga, Tchecoslováquia

      Tallinn, Estônia (à direita)

      Zagreb, Croácia (à direita)

      Budapeste, Hungria (acima)

      Baia-Mare, Romênia (à direita)

      Usolye-Sibirskoye, Rússia (abaixo)

      Alma-Ata, Casaquistão (acima)

      Kiev, Ucrânia (à esquerda)

      [Fotos na página 511]

      Congresso internacional das Testemunhas de Jeová em S. Petersburgo, Rússia, em 1992

      Um caloroso espírito internacional

      Da Rússia

      Da Moldova

      Da Ucrânia

      Muitos jovens compareceram.

      M. G. Henschel (à esquerda) conversa sobre o programa com Stepan Kozhemba (no centro), com a ajuda de um intérprete.

      Congressistas estrangeiros levaram Bíblias em russo para o uso das Testemunhas em toda a Rússia.

      [Foto na página 512]

      Na década de 80, a Igreja Católica declarou guerra contra as Testemunhas, segundo estes recortes da imprensa italiana.

      [Foto na página 514]

      Quando navios atracam em Roterdã, nos Países Baixos, as Testemunhas conversam com os marinheiros sobre o Reino de Deus.

      [Foto na página 515]

      Mesmo onde o território é coberto com freqüência, como aqui em Guadalupe, as Testemunhas continuam a tentar tocar o coração dos seus vizinhos com as boas novas.

  • Missionários dão impulso à expansão mundial
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 23

      Missionários dão impulso à expansão mundial

      A ZELOSA atividade de missionários dispostos a servir onde necessário tem sido um fator importante na proclamação global do Reino de Deus.

      Muito antes de a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos EUA) ter fundado uma escola para esse fim, já se enviavam missionários a outros países. O primeiro presidente da Sociedade, C. T. Russell, reconhecia a necessidade de pessoas qualificadas para iniciarem e liderarem a pregação das boas novas em campos estrangeiros. Ele enviou homens com esse objetivo — Adolf Weber, à Europa; E. J. Coward, à região do Caribe; Robert Hollister, ao Oriente; e Joseph Booth, à África meridional. Infelizmente, Booth mostrou-se mais interessado nos seus próprios planos; portanto, em 1910, William Johnston foi enviado da Escócia para a Niassalândia (hoje o Malaui), onde se sentira especialmente a influência adversa de Booth. Depois, o irmão Johnston foi designado para estabelecer uma filial da Sociedade Torre de Vigia em Durban, na África do Sul, e mais tarde serviu como superintendente de filial na Austrália.

      Depois da Primeira Guerra Mundial, J. F. Rutherford enviou mais missionários — por exemplo, Thomas Walder e George Phillips da Grã-Bretanha para a África do Sul; W. R. Brown, de uma designação em Trinidad para a África Ocidental; George Young, do Canadá para a América do Sul e a Europa; Juan Muñiz, primeiro para a Espanha e depois para a Argentina; George Wright e Edwin Skinner, para a Índia, seguidos por Claude Goodman, Ron Tippin e outros. Eles foram pioneiros no verdadeiro sentido da palavra, pois foram a regiões onde pouca ou nenhuma pregação das boas novas se fizera e lançaram um sólido fundamento para futuro crescimento organizacional.

      Houve também outros cujo espírito missionário os moveu a pregar fora de seu próprio país. Kate Goas e sua filha Marion estavam entre esses, e dedicaram muitos anos ao serviço zeloso na Colômbia e na Venezuela. Outro foi Joseph dos Santos, que deixou o Havaí numa viagem de pregação que resultou em 15 anos de ministério nas Filipinas. Também Frank Rice, que viajou de navio cargueiro da Austrália para iniciar a pregação das boas novas na ilha de Java (agora parte da Indonésia).

      Mas, em 1942, fizeram-se planos para fundar uma escola com um curso especialmente destinado a treinar homens e mulheres dispostos a fazer esse serviço missionário onde quer que fossem necessários no campo global.

      A Escola de Gileade

      Em meio à guerra mundial, poderia parecer inviável do ponto de vista humano planejar expansão das atividades de pregação do Reino em campos estrangeiros. Contudo, em setembro de 1942, com confiança em Jeová, os diretores de duas das principais entidades jurídicas usadas pelas Testemunhas de Jeová aprovaram a proposta de N. H. Knorr no sentido de se fundar uma escola destinada a treinar missionários e outros para serviço especializado. Seria chamada de Faculdade Bíblica de Gileade da Torre de Vigia. O nome foi mais tarde mudado para Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia. Não se cobrariam mensalidades, e os estudantes seriam hospedados e alimentados a expensas da Sociedade durante o período de treinamento.

      Entre os que foram convidados a ajudar a elaborar o curso figurava Albert D. Schroeder, que já tinha adquirido muita experiência no Departamento de Serviço na sede da Sociedade em Brooklyn e como superintendente de filial da Sociedade na Grã-Bretanha. Sua atitude positiva, abnegação e caloroso interesse nos estudantes granjearam-lhe a estima daqueles que ele ensinou durante os 17 anos em que serviu como encarregado dos registros da escola e como instrutor. Em 1974, ele se tornou membro do Corpo Governante e, no ano seguinte, foi designado para servir em sua Comissão de Ensino.

      O irmão Schroeder e os outros instrutores (Maxwell Friend, Eduardo Keller e Victor Blackwell) elaboraram um curso de estudos de cinco meses de duração que frisava o estudo da própria Bíblia e da organização teocrática, também de doutrinas bíblicas, oratória, ministério de campo, serviço missionário, história das religiões, lei divina, como lidar com autoridades governamentais, lei internacional, como manter registros, bem como um idioma estrangeiro. Houve no decorrer dos anos modificações no currículo, mas o estudo da própria Bíblia e a importância da obra de evangelização sempre têm ocupado o primeiro lugar. O objetivo do curso é fortalecer a fé dos estudantes, ajudá-los a desenvolver as qualidades espirituais necessárias para enfrentarem com êxito os desafios do serviço missionário. Tem-se ressaltado a importância da plena confiança em Jeová e da lealdade a ele. (Sal. 146:1-6; Pro. 3:5, 6; Efé. 4:24) Não se dá aos estudantes uma resposta pronta para tudo, mas eles são treinados a pesquisar e são ajudados a saber avaliar o porquê das crenças das Testemunhas de Jeová e da sua aderência a certos modos de realizar as coisas. Aprendem a discernir princípios sobre os quais se basear. Assim, lança-se uma base para maior desenvolvimento.

      Os convites aos prospectivos estudantes da primeira turma foram enviados em 14 de dezembro de 1942. Foi em meados do inverno que os 100 estudantes daquela turma se inscreveram na sede da escola que se localizava no interior do Estado de Nova Iorque, em South Lansing. Eles estavam dispostos, animados e um tanto apreensivos. Embora os estudos ali fossem o interesse imediato, não podiam deixar de pensar a que país do campo mundial seriam enviados depois da formatura.

      Num discurso àquela primeira turma, em 1.º de fevereiro de 1943, o primeiro dia da escola, o irmão Knorr disse: “Estão recebendo preparação adicional para um trabalho similar ao do apóstolo Paulo, Marcos, Timóteo e outros que viajaram em todas as partes do Império Romano proclamando a mensagem do Reino. Eles precisavam ser fortalecidos com a Palavra de Deus. Precisavam ter conhecimento claro de Seus propósitos. Em muitos lugares, tinham de enfrentar sozinhos os de alto nível e os poderosos deste mundo. O mesmo lhes poderá acontecer; e Deus será também a sua força.

      “Há muitos lugares em que não se deu extensivamente um testemunho sobre o Reino. Os que vivem em tais lugares acham-se nas trevas e são escravizados pela religião. Em alguns desses países onde há poucas Testemunhas, observa-se que as pessoas de boa vontade escutam prontamente e se associariam com a organização do Senhor, se fossem adequadamente instruídas. Deve haver centenas de milhares mais que poderiam ser alcançadas se houvesse mais trabalhadores no campo. Com a graça do Senhor, haverá mais.

      “NÃO é objetivo desta faculdade prepará-los para que sejam ministros ordenados. Vocês já o são e estão ativos no ministério por anos. . . . A finalidade exclusiva do currículo da faculdade é prepará-los para serem ministros mais habilitados nos territórios para onde irão. . . .

      “Seu principal serviço é pregar o evangelho do Reino de casa em casa como Jesus e os apóstolos fizeram. Ao encontrarem alguém que dê atenção, providenciem revisitar, iniciem um estudo domiciliar e organizem uma companhia [congregação] de todos dessa sorte numa cidade ou vila. Não só terão o prazer de organizar uma companhia, mas precisam também ajudá-los a entender a Palavra, a fortalecê-los, dirigindo-lhes de vez em quando umas palavras, ajudando-os nas suas reuniões de serviço e a se organizarem. Quando eles se tornarem fortes e puderem trabalhar sozinhos e cuidar do território, vocês poderão ir a uma outra cidade para ali proclamar o Reino. De tempos a tempos, talvez seja necessário que retornem para edificá-los na santíssima fé e para corrigir seu entendimento quanto a doutrinas; portanto, o seu trabalho será o de cuidar das ‘outras ovelhas’ do Senhor, e não abandoná-las. (João 10:16) Seu serviço real é ajudar as pessoas de boa vontade. Precisarão usar de iniciativa, buscando, porém, a orientação de Deus.”a

      Cinco meses depois, essa primeira turma completou o treinamento especializado. Obtiveram-se vistos de entrada, fizeram-se preparativos para a viagem e esses missionários foram para nove países latino-americanos. Três meses após a formatura, os primeiros missionários treinados em Gileade que partiram dos Estados Unidos estavam a caminho de Cuba. Até 1992, mais de 6.500 estudantes de mais de 110 países foram treinados e depois serviram em bem mais de 200 países e grupos de ilhas.

      Até sua morte, 34 anos depois da inauguração da Escola de Gileade, o irmão Knorr demonstrou profundo interesse pessoal no serviço dos missionários. A cada período letivo, se de todo possível, ele visitava diversas vezes a turma que estava cursando, dava preleções e levava consigo outros membros da sede para falarem aos estudantes. Depois de os formados em Gileade começarem seu serviço no estrangeiro, ele visitou pessoalmente grupos de missionários, ajudou-os a resolver problemas, e deu-lhes o necessário encorajamento. Com a multiplicação do número de grupos de missionários, ele providenciou que outros irmãos bem qualificados fizessem também tais visitas, de modo que todos os missionários, não importa onde estivessem servindo, recebessem regularmente atenção pessoal.

      Esses missionários eram diferentes

      Os missionários da cristandade têm fundado hospitais, centros de refugiados e orfanatos para cuidar das necessidades materiais das pessoas. Agindo como defensores dos pobres, fomentaram também revoluções e participaram em combates de guerrilhas. Em contraste com isso, os missionários formados na Escola de Gileade ensinam a Bíblia para as pessoas. Em vez de estabelecerem igrejas e esperarem que as pessoas os procurem, eles vão de casa em casa para encontrar e ensinar os que têm fome e sede da justiça.

      Aderindo de perto à Palavra de Deus, os missionários das Testemunhas mostram às pessoas por que a verdadeira e duradoura solução dos problemas da humanidade é o Reino de Deus. (Mat. 24:14; Luc. 4:43) O contraste entre esta obra e a dos missionários da cristandade ficou em evidência para Peter Vanderhaegen, em 1951, quando a caminho de sua designação na Indonésia. O único passageiro além dele no navio cargueiro era um missionário batista. Embora o irmão Vanderhaegen tentasse falar com ele sobre as boas novas do Reino de Deus, o batista deixou claro que seu ardente interesse era apoiar os esforços de Chiang Kai-shek, em Taiwan (Formosa), de retornar ao poder no continente.

      Entretanto, muitas outras pessoas chegaram a reconhecer o valor daquilo que se diz na Palavra de Deus. Em Barranquilla, Colômbia, quando Olaf Olson deu testemunho a Antonio Carvajalino, que era forte apoiador de certo movimento político, o irmão Olson não tomou o lado dele, tampouco advogou outra ideologia política. Em vez disso, propôs estudar gratuitamente a Bíblia com Antonio e suas irmãs. Antonio compreendeu logo que o Reino de Deus é realmente a única esperança para os pobres da Colômbia e do resto do mundo. (Sal. 72:1-4, 12-14; Dan. 2:44) Antonio e suas irmãs se tornaram zelosos servos de Deus.

      O fato de os missionários das Testemunhas serem separados e distintos do sistema religioso da cristandade ficou evidenciado de outra forma num incidente na Rodésia (agora Zimbábue). Quando Donald Morrison visitou naquele país a casa de um dos missionários da cristandade, esse missionário se queixou de que as Testemunhas não estavam respeitando os limites demarcados. Que limites? Ora, as religiões da cristandade haviam dividido o país em áreas em que cada uma operaria sem a interferência das outras. As Testemunhas de Jeová não podiam aceitar tais medidas. Jesus disse que a mensagem do Reino seria pregada em toda a terra habitada. A cristandade definitivamente não estava fazendo isso. Os missionários treinados em Gileade estavam decididos a fazer um serviço cabal, em obediência a Cristo.

      Esses missionários foram enviados não para serem servidos, mas para servir. De muitas formas tornava-se evidente que era isso que realmente procuravam fazer. Não é errado aceitar provisões materiais oferecidas espontaneamente (não solicitadas) em apreço da ajuda espiritual. Mas, para atingir o coração das pessoas no Alasca, John Errichetti e Hermon Woodard acharam proveitoso reservar pelo menos algum tempo para trabalhar com suas próprias mãos para a sua subsistência, assim como o apóstolo Paulo fizera. (1 Cor. 9:11, 12; 2 Tes. 3:7, 8) Sua principal atividade era pregar as boas novas. Mas, quando recebiam hospitalidade, ajudavam também com trabalhos que precisavam ser efetuados — por exemplo, alcatroaram o telhado da casa de certo homem, porque viram que ele precisava de ajuda. E, quando viajavam de barco de um lugar para outro, davam uma mão para descarregá-lo. As pessoas notaram logo que esses missionários não eram de forma alguma como o clero da cristandade.

      Em alguns lugares, era necessário os missionários das Testemunhas fazerem serviço secular por algum tempo para poderem fixar residência no país, a fim de efetuarem seu ministério ali. Assim, quando Jesse Cantwell foi para a Colômbia, ele lecionou Inglês no departamento médico de uma universidade até que a situação política mudou e terminaram as restrições religiosas. Depois disso, ele pôde usar sua experiência integralmente no ministério como superintendente viajante das Testemunhas de Jeová.

      Em muitos lugares, os missionários tiveram de começar com vistos de turista que lhes permitiam permanecer no país por um mês ou talvez diversos meses. Daí, tinham de deixar o país e depois retornar. Mas persistiram, repetindo o processo vez após vez até poderem obter permanência definitiva. Estavam decididos no coração a ajudar as pessoas nos países para os quais haviam sido designados.

      Esses missionários não se consideravam superiores ao povo local. Como superintendente viajante, John Cutforth, que era antes professor no Canadá, visitou congregações, bem como Testemunhas isoladas em Papua Nova Guiné. Ele se sentava no chão com eles, comia com eles e aceitava convites para dormir sobre uma esteira estendida no chão de suas casas. Ele gostava da companhia destas pessoas ao caminharem juntos no ministério de campo. Mas isso era surpreendente para observadores que não eram Testemunhas, pois os pastores europeus das missões da cristandade tinham a reputação de manter distância do povo local, associando-se com seus paroquianos apenas brevemente em algumas de suas reuniões, mas nunca comiam com eles.

      As pessoas entre as quais essas Testemunhas serviam notavam o interesse amoroso dos missionários e da organização que os enviara. Em resposta a uma carta de João Mancoca, um humilde africano confinado a uma colônia penal na África Ocidental Portuguesa (agora Angola), foi enviado um missionário da Torre de Vigia para dar ajuda espiritual. Recordando essa visita, Mancoca disse mais tarde: “Eu não tinha mais dúvidas de que esta era a verdadeira organização que tem o apoio de Deus. Nunca imaginava nem acreditava que qualquer outra organização religiosa fizesse tal coisa: enviar gratuitamente um missionário de longe para visitar uma pessoa insignificante só porque esta escreveu uma carta.”

      Condições de vida e costumes

      Muitas vezes, as condições de vida nos países para os quais os missionários eram enviados não eram tão desenvolvidas em sentido material como nos lugares donde vinham. Quando Robert Kirk desembarcou na Birmânia (hoje Mianmar) em princípios de 1947, ainda se viam os efeitos da guerra, e em poucas casas havia luz elétrica. Em muitos países, os missionários notaram que a roupa era lavada peça por peça numa tábua de esfregar ou sobre pedras num rio, em vez de com uma lavadora elétrica. Mas eles estavam ali para ensinar a verdade bíblica às pessoas, portanto ajustaram-se às condições locais e mantiveram-se ocupados no ministério.

      Naqueles tempos idos, muitas vezes não havia ninguém para recepcionar os missionários. Eles próprios tinham de procurar um lugar onde morar. Quando Charles Eisenhower e mais 11 chegaram a Cuba em 1943, na primeira noite dormiram no chão. No dia seguinte, compraram camas e fizeram armários e cômodas com caixas de maçã. Usando as contribuições que recebiam pelas publicações distribuídas, junto com a modesta mesada fornecida pela Sociedade Torre de Vigia para os pioneiros especiais, cada grupo de missionários confiava em Jeová para que abençoasse seus esforços para pagarem o aluguel, comprarem alimentos e fazerem face a outras despesas necessárias.

      Preparar refeições exigia às vezes uma mudança de conceito. Onde não havia geladeira, era necessário ir diariamente ao mercado. Em muitos países, cozinhava-se com carvão ou lenha em vez de num fogão a gás ou elétrico. George e Willa Mae Watkins, designados para a Libéria, tinham como fogão nada mais do que três pedras que sustentavam uma panela de ferro.

      Que dizer da água? Olhando para a sua nova moradia na Índia, Ruth McKay disse: ‘Eis uma moradia como eu nunca tinha visto antes. A cozinha não tem pia, apenas uma bica num canto da parede, com um ressalto de cimento no chão para impedir que a água escorra pelo chão. Não há um suprimento contínuo de água 24 horas por dia, de modo que é preciso guardar água para quando há corte do abastecimento.’

      Não estando habituados às condições locais, alguns missionários sofreram enfermidades nos primeiros meses em sua designação. Russell Yeatts teve sucessivas crises de disenteria ao chegar a Curaçau em 1946. Mas um irmão local havia feito tão fervorosa oração de agradecimentos a Jeová por causa dos missionários que estes simplesmente não podiam pensar em ir embora. Ao chegarem ao Alto Volta (agora Burkina Faso), Brian e Elke Wise encontraram-se num clima difícil, ruim para a saúde. Tiveram de aprender a agüentar temperaturas de 43°C durante o dia. No primeiro ano em que estiveram ali, o calor intenso e a malária fizeram com que Elke ficasse doente várias semanas por vez. No ano seguinte, Brian ficou acamado por cinco meses, acometido de hepatite grave. Mas logo descobriram que tinham tantos bons estudos bíblicos quantos podiam dirigir — e até mais do que podiam. O amor a essas pessoas os ajudou a perseverar; também o fato de considerarem sua designação um privilégio e um bom treinamento para o que quer que Jeová tivesse em reserva para eles no futuro.

      Com o passar dos anos, mais missionários foram acolhidos pelos que já estavam no respectivo país ou pelas Testemunhas locais. Alguns foram designados para países onde as cidades principais eram bem modernas. A partir de 1946, a Sociedade Torre de Vigia também procurou fornecer um lar adequado e mobília essencial a cada grupo de missionários, bem como fundos para alimentos, livrando-os assim dessa preocupação e habilitando-os a se concentrar mais na obra de pregação.

      Em muitos lugares, viajar era uma experiência que punha à prova sua perseverança. Depois de uma chuva, muitas missionárias em Papua Nova Guiné carregavam suprimentos numa mochila ao caminharem pelo mato numa trilha com tanta lama que às vezes lhes arrancava os sapatos dos pés. Na América do Sul, muitos missionários faziam viagens de ônibus de fazer arrepiar os cabelos ao passar por estradas estreitas no alto dos Andes. É uma experiência que a pessoa não esquece facilmente quando o ônibus em que viaja, bem à beira da estrada, se cruza com outro veículo grande numa curva onde não há grade de proteção e sente que o ônibus está inclinando para o precipício!

      As revoluções políticas pareciam fazer parte regular da vida em certos lugares, mas os missionários das Testemunhas conservavam em mente a declaração de Jesus de que seus discípulos não fariam “parte do mundo”; de modo que eram neutros para com tais conflitos. (João 15:19) Aprenderam a eliminar qualquer curiosidade que os expusesse a desnecessário perigo. Muitas vezes, a melhor coisa era simplesmente manter-se afastado das ruas até que a situação melhorasse. Nove missionários no Vietnã moravam bem no centro de Saigon (agora Cidade Ho Chi Minh) quando a guerra engolfou essa cidade. Eles viam bombas cair, incêndios em toda a cidade e milhares de pessoas que fugiam para salvar a vida. Mas, reconhecendo que Jeová os enviara ali para oferecerem o conhecimento vitalizador às pessoas famintas da verdade, confiaram na proteção dele.

      Mesmo quando havia relativa paz, era difícil os missionários efetuarem seu ministério em algumas partes das cidades asiáticas. Bastava o aparecimento de um estrangeiro nas ruas estreitas de um bairro pobre de Lahore, Paquistão, para atrair uma multidão de crianças sujas e maltrapilhas de todas as idades. Gritando e acotovelando umas às outras, seguiam o missionário de casa em casa, precipitando-se não raro dentro das casas junto com o publicador. Todos naquela rua ficavam logo sabendo o preço das revistas e que o estrangeiro estava ‘fazendo cristãos’. Em tais circunstâncias, era geralmente necessário abandonar aquela área. Seu afastamento muitas vezes vinha acompanhado de gritos, aplausos e, às vezes, até mesmo de uma chuva de pedras.

      Os costumes não raro exigiam alguns ajustes da parte dos missionários. No Japão, aprenderam a deixar os sapatos do lado de fora da casa antes de entrarem. E tiveram de se acostumar, quando possível, a sentar-se no chão diante de uma mesa baixa nos estudos bíblicos. Em algumas partes da África, aprenderam que entregar alguma coisa a alguém com a mão esquerda era considerado um insulto. E aprenderam que nessa parte do mundo não era considerado boas maneiras tentar explicar o objetivo da visita sem antes entabular uma conversa trivial — perguntando-se mutuamente sobre a saúde, respondendo a perguntas sobre a sua procedência, quantos filhos têm, e assim por diante. No Brasil, os missionários aprenderam que, em vez de baterem à porta da casa, geralmente precisavam bater palmas junto ao portão para chamar o morador.

      Entretanto, no Líbano, os missionários se viram confrontados com outros costumes. Poucos irmãos levavam a esposa e as filhas às reuniões. As mulheres que compareciam se sentavam sempre nos fundos, nunca entre os homens. Os missionários, desconhecendo esse costume, causaram não pouca inquietação na sua primeira reunião. Um casal se sentou nas primeiras fileiras e as moças missionárias se sentaram onde havia lugar vago. Mas, depois da reunião, uma palestra sobre os princípios cristãos ajudou a esclarecer o mal-entendido. (Veja Deuteronômio 31:12; Gálatas 3:28.) Terminou a segregação. Mais esposas e filhas passaram a assistir às reuniões. Acompanharam também as irmãs missionárias no ministério de casa em casa.

      O desafio de um novo idioma

      O pequeno grupo de missionários que chegou à Martinica em 1949 tinha muito pouco conhecimento do francês, mas sabia que as pessoas precisavam da mensagem do Reino. Com verdadeira fé, eles começaram a ir de porta em porta, tentando ler alguns versículos da Bíblia ou um trecho de uma publicação que ofereciam. Com paciência, melhoraram aos poucos seu francês.

      Embora desejassem ajudar as Testemunhas locais e outras pessoas interessadas, os próprios missionários muitas vezes eram os que precisavam de ajuda primeiro — aprender a língua. Os que foram enviados ao Togo descobriram que a gramática da língua eve, o principal idioma nativo, era muito diferente da das línguas européias, também que o diapasão da voz ao se enunciar uma palavra podia mudar o sentido. Assim, a palavra to, de duas letras, quando enunciada em diapasão alto, pode significar ouvido, montanha, sogro ou tribo; com diapasão baixo, significa búfalo. Os missionários que foram servir no Vietnã se viram confrontados com uma língua que empregava seis variações de tonalidade em qualquer dada palavra, resultando cada tonalidade num significado diferente.

      Edna Waterfall, designada para o Peru, não se esqueceu tão cedo da primeira casa em que tentou dar testemunho em espanhol. Suando frio, ela gaguejou a sua apresentação decorada, ofereceu a publicação e combinou dirigir estudo bíblico com uma senhora idosa. Daí, esta senhora disse em perfeito inglês: “Está bem, isto é ótimo. Eu vou estudar e faremos tudo em espanhol para ajudá-la a aprender espanhol.” Espantada, Edna replicou: “Fala inglês? E deixou-me falar no meu péssimo espanhol?” “Foi bom para você”, respondeu a senhora. E foi mesmo! Como Edna logo chegou a reconhecer, realmente falar o idioma é parte importante da aprendizagem.

      Na Itália, quando George Fredianelli tentou falar o idioma, descobriu que o que ele pensava fossem expressões italianas (mas eram na realidade palavras inglesas italianizadas) não eram entendidas. Para resolver o problema, ele decidiu escrever na íntegra os discursos que preparava para as congregações e os proferia à base de um manuscrito. Mas muitos na assistência pegavam no sono. Portanto, ele pôs de lado o manuscrito e passou a falar extemporaneamente, pedindo aos ouvintes que o ajudassem se tropeçasse em alguma palavra. Isto os mantinha despertos e o ajudou a progredir.

      Para dar aos missionários um início de aprendizagem do novo idioma, o curso de Gileade, nas primeiras turmas, incluía estudo de línguas tais como espanhol, francês, italiano, português, japonês, árabe e urdu. Com o passar dos anos, mais de 30 línguas foram ensinadas. Mas, visto que os formados de determinada turma não iam todos a lugares em que se falava o mesmo idioma, esses cursos de língua foram mais tarde substituídos por uma programação supervisionada de um intensivo estudo de língua ao chegarem às suas designações. No primeiro mês, os recém-chegados se concentravam totalmente no estudo do idioma durante 11 horas por dia; e no mês seguinte, metade do tempo era usado para o estudo da língua em casa e a outra metade para usar esse conhecimento no ministério de campo.

      Observou-se, porém, que o uso real da língua no ministério de campo era a principal chave do progresso; de modo que se fez um ajuste. Nos três primeiros meses em sua designação, os novos missionários que não conheciam o idioma local gastavam quatro horas por dia com um instrutor qualificado, e, dando já de início testemunho ao povo local sobre o Reino de Deus, exercitavam o que aprendiam.

      Muitos grupos de missionários estudavam em conjunto para melhorar seu entendimento do idioma. Consideravam algumas ou até 20 novas palavras por dia na hora do café da manhã e daí procuravam usá-las no ministério de campo.

      Aprender a língua local tem sido um fator importante para ganharem a confiança das pessoas. Em alguns lugares, há certa desconfiança de estrangeiros. Hugh e Carol Cormican serviram primeiro quando solteiros e depois quando casados em cinco diferentes países africanos. Estão bem cientes da desconfiança que não raro existe entre os africanos e os europeus. Mas dizem: “Falar a língua local logo dissipa tal sentimento. Além disso, outros que não estão inclinados a ouvir as boas novas levadas por seus conterrâneos ouvem prontamente a nós, aceitam publicações e estudam, porque fizemos o esforço de lhes falar em sua própria língua.” Para poder fazer isso, o irmão Cormican aprendeu cinco línguas, fora o inglês, e a irmã Cormican aprendeu seis.

      Naturalmente, podem surgir problemas quando se tenta aprender uma nova língua. Em Porto Rico, um irmão que oferecia tocar uma mensagem bíblica gravada para os moradores fechava logo seu fonógrafo e ia para a próxima porta quando a pessoa respondia: “¡Como no!” Para ele, isso soava: “Não”, e levou algum tempo antes de ele perceber que essa expressão quer dizer “Pois não!”. Por outro lado, os missionários às vezes não entendiam quando o morador dizia que não estava interessado, de modo que continuavam a dar testemunho. Alguns moradores compreensivos se beneficiaram disso.

      Houve também situações engraçadas. Leslie Franks, em Cingapura, aprendeu que tinha de tomar cuidado para não dizer coco (kelapa) quando queria dizer cabeça (kepala), e não dizer grama (rumput) quando queria dizer cabelo (rambut). Uma missionária na Samoa, por causa de pronúncia errada, perguntou a um nativo (sem barba): “Como está sua barba?”, quando o que tencionava era perguntar polidamente sobre como estava a esposa dele. No Equador, quando um motorista de ônibus deu partida brusca, Zola Hoffman, que estava de pé, perdeu o equilíbrio e caiu no colo de um homem. Embaraçada, tentou desculpar-se. Mas o que saiu foi: “Con su permiso” (com licença). Quando o homem bem-humorado respondeu: “Fique à vontade, senhora”, os outros passageiros caíram na risada.

      Entretanto, houve bons resultados no ministério por causa do esforço dos missionários. Lois Dyer, que chegou ao Japão em 1950, relembra o conselho dado pelo irmão Knorr: “Faça o melhor que pode, e, mesmo que cometa enganos, faça alguma coisa!” Ela fez isso, e muitos outros também o fizeram. Nos 42 anos que se seguiram, os missionários enviados ao Japão viram o número de proclamadores do Reino ali aumentar de apenas um punhado para mais de 170.000, e os aumentos continuam. Que rica recompensa porque, depois de buscarem a orientação de Jeová, estavam dispostos a fazer uma tentativa!

      Abertura de novos campos, desenvolvimento de outros

      Em dezenas de terras e arquipélagos, foram os missionários treinados em Gileade que começaram a obra de pregação do Reino ou deram o necessário impulso depois de outros terem dado testemunho limitado. Pelo que se sabe, eles foram as primeiras Testemunhas de Jeová que pregaram as boas novas na Somália, no Sudão, em Laos e em muitos arquipélagos ao redor do globo.

      Já se fizera alguma pregação em lugares tais como a Bolívia, República Dominicana, Equador, El Salvador, Honduras, Nicarágua, Etiópia, Gâmbia, Libéria, Camboja, Hong Kong, Japão e Vietnã. Mas não havia nenhuma Testemunha de Jeová relatando atividade nesses países quando os primeiros missionários da Escola de Gileade chegaram. Onde possível, os missionários fizeram uma cobertura sistemática do país, concentrando-se primeiro nas cidades maiores. Não colocavam simplesmente publicações e passavam adiante, como fizeram no passado os colportores. Visitaram pacientemente os interessados, dirigiram estudos bíblicos com eles e os treinaram no ministério de campo.

      Em outros países, havia apenas uns dez proclamadores do Reino (e, em muitos casos, menos) antes da chegada dos missionários formados na Escola de Gileade. Estavam incluídos entre esses a Colômbia, Guatemala, Haiti, Porto Rico, Venezuela, Burundi, Côte d’Ivoire (Costa do Marfim), Quênia, Maurício, Senegal, África do Sudoeste (agora Namíbia), Ceilão (agora Sri Lanka), China e Cingapura, além de muitos arquipélagos. Os missionários deram um exemplo zeloso no ministério, ajudaram as Testemunhas locais a melhorar suas habilidades, organizaram congregações e ajudaram irmãos a se qualificar para assumir a liderança. Em muitos casos, iniciaram também a obra de pregação em lugares onde nunca fora feita.

      Com esta ajuda, o número de Testemunhas começou a aumentar. Na maioria desses países, há atualmente milhares de ativas Testemunhas de Jeová. Em algumas delas, há dezenas de milhares e até mesmo mais de cem mil louvadores de Jeová.

      Alguns estavam ansiosos de ouvir

      Em certos lugares, os missionários encontraram muitas pessoas dispostas e ansiosas de aprender. Quando Ted e Doris Klein, formados da primeira turma de Gileade, chegaram às ilhas Virgens em 1947, havia tantas pessoas que queriam estudar a Bíblia que muitas vezes não terminavam seu dia de serviço senão à meia-noite. Para o primeiro discurso público que o irmão Klein proferiu na Market Square de Charlotte Amalie, havia mil na assistência.

      Joseph McGrath e Cyril Charles foram enviados ao território dos amis em Taiwan, em 1949. Passaram a morar em casas com telhado de colmo e piso de chão batido. Mas estavam ali para ajudar as pessoas. Alguns homens da tribo dos amis haviam adquirido publicações da Torre de Vigia, ficaram encantados com o que leram e falaram das boas novas a outros. Agora os missionários estavam ali para ajudá-los a crescer espiritualmente. Foi-lhes dito que havia 600 pessoas interessadas na verdade, mas 1.600 assistiam às reuniões que realizavam ao se mudarem de uma aldeia para outra. Essas pessoas humildes estavam dispostas a aprender, mas faltava-lhes conhecimento exato de muitas coisas. Pacientemente, os irmãos começaram a ensiná-las, um assunto por vez, dedicando muitas vezes oito ou mais horas a palestras com perguntas e respostas sobre dado assunto em cada aldeia. Forneceu-se também treinamento para os 140 que expressaram desejo de participar em dar testemunho de casa em casa. Que experiência alegre isso foi para os missionários! Mas precisava-se ainda fazer muito para um sólido crescimento espiritual.

      Cerca de 12 anos mais tarde, Harvey e Kathleen Logan, missionários treinados em Gileade que serviam no Japão, foram designados para dar mais ajuda aos irmãos amis. O irmão Logan passou muito tempo ajudando-os a entender as doutrinas e os princípios básicos da Bíblia, bem como assuntos organizacionais. A irmã Logan trabalhou diariamente com as irmãs amis no serviço de campo, e mais tarde esforçou-se a estudar as verdades básicas da Bíblia com elas. Depois, em 1963, a Sociedade Torre de Vigia planejou que congressistas de 28 países se reunissem com as Testemunhas locais ali na aldeia de Shou Feng, em relação com um congresso ao redor do mundo. Tudo isso começou a lançar um sólido fundamento para mais aumentos.

      Em 1948, dois missionários, Harry Arnott e Ian Fergusson, chegaram à Rodésia do Norte (agora Zâmbia). Já havia 252 congregações de Testemunhas africanas nativas naquela época, mas agora a atenção se voltava também para os europeus que se mudaram para lá com relação às operações de mineração de cobre. Foi emocionante a reação. Distribuíram-se muitas publicações; os com quem se dirigiu estudo bíblico progrediram rapidamente. Houve naquele ano um aumento de 61 por cento no número de Testemunhas ativas no ministério de campo.

      Em muitos lugares, não era incomum os missionários terem listas de espera de pessoas que queriam estudos bíblicos. Às vezes, parentes, vizinhos, e outros amigos costumavam estar presentes quando se dirigiam os estudos. Mesmo antes de poderem ter seu próprio estudo bíblico, as pessoas talvez já assistissem às reuniões regularmente no Salão do Reino.

      Mas, em outros países, não obstante os missionários fazerem muito esforço, a colheita era muito limitada. Já em 1953, missionários da Torre de Vigia foram enviados para o Paquistão Oriental (agora Bangladesh), onde a população, que passa agora de 115 milhões, é predominantemente muçulmana e hindu. Fez-se muito esforço para ajudar a população local. Contudo, até 1992, havia apenas 42 adoradores de Jeová naquele país. Entretanto, aos olhos dos missionários que servem em tais regiões, cada pessoa que aceita a adoração verdadeira é especialmente preciosa — por serem tão raras pessoas assim.

      Ajuda amorosa a co-Testemunhas

      O serviço básico dos missionários é a evangelização, a pregação das boas novas do Reino de Deus. Mas, ao participarem pessoalmente nessa atividade, puderam também prestar muita ajuda às Testemunhas locais. Os missionários as têm convidado a sair junto com eles no ministério de campo e compartilhado com elas sugestões sobre como lidar com situações difíceis. Observando os missionários, as Testemunhas locais muitas vezes aprenderam a efetuar seu ministério de modo mais organizado e a se tornar instrutores mais eficientes. Por sua vez, os missionários têm sido ajudados pelas Testemunhas locais a se ajustar aos costumes locais.

      Ao chegar a Portugal em 1948, John Cooke tomou medidas para organizar a obra de casa em casa de modo sistemático. Embora dispostas, muitas das Testemunhas locais precisavam de treinamento. Mais tarde, ele disse: “Nunca esquecerei uma das primeiras vezes que saí no ministério com as irmãs em Almada. Sim, seis delas iam juntas à mesma casa. Pode imaginar seis mulheres de pé junto a uma porta enquanto uma delas dava um sermão! Mas, aos poucos, as coisas começaram a tomar forma e a progredir.”

      O corajoso exemplo dos missionários ajudou Testemunhas nas ilhas de Sotavento a ser destemidas, não se deixando intimidar por opositores que tentavam interferir com a obra. A fé demonstrada por um missionário ajudou irmãos na Espanha a iniciar o ministério de casa em casa, apesar da ditadura católica fascista sob a qual viviam naquela época. Os missionários que serviam no Japão depois da Segunda Guerra Mundial deram um exemplo em usar tato — não repisando no fracasso da religião nacional, depois de o imperador japonês ter renunciado à sua divindade, mas, antes, apresentando evidência persuasiva para se crer no Criador.

      As Testemunhas locais observavam os missionários e ficavam muitas vezes profundamente influenciadas de certas formas que os missionários talvez não se apercebessem na época. Em Trinidad, incidentes que mostravam a humildade dos missionários, sua disposição de suportar condições difíceis e seu trabalho árduo no serviço de Jeová, apesar do clima quente, ainda são comentados muitos anos depois. Testemunhas na Coréia ficaram profundamente impressionadas com o espírito abnegado dos missionários que por dez anos não deixaram o país para visitar seus familiares porque o governo se recusava a dar vistos de retorno, exceto em poucos casos “humanitários” de emergência.

      Durante e depois de seu curso inicial em Gileade, a maioria dos missionários teve uma visão de perto da operação na sede da organização visível de Jeová. Tiveram muitas vezes boas oportunidades de se associar com membros do Corpo Governante. Mais tarde, nas suas designações missionárias, puderam transmitir às Testemunhas locais e às pessoas recém-interessadas relatos de testemunha ocular sobre o funcionamento da organização, bem como o próprio apreço que eles tinham por ela. A profundeza de apreço que transmitiam pela operação teocrática da organização era amiúde um fator importante no crescimento.

      Em muitos lugares aos quais os missionários foram enviados, não havia reuniões de congregação quando chegaram. Portanto, eles tomaram as devidas providências, dirigiram as reuniões e cuidaram de quase todas as partes das reuniões até outros se qualificarem para participar nesses privilégios. Treinavam constantemente outros irmãos para que pudessem qualificar-se para assumir a responsabilidade. (2 Tim. 2:2) O primeiro local de reunião era em geral o lar missionário. Mais tarde, providenciavam-se Salões do Reino.

      Onde já existiam congregações, os missionários contribuíam para tornar as reuniões mais interessantes e mais instrutivas. Seus comentários bem preparados eram apreciados e logo serviam de exemplo para outros tentarem imitar. Fazendo uso de seu treinamento em Gileade, os irmãos davam excelente exemplo em oratória e ensino, e gastavam de bom grado tempo com os irmãos locais para ajudá-los a aprender essa arte. Nos países em que as pessoas eram tradicionalmente acomodadas e não se preocupavam muito com horários, os missionários também as ajudaram pacientemente a reconhecer o valor de se iniciarem as reuniões pontualmente, e incentivavam todos a chegar na hora certa.

      As condições que encontraram em alguns lugares indicavam que havia necessidade de ajuda para edificar apreço pela importância da fidelidade às normas justas de Jeová. Em Botsuana, por exemplo, notaram que algumas irmãs ainda colocavam cordões ou contas em seus bebês como proteção contra o mal, não entendendo plenamente que esse costume tem raízes na superstição e na feitiçaria. Em Portugal, notaram circunstâncias que causavam desunião. Com paciência, ajuda amorosa e firmeza quando necessário, tornou-se evidente uma melhora da saúde espiritual.

      Os missionários designados para ocupar cargos de supervisão na Finlândia dedicaram muito tempo e esforço para treinar irmãos locais a refletir sobre os problemas à luz dos princípios bíblicos e, assim, a chegar a uma conclusão em harmonia com o modo de pensar do próprio Deus. Na Argentina, ajudaram também os irmãos a aprender o valor de se seguir uma programação, de manter registros, a importância de manter arquivos. Na Alemanha, ajudaram irmãos leais que em alguns sentidos eram bastante rígidos nos seus conceitos, em resultado de sua luta pela sobrevivência nos campos de concentração, a imitar mais plenamente os modos brandos de Jesus Cristo ao pastorearem o rebanho de Deus. — Mat. 11:28-30; Atos 20:28.

      O serviço de alguns missionários envolvia tratos com autoridades governamentais, responder às suas perguntas e dar entrada de requerimentos para a legalização da obra das Testemunhas de Jeová. Por exemplo, por quase quatro anos, o irmão Joly, designado junto com a esposa para Camarões, fez repetidos esforços para obter a legalização. Falou muitas vezes com autoridades francesas e africanas. Finalmente, depois de uma mudança no governo, concedeu-se a legalização. A essa altura, as Testemunhas já estavam ativas em Camarões por 27 anos e passavam de 6.000.

      Os desafios do serviço como viajantes

      Alguns dos missionários foram designados para servir como superintendentes viajantes. Havia necessidade especial na Austrália, onde alguns dos esforços dos irmãos haviam sido desviados imprudentemente dos interesses do Reino para empreendimentos seculares durante a Segunda Guerra Mundial. Com o tempo, isto foi corrigido e, durante a visita do irmão Knorr em 1947, ressaltou-se a importância de conservar sempre em primeiro plano a pregação do Reino. Depois disso, o entusiasmo, o excelente exemplo e os métodos de ensino dos formados em Gileade que serviam quais superintendentes de circuito e de distrito ajudou ainda mais a cultivar uma genuína atmosfera espiritual entre as Testemunhas locais.

      A participação em tal serviço de viajante tem muitas vezes exigido disposição de fazer grande esforço e enfrentar perigos. Wallace Liverance ficou sabendo que o único modo de chegar até à casa de uma família de publicadores isolados em Volcán, na Bolívia, era caminhar 90 quilômetros de ida e volta, por terreno rochoso e desnudo debaixo de um sol abrasador, a uma altitude de cerca de 3.400 metros, e carregando ao mesmo tempo seu saco de dormir, alimentos e água, bem como publicações. Para servir congregações nas Filipinas, Neal Callaway muitas vezes viajava em ônibus rurais superlotados, nos quais o espaço não só era ocupado por pessoas, mas também por animais e mercadorias. Richard Cotterill começou seu trabalho como superintendente viajante na Índia num tempo em que milhares de pessoas estavam sendo mortas por causa de ódio religioso. Quando estava programado para ele ir servir os irmãos numa área de tumultos, o vendedor de passagens numa ferrovia procurou dissuadi-lo de ir. Foi uma viagem cheia de pesadelos para a maioria dos passageiros, mas o irmão Cotterill tinha profundo amor a seus irmãos, onde quer que vivessem e qualquer que fosse a língua que falavam. Com confiança em Jeová, ele raciocinava: “Se Jeová quiser, tentarei chegar lá.” — Tia. 4:15.

      Encorajando outros para o serviço de tempo integral

      Em resultado do zeloso espírito demonstrado pelos missionários, muitos a quem ensinaram têm imitado seu exemplo entrando no serviço de tempo integral. No Japão, onde ao todo 168 missionários já serviram, havia 75.956 pioneiros em 1992; mais de 40 por cento dos publicadores no Japão estavam em alguma modalidade do serviço de tempo integral. Na República da Coréia a proporção era similar.

      De países em que a proporção de Testemunhas com relação à população é bastante favorável, muitos ministros de tempo integral têm sido convidados para receber treinamento na Escola de Gileade, sendo depois enviados a servir em outros lugares. Grande número de missionários era dos Estados Unidos e do Canadá; cerca de 400 da Grã-Bretanha; mais de 240 da Alemanha; mais de 150 da Austrália; mais de 100 da Suécia; além de um bom número da Dinamarca, Finlândia, Havaí, Países Baixos (Holanda), Nova Zelândia e outros países. Alguns países que foram ajudados por missionários mais tarde também forneceram prospectivos missionários para o serviço em outros países.

      Preenchidas as necessidades de uma crescente organização

      Com o crescimento da organização, os próprios missionários têm assumido mais responsabilidades. Um número considerável deles tem servido quais anciãos ou servos ministeriais nas congregações que ajudaram a desenvolver. Em muitos países, foram os primeiros superintendentes de circuito e de distrito. Ao passo que o progresso adicional tornou vantajoso a Sociedade abrir novas filiais, confiou-se a diversos missionários a responsabilidade relacionada com a operação de filiais. Em alguns casos, os que chegaram a dominar bem o idioma foram convidados a ajudar na tradução e revisão de publicações bíblicas.

      Sentiram-se especialmente felizes, porém, quando aqueles com quem estudaram a Palavra de Deus, ou irmãos para cujo crescimento espiritual eles contribuíram, se tornaram qualificados para assumir tais responsabilidades. Assim, um casal no Peru ficou muito contente de ver alguns com os quais estudara servir como pioneiros especiais, ajudando a fortalecer novas congregações e a abrir novos territórios. De uma família com a qual um missionário estudara em Sri Lanka surgiu um dos membros da Comissão de Filial daquele país. Muitos outros missionários tiveram alegrias similares.

      E os missionários enfrentaram também oposição.

      Em face de oposição

      Jesus disse a seus seguidores que seriam perseguidos, assim como ele foi. (João 15:20) Visto que os missionários geralmente vêm do estrangeiro, não raro, quando surgia intensa perseguição, eles eram expulsos do país.

      Em 1967, Sona Haidostian e seus pais foram presos em Alepo, na Síria. Ficaram na prisão por cinco meses e depois foram expulsos do país sem seus pertences. Margarita Königer, da Alemanha, foi designada para Madagascar; mas as expulsões, uma após outra, fizeram-na ir a novas designações no Quênia, Daomé (Benin) e Alto Volta (Burkina Faso). Domenick Piccone e sua esposa Elsa foram expulsos da Espanha em 1957 porque pregavam, depois, de Portugal, em 1962, daí de Marrocos, em 1969. Entretanto, em cada país, enquanto se procurava frustrar a ordem da expulsão, obtinha-se algum benefício. Dava-se testemunho às autoridades. Em Marrocos, por exemplo, tiveram oportunidade de dar testemunho a autoridades da Sécurité Nationale, a um juiz do Supremo Tribunal, a um chefe de polícia em Tânger e a cônsules dos EUA em Tânger e Rabat.

      A expulsão dos missionários não pôs fim à obra das Testemunhas de Jeová, segundo esperavam algumas autoridades. As sementes da verdade lançadas não raro continuam a crescer. Por exemplo, quatro missionários efetuaram seu ministério por apenas alguns meses em Burundi antes de o governo forçá-los a deixar o país em 1964. Mas um deles manteve correspondência com uma pessoa interessada que escreveu dizendo que estava estudando a Bíblia com 26 pessoas. Uma Testemunha, natural da Tanzânia, que fazia pouco se mudara para Burundi também se manteve ocupada pregando. Gradualmente, seu número aumentou até que centenas passaram a compartilhar a mensagem do Reino com mais outros.

      Em outras partes, antes de ordenarem a expulsão, as autoridades recorreram ao uso de violência para tentarem fazer com que todos se sujeitassem às suas exigências. Em Gbarnga, Libéria, em 1963, soldados ajuntaram 400 homens, mulheres e crianças que estavam assistindo a um congresso cristão ali. Os soldados os fizeram marchar até o quartel, onde foram ameaçados, espancados e exigiu-se que todos — qualquer que fosse a nacionalidade ou crença religiosa — saudassem a bandeira liberiana. Naquele grupo estava Milton Henschel, dos Estados Unidos. Havia também alguns missionários, inclusive John Charuk, do Canadá. Um dos formados em Gileade transigiu, como já havia feito em outra ocasião (embora não o tivesse revelado), e isso sem dúvida contribuiu para a transigência de outros que estavam naquela assembléia. Tornou-se evidente quem realmente temia a Deus e quem foi enlaçado pelo medo do homem. (Pro. 29:25) Depois disso, o governo ordenou que todos os missionários das Testemunhas de Jeová, estrangeiros, deixassem o país, ainda que mais tarde naquele mesmo ano uma ordem executiva do presidente permitisse seu retorno.

      Com freqüência, a ação tomada contra os missionários pelas autoridades governamentais tem sido em resultado da pressão clerical. Às vezes, tal pressão era exercida de modo clandestino. Noutras ocasiões, todos ficavam sabendo quem eram os instigadores da oposição. George Koivisto jamais esquecerá sua primeira manhã no serviço de campo em Medellin, na Colômbia. Subitamente, apareceu uma turba barulhenta de escolares, atirando pedras e bolotas de barro. A moradora, que nunca antes o vira, puxou-o para dentro e fechou as venezianas de madeira, desculpando-se o tempo todo pela conduta da turba lá fora. Quando a Polícia chegou, alguns acusaram o professor por ter permitido aos alunos sair. Mas outra voz gritou: “Não foi assim! Foi o padre! Ele anunciou pelos alto-falantes que deixassem os alunos sair para ‘atirarem pedras nos protestantes’.”

      Foi preciso coragem divina e amor pelas ovelhas. Elfriede Löhr e Ilse Unterdörfer foram designadas para o vale de Gastein, na Áustria. Em pouco tempo, deixaram muitas publicações bíblicas com pessoas que tinham fome de alimento espiritual. Mas, com isso, os clérigos reagiram. Instigaram os escolares a gritar contra as missionárias nas ruas e a correr na frente delas avisando os moradores para que não as escutassem. O povo ficou amedrontado. Mas, com amorosa perseverança, elas iniciaram alguns estudos bons. Quando se programou uma conferência bíblica para o público, o vigário postou-se desafiadoramente bem na frente do local da reunião. Mas, quando as missionárias saíram para a rua para acolher o povo, o vigário desapareceu. Foi chamar um policial e depois retornou, na esperança de impedir a reunião. Mas seus esforços foram em vão. Com o tempo, formou-se ali uma boa congregação.

      Em cidades perto de Ibarra, Equador, Unn Raunholm e Julia Parsons enfrentavam vez após vez turbas instigadas por sacerdotes. Visto que o sacerdote causava distúrbio toda vez que as missionárias apareciam em San Antonio, as irmãs decidiram concentrar seu serviço em outra cidade chamada Atuntaqui. Mas certo dia o delegado local instou agitadamente com a irmã Raunholm que deixasse depressa a cidade. “O sacerdote está organizando uma manifestação contra vocês, e eu não tenho suficientes homens para defendê-las”, disse ele. Ela relembra vividamente: “A multidão vinha atrás de nós! A branca e amarela bandeira do Vaticano era agitada diante do grupo, com o sacerdote gritando lemas como: ‘Viva a Igreja Católica!’ ‘Abaixo os protestantes!’ ‘Viva a Virgem Maria!’ ‘Viva a confissão!’ A multidão repetia palavra por palavra os lemas do sacerdote.” Naquele instante, dois homens convidaram as Testemunhas a entrar no prédio do Sindicato local para a sua segurança. As missionárias ativamente davam testemunho às pessoas curiosas que entravam para saber o que se passava. Distribuíram todas as publicações que tinham consigo.

      Cursos destinados a preencher necessidades especiais

      Durante os anos desde que os primeiros missionários foram enviados da Escola de Gileade, a organização das Testemunhas de Jeová aumentou com surpreendente rapidez. Em 1943, quando a escola foi fundada, havia apenas 129.070 Testemunhas em 54 países (ou em 103, segundo o modo como se dividia o mapa em princípios da década de 90). Em 1992, havia 4.472.787 Testemunhas em 229 países e arquipélagos no mundo inteiro. Com tal crescimento, mudaram as necessidades da organização. Filiais que antes cuidavam de menos de cem Testemunhas agrupadas em poucas congregações estão agora supervisionando a atividade de dezenas de milhares de Testemunhas, e muitas dessas filiais constataram que se tornou necessário imprimir localmente as publicações para abastecer os que participam na obra de evangelização.

      Para atender às mudadas necessidades, 18 anos depois da abertura da Escola de Gileade programou-se, especialmente para irmãos que cuidavam de grandes responsabilidades nas filiais da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), um curso de treinamento de dez meses na sede mundial da Sociedade. Alguns deles já haviam feito o curso missionário de cinco meses em Gileade; outros não. Todos tiraram proveito do treinamento especializado para seu serviço. As palestras sobre como cuidar de diversas situações e como preencher as necessidades organizacionais em harmonia com os princípios bíblicos tiveram efeito unificador. O curso compreendia um estudo analítico, versículo por versículo, da Bíblia inteira. Abrangia também um estudo da história da religião; treinamento em pormenores relacionados com a operação de uma filial, de um Lar de Betel e de uma gráfica; e instruções sobre supervisão do ministério de campo, organização de novas congregações e iniciar o trabalho em novos campos. Esses cursos (incluindo um curso final que foi reduzido a oito meses) foram dados na sede mundial, em Brooklyn, Nova Iorque, de 1961 a 1965. Muitos dos formados foram enviados de volta aos países onde vinham servindo; alguns foram designados a outros países onde poderiam contribuir valiosamente para a obra.

      A partir de 1.º de fevereiro de 1976, uma nova provisão foi posta em operação nas filiais da Sociedade em preparação para mais expansão prevista em harmonia com a profecia bíblica. (Isa. 60:8, 22) Em vez de haver apenas um superintendente de filial, junto com seu ajudante, para a supervisão de cada filial, o Corpo Governante nomeou três ou mais irmãos qualificados para servirem como Comissão de Filial. Filiais maiores talvez tenham sete membros nessa comissão. Para o treinamento de todos esses irmãos, programou-se um curso especial de Gileade, de cinco semanas, em Brooklyn, Nova Iorque. Quatorze turmas, compostas de membros de Comissões de Filiais de todas as partes do mundo receberam este treinamento especializado na sede mundial desde fins de 1977 até 1980. Foi uma excelente oportunidade para unificar e aprimorar as operações.

      A Escola de Gileade continuou a treinar os que tinham anos de experiência no ministério de tempo integral e estavam dispostos e habilitados a ser enviados ao exterior, porém mais pessoas poderiam ser usadas. Para acelerar o treinamento, começaram a funcionar escolas em outros países como extensão de Gileade, de modo que os estudantes não precisavam aprender inglês antes de se qualificarem para o curso. Em 1980-81, a Escola Cultural de Gileade no México treinou estudantes de língua espanhola que ajudaram a preencher a necessidade premente de trabalhadores qualificados na América Central e do Sul. Em 1981-82, 1984, e de novo em 1992, houve também turmas da Extensão da Escola de Gileade na Alemanha. De lá os formados foram enviados para a África, Europa Oriental, América do Sul e para várias nações-ilhas. Houve outras turmas na Índia em 1983.

      Ao passo que zelosas Testemunhas locais se juntaram aos missionários em ampliar o testemunho do Reino, o número de Testemunhas de Jeová aumentou rapidamente, e isto tem levado à formação de mais congregações. Entre 1980 e 1987, o número de congregações no mundo inteiro aumentou 27 por cento, para um total de 54.911. Em algumas partes, embora muitos assistissem às reuniões e participassem no ministério de campo, a maioria dos irmãos eram bastante novos. Havia necessidade urgente de varões cristãos com experiência para servirem quais pastores e instrutores espirituais, bem como para tomarem a dianteira na obra de evangelização. Para ajudar a preencher essa necessidade, o Corpo Governante pôs em funcionamento, em 1987, a Escola de Treinamento Ministerial, como segmento do programa de educação bíblica da Escola de Gileade. O curso de oito semanas inclui um intensivo estudo da Bíblia, bem como atenção pessoal ao desenvolvimento espiritual de cada estudante. Consideram-se assuntos de organização e judicativos, junto com as responsabilidades dos anciãos e dos servos ministeriais, e fornece-se treinamento especializado em oratória. Sem interferir com as turmas regulares de treinamento de missionários, esta escola tem usado outras dependências para as classes em vários países. Os formados estão preenchendo necessidades vitais em muitos países.

      De modo que o treinamento expandido fornecido pela Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia tem mantido o passo com as necessidades mudadas da organização internacional em rápida expansão.

      “Eis-me aqui! Envia-me”

      O espírito demonstrado pelos missionários é como o do profeta Isaías. Quando Jeová o alertou sobre uma oportunidade para serviço especial, ele respondeu: “Eis-me aqui! Envia-me.” (Isa. 6:8) Esta disposição de espírito tem motivado milhares de jovens a deixar o lugar e os costumes que conhecem, bem como parentes, para promover a vontade de Deus onde quer que sejam necessários.

      As circunstâncias familiares causaram mudanças na vida de muitos missionários. Diversos deles que tiveram filhos depois de se tornarem missionários puderam permanecer no país para onde foram designados, fazendo o necessário serviço secular e trabalhando com as congregações. Alguns, depois de anos de serviço, tiveram de retornar para sua terra para cuidar de pais idosos, ou por outros motivos. Mas consideraram que foi um privilégio participarem no serviço missionário por tanto tempo quanto puderam.

      Outros conseguiram fazer do serviço missionário seu serviço vitalício. Para fazer isso, todos tiveram de enfrentar circunstâncias desafiadoras. Olaf Olson, com uma longa carreira como missionário na Colômbia, admitiu: “O primeiro ano foi o mais difícil.” Isso se deu em grande parte por não poder expressar-se adequadamente no novo idioma. Ele disse mais: “Se ficasse pensando no país que deixei, não me sentiria feliz, mas eu me decidi a viver de corpo e mente na Colômbia, a fazer amigos aqui entre irmãos e irmãs na verdade e manter minha vida ocupada no ministério, de modo que em pouco tempo eu me sentia em casa na minha designação.”

      A perseverança dos missionários em sua designação não foi necessariamente por acharem ideal o ambiente físico. Norman Barber, que serviu na Birmânia (agora Mianmar) e na Índia, desde 1947 até sua morte em 1986, expressou-se da seguinte forma: “Quando a pessoa se regozija de ser usada por Jeová, então para ela um lugar é tão bom quanto outro. . . . Francamente falando, o clima tropical não é minha preferência como clima ideal para morar. Tampouco o modo de vida das pessoas nas regiões tropicais é o que eu pessoalmente escolheria. Mas há coisas mais importantes a levar em conta do que esses assuntos triviais. Poder prestar ajuda a pessoas realmente pobres em sentido espiritual é um privilégio que está além das faculdades humanas para expressar.”

      Muitos outros têm o mesmo conceito, e este espírito de abnegação tem contribuído grandemente para o cumprimento da profecia de Jesus de que estas boas novas do Reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações, antes de vir o fim. — Mat 24:14.

      [Nota(s) de rodapé]

      a The Watchtower (A Sentinela) de 15 de fevereiro de 1943, pp. 60-4.

      [Destaque na página 523]

      Ênfase sobre a importância de plena confiança em Jeová e lealdade a ele

      [Destaque na página 534]

      Um bom senso de humor ajudava!

      [Destaque na página 539]

      Paciência, ajuda amorosa e firmeza quando necessário.

      [Destaque na página 546]

      “Prestar ajuda a pessoas realmente pobres em sentido espiritual é um privilégio que está além das faculdades humanas para expressar.”

      [Fotos na página 522]

      Estudantes da primeira turma da Escola de Gileade

      [Foto na página 524]

      Albert Schroeder palestrando sobre aspectos do tabernáculo com estudantes de Gileade.

      [Foto na página 525]

      Maxwell Friend discursando no anfiteatro da Escola de Gileade.

      [Fotos na página 526]

      As formaturas de Gileade eram destaques espirituais,

      . . . algumas em grandes congressos (Nova Iorque, 1950),

      . . . outras no campus da escola (onde N. H. Knorr pode ser visto falando na frente da biblioteca da escola, em 1956).

      [Fotos na página 527]

      Campus da Escola de Gileade em South Lansing, Nova Iorque, como era na década de 50.

      [Foto na página 528]

      Hermon Woodard (à esquerda) e John Errichetti (à direita) servindo no Alasca.

      [Foto na página 529]

      John Cutforth usando ajudas visuais para ensinar em Papua Nova Guiné.

      [Fotos na página 530]

      Missionárias na Irlanda, com um superintendente de distrito, em 1950

      Formados a caminho de suas designações missionárias no Oriente, em 1947

      Alguns missionários e co-trabalhadores no Japão em 1969

      Missionários no Brasil em 1956

      . . . no Uruguai em 1954

      . . . na Itália em 1950

      Os quatro primeiros missionários de Gileade enviados para a Jamaica.

      Primeiro lar missionário em Salisbury (agora Harare, Zimbábue), em 1950

      Malcolm Vigo (Gileade, 1956-57) com a esposa Linda Louise; juntos serviram no Malaui, Quênia e Nigéria.

      Robert Tracy (à esquerda) e Jesse Cantwell (à direita) com as respectivas esposas — missionários no serviço de viajante na Colômbia em 1960

      [Foto na página 532]

      Aula de língua num lar missionário na Costa do Marfim

      [Foto na página 535]

      Ted e Doris Klein, que encontraram muitas pessoas ansiosas de ouvir a verdade bíblica nas ilhas Virgens dos EUA, em 1947.

      [Foto na página 536]

      Harvey Logan (no centro, fileira da frente), com Testemunhas da tribo amis na frente do Salão do Reino, na década de 60.

      [Foto na página 540]

      Victor White, superintendente de distrito treinado em Gileade, discursando nas Filipinas, em 1949.

      [Foto na página 542]

      Margarita Königer, em Burkina Faso, dirigindo estudo bíblico domiciliar.

      [Foto na página 543]

      Unn Raunholm, missionária desde 1958, teve de enfrentar turbas instigadas por sacerdotes no Equador.

      [Fotos na página 545]

      Escola de Treinamento Ministerial

      Primeira turma, Coraopolis, Pa, EUA, 1987 (em cima)

      Terceira turma, Grã-Bretanha, Manchester, 1991 (à direita)

      [Quadro na página 533]

      Turmas de Gileade

      1943-60: Escola em South Lansing, Nova Iorque. Em 35 turmas, 3.639 estudantes de 95 países se formaram, sendo a maioria designada para o serviço missionário. Superintendentes de circuito e de distrito que serviam nos Estados Unidos foram também incluídos nas turmas.

      1961-65: Escola em Brooklyn, Nova Iorque. Em 5 turmas, 514 estudantes se formaram e foram enviados a países onde a Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) tinha filiais; a maioria dos formados foi incumbida de designações administrativas. Quatro dessas turmas recebeu curso de 10 meses; uma recebeu curso de 8 meses.

      1965-88: Escola em Brooklyn, Nova Iorque. Em 45 turmas, cada uma com um curso de 20 semanas, mais 2.198 estudantes foram treinados, a maioria destes para o serviço missionário.

      1977-80: Escola em Brooklyn, Nova Iorque. Curso de Gileade, de cinco semanas, para membros de Comissões de Filial. Houve 14 turmas.

      1980-81: A Escola Cultural de Gileade do México; curso de 10 semanas; três turmas; 72 formados, de língua espanhola, preparados para o serviço na América Latina.

      1981-82, 1984, 1992: Extensão da Escola de Gileade na Alemanha; curso de 10 semanas; quatro turmas; 98 estudantes de língua alemã de países europeus.

      1983: Turmas na Índia; curso de 10 semanas, em inglês; 3 grupos; 70 estudantes.

      1987- : Escola de Treinamento Ministerial, com um curso de 8 semanas realizado em lugares-chaves em várias partes do mundo. Em 1992, os formados já estavam servindo em mais de 35 países fora de seu país de origem.

      1988- : Escola em Wallkill, Nova Iorque. Um curso de 20 semanas em preparação para o serviço missionário funciona ali. Planeja-se mudar essa escola para o Centro Educacional da Torre de Vigia em Patterson, Nova Iorque, quando estiver terminado.

      [Quadro na página 538]

      Corpo discente internacional

      Os estudantes que cursaram a Escola de Gileade representaram dezenas de nacionalidades e vieram à escola de mais de 110 países.

      O primeiro grupo internacional foi a sexta turma, em 1945-46.

      Fez-se requerimento ao governo dos EUA para estudantes estrangeiros serem admitidos no país com vistos de estudantes não-imigrantes. Em resposta, a Secretaria de Educação dos EUA registrou a Escola de Gileade como escola com ensino equivalente ao de colégios profissionalizantes e instituições de ensino. Assim, desde 1953, a Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia consta na lista dos cônsules dos EUA em todo o mundo como instituição de ensino aprovada. Em 30 de abril de 1954, esta escola apareceu na publicação intitulada “Instituições de Ensino Aprovadas Pelo Procurador-Geral” (em inglês).

  • Por poder humano? ou pelo espírito de Deus?
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 24

      Por poder humano? ou pelo espírito de Deus?

      A INCUMBÊNCIA que Jesus Cristo deu aos seus seguidores tinha proporções aparentemente impossíveis. Embora fossem poucos, deviam proclamar as boas novas do Reino de Deus em toda a Terra habitada. (Mat. 24:14; Atos 1:8) Além de a tarefa ser gigantesca, seria realizada em face de desvantagens aparentemente esmagadoras, porque, como Jesus disse com franqueza aos seus discípulos, eles seriam odiados e perseguidos em todas as nações. — Mat. 24:9; João 15:19, 20.

      Apesar da oposição global, as Testemunhas de Jeová têm-se aplicado vigorosamente na realização da obra que Jesus predisse. A extensão em que já se deu o testemunho é um fato estabelecido, e deveras espetacular. Mas o que tem tornado isso possível? Tem sido poder ou engenhosidade humanos? Ou tem sido a operação do espírito de Deus?

      O registro bíblico sobre a restauração da adoração verdadeira em Jerusalém no sexto século AEC faz-nos lembrar que nunca se deve desconsiderar o papel do próprio Deus na realização de sua vontade. Comentaristas seculares talvez procurem outras explicações para o que acontece. No entanto, ao explicar como se realizaria o seu propósito, Deus fez com que seu profeta Zacarias declarasse: “‘Não por força militar, nem por poder, mas por meu espírito’, disse Jeová dos exércitos.” (Zac. 4:6) As Testemunhas de Jeová não hesitam em dizer que é assim que se realiza hoje a pregação da mensagem do Reino — não por se recorrer a força militar, nem devido ao poder ou influência pessoal de algum destacado grupo de homens, mas em resultado da operação do espírito de Jeová. Será que as evidências apóiam sua convicção?

      ‘Não muitos sábios em sentido carnal’

      Ao escrever aos primitivos cristãos na Grécia, o apóstolo Paulo reconheceu: “Observais a vossa chamada da parte dele, irmãos, que não foram chamados muitos sábios em sentido carnal, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre estirpe; mas Deus escolheu as coisas tolas do mundo, para envergonhar os sábios; e Deus escolheu as coisas fracas do mundo, para envergonhar as coisas fortes; e Deus escolheu as coisas ignóbeis do mundo e as coisas menosprezadas, as coisas que não são, para reduzir a nada as coisas que são, a fim de que nenhuma carne se jacte à vista de Deus.” — 1 Cor. 1:26-29.

      Os próprios apóstolos de Jesus eram da classe operária. Quatro eram pescadores profissionais. Um fora coletor de impostos, profissão desprezada pelos judeus. Esses apóstolos eram considerados pelo clero judaico como “indoutos e comuns”, o que indica que sua instrução não era de escolas de ensino superior. (Atos 4:13) Isso não significa que ninguém que tivesse mais instrução secular ou religiosa se tornava cristão. O apóstolo Paulo estudara aos pés do erudito Gamaliel, membro do Sinédrio judaico. (Atos 22:3) Mas, como diz o texto, ‘não havia muitos’ assim.

      A História atesta que Celso, filósofo romano do segundo século EC, zomba de que “trabalhadores braçais, sapateiros, lavradores, os mais desinformados e cômicos dos homens sejam zelosos pregadores do Evangelho”. (História da Religião e da Igreja Cristãs, nos Três Primeiros Séculos, de Augustus Neander, em inglês) Apesar do desprezo e da violenta perseguição lançados contra os genuínos cristãos no Império Romano, o que os fortaleceu para continuarem a ser proclamadores das boas novas? Jesus dissera que seria pelo espírito santo de Deus. — Atos 1:8.

      De modo similar, em tempos mais recentes, as Testemunhas de Jeová têm sido desacreditadas por serem, em geral, pessoas comuns, sem posição social que faça com que o mundo as respeite. Entre os primeiros servos de Jeová dos tempos modernos que levaram a mensagem do Reino ao povo da Dinamarca, havia um sapateiro. Na Suíça e na França, foi um jardineiro. Em muitas partes da África, a mensagem foi levada por trabalhadores itinerantes. No Brasil, marinheiros participaram nisso. Muitas Testemunhas polonesas no norte da França eram mineradores.

      Profundamente comovidos com o que haviam aprendido da Palavra de Deus com a ajuda das publicações da Torre de Vigia, quiseram demonstrar seu amor a Jeová obedecendo-o, de modo que empreenderam a obra que a Palavra de Deus diz que os genuínos cristãos fariam. Desde então, milhões de pessoas de todas as rodas da vida têm participado nessa obra. Todos são evangelizadores.

      As Testemunhas de Jeová formam a única organização religiosa no mundo em que todos os membros pessoalmente dão testemunho a descrentes, procuram responder a suas perguntas à base da Bíblia e os incentivam a depositar fé na Palavra de Deus. Outras organizações religiosas reconhecem que todos os cristãos devem fazer isso. Alguns tentaram incentivar seus membros a fazer o mesmo. Mas apenas as Testemunhas de Jeová fazem isso sistematicamente. A orientação de quem, os conselhos de quem, a garantia de apoio amoroso da parte de quem e as promessas de quem as motivam a fazer essa obra de que outros se esquivam? Pergunte a elas. Não importa em que nação vivam, sua resposta será: “De Jeová.” Portanto, a quem cabe o mérito?

      Um papel previsto para os anjos de Deus

      Ao descrever os eventos que ocorreriam na conclusão deste sistema de coisas, Jesus mostrou que seus seguidores na Terra não seriam os únicos que participariam no ajuntamento dos amantes da justiça. Em Mateus 24:31, ele disse que ‘enviaria os seus anjos com grande som de trombeta’ para ajuntar ‘os escolhidos’, os últimos membros dos 144.000, que participariam com Cristo no Reino celestial. Estes seriam ajuntados “desde os quatro ventos”, de todas as partes do globo. (Compare com Lucas 12:32; 2 Timóteo 2:10; Revelação [Apocalipse] 14:1-4.) Será que isso tem realmente acontecido?

      Sim! Embora os Estudantes da Bíblia fossem apenas uns milhares quando o mundo entrou nos últimos dias em 1914, a mensagem do Reino que pregavam logo envolveu o globo. No Oriente, em países da Europa, da África e das Américas, e nas ilhas, pessoas aceitaram a oportunidade de servir aos interesses do Reino de Deus e foram ajuntadas numa única organização unida.

      Na Austrália Ocidental, por exemplo, a mensagem do Reino alcançou Bert Horton. A religião, como ele conhecia, não lhe interessava; estivera envolvido na política e em atividades sindicalistas. Mas, quando sua mãe lhe deu a publicação da Torre de Vigia intitulada The Divine Plan of the Ages (O Plano Divino das Eras) e ele passou a lê-la junto com a Bíblia, percebeu que encontrara a verdade. Partilhou-a espontaneamente com seus colegas de trabalho. Quando conseguiu localizar os Estudantes da Bíblia, associou-se de bom grado com eles, foi batizado em 1922, ingressou no ministério de tempo integral e ofereceu-se para servir em qualquer região que a organização de Jeová orientasse.

      No outro lado da Terra, W. R. Brown, que já havia pregado nas ilhas do Caribe, partiu para a África em 1923 a fim de divulgar a mensagem do Reino ali. Ele não era um pregador independente com uma missão pessoal. Ele também trabalhava com o povo organizado de Jeová. Oferecera-se para servir onde fosse preciso, e aceitou uma designação na África Ocidental em atenção à orientação da sede. Aqueles que tiraram proveito pessoal de seu ministério também foram ajudados a reconhecer a importância de trabalhar de perto com a organização de Jeová.

      A proclamação do Reino também alcançou a América do Sul. Hermán Seegelken, em Mendoza, na Argentina, havia muito estava cônscio da hipocrisia nas igrejas católica e protestantes. Mas em 1929 ele também ouviu a mensagem do Reino, aceitou-a avidamente e passou a partilhá-la com outros, em união com os servos de Jeová em todo o mundo. Houve experiências similares ao redor do globo. Pessoas “dentre toda tribo, e língua, e povo, e nação”, embora espalhadas geograficamente e levando diferentes modos de vida, não apenas escutaram, mas se ofereceram para o serviço de Deus. Foram ajuntadas numa organização unificada para fazer a obra que Jesus havia predito para este tempo. (Rev. 5:9, 10) O que é responsável por isso?

      A Bíblia diz que os anjos de Deus desempenhariam um papel vital nisso. Devido a isso, a proclamação do Reino reverberaria ao redor do globo como o som duma trombeta duma fonte sobre-humana. De fato, em 1935 ela já havia penetrado em 149 terras — no norte, no sul, no leste e no oeste, de uma extremidade da Terra à outra.

      A princípio, apenas um “pequeno rebanho” mostrou genuíno apreço pelo Reino de Deus e estava disposto a servir aos seus interesses. Foi o que a Bíblia havia predito. Agora uma rapidamente crescente “grande multidão”, chegando a milhões de pessoas de todas as nações, veio a associar-se com aquele “pequeno rebanho”. Isso também foi predito na Palavra de Deus. (Luc. 12:32; João 10:16; Rev. 7:9, 10) Não são pessoas que apenas professam ter a mesma religião, mas que, na verdade, estão divididas entre si por todas as atitudes e filosofias que fragmentam o mundo ao seu redor. As Testemunhas de Jeová não se limitam a falar sobre o Reino de Deus, ao passo que na verdade confiam no governo de homens. Mesmo arriscando a vida, obedecem a Deus como governante. A Bíblia diz claramente que o ajuntamento dessas pessoas que ‘temem a Deus e lhe dão glória’ seria feito sob a direção dos anjos. (Rev. 14:6, 7; Mat. 25:31-46) As Testemunhas estão firmemente convencidas de que isso é o que realmente tem acontecido.

      Em incontáveis ocasiões, ao participarem no seu ministério, têm visto evidências convincentes de orientação celestial. Por exemplo, no Rio de Janeiro, Brasil, um grupo de Testemunhas terminava o serviço de casa em casa certo domingo, quando uma componente do grupo disse: “Quero continuar trabalhando mais um pouco. Por algum motivo quero ir àquela casa.” O responsável pelo grupo sugeriu que a deixassem para outro dia, mas a publicadora insistiu. Naquela porta, a Testemunha encontrou uma senhora que, em pranto, disse que estivera orando por ajuda. Ela já havia sido contatada antes pelas Testemunhas, mas não mostrara interesse na mensagem da Bíblia. No entanto, a morte súbita do marido fez com que ela se desse conta de sua necessidade de ajuda espiritual. Ela procurara o Salão do Reino, mas em vão. Estivera orando fervorosamente a Deus pedindo ajuda, e agora a ajuda estava em sua porta. Ela foi batizada não muito tempo depois. Estava convencida de que Deus ouvira sua oração e tomara a ação necessária para responder. — Sal. 65:2.

      Uma Testemunha de Jeová alemã que morava em Nova Iorque criou o hábito de orar a Deus pedindo orientação ao empenhar-se no ministério. Já por semanas ela tentava encontrar na rua uma senhora interessada, visto que não sabia seu endereço. Então, certo dia em 1987, ao iniciar o ministério, a Testemunha orou: “Jeová, tu sabes onde ela está. Por favor, ajuda-me a encontrá-la.” Poucos minutos depois, ela viu essa senhora num restaurante.

      Mera coincidência? A Bíblia diz que os genuínos cristãos são “colaboradores de Deus” e que os anjos são enviados “para ministrar aos que hão de herdar a salvação”. (1 Cor. 3:9; Heb. 1:14) Depois que a Testemunha contou a essa senhora como a havia encontrado, ela aceitou o convite de examinar mais a Bíblia naquele mesmo dia.

      Levando as boas novas a ‘territórios inacessíveis’

      As Testemunhas de Jeová têm sido persistentes em seus esforços de alcançar todas as terras com a mensagem do Reino. Mas isso não elucida de modo pleno o que se tem realizado. Elas têm visto a mensagem do Reino disseminar-se em lugares em que todos os seus esforços cuidadosamente planejados haviam sido frustrados.

      Por exemplo, em mais de uma ocasião nas décadas de 20 e de 30, fizeram-se pedidos formais às autoridades na antiga União Soviética para se obter permissão para o envio de publicações bíblicas àquele país ou para imprimi-las lá. Os pedidos na época foram indeferidos. Havia algumas Testemunhas de Jeová na União Soviética, mas se precisava de muito mais ajuda para se realizar a obra de pregação que a Palavra de Deus disse que tem de ser feita. Poder-se-ia fazer alguma coisa para fornecer essa ajuda?

      Curiosamente, no fim da Segunda Guerra Mundial, mais de mil Testemunhas de Jeová do que fora o leste da Polônia, junto com muitas outras pessoas, vieram a ficar dentro da União Soviética. No campo de concentração de Ravensbrück, centenas de jovens mulheres russas conheceram outras prisioneiras que eram Testemunhas de Jeová. Algumas dessas mulheres dedicaram-se a Jeová durante aquela época e mais tarde retornaram a várias partes da União Soviética. Centenas de outras também se tornaram habitantes da União Soviética com a mudança das fronteiras nacionais durante a guerra. O resultado não foi o tencionado pelo governo soviético. Não foi por providência do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová. Mas deveras serviu para a realização do que a inspirada Palavra de Deus havia predito. Comentando esses acontecimentos, The Watchtower (A Sentinela) disse: “Assim, pode-se ver de que maneira, pela providência do Senhor, ele pode suscitar testemunhas em qualquer terra, para ali defender a causa da verdade e divulgar o nome de Jeová.” — Edição de 1.º de fevereiro de 1946.

      Não foi só um país que disse às Testemunhas de Jeová: ‘Não podeis entrar aqui!, ou: ‘Não podeis pregar aqui.’ Isso tem acontecido vez após vez ao redor da Terra, em literalmente dezenas de países, muitas vezes devido à pressão do clero sobre as autoridades. Alguns desses países mais tarde concederam legalidade às Testemunhas de Jeová. Mas, mesmo antes de isso acontecer, a adoração de Jeová, o Criador do céu e da Terra, havia sido abraçada por milhares de pessoas dentro dessas fronteiras. Como se realizou isso?

      A explicação simples está na Bíblia, isto é, que os anjos de Deus têm um papel de destaque em levar às pessoas de todas as nações o apelo urgente: “Temei a Deus e dai-lhe glória, porque já chegou a hora do julgamento por ele, e assim, adorai Aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas.” — Rev. 14:6, 7.

      Êxito apesar de esmagadoras desvantagens

      O que as Testemunhas de Jeová têm enfrentado em muitas terras não são apenas proibições impostas a seu ministério público, mas esforços para destruí-las por completo.

      Durante a Primeira Guerra Mundial, houve um esforço conjugado da parte do clero nos Estados Unidos e no Canadá para pôr fim à obra dos Estudantes da Bíblia, como então se chamavam as Testemunhas de Jeová. Esse é um fato de conhecimento público. Apesar das garantias legais de liberdade de expressão e de religião, o clero pressionou as autoridades para proscrever publicações dos Estudantes da Bíblia. Muitos foram presos e detidos sem fiança; outros foram brutalmente espancados. Os diretores da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) e seus associados íntimos receberam longas sentenças de prisão em processos que mais tarde se mostraram inválidos. Ray Abrams disse em seu livro Preachers Present Arms (Pregadores Apresentam Armas): “Uma análise de todo o caso leva à conclusão de que as igrejas e o clero estavam originalmente por trás do movimento para eliminar os russelitas”, termo com o qual o clero depreciativamente se referia aos Estudantes da Bíblia. Mas, depois da guerra, os Estudantes da Bíblia emergiram com mais vigor do que nunca para anunciar o Rei designado por Jeová, Jesus Cristo, e seu Reino. De onde procedia esse renovado vigor? A Bíblia predissera tal fato e dissera que isso seria devido ao “espírito de vida da parte de Deus”. — Rev. 11:7-11.

      Depois da ascensão dos nazistas ao poder na Alemanha, a perseguição às Testemunhas de Jeová intensificou-se em países que vieram a estar sob controle nazista. Houve prisões e tratamento brutal. Impuseram-se proscrições. Por fim, em outubro de 1934, as congregações das Testemunhas de Jeová na Alemanha enviaram cartas registradas ao governo informando claramente que não tinham objetivos políticos, mas que estavam decididas a obedecer a Deus como governante. Ao mesmo tempo, congregações das Testemunhas em todo o mundo enviaram cabogramas em apoio aos seus irmãos cristãos na Alemanha.

      Naquele mesmo dia, 7 de outubro de 1934, no escritório do Dr. Wilhelm Frick, em Berlim, Adolf Hitler, com punhos cerrados, disse sobre as Testemunhas de Jeová: “Essa raça será exterminada da Alemanha!” Não era uma ameaça vã. Houve muitas prisões. Segundo uma nota confidencial da Polícia Secreta do Estado, da Prússia, de 24 de junho de 1936, “um Comando especial da Gestapo” foi formado para combater as Testemunhas. Depois de ampla preparação, a Gestapo lançou sua campanha para capturar todas as Testemunhas de Jeová e todos os suspeitos de ser Testemunhas. Durante esse ataque, toda a rede de Polícia ficou envolvida, deixando os elementos criminosos à vontade.

      Há relatórios que indicam que, com o tempo, 6.262 Testemunhas alemãs foram presas. Karl Wittig, ex-autoridade do governo alemão, que ficou preso em vários campos de concentração, escreveu mais tarde: “Nenhum outro grupo de prisioneiros . . . ficou exposto ao sadismo dos soldados das SS como ficaram os Estudantes da Bíblia. Era um sadismo caracterizado por uma infindável cadeia de torturas físicas e mentais, cuja intensidade não há palavras que expressem.”

      Qual foi o resultado? Num livro publicado em 1982, Christine King conclui: “O governo foi malsucedido apenas com as Testemunhas [em contraste com outros grupos religiosos].” Hitler jurara exterminá-las, e centenas foram mortas. No entanto, a Dra. King comenta: “A obra [de pregação sobre o Reino de Deus] prosseguiu e, em maio de 1945, o movimento das Testemunhas de Jeová ainda estava vivo, ao passo que o nacional-socialismo não.” Ela também salienta: “Não houve transigência.” (O Estado Nazista e as Novas Religiões: Cinco Estudos Sobre Não-Conformismo, em inglês) Por que Hitler, com seu exército bem equipado, sua Polícia altamente treinada e muitos campos de extermínio, não conseguiu cumprir sua ameaça de destruir esse grupo relativamente pequeno e desarmado de pessoas que o mundo considera comuns? Por que outras nações têm sido incapazes de sustar sua atividade? Por que é que, não apenas alguns indivíduos isolados, mas as Testemunhas de Jeová como um todo têm permanecido firmes apesar de perseguição brutal?

      A resposta está em alguns conselhos sábios de Gamaliel, um instrutor da Lei, a outros membros do Sinédrio judaico ao tratarem dum caso similar a respeito dos apóstolos de Jesus Cristo. Ele disse: “Não vos metais com estes homens, mas deixai-os em paz; (porque, se este desígnio ou esta obra for de homens, será derrubada; mas, se for de Deus, não podereis derrubá-los;) senão podereis talvez ser realmente achados como lutadores contra Deus.” — Atos 5:38, 39.

      Assim, os fatos históricos mostram que a tarefa aparentemente impossível que Jesus incumbiu seus seguidores de realizar apesar de desvantagens aparentemente esmagadoras está sendo realizada não por poder humano, mas pelo espírito de Deus. Como o próprio Jesus disse em oração a Deus: “Pai, todas as coisas te são possíveis.” — Mar. 14:36.

      [Destaque na página 547]

      “‘Por meu espírito’, disse Jeová dos exércitos.”

      [Destaque na página 548]

      O que os fortaleceu para continuarem a pregar apesar de serem ridicularizados e de violenta perseguição?

      [Destaque na página 549]

      Evidência de orientação angélica

      [Destaque na página 551]

      ‘O Senhor pode suscitar testemunhas em qualquer terra.’

      [Destaque na página 553]

      Um povo unido que se tem mostrado firme na fé apesar de desvantagens aparentemente esmagadoras.

  • Pregação pública e de casa em casa
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 25

      Pregação pública e de casa em casa

      AO ENVIAR seus discípulos, Jesus Cristo instruiu-os: “Ao irdes, pregai, dizendo: ‘O reino dos céus se tem aproximado.’” (Mat. 10:7) E, em sua ordem profética a cristãos genuínos que estivessem vivos na terminação do sistema de coisas, ele disse: “Estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho.” (Mat. 24:14) O que significava isso?

      Não significava que tinham de construir igrejas, tocar um sino e esperar que uma congregação se reunisse para ouvi-los proferir um sermão semanal. O verbo grego aqui traduzido por “pregar” (ke·rýs·so) significa, basicamente, “fazer proclamação como arauto”. A idéia não é proferir sermões para um grupo restrito de discípulos, mas fazer declaração franca e pública.

      O próprio Jesus deu o exemplo de como se devia fazer isso. Ele ia a lugares em que podia encontrar pessoas. No primeiro século, as pessoas reuniam-se regularmente nas sinagogas para ouvir a leitura das Escrituras. Jesus aproveitava oportunidades para pregar a elas ali, não apenas numa única cidade, mas em cidades e aldeias em toda a Galiléia e a Judéia. (Mat. 4:23; Luc. 4:43, 44; João 18:20) Os relatos evangélicos revelam que ele pregava, com ainda mais freqüência, à beira do mar, nas encostas dos montes, nas estradas, em aldeias e na casa de quem o recebesse bem. Onde quer que encontrasse pessoas, ele falava sobre o propósito de Deus para a humanidade. (Luc. 5:3; 6:17-49; 7:36-50; 9:11, 57-62; 10:38-42; João 4:4-26, 39-42) E, ao enviar seus discípulos, instruiu-os a ir às casas das pessoas para procurar os merecedores e dar-lhes testemunho sobre o Reino de Deus. — Mat. 10:7, 11-13.

      As Testemunhas de Jeová nos tempos modernos têm-se esforçado a seguir o padrão estabelecido por Jesus e seus discípulos do primeiro século.

      Proclamação das novas sobre a presença de Cristo

      Ao compreenderem o padrão harmonioso da verdade apresentado na Palavra de Deus, Charles Taze Russell e seus associados ficaram profundamente comovidos com o que aprenderam sobre o objetivo e a maneira da volta de Cristo. O irmão Russell sentiu tanto a necessidade de divulgar isso como a grande urgência de fazer essa divulgação. Organizou seus assuntos para viajar a lugares onde houvesse pessoas a quem pudesse falar sobre essas verdades da Bíblia. Assistia a ofícios religiosos ao ar livre e aproveitava as oportunidades para falar aos presentes, assim como Jesus pregava nas sinagogas. Mas logo percebeu que se poderia conseguir mais de outras maneiras. Seu estudo das Escrituras mostrou que Jesus e os apóstolos fizeram a maior parte da pregação falando em particular com as pessoas e fazendo visitas de casa em casa. Ele reconheceu também o valor de dar prosseguimento às palestras particulares deixando publicações com as pessoas.

      Já em 1877, ele publicou o folheto The Object and Manner of Our Lord’s Return (O Objetivo e a Maneira da Volta de Nosso Senhor). Dois anos depois, iniciou a publicação regular da revista Zion’s Watch Tower and Herald of Christ’s Presence (A Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo), hoje A Sentinela. Sim, o objetivo era pregar, ou proclamar, novas vitais sobre a presença de Cristo.

      Em 1881, as publicações dos Estudantes da Bíblia já eram distribuídas gratuitamente perto das igrejas — não na porta das igrejas, mas nas proximidades, para que as pessoas de inclinação religiosa as recebessem. Muitos Estudantes da Bíblia davam essas publicações a conhecidos ou as enviavam pelo correio. Em 1903, a Watch Tower recomendou que se esforçassem a alcançar a todos com a distribuição dos tratados de casa em casa, em vez de se concentrarem nos que freqüentavam as igrejas. Nem todos os Estudantes da Bíblia fizeram isso, mas muitos corresponderam com verdadeiro zelo. Relatou-se, por exemplo, que em várias cidades grandes dos Estados Unidos, bem como em seus subúrbios num raio de 16 quilômetros ou mais, praticamente toda casa foi visitada. Milhões e milhões de tratados, ou de folhetos, foram distribuídos. Naquela época, a maioria dos Estudantes da Bíblia que participava na divulgação das boas novas fazia-o por meio de algum tipo de distribuição gratuita de tratados e de outras publicações.

      Outros Estudantes da Bíblia — em menor quantidade — serviram como evangelistas colportores, usando boa parte de seu tempo exclusivamente nessa obra.

      Colportores zelosos tomam a dianteira

      A primeira convocação de homens e mulheres dedicados que pudessem usar uma quantidade substancial de seu tempo nesse serviço foi feita em abril de 1881. Eles ofereciam aos moradores e aos homens de negócios um pequeno livro que explicava verdades da Bíblia e uma assinatura da revista Watch Tower. O objetivo era procurar os famintos da verdade e partilhar o esclarecimento com eles. Durante algum tempo, procuravam dizer apenas o suficiente para estimular o interesse, deixando em cada casa um pacote de publicações para o morador examinar, e retornavam alguns dias depois. Alguns moradores devolviam as publicações; outros talvez desejassem adquiri-las; muitas vezes surgiam oportunidades para uma palestra. Sobre seu objetivo, a Watch Tower disse: “Não é vender pacotes, nem angariar assinaturas, mas divulgar a verdade, fazendo com que as pessoas leiam.”

      O número dos que participavam no evangelismo como colportores era relativamente pequeno. Nos primeiros 30 anos, variou de uns poucos a mais ou menos 600. Esses colportores eram pioneiros no verdadeiro sentido da palavra, abrindo novos territórios. Anna Andersen perseverou nesse serviço por décadas, em geral viajando de bicicleta, e pessoalmente alcançou quase todas as cidades da Noruega com as boas novas. Outros colportores viajaram para o exterior e foram os primeiros a levar a mensagem a países como Finlândia, Barbados, El Salvador, Guatemala, Honduras e Birmânia (agora Mianmar). Havia também alguns que não tinham condições de mudar-se para outros lugares, mas que serviam como evangelistas colportores em seu próprio território.

      A obra dos colportores era notável. Um que servia na costa oeste dos Estados Unidos escreveu em 1898 que, nos dois anos e nove meses anteriores, viajara 12.800 quilômetros em sua charrete, dera testemunho em 72 cidades, fizera 18.000 visitas, distribuíra 4.500 livros, angariara 125 assinaturas, dera 40.000 tratados e vira 40 pessoas, não só aceitar a mensagem, mas também passar a partilhá-la com outros. Um casal que servia na Austrália conseguiu distribuir 20.000 livros a interessados em apenas dois anos e meio.

      Era a distribuição abundante de publicações a exceção em vez de a regra? Bem, o relatório de 1909 mostra que uns 625 colportores (o total da lista na época) receberam da Sociedade 626.981 livros para distribuir (mais de mil para cada colportor, em média), além de grande quantidade de publicações gratuitas. Muitas vezes eles não conseguiam levar suficientes livros de casa em casa, de modo que anotavam os pedidos e retornavam depois para fazer as entregas.

      No entanto, alguns objetavam: “Isso não é pregação!” Mas, de fato, como o irmão Russell explicou, era uma pregação muito eficaz. Em vez de ouvirem apenas um único sermão, as pessoas recebiam muitos sermões impressos, de modo que podiam apreciá-los vez após vez e examinar o conteúdo em sua própria Bíblia. Esse evangelismo levava em conta que a instrução geral habilitara as pessoas a ler. O livro The New Creation (A Nova Criação) salientou: “Trabalharem esses evangelistas segundo métodos adaptados aos nossos dias, em vez de segundo os do passado, não é argumento contra essa obra, como tampouco é viajarem de transporte a vapor e a eletricidade, em vez de a pé ou de camelo. A evangelização é pela apresentação da Verdade . . ., a Palavra de Deus.”

      O genuíno interesse dos Estudantes da Bíblia em ajudar as pessoas ficou manifesto na meticulosidade que, com o tempo, se tornou característica de sua obra de pregação. The Watch Tower de 1.º de março de 1917 esboçou assim o programa: Primeiro, os colportores visitavam as casas numa região, oferecendo volumes de Studies in the Scriptures (Estudos das Escrituras). Daí, trabalhadores pastoraisa revisitavam aqueles cujos nomes foram anotados pelos colportores ou entregues em reuniões públicas. Procuravam estimular o desejo de ler as publicações, incentivavam os interessados a assistir a discursos especialmente programados e faziam esforços para providenciar turmas de estudo da Bíblia Bereana. Quando possível, os colportores cobriam a mesma região novamente, e então os trabalhadores pastorais faziam as revisitas para manter-se em contato com os interessados. Depois, outra turma de trabalhadores visitava as mesmas casas com matéria voluntária, como chamavam os tratados e outras publicações gratuitas que ofereciam. Isso possibilitava que todos recebessem pelo menos alguma coisa que estimulasse o desejo de aprender mais sobre o propósito de Deus.

      Quando apenas um ou dois colportores serviam numa região, e não havia congregação, os próprios colportores faziam as revisitas. Assim, em 1908, quando Hermann Herkendell e seu colega foram para Bielefeld, na Alemanha, como colportores, eles foram instruídos especificamente a familiarizar os interessados na região uns com os outros e a formar uma congregação. Alguns anos depois, The Watch Tower mencionou outros colportores que davam atenção especial aos interessados a ponto de estabelecer uma classe de Estudantes da Bíblia em todos os povoados e cidades em que serviam.

      Em 1921, forneceu-se uma valiosa ajuda para esse trabalho na forma do livro A Harpa de Deus. Especialmente elaborado para beneficiar os iniciantes, o livro chegou a ter a circulação de 5.819.037 exemplares em 22 línguas, inclusive em português. Para ajudar os que adquiriram o livro, a Sociedade providenciou um curso bíblico por correspondência, organizado segundo tópicos. Consistia de 12 questionários, enviados num período de 12 semanas. Usando-se esse livro, tomaram-se também providências para palestras bíblicas em grupo na casa dos interessados. Vários Estudantes da Bíblia geralmente assistiam a esses estudos.

      No entanto, as Testemunhas estavam bem apercebidas de que o campo era enorme e elas eram poucas. — Luc. 10:2.

      Alcançando a muitos com poucos

      A Watch Tower salientou que aqueles que realmente eram cristãos ungidos pelo espírito tinham a responsabilidade conferida por Deus de localizar e ajudar a todos os que fossem cristãos fervorosos, quer fossem freqüentadores de igreja, quer não. (Isa. 61:1, 2) Como se faria isso?

      Os dois Estudantes da Bíblia (J. C. Sunderlin e J. J. Bender) que foram enviados para a Inglaterra em 1881 poderiam realizar relativamente pouco sozinhos; mas, com a ajuda de centenas de rapazes cujo serviço foi remunerado, eles conseguiram distribuir em pouco tempo 300.000 exemplares de Food for Thinking Christians (Matéria Para Cristãos Refletivos). Adolf Weber, que retornou à Suíça com as boas novas em meados da década de 1890, tinha um vasto território em que pregar, que se estendia a vários países. Como poderia cobrir tudo? Ele pessoalmente viajou longas distâncias como colportor, mas também pôs anúncios em jornais e providenciou que livreiros incluíssem publicações da Torre de Vigia em seus estoques. Em 1907, o pequeno grupo de Estudantes da Bíblia na Alemanha providenciou que 4.850.000 tratados de quatro páginas fossem enviados pelo correio com jornais. Pouco depois da Primeira Guerra Mundial, um irmão da Letônia, que era membro da equipe da sede da Sociedade em Nova Iorque, pagou a publicação de anúncios em jornais de seu país natal. Um homem que respondeu a um desses anúncios tornou-se o primeiro Estudante da Bíblia na Letônia. O uso desses meios de publicidade, porém, não tomou o lugar do testemunho pessoal e da procura de casa em casa dos merecedores. Antes, ocorreu para ampliar a proclamação.

      No entanto, publicavam-se mais do que anúncios nos jornais. Nos anos antes da Primeira Guerra Mundial, sob a supervisão do irmão Russell, seus sermões eram publicados regularmente. Num curto período, isso tomou um ímpeto surpreendente. Mais de 2.000 jornais, com 15.000.000 de leitores ao todo, publicavam esses sermões simultaneamente nos Estados Unidos, Canadá, Grã-Bretanha, Austrália e África do Sul. Poder-se-ia fazer mais? O irmão Russell achava que sim.

      Depois de dois anos de preparação, a primeira exibição do “Photo-Drama of Creation” (Fotodrama da Criação) foi realizada em janeiro de 1914. O “Photo-Drama” era apresentado em quatro etapas. O programa de oito horas incluía filmes e slides, sincronizados com a gravação das vozes. Foi uma produção realmente extraordinária, elaborada para edificar apreço pela Bíblia e pelo propósito de Deus apresentado nela. As exibições eram organizadas de modo que 80 cidades fossem servidas todo dia. Fazia-se publicidade antecipada por meio de jornais, cartazes em vitrines e janelas e distribuição de grandes quantidades de impressos gratuitos, preparados para estimular o interesse no “Photo-Drama”. Onde quer que fosse exibido, multidões iam vê-lo. Em um ano, o “Photo-Drama” atingiu audiências que totalizavam mais de 8.000.000 de pessoas nos Estados Unidos e no Canadá, e a Grã-Bretanha, o continente Europeu, a Austrália e a Nova Zelândia também relatavam casa lotada. Apresentava-se uma versão do “Photo-Drama” um tanto abreviada (sem os filmes) em cidadezinhas e zonas rurais. Em várias línguas, o Drama continuou em uso por pelo menos duas décadas. Suscitou-se muito interesse, os interessados deram o nome e fizeram-se revisitas.

      Daí, na década de 20, tornou-se disponível outro instrumento para dar ampla publicidade à mensagem do Reino. O irmão Rutherford tinha forte convicção de que a mão do Senhor era evidente nesse assunto. O que era? O rádio. Menos de dois anos depois de a primeira rádio comercial do mundo começar as transmissões regulares (em 1920), J. F. Rutherford, presidente da Sociedade Torre de Vigia (EUA), foi ao ar para divulgar a verdade da Bíblia. Estava aí um instrumento capaz de alcançar milhões de pessoas simultaneamente. Dentro de mais dois anos, em 1924, a Sociedade já operava a sua própria emissora, a WBBR, em Nova Iorque. Em 1933, o ano do apogeu, usavam-se 408 emissoras para levar a mensagem a seis continentes. Além de transmissões ao vivo, gravavam-se previamente programas sobre inúmeros assuntos. Fazia-se intensa publicidade pela distribuição de anúncios impressos para que as pessoas ficassem a par das transmissões e tirassem proveito. As transmissões eliminaram muito preconceito e abriram os olhos de pessoas sinceras. Muitos, por medo dos vizinhos e do clero, refreavam-se de assistir às reuniões dos Estudantes da Bíblia, mas isso não os impedia de ouvir o rádio na privacidade de sua casa. As transmissões não substituíram a necessidade de dar testemunho de casa em casa, mas levaram a verdade da Bíblia a lugares de difícil acesso, e davam ótima base para iniciar palestras quando as Testemunhas visitavam pessoalmente as casas.

      Responsabilidade individual de dar testemunho

      A responsabilidade de ter participação pessoal em dar testemunho fora salientada na Watch Tower durante décadas. Mas, de 1919 em diante, era tópico de constante consideração em publicações e em programas de congressos. No entanto, para muitos, não era fácil dirigir-se a estranhos em suas portas, e no começo apenas um número limitado de Estudantes da Bíblia participava regularmente no testemunho de casa em casa.

      Deu-se um caloroso incentivo bíblico. “Benditos os Destemidos” foi o assunto das edições da Watch Tower de 1.º e de 15 de agosto de 1919. Alertava contra o medo do homem, chamava atenção para os 300 guerreiros corajosos de Gideão que estavam alertas e dispostos a servir como quer que o Senhor orientasse e apesar de desvantagens aparentemente esmagadoras, e elogiava a destemida confiança de Eliseu em Jeová. (Juí. 7:1-25; 2 Reis 6:11-19; Pro. 29:25) Em 1921, o artigo “Tende Boa Coragem” destacou não apenas o dever, mas o privilégio que é servir ao lado do Senhor contra as forças satânicas da escuridão, participando em realizar a obra predita em Mateus 24:14. Aqueles cujas circunstâncias lhes impunham limitações foram incentivados a não se desanimar e, ao mesmo tempo, a não se refrear de fazer o que pudessem.

      Por meio de francas considerações bíblicas, The Watch Tower conscientizou a todos que professavam ser servos ungidos de Deus da responsabilidade de ser proclamadores do Reino de Deus. A edição de 15 de agosto de 1922 publicou um artigo conciso e direto intitulado “O Serviço É Essencial” — isso é, serviço em imitação de Cristo, serviço que levaria a pessoa à casa dos outros para falar-lhes sobre o Reino de Deus. Mais tarde, naquele mesmo ano, mostrou-se que, para ter valor à vista de Deus, esse serviço tem de ser motivado pelo amor. (1 João 5:3) Um artigo na edição de 15 de junho de 1926 dizia que Deus de modo algum se impressiona com adoração formalística; o que ele quer é obediência, e isso inclui apreço por quaisquer métodos que ele use para realizar seu propósito. (1 Sam. 15:22) No ano seguinte, ao se considerar “A Missão dos Cristãos na Terra”, chamou-se atenção para o papel de Jesus como “testemunha fiel e verdadeira” e para o fato de que o apóstolo Paulo pregava “publicamente e de casa em casa”. — Rev. 3:14; Atos 20:20.

      Forneciam-se apresentações pormenorizadas para os publicadores decorarem no Bulletin, sua folha mensal de instruções de serviço. Dava-se incentivo para a participação semanal, regular, no serviço de campo. Mas o número dos que realmente davam testemunho fazendo visitas de casa em casa era pequeno a princípio, e alguns que começaram não continuaram no trabalho. Nos Estados Unidos, por exemplo, a média semanal relatada dos que participavam no serviço de campo em 1922 foi de 2.712. Mas, em 1924, isso caíra para 2.034. Em 1926, a média subiu para 2.261, com o auge de 5.937 que participaram durante uma semana de atividade especial.

      Daí, em fins de 1926, a Sociedade passou a incentivar as congregações a dedicar uma parte dos domingos ao testemunho em grupo e a oferecer, nesse período, livros para estudo da Bíblia, além de tratados. Em 1927, The Watch Tower incentivou os leais nas congregações a remover do cargo de ancião a quaisquer cuja conversa ou ações mostrassem que não aceitavam a responsabilidade de dar testemunho publicamente e de casa em casa. Por conseguinte, os ramos que não produziam frutos foram arrancados, por assim dizer, e os que permaneceram foram podados para que dessem mais frutos para o louvor de Deus. (Compare com a ilustração de Jesus em João 15:1-10.) Será que isso realmente resultou num aumento do louvor público para Jeová? Em 1928 houve um aumento de 53 por cento na média semanal dos que participavam em dar testemunho nos Estados Unidos!

      As Testemunhas não mais apenas distribuíam tratados gratuitamente e iam embora. Cada vez mais delas falavam brevemente com os moradores, procurando suscitar interesse na mensagem da Bíblia, e então lhes ofereciam livros para ler.

      Aquelas primeiras Testemunhas certamente eram corajosas, embora nem todas tivessem tato. No entanto, destacavam-se como diferentes de outros grupos religiosos. Não apenas diziam que todos deviam dar testemunho de sua fé. Em números cada vez maiores, elas realmente faziam isso.

      Cartões de testemunho e fonógrafos

      Em fins de 1933 teve início um método diferente de pregação. Como introdução, as Testemunhas davam às pessoas um cartão de testemunho em que havia uma breve mensagem para o morador. Isso era de grande ajuda especialmente para novos publicadores, que não recebiam muito treinamento naquela época. Em geral, elas dirigiam apenas uns breves comentários ao morador depois de o cartão ter sido lido; algumas falavam um pouco mais, usando a Bíblia. O uso dos cartões de testemunho continuou até bem adentro da década de 40. Permitia rápida cobertura do território e que as Testemunhas alcançassem mais pessoas, distribuíssem muitas publicações bíblicas valiosas, dessem um testemunho uniforme e até apresentassem a mensagem a pessoas de outras línguas. Também resultava em embaraços, quando os moradores ficavam com o cartão e fechavam a porta, o que tornava necessário que as Testemunhas batessem novamente na porta para recuperá-lo!

      Discursos bíblicos gravados também tiveram um papel de destaque na década de 30 e no começo da década de 40. Em 1934, algumas Testemunhas passaram a levar um fonógrafo portátil ao dar testemunho. A máquina era bem pesada, de modo que talvez a deixassem no carro ou num outro local conveniente até encontrarem pessoas dispostas a escutar um discurso bíblico gravado. Daí, em 1937, iniciou-se o uso do fonógrafo portátil na própria porta das casas. O procedimento era simples: depois de dizer que tinha uma importante mensagem da Bíblia, a Testemunha punha a agulha no disco e deixava que ele falasse. Kasper Keim, um pioneiro alemão que servia nos Países Baixos, era muito grato ao seu “Arão”, como ele chamava o fonógrafo, porque achava difícil dar testemunho em holandês. (Compare com Êxodo 4:14-16.) Por curiosidade, famílias inteiras às vezes ouviam as gravações.

      Em 1940, usavam-se mais de 40.000 fonógrafos. Naquele ano, passou-se a usar um novo modelo vertical idealizado e fabricado pelas Testemunhas, e ele foi posto em uso especialmente nas Américas. Despertava ainda maior curiosidade, porque os moradores não viam o disco enquanto era tocado. Os discos eram de 78rpm e de quatro minutos e meio de duração. Os títulos eram curtos e diretos: “Reino”, “Oração”, “O Caminho da Vida”, “Trindade”, “Purgatório”, “Por Que o Clero Opõe-se à Verdade”. Mais de 90 discursos foram gravados; mais de um milhão de discos foram usados. As apresentações eram claras e fáceis de acompanhar. Muitos moradores ouviam com apreço; alguns reagiam com violência. Mas dava-se um testemunho eficaz e coerente.

      Intrépida proclamação das boas novas em logradouros públicos

      Embora os cartões de testemunho e os discos dos fonógrafos fizessem a maior parte da “conversação”, era preciso muita coragem para ser Testemunha naqueles anos. A própria natureza do trabalho punha as Testemunhas em contato com o público.

      Depois do congresso de 1931 em Columbus, Ohio, as Testemunhas de Jeová distribuíram o folheto The Kingdom, the Hope of the World (O Reino, a Esperança do Mundo; em português foi traduzido “O Reino de Deus É a Felicidade do Povo”) que incluía a resolução “Aviso de Jeová” dirigida “Aos Guias do Povo e ao Povo”. Reconheceram que, como Testemunhas de Jeová, tinham a séria responsabilidade de divulgar o aviso apresentado em Sua Palavra. (Eze. 3:17-21) Não se limitaram a remeter os folhetos pelo correio ou colocá-los debaixo das portas. Distribuíram-nos pessoalmente. Visitaram todos os clérigos e, na medida do possível, políticos, militares e executivos de grandes empresas. Além disso, visitaram o público em geral nas cerca de cem terras em que as Testemunhas de Jeová na época davam testemunho organizado.

      Em 1933, elas usavam potentes fonógrafos para tocar gravações de discursos bíblicos francos em logradouros públicos. Os irmãos Smets e Poelmans montavam seu equipamento num triciclo e ficavam perto enquanto este retumbava a mensagem nas feiras e próximo das igrejas em Liège, na Bélgica. Muitas vezes ficavam ali dez horas por dia. As pessoas na Jamaica logo se ajuntavam ao ouvirem música; por isso, os irmãos ali tocavam música primeiro. Quando multidões saíam do mato para as estradas principais para ver o que estava acontecendo, encontravam as Testemunhas de Jeová transmitindo a mensagem do Reino.

      Alguns fonógrafos eram instalados em carros e em barcos, com alto-falantes na capota para o som propagar-se a maior distância. Bert e Vi Horton, da Austrália, usavam um furgão com uma grande corneta instalada na capota, na qual havia os dizeres “Mensagem do Reino”. Em certo ano, eles fizeram quase todas as ruas de Melbourne retumbar com emocionantes desmascaramentos da religião falsa e acalentadoras descrições das bênçãos do Reino de Deus. Naqueles anos, Claude Goodman servia como pioneiro na Índia. O uso do carro de som, com gravações nas línguas locais, permitiu-lhe alcançar multidões em bazares, parques, estradas — onde quer que houvesse gente.

      Quando os irmãos no Líbano estacionavam seu carro de som numa colina e transmitiam discursos, o som descia os vales. Sem enxergar a fonte da voz, o povo das aldeias às vezes ficava assustado, achando que Deus lhes falava dos céus!

      Mas os irmãos tiveram alguns momentos tensos. Em certa ocasião, na Síria, o sacerdote duma aldeia deixou o almoço na mesa, pegou sua grande bengala e foi até a multidão reunida para ouvir um discurso bíblico transmitido dum carro de som. Agitando sua bengala com raiva e aos gritos, ele mandou: “Parem! Ordeno que parem!” Mas os irmãos perceberam que nem todos concordavam com ele; havia quem desejava ouvir. Logo alguns da multidão levaram o sacerdote de volta para casa e o colocaram à mesa do almoço! Apesar da oposição do clero, as Testemunhas corajosamente cuidaram de que as pessoas tivessem a oportunidade de ouvir.

      Durante esse período, houve também ampla utilização de cartazes de publicidade usados pelas Testemunhas em áreas comerciais enquanto distribuíam convites para discursos especiais. Isso começou em 1936, em Glasgow, Escócia. Naquele ano, utilizou-se o mesmo método de publicidade em Londres, Inglaterra, e depois nos Estados Unidos. Dois anos depois, a publicidade foi ampliada com o uso de cartazes presos a varas. Os cartazes proclamavam: “A Religião É Laço e Extorsão”b e “Sirva a Deus e a Cristo, o Rei”. Na época de congressos, a coluna de participantes em marcha, levando esses cartazes, podia ser quilométrica. À medida que marchavam silenciosamente, em fila, em ruas bem movimentadas, o efeito era como o do exército do antigo Israel dando voltas em torno de Jericó antes de as muralhas caírem. (Jos. 6:10, 15-21) De Londres, na Inglaterra, a Manila, nas Filipinas, dava-se esse intrépido testemunho público.

      Em 1940 adotou-se ainda outro método de dar testemunho público. Em harmonia com o texto que menciona a ‘verdadeira sabedoria que grita nas ruas’, em fevereiro daquele ano as Testemunhas de Jeová iniciaram a distribuição nas ruas de The Watchtower e Consolation (Consolação, agora conhecida como Despertai!).c (Pro. 1:20) Elas bradavam frases que chamavam atenção para as revistas e para a mensagem impressa. Em cidades grandes e pequenas em todas as partes do mundo, tornou-se comum ver as Testemunhas de Jeová oferecendo suas revistas. Mas é preciso coragem para fazer esse trabalho, e essa coragem foi especialmente necessária quando esse trabalho teve início, pois era uma época de muita perseguição aliada à febre do nacionalismo do tempo de guerra.

      Ao serem convocadas para participar nesse testemunho público, as Testemunhas correspondiam com fé. O número dos que tinham uma participação pessoal na obra continuava a aumentar. Eles achavam um privilégio demonstrar sua integridade a Jeová dessa maneira. Mas eles tinham mais coisas a aprender.

      Cada um capaz de explicar sua fé

      Teve início em 1942 um extraordinário programa de instrução. Começou na sede mundial das Testemunhas de Jeová, e, no ano seguinte, passou a ser estabelecido em congregações das Testemunhas em toda a Terra. Com a certeza de que o espírito de Deus estava com elas e de que ele colocara sua palavra em suas bocas, elas estavam decididas a pregar essa palavra mesmo se os perseguidores as privassem das publicações da Torre de Vigia ou da própria Bíblia. (Isa. 59:21) Já havia países, como a Nigéria, em que as Testemunhas só tinham a Bíblia para usar na pregação, visto que o governo proscrevera todas as publicações da Torre de Vigia e chegara até a confiscar muitas publicações que os irmãos possuíam em suas bibliotecas particulares.

      Foi em 16 de fevereiro de 1942 que o irmão Knorr instituiu um curso adiantado no ministério teocrático no Lar de Betel em Brooklyn, Nova Iorque. O curso instruía em assuntos como pesquisa, expressão clara e correta, preparação de esboços de discursos, proferimento eficaz de discursos, apresentação persuasiva de idéias e tato. Irmãos e irmãs eram bem-vindos na assistência, mas apenas os varões eram convidados a matricular-se e proferir discursos de estudante, após o que eram aconselhados. Os benefícios logo se tornaram evidentes, não apenas em discursos no palco, mas também em maior eficácia na pregação de casa em casa.

      No ano seguinte, esse ensino passou a estender-se às congregações das Testemunhas de Jeová em todo o mundo. Primeiro em inglês, depois em outras línguas. O objetivo estabelecido da escola era ajudar todas as Testemunhas de Jeová a ser capazes de ensinar ao visitarem as pessoas de casa em casa, ao fazerem revisitas e ao dirigirem estudos bíblicos. Todas as Testemunhas seriam ajudadas a tornar-se ministros habilitados. (2 Tim. 2:2) Em 1959, as irmãs também receberam a oportunidade de matricular-se na escola e de apresentar palestras encenando situações do serviço de campo — não se dirigindo a toda a assistência, mas à irmã designada a fazer o papel de moradora. E não foi tudo.

      Desde 1926, representantes viajantes da Sociedade trabalhavam com outras Testemunhas no serviço de campo para ajudá-las a aprimorar suas habilidades. No entanto, num congresso internacional em Nova Iorque, em 1953, com superintendentes de circuito e de distrito sentados em frente ao palco, o irmão Knorr disse que o trabalho principal de todos os servos, ou superintendentes, devia ser ajudar todas as Testemunhas a ser ministros experientes no serviço de casa em casa. “Todos”, disse ele, “devem ser capazes de pregar as boas novas de casa em casa”. Lançou-se uma campanha global para se conseguir isso.

      Por que essa ênfase ao assunto? Considere, por exemplo, os Estados Unidos: na época, 28 por cento das Testemunhas limitavam sua atividade a distribuir convites ou a ficar em pé nas ruas com as revistas. E mais de 40 por cento das Testemunhas participavam no serviço de campo apenas de vez em quando, permitindo que se passassem meses sem dar testemunho. Havia necessidade de ajuda amorosa na forma de treinamento pessoal. Fizeram-se planos para tornar possível que todas as Testemunhas de Jeová que ainda não trabalhavam de casa em casa recebessem ajuda para abordar as pessoas às portas, conversando sobre a Bíblia e respondendo a suas perguntas. Aprenderiam a preparar sermões bíblicos a fim de apresentá-los em talvez três minutos para quem estivesse ocupado, ou em uns oito minutos para outras pessoas. O objetivo era ajudar todas as Testemunhas a tornar-se evangelizadores cristãos maduros.

      Não coube só aos superintendentes viajantes dar essa instrução. Coube também aos servos, ou superintendentes, locais; e, nos anos seguintes, outras Testemunhas bem qualificadas foram designadas a treinar certas pessoas. Durante anos, a Reunião de Serviço semanal da congregação apresentou demonstrações de como realizar o trabalho. Mas isso passou então a ser conjugado com reforçada ênfase ao treinamento pessoal no campo.

      Os resultados foram notáveis. O número de Testemunhas que pregavam de casa em casa aumentou, e também o dos que participavam regularmente no ministério de campo. Em uma década, o total de Testemunhas em todo o mundo aumentou em 100 por cento. Elas também faziam 126 por cento a mais de revisitas para responder a perguntas bíblicas de pessoas interessadas, e dirigiam 150 por cento a mais de estudos bíblicos domiciliares regulares para os que mostravam fome da verdade da Bíblia. Elas realmente se mostravam ministros habilitados.

      Em vista dos variados níveis de instrução e das diferentes culturas dessas Testemunhas, e do fato de estarem espalhadas por toda a Terra em pequenos grupos, é óbvio o motivo de as Testemunhas atribuírem o mérito a Jeová Deus, não a um homem, pela maneira como têm sido equipadas e treinadas para proclamar as boas novas. — João 14:15-17.

      Pregação de casa em casa — sinal identificador

      Em várias épocas, outros grupos religiosos têm incentivado seus membros a visitar as pessoas da comunidade para falar sobre religião. Alguns tentam. Há até quem chegue a fazer isso como missionário por uns dois anos, mas isso é tudo. No entanto, é só entre as Testemunhas de Jeová que efetivamente todos, jovens e idosos, homens e mulheres, participam ano após ano no ministério de casa em casa. Apenas as Testemunhas de Jeová realmente procuram alcançar toda a Terra habitada com a mensagem do Reino, em obediência à ordem profética em Mateus 24:14.

      Não é que todas as Testemunhas de Jeová achem fácil essa obra.d Pelo contrário, muitas delas, quando ainda estudavam a Bíblia, diziam: ‘Há uma coisa que nunca farei: ir de casa em casa!’ Mas é uma atividade em que quase todas as Testemunhas de Jeová participam se têm condições físicas de fazer isso. E muitas que não são fisicamente aptas fazem isso mesmo assim — em cadeiras de rodas, com bengalas, e assim por diante. Outras, completamente impossibilitadas de sair de casa, ou temporariamente confinadas, ou ainda com o objetivo de alcançar pessoas que de outra forma são inacessíveis, dão testemunho pelo telefone ou por carta. Por que esse esforço resoluto?

      Ao conhecerem a Jeová, seu amor por ele muda toda a sua perspectiva da vida. Querem falar sobre ele. As coisas maravilhosas que ele reserva para os que o amam são boas demais para serem guardadas para si mesmas. E sentem-se responsáveis perante Deus de avisar as pessoas sobre a grande tribulação à frente. (Mat. 24:21; compare com Ezequiel 3:17-19.) Mas por que fazer isso de casa em casa?

      Elas sabem que Jesus ensinou seus discípulos a ir às casas para pregar e ensinar. (Mat. 10:11-14) Sabem que, depois do derramamento do espírito santo em Pentecostes de 33 EC, os apóstolos continuaram sem cessar a declarar as boas novas “no templo [em Jerusalém] e de casa em casa”. (Atos 5:42) Toda Testemunha conhece Atos 20:20, que diz que o apóstolo Paulo ensinava “publicamente e de casa em casa”. E vêem evidência abundante da bênção de Jeová sobre essa obra nos tempos modernos. Assim, ao passo que ganham experiência no ministério de casa em casa, a atividade que outrora temiam muitas vezes torna-se algo que aguardam ansiosamente.

      E a realizam cabalmente. Mantêm registros criteriosos para que possam voltar para conversar com quem não estava em casa. Não só isso, mas visitam repetidas vezes todas as casas.

      Devido à eficácia do ministério de casa em casa, os opositores em muitos países tentam interrompê-lo. Para granjearem o respeito oficial por seu direito de pregar de casa em casa, as Testemunhas de Jeová têm apelado às autoridades. Quando necessário, vão ao tribunal para estabelecer legalmente o direito de divulgar as boas novas dessa maneira. (Fil. 1:7) E onde governos opressivos persistem em proibir essa atividade, as Testemunhas de Jeová às vezes simplesmente a realizam com mais discrição ou, se necessário, usam outros meios para alcançar as pessoas com a mensagem do Reino.

      Embora se tenha usado transmissões pelo rádio e pela televisão para divulgar a mensagem do Reino, as Testemunhas de Jeová reconhecem que o contato pessoal que as visitas de casa em casa possibilitam é muito mais eficaz. Dá melhor oportunidade de responder às perguntas dos moradores individualmente e de procurar os merecedores. (Mat. 10:11) Esse é um dos motivos de, em 1957, a Sociedade Torre de Vigia ter vendido a emissora de rádio WBBR de Nova Iorque.

      No entanto, depois de darem um testemunho pessoal, as Testemunhas de Jeová não dão por encerrado o seu trabalho. Isso é só o começo.

      ‘Fazei discípulos . . . ensinando-os’

      Jesus ordenou que seus seguidores fizessem mais do que pregar. Imitando-o, eles também devem ensinar. (Mat. 11:1) Antes de ascender ao céu, Jesus os instruiu: “Ide, portanto, e fazei discípulos de pessoas de todas as nações, . . . ensinando-as a observar todas as coisas que vos ordenei.” (Mat. 28:19, 20) Ensinar (grego: di·dá·sko) difere de pregar no sentido de que o instrutor faz mais do que proclamar; ele instrui, explica, dá provas.

      A Watch Tower, já em abril de 1881, dava breves sugestões sobre como ensinar. Alguns dos primeiros colportores faziam questão de revisitar os que mostravam interesse, para incentivá-los a ler os livros da Sociedade e a se reunir com outros para estudo regular da Palavra de Deus. O livro A Harpa de Deus (publicado em 1921) muitas vezes era usado para esse objetivo. Mais tarde, porém, fez-se ainda mais no que dizia respeito a dar atenção pessoal aos interessados. Discursos bíblicos gravados junto com guias impressos de estudo foram usados de modo destacado nessa atividade. Como isso se deu?

      Desde o início de 1933, a Sociedade suplementara as transmissões de rádio com gravações tocadas em fonógrafos em salões de reunião, em parques, em entradas de fábrica, e assim por diante. Em pouco tempo, as Testemunhas que encontravam interessados ao fazerem visitas de casa em casa providenciavam voltar para tocar algumas dessas gravações para essas pessoas em casa. Quando o livro Riquezas tornou-se disponível em 1936, faziam-se palestras à base dele, depois da exibição da gravação, com o objetivo de estabelecer grupos de estudo que pudessem ser freqüentados pelos interessados da região. Deu-se ênfase a esse trabalho especialmente visando ajudar prospectivos membros da “grande multidão” a aprender a verdade. — Rev. 7:9, Almeida, atualizada.

      Por volta daquela época, a hierarquia católica intensificou sua pressão sobre os proprietários e gerentes de emissoras de rádio, bem como sobre repartições do governo, no esforço resoluto de deter a transmissão de programas da Torre de Vigia. Um abaixo-assinado de 2.630.000 pessoas nos Estados Unidos solicitava um debate público entre J. F. Rutherford e uma elevada autoridade da Igreja Católica Romana. Nenhum dos clérigos católicos dispôs-se a aceitar o desafio. Assim, em 1937, o irmão Rutherford produziu as gravações “Expostos” e “Religião e Cristianismo”, que apresentavam ensinos bíblicos básicos, especialmente refutando doutrinas católicas antibíblicas. A mesma matéria foi publicada nos folhetos Proteção e Descobertas, e um exemplar de Descobertas foi entregue a todos os que assinaram o abaixo-assinado para que as pessoas pudessem ler as verdades da Bíblia que a hierarquia católica procurava suprimir.

      Para ajudar as pessoas a ver claramente as questões e a examinar sua base bíblica, imprimiu-se o folheto Model Study No. 1 (Estudo Modelo N.º 1) para uso em reuniões providenciadas para os interessados. O folheto continha perguntas, respostas e textos em apoio às respostas dadas. Primeiro, o dirigente tocava um ou mais discos dos discursos já mencionados para que todos pudessem ouvir o argumento na íntegra. Depois vinha a palestra, usando-se a matéria fornecida no folheto Model Study e examinando-se os próprios textos. Depois do Model Study No. 1, publicaram-se os de n.º 2 e 3, conjugados com outros discursos gravados. No começo, esses estudos eram organizados em locais onde se podia reunir grupos de interessados, mas logo passaram a ser realizados com indivíduos e com famílias.

      Desde aquela época, muitos livros excelentes já foram publicados especialmente para o uso das Testemunhas de Jeová em estudos bíblicos domiciliares. Os que tiveram a maior circulação foram “Seja Deus Verdadeiro”, A Verdade Que Conduz à Vida Eterna e Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra. Houve também folhetos de 32 páginas — “Estas Boas Novas do Reino”, O Caminho de Deus é Amor, “Eis Que Faço Novas Todas as Coisas” e muitos outros. Depois desses publicaram-se brochuras como Viva Para Sempre em Felicidade na Terra!, com uma apresentação muito simples e de fácil compreensão dos ensinos básicos da Bíblia.

      O uso desses instrumentos, junto com intensivo treinamento congregacional e pessoal, tem resultado num extraordinário aumento no número de estudos bíblicos domiciliares. Em 1950, a média de estudos bíblicos domiciliares, muitas vezes dirigidos semanalmente, era de 234.952. Os estudos que não faziam suficiente progresso eram descontinuados. Muitos estudantes progrediam até o ponto de, por sua vez, se tornarem instrutores. Apesar da constante rotatividade, o número continua a aumentar, muitas vezes com bastante rapidez. Em 1992, as Testemunhas dirigiam 4.278.127 estudos bíblicos domiciliares em todo o mundo.

      Para realizarem a enorme obra de pregar e ensinar, nas línguas de toda a Terra, as Testemunhas de Jeová têm feito amplo uso da página impressa. Isso requer operações gráficas em proporções gigantescas.

      [Nota(s) de rodapé]

      a A obra pastoral foi organizada de 1915-16 nas cerca de 500 congregações que haviam eleito o irmão Russell para ser seu pastor. Como pastor, ele lhes escrevera uma carta esboçando o trabalho, que a princípio limitava-se às irmãs. No ano seguinte, os irmãos também foram incluídos nessa atividade. A obra pastoral, realizada por um grupo selecionado, continuou até 1921.

      b Esses dizeres baseavam-se no entendimento de que o termo religião abrangia toda adoração edificada sobre tradições de homens, em vez de sobre a Palavra de Deus, a Bíblia. Mas, em 1950, quando se publicou a New World Translation of the Christian Greek Scriptures (Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs), as notas referentes a Atos 26:5, Colossenses 2:18 e Tiago 1:26, 27 indicavam que o termo religião podia ser corretamente usado para referir-se à adoração verdadeira ou à adoração falsa. Isso foi adicionalmente esclarecido em The Watchtower de 15 de março de 1951, página 191, e no livro O Que Tem Feito a Religião Pela Humanidade?, páginas 8-10.

      c Fizera-se uma experiência no testemunho de rua com as revistas no ano anterior, na Califórnia, EUA. Mesmo já em 1926, os Estudantes da Bíblia participavam na distribuição geral nas ruas de folhetos com importantes mensagens. Bem antes disso, em 1881, eles distribuíam publicações perto de igrejas aos domingos.

      d A Sentinela, 15 de novembro de 1981, pp. 12-16.

      [Destaque na página 556]

      Onde quer que encontrasse pessoas, Jesus falava sobre o propósito de Deus para com a humanidade.

      [Foto na página 557]

      Dezenas de milhões desses tratados foram distribuídos, gratuitamente, perto de igrejas, de casa em casa e pelo correio.

      [Fotos na página 558]

      Evangelistas colportores distribuíam livros que explicavam a Bíblia.

      [Foto na página 559]

      Anna Andersen alcançou quase todas as cidades da Noruega com publicações bíblicas.

      [Foto na página 560]

      Anúncios em jornais ajudavam a alcançar as pessoas que não eram contatadas de outras maneiras.

      [Foto na página 561]

      Mais de 2.000 jornais em quatro continentes publicavam simultaneamente sermões do irmão Russell.

      [Fotos na página 562]

      O “Photo-Drama of Creation” deu um poderoso testemunho a milhões de pessoas em muitos países.

      [Foto na página 563]

      Por meio do rádio, J. F. Rutherford pôde dar testemunho a milhões de pessoas em todo o mundo em suas próprias casas.

      [Foto na página 564]

      Prontos para sair, de bicicleta, ao serviço de testemunho em grupo na Inglaterra.

      [Foto na página 565]

      A partir de 1933, usaram-se cartões impressos de testemunho.

      [Foto na página 566]

      Discursos bíblicos gravados deram um poderoso testemunho nas décadas de 30 e de 40.

      [Foto na página 567]

      Carros de som, às vezes muitos deles (como aqui, na Austrália), eram usados para transmitir a verdade da Bíblia em logradouros públicos.

      [Foto na página 568]

      Cartazes iluminados nas janelas das casas de Testemunhas de Jeová davam testemunho 24 horas por dia.

      [Foto na página 568]

      Cartazes de publicidade contribuíam para dar um intrépido testemunho público (como aqui, na Escócia).

      [Foto na página 569]

      A distribuição de “The Watchtower” e “Consolation” nas ruas (como aqui, nos EUA) começou em 1940.

      [Foto na página 569]

      A partir de 1943, os irmãos nas congregações receberam treinamento em oratória.

      [Fotos na página 571]

      Estudos bíblicos domiciliares são dirigidos para pessoas interessadas. Abaixo há publicações preparadas especialmente para isso — publicadas primeiro em inglês e depois em muitas outras línguas.

      [Fotos na páginas 572, 573]

      Jovens e idosos, homens e mulheres, as Testemunhas ao redor do globo participam em dar testemunho de casa em casa.

      Romênia

      Bolívia

      Zimbábue

      Hong Kong

      Bélgica

      Uruguai

      Fiji

      [Foto/Quadro na página 574]

      Usando ‘toda maneira possível’

      “Nós, os da organização do Senhor, temos tentado de toda maneira possível trazer à atenção [do mundo] a mensagem de vida. Temos usado lemas, anúncios de página inteira, o rádio, carros-sonantes, fonógrafos portáteis, congressos gigantescos, marchas com cartazes, e um crescente número de ministros que vão de casa em casa. Esta atividade tem servido para separar as pessoas — as a favor do Reino estabelecido de Deus para um lado, e as contra ele para o outro lado. Esta é a obra predita por Jesus para a minha geração.” — Escrito em 1987 por Melvin Sargent, aos 91 anos.

      [Foto]

      Melvin Sargent

      [Gráfico na página 574]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      Aumento de estudos bíblicos domiciliares

      4.000.000

      3.000.000

      2.000.000

      1.000.000

      1950 1960 1970 1980 1992

      [Quadro na página 559]

      Bênção especial sobre o trabalho de casa em casa

      “Como no primeiro advento, o trabalho de casa em casa, em vez de a pregação no púlpito, parece estar recebendo a bênção especial do Senhor.” — “Watch Tower”, 15 de julho de 1892.

      [Quadro na página 570]

      Por que as Testemunhas visitam vez após vez

      Explicando por que as Testemunhas de Jeová fazem repetidas visitas, “A Sentinela” de 15 de novembro de 1962 disse: “As circunstâncias mudam constantemente. Hoje certo homem talvez não esteja em casa, na próxima vez pode estar. Pode ser que esteja muito ocupado, mas na próxima vez talvez não. Hoje um membro da família atende à porta, na próxima vez outro membro atende; e as Testemunhas estão interessadas, não só em visitar todas as casas nas suas designações, mas também, se possível, toda pessoa madura em todos os lares. Muitas vezes as famílias estão divididas em questões de religião, de modo que nem sempre é possível um membro falar pela família inteira. Além disso, as pessoas se mudam constantemente de casa, de modo que as Testemunhas nunca podem ter a certeza quanto a quem irão encontrar em certa porta.

      “Não só as circunstâncias mudam, mas as próprias pessoas mudam de parecer. . . . Por alguma coisa insignificante um homem pode estar mal-humorado e indisposto a falar sobre religião ou sobre qualquer outra coisa com quem quer que venha à sua porta, mas nem sempre se dá que em outra ocasião estará com a mesma atitude mental. Ou, só porque um homem não estava absolutamente interessado em falar sobre religião o mês passado, não quer dizer que não o esteja este mês. Visto que depois da última vez que uma Testemunha visitou esse homem talvez tenha tido uma experiência dolorosa ou de outra forma aprendeu algo que o fez humilhar-se ao invés de se tornar orgulhoso, tendo fome e estando apercebido de sua necessidade espiritual ao invés de auto-satisfeito.

      “Além do mais, a mensagem que as Testemunhas levam parece estranha aos ouvidos de muitas pessoas e não chegam a entender a sua urgência. Só por ouvi-la repetidas vezes é que aos poucos entendem o ponto.”

  • Produção de publicações bíblicas para uso no ministério
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 26

      Produção de publicações bíblicas para uso no ministério

      A PALAVRA escrita desempenha um papel vital na adoração verdadeira. Jeová deu os Dez Mandamentos a Israel, primeiro oralmente e depois por escrito. (Êxo. 20:1-17; 31:18; Gál. 3:19) Para garantir que sua Palavra fosse transmitida com exatidão, Deus mandou que Moisés e uma série de profetas e apóstolos depois dele escrevessem. — Êxo. 34:27; Jer. 30:2; Hab. 2:2; Rev. 1:11.

      A maior parte desses primeiros escritos foi registrada em rolos. No segundo século EC, porém, desenvolveu-se o códice, ou livro com folhas. Era mais econômico e mais fácil de usar. E os cristãos estavam na vanguarda da sua utilização, visto que reconheciam seu valor na divulgação das boas novas do Reino messiânico de Deus. O professor E. J. Goodspeed, em seu livro Christianity Goes to Press (O Cristianismo Utiliza a Imprensa), diz sobre os primitivos cristãos como editores de livros: “Eles não somente acompanhavam os seus tempos em tais assuntos, mas estavam à frente deles, e os editores dos séculos subseqüentes os seguiram.” — 1940, p. 78.

      Portanto, não surpreende que as Testemunhas de Jeová hoje, como proclamadores do Reino de Deus, estejam, em certos sentidos, na vanguarda da indústria gráfica.

      Publicações para os primeiros Estudantes da Bíblia

      Um dos primeiros artigos de C. T. Russell foi publicado, em 1876, na revista Bible Examiner, editada por George Storrs, de Brooklyn, Nova Iorque. Depois de passar a associar-se com N. H. Barbour, de Rochester, Nova Iorque, o irmão Russell forneceu fundos para a publicação do livro Three Worlds (Três Mundos) e do periódico conhecido como Herald of the Morning (Arauto da Aurora). Ele serviu como co-editor desse periódico e, em 1877, usou as instalações do Herald para publicar em inglês o folheto The Object and Manner of Our Lord’s Return (O Objetivo e a Maneira da Volta de Nosso Senhor). O irmão Russell tinha mente aguçada para assuntos espirituais e para negócios, mas Barbour era experiente em tipografia e composição.

      No entanto, quando Barbour repudiou o valor expiatório de pecados do sacrifício resgatador de Jesus Cristo, o irmão Russell cortou relações com ele. Assim, em 1879, ao assumir a publicação de Zion’s Watch Tower and Herald of Christ’s Presence (A Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo, agora A Sentinela), Russell teve de depender de impressores de fora.

      No ano seguinte, preparou-se para publicação o primeiro duma ampla série de tratados criados para despertar o interesse das pessoas em verdades bíblicas. Esse trabalho logo tomou proporções imensas. Para lidar com isso, formou-se em 16 de fevereiro de 1881 a Sociedade de Tratados da Torre de Vigia de Siãoa, com W. H. Conley como presidente e C. T. Russell como secretário e tesoureiro. Providenciou-se que a impressão fosse feita por firmas de fora em várias cidades de Pensilvânia, Nova Iorque e Ohio, bem como na Grã-Bretanha. Em 1884, a Sociedade de Tratados da Torre de Vigia de Sião foi legalmente estatuída, com C. T. Russell como presidente, e seus estatutos mostravam que se tratava de mais do que uma sociedade que dirigiria a editoração. Seu verdadeiro objetivo era religioso; fora estatuída para “a disseminação de Verdades da Bíblia em várias línguas”.

      Quanto zelo se dedicou ao cumprimento desse objetivo! Em 1881, num período de quatro meses, publicaram-se 1.200.000 tratados, totalizando uns 200.000.000 de páginas. (Muitos desses “tratados” na verdade tinham forma de livros pequenos.) Depois disso, a produção de tratados bíblicos para distribuição gratuita aumentou para dezenas de milhões ano após ano. Esses tratados foram impressos em umas 30 línguas e distribuídos, não só na América, mas também na Europa, na África do Sul, na Austrália e em outras terras.

      Outro aspecto da obra teve início em 1886, quando o irmão Russell concluiu The Divine Plan of the Ages (O Plano Divino das Eras), o primeiro duma série de seis volumes escritos por ele mesmo. Para a publicação dos primeiros quatro volumes da série (1886-97), bem como de tratados e da Watch Tower (Torre de Vigia), de 1887 a 1898, ele usou a Companhia Publicadora da Torre.b Com o tempo, a tipografia e a composição passaram a ser feitas pelos irmãos na Casa da Bíblia, em Pittsburgh. Para reduzir as despesas, eles também adquiriam o papel para a impressão. Com respeito à impressão e à encadernação propriamente ditas, o irmão Russell muitas vezes fazia encomendas em mais de uma firma. Ele planejava cuidadosamente, fazendo pedidos com suficiente antecedência para conseguir bons preços. Desde a publicação do primeiro livro de C. T. Russell até 1916, produziram-se e distribuíram-se o total de 9.384.000 desses seis volumes.

      A impressão de publicações bíblicas não parou com a morte do irmão Russell. No ano seguinte, imprimiu-se o sétimo volume de Studies in the Scriptures (Estudos das Escrituras). Foi lançado para a família de Betel em 17 de julho de 1917. Tão grande foi a demanda que, até o fim daquele ano, a Sociedade havia encomendado 850.000 exemplares em inglês a impressores e encadernadores comerciais. Edições em outras línguas estavam sendo produzidas na Europa. Além disso, imprimiram-se naquele ano uns 38 milhões de tratados.

      Mas então, num período de intensa perseguição em 1918, enquanto diretores da Sociedade estavam injustamente presos, sua sede (localizada em Brooklyn, Nova Iorque) foi desaparelhada. As chapas de impressão foram destruídas. A reduzidíssima equipe mudou o escritório novamente para Pittsburgh, para o terceiro andar dum edifício na Rua Federal, 119. Seria o fim da produção de publicações bíblicas?

      Deveriam eles mesmos imprimir?

      Depois de o presidente da Sociedade, J. F. Rutherford, e seus associados serem libertados da prisão, os Estudantes da Bíblia reuniram-se em Cedar Point, Ohio, em 1919. Consideraram o que Deus permitira acontecer no ano anterior e o que sua Palavra indicava que eles deviam fazer nos dias à frente. Anunciou-se que se publicaria uma nova revista, The Golden Age (A Idade de Ouro, agora Despertai!) como instrumento a ser usado para indicar às pessoas que o Reino de Deus é a única esperança da humanidade.

      Como fizera antes, a Sociedade providenciou que uma firma de fora fizesse a impressão. Mas os tempos haviam mudado. Havia dificuldades trabalhistas na indústria gráfica e problemas no mercado de papel. Precisava-se dum arranjo mais seguro. Os irmãos oraram sobre esse assunto e ficaram atentos às orientações do Senhor.

      Primeiro de tudo, onde deviam estabelecer os escritórios da Sociedade? Deviam transferir a sede novamente para Brooklyn? A diretoria da Sociedade considerou o assunto, e uma comissão foi designada para verificar a situação.

      O irmão Rutherford instruiu C. A. Wise, o vice-presidente da Sociedade, a ir a Brooklyn para estudar a reabertura de Betel e as possibilidades de alugar um local em que a Sociedade pudesse iniciar a impressão. Desejoso de saber que rumo Deus abençoaria, o irmão Rutherford disse: “Vai e vê se é a vontade do Senhor que voltemos para Brooklyn.”

      “Como saberei se é a vontade do Senhor que voltemos ou não?” perguntou o irmão Wise.

      “Foi porque não conseguimos carvão em 1918 que voltamos de Brooklyn para Pittsburgh”,c respondeu o irmão Rutherford. “Vamos fazer do carvão o teste. Vai e faze o pedido de carvão.”

      “Quantas toneladas achas que devo encomendar para fazer o teste?”

      “Bem, que seja um bom teste”, recomendou o irmão Rutherford. “Pede 500 toneladas.”

      Foi exatamente o que o irmão Wise fez. E qual foi o resultado? Ao fazer o pedido às autoridades, foi-lhe dado um certificado para obter 500 toneladas de carvão — o suficiente para cuidar das necessidades deles por vários anos! Mas onde colocariam o carvão? Grandes áreas do porão do Lar de Betel foram transformadas em depósito de carvão.

      O resultado desse teste foi considerado como inequívoco indício da vontade de Deus. Em 1.º de outubro de 1919, eles reiniciaram suas atividades em Brooklyn.

      Mas deviam eles mesmos imprimir? Procuraram adquirir uma rotativa de revistas, mas foram informados de que existiam poucas nos Estados Unidos e de que não havia nenhuma chance de conseguirem uma por muitos meses. No entanto, tinham certeza de que, se fosse a vontade do Senhor, ele abriria o caminho. E ele abriu mesmo!

      Apenas alguns meses depois de voltarem para Brooklyn, conseguiram adquirir uma rotativa. A oito quarteirões do Lar de Betel, na Avenida Myrtle, 35, alugaram três andares de um edifício. No início de 1920, a Sociedade tinha sua própria gráfica — pequena, mas bem equipada. Irmãos com experiência em operar o equipamento colocaram-se à disposição para ajudar no trabalho.

      A edição de 1.º de fevereiro de The Watch Tower daquele ano saiu da impressora da Sociedade. Em abril, The Golden Age passou também a ser produzida em sua própria gráfica. No fim do ano, foi com prazer que The Watch Tower relatou: “Durante a maior parte do ano, todo o trabalho envolvido em THE WATCH TOWER, THE GOLDEN AGE e muitos dos folhetos, tem sido realizado por mãos consagradas, mas um único motivo dirige suas ações, e esse motivo é o amor pelo Senhor e sua causa da justiça. . . . Quando outras revistas e publicações tiveram de parar devido à falta de papel ou a dificuldades trabalhistas, a produção das nossas publicações prosseguiu suavemente.”

      O espaço da gráfica era bastante limitado, mas a quantidade de trabalho realizado era surpreendente. As tiragens regulares de The Watch Tower eram de 60.000 exemplares por edição. Mas The Golden Age também era impressa ali, e, no primeiro ano, a edição de 29 de setembro foi especial. Apresentou uma exposição pormenorizada dos perpetradores da perseguição aos Estudantes da Bíblia de 1917 a 1920. Imprimiram-se quatro milhões de exemplares! Um dos impressores disse mais tarde: ‘Todos, menos o cozinheiro, tiveram de ajudar para essa edição sair.’

      No primeiro ano de uso da rotativa, o irmão Rutherford perguntou aos irmãos se também podiam imprimir folhetos nela. A princípio não parecia possível. Os fabricantes da impressora disseram que não se podia fazer isso. Mas os irmãos tentaram e conseguiram. Inventaram também sua própria dobradeira e assim reduziram a necessidade de trabalhadores para esse aspecto do trabalho de 12 para 2. O que era responsável por seu êxito? “Experiência e a bênção do Senhor”, resumiu o encarregado da gráfica.

      Mas não era só em Brooklyn que a Sociedade estava estabelecendo operações gráficas. Parte do trabalho em línguas estrangeiras era supervisionado a partir dum escritório em Michigan. Para cuidar das necessidades relacionadas com esse trabalho, em 1921 a Sociedade instalou uma linotipo, impressoras e outros equipamentos necessários em Detroit, Michigan. Imprimiam-se ali publicações em polonês, russo, ucraniano e outras línguas.

      Naquele mesmo ano, a Sociedade lançou o livro A Harpa de Deus, redigido de forma apropriada para iniciantes no estudo da Bíblia. Até 1921, a Sociedade não tentara imprimir e encadernar seus próprios livros. Deveriam os irmãos realizar esse trabalho também? Novamente procuraram a orientação do Senhor.

      Irmãos dedicados imprimem e encadernam livros

      Em 1920, The Watch Tower relatou que muitos colportores foram forçados a deixar esse serviço porque impressores e encadernadores não haviam conseguido atender os pedidos da Sociedade. Os irmãos na sede concluíram que se pudessem deixar de depender de impressores de fora, com todas as suas dificuldades trabalhistas, teriam condições de dar um testemunho maior sobre o propósito de Deus para com a humanidade. Se imprimissem e encadernassem os seus próprios livros, também seria mais difícil que opositores interferissem na obra. E com o tempo esperavam poder reduzir o custo dos livros e assim estar em condições de torná-los mais acessíveis ao público.

      Mas isso exigiria mais espaço e equipamentos, e eles teriam de aprender novas habilidades. Poderiam fazer isso? Robert J. Martin, o superintendente da gráfica, lembrou-se de que, nos dias de Moisés, Jeová ‘enchera Bezalel e Ooliabe com sabedoria de coração para fazerem toda a obra’ necessária na construção do tabernáculo sagrado. (Êxo. 35:30-35) Com esse relato bíblico em mente, o irmão Martin tinha certeza de que Jeová também faria o que fosse necessário para que seus servos pudessem imprimir publicações para divulgar o Reino.

      Depois de muita meditação e oração, começaram a surgir planos definidos. Recordando o que aconteceu, o irmão Martin mais tarde escreveu ao irmão Rutherford: “O maior dia de todos foi aquele em que o irmão quis saber se havia um motivo fundamentado para não imprimirmos e encadernarmos todos os nossos próprios livros. Foi uma idéia empolgante, porque significava a abertura duma gráfica completa de composição de tipos, galvanostegia, impressão e encadernação, com a operação de muitas máquinas desconhecidas, na maior parte máquinas que nem sabíamos que existiam, e a necessidade de aprender diversas profissões. Mas parecia a melhor maneira de enfrentar os preços do após-guerra para livros.

      “O irmão alugou o prédio de seis andares na Rua Concord, 18 (com inquilinos em dois andares); e, em 1.º de março de 1922, nós nos mudamos. Comprou para nós uma linha completa de composição de tipos, galvanostegia, impressão e encadernação, na maior parte nova, algumas máquinas de segunda mão; e começamos o trabalho.

      “Um dos grandes estabelecimentos gráficos que fazia boa parte do nosso trabalho soube do que estávamos fazendo e veio, na pessoa do presidente, visitar-nos. Ele viu o novo equipamento e disse desanimadoramente: ‘Eis aí os senhores, com um estabelecimento gráfico de primeira classe nas suas mãos, e ninguém que tenha a mínima noção sobre o que fazer com ele. Em seis meses, tudo será um montão de lixo; e verificarão que as pessoas aptas a imprimir para os senhores são as mesmas que sempre o fizeram, e que são do ramo.’

      “Isso soou bastante lógico, mas não levou em conta o Senhor; e ele sempre tem estado conosco. Quando se iniciou a encadernação, ele enviou um irmão que passou a vida toda no ramo de encadernação. Ele foi muito útil na época que mais precisávamos dele. Com sua ajuda, e com o espírito do Senhor operando por meio dos irmãos que procuravam aprender, logo fazíamos livros.”

      Visto que a gráfica na Rua Concord tinha amplo espaço, as atividades gráficas de Detroit foram incorporadas com as de Brooklyn. No segundo ano naquele local, os irmãos produziam 70 por cento dos livros e folhetos necessários, além de revistas, tratados e convites. No ano seguinte, o aumento da obra tornou necessário o uso dos outros dois andares da gráfica.

      Poderiam acelerar a produção de livros? Mandaram fabricar na Alemanha uma impressora, despacharam-na para a América e colocaram-na em operação em 1926 especialmente para esse objetivo. Tanto quanto sabiam, era a primeira impressora rotativa usada na América para imprimir livros.

      No entanto, as atividades gráficas dos Estudantes da Bíblia não eram realizadas só na América.

      Primeiras operações gráficas em outros países

      Através de firmas de fora, o irmão Russell mandara imprimir na Grã-Bretanha já em 1881. Imprimia-se na Alemanha em 1903, na Grécia em 1906, na Finlândia em 1910, e até no Japão em 1913. Nos anos após a Primeira Guerra Mundial, imprimiu-se grande quantidade de publicações — livros, folhetos, revistas e tratados — na Grã-Bretanha, em países escandinavos, na Alemanha e na Polônia, e um pouco no Brasil e na Índia.

      Daí, em 1920, no mesmo ano em que a Sociedade começou a imprimir revistas em Brooklyn, providenciou-se que os nossos irmãos na Europa também realizassem parte desse trabalho. Um grupo deles na Suíça instalou uma gráfica em Berna. Era sua própria firma. Mas todos eles eram Estudantes da Bíblia e produziam publicações para a Sociedade em línguas européias a preços bem acessíveis. Com o tempo, a Sociedade adquiriu a posse dessa gráfica e a ampliou. Para suprir uma necessidade urgente em países europeus economicamente empobrecidos naquela época, produziram-se ali tremendas quantidades de publicações para distribuição gratuita. No fim da década de 20, publicações em mais de doze idiomas eram despachadas dessa gráfica.

      Ao mesmo tempo, mostrava-se muito interesse na mensagem do Reino na Romênia. Apesar de forte oposição à nossa obra ali, a Sociedade estabeleceu uma gráfica em Cluj, para reduzir o custo das publicações e torná-las mais prontamente acessíveis aos famintos da verdade na Romênia e em países vizinhos. Em 1924, essa gráfica produziu quase duzentos e cinqüenta mil livros, além de revistas e folhetos, em romeno e em húngaro. Mas um dos supervisores ali foi infiel a sua incumbência e cometeu atos que resultaram na perda da propriedade e do equipamento da Sociedade. Apesar disso, irmãos fiéis na Romênia continuaram a fazer o possível para partilhar as verdades bíblicas com outros.

      Na Alemanha, depois da Primeira Guerra Mundial, multidões assistiam às reuniões dos Estudantes da Bíblia. Mas o povo alemão sofria grande revés econômico. A fim de reduzir o custo das publicações bíblicas para seu benefício, a Sociedade desenvolveu sua própria impressão lá também. Em Barmen, em 1922, a impressão era feita numa impressora plana no patamar da escadaria no Lar de Betel e em outra no barracão de madeira. No ano seguinte os irmãos mudaram-se para Magdeburgo, para instalações mais adequadas. Os prédios ali eram bons, acrescentaram-se outros, e instalou-se equipamento de impressão e encadernação. Relatava-se que em fins de 1925 a capacidade de produção dessa gráfica seria pelo menos tão grande quanto à então em uso na sede em Brooklyn.

      A maior parte da impressão realmente feita pelos irmãos começou em pequena escala. Foi assim na Coréia, onde, em 1922, a Sociedade estabeleceu uma pequena gráfica equipada para produzir publicações em coreano, japonês e chinês. Depois de alguns anos, o equipamento foi transferido para o Japão.

      Em 1924, itens menores também eram impressos no Canadá e na África do Sul. Em 1925 uma pequena impressora foi instalada na Austrália e outra no Brasil. Os irmãos no Brasil logo usavam seu equipamento para imprimir a edição em português de The Watch Tower (A Torre de Vigia; hoje, A Sentinela). A filial da Sociedade na Inglaterra adquiriu seu primeiro equipamento para impressão em 1926. Em 1929 a fome espiritual dos humildes na Espanha era saciada pela publicação de The Watch Tower em espanhol numa pequena prensa ali. Dois anos depois, uma impressora começou a funcionar no porão da filial na Finlândia.

      Nesse ínterim, a sede mundial também se expandia.

      Gráfica própria na sede mundial

      Desde 1920 a Sociedade alugava espaço para a gráfica em Brooklyn. Até o prédio em uso de 1922 em diante não estava em bom estado; toda a estrutura balançava muito quando a impressora funcionava no porão. Além disso, precisava-se de mais espaço para o crescimento da obra. Os irmãos acharam que os recursos disponíveis poderiam ser mais bem usados se tivessem sua própria gráfica.

      Um terreno a alguns quarteirões do Lar de Betel parecia ser um local bem conveniente, de modo que fizeram uma oferta. Sucedeu que a Indústria Farmacêutica Squibb fez uma oferta melhor; mas, ao construírem no terreno, tiveram de bater 1.167 estacas para conseguir um sólido alicerce. (Anos depois, a Sociedade Torre de Vigia comprou esses prédios da Squibb, com esse ótimo alicerce já feito!) No entanto, o solo do terreno que a Sociedade adquiriu em 1926 tinha boa capacidade de sustentação para uma construção.

      Em fevereiro de 1927 eles se mudaram para seu prédio novinho em folha na Rua Adams, 117, em Brooklyn. Isso lhes deu quase o dobro do espaço que usavam até então. Era bem projetado, com o serviço passando progressivamente dos andares superiores pelos vários departamentos até chegar ao Departamento de Expedição no térreo.

      Mas o crescimento não parou aí. Em questão de dez anos essa gráfica teve de ser ampliada; e haveria mais ampliações depois. Além de imprimir milhões de revistas e folhetos a cada ano, a gráfica produzia 10.000 livros por dia. Quando a Bíblia completa passou a ser incluída entre esses livros em 1942, a Sociedade Torre de Vigia novamente era pioneira em outro campo da indústria gráfica. Os irmãos fizeram experiências até conseguirem trabalhar com o leve papel-bíblia nas rotativas — algo que outros impressores só tentaram anos mais tarde.

      Enquanto prosseguia essa produção em larga escala, grupos com necessidades especiais não foram despercebidos. Já em 1910, um Estudante da Bíblia em Boston, Massachusetts, e outro no Canadá cooperavam na reprodução das publicações da Sociedade em braile. Em 1924, num escritório em Logansport, Indiana, a Sociedade produzia publicações para o benefício dos deficientes visuais. Mas, devido à pequena receptividade na época, o trabalho em braile foi encerrado em 1936, e deu-se ênfase a ajudar os deficientes visuais por meio de gravações fonográficas e atenção pessoal. Mais tarde, em 1960, a produção de publicações em braile foi reiniciada — dessa vez em maior variedade, e gradualmente com melhor receptividade.

      O desafio de forte oposição

      Em vários países, a impressão era feita apesar de circunstâncias extremamente difíceis. Mas os nossos irmãos perseveraram, reconhecendo que a proclamação das boas novas do Reino era o trabalho que Jeová Deus, por meio do seu Filho, ordenou que fosse feito. (Isa. 61:1, 2; Mar. 13:10) Na Grécia, por exemplo, os irmãos instalaram sua gráfica em 1936 e a operavam por apenas alguns meses quando houve uma mudança de governo e as autoridades a fecharam. Similarmente, na Índia, em 1940, Claude Goodman trabalhou por meses para instalar uma impressora e aprender a operá-la, mas a polícia, às ordens do marajá, invadiu o local, levou a impressora e jogou todos os tipos cuidadosamente organizados em grandes latas.

      Em muitos outros lugares, leis sobre a importação de publicações forçaram os irmãos a confiar o trabalho a impressores de fora, embora a Sociedade possuísse num país vizinho uma gráfica que tinha condições de fazer o trabalho. Foi assim em meados da década de 30 na Dinamarca, na Letônia e na Hungria.

      Em 1933 o governo alemão, às instâncias do clero, paralisou as atividades de impressão das Testemunhas de Jeová na Alemanha. Policiais ocuparam a gráfica da Sociedade Torre de Vigia em Magdeburgo e a fecharam em abril daquele ano, mas não encontraram evidência incriminadora, de modo que se retiraram. Todavia, intervieram novamente em junho. Para continuar a divulgação da mensagem do Reino, a Sociedade estabeleceu uma gráfica em Praga, Tchecoslováquia, e muitos equipamentos foram levados para lá de Magdeburgo. Com isso, produziram-se revistas em duas línguas e folhetos em seis durante os próximos anos.

      Daí, em 1939, as tropas de Hitler invadiram Praga, de modo que os irmãos rapidamente desmontaram o equipamento e o despacharam para fora do país. Parte foi para os Países Baixos. Isso foi muito oportuno. A comunicação com a Suíça tornara-se mais difícil para os irmãos holandeses. Assim, eles alugaram espaço e, com suas recém-adquiridas impressoras, fizeram sua própria impressão. Isso, porém, continuou apenas por um curto tempo antes de a gráfica ser confiscada pelos invasores nazistas. Mas os irmãos utilizaram esse equipamento por tanto tempo quanto possível.

      Quando uma ação arbitrária das autoridades na Finlândia forçou a interrupção da publicação de A Sentinela durante a guerra, os irmãos mimeografavam os artigos principais e os enviavam por mensageiros. Depois de a Áustria cair sob o domínio nazista em 1938, A Sentinela era impressa num mimeógrafo que constantemente tinha de ser mudado de lugar em lugar para ficar longe das mãos da Gestapo. Similarmente, no Canadá, durante o período em que as Testemunhas ficaram sob proscrição no tempo de guerra, elas repetidas vezes tiveram de mudar seu equipamento para continuar a fornecer alimento espiritual para seus irmãos.

      Na Austrália, durante o tempo em que a obra das Testemunhas de Jeová ficou proscrita, os irmãos imprimiam suas próprias revistas e até livros — algo que não haviam feito ali mesmo em circunstâncias mais favoráveis. Tiveram de mudar a linha de encadernação 16 vezes para impedir a confiscação do equipamento, mas eles conseguiram produzir 20.000 livros a tempo do lançamento num congresso realizado em 1941 apesar de obstáculos esmagadores!

      Expansão depois da Segunda Guerra Mundial

      Terminada a guerra, as Testemunhas de Jeová reuniram-se numa assembléia internacional em Cleveland, Ohio, em 1946. Nessa ocasião, Nathan H. Knorr, então presidente da Sociedade Torre de Vigia, falou sobre reconstrução e expansão. Desde o irrompimento da Segunda Guerra Mundial, o número de Testemunhas aumentara em 157 por cento, e missionários rapidamente iniciavam a obra em novos campos. Para suprir a demanda mundial de publicações bíblicas, o irmão Knorr apresentou planos para ampliar as instalações da sede mundial. Em resultado da expansão proposta, a gráfica teria mais do que o dobro do espaço que havia na estrutura original de 1927, e um Lar de Betel grandemente ampliado seria providenciado para os voluntários. Essas ampliações foram concluídas e postas em uso no começo de 1950.

      A gráfica e os escritórios da sede mundial em Brooklyn tiveram de ser ampliados vez após vez desde 1950. Em 1992 abrangiam cerca de oito quarteirões e incluíam 230.071 metros quadrados de espaço útil. Não são prédios apenas para fabricação de livros. São dedicados a Jeová para ser usados na produção de publicações que visam instruir as pessoas em Seus requisitos para a vida.

      Em algumas regiões foi difícil reiniciar as atividades gráficas da Sociedade depois da Segunda Guerra Mundial. O complexo gráfico e de escritórios que pertencia à Sociedade em Magdeburgo, Alemanha, ficou na zona controlada pelos comunistas. As Testemunhas alemãs voltaram para lá, mas conseguiram usá-lo apenas por pouco tempo antes de ser confiscado novamente. Para suprir a necessidade na Alemanha Ocidental, foi preciso instalar ali uma gráfica. As cidades haviam sido reduzidas a escombros devido aos bombardeios. Mas as Testemunhas logo obtiveram o direito de usar uma pequena gráfica que fora operada pelos nazistas, em Karlsruhe. Em 1948 duas impressoras planas funcionavam dia e noite num prédio que foi posto à disposição em Wiesbaden. No ano seguinte ampliaram as instalações de Wiesbaden e quadruplicaram o número de impressoras para suprir as necessidades do rapidamente crescente número de proclamadores do Reino naquela parte do campo.

      Quando a Sociedade recomeçou a imprimir abertamente na Grécia em 1946, o fornecimento de energia elétrica estava longe de ser confiável. Às vezes era cortado por horas a fio. Na Nigéria, em 1977, os irmãos enfrentavam um problema similar. Até que a filial da Nigéria conseguiu o seu próprio gerador, os trabalhadores da gráfica retornavam ao trabalho a qualquer hora, do dia ou da noite, quando a energia voltava. Com esse espírito, eles nunca perderam uma edição de A Sentinela.

      Depois de uma visita do irmão Knorr à África do Sul em 1948, adquiriu-se um terreno em Elandsfontein; e, no início de 1952, a filial mudou-se para uma nova gráfica ali — a primeira realmente construída pela Sociedade na África do Sul. Usando uma nova impressora plana, eles passaram a imprimir revistas em oito idiomas da África. Em 1954, a filial na Suécia foi equipada para imprimir as revistas numa impressora plana, como se dera com a filial da Dinamarca em 1957.

      Com o aumento da demanda de publicações, forneceram-se rotativas tipográficas de alta velocidade primeiro a uma filial e depois a outra. O Canadá recebeu a sua primeira em 1958; a Inglaterra, em 1959. Em 1975 a Sociedade Torre de Vigia tinha 70 grandes rotativas em suas gráficas em todo o mundo.

      Rede global para divulgar a verdade bíblica

      Em fins da década de 60 e depois fez-se um esforço conjunto para conseguir maior descentralização das atividades gráficas da Sociedade Torre de Vigia. O crescimento do número de Testemunhas de Jeová era rápido. Precisava-se de mais espaço na gráfica para se produzir publicações para seu próprio uso e para distribuição ao público. Mas a expansão em Brooklyn era um processo lento devido a serem limitadas as propriedades disponíveis e por causa da burocracia. Faziam-se planos para que mais da impressão fosse feita em outros lugares.

      Assim, em 1969 teve início o projeto duma nova gráfica que seria construída perto de Wallkill, Nova Iorque, a uns 150 quilômetros a noroeste de Brooklyn. Isso ampliaria e espalharia as instalações da sede, e com o tempo quase toda a tiragem de A Sentinela e Despertai! para os Estados Unidos sairia de Wallkill. Três anos depois, uma segunda gráfica em Wallkill estava nas pranchetas, esta bem maior do que a primeira. Em 1977 as rotativas tipográficas ali produziam mais de 18 milhões de revistas por mês. A partir de 1992, grandes rotativas off-set MAN-Roland e Hantscho (apenas 4 rotativas off-set em vez das 15 anteriores rotativas tipográficas) entraram em uso, e a capacidade de produção ficou bem acima de um milhão de revistas por dia.

      Quando se fizeram os primeiros planos para atividades gráficas em Wallkill, A Sentinela era publicada em Brooklyn em 32 dos seus então 72 idiomas; Despertai! em 14 dos seus 26 idiomas. Uns 60 por cento do número total de exemplares impressos no mundo todo eram produzidos na sede mundial. Seria proveitoso que mais desse trabalho fosse feito em países além dos Estados Unidos e por nossos próprios irmãos em vez de por firmas de fora. Assim, se futuras crises mundiais ou interferências governamentais impedissem as atividades em alguma parte da Terra, ainda se poderia produzir o alimento espiritual essencial.

      Portanto, em 1971, quase dois anos antes de a primeira gráfica da Torre de Vigia em Wallkill entrar em operação, iniciou-se o trabalho para a construção duma excelente nova gráfica em Numazu, Japão. O aumento de mais de cinco vezes no número de proclamadores do Reino no Japão na década anterior indicava que se precisaria ali de muitas publicações bíblicas. Ao mesmo tempo, a filial do Brasil estava sendo ampliada. Acontecia o mesmo na África do Sul, onde se produziam publicações bíblicas em mais de vinte idiomas africanos. No ano seguinte, 1972, o tamanho da gráfica da Sociedade na Austrália foi quadruplicado a fim de fornecer A Sentinela e Despertai! naquela parte do mundo sem prolongadas demoras na expedição. Construíram-se outras gráficas na França e nas Filipinas.

      No início de 1972, N. H. Knorr e o superintendente da gráfica em Brooklyn, M. H. Larson, fizeram uma viagem internacional para examinar o trabalho realizado, a fim de organizar os assuntos para o melhor uso das instalações e para lançar a base para mais expansão. Suas visitas incluíram 16 países na América do Sul, África e Extremo Oriente.

      Pouco depois, a própria filial do Japão produzia as revistas em japonês para aquela parte do campo, em vez de depender de um impressor de fora. Naquele mesmo ano, 1972, a filial de Gana começou a imprimir A Sentinela em três das línguas locais, em vez de esperar remessas dos Estados Unidos e da Nigéria. Depois, a filial das Filipinas começou a cuidar da composição e da impressão de A Sentinela e Despertai! em oito línguas locais (além de imprimir para seu uso revistas em inglês). Isso representou um passo adicional na descentralização das operações gráficas da Torre de Vigia.

      Em fins de 1975, a Sociedade Torre de Vigia produzia publicações bíblicas em suas próprias instalações em 23 países do globo — livros em três países; folhetos ou revistas, ou ambos, nos 23 países. Em outros 25 países, a Sociedade produzia itens menores em seu próprio equipamento.

      A capacidade da Sociedade de produzir livros também aumentava. Fazia-se encadernação na Suíça e na Alemanha já em meados da década de 20. Depois da Segunda Guerra Mundial, em 1948 os irmãos na Finlândia passaram a encadernar livros (a princípio em grande parte manualmente) para atender sobretudo às necessidades desse país. Dois anos depois a filial da Alemanha novamente tinha uma linha de encadernação, e com o tempo ela assumiu o serviço de encadernação que era feito na Suíça.

      Daí, em 1967, com mais de um milhão de Testemunhas no mundo todo e com a introdução dos livros de bolso para uso no ministério, a demanda desse tipo de publicação bíblica atingiu grandes proporções. Em nove anos houve um aumento de mais de seis vezes nas linhas de encadernação em Brooklyn. Em 1992 a Sociedade Torre de Vigia tinha ao todo 28 linhas de encadernação em operação em oito países.

      Naquele ano, 1992, a Sociedade Torre de Vigia não só imprimia publicações bíblicas em 180 línguas nos Estados Unidos, mas quatro de suas principais gráficas localizadas na América Latina supriam boa parte das publicações necessárias tanto internamente como em outros países nessa parte do mundo. Onze outras gráficas produziam publicações na Europa, e todas ajudavam a suprir as necessidades de publicações de outros países. Desses, a França fornecia regularmente publicações para 14 países, e a Alemanha, que imprimia em mais de 40 idiomas, expedia grandes quantidades para 20 países e quantidades menores para muitas outras terras. Na África, seis gráficas da Torre de Vigia produziam publicações bíblicas em 46 idiomas. Onze outras gráficas — algumas grandes, outras pequenas — forneciam publicações ao Oriente Médio e ao Extremo Oriente, a ilhas do Pacífico, ao Canadá e a outras regiões, para uso na divulgação da urgente mensagem sobre o Reino de Deus. Em ainda outros 27 países, a Sociedade imprimia itens menores que as congregações necessitam para funcionar suavemente.

      Novos métodos, novo equipamento

      Nas décadas de 60 e de 70, houve uma revolução na indústria gráfica. Num ritmo surpreendente, a impressão tipográfica perdia terreno para a impressão off-set.d A Sociedade Torre de Vigia não aderiu de imediato à tendência. As chapas disponíveis para as impressoras off-set não se ajustavam bem às grandes tiragens que a Sociedade precisava para suas publicações. Além disso, uma mudança desse tipo exigiria métodos inteiramente novos de tipografia e composição. Seria preciso novas impressoras. Seria necessário aprender nova tecnologia. Praticamente todo o equipamento das gráficas da Sociedade teria de ser substituído. O custo seria assombroso.

      No entanto, ficou evidente com o tempo que os materiais necessários para a impressão tipográfica não continuariam disponíveis por muito tempo. A durabilidade das chapas off-set melhorava rapidamente. Era preciso mudar.

      Já em 1972, por causa de seu intenso interesse nos avanços na impressão off-set, três membros da família de Betel na África do Sul adquiriram uma pequena impressora off-set de folhas. Eles ganharam um pouco de experiência em pequenas impressões. Daí, em 1974, essa impressora foi usada para imprimir o livro A Verdade Que Conduz à Vida Eterna, de bolso, na língua ronga. Por eles poderem fazer isso rapidamente foi possível levar valiosa instrução bíblica a milhares de pessoas famintas da verdade antes de a obra das Testemunhas de Jeová ser novamente proscrita na região em que essas pessoas moravam. Outra impressora off-set de folhas, doada à filial da Sociedade na África do Sul pouco depois de os nossos irmãos adquirirem a primeira, foi enviada para a Zâmbia e usada ali.

      A gráfica da Sociedade na Alemanha também entrou cedo no ramo da impressão off-set. Em abril de 1975 os irmãos começaram a usar uma impressora de folhas para imprimir revistas em papel-bíblia para as Testemunhas de Jeová na Alemanha Oriental, onde as Testemunhas estavam proscritas. No ano seguinte iniciou-se a produção de livros nessa impressora off-set para aqueles irmãos perseguidos.

      Por volta da mesma época, em 1975, a Sociedade Torre de Vigia pôs em operação sua primeira rotativa off-set para revistas na Argentina. Mas funcionou por um pouco mais de um ano antes de o governo argentino proscrever a obra das Testemunhas e lacrar sua gráfica. Mas a impressão off-set em outros países continuou a expandir-se. No início de 1978, na sede da Sociedade Torre de Vigia em Brooklyn, Nova Iorque, uma rotativa off-set começou a imprimir em três cores para a produção de livros.e Uma segunda impressora foi adquirida naquele mesmo ano. No entanto, precisava-se de muito mais equipamento para completar a mudança.

      O Corpo Governante tinha certeza de que Jeová providenciaria o que fosse preciso para realizar a obra que ele queria que fosse feita. Em abril de 1979 e em janeiro de 1980, enviaram-se cartas às congregações nos Estados Unidos explicando a situação. Chegaram donativos — devagar a princípio, mas, com o tempo, havia o suficiente para equipar a rede global de gráficas da Torre de Vigia para impressão off-set.

      Nesse ínterim, para fazer bom uso do equipamento existente e acelerar a mudança, a Sociedade Torre de Vigia encomendou a conversão de suas impressoras MAN de último modelo para a impressão off-set. Doze países receberam essas impressoras, incluindo seis que anteriormente não imprimiam suas revistas localmente.

      Impressão em quatro cores

      A filial da Finlândia foi a primeira a fazer a impressão off-set de cada edição das revistas em quatro cores, começando de maneira simples com edições de janeiro de 1981 e daí progressivamente usando técnicas aprimoradas. A seguir, o Japão usou a impressão em quatro cores para um livro. Outras gráficas da Torre de Vigia fizeram o mesmo à medida que o equipamento se tornou disponível. Algumas das impressoras são adquiridas e despachadas pela sede mundial. Outras são custeadas pelas Testemunhas de Jeová do país em que a gráfica está localizada. Em ainda outros casos, as Testemunhas de um país doam o necessário equipamento aos seus irmãos em outro país.

      Depois da Segunda Guerra Mundial, o mundo passou a dar ênfase a matérias ilustradas, e o uso de cores realistas contribuiu muito para tornar as publicações mais atraentes. O uso das cores tornou a página impressa mais bela, de modo que incentivou a leitura. Em muitos lugares descobriu-se que a distribuição de A Sentinela e Despertai! aumentou consideravelmente depois que sua aparência melhorou.

      Sistemas adequados de computador

      Para apoiar a impressão em quatro cores, foi preciso desenvolver um sistema computadorizado de pré-impressão, e a decisão de implementar isso foi tomada em 1977. Testemunhas especializadas nesse campo ofereceram-se para trabalhar na sede mundial a fim de ajudar a Sociedade a suprir essas necessidades rapidamente. (Pouco depois, em 1979, uma equipe no Japão, que por fim envolveu umas 50 Testemunhas, passou a trabalhar em programas necessários para a língua japonesa.) Usou-se hardware (equipamento) comercial, e os programas foram preparados pelas Testemunhas para que ajudassem a suprir as necessidades administrativas e de editoração multilíngüe da Sociedade. Para manter elevados padrões e ter a necessária flexibilidade, foi necessário desenvolver programas especializados para composição tipográfica e fotocomposição. Não existiam programas disponíveis no mercado para dar entrada e fotocompor muitas das 167 línguas em que a Sociedade Torre de Vigia imprimia, de modo que as Testemunhas tiveram de desenvolver os seus próprios.

      Naquela época o mundo comercial não achava lucrativo desenvolver programas nas línguas de populações menores ou de pessoas com renda muito limitada, mas as Testemunhas de Jeová estão interessadas em vidas. Em relativamente pouco tempo, os programas de composição que elas desenvolveram eram usados para produzir publicações em mais de 90 idiomas. Sobre seu trabalho, o respeitado Seybold Report on Publishing Systems (Relatório de Seybold sobre Sistemas de Editoração) disse: “Não podemos senão elogiar o caráter empreendedor, a iniciativa e a perspicácia do pessoal da Torre de Vigia. Há pouca gente, hoje em dia, quer dotada de suficiente ambição, quer de bastante coragem para empreender tal aplicação, especialmente partindo de quase nada.” — Volume 12, N.º 1, 13 de setembro de 1982.

      As atividades gráficas e a manutenção seriam muito facilitadas se o equipamento usado em todo o mundo fosse plenamente compatível. Portanto, em 1979 decidiu-se que a Sociedade Torre de Vigia desenvolveria seu próprio sistema de fotocomposição. A equipe que trabalhava nisso fabricaria o hardware principal, em vez de depender tanto do equipamento disponível no mercado.

      Assim, em 1979 um grupo de Testemunhas de Jeová na Fazenda Torre de Vigia, Wallkill, Nova Iorque, começou a projetar e construir o Sistema Eletrônico de Fotocomposição Multilíngüe (MEPS). Em maio de 1986, a equipe que trabalhava nesse projeto não só havia projetado e construído computadores, fotocompositoras e terminais gráficos do MEPS, mas, mais importante, tinha também desenvolvido o software (programa) necessário para o processamento de matéria para publicação em 186 idiomas.

      Conjugada ao desenvolvimento do software havia uma grande operação de digitalização de fontes. Isso exigiu estudo intensivo das características distintivas de cada língua. Foi preciso arte-final para cada caractere numa língua (por exemplo, cada maiúscula e cada minúscula, bem como sinais diacríticos e a pontuação — tudo numa variedade de tamanhos), com desenhos separados para cada tipo (como tipo claro, itálico, negrito e extranegrito), talvez em várias fontes distintivas, ou estilos de tipo. Cada fonte romana precisava de 202 caracteres. Assim, as 369 fontes romanas requereram ao todo 74.538 caracteres. A preparação das fontes chinesas exigiram o desenho de 8.364 caracteres para cada fonte, com mais caracteres a serem acrescentados depois.

      Depois de feita a arte-final, projetou-se o software que tornaria possível imprimir os caracteres de forma limpa e nítida. O software tinha de poder lidar, não só com o alfabeto romano, mas também com os alfabetos bengali, cambojano, cirílico, coreano, grego e hindi, bem como com o árabe e o hebraico (ambos lidos da direita para a esquerda) e com as línguas japonesa e chinesa (que não usam alfabeto). Em 1992, o software estava disponível para processar matéria em mais de 200 idiomas, e ainda se desenvolviam programas para outras línguas faladas por milhões de pessoas.

      A implementação da mudança nas filiais exigiu adotar novos procedimentos e aprender novas técnicas. Enviou-se à sede mundial pessoal para aprender a instalar, operar e manter grandes rotativas off-set. Alguns aprenderam a fazer separação de cores com um scanner a laser. Outros foram treinados no uso e na manutenção de computadores. Assim, problemas relacionados com a produção que surgissem em qualquer parte do mundo poderiam ser rapidamente resolvidos para que a obra continuasse em andamento.

      O Corpo Governante percebeu que se as Testemunhas de Jeová em todo o mundo pudessem estudar a mesma matéria em suas reuniões semana após semana e distribuir as mesmas publicações no ministério de campo, isso teria um poderoso efeito unificador. No passado, as publicações produzidas em inglês só ficavam à disposição em outras línguas pelo menos quatro meses depois; para muitas línguas o prazo era de um ano, ou, muitas vezes, anos. Mas agora era possível uma mudança. Ter equipamento plenamente compatível nas filiais impressoras foi um fator importante para se conseguir produzir publicações simultaneamente numa variedade de línguas. Em 1984, A Sentinela passou a ser publicada simultaneamente em 20 idiomas. Em 1989, quando a poderosa mensagem do livro Revelação — Seu Grandioso Clímax Está Próximo! foi distribuída ao público apenas alguns meses depois do lançamento, esse livro estava disponível em 25 idiomas. Em 1992, a publicação simultânea de A Sentinela ampliara-se para incluir 66 idiomas, os de grande parte da população do mundo.

      Desde que o projeto MEPS foi implantado em 1979, a indústria da informática tem feito extraordinários avanços. Poderosos computadores pessoais com grande versatilidade estão agora disponíveis por uma fração do custo do equipamento anterior. Para manter-se em dia com as necessidades do trabalho de editoração, a Sociedade Torre de Vigia decidiu usar esses computadores pessoais, junto com o seu próprio software. Isso acelerou muito o processo de produção. Tornou possível também estender os benefícios dos programas de editoração a mais filiais da Sociedade, e o número de filiais que os usava aumentou rapidamente para 83. Em 1992 a Sociedade Torre de Vigia tinha, em todo o mundo, mais de 3.800 terminais em que usava seus próprios programas de computador. Nem todas as filiais que estão assim equipadas imprimem, mas qualquer filial que tenha um pequeno computador e o software da Sociedade, junto com uma pequena impressora a laser, tem a capacidade de realizar trabalhos de pré-impressão para tratados, revistas, livros e qualquer outra impressão que precise ser feita.

      Maior apoio de computadores para os tradutores

      Poderiam os computadores ser usados para dar maior apoio aos tradutores? Os tradutores das publicações da Torre de Vigia agora fazem seu trabalho, na maioria dos casos, em terminais de computador. Muitos desses estão em filiais da Sociedade. Outros, que talvez traduzam em casa e que por muitos anos fizeram seu trabalho com máquinas de escrever ou até a mão, têm sido ajudados a aprender a dar entrada de sua tradução em estações de trabalho de computador ou em computadores portáteis (convenientemente pequenos) adquiridos pela Sociedade. Pode-se facilmente fazer ajustes na tradução na própria tela do computador. Se a tradução é feita em outro lugar e não no escritório da filial onde se faz a impressão, só é necessário transferir o texto para um disquete fino e flexível e enviá-lo para a filial impressora para processamento.

      De 1989-90, à medida que mudanças rápidas ocorriam nos governos de muitos países, a comunicação internacional ficou mais fácil. Rapidamente, as Testemunhas de Jeová realizaram um seminário de seus tradutores da Europa Oriental. Visava ajudá-los a melhorar a qualidade do seu trabalho, a permitir-lhes tirar proveito dos computadores disponíveis e a possibilitar a publicação simultânea de A Sentinela em suas línguas. Além disso, tradutores no sudeste da Ásia receberam ajuda similar.

      Mas poderia o computador ser usado para acelerar o trabalho de tradução ou melhorar sua qualidade? Sim. Em 1989, poderosos sistemas computadorizados foram utilizados pelas Testemunhas de Jeová para ajudar na tradução da Bíblia. Depois dum extensivo trabalho preliminar, forneceram-se arquivos eletrônicos que permitiram que um tradutor prontamente visse na tela qualquer palavra na língua original junto com uma relação de todas as maneiras em que, segundo o contexto, foi traduzida para o inglês na Tradução do Novo Mundo. Ele também podia selecionar uma palavra-chave em inglês e chamar todas as palavras na língua original da qual ela (e palavras de significado similar) derivava. Isso muitas vezes revelava que se usava um grupo de palavras em inglês para transmitir a idéia contida num único termo na língua original. Isso dava rapidamente ao tradutor uma visão profunda do que traduzia. Ajudava-o a captar o sentido característico da expressão básica na língua original e o significado exato exigido pelo contexto e, assim, a expressar isso com precisão em sua própria língua.

      Usando esses arquivos de computador, tradutores experientes examinavam todas as ocorrências de determinada palavra na Bíblia e escolhiam equivalentes na língua local para cada uma dessas ocorrências segundo o que exigia o contexto. Isso garantia um alto grau de coerência. O trabalho de cada tradutor era revisado por outros da equipe, de modo que a tradução se beneficiasse da pesquisa e da experiência de todos. Depois disso, o computador podia ser usado para apresentar determinada passagem das Escrituras, mostrando cada palavra no texto em inglês, um código para o que aparecia na língua original e o equivalente na língua local que fora selecionado. Isso não concluía o trabalho. O tradutor ainda precisava refinar a estrutura das sentenças e torná-las fluentes em sua própria língua. Mas, ao fazerem isso, era vital terem uma compreensão clara do significado do texto. Para ajudá-lo, ele tinha acesso instantâneo pelo computador a comentários publicados pela Torre de Vigia sobre o versículo bíblico ou qualquer expressão nele.

      Reduzia-se assim o tempo de pesquisa, e conseguia-se alto grau de coerência. Com aprimoramentos adicionais desse potencial, espera-se que mais publicações valiosas sejam rapidamente postas à disposição mesmo em línguas com poucos tradutores. O uso desse recurso para suprir publicações em apoio à proclamação da mensagem do Reino tem aberto um tremendo campo de editoração.

      Assim, como seus primeiros correlativos cristãos, as Testemunhas de Jeová nos tempos modernos empregam os mais recentes recursos para divulgar a Palavra de Deus. Para alcançar o máximo possível de pessoas com as boas novas, elas não têm medo de encarar novos desafios no campo da editoração.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Em 1896, o nome da corporação foi oficialmente mudado para Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados.

      b Tratava-se duma firma de Charles Taze Russell. Em 1898, ele transferiu bens da Companhia Publicadora da Torre como donativo para a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados.

      c A falta de carvão não foi apenas devido à escassez do tempo de guerra. Hugo Riemer, que então era membro da equipe da sede, escreveu mais tarde que isso ocorreu principalmente porque o ódio aos Estudantes da Bíblia era muito grande em Nova Iorque na época.

      d A impressão tipográfica é feita com uma superfície em alto-relevo em que há uma imagem em espelho do que aparecerá na página impressa. Essa superfície em alto-relevo é entintada e pressionada contra o papel. A impressão off-set é feita produzindo-se uma impressão entintada num cilindro revestido de borracha com uma chapa e então transferindo-se essa impressão para o papel.

      e De 1959 a 1971, a Sociedade usara uma impressora off-set de folhas na gráfica de Brooklyn para produzir calendários em quatro cores com temas relacionados com a pregação das boas novas.

      [Destaque na página 578]

      “Vamos fazer do carvão o teste.”

      [Destaque na página 595]

      Equipando a inteira rede global de gráficas da Torre de Vigia para impressão off-set.

      [Destaque na página 596]

      ‘Não podemos senão elogiar o pessoal da Torre de Vigia.’

      [Foto na página 576]

      Essas primeiras publicações eram impressas por firmas de fora.

      [Foto na página 577]

      C. A. Wise fez um teste para ver se os Estudantes da Bíblia deviam instalar novamente a sede em Brooklyn.

      [Fotos na página 579]

      A primeira rotativa da Sociedade foi usada para imprimir 4.000.000 de exemplares da incisiva “Golden Age” N.º 27.

      [Foto na página 580]

      R. J. Martin (à direita), primeiro superintendente da gráfica da Sociedade em Brooklyn, consultando o irmão Rutherford.

      [Fotos na página 581]

      Composição

      No começo, tudo era feito a mão, letra por letra.

      África do Sul

      De 1920 à década de 80, usou-se linotipo.

      Estados Unidos

      Em alguns lugares, a composição era feita com equipamento monotipo.

      Japão

      Utiliza-se agora um processo de fotocomposição computadorizada.

      Alemanha

      [Fotos na página 582]

      Fabricação de chapas

      Da década de 20 à década de 80, fabricavam-se chapas de chumbo para impressão tipográfica.

      1. Linhas tipográficas das páginas da matéria a ser impressa eram engradadas em caixilhos retangulares chamados ramas.

      2. Sob pressão, fazia-se uma impressão da forma no material que podia ser usado como molde.

      3. Despejava-se chumbo fundido sobre a matriz (ou molde) para fazer chapas metálicas curvas para a impressão.

      4. O metal excedente era retirado da superfície da chapa.

      5. As chapas eram niqueladas para adquirir durabilidade.

      Depois, os negativos de páginas fotocompostas eram posicionados, e as fotos eram colocadas no devido lugar. Grupos de páginas eram transferidos fotograficamente para chapas flexíveis de impressão off-set.

      [Foto na página 583]

      Uma das primeiras gráficas da Sociedade na Europa (Berna, Suíça)

      [Fotos na página 584]

      Em Magdeburgo, Alemanha, a Sociedade instalou uma gráfica na década de 20.

      [Fotos na página 587]

      Impressoras

      A Sociedade Torre de Vigia tem usado muitos tipos de impressoras em suas atividades gráficas.

      Pequenas impressoras têm sido usadas para imprimir não só formulários e convites, mas também revistas. (EUA)

      Por muitos anos, usaram-se impressoras planas de muitos tipos. (Alemanha)

      Em suas várias gráficas, usaram-se 58 dessas rotativas MAN da Alemanha. (Canadá)

      Agora, usam-se rotativas off-set, de impressão em cores, de alta velocidade, fabricadas em vários países, nas principais gráficas da Sociedade.

      Itália

      Alemanha

      [Fotos na páginas 590, 591]

      Elandsfontein, África do Sul (1972)

      Strathfield, Austrália (1972)

      São Paulo, Brasil (1973)

      Numazu, Japão (1972)

      Lagos, Nigéria (1974)

      Wiesbaden, Alemanha (1975)

      Toronto, Canadá (1975)

      [Foto na página 597]

      Tem-se feito intensivo trabalho de digitalização de fontes pelas Testemunhas para atender à necessidade de publicações bíblicas em muitas línguas. (Brooklyn, N.I.)

      [Foto na página 599]

      Estações de computação gráfica com monitor colorido permitem que desenhistas gráficos posicionem, ajustem e aprimorem ilustrações eletronicamente.

      [Foto na página 602]

      As Testemunhas de Jeová usam sistemas computadorizados para acelerar e refinar o trabalho de tradução da Bíblia. (Coréia)

      [Foto/Quadro na página 585]

      ‘Evidência do espírito de Jeová’

      “A impressão bem-sucedida de livros e Bíblias em rotativas operadas por pessoas com pouca ou nenhuma experiência anterior [e numa época em que outros ainda não o faziam] é evidência da supervisão de Jeová e da direção do seu espírito”, disse Charles Fekel. O irmão Fekel sabia bem o que estava envolvido, pois havia participado no desenvolvimento das atividades gráficas na sede da Sociedade por mais de meio século. Nos últimos anos de sua vida, serviu como membro do Corpo Governante.

      [Foto]

      Charles Fekel

      [Foto/Quadro na página 586]

      Confiança no Deus Todo-Poderoso

      Uma experiência contada por Hugo Riemer, que fazia compras para a Sociedade Torre de Vigia, reflete a maneira de a Sociedade Torre de Vigia cuidar de seus negócios.

      Durante a Segunda Guerra Mundial, o papel para impressão estava racionado nos Estados Unidos. Os pedidos de suprimentos tinham de ser dirigidos a uma comissão do governo. Em certa ocasião, uma destacada sociedade bíblica enviou advogados, grandes empresários, pregadores e outros como representantes perante a comissão. Concedeu-se-lhes bem menos do que desejavam. Depois de considerado o pedido deles, a comissão recebeu a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados. Quando Hugo Riemer e Max Larson entraram, o presidente perguntou: “Só vocês dois?” E a resposta foi: “Sim. Esperamos que o Deus Todo-Poderoso esteja conosco também.” Eles conseguiram todos os suprimentos desejados.

      [Foto]

      Hugo Riemer

      [Fotos/Quadro nas páginas 588, 589]

      Encadernação

      Antigamente parte da encadernação nas gráficas da Torre de Vigia era feita a mão. (Suíça)

      A produção em larga escala nos Estados Unidos exigia muitas operações separadas.

      1. Juntar os cadernos.

      2. Costurá-los.

      3. Colar as guardas.

      4. Aparar.

      5. Gravar o título nas capas.

      6. Pôr a capa nos livros.

      7. Pôr os livros sob pressão até que a cola se fixasse.

      Agora, em vez da encadernação por costura, muitas vezes se usa a encadernação por colagem, e máquinas de alta velocidade podem produzir, cada uma, 20.000 ou mais livros por dia.

      [Fotos/Quadro na página 594]

      Para promover o conhecimento do Reino de Deus

      Ao todo, ao longo de vários períodos, a Sociedade Torre de Vigia tem produzido publicações em mais de 290 idiomas. Em 1992 produzia publicações em umas 210 línguas. Tudo isso foi feito para ajudar as pessoas a aprender sobre o Reino de Deus e o que ele significa para elas. Entre as publicações para estudo da Bíblia mais amplamente distribuídas até o momento acham-se as seguintes:

      “A Verdade Que Conduz à Vida Eterna” (1968): 107.553.888 exemplares, em 117 idiomas

      “Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra” (1982): 62.428.231 exemplares, em 115 idiomas

      “Viva Para Sempre em Felicidade na Terra!” (1982): 76.203.646 exemplares, em 200 idiomas

      Os dados acima são de 1992.

      [Fotos/Quadro na página 598]

      Gravações em fitas cassete

      Além de usar a página impressa em sua obra de evangelização, desde 1978 a Sociedade Torre de Vigia produz fitas cassete — mais de 65 milhões de unidades em seu próprio equipamento nos Estados Unidos e na Alemanha.

      Toda a “Tradução do Novo Mundo” está gravada em fitas cassete em alemão, espanhol, francês, inglês, italiano e japonês. Em 1992, essa tradução da Bíblia, em partes menores ou maiores, estava disponível em fitas cassete em oito outras línguas.

      Para ajudar no ensino das crianças pequenas, fizeram-se gravações em fitas cassete de “Meu Livro de Histórias Bíblicas” e “Escute o Grande Instrutor”, publicações especialmente elaboradas para jovens.

      Além disso, em alguns países produzem-se fitas para transmissões radiofônicas.

      Produzem-se gravações duma orquestra composta só de Testemunhas. Essas gravações são usadas como acompanhamento do canto em congressos das Testemunhas de Jeová. Belos arranjos orquestrais dessa música também estão disponíveis para usufruto em casa.

      Dramas gravados (de relatos modernos e bíblicos) são usados em congressos, onde atores que são Testemunhas ajudam a assistência a visualizar os eventos. Alguns depois são usados para entretenimento instrutivo e agradável em família.

      As revistas “A Sentinela” e “Despertai!” estão disponíveis em fitas cassete em inglês e em finlandês. “A Sentinela” está disponível também em alemão, dinamarquês, francês, norueguês e sueco. Elaboradas originalmente para pessoas com problemas de vista, essas fitas são apreciadas por milhares de outros.

      [Foto]

      J. E. Barr no estúdio de gravações

      [Fotos/Quadro nas páginas 600, 601]

      Uso de videocassetes na proclamação do Reino

      Em 1990 a Sociedade Torre de Vigia entrou num novo campo com o lançamento da primeira fita de videocassete para distribuição ao público.

      Estimava-se naquele ano que mais de 200.000.000 de famílias ao redor do globo tivessem VCRs (videocassetes) de vários tipos. Mesmo em lugares em que não havia estações de televisão, usavam-se VCRs. Assim, o uso de videocassetes como meio de instruir oferecia uma maneira nova de alcançar uma ampla audiência.

      Já em 1985 teve início a produção dum vídeo elaborado para apresentar aos que visitavam as instalações da sede mundial da Sociedade algumas das atividades ali realizadas. Com o tempo, constatou-se que as apresentações em vídeo também poupavam tempo na orientação de novos membros da família de Betel. Poderia esse método de instrução ser usado de outras maneiras para ajudar na obra global de fazer discípulos? Alguns irmãos acreditavam que sim.

      Assim, em outubro de 1990 foi lançado o videocassete “Jehovah’s Witnesses—The Organization Behind the Name” (Testemunhas de Jeová — A Organização Que Leva o Nome). A reação foi surpreendente. Recebeu-se uma enxurrada de pedidos de mais desses programas. Para suprir a necessidade, criou-se um novo departamento chamado Serviços de Vídeo.

      Testemunhas especializadas no ramo ofereceram de bom grado seus préstimos. Adquiriu-se o equipamento. Os estúdios foram montados. Uma equipe de filmagem foi a vários países para filmar pessoas e cenários que pudessem ser usados em vídeos elaborados para edificar a fé. A orquestra internacional composta apenas de Testemunhas, que muitas vezes ajudara em projetos especiais, contribuiu com a música que realçaria os vídeos.

      Implementaram-se planos para alcançar mais grupos lingüísticos. Em meados de 1992, o vídeo “Testemunhas de Jeová — A Organização Que Leva o Nome” estava sendo produzido em mais de uma dúzia de idiomas. Fora gravado em 25 idiomas, incluindo alguns da Europa Oriental. Além disso, providenciava-se sua gravação em mandarim e cantonês para os chineses. A Sociedade também havia adquirido os direitos de reprodução e distribuição de “Purple Triangles” (Triângulos Roxos), um vídeo sobre a integridade duma família de Testemunhas na Alemanha na era nazista. Num período de dois anos, bem mais de um milhão de fitas de vídeo foram produzidas para o uso das Testemunhas de Jeová em seu ministério.

      Deu-se atenção especial às necessidades dos deficientes auditivos. Produziu-se uma edição de “Testemunhas de Jeová — A Organização Que Leva o Nome” na linguagem de sinais americana. E estudava-se a possibilidade de preparar vídeos apropriados para os deficientes auditivos de outros países.

      Enquanto isso, trabalhava-se na produção duma série que ajudaria a edificar a fé no livro que é o próprio fundamento da fé cristã, a Bíblia. Em setembro de 1992, a primeira parte desse programa, “A Bíblia — História Exata, Profecias Confiáveis”, estava concluída em inglês, e preparavam-se edições em outras línguas.

      As fitas de vídeo de modo algum estão tomando o lugar da página impressa ou do testemunho pessoal. As publicações da Sociedade continuam a desempenhar um papel vital na divulgação das boas novas. O trabalho de casa em casa das Testemunhas de Jeová permanece como aspecto de seu ministério solidamente fundamentado nas Escrituras. No entanto, as fitas de vídeo agora os complementam como valiosos instrumentos para cultivar fé nas preciosas promessas de Jeová e estimular o apreço pelo que ele manda ser feito na Terra em nossos dias.

      1. Depois de se determinar o conteúdo básico, realiza-se a filmagem à medida que o texto é elaborado.

      2. Selecionam-se as cenas e a seqüência é determinada na pré-montagem.

      3. Músicas orquestradas, compostas especialmente, são gravadas para realçar o vídeo.

      4. Música digital e efeitos sonoros são conjugados com a narração e as cenas.

      5. Faz-se a montagem final de som e imagem.

      [Fotos]

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  • Impressão e distribuição da Palavra Sagrada de Deus
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 27

      Impressão e distribuição da Palavra Sagrada de Deus

      NA FACHADA de um prédio no principal conjunto gráfico em sua sede mundial, as Testemunhas de Jeová há décadas exibem um letreiro que insta a todos: “Leia diariamente a Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada.”

      Elas próprias são estudantes diligentes da Palavra de Deus. Ao longo dos anos, têm usado inúmeras traduções da Bíblia na tentativa de apurar o sentido exato das Escrituras inspiradas originais. Toda Testemunha é incentivada a ter um programa pessoal de leitura bíblica diária. Além de seu estudo da Palavra de Deus por assuntos, elas progressivamente lêem e consideram a própria Bíblia nas suas reuniões congregacionais. Seu objetivo não é procurar textos para apoiar suas idéias. Elas encaram a Bíblia como Palavra inspirada do próprio Deus. Sabem que ela dá repreensão e disciplina, e procuram sinceramente ajustar seu raciocínio e sua conduta ao que ela diz. — 2 Tim. 3:16, 17; compare com 1 Tessalonicenses 2:13.

      Por causa de sua convicção de que a Bíblia é a Palavra sagrada do próprio Deus, e porque conhecem as gloriosas boas novas que ela contém, as Testemunhas de Jeová são também zelosos publicadores e distribuidores da Bíblia.

      Uma sociedade publicadora da Bíblia

      Foi em 1896 que a menção direta da Bíblia foi incluída oficialmente no nome da sociedade jurídica que os Estudantes da Bíblia usavam na sua atividade publicadora. Naquele tempo, a Sociedade de Tratados Torre de Vigia de Sião passou a ser legalmente conhecida como Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados.a A Sociedade não se tornou imediatamente impressora e encadernadora de Bíblias, mas era ativa editora, estabelecendo especificações, suprindo valiosos aspectos suplementares, e cuidando então que firmas de fora fizessem a impressão e encadernação.

      Mesmo antes de 1896, a Sociedade tinha grande atuação como distribuidora da Bíblia. Não com fins lucrativos, mas como um serviço a seus leitores, ela chamava a atenção a várias traduções da Bíblia disponíveis, comprava-as em grande quantidade de modo a obter bons preços, e daí as colocava à disposição por um preço que, às vezes, era apenas 35 por cento do preço de tabela. Entre estas havia numerosas edições da King James Version, fáceis de portar e manusear, além de ‘Bíblias para Instrutores’ em tamanho maior (King James Version, com ajudas como concordância, mapas e referências marginais); The Emphatic Diaglott, com sua tradução interlinear grego-inglês; a tradução de Leeser, que colocou o texto em inglês ao lado do hebraico; a tradução de Murdock, do antigo siríaco; The Newberry Bible, com suas referências marginais que apontavam as ocorrências do nome divino no idioma original, bem como outros detalhes valiosos refletidos no texto hebraico e grego; o New Testament de Tischendorf, com suas referências de rodapé a traduções alternativas de três dos mais completos antigos manuscritos bíblicos gregos (Sinaítico, Vaticano e Alexandrino); a Bíblia Variorum, com suas notas de rodapé que indicavam não apenas leituras alternativas de manuscritos antigos, mas também várias traduções de trechos do texto feitas por renomados eruditos; e a tradução literal de Young. A Sociedade também colocou à disposição ajudas tais como a Cruden’s Concordance e a Analytical Concordance, de Young, com seus comentários sobre as palavras originais hebraicas e gregas. Nos anos seguintes, as Testemunhas de Jeová ao redor do globo freqüentemente adquiriam de outras sociedades bíblicas muitos milhares de Bíblias em qualquer idioma que existissem, e as distribuíam.

      Já em 1890, segundo a evidência disponível, a Sociedade providenciou uma impressão especial, que levava seu próprio nome, da Segunda Edição de The New Testament Newly Translated and Critically Emphasised, preparado pelo tradutor bíblico britânico Joseph B. Rotherham. Por que essa tradução? Por causa de sua literalidade e seu empenho de aproveitar plenamente a pesquisa que fora feita para criar um texto grego mais exato, e porque o leitor era ajudado por mecanismos empregados pelo tradutor a identificar a que palavras ou expressões se dava ênfase especial no texto grego.

      Em 1902, foi feita uma impressão especial da Edição Paralela Linear da Bíblia, de Holman, em inglês, através de arranjos feitos pela Sociedade Torre de Vigia. Continha margens largas nas quais havia indicações a lugares nas publicações da Torre de Vigia em que certos versículos eram explicados, também um índice com inúmeros assuntos junto com citações das Escrituras e referências úteis a publicações da Sociedade. Essa Bíblia continha a fraseologia de duas traduções: a tradução da King James acima da tradução da Revised Version quando havia alguma diferença. Incluía também uma extensa concordância que alertava o usuário aos vários sentidos das palavras da respectiva língua original.

      Naquele mesmo ano, a Sociedade Torre de Vigia tornou-se proprietária das chapas de impressão da The Emphatic Diaglott, que inclui o texto grego das Escrituras Gregas Cristãs, de J. J. Griesbach (edição de 1796-1806) junto com uma tradução interlinear para o inglês. Junto a isso havia a tradução de Benjamin Wilson, britânico de nascimento, que havia fixado residência em Geneva, Illinois, EUA. Essas chapas e o direito exclusivo de publicação haviam sido comprados e entregues à Sociedade como donativo. Depois que os exemplares já em estoque foram distribuídos, a Sociedade providenciou a impressão de mais exemplares, que se tornaram disponíveis em 1903.

      Quatro anos depois, em 1907, foi publicada a Edição dos Estudantes da Bíblia da King James Version. Como apêndice, foi incluído o “Berean Bible Teachers’ Manual” (Manual do Instrutor da Bíblia Bereana). Este incluía comentários concisos sobre versículos de todas as partes da Bíblia, junto com referências a publicações da Torre de Vigia para explicação mais completa. Uma edição com um apêndice ampliado foi publicada cerca de um ano depois.

      Essas Bíblias eram encomendadas a impressoras e encadernadoras em lotes de 5.000 e 10.000 por vez, para manter reduzido o custo. O desejo da Sociedade era ter uma variedade de traduções da Bíblia, e instrumentos de pesquisa relacionados, à pronta disposição do maior número possível de pessoas.

      Daí, em 1926, a Sociedade Torre de Vigia deu um importante passo no seu envolvimento na publicação da Bíblia.

      A Bíblia é impressa nas nossas próprias impressoras

      Foi 36 anos depois de ter empreendido a publicação de Bíblias que a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos EUA) imprimiu e encadernou a Bíblia em sua própria gráfica. A primeira assim produzida foi The Emphatic Diaglott, cujas chapas a Sociedade já possuía há 24 anos. Em dezembro de 1926, esta Bíblia foi impressa numa impressora plana na gráfica da Sociedade na Rua Concord, em Brooklyn. Até hoje, 427.924 destas já foram produzidas.

      Dezesseis anos depois, em meio à Segunda Guerra Mundial, a Sociedade passou a imprimir a Bíblia inteira. Para isso, em 1942 foram compradas as chapas da King James Version, com referências marginais, da A. J. Holman Company, de Filadélfia, Pensilvânia. Esta tradução da Bíblia completa para o inglês foi produzida, não à base da Vulgata latina, mas por eruditos que estavam em condições de comparar traduções anteriores com o hebraico, o aramaico e o grego originais. Foi acrescentada uma concordância, elaborada por mais de 150 colaboradores, todos servos de Jeová. Foi projetada especialmente para ajudar as Testemunhas de Jeová a encontrar prontamente textos apropriados no ministério de campo e assim usar a Bíblia eficazmente como “espada do espírito”, para expor falsidades religiosas. (Efé. 6:17) A fim de tornar a Bíblia disponível a pessoas em toda a parte a um baixo custo, foi impressa numa rotativa — algo jamais tentado antes por outras impressoras da Bíblia. Até 1992, 1.858.368 dessas Bíblias haviam sido produzidas.

      O desejo das Testemunhas de Jeová ia além de distribuir exemplares da Bíblia, o livro em si. As Testemunhas queriam ajudar pessoas a conhecer o nome, bem como o propósito, de seu autor divino, Jeová Deus. Havia uma tradução em inglês — a American Standard Version, de 1901 — que usava o nome divino nos mais de 6.870 lugares em que aparece nas fontes usadas pelos tradutores. Em 1944, depois de meses de negociações, a Sociedade Torre de Vigia comprou o direito de fazer um conjunto de chapas para essa Bíblia a partir de chapas e tipos fornecidos pela companhia Thomas Nelson and Sons, de Nova Iorque. Nos 48 anos seguintes foram produzidos 1.039.482 exemplares.

      Steven Byington, de Ballard Vale, Massachusetts, EUA, também havia feito uma tradução da Bíblia em inglês moderno, que deu ao nome divino seu devido lugar. A Sociedade Torre de Vigia veio a possuir seu manuscrito não publicado, em 1951, e adquiriu o direito exclusivo de publicação em 1961. Essa tradução completa foi impressa em 1972. Até 1992, foram produzidos 262.573 exemplares.

      No ínterim, porém, outra coisa acontecia.

      A produção da Tradução do Novo Mundo

      Foi em princípios de outubro de 1946 que Nathan H. Knorr, então presidente da Sociedade Torre de Vigia, propôs que a Sociedade produzisse uma tradução inteiramente nova das Escrituras Gregas Cristãs. O serviço de tradução começou em 2 de dezembro de 1947. O texto completo foi cuidadosamente revisto pela inteira comissão de tradução, todos eles cristãos ungidos pelo espírito. Daí, em 3 de setembro de 1949, o irmão Knorr convocou uma reunião conjunta dos quadros de diretores das corporações da Sociedade de Nova Iorque e de Pensilvânia. Anunciou-lhes que a Comissão da Tradução do Novo Mundo da Bíblia havia terminado o trabalho de tradução em linguagem moderna das Escrituras Gregas Cristãs e a havia entregue à Sociedade para publicação.b Era uma tradução inteiramente nova baseada no grego original.

      Havia realmente necessidade de mais uma tradução? Já naquele tempo, a Bíblia completa havia sido publicada em 190 línguas e, pelo menos em parte, havia sido traduzida em outras 928 línguas e dialetos. As Testemunhas de Jeová usaram em vários períodos a maioria dessas traduções. Mas o fato é que a maioria delas foi feita por clérigos e missionários das seitas religiosas da cristandade, e, em maior ou menor grau, suas traduções foram influenciadas pelas filosofias pagãs e tradições não-bíblicas que seus sistemas religiosos herdaram do passado, bem como pelos preconceitos da alta crítica. Ademais, manuscritos bíblicos mais antigos e mais confiáveis tornavam-se disponíveis. O entendimento da língua grega do primeiro século tornava-se mais claro em resultado de descobertas arqueológicas. Também, as línguas para as quais as traduções são feitas sofrem mudanças ao longo dos anos.

      As Testemunhas de Jeová desejavam uma tradução que incorporasse os benefícios da mais recente erudição, que não fosse influenciada pelos credos e tradições da cristandade, uma tradução literal que apresentasse fielmente o que consta nos escritos originais, podendo assim fornecer a base para contínuo crescimento no conhecimento da verdade divina, uma tradução que fosse clara e compreensível aos leitores de hoje. A Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs, lançada em inglês em 1950, preencheu essa necessidade — pelo menos para esta parte da Bíblia. À medida que as Testemunhas de Jeová começavam a usá-la, muitos se emocionavam, não só porque achavam a linguagem moderna mais fácil de ler, mas também porque se davam conta de que estavam obtendo um entendimento mais claro do sentido da Palavra inspirada de Deus.

      Uma das características notáveis dessa tradução é ter ela restaurado o nome divino, o nome pessoal de Deus, Jeová, 237 vezes nas Escrituras Gregas Cristãs. Não foi a primeira tradução a restaurar o nome.c Mas talvez tenha sido a primeira a fazer isso coerentemente no texto principal, de Mateus a Revelação (Apocalipse). Uma análise extensa desse assunto no prefácio mostrava a base sólida para o que foi feito.

      Depois disso, as Escrituras Hebraicas foram traduzidas para o inglês e lançadas progressivamente, em cinco diferentes volumes, a partir de 1953. Como se fizera com as Escrituras Gregas Cristãs, teve-se o cuidado de transmitir tão literalmente quanto possível o que estava no texto da língua original. Deu-se atenção especial a tornar uniforme a tradução, transmitindo com exatidão a ação ou o estado expresso nos verbos, e usando linguagem simples que seria prontamente compreendida por leitores da atualidade. Sempre que o Tetragrama aparecia no texto hebraico, era apropriadamente traduzido como o nome pessoal de Deus, em vez de ser substituído por algum outro termo, como se tornara comum em muitas outras traduções. Apêndices e notas de rodapé nesses volumes possibilitaram que estudantes atentos examinassem a base para as formas de tradução usadas.

      Em 13 de março de 1960, a Comissão da Tradução do Novo Mundo da Bíblia terminou sua leitura final do texto da parte da Bíblia que estava programada para o quinto volume. Isto foi 12 anos, 3 meses e 11 dias depois de ter começado a tradução das Escrituras Gregas Cristãs. Alguns meses depois, esse volume final das Escrituras Hebraicas, impresso, foi lançado para distribuição.

      Em vez de se dissolver depois de terminado o projeto, a comissão de tradução continuou a trabalhar. Fez-se um amplo reexame da inteira tradução. Daí, a completa Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, uma edição revisada em um único volume, foi publicada pela Sociedade Torre de Vigia (em inglês) em 1961. Foi colocada à disposição por apenas um dólar, de modo que todos, independentemente de sua situação econômica, pudessem obter um exemplar da Palavra de Deus.

      Dois anos mais tarde foi publicada uma edição especial para estudantes da Bíblia. Esta juntava sob uma única capa todos os volumes originais, não revisados, com suas milhares de valiosas notas de rodapé textuais, bem como os prefácios e apêndices. Reteve também as valiosas referências cruzadas que dirigiam os leitores a palavras paralelas, pensamentos ou eventos paralelos, dados biográficos, detalhes geográficos, cumprimentos de profecias, e citações, ou fontes de citações, em outras partes da Bíblia.

      Desde que foi publicada a edição de 1961 em um volume, quatro outras revisões foram lançadas. A mais recente foi em 1984, quando foi publicada uma edição em tipos grandes, com um extenso apêndice, 125.000 referências marginais, 11.400 notas de rodapé esclarecedoras e uma concordância. As particularidades dessa edição ajudam os estudantes a entender por que determinados textos têm de ser traduzidos de certa maneira para ser exatos, bem como quando outros textos podem ser corretamente traduzidos de mais de uma maneira. As referências cruzadas também os ajudam a apreciar a entrelaçadora harmonia entre os vários livros bíblicos.

      Como parte do sincero empenho da Comissão da Tradução do Novo Mundo da Bíblia de ajudar os amantes da Palavra de Deus a se familiarizarem com o conteúdo do texto original em coiné (grego comum) das Escrituras Gregas Cristãs, a comissão produziu The Kingdom Interlinear Translation of the Greek Scriptures, uma tradução interlinear grego-inglês das Escrituras Gregas. Foi originalmente publicada pela Sociedade Torre de Vigia em 1969 e daí atualizada em 1985. Contém The New Testament in the Original Greek, compilado por B. F. Westcott e F. J. A. Hort. No lado direito da página aparece o texto em inglês da Tradução do Novo Mundo (a revisão de 1984 na edição atualizada). Mas, entre as linhas do texto grego, há outra tradução bem literal, palavra por palavra, do que o grego realmente diz segundo o sentido básico e forma gramatical de cada palavra. Isto faz com que até mesmo estudantes que não saibam ler grego possam descobrir o que realmente consta no texto grego original.

      Iria esse trabalho da Tradução do Novo Mundo beneficiar apenas os que conhecem inglês? Em muitos lugares, os missionários da Torre de Vigia achavam difícil obter suficientes Bíblias no idioma local para distribuir às pessoas que anelavam possuir um exemplar da Palavra de Deus. Não era incomum, em algumas partes do mundo, que esses missionários fossem os principais distribuidores de Bíblias impressas por outras sociedades bíblicas. Mas isso nem sempre era encarado com favor pelos religiosos que representavam essas sociedades bíblicas. Ademais, algumas dessas Bíblias não primavam pela boa tradução.

      Tradução para outras línguas

      No ano em que a edição completa da Tradução do Novo Mundo em inglês foi pela primeira vez publicada num único volume, ou seja, em 1961, foi reunido um grupo de tradutores peritos para traduzir o texto inglês para outros seis idiomas de largo uso — alemão, espanhol, francês, holandês, italiano e português. Traduzir a partir do inglês, suplementado com a comparação com o hebraico e o grego, foi possível por causa da natureza literal da própria tradução em inglês. Os tradutores trabalharam como comissão internacional em associação com a Comissão da Tradução do Novo Mundo da Bíblia, na sede da Sociedade em Brooklyn, Nova Iorque. Em 1963, as Escrituras Gregas Cristãs foram impressas e lançadas em todas essas seis línguas.

      Em 1992, a completa Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas estava disponível em 12 idiomas — alemão, dinamarquês, eslovaco, espanhol, francês, holandês, inglês, italiano, japonês, português, sueco e tcheco. As Escrituras Gregas Cristãs estavam disponíveis em mais duas outras línguas. Isto significa que esta tradução estava disponível no idioma nativo de cerca de 1.400.000.000 de pessoas, mais de um quarto da população do mundo, e muitos mais se beneficiavam dela através da tradução de excertos em outros 97 idiomas em A Sentinela. Os usuários dessas 97 línguas, porém, estavam ansiosos de ter a Tradução do Novo Mundo completa em sua própria língua. Em 1992, já se faziam preparativos para produzir essa tradução em 16 desses idiomas e completar as Escrituras Hebraicas naquelas 2 línguas que tinham apenas as Escrituras Gregas Cristãs.

      Visto que a publicação dessas Bíblias foi feita nas gráficas da própria Sociedade por voluntários, foi possível produzi-las a um custo mínimo. Em 1972, quando uma Testemunha de Jeová austríaca mostrou a um encadernador a Tradução do Novo Mundo em alemão e perguntou-lhe quanto achava que custaria, o homem ficou surpreso ao saber que a contribuição sugerida era apenas um décimo do preço que ele mencionara.

      Alguns exemplos ilustram o impacto dessa tradução. Na França, a Igreja Católica por séculos proibiu que os leigos possuíssem a Bíblia. Traduções católicas que se tornaram disponíveis eram relativamente caras e poucas casas as tinham. A Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs foi lançada em francês em 1963, seguida pela Bíblia completa em 1974. Em 1992, 2.437.711 exemplares da Tradução do Novo Mundo já haviam sido despachados para distribuição na França; e o número de Testemunhas de Jeová na França aumentou em 488 por cento durante esse mesmo período, atingindo o total de 119.674.

      A situação era similar na Itália. As pessoas há muito estavam proibidas de possuir a Bíblia. Após o lançamento da edição em italiano da Tradução do Novo Mundo e até 1992, foram distribuídos 3.597.220 exemplares; a vasta maioria destes era a Bíblia completa. As pessoas queriam examinar por si mesmas o conteúdo da Palavra de Deus. E, curiosamente, nesse mesmo período, o número de Testemunhas de Jeová na Itália aumentou vertiginosamente — de 7.801 para 194.013.

      Quando a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs ficou disponível em português, havia apenas 30.118 Testemunhas no Brasil e 1.798 em Portugal. Nos anos seguintes, até 1992, um total de 213.438 exemplares das Escrituras Gregas Cristãs e 4.153.738 exemplares da Bíblia completa em português foram enviados a pessoas e congregações nesses países. Com que resultados? No Brasil, acima de 11 vezes mais louvadores ativos de Jeová; e, em Portugal, 22 vezes mais. Dezenas de milhares de pessoas que jamais haviam possuído uma Bíblia alegraram-se de obter uma, e outros apreciaram ter uma Bíblia que usava palavras que podiam entender. Quando a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas — Com Referências ficou disponível no Brasil, a mídia destacou que era a mais completa versão (isto é, com maior número de referências cruzadas e notas de rodapé) disponível no país. Disse também que a impressão inicial foi dez vezes maior do que a da maioria das edições nacionais.

      A edição em espanhol da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs também foi lançada em 1963, seguida em 1967 pela Bíblia completa. Foram publicados 527.451 exemplares das Escrituras Gregas Cristãs, e, depois disso, até 1992, um total de 17.445.782 exemplares da Bíblia completa em espanhol. Isto contribuiu para um notável aumento no número de louvadores de Jeová em países de língua espanhola. Assim, de 1963 a 1992, nos países de língua espanhola em que as Testemunhas de Jeová realizam seu ministério, seu número aumentou de 82.106 para 942.551. E nos Estados Unidos, em 1992, havia adicionais 130.224 Testemunhas de Jeová de língua espanhola.

      Não foi apenas no domínio da cristandade que a Tradução do Novo Mundo foi recebida entusiasticamente. No primeiro ano da publicação da edição em japonês, a filial no Japão recebeu pedidos de meio milhão de exemplares.

      Em 1992, a impressão da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, nas 12 línguas então disponíveis, somavam 70.105.258 exemplares. Além disso, 8.819.080 exemplares de partes da tradução haviam sido impressos.

      A Bíblia torna-se disponível em muitas formas

      A computadorização das operações da Sociedade Torre de Vigia, a partir de 1977, tem ajudado na produção da Bíblia, assim como em outros aspectos da atividade editora. Tem ajudado os tradutores a obter maior coerência na sua obra; também tem tornado mais fácil imprimir a Bíblia numa variedade de estilos.

      Depois que se deu entrada do texto inteiro da Bíblia no computador, não foi difícil usar uma fotocompositora eletrônica para imprimir o texto numa variedade de tamanhos e formas. Primeiro, em 1981, saiu uma edição em tamanho comum em inglês com uma concordância e úteis apêndices. Foi a primeira impressão da Sociedade Torre de Vigia numa impressora off-set a bobina. Depois que os benefícios da revisão foram incorporados no texto armazenado no computador, foi lançada em inglês uma edição de tipos grandes, em 1984; esta incluía muitas valiosas particularidades para pesquisa. Uma edição de tamanho normal em inglês dessa mesma revisão também ficou disponível naquele ano; foram incluídas referências cruzadas e uma concordância, mas não notas de rodapé; e seu apêndice foi planejado para o ministério de campo em vez de para estudo mais profundo. Daí, para quem desejava uma edição de bolso bem pequena, esta foi publicada em inglês em 1987. Todas essas edições foram prontamente publicadas também em outras línguas.

      Além disso, deu-se atenção a ajudar os que têm necessidades especiais. Para ajudar os que conseguem enxergar mas necessitam tipos bem grandes, em 1985 foi publicada em inglês a Tradução do Novo Mundo completa em quatro grandes volumes. Logo depois, essa mesma edição foi impressa em alemão, francês, espanhol e japonês. Antes disso, em 1983, a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs, em quatro volumes, foi colocada à disposição em braile inglês, grau dois. Depois de cinco anos, a Tradução do Novo Mundo completa havia sido produzida em braile inglês em 18 volumes.

      Será que alguns seriam beneficiados se pudessem ouvir uma gravação da Bíblia? Certamente. Assim, a Sociedade Torre de Vigia empreendeu a produção disso também. A primeira fita cassete foi As Boas Novas Segundo João, em inglês, lançada em 1978. Com o tempo, a inteira Tradução do Novo Mundo em inglês ficou disponível em 75 fitas cassete. O que começou como pequeno projeto, logo virou um grande empreendimento. Rapidamente tornou-se disponível em outras línguas. Em 1992, a Tradução do Novo Mundo, toda ou em parte, estava disponível em fitas cassete em 14 idiomas. De início, algumas filiais contratavam os serviços de empresas de fora. Até 1992, com o seu próprio equipamento, a Sociedade Torre de Vigia havia produzido mais de 31.000.000 dessas fitas cassete.

      Os benefícios das fitas cassete da Bíblia e os usos a que se destinaram excederam em muito as expectativas iniciais. Em todas as partes da Terra as pessoas usavam toca-fitas. Muitos que não sabem ler foram assim ajudados a beneficiar-se pessoalmente da Palavra sagrada de Deus. Mulheres podiam ouvir as fitas enquanto realizavam suas tarefas domésticas. Homens ouviam-nas no toca-fitas do carro ao irem ao trabalho. A habilidade de ensino das Testemunhas de Jeová individualmente se acentuou à medida que ouviam regularmente a Palavra de Deus e atentavam à pronúncia de nomes bíblicos e a como as passagens das Escrituras eram lidas.

      Em 1992, várias edições da Tradução do Novo Mundo estavam sendo impressas nas impressoras da Sociedade na América do Norte e do Sul, na Europa e no Oriente. O total de 78.924.338 volumes havia sido produzido para distribuição. Só em Brooklyn, havia três enormes impressoras off-set a bobina, de alta velocidade, dedicadas quase inteiramente à produção de Bíblias. Juntas, essas impressoras podem produzir o equivalente a 7.900 Bíblias por hora, e às vezes é preciso operar em turnos extras.

      Contudo, as Testemunhas de Jeová oferecem às pessoas mais do que a Bíblia, que pode simplesmente ser colocada na estante. Também oferecem a quem quer que se interesse pela Bíblia — quer adquira um exemplar das Testemunhas de Jeová, quer não — um estudo bíblico gratuito. Esses estudos não continuam indefinidamente. Alguns estudantes levam a sério o que aprendem, tornam-se Testemunhas batizadas e passam a participar em ensinar outros. Depois de alguns meses, se não for feito progresso razoável em aplicar o que se aprende, os estudos muitas vezes são descontinuados em favor de outras pessoas que estejam genuinamente interessadas. Em 1992, as Testemunhas de Jeová prestavam esse serviço de estudo bíblico gratuito a 4.278.127 pessoas ou famílias, em geral em base semanal.

      Assim, de maneira não igualada por qualquer outra organização, as Testemunhas de Jeová são publicadores e distribuidores da Bíblia e instrutores da Palavra sagrada de Deus.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Como mostrou a Watch Tower (A Sentinela) de 15 de julho de 1892 (p. 210), o nome Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados havia sido usado por vários anos antes de ser legalmente registrado. Um tratado publicado em 1890, na série Old Theology (Velha Teologia), identificou os editores como Sociedade Torre de Bíblias e Tratados.

      b Esta tradução foi confiada à Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados de Pensilvânia para publicação, com o pedido de que os nomes dos tradutores jamais fossem publicados. Queriam que toda a honra fosse dirigida a Jeová Deus, o Autor Divino de sua Palavra inspirada.

      c Algumas traduções anteriores para hebraico, alemão e inglês restauraram o nome divino nas Escrituras Gregas Cristãs, como também o fizeram muitas versões missionárias.

      [Fotos na página 604]

      Algumas das traduções usadas pelos primeiros Estudantes da Bíblia

      Tradução literal de Young

      Tradução de Leeser (inglês ao lado do hebraico)

      “New Testament” de Tischendorf (com leituras variantes dos MSS gregos)

      Tradução de Murdock (do siríaco)

      “The Emphatic Diaglott” (grego para inglês)

      Bíblia Variorum (com várias traduções em inglês)

      “The Newberry Bible” (com valiosas notas marginais)

      [Foto na página 605]

      Introdução da edição do “New Testament”, de Rotherham, impresso para a Sociedade Torre de Vigia em c. 1890.

      [Foto na página 606]

      Edição Paralela Linear da Bíblia, de Holman, publicada em 1902 segundo arranjos feitos pela Sociedade Torre de Vigia.

      [Foto na página 606]

      Edição da “King James Version” feita pela Torre de Vigia, com concordância especialmente preparada. (1942)

      [Foto na página 607]

      A “American Standard Version”, uma tradução que usa o nome divino, Jeová, mais de 6.870 vezes; edição da Torre de Vigia. (1944)

      [Foto na página 607]

      Tradução de Byington (1972)

      [Foto na página 608]

      “Tradução do Novo Mundo”, primeiro lançada em inglês em seis volumes, de 1950 a 1960; mais tarde combinados numa edição especial para estudo.

      Publicada como volume único em 1961.

      Edição de tipos grandes, com referências para estudo, publicada em 1984.

      [Foto na página 612]

      Progressivamente, a “Tradução do Novo Mundo” fica disponível em outras línguas.

      [Foto na página 614]

      “Tradução do Novo Mundo” em tipos gigantes

      . . . em braile

      . . . em fitas cassete

      . . . em disquetes de computador

      [Foto/Quadro na página 610]

      “Texto com vocabulário instantâneo”

      No “The Classical Journal”, Thomas N. Winter, da Universidade de Nebraska, EUA, escreveu uma crítica de “The Kingdom Interlinear Translation of the Greek Scriptures” (grego-inglês), em que disse: “Não se trata de uma interlinear comum: a integridade do texto é preservada, e o inglês que aparece embaixo dele é simplesmente o sentido básico da palavra grega. Assim, o caráter interlinear desse livro realmente não é de tradução. Seria mais corretamente chamado de texto com vocabulário instantâneo. Uma tradução em inglês fluente aparece numa coluna estreita na margem direita das páginas. . . .

      “O texto se baseia no de Brooke F. Westcott e Fenton J. A. Hort (reimpr. 1881), mas a tradução da comissão anônima é plenamente atualizada e coerentemente exata.” — Edição de abril-maio de 1974, pp. 375-6.

      [Foto]

      Edições de 1969 e 1985

      [Foto/Quadro na página 611]

      A opinião de um hebraísta

      A respeito da “Tradução do Novo Mundo”, o professor Dr. Benjamin Kedar, hebraísta, de Israel, disse em 1989: “Em minha pesquisa lingüística relacionada com a Bíblia Hebraica e suas traduções, não raro eu consulto a edição em inglês do que é conhecido como ‘Tradução do Novo Mundo’. Ao fazer assim, confirmo repetidamente meu conceito de que essa obra reflete um esforço honesto de obter uma compreensão do texto tão precisa quanto é possível. Dando evidência de amplo domínio da língua original, verte inteligivelmente as palavras originais para um segundo idioma sem se desviar desnecessariamente da estrutura específica do hebraico. . . . Toda declaração lingüística permite certa latitude de interpretação ou de tradução. Assim, a solução lingüística em qualquer dado caso pode ser discutida. Mas eu nunca descobri na ‘Tradução do Novo Mundo’ intento preconceituoso de dar ao texto uma interpretação que este não contenha.”

      [Gráficos na página 613]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      Aumento das Testemunhas de Jeová desde a publicação da “Tradução do Novo Mundo”

      França

      150.000

      100.000

      50.000

      1963 1970 1980 1992

      Itália

      150.000

      100.000

      50.000

      1963 1970 1980 1992

      Portugal e Brasil

      300.000

      200.000

      100.000

      1963 1970 1980 1992

      Países de língua espanhola

      900.000

      600.000

      300.000

      1963 1970 1980 1992

      [Quadro na página 609]

      Uma tradução nova

      Quando o primeiro volume da “Tradução do Novo Mundo das Escrituras Hebraicas” foi publicado, Alexander Thomson, um crítico bíblico britânico, escreveu: “São pouquíssimas as traduções das Escrituras Hebraicas vertidas do idioma original para o inglês. Portanto, dá-nos muita satisfação acolher a publicação da primeira parte da Tradução do Novo Mundo [das Escrituras Hebraicas], de Gênesis a Rute. . . . Esta versão fez evidentemente esforço especial de ser muitíssimo fácil de ler. Ninguém poderia dizer que é deficiente na sua novidade e originalidade. A sua terminologia não se baseia de forma alguma na de versões anteriores.” — “The Differentiator”, de junho de 1954, p. 131.

  • Provas e peneiramento internos
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 28

      Provas e peneiramento internos

      O DESENVOLVIMENTO e o crescimento da hodierna organização das Testemunhas de Jeová veio acompanhado de muitas situações que provaram severamente a fé das pessoas. Assim como o debulhar e o joeirar separam o trigo da palha, essas situações têm servido para identificar quem são os cristãos genuínos. (Compare com Lucas 3:17.) As pessoas associadas com a organização tiveram de manifestar o que tinham no coração. Serviam apenas por vantagem pessoal? Eram meramente seguidores de algum humano imperfeito? Ou eram humildes, ansiosos de conhecer e fazer a vontade de Deus, plenos na sua devoção a Jeová? — Compare com 2 Crônicas 16:9.

      Os seguidores de Jesus Cristo no primeiro século também passaram por testes de sua fé. Jesus disse a seus seguidores que, se fossem fiéis, partilhariam com ele no Seu Reino. (Mat. 5:3, 10; 7:21; 18:3; 19:28) Mas ele não lhes disse quando receberiam tal prêmio. Em face de apatia pública, e até mesmo hostilidade, para com a sua pregação, continuariam eles lealmente a fazer dos interesses desse Reino a principal preocupação nas suas vidas? Nem todos fizeram isso. — 2 Tim. 4:10.

      A maneira de o próprio Jesus ensinar foi um teste para alguns. Os fariseus tropeçaram quando ele explicitamente rejeitou as tradições deles. (Mat. 15:1-14) Até mesmo muitos professos discípulos de Jesus ofenderam-se com a sua maneira de ensinar. Certa ocasião, quando Jesus falava a respeito da importância de exercer fé no valor de sua própria carne e sangue oferecidos em sacrifício, muitos de seus discípulos expressaram repulsa diante da linguagem figurativa que ele usou. Sem esperar maiores explicações, eles “foram embora para as coisas deixadas atrás e não andavam mais com ele”. — João 6:48-66.

      Mas nem todos se afastaram. Como Simão Pedro explicou: “Senhor, para quem havemos de ir? Tu tens declarações de vida eterna; e nós cremos e viemos a saber que tu és o Santo de Deus.” (João 6:67-69) Eles já haviam visto e ouvido o suficiente para se convencerem de que Jesus era aquele por meio de quem Deus estava manifestando a verdade a respeito de si mesmo e de seu propósito. (João 1:14; 14:6) Não obstante, as provas de fé continuaram.

      Depois de sua morte e ressurreição, Jesus usou os apóstolos e outros como pastores da congregação. Estes eram homens imperfeitos, e, às vezes, suas imperfeições eram uma prova para os que os cercavam. (Veja Atos 15:36-41; Gálatas 2:11-14.) Por outro lado, havia indivíduos que se desequilibraram na sua admiração de cristãos de destaque, e que diziam: “Eu pertenço a Paulo”, ao passo que outros diziam: ‘Eu pertenço a Apolo.’ (1 Cor. 3:4) Todos tinham de estar alertas para não perderem de vista o que significava ser seguidor de Jesus Cristo.

      O apóstolo Paulo predisse outros problemas sérios, dizendo que mesmo dentro da congregação cristã ‘surgiriam homens que falariam coisas deturpadas para atrair a si os discípulos’. (Atos 20:29, 30) E o apóstolo Pedro alertou que falsos instrutores dentre os servos de Deus procurariam explorar outros com “palavras simuladas”. (2 Ped. 2:1-3) Obviamente, estavam por vir profundos e esquadrinhadores testes de fé e lealdade.

      Portanto, as provas e os peneiramentos que são parte da história moderna das Testemunhas de Jeová não vieram como surpresa. Mas não poucos ficaram surpresos quanto a quem tropeçou e por causa de quê.

      Apreciavam realmente o resgate?

      Nos primeiros anos da década de 1870, o irmão Russell e seus associados aumentaram em conhecimento e apreço pelo propósito de Deus. Era um tempo de refrigério espiritual para eles. Mas, daí, em 1878, viram-se diante de um importante teste de sua fé e lealdade à Palavra de Deus. A questão era o valor sacrificial da carne e do sangue de Jesus — o mesmo ensino sobre o qual muitos dos discípulos de Jesus do primeiro século haviam tropeçado.

      Fora apenas dois anos antes, em 1876, que C. T. Russell entrara numa relação de trabalho com N. H. Barbour, de Rochester, Nova Iorque. Seus grupos de estudo haviam-se tornado associados. Russell fornecera recursos para reativar a impressão da revista Herald of the Morning (Arauto da Aurora), de Barbour, tendo a Barbour como editor e Russell como editor-assistente. Eles haviam também produzido juntos um livro intitulado Three Worlds, and the Harvest of This World (Três Mundos e a Colheita Deste Mundo).

      Daí estourou uma bomba! Na edição de agosto de 1878 de Herald of the Morning, Barbour escreveu um artigo em que pôs de lado textos como 1 Pedro 3:18 e Isaías 53:5, 6, também Hebreus 9:22, e declarou que a idéia que Cristo morreu para expiar os nossos pecados era desprezível. Russell mais tarde escreveu: “Para nossa dolorosa surpresa, o Sr. Barbour . . . escreveu um artigo para o Herald negando a doutrina da expiação — negando que a morte de Cristo era o preço de resgate de Adão e sua prole, dizendo que a morte de Cristo não foi uma liquidação da penalidade pelos pecados do homem assim como espetar um alfinete no corpo duma mosca e fazê-la sofrer e morrer não seria considerado por um pai terrestre como justa reparação do mau procedimento de seu filho.”a

      Este era um assunto crucial. Apegar-se-ia o irmão Russell com lealdade ao que a Bíblia claramente diz a respeito da provisão de Deus para a salvação da humanidade? Ou cairia presa da filosofia humana? Embora Russell tivesse na ocasião apenas 26 anos de idade e Barbour fosse um homem de bem mais idade, Russell já na edição seguinte do Herald corajosamente escreveu um artigo em que defendia fortemente o valor expiatório do sangue de Cristo, ao qual se referia como “um dos mais importantes ensinos da palavra de Deus”.

      A seguir, ele convidou J. H. Paton, o outro editor-assistente do Herald, a escrever um artigo em apoio da fé no sangue de Cristo como a base para a expiação de pecados. Paton escreveu o artigo, que foi publicado na edição de dezembro. Depois de repetidos esforços malsucedidos de raciocinar sobre o assunto com Barbour à base das Escrituras, Russell rompeu o vínculo com ele e retirou o apoio financeiro à sua revista. Em julho de 1879, Russell começou a publicar uma nova revista — Zion’s Watch Tower and Herald of Christ’s Presence (A Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo, hoje A Sentinela) — que foi desde o início uma defensora especial do resgate. Mas os problemas não terminaram aí.

      Dois anos depois, Paton, que então servia como representante viajante da Watch Tower, também passou a se afastar, publicando depois um livro (seu segundo livro intitulado Day Dawn [Aurora do Dia]), no qual rejeitava a crença de Adão ter incorrido no pecado e, conseqüentemente, a necessidade de um resgatador. Argumentava que o próprio Senhor era um homem imperfeito que, por meio de sua vida, simplesmente mostrou a outros como crucificar suas propensões pecaminosas. Em 1881, A. D. Jones, outro associado, inaugurou um periódico (Zion’s Day Star) seguindo as mesmas linhas da Watch Tower, mas com o conceito de que apresentaria aspectos mais simples do propósito de Deus. De início, parecia que tudo ia bem. Mas, dentro de um ano, o periódico de Jones havia repudiado o sacrifício resgatador de Cristo, e, dentro de mais um ano, havia rejeitado todo o restante da Bíblia. O que acontecera a esses homens? Eles haviam permitido que teorias pessoais e o fascínio por filosofias populares de homens os desviassem da Palavra de Deus. (Compare com Colossenses 2:8.) O periódico publicado por A. D. Jones continuou por pouco tempo e depois desapareceu do cenário. J. H. Paton decidiu publicar uma revista em que explicava o evangelho segundo a sua visão, mas a sua circulação era muito limitada.

      O irmão Russell sentia-se profundamente preocupado com o efeito que tudo isso estava tendo sobre os leitores da Watch Tower. Dava-se conta de que isso provava a fé de cada um. Sabia muito bem que alguns inferiam que a sua crítica a ensinos não-bíblicos era motivada por um espírito de rivalidade. Mas o irmão Russell não procurava seguidores. A respeito do que estava acontecendo, ele escreveu: “O objetivo dessa provação e peneiramento evidentemente é selecionar os cujos desejos de coração sejam altruístas, que estejam plenamente e sem reservas consagrados ao Senhor, que estejam tão ansiosos de ver feita a vontade do Senhor, e cuja confiança em sua sabedoria, seus caminhos e sua Palavra seja tão grande, que se recusam a ser desviados da Palavra do Senhor, seja pelos sofismas de outros, seja por planos e conceitos próprios.”

      Usava Deus um canal visível?

      Existem, naturalmente, muitas organizações religiosas, e bom número de instrutores de certa forma usa a Bíblia. Estava Deus usando Charles Taze Russell de modo especial? Se assim for, deixou Deus de ter um canal visível quando o irmão Russell faleceu? Estas tornaram-se questões críticas, que levaram a mais provas e peneiramentos.

      Certamente não se poderia esperar que Deus usasse C. T. Russell se ele não aderisse lealmente à Palavra de Deus. (Jer. 23:28; 2 Tim. 3:16, 17) Deus não usaria um homem que temerosamente se refreasse de pregar o que via claramente escrito nas Escrituras. (Eze. 2:6-8) Deus tampouco usaria uma pessoa que aproveitasse seu conhecimento das Escrituras para trazer glória a si mesmo. (João 5:44) Assim, o que mostram os fatos?

      À medida que as Testemunhas de Jeová hoje analisam a obra que ele fez, as coisas que ele ensinou, sua razão para ensiná-las, e o desfecho, elas não têm dúvidas de que Charles Taze Russell foi, deveras, usado por Deus de um modo especial e numa época significativa.

      Este conceito não se baseia unicamente na firme posição que o irmão Russell tomou com respeito ao resgate. Leva também em conta o fato de que ele destemidamente rejeitou credos que continham algumas das crenças fundamentais da cristandade, porque estas se chocavam com as Escrituras inspiradas. Entre estas crenças havia a doutrina da Trindade (que teve suas raízes na Babilônia antiga e só foi adotada pelos chamados cristãos muito tempo depois de terminada a escrita da Bíblia) e o ensino de que as almas humanas são inerentemente imortais (que havia sido adotado por homens que se deixaram intimidar pela filosofia de Platão e que os deixou abertos a conceitos tais como o tormento eterno de almas num fogo do inferno). Muitos eruditos da cristandade também sabem que a Bíblia não ensina essas doutrinas,b mas não é isso o que em geral seus pregadores dizem nos púlpitos. Em contraste, o irmão Russell empreendeu uma campanha intensiva de informar o que a Bíblia realmente diz a quem quer que desejasse ouvir.

      Digno de nota também é o que o irmão Russell fez com outras verdades altamente significativas que ele aprendeu da Palavra de Deus. Ele discerniu que Cristo retornaria como gloriosa pessoa espiritual, invisível a olhos humanos. Já em 1876, reconheceu que o ano de 1914 marcaria o fim dos tempos dos gentios. (Luc. 21:24, Almeida) Outros eruditos bíblicos também discerniram algumas dessas coisas e as haviam defendido. Mas o irmão Russell usou todos os seus recursos para dar a elas publicidade internacional em escala até então inigualada por qualquer outro indivíduo ou grupo.

      Ele instou outros a checarem seus escritos cuidadosamente contra a Palavra inspirada de Deus, para se convencerem de que o que aprendiam estava em plena harmonia com ela. Para uma pessoa que enviou uma carta com perguntas, o irmão Russell respondeu: “Se para os cristãos primitivos era apropriado que verificassem a validade do que ouviam dos apóstolos, que eram e afirmavam ser inspirados, quão mais importante é que o senhor se convença plenamente de que esses ensinos se mantenham bem dentro das instruções básicas dos apóstolos bem como das de nosso Senhor; — visto que o autor desses ensinos não afirma ser inspirado, mas meramente ter a direção do Senhor, como alguém usado por ele para alimentar seu rebanho.”

      O irmão Russell não afirmava ter poderes sobrenaturais, nem receber revelações divinas. Não reivindicava crédito pelo que ensinava. Ele era um destacado estudante da Bíblia. Mas explicava que seu notável conhecimento das Escrituras se devia ao ‘simples fato de que havia chegado o tempo devido de Deus’. Disse ele: “Se eu não falasse, e se não houvesse nenhum outro intermediário, as próprias pedras clamariam.” Referia-se a si mesmo como simplesmente semelhante a um dedo indicador, que apontava para o que diz a Palavra de Deus.

      Charles Taze Russell não queria glória de humanos. Para corrigir o modo de pensar de quem quer que se inclinasse a dar-lhe excessiva honra, o irmão Russell escreveu, em 1896: “Como temos sido até certa medida, pela graça de Deus, usados no ministério do evangelho, não seria despropositado dizer aqui o que já dissemos muitas vezes em particular, e anteriormente nessas colunas — a saber, que, embora apreciemos o amor, a compreensão, a confiança e o companheirismo de conservos e de toda a família da fé, não queremos homenagem, nem reverência, para nós mesmos ou para nossos escritos; não desejamos ser chamados de Reverendo ou Rabino. Tampouco desejamos que algum grupo seja chamado pelo nosso nome.”

      Com a proximidade de sua morte, ele não adotou o conceito de que nada mais havia a aprender, que não havia mais trabalho a fazer. Muitas vezes havia falado sobre preparar um sétimo volume de Studies in the Scriptures (Estudos das Escrituras). Quando indagado a respeito disso antes de falecer, ele disse a Menta Sturgeon, seu companheiro de viagem: “Outra pessoa pode escrevê-lo.” No seu testamento ele expressou o desejo de que The Watch Tower (A Sentinela) continuasse a ser publicada sob a direção de uma comissão de homens plenamente devotados ao Senhor. Ele declarou que os que assim servissem deviam ser homens “totalmente leais às doutrinas das Escrituras — especialmente à doutrina do Resgate — isto é, que não se pode obter a aprovação de Deus nem a salvação para a vida eterna exceto por meio da fé em Cristo e obediência à Sua Palavra e seu espírito”.

      O irmão Russell apercebia-se de que ainda havia muito a fazer na pregação das boas novas. Numa sessão de perguntas e respostas em Vancouver, CB, Canadá, em 1915, foi-lhe perguntado quando era que os seguidores de Cristo ungidos pelo espírito, que então viviam, podiam esperar receber a sua recompensa celestial. Ele respondeu: “Eu não sei, mas há uma grande obra a ser feita. E executá-la exigirá milhares de irmãos e milhões em dinheiro. De onde sairá isso eu não sei — o Senhor conhece os seus próprios assuntos.” Daí, em 1916, pouco antes de iniciar a turnê de conferências em que faleceu, ele chamou a seu gabinete A. H. Macmillan, um auxiliar de administração. Nessa ocasião ele disse: “Não mais posso levar avante a obra, e no entanto há um grande trabalho a ser feito.” Por três horas ele descreveu ao irmão Macmillan a extensiva obra de pregação que ele visualizava, à base das Escrituras. Diante de objeções do irmão Macmillan, ele respondeu: “Esta não é uma obra de homem.”

      Mudança na administração traz testes

      Muitos dos associados do irmão Russell estavam firmemente convencidos de que o Senhor tinha as coisas sob controle. Nos funerais do irmão Russell, W. E. Van Amburgh declarou: “Deus usou muitos servos no passado e Ele sem dúvida usará muitos no futuro. A nossa consagração não é a um homem, ou a uma obra de homem, mas sim para fazer a vontade de Deus, conforme Ele no-la revelar através de Sua Palavra e oportunas orientações. Deus ainda está no leme.” O irmão Van Amburgh jamais se desviou dessa convicção, até a sua morte.

      Infelizmente, porém, havia alguns que diziam admirar Russell, mas manifestavam um espírito diferente. Por isso, as mudadas circunstâncias após a morte de Russell resultaram em provas e peneiramento. Surgiram grupos apóstatas não só nos Estados Unidos mas também em Belfast, Irlanda; em Copenhague, Dinamarca; em Vancouver e Vitória, Colúmbia Britânica, Canadá; e em outros lugares. Em Helsinque, Finlândia, alguns adotaram o conceito de que após a morte de Russell não mais havia canal para luz espiritual adicional. Às instâncias de certos de destaque, 164 pessoas deixaram a organização. Tinha isso a bênção de Deus? Por algum tempo elas publicaram a sua própria revista e realizaram as suas próprias reuniões. Com o tempo, porém, o grupo se dividiu, encolheu, e deixou de existir; e muitas delas de bom grado retornaram às reuniões dos Estudantes da Bíblia. Mas nem todos retornaram.

      A morte do irmão Russell, junto com os acontecimentos subseqüentes, foi também um teste para R. E. B. Nicholson, o secretário da filial australiana, e fez com que ele tornasse manifesto o que tinha no coração. Depois da morte de Russell, Nicholson escreveu: “Por mais de um quarto de século eu o tenho amado, não só por causa de seu trabalho, mas também por seu admirável caráter; tenho-me regozijado com as verdades que ele tem enviado como ‘alimento na época apropriada’, e com seus conselhos, admirando a natureza compreensiva, bondosa e amorosa tão grandiosamente combinada com força moral e forte determinação de fazer e de ousar tudo a fim de realizar o que ele cria ser a vontade divina ou o desdobrar de Sua Palavra. . . . Há uma sensação de solidão ao se dar conta de que este forte esteio não mais existe.”

      Joseph F. Rutherford, o novo presidente da Sociedade Torre de Vigia, não era o tipo de homem que Nicholson achava que devia ocupar o cargo de supervisão que o irmão Russell ocupara. Nicholson tornou-se crítico aberto da maneira franca e direta com que as novas matérias de estudo bíblico denunciavam a religião falsa. Depois de pouco tempo ele deixou a organização, levando junto grande parte da propriedade da Sociedade (que ele registrara em seu nome) e as pessoas em Melbourne que, por sua vez, haviam-se inclinado a considerá-lo como líder. Por que isso aconteceu? Evidentemente Nicholson permitira-se tornar seguidor de um homem; assim, quando esse homem desapareceu, a honestidade e o zelo de Nicholson em servir ao Senhor esfriou. Nenhum dos que romperam relações nessa época prosperaram espiritualmente. Vale notar, porém, que Jane Nicholson, embora de constituição frágil, não se juntou ao marido em sua deserção. A sua devoção era primariamente a Jeová Deus, e ela continuou servindo-o fielmente por tempo integral até a sua morte, em 1951.

      Muitos discerniam que o que estava acontecendo nos anos após a morte do irmão Russell estava cumprindo a vontade do Senhor. Um dos servos de Jeová do Canadá escreveu sobre isso ao irmão Rutherford, dizendo:

      “Querido irmão, não me entendas mal no que escrevo a seguir. Teu temperamento e o de nosso querido irmão Russell são tão diferentes como o dia é da noite. Muitos, infelizmente, muitos mesmo, gostavam do irmão Russell por causa de sua personalidade, temperamento, etc.; e poucos, bem poucos, erguiam o seu dedo contra ele. Muitos aceitavam a verdade só porque o irmão Russell dizia que era verdade. Daí, muitos passaram a adorar o homem . . . Tu te lembras da ocasião em que o irmão Russell num congresso proferiu um discurso franco a respeito dessa falha de muitos irmãos bem-intencionados, baseando seu discurso em João e o anjo. (Revelação [Apocalipse] 22:8, 9) Quando ele faleceu, sabemos o que aconteceu.

      “Mas tu, irmão Rutherford, tens um temperamento que não se compara de modo algum ao do irmão Russell. Até a tua aparência é diferente. Não é culpa tua. Foi o teu presente de nascimento, e não podias recusá-lo. . . . Desde que fostes colocado à testa dos assuntos da SOCIEDADE, tens sido alvo de críticas injustas e calúnia da pior espécie, tudo isso da parte dos irmãos. Mas, apesar de tudo isso, tens sido leal e devotado ao querido Senhor e à Sua comissão conforme registrada em Isaías 61:1-3. Será que o Senhor sabia o que estava fazendo quando colocou-te à testa dos assuntos? Certamente que sim. No passado todos nós propendíamos a adorar a criatura mais do que ao Criador. O Senhor sabia disso. De modo que ele colocou uma criatura de temperamento diferente à testa dos assuntos, ou melhor dizendo, responsável pela obra, a obra de colheita. Não desejas que ninguém te adore. Eu sei disso, mas desejas, sim, que todos os de semelhante fé preciosa usufruam a luz que agora brilha na trilha do justo, da forma como o Senhor achar por bem deixá-la brilhar. E é isto o que o Senhor quer que se faça.”

      Elucidando a identidade do “servo fiel e prudente”

      Muitos dos que foram peneirados naquele tempo agarravam-se ao conceito que uma pessoa única, Charles Taze Russell, era o “servo fiel e prudente” predito por Jesus em Mateus 24:45-47 (Almeida), servo este que distribuiria alimento espiritual à família da fé. Em especial depois de sua morte, a própria revista Watch Tower expressou esse conceito por vários anos. Em vista do destacado papel que o irmão Russell desempenhara, parecia aos Estudantes da Bíblia daquela época que este era o caso. Ele não promoveu pessoalmente essa idéia, mas reconheceu a aparente razoabilidade dos argumentos dos que a defendiam.c Ele também frisava, porém, que quem quer que o Senhor usasse nesse papel tinha de ser humilde bem como zeloso em trazer glória para o Amo, e que se o escolhido do Senhor falhasse, seria substituído por outro.

      Contudo, à medida que a luz da verdade progressivamente brilhava ainda mais claramente após a morte do irmão Russell, e à medida que a pregação que Jesus predissera se tornava ainda mais extensa, tornou-se evidente que o “servo fiel e prudente” (Almeida), ou o “escravo fiel e discreto” (Novo Mundo), não havia saído de cena com a morte do irmão Russell. Em 1881, o próprio irmão Russell expressara o conceito de que esse “servo” se compunha do inteiro corpo de fiéis cristãos ungidos pelo espírito. Ele achava que se tratava de um servo coletivo, uma classe de pessoas unidas em fazer a vontade de Deus. (Compare com Isaías 43:10.) Este entendimento foi reafirmado pelos Estudantes da Bíblia em 1927. As Testemunhas de Jeová hoje reconhecem que a revista A Sentinela e outras publicações do gênero são as que o escravo fiel e discreto usa para distribuir alimento espiritual. Elas não afirmam que essa classe-escravo seja infalível, mas deveras a encaram como o único canal que o Senhor está usando nos últimos dias deste sistema de coisas.

      Quando o orgulho se interpunha

      Houve ocasiões, porém, em que pessoas que ocupavam cargos de responsabilidade vieram a encarar a si mesmas como o canal de luz espiritual, de modo que se opunham ao que era suprido pela organização. Outros simplesmente cederam ao desejo de exercer maior influência pessoal. Procuraram fazer com que outros os seguissem, ou, como se expressou o apóstolo Paulo, “atrair a si os discípulos”. (Atos 20:29, 30) Naturalmente, isto testou as motivações e a estabilidade espiritual daqueles a quem eles tentaram engodar. Considere alguns exemplos:

      Cartas especiais aos Estudantes da Bíblia em Allegheny, Pensilvânia, os convidavam para uma reunião especial no dia 5 de abril de 1894. O irmão e a irmã Russell não foram convidados e não compareceram, mas havia cerca de 40 presentes. A carta, assinada por E. Bryan, S. D. Rogers, J. B. Adamson e O. von Zech, dizia que a reunião envolveria coisas que visavam seus “melhores interesses”. Resultou ser um esforço maldoso da parte desses conspiradores de envenenar a mente de outros por divulgar o que supunham ser errado nos assuntos comerciais do irmão Russell (embora os fatos fossem o contrário), argumentando que o irmão Russell tinha autoridade demais (que eles queriam para si), e se queixando porque ele preferia o uso da página impressa para divulgar o evangelho e reuniões de estudo bíblico em vez de apenas dar discursos (por meio dos quais eles poderiam mais prontamente expor conceitos pessoais). A congregação ficou muito abalada pelo que ocorreu, e muitos tropeçaram. Mas os que se desviaram não se tornaram por isso pessoas mais espiritualizadas ou mais zelosas na obra do Senhor.

      Mais de 20 anos depois, antes de sua morte, o irmão Russell expressou sua intenção de enviar Paul S. L. Johnson, um orador muito capaz, à Grã-Bretanha para fortalecer os Estudantes da Bíblia ali. Por respeito ao desejo do irmão Russell, a Sociedade despachou Johnson à Grã-Bretanha em novembro de 1916. Contudo, uma vez na Grã-Bretanha, ele demitiu dois dos administradores da Sociedade. Considerando-se um personagem importante, ele argumentava em discursos e em correspondência que aquilo que fazia fora prefigurado nas Escrituras por Esdras, Neemias e Mordecai. Ele afirmava ser o mordomo (ou, o homem encarregado) mencionado por Jesus em sua parábola em Mateus 20:8. Tentou assumir o controle do dinheiro da Sociedade e moveu um processo na Alta Corte de Londres para conseguir seus intentos.

      Frustrado nos seus empenhos, ele retornou a Nova Iorque. Ali tentou obter o apoio de alguns que serviam no quadro de diretores da Sociedade. Os que foram persuadidos a tomar o seu lado empenharam-se em atingir seus objetivos tentando aprovar uma resolução para repelir estatutos da Sociedade que autorizavam o presidente a dirigir os assuntos da Sociedade. Eles queriam ter autoridade em todas as decisões. O irmão Rutherford tomou medidas legais para salvaguardar os interesses da Sociedade, e os que procuravam romper a obra da Sociedade foram solicitados a deixar o Lar de Betel. Na reunião anual dos membros da Sociedade cedo no ano seguinte, quando o quadro de diretores e seus dirigentes foram eleitos para o ano entrante, os que haviam sido agitadores foram esmagadoramente rejeitados. Talvez alguns deles pensassem estar certos, mas a vasta maioria de seus irmãos espirituais tornou claro que não concordava. Aceitariam tal repreensão?

      Depois disso, P. S. L. Johnson comparecia às reuniões dos Estudantes da Bíblia e fazia parecer que concordava com as suas crenças e atividades. Mas, depois de ganhar a confiança de alguns, ele lançava sementes de dúvida. Se alguém sugerisse uma ruptura com a Sociedade, ele hipocritamente desencorajava isso — até que a lealdade do grupo estivesse totalmente minada. Por meio de correspondência, e até mesmo viagens pessoais, ele tentava influenciar os irmãos não apenas nos Estados Unidos, mas também no Canadá, Jamaica, Europa e Austrália. Foi isso bem-sucedido?

      Talvez parecesse que sim quando a maioria numa congregação votava cortar os laços com a Sociedade. Mas eram como um galho cortado de uma árvore — verde por um tempo, mas depois ressequido e sem vida. Quando os oponentes realizaram um congresso em 1918, emergiram diferenças e houve uma cisão. Seguiu-se mais desintegração. Alguns funcionavam por uns tempos como pequenas seitas com um líder a quem admiravam. Nenhum deles dedicou-se à obra de dar testemunho público em toda a terra habitada a respeito do Reino de Deus, que é a obra que Jesus designou a seus seguidores.

      Ao passo que essas coisas aconteciam, os irmãos lembravam-se do que estava registrado em 1 Pedro 4:12: “Amados, não fiqueis intrigados com o ardor entre vós, que vos está acontecendo como provação, como se vos sobreviesse coisa estranha.”

      Os mencionados acima não foram os únicos que permitiram que o orgulho minasse a sua fé. Outros também o permitiram, incluindo Alexandre Freytag, o administrador do escritório da Sociedade em Genebra, Suíça. Ele gostava de atrair atenção a si mesmo, acrescentava seus próprios conceitos ao traduzir as publicações da Sociedade para o francês, e até mesmo usava as instalações da Sociedade para publicar suas próprias matérias. No Canadá, havia W. F. Salter, um administrador da filial da Sociedade que começou a discordar das publicações da Sociedade, deixou saber que esperava ser o próximo presidente da Sociedade Torre de Vigia e, depois de ter sido demitido, desonestamente usou papel timbrado da Sociedade para instruir as congregações no Canadá e em outros países a estudar matéria que ele havia escrito pessoalmente. Na Nigéria, houve, entre outros, G. M. Ukoli, que de início mostrou zelo pela verdade, mas daí começou a encará-la como meio de ganho material e destaque pessoal. Depois, frustrado nos seus planos, ele passou a criticar irmãos fiéis na imprensa pública. E houve outros.

      Mesmo em anos recentes, alguns indivíduos que ocupavam cargos destacados de supervisão demonstraram um espírito similar.

      Naturalmente, essas pessoas por certo tinham a liberdade de crer no que desejassem. Mas, qualquer pessoa que publicamente ou em particular defende conceitos que divergem dos que aparecem nas publicações de uma organização, e que faz isso enquanto afirma representar essa organização, causa divisão. Como as Testemunhas de Jeová lidaram com essas situações?

      Elas não lançaram nenhuma campanha de perseguição contra tais pessoas (ainda que os dissidentes muitas vezes recorreram a injúrias contra seus anteriores irmãos espirituais), tampouco procuraram causar dano físico a eles (como foi praticado pela Igreja Católica por meio da Inquisição). Em vez disso, seguiram o conselho inspirado do apóstolo Paulo, que escreveu: “[Ficai] de olho nos que causam divisões e motivos para tropeço contra o ensino que aprendestes, e que os eviteis. Pois homens dessa sorte são escravos, não de nosso Senhor Cristo . . . com conversa suave e palavras elogiosas seduzem os corações dos cândidos.” — Rom. 16:17, 18.

      Ao passo que outros observavam o que acontecia, estes também recebiam a oportunidade de manifestar o que havia no seu coração.

      Conceitos doutrinais que precisavam de refinamento

      As Testemunhas de Jeová reconhecem abertamente que o seu entendimento do propósito de Deus tem passado por muitos ajustes ao longo dos anos. O fato de que o conhecimento do propósito de Deus é progressivo significa que tem de haver mudanças. O propósito de Deus não muda, mas o esclarecimento que ele continuamente concede a seus servos exige ajustes no seu ponto de vista.

      À base da Bíblia as Testemunhas indicam que isso se deu também com os servos fiéis de Deus no passado. Abraão tinha uma relação íntima com Jeová; mas quando deixou Ur, esse homem de fé não conhecia a terra à qual Deus o encaminhava, e, por muitos anos, de modo algum tinha certeza sobre como Deus cumpriria a sua promessa de fazer dele uma grande nação. (Gên. 12:1-3; 15:3; 17:15-21; Heb. 11:8) Deus revelou muitas verdades aos profetas, mas havia outras coisas que eles naquele tempo não compreendiam. (Dan. 12:8, 9; 1 Ped. 1:10-12) Igualmente, Jesus explicou muitas coisas a seus apóstolos, mas, mesmo no fim de sua vida terrestre, ele lhes disse que ainda tinham muitas coisas a aprender. (João 16:12) Algumas dessas coisas, como o propósito de introduzir gentios na congregação, não foram entendidas senão quando os apóstolos viram o que realmente estava acontecendo em cumprimento de profecia. — Atos 11:1-18.

      Como seria de esperar, quando mudanças exigiram deixar de lado anteriores conceitos prezados, isto era um teste para alguns. Ademais, nem todos os ajustes no entendimento foram feitos de vez, num único lance. Por causa da imperfeição, existe às vezes a tendência de ir de um extremo ao outro antes de se discernir a posição correta. Isto pode levar tempo. Alguns que tendem a ser críticos têm tropeçado por causa disso. Considere um exemplo:

      Já em 1880, as publicações da Torre de Vigia consideravam vários detalhes relacionados com o pacto abraâmico, o pacto da Lei e o novo pacto. A cristandade perdera de vista a promessa de Deus de que por meio do descendente de Abraão todas as famílias da Terra certamente abençoariam a si mesmas. (Gên. 22:18) Mas o irmão Russell estava profundamente interessado em discernir como Deus faria isso. Ele pensava ter visto na descrição bíblica do Dia de Expiação judaico indicações sobre como esse propósito poderia ser realizado em conexão com o novo pacto. Em 1907, quando os mesmos pactos foram novamente considerados, com ênfase especial no papel dos co-herdeiros de Cristo em trazer para a humanidade as bênçãos preditas no pacto abraâmico, alguns Estudantes da Bíblia levantaram fortes objeções.

      Naquele tempo havia certos obstáculos para um entendimento mais claro dos assuntos. Os Estudantes da Bíblia ainda não entendiam corretamente a posição que o Israel natural então ocupava em relação com o propósito de Deus. Este obstáculo não foi removido do caminho senão quando se tornou esmagadoramente evidente que os judeus como povo não estavam interessados em ser usados por Deus em cumprimento de sua palavra profética. Outro obstáculo era a inabilidade dos Estudantes da Bíblia de identificar corretamente a “grande multidão” de Revelação 7:9, 10. Esta identidade não se tornou clara até que a grande multidão realmente começou a se manifestar em cumprimento de profecias. Os que criticavam severamente o irmão Russell tampouco entendiam esses assuntos.

      Falsamente, porém, alguns que se diziam irmãos cristãos levantaram acusações de que The Watch Tower havia negado que Jesus é o Mediador entre Deus e os homens, que havia repudiado o resgate e negado a necessidade e o fato da expiação. Nada disso era verdade. Mas alguns que disseram isso eram indivíduos de destaque, e arrastaram outros como discípulos. Talvez estivessem certos em alguns dos detalhes que ensinavam em conexão com o novo pacto, mas será que o Senhor abençoou o que faziam? Por um tempo alguns deles realizaram reuniões, mas daí seus grupos se extinguiram.

      Em contraste, os Estudantes da Bíblia continuaram a participar na pregação das boas novas, como Jesus ordenara a seus discípulos. Ao mesmo tempo, continuaram a estudar a Palavra de Deus e a estar atentos aos acontecimentos que lançariam luz sobre o significado dela. Por fim, durante a década de 30, os principais obstáculos para um entendimento claro dos pactos foram removidos, e declarações ajustadas a respeito do assunto apareceram em The Watchtower e em publicações relacionadas.d Que alegria isso trouxe aos que haviam esperado pacientemente!

      Eram corretas as suas expectativas?

      Em certas épocas, os Estudantes da Bíblia tinham esperanças e expectativas que têm sido ridicularizadas pelos críticos. Todavia, todas essas esperanças e expectativas arraigavam-se num desejo sincero de ver o cumprimento daquilo que esses cristãos zelosos reconheciam ser as infalíveis promessas de Deus.

      De seu estudo das Escrituras inspiradas, eles sabiam que Jeová prometera bênçãos para todas as nações da Terra por meio do descendente de Abraão. (Gên. 12:1-3; 22:15-18) Eles viram na Palavra de Deus a promessa de que o Filho do homem governaria como Rei celestial sobre toda a Terra, que um pequeno rebanho de fiéis seria levado da Terra para partilhar com ele no seu Reino, e que estes governariam como reis por mil anos. (Dan. 7:13, 14; Luc. 12:32; Rev. 5:9, 10; 14:1-5; 20:6) Conheciam a promessa de Jesus de que ele voltaria e levaria consigo os a quem havia preparado um lugar no céu. (João 14:1-3) Estavam cientes da promessa de que o Messias também selecionaria alguns de seus fiéis antepassados para serem príncipes em toda a Terra. (Sal. 45:16) Eles reconheciam que as Escrituras predisseram o fim do iníquo velho sistema de coisas e davam-se conta de que isto se relacionava com a guerra do grande dia do Deus Todo-Poderoso, no Armagedom. (Mat. 24:3; Rev. 16:14, 16) Estavam profundamente impressionados com textos que mostram que a Terra foi criada para ser habitada para sempre, que os que viverem nela hão de ter verdadeira paz, e que todos os que exercerem fé no sacrifício humano perfeito de Jesus poderão usufruir uma eternidade de vida no Paraíso. — Isa. 2:4; 45:18; Luc. 23:42, 43; João 3:16.

      Era natural que devessem se perguntar quando e como essas coisas ocorreriam. Forneceram as Escrituras algumas pistas?

      Usando a cronologia bíblica originalmente elaborada por Christopher Bowen, da Inglaterra, eles pensavam que 6.000 anos de história humana terminara em 1873, que depois disso estavam no sétimo período de mil anos de história humana, e que certamente se haviam aproximado do alvorecer do predito Milênio. A série de livros conhecidos como Millennial Dawn (Aurora do Milênio) e mais tarde chamados de Studies in the Scriptures, escritos por C. T. Russell, chamara a atenção às implicações disso segundo o que os Estudantes da Bíblia entendiam das Escrituras.

      Outra coisa tida como possível indicadora de tempo dizia respeito ao arranjo que Deus instituíra no Israel antigo para um Jubileu, um ano de libertação, a cada 50 anos. Este se dava depois de uma série de sete períodos de sete anos, cada qual terminando com um ano sabático. Durante o ano do Jubileu, os escravos hebreus eram libertados e as posses de terra hereditária que haviam sido vendidas eram recuperadas. (Lev. 25:8-10) Cálculos baseados nesse ciclo de anos levaram à conclusão de que talvez um Jubileu maior para toda a Terra começara no outono setentrional de 1874, que o Senhor evidentemente retornara naquele ano e estava invisivelmente presente, e que os “tempos da restauração de todas as coisas” haviam chegado. — Atos 3:19-21, Almeida, atualizada.

      Com base na premissa de que os eventos do primeiro século encontrariam paralelos em posteriores eventos relacionados, concluíram também que, se o batismo e a unção de Jesus no outono de 29 EC tivesse paralelo com o começo de uma presença invisível em 1874, sua entrada em Jerusalém como Rei, montado num jumento, na primavera setentrional de 33 EC, indicaria a primavera setentrional de 1878 como o tempo em que ele assumiria seu poder como Rei celestial.e Eles também pensavam que receberiam a sua recompensa celestial naquele tempo. Quando isso não aconteceu, concluíram que, uma vez que os seguidores ungidos de Jesus participariam com ele no Reino, a ressurreição para a vida espiritual dos que já dormiam na morte começara então. Arrazoava-se também que o fim do favor especial de Deus ao Israel natural até 36 EC pudesse apontar para 1881 como a época em que a oportunidade especial de tornar-se parte do Israel espiritual terminaria.f

      No discurso “Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão”, proferido por J. F. Rutherford em 21 de março de 1920 no Hippodrome, na cidade de Nova Iorque, dirigiu-se atenção ao ano de 1925. Em que base se pensava ser este significativo? Num folheto publicado naquele mesmo ano, 1920, foi dito que, se 70 plenos jubileus fossem calculados a partir da data em que Israel, segundo se entendia, entrou na Terra Prometida (em vez de começar depois do último jubileu típico ocorrido antes do exílio babilônico e daí contar até o início do ano do jubileu no fim do ciclo de 50 anos), isso poderia apontar para o ano de 1925. À base do que se dizia ali, muitos esperavam que talvez os remanescentes do pequeno rebanho recebessem sua recompensa celestial em 1925. Esse ano também era relacionado com expectativas de ressurreição de fiéis servos de Deus pré-cristãos com o fim de servirem na Terra como representantes principescos do Reino celestial. Se isso realmente ocorresse, isso significaria que a humanidade havia entrado numa era em que a morte deixaria de ser dominadora, e milhões que então viviam podiam ter a esperança de nunca desaparecer da Terra por causa da morte. Que feliz perspectiva! Embora equivocada, eles ansiosamente partilharam-na com outros.

      Mais tarde, durante os anos de 1935 a 1944, uma revisão do esquema geral da cronologia bíblica revelou que uma má tradução de Atos 13:19, 20 na King James Version,g junto com certos outros fatores, causara um erro de mais de um século na cronologia.h Isto mais tarde levou ao conceito — às vezes declarado como possibilidade, às vezes mais firmemente — que visto que o sétimo milênio da história humana começaria em 1975, os eventos associados com o início do Reinado Milenar de Cristo poderiam começar a ocorrer então.

      Eram corretas as crenças das Testemunhas de Jeová nesses assuntos? Elas certamente não erraram em crer que Deus sem falta faria o que prometera. Mas alguns de seus cálculos de tempo e as expectativas que ligavam a estes causaram sérios desapontamentos.

      Depois de 1925, a assistência às reuniões caiu drasticamente em algumas congregações na França e na Suíça. De novo, em 1975, houve desapontamento quando as expectativas sobre o início do Milênio não se concretizaram. Em resultado, alguns se afastaram da organização. Outros, porque tentaram subverter a fé de associados, foram desassociados. Sem dúvida, o desapontamento com relação à data era um fator, mas, em alguns casos, as raízes eram mais profundas. Alguns indivíduos também argumentavam contra a necessidade de participar no ministério de casa em casa. Alguns não escolheram simplesmente seguir o seu próprio caminho; tornaram-se agressivos na sua oposição à organização com a qual outrora se associavam, e serviram-se da imprensa e da televisão para divulgar seus conceitos. Não obstante, o número dos dissidentes foi relativamente pequeno.

      Embora esses testes resultassem numa peneiração e alguns fossem levados como a palha ao se joeirar o trigo, outros permaneceram firmes. Por quê? Sobre sua própria experiência e a de outros em 1925, Jules Feller explicou: “Os que haviam depositado a sua confiança em Jeová permaneceram firmes e continuaram a sua atividade de pregação.” Eles reconheceram que se havia cometido um equívoco, mas que de modo algum a Palavra de Deus falhara, e, assim, não havia razão para deixar que a sua esperança minguasse ou de esmorecer na obra de apontar para as pessoas o Reino de Deus como a única esperança da humanidade.

      Algumas expectativas não se haviam cumprido, mas isso não significava que a cronologia bíblica fosse sem valor. A profecia registrada por Daniel a respeito do aparecimento do Messias 69 semanas de anos depois da “saída da palavra para se restaurar e reconstruir Jerusalém” se cumpriu na hora certa, em 29 EC.i (Dan. 9:24-27) O ano de 1914 também foi marcado na profecia bíblica.

      1914 — expectativas e realidade

      Em 1876, C. T. Russell escreveu o primeiro de muitos artigos em que apontava para 1914 como o ano do fim dos tempos dos gentios mencionados por Jesus Cristo. (Luc. 21:24, Almeida) No segundo volume de Millennial Dawn, publicado em 1889, o irmão Russell apresentou de maneira lógica detalhes que habilitariam os leitores a ver a base bíblica do que se dizia e checar por si mesmos. Num período de quase quatro décadas antes de 1914, os Estudantes da Bíblia distribuíram milhões de exemplares de publicações que focalizavam a atenção no fim dos tempos dos gentios. Uns poucos outros periódicos religiosos observaram a cronologia bíblica que apontava para o ano de 1914, mas que grupo além dos Estudantes da Bíblia deu contínua publicidade a isso em escala internacional e levou uma vida que mostrou que criam que os tempos dos gentios terminariam naquele ano?

      Com a aproximação de 1914, cresciam as expectativas. O que significaria? No The Bible Students Monthly (Volume VI, N.º 1, publicado cedo em 1914), o irmão Russell escreveu: “Se temos a correta data e cronologia, os Tempos dos Gentios findarão este ano — 1914. O que significa isso? Não sabemos com certeza. A nossa expectativa é de que o domínio ativo do Messias começará por volta do fim da concessão de poder aos gentios. A nossa expectativa, certa ou errada, é que ocorrerão maravilhosas manifestações dos julgamentos divinos contra toda a injustiça, e que isto significará o colapso de muitas instituições atuais, se não de todas.” Ele frisou que não esperava o “fim do mundo” em 1914 e que a Terra subsistirá para sempre, mas que a presente ordem de coisas, da qual Satanás é o governante, desaparecerá.

      Em seu número de 15 de outubro de 1913 The Watch Tower havia declarado: “Segundo o melhor cálculo cronológico de que somos capazes, é aproximadamente nessa época — em outubro de 1914, ou então mais tarde. Sem dogmatizar, estamos aguardando certos eventos: (1) O fim dos Tempos dos Gentios — a supremacia gentia no mundo — e (2) o início do Reino do Messias no mundo.”

      Como é que isso aconteceria? Parecia razoável para os Estudantes da Bíblia que isso incluiria a glorificação de quem quer que ainda estivesse na Terra e que havia sido escolhido por Deus para participar no Reino celestial com Cristo. Mas como se sentiram quando isso não ocorreu em 1914? A The Watch Tower de 15 de abril de 1916, declarou: “Cremos que as datas revelaram ser bem corretas. Cremos que os Tempos dos Gentios findaram.” Contudo, candidamente acrescentou: “O Senhor não disse que a Igreja toda seria glorificada em 1914. Nós meramente inferimos isso e, evidentemente, erramos.”

      Nisto eles eram um tanto semelhantes aos apóstolos de Jesus. Os apóstolos conheciam e achavam que criam nas profecias concernentes ao Reino de Deus. Mas em várias ocasiões eles tinham falsas expectativas quanto a como e quando estas se concretizariam. Isto levou alguns ao desapontamento. — Luc. 19:11; 24:19-24; Atos 1:6.

      Quando o outubro de 1914 passou sem a esperada mudança para a vida celestial, o irmão Russell sabia que haveria sérios esquadrinhamentos de coração. Na The Watch Tower de 1.º de novembro de 1914, ele escreveu: “Lembremo-nos de que estamos em época de teste. Os Apóstolos passaram por uma fase semelhante no período entre a morte de nosso Senhor e Pentecostes. Depois da ressurreição de nosso Senhor, Ele apareceu a Seus discípulos algumas vezes, e daí eles não O viram por muitos dias. Daí eles se desanimaram e disseram: ‘Não adianta esperar;’ ‘eu vou pescar’, disse um. Dois outros disseram: ‘Nós vamos junto.’ Estavam prestes a entrar na pesca comercial e a deixar a obra de pesca de homens. Era um período de prova para os discípulos. Também existe um agora. Se existe alguma razão que leve alguém a se afastar do Senhor e de Sua verdade e a cessar de fazer sacrifícios pela Causa do Senhor, então não é meramente o amor a Deus no coração que induziu o interesse pelo Senhor, mas algo diferente; provavelmente a esperança de que o tempo era curto; a consagração foi apenas para um certo período.”

      Evidentemente era isso o que se dava com alguns. Seus pensamentos e desejos haviam se fixado primariamente na perspectiva de serem transformados para a vida celestial. Quando isto não ocorreu no tempo esperado, eles fecharam a mente ao significado das coisas surpreendentes que deveras ocorreram em 1914. Perderam de vista todas as verdades preciosas que haviam aprendido da Palavra de Deus e passaram a ridicularizar as pessoas que as haviam ajudado a aprendê-las.

      Humildemente, os Estudantes da Bíblia examinaram as Escrituras de novo, para que a Palavra de Deus reajustasse seus conceitos. A convicção deles de que os Tempos dos Gentios terminaram em 1914 não mudou. Gradativamente passaram a ver mais claramente como o Reino messiânico começara — que foi estabelecido no céu quando Jeová conferiu autoridade a Jesus Cristo, seu Filho; também, que isso não tinha de esperar até que os co-herdeiros de Jesus fossem levantados à vida celestial, mas que seriam glorificados com ele mais tarde. Além disso, passaram a ver que a propagação da influência do Reino não exigia que os fiéis profetas da antiguidade fossem primeiro ressuscitados, mas que o Rei usaria cristãos leais agora vivos como representantes seus para dar a pessoas de todas as nações a oportunidade de viver para sempre como súditos terrestres do Reino.

      À medida que esse grandioso quadro se abria perante seus olhos, houve outras provas e peneiramentos. Mas os que realmente amavam a Jeová e se deleitavam em servi-lo sentiam-se muito gratos pelos privilégios de serviço que lhes foram oferecidos. — Rev. 3:7, 8.

      Um destes era A. H. Macmillan. Ele mais tarde escreveu: “Embora as nossas expectativas de sermos levados ao céu não se concretizassem em 1914, aquele ano deveras marcou o fim dos Tempos dos Gentios . . . Não estávamos muito abalados de que nem tudo aconteceu como esperávamos, porque estávamos bastante ocupados com o trabalho do Fotodrama e com os problemas criados pela guerra.” Ele se manteve ocupado no serviço de Jeová e emocionou-se de ver o número de proclamadores do Reino aumentar a bem mais de um milhão no período em que viveu.

      Recordando suas experiências de 66 anos com a organização, ele disse: “Tenho visto sobrevir à organização muitas severas provas e testes de fé para seus associados. Com a ajuda do espírito de Deus ela sobreviveu e continuou a florescer.” A respeito de ajustes de entendimento ao longo do tempo, ele acrescentou: “As verdades fundamentais que aprendemos das Escrituras permaneceram as mesmas. De modo que eu aprendi que devemos admitir os nossos erros e continuar a pesquisar a Palavra de Deus em busca de mais esclarecimento. Não importa que ajustes tenhamos de fazer de tempos a tempos em nossos conceitos, isso não muda a clemente provisão do resgate e a promessa de vida eterna feita por Deus.”

      Durante a sua vida, o irmão Macmillan viu que, entre as questões que resultaram em testes de fé, a disposição de dar testemunho e o apreço pela organização teocrática expunham o que as pessoas realmente tinham no coração. Como assim?

      Serviço de campo e organização viram questões

      A partir do seu primeiro número, e com crescente ênfase dali em diante, a revista Zion’s Watch Tower instou a todo e qualquer cristão verdadeiro a partilhar a verdade com outros. Depois disso, os leitores da Watch Tower foram freqüentemente incentivados a ter apreço pelo seu privilégio e dever de proclamar as boas novas a outros. Muitos tinham uma certa participação, mas relativamente poucos estavam na vanguarda da obra, indo de casa em casa para dar a todos a oportunidade de ouvir a mensagem do Reino.

      Contudo, a partir do ano de 1919, a participação no serviço de campo começou a receber maior destaque. O irmão Rutherford frisou isso enfaticamente num discurso em Cedar Point, Ohio, naquele ano. Para cada congregação que pedisse que a Sociedade a organizasse para o serviço, providenciava-se um diretor do serviço, designado pela Sociedade, para cuidar da obra. Ele tinha de tomar a dianteira e cuidar de que a congregação tivesse os necessários suprimentos.

      Em 1922, The Watch Tower publicou um artigo intitulado “O Serviço É Essencial”. Apontou para a extrema necessidade de as pessoas ouvirem as boas novas do Reino, dirigiu a atenção para a ordem profética de Jesus em Mateus 24:14, e disse aos anciãos nas congregações: “Que ninguém pense que por ser ele um ancião da classe [congregação] seu serviço deva restringir-se à pregação oral. Se lhe apresentarem oportunidades de ir às pessoas e colocar em suas mãos a mensagem impressa, este é um grande privilégio e significa pregar o evangelho, não raro mais eficaz do que qualquer outra forma de pregação.” Daí o artigo perguntou: “Pode qualquer homem ou mulher realmente consagrado ao Senhor justificar a sua ociosidade nos tempos atuais?”

      Alguns se refrearam. Levantaram todo tipo de objeções. Achavam não ser apropriado “vender livros”, embora a obra não fosse feita visando lucros, e embora fosse através desses mesmos livros que eles haviam aprendido a verdade sobre o Reino de Deus. Quando foi incentivado o testemunho de casa em casa com os livros aos domingos, a partir de 1926, alguns argumentaram contra isso, embora o domingo fosse o dia que muitas pessoas costumeiramente dedicavam à adoração. O problema básico era que eles achavam estar abaixo de sua dignidade pregar de casa em casa. Todavia, a Bíblia claramente diz que Jesus enviou seus discípulos aos lares das pessoas para pregar, e o apóstolo Paulo pregou “publicamente e de casa em casa”. — Atos 20:20; Mat. 10:5-14.

      À medida que a ênfase ao serviço de campo aumentava, os cujo coração não os induzia a imitar a Jesus e seus apóstolos como testemunhas gradativamente se retiraram. A Congregação Skive, na Dinamarca, junto com mais algumas, foi reduzida à cerca da metade. De mais ou menos cem associados com a Congregação Dublim, na Irlanda, apenas quatro permaneceram. Houve provas e peneiramentos similares nos Estados Unidos, Canadá, Noruega, e outros países. Isto resultou numa purificação nas congregações.

      Os que realmente desejavam ser imitadores do Filho de Deus acolheram bem o encorajamento das Escrituras. Contudo, sua voluntariedade não necessariamente tornava fácil irem de casa em casa. Alguns acharam muito difícil começar. Mas arranjos para testemunho em grupo e assembléias de serviço especiais serviram de encorajamento. Duas irmãs no norte da Jutlândia, na Dinamarca, por muito tempo lembraram de seu primeiro dia de serviço de campo. Elas reuniram-se com o grupo, ouviram as instruções, andaram em direção ao seu território, mas daí começaram a chorar. Dois irmãos viram o que estava acontecendo e convidaram as irmãs a trabalhar com eles. Elas logo se recompuseram. Depois de sentirem o gosto pelo serviço de campo, a maioria se encheu de alegria e se entusiasmou em fazer mais.

      Daí, em 1932, The Watchtower publicou um artigo em duas partes intitulado “Organização de Jeová”. (Edições de 15 de agosto e 1.º de setembro) Este mostrou que o cargo eletivo de ancião nas congregações não era bíblico. As congregações foram instadas a usar em cargos de responsabilidade apenas homens ativos no serviço de campo, homens à altura da responsabilidade implícita no nome Testemunhas de Jeová. Esses homens deviam funcionar como comissão de serviço. Um deles, recomendado pela congregação, era designado pela Sociedade como diretor de serviço. Em Belfast, Irlanda, houve um peneiramento adicional, com a eliminação daqueles cujo desejo de destaque pessoal era maior do que o de prestar serviço humilde.

      No início da década de 30, a maioria dos na Alemanha que tentavam desencorajar o serviço de campo haviam-se afastado das congregações. Alguns outros temerosamente se retiraram quando em 1933 a obra foi banida em muitos dos estados na Alemanha. Mas milhares suportaram esses testes de fé e mostraram-se dispostos a pregar apesar do perigo envolvido.

      Ao redor da Terra, a proclamação do Reino ganhava ímpeto. O serviço de campo tornou-se parte importante da vida de todas as Testemunhas de Jeová. A congregação em Oslo, Noruega, por exemplo, alugava ônibus em fins de semana para transportar publicadores para cidades vizinhas. Encontravam-se cedo, estavam no território às nove ou dez da manhã, trabalhavam arduamente no serviço de campo por sete ou oito horas, e daí reagrupavam-se nos ônibus para a viagem de volta. Outros viajavam a áreas rurais de bicicleta, com bolsas e caixas de livros cheios de um suprimento extra. As Testemunhas de Jeová eram felizes, zelosas e unidas em fazer a vontade de Deus.

      Em 1938, quando novamente se deu atenção à designação de homens responsáveis nas congregações,j a eliminação de todas as eleições locais de servos em geral foi bem aceita. As congregações prazerosamente apresentaram resoluções mostrando apreço pela organização teocrática e pedindo que “a Sociedade” (que eles entendiam significar o restante ungido, ou escravo fiel e discreto) organizasse a congregação para o serviço e designasse todos os servos. Dali em diante, o visível Corpo Governante passou a fazer as necessárias designações e a organizar as congregações para atividade unida e produtiva. Apenas uns poucos grupos se refrearam e se retiraram da organização à essa altura.

      Dedicados exclusivamente à divulgação da mensagem do Reino

      Para que a organização continue a ter a aprovação de Jeová, ela tem de estar devotada exclusivamente à obra que a Sua Palavra ordena para os nossos dias. Essa obra é a pregação das boas novas do Reino de Deus. (Mat. 24:14) Contudo, tem havido uns poucos casos em que indivíduos que trabalhavam arduamente em cooperação com a organização empenharam-se também em usá-la para promover programas que tendiam a desviar seus associados para outras atividades. Ao serem repreendidos, isto era um teste para eles, em especial quando achavam que suas motivações eram nobres.

      Isto aconteceu na Finlândia durante 1915, quando alguns irmãos fundaram uma associação cooperativa chamada Ararat e usaram as colunas da edição finlandesa de The Watch Tower para instar os leitores a se juntarem a essa associação comercial. Aquele que iniciara essa atividade na Finlândia reagiu humildemente quando o irmão Russell destacou que ele e seus associados permitiram-se “desviar-se da importante obra do Evangelho”. Contudo, o orgulho impediu outro irmão, que se mantivera ativo no serviço de Jeová por mais de uma década na Noruega, de aceitar este mesmo conselho.

      Durante a década de 30, nos Estados Unidos, surgiu um problema um tanto similar. Várias congregações publicavam suas próprias folhas de instrução de serviço mensais, que incluíam lembretes do Bulletin da Sociedade, bem como experiências e sua programação local de atividades. Uma destas, publicada em Baltimore, Maryland, dava entusiástico apoio à atividade de pregação mas era também usada para promover certos empreendimentos comerciais. Inicialmente o irmão Rutherford deu aprovação tácita a alguns destes. Mas quando se percebeu qual poderia ser o desdobramento do envolvimento em tais empreendimentos, The Watchtower declarou que a Sociedade não os endossava. Isto foi um severo teste pessoal para Anton Koerber, pois ele intencionara por esses meios ser de ajuda a seus irmãos. Mas, com o tempo, ele voltou a usar plenamente suas habilidades para promover a obra de pregação feita pelas Testemunhas de Jeová.

      Um problema similar surgiu na Austrália a partir de 1938 e se agravou durante a proscrição contra a Sociedade (janeiro de 1941 a junho de 1943). A fim de atender ao que então pareciam ser necessidades válidas, a filial da Sociedade ficou diretamente envolvida numa variedade de atividades comerciais. Assim, cometeu-se um grande erro. Eles tinham serrarias, mais de 20 “fazendas do Reino”, uma firma de engenharia, uma padaria e outros empreendimentos. Duas impressoras comerciais serviam de cobertura para a contínua produção das publicações da Sociedade durante a proscrição. Mas algumas de suas operações comerciais os envolveram em violações da neutralidade cristã, o trabalho sendo feito sob o pretexto de suprir fundos e apoiar os pioneiros durante a proscrição. A consciência de alguns, contudo, ficou profundamente abalada. Embora a maioria continuasse apegada à organização, houve uma estagnação geral na obra de proclamação do Reino. O que impedia a bênção de Jeová?

      Quando a proscrição da obra foi sustada em junho de 1943, os irmãos que então cuidavam da filial compreenderam que esses empreendimentos deviam ser abandonados, para centralizar os interesses na importantíssima pregação do Reino. Isto foi realizado num espaço de três anos, e a família de Betel foi reduzida ao tamanho normal. Mas ainda era necessário clarificar as coisas e assim recuperar a completa confiança na organização.

      Nathan H. Knorr, o presidente da Sociedade, e seu secretário M. G. Henschel visitaram a Austrália especificamente para lidar com essa situação, em 1947. Ao falar sobre o assunto, The Watchtower de 1.º de junho de 1947 disse a respeito das atividades comerciais que haviam sido executadas: “O que estava envolvido não era o trabalho secular cotidiano dos irmãos para ganhar o sustento, mas era o fato de a filial da Sociedade ter adquirido vários tipos de indústrias e convocado publicadores de todas as partes do país, em especial pioneiros, para trabalhar nessas indústrias em vez de pregar o evangelho.” Isto havia levado mesmo ao envolvimento indireto no esforço de guerra. Em congressos em cada uma das capitais de província, o irmão Knorr falou francamente aos irmãos sobre a situação. Em cada assembléia foi adotada uma resolução na qual os irmãos australianos reconheciam o seu erro e pediam a misericórdia e o perdão de Jeová através de Jesus Cristo. Assim, tem-se exigido vigilância e foram enfrentados testes de modo que a organização continuasse a devotar-se exclusivamente à divulgação da mensagem do Reino de Deus.

      À medida que as Testemunhas de Jeová analisam a sua história moderna, elas vêem evidência de que Jeová realmente tem refinado o seu povo. (Mal. 3:1-3) Atitudes, crenças e práticas erradas foram aos poucos afastadas, e os que preferiram apegar-se a estas se afastaram junto com elas. Os que permanecem não são pessoas dispostas a transigir nas verdades bíblicas a fim de acomodá-las à filosofia humana. Não são seguidores de homens, mas sim devotados servos de Jeová Deus. Prazerosamente seguem a direção da organização porque vêem inconfundível evidência de que ela pertence a Jeová. Alegram-se com a progressiva luz da verdade. (Pro. 4:18) Individualmente consideram ser um grandioso privilégio ser uma ativa Testemunha de Jeová, um proclamador do Reino de Deus.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Zion’s Watch Tower and Herald of Christ’s Presence, edição extra, 25 de abril de 1894, pp. 102-4.

      b A respeito da Trindade, veja a New Catholic Encyclopedia, Volume XIV, 1967, página 299; Dictionary of the Bible, de J. L. McKenzie, S.J., 1965, página 899; The New International Dictionary of New Testament Theology, Volume 2, 1976, página 84. Quanto à alma, veja a New Catholic Encyclopedia, Volume XIII, 1967, páginas 449-50, 452, 454; The New Westminster Dictionary of the Bible, editado por H. S. Gehman, 1970, página 901; The Interpreter’s Bible, Volume I, 1952, página 230; Peake’s Commentary on the Bible, editado por M. Black e H. H. Rowley, 1962, página 416.

      c Segundo o irmão Russell, sua esposa, que mais tarde o abandonou, foi a primeira pessoa a aplicar Mateus 24:45-47 a ele. Veja a Watch Tower, edições de 15 de julho de 1906, página 215; 1.º de março de 1896, página 47; e 15 de junho de 1896, páginas 139-40.

      d Vindication, Livro Dois, pp. 258-9, 268-9; The Watchtower, 1.º de abril de 1934, pp. 99-106; 15 de abril de 1934, pp. 115-22; 1.º de agosto de 1935, pp. 227-37.

      e Que 1878 era um ano significativo parecia reforçado pela referência a Jeremias 16:18 (‘o dobro de Jacó’, King James) junto com cálculos indicando que aparentemente haviam passado 1.845 anos da morte de Jacó até 33 EC, quando o Israel natural foi rejeitado, e que o dobro, ou duplicado, disso se estenderia de 33 EC a 1878.

      f Estendendo ainda mais o paralelo, foi declarado que a desolação de Jerusalém em 70 EC (37 anos depois que Jesus fora saudado como rei pelos seus discípulos quando entrou em Jerusalém montado num jumento) pudesse apontar para 1915 (37 anos após 1878) como ponto culminante de levante anárquico que, segundo pensavam, Deus permitiria como meio de acabar com as existentes instituições do mundo. Esta data apareceu em reimpressões de Studies in the Scriptures. (Veja Volume II, páginas 99-101, 171, 221, 232, 246-7; compare a reimpressão de 1914 com impressões anteriores, tais como a impressão de 1902 do Millennial Dawn.) Parecia-lhes que isto se ajustava bem com o que fora publicado a respeito do ano de 1914 como assinalando o fim dos tempos dos gentios.

      g Veja a tradução na The Emphasised Bible, traduzida por J. B. Rotherham; veja também a nota em Atos 13:20 na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas — Com Referências.

      h Veja “A Verdade Vos Tornará Livres”, capítulo XI; “Está Próximo o Reino”, páginas 171-6; também The Golden Age, 27 de março de 1935, páginas 391, 412. À luz dessas tabelas de cronologia bíblica corrigidas, pôde-se ver que os anteriores usos das datas de 1873 e 1878, bem como de datas relacionadas derivadas destas à base de paralelos com eventos do primeiro século, baseavam-se em equívocos.

      i Veja Estudo Perspicaz das Escrituras, Volume 3, páginas 582-7.

      j Veja o Capítulo 15, “Desenvolvimento da estrutura da organização”.

      [Destaque na página 619]

      Provas e peneiramentos não vieram como surpresa.

      [Destaque na página 621]

      ‘Eles se recusam a ser desviados da Palavra do Senhor.’

      [Destaque na página 623]

      “Não queremos homenagem, nem reverência, para nós mesmos ou para nossos escritos.”

      [Destaque na página 624]

      “Deus ainda está no leme.”

      [Destaque na página 626]

      O “servo fiel e prudente” não havia saído de cena com a morte do irmão Russell.

      [Destaque na página 627]

      Um esforço maldoso de envenenar a mente de outros.

      [Destaque na página 628]

      Alguns permitiram que o orgulho minasse a sua fé.

      [Destaque na página 629]

      ‘Ficai de olho nos que causam divisões e evitai-os.’

      [Destaque na página 630]

      Falsamente, alguns levantaram acusações de que “The Watch Tower” havia repudiado o resgate.

      [Destaque na página 635]

      “Nós meramente inferimos isso e, evidentemente, erramos.”

      [Destaque na página 636]

      Os que realmente amavam a Jeová sentiam-se gratos pelos privilégios de serviço que lhes foram oferecidos.

      [Destaque na página 638]

      “Pode qualquer homem ou mulher realmente consagrado ao Senhor justificar a sua ociosidade nos tempos atuais?”

      [Destaque na página 641]

      Atitudes, crenças e práticas erradas foram aos poucos afastadas.

      [Quadro/Foto na página 622]

      W. E. Van Amburgh

      Em 1916, W. E. Van Amburgh declarou: “Esta grande obra mundial não é obra de uma única pessoa. . . . É a obra de Deus.” Embora ele visse outros se afastar, ele permaneceu firme nessa convicção até a sua morte em 1947, aos 83 anos de idade.

      [Quadro/Foto na página 633]

      Jules Feller

      Quando jovem, Jules Feller presenciou severos testes de fé. Algumas congregações na Suíça encolheram para metade de seu tamanho anterior, ou menos. Mas ele mais tarde escreveu: “Os que haviam depositado a sua confiança em Jeová permaneceram firmes e continuaram a sua atividade de pregação.” O irmão Feller decidiu fazer isso também e, em resultado, até 1992 ele tinha 68 anos de serviço de Betel.

      [Quadro/Foto na página 634]

      C. J. Woodworth

      Para alguém que deixou o serviço de Jeová porque os seguidores ungidos de Jesus Cristo não foram levados para o céu em 1914, C. J. Woodworth escreveu o seguinte:

      “Vinte anos atrás tu e eu críamos no batismo de bebês; no direito divino de o clero administrar esse batismo; que o batismo era necessário para escapar do tormento eterno; que Deus é amor; que Deus criou e continua a criar bilhões de seres à Sua semelhança que passarão as incontáveis eras da eternidade nas sufocantes fumaças de enxofre ardente, suplicando em vão por uma gota de água para aliviar suas agonias . . .

      “Críamos que depois que um homem morre, ele continua vivo; críamos que Jesus Cristo jamais morreu; que Ele não poderia morrer; que nenhum Resgate jamais foi pago ou jamais será pago; que Jeová Deus e Cristo Jesus, Seu Filho, são uma e a mesma pessoa; que Cristo era Seu próprio Pai; que Jesus era Seu próprio Filho; que o Espírito Santo é uma pessoa; que um mais um, mais um é igual a um; que, quando Jesus estava pendurado na cruz e disse: ‘Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste’, ele estava meramente falando a si mesmo; . . . que os reinos atuais são parte do Reino de Cristo; que o Diabo tem estado distante em algum Inferno não localizado, em vez de exercendo domínio sobre os reinos da Terra . . .

      “Louvo a Deus pelo dia que trouxe a Verdade Atual à minha porta. Era tão salutar, tão refrescante para a mente e o coração, que eu prontamente abandonei essas farsas e conversas ocas do passado e fui usado por Deus para também abrir os teus olhos cegados. Alegramo-nos juntos com a Verdade, trabalhando lado a lado por quinze anos. O Senhor honrou-te grandemente como porta-voz; jamais conheci alguém tão capaz de tornar as tolices de Babilônia parecerem tão ridículas. Em tua carta perguntas: ‘E agora?’ Ah, agora vem o lado triste da coisa! Agora tu permites que teu coração se torne amargurado contra aquele cujos labores motivados por amor e cuja bênção do Alto trouxe a verdade ao meu e ao teu coração. Tu te afastaste, e levaste várias ovelhas junto. . . .

      “Provavelmente pareço-te ridículo porque não fui para o Céu em 1.º de outubro de 1914, mas tu não me pareces ridículo — oh! não!

      “Com dez das maiores nações da Terra contorcendo-se nas agonias da morte, parece-me uma ocasião especialmente inoportuna para tentar ridicularizar o homem, e o único homem, que por quarenta anos tem ensinado que os Tempos dos Gentios terminariam em 1914.”

      A fé do irmão Woodworth não foi abalada quando os eventos de 1914 não foram os esperados. Ele simplesmente compreendeu que havia mais para aprender. Por causa de sua confiança no propósito de Deus, ele passou nove meses na prisão em 1918-19. Mais tarde trabalhou como editor das revistas “The Golden Age” e “Consolation”. Permaneceu firme na fé e leal à organização de Jeová até a sua morte, em 1951, aos 81 anos de idade.

      [Quadro/Foto na página 637]

      A. H. Macmillan

      “Tenho visto a sabedoria de esperar pacientemente que Jeová clareie o nosso entendimento de assuntos bíblicos em vez de se abalar diante de um novo conceito. Às vezes as nossas expectativas para uma certa data eram maiores do que as Escrituras justificavam. Quando essas expectativas deixaram de se cumprir, isso não mudou os propósitos de Deus.”

      [Foto na página 620]

      Um importante teste de fé dizia respeito ao reconhecimento do valor expiatório do sacrifício de Jesus.

      [Fotos na página 625]

      Alguns que admiravam Russell descobriram que sua reação ao temperamento de Rutherford trouxe à luz a quem eles realmente serviam.

      [Fotos na página 639]

      Quando se deu maior ênfase ao serviço de campo, muitos se afastaram; outros aumentaram o seu zelo.

      “Watch Tower”, 15 de agosto de 1922

      “Watch Tower”, 1.º de abril de 1928

      “Watch Tower”, 5 de junho de 1927

      [Foto na página 640]

      À medida que a organização teocrática se evidenciava, os que procuravam destaque pessoal se retiraram, tendo sido peneirados.

  • “Pessoas odiadas por todas as nações”
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 29

      “Pessoas odiadas por todas as nações”

      NA ÚLTIMA noite que Jesus passou com seus apóstolos antes de morrer, ele lembrou-lhes: “O escravo não é maior do que o seu amo. Se me perseguiram a mim, perseguirão também a vós; se observaram a minha palavra, observarão também a vossa. Mas, farão todas estas coisas contra vós por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou.” — João 15:20, 21.

      Jesus não tinha em mente apenas casos isolados de intolerância. Apenas três dias antes, ele dissera: “Sereis pessoas odiadas por todas as nações.” — Mat. 24:9.

      Todavia, Jesus aconselhou seus seguidores a não recorrer a armas carnais face à perseguição. (Mat. 26:48-52) Não deviam injuriar seus perseguidores nem tentar retaliar. (Rom. 12:14; 1 Ped. 2:21-23) Não poderiam até mesmo esses perseguidores algum dia tornar-se crentes? (Atos 2:36-42; 7:58-8:1; 9:1-22) Qualquer acerto de contas devia ser confiado a Deus. — Rom. 12:17-19.

      É bem conhecido que os primitivos cristãos foram perseguidos cruelmente pelo governo romano. Mas vale também notar que os principais perseguidores de Jesus Cristo eram os líderes religiosos, e que Pôncio Pilatos, o governador romano, fez com que Jesus fosse executado porque eles exigiram isso. (Luc. 23:13-25) Depois da morte de Jesus, foram novamente os líderes religiosos que estavam à frente como perseguidores dos seguidores de Jesus. (Atos 4:1-22; 5:17-32; 9:1, 2) Não tem sido este também o padrão nos tempos mais recentes?

      O clero exige debate público

      Quando a circulação dos escritos de C. T. Russell rapidamente chegou a dezenas de milhões de exemplares em muitas línguas, o clero católico e protestante não podia simplesmente ignorar o que ele dizia. Irados pela exposição de seus ensinos como não sendo bíblicos, e frustrados com a perda de membros, muitos clérigos usaram seus púlpitos para denunciar os escritos de Russell. Ordenaram a seus rebanhos que não aceitassem as publicações distribuídas pelos Estudantes da Bíblia. Vários deles tentaram induzir as autoridades a acabar com essa obra. Em alguns lugares nos Estados Unidos — entre os quais Tampa, Flórida; Rock Island, Illinois; Winston-Salem, Carolina do Norte; e Scranton, Pensilvânia, — eles supervisionaram a queima pública de livros escritos por Russell.

      Alguns clérigos achavam ser necessário suprimir a influência de Russell expondo-o em debate público. Nas imediações da sede das atividades de Russell, um grupo de clérigos nomeou como seu porta-voz o Dr. E. L. Eaton, pastor da Igreja Episcopal Metodista da Avenida Norte, em Allegheny, Pensilvânia. Em 1903 ele propôs um debate público, e o irmão Russell aceitou o convite.

      Foram apresentadas seis proposições, a saber: O irmão Russell afirmava, mas o Dr. Eaton negava: que as almas dos mortos estão inconscientes; que a “segunda vinda” de Cristo precede ao Milênio e que o objetivo tanto de sua “segunda vinda” como do Milênio é a bênção de todas as famílias da terra; também que apenas os santos da “era do Evangelho” participam na primeira ressurreição, mas que vastas multidões terão a oportunidade de salvação por meio da subseqüente ressurreição. O Dr. Eaton afirmava, mas o irmão Russell negava: que não haveria período de experiência para ninguém depois da morte; que todos os que são salvos entram no céu; e que os iníquos incorrigíveis serão submetidos a sofrimento eterno. Foi realizada uma série de seis debates sobre essas proposições, cada debate diante de uma casa lotada no Carnegie Hall, em Allegheny, em 1903.

      O que estava por trás desse desafio para debate? Considerando o assunto de uma perspectiva histórica, Albert Vandenberg mais tarde escreveu: “Na realização dos debates, para cada discussão, atuava como moderador um pastor de uma ou outra de diferentes denominações protestantes. Além disso, ministros de várias igrejas da região sentaram-se na tribuna do orador junto com o reverendo Eaton, alegadamente para dar-lhe apoio textual e moral. . . . Que até mesmo uma aliança não oficial de clérigos protestantes pudesse ser formada significava que eles temiam o potencial de Russell de converter membros de suas denominações.” — “Charles Taze Russell: o Profeta de Pittsburgh, 1879-1909”, publicado em The Western Pennsylvania Historical Magazine, janeiro de 1986, p. 14.

      Debates assim foram relativamente poucos. Não conseguiram os resultados que a aliança dos clérigos desejava. Alguns membros da própria congregação do Dr. Eaton, impressionados pelo que ouviram na série de debates em 1903, deixaram a sua igreja e preferiram associar-se com os Estudantes da Bíblia. Mesmo um clérigo que esteve presente reconheceu que Russell havia ‘apontado a mangueira contra o inferno e apagado o fogo’. O irmão Russell, por sua vez, achava que se poderia servir melhor à causa da verdade se o tempo e o esforço fossem empregados em atividades que não debates.

      Os clérigos não desistiram de atacar. Quando o irmão Russell falou em Dublim, Irlanda, e em Otley, Yorkshire, Inglaterra, eles postaram homens na assistência para gritarem objeções e acusações falsas contra Russell pessoalmente. O irmão Russell lidou habilmente com essas situações, sempre se apoiando na Bíblia como autoridade para as suas respostas.

      Clérigos protestantes, independentemente de denominação, estavam associados no que se chama Aliança Evangélica. Seus representantes em muitos países causavam tumultos contra Russell e os que distribuíam as suas publicações. No Texas (EUA), por exemplo, os Estudantes da Bíblia descobriram que cada pregador, mesmo nas menores cidades e distritos rurais, estava equipado com a mesma série de acusações falsas contra Russell e com as mesmas distorções do que ele ensinava.

      Contudo, esses ataques contra Russell às vezes tinham resultados que os clérigos não esperavam. Em Nova Brunswick, Canadá, quando um pregador usou o púlpito para um sermão depreciativo sobre Russell, estava presente um homem que havia lido publicações escritas pelo irmão Russell. Ele não gostou quando o pregador recorreu a falsidades deliberadas. Mais ou menos no meio do sermão, esse homem se levantou, pegou sua esposa pela mão e chamou suas sete filhas que cantavam no coral: “Vinde, meninas, nós vamos para casa.” Todos os nove se retiraram, e o ministro ficou observando a partida do homem que construíra a igreja e era o principal sustentáculo financeiro da congregação. A congregação logo se desfez, e o pregador foi embora.

      Recurso à ridicularização e calúnia

      Nos seus desesperados empenhos de suprimir a influência de C. T. Russell e seus associados, o clero menosprezou a afirmação de que Russell era um ministro cristão. Por razões similares, os líderes religiosos judaicos no primeiro século classificaram os apóstolos Pedro e João de “indoutos e comuns”. — Atos 4:13.

      O irmão Russell não havia cursado nenhum seminário teológico da cristandade. Mas ele disse destemidamente: “Desafiamos [o clero] a provar se eles chegaram a receber uma ordenação Divina ou se alguma vez pensam nela. Eles meramente pensam em ordenação, ou autorização, sectária, cada qual de sua própria seita ou grupo. . . . A ordenação, ou autorização, de Deus para que qualquer homem pregue é através da concessão do Espírito Santo a ele. Quem quer que tenha recebido o Espírito Santo recebeu o poder e a autoridade para ensinar e pregar em nome de Deus. Quem não recebeu o Espírito Santo não tem autoridade, ou sanção, divina para pregar.” — Isa. 61:1, 2.

      Para macular a reputação de Russell, alguns clérigos pregaram e publicaram crassas falsidades a seu respeito. Uma que usavam com freqüência — e ainda usam — diz respeito à situação conjugal do irmão Russell. A impressão que têm tentado transmitir é que Russell era imoral. Quais são os fatos?

      Em 1879, Charles Taze Russell casou-se com Maria Frances Ackley. Tiveram uma boa relação por 13 anos. Daí, as lisonjas a Maria e o apelo ao seu orgulho por parte de outros começaram a minar essa relação; mas, quando o objetivo deles se tornou claro, ela pareceu recuperar o equilíbrio. Depois que um ex-associado havia divulgado falsidades a respeito do irmão Russell, ela chegou a pedir permissão a seu marido para visitar diversas congregações para refutar as acusações, visto que se alegara que ele a maltratara. Contudo, a excelente recepção que teve naquela viagem, em 1894, evidentemente contribuiu para uma gradual mudança no conceito que ela tinha de si mesma. Ela procurou assegurar para si voz mais ativa em determinar o que seria publicado na Watch Tower (A Sentinela).a Quando se deu conta de que nada do que escrevesse seria publicado a menos que seu marido, o editor da revista, concordasse com o seu conteúdo (à base de harmonização com as Escrituras), ela ficou muito abalada. Ele fez sérios empenhos para ajudá-la, mas, em novembro de 1897, ela o abandonou. Não obstante, ele providenciou para ela um lugar para morar e meios de subsistência. Anos mais tarde, depois de ações judiciais que haviam sido iniciadas por ela em 1903, ela obteve a decisão, em 1908, não de divórcio pleno, mas de separação de corpos, com pensão alimentícia.

      Tendo falhado em forçar seu marido a ceder às suas exigências, ela fez grande empenho, depois que o deixou, para desacreditar o nome dele. Em 1903, ela publicou um tratado repleto não de verdades bíblicas, mas de crassa deturpação dos fatos a respeito do irmão Russell. Ela tentou arrolar ministros de várias denominações para distribuí-los nos locais em que os Estudantes da Bíblia realizassem reuniões especiais. Para crédito desses ministros, não muitos naquela época se dispunham a ser usados dessa maneira. Contudo, outros clérigos desde então têm mostrado um espírito diferente.

      Antes, Maria Russell havia condenado, oralmente e por escrito, os que acusavam o irmão Russell do tipo de má conduta que ela mesma agora alegava. Usando certas declarações não substanciadas feitas durante as sessões do tribunal em 1906 (declarações estas cortadas dos autos do processo por ordem do tribunal), alguns oponentes religiosos do irmão Russell têm publicado acusações destinadas a fazer parecer que ele era um homem imoral e, portanto, inapto para ser ministro de Deus. Contudo, os autos do processo são claros, indicando que tais acusações são falsas. O próprio advogado dela perguntou à sra. Russell se ela achava que seu marido era culpado de adultério. Ela respondeu: “Não.” Vale notar também que, quando uma comissão de anciãos cristãos ouviu as acusações da sra. Russell contra seu marido, em 1897, ela não fez menção das coisas que mais tarde declarou no tribunal a fim de persuadir o júri de que se devia conceder o divórcio, embora esses alegados incidentes ocorressem antes daquela reunião.

      Nove anos depois que a sra. Russell levara o caso ao tribunal, o Juiz James Macfarlane escreveu uma carta em resposta a um homem que procurava uma cópia dos autos do processo de modo que um de seus associados pudesse comprometer Russell. O juiz disse-lhe francamente que o que ele queria seria perda de tempo e de dinheiro. A carta dizia: “A base do pedido dela e da sentença no veredicto do júri foi ‘indignidades’ e não adultério, e a prova testemunhal, segundo eu sei, não mostra que Russell levava ‘uma vida adúltera com uma co-ré’. De fato, não havia co-ré.”

      O próprio reconhecimento tardio de Maria Russell veio nos funerais do irmão Russell no Carnegie Hall, em Pittsburgh, em 1916. Usando um véu, ela seguiu pelo corredor até o esquife e depositou ali um buquê de lírios-do-vale. Fixa nele havia uma fita com os dizeres: “Ao Meu Amado Esposo.”

      É evidente que o clero tem usado o mesmo tipo de táticas que foram empregadas pelos seus correlativos do primeiro século. Naquele tempo, eles tentaram arruinar a reputação de Jesus acusando-o de comer com pecadores e de ser ele mesmo pecador e blasfemador. (Mat. 9:11; João 9:16-24; 10:33-37) Tais acusações não mudaram a verdade sobre Jesus, mas deveras expuseram aqueles que recorreram a tal calúnia — e expõem os que hoje recorrem a táticas semelhantes — como tendo por pai espiritual o Diabo, cujo nome significa “Caluniador”. — João 8:44.

      Usando a febre de guerra para atingir seus fins

      Com a febre nacionalista que varreu o mundo durante a Primeira Guerra Mundial, descobriu-se uma nova arma contra os Estudantes da Bíblia. A inimizade de líderes religiosos protestantes e católico-romanos podia ser expressa por trás de uma fachada de patriotismo. Aproveitaram-se da histeria do tempo de guerra para tachar os Estudantes da Bíblia de sediciosos — a mesma acusação feita contra Jesus Cristo e o apóstolo Paulo pelos líderes religiosos da Jerusalém do primeiro século. (Luc. 23:2, 4; Atos 24:1, 5) Naturalmente, para os clérigos fazerem tal acusação, eles mesmos deviam ser ativos paladinos do esforço de guerra, mas parece que isso não incomodava a maioria deles, embora isso significasse enviar homens jovens para matarem membros de sua própria religião em outro país.

      Foi em julho de 1917, depois da morte de Russell, que a Sociedade Torre de Vigia lançou o livro The Finished Mystery (O Mistério Consumado), um comentário sobre Revelação (Apocalipse) e Ezequiel, e O Cântico de Salomão. Esse livro expôs sem rodeios a hipocrisia do clero da cristandade! Teve uma ampla distribuição em relativamente pouco tempo. Em fins de dezembro de 1917 e início de 1918, os Estudantes da Bíblia nos Estados Unidos e no Canadá distribuíram também 10.000.000 de exemplares de uma ardente mensagem contida no tratado The Bible Students Monthly (O Mensário dos Estudantes da Bíblia). Esse tratado de quatro páginas, do tamanho de um tablóide, chamava-se “A Queda de Babilônia” e tinha o subtítulo “Por que a Cristandade Tem de Sofrer Agora — O Desenlace Final”. Identificava tanto as organizações religiosas católicas como protestantes com a hodierna Babilônia, que em breve tinha de cair. Em apoio do que se dissera, reproduzia comentários de The Finished Mystery sobre as profecias que declaravam o julgamento divino contra a “Babilônia Mística”. Na última página havia um expressivo cartum que mostrava uma muralha em desmoronamento. Pedras maciças da muralha tinham letreiros tais como “Doutrina da Trindade (‘3 X 1 = 1’)”, “Imortalidade da Alma”, “Teoria do Tormento Eterno”, “Protestantismo — credos, clero, etc.”, “Romanismo — papas, cardeais, etc., etc.” — e todas elas caindo.

      O clero ficou furioso com essa exposição, assim como ficou o clero judaico quando Jesus expôs a hipocrisia deles. (Mat. 23:1-39; 26:3, 4) No Canadá, o clero reagiu prontamente. Em janeiro de 1918, mais de 600 clérigos canadenses assinaram uma petição que solicitava ao governo que suprimisse as publicações da Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia. Conforme publicou o jornal Winnipeg Evening Tribune, depois que Charles G. Paterson, pastor da Igreja Santo Estêvão, em Winnipeg, denunciou de seu púlpito The Bible Students Monthly que continha o artigo “A Queda de Babilônia”, o Procurador-Geral Johnson entrou em contato com ele a fim de obter um exemplar. Pouco depois, em 12 de fevereiro de 1918, um decreto do governo canadense tornou crime punível com multa e prisão possuir o livro The Finished Mystery ou o tratado mostrado na página 648.

      Naquele mesmo mês, em 24 de fevereiro, o irmão Rutherford, o recém-eleito presidente da Sociedade Torre de Vigia, falou nos Estados Unidos, no Temple Auditorium, em Los Angeles, Califórnia. Seu tema era surpreendente: “O Mundo Acabou — Milhões Que Agora Vivem Talvez Jamais Morram.” Ao apresentar evidências de que o mundo conforme era conhecido até então realmente terminara em 1914, ele chamou atenção para a guerra então em andamento, junto com a acompanhante fome, e identificou isso como parte do sinal predito por Jesus. (Mat. 24:3-8) Daí, ele centrou a atenção sobre o clero, dizendo:

      “Como classe, segundo as escrituras, os clérigos são os homens mais culpados da Terra, pela grande guerra que agora aflige a humanidade. Há 1.500 anos, eles têm ensinado às pessoas a doutrina satânica do direito divino dos reis de governar. Têm misturado política com religião, igreja e Estado; têm sido desleais ao privilégio concedido por Deus de proclamar a mensagem do reino do Messias, e entregaram-se a encorajar os governantes a crer que o rei governa por direito divino, e, por conseguinte, o que quer que ele faça é correto.” Mostrando o resultado disso, ele disse: “Reis ambiciosos da Europa armaram-se para a guerra, porque desejavam apoderar-se do território de outros povos; e o clero deu-lhes batidinhas nas costas, dizendo: ‘Ide em frente, não podeis errar; o que for que fizerdes estará certo.’” Mas não era apenas o clero europeu que fazia isso, e os pregadores na América sabiam disso.

      Uma ampla reportagem sobre esse discurso saiu no dia seguinte no jornal Morning Tribune, de Los Angeles. O clero ficou tão furioso que a associação ministerial realizou uma reunião naquele mesmo dia e enviou seu presidente aos diretores do jornal para apresentar seu intenso desagrado. Depois disso, houve um período de constante importunação dos dirigentes da Sociedade Torre de Vigia por parte de membros do serviço secreto do governo.

      Durante esse período de fervor nacionalístico, foi realizada uma conferência de clérigos na Filadélfia, nos Estados Unidos, na qual se adotou uma resolução que exigia a revisão da Lei de Espionagem, de modo que os alegados violadores pudessem ser julgados por uma corte marcial e submetidos à pena de morte. John Lord O’Brian, assistente especial do procurador-geral para serviço de guerra, foi escolhido para apresentar o assunto ao Senado. O presidente dos Estados Unidos não permitiu que esse projeto de lei se transformasse em lei. Mas o General de Divisão James Franklin Bell, do exército dos EUA, no calor da ira, revelou a J. F. Rutherford e W. E. Van Amburgh o que ocorrera na conferência e a intenção de se usar aquele projeto de lei contra os dirigentes da Sociedade Torre de Vigia.

      Arquivos oficiais do governo americano mostram que, pelo menos de 21 de fevereiro de 1918 em diante, John Lord O’Brian estava pessoalmente envolvido em mover um processo contra os Estudantes da Bíblia. Os Anais do Congresso de 24 de abril e 4 de maio contêm memorandos de John Lord O’Brian em que ele argumenta fortemente que, se a lei facultava a expressão do “que é verdade, com boas motivações, e para fins justificáveis”, conforme declarado na chamada Emenda France à Lei de Espionagem e conforme havia sido endossada pelo Senado americano, ele não podia com êxito processar os Estudantes da Bíblia.

      Em Worcester, Massachusetts, o “Rev.” B. F. Wyland também explorou a febre de guerra afirmando que os Estudantes da Bíblia faziam propaganda em favor do inimigo. Ele publicou um artigo no Daily Telegram em que declarou: “Um dos vossos deveres patrióticos com que vos confrontais como cidadãos é suprimir a Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia, com sede em Brooklyn. Eles têm, sob o disfarce da religião, promovido propaganda alemã em Worcester por meio da venda de seu livro ‘The Finished Mystery’.” Ele disse sem rodeios às autoridades que o dever delas era prender os Estudantes da Bíblia e impedir que realizassem reuniões.

      Na primavera e no verão de 1918 houve uma ampla perseguição contra os Estudantes da Bíblia, tanto na América do Norte como na Europa. Entre os instigadores estavam clérigos batistas, metodistas, episcopais, luteranos, católico-romanos e de outras religiões. Publicações bíblicas foram confiscadas por autoridades sem mandado de busca e apreensão, e muitos Estudantes da Bíblia foram postos na cadeia. Outros foram perseguidos por turbas, espancados, açoitados, cobertos de alcatrão e penas, ou sofreram fraturas de costelas ou cortes na cabeça. Alguns ficaram aleijados para sempre. Homens e mulheres cristãos foram jogados na cadeia e mantidos ali sem acusação ou sem julgamento. Mais de cem casos específicos desse tratamento abusivo foram relatados na revista The Golden Age de 29 de setembro de 1920.

      Acusados de espionagem

      O golpe culminante veio em 7 de maio de 1918 quando foram emitidos nos Estados Unidos mandados federais de prisão de J. F. Rutherford, o presidente da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, e de seus associados mais íntimos.

      No dia anterior, em Brooklyn, Nova Iorque, haviam sido instauradas duas indiciações contra o irmão Rutherford e seus associados. Se os desejados resultados não viessem de um caso, o outro indiciamento poderia ser usado. O primeiro indiciamento, que lançava acusações contra o número maior de indivíduos, incluía quatro enquadramentos: dois os acusavam de conspiração para violar a Lei de Espionagem de 15 de junho de 1917; e dois enquadramentos os acusavam de tentar executar seus planos ilegais ou de realmente executá-los. Alegou-se que eles conspiravam para provocar a insubordinação e recusa do dever nas forças armadas dos Estados Unidos e que conspiravam para obstruir o recrutamento e alistamento de homens para tal serviço com a nação em guerra; também, que haviam tentado fazer, ou que realmente fizeram, ambas essas coisas. O indiciamento fazia menção especial da publicação e distribuição do livro The Finished Mystery. O segundo indiciamento classificava o envio de um cheque à Europa (que seria usado para a obra de educação bíblica na Alemanha) de hostil aos interesses dos Estados Unidos. Quando os acusados foram levados ao tribunal, foi usado o primeiro indiciamento, aquele com quatro enquadramentos.

      Ainda outro indiciamento de C. J. Woodworth e de J. F. Rutherford sob a Lei de Espionagem estava então pendente em Scranton, Pensilvânia. Mas, segundo uma carta de John Lord O’Brian, de 20 de maio de 1918, membros do Departamento de Justiça temiam que o juiz federal Witmer, que julgaria o caso, não concordasse com o uso por parte deles da Lei de Espionagem para suprimir a atividade de homens que, por causa de sinceras convicções religiosas, dissessem coisas que outros pudessem interpretar ser propaganda contra a guerra. De modo que o Departamento de Justiça manteve jacente o caso em Scranton, à espera do desenlace do caso em Brooklyn. O governo também manobrou a situação de modo que o Juiz Harland B. Howe, de Vermont, que John Lord O’Brian sabia que concordava com o seu ponto de vista nesses assuntos, atuasse como juiz no processo na Corte Federal do Distrito Oriental de Nova Iorque. O caso foi a julgamento em 5 de junho, com Isaac R. Oeland e Charles J. Buchner, este último católico-romano, como promotores. Durante o julgamento, conforme o irmão Rutherford percebeu, sacerdotes católicos freqüentemente conferenciavam com Buchner e Oeland.

      Com o andamento do processo, foi mostrado que os dirigentes da Sociedade e os compiladores do livro não intencionavam interferir no esforço de guerra do país. Evidências apresentadas durante o julgamento mostraram que os planos para a escrita do livro — deveras, a escrita da maior parte do manuscrito — ocorrera antes de os Estados Unidos declararem guerra (em 6 de abril de 1917), e que o contrato original para a publicação havia sido assinado antes de os Estados Unidos promulgarem a lei (em 15 de junho) que eles eram acusados de violar.

      A promotoria destacou adições feitas ao livro em abril e junho de 1917, durante a preparação do manuscrito e leitura de provas. Estas incluíam uma citação de John Haynes Holmes, um clérigo que havia declarado enfaticamente que a guerra era uma violação do cristianismo. Conforme indicou um dos advogados de defesa, os comentários desse clérigo, publicados sob o título A Statement to My People on the Eve of War (Declaração ao Meu Povo em Vésperas de Guerra), ainda estava à venda nos Estados Unidos por ocasião do julgamento. Nem o clérigo nem o editor estavam em julgamento por isso. Mas eram os Estudantes da Bíblia, que se referiram ao seu sermão, os considerados culpados pelos sentimentos nele expressos.

      O livro não dizia aos homens do mundo que eles não tinham o direito de guerrear. Mas, explicando profecias, deveras citava trechos de edições de The Watch Tower de 1915 para mostrar a incoerência de clérigos que professavam ser ministros de Cristo, mas que atuavam como agentes recrutadores para as nações em guerra.

      Quando se soubera que o governo tinha objeções contra o livro, o irmão Rutherford havia imediatamente enviado um telegrama ao impressor para sustar a sua produção e, ao mesmo tempo, havia sido enviado um representante da Sociedade ao departamento de serviço secreto do Exército Americano para descobrir qual era a sua objeção. Quando se soube que, por causa da guerra então em andamento, as páginas 247-53 do livro eram tidas como objetáveis, a Sociedade ordenou que essas páginas fossem cortadas de todos os exemplares do livro antes de serem oferecidos ao público. E quando o governo notificou os promotores públicos de que a distribuição adicional seria uma violação da Lei de Espionagem (embora o governo declinasse de expressar uma opinião à Sociedade sobre o livro na sua forma alterada), a Sociedade ordenou que toda a distribuição pública do livro fosse suspensa.

      Por que uma punição tão severa?

      Apesar de tudo isso, em 20 de junho de 1918, o júri apresentou um veredicto que considerava todos os acusados culpados em cada um dos termos de enquadramento. No dia seguinte, seteb deles foram sentenciados a quatro termos de prisão de 20 anos cada um, a serem cumpridos concomitantemente. Em 10 de julho, o oitavoc foi sentenciado a quatro termos concomitantes de 10 anos. Quão severas foram essas sentenças? Numa nota ao procurador-geral, em 12 de março de 1919, o presidente americano Woodrow Wilson reconheceu que “os termos de prisão são claramente excessivos”. De fato, o homem que em Sarajevo disparou os tiros que mataram o príncipe herdeiro do Império Austro-Húngaro — incidente que precipitou os eventos que mergulharam as nações na Primeira Guerra Mundial — não recebeu uma sentença mais severa. Sua sentença foi de 20 anos de prisão — não quatro termos de 20 anos cada um como no caso dos Estudantes da Bíblia!

      Qual foi a motivação por trás da imposição de tais severos termos de prisão contra os Estudantes da Bíblia? O Juiz Harland B. Howe declarou: “Na opinião da Corte, a propaganda religiosa que esses acusados têm vigorosamente defendido e divulgado por toda a nação, bem como entre os nossos aliados, é um perigo maior do que uma divisão do Exército Alemão. . . . A pessoa que prega religião em geral tem muita influência, e quando ela é sincera, é tanto mais eficaz. Isto agrava em vez de mitigar o mal que cometeram. Por conseguinte, como a única coisa prudente a fazer com tais pessoas, a Corte concluiu que a punição deve ser severa.” Mas vale notar também que, antes de proferir a sentença, o Juiz Howe disse que as declarações feitas pelos advogados em favor dos acusados haviam suscitado dúvidas e ameaçado severamente não apenas os agentes da lei do governo, mas também “todos os ministros [religiosos] em todo o país”.

      Interpelou-se imediatamente uma ação no tribunal de recursos dos EUA. Mas a fiança à espera do julgamento desse recurso foi arbitrariamente recusada pelo Juiz Howed e, em 4 de julho, antes que um terceiro e final apelo pela fiança pudesse ser julgado, os primeiros sete irmãos foram rapidamente levados à penitenciária federal em Atlanta, Geórgia. Depois disso, ficou demonstrado que houve 130 erros processuais nesse altamente preconceituoso julgamento. Foram consumidos meses de trabalho na preparação dos necessários papéis para uma audiência de apelação. No ínterim, a guerra acabou. Em 19 de fevereiro de 1919, os oito irmãos na prisão enviaram um apelo de clemência executiva a Woodrow Wilson, presidente dos Estados Unidos. Outras cartas pedindo a libertação dos irmãos foram enviadas por numerosos cidadãos ao recém-nomeado procurador-geral. Daí, em 1.º de março de 1919, em resposta a um pedido de informações do procurador-geral, o Juiz Howe recomendou “imediata comutação” das sentenças. Embora isso pudesse reduzir as sentenças, também teria tido o efeito de confirmar a culpa dos acusados. Antes que isso pudesse ser feito, os advogados dos irmãos apresentaram uma ordem judicial ao procurador federal, que resultou em se apresentar o caso perante o tribunal de recursos.

      Nove meses depois que Rutherford e seus associados foram condenados — e com a guerra já terminada — em 21 de março de 1919, o tribunal de recursos ordenou o benefício da fiança para todos os oito acusados, e, em 26 de março, eles foram libertados em Brooklyn sob a fiança de US$ 10.000 cada um. Em 14 de maio de 1919, o tribunal regional de recursos de Nova Iorque decidiu: “Os acusados neste processo não tiveram o julgamento comedido e imparcial a que tinham direito, e, por essa razão, a sentença é revogada.” O processo foi reencaminhado para um novo julgamento. Contudo, em 5 de maio de 1920, depois que os acusados haviam comparecido cinco vezes no tribunal, com intimação, o procurador do Estado, em audiência aberta em Brooklyn, anunciou a retirada da ação penal.e Por quê? Conforme revelado em correspondência preservada nos Arquivos Nacionais dos EUA, o Departamento de Justiça temia que, se as questões fossem apresentadas a um júri não preconceituoso, passada a histeria de guerra, o caso seria perdido. O procurador L. W. Ross declarou numa carta ao procurador-geral: “Será melhor, penso eu, para as nossas relações com o público se, de nossa própria iniciativa”, declararmos que o processo não mais seja levado avante.

      No mesmo dia, em 5 de maio de 1920, o indiciamento alternativo que havia sido feito, em maio de 1918, contra J. F. Rutherford e quatro de seus associados também foi arquivado.

      Quem realmente instigou isso?

      Foi tudo isso realmente instigado pelo clero? John Lord O’Brian negou isso. Mas os fatos são bem conhecidos por quem viveu naquele tempo. Em 22 de março de 1919, Appeal to Reason, um jornal publicado em Girard, Kansas, protestou: “Seguidores do Pastor Russell, Perseguidos por Malevolência do Clero ‘Ortodoxo’, Foram Condenados e Encarcerados sem Fiança, Embora Tivessem Feito Todo Empenho Possível Para Cumprir os Dispositivos da Lei de Espionagem. . . . Declaramos que, independentemente de se a Lei de Espionagem era ou não tecnicamente constitucional ou eticamente justificável, esses seguidores do Pastor Russell foram injustamente condenados à base de seus dispositivos. Um estudo imparcial das evidências rapidamente convencerá qualquer pessoa que esses homens não só não tinham a intenção de violar a lei como tampouco a violaram.”

      Anos mais tarde, no livro Preachers Present Arms (Pregadores Apresentam Armas), o Dr. Ray Abrams observou: “É significativo que tantos clérigos tiveram uma participação agressiva em tentar livrar-se dos russelitas [nome que depreciativamente se dava aos Estudantes da Bíblia]. Antigas querelas e ódios religiosos, que não receberam nenhuma atenção dos tribunais em tempos de paz, agora encontraram seu caminho para os tribunais sob os auspícios da histeria de tempo de guerra.” Ele disse também: “Uma análise de todo o caso leva à conclusão de que as igrejas e o clero estavam originalmente por trás do movimento para eliminar os russelitas.” — Pp. 183-5.

      Contudo, com o fim da guerra não acabou a perseguição dos Estudantes da Bíblia. Simplesmente começou uma nova era para isso.

      Sacerdotes pressionam a Polícia

      Terminada a guerra, o clero suscitou outras questões para acabar, se possível, com a atividade dos Estudantes da Bíblia. Na católica Baviera e em outras partes da Alemanha, foram instigadas numerosas prisões na década de 20 à base de leis sobre comércio ambulante. Mas, quando os casos chegavam aos tribunais de apelação, os juízes em geral apoiavam os Estudantes da Bíblia. Por fim, depois de os tribunais serem inundados com milhares desses casos, em 1930 o Ministério do Interior passou uma circular a todos os agentes de polícia que ordenava que parassem de iniciar ações legais contra os Estudantes da Bíblia à base de leis sobre comércio ambulante. Assim, por um curto período, a pressão dessa fonte acabou e as Testemunhas de Jeová efetuaram as suas atividades em extraordinária escala no campo alemão.

      O clero também exerceu poderosa influência na Romênia durante aqueles anos. Conseguiu que se publicassem decretos que baniam as publicações e as atividades das Testemunhas de Jeová. Mas os sacerdotes temiam que as pessoas ainda assim lessem as publicações que já tinham e desse modo ficassem sabendo dos ensinos não bíblicos e das afirmações fraudulentas da Igreja. Para evitar isso, os sacerdotes foram pessoalmente com os policiais, de casa em casa, à procura de publicações que haviam sido distribuídas pelas Testemunhas de Jeová. Até mesmo perguntavam a insuspeitas criancinhas se seus pais haviam adquirido tais publicações. Quando estas eram encontradas, as pessoas eram ameaçadas de espancamento e prisão se adquirissem mais. Em algumas vilas, o sacerdote era também o prefeito e o juiz de paz, e havia pouquíssima justiça para quem não fizesse o que o sacerdote ordenava.

      O registro que algumas autoridades norte-americanas deixaram quanto a fazer a vontade do clero durante esse período não é melhor do que isso. Após a visita do bispo católico O’Hara a La Grange, Geórgia, por exemplo, o prefeito e o promotor da cidade prenderam dezenas de Testemunhas de Jeová em 1936. Durante seu encarceramento, foram obrigadas a dormir junto a um monte de esterco em colchões salpicados de urina de vaca, recebiam comida bichada e eram obrigadas a trabalhar em pelotões de construção de estradas.

      Também na Polônia, os clérigos católicos usaram todos os meios concebíveis para impedir a obra das Testemunhas de Jeová. Eles incitavam as pessoas à violência, queimavam publicamente as publicações das Testemunhas de Jeová, denunciavam-nas como comunistas e arrastavam-nas aos tribunais sob a acusação de que suas publicações eram “sacrílegas”. Nem todas as autoridades, porém, se dispunham a cumprir as ordens do clero. O procurador do Estado do tribunal de recursos de Posen (Poznan), por exemplo, recusou-se a processar uma Testemunha de Jeová a quem o clero havia denunciado sob a acusação de que ela se referira ao clero católico como “organização de Satanás”. O próprio procurador ressaltou que o espírito imoral que se alastrou por toda a cristandade a partir da corte papal de Alexandre VI (1492-1503 EC) era, deveras, o espírito de uma organização satânica. E quando o clero acusou uma Testemunha de Jeová de blasfêmia contra Deus por ter distribuído publicações da Torre de Vigia, o procurador do Estado do tribunal de recursos em Thorn (Toruń) exigiu absolvição, dizendo: ‘As Testemunhas de Jeová assumem exatamente a mesma postura que os primeiros cristãos. Mal-interpretadas e perseguidas, elas defendem os mais altos ideais numa estrutura mundial corrupta e decadente.’

      Os arquivos do governo canadense revelam que foi atendendo a uma carta do palácio do cardeal católico Villeneuve, de Quebec, ao Ministro da Justiça, Ernest Lapointe, que as Testemunhas de Jeová foram banidas no Canadá em 1940. Outras autoridades do governo depois disso exigiram uma explicação plena das razões para tal ação, mas as respostas de Lapointe de modo algum eram satisfatórias para muitos membros do Parlamento canadense.

      No outro lado do globo, houve tramas similares da parte do clero. Os arquivos do governo australiano contêm uma carta do arcebispo católico-romano de Sídnei ao Procurador-Geral W. M. Hughes que lhe pedia que as Testemunhas de Jeová fossem declaradas ilegais. Essa carta foi escrita em 20 de agosto de 1940, apenas cinco meses antes de se impor uma proscrição. Depois de analisar a alegada base para a proscrição, o Juiz Williams, do Tribunal Superior australiano, disse mais tarde que a proscrição teve “o efeito de tornar ilegal a defesa dos princípios e das doutrinas da religião cristã e de transformar em reunião ilegal todos os ofícios religiosos realizados por crentes no nascimento de Cristo”. Em 14 de junho de 1943, o Tribunal decidiu que a proscrição não era coerente com a lei australiana.

      Na Suíça, um jornal católico exigiu que as autoridades confiscassem as publicações das Testemunhas de Jeová, que a Igreja considerava ofensivas. Ameaçaram que, se isso não fosse feito, eles tomariam a lei nas suas próprias mãos. E, em muitas partes do mundo, foi exatamente isso que fizeram!

      Líderes religiosos recorrem à violência

      O clero católico na França achava que ainda tinha um firme controle sobre o povo, e estava decidido a não permitir que algo interferisse nesse monopólio. Durante 1924-25, os Estudantes da Bíblia em muitos países distribuíam o tratado Ecclesiastics Indicted (Acusados os Eclesiásticos). Em 1925, J. F. Rutherford tinha um discurso programado em Paris sobre o tema “Expostas as Fraudes do Clero”. Sobre o que aconteceu nessa reunião, uma testemunha ocular relatou: “O auditório estava lotado. O irmão Rutherford apareceu no palco, e houve calorosos aplausos. Ele começou a falar, quando, de repente, cerca de 50 sacerdotes e membros da Ação Católica, armados com paus, invadiram o salão, cantando a A Marselhesa [o hino nacional francês]. Atiravam tratados do alto da escadaria. Um sacerdote subiu no palco. Dois homens jovens o derrubaram. Três vezes o irmão Rutherford saiu do palco, retornando em seguida. Por fim, ele desistiu. . . . As mesas com mostruários de nossas publicações foram viradas e os nossos livros espalhados por toda a parte. Foi uma confusão total!” Mas isso não foi um incidente isolado.

      Jack Corr, ao dar testemunho na Irlanda, freqüentemente sentiu a fúria do clero católico. Certa vez, uma turba, instigada pelo pároco, tirou-o da cama à meia-noite e daí queimou todas as suas publicações em praça pública. Em Roscrea, no condado de Tipperary, Victor Gurd e Jim Corby, ao voltarem à sua hospedagem, descobriram que opositores haviam roubado as publicações, as encharcado com gasolina e ateado fogo nelas. Em volta da fogueira estava a Polícia local, o clero e crianças da região, cantando “A Crença de Nossos Pais”.

      Antes de as Testemunhas de Jeová se reunirem no Madison Square Garden, em Nova Iorque, em 1939, seguidores do sacerdote católico Charles Coughlin fizeram ameaças de que a reunião seria dissolvida. A Polícia foi notificada. Em 25 de junho, o irmão Rutherford falou aos 18.000 ou mais presentes naquele auditório, bem como a uma grande audiência radiofônica internacional, sob o tema “Governo e Paz”. Depois de o discurso ter sido iniciado, 200 ou mais católicos-romanos e nazistas, liderados por vários sacerdotes católicos, aglomeraram-se no balcão. A um dado sinal, iniciaram um tremendo barulho, gritando “Heil Hitler!” e “Viva Franco!”. Usaram todo tipo de linguagem vil e ameaças e agrediram muitos dos indicadores que agiram para sufocar o distúrbio. Os amotinados não conseguiram dissolver a reunião. O irmão Rutherford continuou a falar vigorosa e destemidamente. No auge do tumulto, ele declarou: “Observai hoje os nazistas e católicos que gostariam de dissolver esta reunião, mas, pela graça de Deus, não o conseguirão fazer.” A assistência deu apoio com sucessivos aplausos vigorosos. O distúrbio tornou-se parte permanente da gravação sonora feita nessa ocasião, e tem sido ouvido por pessoas em muitas partes do mundo.

      Onde possível, porém, como nos dias da Inquisição, o clero católico-romano serviu-se do Estado para suprimir quem quer que ousasse questionar ensinos e práticas da Igreja.

      Tratamento brutal em campos de concentração

      Em Adolf Hitler o clero tinha um aliado disposto. Em 1933, no mesmo ano em que foi assinada uma concordata entre o Vaticano e a Alemanha nazista, Hitler lançou uma campanha para aniquilar as Testemunhas de Jeová na Alemanha. Em 1935 elas estavam proscritas em toda a nação. Mas quem instigou isso?

      Um sacerdote católico, escrevendo em Der Deutsche Weg (um jornal em alemão publicado em Lodz, Polônia), disse em sua edição de 29 de maio de 1938: “Há atualmente na Terra um país onde os chamados . . . Estudantes da Bíblia [Testemunhas de Jeová] estão proibidos. Esse país é a Alemanha! . . . Quando Adolf Hitler assumiu o poder, e o Episcopado Católico Alemão repetiu o seu pedido, Hitler disse: ‘Esses chamados Fervorosos Estudantes da Bíblia [Testemunhas de Jeová] são perturbadores; . . . Considero-os charlatães; não tolerarei que os católicos alemães sejam manchados desse modo por esse juiz americano Rutherford; dissolvo [as Testemunhas de Jeová] na Alemanha.’” — O grifo é nosso.

      Era apenas o Episcopado Católico Alemão que desejava que se tomasse essa ação? Conforme noticiado no Oschatzer Gemeinnützige, de 21 de abril de 1933, num discurso pelo rádio, em 20 de abril, o ministro luterano Otto falou da “mais íntima cooperação” da parte da Igreja Luterana Alemã do Estado da Saxônia com os líderes políticos daquela nação, e daí ele declarou: “Os primeiros resultados desta cooperação já podem ser relatados na proscrição hoje imposta à Associação Internacional dos Fervorosos Estudantes da Bíblia [Testemunhas de Jeová] e suas subdivisões na Saxônia.”

      Depois disso, o Estado nazista desencadeou uma das mais bárbaras perseguições contra cristãos na História registrada. Milhares de Testemunhas de Jeová — da Alemanha, Áustria, Polônia, Tchecoslováquia, Países Baixos, França e outros países — foram lançadas em campos de concentração. Ali elas foram submetidas ao mais cruel e sádico tratamento imaginável. Não era incomum esses cristãos serem insultados e chutados, daí serem forçados a fazer genuflexões, a pular e a rastejar por horas a fio até desmaiarem ou caírem de exaustão, ao passo que os guardas riam satisfeitos. Alguns foram obrigados a ficar em pé nus ou com pouca roupa no pátio no rigor do inverno. Muitos foram açoitados até perderem os sentidos e suas costas ficarem cobertas de sangue. Outros foram usados como cobaias em experimentos médicos. Alguns, com seus braços amarrados por trás das costas, foram pendurados pelos punhos. Embora enfraquecidos pela fome e inadequadamente vestidos no extremo frio, eram obrigados a fazer trabalhos pesados, por longas horas, não raro usando as próprias mãos quando seriam necessárias pás ou outras ferramentas. Tanto homens como mulheres sofreram esses abusos. Suas idades iam da adolescência aos setenta e tantos anos. Seus atormentadores lançavam brados de desafio a Jeová.

      Num esforço de abater o moral das Testemunhas de Jeová, o comandante do campo de Sachsenhausen ordenou que August Dickmann, um jovem Testemunha, fosse executado na presença de todos os prisioneiros, com as Testemunhas de Jeová na linha de frente, onde receberiam o pleno impacto. Depois disso, os outros prisioneiros foram dispensados, mas as Testemunhas de Jeová tiveram de ficar. Com grande ênfase, o comandante perguntou-lhes: ‘Quem está agora disposto a assinar a declaração?’ — uma declaração que renunciava a fé, indicando a disposição de tornar-se soldado. Nenhuma das 400 ou mais Testemunhas respondeu. Daí, dois homens deram um passo para a frente! Não, não para assinar, mas para pedir que suas assinaturas assentadas no ano anterior fossem canceladas.

      No campo de Buchenwald, fez-se uma pressão similar. O oficial nazista Rödl notificou às Testemunhas: “Se um de vós se recusar a lutar contra a França ou a Inglaterra, todos vós tereis de morrer!” Dois pelotões armados das SS esperavam à entrada. Nem uma única Testemunha transigiu. Seguiu-se um duro tratamento, mas a ameaça do oficial não foi cumprida. Veio a ser bem reconhecido que, embora as Testemunhas nos campos fizessem praticamente qualquer tipo de serviço para o qual fossem designadas, todavia, mesmo quando punidas com fome e excesso de trabalho, recusavam-se firmemente a fazer qualquer coisa em apoio da guerra ou que fosse dirigida contra outro prisioneiro.

      O que elas passaram é além de descrição. Centenas delas morreram. Depois que os sobreviventes foram libertados dos campos no fim da guerra, uma Testemunha de Flandres escreveu: “Só mesmo um inabalável desejo de viver, a esperança e confiança Nele, Jeová, que é todo-poderoso, e o amor à Teocracia tornaram possível suportar tudo isso e ganhar a vitória. — Romanos 8:37.”

      Pais foram separados à força de seus filhos. Cônjuges foram separados, e alguns nunca mais tiveram notícia um do outro. Pouco depois de ter-se casado, Martin Poetzinger foi preso e levado ao infame campo de Dachau, e daí para Mauthausen. Sua esposa, Gertrud, foi encarcerada em Ravensbrück. Eles não se viram mais por nove anos. Lembrando o que passou em Mauthausen, ele mais tarde escreveu: “A Gestapo tentou todos os meios para nos induzir a violar a fé em Jeová. Dieta de fome, amizades enganosas, brutalidades, ter de ficar de pé numa armação dia após dia, ser pendurado dum poste de três metros, com os braços torcidos para trás, açoites — tudo isso e outras coisas degradantes demais para serem mencionadas foram tentadas.” Mas ele permaneceu leal a Jeová. Também estava entre os sobreviventes, e, mais tarde, serviu como membro do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová.

      Encarceradas por causa de sua fé

      As Testemunhas de Jeová não estavam nos campos de concentração por serem criminosos. Quando os oficiais queriam alguém que lhes fizesse a barba, confiavam a navalha a uma Testemunha de Jeová, porque sabiam que nenhuma delas jamais usaria tal instrumento como arma para ferir o próximo. Quando oficiais das SS do campo de extermínio de Auschwitz necessitavam de alguém para limpar sua casa ou cuidar de seus filhos, escolhiam Testemunhas de Jeová, porque sabiam que elas não tentariam envenená-los nem tentariam fugir. Quando o campo de Sachsenhausen estava sendo evacuado no fim da guerra, os guardas colocaram a carroça que levava seu despojo no meio da coluna de Testemunhas de Jeová. Por quê? Porque sabiam que as Testemunhas não roubariam deles.

      As Testemunhas de Jeová foram aprisionadas por causa de sua fé. Repetidas vezes lhes foi prometido livramento dos campos se tão-somente assinassem uma declaração que renunciasse às suas crenças. As SS fizeram tudo ao seu alcance para engodar ou forçar as Testemunhas a assinar tal declaração. Acima de tudo o mais, era isso o que eles queriam.

      Com poucas exceções, as Testemunhas se mostraram resolutas no que diz respeito à integridade. Mas fizeram mais do que sofrer por causa de sua lealdade a Jeová e sua devoção ao nome de Cristo. Fizeram mais do que suportar a tortura inquisitorial que lhes foi imposta. Elas conservaram fortes laços de união espiritual.

      Não tinham o espírito de sobrevivência pessoal a todo custo. Mostraram amor abnegado entre si. Quando uma delas enfraquecia, outras partilhavam com ela de sua parca porção de alimentos. Quando privadas de todo e qualquer tratamento médico, amorosamente cuidavam umas das outras.

      Apesar de todo o empenho de seus perseguidores de impedir, matéria de estudo bíblico chegava às Testemunhas — escondida em pacotes de presentes vindos de fora, o que era revelado por prisioneiros recém-chegados, até mesmo escondida na perna de pau de um novo detento, ou por outros meios, quando eles cumpriam tarefas fora dos campos. Cópias passavam de mão em mão; às vezes eram furtivamente duplicadas em máquinas nos próprios escritórios dos oficiais do campo. Embora representasse um grande perigo, algumas reuniões cristãs foram realizadas até mesmo nos campos.

      As Testemunhas continuaram a pregar que o Reino de Deus é a única esperança da humanidade — e fizeram isso lá mesmo nos campos de concentração! Em Buchenwald, em resultado de atividade organizada, milhares de detentos ouviram as boas novas. No campo de concentração de Neuengamme, perto de Hamburgo, foi meticulosamente planejada e executada uma campanha de testemunho intensivo no início de 1943. Foram preparados cartões de testemunho em várias línguas faladas no campo. Fizeram-se esforços para alcançar cada detento. Providenciaram-se estudos bíblicos regulares pessoais com os interessados. As Testemunhas eram tão zelosas na pregação que alguns prisioneiros políticos se queixaram: “Onde quer que se vá, só se ouve falar em Jeová!” Quando vieram ordens de Berlim para dispersar as Testemunhas entre os outros prisioneiros a fim de enfraquecê-las, isto realmente possibilitou que dessem testemunho a mais pessoas.

      A respeito das 500 ou mais Testemunhas do sexo feminino em Ravensbrück, uma sobrinha do general francês Charles de Gaulle escreveu o seguinte após a sua própria libertação: “Tenho verdadeira admiração por elas. Eram de várias nacionalidades: alemã, polonesa, russa e tcheca, e suportaram grandes sofrimentos por suas crenças. . . . Todas demonstraram a máxima coragem e sua atitude por fim inspirou respeito até das SS. Podiam ficar livres imediatamente se renunciassem à sua fé. Ao contrário, porém, não cessaram em sua resistência, e até conseguiram introduzir no campo livros e tratados.”

      Como Jesus Cristo, elas venceram o mundo que tentou fazê-las ajustar-se ao seu molde satânico. (João 16:33) Christine King, no livro New Religious Movements: A Perspective for Understanding Society (Novos Movimentos Religiosos: Uma Perspectiva Para Entender a Sociedade), diz a respeito delas: “As Testemunhas de Jeová ofereceram um desafio ao conceito totalitário da nova sociedade, e este desafio, bem como a persistência de sua sobrevivência, demonstradamente perturbaram os arquitetos da nova ordem. . . . Os consagrados métodos de perseguição, tortura, prisão e ridicularização não resultavam na conversão de nenhuma Testemunha para a causa nazista e, na verdade, saíam pela culatra contra seus instigadores. . . . Entre estes dois reivindicadores rivais de lealdade, a luta era amarga, ainda mais porque o fisicamente mais forte nazismo em muitos sentidos estava menos seguro, menos arraigado na firmeza de sua própria convicção, menos certo da sobrevivência de seu Reich de 1.000 anos. As Testemunhas não duvidavam de suas próprias raízes, pois a sua fé tem sido evidente desde o tempo de Abel. Ao passo que os nazistas tinham de suprimir oposição e convencer seus apoiadores, muitas vezes tomando emprestadas linguagem e fantasias do cristianismo sectário, as Testemunhas tinham certeza da total e inflexível lealdade de seus membros, mesmo até a morte.” — Publicado em 1982.

      No fim da guerra, mais de mil Testemunhas sobreviventes saíram dos campos, com sua fé intacta e seu amor de uns pelos outros forte. Com a aproximação dos exércitos russos, os guardas rapidamente evacuaram Sachsenhausen. Eles agruparam os prisioneiros segundo a nacionalidade. Mas as Testemunhas de Jeová ficaram juntas como um só grupo — 230 delas desse campo. Com os russos no seu encalço, os guardas começaram a ficar agitados. Não havia alimentos, e os prisioneiros estavam fracos; todavia, quem ficasse para trás ou caísse por exaustão era fuzilado. Milhares desses ficaram espalhados ao longo do percurso da marcha. Mas as Testemunhas ajudavam umas às outras, de modo que nem mesmo os mais fracos caíram na estrada! Não obstante, alguns deles tinham entre 65 e 72 anos de idade. Outros prisioneiros tentaram roubar alimentos ao longo do caminho, e muitos foram fuzilados ao assim fazerem. Em contraste, as Testemunhas de Jeová aproveitavam as oportunidades para falar às pessoas ao longo da rota de evacuação sobre os amorosos propósitos de Jeová, e algumas dessas, por gratidão pela mensagem consoladora, davam alimentos para elas e seus irmãos cristãos.

      O clero continua a lutar

      Depois da Segunda Guerra Mundial, os clérigos na parte oriental da Tchecoslováquia continuaram a instigar perseguição contra as Testemunhas de Jeová. Durante a dominação nazista, eles haviam acusado as Testemunhas de serem comunistas; agora afirmavam que as Testemunhas eram contra o governo comunista. Às vezes, quando as Testemunhas visitavam os moradores, os sacerdotes pediam que os professores dispensassem centenas de crianças da escola para atirar pedras nas Testemunhas.

      Similarmente, sacerdotes católicos em Santa Ana, El Salvador, promoveram agitações contra as Testemunhas em 1947. Certa vez, enquanto os irmãos realizavam seu semanal Estudo de A Sentinela, meninos atiraram pedras pela porta aberta. Daí veio a procissão, liderada por sacerdotes. Alguns portavam tochas, outros carregavam imagens. “Viva a Virgem!”, bradavam. “Morra Jeová!” Por umas duas horas, o prédio foi apedrejado.

      Em meados dos anos 40, as Testemunhas de Jeová em Quebec, Canadá, também sofreram horríveis abusos, tanto às mãos de turbas católicas como de autoridades. Emissários da casa episcopal iam diariamente à delegacia exigir que a Polícia eliminasse as Testemunhas. Muitas vezes, antes de se efetuar uma prisão, via-se policiais saindo pela porta dos fundos da igreja. Em 1949, missionários das Testemunhas de Jeová foram expulsos de Joliette, Quebec, por manifestantes católicos.

      Mas nem todo o povo de Quebec concordava com o que se fazia. Hoje existe um excelente Salão do Reino das Testemunhas de Jeová numa das principais ruas de Joliette. O ex-seminário local foi fechado, comprado pelo governo, e transformado em universidade. E em Montreal, as Testemunhas de Jeová têm realizado grandes congressos internacionais, com assistência que chegou a 80.008 em 1978.

      Não obstante, a Igreja Católica tem usado todos os meios possíveis para manter um rígido controle sobre o povo. Pressionando as autoridades, cuidaram de que os missionários das Testemunhas de Jeová recebessem ordens de deixar a Itália em 1949 e que, quando possível, as permissões conseguidas pelas Testemunhas para a realização de assembléias fossem canceladas nos anos 50. Apesar disso, o número de Testemunhas de Jeová continuou a aumentar, e, em 1992, havia mais de 190.000 evangelizadores das Testemunhas de Jeová na Itália.

      Como nos dias da Inquisição, o clero na Espanha fazia a denúncia e daí confiava ao Estado a tarefa de processar as Testemunhas de Jeová. Por exemplo, em Barcelona, onde o arcebispo lançou uma cruzada contra as Testemunhas, em 1954, o clero usou os púlpitos bem como as escolas e o rádio para dizer às pessoas que, quando as Testemunhas os visitassem, deviam convidá-las a entrar — e imediatamente chamar a Polícia.

      Os sacerdotes temiam que o povo espanhol viesse a saber o que diz a Bíblia e talvez até mesmo mostrasse a outros o que visse. Quando Manuel Mula Giménez foi preso em Granada em 1960 pelo “crime” de ensinar a Bíblia, o capelão da prisão (um sacerdote católico) providenciou que a única Bíblia disponível na biblioteca da prisão fosse retirada. E quando outro prisioneiro emprestou a Manuel um exemplar dos Evangelhos, este lhe foi tirado. Mas a Bíblia chegou agora às mãos do povo em geral na Espanha, eles têm tido a oportunidade de ver por si mesmos o que ela diz e, em 1992, havia mais de 90.000 que haviam abraçado a adoração de Jeová quais Testemunhas suas.

      Na República Dominicana, os clérigos colaboraram com o ditador Trujillo, usando-o para realizar seus objetivos assim como ele os usava para atingir os seus próprios fins. Em 1950, depois que artigos de jornais escritos por sacerdotes denunciaram as Testemunhas de Jeová, o superintendente da filial local da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) foi intimado pelo Secretário do Interior e Polícia. Enquanto esperava fora do gabinete, o superintendente de filial viu dois sacerdotes jesuítas entrarem e saírem em seguida. Imediatamente depois disso ele foi chamado ao gabinete do secretário, que nervosamente leu um decreto banindo as atividades das Testemunhas de Jeová. Depois de a proscrição ser sustada por pouco tempo, em 1956, o clero usou tanto o rádio como a imprensa em renovadas calúnias contra as Testemunhas. Congregações inteiras foram presas e receberam ordens de assinar uma declaração renunciando a sua fé e prometendo retornar à Igreja Católica Romana. Tendo-se recusado, as Testemunhas foram espancadas, chutadas, açoitadas e receberam coronhadas no rosto. Mas ficaram firmes, e seu número aumentou.

      Em Sucre, Bolívia, houve mais violência. Durante uma assembléia das Testemunhas de Jeová em 1955, um bando de meninos da Escola Católica Sagrado Coração cercou o local, gritou e atirou pedras. Da igreja no outro lado da rua um possante alto-falante instava todos os católicos a defender a Igreja e a “Virgem” contra os “hereges protestantes”. O bispo e os sacerdotes tentaram pessoalmente dissolver a reunião, mas foram expulsos do salão pela Polícia.

      No ano anterior, quando as Testemunhas de Jeová realizavam uma assembléia em Riobamba, Equador, constava do programa um discurso público intitulado “É Prático o Amor num Mundo Egoísta?”. Mas um sacerdote jesuíta havia insuflado a população católica, instando-a a impedir essa reunião. Assim, durante o discurso, ouvia-se uma turba gritar: “Viva a Igreja Católica!” e: “Abaixo os protestantes!” A Polícia elogiavelmente os conteve, com espadas desembainhadas. Mas a turba atirou pedras no local da reunião e, mais tarde, no prédio em que moravam os missionários.

      O clero católico romano tem estado à frente da perseguição, mas não tem sido os únicos. O clero ortodoxo grego tem sido igualmente feroz e tem usado as mesmas táticas, em sua área de influência mais limitada. Além disso, onde achavam que seriam bem-sucedidos, muitos do clero protestante têm demonstrado um espírito similar. Por exemplo, na Indonésia eles lideraram turbas que dissolveram estudos bíblicos em residências particulares e selvagemente espancaram Testemunhas de Jeová presentes. Em alguns países africanos, eles têm tentado influenciar autoridades para expulsar as Testemunhas de Jeová do país ou para privá-las da liberdade de falar sobre a Palavra de Deus com outros. Embora divirjam em outros assuntos, o clero católico e protestante como um todo é unânime na sua oposição às Testemunhas de Jeová. Ocasionalmente tem até mesmo juntado forças na tentativa de influenciar autoridades governamentais a parar a atividade das Testemunhas. Onde as religiões não-cristãs têm dominado o cenário, elas também não raro têm usado o governo para isolar seus povos de qualquer exposição a ensinos que pudesse levá-los a questionar a sua religião de berço.

      Às vezes esses grupos não-cristãos têm juntado forças com os cristãos professos em tramar para manter o status quo religioso. Em Dekin, no Daomé (agora Benin), um sacerdote juju e um sacerdote católico conspiraram para fazer com que as autoridades suprimissem as atividades das Testemunhas de Jeová no começo da década de 50. No seu desespero, forjaram acusações que visavam suscitar todo tipo de sentimento hostil. Alegaram que as Testemunhas instavam o povo a se revoltar contra o governo, que não pagavam impostos, que eram a razão pela qual os jujus não mandavam chuva e responsáveis pela ineficácia das orações do sacerdote. Todos esses líderes religiosos temiam que seus povos aprendessem coisas que os libertariam de crenças supersticiosas e da vida de obediência cega.

      Gradualmente, porém, a influência do clero tem diminuído em muitos lugares. Os clérigos sabem agora que nem sempre a Polícia os apóia quando eles fustigam as Testemunhas de Jeová. Quando certo sacerdote grego ortodoxo tentou acabar com uma assembléia das Testemunhas de Jeová por meio de manifestações violentas em Larissa, Grécia, em 1986, o promotor público, junto com um grande contingente da Polícia, interveio em favor das Testemunhas. E, às vezes, a imprensa é contundente na sua denúncia de atos de intolerância religiosa.

      Não obstante, em muitas partes do mundo, outras questões têm causado ondas de perseguição. Uma dessas questões envolve a atitude das Testemunhas de Jeová com relação a símbolos nacionais.

      Porque adoram apenas a Jeová

      Em tempos modernos, foi primeiro na Alemanha nazista que as Testemunhas de Jeová se viram notavelmente confrontadas com questões relativas a cerimônias nacionalísticas. Hitler tentou arregimentar a nação alemã tornando compulsória a saudação nazista “Heil Hitler!”. Conforme informações do jornalista e radialista da BBC, o sueco Björn Hallström, quando as Testemunhas de Jeová na Alemanha foram presas durante a era nazista, as acusações contra elas usualmente incluíam “recusa de saudar a bandeira e fazer a saudação nazista”. Logo outras nações começaram a exigir que todos saudassem a sua bandeira. As Testemunhas de Jeová se recusaram — não por deslealdade mas por razões de consciência cristã. Elas respeitam a bandeira, mas consideram a saudação à bandeira um gesto de adoração.f

      Depois que umas 1.200 Testemunhas foram presas na Alemanha no início da era nazista por se recusarem a fazer a saudação nazista e a violar a sua neutralidade cristã, milhares sofreram abusos físicos nos Estados Unidos por se recusarem a saudar a bandeira americana. Durante a semana de 4 de novembro de 1935, diversos escolares em Canonsburg, Pensilvânia, foram levados à sala de caldeiras da escola e açoitados por se recusarem a fazer a saudação. Grace Estep, uma professora, foi demitida dessa escola pela mesma razão. Em 6 de novembro, William e Lillian Gobitas recusaram-se a saudar a bandeira e foram expulsos da escola em Minersville, Pensilvânia. O pai deles recorreu à justiça para a readmissão de seus filhos. Tanto o tribunal distrital, federal, como o tribunal regional decidiram o caso em favor das Testemunhas de Jeová. Contudo, em 1940, com a nação à beira da guerra, a Suprema Corte dos EUA, no caso Distrito Escolar de Minersville v. Gobitis, por 8 votos a 1, apoiou a saudação compulsória à bandeira nas escolas públicas. Isto levou a um surto nacional de violência contra as Testemunhas de Jeová.

      Houve tantos ataques violentos contra as Testemunhas de Jeová que a Sra. Eleanor Roosevelt (esposa do presidente F. D. Roosevelt) implorou ao público que parasse com isso. Em 16 de junho de 1940, o procurador-geral do Estado, Francis Biddle, numa transmissão de rádio costa a costa, fez menção específica às atrocidades cometidas contra as Testemunhas e disse que essas não seriam toleradas. Mas isso não estancou a maré.

      Sob todas as circunstâncias imagináveis — nas ruas, no emprego, quando as Testemunhas visitavam os moradores no seu ministério — estendiam-se bandeiras na frente delas com a exigência de que a saudassem — ou senão . . .! Em fins de 1940, o Yearbook of Jehovah’s Witnesses (Anuário das Testemunhas de Jeová) relatou: “A Hierarquia e a Legião Americana, através de turbas que tomaram a lei em suas próprias mãos, violentamente causaram danos indescritíveis. Testemunhas de Jeová têm sido agredidas, espancadas, raptadas, expulsas de cidades, condados e estados, cobertas de alcatrão e penas, obrigadas a beber óleo de rícino, amarradas juntas e perseguidas nas ruas como animais irracionais, castradas e mutiladas, ridicularizadas e insultadas por multidões endemoninhadas, presas às centenas sem acusação e mantidas incomunicáveis e sem o privilégio de conferenciar com parentes, amigos ou advogados. Muitas centenas de outros têm sido encarcerados e mantidos sob uma chamada ‘prisão protetora’; alguns foram alvejados com tiros à noite; alguns foram ameaçados de enforcamento e espancados até perderem os sentidos. Têm ocorrido uma grande variedade de violência de turbas. Estas arrancaram a roupa de muitas delas, confiscaram suas Bíblias e outras publicações e as queimaram publicamente; seus automóveis, trailers, casas e locais de assembléia foram destroçados e incendiados . . . Em numerosos casos em que se realizaram julgamentos em comunidades dominadas por turbas, advogados e testemunhas foram vítimas de turbas e espancados ao comparecerem ao tribunal. Em quase todos os casos de violência de turbas as autoridades têm-se mantido inertes e se recusado a dar proteção, e, em dezenas de casos, policiais têm participado das turbas e, em alguns casos, realmente as liderado.” De 1940 a 1944, mais de 2.500 turbas violentas agrediram as Testemunhas de Jeová nos Estados Unidos.

      Devido à expulsão em massa da escola de filhos de Testemunhas de Jeová, por algum tempo em fins dos anos 30 e início dos 40, foi necessário que elas operassem as suas próprias escolas nos Estados Unidos e no Canadá a fim de prover educação para seus filhos. Eram chamadas de Escolas do Reino.

      Outros países também perseguiram duramente as Testemunhas de Jeová por estas se refrearem de saudar ou beijar símbolos nacionais. Em 1959, filhos de Testemunhas de Jeová na Costa Rica que não participavam no que a lei chama de ‘culto aos Símbolos Nacionais’ foram barrados das escolas. Tratamento similar foi dispensado a filhos de Testemunhas no Paraguai, em 1984. Em 1959, o Supremo Tribunal das Filipinas decidiu que, apesar de objeções religiosas, os filhos das Testemunhas de Jeová podiam ser obrigados a saudar a bandeira. Não obstante, as autoridades escolares locais, na maioria dos casos, cooperaram com as Testemunhas, de modo que seus filhos pudessem cursar a escola sem violar a sua consciência. Em 1963, autoridades na Libéria, África Ocidental, acusaram as Testemunhas de deslealdade ao Estado; dissolveram uma assembléia de Testemunhas em Gbarnga e exigiram que todos os presentes — tanto liberianos como estrangeiros — votassem fidelidade à bandeira nacional. Em 1976, um relatório intitulado “Testemunhas de Jeová em Cuba” declarou que, nos dois anos anteriores, mil pais, tanto homens como mulheres, haviam sido enviados à prisão porque seus filhos não saudavam a bandeira.

      Nem todos têm concordado com tais medidas repressivas contra pessoas que, por razões de consciência, respeitosamente se refreiam de participar em cerimônias patrióticas. O semanário The Open Forum, publicado pela Secção Sul da Califórnia da União Americana das Liberdades Civis, declarou em 1941: “Já está na hora de termos juízo no tocante a este assunto de saudar a bandeira. As Testemunhas de Jeová não são americanos desleais. . . . Não são dadas à violação da lei em geral, mas levam vidas decentes e ordeiras, contribuindo seu quinhão para o bem comum.” Em 1976, um colunista argentino, do jornal Herald de Buenos Aires, disse francamente que “as crenças [das Testemunhas] são ofensivas apenas para os que pensam que patriotismo seja primariamente uma questão de agitar a bandeira e cantar o hino nacional, não uma questão de coração”. Ele acrescentou: “Hitler e Stalin consideraram indigestas [as Testemunhas], e as trataram abominavelmente. Muitos outros ditadores que anelavam o conformismo têm tentado suprimi-las. E falharam.”

      É bem conhecido que alguns grupos religiosos têm apoiado a violência armada contra governos que eles desaprovam. Mas em parte alguma da Terra as Testemunhas de Jeová alguma vez se envolveram em subversão política. E não é por deslealdade — por apoiarem algum outro governo humano — que elas se recusam a saudar um símbolo nacional. Elas adotam uma posição idêntica em todos os países em que vivem. A sua atitude não é de desrespeito. Não assobiam nem gritam para atrapalhar uma cerimônia patriótica; não cospem na bandeira, não a pisoteiam nem a queimam. Não são contra o governo. A sua posição se baseia no que o próprio Jesus Cristo disse, conforme registrado em Mateus 4:10: “É a Jeová, teu Deus, que tens de adorar e é somente a ele que tens de prestar serviço sagrado.”

      A posição adotada pelas Testemunhas de Jeová é igual à dos primitivos cristãos nos dias do Império Romano. Sobre esses primitivos cristãos, o livro Essentials of Bible History (Fundamentos da História Bíblica) diz: “O ato de adoração do imperador consistia em aspergir alguns grãos de incenso ou algumas gotas de vinho sobre um altar que havia diante duma imagem do imperador. Talvez, por estarmos tão afastados daquela situação, não vemos neste ato nada de diferente de . . . erguer a mão numa continência à bandeira ou diante dum famoso chefe de estado, uma expressão de cortesia, respeito e patriotismo. É possível que muita gente, no primeiro século, pensasse a mesma coisa sobre isso, mas não os cristãos. Eles encaravam o assunto inteiro como adoração religiosa, reconhecendo o imperador como divindade, e, por isso, como deslealdade a Deus e a Cristo, e recusavam-se a fazer isso.” — Elmer W. K. Mould, 1951, p. 563.

      Odiadas porque “não fazem parte do mundo”

      Visto que Jesus disse que seus discípulos ‘não fariam parte do mundo’, as Testemunhas de Jeová não participam nos seus assuntos políticos. (João 17:16; 6:15) Nisso também são como os primitivos cristãos, sobre quem um historiador diz:

      “O primitivo cristianismo foi pouco entendido e considerado com pouco favor pelos que governavam o mundo pagão. . . . Os cristãos recusavam-se a participar em certos deveres dos cidadãos romanos. . . . Não queriam ocupar cargos políticos.” (On the Road to Civilization—A World History, A. K. Heckel e J. G. Sigman, 1937, pp. 237-8) “Negaram-se a tomar qualquer parte ativa na administração civil ou na defesa militar do império . . . era impossível que os cristãos, sem renunciarem a um dever mais sagrado, pudessem assumir o caráter de soldados, de magistrados ou de príncipes.” — History of Christianity, Edward Gibbon, 1891, pp. 162-3.

      O mundo não vê com favor essa posição, especialmente em países em que os governantes exigem que todos participem de certas atividades como prova de apoio ao sistema político. O resultado é como Jesus declarou: “Se vós fizésseis parte do mundo, o mundo estaria afeiçoado ao que é seu. Agora, porque não fazeis parte do mundo, mas eu vos escolhi do mundo, por esta razão o mundo vos odeia.” — João 15:19.

      Em alguns países, votar em eleições políticas é obrigatório. Deixar de votar é punível com multa, prisão, ou algo pior. Mas as Testemunhas de Jeová apóiam o Reino messiânico de Deus, que, como disse Jesus, “não faz parte deste mundo”. Por conseguinte, elas não participam nos assuntos políticos das nações deste mundo. (João 18:36) A decisão é pessoal; elas não impõem seus conceitos a outros. Nos lugares em que não existe tolerância religiosa, algumas autoridades governamentais têm aproveitado o não-envolvimento das Testemunhas como desculpa para perseguição cruel. Durante a era do nazismo, por exemplo, isso foi feito em países sob controle nazista. Tem sido assim também em Cuba. Contudo, em muitos países as autoridades têm sido mais tolerantes.

      Não obstante, em alguns lugares os que detêm o poder têm exigido que todos indiquem seu apoio ao partido político dominante por bradar certos lemas. Por não poderem conscienciosamente fazer isso, milhares de Testemunhas de Jeová em regiões orientais da África foram espancadas, privadas de seu sustento e expulsas de casa durante as décadas de 70 e 80. Mas as Testemunhas de Jeová em todos os países, embora sejam diligentes e cumpridoras da lei, são cristãos neutros em questões políticas.

      Em Malaui, há um único partido político, e a posse de um cartão indica a qualidade de membro do partido. Embora as Testemunhas sejam exemplares no pagamento de impostos, em harmonia com suas crenças religiosas, elas declinam de comprar cartões do partido político. Fazer isso seria negar a sua fé no Reino de Deus. Por causa disso, em fins de 1967, com o incentivo de autoridades, bandos de jovens por todo o Malaui lançaram um ataque total contra as Testemunhas de Jeová, de obscenidade e crueldade sádica sem precedentes. Mais de mil mulheres cristãs devotas foram violentadas. Algumas foram despidas perante grandes turbas, espancadas com paus e punhos, e daí sexualmente agredidas por sucessivas pessoas. Enfiavam pregos nos pés dos homens e raios de bicicleta nas pernas e daí os mandavam correr. Por todo o país suas casas, móveis, roupa e alimentos foram destruídos.

      De novo, em 1972, houve um renovado surto de tal brutalidade após a convenção anual do Partido do Congresso do Malaui. Nessa convenção foi oficialmente resolvido privar as Testemunhas de Jeová de qualquer tipo de emprego e expulsá-las de suas casas. Até mesmo apelos de empregadores que queriam manter esses trabalhadores de confiança foram em vão. Casas, plantações e animais domésticos foram confiscados ou destruídos. As Testemunhas foram impedidas de tirar água da fonte da aldeia. Grandes números foram espancados, violentados, mutilados ou assassinados. E sofriam contínuos escárnios e ridicularizações por causa de sua fé. Por fim, mais de 34.000 fugiram do país para evitar serem mortos.

      Mas ainda não era o fim. Primeiro de um país e depois de outro, elas foram forçadas a cruzar a fronteira de volta e cair nas mãos de seus perseguidores, sofrendo mais brutalidade. Todavia, apesar de tudo isso, elas não transigiram, e não abandonaram a sua fé em Jeová Deus. Mostraram ser como aqueles fiéis servos de Deus a respeito de quem a Bíblia diz: “Outros receberam a sua provação por mofas e por açoites, deveras, mais do que isso, por laços e prisões. Foram apedrejados, foram provados, foram serrados em pedaços, morreram abatidos pela espada, andavam vestidos de peles de ovelhas e de peles de cabras, passando necessidade, tribulação, sofrendo maus tratos; e o mundo não era digno deles.” — Heb. 11:36-38.

      Perseguidos em todas as nações

      Foram apenas relativamente poucas nações do mundo que traíram as suas pretensões de liberdade por meio de tal perseguição religiosa? De modo algum! Jesus Cristo alertou seus seguidores: “Sereis pessoas odiadas por todas as nações, por causa do meu nome.” — Mat. 24:9.

      Durante os últimos dias deste sistema de coisas, desde 1914, esse ódio tem-se tornado especialmente intenso. O Canadá e os Estados Unidos desencadearam o ataque impondo proscrições a publicações bíblicas durante a Primeira Guerra Mundial, e logo se juntaram a eles a Índia e a Niassalândia (hoje chamado de Malaui). Durante a década de 20, foram impostas restrições arbitrárias contra os Estudantes da Bíblia na Espanha, Grécia, Hungria, Itália e Romênia. Em alguns desses países a distribuição de publicações bíblicas era proibida; às vezes, até mesmo reuniões particulares eram proibidas. Mais países juntaram-se ao ataque nos anos 30, quando proscrições (algumas contra as Testemunhas de Jeová, outras contra suas publicações) foram impostas na Albânia, Áustria, Bulgária, Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia, certos cantões da Suíça, ex-Iugoslávia, Costa do Ouro (agora Gana), territórios franceses da África, Trinidad e Fiji.

      Durante a Segunda Guerra Mundial, houve proscrições contra as Testemunhas de Jeová, seu ministério público e suas publicações bíblicas em muitas partes do mundo. Foi assim não apenas na Alemanha, Itália, e Japão — todos os quais estavam sob domínio ditatorial — mas também nos muitos países que direta ou indiretamente vieram a estar sob seu controle antes ou durante aquela guerra. Entre estes estavam a Albânia, Áustria, Bélgica, Coréia, Índias Orientais Holandesas (agora Indonésia), Noruega, Países Baixos e Tchecoslováquia. Durante aqueles anos de guerra, a Argentina, o Brasil, a Finlândia, a França e a Hungria baixaram decretos oficiais contra as Testemunhas de Jeová ou sua atividade.

      A Grã-Bretanha não proscreveu diretamente a atividade das Testemunhas de Jeová durante a guerra, mas deportou o superintendente de filial da Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), um americano, e se empenhou em estrangular a atividade das Testemunhas por meio de um embargo de tempo de guerra a carregamentos de suas publicações bíblicas. Por todo o Império Britânico e a Comunidade Britânica de Nações, foram impostas proscrições contra as Testemunhas de Jeová ou proibições de suas publicações. África do Sul, Austrália, Baamas, Basutolândia (agora Lesoto), Bechuanalândia (agora Botsuana), Birmânia (agora Mianmar), Canadá, Ceilão (agora Sri Lanka), Chipre, Cingapura, Costa do Ouro (agora Gana), Dominica, Fiji, Guiana Inglesa (agora Guiana), Ilhas de Sotavento (I.O.B.), Índia, Jamaica, Niassalândia (agora Malaui), Nigéria, Nova Zelândia, Rodésia do Norte (agora Zâmbia), Rodésia do Sul (agora Zimbábue) e Suazilândia, todos estes tomaram medidas para expressar hostilidade para com os servos de Jeová.

      Com o fim da guerra, houve um abrandamento na perseguição da parte de alguns povos, mas um aumento da parte de outros. Durante os 45 anos seguintes, além do fato de que se recusava o reconhecimento legal às Testemunhas de Jeová em muitos países, proscrições diretas foram impostas a elas ou a suas atividades em 23 países na África, 9 na Ásia, 8 na Europa, 3 na América Latina e 4 em certas nações-ilhas. Em 1992, as Testemunhas de Jeová ainda estavam sob restrições em 24 países.

      Isto não significa que todas as autoridades governamentais pessoalmente se opõem à obra das Testemunhas de Jeová. Muitas delas defendem a liberdade religiosa e reconhecem que as Testemunhas de Jeová são valiosas na comunidade. Tais homens não concordam com os que mobilizam a opinião pública para que as autoridades ajam contra as Testemunhas. Por exemplo, antes de a Costa do Marfim (agora Côte d’Ivoire) tornar-se uma nação independente, quando um sacerdote católico e um ministro metodista tentaram influenciar uma autoridade a expulsar as Testemunhas de Jeová do país, eles descobriram que estavam falando com autoridades que não se dispunham a tornar-se joguetes do clero. Em 1990, quando certa autoridade tentou formular a lei da Namíbia de modo a discriminar refugiados que fossem Testemunhas de Jeová, a Assembléia Constituinte não o permitiu. E, em muitos países em que as Testemunhas de Jeová estavam sob proscrição, elas usufruem agora de reconhecimento legal.

      Todavia, de várias maneiras, em toda parte da Terra, as Testemunhas de Jeová são perseguidas. (2 Tim. 3:12) Em alguns lugares, essa perseguição talvez venha principalmente da parte de moradores injuriosos, de parentes opositores ou de colegas de serviço ou de escola que não manifestam temor algum a Deus. Não importa quem sejam os perseguidores, ou de como tentam justificar o que fazem, porém, as Testemunhas de Jeová entendem o que realmente está por trás da perseguição contra os cristãos verdadeiros.

      A questão

      As publicações da Torre de Vigia há muito têm salientado que, em linguagem simbólica, o primeiro livro da Bíblia predisse a inimizade, ou ódio, que Satanás, o Diabo, e os sob seu controle sentem contra a organização celestial de Jeová e seus representantes terrenos. (Gên. 3:15; João 8:38, 44; Rev. 12:9, 17) Especialmente desde 1925, The Watch Tower (A Sentinela) tem mostrado à base das Escrituras que existem apenas duas organizações principais — a de Jeová e a de Satanás. E, como diz 1 João 5:19, “o mundo inteiro” — isto é, toda a humanidade fora da organização de Jeová — “jaz no poder do iníquo”. É por isso que todos os cristãos verdadeiros sofrem perseguição. — João 15:20.

      Mas por que Deus permite isto? Realiza-se algum bem? Jesus Cristo explicou que antes de ele como Rei celestial esmagar Satanás e sua organização iníqua, haveria uma separação de pessoas de todas as nações, assim como no Oriente Médio o pastor separa as ovelhas dos cabritos. As pessoas receberiam a oportunidade de ouvir a respeito do Reino de Deus e de tomar posição ao seu lado. Quando os proclamadores desse Reino são perseguidos, a questão se apresenta ainda mais destacadamente: farão os que ouvem a seu respeito o bem aos “irmãos” de Cristo e seus associados, mostrando assim amor ao próprio Cristo? Ou juntar-se-ão aos que cumulam de abusos esses representantes do Reino de Deus — ou porventura permanecerão em silêncio enquanto outros cometem tais abusos? (Mat. 25:31-46; 10:40; 24:14) Alguns em Malaui viram claramente quem estava servindo ao Deus verdadeiro e lançaram a sua sorte com as perseguidas Testemunhas. Não poucos prisioneiros, bem como alguns guardas, de campos de concentração alemães fizeram o mesmo.

      Embora sejam feitas acusações mentirosas contra elas e sofram abusos físicos, embora sejam ridicularizadas por causa de sua fé em Deus, as Testemunhas de Jeová não se sentem abandonadas por Deus. Elas sabem que Jesus Cristo passou pelas mesmas coisas. (Mat. 27:43) Sabem também que, por sua lealdade a Jeová, Jesus provou que o Diabo é mentiroso e contribuiu assim para a santificação do nome de seu Pai. É desejo de toda Testemunha de Jeová fazer o mesmo. — Mat. 6:9.

      A questão não é se elas podem ou não sobreviver à tortura e escapar da morte. Jesus Cristo predisse que alguns de seus seguidores seriam mortos. (Mat. 24:9) Ele mesmo foi morto. Mas ele jamais transigiu com o principal Adversário de Deus, Satanás, o Diabo, “o governante do mundo”. Jesus venceu o mundo. (João 14:30; 16:33) A questão, pois, é se os adoradores do Deus verdadeiro permanecerão ou não fiéis a ele apesar de qualquer aflição que venham a sofrer. As Testemunhas de Jeová da atualidade têm dado provas abundantes de que têm a mesma mentalidade que o apóstolo Paulo, que escreveu: “Quer vivamos, vivemos para Jeová, quer morramos, morremos para Jeová. Portanto, quer vivamos quer morramos, pertencemos a Jeová.” — Rom. 14:8.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Naquele tempo, os Estudantes da Bíblia não entendiam claramente o que as Testemunhas entendem hoje da Bíblia a respeito de homens quais instrutores na congregação. (1 Cor. 14:33, 34; 1 Tim. 2:11, 12) Por isso, Maria Russell havia sido editora associada da Watch Tower e contribuinte regular de suas colunas.

      b Joseph F. Rutherford, presidente da Sociedade Torre de Vigia; William E. Van Amburgh, secretário-tesoureiro da Sociedade; Robert J. Martin, superintendente do escritório; Frederick H. Robison, membro da comissão editorial de The Watch Tower; A. Hugh Macmillan, um dos diretores da Sociedade; George H. Fisher e Clayton J. Woodworth, compiladores de The Finished Mystery.

      c Giovanni DeCecca, que trabalhava no Departamento Italiano no escritório da Sociedade Torre de Vigia.

      d O juiz de comarca Martin T. Manton, um fervoroso católico-romano, recusou um segundo pedido de fiança em 1.º de julho de 1918. Quando mais tarde o tribunal federal de recursos anulou a sentença contra os acusados, Manton deu o único voto contrário. É digno de nota que, em 4 de dezembro de 1939, um tribunal de recursos, especialmente constituído, confirmou a condenação de Manton por abuso de poder judicial, desonestidade e fraude.

      e Que esses homens foram presos injustamente, e não eram réus culpados, é demonstrado pelo fato de que J. F. Rutherford continuou membro da ordem dos advogados da Suprema Corte dos Estados Unidos desde sua admissão, em maio de 1909, até a sua morte, em 1942. Em 14 recursos levados à Suprema Corte, de 1939 a 1942, J. F. Rutherford foi um dos advogados. Nos casos conhecidos como Schneider v. Estado de Nova Jérsei (em 1939) e Distrito Escolar de Minersville v. Gobitis (em 1940), ele apresentou pessoalmente argumentos perante a Suprema Corte. Também, durante a Segunda Guerra Mundial, A. H. Macmillan, um dos homens injustamente presos em 1918-19, foi aceito pelo diretor do Departamento Federal de Prisões como visitante regular às prisões federais nos Estados Unidos para cuidar dos interesses espirituais de rapazes que ali estavam por terem tomado uma posição de neutralidade cristã.

      f The Encyclopedia Americana, Volume 11, 1942, página 316, diz: “A bandeira, como a cruz, é sagrada. . . . As normas e regulamentos relativos à atitude humana para com os estandartes nacionais usam palavras fortes, expressivas, como: ‘Culto à Bandeira’, . . . ‘Reverência à Bandeira’, ‘Devoção à Bandeira’.” No Brasil, o Diário da Justiça, de 16 de fevereiro de 1956, página 1904, publicou que numa cerimônia pública um oficial militar declarou: “Fizeram-se das bandeiras uma divindade do fetichismo patriótico . . . Cultua-se e venera-se a bandeira.”

      [Destaque na página 642]

      Os principais perseguidores de Jesus Cristo eram os líderes religiosos.

      [Destaque na página 645]

      “A ordenação, ou autorização, de Deus para que qualquer homem pregue é através da concessão do Espírito Santo a ele.”

      [Destaque na página 647]

      O livro “The Finished Mystery” expôs sem rodeios a hipocrisia do clero da cristandade!

      [Destaque na página 650]

      Homens e mulheres cristãos foram perseguidos por turbas, lançados na cadeia e mantidos ali sem acusação ou sem julgamento.

      [Destaque na página 652]

      “Os termos de prisão são claramente excessivos.” — Presidente Woodrow Wilson dos EUA.

      [Destaque na página 656]

      Havia pouquíssima justiça para quem não fizesse o que o sacerdote ordenava.

      [Destaque na página 664]

      Parte de um livro para estudo bíblico reduzido fotograficamente, colocado numa caixa de fósforos e furtivamente introduzido num campo de concentração.

      [Destaque na página 666]

      Os sacerdotes pediam que os professores dispensassem as crianças da escola para atirar pedras nas Testemunhas.

      [Destaque na página 668]

      O clero juntou forças para se opor às Testemunhas.

      [Destaque na página 671]

      Turbas agrediram as Testemunhas de Jeová nos Estados Unidos.

      [Destaque na página 676]

      Em toda parte da Terra, as Testemunhas de Jeová são perseguidas.

      [Quadro na página 655]

      O clero manifesta seus sentimentos

      São dignas de nota as reações de periódicos religiosos à condenação de J. F. Rutherford e seus associados em 1918:

      ◆ “The Christian Register”: “O que o Governo neste caso ataca com precisão mortal é a pressuposição de que conceitos religiosos, não importa quão malucos e perniciosos sejam, podem ser propagados com impunidade. Trata-se de uma velha falácia, e até agora temos sido absolutamente descuidados demais a respeito disso. . . . Isso [a condenação] parece ser o fim do russelismo.”

      ◆ “The Western Recorder”, uma publicação batista, disse: “Pouco surpreende que o cabeça desse culto impertinente deva ser encarcerado numa instituição para recalcitrantes. . . . O problema realmente desconcertante nesse respeito é se os réus deviam ser enviados a um asilo de loucos ou a uma penitenciária.”

      ◆ “The Fortnightly Review” dirigiu atenção ao comentário do jornal “Evening Post”, de Nova Iorque, que disse: “Confiamos que instrutores de religião em toda parte atentarão à opinião desse juiz de que ensinar qualquer religião, salvo a que estiver em absoluta harmonia com leis vigentes, é um grave crime que se agrava se, sendo um ministro do evangelho, a pessoa além disso é sincera.”

      ◆ “The Continent” desdenhosamente chamou os réus de “seguidores do falecido ‘Pastor’ Russell” e distorceu suas crenças dizendo que eles afirmavam “que todos, a não ser os pecadores, deviam ser isentados de lutar contra o kaiser alemão”. Afirmava que, segundo o procurador-geral em Washington, “o governo italiano algum tempo atrás queixou-se aos Estados Unidos que Rutherford e seus associados . . . haviam feito circular nos exércitos italianos uma quantidade de propaganda antiguerra.”

      ◆ Uma semana depois “The Christian Century” publicou textualmente a maior parte do item acima, indicando estar de pleno acordo.

      ◆ A revista católica “Truth” referiu-se brevemente à sentença imposta e daí expressou os sentimentos de seus editores, dizendo: “As publicações dessa associação estão infestadas de virulentos ataques contra a Igreja Católica e seu sacerdócio.” Tentando cravar o rótulo de “sedição” em quem quer que discordasse publicamente da Igreja Católica, acrescentou: “Está-se tornando cada vez mais evidente que o espírito de intolerância está intimamente aliado ao de sedição.”

      ◆ O Dr. Ray Abrams, em seu livro “Preachers Present Arms” observou: “Quando as notícias das sentenças de vinte anos chegaram aos editores da imprensa religiosa, praticamente todas essas publicações, grandes e pequenas, se regozijaram com o acontecido. Não pude descobrir quaisquer palavras de compaixão em qualquer dos periódicos religiosos ortodoxos.”

      [Quadro na página 660]

      ‘Perseguido por motivos religiosos’

      “Havia um grupo de pessoas no Campo de Concentração de Mauthausen que era perseguido apenas por motivos religiosos: os membros da seita ‘Fervorosos Estudantes da Bíblia’, ou ‘Testemunhas de Jeová’ . . . Rejeitarem o juramento de lealdade a Hitler e recusarem prestar qualquer tipo de serviço militar — uma conseqüência política de sua crença — era o motivo da perseguição que sofriam.” — “Die Geschichte des Konzentrationslagers Mauthausen” (A História do Campo de Concentração de Mauthausen), documentado por Hans Maršálek, Viena, Áustria, 1974.

      [Quadro/Foto na página 661]

      Tradução da Declaração que as SS tentavam obrigar as Testemunhas de Jeová a assinar

      Campo de concentração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

      Departamento II

      DECLARAÇÃO

      Eu, . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

      nascido a . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . em . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

      faço por meio desta a seguinte declaração:

      1. Eu vim a saber que a Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia está divulgando ensinos falsos e, sob o manto da religião, empenha-se por objetivos hostis ao Estado.

      2. Por conseguinte, abandonei inteiramente essa organização e libertei-me totalmente dos ensinos dessa seita.

      3. Por meio desta dou garantia de que jamais voltarei a participar nas atividades da Associação Internacional dos Estudantes da Bíblia. Qualquer pessoa que venha a mim com os ensinos dos Estudantes da Bíblia, ou que de algum modo revele suas ligações com eles, denunciarei imediatamente. Toda publicação dos Estudantes da Bíblia que seja enviada ao meu endereço entregarei imediatamente à delegacia mais próxima.

      4. Prezarei de agora em diante as leis do Estado, e em especial na eventualidade de guerra, de arma em punho, defenderei a pátria, e me integrarei de toda maneira na comunidade do povo.

      5. Fui informado de que serei imediatamente colocado de novo sob prisão preventiva, se eu vier a agir contrário à declaração feita hoje.

      . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . , Data de . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

      Assinatura

      [Quadro na página 662]

      Cartas de pessoas que foram condenadas à morte

      De Franz Reiter (enquanto esperava a morte na guilhotina) à sua mãe, em 6 de janeiro de 1940, da prisão de Berlin-Plötzensee:

      “Estou firmemente convencido na minha crença de que estou agindo corretamente. Aqui eu ainda poderia mudar de idéia, mas isto seria deslealdade a Deus. Todos nós, aqui, desejamos ser fiéis a Deus, para a Sua honra. . . . Em vista do que eu sabia, se tivesse prestado o juramento [militar], eu teria cometido um pecado que mereceria a morte. Isto seria mau para mim. Eu não teria ressurreição. Mas, apego-me ao que Cristo disse: ‘Todo aquele que quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas todo aquele que perder a sua vida por minha causa, recebê-la-á.’ E agora, querida mãe, e todos meus irmãos e irmãs, hoje me informaram da minha sentença, e não fiquem aterrorizados, é a morte, e eu serei executado amanhã de manhã. Minha força vem de Deus, assim como sempre se deu com todos os cristãos verdadeiros no passado. O apóstolo escreve: ‘Todo aquele que nasceu de Deus não pode pecar.’ O mesmo se aplica a mim. Provei isso à senhora, e a senhora podia reconhecê-lo. Minha querida, não desanime. Seria bom que todos vocês conhecessem ainda melhor as Escrituras. Se continuarem firmes até a morte, nós nos encontraremos de novo na ressurreição. . . .

      “Seu Franz

      “Até que nos encontremos de novo.”

      De Berthold Szabo, executado por um pelotão de fuzilamento, em Körmend, Hungria, em 2 de março de 1945:

      “Minha querida irmã Marika:

      “Nesta hora e meia que me resta, tentarei escrever-lhe, para que você possa informar aos nossos pais a respeito da minha situação, diante da morte iminente.

      “Desejo a eles a mesma paz mental que eu sinto nestes últimos momentos neste mundo cheio de tragédias. São dez horas agora, e eu serei executado às onze e meia; mas estou muito calmo. Deposito minha vida futura nas mãos de Jeová e de seu Amado Filho, Jesus Cristo, o Rei, que jamais se esquecerão dos que sinceramente os amam. Sei também que haverá em breve uma ressurreição dos que morreram, ou, melhor, que foram dormir, em Cristo. Gostaria também de mencionar em especial que desejo a todos vocês as ricas bênçãos de Jeová pelo amor que mostraram por mim. Por favor dê um beijo no papai e na mamãe por mim, e também em Annus. Eles não devem se preocupar comigo; em breve nos veremos novamente. Minha mão está calma agora, e eu vou descansar até que Jeová me chame de novo. Mesmo agora cumprirei o voto que fiz a ele.

      “Agora meu tempo se esgotou. Que Deus esteja com vocês e comigo.

      “Com muito amor, . . .

      “Berthi”

      [Quadro na página 663]

      Destacados por sua coragem e convicções

      ◆ “Sob condições totalmente adversas, as Testemunhas nos campos reuniam-se e oravam juntas, produziam publicações e faziam conversos. Amparadas por seu companheirismo, e, dessemelhante de muitos outros prisioneiros, bem cônscias das razões da existência de tais lugares e por que deviam sofrer assim, as Testemunhas constituíam um pequeno mas memorável grupo de prisioneiros identificados pelo triângulo violeta e destacados por sua coragem e convicções.” Assim escreveu a Dra. Christine King, no livro em inglês “O Estado Nazista e as Novas Religiões: Cinco Estudos Sobre Não-Conformismo”.

      ◆ “Valores e Violência em Auschwitz”, de Anna Pawełczyńska, diz: “Este grupo de prisioneiros era uma sólida força ideológica e eles venceram a sua batalha contra o nazismo. O grupo alemão desta seita era uma pequena ilha de resistência férrea no seio de uma nação dominada pelo terror, e com este mesmo espírito intrépido agia no campo de Auschwitz. Eles conseguiram ganhar o respeito de seus companheiros de prisão . . . dos prisioneiros-funcionários e até mesmo dos oficiais das SS. Todos sabiam que nenhum ‘Bibelforscher’ [Testemunha de Jeová] cumpriria uma ordem contrária à sua crença religiosa.”

      ◆ Rudolf Hoess, em sua autobiografia, publicada no livro “Commandant of Auschwitz”, falou da execução de certas Testemunhas de Jeová por recusa de violar sua neutralidade cristã. Disse ele: “Assim imagino eu devia ser o aspecto dos primeiros mártires cristãos, enquanto esperavam no circo que animais selvagens os dilacerassem. Suas faces completamente transformadas, seus olhos erguidos para o céu, de mãos unidas e erguidas em oração, eles enfrentavam a morte. Todos os que os viram morrer ficaram profundamente comovidos, e até mesmo o pelotão de execução foi afetado.” (Este livro foi publicado na Polônia sob o título “Autobiografia Rudolfa Hössa-komendanta obozu oświęcimskiego”.)

      [Quadro na página 673]

      “Não são antinacionais”

      “Não são antinacionais; são simplesmente pró-Jeová.” “Não queimam certificados de alistamento, nem se levantam em rebelião . . . tampouco participam em qualquer forma de sedição.” “A honestidade e a integridade das Testemunhas são uma constante. Seja o que for que se pense das Testemunhas — e uma porção de gente pensa muitas coisas negativas a seu respeito — elas levam vidas exemplares.” — “Telegram”, de Toronto, Canadá, de julho de 1970.

      [Quadro na página 674]

      Quem está no comando?

      As Testemunhas de Jeová sabem que a sua responsabilidade de pregar não depende da operação da Sociedade Torre de Vigia ou de qualquer outra sociedade jurídica. “Que [proíbam] a Sociedade Watch Tower e fechem à força por interferência do estado seus escritórios filiais em vários países! Isto não nulifica nem remove a ordem divina dos homens e mulheres que se consagram para fazer a vontade de Deus e sobre os quais ele pôs o seu espírito. ‘Prega!’, está escrito claramente na sua Palavra. Esta ordem toma a precedência à de quaisquer homens.” (“A Sentinela”, janeiro de 1950) Reconhecendo que suas ordens vêm de Jeová Deus e Jesus Cristo, elas perseveram em proclamar a mensagem do Reino apesar da oposição que encontram.

      [Quadro na página 677]

      Como os primitivos cristãos

      ◆ “As Testemunhas de Jeová têm uma religião que levam muito mais a sério do que a grande maioria das pessoas leva. Seus princípios lembram-nos os primitivos cristãos, tão impopulares e tão brutalmente perseguidos pelos romanos.” — “Akron Beacon Journal”, Akron, Ohio, de 4 de setembro de 1951.

      ◆ “Eles [os primitivos cristãos] levavam uma vida tranqüila, de boa moral, realmente modelar. . . . Em todos os sentidos, exceto no único assunto da queima de incenso, eram cidadãos exemplares.” “Enquanto sacrificar ao Gênio do imperador continuasse a ser o teste de patriotismo, poderiam as autoridades de Estado fazer vistas grossas à insubordinação desses cristãos impatrióticos? A dificuldade em que os cristãos conseqüentemente se encontravam não era inteiramente diferente da dificuldade em que, durante os anos de guerra, essa seita agressiva conhecida como Testemunhas de Jeová se encontrava nos Estados Unidos a respeito do assunto de saudar a bandeira nacional.” — “20 Centuries of Christianity”, de Paul Hutchinson e Winfred Garrison, 1959, p. 31.

      ◆ “Talvez a coisa mais notável a respeito das Testemunhas seja sua insistência na sua lealdade primária a Deus, antes de a qualquer outro poder no mundo.” — “These Also Believe”, do Dr. C. S. Braden, 1949, p. 380.

      [Foto na página 644]

      “The Pittsburgh Gazette” deu ampla cobertura aos debates resultantes do desafio do Dr. Eaton a C. T. Russell.

      [Foto na página 646]

      Crassas falsidades sobre a vida conjugal de Charles e Maria Russell foram amplamente divulgadas pelos opositores.

      [Foto na página 648]

      O clero ficou furioso quando 10.000.000 de exemplares desse tratado foram distribuídos, o qual expunha suas doutrinas e práticas à luz da Palavra de Deus.

      [Foto na página 649]

      Jornais atiçavam as chamas da perseguição contra os Estudantes da Bíblia em 1918.

      [Fotos na página 651]

      Durante o julgamento aqui de membros da equipe da sede da Sociedade focalizou-se muita atenção no livro “The Finished Mystery”.

      Corte federal e agência dos correios, Brooklyn, NI.

      [Foto na página 653]

      Condenados a uma punição mais severa do que a do assassino cujo tiro desencadeou a Primeira Guerra Mundial.

      Da esquerda para a direita:

      W. E. Van Amburgh,

      J. F. Rutherford,

      A. H. Macmillan,

      R. J. Martin,

      F. H. Robison,

      C. J. Woodworth,

      G. H. Fisher,

      G. DeCecca

      [Fotos na página 657]

      Durante a realização desta assembléia das Testemunhas de Jeová em Nova Iorque, em 1939, uns 200 manifestantes liderados por sacerdotes católicos tentaram dissolvê-la.

      [Fotos na página 659]

      Durante a Segunda Guerra Mundial, milhares de Testemunhas de Jeová foram lançadas nesses campos de concentração.

      Insígnia da caveira dos guardas SS (à esquerda)

      [Fotos na página 665]

      Algumas das Testemunhas cuja fé suportou o crisol dos campos de concentração nazistas.

      Wewelsburg

      Mauthausen

      [Foto na página 667]

      Violência de turba perto de Montreal, Quebec, em 1945. Tal violência de inspiração clerical contra as Testemunhas era comum nas décadas de 40 e de 50.

      [Foto na página 669]

      Milhares de Testemunhas de Jeová (incluindo John Booth, visto aqui) foram presas ao distribuírem publicações bíblicas.

      [Fotos na página 670]

      Depois de uma decisão da Suprema Corte contra as Testemunhas de Jeová, em 1940, a violência de turbas varreu os Estados Unidos, dissolviam-se reuniões, espancavam-se Testemunhas e destruíam-se propriedades.

      [Fotos na página 672]

      Em muitos lugares foi preciso abrir Escolas do Reino porque filhos de Testemunhas de Jeová haviam sido expulsos de escolas públicas.

  • ‘Defendendo e estabelecendo legalmente as boas novas’
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 30

      ‘Defendendo e estabelecendo legalmente as boas novas’

      A INTENSA perseguição movida contra as Testemunhas de Jeová tem resultado em serem arrastadas à presença de delegados, juízes e governantes em toda a Terra. Tem havido muitos milhares de processos envolvendo as Testemunhas de Jeová, e centenas destes foram levados a tribunais superiores. Isto tem tido um efeito profundo sobre a própria legislação e, não raro, fortaleceu as garantias legais de liberdades básicas para as pessoas em geral. Mas este não tem sido o objetivo principal das Testemunhas de Jeová.

      O seu principal desejo é proclamar as boas novas do Reino de Deus. As ações judiciais que movem não decorrem de serem elas agitadores sociais ou reformistas de lei. O seu objetivo é ‘defender e estabelecer legalmente as boas novas’, como se deu com o apóstolo Paulo. (Fil. 1:7) Audiências perante autoridades, seja a pedido das Testemunhas de Jeová, seja porque se encontrem presas por causa de sua atividade cristã, são também encaradas como oportunidades para dar testemunho. Jesus Cristo disse a seus seguidores: “Sereis arrastados perante governadores e reis, por minha causa, em testemunho para eles e para as nações.” — Mat. 10:18.

      Torrente internacional de ações judiciais

      Bem antes da Primeira Guerra Mundial, o clero, pressionando as autoridades locais, tentava impedir a distribuição de publicações por parte dos Estudantes da Bíblia em sua respectiva região. Depois da Guerra, porém, a oposição se intensificou. Num país após outro, obstáculos legais de todo tipo imaginável foram colocados no caminho daqueles que se empenhavam em obedecer à ordem profética de Cristo de pregar as boas novas do Reino de Deus com o objetivo de dar testemunho. — Mat. 24:14.

      Incentivados pelas evidências de que as profecias bíblicas estavam se cumprindo, os Estudantes da Bíblia partiram de seu congresso em Cedar Point, Ohio, EUA, em 1922, decididos a deixar o mundo saber que os Tempos dos Gentios haviam expirado e que o Senhor assumira o seu grande poder e passara a reinar nos céus. “Anunciai, anunciai, anunciai o Rei e seu reino”, era seu lema. Naquele mesmo ano, o clero na Alemanha instigou a Polícia a prender alguns Estudantes da Bíblia que distribuíam publicações bíblicas. Não foi um incidente isolado. Em 1926, havia 897 de tais casos pendentes nos tribunais alemães. Havia tanto litígio que, em 1926, foi necessário que a Sociedade Torre de Vigia dos EUA abrisse um departamento jurídico na sua filial em Magdeburgo. Em 1928, só na Alemanha houve 1.660 processos movidos contra os Estudantes da Bíblia, e as pressões aumentavam ano após ano. O clero estava decidido a acabar com a obra dos Estudantes da Bíblia e alegrava-se quando alguma decisão de tribunal indicava que estava tendo certa medida de êxito.

      Nos Estados Unidos, prisões de Estudantes da Bíblia por causa da pregação de casa em casa ocorreram em 1928, em South Amboy, Nova Jérsei. Em uma década, o total anual de prisões relacionadas com o seu ministério nos Estados Unidos era de mais de 500. Em 1936 o número explodiu — para 1.149. Para dar a necessária assistência, foi preciso manter um departamento jurídico também na sede mundial da Sociedade.

      A intensa atividade de pregação na Romênia também enfrentou uma severa resistência da parte das autoridades então no poder. As Testemunhas de Jeová que distribuíam publicações bíblicas muitas vezes eram presas e cruelmente espancadas. De 1933 a 1939 foram movidos 530 processos contra as Testemunhas. Mas a lei do país continha garantias de liberdade, de modo que recursos à Suprema Corte da Romênia resultaram em muitas decisões favoráveis. Quando a Polícia passou a aperceber-se disso, ela confiscava a literatura e maltratava as Testemunhas, mas tentava evitar ação no tribunal. Depois que finalmente se permitiu o registro da Sociedade como corporação na Romênia, os oponentes empenharam-se em frustrar o objetivo desse registro legal obtendo um mandado judicial proibindo a distribuição de publicações da Torre de Vigia. Essa decisão foi revogada por um tribunal superior, mas daí o clero induziu o ministro dos cultos a agir para neutralizar essa decisão.

      Na Itália e na Hungria, como na Romênia, as publicações bíblicas que as Testemunhas de Jeová usavam foram confiscadas pela Polícia dos governos então dominantes. O mesmo foi feito no Japão, na Coréia e na Costa do Ouro (agora chamado de Gana). As Testemunhas de Jeová que haviam vindo do exterior receberam ordens de deixar a França. Por muitos anos, nenhuma Testemunha de Jeová recebeu permissão de entrar na União Soviética para pregar o Reino de Deus.

      À medida que a febre do nacionalismo se espalhava pelo mundo a partir de 1933 e década de 40 adentro, proscrições governamentais contra as Testemunhas de Jeová foram impostas num país após outro. Milhares de Testemunhas foram levadas aos tribunais durante este período por causa de sua recusa conscienciosa de saudar bandeiras e sua insistência na neutralidade cristã. Em 1950 foi relatado que nos 15 anos prévios só nos Estados Unidos as Testemunhas de Jeová enfrentaram mais de 10.000 casos de prisão.

      Quando, em 1946, dentro de um curto período mais de 400 Testemunhas foram levadas aos tribunais na Grécia, isto não foi o começo de tal ação ali. Já vinha ocorrendo há anos. Além de prisão, eram impostas pesadas multas, exaurindo os irmãos financeiramente. Mas, analisando a sua situação, eles disseram: “O Senhor abriu o caminho para que a obra de testemunho chegasse às autoridades da Grécia, que ouviram a respeito do estabelecimento do reino da justiça; também os juízes nos tribunais tiveram a mesma oportunidade.” As Testemunhas de Jeová encararam claramente o assunto como Jesus disse que seus seguidores deviam encarar. — Luc. 21:12, 13.

      Batalhas com desvantagens aparentemente intransponíveis

      Durante as décadas de 40 e 50, a província canadense de Quebec virou um verdadeiro campo de batalha. Desde 1924 ocorriam ali prisões por causa da pregação das boas novas. Por volta do inverno de 1931, algumas Testemunhas eram apanhadas pela Polícia todos os dias, às vezes duas vezes por dia. As despesas com assuntos legais tornaram-se pesadas para as Testemunhas no Canadá. Daí, em princípios de 1947, o total de processos pendentes nos tribunais na Província de Quebec envolvendo as Testemunhas disparou para 1.300; no entanto, havia ali apenas um pequeno grupo de Testemunhas de Jeová.

      Aquela era uma época em que a Igreja Católica Romana representava uma influência poderosa que todo político e todo juiz naquela província tinha de levar em conta. Os clérigos em geral eram tidos em alta estima em Quebec, e as pessoas obedeciam prontamente aos ditames do sacerdote local. Como o livro State and Salvation (O Estado e a Salvação), de 1989, descreveu a situação: “O cardeal de Quebec tinha assento especial no recinto da Assembléia Legislativa, bem ao lado do reservado ao vice-governador. De uma maneira ou de outra, grande parte de Quebec estava sob o controle direto da igreja . . . A missão da igreja era, de fato, fazer a vida política de Quebec ajustar-se ao conceito católico romano de que verdade é o catolicismo, erro é tudo o que não é católico, e liberdade é poder falar e viver a verdade católica-romana.”

      Humanamente falando, as desvantagens contra as Testemunhas, não apenas em Quebec, mas no mundo inteiro, pareciam intransponíveis.

      Acusações de todo tipo imaginável

      Os oponentes das Testemunhas de Jeová vasculhavam os códigos de lei em busca de qualquer pretexto para acabar com a sua atividade. Muitas vezes acusavam-nas de mascatear sem licença, afirmando assim que a obra era comercial. Contradizendo isso, em outras partes alguns pioneiros eram acusados de vadiagem porque se dizia que não tinham emprego remunerado.

      Por décadas, autoridades em alguns cantões (estados) da Suíça persistentemente tentaram classificar a distribuição de literatura bíblica pelas Testemunhas de Jeová de venda ambulante. Em especial, o procurador de estado no Cantão de Vaud, de língua francesa, estava decidido a não permitir vigorar quaisquer decisões de cortes inferiores que fossem favoráveis às Testemunhas.

      Num lugar após outro, as Testemunhas de Jeová foram informadas de que tinham de ter licença para distribuir suas publicações ou para realizar reuniões bíblicas. Mas era realmente necessária uma licença? As Testemunhas responderam: “Não!” Em que base?

      Elas explicaram: ‘Jeová Deus ordena que suas testemunhas preguem o evangelho de Seu reino, e os mandamentos de Deus são supremos e têm de ser obedecidos por suas testemunhas. Nenhum órgão legislativo ou executivo pode de direito interferir nas leis de Jeová. Visto que nenhum poder governante do mundo pode de direito proibir a pregação do evangelho, nenhuma de tal autoridade ou poder secular pode conceder licença para pregar o evangelho. De nenhuma maneira os poderes seculares têm autoridade nesse assunto. Pedir a humanos permissão para fazer algo que Deus ordenou que se fizesse seria um insulto a Deus.’

      As acusações lançadas contra as Testemunhas de Jeová não raro apresentavam forte evidência de animosidade religiosa. Assim, quando os folhetos Encare os Factos e Cura circularam, o superintendente da filial da Sociedade nos Países Baixos (Holanda) foi intimado a comparecer perante um tribunal em Haarlem, em 1939, para responder à acusação de insultar um segmento da população holandesa. O promotor argumentou, por exemplo, que as publicações da Torre de Vigia declaravam que a hierarquia católica-romana fraudulentamente arrancava dinheiro do povo afirmando libertar os mortos de um lugar em que estes não se encontram — o purgatório, cuja existência, diziam as publicações, a Igreja não podia provar.

      No banco, a testemunha vedete da hierarquia, o “padre” Henri de Greeve, lamentou: “Meu maior agravo é que uma pessoa de fora poderia pegar a impressão de que os sacerdotes são simplesmente um bando de vilões e trapaceiros.” Ao ser chamado para depor, o superintendente da filial da Sociedade abriu a Bíblia católica e mostrou ao tribunal que aquilo que o folheto dizia a respeito dos ensinamentos católicos estava em consonância com a própria Bíblia deles. Daí, quando o advogado da Sociedade perguntou a Greeve se ele podia provar as doutrinas do fogo do inferno e do purgatório, ele respondeu: “Não posso provar isso; apenas creio nisso.” O juiz percebeu prontamente que era exatamente isso o que o folheto afirmara. O caso foi encerrado, e o sacerdote saiu às pressas do tribunal, furioso!

      Agitados por causa da crescente atividade das Testemunhas de Jeová no leste do que então era a Tchecoslováquia, o clero local acusou as Testemunhas de espionagem. A situação se parecia à vivida pelo apóstolo Paulo quando o clero judaico do primeiro século acusou-o de sedição. (Atos 24:5) Centenas de casos foram levados aos tribunais em 1933-34, até que o governo se convenceu de que não havia base válida para a acusação. Na província canadense de Quebec, nas décadas de 30 e 40, as Testemunhas também eram levadas a julgamento sob a acusação de conspiração sediciosa. Os próprios clérigos — católicos e protestantes — mas em especial católico-romanos — até mesmo iam ao tribunal como testemunhas contra elas. O que haviam feito as Testemunhas de Jeová? O clero argumentava que haviam colocado em risco a unidade nacional por publicarem coisas que poderiam causar descontentamento com relação à Igreja Católica Romana. Contudo, as Testemunhas de Jeová replicaram que, na realidade, haviam distribuído literatura que trazia às pessoas humildes consolo da Palavra de Deus, mas que isto enfurecia o clero porque ensinamentos e práticas antibíblicos estavam sendo expostos.

      O que possibilitou que as Testemunhas de Jeová prosseguissem em face de tal persistente oposição? Foi a sua fé em Deus e em sua Palavra inspirada, a sua devoção altruísta a Jeová e a seu Reino, e a força resultante da operação do espírito de Deus. Como dizem as Escrituras, “o poder além do normal [é] o de Deus e não o de nós mesmos”. — 2 Cor. 4:7.

      As Testemunhas de Jeová tomam a ofensiva no campo jurídico

      Por décadas antes da Primeira Guerra Mundial, os Estudantes da Bíblia haviam-se dedicado a uma ampla distribuição gratuita de publicações bíblicas em ruas perto de igrejas e de casa em casa. Mas daí muitas cidades nos Estados Unidos baixaram decretos que dificultavam muito esse “trabalho voluntário”. O que se poderia fazer?

      The Watch Tower (A Sentinela) de 15 de dezembro de 1919 explicou: “Crendo ser nosso dever envidar todos os esforços possíveis para dar testemunho em favor do reino do Senhor e não afrouxar as mãos diante de obstáculos, e em vista do fato de que houve tal esforço sistemático contra a obra voluntária, ultimaram-se os arranjos para o uso de uma revista, . . . THE GOLDEN AGE (A IDADE DE OURO).”a

      Com a intensificação do testemunho de casa em casa, porém, aumentaram também as tentativas de aplicar leis para coibi-lo ou proibi-lo. Nem todos os países têm dispositivos legais que possibilitam garantir liberdades para minorias diante de oposição oficial. Mas as Testemunhas de Jeová sabiam que a Constituição dos Estados Unidos garantia a liberdade de religião, a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa. Assim, quando juízes interpretavam regulamentos locais de tal modo que impedissem a pregação da Palavra de Deus, as Testemunhas levavam suas causas a tribunais superiores.b

      Ao rememorar o que ocorrera, Hayden C. Covington, que desempenhara um papel relevante em assuntos jurídicos relacionados com a Sociedade Torre de Vigia (dos EUA), mais tarde explicou: “Se não se tivesse recorrido de milhares de condenações registradas por magistrados, tribunais policiais e outros tribunais inferiores, formar-se-ia uma montanha de precedentes como gigantesco obstáculo no campo da adoração. Por recorrermos, nós evitamos a formação desse obstáculo. O nosso modo de adoração foi incorporado na lei dos Estados Unidos e de outros países por causa de nossa persistência em recorrer de decisões adversas.” Nos Estados Unidos, um grande número de pleitos judiciais chegaram até a Suprema Corte.

      Fortalecendo as garantias de liberdade

      Uma das primeiras causas relacionadas com o ministério das Testemunhas de Jeová a chegar à Suprema Corte dos Estados Unidos originou-se na Geórgia e foi apresentada perante a Corte em 4 de fevereiro de 1938. Alma Lovell havia sido condenada na corte do magistrado em Griffin, Geórgia, de violar um decreto que proibia a distribuição de literatura de qualquer espécie sem permissão do administrador municipal. Entre outras coisas, a irmã Lovell havia oferecido às pessoas a revista The Golden Age. Em 28 de março de 1938, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que o decreto era inválido porque submetia a liberdade de imprensa à licença e à censura.c

      No ano seguinte, J. F. Rutherford, como advogado da requerente, apresentou argumentos à Suprema Corte no processo de Clara Schneider v. Estado de Nova Jérsei.d Depois, em 1940, houve o processo Cantwell v. Estado de Connecticut,e para o qual J. F. Rutherford esboçou a súmula jurídica e Hayden Covington apresentou a argumentação oral perante a Corte. O desfecho positivo desses casos reforçou as garantias constitucionais de liberdade de religião, liberdade de expressão e liberdade de imprensa. Mas houve reveses.

      Duros reveses nos tribunais

      A questão da saudação à bandeira, no que tange a escolares filhos de Testemunhas de Jeová, chegou pela primeira vez aos tribunais norte-americanos em 1935 no pleito Carlton B. Nicholls v. Prefeito e Comissão Escolar de Lynn (Massachusetts).f O pleito foi encaminhado à Suprema Corte Judicial do Estado de Massachusetts. Em 1937 o tribunal decidiu que, independentemente do que Carleton Nichols Jr. e seus pais dissessem crer, não havia necessidade de fazer concessões por razões de crença religiosa. Disse o tribunal: “A saudação à bandeira e o voto de lealdade aqui em questão em nenhum sentido legítimo se relaciona com religião. . . . Não concernem aos conceitos de quem quer que seja com relação ao seu Criador. Não dizem respeito às suas relações com o seu Criador.” Quando a questão da saudação obrigatória à bandeira foi levada à Suprema Corte dos EUA no caso de Leoles v. Landersg, em 1937, e de novo em Hering v. Junta Estadual de Educaçãoh, em 1938, o Tribunal negou provimento a esses casos porque não havia, na sua opinião, nenhuma questão federal importante a considerar. Em 1939 a Corte novamente rejeitou um recurso que envolvia a mesma questão, no caso de Gabrielli v. Knickerbocker.i Naquele mesmo dia, sem ouvir uma argumentação oral, ela confirmou a decisão adversa de um tribunal inferior no caso Johnson v. Cidade de Deerfield.j

      Finalmente, em 1940, a Corte concedeu uma audiência plena no caso denominado Distrito Escolar de Minersville v. Gobitis.k Uma série de advogados famosos apresentou súmulas ao processo em ambos os lados. J. F. Rutherford apresentou argumentação oral em favor de Walter Gobitas e seus filhos. Um membro do departamento jurídico da Universidade de Harvard representou a Ordem dos Advogados dos EUA e a Liga das Liberdades Civis em argumentar contra a saudação compulsória à bandeira. Contudo, seus argumentos foram rejeitados e, com apenas um voto contrário, a Suprema Corte, em 3 de junho, decidiu que as crianças que não saudassem a bandeira podiam ser expulsas das escolas públicas.

      Durante os três anos seguintes, a Suprema Corte decidiu contra as Testemunhas de Jeová em 19 processos. A mais significativa foi a decisão adversa, em 1942, em Jones v. Cidade de Opelika.l Rosco Jones havia sido condenado por distribuir publicações nas ruas de Opelika, Alabama, sem pagar uma taxa de licença. A Suprema Corte confirmou a condenação e disse que os governos têm o direito de cobrar taxas razoáveis para vendas e que tais leis não podiam ser impugnadas mesmo que as autoridades locais arbitrariamente revogassem a licença. Foi um duro golpe, porque agora, qualquer comunidade — instigada por clérigos ou por quem quer que se opusesse às Testemunhas de Jeová — poderia excluí-las legalmente e, deste modo, talvez pensassem os oponentes, parar a atividade de pregação das Testemunhas de Jeová. Mas algo estranho aconteceu.

      Muda a maré

      No caso Jones v. Opelika, cuja decisão foi esse golpe contra o ministério público das Testemunhas de Jeová, três dos juízes declararam que não apenas discordavam da maioria da Corte no caso em pauta, mas achavam também que haviam ajudado a lançar o fundamento para essa decisão no caso Gobitis. “Visto que nos juntamos à opinião no caso Gobitis”, acrescentaram, “achamos ser esta uma ocasião apropriada para declarar que agora cremos que este também foi decidido erroneamente”. As Testemunhas de Jeová consideraram isso como deixa para reapresentar as questões à Corte.

      Foi apresentada uma Ação de Recursos no caso de Jones v. Opelika. Nessa ação, foram apresentados fortes argumentos jurídicos. Declarava também firmemente: “Esta Corte deve levar em conta o fato supremo que está lidando judicialmente com servos do Deus Todo-Poderoso.” Foram passados em revista precedentes bíblicos que mostram as implicações disso. Dirigiu-se atenção ao conselho dado pelo instrutor de lei Gamaliel à suprema corte judaica do primeiro século, a saber: “Não vos metais com estes homens, mas deixai-os em paz . . . senão podereis talvez ser realmente achados como lutadores contra Deus.” — Atos 5:34-39.

      Finalmente, em 3 de maio de 1943, no decisivo caso Murdock v. Comunidade de Pensilvânia,a a Suprema Corte reverteu a sua decisão anterior em Jones v. Opelika. Declarou que qualquer taxa de licença como precondição para exercer a liberdade de religião da pessoa pela distribuição de literatura religiosa é inconstitucional. Este caso reabriu as portas dos Estados Unidos às Testemunhas de Jeová e tem sido citado como autoridade em centenas de casos desde então. O dia 3 de maio de 1943 foi deveras um dia memorável para as Testemunhas de Jeová com respeito a litígios perante a Suprema Corte dos Estados Unidos. Nesse único dia, 12 dentre 13 processos (os quais foram juntados para audiência e parecer em quatro decisões), a Corte decidiu em favor das Testemunhas de Jeová.b

      Cerca de um mês depois — em 14 de junho, o anual Dia da Bandeira da nação — a Suprema Corte de novo inverteu a sua posição, desta vez quanto à sua decisão no caso Gobitis, fazendo isso no caso intitulado Junta de Educação do Estado de Virgínia do Oeste v. Barnette.c O tribunal decidiu que “nenhuma autoridade, grande ou pequena, pode prescrever o que deve ser ortodoxo na política, no nacionalismo, na religião ou em outras questões de opinião, tampouco forçar cidadãos a confessar por palavras ou ações a sua fé nesses postulados.” Grande parte da argumentação contida nessa decisão foi depois adotada no Canadá pela Corte de Apelação em Ontário no caso Donald v. Junta de Educação de Hamilton, cuja decisão a Suprema Corte canadense recusou-se a anular.

      Coerente com a sua decisão no caso Barnette, e no mesmo dia em Taylor v. Estado de Mississípi,d a Suprema Corte dos Estados Unidos sustentou que as Testemunhas de Jeová não podem ser legitimamente acusadas de sedição por explicarem suas razões de não saudarem a bandeira e ensinarem que todas as nações estão no lado perdedor porque se opõem ao Reino de Deus. Essas decisões também abriram o caminho para posteriores julgamentos favoráveis em outros tribunais em casos envolvendo pais Testemunhas de Jeová cujos filhos haviam se recusado a saudar a bandeira na escola, bem como em questões respeitantes a emprego e guarda de crianças. A maré definitivamente havia mudado.e

      Nova era de liberdade em Quebec

      As Testemunhas de Jeová também batalhavam na questão da liberdade de adoração no Canadá. De 1944 a 1946, centenas de Testemunhas haviam sido presas em Quebec ao participarem no seu ministério público. A lei canadense estipulava a liberdade de adoração, mas turbas dissolviam reuniões em que se estudava a Bíblia. A Polícia atendia às instâncias do clero católico no sentido de que se acabasse com as atividades das Testemunhas de Jeová. Juízes de tribunais municipais cumulavam as Testemunhas de Jeová de insultos, embora não se tomasse nenhuma ação contra os membros de turbas. O que se poderia fazer?

      A Sociedade programou uma assembléia especial em Montreal, para 2 e 3 de novembro de 1946. Os oradores recapitularam a posição das Testemunhas de Jeová segundo a Bíblia e segundo o ponto de vista da lei do país. Depois, anunciou-se uma campanha de distribuição costa a costa de 16 dias — em inglês, francês e ucraniano — do tratado O Ódio Ardente de Quebec a Deus, a Cristo e à Liberdade É Uma Vergonha Para Todo o Canadá. Apresentava em detalhes a violência de turbas e outras atrocidades cometidas contra as Testemunhas de Jeová em Quebec. Houve depois um segundo tratado, Quebec, Fracassaste Para com Teu Povo!

      As prisões em Quebec aumentaram vertiginosamente. Para enfrentar a situação, a filial canadense da Sociedade Torre de Vigia dos EUA montou um departamento jurídico com representantes tanto em Toronto como em Montreal. Quando chegaram à imprensa as notícias de que Maurice Duplessis, primeiro-ministro de Quebec, havia deliberadamente arruinado os negócios de Frank Roncarelli, que operava um restaurante e era Testemunha de Jeová, simplesmente porque providenciara fiança para outras Testemunhas, o público canadense protestou ruidosamente. Daí, em 2 de março de 1947, as Testemunhas de Jeová lançaram uma campanha nacional convidando o povo do Canadá a pedir ao governo uma Declaração de Direitos. Foram conseguidas mais de 500.000 assinaturas, a maior petição até então apresentada ao Parlamento canadense! A esta se seguiu, no ano seguinte, uma petição ainda maior para reforçar a primeira.

      No ínterim, a Sociedade selecionou dois casos como testes para recorrer à Suprema Corte do Canadá. Um destes, Aimé Boucher v. Sua Majestade o Rei, dizia respeito à acusação de sedição que repetidas vezes havia sido feita contra as Testemunhas.

      O caso Boucher baseava-se na participação que teve Aimé Boucher, um brando fazendeiro, na distribuição do tratado O Ódio Ardente de Quebec. Foi sedicioso de sua parte divulgar a violência de motins contra as Testemunhas de Jeová em Quebec, o desrespeito à lei da parte de autoridades que lidavam com as Testemunhas, e a evidência de que o bispo católico e outros membros do clero católico instigavam os motins?

      Ao analisar o tratado que fora distribuído, um dos juízes da Suprema Corte disse: “O documento foi intitulado ‘O Ódio Ardente de Quebec a Deus, a Cristo e à Liberdade É Uma Vergonha Para Todo o Canadá’; consiste primeiro de uma chamada à calma e à razão na análise da matéria a ser considerada em apoio ao título; daí de referências gerais à vingativa perseguição movida em Quebec contra as Testemunhas como irmãos em Cristo; uma narrativa detalhada de incidentes específicos de perseguição; e um apelo final ao povo da província, em protesto contra o domínio de turbas e táticas tipo gestapo, para que, através do estudo da Palavra de Deus e obediência a seus mandamentos, possa-se realizar uma ‘generosa colheita dos bons frutos do amor a Ele e a Cristo e à liberdade humana’.”

      A decisão da Corte anulou a condenação de Aimé Boucher, mas três dos cinco juízes meramente ordenaram um novo julgamento. Resultaria isso numa decisão imparcial nos tribunais inferiores? Apresentou-se uma petição da consultoria jurídica das Testemunhas de Jeová para que a própria Suprema Corte revisse o processo. Surpreendentemente, o pedido foi atendido. Enquanto a petição estava pendente, o número de juízes da Corte aumentou, e um dos juízes originais mudou de opinião. O resultado, em dezembro de 1950, foi uma decisão de 5 contra 4 inocentando plenamente o irmão Boucher.

      De início, essa decisão foi contestada tanto pelo assistente do procurador-geral como pelo primeiro-ministro (que era também procurador-geral) da província de Quebec, mas, paulatinamente, foi posta em vigor através dos tribunais. Assim, a acusação de sedição que repetidas vezes havia sido lançada contra as Testemunhas de Jeová no Canadá foi definitivamente enterrada.

      Mas ainda outro caso foi interposto como teste à Suprema Corte canadense — Laurier Saumur v. Cidade de Quebec. Este contestava os regulamentos municipais sobre licença, envolvidos num grande número de condenações nas cortes inferiores. No caso Saumur, a Sociedade buscava uma injunção permanente contra a cidade de Quebec para evitar que as autoridades interferissem na distribuição de literatura religiosa pelas Testemunhas de Jeová. Em 6 de outubro de 1953, a Suprema Corte deu o seu veredicto. A resposta foi “sim” para as Testemunhas de Jeová, “não” para a província de Quebec. Esta decisão também trouxe vitória em mil outros casos em que os mesmos princípios de liberdade religiosa eram o fator governante. Isto abriu uma nova era para a obra das Testemunhas de Jeová em Quebec.

      Treinamento em direitos e procedimentos legais

      À medida que o número de processos aumentava em fins da década de 20 e depois, tornou-se necessário que as Testemunhas de Jeová aprendessem procedimentos legais. Visto que J. F. Rutherford era advogado e servira ocasionalmente como juiz, ele viu a necessidade de as Testemunhas receberem instruções nesses assuntos. Especialmente desde 1926 as Testemunhas vinham enfatizando a pregação de casa em casa, aos domingos, com o uso de livros que explicavam a Bíblia. Por causa da oposição à distribuição aos domingos de literatura bíblica, o irmão Rutherford preparou o panfleto Liberty to Preach (Liberdade de Pregar) a fim de ajudar os que viviam nos Estados Unidos a entender seus direitos sob a lei. Mas ele não podia pessoalmente cuidar de todos os assuntos jurídicos, de modo que providenciou que outros advogados servissem como membros da equipe na sede da Sociedade. Além disso, outros, espalhados pelo país, prestaram uma estreita colaboração.

      Os advogados não podiam comparecer a todas as necessárias audiências de tribunal nos milhares de processos relacionados com a atividade de pregação das Testemunhas de Jeová, mas podiam suprir valioso aconselhamento. Para isso, providenciou-se o treinamento de todas as Testemunhas de Jeová em procedimentos legais básicos. Fez-se isso em assembléias especiais nos Estados Unidos, em 1932 e, mais tarde, nos programas normais da Reunião de Serviço nas congregações. Um pormenorizado “Normas dum Julgamento” foi publicado no Anuário de 1933 (em inglês) das Testemunhas de Jeová (mais tarde como folha à parte). Essas instruções eram ajustadas segundo as circunstâncias. A edição de 3 de novembro de 1937 de Consolation supriu aconselhamento jurídico adicional sobre situações específicas que surgiam.

      Com essa informação, as Testemunhas em geral cuidavam de sua própria defesa em tribunais locais, em vez de contratarem os serviços de um advogado. Descobriram que assim muitas vezes podiam dar testemunho ao tribunal e apresentar as questões com exatidão ao juiz, evitando que seus casos fossem decididos meramente à base de tecnicidades jurídicas. Nos casos em que a decisão era adversa, em geral entrava-se com um recurso, ainda que algumas Testemunhas cumprissem um termo de prisão em vez de contratarem um advogado, cujos serviços seriam necessários num tribunal de recursos.

      À medida que surgiam situações novas e as decisões nos tribunais estabeleciam precedentes, forneciam-se mais informações para manter as Testemunhas de Jeová atualizadas. Assim, em 1939 foi publicado o folheto Advice for Kingdom Publishers (Conselho aos Publicadores do Reino) para ajudar os irmãos nas lutas nos tribunais. Dois anos mais tarde foi apresentada uma consideração mais extensiva no folheto Jehovah’s Servants Defended (Defendidos os Servos de Jeová). Este folheto citou ou considerou 50 diferentes decisões de tribunais americanos envolvendo Testemunhas de Jeová, bem como muitos outros casos, e explicou como esses precedentes jurídicos podiam ser usados com proveito. Daí, em 1943, cada Testemunha recebeu um exemplar de Freedom of Worship (Liberdade de Adoração), que foi estudado diligentemente nas Reuniões de Serviço nas congregações. Além de fornecer uma valiosa seleção de casos, esse folheto detalhou as razões bíblicas para cuidar dos assuntos de determinadas maneiras. A isso se seguiu, em 1950, o folheto atualizado Defending and Legally Establishing the Good News (Defendendo e Estabelecendo Legalmente as Boas Novas).

      Tratava-se de uma progressiva educação jurídica. O objetivo, porém, não era transformar as Testemunhas de Jeová em advogados, mas sim manter aberto o caminho à pregação das boas novas do Reino de Deus publicamente e de casa em casa.

      Como nuvem de gafanhotos

      Onde as autoridades se consideravam acima da lei, o tratamento que davam às Testemunhas de Jeová às vezes era implacável. Independentemente dos métodos empregados por seus oponentes, porém, as Testemunhas de Jeová sabiam que a Palavra de Deus aconselha: “Não vos vingueis, amados, mas cedei lugar ao furor; pois está escrito: ‘A vingança é minha; eu pagarei de volta, diz Jeová.’” (Rom. 12:19) Não obstante, sentiam-se profundamente na obrigação de dar testemunho. Como faziam isso ao se confrontarem com oposição oficial?

      Embora as congregações das Testemunhas de Jeová em geral fossem pequenas na década de 30, havia um forte vínculo entre elas. Quando ocorriam dificuldades sérias numa localidade, as Testemunhas de regiões vizinhas sentiam-se ansiosas de ajudar. Em 1933, nos Estados Unidos, por exemplo, 12.600 Testemunhas foram organizadas em 78 divisões. Quando ocorriam persistentes detenções numa área, ou quando os oponentes pressionavam com êxito as emissoras de rádio a cancelar contratos para irradiar programas preparados pelas Testemunhas de Jeová, o escritório da Sociedade em Brooklyn era notificado. Dentro de uma semana, enviavam-se reforços a essa área para dar testemunho concentrado.

      Dependendo da necessidade, de 50 a 1.000 Testemunhas se apresentavam numa hora marcada, em geral na zona rural perto da área a ser trabalhada. Todos eram voluntários; alguns vinham de até 320 quilômetros. Cada grupo que ia no mesmo carro recebia território que podia ser coberto em talvez 30 minutos ou possivelmente no máximo em duas horas. Assim que cada grupo começava a trabalhar na sua seção designada, uma comissão de irmãos ia à Polícia para notificá-la do trabalho que estava sendo feito e fornecer uma lista de todas as Testemunhas que estariam trabalhando na localidade naquela manhã. Dando-se conta de que suas próprias forças eram suplantadas pelo número de Testemunhas, as autoridades na maioria dos lugares permitiam que a obra prosseguisse sem impedimentos. Em algumas localidades elas enchiam a cadeia com Testemunhas de Jeová, mas, daí, nada mais podiam fazer. Para quem quer que fosse preso, as Testemunhas tinham advogados a postos que apresentavam fiança. O efeito era semelhante ao da simbólica nuvem de gafanhotos mencionada nas Escrituras em Joel 2:7-11 e Revelação (Apocalipse) 9:1-11. Assim, era possível continuar a pregação das boas novas mesmo em face de oposição intensa.

      Expostas as ações de autoridades arbitrárias

      Parecia benéfico informar as pessoas em algumas áreas quanto ao que as autoridades locais faziam. Em Quebec, quando os tribunais submeteram as Testemunhas a procedimentos que faziam lembrar os tribunais da Inquisição, foi enviada uma carta a todos os membros do parlamento de Quebec descrevendo os fatos. Visto que isso não resultou em nenhuma ação, a Sociedade enviou uma cópia dessa carta a 14.000 homens de negócios em toda a província. Daí a informação foi levada aos editores de jornais para publicação.

      No leste dos Estados Unidos, o público foi informado por meio de programas de rádio. No Betel de Brooklyn, vários atores habilitados, peritos em imitação, formavam o que se chamava Teatro do Rei. Quando autoridades arbitrárias levavam Testemunhas de Jeová a julgamento, fazia-se um registro estenográfico completo dos procedimentos do tribunal. Os atores compareciam ao tribunal, para conhecerem bem o tom da voz e a maneira de falar dos policiais, do promotor e do juiz. Depois de extensa publicidade para garantir uma grande audiência radiofônica, o Teatro do Rei representava cenas do tribunal com notável realismo, de modo que o público soubesse exatamente qual era o comportamento das autoridades. Com o tempo, por causa da profusa publicidade, algumas dessas autoridades tornaram-se mais cautelosas ao cuidarem de casos envolvendo as Testemunhas de Jeová.

      Ação unida diante da opressão nazista

      Quando o governo da Alemanha nazista pôs em operação uma campanha para parar as atividades das Testemunhas de Jeová na Alemanha, fizeram-se repetidos esforços para se obter uma audiência com as autoridades alemãs. Mas não surgia nenhum alívio. No verão de 1933, sua obra fora proscrita na maior parte dos estados da Alemanha. Assim, em 25 de junho de 1933, as Testemunhas de Jeová adotaram numa assembléia em Berlim uma declaração a respeito de seu ministério e de seus objetivos. Foram enviadas cópias a todas as altas autoridades, e milhões foram distribuídas ao público. No entanto, em julho de 1933, os tribunais recusaram-se a conceder uma audiência de reparação. No início do ano seguinte, J. F. Rutherford escreveu uma carta pessoal a Adolf Hitler a respeito da situação, que lhe foi entregue por um mensageiro especial. Daí a inteira fraternidade mundial entrou em ação.

      No domingo de manhã, 7 de outubro de 1934, às nove horas, todos os grupos de Testemunhas na Alemanha se reuniram. Oraram pela orientação e bênção de Jeová. Daí, cada grupo enviou uma carta às autoridades do governo alemão, declarando a sua firme determinação de continuarem a servir a Jeová. Antes de encerrarem, consideraram juntos as palavras de seu Senhor, Jesus Cristo, em Mateus 10:16-24. Depois disso, saíram para dar testemunho a seus vizinhos a respeito de Jeová e seu Reino sob Cristo.

      Naquele mesmo dia, as Testemunhas de Jeová em toda a Terra se reuniram e, depois de uma oração unida a Jeová, enviaram um cabograma alertando o governo de Hitler: “Seus maus-tratos para com as Testemunhas de Jeová chocam a todas as pessoas boas da Terra e desonram o nome de Deus. Refreie-se de continuar perseguindo as Testemunhas de Jeová; de outra forma, Deus o destruirá, bem como a seu partido nacional.” Mas isso não foi o fim de tudo.

      A Gestapo intensificou seus esforços de esmagar a atividade das Testemunhas de Jeová. Depois de prisões em massa em 1936, pensaram que talvez tivessem conseguido. Mas daí, em 12 de dezembro de 1936, umas 3.450 Testemunhas que ainda estavam livres na Alemanha fizeram uma distribuição relâmpago de uma resolução impressa que dizia claramente qual era o propósito de Jeová e apresentava a determinação das Testemunhas de Jeová de obedecerem a Deus como governante antes que aos homens. Os oponentes não conseguiram entender como tal distribuição foi possível. Meses depois, quando a Gestapo desprezou as acusações feitas na resolução, as Testemunhas de Jeová prepararam uma carta geral na qual forneceram abertamente os nomes de oficiais nazistas que haviam diabolicamente abusado das Testemunhas de Jeová. Em 1937, esta carta também teve ampla distribuição na Alemanha. De modo que os atos de homens perversos foram expostos à vista de todos. Isto também deu aos do público a oportunidade de decidirem que proceder seguiriam pessoalmente com respeito a esses servos do Altíssimo. — Compare com Mateus 25:31-46.

      Publicidade global traz algum alívio

      Outros governos também têm lidado duramente com as Testemunhas de Jeová, proibindo suas reuniões e a pregação pública. Em alguns casos, esses governos fizeram com que as Testemunhas de Jeová perdessem seu emprego e seus filhos fossem barrados das escolas. Alguns governos têm recorrido também à brutalidade física. Todavia, estes mesmos países em geral têm constituições que garantem a liberdade religiosa. Visando trazer alívio a seus irmãos perseguidos, a Sociedade Torre de Vigia muitas vezes deu publicidade mundial a detalhes sobre tal tratamento. Faz-se isso por meio das revistas A Sentinela e Despertai!, e essas informações às vezes são reproduzidas pela imprensa em geral. Daí, milhares de cartas de apelo em favor das Testemunhas de todo o mundo inundam os gabinetes de autoridades do governo.

      Em resultado de uma campanha assim em 1937, o governador da Geórgia, nos Estados Unidos, recebeu cerca de 7.000 cartas de quatro países em dois dias, e o prefeito de La Grange, Geórgia, também recebeu uma enxurrada de milhares de cartas. Campanhas assim também foram feitas em favor das Testemunhas de Jeová na Argentina em 1978 e 1979, Benin em 1976, Burundi em 1989, Camarões em 1970, Cingapura em 1972, Espanha em 1961 e 1962, Etiópia em 1957, Gabão em 1971, Grécia em 1963 e 1966, Jordânia em 1959, Malaia em 1952, Malaui em 1968, 1972, 1975 e 1976, Moçambique em 1976, Portugal em 1964 e 1966, República Dominicana em 1950 e 1957 e Suazilândia em 1983.

      Como exemplo recente do que fazem as Testemunhas de Jeová mundialmente para trazer alívio a seus irmãos oprimidos, considere a situação na Grécia. Devido à intensidade da perseguição contra as Testemunhas de Jeová, por instigação do clero ortodoxo grego local, em 1986 tanto as revistas A Sentinela como Despertai! (com circulação internacional conjunta de mais de 22.000.000 de exemplares) publicaram detalhes da perseguição. Testemunhas em outros países foram convidadas a escrever a autoridades do governo grego em favor de seus irmãos. Elas escreveram; e, conforme publicado no jornal Vradyni de Atenas, o ministro da justiça foi inundado com mais de 200.000 cartas de mais de 200 países e em 106 idiomas.

      No ano seguinte, quando um caso envolvendo as Testemunhas foi ouvido no tribunal de recursos de Hania, Creta, estavam presentes representantes das Testemunhas de Jeová de sete outros países (Alemanha, Espanha, Estados Unidos, França, Inglaterra, Itália e Japão) como partes interessadas no caso e em apoio de seus irmãos cristãos. Daí, após uma decisão adversa da Suprema Corte da Grécia, em 1988, em ainda outro caso envolvendo as Testemunhas, entrou-se com um recurso na Comissão Européia de Direitos Humanos. Ali, em 7 de dezembro de 1990, 16 juristas de quase todas as partes da Europa receberam os arquivos de 2.000 casos de prisão e centenas de processos nos quais as Testemunhas de Jeová na Grécia haviam sido sentenciadas porque falavam a respeito da Bíblia. (Na verdade, houve 19.147 prisões na Grécia entre 1938 e 1992.) A Comissão decidiu unanimemente que o caso devia ser ouvido pela Corte Européia dos Direitos Humanos.

      Em alguns casos, tal exposição da violação de direitos humanos traz certa medida de alívio. Independentemente de que ação seja tomada por juízes ou governantes, porém, as Testemunhas de Jeová continuam a obedecer a Deus como seu Governante Supremo.

      Obtenção de reconhecimento legal

      A autorização para levar avante a adoração verdadeira obviamente não se origina de algum homem ou de algum governo humano. Ela vem do próprio Jeová Deus. Em muitos países, contudo, a fim de obter a proteção propiciada pela lei secular, tem-se mostrado vantajoso que as Testemunhas de Jeová sejam registradas junto ao governo como associação religiosa. Planos de compra de propriedade para a instalação de uma filial ou para imprimir literatura bíblica em larga escala podem ser facilitados pela formação de sociedades jurídicas locais. Em harmonia com o precedente estabelecido pelo apóstolo Paulo na antiga Filipos, de ‘estabelecer legalmente as boas novas’, as Testemunhas de Jeová tomam medidas apropriadas para conseguir isso. — Fil. 1:7.

      Às vezes, isso tem sido muito difícil. Por exemplo, na Áustria, onde uma concordata com o Vaticano garante apoio financeiro do governo à Igreja Católica, os empenhos das Testemunhas de Jeová foram de início repelidos pelas autoridades, que diziam: ‘Vossa intenção é formar uma organização religiosa, e uma organização desse tipo não pode ser constituída sob a lei austríaca.’ Em 1930, porém, conseguiram registrar uma associação para distribuição de Bíblias e publicações relacionadas.

      Na Espanha, a atividade das Testemunhas de Jeová no século 20 remonta ao tempo da Primeira Guerra Mundial. Mas desde os primeiros anos da Inquisição, no século 15, a Igreja Católica Romana e o Estado espanhol haviam, com raras exceções, trabalhado em íntima relação. Mudanças no clima político e religioso levaram a concessões para que indivíduos pudessem praticar outra religião, mas as manifestações públicas de sua fé eram proibidas. Apesar dessas circunstâncias, em 1956, e de novo em 1965, as Testemunhas de Jeová procuraram obter o reconhecimento legal na Espanha. Mas, um progresso real só foi possível depois de o Parlamento Espanhol promulgar a Lei de Liberdade Religiosa de 1967. Finalmente, em 10 de julho de 1970, quando as Testemunhas de Jeová já eram mais de 11.000 na Espanha, o reconhecimento legal foi concedido.

      O pedido de registro legal da Sociedade Torre de Vigia foi feito ao governador colonial francês de Daomé (hoje conhecido como Benin) em 1948. Mas tal registro legal só foi concedido em 1966, seis anos depois que o país se tornou uma república independente. Ainda assim, esse reconhecimento legal foi anulado em 1976 e, daí, reintegrado em 1990, em função de mudanças no clima político e na atitude oficial com relação à liberdade religiosa.

      Embora as Testemunhas de Jeová tivessem o reconhecimento legal por anos no Canadá, a Segunda Guerra Mundial serviu de desculpa para os oponentes persuadirem um novo governador-geral a declarar ilegais as Testemunhas. Isto foi feito em 4 de julho de 1940. Dois anos depois, quando se deu oportunidade às Testemunhas de Jeová de apresentar motivos a uma comissão especial da Câmara dos Comuns, essa comissão recomendou fortemente que a proscrição contra as Testemunhas de Jeová e suas entidades jurídicas fosse sustada. Contudo, foi só depois de repetidos e extensos debates na Câmara dos Comuns, e de muito trabalho para colher assinaturas em duas petições de âmbito nacional, que o ministro da justiça, católico-romano, sentiu-se compelido a remover completamente a proscrição.

      Foram necessárias mudanças básicas no conceito de governos na Europa Oriental para que as Testemunhas de Jeová ali pudessem obter o reconhecimento legal. Finalmente, depois de décadas de apelos em favor da liberdade religiosa, as Testemunhas receberam o reconhecimento legal na Polônia e na Hungria em 1989, na Romênia e na Alemanha Oriental (antes de sua unificação com a República Federal da Alemanha) em 1990, na Bulgária e no que era então a União Soviética em 1991, e na Albânia em 1992.

      As Testemunhas de Jeová empenham-se em trabalhar em harmonia com as leis de qualquer nação. Advogam fortemente, à base da Bíblia, o respeito pelas autoridades do governo. Mas quando as leis dos homens conflitam com os mandamentos de Deus claramente enunciados, elas respondem: “Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens.” — Atos 5:29.

      Quando o medo faz as pessoas se esquecerem de liberdades básicas

      Por causa do aumento no abuso de drogas da parte de muitas pessoas e da inflação, que em muitos casos tem obrigado tanto o marido como a esposa a arranjar emprego, as Testemunhas de Jeová nos Estados Unidos vêem-se confrontadas com novas situações no seu ministério. Muitas áreas residenciais ficam quase vazias durante o dia, e o número de arrombamentos aumenta vertiginosamente. As pessoas têm medo. Em fins da década de 70 e início da de 80, houve uma nova onda de decretos que exigiam a solicitação de licença, a fim de controlar a movimentação de estranhos nas comunidades. Algumas cidades ameaçavam as Testemunhas de Jeová com prisão se não obtivessem licenças. Mas uma sólida base jurídica já havia sido estabelecida, de modo que se podia tentar lidar com os problemas fora do tribunal.

      Onde surgem dificuldades, os anciãos locais podem reunir-se com as autoridades da cidade a fim de encontrar uma solução. As Testemunhas de Jeová recusam-se firmemente a pedir permissão para realizar um trabalho que Deus ordenou que fosse feito, e a Constituição dos EUA, escorada por decisões da Suprema Corte, garante a liberdade de adoração e de imprensa que não é sujeita ao pagamento de nenhuma taxa como precondição. Mas as Testemunhas de Jeová entendem que as pessoas estão com medo, e talvez concordem em notificar a Polícia antes de começarem a dar testemunho numa determinada área, se necessário. Contudo, se não for possível nenhum acordo aceitável, um advogado da sede da Sociedade se corresponderá com autoridades locais explicando a obra das Testemunhas de Jeová, a lei constitucional que apóia seu direito de pregar, e sua capacidade de fazer valer tal direito por meio de ações federais contra a municipalidade e suas autoridades por dano a direitos civis.f

      Em alguns países tem sido necessário até mesmo recorrer à justiça a fim de reafirmar liberdades básicas há muito tidas como certas. Foi assim na Finlândia, em 1976, e de novo em 1983. Pretensamente para preservar a tranqüilidade dos moradores, uma série de regulamentos locais proibia o trabalho religioso que significasse ir de casa em casa. Contudo, foi salientado nos tribunais de Loviisa e de Rauma que a pregação de casa em casa é parte da religião das Testemunhas de Jeová e que o governo havia aprovado esse método de evangelização quando concedeu um alvará à associação religiosa das Testemunhas de Jeová. Mostrou-se também que muitos gostam das visitas das Testemunhas de Jeová e que seria um cerceio da liberdade banir tal atividade só porque nem todos a apreciam. Depois do final bem-sucedido desses casos, muitas cidades revogaram seus regulamentos neste respeito.

      Moldando a lei constitucional

      A atividade das Testemunhas de Jeová tem sido, em alguns países, um fator importante em moldar a lei. Todo estudante de Direito americano está bem ciente da contribuição feita pelas Testemunhas de Jeová à defesa dos direitos civis nos Estados Unidos. Refletindo o alcance dessa contribuição há artigos tais como: “A Dívida da Lei Constitucional para com as Testemunhas de Jeová”, publicado no Minnesota Law Review de março de 1944, e “Um Catalisador da Evolução da Lei Constitucional: As Testemunhas de Jeová na Suprema Corte”, publicado em University of Cincinnati Law Review, em 1987.

      As ações judiciais movidas pelas Testemunhas de Jeová compõem uma parte significativa da lei americana relacionada com a liberdade de religião, de expressão e de imprensa. Essas ações têm feito muito para preservar as liberdades não apenas das Testemunhas de Jeová mas também da inteira população. Num discurso na Universidade de Drake, Irving Dilliard, conhecido escritor e editor, disse: “Quer goste disso, quer não, as Testemunhas de Jeová fizeram mais para ajudar a preservar as nossas liberdades do que qualquer outro grupo religioso.”

      E sobre a situação no Canadá, o prefácio do livro O Estado e a Salvação — as Testemunhas de Jeová e Sua Luta pelos Direitos Civis (em inglês) declara: “As Testemunhas de Jeová ensinaram ao Estado, e ao povo canadense, qual deve ser a aplicação prática da proteção legal a grupos discordantes. Ademais, a . . . perseguição [contra as Testemunhas na província de Quebec] levou a uma série de ações judiciais que, nos anos 40 e 50, chegaram até a Suprema Corte do Canadá. Essas ações também deram uma importante contribuição às atitudes canadenses a respeito de direitos civis, e constituem o alicerce da jurisprudência sobre liberdades civis no Canadá hoje.” “Um dos resultados” da batalha jurídica das Testemunhas pela liberdade de adoração, explica o livro, “foi o longo processo de discussões e debates que levou à Declaração dos Direitos”, que é agora parte da lei básica do Canadá.

      Supremacia da lei de Deus

      Primariamente, contudo, o registro das ações jurídicas das Testemunhas de Jeová tem sido um testemunho à sua convicção de que a lei divina é suprema. Na raiz da posição que têm adotado está seu apreço da questão da soberania universal. Elas reconhecem a Jeová como único Deus verdadeiro e legítimo Soberano do Universo. Por conseguinte, têm adotado firmemente a posição de que quaisquer leis ou decisões de tribunal que venham a proibir fazer o que Jeová ordena que se faça são sem efeito e que a agência humana que venha a impor tais restrições extrapola sua autoridade. A sua posição é semelhante à dos apóstolos de Jesus Cristo, que declararam: “Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens.” — Atos 5:29.

      Com a ajuda de Deus, as Testemunhas de Jeová estão determinadas a pregar as boas novas do Reino de Deus em toda a Terra habitada, em testemunho a todas as nações, antes de vir o fim. — Mat. 24:14.

      [Nota(s) de rodapé]

      a O primeiro número foi de 1.º de outubro de 1919. A circulação dessa revista e de suas sucessoras, Consolação e Despertai!, tem sido extraordinária. Em 1992, a tiragem regular de Despertai! era de 13.110.000 exemplares, em 67 idiomas.

      b Como procedimento geral, quando levadas ao tribunal por causa do testemunho que davam, as Testemunhas de Jeová pediam revisão de seus processos em vez de pagar multas. Se ao recorrer se perdesse a causa, então, em vez de pagar a multa, elas iam para a cadeia, se a lei o facultasse. A persistente recusa das Testemunhas de pagar multas ajudou a desestimular algumas autoridades de continuarem a interferir com a sua atividade de dar testemunho. Ao passo que esse procedimento ainda pode ser seguido sob certas circunstâncias, A Sentinela de 1.º de outubro de 1975 mostrou que, em muitos casos, a multa poderia corretamente ser encarada como penalidade judicial, de modo que pagá-la não seria admissão de culpa, assim como ir para a cadeia não provaria a culpa da pessoa.

      c Lovell v. Cidade de Griffin, 303 U.S. 444 (1938).

      d Schneider v. Estado de Nova Jérsei (Cidade de Irvington), 308 U.S. 147 (1939).

      e 310 U.S. 296 (1940).

      f 297 Mass. 65 (1935). O caso envolvia um escolar de oito anos, cujo nome é corretamente grafado Carleton Nichols.

      g 302 U.S. 656 (1937) (da Geórgia).

      h 303 U.S. 624 (1938) (de Nova Jérsei).

      i 306 U.S. 621 (1939) (da Califórnia).

      j 306 U.S. 621 (1939) (de Massachusetts).

      k 310 U.S. 586 (1940). Walter Gobitas (grafia correta), o pai, junto com seus filhos William e Lillian, haviam recorrido ao tribunal para impedir que a junta de educação se recusasse a permitir às duas crianças freqüentar a escola pública de Minersville por não saudarem a bandeira nacional. Tanto o tribunal distrital como o tribunal regional de recursos decidiram em favor das Testemunhas de Jeová. Daí, a junta de educação levou o caso à Suprema Corte.

      l 316 U.S. 584 (1942).

      a 319 U.S. 105 (1943).

      b Durante o ano de 1943, petições e recursos em 24 demandas judiciais envolvendo Testemunhas de Jeová foram submetidas à Suprema Corte dos Estados Unidos.

      c 319 U.S. 624 (1943).

      d 319 U.S. 583 (1943)

      e De 1919 a 1988, petições e recursos num total de 138 processos envolvendo Testemunhas de Jeová foram levados à Suprema Corte americana. Cento e trinta desses casos foram submetidos pelas Testemunhas de Jeová; oito, por seus adversários em juízo. Em 67 casos a Suprema Corte recusou-se a revê-los porque, conforme ela encarava o assunto na ocasião, nenhuma importante questão constitucional ou estatutária federal havia sido suscitada. Em 47 dos casos que a Corte considerou, as decisões foram favoráveis às Testemunhas de Jeová.

      f Jane Monell v. Departamento de Serviços Sociais da Cidade de Nova Iorque, 436 U.S. 658 (1978).

      [Destaque na página 680]

      Proscrições governamentais contra as Testemunhas de Jeová foram impostas num país após outro.

      [Destaque na página 682]

      O caso foi encerrado, e o sacerdote saiu às pressas do tribunal, furioso!

      [Destaque na página 693]

      Algumas autoridades tornaram-se mais cautelosas ao cuidarem de casos envolvendo as Testemunhas de Jeová.

      [Quadro na página 684]

      Testemunho à Suprema Corte dos EUA

      Ao comparecer perante a Suprema Corte dos Estados Unidos como assistente jurídico no caso “Gobitis”, Joseph F. Rutherford, membro da Ordem dos Advogados de Nova Iorque e presidente da Sociedade Torre de Vigia, focalizou claramente a atenção na importância de submeter-se à soberania de Jeová Deus. Disse ele:

      “São testemunhas de Jeová os que dão testemunho em favor do nome do Deus Todo-Poderoso, cujo nome exclusivo é JEOVÁ. . . .

      “Chamo a atenção ao fato de que Jeová Deus, mais de seis mil anos atrás, prometeu estabelecer por meio do Messias um governo de justiça. Ele cumprirá essa promessa no devido tempo. Os fatos dos dias de hoje à luz das profecias indicam que isto está próximo. . . .

      “Deus, Jeová, é a única fonte da vida. Ninguém mais pode dar a vida. O Estado de Pensilvânia não pode dar a vida. O Governo americano não pode. Deus fez esta lei [proibindo a adoração de imagens], como disse Paulo, para salvaguardar Seu povo contra a idolatria. É uma coisa pequena, talvez se diga. Assim também foi o ato de Adão comer do fruto proibido. O importante não foi a maçã que Adão comeu, mas sim seu ato de desobedecer a Deus. A questão é se o homem obedecerá a Deus ou se obedecerá a uma instituição humana. . . .

      “Lembro a esta Corte (embora dificilmente seja necessário fazer isso) que no caso ‘Igreja v. Estados Unidos’ esta Corte sustentou que a América é uma nação cristã; e isto significa que a América tem de obedecer à lei divina. Significa também que esta Corte reconhece judicialmente o fato de que a lei de Deus é suprema. E se um homem conscienciosamente crê que a lei de Deus é suprema e conscienciosamente age de acordo com isso, nenhuma autoridade humana pode controlar a sua consciência ou interferir nela. . . .

      “Talvez se me permita trazer à atenção o seguinte: na abertura de toda sessão desta Corte o pregoeiro anuncia estas palavras: ‘Deus salve os Estados Unidos e esta honorável Corte.’ E eu digo agora, Deus salve esta honorável Corte de cometer um erro que levará este povo dos Estados Unidos a uma classe totalitária e destruirá todas as liberdades garantidas pela Constituição. Esta é uma questão sagrada para todo americano que ama a Deus e a Sua Palavra.”

      [Quadro na página 687]

      Preparação do caminho para a revogação

      Quando a Suprema Corte americana decidiu, em 1940, no caso “Distrito Escolar de Minersville v. Gobitis”, que se podia exigir que escolares saudassem a bandeira, oito dos nove juízes concordaram. Apenas o Juiz Stone discordou. Mas, dois anos depois, ao registrarem sua discordância no caso “Jones v. Opelika”, outros três juízes (Black, Douglas, e Murphy) aproveitaram a oportunidade para declarar que criam que o caso “Gobitis” havia sido decidido errado porque colocara a liberdade religiosa numa posição subordinada. Isto significava que quatro dos nove juízes estavam a favor de reverter a decisão no caso “Gobitis”. Dois dos outros cinco juízes que haviam rebaixado a liberdade religiosa se aposentaram. Dois novos juízes (Rutledge e Jackson) compunham a bancada quando o próximo caso de saudação à bandeira foi apresentado à Suprema Corte. Em 1943, em “Junta de Educação do Estado da Virgínia do Oeste v. Barnette”, ambos votaram em favor da liberdade religiosa em vez da saudação compulsória à bandeira. Assim, por 6 votos a 3, a Corte reverteu a posição que tomara em cinco casos anteriores (“Gobitis”, “Leoles”, “Hering”, “Gabrielli” e “Johnson”) que haviam sido levados a essa Corte.

      É interessante que o Juiz Frankfurter, na sua discordância no caso “Barnette”, tenha dito: “Como tem acontecido no passado, a Corte de tempos a tempos reverte a sua posição. Mas eu creio que nunca antes desses casos das Testemunhas de Jeová (exceto pequenos desvios subseqüentemente reconsiderados) essa Corte revogou decisões de modo a restringir os poderes do governo democrático.”

      [Quadro na página 688]

      “Uma antiga forma de evangelismo missionário”

      Em 1943, no caso “Murdock v. Pensilvânia”, a Suprema Corte dos Estados Unidos disse, entre outras coisas:

      “A distribuição manual de panfletos religiosos é uma antiga forma de evangelismo missionário — tão antiga como a história das impressoras. Tem sido uma força poderosa em vários movimentos religiosos no decorrer dos anos. Esta forma de evangelismo é utilizada hoje em larga escala por várias seitas religiosas cujos colportores levam o Evangelho a milhares e milhares de lares e buscam, através de visitas pessoais, ganhar adeptos para a sua fé. É mais do que pregar; é mais do que distribuição de literatura religiosa. É uma combinação de ambos. Seu objetivo é tão evangélico como o é a reunião de reavivamento. Esta forma de atividade religiosa ocupa a mesma posição de destaque sob a Primeira Emenda que a adoração nas igrejas e a pregação dos púlpitos. Tem o mesmo direito de proteção que as atividades de religião mais ortodoxas e convencionais. Tem também o mesmo direito que as outras às garantias de liberdade de expressão e liberdade de imprensa.”

      [Quadro na página 690]

      “Direitos iguais para todos”

      Sob o cabeçalho acima, uma colunista canadense bem conhecida na época, escreveu em 1953: “Uma grande fogueira na sede do Parlamento devia comemorar a decisão da Suprema Corte do Canadá no caso Saumur [que fora levado à Corte pelas Testemunhas de Jeová]; uma fogueira digna de uma grande ocasião. Poucas decisões na história da justiça canadense terão sido mais importantes. Poucos tribunais terão prestado melhor serviço do que este ao Canadá. Nenhum deles deixou os canadenses que prezam a sua herança de liberdade tão profundamente endividados. . . . Não há fogueiras que possam comemorar dignamente essa libertação.”

      [Quadro na página 694]

      Firme declaração ao Estado nazista

      Em 7 de outubro de 1934, a seguinte carta foi enviada ao governo alemão por todas as congregações das Testemunhas de Jeová na Alemanha:

      “ÀS AUTORIDADES GOVERNAMENTAIS:

      “A Palavra de Jeová Deus, conforme delineada na Bíblia Sagrada, é a lei suprema, e, para nós, é nosso único guia, por motivo de nos termos devotado a Deus e sermos seguidores verdadeiros e sinceros de Cristo Jesus.

      “No ano passado, e contrário à lei de Deus e em violação de nossos direitos, proibiram-nos, como testemunhas de Jeová, de nos reunirmos para estudar a Palavra de Deus e adorá-lo e servi-lo. Em sua Palavra, ele nos ordena que não deixemos de nos reunir. (Hebreus 10:25) A nós, Jeová ordena: ‘Vós sois minhas testemunhas de que eu sou Deus. Ide e falai ao povo a minha mensagem.’ (Isaías 43:10, 12; Isaías 6:9; Mateus 24:14) Há um conflito direto entre a sua lei e a lei de Deus, e, seguindo a orientação dos fiéis apóstolos, ‘devemos obedecer a Deus antes que aos homens’, e isto faremos. (Atos 5:29) Por conseguinte, esta tem por fim avisá-los de que, a todo custo, obedeceremos aos mandamentos de Deus, vamos reunir-nos para o estudo de sua Palavra, e iremos adorá-lo e servi-lo conforme Ele ordenou. Se o seu governo ou suas autoridades nos causarem violência, porque obedecemos a Deus, então nosso sangue ficará sobre os senhores e terão de responder perante o Deus Onipotente.

      “Não temos interesse algum nos assuntos políticos, mas estamos inteiramente devotados ao reino de Deus sob Cristo, seu Rei. Não faremos dano nem prejudicaremos a ninguém. Nosso prazer seria ficar em paz e fazer o bem a todos os homens conforme tivéssemos oportunidade, mas, visto que seu governo e as autoridades dele continuam em sua tentativa de nos forçar a desobedecer à mais alta lei do universo, vemo-nos obrigados a lhes avisar agora que iremos, por Sua graça, obedecer a Jeová Deus e confiar plenamente nele para nos livrar de toda opressão e de todos os opressores.”

      [Quadro na página 697]

      Testemunhas sob proscrição declaram explicitamente sua posição

      A organização das Testemunhas de Jeová foi colocada sob proscrição governamental no Canadá, em 1940. Houve depois disso mais de 500 instaurações de processos. Que defesa podiam as Testemunhas oferecer? Respeitosa, mas firmemente, elas fizeram declarações à Corte nas seguintes linhas gerais:

      ‘Não preciso desculpar-me por ter oferecido esses livros. Eles ensinam o caminho à vida eterna. Creio sinceramente que explicam o propósito do Deus Todo-Poderoso de estabelecer um Reino de justiça na Terra. Para mim, têm sido a maior bênção da minha vida. Na minha opinião, seria um pecado contra o Todo-Poderoso destruir esses livros, e a mensagem de Deus que eles contêm, assim como seria pecado queimar a própria Bíblia. Toda pessoa tem de escolher se arriscará ter a desaprovação de homens ou a desaprovação do Deus Todo-Poderoso. De minha parte, tomei posição ao lado do Senhor e de seu Reino, e procuro honrar o nome do Altíssimo, que é Jeová, e se eu vier a ser penalizado por isso, há uma responsabilidade perante Deus a ser assumida pelos que impuserem a penalidade.’

      [Quadro na página 698]

      Como membros do governo canadense viam o assunto

      Seguem algumas declarações de membros da Câmara dos Comuns canadense, feitas em 1943 ao instarem o Ministro da Justiça a remover a proscrição contra as Testemunhas de Jeová e suas sociedades jurídicas:

      “Não se apresentou perante a comissão nenhuma evidência da parte do departamento de justiça que indicasse que em algum tempo as Testemunhas de Jeová devessem ter sido declaradas uma organização ilegal . . . É uma desonra para o Domínio do Canadá que pessoas devam ser processadas por suas convicções religiosas da maneira como esses desafortunados têm sido.” “Na minha opinião, o que mantém a proscrição é óbvio e puro preconceito religioso.” — Sr. Angus MacInnis.

      “A experiência da maioria de nós é que são pessoas inofensivas, destituídas de qualquer intenção de causar dano ao Estado. . . . Por que a proscrição não foi sustada? Não pode ser devido a temor que essa organização seja prejudicial ao bem-estar do Estado, ou que suas ações sejam subversivas ao esforço de guerra. Jamais houve sequer a mais leve evidência de que este seja o caso.” — Sr. John G. Diefenbaker.

      “Realmente faz a pessoa se perguntar se a ação contra as Testemunhas de Jeová é na maior parte devido à sua atitude para com os católicos-romanos, em vez de sua atitude de natureza subversiva.” — Sr. Victor Quelch.

      [Quadro na página 699]

      “Serviço à causa da liberdade religiosa”

      “Não seria justo terminar esse breve levantamento das dificuldades das Testemunhas de Jeová com o Estado sem mencionar o serviço à causa da liberdade religiosa sob a nossa Constituição que foi prestado em resultado da persistência delas. Nos anos recentes, elas têm ocupado o tempo dos tribunais mais do que qualquer outro grupo religioso, e têm sido vistas pelo público como de mentalidade estreita, mas elas têm sido fiéis às suas convicções conscienciosas e, em resultado disso, as cortes federais têm feito uma série de decisões que têm assegurado e ampliado as garantias de liberdade religiosa dos cidadãos americanos, e têm protegido e expandido suas liberdades civis. Cerca de trinta e um casos nos quais estavam envolvidas chegaram à Suprema Corte nos cinco anos de 1938 a 1943, e as decisões nestes e em casos posteriores deram um grande impulso à causa das liberdades da Carta dos Direitos em geral, e à proteção da liberdade religiosa em particular.” — “Church and State in the United States”, de Anson Phelps Stokes, Volume III, 1950, página 546.

      [Quadro/Fotos nas páginas 700, 701]

      Regozijo com sua liberdade de adoração

      Em muitos países em que as Testemunhas de Jeová não tinham plena liberdade religiosa no passado, elas agora se reúnem abertamente para adoração e partilham com outros, sem restrições, as boas novas do Reino de Deus.

      Quebec, Canadá

      Na década de 40, as poucas Testemunhas aqui em Châteauguay foram atacadas por uma turba. Em 1992, mais de 21.000 Testemunhas na província de Quebec reuniam-se livremente em seus Salões do Reino.

      S. Petersburgo, Rússia

      Em 1992, 3.256 pessoas apresentaram-se para o batismo no primeiro congresso internacional das Testemunhas de Jeová na Rússia.

      Palma, Espanha

      Depois de as Testemunhas de Jeová na Espanha receberem reconhecimento legal em 1970, grandes letreiros de locais de reunião refletiam sua alegria de poderem reunir-se abertamente.

      Tartu, Estônia

      As Testemunhas de Jeová na Estônia são gratas de receberem publicações bíblicas sem impedimento, desde 1990.

      Maputo, Moçambique

      Um ano após as Testemunhas de Jeová serem reconhecidas legalmente aqui, em 1991, mais de 50 congregações de entusiásticas Testemunhas efetuavam seu ministério na capital e nas redondezas.

      Cotonou, Benin

      Ao chegarem para uma reunião, em 1990, muitos se surpreenderam com uma faixa que dava boas-vindas publicamente às Testemunhas de Jeová. Ficaram sabendo então que a proscrição à sua adoração fora sustada.

      Praga, Tchecoslováquia

      Abaixo, alguns dos que serviram a Jeová sob proscrição governamental durante 40 anos. Em 1991, eles se alegraram de se reunir num congresso internacional das Testemunhas de Jeová, em Praga.

      Luanda, Angola

      Quando a proscrição foi sustada em 1992, mais de 50.000 pessoas e famílias aceitaram estudar a Bíblia com as Testemunhas de Jeová.

      Kiev, Ucrânia

      As reuniões neste país (muitas vezes em salões alugados) têm boa assistência, especialmente desde que as Testemunhas de Jeová receberam reconhecimento legal em 1991.

      [Fotos na página 679]

      Em 138 processos envolvendo Testemunhas de Jeová, recursos e petições foram levados à Suprema Corte dos EUA. Em 111 destes, de 1939 a 1963, Hayden Covington (visto aqui) serviu como advogado.

      [Foto na página 681]

      Maurice Duplessis, primeiro-ministro de Quebec, ajoelhando-se publicamente perante o Cardeal Villeneuve, em fins da década de 30, e colocando um anel em seu dedo como evidência dos laços íntimos entre a Igreja e o Estado. Em Quebec, a perseguição contra as Testemunhas de Jeová foi especialmente intensa.

      [Foto na página 683]

      W. K. Jackson, que era membro do departamento jurídico da sede da Sociedade, serviu por dez anos como membro do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová.

      [Foto na página 685]

      Rosco Jones, cujo processo envolvendo o ministério das Testemunhas de Jeová foi duas vezes à Suprema Corte dos EUA.

      [Fotos na página 686]

      Juízes da Suprema Corte dos EUA que, numa votação de 6 a 3 no caso “Barnette”, rejeitaram a saudação compulsória à bandeira em favor da liberdade de adoração. Isto reverteu a decisão anterior da própria Corte no caso “Gobitis”.

      Crianças envolvidas nos processos

      Lillian e William Gobitas

      Marie e Gathie Barnette

      [Foto na página 689]

      Aimé Boucher, inocentado pela Suprema Corte do Canadá numa decisão que rejeitou as acusações de sedição contra as Testemunhas de Jeová.

      [Foto na página 691]

      Este tratado, em três idiomas, informou a todos no Canadá a respeito das atrocidades cometidas contra as Testemunhas de Jeová em Quebec.

      [Foto na página 692]

      Tornou-se necessário ensinar procedimentos jurídicos às Testemunhas de Jeová, para que pudessem lidar com a oposição ao seu ministério; estas são algumas das publicações jurídicas que usaram.

  • De que maneira escolhidas e dirigidas por Deus
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 31

      De que maneira escolhidas e dirigidas por Deus

      “É SOMENTE lógico que haja uma só religião verdadeira. Isto se harmoniza com o fato de que o verdadeiro Deus é um Deus não ‘de desordem, mas de paz’. (1 Coríntios 14:33) A Bíblia diz que existe realmente ‘uma só fé’. (Efésios 4:5) Quem, então, são os que formam o corpo de verdadeiros adoradores hoje? Não hesitamos em dizer que são as Testemunhas de Jeová”, diz o livro Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra.a

      ‘Como podem ter tanta certeza de que praticam a religião verdadeira?’ alguns talvez perguntem. ‘Não dispõem de evidência sobrenatural — como dons milagrosos. E não tiveram de fazer ajustes ao longo dos anos em seus conceitos e ensinos? Como, então, podem estar tão certos de que são dirigidos por Deus?’

      Para responder a essas perguntas, é útil considerar primeiro como Jeová escolheu e dirigiu seu povo no passado.

      A escolha de Deus nos tempos bíblicos

      No século 16 AEC, Jeová reuniu os israelitas junto ao monte Sinai e os convidou a se tornarem seu povo escolhido. Primeiro, porém, Jeová os informou de que teriam de cumprir requisitos específicos. Ele lhes disse: “Se obedecerdes estritamente à minha voz . . ., então vos haveis de tornar minha propriedade especial.” (Êxo. 19:5) Por meio de Moisés, Jeová apresentou claramente os requisitos, após o que o povo respondeu: “Todas as palavras que Jeová falou estamos dispostos a fazer.” Jeová então selou um pacto com Israel e lhe deu sua Lei. — Êxo. 24:3-8, 12.

      Escolhidos por Deus — que espantoso privilégio! Mas esse privilégio trouxe sobre Israel a responsabilidade de obedecer estritamente à Lei de Deus. Não fazer isso resultaria em sua rejeição como nação. A fim de instilar neles temor salutar para que o obedecessem, Jeová causou espetaculares sinais sobrenaturais — “começou a haver trovões e relâmpagos”, e “todo o monte tremia muitíssimo”. (Êxo. 19:9, 16-18; 20:18, 20) Nos cerca de 1.500 anos seguintes, os israelitas estiveram numa posição ímpar — eram o povo escolhido de Deus.

      No primeiro século EC, porém, a situação mudou drasticamente. Israel perdeu sua posição privilegiada, sendo repudiado por Jeová por ter rejeitado seu Filho. (Mat. 21:43; 23:37, 38; Atos 4:24-28) Jeová fez surgir então a primitiva congregação cristã, fundada em Cristo. Em Pentecostes de 33 EC, Jeová derramou seu espírito santo sobre os seguidores de Jesus em Jerusalém, constituindo-os “raça escolhida, . . . nação santa, povo para propriedade especial”. (1 Ped. 2:9; Atos 2:1-4; Efé. 2:19, 20) Tornaram-se “escolhidos de Deus”. — Col. 3:12.

      Para ser membro dessa nação escolhida era preciso satisfazer certas condições. Jeová estabeleceu estritos requisitos morais e espirituais a ser cumpridos. (Gál. 5:19-24) Os que se harmonizavam com os requisitos candidatavam-se a ser escolhidos por ele. Uma vez escolhidos por Deus, porém, era vital que continuassem obedientes a suas leis. Só os ‘que obedecessem a ele como governante’ continuariam a receber seu espírito santo. (Atos 5:32) Os que não lhe obedecessem correriam perigo de ser expulsos da congregação e de perder sua herança no Reino de Deus. — 1 Cor. 5:11-13; 6:9, 10.

      Mas como é que os outros ficariam sabendo com certeza que Deus havia escolhido aquela primitiva congregação cristã para substituir Israel como “a congregação de Deus”? (Atos 20:28) A escolha de Deus era evidente. Depois da morte de Jesus, Deus concedeu dons milagrosos aos membros da primitiva congregação cristã para mostrar que haviam passado a ser os escolhidos de Deus. — Heb. 2:3, 4.

      Será que sinais sobrenaturais, ou milagres, sempre foram necessários para identificar os que eram escolhidos e dirigidos por Deus nos tempos bíblicos? Não, de forma alguma. Obras milagrosas não eram ocorrência comum na história bíblica. A maioria das pessoas dos tempos bíblicos nunca viu um milagre. A maioria dos milagres registrados na Bíblia ocorreu nos dias de Moisés e Josué (séculos 16 e 15 AEC), Elias e Eliseu (10.º e 9.º séculos AEC) e Jesus e seus apóstolos (1.º século EC). Outros fiéis, escolhidos por Deus para objetivos específicos, como Abraão e Davi, observaram ou vivenciaram demonstrações do poder de Deus, mas não há evidência de que eles mesmos tenham realizado milagres. (Gên. 18:14; 19:27-29; 21:1-3; compare com 2 Samuel 6:21; Neemias 9:7.) Quanto aos dons milagrosos do primeiro século, a Bíblia predisse que ‘seriam eliminados’. (1 Cor. 13:8) E isso aconteceu após a morte do último dos 12 apóstolos e daqueles que haviam recebido os dons milagrosos por seu intermédio. — Compare com Atos 8:14-20.

      Que dizer da escolha de Deus hoje?

      Depois do primeiro século, a predita apostasia desenvolveu-se sem restrições. (Atos 20:29, 30; 2 Tes. 2:7-12) Por muitos séculos, a lâmpada do genuíno cristianismo teve bem pouco brilho. (Compare com Mateus 5:14-16.) No entanto, Jesus indicou numa ilustração que na ‘terminação do sistema de coisas’ haveria uma distinção clara entre “o trigo” (os genuínos cristãos) e “o joio” (os cristãos de imitação). O trigo, ou “os escolhidos”, seriam reunidos numa única genuína congregação cristã, como no primeiro século. (Mat. 13:24-30, 36-43; 24:31) Jesus também descreveu os membros ungidos dessa congregação como “o escravo fiel e discreto” e indicou que no tempo do fim eles dispensariam alimento espiritual. (Mat. 24:3, 45-47) A esse escravo fiel se juntaria uma “grande multidão” de genuínos adoradores que sairiam de todas as nações. — Rev. 7:9, 10; compare com Miquéias 4:1-4.

      Como seriam identificados os genuínos adoradores que vivessem no tempo do fim? Estariam sempre certos, seria infalível seu critério? Os apóstolos de Jesus não estavam acima de correção. (Luc. 22:24-27; Gál. 2:11-14) Como os apóstolos, os genuínos seguidores de Cristo nos nossos dias têm de ser humildes, dispostos a aceitar disciplina e, quando necessário, a fazer ajustes, para fazer com que sua maneira de pensar se harmonize cada vez mais com a de Deus. — 1 Ped. 5:5, 6.

      Quando o mundo entrou nos últimos dias em 1914, que grupo se mostrou a única genuína organização cristã? A cristandade tinha uma abundância de igrejas que diziam representar a Cristo. Mas a pergunta é: qual delas, se é que havia alguma, satisfazia os requisitos bíblicos?

      A única genuína congregação cristã teria de ser uma organização que se apega à Bíblia como autoridade principal, não que cita versículos dispersos, rejeitando os demais quando não se harmonizam com sua teologia contemporânea. (João 17:17; 2 Tim. 3:16, 17) Teria de ser uma organização cujos membros — não alguns, mas todos — realmente não fazem parte do mundo, imitando a Cristo. Portanto, como poderiam envolver-se na política, como as igrejas da cristandade têm feito repetidas vezes? (João 15:19; 17:16) A genuína organização cristã teria de dar testemunho do nome divino, Jeová, e fazer a obra que Jesus ordenou — a pregação das boas novas do Reino de Deus. Como a congregação do primeiro século, não só alguns, mas todos os seus membros seriam evangelizadores de toda a alma. (Isa. 43:10-12; Mat. 24:14; 28:19, 20; Col. 3:23) Os genuínos adoradores também seriam conhecidos pelo amor abnegado de uns pelos outros, um amor que transcenderia barreiras raciais e nacionais e os uniria numa fraternidade mundial. Esse amor teria de ser manifestado, não apenas em casos isolados, mas de maneira tal que realmente os distinguiria como organização. — João 13:34, 35.

      É óbvio que, quando o tempo do fim começou em 1914, nenhuma das igrejas da cristandade estava à altura dessas normas bíblicas para a única genuína congregação cristã. Mas que dizer dos Estudantes da Bíblia, como as Testemunhas de Jeová então eram conhecidas?

      Uma busca produtiva da verdade

      Ainda jovem, C. T. Russell chegou à conclusão de que a Bíblia fora muito mal-representada pela cristandade. Acreditava também que era tempo de a Palavra de Deus ser entendida e que aqueles que estudassem sinceramente a Bíblia e a aplicassem na vida adquiririam entendimento.

      Uma biografia de Russell, publicada pouco depois de sua morte, explicou: “Ele não fundou uma nova religião, e nunca afirmou ter feito isso. Restabeleceu as grandes verdades ensinadas por Jesus e pelos Apóstolos, e voltou a luz do século vinte sobre elas. Não alegou ter revelação especial de Deus, mas sustentou que era o tempo devido de Deus para a Bíblia ser entendida e que, estando ele plenamente consagrado ao Senhor e ao Seu serviço, teve permissão de entendê-la. Por se dedicar ao desenvolvimento dos frutos e graças do Espírito Santo, a promessa do Senhor foi cumprida nele: ‘Porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo.’ — 2 Pedro 1:5-8.” — The Watch Tower (A Sentinela), 1.º de dezembro de 1916, p. 356.

      A busca de entendimento bíblico por parte de C. T. Russell e seus associados foi produtiva. Como amantes da verdade, criam que a Bíblia é a Palavra inspirada de Deus. (2 Tim. 3:16, 17) Rejeitaram as idéias evolucionistas de Darwin e os conceitos que destruíam a fé preconizados por altos críticos da Bíblia. Aceitando as Escrituras como autoridade suprema, rejeitaram também como não-bíblicos os ensinos da Trindade, imortalidade da alma e tormento eterno — doutrinas com raízes religiosas pagãs. Entre as “grandes verdades” que aceitaram estavam as de que Jeová é o Criador de todas as coisas, de que Jesus Cristo é o Filho de Deus, que deu sua vida como resgate por outros, e de que, ao voltar, Jesus estaria invisivelmente presente como criatura espiritual. (Mat. 20:28; João 3:16; 14:19; Rev. 4:11) Entenderam também claramente que o homem é uma alma mortal. — Gên. 2:7; Eze. 18:20.

      Não é que os Estudantes da Bíblia associados com Russell descobrissem todas essas verdades; muitas haviam sido entendidas antes por pessoas sinceras que professavam ser cristãos, algumas das quais até defenderam suas convicções quando essas crenças não eram populares. Mas será que essas pessoas se harmonizavam com todos os requisitos bíblicos da adoração verdadeira? Por exemplo, será que realmente não faziam parte do mundo, como Jesus disse que seria o caso de seus genuínos seguidores?

      Além do seu conceito sobre a Bíblia, em que outros aspectos os primeiros Estudantes da Bíblia associados com Russell se distinguiam? Certamente no zelo que manifestavam em partilhar suas crenças com outros, com ênfase especial na proclamação do nome e do Reino de Deus. Embora fossem relativamente poucos, eles rapidamente penetraram em grande número de terras com as boas novas. Será que realmente também não faziam parte do mundo, como seguidores de Cristo? Em alguns aspectos, sim. Mas sua compreensão da responsabilidade envolvida nisso tem aumentado desde a Primeira Guerra Mundial, tendo isso se tornado uma notável característica das Testemunhas de Jeová. Não se deve desconsiderar que, enquanto outros grupos religiosos aclamavam a Liga das Nações e, depois, as Nações Unidas, as Testemunhas de Jeová proclamavam o Reino de Deus — não alguma organização humana — como a única esperança da humanidade.

      Mas não sofreram algumas crenças das Testemunhas de Jeová ajustes ao longo dos anos? Se elas eram realmente escolhidas e dirigidas por Deus e se seus ensinos eram apoiados pela autoridade bíblica, por que foram necessárias essas mudanças?

      Como Jeová conduz seu povo

      Aqueles que compõem a única genuína organização cristã hoje não recebem revelações angélicas nem inspiração divina. Mas contam com as inspiradas Escrituras Sagradas, que contêm revelações dos pensamentos e da vontade de Deus. Como organização e individualmente, têm de aceitar a Bíblia como verdade divina, estudá-la meticulosamente e deixar que ela opere neles. (1 Tes. 2:13) Mas como chegam ao entendimento correto da Palavra de Deus?

      A própria Bíblia diz: “Não pertencem a Deus as interpretações?” (Gên. 40:8) Se no seu estudo das Escrituras determinada passagem é difícil de entender, têm de procurar outras passagens inspiradas que elucidem o assunto. Assim, deixam que a Bíblia interprete a si mesma, e à base disso procuram entender o “modelo” da verdade apresentado na Palavra de Deus. (2 Tim. 1:13) Jeová os conduz ou guia a esse entendimento por meio de seu espírito santo. Mas, para ter a orientação desse espírito, eles têm de cultivar seus frutos, não o contristar nem trabalhar contra ele, e ser sensíveis a suas indicações. (Gál. 5:22, 23, 25; Efé. 4:30) Ademais, aplicando zelosamente o que aprendem, edificam sua fé, como base para obterem entendimento cada vez mais claro de como têm de fazer a vontade de Deus no mundo de que não fazem parte. — Luc. 17:5; Fil. 1:9, 10.

      Jeová sempre conduziu seu povo a um entendimento mais claro de sua vontade. (Sal. 43:3) Sua maneira de guiá-lo pode ser ilustrada assim: se a pessoa ficou numa sala escura por muito tempo, não é melhor que seja exposta à luz gradativamente? Jeová tem exposto seu povo à luz da verdade de maneira similar; tem-lhe dado esclarecimento progressivamente. (Compare com João 16:12, 13.) Tem sido como diz o provérbio: “A vereda dos justos é como a luz clara que clareia mais e mais até o dia estar firmemente estabelecido.” — Pro. 4:18.

      Os tratos de Jeová com seus servos escolhidos nos tempos bíblicos confirmam que o entendimento claro de sua vontade e propósitos muitas vezes vem gradativamente. Assim, Abraão não entendeu plenamente como se desenrolaria o propósito de Jeová com relação ao “descendente [lit.: semente]”. (Gên. 12:1-3, 7; 15:2-4; compare com Hebreus 11:8.) Daniel não compreendeu o desenrolar final das profecias que registrou. (Dan. 12:8, 9) Jesus, quando esteve na Terra, admitiu que não sabia o dia e a hora em que o atual sistema acabará. (Mat. 24:36) Os apóstolos a princípio não entenderam que o Reino de Jesus seria celestial, que não seria estabelecido no primeiro século e que até gentios poderiam herdá-lo. — Luc. 19:11; Atos 1:6, 7; 10:9-16, 34, 35; 2 Tim. 4:18; Rev. 5:9, 10.

      Não nos deve surpreender que também nos tempos modernos Jeová muitas vezes tenha conduzido seu povo como organização progressiva, gradativamente esclarecendo-lhes verdades bíblicas. Não são as verdades em si que mudam. A verdade permanece a verdade. A vontade e o propósito de Jeová apresentados na Bíblia permanecem inalterados. (Isa. 46:10) Mas o entendimento do povo de Deus sobre essas verdades fica progressivamente mais claro “no tempo apropriado”, no tempo devido de Jeová. (Mat. 24:45; compare com Daniel 12:4, 9.) Às vezes, devido a erros humanos ou a zelo mal-orientado, seu ponto de vista talvez precise de ajustes.

      Por exemplo, em várias ocasiões na história moderna das Testemunhas de Jeová seu zelo e entusiasmo pela vindicação da soberania de Jeová causaram expectativas prematuras sobre quando viria o fim do sistema iníquo de Satanás. (Eze. 38:21-23) Mas Jeová não revelou de antemão o momento exato. (Atos 1:7) Assim, o povo de Jeová teve de ajustar seus conceitos nesse respeito.

      Esses ajustes de ponto de vista não significam que o propósito de Deus tenha mudado. Nem sugerem que o fim deste sistema esteja necessariamente muito distante. Ao contrário, o cumprimento de profecias bíblicas a respeito da “terminação do sistema de coisas” confirma a proximidade do fim. (Mat. 24:3) Bem, será que as Testemunhas de Jeová já terem tido expectativas prematuras significa que não são dirigidas por Deus? Não, como tampouco a pergunta dos discípulos sobre a iminência do Reino em seus dias significava que não eram escolhidos e dirigidos por Deus! — Atos 1:6; compare com Atos 2:47; 6:7.

      Por que as Testemunhas de Jeová têm tanta certeza de que praticam a religião verdadeira? Porque crêem e aceitam o que a Bíblia diz sobre os sinais que identificam os genuínos adoradores. Sua história moderna, apresentada nos capítulos anteriores desse livro, mostra que, não só em base individual, mas também como organização, elas satisfazem os requisitos: defendem lealmente a Bíblia como a sagrada Palavra da verdade de Deus (João 17:17); mantêm-se inteiramente separadas dos assuntos do mundo (Tia. 1:27; 4:4); dão testemunho do nome divino, Jeová, e proclamam o Reino de Deus como única esperança da humanidade (Mat. 6:9; 24:14; João 17:26); e amam genuinamente uns aos outros. — João 13:34, 35.

      Por que o amor é um notável sinal identificador dos adoradores do verdadeiro Deus? Que tipo de amor é esse que identifica os genuínos cristãos?

      [Nota(s) de rodapé]

      a Publicado pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados.

      [Destaque na página 705]

      Uma vez escolhidos por Deus, era vital que continuassem obedientes a suas leis.

      [Destaque na página 706]

      Como seriam identificados os genuínos adoradores no tempo do fim?

      [Destaque na página 707]

      “Não alegou ter revelação especial de Deus.”

      [Destaque na página 708]

      Deixam que a Bíblia interprete a si mesma.

      [Destaque na página 709]

      Jeová tem conduzido seu povo como organização progressiva, gradativamente esclarecendo-lhe verdades bíblicas.

  • “Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos”
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 32

      “Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos”

      ERA 14 de nisã de 33 EC, a última noite da vida terrestre de Jesus. Ele sabia que sua morte estava próxima, mas não pensava em si mesmo. Em vez disso, aproveitou a oportunidade para encorajar seus discípulos.

      Jesus sabia que não seria fácil para eles depois de sua partida. Seriam “pessoas odiadas por todas as nações” por causa do seu nome. (Mat. 24:9) Satanás procuraria dividi-los e corrompê-los. (Luc. 22:31) Devido à apostasia, surgiriam cristãos de imitação. (Mat. 13:24-30, 36-43) E, ‘por causa do aumento do que é contra a lei, o amor da maioria se esfriaria’. (Mat. 24:12) Diante de tudo isso, o que uniria seus genuínos discípulos? Acima de tudo, seu amor a Jeová serviria de vínculo unificador para eles. (Mat. 22:37, 38) Mas teriam também de amar uns aos outros e fazê-lo de tal modo que isso os distinguisse do resto do mundo. (Col. 3:14; 1 João 4:20) Que tipo de amor, disse Jesus, identificaria claramente seus genuínos seguidores?

      Naquela última noite, Jesus lhes deu a seguinte ordem: “Eu vos dou um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.” (João 13:34, 35) Jesus falou do amor mais de 20 vezes naquela noite. E três vezes ele deu a ordem de que ‘amassem uns aos outros’. (João 15:12, 17) É óbvio que Jesus não pensava apenas nos seus 11 apóstolos fiéis que estavam com ele naquela noite, mas em todos os que com o tempo aceitariam o genuíno cristianismo. (Compare com João 17:20, 21.) A ordem de amar uns aos outros vigoraria para os genuínos cristãos “todos os dias, até a terminação do sistema de coisas”. — Mat. 28:20.

      Mas será que Jesus queria dizer que qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo que mostrasse bondade e amor ao próximo seria identificada como um dos seus genuínos discípulos?

      ‘Tende amor entre vós’

      Naquela mesma noite, Jesus também teve muito a dizer sobre união. “Permanecei em união comigo”, disse a seus discípulos. (João 15:4) Pediu em oração que todos os seus seguidores ‘fossem um’, e acrescentou: “Assim como tu, Pai, estás em união comigo e eu estou em união contigo, para que eles também estejam em união conosco.” (João 17:21) Nesse contexto ele lhes ordenou: ‘Tende amor entre vós.’ (João 13:35) Portanto, seu amor não seria expresso apenas a uns poucos amigos íntimos ou dentro duma única congregação. Repercutindo as palavras de Jesus, o apóstolo Pedro mais tarde escreveu: “Tende amor à associação inteira dos irmãos [ou ‘fraternidade’].” (1 Ped. 2:17, Kingdom Interlinear; compare com 1 Pedro 5:9.) Assim, eles seriam uma fraternidade achegada, mundial. Dever-se-ia mostrar amor especial a todos na família mundial de crentes porque seriam considerados irmãos.

      Como se manifestaria esse amor? O que seria tão característico, tão diferente, em seu amor uns pelos outros a ponto de outros verem nisso clara evidência do genuíno cristianismo?

      “Como eu vos amei”

      “Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo”, dizia a Lei de Deus a Israel mais de 1.500 anos antes de Jesus viver na Terra. (Lev. 19:18) Esse amor ao próximo, porém, não era o tipo de amor que distinguiria os seguidores de Jesus. Jesus tinha em mente um amor que ultrapassaria muito o amar a outros como a si mesmo.

      A ordem de amar uns aos outros, como Jesus disse, era “um novo mandamento”. Novo, não por ser mais recente do que a Lei mosaica, mas novo na amplitude que o amor alcançaria. ‘Amai uns aos outros’ “assim como eu vos amei”, explicou Jesus. (João 13:34) Seu amor por seus discípulos era forte, constante. Era amor abnegado. Ele demonstrava isso fazendo mais do que apenas algumas coisas boas em benefício deles. Alimentava-os espiritualmente e, quando necessário, cuidava de suas necessidades materiais. (Mat. 15:32-38; Mar. 6:30-34) E, como prova suprema de seu amor, deu a vida por eles. — João 15:13.

      Esse é o notável tipo de amor que o “novo mandamento” requer, o amor que os genuínos seguidores de Jesus teriam uns pelos outros. (1 João 3:16) Quem hoje dá prova clara de que obedece o “novo mandamento”? As evidências já apresentadas neste livro apontam inequivocamente para uma única associação mundial de cristãos.

      São conhecidos, não por um tipo peculiar de roupa ou costumes incomuns, mas pelo vínculo forte e caloroso entre si. Têm a reputação de demonstrar amor que transcende diferenças raciais e fronteiras nacionais. São conhecidos por se recusarem a lutar uns contra os outros mesmo quando as nações em que vivem vão à guerra. Outras pessoas ficam impressionadas diante de como eles ajudam uns aos outros em tempos de adversidade, como quando ocorrem calamidades naturais ou quando membros de sua fraternidade são perseguidos por manterem integridade a Deus. Dispõem-se a suportar dificuldades ou enfrentar perigos para ajudar seus irmãos por quem Cristo entregou a vida. Sim, estão dispostos a morrer uns pelos outros. O amor que demonstram é ímpar num mundo de crescente egoísmo. São as Testemunhas de Jeová.a

      Um exemplo desse amor em ação foi visto após o furacão Andrew, que atingiu a costa da Flórida, EUA, nas primeiras horas da manhã de segunda-feira, dia 24 de agosto de 1992. Em seu rastro, umas 250.000 pessoas ficaram desabrigadas. Entre as vítimas havia milhares de Testemunhas de Jeová. Quase imediatamente o Corpo Governante das Testemunhas de Jeová designou uma comissão de socorro e providenciou fundos de socorro. Superintendentes cristãos na área atingida contataram rapidamente as Testemunhas para verificar quais eram suas necessidades e prestar ajuda. Já na manhã de segunda-feira, o dia da tempestade, Testemunhas da Carolina do Sul, a centenas de quilômetros, enviaram para a área da calamidade um caminhão carregado de geradores, motosserras e água potável. Na terça-feira, junto com mais suprimentos que haviam sido doados, centenas de voluntários de outras cidades chegaram para ajudar os irmãos locais a consertar os Salões do Reino e casas. Sobre o trabalho de socorro, uma senhora que não é Testemunha de Jeová que morava perto dum Salão do Reino comentou: “Esse realmente tem de ser o amor cristão de que a Bíblia fala.”

      Será que esse amor diminuiria depois de um ou dois gestos de bondade? Seria dirigido apenas a pessoas da mesma raça ou nacionalidade? Certamente não! Em resultado de instáveis condições políticas e econômicas no Zaire, em 1992 mais de 1.200 Testemunhas ali perderam sua casa e todos os pertences. Outras Testemunhas no Zaire acudiram-nas rapidamente. Embora elas mesmas estivessem passando por muitas privações, também partilharam com refugiados do Sudão que haviam entrado no Zaire. Logo chegaram suprimentos de socorro da África do Sul e da França; incluíam fubá, peixe salgado e medicamentos — itens que eles poderiam realmente usar. Providenciou-se ajuda vez após vez, conforme exigiam as condições. E, enquanto isso era feito, providenciava-se ajuda similar em muitos outros países.

      No entanto, esse amor que as Testemunhas de Jeová têm não as torna complacentes. Dão-se conta de que, como seguidores de Jesus Cristo, têm de continuar a manter-se vigilantes.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Veja o Capítulo 19, “Crescer juntos em amor”.

      [Destaque na página 710]

      Que tipo de amor, disse Jesus, identificaria claramente seus genuínos seguidores?

      [Destaque na página 711]

      Eles seriam uma fraternidade achegada, mundial.

      [Quadro na página 712]

      “As Testemunhas cuidam dos seus — e de outros”

      Sob essa manchete, o jornal “The Miami Herald” publicou um artigo sobre o trabalho de socorro das Testemunhas de Jeová no sul da Flórida após a devastação causada pelo furacão Andrew em agosto de 1992. Dizia: “Ninguém em Homestead está batendo a porta na cara das Testemunhas de Jeová esta semana, mesmo que ainda tenha porta para bater. Uns 3.000 voluntários Testemunhas de todo o país convergiram para a área da calamidade, primeiro para ajudar os seus, depois para ajudar os outros. . . . Umas 150 toneladas de alimentos e suprimentos chegaram dum posto de comando no Salão de Assembléias no oeste do condado de Broward para dois Salões do Reino na região de Homestead. Dos salões, equipes se espalham toda manhã para consertar casas danificadas de seus irmãos Testemunhas de Jeová. . . . Uma cozinha improvisada produz rapidamente refeições para 1.500 pessoas, três vezes por dia. E não é só cachorro-quente e rosca. Os voluntários são tratados a pão e lasanha caseiros, saladas de verduras, ensopado, panqueca e rabanada — tudo com ingredientes doados.” — 31 de agosto de 1992, página 15A.

  • Continuam a manter-se vigilantes
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Capítulo 33

      Continuam a manter-se vigilantes

      “VISTO que Jesus disse claramente que nenhum homem podia saber sobre ‘aquele dia’ ou ‘aquela hora’ em que o Pai ordenará seu filho a ‘vir’ contra o iníquo sistema de coisas de Satanás, alguns talvez perguntem: ‘Por que é tão urgente viver na expectativa do fim?’ É urgente porque praticamente de um fôlego Jesus acrescentou: ‘Persisti em olhar, mantende-vos despertos . . . mantende-vos vigilantes.’ (Marcos 13:32-35)” — A Sentinela de 1.º de setembro de 1985.

      Já faz décadas que as Testemunhas de Jeová estão alertas. Alertas ao quê? À vinda de Jesus no poder do Reino para executar a sentença de julgamento contra o sistema iníquo de Satanás e para estender os plenos benefícios do seu reinado sobre toda a Terra! (Mat. 6:9, 10; 24:30; Luc. 21:28; 2 Tes. 1:7-10) Esses vigilantes sabem que o “sinal” da presença de Jesus está em evidência desde 1914 e que o atual sistema de coisas entrou em seus últimos dias naquele ano. — Mat. 24:3-25:46.

      Mas, até agora, Jesus não veio como Executor e Libertador. Portanto, como é que as Testemunhas de Jeová encaram sua atual situação?

      “Plena certeza” do seu entendimento

      Como congregação mundial, elas têm a “plena certeza do seu entendimento”. (Col. 2:2) Não que achem que entendem todos os pormenores dos propósitos de Jeová. Persistem em pesquisar as Escrituras com mente aberta e continuam aprendendo. Mas o que aprendem não muda seu conceito básico sobre as verdades fundamentais da Palavra de Deus. Têm “plena certeza” dessas verdades básicas; reconhecem-nas e aceitam-nas já por muitas décadas. Mas o que aprendem aprimora continuamente seu entendimento de como certos textos se ajustam ao padrão global da verdade da Bíblia e de como elas podem aplicar mais plenamente os conselhos da Palavra de Deus em sua própria vida.

      As Testemunhas de Jeová têm “plena certeza” também com respeito às promessas de Deus. Têm absoluta certeza de que nenhuma de suas promessas falhará nem mesmo no mínimo pormenor e que todas se cumprirão no tempo determinado por Ele. Assim, o cumprimento de profecias bíblicas que elas têm tanto visto como vivenciado deixa-as com a plena certeza de que o mundo atual está no “tempo do fim” e de que a promessa de Deus dum novo mundo justo logo se cumprirá. — Dan. 12:4, 9; Rev. 21:1-5.

      Então o que devem fazer? “Persisti em olhar, mantende-vos despertos”, ordenou Jesus, “pois não sabeis quando é o tempo designado. Portanto, mantende-vos vigilantes . . . a fim de que, ao chegar [o Amo] repentinamente, não vos ache dormindo. Mas, o que eu vos digo, digo a todos: Mantende-vos vigilantes”. (Mar. 13:33, 35-37) As Testemunhas de Jeová estão muito cônscias da necessidade de manter-se vigilantes.

      O anseio excessivo que às vezes manifestam com respeito ao cumprimento de certas profecias não altera a evidência acumulada desde a Primeira Guerra Mundial de que estamos na terminação do sistema de coisas. Certamente é bem melhor ser fervoroso — até mesmo fervoroso em excesso — para ver a vontade de Deus cumprida do que estar adormecido em sentido espiritual quanto ao cumprimento dos seus propósitos! — Compare com Lucas 19:11; Atos 1:6; 1 Tessalonicenses 5:1, 2, 6.

      O que está envolvido em manter-se vigilante?

      Como se mantém a vigilância?

      Cristãos vigilantes não ficam só de braços cruzados esperando. Longe disso! Têm de manter-se em boas condições espirituais para que, quando Jesus vier como Executor, ele também se mostre seu Libertador. (Luc. 21:28) “Prestai atenção a vós mesmos”, alertou Jesus, “para que os vossos corações nunca fiquem sobrecarregados com o excesso no comer, e com a imoderação no beber, e com as ansiedades da vida, e aquele dia venha sobre vós instantaneamente como um laço. . . . Mantende-vos despertos”. (Luc. 21:34-36) Assim, os cristãos vigilantes têm primeiro de ‘prestar atenção a si mesmos’, cuidando em viver diariamente como o cristão deve. Têm de permanecer bem despertos para com as responsabilidades cristãs e evitar a conduta anticristã característica de um mundo que “jaz no poder do iníquo”. (1 João 5:19; Rom. 13:11-14) Têm de estar preparados para quando Cristo vier.

      Quem se tem mantido realmente bem desperto, em boas condições espirituais? O registro histórico apresentado em capítulos anteriores deste livro aponta para as Testemunhas de Jeová. É evidente que levam a sério as responsabilidades de ser cristãos. Em tempo de guerra, por exemplo, dispõem-se a correr o perigo de ser presas e mortas por estarem bem despertas para a obrigação de não fazerem parte do mundo e de mostrarem amor abnegado uns pelos outros. (João 13:34, 35; 17:14, 16) As pessoas que as observam nos Salões do Reino, em grandes congressos, ou mesmo no serviço secular ficam impressionadas por sua “conduta excelente”. (1 Ped. 2:12) Neste mundo que está “além de todo senso moral”, elas têm a reputação de viver com honestidade e pureza moral. — Efé. 4:19-24; 5:3-5.

      Manter-se desperto, porém, envolve mais do que ‘prestar atenção a si mesmo’. O vigia tem de anunciar a outros o que vê. Neste tempo do fim, cristãos vigilantes que vêem claramente o sinal da presença de Cristo têm de proclamar a outros as “boas novas do reino” e alertá-los de que em breve Cristo virá e executará a sentença de julgamento contra esse sistema iníquo. (Mat. 24:14, 30, 44) Dessa maneira elas ajudam outras pessoas a se candidatar ao “livramento”. — Luc. 21:28.

      Quem se tem mostrado vigilante, soando o aviso? As Testemunhas de Jeová são conhecidas no mundo todo por seu zelo na proclamação do nome e do Reino de Deus. Não deixam a pregação a cargo duma classe clerical seleta. Reconhecem que é responsabilidade de todos os que crêem. Consideram-na parte essencial de sua adoração. (Rom. 10:9, 10; 1 Cor. 9:16) Quais têm sido os resultados?

      Elas formam agora uma crescente congregação de milhões de membros ativos em mais de 220 países em toda a Terra. (Isa. 60:22; compare com Atos 2:47; 6:7; 16:5.) Alguns dos governos mais poderosos na História da humanidade proscreveram sua obra, chegando até a caçá-las e prendê-las. Mas as Testemunhas de Jeová continuaram a proclamar o Reino de Deus! Sua determinação é como a dos apóstolos que, ao receberem ordem de parar de pregar, disseram: “Quanto a nós, não podemos parar de falar das coisas que vimos e ouvimos.” “Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens.” — Atos 4:18-20; 5:27-29.

      “Continua na expectativa dela”

      A situação das Testemunhas de Jeová hoje é semelhante à dos cristãos da Judéia no primeiro século. Jesus lhes dera um sinal pelo qual saberiam quando seria a época de fugir de Jerusalém para escapar de sua destruição. “Quando virdes Jerusalém cercada por exércitos acampados, . . . comecem a fugir”, disse Jesus. (Luc. 21:20-23) Pouco mais de 30 anos depois, em 66 EC, Jerusalém foi cercada por exércitos romanos. Quando as forças romanas subitamente se retiraram sem motivo aparente, os cristãos da Judéia seguiram as instruções de Jesus e fugiram — não apenas de Jerusalém, mas de toda a terra da Judéia — para uma cidade em Peréia, chamada Pela.

      Ali, seguros, aguardaram. O ano 67 EC chegou e se foi. Depois o ano 68 deu lugar ao ano 69. No entanto, Jerusalém permanecia livre. Deviam retornar? Ademais, Jesus não havia dito quanto tempo deviam esperar. Mas se algum cristão retornou, isso foi lamentável, porque em 70 EC os exércitos romanos voltaram com tantos combatentes que fizeram com que seu impacto fosse como o duma inundação que não pôde ser detida, e dessa vez não se retiraram. Em vez disso, demoliram a cidade e mataram mais de um milhão de pessoas. Os cristãos da Judéia em Pela devem ter-se sentido muito felizes por terem persistido em aguardar o tempo determinado por Jeová para a execução do julgamento!

      A situação é semelhante no que diz respeito àqueles que se mantêm vigilantes hoje. Entendem plenamente que, quanto mais avançamos no tempo do fim, mais desafiador é continuar na expectativa da vinda de Jesus. Mas não perdem a fé nas palavras de Jesus: “Deveras, eu vos digo que esta geração de modo algum passará até que todas estas coisas ocorram.” (Mat. 24:34) A expressão “estas coisas” refere-se aos vários aspectos do “sinal” composto. Esse sinal está em evidência desde 1914 e culminará na “grande tribulação”. (Mat. 24:21) A “geração” que estava viva em 1914 está minguando rápido. O fim não pode estar distante.

      Enquanto isso, as Testemunhas de Jeová estão absolutamente decididas a manter-se vigilantes, com plena fé em que Deus cumprirá todas as suas promessas no tempo devido! Levam a sério as palavras de Jeová ao profeta Habacuque. Sobre a aparente tolerância de Jeová para com a iniqüidade no reino de Judá no fim do sétimo século AEC, Ele disse ao profeta: “Escreve a visão [a respeito do fim das condições opressivas] e assenta-a de modo claro em tábuas, para que aquele que a lê alto possa fazê-lo fluentemente. Porque a visão ainda é para o tempo designado e prossegue arfando até o fim, e não mentirá. Ainda que [pareça demorar], continua na expectativa dela; pois cumprir-se-á sem falta. Não tardará.” (Hab. 1:2, 3; 2:2, 3) De modo similar, as Testemunhas de Jeová confiam na retidão e na justiça de Jeová, e isto as ajuda a manter o equilíbrio e esperar o “tempo designado”.

      F. W. Franz, batizado em 1913, expressou bem os sentimentos das Testemunhas de Jeová. Em 1991, como presidente da Sociedade Torre de Vigia, ele disse:

      “Nossa esperança é garantida, e se cumprirá plenamente para com cada um dos 144.000 membros do pequeno rebanho a um grau além do que sequer imaginamos. Nós, os do restante, que estivemos presentes no ano de 1914, quando esperávamos que todos nós fôssemos para o céu, não perdemos o senso de valor desta esperança. Mas somos tão fortes como antes, e apreciamo-la tanto mais quanto mais temos de esperar por ela. É algo que vale a pena aguardar, nem que requeira um milhão de anos. Eu prezo a nossa esperança mais do que nunca, e jamais quero perder meu apreço por ela. A esperança do pequeno rebanho também fornece a garantia de que a expectativa da grande multidão das outras ovelhas, sem a menor possibilidade de fracasso, se cumprirá além da nossa mais vívida imaginação. É por isso que perseveramos até esta hora, e vamos continuar a perseverar até que Deus realmente tenha provado que ele é fiel às suas ‘promessas preciosas e mui grandiosas’.” — 2 Ped. 1:4; Núm. 23:19; Rom. 5:5.

      Aproxima-se rápido o tempo em que a presença de Cristo no poder do Reino será manifestada claramente para toda a humanidade. Daí, os que estiverem vigilantes ‘receberão o cumprimento da promessa’. (Heb. 10:36) De fato, suas expectativas se cumprirão ‘além do que jamais imaginaram’. Quão felizes e gratos se sentirão por terem sido, nos últimos dias deste sistema iníquo, aqueles que continuaram a manter-se vigilantes, aqueles que proclamaram zelosamente o Reino de Deus!

      [Destaque na página 713]

      Têm plena certeza de que o mundo atual está no “tempo do fim”.

      [Destaque na página 714]

      Cuidando em viver diariamente como o cristão deve.

      [Destaque na página 715]

      Quem se tem mostrado vigilante, soando o aviso?

      [Destaque na página 716]

      “Eu prezo a nossa esperança mais do que nunca, e jamais quero perder meu apreço por ela.” — F. W. Franz

      [Foto/Quadro na página 717]

      Relatórios do testemunho global

      Ano Terras

      1920 _____ 46

      1925 _____ 83

      1930 _____ 87

      1935 ____ 115

      1940 ____ 112

      1945 ____ 107

      1950 ____ 147

      1955 ____ 164

      1960 ____ 187

      1965 ____ 201

      1970 ____ 208

      1975 ____ 212

      1980 ____ 217

      1985 ____ 222

      1992 ____ 229

      Total de terras

      O número de terras é calculado segundo a divisão da Terra no início da década de 90, não segundo divisões políticas que prevaleciam, por exemplo, quando anteriores grandes impérios governavam territórios que agora se acham divididos entre várias nações independentes.

      Ano Congrs.

      1940 _____ 5.130

      1945 _____ 7.218

      1950 ____ 13.238

      1955 ____ 16.044

      1960 ____ 21.008

      1965 ____ 24.158

      1970 ____ 26.524

      1975 ____ 38.256

      1980 ____ 43.181

      1985 ____ 49.716

      1992 ____ 69.558

      Total de congregações

      Antes de 1938 não se mantinha registro internacional uniforme do total de congregações.

      Ano Publs.

      1935 _______ 56.153

      1940 _______ 96.418

      1945 ______ 156.299

      1950 ______ 373.430

      1955 ______ 642.929

      1960 ______ 916.332

      1965 ____ 1.109.806

      1970 ____ 1.483.430

      1975 ____ 2.179.256

      1980 ____ 2.272.278

      1985 ____ 3.024.131

      1992 ____ 4.472.787

      Total de publicadores do Reino

      O método de cômputo de publicadores sofreu várias mudanças na década de 20 e no início da década de 30. Os relatórios de congregação eram enviados à Sociedade semanalmente, em vez de uma vez por mês. (Só em outubro de 1932 é que teve início o uso de relatórios mensais.) Para ser contada como trabalhador de classe (publicador de congregação), a pessoa tinha de dedicar pelo menos 3 horas por semana (ou 12 por mês) ao serviço de campo, segundo o “Bulletin” de 1.º de janeiro de 1929. Publicadores isolados tinham de dedicar pelo menos duas horas por semana à obra de dar testemunho.

      Ano Pioneiros

      1920 ________ 480

      1925 ______ 1.435

      1930 ______ 2.897

      1935 ______ 4.655

      1940 ______ 5.251

      1945 ______ 6.721

      1950 _____ 14.093

      1955 _____ 17.011

      1960 _____ 30.584

      1965 _____ 47.853

      1970 _____ 88.871

      1975 ____ 130.225

      1980 ____ 137.861

      1985 ____ 322.821

      1992 ____ 605.610

      Pioneiros

      Os dados aqui incluem pioneiros regulares, pioneiros auxiliares, pioneiros especiais, missionários, superintendentes de circuito e superintendentes de distrito. Os pioneiros eram anteriormente conhecidos como colportores, e os pioneiros auxiliares como colportores auxiliares. Para a maioria dos anos, os dados representam médias mensais.

      Ano Est. Bíbl.

      1945 ______ 104.814

      1950 ______ 234.952

      1955 ______ 337.456

      1960 ______ 646.108

      1965 ______ 770.595

      1970 ____ 1.146.378

      1975 ____ 1.411.256

      1980 ____ 1.371.584

      1985 ____ 2.379.146

      1992 ____ 4.278.127

      Estudos bíblicos domiciliares

      Na década de 30, dirigiam-se alguns estudos para indivíduos, mas se dava ênfase a ensinar as pessoas a estudar sozinhas e também a organizar estudos ao qual pudessem comparecer outros interessados na região. Mais tarde, quando as pessoas mostravam interesse genuíno, dirigiam-se estudos para elas até serem batizadas. Ainda mais tarde, dava-se incentivo para continuar o estudo até que a pessoa recebesse ajuda substancial para se tornar um cristão maduro.

      Anos Horas

      1930-35 _______ 42.205.307

      1936-40 _______ 63.026.188

      1941-45 ______ 149.043.097

      1946-50 ______ 240.385.017

      1951-55 ______ 370.550.156

      1956-60 ______ 555.859.540

      1961-65 ______ 760.049.417

      1966-70 ____ 1.070.677.035

      1971-75 ____ 1.637.744.774

      1976-80 ____ 1.646.356.541

      1981-85 ____ 2.276.287.442

      1986-92 ____ 5.912.814.412

      Total de horas

      Em geral não se fazia relatório de horas até o fim da década de 20. O método de cômputo de horas sofreu várias mudanças: no início da década de 30, só o tempo dedicado ao testemunho de casa em casa era contado — não o que era gasto em revisitas. Embora o relatório aqui apresentado seja realmente impressionante, na verdade é só uma estimativa da enorme quantidade de tempo dedicada pelas Testemunhas de Jeová à obra de proclamar o Reino de Deus.

      Anos Publ. distr.

      1920-25 _______ 38.757.639

      1926-30 _______ 64.878.399

      1931-35 ______ 144.073.004

      1936-40 ______ 164.788.909

      1941-45 ______ 178.265.670

      1946-50 ______ 160.027.404

      1951-55 ______ 237.151.701

      1956-60 ______ 493.202.895

      1961-65 ______ 681.903.850

      1966-70 ______ 935.106.627

      1971-75 ____ 1.407.578.681

      1976-80 ____ 1.380.850.717

      1981-85 ____ 1.504.980.839

      1986-92 ____ 2.715.998.934

      Publicações distribuídas

      Com algumas exceções, os dados dos anos anteriores a 1940 não incluem a distribuição de revistas, embora milhões de exemplares tenham sido distribuídos. Os dados desde 1940 incluem livros, folhetos, brochuras e revistas, mas não as centenas de milhões de tratados que também foram usadas para estimular interesse na mensagem do Reino. O total de 10.107.565.269 publicações distribuídas de 1920 a 1992 em mais de 290 idiomas fornece evidência dum extraordinário testemunho global.

      Ano Assist. Part.

      1935 _______ 63.146 ___ 52.465

      1940 _______ 96.989 ___ 27.711

      1945 ______ 186.247 ___ 22.328

      1950 ______ 511.203 ___ 22.723

      1955 ______ 878.303 ___ 16.815

      1960 ____ 1.519.821 ___ 13.911

      1965 ____ 1.933.089 ___ 11.550

      1970 ____ 3.226.168 ___ 10.526

      1975 ____ 4.925.643 ___ 10.550

      1980 ____ 5.726.656 ____ 9.564

      1985 ____ 7.792.109 ____ 9.051

      1992 ____11.431.171 ____ 8.683

      Assistência da Comemoração e participantes

      Para o período de antes de 1932, os dados disponíveis da assistência à Comemoração muitas vezes são incompletos. Às vezes, apenas grupos de 15, 20, 30 ou mais eram incluídos nos totais publicados. Vale notar que, na maioria dos anos para os quais existem dados, estes mostram que pelo menos alguns dos presentes não eram participantes. Em 1933, a diferença era em torno de 3.000.

  • Eventos notáveis na história moderna das Testemunhas de Jeová
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Eventos notáveis na história moderna das Testemunhas de Jeová

      1870 Charles Taze Russell e um grupo de Pittsburgh e Allegheny, Pensilvânia, EUA, começam um estudo sistemático da Bíblia.

      1870-75 Russell e seus associados de estudo aprendem que quando Cristo voltar ele será invisível aos olhos humanos e que o objetivo de sua volta inclui a bênção de todas as famílias da Terra.

      1872 Russell e seu grupo de estudo compreendem o preço de resgate que Cristo pagou pela humanidade.

      1876 C. T. Russell recebe um exemplar da revista Herald of the Morning, em janeiro; conhece N. H. Barbour, o editor, naquele verão na Filadélfia, Pensilvânia.

      Um artigo de C. T. Russell, publicado na edição de outubro da revista Bible Examiner, em Brooklyn, Nova Iorque, aponta para 1914 como o fim dos Tempos dos Gentios.

      1877 O livro Three Worlds (Três Mundos) é publicado, em resultado dos esforços conjuntos de N. H. Barbour e C. T. Russell.

      C. T. Russell publica o folheto The Object and Manner of Our Lord’s Return (O Objetivo e a Maneira da Volta de Nosso Senhor) no escritório da revista Herald of the Morning, em Rochester, Nova Iorque.

      1879 Russell retira todo apoio da Herald of the Morning, em maio, por causa da atitude de Barbour para com o resgate.

      Primeira edição da revista Zion’s Watch Tower and Herald of Christ’s Presence (A Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo), com data de julho de 1879.

      1881 Primeiros tratados publicados pelos Estudantes da Bíblia; antes de 1914, a distribuição anual de tratados totaliza dezenas de milhões de exemplares em 30 línguas.

      Organiza-se a Sociedade de Tratados da Torre de Vigia de Sião; faz-se a convocação “Procuram-se 1.000 Pregadores”, alguns para serem colportores regulares, outros para dedicarem quanto tempo possam à divulgação da verdade da Bíblia.

      Distribuição de 300.000 exemplares de Food for Thinking Christians (Matéria Para Cristãos Refletivos) para freqüentadores de igreja nas principais cidades da Grã-Bretanha.

      1883 A revista Watch Tower (Torre de Vigia) chega à China; ex-missionária presbiteriana logo passa a dar testemunho ali.

      1884 Food for Thinking Christians chega à Libéria, África; um leitor apreciativo escreve pedindo exemplares para distribuição.

      A Sociedade de Tratados da Torre de Vigia de Sião é legalmente estatuída em Pensilvânia; oficialmente registrada em 15 de dezembro.

      1885 As publicações da Torre de Vigia já são lidas por alguns famintos da verdade nas Américas do Norte e do Sul, na Europa, na África e na Ásia.

      1886 The Divine Plan of the Ages (O Plano Divino das Eras) é publicado, o primeiro volume da série intitulada Millennial Dawn (Aurora do Milênio; mais tarde conhecida como Studies in the Scriptures [Estudos das Escrituras]).

      1889 A Casa da Bíblia é construída na Rua Arch, em Allegheny, Pensilvânia, como sede da Sociedade.

      1891 Primeiro ajuntamento de Estudantes da Bíblia por eles chamado de congresso, em Allegheny, Pensilvânia (19-25 de abril).

      1894 Superintendentes viajantes que com o tempo vieram a ser conhecidos como peregrinos (hoje, superintendentes de circuito e de distrito) são enviados como parte do programa da Sociedade de visitas às congregações.

      1900 A primeira filial da Sociedade Torre de Vigia é aberta, em Londres, Inglaterra.

      A obra de testemunho dos Estudantes da Bíblia é realizada em 28 países, e a mensagem que pregam já chegou a outros 13 países.

      1903 Intensa distribuição de tratados gratuitos, de casa em casa, aos domingos; antes, grande parte da distribuição de tratados era nas ruas perto de igrejas.

      1904 Sermões de C. T. Russell começam a aparecer regularmente em jornais; em uma década já são impressos por uns 2.000 jornais.

      1909 A sede da Sociedade é mudada para Brooklyn, Nova Iorque, em abril.

      1914 Primeira apresentação do “Photo-Drama of Creation” (Fotodrama da Criação), em Nova Iorque, em janeiro; antes do fim do ano, é visto por assistências que totalizam mais de 9.000.000 de pessoas na América do Norte, Europa e Austrália.

      Em 2 de outubro, no refeitório de Betel, em Brooklyn, C. T. Russell diz: “Os tempos dos gentios terminaram.”

      Os Estudantes da Bíblia estão ativos pregando em 43 países; 5.155 participam em dar testemunho; segundo relatórios, a assistência à Comemoração é de 18.243.

      1916 Morte de C. T. Russell aos 64 anos de idade, em 31 de outubro, durante uma viagem de trem pelo Texas.

      1917 J. F. Rutherford torna-se presidente da Sociedade em 6 de janeiro, depois de uma comissão executiva de três membros ter administrado os assuntos da Sociedade por uns dois meses.

      O livro The Finished Mystery (O Mistério Consumado) é lançado para a família de Betel em Brooklyn em 17 de julho; quatro irmãos que serviam na diretoria da Sociedade opõem-se vigorosamente; depois disso, muitas congregações ficam divididas.

      1918 O discurso “O Mundo Terminou — Milhões Que Agora Vivem Talvez Jamais Morram” é proferido pela primeira vez, em 24 de fevereiro, em Los Angeles, Califórnia. Em 31 de março, em Boston, Massachusetts, o discurso é intitulado “O Mundo Terminou — Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão”.

      J. F. Rutherford e associados íntimos recebem mandados federais de prisão emitidos em 7 de maio; o julgamento começa em 5 de junho; são sentenciados em 21 de junho (um deles em 10 de julho) a longas sentenças na penitenciária federal.

      A sede de Brooklyn é fechada em agosto, e suas operações são transferidas para Pittsburgh por mais de um ano.

      1919 Os diretores e associados da Sociedade são libertados sob fiança, em 26 de março; em 14 de maio o tribunal de apelação anula a decisão do tribunal de instância inferior, e um novo julgamento é ordenado; no ano seguinte, em 5 de maio, o governo se retira do caso, negando-se a instaurar processo.

      Como teste para ver se a obra dos Estudantes da Bíblia podia ser reavivada, J. F. Rutherford providencia o discurso público “Esperança Para a Humanidade Angustiada”, no Auditório de Clune, em Los Angeles, Califórnia, em 4 de maio; não há lugar para toda a multidão, e o discurso tem de ser proferido uma segunda vez.

      Os Estudantes da Bíblia realizam um congresso em Cedar Point, Ohio, de 1-8 de setembro; anuncia-se a vindoura publicação da revista The Golden Age (agora conhecida como Despertai!).

      O Bulletin (agora conhecido como Nosso Ministério do Reino) é publicado como estímulo para o serviço de campo.

      O relatório do ano mostra que 5.793 Estudantes da Bíblia pregam ativamente em 43 países; assistência à Comemoração, segundo relatórios: 21.411.

      1920 A Sociedade Torre de Vigia empreende suas próprias operações gráficas, em Brooklyn.

      1922 O rádio é usado pela primeira vez por J. F. Rutherford, em 26 de fevereiro, na Califórnia, para transmitir um discurso bíblico.

      Congresso dos Estudantes da Bíblia em Cedar Point, Ohio, de 5-13 de setembro; faz-se o apelo: “Anunciai, anunciai, anunciai o Rei e seu reino.”

      O clero na Alemanha instiga a polícia a prender os Estudantes da Bíblia quando empenhados na distribuição pública de publicações bíblicas.

      1924 A WBBR (primeira emissora de rádio da Sociedade Torre de Vigia) começa a transmitir em 24 de fevereiro.

      1925 A Watch Tower de 1.º de março, ao considerar o nascimento do Reino de Deus em 1914, mostra que existem duas organizações distintas e opostas — a de Jeová e a de Satanás.

      1926 Incentiva-se a pregação de casa em casa com livros aos domingos.

      1928 Estudantes da Bíblia são presos em Nova Jérsei (EUA) por distribuírem publicações como parte de sua pregação de casa em casa; antes de passar uma década, ocorrem mais de 500 de tais prisões por ano nos Estados Unidos.

      1931 O nome Testemunhas de Jeová é adotado por meio duma resolução num congresso em Columbus, Ohio, em 26 de julho, e depois em congressos ao redor da Terra.

      1932 Vindication (Vindicação), Livro 2, explica por que as profecias bíblicas de restauração aplicam-se não aos judeus naturais, mas ao Israel espiritual.

      Termina o arranjo de “anciãos eletivos”, em harmonia com a explicação das edições de 15 de agosto e de 1.º de setembro da Watchtower.

      1933 As Testemunhas de Jeová são proscritas na Alemanha. Durante a intensa perseguição até o fim da Segunda Guerra Mundial, 6.262 são presas, e o tempo que passaram na prisão totaliza, em conjunto, 14.332 anos; 2.074 são enviadas a campos de concentração, onde seu confinamento totaliza 8.332 anos.

      Fonógrafos (alguns instalados em automóveis) são usados pelas Testemunhas para transmitir discursos bíblicos em locais públicos.

      1934 Fonógrafos portáteis são usados pelas Testemunhas para tocar breves discursos bíblicos para pessoas interessadas.

      1935 Num discurso no congresso realizado em Washington, DC, em 31 de maio, a “grande multidão” é identificada como classe terrestre; 840 pessoas são batizadas nesse congresso; dá-se mais ênfase progressivamente à esperança de vida eterna na Terra paradísica para servos fiéis de Deus que agora vivem.

      O local de reunião é chamado, pela primeira vez, de Salão do Reino, em Honolulu, Havaí.

      1936 Cartazes de publicidade são usados pela primeira vez por publicadores do Reino para informar o público sobre discursos bíblicos.

      Dá-se incentivo para se iniciar estudos bíblicos com pessoas interessadas, usando-se o livro Riches (Riquezas) da Sociedade junto com a Bíblia; estes muitas vezes são estudos em grupo.

      1937 Fonógrafos portáteis são usados pelas Testemunhas para tocar discursos bíblicos às portas.

      1938 Procedimentos teocráticos para a seleção de superintendentes nas congregações substituem os democráticos, em harmonia com as edições de 1.º e 15 de junho da Watchtower.

      Providenciam-se assembléias de zona (agora conhecidas como assembléias de circuito) para grupos de congregações.

      1939-45 No Império Britânico e na Comunidade Britânica, 23 nações proscrevem as Testemunhas de Jeová ou proíbem suas publicações bíblicas.

      1940 A distribuição nas ruas da Watchtower e Consolation torna-se um aspecto regular da atividade das Testemunhas de Jeová.

      Decisão da Suprema Corte dos EUA, em 3 de junho, sustentando a saudação obrigatória à bandeira a despeito de crença religiosa desencadeia a violência de turbas em todo o país contra as Testemunhas de Jeová.

      1941 As Testemunhas ativas ultrapassam o marco de 100.000, alcançando o auge de 109.371 em 107 países, apesar de a Segunda Guerra Mundial ter engolfado a Europa e estar se alastrando na África e na Ásia.

      1942 J. F. Rutherford morre em 8 de janeiro em San Diego, Califórnia. N. H. Knorr torna-se o terceiro presidente da Sociedade em 13 de janeiro.

      A tiragem da Watchtower para o ano, em todos os idiomas, é de 11.325.143.

      Inaugura-se o Curso Avançado do Ministério Teocrático para a equipe da sede da Sociedade, em 16 de fevereiro.

      A Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) imprime a Bíblia inteira, King James Version, em sua própria impressora (rotativa).

      1943 Tem início os estudos da primeira turma da Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia em 1.º de fevereiro.

      O Curso do Ministério Teocrático (agora chamado Escola do Ministério Teocrático) é introduzido nas congregações das Testemunhas de Jeová em assembléias em abril.

      A Suprema Corte dos EUA emite decisões favoráveis às Testemunhas de Jeová em 20 de 24 casos; o Tribunal Superior na Austrália suspende a proscrição contra as Testemunhas ali, em 14 de junho.

      1945 A partir de 1.º de outubro, a diretoria da Sociedade não mais é selecionada por votantes que se qualificam em função de donativos financeiros.

      A média mensal de estudos bíblicos domiciliares gratuitos é agora de 104.814.

      1946 Nos sete anos precedentes, mais de 4.000 Testemunhas de Jeová nos Estados Unidos e 1.593 na Grã-Bretanha são detidas e recebem sentenças de um mês a cinco anos de prisão por causa da neutralidade cristã.

      Neste primeiro ano após a Segunda Guerra Mundial, 6.504 participam no serviço de tempo integral como pioneiros.

      A revista Despertai! (sucessora de The Golden Age e Consolation) começa a ser publicada; tiragem anual de 13.934.429 exemplares.

      Mais de 470 Testemunhas são levadas perante os tribunais na Grécia por partilharem ensinos bíblicos com outras pessoas.

      1947 Em Quebec, Canadá, 1.700 casos envolvendo a obra de evangelização das Testemunhas de Jeová se acham pendentes nos tribunais.

      O número de congregações agora ultrapassa 10.000, chegando ao total de 10.782 no mundo todo.

      1950 A Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs é lançada em inglês, em 2 de agosto, num congresso em Nova Iorque.

      1953 Tem início em 1.º de setembro um amplo programa de treinamento das Testemunhas de Jeová na pregação de casa em casa.

      1957 Em 169 países, 100.135.016 horas são dedicadas pelas Testemunhas de Jeová a proclamar o Reino de Deus e dirigir estudos bíblicos para recém-interessados.

      1958 Comparecem à Assembléia Internacional da Vontade Divina, em Nova Iorque, 253.922 pessoas de 123 países; 7.136 são batizados.

      1959 Primeiras sessões da Escola do Ministério do Reino, iniciada em 9 de março, em South Lansing, Nova Iorque, elaborada para superintendentes de congregação e superintendentes viajantes.

      1961 Primeiro grupo de superintendentes de filial da Sociedade faz um curso especial de treinamento de dez meses em Brooklyn, Nova Iorque, com o objetivo de promover mais unificação da obra das Testemunhas de Jeová no mundo todo.

      A Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, a Bíblia completa em um único volume, é lançada em inglês.

      1963 A Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs é lançada em mais seis idiomas (alemão, espanhol, francês, holandês, italiano e português), com lançamento em outros idiomas a ocorrer em anos posteriores.

      Mais de um milhão de Testemunhas de Jeová ativas em 198 países; o auge de publicadores para o ano é de 1.040.836; mais 62.798 batizados.

      1965 O primeiro Salão de Assembléias, um teatro renovado, começa a ser usado pelas Testemunhas de Jeová em Nova Iorque.

      1967 Ondas de perseguição prolongada e brutal contra as Testemunhas de Jeová assolam Malaui e continuam por anos.

      1969 O número de estudos bíblicos domiciliares ultrapassa um milhão; o relatório indica a média de 1.097.237.

      1971 O Corpo Governante é ampliado; em 1.º de outubro a presidência passa a ser ocupada em rodízio anual por seus membros.

      1972 As congregações das Testemunhas de Jeová passam a ter supervisão local de um corpo de anciãos, em vez de uma única pessoa, a partir de 1.º de outubro.

      1974 O auge mundial de publicadores alcança 2.021.432; o número de pioneiros aumenta de 94.604, em 1973, para 127.135.

      1975 O Corpo Governante é reorganizado; em 4 de dezembro a responsabilidade por grande parte da obra é designada a seis comissões, que começam a funcionar em 1.º de janeiro de 1976.

      1976 As filiais da Sociedade Torre de Vigia passam a ser supervisionadas por uma comissão de três ou mais homens espiritualmente maduros, em vez de por um único superintendente, a partir de 1.º de fevereiro.

      1977 A Escola do Serviço de Pioneiro começa a dar treinamento especializado para dezenas de milhares de pioneiros em todo o mundo.

      1984 A média de estudos bíblicos domiciliares dirigidos pelas Testemunhas de Jeová é agora de 2.047.113.

      1985 Tem início o programa de voluntários internacionais, que coordena desde a sede da Sociedade a obra mundial de construção.

      O relatório mostra que 3.024.131 participam na obra de pregação do Reino, em 222 países; a média de pioneiros agora é de 322.821; 189.800 são batizados neste ano.

      1986 Comissões Regionais de Construção são designadas para ajudar a coordenar a construção de Salões do Reino.

      1987 A obra de fazer discípulos continua a expandir-se, visto que se dirigem estudos bíblicos para 3.005.048 pessoas e famílias, muitos semanalmente; o número de batizados este ano totaliza 230.843.

      A Escola de Treinamento Ministerial entra em operação em 1.º de outubro, com a primeira turma em Coraopolis, Pensilvânia.

      1989 A situação mudada na Europa Oriental ajuda a tornar possível a realização de três grandes congressos internacionais na Polônia, e depois em outros países nos anos seguintes.

      1990 A suspensão de restrições às Testemunhas de Jeová em países da África e da Europa Oriental facilita a evangelização entre outros 100.000.000 de pessoas.

      Os publicadores do Reino alcançam o auge de 4.017.213; o número de pioneiros aumenta para 536.508; o total de 895.229.424 horas é dedicado à urgente obra de proclamação do Reino.

      1991 A suspensão de proscrições na Europa Oriental e na África torna mais fácil alcançar mais 390.000.000 de pessoas com as boas novas do Reino de Deus.

      1992 A Sentinela tem tiragem média de 15.570.000 em 111 línguas; Despertai!, disponível em 67 línguas, tem tiragem média de 13.110.000.

      Maior testemunho já dado, visto que 4.472.787 publicadores participam na proclamação do Reino em 229 terras; média mensal de 605.610 pioneiros; 1.024.910.434 horas dedicadas ao testemunho público; 4.278.127 estudos bíblicos dirigidos; 301.002 novos discípulos batizados.

  • A publicação de A Sentinela
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • A publicação de A Sentinela

      Ao ser produzida pela primeira vez, em julho de 1879, chamava-se Zion’s Watch Tower and Herald of Christ’s Presence (A Torre de Vigia de Sião e Arauto da Presença de Cristo). Essa revista, que era defensora do sacrifício resgatador de Jesus Cristo, foi publicada para servir alimento espiritual à família da fé. Em 1.º de janeiro de 1909, o título foi mudado para The Watch Tower and Herald of Christ’s Presence (A Torre de Vigia e Arauto da Presença de Cristo), para focalizar atenção mais claramente no objetivo da revista. A partir de 1.º de janeiro de 1939, dando maior ênfase ao fato de Cristo já estar governando desde o céu como Rei, o título foi alterado para The Watchtower and Herald of Christ’s Kingdom (A Torre de Vigia e Arauto do Reino de Cristo). Daí, em 1.º de março de 1939, mudando-se o título para The Watchtower Announcing Jehovah’s Kingdom (A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová), dirigiu-se atenção de modo mais destacado a Jeová como o Soberano Universal, aquele que deu a seu Filho autoridade para governar.

      Ao ser lançada, a Watch Tower era uma publicação de oito páginas, produzida uma vez por mês. O tamanho foi aumentado para 16 páginas em 1891, e ela se tornou uma revista quinzenal em 1892. Adotou-se o formato de 32 páginas para muitas línguas em 1950.

      A tradução da Watch Tower (A Sentinela) para outras línguas começou devagar. Publicou-se em sueco uma única edição em 1883 para ser usada como tratado. De 1886 a 1889, imprimiu-se em alemão uma edição de tamanho pequeno da revista. Mas foi só em 1897 que a Watch Tower apareceu novamente em alemão e continuou a ser publicada regularmente. Em 1916 ela era impressa em sete línguas: alemão, dano-norueguês, finlandês, francês, inglês, polonês e sueco. Quando a pregação das boas novas ganhou maior ímpeto em 1922, o número de línguas em que a revista era publicada aumentou para 16. Em 1993, porém, era produzida regularmente em 112 línguas — as faladas por grande proporção da população da Terra. Isso incluía não só línguas como inglês, espanhol e japonês, em que se imprimiam milhões de exemplares de cada edição, mas também palauano, tuvaluano e outras em que se distribuíam apenas algumas centenas.

      Por muitos anos A Sentinela era encarada como revista principalmente para o “pequeno rebanho” de cristãos consagrados. Sua circulação era um tanto limitada; em 1916 apenas 45.000 exemplares eram impressos. Mas, a partir de 1935, deu-se repetida ênfase a incentivar “os jonadabes”, ou “grande multidão”, a obter e ler regularmente A Sentinela. Em 1939, quando a capa da revista passou a destacar o Reino, ofereceram-se ao público assinaturas de A Sentinela durante uma campanha internacional de quatro meses para angariar assinaturas. Em resultado disso, a lista de assinantes aumentou para 120.000. No ano seguinte, A Sentinela era oferecida regularmente às pessoas nas ruas. A circulação aumentou rapidamente. Em princípios de 1993 a impressão por edição em todas as línguas era de 16.400.000.

  • Despertai! — revista de amplo interesse público
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Despertai! — revista de amplo interesse público

      Essa revista originalmente tinha o título The Golden Age (A Idade de Ouro). A primeira edição foi de 1.º de outubro de 1919. Era uma revista que tratava de muitos campos do empenho humano. Alertava as pessoas para o que acontecia no mundo e mostrava-lhes que a verdadeira solução para os problemas da humanidade é o Reinado Milenar de Cristo, que realmente introduzirá uma “idade de ouro” para a humanidade. A capa da revista sofreu mudanças, mas a mensagem permaneceu a mesma. The Golden Age foi elaborada para distribuição ao público, e por muitos anos sua circulação foi bem maior do que a da The Watch Tower (A Torre de Vigia, hoje A Sentinela).

      A partir da edição de 6 de outubro de 1937, o título foi mudado para Consolation (Consolação). Era muito apropriado em vista da opressão pela qual muitos passavam e dos transtornos em que o mundo ficou envolvido na Segunda Guerra Mundial. A consolação que a revista oferecia, porém, era do tipo que atrai apenas aqueles que têm genuíno amor pela verdade.

      A partir da edição de 22 de agosto de 1946, adotou-se o título Awake! (Despertai!). Dava-se ênfase a despertar as pessoas para o significado dos eventos mundiais. A revista usava fontes convencionais de notícias, mas também tinha seus próprios correspondentes em todo o globo. Os artigos equilibrados, práticos e profundos de Despertai!, que consideram ampla gama de assuntos, incentivam os leitores a dar consideração à mais importante mensagem dessa revista, a saber, que os eventos mundiais cumprem profecias bíblicas, o que mostra que vivemos nos últimos dias e que em breve o Reino de Deus trará benefícios eternos para aqueles que aprendem e fazem a vontade de Deus. Essa revista tem sido um instrumento eficaz na proclamação global das boas novas do Reino de Deus e uma ponte para matérias mais profundas de estudo apresentadas em A Sentinela e livros.

      Em princípios de 1993, Despertai! era impressa em 67 línguas, com 13.240.000 exemplares por edição.

  • Como se adquiriu conhecimento exato da Palavra de Deus e se passou a aplicá-lo
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Parte 2

      Como se adquiriu conhecimento exato da Palavra de Deus e se passou a aplicá-lo

      Como se desenvolveram as crenças das Testemunhas de Jeová? Como obtiveram seu nome? O que as distingue dos outros grupos religiosos? Estas perguntas são respondidas nos capítulos 10 a 14.

      [Gravura de página inteira na página 118]

  • Uma associação de irmãos
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Parte 3

      Uma associação de irmãos

      É possível milhões de pessoas de todas as nações e línguas trabalharem juntos como genuína associação de irmãos?

      O registro das atividades das Testemunhas de Jeová dos tempos atuais responde com um ressonante Sim! Esta parte (capítulos 15 a 21) informa como funciona a sua organização. Mostra o zelo com que proclamam o Reino de Deus e o amor que manifestam ao passo que trabalham unidamente e ajudam uns aos outros em tempos de dificuldades.

      [Gravura de página inteira na página 202]

  • Proclamação das boas novas em toda a terra habitada
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Parte 4

      Proclamação das boas novas em toda a terra habitada

      Como tem a proclamação do Reino de Deus como única esperança da humanidade alcançado todas as partes do globo? Aqui, nos capítulos 22 a 24, encontra-se um relato emocionante, bem como animadores casos da vida real, sobre os que têm participado nisso.

      [Gravura de página inteira na página 402]

  • Promovida a pregação do Reino pela produção de publicações bíblicas
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Parte 5

      Promovida a pregação do Reino pela produção de publicações bíblicas

      A pregação em toda a terra habitada — como poderia ser efetuada? Conforme indica esta parte (capítulos 25 a 27), os meios empregados envolveram a instalação de parques gráficos internacionais para a produção de Bíblias e publicações bíblicas, visando alcançar pessoas de todas as nações.

      [Gravura de página inteira na página 554]

  • Expostas a vitupérios e a tribulações
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Parte 6

      Expostas a vitupérios e a tribulações

      Jesus Cristo avisou seus seguidores que enfrentariam provações — algumas por causa de imperfeição humana, outras por causa de falsos irmãos e até mais por causa de perseguição às mãos de opositores. Os capítulos 28 a 30 relatam vividamente o que as Testemunhas de Jeová sofreram nos tempos atuais e como sua fé as tem habilitado a se saírem vitoriosas.

      [Gravura de página inteira na página 616]

  • Um povo distintamente seu, zeloso em obras excelentes
    Testemunhas de Jeová — Proclamadores do Reino de Deus
    • Parte 7

      Um povo distintamente seu, zeloso em obras excelentes

      Por que crêem as Testemunhas de Jeová que estão sendo orientadas por Deus? O que as identifica quais genuínos discípulos de Jesus Cristo? Visto que proclamam que o Reino de Deus já domina a partir dos céus, que outro grande evento aguardam ansiosamente? Esta última parte (capítulos 31 a 33) responde a estas perguntas.

      [Gravura de página inteira na página 702]

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