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  • “Toda a Escritura é Inspirada por Deus e Proveitosa”
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • “Toda a Escritura é Inspirada por Deus e Proveitosa”

      1. De que modo a Bíblia identifica seu Autor, e que tipo de conhecimento proporcionam as Escrituras?

      “TODA a Escritura é inspirada por Deus.” Estas palavras, em 2 Timóteo 3:16, identificam a Deus, cujo nome é Jeová, como o Autor e o Inspirador das Escrituras Sagradas. Quão satisfatoriamente deleitosas são as Escrituras inspiradas! Que cabedal surpreendente de verdadeiro conhecimento elas proporcionam! São deveras “o próprio conhecimento de Deus”, procurado e prezado em todas as eras pelos que amam a justiça. — Pro. 2:5.

      2. Como avaliaram Moisés, Davi e Salomão a sabedoria divina?

      2 Um destes que buscavam conhecimento foi Moisés, o líder e organizador visível de Israel, a nação de Deus, que descreveu a instrução divina como sendo tão refrescante “como o orvalho, como chuvas suaves sobre a relva, e como chuvas copiosas sobre a vegetação”. Daí, houve também Davi, valente lutador e defensor do nome de Jeová, que orou: “Instrui-me, ó Jeová, acerca do teu caminho. Andarei na tua verdade.” Houve o pacífico Salomão, construtor duma das mais belas estruturas que já se ergueu na terra, a casa de Jeová, em Jerusalém, que avaliou a sabedoria divina nas seguintes palavras: “Tê-la por ganho é melhor do que ter por ganho a prata, e tê-la como produto é melhor do que o próprio ouro. Ela é mais preciosa do que os corais, e todos os outros agrados teus não se podem igualar a ela.” — Deut. 32:2; Sal. 86:11; Pro. 3:14, 15.

      3. Que valor dão Jesus e o próprio Deus à palavra divina?

      3 Jesus, o Filho de Deus, deu o mais elevado valor à palavra de Deus, declarando: “A tua palavra é a verdade.” Ele disse a seus seguidores: “Se permanecerdes na minha palavra, sois realmente meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 17:17; 8:31, 32) Sem dúvida, esta palavra que Jesus recebeu de seu Pai é poderosa. É a palavra de Deus. Depois de sua morte, ressurreição e ascensão à própria destra de Jeová, nos céus, Jesus deu revelações adicionais da palavra de seu Pai, incluindo uma descrição encantadora das bênçãos de Deus sobre a humanidade na terra paradísica. Daí, Deus ordenou ao apóstolo João: “Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras.” Todas as palavras das Escrituras inspiradas são “fiéis e verdadeiras”, e trazem imensuráveis benefícios aos que as acatam. — Rev. 21:5.

      4. Para o que são proveitosas as Escrituras inspiradas?

      4 Como derivamos tais benefícios? A expressão completa do apóstolo Paulo em 2 Timóteo 3:16, 17 dá a resposta: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça, a fim de que o homem de Deus seja plenamente competente, completamente equipado para toda boa obra.” As Escrituras inspiradas são, pois, proveitosas para ensinar a doutrina certa e a conduta correta, endireitando as coisas na nossa mente e na nossa vida, repreendendo-nos e disciplinando-nos, para que andemos humildemente em verdade e justiça. Submetendo-nos ao ensino da Palavra de Deus, podemos tornar-nos “colaboradores de Deus”. (1 Cor. 3:9) Não há hoje na terra maior privilégio do que a pessoa estar ocupada na obra de Deus como ‘homem de Deus, plenamente competente e completamente equipado’.

      FUNDAMENTO SÓLIDO PARA FÉ

      5. O que é fé, e de que único modo pode ser obtida?

      5 Para se ser colaborador de Deus, é necessário fé. Não se deve confundir a fé com a fraca credulidade, tão comum hoje em dia. Muitos pensam que qualquer tipo de crença — sectária, evolucionista ou filosófica — seja o suficiente. Entretanto, o homem de Deus precisa ‘apegar-se ao modelo de palavras salutares com a fé e o amor que há em conexão com Cristo Jesus’. (2 Tim. 1:13) A sua fé tem de ser real e viva, pois “a fé é a expectativa certa de coisas esperadas, a demonstração evidente de realidades, embora não observadas”. Tem de estar fundada na firme crença em Deus e nas suas recompensas para os que lhe agradam. (Heb. 11:1, 6) Tal fé só pode ser obtida mediante o estudo diligente da Palavra de Deus, a Bíblia. Baseia-se no profundo amor pela Bíblia e pelo Deus da Bíblia, Jeová, e pelo seu Filho, Jesus Cristo. Fé viva desse tipo há uma só, assim como há um só Senhor, Jesus Cristo, e um só Deus e Pai de todos, Jeová. — Efé. 4:5, 6.

      6. De que qualidade é a verdadeira fé?

      6 Precisamos saber o que é a Palavra de Deus, donde veio, qual é a sua autoridade e seu propósito, bem como seu poder em favor da justiça. Adquirindo apreço pela sua gloriosa mensagem, teremos fé. Ademais, chegaremos a amar a Bíblia e seu Autor tão ardentemente que nada poderá jamais sufocar tal fé e amor. São as Escrituras, que incluem as declarações de Jesus Cristo, que edificam um fundamento sólido para fé. A verdadeira fé será da espécie que resistirá a testes, a duras provas, a perseguições e às propostas materialistas e filosofias duma sociedade ateísta. Triunfará gloriosamente, perdurando até o justo novo mundo de Deus. “A vitória que venceu o mundo é esta: a nossa fé.” — 1 João 5:4.

      7. Que recompensas advêm de se encontrar a sabedoria da Bíblia?

      7 Para obtermos fé e nos apegarmos a ela, precisamos empenhar-nos em cultivar amor e apreço pela Palavra de Deus, as Escrituras inspiradas. As Escrituras constituem uma dádiva incomparável de Deus à humanidade, um depósito de tesouros espirituais, cuja profundeza de sabedoria é insondável, e cujo poder de esclarecer e estimular para a justiça excede ao de todos os demais livros que já se escreveram. Ao pesquisarmos para obter conhecimento da Palavra de Deus, seremos levados a exclamar como o apóstolo Paulo: “Ó profundidade das riquezas, e da sabedoria, e do conhecimento de Deus!” Conhecer as Escrituras inspiradas e seu Autor é entrar no caminho da eterna alegria e deleite. — Rom. 11:33; Sal. 16:11.

      JEOVÁ — UM DEUS COMUNICATIVO

      8. (a) Por que devemos ser gratos por Jeová ser um Deus comunicativo? (b) De que modo ele se contrasta com os deuses demoníacos?

      8 Ao falar da glória do nome de Jeová, Davi exclamou: “Tu és grande e fazes coisas maravilhosas; tu, só tu, és Deus!” (Sal. 86:10) Jeová tem realizado muitas “coisas maravilhosas” para a humanidade na terra, incluindo comunicar-lhe a Sua Palavra. Sim, Jeová é um Deus comunicativo, um Deus que se expressa amorosamente para o proveito de suas criaturas. Quão gratos devemos ser por nosso Criador não ser um potentado distante, envolto em mistérios e indiferente às necessidades dos que na terra amam a justiça! Já agora Jeová reside, como residirá também no vindouro novo mundo, com os que exercem fé nele e o amam, numa relação de Pai bondoso que comunica boas coisas a seus filhos inquiridores. (Rev. 21:3) Nosso Pai celestial não é como os deuses demoníacos, que precisam ser representados por medonhos ídolos mudos. Deuses de metal e de pedra não têm relação paterna com seus adoradores, que estão nas trevas. Não podem comunicar-lhes nada para o benefício deles. Deveras, “iguais a eles se tornarão os que os fazem”. — Sal. 135:15-19; 1 Cor. 8:4-6.

      9. Que espécie de comunicações tem vindo de Deus nos domínios do alto?

      9 Jeová é o “Deus misericordioso e clemente, vagaroso em irar-se e abundante em benevolência e em verdade”. (Êxo. 34:6) Pela abundância de sua benevolência é que ele comunica abundantes verdades à humanidade. Tudo isto representa conselho sadio para a orientação da humanidade e inclui profecias para iluminar as veredas da pessoa para bênçãos futuras. “Porque todas as coisas escritas outrora foram escritas para a nossa instrução, para que, por intermédio da nossa perseverança e por intermédio do consolo das Escrituras, tivéssemos esperança.” (Rom. 15:4) Dos domínios do alto, do próprio céu, vêm essas comunicações fidedignas para instruir a humanidade nos domínios de baixo. — João 8:23.

      10. Em que línguas Jeová se comunicou, e por quê?

      10 Jeová nunca se comunicou em língua desconhecida, mas sempre na linguagem da humanidade, a língua viva de suas fiéis testemunhas. (Atos 2:5-11) Jeová falou a Adão, a Noé, a Abraão, a Moisés e aos profetas hebreus na primeira língua da humanidade, conhecida agora como o hebraico. O hebraico continuou a ser usado enquanto era entendido, mesmo ainda no tempo de Saulo de Tarso, a quem o ressuscitado Jesus falou nessa língua. (Atos 26:14) Quando a língua aramaica dos caldeus arraigou-se entre os israelitas em exílio, algumas comunicações procederam então de Deus em aramaico, pois o povo entendia essa língua. (Esd 4:8-6:18; 7:12-26; Dan. 2:4b-7:28) Mais tarde, quando o grego era a língua internacional e a principal língua de suas testemunhas, as comunicações de Jeová foram feitas e preservadas nessa língua. As declarações preservadas na Bíblia são as comunicações de Jeová, faladas sempre em língua viva para o proveito dos humildes e dos que na terra amam a verdade.

      11. Por que se pode dizer que Jeová é o Formador de todas as línguas?

      11 Jeová é o Criador da mente e dos órgãos da fala, incluindo a língua, a boca e a garganta, que formam todas as complexidades dos sons da fala para cada um dos muitos sistemas de línguas. Por isso, pode-se dizer que Jeová é o Formador de todas as línguas. A sua autoridade sobre a linguagem da humanidade foi demonstrada pelo seu milagre na Torre de Babel. (Êxo. 4:11; Gên. 11:6-9; 10:5; 1 Cor. 13:1) Não há língua que seja desconhecida para Jeová. Ele não só deu ao homem a língua hebraica original, mas, por criar a mente e os órgãos da fala, também supriu a base para o aramaico e o grego, bem como para todas as cerca de 3.000 línguas faladas hoje pela humanidade.

      A LÍNGUA DA VERDADE

      12, 13. (a) Como é que Jeová fez que suas comunicações fossem fáceis de entender? (b) Dê exemplos.

      12 Independente de que sistema de língua humana Jeová use, em todos os casos ele sempre se tem comunicado na língua da verdade, não através de misticismos religiosos. É uma língua simples e fácil de entender. (Sof. 3:9) O homem terrestre pode entender facilmente as coisas de três dimensões, isto é, objetos que têm altura, largura e comprimento, e que estão colocados na corrente do tempo. Portanto, Jeová representou as coisas invisíveis usando representações típicas que a mente humana tem condições de compreender. Como exemplo, podemos citar o tabernáculo projetado por Deus e erigido por Moisés, no deserto. Sob inspiração, Paulo usou os símbolos de três dimensões do tabernáculo para explicar as realidades gloriosas que se acham no próprio céu. — Heb. 8:5; 9:9.

      13 Outro exemplo: Jeová, sendo espírito, não se senta literalmente num assento semelhante a um trono, no céu. No entanto, a nós, meros humanos, restritos por realidades visíveis, Deus se expressa por meio de tal símbolo visível para transmitir entendimento. Quando ele inicia procedimentos judiciais celestiais, é como quando um rei, na terra, inicia os procedimentos sentando-se no trono. — Dan. 7:9-14.

      DE FÁCIL TRADUÇÃO

      14, 15. Por que é a Bíblia, em contraste com os escritos filosóficos humanos, de fácil tradução para outros idiomas? Ilustre.

      14 Visto que a Bíblia foi escrita nestes termos práticos e de fácil entendimento, é possível traduzir seus símbolos e suas ações de modo claro e exato para a maioria das línguas modernas. O poder e a força original da verdade é preservado em todas as traduções. Palavras simples, do dia-a-dia, como “cavalo”, “guerra”, “coroa”, “trono”, “marido”, “esposa” e “filhos”, comunicam claramente o pensamento exato em todas as línguas. Isto contrasta com os escritos filosóficos dos homens, que em muitos casos não se prestam à tradução exata. As suas expressões complicadas e suas terminologias sofisticadas com freqüência não podem ser expressas com precisão em outro idioma.

      15 A força de expressão da Bíblia é muito superior. Mesmo quando Deus comunicou mensagens de julgamento a descrentes, ele não usou linguagem filosófica, mas sim símbolos cotidianos. Pode-se ver isso em Daniel 4:10-12. Descreveu-se ali, um tanto detalhadamente, sob o símbolo de uma árvore, o reino de certo rei pagão que glorificava a si mesmo e, daí, mediante ações que envolviam essa árvore, profetizou-se com precisão acontecimentos futuros. Tudo isso é claramente transmitido na tradução para outras línguas. Jeová amorosamente fez comunicações assim, para que ‘o verdadeiro conhecimento se tornasse abundante’. Quão maravilhosamente isto tem ajudado no entendimento das profecias, neste “tempo do fim”! — Dan. 12:4.

      LINHA DE COMUNICAÇÃO

      16. Como se pode esboçar o meio de comunicação de Jeová?

      16 Alguns talvez se perguntem: Qual foi o meio de comunicação usado? Isto pode ser bem ilustrado por um exemplo moderno. As linhas de comunicação têm (1) o emissor ou originador da mensagem, (2) o transmissor, (3) o meio pelo qual a mensagem passa, (4) o receptor e (5) o ouvinte. Nas comunicações telefônicas temos (1) quem usa o telefone, originando a comunicação; (2) o transmissor telefônico, que converte a mensagem em impulsos elétricos; (3) as linhas telefônicas que conduzem os impulsos elétricos ao destino; (4) o receptor que reconverte a mensagem de impulsos em sons e (5) o ouvinte. Da mesma forma, no céu, (1) Jeová Deus origina os seus proferimentos; daí, (2) a sua Palavra ou Porta-voz oficial, agora conhecido como Jesus Cristo, em muitos casos, transmite a mensagem; (3) o espírito santo de Deus, que é a força ativa empregada qual condutor da comunicação, transmite-a em direção à terra; (4) o profeta de Deus na terra é o receptor da mensagem; e (5) ele, por sua vez, a divulga para o proveito do povo de Deus. Assim como hoje, às vezes, envia-se um mensageiro para levar uma importante mensagem, Jeová decidiu, em certos casos, usar mensageiros espirituais, ou anjos, para levarem certas comunicações dos céus a Seus servos na terra. — Gál. 3:19; Heb. 2:2.

      PROCESSO DE INSPIRAÇÃO

      17. Que palavra grega é traduzida “inspirada por Deus”, e de que modo seu significado ajuda-nos a entender o processo de inspiração?

      17 A expressão “inspirada por Deus”, é traduzida do grego the·ó·pneu·stos, que significa ‘soprado por Deus’. (Veja 2 Timóteo 3:16, primeira nota.) Foi o próprio espírito de Deus, sua força ativa, que ele ‘soprou’ sobre homens fiéis, fazendo com que compilassem e escrevessem as Escrituras Sagradas. Tal processo é conhecido como inspiração. Os profetas e outros servos fiéis de Jeová, submetidos à inspiração, tiveram a mente conduzida por meio desta força ativa. Isto significa que receberam mensagens de Deus, incluindo quadros que revelavam propósitos, e estes fixaram-se firmemente nos circuitos de sua mente. “Porque a profecia nunca foi produzida pela vontade do homem, mas os homens falaram da parte de Deus conforme eram movidos por espírito santo.” — 2 Ped. 1:21; João 20:21, 22.

      18. Quão profundamente ficaram gravadas nos seus receptores humanos as mensagens inspiradas?

      18 Enquanto esses homens de Deus estavam acordados e plenamente conscientes, ou enquanto dormiam e sonhavam, o espírito de Deus implantava firmemente as mensagens que emanavam da fonte divina da linha de comunicação. Ao receber a mensagem, cabia ao profeta o dever de transmiti-la a outros em forma de palavras. Quando Moisés e outros profetas fiéis voltarem na ressurreição, eles sem dúvida poderão confirmar a exatidão dos registros preservados de seus escritos, pois a sua recriada mente apreciativa provavelmente terá clara lembrança das comunicações originais. Da mesma forma, o apóstolo Pedro ficou tão profundamente impressionado com a visão que teve da transfiguração, que pôde escrever vividamente a respeito de sua magnificência mais de 30 anos depois. — Mat. 17:1-9; 2 Ped. 1:16-21.

      O AUTOR E SEU DEDO

      19. O que é o “dedo” de Deus, conforme se prova por meio de que textos bíblicos?

      19 Os autores humanos costumam usar os dedos para escrever, nos tempos antigos com pena ou estilo, e nos tempos modernos com caneta, máquina de escrever ou computador. O produto desses dedos, como se diz, tem como autor a mente de seu dono. Sabia que Deus tem dedo? Tem, sim, pois Jesus falou do espírito de Deus como Seu “dedo”. Quando Jesus curou certo homem endemoninhado, de modo que este recuperou a fala e a visão, os inimigos religiosos blasfemaram do meio pelo qual Jesus o havia curado. Segundo Mateus, Jesus disse-lhes: “Se é por meio do espírito de Deus que eu expulso os demônios, o reino de Deus vos tem realmente alcançado.” (Mat. 12:22, 28) Lucas amplia o nosso entendimento, citando as palavras de Jesus em ocasião similar: “Se é por meio do dedo de Deus que eu expulso os demônios, o reino de Deus realmente vos sobreveio.” (Luc. 11:20) Numa ocasião anterior, os sacerdotes-magos do Egito viram-se forçados a reconhecer que as pragas sobre o Egito eram uma demonstração do poder superior de Jeová, admitindo: “É o dedo de Deus!” — Êxo. 8:18, 19.

      20. De que modo operou o “dedo” de Deus, e com que resultado?

      20 Em harmonia com esses usos da palavra “dedo”, pode-se avaliar que “o dedo de Deus” tem grande poder, e que essa designação se aplica bem a Seu espírito, conforme ele o usou na escrita da Bíblia. Portanto, as Escrituras nos informam de que, por meio do “dedo de Deus”, Ele escreveu os Dez Mandamentos nas duas tábuas de pedra. (Êxo. 31:18; Deut. 9:10) Quando Deus usou homens para escreverem os diversos livros da Bíblia Sagrada, o Seu dedo simbólico, ou espírito, era também a força que movia a pena desses homens. O espírito santo de Deus é invisível, mas, tem estado maravilhosamente ativo, com o resultado visível e tangível de a humanidade receber a prezada dádiva da Palavra da verdade de Deus, Sua Bíblia. É incontestável que o Autor da Bíblia é Jeová Deus, o Comunicador celestial.

      COMEÇA A COLEÇÃO INSPIRADA

      21. (a) Como se iniciou a escrita das Escrituras? (b) De que modo cuidou Jeová da preservação delas?

      21 Conforme já vimos, Jeová “passou a dar a Moisés duas tábuas do Testemunho, tábuas de pedra, inscritas pelo dedo de Deus”. (Êxo. 31:18) Tal escrita consistia nos Dez Mandamentos, e é de interesse que esse documento apresenta oficialmente o nome divino, Jeová, oito vezes. Naquele mesmo ano, 1513 AEC, Jeová ordenou a Moisés que começasse a fazer registros permanentes. Começou assim a escrita das Escrituras Sagradas. (Êxo. 17:14; 34:27) Deus deu também ordens a Moisés, para que construísse a “arca do testemunho”, ou “arca do pacto”, uma caixa de bela feitura, em que os israelitas tinham de guardar essa preciosíssima comunicação. (Êxo. 25:10-22; 1 Reis 8:6, 9) O projeto da Arca, e do tabernáculo que a abrigava, foi fornecido por Jeová; e o principal artífice e construtor, Bezalel, ficou cheio “do espírito de Deus em sabedoria, em entendimento e em conhecimento, e em toda sorte de artesanato”, a fim de que realizasse o seu trabalho segundo o padrão divino. — Êxo. 35:30-35.

      22. (a) Quem é o Autor das Escrituras inspiradas, e quanto tempo levou a escrita? (b) Quem foram os co-escritores da Bíblia, e o que se sabe a respeito deles?

      22 Ao revelar os seus propósitos, Deus, “em muitas ocasiões e de muitos modos, falou” no decorrer de longo período. (Heb. 1:1) Os escritores que escreveram a Sua Palavra fizeram isso de 1513 AEC até cerca de 98 EC, ou durante cerca de 1.610 anos. O único autor, Jeová Deus, usou cerca de 40 desses escribas, ou secretários, humanos. Todos estes co-escritores eram hebreus e, portanto, membros da nação ‘incumbida das proclamações sagradas de Deus’. (Rom. 3:2) Oito dentre eles eram judeus cristãos que conheceram a Jesus pessoalmente, ou mediante seus apóstolos. As Escrituras inspiradas, escritas antes do tempo deles, haviam dado testemunho da vinda do Messias ou Cristo. (1 Ped. 1:10, 11) Embora tivessem sido convocados de muitas rodas da vida, estes escritores terrestres da Bíblia, de Moisés ao apóstolo João, participaram todos em apoiar a soberania de Jeová Deus e em proclamar Seus propósitos na terra. Escreveram em nome de Jeová e pelo poder de Seu espírito. — Jer. 2:2, 4; Eze. 6:3; 2 Sam. 23:2; Atos 1:16; Rev. 1:10.

      23. Que registros anteriores usaram alguns dos escritores da Bíblia, e como é que tais registros se tornaram Escritura inspirada?

      23 Diversos desses escritores incluíram nos seus registros compilações de documentos de testemunhas oculares, feitas por escritores anteriores, nem todos eles inspirados. Moisés, por exemplo, talvez compilasse a maior parte de Gênesis de tais relatos de testemunhas oculares, como talvez fizesse Samuel ao escrever o livro de Juízes. Jeremias compilou Primeiro e Segundo Reis, e Esdras escreveu Primeiro e Segundo Crônicas, em grande parte dessa forma. O espírito santo orientou esses compiladores em determinar que trechos dos documentos humanos anteriores deviam ser incorporados, autenticando assim estas compilações como sendo fidedignas. A partir do tempo de sua compilação, estes extratos de documentos mais antigos tornaram-se parte das Escrituras inspiradas. — Gên. 2:4; 5:1; 2 Reis 1:18; 2 Crô. 16:11.

      24, 25. (a) Que período na história é abrangido na Bíblia? (b) Destaque alguns fatos interessantes na tabela da página 12.

      24 Em que ordem chegaram a nós os 66 livros da Bíblia? Que parte da infinita corrente do tempo abrangem? O relato de Gênesis, após descrever a criação dos céus e da terra, e a preparação da terra para ser o lar do homem, passa a contar os primórdios da história da humanidade, a partir da criação do primeiro homem, em 4026 AEC. Os Escritos Sagrados narram a seguir eventos importantes, ocorridos até pouco depois de 443 AEC. Daí, após uma lacuna de mais de 400 anos, recomeçam o relato, em 3 AEC, continuando-o até cerca de 98 EC. Assim, do ponto de vista histórico, as Escrituras estendem-se por um período de 4.123 anos.

      25 A tabela na página 12 será de ajuda para se conhecer a formação dos escritores da Bíblia e a seqüência em que os escritos da Bíblia chegaram até nós.

      O “LIVRO” COMPLETO DA VERDADE DIVINA

      26. Em que sentido são as Escrituras um só livro completo?

      26 As Escrituras Sagradas, como coleção, de Gênesis a Revelação (ou Apocalipse), formam um só livro completo, uma só biblioteca completa, sendo todas elas inspiradas pelo único Autor supremo. Não devem ser divididas em duas partes, de modo que uma delas receba menos valor. As Escrituras Hebraicas e as Escrituras Gregas Cristãs são reciprocamente essenciais. Estas últimas suplementam as primeiras para constituírem o livro completo, único, da verdade divina. Os 66 livros da Bíblia, todos juntos, formam a biblioteca única das Escrituras Sagradas. — Rom. 15:4.

      27. Por que se trata de terminologia imprópria as expressões “Velho Testamento” e “Novo Testamento”?

      27 É erro de tradição dividir a Palavra escrita de Deus em duas partes, chamando a primeira parte, de Gênesis a Malaquias, de “Velho Testamento” e a segunda, de Mateus a Revelação, de “Novo Testamento”. Em 2 Coríntios 3:14, a popular versão Almeida (ed. rev. e corr.) da Bíblia fala da “lição do velho testamento”, mas o apóstolo não se refere ali às antigas Escrituras Hebraicas, na sua inteireza. Tampouco queria dizer que os inspirados escritos cristãos constituem um “novo testamento [pacto]”. O apóstolo fala do pacto da Lei, registrado por Moisés no Pentateuco e que abrange apenas parte das Escrituras pré-cristãs. Por isso, diz no versículo seguinte: “Quando é lido Moisés.” A palavra grega traduzida “testamento” ou “aliança”, na versão Almeida, é traduzida uniformemente por “pacto” em muitas traduções modernas. — Mat. 26:28; 2 Cor. 3:6, 14; Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, Revised Standard Version, American Standard Version.

      28. Que garantia se dá quanto às profecias da Bíblia?

      28 O que foi registrado e preservado como Escrituras Sagradas não deve ser alterado. (Deut. 4:1, 2; Rev. 22:18, 19) O apóstolo Paulo escreve sobre isso: “No entanto, mesmo que nós ou um anjo do céu vos declarássemos como boas novas algo além daquilo que vos declaramos como boas novas, seja amaldiçoado.” (Gál. 1:8; veja também João 10:35.) Toda a palavra profética de Jeová tem de se cumprir no devido tempo. “Assim mostrará ser a minha palavra que sai da minha boca. Não voltará a mim sem resultados, mas certamente fará aquilo em que me agradei e terá êxito certo naquilo para que a enviei.” — Isa. 55:11.

      UM EXAME DAS ESCRITURAS

      29. Ao passo que cada livro da Bíblia é examinado um por vez, que informação introdutória se fornece nesta publicação?

      29 Nas páginas seguintes, os 66 livros das Escrituras Sagradas são examinados, um por vez. Descreve-se o cenário de cada um dos livros, e dão-se informações sobre o escritor, o tempo da escrita e, em alguns casos, o período abrangido. Apresentam-se também provas de que o livro é autêntico e que pertence devidamente às Escrituras inspiradas. Tais provas podem ser encontradas nas palavras de Jesus Cristo ou nos escritos inspirados de outros servos de Deus. A autenticidade do livro não raro é demonstrada pelo cumprimento incontestável das profecias da Bíblia ou pela evidência interna do próprio livro, tal como sua harmonia, honestidade e candura. Podem-se obter evidências em apoio disso das descobertas arqueológicas ou da história secular fidedigna.

      30. De que modo se apresenta o conteúdo de cada livro da Bíblia?

      30 Ao se descrever o conteúdo de cada livro, fez-se empenho de destacar a poderosa mensagem do escritor da Bíblia, de modo a incutir no coração do leitor um profundo amor pelas Escrituras inspiradas e pelo seu Autor, Jeová Deus e, assim, aumentar o apreço pela mensagem viva da Palavra de Deus em toda a sua praticabilidade, harmonia e beleza. O conteúdo do livro está disposto sob subtítulos de parágrafos. Isto é para facilitar o estudo, e não significa que sejam subdivisões arbitrárias dos livros da Bíblia. Cada livro é em si mesmo uma entidade, dando uma valiosa contribuição para o entendimento dos propósitos divinos.

      31. (a) Que informações são apresentadas para mostrar que cada livro é proveitoso? (b) Que glorioso tema é mantido em foco durante todos esses estudos dos livros da Bíblia?

      31 No fim da consideração de cada livro, indica-se por que aquela parte das Escrituras inspiradas é “proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça”. (2 Tim. 3:16) Consideram-se os cumprimentos das profecias, quando indicados pelo testemunho inspirado dos escritores posteriores da Bíblia. Em cada caso, demonstra-se a contribuição do livro para o desenrolar do tema geral da Bíblia. A Bíblia não é mito. Contém a única mensagem viva para a humanidade. Desde o primeiro livro, Gênesis, até o último, Revelação, as Escrituras inspiradas testificam o propósito do Criador do Universo, Jeová Deus, de santificar seu nome pelo Reino, sob o domínio de sua Semente. Nelas se acha a gloriosa esperança de todos os que amam a justiça. — Mat. 12:18, 21.

      32. Que outras informações se fornecem para aumentar o apreço pela Bíblia?

      32 Depois da consideração de cada um dos 66 livros da Bíblia, dedicamos algum espaço para dar informações básicas sobre a Bíblia. Isto inclui estudos sobre a geografia da Terra Prometida, a época dos eventos da Bíblia, as traduções da Bíblia, as evidências arqueológicas e outras em apoio da autenticidade da Bíblia, e as provas do catálogo da Bíblia. Constam também nessa parte outras informações e tabelas valiosas. Tudo isso visa aumentar o apreço pela Bíblia como sendo o mais prático e o mais proveitoso livro que hoje existe na terra.

      33. Pode-se descrever a Bíblia como sendo o quê, e de que proveito é o seu estudo?

      33 O Autor divino falou com a humanidade mui extensivamente. Ele tem demonstrado grande profundeza de amor e interesse paterno através do que tem feito pelos seus filhos na terra. Que notável coleção de documentos inspirados forneceu-nos nas Escrituras Sagradas! Deveras, elas são um tesouro incomparável, uma biblioteca extensiva de informações ‘divinamente sopradas’, superando muito em riqueza e amplitude os escritos de meros homens. A devoção ao estudo da Palavra de Deus não se tornará “fadiga para a carne”, mas, em vez disso, trará benefícios eternos aos que conhecem a “declaração de Jeová [que] permanece para sempre”. — Ecl. 12:12; 1 Ped. 1:24, 25.

  • Estudo número 1 — Uma visita à Terra Prometida
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Estudos das Escrituras Inspiradas e de Seu Fundo Histórico

      Estudo número 1 — Uma visita à Terra Prometida

      As regiões do país, seus aspectos físicos, suas montanhas e vales, seus rios e lagos, seu clima, solo e variedades de vegetação.

      1. (a) Por que é muito apropriado o nome “Terra Prometida”? (b) Que gloriosa perspectiva podemos ter em mente à medida que examinamos a geografia dessa terra?

      AS FRONTEIRAS da antiga Terra Prometida foram estabelecidas por Jeová Deus. (Êxo. 23:31; Núm. 34:1-12; Jos. 1:4) Por muitos séculos, esta área era chamada por alguns de terra da Palestina, nome derivado do latim Palaestina e do grego Pa·lai·stí·ne. Esta última palavra origina-se do hebraico Pelé·sheth. Nas Escrituras Hebraicas, Pelé·sheth é traduzido por “Filístia” e refere-se apenas ao território dos filisteus, que eram inimigos do povo de Deus. (Êxo. 15:14) Contudo, visto que Jeová prometeu esta terra ao fiel Abraão e seus descendentes, o nome “Terra Prometida” ou “Terra da Promessa” é muito apropriado. (Gên. 15:18; Deut. 9:27, 28; Heb. 11:9) Esta terra é notável na sua variedade geográfica, englobando nesta pequena área muitas das diferentes características e extremos que podem ser encontrados em toda a terra. Se Jeová pôde dar como herança a suas antigas testemunhas tal terra da promessa, com toda sua formosa variedade, então certamente ainda pode dar a seus adoradores dedicados o glorioso paraíso do novo mundo, que se estenderá por toda a terra, com montanhas, vales, rios e lagos, para proporcionar-lhes deleite. Prestemos agora o máximo de atenção aos aspectos geográficos da Terra da Promessa, à medida que a visitamos numa excursão imaginária.a

      DIMENSÕES GERAIS

      2. Quanto da Terra Prometida ocuparam os judeus, e em que território adicional se estabeleceram?

      2 De acordo com as fronteiras delineadas por Deus, conforme declarado em Números 34:1-12, a terra prometida a Israel deveria ser uma estreita faixa de território. Deveria ter cerca de 480 quilômetros de norte a sul e cerca de 56 quilômetros de largura, em média. Foi só nos reinados dos reis Davi e Salomão que toda a área prometida foi ocupada militarmente e os muitos povos subjugados foram postos sob controle. No entanto, o trecho ocupado de fato pelos judeus é geralmente descrito como abrangendo de Dã à Berseba, que representava uma distância de aproximadamente 240 quilômetros de norte a sul. (1 Reis 4:25) A distância transversal do país, do monte Carmelo ao mar da Galiléia, é de cerca de 51 quilômetros, e, no Sul, onde o litoral do Mediterrâneo se curva gradualmente ao sudoeste, é de mais de 80 quilômetros de Gaza ao mar Morto. Esta área ocupada a oeste do rio Jordão continha apenas cerca de 15.000 quilômetros quadrados. Entretanto, os israelitas se estabeleceram adicionalmente nas terras a leste do Jordão (terras não incluídas nas prometidas fronteiras originais), tornando o território total ocupado pouco menor do que 26.000 quilômetros quadrados.

      REGIÕES NATURAIS

      3. Usando o mapa “Regiões Naturais da Terra Prometida” com o parágrafo, identifique brevemente as áreas incluídas nas seguintes divisões naturais do país: (a) as planícies a oeste do Jordão, (b) as regiões montanhosas a oeste do Jordão, (c) as montanhas e os planaltos a leste do Jordão.

      3 Nossa visita à Terra Prometida nos levará através das divisões naturais do país alistadas a seguir. O esboço abaixo fornece a chave para o mapa acompanhante, que apresenta as fronteiras aproximadas das áreas em consideração.

      Regiões Geográficas

      A. Costa do Grande Mar. — Jos. 15:12.

      B. As Planícies a Oeste do Jordão.

      1. Planície de Aser. — Juí. 5:17.

      2. Faixa Costeira de Dor. — Jos. 12:23.

      3. Planície Costeira de Sarom. — 1 Crô. 27:29; Cân. 2:1.

      4. Planície da Filístia. — Gên. 21:32; Êxo. 13:17.

      5. Vale Central Leste-Oeste.

      a. Planície de Megido (Esdrelom). — 2 Crô. 35:22.

      b. Baixada de Jezreel. — Juí. 6:33.

      C. As Regiões Montanhosas a Oeste do Jordão.

      1. Montes da Galiléia. — Jos. 20:7; Isa. 9:1.

      2. Montes do Carmelo. — 1 Reis 18:19, 20, 42.

      3. Montes de Samaria. — Jer. 31:5; Amós 3:9.

      4. Sefelá. — Jos. 11:2; Juí. 1:9.

      5. Região Montanhosa de Judá. — Jos. 11:21.

      6. Ermo de Judá (Jesimom). — Juí. 1:16; 1 Sam. 23:19.

      7. Negebe. — Gên. 12:9; Núm. 21:1.

      8. Ermo de Parã. — Gên. 21:21; Núm. 13:1-3.

      D. O Grande Arabá (Vale de Abatimento Tectônico). — 2 Sam. 2:29; Jer. 52:7.

      1. Bacia Hulé.

      2. Região ao Redor do Mar da Galiléia. — Mat. 14:34; João 6:1.

      3. Distrito do Vale do Jordão (o Gor). — 1 Reis 7:46; 2 Crô. 4:17; Luc. 3:3.

      4. O Mar Salgado (Morto) (Mar do Arabá). — Núm. 34:3; Deut. 4:49; Jos. 3:16.

      5. Arabá (ao sul do Mar Salgado). — Deut. 2:8.

      E. Montanhas e Planaltos a Leste do Jordão. — Jos. 13:9, 16, 17, 21; 20:8.

      1. Terra de Basã. — 1 Crô. 5:11; Sal. 68:15.

      2. Terra de Gileade. — Jos. 22:9.

      3. Terra de Amom e de Moabe. — Jos. 13:25; 1 Crô. 19:2; Deut. 1:5.

      4. Platô Montanhoso de Edom. — Núm. 21:4; Juí. 11:18.

      F. Montanhas do Líbano. — Jos. 13:5.

      A. COSTA DO GRANDE MAR

      4. Quais são as características e o clima do litoral?

      4 Começando nossa visita do oeste, vemos a costa que se estende ao longo do belo e azul Mediterrâneo. Em vista dos grandes trechos de dunas de areia, o único bom porto natural abaixo do monte Carmelo é o de Jope; mas, ao norte do Carmelo, há vários bons portos naturais. Os fenícios, que viviam no país ao longo desta parte da costa, tornaram-se célebres navegadores. A temperatura média anual ao longo da costa ensolarada é de agradáveis 19°C, embora os verões sejam muito quentes, com temperatura média diurna de cerca de 34°C em Gaza.

      B-1 PLANÍCIE DE ASER

      5, 6. Descreva de forma breve (a) a planície de Aser, (b) a faixa costeira de Dor.

      5 Esta planície litorânea estende-se ao norte do monte Carmelo por cerca de 40 quilômetros. Sua maior largura é de cerca de 13 quilômetros, e é parte da terra que foi designada à tribo de Aser. (Jos. 19:24-30) Era uma faixa fértil de planície e produzia bem, suprindo de alimento a mesa régia de Salomão. — Gên. 49:20; 1 Reis 4:7, 16.

      B-2 A FAIXA COSTEIRA DE DOR

      6 Esta faixa de terra é contígua à cadeia de montanhas do Carmelo por cerca de 32 quilômetros. Possui apenas cerca de 4 quilômetros de largura. Equivale realmente a uma faixa costeira de terra localizada entre o Carmelo e o Mediterrâneo. Na sua região meridional, há a cidade portuária de Dor, e ao sul desta começam as dunas de areia. Os montes atrás de Dor produziam alimentos seletos para os banquetes de Salomão. Uma das filhas de Salomão era casada com o preposto desta região. — 1 Reis 4:7, 11.

      B-3 PLANÍCIE COSTEIRA DE SAROM

      7. (a) Como é Sarom mencionada profeticamente, e por quê? (b) Nos tempos hebraicos, para que era esta região usada?

      7 Em vista da beleza proverbial de suas flores, é apropriado que Sarom seja mencionada na visão profética de Isaías, da terra restaurada de Israel. (Isa. 35:2) Trata-se de uma terra fértil e bem-regada. É uma planície que varia de 16 a 19 quilômetros de largura, estendendo-se por cerca de 64 quilômetros ao sul da faixa costeira de Dor. Nos tempos hebraicos, florestas de carvalhos cresciam no Norte de Sarom. Muitos rebanhos pastavam ali depois que o cereal era ceifado. No tempo do Rei Davi, as manadas reais eram mantidas em Sarom. (1 Crô. 27:29) Hoje, podem-se encontrar nesta área extensos pomares cítricos.

      B-4 PLANÍCIE DA FILÍSTIA

      8. Onde se situa a planície da Filístia, e quais são suas características?

      8 Este setor do país situa-se ao sul de Sarom, estendendo-se por uns 80 quilômetros ao longo da costa e por cerca de 24 quilômetros para o interior. (1 Reis 4:21) As dunas de areia, ao longo do litoral, chegam a penetrar 6 quilômetros terra adentro. Trata-se duma planície sem florestas, com elevações e depressões suaves, que se erige de 30 a 200 metros atrás de Gaza, no Sul. O solo é rico, mas as chuvas são escassas, e há sempre risco de seca.

      B-5 VALE CENTRAL LESTE-OESTE

      9. (a) Que duas partes compõem o vale central leste-oeste, e de que valor prático era? (b) Valendo-se dos diagramas de “Cortes Típicos da Terra Prometida”, descreva a topografia geral desta área.

      9 O vale central leste-oeste compõe-se, na realidade, de duas partes: a planície do vale de Megido ou Esdrelom, a oeste, e a baixada de Jezreel, a leste. (2 Crô. 35:22; Juí. 6:33) Todo este vale central proporcionava fácil travessia do vale de Abatimento Tectônico, a quem viajasse do Jordão para a costa do Mediterrâneo, e tornou-se importante rota comercial. A planície de Megido é drenada pelo vale da torrente do Quisom, que corre através de um estreito desfiladeiro entre o monte Carmelo e os montes da Galiléia, para a planície de Aser e dali para o Mediterrâneo. Este modesto riacho quase seca durante os meses de verão, mas, nas outras estações, torna-se uma torrente. — Juí. 5:21.

      10. (a) Descreva a baixada de Jezreel. (b) Com que eventos bíblicos está associada esta área?

      10 A baixada de Jezreel escoa ao sudeste, na direção do Jordão. Este corredor de vale, a planície de Jezreel, possui cerca de 3,2 quilômetros de largura e compreende uma distância de aproximadamente 19 quilômetros. A elevação começa acima de 90 metros, e então cai gradualmente para cerca de 120 metros abaixo do nível do mar, próximo a Bete-Seã. Todo o vale central é muito fértil, sendo a região de Jezreel uma das partes mais ricas de todo o país. A própria palavra Jezreel significa “Deus semeará”. (Osé. 2:22) As Escrituras falam da agradabilidade e da beleza deste distrito. (Gên. 49:15) Tanto Megido como Jezreel eram pontos estratégicos nas batalhas travadas entre Israel e as nações vizinhas, e foi ali que Baraque, Gideão, o Rei Saul e Jeú guerrearam. — Juí. 5:19-21; 7:12; 1 Sam. 29:1; 31:1, 7; 2 Reis 9:27.

      C-1 MONTES DA GALILÉIA

      11, 12. (a) Até que ponto se destacou a Galiléia no ministério de Jesus, e quem veio deste distrito? (b) Contraste a Galiléia Inferior com a Galiléia Superior.

      11 Foi na região ao sul dos montes da Galiléia (e ao redor do mar da Galiléia) que Jesus realizou a maior parte de sua obra de testemunhar a favor do nome de Jeová e de Seu Reino. (Mat. 4:15-17; Mar. 3:7) A maioria dos seguidores de Jesus, incluindo todos os 11 apóstolos fiéis, veio da Galiléia. (Atos 2:7) Neste distrito, às vezes chamado de Galiléia Inferior, o país é deveras deleitoso, os montes erguendo-se não mais do que 600 metros. Do outono à primavera, não há falta de chuva nesta terra agradável, e, por conseguinte, não é uma região árida. Na primavera, flores vicejam em cada colina, e todos os vales enchem-se de cereais. Nos pequenos planaltos, o solo é rico para agricultura, e os montes bem-adequados para o cultivo de oliveiras e videiras. As cidades de fama bíblica nesta área são Nazaré, Caná e Naim. (Mat. 2:22, 23; João 2:1; Luc. 7:11) Esta área proporcionou a Jesus uma rica base a que podia recorrer na elaboração de suas ilustrações. — Mat. 6:25-32; 9:37, 38.

      12 Na região norte ou Galiléia Superior, as colinas erguem-se bem mais de 1.100 metros, tornando-se, na verdade, as primeiras elevações que dão origem às montanhas do Líbano. A Galiléia Superior é elevada e varrida pelo vento, e a chuva é copiosa. Nos tempos bíblicos, as encostas a oeste eram cobertas por densas florestas. Esta região foi designada à tribo de Naftali. — Jos. 20:7.

      C-2 MONTES DO CARMELO

      13. (a) O que é realmente o Carmelo? (b) Que menção se faz dele na Bíblia?

      13 O esporão do monte Carmelo se projeta majestosamente para dentro do mar Mediterrâneo. O Carmelo é, na realidade, uma cadeia colinosa, com cerca de 48 quilômetros de comprimento, que se eleva até 545 metros acima do mar. Estende-se desde os montes de Samaria até o Mediterrâneo e, seu promontório, que forma a principal cadeia na extremidade noroeste, é inesquecível em sua graça e beleza. (Cân. 7:5) O nome Carmelo significa “Pomar”, que deveras se enquadra bem com este fértil promontório, adornado com seus famosos vinhais, árvores frutíferas e oliveiras. Isaías 35:2 o emprega como símbolo da glória frutífera da restaurada terra de Israel: ‘Terá de se lhe dar o esplendor do Carmelo.’ Foi ali que Elias desafiou os sacerdotes de Baal e que “veio a cair fogo da parte de Jeová”, provando Sua supremacia, e foi do cume do Carmelo que Elias chamou a atenção à pequena nuvem que se tornou um grande aguaceiro, terminando assim miraculosamente a seca em Israel. — 1 Reis 18:17-46.

      C-3 MONTES DE SAMARIA

      14. Que tribos ocuparam os montes de Samaria, e para que culturas é esta área adequada?

      14 A parte sulina desta região é a mais montanhosa, erguendo-se acima de 900 metros no Leste. (1 Sam. 1:1) Nesta região, há maior e mais constante pluviosidade do que em Judá, ao sul. Esta região era ocupada pelos descendentes de Efraim, filho mais jovem de José. O Norte desta região, distribuída à meia tribo de Manassés, filho mais velho de José, inclui vales e pequenas planícies cercadas por montes. A terra montanhosa não é tão fértil, embora haja vinhais e olivais, que se tornaram viáveis por meio de extensos terraços nas encostas mais baixas. (Jer. 31:5) Contudo, os vales maiores são excelentes para cultivo de cereais e para a agricultura em geral. Diversas cidades pontilhavam esta região nos tempos bíblicos. Durante o tempo do reino setentrional, Manassés supria as três capitais sucessivas — Siquém, Tirza e Samaria — e toda a região veio a ser chamada de Samaria, segundo o nome da capital. — 1 Reis 12:25; 15:33; 16:24.

      15. (a) Como se cumpriu, na região de Samaria, a bênção de Moisés sobre José? (b) Como foi esta terra adicionalmente abençoada durante o tempo de Jesus?

      15 A bênção de Moisés sobre José foi plenamente cumprida em relação a esta terra. “Quanto a José ele disse: ‘Seja sua terra continuamente abençoada da parte de Jeová com as coisas seletas do céu, com orvalho, . . . e com as coisas seletas, os produtos do sol, e com as coisas seletas, a produção dos meses lunares, e com o mais seleto procedente das montanhas do oriente, e com as coisas seletas dos morros que duram indefinidamente.’” (Deut. 33:13-15) Sim, esta era uma deleitosa região. Suas montanhas eram densamente cobertas de florestas, seus vales eram produtivos, e tornou-se repleta de cidades prósperas e bem povoadas. (1 Reis 12:25; 2 Crô. 15:8) Posteriormente, Jesus pregou na terra de Samaria, assim como seus discípulos, e o cristianismo encontrou muitos apoiadores ali. — João 4:4-10; Atos 1:8; 8:1, 14.

      C-4 SEFELÁ

      16. (a) O que caracteriza a Sefelá? (b) De que importância era este distrito nos tempos bíblicos?

      16 Ao passo que o nome Sefelá significa “Terra Baixa”, é, de fato, uma área colinosa que atinge uma altitude de aproximadamente 450 metros ao sul e é cortada por freqüentes vales no sentido leste-oeste. (2 Crô. 26:10) Eleva-se logo a leste da planície costeira da Filístia e somente pode ser considerada terra baixa em comparação com os montes mais altos de Judá, mais para o Leste. (Jos. 12:8) Suas colinas, que eram cobertas de sicômoros, acomodam agora vinhais e olivais. (1 Reis 10:27) Tinha muitas cidades. Na história bíblica, servia de zona-tampão entre Israel e os filisteus ou quaisquer outros exércitos invasores que tentassem penetrar em Judá pela planície costeira. — 2 Reis 12:17; Obd. 19.

      C-5 A REGIÃO MONTANHOSA DE JUDÁ

      17. (a) Quão produtiva era a região montanhosa de Judá nos tempos bíblicos, e o que se pode dizer de hoje? (b) Para que foi Judá considerada bom lugar?

      17 Trata-se de uma área elevada e rochosa, com cerca de 80 quilômetros de comprimento e menos de 32 quilômetros de largura e com elevações que variam de 600 a mais de 1.000 metros acima do nível do mar. Nos tempos bíblicos, a área era arborizada, e, especialmente no lado ocidental, as colinas e os vales eram repletos de searas, olivais e vinhais. Era um distrito que produzia excelente cereal, óleo e vinho para Israel, em grande quantidade. A área ao redor de Jerusalém, em especial, sofreu muito desflorestamento desde os tempos bíblicos e, portanto, parece árida em comparação com o que foi antes. No inverno, neva ocasionalmente nas elevações mais altas, no centro, tal como em Belém. Na antiguidade, Judá era considerada um bom lugar para cidades e fortalezas, e em épocas de dificuldades, as pessoas podiam fugir para estas montanhas em busca de segurança. — 2 Crô. 27:4.

      18. (a) Quando se tornou Jerusalém a capital de Israel e Judá? (b) Quais são algumas das características interessantes da cidade?

      18 Célebre na história de Judá e de Israel é Jerusalém, também chamada de Sião, de acordo com o nome de sua cidadela. (Sal. 48:1, 2) Era originalmente a cidade cananéia de Jebus, situada no terreno elevado sobre a junção dos vales de Hinom e do Cédron. Depois que Davi a capturou e fez dela a capital, foi ampliada em direção ao noroeste e por fim abrangeu também o vale do Tiropeom. Com o tempo, o vale de Hinom veio a ser chamado de Geena. Visto que os judeus realizavam sacrifícios idólatras ali, este foi declarado impuro e transformado em monturo de lixo e de cadáveres de criminosos crassos. (2 Reis 23:10; Jer. 7:31-33) Assim, seu fogo tornou-se símbolo de aniquilação total. (Mat. 10:28; Mar. 9:47, 48) Jerusalém recebia apenas limitado suprimento de água do reservatório de Siloé, a oeste do vale do Cédron, e Ezequias protegeu este construindo uma muralha externa para que o reservatório ficasse dentro da cidade. — Isa. 22:11; 2 Crô. 32:2-5.

      C-6 ERMO DE JUDÁ (JESIMOM)

      19. (a) Como Jesimom se enquadra no significado de seu nome? (b) Que eventos bíblicos ocorreram nesta região?

      19 Jesimom é o nome bíblico do ermo de Judá. Significa “Deserto”. (1 Sam. 23:19, nota) Quão descritivo e apropriado é este nome! O ermo consiste nas escarpadas encostas orientais, de áridas formações calcárias, das colinas da Judéia, que diminuem em mais de 900 metros de altura, em 24 quilômetros, à medida que se aproximam do mar Morto, onde há uma parede de rochedos pontiagudos. Não há cidades, e os povoados são raros em Jesimom. Foi para este ermo de Judá que Davi fugiu do Rei Saul, foi entre este ermo e o Jordão que João, o Batizador, pregou, e foi para esta região que Jesus se retirou quando jejuou por 40 dias.b — 1 Sam. 23:14; Mat. 3:1; Luc. 4:1.

      C-7 NEGEBE

      20. Descreva o Negebe.

      20 Ao sul dos montes de Judá jaz o Negebe, onde os patriarcas Abraão e Isaque residiram por muitos anos. (Gên. 13:1-3; 24:62) A Bíblia também se refere à parte sulina desta área como “o ermo de Zim”. (Jos. 15:1) O semi-árido Negebe estende-se do distrito de Berseba, no norte, a Cades-Barnéia, no Sul. (Gên. 21:31; Núm. 13:1-3, 26; 32:8) Dos montes de Judá, a terra diminui de altitude por uma série de cordilheiras, que se estendem de leste a oeste, de tal modo que representam uma barreira natural contra tráfego ou invasões do Sul. Das colinas, a terra diminui de altitude no Leste do Negebe, para uma planície desértica no Oeste, junto à costa marítima. Durante o verão, a terra se torna tão árida quanto um deserto, com exceção das cercanias de alguns vales de torrente. Entretanto, é possível obter água escavando-se um poço. (Gên. 21:30, 31) O moderno estado de Israel está irrigando e desenvolvendo partes do Negebe. “O rio do Egito” demarcava a fronteira sudoeste do Negebe, bem como fazia parte da fronteira meridional da Terra Prometida. — Gên. 15:18.

      C-8 ERMO DE PARÃ

      21. Onde se situa Parã, e que papel desempenhou na história bíblica?

      21 Ao sul do Negebe, fundindo-se ao ermo de Zim, situa-se o ermo de Parã. Ao partirem do Sinai, os israelitas atravessaram este ermo a caminho da Terra Prometida, e foi de Parã que Moisés enviou os 12 espias. — Núm. 12:16–13:3.

      D. O GRANDE ARABÁ (O VALE DE ABATIMENTO TECTÔNICO)

      22. Usando o mapa na página 272 e os diagramas na página 273, junto com este parágrafo, descreva brevemente as principais características do Arabá (vale de Abatimento Tectônico) e sua relação com o território vizinho.

      22 Uma das mais incomuns formações terrestres do planeta é o grande vale de Abatimento Tectônico. Na Bíblia, a parte que corta a Terra Prometida de norte a sul é chamada de “Arabá”. (Jos. 18:18) Em 2 Samuel 2:29, esta rachadura na crosta da terra é descrita como ravina. Ao norte situa-se o monte Hermom. (Jos. 12:1) Do sopé do Hermom, o vale de Abatimento Tectônico declina subitamente em direção ao sul, cerca de 800 metros abaixo do nível do mar, no fundo do mar Morto. Da extremidade sul do mar Morto, o Arabá continua, elevando-se para mais de 200 metros acima do nível do mar, a aproximadamente meio caminho entre o mar Morto e o golfo de Acaba. Dali, declina rapidamente para dentro das águas tépidas do braço oriental do mar Vermelho. O mapa acompanhante da região mostra a relação entre o vale de Abatimento Tectônico e as terras vizinhas.

      D-1 BACIA HULÉ

      23. Com o que estava associada a região do Hulé nos tempos bíblicos?

      23 Começando no sopé do monte Hermom, o vale de Abatimento Tectônico declina rapidamente mais de 490 metros em direção à região do Hulé, que fica quase no nível do mar. Este distrito é bem regado e permanece belamente verde mesmo durante os meses quentes de verão. Foi nesta área que os danitas estabeleceram-se na sua cidade de Dã, que serviu de centro de adoração idólatra, da época dos juízes ao tempo do reino das dez tribos de Israel. (Juí. 18:29-31; 2 Reis 10:29) Foi em Cesaréia de Filipe, uma cidade próxima do local da antiga Dã, que Jesus confirmou a seus discípulos que ele era o Cristo, e muitos crêem que foi perto dali, no monte Hermom, que a transfiguração ocorreu seis dias mais tarde. Do Hulé, o vale de Abatimento Tectônico declina em direção ao mar da Galiléia, que jaz cerca de 210 metros abaixo do nível do mar. — Mat. 16:13-20; 17:1-9.

      D-2 REGIÃO AO REDOR DO MAR DA GALILÉIA

      24. (a) Por que outros nomes é chamado o mar da Galiléia na Bíblia? (b) Como eram suas adjacências nos dias de Jesus?

      24 O mar da Galiléia e suas adjacências são deleitosos.c Há grande interesse nessa região em vista dos muitos episódios do ministério de Jesus que ali ocorreram. (Mat. 4:23) O mar é também chamado de lago de Genesaré ou Quinerete, e de mar de Tiberíades. (Luc. 5:1; Jos. 13:27; João 21:1) Trata-se na realidade de um lago em forma de coração, de quase 21 quilômetros de comprimento por cerca de 11 quilômetros de largura no seu ponto mais amplo, e constitui importante reservatório de água para toda a região. É estreitamente cercado por montes em quase todos os lados. A superfície do lago acha-se a cerca de 210 metros abaixo do nível do mar, resultando em invernos agradáveis e tépidos e verões bem longos e quentes. Nos dias de Jesus, era o centro de uma indústria pesqueira altamente desenvolvida, e as prósperas cidades de Corazim, Betsaida, Cafarnaum e Tiberíades localizavam-se quer na beira do lago, quer próximo a ela. A tranqüilidade do lago pode ser repentinamente perturbada por tempestades. (Luc. 8:23) A pequena planície triangular de Genesaré localiza-se a noroeste do lago. O solo é rico, produzindo quase todo tipo de cultura conhecida na Terra Prometida. Na primavera, as encostas alegremente coloridas resplandecem com um esplendor que não é excedido em nenhuma outra parte da terra de Israel.d

      D-3 DISTRITO DO VALE DO JORDÃO (O GOR)

      25. Quais são as principais características do vale do Jordão?

      25 Este inteiro vale descendente, semelhante a uma ravina, também é chamado de “Arabá”. (Deut. 3:17) Os árabes hoje se referem a ele como o Gor, que significa “depressão”. O vale começa no mar da Galiléia e é, de modo geral, amplo — tendo cerca de 19 quilômetros de largura em certos lugares. O próprio rio Jordão jaz a cerca de 46 metros abaixo da planície do vale, dando voltas e serpenteando, num curso de 320 quilômetros para percorrer os 105 quilômetros em direção ao mar Morto.e Passando por 27 cachoeiras, declina cerca de 180 metros até alcançar o mar Morto. O baixo Jordão é orlado por matas de árvores e arbustos, principalmente tamariscos, oleandros e salgueiros, entre os quais se escondiam leões e seus filhotes, nos tempos bíblicos. Hoje é conhecido como Zor e fica parcialmente inundado na primavera. (Jer. 49:19) Erguendo-se acima de cada lado desta estreita faixa selvática, acha-se o Qattara, uma extensão inóspita de terra desolada, de pequenos platôs e encostas recortadas que conduz às planícies do próprio Gor. As planícies no Norte do Gor ou Arabá são bem cultivadas. Mesmo na região sul, em direção ao mar Morto, o platô do Arabá, que hoje é muito árido, é mencionado como tendo outrora produzido vários tipos de tâmara, bem como muitas outras frutas tropicais. Jericó era e ainda é a mais famosa cidade no vale do Jordão. — Jos. 6:2, 20; Mar. 10:46.

      D-4 O MAR SALGADO (MORTO)

      26. (a) Quais são alguns dos fatos notáveis acerca do mar Morto? (b) Que impressionante testemunho dá está região com relação aos julgamentos de Jeová?

      26 Este é um dos mais notáveis corpos aquosos na face da terra. É apropriadamente chamado de morto, pois não há peixes nele, e há pouca vegetação nas margens. A Bíblia chama-o de mar Salgado ou de mar do Arabá, visto que se localiza no vale de Abatimento Tectônico do Arabá. (Gên. 14:3; Jos. 12:3) O mar possui aproximadamente 75 quilômetros de norte a sul e 15 quilômetros no sentido transversal. Sua superfície acha-se a cerca de 400 metros abaixo da do mar Mediterrâneo, fazendo dele o mais baixo ponto da terra. Ao norte, possui uma profundidade de cerca de 400 metros. Em cada lado, o mar é encerrado por colinas áridas e rochedos íngremes. Embora o rio Jordão traga água fresca, não há escoadouro de água, exceto por evaporação, que é tão rápida quanto o influxo de água. A água represada contém cerca de 25 por cento de matéria sólida dissolvida, mormente sal, e é venenosa para os peixes e dolorosa para os olhos humanos. Ao visitarem quase qualquer parte da área ao redor do mar Morto, as pessoas são, com freqüência, tomadas de um sentimento de desolação e destruição. É um lugar de morte. Embora todo o local tenha sido antes “uma região bem regada . . . semelhante ao jardim de Jeová”, a área ao redor do mar Morto é agora, na maior parte, um “baldio desolado” e tem permanecido assim por quase 4.000 anos, como impressionante testemunho da imutabilidade dos julgamentos de Jeová que foram executados ali contra Sodoma e Gomorra. — Gên. 13:10; 19:27-29; Sof. 2:9.

      D-5 ARABÁ (AO SUL DO MAR MORTO)

      27. Que tipo de território constitui o Arabá meridional, e quem o controlava nos tempos antigos?

      27 Este trecho final do vale de Abatimento Tectônico estende-se ao sul por outros 160 quilômetros. Trata-se de uma região virtualmente desértica. A chuva é rara, e o sol a assola sem trégua. A Bíblia também a chama de “Arabá”. (Deut. 2:8) Próximo do meio, atinge seu ponto mais alto de mais de 200 metros acima do nível do mar e então declina novamente ao sul, em direção ao golfo de Acaba, ao braço oriental do mar Vermelho. Foi aqui, no porto de Eziom-Géber, que Salomão construiu uma frota de navios. (1 Reis 9:26) Durante grande parte do período dos reis de Judá, esta parte do Arabá esteve sob o controle do reino de Edom.

      E. MONTANHAS E PLANALTOS A LESTE DO JORDÃO

      28. De que valor tem sido as terras de Basã e de Gileade na agricultura, e como estiveram envolvidas estas regiões na história bíblica?

      28 O “lado do Jordão que dá para o leste” eleva-se rapidamente do vale de Abatimento Tectônico, para formar uma série de planaltos. (Jos. 18:7; 13:9-12; 20:8) Ao norte fica a terra de Basã (E-1), que, junto com metade de Gileade, foi dada à tribo de Manassés. (Jos. 13:29-31) Era uma região para gado, terra de agricultores, um fértil platô com, em média, cerca de 600 metros acima do nível do mar. (Sal. 22:12; Eze. 39:18; Isa. 2:13; Zac. 11:2) Nos dias de Jesus, esta área exportava muito cereal, e ainda hoje é produtiva. A seguir, ao sul, situa-se a terra de Gileade (E-2), cuja metade inferior foi designada à tribo de Gade. (Jos. 13:24, 25) A região montanhosa, que atinge 1.000 metros, regada por chuvas copiosas no inverno e por denso orvalho no verão, foi também uma boa região para criação de gado e era especialmente famosa pelo seu bálsamo. Hoje é notória por suas uvas seletas. (Núm. 32:1; Gên. 37:25; Jer. 46:11) Foi para a terra de Gileade que Davi fugiu de Absalão, e na parte ocidental, Jesus pregou nas “regiões de Decápolis”. — 2 Sam. 17:26-29; Mar. 7:31.

      29. A leste do Jordão, que terras situam-se ao sul, e pelo que eram notórias?

      29 A “terra dos filhos de Amom” (E-3) situa-se logo ao sul de Gileade, e metade desta foi dada à tribo de Gade. (Jos. 13:24, 25; Juí. 11:12-28) Trata-se de um planalto com elevações e depressões suaves, mais adequado para pasto de ovelhas. (Eze. 25:5) Ainda mais para o sul, acha-se a “terra de Moabe”. (Deut. 1:5) Os próprios moabitas eram grandes pastores de ovelhas, e até hoje a criação de ovelhas é a principal ocupação desta área. (2 Reis 3:4) Daí, ao sudeste do mar Morto, chegamos ao platô montanhoso de Edom (E-4). As ruínas de suas grandes fortalezas comerciais, tais como Petra, permanecem até hoje. — Gên. 36:19-21; Obd. 1-4.

      30. Com o que no Leste fazem os planaltos divisa?

      30 Ao leste destes montes e planaltos jaz o vasto ermo rochoso, que efetivamente impedia a viagem direta entre a Terra Prometida e a Mesopotâmia, obrigando as caravanas a fazer um desvio de muitos quilômetros ao norte. Ao sul, este ermo encontra-se com as dunas de areia do grande deserto da Arábia.

      F. MONTANHAS DO LÍBANO

      31. (a) O que constitui as montanhas do Líbano? (b) Que características do Líbano continuam como nos tempos bíblicos?

      31 Dominando a paisagem da Terra Prometida, há as montanhas do Líbano. São na verdade duas cadeias paralelas de montanhas. Os contrafortes da cordilheira do Líbano, propriamente dita, continuam adentro da Galiléia Superior. Em muitos lugares, estes montes atingem o litoral. O cume mais alto desta cordilheira ergue-se cerca de 3.000 metros acima do nível do mar. O cume mais alto na adjacente cordilheira do Antilíbano é o belo monte Hermom, elevando-se 2.814 metros acima do nível do mar. O degelo de sua neve representa a principal fonte de água do rio Jordão e uma fonte de orvalho durante o período de estiagem, no fim da primavera. (Sal. 133:3) As montanhas do Líbano eram especialmente conhecidas por seus gigantescos cedros, cuja madeira foi empregada com destaque na construção do templo de Salomão. (1 Reis 5:6-10) Ao passo que restam hoje apenas alguns bosques de cedros, nas encostas mais baixas ainda há vinhais, olivais e pomares, assim como nos tempos bíblicos. — Osé. 14:5-7.

      32. Como descreveu corretamente Moisés a Terra da Promessa?

      32 Ao passo que concluímos nossa visita à Terra da Promessa de Jeová, premida entre o ermo ameaçador, ao oeste, e o Grande mar, podemos formar um quadro mental da glória que outrora a envolveu, nos dias de Israel. Deveras, era ‘uma terra muitíssimo boa, que manava leite e mel’. (Núm. 14:7, 8; 13:23) Moisés referiu-se a ela nestas palavras: “Jeová, teu Deus, te introduz numa terra boa, uma terra de vales de torrentes de água, de fontes e de águas de profundeza surgindo no vale plano e na região montanhosa, uma terra de trigo e de cevada, e de videiras, e de figos, e de romãs, uma terra de azeitonas e de mel, uma terra em que não comerás pão com escassez, em que não carecerás de nada, uma terra cujas pedras são ferro e de cujas montanhas extrairás o cobre. Quando tiveres comido e te tiveres fartado, então terás de bendizer a Jeová, teu Deus, pela boa terra que te deu.” (Deut. 8:7-10) Que todos os que amam a Jeová dêem agora similarmente graças a ele por intencionar fazer de toda a terra um glorioso paraíso, segundo o modelo de sua antiga Terra da Promessa. — Sal. 104:10-24.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, páginas 236-7.

      b Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, página 239.

      c Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, página 240.

      d Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 3, páginas 225-8.

      e Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, página 238.

      [Mapa na página 272]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      REGIÕES NATURAIS da TERRA PROMETIDA

      (e território adjacente)

      MI 0 10 20 30 40 50 60

      KM 0 20 40 60 80

      (Para os cortes V—V, W—W, X—X, Y—Y, e Z—Z, veja a página seguinte.)

      EXPLICAÇÃO DOS NÚMEROS

      A Costa do Grande Mar

      B-1 Planície de Aser

      B-2 Faixa Costeira de Dor

      B-3 Planície Costeira de Sarom

      B-4 Planície da Filístia

      B-5 Vale Central Leste-Oeste (Planície de Megido, Baixada de Jezreel)

      C-1 Montes da Galiléia

      C-2 Montes do Carmelo

      C-3 Montes de Samaria

      C-4 Sefelá

      C-5 Região Montanhosa de Judá

      C-6 Ermo de Judá (Jesimom)

      C-7 Negebe

      C-8 Ermo de Parã

      D-1 Bacia Hulé

      D-2 Região ao Redor do Mar da Galiléia

      D-3 Distrito do Vale do Jordão (O Gor)

      D-4 O Mar Salgado (Morto) (Mar do Arabá)

      D-5 Arabá (ao sul do Mar Salgado)

      E-1 Terra de Basã

      E-2 Terra de Gileade

      E-3 Terra de Amom e de Moabe

      E-4 Platô Montanhoso de Edom

      F Montanhas do Líbano

      [Mapas na página 273]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      CORTES TÍPICOS DA TERRA PROMETIDA

      (Para as localidades, veja o mapa na página oposta.)

      A elevação é aproximadamente 10 vezes a medida linear

      Corte Oeste-Leste por Efraim (V—V)

      Mar Mediterrâneo

      B-3 Plancície Costeira de Sarom

      C-3 Montanhas de Samaria

      D-3 Arabá ou Vale do Jordão (O Gor)

      Qattara

      Zor

      E-2 Terra de Gileade

      MI 0 5 10

      KM 0 8 16

      Números à esquerda são METROS Números à direita são PÉS

      +900 +3.000

      +600 +2.000

      +300 +1.000

      0 (Nível do Mar) 0

      −300 −1.000

      −600 −2.000

      Corte Oeste-Leste por Judá (W—W)

      Mar Mediterrâneo

      B-4 Dunas de Areia

      Planície da Filístia

      C-4 Sefelá

      C-5 Região Montanhosa de Judá

      Jerusalém

      C-6 Ermo de Judá

      D-4 Vale de Abatimento Tectônico

      E-3 Terra de Amom e de Moabe

      MI 0 5 10

      KM 0 8 16

      Números à esquerda são METROS Números à direita são PÉS

      +900 +3.000

      +600 +2.000

      +300 +1.000

      0 (Nível do Mar) 0

      −300 −1.000

      −600 −2.000

      Corte Oeste-Leste por Judá (X—X)

      Mar Mediterrâneo

      B-4 Dunas de Areia

      Planície da Filístia

      C-4 Sefelá

      C-5 Região Montanhosa de Judá

      C-6 Ermo de Judá

      D-4 Vale de Abatimento Tectônico

      Mar Salgado

      E-3 Terra de Amom e de Moabe

      MI 0 5 10

      KM 0 8 16

      Números à esquerda são METROS Números à direita são PÉS

      +900 +3.000

      +600 +2.000

      +300 +1.000

      0 (Nível do Mar) 0

      −300 −1.000

      −600 −2.000

      −900 −3.000

      Corte Sul-Norte ao Longo das Montanhas a Oeste do Jordão (Y—Y)

      C-7 Negebe

      C-5 Região Montanhosa de Judá

      C-3 Montanhas de Samaria

      B-5 Baixada de Jezreel

      C-1 Colinas da Galiléia

      F

      MI 0 5 10 20

      KM 0 8 16 32

      Números à esquerda são METROS Números à direita são PÉS

      +900 +3.000

      +600 +2.000

      +300 +1.000

      0 (Nível do Mar) 0

      Corte Sul-Norte ao Longo do Arabá ou Vale de Abatimento Tectônico (Z—Z)

      D-5

      D-4 Mar Salgado

      D-3 Arabá ou Vale do Jordão (O Gor)

      D-2 Mar da Galiléia

      D-1 Bacia Hulé

      F

      MI 0 5 10 20

      KM 0 8 16 32

      Números à esquerda são METROS Números à direita são PÉS

      +900 +3.000

      +600 +2.000

      +300 +1.000

      0 (Nível do Mar) 0

      −300 −1.000

      −600 −2.000

      −900 −3.000

  • Estudo número 2 — O tempo e as Escrituras Sagradas
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Estudos das Escrituras Inspiradas e de Seu Fundo Histórico

      Estudo número 2 — O tempo e as Escrituras Sagradas

      Descrição das divisões do tempo usadas na Bíblia, dos calendários em uso comum, das datas fundamentais para a Bíblia e de pontos interessantes referentes à “corrente do tempo”.

      1, 2. O que escreveu Salomão a respeito do tempo, e em vista de sua natureza fugaz, o que devemos fazer com ele?

      O HOMEM está bem ciente da passagem do tempo. A cada tique-taque do relógio, ele avança um passo na corrente do tempo. Ele será deveras sábio se fizer bom uso de seu tempo. Conforme escreveu o Rei Salomão: “Para tudo há um tempo determinado, sim, há um tempo para todo assunto debaixo dos céus: tempo para nascer e tempo para morrer; tempo para plantar e tempo para desarraigar o que se plantou; tempo para matar e tempo para curar; tempo para derrocar e tempo para construir; tempo para chorar e tempo para rir.” (Ecl. 3:1-4) Quão fugaz é o tempo! Os 70 anos da duração normal da vida são breves demais para absorver o considerável conhecimento e tirar proveito de todas as outras coisas boas que Jeová tem dado ao homem nesta terra. “Tudo ele fez bonito no seu tempo. Pôs até mesmo tempo indefinido no seu coração, para que a humanidade nunca descobrisse o trabalho que o verdadeiro Deus tem feito do começo ao fim.” — Ecl. 3:11; Sal. 90:10.

      2 O próprio Jeová habita numa eternidade de tempo. Quanto às suas criaturas, agradou-lhe integrá-las na corrente do tempo. Os anjos dos céus, e mesmo o rebelde Satanás, estão plenamente cientes que o tempo passa. (Dan. 10:13; Rev. [Apo.] 12:12) A respeito dos humanos, está escrito: “O tempo e o imprevisto sobrevêm a todos.” (Ecl. 9:11) Feliz é o homem que a todo o tempo inclui Deus em seus pensamentos, e que acolhe de bom grado a provisão de Deus de “alimento no tempo apropriado”! — Mat. 24:45.

      3. O que têm em comum o tempo e o espaço?

      3 O Tempo É Unidirecional. Embora o tempo seja universal, nenhum homem que vive é capaz de defini-lo. É tão insondável quanto o espaço. Não há quem possa explicar onde começou a corrente do tempo e para onde vai. Estas coisas pertencem ao ilimitado conhecimento de Jeová, que é descrito como Deus de “tempo indefinido a tempo indefinido”. — Sal. 90:2.

      4. O que se pode dizer quanto à passagem do tempo?

      4 É, contudo, possível entender certas características do tempo. Pode-se medir seu aparente índice de escoamento. Além disso, é apenas unidirecional. Como o tráfego numa rua de mão única, o tempo passa inexoravelmente num só sentido — para a frente, sempre para a frente. Qualquer que seja sua velocidade para a frente, jamais se pode fazer o tempo recuar. O presente em que vivemos é momentâneo. Contudo, este presente está em movimento; corre continuamente em direção ao passado, sem cessar.

      5. Por que se pode dizer que o passado ou foi ganho ou foi perdido?

      5 O passado. O passado passou; entrou na história, e nunca poderá repetir-se. Toda tentativa de fazê-lo retornar é tão impossível quanto tentar fazer uma cachoeira cair de baixo para cima, ou uma flecha voar de volta em direção do arco que a atirou. Nossos erros deixaram suas marcas na corrente do tempo; só Jeová as pode apagar. (Isa. 43:25) Da mesma forma, as boas ações do homem, praticadas no passado, constituem uma folha de serviço que “retornará a ele” junto com bênçãos de Jeová. (Pro. 12:14; 13:22) O passado ou foi ganho ou foi perdido. Não se tem mais controle sobre ele. Sobre os iníquos, escreveu-se: “Pois murcharão rapidamente como a erva e desvanecer-se-ão como a nova relva verde.” — Sal. 37:2.

      6. Como é que o futuro difere do passado, e por que nos deve interessar especialmente?

      6 O Futuro. O futuro é diferente. Está vindo sempre ao nosso encontro. Com a ajuda da Palavra de Deus, podemos reconhecer os obstáculos que porventura surjam diante de nós, e preparar-nos para fazer face a eles. Podemos acumular para nós “tesouros no céu”. (Mat. 6:20) Tais tesouros não serão varridos pela corrente do tempo. Ficarão conosco, e perdurarão num futuro eterno de bênçãos. Estamos interessados no uso sábio do tempo, pois nosso futuro depende disso. — Efé. 5:15, 16.

      7. De que meios proveu Jeová o homem para marcar o tempo?

      7 Coisas Para Medir o Tempo. Hoje em dia, nossos relógios marcam o tempo. Servem como réguas para medir o tempo. Do mesmo modo, Jeová, o Criador, pôs em movimento gigantescos medidores do tempo — a terra, que gira em torno de seu eixo, a lua, que gira em torno da terra, e o sol — de modo que o homem, de sua posição na terra, pode saber com exatidão a respeito do tempo. “E Deus prosseguiu, dizendo: ‘Venha a haver luzeiros na expansão dos céus para fazerem separação entre o dia e a noite; e eles terão de servir de sinais, e para épocas, e para dias, e para anos.’” (Gên. 1:14) Assim, como um grande número de objetos com propósitos interligados, esses corpos celestes se movem nos seus ciclos perfeitos, e medem sem parar e sem erro o movimento unidirecional do tempo.

      8. Em que diferentes sentidos é usada na Bíblia a palavra “dia”?

      8 O Dia. Na Bíblia, a palavra “dia” é empregada em vários sentidos, assim como tem diversas aplicações nos tempos modernos. Uma rotação completa da terra em torno de seu eixo marca um dia de 24 horas. Neste sentido, o dia é composto do período diurno e do noturno, um total de 24 horas. (João 20:19) No entanto, o próprio período de claridade, que dura em média geralmente 12 horas, é também chamado de dia. “E Deus começou a chamar a luz de Dia, mas a escuridão chamou de Noite.” (Gên. 1:5) Isto nos leva ao termo “noite”, o período usualmente de cerca de 12 horas de escuridão. (Êxo. 10:13) Outro sentido da palavra “dia(s)” designa um espaço de tempo contemporâneo a uma pessoa notável. Por exemplo, Isaías teve uma visão “nos dias de Uzias, de Jotão, de Acaz e de Ezequias” (Isa. 1:1), e os dias de Noé e de Ló são mencionados como sendo proféticos. (Luc. 17:26-30) Outro exemplo do uso flexível ou figurativo da palavra “dia” é a declaração de Pedro de que “um só dia é para Jeová como mil anos”. (2 Ped. 3:8) No relato de Gênesis, o dia criativo é um espaço de tempo ainda mais longo — milênios. (Gên. 2:2, 3; Êxo. 20:11) O contexto bíblico determina em que sentido se deve entender a palavra “dia”.

      9. (a) Como se originou a divisão do dia em 24 horas de 60 minutos? (b) Que meios de contar o tempo são mencionados nas Escrituras Hebraicas?

      9 A Hora. A divisão do dia em 24 horas vem do Egito. A atual divisão da hora em 60 minutos origina-se da matemática de Babilônia, a qual era um sistema sexagesimal (tinha por base o número 60). Não se faz menção nas Escrituras Hebraicas de divisão em horas.a Em vez de divisão do dia em horas específicas, as Escrituras Hebraicas empregam expressões tais como “manhã”, “meio-dia” e “anoitecer” para indicar a hora. (Gên. 24:11; 43:16; Deut. 28:29; 1 Reis 18:26) A noite era dividida em três períodos chamados “vigílias da noite” (Sal. 63:6), duas das quais são mencionadas especificamente na Bíblia: “vigília média da noite” (Juí. 7:19) e “vigília da madrugada”. — Êxo. 14:24; 1 Sam. 11:11.

      10. Como contavam as horas os judeus no tempo de Jesus, e como o conhecimento disto nos ajuda a determinar a hora da morte de Jesus?

      10 Entretanto, a palavra “hora” aparece muitas vezes nas Escrituras Gregas Cristãs. (João 12:23; Mat. 20:2-6) As horas eram contadas a partir do nascer do sol, ou por volta das 6 horas da manhã. A Bíblia menciona a “terceira hora”, que seria por volta de 9 horas da manhã. A “sexta hora” é mencionada como sendo a hora em que a escuridão caiu sobre Jerusalém quando Jesus foi pregado na estaca. Isto corresponde ao nosso meio-dia, 12 horas. Declara-se que Jesus expirou na estaca de tortura “por volta da nona hora”, ou cerca das 15 horas. — Mar. 15:25; Luc. 23:44; Mat. 27:45, 46.b

      11. A que época remonta o emprego da “semana” como meio de contar o tempo?

      11 A Semana. Foi cedo na história que o homem começou a contar os dias em períodos de sete. Agindo assim, ele seguiu o exemplo de seu Criador, que coroou seus seis dias criativos de um sétimo período também chamado de dia. Noé contava os dias em períodos de sete. Em hebraico, “semana” significa literalmente uma unidade ou período sétuplo. — Gên. 2:2, 3; 8:10, 12; 29:27.

      12. O que é um mês lunar, e como difere dos meses atuais?

      12 Os Meses Lunares. A Bíblia fala de “meses lunares”. (Êxo. 2:2; Deut. 21:13; 33:14; Esd. 6:15) Nossos meses atuais não são lunares, pois não são determinados pela lua. São apenas divisões arbitrárias do ano solar, em número de 12. O mês lunar é um mês determinado pela lua nova. Há quatro fases da lua, que constituem uma lunação de cerca de 29 dias, 12 horas e 44 minutos. Basta olhar para o formato da lua para determinar aproximadamente o dia do mês lunar.

      13. Como foi o Dilúvio relatado com exatidão quanto ao tempo?

      13 Em vez de usar rigorosamente meses lunares, Noé parece ter relatado os eventos seguindo um esquema de meses de 30 dias. Pelo diário de bordo que Noé manteve na arca, entendemos que as águas do Dilúvio predominaram sobre a terra por um período de cinco meses, ou seja, “cento e cinqüenta dias”. Foi depois de 12 meses e 10 dias que a terra secou, de modo que os passageiros da arca puderam sair. Assim, esses eventos históricos foram relatados com exatidão quanto ao tempo. — Gên. 7:11, 24; 8:3, 4, 14-19.

      14. (a) Como providenciou Jeová que houvesse estações? (b) Por quanto tempo continuarão a existir as estações?

      14 As Estações. Ao preparar a terra como lugar de habitação, Jeová fez provisão sábia e amorosa de estações. (Gên. 1:14) Elas se sucedem em razão da inclinação da terra, cujo eixo forma um ângulo de 23,5° em relação ao plano da sua órbita em volta do sol. Isto resulta em primeiro o Hemisfério Sul e depois, seis meses mais tarde, o Hemisfério Norte penderem em direção do sol, de modo que as estações se sucedem alternadamente. Essa mudança de estações produz variedade e contraste, e regula as épocas para o plantio e para a colheita. A Palavra de Deus nos assegura que essa alternação e contraste de estações durante o ano continuará para sempre. “Pois, por todos os dias que a terra continuar nunca cessarão sementeira e colheita, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite.” — Gên. 8:22.

      15, 16. (a) Como se pode subdividir a estação chuvosa na Palestina? (b) Descreva as estações das chuvas e a relação destas estações com a atividade agrícola.

      15 Na Palestina, de modo geral, pode-se dividir o ano em estação chuvosa e estação seca. De aproximadamente meados de abril até meados de outubro, chove muito pouco. A estação das chuvas pode ser dividida nas primeiras chuvas, ou chuvas ‘outonais’ (outubro-novembro); as pesadas chuvas do inverno e o tempo mais frio (dezembro-fevereiro); e as últimas chuvas, ou chuvas ‘primaveris’ (março-abril). (Deut. 11:14; Joel 2:23) Estas divisões são aproximativas, pois as estações se sobrepõem por causa da variação do clima em diferentes partes do país. As primeiras chuvas amaciam o solo seco, de modo que outubro-novembro é tempo “da lavoura” e da “sementeira”. (Êxo. 34:21; Lev. 26:5) Durante as pesadas chuvas de inverno, de dezembro a fevereiro, não é incomum nevar, e, em janeiro e fevereiro, a temperatura talvez caia abaixo de zero nas terras mais altas. A Bíblia fala de Benaia, um dos homens poderosos de Davi, ter matado um leão “num dia em que nevou”. — 2 Sam. 23:20.

      16 Os meses de março e abril (que correspondem aproximadamente aos meses hebraicos de nisã e íiar) são os meses da “chuva primaveril”. (Zac. 10:1) Trata-se das últimas chuvas, indispensáveis para fazer inchar o cereal plantado no outono, para que a colheita seja boa. (Osé. 6:3; Tia. 5:7) É também a estação da primeira colheita, e Deus ordenou a Israel que oferecesse os primeiros frutos da colheita em 16 de nisã. (Lev. 23:10; Rute 1:22) É tempo de beleza e deleite. “As próprias flores apareceram na terra, chegou o próprio tempo da poda das vides e ouviu-se a voz da própria rola em nossa terra. Quanto à figueira, atingiu a cor madura para os seus figos temporãos; e as videiras estão em flor, têm dado a sua fragrância.” — Cân. 2:12, 13.

      17. (a) Como são sustentadas as safras durante a estação seca? (b) Considere a tabela “O Ano dos Israelitas” e divida o ano segundo as estações, conforme consideradas nos parágrafos 15-17. (c) Quando era a colheita dos cereais e o tempo quando todos os frutos já tinham sido colhidos, e que festividades coincidiam com tais eventos?

      17 Em meados de abril começa a estação seca, mas quase durante todo esse tempo, e especialmente nas planícies costeiras e nas encostas ocidentais das montanhas, uma abundância de orvalho sustenta as safras do verão. (Deut. 33:28) A colheita dos cereais é feita em maio, e era no fim desse mês que se celebrava a Festividade das Semanas (Pentecostes). (Lev. 23:15-21) Daí, ao se tornar cada vez mais quente o tempo e mais seco o solo, as uvas nas videiras amadurecem e são colhidas, seguindo-se outros frutos do verão, tais como azeitonas, tâmaras e figos. (2 Sam. 16:1) No fim da estação seca e começo das primeiras chuvas, todo o fruto da terra já estava colhido, e era então (por volta do começo de outubro) que se celebrava a Festividade das Barracas, ou das Tendas. — Êxo. 23:16; Lev. 23:39-43.

      18. (a) Por que é apropriado o significado da palavra hebraica para “ano”? (b) O que é o verdadeiro ano solar no tocante à terra?

      18 O Ano. Nosso estudo do tempo segundo a Bíblia nos leva agora à expressão “ano”. Desde o início da história do homem, ele é mencionado. (Gên. 1:14) A palavra hebraica para “ano”, sha·náh, vem de uma raiz que significa “repetir; fazer de novo” e engloba a idéia de um ciclo de tempo. Isto era apropriado, visto que todo ano o ciclo das estações se repetia. Um ano terrestre tem a ver com o tempo que leva para a terra fazer uma revolução completa, uma trajetória, em volta do sol. O ano solar é, mais precisamente, o período entre um equinócio vernal e o próximo. Em média, é de 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46 segundos, ou aproximadamente 365 1/4 dias. Este é chamado o verdadeiro ano solar.

      19. (a) Como eram contados os antigos anos bíblicos? (b) Que “ano sagrado” decretou mais tarde Jeová?

      19 Os Anos Bíblicos. Segundo o cálculo bíblico antigo, o ano ia de outono a outono (no hemisfério norte). Isto era especialmente adequado para a vida agrícola, visto que o ano começava com a lavragem da terra e a sementeira, aproximadamente na primeira parte do nosso mês de outubro, e terminava com o ajuntamento da colheita. Noé contava o ano começando no outono. Ele registrou que o Dilúvio começou “no segundo mês”, que corresponde à última metade de outubro e primeira metade de novembro. (Gên. 7:11, nota) Até hoje, muitos povos na terra ainda começam a contar seu novo ano no outono. No tempo do Êxodo do Egito, em 1513 AEC, Jeová decretou que abibe (nisã) devia ser “o começo dos meses” para os judeus, de modo que tinham agora um “ano sagrado”, que ia de primavera a primavera. (Êxo. 12:2) Entretanto, os judeus hoje observam um ano secular, ou civil, que começa no outono, sendo tisri o primeiro mês.

      20. Como era ajustado o ano lunar para corresponder ao ano solar, e o que são anos lunissolares?

      20 O Ano Lunissolar. Até o tempo de Cristo, a maioria das nações usavam anos lunares para contar o tempo, usando várias formas de ajustar o ano para coincidir mais ou menos com o ano solar. O ano lunar comum, de 12 meses lunares, tem 354 dias, tendo os meses 29 ou 30 dias, dependendo do aparecimento de cada lua nova. O ano lunar tem, portanto, cerca de 11 1/4 dias a menos do que o verdadeiro ano solar de 365 1/4 dias. Os hebreus seguiam o ano lunar. Quanto a como ajustavam esse ano para coincidir com o ano solar e as estações, a Bíblia não diz, mas eles devem ter acrescentado meses suplementares, ou intercalares, quando necessário. Mais tarde, a utilização de meses intercalares foi sistematizada no quinto século AEC naquilo que hoje é conhecido por ciclo metônico. Isto permitiu acrescentar o mês intercalar sete vezes a cada 19 anos, e, no calendário judaico, era acrescentado depois do 12.º mês, o mês de adar, e era chamado de veadar, ou “segundo adar”. Quando se ajusta assim o calendário lunar com o sol, os anos, de 12 ou 13 meses, são chamados anos lunissolares.

      21. (a) O que é o calendário juliano? (b) Por que é mais exato o calendário gregoriano?

      21 Os Calendários Gregoriano e Juliano. Um calendário é um sistema que permite fixar o começo, a duração e as divisões do ano, e colocar tais divisões em ordem. O calendário juliano foi introduzido por Júlio César, em 46 AEC, para o povo romano contar o tempo segundo o ano solar que substituía o ano lunar. Segundo o calendário juliano, há 365 dias no ano, com uma exceção: a cada quarto ano (ano bissexto) acrescenta-se um dia, perfazendo 366 dias. Com o passar do tempo, porém, percebeu-se que o ano do calendário juliano tem, na realidade, um pouco mais de 11 minutos do que o verdadeiro ano solar. No século 16 EC, acumulara-se uma diferença de dez dias inteiros. Assim, em 1582, o Papa Gregório XIII revisou ligeiramente o calendário, instituindo o que hoje chamamos de calendário gregoriano. Por meio de bula papal, foram omitidos dez dias do ano 1582, de modo que o dia depois de 4 de outubro se tornou 15 de outubro. Segundo o calendário gregoriano, os séculos não divisíveis por 400 não devem ser considerados anos bissextos. Por exemplo, dessemelhante do ano 2000, o ano de 1900 não foi um ano bissexto, porque o número 1900 não é divisível por 400. O calendário gregoriano é agora de uso geral na maior parte do mundo.

      22, 23. Qual é a duração de um ano profético?

      22 “Ano” Profético. Na profecia bíblica, a palavra “ano” é com freqüência usada em sentido especial, como o equivalente de 12 meses, tendo cada mês 30 dias, num total de 360 dias. Note o que certa autoridade no assunto diz ao comentar Ezequiel 4:5, 6: “Temos de supor que Ezequiel conhecia o ano de 360 dias. Não se trata nem dum verdadeiro ano solar nem de ano lunar. É o ano ‘médio’ em que todo mês tem 30 dias.”c

      23 Um ano profético é também chamado de “tempo”, e um estudo de Revelação 11:2, 3 e 12:6, 14 revela que um “tempo” é considerado 360 dias. Na profecia, um ano é muitas vezes também representado simbolicamente por “dia”. — Eze. 4:5, 6.

      24. Com que começavam muitos povos antigos as suas contagens?

      24 Não Há Ano Zero. Os povos antigos, incluindo os eruditos gregos, os romanos e os judeus, não conheciam o zero. Para eles, tudo começava a ser contado a partir de um. Quando estudou os números romanos na escola (I, II, III, IV, V, X, etc.), será que aprendeu o número zero? Não, porque os romanos não tinham zero. Visto que os romanos não usavam o número zero, a Era Comum não começou com o ano zero, mas com 1 EC. Isto deu origem também à sucessão de números ordinais, tais como primeiro (1.º), segundo (2.º), terceiro (3.º), décimo (10.º) e centésimo (100.º). Na matemática moderna, o homem imagina que tudo começa a partir de nada, ou seja, de zero. O zero foi provavelmente inventado pelos hindus.

      25. Como diferem os números ordinais dos números cardinais?

      25 Assim se dá que, toda vez que utilizamos números ordinais, precisamos sempre subtrair um para obtermos o número inteiro. Por exemplo, quando falamos de uma data no século 20 EC (vigésimo século EC), significa que passaram 20 séculos completos? Não, significa que passaram 19 séculos completos, mais alguns anos. Para expressarmos números completos, a Bíblia, bem como a matemática moderna, emprega números cardinais, tais como 1, 2, 3, 10 e 100. Estes são também chamados de “números inteiros”.

      26. Como calcularia (a) os anos de 1.º de outubro de 607 AEC a 1.º de outubro de 1914 EC? (b) 2.520 anos a partir de 1.º de outubro de 607 AEC?

      26 Ora, visto que a Era Comum não começou com o ano zero, mas com 1 EC, e, visto que o calendário para os anos antes da Era Comum não contava para trás a partir de zero, mas começou com 1 AEC, o número empregado para o ano em qualquer data é na realidade um número ordinal. Isto significa que 1990 EC realmente representa 1989 anos inteiros desde o começo da Era Comum, e a data de 1.º de julho de 1990 representa 1.989 anos, mais meio ano desde o começo da Era Comum. O mesmo princípio se aplica às datas AEC. Portanto, para calcular quantos anos passaram entre 1.º de outubro de 607 AEC e 1.º de outubro de 1914 EC, adicione 606 anos (mais os últimos três meses do ano anterior) a 1.913 (mais os primeiros nove meses do ano seguinte), e o resultado será 2.519 (mais 12 meses), ou seja, 2.520 anos. Ou, se desejar calcular qual seria a data de 2.520 anos posterior a 1.º de outubro de 607 AEC, lembre-se de que 607 é um número ordinal — representa realmente 606 anos inteiros — e, visto que estamos contando, não a partir de 31 de dezembro de 607 AEC, mas a partir de 1.º de outubro de 607 AEC, precisamos adicionar a 606 três meses no fim de 607 AEC. Agora subtraia 606 1/4 de 2.520 anos. O que resta é 1.913 3/4 anos. Isto é, 2.520 anos a partir de 1.º de outubro de 607 AEC nos leva a 1.913 3/4 anos na Era Comum — 1.913 anos inteiros nos levam ao começo de 1914 EC, e mais três quartos de um ano adicionados nos leva a 1.º de outubro de 1914 EC.d

      27. O que são datas fundamentais, e por que são de grande valor?

      27 Datas Fundamentais. A fidedigna cronologia bíblica baseia-se em certas datas fundamentais. Uma data fundamental é uma data calendar na história que tem firme base de aceitação e corresponde a um evento específico relatado na Bíblia. Pode então servir de ponto de partida para localizar com certeza no calendário uma série de eventos bíblicos. Uma vez estabelecida esta data fundamental, os cálculos para frente ou para trás a partir dessa data são feitos com base nos relatos exatos da própria Bíblia, como a declarada duração da vida de pessoas ou a dos reinados dos reis. Assim, partindo de um ponto fixo, podemos usar a fidedigna cronologia interna da própria Bíblia para datar muitos dos relatados eventos bíblicos.

      28. Que data fundamental há para as Escrituras Hebraicas?

      28 Data Fundamental Para as Escrituras Hebraicas. Um evento proeminente relatado tanto na Bíblia como na história secular é a queda da cidade de Babilônia diante dos medos e persas sob o comando de Ciro. A Bíblia relata este evento em Daniel 5:30. Diversas fontes históricas (incluindo Deodoro, Africano, Eusébio, Ptolomeu e as tabuinhas babilônicas) confirmam 539 AEC como o ano da queda de Babilônia diante de Ciro. A Crônica de Nabonido dá o mês e o dia da queda da cidade (o ano não aparece). Os cronologistas seculares estabeleceram, pois, a data da queda de Babilônia em 11 de outubro de 539 AEC, segundo o calendário juliano, ou 5 de outubro no calendário gregoriano.e

      29. Quando foi emitido o decreto de Ciro, dando oportunidade a quê?

      29 Após a queda de Babilônia, e durante seu primeiro ano de domínio sobre a vencida Babilônia, Ciro emitiu seu famoso decreto que autorizava os judeus a retornar a Jerusalém. Em vista do relato da Bíblia, o decreto foi promulgado provavelmente em fins de 538 AEC ou perto da primavera de 537 AEC. Isto daria ampla oportunidade para os judeus se restabelecerem na sua terra e ir a Jerusalém para restaurar a adoração de Jeová no “sétimo mês”, tisri, ou por volta de 1.º de outubro de 537 AEC. — Esd. 1:1-4; 3:1-6.f

      30. Como se determina que 29 EC é uma data fundamental para as Escrituras Gregas Cristãs?

      30 Data Fundamental Para as Escrituras Gregas Cristãs. Determina-se uma data fundamental para as Escrituras Gregas Cristãs pela data da sucessão de Tibério César ao imperador Augusto. Augusto morreu em 17 de agosto de 14 EC (calendário gregoriano); Tibério foi nomeado imperador pelo Senado romano em 15 de setembro de 14 EC. Declara-se em Lucas 3:1, 3, que João, o Batizador, começou seu ministério no 15.º ano do reinado de Tibério. Se os anos foram contados a partir da morte de Augusto, o 15.º ano se estendeu de agosto de 28 EC a agosto de 29 EC. Se foram contados a partir de quando Tibério foi nomeado imperador pelo Senado, o ano transcorreu a partir de setembro de 28 EC até setembro de 29 EC. Logo após isso, Jesus, que era uns seis meses mais novo do que João, o Batizador, apresentou-se para ser batizado, quando “tinha cerca de trinta anos”. (Luc. 3:2, 21-23; 1:34-38) Isto concorda com a profecia de Daniel 9:25, de que 69 “semanas” (semanas proféticas de 7 anos cada uma, perfazendo assim 483 anos) passariam “desde a saída da palavra para se restaurar e reconstruir Jerusalém” e sua muralha até o aparecimento do Messias. (Dan. 9:24, nota) Essa “palavra” foi promulgada por Artaxerxes (Longímano) em 455 AEC, e foi executada em Jerusalém por Neemias no fim daquele ano. E, 483 anos mais tarde, em fins de 29 EC, quando Jesus foi batizado por João, Jesus foi também ungido por Deus com espírito santo, tornando-se assim o Messias, ou Ungido. Que Jesus foi batizado e começou seu ministério no fim daquele ano, está de acordo com a profecia de que ele seria cortado “na metade da semana” de anos (ou depois de três anos e meio). (Dan. 9:27) Visto que morreu na primavera, seu ministério de três anos e meio deve ter começado perto do outono de 29 EC.g Incidentalmente, estas duas linhas de evidência provam também que Jesus nasceu no outono de 2 AEC, visto que Lucas 3:23 mostra que Jesus tinha cerca de 30 anos quando começou seu serviço.h

      31. (a) Por que parece variar a velocidade do tempo? (b) Portanto, que vantagem têm as pessoas jovens?

      31 O que Faz o Tempo Passar Mais Rápido. Há um velho ditado que diz que “nunca ferve a panela que muito se olha”. É verdade que, quando ficamos observando o tempo passar, quando estamos cônscios dele, quando estamos na expectativa, então parece que o tempo passa com demasiada lentidão. Mas, quando nos mantemos ocupados, quando estamos interessados e absortos no que fazemos, então, realmente, parece que o “tempo voa”. Também, o tempo parece passar muito mais rápido para as pessoas mais idosas do que para as crianças. Por que se dá isso? Um ano acrescentado à vida de um bebê de um ano significa um aumento de 100 por cento de vida. Um ano acrescentado à vida de um adulto de 50 anos significa um acréscimo de apenas 2 por cento. Para uma criança, um ano parece um tempo bem longo. Para uma pessoa de mais idade, que se mantém ocupada e tem boa saúde, parece que os anos voam cada vez mais rápido. Chega a ter entendimento mais profundo das palavras de Salomão: “Não há nada de novo debaixo do sol.” Por outro lado, os jovens têm diante de si os aparentemente mais longos anos de formação. Em vez de se esforçarem “para alcançar o vento” com um mundo materialista, poderão aproveitar seus anos para ajuntar riquezas na forma de experiência piedosa. São oportunas as palavras adicionais de Salomão: “Lembra-te, pois, do teu Grandioso Criador nos dias da tua idade viril, antes que passem a vir os dias calamitosos ou cheguem os anos em que dirás: ‘Não tenho agrado neles.’” — Ecl. 1:9, 14; 12:1.

      32. Como poderão os humanos compreender melhor o ponto de vista de Jeová relativo ao tempo?

      32 O Tempo — Quando Se Viverá Para Sempre. No entanto, no futuro haverá dias alegres que nem de longe serão calamitosos. Os que amam a justiça, cujos ‘tempos estão na mão de Jeová’, podem aguardar a vida eterna no domínio do Reino de Deus. (Sal. 31:14-16; Mat. 25:34, 46) Sob o Reino, a morte não mais existirá. (Rev. 21:4) A ociosidade, a doença, o enfado e a vaidade terão desaparecido. Haverá trabalho a ser feito, absorvente e interessante, que exigirá as perfeitas habilidades do homem e trará intensa satisfação na sua realização. Os anos darão a impressão de passar cada vez mais depressa, e as mentes apreciativas, capazes de boa retenção, serão continuamente enriquecidas pela recordação de eventos felizes. Com o passar dos milênios, os humanos nesta terra chegarão sem dúvida a compreender melhor o ponto de vista de Jeová relativo ao tempo: ‘Pois mil anos aos olhos de Jeová são apenas como o ontem que passou.’ — Sal. 90:4.

      33. Quanto ao tempo, que bênção ordenou Jeová?

      33 Considerando a passagem do tempo do nosso ponto de vista humano e levando em conta a promessa de Deus de um novo mundo de justiça, quão alegres são as perspectivas de bênçãos naqueles dias: “Pois ali Jeová ordenou que estivesse a bênção, sim, vida por tempo indefinido.” — Sal. 133:3.

      [Nota(s) de rodapé]

      a A palavra “hora” aparece na versão Almeida, ed. rev. e corr., em Daniel 3:6, 15; 4:33; 5:5, do aramaico; entretanto, o Concordance, Hebrew and Chaldee Dictionary, de Strong, dá o sentido da palavra como sendo “uma olhada, i.e., um instante”. É traduzida por “instante” na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas.

      b Veja as notas sobre estas passagens bíblicas.

      c Biblical Calendars, 1961, de J. Van Goudoever, página 75.

      d Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, página 612.

      e Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, páginas 607-8, 612; veja também “Nabonido”.

      f Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, página 513.

      g Estudo Perspicaz das Escrituras, “Setenta Semanas”.

      h Estudo Perspicaz das Escrituras, “Jesus Cristo”.

      [Tabela na página 281]

      O ANO DOS ISRAELITAS

      Nome do Mês nisã (abibe)

      Corresponde a março - abril

      Ano Sagrado 1.º mês

      Ano Secular 7.º mês

      Citações Êxo. 13:4;

      Nee. 2:1

      Festividades 14 de nisã - Páscoa

      15-21 de nisã - Festividade dos Pães não

      Fermentados

      16 de nisã - Oferta de primícias

      Nome do Mês íiar (zive)

      Corresponde a abril - maio

      Ano Sagrado 2.º mês

      Ano Secular 8.º mês

      Citações 1 Reis 6:1

      Festividades

      Nome do Mês sivã

      Corresponde a maio - junho

      Ano Sagrado 3.º mês

      Ano Secular 9.º mês

      Citações Est. 8:9

      Festividades 6 de sivã - Festividade das Semanas

      (Pentecostes)

      Nome do Mês tamuz

      Corresponde a junho - julho

      Ano Sagrado 4.º mês

      Ano Secular 10.º mês

      Citações Jer. 52:6

      Festividades

      Nome do Mês ab

      Corresponde a julho - agosto

      Ano Sagrado 5.º mês

      Ano Secular 11.º mês

      Citações Esd. 7:8

      Festividades

      Nome do Mês elul

      Corresponde a agosto - setembro

      Ano Sagrado 6.º mês

      Ano Secular 12.º mês

      Citações Nee. 6:15

      Festividades

      Nome do Mês tisri (etanim)

      Corresponde a setembro - outubro

      Ano Sagrado 7.º mês

      Ano Secular 1.º mês

      Citações 1 Reis 8:2

      Festividades 1.º de tisri - Dia de toque de trombeta

      10 de tisri - Dia da Expiação

      15-21 de tisri - Festividade das Barracas

      22 de tisri - Assembléia solene

      Nome do Mês chesvã (bul)

      Corresponde a outubro - novembro

      Ano Sagrado 8.º mês

      Ano Secular 2.º mês

      Citações 1 Reis 6:38

      Festividades

      Nome do Mês quisleu

      Corresponde a novembro - dezembro

      Ano Sagrado 9.º mês

      Ano Secular 3.º mês

      Citações Nee. 1:1

      Festividades

      Nome do Mês tebete

      Corresponde a dezembro - janeiro

      Ano Sagrado 10.º mês

      Ano Secular 4.º mês

      Citações Est. 2:16

      Festividades

      Nome do Mês sebate

      Corresponde a janeiro - fevereiro

      Ano Sagrado 11.º mês

      Ano Secular 5.º mês

      Citações Zac. 1:7

      Festividades

      Nome do Mês adar

      Corresponde a fevereiro - março

      Ano Sagrado 12.º mês

      Ano Secular 6.º mês

      Citações Est. 3:7

      Festividades

      Nome do Mês veadar

      Corresponde a (mês intercalar)

      Ano Sagrado 13.º mês

      Ano Secular

      Citações

      Festividades

  • Estudo número 3 — Localização dos eventos na corrente do tempo
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Estudos das Escrituras Inspiradas e de Seu Fundo Histórico

      Estudo número 3 — Localização dos eventos na corrente do tempo

      A contagem do tempo nos dias bíblicos, e uma consideração da cronologia dos eventos destacados das Escrituras Hebraicas e Gregas.

      1. (a) Que indicações há de que Jeová é um cronometrista preciso? (b) Que progresso tem sido feito no entendimento da cronologia bíblica?

      AO DAR a Daniel a visão do “rei do norte” e do “rei do sul”, o anjo de Jeová várias vezes usou a expressão “o tempo designado”. (Dan. 11:6, 27, 29, 35) Há muitos outros textos, também, que indicam que Jeová é um cronometrista preciso, que cumpre seus propósitos exatamente no tempo. (Luc. 21:24; 1 Tes. 5:1, 2) Em sua Palavra, a Bíblia, ele forneceu muitos “marcos indicadores” que nos ajudam a localizar importantes acontecimentos na corrente do tempo. Progrediu-se muito no entendimento da cronologia bíblica. Pesquisas de arqueólogos e outros continuam a elucidar vários problemas, possibilitando-nos determinar quando aconteceram os eventos principais do registro bíblico. — Pro. 4:18.

      2. Dê exemplo de cálculo com números ordinais.

      2 Números Ordinais e Cardinais. No estudo anterior (parágrafos 24 e 25), vimos que há uma diferença entre números cardinais e números ordinais. Deve-se ter isto em mente ao medir períodos bíblicos em harmonia com modernos métodos de datação. Por exemplo, na referência ao “trigésimo sétimo ano do exílio de Joaquim, rei de Judá”, o termo “trigésimo sétimo” é um número ordinal. Representa 36 anos completos mais alguns dias, semanas, ou meses (qualquer que seja o tempo que tenha passado desde o fim do 36.º ano). — Jer. 52:31.

      3. (a) Que anais ajudam a calcular datas bíblicas? (b) O que era um ano de reinado, e o que era um ano de ascensão?

      3 Anos de Reinado e de Ascensão. A Bíblia se refere aos anais dos governos de Judá e de Israel, bem como a assuntos de estado de Babilônia e da Pérsia. Em todos esses quatro reinos, a cronologia estatal era calculada com precisão segundo os reinados dos reis, e o mesmo sistema de calcular foi incorporado na Bíblia. Em muitos casos, a Bíblia dá o nome do documento citado, como, por exemplo, o “livro dos assuntos de Salomão”. (1 Reis 11:41) O reinado de um rei abrangeria parte dum ano de ascensão, a ser seguido por um número completo de anos de reinado. Anos de reinado eram os anos oficiais do exercício da realeza, e eram em geral contados de nisã a nisã, ou de primavera a primavera [do hemisfério norte]. Quando um rei subia ao trono, os meses intermediários até o próximo mês primaveril de nisã eram chamados de ano de ascensão, durante o qual ele completava o período de reinado de seu antecessor. No entanto, o seu próprio período de reinado oficial era contado a partir do dia 1.º do nisã seguinte.

      4. Mostre como a cronologia bíblica pode ser calculada segundo os anos de reinado.

      4 Como exemplo, parece que Salomão começou a reinar algum tempo antes de nisã de 1037 AEC, enquanto Davi ainda vivia. Pouco depois, Davi morreu. (1 Reis 1:39, 40; 2:10) Contudo, o último ano do reinado de Davi continuou até a primavera de 1037 AEC, ainda sendo contado como parte de sua administração de 40 anos. O ano parcial, a partir do início do reinado de Salomão até a primavera de 1037 AEC, é mencionado como ano de ascensão de Salomão, e não podia ser contado como ano de reinado dele, visto que ele ainda completava o período de administração de seu pai. Por conseguinte, o primeiro ano completo de reinado de Salomão só começou em nisã de 1037 AEC. (1 Reis 2:12) Por fim, 40 anos de reinado completos foram atribuídos à administração de Salomão como rei. (1 Reis 11:42) Por se manterem os anos de reinado separados dos anos de ascensão, é possível calcular com exatidão a cronologia bíblica.a

      CONTAGEM PARA TRÁS ATÉ A CRIAÇÃO DE ADÃO

      5. Como se calcula a data da restauração da adoração de Jeová em Jerusalém?

      5 Começando com a Data-Chave. A data-chave para a contagem para trás até a criação de Adão é aquela em que Ciro derrubou a dinastia babilônica, 539 AEC.b Ciro emitiu seu decreto de libertação para os judeus durante seu primeiro ano, antes da primavera de 537 AEC. Esdras 3:1 diz que os filhos de Israel estavam de volta em Jerusalém por volta do sétimo mês, tisri, que corresponde a partes de setembro e outubro. Portanto, o outono de 537 AEC é reconhecido como a data da restauração da adoração de Jeová em Jerusalém.

      6. (a) Que predito período findou no outono de 537 AEC? (b) Quando deve ter começado esse período, e como apóiam isto os fatos?

      6 Esta restauração da adoração de Jeová no outono de 537 AEC marcou o fim de um período profético. Que período? O dos “setenta anos” durante os quais a Terra Prometida ‘teria de tornar-se um lugar devastado’ e a respeito do qual Jeová dissera também: “De acordo com o cumprimento de setenta anos em Babilônia, voltarei minha atenção para vós, e vou confirmar para convosco a minha boa palavra por trazer-vos de volta a este lugar.” (Jer. 25:11, 12; 29:10) Daniel, que conhecia bem esta profecia, agiu de acordo com ela, ao passo que os “setenta anos” chegavam ao fim. (Dan. 9:1-3) Os “setenta anos” que findaram no outono do ano 537 AEC devem ter começado, então, no outono de 607 AEC. Os fatos comprovam isto. Jeremias, capítulo 52, descreve os momentosos eventos do sítio de Jerusalém, da ruptura babilônica e da captura do Rei Zedequias em 607 AEC. Daí, como diz o Jer. 52 versículo 12: “No quinto mês, no décimo dia do mês”, isto é, 10 de ab (que corresponde a partes de julho e agosto), os babilônios incendiaram o templo e a cidade. Contudo, este não era ainda o ponto de partida dos “setenta anos”. Vestígios da soberania judaica ainda permaneciam na pessoa de Gedalias, a quem o rei de Babilônia designara governador das restantes povoações judaicas. “No sétimo mês”, Gedalias e alguns outros foram assassinados, de modo que os judeus remanescentes fugiram de medo ao Egito. Apenas então, a partir de cerca de 1.º de outubro de 607 AEC, foi que a terra, em sentido pleno, “jazia desolada . . . para cumprir setenta anos”. — 2 Reis 25:22-26; 2 Crô. 36:20, 21.

      7. (a) Como se podem calcular os anos para trás até a divisão do reino depois da morte de Salomão? (b) Que confirmação dá a profecia de Ezequiel?

      7 De 607 AEC a 997 AEC. O cálculo deste período, desde a queda de Jerusalém para trás, até a época da divisão do reino após a morte de Salomão, apresenta muitas dificuldades. Contudo, uma comparação dos reinados dos reis de Israel e de Judá, conforme registrado em Primeiro e Segundo Reis, indica que este período abrange 390 anos. Uma forte evidência de que este é o total correto é a profecia de Ezequiel 4:1-13. Esta profecia indica que ela aponta para a época em que Jerusalém seria sitiada e seus habitantes levados cativos para as nações, o que ocorreu em 607 AEC. Portanto, os 40 anos de que se fala no caso de Judá terminaram com a desolação de Jerusalém. Os 390 anos de que se fala no caso de Israel não findaram quando Samaria foi destruída, pois isto já tinha acontecido há muito quando Ezequiel profetizou, e a profecia diz claramente que ela aponta ao sítio e à destruição de Jerusalém. Portanto, “o erro da casa de Israel”, também, terminou em 607 AEC. Contando para trás a partir desta data, vemos que o período de 390 anos começou em 997 AEC. Naquele ano, Jeroboão, depois da morte de Salomão, rompeu com a casa de Davi e “passou a desviar Israel de seguir a Jeová e os fez pecar com um grande pecado”. — 2 Reis 17:21.

      8. (a) Como se calculam os anos para trás até o Êxodo? (b) Que mudança por volta dessa época afeta a cronologia bíblica?

      8 De 997 AEC a 1513 AEC. Visto que o último dos 40 anos completos do reinado de Salomão terminou na primavera de 997 AEC, segue-se que seu primeiro ano de reinado deve ter começado na primavera de 1037 AEC. (1 Reis 11:42) O registro bíblico, em 1 Reis 6:1, diz que Salomão começou a construir a casa de Jeová em Jerusalém no segundo mês do quarto ano de seu reinado. Isto significa que haviam passado três anos completos e um mês inteiro de seu reinado, levando-nos a abril-maio de 1034 AEC como o início da construção do templo. Contudo, o mesmo texto diz que este era também “o quadringentésimo octogésimo ano depois da saída dos filhos de Israel da terra do Egito”. Novamente, 480.º é um número ordinal, representando 479 anos completos. Assim, 479 somados a 1034 dá a data de 1513 AEC como o ano em que Israel saiu do Egito. O parágrafo 19 do Estudo 2 explica que, a partir do ano 1513 AEC, abibe (nisã) devia ser considerado “o primeiro dos meses do ano” para Israel (Êxo. 12:2) e que anteriormente se seguia um ano que começava no outono, com o mês de tisri. A The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge (Nova Enciclopédia de Conhecimento Religioso Schaff-Herzog, 1957, Vol. 12, página 474), comenta: “O cálculo dos anos de reinado dos reis baseia-se no ano que começava na primavera, e é paralelo ao método babilônio, em que isto prevalecia.” Independente de quando essa mudança de iniciar o ano no outono para iniciar o ano na primavera começasse a ser aplicada aos períodos de tempo na Bíblia, isto envolveria perda ou acréscimo de seis meses em algum ponto na contagem do tempo.

      9. (a) De que modo se data o registro para trás ao tempo em que o pacto abraâmico entrou em vigor? (b) Como se explicam os primeiros 215 anos deste período? (c) Qual era a idade de Abraão quando ele cruzou o Eufrates a caminho de Canaã?

      9 De 1513 AEC a 1943 AEC. Em Êxodo 12:40, 41, Moisés registra que “a morada dos filhos de Israel, que haviam morado no Egito, foi de quatrocentos e trinta anos”. Dessa fraseologia, é evidente que nem toda essa “morada” foi no Egito. Este período começa quando Abraão cruzou o Eufrates a caminho de Canaã, ocasião em que o pacto de Jeová com Abraão passou a vigorar. Os primeiros 215 anos desta “morada” foram em Canaã e, daí, um igual período foi passado no Egito, até que Israel ficou totalmente livre de todo controle e dependência do Egito, em 1513 AEC.c A nota na Tradução do Novo Mundo em Êxodo 12:40 mostra que a Septuaginta grega, baseada num texto hebraico mais antigo que o massorético, acrescenta, depois da palavra “Egito”, as palavras “e na terra de Canaã”. O Pentateuco Samaritano faz algo similar. Gálatas 3:17, que também menciona os 430 anos, confirma que este período começou com a validação do pacto abraâmico, na ocasião em que Abraão cruzou o Eufrates a caminho de Canaã. Isto foi, portanto, em 1943 AEC, quando Abraão tinha 75 anos de idade. — Gên. 12:4.

      10. Que outra linha de evidência apóia a cronologia relacionada com Abraão?

      10 Ainda outra linha de evidência apóia o cálculo acima: Em Atos 7:6 faz-se menção de o descendente de Abraão ser afligido por 400 anos. Visto que Jeová removeu a aflição por parte do Egito em 1513 AEC, o começo da aflição deve ter sido em 1913 AEC. Isto foi cinco anos depois do nascimento de Isaque e corresponde a Ismael ‘fazer caçoada’ de Isaque por ocasião de seu desmame. — Gên. 15:13; 21:8, 9.

      11. De que modo a tabela cronológica da Bíblia nos leva para trás até a data do Dilúvio?

      11 De 1943 AEC a 2370 AEC. Vimos que Abraão tinha 75 anos de idade quando entrou em Canaã, em 1943 AEC. É portanto possível recuar na corrente do tempo ainda mais, aos dias de Noé. Isto é feito usando-se os períodos que nos são fornecidos em Gênesis 11:10 a 12:4. Este cálculo, que dá o total de 427 anos, é feito do seguinte modo:

      Do início do Dilúvio até

      o nascimento de Arpaxade 2 anos

      Daí até o nascimento de Selá 35 “

      Até o nascimento de Éber 30 “

      Até o nascimento de Pelegue 34 “

      Até o nascimento de Reú 30 “

      Até o nascimento de Serugue 32 “

      Até o nascimento de Naor 30 “

      Até o nascimento de Tera 29 “

      Até a morte de Tera, tendo

      Abraão 75 anos de idade 205 “

      Total 427 anos

      Somando 427 anos a 1943 AEC nos leva a 2370 AEC. Assim, a tabela cronológica da Bíblia mostra que o Dilúvio dos dias de Noé começou em 2370 AEC.

      12. Qual é a contagem de tempo para trás até a criação de Adão?

      12 De 2370 AEC a 4026 AEC. Recuando ainda mais na corrente do tempo, descobrimos que a Bíblia data o período desde o Dilúvio até a criação de Adão. Isto é determinado à base de Gênesis 5:3-29 e Gên. 7:6, 11. O cálculo de tempo é resumido abaixo:

      Da criação de Adão até

      o nascimento de Sete 130 anos

      Daí até o nascimento de Enos 105 “

      Até o nascimento de Quenã 90 “

      Até o nascimento de Malalel 70 “

      Até o nascimento de Jarede 65 “

      Até o nascimento de Enoque 162 “

      Até o nascimento de Metusalém 65 “

      Até o nascimento de Lameque 187 “

      Até o nascimento de Noé 182 “

      Até o Dilúvio 600 “

      Total 1.656 anos

      Somando 1.656 anos à nossa data anterior, 2370 AEC, chegamos a 4026 AEC como a data da criação de Adão, talvez no outono, visto que o ano começava no outono na maioria dos calendários antigos.

      13. (a) Quão longa, portanto, é a história da humanidade na terra? (b) Por que não corresponde isto à duração do dia de repouso de Jeová?

      13 De que importância é isto hoje? A primeira edição deste livro em português, de 1966, dizia: “Significa isto, então, que até 1966 temos passado 5.991 anos do ‘dia’ em que Jeová ‘vem descansando de toda a sua obra’? (Gên. 2:3) Não, pois a criação de Adão não corresponde com o começo do dia de descanso de Jeová. Seguindo a criação de Adão, e ainda dentro do sexto dia criativo, parece que Jeová formou outras criações de animais e aves. Também, fez que Adão desse nome aos animais, que levaria algum tempo, e passou a criar a Eva. (Gên. 2:18-22; veja também NW, Ed. de 1953, em inglês, nota marginal sobre o vs. 19.) Qualquer tempo decorrido entre a criação de Adão e o término do ‘dia sexto’ deve ser subtraído dos 5.991 anos, a fim de dar o real período de tempo desde o princípio do ‘dia sétimo’ até [1966]. Não adianta usar a cronologia bíblica para especular sobre datas que se acham ainda no futuro, na corrente do tempo. — Mat. 24:36.”d

      14. Por que o relato bíblico da origem da humanidade é preferível às hipóteses e teorias de homens?

      14 Que dizer de afirmações científicas de que o homem está na terra há centenas de milhares ou mesmo milhões de anos? Nenhuma delas pode ser substanciada por registros escritos daqueles tempos primitivos, como se dá com os eventos bíblicos. As datas fantásticas dadas ao “homem pré-histórico” baseiam-se em suposições que não podem ser provadas. Realmente, a história secular confiável, junto com sua cronologia, adentra no passado apenas alguns milhares de anos. A terra passou por muitas mudanças e sublevantamentos, como o Dilúvio global nos dias de Noé, que alteraram grandemente as camadas de rocha e os depósitos de fósseis, tornando altamente conjetural qualquer pronunciamento científico sobre datas anteriores ao Dilúvio.e Em contraste com todas as contraditórias hipóteses e teorias de homens, a Bíblia apela à razão por meio de seu relato explícito e harmonioso a respeito da origem da humanidade e sua cuidadosamente documentada história do povo escolhido de Jeová.

      15. Como nos deve afetar o estudo bíblico?

      15 O estudo da Bíblia e a contemplação das obras do Grande Cronometrista, Jeová Deus, devem fazer com que nos sintamos muito humildes. O homem mortal é deveras pequeno em comparação com o Deus onipotente, cujo estupendo ato de criação, feito há incontáveis milênios, é declarado de modo tão simples nas Escrituras: “No princípio Deus criou os céus e a terra.” — Gên. 1:1.

      A RESIDÊNCIA TERRESTRE DE JESUS

      16. (a) Em que ordem foram escritos os quatro Evangelhos? (b) Como podemos datar o início do ministério de Jesus? (c) Que seqüência seguem os eventos nos diferentes Evangelhos, e o que se nota a respeito do relato de João?

      16 Os quatro relatos inspirados da vida terrestre de Jesus aparentemente foram escritos na seguinte ordem: Mateus (c. 41 EC), Lucas (c. 56-58 EC), Marcos (c. 60-65 EC) e João (c. 98 EC). Conforme explicado no capítulo anterior, usando a informação em Lucas 3:1-3 junto com a data de 14 EC para o início do reinado de Tibério César, chegamos a 29 EC como o ponto inicial do notável ministério de Jesus na terra. Embora os eventos em Mateus nem sempre sigam a seqüência cronológica, parece que na maioria dos casos os outros três livros apresentam a ordem real dos momentosos eventos ocorridos. Estes são resumidos na tabela acompanhante. Notar-se-á que o relato de João, que foi escrito mais de 30 anos depois do último dos outros três, preenche lacunas essenciais na história que não são abrangidas pelos outros. Especialmente digno de nota é a evidente menção de João das quatro Páscoas no ministério terrestre de Jesus, que comprova um ministério de três anos e meio, terminando em 33 EC.f — João 2:13; 5:1; 6:4; 12:1 e 13:1.

      17. Que outra evidência apóia a data para a morte de Jesus?

      17 A morte de Jesus em 33 EC é também confirmada por outra evidência. Segundo a Lei de Moisés, 15 de nisã era sempre um sábado especial, independente do dia da semana em que caísse. Se coincidisse com um sábado comum, o dia era chamado de “grande” sábado, e João 19:31 mostra que tal sábado seguiu o dia da morte de Jesus, que ocorreu, portanto, numa sexta-feira. E não foi em 31 ou 32, mas apenas em 33 EC que o 14 de nisã caiu numa sexta-feira. Por conseguinte, a morte de Jesus só pode ter ocorrido em 14 de nisã de 33 EC.g

      18. (a) O que profetizou Daniel sobre 69 “semanas”? (b) Segundo Neemias, quando começou este período? (c) Como chegamos à data do começo do reinado de Artaxerxes?

      18 A 70.ª “Semana”, 29-36 EC. Aspectos cronológicos do ministério de Jesus são também abrangidos em Daniel 9:24-27, que prediz a passagem de 69 semanas de anos (483 anos) “desde a saída da palavra para se restaurar e reconstruir Jerusalém até o Messias, o Líder”. Segundo Neemias 2:1-8, esta ordem saiu “no vigésimo ano de Artaxerxes”, rei da Pérsia. Quando começou Artaxerxes o seu reinado? Seu pai e antecessor, Xerxes, morreu na última parte de 475 AEC. O ano de ascensão de Artaxerxes, portanto, começou em 475 AEC, e isto é apoiado por fortes evidências de fontes gregas, persas e babilônias. Por exemplo, o historiador grego Tucídides (famoso por sua exatidão) escreve a respeito da fuga do estadista grego Temístocles para a Pérsia quando Artaxerxes ‘recentemente subira ao trono’. Outro historiador grego do primeiro século AEC, Diodoro da Sicília, possibilita-nos estabelecer a data da morte de Temístocles como tendo sido em 471/470 AEC. Depois de fugir de seu país, Temístocles pedira a Artaxerxes permissão de estudar a língua persa por um ano antes de comparecer perante ele, o que foi realizado. Assim, a radicação de Temístocles na Pérsia não deve ter sido posterior a 472 AEC, e a sua chegada pode ser razoavelmente datada como tendo sido em 473 AEC. Nessa ocasião, Artaxerxes ‘recentemente subira ao trono’.h

      19. (a) Contando a partir do “vigésimo ano de Artaxerxes”, como determinamos a data do aparecimento do Messias? (b) Como se cumpriu a profecia das 70 “semanas” depois dessa data?

      19 Assim, “o vigésimo ano de Artaxerxes” seria 455 AEC. Contando 483 anos (as 69 “semanas”) a partir deste ponto, e tendo em mente que não havia ano zero na passagem para a Era Comum, chegamos a 29 EC como a data para o aparecimento do “Messias, o Líder”. Jesus tornou-se o Messias quando foi batizado e ungido com espírito santo, no outono daquele ano. A profecia também indica que “na metade da [septuagésima] semana fará cessar o sacrifício e a oferenda”. Isto se deu quando os sacrifícios típicos dos judeus perderam sua validez, em virtude de Jesus oferecer-se em sacrifício. A “metade” desta “semana” de anos leva-nos adiante três anos e meio até a primavera de 33 EC, quando Jesus foi morto. Contudo, “ele terá de manter em vigor o pacto para com muitos” pela inteira 70.ª semana. Isto mostra que o favor especial de Jeová continuou sobre os judeus durante os sete anos de 29 EC a 36 EC. Somente então se abriu o caminho para os gentios incircuncisos se tornarem israelitas espirituais, conforme indicado pela conversão de Cornélio, em 36 EC.i — Atos 10:30-33, 44-48; 11:1.

      A CONTAGEM DOS ANOS NOS TEMPOS APOSTÓLICOS

      20. Como combina a história secular com o registro bíblico em datar a morte de Herodes e os eventos precedentes?

      20 Entre 33 EC e 49 EC. O ano 44 EC pode ser aceito como data útil para este período. Segundo Josefo (Jewish Antiquities [Antiguidades Judaicas], XIX, 351 [viii, 2]), Herodes Agripa I reinou por três anos após a ascensão do imperador Cláudio de Roma (em 41 EC). A evidência histórica indica que este Herodes morreu em 44 EC.j Verificando o registro bíblico, notamos que foi pouco antes da morte de Herodes que Ágabo profetizou “por intermédio do espírito” sobre uma vindoura grande fome, que o apóstolo Tiago foi morto pela espada e que Pedro foi preso (na época da Páscoa) e libertado milagrosamente. Todos estes eventos podem ser datados em 44 EC. — Atos 11:27, 28; 12:1-11, 20-23.

      21. Em que base podemos datar aproximadamente a primeira viagem missionária de Paulo?

      21 A predita fome veio por volta de 46 EC. Portanto, deve ter sido por volta deste tempo que Paulo e Barnabé ‘executaram a subministração de socorros em Jerusalém’. (Atos 12:25) Depois de voltarem para a Antioquia da Síria eles foram separados pelo espírito santo para fazerem a primeira viagem missionária, que abrangeu Chipre e muitas cidades e distritos da Ásia Menor.k Isto provavelmente se estendeu da primavera de 47 EC ao outono de 48 EC, com um inverno passado na Ásia Menor. Parece que Paulo passou o inverno seguinte na Antioquia da Síria, e isto nos leva à primavera de 49 EC. — Atos 13:1-14:28.

      22. Como podem ser datadas as duas visitas de Paulo a Jerusalém, mencionadas em Gálatas, capítulos 1 e 2?

      22 O registro em Gálatas, capítulos 1 e 2, aparentemente se harmoniza com esta cronologia. Paulo fala ali de ter feito mais duas visitas especiais a Jerusalém depois de sua conversão, uma “três anos depois” e a outra “quatorze anos depois”. (Gál. 1:17, 18; 2:1) Se estes dois períodos forem considerados ordinais, segundo o costume da época, e se a conversão de Paulo se deu cedo na época dos apóstolos, conforme o registro parece indicar, então podemos calcular os 3 anos e os 14 anos consecutivamente como sendo 34-36 EC e 36-49 EC.

      23. Que evidência sugere que tanto Gálatas, capítulo 2, como Atos, capítulo 15, referem-se à visita de Paulo a Jerusalém em 49 EC?

      23 Parece que a segunda visita de Paulo a Jerusalém, mencionada em Gálatas, teve que ver com a questão da circuncisão, pois se diz que nem mesmo de Tito, que acompanhava Paulo, se exigiu que fosse circuncidado. Se esta corresponde à visita para obter a decisão sobre a circuncisão, descrita em Atos 15:1-35, então, a data de 49 EC se encaixa bem entre a primeira e a segunda viagem missionária de Paulo. Ademais, segundo Gálatas 2:1-10, Paulo usou esta ocasião para expor diante dos “homens de destaque” da congregação de Jerusalém as boas novas que ele pregava, ‘com receio de que estivesse correndo em vão’. Isto ele faria logicamente ao apresentar-se a eles depois de sua primeira viagem missionária. Paulo fez esta visita a Jerusalém “em resultado duma revelação”.

      24. Durante que anos fez Paulo sua segunda viagem missionária, e por que, sem dúvida, não chegou a Corinto senão em fins de 50 EC?

      24 Segunda Viagem Missionária de Paulo, c. 49-52 EC. Tendo voltado de Jerusalém, Paulo passou algum tempo na Antioquia da Síria; assim, deve ter sido quase em fins do verão de 49 EC que ele partiu dali na sua segunda viagem. (Atos 15:35, 36) Esta era muito mais longa do que a primeira, e exigiria que passasse o inverno na Ásia Menor. Foi provavelmente na primavera de 50 EC que ele atendeu à chamada do macedônio e cruzou para a Europa. Daí ele pregou e organizou novas congregações em Filipos, Tessalônica, Beréia e Atenas. Isto o levaria a Corinto, na província de Acaia, no outono de 50 EC, depois de ter feito uma jornada de uns 2.100 quilômetros, a maior parte a pé. (Atos 16:9, 11, 12; 17:1, 2, 10, 11, 15, 16; 18:1) Segundo Atos 18:11, Paulo ficou ali 18 meses, levando-nos a princípios de 52 EC. Terminado o inverno, Paulo podia navegar para Cesaréia, via Éfeso. Depois de ir saudar a congregação, evidentemente em Jerusalém, ele voltou ao seu ponto central, Antioquia da Síria, provavelmente no verão de 52 EC.l — Atos 18:12-22.

      25. (a) De que modo a arqueologia apóia 50-52 EC para a primeira visita de Paulo a Corinto? (b) De que modo o fato de Áquila e Priscila ‘terem vindo recentemente da Itália’ confirma isto?

      25 Uma descoberta arqueológica apóia 50-52 EC como as datas da primeira visita de Paulo a Corinto. É um fragmento duma inscrição, um rescrito do Imperador Cláudio César para os délficos da Grécia, que contém as palavras “[Lúcio Jú]nio Gálio, . . . procônsul”. Os historiadores em geral concordam que o número 26, que também se encontra no texto, refere-se a Cláudio ter sido aclamado imperador pela 26.ª vez. Outras inscrições mostram que Cláudio foi aclamado imperador pela 27.ª vez antes de 1.º de agosto de 52 EC. O mandato de procônsul era de um ano, começando no início do verão. Assim, o ano de Gálio como procônsul de Acaia parece ter transcorrido do verão de 51 EC ao verão de 52 EC. “Então, enquanto Gálio era procônsul da Acaia, os judeus levantaram-se de comum acordo contra Paulo e levaram-no perante a cadeira de juiz.” Depois de Gálio absolver Paulo, o apóstolo demorou-se “mais alguns dias” e daí navegou para a Síria. (Atos 18:11, 12, 17, 18) Tudo isso parece confirmar que o fim da permanência de 18 meses de Paulo em Corinto foi na primavera de 52 EC. Outro marco de tempo acha-se na declaração de que, ao chegar a Corinto, Paulo “achou certo judeu de nome Áquila, natural de Ponto, que viera recentemente da Itália, e Priscila, sua esposa, por causa do fato de que Cláudio tinha ordenado que todos os judeus se afastassem de Roma”. (Atos 18:2) Segundo o historiador Paulo Orósio, do início do quinto século, esta ordem de expulsão foi dada no nono ano de Cláudio, isto é, em 49 EC, ou no princípio de 50 EC. Assim, Áquila e Priscila poderiam ter chegado a Corinto algum tempo antes do outono daquele ano, permitindo a permanência de Paulo ali, do outono de 50 EC à primavera de 52 EC.a

      26. Que datas marcam os estágios sucessivos da terceira viagem missionária de Paulo?

      26 Terceira Viagem Missionária de Paulo, c. 52-56 EC. Depois de ter passado “algum tempo” em Antioquia da Síria, Paulo foi novamente à Ásia Menor e provavelmente chegou a Éfeso por volta do inverno de 52-53 EC. (Atos 18:23; 19:1) Paulo passou “três meses” e daí “dois anos” ensinando em Éfeso e, depois disso, foi para a Macedônia. (Atos 19:8-10) Mais tarde, ele lembrou aos superintendentes de Éfeso que ele servira entre eles “por três anos”, mas isto provavelmente é um número redondo. (Atos 20:31) Parece que Paulo deixou Éfeso depois da “festividade de Pentecostes”, em princípios de 55 EC, viajando até Corinto, na Grécia, em tempo para passar ali três meses de inverno. Daí retornou ao norte, até Filipos, por volta da Páscoa de 56 EC. Dali ele navegou por Trôade e Mileto até Cesaréia, prosseguiu a jornada até Jerusalém, chegando ali por volta de Pentecostes de 56 EC.b — 1 Cor. 16:5-8; Atos 20:1-3, 6, 15, 16; 21:8, 15-17.

      27. Qual é a sucessão dos eventos até o fim do primeiro cativeiro de Paulo em Roma?

      27 Os Anos Concludentes, 56-100 EC. A prisão de Paulo ocorreu pouco depois de sua chegada a Jerusalém. Ele foi levado a Cesaréia e ficou sob custódia ali por dois anos, até Félix ser substituído por Festo como governador. (Atos 21:33; 23:23-35; 24:27) A data da chegada de Festo e a subseqüente partida de Paulo para Roma parece ter sido 58 EC.c Depois de Paulo sofrer o naufrágio e passar o inverno em Malta, a viagem terminou por volta de 59 EC, e o registro indica que ele permaneceu no cativeiro em Roma, pregando e ensinando, por um período de dois anos, ou até por volta de 61 EC. — Atos 27:1; 28:1, 11, 16, 30, 31.

      28. Que datas podem ser atribuídas logicamente aos eventos finais da vida de Paulo?

      28 Ao passo que o registro histórico de Atos não nos leva mais longe do que isso, as indicações são de que Paulo foi libertado e continuou sua atividade missionária, viajando para Creta, Grécia e Macedônia. Se chegou até a Espanha não se sabe. Provavelmente Paulo sofreu martírio às mãos de Nero pouco depois de seu encarceramento final em Roma, por volta de 65 EC. A história secular dá julho de 64 EC como data do grande incêndio de Roma, depois do qual irrompeu a perseguição de Nero contra os cristãos. O encarceramento de Paulo em “cadeias” e a subseqüente execução cabem logicamente nesse período. — 2 Tim. 1:16; 4:6, 7.

      29. Quando terminou a era apostólica, e com a escrita de que livros da Bíblia?

      29 Os cinco livros do apóstolo João foram escritos no fim de uma época de perseguição movida pelo Imperador Domiciano. Diz-se que ele agiu como louco nos últimos três anos de seu reinado, de 81-96 EC. Foi no exílio na ilha de Patmos que João escreveu Revelação (Apocalipse), por volta de 96 EC.d Seguiram-se seu Evangelho e três cartas escritas de Éfeso, ou de suas cercanias, depois de seu livramento, e este último dos apóstolos morreu por volta de 100 EC.

      30. De que proveito é este estudo da cronologia bíblica?

      30 Vê-se assim que a comparação de eventos da história secular com a cronologia e as profecias da Bíblia, ajuda-nos a situar os eventos bíblicos mais claramente na corrente do tempo. A harmonia da cronologia bíblica aumenta a nossa confiança nas Escrituras Sagradas como sendo a Palavra de Deus.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Ao estudar este capítulo, pode ser útil verificar Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, páginas 612-22.

      b Estudo 2, parágrafos 28, 29.

      c Desde Abraão cruzar o Eufrates até o nascimento de Isaque são 25 anos; daí até o nascimento de Jacó, 60 anos; Jacó tinha 130 anos quando desceu ao Egito. — Gên. 12:4; 21:5; 25:26; 47:9.

      d Em 1990, este tempo decorrido tem de ser subtraído de 6.015 anos.

      e Despertai!, 22 de setembro de 1986, páginas 17-27; 22 de outubro de 1972, páginas 5-20.

      f Estudo Perspicaz das Escrituras, “Jesus Cristo”.

      g A Sentinela, 1976, página 631; 1960, páginas 73-6.

      h Estudo Perspicaz das Escrituras, “Pérsia, Persas”.

      i Estudo Perspicaz das Escrituras, “Setenta Semanas”.

      j The New Encyclopædia Britannica, 1987, Vol. 5, página 880.

      k Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 3, página 235.

      l Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 3, página 235.

      a Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, página 519; veja também “Gálio”.

      b Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 3, página 235.

      c Analytical Concordance to the Bible, de Young, página 342, sob “Festus”.

      d Notes on the Book of Revelation, 1852, de Albert Barnes, páginas xxix, xxx.

      PRINCIPAIS EVENTOS DA VIDA TERRESTRE DE JESUS

      Os Quatro Evangelhos em Ordem Cronológica

      Símbolos: c. para “cerca de”; d. para “depois de”.

      Tempo Lugar Evento

      Que Precederam ao Ministério de Jesus

      3 AEC Jerusalém, templo Predito a Zacarias o nascimento

      de João, o Batizador -

      Luc. 1:5-25

      c. 2 AEC Nazaré; Judéia Nascimento de Jesus predito

      a Maria, que visita Elisabete

      Luc. 1:26-56

      2 AEC Região montanhosa Nascimento de João, o Batizador;

      da Judéia mais tarde, sua vida nos

      desertos - Luc. 1:57-80

      2 AEC, Belém Nascimento de Jesus (a Palavra,

      c. 1.° de out. por meio de quem todas as

      outras coisas vieram a existir)

      como descendente de Abraão e de

      Davi - Mat. 1:1-25

      Luc. 2:1-7 João 1:1-5, 9-14

      Perto de Belém Anjo anuncia boas novas;

      pastores visitam o bebê

      Luc. 2:8-20

      Belém; Jerusalém Jesus é circuncidado (8.º dia),

      apresentado no templo (depois do 40.°

      dia) - Luc. 2:21-38

      1 AEC Jerusalém; Astrólogos; fuga ao Egito;

      ou 1 EC Belém; Nazaré bebês são mortos; volta de

      Jesus - Mat. 2:1-23

      Luc. 2:39, 40

      12 EC Jerusalém Jesus, aos doze anos, na Páscoa;

      volta para casa

      Luc. 2:41-52

      29, Ermo, Jordão Ministério de João, o Batizador

      primavera Mat. 3:1-12

      Mar. 1:1-8

      Luc. 3:1-18

      João 1:6-8, 15-28

      Começo do Ministério de Jesus

      29, Rio Jordão Batismo e unção de Jesus, nascido

      outono como humano na linhagem

      de Davi, mas declarado ser o

      Filho de Deus

      Mat. 3:13-17 Mar. 1:9-11

      Luc. 3:21-38 João 1:32-34

      Ermo da Judéia Jejum e tentação de Jesus

      Mat. 4:1-11 Mar. 1:12, 13

      Luc. 4:1-13

      Betânia, Testemunho de João, o Batizador,

      além do Jordão sobre Jesus

      João 1:15, 29-34

      Vale do Jordão Primeiros discípulos de Jesus

      Superior João 1:35-51

      Caná da Galiléia; Primeiro milagre de Jesus;

      Cafarnaum visita Cafarnaum

      João 2:1-12

      30, Jerusalém Celebração da Páscoa;

      Páscoa expulsa mercadores do templo

      João 2:13-25

      Jerusalém Palestra de Jesus com Nicodemos -

      João 3:1-21

      Judéia; Enom Discípulos de Jesus batizam;

      João passa a diminuir

      João 3:22-36

      Tiberíades João é encarcerado; Jesus

      parte para a Galiléia

      Mat. 4:12; 14:3-5

      Mar. 1:14; 6:17-20

      Luc. 3:19, 20; 4:14

      João 4:1-3

      Sicar, na Samaria Rumo à Galiléia, Jesus ensina

      samaritanos - João 4:4-43

      O Grande Ministério de Jesus na Galiléia

      Galiléia Primeiro anuncia: “O reino dos

      céus se tem aproximado”

      Mat. 4:17

      Mar. 1:14, 15

      Luc. 4:14, 15

      João 4:44, 45

      Nazaré; Caná; Cura um menino; lê comissão;

      Cafarnaum é rejeitado; passa para Cafarnaum -

      Mat. 4:13-16

      Luc. 4:16-31

      João 4:46-54

      Mar da Galiléia, Convoca Simão e André, Tiago

      perto de e João - Mat. 4:18-22

      Cafarnaum Mar. 1:16-20

      Luc. 5:1-11

      Cafarnaum Cura endemoninhado, sogra de

      Pedro e muitos outros

      Mat. 8:14-17

      Mar. 1:21-34

      Luc. 4:31-41

      Galiléia Primeira viagem pela Galiléia,

      com os quatro já convocados

      Mat. 4:23-25

      Mar. 1:35-39

      Luc. 4:42, 43

      Galiléia Cura do leproso; multidões

      afluem a Jesus

      Mat. 8:1-4

      Mar. 1:40-45

      Luc. 5:12-16

      Cafarnaum Cura o paralítico

      Mat. 9:1-8

      Mar. 2:1-12

      Luc. 5:17-26

      Cafarnaum Mateus é convocado;

      toma refeição com cobradores

      de impostos

      Mat. 9:9-17

      Mar. 2:13-22

      Luc. 5:27-39

      Judéia Prega nas sinagogas da Judéia

      Luc. 4:44

      31, Jerusalém Assiste à festividade; cura

      Páscoa um homem; repreende fariseus

      João 5:1-47

      Retornando de Discípulos arrancam espigas

      Jerusalém (?) no sábado - Mat. 12:1-8

      Mar. 2:23-28

      Luc. 6:1-5

      Galiléia; mar Cura mão dum homem no sábado;

      da Galiléia retira-se para praia; cura

      Mat. 12:9-21

      Mar. 3:1-12

      Luc. 6:6-11

      Monte perto de Escolhidos os 12 apóstolos

      Cafarnaum Mar. 3:13-19

      Luc. 6:12-16

      Perto de Sermão do Monte

      Cafarnaum Mat. 5:1-7:29

      Luc. 6:17-49

      Cafarnaum Cura servo de oficial do

      exército - Mat. 8:5-13

      Luc. 7:1-10

      Naim Ressuscita filho da viúva

      Luc. 7:11-17

      Galiléia João na prisão envia discípulos

      a Jesus

      Mat. 11:2-19

      Luc. 7:18-35

      Galiléia Cidades são censuradas; revelações

      a pequeninos; jugo benévolo -

      Mat. 11:20-30

      Galiléia Pés ungidos por pecadora;

      ilustração dos devedores

      Luc. 7:36-50

      Galiléia Segunda viagem de pregação

      na Galiléia, com os 12

      Luc. 8:1-3

      Galiléia Cura de endemoninhado; acusado

      de conluio com Belzebu

      Mat. 12:22-37

      Mar. 3:19-30

      Galiléia Escribas e fariseus buscam um

      sinal - Mat. 12:38-45

      Galiléia Discípulos de Cristo seus parentes

      próximos

      Mat. 12:46-50

      Mar. 3:31-35

      Luc. 8:19-21

      Mar da Galiléia Ilustrações: semeador, joio,

      outras; explicações

      Mat. 13:1-53

      Mar. 4:1-34

      Luc. 8:4-18

      Mar da Galiléia Acalmada a tempestade na

      travessia do lago

      Mat. 8:18, 23-27

      Mar. 4:35-41

      Luc. 8:22-25

      Gadara, SE do Dois endemoninhados curados;

      mar da Galiléia porcos possessos de demônios

      Mat. 8:28-34

      Mar. 5:1-20

      Luc. 8:26-39

      Provavelmente Ressuscitada a filha de

      Cafarnaum Jairo; cura de uma mulher

      Mat. 9:18-26

      Mar. 5:21-43

      Luc. 8:40-56

      Cafarnaum (?) Cura dois cegos e um mudo

      endemoninhado

      Mat. 9:27-34

      Nazaré Volta à cidade em que fora

      criado, de novo é rejeitado

      Mat. 13:54-58

      Mar. 6:1-6

      Galiléia Terceira viagem na Galiléia,

      ampliada com o envio dos

      apóstolos - Mat. 9:35-11:1

      Mar. 6:6-13

      Luc. 9:1-6

      Tiberíades João, o Batizador, é

      decapitado; Herodes sente temores

      de culpa - Mat. 14:1-12

      Mar. 6:14-29

      Luc. 9:7-9

      32, Cafarnaum (?); Apóstolos voltam da viagem de

      perto lado NE do pregação; 5.000 alimentados

      da mar da Mat. 14:13-21

      Páscoa Galiléia Mar. 6:30-44

      (João 6:4) Luc. 9:10-17

      João 6:1-13

      Lado NE do mar Tentativa de coroar a Jesus;

      da Galiléia; caminha sobre o mar; cura

      Genesaré Mat. 14:22-36

      Mar. 6:45-56

      João 6:14-21

      Cafarnaum Identifica “pão da vida”;

      muitos discípulos se afastam

      João 6:22-71

      32, Provavelmente Tradições que invalidam a

      depois Cafarnaum Palavra de Deus

      da Páscoa Mat. 15:1-20

      Mar. 7:1-23

      João 7:1

      Fenícia; Perto de Tiro, Sídon; depois

      Decápolis para Decápolis; 4.000 são

      alimentados

      Mat. 15:21-38

      Mar. 7:24-8:9

      Magadã Saduceus e fariseus buscam

      novamente um sinal

      Mat. 15:39-16:4

      Mar. 8:10-12

      Lado NE do mar Avisa contra fermento dos

      da Galiléia; fariseus; cura cego

      Betsaida Mat. 16:5-12

      Mar. 8:13-26

      Cesaréia de Jesus, o Messias; prediz sua

      Filipe morte e ressurreição

      Mat. 16:13-28

      Mar. 8:27-9:1

      Luc. 9:18-27

      Provavelmente Transfiguração diante de

      monte Hermom Pedro, Tiago e João

      Mat. 17:1-13

      Mar. 9:2-13

      Luc. 9:28-36

      Cesaréia de Cura endemoninhado que os

      Filipe discípulos não conseguiram

      curar - Mat. 17:14-20

      Mar. 9:14-29

      Luc. 9:37-43

      Galiléia De novo prediz sua morte e

      ressurreição

      Mat. 17:22, 23

      Mar. 9:30-32

      Luc. 9:43-45

      Cafarnaum Dinheiro para imposto suprido

      milagrosamente

      Mat. 17:24-27

      Cafarnaum Maior no Reino; resolver

      faltas; misericórdia

      Mat. 18:1-35

      Mar. 9:33-50

      Luc. 9:46-50

      Galiléia; Samaria Daí da Galiléia para a Festividade

      das Barracas; ministério é

      prioritário

      Mat. 8:19-22

      Luc. 9:51-62

      João 7:2-10

      Ministério Posterior de Jesus na Judéia

      32, Jerusalém Seu ensino público na

      Festividade Festividade das Barracas

      das Barracas João 7:11-52

      Jerusalém Ensino depois da Festividade;

      cura de um cego

      João 8:12-9:41

      Provavelmente Os 70 são enviados para pregar;

      Judéia seu retorno, relatório

      Luc. 10:1-24

      Judéia; Betânia Fala do samaritano prestativo;

      na casa de Marta,

      Maria - Luc. 10:25-42

      Provavelmente Ensina de novo a oração-modelo;

      Judéia persistência em

      pedir - Luc. 11:1-13

      Provavelmente Refuta acusação falsa; mostra

      Judéia que aquela geração é condenável -

      Luc. 11:14-36

      Provavelmente À mesa de fariseu, denuncia

      Judéia hipócritas - Luc. 11:37-54

      Provavelmente Discurso sobre o desvelo de

      Judéia Deus; mordomo fiel

      Luc. 12:1-59

      Provavelmente Cura aleijada no sábado; três

      Judéia ilustrações - Luc. 13:1-21

      32, Jerusalém Jesus na Festividade da Dedicação;

      Festividade Pastor Excelente

      da Dedicação João 10:1-39

      Ministério Posterior de Jesus ao Leste do Jordão

      Além do Jordão Muitos depositam fé em Jesus

      João 10:40-42

      Peréia Ensina nas cidades, aldeias,

      (além do Jordão) rumando para Jerusalém

      Luc. 13:22

      Peréia Entrada no Reino; ameaça de

      Herodes; casa desolada

      Luc. 13:23-35

      Provavelmente Humildade; ilustração da

      Peréia lauta refeição noturna

      Luc. 14:1-24

      Provavelmente Calcular o custo do discipulado -

      Peréia Luc. 14:25-35

      Provavelmente Ilustrações: ovelha perdida,

      Peréia moeda perdida, filho pródigo

      Luc. 15:1-32

      Provavelmente Ilustrações: mordomo injusto,

      Peréia rico e Lázaro

      Luc. 16:1-31

      Provavelmente Perdão e fé; escravos imprestáveis -

      Peréia Luc. 17:1-10

      Betânia Lázaro é ressuscitado por

      Jesus - João 11:1-46

      Jerusalém; Efraim Conselho de Caifás contra

      Jesus; Jesus se retira

      João 11:47-54

      Samaria; Galiléia Cura e ensina a caminho,

      passando por Samaria e Galiléia -

      Luc. 17:11-37

      Samaria ou Ilustrações: viúva importunadora,

      Galiléia fariseu e cobrador de

      impostos - Luc. 18:1-14

      Peréia Passa pela Peréia; ensina

      sobre divórcio

      Mat. 19:1-12

      Mar. 10:1-12

      Peréia Acolhe e abençoa crianças

      Mat. 19:13-15

      Mar. 10:13-16

      Luc. 18:15-17

      Peréia Jovem rico; ilustração sobre

      trabalhadores no vinhedo

      Mat. 19:16-20:16

      Mar. 10:17-31

      Luc. 18:18-30

      Provavelmente Jesus prediz pela terceira

      Peréia vez sua morte e ressurreição

      Mat. 20:17-19

      Mar. 10:32-34

      Luc. 18:31-34

      Provavelmente Pedido de lugares para

      Peréia Tiago e João no Reino

      Mat. 20:20-28

      Mar. 10:35-45

      Jericó Passando por Jericó, cura

      dois cegos; visita Zaqueu;

      ilustração das dez minas

      Mat. 20:29-34

      Mar. 10:46-52

      Luc. 18:35-19:28

      Ministério Final de Jesus em Jerusalém

      8 de Betânia Chega a Betânia seis dias

      nisã, 33 antes da Páscoa

      João 11:55-12:1

      9 de Betânia Refeição na casa de Simão,

      nisã o leproso; Maria unge a Jesus;

      judeus vêm ver Jesus e

      Lázaro - Mat. 26:6-13

      Mar. 14:3-9

      João 12:2-11

      Betânia- Entrada triunfal em Jerusalém

      Jerusalém Mat. 21:1-11, 14-17

      Mar. 11:1-11

      Luc. 19:29-44

      João 12:12-19

      10 de Betânia- Figueira estéril é amaldiçoada;

      nisã Jerusalém templo é limpo pela

      segunda vez

      Mat. 21:18, 19, 12, 13

      Mar. 11:12-17

      Luc. 19:45, 46

      Jerusalém Principais sacerdotes e

      escribas tramam destruir a

      Jesus - Mar. 11:18, 19

      Luc. 19:47, 48

      Jerusalém Palestra com gregos; descrença

      dos judeus - João 12:20-50

      11 de Betânia- Figueira estéril é encontrada

      nisã Jerusalém ressequida - Mat. 21:19-22

      Mar. 11:20-25

      Jerusalém, templo Autoridade de Cristo é questionada;

      ilustração de dois

      filhos - Mat. 21:23-32

      Mar. 11:27-33

      Luc. 20:1-8

      Jerusalém, templo Ilustrações: lavradores iníquos

      e festa de casamento

      Mat. 21:33-22:14

      Mar. 12:1-12

      Luc. 20:9-19

      Jerusalém, templo Perguntas capciosas sobre

      imposto ressurreição, mandamento -

      Mat. 22:15-40

      Mar. 12:13-34

      Luc. 20:20-40

      Jerusalém, templo Pergunta silenciadora de Jesus

      sobre ascendência do Messias

      Mat. 22:41-46

      Mar. 12:35-37

      Luc. 20:41-44

      Jerusalém, templo Fulminante denúncia dos escribas

      e fariseus

      Mat. 23:1-39

      Mar. 12:38-40

      Luc. 20:45-47

      Jerusalém, templo O óbolo da viúva

      Mar. 12:41-44

      Luc. 21:1-4

      Monte das Predição da queda de Jerusalém,

      Oliveiras presença

      de Jesus, fim do sistema

      Mat. 24:1-51

      Mar. 13:1-37

      Luc. 21:5-38

      Monte das Ilustrações: dez virgens,

      Oliveiras talentos, ovelhas e cabritos

      Mat. 25:1-46

      12 de Jerusalém Líderes religiosos tramam a

      nisã morte de Jesus

      Mat. 26:1-5

      Mar. 14:1, 2

      Luc. 22:1, 2

      Jerusalém Judas negocia com sacerdotes

      para trair a Jesus

      Mat. 26:14-16

      Mar. 14:10, 11

      Luc. 22:3-6

      13 de Perto de Preparativos para a Páscoa

      nisã Jerusalém e Mat. 26:17-19

      dentro dela Mar. 14:12-16

      (quinta-feira Luc. 22:7-13

      à tarde)

      14 de Jerusalém Participa da Páscoa com os 12

      nisã Mat. 26:20, 21

      Mar. 14:17, 18

      Luc. 22:14-18

      Jerusalém Jesus lava pés de seus apóstolos -

      João 13:1-20

      Jerusalém Judas identificado como

      traidor e é dispensado

      Mat. 26:21-25

      Mar. 14:18-21

      Luc. 22:21-23

      João 13:21-30

      Jerusalém Refeição da Comemoração é

      instituída com os 11

      Mat. 26:26-29

      Mar. 14:22-25

      Luc. 22:19, 20, 24-30

      [1 Cor. 11: 23-25]

      Jerusalém Predito que Pedro negaria a

      Cristo e a dispersão dos

      apóstolos - Mat. 26:31-35

      Mar. 14:27-31

      Luc. 22:31-38

      João 13:31-38

      Jerusalém Ajudador; amor mútuo; tribulação;

      oração de Jesus

      João 14:1-17:26

      Getsêmani Agonia no jardim; Jesus é

      traído e preso

      Mat. 26:30, 36-56

      Mar. 14:26, 32-52

      Luc. 22:39-53

      João 18:1-12

      Jerusalém Interrogado por Anás; julgado

      por Caifás, Sinédrio; Pedro

      nega a Cristo

      Mat. 26:57-27:1

      Mar. 14:53-15:1

      Luc. 22:54-71

      João 18:13-27

      Jerusalém O traidor Judas enforca-se

      Mat. 27:3-10

      [Atos 1:18,19]

      Jerusalém Perante Pilatos, Herodes, e

      de volta a Pilatos

      Mat. 27:2, 11-14

      Mar. 15:1-5

      Luc. 23:1-12

      João 18:28-38

      Jerusalém Entregue à morte, após Pilatos

      tentar sua soltura

      Mat. 27:15-30

      Mar. 15:6-19

      Luc. 23:13-25

      João 18:39-19:16

      (c.15:00 Gólgota, Morte de Jesus na estaca de

      horas, Jerusalém tortura e eventos acompanhantes

      sexta-feira)

      Mat. 27:31-56

      Mar. 15:20-41

      Luc. 23:26-49

      João 19:16-30

      Jerusalém Corpo de Jesus é retirado da

      estaca e enterrado

      Mat. 27:57-61

      Mar. 15:42-47

      Luc. 23:50-56

      João 19:31-42

      15 de Jerusalém Sacerdotes e fariseus conseguem

      nisã guarda para o túmulo

      Mat. 27:62-66

      16 de Jerusalém e Ressurreição de Jesus e eventos

      nisã redondezas daquele dia

      Mat. 28:1-15

      Mar. 16:1-8

      Luc. 24:1-49

      João 20:1-25

      d. 16 Jerusalém; Subseqüentes aparições de

      de nisã Galiléia Jesus Cristo

      Mat. 28:16-20

      [1 Cor. 15:5-7]

      [Atos 1:3-8]

      João 20:26-21:25

      25 de Monte das Ascensão de Jesus, 40.º dia

      íiar Oliveiras, depois de sua ressurreição

      perto de [Atos 1:9-12]

      Betânia Luc. 24:50-53

      Perguntas sobre a tabela que cobre os “Principais Eventos da Vida Terrestre de Jesus”:

      (a) Cite alguns dos eventos notáveis do ministério de Jesus até a ocasião em que João, o Batizador, foi preso.

      (b) Dê o lugar e o ano dos seguintes eventos: (1) A convocação de Simão e André, Tiago e João. (2) A escolha dos 12 apóstolos. (3) O Sermão do Monte. (4) A transfiguração. (5) A ressurreição de Lázaro. (6) Visita de Jesus à casa de Zaqueu.

      (c) Cite alguns dos notáveis milagres de Jesus; mencione quando e onde ocorreram.

      (d) Quais são alguns dos principais eventos concernentes a Jesus ocorridos entre 8 e 16 de nisã de 33 EC?

      (e) Quais são algumas das notáveis ilustrações feitas por Jesus durante seu ministério terrestre?

      [Tabela nas páginas 294-298]

      TABELA DE DATAS HISTÓRICAS NOTÁVEIS

      Símbolos: a. para “antes de”; c. para “cerca de”; d. para “depois de”.

      Data Evento Referência

      4026 AEC Criação de Adão Gên. 2:7

      d. 4026 AEC Feito o pacto edênico,

      primeira profecia Gên. 3:15

      a. 3896 AEC Caim mata Abel Gên. 4:8

      3896 AEC Nascimento de Sete Gên. 5:3

      3404 AEC Nascimento do justo Enoque Gên. 5:18

      3339 AEC Nascimento de Metusalém Gên. 5:21

      3152 AEC Nascimento de Lameque Gên. 5:25

      3096 AEC Morte de Adão Gên. 5:5

      3039 AEC Transferência de Enoque; Gên. 5:23, 24;

      finda seu período de Judas 14

      profetizar

      2970 AEC Nascimento de Noé Gên. 5:28, 29

      2490 AEC Declaração de Deus quanto

      à humanidade Gên. 6:3

      2470 AEC Nascimento de Jafé Gên. 5:32;

      Gên. 9:24;

      Gên. 10:21

      2468 AEC Nascimento de Sem Gên. 7:11;

      Gên. 11:10

      2370 AEC Morte de Metusalém Gên. 5:27

      Caem as águas do Dilúvio Gên. 7:6, 11

      (outono, hem. norte).

      2369 AEC Faz-se pacto depois do Gên. 8:13;

      Dilúvio Gên. 9:16

      2368 AEC Nascimento de Arpaxade Gên. 11:10

      d. 2269 AEC Construção da Torre de Babel Gên. 11:4

      2020 AEC Morte de Noé Gên. 9:28, 29

      2018 AEC Nascimento de Abraão Gên. 11:26, 32;

      Gên. 12:4

      1943 AEC Abraão cruza o Eufrates a Gên. 12:4, 7;

      caminho de Canaã; validado Êxo. 12:40;

      o pacto abraâmico; começo Gál. 3:17

      do período de 430 anos até

      o pacto da Lei

      a. 1933 AEC Ló é resgatado; Abraão Gên. 14:16, 18;

      visita Melquisedeque Gên. 16:3

      1932 AEC Nasce Ismael Gên. 16:15, 16

      1919 AEC Feito pacto da circuncisão Gên. 17:1,10,

      Julgamento de Sodoma e Gên. 17:24

      Gomorra Gên. 19:24

      1918 AEC Nascimento de Isaque, o Gên. 21:2, 5;

      herdeiro legítimo; começo dos Atos 13:17-20

      ‘cerca de 450 anos’

      1913 AEC Isaque é desmamado; Ismael é Gên. 21:8;

      despedido; começo da aflição Gên. 15:13;

      de 400 anos Atos 7:6

      1881 AEC Morte de Sara Gên. 17:17;

      Gên. 23:1

      1878 AEC Casamento de Isaque e Rebeca Gên. 25:20

      1868 AEC Morte de Sem Gên. 11:11

      1858 AEC Nascimento de Esaú e Jacó Gên. 25:26

      1843 AEC Morte de Abraão Gên. 25:7

      1818 AEC Esaú casa-se com duas

      primeiras esposas Gên. 26:34

      1795 AEC Morte de Ismael Gên. 25:17

      1781 AEC Jacó foge para Harã; sua Gên. 28:2 visão em Betel Gên. 28:13, 19

      1774 AEC Jacó casa-se com Léia e Gên. 29:23-30

      e Raquel

      1767 AEC Nascimento de José Gên. 30:23, 24

      1761 AEC Jacó retorna de Harã para Gên. 31:18, 4

      Canaã

      c. 1761 AEC Jacó luta com um anjo; é

      chamado de Israel Gên. 32:24-28

      1750 AEC José é vendido como escravo

      por seus irmãos Gên. 37:2, 28

      1738 AEC Morte de Isaque Gên. 35:28, 29

      1737 AEC José é nomeado primeiro-

      ministro do Egito Gên. 41:40, 46

      1728 AEC Jacó, com a inteira família, Gên. 45:6;

      entra no Egito Gên. 46:26;

      Gên. 47:9

      1711 AEC Morte de Jacó Gên. 47:28

      1657 AEC Morte de José Gên. 50:26

      a. 1613 AEC Provação de Jó Jó 1:8; 42:16

      d. 1600 AEC O Egito alcança preeminência

      como primeira potência Êxo. 1:8

      mundial

      1593 AEC Nascimento de Moisés Êxo. 2:2, 10

      1553 AEC Moisés se oferece como Êxo. 2:11

      libertador; foge para Midiã Êxo. 2:14, 15;

      Atos 7:23

      c. 1514 AEC Moisés junto ao espinheiro Êxo. 3:2

      ardente

      1513 AEC Páscoa; os israelitas saem Êxo. 12:12;

      do Egito; libertação no mar Êxo. 14:27

      Vermelho; abalado o poder do Êxo. 14:29, 30;

      Egito; fim do período de 400 Gên. 15:13, 14

      anos de aflição

      Feito o pacto da Lei no Mte. Êxo. 24:6-8

      Sinai (Horebe)

      Fim do período de 430 anos Gál. 3:17;

      desde a validação do pacto Êxo. 12:40

      abraâmico

      Moisés compila Gênesis no João 5:46

      ermo; começa a escrita da

      Bíblia

      1512 AEC Concluída a construção do

      Tabernáculo Êxo. 40:17

      Investidura do sacerdócio Lev. 8:34-36

      arônico

      Moisés termina Êxodo e Lev. 27:34;

      Levítico Núm. 1:1

      c. 1473 AEC Moisés termina o livro de Jó 42:16, 17

      Jó

      1473 AEC Moisés termina Números nas Núm. 35:1;

      Planícies de Moabe Núm. 36:13

      Pacto com Israel em Moabe Deut. 29:1

      Moisés escreve Deuteronômio Deut. 1:1, 3

      Moisés morre no Mte. Nebo, Deut. 34:1,5,7

      em Moabe

      Israel entra em Canaã, sob Jos. 4:19

      Josué

      1467 AEC Consolidada a maior parte da Jos. 11:23;

      conquista da terra; fim dos Jos. 14:7

      ‘cerca de 450 anos’ de Jos. 10-15

      Atos 13:17-20

      c. 1450 AEC Terminado o livro de Josué Jos. 1:1;

      Jos. 24:26

      Morte de Josué Jos. 24:29

      1117 AEC Samuel unge Saul como rei de 1 Sam. 10:24;

      Israel Atos 13:21

      1107 AEC Nascimento de Davi em Belém 1 Sam. 16:1

      c. 1100 AEC Samuel termina o livro de Juí. 21:25

      Juízes

      c. 1090 AEC Samuel termina o livro de Rute 4:18-22

      Rute

      c. 1078 AEC Terminado o livro de 1 Sam. 31:6

      1 Samuel

      1077 AEC Davi torna-se rei de Judá em

      Hébron 2 Sam. 2:4

      1070 AEC Davi torna-se rei sobre todo

      o Israel; faz de Jerusalém

      sua capital 2 Sam. 5:3-7

      d. 1070 AEC A Arca é trazida a Jerusalém; 2 Sam. 6:15;

      feito pacto para um reino com 2 Sam. 7:12-16

      Davi

      c. 1040 AEC Gade e Natã terminam 2 Sam. 24:18

      2 Samuel

      1037 AEC Salomão sucede a Davi como 1 Reis 1:39;

      rei de Israel 1 Reis 2:12

      1034 AEC Salomão começa a construção

      do templo 1 Reis 6:1

      1027 AEC Terminada a construção do

      templo em Jerusalém 1 Reis 6:38

      c. 1020 AEC Salomão termina O Cântico Cân. 1:1

      de Salomão

      a. 1000 AEC Salomão termina o livro de

      Eclesiastes Ecl. 1:1

      997 AEC Roboão sucede a Salomão; o 1 Reis 11:43;

      reino é dividido; Jeroboão 1 Reis 12:19

      começa a reinar em Israel 1 Reis 12:20

      993 AEC Sisaque invade Judá e leva 1 Reis 14:25

      tesouros do templo 1 Reis 14:26

      980 AEC Abijão (Abias) sucede a Roboão

      como rei de Judá 1 Reis 15:1, 2

      977 AEC Asa sucede a Abijão como rei

      de Judá 1 Reis 15:9, 10

      c. 976 AEC Nadabe sucede a Jeroboão como

      rei de Israel 1 Reis 14:20

      c. 975 AEC Baasa sucede a Nadabe como rei

      de Israel 1 Reis 15:33

      c. 952 AEC Elá sucede a Baasa como rei

      de Israel 1 Reis 16:8

      c. 951 AEC Zinri sucede a Elá como rei

      de Israel 1 Reis 16:15

      Onri e Tibni sucedem a Zinri

      como reis de Israel 1 Reis 16:21

      c. 947 AEC Onri reina sozinho como rei 1 Reis 16:22

      de Israel 1 Reis 16:23

      c. 940 AEC Acabe sucede a Onri como rei

      de Israel 1 Reis 16:29

      936 AEC Jeosafá sucede a Asa como rei 1 Reis 22:41

      de Judá 1 Reis 22:42

      c. 919 AEC Acazias sucede a Acabe como 1 Reis 22:51

      rei único de Israel 1 Reis 22:52

      c. 917 AEC Jeorão, de Israel, sucede a

      Acazias como rei único 2 Reis 3:1

      913 AEC Jeorão, de Judá, ‘torna-se

      rei’ junto com Jeosafá 2 Reis 8:16, 17

      c. 906 AEC Acazias sucede a Jeorão como

      rei de Judá 2 Reis 8:25, 26

      c. 905 AEC A Rainha Atalia usurpa o trono

      de Judá 2 Reis 11:1-3

      Jeú sucede a Jeorão como rei 2 Reis 9:24, 27;

      de Israel 2 Reis 10:36

      898 AEC Jeoás sucede a Acazias como

      rei de Judá 2 Reis 12:1

      876 AEC Jeoacaz sucede a Jeú como rei

      de Israel 2 Reis 13:1

      c. 859 AEC Jeoás sucede a Jeoacaz como

      rei único de Israel 2 Reis 13:10

      858 AEC Amazias sucede a Jeoás como

      rei de Judá 2 Reis 14:1, 2

      c. 844 AEC Jeroboão II sucede a Jeoás

      como rei de Israel 2 Reis 14:23

      Jonas termina o livro de Jonas 1:1, 2

      Jonas

      829 AEC Uzias (Azarias) sucede a

      Amazias como rei de Judá 2 Reis 15:1, 2

      c. 820 AEC Possivelmente é escrito o

      livro de Joel Joel 1:1

      c. 804 AEC Amós termina o livro de Amós 1:1

      Amós

      c. 792 AEC Zacarias reina como rei de

      Israel (6 meses) 2 Reis 15:8

      c. 791 AEC Salum sucede a Zacarias 2 Reis 15:13

      como rei de Israel 2 Reis 15:17

      Menaém sucede a Salum como

      rei de Israel

      c. 780 AEC Pecaías sucede a Menaém como

      rei de Israel 2 Reis 15:23

      c. 778 AEC Peca sucede a Pecaías como rei

      de Israel 2 Reis 15:27

      c. 778 AEC Isaías começa a profetizar Isa. 1:1; 6:1

      777 AEC Jotão sucede a Uzias (Azarias)

      como rei de Judá 2 Reis 15:32, 33

      c. 761 AEC Acaz sucede a Jotão como rei

      de Judá 2 Reis 16:1, 2

      c. 758 AEC Oséias ‘começa a reinar’ em

      Israel 2 Reis 15:30

      745 AEC Ezequias sucede a Acaz como

      rei de Judá 2 Reis 18:1, 2

      d. 745 AEC Oséias termina o livro de Osé. 1:1

      Oséias

      740 AEC A Assíria subjuga Israel, 2 Reis 17:6, 13

      toma Samaria 2 Reis 17:18

      732 AEC Senaqueribe invade Judá 2 Reis 18:13

      d. 732 AEC Isaías termina o livro de Isa. 1:1

      Isaías

      a. 717 AEC Miquéias termina o livro de

      Miquéias Miq. 1:1

      c. 717 AEC Terminada a compilação de

      Provérbios Pro. 25:1

      716 AEC Manassés sucede a Ezequias

      como rei de Judá 2 Reis 21:1

      661 AEC Amom sucede a Manassés como

      rei de Judá 2 Reis 21:19

      659 AEC Josias sucede a Amom como

      rei de Judá 2 Reis 22:1

      a. 648 AEC Sofonias termina o livro de

      Sofonias Sof. 1:1

      647 AEC Jeremias é comissionado Jer. 1:1, 2

      profeta Jer. 9, 10

      a. 632 AEC Naum termina o livro de

      Naum Naum 1:1

      632 AEC Nínive cai diante dos caldeus

      e medos Naum 3:7

      Babilônia prestes a tornar-se

      a terceira potência mundial

      628 AEC Jeoacaz, sucessor de Josias,

      reina em Judá 2 Reis 23:31

      Jeoiaquim sucede a Jeoacaz

      como rei de Judá 2 Reis 23:36

      c. 628 AEC Habacuque termina o livro

      de Habacuque Hab. 1:1

      625 AEC Nabucodonosor (II) torna-se

      rei de Babilônia; primeiro

      ano de reinado contado a partir

      de nisã de 624 AEC Jer. 25:1

      620 AEC Nabucodonosor faz de Jeoiaquim

      um rei tributário 2 Reis 24:1

      618 AEC Joaquim torna-se rei depois

      de Jeoiaquim, em Judá 2 Reis 24:6, 8

      617 AEC Nabucodonosor leva os

      primeiros cativos judeus a Dan. 1:1-4;

      Babilônia Zedequias é 2 Reis 24:12-18

      constituído rei de Judá

      613 AEC Ezequiel começa a profetizar Eze. 1:1-3

      609 AEC Nabucodonosor ataca Judá pela

      terceira vez; começa o sítio

      de Jerusalém 2 Reis 25:1, 2

      607 AEC No quinto mês (ab), o templo

      é arrasado e Jerusalém 2 Reis 25:8-10;

      destruída Jer. 52:12-14

      No sétimo mês, judeus 2 Reis 25:25

      abandonam Judá; começa a 2 Reis 25:26;

      contagem dos “tempos Luc. 21:24

      designados das nações”

      Jeremias escreve

      Lamentações Introdução de

      Lam., LXX

      c. 607 AEC Obadias escreve o livro de Obd. 1

      Obadias

      c. 591 AEC Ezequiel termina o livro de Eze. 40:1

      Ezequiel Eze. 29:17

      580 AEC Terminados os livros de 1 e Jer. 52:31;

      2 Reis e Jeremias 2 Reis 25:27

      539 AEC Babilônia cai diante dos

      medos e persas; Medo-Pérsia

      torna-se a quarta potência

      mundial Dan. 5:30, 31

      537 AEC Entra em vigor o decreto de 2 Crô. 36:22

      Ciro, o persa, que permite 2 Crô. 36:23

      aos judeus retornar a Jer. 25:12

      Jerusalém; termina a Jer. 29:10

      desolação de 70 anos de

      Jerusalém

      c. 536 AEC Daniel termina o livro de Dan. 10:1

      Daniel

      536 AEC Zorobabel lança o alicerce

      do templo Esd. 3:8-10

      522 AEC A construção do templo é Esd. 4:23, 24

      proibida

      520 AEC Ageu termina o livro de

      Ageu Ageu 1:1

      518 AEC Zacarias termina o livro de

      Zacarias Zac. 1:1

      515 AEC Zorobabel termina o segundo Esd. 6:14, 15

      templo

      c. 475 AEC Mordecai termina o livro de Est. 3:7; 9:32

      Ester

      468 AEC Esdras e sacerdotes retornam Esd. 7:7

      a Jerusalém

      c. 460 AEC Esdras termina os livros Esd. 1:1;

      de 1 e 2 Crônicas e 2 Crô. 36:22

      Esdras;compilação final dos Salmos

      455 AEC Neemias reconstrói as Nee. 1:1

      muralhas de Jerusalém; Nee. 2:1, 11

      começa a cumprir-se a Nee. 6:15

      profecia das 70 semanas Dan. 9:24

      d. 443 AEC Neemias termina o livro de Nee. 5:14

      Neemias

      Malaquias termina o livro Mal. 1:1

      de Malaquias

      406 AEC A reconstrução de Jerusalém

      evidentemente é terminada Dan. 9:25

      332 AEC Grécia, a quinta potência

      mundial, domina a Judéia Dan. 8:21

      c. 280 AEC Começa a ser feita a

      Septuaginta grega

      165 AEC Rededicação do templo após a

      profanação pela idolatria

      grega; Festividade da

      Dedicação João 10:22

      63 AEC Roma, sexta potência mundial, João 19:15

      domina Jerusalém Rev. 17:10

      c. 37 AEC Herodes (designado rei por

      Roma) toma Jerusalém de assalto

      2 AEC Nascimento de João, o

      Batizador, e de Jesus Luc. 1:60; 2:7

      29 EC João e Jesus começam seus

      ministérios Luc. 3:1, 2, 23

      33 EC 14 de nisã: Jesus torna-se

      sacrifício, fornecendo a base Luc. 22:20

      para o novo pacto; é pregado Luc. 23:33

      na estaca

      16 de nisã: ressurreição de Mat. 28:1-10

      Jesus

      6 de sivã, Pentecostes:

      derramamento do espírito; Pedro

      abre o caminho aos judeus para

      a congregação cristã Atos 2:1-17, 38

      36 EC Fim das 70 semanas de anos; Dan. 9:24-27

      Pedro visita Cornélio, o Atos 10:1, 45

      primeiro incircunciso das

      nações a ingressar na

      congregação cristã

      c. 41 EC Mateus escreve o Evangelho

      chamado “Mateus”

      c.47-48 EC Paulo começa sua primeira

      viagem missionária Atos 13:1-14:28

      c. 49 EC O corpo governante decide

      contra a necessidade de

      circuncisão para os crentes

      das nações Atos 15:28, 29

      c.49-52 EC Segunda viagem missionária Atos 15:36-18:22

      de Paulo

      c. 50 EC Paulo escreve 1 Tessalonicenses

      de Corinto 1 Tes. 1:1

      c. 51 EC Paulo escreve 2 Tessalonicenses

      de Corinto 2 Tes. 1:1

      c.50-52 EC Paulo escreve sua carta aos

      gálatas de Corinto ou da

      Antioquia síria Gál. 1:1

      c.52-56 EC Terceira viagem missionária

      de Paulo Atos 18:23-21:19

      c. 55 EC Paulo escreve 1 Coríntios 1 Cor. 15:32

      de Éfeso e 2 Coríntios de 2 Cor. 2:12, 13

      Macedônia

      c. 56 EC Paulo escreve a carta aos

      romanos de Corinto Rom. 16:1

      c.56-58 EC Lucas escreve o Evangelho

      chamado “Lucas” Luc. 1:1, 2

      c.60-61 EC De Roma Paulo escreve:

      Efésios Efé. 3:1

      Filipenses Filêm. 4:22

      Colossenses Col. 4:18

      Filêmon Filêm. 1

      c. 61 EC Paulo escreve a carta aos Heb. 13:24

      hebreus, de Roma Heb. 10:34

      Lucas termina o livro de Atos,

      em, Roma

      a. 62 EC Tiago, irmão de Jesus, Tia. 1:1

      escreve a carta chamada “Tiago”, de

      Jerusalém

      c.60-65 EC Marcos escreve o Evangelho

      chamado “Marcos”

      c.61-64 EC Paulo escreve 1 Timóteo, de

      Macedônia 1 Tim. 1:3

      Paulo escreve Tito, de

      Macedônia (?) Tito 1:5

      c.62-64 EC Pedro escreve 1 Pedro, de 1 Ped. 1:1

      Babilônia 1 Ped. 5:13

      c. 64 EC Pedro escreve 2 Pedro, de

      Babilônia (?) 2 Ped. 1:1

      c. 65 EC Paulo escreve 2 Timóteo, 2 Tim. 4:16-18

      de Roma

      Judas, irmão de Jesus,

      escreve “Judas” Judas 1, 17, 18

      70 EC Jerusalém e seu templo Dan. 9:27;

      destruídos pelos romanos Mat. 23:37, 38;

      Luc. 19:42-44

      c. 96 EC João, em Patmos, escreve

      Revelação Rev. 1:9

      c. 98 EC João escreve o Evangelho

      chamado “João” e suas cartas

      1, 2, e 3 João; terminada a

      escrita da Bíblia João 21:22, 23

      c. 100 EC Morre João, o último dos

      apóstolos 2 Tes. 2:7

      NOTA: Deve-se ter em mente que, ao passo que muitas destas datas são firmemente estabelecidas, algumas delas são aproximadas, baseadas na evidência disponível. O objetivo desta tabela não é fixar datas inalteráveis para cada evento, mas sim ajudar os estudantes da Bíblia a localizar os eventos na corrente do tempo e ver como estes se relacionam entre si.

      Perguntas sobre a “Tabela de Datas Históricas Notáveis” e “Tabela dos Livros da Bíblia”: (a) Comparando as duas tabelas, cite alguns dos profetas e escritores bíblicos que viveram (1) antes do estabelecimento do reino de Israel, em 1117 AEC, (2) durante o período dos reinos de Israel e de Judá, (3) durante o período desde o começo do exílio em Babilônia até ser completado o cânon das Escrituras Hebraicas. (b) Localize o tempo da escrita das cartas de Paulo em relação com as suas viagens missionárias. (c) Que outros pontos interessantes observa quanto ao tempo da escrita de outros livros das Escrituras Gregas Cristãs? (d) Relacione as seguintes pessoas com algum evento notável na história bíblica, mencionando se viveram antes ou depois do evento, ou associe-as com outras pessoas que viviam na mesma época: Sem, Samuel, Metusalém, Ló, Rei Saul, Davi, Jó, Rei Oséias de Israel, Salomão, Arão, Rei Zedequias de Judá. (e) Que notáveis eventos ocorreram durante a vida de (1) Noé, (2) Abraão, (3) Moisés? (f) Combine as seguintes datas (AEC) com os notáveis eventos alistados abaixo: 4026, 2370, 1943, 1513, 1473, 1117, 997, 740, 607, 539, 537, 455.

      Criação de Adão

      Pacto da Lei feito no Sinai

      Jerusalém é destruída

      Judeus retornam a Jerusalém depois do decreto de Ciro

      Começa a escrita inspirada da Bíblia

      Começa o Dilúvio

      Babilônia cai diante dos medos e persas

      É ungido o primeiro rei de Israel

      Abraão cruza o Eufrates; validado o pacto abraâmico

      Nação se divide em reinos de Israel e de Judá

      O reino setentrional é subjugado pela Assíria

      As muralhas de Jerusalém são reconstruídas por Neemias

      Os israelitas são libertados do Egito

      Josué conduz Israel a Canaã

      Terminam os 70 anos de desolação de Jerusalém

      [Tabela na página 298]

      TABELA DOS LIVROS DA BÍBLIA

      (Algumas datas [e lugares de escrita] são incertos. O símbolo a. significa “antes de”; c. “cerca de”; e d. “depois de”.)

      Livros das Escrituras Hebraicas Antes da Era Comum (AEC)

      Nome do Escritor Lugar da Escrita Tempo

      Livro Escrita Terminada Abrangido

      Gênesis Moisés Ermo 1513 “No

      princípio”

      a 1657

      Êxodo Moisés Ermo 1512 1657-1512

      Levítico Moisés Ermo 1512 1 mês (1512)

      Números Moisés Ermo/ 1473 1512-1473

      Planícies de

      Moabe

      Deuteronômio Moisés Planícies de 1473 2 meses

      Moabe (1473)

      Josué Josué Canaã c.1450 1473-c. 1450

      Juízes Samuel Israel c.1100 c. 1450-

      c. 1120

      Rute Samuel Israel c.1090 11 anos de

      domínio pelos

      juízes

      1 Samuel Samuel; Israel c.1078 c. 1180-1078

      Gade;

      Natã

      2 Samuel Gade; Israel c.1040 1077-c. 1040

      Natã

      1 e 2 Reis Jeremias Judá/Egito 580 c. 1040-580

      1 e 2 Crônicas Esdras Jerusalém (?) c.460 Após

      1 Crô. 9:44,

      1077-537

      Esdras Esdras Jerusalém c.460 537-c. 467

      Neemias Neemias Jerusalém d.443 456-d. 443

      Ester Mordecai Susã, Elão c.475 493-c. 475

      Jó Moisés Ermo c.1473 Mais de 140

      anos entre

      1657 e 1473

      Salmos Davi e outros c.460

      Provérbios Salomão; Jerusalém c.717

      Agur;

      Lemuel

      Eclesiastes Salomão Jerusalém a.1000

      Cântico de

      Salomão Salomão Jerusalém c.1020

      Isaías Isaías Jerusalém d.732 c. 778-

      d. 732

      Jeremias Jeremias Judá/Egito 580 647-580

      Lamentações Jeremias Perto de 607

      Jerusalém

      Ezequiel Ezequiel Babilônia c.591 613-c. 591

      Daniel Daniel Babilônia c.536 618-c. 536

      Oséias Oséias Samaria d.745 a. 804-

      (Distrito) d. 745

      Joel Joel Judá c.820 (?)

      Amós Amós Judá c.804

      Obadias Obadias c.607

      Jonas Jonas c.844

      Miquéias Miquéias Judá a. 717 c. 777-717

      Naum Naum Judá a.632

      Habacuque Habacuque Judá c.628 (?)

      Sofonias Sofonias Judá a.648

      Ageu Ageu Jerusalém 520 112 dias

      (520)

      Zacarias Zacarias Jerusalém 518 520-518

      Malaquias Malaquias Jerusalém d.443

      Livros das Escrituras Gregas Cristãs Escritos Durante a Era Comum (EC)

      Nome do Escritor Lugar da Escrita Tempo

      Livro Escrita Terminada Abrangido

      Mateus Mateus Palestina c.41 2 AEC-33 EC

      Marcos Marcos Roma c.60-65 29-33 EC

      Lucas Lucas Cesaréia c.56-58 3 AEC-33 EC

      João Apóstolo Éfeso, ou c.98 Após

      João perto prólogo,

      29-33 EC

      Atos Lucas Roma c.61 33-c. 61 EC

      Romanos Paulo Corinto c.56

      1 Coríntios Paulo Éfeso c.55

      2 Coríntios Paulo Macedônia c.55

      Gálatas Paulo Corinto ou c.50-52

      Antioquia síria

      Efésios Paulo Roma c.60-61

      Filipenses Paulo Roma c.60-61

      Colossenses Paulo Roma c.60-61

      1 Tessalonicenses

      Paulo Corinto c.50

      2 Tessalonicenses

      Paulo Corinto c.51

      1 Timóteo Paulo Macedônia c.61-64

      2 Timóteo Paulo Roma c.65

      Tito Paulo Macedônia (?) c.61-64

      Filêmon Paulo Roma c.60-61

      Hebreus Paulo Roma c.61

      Tiago Tiago Jerusalém a.62

      (irmão de Jesus)

      1 Pedro Pedro Babilônia c.62-64

      2 Pedro Pedro Babilônia (?) c.64

      1 João Apóstolo Éfeso, ou c.98

      João perto

      2 João Apóstolo Éfeso, ou c.98

      João perto

      3 João Apóstolo Éfeso, ou c.98

      João perto

      Judas Judas Palestina (?) c.65

      (irmão de Jesus)

      Revelação Apóstolo Patmos c.96

      João

  • Estudo número 4 — A Bíblia e o seu cânon
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Estudos das Escrituras Inspiradas e de Seu Fundo Histórico

      Estudo número 4 — A Bíblia e o seu cânon

      A origem da palavra “Bíblia”; determinação de que livros pertencem legitimamente à Biblioteca Divina; rejeição dos apócrifos.

      1, 2. (a) Qual é o significado geral da palavra grega bi·blí·a? (b) Como são usadas nas Escrituras Gregas Cristãs esta e outras palavras associadas? (c) Como foi que a palavra “Bíblia” se introduziu na língua portuguesa?

      VISTO que as Escrituras inspiradas são comumente chamadas de Bíblia, é de interesse examinar a origem e o significado da palavra “Bíblia”. Deriva-se da palavra grega bi·blí·a, que significa “livrinhos”. Esta, por sua vez, deriva-se de bí·blos, palavra que descreve a parte interna do papiro, planta da qual, nos tempos antigos, produzia-se “papel” para escrita. (O porto fenício de Gebal, através do qual se importava papiro do Egito, veio a ser chamado de Biblos pelos gregos. Veja Josué 13:5, nota.) Várias comunicações escritas neste tipo de material tornaram-se conhecidas pela palavra bi·blí·a. Assim, bi·blí·a passou a descrever quaisquer escritos, rolos, livros, documentos, escrituras ou até mesmo a coleção de livrinhos de uma biblioteca.

      2 Surpreendentemente, a palavra “Bíblia” em si, de modo geral, não é encontrada no texto das traduções para o português, ou para outros idiomas, das Escrituras Sagradas. No entanto, por volta do segundo século AEC, a coleção dos livros inspirados das Escrituras Hebraicas era chamada de ta bi·blí·a, no idioma grego. Em Daniel 9:2, o profeta escreveu: “Eu, Daniel, compreendi pelos livros . . . ”. Aqui a Septuaginta reza bí·blois, a forma plural dativa de bí·blos. Em 2 Timóteo 4:13, Paulo escreveu: “Quando vieres, traze . . . os rolos [grego, bi·blí·a].” Nas suas diversas formas gramaticais, as palavras gregas bi·blí·on e bí·blos ocorrem mais de 40 vezes nas Escrituras Gregas Cristãs e são geralmente traduzidas por “rolo(s)” ou “livro(s)”. Bi·blí·a foi mais tarde usada em latim como palavra singular, e do latim, a palavra “Bíblia” introduziu-se no idioma português.

      3. Como testificam os escritores da Bíblia quanto a ser esta a inspirada Palavra de Deus?

      3 É a Palavra de Deus. Embora vários homens fossem usados na sua escrita inspirada e ainda outros tenham participado em traduzi-la dos idiomas originais para os idiomas escritos de hoje, a Bíblia é, no mais pleno sentido, a Palavra de Deus, sua própria revelação inspirada para os homens. Os próprios escritores inspirados encaravam-na desta forma, conforme evidenciado por usarem frases tais como “expressão da boca de Jeová” (Deut. 8:3), “declarações de Jeová” (Jos. 24:27), “mandamentos de Jeová” (Esd. 7:11), “lei de Jeová” (Sal. 19:7), “palavra de Jeová” (Isa. 38:4), ‘pronunciação de Jeová’ (Mat. 4:4), e “palavra de Jeová” (1 Tes. 4:15).

      A BIBLIOTECA DIVINA

      4. De que se compõe a Bíblia, e quem determinou isto?

      4 O que o homem conhece hoje como Bíblia é, na realidade, uma coleção de antigos documentos divinamente inspirados. Foram compostos e compilados na forma escrita durante um período de 16 séculos. No todo, esta coleção de documentos constitui o que Jerônimo bem descreveu em latim como Bibliotheca Divina. Esta biblioteca possui um catálogo, ou lista oficial de publicações, que se limita àqueles livros que pertencem ao campo e à especialização desta biblioteca. Excluem-se todos os livros não-autorizados. Jeová Deus é o Grande Bibliotecário, que estabelece o padrão que determina que escritos devem ser incluídos. Portanto, a Bíblia possui catálogo fixo que contém 66 livros, todos produtos do orientador espírito santo de Deus.

      5. O que é o cânon da Bíblia, e como se originou esta denominação?

      5 A coleção, ou lista, de livros aceitos como Escritura genuína e inspirada é com freqüência chamada de cânon da Bíblia. Originalmente, a cana (hebraico, qa·néh) servia como vara de medir se não houvesse um pedaço de madeira disponível. O apóstolo Paulo aplicou a palavra grega ka·nón a uma “regra de conduta”, bem como ao “território” estipulado como sua designação. (Gál. 6:16, nota; 2 Cor. 10:13) Portanto, livros canônicos são aqueles que são verídicos, inspirados e dignos de serem usados como régua ao se determinar a correta fé, doutrina e conduta. Se usarmos livros que não são “retos” como prumo, nosso “edifício” não sairá bem alinhado e seremos reprovados no teste do Inspetor Principal.

      6. Quais são alguns dos fatores que determinam a canonicidade de um livro?

      6 Determinação da Canonicidade. Quais são algumas das indicações divinas que determinaram a canonicidade dos 66 livros da Bíblia? Em primeiro lugar, os documentos devem tratar dos assuntos de Jeová na terra, direcionando os homens para a Sua adoração e estimulando profundo respeito por Seu nome e Sua obra e propósitos na terra. Devem dar evidência de inspiração, isto é, de que são produtos do espírito santo. (2 Ped. 1:21) Não deve incentivar a superstição ou a adoração de criaturas, mas, antes, incentivar o amor e o serviço a Deus. Não haveria nada, em nenhum escrito individual, que entrasse em conflito com a harmonia interna do todo, mas, em vez disto, cada livro deve, por sua unidade com os outros, apoiar a autoria única, a de Jeová Deus. Esperaríamos também que os escritos dessem evidência de exatidão até nos mínimos pormenores. Além desses aspectos essenciais básicos, há outras indicações específicas de inspiração e, por conseguinte, de canonicidade, segundo a natureza do conteúdo de cada livro, e estas foram abordadas junto com a matéria introdutória de cada um dos livros da Bíblia. Além disso, há circunstâncias especiais que se aplicam às Escrituras Hebraicas e outras às Escrituras Gregas Cristãs, que ajudam a estabelecer o cânon da Bíblia.

      AS ESCRITURAS HEBRAICAS

      7. Mediante que passos progressivos se completou o cânon hebraico, e com o que deveria estar em harmonia qualquer nova parte?

      7 Não se deve pensar que a aceitação do que constituía a Escritura inspirada teve de esperar até o término do cânon hebraico, no quinto século AEC. Os escritos de Moisés, sob a orientação do espírito de Deus, foram logo de início aceitos pelos israelitas como inspirados, de autoria divina. Quando completo, o Pentateuco constituía o cânon até aquele tempo. Revelações adicionais relacionadas com os propósitos de Jeová dadas a homens sob inspiração, precisariam seguir de forma lógica e estar em harmonia com os princípios fundamentais relacionados com a verdadeira adoração estabelecidos no Pentateuco. Vimos a veracidade disso quando consideramos os diferentes livros da Bíblia, especialmente como estes tratam diretamente do grandioso tema da Bíblia, a santificação do nome de Jeová e a vindicação da sua soberania mediante o Reino sob Cristo, a Semente prometida.

      8. O que estabelece a canonicidade dos livros proféticos da Bíblia?

      8 As Escrituras Hebraicas, em especial, estão repletas de profecias. O próprio Jeová, por meio de Moisés, forneceu a base para se determinar a genuinidade da profecia, se ela realmente provinha de Deus ou não, e isto ajudou a determinar a canonicidade dos livros proféticos. (Deut. 13:1-3; 18:20-22) Um exame de cada um dos livros proféticos das Escrituras Hebraicas, junto com a Bíblia como um todo e a história secular, estabelece além de dúvida que “a palavra” que falaram era em nome de Jeová, que realmente se “sucedeu ou cumpriu”, quer completamente quer em miniatura ou de modo parcial, quando tinha a ver com coisas ainda futuras, e que direcionou o povo para Deus. A satisfação desses requisitos estabeleceu a profecia como genuína e inspirada.

      9. Que importante fator deve ser lembrado quando se considera a questão do cânon da Bíblia?

      9 Citações feitas por Jesus e pelos inspirados escritores das Escrituras Gregas Cristãs fornecem uma forma direta de se estabelecer a canonicidade de muitos dos livros das Escrituras Hebraicas, embora esta medida não seja aplicável a todos, por exemplo, aos livros de Ester e de Eclesiastes. Ao considerar a questão da canonicidade, portanto, outro fator muito importante deve ser lembrado, que se aplica ao inteiro cânon da Bíblia. Assim como Jeová inspirou homens a escrever suas comunicações divinas para a sua instrução, edificação e encorajamento na sua adoração e serviço, da mesma forma, segue-se logicamente que Jeová dirigiria e orientaria o agrupamento dos escritos inspirados e o estabelecimento do cânon da Bíblia. Faria isto de modo que não houvesse nenhuma dúvida quanto a que compõe sua Palavra da verdade e o que constituiria o permanente cordel de medir da adoração verdadeira. Deveras, apenas deste modo poderiam criaturas na terra continuar a receber ‘um novo nascimento por intermédio da palavra de Deus’ e atestar que “a declaração de Jeová permanece para sempre”. — 1 Ped. 1:23, 25.

      10. Quando aproximadamente foi estabelecido o cânon das Escrituras Hebraicas?

      10 Estabelecimento do Cânon Hebraico. A tradição judaica atribui a Esdras o início da compilação e catalogação do cânon das Escrituras Hebraicas, e diz que este foi terminado por Neemias. Esdras certamente estava bem habilitado para tal trabalho, sendo ele mesmo um dos escritores inspirados da Bíblia, bem como sacerdote, erudito e copista oficial de escritos sagrados. (Esd. 7:1-11) Não há motivo para se duvidar do parecer tradicional de que o cânon das Escrituras Hebraicas estava estabelecido por volta do fim do quinto século AEC.

      11. Como alista o cânon judaico tradicional as Escrituras Hebraicas?

      11 Hoje alistamos 39 livros das Escrituras Hebraicas; o cânon judaico tradicional, embora inclua os mesmos livros, conta-os como 24. Algumas autoridades, colocando Rute com Juízes e Lamentações com Jeremias, contam o número de livros como 22, embora ainda se apeguem exatamente aos mesmos escritos canônicos.a Isto torna o número de livros inspirados igual ao número de letras do alfabeto hebraico. O que segue é a lista dos 24 livros segundo o cânon judaico tradicional:

      A Lei (O Pentateuco)

      1. Gênesis

      2. Êxodo

      3. Levítico

      4. Números

      5. Deuteronômio

      Os Profetas

      6. Josué

      7. Juízes

      8. Samuel (Primeiro e Segundo juntos como um único livro)

      9. Reis (Primeiro e Segundo juntos como um único livro)

      10. Isaías

      11. Jeremias

      12. Ezequiel

      13. Os Doze Profetas (Oséias, Joel, Amós, Obadias,

      Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias,

      Ageu, Zacarias e Malaquias, como um único livro)

      Os Escritos (Hagiógrafos)

      14. Salmos

      15. Provérbios

      16. Jó

      17. O Cântico de Salomão

      18. Rute

      19. Lamentações

      20. Eclesiastes

      21. Ester

      22. Daniel

      23. Esdras (Neemias foi incluído com Esdras)

      24. Crônicas (Primeiro e Segundo juntos como um único livro)

      12. O que adicionalmente confirma o cânon hebraico, e com que escritos terminou?

      12 Este era o catálogo, ou cânon, que foi aceito por Cristo Jesus e pela primitiva congregação cristã como Escritura inspirada. Foi apenas desses escritos que os inspirados escritores das Escrituras Gregas Cristãs citaram, e por introduzirem tais citações com expressões do tipo “como está escrito”, confirmaram-nos como sendo a Palavra de Deus. (Rom. 15:9) Jesus, ao falar das completas Escrituras inspiradas escritas até o tempo de seu ministério, referiu-se às coisas registradas “na lei de Moisés, e nos Profetas, e nos Salmos”. (Luc. 24:44) Aqui, “Salmos”, como primeiro livro dos Hagiógrafos, é usado para se referir a esta seção inteira. O último livro histórico a ser incluído no cânon hebraico foi o de Neemias. Que isto foi sob a orientação do espírito de Deus é demonstrado no fato que somente este livro fornece o ponto de partida para o cálculo da notável profecia de Daniel, de que “desde a saída da palavra para se restaurar e reconstruir Jerusalém” até a vinda do Messias haveria um período de 69 semanas proféticas. (Dan. 9:25; Nee. 2:1-8; 6:15) O livro de Neemias também fornece o fundo histórico para o último dos livros proféticos, Malaquias. Não pode haver dúvida de que Malaquias pertence ao cânon das Escrituras inspiradas, visto que mesmo Jesus, o Filho de Deus, citou dele várias vezes. (Mat. 11:10, 14) Embora se tenham feito citações similares da maioria dos livros do cânon hebraico, todos escritos antes de Neemias e de Malaquias, os escritores das Escrituras Gregas Cristãs não fazem nenhuma citação de pretensos escritos inspirados redigidos depois do tempo de Neemias e Malaquias até o de Cristo. Isto confirma o parecer tradicional dos judeus, e também a crença da congregação cristã do primeiro século EC, de que o cânon das Escrituras Hebraicas terminou com os escritos de Neemias e de Malaquias.

      LIVROS APÓCRIFOS DAS ESCRITURAS HEBRAICAS

      13. (a) O que são livros apócrifos? (b) Como vieram a ser aceitos no cânon católico romano?

      13 O que são livros apócrifos? Estes são os escritos que alguns têm incluído em certas Bíblias, mas que foram rejeitados por outros, visto que não dão evidência de terem sido inspirados por Deus. A palavra grega a·pó·kry·fos refere-se a coisas ‘cuidadosamente ocultas’. (Mar. 4:22; Luc. 8:17; Col. 2:3) O termo é aplicado a livros de autoria ou autoridade duvidosa, ou àqueles que, embora sejam considerados de algum valor para a leitura pessoal, carecem de evidência de inspiração divina. Tais livros eram mantidos separados e não eram lidos publicamente, daí a idéia de ‘ocultos’. No Concílio de Cartago, em 397 EC, foi proposto que sete dos livros apócrifos fossem acrescentados às Escrituras Hebraicas, junto com adições aos livros canônicos de Ester e de Daniel. No entanto, foi só em 1546, no Concílio de Trento, que a Igreja Católica Romana confirmou definitivamente a aceitação destes aditamentos no seu catálogo de livros da Bíblia. Estes eram Tobias, Judite, acréscimos a Ester, Sabedoria, Eclesiástico, Baruque, três adições a Daniel, Primeiro e Segundo Macabeus.

      14. (a) Por que é de interesse Primeiro Macabeus? (b) Que autoridades nunca mencionaram os apócrifos, e por quê?

      14 O livro de Primeiro Macabeus, embora de forma alguma deva ser considerado livro inspirado, contém informações de interesse histórico. Fornece um relato da luta dos judeus pela independência durante o segundo século AEC, sob a liderança da família sacerdotal dos Macabeus. Os livros apócrifos restantes estão repletos de mitos e de superstições e têm muitos erros. Nunca foram mencionados ou citados por Jesus ou pelos escritores das Escrituras Gregas Cristãs.

      15, 16. Como indicaram Josefo e Jerônimo que livros são canônicos?

      15 O historiador judeu Flávio Josefo, do primeiro século EC, na sua obra Against Apion (Contra Apião) (I, 38-41 [8]), refere-se a todos os livros que foram reconhecidos pelos hebreus como sagrados. Ele escreveu: “Não possuímos miríades de livros incoerentes, que discordam entre si. Nossos livros, os devidamente acreditados, são apenas vinte e dois [o equivalente de nossos 39 hoje, conforme apresentado no parágrafo 11], e contêm o registro de todos os tempos. Destes, cinco são os livros de Moisés, abrangendo as leis e a história tradicional do surgimento do homem até a morte do legislador. . . . Da morte de Moisés até Artaxerxes, que sucedeu Xerxes como rei da Pérsia, os profetas subseqüentes a Moisés escreveram a história dos eventos de sua própria época, em treze livros. Os quatro livros restantes contêm hinos a Deus e preceitos para a conduta da vida humana.” Assim, Josefo indica que o cânon das Escrituras Hebraicas tinha sido estabelecido bem antes do primeiro século EC.

      16 O erudito bíblico Jerônimo, que completou a tradução da Vulgata latina da Bíblia, por volta de 405 EC, foi bastante explícito na sua posição sobre os livros apócrifos. Após alistar os livros inspirados usando a mesma contagem que Josefo, enumerando os 39 livros inspirados das Escrituras Hebraicas como 22, escreveu no seu prólogo dos livros de Samuel e de Reis na Vulgata: “De modo que há vinte e dois livros . . . Este prólogo das Escrituras pode servir como enfoque fortificado para todos os livros que traduzimos do hebraico para o latim; de modo que saibamos que tudo o que for além destes precisa ser colocado entre os apócrifos.”

      AS ESCRITURAS GREGAS CRISTÃS

      17. Que responsabilidade alega a Igreja Católica Romana ter, mas quem realmente determinou que livros constituem o cânon da Bíblia?

      17 A Igreja Católica Romana alega ter a responsabilidade de decidir que livros devem ser incluídos no cânon da Bíblia e faz menção ao Concílio de Cartago (397 EC), onde se formulou um catálogo de livros. O oposto é a verdade, porém, pois o cânon, incluindo a lista dos livros que compõem as Escrituras Gregas Cristãs, já estava estabelecido naquele tempo, isto é, não pelo decreto de qualquer concílio, mas pela orientação do espírito santo de Deus — o mesmo espírito que havia inspirado a escrita daqueles livros. O testemunho de posteriores catalogadores não-inspirados é valioso apenas como reconhecimento do cânon da Bíblia que o espírito de Deus autorizara.

      18. Que importantes conclusões podem ser tiradas da tabela que mostra primitivos catálogos das Escrituras Gregas Cristãs?

      18 A Evidência dos Catálogos Primitivos. Uma olhadela na tabela acompanhante revela que vários catálogos das Escrituras Cristãs, do quarto século, datados antes do concílio mencionado acima, concordam exatamente com nosso cânon atual, e alguns outros omitem apenas Revelação (Apocalipse). Antes do fim do segundo século, há aceitação universal dos quatro Evangelhos, de Atos e de 12 das cartas do apóstolo Paulo. Somente alguns dos escritos menores eram duvidados em certas áreas. Isto se dava provavelmente porque tais escritos eram limitados na sua circulação inicial por uma razão ou outra e, assim, levaram mais tempo para serem aceitos como canônicos.

      19. (a) Que importante documento foi achado na Itália, e qual a sua data? (b) Como define este o cânon aceito daquele tempo?

      19 Um dos mais interessantes catálogos primitivos é o fragmento descoberto por L. A. Muratori, na biblioteca Ambrosiana, em Milão, Itália, e publicado por ele em 1740. Embora esteja faltando o início, sua referência a Lucas como o terceiro Evangelho indica que já mencionara Mateus e Marcos. O Fragmento Muratoriano, que está em latim, data da última parte do segundo século EC. É um documento muito interessante, conforme a seguinte tradução parcial mostra: “O terceiro livro do Evangelho é o segundo Lucas. Lucas, o bem conhecido médico, o escreveu em seu próprio nome . . . O quarto livro dos Evangelhos é o de João, um dos discípulos. . . . E assim, para a fé dos crentes, não há discórdia, ainda que sejam dadas diferentes coletâneas dos fatos em cada livro dos Evangelhos, visto que em todos [eles], sob o único Espírito orientador, têm sido declaradas as coisas relacionadas com o seu nascimento, paixão, ressurreição, conversas com seus discípulos, duplo advento, o primeiro na humilhação procedente do desprezo, que ocorreu, e o segundo na glória do poder régio, que ainda há de vir. Que maravilha é, então, se João menciona de modo tão coerente nas suas epístolas estas várias coisas, dizendo em pessoa: ‘o que temos visto com os nossos olhos, e ouvido com os nossos ouvidos, e as nossas mãos têm apalpado, estas coisas temos escrito’. Pois assim, professa ser não apenas testemunha ocular, mas também ouvinte e narrador de todas as coisas maravilhosas do Senhor, na sua ordem. Além disso, os atos de todos os apóstolos estão escritos num único livro. Lucas [assim] os incluiu para o excelentíssimo Teófilo . . . Já as epístolas de Paulo, o que são, de onde ou por que razão foram enviadas, elas próprias tornam claro àquele que estiver disposto a entender. Em primeiro lugar, ele escreveu detalhadamente aos coríntios para proibir a introdução do cisma da heresia, depois escreveu aos gálatas [contra a] circuncisão, e aos romanos sobre a ordem das Escrituras, indicando também que Cristo é o principal assunto nelas — sendo necessário considerarmos cada qual delas, entendendo que o próprio bendito apóstolo Paulo, seguindo o exemplo de seu predecessor, João, escreve a não mais do que sete igrejas por nome, na seguinte ordem: aos coríntios (primeiro), aos efésios (segundo), aos filipenses (terceiro), aos colossenses (quarto), aos gálatas (quinto), aos tessalonicenses (sexto), aos romanos (sétimo). Mas, apesar de escrever aos coríntios e aos tessalonicenses duas vezes, visando correção, indica-se que há uma única igreja espalhada por toda a terra [?i.e., por este escrito sétuplo]; e também por João no Apocalipse, embora escreva a sete igrejas, fala todavia a todas. [Ele escreveu], porém, uma por afeição e amor a Filêmon, uma a Tito e duas a Timóteo; [e estas] são consideradas sagradas na honrosa estima da Igreja. . . . Adicionalmente, conta-se uma epístola de Judas e duas que levam o nome de João . . . Recebemos os apocalipses apenas de João e de Pedro, estes [últimos] alguns de nós não desejamos que fossem lidos na igreja.” — The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge, 1956, Vol. VIII, página 56.

      20. (a) Como se explica a omissão de uma das cartas de João e uma das de Pedro? (b) Quão próximo, então, corresponde este catálogo ao nosso catálogo atual?

      20 Nota-se que próximo ao fim do Fragmento Muratoriano, faz-se menção de apenas duas epístolas de João. Entretanto, sobre este ponto, a enciclopédia mencionada acima, na página 55, observa que estas duas epístolas de João “somente podem ser a segunda e a terceira, cujo escritor chama a si mesmo meramente de ‘o ancião’. Tendo já considerado a primeira, embora apenas de passagem, em conexão com o quarto Evangelho, e ali declarado sua crença inquestionável na sua origem joanina, o autor sentiu-se capaz aqui de se limitar às duas cartas menores”. Quanto à aparente ausência de qualquer menção à primeira epístola de Pedro, esta fonte continua: “A hipótese mais provável é a da perda de algumas palavras, talvez de uma linha, em que I Pedro e o Apocalipse de João são mencionados como aceitos.” Por conseguinte, do ponto de vista do Fragmento Muratoriano, esta enciclopédia, na página 56, conclui: “O Novo Testamento é considerado como definitivamente composto dos quatro Evangelhos, dos Atos, das treze epístolas de Paulo, do Apocalipse de João, provavelmente de três epístolas suas, de Judas e provavelmente de I Pedro, ao passo que a oposição a outros escritos de Pedro não estava ainda silenciada.”

      21. (a) De que interesse são os comentários de Orígenes sobre os escritos inspirados? (b) O que reconheceram escritores posteriores?

      21 Orígenes, por volta do ano 230 EC, aceitou entre as Escrituras inspiradas os livros de Hebreus e de Tiago, ambos ausentes do Fragmento Muratoriano. Embora indique que alguns duvidavam da sua natureza canônica, isto também demonstra que, por este tempo, a canonicidade da maior parte das Escrituras Gregas era aceita, somente alguns duvidando de algumas das menos conhecidas epístolas. Mais tarde, Atanásio, Jerônimo e Agostinho reconheceram as conclusões das listas anteriores, definindo como o cânon os mesmos 27 livros que temos agora.b

      22, 23. (a) Como foram preparadas as listas dos catálogos na tabela? (b) Por que aparentemente não havia tais listas antes do Fragmento Muratoriano?

      22 A maioria dos catálogos na tabela são listas específicas, que indicam que livros eram aceitos como canônicos. Os de Irineu, de Clemente de Alexandria, de Tertuliano e de Orígenes são completados à base das citações que fizeram, que revelam como eles consideravam os escritos a que se referem. Estas são adicionalmente suplementadas dos registros do antigo historiador Eusébio. Contudo, o fato de que estes escritores não mencionam certos escritos canônicos não argumenta contra a canonicidade deles. Apenas não se referem a eles nos seus escritos, quer por escolha deliberada quer por causa do assunto em pauta. Mas, por que não encontramos listas exatas anteriores ao Fragmento Muratoriano?

      23 Foi só em meados do segundo século EC, quando apareceram críticos como Marcião, que surgiu a questão de que livros deveriam ser aceitos pelos cristãos. Marcião elaborou seu próprio cânon para se adequar a suas doutrinas, aceitando somente certas cartas do apóstolo Paulo e uma forma expurgada do Evangelho de Lucas. Isto, associado à grande quantidade de literatura apócrifa que, naquela época, difundia-se pelo mundo, foi o que levou às declarações feitas pelos catalogadores quanto a que livros eles aceitavam como canônicos.

      24. (a) O que caracteriza os escritos apócrifos do “Novo Testamento”? (b) O que dizem os eruditos sobre eles?

      24 Escritos Apócrifos. A evidência interna confirma a clara divisão que foi feita entre os inspirados escritos cristãos e as obras que eram espúrias ou não-inspiradas. Os escritos apócrifos são muito inferiores e muitas vezes fantasiosos e infantis. São freqüentemente inexatos.c Note as seguintes declarações feitas por eruditos sobre estes livros não-canônicos:

      “Não é uma questão de alguém tê-los excluído do Novo Testamento: eles o fizeram por si mesmos.” — M. R. James, The Apocryphal New Testament, páginas xi, xii.

      “Basta comparar os livros do nosso Novo Testamento como um todo com outra literatura do gênero, para perceber quão largo é o abismo que separa um do outro. Os evangelhos não-canônicos, diz-se geralmente, são na realidade a melhor evidência dos canônicos.” — G. Milligan, The New Testament Documents, páginas 228.

      “Não se pode dizer de sequer um escrito preservado para nós dos primórdios da Igreja, fora do Novo Testamento, que poderia ser corretamente acrescentado atualmente ao Cânon.” — K. Aland, The Problem of the New Testament Canon, página 24.

      25. Que fatos sobre cada um dos escritores das Escrituras Gregas Cristãs argumentam a favor da inspiração destes escritos?

      25 Escritores Inspirados. Este ponto adicional é de interesse. Todos os escritores das Escrituras Gregas Cristãs, de um modo ou de outro, estavam intimamente associados com o corpo governante original da congregação cristã, que incluía os apóstolos escolhidos pessoalmente por Jesus. Mateus, João e Pedro estavam entre os 12 apóstolos originais, e Paulo foi escolhido mais tarde como apóstolo, mas não foi contado como um dos 12.d Embora Paulo não estivesse presente no derramamento especial do espírito em Pentecostes, Mateus, João e Pedro estavam lá, junto com Tiago e Judas, bem como provavelmente Marcos. (Atos 1:13, 14) Pedro considera especificamente as cartas de Paulo como parte do “resto das Escrituras”. (2 Ped. 3:15, 16) Marcos e Lucas eram associados íntimos e companheiros de viagem de Paulo e de Pedro. (Atos 12:25; 1 Ped. 5:13; Col. 4:14; 2 Tim. 4:11) Todos estes escritores foram dotados de habilidades miraculosas pelo espírito santo, quer por derramamento especial, conforme ocorreu em Pentecostes e quando Paulo foi convertido, (Atos 9:17, 18) quer, sem dúvida, como no caso de Lucas, pela imposição das mãos dos apóstolos. (Atos 8:14-17) Toda a escrita das Escrituras Gregas Cristãs foi concluída durante o tempo em que as dádivas especiais do espírito estavam em operação.

      26. (a) O que aceitamos como Palavra de Deus, e por quê? (b) Como devemos mostrar apreço pela Bíblia?

      26 A fé no Deus todo-poderoso, que é o Inspirador e Preservador de sua Palavra, nos dá confiança de que foi ele quem orientou o ajuntamento das várias partes das Escrituras. Assim, aceitamos confiantemente os 27 livros das Escrituras Gregas Cristãs junto com os 39 das Escrituras Hebraicas como uma só Bíblia, feita por um só Autor, Jeová Deus. Sua Palavra, nos seus 66 livros, é o nosso guia, e sua plena harmonia e equilíbrio testificam a favor de sua inteireza. Todo louvor seja dado a Jeová Deus, o Criador deste incomparável livro! Este pode equipar-nos completamente e colocar nossos pés no caminho da vida. Usemo-lo sabiamente em toda a oportunidade.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Encyclopaedia Judaica, 1973, Vol. 4, cols. 826, 827.

      b The Books and the Parchments, 1963, F. F. Bruce, página 112.

      c Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, páginas 153-6.

      d Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, páginas 160-1.

      [Tabela na página 303]

      Principais Catálogos Primitivos das Escrituras Gregas Cristãs

      A - Aceito sem dúvidas como parte das Escrituras e canônico

      D - Dúvidas em certas áreas

      DA - Dúvidas em certas áreas, mas o catalogador aceitou como parte das Escrituras e canônico

      ? - Eruditos incertos quanto à leitura do texto ou como o livro mencionado é encarado

      □ - O espaço em branco indica que o livro não foi usado ou mencionado por aquela autoridade

      Nome e Lugar

      Fragmento Irineu, Clemente

      Muratoriano, Ásia de

      Itália Menor Alexandria

      Data Aproximada — EC 170 180 190

      Mateus A A A

      Marcos A A A

      Lucas A A A

      João A A A

      Atos A A A

      Romanos A A A

      1 Coríntios A A A

      2 Coríntios A A A

      Gálatas A A A

      Efésios A A A

      Filipenses A A A

      Colossenses A A A

      1 Tessalonicenses A A A

      2 Tessalonicenses A A A

      1 Timóteo A A A

      2 Timóteo A A A

      Tito A A A

      Filêmon A

      Hebreus D DA

      Tiago ?

      1 Pedro A? A A

      2 Pedro D? A

      1 João A A DA

      2 João A A DA

      3 João A?

      Judas A DA

      Revelação A A A

      Nome e Lugar

      Tertuliano, Orígenes, Eusébio,

      África do N. Alexandria Palestina

      Data Aproximada — EC 207 230 320

      Mateus A A A

      Marcos A A A

      Lucas A A A

      João A A A

      Atos A A A

      Romanos A A A

      1 Coríntios A A A

      2 Coríntios A A A

      Gálatas A A A

      Efésios A A A

      Filipenses A A A

      Colossenses A A A

      1 Tessalonicenses A A A

      2 Tessalonicenses A A A

      1 Timóteo A A A

      2 Timóteo A A A

      Tito A A A

      Filêmon A A A

      Hebreus DA DA DA

      Tiago DA DA

      1 Pedro A A A

      2 Pedro DA DA

      1 João A A A

      2 João DA DA

      3 João DA DA

      Judas A DA DA

      Revelação A A DA

      Nome e Lugar

      Cirilo de Lista de Atanásio,

      Jerusalém Cheltenham, Alexandria

      África do N.

      Data Aproximada — EC 348 365 367

      Mateus A A A

      Marcos A A A

      Lucas A A A

      João A A A

      Atos A A A

      Romanos A A A

      1 Coríntios A A A

      2 Coríntios A A A

      Gálatas A A A

      Efésios A A A

      Filipenses A A A

      Colossenses A A A

      1 Tessalonicenses A A A

      2 Tessalonicenses A A A

      1 Timóteo A A A

      2 Timóteo A A A

      Tito A A A

      Filêmon A A A

      Hebreus A A

      Tiago A A

      1 Pedro A A A

      2 Pedro A D A

      1 João A A A

      2 João A D A

      3 João A D A

      Judas A A

      Revelação A A

      Nome e Lugar

      Epifânio, Gregório Anfilóquio,

      Palestina Nazianzeno, Ásia Menor

      Ásia Menor

      Data Aproximada — EC 368 370 370

      Mateus A A A

      Marcos A A A

      Lucas A A A

      João A A A

      Atos A A A

      Romanos A A A

      1 Coríntios A A A

      2 Coríntios A A A

      Gálatas A A A

      Efésios A A A

      Filipenses A A A

      Colossenses A A A

      1 Tessalonicenses A A A

      2 Tessalonicenses A A A

      1 Timóteo A A A

      2 Timóteo A A A

      Tito A A A

      Filêmon A A A

      Hebreus A A DA

      Tiago A A A

      1 Pedro A A A

      2 Pedro A A D

      1 João A A A

      2 João A A D

      3 João A A D

      Judas A A D

      Revelação DA D

      Nome e Lugar

      Filastre, Jerônimo, Agostinho, Terceiro

      Itália Itália África Concílio

      do N. de

      Cartago,

      África

      do N.

      Data Aproximada — EC 383 394 397 397

      Mateus A A A A

      Marcos A A A A

      Lucas A A A A

      João A A A A

      Atos A A A A

      Romanos A A A A

      1 Coríntios A A A A

      2 Coríntios A A A A

      Gálatas A A A A

      Efésios A A A A

      Filipenses A A A A

      Colossenses A A A A

      1 Tessalonicenses A A A A

      2 Tessalonicenses A A A A

      1 Timóteo A A A A

      2 Timóteo A A A A

      Tito A A A A

      Filêmon A A A A

      Hebreus DA DA A A

      Tiago A DA A A

      1 Pedro A A A A

      2 Pedro A DA A A

      1 João A A A A

      2 João A DA A A

      3 João A DA A A

      Judas A DA A A

      Revelação A DA DA A

  • Estudo número 5 — O texto hebraico das Escrituras Sagradas
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Estudos das Escrituras Inspiradas e de Seu Fundo Histórico

      Estudo número 5 — O texto hebraico das Escrituras Sagradas

      Como as Escrituras Hebraicas, qual parte da inspirada Palavra de Deus, foram copiadas, preservadas quanto à integridade textual e transmitidas até o dia de hoje.

      1. (a) Em que diferem as ‘palavras de Jeová’ de outros tesouros do passado? (b) Que perguntas surgem quanto à preservação da Palavra de Deus?

      AS ‘PALAVRAS de Jeová’ assentadas por escrito podem ser comparadas a águas da verdade ajuntadas num notável reservatório de documentos inspirados. Quão gratos podemos ser de que, durante todo o período dessas comunicações celestiais, Jeová fez que essas “águas” fossem reunidas, a fim de que se tornassem uma inesgotável fonte de informações vitalizadoras! Outros tesouros do passado, tais como coroas reais, objetos transmitidos de geração em geração e monumentos de homens ilustres, embaciaram, corroeram-se ou desmoronaram com o tempo, mas as declarações de nosso Deus, semelhantes a um tesouro, durarão por tempo indefinido. (Isa. 40:8) Contudo, surgem perguntas quanto a se houve contaminação dessas águas da verdade após terem sido colocadas no reservatório. Permaneceram inalteradas? Foram transmitidas fielmente dos textos dos idiomas originais, resultando em ser fidedigno aquilo que está disponível a povos de todos os idiomas na terra hoje? Acharemos ser um estudo emocionante examinar a parte deste reservatório conhecida como texto hebraico, observando o cuidado tomado para preservar sua exatidão, junto com as maravilhosas provisões feitas para sua transmissão e disponibilidade a todas as nações da humanidade, por meio de versões e de novas traduções.

      2. Como foram preservados até os dias de Esdras os escritos inspirados?

      2 Os documentos originais nos idiomas hebraico e aramaico foram registrados pelos secretários humanos de Deus, desde Moisés, em 1513 AEC, até pouco depois de 443 AEC. Tanto quanto se sabe hoje, nenhum desses escritos originais está atualmente em existência. No entanto, desde o início, tomou-se muito cuidado em preservar os escritos inspirados, incluindo cópias autorizadas. Por volta de 642 AEC, nos dias do Rei Josias, “o próprio livro da lei” de Moisés, sem dúvida o exemplar original, foi encontrado, guardado na casa de Jeová. Nessa época, já fazia 871 anos que fora preservado. O escritor bíblico Jeremias manifestou tamanho interesse nesta descoberta que a registrou por escrito em 2 Reis 22:8-10, e, por volta do ano 460 AEC, Esdras mencionou novamente o mesmo incidente. (2 Crô. 34:14-18) Estava interessado nessas coisas, pois “era copista destro da lei de Moisés, dada por Jeová, o Deus de Israel”. (Esd. 7:6) Sem dúvida, Esdras tinha acesso a outros rolos das Escrituras Hebraicas que já estavam elaborados no seu tempo, incluindo possivelmente os originais de alguns dos escritos inspirados. Deveras, Esdras parece ter tido a guarda dos escritos divinos em seus dias. — Nee. 8:1, 2.

      ERA DE COPIAR MANUSCRITOS

      3. Que necessidade surgiu de cópias adicionais das Escrituras, e como foi esta preenchida?

      3 A partir do tempo de Esdras, houve crescente demanda de cópias das Escrituras Hebraicas. Nem todos os judeus retornaram a Jerusalém e à Palestina na restauração de 537 AEC, e depois. Antes, milhares permaneceram em Babilônia, ao passo que outros migraram por motivos comerciais e por outras razões, resultando em serem encontrados na maioria dos grandes centros comerciais do mundo antigo. Muitos judeus faziam peregrinações anuais a Jerusalém para as várias festividades do templo e ali participavam da adoração oficiada no hebraico bíblico. Nos dias de Esdras, os judeus nestes muitos países distantes reuniam-se em pontos de reunião locais, conhecidos como sinagogas, onde se realizavam leituras e considerações das Escrituras Hebraicas.a Por causa dos muitos locais de adoração espalhados, os copistas tiveram de multiplicar o suprimento de manuscritos.

      4. (a) O que era genizá, e como era usada? (b) Que valiosa descoberta foi feita numa destas no século 19?

      4 Estas sinagogas geralmente tinham um depósito conhecido como genizá. Com o passar do tempo, os judeus colocavam na genizá manuscritos que não mais usariam por se terem rasgado ou desgastado, substituindo-os por novos para o uso corrente da sinagoga. Ocasionalmente, o conteúdo da genizá era solenemente enterrado, a fim de que o texto — que continha o santo nome de Jeová — não fosse profanado. No decorrer dos séculos, milhares de antigos manuscritos hebraicos da Bíblia desapareceram deste modo. Entretanto, a bem-suprida genizá da sinagoga no Cairo Antigo foi poupada deste tratamento, provavelmente porque foi murada e esquecida até meados do século 19. Em 1890, quando a sinagoga estava sendo restaurada, o conteúdo da genizá foi reexaminado e seus tesouros foram gradualmente vendidos ou doados. Desta fonte, manuscritos razoavelmente completos, bem como milhares de fragmentos (alguns datados do sexto século EC), chegaram à Biblioteca da Universidade de Cambridge e a outras bibliotecas da Europa e dos Estados Unidos.

      5. (a) Que antigos manuscritos hebraicos foram catalogados, e quão antigos são? (b) O que revela o estudo deles?

      5 Hoje, nas várias bibliotecas do mundo, há talvez 6.000 manuscritos contados e catalogados, completos ou de partes das Escrituras Hebraicas. Até recentemente, não havia manuscritos (com exceção de poucos fragmentos) anteriores ao décimo século EC. Daí, em 1947, na área do mar Morto, foi descoberto um rolo do livro de Isaías, e, nos anos seguintes, outros inestimáveis rolos das Escrituras Hebraicas vieram à tona, à medida que as cavernas na área do Mar Morto revelavam ricos tesouros em forma de manuscritos que estavam escondidos por quase 1.900 anos. Os especialistas datam agora alguns destes como tendo sido copiados nos últimos séculos AEC. O estudo comparativo dos aproximadamente 6.000 manuscritos das Escrituras Hebraicas fornece uma base sólida para se determinar o texto hebraico e revela fidedignidade na transmissão do texto.

      O IDIOMA HEBRAICO

      6. (a) Qual é a primitiva história do idioma hebraico? (b) Por que estava Moisés habilitado para escrever Gênesis?

      6 O que os homens chamam hoje de idioma hebraico era, na sua forma original, o idioma que Adão falava no jardim do Éden. Por esta razão, poderia ser chamado de idioma do homem. Era o idioma falado nos dias de Noé, embora com crescente vocabulário. Numa forma ainda mais ampliada, foi o idioma básico que sobreviveu quando Jeová confundiu a língua da humanidade, na Torre de Babel. (Gên. 11:1, 7-9) O hebraico pertence ao grupo semítico de idiomas, do qual é o originador. Parece estar aparentado com o idioma de Canaã no tempo de Abraão, e, do seu ramo hebraico, os cananeus formaram vários dialetos. Em Isaías 19:18, é mencionado como “o idioma de Canaã”. Moisés, nos seus dias, era erudito não apenas na sabedoria dos egípcios, mas também no idioma hebraico dos seus antepassados. Por este motivo, estava em condições de ler documentos antigos que chegassem a suas mãos, e estes podem ter fornecido a base para algumas das informações que ele registrou no que é agora conhecido como livro bíblico de Gênesis.

      7. (a) Que posterior desenvolvimento do hebraico ocorreu? (b) Para que serviu o hebraico bíblico?

      7 Mais tarde, nos dias dos reis judeus, o hebraico veio a ser conhecido como “idioma judaico”. (2 Reis 18:26, 28) Na época de Jesus, os judeus falavam uma forma mais moderna ou ampliada do hebraico, e esta, ainda mais tarde, tornou-se o hebraico rabínico. No entanto, deve-se notar que, nas Escrituras Gregas Cristãs, o idioma é ainda mencionado como “hebraico”, não como aramaico. (João 5:2; 19:13, 17; Atos 22:2; Rev. [Apo.] 9:11) Desde a antiguidade, o hebraico bíblico era o idioma de comunicação, que promovia a união, entendido pela maioria das testemunhas pré-cristãs de Jeová, bem como pelas testemunhas cristãs do primeiro século.

      8. Lembrando-nos do propósito das Escrituras, pelo que podemos ser genuinamente gratos?

      8 As Escrituras Hebraicas serviam qual reservatório de águas da verdade, límpidas como cristal, comunicadas e ajuntadas sob inspiração divina. Entretanto, somente aqueles que sabiam ler hebraico podiam beneficiar-se diretamente destas águas divinamente providas. Como poderiam homens de nações multilíngües também encontrar um modo de sorver estas águas da verdade, obtendo assim orientação e revigoramento divinos para a sua alma? (Rev. 22:17) O único modo era por traduzir o hebraico para outros idiomas, expandindo assim o fluxo da torrente das verdades divinas a todas as multidões da humanidade. Podemos ser realmente gratos a Jeová Deus que, a partir do quarto ou terceiro século AEC até o presente, partes da Bíblia foram traduzidas em mais de 1.900 idiomas. Que dádiva isto mostrou ser para todas as pessoas inclinadas à justiça, que têm deveras sido habilitadas a encontrar “deleite” nestas preciosas águas! — Sal. 1:2; 37:3, 4.

      9. (a) Que autorização a própria Bíblia concede para tradução? (b) Para que bom propósito adicional serviram as antigas traduções da Bíblia?

      9 Autoriza ou justifica a própria Bíblia a tradução do seu texto para outros idiomas? Certamente que sim! A palavra de Deus falada a Israel: “Alegrai-vos, ó nações, com o seu povo”, e o mandamento profético de Jesus aos cristãos: “Estas boas novas do Reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações”, precisam ser cumpridas. Para que isto ocorra, fazem-se necessárias traduções das Escrituras. Olhando para trás, para quase 24 séculos de tradução da Bíblia, torna-se claro que a bênção de Jeová tem acompanhado esta obra. Além disso, as antigas traduções da Bíblia que sobreviveram na forma manuscrita serviram também para confirmar o alto grau de fidelidade textual do reservatório hebraico da verdade. — Deut. 32:43; Mat. 24:14.

      AS MAIS ANTIGAS VERSÕES

      10. (a) O que é o Pentateuco Samaritano, e por que nos é útil hoje? (b) Forneça um exemplo do uso do Pentateuco Samaritano na Tradução do Novo Mundo.

      10 O Pentateuco Samaritano. Datando de tempos primitivos, há a versão conhecida como Pentateuco Samaritano, que, como sugere o nome, contém apenas os cinco primeiros livros das Escrituras Hebraicas. Trata-se realmente de uma transliteração do texto hebraico em caracteres samaritanos, desenvolvidos a partir dos antigos caracteres hebraicos. Fornece indicações úteis de como era o texto hebraico da época. Esta transliteração foi feita pelos samaritanos — descendentes dos que foram deixados em Samaria após a conquista do reino de Israel das dez tribos, em 740 AEC, e dos que foram trazidos pelos assírios naquela época. Os samaritanos incorporaram a adoração praticada por Israel à de seus próprios deuses pagãos e aceitavam o Pentateuco. Acredita-se que fizeram sua transliteração por volta do quarto século AEC, embora alguns eruditos sugiram que pode ter sido bem mais tarde, no segundo século AEC. À medida que liam o texto, estavam, na verdade, pronunciando hebraico. Embora o texto contenha cerca de 6.000 variações do texto hebraico, muitas delas são meros pormenores. Poucas das cópias dos manuscritos existentes antecedem ao século 13 EC. Fazem-se algumas referências ao Pentateuco Samaritano nas notas da Tradução do Novo Mundo.b

      11. O que são os Targuns, e de que proveito são com relação ao texto das Escrituras Hebraicas?

      11 Os Targuns Aramaicos. A palavra aramaica para “interpretação” ou “paráfrase” é targum. A partir do tempo de Neemias, o aramaico veio a ser o idioma comum de muitos judeus que viviam no território da Pérsia, e, portanto, era necessário acompanhar as leituras das Escrituras Hebraicas com traduções para este idioma. Parece que assumiram sua presente forma final não antes do que por volta do quinto século EC. Embora sejam apenas paráfrases imprecisas do texto hebraico, e não uma tradução exata, fornecem rico fundo histórico do texto e ajudam a determinar algumas passagens difíceis. Fazem-se freqüentes referências aos Targuns nas notas da Tradução do Novo Mundo.c

      12. O que é Septuaginta, e por que é tão importante?

      12 A Septuaginta Grega. A mais importante das antigas versões das Escrituras Hebraicas, e a primeira verdadeira tradução escrita a partir do hebraico, é a Septuaginta (significando “Setenta”) grega. Segundo a tradição, sua tradução começou em cerca de 280 AEC, por 72 eruditos judeus de Alexandria, no Egito. Mais tarde, o número 70 veio de alguma forma a ser usado, e, assim, a versão foi chamada de Septuaginta. Evidentemente, foi terminada no segundo século AEC. Servia de Escritura para os judeus que falavam grego e foi usada amplamente até o tempo de Jesus e de seus apóstolos. Nas Escrituras Gregas Cristãs, a maioria das 320 citações diretas e o total combinado de talvez 890 citações e referências às Escrituras Hebraicas são baseadas na Septuaginta.

      13. Que valiosos fragmentos da Septuaginta sobreviveram até hoje, e de que valor são?

      13 Há ainda disponível para o estudo hoje considerável número de fragmentos da Septuaginta escritos em papiro. São valiosos por remontarem aos primitivos tempos cristãos e, embora não raro contenham apenas alguns versículos ou capítulos, ajudam a acessar o texto da Septuaginta. O Papiro Fouad 266 foi descoberto no Egito, em 1939, e tem sido avaliado como pertencendo ao primeiro século AEC. Contém trechos dos livros de Gênesis e de Deuteronômio. Nos fragmentos de Gênesis, o nome divino não aparece por causa da preservação incompleta. No entanto, no livro de Deuteronômio, ocorre em vários lugares, escrito em caracteres hebraicos quadrados, no texto grego.d Outros papiros datam de cerca do quarto século EC, quando o velino, de maior durabilidade, um tipo fino de pergaminho, geralmente feito de pele de bezerro, de cordeiro ou de cabra, começou a ser usado para a escrita.

      14. (a) O que testifica Orígenes quanto à Septuaginta? (b) Quando e como foi alterada a Septuaginta? (c) Que testemunho devem os primitivos cristãos ter dado ao usar a Septuaginta?

      14 É de interesse que o nome divino, na forma do Tetragrama, também aparece na Septuaginta Hexapla, de seis colunas, de Orígenes, concluída em cerca de 245 EC. Comentando o Salmo 2:2, Orígenes escreveu a respeito da Septuaginta: “Nos manuscritos mais exatos, O NOME aparece em caracteres hebraicos, embora não nos [caracteres] hebraicos modernos, mas sim nos mais antigos.”e A evidência mostra-se conclusiva de que a Septuaginta foi alterada bem cedo, Ký·ri·os (Senhor) e The·ós (Deus) sendo usados como substitutos para o Tetragrama. Visto que os primitivos cristãos usavam manuscritos que continham o nome divino, não se pode supor que seguiram a tradição judaica de evitar pronunciar “O NOME” durante seu ministério. Sem dúvida, podiam testemunhar em favor do nome de Jeová diretamente da Septuaginta grega.

      15. (a) Usando a tabela na página 314, descreva os manuscritos em velino e em couro da Septuaginta. (b) Que referências faz a Tradução do Novo Mundo a estes?

      15 Há milhares de manuscritos da Septuaginta em velino e em couro ainda em existência. Muitos desses, produzidos entre o quarto e o nono século EC, são importantes por abrangerem grandes trechos das Escrituras Hebraicas. São conhecidos como unciais, visto estarem escritos inteiramente em grandes letras maiúsculas, separadas. Os demais são chamados de minúsculos por serem escritos num estilo cursivo e menor. Os manuscritos minúsculos, ou cursivos, estiveram em voga desde o nono século até o advento da imprensa. Os notáveis manuscritos unciais do quarto e do quinto séculos, ou seja, o Vaticano N.º 1209, o Sinaítico e o Alexandrino, contêm a Septuaginta grega com algumas pequenas variações. Fazem-se referências freqüentes à Septuaginta nas notas e nos comentários na Tradução do Novo Mundo.f

      16. (a) O que é a Vulgata latina, e por que é tão valiosa? (b) Forneça um exemplo de referência da Tradução do Novo Mundo a ela.

      16 A Vulgata Latina. Esta versão tem sido o texto-base usado por uma multidão de tradutores católicos ao produzirem outras versões nos muitos idiomas da cristandade ocidental. Como se originou a Vulgata? A palavra latina vulgatus significa “comum, aquilo que é popular”. Quando se produziu a Vulgata, foi no latim comum ou popular da época, de modo que podia ser facilmente entendida pelo povo do Império Romano do Ocidente. O erudito Jerônimo, que fez esta tradução, havia feito anteriormente duas revisões dos Salmos no latim antigo, comparando-as com a Septuaginta grega. No entanto, sua tradução da Bíblia Vulgata foi feita diretamente dos idiomas originais, hebraico e grego, e assim não era uma versão de uma versão. Jerônimo trabalhou na sua tradução latina do hebraico, de cerca de 390 EC a 405 EC. Ao passo que a obra completa incluía livros apócrifos, que por volta desta época estavam nas cópias da Septuaginta, Jerônimo fez clara distinção entre os livros que eram canônicos e aqueles que não eram. A Tradução do Novo Mundo refere-se muitas vezes a Vulgata de Jerônimo, nas suas notas.g

      OS TEXTOS NO IDIOMA HEBRAICO

      17. Quem eram os escribas ou soferins, e por que os condenou Jesus?

      17 Os Soferins. Os homens que copiavam as Escrituras Hebraicas, dos dias de Esdras até os dias de Jesus, eram chamados de escribas ou soferins. Com o passar do tempo, começaram a tomar a liberdade de fazer mudanças textuais. De fato, o próprio Jesus condenou severamente estes pretensos zeladores da Lei por assumirem poderes que não lhes competiam. — Mat. 23:2, 13.

      18. (a) Quem eram os massoretas, e que valiosos comentários fizeram sobre o texto hebraico? (b) Quais são alguns exemplos das correções dos soferins, segundo indicado na Tradução do Novo Mundo?

      18 A Massorá Revela as Alterações. Os escribas que sucederam os soferins, nos séculos pós-Cristo, vieram a ser conhecidos como massoretas. Estes notaram as alterações feitas pelos anteriores soferins, registrando-as na margem ou no fim do texto hebraico. Estas notas marginais vieram a ser conhecidas como Massorá. A Massorá alista os 15 pontos extraordinários dos soferins, ou seja, as 15 palavras ou frases no texto hebraico que foram marcados com pontos ou com pinceladas. Alguns destes pontos extraordinários não afetam a tradução para o português ou a interpretação, outros, porém, o fazem e são importantes.h Os soferins permitiram que o temor supersticioso de pronunciar o nome Jeová os enlaçasse a alterá-lo para rezar ʼAdho·naí (Senhor) em 134 lugares e para rezar ʼElo·hím (Deus) em alguns casos. A Massorá alista estas mudanças.i Os soferins ou primitivos escribas também são acusados de fazer pelo menos 18 emendas (correções), de acordo com certa nota na Massorá, embora evidentemente houvesse mais.j Estas emendas foram mui provavelmente feitas com boas intenções, uma vez que o trecho original parecia mostrar quer irreverência para com Deus, quer desrespeito por seus representantes humanos.

      19. O que é o texto hebraico consonantal, e quando adquiriu sua forma final?

      19 O Texto Consonantal. O alfabeto hebraico compõe-se de 22 consoantes, sem nenhuma vogal. Originalmente, o leitor tinha de suprir os sons vocálicos com base no seu próprio conhecimento do idioma. A escrita hebraica era como uma escrita abreviada. Mesmo no português moderno, há muitas abreviações padronizadas que as pessoas usam, em que somente consoantes aparecem. Por exemplo, usamos btl. como abreviação de batalhão. Similarmente, o idioma hebraico compreendia uma série de palavras compostas apenas de consoantes. De modo que, por “texto consonantal”, se quer dizer o texto hebraico sem quaisquer marcações vocálicas. O texto consonantal dos manuscritos hebraicos adquiriu sua forma final entre o primeiro e o segundo séculos EC, embora manuscritos com textos variantes continuassem a circular durante algum tempo. Não mais foram feitas alterações, como no período anterior dos soferins.

      20. O que fizeram os massoretas concernente ao texto hebraico?

      20 O Texto Massorético. Na segunda metade do primeiro milênio EC, os massoretas (hebraico, ba·ʽaléh ham·ma·soh·ráh, significando “Senhores da Tradição”) estabeleceram um sistema de pontos vocálicos e acentos. Estes serviam de ajuda escrita para ler e pronunciar os sons vocálicos, visto que anteriormente a pronúncia era transmitida pela tradição oral. Os massoretas não fizeram nenhuma alteração nos textos que transmitiram, mas registraram notas marginais na Massorá conforme achavam apropriado. Tiveram muito cuidado para não tomar liberdades textuais. Ademais, na sua Massorá, chamaram a atenção para peculiaridades textuais e indicaram as correções que consideraram necessárias.

      21. O que é texto massorético?

      21 Três escolas de massoretas estiveram empenhadas no desenvolvimento da marcação vocálica e da acentuação do texto consonantal, a saber, a babilônica, a palestiniana e a tiberiana. O texto hebraico apresentado atualmente nas edições impressas da Bíblia hebraica é conhecido como texto massorético e usa o sistema elaborado pela escola tiberiana. Este sistema foi desenvolvido pelos massoretas de Tiberíades, uma cidade à margem ocidental do mar da Galiléia. As notas na Tradução do Novo Mundo referem-se muitas vezes ao texto massorético (sob o símbolo M) e às suas notas marginais, a Massorá (sob o símbolo Mmargem).k

      22. Que manuscrito da linha babilônica de textos se tornou disponível, e como se compara este com o texto tiberiano?

      22 A escola palestiniana colocava os sinais vocálicos acima das consoantes. Apenas pequeno número de tais manuscritos chegaram até nós, indicando que este sistema vocálico era imperfeito. O sistema babilônico de pontuação vocálica era, de modo semelhante, supralinear. Um manuscrito que exibe a pontuação babilônica é o Códice dos Profetas, de Petersburgo, de 916 EC, preservado na Biblioteca Pública de São Petersburgo, Rússia. Este códice contém Isaías, Jeremias, Ezequiel e os profetas “menores”, com notas marginais (Massorá). Os eruditos têm examinado entusiasticamente este manuscrito e compararam-no com o texto tiberiano. Embora use o sistema supralinear de pontuação vocálica, segue, de fato, o texto tiberiano no que tange ao texto consonantal, suas vogais e Massorá. O Museu Britânico possui uma cópia do texto babilônico do Pentateuco, que se verificou estar substancialmente em harmonia com o texto tiberiano.

      23. Que série de descobertas de manuscritos hebraicos foi feita próximo ao mar Morto?

      23 Rolos do Mar Morto. Em 1947, começou um novo e emocionante capítulo na história dos manuscritos hebraicos. Foi descoberto numa caverna em uádi Qumran (Nahal Qumeran), na área do mar Morto, o primeiro rolo de Isaías, junto com outros rolos bíblicos e não-bíblicos. Pouco depois, publicou-se uma fotocópia completa deste bem-conservado rolo de Isaías (1QIsa), para o estudo dos eruditos. Acredita-se que data de fins do segundo século AEC. Eis, deveras, uma incrível descoberta — um manuscrito hebraico cerca de mil anos mais velho do que o mais antigo manuscrito existente do reconhecido texto massorético de Isaías!l Outras cavernas em Qumran revelaram fragmentos de mais de 170 rolos, representando partes de todos os livros das Escrituras Hebraicas, com exceção de Ester. Os estudos de tais rolos ainda estão em andamento.

      24. O que verificamos ao comparar estes manuscritos com o texto massorético, e que uso faz deles a Tradução do Novo Mundo?

      24 Certo erudito relata que seu exame do longo Salmo 119, num importante Rolo do Mar Morto de Salmos (11QPsa), revela que este está em quase completa harmonia verbal com o texto massorético do Salmo 119. Com relação ao Rolo dos Salmos, o Professor J. A. Sanders observou: “A maioria das [variações] são ortográficas e de importância apenas para os eruditos que estão interessados em chaves para a pronúncia do hebraico na antiguidade e em assuntos semelhantes.”a Outros exemplos destes notáveis manuscritos antigos não indicam, na maioria dos casos, grandes variações. O próprio rolo de Isaías, ao passo que apresenta algumas diferenças na grafia e na construção gramatical, não varia quanto a pontos doutrinais. Este rolo publicado de Isaías foi examinado no tocante a suas variações, na preparação da Tradução do Novo Mundo, e fazem-se referências a ele.b

      25. Que textos hebraicos consideramos até aqui, e de que nos assegura o estudo desses?

      25 Já consideramos as principais linhas de transmissão das Escrituras Hebraicas. Tratam-se mormente do Pentateuco Samaritano, dos Targuns aramaicos, da Septuaginta grega, do texto hebraico tiberiano, do texto hebraico palestiniano, do texto hebraico babilônico e do texto hebraico dos Rolos do Mar Morto. Em resultado do estudo e da comparação destes textos, estamos certos de que as Escrituras Hebraicas chegaram até nós hoje substancialmente na forma em que os servos inspirados de Deus as registraram.

      O TEXTO HEBRAICO REFINADO

      26. (a) Quando foi promovido o estudo crítico do texto hebraico, e quais são alguns dos textos-padrão publicados? (b) Como foi usado o texto de Ginsburg?

      26 A edição padrão impressa da Bíblia hebraica, até por volta do século 19, era a Segunda Bíblia Rabínica de Jacob ben Chayyim, publicada em 1524-25. Foi só no século 18 que os eruditos começaram a promover o estudo crítico do texto hebraico. Em 1776-80, em Oxford, Benjamin Kennicott publicou variantes de mais de 600 manuscritos hebraicos. Daí, em 1784-98, em Parma, o erudito italiano J. B. de Rossi publicou variantes de 731 outros manuscritos. O hebraísta S. Baer, da Alemanha, também produziu um texto-padrão. Mais recentemente, C. D. Ginsburg dedicou muitos anos a produzir um texto-padrão crítico da Bíblia hebraica. Foi publicado pela primeira vez em 1894, passando por revisão final em 1926.c Joseph Rotherham usou a edição de 1894 deste texto na produção da sua tradução inglesa, The Emphasised Bible (A Bíblia Enfatizada), em 1902, e o Professor Max L. Margolis, associado a colaboradores, usou os textos de Ginsburg e de Baer na produção da sua tradução das Escrituras Hebraicas, em 1917.

      27, 28. (a) O que é Biblia Hebraica, e como foi desenvolvida? (b) Como tem a Tradução do Novo Mundo usado este texto?

      27 Em 1906, o hebraísta Rudolf Kittel lançou, na Alemanha, a primeira edição (e posteriormente, a segunda edição) de seu texto hebraico refinado, intitulado Biblia Hebraica. Neste livro, Kittel forneceu um aparato textual mediante notas ampliadas que cotejavam ou comparavam os muitos manuscritos hebraicos do texto massorético disponível naquela época. Usou o geralmente aceito texto preparado por Jacob ben Chayyim como base. Quando os bem mais antigos e superiores textos massoréticos de Ben Asher, que foram padronizados por volta do décimo século EC, tornaram-se disponíveis, Kittel empreendeu produzir uma terceira edição da Biblia Hebraica, totalmente diferente. Esta obra foi concluída por seus associados, após a sua morte.

      28 A Biblia Hebraica de Kittel, 7.ª, 8.ª e 9.ª edições (1951-55), forneceu o texto básico usado para a seção hebraica da Tradução do Novo Mundo, em inglês. Uma nova edição do texto hebraico, a saber, Biblia Hebraica Stuttgartensia, datada de 1977, foi usada para atualizar as informações apresentadas nas notas da Tradução do Novo Mundo publicada em 1984 (1986, em português).

      29. Que característica da Biblia Hebraica foi de especial valor em restaurar o nome divino?

      29 A apresentação da Massorá marginal de Kittel, que revela muitas das alterações textuais dos escribas pré-cristãos, contribuiu para versões exatas na Tradução do Novo Mundo, incluindo restaurações do nome divino, Jeová. O sempre crescente campo de erudição bíblica continua a se tornar disponível mediante a Tradução do Novo Mundo.

      30. (a) Usando a tabela na página 308, que indica as fontes das Escrituras Hebraicas da Tradução do Novo Mundo, descreva a história do texto hebraico até a Biblia Hebraica, como fonte principal da Tradução do Novo Mundo. (b) Quais são algumas das outras fontes a que fez referência a Comissão da Tradução do Novo Mundo da Bíblia?

      30 Acompanha este estudo uma tabela que salienta as fontes do texto das Escrituras Hebraicas na Tradução do Novo Mundo. Esta tabela mostra brevemente o desenvolvimento do texto hebraico que conduziu à Biblia Hebraica de Kittel, que foi a principal fonte usada. As fontes secundárias que foram consultadas são apresentadas pelas linhas pontilhadas brancas. Não se intenciona indicar que, no caso de versões tais como a Vulgata latina e a Septuaginta grega, as obras originais foram consultadas. Tais quais os próprios escritos hebraicos, os originais destas versões não mais existem. Estas fontes foram consultadas mediante edições fidedignas dos textos ou de antigas traduções e comentários críticos confiáveis. Consultando estas várias fontes, a Comissão da Tradução do Novo Mundo da Bíblia pôde apresentar uma tradução abalizada e fidedigna do original das inspiradas Escrituras Hebraicas. Todas estas fontes são indicadas nas notas da Tradução do Novo Mundo.

      31. (a) De que, portanto, é resultado a seção das Escrituras Hebraicas da Tradução do Novo Mundo? (b) Que agradecimentos e esperança podemos assim expressar?

      31 A seção das Escrituras Hebraicas da Tradução do Novo Mundo é assim o produto de longo período de erudição bíblica e pesquisa. Baseia-se num texto de grande integridade, o resultado ricamente dotado de fiel transmissão textual. Com cativantes fluência e estilo, oferece para o estudo sério da Bíblia uma tradução que é ao mesmo tempo honesta e exata. Graças sejam dadas a Jeová, o Deus comunicativo, por sua Palavra estar viva e exercer poder hoje! (Heb. 4:12) Que as pessoas sinceras continuem a aumentar sua fé através do estudo da preciosa Palavra de Deus e a serem estimuladas a fazer a vontade de Jeová, durante estes dias momentosos. — 2 Ped. 1:12, 13.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Desconhece-se quando foi instituído o uso de sinagogas. Pode ter sido durante o exílio babilônico de 70 anos, quando não havia templo, ou talvez tenha sido pouco depois do retorno do exílio, na época de Esdras.

      b Veja “Sam” nas notas, em Gênesis 4:8; Êxodo 6:2; 7:9; 8:15 e 12:40. A tradução deste último versículo ajuda-nos a entender Gálatas 3:17.

      c Veja “T”, nas notas em Números 24:17; Deuteronômio 33:13 e Salmo 100:3.

      d Bíblia Com Referências, apêndice 1C, “O Nome Divino em Antigas Versões Gregas”.

      e Estudo Perpicaz das Escrituras, “Jeová”.

      f A Tradução do Novo Mundo representa estas variações pelo símbolo LXXא para o Sinaítico, LXXA para o Alexandrino e LXXB para o Vaticano. Veja as notas em 1 Reis 14:2 e 1 Crônicas 7:34; 12:19.

      g Veja “Vg” na nota em Êxodo 37:6.

      h Bíblia Com Referências, apêndice 2A, “Pontos Extraordinários”.

      i Bíblia Com Referências, apêndice 1B, “Mudanças Feitas Pelos Escribas, Que Envolvem o Nome Divino”.

      j Bíblia Com Referências, apêndice 2B, “Emendas (Correções) dos Soferins”.

      k Veja as notas em Salmo 60:5; 71:20; 100:3 e 119:79.

      l Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, página 226.

      a The Dead Sea Psalms Scroll, 1967, J. A. Sanders, página 15.

      b Veja “1QIsa” nas notas em Isaías 7:1; 14:4.

      c Veja “Gins.” na nota em Levítico 11:42.

      [Diagrama na página 308]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      Fontes do Texto na Tradução do Novo Mundo — Escrituras Hebraicas

      Escritos Hebraicos Originais e Cópias Primitivas

      Targuns Aramaicos

      Rolos do Mar Morto

      Pentateuco Samaritano

      Septuaginta Grega

      Latim Antigo

      Cóptico, Etiópico, Armênio

      Texto Hebraico Consonantal

      Vulgata Latina

      Versões Gregas — Áquila, Teodócio, Símaco

      Pesito Siríaca

      Texto Massorético

      Códice do Cairo

      Códice dos Profetas, de Petersburgo

      Códice de Alepo

      Texto Hebraico de Ginsburg

      Códice de Leningrado B 19A

      Biblia Hebraica (BHK),

      Biblia Hebraica Stuttgartensia (BHS)

      Tradução do Novo Mundo Escrituras

      Hebraicas — Inglês; Do Inglês Para Muitos Outros Idiomas da Atualidade

      [Diagrama na página 309]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      Fontes do Texto na Tradução do Novo Mundo — Escrituras Gregas Cristãs

      Escritos Gregos Originais e Cópias Primitivas

      Versão Armênia

      Versões Cópticas

      Versões Siríacas — Curetoniana, Filoxeniana, Harcleana,

      Palestiniana, Sinaítica, Pesito

      Latim Antigo

      Vulgata Latina

      Textos Latinos Revisados por Sisto e Clemente

      MSS. Gregos Cursivos

      Texto de Erasmo

      Texto de Stephanus

      Texto Recebido

      Texto Grego de Griesbach

      Emphatic Diaglott

      Papiros — (e.g., Chester Beatty P45, P46, P47;

      Bodmer P66, P74, P75)

      Primitivos MSS. Unciais Gregos — Vaticano 1209 (B),

      Sinaítico (א), Alexandrino (A), Ephraemi

      Syri rescriptus (C), Bezae (D)

      Texto Grego de Westcott e Hort

      Texto Grego de Bover

      Texto Grego de Merk

      Texto Grego de Nestle-Aland

      Texto Grego das Sociedades Bíblicas Unidas

      23 Versões Hebraicas (séculos 14-20), traduzidas

      quer do grego quer da Vulgata latina, que usam

      o Tetragrama para o nome divino

      Tradução do Novo Mundo Escrituras Gregas

      Cristãs — Inglês; Do Inglês Para Muitos Outros Idiomas da Atualidade

      [Tabela na página 313]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      ALGUNS DOS PRINCIPAIS MANUSCRITOS EM PAPIRO

      Das Escrituras Hebraicas

      Nome do Manuscrito Papiro Nash

      Data 2.º ou 1.º séc. AEC

      Idioma Hebraico

      Localizado em Cambridge, Inglaterra

      Conteúdo Aproximado 24 linhas dos Dez Mandamentos e

      alguns versículos dos caps. 5

      e 6 de DeuteronômioDe cap. 5, 6

      Nome do Manuscrito Rylands 458

      Símbolo 957

      Data 2.º séc. AEC

      Idioma Grego

      Localizado em Manchester, Inglaterra

      Conteúdo Aproximado Fragmentos dos caps. 23-28 de

      Deuteronômio

      Nome do Manuscrito Fouad 266

      Data 1.º séc. AEC

      Idioma Grego

      Localizado em Cairo, Egito

      Conteúdo Aproximado Partes de Gênesis e de

      Deuteronômio

      Exemplos do Uso na Tradução do Novo Mundo — Com Referências

      (veja as notas dos textos citados): Deut. 18:5;

      Atos 3:22;

      apêndice 1C

      Nome do Manuscrito Rolo do Mar Morto de Levítico

      Símbolo 4Q LXX Levb

      Data 1.º séc. AEC

      Idioma Grego

      Localizado em Jerusalém, Israel

      Conteúdo Aproximado Fragmentos de Levítico

      Exemplos do Uso na Tradução do Novo Mundo — Com Referências

      (veja as notas dos textos citados): Lev. 3:12; 4:27

      Nome do Manuscrito Chester Beatty 6

      Símbolo 963

      Data 2.º séc. EC

      Idioma Grego

      Localizado em Dublim, Irlanda,e Ann Arbor,

      Mich., EUA

      Conteúdo Aproximado Trechos de Números e de

      Deuteronômio

      Nome do Manuscrito Chester Beatty 9, 10

      Símbolo 967/968

      Data 3.º séc. EC

      Idioma Grego

      Localizado em Dublim, Irlanda,e Princeton,NJ, EUA

      Conteúdo Aproximado Trechos de Ezequiel, Daniel e

      Ester

      Das Escrituras Gregas Cristãs

      Nome do Manuscrito Oxyrhynchus 2

      Símbolo P1

      Data 3.º séc. EC

      Idioma Grego

      Localizado em Filadélfia,Pa., EUA

      Conteúdo Aproximado Mat. 1:1-9, 12, 14-20

      Nome do Manuscrito Oxyrhynchus 1228

      Símbolo P22

      Data 3.º séc. EC

      Idioma Grego

      Localizado em Glasgow, Escócia

      Conteúdo Aproximado Fragmentos de João, caps. 15, 16

      Nome do Manuscrito Michigan 1570

      Símbolo P37

      Data 3.°/4.º séc. EC

      Idioma Grego

      Localizado em Ann Arbor,Mich., EUA

      Conteúdo Aproximado Mat. 26:19-52

      Nome do Manuscrito Chester Beatty 1

      Símbolo P45

      Data 3.º séc. EC

      Idioma Grego

      Localizado em Dublim, Irlanda;Viena, Áustria

      Conteúdo Aproximado Fragmentos de Mateus,Marcos,

      Lucas, João e Atos

      Exemplos do Uso na Tradução do Novo Mundo — Com Referências

      (veja as notas dos textos citados): Lucas 10:42;

      João 10:18

      Nome do Manuscrito Chester Beatty 2

      Símbolo P46

      Data c. 200 EC

      Idioma Grego

      Localizado em Dublim, Irlanda; Ann Arbor,

      Mich., EUA

      Conteúdo Aproximado Nove das cartas de Paulo

      Exemplos do Uso na Tradução do Novo Mundo — Com Referências

      (veja as notas dos textos citados): Rom. 8:23, 28;

      1 Cor. 2:16

      Nome do Manuscrito Chester Beatty 3

      Símbolo P47

      Data 3.º séc. EC

      Idioma Grego

      Localizado em Dublim, Irlanda

      Conteúdo Aproximado Rev. 9:10-17:2

      Exemplos do Uso na Tradução do Novo Mundo — Com Referências

      (veja as notas dos textos citados): Rev. 13:18; 15:3

      Nome do Manuscrito Rylands 457

      Símbolo P52

      Data c. 125 EC

      Idioma Grego

      Localizado em Manchester, Inglaterra

      Conteúdo Aproximado João 18:31-33, 37, 38

      Nome do Manuscrito Bodmer 2

      Símbolo P66

      Data c. 200 EC

      Idioma Grego

      Localizado em Genebra, Suíça

      Conteúdo Aproximado A maior parte de João

      Exemplos do Uso na Tradução do Novo Mundo — Com Referências

      (veja as notas dos textos citados): João 1:18; 19:39

      Nome do Manuscrito Bodmer 7, 8

      Símbolo P72

      Data 3.°/4.º séc. EC

      Idioma Grego

      Localizado em Genebra, Suíça, e Biblioteca do

      Vaticano em Roma, Itália

      Conteúdo Aproximado Judas, 1 Pedro e 2 Pedro

      Nome do Manuscrito Bodmer 14, 15

      Símbolo P75

      Data 3.º séc. EC

      Idioma Grego

      Localizado em Genebra, Suíça

      Conteúdo Aproximado Maior parte de Lucas e de João

      Exemplos do Uso na Tradução do Novo Mundo — Com Referências

      (veja as notas dos textos citados): Lucas 8:26;

      João 1:18

      [Tabela na página 314]

      (Para o texto formatado, veja a publicação)

      ALGUNS DOS PRINCIPAIS MANUSCRITOS EM VELINO E EM COURO

      Das Escrituras Hebraicas (em Hebraico)

      Nome do Manuscrito Códice de Alepo

      Símbolo Al

      Data 930 EC

      Idioma Hebraico

      Localizado em Anteriormente em Alepo, Síria.

      Agora em Israel.

      Conteúdo Aproximado Grande parte das Escrituras

      Hebraicas (Texto de Ben Asher)

      Exemplos do Uso na Tradução do Novo Mundo — Com Referências

      (veja as notas dos textos citados): Jos. 21:37

      Nome do Manuscrito Códice Or4445 do Museu Britânico

      Data 10.º séc. EC

      Idioma Hebraico

      Localizado em Londres, Inglaterra

      Conteúdo Aproximado Maior parte do Pentateuco

      Nome do Manuscrito Códice Caraíta do Cairo

      Símbolo Ca

      Data 895 EC

      Idioma Hebraico

      Localizado em Cairo, Egito

      Conteúdo Aproximado Profetas anteriores e posteriores

      Exemplos do Uso na Tradução do Novo Mundo — Com Referências

      (veja as notas dos textos citados): Jos. 21:37;

      2 Sam. 8:3

      Nome do Manuscrito Códice de Leningrado

      Símbolo B 19A

      Data 1008 EC

      Idioma Hebraico

      Localizado em São Petersburgo, Rússia

      Conteúdo Aproximado Escrituras Hebraicas

      Exemplos do Uso na Tradução do Novo Mundo — Com Referências

      (veja as notas dos textos citados): Jos. 21:37;

      2 Sam. 8:3;

      apêndice 1A

      Nome do Manuscrito Códice dos Profetas de

      Petersburgo

      Símbolo B 3

      Data 916 EC

      Idioma Hebraico

      Localizado em São Petersburgo, Rússia

      Conteúdo Aproximado Profetas posteriores

      Exemplos do Uso na Tradução do Novo Mundo — Com Referências

      (veja as notas dos textos citados): apêndice 2B

      Nome do Manuscrito Primeiro Rolo do Mar Morto de

      Isaías

      Símbolo 1QIsa

      Data Fim do 2.º séc. AEC

      Idioma Hebraico

      Localizado em Jerusalém, Israel

      Conteúdo Aproximado Isaías

      Exemplos do Uso na Tradução do Novo Mundo — Com Referências

      (veja as notas dos textos citados): Isa. 11:1; 18:2; 41:29

      Nome do Manuscrito Rolo do Mar Morto dos Salmos

      Símbolo 11QPsa

      Data 1.º séc. EC

      Idioma Hebraico

      Localizado em Jerusalém, Israel

      Conteúdo Aproximado Partes de 41 salmos da última

      terça parte do livro de

      Salmos

      Da Septuaginta e das Escrituras Gregas Cristãs

      Nome do Manuscrito Sinaítico

      Símbolo 01( א)

      Data 4.º séc. EC

      Idioma Grego

      Localizado em Londres, Inglaterra

      Conteúdo Aproximado Parte das Escrituras Hebraicas

      e todas as Escrituras Gregas,

      bem como alguns escritos

      apócrifos

      Exemplos do Uso na Tradução do Novo Mundo — Com Referências

      (veja as notas dos textos citados): 1 Crô. 12:19;

      João 5:2;

      2 Cor. 12:4

      Nome do Manuscrito Alexandrino

      Símbolo A (02)

      Data 5.º séc. EC

      Idioma Grego

      Localizado em Londres, Inglaterra

      Conteúdo Aproximado Todas as Escrituras Hebraicas e

      Gregas (alguns trechos pequenos

      perdidos ou danificados), bem

      como alguns escritos apócrifos

      Exemplos do Uso na Tradução do Novo Mundo — Com Referências

      (veja as notas dos textos citados): 1 Reis 14:2;

      Luc. 5:39;

      Atos 13:20;

      Heb. 3:6

      Nome do Manuscrito Vaticano 1209

      Símbolo B (03)

      Data 4.º séc. EC

      Idioma Grego

      Localizado em Biblioteca do Vaticano em Roma,

      Itália

      Conteúdo Aproximado Originalmente a Bíblia inteira.

      Agora faltam: Gên. 1:1-46:28;

      Sal. 106-137; Hebreus depois de

      9:14; 1 Timóteo; 2 Timóteo; Tito;

      Filêmon; Revelação

      Exemplos do Uso na Tradução do Novo Mundo — Com Referências

      (veja as notas dos textos citados): Mar. 6:14;

      João 1:18; 7:53-8:11

      Nome do Manuscrito Ephraemi Syri rescriptus

      Símbolo C (04)

      Data 5.º séc. EC

      Idioma Grego

      Localizado em Paris, França

      Conteúdo Aproximado Partes das Escrituras Hebraicas

      (64 folhas) e das Escrituras

      Gregas (145 folhas)

      Exemplos do Uso na Tradução do Novo Mundo — Com Referências

      (veja as notas dos textos citados): Atos 9:12;

      Rom. 8:23, 28, 34

      Nome do Manuscrito Códice Bezae Cantabrigiensis

      Símbolo Dea (05)

      Data 5.º séc. EC

      Idioma Grego-Latim

      Localizado em Cambridge, Inglaterra

      Conteúdo Aproximado Maior parte dos quatro

      Evangelhos e de Atos, alguns

      versículos de 3 João

      Exemplos do Uso na Tradução do Novo Mundo — Com Referências

      (veja as notas dos textos citados): Mat. 24:36;

      Mar. 7:16;

      Luc. 15:21

      (a referência é

      indicada apenas pelo

      símbolo “D”)

      Nome do Manuscrito Códice Claromontano

      Símbolo DP (06)

      Data 6.º séc. EC

      Idioma Grego-Latim

      Localizado em Paris, França

      Conteúdo Aproximado Epístolas Paulinas (incluindo

      Hebreus)

      Exemplos do Uso na Tradução do Novo Mundo — Com Referências

      (veja as notas dos textos citados): Gál. 5:12

      (a referência é

      indicada apenas pelo

      símbolo “D”)

  • Estudo número 6 — O texto grego cristão das Escrituras Sagradas
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Estudos das Escrituras Inspiradas e de Seu Fundo Histórico

      Estudo número 6 — O texto grego cristão das Escrituras Sagradas

      O copiar do texto das Escrituras Gregas; sua transmissão em grego e em outras línguas até o presente; a fidedignidade do texto atual.

      1. Como teve início o programa educacional cristão?

      OS PRIMITIVOS cristãos eram educadores e divulgadores mundiais da ‘palavra de Jeová’, na sua forma escrita. Eles levavam a sério as palavras de Jesus proferidas pouco antes de sua ascensão: “Ao chegar sobre vós o espírito santo, recebereis poder e sereis testemunhas de mim tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até a parte mais distante da terra.” (Isa. 40:8; Atos 1:8) Conforme Jesus predissera, os primeiros 120 discípulos receberam o espírito santo, com sua força energizadora. Isso aconteceu no dia de Pentecostes de 33 EC. No mesmo dia, Pedro tomou a dianteira no novo programa educacional dando um testemunho cabal que resultou em muitos abraçarem de coração a mensagem e cerca de 3.000 pessoas serem acrescentadas à recém-fundada congregação cristã. — Atos 2:14-42.

      2. Que boas novas foram então proclamadas, e esta obra de dar testemunho era demonstração de quê?

      2 Estes discípulos de Jesus Cristo, incitados à ação como nenhum outro grupo em toda a história, empreenderam um programa de ensino que veio a se espalhar a todos os lugares do mundo conhecido de então. (Col. 1:23) Sim, essas devotadas testemunhas de Jeová estavam ávidas de usar os pés para ir de casa em casa, de cidade em cidade e de país em país, declarando “boas novas de coisas boas”. (Rom. 10:15) Essas boas novas se referiam à provisão de resgate de Cristo, à esperança de ressurreição e ao prometido Reino de Deus. (1 Cor. 15:1-3, 20-22, 50; Tia. 2:5) Nunca antes se apresentara à humanidade tal testemunho sobre coisas não vistas. Isso se tornou uma “demonstração evidente de realidades, embora não observadas”, uma demonstração de fé, aos muitos que então aceitaram a Jeová como seu Soberano Senhor, à base do sacrifício de Jesus. — Heb. 11:1; Atos 4:24; 1 Tim. 1:14-17.

      3. O que caracterizou os ministros cristãos do primeiro século EC?

      3 Esses ministros cristãos, homens e mulheres, eram ministros esclarecidos de Deus. Sabiam ler e escrever. Eram instruídos nas Escrituras Sagradas. Eram pessoas bem informadas acerca dos acontecimentos mundiais. Estavam acostumados a viajar. Eram semelhantes a gafanhotos, no sentido de não permitirem que nenhum obstáculo impedisse seu avanço em difundir as boas novas. (Atos 2:7-11, 41; Joel 2:7-11, 25) No primeiro século da Era Comum, eles trabalhavam entre pessoas que eram de muitas maneiras bem parecidas às pessoas dos tempos modernos.

      4. Sob a inspiração e a direção de Jeová, que obras foram escritas nos dias da congregação cristã primitiva?

      4 Quais pregadores progressivos da “palavra da vida”, os primitivos cristãos faziam bom uso de quaisquer rolos bíblicos que obtivessem. (Fil. 2:15, 16; 2 Tim. 4:13) Quatro dentre eles, a saber, Mateus, Marcos, Lucas e João, foram inspirados por Jeová a assentar por escrito as “boas novas a respeito de Jesus Cristo”. (Mar. 1:1; Mat. 1:1) Alguns deles, como Pedro, Paulo, João, Tiago e Judas, escreveram cartas sob inspiração. (2 Ped. 3:15, 16) Outros se tornaram copistas destas comunicações inspiradas, que eram trocadas, com proveito, entre o crescente número de congregações. (Col. 4:16) Ademais, “os apóstolos e anciãos em Jerusalém” faziam decisões doutrinais sob a direção do espírito de Deus, e essas eram registradas para uso posterior. Esse corpo governante central enviava também cartas de instruções às congregações, que se achavam espalhadas. (Atos 5:29-32; 15:2, 6, 22-29; 16:4) E, para isso, tinham de providenciar o seu próprio serviço postal.

      5. (a) O que é um códice? (b) Até que ponto os primitivos cristãos usaram o códice, e quais eram as suas vantagens?

      5 A fim de acelerar a distribuição das Escrituras, bem como torná-las convenientes para consulta, os primitivos cristãos logo começaram a usar o manuscrito em forma de códice em vez de rolos. O formato do códice é similar ao dos livros modernos, nos quais as folhas podem ser facilmente viradas ao se fazer consulta, em vez do considerável desenrolar, que não raro era necessário no caso do rolo. Ademais, o formato de códice tornou possível reunir vários escritos canônicos numa só encadernação, ao passo que os em forma de rolo eram usualmente guardados em rolos separados. Os primitivos cristãos foram pioneiros no uso do códice. Eles podem até mesmo tê-lo inventado. Ao passo que o códice só foi adotado lentamente pelos escritores não-cristãos, a grande maioria dos papiros cristãos do segundo e do terceiro século estão em forma de códice.a

      6. (a) Quando transcorreu o período do grego clássico, o que se acha incluso nele, e quando o coiné, ou grego comum, se desenvolveu? (b) Como e até que ponto veio a ser de uso geral o coiné?

      6 O meio de transmissão: coiné (grego comum). O chamado período clássico da língua grega se estendeu do nono ao quarto século AEC. Esse foi o período dos dialetos ático e iônico. Foi durante essa época, e especialmente no quinto e no quarto séculos AEC, que muitos dramaturgos, poetas, oradores, historiadores, filósofos e cientistas gregos viveram, dentre os quais Homero, Heródoto, Sócrates, Platão e outros se tornaram famosos. O período que vai desde cerca do quarto século AEC até por volta do sexto século EC foi a era do que é conhecido como grego coiné, ou comum. O seu desenvolvimento deveu-se, em grande parte, às campanhas militares de Alexandre, o Grande, cujo exército era composto de soldados de todas as partes da Grécia. Eles falavam diferentes dialetos gregos, e, à medida que esses se mesclavam, desenvolveu-se um dialeto comum, o coiné, que veio a ser de uso geral. A conquista do Egito, e da Ásia, chegando à Índia, por Alexandre, difundiu o coiné entre muitos povos, de modo que se tornou a língua internacional e perdurou como tal por muitos séculos. O vocabulário grego da Septuaginta foi o coiné em uso em Alexandria, Egito, durante o terceiro e o segundo séculos AEC.

      7. (a) Como testifica a Bíblia o uso do coiné no tempo de Jesus e de seus apóstolos? (b) Por que era o coiné bem adequado para transmitir a Palavra de Deus?

      7 Nos dias de Jesus e de seus apóstolos, o coiné era o idioma internacional do domínio romano. A própria Bíblia testifica isso. Quando Jesus foi pregado na estaca, fez-se necessário que a inscrição colocada acima de sua cabeça fosse afixada não somente em hebraico, a língua dos judeus, mas também em latim, a língua oficial do país, e em grego, que era falado nas ruas de Jerusalém quase tão freqüentemente como em Roma, Alexandria, ou na própria Atenas. (João 19:19, 20; Atos 6:1) Atos 9:29 mostra que Paulo pregou as boas novas em Jerusalém aos judeus que falavam o idioma grego. Por volta dessa época, o coiné era um idioma dinâmico, vivo, bem aperfeiçoado — um idioma pronto para o uso e bem adequado para o excelso propósito de Jeová em transmitir adicionalmente a Palavra divina.

      O TEXTO GREGO E SUA TRANSMISSÃO

      8. Por que passamos a examinar o reservatório de manuscritos das Escrituras Gregas?

      8 No estudo anterior, aprendemos que Jeová preservou as suas águas da verdade em um reservatório de documentos escritos — as inspiradas Escrituras Hebraicas. Contudo, que dizer das Escrituras assentadas pelos apóstolos e outros discípulos de Jesus Cristo? Foram essas preservadas para nós com similar cuidado? Um exame do vasto reservatório de manuscritos preservados em grego, bem como em outros idiomas, indica que sim. Conforme já explicado, esta parte do cânon bíblico abrange 27 livros. Considere os meios de transmissão textual desses 27 livros, que mostram como o texto grego original foi preservado até o dia de hoje.

      9. (a) Em que idioma foram escritas as Escrituras Cristãs? (b) Que exceção se nota no tocante a Mateus?

      9 A Fonte dos Manuscritos Gregos. Os 27 livros canônicos das Escrituras cristãs foram escritas no grego comum daquela época. Contudo, o livro de Mateus foi aparentemente escrito no hebraico bíblico, para beneficiar o povo judeu. Jerônimo, tradutor da Bíblia, do quarto século, declara isso, dizendo que foi traduzido posteriormente para o grego.b O próprio Mateus provavelmente fez esta tradução — tendo sido funcionário público romano, um cobrador de impostos, ele, sem dúvida, conhecia o hebraico, o latim e o grego. — Mar. 2:14-17.

      10. Como chegaram até nós os escritos bíblicos?

      10 Os outros escritores cristãos da Bíblia, Marcos, Lucas, João, Paulo, Pedro, Tiago e Judas, escreveram seus documentos em coiné, a língua comum, viva, que era entendida pelos cristãos e pela maioria das pessoas do primeiro século. O último dos documentos originais foi escrito por João, por volta de 98 EC. Até onde se sabe, nenhum dos 27 manuscritos originais em coiné sobreviveu até hoje. Contudo, dessa nascente original, fluíram para nós muitas cópias dos originais, cópias das cópias e famílias de cópias, para formar um vasto reservatório de manuscritos das Escrituras Gregas Cristãs.

      11. (a) Que acervo de cópias manuscritas está disponível hoje? (b) Como é que estas se contrastam com as obras clássicas quanto à quantidade e à idade?

      11 Um Reservatório de Mais de 13.000 Manuscritos. Está disponível hoje um tremendo acervo de cópias manuscritas de todos os 27 livros canônicos. Alguns desses abrangem trechos extensos das Escrituras; outros são meros fragmentos. De acordo com certo cálculo, existem mais de 5.000 manuscritos no grego original. Além disso, existem mais de 8.000 manuscritos em vários outros idiomas — um total superior a 13.000 manuscritos. Datando do 2.º ao 16.º século EC, todos eles ajudam a determinar o texto verdadeiro, original. O mais velho dentre esses muitos manuscritos é o fragmento de papiro do Evangelho de João, que se acha na Biblioteca John Rylands, em Manchester, Inglaterra, conhecido pelo número P52, que data da primeira metade do segundo século, possivelmente por volta de 125 EC.c Assim, essa cópia foi escrita apenas 25 anos, mais ou menos, depois do original. Quando consideramos que para se certificar do texto da maioria dos autores clássicos, existe apenas um punhado de manuscritos, e esses raras vezes distam menos de alguns séculos dos escritos originais, podemos avaliar que abundância de evidência existe para ajudar a se chegar a um texto abalizado das Escrituras Gregas Cristãs.

      12. Em que foram escritos os primeiros manuscritos?

      12 Manuscritos em Papiro. Como no caso das cópias primitivas da Septuaginta, os primeiros manuscritos das Escrituras Gregas Cristãs foram escritos em papiro, e esse material continuou a ser usado para os manuscritos da Bíblia até por volta do quarto século EC. Os escritores da Bíblia aparentemente também usavam papiro ao enviar cartas às congregações cristãs.

      13. Que importante descoberta de papiro foi anunciada em 1931?

      13 Grandes quantidades de escritos em papiro foram localizados na província de Faium, no Egito. No fim do século 19, vários papiros bíblicos foram descobertos. Um dos mais importantes de todos os achados hodiernos de manuscritos foi a descoberta anunciada em 1931. Esse consistia em partes de 11 códices, contendo trechos de 8 livros das inspiradas Escrituras Hebraicas e de 15 livros das Escrituras Gregas Cristãs, todos em grego. A data de escrita desses papiros varia do segundo ao quarto século da Era Comum. Grande parte dos trechos das Escrituras Gregas Cristãs desta descoberta se encontra atualmente nas Coleções Chester Beatty e são alistados como P45, P46 e P47, o símbolo “P” representando “Papiro”.

      14, 15. (a) Quais são alguns destacados manuscritos em papiro das Escrituras Gregas Cristãs alistados na tabela da página 313? (b) Indique como a Tradução do Novo Mundo fez uso desses manuscritos. (c) O que confirmam os códices de papiro mais antigos?

      14 Foram publicados, em Genebra, Suíça, de 1956 a 1961, papiros de outra coleção notável. Conhecidos como Papiros Bodmer, eles incluem textos bem antigos de dois Evangelhos (P66 e P75), datando do princípio do terceiro século EC. A tabela que precede a este estudo alista alguns destacados e antigos papiros da Bíblia, das Escrituras Hebraicas e das Gregas Cristãs. Na última coluna, são citadas passagens da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, a cuja tradução estes manuscritos de papiro dão apoio, e isso é indicado pelas notas referentes aos respectivos versículos.

      15 A descoberta desses papiros fornece prova de que o cânon da Bíblia foi completado numa data bem antiga. Entre os Papiros Chester Beatty, dois códices — um reunindo partes dos quatro Evangelhos e de Atos (P45), e outro incluindo dentro de suas capas 9 das 14 cartas de Paulo (P46) — indicam que as inspiradas Escrituras Gregas Cristãs foram agrupadas logo depois da morte dos apóstolos. Visto que levaria tempo para que esses códices circulassem amplamente e chegassem ao Egito, é evidente que essas Escrituras foram reunidas em sua forma padrão até o segundo século, o mais tardar. Assim, não há dúvida de que o cânon das Escrituras Gregas Cristãs foi encerrado até o fim do segundo século, completando o cânon da Bíblia inteira.

      16. (a) Que manuscritos unciais das Escrituras Gregas Cristãs subsistem até os dias atuais? (b) Até que ponto foram usados os manuscritos unciais na Tradução do Novo Mundo, e por quê?

      16 Manuscritos em Velino e em Couro. Conforme aprendemos no estudo anterior, o velino, uma categoria excelente de pergaminhos que é mais durável, geralmente feita de pele de bezerro, cordeiro ou cabra, começou a ser usado no lugar do papiro para se escrever manuscritos, a partir de cerca do quarto século EC. Alguns importantíssimos manuscritos da Bíblia, em existência atualmente, estão registrados em velino. Já consideramos os manuscritos em velino e os em couro das Escrituras Hebraicas. A tabela da página 314 alista alguns dos principais manuscritos em velino e em couro, tanto das Escrituras Gregas Cristãs como das Escrituras Hebraicas. Os alistados como sendo das Escrituras Gregas foram inteiramente escritos em letras maiúsculas e são classificados como unciais. The New Bible Dictionary (O Novo Dicionário da Bíblia) fala de 274 manuscritos unciais das Escrituras Gregas Cristãs, e esses datam do quarto ao décimo século EC. Daí, existem mais de 5.000 manuscritos cursivos, ou minúsculos, feitos num estilo contínuo de escrita.d Esses, também em velino, foram escritos durante o período que vai do nono século EC até a introdução da tipografia. Devido a serem bem antigos e à sua usual precisão, os manuscritos unciais foram usados extensivamente pela Comissão de Tradução da Bíblia do Novo Mundo, para se verter de modo preciso o texto grego. Isto é indicado na tabela: “Alguns dos Principais Manuscritos em Velino e em Couro.”

      ERA DE CRÍTICA E REFINAMENTO TEXTUAIS

      17. (a) Que dois eventos levaram ao estudo incrementado do texto grego da Bíblia? (b) Por que obra se notabilizou Erasmo? (c) Como se obtém um texto padrão impresso?

      17 Texto de Erasmo. Durante os longos séculos da Era do Obscurantismo, quando o latim era o idioma dominante, e a Europa Ocidental estava debaixo do controle férreo da Igreja Católica Romana, a erudição e a cultura estavam em grande declínio. Todavia, com a invenção da impressão com tipos móveis, no século 15, na Europa, e com a Reforma, em princípios do século 16, prevaleceu maior liberdade, e houve um reavivamento do interesse no idioma grego. Foi durante esse renascimento inicial da cultura que o famoso erudito holandês Desidério Erasmo produziu a sua primeira edição do texto padrão grego do “Novo Testamento”. (Tal texto padrão grego é preparado comparando-se cuidadosamente diversos manuscritos e usando as palavras mais amiúde aceitas como as originais, não raro incluindo, num aparato localizado embaixo, notas referentes às variantes de alguns manuscritos.) Essa primeira edição foi impressa em Basiléia, Suíça, em 1516, um ano antes de começar a Reforma na Alemanha. A primeira edição continha muitos erros, mas um texto aprimorado foi apresentado em edições sucessivas em 1519, 1522, 1527 e 1535. Erasmo tinha disponíveis apenas alguns manuscritos cursivos de data tardia para conferir e preparar o seu texto padrão.

      18. O que possibilitou o texto de Erasmo, e quem fez bom uso dele?

      18 O texto grego aprimorado de Erasmo tornou-se a base de traduções melhores para diversos idiomas da Europa Ocidental. Isso tornou possível a elaboração de versões superiores às que haviam sido traduzidas anteriormente à base da Vulgata latina. O primeiro a usar o texto de Erasmo foi Martinho Lutero, da Alemanha, que terminou a tradução das Escrituras Gregas Cristãs para o alemão em 1522. Em seguida, em face de muita perseguição, William Tyndale, da Inglaterra, fez uma tradução do texto de Erasmo para o inglês, completando-a em 1525, enquanto estava exilado no continente europeu. Antonio Brucioli, da Itália, traduziu o texto de Erasmo para o italiano em 1530. Com o advento do texto grego de Erasmo, dava-se início então a uma era de crítica textual. A crítica textual é o método usado para a reconstrução e o restabelecimento do texto bíblico original.

      19. Qual é a história da divisão da Bíblia em capítulos e versículos, e o que possibilitou isso?

      19 Divisão em Capítulos e Versículos. Roberto Estienne, ou Stephanus, foi destacado impressor e editor no século 16, em Paris. Sendo editor, compreendeu a praticidade de usar um sistema de capítulos e versículos para pronta consulta, e, assim, introduziu esse sistema no seu Novo Testamento grego-latim, em 1551. As divisões em versículos foram feitas primeiro para as Escrituras Hebraicas pelos massoretas, mas a Bíblia em francês de Stephanus, de 1553, foi a primeira a apresentar as atuais divisões na Bíblia inteira. Tal proceder, adotado em edições subseqüentes de Bíblias para o idioma inglês, possibilitou a produção de concordâncias bíblicas tais como a de Alexander Cruden, em 1737, e as duas concordâncias exaustivas da Versão Autorizada da Bíblia em inglês — de Robert Young, publicada inicialmente em Edimburgo, em 1873, e de James Strong, publicada em Nova Iorque, em 1894.

      20. O que era o Textus Receptus, e de que se tornou a base?

      20 Textus Receptus. Stephanus também publicou diversas edições do “Novo Testamento”, em grego. Baseavam-se principalmente no texto de Erasmo, com correções de acordo com o Poliglota Complutensiano, de 1522, e mais 15 manuscritos cursivos posteriores de uns séculos anteriores. A terceira edição do texto grego de Stephanus, de 1550, tornou-se virtualmente o Textus Receptus (“texto recebido”, em latim), em que se basearam outras versões em inglês do século 16, e a King James Version (Versão Rei Jaime), de 1611.

      21. Que textos aprimorados foram produzidos desde o século 18, e como foram eles usados?

      21 Textos Aprimorados em Grego. Posteriormente, eruditos em grego produziram textos cada vez mais aprimorados. Digno de nota foi o texto produzido por J. J. Griesbach, que teve acesso a centenas de manuscritos gregos, que se tornaram disponíveis em fins do século 18. A melhor edição do inteiro texto grego de Griesbach foi publicada de 1796-1806. O seu texto padrão foi a base para a tradução inglesa de Sharpe, em 1840, e é o texto grego incluído na The Emphatic Diaglott, publicada completa pela primeira vez em 1864. Outros textos excelentes foram produzidos por Constantino von Tischendorf (1872) e por Hermann von Soden (1910), o último servindo de base para a versão em inglês de Moffatt, de 1913.

      22. (a) Que texto grego alcançou ampla aceitação? (b) Foi usado como base para que traduções, em inglês e em português?

      22 O Texto de Westcott e Hort. Um texto grego padrão que alcançou ampla aceitação foi o produzido em 1881 pelos eruditos da Universidade de Cambridge, B. F. Westcott e F. J. A. Hort. A Comissão Revisora Britânica, da qual Westcott e Hort eram membros, consultou as provas do texto grego de Westcott e Hort, para a sua revisão do “Novo Testamento”, de 1881. Esse texto padrão foi o principal texto usado na tradução para o inglês das Escrituras Gregas Cristãs, na Tradução do Novo Mundo. Esse texto é também a base para as seguintes traduções, em inglês: A Bíblia Enfática, a Versão Normal Americana, Uma Tradução Americana (Smith-Goodspeed) e a Versão Normal Revisada.e Esta última tradução usa também o texto de Nestle. Em português: Almeida, O Novo Testamento Revisado (1949).

      23. Que outros textos foram usados para a Tradução do Novo Mundo?

      23 O texto grego de Nestle (18.ª edição, 1948) também foi usado pela Comissão de Tradução da Bíblia do Novo Mundo para fins de comparação. A comissão consultou também os textos dos eruditos jesuítas católicos, José M. Bover (1943) e Augustinus Merk (1948). O texto das Sociedades Bíblicas Unidas, de 1975, e o texto de Nestle-Aland, de 1979, foram consultados para atualizar as notas da edição de referências, de 1984 (em português, 1986).f

      24. A que antigas versões recorreu também a Tradução do Novo Mundo? Quais são alguns exemplos?

      24 Versões Antigas do Grego. Além dos manuscritos gregos, atualmente existem também para estudo muitos manuscritos de traduções das Escrituras Gregas Cristãs em outros idiomas. Existem mais de 50 manuscritos (ou fragmentos) de versões em latim antigo e milhares de manuscritos da Vulgata latina de Jerônimo. A Comissão de Tradução da Bíblia do Novo Mundo consultou esses textos, bem como as versões cóptica, armênia e siríaca.g

      25. De que interesse especial são as versões no idioma hebraico, mencionadas na Tradução do Novo Mundo?

      25 No mais tardar desde o século 14 foram produzidas traduções das Escrituras Gregas para o idioma hebraico. Essas são de interesse no sentido de que diversas delas restauram o nome divino nas Escrituras Cristãs. A Tradução do Novo Mundo faz muitas referências a estas versões hebraicas usando o símbolo “J” e um número elevado junto. Para pormenores, veja o prefácio da Tradução do Novo Mundo da Escrituras Sagradas — Com Referências, páginas 9-10, e o apêndice 1D, “O Nome Divino nas Escrituras Gregas Cristãs”.

      VARIAÇÕES TEXTUAIS E SEU SIGNIFICADO

      26. Como surgiram as variações textuais e as famílias de manuscritos?

      26 Entre os mais de 13.000 manuscritos das Escrituras Gregas Cristãs, existem muitas variações textuais. Os 5.000 manuscritos só no idioma grego mostram muitas de tais diferenças. Podemos facilmente compreender que cada cópia feita dos manuscritos antigos conteria erros distintivos do copista. À medida que um desses manuscritos fosse mandado para uso em determinada região, esses erros se repetiriam nas cópias desta região e se tornariam um traço característico de outros manuscritos ali. Foi dessa maneira que surgiram as famílias de manuscritos similares. Assim, não devem ser encarados com apreensão os milhares de erros dos copistas? Não indicam esses erros falta de fidelidade na transmissão do texto? De maneira alguma!

      27. Que garantia temos quanto à integridade do texto grego?

      27 F. J. A. Hort, que foi co-autor do texto de Westcott e Hort, escreve: “A grande maioria das palavras do Novo Testamento resiste a todos os processos discriminadores da crítica porque está livre de variação, e só precisa ser transcrito. . . . Se os erros relativamente insignificantes . . . forem postos de lado, as palavras ainda sujeitas à dúvida mal podem chegar, em nossa opinião, a constituir mais do que um milésimo do inteiro Novo Testamento.”h

      28, 29. (a) Qual deve ser a nossa avaliação fundamental quanto ao apurado texto grego? (b) Que declaração de peso temos quanto a isso?

      28 Avaliação da Transmissão Textual. Qual é, então, a avaliação fundamental quanto à integridade e à autenticidade textual, após esses muitos séculos de transmissão? Não só existem milhares de manuscritos para se comparar, mas as descobertas de manuscritos mais antigos da Bíblia durante as últimas décadas fazem remontar o texto grego a uma data tão antiga quanto por volta do ano 125 EC, somente umas duas décadas depois da morte do apóstolo João, que ocorreu em 100 EC, mais ou menos. As evidências provenientes desses manuscritos fornecem forte garantia de que temos hoje um texto grego fidedigno, em forma apurada. Note a avaliação que o ex-diretor e ex-bibliotecário do Museu Britânico, Sir Frederic Kenyon, fez do assunto:

      29 “O intervalo, então, entre as datas da composição original e a mais antiga evidência existente se torna tão pequeno que é com efeito insignificante, e a última base para qualquer dúvida de que as Escrituras chegaram até nós substancialmente como foram escritas foi agora removida. Tanto a autenticidade como a integridade geral dos livros do Novo Testamento podem ser consideradas como finalmente estabelecidas. A integridade geral, porém, é uma coisa, e a certeza quanto aos pormenores é outra.”i

      30. Por que podemos confiar que a Tradução do Novo Mundo fornece a seus leitores a fiel “declaração de Jeová”?

      30 No tocante à última observação sobre “a certeza quanto aos pormenores”, a citação no parágrafo 27, feita pelo Dr. Hort, resolve isso. É trabalho dos refinadores textuais retificar os pormenores, e isso eles têm feito em grande medida. Por este motivo, o texto grego aprimorado de Westcott e Hort é geralmente aceito como sendo de superior qualidade. A parte das Escrituras Gregas Cristãs da Tradução do Novo Mundo, sendo baseada nesse excelente texto grego, pode assim proporcionar a seus leitores a fiel “declaração de Jeová”, conforme foi tão maravilhosamente preservada para nós no reservatório grego de manuscritos. — 1 Ped. 1:24, 25.

      31. (a) O que têm as descobertas modernas mostrado quanto ao texto das Escrituras Gregas? (b) Como indica a tabela da página 309 a principal fonte para o texto das Escrituras Gregas Cristãs na Tradução do Novo Mundo, e quais são algumas das fontes secundárias que foram usadas?

      31 De interesse adicional são os comentários de Sir Frederic Kenyon em seu livro Our Bible and the Ancient Manuscripts (A Nossa Bíblia e os Antigos Manuscritos), 1962, na página 249: “Devemos estar contentes de saber que a autenticidade geral do Novo Testamento foi notavelmente apoiada pelas descobertas modernas que reduziram tão grandemente o intervalo entre os manuscritos autógrafos originais e os mais antigos manuscritos existentes, e que as diferenças textuais, embora interessantes, não atingem as doutrinas fundamentais da fé cristã.” Conforme mostrado na página 309, na tabela “Fontes do Texto na Tradução do Novo Mundo, Escrituras Gregas Cristãs”, recorreu-se a todos os documentos relacionados para se obter uma tradução precisa para o inglês. Valiosas notas apóiam todas essas formas de fidedigna tradução. A Comissão de Tradução da Bíblia do Novo Mundo tem usado a nata da erudição bíblica, desenvolvida através dos séculos, para produzir uma excelente tradução. Quanta confiança podemos ter atualmente que as Escrituras Gregas Cristãs, da maneira como se acham disponíveis hoje, contêm deveras o “modelo de palavras salutares” conforme assentadas pelos inspirados discípulos de Jesus Cristo. Apeguemo-nos, pois, a essas preciosas palavras com fé e amor! — 2 Tim. 1:13.

      32. Por que se dedicou aqui considerável espaço à consideração dos manuscritos e do texto das Escrituras Sagradas, e com que resultado satisfatório?

      32 Tanto este como o estudo anterior foram dedicados à consideração dos manuscritos e do texto das Escrituras Sagradas. Por que se deu a isso tão extensiva consideração? O objetivo foi mostrar, conclusivamente, que tanto o texto das Escrituras Hebraicas como o das Escrituras Gregas são essencialmente iguais ao autêntico texto original, que Jeová inspirou homens fiéis da antiguidade a registrar. Aqueles escritos originais foram inspirados. Os copistas, embora hábeis, não foram inspirados. (Sal. 45:1; 2 Ped. 1:20, 21; 3:16) Por conseguinte, tem sido necessário investigar todo o vasto reservatório de cópias manuscritas a fim de identificar clara e inequivocamente as águas puras da verdade, conforme emanaram originalmente da Grandiosa Fonte, Jeová. Todos os agradecimentos cabem a Jeová pela maravilhosa dádiva de sua Palavra, a Bíblia inspirada, e pela revigorante mensagem do Reino que flui de suas páginas!

      [Nota(s) de rodapé]

      a Estudo Perspicaz das Escrituras, “Livro”.

      b Veja a página 176, parágrafo 6.

      c Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, página 227; O Novo Dicionário da Bíblia, 1966, J. D. Douglas, página 1197.

      d New Bible Dictionary, segunda edição, página 1187.

      e Veja a tabela “Algumas Importantes Traduções da Bíblia em Sete Idiomas Principais”, na página 322.

      f The Kingdom Interlinear Translation of the Greek Scriptures, 1985, páginas 8-9.

      g Veja as notas em Lucas 24:40; João 5:4; Atos 19:23; 27:37 e Revelação (Apocalipse) 3:16.

      h The New Testament in the Original Greek, 1974, Vol. I, página 561.

      i The Bible and Archaeology, 1940, páginas 288-9.

  • Estudo número 7 — A Bíblia nos tempos modernos
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Estudos das Escrituras Inspiradas e de Seu Fundo Histórico

      Estudo número 7 — A Bíblia nos tempos modernos

      A história das sociedades bíblicas; o serviço da Sociedade Torre de Vigia na impressão e na publicação de Bíblias; a produção da Tradução do Novo Mundo.

      1. (a) Para que fim foram dadas as comunicações divinas, e por que então algumas não foram registradas? (b) Que ordens específicas deu Jeová a muitos profetas, e com que proveito para nós “nos últimos dias”?

      AS ESCRITURAS Sagradas, os 66 livros inspirados que hoje conhecemos como Bíblia, contêm “a palavra de Jeová” assentada por escrito. (Isa. 66:5) Por muitos séculos, essa “palavra” fluía livremente da parte de Jeová a seus profetas e servos na terra. Essas mensagens divinas cumpriram o seu objetivo imediato e deram também poderosos vislumbres de eventos que certamente ocorreriam no futuro então distante. Nem sempre se exigia que os profetas de Deus assentassem por escrito “a palavra de Jeová” que fora transmitida para eles. Por exemplo, algumas das declarações de Elias e Eliseu, feitas à geração de seu tempo, não foram preservadas em forma escrita. Por outro lado, os profetas Moisés, Isaías, Jeremias, Habacuque e outros receberam ordens específicas para ‘escrever’ ou para ‘escrever num livro ou num rolo’ “a palavra de Jeová” que lhes fora revelada. (Êxo. 17:14; Isa. 30:8; Jer. 30:2; Hab. 2:2; Rev. 1:11) As “declarações anteriormente feitas pelos santos profetas” foram assim preservadas, junto com outros escritos sagrados, para acordar as claras faculdades de raciocínio dos servos de Jeová e especialmente para dar orientação com respeito aos “últimos dias”. — 2 Ped. 3:1-3.

      2. Que períodos da história foram notórios pela atividade incrementada em copiar e traduzir a Bíblia?

      2 Muitas cópias das inspiradas Escrituras Hebraicas foram feitas do tempo de Esdras em diante. Começando no primeiro século da Era Comum, a Bíblia foi copiada e recopiada pelos primitivos cristãos e usada em dar testemunho dos propósitos de Jeová a respeito do Seu Cristo em toda a extensão do mundo então conhecido. Quando a impressão com tipos móveis se tornou comum (do século 15 em diante), deu-se ímpeto adicional à multiplicação e distribuição da Bíblia. Muita tradução bem como impressão foi empreendida por grupos particulares nos séculos 16 e 17. Já em 1800, a Bíblia tinha surgido, completa ou em parte, em 71 línguas.

      SOCIEDADES BÍBLICAS

      3. Que fator contribuiu imensamente para o aumento na distribuição da Bíblia, a partir do início do século 19?

      3 Deu-se maior impulso a esta obra nos séculos 19 e 20, quando recém-formadas sociedades bíblicas começaram a empreender a gigantesca tarefa de distribuir a Bíblia. Uma das primeiras sociedades bíblicas foi a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, que foi organizada em Londres, em 1804. A organização dessa sociedade bíblica desencadeou a fundação de muitas outras sociedades similares.a

      4. (a) Que dados provam que a palavra da vida realmente se espalhou sobre a terra? (b) Que informações úteis são fornecidas na tabela da página 322 a respeito das versões da Bíblia alistadas? Ilustre isso com a referência a uma tradução específica da Bíblia.

      4 Com tantas sociedades bíblicas funcionando, a obra de difundir a Bíblia prosperou. Até o ano de 1900, a Bíblia tinha sido publicada, completa ou em parte, em 567 idiomas, e até 1928, em 856 idiomas. Até 1938 já ultrapassara a cifra de 1.000, e hoje a Bíblia está disponível em mais de 1.900 idiomas. A revigorante palavra da vida, de Jeová, tem-se espalhado por toda a terra! Assim, tornou-se possível para homens de todas as nações responder à convocação: “Louvai a Jeová, ó todas as nações, e louvem-no todos os povos.” (Rom. 15:11) A tabela na página 322, “Algumas Importantes Traduções da Bíblia em Sete Idiomas Principais”, fornece informações adicionais a respeito da distribuição da Bíblia no presente.

      5. O que é ainda mais importante do que a distribuição de Bíblias, contudo, pelo que são gratas as Testemunhas de Jeová?

      5 Embora seja elogiável a obra de tornar a Bíblia disponível às multidões da terra, usar essas Bíblias, por dar às pessoas entendimento da Bíblia, é uma tarefa ainda mais importante. Transmitir “o sentido” da palavra é que era importante nos tempos judaicos e dos primitivos cristãos, quando havia poucas Bíblias e esta ainda é a coisa mais importante. (Mat. 13:23; Nee. 8:8) Todavia, esta obra de ensinar a Palavra de Deus às pessoas de toda a terra tem sido acelerada pela ampla distribuição da Bíblia. Ao passo que as Testemunhas de Jeová avançam empenhadamente na sua obra global de ensino bíblico, são gratas de que milhões de Bíblias se acham agora disponíveis em muitos países e em muitos idiomas.

      AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ QUAIS EDITORES DA BÍBLIA

      6. As Testemunhas de Jeová se têm caracterizado por que atividade, tanto hoje como nos tempos antigos?

      6 As Testemunhas de Jeová são um povo que divulga a Bíblia. Era assim nos dias de Esdras. Era assim nos dias dos primeiros discípulos de Jesus Cristo, que saturaram o mundo antigo com suas cópias manuscritas da Bíblia a tal ponto que o rico legado que recebemos de seus manuscritos ultrapassa o de qualquer outra literatura antiga. Nos tempos modernos, a mesma espécie de atividade vigorosa na publicação da Bíblia caracteriza as Testemunhas de Jeová.

      7. Que corporação formaram as Testemunhas de Jeová e quando? Como começaram naquela época a desenvolver o seu ministério?

      7 Em 1884, as Testemunhas de Jeová formaram uma corporação para levar avante a sua obra de publicação da Bíblia, sendo a corporação conhecida agora como Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados de Pensilvânia (EUA). No início, as Bíblias eram compradas de outras sociedades bíblicas para redistribuição por essas Testemunhas, que estavam já então desenvolvendo o seu característico ministério de casa em casa. A Versão Rei Jaime, de 1611, em inglês, era usada como versão básica para o estudo da Bíblia.

      8. (a) Como tem sido fiel ao seu nome a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados? (b) Como a Sociedade tem feito uso de muitas traduções da Bíblia, e para que fim?

      8 Fiel a seu nome, a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados se empenhou em distribuir Bíblias, bem como em editar livros, tratados e outras publicações bíblicas. Isso tem por fim dar instrução sobre ensinamentos corretos da Palavra de Deus. Sua educação bíblica tem ajudado os amantes da justiça a romperem com as tradições da religião falsa e com as filosofias do mundo, bem como a retornar à liberdade da verdade bíblica conforme revelada por Jesus e por outros porta-vozes devotados de Jeová. (João 8:31, 32) Desde o tempo em que a revista A Sentinela começou a ser publicada, em 1879 (em inglês), as publicações da Sociedade Torre de Vigia têm citado, mencionado e consultado muitas traduções da Bíblia. Assim, a Sociedade tem reconhecido o valor de todas elas e tem feito uso do que há de bom em todas elas, como sendo de valor em dissipar a confusão religiosa e promover a mensagem de Deus.

      9. Como a Sociedade entrou no campo de publicação da Bíblia?

      9 As Bíblias de Rotherham e de Holman. Já em 1890, as Testemunhas de Jeová, por meio da Sociedade Torre de Vigia, dos EUA, entraram diretamente no campo de publicar e distribuir a Bíblia. Já se haviam adquirido os direitos de impressão de Joseph B. Rotherham, tradutor britânico da Bíblia, para editar nos Estados Unidos a segunda edição de seu Novo Testamento. No frontispício dos exemplares dessa Bíblia aparecia o nome da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, Allegheny, Pensilvânia, sendo que a sede mundial da Sociedade se localizava ali naquela época. Em 1901, fizeram-se arranjos para uma impressão especial da Holman Linear Bible, contendo notas explanatórias marginais, colhidas das publicações da Sociedade de 1895 a 1901. O próprio texto bíblico apresentava a Versão Rei Jaime e a Versão Revisada das Escrituras Hebraicas e Gregas. Até 1903, a edição inteira de 5.000 exemplares tinha sido distribuída.

      10. De que versão das Escrituras Gregas a Sociedade se tornou editora em 1902?

      10 The Emphatic Diaglott. Em 1902, a Sociedade Torre de Vigia, dos EUA, veio a ser detentora dos direitos autorais, a única a editar e distribuir a The Emphatic Diaglott. Essa versão das Escrituras Gregas Cristãs foi preparada por Benjamin Wilson, tradutor da Bíblia, nascido na Inglaterra, radicado em Geneva, Illinois, EUA. Foi terminada em 1864. Usou-se o texto grego de J. J. Griesbach, com uma tradução interlinear literal em inglês e a versão do próprio Wilson à direita, usando sinais especiais de ênfase.

      11. Quando publicou a Sociedade a “Edição dos Estudantes da Bíblia”, e o que essa continha?

      11 A Edição dos Estudantes da Bíblia. Em 1907, a Sociedade Torre de Vigia, dos EUA, publicou uma versão intitulada “Edição dos Estudantes da Bíblia”. Essa obra continha um texto bem legível da Versão Rei Jaime da Bíblia e incluía excelentes notas marginais, junto com um valioso apêndice elaborado pelas Testemunhas de Jeová. O apêndice, que posteriormente foi ampliado para mais de 550 páginas, foi chamado de “Manual dos Instrutores Bereanos da Bíblia” e foi publicado também em forma de livro separado. Esse continha breves comentários sobre muitos versículos da Bíblia, com referências à revista A Sentinela e aos compêndios da Sociedade, e um resumo de tópicos doutrinais com textos básicos para facilitar as apresentações a outros. Isso era similar em forma à publicação posterior da Sociedade, “Certificai-vos de Todas as Coisas”. Achavam-se incluídos também um índice de tópicos, explicação de textos difíceis, uma lista de passagens espúrias, um índice bíblico, uma cronologia comparativa e 12 mapas. Essa excelente Bíblia foi útil às Testemunhas de Jeová por décadas em sua obra de pregação pública.

      UMA SOCIEDADE IMPRESSORA DA BÍBLIA

      12. Quando entrou a Sociedade no campo de impressão da Bíblia?

      12 Por 30 anos, a Sociedade Torre de Vigia dos EUA contratara firmas de fora para imprimir suas Bíblias. Contudo, em dezembro de 1926, The Emphatic Diaglott tornou-se a primeira versão da Bíblia a ser impressa nas prensas da Sociedade em Brooklyn, Nova Iorque. A impressão dessa edição das Escrituras Gregas Cristãs estimulou a esperança de que a Bíblia completa seria algum dia impressa nas prensas da Sociedade.

      13. (a) Qual foi a primeira Bíblia completa impressa pela Sociedade, e quando foi lançada? (b) Que ajudas continha essa?

      13 A Versão Rei Jaime. A Segunda Guerra Mundial sublinhou a necessidade de se publicar independentemente a Bíblia. Enquanto o conflito global estava no seu apogeu, a Sociedade conseguiu comprar chapas da inteira Versão Rei Jaime da Bíblia. Foi em 18 de setembro de 1942, na Assembléia Teocrática do Novo Mundo das Testemunhas de Jeová, tendo como cidade-chave Cleveland, Ohio, que o presidente da Sociedade falou sob o tema: “Apresentando ‘a Espada do Espírito’.” Como clímax desse discurso, ele lançou a primeira Bíblia completa impressa na gráfica da Sociedade Torre de Vigia de Brooklyn. Em seu apêndice, fornecia uma lista de nomes próprios com seus significados, uma “Concordância de Palavras e Expressões Bíblicas” especialmente elaborada, e outras ajudas. Colocaram-se títulos corridos apropriados no alto de cada página. Por exemplo, “Voto fervoroso de Jefté” substituiu o tradicional “Voto precipitado de Jefté”, em Juízes 11, e “Existência pré-humana e nascimento humano da Palavra de Deus” aparecia em João, capítulo 1.

      14. Que tradução aprimorada da Bíblia foi impressa pela Sociedade em 1944, e que características contém esta Bíblia?

      14 A Versão Padrão Americana. Outra importante tradução da Bíblia é a Versão Padrão Americana, de 1901. Esta tem a mui elogiável característica de verter o nome de Deus como “Jeová” aproximadamente 7.000 vezes nas Escrituras Hebraicas. Após longas negociações, a Sociedade Torre de Vigia (dos EUA) conseguiu comprar, em 1944, o uso de chapas da inteira Versão Padrão Americana da Bíblia para imprimir em suas próprias prensas. Em 10 de agosto de 1944, em Búfalo, Nova Iorque, a cidade-chave das 17 assembléias simultâneas das Testemunhas de Jeová, ligadas por meio de linhas telefônicas particulares, o presidente da Sociedade deleitou a grande assistência ao lançar a edição da Torre de Vigia da Versão Padrão Americana. O apêndice inclui a utilíssima e ampliada “Concordância de Palavras, Nomes e Expressões Bíblicos”. Uma edição de bolso da mesma Bíblia foi publicada em 1958.

      15. Que tradução foi produzida pela Sociedade em 1972?

      15 The Bible in Living English. Em 1972, a Sociedade Torre de Vigia dos EUA produziu a versão The Bible in Living English, do falecido Steven T. Byington. Ela verte uniformemente o nome divino como “Jehovah” (“Jeová”).

      16. Em que obra dupla estão assim empenhadas as Testemunhas de Jeová?

      16 Assim, as Testemunhas de Jeová não estão apenas pregando as boas novas do Reino estabelecido de Deus em mais de 200 países e ilhas ao redor da terra, mas elas se tornaram também uma sociedade impressora e editora, em grande escala, do inestimável Livro que contém a mensagem do Reino, as Escrituras Sagradas inspiradas por Jeová Deus.

      A TRADUÇÃO DO NOVO MUNDO DAS ESCRITURAS SAGRADAS

      17. (a) Como têm sido úteis as muitas versões da Bíblia, e, contudo, que falhas contêm? (b) O que vinha procurando, desde 1946, o presidente da Sociedade Torre de Vigia?

      17 As Testemunhas de Jeová reconhecem a sua dívida para com todas as muitas versões da Bíblia que elas têm usado no estudo da verdade da Palavra de Deus. Entretanto, todas essas traduções, mesmo as mais recentes, têm suas falhas. Existem incoerências ou trechos insatisfatórios, que estão contaminados por tradições sectárias ou filosofias mundanas, e, portanto, não estão em plena harmonia com as verdades sagradas que Jeová registrou em sua Palavra. Especialmente desde 1946, o presidente da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados estava à procura de uma tradução fiel das Escrituras, feita a partir dos idiomas originais — uma tradução tão compreensível aos leitores modernos como os escritos originais o eram às pessoas comuns e inteligentes da própria época da escrita da Bíblia.

      18. Como a Sociedade veio a ser a editora e a impressora da Tradução do Novo Mundo?

      18 Em 3 de setembro de 1949, na sede da Sociedade em Brooklyn, o presidente anunciou ao Conselho de Diretores a existência da Comissão da Tradução do Novo Mundo da Bíblia, e que ela havia concluído uma tradução moderna das Escrituras Gregas Cristãs, em inglês. Leu-se o documento da comissão, pelo qual essa cedia a posse, controle e publicação do manuscrito da tradução à Sociedade, em reconhecimento do trabalho não-sectário da Sociedade na obra de promoção da educação bíblica em toda a terra. Leram-se também trechos do manuscrito, como amostra da natureza e da qualidade da tradução. Os diretores aceitaram unanimemente a doação dessa tradução, e fizeram-se arranjos para a sua imediata impressão. A composição tipográfica começou em 29 de setembro de 1949, e em meados de 1950, dezenas de milhares de exemplares encadernados estavam prontos.

      19. (a) Em que etapas foi publicada a Tradução do Novo Mundo? (b) Que esforços foram feitos para se preparar esses volumes?

      19 Lançamento por Etapas da Tradução do Novo Mundo. Foi na quarta-feira, 2 de agosto de 1950, no quarto dia da assembléia internacional no Estádio Ianque, Nova Iorque, que uma assistência totalmente surpreendida de 82.075 Testemunhas de Jeová acolheu entusiasticamente o lançamento da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs, em inglês. Encorajada pela recepção entusiástica inicial, bem como por expressões posteriores de apreço pelos méritos da tradução, a Comissão empreendeu a seguir a extensiva obra de traduzir as Escrituras Hebraicas. Estas foram publicadas em cinco volumes adicionais, lançados sucessivamente de 1953 a 1960. O conjunto de seis volumes formava uma coleção da Bíblia inteira, em inglês moderno. Cada volume continha também ajudas valiosas para o estudo da Bíblia. Um vasto depósito de informação bíblica estava assim disponível para o estudante contemporâneo da Bíblia. Fez-se diligente esforço de recorrer a toda fonte confiável de informação textual, a fim de que a Tradução do Novo Mundo expressasse clara e acuradamente a poderosa mensagem das inspiradas Escrituras originais.

      20. Que valiosas ajudas continha a primeira edição da Tradução do Novo Mundo (em inglês) (a) nas suas notas, (b) nas referências marginais e (c) nos prefácios e apêndices?

      20 Entre as ajudas ao estudo da Bíblia que apareciam na primeira edição da Tradução do Novo Mundo (em inglês), em seis volumes, estava a inestimável coleção de notas textuais, que davam a base para a maneira de se verter textos específicos. Tornaram-se disponíveis poderosos argumentos em defesa das Escrituras, por meio dessas notas. Incluiu-se também um valioso sistema de referências remissivas. Estas referências de importantes palavras doutrinais foram elaboradas para conduzir o estudante a uma série de textos-chaves sobre o assunto. Havia numerosas referências cruzadas nas margens das páginas. Essas dirigiam o leitor a: (a) palavras paralelas, (b) pensamentos, idéias e eventos paralelos, (c) informações biográficas, (d) informações geográficas, (e) cumprimento de profecias e (f) citações diretas que apareciam em outras partes, ou tiradas de outras partes, da Bíblia. Havia também nos volumes importantes prefácios, ilustrações de alguns manuscritos antigos, apêndices e índices úteis e mapas de terras e localidades bíblicas. A primeira edição da Tradução do Novo Mundo fornecia uma mina de ouro para o estudo pessoal da Bíblia, bem como para as Testemunhas de Jeová ensinarem de forma proveitosa as pessoas sinceras. Uma edição especial do estudante, publicada em um único volume, foi lançada mais tarde, com uma tiragem de 150.000 exemplares, em 30 de junho de 1963, na abertura do Congresso “Boas Novas Eternas” das Testemunhas de Jeová em Milwaukee, Wisconsin, EUA.

      21. (a) Quais foram as circunstâncias do lançamento da Tradução do Novo Mundo revisada? (b) Quais eram algumas de suas características?

      21 Edição Revisada de um Único Volume. Em meados de 1961, em uma série de assembléias das Testemunhas de Jeová, realizadas nos Estados Unidos e na Europa, lançou-se para distribuição uma edição revisada, de fácil manuseio, em um só volume, da completa Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas (em inglês; em português, 1967). Foi aceita com alegria pelas centenas de milhares que assistiram a essas assembléias. Encadernada com capa verde, continha 1.472 páginas e possuía uma excelente concordância, um apêndice de tópicos bíblicos e mapas.

      22, 23. Que edições adicionais foram lançadas, e quais são algumas de suas características?

      22 Edições Posteriores. Em 1969 foi lançada A Tradução Interlinear do Reino das Escrituras Gregas, sendo que uma segunda edição foi publicada em 1985. Essa obra contém uma tradução literal para o inglês do texto grego editado por Westcott e Hort, bem como a versão para o inglês contemporâneo da edição de 1984 da Tradução do Novo Mundo. Revela-se assim ao estudante sério da Bíblia o que o grego original básica ou literalmente diz.

      23 Lançou-se uma segunda revisão da Tradução do Novo Mundo em 1970, e, em seguida, uma terceira, com notas, em 1971 (em inglês). Nos Congressos de Distrito das Testemunhas de Jeová “Aumento do Reino”, realizados em 1984, foi lançada uma revisão da edição com referências, em inglês. Esta inclui uma atualização e revisão completas das notas marginais (cruzadas) que foram inicialmente apresentadas, em inglês, de 1950 a 1960. Elaborada para o estudante sério da Bíblia, contém mais de 125.000 referências marginais, mais de 11.000 notas, uma concordância extensiva, mapas, e 43 artigos no apêndice. Tornou-se disponível em 1984 (em inglês; 1987, em português), também, uma edição de tamanho normal da revisão de 1984 (em inglês; 1986, em português), com referências marginais mas sem as notas.

      24. (a) Quais são algumas das vantagens tanto da edição normal como da com referências? (b) Ilustre o uso dos títulos corridos.

      24 Algumas Vantagens. A fim de ajudar o leitor na rápida localização de qualquer matéria desejada, tanto a edição de tamanho normal como a com referências contêm títulos corridos, cuidadosamente preparados, no alto de cada página. Esses títulos corridos descrevem a matéria logo abaixo, e são especialmente elaborados para ajudar o publicador do Reino a localizar, rapidamente, textos para responder perguntas que lhe possam ser propostas. Por exemplo, ele talvez esteja procurando conselhos sobre o treinamento de filhos. Abrindo na página 864 (edição normal), em Provérbios, vê a primeira frase-chave, “Bom nome”. Visto que essa é a primeira frase do título, isso indica que o assunto aparecerá logo no início da página, e é onde ele o encontra, em Provérbios 22:1. O texto identificado pela segunda parte do título, “Educar rapaz”, ele encontra pouco depois do meio da primeira coluna, no versículo 6. O próximo elemento do título corrido reza: “Não poupar vara.” Essa matéria se acha próximo ao meio da segunda coluna, no versículo 15. Esses títulos corridos no alto das páginas podem ser de grande ajuda ao publicador do Reino que conhece a localização geral de textos que esteja procurando. Eles podem franquear a Bíblia para pronto uso.

      25. Que concordância é fornecida, e para que fins práticos pode ser usada?

      25 Na parte final dessa Bíblia, tanto da edição normal como da de referências, há uma seção chamada “Índice de Palavras Bíblicas”. Ali são encontradas milhares de palavras bíblicas importantes, junto com linhas do contexto. Tornou-se disponível, assim, uma concordância, que inclui um amplo leque de palavras novas, descritivas, usadas no texto. Para os acostumados com a forma de traduzir da versão Almeida, fornece-se ajuda por se fazer transições de palavras bíblicas do português antigo para os termos bíblicos mais modernos. Tome, por exemplo, a palavra “graça” na versão Almeida. Ela é alistada no índice, remetendo o estudante para “benignidade imerecida”, a expressão atualizada usada na nova tradução. O índice de palavras torna possível localizar textos bíblicos sobre os principais assuntos doutrinais, tais como “alma” ou “resgate”, fornecendo base para estudo pormenorizado diretamente de textos da Bíblia. O publicador do Reino a quem se pedir para falar sobre qualquer um desses assuntos importantes poderá de imediato usar os trechos do contexto, fornecidos nessa concordância. Adicionalmente, as principais citações de destacados nomes próprios são alistadas, o que inclui lugares geográficos bem como personagens bíblicos preeminentes. Presta-se, assim, inestimável ajuda a todos os estudantes da Bíblia que usam essa tradução.

      26. Ilustre uma das maneiras em que o apêndice da Tradução do Novo Mundo é de ajuda.

      26 Um apêndice erudito oferece informações adicionais precisas, úteis para o ensino. Os artigos do apêndice estão ordenados de uma maneira tal que podem ser usados como ajuda na explicação de doutrinas bíblicas básicas e assuntos relacionados. Por exemplo, ao tratar de “alma”, o apêndice, debaixo de oito subtópicos diferentes, alista textos bíblicos que mostram as várias maneiras em que a palavra “alma” (em hebraico, né·fesh) é usada. Forneceram-se, também, diagramas e mapas nos artigos do apêndice. A Bíblia com Referências contém um apêndice mais extensivo bem como valiosas notas, que suprem importantes informações textuais de maneira simples. Assim, a Tradução do Novo Mundo é notável pelo leque de vantagens que fornece ao colocar o conhecimento exato à pronta disposição de seus leitores.

      27. É a Tradução do Novo Mundo simplesmente uma revisão de traduções anteriores, e que aspectos dela apóiam sua resposta?

      27 Uma Tradução Nova. A Tradução do Novo Mundo é uma tradução nova dos idiomas bíblicos originais, hebraico, aramaico e grego. Não é de forma alguma uma revisão de outra tradução, tampouco imita outra versão qualquer quanto a estilo, vocabulário ou ritmo. Para a seção hebraico-aramaica, usou-se o aprimorado e universalmente aceito texto da Biblia Hebraica, de Rudolf Kittel, 7.ª, 8.ª e 9.ª edições (1951-55). Uma nova edição do texto hebraico conhecido como Biblia Hebraica Stuttgartensia, de 1977, foi usada para atualizar as informações apresentadas nas notas da Tradução do Novo Mundo — Com Referências. A seção grega foi traduzida principalmente do texto padrão grego preparado por Westcott e Hort, publicado em 1881. Contudo, a Comissão da Tradução do Novo Mundo da Bíblia consultou também outros textos em grego, o que inclui o texto de Nestle (1948). Apresentam-se, nos Estudos 5 e 6 desse livro, descrições desses excelentes textos padrões. A comissão de tradução fez uma tradução vigorosa e precisa da Bíblia, e isso resultou num texto claro e vivo, abrindo o caminho para um entendimento mais profundo e satisfatório da Palavra de Deus.

      28. Qual a avaliação de um crítico sobre essa tradução?

      28 Note a avaliação de certo crítico sobre esta tradução: “São pouquíssimas as traduções das Escrituras Hebraicas vertidas do idioma original para o inglês. Portanto, dá-nos muita satisfação acolher a publicação da primeira parte da Tradução do Novo Mundo [das Escrituras Hebraicas], de Gênesis a Rute. . . . Esta versão fez evidentemente esforço especial de ser muitíssimo fácil de ler. Ninguém poderia dizer que é deficiente na sua novidade e originalidade. A sua terminologia não se baseia de forma alguma na de versões anteriores.”b

      29. Como avaliou um hebraísta a Tradução do Novo Mundo?

      29 Em uma entrevista com um representante da Sociedade Torre de Vigia, o hebraísta e professor universitário Dr. Benjamin Kedar, de Israel, avaliou a Tradução do Novo Mundo da seguinte maneira: “Em minha pesquisa lingüística em conexão com a Bíblia hebraica e suas traduções, não raro eu consulto a edição em inglês do que é conhecido como Tradução do Novo Mundo. Ao fazer assim, confirmo repetidamente meu conceito de que essa obra reflete um esforço honesto de obter uma compreensão do texto tão precisa quanto é possível. Dando evidência de amplo domínio da língua original, verte inteligivelmente as palavras originais para um segundo idioma sem se desviar desnecessariamente da estrutura específica do hebraico. . . . Toda declaração lingüística permite certa latitude de interpretação ou de tradução. Assim, a solução lingüística em qualquer dado caso pode ser discutida. Mas, eu nunca descobri na Tradução do Novo Mundo intento preconceituoso de dar ao texto uma interpretação que este não contenha.”c

      30. Até que ponto é literal a Tradução do Novo Mundo, e com que benefício?

      30 Uma Tradução Literal. Sendo literal, demonstra-se também fidelidade no que diz respeito à tradução. Isso exige uma correspondência quase palavra por palavra entre a forma de traduzir para o inglês e os textos hebraico e grego, onde o idioma inglês moderno permita. Na apresentação do texto no idioma para o qual está sendo traduzido, deve-se ser tão literal quanto a estrutura do idioma do tradutor permita. Ademais, ser literal requer que se dê atenção à ordem das palavras do hebraico e do grego, preservando assim a ênfase original. Mediante a tradução literal, pode-se transmitir de forma precisa o sabor, o colorido e o ritmo dos escritos originais.

      31. Como devem ser considerados ocasionais desvios da tradução literal do texto?

      31 Houve desvios ocasionais do texto literal com o fim de transmitir, em termos inteligíveis, as difíceis expressões idiomáticas do hebraico ou do grego. Contudo, na edição com referências da Tradução do Novo Mundo, chama-se a atenção do leitor a esses desvios por meio de notas que dão a tradução literal.

      32. (a) O que resultou de se abandonar a tradução literal? (b) Ilustre isso.

      32 Muitos tradutores da Bíblia abandonaram a tradução literal em favor do que eles consideram linguagem e forma elegantes. Argumentam que a forma literal de tradução é inexpressiva, rígida e restrita. Contudo, abandonarem a tradução literal ocasionou, pela introdução de paráfrases e interpretações, muitos desvios das precisas declarações originais da verdade. Eles têm, na realidade, diluído os próprios pensamentos de Deus. Por exemplo, o decano emérito de uma grande universidade americana certa vez acusou as Testemunhas de Jeová de destruir a beleza e a elegância da Bíblia. Por Bíblia ele se referia à Versão Rei Jaime, que há muito era venerada como modelo de beleza do idioma inglês. Ele disse: ‘Olhem o que os senhores fizeram ao Salmo 23. Destruíram o seu ritmo e a sua beleza por verterem “Je/ho/vah is/ my/ shep/herd” (“Jeová é o meu pastor”). Sete sílabas em vez de seis. É chocante. Fica desequilibrado. Não há ritmo. A Rei Jaime faz o certo com suas seis sílabas em equilíbrio — “The/ Lord/ is/ my/ shep/herd” (“O Senhor é o meu pastor”).’ Asseverou-se ao professor que era mais importante expressá-lo do modo como Davi, o escritor bíblico, havia feito. Usou Davi o termo genérico “Senhor” ou o nome divino? O professor admitiu que Davi usou o nome divino, mas ele ainda argumentou que, a bem da beleza e da elegância, a palavra “Senhor” estaria justificada. Que pretexto pouco convincente para remover o nome ilustre de Jeová desse salmo, composto para o Seu louvor!

      33. Por que motivo devemos agradecer a Deus, e qual é a nossa esperança e oração?

      33 Milhares de expressões traduzidas foram sacrificadas dessa maneira, no altar do conceito humano de beleza de linguagem, resultando em inexatidões em muitas versões da Bíblia. Os agradecimentos vão para Deus pela provisão da Tradução do Novo Mundo, com o seu texto bíblico claro e exato! Que seu grandioso nome, Jeová, seja santificado no coração de todos que a lêem!

      [Nota(s) de rodapé]

      a Entre as muitas sociedades bíblicas formadas desde 1804 estão as seguintes: A Sociedade Bíblica Americana (1816), formada a partir de sociedades locais já existentes, bem como a Sociedade Bíblica de Edimburgo (1809) e a Sociedade Bíblica de Glasgow (1812), ambas incorporadas mais tarde (1861) na Sociedade Bíblica Nacional da Escócia. Até 1820 já se haviam formado sociedades bíblicas na Suíça, Irlanda, França, Finlândia, Suécia, Dinamarca, Noruega, Países-Baixos, Islândia, Rússia e Alemanha.

      b Alexander Thomson, The Differentiator, junho de 1954, página 131.

      c 12 de junho de 1989, originalmente em alemão.

      [Tabela na página 322]

      ALGUMAS IMPORTANTES TRADUÇÕES DA BÍBLIA EM SETE IDIOMAS PRINCIPAIS

      Nome da Publicada Texto Tradução Texto

      Versão Originalmente Básico do Nome Básico

      Para as Divino Para as

      Escrituras Escrituras

      Hebraicas Gregas

      INGLÊS

      Rheims-Douay*1582-1610 Vulgata Lord (ADONAI, Vulgata

      duas vezes)

      King James 1611 M LORD (Jehovah, Texto

      Version* poucas vezes) Recebido

      Young 1862-98 M Jehovah Texto

      Recebido

      English 1881-95 M LORD (Jehovah, Westcott

      Revised* poucas vezes) e Hort

      Emphasised 1878-1902 M (Ginsburg)

      Bible Yahweh Westcott

      e Hort,

      Tregelles

      American 1901 M Jehovah Westcott

      Standard e Hort

      An American 1923-39 M LORD (Yahweh, Westcott

      Translation poucas vezes) e Hort

      (Smith-Goodspeed)*

      Revised 1946-52 M LORD Westcott

      Standard* e Hort,

      Nestle

      New English 1961-70 M (BHK) LORD (Jehovah, Novo

      Bible* poucas vezes) texto

      eclético

      Today’s 1966-76 M (BHK) LORD UBS

      English

      Version

      New King 1979-82 M (BHS) LORD (YAH, Texto

      James poucas vezes) Recebido

      Bible/

      Revised Authorised Version

      New 1985 M Yahweh Grego

      Jerusalem

      Bible*

      ESPANHOL

      Valera 1602 M Jehová Texto

      Recebido

      Moderna 1893 M Jehová Scrivener

      Nácar-Colunga*1944 M Yavé Grego

      Evaristo 1964 M Yavé Grego

      Martín

      Nieto*

      Serafín de 1965 M (BHK) Yahvéh, Nestle-

      Ausejo* Señor -Aland

      Biblia de 1967 M Yahveh Grego

      Jerusalén*

      Cantera-Iglesias*

      1975 M (BHK) Yahveh Grego

      Nueva Biblia 1975 M Señor Grego

      Española*

      PORTUGUÊS

      Almeida 1681, 1750 M Jehovah Texto

      Recebido

      Figueiredo* 1778-90 Vulgata Senhor Vulgata

      Matos 1927-30 Vulgata Senhor Vulgata

      Soares*

      Pontifício 1967 M Javé Merk

      Instituto

      Bíblico*

      Jerusalém* 1976, 1981 M Iahweh Grego

      ALEMÃO

      Luther* 1522, 1534 M HErr Erasmus

      Zürcher 1531 M Herr, Jahwe Grego

      Elberfelder 1855, 1871 M Jehova Texto

      Recebido

      Menge 1926 M HErr Grego

      Luther 1964, 1984 M HERR Grego

      (revisada)*

      Bibel in 1967 M (BHS) Herr Nestle-

      heutigem -Aland,

      Deutsch (Gute Nachricht)* UBS

      Einheitsübersetzung*

      1972, 1974 M Herr, Jahwe Grego

      Revidierte 1975, 1985 M HERR, Jahwe Grego

      Elberfelder

      FRANCÊS

      Darby 1859, 1885 M Eternel Grego

      Crampon* 1894-1904 M Jéhovah Merk

      Jérusalem* 1948-54 Vulgata, Yahvé Vulgata,

      Hebraico Grego

      TOB 1971-75 M (BHS) Seigneur Nestle,

      Ecumenical UBS

      Bible*

      Osty* 1973 M Yahvé Grego

      Segond 1978 M (BHS) Eternel Nestle-

      Revised Aland,

      Black,

      Metzger,

      Wikgren

      Français 1982 M (BHS) Seigneur Nestle,

      courant UBS

      HOLANDÊS (PAÍSES-BAIXOS)

      Statenvertaling

      1637 M HEERE Texto

      Recebido

      Leidse 1899-1912 M Jahwe Nestle

      Vertaling

      Petrus-Canisiusvertaling*

      1929-39 M Jahweh Nestle

      NBG-vertaling

      1939-51 M HERE Nestle

      Willibrordvertaling*

      1961-75 M Jahwe Nestle

      Groot Nieuws 1972-83 M Heer Nestle

      Bijbel*

      ITALIANO

      Diodati 1607, 1641 M Signore Grego

      Riveduta 1925 M Eterno Grego

      (Luzzi)

      Nardoni* 1960 M Signore, Jahweh Grego

      Pontificio 1923-58 M Signore, Jahve Merk

      Istituto

      Biblico*

      Garofalo* 1960 M Jahve, Signore Grego

      Concordata* 1968 M (BHK) Signore, Iavè Nestle,

      Merk

      CEI* 1971 M Signore Grego

      Parola del 1976-85 M (BHS) Signore UBS

      Signore*

      * O asterisco significa que os apócrifos foram incluídos, mas podem não aparecer em todas as edições.

      “M” refere-se ao texto massorético. Quando aparece sozinho, nenhuma edição em especial do texto massorético é especificada.

      “BHK” refere-se à Biblia Hebraica de Kittel.

      “UBS” refere-se ao The Greek New Testament, das United Bible Societies.

      “BHS” refere-se à Biblia Hebraica Stuttgartensia.

      “Grego” indica que a tradução foi feita do grego, mas nenhum texto específico é indicado.

  • Estudo número 8 — Vantagens da “Tradução do Novo Mundo”
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Estudos das Escrituras Inspiradas e de Seu Fundo Histórico

      Estudo número 8 — Vantagens da “Tradução do Novo Mundo”

      Consideração de sua linguagem moderna, uniformidade, cuidadosa tradução dos verbos e expressão dinâmica da inspirada Palavra de Deus.

      1. (a) Que tendência corrige a Tradução do Novo Mundo, e como? (b) Em português, por que se usa Jeová em vez de Iavé ou alguma outra forma do nome?

      NOS anos recentes, foram publicadas várias traduções modernas da Bíblia que muito contribuíram para ajudar os amantes da Palavra de Deus a entender prontamente o sentido dos escritos originais. Entretanto, muitas traduções eliminaram o nome divino do registro sagrado. Por outro lado, a Tradução do Novo Mundo glorifica e honra o digno nome do Deus Altíssimo reintegrando-o em seu devido lugar no texto. O nome aparece agora em 6.973 lugares na seção das Escrituras Hebraicas, bem como em 237 lugares na seção das Escrituras Gregas, um total de 7.210 ocorrências. A forma Iavé é geralmente preferida pelos hebraístas, mas não é possível saber atualmente a pronúncia correta. Assim, a forma latinizada Jeová continua a ser empregada por estar em uso há séculos e por ser a forma mais comumente aceita da tradução em português do Tetragrama, ou nome hebraico composto das quatro letras יהוה. O hebraísta R. H. Pfeiffer observou: “O que quer que possa ser dito sobre a sua duvidosa origem, ‘Jehovah’ (Jeová) é, e deve continuar sendo, a tradução correta em inglês de Iavé.”a

      2. (a) Há precedentes para reintegrar o nome divino nas Escrituras Gregas Cristãs? (b) Que dúvida é assim removida?

      2 A Tradução do Novo Mundo não é a primeira versão a reintegrar o nome divino nas Escrituras Gregas Cristãs. A partir de pelo menos o século 14, muitos tradutores sentiram-se obrigados a reintegrar o nome de Deus no texto, especialmente nos lugares onde os escritores das Escrituras Gregas Cristãs citam textos das Escrituras Hebraicas que contêm o nome divino. Diversas traduções das Escrituras Gregas em linguagem moderna usadas por missionários, incluindo versões africanas, asiáticas, americanas e de ilhas do Pacífico, usam o nome Jeová liberalmente, assim como fazem algumas versões de língua européia. Sempre que consta o nome divino, não resta mais dúvida sobre que “senhor” é indicado. É o Senhor do céu e da terra, Jeová, cujo nome é santificado por ser mantido ímpar e distinto na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas.b

      3. Por que meios a Tradução do Novo Mundo ajuda a transmitir a força, a beleza e o sentido dos escritos originais?

      3 A Tradução do Novo Mundo contribui adicionalmente para a santificação do nome de Jeová por apresentar Suas Escrituras inspiradas em linguagem clara e compreensível, que traz à mente do leitor o pleno significado intencionado. Usa linguagem simples e moderna, é tão uniforme quanto possível na versão de cada termo, transmite com exatidão a ação ou o estado expresso nos verbos hebraicos e gregos. Destes e de outros modos, a Tradução do Novo Mundo traz à luz, em linguagem moderna, tanto quanto possível, a força, a beleza e o sentido dos escritos originais.

      TRADUZIDA EM LINGUAGEM MODERNA

      4. (a) Que nobre propósito expressou um primitivo tradutor da Bíblia? (b) O que se tornou necessário com a passagem do tempo?

      4 As traduções mais antigas da Bíblia contêm muitas palavras obsoletas, pertencentes aos séculos 16 e 17. Embora não sejam compreendidas agora, eram prontamente entendidas então. Por exemplo, um dos homens que muito teve que ver com introduzi-las na Bíblia em inglês foi William Tyndale, que, segundo relatado, disse a um dos seus oponentes religiosos: ‘Se Deus me poupar a vida, farei com que, antes que se passem muitos anos, o rapaz que maneja o arado saiba mais sobre as Escrituras do que tu.’ A tradução que Tyndale fez das Escrituras Gregas era fácil o bastante para que um rapaz que manejasse o arado a entendesse no seu tempo. No entanto, atualmente muitas das palavras usadas por ele tornaram-se arcaicas, de modo que um “rapaz que maneja o arado” não mais pode captar claramente o sentido de muitas palavras na Rei Jaime e em outras versões mais antigas da Bíblia. Assim, tornou-se necessário retirar o véu da linguagem arcaica e restabelecer na Bíblia a linguagem simples falada pelo homem comum.

      5. Em que linguagem deve a Bíblia ser publicada, e por quê?

      5 A linguagem usada na escrita das Escrituras inspiradas foi a do homem comum. Os apóstolos e outros cristãos primitivos não usaram o grego clássico de filósofos tais como Platão. Usaram o grego cotidiano, o coiné ou comum. Portanto, as Escrituras Gregas, assim como as Escrituras Hebraicas anteriores a elas, foram escritas na linguagem do povo. É de suma importância, então, que as traduções das Escrituras originais também sejam feitas na linguagem do povo, de modo a serem prontamente entendidas. É por esta razão que a Tradução do Novo Mundo usa, não a linguagem arcaica de três ou quatro séculos atrás, mas a linguagem clara, expressiva e moderna, de modo que os leitores realmente cheguem a saber o que a Bíblia está dizendo.

      6. Ilustre o proveito de usar expressões correntes em vez de palavras obsoletas.

      6 Para dar uma idéia da extensão das mudanças lingüísticas entre os séculos 17 e 20, note as seguintes comparações entre a Tradução do Novo Mundo e outras versões. “Sofreu”, na Versão Rei Jaime (em inglês), torna-se “permitiu” na Tradução do Novo Mundo (Gên. 31:7); “na cana”, segundo a Almeida e Trinitariana, torna-se “em flor” (Êxo. 9:31); “salvação da minha face”, na Almeida, torna-se “salvação da minha pessoa” (Sal. 43:5); “desquitada”, da antiga Soares, torna-se “desmamada” (Isa. 11:8); “praça”, segundo a Figueiredo, torna-se “açougue” (1 Cor. 10:25), e assim por diante. À base disso, o valor da Tradução do Novo Mundo pode ser bem apreciado, ao usar palavras correntes em vez de palavras obsoletas.

      UNIFORMIDADE DE TRADUÇÃO

      7. Como é que a Tradução do Novo Mundo é coerente na versão de cada termo?

      7 A Tradução do Novo Mundo faz todo o empenho para ser coerente na tradução de cada termo. Para determinada palavra hebraica ou grega foi designada apenas uma palavra em português, e esta é usada tão uniformemente quanto o idioma ou o contexto permita, para dar o pleno entendimento em português. Por exemplo, a palavra hebraica né·fesh é coerentemente traduzida por “alma”. A palavra grega correspondente, psy·khé, é traduzida por “alma” em todas as ocorrências.

      8. (a) Dê exemplos de homógrafos. (b) Como foram tratados na tradução?

      8 Em alguns lugares, têm surgido problemas quanto à tradução de homógrafos. Estes são palavras que na língua original são grafadas da mesma forma, mas que têm significados diferentes. Por conseguinte, o desafio é dar à palavra o significado correto ao traduzi-la. Em português há homógrafos tais como amo (do verbo amar) e amo (senhor), bem como canto (ângulo) e canto (do verbo cantar), que são grafados de forma idêntica, mas são palavras claramente diferentes. Como exemplo bíblico há o vocábulo hebraico rav, que representa raízes totalmente diferentes, sendo, portanto, traduzido de formas diferentes na Tradução do Novo Mundo. Rav geralmente significa “muito”, como em Êxodo 5:5. Contudo, a palavra rav usada em títulos, como em “Rabsaqué” (hebr., Rav-sha·qéh) em 2 Reis 18:17, significa “principal”, sendo traduzida por “seu principal oficial da corte” em Daniel 1:3. (Veja também Jeremias 39:3, nota.) A palavra rav, de grafia idêntica, significa “arqueiro”, razão pela qual é traduzida assim em Jeremias 50:29. Lexicólogos, tais como L. Koehler e W. Baumgartner, foram aceitos como autoridades pelos tradutores quanto a distinguir estas palavras de grafia idêntica.

      9. Como é que certo comentarista de hebraico e grego avaliou a Tradução do Novo Mundo?

      9 Quanto a esta característica de uniformidade, note o que o comentarista de hebraico e grego, Alexander Thomson, disse em sua crítica sobre a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs: “A tradução é evidentemente obra de eruditos peritos e talentosos, que procuraram ressaltar o verdadeiro sentido do texto grego tanto quanto a língua inglesa seja capaz de expressar. A versão visa atribuir um só significado em inglês a cada uma das principais palavras gregas, e ser tão literal quanto possível. . . . A palavra usualmente traduzida por ‘justificar’ é geralmente traduzida mui corretamente como ‘declarar justo’. . . . A palavra para a Cruz é traduzida ‘estaca de tortura’, que é outra melhora. . . . Lucas 23:43 é bem traduzido, ‘Deveras, eu te digo hoje: Estarás comigo no Paraíso.’ Trata-se de grande melhora em comparação com a tradução feita pela maioria das versões.” Sobre a tradução das Escrituras Hebraicas, o mesmo crítico tece este comentário: “Vale a pena adquirir a Versão do Novo Mundo. É viva e espelha a realidade, e faz que o leitor pense e estude. Não é obra de Altos Críticos, mas de eruditos que honram a Deus e a Sua Palavra.” — The Differentiator, abril de 1952, páginas 52-7, e junho de 1954, página 136.

      10. Ilustre como a coerência da Tradução do Novo Mundo defende a verdade bíblica.

      10 A coerência da Tradução do Novo Mundo venceu muitas discussões bíblicas no campo técnico. Por exemplo, anos atrás, uma sociedade de livres-pensadores em Nova Iorque pediu à Sociedade Torre de Vigia (EUA) que enviasse dois oradores para falarem ao grupo sobre assuntos bíblicos, pedido que foi concedido. Estes intelectuais apegavam-se a uma máxima latina, falsum in uno falsum in toto, significando que um argumento que se provar falso em um ponto é totalmente falso. Durante a palestra, certo homem desafiou as Testemunhas de Jeová quanto à veracidade da Bíblia. Ele pediu que Gênesis 1:3 fosse lido à assistência, e isto foi feito na Tradução do Novo Mundo: “E Deus passou a dizer: ‘Venha a haver luz.’ Então veio a haver luz.” Confiantemente, pediu a seguir que se lesse Gênesis 1:14, e este também foi lido na Tradução do Novo Mundo: “E Deus prosseguiu, dizendo: ‘Venha a haver luzeiros na expansão dos céus.’” “Pare”, disse, “o que está lendo? Minha Bíblia diz que Deus fez a luz no primeiro dia, e de novo no quarto dia, e isto é incoerente”. Embora asseverasse saber hebraico, foi preciso mostrar-lhe que a palavra hebraica traduzida por “luz” no versículo 3 é ʼohr, ao passo que a palavra no versículo 14 é diferente, sendo ma·ʼóhr, que significa luzeiro, ou fonte de luz. O intelectual sentou-se, derrotado.c A fiel coerência da Tradução do Novo Mundo venceu o ponto, defendendo a Bíblia como verídica e proveitosa.

      CUIDADOSA TRADUÇÃO DOS VERBOS

      11. Que característica dinâmica das Escrituras originais é preservada na Tradução do Novo Mundo? Como?

      11 A Tradução do Novo Mundo dá atenção especial a transmitir o sentido da ação dos verbos gregos e hebraicos. Ao fazer isso, a Tradução do Novo Mundo esforça-se em preservar a especial graça, simplicidade, força e estilo dos escritos na língua original. Assim, foi necessário usar verbos auxiliares em português para transmitir cuidadosamente o estado real das ações. É em virtude da força dos seus verbos que as Escrituras originais são tão dinâmicas e tão expressivas no que tange à ação.

      12. (a) Qual é uma das diferenças entre o hebraico e os idiomas ocidentais? (b) Explique os dois estados do verbo hebraico.

      12 O verbo hebraico não tem “tempos” no sentido que o termo é aplicado à maioria das línguas do Ocidente. Em português, os verbos são encarados particularmente do ponto de vista do tempo: passado, presente e futuro. O verbo hebraico, por outro lado, expressa basicamente a condição da ação, ou seja, a ação é vista quer como completa (estado perfeito), quer como incompleta (estado imperfeito). Estes estados do verbo hebraico podem ser usados para indicar ações no passado ou no futuro, o tempo sendo determinado pelo contexto. Por exemplo, o estado perfeito ou completo do verbo normalmente indica ações no passado, mas também é empregado para falar de um acontecimento futuro como se já tivesse ocorrido e fosse passado, indicando sua certeza futura ou a obrigação de que este ocorra.

      13. Por que é importante a devida consideração pelo estado do verbo hebraico para obter o entendimento correto de Gênesis 2:2, 3?

      13 É muito importante transmitir com exatidão o estado do verbo hebraico para o português; do contrário, o significado pode ser deturpado, transmitindo uma idéia totalmente diferente. Como exemplo disso, considere as expressões verbais em Gênesis 2:2, 3. Em muitas traduções, falando a respeito do descanso de Deus no sétimo dia, usam-se expressões tais como “descansou”, “cessou”, “repousou”, “tinha cessado”, “repousara” e “cessara”. Com base nestas traduções, poder-se-ia concluir que o descanso de Deus no sétimo dia terminou no passado. Mas note como a Tradução do Novo Mundo salienta o sentido dos verbos usados no trecho de Gênesis 2:2, 3: “E ao sétimo dia Deus havia acabado sua obra que fizera e passou a repousar no sétimo dia de toda a sua obra que fizera. E Deus passou a abençoar o sétimo dia e a fazê-lo sagrado, porque nele tem repousado de toda a sua obra que Deus criara com o objetivo de a fazer.” A expressão “passou a repousar”, no versículo 2, é um verbo no estado imperfeito no hebraico e assim expressa a idéia de uma ação incompleta ou continuada. A tradução “passou a repousar” está em harmonia com o que é dito em Hebreus 4:4-7. Por outro lado, o verbo em Gênesis 2:3 está no estado perfeito, mas, a fim de harmonizá-lo com o versículo 2 e com Hebreus 4:4-7, é traduzido “tem repousado”.

      14. Evitando o conceito errôneo do waw consecutivo, o que a Tradução do Novo Mundo esforça-se a fazer quanto aos verbos hebraicos?

      14 Uma das razões das inexatidões na tradução das formas verbais hebraicas é a teoria gramatical chamada atualmente de waw consecutivo. Waw (ו) é a conjunção hebraica que basicamente significa “e”. Jamais se apresenta sozinha, mas está sempre ligada a outra palavra, com freqüência um verbo hebraico, a fim de formar uma só palavra com este. Afirmava-se, e ainda se afirma, que esta relação tem força para converter o verbo de um estado para outro, ou seja, do imperfeito para o perfeito (como tem sido feito em muitas traduções, incluindo modernas, em Gênesis 2:2, 3) ou do perfeito para o imperfeito. Este efeito tem sido descrito também pelo termo “waw conversivo”. Tal aplicação incorreta da forma verbal tem levado a muita confusão e à tradução errônea do texto hebraico. A Tradução do Novo Mundo não reconhece que a letra waw tenha força para modificar o estado do verbo. Antes, procura salientar a força devida e distintiva do verbo hebraico, preservando assim o significado do original com exatidão.d

      15. (a) Com que cuidado foram traduzidos os verbos gregos? (b) Ilustre o benefício de se apresentar corretamente a idéia de continuidade.

      15 Cuidado similar foi tomado na tradução dos verbos gregos. Em grego, os tempos do verbo não expressam apenas o tempo da ação ou o estado, mas também o tipo da ação, se é momentânea, está começando, está continuando, é repetitória, ou se já terminou. Atenção a tais sentidos nas formas verbais gregas conduz à tradução precisa, com a plena força da ação descrita. Por exemplo, dar o sentido de continuidade da idéia onde esta ocorre no verbo grego não apenas salienta a verdadeira natureza da situação, mas também torna mais poderosa a admoestação e o conselho. Por exemplo, a contínua descrença dos fariseus e dos saduceus é demonstrada pelas palavras de Jesus: “Uma geração iníqua e adúltera persiste em buscar um sinal.” E a necessidade de ação contínua nas coisas certas é bem expressa pelas palavras de Jesus: “Continuai a amar os vossos inimigos.” “Persisti, pois, em buscar primeiro o reino.” “Persisti em pedir, e dar-se-vos-á; persisti em buscar, e achareis; persisti em bater, e abrir-se-vos-á.” — Mat. 16:4; 5:44; 6:33; 7:7.

      16. Levando em conta o tempo aoristo grego, como é expresso corretamente o comentário de João sobre o “pecado” em 1 João 2:1?

      16 O grego tem um tempo peculiar chamado de aoristo, que relaciona-se com ação transitória ou momentânea. Os verbos no aoristo podem ser vertidos de diversas formas, segundo o contexto. Uma forma em que é usado é para denotar um só ato de determinado tipo, embora não relacionado com nenhum tempo específico. Um exemplo disso é encontrado em 1 João 2:1, onde muitas versões traduzem o verbo “pecar” de modo a dar margem a um proceder contínuo de pecado, ao passo que a Tradução do Novo Mundo reza “cometer um pecado”, ou seja, um único ato de pecado. Isto transmite a idéia correta de que, se um cristão cometer um ato de pecado, tem Jesus Cristo qual advogado ou ajudador junto ao Pai celestial. Assim, 1 João 2:1 de forma alguma contradiz, mas apenas se contrasta com, a condenação da ‘prática do pecado’ mencionada em 1 João 3:6-8 e 5:18.e

      17. Além de indicar ação continuada, o que mais pode expressar o tempo imperfeito grego? Ilustre.

      17 O tempo imperfeito do grego pode expressar não apenas uma ação contínua, mas também a tentativa de uma ação que não foi realizada. Note como reza Hebreus 11:17 na versão Almeida: “Pela fé ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado, sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito.” Em grego, o verbo “ofereceu” difere em forma nessas duas ocorrências. A primeira está no tempo perfeito (completo), ao passo que a segunda está na forma imperfeita (passado contínuo). A Tradução do Novo Mundo, levando em conta os tempos diferentes, traduz o versículo “Abraão, quando provado, a bem dizer ofereceu Isaque, e o homem . . . tentou oferecer seu unigênito.” O sentido de ação terminada expresso pelo primeiro verbo é assim mantido, ao passo que o tempo imperfeito do segundo verbo indica que a ação foi intencionada ou tentada, mas não levada a cabo. — Gên. 22:9-14.

      18. O que tem resultado da cuidadosa atenção à função de outras categorias gramaticais? Cite um exemplo.

      18 A atenção cuidadosa à função de outras categorias gramaticais, como os casos dos substantivos, tem levado ao esclarecimento de aparentes contradições. Por exemplo, em Atos 9:7, ao narrar a notável experiência de Saulo na estrada para Damasco, várias traduções dizem que seus companheiros de viagem ‘ouviram a voz’, mas não viram ninguém. Daí, em Atos 22:9, onde Paulo relata este incidente, as mesmas traduções rezam que, embora vissem a luz, ‘não ouviram a voz’. Entretanto, na primeira referência, a palavra grega para “voz” está no genitivo, mas na segunda ocorrência, está no caso acusativo, como se acha em Atos 9:4. Por que a diferença? Nenhuma é transmitida nas traduções acima em português, todavia o grego, pela mudança de caso, indica certa diferença. Os homens ouviram literalmente “da voz”, mas não a ouviram do mesmo modo que Paulo, isto é, ouvir e entender as palavras. Assim, a Tradução do Novo Mundo, atenta ao uso do genitivo em Atos 9:7, reza que os homens com ele estavam “ouvindo, deveras, o som duma voz, mas não observando nenhum homem”.

      A TRADUÇÃO DO NOVO MUNDO EM OUTRAS LÍNGUAS

      19. (a) Como se tornou possível que muitos mais dentre a população da terra usufruíssem os benefícios da Tradução do Novo Mundo? (b) Qual o total de exemplares da Tradução do Novo Mundo impressos pela Sociedade Torre de Vigia até 1989?

      19 Em 1961, foi anunciado que a Sociedade Torre de Vigia dos EUA passava a verter a Tradução do Novo Mundo em outros seis dos idiomas mais falados, a saber, alemão, espanhol, francês, holandês, italiano e português. Esta obra de tradução foi confiada a tradutores peritos e dedicados, todos trabalhando juntos na sede da Sociedade Torre de Vigia em Brooklyn, Nova Iorque. Serviram como uma grande comissão internacional trabalhando sob direção competente. Foi em julho de 1963, na Assembléia “Boas Novas Eternas” das Testemunhas de Jeová, em Milwaukee, Wisconsin, EUA, que os primeiros frutos desta obra de tradução tornaram-se disponíveis, quando a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs foi lançada simultaneamente nos seis idiomas mencionados. Assim, os habitantes da terra que falavam idiomas diferentes do inglês podiam começar a usufruir os benefícios desta moderna tradução. Desde então, a obra de tradução tem continuado, de modo que, por volta de 1989, a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas já fora publicada em 11 idiomas, com mais de 56.000.000 de exemplares impressos.f

      GRATIDÃO PELO PODEROSO INSTRUMENTO

      20, 21. De que formas notáveis esta tradução das Escrituras inspiradas traz proveito ao cristão?

      20 A Tradução do Novo Mundo é deveras um poderoso instrumento para demonstrar que “toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa”. Com base nos pontos considerados neste estudo, podemos avaliar que ela é precisa e fidedigna e que pode proporcionar genuíno deleite àqueles que desejam ouvir a Deus falar animadoramente ao homem, em linguagem moderna e vívida. A linguagem da Tradução do Novo Mundo é espiritualmente estimulante e coloca prontamente o leitor em sintonia com a expressão dinâmica das Escrituras inspiradas originais. Não mais precisamos ler e reler versículos a fim de entender frases obscuras. Fala com força e clareza desde a primeira leitura.

      21 A Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas é uma tradução fiel da Palavra de Deus, “a espada do espírito”. Como tal, é deveras uma arma eficaz na guerra espiritual do cristão, uma ajuda ‘para demolir falsos raciocínios fortemente entrincheirados e raciocínios levantados contra o conhecimento de Deus’. Quão bem nos habilita a declarar, com melhor entendimento, as coisas proveitosas e edificantes, as gloriosas coisas relacionadas com o Reino de justiça de Deus — sim, “as coisas magníficas de Deus”! — Efé. 6:17; 2 Cor. 10:4, 5; Atos 2:11.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Introduction to the Old Testament, Robert H. Pfeiffer, 1952, página 94.

      b Kingdom Interlinear Translation, edição de 1985, páginas 1133-8.

      c Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, página 584.

      d Bíblia com Referências, apêndice 3C, “Verbos Hebraicos Indicativos de Ação Contínua ou Progressiva”.

      e Estudo Perspicaz das Escrituras, “Grego”.

      f Edições completas publicadas em alemão, dinamarquês, espanhol, francês, holandês, inglês, italiano, japonês e português (também parcialmente em finlandês e sueco).

  • Estudo número 9 — A arqueologia e o registro inspirado
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Estudos das Escrituras Inspiradas e de Seu Fundo Histórico

      Estudo número 9 — A arqueologia e o registro inspirado

      Estudo das descobertas arqueológicas e dos documentos antigos da história secular que corroboram o registro bíblico.

      1. Qual o significado de (a) arqueologia bíblica? (b) artefatos?

      ARQUEOLOGIA bíblica é o estudo dos povos e dos eventos dos tempos bíblicos, por meio de escritos, utensílios, construções e outros vestígios encontrados na terra. A busca de vestígios antigos, ou artefatos, nos antigos locais da Bíblia envolve muita pesquisa e a remoção de milhões de toneladas de terra. Artefato é qualquer objeto que revele ser produto de mãos humanas e que dê evidência da atividade e da vida do homem. Artefatos podem incluir itens tais como cerâmica, ruínas de construções, tabuinhas de argila, inscrições, documentos, monumentos, e crônicas registradas em pedra.

      2. De que valor é a arqueologia bíblica?

      2 No princípio do século 20, a arqueologia já se tornara um campo de estudo meticuloso, e os principais museus e universidades na Europa e nos Estados Unidos patrocinavam expedições às terras bíblicas. Em conseqüência disso, os arqueólogos descobriram uma abundância de informações que lançam luz no modo como as coisas eram nos tempos bíblicos. Às vezes, as descobertas arqueológicas demonstraram a autenticidade da Bíblia, revelando a sua exatidão mesmo nos mínimos detalhes.

      A ARQUEOLOGIA E AS ESCRITURAS HEBRAICAS

      3. Que antigas ruínas e registros confirmam a existência de zigurates na antiga Babilônia?

      3 A Torre de Babel. Segundo a Bíblia, a Torre de Babel foi uma enorme construção. (Gên. 11:1-9) Curiosamente, arqueólogos descobriram nas ruínas da antiga Babilônia e cercanias os sítios de vários zigurates, ou torres-templos com degraus, em forma de pirâmide, incluindo as ruínas do templo de Etemenanki, localizado dentro dos confins das muralhas de Babilônia. Registros antigos relacionados com tais templos freqüentemente contêm as palavras: “Seu topo atingirá os céus.” Relata-se que o Rei Nabucodonosor disse: “Ergui o topo da Torre escalonada em Etemenanki, de modo que seu topo se rivalizasse com os céus.” Certo fragmento narra a queda de um de tais zigurates nas seguintes palavras: “A construção deste templo ofendeu os deuses. Numa noite, derrubaram o que havia sido construído. Espalharam-nos por toda parte, e tornaram estranha a sua linguagem. Impediram seu progresso.”a

      4. Que descobertas arqueológicas foram feitas em Giom, e que ligação talvez tenham com o registro da Bíblia?

      4 Os Aquedutos na Fonte de Giom. Em 1867, na área de Jerusalém, Charles Warren descobriu um aqueduto que se iniciava na fonte de Giom, penetrava na colina e que possuía um poço que dava para a Cidade de Davi. Este, pelo que parece, foi o caminho usado pelos homens de Davi para penetrarem na cidade. (2 Sam. 5:6-10) Foi em 1909-11 que o inteiro sistema de túneis que se iniciavam na fonte de Giom foi desobstruído. Um túnel enorme, medindo em média 1,8 metro de altura, foi talhado por 533 metros através de rocha sólida. Ligava Giom ao reservatório de Siloé, no vale de Tiropeom (dentro da cidade), aparentemente sendo o construído por Ezequias. Uma inscrição em hebraico antigo foi encontrada na parede do estreito túnel. Reza, em parte: “E esta é a maneira em que foi perfurado: — Enquanto [. . .] ainda (havia) [. . .] machado(s), cada homem em direção ao seu companheiro, e quando ainda faltavam três côvados para serem perfurados, [ouviu-se] a voz dum homem chamando seu companheiro, pois havia uma sobreposição na rocha à direita [e à esquerda]. E quando o túnel foi aberto, os cavouqueiros cortaram (a rocha), cada homem em direção ao seu companheiro, machado contra machado; e a água fluiu da fonte em direção ao reservatório por 1.200 côvados, e a altura da rocha acima da(s) cabeça(s) dos cavouqueiros era de 100 côvados.” Que notável feito de engenharia para aquela época!b — 2 Reis 20:20; 2 Crô. 32:30.

      5. Que evidência arqueológica encontrada em Carnac há da invasão de Sisaque e dos nomes de lugares bíblicos?

      5 O Relevo da Vitória de Sisaque. Sisaque, rei do Egito, é mencionado sete vezes na Bíblia. Visto que o Rei Roboão abandonou a lei de Jeová, Jeová permitiu que Sisaque invadisse Judá, em 993 AEC, embora não para causar ruína completa. (1 Reis 14:25-28; 2 Crô. 12:1-12) Até há alguns anos, parecia que apenas a Bíblia registrava esta invasão. Daí, veio à luz um grande documento do Faraó que a Bíblia chama de Sisaque (Xexonque I). Este estava na forma de um imponente relevo em hieróglifos e figuras na parede sul de um enorme templo egípcio, em Carnac (antiga Tebas). Neste gigantesco relevo, há a representação do deus egípcio Amom segurando na mão direita uma espada em forma de foice. Ele traz ao Faraó Sisaque 156 prisioneiros palestinos agrilhoados, presos a ele por cordas amarradas a sua mão esquerda. Cada prisioneiro representa uma cidade ou aldeia, o nome de cada uma aparecendo em hieróglifos. Entre aquelas que ainda podem ser lidas e identificadas estão Rabite (Jos. 19:20); Taanaque, Bete-Seã e Megido (Jos. 17:11); Suném (Jos. 19:18); Reobe (Jos. 19:28); Hafaraim (Jos. 19:19); Gibeão (Jos. 18:25); Bete-Horom (Jos. 21:22); Aijalom (Jos. 21:24); Socó (Jos. 15:35) e Arade (Jos. 12:14). O documento também faz referência ao “campo de Abraão”, sendo esta a mais antiga menção de Abraão nos registros egípcios.c

      6, 7. Qual é a história da Pedra Moabita, e que informações fornece esta sobre a guerra entre Israel e Moabe?

      6 A Pedra Moabita. Em 1868, o missionário alemão F. A. Klein fez notável descoberta de antiga inscrição, em Dhiban (Díbon). Esta tornou-se conhecida como Pedra Moabita. Foi feito um molde da escrita, mas a própria pedra foi quebrada pelos beduínos, antes que pudesse ser transferida. Entretanto, a maioria dos pedaços foram recuperados, e a pedra acha-se atualmente preservada no Louvre, em Paris, havendo uma cópia no Museu Britânico, em Londres. Foi erigida originalmente em Díbon, em Moabe, e fornece a versão do Rei Mesa para sua revolta contra Israel. (2 Reis 1:1; 3:4, 5) Reza, em parte: “Eu (sou) Mesa, filho de Quemós [. . .], rei de Moabe, o dibonita . . . Quanto a Onri, rei de Israel, ele humilhou a Moabe por muitos anos (lit., dias), porque Quemós [o deus de Moabe] estava irado com a sua terra. E seu filho o sucedeu, e ele também disse: ‘Humilharei Moabe.’ No meu tempo ele falou (assim), mas eu triunfei sobre ele e sobre a sua casa, sendo que Israel pereceu para sempre! . . . E Quemós disse-me: ‘Vai, toma Nebo de Israel!’ De modo que fui de noite e lutei contra ele desde a alvorada até o meio-dia, tomando-o e matando a todos . . . E tomei dali os [vasos] de Yahweh, arrastando-os perante Quemós.”d Observe a menção do nome divino na última sentença. Este pode ser visto na ilustração acompanhante da Pedra Moabita. Está na forma do Tetragrama, no lado direito do documento, na linha 18.

      7 A Pedra Moabita também menciona os seguintes locais bíblicos: Atarote e Nebo (Núm. 32:34, 38); o Árnon, Aroer, Medeba e Díbon (Jos. 13:9); Bamote-Baal, Bete-Baal-Meom, Jaaz e Quiriataim (Jos. 13:17-19); Bezer (Jos. 20:8), Horonaim (Isa. 15:5), bem como Bete-Diblataim e Queriote (Jer. 48:22, 24). Ela apóia assim a historicidade desses locais.

      8. O que registra a Bíblia sobre Senaqueribe, e o que revelaram as escavações de seu palácio?

      8 Prisma do Rei Senaqueribe. A Bíblia registra com muitos pormenores a invasão dos assírios sob o comando do Rei Senaqueribe no ano 732 AEC. (2 Reis 18:13–19:37; 2 Crô. 32:1-22; Isa. 36:1–37:38) Foi durante 1847-51 que o arqueólogo inglês A. H. Layard escavou as ruínas do grande palácio de Senaqueribe, em Nínive, no território da antiga Assíria. Descobriu-se que o palácio tinha cerca de 70 aposentos, com aproximadamente 3.000 metros de paredes revestidas de lajes esculpidas. Os relatórios anuais dos eventos, ou anais, de Senaqueribe eram registrados em cilindros de argila, ou prismas. A edição final desses anais, aparentemente feita pouco antes de sua morte, aparece no que é conhecido como Prisma de Taylor, preservado no Museu Britânico, mas o Instituto Oriental da Universidade de Chicago possui um exemplar ainda melhor num prisma descoberto perto do sítio da antiga Nínive, capital do Império Assírio.

      9. O que registra Senaqueribe, em harmonia com a narrativa da Bíblia, mas o que deixa ele de mencionar, e por quê?

      9 Nesses últimos anais, Senaqueribe fornece sua própria versão jactanciosa de sua invasão de Judá: “Quanto a Ezequias, o judeu, ele não se submeteu ao meu jugo, eu sitiei 46 de suas cidades fortes, fortificações muradas e inúmeras aldeias pequenas na sua vizinhança, e conquistei(-as) por meio de bem batidas rampas (de terra) e aríetes trazidos (assim) para perto (das muralhas) (junto com) o ataque dos soldados de infantaria, (empregando) minas, brechas, bem como o trabalho de sapadores. Eu desalojei (delas) 200.150 pessoas, jovens e idosos, homens e mulheres, cavalos, mulos, jumentos, camelos, gado grande e miúdo sem conta, e considerei(-os como) presa. A ele mesmo [Ezequias] fiz prisioneiro em Jerusalém, sua residência real, como a um pássaro numa gaiola. . . . As suas cidades, que eu saqueei, levei de seu país e dei-as a Mitinti, rei de Asdode, a Padi, rei de Ecrom, e a Sillibel, rei de Gaza. . . . O próprio Ezequias . . . enviou-me mais tarde, a Nínive, minha cidade senhorial, junto com 30 talentos de ouro, 800 talentos de prata, pedras preciosas, antimônio, grandes blocos de pedra vermelha, leitos (incrustados) de marfim, cadeiras-nimedu (incrustadas) de marfim, couros de elefante, ébano, buxos (e) todas as espécies de tesouros valiosos, suas (próprias) filhas, concubinas, músicos e músicas. A fim de entregar o tributo e prestar homenagem como escravo, ele enviou seu mensageiro (pessoal).”e Quanto ao tributo imposto por Senaqueribe sobre Ezequias, a Bíblia confirma os 30 talentos de ouro, mas menciona apenas 300 talentos de prata. Ademais, ela indica que isto ocorreu antes que Senaqueribe ameaçasse Jerusalém com sítio. No deturpado relato da história assíria feito por Senaqueribe, ele deliberadamente omite sua esmagadora derrota em Judá, quando, em uma só noite, o anjo de Jeová destruiu 185.000 de seus soldados, forçando-o assim a fugir de volta para Nínive como um cão chicoteado. Entretanto, este jactancioso registro escrito no prisma de Senaqueribe indica uma imensa invasão de Judá antes que Jeová fizesse os assírios recuar, após ameaçarem Jerusalém. — 2 Reis 18:14; 19:35, 36.

      10, 11. (a) O que são as Cartas de Laquis, e o que elas retratam? (b) Como apóiam os escritos de Jeremias?

      10 As Cartas de Laquis. A famosa cidade-fortaleza de Laquis é mencionada mais de 20 vezes na Bíblia. Localizava-se a 44 quilômetros ao oeste-sudoeste de Jerusalém. As ruínas foram amplamente escavadas. Em 1935, na sala da guarda da casa do portão duplo, foram encontrados 18 óstracos, ou cacos de cerâmica com inscrições (outros 3 foram achados em 1938). Estes revelaram ser um grupo de cartas escritas em caracteres do hebraico antigo. Esta coleção de 21 óstracos é atualmente conhecida como Cartas de Laquis. Laquis foi uma das últimas fortalezas de Judá a resistir a Nabucodonosor, sendo reduzida a um monte de escombros queimados durante o período de 609-607 AEC. As cartas retratam a urgência dos tempos. Parecem ter sido enviadas dos postos avançados restantes das tropas judaicas a Yaosh, comandante militar em Laquis. Uma delas (número IV) reza, em parte: “Que YHWH [Tetragrama, “Jeová”] faça que meu senhor ouça hoje mesmo boas novas. . . . estamos vigiando os sinais de fogo de Laquis, segundo todos os sinais que meu senhor der, porque não vemos Azeca.” Esta é uma impressionante comprovação de Jeremias 34:7, que menciona Laquis e Azeca como as duas últimas cidades fortificadas restantes. Esta carta pelo que parece indica que Azeca caíra. O nome divino, na forma do Tetragrama, aparece com freqüência nas cartas, mostrando que o nome Jeová era de uso cotidiano entre os judeus naquela época.

      11 Outra carta (número III) inicia da seguinte maneira: “Que YHWH [isto é, Jeová] faça que meu senhor ouça notícias de paz! . . . E foi relatado ao teu servo, dizendo: ‘O comandante do exército, Conias, filho de Elnatã, desceu a fim de ir ao Egito e a Hodavias, filho de Aijá, e mandou seus homens obter dele [suprimentos].’” Esta carta parece confirmar que Judá desceu ao Egito para pedir ajuda, violando o mandamento de Jeová, o que resultou em sua própria destruição. (Isa. 31:1; Jer. 46:25, 26) Os nomes Elnatã e Osaías, que aparecem no texto completo desta carta, também são encontrados em Jeremias 36:12 e Jeremias 42:1. Três outros nomes mencionados nas cartas também são encontrados no livro bíblico de Jeremias. São: Gemarias, Nerias e Jaazanias. — Jer. 32:12; 35:3; 36:10.f

      12, 13. O que descreve a Crônica de Nabonido, e por que é de especial valor?

      12 A Crônica de Nabonido. Na última metade do século 19, escavações próximo a Bagdá resultaram na descoberta de muitas tabuinhas e cilindros de argila que lançaram ampla luz na história da antiga Babilônia. Uma delas foi o valiosíssimo documento conhecido como Crônica de Nabonido, que agora está no Museu Britânico. O Rei Nabonido, de Babilônia, era o pai de seu co-regente, Belsazar. Sobreviveu ao filho, que foi morto na noite em que as tropas de Ciro, o persa, tomaram Babilônia em 5 de outubro de 539 AEC. (Dan. 5:30, 31) A Crônica de Nabonido, um notavelmente bem-datado registro da queda de Babilônia, ajuda a estabelecer em que dia ocorreu este evento. A seguinte citação é a tradução de pequeno trecho da Crônica de Nabonido: “No mês de tasritu [tisri (setembro-outubro)], quando Ciro atacou o exército de Acade, em Ópis, à margem do Tigre . . . no dia 14, Sipar foi tomada sem batalha. Nabonido fugiu. No dia 16 [11 de outubro de 539 AEC, juliano, ou 5 de outubro, gregoriano], Gobrias (Ugbaru), o governador de Gutium e o exército de Ciro entraram em Babilônia sem batalha. Mais tarde, Nabonido foi capturado em Babilônia quando retornava para (lá). . . . No mês de arahshamnu [marchesvã (outubro-novembro)], no dia 3 [28 de outubro, juliano], Ciro entrou em Babilônia, raminhos verdes foram espalhados diante dele — o estado de ‘Paz’ (sulmu) foi imposto à cidade. Ciro enviou saudações a toda Babilônia. Gobrias, seu governador, instalou (sub-)governadores em Babilônia.”g

      13 Pode-se notar que Dario, o medo, não é mencionado nesta crônica, e até hoje nenhuma menção deste Dario foi encontrada em inscrições não-bíblicas, nem é ele mencionado em qualquer documento secular histórico anterior a Josefo (historiador judeu do primeiro século EC). Alguns, portanto, sugerem que ele deve ser o Gobrias mencionado na narrativa acima. Embora as informações disponíveis relacionadas com Gobrias pareçam ser paralelas às de Dario, tal identificação não pode ser considerada conclusiva.h De qualquer modo, a história secular definitivamente estabelece que Ciro foi importante personagem na conquista de Babilônia e que depois disso reinou ali.

      14. O que está registrado no Cilindro de Ciro?

      14 O Cilindro de Ciro. Algum tempo após começar a reinar sobre a Potência Mundial Persa, a captura de Babilônia por parte de Ciro em 539 AEC foi registrada num cilindro de argila. Este notável documento também está preservado no Museu Britânico. Segue-se uma parte do texto traduzido: “Eu sou Ciro, rei do mundo, grande rei, rei legítimo, rei de Babilônia, rei da Suméria e de Acade, rei das quatro extremidades (da terra), . . . devolvi a [certas cidades anteriormente mencionadas] cidades sagradas, do outro lado do Tigre, cujos santuários ficaram arruinados por longo tempo, as imagens que (costumavam) viver neles, e estabeleci para elas santuários permanentes. Eu (também) reuni todos os seus (anteriores) habitantes e devolvi(-lhes) suas habitações.”i

      15. O que revela o Cilindro de Ciro a respeito de Ciro, e como isso se harmoniza com a Bíblia?

      15 O Cilindro de Ciro revela assim a política do rei de restaurar os povos cativos nos seus lugares anteriores. Em harmonia com isto, Ciro emitiu seu decreto para que os judeus retornassem a Jerusalém e reconstruíssem a casa de Jeová ali. Curiosamente, com 200 anos de antecedência, Jeová mencionara profeticamente Ciro como aquele que tomaria Babilônia e que efetuaria a restauração do povo de Jeová. — Isa. 44:28; 45:1; 2 Crô. 36:23.

      A ARQUEOLOGIA E AS ESCRITURAS GREGAS CRISTÃS

      16. O que a arqueologia trouxe à luz em conexão com as Escrituras Gregas?

      16 Assim como se dá com as Escrituras Hebraicas, a arqueologia trouxe à luz muitos artefatos interessantes que apóiam o registro inspirado contido nas Escrituras Gregas Cristãs.

      17. Como é que a arqueologia apóia a argumentação de Jesus sobre a questão do imposto?

      17 Denário com a Inscrição de Tibério. A Bíblia mostra claramente que o ministério de Jesus ocorreu durante o reinado de Tibério César. Alguns opositores de Jesus tentaram enlaçá-lo perguntando sobre a questão de pagar o imposto por cabeça a César. O registro reza: “Percebendo a hipocrisia deles, disse-lhes: ‘Por que me pondes à prova? Trazei-me um denário para ver.’ Trouxeram-lhe um. E ele lhes disse: ‘De quem é esta imagem e inscrição?’ Disseram-lhe: ‘De César.’ Jesus disse então: ‘Pagai de volta a César as coisas de César, mas a Deus as coisas de Deus.’ E começaram a maravilhar-se dele.” (Mar. 12:15-17) Os arqueólogos acharam um denário de prata com a efígie de Tibério César! Foi posto em circulação por volta de 15 EC. Isto harmoniza-se com o período do reinado de Tibério como imperador, que começou em 14 EC, e acrescenta apoio à declaração de que João, o Batizador, iniciou seu ministério no 15.º ano de Tibério, ou na primavera (setentrional) de 29 EC. — Luc. 3:1, 2.

      18. Que descoberta foi feita relacionada com Pôncio Pilatos?

      18 Inscrição de Pôncio Pilatos. Foi em 1961 que se fez o primeiro achado arqueológico relacionado com Pôncio Pilatos. Tratava-se de uma laje de pedra localizada em Cesaréia, que trazia o nome Pôncio Pilatos em latim.

      19. O que ainda existe em Atenas que confirma o cenário de Atos 17:16-34?

      19 O Areópago. Paulo proferiu em Atenas, na Grécia, em 50 EC, um dos seus mais famosos discursos registrados. (Atos 17:16-34) Isto ocorreu quando certos atenienses agarraram Paulo e o conduziram ao Areópago. O Areópago, ou Colina de Ares (Colina de Marte), é o nome de uma colina rochosa e escalvada, com cerca de 113 metros de altura, logo ao noroeste da Acrópole de Atenas. Degraus cortados na rocha conduzem ao cume, onde ainda podem ser vistos bancos toscos, talhados na rocha, formando três lados de um quadrado. O Areópago ainda existe, confirmando o cenário registrado na Bíblia para o discurso histórico de Paulo.

      20. O que continua a atestar o Arco de Tito, e como?

      20 O Arco de Tito. Jerusalém e seu templo foram destruídos pelos romanos liderados por Tito, em 70 EC. No ano seguinte, em Roma, Tito comemorou seu triunfo junto com seu pai, o imperador Vespasiano. Setecentos prisioneiros judeus selecionados foram obrigados a marchar na procissão triunfal. Carregamentos dos despojos da guerra também foram conduzidos no desfile, inclusive tesouros do templo. O próprio Tito tornou-se imperador, atuando como tal de 79 a 81 EC, e após a sua morte, um enorme monumento, o Arco de Tito, foi terminado e dedicado ao divo Tito (ao deificado Tito). Sua triunfante procissão está representada em baixo-relevo, talhado em ambos os lados da passagem pelo arco. Num dos lados, estão retratados soldados romanos segurando lanças sem ponta, coroados de louros, carregando a mobília sagrada do templo de Jerusalém. Esta inclui o candelabro de sete hastes e a mesa dos pães da proposição, na qual podem-se ver as trombetas sagradas. O relevo, no outro lado da passagem, exibe o vitorioso Tito de pé numa carruagem puxada por quatro cavalos e conduzida por uma mulher que representa a cidade de Roma.j Todo ano milhares de turistas contemplam este triunfal Arco de Tito, que ainda está de pé em Roma como testemunha silenciosa do cumprimento da profecia de Jesus e da terrível execução do julgamento de Jeová sobre a rebelde Jerusalém. — Mat. 23:37–24:2; Luc. 19:43, 44; 21:20-24.

      21. (a) Como tem a arqueologia trabalhado lado a lado com a descoberta de manuscritos? (b) Qual a atitude correta a ter quanto à arqueologia?

      21 Da mesma forma que a descoberta de antigos manuscritos ajudou a restaurar o texto puro e original da Bíblia, a descoberta de numerosos artefatos tem, com freqüência, demonstrado que as informações declaradas no texto bíblico são histórica, cronológica e geograficamente verídicas, mesmo nos mínimos detalhes. No entanto, seria um erro concluir que a arqueologia concorda com a Bíblia em todos os casos. Deve-se lembrar que a arqueologia não é um campo de estudo infalível. As descobertas arqueológicas estão sujeitas a interpretações humanas, e algumas de tais interpretações mudam de tempos a tempos. A arqueologia tem, às vezes, fornecido apoio dispensável para a fidedignidade da Palavra de Deus. Ademais, conforme declarado pelo falecido Sir Frederic Kenyon, diretor e bibliotecário-chefe do Museu Britânico por muitos anos, a arqueologia tem tornado a Bíblia “mais inteligível mediante um conhecimento mais pleno do seu fundo histórico e de seu ambiente”.k Mas a fé deve respaldar-se na Bíblia, não na arqueologia. — Rom. 10:9; Heb. 11:6.

      22. Que evidência será considerada no próximo estudo?

      22 A Bíblia contém dentro de si mesma uma incontestável evidência de que é deveras a autêntica “palavra do Deus vivente e permanecente”, conforme veremos no próximo estudo. — 1 Ped. 1:23.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Bible and Spade, 1938, de S. L. Caiger, página 29.

      b Ancient Near Eastern Texts, 1974, J. B. Pritchard, página 321; Estudo Perspicaz das Escrituras, “Ezequias”, “Giom”.

      c Light From the Ancient Past, 1959, J. Finegan, páginas 91, 126.

      d Ancient Near Eastern Texts, página 320.

      e Ancient Near Eastern Texts, página 288.

      f Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, página 200; Light From the Ancient Past, páginas 192-5.

      g Ancient Near Eastern Texts, página 306.

      h Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, páginas 660-2.

      i Ancient Near Eastern Texts, página 316.

      j Light From the Ancient Past, página 329.

      k The Bible and Archaeology, 1940, página 279.

      [Fotos na página 333]

      A Pedra Moabita

      Ampliação do Tetragrama, que aparece em caracteres antigos, na linha 18, à direita

      [Foto na página 334]

      Prisma do Rei Senaqueribe

      [Foto na página 335]

      A Crônica de Nabonido

      [Foto na página 336]

      Denário com a efígie de Tibério

      [Foto na página 337]

      O Arco de Tito

      [Créditos das fotos na página 337]

      Créditos das ilustrações do Estudo 9:

      página 333: Museu do Louvre, Paris;

      página 334: cortesia do Instituto Oriental, Universidade de Chicago;

      página 335: foto tirada por cortesia do Museu Britânico;

      página 336: copyright do Museu Britânico;

      página 337: Soprintendenza Archeologica di Roma

  • Estudo número 10 — A Bíblia — autêntica e verídica
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Estudos das Escrituras Inspiradas e de Seu Fundo Histórico

      Estudo número 10 — A Bíblia — autêntica e verídica

      A história, a geografia e as origens humanas abrangidas pela Bíblia; sua exatidão no que tange à ciência, à cultura e aos costumes; a candura, a harmonia e a integridade de seus escritores; e suas profecias.

      1. (a) Como o que é a Bíblia geralmente aceita? (b) Qual a razão subjacente da preeminência da Bíblia?

      A BÍBLIA é geralmente aceita como grande obra-prima da literatura, de transcendente beleza poética, e como notável realização dos homens que a escreveram. Mas é muito mais do que isso. Os próprios escritores afirmaram que aquilo que eles escreveram se originou de Jeová, o próprio Deus Todo-poderoso. Esta é a razão subjacente da beleza de expressão da Bíblia e, ainda mais importante, de seu valor superior como livro de conhecimento e sabedoria vitalizadores. Jesus, o Filho de Deus, afirmou que as palavras que ele falou “são espírito e são vida”, e citou abundantemente das antigas Escrituras Hebraicas. “Toda a Escritura é inspirada por Deus”, disse o apóstolo Paulo, que se referiu às Escrituras Hebraicas como sendo as “proclamações sagradas de Deus”. — João 6:63; 2 Tim. 3:16; Rom. 3:1, 2.

      2, 3. Como testificaram os escritores da Bíblia a inspiração desta?

      2 O apóstolo Pedro atestou que os profetas de Deus foram movidos pelo espírito santo. O Rei Davi escreveu: “Foi o espírito de Jeová que falou por meu intermédio, e a sua palavra estava na minha língua.” (2 Sam. 23:2) Os profetas creditavam suas pronunciações a Jeová. Moisés advertiu contra acrescentar ou tirar algo das palavras sagradas que Jeová lhe deu. Pedro considerou os escritos de Paulo como inspirados, e Judas aparentemente citou uma declaração de Pedro como autoridade inspirada. Finalmente, João, o escritor de Revelação (Apocalipse), escreveu sob a orientação do espírito de Deus e avisou que quem quer que acrescentasse ou tirasse algo dessa revelação profética prestaria contas não a homens, mas diretamente a Deus. — 1 Ped. 1:10-12; 2 Ped. 1:19-21; Deut. 4:2; 2 Ped. 3:15, 16; Judas 17, 18; Rev. 1:1, 10; 21:5; 22:18, 19.

      3 Todos esses dedicados escravos de Deus atestaram que a Bíblia é inspirada e veraz. Há muitas outras provas da autenticidade das Escrituras Sagradas, algumas das quais consideraremos sob os 12 subtítulos a seguir.

      4. Como foram sempre encarados os livros das Escrituras Hebraicas pelos judeus?

      4 (1) Exatidão Histórica. Desde a antiguidade, os livros canônicos das Escrituras Hebraicas foram aceitos pelos judeus como documentos inspirados e dignos de plena confiança. Assim, nos dias de Davi, os eventos registrados de Gênesis a Primeiro Samuel eram plenamente aceitos como a verdadeira história da nação e dos tratos de Deus com eles, e isto é ilustrado pelo Salmo 78, que faz referência a mais de 35 desses pormenores.

      5. O que afirmaram antigos escritores com relação a Moisés e o código da Lei dos judeus?

      5 Os adversários da Bíblia têm atacado fortemente o Pentateuco, em particular no que tange à autenticidade e à autoria. No entanto, ao reconhecimento dos judeus, de que Moisés foi o escritor do Pentateuco, pode-se acrescentar o testemunho de antigos escritores, alguns dos quais eram inimigos dos judeus. Hecateu de Abdera, o historiador egípcio Mâneto, Lisímaco de Alexandria, Eupolemo, Tácito e Juvenal, todos atribuem a Moisés o estabelecimento do código de leis que distinguia os judeus das outras nações, e a maioria menciona especificamente que ele assentou suas leis por escrito. Numênio, o filósofo pitagórico, até mesmo menciona Janes e Jambres como os sacerdotes egípcios que resistiram a Moisés. (2 Tim. 3:8) Estes autores abrangem um período que se estende do tempo de Alexandre (quarto século AEC), quando os gregos se interessaram pela primeira vez na história judaica, ao do Imperador Aureliano (terceiro século EC). Muitos outros antigos escritores mencionam Moisés como líder, governante ou legislador.a Conforme vimos do estudo anterior, as descobertas arqueológicas, com freqüência, apóiam a exatidão histórica dos eventos registrados na Bíblia quando o povo de Deus ficou envolvido com nações vizinhas.

      6. Que testemunho apóia a exatidão histórica das Escrituras Gregas?

      6 Que dizer, porém, das Escrituras Gregas Cristãs? Não apenas confirmam a narrativa das Escrituras Hebraicas, mas elas mesmas mostram ser historicamente exatas, bem como autênticas e tão inspiradas quanto as Escrituras Hebraicas. Os escritores declaram a nós o que ouviram e viram, pois foram testemunhas oculares e, com freqüência, participantes dos próprios eventos que registraram. Milhares de seus contemporâneos criam neles. Seu testemunho encontra abundante confirmação nas referências feitas por antigos escritores, entre os quais Juvenal; Tácito; Sêneca; Suetônio; Plínio, o Moço; Luciano; Celso e o historiador judeu Josefo.

      7. (a) Que argumento apresenta S. A. Allibone quanto às alegações superiores de autenticidade da Bíblia? (b) De que, diz ele, é a culpa naqueles que recusam a evidência?

      7 S. Austin Allibone, escrevendo em The Union Bible Companion, disse: “Sir Isaac Newton . . . foi também eminente qual crítico de escritos antigos, e examinou com grande cuidado as Escrituras Sagradas. Qual é o seu veredicto sobre este assunto? ‘Encontro’, diz ele, ‘mais sinais claros de autenticidade no Novo Testamento do que em qualquer outra história profana [secular]’. O Dr. Johnson diz que temos mais evidência de que Jesus Cristo morreu no Calvário, conforme declarado nos Evangelhos, do que temos de que Júlio César morreu no Capitólio. Temos, deveras, muito mais. Pergunte a qualquer um que professe duvidar da veracidade da história dos Evangelhos que razão tem para crer que César morreu no Capitólio ou que Carlos Magno foi coroado Imperador do Ocidente pelo Papa Leão III, no ano 800 . . . Como sabe que um homem tal como Carlos I viveu realmente e foi decapitado, e que Oliver Cromwell tornou-se governante em seu lugar? . . . Atribui-se a Sir Isaac Newton a descoberta da lei da gravidade . . . Cremos em todas as afirmações que acabam de ser feitas a respeito destes homens; e isto porque temos evidência histórica de sua veracidade. . . . Se, após a apresentação de provas como estas, quaisquer pessoas ainda se recusam a acreditar, abandonamo-las como estupidamente obstinadas ou irremediavelmente ignorantes. O que diremos, então, dos que, apesar da abundante evidência agora apresentada da autenticidade das Escrituras Sagradas, professam-se não persuadidos? . . . Certamente, temos razão para concluir que a falha está no coração, não na cabeça; — que não desejam crer naquilo que humilha seu orgulho e que os obrigará a levar uma vida diferente.”b

      8. De que modo se demonstra que o cristianismo da Bíblia é diferente de todas as outras religiões?

      8 A superioridade do cristianismo como religião, cujos seguidores adoram com verdade, é destacada por George Rawlinson, que escreveu: “O cristianismo — incluindo nele a dispensação do Antigo Testamento, que foi a sua primeira etapa — não é em nada mais distinto das outras religiões do mundo do que em seu caráter ou objetivo histórico. As religiões da Grécia e de Roma, do Egito, da Índia, da Pérsia e do Oriente em geral, eram sistemas especulativos, que nem sequer postularam seriamente uma base histórica . . . Mas, dá-se o contrário com a religião da Bíblia. Nela, quer olhemos para o Velho quer para o Novo Testamento, quer para a dispensação judaica quer para a cristã, encontramos um esquema de doutrina ligado a fatos; a qual depende absolutamente deles; que é vã e nula sem eles; e que, para todos os fins práticos, pode ser considerada estabelecida caso se prove que eles merecem aceitação.”c

      9. Ilustre a exatidão das referências geográficas da Bíblia.

      9 (2) Exatidão Geográfica e Geológica. Muitos escritores têm comentado a notável exatidão da descrição bíblica da Terra Prometida e dos territórios vizinhos. Como exemplo, certo viajante oriental, Dr. A. P. Stanley, disse com referência à jornada dos israelitas no deserto: “Mesmo se o seu trajeto exato fosse desconhecido, ainda assim as características peculiares da região possuem tanto em comum que a história ainda receberia muitas ilustrações notáveis. . . . As ocasionais fontes, e poços, e arroios, estão de acordo com os relatos das ‘águas’ de Mara; as ‘fontes’ de . . . Elim; o ‘arroio’ de Horebe; o ‘poço’ das filhas de Jetro, com seu ‘cocho’ ou tanques, em Midiã. A vegetação ainda é a mesma que deduziríamos da história mosaica.”d Na narrativa do Egito, a exatidão é vista não apenas na descrição geral do território — seus ricos campos de cereal, o rio Nilo margeado com juncos (Gên. 41:47-49; Êxo. 2:3), suas águas originárias de ‘rios, canais, banhados de juncos e águas represadas’ (Êxo. 7:19), seu ‘linho, cevada, trigo, e espelta’ (Êxo. 9:31, 32) — mas também nos nomes e nas localizações de cidades.

      10. Como foram cientistas modernos recompensados por se orientarem pelo registro da Bíblia?

      10 Tal é a confiança que alguns cientistas da atualidade depositam no registro geológico e geográfico encontrado na Bíblia, que o têm usado como guia e têm sido bem recompensados. Alguns anos atrás, um destacado geólogo, Dr. Ben Tor, orientou-se pelo texto: “Pois Jeová, teu Deus, te introduz numa terra boa, . . . uma terra cujas pedras são ferro.” (Deut. 8:7, 9) A poucos quilômetros de Berseba, achou imensos rochedos saturados de minério preto-avermelhado. Tratava-se de cerca de 13,6 milhões de toneladas métricas de minério de ferro de baixo teor. Mais tarde, engenheiros descobriram um afloramento de 1,5 quilômetro de excelente minério, de 60 a 65 por cento de ferro puro. O Dr. Joseph Weitz, destacada autoridade de Israel em reflorestamento, disse: “A primeira árvore que Abraão plantou no solo de Berseba foi uma tamargueira.” “Seguindo seu exemplo, quatro anos atrás plantamos dois milhões delas na mesma área. Abraão estava certo. A tamargueira é uma das poucas árvores que descobrimos que vicejam no sul, onde a precipitação atmosférica anual é menor do que seis polegadas (150 milímetros).”e O livro Tree and Shrub in Our Biblical Heritage (Árvore e Arbusto em Nossa Herança Bíblica), de Nogah Hareuveni, acrescenta: “Parece que o Patriarca Abraão não plantou simplesmente qualquer árvore após chegar a Berseba. . . . Ele escolheu a árvore cuja sombra é mais fresca do que a das outras. Além disso, a [tamargueira] pode suportar o calor e os longos períodos de seca aprofundando suas raízes para achar água subterrânea. Não é de surpreender que a [tamargueira] continue até estes dias nos arredores de Berseba.”f — Gên. 21:33.

      11. O que testifica o professor Wilson relativo à exatidão da Bíblia?

      11 Quanto a pormenores tais como as declarações cronológicas e geográficas na Bíblia, o professor R. D. Wilson escreve em A Scientific Investigation of the Old Testament (Investigação Científica do Velho Testamento), páginas 213-14: “As declarações cronológicas e geográficas são mais exatas e fidedignas do que aquelas fornecidas por quaisquer outros documentos antigos, e as biografias e outras narrativas históricas harmonizam-se maravilhosamente com a evidência fornecida por documentos não-bíblicos.”

      12. Como se enquadram os fatos no registro da Bíblia sobre a origem da humanidade?

      12 (3) Raças e Línguas da Humanidade. No livro After Its Kind (Segundo a Sua Espécie), Byron C. Nelson diz: “Foi o homem que foi criado, não o negro, o chinês, o europeu. Dois seres humanos, os quais a Bíblia chama de Adão e Eva, foram criados, dos quais, por descendência e variação natural, surgiram todas as variedades de homens que existem na face da terra. Todas as raças de homens, independente da cor ou do tamanho, são uma única espécie natural. Todos pensam do mesmo modo, sentem do mesmo modo, são similares na estrutura física, facilmente se casam com pessoas de outra raça, e são capazes de reproduzir outros com as mesmas características. Todas as raças descendem de dois ancestrais comuns, que surgiram plenamente formados da mão do Criador.”g Este é o testemunho de Gênesis 1:27, 28; 2:7, 20-23; 3:20; Atos 17:26 e Romanos 5:12.

      13. O que disse certo arqueólogo sobre o foco de onde os idiomas antigos se espalharam?

      13 Quanto à narrativa bíblica sobre o foco de onde a expansão dos idiomas antigos começou, o arqueólogo Sir Henry Rawlinson disse que “se fôssemos assim guiados pela mera interseção das trajetórias lingüísticas, e de modo independente de todas as referências ao registro das escrituras, ainda seríamos levados a determinar as planícies de Sinear como o foco de onde as várias linhas se irradiaram”.h — Gên. 11:1-9.

      14. (a) O que, por si só, faria a Bíblia se destacar como inspirada por Deus? (b) Que visão racional é apresentada somente na Bíblia, e como se estende seu valor prático a cada fase da vida diária?

      14 (4) Valor Prático. Se não houvesse nenhuma outra prova de autenticidade disponível, os justos princípios e os padrões morais da Bíblia a fariam destacar-se como produto da mente divina. Ademais, seu valor prático se estende a cada aspecto da vida diária. Nenhum outro livro fornece-nos uma visão racional da origem de todas as coisas, incluindo a humanidade, e do propósito do Criador para com a terra e o homem. (Gên., cap. 1; Isa. 45:18) A Bíblia nos diz porque o homem morre e porque existe a iniqüidade. (Gên., cap. 3; Rom. 5:12; Jó, caps. 1, 2; Êxo. 9:16) Especifica o mais alto padrão de justiça. (Êxo. 23:1, 2, 6, 7; Deut. 19:15-21) Dá-nos conselhos corretos sobre tratos comerciais (Lev. 19:35, 36; Pro. 20:10; 22:22, 23; Mat. 7:12); conduta moral limpa (Lev. 20:10-16; Gál. 5:19-23; Heb. 13:4); relações com outros (Lev. 19:18; Pro. 12:15; 15:1; 27:1, 2, 5, 6; 29:11; Mat. 7:12; 1 Tim. 5:1, 2); casamento (Gên. 2:22-24; Mat. 19:4, 5, 9; 1 Cor. 7:2, 9, 10, 39); relações familiares e responsabilidades do marido, da esposa e dos filhos (Deut. 6:4-9; Pro. 13:24; Efé. 5:21-33; 6:1-4; Col. 3:18-21; 1 Ped. 3:1-6); atitude correta para com os governantes (Rom. 13:1-10; Tito 3:1; 1 Tim. 2:1, 2; 1 Ped. 2:13, 14); trabalho honesto, bem como relações amo-patrão e empregador-empregado (Efé. 4:28; Col. 3:22-24; 4:1; 1 Ped. 2:18-21); associações corretas (Pro. 1:10-16; 5:3-11; 1 Cor. 15:33; 2 Tim. 2:22; Heb. 10:24, 25); resolver contendas (Mat. 18:15-17; Efé. 4:26); e muitos outros assuntos que afetam de forma vital a nossa vida diária.

      15. Que conselho da Bíblia sobre saúde física e mental tem-se mostrado prático?

      15 A Bíblia também fornece valiosos indicadores relacionados com a saúde física e mental. (Pro. 15:17; 17:22) Em anos recentes, a pesquisa médica tem demonstrado que a saúde física da pessoa é deveras afetada pela atitude mental. Por exemplo, estudos têm mostrado que pessoas propensas a expressar ira têm com freqüência os mais altos níveis de pressão sanguínea. Alguns relataram que a ira produzia perturbações cardíacas, dores de cabeça, hemorragias nasais, tonturas ou perda da fala. Entretanto, a Bíblia explicava há muito: “O coração calmo é a vida do organismo carnal.” — Pro. 14:30; compare com Mateus 5:9.

      16. Quais são algumas das declarações bíblicas de verdade que em muito anteciparam suas descobertas pela ciência?

      16 (5) Exatidão Científica. Embora a Bíblia não seja um tratado sobre ciência, sempre que menciona assuntos científicos, mostra-se exata e em harmonia com descobertas e conhecimento científicos genuínos. Seu registro da ordem da criação, incluindo a vida animal (Gên., cap. 1); da forma redonda ou esférica da terra (Isa. 40:22); e de a terra estar suspensa no espaço sobre o “nada”, antecipou as descobertas científicas dessas verdades. (Jó 26:7) A fisiologia moderna tem comprovado a veracidade da declaração das Escrituras de que “nem toda a carne é a mesma carne”, a estrutura celular de certo tipo de carne diferindo da de outras, tendo o homem sua própria e ímpar “carne”. (1 Cor. 15:39)i No campo da zoologia, Levítico 11:6 classifica a lebre entre os animais ruminantes. Isto antes era algo de que se zombava, mas a ciência descobriu agora que o coelho reingere seu alimento.j

      17. Como tem a Bíblia se mostrado correta no campo médico?

      17 A afirmação de que a ‘vida da carne está no sangue’ veio, nos tempos modernos, a ser reconhecida como uma verdade fundamental da ciência médica. (Lev. 17:11-14) A Lei mosaica indicou que animais, aves e peixes eram “puros” para o consumo humano, e excluía alimentos de risco. (Lev., cap. 11) A Lei requeria que, num acampamento militar, o excremento humano fosse coberto, proporcionando assim considerável proteção de doenças infecciosas transmitidas pela mosca, tais como disenteria e febre tifóide. (Deut. 23:9-14) Mesmo hoje, em alguns países há severos problemas de saúde por causa da incorreta destinação final das excreções humanas. Os povos em tais terras seriam muito mais saudáveis se seguissem o conselho da Bíblia sobre higiene.

      18. Que outra ilustração da exatidão científica da Bíblia é fornecida?

      18 A Bíblia recomenda um pouco de vinho “por causa do teu estômago” e para ‘doenças’. (1 Tim. 5:23) O Dr. Salvatore P. Lucia, professor de Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia, escreve: “O vinho é a mais antiga bebida usada na alimentação e o mais importante agente curativo de uso contínuo em toda a história da humanidade.”k

      19. Como pode ser ilustrada a exatidão dos escritos de Lucas?

      19 (6) Cultura e Costumes. A. Rendle Short escreve em Modern Discovery and the Bible (Descobertas Modernas e a Bíblia) sobre o livro de Atos: “Era costume romano governar as províncias de seu vasto império por dar continuidade, até onde fosse seguro o fazer, ao sistema local de administração, e, conseqüentemente, as autoridades em diferentes distritos eram conhecidas por muitos títulos diferentes. Ninguém, a menos que fosse quer um atento viajante quer um meticuloso estudante de registros, teria condições de dar a toda esta nobreza sua denominação correta. É um dos testes mais escrutinadores do senso histórico de Lucas, que ele sempre consegue perfeita precisão. Em vários casos, é apenas a evidência de uma moeda, ou de uma inscrição, que nos fornece a informação necessária para verificá-lo; os historiadores romanos reconhecidos não se arriscam em tal terreno difícil. Assim, Lucas chama Herodes e Lisânias de tetrarcas; o mesmo o faz Josefo. Herodes Agripa, que matou Tiago à espada e lançou Pedro na prisão, é chamado de rei; Josefo fala-nos sobre como ele se tornou amigo de Caio César (Calígula) em Roma e foi recompensado com um título régio quando Calígula tornou-se imperador. O governante de Chipre, Sérgio Paulo, é chamado de procônsul. . . . Não muito antes, Chipre tinha sido uma província imperial, e fora governada por um propretor ou legado, mas nos dias de Paulo, conforme aparece nas moedas cipriotas tanto em grego como em latim, o título correto era procônsul. Certa inscrição grega encontrada em Soloi, na costa norte de Chipre, data do ‘proconsulado de Paulo’ . . . Em Tessalônica, os magnatas da cidade levavam o título bastante incomum de poliarcas [governantes da cidade, Atos 17:6, nota], nome desconhecido à literatura clássica. Seria muito pouco familiar a nós, exceto pelo uso que Lucas faz dele, se não fosse pelo fato de aparecer em inscrições. . . . A Acaia, durante a regência de Augusto, era uma província senatorial, sob Tibério, estava sob o controle direto do imperador, mas, sob Cláudio, conforme nos fala Tácito, retornou ao controle do senado, e portanto o título correto de Gaio [Atos 18:12] era procônsul. . . . Lucas é igualmente feliz, igualmente exato, na sua geografia e nas suas experiências de viagem.”l

      20. Como refletem com exatidão os escritos de Paulo a época em que viveu e escreveu?

      20 As cartas de Paulo retratam com exatidão o fundo histórico do seu tempo e indicam que foi testemunha ocular das coisas que escreveu. Por exemplo, Filipos era uma colônia militar cujos cidadãos eram especialmente orgulhosos de sua cidadania romana. Paulo advertiu aos cristãos dali de que sua cidadania estava nos céus. (Atos 16:12, 21, 37; Fil. 3:20) Éfeso era uma cidade que se destacava pelas suas artes mágicas e práticas espíritas. Paulo instruiu os cristãos dali quanto a como se armarem para não se tornarem presas dos demônios, e, ao mesmo tempo, forneceu uma descrição precisa da armadura do soldado romano. (Atos 19:19; Efé. 6:13-17) O costume dos vitoriosos romanos de conduzir uma marcha triunfal com uma procissão de cativos, alguns nus, é usado em ilustração. (2 Cor. 2:14; Col. 2:15) Em 1 Coríntios 1:22, salientam-se os divergentes pontos de vista dos judeus e dos gregos. Em tais assuntos, os escritores cristãos refletem a exatidão de Moisés, o escritor do Pentateuco, sobre o qual George Rawlinson diz: “A exatidão etológica do Pentateuco no que tange às maneiras e aos costumes orientais em geral, nunca foi questionada.”a

      21. (a) Dê exemplos da candura dos escritores da Bíblia. (b) Como edifica isto a confiança na Bíblia como verídica?

      21 (7) Candura dos Escritores da Bíblia. Em toda a Bíblia, a resoluta candura de seus escritores é forte prova de sua fidedignidade. Moisés, por exemplo, fala francamente sobre seu próprio pecado e do julgamento de Deus de que ele e seu irmão, Arão, não entrariam na Terra Prometida. (Núm. 20:7-13; Deut. 3:23-27) Os pecados de Davi em duas ocasiões, bem como a apostasia do seu filho Salomão, são abertamente expostos. (2 Sam., caps. 11, 12, 24; 1 Reis 11:1-13) Jonas escreve sobre sua própria desobediência e o resultado desta. A inteira nação de Israel foi condenada por quase todos os escritores das Escrituras Hebraicas, os quais eram todos judeus, por sua desobediência a Deus, no mesmo registro que os judeus apreciavam e aceitavam como as pronunciações de Deus e a verdadeira história da nação deles. Os escritores cristãos não foram menos cândidos. Os quatro escritores dos Evangelhos revelaram que Pedro negou a Cristo. E Paulo chamou a atenção ao sério erro de Pedro numa questão de fé, ao este fazer distinção entre judeus e gentios na congregação cristã de Antioquia. Aumenta nossa confiança na Bíblia como verídica quando percebemos que seus escritores não pouparam a ninguém, nem mesmo a si próprios, nos interesses da escrita de um registro fiel. — Mat. 26:69-75; Mar. 14:66-72; Luc. 22:54-62; João 18:15-27; Gál. 2:11-14; João 17:17.

      22. O que mais prova que a Bíblia é deveras a Palavra de Deus, e para que propósito foi escrita?

      22 (8) Harmonia dos Escritores. A Bíblia foi escrita num período de mais de 1.600 anos, por cerca de 40 escritores, sem nenhuma desarmonia. Tem sido amplamente distribuída em enormes quantidades, apesar da mais feroz oposição e dos mais vigorosos esforços de destruí-la. Estes fatos ajudam a provar que ela é o que afirma ser, a Palavra do Deus Todo-poderoso, e que é deveras “proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça”. — 2 Tim. 3:16.b

      23. Que coerente tema também prova a inspiração da Bíblia? Ilustre.

      23 Sua inspiração é demonstrada pela plena coerência com a qual enfatiza o tema da santificação do nome de Jeová, por meio do Seu Reino sob Cristo. Alguns exemplos de destaque são:

      Gên. 3:15 Prometida a Semente que destruirá a

      Serpente

      Gên. 22:15-18 Todas as nações abençoarão a si mesmas por meio

      da semente de Abraão

      Êxo. 3:15; 6:3 Deus enfatiza seu nome memorial, Jeová

      Êxo. 9:16; Deus expressa seu propósito de ter seu nome

      Rom. 9:17 declarado

      Êxo. 18:11; Jeová é maior do que todos os outros deuses

      Isa. 36:18-20;

      Isa. 37:20, 36-38;

      Jer. 10:10, 11

      Êxo. 20:3-7 Deus estima seu nome, exige devoção exclusiva

      Jó, caps. 1, 2 Soberania legítima de Jeová e atitude e

      integridade do homem em relação a ela

      Jó 32:2; 35:2; Salientada a vindicação de Deus

      Jó 36:24; 40:8

      Isa. 9:7 Deus apóia zelosamente o Reino eterno de seu

      Filho

      Dan. 2:44; A importância do Reino de Deus pelo “filho do

      Dan. 4:17, 34; homem”

      Dan. 7:13, 14

      Eze. 6:10; 38:23 Povos “terão de saber que eu sou Jeová”. Esta

      declaração aparece mais de 60 vezes na

      profecia de Ezequiel

      Mal. 1:11 O nome de Deus será grande entre as nações

      Mat. 6:9, 10, 33 Santificação do nome de Deus pelo seu Reino é

      de importância primária

      João 17:6, 26 Jesus declarou o nome de Deus

      Atos 2:21; O nome de Jeová precisa ser invocado para a

      Rom. 10:13 salvação

      Rom. 3:4 Deus será provado verdadeiro, embora todo homem

      mentiroso

      1 Cor. 15:24-28 Reino será devolvido a Deus; Deus será todas as

      coisas para com todos

      Heb. 13:15 Cristãos devem fazer declaração pública do nome

      de Jeová

      Rev. 15:4 O nome de Jeová será glorificado por todas as

      nações

      Rev. 19:6 Nome de Jeová louvado após a devastação de

      Babilônia, a Grande

      24. (a) Como estabelece a integridade dos cristãos primitivos a veracidade da “história cristã”? (b) Que outra prova há de que os escritores da Bíblia registraram fatos, não mitos?

      24 (9) Integridade das Testemunhas. Quanto ao peso que pode ser atribuído ao testemunho dos cristãos primitivos — os escritores das Escrituras Cristãs, bem como de outros — George Rawlinson diz: “Os conversos primitivos sabiam que poderiam a qualquer hora ser chamados para sofrer a morte pela sua religião. . . . Todo escritor primitivo que advogava o cristianismo, pelo fato de o advogar, enfrentava o poder civil, e se expunha a sofrer sorte similar. Quando a fé é uma questão de vida ou morte, os homens não adotam prontamente o primeiro credo que lhes agrade; nem se colocam abertamente nas fileiras de uma seita perseguida, a menos que tenham pesado bem as afirmações que a religião professe, e convencido a si mesmos de que esta é a verdade. É claro que os conversos primitivos tinham meios de averiguar a exatidão histórica da narrativa cristã muito melhor do que nós; podiam interrogar e indagar minuciosamente as testemunhas — comparar suas várias narrativas — inquirir como suas declarações eram encaradas por seus adversários — consultar documentos pagãos da época — examinar cabal e completamente a evidência. . . . Tudo isto junto — e deve ser lembrado que a evidência é cumulativa — constitui um conjunto de provas tal como raramente é possível produzir, com respeito a quaisquer eventos pertencentes a tempos remotos; e estabelece além de toda dúvida razoável a verdade da história cristã. Em nem sequer um aspecto . . . tem esta história um caráter mítico. Trata-se de uma única história, contada sem variações, ao passo que os mitos são variáveis e multiformes; mescla-se inextricavelmente com a história civil da época, a qual, em toda parte, representa com extraordinária exatidão, ao passo que os mitos distorcem ou desconsideram a história civil; está repleta de pormenores prosaicos, que os mitos evitam cuidadosamente; abunda em instrução prática do tipo mais franco e simples, enquanto os mitos ensinam por alegoria . . . Simples zelo, fidelidade, meticulosa exatidão, puro amor à verdade, são as mais patentes características dos escritores do Novo Testamento, que evidentemente lidam com fatos, não com fantasias . . . Escrevem ‘para que conheçamos a certeza das coisas’ que ‘se viram plenamente verificadas’ nos seus dias.”c — Compare com Lucas 1:1, 4.

      25. O que comprova de modo notável a autenticidade da Bíblia?

      25 Fascinante campo abrangido pela Bíblia é o da profecia divina. A autenticidade da Bíblia de nenhum modo tem sido tão impressionantemente confirmada quanto no cumprimento de numerosas profecias, todas demonstrando a notável previsão de Jeová em predizer o futuro. Esta Palavra profética é deveras “uma lâmpada que brilha em lugar escuro”, e prestar atenção a ela fortalecerá a fé daqueles que desejam sobreviver até que toda a profecia do Reino seja cumprida no eterno novo mundo de justiça de Deus. As três tabelas que seguem fornecem provas adicionais da autenticidade da Bíblia ao mostrar muitos desses cumprimentos proféticos, bem como a harmonia de toda a Escritura, Hebraica e Grega. Com a passagem do tempo, a Bíblia reluz cada vez mais brilhante como genuinamente “inspirada por Deus e proveitosa”. — 2 Ped. 1:19; 2 Tim. 3:16.

      [Nota(s) de rodapé]

      a The Historical Evidences of the Truth of the Scripture Records, 1862, George Rawlinson, páginas 54, 254-8.

      b 1871, páginas 29-31.

      c The Historical Evidences of the Truth of the Scripture Records, páginas 25-6.

      d Sinai and Palestine, 1885, páginas 82-3.

      e Reader’s Digest, março de 1954, páginas 27, 30.

      f 1984, página 24.

      g 1968, páginas 4-5.

      h The Journal of the Royal Asiatic Society of Great Britain and Ireland, Londres, 1855, Vol. 15, página 232.

      i Estudo Perspicaz das Escrituras, “Vida”.

      j Estudo Perspicaz das Escrituras, “Lebre”, “Ruminante”.

      k Wine as Food and Medicine, 1954, página 5.

      l 1955, páginas 211-13.

      a The Historical Evidences of the Truth of the Scripture Records, página 290.

      b A Bíblia — Palavra de Deus ou de Homem?, páginas 12-36.

      c The Historical Evidences of the Truth of the Scripture Records, páginas 225, 227-8.

      [Tabela na página 343]

      (10) PROFECIAS DE DESTAQUE RELACIONADAS COM JESUS E SEUS CUMPRIMENTOS

      Profecia Evento Cumprimento

      Gên. 49:10 Nascido na tribo de Judá Mat. 1:2-16;

      Luc. 3:23-33;

      Heb. 7:14

      Sal. 132:11; Da família de Davi, filho Mat. 1:1, 6-16;

      Isa. 9:7; de Jessé Mat. 9:27; 15:22;

      Isa. 11:1, 10 Mat. 20:30, 31;

      Mat. 21:9, 15;

      Mat. 22:42;

      Mar. 10:47, 48;

      Luc. 1:32; 2:4;

      Luc. 3:23-32;

      Luc. 18:38, 39;

      Atos 2:29-31;

      Atos 13:22, 23;

      Rom. 1:3;

      Rom. 15:8, 12

      Miq. 5:2 Nascido em Belém Luc. 2:4-11;

      João 7:42

      Isa. 7:14 Nascido de uma virgem Mat. 1:18-23;

      Luc. 1:30-35

      Jer. 31:15 Matança de bebês após o Mat. 2:16-18

      nascimento dele

      Osé. 11:1 Chamado do Egito Mat. 2:15

      Mal. 3:1; Caminho preparado diante Mat. 3:1-3;

      Mal. 4:5; dele Mat. 11:10-14;

      Isa. 40:3 Mat. 17:10-13;

      Mar. 1:2-4;

      Luc. 1:17, 76;

      Luc. 3:3-6;

      Luc. 7:27;

      João 1:20-23;

      João 3:25-28;

      Atos 13:24;

      Atos 19:4

      Dan. 9:25 Surgiu como Messias no final Apresentou-se

      das 69 “semanas” para o batismo

      e foi ungido no

      tempo previsto,

      em 29 EC

      (Luc. 3:1, 21, 22)

      Isa. 61:1, 2 Comissionado Luc. 4:18-21

      Isa. 9:1, 2 Ministério fez o povo em Mat. 4:13-16

      Naftali e Zebulão ver grande

      luz

      Sal. 78:2 Falou por meio de Mat. 13:11-13

      ilustrações Mat. 13:31-35

      Isa. 53:4 Levou nossas doenças Mat. 8:16, 17

      Sal. 69:9 Zeloso pela casa de Jeová Mat. 21:12, 13;

      Mar. 11:15-18;

      Luc. 19:45, 46;

      João 2:13-17

      Isa. 42:1-4 Como servo de Jeová, não Mat. 12:14-21

      altercaria nas ruas

      Isa. 53:1 Não foi crido João 12:37, 38;

      Rom. 10:11, 16

      Zac. 9:9; Entrada em Jerusalém montado Mat. 21:1-9;

      Sal. 118:26 num jumentinho; aclamado rei Mar. 11:7-11;

      e como aquele que veio em Luc. 19:28-38;

      nome de Jeová João 12:12-15

      Isa. 28:16; Rejeitado, mas torna-se a Mat. 21:42, 45

      Isa. 53:3; principal pedra angular Mat. 21:46

      Sal. 69:8; Atos 3:14; 4:11;

      Sal. 118:22, 23 1 Ped. 2:7

      Isa. 8:14, 15 Torna-se a pedra para Luc. 20:17, 18;

      tropeço Rom. 9:31-33;

      1 Ped. 2:8

      Sal. 41:9; Um apóstolo infiel; trai Mat. 26:47-50;

      Sal. 109:8 Jesus João 13:18

      João 13:26-30;

      João 17:12;

      João 18:2-5;

      Atos 1:16-20

      Zac. 11:12 Traído por 30 moedas de Mat. 26:15;

      prata Mat. 27:3-10;

      Mar. 14:10, 11

      Zac. 13:7 Discípulos espalhados Mat. 26:31, 56;

      João 16:32

      Sal. 2:1, 2 Autoridades romanas e Mat. 27:1, 2;

      líderes de Israel em Mar. 15:1, 15;

      conjunto contra o ungido Luc. 23:10-12;

      de Jeová Atos 4:25-28

      Isa. 53:8 Julgado e condenado Mat. 26:57-68;

      Mat. 27:1, 2

      Mat. 27:11-26;

      João 18:12-14

      João 18:19-24

      João 18:28-40;

      João 19:1-16

      Sal. 27:12 Uso de falsas testemunhas Mat. 26:59-61;

      Mar. 14:56-59

      Isa. 53:7 Calado diante dos acusadores Mat. 27:12-14;

      Mar. 14:61;

      Mar. 15:4, 5;

      Luc. 23:9;

      João 19:9

      Sal. 69:4 Odiado sem causa Luc. 23:13-25;

      João 15:24, 25;

      1 Ped. 2:22

      Isa. 50:6; Golpeado, cuspido Mat. 26:67;

      Miq. 5:1 Mat. 27:26, 30;

      João 18:22; 19:3

      Sal. 22:16,n. Pregado na estaca Mat. 27:35;

      Mar. 15:24, 25;

      Luc. 23:33;

      João 19:18, 23;

      João 20:25, 27

      Sal. 22:18 Sortes lançadas pela sua Mat. 27:35;

      roupa João 19:23, 24

      Isa. 53:12 Contado com os pecadores Mat. 26:55, 56;

      Mat. 27:38;

      Luc. 22:3;

      Sal. 22:7, 8 Injuriado na estaca Mat. 27:39-43;

      Mar. 15:29-32

      Sal. 69:21 Deu-se-lhe vinagre e fel Mat. 27:34, 48;

      Mar. 15:23, 36

      Sal. 22:1 Abandonado por Deus às mãos Mat. 27:46;

      dos inimigos Mar. 15:34

      Sal. 34:20; Nenhum osso quebrado João 19:33, 36

      Êxo. 12:46

      Isa. 53:5; Traspassado Mat. 27:49;

      Zac. 12:10 João 19:34, 37;

      Rev. 1:7

      Isa. 53:5, 8 Morre morte sacrificial para Mat. 20:28;

      Isa. 53:11 levar embora os pecados e João 1:29;

      Isa. 53:12 abrir o caminho para se ter Rom. 3:24;

      uma posição justa perante Rom. 4:25;

      Deus 1 Cor. 15:3;

      Heb. 9:12-15;

      1 Ped. 2:24;

      1 João 2:2

      Isa. 53:9 Enterrado com os ricos Mat. 27:57-60;

      João 19:38-42

      Jonas 1:17; Na sepultura por partes de Mat. 12:39, 40;

      Jonas 2:10 três dias, depois Mat. 16:21;

      ressuscitado Mat. 17:23;

      Mat. 20:19;

      Mat. 27:64;

      Mat. 28:1-7;

      Atos 10:40;

      1 Cor. 15:3-8

      Sal. 16:8 Levantado antes da corrupção Atos 2:25-31;

      Sal. 16:9-11, n. Atos 13:34-37

      Sal. 2:7 Jeová o declara Seu Filho, Mat. 3:16, 17;

      por gerá-lo pelo espírito e Mar. 1:9-11;

      por ressuscitá-lo Luc. 3:21, 22;

      Atos 13:33;

      Rom. 1:4;

      Heb. 1:5; 5:5

      (a) Que profecias relacionadas com seu nascimento habilitaram Jesus para a função de Messias?

      (b) Que profecias se cumpriram no início do ministério de Jesus?

      (c) Como cumpriu Jesus profecias pelo modo que efetuou seu ministério?

      (d) Que profecias se cumpriram durante os últimos dias antes do julgamento de Jesus?

      (e) Como as profecias se cumpriram na época deste julgamento?

      (f) Que profecias assinalaram ser ele realmente pregado numa estaca, sua morte, e sua ressurreição?

      [Tabela na página 344]

      (11) EXEMPLOS DE OUTRAS PROFECIAS BÍBLICAS CUMPRIDAS

      Profecia Evento Cumprimento

      Gên. 9:25 Cananeus tornar-se-iam Jos. 9:23, 27;

      servos de Israel Juí. 1:28;

      1 Reis 9:20, 21

      Gên. 15:13, 14 Israel sairia do Egito com Êxo. 12:35, 36;

      Êxo. 3:21 muitos bens quando Deus Sal. 105:37

      Êxo. 3:22 julgasse a nação

      escravizadora

      Gên. 17:20; Ismael produziria 12 Gên. 25:13-16;

      Gên. 21:13, 18 maiorais e tornar-se-ia 1 Crô. 1:29-31

      uma grande nação

      Gên. 25:23; Edomitas morariam longe Gên. 36:8;

      Gên. 27:39, 40 dos solos férteis, Deut. 2:4, 5;

      serviriam os israelitas e 2 Sam. 8:14;

      ocasionalmente se 2 Reis 8:20;

      revoltariam 1 Crô. 18:13;

      2 Crô. 21:8-10

      Gên. 48:19, 22 Efraim tornar-se-ia maior Núm. 1:33-35;

      do que Manassés, e cada Deut. 33:17;

      tribo receberia uma Jos. 16:4-9;

      herança Jos. 17:1-4

      Gên. 49:7 Simeão e Levi seriam Jos. 19:1-9;

      espalhados em Israel Jos. 21:41, 42

      Gên. 49:10 Liderança régia viria de 2 Sam. 2:4;

      Judá 1 Crô. 5:2;

      Mat. 1:1-16;

      Luc. 3:23-33;

      Heb. 7:14

      Deut. 17:14 Israel pediria a 1 Sam. 8:4, 5

      monarquia 1 Sam. 8:19, 20

      Deut. 28:52, 53 Israel seria punido por Cumpriu-se em

      Deut. 28:64-66 infidelidade; cidades Samaria em

      Deut. 28:68 sitiadas, enviados para 740 AEC (

      a escravidão 2 Reis 17:5-23

      ), em Jerusalém

      em 607 AEC

      (Jer. 52:1-27),

      e novamente em

      Jerusalém em

      70 EC

      Jos. 6:26 Punição por reconstruir 1 Reis 16:34

      Jericó

      1 Sam. 2:31, 34 Linhagem de Eli 1 Sam. 4:11

      1 Sam. 3:12-14 amaldiçoada 1 Sam. 4:17, 18

      1 Reis 2:26, 27

      1 Reis 2:35

      1 Reis 9:7, 8 Templo seria destruído 2 Reis 25:9;

      2 Crô. 7:20, 21 caso Israel se tornasse 2 Crô. 36:19;

      apóstata Jer. 52:13;

      Lam. 2:6, 7

      1 Reis 13:1-3 Altar de Jeroboão seria 2 Reis 23:16-18

      poluído

      1 Reis 14:15 Derrocada do reino de 2 Reis 17:6-23;

      Israel das dez tribos 2 Reis 18:11, 12

      Isa. 13:17-22 Destruição de Babilônia; Dan. 5:22-31;

      Isa. 45:1, 2 portões de Babilônia a história

      Jer. 50:35-46 seriam deixados abertos; secular confirma.

      Jer. 51:37-43 medos e persas Ciro tomou

      conquistariam-na sob o Babilônia quando

      comando de Ciro os portões

      foram deixados

      abertosd

      Isa. 23:1, 8 Cidade de Tiro seria A história

      Isa 23:13, 14 destruída pelos caldeus secular relata

      Eze. 26:4 sob o comando de que a parte

      Eze. 26:7-12 Nabucodonosor continental da

      cidade foi

      destruída e

      que a parte

      insular

      submeteu-se a

      Nabucodonosor

      após 13 anos

      de sítioe

      Isa. 44:26-28 Reconstrução de 2 Crô. 36:22, 23;

      Jerusalém e do templo Esd. 1:1-4

      pelos judeus que retornaram

      do exílio; participação

      de Ciro

      Jer. 25:11; Regresso do restante se Dan. 9:1, 2;

      Jer. 29:10 daria após 70 anos de Zac. 7:5;

      desolação 2 Crô. 36:21-23

      Jer. 48:15-24 Moabe seria devastada Moabe é hoje

      Eze. 25:8-11; nação extintaf

      Sof. 2:8, 9

      Jer. 49:2; Cidades amonitas Amom é hoje

      Eze. 25:1-7 tornar-se-iam montões nação extintag desolados

      Sof. 2:8, 9

      Jer. 49:17, 18; Edom seria decepado como Edom deixou de

      Eze. 25:12; se nunca tivesse existido existir qual

      Eze. 25:13-14; nação após a

      Eze. 35:7, 15; destruição de

      Obd. 16, 18 Jerusalém em

      70 ECh

      Dan. 2:31-40; Descritos quatro reinos: A história

      Dan. 7:2-7 Babilônia, Pérsia, Grécia secular confirma

      e Roma. Muitos detalhes o cumprimento

      proféticos preditos da ascensão e

      queda destas

      potênciasi

      Dan. 8:1-8 Após a Pérsia, um Alexandre, o

      Dan. 8:20-22; poderoso reino,a Grécia, Grande, conquistou

      Dan. 11:1-19 dominaria. Este reino o Império

      seria dividido em Persa. Após sua

      quatro partes, das quais morte, quatro

      se originariam duas generais

      potências, o rei do assumiram o poder.

      norte e o rei do sul Por fim, as

      potências selêucida

      e ptolemaica

      se desenvolveram

      e guerrearam

      continuamente

      entre sij

      Dan. 11:20-24 Governante decretaria Decreto de registro

      registro. Nos dias de na Palestina

      seu sucessor, “o Líder durante o reinado de

      do pacto” seria César Augusto;

      destroçado Jesus assassinado

      durante o reinado do

      sucessor deste,

      Tibério Césark

      Sof. 2:13-15; Nínive tornar-se-ia uma Tornou-se montão de

      Naum 3:1-7 desolação entulhol

      Zac. 9:3, 4 Cidade insular de Tiro Realizado por

      seria destruída Alexandre em

      332 AECa

      Mat. 24:2, Jerusalém seria cercada Cumprida pelos

      16-18; de fortificações de romanos em

      Luc. 19:41-44 estacas e destruída 70 ECb

      Mat. 24:7-14; Predita grande época de Tempo de dificuldades

      Mar. 13:8; dificuldades antes do fim sem precedentes na

      Luc. 21:10, 11; completo deste sistema de terra desde a

      2 Tim. 3:1-5 coisas; incluiria guerras, Primeira Guerra

      escassez de víveres, Mundial em 1914. A

      terremotos, pestilências, pregação do Reino

      delinqüência, pregação está sendo feita

      das boas novas do Reino atualmente em mais

      a todas as nações de 200 terras.

      [Nota(s) de rodapé]

      d Heródoto I, CXCI, CXCII, Clássicos Jackson, Vol. XXIII; Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, página 512.

      e Cyclopedia de McClintock e Strong, edição de 1981, Vol. X, página 617; Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 2, página 643; veja também “Tiro”.

      f Estudo Perspicaz das Escrituras, “Moabe, Moabitas”.

      g Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, página 114.

      h Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, páginas 755-6.

      i ‘Seja Feita a Tua Vontade na Terra’, páginas 93-113, 152-62, 173-9, 203-11.

      j ‘Seja Feita a Tua Vontade na Terra’, páginas 109-10, 159-60, 178-9, 203-43; Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, páginas 80-1.

      k ‘Seja Feita a Tua Vontade na Terra’, páginas 229-33; Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, página 275.

      l Veja página 159, parágrafos 5, 6.

      a Cyclopedia de McClintock e Strong, reimpressão de 1981, Vol. X, páginas 618-19.

      b Veja página 188, parágrafo 9.

      Perguntas sobre a tabela “Exemplos de Outras Profecias Bíblicas Cumpridas”:

      (a) Que preditos eventos ocorreram após a entrada da nação de Israel na terra de Canaã?

      (b) Que profecias de julgamento contra Israel e Judá se cumpriram, e quando?

      (c) O que foi predito quanto à restauração? Teve isto um cumprimento?

      (d) Que nações são alistadas, contra as quais mensagens específicas de julgamento sobrevieram, e como foram cumpridos estes julgamentos proféticos?

      (e) Quais são alguns dos eventos de destaque da história preditos por Daniel? por Jesus?

      (12) ALGUMAS CITAÇÕES E APLICAÇÕES DAS ESCRITURAS HEBRAICAS FEITAS POR ESCRITORES DAS ESCRITURAS GREGAS

      (OBSERVAÇÃO: Esta lista não inclui as referências alistadas em “Profecias de Destaque Relacionadas com Jesus”, nas páginas anteriores.)

      Citação Declaração Aplicação

      Gên. 1:3 Deus ordena que a luz brilhe 2 Cor. 4:6

      Gên. 1:26, 27 O homem foi feito à semelhança Tia. 3:9;

      de Deus, macho e fêmea Mar. 10:6

      Gên. 2:2 Deus descansa da obra criativa Heb. 4:4

      terrestre

      Gên. 2:7 Adão foi feito alma vivente 1 Cor. 15:45

      Gên. 2:24 O homem deixará seus pais, se Mat. 19:5;

      apegará a sua esposa e os dois Mar. 10:7, 8;

      tornar-se-ão uma só carne 1 Cor. 6:16;

      Efé. 5:31

      Gên. 12:3; Todas as nações serão Gál. 3:8

      Gên. 18:18 abençoadas por meio de Abraão

      Gên. 15:5 Descendência (literalmente: Rom. 4:18

      semente) de Abraão seria

      numerosa

      Gên. 15:6 Fé de Abraão contada como Rom. 4:3;

      justiça Gál. 3:6;

      Tia. 2:23

      Gên. 17:5 Abraão, pai dos que têm fé Rom. 4:16, 17

      dentre “muitas nações”

      Gên. 18:10, 14 Filho prometido a Sara Rom. 9:9

      Gên. 18:12 Sara chama Abraão de “senhor” 1 Ped. 3:6

      Gên. 21:10 Drama simbólico envolvendo Gál. 4:30

      Sara, Agar, Isaque e Ismael

      Gên. 21:12 Semente de Abraão seria por Rom. 9:7;

      meio de Isaque Heb. 11:18

      Gên. 22:16, 17 Deus jura por si mesmo Heb. 6:13, 14

      abençoar Abraão

      Gên. 25:23 Predito o favor de Deus para Rom. 9:12

      com Jacó antes que para com

      Esaú

      Êxo. 3:6 Deus é Deus, não de mortos, Mat. 22:32;

      mas de viventes Mar. 12:26;

      Luc. 20:37

      Êxo. 9:16 Razão de Deus permitir que Rom. 9:17

      Faraó permanecesse

      Êxo. 13:2, 12 Primogênitos dedicados a Jeová Luc. 2:23

      Êxo. 16:18 Deus contrabalança o 2 Cor. 8:15

      ajuntamento do maná

      Êxo. 19:5, 6 Perspectiva de Israel ser 1 Ped. 2:9

      reino de sacerdotes

      Êxo. 19:12, 13 Aspecto assombroso de Jeová Heb. 12:18-20

      no monte Sinai

      Êxo. 20:12-17 Quinto, sexto, sétimo, oitavo, Mat. 5:21, 27;

      nono e décimo mandamentos 15:4;

      19:18, 19

      Mar. 10:19;

      Luc. 18:20;

      Rom. 13:9;

      Efé. 6:2, 3;

      Tia. 2:11

      Êxo. 21:17 Punição por violar quinto Mat. 15:4;

      mandamento Mar. 7:10

      Êxo. 21:24 Olho por olho e dente por Mat. 5:38

      dente

      Êxo. 22:28 “Não deves falar Atos 23:5

      injuriosamente dum governante

      do teu povo”

      Êxo. 24:8 Celebração do pacto da Lei — Heb. 9:20;

      “o sangue do pacto” Mat. 26:28;

      Mar. 14:24

      Êxo. 25:40 Moisés instruído quanto ao Heb. 8:5

      modelo do tabernáculo e sua

      mobília

      Êxo. 32:6 Israelitas levantam-se para 1 Cor. 10:7

      festejar e se divertir

      Êxo. 33:19 Deus tem misericórdia de quem Rom. 9:15

      ele quiser

      Lev. 11:44 “Tendes de ser santos, porque 1 Ped. 1:16

      eu sou santo”

      Lev. 12:8 Oferta de mãe pobre após Luc. 2:24

      nascimento de um filho

      Lev. 18:5 Aquele que guardar a Lei, Gál. 3:12

      viverá por meio dela

      Lev. 19:18 Ame o próximo como a si mesmo Mat. 19:19;

      Mat. 22:39;

      Mar. 12:31;

      Rom. 13:9;

      Gál. 5:14;

      Tia. 2:8

      Lev. 26:12 Jeová era o Deus de Israel 2 Cor. 6:16

      Núm. 16:5 Jeová conhece os que lhe 2 Tim. 2:19

      pertencem

      Deut. 6:4, 5 Ame a Jeová de todo coração e Mat. 22:37;

      alma Mar. 12:29, 30

      Luc. 10:27

      Deut. 6:13 “É a Jeová, teu Deus, que tens Mat. 4:10;

      de adorar” Luc. 4:8

      Deut. 6:16 “Não deves pôr Jeová, teu Mat. 4:7;

      Deus, à prova” Luc. 4:12

      Deut. 8:3 O homem não deve viver só de Mat. 4:4;

      pão Luc. 4:4

      Deut. 18:15-19 Deus suscitaria um profeta Atos 3:22, 23

      semelhante a Moisés

      Deut. 19:15 Todo assunto tem de ser João 8:17;

      estabelecido por duas ou três 2 Cor. 13:1

      testemunhas

      Deut. 23:21 “Tens de pagar os teus votos Mat. 5:33

      a Jeová”

      Deut. 24:1 Provisão da Lei mosaica quanto Mat. 5:31

      ao divórcio

      Deut. 25:4 “Não deves açaimar o touro 1 Cor. 9:9;

      quando debulha” 1 Tim. 5:18

      Deut. 27:26 Israelitas que não guardavam Gál. 3:10

      a Lei eram amaldiçoados

      Deut. 29:4 Não muitos judeus escutaram Rom. 11:8

      as boas novas

      Deut. 30:11-14 Necessidade de ter no coração Rom. 10:6-8

      e de pregar “a ‘palavra’ da fé”

      Deut. 31:6, 8 Deus de modo algum abandonará

      seu povo Heb. 13:5

      Deut. 32:17 Deus incitou os judeus ao Rom. 10:19;

      Deut. 32:21 ciúme convidando gentios. 1 Cor. 10:20

      Israelitas incitaram Jeová ao 1 Cor. 10:21

      ciúme pela idolatria 1 Cor. 10:22

      Deut. 32:35 A vingança é de Jeová Heb. 10:30

      Deut. 32:36

      Deut. 32:43 “Regozijai-vos, ó nações, com Rom. 15:10

      o seu povo”

      1 Sam. 13:14; Davi, homem agradável ao Atos 13:22

      1 Sam. 16:1 coração de Deus

      1 Sam. 21:6 Davi e seus homens comem pães Mat. 12:3, 4

      da apresentação Mar. 2:25, 26

      Luc. 6:3, 4

      1 Reis 19:14 Apenas um restante dentre os Rom. 11:3, 4

      1 Reis 19:18 judeus permaneceu fiel a Deus

      2 Crô. 20:7 Abraão chamado de “amigo” Tia. 2:23

      (“que ama a”) de Deus

      Jó 41:11 “Quem primeiro . . . deu a Rom. 11:35

      [Deus]?”

      Sal. 5:9 “Sua garganta é um sepulcro Rom. 3:13

      aberto”

      Sal. 8:2 Deus fornece louvor “da boca Mat. 21:16

      de pequeninos”

      Sal. 8:4-6 “Que é o homem para que te Heb. 2:6, 7

      lembres dele?” Deus sujeitou 1 Cor. 15:27

      todas as coisas aos pés de

      Cristo

      Sal. 10:7 “Sua boca está cheia de Rom. 3:14

      maldição”

      Sal. 14:1-3 “Não há um justo” Rom. 3:10-12

      Sal. 18:49 Pessoas das nações Rom. 15:9

      glorificariam a Deus

      Sal. 19:4, n. Não há falta de oportunidade Rom. 10:18

      para ouvir a verdade sobre a

      existência de Deus, testificada

      por toda a criação

      Sal. 22:22 “Declararei o teu nome a meus Heb. 2:12

      irmãos”

      Sal. 24:1 A terra pertence a Jeová 1 Cor. 10:26

      Sal. 32:1, 2 “Feliz o homem cujo pecado Rom. 4:7, 8

      Jeová de modo algum levará em

      conta”

      Sal. 34:12-16 “Os olhos de Jeová estão sobre 1 Ped. 3:10-12

      os justos”

      Sal. 36:1 “Não há temor de Deus diante Rom. 3:18

      dos seus olhos”

      Sal. 40:6-8 Deus não mais aprovou os Heb. 10:6-10

      sacrifícios sob a Lei; uma única

      oferta, a do corpo de Jesus,

      segundo a vontade de Deus,

      conduz à santificação

      Sal. 44:22 “Temos sido considerados como Rom. 8:36

      ovelhas para a matança”

      Sal. 45:6, 7 “Deus é o . . . trono [de Heb. 1:8, 9

      Cristo] para sempre”

      Sal. 51:4 Deus é vindicado nas suas Rom. 3:4

      palavras e julgamentos

      Sal. 68:18 Quando Cristo ascendeu ao Efé. 4:8

      alto, deu dádivas em homens

      Sal. 69:22, 23 A mesa de paz dos israelitas Rom. 11:9, 10

      torna-se laço

      Sal. 78:24 O pão do céu João 6:31-33

      Sal. 82:6 “Vós sois deuses” João 10:34

      Sal. 94:11 “Jeová sabe que os raciocínios 1 Cor. 3:20

      dos sábios são fúteis”

      Sal. 95:7-11 Israelitas desobedientes não Heb. 3:7-11;

      entraram no descanso de Deus Heb. 4:3, 5, 7

      Sal. 102:25-27 “Tu, ó Senhor, lançaste . . . Heb. 1:10-12

      os alicerces da terra”

      Sal. 104:4 “Ele faz os seus anjos Heb. 1:7

      espíritos”

      Sal. 110:1 O Senhor sentar-se-ia à Mat. 22:43-45

      direita de Jeová Mar. 12:36, 37

      Luc. 20:42-44

      Heb. 1:13

      Sal. 110:4 Cristo é sacerdote para Heb. 7:17

      sempre à maneira de Melquisedeque

      Sal. 112:9 “Ele tem distribuído 2 Cor. 9:9

      amplamente . . . Sua justiça

      continua para sempre”

      Sal. 116:10 “Exerci fé, por isso falei” 2 Cor. 4:13

      Sal. 117:1 “Louvai a Jeová, ó todas as Rom. 15:11

      nações”

      Sal. 118:6 “Jeová é o meu ajudador; não Heb. 13:6

      terei medo”

      Sal. 140:3 “Veneno de áspides está atrás Rom. 3:13

      dos seus lábios”

      Pro. 26:11 “O cão voltou ao seu próprio 2 Ped. 2:22

      vômito”

      Isa. 1:9 Se não fosse pelo restante, Rom. 9:29

      Israel se teria tornado como

      Sodoma

      Isa. 6:9, 10 Israelitas não prestaram Mat. 13:13-15

      atenção às boas novas Mar. 4:12;

      Luc. 8:10;

      Atos 28:25-27

      Isa. 8:17, 18 “Aqui estou eu e as Heb. 2:13

      criancinhas que Jeová me deu”

      Isa. 10:22, 23 Somente um restante de Israel Rom. 9:27, 28

      seria salvo

      Isa. 22:13 “Comamos e bebamos, pois 1 Cor. 15:32

      amanhã morreremos”

      Isa. 25:8 “A morte foi tragada para 1 Cor. 15:54

      sempre”

      Isa. 28:11, 12 Povo não acreditou mesmo 1 Cor. 14:21

      tendo-se-lhe falado “pelas

      línguas de estrangeiros”

      Isa. 28:16 Não ficarão desapontados 1 Ped. 2:6;

      aqueles que depositarem sua Rom. 10:11

      fé em Cristo, o alicerce de Sião

      Isa. 29:13 Descrita a hipocrisia dos Mat. 15:7-9;

      escribas e fariseus Mar. 7:6-8

      Isa. 29:14 Deus faz perecer a sabedoria 1 Cor. 1:19

      dos sábios

      Isa. 40:6-8 A palavra falada por Jeová 1 Ped. 1:24, 25

      permanece para sempre

      Isa. 40:13 ‘Quem se tornou conselheiro Rom. 11:34

      de Jeová?’

      Isa. 42:6; “Eu te designei como luz das Atos 13:47

      Isa. 49:6 nações”

      Isa. 45:23 Todo joelho se dobrará diante Rom. 14:11

      de Jeová

      Isa. 49:8 Tempo aceitável para ser 2 Cor. 6:2

      ouvido, no “dia de salvação”

      Isa. 52:7 Pés dos portadores de boas Rom. 10:15

      novas são lindos

      Isa. 52:11 “Saí do meio deles e 2 Cor. 6:17

      separai-vos”

      Isa. 52:15 Boas novas anunciadas aos Rom. 15:21

      gentios

      Isa. 54:1 “Regozija-te, ó mulher Gál. 4:27

      estéril, que não deste à luz”

      Isa. 54:13 “E todos eles serão ensinados João 6:45

      por Jeová”

      Isa. 56:7 A casa de Jeová seria casa de Mat. 21:13;

      oração para todas as nações Mar. 11:17;

      Luc. 19:46

      Isa. 59:7, 8 Descrita a iniqüidade dos Rom. 3:15-17

      homens

      Isa. 65:1, 2 Jeová manifestado às nações Rom. 10:20, 21

      gentias

      Isa. 66:1, 2 “O céu é o meu trono e a terra Atos 7:49, 50

      é o meu escabelo”

      Jer. 5:21 Tem olhos, mas não podem ver Mar. 8:18

      Jer. 9:24 “Aquele que se jactar, 1 Cor. 1:31;

      jacte-se em Jeová” 2 Cor. 10:17

      Jer. 31:31-34 Deus faria um novo pacto Heb. 8:8-12;

      Heb. 10:16, 17

      Dan. 9:27; “A coisa repugnante que causa Mat. 24:15

      Dan. 11:31 desolação”

      Osé. 1:10; Gentios também se tornariam Rom. 9:24-26

      Osé. 2:23 povo de Deus

      Osé. 6:6 “Misericórdia quero, e não Mat. 9:13;

      sacrifício” Mat. 12:7

      Osé. 13:14 “Morte, onde está o teu 1 Cor. 15:54

      aguilhão?” 1 Cor. 15:55

      Joel 2:28-32 “Todo aquele que invocar o Atos 2:17-21

      nome de Jeová será salvo” Rom. 10:13

      Amós 9:11, 12 Deus reconstruiria a barraca Atos 15:16-18

      de Davi

      Hab. 1:5 “Observai-o, desdenhadores, e Atos 13:40, 41

      admirai-vos disso”

      Hab. 2:4 “Meu justo viverá em razão da Heb. 10:38;

      fé” Rom. 1:17

      Ageu 2:6 Tremidos céus e terra Heb. 12:26, 27

      Mal. 1:2, 3 Jacó amado, Esaú odiado Rom. 9:13

      Perguntas sobre a tabela “Algumas Citações e Aplicações das Escrituras Hebraicas Feitas por Escritores das Escrituras Gregas”:

      (a) Como as referências a Gênesis nas Escrituras Gregas apóiam sua narrativa da criação?

      (b) Que aplicações são feitas das referências em Gênesis a Abraão e à semente de Abraão?

      (c) Que citações são feitas do livro de Êxodo quanto aos Dez Mandamentos e a outros aspectos da Lei?

      (d) Onde encontramos as declarações originais dos dois maiores mandamentos, amar a Jeová de todo o nosso coração e alma e amar ao próximo como a nós mesmos?

      (e) Mencione alguns dos princípios básicos declarados no Pentateuco que são citados nas Escrituras Gregas. Como são aplicados?

      (f) Que trechos nos Salmos, citados nas Escrituras Gregas, magnificam a Jeová (1) como Criador e Dono da terra? (2) como Aquele que mostra interesse nos justos e se importa com eles?

      (g) Como aplicam as Escrituras Gregas Cristãs trechos de Isaías e de outros profetas (1) à pregação das boas novas? (2) à rejeição das boas novas por alguns? (3) a pessoas das nações, em adição a um restante de Israel, tornarem-se crentes? (4) aos benefícios de se exercer fé nas boas novas?

  • As Escrituras inspiradas trazem proveitos eternos
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Estudos das Escrituras Inspiradas e de Seu Fundo Histórico

      As Escrituras inspiradas trazem proveitos eternos

      1. Que gloriosa visão nosso exame de “toda a Escritura” abriu diante de nossos olhos?

      NOSSO exame de “toda a Escritura . . . inspirada por Deus” abriu diante de nossos olhos gloriosa visão da soberania de Jeová e do seu propósito quanto ao Reino. Observamos que a Bíblia é um único livro, com um só poderoso tema — a vindicação da soberania de Jeová e o cumprimento final do seu propósito para com a terra mediante o seu Reino sob Cristo, a Semente Prometida. Desde as primeiras páginas da Bíblia, este único tema é desenvolvido e explicado pelos escritos seguintes, até que, nos capítulos finais, a gloriosa realidade do grandioso propósito de Deus por meio do seu Reino é tornada clara. Que livro notável é a Bíblia! Principiando com a assombrosa criação dos céus físicos e da terra com suas formas de vida, a Bíblia fornece-nos a única narrativa inspirada e autêntica dos tratos de Deus com a humanidade até os nossos dias e nos conduz até a completa realização da gloriosa criação de Jeová, de “um novo céu e uma nova terra”. (Rev. 21:1) Com o seu grandioso propósito plenamente cumprido por meio do Reino da Semente, Jeová Deus é visto como bondoso Pai da feliz e unida família humana, a qual se junta a todas as hostes celestes em louvá-Lo e em santificar Seu santo nome.

      2, 3. Como é o tema da Semente desenvolvido nas Escrituras?

      2 Quão maravilhosamente este tema da Semente é desenvolvido nas Escrituras! Ao expressar a primeira profecia inspirada, Deus promete que ‘o descendente (literalmente: semente) da mulher’ machucará a cabeça da serpente. (Gên. 3:15) Passam-se mais de 2.000 anos e Deus diz ao fiel Abraão: “Todas as nações da terra hão de abençoar a si mesmas por meio de teu descendente.” Mais de 800 anos depois, Jeová promete algo semelhante a um dos descendentes de Abraão, o leal Rei Davi, indicando que a Semente seria alguém régio. À medida que o tempo passa, os profetas de Jeová unem-se emocionantemente em predizer as glórias do domínio do Reino. (Gên. 22:18; 2 Sam. 7:12, 16; Isa. 9:6, 7; Dan. 2:44; 7:13, 14) Daí, a própria Semente aparece, mais de 4.000 anos após a primeira promessa no Éden. Esta, que é também ‘a semente de Abraão’, é Jesus Cristo, o “Filho do Altíssimo”, e a ele Jeová dá “o trono de Davi, seu pai”. — Gál. 3:16; Luc. 1:31-33.

      3 Embora esta Semente, o Rei ungido de Deus, seja machucada na morte por meio da semente terrestre da Serpente, Deus o levanta dentre os mortos e o exalta a Sua direita, onde ele espera o tempo devido de Deus para ‘esmagar a cabeça de Satanás’. (Gên. 3:15; Heb. 10:13; Rom. 16:20) Em seguida, Revelação (Apocalipse) leva a inteira visão a seu glorioso clímax. Cristo assume o poder do Reino e lança “a serpente original, o chamado Diabo e Satanás”, dos céus para a terra. Por um curto tempo, o Diabo causa ais à terra e trava guerra com ‘os remanescentes da semente da mulher de Deus’. Mas Cristo, como “Rei dos reis”, golpeia as nações. A Serpente original, Satanás, é presa no abismo e então, finalmente, será destruída para sempre. No ínterim, mediante a Nova Jerusalém, a noiva do Cordeiro, os benefícios do sacrifício de Cristo são aplicados à humanidade para a bênção de todas as famílias da terra. Assim, o magnífico tema das Escrituras inspiradas se desenrola diante de nós, em todo seu emocionante esplendor! — Rev. 11:15; 12:1-12, 17; 19:11-16; 20:1-3, 7-10; 21:1-5, 9; 22:3-5.

      COMO TIRAR PROVEITO DO REGISTRO INSPIRADO

      4. Como podemos tirar o maior proveito das Escrituras Sagradas, e por quê?

      4 Como podemos tirar o maior proveito das Escrituras Sagradas? Podemos fazê-lo deixando que a Bíblia opere em nossas vidas. Estudando e aplicando diariamente as Escrituras inspiradas, podemos obter a orientação de Deus. “A palavra de Deus é viva e exerce poder”, e pode ser maravilhosa força para a justiça em nossa vida. (Heb. 4:12) Se estudarmos e seguirmos continuamente as orientações da Palavra de Deus, chegaremos a nos “revestir da nova personalidade, que foi criada segundo a vontade de Deus, em verdadeira justiça e lealdade”. Seremos renovados na força que ativa a nossa mente, e seremos transformados por reformarmos a nossa mente, a fim de provarmos a nós mesmos “a boa, e aceitável, e perfeita vontade de Deus”. — Efé. 4:23, 24; Rom. 12:2.

      5. O que podemos aprender da atitude e do exemplo de Moisés?

      5 Muito podemos aprender observando como outros servos fiéis de Deus beneficiaram-se de estudar a Palavra de Deus e de meditar nela. Por exemplo, houve Moisés, “o mais manso de todos os homens”, que era sempre dócil e disposto a aprender. (Núm. 12:3) Devemos sempre ter o mesmo apreço piedoso pela soberania de Jeová. Foi Moisés quem disse: “Ó Jeová, tu mesmo mostraste ser uma verdadeira habitação para nós durante geração após geração. Antes de nascerem os próprios montes ou de teres passado a produzir como que com dores de parto a terra e o solo produtivo, sim, de tempo indefinido a tempo indefinido, tu és Deus.” Moisés estava plenamente familiarizado com a sabedoria de Deus, pois foi usado por Jeová na escrita dos livros iniciais da Bíblia. Por conseguinte, entendia a importância de se procurar diariamente a sabedoria de Jeová. Assim, orou a Deus: “Mostra-nos como contar os nossos dias de tal modo que possamos introduzir um coração de sabedoria.” Visto que “os dias dos nossos anos” podem ser poucos, apenas 70 anos, ou 80, em caso de “potência especial”, seremos sábios se nos banquetearmos diariamente com a sua Palavra, pois então “a afabilidade de Jeová, nosso Deus”, mostrará “estar sobre nós”, assim como estava sobre o seu fiel servo Moisés. — Sal. 90:1, 2, 10, 12, 17.

      6. Como podemos, igual a Josué, tornar bem-sucedido o nosso caminho?

      6 Quão necessário é meditar diariamente na Palavra de Deus! Jeová tornou isto claro ao sucessor de Moisés, Josué, dizendo-lhe: “Somente sê corajoso e muito forte para cuidar em fazer segundo toda a lei que Moisés, meu servo, te ordenou. Não te desvies dela nem para a direita nem para a esquerda, a fim de agirdes sabiamente onde quer que andares. Este livro da lei não se deve afastar da tua boca e tu o tens de ler em voz baixa dia e noite, para cuidar em fazer segundo tudo o que está escrito nele; pois então farás bem sucedido o teu caminho e então agirás sabiamente”. Será que a contínua leitura que Josué fez da Lei de Jeová tornou ‘bem sucedido seu caminho’? A bênção de Jeová sobre sua corajosa campanha em Canaã fornece a resposta. — Jos. 1:7, 8; 12:7-24.

      7. Como expressou Davi seu apreço pela sabedoria de Deus, e como é o mesmo apreço expresso no Salmo 119?

      7 Considere também o amado Davi, outro que prezava profundamente a sabedoria de Jeová. Quanto apreço sincero mostrou pela “lei”, “advertência”, “ordens”, “mandamento”, e “decisões judiciais” de Jeová! Conforme Davi o expressou: “São mais desejáveis do que o ouro, sim, mais do que muito ouro refinado; e são mais doces do que o mel e o mel escorrendo dos favos.” (Sal. 19:7-10) Este tema exultante é ampliado e repetido por outro salmista, com comovedora beleza, em todo o Salmo 119. À medida que estudamos diariamente a Palavra de Deus e acatamos seu sábio conselho, que possamos sempre dizer a Jeová: “Lâmpada para o meu pé é a tua palavra e luz para a minha senda. Tuas advertências são maravilhosas. Por isso é que a minha alma as tem observado.” — Sal. 119:105, 129.

      8. Que declarações de Salomão deveríamos endossar?

      8 No tempo em que ainda era fiel, o filho de Davi, Salomão, também vivia de acordo com a Palavra de Deus, e nas suas declarações também podemos encontrar comovedoras expressões de apreço que faríamos bem em endossar. Mediante a leitura e a aplicação diária da Bíblia, chegaremos a entender plenamente a profundidade do significado das palavras de Salomão: “Feliz o homem que achou sabedoria e o homem que obtém discernimento. Na sua direita há longura de dias; na sua esquerda há riquezas e glória. Seus caminhos são caminhos aprazíveis e todas as suas sendas são paz. Ela é árvore de vida para os que a agarram, e os que a seguram bem devem ser chamados de felizes.” (Pro. 3:13, 16-18) O estudo e a obediência diária à Palavra de Deus conduz à maior felicidade agora, junto com a certeza da “longura de dias” — vida eterna no novo mundo de Jeová.

      9. Que incentivo podemos derivar do exemplo de Jeremias?

      9 Não devem ser despercebidos entre os que prezavam as Escrituras inspiradas e obedeciam a elas, os fiéis profetas de Deus. Jeremias, por exemplo, tinha uma designação muito difícil. (Jer. 6:28) Conforme ele disse: “A palavra de Jeová tornou-se para mim uma causa para vitupério e para troça, o dia inteiro.” Mas fora bem fortalecido pelos estudos da Palavra de Deus, e com efeito, ele mesmo foi usado para escrever quatro livros das Escrituras inspiradas — Primeiro e Segundo Reis, Jeremias e Lamentações. Portanto, o que aconteceu quando o desânimo parecia tomar conta de Jeremias e ele pensava em desistir de pregar “a palavra de Jeová”? Que o próprio Jeremias responda: “Isto mostrou ser no meu coração como um fogo aceso encerrado nos meus ossos; e fiquei fatigado de contê-lo e não pude mais suportá-lo.” Sentiu-se compelido a falar as palavras de Jeová, e ao fazê-lo, descobriu que Jeová estava com ele “como um poderoso terrível”. Se persistirmos em estudar a Palavra de Deus, de modo que ela se torne parte de nós assim como era de Jeremias, então o invencível poder de Jeová estará da mesma forma conosco, e seremos capazes de superar todos os obstáculos ao continuarmos a falar de Seu glorioso propósito do Reino. — Jer. 20:8, 9, 11.

      10. Que papel desempenharam as Escrituras na vida de Jesus, e o que orou em prol de seus discípulos?

      10 Que dizer então de nosso maior exemplo, “o Agente Principal e Aperfeiçoador da nossa fé, Jesus”? Estava ele familiarizado com as Escrituras inspiradas da mesma maneira que todos os profetas e homens fiéis antes dele? Certamente que sim, conforme demonstram claramente suas muitas citações e seu proceder na vida em harmonia com as Escrituras. Foi com a Palavra de Deus em mente que ele se apresentou para fazer a vontade de Seu Pai, na terra: “Eis aqui vim, no rolo do livro está escrito a meu respeito. Agradei-me em fazer a tua vontade, ó meu Deus, e a tua lei está nas minhas partes internas.” (Heb. 12:2; Sal. 40:7, 8; Heb. 10:5-7) Assim, a Palavra de Deus desempenhou papel-chave em Jeová santificar Jesus, ou em pô-lo à parte para seu serviço. Jesus orou para que seus seguidores fossem santificados da mesma forma: “Santifica-os por meio da verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, eu também os enviei ao mundo. E santifico-me em seu benefício, para que também sejam santificados por meio da verdade.” — João 17:17-19.

      11. (a) O que enfatizou Pedro aos cristãos ungidos relacionado com a Palavra de Deus? (b) Por que é o estudo da Bíblia importante também para a grande multidão?

      11 Sendo santificados “por meio da verdade”, os seguidores ungidos, gerados por espírito, das pisadas de Jesus, têm de ‘permanecer na Sua palavra’ a fim de serem realmente seus discípulos. (João 8:31) Assim, Pedro, ao escrever “aos que obtiveram uma fé”, enfatizou a necessidade de contínuo estudo e atenção à Palavra de Deus: “Por esta razão, estarei sempre disposto a lembrar-vos estas coisas, embora as saibais e estejais firmemente estabelecidos na verdade que está presente em vós.” (2 Ped. 1:1, 12) Advertências contínuas, tais como as encontradas na leitura e estudo diários da Palavra de Deus, são importantes também para todos os que esperam fazer parte da “grande multidão” que João visualizou após descrever os 144.000 selados das tribos do Israel espiritual. Pois, a menos que continuem a tomar da água da verdade da vida, como pode esta grande multidão inteligentemente ‘gritar com voz alta, dizendo: “Devemos a salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro”’? — Rev. 7:9, 10; 22:17.

      12. Por que devemos meditar constantemente na Palavra de Deus?

      12 Não podemos fugir disso! O modo de se tirar o maior proveito das Escrituras inspiradas, o modo de se achar a salvação para a vida eterna, é estudar as Escrituras e viver em harmonia com elas cada dia de nossas vidas. Precisamos meditar constantemente na Palavra de Deus, com a mesma inclinação de mostrar apreço em oração expressa pelo salmista: “Lembrar-me-ei das práticas de Jah; pois, vou lembrar-me da tua maravilha de outrora. E meditarei certamente em toda a tua atividade.” (Sal. 77:11, 12) Meditar nas ‘maravilhas e na atividade’ de Jeová nos motivará também a sermos ativos em obras excelentes, visando a vida eterna. O objetivo deste livro, “Toda a Escritura é Inspirada por Deus e Proveitosa”, é incentivar a todos os que amam a justiça a participar nos eternos e satisfatórios benefícios que advêm do contínuo estudo e aplicação da Palavra de Deus.

      NOS “TEMPOS CRÍTICOS”

      13. Em que “tempos críticos” vivemos?

      13 A era atual é o período mais crítico da história humana. Está repleta de possibilidades atemorizantes. Deveras, pode-se realmente afirmar que a própria sobrevivência da raça humana está em perigo. Muitíssimo apropriadas, portanto, são as palavras do apóstolo Paulo: “Sabe, porém, isto, que nos últimos dias haverá tempos críticos, difíceis de manejar. Pois os homens serão amantes de si mesmos, amantes do dinheiro, pretensiosos, soberbos, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, desleais, sem afeição natural, não dispostos a acordos, caluniadores, sem autodomínio, ferozes, sem amor à bondade, traidores, teimosos, enfunados de orgulho, mais amantes de prazeres do que amantes de Deus, tendo uma forma de devoção piedosa, mostrando-se, porém, falsos para com o seu poder; e destes afasta-te.” — 2 Tim. 3:1-5.

      14. Em vista dos tempos, que aviso de Paulo devemos acatar?

      14 Por que afastar-se de tais? Porque sua impiedade logo acabará na destruição! Antes, voltemo-nos, junto com todos os sinceros, para o salutar ensinamento das Escrituras inspiradas, tornando-as o próprio alicerce de nossa vida diária. Acatemos as palavras de Paulo ao jovem Timóteo: “Tu, porém, continua nas coisas que aprendeste e ficaste persuadido a crer.” (2 Tim. 3:14) Sim, “continua” nelas, diz Paulo. Fazendo isto, devemos humildemente deixar que as Escrituras nos ensinem, nos repreendam, endireitem as coisas e nos disciplinem em justiça. Jeová sabe o que precisamos, pois seus pensamentos são muito mais altos do que os nossos. Por meio das suas Escrituras inspiradas, ele nos diz o que é de proveito para nós, de modo que estejamos completamente equipados e sejamos competentes para a boa obra de testemunho a respeito de seu nome e de seu Reino. Paulo nos dá este importante aviso no contexto da descrição dos “tempos críticos” que sobreviriam nos “últimos dias”: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça, a fim de que o homem de Deus seja plenamente competente, completamente equipado para toda boa obra.” Que todos nós, por darmos ouvidos a este aviso inspirado, sobrevivamos a estes tempos críticos! — 2 Tim. 3:16, 17; Isa. 55:8-11.

      15. (a) O que resultou da desobediência? (b) Que gloriosa oportunidade se abriu pela obediência de Cristo?

      15 A obediência às Escrituras inspiradas deve ser nosso alvo. Foi pela desobediência à palavra e ao mandamento de Jeová que o primeiro homem caiu no pecado e na morte, “e assim a morte se espalhou a todos os homens”. Portanto, o homem perdeu a oportunidade que poderia ter tido de ‘tomar realmente do fruto da árvore da vida, e comer, e viver por tempo indefinido’, no Paraíso edênico. (Rom. 5:12; Gên. 2:17; 3:6, 22-24) Mas é pela obediência de Cristo e com base no sacrifício deste “Cordeiro de Deus” que Jeová fará que “um rio de água da vida, límpido como cristal”, flua para o proveito de todos aqueles da humanidade que se dedicam a Ele em obediência. Conforme visionado pelo apóstolo João: “Deste lado do rio e daquele lado havia árvores da vida, produzindo doze safras de frutos, dando os seus frutos cada mês. E as folhas das árvores eram para a cura das nações.” — João 1:29; Rev. 22:1, 2; Rom. 5:18, 19.

      16. De que proveito eterno são as Escrituras inspiradas?

      16 Mais uma vez o caminho da vida eterna abre-se para a humanidade. Felizes, então, são aqueles que acatam o texto inspirado: “Tens de escolher a vida para ficar vivo, tu e tua descendência, amando a Jeová, teu Deus, escutando a sua voz e apegando-te a ele; pois ele é a tua vida e a longura dos teus dias.” (Deut. 30:19, 20) Bendito seja Jeová, o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que fez esta grandiosa provisão de vida por meio do sacrifício de seu Filho e de seu Reino eterno. Quão grande é nossa alegria e gratidão por podermos ler e reler, estudar e reestudar, bem como meditar nestas preciosas verdades, pois deveras “toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa”, conduzindo à vida eterna quer no céu, quer na terra paradísica. (João 17:3; Efé. 1:9-11) Tudo então será ‘santidade a Jeová’. — Zac. 14:20; Rev. 4:8.

  • Livro bíblico número 1 — Gênesis
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 1 — Gênesis

      Escritor: Moisés

      Lugar da Escrita: Ermo

      Escrita Completada: 1513 AEC

      Tempo Abrangido: “No princípio” a 1657 AEC

      1. Quais são alguns dos tópicos vitais abrangidos em Gênesis?

      IMAGINE apanhar um livro de apenas 50 curtos capítulos e encontrar nas primeiras páginas o único relato exato da história mais primitiva do homem, e um registro que mostra a relação do homem com Deus, seu Criador, bem como com a terra e suas miríades de criaturas! Nessas poucas páginas obtém-se, além disso, uma penetrante visão dos propósitos de Deus em colocar o homem sobre a terra. Lendo um pouco mais além, descobre-se por que o homem morre e o motivo da sua atual situação dificultosa, e obtém-se esclarecimento com relação à real base para fé e esperança, até mesmo com relação à identificação do instrumento de Deus para a libertação — a Semente da promessa. O notável livro que contém tudo isso é Gênesis, o primeiro dos 66 livros da Bíblia.

      2. O que significa o nome Gênesis, e de que é ele a primeira parte?

      2 “Gênesis” significa “Origem; Nascimento”, nome este tirado da tradução grega Septuaginta do livro. Nos manuscritos hebraicos, o título é a palavra de abertura, Bereʼ·shíth, “no princípio” (grego, en ar·kheí). Gênesis é o primeiro livro do Pentateuco (palavra grega aportuguesada que significa “cinco rolos” ou “volume quíntuplo”). Evidentemente estes eram originalmente um só livro, chamado Tora (Lei) ou “o livro da lei de Moisés”, sendo, porém, mais tarde dividido em cinco rolos para facilitar o manejo. — Jos. 23:6; Esd 6:18.

      3. (a) Quem é o Autor de Gênesis, mas, quem o escreveu? (b) Como Moisés pode ter obtido as informações que incluiu em Gênesis?

      3 Jeová Deus é o Autor da Bíblia, mas ele inspirou Moisés a escrever o livro de Gênesis. De onde obteve Moisés as informações que registrou em Gênesis? Algumas talvez tenham sido obtidas diretamente por revelação divina e outras sob a direção do espírito santo, por transmissão oral. É possível também que Moisés possuísse documentos escritos preservados por seus antepassados como valiosos registros sobre as origens da humanidade.a

      4. (a) Onde e quando completou Moisés a sua escrita? (b) Como Moisés pode ter obtido a matéria que incorporou na última parte de Gênesis?

      4 Foi talvez no ermo de Sinai, em 1513 AEC, que Moisés, sob inspiração, completou a sua escrita. (2 Tim. 3:16; João 5:39, 46, 47) De onde obteve Moisés as informações para a última parte de Gênesis? Visto que seu bisavô Levi era irmão consangüíneo de José, tais pormenores seriam conhecidos com precisão na sua própria família. A vida de Levi talvez tenha até coincidido em parte com a do pai de Moisés, Anrão. Ademais, o espírito de Jeová novamente asseguraria o registro correto deste trecho das Escrituras. — Êxo. 6:16, 18, 20; Núm. 26:59.

      5. Que evidência interna prova que Moisés foi o escritor?

      5 Não resta dúvida quanto a quem escreveu Gênesis. “O livro da lei de Moisés” e referências similares aos cinco primeiros livros da Bíblia, dos quais Gênesis é um, são encontradas muitas vezes a partir dos dias de Josué, sucessor de Moisés. De fato, há cerca de 200 referências a Moisés em 27 dos livros posteriores da Bíblia. Nunca os judeus contestaram que Moisés fosse o escritor. As Escrituras Gregas Cristãs mencionam freqüentemente Moisés como sendo o escritor da “lei”, sendo o testemunho culminante o de Jesus Cristo. Moisés escreveu sob ordem direta de Jeová e sob Sua inspiração. — Êxo. 17:14; 34:27; Jos. 8:31; Dan. 9:13; Luc. 24:27, 44.

      6. Que indicações há de que a arte da escrita começou cedo na história humana?

      6 Alguns cépticos perguntam: Mas como é que Moisés e seus predecessores sabiam escrever? Não foi a escrita um desenvolvimento humano posterior? A arte da escrita evidentemente teve seu início cedo na história humana, talvez antes do Dilúvio dos dias de Noé, que ocorreu em 2370 AEC. Existe alguma evidência quanto à habilidade primitiva do homem de escrever? Embora seja verdade que os arqueólogos têm atribuído datas anteriores a 2370 AEC para certas tabuinhas de argila que escavaram, tais datas são meras conjecturas. Contudo, deve-se notar que a Bíblia mostra claramente que a construção de cidades, o desenvolvimento de instrumentos musicais e a forja de ferramentas de metal tiveram início bem antes do Dilúvio. (Gên. 4:17, 21, 22) É razoável, pois, concluir que os homens teriam pouca dificuldade em desenvolver um método de escrita.

      7. Que confirmação secular há de um dilúvio global e da existência de três ramos da raça humana, conforme descrito no relato bíblico?

      7 Em muitos outros aspectos, Gênesis provou-se surpreendentemente coerente com os fatos provados. Só Gênesis dá um relato verídico e realístico do Dilúvio e de seus sobreviventes, embora os relatos sobre um dilúvio e sobrevivência de humanos (em muitos casos por terem sido preservados num barco) se encontrem nas lendas de muitos ramos da família humana. O relato de Gênesis localiza também o começo das moradas dos diferentes ramos da humanidade, originando-se dos três filhos de Noé — Sem, Cã e Jafé.b Diz o Dr. Melvin G. Kyle, do Seminário Teológico de Xenia, Missouri, EUA: “Que, dum ponto central, em alguma parte da Mesopotâmia, o ramo camítico da raça migrou para o sudoeste, o ramo jafético para o noroeste e o ramo semítico ‘em direção do leste’, para a ‘terra de Sinear’, é incontestável.”c

      8. Que outros tipos de evidência testificam a autenticidade de Gênesis?

      8 A autenticidade de Gênesis como parte do registro divino é demonstrada também pela sua harmonia interna, bem como sua completa concordância com o restante das Escrituras inspiradas. A sua franqueza denota um escritor que temia a Jeová e amava a verdade, e escrevia sem hesitar sobre os pecados tanto da nação de Israel como das pessoas preeminentes nela. Acima de tudo, a exatidão invariável com que as suas profecias se cumpriram, conforme será demonstrado mais para o fim deste capítulo, marca Gênesis como exemplo notável de escrita inspirada por Jeová Deus. — Gên. 9:20-23; 37:18-35; Gál. 3:8, 16.

      CONTEÚDO DE GÊNESIS

      9. (a) O que se relata sobre a criação de Deus no capítulo inicial de Gênesis? (b) Que detalhes adicionais relativos ao homem fornece o segundo capítulo?

      9 A criação dos céus e da terra, e a preparação da terra para habitação humana (Gênesis 1:1-2:25). Remontando evidentemente a bilhões de anos, Gênesis começa com impressionante simplicidade: “No princípio Deus criou os céus e a terra.” Significativamente, esta sentença inicial identifica a Deus como sendo o Criador e sua criação material como sendo os céus e a terra. Com palavras majestosas e bem-escolhidas, o primeiro capítulo passa a fazer um relato geral sobre a obra criativa no tocante à terra. Isto se realiza em seis períodos, chamados de dias, cada qual começando com noitinha, quando a obra criativa daquele período é indefinida, e terminando no brilho da manhã, quando a glória da obra criativa torna-se claramente manifesta. Em “dias” sucessivos aparecem a luz, a expansão da atmosfera, a terra seca e a vegetação, os luzeiros para separar o dia e a noite, os peixes e as aves, os animais terrestres e, por fim, o homem. Deus dá a conhecer aqui a sua lei que governa as espécies, a barreira intransponível que impossibilita uma espécie evoluir em outra. Tendo feito o homem à Sua própria imagem, Deus anuncia seu propósito triplo para com o homem na terra: enchê-la de uma prole justa, subjugá-la e ter em sujeição a criação animal. O sétimo “dia” é abençoado e declarado sagrado por Jeová, que passa então a ‘descansar de todas as suas obras que tem feito’. A seguir o relato fornece uma vista de perto, ou ampliada, da obra criativa de Deus relativa ao homem. Descreve o jardim do Éden e sua localização, declara a lei de Deus sobre a árvore proibida, fala sobre Adão dar nome aos animais e daí a respeito de Jeová providenciar o primeiro casamento, formando uma esposa do próprio corpo de Adão e trazendo-a a este.

      10. Como explica Gênesis a origem do pecado e da morte, e que importante propósito dá-se a conhecer ali?

      10 O pecado e a morte entram no mundo; predito o “descendente” (semente) como libertador (3:1-5:5). A mulher come do fruto proibido e persuade seu marido a unir-se a ela em rebelião e, assim, o Éden fica profanado pela desobediência. Deus imediatamente indica o meio pelo qual seu propósito será realizado: “E Jeová Deus passou a dizer à serpente [Satanás, o instigador invisível da rebelião]: ‘ . . . E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre o teu descendente [literalmente: semente] e o seu descendente. Ele te machucará a cabeça e tu lhe machucarás o calcanhar.’” (3:14, 15) O homem é expulso do jardim, passando a viver em dor e labuta suada entre espinhos e abrolhos. Por fim, tem de morrer e retornar ao solo do qual fora tirado. Só a sua prole pode ter esperança na Semente prometida.

      11. De que modo as devastações do pecado continuam fora do Éden?

      11 As devastações do pecado continuam fora do Éden. Caim, o primeiro filho varão nascido, torna-se o assassino de seu irmão Abel, fiel servo de Jeová. Jeová proscreve a Caim para a terra da Fuga, onde ele produz uma geração que mais tarde é exterminada pelo Dilúvio. Adão tem então mais um filho, Sete, que se torna pai de Enos; nessa época, os homens começam a invocar o nome de Jeová hipocritamente. Adão morre aos 930 anos de idade.

      12. De que modo a terra vem a ficar arruinada nos dias de Noé?

      12 Homens e anjos iníquos arruínam a terra; Deus traz o Dilúvio (5:6-11:9). Dá-se aqui a genealogia através de Sete. Entre estes descendentes de Sete destacam-se Enoque, que santifica o nome de Jeová “andando com o verdadeiro Deus”. (5:22) O próximo homem de fé notável é o bisneto de Enoque, Noé, que nasceu 1.056 anos depois da criação de Adão. Nessa época, ocorre algo que aumenta a violência na terra. Anjos de Deus abandonam sua habitação celestial para se casarem com as lindas filhas dos homens. Essa coabitação não-autorizada produz uma raça híbrida de gigantes conhecidos por nefilins (que significa “Derrubadores”), que fazem um nome, não para Deus, mas para si mesmos. Portanto, Jeová anuncia a Noé que eliminará os homens e os animais por causa da contínua maldade da humanidade. Só Noé acha favor diante de Jeová.

      13. De que modo Jeová santifica então o seu nome?

      13 Noé torna-se pai de Sem, Cã e Jafé. Ao passo que a violência e a ruína persistem na terra, Jeová revela a Noé que está prestes a santificar o Seu nome mediante um grande dilúvio e manda que Noé construa uma arca de preservação, dando-lhe planos pormenorizados da construção. Noé obedece prontamente, reúne dentro da arca a sua família de oito pessoas, juntamente com animais e aves; daí, no 600.º ano de sua vida (2370 AEC), começa o Dilúvio. O aguaceiro continua por 40 dias, sendo que mesmo os altos montes ficam cobertos por até 15 côvados (quase 7 metros) de água. Depois de um ano, quando Noé finalmente pode conduzir sua família para fora da arca, seu primeiro ato é oferecer um grande sacrifício de agradecimento a Jeová.

      14. O que é que Jeová então ordena e pactua, e que eventos completam a vida de Noé?

      14 Jeová então profere uma bênção sobre Noé e sua família e ordena-lhes que encham a terra com sua descendência. O decreto de Deus permite comerem carne, mas exige abstinência do sangue, que é a alma, ou vida, da carne, e exige a execução de homicidas. O pacto de Deus de nunca mais trazer um dilúvio sobre a terra é confirmado com o aparecimento do arco-íris no céu. Mais tarde, Cã mostra desrespeito pelo profeta de Jeová, Noé. Este, ao ficar sabendo disso, amaldiçoa a Canaã, filho de Cã, mas acrescenta uma bênção que mostra que Sem será especialmente favorecido e que Jafé também será abençoado. Noé morre aos 950 anos de idade.

      15. Que tentativa fazem os homens para conseguir para si mesmos um nome célebre, e como frustra Jeová a intenção deles?

      15 Os três filhos de Noé executam a ordem de Deus de multiplicar-se, produzindo 70 famílias, os progenitores da atual raça humana. Ninrode, neto de Cã, não é incluído nesta relação, evidentemente porque torna-se “poderoso caçador em oposição a Jeová”. (10:9) Ele funda um reino e começa a edificar cidades. Nessa época, toda a terra fala uma só língua. Os homens, em vez de se espalharem sobre a terra, para a povoarem e a cultivarem, decidem construir uma cidade e uma torre com o cume nos céus, para fazerem um nome célebre para si mesmos. No entanto, Jeová frustra a intenção deles confundindo-lhes a língua e, assim, os espalha. A cidade é chamada de Babel (que significa “Confusão”).

      16. (a) Por que é importante a genealogia de Sem? (b) Como é que Abrão chega a ser chamado de “amigo de Jeová”, e que bênçãos recebe ele?

      16 Os tratos de Deus com Abraão (11:10-25:26). Traça-se a importante linhagem de descendentes de Sem até o filho de Tera, Abrão, fornecendo-se também os elos cronológicos. Em vez de procurar fazer um nome para si mesmo, Abrão exerce fé em Deus. Aos 75 anos de idade, ele parte da cidade caldéia de Ur, às ordens de Deus, cruza o Eufrates a caminho da terra de Canaã, invocando o nome de Jeová. Por causa de sua fé e obediência, chega a ser chamado de “amigo [apreciador] de Jeová”, e Deus faz seu pacto com ele. (Tia. 2:23; 2 Crô. 20:7; Isa. 41:8) Deus protege a Abrão e sua esposa durante uma breve estada no Egito. De volta a Canaã, Abrão mostra sua generosidade e pacificidade, permitindo que seu sobrinho e co-adorador Ló selecione a melhor parte da terra. Mais tarde, socorre a Ló das mãos de quatro reis que o capturaram. Daí, retornando da luta, Abrão encontra Melquisedeque, rei de Salém, que, como sacerdote de Deus, abençoa a Abrão, e Abrão lhe paga dízimos.

      17. Como amplia Deus o seu pacto, e o que se revela quanto à semente de Abraão?

      17 Mais tarde Deus aparece a Abrão, anunciando ser Ele o escudo de Abrão e amplia sua promessa pactuada revelando que numericamente a semente de Abrão tornar-se-á como as estrelas do céu. Abrão é informado de que sua semente sofrerá aflição por 400 anos, mas será libertada por Deus, com julgamento contra a nação causadora da aflição. Quando Abrão atinge 85 anos, sua esposa Sarai, ainda sem filhos, lhe dá Agar, sua serva egípcia, para que ele tenha um filho por meio dela. Nasce Ismael, que é considerado o possível herdeiro. Mas, as intenções de Jeová são outras. Quando Abrão atinge 99 anos, Jeová troca-lhe o nome para Abraão, e o de Sarai para Sara, e promete que Sara dará à luz um filho. Dá-se o pacto da circuncisão a Abraão, e ele imediatamente circuncida os de sua casa.

      18. Que acontecimentos notáveis são pontos altos da vida de Ló?

      18 A seguir, Deus anuncia a seu amigo Abraão a sua determinação de destruir Sodoma e Gomorra, por causa do grande pecado delas. Os anjos de Jeová avisam a Ló e ajudam-no a fugir de Sodoma, junto com a esposa e duas filhas. A esposa, porém, demorando-se ao olhar com anelo para as coisas deixadas atrás, transforma-se em coluna de sal. As filhas de Ló, para terem descendência, embriagam o pai com vinho e, mediante relação sexual com ele, dão à luz dois filhos, que se tornam os pais das nações de Moabe e de Amom.

      19. Por que prova passa Abraão com êxito, com relação à Semente, e o que revela adicionalmente Jeová, em confirmação de sua promessa?

      19 Deus protege a Sara de ser contaminada por Abimeleque, dos filisteus. Nasce o herdeiro prometido, Isaque, quando Abraão tem 100 anos e Sara cerca de 90. Uns cinco anos depois, Ismael, de 19 anos, zomba de Isaque, o herdeiro, resultando em Agar e Ismael serem despedidos, com a aprovação de Deus. Alguns anos depois, Deus prova a Abraão, mandando que sacrifique seu filho Isaque num dos montes de Moriá. A grande fé de Abraão em Jeová não vacila. Ele tenta oferecer seu filho e herdeiro, mas Jeová o detém, suprindo-lhe um carneiro como sacrifício substituto. Jeová mais uma vez confirma sua promessa a Abraão, dizendo que multiplicará a semente de Abraão como as estrelas do céu e os grãos de areia da praia. Revela que essa semente tomará posse do portão de seus inimigos, e que todas as nações da terra certamente serão abençoadas por meio da Semente.

      20. Que cuidado exerce Abraão em providenciar uma esposa para Isaque, e de que modo Isaque se torna herdeiro único?

      20 Sara morre aos 127 anos de idade e é sepultada num campo que Abraão compra dos filhos de Hete. Abraão envia então o principal servo de sua casa para obter uma esposa para Isaque, do país de seus parentes. Jeová conduz o servo à família de Betuel, filho de Naor, e fazem-se planos para que Rebeca retorne com ele. Rebeca vai de bom grado, com a bênção de sua família, e torna-se esposa de Isaque. Abraão, por sua vez, toma outra esposa, Quetura, que lhe dá à luz seis filhos. Contudo, ele dá-lhes presentes e os despede, fazendo de Isaque seu único herdeiro. Daí, aos 175 anos, Abraão morre.

      21. De que modo Isaque e Rebeca vieram a ter filhos gêmeos?

      21 Conforme Jeová predissera, o irmão consangüíneo de Isaque, Ismael, torna-se pai duma grande nação, fundada sobre seus 12 filhos-maiorais. Por 20 anos Rebeca é estéril, mas Isaque roga continuamente a Jeová, e ela dá à luz gêmeos, Esaú e Jacó, a respeito de quem Jeová lhe dissera que o mais velho serviria ao mais novo. Isaque tem então 60 anos de idade.

      22. De que modo Esaú e Jacó encaram o pacto feito com Abraão, e com que resultados?

      22 Jacó e seus 12 filhos (25:27-37:1). Esaú torna-se entusiasta da caça. Deixando de ter apreço pelo pacto feito com Abraão, ele volta da caçada certo dia e vende seu direito de primogenitura a Jacó por um mero bocado de cozido. Além disso, casa-se com duas mulheres hititas (e mais tarde com uma ismaelita), que se tornam uma fonte de amargura para os pais dele. Ajudado por sua mãe, Jacó se disfarça, fazendo-se passar por Esaú, a fim de receber a bênção de primogênito. Esaú, que não havia revelado a Isaque que vendera o direito de primogenitura, planeja então matar Jacó ao saber o que este fizera, de modo que Rebeca aconselha Jacó a fugir para Harã, para o irmão dela, Labão. Antes de Jacó partir, Isaque o abençoa mais uma vez e instrui-o a não tomar esposa pagã, mas sim a alguém da família de sua mãe. Em Betel, a caminho de Harã, Jeová lhe aparece num sonho, reanima-o e confirma-lhe a promessa pactuada feita em relação com ele.

      23. (a) De que modo vem Jacó a ter 12 filhos? (b) Por que Rubem perde o direito de primogenitura?

      23 Em Harã, Jacó trabalha para Labão, casa-se com as duas filhas deste, Léia e Raquel. Embora este casamento polígamo lhe seja causado por meio dum truque de Labão, Deus abençoa-o, dando a Jacó 12 filhos e uma filha mediante as esposas e as duas servas delas, Zilpa e Bila. Deus cuida que os rebanhos de Jacó aumentem grandemente, e daí instrui-o a retornar para a terra de seus antepassados. É perseguido por Labão, mas eles fazem um pacto no lugar chamado Galeede e A Torre de Vigia (hebraico, ham·Mits·páh). Prosseguindo a sua jornada, os anjos reanimam a Jacó e ele luta durante a noite com um anjo, que, por fim, abençoa-o e muda-lhe o nome de Jacó para Israel. Jacó providencia pacificamente um encontro com Esaú e viaja para Siquém. Ali, sua filha Diná é violentada pelo filho do chefe heveu. Os irmãos dela, Simeão e Levi, vingam-se, matando os homens de Siquém. Isto desagrada a Jacó, pois dá a ele, representante de Jeová, má fama no país. Deus lhe diz para ir a Betel para erigir ali um altar. Na penosa viagem saindo de Betel, Raquel morre ao dar à luz para Jacó seu 12.º filho, Benjamim. Rubem violenta a serva de Raquel, Bila, mãe de dois filhos de Jacó e, por isso, perde o direito de primogenitura. Pouco depois, Isaque morre aos 180 anos de idade, e Esaú e Jacó o sepultam.

      24. Por que Esaú e sua família se mudam para a região montanhosa de Seir?

      24 Esaú e sua família mudam-se para a região montanhosa de Seir, e a grande riqueza acumulada de Esaú e de Jacó impede-os de continuarem a morar juntos. Fornece-se a lista da descendência de Esaú, bem como a dos xeques e dos reis de Edom. Jacó continua a morar em Canaã.

      25. Que eventos levam José a tornar-se escravo no Egito?

      25 Para o Egito a fim de preservar a vida (37:2-50:26). Devido ao favor de Jeová e a certos sonhos que ele faz que José tenha, os seus irmãos mais velhos chegam a odiá-lo. Tramam matá-lo, mas, em vez disso, vendem-no a certos mercadores ismaelitas de passagem. Mergulhando a roupa listrada de José no sangue dum bode, apresentam-na a Jacó como prova de que o jovem de 17 anos fora morto por uma fera. José é levado para o Egito e vendido a Potifar, chefe da guarda de Faraó.

      26. Por que é importante a narrativa do nascimento de Peres?

      26 O capítulo 38 faz uma breve digressão para relatar o nascimento de Peres, filho de Tamar, que, por estratégia, faz com que Judá, seu sogro, realize o casamento que deveria ser realizado pelo filho dele com ela. Este relato frisa mais uma vez o extremo cuidado com que as Escrituras registram cada ocorrência que conduz à produção da Semente da promessa. O filho de Judá, Peres, torna-se um dos antepassados de Jesus. — Luc. 3:23, 33.

      27. Como é que José se torna primeiro-ministro do Egito?

      27 No ínterim, Jeová abençoa José no Egito, e José torna-se grande na casa de Potifar. Contudo, as dificuldades o perseguem quando se recusa a vituperar o nome de Deus, não consentindo em fornicar com a esposa de Potifar, e ele é falsamente acusado e lançado na prisão. Ali é usado por Jeová na interpretação dos sonhos de dois companheiros de prisão, o copeiro e o padeiro de Faraó. Mais tarde, quando Faraó tem um sonho que o deixa muito preocupado, a habilidade de José lhe é trazida à atenção, de modo que é imediatamente levado da masmorra na prisão à presença de Faraó. Dando o crédito a Deus, José interpreta o sonho predizendo sete anos de fartura a serem seguidos de sete anos de fome. Faraó reconhece “o espírito de Deus” sobre José, e nomeia-o primeiro-ministro para cuidar da situação. (Gên. 41:38) José, agora com 30 anos de idade, administra sabiamente, armazenando alimentos durante os sete anos de fartura. Daí, durante a fome mundial que se segue, ele vende os cereais aos povos do Egito e de outras nações que vêm ao Egito em busca de alimento.

      28. Que eventos cercam a mudança da família de Jacó para o Egito?

      28 Com o tempo, Jacó envia seus dez filhos mais velhos ao Egito em busca de cereais. José reconhece-os, mas eles não. Retendo a Simeão como refém, José exige que tragam seu irmão mais jovem na próxima viagem em busca de cereais. Quando os nove filhos retornam com Benjamim, José se revela, expressa seu perdão aos dez culpados e os instrui a trazerem Jacó e a se mudarem para o Egito, para o bem deles durante a fome. Concordemente, Jacó, junto com 66 descendentes, muda-se para o Egito. Faraó dá-lhes a melhor terra, a terra de Gósen, para ali residirem.

      29. Que importante série de profecias faz Jacó no seu leito de morte?

      29 Quando Jacó se aproxima da morte, abençoa a Efraim e a Manassés, os filhos de José, e daí chama junto de si a seus próprios 12 filhos para lhes dizer o que lhes sucederá “na parte final dos dias”. (49:1) Ele dá então, em pormenores, uma série de profecias, todas elas tendo tido desde então um cumprimento notável.d Ele prediz que o cetro do domínio permanecerá na tribo de Judá até a vinda de Siló (que significa “Aquele de Quem É”; Aquele a Quem Pertence”), a prometida Semente. Depois de assim abençoar os cabeças das 12 tribos, e de dar ordens sobre seu próprio enterro futuro na Terra da Promessa, Jacó morre à idade de 147 anos. José continua a cuidar de seus irmãos e da família deles até à sua própria morte, à idade de 110 anos, tempo em que expressa sua fé no sentido de que Deus levará outra vez Israel para sua terra, e pede que também seus ossos sejam levados para aquela Terra da Promessa.

      POR QUE É PROVEITOSO

      30. (a) Que base fornece Gênesis para o entendimento dos livros posteriores da Bíblia? (b) A que objetivo correto aponta Gênesis?

      30 Como princípio da Palavra inspirada de Deus, Gênesis é de proveito inestimável para apresentar os gloriosos propósitos de Jeová Deus. Que base fornece para o entendimento dos livros posteriores da Bíblia! Na sua ampla abrangência, descreve o começo e o fim do mundo justo no Éden, o desenvolvimento e o fim desastroso do primeiro mundo de pessoas ímpias, e o surgimento do atual mundo perverso. Destacadamente, estabelece o tema da Bíblia inteira, a saber, a vindicação do nome de Jeová mediante o Reino regido pela prometida “semente”. Mostra por que o homem morre. De Gênesis 3:15 em diante — e especialmente no registro dos tratos de Deus com Abraão, Isaque e Jacó — apresenta a esperança de vida no novo mundo sob o Reino da Semente. É proveitoso ao indicar o objetivo correto para todos os da humanidade — o de serem íntegros e santificarem o nome de Jeová. — Rom. 5:12, 18; Heb. 11:3-22, 39, 40; 12:1; Mat. 22:31, 32.

      31. Fazendo referência à tabela acompanhante, mostre que Gênesis contém (a) profecias significativas e (b) princípios valiosos.

      31 As Escrituras Gregas Cristãs fazem referência a cada um dos principais eventos e pessoas registrados no livro de Gênesis. Ademais, conforme demonstrado em todas as Escrituras, as profecias registradas em Gênesis cumpriram-se infalivelmente. Uma dessas, os “quatrocentos anos” de aflição sobre a semente de Abrão, começou quando Ismael zombou de Isaque, em 1913 AEC, e terminou com a libertação do cativeiro no Egito, em 1513 AEC.e (Gên. 15:13) Exemplos de outras profecias significativas e de seu cumprimento são apresentados na tabela acompanhante. São também de imenso proveito na edificação da fé e do entendimento os princípios divinos declarados pela primeria vez em Gênesis. Os profetas da antiguidade, bem como Jesus e seus discípulos, fizeram freqüentes referências e aplicações de passagens do livro de Gênesis. Faremos bem em seguir o exemplo deles, e o estudo da tabela acompanhante será de ajuda nisso.

      32. Que importantes informações contém Gênesis sobre casamento, genealogia e contagem do tempo?

      32 Gênesis revela mui claramente a vontade e o propósito de Deus concernentes a casamento, relação apropriada entre marido e esposa e princípios de chefia e treinamento familiar. O próprio Jesus recorreu a essas informações, citando tanto o primeiro capítulo como o segundo capítulo de Gênesis numa só declaração: “Não lestes que aquele que os criou desde o princípio os fez macho e fêmea, e disse: ‘Por esta razão deixará o homem seu pai e sua mãe, e se apegará à sua esposa, e os dois serão uma só carne’?” (Mat. 19:4, 5; Gên. 1:27; 2:24) O registro de Gênesis é essencial para fornecer a genealogia da família humana e também para calcular o tempo que o homem tem estado na terra. — Gên. caps. 5, 7, 10, 11.

      33. Cite alguns princípios e práticas da sociedade patriarcal que são importantes para se entender a Bíblia.

      33 É também de real proveito para o estudante das Escrituras o estudo da sociedade patriarcal que Gênesis possibilita. A sociedade patriarcal era a forma de governo familiar de comunidade que operava entre o povo de Deus desde os dias de Noé até que a Lei foi dada no monte Sinai. Muitos dos pormenores incorporados no pacto da Lei já eram praticados na sociedade patriarcal. Princípios como o mérito comunal (18:32), a responsabilidade comunal (19:15), a pena capital bem como a santidade do sangue e da vida (9:4-6) e o ódio de Deus à glorificação de homens (11:4-8) têm influído na humanidade por toda a história. Muitas práticas e termos jurídicos lançam luz sobre eventos posteriores até mesmo nos dias de Jesus. A lei patriarcal que governava a guarda de pessoas e de bens (Gên. 31:38, 39; 37:29-33; João 10:11, 15; 17:12; 18:9) e o modo de transferir bens (Gên. 23:3-18), bem como a lei que regia a herança daquele que recebia o direito de primogênito (48:22), precisam ser entendidas para que se tenha o necessário fundo histórico para adquirir um entendimento claro da Bíblia. Outras práticas da sociedade patriarcal, incorporadas na Lei, foram os sacrifícios, a circuncisão (ordenada primeiro a Abraão), o fazer pactos, o casamento levirato (38:8, 11, 26) e o uso de juramentos para confirmar assuntos. — 22:16; 24:3.f

      34. Que valiosas lições para os cristãos podem ser aprendidas ao se estudar Gênesis?

      34 Gênesis, o livro inicial da Bíblia, dá muitas lições de integridade, fé, fidelidade, obediência, respeito, boas maneiras e coragem. Alguns exemplos: a fé e a coragem de Enoque em andar com Deus em face de inimigos violentos; a justiça, a qualidade irrepreensível e a implícita obediência de Noé; a fé, a determinação e a perseverança de Abraão, o seu senso de responsabilidade qual chefe de família e instrutor dos mandamentos de Deus a seus filhos, a sua generosidade e amor; a submissão de Sara a seu marido e cabeça, a sua diligência; a brandura de temperamento de Jacó e sua preocupação pela promessa de Deus; a obediência de José a seu pai, sua integridade moral, sua coragem, sua boa conduta na prisão, seu respeito pelas autoridades superiores, sua humildade em dar glória a Deus e perdoar misericordiosamente a seus irmãos; o desejo ardente de todos esses homens de santificar o nome de Jeová. Tais características exemplares sobressaem na vida dos que andaram com Deus durante o longo período de 2.369 anos, desde a criação de Adão até à morte de José, conforme abrangido no livro de Gênesis.

      35. Na edificação da fé, para o que, no futuro, aponta Gênesis?

      35 Deveras, o relato de Gênesis é proveitoso para edificar a fé, apresentando tais exemplos magníficos de fé, essa qualidade provada da fé que procura alcançar a cidade edificada e criada por Deus, Seu governo do Reino, que há muito Deus começou a preparar mediante aquele que seria sua Semente da promessa, o principal santificador do grande nome de Jeová. — Heb. 11:8, 10, 16.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, página 842; veja também “Gênesis, Livro de”.

      b Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, páginas 232-3.

      c Biblical History in the Light of Archaeological Discovery, 1934, de D. E. Hart-Davies, página 5.

      d A Sentinela de 1962, páginas 744-57 e de 1963, páginas 9-24.

      e Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, página 615; veja também “Êxodo, Livro de”.

      f A Sentinela, 1961, páginas 121-6, 148-55.

      [Tabela na página 18]

      GÊNESIS — INSPIRADO E PROVEITOSO

      Textos de Princípio Referências de

      Gênesis Outros Escritores

      1:27; 2:24 Santidade, caráter permanente

      do vínculo conjugal Mat. 19:4, 5

      2:7 O homem é alma 1 Cor. 15:45

      2:22, 23 Chefia 1 Tim. 2:13;

      1 Cor. 11:8

      9:4 Santidade do sangue Atos 15:20, 29

      20:3 Errado o adultério 1 Cor. 6:9

      24:3; 28:1-8 Casar-se só com crente 1 Cor. 7:39

      28:7 Obediência aos pais Efé. 6:1

      Profecias Cumpridas e Paralelos Proféticos

      12:1-3; Identificação da Semente

      22:15-18 (Descendente) de Abraão Gál. 3:16, 29

      14:18 Melquisedeque representa a Heb. 7:13-15

      Cristo

      16:1-4, 15 Sentido figurativo de Sara,

      Agar, Ismael, Isaque Gál. 4:21-31

      17:11 Sentido figurativo da Rom. 2:29

      circuncisão

      49:1-28 A bênção de Jacó sobre as

      12 tribos Jos. 14:1-21:45

      49:9 Leão da tribo de Judá Rev. 5:5

      Outros Textos Usados Pelos Profetas, por Jesus e Pelos Discípulos — Em Ilustração, em Aplicação ou como Exemplo — Provando Adicionalmente a Autenticidade de Gênesis

      1:1 Deus criou o céu e a terra Isa. 45:18;

      Rev. 10:6

      1:26 O homem criado à imagem de Deus 1 Cor. 11:7

      1:27 O homem criado, macho e fêmea Mat. 19:4;

      Mar. 10:6

      2:2 Deus descansou no sétimo dia Heb. 4:4

      3:1-6 A serpente enganou Eva 2 Cor. 11:3

      3:20 Toda a humanidade procede do

      casal original Atos 17:26

      4:8 Caim matou Abel Jud. 11;

      1 João 3:12

      4:9, 10 O sangue de Abel Mat. 23:35

      Caps. 5,10,11 Genealogia Lucas, cap. 3

      5:21 Enoque Jud. 14

      5:29 Noé Eze. 14:14;

      Mat. 24:37

      6:13, 17-20 Dilúvio Isa. 54:9;

      2 Ped. 2:5

      12:1-3, 7 Pacto abraâmico Gál. 3:15-17

      15:6 Fé de Abraão Rom. 4:3;

      Tia. 2:23

      15:13, 14 Estada no Egito Atos 7:1-7

      18:1-5 Hospitalidade Heb. 13:2

      19:24, 25 Sodoma e Gomorra destruídas 2 Ped. 2:6;

      Jud. 7

      19:26 Esposa de Ló Luc. 17:32

      20:7 Abraão, um profeta Sal. 105:9,15

      21:9 Ismael zomba de Isaque Gál. 4:29

      22:10 Abraão tenta oferecer Isaque Heb. 11:17

      25:23 Jacó e Esaú Rom. 9:10-13;

      Mal. 1:2, 3

      25:32-34 Esaú vende direito de

      primogenitura Heb. 12:16,17

      28:12 Escada de comunicação

      com o céu João 1:51

      37:28 José é vendido ao Egito Sal. 105:17

      41:40 José é nomeado

      primeiro-ministro Sal. 105:20, 21

  • Livro bíblico número 2 — Êxodo
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 2 — Êxodo

      Escritor: Moisés

      Lugar da Escrita: Ermo

      Escrita Completada: 1512 AEC

      Tempo Abrangido: 1657-1512 AEC

      1. (a) Quais são os destaques de Êxodo? (b) Que nomes se deram a Êxodo, e de que relato é ele continuação?

      OS EMOCIONANTES relatos de momentosos sinais e milagres que Jeová fez para libertar das aflições do Egito o povo que levava Seu nome, organizando Israel como propriedade especial sua, qual “reino de sacerdotes e uma nação santa”, e o começo da história de Israel como nação teocrática — estes são os destaques do livro bíblico de Êxodo. (Êxo. 19:6) Em hebraico, ele é chamado de Weʼél·leh shemóhth, que significa “Ora, estes são os nomes”, ou, simplesmente, Shemóhth, “Nomes”, segundo as suas palavras iniciais. O nome atual vem da Septuaginta grega, onde é chamado É·xo·dos, que foi latinizado para Exodus, significando “Saída” ou “Partida”. Que Êxodo é uma continuação do relato de Gênesis se demonstra pela palavra inicial “Ora” (literalmente, “E”) e por realistar os nomes dos filhos de Jacó, conforme tirados do registro mais completo de Gênesis 46:8-27.

      2. O que revela Êxodo sobre o nome JEOVÁ?

      2 O livro de Êxodo revela o magnificente nome de Deus, JEOVÁ, em todo o brilho de sua glória e santidade. Quando passou a demonstrar a profundeza do significado de seu nome, Deus disse a Moisés: “MOSTRAREI SER O QUE EU MOSTRAR SER”, e acrescentou que devia dizer a Israel: “MOSTRAREI SER [hebraico: אהוה, ʼEh·yéh, do verbo hebraico ha·yáh] enviou-me a vós.” O nome JEOVÁ (יהוה, YHWH) vem do verbo hebraico afim ha·wáh, “tornar-se”, e realmente significa “Ele Causa que Venha a Ser”. Certamente, os poderosos e temíveis atos de Jeová, que ele passou a realizar a favor de seu povo Israel, magnificaram e revestiram esse nome de glória resplandecente, tornando-o uma recordação “por geração após geração”, devendo ser o nome reverenciado pela eternidade. Sobretudo, é de máximo proveito que saibamos a maravilhosa história que cerca esse nome, e que adoremos o único Deus verdadeiro, Aquele que diz: “Eu sou Jeová.”a — Êxo. 3:14, 15; 6:6.

      3. (a) Como sabemos que Moisés é o escritor de Êxodo? (b) Quando foi escrito Êxodo, e que período abrange?

      3 O escritor de Êxodo é Moisés, indicado pelo fato de ser Êxodo o segundo volume do Pentateuco. O livro em si registra três casos em que Moisés faz um registro por escrito, sob a direção de Jeová. (Êxodo 17:14; 24:4; 34:27) Segundo os versados em Bíblia, Westcott e Hort, Jesus e os escritores das Escrituras Gregas Cristãs citam ou referem-se a Êxodo mais de 100 vezes, como quando Jesus disse: “Não vos deu Moisés a Lei?” Êxodo foi escrito no ermo de Sinai, no ano 1512 AEC, um ano depois de terem os filhos de Israel saído do Egito. Abrange um período de 145 anos, da morte de José, em 1657 AEC, até se erigir o tabernáculo da adoração de Jeová, em 1512 AEC. — João 7:19; Êxo. 1:6; 40:17.

      4, 5. Que evidência arqueológica apóia o relato de Êxodo?

      4 Considerando que os eventos de Êxodo ocorreram cerca de 3.500 anos atrás, há surpreendente quantidade de evidências arqueológicas e outras evidências externas que atestam a exatidão do registro. Nomes egípcios são usados corretamente em Êxodo, e os títulos mencionados correspondem às inscrições egípcias. A arqueologia mostra que os egípcios costumavam permitir que estrangeiros residissem no Egito, mas os egípcios se mantinham separados deles. As águas do Nilo eram usadas para banho, o que faz lembrar a filha de Faraó banhar-se ali. Foram encontrados tijolos feitos com e sem palha. Além disso, a existência de magos era um destaque no apogeu do Egito. — Êxo. 8:22; 2:5; 5:6, 7, 18; 7:11.

      5 Os monumentos mostram que os faraós dirigiam pessoalmente seus condutores de carro para as batalhas, e Êxodo indica que o faraó dos dias de Moisés seguiu este costume. Quão grande deve ter sido a sua humilhação! Mas, por que é que os antigos registros egípcios não fazem menção da estada dos israelitas no seu país, nem da calamidade que se abateu sobre o Egito? A arqueologia tem mostrado ser costume a nova dinastia egípcia apagar dos registros anteriores qualquer coisa que fosse desfavorável. Jamais registravam derrotas humilhantes. Os golpes contra os deuses do Egito — como o deus Nilo, o deus-rã e o deus-sol — que desacreditavam tais deuses falsos e mostravam que Jeová é supremo, não seriam apropriados para os anais duma nação orgulhosa. — Êxodo 14:7-10; 15:4.b

      6. Com que localidades os primeiros acampamentos dos israelitas são, em geral, identificados?

      6 Os 40 anos de serviço de Moisés como pastor sob a direção de Jetro familiarizaram-no com as condições de vida e com os locais de água e alimento naquela região, tornando-o assim bem habilitado para liderar o Êxodo. Não é possível traçar o roteiro exato do Êxodo hoje, pois não é possível localizar com certeza absoluta os vários locais mencionados no relato. Contudo, Mara, um dos primeiros locais de acampamento na península do Sinai é, em geral, identificada com ʽEin Hawwara, 80 quilômetros a SSE da moderna Suez. Elim, o segundo local de acampamento, é tradicionalmente identificado com Wadi Gharandel, uns 90 quilômetros a SSE de Suez. Curiosamente, essa localização atual é conhecida como estação de águas, com vegetação e palmeiras, fazendo lembrar a Elim bíblica, que tinha “doze fontes de água e setenta palmeiras”.c No entanto, a autenticidade do relato de Moisés não depende da confirmação de arqueólogos com respeito aos vários locais ao longo do caminho. — Êxodo 15:23, 27.

      7. Que outras evidências, incluindo a construção do tabernáculo, confirmam Êxodo como sendo inspirado?

      7 O relato da construção do tabernáculo nas planícies diante do Sinai enquadra-se nas condições locais. Certo erudito disse: “Na sua forma, estrutura e nos materiais, o tabernáculo pertence na sua inteireza ao ermo. A madeira empregada na estrutura se encontra ali em abundância.”d Seja nos nomes, costumes, religião, lugares, geografia, ou nos materiais, as evidências externas acumuladas confirmam o relato inspirado de Êxodo, que tem agora cerca de 3.500 anos.

      8. Como se mostra que Êxodo está interligado com o restante das Escrituras como sendo inspirado e proveitoso?

      8 Outros escritores da Bíblia referiram-se constantemente a Êxodo, mostrando seu sentido e valor proféticos. Mais de 900 anos depois, Jeremias escreveu sobre “o verdadeiro Deus, o Grande, o Poderoso, cujo nome é Jeová dos exércitos”, que passou a tirar do Egito a seu povo Israel “com sinais e com milagres, e com mão forte e com braço estendido, e com coisa muito espantosa”. (Jer. 32:18-21) Mais de 1.500 anos depois, Estêvão baseou grande parte de seu emocionante testemunho, que levou a seu martírio, nas informações de Êxodo. (Atos 7:17-44) A vida de Moisés nos é citada como exemplo de fé, em Hebreus 11:23-29, e Paulo faz outras referências freqüentes a Êxodo, apresentando exemplos e advertências para nós hoje. (Atos 13:17; 1 Cor. 10:1-4, 11, 12; 2 Cor. 3:7-16) Tudo isso nos ajuda a ver como as partes da Bíblia se interligam, cada trecho contribuindo, proveitosamente, para a revelação do propósito de Jeová.

      CONTEÚDO DE ÊXODO

      9. Sob que circunstâncias nasce e é criado Moisés?

      9 Jeová comissiona a Moisés, frisando Seu próprio Nome Memorial (Êxodo 1:1-4:31). Depois de mencionar os filhos de Israel que desceram ao Egito, Êxodo registra a morte de José. Com o tempo, surge outro rei no Egito. Quando vê que os israelitas continuam a ‘multiplicar-se e a tornar-se mais fortes numa proporção extraordinariamente grande’, ele adota medidas repressivas, inclusive trabalhos forçados, e tenta reduzir a população masculina em Israel, ordenando a destruição de todos os meninos recém-nascidos. (1:7) É sob tais circunstâncias que nasce um filho a um israelita da casa de Levi. Este filho é o terceiro da família. Quando tem três meses de idade, sua mãe esconde-o numa arca de papiro entre os juncos, à margem do rio Nilo. Ele é encontrado pela filha de Faraó, que se afeiçoa ao menino e o adota. A própria mãe dele torna-se sua ama-de-leite e, assim, ele é criado num lar israelita. Mais tarde, é levado para a corte de Faraó. Recebe o nome de Moisés, que significa “Retirado [isto é, salvo da água]”. — Êxo. 2:10; Atos 7:17-22.

      10. Que eventos levam Moisés a ser comissionado para serviço especial?

      10 Este Moisés interessa-se pelo bem-estar de co-israelitas. Mata um egípcio que maltrata um israelita. Por isso ele tem de fugir, de modo que chega à terra de Midiã. Ali casa-se com Zípora, filha de Jetro, o sacerdote de Midiã. Com o tempo Moisés torna-se pai de dois filhos, Gersom e Eliézer. Daí, aos 80 anos de idade, depois de ter passado 40 anos no ermo, Moisés é comissionado por Jeová a um serviço especial, em santificação do nome de Jeová. Certo dia, pastoreando o rebanho de Jetro, perto de Horebe, o “monte do verdadeiro Deus”, Moisés vê um espinheiro arder sem se consumir. Quando ele vai investigar, um anjo de Jeová dirige-lhe a palavra, falando-lhe do propósito de Deus de fazer com que Seu povo, os “filhos de Israel, saia do Egito”. (Êxo. 3:1, 10) Moisés será usado como instrumento de Jeová para libertar Israel da escravidão egípcia. — Atos 7:23-35.

      11. Em que sentido especial Jeová, a seguir, dá a conhecer o seu nome?

      11 Moisés pergunta então como deverá identificar a Deus aos filhos de Israel. É aqui, pela primeira vez, que Jeová revela o real significado de seu nome, associando-o com o seu propósito específico e estabelecendo-o como memorial. “Isto é o que deves dizer aos filhos de Israel: ‘MOSTRAREI SER enviou-me a vós . . . Jeová, o Deus de vossos antepassados, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó enviou-me a vós.’” O seu nome, Jeová, identifica-o como sendo aquele que faz com que seu propósito em relação com o povo que leva Seu nome se realize. A este povo, os descendentes de Abraão, ele dará a terra que prometera aos antepassados deles, “uma terra que mana leite e mel”. — Êxo. 3:14, 15, 17.

      12. O que explica Jeová a Moisés quanto à libertação dos israelitas, e aceita o povo os sinais?

      12 Jeová explica a Moisés que o rei do Egito não permitirá que os israelitas saiam livres, mas que Ele terá de primeiro golpear o Egito com todos os Seus maravilhosos atos. O irmão de Moisés, Arão, lhe é dado como porta-voz e eles recebem três sinais para realizar, a fim de convencer os israelitas de que vêm em nome de Jeová. A caminho do Egito, o filho de Moisés tem de ser circuncidado para impedir uma morte na família, o que faz lembrar a Moisés os requisitos de Deus. (Gên. 17:14) Moisés e Arão reúnem os anciãos dentre os filhos de Israel e os põem a par do propósito de Jeová de tirá-los do Egito e levá-los para a Terra Prometida. Realizam os sinais, e o povo crê.

      13. O que resulta do primeiro encontro de Moisés com Faraó?

      13 Os golpes contra o Egito (5:1-10:29). A seguir, Moisés e Arão vão ter com Faraó e anunciam que Jeová, o Deus de Israel, disse: “Manda embora meu povo.” Em tom zombeteiro, o orgulhoso Faraó replica: “Quem é Jeová, que eu deva obedecer à sua voz para mandar Israel embora? Não conheço Jeová, e ainda mais, não vou mandar Israel embora.” (5:1, 2) Em vez de libertar os israelitas, impõe-lhes tarefas mais pesadas. Contudo, Jeová renova as suas promessas de libertação, ligando isto outra vez com a santificação de seu nome: “Eu sou Jeová . . . deveras mostrarei ser Deus para vós . . . eu sou Jeová.” — 6:6-8.

      14. Como são os egípcios forçados a reconhecer “o dedo de Deus”?

      14 O sinal que Moisés realiza perante Faraó, fazendo com que Arão lance no chão seu bastão para se tornar uma cobra grande, é imitado pelos sacerdotes-magos do Egito. Embora as cobras deles sejam engolidas pela grande cobra de Arão, o coração de Faraó fica obstinado. Jeová passa então a desferir dez pesados golpes sucessivos sobre o Egito. Primeiro, seu rio, o Nilo, e todas as águas do Egito se transformam em sangue. Daí, sobrevém-lhes uma praga de rãs. Estes dois golpes são imitados pelos sacerdotes-magos, mas não o terceiro golpe, de borrachudos sobre os homens e os animais. Os sacerdotes do Egito são forçados a reconhecer que isto é “o dedo de Deus”. Contudo, Faraó não quer mandar Israel embora. — 8:19.

      15. Que golpes atingem só os egípcios, e por que único motivo permite Jeová que Faraó continue a viver?

      15 Os três primeiros golpes atingem tanto os egípcios como os israelitas, mas, do quarto em diante, só os egípcios são atingidos, permanecendo Israel separado sob a proteção de Jeová. O quarto golpe são grandes enxames de moscões. Daí, vem a pestilência sobre todo o gado do Egito, sendo seguida de furúnculos e bolhas sobre homem e animal, de modo que nem mesmo os sacerdotes-magos conseguem fazer face a Moisés. Jeová deixa outra vez que o coração de Faraó fique obstinado, declarando-lhe mediante Moisés: “Mas, de fato, por esta razão te deixei em existência: para mostrar-te meu poder e para que meu nome seja declarado em toda a terra.” (9:16) Moisés anuncia então a Faraó o golpe seguinte, “uma saraiva muito forte”, e aqui a Bíblia registra pela primeira vez que alguns dentre os servos de Faraó temem a palavra de Jeová e agem em conformidade com ela. O oitavo e nono golpes — uma invasão de gafanhotos e uma escuridão sombria — vêm em rápida sucessão, e o obstinado e furioso Faraó ameaça a Moisés de morte se este procurar ver a sua face outra vez. — 9:18.

      16. O que ordena Jeová concernente à Páscoa e à Festividade dos Pães Não Fermentados?

      16 A Páscoa e o golpe contra os primogênitos (11:1-13:16). Jeová então declara: “Vou trazer mais uma praga sobre Faraó e sobre o Egito” — a morte dos primogênitos. (11:1) Ordena que o mês de abibe seja o primeiro mês para Israel. No 10.º dia, eles têm de tomar um cordeiro ou um cabrito — macho de um ano de idade, sem mácula — e no 14.º dia, abatê-lo. Naquela noitinha têm de pegar o sangue do animal e esparrinhá-lo sobre as duas ombreiras e sobre a verga da porta, e daí permanecer dentro de casa e comer o animal assado, do qual nenhum osso deve ser quebrado. Não devem ter fermento dentro de casa, e precisam comer às pressas, vestidos e preparados para a jornada. A Páscoa é para servir de recordação, uma festividade para Jeová através de suas gerações. Esta será seguida pela Festividade dos Pães Não Fermentados, de sete dias. O significado de tudo isso deve ser plenamente ensinado a seus filhos. (Mais tarde, Jeová dá instruções adicionais sobre estas festividades e ordena que todos os primogênitos de Israel, tanto dos homens como dos animais, sejam santificados a ele.)

      17. Que eventos marcam essa noite como sendo digna de ser comemorada?

      17 Israel faz conforme Jeová ordena. Daí, sobrevém o desastre! À meia-noite, Jeová mata todos os primogênitos do Egito, passando por alto e libertando os primogênitos de Israel. “Saí do meio do meu povo”, grita Faraó. E ‘os egípcios começam a pressionar o povo’ para que saia rapidamente. (12:31, 33) Os israelitas não saem de mãos vazias, pois pedem aos egípcios, e recebem, artigos de prata e de ouro, bem como roupas. Marcham para fora do Egito em formação de batalha, em número de 600.000 varões vigorosos, junto com suas famílias e grande grupo misto de não-israelitas, bem como grande número de animais. Isto marca o fim dos 430 anos desde que Abraão cruzou o Eufrates para entrar na terra de Canaã. Esta é, deveras, uma noite digna de ser comemorada. — Êxo. 12:40, segunda nota; Gál. 3:17.

      18. Que santificação culminante do nome de Jeová ocorre no mar Vermelho?

      18 O nome de Jeová é santificado no mar Vermelho (13:17-15:21). Guiando-os de dia por meio duma coluna de nuvem e de noite por meio duma coluna de fogo, Jeová conduz Israel para fora pelo caminho de Sucote. Faraó mais uma vez fica obstinado, perseguindo-os com seus selecionados carros de guerra e, segundo ele imagina, encurralando-os no mar Vermelho. Moisés revigora o povo, dizendo: “Não tenhais medo. Mantende-vos firmes e vede a salvação da parte de Jeová, que ele realizará hoje para vós.” (14:13) Jeová faz então que o mar recue, formando um corredor de escape, pelo qual Moisés conduz com segurança os israelitas para a margem oriental. As poderosas hostes de Faraó precipitam-se atrás deles e acabam sendo apanhadas e afogadas nas águas que voltam. Que santificação culminante do nome de Jeová! Que grande motivo para regozijar-se nele! Esse regozijo é então expresso no primeiro grande cântico de vitória da Bíblia: “Cante eu a Jeová, porque ficou grandemente enaltecido. Lançou no mar o cavalo e seu cavaleiro. Minha força e meu poder é Jah, visto que ele me é por salvação. . . . Jeová reinará por tempo indefinido, para todo o sempre.” — 15:1, 2, 18.

      19. Que eventos marcam a viagem em direção do Sinai?

      19 Jeová faz o pacto da Lei em Sinai (15:22-34:35). Em estágios sucessivos, conforme guiado por Jeová, Israel viaja em direção do Sinai, o monte do verdadeiro Deus. Quando o povo resmunga a respeito das águas amargas de Mara, Jeová faz com que a água se torne doce para eles. De novo, quando resmungam por falta de carne e de pão, Deus lhes fornece codornizes, à noitinha, e o adocicado maná, como orvalho no solo, de manhã. Este maná servirá de pão para os israelitas durante os próximos 40 anos. Também, pela primeira vez na história, Jeová ordena a observância de um dia de descanso, ou sábado, fazendo com que os israelitas colham duas vezes a quantidade de maná no sexto dia e não o suprindo no sétimo. Produz também água para eles em Refidim, e luta por eles contra Amaleque, ordenando a Moisés que registre Seu julgamento de que Amaleque será completamente eliminado.

      20. Como se consegue melhor organização?

      20 O sogro de Moisés, Jetro, traz então a esposa e os dois filhos de Moisés. É agora tempo de melhor organização em Israel, e Jetro contribui com alguns conselhos bons e práticos. Aconselha Moisés a não levar toda a carga sozinho, mas a designar homens capazes e tementes a Deus para julgarem o povo, quais chefes de grupos de mil, de cem, de cinqüenta e de dez. Moisés faz isso, de modo que assim só os casos difíceis lhe são apresentados.

      21. Que promessa faz Jeová a seguir, mas, sob que condições?

      21 Antes de passarem três meses do Êxodo, Israel acampa no ermo de Sinai. Ali, Jeová promete: “E agora, se obedecerdes estritamente à minha voz e deveras guardardes meu pacto, então vos haveis de tornar minha propriedade especial dentre todos os outros povos, pois minha é toda a terra. E vós mesmos vos tornareis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa.” O povo promete solenemente: “Tudo o que Jeová falou estamos dispostos a fazer.” (19:5, 6, 8) Após um período de santificação para Israel, Jeová desce no terceiro dia sobre o monte, fazendo-o fumegar e tremer.

      22. (a) Que mandamentos contêm as Dez Palavras? (b) Que outras decisões judiciais são apresentadas a Israel, e como é que a nação entra no pacto da Lei?

      22 Jeová passa então a dar as Dez Palavras ou Dez Mandamentos. Estes frisam a devoção exclusiva a Jeová, proibindo outros deuses, a adoração de imagens e tomar o nome de Jeová indignamente. Ordena-se aos israelitas a prestar serviços seis dias e, daí, guardar um sábado a Jeová, e a honrar pai e mãe. Leis contra o assassinato, o adultério, o furto, o falso testemunho e a cobiça completam as Dez Palavras. Daí, Jeová apresenta-lhes decisões judiciais, instruções para a nova nação, abrangendo escravidão, assalto, ferimentos, compensação, roubo, danos causados por incêndio, adoração falsa, sedução, maltratar viúvas e órfãos, empréstimos, e muitos outros assuntos. São dadas as leis sobre o sábado e providenciam-se três festividades anuais para a adoração de Jeová. Moisés escreve a seguir as palavras de Jeová, oferecem-se sacrifícios e metade do sangue é aspergido sobre o altar. O livro do pacto é lido ao povo e, quando este novamente atesta sua disposição de obedecer, o restante do sangue é aspergido sobre o livro e todo o povo. Deste modo, Jeová faz o pacto da Lei com Israel, através do mediador Moisés. — Heb. 9:19, 20.

      23. Que instruções dá Jeová a Moisés no monte?

      23 A seguir, Moisés vai a Jeová, no monte, para receber a Lei. Durante 40 dias e noites, ele recebe muitas instruções sobre materiais para o tabernáculo, pormenores de sua mobília, especificações detalhadas sobre o próprio tabernáculo e o modelo para as vestes sacerdotais, incluindo a lâmina de ouro puro, com a inscrição “A santidade pertence a Jeová”, sobre o turbante de Arão. A investidura e o serviço do sacerdócio são pormenorizados, e faz-se lembrar a Moisés que o sábado será um sinal entre Jeová e os filhos de Israel “por tempo indefinido”. Moisés recebe então as duas tábuas do Testemunho, inscritas pelo “dedo de Deus”. — Êxo. 28:36; 31:17, 18.

      24. (a) Que pecado comete o povo, e com que resultado? (b) Como é que Jeová revela, a seguir, seu nome e sua glória a Moisés?

      24 No ínterim, o povo se impacienta e pede a Arão que faça um deus que vá adiante deles. Arão consente, fazendo um bezerro de ouro, que o povo adora no que Arão chama de “festividade para Jeová”. (32:5) Jeová fala de exterminar a Israel, mas Moisés intercede pelo povo, embora despedace as tábuas na sua própria ira ardente. Os filhos de Levi tomam então o lado da adoração pura, matando a 3.000 dos foliões. Jeová também traz praga sobre eles. Depois que Moisés implora a Deus para que este continue a guiar seu povo, diz-se-lhe que obterá um vislumbre da glória de Deus, e ele é instruído a lavrar duas tábuas adicionais em que Jeová escreverá outra vez as Dez Palavras. Quando Moisés sobe ao monte pela segunda vez, Jeová declara-lhe então o nome de Jeová, à medida que Ele vai passando: “Jeová, Jeová, Deus misericordioso e clemente, vagaroso em irar-se e abundante em benevolência e em verdade, preservando a benevolência para com milhares.” (34:6, 7) Daí, declara os termos de seu pacto, e Moisés o escreve, conforme o temos hoje em Êxodo. Quando Moisés desce novamente do monte Sinai, a pele de seu rosto emite raios, por causa da glória revelada de Jeová. Por causa disso, ele tem de pôr um véu sobre o rosto. — 2 Cor. 3:7-11.

      25. O que narra o registro com relação ao tabernáculo e à manifestação adicional da glória de Jeová?

      25 A construção do tabernáculo (35:1-40:38). Moisés convoca então a Israel e transmite as palavras de Jeová, dizendo-lhes que os de coração disposto têm o privilégio de contribuir para o tabernáculo e os de coração sábio o privilégio de trabalhar nele. Pouco depois, Moisés é informado: “O povo está trazendo muito mais do que o serviço requer para a obra que Jeová mandou fazer.” (36:5) Sob a direção de Moisés, trabalhadores cheios do espírito de Jeová passam a edificar o tabernáculo e a fazer os acessórios dele e todas as vestes dos sacerdotes. Um ano depois do Êxodo, completa-se o tabernáculo, que é erigido na planície diante do monte Sinai. Jeová revela a sua aprovação, cobrindo a tenda da reunião com a sua nuvem, e enchendo o tabernáculo com a sua glória, de modo que Moisés não consegue entrar na tenda. Esta mesma nuvem de dia, e um fogo de noite, indicam que Jeová guia a Israel durante todas as suas viagens. É agora o ano 1512 AEC, e termina aqui o registro de Êxodo, sendo o nome de Jeová gloriosamente santificado mediante as Suas obras maravilhosas, realizadas a favor de Israel.

      POR QUE É PROVEITOSO

      26. (a) De que modo Êxodo firma a fé em Jeová? (b) De que modo as referências a Êxodo nas Escrituras Gregas Cristãs aumentam a nossa fé?

      26 Êxodo revela-nos de modo preeminente a Jeová como o grande Libertador, Organizador e Cumpridor de seus propósitos magníficos, e firma a nossa fé nele. Tal fé aumenta ao passo que estudamos as muitas referências a Êxodo nas Escrituras Gregas Cristãs, indicando o cumprimento de muitas características do pacto da Lei, a garantia da ressurreição, a provisão de Jeová de sustentar seu povo, e precedentes para as obras cristãs de assistência, conselhos sobre consideração pelos pais e os requisitos para se ganhar a vida, e como encarar a justiça retributiva. Por fim, a Lei foi resumida em dois mandamentos sobre mostrar amor a Deus e ao próximo. — Mat. 22:32 — Êxo. 4:5; João 6:31-35 e 2 Cor. 8:15 — Êxo. 16:4, 18; Mat. 15:4 e Efé. 6:2 — Êxo. 20:12; Mat. 5:26, 38, 39 — Êxo. 21:24; Mat. 22:37-40.

      27. De que proveito é para o cristão o registro histórico em Êxodo?

      27 Em Hebreus 11:23-29, lemos sobre a fé de Moisés e seus pais. Pela fé partiu do Egito, pela fé celebrou a Páscoa e pela fé conduziu a Israel através do mar Vermelho. Os israelitas foram batizados em Moisés e comeram alimento espiritual e beberam bebida espiritual. Aguardavam a rocha espiritual, o Cristo, mas, ainda assim, não obtiveram a aprovação de Deus, pois puseram Deus à prova e tornaram-se idólatras, fornicadores e murmuradores. Paulo explica que isto tem aplicação para os cristãos hoje: “Ora, estas coisas lhes aconteciam como exemplos e foram escritas como aviso para nós, para quem já chegaram os fins dos sistemas de coisas. Conseqüentemente, quem pensa estar de pé, acautele-se para que não caia.” — 1 Cor. 10:1-12; Heb. 3:7-13.

      28. Como se cumpriram as sombras da Lei e do cordeiro pascoal?

      28 Grande parte do profundo significado espiritual de Êxodo, juntamente com sua aplicação profética, é fornecida nos escritos de Paulo, especialmente em Hebreus, capítulos 9 e 10. “Pois, visto que a Lei tem uma sombra das boas coisas vindouras, mas não a própria substância das coisas, os homens nunca podem, com os mesmos sacrifícios que oferecem continuamente, de ano em ano, aperfeiçoar os que se aproximam.” (Heb. 10:1) Estamos, pois, interessados em conhecer a sombra e entender a realidade. Cristo “ofereceu um só sacrifício pelos pecados, perpetuamente”. Ele é descrito como “o Cordeiro de Deus”. Nenhum osso deste “Cordeiro” foi quebrado, como também não foi no prefigurativo. O apóstolo Paulo comenta: “Cristo, a nossa páscoa, já tem sido sacrificado. Conseqüentemente, guardemos a festividade, não com o velho fermento, nem com o fermento de maldade e iniqüidade, mas com os pães não fermentados da sinceridade e da verdade.” — Heb. 10:12; João 1:29 e João 19:36 — Êxo. 12:46; 1 Cor. 5:7, 8 — Êxo. 23:15.

      29. (a) Contraste o pacto da Lei com o novo pacto. (b) Que sacrifícios a Deus oferecem agora os israelitas espirituais?

      29 Jesus tornou-se Mediador dum novo pacto, assim como Moisés fora mediador do pacto da Lei. O contraste entre estes pactos é também explicado claramente pelo apóstolo Paulo, que fala do ‘documento manuscrito de decretos’, que foi tirado do caminho mediante a morte de Jesus na estaca de tortura. O Jesus ressuscitado, qual Sumo Sacerdote, é “servidor público do lugar santo e da verdadeira tenda, que Jeová erigiu, e não algum homem”. Os sacerdotes sob a Lei prestavam “serviço sagrado numa representação típica e como sombra das coisas celestiais”, segundo o modelo que fora dado por Moisés. “Mas, Jesus obteve agora um serviço público mais excelente, de modo que ele é também o mediador dum pacto correspondentemente melhor, que foi estabelecido legalmente em promessas melhores.” O antigo pacto tornou-se obsoleto e foi eliminado como código que administrava a morte. Os judeus que não entendiam isso são descritos como tendo suas percepções embotadas, mas, os crentes que entendem que o Israel espiritual está sob o novo pacto podem ‘com rostos desvelados refletir como espelhos a glória de Jeová’, estando adequadamente habilitados como ministros do pacto. Com a consciência purificada, estes podem oferecer seu próprio “sacrifício de louvor, isto é, o fruto de lábios que fazem declaração pública do seu nome”. — Col. 2:14; Heb. 8:1-6, 13; 2 Cor. 3:6-18; Heb. 13:15; Êxo. 34:27-35.

      30. O que prefiguraram a libertação de Israel e o engrandecimento do nome de Jeová no Egito?

      30 Êxodo magnifica o nome e a soberania de Jeová, apontando para a gloriosa libertação da nação cristã, o Israel espiritual, a quem se diz: “Vós sois ‘raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo para propriedade especial, para que divulgueis as excelências’ daquele que vos chamou da escuridão para a sua maravilhosa luz. Porque vós, outrora, não éreis povo, mas agora sois povo de Deus.” O poder de Jeová, segundo demonstrado em ajuntar seu Israel espiritual, tirando-o do mundo, a fim de engrandecer o seu nome, não é menos milagroso do que o poder que demonstrou a favor de seu povo no antigo Egito. Mantendo vivo a Faraó para lhe mostrar o Seu poder e a fim de que Seu nome fosse declarado, Jeová prefigurou um testemunho muito maior a ser realizado mediante Suas Testemunhas cristãs. — 1 Ped. 2:9, 10; Rom. 9:17; Rev. 12:17.

      31. O que prefigura Êxodo quanto a um reino e à presença de Jeová?

      31 Por conseguinte, podemos dizer, à base das Escrituras, que a nação formada sob a direção de Moisés apontava para uma nova nação que seria formada sob a direção de Cristo, e para um reino que nunca será abalado. Por isso, somos incentivados a ‘prestar a Deus serviço sagrado com temor piedoso e espanto reverente’. Assim como a presença de Jeová cobria o tabernáculo no ermo, da mesma forma ele promete estar eternamente presente entre os que o temem: “Eis que a tenda de Deus está com a humanidade, e ele residirá com eles e eles serão os seus povos. E o próprio Deus estará com eles. . . . Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras.” Êxodo é deveras parte essencial e proveitosa do registro da Bíblia. — Êxo. 19:16-19 — Heb. 12:18-29; Êxo. 40:34 — Rev. 21:3, 5.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Êxodo 3:14, nota; Estudo Perspicaz das Escrituras, “Jeová”.

      b Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, páginas 436, 439; Archaeology and Bible History, 1964, J. P. Free, página 98.

      c Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, páginas 444-5.

      d Exodus, 1874, F. C. Cook, página 247.

  • Livro bíblico número 3 — Levítico
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 3 — Levítico

      Escritor: Moisés

      Lugar da Escrita: Ermo

      Escrita Completada: 1512 AEC

      Tempo Abrangido: 1 mês (1512 AEC)

      1. (a) Por que é apropriado o nome Levítico? (b) Que outros nomes foram dados a Levítico?

      O NOME mais comum do terceiro livro da Bíblia é Levítico, que vem de Leu·i·ti·kón da Septuaginta grega, através do “Leviticus” da Vulgata latina. Este nome é apropriado, embora os levitas sejam mencionados apenas de passagem (em Levítico 25:32, 33), pois o livro consiste principalmente em regulamentos para o sacerdócio levítico, escolhido da tribo de Levi, e em leis que os sacerdotes ensinavam ao povo: “Pois, são os lábios do sacerdote que devem guardar o conhecimento e da sua boca devem as pessoas procurar a lei.” (Mal. 2:7) No texto hebraico, o livro é chamado segundo a sua expressão inicial, Wai·yiq·ráʼ, literalmente: “E ele passou a chamar.” Entre os judeus posteriores, o livro era também chamado de Lei dos Sacerdotes e Lei das Ofertas. — Lev. 1:1, nota.

      2. Que evidências comprovam que Moisés é o escritor?

      2 Não resta dúvida de que Moisés escreveu Levítico. A conclusão, ou colofão, declara: “Estes são os mandamentos que Jeová deu a Moisés.” (Levítico 27:34) Há uma declaração similar em Levítico 26:46. As evidências apresentadas anteriormente, de que Moisés escreveu Gênesis e Êxodo, comprovam também que ele escreveu Levítico, visto que o Pentateuco evidentemente era originalmente um só rolo. Além do mais, Levítico é ligado aos livros precedentes por meio da conjunção “e”. O mais forte testemunho de todos é que Jesus Cristo, bem como outros servos inspirados de Jeová, citam freqüentemente as leis e os princípios de Levítico ou referem-se a eles e os atribuem a Moisés. — Lev. 23:34, 40-43 — Nee. 8:14, 15; Lev. 14:1-32 — Mat. 8:2-4; Lev. 12:2 — Luc. 2:22; Lev. 12:3 — João 7:22; Lev. 18:5 — Rom. 10:5.

      3. Que período é abrangido por Levítico?

      3 Que período abrange Levítico? O livro de Êxodo termina quando se erige o tabernáculo “no primeiro mês, no segundo ano, no primeiro dia do mês”. O livro de Números (que se segue imediatamente ao relato de Levítico) começa com Jeová falando a Moisés “no primeiro dia do segundo mês, no segundo ano da saída deles da terra do Egito”. Segue-se, portanto, que não poderia ter passado mais de um mês lunar para os poucos eventos de Levítico, consistindo a maior parte do livro em leis e regulamentos. — Êxo. 40:17; Núm. 1:1; Lev. 8:1-10:7; 24:10-23.

      4. Quando foi escrito Levítico?

      4 Quando Moisés escreveu Levítico? É razoável concluir que ele guardou um registro dos eventos ao passo que iam ocorrendo, e que escreveu as instruções de Deus à medida que as recebia. Isto é implícito na ordem de Deus a Moisés de escrever a condenação dos amalequitas logo após Israel tê-los derrotado em batalha. Ademais, certos assuntos no livro sugerem que foi escrito logo. Por exemplo, ordenou-se aos israelitas trazer animais que desejassem usar para alimentação à entrada da tenda de reunião, para serem abatidos. Esta ordem teria sido dada e registrada pouco depois do estabelecimento do sacerdócio. Muitas instruções são dadas para a orientação dos israelitas durante a sua viagem no ermo. Tudo isto indica que Moisés escreveu Levítico durante 1512 AEC. — Êxo. 17:14; Lev. 17:3, 4; 26:46.

      5. A que propósito serviram as leis sobre sacrifícios e a impureza cerimonial?

      5 Por que se escreveu Levítico? Jeová se propusera a ter uma nação santa, um povo santificado, colocado à parte para Seu serviço. Desde os dias de Abel, homens fiéis de Deus vinham oferecendo sacrifícios a Jeová, mas foi primeiro à nação de Israel que Jeová deu instruções específicas sobre ofertas pelo pecado e outros sacrifícios. Estes, segundo explicado em pormenores em Levítico, deixaram os israelitas cientes da excessiva pecaminosidade do pecado e incutiu-lhes na mente quão desagradáveis isto os tornava aos olhos de Jeová. Tais regulamentos, como parte da Lei, serviram como tutor conduzindo os judeus a Cristo, mostrando-lhes a necessidade de um Salvador, e, ao mesmo tempo, serviam para mantê-los como povo separado do resto do mundo. Em especial as leis divinas sobre pureza cerimonial serviram para este último objetivo. — Lev. 11:44; Gál. 3:19-25.

      6. Por que era então uma necessidade especial a orientação pormenorizada de Jeová?

      6 Como nova nação caminhando para uma nova terra, Israel necessitava de direção correta. Ainda não passara um ano desde o Êxodo, e os padrões de vida do Egito, bem como as suas práticas religiosas, ainda estavam vivos na mente deles. O casamento entre irmão e irmã era comum no Egito. Praticava-se a adoração falsa em honra de muitos deuses, alguns deles sendo deuses animais. Agora esta grande congregação estava a caminho de Canaã, onde a vida e as práticas religiosas eram ainda mais degradantes. Mas, observe de novo o acampamento de Israel. Engrossando a congregação havia muitos egípcios puros ou mestiços, uma multidão mista que vivia bem no meio dos israelitas e que nascera de pais egípcios e fora criada e instruída segundo os costumes, a religião e o patriotismo dos egípcios. Muitos destes, sem dúvida, até bem pouco antes, na sua terra, entregavam-se a práticas detestáveis. Quão necessário é que recebam agora orientações pormenorizadas de Jeová!

      7. De que modo os regulamentos de Levítico trazem a marca da autoria divina?

      7 Levítico traz em sua inteireza a marca da inspiração divina. Meros humanos não poderiam ter formulado as suas leis e seus regulamentos sábios e justos. Os seus estatutos relativos à alimentação, doenças, quarentena e tratamento de cadáveres revelam um conhecimento de fatos que os homens da medicina, do mundo, só vieram a conhecer milhares de anos mais tarde. A lei de Deus sobre animais impuros para alimentação protegeria os israelitas durante a sua viagem. Ela os protegeria contra a triquinose provinda de porcos, a febre tifóide e paratifóide de certos tipos de peixe e infecções provindas de animais encontrados mortos. Estas leis práticas visavam orientar a religião e a vida deles, para que permanecessem como nação santa e atingissem e habitassem a Terra Prometida. A história mostra que os regulamentos fornecidos por Jeová resultaram em os judeus levarem definida vantagem sobre outros povos em questões de saúde.

      8. De que modo o conteúdo profético de Levítico prova adicionalmente a sua inspiração?

      8 O cumprimento das profecias e das prefigurações contidas em Levítico prova adicionalmente a sua inspiração. Tanto a história sagrada como a secular registram o cumprimento dos avisos de Levítico sobre as conseqüências da desobediência. Entre outras coisas, predisse que mães comeriam seus próprios filhos, por causa da fome. Jeremias indica que isto se cumpriu na destruição de Jerusalém, em 607 AEC, e Josefo conta que isso aconteceu também na destruição posterior da cidade, em 70 EC. A promessa profética de que Jeová se lembraria deles, se eles se arrependessem, cumpriu-se no retorno deles de Babilônia, em 537 AEC. (Lev. 26:29, 41-45; Lam. 2:20; 4:10; Esd 1:1-6) Como testemunho adicional da inspiração de Levítico, há as citações que outros escritores da Bíblia fazem dele como sendo Escritura inspirada. Além dos textos citados anteriormente para provar que Moisés é o escritor, queira consultar Mateus 5:38; 12:4; 2 Coríntios 6:16 e 1 Pedro 1:16.

      9. Como magnifica Levítico o nome e a santidade de Jeová?

      9 O livro de Levítico magnifica coerentemente o nome e a soberania de Jeová. Nada menos de 36 vezes as suas leis são atribuídas a Jeová. O próprio nome Jeová aparece, em média, dez vezes por capítulo, e repetidas vezes se inculca a obediência às leis de Deus mediante o lembrete: “Eu sou Jeová.” O tema de santidade permeia Levítico, que menciona este requisito mais do que qualquer outro livro da Bíblia. Os israelitas deviam ser santos porque Jeová é santo. Certas pessoas, lugares, objetos e períodos foram reservados como santos. Por exemplo, o Dia da Expiação e o ano do Jubileu foram reservados como períodos de observância especial na adoração de Jeová.

      10. O que se frisa em conexão com os sacrifícios, e que penalidades pelo pecado se observam?

      10 Em harmonia com a sua ênfase à santidade, o livro de Levítico frisa o papel que o derramamento de sangue, isto é, o sacrifício de uma vida, desempenhava no perdão dos pecados. Os sacrifícios de animais limitavam-se aos animais domésticos e limpos. Para certos pecados, requeria-se a confissão, a restituição e o cumprimento de uma penalidade, além do sacrifício. Para outros pecados, a penalidade era a morte.

      CONTEÚDO DE LEVÍTICO

      11. Como pode Levítico ser esboçado?

      11 Levítico consiste na maior parte em escrita legislativa, grande parte dela sendo também profética. No todo, o livro segue um esboço tópico, e pode ser dividido em oito partes, que seguem uma ordem sucessiva bastante lógica.

      12. Que tipos de sacrifícios de sangue há, e como devem ser oferecidos?

      12 Regulamentos sobre sacrifícios (1:1-7:38). Os diversos sacrifícios caem em duas categorias gerais: de sangue, consistindo em bovinos, ovelhas, cabritos e aves; e exangues, consistindo em cereais. Os sacrifícios de sangue devem ser apresentados como ofertas (1) queimadas, (2) de participação em comum, (3) pelo pecado ou (4) pela culpa. Os quatro tipos de oferta têm as seguintes três coisas em comum: o próprio ofertante tem de trazer o animal à entrada da tenda de reunião, colocar as mãos sobre ele e daí o animal tem de ser abatido. Depois da aspersão do sangue, é preciso dar destino à carcaça segundo a espécie de sacrifício. Consideremos agora os sacrifícios de sangue, um por vez.

      13-16. (a) Cite os requisitos para (1) ofertas queimadas, (2) sacrifícios de participação em comum, (3) ofertas pelo pecado e (4) ofertas pela culpa. (b) Em conexão com os sacrifícios de sangue, o que é repetidamente proibido?

      13 (1) As ofertas queimadas podem consistir num novilho, cordeiro, cabrito, rola ou pombo, dependendo das posses do ofertante. Têm de ser cortadas em pedaços e, com exceção da pele, a oferta toda tem de ser queimada sobre o altar. Em caso de rola ou de pombo, a cabeça tem de ser truncada com a unha, mas não decepada, e o papo e as penas removidos. — 1:1-17; 6:8-13; 5:8.

      14 (2) O sacrifício de participação em comum pode ser de um macho ou uma fêmea dos bovinos ou dos rebanhos. Só as partes gordurosas serão queimadas sobre o altar, certas porções cabendo ao sacerdote e o resto devendo ser comido pelo ofertante. É chamado apropriadamente de sacrifício de participação em comum, pois, mediante ele, o ofertante participa de uma refeição, ou tem comunhão, por assim dizer, com Jeová e com o sacerdote. — 3:1-17; 7:11-36.

      15 (3) Exige-se uma oferta pelo pecado para pecados não intencionais, ou pecados cometidos por engano. O tipo de animal oferecido depende de quem é o pecado que será expiado — do sacerdote, do povo como um todo, dum chefe ou duma pessoa comum. Dessemelhantes das voluntárias ofertas queimadas e de participação em comum para indivíduos, as ofertas pelo pecado são obrigatórias. — 4:1-35; 6:24-30.

      16 (4) As ofertas pela culpa são exigidas para expiar a culpa pessoal devido à infidelidade, à fraude e ao roubo. Em certos casos, a culpa requer que se confesse e se faça um sacrifício segundo as posses da pessoa. Noutros, exige-se a compensação equivalente à perda e mais 20 por cento, bem como o sacrifício de um carneiro. Nesta parte de Levítico, que trata das ofertas, proíbe-se enfática e repetidamente o comer sangue. — 5:1-6:7; 7:1-7, 26, 27; 3:17.

      17. Como devem ser oferecidos os sacrifícios exangues?

      17 Os sacrifícios exangues têm de ser de cereais e são oferecidos quer assados inteiros, quer pilados ou em farinha fina; preparados de vários modos, tais como assados, grelhados ou fritos em gordura. Devem ser oferecidos com sal e azeite e, às vezes, com olíbano, mas têm de estar totalmente isentos de fermento ou mel. Em certos sacrifícios, uma parte pertencerá ao sacerdote. — 2:1-16.

      18. Com que espetáculo fortalecedor da fé culmina a investidura do sacerdócio?

      18 Investidura do sacerdócio (8:1-10:20). Chega então o tempo para uma grande ocasião em Israel, a investidura do sacerdócio. Moisés cuida disso em todos os pormenores, como Jeová lhe ordenara. “E Arão e seus filhos passaram a fazer todas as coisas que Jeová ordenara por meio de Moisés.” (8:36) Depois dos sete dias ocupados com a investidura, há um espetáculo milagroso e fortalecedor da fé. A assembléia inteira está presente. Os sacerdotes acabam de oferecer sacrifício. Arão e Moisés já abençoaram o povo. Daí, veja! “A glória de Jeová apareceu . . . a todo o povo. E desceu fogo de diante de Jeová e começou a consumir a oferta queimada e os pedaços gordos sobre o altar. Quando todo o povo chegou a ver isso, irromperam em gritos e prostraram-se sobre as suas faces.” (9:23, 24) Deveras, Jeová é digno da obediência e da adoração deles!

      19. Que transgressão ocorre, sendo seguida de quê?

      19 Contudo, há transgressões da Lei. Por exemplo, os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, oferecem fogo ilegítimo perante Jeová. “Saiu então fogo de diante de Jeová e os consumiu, de modo que morreram perante Jeová.” (10:2) A fim de oferecerem sacrifícios aceitáveis e gozarem da aprovação de Jeová, tanto o povo como os sacerdotes têm de seguir as instruções de Jeová. Logo depois, Deus dá o mandamento de que os sacerdotes não devem tomar bebidas alcoólicas enquanto servem no tabernáculo, dando a entender que a embriaguez talvez tenha contribuído para a transgressão dos dois filhos de Arão.

      20, 21. Que regulamentos abrangem a pureza e a apropriada higiene?

      20 Leis sobre a pureza (11:1-15:33). Esta parte trata da pureza cerimonial e higiênica. Certos animais, tanto domésticos como selvagens, são impuros. Todos os corpos mortos são impuros e tornam impuros a todos os que neles tocam. O nascimento duma criança também traz impureza e requer separação e sacrifícios especiais.

      21 Certas doenças da pele, como a lepra, também causam impureza cerimonial, e a limpeza tem de ser aplicada não só a pessoas, mas também à roupa e às casas. Requer-se o isolamento. A menstruação e as emissões seminais resultam também em impureza, bem como os fluxos. Requer-se a separação nestes casos e, no restabelecimento, em adição, a lavagem do corpo ou a oferta de sacrifícios, ou ambas.

      22. (a) Por que é notável o capítulo 16? (b) Qual é o procedimento no Dia da Expiação?

      22 Dia da Expiação (16:1-34). Este é um capítulo notável, pois contém as instruções para o dia mais importante para Israel, o Dia da Expiação, que cai no décimo dia do sétimo mês. É um dia para afligir a alma (com toda a probabilidade com jejum) e não se permitirá nenhum trabalho secular. Começa com a oferta de um novilho pelos pecados de Arão e sua família, a tribo de Levi, seguida da oferta de um bode pelo restante da nação. Depois da queima do incenso, parte do sangue dos dois animais tem de ser trazida, por sua vez, para o Santíssimo do tabernáculo, a fim de ser aspergido perante a tampa da Arca. Mais tarde, as carcaças dos animais têm de ser levadas para fora do acampamento e ser queimadas. Neste dia tem de se apresentar também um bode vivo diante de Jeová, e sobre ele tem de se declarar todos os pecados do povo, após o que tem de ser conduzido para fora, para o ermo. Daí, dois carneiros tem de ser oferecidos como ofertas queimadas, um para Arão e sua família, e outro para o restante da nação.

      23. (a) Onde encontramos uma das mais explícitas declarações sobre o sangue na Bíblia? (b) Que outros regulamentos se seguem?

      23 Estatutos sobre sangue e outros assuntos (17:1-20:27). Esta parte apresenta muitos estatutos para o povo. Proíbe-se outra vez o sangue, numa das mais explícitas declarações sobre sangue que existe nas Escrituras. (17:10-14) O sangue pode ser usado apropriadamente no altar, mas não para consumo. Proíbem-se práticas detestáveis, como incesto, sodomia e bestialidade. Há regulamentos para a proteção dos aflitos, dos humildes e dos estrangeiros, e dá-se o mandamento: “Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou Jeová.” (19:18) Resguarda-se o bem-estar social e econômico da nação, e os perigos espirituais, tais como a adoração de Moloque e o espiritismo, são proscritos, sob pena de morte. Deus frisa outra vez a necessidade de seu povo manter-se separado: “E tendes de mostrar-vos santos para mim, porque eu, Jeová, sou santo, e estou passando a separar-vos dos povos para vos tornardes meus.” — 20:26.

      24. O que delineia Levítico quanto às qualificações sacerdotais e às festas sazonais?

      24 O sacerdócio e as festividades (21:1-25:55). Os três capítulos seguintes tratam principalmente da adoração formal de Israel: os estatutos que governam os sacerdotes, as suas qualificações físicas, com quem podem casar-se, quem pode comer coisas sagradas e os requisitos quanto a animais sadios que devem ser usados em sacrifícios. Ordenam-se três festividades nacionais sazonais, proporcionando ocasiões de ‘alegria perante Jeová, vosso Deus’. (23:40) Como um só homem, a nação voltará assim a sua atenção, louvor e adoração a Jeová, fortalecendo a sua relação com ele. Essas são festividades para Jeová, santos congressos anuais. A Páscoa, juntamente com a Festividade dos Pães Não Fermentados, é marcada para princípios da primavera; o Pentecostes, ou a Festividade das Semanas, em fins da primavera; e o Dia da Expiação, juntamente com a Festividade das Barracas, ou Recolhimento, de oito dias, no outono.

      25. (a) Como se demonstra que “o Nome” tem de ser tido em honra? (b) Que regulamentos envolvem o número “sete”?

      25 No capítulo 24, dá-se instrução relativa ao pão e ao azeite a serem usados no serviço do tabernáculo. Segue-se ali o incidente em que Jeová decide que todo aquele que abusar do “Nome” — sim, o nome Jeová — tem de ser morto por apedrejamento. Declara a seguir a lei da punição de igual por igual: “Olho por olho, dente por dente.” (24:11-16, 20) No capítulo 25, acham-se regulamentos sobre o sábado de um ano, ou ano de repouso, a ser comemorado a cada 7 anos, e o Jubileu, a cada 50 anos. Neste 50.º ano, deve-se proclamar a liberdade em todo o país, e as propriedades hereditárias vendidas ou cedidas durante os últimos 49 anos devem ser restituídas. Dão-se leis que protegem os direitos dos pobres e dos escravos. Nesta parte, o número “sete” aparece destacadamente — o sétimo dia, o sétimo ano, festividades de sete dias, um período de sete semanas, e o Jubileu, a vir depois de sete vezes sete anos.

      26. Em que atinge Levítico o seu clímax?

      26 As conseqüências da obediência e da desobediência (26:1-46). O livro de Levítico atinge o seu clímax neste capítulo. Jeová alista aqui as recompensas pela obediência e os castigos pela desobediência. Ao mesmo tempo, apresenta a esperança para os israelitas se estes se humilharem, dizendo: “Vou lembrar-me, em seu benefício, do pacto dos antecessores que fiz sair da terra do Egito sob os olhares das nações, para mostrar-me seu Deus. Eu sou Jeová.” — 26:45.

      27. Como termina Levítico?

      27 Estatutos diversos (27:1-34). Levítico termina com instruções sobre o manejo das ofertas votivas, sobre o primogênito para Jeová e sobre a décima parte que é santificada para Jeová. Daí, vem o breve colofão: “Estes são os mandamentos que Jeová deu a Moisés como ordens para os filhos de Israel, no monte Sinai.” — 27:34.

      POR QUE É PROVEITOSO

      28. De que proveito é Levítico para os cristãos hoje?

      28 Como parte das Escrituras inspiradas, o livro de Levítico é de grande proveito para os cristãos hoje. É ajuda maravilhosa para se ter apreço por Jeová, seus atributos e seus modos de tratar as suas criaturas, conforme demonstrou tão claramente para com Israel sob o pacto da Lei. Levítico declara muitos princípios básicos que sempre vigorarão, e contém muitos modelos proféticos, bem como profecias, cuja consideração fortalece a fé. Muitos de seus princípios são declarados outra vez nas Escrituras Gregas Cristãs, alguns deles sendo citados diretamente. Sete pontos de realce são considerados abaixo.

      29-31. Como é que Levítico frisa o respeito (a) pela soberania, (b) pelo nome e (c) pela santidade de Jeová?

      29 (1) A soberania de Jeová. Ele é o Legislador, e nós, como criaturas suas, temos de prestar-lhe contas. De direito, ele nos ordena que o temamos. Como Soberano Universal, ele não tolera rivalidade, seja esta em forma de idolatria, de espiritismo ou de outras formas de demonismo. — Lev. 18:4; 25:17; 26:1; Mat. 10:28; Atos 4:24.

      30 (2) O nome de Jeová. O seu nome precisa ser mantido sagrado, e não nos atrevemos a trazer opróbrio sobre ele mediante palavras ou ações. — Lev. 22:32; 24:10-16; Mat. 6:9.

      31 (3) A santidade de Jeová. Visto que ele é santo, seu povo precisa também ser santo, isto é, santificado ou separado para o Seu serviço. Isto inclui mantermo-nos separados do mundo ímpio que nos cerca. — Lev. 11:44; 20:26; Tia. 1:27; 1 Ped. 1:15, 16.

      32-34. Que princípios são delineados quanto (a) ao pecado, (b) ao sangue e (c) à culpa relativa?

      32 (4) A excessiva pecaminosidade do pecado. É Deus quem determina o que é pecado, e nós precisamos precaver-nos dele. O pecado sempre requer um sacrifício de expiação. Além disso, requer também da nossa parte a confissão, o arrependimento e corrigir a situação ao máximo possível. Para certos pecados não pode haver perdão. — Lev. 4:2; 5:5; 20:2, 10; 1 João 1:9; Heb. 10:26-29.

      33 (5) A santidade do sangue. Visto que o sangue é sagrado, não pode ser ingerido no corpo de forma alguma. O único uso permitido do sangue é como expiação pelo pecado. — Lev. 17:10-14; Atos 15:29; Heb. 9:22.

      34 (6) Relatividade da culpa e da punição. Nem todos os pecados e os pecadores eram considerados à mesma luz. Quanto mais elevado o cargo, tanto maiores eram a responsabilidade e a penalidade pelo pecado. O pecado deliberado era punido de modo mais severo do que o pecado não intencional. As penalidades variavam muitas vezes segundo a habilidade de pagar. Este princípio de relatividade se aplicava também nos campos que não fossem de pecado e de punição, como na impureza cerimonial. — Lev. 4:3, 22-28; 5:7-11; 6:2-7; 12:8; 21:1-15; Luc. 12:47, 48; Tia. 3:1; 1 João 5:16.

      35. Como resume Levítico os nossos deveres para com o nosso próximo?

      35 (7) Justiça e amor. Resumindo os nossos deveres para com o próximo, Levítico 19:18 diz: “Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.” Isto abrange tudo. Torna proibitivo mostrar parcialidade, roubar, mentir ou caluniar, e requer que se mostre consideração para com os incapacitados, os pobres, os cegos e os surdos. — Lev. 19:9-18; Mat. 22:39; Rom. 13:8-13.

      36. O que prova que Levítico é proveitoso para a congregação cristã?

      36 Também, provando que Levítico é notavelmente ‘proveitoso para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça’ na congregação cristã, há as repetidas referências feitas a ele por Jesus e seus apóstolos, notavelmente Paulo e Pedro. Estes trouxeram à atenção os muitos modelos proféticos e as sombras das coisas por vir. Segundo observou Paulo: “A Lei tem uma sombra das boas coisas vindouras.” Delineia uma ‘representação típica e sombra das coisas celestiais’. — 2 Tim. 3:16; Heb. 10:1; 8:5.

      37. Que cumprimentos de prefigurações são descritos em Hebreus?

      37 O tabernáculo, o sacerdócio, os sacrifícios e em especial o anual Dia da Expiação tiveram todos um significado prefigurativo. Paulo, na sua carta aos hebreus, ajuda-nos a identificar as partes correspondentes espirituais destas coisas, em relação com a “verdadeira tenda” da adoração de Jeová. (Heb. 8:2) O principal sacerdote, Arão, representa a Cristo Jesus “como sumo sacerdote das boas coisas que se realizaram por intermédio da tenda maior e mais perfeita”. (Heb. 9:11; Lev. 21:10) O sangue dos sacrifícios de animais prefigura o sangue de Jesus, que obtém “para nós um livramento eterno”. (Heb. 9:12) O compartimento mais recôndito do tabernáculo, o Santíssimo, onde o sumo sacerdote entrava apenas uma vez por ano, no Dia da Expiação, para apresentar o sangue sacrificial, é “cópia da realidade”, o “próprio céu”, para o qual Jesus ascendeu, “para aparecer agora por nós perante a pessoa de Deus”. — Heb. 9:24; Lev. 16:14, 15.

      38. Como foram cumpridos em Jesus os sacrifícios típicos?

      38 As próprias vítimas sacrificiais — animais sadios e sem mácula oferecidos como ofertas queimadas ou pelo pecado — representam o sacrifício perfeito e sem mácula do corpo humano de Jesus Cristo. (Heb. 9:13, 14; 10:1-10; Lev. 1:3) É interessante que Paulo considera também a característica do Dia da Expiação, em que as carcaças dos animais das ofertas pelo pecado eram levadas para fora do acampamento e queimadas. (Lev. 16:27) “Por isso, Jesus também”, escreve Paulo, “sofreu fora do portão. Saiamos, pois, a ele, fora do acampamento, levando o vitupério que ele levou”. (Heb. 13:12, 13) Mediante tal interpretação inspirada, os procedimentos cerimoniais, esboçados em Levítico, assumem importância maior, e podemos começar, deveras, a compreender quão maravilhosamente Jeová fez ali sombras que inspiram respeito, indicando as realidades que só poderiam ser esclarecidas mediante o espírito santo. (Heb. 9:8) Tal entendimento correto é vital para os que querem tirar proveito da provisão para a vida que Jeová faz mediante Cristo Jesus, o “grande sacerdote sobre a casa de Deus”. — Heb. 10:19-25.

      39. Como é que Levítico se une a “toda a Escritura” em dar a conhecer os propósitos do Reino de Jeová?

      39 Semelhante à casa sacerdotal de Arão, Jesus Cristo, qual Sumo Sacerdote, tem subsacerdotes associados consigo. Fala-se a respeito destes como sendo “sacerdócio real”. (1 Ped. 2:9) Levítico indica claramente e explica o trabalho de expiar pecados feito pelo grande Sumo Sacerdote e Rei de Jeová, bem como os requisitos exigidos dos membros de sua casa, dos quais se fala como sendo ‘felizes e santos’, e ‘sacerdotes de Deus e do Cristo, e reinando com ele por mil anos’. Que bênção esse trabalho sacerdotal realizará em soerguer humanos obedientes à perfeição, e que felicidade esse Reino celestial trará, restaurando a paz e a justiça na terra! Certamente, devemos todos agradecer ao Deus santo, Jeová, o seu arranjo de um Sumo Sacerdote e Rei, e de um sacerdócio real para declarar em toda a parte as Suas excelências, em santificação de Seu nome! Deveras, Levítico se une de modo maravilhoso a “toda a Escritura” em dar a conhecer os propósitos do Reino de Jeová. — Rev. 20:6.

  • Livro bíblico número 4 — Números
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 4 — Números

      Escritor: Moisés

      Lugar da Escrita: Ermo e planícies de Moabe

      Escrita Completada: 1473 AEC

      Tempo Abrangido: 1512-1473 AEC

      1. Por que foram registrados os eventos em Números, e o que inculcam em nós?

      OS EVENTOS da jornada dos israelitas pelo ermo foram registrados na Bíblia para o nosso proveito hoje.a Como disse o apóstolo Paulo: “Ora, estas coisas tornaram-se exemplos para nós, para que não fôssemos pessoas desejosas de coisas prejudiciais.” (1 Cor. 10:6) O vívido registro de Números inculca em nós que a sobrevivência depende de santificar o nome de Jeová, de lhe obedecer em todas as circunstâncias e de mostrar respeito pelos seus representantes. Seu favor não resulta de bondade ou de mérito de seu povo, mas de Sua grande misericórdia e benignidade imerecida.

      2. A que se refere o nome Números, mas, que título mais apropriado deram os judeus a esse livro?

      2 O nome Números se refere à numeração das pessoas, efetuada primeiro junto ao monte Sinai e, mais tarde, nas planícies de Moabe, segundo registrada nos capítulos 1-4 e 26 de Números. Este nome vem do título Numeri, na Vulgata latina, e se deriva de A·rith·moí na Septuaginta grega. Contudo, os judeus chamam esse livro mais apropriadamente de Bemidh·bár, que significa “No Ermo”. A palavra hebraica midh·bár indica um lugar descampado, desprovido de cidades e povoados. Foi no ermo, ao sul e ao leste de Canaã, que ocorreram os eventos de Números.

      3. Que prova há de que Moisés escreveu Números?

      3 Números evidentemente fazia parte do volume quíntuplo original, que incluía os livros de Gênesis a Deuteronômio. O primeiro versículo(1:1) começa com a conjunção “e”, ligando-o com o que precede. Assim, deve ter sido escrito por Moisés, o escritor dos registros precedentes. Isto também fica claro da declaração no livro de que “Moisés registrava” e do colofão: “Estes são os mandamentos e as decisões judiciais que Jeová ordenou aos filhos de Israel por meio de Moisés.” — Núm. 33:2; 36:13.

      4. Que período abrange Números, e quando foi completado o livro?

      4 Os israelitas haviam saído do Egito um pouco mais de um ano antes. Iniciando o relato no segundo mês do segundo ano depois do Êxodo, Números abrange os próximos 38 anos e nove meses, de 1512 a 1473 AEC. (Núm. 1:1; Deut. 1:3) Embora não se enquadrem nesse período, os eventos relatados em Números 7:1-88 e 9:1-15 são incluídos como informações de fundo. As partes iniciais do livro foram, sem dúvida, escritas à medida que os eventos se desenrolavam, mas é evidente que Moisés não poderia ter completado Números senão perto do fim do 40.º ano no ermo, em princípios do ano calendar de 1473 AEC.

      5. Que características atestam a autenticidade de Números?

      5 Não pode haver dúvida quanto à autenticidade do relato. A respeito da terra geralmente árida pela qual viajavam, Moisés disse que se tratava dum “grande e atemorizante ermo”, e, mesmo em nossos dias, os dispersos habitantes se locomovem constantemente em busca de pastos e água. (Deut. 1:19) Ademais, as instruções detalhadas a respeito do acampamento da nação, da ordem de marcha e dos sinais de trombeta para governar os assuntos do acampamento atestam que o relato foi realmente escrito “no ermo”. — Núm. 1:1.

      6. Que apoio dão a Números os achados arqueológicos?

      6 Até mesmo o temeroso relatório dos espias, quando retornaram de sua expedição a Canaã, no sentido de que “as cidades fortificadas são muito grandes”, é confirmado pela arqueologia. (13:28) As descobertas atuais têm revelado que os habitantes de Canaã daquele tempo haviam consolidado seu domínio mediante uma série de fortificações que se estendiam pelo país em diversos lugares, desde a baixada de Jezreel, no Norte, até Gerar, no Sul. Não só eram as cidades fortificadas, mas eram em geral construídas no cume de colinas, com torres que se elevavam acima de suas muralhas, tornando-as muitíssimo impressionantes para pessoas como os israelitas, que haviam residido por gerações na terra plana do Egito.

      7. Que marca de honestidade tem Números?

      7 As nações do mundo tendem a encobrir os seus fracassos e a magnificar as suas conquistas, mas, o relato de Números narra, com honestidade que denota verdade histórica, que Israel foi totalmente derrotada pelos amalequitas e pelos cananeus. (14:45) Admite francamente que o povo mostrou ser sem fé e tratou a Deus sem respeito. (14:11) Com notável candura, Moisés, profeta de Deus, expõe os pecados da nação, de seus sobrinhos e de seu próprio irmão e irmã. Tampouco poupa a si mesmo, pois fala da ocasião em que deixou de santificar a Jeová, quando se supriu água em Meribá, de modo que perdeu o privilégio de entrar na Terra Prometida. — 3:4; 12:1-15; 20:7-13.

      8. Como atestam outros escritores da Bíblia a inspiração de Números?

      8 Que o relato é parte genuína das Escrituras, que são inspiradas por Deus e proveitosas, se evidencia de que quase todos os seus principais eventos, bem como muitos pormenores, são diretamente citados por outros escritores da Bíblia, muitos dos quais destacam a importância deles. Por exemplo, Josué (Jos. 4:12; 14:2), Jeremias (2 Reis 18:4), Neemias (Nee. 9:19-22), Asafe (Sal. 78:14-41), Davi (Sal. 95:7-11), Isaías (Isa. 48:21), Ezequiel (Eze. 20:13-24), Oséias (Osé. 9:10), Amós (Amós 5:25), Miquéias (Miq. 6:5), Lucas, no seu registro sobre o discurso de Estêvão (Atos 7:36), Paulo (1 Cor. 10:1-11), Pedro (2 Ped. 2:15, 16), Judas (Jud. 11) e João, ao registrar as palavras de Jesus à congregação de Pérgamo (Rev. 2:14), citam do registro de Números, como fez o próprio Jesus Cristo. — João 3:14.

      9. O que salienta Números quanto a Jeová?

      9 A que objetivo, então, serve Números? Na verdade, o seu relato é mais do que de valor histórico. Números salienta que Jeová é o Deus de ordem, que requer de suas criaturas devoção exclusiva. Isto é vividamente inculcado na mente do leitor, ao passo que observa o recenseamento, a provação e a peneiração de Israel, e vê como o proceder desobediente e rebelde dessa nação é usado para frisar a necessidade vital de se obedecer a Jeová.

      10. Para o benefício de quem foi preservado Números, e por quê?

      10 O registro foi preservado para o proveito das gerações futuras, segundo Asafe explicou, “para que pusessem a sua confiança no próprio Deus e não se esquecessem das práticas de Deus, mas observassem os próprios mandamentos dele” e que “não se deviam tornar como seus antepassados, uma geração obstinada e rebelde, uma geração que não preparara seu coração e cujo espírito não era fidedigno para com Deus”. (Sal. 78:7, 8) Vez após vez, os eventos de Números foram mencionados nos salmos, que eram cânticos sagrados entre os judeus, de modo que eram repetidos com freqüência como sendo de proveito para a nação. — Salmos 78, 95, 105, 106, 135, 136.

      CONTEÚDO DE NÚMEROS

      11. Em que três partes pode ser dividido o conteúdo de Números?

      11 Números se divide logicamente em três partes. A primeira delas, findando no capítulo 10, versículo 10, abrange eventos que ocorreram enquanto os israelitas ainda acampavam junto ao monte Sinai. A parte seguinte, concluindo com o capítulo 21, narra o que sucedeu durante os seguintes 38 anos e mais um ou dois meses, enquanto se achavam no ermo e até chegarem às planícies de Moabe. A parte final, até o fim do capítulo 36, tem a ver com os eventos nas planícies de Moabe, enquanto os israelitas se preparavam para entrar na Terra Prometida.

      12. Quão grande é o acampamento israelita junto ao Sinai, e como é organizado?

      12 Eventos junto ao monte Sinai (1:1-10:10). Os israelitas já estão na região montanhosa de Sinai por cerca de um ano. Aqui eles foram moldados numa organização bem entrosada. Às ordens de Jeová, faz-se agora um recenseamento de todos os homens de 20 anos de idade ou mais. As tribos variam em tamanho, segundo se revela, de 32.200 varões vigorosos em Manassés a 74.600 em Judá, totalizando 603.550 homens aptos para servir no exército de Israel, além dos levitas, das mulheres e das crianças — um acampamento composto provavelmente de três milhões de pessoas ou mais. A tenda de reunião está situada, juntamente com os levitas, no centro do acampamento. Em lugares designados, de cada lado, acampam os outros israelitas, em divisões de três tribos, cada tribo tendo recebido instruções quanto à ordem da marcha, isto é, quando o acampamento precisa locomover-se. Jeová emite as instruções, e o registro diz: “Os filhos de Israel passaram a fazer segundo tudo o que Jeová mandara a Moisés.” (2:34) Obedecem a Jeová e mostram respeito por Moisés, o representante visível de Deus.

      13. Segundo que arranjo são os levitas designados para serviço?

      13 Os levitas são então colocados à parte para o serviço de Jeová, como resgate dos primogênitos de Israel. São divididos em três grupos, segundo sua respectiva descendência dos três filhos de Levi: Gérson, Coate e Merari. As posições no acampamento e as responsabilidades de serviço são determinadas à base desta divisão. Os de mais de 30 anos têm de fazer o trabalho pesado de transportar o tabernáculo. Para que o serviço mais leve seja feito, faz-se provisão para que outros sirvam a partir dos 25 anos de idade. (Reduzidos para 20 anos nos dias de Davi.) — 1 Crô. 23:24-32; Esd 3:8.

      14. Que instruções são dadas para assegurar a pureza do acampamento?

      14 Para que o acampamento seja mantido puro, dá-se instruções sobre pôr de quarentena os que adoecem, fazer expiação pelos atos de infidelidade, resolver casos em que um homem suspeite da conduta da esposa, e sobre assegurar a conduta correta dos que são colocados à parte por voto a fim de levar uma vida de nazireu para Jeová. Visto que o povo tem de levar sobre si mesmo o nome de seu Deus, precisa comportar-se em harmonia com os Seus mandamentos.

      15. (a) Com relação à inauguração do altar, que contribuições foram feitas? (b) Que relação precisa Israel lembrar, e a Páscoa lhes deve lembrar o quê?

      15 Suprindo alguns pormenores do mês anterior (Núm. 7:1, 10; Êxo. 40:17), Moisés fala a seguir das contribuições de materiais, feitas pelos 12 maiorais do povo, por um período de 12 dias, desde a inauguração do altar. Não houve competição nem a procura de glória pessoal nisso; cada qual contribuiu exatamente o que os outros contribuíram. Todos precisam reter em mente que, acima desses maiorais, e acima do próprio Moisés, está Jeová Deus, que dá instruções a Moisés. Nunca devem esquecer a sua relação com Jeová. A Páscoa deve fazê-los lembrar-se de sua maravilhosa libertação do Egito feita por Jeová, e eles a celebram aqui no ermo na ocasião determinada, um ano depois de partirem do Egito.

      16. Como é que Jeová conduz a nação, e que sinais de trombeta são providenciados?

      16 Assim como dirigira a marcha de Israel para fora do Egito, Jeová continua a conduzir a nação nas suas viagens, por meio duma nuvem que cobre o tabernáculo da tenda do Testemunho, de dia, e por meio de aparecimento do fogo ali, de noite. Quando a nuvem se locomove, a nação se locomove. Quando a nuvem permanece sobre o tabernáculo, a nação permanece acampada, seja por poucos dias seja por um mês ou mais, pois o relato nos diz: “Acampavam-se à ordem de Jeová e partiam à ordem de Jeová. Cuidavam da sua obrigação para com Jeová segundo a ordem de Jeová mediante Moisés.” (Núm. 9:23) Quando se aproxima o tempo de partirem do Sinai, providenciam-se toques de trombeta tanto para reunir o povo como para dirigir as diversas divisões do acampamento na jornada pelo ermo.

      17. Descreva o procedimento para marchar.

      17 Eventos no ermo (10:11-21:35). Por fim, no 20.º dia do segundo mês, Jeová faz erguer a nuvem de sobre o tabernáculo, deste modo dando sinal para que Israel parta da região do Sinai. Com a arca do pacto de Jeová no meio deles, rumam a Cades-Barnéia, uns 240 quilômetros ao norte. Enquanto marcham durante o dia, a nuvem de Jeová paira sobre eles. Toda vez que a Arca parte, Moisés ora a Jeová para que este se levante e disperse seus inimigos, e toda vez que ela vem a descansar, ele ora a Jeová para que volte “às miríades dos milhares de Israel”. — 10:36.

      18. Que queixas surgem a caminho de Cades-Barnéia, e de que modo Jeová ajusta os procedimentos teocráticos no acampamento?

      18 Contudo, surgem dificuldades no acampamento. Na viagem para o norte, para Cades-Barnéia, há pelo menos três ocasiões de queixas. Para reprimir a primeira manifestação, Jeová envia fogo para consumir alguns do povo. Daí, a “multidão mista” faz Israel lamentar-se de que não mais tem como alimento peixe, pepino, melancia, alho-porro, cebola e alho do Egito, mas apenas maná. (11:4) Moisés fica tão angustiado que pede a Jeová que o mate em vez de deixá-lo continuar a servir de aio para todo aquele povo. Jeová, mostrando consideração, retira parte do espírito de Moisés e coloca-o sobre 70 anciãos, que passam a ajudar Moisés como profetas no acampamento. Daí vem carne em abundância. Como já sucedera antes, um vento da parte de Jeová traz codornizes do mar, e o povo gananciosamente se apodera de grande suprimento, estocando-o egoisticamente. A ira de Jeová se acende contra eles, abatendo muitos por causa do ardente desejo egoísta deles. — Êxo. 16:2, 3, 13.

      19. Como Jeová trata do caso dos críticos Miriã e Arão?

      19 As dificuldades continuam. Deixando de reconhecer devidamente seu irmão mais novo, Moisés, como representante de Jeová, Miriã e Arão o criticam por causa de sua esposa, recém-chegada ao acampamento. Exigem mais autoridade, comparável à de Moisés, embora ‘o homem Moisés fosse em muito o mais manso de todos os homens na superfície do solo’. (Núm. 12:3) O próprio Jeová corrige o assunto, revelando que Moisés ocupa uma posição especial e ferindo com lepra a Miriã, a provável instigadora da queixa. Foi só mediante a intercessão de Moisés que ela mais tarde se restabeleceu.

      20, 21. Que eventos levam ao decreto de Jeová de que Israel tem de vagar 40 anos no ermo?

      20 Chegando a Cades, Israel acampa no limiar da Terra Prometida. Jeová instrui Moisés a enviar espias para fazer reconhecimento do país. Entrando pelo Sul, eles viajam para o Norte, até a “entrada de Hamate”, caminhando centenas de quilômetros em 40 dias. (13:21) Quando retornam com alguns dos ricos frutos de Canaã, dez dos espias argumentam sem fé que seria tolo ir contra um povo tão forte e tão grandes cidades fortificadas. Calebe tenta acalmar a assembléia com um relatório favorável, mas sem êxito. Os espias rebeldes lançam medo no coração dos israelitas, afirmando que se trata duma terra que “consome os seus habitantes” e dizendo: “Todo o povo que vimos no meio dela são homens de tamanho extraordinário.” À medida que queixas de rebelião se espalham no acampamento, Josué e Calebe rogam: “Jeová está conosco. Não os temais.” (13:32; 14:9) Mas, a assembléia passa a falar em apedrejá-los.

      21 Jeová então intervém diretamente, dizendo a Moisés: “Até quando me tratará este povo sem respeito e até quando não depositarão fé em mim, em vista de todos os sinais que realizei entre eles?” (14:11) Moisés lhe implora que não destrua a nação, visto que o nome e a fama de Jeová estão envolvidos. Jeová decreta, então, que Israel continuará a vagar pelo ermo até que todos os que foram registrados entre o povo, de 20 anos ou mais, tenham morrido. Dos varões registrados, apenas Calebe e Josué terão permissão de entrar na Terra da Promessa. É em vão que o povo tenta subir por sua própria iniciativa, apenas para sofrer terrível derrota às mãos dos amalequitas e dos cananeus. Que preço elevado paga o povo pelo desrespeito para com Jeová e seus leais representantes!

      22. De que maneiras se acentua a importância da obediência?

      22 Realmente, eles têm muito a aprender no tocante à obediência. Apropriadamente, Jeová lhes dá leis adicionais, que acentuam tal necessidade. Ele lhes informa que, quando entrarem na Terra Prometida, será preciso fazer expiação pelos erros, mas os deliberadamente desobedientes precisam ser eliminados sem falta. Assim, quando um homem é apanhado ajuntando lenha em violação da lei sabática, Jeová ordena: “O homem, sem falta, deve ser morto.” (15:35) Como lembrete dos mandamentos de Jeová e da importância de obedecer a eles, Jeová instrui que usem franjas nas orlas das vestimentas.

      23. Qual é o resultado da rebelião de Corá, Datã e Abirão?

      23 Não obstante, irrompe outra vez a rebelião. Corá, Datã e Abirão e 250 homens de destaque na assembléia se reúnem em oposição à autoridade de Moisés e Arão. Moisés leva a questão perante Jeová, dizendo aos rebeldes: ‘Tomai porta-lumes e incenso e apresentai-os perante Jeová, e deixai que ele escolha.’ (16:6, 7) A glória de Jeová aparece então a toda a assembléia. Ele executa velozmente o julgamento, fazendo com que a terra se abra e trague as famílias de Corá, Datã e Abirão, e envia fogo para consumir os 250 homens, inclusive Corá, que oferecem o incenso. Logo no dia seguinte, o povo passa a condenar a Moisés e a Arão por aquilo que Jeová fez, e novamente Ele os flagela, eliminando 14.700 queixosos.

      24. Que sinal realiza Jeová para pôr fim à rebeldia?

      24 Por causa desses eventos, Jeová ordena que cada tribo apresente um bastão perante ele, inclusive um bastão com o nome de Arão para a tribo de Levi. Demonstra-se, no dia seguinte, que Jeová escolheu Arão para o sacerdócio, pois apenas o bastão dele apresenta flores plenamente desabrochadas e dá amêndoas maduras. O bastão há de ser preservado na arca do pacto “como sinal para os filhos da rebeldia”. (Núm. 17:10; Heb. 9:4) Depois de instruções adicionais para o sustento do sacerdócio por meio de dízimos e sobre o uso da água de purificação com as cinzas de uma vaca vermelha, o relato nos leva outra vez a Cades. Ali Miriã morre e é sepultada.

      25. De que modo Moisés e Arão deixam de santificar a Jeová, e com que resultado?

      25 Novamente, no limiar da Terra Prometida, a assembléia alterca com Moisés, por causa da falta de água. Jeová considera isso como altercação com Ele, e aparece na sua glória, ordenando a Moisés que tome o bastão e faça sair água do rochedo. Será que nessa ocasião Moisés e Arão santificam a Jeová? Em vez disso, Moisés golpeia duas vezes o rochedo com ira. O povo e seu gado obtêm água para beber, mas Moisés e Arão deixam de dar o crédito a Jeová. Embora a jornada no ermo esteja quase no fim, ambos incorrem no desagrado de Jeová e se lhes informa que não entrarão na Terra Prometida. Arão morre mais tarde no monte Hor e seu filho Eleazar assume os deveres de sumo sacerdote.

      26. Que eventos marcam o desvio em volta de Edom?

      26 Israel vira para o leste e procura atravessar a terra de Edom, mas é repelido. Ao fazer um grande desvio em volta de Edom, o povo entra outra vez em dificuldades, queixando-se de Deus e de Moisés. Estão fartos do maná e têm sede. Por causa de sua rebeldia, Jeová envia-lhes serpentes venenosas, de modo que muitos morrem. Por fim, quando Moisés intercede, Jeová instrui-o a fazer uma ardente serpente de cobre e colocá-la numa haste de sinal. Os que foram mordidos, mas que fitam a serpente de cobre, são poupados com vida. Rumando para o norte, os israelitas são impedidos, respectivamente, pelos reis beligerantes Síon, dos amorreus, e Ogue, de Basã. Eles derrotam a ambos em batalha, e Israel ocupa os seus territórios ao leste do vale de abatimento tectônico.

      27. De que modo Jeová frustra os planos de Balaque em relação a Balaão?

      27 Eventos nas planícies de Moabe (22:1-36:13). Em ávida antecipação de sua entrada em Canaã, os israelitas se reúnem então nas planícies desérticas de Moabe, ao norte do mar Morto e ao leste do Jordão, defronte de Jericó. Vendo este vasto acampamento espraiado diante deles, os moabitas sentem temor mórbido. Seu rei Balaque, consultando os midianitas, manda chamar a Balaão para que este use de adivinhação e amaldiçoe a Israel. Embora Deus diga diretamente a Balaão: “Não deves ir com eles”, ele quer ir. (22:12) Ele quer a recompensa. Por fim vai mesmo, mas o que acontece é que ele é interceptado por um anjo e a sua própria jumenta fala miraculosamente para o repreender. Quando finalmente Balaão chega a proferir declarações sobre Israel, o espírito de Deus o impele, de modo que os seus quatro ditos proverbiais profetizam apenas bênçãos para a nação de Deus, predizendo até que uma estrela sairá de Jacó e um cetro surgirá de Israel para subjugar e destruir.

      28. Que laço sutil é trazido sobre Israel pela sugestão de Balaão, mas, como se suspende o flagelo?

      28 Tendo enfurecido a Balaque com o seu fracasso em amaldiçoar a Israel, Balaão procura obter o favor do rei, sugerindo que os moabitas usem as mulheres de seu povo para engodarem os homens de Israel a participar nos ritos licenciosos relacionados com a adoração de Baal. (31:15, 16) Aqui, bem na fronteira da Terra Prometida, os israelitas começam a cair vítimas da crassa imoralidade e da adoração de deuses falsos. Quando a ira de Jeová se acende num flagelo, Moisés exige punição drástica dos malfeitores. Quando Finéias, filho do sumo sacerdote, vê um maioral trazer uma midianita para a sua tenda, dentro do próprio acampamento, ele vai atrás deles e os mata, ferindo a mulher pelas suas partes genitais. Assim se faz parar o flagelo, depois de 24.000 terem morrido em resultado dele.

      29. (a) O que revela o recenseamento no fim do 40.º ano? (b) Que preparação se faz então para entrar na Terra Prometida?

      29 A seguir, Jeová ordena a Moisés e a Eleazar que façam um novo recenseamento do povo, conforme se fizera quase 39 anos antes, junto ao monte Sinai. A contagem final mostra que não houve aumento nas suas fileiras. Pelo contrário, há 1.820 homens a menos registrados. Não resta nenhum dos que foram registrados junto ao Sinai para o serviço do exército, exceto Josué e Calebe. Conforme Jeová indicara que sucederia, todos eles haviam morrido no ermo. Jeová dá a seguir instruções relativas à divisão da terra como herança. Repete que Moisés não entrará na Terra da Promessa, por ter deixado de santificar a Jeová junto às águas de Meribá. (20:13; 27:14, notas) Josué é designado sucessor de Moisés.

      30. Como se ajustam as contas com os midianitas, e que designação de território faz-se ao leste do Jordão?

      30 Mediante Moisés, Jeová a seguir lembra Israel da importância de Suas leis sobre sacrifícios e festividades e da seriedade dos votos. Faz também com que Moisés ajuste contas com os midianitas, por causa de sua participação em seduzir Israel no tocante a Baal de Peor. Todos os varões midianitas são mortos em batalha, juntamente com Balaão, e só são poupadas as moças virgens, 32.000 destas sendo levadas cativas juntamente com o saque que inclui 808.000 animais. Nem sequer um israelita morre na batalha, segundo se informa. Os filhos de Rubem e de Gade, que são criadores de gado, pedem para estabelecer-se no território ao leste do Jordão, e, depois de concordarem em ajudar na conquista da Terra Prometida, o pedido é concedido, de modo que essas duas tribos, juntamente com metade da tribo de Manassés, recebem como posse esse rico planalto.

      31. (a) Ao entrar no país, como precisa Israel continuar a mostrar obediência? (b) Que instruções são dadas sobre as heranças tribais?

      31 Depois de uma recapitulação dos lugares de parada, durante a viagem de 40 anos, o registro focaliza outra vez a atenção na necessidade de obediência a Jeová. Deus lhes dá aquela terra, mas eles têm de tornar-se Seus executores, expulsando os habitantes depravados e adoradores de demônios e destruindo todo vestígio de sua religião idólatra. Descrevem-se em pormenores as fronteiras da terra que Deus lhes dá. Ela deve ser dividida entre eles por sortes. Os levitas, que não têm herança tribal, devem receber 48 cidades, com seus pastios, 6 das quais têm de ser cidades de refúgio para o homicida não intencional. O território tem de permanecer dentro da tribo, nunca devendo ser transferido a outra tribo por meio de casamento. Se não houver herdeiro masculino, então as filhas que recebem uma herança — por exemplo, as filhas de Zelofeade — têm de casar-se dentro de sua própria tribo. (27:1-11; 36:1-11) Números conclui com estes mandamentos de Jeová por intermédio de Moisés e estando os filhos de Israel prestes a finalmente entrar na Terra Prometida.

      POR QUE É PROVEITOSO

      32. De que maneiras Jesus e seu sacrifício são representados em Números?

      32 Jesus se referiu a Números em diversas ocasiões, e seus apóstolos e outros escritores da Bíblia demonstram claramente quão significativo e proveitoso é seu registro. O apóstolo Paulo comparou especificamente o fiel serviço de Jesus ao de Moisés, que está registrado principalmente em Números. (Heb. 3:1-6) Também, nos sacrifícios animais, e em aspergir as cinzas da novilha vermelha, de Números 19:2-9, vemos outra vez retratada a provisão muito maior da purificação mediante o sacrifício de Cristo. — Heb. 9:13, 14.

      33. Por que é de interesse para nós hoje a produção de água no ermo?

      33 Similarmente, Paulo mostrou que fazer sair água do rochedo no ermo é repleto de significado para nós, dizendo: “Costumavam beber da rocha espiritual que os seguia, e essa rocha significava o Cristo.” (1 Cor. 10:4; Núm. 20:7-11) Apropriadamente, o próprio Cristo disse: “Quem beber da água que eu lhe der, nunca mais ficará com sede, mas a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que borbulha para dar vida eterna.” — João 4:14.

      34. Como mostrou Jesus que a serpente de cobre tinha significado profético?

      34 Jesus fez também referência direta a um incidente registrado em Números, que prefigurou a maravilhosa provisão que Deus fazia por intermédio dele. “Assim como Moisés ergueu a serpente no ermo”, disse ele, “assim tem de ser erguido o Filho do homem, para que todo o que nele crer tenha vida eterna”. — João 3:14, 15; Núm. 21:8, 9.

      35. (a) Contra o que se devem acautelar os cristãos, segundo ilustrado pelos israelitas no ermo, e por quê? (b) Nas suas cartas, a que exemplos de ganância e rebelião se referiram Judas e Pedro?

      35 Por que foram os israelitas sentenciados a vagar por 40 anos no ermo? Por falta de fé. O apóstolo Paulo deu forte admoestação sobre esse ponto: “Acautelai-vos, irmãos, para que nunca se desenvolva em nenhum de vós um coração iníquo, falto de fé, por se separar do Deus vivente; mas, persisti em exortar-vos uns aos outros cada dia.” Por causa de sua desobediência, por causa de sua falta de fé, aqueles israelitas morreram no ermo. “Façamos, portanto, o máximo para entrar naquele descanso [de Deus], para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência.” (Heb. 3:7-4:11; Núm. 13:25-14:38) Advertindo contra os homens ímpios, que falam injuriosamente das coisas sagradas, Judas se referiu à ganância de Balaão por recompensa e à fala rebelde de Corá contra Moisés, servo de Jeová. (Jud. 11; Núm. 22:7, 8, 22; 26:9, 10) Balaão foi também mencionado por Pedro como sendo alguém que “amava a recompensa de fazer injustiça”, e pelo glorificado Jesus, na sua revelação por intermédio de João, como sendo alguém que ‘pôs diante de Israel uma pedra de tropeço de idolatria e de fornicação’. Certamente, a congregação cristã hoje deve ser acautelada contra tais ímpios. — 2 Ped. 2:12-16; Rev. 2:14.

      36. Contra que práticas prejudiciais advertiu Paulo, e como podemos nós hoje tirar proveito de seu conselho?

      36 Quando surgiu imoralidade entre os da congregação coríntia, Paulo escreveu-lhes a respeito do ‘desejo de coisas prejudiciais’, referindo-se especificamente a Números. Admoestou: “Nem pratiquemos a fornicação, assim como alguns deles cometeram fornicação, só para caírem, vinte e três mil deles, num só dia.” (1 Cor. 10:6, 8; Núm. 25:1-9; 31:16)b Que dizer da ocasião em que as pessoas se queixaram de que obedecer aos mandamentos de Deus acarretava dificuldade pessoal e de que estavam descontentes com a provisão do maná feita por Jeová? Sobre isso, Paulo diz: “Nem ponhamos Jeová à prova, assim como alguns deles o puseram à prova, só para perecerem pelas serpentes.” (1 Cor. 10:9; Núm. 21:5, 6) Daí, Paulo continua: “Nem sejamos resmungadores, assim como alguns deles resmungaram, só para perecerem pelo destruidor.” Quão amargas foram as experiências de Israel por resmungarem contra Jeová, seus representantes e suas provisões! Estas coisas que “lhes aconteciam como exemplos” devem servir de advertência clara a todos nós hoje, para que possamos continuar a servir a Jeová na plenitude da fé. — 1 Cor. 10:10, 11; Núm. 14:2, 36, 37; 16:1-3, 41; 17:5, 10.

      37. Ilustre como Números nos ajuda no entendimento de outras passagens bíblicas.

      37 Números fornece também o fundo histórico, que serve para se entender melhor muitas outras passagens da Bíblia. — Núm. 28:9, 10—Mat. 12:5; Núm. 15:38—Mat. 23:5; Núm. 6:2-4— Luc. 1:15; Núm. 4:3—Luc. 3:23; Núm. 18:31 —1 Cor. 9:13, 14; Núm. 18:26—Heb. 7:5-9; Núm. 17:8-10—Heb. 9:4.

      38. De que maneiras especiais é o livro de Números proveitoso, e a que dirige ele a nossa atenção?

      38 O que está registrado em Números é deveras inspirado por Deus, e é proveitoso para nos ensinar a importância da obediência a Jeová e do respeito por aqueles que ele fez superintendentes entre seu povo. Mediante exemplo, reprova a transgressão, e mediante acontecimentos de significado profético dirige nossa atenção Àquele que Jeová proveu qual Salvador e Líder de seu povo hoje. Supre um elo essencial e instrutivo no registro, que conduz ao estabelecimento do justo reino de Jeová, às mãos de Jesus Cristo, seu grande Mediador e Sumo Sacerdote.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, páginas 444-6.

      b Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, página 290.

  • Livro bíblico número 5 — Deuteronômio
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 5 — Deuteronômio

      Escritor: Moisés

      Lugar da Escrita: Planícies de Moabe

      Escrita Completada: 1473 AEC

      Tempo Abrangido: 2 meses (1473 AEC)

      1. Que perguntas podem ser feitas sobre a entrada de Israel na Terra Prometida?

      O LIVRO de Deuteronômio contém uma mensagem dinâmica para o povo de Jeová. Depois de vaguearem pelo ermo por 40 anos, os filhos de Israel achavam-se então no limiar da Terra da Promessa. O que os aguardava? Quais seriam os problemas peculiares a enfrentar do outro lado do Jordão? O que teria Moisés a dizer finalmente à nação? Podemos também perguntar-nos: Por que é proveitoso para nós hoje saber a resposta a essas perguntas?

      2. De que modo notável é Deuteronômio importante?

      2 A resposta encontra-se nas palavras que Moisés proferiu e assentou por escrito no quinto livro da Bíblia, Deuteronômio. Embora repita muitas coisas dos livros precedentes, Deuteronômio é importante por notáveis razões próprias. Como assim? Acrescenta ênfase à mensagem divina, tendo sido fornecida numa época da história do povo de Jeová em que os israelitas realmente necessitavam de liderança dinâmica e direção positiva. Estavam prestes a entrar na Terra Prometida sob um novo líder. Necessitavam de encorajamento para ir avante, e, ao mesmo tempo, necessitavam de advertências divinas para habilitá-los a adotar o proceder correto, que lhes proporcionaria as bênçãos de Jeová.

      3. O que sublinha Moisés através do livro inteiro de Deuteronômio, e por que é isto importante para nós hoje?

      3 Devido a essa necessidade, Moisés foi movido poderosamente pelo espírito de Jeová a exortar Israel de modo franco a mostrar obediência e fidelidade. Através do livro inteiro, ele sublinha que Jeová é o Deus Altíssimo, que exige devoção exclusiva e deseja que seu povo ‘o ame de todo o coração, de toda a alma e de toda a força vital’. Ele é “o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e atemorizante, que não trata a ninguém com parcialidade, nem aceita suborno”. Ele não tolera nenhuma rivalidade. Obedecer a Deus significa a vida, desobedecer significa a morte. A instrução de Jeová, dada em Deuteronômio, era precisamente a preparação e o conselho que Israel necessitava para as tarefas gigantescas à frente. É também a espécie de admoestação que necessitamos hoje, para que continuemos a andar no temor de Jeová, santificando o seu nome no meio de um mundo corrupto. — Deut. 5:9, 10; 6:4-6; 10:12-22.

      4. Qual é o significado do nome Deuteronômio, e qual é o propósito do livro?

      4 O nome Deuteronômio deriva-se do título da tradução grega Septuaginta, a saber, Deu·te·ro·nó·mi·on, nome composto formado de deú·te·ros, que significa “segundo”, e de nó·mos, “lei.” Significa, portanto, “Segunda Lei; Repetição da Lei”. Vem da tradução grega da frase hebraica em Deuteronômio 17:18, mish·néh hat·toh·ráh, corretamente traduzida ‘cópia da lei’. Não obstante o significado do nome Deuteronômio, este livro da Bíblia não é uma segunda lei, tampouco é mera repetição da Lei. Em vez disso, é uma explicação da Lei, que exorta Israel a amar e a obedecer a Jeová na Terra Prometida em que entraria em breve. — 1:5.

      5. O que prova que Moisés foi o escritor de Deuteronômio?

      5 Visto que este é o quinto rolo, ou volume, do Pentateuco, o escritor deve ter sido o mesmo que o dos quatro livros precedentes, a saber, Moisés. A declaração inicial identifica Deuteronômio como sendo “as palavras que Moisés falou a todo o Israel”, e expressões posteriores, tais como “Moisés escreveu . . . esta lei” e “Moisés escreveu este cântico”, provam claramente que ele foi o escritor. O nome dele aparece quase 40 vezes no livro, em geral como a autoridade para as declarações feitas. A primeira pessoa, referindo-se a Moisés, é usada predominantemente em todo o livro. Os versículos concludentes foram acrescentados depois da morte de Moisés, com toda a probabilidade por Josué ou pelo sumo sacerdote Eleazar. — 1:1; 31:9, 22, 24-26.

      6. (a) Que período abrange Deuteronômio? (b) Quando estava praticamente completo o livro?

      6 Quando ocorreram os eventos contidos em Deuteronômio? O próprio livro declara no início que, “no quadragésimo ano, no décimo primeiro mês, no primeiro dia do mês, . . . Moisés falou aos filhos de Israel”. Ao se completar a narrativa em Deuteronômio, o livro de Josué continua o relato três dias antes da travessia do Jordão, que se deu “no décimo dia do primeiro mês”. (Deut. 1:3; Jos. 1:11; 4:19) Isto deixa um período de dois meses e uma semana para os eventos de Deuteronômio. Entretanto, 30 dias deste período de nove semanas foram reservados para prantear a morte de Moisés. (Deut. 34:8) Isto significa que, a bem dizer, todos os eventos relatados em Deuteronômio devem ter ocorrido no 11.º mês do 40.º ano. Perto do fim daquele mês, deve ter-se praticamente completado também a escrita do livro, ocorrendo a morte de Moisés em princípios do 12.º mês do 40.º ano, ou em princípios de 1473 AEC.

      7. O que prova a autenticidade de Deuteronômio?

      7 As provas já apresentadas da autenticidade dos primeiros quatro livros do Pentateuco aplicam-se igualmente a Deuteronômio, o quinto livro. É também um dos quatro mais citados livros das Escrituras Hebraicas nas Escrituras Gregas Cristãs, sendo os outros Gênesis, Salmos e Isaías. Há 83 de tais citações, e 17 dos livros das Escrituras Gregas Cristãs fazem referência a Deuteronômio.a

      8. Que testemunho convincente de Jesus confirma a autenticidade de Deuteronômio?

      8 O próprio Jesus dá o mais convincente testemunho da autenticidade de Deuteronômio. No início de seu ministério, foi tentado três vezes pelo Diabo, e três vezes replicou: “Está escrito.” Onde estava escrito? No livro de Deuteronômio (8:3; 6:16, 13) que Jesus citava como autoridade inspirada: “O homem tem de viver, não somente de pão, mas de cada pronunciação procedente da boca de Jeová.” “Não deves pôr Jeová, teu Deus, à prova.” “É a Jeová, teu Deus, que tens de adorar e é somente a ele que tens de prestar serviço sagrado.” (Mat. 4:1-11) Mais tarde, quando os fariseus vieram prová-lo com respeito aos mandamentos de Deus, Jesus citou em resposta “o maior e primeiro mandamento”, de Deuteronômio 6:5. (Mat. 22:37, 38; Mar. 12:30; Luc. 10:27) O testemunho de Jesus atesta irrefutavelmente a autenticidade de Deuteronômio.

      9. Que evidências externas vindicam Deuteronômio?

      9 Além do mais, os eventos e as declarações escritas no livro estão em perfeita harmonia com a situação histórica e com o contexto. As referências feitas ao Egito, a Canaã, a Amaleque, a Amom, a Moabe e a Edom correspondem à época, e os nomes de lugares são declarados com exatidão.b A arqueologia continua a apresentar prova sobre prova da integridade dos escritos de Moisés. Henry H. Halley escreve: “A Arqueologia, ultimamente, vem falando tão alto que está causando uma reação decidida em prol do ponto de vista conservador [de que Moisés escreveu o Pentateuco]. A teoria de que a escrita era desconhecida nos dias de Moisés já foi pelos ares, de modo completo. E cada ano, no Egito, Palestina e Mesopotâmia, estão-se escavando evidências tanto em inscrições como em camadas de terra, de que as narrativas do Antigo Testamento tratam de verdadeiros fatos históricos. E os ‘eruditos’, decididamente, estão tomando atitude de maior respeito para com a tradição referente à autoria de Moisés.”c Assim, mesmo a evidência externa vindica Deuteronômio e todo o Pentateuco como sendo genuínos e autênticos escritos de Moisés, profeta de Deus.

      CONTEÚDO DE DEUTERONÔMIO

      10. De que se compõe Deuteronômio?

      10 O livro compõe-se principalmente de uma série de discursos que Moisés proferiu perante os filhos de Israel, nas planícies de Moabe, defronte de Jericó. O primeiro destes discursos termina no capítulo 4, o segundo vai até o fim do capítulo 26, o terceiro continua até o fim do capítulo 28, e um outro discurso se estende até o fim do capítulo 30. A seguir, depois de Moisés tomar providências finais, em virtude da aproximação de sua morte, incluindo comissionar a Josué como seu sucessor, ele escreve um belíssimo cântico de louvor a Jeová, seguido de bênção sobre as tribos de Israel.

      11. Como introduz Moisés o seu primeiro discurso?

      11 Primeiro discurso de Moisés (1:1–4:49). Este constitui uma introdução histórica daquilo que vem em seguida. Primeiro, Moisés recapitula os fiéis tratos de Jeová com o Seu povo. Moisés manda este ir tomar posse da terra prometida a seus antepassados, Abraão, Isaque e Jacó. Relembra como Jeová, no início da viagem pelo ermo, coordenou a atividade desta comunidade teocrática, fazendo com que Moisés selecionasse homens sábios, discretos e experientes para agirem como chefes de grupos de mil, de cem, de cinqüenta e de dez. Havia uma organização extraordinária, supervisionada por Jeová, ao passo que Israel ‘ia marchando através de todo aquele grande e atemorizante ermo’. — 1:19.

      12. Que eventos na época da investigação inicial de Canaã Moiśes lhes faz lembrar a seguir?

      12 Moisés lhes faz lembrar agora o pecado de rebelião que cometeram, quando deram ouvidos ao relatório dos espias que haviam voltado de Canaã e queixaram-se, dizendo que Jeová os odiava por tê-los tirado do Egito, segundo o acusaram, só para os abandonar às mãos dos amorreus. Por demonstrarem falta de fé, Jeová declarou àquela geração má que nenhum dentre eles, exceto Calebe e Josué, veria aquela boa terra. Com isso, agiram novamente de modo rebelde, ficando agitados e fazendo a sua própria investida independente contra o inimigo, só para serem rechaçados e dispersos pelos amorreus como um enxame de abelhas.

      13. Em que base assegurou Moisés a Josué da vitória?

      13 Viajaram através do ermo, indo em direção ao mar Vermelho, e, no decorrer de 38 anos, morreu toda a geração dos homens de guerra. Jeová ordenou-lhes então que passassem para o outro lado e tomassem posse do país ao norte do Árnon, dizendo: “Neste dia principiarei a pôr o pavor de ti e o temor de ti diante dos povos debaixo de todos os céus, os quais ouvirão a notícia a teu respeito; e ficarão deveras agitados e terão dores semelhantes às de parto, por tua causa.” (2:25) Síon e sua terra caíram às mãos dos israelitas, e daí o reino de Ogue foi ocupado. Moisés assegurou a Josué que Jeová lutaria por Israel do mesmo modo, para derrotar todos os reinos. Daí, Moisés perguntou a Deus se ele próprio poderia de alguma forma entrar na boa terra, além do Jordão, mas Jeová continuou a recusar isto, dizendo-lhe que comissionasse, encorajasse e fortalecesse a Josué.

      14. Que ênfase dá Moisés à Lei de Deus e à devoção exclusiva?

      14 Moisés dá agora grande ênfase à Lei de Deus, advertindo contra aumentar ou diminuir Seus mandamentos. A desobediência trará calamidades: “Apenas guarda-te e cuida bem da tua alma, para que não te esqueças das coisas que teus olhos viram e para que não se afastem de teu coração todos os dias da tua vida; e tens de dá-los a conhecer a teus filhos e a teus netos.” (4:9) Quando Jeová lhes declarou as Dez Palavras em circunstâncias temíveis, em Horebe, não viram nenhuma forma. Será desastroso para eles voltarem-se agora para a idolatria e adorarem imagens, pois, conforme Moisés diz: “Jeová, teu Deus, é um fogo consumidor, um Deus que exige devoção exclusiva.” (4:24) Foi ele quem amou a seus antepassados e os escolheu. Não há outro Deus nos céus acima ou na terra embaixo. Moisés exorta à obediência a Ele, “para que prolongues os teus dias no solo que Jeová, teu Deus, te dá, para sempre”. — 4:40.

      15. Que provisão se faz de cidades de refúgio ao leste do Jordão?

      15 Depois de concluir este poderoso discurso, Moisés passa a escolher, ao leste do Jordão, a Bezer, Ramote e Golã como cidades de refúgio.

      16. O que é destacado no segundo discurso de Moisés?

      16 Segundo discurso de Moisés (5:1–26:19). Este discurso é um convite para que Israel ouça a Jeová que lhe falou face a face em Sinai. Note como Moisés repete a Lei com alguns ajustes necessários, adaptando-a assim à nova vida do povo do outro lado do Jordão. Não se trata de mera repetição dos regulamentos e das ordenanças. Cada palavra mostra que o coração de Moisés está cheio de zelo e de devoção a seu Deus. Ele fala para o bem daquela nação. O livro inteiro acentua a obediência à Lei — uma obediência proveniente de um coração cheio de amor, não sob compulsão.

      17. Como deve Israel corresponder ao amor que Jeová lhe demonstrou?

      17 Primeiro, Moisés repete as Dez Palavras, os Dez Mandamentos, e diz a Israel que os observe, não se desviando nem para a direita nem para a esquerda, a fim de prolongar os seus dias na terra e se tornar numeroso. “Escuta, ó Israel: Jeová, nosso Deus, é um só Jeová.” (6:4) Israel precisa amar a Deus de coração, alma e força vital, e deve ensinar a seus filhos e lhes falar dos grandes sinais e milagres que Jeová realizou no Egito. Não deve fazer alianças matrimoniais com os cananeus idólatras. Jeová escolheu Israel para se tornar sua propriedade especial, não por ser numeroso, mas porque o ama e guardará a declaração juramentada que fez a seus antepassados. Israel precisa evitar o laço da religião demoníaca, precisa destruir as imagens que se acham no país e apegar-se a Jeová, que é realmente “um Deus grande e atemorizante”. — 7:21.

      18. Moisés exorta os israelitas a guardar-se de quê?

      18 Jeová humilhou os israelitas por 40 anos no ermo, ensinando-lhes que o homem vive não só de maná ou de pão, mas de toda expressão que sai da boca de Jeová. Durante todos aqueles anos de correção, a roupa deles não se gastou, tampouco os seus pés se incharam. Agora estão prestes a entrar na terra de riqueza e fartura! Entretanto, precisam guardar-se dos laços do materialismo e da justiça própria, e lembrar-se de que Jeová é ‘o dador de poder para produzir riqueza’ e aquele que desapossa as nações más. (8:18) Moisés recorda então as ocasiões em que Israel provocou a Deus. Os israelitas precisam lembrar-se de que a ira de Jeová se acendeu contra eles no ermo por meio de pragas, fogo e morte! Precisam lembrar-se de sua adoração desastrosa do bezerro de ouro, que resultou na ira ardente de Jeová e em refazer ele as tábuas da Lei! (Êxo. 32:1-10, 35; 17:2-7; Núm. 11:1-3, 31-35; 14:2-38) Certamente, precisam agora servir e apegar-se a Jeová, que os amou por causa de seus antepassados e os tornou “como as estrelas dos céus em multidão”. — Deut. 10:22.

      19. Que escolha é explicitamente declarada, e que leis são delineadas para aquela nação?

      19 Israel precisa guardar “o mandamento inteiro”, e sem falta obedecer a Jeová, amando-o como seu Deus e servindo-o de todo o coração e de toda a alma. (11:8, 13) Jeová os amparará e os recompensará se lhe obedecerem. No entanto, precisam aplicar-se e ensinar diligentemente a seus filhos. A escolha colocada diante de Israel é explicitamente declarada: a obediência conduz à bênção, a desobediência, à maldição. Não devem ‘seguir outros deuses’. (11:26-28) Moisés delineia a seguir leis específicas que têm a ver com Israel, ao passo que avança para tomar posse da Terra Prometida. São (1) leis relativas à religião e adoração; (2) leis relativas à administração da justiça, governo e guerra; e (3) leis que regulam a vida privativa e social do povo.

      20. Que pontos salientam as leis concernentes à adoração?

      20 (1) Religião e adoração (12:1–16:17). Quando os israelitas entrarem no país, todo vestígio da religião falsa — seus altos, altares, colunas, postes sagrados e suas imagens — precisa ser impreterivelmente destruído. Os israelitas precisam adorar unicamente no lugar em que Jeová, seu Deus, escolher colocar o seu nome, e ali precisam regozijar-se nele, todos eles. Os regulamentos sobre o consumo de carne e sobre sacrifícios incluem lembretes constantes de que não devem comer sangue. “Apenas toma a firme resolução de não comer o sangue . . . Não o deves comer, para que te vá bem a ti e a teus filhos depois de ti, pois farás o que é direito aos olhos de Jeová.” (12:16, 23-25, 27; 15:23) Em seguida, Moisés condena bem nitidamente a idolatria. Israel não deve nem mesmo procurar informar-se sobre os caminhos da religião falsa. Caso se prove que um profeta é falso, precisa ser morto, e os apóstatas — mesmo que sejam parentes queridos ou amigos, sim, mesmo cidades inteiras — precisam ser da mesma forma entregues à destruição. A seguir, vêm os regulamentos sobre alimentos puros e impuros, pagamento dos dízimos e assistência aos levitas. Os interesses dos endividados, dos pobres e dos escravos devem ser protegidos com amor. Finalmente, Moisés faz um retrospecto das festas anuais como ocasiões para agradecer a Jeová as bênçãos concedidas: “Três vezes no ano, todo macho teu deve comparecer perante Jeová, teu Deus, no lugar que ele escolher: na festividade dos pães não-fermentados, e na festividade das semanas, e na festividade das barracas, e ninguém deve comparecer perante Jeová de mãos vazias.” — 16:16.

      21. Que leis são dadas relativas à justiça, e que importante profecia profere Moisés?

      21 (2) Justiça, governo e guerra (16:18–20:20). Em primeiro lugar, Moisés dá as leis referentes a juízes e autoridades. A justiça é coisa de suma importância, pois Jeová detesta o suborno e o desvirtuamento do julgamento. Esboça-se o processo quanto a estabelecer a evidência e regulamentar casos jurídicos. “Pela boca de duas ou três testemunhas deve ser morto aquele que há de morrer.” (17:6) Declaram-se as leis relativas a reis. Fazem-se provisões para os sacerdotes e os levitas. O espiritismo é proscrito, visto ser ‘detestável para Jeová’. (18:12) Olhando para o futuro distante, Moisés declara: “Um profeta do teu próprio meio, dos teus irmãos, semelhante a mim, é quem Jeová, teu Deus, te suscitará — a este é que deveis escutar.” (18:15-19) Mas o falso profeta tem de ser morto. Esta parte conclui com leis relativas às cidades de refúgio e vingar sangue, bem como com qualificações para isenção do serviço militar e regulamentos sobre guerra.

      22. Leis que governam que assuntos privativos e sociais são consideradas?

      22 (3) A vida privativa e social (21:1–26:19). As leis que dizem respeito à vida cotidiana dos israelitas são apresentadas em questões tais como encontrar uma pessoa que foi morta, casamento com mulheres capturadas, direito do primogênito, filho rebelde, pendurar criminosos na estaca, evidência da virgindade, crimes sexuais, castração, filhos ilegítimos, tratamento dado aos estrangeiros, medidas sanitárias, pagar juros e cumprir votos, divórcio, rapto, empréstimos, salários e respigas após a ceifa. O limite para fustigar um homem deve ser de 40 golpes. O touro não deve ser açaimado quando debulha. Esboça-se o procedimento no caso de casamento com cunhado. Devem ser usados pesos exatos, pois Jeová detesta a injustiça.

      23. Qual é, conforme mostra Moisés, o resultado quando o povo de Deus obedece aos Seus mandamentos?

      23 Antes de concluir este discurso fervoroso, Moisés relembra como Amaleque golpeou pela retaguarda os israelitas exaustos que fugiam do Egito, e Moisés ordena a Israel: “Deves extinguir a menção de Amaleque debaixo dos céus.” (25:19) Quando entrarem no país, deverão oferecer com regozijo os primeiros frutos do solo, e também os dízimos, com a seguinte oração de agradecimento a Jeová: “Olha deveras para baixo desde a tua santa habitação, os céus, e abençoa teu povo Israel e o solo que nos deste, assim como juraste aos nossos antepassados, a terra que mana leite e mel.” (26:15) Se cumprirem estes mandamentos de todo o coração e de toda a alma, Jeová, de sua parte, os ‘porá alto acima de todas as outras nações que fez, resultando em louvor, e em fama, e em beleza, ao passo que se mostram um povo santo para Jeová, seu Deus, assim como ele prometeu’. — 26:19.

      24. Que bênçãos e maldições coloca diante de Israel o terceiro discurso?

      24 Terceiro discurso de Moisés (27:1–28:68). Neste, os anciãos de Israel e os sacerdotes juntam-se a Moisés quando ele enumera extensamente as maldições da parte de Jeová pela desobediência e as bênçãos pela fidelidade. Avisos funestos são dados sobre os temíveis resultados da infidelidade. Se Israel, como seu povo santo, continuar a dar ouvidos à voz de Jeová, seu Deus, receberá maravilhosas bênçãos, e todos os povos da terra verão que o nome de Jeová é invocado sobre ele. Se, ao contrário, deixar de fazer isso, Jeová enviará “a maldição, a confusão e a reprimenda”. (28:20) Será acometido de doenças repugnantes, será flagelado pela seca e pela fome; seus inimigos o perseguirão e o escravizarão, e será espalhado e aniquilado da terra. Estas maldições, e ainda mais, lhe sobrevirão se não ‘cuidar em cumprir todas as palavras desta lei que se acham escritas neste livro, de modo a temer este glorioso e atemorizante nome, sim, Jeová, seu Deus’. — 28:58.

      25. (a) Que pacto faz Jeová agora com Israel? (b) Que escolha coloca Moisés diante do povo?

      25 Quarto discurso de Moisés (29:1–30:20). Jeová faz agora um pacto com Israel em Moabe. Este incorpora a Lei, conforme repetida e explicada por Moisés, o que servirá de guia para Israel ao entrar na Terra Prometida. O juramento solene que acompanha o pacto sublinha as responsabilidades daquela nação. Finalmente, Moisés chama os céus e a terra como testemunhas, pois coloca diante do povo a vida e a morte, a bênção e a maldição, e exorta: “Tens de escolher a vida para ficar vivo, tu e tua descendência, amando a Jeová, teu Deus, escutando a sua voz e apegando-te a ele; pois ele é a tua vida e a longura dos teus dias, para morares no solo de que Jeová jurou aos teus antepassados Abraão, Isaque e Jacó que lhes havia de dar.” — 30:19, 20.

      26. Que providências finais toma Moisés antes de sua morte?

      26 Josué é comissionado, e o cântico de Moisés (31:1–32:47). O capítulo 31 relata que, depois de Moisés escrever a Lei e dar instruções relativas à sua leitura pública regular, ele comissiona a Josué, dizendo-lhe que seja corajoso e forte, e, daí, relata que Moisés prepara um cântico comemorativo e completa a escrita das palavras da Lei, bem como toma providências para que ela seja colocada ao lado da arca do pacto de Jeová. Depois disso, Moisés enuncia as palavras do cântico perante a congregação inteira como exortação final.

      27. Que mensagem poderosa contém o cântico de Moisés?

      27 Com quanto apreço Moisés inicia seu cântico, identificando a Fonte revigorante das instruções que recebeu! “Meu ensinamento gotejará como a chuva, minha declaração pingará como o orvalho, como chuvas suaves sobre a relva, e como chuvas copiosas sobre a vegetação. Pois declararei o nome de Jeová.” Sim, atribua-se grandeza ao “nosso Deus”, “a Rocha”. (32:2-4) Torne-se conhecida a sua obra perfeita, seus justos caminhos, sua fidelidade, sua justiça e sua retidão. Foi vergonhoso Israel agir ruinosamente, embora Jeová o cercasse num deserto vago e uivante, salvaguardando-o como a menina de seu olho e pairando sobre ele como a águia sobre seus filhotes. É graças a ele que seu povo engordou, e Deus o chamou de Jesurum, “Aquele Que É Reto”, mas os israelitas o incitaram ao ciúme com deuses estranhos e se tornaram “filhos em que não há fidelidade”. (32:20) A vingança e a retribuição pertencem a Jeová. É ele quem faz morrer e faz viver. Quando afiar a sua espada reluzente e a sua mão segurar o julgamento, tomará deveras vingança de seus adversários. Que confiança isto deve inspirar no seu povo! Conforme diz o cântico, atingindo o seu clímax, é tempo de alegrar-se: “Alegrai-vos, ó nações, com o seu povo.” (32:43) Que poeta no mundo poderia compor uma obra que se aproximasse à beleza excelsa, ao poder e à profundidade de significado deste cântico em louvor a Jeová?

      28. Como enaltece Moisés a Jeová na sua bênção final?

      28 A bênção final de Moisés (32:48–34:12). Moisés recebe agora instruções finais concernentes à sua morte, mas ainda não terminou o seu serviço teocrático. Primeiro, precisa abençoar a Israel, e, ao fazer isto, ele enaltece novamente a Jeová, o Rei de Jesurum, como que resplandecendo com suas santas miríades. As tribos recebem bênçãos individuais, sendo citadas por nome, e daí Moisés louva a Jeová como o Eminente. “O Deus da antiguidade é um esconderijo, e por baixo há os braços que duram indefinidamente.” (33:27) Com coração cheio de apreço, ele fala então as suas palavras finais à nação: “Feliz és, ó Israel! Quem é semelhante a ti, um povo usufruindo salvação em Jeová?” — 33:29.

      29. Por que era Moisés um homem notável?

      29 Depois de contemplar a Terra Prometida, de cima do monte Nebo, Moisés morre, e Jeová o enterra em Moabe, não tendo sido conhecido nem honrado o seu sepulcro até o dia de hoje. Ele viveu até à idade de 120 anos, mas “seu olho não se havia turvado e seu vigor vital não lhe havia fugido”. Jeová o usou para realizar grandes sinais e milagres e, conforme relata o último capítulo, não se levantou “em Israel um profeta semelhante a Moisés, a quem Jeová conhecia face a face”. — 34:7, 10.

      POR QUE É PROVEITOSO

      30. Como fornece Deuteronômio uma conclusão apropriada para o Pentateuco?

      30 Sendo o livro concludente do Pentateuco, Deuteronômio está em harmonia com tudo o que o precedeu em declarar e santificar o grande nome de Jeová Deus. Só ele é Deus, e exige devoção exclusiva, não tolerando rivalidade por parte de deuses-demônios da adoração religiosa falsa. No dia de hoje, todos os cristãos precisam prestar séria atenção aos grandes princípios por trás da lei de Deus e obedecer-Lhe, a fim de evitarem Sua maldição, quando ele afiar a sua espada reluzente para executar vingança sobre seus adversários. O seu maior e primeiro mandamento precisa tornar-se o marco indicador nas suas vidas: “Tens de amar a Jeová, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de toda a tua força vital.” — 6:5.

      31. Como se referem outras passagens bíblicas inspiradas a Deuteronômio para aprofundar nosso apreço pelos propósitos de Deus?

      31 O restante das Escrituras faz freqüentes referências a Deuteronômio para aprofundar nosso apreço pelos propósitos divinos. Além de suas citações para responder ao Tentador, Jesus fez muitas outras referências a esse livro. (Deut. 5:16—Mat. 15:4; Deut. 17:6—Mat. 18:16 e João 8:17) Estas continuam até em Revelação (Apocalipse), onde o glorificado Jesus adverte finalmente contra aumentar ou diminuir o rolo da profecia de Jeová. (Deut. 4:2—Rev. 22:18) Pedro cita Deuteronômio ao encerrar o seu poderoso argumento de que Jesus é o Cristo e o Profeta maior que Moisés que Jeová havia prometido suscitar em Israel. (Deut. 18:15-19—Atos 3:22, 23) Paulo faz referência a Deuteronômio quanto ao salário dos trabalhadores, investigação cabal que deve ser feita pelo depoimento de testemunhas e instrução dos filhos. — Deut. 25:4—1 Cor. 9:8-10 e 1 Tim. 5:17, 18; Deut. 13:14 e 19:15—1 Tim. 5:19 e 2 Cor. 13:1; Deut. 5:16—Efé. 6:2, 3.

      32. Em que sentido são Josué, Gideão e os profetas bons exemplos para nós?

      32 Não só os escritores das Escrituras Cristãs, mas também os servos de Deus dos tempos pré-cristãos receberam instrução e encorajamento de Deuteronômio. Faremos bem em seguir o exemplo deles. Consideremos a obediência implícita de Josué, sucessor de Moisés, em entregar à destruição as cidades conquistadas, durante a invasão de Canaã, não tomando despojo como o fez Acã. (Deut. 20:15-18 e 21:23—Jos. 8:24-27, 29) Em obediência à Lei, Gideão eliminou os ‘medrosos e temerosos’ de seu exército. (Deut. 20:1-9—Juí. 7:1-11) Foi por fidelidade à lei de Jeová que os profetas em Israel e Judá falaram destemida e corajosamente, condenando aquelas nações relapsas. Amós fornece um excelente exemplo disto. (Deut. 24:12-15—Amós 2:6-8) Deveras, há literalmente centenas de exemplos que ligam Deuteronômio com o restante da Palavra de Deus, mostrando assim que é parte integrante e proveitosa de um todo harmonioso.

      33. (a) Como exala Deuteronômio louvor a Jeová? (b) O que mostra a tabela acompanhante quanto ao reconhecimento dos princípios da lei de Deus por parte das nações do mundo?

      33 A própria essência de Deuteronômio exala louvor ao Soberano Deus, Jeová. O livro inteiro acentua: ‘Adorem a Jeová; rendam-lhe devoção exclusiva.’ Embora a Lei não mais vigore para os cristãos, os princípios por trás dela não foram ab-rogados. (Gál. 3:19) Quantas coisas podem os verdadeiros cristãos aprender deste dinâmico livro da lei de Deus, com o seu ensinamento progressivo, sua franqueza e simplicidade de apresentação! Até mesmo as nações do mundo reconhecem a excelência da lei suprema de Jeová, pois incorporaram muitos dos regulamentos de Deuteronômio nos seus próprios códigos de lei. A tabela acompanhante dá exemplos interessantes de leis a que recorreram ou aplicaram em princípio.

      34. Que relação existe entre esta “Repetição da Lei” e o Reino de Deus?

      34 Outrossim, esta explicação da Lei chama atenção para o Reino de Deus e aprofunda o apreço por ele. De que modo? O Rei Designado, Jesus Cristo, quando estava na terra, conhecia bem esse livro e o aplicava, conforme revelam as citações precisas que fazia dele. Estendendo o domínio do seu Reino sobre toda a terra, governará segundo os justos princípios desta mesma “lei”, e todos os que irão abençoar-se nele como o “descendente” (semente) do Reino terão de obedecer a estes princípios. (Gên. 22:18; Deut. 7:12-14) É benéfico e proveitoso começar a obedecer a esses princípios desde já. Longe de ser antiquada, esta “lei”, com 3.500 anos de existência, fala-nos hoje com voz cheia de força, e continuará a fazer isso no novo mundo sob o Reino de Deus. Continue a ser santificado o nome de Jeová entre seu povo, ao passo que aplica todas as instruções proveitosas do Pentateuco, que tão gloriosamente atinge seu clímax em Deuteronômio — uma parte verdadeiramente inspirada e inspiradora de “toda a Escritura”!

      [Nota(s) de rodapé]

      a Veja a lista de “Citações do Antigo Testamento” em The New Testament in Original Greek, de B. F. Westcott e F. J. A. Hort, 1956, páginas 601-18.

      b Deuteronômio 3:9, nota.

      c Manual Bíblico, 1987, de Henry H. Halley, página 56.

      [Tabela na página 41]

      ALGUNS PRECEDENTES JURÍDICOS EM DEUTERONÔMIOd

      I. Leis pessoais e familiares Capítulos e Versículos

      A. Relações pessoais

      1. Pais e filhos Deuteronômio 5:16

      2. Relações matrimoniais 22:30; 27:20, 22, 23

      3. Leis sobre divórcio 22:13-19, 28, 29

      B. Direitos de propriedade 22:1-4

      II. Leis constitucionais

      A. Habilitações e deveres 17:14-20

      do rei

      B. Regulamentos militares

      1. Isenções do serviço 20:1, 5-7; 24:5

      militar

      2. Oficiais subalternos 20:9

      III. O poder judiciário

      A. Deveres dos juízes 16:18, 20

      B. Supremo tribunal de 17:8-11

      recursos

      IV. Direito penal

      A. Crimes contra o Estado

      1. Suborno, perversão 16:19, 20

      da justiça

      2. Perjúrio 5:20

      B. Crimes contra os bons costumes

      1. Adultério 5:18; 22:22-24

      2. União ilícita 22:30; 27:20, 22, 23

      C. Crimes contra a pessoa física

      1. Assassínio e agressão 5:17; 27:24

      2. Estupro e sedução 22:25-29

      V. Leis humanitárias

      A. Bondade para com os animais 25:4; 22:6, 7

      B. Consideração pelos 24:6, 10-18

      desafortunados

      C. Código de segurança 22:8

      de edificações

      D. Tratamento de classes 15:12-15; 21:10-14;

      dependentes, incluindo 27:18, 19

      escravos e cativos

      E. Provisões filantrópicas 14:28, 29; 15:1-11;

      para os necessitados 16:11, 12; 24:19-22

      [Nota(s) de rodapé]

      d Israel’s Laws and Legal Precedents, 1907, C. F. Kent, páginas vii até xviii; veja também Estudo Perspicaz das Escrituras, “Lei”.

  • Livro bíblico número 6 — Josué
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 6 — Josué

      Escritor: Josué

      Lugar da Escrita: Canaã

      Escrita Completada: c. 1450 AEC

      Tempo Abrangido: 1473–c. 1450 AEC

      1. Diante de que situação se acha Israel em 1473 AEC?

      ESTAMOS no ano 1473 AEC. A cena é extremamente dramática e emocionante. Os israelitas, acampados nas planícies de Moabe, estão prontos para entrar em Canaã, a Terra Prometida. O território do outro lado do Jordão é habitado por grande número de pequenos reinos, que possuem cada qual um exército. Estes reinos estão divididos entre si e enfraquecidos em razão dos muitos anos em que o Egito os dominou de modo corrupto. Contudo, para a nação de Israel, a oposição é forte. Se o país há de ser subjugado, será preciso tomar as muitas cidades fortificadas, tais como Jericó, Ai, Hazor e Laquis. Tempos difíceis estão à frente. É preciso travar e ganhar batalhas decisivas, com a ajuda do próprio Jeová que realizará grandes milagres para seu povo, a fim de cumprir a sua promessa de o estabelecer nessa terra. Incontestavelmente, estes acontecimentos extraordinários, tão notáveis nos tratos de Jeová com o seu povo, têm de ser assentados por escrito, e isso por uma testemunha ocular. Que homem poderia ser melhor para isso do que o próprio Josué, aquele que Jeová designara qual sucessor de Moisés? — Núm. 27:15-23.

      2. Por que é apropriada a escolha de Josué como líder e escritor?

      2 Era muito apropriado escolher a Josué como líder e para escrever os acontecimentos prestes a ocorrer. Durante os 40 anos passados no ermo, ele foi íntimo colaborador de Moisés. Tem sido “ministro de Moisés desde a sua idade viril”, o que mostra sua aptidão como líder espiritual e líder militar. (Núm. 11:28; Êxo. 24:13; 33:11; Jos. 1:1) Em 1513 AEC, ano em que Israel saiu do Egito, Josué era capitão dos exércitos de Israel, quando este derrotou os amalequitas. (Êxo. 17:9-14) Na qualidade de companheiro leal de Moisés e valente comandante do exército, era a escolha lógica para representar a tribo de Efraim, quando se escolheu um homem de cada tribo para a perigosa missão de espiar Canaã. A coragem e fidelidade que demonstrou nessa ocasião lhe asseguraram a entrada na Terra Prometida. (Núm. 13:8; 14:6-9, 30, 38) Sim, este Josué, filho de Num, é um “homem em quem há espírito”; um homem que ‘seguiu a Jeová integralmente’, um homem “cheio do espírito de sabedoria”. Não é de admirar que “Israel continuou a servir a Jeová todos os dias de Josué”. — Núm. 27:18; 32:12; Deut. 34:9; Jos. 24:31.

      3. O que prova que Josué foi um servo de Jeová, que realmente existiu, bem como foi o escritor do livro que leva o seu nome?

      3 Em razão de sua experiência, de sua formação e de suas qualidades provadas como verdadeiro adorador de Jeová, Josué estava certamente à altura de ser usado como um dos escritores das ‘Escrituras inspiradas por Deus’. Josué não é personagem lendário, mas um servo de Jeová, que realmente existiu. Seu nome é mencionado nas Escrituras Gregas Cristãs. (Atos 7:45; Heb. 4:8) É lógico dizer que, assim como Moisés foi usado para escrever sobre os eventos dos seus dias, seu sucessor, Josué, seria usado para escrever os acontecimentos que ele próprio presenciou. Que o livro foi escrito por alguém que presenciou os eventos, demonstra-se em Josué 6:25. A tradição judaica atribui a escrita a Josué, e o próprio livro declara: “Então escreveu Josué estas palavras no livro da lei de Deus.” — Jos. 24:26.

      4. Como se provou a autenticidade do livro de Josué tanto pelo cumprimento de profecias como pelo testemunho de posteriores escritores da Bíblia?

      4 Na ocasião da destruição de Jericó, Josué proferiu uma maldição profética sobre os que reconstruíssem a cidade, que teve cumprimento notável uns 500 anos mais tarde, nos dias de Acabe, rei de Israel. (Jos. 6:26; 1 Reis 16:33, 34) Além do mais, a autenticidade do livro de Josué é confirmada pelas muitas referências que posteriores escritores da Bíblia fazem aos eventos relatados nele. Vez após vez, os salmistas se referem a estes (Sal. 44:1-3; 78:54, 55; 105:42-45; 135:10-12; 136:17-22), assim como Neemias (Nee. 9:22-25), Isaías (Isa. 28:21), o apóstolo Paulo (Atos 13:19; Heb. 11:30, 31) e o discípulo Tiago (Tia. 2:25).

      5. (a) Que período é abrangido no livro de Josué? (b) Por que é apropriado o nome Josué?

      5 O livro de Josué abrange um período de mais de 20 anos, desde a entrada em Canaã, em 1473 AEC, até cerca de 1450 AEC, provavelmente o ano em que Josué morreu. O próprio nome Josué (em hebraico: Yehoh·shú·aʽ), que significa “Jeová É Salvação”, é perfeitamente adequado, em vista do papel que Josué como líder visível em Israel desempenhou durante a conquista do país. Ele atribuiu toda a glória a Jeová, o Libertador. Na Septuaginta, o livro é chamado I·e·soús (o equivalente grego de Yehoh·shú·aʽ), e é desta palavra que se deriva o nome Jesus. Pelas suas excelentes qualidades de coragem, obediência e integridade, Josué foi realmente um maravilhoso tipo profético de “nosso Senhor Jesus Cristo”. — Rom. 5:1.

      CONTEÚDO DE JOSUÉ

      6. Em quantas partes se divide de forma natural o livro?

      6 O livro se divide de forma natural em quatro partes: (1) a entrada na Terra Prometida, (2) a conquista de Canaã, (3) a distribuição do país e (4) as exortações de despedida de Josué. O relato inteiro é feito de modo vívido e está cheio de episódios dramáticos.

      7. Que encorajamento e conselhos dá Jeová a Josué?

      7 A entrada na Terra Prometida (Josué 1:1–5:12). Sabendo de antemão as provações à frente, Jeová de início encoraja a Josué e lhe dá bom conselho: “Somente sê corajoso e muito forte . . . Este livro da lei não se deve afastar da tua boca e tu o tens de ler em voz baixa dia e noite, para cuidar em fazer segundo tudo o que está escrito nele; pois então farás bem sucedido o teu caminho e então agirás sabiamente. Não te dei ordem? Sê corajoso e forte . . . pois Jeová, teu Deus, está contigo onde quer que andares.” (1:7-9) Josué atribui o crédito a Jeová como o verdadeiro Líder e Comandante, e passa imediatamente a fazer os preparativos para a travessia do Jordão, segundo a ordem de Deus. Os israelitas o reconhecem como sucessor de Moisés e juram-lhe lealdade. Avante, pois, para a conquista de Canaã!

      8. (a) Como mostra ter fé Raabe? (b) Como mostra Jeová ser “um Deus vivente” no meio de Israel?

      8 Dois homens são enviados para fazer reconhecimento de Jericó. Raabe, a meretriz, aproveita a oportunidade para mostrar sua fé em Jeová, escondendo os espias e arriscando sua própria vida. Em troca, os espias juram que ela será poupada quando Jericó for destruída. Os espias retornam trazendo a informação de que todos os habitantes do país estão desalentados por causa dos israelitas. Sendo favorável o relatório, Josué avança imediatamente em direção ao rio Jordão, que se acha na época da cheia. É então que Jeová dá uma prova tangível de que sustém a Josué e de que, assim como no tempo de Moisés, há um “Deus vivente” no meio de Israel. (3:10) No momento em que os sacerdotes que carregam a arca do pacto põem os pés nas águas do Jordão, as águas a montante se encapelam, permitindo que os israelitas atravessem a pé enxuto. Josué toma 12 pedras do meio do rio como memorial, e coloca outras 12 pedras dentro do rio, onde os sacerdotes se acham de pé, após o que os sacerdotes atravessam o rio, e as águas retornam à cheia.

      9. O que sucede a seguir em Gilgal?

      9 Tendo atravessado o rio, o povo acampa em Gilgal, entre o Jordão e Jericó, e ali Josué coloca as pedras memoriais como testemunho para as gerações futuras, ‘para que todos os povos da terra conheçam a mão de Jeová, que ela é forte; a fim de que deveras temais a Jeová, vosso Deus, para sempre’. (4:24) (Josué 10:15 indica que, depois disso, Gilgal foi usado, talvez, como acampamento de base por um bom tempo.) É aqui que os filhos de Israel são circuncidados, pois não havia sido praticada a circuncisão durante a jornada no ermo. Celebra-se a Páscoa, cessa o maná e finalmente os israelitas começam a comer dos produtos da terra.

      10. Que instruções dá Jeová a Josué quanto à captura de Jericó, e que ação dramática se segue?

      10 A conquista de Canaã (5:13–12:24). Agora, o primeiro objetivo se acha ao alcance deles. Mas como tomar esta “rigorosamente fechada”, murada, cidade de Jericó? (6:1) O próprio Jeová dá os pormenores do proceder a seguir, enviando o “príncipe do exército de Jeová” para instruir a Josué. (5:14) Uma vez por dia, durante seis dias, os exércitos de Israel devem marchar em volta da cidade, estando à testa os guerreiros, seguidos dos sacerdotes que tocam as buzinas de corno de carneiro e de outros que carregam a arca do pacto. No sétimo dia, precisam fazer a volta sete vezes. Josué transmite fielmente as ordens ao povo. Exatamente como se lhes ordenou, os exércitos marcham em volta de Jericó. Não se profere nenhuma palavra. Não se ouve senão o barulho surdo de passos e o toque das buzinas pelos sacerdotes. Daí, no último dia, depois de se completar a sétima volta, Josué lhes dá o sinal para gritarem. Eles dão “um grande grito de guerra”, e as muralhas de Jericó ruem! (6:20) Todos juntos, lançam-se sobre a cidade, capturando-a e devotando-a à destruição pelo fogo. Somente a fiel Raabe e sua família são poupadas.

      11. Como é remediado o revés inicial em Ai?

      11 Agora rumo ao oeste, para Ai! A certeza de outra vitória fácil se transforma em terror, quando os homens de Ai desbaratam os 3.000 soldados israelitas enviados para capturar a cidade. O que acontecera? Será que Jeová abandonara seu povo? Inquieto, Josué consulta a Jeová. Jeová revela que, contrário à sua ordem de destruir tudo o que havia em Jericó, alguém no acampamento desobedeceu, roubando algo e escondendo-o. Essa impureza precisa ser removida do acampamento antes que Israel possa continuar a prosperar com a bênção de Jeová. Sob a orientação divina, Acã, o malfeitor, é descoberto, e ele e sua família são mortos a pedradas. Restabelecido o favor de Jeová, os israelitas avançam contra Ai. O próprio Jeová revela mais uma vez a estratégia a usar. Os homens de Ai são engodados a sair de sua cidade murada e descobrem que estão encurralados numa emboscada. A cidade é capturada e destruída, com todos os seus habitantes. (8:26-28) Não há transigência com o inimigo!

      12. Que ordem divina executa Josué a seguir?

      12 Josué edifica a seguir um altar no monte Ebal, em obediência à ordem de Jeová por intermédio de Moisés, e escreve sobre as pedras “uma cópia da lei”. (8:32) Depois, Josué lê as palavras da Lei, junto com a bênção e a maldição, perante a assembléia da inteira nação que está de pé, metade diante do monte Gerizim e a outra metade diante do monte Ebal. — Deut. 11:29; 27:1-13.

      13. O que resulta de agirem os gibeonitas “com astúcia”?

      13 Diversos dos pequenos reinos de Canaã, alarmados com o progresso rápido da invasão, se unem no esforço de impedir o avanço de Josué. Mas, ‘os habitantes de Gibeão, ouvindo o que Josué havia feito a Jericó e a Ai, agem com astúcia’. (Jos. 9:3, 4) Fingem ser de um país distante de Canaã, e fazem um pacto com Josué “para deixá-los viver”. Quando os israelitas descobrem o ardil, respeitam o pacto, mas fazem dos gibeonitas “ajuntadores de lenha e tiradores de água”, quais ‘escravos mais baixos’, cumprindo-se assim em parte a maldição que Noé, sob inspiração divina, pronunciara contra Canaã, filho de Cã. — Jos. 9:15, 27; Gên. 9:25.

      14. Como demonstra Jeová, em Gibeão, que luta por Israel?

      14 Essa deserção dos gibeonitas não é coisa insignificante, pois “Gibeão era uma cidade grande . . . maior do que Ai, e todos os seus homens eram poderosos”. (Jos. 10:2) Adoni-Zedeque, rei de Jerusalém, vê nisso uma ameaça contra si mesmo e contra os demais reinos de Canaã. Tem de ser punido para servir de exemplo, a fim de que não haja mais deserção para o lado do inimigo. Portanto, Adoni-Zedeque e outros quatro reis (das cidades-reinos de Hébron, Jarmute, Laquis e Eglom) se organizam e guerreiam contra Gibeão. Josué, fiel a seu pacto com os gibeonitas, marcha a noite inteira para ir em socorro deles, e desbarata os exércitos dos cinco reis. Mais uma vez, Jeová luta pelo seu povo, empregando poderes e sinais sobre-humanos, com resultados devastadores. Grandes pedras de saraiva caem do céu, matando mais inimigos do que as espadas do exército israelita. Daí, maravilha das maravilhas, ‘o sol fica parado no meio dos céus e não tem pressa em pôr-se por cerca de um dia inteiro’. (10:13) Assim, podem ser completadas as operações de limpeza. Os sábios do mundo talvez tentem desacreditar este acontecimento miraculoso, mas os homens de fé aceitam o relato divino, bem cientes do poder de Jeová de controlar as forças do universo e de dirigi-las segundo a Sua vontade. Pois, com efeito, “o próprio Jeová lutava por Israel”. — 10:14.

      15. Descreva a invasão de Hazor e o desfecho.

      15 Josué, depois de matar os cinco reis, destrói a Maquedá. Indo rapidamente para o sul, destrói completamente a Libna, Laquis, Eglom, Hébron e Debir, cidades situadas nas montanhas e colinas entre o mar Salgado e o Grande Mar. As notícias sobre a invasão espalham-se então por todo o país de Canaã. No Norte, o alarme é dado por Jabim, rei de Hazor. A toda a parte, a ambos os lados do Jordão, ele envia mensageiros para convocar uma ação unida em massa contra os israelitas. Quando as forças reunidas do inimigo se acampam junto às águas de Merom, são uma “multidão como os grãos de areia que há à beira do mar”. (11:4) Novamente Jeová assegura a Josué a vitória e fornece o plano da estratégia da batalha. Qual o resultado? Mais uma derrota esmagadora para os inimigos do povo de Jeová! Hazor é incendiada, e as cidades aliadas e seus reis são destruídos. Assim, Josué estende a área da dominação israelita por todo o comprimento e por toda a largura de Canaã. Trinta e um reis foram derrotados.

      16. Que designações de terras são feitas?

      16 A distribuição do país (13:1–22:34). Apesar dessas muitas vitórias, destruição das muitas cidades principais fortificadas e fim da resistência organizada por algum tempo, “em uma parte muito grande ainda resta de se tomar posse do país”. (13:1) Mas, Josué já está com cerca de 90 anos, e outro trabalho grande ainda resta a fazer — o da distribuição do país por herança entre nove tribos inteiras e a meia tribo de Manassés. Rubem, Gade e metade da tribo de Manassés já receberam a sua herança ao leste do Jordão, e a tribo de Levi não receberá nenhuma, sendo a sua herança “Jeová, o Deus de Israel”. (13:33) Com a ajuda do sacerdote Eleazar, Josué faz então as designações do lado oeste do Jordão. Calebe, com 85 anos de idade, sempre com o mesmo zelo para lutar contra os inimigos de Jeová até o fim, solicita Hébron, uma região infestada de anaquins, o que lhe é concedido. (14:12-15) Depois de as tribos receberem as suas heranças por sorte, Josué solicita a cidade de Timnate-Sera, nos montes de Efraim, e isto lhe é concedido “por ordem de Jeová”. (19:50) A tenda da reunião é armada em Silo, que também fica na região montanhosa de Efraim.

      17. Que provisão se faz quanto a cidades de refúgio e cidades de residência para os levitas?

      17 Seis cidades de refúgio são reservadas, três de cada lado do Jordão, para o homicida não intencional. As ao oeste do Jordão são Quedes, na Galiléia; Siquém, em Efraim; e Hébron, no território montanhoso de Judá. As ao leste são Bezer, no território de Rubem; Ramote, em Gileade; e Golã, em Basã. Deu-se a estas “categoria sagrada”. (20:7) Quarenta e oito cidades, com seus pastios, das que foram dadas a cada tribo, são designadas por sorte como cidades de residência para os levitas. Essas incluem as seis cidades de refúgio. Dessa forma, Israel ‘passou a tomar posse da terra e a morar nela’. Como Jeová prometera, “tudo se cumpriu”. — 21:43, 45.

      18. Que crise se desenvolve entre as tribos do leste e as do oeste, mas como é isto solucionado?

      18 Os guerreiros das tribos de Rubem, de Gade e da meia tribo de Manassés, que continuaram com Josué até este tempo, voltam agora para as suas heranças, do outro lado do Jordão, levando consigo a exortação de serem fiéis e a bênção de Josué. A caminho, ao chegarem perto do Jordão, erigem um grande altar. Isto provoca uma crise. Visto que o lugar designado para a adoração de Jeová é a tenda de reunião, em Silo, as tribos do oeste temem traição e deslealdade, e preparam-se para lutar contra os supostos rebeldes. Entretanto, evita-se o derramamento de sangue, quando se explica que o altar não é para sacrifícios, mas apenas para servir de “testemunha entre nós [os israelitas ao leste e ao oeste do Jordão] de que Jeová é o verdadeiro Deus”. — 22:34.

      19, 20. (a) Que exortações de despedida dá Josué? (b) Que questão coloca ele diante de Israel, e como enfatiza a escolha correta que Israel deve fazer?

      19 Exortações de despedida de Josué (23:1–24:33). ‘E sucede, muitos dias depois de Jeová ter dado a Israel descanso de todos os seus inimigos ao redor, sendo Josué já idoso e avançado em dias’, que ele convoca todo o Israel para dar inspiradas exortações de despedida. (23:1) Humilde até o fim, ele atribui a Jeová todo o crédito das grandes vitórias sobre as nações. Que todos continuem agora a ser fiéis! “Tendes de ser muito corajosos para guardar e fazer tudo o que está escrito no livro da lei de Moisés, nunca vos desviando dele nem para a direita nem para a esquerda.” (23:6) Precisam evitar os deuses falsos, e ‘guardar constantemente as suas almas, amando a Jeová, seu Deus’. (23:11) Não pode haver transigência com os cananeus remanescentes ali, nem casamento nem alianças de interconfessionalismo com eles, pois isto provocaria a ira ardente de Jeová contra eles.

      20 Reunindo todas as tribos em Siquém, e convocando os respectivos representantes delas perante Jeová, Josué passa a fazer a narrativa pessoal de Jeová sobre seus tratos com seu povo desde o momento em que chamou a Abraão e o conduziu a Canaã até a conquista e a ocupação da Terra da Promessa. Novamente Josué adverte contra a religião falsa, exortando Israel a ‘temer a Jeová e servi-lo sem defeito e em verdade’. Sim: “servi a Jeová”! A seguir, ele lhes apresenta o assunto com a máxima clareza: “Escolhei hoje para vós a quem servireis, se aos deuses a quem serviram os vossos antepassados . . . ou aos deuses dos amorreus em cuja terra morais. Mas, quanto a mim e aos da minha casa, serviremos a Jeová.” Com convicção que faz lembrar a de Moisés, Josué relembra Israel que Jeová “é um Deus santo; ele é um Deus que exige devoção exclusiva”. Portanto, abaixo os deuses estranhos! Então, o povo fica entusiasmado a declarar à uma: “A Jeová, nosso Deus, serviremos, e a sua voz escutaremos!” (24:14, 15, 19, 24) Antes de os despedir, Josué faz um pacto com eles, escreve essas palavras no livro da lei de Deus e coloca uma grande pedra para servir de testemunho. Daí, Josué morre em idade avançada, com 110 anos, e é enterrado em Timnate-Sera.

      POR QUE É PROVEITOSO

      21. Que conselhos sábios no livro de Josué são de grande proveito hoje?

      21 Ao ler as exortações de despedida de Josué relativas ao serviço fiel, não vibra seu coração? Não endossa as palavras que Josué proferiu há mais de 3.400 anos: “Quanto a mim e aos da minha casa, serviremos a Jeová”? Ou, se estiver servindo a Jeová em condições difíceis ou isolado de outros fiéis, não se sente inspirado com as palavras de Jeová dirigidas a Josué no início da marcha para a Terra da Promessa: “Sê corajoso e muito forte”? Além do mais, não acha que é de inestimável proveito seguir o Seu conselho de ‘ler [a Bíblia] em voz baixa, dia e noite, para fazer bem sucedido o seu caminho’? Certamente, todos os que seguem estes conselhos sábios os acharão notavelmente proveitosos. — 24:15; 1:7-9.

      22. Que qualidades essenciais da adoração verdadeira são destacadas?

      22 Os eventos, descritos tão vividamente no livro de Josué, são mais do que mera história antiga. Destacam os princípios divinos — acima de tudo sublinham que a fé implícita em Jeová e a obediência a ele são vitais para a obtenção das bênçãos dele. O apóstolo Paulo conta que pela fé “caíram os muros de Jericó, depois de terem sido rodeados por sete dias”, e que, pela fé, “Raabe, a meretriz, não pereceu com os que agiram desobedientemente”. (Heb. 11:30, 31) Tiago menciona igualmente a Raabe como exemplo útil para os cristãos quanto a produzir obras de fé. — Tia. 2:24-26.

      23. Que poderosos lembretes estão contidos em Josué?

      23 Os eventos incomuns e sobrenaturais, relatados em Josué 10:10-14, onde se diz que o sol se deteve e a lua ficou parada, bem como os muitos outros milagres que Jeová realizou para seu povo, são poderosos lembretes de que o propósito de Jeová é exterminar definitivamente todos os iníquos oponentes de Deus, e que Ele tem poder para isso. Isaías relaciona a cena das batalhas de Gibeão, tanto na época de Josué como na de Davi, com Jeová levantar-se agitado para tal extermínio, “para fazer o seu ato — seu ato é estranho — e para executar a sua obra — sua obra é incomum”. — Isa. 28:21, 22.

      24. Como se relaciona o livro de Josué com as promessas referentes ao Reino, e que garantias dá de que ‘tudo se cumprirá’?

      24 Apontam os acontecimentos narrados no livro de Josué para o Reino de Deus? Certamente que sim! Que a conquista e o povoamento da Terra Prometida têm a ver com algo de muito maior importância, foi indicado pelo apóstolo Paulo que disse: “Pois, se Josué os tivesse conduzido a um lugar de descanso, Deus não teria depois falado de outro dia. De modo que resta um descanso sabático para o povo de Deus.” (Heb. 4:1, 8, 9) Eles fazem empenho para assegurar a sua “entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”. (2 Ped. 1:10, 11) Segundo indicado em Mateus 1:5, Raabe se tornou uma antepassada de Jesus Cristo. O livro de Josué fornece, pois, na narrativa, outro elo importante que conduz à produção da Semente do Reino. Esse livro dá a firme segurança de que as promessas do Reino de Jeová se cumprirão ao pé da letra. Falando da promessa de Deus feita a Abraão, a Isaque e a Jacó, e a seus descendentes, os israelitas, o relato diz concernente aos dias de Josué: “Não falhou nem uma única de todas as boas promessas que Jeová fizera à casa de Israel; tudo se cumpriu.” (Jos. 21:45; Gên. 13:14-17) O mesmo se dá com a “boa promessa” de Jeová relativa ao justo Reino dos céus — tudo se cumprirá!

  • Livro bíblico número 7 — Juízes
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 7 — Juízes

      Escritor: Samuel

      Lugar da Escrita: Israel

      Escrita Completada: c. 1100 AEC

      Tempo Abrangido: c. 1450–c. 1120 AEC

      1. De que maneiras foi notável o período dos juízes?

      EIS uma página da história de Israel cheia de ação, que mostra o povo ora envolvido com a religião demoníaca e as conseqüências desastrosas, ora arrependido e misericordiosamente libertado por Jeová por meio de juízes divinamente nomeados. As poderosas obras de Otniel, Eúde, Sangar e os outros juízes que os seguiram inspiram fé. Conforme disse o escritor de Hebreus: “O tempo me faltaria se prosseguisse relatando sobre Gideão, Baraque, Sansão, Jefté, . . . os quais, pela fé, derrotaram reinos, puseram em execução a justiça, . . . dum estado fraco foram feitos poderosos, tornaram-se valentes na guerra, desbarataram os exércitos de estrangeiros.” (Heb. 11:32-34) Para completar a lista dos 12 juízes fiéis desse período, mencionamos também Tola, Jair, Ibsã, Elom e Abdom. (Samuel geralmente não é contado entre os juízes.) Jeová combatia pelos juízes, e Seu espírito os envolvia ao passo que executavam seus atos de bravura. Eles atribuíam todo o crédito e toda a glória a seu Deus.

      2. De que modo é apropriado o nome hebraico do livro de Juízes?

      2 Na Septuaginta, o livro é chamado de Kri·taí, e na Bíblia hebraica é Sho·fetím, que, traduzido, é “Juízes”. Sho·fetím deriva-se do verbo sha·fát, que significa “julgar, vindicar, punir, governar”, o que expressa bem a função destes homens nomeados teocraticamente por “Deus, o Juiz de todos”. (Heb. 12:23) Jeová suscitou esses homens em determinadas ocasiões para libertar seu povo do jugo estrangeiro.

      3. Quando foi escrito o livro de Juízes?

      3 Quando foi escrito o livro de Juízes? Duas expressões no livro nos ajudam a encontrar a resposta. A primeira é esta: “Mas os jebuseus continuam morando . . . em Jerusalém até o dia de hoje.” (Juí. 1:21) Visto que o Rei Davi capturou dos jebuseus “a fortaleza de Sião” no oitavo ano de seu reinado, ou seja, em 1070 AEC, o livro de Juízes deve ter sido escrito antes dessa data. (2 Sam. 5:4-7) A segunda expressão aparece quatro vezes: “Naqueles dias não havia rei em Israel.” (Juí. 17:6; 18:1; 19:1; 21:25) Por conseguinte, o relato foi assentado por escrito numa época em que havia “rei em Israel”, isto é, depois de Saul tornar-se o primeiro rei, em 1117 AEC. Portanto, podemos situar a escrita entre os anos 1117 e 1070 AEC.

      4. Quem foi o escritor do livro de Juízes?

      4 Quem foi o escritor? Não resta dúvida de que foi um servo devotado de Jeová. Só Samuel se distingue como principal defensor da adoração de Jeová durante a época de transição de juízes para reis, e ele é também o primeiro na linhagem dos profetas fiéis. É, pois, lógico concluir que foi Samuel que escreveu a história dos juízes.

      5. Como podemos calcular o período abrangido pelo livro de Juízes?

      5 Que período abrange o livro de Juízes? Pode-se calcular isto tomando por base 1 Reis 6:1, que diz que Salomão começou a edificar a casa de Jeová no quarto ano de seu reinado, que era também o “quadringentésimo octogésimo ano depois da saída dos filhos de Israel da terra do Egito”. (“Quadringentésimo octogésimo” é um número ordinal que representa 479 anos inteiros.) Os conhecidos períodos incluídos nos 479 anos são: 40 anos no ermo, sob a liderança de Moisés (Deut. 8:2), 40 anos do reinado de Saul (Atos 13:21), 40 anos do reinado de Davi (2 Sam. 5:4, 5) e os 3 primeiros anos inteiros do reinado de Salomão. Subtraindo este total de 123 anos dos 479 anos, de 1 Reis 6:1, obtemos o resultado de 356 anos, que abrangem o período entre a entrada de Israel em Canaã e o início do reinado de Saul.a Os eventos relatados no livro de Juízes, que ocorreram em grande parte desde a morte de Josué até o tempo de Samuel, abrangem cerca de 330 anos deste período de 356 anos.

      6. O que prova a autenticidade de Juízes?

      6 A autenticidade de Juízes é incontestável. Os judeus sempre o aceitaram como parte do cânon da Bíblia. Tanto os escritores das Escrituras Hebraicas como os das Gregas Cristãs fazem alusão a esse relato, como em Salmo 83:9-18; Isaías 9:4; 10:26 e Hebreus 11:32-34. Usando de toda a franqueza, o livro não esconde as faltas e as reincidências por parte de Israel, exaltando ao mesmo tempo a infinita benevolência de Jeová. É Jeová, e não um mero juiz humano, que é glorificado como Libertador de Israel.

      7. (a) Como confirma a arqueologia a narrativa do livro de Juízes? (b) Por que decretou Jeová com razão o extermínio dos adoradores de Baal?

      7 Ademais, as descobertas arqueológicas confirmam a genuinidade de Juízes. Bem surpreendentes são as descobertas arqueológicas sobre a natureza da religião de Baal praticada pelos cananeus. Fora as referências na Bíblia, pouco se sabia sobre o baalismo até 1929, quando se escavou a antiga cidade de Ugarit (a moderna Ras Xamra, na costa síria, defronte da ponta nordeste da ilha de Chipre). Foi revelado aqui que a religião de Baal se caracterizava pelo materialismo, extremo nacionalismo e adoração do sexo. Cada cidade cananéia tinha evidentemente seu santuário de Baal, bem como capelas conhecidas como os altos. Dentro dessas capelas, havia provavelmente imagens de Baal, e, perto dos altares, do lado de fora, encontravam-se colunas de pedra — talvez símbolos fálicos de Baal. Detestáveis sacrifícios humanos manchavam de sangue estes santuários. Quando os israelitas ficaram contaminados com o baalismo, ofereceram da mesma forma seus filhos e suas filhas. (Jer. 32:35) Havia um poste sagrado que representava a mãe de Baal, Axerá. A deusa da fertilidade, Astorete, esposa de Baal, era adorada por meio de licenciosos ritos sexuais, sendo mantidos tanto homens como mulheres como “consagrados” prostitutos do templo. Não é de admirar que Jeová ordenasse o extermínio do baalismo e de seus aderentes bestiais. “Teu olho não deve ter dó deles; e não deves servir aos seus deuses.” — Deut. 7:16.b

      CONTEÚDO DE JUÍZES

      8. Em quantas partes se divide logicamente o livro de Juízes?

      8 O livro se divide logicamente em três partes. Os dois capítulos 1 e 2 iniciais descrevem as condições que existiam naquela época em Israel. Os capítulos 3 a 16 falam das libertações por parte dos 12 juízes. Os capítulos 17 a 21 descrevem, em seguida, incidentes das lutas internas em Israel.

      9. Que fundo histórico nos fornecem os dois primeiros capítulos de Juízes?

      9 Condições em Israel no tempo dos juízes (1:1–2:23). As tribos de Israel são descritas à medida que se dispersam para se estabelecerem nos seus respectivos territórios designados. Mas, em vez de expulsarem totalmente os cananeus, os israelitas submetem muitos desses a trabalhos forçados, permitindo que residam entre eles. Em conseqüência disso, o anjo de Jeová declara: “Eles têm de tornar-se ciladas para vós, e seus deuses servirão de laço para vós.” (2:3) Assim, quando surge uma nova geração que não conhece a Jeová nem as obras realizadas por ele, o povo logo abandona a Deus para servir aos Baalins e a outros deuses. Visto que a mão de Jeová está contra ele para calamidade, vem a estar em “sério aperto”. Em virtude de sua obstinação e recusa de ouvir mesmo aos juízes, Jeová não expulsa nenhuma das nações que ele deixou para provar Israel. Este fundo histórico nos será de ajuda para entendermos os eventos subseqüentes. — 2:15.

      10. Por meio de que poder julga Otniel, e com que resultado?

      10 O juiz Otniel (3:1-11). Angustiados por causa de seu cativeiro às mãos dos cananeus, os filhos de Israel começam a invocar a Jeová em busca de socorro. Ele suscita primeiro a Otniel qual juiz. Julga Otniel mediante poder e sabedoria humana? Não, pois lemos: “Então veio sobre ele o espírito de Jeová”, para subjugar os inimigos de Israel. “Depois o país teve sossego por quarenta anos.” — 3:10, 11.

      11. Como usa Jeová a Eúde para libertar Israel?

      11 O juiz Eúde (3:12-30). Depois de os filhos de Israel terem sido subjugados por 18 anos a Eglom, rei de Moabe, clamam a Jeová que ouve outra vez as suas súplicas e suscita o juiz Eúde. Tendo conseguido uma audiência particular com o rei, o canhoto Eúde saca de sua espada caseira escondida na sua vestimenta e crava-a profundamente no ventre gordo de Eglom, matando-o. Israel se junta imediatamente a Eúde na luta contra Moabe, e o país goza outra vez do descanso que Deus lhe concede, por 80 anos.

      12. O que prova que a vitória de Sangar é pelo poder de Deus?

      12 O juiz Sangar (3:31). Sangar salva a Israel, abatendo 600 filisteus. Que a vitória se deve ao poder de Jeová, indica-se mediante a arma que emprega — uma simples aguilhada de gado.

      13. Que eventos dramáticos chegam a um ponto culminante no cântico de vitória de Baraque e de Débora?

      13 O juiz Baraque (4:1–5:31). Depois, Israel cai sob o jugo do rei cananeu, Jabim, e de Sísera, seu chefe de exército, que se jacta de seus 900 carros munidos de foices de ferro. Israel clama de novo a Jeová que o escuta e suscita o juiz Baraque, eficazmente ajudado pela profetisa Débora. Para que Baraque e seu exército não tenham motivo para se jactar, Débora dá a conhecer que a batalha será travada por orientação de Jeová, e passa a profetizar: “Será à mão de uma mulher que Jeová venderá a Sísera.” (4:9) Baraque convoca os homens de Naftali e de Zebulão ao monte Tabor. Seu exército de 10.000 homens desce então ao combate. Sua firme fé lhes traz a vitória. ‘Jeová começa a lançar em confusão tanto a Sísera como a todos os seus carros de guerra e todo o acampamento’, esmagando-os por uma inundação súbita no vale do Quisom. “Não restou nem sequer um.” (4:15, 16) Jael, esposa de Héber, o queneu, para cuja tenda Sísera foge, leva ao clímax a matança, pregando contra o chão a cabeça de Sísera com uma estaca de tenda. “Assim subjugou Deus . . . a Jabim.” (4:23) Débora e Baraque entoam um cântico para a glória do poder invencível de Jeová, que fez com que até mesmo as estrelas lutassem desde suas órbitas contra Sísera. É deveras ocasião para ‘bendizer a Jeová’! (5:2) Seguem-se 40 anos de paz.

      14, 15. Que sinal recebe Gideão, provando o apoio de Jeová, e como é isto sublinhado ainda mais por ocasião da última derrota dos midianitas?

      14 O juiz Gideão (6:1–9:57). De novo fazem os filhos de Israel o que é mau, e o país é devastado pelos midianitas invasores. Por intermédio de seu anjo, Jeová suscita o juiz Gideão, e o próprio Jeová o assegura, com as palavras: “Mostrarei estar contigo.” (6:16) O primeiro ato de coragem de Gideão consiste em destruir o altar de Baal que se acha na sua própria cidade. Os exércitos combinados do inimigo cruzam então em direção de Jezreel, mas ‘o espírito de Jeová envolve Gideão’ ao passo que este convoca Israel para a batalha. (6:34) Mediante a prova de expor um velo de lã ao orvalho no chão da eira, Gideão recebe duplo sinal de que Deus está com ele.

      15 Jeová diz a Gideão que seu exército, composto de 32.000 homens, é grande demais, e que o tamanho poderá dar motivo para jactância humana sobre a vitória. Primeiro, os temerosos são enviados para casa, restando apenas 10.000. (Juí. 7:3; Deut. 20:8) Depois, mediante a prova da maneira de beber água, todos, exceto 300 alertas e vigilantes, são eliminados. Gideão faz reconhecimento do acampamento midianita durante a noite e de novo é assegurado do sucesso ao ouvir um homem interpretar um sonho como significando: “isto não é senão a espada de Gideão . . . O verdadeiro Deus lhe entregou na mão a Midiã e a todo o acampamento”. (Juí. 7:14) Gideão presta adoração a Deus e divide seus homens em três grupos em volta do acampamento midianita. O silêncio da noite é subitamente rompido: os 300 homens de Gideão tocam as buzinas, quebram os grandes jarros, acendem as tochas e gritam: “A espada de Jeová e de Gideão!” (7:20) O acampamento do inimigo vira um pandemônio. Os midianitas lutam uns contra os outros e põem-se em fuga. Mas Israel os persegue, mata-os, abate também a seus príncipes. Os israelitas pedem então que Gideão domine sobre eles, mas Gideão recusa, dizendo: “Jeová é quem dominará sobre vós.” (8:23) Contudo, do despojo da guerra ele faz um éfode, que chega a ser mais tarde objeto de grande veneração, tornando-se assim um laço para Gideão e sua família. O país tem descanso por 40 anos durante o tempo em que Gideão é juiz.

      16. Qual foi o fim do usurpador Abimeleque?

      16 Depois da morte de Gideão, Abimeleque, um de seus filhos, nascido de uma concubina sua, usurpa o poder e assassina seus 70 meios-irmãos. Jotão, o filho mais novo de Gideão, é o único que escapa, e, do cume do monte Gerizim, ele profere uma maldição sobre Abimeleque. Nessa parábola das árvores, ele assemelha a “realeza” de Abimeleque a um modesto espinheiro. Abimeleque vê-se logo envolvido numa luta interna em Siquém, onde sofre a humilhação de ser morto por uma mulher que lhe atira, do alto da torre de Tebes, uma mó certeira, esmagando-lhe o crânio. — Juí. 9:53; 2 Sam. 11:21.

      17. O que diz o relato sobre os juízes Tola e Jair?

      17 Os juízes Tola e Jair (10:1-5). Estes são os próximos a efetuar libertações pelo poder de Jeová, julgando por 23 e 22 anos, respectivamente.

      18. (a) Que libertação efetua Jefté? (b) Que voto feito a Jeová cumpre ele fielmente? De que modo?

      18 O juiz Jefté (10:6–12:7). Visto que Israel persiste em voltar-se para a idolatria, a ira de Jeová se acende de novo contra a nação. O povo sofre agora opressão por parte dos amonitas e dos filisteus. Jefté é chamado de volta do exílio para liderar Israel no combate. Mas quem realmente é o juiz nessa controvérsia? As próprias palavras de Jefté fornecem a resposta: “Julgue hoje Jeová, o Juiz, entre os filhos de Israel e os filhos de Amom.” (11:27) Ao passo que o espírito de Jeová opera nele, Jefté faz um voto de que, ao retornar de Amom em paz, devotará a Jeová a primeira pessoa que de sua casa sair ao seu encontro. Jefté subjuga Amom com grande matança. Ao voltar para casa, em Mispá, é a sua própria filha que lhe sai primeiro ao encontro, correndo, com alegria pela vitória de Jeová. Jefté cumpre o seu voto — não, não mediante sacrifício humano, pagão, segundo os ritos do baalismo, mas devotando esta filha única ao serviço exclusivo na casa de Jeová, para Seu louvor.

      19. Que eventos levam à prova de “Xibolete”?

      19 Os efraimitas protestam então que não foram convocados para lutar contra Amom, e ameaçam a Jefté, que se vê obrigado a repeli-los. Ao todo, 42.000 efraimitas são mortos, muitos deles nos vaus do Jordão, onde são reconhecidos por não conseguirem pronunciar corretamente a senha “Xibolete”. Jefté continua a julgar Israel por seis anos. — 12:6.

      20. Quais são os três juízes mencionados a seguir?

      20 Os juízes Ibsã, Elom e Abdom (12:8-15). Embora se fale pouco concernente a estes, os períodos em que julgaram são declarados como sendo de sete, dez e oito anos, respectivamente.

      21, 22. (a) Que proezas realiza Sansão, e com que poder? (b) Como é Sansão subjugado pelos filisteus? (c) Que eventos culminam na maior proeza de Sansão, e quem se lembra dele naquele momento?

      21 O juiz Sansão (13:1–16:31). Mais uma vez Israel cai sob o jugo dos filisteus. Desta vez, Jeová suscita a Sansão como juiz. Desde seu nascimento, seus pais o devotam como nazireu, e isto requer que não se lhe passe nunca a navalha sobre a cabeça. Quando cresce, Jeová o abençoa, e, ‘com o tempo, o espírito de Jeová principia a impeli-lo’. (13:25) O segredo da sua força não está em músculos humanos, mas no poder dado por Jeová. É quando ‘o espírito de Jeová se torna ativo nele’ que recebe o poder de matar um leão sem ter nada na mão, e mais tarde de revidar a traição filistéia, abatendo 30 dentre eles. (14:6, 19) Visto que os filisteus continuam a agir traiçoeiramente em conexão com o casamento que Sansão está para contrair com certa moça filistéia, ele toma 300 raposas e, virando-as cauda contra cauda, coloca tochas entre as caudas e as envia para incendiarem os campos de cereais, os vinhedos e os olivais dos filisteus. Daí, efetua uma grande matança de filisteus, “empilhando pernas sobre coxas”. (15:8) Os filisteus persuadem seus co-israelitas, homens de Judá, a amarrarem Sansão e o entregarem a eles, mas, de novo ‘o espírito de Jeová se torna ativo nele’, e seus grilhões se derretem, por assim dizer, caindo de suas mãos. Sansão fere mortalmente mil desses filisteus — “um montão, dois montões!” (15:14-16) Que arma de destruição usa ele? A queixada fresca dum jumento. Jeová revigora seu servo exausto por fazer surgir miraculosamente uma fonte donde jorra água no local da batalha.

      22 Depois, Sansão pernoita em Gaza, na casa de uma prostituta; os filisteus o cercam em emboscada. Mas, o espírito de Jeová revela estar novamente com ele ao levantar-se à meia-noite e arrancar os batentes da porta da cidade com seus postes, carregando-os de lá para o cume dum monte, defronte de Hébron. Depois disso, ele se enamora da pérfida Dalila. Sendo instrumento fácil nas mãos dos filisteus, ela o atormenta até que ele revela que a sua devoção a Jeová como nazireu, simbolizada pelos seus cabelos compridos, é a verdadeira fonte de sua grande força. Enquanto ele está dormindo, ela manda que se lhe cortem os cabelos. Desta vez, é em vão que ele acorda para ir travar o combate, pois “foi Jeová quem se retirara dele”. (16:20) Os filisteus o pegam, vazam-lhe os olhos e o fazem virar a mó na prisão, como escravo. Quando chega a época da celebração de uma grande festa em honra de Dagom, deus dos filisteus, estes mandam tirar Sansão de lá para lhes servir de espetáculo. Não dando importância ao fato de que seu cabelo crescia outra vez em abundância, permitem que se coloque entre as duas grandes colunas da casa usada para adoração de Dagom. Sansão invoca a Jeová: “Senhor Jeová, por favor, lembra-te de mim e fortalece-me só esta vez.” E Jeová lembra-se deveras dele. Segurando as colunas, Sansão ‘se encurva com poder’ — com o poder de Jeová — ‘e a casa cai, de modo que os mortos, que entrega à morte ao ele mesmo morrer, vêm a ser mais do que os que entregara à morte durante a sua vida’. — 16:28-30.

      23. Que eventos são relembrados nos capítulos 17 a 21, e quando ocorreram?

      23 Chegamos então aos capítulos 17 a 21, que descrevem algumas das lutas internas que infelizmente desgastam a Israel nessa época. Esses eventos ocorrem cedo no período dos juízes, conforme se indica pela menção de Jonatã e Finéias, netos de Moisés e de Arão, provando que estão ainda vivos.

      24. Como estabelecem certos danitas uma religião independente?

      24 Micá e os danitas (17:1–18:31). Micá, um efraimita, estabelece seu próprio sistema religioso independente, a idólatra “casa de deuses”, com tudo, imagem esculpida e um sacerdote levita. (17:5) Homens da tribo de Dã passam por lá, a caminho da posse de sua herança no norte. Eles saqueiam Micá, tirando-lhe os acessórios religiosos e o sacerdote, e avançam para o extremo norte, a fim de destruírem a insuspeitosa cidade de Laís. Em seu lugar, edificam a sua própria cidade de Dã, e colocam ali a imagem esculpida que pertencera a Micá. Assim, seguem a religião de sua própria escolha, independente, durante todos os dias em que a casa da verdadeira adoração de Jeová continua em Silo.

      25. Como atingem seu ponto culminante, em Gibeá, as lutas internas de Israel?

      25 O pecado de Benjamim em Gibeá (19:1– 21:25). O acontecimento escrito a seguir faz Oséias dizer posteriormente estas palavras: “Pecaste desde os dias de Gibeá, ó Israel.” (Osé. 10:9) Certo levita de Efraim, voltando para casa com sua concubina, passa a noite na casa de um homem idoso, em Gibeá de Benjamim. Homens imprestáveis dessa cidade cercam a casa, exigindo ter relações sexuais com o levita. Eles aceitam, entretanto, sua concubina em seu lugar, e abusam dela a noite inteira. Pela manhã, ela é encontrada morta na soleira da porta. O levita leva o cadáver para casa, recorta-o em 12 pedaços e envia estes a todo o Israel. As 12 tribos são destarte postas à prova. Castigarão a Gibeá, removendo assim do meio de Israel a imoralidade? Os benjamitas fecham os olhos a esse crime bestial. As outras tribos se congregam perante Jeová, em Mispá, onde resolvem decidir por sortes quem lutará contra Benjamim, em Gibeá. Depois de duas derrotas sanguinárias, as outras tribos levam a vitória, colocando uma emboscada, e praticamente aniquilam a tribo de Benjamim, escapando apenas 600 homens que se refugiam no rochedo de Rimom. Mais tarde, Israel lastima que uma tribo foi cortada. Eles procuram então um meio de encontrar esposas para os benjamitas sobreviventes dentre as filhas de Jabes-Gileade e de Silo. Com isto termina a narrativa de lutas e intrigas em Israel. Conforme repetem as palavras concludentes de Juízes: “Naqueles dias não havia rei em Israel. Cada um costumava fazer o que era direito aos seus próprios olhos.” — Juí. 21:25.

      POR QUE É PROVEITOSO

      26. Que avisos poderosos dados no livro de Juízes se aplicam também nos dias de hoje?

      26 Longe de ser apenas uma narrativa de lutas e de derramamento de sangue, o livro de Juízes exalta a Jeová como o grande Libertador de seu povo. Mostra como ele expressou sua misericórdia e longanimidade incomparáveis para com o povo chamado pelo Seu nome, toda vez que recorria a ele com coração arrependido. O livro de Juízes é de grande proveito em defender decididamente a adoração de Jeová e em seus poderosos avisos acerca da tolice da religião demoníaca, do interconfessionalismo e das associações imorais. A condenação severa que Jeová pronunciou contra a adoração de Baal deve impelir-nos a nos resguardar dos seus equivalentes modernos: o materialismo, o nacionalismo e a imoralidade sexual. — 2:11-18.

      27. Como podemos hoje tirar proveito do bom exemplo deixado pelos juízes?

      27 Um exame da destemida e corajosa fé dos juízes deve inspirar em nosso coração uma fé similar. Não é de admirar que eles sejam mencionados em Hebreus 11:32-34 em termos tão calorosos de aprovação! Lutaram para santificar o nome de Jeová, mas não na sua própria força. Conheciam a fonte de seu poder, o espírito de Jeová, e o reconheciam com humildade. Da mesma forma hoje, podemos tomar “a espada do espírito”, a Palavra de Deus, certos de que Deus nos dará forças, assim como deu a Baraque, Gideão, Jefté, Sansão e muitos outros. Sim, com a ajuda do espírito de Jeová, podemos ser tão fortes, em sentido espiritual, como Sansão era em sentido físico, para vencermos poderosos obstáculos, se tão-somente orarmos a Jeová e confiarmos nele. — Efé. 6:17, 18; Juí. 16:28.

      28. Como aponta o livro de Juízes para o tempo da santificação do nome de Jeová por meio da Semente do Reino?

      28 Em dois lugares o profeta Isaías se refere ao livro de Juízes, a fim de mostrar que Jeová, sem falta, esmagará o jugo que Seus inimigos colocam sobre seu povo, assim como fez nos dias de Midiã. (Isa. 9:4; 10:26) Isto nos faz lembrar também do cântico de Débora e de Baraque, que termina com a oração fervorosa: “Pereçam assim todos os teus inimigos, ó Jeová, e sejam os que te amam como quando o sol sai na sua potência.” (Juí. 5:31) E quem são os que amam a Jeová? O próprio Jesus Cristo indica que são os herdeiros do Reino, empregando uma expressão semelhante em Mateus 13:43: “Naquele tempo, os justos brilharão tão claramente como o sol, no reino de seu Pai.” De modo que o livro de Juízes aponta para o tempo em que o justo Juiz e Semente do Reino, Jesus, exercerá seu poder. Por intermédio dele, Jeová glorificará e santificará Seu nome, em harmonia com a oração do salmista concernente aos inimigos de Deus: “Faze-lhes como a Midiã, como a Sísera, como a Jabim no vale da torrente de Quisom . . . para que as pessoas saibam que tu, cujo nome é Jeová, somente tu és o Altíssimo sobre toda a terra.” — Sal. 83:9, 18; Juí. 5:20, 21.

      [Nota(s) de rodapé]

      a A maioria das traduções modernas atestam que os “cerca de quatrocentos e cinqüenta anos”, mencionados em Atos 13:20, não correspondem ao período de juízes, mas o precedem; eles abrangem, pelo que parece, o período desde o nascimento de Isaque, em 1918 AEC, até a divisão da Terra Prometida, em 1467 AEC. (Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, página 616) A ordem em que os juízes são citados em Hebreus 11:32 é diferente da que aparece no livro de Juízes, mas isto não indica necessariamente que os eventos relatados em Juízes não sigam uma ordem cronológica, pois é certo que Samuel não veio depois de Davi.

      b Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, páginas 287-8; Vol. 2, página 228.

  • Livro bíblico número 8 — Rute
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 8 — Rute

      Escritor: Samuel

      Lugar da Escrita: Israel

      Escrita Completada: c. 1090 AEC

      Tempo Abrangido: 11 anos do domínio dos juízes

      1. (a) Por que é o livro de Rute mais do que uma simples história de amor? (b) Que menção especial recebe Rute na Bíblia?

      EM EMOCIONANTE cena, o livro de Rute desabrocha-se na bela história de amor entre Boaz e Rute. Mas, não é mero idílio de amor. A intenção não é proporcionar diversão. O livro acentua o propósito de Jeová de produzir o herdeiro do Reino e exalta a Sua benevolência. (Rute 1:8; 2:20; 3:10) A grande qualidade do amor de Jeová se manifesta em escolher ele uma moabita, ex-adoradora do deus pagão Quemós, que se convertera à religião verdadeira, para se tornar uma antepassada de Jesus Cristo. Rute é uma das quatro mulheres mencionadas por nome na genealogia de Jesus que começa com Abraão. (Mat. 1:3, 5, 16) Rute, assim como Ester, é uma das duas mulheres cujos nomes são dados a livros da Bíblia.

      2. Quando ocorreram os eventos mencionados em Rute, quando foi escrito esse livro e por quem?

      2 “Ora, aconteceu nos dias em que os juízes administravam a justiça . . .” Com estas palavras iniciais, o livro de Rute começa a sua comovente história. Estas palavras indicam também que esse livro foi escrito mais tarde, no tempo dos reis de Israel. Entretanto, os eventos relatados no livro abrangem um período de cerca de 11 anos no tempo dos juízes. Embora o nome do escritor não seja declarado, é bem provável que tenha sido Samuel, que também parece ter escrito Juízes, e que era a destacada pessoa fiel no início do período dos reis. Visto que os versículos finais indicam que Davi já se tornava proeminente, isto coloca a escrita em cerca de 1090 AEC. Samuel, bem familiarizado com a promessa de Jeová, a respeito de um “leão” da tribo de Judá, e que havia sido usado por Jeová para ungir a Davi, que era dessa tribo, para ser rei em Israel, estaria profundamente interessado em fazer um registro da genealogia até Davi. — Gên. 49:9, 10; 1 Sam. 16:1, 13; Rute 1:1, 4; 4:13, 18-22.

      3. Que fatos confirmam que Rute é um livro canônico?

      3 A autoridade canônica de Rute nunca foi contestada. Deu-se confirmação suficiente dela quando Jeová inspirou que se alistasse Rute na genealogia de Jesus, em Mateus 1:5. O livro de Rute foi sempre reconhecido pelos judeus como parte do cânon hebraico. Não é de surpreender, pois, que foram encontrados fragmentos do livro entre outros livros canônicos nos Rolos do Mar Morto, descobertos a partir de 1947. Além disso, Rute harmoniza-se plenamente com os propósitos de Jeová, referentes ao Reino, e com os requisitos da Lei de Moisés. Embora fosse proibido aos israelitas o casamento com cananeus e moabitas idólatras, isto não se aplicava aos estrangeiros que, como no caso de Rute, aceitassem a adoração de Jeová. No livro de Rute, a lei sobre resgatadores e casamento com cunhado é observada em todos os seus pormenores. — Deut. 7:1-4; 23:3, 4; 25:5-10.

      CONTEÚDO DE RUTE

      4. Que decisão tem de tomar Rute, e o que indica a sua escolha quanto à sua forma de adoração?

      4 A decisão de Rute de ficar com Noemi (1:1-22). A história começa durante uma época de fome em Israel. Elimeleque, um homem de Belém, atravessa o Jordão em companhia de sua esposa, Noemi, e de seus dois filhos, Malom e Quiliom, para passarem algum tempo na terra de Moabe. Ali, os filhos se casam com mulheres moabitas, Orpa e Rute. Sobrevém desgraça a essa família; primeiro morre o pai e depois morrem os dois filhos. As três mulheres ficam viúvas e sem filhos, não havendo descendente para Elimeleque. Noemi ouve que Jeová voltou novamente a sua atenção para Israel, dando pão a Seu povo, e decide retornar à sua terra natal, Judá. As noras se põem a caminho com ela. Mas Noemi roga-lhes que voltem a Moabe, pedindo a benevolência de Jeová para prover marido a cada uma dentre os homens do povo delas. Por fim, Orpa volta “ao seu povo e aos seus deuses”, mas Rute, sincera e firme na sua conversão à adoração de Jeová, fica com Noemi. Ela expressa belamente a sua decisão nas seguintes palavras: “Aonde quer que fores, irei eu, e onde quer que pernoitares, pernoitarei eu. Teu povo será o meu povo, e teu Deus, o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu e ali serei enterrada. Assim me faça Jeová e assim lhe acrescente mais, se outra coisa senão a morte fizer separação entre mim e ti.” (1:15-17) Entretanto, Noemi, viúva e sem filhos, cujo nome significa “Minha Agradabilidade”, sugere que a chamem pelo nome de Mara, que significa “Amarga”.

      5. Que excelentes qualidades demonstra Rute, e como é encorajada por Boaz?

      5 Rute respiga no campo de Boaz (2:1-23). Ao chegar a Belém, Noemi permite que Rute vá respigar durante a colheita da cevada. Boaz, o dono do campo, um judeu de idade madura e parente próximo de Elimeleque, sogro de Rute, nota-a. Embora a lei de Deus lhe conceda o direito de respigar, Rute demonstra sua humildade, pedindo permissão para trabalhar no campo. (Lev. 19:9, 10) Concede-se-lhe prontamente a permissão, e Boaz lhe diz que respigue somente em seu campo com suas moças. Conta-lhe que ouviu sobre sua conduta leal para com Noemi e a encoraja com as palavras: “Jeová recompense teu modo de agir e haja para ti um salário perfeito da parte de Jeová, o Deus de Israel, debaixo de cujas asas vieste refugiar-te.” (Rute 2:12) Naquela noitinha, Rute partilha generosamente com Noemi os frutos de seu trabalho, e explica que o êxito dela em respigar foi graças à boa vontade de Boaz. Noemi vê nisso a mão de Jeová, dizendo: “Bendito seja ele por Jeová que não abandonou a sua benevolência para com os vivos e os mortos. . . . O homem é aparentado conosco. Ele é um dos nossos resgatadores.” (2:20) Com efeito, Boaz é parente chegado que tem legalmente o direito de suscitar descendência para Noemi em nome do falecido Elimeleque. Rute continua a respigar nos campos de Boaz até o fim da colheita da cevada e do trigo.

      6. Como faz Rute seu pedido de casamento segundo a lei do levirato, e que resposta lhe dá Boaz?

      6 Boaz, como resgatador, casa-se com Rute (3:1–4:22). Noemi, tendo passado a idade de dar à luz filhos, instrui Rute para se casar em lugar dela, segundo a lei do levirato. Numa época tão importante como a da colheita, era costume o proprietário do campo supervisionar pessoalmente a joeira dos cereais, que se fazia à noitinha, a fim de aproveitar a brisa que soprava depois de um dia quente. Boaz estaria dormindo no chão da eira, e é ali que Rute o encontra. Ela se aproxima dele quietamente, descobre-lhe os pés e se deita. Ao despertar ele no meio da noite, ela se identifica e, de acordo com o costume seguido pelas mulheres quando reivindicavam o direito do casamento segundo a lei do levirato, pede que ele estenda sobre ela a aba de sua veste.a Boaz declara: “Que Jeová te abençoe, minha filha”, e elogia-a por não se ter interessado em jovens, por paixão ou por cobiça. Longe de ser alguém que faria proposta de relação impura, Rute ganha para si a reputação de ser “mulher de bem”. (3:10, 11) Todavia, conforme ele então lhe diz, há outro resgatador que é parente mais próximo que ele; consultará a este pela manhã. Rute continua deitada aos pés dele até de manhã cedo. Daí, ele lhe dá de presente cereais e ela volta para Noemi, que ansiosamente pergunta sobre o resultado.

      7. Como negocia Boaz o casamento, e que bênção resulta?

      7 Boaz vai de manhã cedo até o portão da cidade à procura do resgatador. Levando consigo dez dos homens mais idosos da cidade quais testemunhas, dá primeiro a este parente mais próximo a oportunidade de resgatar tudo o que pertencera a Elimeleque. Fará ele isso? A sua resposta imediata é sim, ao lhe parecer que pode aumentar a sua riqueza. Mas, quando fica sabendo do requisito de casamento com Rute, segundo a lei do levirato, teme pela sua própria herança, e apresenta legalmente a sua recusa, tirando a sua sandália. O nome dele não é mencionado no relato da Bíblia, recebendo apenas menção desonrosa como “Fulano”. Diante das mesmas testemunhas, Boaz resgata Rute como sua esposa. Faz ele isso por algum motivo egoísta? Não, mas “para que o nome do morto não seja decepado”. (4:1, 10) Todos ali presentes invocam a bênção de Jeová sobre esta terna provisão, e essa bênção revela ser deveras maravilhosa! Rute dá à luz um filho a Boaz que já era de idade avançada, e Noemi se torna a ama da criança. Diz-se que “à Noemi nasceu um filho”, e é chamado de Obede. — 4:17.

      8. O que indica adicionalmente que a produção da prometida Semente foi segundo a providência de Jeová?

      8 Os versículos finais do livro de Rute dão a genealogia desde Peres, através de Boaz, até Davi. Certos críticos argumentam que nem todas as gerações estão alistadas, visto que o espaço de tempo é muito grande para tão poucas pessoas. É isso verdade? Ou foi cada um abençoado com muita longevidade, e com um filho em idade avançada? A última conclusão parece ser a certa, o que sublinha que a produção da prometida Semente depende da providência de Jeová e de sua benignidade imerecida, não do poder natural do homem. Em outras ocasiões, Jeová exerceu seu poder de modo similar, como no caso do nascimento de Isaque, de Samuel e de João, o Batizador. — Gên. 21:1-5; 1 Sam. 1:1-20; Luc. 1:5-24, 57-66.

      POR QUE É PROVEITOSO

      9. Em que sentido são os principais personagens no drama de Rute bons exemplos para nós hoje?

      9 Esta narrativa encantadora é certamente proveitosa, visto que ajuda a edificar forte fé nos que amam a justiça. Todos os personagens principais neste emocionante drama demonstraram ter notável fé em Jeová, e ‘receberam testemunho por intermédio de sua fé’. (Heb. 11:39) Tornaram-se bons exemplos para nós hoje. Noemi teve profunda confiança na benevolência de Jeová. (Rute 1:8; 2:20) Rute deixou de livre vontade a sua terra natal para praticar a adoração de Jeová; provou ser leal e submissa, bem como trabalhadora disposta. Foi o profundo apreço pela lei de Jeová, por parte de Boaz, e sua aquiescência humilde em fazer a vontade de Jeová, bem como seu amor pela fiel Noemi e pela laboriosa Rute, que o conduziram a cumprir o seu privilégio do casamento por meio de resgate.

      10. Por que deve a narrativa de Rute fortalecer a nossa confiança nas promessas referentes ao Reino?

      10 A provisão de casamento, feita por Jeová, neste caso um casamento por meio de resgate, foi usada em honra dele. Jeová foi o Arranjador do casamento de Boaz com Rute, e o abençoou segundo a sua benevolência; ele o usou como meio de preservar ininterrupta a linhagem real de Judá, conduzindo a Davi e finalmente ao Davi Maior, Jesus Cristo. O cuidado vigilante de Jeová na produção do Herdeiro do Reino, segundo a sua provisão legal, deve fortalecer a nossa certeza e fazer com que aguardemos com confiança o cumprimento de todas as promessas do Reino. Isto nos deve estimular a trabalhar diligentemente na colheita atual, certos de uma recompensa perfeita da parte de Jeová, o Deus do Israel espiritual, debaixo de cujas ‘asas viemos refugiar-nos’ e cujos propósitos concernentes ao Reino estão progredindo tão gloriosamente em direção ao seu pleno cumprimento. (2:12) O livro de Rute é mais um elemento essencial da narrativa que conduz a tal Reino!

      [Nota(s) de rodapé]

      a Estudo Perspicaz das Escrituras, “Rute”.

  • Livro bíblico número 9 — 1 Samuel
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 9 — 1 Samuel

      Escritores: Samuel, Gade, Natã

      Lugar da Escrita: Israel

      Escrita Completada: c. 1078 AEC

      Tempo Abrangido: c. 1180–1078 AEC

      1. Que grande mudança ocorreu na organização nacional de Israel em 1117 AEC, e que conseqüências haviam de resultar disso?

      NO ANO de 1117 AEC ocorreu momentosa mudança na organização nacional de Israel. Nomeou-se um rei humano! Isto se deu enquanto Samuel servia como profeta de Jeová em Israel. Embora Jeová soubesse de antemão e predissesse essa mudança para a monarquia, segundo a exigência do povo de Israel, ainda assim, foi um golpe atordoador para Samuel. Devotado ao serviço de Jeová desde seu nascimento e estando cheio de reconhecimento reverente da realeza de Jeová, Samuel previu os resultados desastrosos para os co-membros daquela nação santa de Deus. Foi só sob a orientação de Jeová que Samuel cedeu às exigências deles. “Samuel falou então ao povo sobre a prerrogativa legítima do reinado, e escreveu-a num livro e depositou-o perante Jeová.” (1 Sam. 10:25) Assim terminou a época dos juízes, e começou a época dos reis humanos que veria Israel subir a um poder e prestígio sem precedentes, só para finalmente cair na desonra e ser divorciado do favor de Jeová.

      2. Por quem foi escrito Primeiro Samuel, e quais eram as aptidões deles?

      2 Quem se habilitaria para fazer a narrativa divina deste período momentoso? Apropriadamente, Jeová escolheu o fiel Samuel para iniciar a escrita. “Samuel” significa “Nome de Deus”, e ele foi deveras notável defensor do nome de Jeová naqueles dias. Parece que Samuel escreveu os primeiros 24 capítulos do livro. Daí, ao morrer, Gade e Natã continuaram a escrita, completando os últimos poucos anos da narrativa até a morte de Saul. Isto é indicado por 1 Crônicas 29:29, que reza: “Quanto aos assuntos de Davi, o rei, os primeiros e os últimos, eis que estão escritos entre as palavras de Samuel, o vidente, e entre as palavras de Natã, o profeta, e entre as palavras de Gade, o visionário.” Dessemelhantes de Reis e de Crônicas, os livros de Samuel não fazem praticamente nenhuma referência a escritos anteriores, e assim Samuel, Gade e Natã, contemporâneos de Davi, são confirmados como sendo os escritores. Esses três homens ocupavam posições de confiança como profetas de Jeová, e se opunham à idolatria que esgotara a energia daquela nação.

      3. (a) Como veio a ser Primeiro Samuel um livro bíblico separado? (b) Quando foi completado, e que período abrange?

      3 Os dois livros de Samuel eram originalmente um só rolo ou volume. Fez-se a divisão de Samuel em dois livros quando se publicou esta parte da Septuaginta grega. Na Septuaginta, Primeiro Samuel foi chamado Primeiros Reinados. Esta divisão e o nome Primeiro Reis foram adotados pela Vulgata latina e continuam até hoje em Bíblias católicas. Que Primeiro e Segundo Samuel formavam originalmente um só livro, demonstra-se pela nota massorética sobre 1 Samuel 18:24, que declara que este versículo se acha na metade do livro de Samuel. Este livro parece ter sido completado em cerca de 1078 AEC. Por conseguinte, Primeiro Samuel abrange provavelmente um período de pouco mais de cem anos, desde cerca de 1180 até 1078 AEC.

      4. Como foi confirmada a exatidão do livro de Primeiro Samuel?

      4 Há muita evidência da exatidão da narrativa. Os locais geográficos se enquadram nos eventos descritos. É interessante notar que o ataque bem-sucedido de Jonatã contra a guarnição filistéia de Micmás, que levou à completa derrota dos filisteus, foi repetido na Primeira Guerra Mundial por um oficial do Exército Britânico, que, conforme noticiado, desbaratou os turcos, seguindo os pontos de referência descritos no relato inspirado de Samuel. — 14:4-14.a

      5. Como testificam outros escritores da Bíblia a veracidade da narrativa de Primeiro Samuel?

      5 Todavia, há provas ainda mais fortes da inspiração e da autenticidade desse livro. Contém o notável cumprimento da profecia de Jeová de que Israel pediria um rei. (Deut. 17:14; 1 Sam. 8:5) Anos mais tarde, Oséias confirmou isso, citando as palavras de Jeová: “Passei a dar-te um rei na minha ira e o tirarei na minha fúria.” (Osé. 13:11) Pedro mostrou que Samuel era inspirado ao identificar a Samuel como o profeta que havia ‘declarado distintamente os dias’ de Jesus. (Atos 3:24) Paulo se referia a 1 Samuel 13:14, quando contou brevemente a história de Israel. (Atos 13:20-22) O próprio Jesus atestou a autenticidade do relato, ao perguntar aos fariseus dos seus dias: “Não lestes o que Davi fez quando ele e seus homens ficaram com fome?” Passou então a relatar que Davi pediu o pão da proposição. (Mat. 12:1-4; 1 Sam. 21:1-6) Esdras também aceitou o relato como sendo genuíno, conforme já mencionado. — 1 Crô. 29:29.

      6. Que outra evidência interna da Bíblia confirma a autenticidade de Primeiro Samuel?

      6 Sendo este o relato original das atividades de Davi, toda menção de Davi em todas as Escrituras confirma o livro de Samuel como sendo parte da Palavra inspirada de Deus. Alguns de seus eventos são até mencionados nos cabeçalhos dos salmos de Davi, como no Salmo 59 (1 Sam. 19:11), no Salmo 34 (1 Sam. 21:13, 14) e no Salmo 142 (1 Sam. 22:1 ou 1 Sam. 24:1, 3). Assim, a evidência interna da própria Palavra de Deus testifica conclusivamente a autenticidade de Primeiro Samuel.

      CONTEÚDO DE PRIMEIRO SAMUEL

      7. A história contida nesse livro diz respeito à vida de que líderes de Israel?

      7 O livro abrange, em parte ou no todo, a vida de quatro líderes de Israel: Eli, o sumo sacerdote; Samuel, o profeta; Saul, o primeiro rei; e Davi, que foi ungido para ser o próximo rei.

      8. Em que circunstâncias nasce Samuel e se torna “ministro de Jeová”?

      8 A judicatura de Eli e o jovem Samuel (1 Samuel 1:1–4:22). No início da narrativa, somos apresentados a Ana, esposa favorita de Elcana, um levita. Ela não tem filhos e é desprezada por isso pela outra esposa de Elcana, Penina. Enquanto a família faz uma das suas visitas anuais a Silo, onde se acha a arca do pacto de Jeová, Ana ora fervorosamente a Jeová para que lhe dê um filho. Ela promete que, se sua oração for atendida, devotará o filho ao serviço de Jeová. Deus atende a sua oração, e ela dá à luz um filho, Samuel. Logo que é desmamado, ela o leva à casa de Jeová e o coloca sob os cuidados do sumo sacerdote Eli, como alguém ‘emprestado a Jeová’. (1:28) Ana se expressa, então, em jubilante oração de agradecimentos e de felicidade. O menino se torna “ministro de Jeová perante Eli, o sacerdote”. — 2:11.

      9. Como se torna Samuel profeta em Israel?

      9 Nem tudo vai bem com Eli. Está velho, seus dois filhos se tornaram imprestáveis, e ‘não reconhecem a Jeová’. (2:12) Usam o seu cargo sacerdotal para satisfazer a sua ganância e seus desejos imorais. Eli deixa de os corrigir. Jeová, portanto, passa a enviar mensagens divinas contra a casa de Eli, avisando que “nunca chegará a haver um homem idoso na tua casa”, e que ambos os filhos de Eli morrerão num só dia. (1 Sam. 2:30-34; 1 Reis 2:27) Por fim, Ele envia o menino Samuel a Eli com uma mensagem de julgamento de fazer tinir os ouvidos. Assim, o jovem Samuel é credenciado à função de profeta em Israel. — 1 Sam. 3:1, 11.

      10. Como executa Jeová o julgamento sobre a casa de Eli?

      10 No devido tempo, Jeová executa esse julgamento, suscitando os filisteus. Visto que o resultado da batalha é desfavorável a Israel, os israelitas levam, com grande grito, a arca do pacto de Silo para seu acampamento militar. Ouvindo o grito e sabendo que a Arca foi trazida para dentro do acampamento de Israel, os filisteus fortalecem-se e ganham uma sensacional vitória, desbaratando totalmente os israelitas. A Arca é capturada, e os dois filhos de Eli morrem. Com coração tremendo, Eli ouve o relato. Ao se mencionar a Arca, cai de costas da cadeira, quebra o pescoço e morre. Assim, termina a sua judicatura de 40 anos. Deveras: “A glória exilou-se de Israel”, pois a Arca representa a presença de Jeová com o seu povo. — 4:22.

      11. Como se prova que a Arca não é um amuleto?

      11 Samuel julga Israel (5:1–7:17). Agora os filisteus também têm de aprender, para a sua grande tristeza, que a arca de Jeová não deve ser usada como amuleto. Quando levam a Arca para dentro da casa de adoração de Dagom, em Asdode, o deus deles cai estirado de bruços. No dia seguinte, Dagom cai de novo estirado na soleira, desta vez com a cabeça e as palmas de ambas as mãos decepadas. Com isto começa o costume supersticioso, entre os filisteus, de ‘não pisar no limiar de Dagom’. (5:5) Os filisteus mandam apressadamente a Arca para Gate, e daí para Ecrom, mas tudo em vão! Sobrevêm tormentos em forma de pânico, hemorróidas e uma praga de roedores. Os senhores do eixo dos filisteus, em desespero final com o aumento do número de mortos, devolvem a Israel a Arca num novo carro puxado por duas vacas que amamentam. Em Bete-Semes, sobrevém calamidade sobre alguns dos israelitas, porque olham para a Arca. (1 Sam. 6:19; Núm. 4:6, 20) Finalmente, a Arca descansa na casa de Abinadabe, na cidade de Quiriate-Jearim.

      12. Que bênçãos resultam por Samuel defender a adoração correta?

      12 Por 20 anos, a Arca permanece na casa de Abinadabe. Samuel, já adulto, insta com os israelitas para que se desfaçam dos Baalins e das imagens de Astorete e sirvam a Jeová de todo o coração. Eles fazem isso. Quando se reúnem em Mispá para adoração, os senhores do eixo dos filisteus aproveitam a oportunidade para batalhar, e Israel é apanhado de surpresa. Israel invoca a Jeová por intermédio de Samuel. Um grande barulho de trovão da parte de Jeová lança os filisteus em confusão, e os israelitas, fortalecidos mediante sacrifícios e orações, obtêm uma vitória esmagadora. Daquele tempo em diante, ‘a mão de Jeová continua a ser contra os filisteus todos os dias de Samuel’. (7:13) Contudo, Samuel não pára seu serviço. Durante toda a vida, continua a julgar Israel, fazendo viagem anual desde Ramá, logo ao norte de Jerusalém, até Betel, Gilgal e Mispá. Em Ramá, ele levanta um altar a Jeová.

      13. Como chega Israel a rejeitar a Jeová qual Rei, e sobre que conseqüências avisa Samuel?

      13 Saul, o primeiro rei de Israel (8:1–12:25). Samuel já está envelhecido no serviço de Jeová, mas seus filhos não andam nos caminhos de seu pai, pois aceitam subornos e pervertem o julgamento. Neste tempo, os homens mais idosos de Israel vão ter com Samuel com o seguinte pedido: “Designa-nos deveras um rei para nos julgar, igual a todas as nações.” (8:5) Samuel, extremamente perturbado, busca a Jeová em oração. Jeová responde: “Não é a ti que rejeitaram, mas é a mim que rejeitaram como rei sobre eles. . . . E agora escuta a sua voz.” (8:7-9) Primeiro, porém, Samuel precisa adverti-los das conseqüências funestas de seu pedido rebelde: arregimentação, pagamento de impostos, perda da liberdade e, com o tempo, amargura e clamor a Jeová. O povo, irredutível nos seus desejos, exige um rei.

      14. Como chega Saul a ser estabelecido no reinado?

      14 Agora, passamos a conhecer Saul, filho de Quis, da tribo de Benjamim, e incomparavelmente o mais belo e o mais alto homem em Israel. Ele é conduzido a Samuel, que lhe reserva um lugar de honra num banquete, unge-o e daí o apresenta a todo o Israel numa assembléia em Mispá. Embora no início Saul se esconda entre a bagagem, é finalmente apresentado como sendo a escolha de Jeová. Samuel relembra mais uma vez a Israel a prerrogativa do reinado, escrevendo-a num livro. Entretanto, não é senão depois da vitória sobre os amonitas, que acaba com o sítio em Jabes de Gileade, que Saul é levado a sério por todos os dentre o povo, de modo que confirmam a sua realeza em Gilgal. Samuel os exorta outra vez a temer, servir e obedecer a Jeová, e roga a Jeová que envie um sinal em forma de trovões e chuva fora de época, na ocasião da colheita. Numa demonstração aterradora, Jeová mostra a sua ira por terem rejeitado a Ele qual Rei.

      15. Que pecado de presunção leva Saul ao fracasso?

      15 A desobediência de Saul (13:1–15:35). Ao passo que os filisteus continuam a molestar a Israel, Jonatã, o corajoso filho de Saul, derrota uma guarnição dos filisteus. O inimigo, para vingar-se disto, envia um enorme exército, “como os grãos de areia que há à beira do mar”, em tamanho, e eles acampam em Micmás. A inquietação assola as fileiras dos israelitas. ‘Se tão-somente Samuel viesse dar-nos a orientação de Jeová!’ Saul, impaciente de esperar por Samuel, peca, oferecendo presunçosamente ele próprio o sacrifício queimado. Samuel aparece de súbito. Rejeitando as pouco convincentes desculpas de Saul, pronuncia o julgamento de Jeová: “E agora teu reino não durará. Jeová certamente achará para si um homem que agrade ao seu coração; e Jeová o comissionará como líder do seu povo, porque não guardaste o que Jeová te ordenou.” — 13:14.

      16. Que dificuldades traz a temeridade de Saul?

      16 Jonatã, cheio de zelo pelo nome de Jeová, ataca outra vez um posto avançado dos filisteus, desta vez acompanhado apenas de seu escudeiro, e como um raio eles abatem cerca de 20 homens. Um terremoto aumenta a confusão dos inimigos. Estes se põem em fuga e os israelitas os perseguem decididamente. Contudo, a plena força da vitória fica enfraquecida pelo juramento precipitado de Saul de proibir os guerreiros de comer antes de terminar a batalha. Os homens se cansam logo e daí pecam contra Jeová, comendo carne recém-abatida, sem dar tempo para o sangue escoar. Jonatã, da sua parte, revigorara-se com um favo de mel antes de saber do juramento que ele denuncia intrepidamente como um empecilho. Ele é remido da morte pelo povo, por causa da grande salvação que efetuou em Israel.

      17. O segundo pecado grave de Saul é seguido de que rejeição adicional?

      17 Chega, então, o tempo de Jeová executar o julgamento sobre os vis amalequitas. (Deut. 25:17-19) Devem ser totalmente exterminados. Nada deverá ser poupado, nem homem nem animal. Nenhum despojo deve ser tomado. Tudo tem de ser entregue à destruição. Entretanto, Saul, desobedecendo, poupa a Agague, rei dos amalequitas, e os melhores animais dentre os rebanhos e manadas, ostensivamente para os sacrificar a Jeová. Isto desagrada tanto ao Deus de Israel que ele inspira Samuel a expressar uma segunda rejeição de Saul. Desconsiderando as desculpas de Saul que quer salvar as aparências, Samuel declara: “Tem Jeová tanto agrado em ofertas queimadas e em sacrifícios como em que se obedeça à voz de Jeová? Eis que obedecer é melhor do que um sacrifício . . . Visto que rejeitaste a palavra de Jeová, ele concordemente rejeita que sejas rei.” (1 Sam. 15:22, 23) Saul agarra então a túnica de Samuel para implorar perdão, mas, quando ele a segura, ela se rasga. Samuel lhe certifica que Jeová arrancará igualmente o reino de Saul e o dará a um homem melhor. O próprio Samuel lança mão da espada, executa a Agague e vira as costas a Saul, para nunca mais o ver.

      18. Por que razão escolhe Jeová a Davi?

      18 A unção de Davi, sua bravura (16:1–17:58). Jeová conduz a seguir Samuel à casa de Jessé, em Belém de Judá, para selecionar e ungir o futuro rei. Um por um os filhos de Jessé são passados em revista, mas são rejeitados. Jeová faz lembrar a Samuel: “Não como o homem vê é o modo de Deus ver, pois o mero homem vê o que aparece aos olhos, mas quanto a Jeová, ele vê o que o coração é.” (16:7) Finalmente, Jeová indica a sua aprovação de Davi, o mais moço, descrito como sendo “ruivo, rapaz de belos olhos e bem-parecido”, e Samuel o unge com óleo. (16:12) O espírito de Jeová vem então sobre Davi, mas Saul desenvolve um espírito mau.

      19. Qual é a primeira vitória que Davi obtém em nome de Jeová?

      19 Os filisteus fazem novamente incursões em Israel, apresentando o seu campeão, Golias, um gigante de seis côvados e um palmo (cerca de 2,9 m) de altura. É tão monstruoso que sua cota de malha pesa cerca de 57 quilos e a lâmina de sua lança, quase 7 quilos. (17:4, 5, 7) Dia após dia, este Golias desafia blasfema e desdenhosamente a Israel para que escolha um homem e o deixe sair para lutar, mas ninguém responde. Saul estremece na sua tenda. Entretanto, Davi chega a ouvir os escárnios do filisteu. Com justa indignação e coragem inspirada, Davi exclama: “Quem é este filisteu incircunciso que venha escarnecer das fileiras combatentes do Deus vivente?” (17:26) Rejeitando a armadura de Saul porque não a experimentou antes, Davi sai ao combate, munido unicamente de um bastão de pastor, uma funda e cinco pedras lisas. Considerando o confronto com este jovem pastor uma afronta à sua dignidade, Golias invoca o mal sobre Davi. Ressoa a resposta confiante: “Tu vens a mim com espada, e com lança, e com dardo, mas eu chego a ti com o nome de Jeová dos exércitos.” (17:45) Uma pedra certeira da funda de Davi lança o campeão dos filisteus por terra! Correndo para ele à plena vista de ambos os exércitos, Davi desembainha a espada do gigante e a usa para decepar a cabeça do dono dela. Que grande libertação da parte de Jeová! Que regozijo no acampamento de Israel! Morto o seu campeão, os filisteus fogem, e os jubilantes israelitas os perseguem cerradamente.

      20. Que contraste existe entre a atitude de Jonatã e a de Saul para com Davi?

      20 Saul persegue a Davi (18:1–27:12). Em conseqüência da ação destemida de Davi a favor do nome de Jeová, apresenta-se-lhe uma amizade maravilhosa. É com Jonatã, filho de Saul e herdeiro natural do reino. Jonatã chega a “amá-lo como a sua própria alma”, de modo que os dois fazem um pacto de amizade. (18:1-3) Enquanto se celebra a fama de Davi em Israel, Saul, irado, procura matá-lo, mesmo lhe dando sua filha Mical em casamento. A inimizade de Saul se torna cada vez mais insana, de modo que Davi se vê forçado a fugir com a amorosa ajuda de Jonatã. No momento da separação, os dois choram, e Jonatã reafirma a sua lealdade a Davi, dizendo: “Mostre o próprio Jeová estar entre mim e ti, e entre a minha descendência e a tua descendência, por tempo indefinido.” — 20:42.

      21. Que eventos ocorrem quando Davi foge de Saul?

      21 Davi e seu pequeno grupo de apoiadores famintos, fugindo do exacerbado Saul, chegam a Nobe. Ali, o sacerdote Aimeleque, depois de se certificar de que Davi e seus homens se abstiveram de mulheres, permite-lhes comer do pão sagrado da proposição. Agora, armado da espada de Golias, Davi foge para Gate, no território dos filisteus, onde finge estar louco. De lá, ele se esconde na caverna de Adulão, depois foge para Moabe, e mais tarde, seguindo o conselho do profeta Gade, ele retorna à terra de Judá. Temendo uma insurreição a favor de Davi, o Rei Saul, louco de ciúmes, ordena a Doegue, o edomita, que massacre a população sacerdotal de Nobe; só Abiatar escapa e foge para junto de Davi. Ele se torna o sacerdote do grupo.

      22. Como demonstra Davi lealdade a Jeová e respeito pela Sua organização?

      22 Davi, servo leal de Jeová, trava então uma bem-sucedida guerrilha contra os filisteus. Entretanto, Saul continua a sua campanha total de capturar a Davi, convocando seus guerreiros e indo ao encalço dele “no ermo de En-Gedi”. (24:1) Mas Davi, o amado de Jeová, consegue sempre manter-se um passo à frente de seus perseguidores. Em certa ocasião, Davi tem oportunidade de matar a Saul, mas ele se refreia e apenas corta a aba da túnica de Saul para lhe provar que lhe poupara a vida. Mesmo este gesto inofensivo faz o coração de Davi bater, pois sente que agiu contra o ungido de Jeová. Que grande respeito pela organização de Jeová!

      23. Como consegue Abigail paz com Davi, tornando-se por fim sua esposa?

      23 Embora a narrativa mencione nesta altura a morte de Samuel (25:1), o escriba que o sucede dá prosseguimento ao relato. Davi pede a Nabal, de Maom de Judá, que o proveja de alimento em troca dos serviços prestados a seus pastores. Mas Nabal só ‘lança invectivas’ contra os homens de Davi, e Davi põe-se a caminho para puni-lo. (25:14) Compreendendo a gravidade da situação, Abigail, esposa de Nabal, leva secretamente provisões a Davi e aplaca-lhe a ira. Davi a abençoa pela sua iniciativa judiciosa e a envia de volta em paz. Quando Abigail informa Nabal sobre o sucedido, ele é atacado do coração, e dez dias mais tarde morre. Davi casa-se então com a bondosa e bela Abigail.

      24. Como poupa Davi novamente a vida de Saul?

      24 Pela terceira vez, Saul persegue obstinadamente a Davi, e, mais uma vez, goza da misericórdia de Davi. “Um sono profundo da parte de Jeová” cai sobre Saul e seus homens. Isto permite que Davi entre no acampamento e se apodere da lança de Saul, mas ele se refreia de estender a mão “contra o ungido de Jeová”. (26:11, 12) Pela segunda vez Davi é forçado a buscar refúgio junto aos filisteus que lhe dão Ziclague como lugar de residência. De lá, ele continua as suas incursões contra outros inimigos de Israel.

      25. Qual é o terceiro pecado grave que Saul comete?

      25 Fim suicida de Saul (28:1–31:13). Os senhores do eixo dos filisteus se unem num exército combinado e acampam em Suném. Em contrapartida, Saul posta-se junto ao monte Gilboa. Num estado de grande agitação, Saul busca orientação divina, mas não consegue obter nenhuma resposta de Jeová. Se tão-somente pudesse entrar em contato com Samuel! Saul se disfarça e parte para ir consultar uma médium espírita, em En-Dor, por trás das linhas dos filisteus, cometendo assim outro grave pecado. Encontrando-a, roga-lhe que contate Samuel. Precipitado em tirar conclusões, Saul presume que aquele que a médium faz aparecer seja o falecido Samuel. Entretanto, “Samuel” não tem mensagem consoladora para o rei. No dia seguinte, ele morrerá e, em conformidade com as palavras de Jeová, o reino lhe será tirado. No outro acampamento, os senhores do eixo dos filisteus estão subindo ao combate. Vendo a Davi e seus homens entre as fileiras deles, ficam com suspeitas e os mandam para casa. Os homens de Davi voltam a Ziclague no momento exato! Um bando de invasores amalequitas levou a família e as posses de Davi e de seus homens, mas Davi e seus homens os perseguem, e tudo é recuperado sem nenhum dano.

      26. Como termina o reinado infeliz do primeiro rei de Israel?

      26 A batalha é travada no monte Gilboa. Israel sofre uma desastrosa derrota, e os filisteus controlam as áreas estratégicas do país. Jonatã e outros filhos de Saul são mortos, e Saul, mortalmente ferido, mata-se com a sua própria espada — é um suicida. Os filisteus vitoriosos prendem os cadáveres de Saul e de seus três filhos nas muralhas da cidade de Bete-Sã, mas os homens de Jabes-Gileade retiram os corpos dessa humilhante posição. O calamitoso reinado do primeiro rei de Israel chega assim a um fim desastroso.

      POR QUE É PROVEITOSO

      27. (a) Em que fracassaram Eli e Saul? (b) Em que aspectos são Samuel e Davi excelentes exemplos para os superintendentes e para os ministros jovens?

      27 Que impressionante história contém Primeiro Samuel! Com honestidade notável em todos os pormenores, expõe tanto a fraqueza como a força de Israel. São mencionados aqui quatro líderes de Israel: dois seguiram a lei de Deus e dois não. Note-se como Eli e Saul fracassaram nos seus deveres: o primeiro negligenciou tomar ação e o segundo agiu presunçosamente. Por outro lado, Samuel e Davi mostraram amor pelo caminho de Jeová desde a sua mocidade, e prosperaram em conseqüência disso. Que lições valiosas encontramos aqui para todos os superintendentes! Quão necessário é que estes sejam firmes, que velem pela pureza e pela ordem na organização de Jeová, que respeitem as providências tomadas nela, que sejam destemidos, calmos, corajosos, que tenham amor e consideração para com os outros! (2:23-25; 24:5, 7; 18:5, 14-16) É digno de nota também que os dois que foram bem-sucedidos tiveram a vantagem de uma boa formação teocrática desde a tenra infância, e, bem jovens ainda, falavam corajosamente a mensagem de Jeová e se desincumbiam dos interesses que se lhes confiavam. (3:19; 17:33-37) Que todos os jovens adoradores de Jeová hoje possam ser pequenos “Samuéis” e pequenos “Davis”!

      28. Como se frisa a obediência, e que conselho contido em Primeiro Samuel é repetido mais tarde por outros escritores da Bíblia?

      28 Dentre todas as palavras proveitosas deste livro, é preciso lembrar claramente as que Jeová inspirou Samuel a proferir ao julgar Saul por este não “extinguir a menção de Amaleque debaixo dos céus”. (Deut. 25:19) A lição de que ‘a obediência é melhor que sacrifício’ é repetida em várias situações, em Oséias 6:6, Miquéias 6:6-8 e em Marcos 12:33. (1 Sam. 15:22) É essencial que tiremos proveito hoje deste relato inspirado, obedecendo plena e completamente à voz de Jeová, nosso Deus! A obediência em reconhecer a santidade do sangue é também trazida à nossa atenção, em 1 Samuel 14:32, 33. Comer carne sem que se tenha deixado escoar devidamente o sangue era considerado ‘pecar contra Jeová’. Isto se aplica também à congregação cristã, segundo o que é dito claramente em Atos 15:28, 29.

      29. As conseqüências de que erro nacional da parte de Israel ressalta o livro de Primeiro Samuel, com que aviso para as pessoas obstinadas?

      29 O que ressalta do livro de Primeiro Samuel é o lastimável erro de uma nação que chegou a considerar a dominação de Deus desde os céus como não sendo prática. (1 Sam. 8:5, 19, 20; 10:18, 19) As armadilhas e a futilidade da dominação humana são retratadas de modo descritivo e profético. (8:11-18; 12:1-17) No início, Saul revela ser homem modesto, que tinha o espírito de Deus (9:21; 11:6), mas seu bom-senso se obscureceu e seu coração ficou amargo ao passo que diminuía seu amor pela justiça e sua fé em Deus. (14:24, 29, 44) Suas ações anteriores de zelo foram anuladas pelos seus atos posteriores de presunção, desobediência e infidelidade a Deus. (1 Sam. 13:9; 15:9; 28:7; Eze. 18:24) A sua falta de fé gerou insegurança, transformando-se em inveja, ódio e assassínio. (1 Sam. 18:9, 11; 20:33; 22:18, 19) Morreu assim como viveu, faltando com o dever para com seu Deus e para com seu povo, e constitui um aviso para qualquer indivíduo que venha a ser ‘obstinado’ como ele foi. — 2 Ped. 2:10-12.

      30. Que qualidades de Samuel podem cultivar com proveito os ministros dos tempos atuais?

      30 No entanto, há o contraste com o bem. Por exemplo, note-se a conduta do fiel Samuel, que serviu Israel por toda a vida, sem usar de fraude, parcialidade ou favoritismo. (1 Sam. 12:3-5) Mostrava-se ansioso por obedecer desde a sua infância (3:5), era cortês e respeitoso (3:6-8), fidedigno no cumprimento de seus deveres (3:15), inabalável na sua dedicação e devoção (7:3-6; 12:2), disposto a ouvir (8:21), pronto a apoiar as decisões de Jeová (10:24), firme no seu julgamento para com quem quer que fosse (13:13), firme na obediência (15:22), perseverante no cumprimento de incumbências (16:6, 11). Era também alguém que recebeu testemunho favorável dos de fora. (2:26; 9:6) Não somente deve o seu ministério na mocidade incentivar os jovens a empreender o ministério hoje em dia (2:11, 18), mas a sua perseverança nele, sem parar, até o fim de seus dias, deve reconfortar os desgastados pela idade. — 7:15.

      31. Como foi Jonatã um excelente exemplo?

      31 Há, também, o notável exemplo de Jonatã. Ele não manifestou rancor por ser Davi ungido para ser rei do reino que ele poderia ter herdado. Ao contrário, reconheceu as excelentes qualidades de Davi e fez um pacto de amizade com ele. Similar companheirismo desinteresseiro pode ser grandemente edificante e encorajador entre os que hoje servem fielmente a Jeová. — 23:16-18.

      32. Que virtudes observamos nas mulheres Ana e Abigail?

      32 Para as mulheres, há o exemplo de Ana, que acompanhava regularmente seu esposo ao lugar de adoração de Jeová. Era mulher humilde, voltada a orações, e renunciou ao companheirismo de seu filho para manter a sua palavra e mostrar apreço pela bondade de Jeová. Foi deveras maravilhosa a sua recompensa ao vê-lo entrar no serviço frutífero de Jeová, por toda a vida. (1:11, 21-23, 27, 28) Além disso, há o exemplo de Abigail, que demonstrou submissão feminina e sensatez, o que lhe granjeou o louvor de Davi, de modo que mais tarde ela se tornou sua esposa. — 25:32-35.

      33. A que proceder devem impelir-nos o amor e a lealdade destemida de Davi?

      33 O amor de Davi por Jeová é expresso de modo comovedor nos salmos que compôs enquanto perseguido no ermo por Saul, o “ungido de Jeová” que caíra no pecado. (1 Sam. 24:6; Sal. 34:7, 8; 52:8; 57:1, 7, 9) E, com que sincero apreço, Davi santificou o nome de Jeová, quando lançou o desafio ao escarnecedor Golias! “Eu chego a ti com o nome de Jeová dos exércitos . . . No dia de hoje Jeová te entregará na minha mão, . . . e pessoas de toda a terra saberão que existe um Deus que pertence a Israel. E toda esta congregação saberá que não é nem com espada nem com lança que Jeová salva, porque a Jeová pertence a batalha, e ele terá de entregar-vos na nossa mão.” (1 Sam. 17:45-47) Davi, o corajoso e leal “ungido de Jeová”, magnificou a Jeová como sendo Deus de toda a terra e a única Fonte real de salvação. (2 Sam. 22:51) Sigamos sempre este corajoso exemplo!

      34. Como se desenrolam adicionalmente em conexão com Davi os propósitos de Jeová referentes ao Reino?

      34 O que nos informa o livro de Primeiro Samuel sobre o desenrolar dos propósitos de Deus concernentes ao Reino? Ah! isto nos leva ao verdadeiro ponto alto deste livro da Bíblia! Pois é aqui que conhecemos a Davi, cujo nome significa, provavelmente, “Amado”. Davi era amado de Jeová e escolhido como o ‘homem que agradou ao seu coração’, aquele que era apto para ser rei em Israel. (1 Sam. 13:14) Assim, o reino passou para a tribo de Judá, em harmonia com a bênção de Jacó, em Gênesis 49:9, 10, e a realeza havia de permanecer na tribo de Judá, até que viesse o Governante, a quem pertence a obediência de todos os povos.

      35. Como veio a estar associado o nome de Davi com o da Semente do Reino, e que qualidades de Davi mostrará ainda essa Semente?

      35 Além do mais, o nome de Davi está associado com o da Semente do Reino, que também nasceu em Belém, da linhagem de Davi. (Mat. 1:1, 6; 2:1; 21:9, 15) Trata-se do glorificado Jesus Cristo, o “Leão que é da tribo de Judá, a raiz de Davi”, e “a raiz e a descendência de Davi, e a resplandecente estrela da manhã”. (Rev. 5:5; 22:16) Regendo no poder do Reino, este “filho de Davi” mostrará toda a firmeza e coragem de seu ilustre antepassado em lutar contra os inimigos de Deus até os derrubar, e em santificar em toda a terra o nome de Jeová. Quão forte é a nossa confiança nesta Semente do Reino!

      [Nota(s) de rodapé]

      a The Romance of the Last Crusade, 1923, Major Vivian Gilbert, páginas 183-6.

  • Livro bíblico número 10 — 2 Samuel
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 10 — 2 Samuel

      Escritores: Gade e Natã

      Lugar da Escrita: Israel

      Escrita Completada: c. 1040 AEC

      Tempo Abrangido: 1077-c. 1040 AEC

      1. Com que fundo histórico começa Segundo Samuel, e como se desenvolve o relato?

      A NAÇÃO de Israel estava desesperada por causa da derrota que sofrera em Gilboa e da invasão do país pelos vitoriosos filisteus em conseqüência disso. Os líderes de Israel e a nata de seus jovens jaziam mortos. É então que Davi, o jovem “ungido de Jeová”, filho de Jessé, faz sua entrada propriamente dita na cena nacional. (2 Sam. 19:21) Assim começa o livro de Segundo Samuel, que bem poderia ser chamado de livro de Jeová e Davi. A narrativa está cheia de ação de toda sorte. Vai desde o nadir da derrota até o zênite da vitória, desde a angústia de uma nação dilacerada pelas lutas internas até a prosperidade de um reino unido e desde o vigor da juventude até a sabedoria da idade avançada. Aqui se relata a vida íntima de Davi, que de todo o coração procurava seguir a Jeová.a É um relato que deve incitar o leitor a fazer um escrutínio de seu coração, a fim de estreitar sua relação com seu Criador e ter o Seu favor.

      2. (a) Como veio o livro a ser chamado de Segundo Samuel? (b) Quem foram os escritores, quais eram as qualificações deles e que único relato procuraram preservar?

      2 O nome de Samuel, na realidade, nem sequer é mencionado no relato de Segundo Samuel, sendo este nome dado ao livro, pelo que parece, por ter sido originalmente um só rolo, ou volume, com Primeiro Samuel. Os profetas Natã e Gade, que completaram o relato de Primeiro Samuel, continuaram a escrita de todo o livro de Segundo Samuel. (1 Crô. 29:29) Estavam bem qualificados para essa tarefa. Não só Gade estivera com Davi, quando este foi perseguido como fora-da-lei em Israel, mas, perto do fim do reinado de 40 anos de Davi, ainda colaborava ativamente com o rei. Foi a Gade que Jeová usou para declarar seu desagrado a Davi, por este ter feito imprudentemente a contagem de Israel. (1 Sam. 22:5; 2 Sam. 24:1-25) Durante a vida de Gade, e mesmo depois da morte deste, o profeta Natã, colaborador íntimo de Davi, continuou as suas atividades. Ele teve o privilégio de dar a conhecer o importante pacto de Jeová com Davi, o pacto referente a um Reino eterno. Foi também ele que corajosamente e sob inspiração denunciou o grande pecado de Davi, com relação a Bate-Seba, e pronunciou a penalidade. (2 Sam. 7:1-17; 12:1-15) Assim, Jeová serviu-se de Natã, cujo nome significa “[Deus] Tem Dado”, e Gade, cujo nome significa “Boa Sorte”, para escreverem as informações inspiradas e proveitosas contidas em Segundo Samuel. Estes historiadores modestos não procuraram preservar a memória deles, pois o livro não dá nenhuma informação sobre seus antepassados ou sobre a vida particular deles. Procuraram preservar unicamente o relato inspirado por Deus, em benefício dos futuros adoradores de Jeová.

      3. Que espaço de tempo abrange Segundo Samuel, e quando foi completada a sua escrita?

      3 O livro de Segundo Samuel prossegue a narrativa da história bíblica exata depois da morte de Saul, o primeiro rei de Israel, até perto do fim do reinado de 40 anos de Davi. Assim, abrange o espaço de tempo desde 1077 AEC até cerca de 1040 AEC. O fato de o livro não falar da morte de Davi é forte evidência de que foi escrito em cerca de 1040 AEC, ou pouco antes de sua morte.

      4. Que motivos nos permitem aceitar Segundo Samuel como parte do cânon da Bíblia?

      4 Devemos aceitar o livro de Segundo Samuel como parte do cânon da Bíblia pelos mesmos motivos apresentados com respeito a Primeiro Samuel. É incontestável a sua autenticidade. A própria franqueza e sinceridade dos escritores, não passando por alto nem mesmo os pecados e as faltas do Rei Davi, é, em si, forte evidência indireta da veracidade desse documento.

      5. Qual é o motivo mais convincente para se aceitar Segundo Samuel como Escritura inspirada?

      5 Todavia, a evidência mais convincente da autenticidade de Segundo Samuel reside no cumprimento das profecias, especialmente as relacionadas com o pacto do Reino feito com Davi. Deus fez a seguinte promessa a Davi: “Tua casa e teu reino hão de ficar firmes por tempo indefinido diante de ti; teu próprio trono ficará firmemente estabelecido por tempo indefinido.” (2 Samuel 7:16) Mesmo no crepúsculo do reino de Judá, Jeremias declarou que esta promessa feita à casa de Davi subsistiria, dizendo: “Assim disse Jeová: ‘No caso de Davi, não se decepará homem seu, impedindo-o de sentar-se no trono da casa de Israel.” (Jer. 33:17) Esta profecia se cumpriu, pois, mais tarde, Jeová suscitou a “Jesus Cristo, filho de Davi”, da tribo de Judá, segundo testifica tão claramente a Bíblia. — Mat. 1:1.

      CONTEÚDO DE SEGUNDO SAMUEL

      6. Como reage Davi ao ouvir as notícias da morte de Saul e de Jonatã?

      6 Eventos no início do reinado de Davi (2 Samuel 1:1-4:12). Após a morte de Saul, junto ao monte Gilboa, um amalequita foge da batalha e apressadamente vai ter com Davi, em Ziclague, para lhe dar a notícia. Procurando agradar a Davi, inventa a história de que ele próprio tirou a vida de Saul. Em vez de elogios, o amalequita recebe como recompensa a morte, pois testifica contra si mesmo, dizendo que matou “o ungido de Jeová”. (1:16) O novo rei, Davi, compõe então uma endecha, “O Arco”, na qual deplora a morte de Saul e de Jonatã. Este cântico atinge um belo clímax na expressão comovente do superabundante amor de Davi por Jonatã: “Estou aflito por ti, meu irmão Jonatã, tu me eras muito agradável. Teu amor a mim era mais maravilhoso do que o amor das mulheres. Como caíram os poderosos e pereceram as armas de guerra!” — 1:17, 18, 26, 27.

      7. Que outros eventos marcam o início do reinado de Davi?

      7 Sob a ordem de Jeová, Davi e seus homens mudam-se com suas famílias para Hébron, no território de Judá. Ali, os anciãos da tribo ungem a Davi qual rei, em 1077 AEC. O general Joabe se torna o mais proeminente dos apoiadores de Davi. Contudo, Is-Bosete, filho de Saul, como rival no trono de Israel, é ungido por Abner, chefe do exército. Há choques periódicos entre as duas forças oponentes, e Abner mata um irmão de Joabe. Por fim, Abner passa para o lado de Davi. Ele leva para Davi a Mical, filha de Saul, por quem Davi havia pago muito tempo antes o dote do casamento. Mas Joabe aproveita a oportunidade para matar Abner, vingando assim a morte de seu irmão. Davi fica muito angustiado com isso, eximindo-se de qualquer culpa. Pouco depois, o próprio Is-Bosete é assassinado, enquanto ‘faz a sua sesta do meio-dia’. — 4:5.

      8. Como faz Jeová prosperar o reinado de Davi sobre todo o Israel?

      8 Davi, rei em Jerusalém (5:1-6:23). Embora esteja reinando em Judá já por sete anos e seis meses, Davi se torna agora o rei absoluto, e os representantes das tribos o ungem para ser rei sobre todo o Israel. Esta é a sua terceira unção (1070 AEC). Um dos primeiros atos de Davi na qualidade de rei do inteiro reino é capturar a fortaleza de Sião, em Jerusalém, ocupada pelos jebuseus; ele os surpreende, passando pelo túnel de água. Davi faz, então, de Jerusalém a sua capital. Jeová dos exércitos abençoa a Davi, tornando-o grande, cada vez mais. Até mesmo Hirão, o rico rei de Tiro, envia a Davi cedros valiosos e também trabalhadores para a construção de uma casa para o rei. A família de Davi aumenta, e Jeová faz prosperar o seu reino. Há mais duas batalhas com os combativos filisteus. No primeiro destes, Jeová rompe as fileiras do inimigo diante de Davi, em Baal-Perazim, dando-lhe assim a vitória. No segundo combate, Jeová realiza outro milagre, fazendo ouvir um “ruído de marcha nas copas dos lentiscos”, o que indica que Jeová vai à frente de Israel para derrotar os exércitos dos filisteus. (5:24) Mais uma grande vitória para as forças de Jeová!

      9. Descreva os eventos relacionados com a transferência da Arca para Jerusalém.

      9 Tomando consigo 30.000 homens, Davi põe-se a caminho para trazer a arca do pacto de Baale-Judá (Quiriate-Jearim) para Jerusalém. Ao ser transportada ao som da música e com grande alegria, a carroça em que é carregada dá um solavanco, e Uzá, que está caminhando do lado, estende a mão para segurar a Arca sagrada. “Nisso se acendeu a ira de Jeová contra Uzá, e o verdadeiro Deus o golpeou ali pelo ato irreverente.” (6:7) A Arca fica na casa de Obede-Edom, e, nos três meses seguintes, Jeová abençoa ricamente a casa de Obede-Edom. Depois de três meses, Davi põe-se a caminho para ir buscar a Arca e levá-la de modo correto pelo resto do caminho. A Arca é conduzida para a capital de Davi com gritos alegres, música e dança. Davi dá livre curso à sua grande alegria, dançando perante Jeová, mas sua esposa Mical desaprova isto. Davi insiste: “Vou festejar perante Jeová.” (6:21) Em conseqüência disso, Mical permanece sem filhos até morrer.b

      10. Que pacto e que promessa de Jeová são trazidos à nossa atenção a seguir?

      10 O pacto de Deus com Davi (7:1-29). Chegamos, agora, a um dos mais importantes eventos da vida de Davi, diretamente relacionado com o tema central da Bíblia: a santificação do nome de Jeová por meio do Reino, sob a Semente prometida. Este evento se origina do desejo de Davi de construir uma casa para a arca de Deus. Residindo ele próprio numa linda casa de cedro, Davi revela a Natã seu desejo de construir uma casa para a arca do pacto de Jeová. Por intermédio de Natã, Jeová reafirma a Davi Sua benevolência para com Israel e faz com ele um pacto que subsistirá para sempre. Entretanto, não será Davi, mas o seu descendente (semente) quem edificará uma casa para o nome de Jeová. Além disso, Jeová faz a amorosa promessa: “E tua casa e teu reino hão de ficar firmes por tempo indefinido diante de ti; teu próprio trono ficará firmemente estabelecido por tempo indefinido.” — 7:16.

      11. Com que oração expressa Davi seus agradecimentos?

      11 Comovido pela bondade que Jeová manifestou, fazendo este pacto do Reino, o coração de Davi transborda de gratidão por toda a benevolência de Deus: “Que única nação na terra é semelhante ao teu povo Israel, que Deus foi remir para si como povo e designar um nome para si, e fazer para eles coisas grandes e atemorizantes? . . . E tu mesmo, ó Jeová, te tornaste seu Deus.” (7:23, 24) E Davi ora fervorosamente pela santificação do nome de Jeová e para que a sua casa seja firmemente estabelecida perante Ele.

      12. Que guerras trava Davi, e que bondade demonstra ele para com a casa de Saul?

      12 Davi estende o domínio de Israel (8:1-10:19). Mas, Davi não reinará em paz. Restam combates a travar. Davi passa a derrubar os filisteus, os moabitas, os zobaítas, os sírios e os edomitas, estendendo assim o território de Israel até os limites fixados por Deus. (2 Sam. 8:1-5, 13-15; Deut. 11:24) Depois, ele volta a sua atenção para a casa de Saul, a fim de, em consideração a Jonatã, manifestar sua benevolência para quem quer que remanesça. Ziba, servo de Saul, chama a atenção de Davi para Mefibosete, filho de Jonatã, que tem os pés aleijados. Davi ordena imediatamente que todos os bens de Saul sejam entregues a Mefibosete e que suas terras sejam cultivadas por Ziba e seus servos, a fim de fornecerem sustento à casa de Mefibosete. Quanto ao próprio Mefibosete, comerá à mesa de Davi.

      13. Que outras vitórias alcançadas por Davi demonstram que Jeová estava com Davi?

      13 Morrendo o rei de Amom, Davi envia embaixadores a seu filho Hanum para lhe expressar sua benevolência. Mas os conselheiros de Hanum acusam Davi de os ter enviado para espiarem o país, e eles os humilham e os enviam de volta meio nus. Irritado com tal afronta, Davi envia Joabe com seu exército para vingar essa injúria. Dividindo as suas forças, ele derrota facilmente os amonitas e os sírios que haviam vindo para socorrê-los. Os sírios reúnem novamente as suas forças, só para sofrerem nova derrota causada pelos exércitos de Jeová, sob o comando de Davi, e perdem 700 condutores de carros e 40.000 cavaleiros. Eis mais uma evidência do favor e da bênção de Jeová sobre Davi.

      14. Que pecados comete Davi no tocante a Bate-Seba?

      14 Davi peca contra Jeová (11:1-12:31). No ano seguinte, na primavera, Davi envia de novo Joabe contra Amom, para sitiar a cidade de Rabá, mas ele próprio fica em Jerusalém. Certa noitinha, do terraço de sua casa, ele vê a linda Bate-Seba, esposa de Urias, o hitita, que se banha. Ele manda trazê-la para sua casa, tem relações sexuais com ela, e ela fica grávida. Davi tenta encobrir isto, mandando Urias vir da luta em Rabá e enviando-o para casa para se revigorar. Mas, Urias recusa agradar a si mesmo e ter relações sexuais com sua esposa enquanto a Arca e o exército “estão morando em barracas”. Davi, desesperado, manda Urias de volta para junto de Joabe com uma carta que diz: “Ponde Urias na frente das mais fortes cargas de batalha e tereis de retirar-vos de detrás dele, e ele terá de ser golpeado e morto.” (11:11, 15) Assim morre Urias. Depois de passados os dias de luto de Bate-Seba, Davi leva-a imediatamente para sua casa, onde ela se torna sua esposa, e nasce o filho deles, um menino.

      15. Como pronuncia Natã um julgamento profético contra Davi?

      15 Isto é mau aos olhos de Jeová. Ele envia o profeta Natã a Davi com uma mensagem de julgamento. Natã diz a Davi que havia dois homens, um rico e outro pobre. Um tinha muitos rebanhos, mas o outro tinha uma só cordeirinha que criava como animal de estimação na família e era “como uma filha”. Mas, quando chegou a ocasião de fazer uma festa, o rico não tomou uma ovelha dos seus próprios rebanhos, mas a cordeirinha do homem pobre. Ouvindo isto, Davi fica irado e exclama: “Por Jeová que vive, o homem que fez isso merece morrer!” Em resposta, vêm as palavras de Natã: “Tu mesmo és o homem!” (12:3, 5, 7) Ele pronuncia então um julgamento profético de que as esposas de Davi serão violadas publicamente por outro homem, a sua casa será flagelada por lutas internas e seu filho, nascido de Bate-Seba, morrerá.

      16. (a) Qual é o significado dos nomes dados ao segundo filho de Davi nascido de Bate-Seba? (b) Qual é o resultado final do ataque contra Rabá?

      16 Sinceramente desolado e arrependido, Davi reconhece abertamente sua falta: “Pequei contra Jeová.” (12:13) Cumprindo-se a palavra de Jeová, a criança, fruto da união adúltera, morre depois de sete dias de enfermidade. (Mais tarde, Davi tem outro filho com Bate-Seba; a este chamam de Salomão, nome que se deriva de uma raiz que significa “paz”. Entretanto, Jeová manda, por intermédio de Natã, que o chamem também de Jedidias, que significa “Amado de Jah”.) Depois desta triste experiência, Joabe chama Davi a Rabá, onde tudo está pronto para o ataque final. Tendo capturado as reservas de água daquela cidade, Joabe, por respeito ao rei, deixa para este a honra de capturar a própria cidade.

      17. Que dificuldades internas começam a afligir a casa de Davi?

      17 As dificuldades na família de Davi (13:1- 18:33). Começam as dificuldades na casa de Davi quando Amnom, um dos filhos de Davi, se apaixona por Tamar, irmã de seu meio-irmão, Absalão. Amnom finge estar doente e pede que lhe enviem a bela Tamar para cuidar dele. Ele a violenta, e daí a odeia intensamente, de modo que a manda embora em humilhação. Absalão planeja vingança, aguardando um momento oportuno. Cerca de dois anos mais tarde, ele organiza um banquete, ao qual Amnom e todos os demais filhos do rei são convidados. Quando o coração de Amnom está alegre pelo vinho, ele é apanhado de surpresa e morto por ordem de Absalão.

      18. Que subterfúgio permite que Absalão retorne do exílio?

      18 Temendo o desagrado do rei, Absalão foge para Gesur, onde vive em semi-exílio por três anos. No ínterim, Joabe, o chefe do exército de Davi, trama um meio de reconciliação entre Davi e Absalão. Faz com que uma mulher sábia de Tecoa conte ao rei uma história inventada sobre retribuição, banimento e punição. Quando o rei pronuncia o veredicto, a mulher lhe revela a verdadeira razão de sua presença: é que o próprio filho do rei, Absalão, está banido em Gesur. Davi percebe que Joabe planejou isto, mas dá permissão para que seu filho retorne a Jerusalém. Passam mais dois anos até o rei consentir ver Absalão face a face.

      19. Que conspiração se revela agora, e com que conseqüências para Davi?

      19 Apesar da benevolência de Davi, Absalão não tarda em conspirar contra seu pai para se apoderar de seu trono. Absalão é extraordinariamente belo entre todos os homens valentes de Israel, e isto contribui para torná-lo ambicioso e orgulhoso. Cada ano, o cabelo que se corta de sua bela cabeleira pesa uns dois quilos e trezentos gramas. (2 Sam. 14:26, nota) Por meio de diversas manobras astutas, Absalão começa a seduzir o coração dos homens de Israel. Por fim, a conspiração é revelada. Absalão, obtendo permissão de seu pai para ir a Hébron, anuncia ali o seu propósito rebelde e pede a ajuda de todo o Israel na sua insurreição contra Davi. Quando grande número de pessoas toma o lado deste seu filho rebelde, Davi foge de Jerusalém com uns poucos apoiadores leais, sendo típico destes Itai, o geteu, que declara: “Por Jeová que vive e por meu senhor, o rei, que vive, no lugar em que meu senhor, o rei, vier a estar, quer para a morte quer para a vida, lá virá a estar o teu servo!” — 15:21.

      20, 21. (a) Que eventos ocorrem durante a fuga de Davi, e como se cumpre a profecia de Natã? (b) Qual foi o fim do traiçoeiro Aitofel?

      20 Ao fugir de Jerusalém, Davi fica sabendo da traição de um de seus conselheiros de maior confiança, Aitofel. Ele ora: “Por favor, transforma em estultícia o conselho de Aitofel, ó Jeová!” (15:31) Zadoque e Abiatar, sacerdotes leais a Davi, e Husai, o arquita, são enviados de volta a Jerusalém, para observarem as atividades de Absalão e darem notícias. Nesse meio tempo, no ermo, Davi se encontra com Ziba, o assistente de Mefibosete, que informa que seu amo espera que agora o reino seja devolvido à casa de Saul. Quando Davi passa por lá, Simei, da casa de Saul, amaldiçoa-o e atira pedras nele, mas Davi impede que seus homens se vinguem.

      21 O usurpador Absalão, em Jerusalém, tem relações sexuais com as concubinas de seu pai “sob os olhares de todo o Israel”, seguindo a sugestão de Aitofel. Isto se dá em cumprimento do julgamento profético de Natã. (16:22; 12:11) Aitofel aconselha também Absalão a tomar uma força de 12.000 homens e ir perseguir Davi no ermo. No entanto, Husai, que ganhou a confiança de Absalão, recomenda outro plano. E, segundo a oração de Davi, o conselho de Aitofel é frustrado. Semelhante a Judas, o frustrado Aitofel vai para casa e se estrangula. Husai relata secretamente os planos do usurpador Absalão aos sacerdotes Zadoque e Abiatar, que, por sua vez, mandam transmitir a mensagem a Davi que se acha no ermo.

      22. Que tristeza estraga para Davi a vitória que alcançou?

      22 Isto possibilita que Davi atravesse o Jordão e escolha o lugar para a batalha na floresta de Maanaim. Ali, ele desdobra em ordem de combate suas tropas e ordena-lhes que tratem Absalão com bondade. Os rebeldes sofrem derrota esmagadora. Quando Absalão foge num mulo por entre a floresta fechada, a sua cabeça fica presa nos ramos mais baixos de uma grande árvore, e ali fica suspenso no ar. Encontrando-o em tal apuro, Joabe o mata, desconsiderando totalmente a ordem do rei. A profunda tristeza de Davi ao ouvir a notícia da morte de seu filho se reflete na sua lamentação: “Meu filho Absalão, meu filho, meu filho Absalão! Oh! que eu, eu mesmo, tivesse morrido em teu lugar, Absalão, meu filho, meu filho!” — 18:33.

      23. Que providências toma Davi ao assumir de novo sua função como rei?

      23 Eventos finais do reinado de Davi (19:1-24:25). Davi continua a lamentar amargamente até que Joabe insta com ele que reassuma a sua devida posição como rei. Ele nomeia agora a Amasa qual chefe sobre o exército, no lugar de Joabe. A caminho de volta, ele é bem acolhido pelo povo, também por Simei, cuja vida Davi poupa. Mefibosete também pleiteia a sua causa, e Davi lhe dá herança igual à de Ziba. Todo o Israel e Judá ficam de novo unidos sob Davi.

      24. Que mais acontece, envolvendo a tribo de Benjamim?

      24 Entretanto, novas dificuldades hão de surgir. Seba, um benjamita, proclama-se rei e desvia de Davi a muitos. Amasa, a quem Davi instrui para convocar homens para pôr fim à rebelião, encontra Joabe que o assassina traiçoeiramente. Joabe assume então o controle do exército e persegue Seba até a cidade de Abel de Bete-Maacá, sitiando-a. Seguindo o conselho de uma mulher sábia da cidade, os habitantes executam Seba, e Joabe se retira. Por causa de culpa de sangue, não-vingada, em razão de Saul ter matado os gibeonitas, há uma fome em Israel que dura três anos. Para remover essa culpa de sangue, sete filhos da casa de Saul são executados. E, novamente em batalha contra os filisteus, a vida de Davi é salva por um triz por Abisai, seu sobrinho. Seus homens juram que ele não mais deverá sair à batalha com eles “para que não apagues a lâmpada de Israel!”. (21:17) Três de seus homens valentes se distinguem, destruindo os gigantes filisteus.

      25. Que expressa Davi nos cânticos relatados em seguida?

      25 Nesta altura, o escritor insere no relato um cântico de Davi a Jeová, que corresponde ao Salmo 18, e que expressa agradecimentos por livrá-lo “da palma da mão de todos os seus inimigos e da palma de Saul”. Com alegria, ele declara: “Jeová é meu rochedo, e minha fortaleza, e Aquele que me põe a salvo. Aquele que faz grandes atos de salvação para o seu rei e usa de benevolência para com o seu ungido, para com Davi e para com a sua descendência por tempo indefinido.” (22:1, 2, 51) Segue-se, então, o último cântico de Davi, em que admite: “Foi o espírito de Jeová que falou por meu intermédio, e a sua palavra estava na minha língua.” — 23:2.

      26. O que se acha declarado relativo aos homens poderosos de Davi, e como mostra este respeito pelo sangue vital deles?

      26 Voltando à narrativa histórica, encontramos alistados os homens poderosos que pertencem a Davi; três dos quais são notáveis. Estes estão envolvidos num incidente que ocorre quando se estabelece um posto avançado dos filisteus em Belém, a cidade natal de Davi. Davi expressa o desejo: “Quem me dera beber da água da cisterna de Belém, que está junto ao portão!” (23:15) Com isso, os três homens valentes irrompem pelo acampamento dos filisteus, tiram água da cisterna e a trazem a Davi. Mas, Davi recusa beber. Em vez disso, derrama-a no chão, dizendo: “É inconcebível, da minha parte, ó Jeová, fazer isso! Beberia eu o sangue dos homens que andam arriscando as suas almas?” (23:17) Para ele a água é equivalente ao sangue vital que arriscaram para obtê-la. A seguir são alistados os 30 homens mais poderosos de seu exército, bem como as façanhas.

      27. Qual foi o último pecado de Davi? Como cessou o flagelo resultante?

      27 Por fim, Davi peca por fazer a contagem do povo. Implorando misericórdia a Deus, propõe-se-lhe a escolha entre três tipos de punição: sete anos de fome, três meses de derrotas militares ou três dias de pestilência no país. Davi responde: “Caiamos na mão de Jeová, porque são muitas as suas misericórdias; mas não caia eu na mão dum homem.” (24:14) A pestilência sobre a nação inteira mata 70.000 pessoas, e só pára quando Davi, agindo segundo as instruções de Jeová, que recebe por intermédio de Gade, compra a eira de Araúna, onde oferece a Jeová sacrifícios queimados e de participação em comum.

      POR QUE É PROVEITOSO

      28. Que avisos fortes estão contidos em Segundo Samuel?

      28 O leitor de hoje encontrará muita coisa proveitosa em Segundo Samuel! Quase todas as emoções humanas da vida real são retratadas em linguagem viva e muito expressiva. Assim, os resultados desastrosos da ambição, da represália (3:27-30), do desejo ilícito de possuir o cônjuge de outrem (11:2-4, 15-17; 12:9, 10), de atos traiçoeiros (15:12, 31; 17:23), do amor baseado somente na paixão (13:10-15, 28, 29), do julgamento precipitado (16:3, 4; 19:25-30) e da falta de respeito pelos atos de devoção de outrem constituem fortes avisos para nós. — 6:20-23.

      29. Que excelentes exemplos de boa conduta e ações encontramos em Segundo Samuel?

      29 Mas, tiramos proveito muito maior de Segundo Samuel, examinando-o de um ângulo positivo e seguindo seus numerosos e excelentes exemplos de boa conduta e boas ações. Davi é um modelo de alguém que demonstrou devoção exclusiva a Deus (7:22), foi humilde diante de Deus (7:18), enalteceu o nome de Jeová (7:23, 26), teve atitude correta na adversidade (15:25), arrependeu-se sinceramente do pecado (12:13), foi fiel à sua promessa (9:1, 7), manteve o equilíbrio sob prova (16:11, 12), teve confiança contínua em Jeová (5:12, 20) e demonstrou profundo respeito pelas providências tomadas por Jeová e pelas designações feitas por ele (1:11, 12). Não é de admirar que Davi tenha sido chamado ‘um homem que agradava ao coração de Jeová’! — 1 Sam. 13:14.

      30. Que princípios são aplicados e ilustrados em Segundo Samuel?

      30 Em Segundo Samuel, encontra-se também a aplicação de muitos princípios da Bíblia. Entre estes, os princípios sobre a responsabilidade coletiva (3:29; 24:11-15), que as boas intenções não mudam os requisitos de Deus (6:6, 7), que a chefia estabelecida na organização teocrática de Jeová deve ser respeitada (12:28), que o sangue deve ser considerado sagrado (23:17), que se requer expiação pela culpa de sangue (21:1-6, 9, 14), que uma pessoa sábia pode evitar que sobrevenha calamidade a muitos (2 Sam. 20:21, 22; Ecl. 9:15) e que a lealdade à organização de Jeová e a seus representantes precisa ser mantida, “quer para a morte quer para a vida”. — 2 Sam. 15:18-22.

      31. Como permite Segundo Samuel ver vislumbres do Reino de Deus, segundo atestam as Escrituras Gregas Cristãs?

      31 Mas, acima de tudo, Segundo Samuel aponta para o Reino de Deus e dá brilhantes vislumbres desse Reino que Ele estabelece nas mãos do “filho de Davi”, Jesus Cristo. (Mat. 1:1) O juramento que Jeová fez a Davi, relativo à permanência de seu reino (2 Sam. 7:16), é citado em Atos 2:29-36, com referência a Jesus. Que a profecia: “Eu mesmo me tornarei seu pai e ele mesmo se tornará meu filho” (2 Sam. 7:14), aponta realmente para Jesus, é demonstrado em Hebreus 1:5. Isto foi também comprovado pela voz de Jeová que falou desde os céus: “Este é meu Filho, o amado, a quem tenho aprovado.” (Mat. 3:17; 17:5) Finalmente, o pacto do Reino com Davi é mencionado por Gabriel nas suas palavras dirigidas a Maria, ao falar de Jesus: “Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e Jeová Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e ele reinará sobre a casa de Jacó para sempre, e não haverá fim do seu reino.” (Luc. 1:32, 33) Quão emocionante parece ser a promessa da Semente do Reino à medida que se vai desenvolvendo cada fase diante de nossos olhos!

      [Nota(s) de rodapé]

      a Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, páginas 649-51.

      b Estudo Perspicaz das Escrituras, “Merabe”.

  • Livro bíblico número 11 — 1 Reis
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 11 — 1 Reis

      Escritor: Jeremias

      Lugar da Escrita: Jerusalém e Judá

      Escrita Completada: 580 AEC

      Tempo Abrangido: c. 1040–911 AEC

      1. (a) Como foi à ruína a radiante prosperidade de Israel? (b) Contudo, como pode Primeiro Reis ser descrito como ‘inspirado e proveitoso’?

      AS CONQUISTAS de Davi haviam estendido o território de Israel até os limites fixados por Deus, desde o rio Eufrates, no Norte, até o rio do Egito, no Sul. (2 Sam. 8:3; 1 Reis 4:21) Quando Davi já estava morto, e seu filho Salomão reinava em seu lugar, “Judá e Israel eram muitos, em multidão, iguais aos grãos de areia junto ao mar, comendo e bebendo, e alegrando-se”. (1 Reis 4:20) Salomão governava com grande sabedoria, sabedoria esta que ultrapassava em muito a dos gregos da antiguidade. Ele construiu um magnífico templo para Jeová. Entretanto, até mesmo Salomão se desviou para a adoração de deuses falsos. Quando morreu, o reino se dividiu em duas partes, e uma sucessão de reis maus nos reinos rivais de Israel e de Judá agiu ruinosamente, acarretando angústia ao povo, precisamente como Samuel predissera. (1 Sam. 8:10-18) Dos 14 reis que reinaram em Judá ou em Israel depois da morte de Salomão, mencionados no livro de Primeiro Reis, apenas 2 conseguiram fazer o que é correto aos olhos de Jeová. Então, é este relato ‘inspirado e proveitoso’? Não resta dúvida de que é, conforme veremos, examinando os conselhos dados, as profecias e os tipos contidos, bem como sua relação com o tema do Reino, que predomina em “toda a Escritura”.

      2. Como vieram a estar em dois rolos os livros de Primeiro e Segundo Reis, e como foram compilados?

      2 O livro de Reis era originalmente um só rolo, ou volume, sendo chamado em hebraico de Mela·khím (Reis). Os tradutores da Septuaginta o chamaram de Ba·si·leí·on, “Reinos”, e foram os primeiros a dividi-lo em dois rolos, para comodidade. Mais tarde, foram chamados de Terceiro e Quarto Reis, títulos que continuam até o presente em Bíblias católicas. Não obstante, são agora geralmente conhecidos por Primeiro e Segundo Reis. São diferentes de Primeiro e de Segundo Samuel, pois o compilador cita documentos anteriores como fonte de matéria. Nos dois livros, o único compilador se refere 15 vezes ao “livro dos assuntos dos dias dos reis de Judá” e 18 vezes ao “livro dos assuntos dos dias dos reis de Israel”, também ao “livro dos assuntos de Salomão”. (1 Reis 15:7; 14:19; 11:41) Embora estes antigos escritos tenham sido perdidos por completo, a compilação inspirada existe — a narrativa proveitosa de Primeiro e Segundo Reis.

      3. (a) Quem, sem dúvida alguma, escreveu os livros de Reis, e por que responde assim? (b) Quando foi completada a escrita, e que espaço de tempo é abrangido por Primeiro Reis?

      3 Quem escreveu os livros dos Reis? A ênfase que se dá à obra executada pelos profetas, notadamente por Elias e por Eliseu, indica que foi um profeta de Jeová que os escreveu. As similaridades de linguagem, composição e estilo sugerem que o escritor destes livros de Reis é o mesmo que escreveu o livro de Jeremias. Muitas palavras e expressões hebraicas só se encontram nos livros de Reis e em Jeremias, não aparecendo em nenhum outro livro da Bíblia. Contudo, se Jeremias escreveu os livros de Reis, por que não é ele mencionado neles? Porque não era necessário, visto que a obra que ele realizou já estava descrita no livro que leva o seu nome. Além disso, os livros de Reis foram escritos para magnificar a Jeová e a Sua adoração, não para aumentar a reputação de Jeremias. Na realidade, os livros de Reis e de Jeremias se complementam em grande parte, um fornecendo a informação que o outro omite. Outrossim, há passagens paralelas, como, por exemplo, 2 Reis 24:18–25:30 e Jeremias 39:1-10; 40:7–41:10; 52:1-34. A tradição judaica confirma que Jeremias foi o escritor de Primeiro e Segundo Reis. Foi, sem dúvida, em Jerusalém que ele começou a compilar os dois livros, e parece que o segundo livro foi completado no Egito, por volta de 580 AEC, visto que na conclusão de sua narrativa ele se refere a eventos que aconteceram naquele ano. (2 Reis 25:27) Primeiro Reis retoma a narrativa da história de Israel donde havia sido interrompida no fim de Segundo Samuel, e prossegue até 911 AEC, ano em que Jeosafá morreu. — 1 Reis 22:50.

      4. Como confirmam a narrativa de Primeiro Reis a história secular e a arqueologia?

      4 Primeiro Reis ocupa seu lugar legítimo no cânon das Escrituras Sagradas, sendo aceito por todas as autoridades nesse campo. Além do mais, os eventos relatados em Primeiro Reis são confirmados pela história secular do Egito e da Assíria. A arqueologia confirma igualmente muitas das declarações do livro. Por exemplo, em 1 Reis 7:45, 46, lemos que foi “no Distrito do Jordão . . . entre Sucote e Zaretã” que Hirão fundiu os utensílios de cobre para o templo de Salomão. Os arqueólogos, escavando o local da antiga Sucote, desenterraram evidência de atividades de fundição ali.a Além disso, um relevo sobre a parede do templo em Carnac (a antiga Tebas) exalta a invasão de Judá por parte do rei egípcio Xexonque (Sisaque), mencionada em 1 Reis 14:25, 26.b

      5. Que testemunho inspirado prova a autenticidade de Primeiro Reis?

      5 As referências de outros escritores da Bíblia e o cumprimento das profecias atestam a autenticidade de Primeiro Reis. Jesus falou dos eventos relacionados com Elias e a viúva de Sarefá como realidades históricas. (Luc. 4:24-26) Falando sobre João, o Batizador, Jesus disse: “Ele mesmo é ‘Elias, que está destinado a vir’.” (Mat. 11:13, 14) Jesus se referia aqui à profecia de Malaquias, que falava da mesma forma sobre um dia futuro: “Eis que vos envio Elias, o profeta, antes de chegar o grande e atemorizante dia de Jeová.” (Mal. 4:5) Jesus confirmou adicionalmente a canonicidade de Primeiro Reis, mencionando o que estava escrito nesse livro sobre Salomão e sobre a rainha do sul. — Mat. 6:29; 12:42; compare com 1 Reis 10:1-9.

      CONTEÚDO DE PRIMEIRO REIS

      6. Em que circunstâncias ascende Salomão ao trono, e como se torna firmemente estabelecido no reino?

      6 Salomão torna-se rei (1 Reis 1:1–2:46). Primeiro Reis começa na ocasião em que Davi está à beira da morte, perto do fim de seu reinado de 40 anos. Seu filho Adonias, ajudado por Joabe, chefe do exército, e por Abiatar, o sacerdote, conspira apoderar-se do trono. O profeta Natã informa Davi a respeito disto e lembra ao rei indiretamente que este já nomeara Salomão para ser rei após sua morte. Em resultado disso, enquanto os conspiradores celebram a sucessão de Adonias, Davi dá ordens a Zadoque, o sacerdote, para ungir a Salomão como rei. Davi passa então a aconselhar Salomão a ser forte e mostrar-se homem, e a andar nos caminhos de Jeová, seu Deus, após o que Davi morre e é enterrado “na Cidade de Davi”. (2:10) Com o tempo, Salomão bane a Abiatar e executa os perturbadores, a saber, Adonias e Joabe. Mais tarde, Simei é executado porque não respeita a misericordiosa provisão feita de se lhe poupar a vida. O reino fica agora firmemente estabelecido nas mãos de Salomão.

      7. A que oração de Salomão responde Jeová, e qual é o resultado para Israel?

      7 Salomão reina com sabedoria (3:1–4:34). Salomão faz uma aliança matrimonial com o Egito, casando-se com a filha de Faraó. Ele ora a Jeová para que lhe dê um coração obediente, a fim de julgar com discernimento o povo de Jeová. Em virtude de não solicitar vida longa ou riquezas, Jeová promete dar-lhe um coração sábio e discernidor, bem como riquezas e glória. Logo no início de seu reinado, Salomão revela sua sabedoria, quando duas mulheres se apresentam diante dele, ambas sustentando ser seu o mesmo filho. Salomão ordena a seus homens que ‘cortem o menino vivo em dois’ e dêem metade para cada uma delas. (3:25) Nisto, a mãe verdadeira pleiteia pela vida do bebê, dizendo que a outra mulher pode ficar com ele. Assim, Salomão identifica a mãe verdadeira, e ela recebe o filho. Graças à sabedoria de Salomão, dada por Deus, todo o Israel prospera, é feliz e goza de segurança. Pessoas de muitos países vêm ouvir a sua sabedoria.

      8. (a) Como empreende Salomão a construção do templo? Descreva algumas de suas características. (b) Que outro programa de construção realiza ele?

      8 O templo de Salomão (5:1–10:29). Salomão relembra as palavras de Jeová a Davi, seu pai: “Teu filho, a quem porei sobre o teu trono em teu lugar, ele é quem construirá uma casa ao meu nome.” (5:5) Por conseguinte, Salomão faz preparativos para isso. Hirão, rei de Tiro, presta ajuda, enviando madeira de cedro e de junípero do Líbano, bem como trabalhadores qualificados. Estes, juntamente com os trabalhadores contratados por Salomão, começam a trabalhar na construção da casa de Jeová, no quarto ano do reinado de Salomão, isto é, no 480.º ano depois que os israelitas saíram do Egito. (6:1) Não se usam martelos, machados nem ferramenta alguma de ferro no local da construção, pois todas as pedras são preparadas e talhadas na pedreira antes de serem levadas ao local do templo para serem assentadas. As paredes internas do templo são primeiro cobertas de cedro e o chão, de junípero, a seguir, todo o interior é belamente revestido de ouro. Fazem-se dois querubins de oleastro, tendo cada um dez côvados (4,5 m) de altura e dez côvados da ponta de uma asa à outra, e estes são colocados no compartimento mais recôndito. São entalhadas nas paredes do templo figuras de outros querubins, de palmeiras e de flores. Finalmente, depois de mais de sete anos de trabalho, o magnífico templo é terminado. Salomão continua o seu programa de construção: uma casa para si mesmo, a Casa da Floresta do Líbano, o Pórtico das Colunas, o Pórtico do Trono e uma casa para a filha de Faraó. Faz também duas grandes colunas de cobre para o pórtico da casa de Jeová, o mar de fundição para o pátio, carrocins de cobre, bacias de cobre e utensílios de ouro.c

      9. Que manifestação de Jeová e que oração de Salomão marcam a chegada da arca do pacto?

      9 Chega então o tempo para os sacerdotes transportarem a arca do pacto de Jeová e a colocarem no compartimento mais recôndito, o Santíssimo, debaixo das asas dos querubins. Quando os sacerdotes saem, ‘a glória de Jeová enche a casa de Jeová’, não mais podendo os sacerdotes ficar de pé para ministrar. (8:11) Salomão abençoa a congregação de Israel, bendiz e louva a Jeová. Ajoelhado e com as mãos estendidas para os céus, ele reconhece em sua oração que nem o céu dos céus pode conter a Jeová, muito menos a casa terrestre que construiu. Em sua oração, pede que Jeová ouça a todos os que temem a Ele, quando orarem voltados para essa casa, sim, até mesmo ao estrangeiro vindo de uma terra distante, “para que todos os povos da terra conheçam o teu nome para te temer assim como teu povo Israel”. — 8:43.

      10. Com que promessa e aviso profético responde Jeová à oração de Salomão?

      10 Durante a festa de 14 dias que se segue, Salomão sacrifica 22.000 bovinos e 120.000 ovelhas. Jeová diz a Salomão que ouviu a sua oração e que santificou o templo, colocando ali o Seu “nome por tempo indefinido”. Agora, se Salomão andar em retidão diante de Jeová, o trono de seu reino continuará. Contudo, se Salomão e seus filhos depois dele abandonarem a adoração de Jeová e servirem a outros deuses, nesse caso, Jeová diz: “Eu vou decepar Israel da superfície do solo que lhes dei; e a casa que santifiquei ao meu nome lançarei para longe de mim, e Israel deveras se tornará uma expressão proverbial e um escárnio entre todos os povos. E esta mesma casa se tornará montões de ruínas.” — 9:3, 7, 8.

      11. Até que ponto chegam as riquezas e a sabedoria de Salomão?

      11 Levou 20 anos para Salomão terminar as duas casas, a casa de Jeová e a casa do rei. Daí, ele passa a construir muitas cidades em todo o seu domínio, bem como uma frota de navios para comércio com países distantes. A rainha de Sabá ouve falar da grande sabedoria que Jeová deu a Salomão, e ela vem prová-lo com perguntas difíceis. Depois de ouvi-lo e ver a prosperidade e a felicidade de seu povo, ela exclama: “Não se me contou nem a metade.” (10:7) Visto que Jeová continua a mostrar amor por Israel, Salomão chega a ser “maior em riquezas e em sabedoria do que todos os outros reis da terra”. — 10:23.

      12. (a) Em que falha Salomão, e que sementes de revolta começam a germinar? (b) O que profetiza Aijá?

      12 Infidelidade e morte de Salomão (11:1-43). Desobedecendo ao mandamento de Jeová, Salomão toma muitas esposas de outras nações — 700 esposas e 300 concubinas. (Deut. 17:17) Seu coração é desviado para servir outros deuses. Jeová lhe diz que o reino lhe será arrancado, não nos seus dias, mas nos dias de seu filho. Entretanto, parte do reino, uma tribo, além da tribo de Judá, será governada pelos filhos de Salomão. Deus começa a suscitar inimigos a Salomão dentre as nações vizinhas, e Jeroboão, da tribo de Efraim, também se levanta contra o rei. O profeta Aijá diz a Jeroboão que ele reinará sobre dez tribos de Israel, mas Jeroboão foge para o Egito, temendo pela sua vida. Salomão morre depois de reinar 40 anos, e seu filho Roboão torna-se rei no ano 997 AEC.

      13. Como surge divisão no reino quando Roboão começa seu reinado, e como tenta Jeroboão tornar seguro o seu reino?

      13 O reino é dividido (12:1–14:20). Jeroboão volta do Egito e junto com o povo vai pedir a Roboão que os alivie de todas as cargas que Salomão colocou sobre eles. Em vez de escutar o conselho sábio dos anciãos de Israel, Roboão escuta os jovens e aumenta o jugo que pesa sobre o povo. Israel se revolta e faz de Jeroboão rei sobre as dez tribos do norte. Roboão, ficando com apenas Judá e Benjamim, reúne um exército para combater os rebeldes, mas, às ordens de Jeová, ele recua. Jeroboão edifica Siquém como sua capital, mas ainda assim se sente inseguro. Teme que o povo retorne a Jerusalém para adorar a Jeová e se submeta novamente a Roboão. A fim de impedir isto, faz dois bezerros de ouro, que coloca um em Dã e o outro em Betel, e designa sacerdotes, não dentre a tribo de Levi, mas dentre todo o povo, para presidirem à adoração.d

      14. Que aviso profético é dado contra a casa de Jeroboão, e que adversidades começam a sobrevir?

      14 Enquanto Jeroboão oferece sacrifício no altar de Betel, Jeová envia um profeta para avisá-lo de que Ele suscitará um rei da linhagem de Davi, de nome Josias, e que este tomará ação enérgica contra o altar de adoração falsa. Como um portento, o altar é então imediatamente fendido em dois. Mais tarde, o próprio profeta é morto por um leão, pois desobedeceu à ordem de Jeová de não comer nem beber durante a sua missão. A adversidade começa então a vir sobre a casa de Jerobõao. Seu filho morre, conforme o julgamento da parte de Jeová, e Aijá, profeta de Deus, prediz que a casa de Jeroboão será completamente exterminada, porque ele cometeu o grande pecado de colocar falsos deuses em Israel. Depois de reinar 22 anos, Jeroboão morre e seu filho Nadabe torna-se rei em seu lugar.

      15. Que eventos ocorrem durante os reinados dos três reis seguintes em Judá?

      15 Roboão, Abijão e Asa, reis de Judá (14:21–15:24). No ínterim, sob Roboão, Judá faz também o que é mau aos olhos de Jeová, praticando a adoração de ídolos. O rei do Egito invade e leva muitos dos tesouros do templo. Depois de 17 anos de reinado, Roboão morre, e seu filho Abijão torna-se rei. Ele também continua a pecar contra Jeová e morre depois de três anos de reinado. Asa, seu filho, o sucede, e, ao contrário dele, serve a Jeová de todo o coração e retira do país os ídolos detestáveis. Há guerra constante entre Israel e Judá. Asa recebe ajuda da Síria, e Israel vê-se forçado a retirar-se. Asa reina 41 anos e é sucedido pelo seu filho Jeosafá.

      16. Que eventos turbulentos ocorrem em seguida em Israel, e por quê?

      16 Nadabe, Baasa, Elá, Zinri, Tibni, Onri e Acabe, reis em Israel (15:25–16:34). Que bando de malfeitores! Baasa assassina a Nadabe depois de este ter reinado apenas dois anos, e passa a exterminar a inteira casa de Jeroboão. Continua na adoração falsa e a lutar contra Judá. Jeová prediz que eliminará a casa de Baasa como fez com a de Jeroboão. Depois de 24 anos de reinado, Baasa é sucedido pelo seu filho Elá, que é assassinado dois anos depois pelo seu servo Zinri. Logo que se apodera do trono, Zinri destrói a todos os da casa de Baasa. Ouvindo isto, o povo estabelece como rei a Onri, o chefe do exército, e investe contra Tirza, a capital do Rei Zinri. Vendo que tudo está perdido, Zinri queima a casa do rei sobre si mesmo, de modo que morre. Daí, Tibni tenta governar como rei rival, mas, algum tempo depois, os seguidores de Onri apanham a Tibni e o matam.

      17. (a) O que caracteriza o reinado de Onri? (b) Por que chega a verdadeira adoração a um declínio total durante o reinado de Acabe?

      17 Onri compra o monte de Samaria sobre o qual edifica a cidade de Samaria. Segue os mesmos caminhos de Jeroboão, ofendendo a Jeová com a adoração de ídolos. Com efeito, ele é pior do que os demais que o precederam. Depois de reinar durante 12 anos, ele morre, e Acabe, seu filho, torna-se rei. Acabe se casa com Jezabel, filha do rei de Sídon, daí ele edifica um altar a Baal em Samaria. Excede em iniqüidade a todos os que o precederam. É nessa época que Hiel, o betelita, reconstrói a cidade de Jericó, pagando com a vida de seu filho primogênito e de seu caçula. A verdadeira adoração está em total declínio.

      18. Com que declaração empreende Elias sua obra profética em Israel, e como revela ele o verdadeiro motivo das dificuldades em Israel?

      18 A obra profética de Elias em Israel (17:1–22:40). Subitamente, entra em cena um mensageiro de Jeová. Trata-se de Elias, o tisbita.e É realmente impressionante a sua primeira mensagem ao Rei Acabe: “Assim como vive Jeová, o Deus de Israel, perante quem deveras estou de pé, não ocorrerá durante estes anos nem orvalho nem chuva, a não ser à ordem da minha palavra!” (17:1) De modo igualmente súbito, Elias se retira, sob a ordem de Jeová, para um vale ao leste do Jordão. A seca castiga Israel, mas os corvos trazem alimento para Elias. Quando a torrente seca, Jeová envia seu profeta a Sarefá, em Sídon, para residir ali. Em razão da bondade que uma viúva demonstra para com Elias, Jeová lhe mantém miraculosamente a pequena reserva de farinha e de azeite, assim nem ela nem seu filho morrem de fome. Depois de algum tempo, o filho adoece e morre, mas Elias implora a Jeová, e Jeová restitui a vida ao menino. Daí, no terceiro ano da seca, Jeová envia de novo Elias a Acabe. Este acusa Elias de ter trazido ostracismo sobre Israel, mas Elias responde com firmeza a Acabe: “Foste tu e a casa de teu pai” que o trouxeram, seguindo aos Baalins. — 18:18.

      19. Como é apresentada a questão da divindade, e como se prova a supremacia de Jeová?

      19 Elias vai ter com Acabe para ajuntar todos os profetas de Baal no monte Carmelo. Não mais poderão mancar em duas opiniões. Apresenta-se a questão: Jeová contra Baal! Perante todo o povo, os 450 sacerdotes de Baal preparam um novilho, colocam-no sobre a lenha em cima do altar e oram para que desça fogo para consumir a oferta. Desde a manhã até o meio-dia, em vão invocam a Baal, em meio às zombarias de Elias. Gritam e fazem cortes em si mesmos, mas não recebem nenhuma resposta! Daí, o profeta Elias, sozinho, edifica um altar em nome de Jeová, prepara a lenha e o novilho para o sacrifício. Manda o povo encharcar a oferta e a lenha três vezes com água, e em seguida ora a Jeová: “Responde-me, ó Jeová, responde-me, para que este povo saiba que tu, Jeová, és o verdadeiro Deus!” Nisto, desce subitamente fogo do céu, consumindo a oferta, a lenha, as pedras do altar, o pó e a água. Quando todo o povo vê isto, prostra-se imediatamente com o rosto em terra e diz: “Jeová é o verdadeiro Deus! Jeová é o verdadeiro Deus!” (18:37, 39) Morte aos profetas de Baal! Elias cuida pessoalmente da matança de modo a não deixar escapar nenhum. Daí, Jeová faz chover, acabando assim a seca em Israel.

      20. (a) Como aparece Jeová a Elias em Horebe, que instrução e que consolo dá Ele? (b) Que pecado e que crime comete Acabe?

      20 Quando as notícias sobre a humilhação de Baal chegam a Jezabel, ela procura um meio de mandar matar Elias. Temendo, ele foge com seu ajudante para o ermo, e Jeová o conduz a Horebe. Jeová lhe aparece ali — não de modo espetacular no meio dum vento, num tremor ou num fogo, mas com “uma voz calma, baixa”. (19:11, 12) Jeová ordena-lhe que vá ungir a Hazael para ser rei da Síria, a Jeú para ser rei em Israel e a Eliseu como profeta em seu lugar. Ele consola a Elias com a informação de que 7.000 pessoas em Israel não se encurvaram diante de Baal. Elias vai imediatamente ungir Eliseu, lançando sobre ele o seu manto oficial. Acabe ganha agora duas vitórias sobre os sírios, mas é repreendido por Jeová por ter feito um pacto com o rei deles, em vez de matá-lo. Daí, vem o caso de Nabote, cujo vinhedo Acabe cobiça. Jezabel trama uma acusação falsa contra Nabote por meio de testemunhas falsas, e faz que ele seja morto de modo a Acabe poder tomar o vinhedo. Que crime imperdoável!

      21. (a) Que condenação pronuncia Elias sobre Acabe, sua casa e sobre Jezabel? (b) Que profecia se cumpre na morte de Acabe?

      21 De novo Elias aparece. Diz a Acabe que, no próprio lugar onde Nabote morreu, os cães lamberão igualmente seu sangue, e que sua casa será exterminada tão completamente quanto a de Jeroboão e de Baasa. Os cães comerão a Jezabel no terreno de Jezreel. “Sem exceção, ninguém se mostrou igual a Acabe, que se vendeu para fazer o que é mau aos olhos de Jeová, instigando-o Jezabel, sua esposa.” (21:25) Entretanto, visto que Acabe se humilha ao ouvir as palavras de Elias, Jeová diz que a calamidade não virá nos seus dias, mas nos dias de seu filho. Acabe se junta agora a Jeosafá, rei de Judá, e eles lutam contra a Síria, contrário ao conselho de Micaías, o profeta de Jeová. Acabe morre dos ferimentos que recebe na batalha. Enquanto seu carro é lavado junto ao reservatório de Samaria, os cães lambem seu sangue, assim como Elias profetizara. Acazias, seu filho, torna-se rei em Israel em seu lugar.

      22. O que caracteriza os reinados de Jeosafá em Judá e de Acazias em Israel?

      22 Jeosafá reina em Judá (22:41-53). Jeosafá, que acompanhara a Acabe na batalha contra a Síria, permanece fiel a Jeová, semelhante a Asa, seu pai, mas não extermina por completo os altos da adoração falsa. Depois de reinar por 25 anos, ele morre, e Jeorão, seu filho, torna-se rei. Ao norte, em Israel, Acazias segue as pisadas de seu pai, ofendendo a Jeová com a adoração que presta a Baal.

      POR QUE É PROVEITOSO

      23. Que certeza e que encorajamento contém Primeiro Reis no tocante à oração?

      23 Pode-se tirar grande proveito das instruções divinas contidas em Primeiro Reis. Vejamos primeiro o assunto da oração, que tão freqüentemente é acentuado nesse livro. Quando confrontado com a tremenda responsabilidade de reinar em Israel, Salomão orou humildemente a Jeová, como uma criança. Pediu apenas discernimento e um coração obediente, mas, além de sabedoria em medida superabundante, Jeová lhe deu também riquezas e glória. (3:7-9, 12-14) Tenhamos nós hoje a certeza de que as nossas humildes orações, pedindo sabedoria e orientação no serviço de Jeová, não ficarão sem resposta! (Tia. 1:5) Oremos sempre com fervor e de todo o coração, com profundo apreço por toda a bondade de Jeová, como o fez Salomão por ocasião da dedicação do templo! (1 Reis 8:22-53) Que nossas orações sejam sempre feitas com total confiança em Jeová e dependência dele, a exemplo de Elias que orou em tempo de provação e quando confrontado face a face com uma nação que adorava demônios! Jeová provê maravilhosamente às necessidades dos que o buscam em oração. — 1 Reis 17:20-22; 18:36-40; 1 João 5:14.

      24. Que exemplos citados em Primeiro Reis servem de aviso, e por que devem dar atenção especial a isso os superintendentes?

      24 Além do mais, o exemplo dos que não se humilharam perante Jeová deve constituir um aviso para nós. Como ‘Deus se opõe aos soberbos’! (1 Ped. 5:5) Houve Adonias, que pensou que pudesse passar por alto a designação teocrática de Jeová (1 Reis 1:5; 2:24, 25); Simei, que pensou que pudesse ultrapassar impunemente os limites (2:37, 41-46); Salomão, cuja desobediência no fim de seus dias, suscitou opositores da parte de Jeová (11:9-14, 23-26); e os reis de Israel, cuja religião falsa levou à ruína (13:33, 34; 14:7-11; 16:1-4). Houve também a iniquamente cobiçosa Jezabel, o poder por trás do trono de Acabe, cujo exemplo notório foi usado mil anos mais tarde como base para um aviso à congregação de Tiatira: “Não obstante, tenho contra ti que toleras aquela mulher Jezabel, que se chama profetisa, e ela ensina e desencaminha os meus escravos para cometerem fornicação e para comerem coisas sacrificadas a ídolos.” (Rev. 2:20) Os superintendentes precisam manter as congregações limpas e livres de todas as influências semelhantes às de Jezabel! — Veja Atos 20:28-30.

      25. Que profecias de Primeiro Reis tiveram notável cumprimento, e como nos pode ajudar hoje o fato de nos lembrarmos delas?

      25 O poder de profecia de Jeová é claramente demonstrado no cumprimento de muitas profecias relatadas em Primeiro Reis. Por exemplo, há a notável profecia, feita com mais de 300 anos de antecedência, segundo a qual seria Josias quem destruiria o altar de Jeroboão, em Betel. Josias fez realmente isso! (1 Reis 13:1-3; 2 Reis 23:15) Contudo, são ainda mais extraordinárias as profecias sobre a casa de Jeová, construída por Salomão. Jeová disse a Salomão que o desvio para os deuses falsos resultaria em Ele ‘decepar Israel da superfície do solo, e lançar para longe Dele a casa que santificou ao seu nome’. (1 Reis 9:7, 8) Em 2 Crônicas 36:17-21, lemos quão exatamente se cumpriu esta predição. Além do mais, Jesus anunciou que o templo que Herodes, o Grande, havia construído mais tarde naquele local teria o mesmo fim, e isso pelo mesmo motivo. (Luc. 21:6) Quão verídico também isto revelou ser! Devemos lembrar-nos dessas catástrofes e do motivo de terem acontecido, a fim de andarmos sempre nos caminhos do verdadeiro Deus.

      26. Que estimulante vislumbre do templo de Jeová e do seu Reino nos é fornecido em Primeiro Reis?

      26 A rainha de Sabá veio de seu país distante e se maravilhou da sabedoria de Salomão, da prosperidade de seu povo e da glória do seu reino, também da magnífica casa de Jeová. Entretanto, até mesmo Salomão confessou diante de Jeová: “Os próprios céus, sim, o céu dos céus, não te podem conter; quanto menos, então, esta casa que construí!” (1 Reis 8:27; 10:4-9) Séculos mais tarde, porém, Cristo Jesus veio para realizar uma obra de construção espiritual, especialmente relacionada com a restauração da adoração verdadeira no grande templo espiritual de Jeová. (Heb. 8:1-5; 9:2-10, 23) É a este maior do que Salomão que se aplica a promessa de Jeová: “Então deveras estabelecerei o trono do teu reino sobre Israel por tempo indefinido.” (1 Reis 9:5; Mat. 1:1, 6, 7, 16; 12:42; Luc. 1:32) Primeiro Reis fornece estimulante vislumbre da glória do templo espiritual de Jeová, bem como da prosperidade, da alegria e da felicidade indescritíveis de todos os que chegarem a viver sob o sábio domínio do Reino de Jeová, por Cristo Jesus. Assim, aumenta cada vez mais o nosso apreço da importância da verdadeira adoração e da maravilhosa provisão feita por Jeová, de seu Reino por meio da Semente!

      [Nota(s) de rodapé]

      a The International Standard Bible Encyclopedia, Vol. 4, 1988, editada por G. W. Bromiley, página 648.

      b Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, página 198; Vol. 2, página 232.

      c Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, páginas 654-5.

      d Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 2, páginas 227-8.

      e Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 2, páginas 229-30.

  • Livro bíblico número 12 — 2 Reis
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 12 — 2 Reis

      Escritor: Jeremias

      Lugares da Escrita: Jerusalém e Egito

      Escrita Completada: 580 AEC

      Tempo Abrangido: c. 920–580 AEC

      1. Que relatos históricos são narrados em Segundo Reis, e em vindicação de quê?

      O LIVRO de Segundo Reis continua a traçar o curso turbulento dos reinos de Israel e Judá. Eliseu tomou o manto de Elias e foi abençoado com duas parcelas do espírito de Elias, realizando 16 milagres, em comparação com os 8 de Elias. Ele continuou a profetizar a condenação do Israel apóstata, onde apenas Jeú forneceu um breve lampejo de zelo por Jeová. Os reis de Israel se afundaram cada vez mais na iniqüidade, até que finalmente o reino setentrional caiu diante da Assíria em 740 AEC. No meridional reino de Judá, alguns reis de destaque, notavelmente Jeosafá, Jeoás, Ezequias e Josias, detiveram a onda de apostasia por algum tempo, mas, por fim, Nabucodonosor executou o julgamento de Jeová por devastar Jerusalém, seu templo, e a terra de Judá em 607 AEC. Assim se cumpriram as profecias de Jeová e se vindicou a sua palavra!

      2. O que se pode dizer quanto ao escritor e à canonicidade de Segundo Reis, e que período é abrangido por ele?

      2 Visto que Segundo Reis fazia originalmente parte do mesmo rolo que Primeiro Reis, o que já foi mencionado relativo a ser Jeremias o escritor se aplica igualmente aqui, assim como as provas da canonicidade e autenticidade do livro. Foi completado por volta de 580 AEC, e abrange o período que começa com o reinado de Acazias, de Israel, por volta de 920 AEC, e termina no 37.º ano do exílio de Joaquim, em 580 AEC. — 2 Reis 1:1; 25:27.

      3. Que notáveis descobertas arqueológicas apóiam Segundo Reis?

      3 As descobertas arqueológicas que apóiam o registro de Segundo Reis dão evidência adicional de sua genuinidade. Por exemplo, há a famosa Pedra Moabita, cuja inscrição fornece a versão do rei moabita Mesa sobre a guerra entre Moabe e Israel. (3:4, 5) Há também o obelisco de calcário preto do assírio Salmaneser III, exibido atualmente no Museu Britânico, em Londres, que menciona o Rei Jeú, de Israel, por nome. Há as inscrições do Rei Tiglate-Pileser III (Pul), da Assíria, que cita o nome de diversos reis de Israel e Judá, incluindo Menaém, Acaz, e Peca. — 15:19, 20; 16:5-8.a

      4. O que prova que Segundo Reis é parte integrante das Escrituras inspiradas?

      4 Uma prova clara da autenticidade do livro se acha na extrema candura com que este descreve a execução dos julgamentos de Jeová sobre seu próprio povo. Ao passo que primeiro o reino de Israel e daí o reino de Judá se desmoronam em ruínas, salienta-se-nos a poderosa força do julgamento profético de Jeová em Deuteronômio 28:15–29:28. Na destruição desses reinos, “acendeu-se . . . a ira de Jeová contra essa terra, trazendo sobre ela a inteira invocação do mal escrita neste livro”. (Deut. 29:27; 2 Reis 17:18; 25:1, 9-11) Outros eventos registrados em Segundo Reis são elucidados em outras partes das Escrituras. Em Lucas 4:24-27, depois de Jesus se referir a Elias e à viúva de Sarefá, passa a falar de Eliseu e Naamã, mostrando por que ele próprio não foi aceito como profeta em seu próprio território. Assim, demonstra-se que tanto Primeiro como Segundo Reis são parte integrante das Escrituras Sagradas.

      CONTEÚDO DE SEGUNDO REIS

      5. Que repreensão e sentença profere Elias contra Acazias, e por quê?

      5 Acazias, rei de Israel (1:1-18). Sofrendo uma queda em casa, este filho de Acabe adoece. Ele envia mensageiros para consultar Baal-Zebube, deus de Ecrom, sobre se há de sarar. Elias intercepta os mensageiros e os envia de volta ao rei, repreendendo-o por não consultar o verdadeiro Deus, e dizendo-lhe que, por não se ter voltado para o Deus de Israel, positivamente morrerá. Quando o rei envia um chefe com 50 homens para apanhar Elias e trazê-lo ao rei, Elias invoca fogo do céu para devorá-los. O mesmo ocorre a um segundo chefe com seus 50. Um terceiro chefe com 50 homens são enviados, e desta vez Elias poupa a vida deles em virtude do apelo respeitoso do chefe. Elias vai com eles ao rei e declara outra vez a sentença de morte sobre Acazias. O rei morre assim como Elias disse que sucederia. Daí, Jeorão, irmão de Acazias, torna-se rei sobre Israel, pois Acazias não tem filho varão para o suceder.

      6. Em que circunstâncias Elias se separa de Eliseu, e como se demonstra logo que “o espírito de Elias” pousa sobre Eliseu?

      6 Eliseu sucede a Elias (2:1-25). Chega o tempo de Elias ser levado. Eliseu acompanha-o de perto em sua viagem de Gilgal a Betel, até Jericó, e finalmente atravessando o Jordão. Elias divide as águas do Jordão por golpeá-las com seu manto oficial. Ao observar um carro de guerra, de fogo, e cavalos de fogo se interporem entre ele e Elias, e ver Elias subir num vendaval, Eliseu recebe as prometidas duas parcelas do espírito de Elias. Ele logo mostra que “o espírito de Elias” pousa sobre ele. (2:15) Apanhando o manto caído de Elias, usa-o para dividir outra vez as águas. Daí, torna saudáveis as águas ruins de Jericó. A caminho de Betel, garotos começam a zombar dele: “Sobe, careca! Sobe, careca!” (2:23) Eliseu invoca a Jeová, e duas ursas saem da floresta e matam 42 desses delinqüentes juvenis.

      7. Por que motivo socorre Jeová a Jeosafá e Jeorão?

      7 Jeorão, rei de Israel (3:1-27). Este rei persiste em fazer o que é mau aos olhos de Jeová, apegando-se aos pecados de Jeroboão. O rei de Moabe vinha pagando tributo a Israel, mas agora se revolta, e Jeorão obtém a ajuda do Rei Jeosafá, de Judá, e do rei de Edom em ir contra Moabe. A caminho para o ataque, seus exércitos chegam a uma região onde não há água, e estão prestes a perecer. Os três reis descem a Eliseu para consultar a Jeová, seu Deus. Por causa do fiel Jeosafá, Jeová os socorre e lhes dá a vitória sobre Moabe.

      8. Que outros milagres realiza Eliseu?

      8 Outros milagres de Eliseu (4:1–8:15). Uma vez que os credores da viúva de um dos filhos dos profetas estão prestes a tomar-lhe os dois filhos como escravos, ela busca a ajuda de Eliseu. Este multiplica milagrosamente o pequeno suprimento de azeite em sua casa, de modo que ela consegue vender o suficiente para pagar as dívidas. Certa sunamita reconhece Eliseu como profeta do verdadeiro Deus, e ela e o marido preparam um quarto para ele usar sempre que passar por Suném. Por causa da bondade dela, Jeová a abençoa com um filho. Alguns anos mais tarde, o filho adoece e morre. A mulher recorre imediatamente a Eliseu. Ele a acompanha à sua casa, e, pelo poder de Jeová, ressuscita o filho dela. Retornando aos filhos dos profetas em Gilgal, Eliseu remove milagrosamente a “morte na panela” por tornar inócuas as bagas venenosas. Daí, alimenta cem homens com 20 pães de cevada, contudo restam “sobras”. — 4:40, 44.

      9. Que milagres são realizados com relação a Naamã, e o ferro dum machado?

      9 Naamã, o chefe do exército sírio, é leproso. Uma mocinha israelita cativa diz à esposa de Naamã que há um profeta em Samaria que pode curá-lo. Naamã viaja para ir ter com Eliseu, mas, em vez de atendê-lo pessoalmente, Eliseu simplesmente manda dizer-lhe que vá banhar-se sete vezes no rio Jordão. Naamã fica indignado diante de tal aparente falta de respeito. Não são os rios de Damasco melhores do que as águas de Israel? Mas é persuadido a obedecer a Eliseu, e fica curado. Eliseu se recusa a aceitar um presente como recompensa, porém, mais tarde seu assistente Geazi corre atrás de Naamã e pede um presente em nome de Eliseu. Quando volta e tenta enganar Eliseu, Geazi é acometido de lepra. Ainda outro milagre é realizado quando Eliseu faz o ferro dum machado flutuar.

      10. Como se demonstram as forças superiores de Jeová, e como faz Eliseu os sírios retroceder?

      10 Quando Eliseu avisa o rei de Israel sobre uma trama dos sírios para o matar, o rei da Síria envia uma força militar a Dotã para capturar Eliseu. O assistente de Eliseu, vendo a cidade cercada por exércitos da Síria, fica temeroso. Eliseu o assegura: “Não tenhas medo, porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles.” Daí, ora a Jeová para que permita a seu assistente ver a grande força que está com Eliseu. ‘E eis que a região montanhosa está cheia de cavalos e de carros de guerra, de fogo, em torno de Eliseu.’ (6:16, 17) Quando os sírios atacam, o profeta ora outra vez a Jeová, e os sírios são acometidos de cegueira mental e conduzidos ao rei de Israel. Em vez de entregá-los à morte, porém, Eliseu diz ao rei que os alimente e despeça para casa.

      11. Como se cumprem as profecias de Eliseu relativas aos sírios e a Ben-Hadade?

      11 Mais tarde, o Rei Ben-Hadade da Síria sitia Samaria, e ocorre uma grande fome. O rei de Israel culpa a Eliseu, mas o profeta prediz uma fartura de alimentos para o dia seguinte. Durante a noite, Jeová faz com que os sírios ouçam o barulho de um grande exército, de modo que fogem, deixando todas as suas provisões para os israelitas. Depois de algum tempo, Ben-Hadade adoece. Ao ouvir a notícia de que Eliseu chegara a Damasco, envia Hazael para perguntar-lhe se ele se restabelecerá. A resposta de Eliseu indica que o rei morrerá e que Hazael se tornará rei em seu lugar. Hazael se certifica disso por ele próprio matar o rei e assumir a realeza.

      12. Que espécie de rei se revela Jeorão, filho de Jeosafá?

      12 Jeorão, rei de Judá (8:16-29). Nesse meio tempo, em Judá, o filho de Jeosafá, Jeorão, é agora rei. Ele não demonstra ser melhor do que os reis de Israel, fazendo o que é mau aos olhos de Jeová. Sua esposa é filha de Acabe, Atalia, cujo irmão, também chamado Jeorão, reina em Israel. Com a morte de Jeorão, de Judá, seu filho Acazias torna-se rei em Jerusalém.

      13. Que campanha-relâmpago empreende Jeú logo após sua unção?

      13 Jeú, rei de Israel (9:1–10:36). Eliseu envia um dos filhos dos profetas para ungir a Jeú como rei de Israel e comissioná-lo a eliminar a inteira casa de Acabe. Jeú não perde tempo. Vai atrás de Jeorão, rei de Israel, que está em Jezreel recuperando-se de ferimentos sofridos na guerra. O vigia vê a movimentada massa de homens aproximando-se, e por fim informa o rei: “O guiar é como o guiar de Jeú, neto de Ninsi, pois é com loucura que ele guia o carro.” (9:20) Jeorão, de Israel, e Acazias, de Judá, indagam sobre a intenção de Jeú. Jeú responde por perguntar: “Que paz pode haver enquanto há as fornicações de Jezabel, tua mãe, e as suas muitas feitiçarias?” (9:22) Quando Jeorão se vira para fugir, Jeú atira uma flecha que lhe traspassa o coração. Seu corpo é lançado ali no campo de Nabote, como retribuição adicional pelo sangue inocente derramado por Acabe. Mais tarde, Jeú e seus homens perseguem a Acazias, ferindo-o, de modo que morre em Megido. Dois reis morrem na primeira campanha-relâmpago de Jeú.

      14. Como se cumpre a profecia de Elias relativa a Jezabel?

      14 Agora é a vez de Jezabel! Quando Jeú entra triunfantemente em Jezreel, Jezabel aparece na janela, deslumbrantemente maquiada. Jeú não se deixa impressionar. “Deixai-a cair!”, diz ele a alguns assistentes. Ela despenca, e seu sangue salpica o muro e os cavalos que a pisoteiam. Quando vão enterrá-la, só encontram o crânio, os pés e as palmas das mãos dela. Isto ocorre em cumprimento da profecia de Elias, ‘os cães a comeram, e ela se tornou estrume no lote de terreno de Jezreel’. — 2 Reis 9:33, 36, 37; 1 Reis 21:23.

      15. Que diferentes encontros tem Jeú a caminho de Samaria?

      15 A seguir, Jeú ordena a matança dos 70 filhos de Acabe, e amontoa as cabeças deles à entrada de Jezreel. São mortos em Jezreel todos os subservientes de Acabe. Daí, segue para a capital de Israel, Samaria! A caminho, encontra os 42 irmãos de Acazias, que viajam para Jezreel, não estando a par do que ocorre. Eles são apanhados e mortos. Mas, agora há outra espécie de encontro. Jonadabe, filho de Recabe, sai ao encontro de Jeú. À pergunta de Jeú: “É teu coração reto para comigo assim como o meu próprio coração é para com o teu coração?”, Jonadabe responde: “É.” Então, Jeú o faz ir junto no carro, para ver em primeira mão como ele ‘não tolera rivalidade para com Jeová’. — 2 Reis 10:15, 16.

      16. Quão cabal é a ação de Jeú contra a casa de Acabe e contra Baal?

      16 Ao chegar a Samaria, Jeú aniquila tudo que resta de Acabe, segundo a palavra de Jeová a Elias. (1 Reis 21:21, 22) Todavia, que dizer da detestável religião de Baal? Jeú declara: “Acabe, por um lado, adorou um pouco a Baal. Jeú por outro lado, o adorará muitíssimo.” (2 Reis 10:18) Convocando todos esses adoradores de demônios à casa de Baal, manda-os pôr suas vestes de identificação e se certifica de que não haja entre eles nenhum adorador de Jeová. Daí, manda seus homens entrar e golpear a todos eles. A casa de Baal é demolida, e o lugar é transformado em latrinas, que existem até os dias de Jeremias. ‘Assim aniquila Jeú a Baal em Israel.’ — 10:28.

      17. Em que falha Jeú, e como começa Jeová a trazer punição sobre Israel?

      17 Entretanto, até o zeloso Jeú falha. Em quê? No sentido de que continua a seguir os bezerros de ouro que Jeroboão estabeleceu em Betel e Dã. Ele não ‘cuida em andar na lei de Jeová, o Deus de Israel, de todo o seu coração’. (10:31) Mas, por causa de sua ação contra a casa de Acabe, Jeová promete que seus descendentes reinarão sobre Israel até a quarta geração. Nos seus dias, Jeová começa a decepar a parte oriental do reino, trazendo Hazael da Síria contra Israel. Depois de reinar 28 anos, Jeú morre e é sucedido pelo seu filho Jeoacaz.

      18. Como é frustrada a conspiração de Atalia em Judá, e o que é digno de nota quanto ao reinado de Jeoás?

      18 Jeoás, rei de Judá (11:1–12:21). A rainha-mãe, Atalia, é filha de Jezabel, na carne e no espírito. Ao saber da morte de Acazias, seu filho, ordena a execução da inteira família real e apodera-se do trono. Somente o filho bebê de Acazias, Jeoás, escapa da morte ao ser escondido. No sétimo ano do reinado de Atalia, Jeoiada, o sacerdote, faz com que Jeoás seja ungido rei e manda matar Atalia. Jeoiada dirige o povo na adoração de Jeová, instrui o jovem rei nos seus deveres perante Deus, e providencia o conserto da casa de Jeová. Por meio de presentes, Jeoás faz retroceder um ataque de Hazael, rei da Síria. Depois de governar por 40 anos em Jerusalém, Jeoás é assassinado por servos seus, e Amazias, seu filho, começa a reinar em seu lugar.

      19. (a) Que adoração falsa prossegue durante os reinados de Jeoacaz e Jeoás em Israel? (b) Como encerra Eliseu sua carreira qual profeta de Jeová?

      19 Jeoacaz e Jeoás, reis de Israel (13:1-25). Jeoacaz, filho de Jeú, continua na adoração de ídolos, e Israel vem a estar sob o poder da Síria, embora Jeoacaz não seja destronado. Com o passar do tempo, Jeová liberta os israelitas, mas estes continuam na adoração do bezerro, estabelecida por Jeroboão. Com a morte de Jeoacaz, seu filho Jeoás toma seu lugar como rei em Israel, enquanto o outro Jeoás reina em Judá. Jeoás, de Israel, continua na adoração de ídolos de seu pai. Quando morre, seu filho Jeroboão se torna rei. É durante o reinado de Jeoás que Eliseu adoece e morre, depois de proferir sua profecia final de que Jeoás golpeará a Síria três vezes, o que se cumpre devidamente. O milagre final atribuído a Eliseu ocorre após sua morte, quando um homem morto é lançado na mesma sepultura, levantando-se vivo assim que toca nos ossos de Eliseu.

      20. Descreva o reinado de Amazias em Judá.

      20 Amazias, rei de Judá (14:1-22). Amazias faz o que é reto aos olhos de Jeová, mas deixa de destruir os altos usados para adoração. É derrotado na guerra por Jeoás, de Israel. Após reinar por 29 anos, é morto numa conspiração. Azarias, seu filho, é constituído rei em seu lugar.

      21. O que ocorre durante o reinado de Jeroboão II em Israel?

      21 Jeroboão II, rei de Israel (14:23-29). O segundo Jeroboão a ser rei em Israel continua na adoração falsa de seu antepassado. Reina em Samaria por 41 anos e tem êxito em recuperar os territórios perdidos de Israel. Zacarias, seu filho, o sucede no trono.

      22. O que se relata sobre o reinado de Azarias em Judá?

      22 Azarias (Uzias), rei de Judá (15:1-7). Azarias governa por 52 anos. É reto perante Jeová, mas deixa de destruir os altos. Mais tarde, Jeová o flagela com lepra, e seu filho Jotão cuida dos deveres reais, tornando-se rei ao morrer Azarias.

      23. Com que males é Israel afligido quando surge a ameaça assíria?

      23 Zacarias, Salum, Menaém, Pecaías e Peca, reis de Israel (15:8-31). Segundo a promessa de Jeová, o trono de Israel permanece na casa de Jeú até a quarta geração, Zacarias. (10:30) Por conseguinte, este se torna rei em Samaria, e seis meses depois um assassino o mata. Salum, o usurpador, dura apenas um mês. A adoração falsa, o assassínio e a intriga continuam a afligir Israel durante os reinados sucessivos dos reis Menaém, Pecaías e Peca. Durante o reinado de Peca, a Assíria fecha o cerco para o derradeiro ataque. Oséias assassina Peca, tornando-se o último rei de Israel.

      24. Depois de Jotão, como é que Acaz, de Judá, peca no tocante à adoração?

      24 Jotão e Acaz, reis de Judá (15:32–16:20). Jotão pratica a adoração pura, mas permite que os altos continuem. Acaz, seu filho, imita os reis do vizinho Israel por praticar o que é mau aos olhos de Jeová. Quando atacado pelos reis de Israel e da Síria, solicita a ajuda do rei da Assíria. Os assírios vêm em seu socorro, capturando Damasco, e Acaz vai para lá ao encontro do rei da Assíria. Vendo o altar de adoração ali, Acaz manda erigir um em Jerusalém segundo o mesmo modelo, e passa a oferecer sacrifícios nele em vez de no altar de cobre do templo de Jeová. Seu filho Ezequias torna-se rei de Judá qual sucessor seu.

      25. Como é que Israel vai ao cativeiro, e por quê?

      25 Oséias, o último rei de Israel (17:1-41). Israel vem a estar agora sob o poder da Assíria. Oséias se rebela e busca a ajuda do Egito, mas no nono ano de seu reinado, Israel é conquistado pela Assíria e levado cativo. Assim termina o reino das dez tribos de Israel. Por quê? “Porque os filhos de Israel pecaram contra Jeová, seu Deus . . . E continuaram a servir a ídolos sórdidos, a respeito dos quais Jeová lhes dissera: ‘Não deveis fazer tal coisa’; por isso Jeová ficou muito irado com Israel, de modo que os removeu da sua vista.” (17:7, 12, 18) Os assírios trazem pessoas do leste para se estabelecerem no país, e estas se tornam “tementes de Jeová”, embora continuem adorando seus próprios deuses. — 17:33.

      26, 27. (a) Como faz Ezequias, de Judá, o que é direito aos olhos de Jeová? (b) Como responde Jeová à oração de Ezequias para fazer os assírios recuar? (c) Que cumprimento adicional tem a profecia de Isaías?

      26 Ezequias, rei de Judá (18:1–20:21). Ezequias faz o que é correto aos olhos de Jeová, segundo tudo o que Davi, seu antepassado, havia feito. Desarraíga a adoração falsa e despedaça os altos, e até destrói a serpente de cobre feita por Moisés, porque agora o povo a venera. Senaqueribe, rei da Assíria, invade Judá e captura muitas cidades fortificadas. Ezequias tenta suborná-lo por meio de pesado tributo, mas Senaqueribe envia seu mensageiro Rabsaqué, que vai até os muros de Jerusalém exigindo a rendição e zombando de Jeová diante dos ouvidos de todo o povo. O profeta Isaías reanima o fiel Ezequias com uma mensagem de ruína contra Senaqueribe. “Assim disse Jeová: ‘Não tenhas medo.’” (19:6) Ao passo que Senaqueribe continua a ameaçar, Ezequias implora a Jeová: “E agora, ó Jeová, nosso Deus, salva-nos, por favor, da sua mão, para que todos os reinos da terra saibam que somente tu, ó Jeová, és Deus.” — 19:19.

      27 Responde Jeová a esta oração altruísta? Primeiro, por meio de Isaías, envia a mensagem de que “o próprio zelo de Jeová dos exércitos” fará o inimigo recuar. (19:31) Daí, naquela mesma noite, ele envia seu anjo para golpear 185.000 no acampamento dos assírios. De manhã ‘todos eles são cadáveres’. (19:35) Senaqueribe volta derrotado e passa a morar em Nínive. Ali, seu deus Nisroque lhe falha mais uma vez, pois é enquanto está prostrado em adoração que seus próprios filhos o matam, em cumprimento da profecia de Isaías. — 19:7, 37.

      28. Ezequias fica famoso em virtude de que, mas que pecado comete ele?

      28 Ezequias fica doente a ponto de morrer, mas Jeová ouve outra vez a sua oração e prolonga-lhe a vida por mais 15 anos. O rei de Babilônia envia mensageiros com presentes, e Ezequias se atreve a mostrar-lhes toda a sua casa do tesouro. Isaías profetiza, então, que tudo em sua casa será um dia levado para Babilônia. Ezequias morre então, famoso pelo seu poder e pelo túnel que construiu a fim de trazer para dentro da cidade o abastecimento de água de Jerusalém.

      29. Que idolatria institui Manassés, que calamidade prediz Jeová, e que pecado adicional comete Manassés?

      29 Manassés, Amom e Josias, reis de Judá (21:1–23:30). Manassés sucede seu pai, Ezequias, e reina 55 anos, fazendo em grande escala o que é mau aos olhos de Jeová. Restabelece os altos de adoração falsa, erige altares para Baal, constrói um poste sagrado assim como Acabe fez, e transforma a casa de Jeová num lugar de idolatria. Jeová prediz que trará calamidade a Jerusalém assim como fez a Samaria, ‘esfregando-a e emborcando-a’. Manassés também derrama sangue inocente “em quantidade muito grande”. (21:13, 16) É sucedido por seu filho Amom, que continua a fazer o que é mau durante dois anos, até ser morto por assassinos.

      30. Por que e como se volta Josias para Jeová de todo o coração?

      30 O povo constitui então a Josias, filho de Amom, como rei. Durante seu reinado de 31 anos, reverte por pouco tempo o avanço de Judá rumo à destruição, por “andar em todo o caminho de Davi, seu antepassado”. (22:2) Começa a fazer reparos na casa de Jeová, e ali o sumo sacerdote encontra o livro da Lei. Este confirma que a destruição sobrevirá à nação por sua desobediência a Jeová, mas Josias é assegurado de que, por sua fidelidade, esta não ocorrerá nos seus dias. Purifica a casa de Jeová e o país inteiro da adoração de demônios e estende sua atividade de despedaçar ídolos até Betel, onde destrói o altar de Jeroboão, em cumprimento da profecia de 1 Reis 13:1, 2. Institui outra vez a Páscoa de Jeová. “Antes dele não se mostrou haver nenhum rei igual a ele que voltasse a Jeová de todo o seu coração, e de toda a sua alma, e de toda a sua força vital, segundo toda a lei de Moisés.” (23:25) Não obstante, a ira de Jeová ainda continua por causa das ofensas de Manassés. Josias morre num confronto com o rei do Egito, em Megido.

      31. Que retrocessos sobrevêm a Judá após a morte de Josias?

      31 Jeoacaz, Jeoiaquim e Joaquim, reis de Judá (23:31–24:17). Depois de reinar por três meses, Jeoacaz, filho de Josias, é levado cativo pelo rei do Egito, e seu irmão Eliaquim, cujo nome é mudado para Jeoiaquim, é colocado no trono. Este segue o proceder errado de seus antepassados e se torna vassalo de Nabucodonosor, rei de Babilônia, mas se rebela contra ele três anos depois. Com a morte de Jeoiaquim, seu filho Joaquim começa a reinar. Nabucodonosor sitia Jerusalém, captura-a, e leva os tesouros da casa de Jeová para Babilônia, “assim como Jeová falara” por intermédio de Isaías. (24:13; 20:17) Joaquim e milhares de seus súditos são levados ao exílio em Babilônia.

      32. Que eventos dramáticos conduzem à desolação de Jerusalém e do país?

      32 Zedequias, o último rei de Judá (24:18–25:30). Nabucodonosor faz do tio de Joaquim, Matanias, rei, e muda-lhe o nome para Zedequias. Este reina 11 anos em Jerusalém e continua a fazer o que é mau aos olhos de Jeová. Rebela-se contra Babilônia, de modo que no nono ano de Zedequias, Nabucodonosor e seu inteiro exército sobem e constroem um muro de sítio em toda a volta de Jerusalém. Após 18 meses, a cidade é assolada pela fome. Abrem-se então brechas nos muros, e Zedequias é capturado ao tentar fugir. Seus filhos são mortos diante dele, e ele é cegado. No mês seguinte, todas as principais casas da cidade, incluindo a casa de Jeová e a do rei, são incendiadas e os muros da cidade são demolidos. A maioria dos sobreviventes é levada cativa a Babilônia. Gedalias é nomeado governador sobre os poucos humildes que restam na zona rural de Judá. Todavia, ele é assassinado, e o povo foge para o Egito. Assim, a partir do sétimo mês de 607 AEC, o país fica totalmente desolado. As palavras finais de Segundo Reis falam do favor que o rei de Babilônia mostra a Joaquim no 37.º ano de seu cativeiro.

      POR QUE É PROVEITOSO

      33. Que exemplos excelentes são fornecidos em Segundo Reis para seguirmos?

      33 Embora abranja o declínio fatal dos reinos de Israel e Judá, Segundo Reis reluz com muitos exemplos da bênção de Jeová sobre os que demonstraram amor a ele e aos seus justos princípios. A sunamita, semelhante à viúva de Sarefá antes dela, foi muito abençoada pela hospitalidade que demonstrou para com o profeta de Deus. (4:8-17, 32-37) A capacidade de Jeová, de sempre prover do necessário, foi demonstrada quando Eliseu alimentou cem homens com 20 pães, assim como Jesus havia de realizar mais tarde milagres similares. (2 Reis 4:42-44; Mat. 14:16-21; Mar. 8:1-9) Note como Jonadabe recebeu uma bênção ao ser convidado a ir junto no carro de Jeú, para ver a destruição dos adoradores de Baal. E por quê? Porque tomou ação positiva em sair para saudar o zeloso Jeú. (2 Reis 10:15, 16) Finalmente, há os exemplos esplêndidos de Ezequias e Josias, em sua humildade e devido respeito pelo nome e pela Lei de Jeová. (19:14-19; 22:11-13) Estes são exemplos esplêndidos para seguirmos.

      34. O que nos ensina Segundo Reis sobre o respeito pelos servos oficiais e sobre a culpa de sangue?

      34 Jeová não tolera o desrespeito a seus servos oficiais. Quando os delinqüentes zombaram de Eliseu, como profeta de Jeová, este trouxe velozmente retribuição. (2:23, 24) Ademais, Jeová respeita o sangue dos inocentes. Seu julgamento pesou muito na casa de Acabe, não só por causa da adoração de Baal, mas também por causa do derramamento de sangue que a acompanhava. Assim, Jeú foi ungido para vingar “o sangue de todos os servos de Jeová da mão de Jezabel”. Quando o julgamento foi executado contra Jeorão, Jeú lembrou-se da pronúncia de Jeová de que foi por causa do ‘sangue de Nabote e do sangue de seus filhos’. (9:7, 26) Da mesma forma, foi a culpa de sangue de Manassés que finalmente selou o destino funesto de Judá. Manassés, em adição ao pecado da adoração falsa, ‘encheu Jerusalém de sangue de ponta a ponta’. Embora Manassés se arrependesse mais tarde de seu proceder mau, a culpa de sangue permaneceu. (2 Crô. 33:12, 13) Nem mesmo o bom reinado de Josias, e exterminar ele toda a idolatria, puderam retirar a culpa de sangue comunal, remanescente do reinado de Manassés. Anos depois, quando passou a trazer seus executores contra Jerusalém, Jeová declarou que foi por Manassés ter ‘enchido Jerusalém de sangue inocente, e Jeová não consentiu em dar perdão’. (2 Reis 21:16; 24:4) De modo similar, Jesus declarou que a Jerusalém do primeiro século EC tinha de perecer porque seus sacerdotes eram filhos daqueles que derramaram o sangue dos profetas, ‘para que viesse sobre eles todo o sangue justo derramado na terra’. (Mat. 23:29-36) Deus adverte o mundo de que vingará o sangue inocente que tem sido derramado, especialmente o sangue ‘dos que foram mortos por causa da palavra de Deus’. — Rev. 6:9, 10.

      35. (a) Como são Elias, Eliseu e Isaías comprovados quais profetas verdadeiros? (b) No tocante a Elias, o que diz Pedro sobre a profecia?

      35 A certeza infalível com que Jeová cumpre seus julgamentos proféticos também é demonstrada em Segundo Reis. Três destacados profetas nos são trazidos à atenção: Elias, Eliseu e Isaías. As profecias de cada um tiveram notável cumprimento, segundo se mostra. (2 Reis 9:36, 37; 10:10, 17; 3:14, 18, 24; 13:18, 19, 25; 19:20, 32-36; 20:16, 17; 24:13) Elias é também comprovado como profeta verdadeiro, em virtude de aparecer junto com o profeta Moisés e o Grande Profeta, Jesus Cristo, na transfiguração no monte. (Mat. 17:1-5) Referindo-se à magnificência dessa ocasião, Pedro disse: “Por conseguinte, temos a palavra profética tanto mais assegurada; e fazeis bem em prestar atenção a ela como a uma lâmpada em lugar escuro, até que amanheça o dia e se levante a estrela da alva, em vossos corações.” — 2 Ped. 1:19.

      36. Por que demonstrou Jeová misericórdia para com seu povo, e como se aprofunda nossa confiança na Semente do Reino?

      36 Os eventos registrados em Segundo Reis revelam claramente que o julgamento de Jeová contra todos os que praticam a religião falsa e todos os que deliberadamente derramam sangue inocente é a exterminação. Contudo, Jeová mostrou favor e misericórdia a seu povo “por causa do seu pacto com Abraão, Isaque e Jacó”. (2 Reis 13:23) Preservou-os “por causa de Davi, seu servo”. (8:19) Demonstrará misericórdia similar para com os que hoje se voltarem para ele. À medida que recapitulamos o registro e as promessas da Bíblia, com que confiança, cada vez mais profunda, aguardamos o Reino do “filho de Davi”, Jesus Cristo, a Semente prometida, em que não haverá mais derramamento de sangue nem perversidade! — Mat. 1:1; Isa. 2:4; Sal. 145:20.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, páginas 200, 229; veja também “Salmaneser”, “Tiglate-Pileser (III)”.

  • Livro bíblico número 13 — 1 Crônicas
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 13 — 1 Crônicas

      Escritor: Esdras

      Lugar da Escrita: Jerusalém (?)

      Escrita Completada: c. 460 AEC

      Tempo Abrangido: Depois de 1 Crônicas 9:44: 1077–1037 AEC

      1. Em que sentidos é Primeiro Crônicas parte essencial e proveitosa do registro divino?

      É PRIMEIRO Crônicas simplesmente uma lista insípida de genealogias? É mera repetição dos livros de Samuel e Reis? Longe disso! Eis aqui uma parte esclarecedora e essencial do registro divino — essencial para os dias em que foi escrito, na reorganização da nação e de sua adoração, e essencial e proveitoso em apresentar um padrão de adoração divina para dias posteriores, inclusive os dias atuais. Primeiro Crônicas contém algumas das mais belas expressões de louvor a Jeová encontradas em toda a Escritura. Proporciona maravilhosos vislumbres do Reino de justiça de Jeová, e estudá-lo será de proveito para todos os que aguardam esse Reino. Os dois livros de Crônicas foram prezados tanto pelos judeus como pelos cristãos através das eras. Jerônimo, tradutor da Bíblia, tinha um conceito tão elevado sobre Primeiro e Segundo Crônicas, que os considerou um “epítome do Velho Testamento” e afirmou que “são tão momentosos e importantes, que quem julga estar familiarizado com os escritos sagrados, e não os conhece, apenas engana a si mesmo”.a

      2. Por que foi escrito Crônicas?

      2 Os dois livros de Crônicas eram, pelo visto, originalmente um só livro, ou rolo, dividido mais tarde para conveniência. Por que se escreveu Crônicas? Considere a situação. O exílio em Babilônia terminara uns 77 anos antes. Os judeus tinham sido restabelecidos na sua terra. Entretanto, existia a tendência perigosa de se desviarem da adoração de Jeová no templo reconstruído em Jerusalém. Esdras fora autorizado pelo rei da Pérsia a nomear juízes e instrutores da lei de Deus (bem como da do rei) e a embelezar a casa de Jeová. Eram necessárias listas genealógicas exatas para garantir que apenas pessoas autorizadas servissem no sacerdócio e também para confirmar as heranças tribais, das quais o sacerdócio recebia seu sustento. Em vista das profecias de Jeová sobre o Reino, era também vital ter um registro claro e fidedigno da linhagem de Judá e de Davi.

      3. (a) O que desejava Esdras incutir nos judeus? (b) Por que salientou a história de Judá, e como enfatizou a importância da adoração pura?

      3 Esdras tinha o desejo sincero de tirar os judeus restabelecidos de sua apatia e incutir neles o entendimento de que eles eram, deveras, herdeiros da benevolência pactuada de Jeová. Em Crônicas, portanto, apresentou-lhes uma narrativa completa da história da nação e da origem da humanidade, remontando até o primeiro homem, Adão. Visto ser o reino de Davi o ponto focal, ele ressaltou a história de Judá, omitindo quase inteiramente o registro absolutamente irredimível do reino das dez tribos. Descreveu os maiores reis de Judá como estando empenhados em construir ou restaurar o templo e em liderar zelosamente a adoração de Deus. Apontou os pecados religiosos que levaram à derrubada do reino, salientando também, ao mesmo tempo, as promessas de Deus de restauração. Frisou a importância da adoração pura, focalizando a atenção nos muitos pormenores concernentes ao templo, seus sacerdotes, os levitas, os mestres de canto, e assim por diante. Deve ter sido muito animador para os israelitas terem um registro histórico que enfocava o motivo de sua volta do exílio — a restauração da adoração de Jeová em Jerusalém.

      4. Que evidência favorece Esdras como o escritor de Crônicas?

      4 Qual é a evidência de que Esdras escreveu Crônicas? Os dois versículos finais de Segundo Crônicas são iguais aos primeiros dois versículos de Esdras, e Segundo Crônicas termina no meio duma sentença que é concluída em Esdras 1:3. Portanto, o escritor de Crônicas deve ter sido também o de Esdras. Isso é ainda mais comprovado pelo estilo, pela linguagem, pela fraseologia e pela grafia das palavras, que são iguais em Crônicas e Esdras. Algumas das expressões nesses dois livros não são encontradas em nenhum outro livro da Bíblia. Esdras, que escreveu o livro de Esdras, também deve ter escrito Crônicas. A tradição judaica apóia essa conclusão.

      5. Quais eram as qualificações espirituais e seculares de Esdras?

      5 Ninguém melhor do que Esdras podia compilar esta história autêntica e exata. “Pois o próprio Esdras tinha preparado seu coração para consultar a lei de Jeová e para praticá-la, e para ensinar regulamento e justiça em Israel.” (Esd. 7:10) Jeová o ajudou com espírito santo. O governante mundial persa reconheceu a sabedoria de Deus em Esdras e concedeu-lhe amplos poderes civis no distrito jurisdicional de Judá. (Esd. 7:12-26) Assim revestido de autoridade divina e imperial, Esdras pôde compilar sua narrativa com base nos melhores documentos disponíveis.

      6. Por que podemos confiar na exatidão de Crônicas?

      6 Esdras era um pesquisador extraordinário. Pesquisou antigos registros da história judaica que haviam sido compilados por fidedignos profetas contemporâneos daquelas épocas, bem como os compilados por escrivães oficiais e pelos que guardavam os registros públicos. Alguns dos escritos que consultou talvez fossem documentos de estado tanto de Israel como de Judá, registros genealógicos, obras históricas escritas por profetas, e documentos pertencentes a chefes tribais ou familiares. Esdras cita pelo menos 20 de tais fontes de informações.b Mediante tais citações explícitas, Esdras deu honestamente aos seus contemporâneos a oportunidade de verificar suas fontes se assim o desejassem, e isto acrescenta considerável peso ao argumento a favor da credibilidade e autenticidade de sua palavra. Nós podemos ter hoje confiança na exatidão dos livros de Crônicas pelo mesmo motivo que os judeus do tempo de Esdras tinham tal confiança.

      7. Quando foi escrito Crônicas, quem o considerou autêntico, e que período abrange?

      7 Visto que Esdras “subiu de Babilônia” no sétimo ano do rei persa Artaxerxes Longímano, que ocorreu em 468 AEC, e Esdras não registra a importante chegada de Neemias em 455 AEC, a escrita de Crônicas deve ter sido completada entre essas datas, provavelmente por volta do ano 460 AEC, em Jerusalém. (Esd. 7:1-7; Nee. 2:1-18) Os judeus dos dias de Esdras aceitavam Crônicas como parte genuína de ‘toda a Escritura que é inspirada por Deus e proveitosa’. Chamavam-no de Div·réh Hai·ya·mím, que significa “Os Assuntos dos Dias”, isto é, a história dos dias ou dos tempos. Uns 200 anos mais tarde, os tradutores da Septuaginta grega também incluíram Crônicas como sendo canônico. Dividiram o livro em duas partes e, supondo ser suplementar a Samuel e Reis, ou à inteira Bíblia daquele tempo, chamaram-no de Pa·ra·lei·po·mé·non, significando “Coisas Passadas por Alto (Não Ditas; Omitidas).” Embora o nome não seja exatamente apropriado, contudo a atitude deles mostra que encaravam Crônicas como Escritura autêntica, inspirada. Ao preparar a Vulgata latina, Jerônimo sugeriu: “Podemos chamar [a esses] mais significativamente de Khro·ni·kón da inteira história divina.” É disto que o título “Crônicas” parece ter-se originado. Crônica é um registro de acontecimentos na ordem em que ocorreram. Depois de alistar as genealogias, Primeiro Crônicas se concentra principalmente no tempo do Rei Davi, de 1077 AEC até sua morte.

      CONTEÚDO DE PRIMEIRO CRÔNICAS

      8. Em que duas partes se divide o livro de Primeiro Crônicas?

      8 Este livro de Primeiro Crônicas se divide naturalmente em duas partes: os primeiros 9 capítulos, que tratam primariamente de genealogias, e os últimos 20 capítulos, que abrangem eventos durante os 40 anos desde a morte de Saul até o fim do reinado de Davi.

      9. Por que não há motivo para se favorecer uma data mais tardia para a escrita de Crônicas?

      9 As genealogias (1 Crônicas 1:1–9:44). Estes capítulos alistam a genealogia desde Adão até a linhagem de Zorobabel. (1:1; 3:19-24) As versões de muitas traduções levam a linhagem de Zorobabel até a décima geração. Uma vez que ele retornou a Jerusalém em 537 AEC, não haveria tempo suficiente para tantas gerações terem nascido até 460 AEC, quando Esdras evidentemente completou a escrita. Entretanto, o texto hebraico é incompleto nesta parte, e não se pode determinar qual era o parentesco da maioria dos homens alistados com Zorobabel. Assim, não há motivo para se favorecer uma data mais tardia para a escrita de Crônicas, como fazem alguns.

      10. (a) Que gerações são apresentadas primeiro? (b) Que genealogia é traçada logicamente no início do segundo capítulo? (c) Que outras listas são feitas, terminando em quê?

      10 Primeiro, fornecem-se as dez gerações desde Adão até Noé, e depois as dez gerações até Abraão. São alistados os filhos de Abraão e sua prole; a posteridade de Esaú e de Seir, que residia na região montanhosa de Seir; e os primitivos reis de Edom. A partir do segundo capítulo, porém, o registro trata dos descendentes de Israel, ou Jacó, a partir de quem se traça primeiro a genealogia através de Judá e, daí, por dez gerações até Davi. (2:1-14) São alistadas também as demais tribos, com referência especial à tribo de Levi e aos sumos sacerdotes, terminando com uma genealogia da tribo de Benjamim, como forma de apresentar o Rei Saul, um benjamita, com quem começa então, em sentido estrito, a narrativa histórica. Às vezes, talvez pareça haver contradições entre as genealogias apresentadas por Esdras e outras passagens bíblicas. Todavia, é preciso lembrar que certas pessoas eram também conhecidas por outros nomes, e que a língua se transforma, de modo que com o passar do tempo a grafia de alguns nomes podia mudar. Um estudo cuidadoso elimina a maioria das dificuldades.

      11. Cite exemplos de outras informações úteis intercaladas no registro das genealogias.

      11 Esdras intercala as genealogias, aqui e ali, com um pouco de informações históricas e geográficas que servem de esclarecimento e lembretes importantes. Por exemplo, ao alistar os descendentes de Rubem, Esdras acrescenta uma importante informação: “E os filhos de Rubem, primogênito de Israel — pois era o primogênito; mas por profanar o leito conjugal de seu pai deu-se o seu direito de primogênito aos filhos de José, filho de Israel, de modo que não foi registrado genealogicamente para o direito de primogênito. Porque o próprio Judá mostrou-se superior entre os seus irmãos e o líder procedia dele; mas a primogenitura era de José.” (5:1, 2) Estas poucas palavras explicam muita coisa. Ademais, é apenas em Crônicas que ficamos sabendo que Joabe, Amasa, e Abisai eram todos sobrinhos de Davi, o que nos ajuda a avaliar os diversos eventos que os envolveram. — 2:16, 17.

      12. Quais são as circunstâncias da morte de Saul?

      12 A infidelidade de Saul resulta em sua morte (10:1-14). A narrativa começa com o avanço do ataque dos filisteus na batalha do monte Gilboa. Três dos filhos de Saul, incluindo Jonatã, são mortos. Daí, Saul é ferido. Não desejando ser capturado pelo inimigo, insta com seu escudeiro: “Puxa a tua espada e traspassa-me com ela, para que não venham estes incircuncisos e certamente abusem de mim.” Quando seu escudeiro se recusa a fazê-lo, Saul se mata. Assim morre Saul por agir “sem fé contra Jeová referente à palavra de Jeová que não guardou e também por pedir a um médium espírita que fizesse uma consulta. E não consultou a Jeová.” (10:4, 13, 14) Jeová dá o reino a Davi.

      13. Como prospera Davi no reino?

      13 Davi é confirmado no reino (11:1–12:40). Com o tempo, as 12 tribos se reúnem a Davi em Hébron e o ungem rei sobre todo o Israel. Ele captura Sião e prossegue ‘ficando cada vez maior, porque Jeová dos exércitos está com ele’. (11:9) Homens poderosos são colocados no comando do exército, e por meio deles, Jeová salva “com uma grande salvação”. (11:14) Davi recebe apoio unido ao passo que os homens de guerra se reúnem unanimemente para torná-lo rei. Há festejo e regozijo em Israel.

      14. Como se sai Davi nas batalhas contra os filisteus, e que ocasião inspiradora de fé dá origem a um cântico alegre?

      14 Davi e a arca de Jeová (13:1–16:36). Davi consulta os líderes nacionais, e estes concordam em mudar a Arca de Quiriate-Jearim, onde já está há cerca de 70 anos, para Jerusalém. No caminho, Uzá morre por irreverentemente desconsiderar as instruções de Deus, e a Arca é deixada por algum tempo na casa de Obede-Edom. (Núm. 4:15) Os filisteus recomeçam suas incursões, mas Davi os derrota esmagadoramente duas vezes, em Baal-Perazim e em Gibeão. Instruídos por Davi, os levitas seguem então o procedimento teocrático ao transportar a Arca com segurança a Jerusalém, onde é colocada numa tenda que Davi havia armado para ela, em meio a dança e regozijo. Oferecem-se sacrifícios e cânticos, o próprio Davi contribuindo com um cântico de agradecimento a Jeová pela ocasião. Este atinge seu grandioso clímax no seguinte tema: “Alegrem-se os céus, e jubile a terra, e digam entre as nações: ‘O próprio Jeová se tornou rei!’” (1 Crô. 16:31) Que ocasião emocionante e inspiradora de fé! Mais tarde, este cântico de Davi é adaptado como base para novos cânticos, um dos quais é o Salmo 96. Outro é registrado nos primeiros 15 versículos do Salmo 105.

      15. Com que promessa maravilhosa atende Jeová ao desejo que Davi tem de construir uma casa para adoração unida?

      15 Davi e a casa de Jeová (16:37–17:27). Existe agora um arranjo incomum em Israel. A arca do pacto reside numa tenda em Jerusalém onde Asafe e seus irmãos assistem, ao passo que alguns quilômetros a noroeste de Jerusalém, em Gibeão, Zadoque, o sumo sacerdote, e seus irmãos oferecem no tabernáculo os sacrifícios prescritos. Tendo sempre presente exaltar e unificar a adoração de Jeová, Davi indica seu desejo de construir uma casa para a arca do pacto de Jeová. Mas, Jeová declara que não será Davi, e sim seu filho quem construirá uma casa para Ele, e que Ele ‘há de estabelecer firmemente o seu trono por tempo indefinido’, mostrando benevolência como de pai para filho. (17:11-13) Esta promessa maravilhosa de Jeová — este pacto para um reino eterno — comove a Davi. Seus agradecimentos transbordam na petição para que o nome de Jeová ‘se mostre fiel e se torne grande por tempo indefinido’ e para que Sua bênção esteja sobre a casa de Davi. — 17:24.

      16. Que promessa cumpre Jeová mediante Davi, mas que pecado comete Davi?

      16 As conquistas de Davi (18:1–21:17). Mediante Davi, Jeová cumpre agora Sua promessa de dar a inteira Terra Prometida à semente de Abraão. (18:3) Numa rápida série de campanhas, Jeová dá “salvação a Davi” onde quer que ele vá. (18:6) Em esmagadoras vitórias militares, Davi subjuga os filisteus, abate os moabitas, derrota os zobaítas, obriga os sírios a pagar tributo e conquista Edom e Amom, bem como Amaleque. Contudo, Satanás incita Davi a fazer o recenseamento de Israel e assim pecar. Jeová envia uma pestilência como punição, mas misericordiosamente põe fim à calamidade na eira de Ornã, depois de 70.000 terem sido executados.

      17. Que preparativos faz Davi para a construção da casa de Jeová, e como incentiva ele a Salomão?

      17 Os preparativos de Davi para o templo (21:18–22:19). Davi recebe um aviso angélico por meio de Gade no sentido “de erigir um altar a Jeová na eira de Ornã, o jebuseu”. (21:18) Depois de comprar o local de Ornã, Davi obedientemente oferece sacrifícios ali e invoca a Jeová, que lhe responde “com fogo desde os céus sobre o altar da oferta queimada”. (21:26) Davi conclui que Jeová deseja que Sua casa seja construída ali, e inicia o trabalho de modelar os materiais e reuni-los, dizendo: “Salomão, meu filho, é moço e delicado, e a casa a ser construída para Jeová é para ser extremamente magnífica em belo destaque para todas as terras. Então, deixa-me fazer preparativos para ele.” (22:5) Explica a Salomão que Jeová não lhe permitiu construir a casa, por ter ele sido homem de guerras e sangue. Exorta seu filho a ser corajoso e forte neste empreendimento, dizendo: “Levanta-te e age, e que Jeová mostre estar contigo.” — 22:16.

      18. Com que objetivo é feito um recenseamento?

      18 Davi faz preparativos para a adoração de Jeová (23:1–29:30). Faz-se um recenseamento, desta vez pela vontade de Deus, para reorganizar o sacerdócio e os serviços levíticos. Os serviços levíticos são descritos aqui com mais pormenores do que em qualquer outra parte das Escrituras. A seguir, delineiam-se as divisões do serviço do rei.

      19. Com que palavras comissiona Davi a Salomão, que projetos fornece, e que esplêndido exemplo dá ele?

      19 Perto do fim de seu reinado cheio de eventos, Davi congrega os representantes da inteira nação, “a congregação de Jeová”. (28:8) O rei se põe de pé. “Ouvi-me, meus irmãos e meu povo.” Ele lhes fala então sobre o desejo do seu coração, ‘a casa do verdadeiro Deus’.28:12 Na presença deles, ele comissiona a Salomão: “E tu, Salomão, meu filho, conhece o Deus de teu pai e serve-o de pleno coração e de alma agradável; porque Jeová sonda todos os corações e discerne toda inclinação dos pensamentos. Se o buscares, deixar-se-á achar por ti; mas se o deixares, deitar-te-á fora para sempre. Vê agora, porque o próprio Jeová te escolheu para construíres uma casa como santuário. Sê corajoso e age.” (28:2, 9, 10, 12) Ele dá ao jovem Salomão os projetos arquitetônicos pormenorizados recebidos por inspiração de Jeová e contribui uma imensa fortuna pessoal para o projeto de construção — 3.000 talentos de ouro e 7.000 talentos de prata, que havia economizado com este propósito. Diante de tal exemplo esplêndido, os príncipes e o povo reagem doando ouro no valor de 5.000 talentos e 10.000 daricos e prata no valor de 10.000 talentos, bem como muito ferro e cobre.c (29:3-7) O povo se regozija com tal privilégio.

      20. Que sublimes apogeus são atingidos na oração final de Davi?

      20 Davi louva, então, a Jeová em oração, reconhecendo que toda esta oferta abundante procedeu realmente de Sua mão, e pedindo que Sua contínua bênção esteja sobre o povo e sobre Salomão. Esta oração final de Davi atinge sublimes apogeus ao exaltar o reino de Jeová e Seu glorioso nome: “Bendito sejas, ó Jeová, Deus de Israel, nosso pai, de tempo indefinido a tempo indefinido. Tuas, ó Jeová, são a grandeza, e a potência, e a beleza, e a excelência, e a dignidade; pois teu é tudo nos céus e na terra. Teu é o reino, ó Jeová, que te ergues como cabeça sobre todos. As riquezas e a glória existem por tua causa e tu dominas sobre tudo; e na tua mão há poder e potência, e na tua mão há a capacidade para engrandecer e para dar força a todos. E agora, ó nosso Deus, te agradecemos e louvamos o teu belo nome.” — 29:10-13.

      21. Em que tom majestoso termina Primeiro Crônicas?

      21 Salomão é ungido uma segunda vez e começa a sentar-se no “trono de Jeová” em lugar do idoso Davi. Após um reinado de 40 anos, Davi morre “numa boa velhice, saciado de dias, de riquezas e de glória”. (29:23, 28) Esdras conclui então Primeiro Crônicas em tom majestoso, frisando a superioridade do reino de Davi sobre todos os reinos das nações.

      POR QUE É PROVEITOSO

      22. Como foram os co-israelitas de Esdras encorajados por Primeiro Crônicas?

      22 Os co-israelitas de Esdras tiraram muito proveito de seu livro. Tendo esta história compacta com seu ponto de vista revigorante e otimista, apreciaram as amorosas misericórdias de Jeová para com eles, em virtude da lealdade dele ao pacto do Reino feito com o Rei Davi, e por causa do Seu próprio nome. Encorajados, puderam empreender a adoração pura de Jeová com renovado zelo. As genealogias fortaleceram sua confiança no sacerdócio que oficiava no templo reconstruído.

      23. Como fizeram Mateus, Lucas e Estêvão bom uso de Primeiro Crônicas?

      23 Primeiro Crônicas foi também de grande proveito para a primitiva congregação cristã. Mateus e Lucas puderam recorrer às suas genealogias para provar claramente que Jesus Cristo era o “filho de Davi” e o Messias com direito legal. (Mat. 1:1-16; Luc. 3:23-38) Ao concluir seu testemunho final, Estêvão falou sobre o pedido de Davi de construir uma casa para Jeová, e de Salomão executar a construção. Daí, mostrou que “o Altíssimo não mora em casas feitas por mãos”, indicando que o templo dos dias de Salomão prefigurava coisas celestiais muito mais gloriosas. — Atos 7:45-50.

      24. O que podemos copiar hoje do brilhante exemplo de Davi?

      24 Que dizer dos verdadeiros cristãos hoje? Primeiro Crônicas deve edificar e estimular nossa fé. Há muitas coisas que podemos copiar do brilhante exemplo de Davi. Por sempre consultar a Jeová, quão diferente foi ele de Saul, que não tinha fé! (1 Crô. 10:13, 14; 14:13, 14; 17:16; 22:17-19) Ao trazer a arca de Jeová para Jerusalém, em seus salmos de louvor, em organizar os levitas para o serviço e em seu pedido para construir uma gloriosa casa para Jeová, Davi mostrou que Jeová e Sua adoração estavam em primeiro lugar em sua mente. (16:23-29) Ele não era queixoso. Não procurava privilégios especiais para si, mas procurava apenas fazer a vontade de Jeová. Assim, quando Jeová designou a construção da casa ao seu filho, instruiu de todo o coração ao filho e deu de seu tempo, sua energia e sua riqueza na preparação da obra que começaria após sua morte. (29:3, 9) Deveras, um esplêndido exemplo de devoção! — Heb. 11:32.

      25. Que apreço pelo nome e pelo Reino de Jeová deve Primeiro Crônicas inspirar em nós?

      25 Depois, há os culminantes capítulos concludentes. A linguagem magnificente com que Davi louvou a Jeová e glorificou seu “belo nome” deve inspirar em nós alegre apreço pela honra que temos hoje de dar a conhecer as glórias de Jeová e seu Reino por Cristo. (1 Crô. 29:10-13) Seja a nossa fé e a nossa alegria sempre como a de Davi, ao passo que expressamos gratidão pelo Reino eterno de Jeová por nos gastarmos no Seu serviço. (17:16-27) Deveras, Primeiro Crônicas faz cintilar mais belamente do que nunca o tema da Bíblia sobre o Reino de Jeová por meio de Sua Semente, deixando-nos na expectativa de mais revelações emocionantes dos propósitos de Jeová.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Commentary de Clarke, Vol. II, página 574.

      b Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, páginas 598-9.

      c Estudo Perspicaz das Escrituras, “Templo”.

  • Livro bíblico número 14 — 2 Crônicas
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 14 — 2 Crônicas

      Escritor: Esdras

      Lugar da Escrita: Jerusalém (?)

      Escrita Completada: c. 460 AEC

      Tempo Abrangido: 1037-537 AEC

      1. Quando foi que Esdras completou Crônicas, e com que objetivo em mira?

      VISTO que Primeiro e Segundo Crônicas evidentemente eram originalmente um só livro, os argumentos apresentados no capítulo anterior, quanto ao fundo histórico, ao escritor, ao tempo da escrita, à canonicidade e à autenticidade, aplicam-se a ambos os livros. Segundo a evidência apresentada, Esdras completou Segundo Crônicas por volta de 460 AEC, provavelmente em Jerusalém. O objetivo de Esdras era preservar matérias históricas que corriam o perigo de ficar perdidas. A ajuda do espírito santo, conjugada com sua capacidade qual historiador de colher e selecionar pormenores, habilitou Esdras a produzir um registro exato e permanente. Preservou para o futuro aquilo que considerou ser fato histórico. O trabalho de Esdras foi muitíssimo oportuno, visto que era então necessário compilar também o conjunto inteiro dos escritos sagrados hebraicos que haviam sido registrados através dos séculos.

      2. Por que não há motivo para se duvidar da exatidão de Crônicas?

      2 Os judeus dos dias de Esdras tiraram grande proveito da crônica inspirada de Esdras. Foi escrita para a instrução deles e para incentivar a perseverança. Mediante o consolo das Escrituras, podiam ter esperança. Eles aceitaram o livro de Crônicas como parte do cânon da Bíblia. Sabiam que era fidedigno. Podiam conferi-lo com outros escritos inspirados e com numerosas histórias seculares citadas por Esdras. Embora permitissem que as histórias seculares não-inspiradas desaparecessem, preservaram cuidadosamente Crônicas. Os tradutores da Septuaginta incluíram Crônicas como parte da Bíblia hebraica.

      3. Como indicam outros textos bíblicos que Crônicas é autêntico?

      3 Jesus Cristo e os escritores das Escrituras Gregas Cristãs aceitaram-no como autêntico e inspirado. Jesus, sem dúvida, tinha em mente incidentes tais como o registrado em 2 Crônicas 24:21, quando denunciou Jerusalém como matadora e apedrejadora dos profetas e dos servos de Jeová. (Mat. 23:35; 5:12; 2 Crô. 36:16) Quando Tiago mencionou Abraão como “amigo de Jeová”, talvez se referisse à expressão de Esdras em 2 Crônicas 20:7. (Tia. 2:23) O livro contém também profecias que se cumpriram infalivelmente. — 2 Crô. 20:17, 24; 21:14-19; 34:23-28; 36:17-20.

      4. Que descoberta arqueológica apóia a autenticidade de Segundo Crônicas?

      4 A arqueologia também testifica a autenticidade de Segundo Crônicas. Escavações no local da antiga Babilônia desenterraram tabuinhas de argila, datadas do período do reinado de Nabucodonosor, uma das quais cita o nome “Yaukin, rei da terra de Yahud,” isto é, “Joaquim, o rei da terra de Judá”.a Isto se harmoniza bem com o registro da Bíblia sobre Joaquim ser levado cativo a Babilônia no sétimo ano do reinado de Nabucodonosor.

      5. Que período é abrangido em Segundo Crônicas, e por que se destaca a história de Judá em vez de a do reino das dez tribos?

      5 O registro de Segundo Crônicas narra eventos em Judá desde o reinado de Salomão, começando em 1037 AEC, até o decreto de Ciro, em 537 AEC, para a reconstrução da casa de Jeová em Jerusalém. Nesta história de 500 anos, o reino das dez tribos é mencionado somente quando fica envolvido nos assuntos de Judá, e a destruição daquele reino setentrional em 740 AEC não é nem mesmo mencionada. Por que se dá isso? Porque o sacerdote Esdras se preocupava primariamente com a adoração de Jeová em seu lugar legítimo, Sua casa em Jerusalém, e com o reino da linhagem de Davi, com quem Jeová havia feito Seu pacto. Assim, é no reino meridional que Esdras concentra sua atenção, em apoio à verdadeira adoração e na expectativa do governante que viria de Judá. — Gên. 49:10.

      6. Em que aspectos é Segundo Crônicas edificante e estimulante?

      6 Esdras adota um ponto de vista edificante. Dentre os 36 capítulos de Segundo Crônicas, os primeiros 9 são devotados ao reinado de Salomão, e 6 destes inteiramente à preparação e dedicação da casa de Jeová. O registro omite a menção do desvio de Salomão. Dos 27 capítulos restantes, 14 tratam dos cinco reis que basicamente seguiram o exemplo de Davi, de devoção exclusiva à adoração de Jeová: Asa, Jeosafá, Jotão, Ezequias e Josias. Mesmo nos demais 13 capítulos, Esdras cuida de destacar os pontos bons dos reis maus. Sempre frisa eventos relacionados com a restauração e a preservação da adoração verdadeira. Quão estimulante isto é!

      CONTEÚDO DE SEGUNDO CRÔNICAS

      7. Como é que Jeová torna Salomão “extraordinariamente grande”?

      7 A glória do reinado de Salomão (2 Crônicas 1:1-9:31). No início de Segundo Crônicas, vemos Salomão, filho de Davi, crescer em força no reinado. Jeová está com ele e continua ‘a fazê-lo extraordinariamente grande’. Quando Salomão oferece sacrifícios em Gibeão, Jeová lhe aparece à noite, dizendo: “Pede! Que te devo dar?” Salomão pede conhecimento e sabedoria para governar o povo de Jeová de modo correto. Por causa deste pedido altruísta, Deus promete dar a Salomão, não só sabedoria e conhecimento, mas também riquezas, bens e honra “tais como nenhum rei anterior a ti veio a ter, e tais como nenhum depois de ti virá a ter”. Tão grande é a riqueza que flui para a cidade que, com o tempo, Salomão faz que “a prata e o ouro em Jerusalém [se tornem] iguais às pedras”. — 1:1, 7, 12, 15.

      8. Como se processa a obra no templo, e quais são alguns dos pormenores de sua construção?

      8 Salomão recruta trabalhadores para a construção da casa de Jeová, e o Rei Hirão de Tiro coopera enviando madeira e um artífice talentoso. ‘No quarto ano do reinado de Salomão’, começa a construção, e esta é completada sete anos e meio mais tarde, em 1027 AEC. (3:2) Na frente do próprio templo há um grande pórtico que se eleva a 120 côvados (53,4 m) de altura. Há, diante do pórtico, duas imensas colunas de cobre, uma chamada Jaquim, que significa “Que [Jeová] Estabeleça Firmemente”, e a outra chamada Boaz, que pelo visto significa “Em Força”. (3:17) A casa em si é relativamente pequena, tendo 60 côvados (26,7 m) de comprimento, 30 côvados (13,4 m) de altura, e 20 côvados (8,9 m) de largura, mas as paredes e o teto são revestidos de ouro; o compartimento mais recôndito, o Santíssimo, é elaboradamente decorado com ouro. Este contém também os dois querubins de ouro, um em cada lado do recinto, cujas asas estendidas se tocam no centro.

      9. Descreva os móveis e os utensílios do pátio e do templo.

      9 No pátio interno, há um enorme altar quadrado de cobre, de 20 côvados (9 m) de cada lado e 10 côvados (4,5 m) de altura. Outro objeto impressionante no pátio é o mar de fundição, imensa bacia de cobre apoiada nas costas de doze touros de cobre posicionados de forma divergente, três em cada direção. Este mar tem capacidade para “três mil batos” (66.000 l) de água, que é usada pelos sacerdotes para se lavarem. (4:5) Há também no pátio dez pequenas bacias de cobre apoiadas sobre carrocins de cobre ornamentados, e nesta água são enxaguadas as coisas relacionadas com as ofertas queimadas. São enchidas com a água do mar de fundição e conduzidas para onde quer que haja necessidade. Além disso, há os dez candelabros de ouro e muitos outros utensílios, alguns de ouro e alguns de cobre, para a adoração no templo.b

      10. O que acontece quando a Arca é levada para dentro do Santíssimo?

      10 Finalmente, depois de sete anos e meio de trabalho, a casa de Jeová é completada. (1 Reis 6:1, 38) O dia de sua inauguração é ocasião para se colocar o símbolo da presença de Jeová dentro do recinto mais recôndito desse magnífico edifício. Os sacerdotes levam “a arca do pacto de Jeová para dentro, ao seu lugar, ao compartimento mais recôndito da casa, ao Santíssimo, debaixo das asas dos querubins”. O que acontece então? À medida que os cantores e músicos levitas louvam e agradecem a Jeová em cântico unido, a casa se enche de uma nuvem, e os sacerdotes não agüentam ficar ali para ministrar, porque “a glória de Jeová” enche a casa do verdadeiro Deus. (2 Crô. 5:7, 13, 14) Assim, Jeová mostra a sua aprovação do templo e indica sua presença ali.

      11. Que oração faz Salomão, e o que pede?

      11 Construiu-se uma tribuna de cobre, de três côvados (1,3 m) de altura para a ocasião, e esta é colocada no pátio interno, perto do enorme altar de cobre. Nessa posição elevada, Salomão pode ser visto pelas vastas multidões que estão reunidas para a dedicação do templo. Após a manifestação milagrosa da presença de Jeová, mediante a nuvem de glória, Salomão se ajoelha diante da multidão e faz uma comovente oração de agradecimento e louvor, que inclui uma série de humildes petições de perdão e bênção. Em conclusão, roga: “Agora, ó meu Deus, por favor, mostrem-se os teus olhos abertos e os teus ouvidos atentos à oração concernente a este lugar. Ó Jeová Deus, não faças recuar a face do teu ungido. Lembra-te deveras das benevolências para com Davi, teu servo.” — 6:40, 42.

      12. Como responde Jeová à oração de Salomão, e com que tom alegre termina a celebração de 15 dias?

      12 Será que Jeová ouve esta oração de Salomão? Assim que Salomão termina de orar, desce fogo dos céus e consome a oferta queimada e os sacrifícios, e “a própria glória de Jeová” enche a casa. Isto impele todo o povo a se prostrar e agradecer a Jeová, “porque ele é bom, pois a sua benevolência é por tempo indefinido.” (7:1, 3) Faz-se, então, enorme sacrifício a Jeová. A festa de dedicação que dura uma semana é seguida pela Festividade do Recolhimento de uma semana de duração e de um sábado de abstinência de trabalho. Após esta celebração feliz e espiritualmente fortalecedora de 15 dias, Salomão dispensa o povo para seus lares, alegres e sentindo-se bem de coração. (7:10) Jeová também está satisfeito. Confirma novamente a Salomão o pacto do Reino, advertindo ao mesmo tempo sobre as conseqüências funestas da desobediência.

      13. (a) Que obras de construção seguem a do templo? (b) Como se expressa a rainha de Sabá ao ver o reino de Salomão?

      13 Salomão executa agora extensivos trabalhos de construção em todo o seu domínio, edificando não só um palácio para si mesmo, mas também cidades fortificadas, cidades-armazéns, cidades para os carros e cidades para os cavaleiros, e tudo quanto deseja construir. É um período de gloriosa prosperidade e paz, porque tanto o rei como o povo estão cientes da adoração de Jeová. Até mesmo a rainha de Sabá, de uma distância de mais de 1.900 quilômetros, ouve falar da prosperidade e da sabedoria de Salomão, e empreende a longa e penosa viagem para ver com seus próprios olhos. Fica ela decepcionada? De modo algum, pois confessa: “Eu não tive fé nas suas palavras até que vim ver com os meus próprios olhos, e eis que não me foi contada nem a metade da abundância da tua sabedoria. Ultrapassaste as notícias que ouvi. Felizes são os teus homens e felizes são estes servos teus.” (9:6, 7) Não há outros reis na terra que superem a Salomão em riquezas e em sabedoria. Ele reina 40 anos em Jerusalém.

      14. Por que é Israel despido tão cedo de sua glória?

      14 Os reinados de Roboão e Abias (10:1-13:22). O governo cruel e opressivo de Roboão, filho de Salomão, provoca a revolta das dez tribos do norte, sob Jeroboão, em 997 AEC. Entretanto, os sacerdotes e levitas de ambos os reinos tomam o partido de Roboão, colocando a lealdade ao pacto do Reino acima do nacionalismo. Roboão logo abandona a lei de Jeová, e o Rei Sisaque, do Egito, invade, tomando de assalto a Jerusalém e saqueando os tesouros da casa de Jeová. Quão triste é que, mal se haviam passado 30 anos desde sua construção, estes belamente decorados edifícios são despidos de sua glória! O motivo: a nação se tem “comportado de modo infiel para com Jeová”. Bem a tempo, Roboão se humilha, de modo que Jeová não traz a completa ruína sobre a nação. — 12:2.

      15. Que batalhas ocorrem após a morte de Roboão, e por que Judá se revela superior contra Israel?

      15 Quando Roboão morre, um de seus 28 filhos, Abias, torna-se rei. O reinado de três anos de Abias é marcado por guerra sangrenta com Israel, no norte. Judá é menos numeroso, havendo dois contra um, 400.000 soldados contra os 800.000 de Jeroboão. Nas tremendas batalhas que se seguem, os guerreiros de Israel são reduzidos a menos da metade, e meio milhão de adoradores de bezerro são destruídos. Os filhos de Judá se revelam superiores porque se estribam “em Jeová, o Deus de seus antepassados”. — 13:18.

      16. Como responde Jeová à oração urgente de Asa?

      16 O Rei Asa, temente a Deus (14:1-16:14). Abias é sucedido por seu filho Asa. Asa é paladino da adoração verdadeira. Faz campanha para purificar o país da adoração de imagens. Mas, eis que Judá é ameaçado por uma força militar sobrepujante de um milhão de etíopes. Asa ora: “Ajuda-nos, ó Jeová, nosso Deus, porque em ti nos estribamos e em teu nome viemos contra esta massa de gente.” Jeová responde dando-lhe uma vitória esmagadora. — 14:11.

      17. Como é Asa encorajado a reformar a adoração em Judá, mas por que motivo é ele repreendido?

      17 O espírito de Deus vem sobre Azarias para dizer a Asa: “Jeová está convosco enquanto mostrardes estar com ele; e se o buscardes, deixar-se-á achar por vós.” (15:2) Grandemente encorajado, Asa reforma a adoração em Judá, e o povo faz um pacto de que todo aquele que não buscar a Jeová deverá ser morto. Todavia, quando Baasa, rei de Israel, levanta barreiras para impedir a afluência de israelitas a Judá, Asa comete um grave erro ao contratar Ben-Hadade, rei da Síria, para lutar contra Israel, em vez de buscar a ajuda de Jeová. Por esse motivo Jeová o repreende. Apesar disso, o coração de Asa se mostra “pleno em todos os seus dias”. (15:17) Morre no 41.º ano de seu reinado.

      18. (a) Como realiza Jeosafá uma campanha em prol da adoração verdadeira, e com que resultados? (b) De que modo sua aliança matrimonial quase o leva ao desastre?

      18 O bom reinado de Jeosafá (17:1-20:37). Jeosafá, filho de Asa, continua a combater a adoração de imagens e inaugura uma campanha educativa especial, os instrutores viajando por todas as cidades de Judá, ensinando o povo no livro da Lei de Jeová. Segue-se um tempo de grande prosperidade e paz, e Jeosafá continua “a progredir e a tornar-se grande num grau superior”. (17:12) Mas, daí, faz aliança matrimonial com o iníquo Rei Acabe, de Israel, e desce para ajudá-lo a lutar contra o crescente poder da Síria, desconsiderando o profeta de Jeová, Micaías, e escapando por um triz da morte quando Acabe é morto na batalha de Ramote-Gileade. Jeú, profeta de Jeová, censura Jeosafá por unir forças com o iníquo Acabe. Depois disso, Jeosafá nomeia juízes em todo o país, instruindo-os a executar seus deveres no temor de Deus.

      19. No clímax do reinado de Jeosafá, como revela ser de Deus a batalha?

      19 Chega então o clímax do reinado de Jeosafá. As forças combinadas de Moabe, Amom, e da região montanhosa de Seir avançam contra Judá com poderio sobrepujante. Avançam em grande número através do ermo de En-Gedi. O temor se apodera da nação. Jeosafá e todo o Judá, com “seus pequeninos, suas esposas e seus filhos”, estão de pé perante Jeová e o buscam em oração. O espírito de Jeová vem sobre Jaaziel, o levita, que clama às multidões reunidas: “Prestai atenção, todo o Judá e vós habitantes de Jerusalém, e Rei Jeosafá! Assim disse Jeová: ‘Não tenhais medo nem fiqueis aterrorizados por causa desta grande massa de gente; pois a batalha não é vossa, mas de Deus. Descei amanhã contra eles. . . . Jeová será convosco.’” Levantando de manhã cedo, Judá marcha, tendo os cantores levitas na liderança. Jeosafá os encoraja: “Tende fé em Jeová . . . Tende fé nos seus profetas e mostrai-vos assim bem sucedidos.” Os cantores louvam alegremente a Jeová, “pois a sua benevolência é por tempo indefinido”. (20:13, 15-17, 20, 21) Jeová manifesta sua benevolência de modo maravilhoso, armando uma emboscada contra os exércitos invasores, de modo que se aniquilam mutuamente. Chegando à torre de vigia do ermo, os exultantes habitantes de Judá só encontram cadáveres. Deveras, a batalha é de Deus! Até o fim do seu reinado de 25 anos, Jeosafá continua a andar fielmente diante de Jeová.

      20. Que calamidades marcam o reinado de Jeorão?

      20 Os reinados maus de Jeorão, Acazias e Atalia (21:1-23:21). Jeorão, filho de Jeosafá, começa mal por matar todos os seus irmãos. Entretanto, Jeová o poupa por causa do Seu pacto com Davi. Edom começa a se revoltar. De algum lugar, Elias envia uma carta, avisando a Jeorão de que Jeová desferirá grande golpe à sua casa e que ele terá uma morte horrível. (21:12-15) Fiel à profecia, os filisteus e os árabes invadem e saqueiam Jerusalém, e o rei morre duma repugnante doença intestinal, após um reinado de oito anos.

      21. Que coisas más resultam do domínio de Atalia em Judá, mas como consegue Jeoiada restaurar o trono de Davi?

      21 O único filho sobrevivente de Jeorão, Acazias (Jeoacaz), o sucede, mas é influenciado para o mal por sua mãe, Atalia, filha de Acabe e Jezabel. Seu reinado é interrompido após um ano pelo expurgo da casa de Acabe, feito por Jeú. Nesta altura, Atalia assassina seus netos e usurpa o trono. Entretanto, um dos filhos de Acazias sobrevive. É Jeoás, de um ano de idade, que é levado às escondidas para a casa de Jeová por sua tia Jeosabeate. Atalia reina por seis anos, e daí o marido de Jeosabeate, o sumo sacerdote Jeoiada, toma corajosamente o jovem Jeoás e faz com que ele seja proclamado rei, como um dos “filhos de Davi”. Chegando à casa de Jeová, Atalia rasga suas vestes e clama: “Conspiração! Conspiração!” Mas em vão. Jeoiada manda que ela seja expulsa do templo e seja morta. — 23:3, 13-15.

      22. Como começa bem o reinado de Jeoás, mas termina mal?

      22 Os reinados de Jeoás, Amazias e Uzias começam bem, mas terminam mal (24:1-26:23). Jeoás reina por 40 anos, e enquanto Jeoiada vive para exercer boa influência, ele faz o que é correto. Até se interessa pela casa de Jeová e manda reformá-la. Quando Jeoiada morre, porém, Jeoás é influenciado pelos príncipes de Judá a desviar-se da adoração de Jeová para servir aos postes sagrados e aos ídolos. Quando o espírito de Deus impele Zacarias, filho de Jeoiada, a repreender o rei, Jeoás manda que o profeta seja apedrejado até morrer. Logo depois, pequena força militar dos sírios invade, e o exército muito maior de Judá é incapaz de fazê-la retroceder, porque ‘abandonaram a Jeová, o Deus de seus antepassados’. (24:24) Então, os próprios servos de Jeoás se insurgem e o assassinam.

      23. Que modelo de infidelidade segue Amazias?

      23 Amazias sucede a seu pai Jeoás. Começa bem seu reinado de 29 anos, mas, mais tarde decai do favor de Jeová por estabelecer e adorar os ídolos dos edomitas. “Deus resolveu arruinar-te”, adverte-lhe o profeta de Jeová. (25:16) Entretanto, Amazias se torna jactancioso e desafia Israel, ao norte. Fiel à palavra de Deus, ele sofre humilhante derrota às mãos dos israelitas. Após tal derrota, conspiradores se insurgem e o matam.

      24. De que modo a força de Uzias se torna sua fraqueza, e com que resultado?

      24 Uzias, filho de Amazias, segue as pisadas do pai. Reina bem na maior parte dos 52 anos, granjeando fama como gênio militar, como construtor de torres, e como “amante da agricultura”. (26:10) Equipa e mecaniza o exército. Contudo, sua força se torna sua fraqueza. Torna-se altivo e atreve-se a assumir o dever sacerdotal de oferecer incenso no templo de Jeová. Por causa disso, Jeová o fere com lepra. Em resultado disso, tem de viver isolado, longe da casa de Jeová e também longe da casa do rei, onde seu filho Jotão julga o povo em seu lugar.

      25. Por que teve êxito Jotão?

      25 Jotão serve a Jeová (27:1-9). Dessemelhante de seu pai, Jotão não ‘invade o templo de Jeová’. Em vez disso, ‘continua fazendo o que é direito aos olhos de Jeová’. (27:2) Durante seu reinado de 16 anos, realiza muitas construções e tem êxito em derrotar uma revolta dos amonitas.

      26. A que profundezas de iniqüidade sem precedentes desce Acaz?

      26 O perverso Rei Acaz (28:1-27). Acaz, filho de Jotão, revela-se um dos mais perversos dos 21 reis de Judá. Vai ao extremo de oferecer seus próprios filhos como sacrifícios queimados a deuses pagãos. Conseqüentemente, Jeová o abandona, por sua vez, aos exércitos da Síria, de Israel, de Edom e da Filístia. Assim, Jeová humilha a Judá, porque Acaz ‘deixa aumentar o desenfreio em Judá, e age-se com grande infidelidade para com Jeová’. (28:19) Indo de mal a pior, Acaz faz sacrifícios aos deuses da Síria porque os sírios se mostram superiores a ele na batalha. Fecha as portas da casa de Jeová e substitui a adoração de Jeová pela adoração de deuses pagãos. Nem um pouco prematuramente, o reinado de Acaz termina após 16 anos.

      27. Como mostra Ezequias zelo pela adoração de Jeová?

      27 O fiel Rei Ezequias (29:1-32:33). Ezequias, filho de Acaz, reina 29 anos em Jerusalém. Seu primeiro ato é reabrir e reparar as portas da casa de Jeová. Daí, reúne os sacerdotes e os levitas e lhes dá instruções no sentido de limparem e santificarem o templo para o serviço de Jeová. Declara que deseja concluir um pacto com Jeová para aplacar a Sua ira ardente. A adoração de Jeová é retomada de modo grandioso.

      28. Que extraordinária festividade realiza Ezequias em Jerusalém, e como expressa o povo sua alegria?

      28 Planeja-se uma extraordinária Páscoa, mas, visto não haver tempo para prepará-la no primeiro mês, aproveita-se a provisão da Lei, de modo que é celebrada no segundo mês do primeiro ano do reinado de Ezequias. (2 Crô. 30:2, 3; Núm. 9:10, 11) O rei convida, não só todo o Judá para comparecer, mas também a Israel, e, embora alguns em Efraim, Manassés e Zebulão zombem do convite, outros se humilham e vão a Jerusalém junto com todo o Judá. Após a Páscoa, realiza-se a Festividade dos Pães Não Fermentados. Que jubilante festividade de sete dias! Foi, deveras, tão edificante, que toda a congregação estende a festividade por mais sete dias. Há “grande alegria em Jerusalém, pois desde os dias de Salomão, filho de Davi, rei de Israel, não houve nada igual a isso em Jerusalém”. (2 Crô. 30:26) O povo espiritualmente restabelecido passa a empreender vigorosa campanha para acabar com a idolatria tanto em Judá como em Israel, ao passo que Ezequias, de sua parte, restabelece as contribuições materiais para os levitas e os serviços do templo.

      29. Como recompensa Jeová a implícita confiança de Ezequias Nele?

      29 Daí, Senaqueribe, rei da Assíria, invade Judá e ameaça Jerusalém. Ezequias toma coragem, repara as defesas da cidade, e desafia os escárnios do inimigo. Confiando inteiramente em Jeová, persiste em orar por ajuda. Jeová responde dramaticamente à sua oração de fé. Passa a “enviar um anjo e a eliminar todo homem poderoso, valente, e todo líder e chefe no acampamento do rei da Assíria”. (32:21) Senaqueribe volta para casa envergonhado. Nem mesmo os seus deuses podem ajudá-lo a salvar a dignidade, pois é morto mais tarde no altar deles, pelos próprios filhos. (2 Reis 19:7) Jeová prolonga milagrosamente a vida de Ezequias, e este chega a ter grandes riquezas e glória, todo o Judá honrando-o na sua morte.

      30. (a) A que iniqüidade retrocede Manassés, mas o que ocorre após o seu arrependimento? (b) O que marca o curto reinado de Amom?

      30 Manassés e Amom reinam iniquamente (33:1-25). Manassés, filho de Ezequias, retrocede para o proceder iníquo de Acaz, seu avô, desfazendo todo o bem realizado durante o reinado de Ezequias. Reconstrói os altos, ergue os postes sagrados, e até sacrifica seus filhos a deuses falsos. Finalmente, Jeová traz o rei da Assíria contra Judá, e Manassés é levado cativo a Babilônia. Ali se arrepende dos seus erros. Quando Jeová mostra misericórdia, restituindo-o à realeza, ele se esforça a exterminar a adoração demoníaca e a restabelecer a religião verdadeira. Todavia, quando Manassés morre após um longo reinado de 55 anos, seu filho Amom ascende ao trono e defende outra vez, iniquamente, a adoração falsa. Depois de dois anos, seus próprios servos o matam.

      31. Quais são os pontos destacados do corajoso reinado de Josias?

      31 O reinado corajoso de Josias (34:1-35:27). O jovem Josias, filho de Amom, faz uma corajosa tentativa de restabelecer a adoração verdadeira. Providencia que os altares dos Baalins e as imagens entalhadas sejam demolidos, e conserta a casa de Jeová, onde “o livro da lei de Jeová, pela mão de Moisés”, sem dúvida o original, é encontrado. (34:14) Não obstante, o justo Josias é informado de que a calamidade sobrevirá ao país por causa da infidelidade já ocorrida, mas não nos seus dias. No 18.º ano do seu reinado, ele programa notável celebração da Páscoa. Após um reinado de 31 anos, Josias morre numa inútil tentativa de impedir que as hostes egípcias passem pelo país a caminho do Eufrates.

      32. De que modo os últimos quatro reis conduzem Judá ao seu desastroso fim?

      32 Jeoacaz, Jeoiaquim, Joaquim, Zedequias e a desolação de Jerusalém (36:1-23). A perversidade dos últimos quatro reis de Judá leva rapidamente a nação ao seu desastroso fim. Jeoacaz, filho de Josias, governa apenas três meses, sendo removido pelo Faraó Neco, do Egito. É substituído por seu irmão Eliaquim, cujo nome é mudado para Jeoiaquim, em cujo reinado Judá é subjugado pela nova potência mundial, Babilônia. (2 Reis 24:1) Quando Jeoiaquim se rebela, Nabucodonosor sobe a Jerusalém para puni-lo em 618 AEC, mas Jeoiaquim morre neste mesmo ano, depois de reinar 11 anos. É substituído por seu filho Joaquim, de 18 anos. Após reinar por pouco mais de três meses, Joaquim se rende a Nabucodonosor e é levado cativo a Babilônia. Nabucodonosor coloca então no trono um terceiro filho de Josias, Zedequias, tio de Joaquim. Zedequias reina pessimamente por 11 anos, recusando ‘humilhar-se por causa de Jeremias, o profeta, às ordens de Jeová’. (2 Crô. 36:12) Havendo infidelidade em grande escala, tanto os sacerdotes como o povo profanam a casa de Jeová.

      33. (a) Como começam os 70 anos de desolação, “para se cumprir a palavra de Jeová”? (b) Que decreto histórico é registrado nos últimos dois versículos de Segundo Crônicas?

      33 Finalmente, Zedequias se rebela contra o jugo de Babilônia, e desta vez Nabucodonosor não mostra misericórdia. A ira de Jeová é completa, e não há cura. Jerusalém cai, seu templo é saqueado e incendiado, e os sobreviventes do sítio de 18 meses são levados cativos para Babilônia. Judá fica desolado. Assim, nesse mesmo ano de 607 AEC, começa a desolação “para se cumprir a palavra de Jeová pela boca de Jeremias . . . para cumprir setenta anos”. (36:21) O cronista passa então por alto esta lacuna de cerca de 70 anos, para registrar, nos últimos dois versículos, o decreto histórico de Ciro, em 537 AEC. Os judeus cativos hão de ser libertados! Jerusalém precisa erguer-se outra vez!

      POR QUE É PROVEITOSO

      34. O que frisa a matéria selecionada por Esdras, e como foi isto proveitoso para a nação?

      34 Segundo Crônicas acrescenta seu poderoso testemunho ao de outras testemunhas relativo a este período momentoso, de 1037-537 AEC. Outrossim, fornece valiosas informações suplementares que não se encontram nas outras histórias canônicas, como por exemplo em 2 Crônicas, capítulos 19, 20 e ; 2 Crô. 29 a 31. A matéria selecionada por Esdras frisou os elementos fundamentais e permanentes da história daquela nação, tais como o sacerdócio e seu serviço, o templo e o pacto do Reino. Isto foi proveitoso para manter a nação coesa na esperança do Messias e do seu Reino.

      35. Que pontos importantes são provados nos versículos finais de Segundo Crônicas?

      35 Os versículos finais de Segundo Crônicas (36:17-23) fornecem prova conclusiva do cumprimento de Jeremias 25:12 e, em adição, mostram que é preciso contar 70 anos completos a partir da desolação total do país até a restauração da adoração de Jeová em Jerusalém, em 537 AEC. Portanto, esta desolação começa em 607 AEC.c — Jer. 29:10; 2 Reis 25:1-26; Esd 3:1-6.

      36. (a) Que poderosas admoestações se acham contidas em Segundo Crônicas? (b) Como fortalece ele a expectativa quanto ao Reino?

      36 Segundo Crônicas contém admoestações poderosas para os que andam na fé cristã. Tantos dos reis de Judá começaram bem, mas depois mergulharam num mau caminho. Quão vigorosamente este registro histórico ilustra que o êxito depende da fidelidade a Deus! Portanto, devemos dar-nos por avisados para não sermos “dos que retrocedem para a destruição, mas dos que têm fé para preservar viva a alma”. (Heb. 10:39) Até mesmo o fiel Rei Ezequias tornou-se altivo ao se restabelecer de sua enfermidade, e foi só porque se humilhou logo que pôde evitar a indignação de Jeová. Segundo Crônicas magnifica as maravilhosas qualidades de Jeová e exalta Seu nome e Sua soberania. A história toda é apresentada do ponto de vista da devoção exclusiva a Jeová. Ao dar ênfase também à linhagem real de Judá, fortalece nossa expectativa de ver a adoração pura ser exaltada sob o Reino eterno de Jesus Cristo, o leal “filho de Davi”. — Mat. 1:1; Atos 15:16, 17.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, página 196.

      b Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, páginas 654-5; veja também “Templo”.

      c Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, páginas 617, 621; Vol. 2, página 438.

  • Livro bíblico número 15 — Esdras
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 15 — Esdras

      Escritor: Esdras

      Lugar da Escrita: Jerusalém

      Escrita Completada: c. 460 AEC

      Tempo Abrangido: 537-c. 467 AEC

      1. Que profecias asseguravam que Jerusalém seria restaurada?

      APROXIMAVA-SE o fim dos profetizados 70 anos da desolação de Jerusalém sob Babilônia. É verdade que Babilônia tinha a reputação de nunca soltar seus cativos, mas a palavra de Jeová se provaria mais forte do que o poderio de Babilônia. Estava à vista a libertação do povo de Jeová. O templo de Jeová, que havia sido arrasado, seria reconstruído, e o altar de Jeová receberia de novo os sacrifícios de expiação. Jerusalém conheceria outra vez o brado e o louvor do verdadeiro adorador de Jeová. Jeremias havia profetizado a duração da desolação, e Isaías havia profetizado como se daria a libertação dos cativos. Isaías até chamara a Ciro, da Pérsia, de ‘o pastor de Jeová’ que derrubaria a altiva Babilônia de sua posição como terceira potência mundial da história bíblica. — Isa. 44:28; 45:1, 2; Jer. 25:12.

      2. Quando e sob que circunstâncias caiu Babilônia?

      2 A calamidade sobreveio a Babilônia na noite de 5 de outubro de 539 AEC (calendário gregoriano), enquanto o babilônio Rei Belsazar e seus grandes brindavam a seus deuses demoníacos. Para aumentar sua devassidão pagã, usavam os vasos sagrados do templo de Jeová quais cálices da sua bebedeira! Quão apropriado foi estar Ciro ali fora das muralhas de Babilônia naquela noite para cumprir a profecia!

      3. Que proclamação de Ciro tornou possível a restauração da adoração de Jeová exatamente 70 anos após o início da desolação de Jerusalém?

      3 Esta data de 539 AEC é uma data fundamental, isto é, uma data que se harmoniza tanto com a história secular como com a bíblica. Em seu primeiro ano como governante de Babilônia, Ciro “fez passar uma proclamação através de todo o seu domínio real”, autorizando os judeus a subir a Jerusalém para reconstruir a casa de Jeová. Este decreto foi evidentemente emitido em fins de 538 AEC, ou no início de 537 AEC.a Um fiel restante viajou de volta a Jerusalém em tempo para estabelecer o altar e oferecer os primeiros sacrifícios no “sétimo mês” (tisri, que corresponde a setembro-outubro) do ano de 537 AEC — mês que completava 70 anos desde a desolação de Judá e Jerusalém por Nabucodonosor. — Esd 1:1-3; 3:1-6.

      4. (a) Qual é o cenário de fundo do livro de Esdras, e quem o escreveu? (b) Quando foi escrito Esdras, e que período abrange?

      4 Restauração! Isto fornece o cenário de fundo do livro de Esdras. O emprego da primeira pessoa na narrativa, do capítulo 7, versículo 27, até o fim do capítulo 9, mostra claramente que o escritor foi Esdras. Como “copista destro da lei de Moisés” e homem de fé prática que “tinha preparado seu coração para consultar a lei de Jeová e para praticá-la, e para ensinar”, Esdras estava bem qualificado para registrar esta história, assim como havia registrado Crônicas. (Esd 7:6, 10) Visto que o livro de Esdras é uma continuação de Crônicas, acredita-se em geral que foi escrito na mesma época, por volta de 460 AEC. Abrange 70 anos, desde o tempo em que os judeus se tornaram uma nação rompida e dispersa, marcada como “os filhos da morte”, até se completar o segundo templo e a purificação do sacerdócio após o retorno de Esdras a Jerusalém. — Esd 1:1; 7:7; 10:17; Sal. 102:20, nota.

      5. Que relação tem o livro de Esdras com o livro de Neemias, e em que idiomas foi escrito?

      5 O nome hebraico Esdras significa “Ajuda; Auxílio”. Os livros de Esdras e Neemias eram originalmente um só rolo. (Nee. 3:32, nota) Mais tarde, os judeus dividiram este rolo e o chamaram de Primeiro e Segundo Esdras. As modernas Bíblias hebraicas chamam os dois livros de Esdras e Neemias, assim como outras Bíblias modernas. Parte do livro de Esdras (4:8 a 6:18 e Esd. 7:12-26) foi escrita em aramaico e o restante em hebraico, sendo Esdras versado em ambos os idiomas.

      6. O que comprova a exatidão do livro de Esdras?

      6 Hoje, a maioria dos estudiosos aceita a exatidão do livro de Esdras. Quanto à canonicidade de Esdras, W. F. Albright escreve em seu tratado The Bible After Twenty Years of Archaeology (A Bíblia Depois de Vinte Anos de Arqueologia): “Os dados arqueológicos têm assim demonstrado a originalidade substancial dos Livros de Jeremias e de Ezequiel, de Esdras e de Neemias além de contestação; têm confirmado o quadro tradicional dos eventos, bem como a ordem deles.”

      7. O que mostra que o livro de Esdras faz realmente parte do registro divino?

      7 Embora o livro de Esdras não seja citado ou mencionado diretamente pelos escritores das Escrituras Gregas Cristãs, não há dúvida quanto ao seu lugar no cânon da Bíblia. Leva o registro dos tratos de Jeová com os judeus até o tempo de se compilar o catálogo hebraico, obra esta realizada principalmente por Esdras, segundo a tradição judaica. Outrossim, o livro de Esdras vindica todas as profecias relativas à restauração, provando assim ser parte integrante do registro divino, com o qual se harmoniza também inteiramente. Além disso, honra a adoração pura e santifica o grande nome de Jeová Deus.

      CONTEÚDO DE ESDRAS

      8. Descreva a sucessão de eventos que conduziram ao fim dos 70 anos de desolação.

      8 Um restante retorna (1:1-3:6). Sendo o espírito de Ciro, rei da Pérsia, incitado por Jeová, ele emite o decreto para que os judeus retornem e construam a casa de Jeová em Jerusalém. Insta com os judeus que ficarem em Babilônia para que contribuam liberalmente para o projeto, e toma providências para que os judeus que retornam levem de volta os utensílios do templo original. Um líder da tribo real de Judá, e descendente do Rei Davi, Zorobabel (Sesbazar), é nomeado governador para conduzir os libertados, e Jesua (Josué) é o sumo sacerdote. (Esd 1:8; 5:2; Zac. 3:1) Um restante, que totalizou 42.360 servos fiéis de Jeová, incluindo homens, mulheres e crianças, fazem a longa viagem. No sétimo mês, segundo o calendário judaico, estão estabelecidos em suas cidades, e se reúnem em Jerusalém para oferecer sacrifícios no local do altar do templo, e para celebrar a Festividade das Barracas, no outono de 537 AEC. Assim findam com precisão os 70 anos de desolação!b

      9. Como começa a obra do templo, mas o que acontece nos anos seguintes?

      9 A reconstrução do templo (3:7-6:22). Reúnem-se os materiais, e, no segundo ano de seu retorno, lança-se o alicerce do templo de Jeová entre brados de alegria e o choro dos homens idosos que tinham visto a casa anterior. Os povos vizinhos, adversários, oferecem-se para ajudar na construção, dizendo que estão buscando o mesmo Deus, mas o restante judeu recusa terminantemente qualquer aliança com eles. Os adversários procuram continuamente enfraquecer e desanimar os judeus e frustrar a sua obra, desde o reinado de Ciro até o de Dario. Finalmente, nos dias de “Artaxerxes” (Bardiia ou possivelmente um mago conhecido como Gaumata, 522 AEC), conseguem forçar a paralisação da obra por ordem real. Esta proscrição continua “até o segundo ano do reinado de Dario, rei da Pérsia” (520 AEC), mais de 15 anos depois de se ter lançado o alicerce. — 4:4-7, 24.

      10. (a) De que modo o incentivo da parte dos profetas de Deus se conjuga com a ordem do rei para se completar a obra? (b) Que alegria marca a dedicação deste segundo templo?

      10 Jeová envia então seus profetas Ageu e Zacarias para incitar Zorobabel e Jesua, e a construção é empreendida com renovado zelo. Os adversários se queixam outra vez ao rei, mas a obra continua com o mesmo vigor. Dario I (Histaspes), depois de mencionar o decreto original de Ciro, ordena a continuação da obra sem interferência, e até manda que os opositores forneçam materiais para facilitar a construção. Com encorajamento contínuo da parte dos profetas de Jeová, os construtores completam o templo em menos de cinco anos. Isto se dá no mês de adar do sexto ano de Dario, ou perto da primavera de 515 AEC, e a inteira construção levou praticamente 20 anos. (6:14, 15) A casa de Deus é então inaugurada com grande alegria e com sacrifícios apropriados. Daí, o povo celebra a Páscoa e passa a realizar “com alegria a festividade dos pães não fermentados por sete dias”. (6:22) Sim, alegria e regozijo marcam a dedicação deste segundo templo para o louvor de Jeová.

      11. Como concede o rei a Esdras “tudo o que solicitou”, e qual é a reação de Esdras?

      11 Esdras retorna a Jerusalém (7:1-8:36). Passam-se quase 50 anos, o que nos leva a 468 AEC, o sétimo ano de Artaxerxes, rei da Pérsia, (conhecido por Longímano por ter a mão direita mais comprida do que a esquerda). O rei concede ao destro copista Esdras “tudo o que solicitou” com respeito a uma viagem para Jerusalém, a fim de prestar ali mui necessitada ajuda. (7:6) Ao autorizá-lo, o rei incentiva os judeus a acompanhá-lo, concedendo a Esdras vasos de prata e de ouro para uso no templo, bem como provisões de trigo, vinho, óleo e sal. Isenta os sacerdotes e os trabalhadores do templo de pagar impostos. O rei incumbe Esdras de ensinar o povo, e declara ser ofensa capital qualquer pessoa deixar de cumprir a lei de Jeová e a lei do rei. Agradecendo a Jeová esta expressão de sua benevolência por intermédio do rei, Esdras age imediatamente em cumprimento de sua incumbência.

      12. Como prova Jeová estar com o grupo de Esdras durante a viagem?

      12 Neste ponto, Esdras inicia sua narrativa como testemunha ocular, escrevendo na primeira pessoa. Reúne junto ao rio Aava os judeus que estão retornando, a fim de dar-lhes instruções finais, e acrescenta alguns levitas ao grupo de cerca de 1.500 varões adultos já reunidos. Esdras reconhece os perigos da rota a ser tomada, mas não pede ao rei uma escolta, receando que isso seja interpretado como falta de fé em Jeová. Em vez disso, proclama um jejum e lidera o acampamento em fazer solicitação a Deus. Esta oração é respondida e a mão de Jeová prova estar sobre eles durante toda a longa viagem. Assim, conseguem levar seus tesouros (que equivaleriam hoje a mais de 43 milhões de dólares) em segurança para a casa de Jeová em Jerusalém. — 8:26, 27, e notas.

      13. Que ação toma Esdras para remover a impureza do meio dos judeus?

      13 Purificação do sacerdócio (9:1-10:44). Mas nem tudo correu bem durante os 69 anos em que residiam no país restaurado. Esdras fica sabendo de condições perturbadoras, pois o povo, os sacerdotes e os levitas formaram alianças matrimoniais com os cananeus pagãos. O fiel Esdras fica chocado. Apresenta o assunto a Jeová em oração. O povo confessa seu erro e pede que Esdras ‘seja forte e aja’. (10:4) Ele providencia que os judeus despeçam as esposas estrangeiras que tomaram em desobediência à lei de Deus, e a impureza é eliminada em questão de uns três meses. — 10:10-12, 16, 17.

      POR QUE É PROVEITOSO

      14. O que mostra o livro de Esdras quanto às profecias de Jeová?

      14 O livro de Esdras é proveitoso, em primeiro lugar, por mostrar a infalível exatidão com que as profecias de Jeová são cumpridas. Jeremias, que predissera com tanta exatidão a desolação de Jerusalém, predisse também sua restauração após 70 anos. (Jer. 29:10) Bem na hora, Jeová mostrou sua benevolência ao trazer o seu povo, um fiel restante, de volta à Terra da Promessa, a fim de praticar a adoração verdadeira.

      15. (a) Como serviu o templo restaurado ao propósito de Jeová? (b) Em que sentidos lhe faltou a glória do primeiro templo?

      15 O templo restaurado exaltou novamente a adoração de Jeová entre o seu povo, e permaneceu qual testemunho de que ele abençoa maravilhosa e misericordiosamente os que se voltam para ele com o desejo de praticar a adoração verdadeira. Embora lhe faltasse a glória do templo de Salomão, cumpriu sua finalidade, em harmonia com a vontade divina. Não constava mais ali o esplendor material. Era também inferior em tesouros espirituais, faltando-lhe, entre outras coisas, a arca do pacto.c Tampouco foi a inauguração do templo de Zorobabel comparável à inauguração do templo dos dias de Salomão. Os sacrifícios de touros e ovelhas não representaram nem um por cento dos sacrifícios oferecidos no templo de Salomão. Nenhuma glória semelhante a nuvens encheu a casa posterior, como se deu na anterior, tampouco desceu fogo da parte de Jeová para consumir as ofertas queimadas. Ambos os templos, porém, serviram ao importante propósito de exaltar a adoração de Jeová, o verdadeiro Deus.

      16. Mas que outro templo supera em glória os templos terrestres?

      16 O templo construído por Zorobabel, o tabernáculo construído por Moisés, e os templos construídos por Salomão e por Herodes, junto com suas particularidades, eram prefigurativos ou representativos. Representavam a “verdadeira tenda, que Jeová erigiu, e não algum homem”. (Heb. 8:2) Este templo espiritual é o arranjo para se chegar a Jeová em adoração à base do sacrifício propiciatório de Cristo. (Heb. 9:2-10, 23) O grande templo espiritual é superlativo em glória e incomparável em beleza e agradabilidade; seu esplendor é imarcescível e superior ao de qualquer estrutura material.

      17. Que lições valiosas se acham no livro de Esdras?

      17 O livro de Esdras contém lições que são do mais alto valor para os cristãos hoje. Lemos nele sobre o povo de Jeová fazer ofertas voluntárias para a Sua obra. (Esd 2:68; 2 Cor. 9:7) Somos encorajados por aprendermos sobre a provisão infalível e a bênção de Jeová sobre as assembléias para o Seu louvor. (Esd. 6:16, 22) Vemos o excelente exemplo dos netineus e de outros crentes estrangeiros, ao acompanharem o restante para apoiar de todo o coração a adoração de Jeová. (2:43, 55) Considere também o humilde arrependimento do povo quando aconselhado sobre seu proceder errado de formar alianças matrimoniais com vizinhos pagãos. (10:2-4) Más associações acarretaram a desaprovação divina. (9:14, 15) O zelo alegre pela sua obra resultou em sua aprovação e bênção. — 6:14, 21, 22.

      18. Por que foi um passo importante a restauração do povo de Jeová, conduzindo ao aparecimento do Messias, o Rei?

      18 Embora não mais houvesse um rei sentado no trono de Jeová em Jerusalém, a restauração suscitou a expectativa de que Jeová, no devido tempo, produziria seu prometido Rei da linhagem de Davi. A nação restaurada estava agora em condições de guardar as pronunciações sagradas e a adoração de Deus até o tempo do aparecimento do Messias. Se este restante não tivesse agido com fé, no que tange a retornar à sua terra, a quem viria o Messias? Deveras, os eventos do livro de Esdras são parte importante da história que conduz ao aparecimento do Messias e Rei! É de máximo proveito para o nosso estudo hoje.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, páginas 607-8, 613.

      b Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 2, página 444.

      c Estudo Perspicaz das Escrituras, “Templo”.

  • Livro bíblico número 16 — Neemias
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 16 — Neemias

      Escritor: Neemias

      Lugar da Escrita: Jerusalém

      Escrita Completada: Depois de 443 AEC

      Tempo Abrangido: 456-depois de 443 AEC

      1. Que posição de confiança tinha Neemias, e o que ocupava o primeiro lugar em sua mente?

      NEEMIAS, cujo nome significa “Jah Consola”, era servo judeu do rei persa Artaxerxes (Longímano). Era copeiro do rei. Esta era uma posição de grande confiança e honra, e desejável, pois dava acesso ao rei em ocasiões em que este estava de espírito alegre e disposto a conceder favores. Entretanto, Neemias era um daqueles fiéis exilados que preferiu Jerusalém acima de qualquer “causa de alegria” pessoal. (Sal. 137:5, 6) Não era posição ou riqueza material que ocupava o primeiro lugar nos pensamentos de Neemias, mas, antes, a restauração da adoração de Jeová.

      2. Que triste situação deixava Neemias pesaroso, mas que tempo determinado se aproximava?

      2 Em 456 AEC, os “que remanesceram do cativeiro”, o restante judeu que retornara a Jerusalém, não estavam prosperando. Estavam numa situação lamentável. (Nee. 1:3) A muralha da cidade era um entulho, e o povo era um vitupério aos olhos de seus adversários sempre presentes. Neemias estava pesaroso. Contudo, era o tempo determinado de Jeová para que se fizesse algo a respeito das muralhas de Jerusalém. Com ou sem inimigos, Jerusalém com sua muralha protetora precisa ser construída como marco no tempo, em conexão com uma profecia que Jeová dera a Daniel sobre a vinda do Messias. (Dan. 9:24-27) Por conseguinte, Jeová guiou os eventos, usando o fiel e zeloso Neemias para executar a vontade divina.

      3. (a) O que prova que Neemias é o escritor, e como veio o livro a ser chamado de Neemias? (b) Que intervalo separa este livro do livro de Esdras, e que anos abrange o livro de Neemias?

      3 Neemias é, sem dúvida, o escritor do livro que leva seu nome. A declaração inicial: “As palavras de Neemias, filho de Hacalias”, e o uso da primeira pessoa no texto provam claramente isto. (Nee. 1:1) Originalmente os livros de Esdras e Neemias eram um só livro, chamado Esdras. Mais tarde, os judeus dividiram o livro em Primeiro e Segundo Esdras, e ainda mais tarde, Segundo Esdras veio a ser conhecido como Neemias. Há um intervalo de cerca de 12 anos entre os eventos finais de Esdras e os eventos iniciais de Neemias, cuja história abrange então o período do fim de 456 AEC até depois de 443 AEC. — Neemias 1:1; 5:14; 13:6.

      4. Como se harmoniza o livro de Neemias com o restante das Escrituras?

      4 O livro de Neemias se harmoniza com o restante da Escritura inspirada, da qual faz legitimamente parte. Contém numerosas alusões à Lei, fazendo menção de assuntos tais como alianças matrimoniais com estrangeiros (Deut. 7:3; Nee. 10:30), empréstimos (Lev. 25:35-38; Deut. 15:7-11; Nee. 5:2-11) e a Festividade das Barracas (Deut. 31:10-13; Nee. 8:14-18). Ademais, o livro marca o início do cumprimento da profecia de Daniel de que Jerusalém seria reconstruída, mas não sem oposição, “no aperto dos tempos”. — Dan. 9:25.

      5. (a) Evidências de que fontes apontam precisamente para 475 AEC como o ano da ascensão de Artaxerxes? (b) Que data marca seu 20.º ano? (c) Como se harmonizam os livros de Neemias e Lucas com o cumprimento da profecia de Daniel sobre o Messias?

      5 Que dizer da data de 455 AEC para a viagem de Neemias a Jerusalém, a fim de reconstruir a muralha da cidade? Evidências históricas fidedignas de fontes gregas, persas e babilônicas apontam para 475 AEC como o ano da ascensão de Artaxerxes e para 474 AEC como seu primeiro ano de reinado.a Isto faz com que seu 20.º ano seja 455 AEC. Neemias 2:1-8 indica que foi na primavera setentrional daquele ano, no mês judaico de nisã, que Neemias, o copeiro real, recebeu do rei permissão para restaurar e reconstruir Jerusalém, sua muralha e seus portões. A profecia de Daniel declarava que se passariam 69 semanas de anos, ou 483 anos, “desde a saída da palavra para se restaurar e reconstruir Jerusalém até o Messias, o Líder” — uma profecia que se cumpriu de modo notável ao ser Jesus ungido em 29 EC, uma data que se harmoniza tanto com a história secular como com a bíblica.b (Dan. 9:24-27; Luc. 3:1-3, 23) Deveras, os livros de Neemias e Lucas se harmonizam notavelmente com a profecia de Daniel em indicar a Jeová Deus como o Autor e Cumpridor de profecias verdadeiras! Neemias faz realmente parte das Escrituras inspiradas.

      CONTEÚDO DE NEEMIAS

      6. (a) Que relato induz Neemias a orar a Jeová, e que pedido concede o rei? (b) Como reagem os judeus ao plano de Neemias?

      6 Neemias é enviado a Jerusalém (1:1-2:20). Neemias fica grandemente perturbado com o relato de Hanani, que retornou a Susã, vindo de Jerusalém, trazendo notícias sobre os grandes apuros dos judeus ali, e sobre o estado derrocado da muralha e dos portões. Ele jejua e ora a Jeová como o “Deus dos céus, o Deus grande e atemorizante, guardando o pacto e a benevolência para com os que o amam e que guardam os seus mandamentos”. (1:5) Confessa os pecados de Israel e pede que Jeová se lembre do Seu povo por causa do Seu nome, assim como prometera a Moisés. (Deut. 30:1-10) Quando o rei pergunta a Neemias sobre o motivo de seu semblante triste, Neemias lhe conta sobre a condição de Jerusalém e pede permissão para voltar e reconstruir a cidade e sua muralha. Seu pedido é concedido, e ele viaja imediatamente a Jerusalém. Após uma inspeção noturna da muralha da cidade, para se familiarizar com o trabalho à frente, revela seu plano aos judeus, frisando a mão de Deus no assunto. Diante disso, dizem: “Levantemo-nos, e temos de construir.” (Nee. 2:18) Quando os vizinhos samaritanos e outros ficam sabendo que o trabalho foi iniciado, começam a zombar e escarnecer.

      7. Como prossegue a obra, e que situação exige reorganização?

      7 A muralha reconstruída (3:1-6:19). O trabalho na muralha começa no terceiro dia do quinto mês, participando unidamente na labuta os sacerdotes, os príncipes e o povo. Os portões da cidade e as muralhas entre estes são consertados rapidamente. Sambalá, o horonita, escarnece: “Que fazem estes judeus decrépitos? . . . Acabarão num dia?” A isto, Tobias, o amonita, acrescenta seu escárnio: “Mesmo aquilo que estão construindo, se uma raposa subisse contra aquilo, certamente derrocaria a sua muralha de pedras.” (4:2, 3) Quando a muralha atinge a metade de sua altura, os adversários associados ficam furiosos e conspiram vir lutar contra Jerusalém. Mas Neemias exorta os judeus a lembrar-se de “Jeová, o Grande e o Atemorizante”, e a lutar por suas famílias e por seus lares. (4:14) O trabalho é reorganizado de modo a enfrentar a situação tensa; alguns ficam de guarda com lanças, ao passo que outros trabalham com a espada sobre o quadril.4:18

      8. Como resolve Neemias os problemas entre os próprios judeus?

      8 Todavia, há também problemas entre os próprios judeus. Alguns deles cobram usura dos co-adoradores de Jeová, contrário à Sua lei. (Êxo. 22:25) Neemias corrige a situação, aconselhando contra o materialismo, e o povo aquiesce voluntariamente. O próprio Neemias, durante todos os seus 12 anos de governo, de 455 AEC a 443 AEC, nunca reclama o pão devido a ele como governador, por causa do trabalho pesado a que o povo está sujeito.

      9. (a) Como enfrenta Neemias táticas sutis para interromper a construção? (b) Quanto tempo leva para terminar a muralha?

      9 Os inimigos tentam então táticas mais sutis para interromper a construção. Convidam Neemias a descer para uma conferência, mas este replica que não pode largar o grande trabalho que está realizando. Sambalá acusa Neemias de rebelião e de planejar fazer-se rei de Judá, e contrata secretamente um judeu para amedrontar a Neemias, para que este se escondesse indevidamente no templo. Neemias não se deixa intimidar, e calma e obedientemente prossegue com sua incumbência dada por Deus. A muralha é terminada “em cinqüenta e dois dias”. — Nee. 6:15.

      10. (a) Onde reside o povo, e que registro é feito? (b) Que assembléia é então convocada, e qual é o programa do primeiro dia?

      10 Instruindo o povo (7:1-12:26). Há bem poucas pessoas e casas na cidade, porque a maioria dos israelitas reside fora, segundo suas heranças tribais. Deus orienta Neemias a reunir os nobres e todo o povo, a fim de registrá-los genealogicamente. Ao fazer isso, consulta o registro dos que voltaram de Babilônia. Convoca-se, a seguir, uma assembléia de oito dias na praça pública, junto ao Portão das Águas. Esdras inicia o programa, de pé num estrado de madeira. Bendiz a Jeová e daí lê o livro da Lei de Moisés, desde o amanhecer até o meio-dia. É habilmente assistido por outros levitas, que explicam a Lei ao povo e continuam ‘a ler alto no livro, na Lei do verdadeiro Deus, fornecendo-se esclarecimento e dando-se o sentido dela; e continuam a tornar a leitura compreensível’. (8:8) Neemias exorta o povo a festejar e a se regozijar, e a apreciar a força das palavras: “O regozijo de Jeová é o vosso baluarte.” — 8:10.

      11. Que reunião especial é realizada no segundo dia, e como passa a assembléia a se regozijar?

      11 No segundo dia da assembléia, os cabeças do povo realizam uma reunião especial com Esdras, para se inteirarem da Lei. Ficam sabendo da Festividade das Barracas que deve ser celebrada nesse sétimo mês, e tomam imediatamente providências para armar barracas para essa festa para Jeová. Há “muitíssima alegria” enquanto residem por sete dias em barracas, ouvindo dia após dia a leitura da Lei. No oitavo dia, realizam uma assembléia solene, “segundo a regra”. — Nee. 8:17, 18; Lev. 23:33-36.

      12. (a) Que assembléia é realizada mais tarde no mesmo mês, com que tema? (b) Que resolução é adotada? (c) Que arranjo é feito para povoar Jerusalém?

      12 No 24.º dia do mesmo mês, os filhos de Israel se reúnem outra vez e passam a se separar de todos os estrangeiros. Ouvem a leitura especial da Lei e então a recapitulação escrutinadora dos tratos de Deus com Israel, apresentada por um grupo de levitas. Esta tem como tema: “Levantai-vos, bendizei a Jeová, vosso Deus, de tempo indefinido a tempo indefinido. E bendigam o teu glorioso nome, que é enaltecido acima de toda bênção e louvor.” (Nee. 9:5) Passam então a confessar os pecados de seus antepassados e pedem humildemente a bênção de Jeová. Isto se dá na forma duma resolução atestada pelo selo dos representantes daquela nação. O inteiro grupo concorda em abster-se de formar alianças matrimoniais com os povos do país, em guardar os sábados, e em manter o serviço do templo e os trabalhadores. Uma pessoa de cada dez é selecionada por sorte para residir permanentemente em Jerusalém, dentro das muralhas.

      13. Que programa de assembléia marca a dedicação da muralha, e que arranjos resultam disso?

      13 A dedicação da muralha (12:27-13:3). A dedicação da recém-construída muralha é um tempo de canto e felicidade. É ocasião de outra assembléia. Neemias providencia dois grandes coros de agradecimento e procissões para andarem sobre a muralha em direções opostas, encontrando-se finalmente para oferecer sacrifícios na casa de Jeová. Fazem-se arranjos para contribuições materiais para o sustento dos sacerdotes e dos levitas no templo. Uma leitura adicional da Bíblia revela que os amonitas e os moabitas não devem ter permissão de entrar na congregação, e, assim, começam a separar toda a mistura de gente de Israel.

      14. Descreva os atos condenáveis que surgem durante a ausência de Neemias, e os passos que ele dá para eliminá-los.

      14 Purificação da impureza (13:4-31). Depois de passar algum tempo em Babilônia, Neemias retorna a Jerusalém e descobre que se infiltraram entre os judeus novos atos condenáveis. Quão rapidamente as coisas mudaram! O sumo sacerdote Eliasibe chega a fazer um refeitório no pátio do templo para o uso de Tobias, um amonita, um dos inimigos de Deus. Neemias não perde tempo. Lança fora a mobília de Tobias e manda purificar todos os refeitórios. Descobre também que as contribuições materiais para os levitas foram descontinuadas, de modo que eles estão saindo de Jerusalém para ganhar a vida. Grassa o comercialismo na cidade. O sábado não é guardado. Neemias lhes diz: “Acrescentais à ira ardente contra Israel, profanando o sábado.” (13:18) Ele fecha os portões da cidade no sábado para manter fora os negociantes, e ordena-lhes que fiquem longe da muralha da cidade. Mas há um mal pior do que este, algo que haviam concordado solenemente em não fazer de novo. Trouxeram esposas estrangeiras, pagãs, para dentro da cidade. Já a prole de tais uniões não mais fala o idioma judaico. Neemias lhes faz lembrar que Salomão pecou por causa de esposas estrangeiras. Devido a este pecado, Neemias manda embora o neto de Eliasibe, o sumo sacerdote.c Daí, organiza o sacerdócio e o trabalho dos levitas.

      15. Que humilde pedido faz Neemias?

      15 Neemias termina seu livro com o simples e humilde pedido: “Lembra-te deveras de mim, ó meu Deus, para o bem.” — 13:31.

      POR QUE É PROVEITOSO

      16. Em que sentidos é Neemias um esplêndido exemplo para todos os que amam a adoração correta?

      16 A devoção piedosa de Neemias deve servir de inspiração para todos os que amam a adoração correta. Ele abandonou uma posição favorecida para se tornar humilde superintendente entre o povo de Jeová. Recusou até mesmo a contribuição material a que tinha direito, e condenou terminantemente o materialismo como um laço. Seguir e guardar zelosamente a adoração de Jeová foi o que Neemias advogou para a inteira nação. (5:14, 15; 13:10-13) Neemias foi um esplêndido exemplo para nós por ser inteiramente altruísta e discreto, um homem de ação, destemido em favor da justiça em face do perigo. (4:14, 19, 20; 6:3, 15) Tinha o correto temor de Deus e estava interessado em edificar seus conservos na fé. (13:14; 8:9) Aplicou vigorosamente a lei de Jeová, especialmente no que tange à adoração verdadeira e à rejeição de influências estrangeiras, tais como os casamentos com pagãos. — 13:8, 23-29.

      17. Como é Neemias exemplo também no que se refere a conhecimento e aplicação da lei de Deus?

      17 Em todo o livro se evidencia que Neemias tinha um bom conhecimento da lei de Jeová, e que fez bom uso disso. Invocou a bênção de Deus por causa da promessa de Jeová em Deuteronômio 30:1-4, tendo plena fé de que Jeová agiria lealmente para com ele. (Nee. 1:8, 9) Programou diversas assembléias, principalmente para familiarizar os judeus com as coisas escritas anteriormente. Ao ler a Lei, Neemias e Esdras foram diligentes em tornar a Palavra de Deus compreensível para o povo, e em dar seqüência a isso por colocá-la em prática. — 8:8, 13-16; 13:1-3.

      18. Que lições deve a devota liderança de Neemias inculcar em todos os superintendentes?

      18 A completa confiança de Neemias em Jeová, e seus humildes pedidos devem incentivar-nos a desenvolver uma atitude similar de devota dependência de Deus. Note como suas orações glorificavam a Deus, indicavam o reconhecimento dos pecados do seu povo, e solicitavam que o nome de Jeová fosse santificado. (1:4-11; 4:14; 6:14; 13:14, 29, 31) Que este zeloso superintendente era fonte de força para o povo de Deus se demonstra na prontidão com que seguiram a sua direção sábia, e na alegria que derivaram de fazer a vontade de Deus junto com ele. Deveras um exemplo inspirador! Entretanto, na ausência dum superintendente sábio, quão rapidamente se infiltraram o materialismo, a corrupção, e a crassa apostasia! Isto certamente deve inculcar em todos os superintendentes do povo de Deus hoje a necessidade de estarem ativos, alertas e zelosos no tocante aos interesses de seus irmãos cristãos, e de compreensão e firmeza ao guiá-los nos caminhos da verdadeira adoração.

      19. (a) Como usou Neemias a Palavra de Deus para fortalecer a confiança nas promessas do Reino? (b) Como são os servos de Deus hoje estimulados pela esperança do Reino?

      19 Neemias mostrou forte confiança na Palavra de Deus. Não só foi instrutor zeloso das Escrituras, mas também usou-as para estabelecer as heranças genealógicas e o serviço dos sacerdotes e dos levitas entre o povo restaurado de Deus. (Nee. 1:8; 11:1-12:26; Jos. 14:1-21:45) Isto deve ter sido de grande encorajamento para o restante judeu. Fortaleceu a confiança deles nas grandiosas promessas feitas previamente, relativas à Semente e à restauração maior a vir sob Seu Reino. É a esperança na restauração do Reino que estimula os servos de Deus a lutar corajosamente pelos interesses do Reino e a estar ocupados na edificação da verdadeira adoração em toda a terra.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Estudo Perspicaz das Escrituras, “Pérsia, Persas”.

      b Estudo Perspicaz das Escrituras, “Setenta Semanas”.

      c Alguns historiadores judeus afirmam que este neto de Eliasibe chamava-se Manassés, e que, junto com seu sogro, Sambalá, ele construiu o templo no monte Gerizim, que se tornou o centro da adoração samaritana, e onde oficiou qual sacerdote durante sua vida. Gerizim é o monte mencionado por Jesus em João 4:21. — The Second Temple in Jerusalem, 1908, W. Shaw Caldecott, páginas 252-5; veja A Sentinela, 1.º de janeiro de 1961, páginas 13-14.

  • Livro bíblico número 17 — Ester
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 17 — Ester

      Escritor: Mordecai

      Lugares da Escrita: Susã, Elão

      Escrita Completada: c. 475 AEC

      Tempo Abrangido: 493-c. 475 AEC

      1. Que história se desenrola no livro de Ester?

      DITO de maneira simples, eis aqui a história de Assuero, rei da Pérsia, tido por alguns como Xerxes I, cuja esposa desobediente, Vasti, é substituída pela judia Ester, prima de Mordecai. O agagita Hamã trama a morte de Mordecai e de todos os judeus, mas é enforcado em sua própria estaca, ao passo que Mordecai é promovido ao cargo de primeiro-ministro e os judeus são libertados.

      2. (a) Por que têm alguns contestado a inspiração do livro de Ester? (b) De que forma parece ter sido usado o nome de Deus no livro de Ester?

      2 Naturalmente, há os que dizem que o livro de Ester não é nem inspirado nem proveitoso, mas simplesmente uma bela lenda. Baseiam sua afirmação na ausência do nome de Deus. Embora seja verdade que Deus não é mencionado diretamente, parece haver no texto hebraico quatro casos distintos de acrósticos do Tetragrama, as letras iniciais de quatro palavras sucessivas que formam YHWH (hebraico, יהוה), ou Jeová. Estas iniciais são destacadas de modo especial em pelo menos três manuscritos hebraicos antigos, e são também marcadas na Massorá com letras vermelhas. Também, em Ester 7:5 há aparentemente um acróstico da declaração divina “mostrarei ser”. — Veja notas de Ester 1:20; 5:4, 13; 7:7, bem como 7:5.

      3. Que eventos indicam fé em Deus e que se dirigiram a ele orações, e que eventos sugerem que Deus manobrou os assuntos?

      3 No decorrer do registro todo há forte evidência de que Mordecai tanto aceitava a lei de Jeová como obedecia a ela. Negou-se a curvar-se para honrar um homem que provavelmente era amalequita; Deus determinara o extermínio dos amalequitas. (Est. 3:1, 5; Deut. 25:19; 1 Sam. 15:3) A expressão de Mordecai em Ester 4:14 indica que aguardava uma libertação da parte de Jeová e que tinha fé na direção divina do inteiro curso dos eventos. O jejum de Ester, junto com a ação similar dos demais judeus, durante três dias antes de esta entrar perante o rei, indica confiança em Deus. (Est. 4:16) Que Deus manobrou os eventos é indicado por Ester achar favor aos olhos de Hegai, o guardião das mulheres, e pela insônia do rei na noite em que pediu para ver os registros oficiais e descobriu que Mordecai não fora honrado pelo seu bom feito no passado. (Est. 2:8, 9; 6:1-3; compare com Provérbios 21:1.) Há, sem dúvida, referência a orações nas palavras “os assuntos dos jejuns e de seu clamor por socorro”. — Est. 9:31.

      4. Como é o livro de Ester comprovado como autêntico e fatual?

      4 Muitos fatos comprovam o registro como autêntico e fatual. Era aceito pelo povo judeu, que chamava o livro simplesmente de o Meghil·láh, que significa “rolo; rolo escrito”. Parece ter sido incluído no cânon hebraico por Esdras, que certamente teria rejeitado uma fábula. Os judeus guardam até hoje a festa de Purim, ou Sortes, celebrando a grande libertação do tempo de Ester. O livro apresenta modos e costumes persas de forma realística, e em harmonia com os fatos conhecidos da história e as descobertas arqueológicas. Por exemplo, o livro de Ester descreve com exatidão o modo de os persas honrarem um homem. (6:8) Escavações arqueológicas revelaram que as descrições do palácio do rei, conforme apresentadas no livro de Ester, são exatas até nos mínimos detalhes.a — 5:1, 2.

      5. Que exatidão dá ao relato de Ester um tom de genuinidade, e com que período se harmoniza a linguagem?

      5 Nota-se essa mesma exatidão também no próprio relato, na maneira cuidadosa em que menciona os oficiais e os assistentes da corte, fornecendo até mesmo o nome dos dez filhos de Hamã. A linhagem de Mordecai e Ester é remontada a Quis, da tribo de Benjamim. (2:5-7) Fazem-se referências aos registros oficiais do governo persa. (2:23; 6:1; 10:2) A linguagem do livro é o hebraico posterior, com o acréscimo de muitas palavras e expressões persas e aramaicas, cujo estilo combina com o de Crônicas, Esdras e Neemias, harmonizando-se assim inteiramente com o período em que foi escrito.

      6. (a) Que período é indicado para o livro de Ester? (b) O que sugere a evidência quanto ao escritor, bem como quanto ao lugar e ao tempo da escrita?

      6 Acredita-se que os eventos de Ester se desenrolam nos dias em que o poderoso império persa encontrava-se no seu apogeu, e que abrangem cerca de 18 anos do reinado de Assuero (Xerxes I). O período que se estende até cerca de 475 AEC é indicado pelo testemunho de fontes gregas, persas, e babilônicas.b Mordecai, testemunha ocular e um dos principais personagens do relato, foi, mui provavelmente, o escritor do livro; o relato íntimo e pormenorizado indica que o escritor deve ter vivenciado esses eventos no palácio de Susã.c Embora não seja mencionado em nenhum outro livro da Bíblia, não há dúvida de que Mordecai foi personagem real da história. É interessante que se encontrou um texto cuneiforme não datado, descrito por A. Ungnad, da Alemanha, como se referindo a Mardukâ (Mordecai?) qual alto oficial da corte de Susa (Susã) durante o reinado de Xerxes I.d Foi ali em Susã que Mordecai sem dúvida completou o registro dos eventos de Ester, assim que ocorreram, isto é, por volta de 475 AEC.

      CONTEÚDO DE ESTER

      7. Que crise se desenvolve no banquete de Assuero, e que ação toma o rei em resultado disso?

      7 Deposta a Rainha Vasti (1:1-22). É o terceiro ano do reinado de Assuero. Ele realiza um lauto banquete para os oficiais do seu império, mostrando-lhes as riquezas e a glória do seu reino durante 180 dias. A seguir, há um grandioso banquete de sete dias para todo o povo de Susã. Ao mesmo tempo, Vasti, a rainha, dá um banquete para as mulheres. O rei se jacta de suas riquezas e glória e, estando alegre com vinho, manda chamar Vasti para vir mostrar sua beleza ao povo e aos príncipes. A Rainha Vasti persiste em se recusar a ir. Seguindo o conselho dos oficiais da corte, que argumentam que este mau exemplo poderá fazer com que o rei perca prestígio em todo o império, Assuero remove Vasti da posição de rainha e emite documentos convocando todas as esposas a ‘dar honra a seu dono’ e todos os maridos a ‘agir continuamente como príncipes na sua própria casa’. — 1:20, 22.

      8. (a) Que eventos resultam em Ester tornar-se rainha? (b) Que trama revela Mordecai, e que registro se faz disso?

      8 Ester torna-se rainha (2:1-23). Mais tarde, o rei nomeia comissários para procurar as mais belas virgens em todas as 127 províncias do império e trazê-las a Susã, onde deverão receber um tratamento de beleza para serem apresentadas ao rei. Entre as jovens selecionadas acha-se Ester. Ester é órfã judia, “bonita de figura e bela de aparência”, que foi criada por seu primo, Mordecai, um oficial em Susã. (2:7) O nome judaico de Ester, Hadassa, significa “Murta”. Hegai, o guardião das mulheres, se agrada de Ester e lhe dá tratamento especial. Ninguém sabe que ela é judia, pois Mordecai instruiu-a a guardar sigilo sobre isso. As jovens são levadas à presença do rei, uma de cada vez. Ele seleciona Ester como sua nova rainha, e realiza-se um banquete para celebrar sua coroação. Pouco depois, Mordecai fica sabendo de uma conspiração para assassinar o rei, e manda Ester informá-lo disso “em nome de Mordecai”. (2:22) A trama é descoberta, e os conspiradores são enforcados, fazendo-se registro disso nos anais reais.

      9. Como é que Mordecai enfurece a Hamã, e que decreto real obtém este contra os judeus?

      9 A conspiração de Hamã (3:1-5:14). Decorrem cerca de quatro anos. Hamã, pelo visto descendente do rei amalequita Agague, a quem Samuel matou, torna-se primeiro-ministro. (1 Sam. 15:33) O rei o exalta e ordena que todos os seus servos no portão do rei se curvem diante de Hamã. Estes incluem Mordecai. Entretanto, Mordecai recusa-se a fazer isso, tornando conhecido aos servos do rei que ele é judeu. (Compare com Êxodo 17:14, 16.) Hamã fica cheio de furor, e, ao descobrir que Mordecai é judeu, vê nisto a grande oportunidade de se livrar de Mordecai e de todos os judeus de uma vez por todas. Lança-se a sorte (pur) para determinar um bom dia para aniquilar os judeus. Hamã, valendo-se do seu favor junto ao rei, acusa os judeus de serem anárquicos e pede que a destruição deles seja ordenada por escrito. Hamã oferece uma contribuição de 10.000 talentos de prata (o equivalente a cerca de US$ 66.060.000) para financiar a matança. O rei consente, e enviam-se a todo o império ordens escritas seladas com o anel do rei, marcando o dia 13 de adar para o genocídio dos judeus.

      10. Como agem Mordecai e Ester com fé no poder de Jeová?

      10 Ao saberem da lei, Mordecai e todos os judeus pranteiam de serapilheira e cinzas. Há “jejum, e choro, e lamento”. (Est. 4:3) Ao ser informada por Mordecai sobre a situação crítica dos judeus, Ester hesita, de início, em interceder. A penalidade por comparecer perante o rei sem ser convidado é a morte. Todavia, Mordecai mostra fé no poder de Jeová, declarando que, se Ester falhar para com eles, ela morrerá de qualquer forma, e o livramento ‘procedente de outro lugar, pôr-se-á de pé para os judeus’. Ademais, quem sabe se não foi “para um tempo como este” que Ester se tornou rainha? (4:14) Vendo a questão, ela concorda em correr o risco, e todos os judeus em Susã jejuam com ela durante três dias.

      11. Como usa Ester seu favor junto ao rei, mas o que trama Hamã contra Mordecai?

      11 Daí, Ester comparece diante do rei, vestida de seus mais requintados trajes reais. Ela obtém favor aos olhos dele, de modo que este lhe estende o cetro de ouro, poupando-lhe a vida. Ela convida então o rei e Hamã para um banquete. Durante o banquete, o rei insta-a a revelar seu pedido, assegurando-lhe de que será concedido, “até a metade do reinado”, após o que ela convida os dois para outro banquete no dia seguinte. (5:6) Hamã sai alegre. Mas, junto ao portão da casa do rei se acha Mordecai! Este se recusa outra vez a prestar honra a Hamã ou a tremer diante dele. A alegria de Hamã transforma-se em furor. Sua esposa e seus amigos sugerem que ele construa um madeiro de 50 côvados (22,3 m) de altura e obtenha uma ordem do rei para enforcar Mordecai nele. Hamã manda construir a estaca imediatamente.

      12. Que inversão na situação resulta em Assuero honrar a Mordecai, para a humilhação de Hamã?

      12 Inversão na situação (6:1-7:10). Naquela noite, o rei não consegue dormir. Manda que lhe seja trazido e lido o livro dos registros, e descobre que não recompensou a Mordecai por salvar sua vida. Mais tarde, o rei indaga sobre quem está no pátio. É Hamã, que veio pedir ao rei autorização para executar Mordecai. O rei pergunta a Hamã sobre como deve ser honrado alguém de quem o rei se agrada. Hamã, imaginando que o rei estivesse pensando nele, delineia um pródigo programa de honras. Mas o rei lhe ordena: “Faze assim a Mordecai, o judeu”! (6:10) Hamã não tem alternativa senão vestir a Mordecai de esplendor régio, colocá-lo no cavalo do rei e conduzi-lo pela praça pública da cidade, clamando diante dele. Humilhado, Hamã se apressa em ir para casa, pranteando. Sua esposa e seus amigos não têm nenhum consolo a oferecer. Hamã está condenado!

      13. O que revela Ester no banquete, levando a que condenação para Hamã?

      13 Agora é hora de Hamã comparecer ao banquete com o rei e Ester. A rainha declara que ela e seu povo foram vendidos para serem destruídos. Quem se atreveu a perpetrar tal iniqüidade? Ester diz: “O homem, o adversário e inimigo, é este mau Hamã.” (7:6) O rei se levanta enfurecido e sai para o jardim. Hamã, sozinho com a rainha, implora que lhe poupe a vida, e o rei, ao retornar, fica ainda mais furioso ao ver Hamã sobre o leito da rainha. Sem demora, ordena que Hamã seja enforcado no mesmo madeiro que Hamã havia preparado para Mordecai! — Sal. 7:16.

      14. Como recompensa o rei a Ester e a Mordecai, e com que decreto escrito favorece ele os judeus?

      14 Mordecai é promovido, os judeus são libertados (8:1-10:3). O rei dá a Ester todos os pertences de Hamã. Ester informa a Assuero seu parentesco com Mordecai, a quem o rei promove à posição anteriormente ocupada por Hamã, dando-lhe o anel com o sinete real. Novamente, Ester arrisca a vida ao comparecer perante o rei para solicitar a anulação do decreto escrito de destruição dos judeus. Contudo, “as leis da Pérsia e da Média” não podem ser anuladas! (1:19) O rei dá, portanto, a Ester e a Mordecai autoridade para redigir uma nova lei e selá-la com o anel do rei. Esta ordem escrita, enviada a todo o império do mesmo modo como a anterior, concede aos judeus o direito de ‘congregar-se e tomar posição pelas suas almas, para aniquilar e matar, e destruir toda a força do povo e do distrito jurisdicional que lhes mostre hostilidade, pequeninos e mulheres, e para saquear o seu despojo’, no mesmo dia em que a lei de Hamã entra em vigor. — 8:11.

      15. (a) Qual é o resultado da luta, e que festa institui Mordecai? (b) A que posição é Mordecai exaltado, e para que fim usa ele sua autoridade?

      15 Chegando o dia designado, 13 de adar, nenhum homem consegue resistir aos judeus. A pedido de Ester ao rei, a luta prossegue em Susã até o dia 14. Ao todo, 75.000 dos inimigos dos judeus são mortos em todo o império. Outros 810 são mortos em Susã, o castelo. Entre estes se acham os dez filhos de Hamã, que são mortos no primeiro dia e pendurados no madeiro no segundo dia. Não se toma despojo. No dia 15 de adar, há descanso, e os judeus passam a banquetear-se e a regozijar-se. Mordecai dá então instruções por escrito para que os judeus guardem essa festa de “Pur, isto é, a Sorte”, todos os anos nos dias 14 e 15 de adar, e isto fazem até hoje. (9:24) Mordecai é exaltado no reino, e se vale de sua posição, como o segundo depois do Rei Assuero, “para o bem de seu povo e falando paz a toda a descendência deles”. — 10:3.

      POR QUE É PROVEITOSO

      16. Que princípios divinos e valioso modelo encontram os cristãos no livro de Ester?

      16 Embora nenhum outro escritor da Bíblia faça qualquer citação direta de Ester, o livro se harmoniza plenamente com o restante das Escrituras inspiradas. De fato, fornece ilustrações esplêndidas de princípios bíblicos declarados mais tarde nas Escrituras Gregas Cristãs e que se aplicam a adoradores de Jeová de todas as épocas. Um estudo das seguintes passagens, não só comprovará isso, mas será edificante para a fé cristã: Ester 4:5—Filipenses 2:4; Ester 9:22—Gálatas 2:10. A acusação feita contra os judeus, de que não obedeciam às leis do rei, é similar à acusação levantada contra os primitivos cristãos. (Est. 3:8, 9; Atos 16:21; 25:7) Os verdadeiros servos de Jeová enfrentam tais acusações com destemor e confiança, com orações, no poder divino de os livrar, segundo o esplêndido modelo de Mordecai, Ester e seus co-judeus. — Est. 4:16; 5:1, 2; 7:3-6; 8:3-6; 9:1, 2.

      17. Como exemplificaram Mordecai e Ester o proceder correto quanto a se sujeitar a Deus e às “autoridades superiores”?

      17 Quais cristãos, não devemos achar que nossa situação difere da de Mordecai e Ester. Também vivemos sob “autoridades superiores” num mundo do qual não fazemos parte. Desejamos ser cidadãos acatadores da lei em qualquer país em que vivamos, mas, ao mesmo tempo, desejamos traçar corretamente a linha demarcatória entre ‘pagar de volta a César as coisas de César e a Deus as coisas de Deus’. (Rom. 13:1; Luc. 20:25) O primeiro-ministro Mordecai e a Rainha Ester deram bom exemplo de devoção e obediência na execução de seus deveres seculares. (Est. 2:21-23; 6:2, 3, 10; 8:1, 2; 10:2) Todavia, Mordecai traçou destemidamente a linha demarcatória quanto a obedecer à ordem real de curvar-se diante do desprezível agagita, Hamã. Ademais, cuidou de que se fizesse um apelo para a obtenção duma solução legal quando Hamã conspirou destruir os judeus. — 3:1-4; 5:9; 4:6-8.

      18. (a) O que prova que o livro de Ester é ‘inspirado por Deus e proveitoso’? (b) Como incentiva ele a defesa dos interesses do Reino de Deus?

      18 Toda a evidência indica que o livro de Ester faz parte da Bíblia Sagrada, “inspirada por Deus e proveitosa”. Mesmo sem mencionar diretamente Deus ou seu nome, fornece-nos excelentes exemplos de fé. Mordecai e Ester não foram meros frutos da imaginação de algum novelista, mas foram servos reais de Jeová Deus, pessoas que depositaram confiança implícita no poder salvador de Jeová. Embora vivessem sob “autoridades superiores” num país estrangeiro, empregaram todos os meios legais para defender os interesses do povo de Deus e sua adoração. Nós podemos seguir hoje o exemplo deles em “defender e estabelecer legalmente as boas novas” do libertador Reino de Deus. — Fil. 1:7.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 2, páginas 439-43; veja também “Ester, Livro de”.

      b Estudo Perspicaz das Escrituras, “Pérsia, Persas”.

      c Cyclopedia de McClintock e Strong, reimpressão de 1981, Vol. III, página 310.

      d A. Ungnad, “Keilinschriftliche Beiträge zum Buch Esra und Ester”, Zeitschrift für die alttestamentliche Wissenschaft, LVIII (1940-41), páginas 240-4.

  • Livro bíblico número 18 — Jó
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 18 — Jó

      Escritor: Moisés

      Lugar da Escrita: Ermo

      Escrita Completada: c. 1473 AEC

      Tempo Abrangido: Mais de 140 anos entre 1657 e 1473 AEC

      1. O que significa o nome de Jó, e a que perguntas responde o livro de Jó?

      UM DOS mais antigos livros das Escrituras inspiradas! Um livro tido na mais alta estima e muitas vezes citado, todavia muito pouco entendido pela humanidade. Por que foi escrito este livro, e de que valor é para nós hoje? A resposta é indicada no significado do nome de Jó: “Objeto de Hostilidade.” Sim, este livro trata de duas importantes perguntas: Por que sofrem os inocentes? Por que permite Deus a iniqüidade na terra? Temos o registro do sofrimento de Jó e de sua grande perseverança para considerarmos ao responder a essas perguntas. Tudo foi registrado por escrito, precisamente como Jó pediu. — Jó 19:23, 24.

      2. O que prova que Jó foi uma pessoa real?

      2 Jó se tornou sinônimo de paciência e perseverança. Mas, será que existiu mesmo uma pessoa chamada Jó? Apesar de todos os esforços do Diabo de remover este excelente exemplo de integridade das páginas da história, a resposta é clara. Jó foi personagem real! Jeová o menciona junto com Suas testemunhas Noé e Daniel, cuja existência foi aceita por Jesus Cristo. (Eze. 14:14, 20; compare com Mateus 24:15, 37.) A antiga nação hebréia encarava a Jó como pessoa real. O escritor cristão Tiago menciona o exemplo de perseverança de Jó. (Tia. 5:11) Somente um exemplo da vida real, e não um fictício, teria peso para convencer os adoradores de Deus de que é possível manter a integridade sob todas as circunstâncias. Ademais, a intensidade e o sentimento dos discursos registrados em Jó testificam a realidade da situação.

      3. Que evidências comprovam a inspiração do livro de Jó?

      3 A autenticidade e a inspiração do livro de Jó são também provadas por os antigos hebreus sempre o terem incluído em seu cânon da Bíblia, um fato notável visto que o próprio Jó não era israelita. Além das referências feitas por Ezequiel e por Tiago, o livro é citado pelo apóstolo Paulo. (Jó 5:13; 1 Cor. 3:19) Prova poderosa da inspiração do livro é sua surpreendente harmonia com os fatos provados das ciências. Como se poderia saber que Jeová “suspende a terra sobre o nada”, quando os antigos tinham os conceitos mais fantásticos sobre como a terra era sustentada? (Jó 26:7) Um conceito que se tinha na antiguidade era que a terra se apoiava em elefantes que estavam em pé sobre uma grande tartaruga-marinha. Por que não reflete o livro de Jó tal tolice? Obviamente porque Jeová, o Criador, forneceu a verdade mediante inspiração. As muitas outras descrições da terra e suas maravilhas, bem como dos animais selvagens e das aves nos seus habitats, são tão exatas que só mesmo Jeová Deus poderia ser o Autor e Inspirador do livro de Jó.a

      4. Onde e quando ocorreu o drama, e por volta de que data foi completada a escrita do livro de Jó?

      4 Jó morava em Uz, localizada, segundo alguns geógrafos, no Norte da Arábia, perto da terra ocupada pelos edomitas, e a leste da terra prometida à descendência de Abraão. Os sabeus ficavam ao sul, os caldeus, ao leste. (1:1, 3, 15, 17) A época da provação de Jó foi muito depois dos dias de Abraão. Foi num tempo em que não havia “ninguém igual a [Jó] na terra, homem inculpe e reto”. (1:8) Este parece ser o período transcorrido entre a morte de José (1657 AEC), um homem de notável fé, e o tempo em que Moisés iniciou seu proceder de integridade. Jó se distinguia na adoração pura durante este período em que Israel estava contaminado com a adoração demoníaca do Egito. Ademais, as práticas mencionadas no primeiro capítulo de Jó, e aceitar Deus a Jó como verdadeiro adorador, indicam os tempos patriarcais em vez do período posterior a 1513 AEC, quando Deus passou a lidar exclusivamente com Israel sob a Lei. (Amós 3:2; Efé. 2:12) Assim, dando-se margem à longa vida de Jó, o livro parece abranger um período entre 1657 AEC e 1473 AEC, ano em que Moisés morreu; o livro foi completado por Moisés algum tempo após a morte de Jó e enquanto os israelitas estavam no ermo. — Jó 1:8; 42:16, 17.

      5. O que indica que Moisés foi o escritor de Jó?

      5 Por que dizemos que Moisés foi o escritor? Isto está de acordo com a mais antiga tradição entre eruditos tanto judeus como cristãos primitivos. O vigoroso estilo autêntico da poesia hebraica, empregado no livro de Jó, torna evidente que era composição original em hebraico, o idioma de Moisés. Não poderia ter sido tradução de outro idioma como o árabe. Também, os trechos em prosa têm mais forte semelhança com o Pentateuco do que com quaisquer outros escritos da Bíblia. O escritor deve ter sido israelita, como Moisés o era, porque os judeus “foram incumbidos das proclamações sagradas de Deus”. (Rom. 3:1, 2) Depois de ter atingido a madureza, Moisés passou 40 anos em Midiã, que não ficava distante de Uz, onde poderia obter as informações pormenorizadas registradas em Jó. Mais tarde, quando passou perto da terra natal de Jó, durante a jornada de 40 anos de Israel pelo ermo, Moisés podia ficar a par e registrar no livro os pormenores finais.

      6. Em que sentidos é o livro de Jó muito mais do que uma obra-prima literária?

      6 De acordo com The New Encyclopædia Britannica (A Nova Enciclopédia Britânica), o livro de Jó é muitas vezes “contado entre as obras-primas da literatura mundial”.b Entretanto, o livro é muito mais do que uma obra-prima literária. Jó se destaca entre os livros da Bíblia em exaltar o poder, a justiça, a sabedoria e o amor de Jeová. Revela com a máxima clareza a questão primária colocada diante do universo. Esclarece muito do que é dito em outros livros da Bíblia, especialmente Gênesis, Êxodo, Eclesiastes, Lucas, Romanos e Revelação (Apocalipse). (Compare Jó 1:6-12; 2:1-7 com Gênesis 3:15; Êxodo 9:16; Lucas 22:31, 32; Romanos 9:16-19 e Revelação 12:9; também Jó 1:21; 24:15; 21:23-26; 28:28 com Eclesiastes 5:15; 8:11; 9:2, 3; 12:13, respectivamente.) Fornece as respostas a muitas perguntas da vida. É seguramente parte integrante da inspirada Palavra de Deus, à qual contribui muito no sentido de entendimento proveitoso.

      CONTEÚDO DE JÓ

      7. Em que situação encontramos Jó logo no início do livro?

      7 Prólogo do livro de Jó (1:1-5). Este nos apresenta Jó, homem ‘inculpe e reto, que teme a Deus e desvia-se do mal’. Jó é feliz, tendo sete filhos e três filhas. É um proprietário de terras rico em sentido material, possuindo numerosos rebanhos e manadas. Tem muitos servos e é “o maior de todos os orientais”. (1:1, 3) Todavia, não é materialista, pois não se fia em seus bens materiais. É também rico em sentido espiritual, rico em boas obras, sempre disposto a ajudar alguém aflito ou angustiado, ou a dar uma vestimenta a alguém necessitado. (29:12-16; 31:19, 20) Todos o respeitam. Jó adora o verdadeiro Deus, Jeová. Recusa-se a prostrar-se diante do sol, da lua e das estrelas, como fazem as nações pagãs, mas é fiel a Jeová, mantendo a integridade a seu Deus e desfrutando uma relação íntima com Ele. (29:7, 21-25; 31:26, 27; 29:4) Jó serve qual sacerdote para sua família, oferecendo regularmente sacrifícios queimados, para o caso de terem pecado.

      8. (a) Como é que Satanás chega a desafiar a integridade de Jó? (b) Como aceita Jeová o desafio?

      8 Satanás desafia a Deus (1:6-2:13). Abre-se de modo maravilhoso a cortina da invisibilidade, de modo que podemos visualizar coisas celestiais. Jeová é visto presidindo uma assembléia dos filhos de Deus. Satanás também comparece. Jeová traz à atenção seu fiel servo Jó, mas Satanás desafia a integridade de Jó, acusando Jó de servir a Deus por causa dos benefícios materiais recebidos. Se Deus permitir que Satanás lhe tire tais coisas, Jó se desviará da sua integridade. Jeová aceita o desafio, com a restrição de que Satanás não toque no próprio Jó.

      9. (a) Que severas provas sobrevêm a Jó? (b) O que prova que ele mantém a integridade?

      9 Muitas calamidades começam a sobrevir ao insuspeitoso Jó. Ataques-surpresa dos sabeus e dos caldeus levam suas grandes riquezas. Uma tempestade mata seus filhos e suas filhas. Esta prova severa fracassa em fazer com que Jó amaldiçoe a Deus ou se desvie dele. Em vez disso, ele diz: “Continue a ser abençoado o nome de Jeová.” (1:21) Satanás, derrotado e provado mentiroso nesta questão, comparece outra vez perante Jeová e acusa: “Pele por pele, e tudo o que o homem tem dará pela sua alma.” (2:4) Satanás afirma que, se lhe fosse permitido tocar no corpo de Jó, poderia fazer com que Jó amaldiçoasse a Deus na sua face. Com a permissão de fazer tudo menos tirar a vida de Jó, Satanás fere Jó com uma terrível doença. Sua carne fica “revestida de gusanos e de pó encrostado”, e seu corpo e seu hálito tornam-se fedorentos para sua esposa e seus parentes. (7:5; 19:13-20) Como indício de que Jó não violou sua integridade, a esposa insta com ele: “Ainda te aferras à tua integridade? Amaldiçoa a Deus e morre!” Jó a censura e não ‘peca com os seus lábios’. — 2:9, 10.

      10. Que “consolo” silencioso fornece Satanás?

      10 Satanás suscita então três companheiros, que vêm ‘consolar’2:11 a Jó. São Elifaz, Bildade e Zofar. De longe, não reconhecem a Jó, mas então passam a erguer a voz e a chorar e a lançar pó sobre a cabeça. A seguir, sentam-se diante dele em terra sem falar uma palavra sequer. Após sete dias e sete noites de tal ‘consolo’ silencioso, Jó finalmente rompe o silêncio ao iniciar um longo debate com seus pretensos consoladores. — 2:11.

      11-13. Como abre Jó o debate, que acusação faz Elifaz, e que réplica vigorosa faz Jó?

      11 O debate: primeira fase (3:1-14:22). Deste ponto em diante, o drama se desenrola em sublime poesia hebraica. Jó amaldiçoa o dia do seu nascimento e se pergunta por que Deus permite que ele continue vivendo.

      12 Em resposta, Elifaz acusa Jó de falta de integridade. Os retos nunca pereceram, afirma. Lembra uma visão noturna em que uma voz lhe disse que Deus não tem fé nos seus servos, especialmente nos que são de mero barro, o pó da terra. Indica que o sofrimento de Jó é uma disciplina da parte do Deus Todo-poderoso.

      13 Jó replica vigorosamente a Elifaz. Lamenta-se como qualquer criatura perseguida e angustiada se lamentaria. A morte seria um alívio. Censura seus companheiros por tramarem contra ele e protesta: “Instruí-me, e eu, da minha parte, ficarei calado; e fazei-me entender que engano cometi.” (6:24) Jó contende pela sua própria justiça perante Deus, “o Observador da humanidade”. — 7:20.

      14, 15. Qual é o argumento de Bildade, e por que teme Jó perder sua causa com Deus?

      14 Bildade externa então seu argumento, dando a entender que os filhos de Jó pecaram e que o próprio Jó não é reto, do contrário seria ouvido por Deus. Instrui Jó a olhar para as gerações anteriores e para as coisas esquadrinhadas8:8 por seus antepassados como orientação.

      15 Jó replica, sustentando que Deus não é injusto. Tampouco precisa Deus prestar contas ao homem, pois Ele está “fazendo grandes coisas inescrutáveis, e inúmeras coisas maravilhosas”. (9:10) Jó não pode ganhar de Jeová como seu adversário em juízo. Pode apenas implorar o favor de Deus. Não obstante, há algum proveito em procurar fazer o que é correto? “Ao inculpe, também ao iníquo, ele leva ao seu fim.” (9:22) Não há julgamento justo na terra. Jó teme perder a causa mesmo com Deus. Necessita de um mediador. Pergunta por que está sendo julgado e implora a Deus que se lembre de que ele é feito “de barro”. (10:9) Aprecia as benevolências que Deus lhe demonstrou no passado, mas diz que Deus só ficará mais agastado se ele argumentar, embora esteja certo. Se tão-somente pudesse expirar!

      16, 17. (a) Que conselho presunçoso dá Zofar? (b) Que avaliação faz Jó de seus “consoladores”, e que forte confiança expressa ele?

      16 Zofar entra então no debate. Na realidade, ele diz: Somos por acaso crianças para ouvir conversa vã? Você afirma ser realmente puro, mas se Deus tão-somente falasse, revelaria a sua culpa. Pergunta a Jó: “Acaso podes descobrir as coisas profundas de Deus?” (11:7) Aconselha Jó a largar as práticas nocivas, pois advirão bênçãos aos que assim fizerem, ao passo que “falharão os próprios olhos dos iníquos”. — 11:20.

      17 Jó clama com forte sarcasmo: “De fato, vós sois o povo, e a sabedoria morrerá convosco!” (12:2) Ele pode ser objeto de riso, mas não é inferior. Se seus companheiros olhassem para as criações de Deus, até mesmo elas lhes ensinariam algo. Força e sabedoria prática pertencem a Deus, que controla todas as coisas, até “fazendo as nações tornar-se grandes, para as destruir”. (12:23) Jó se deleita em argumentar sua causa com Deus, mas, quanto aos seus três “consoladores” — “vós sois homens que besuntam com falsidade; todos vós sois médicos sem valor algum”. (13:4) Seria sábio da parte deles manter-se calados! Expressa confiança na retidão de sua causa e invoca a Deus para que o ouça. Passa à idéia de que “o homem, nascido de mulher, é de vida curta e está empanturrado de agitação”. (14:1) O homem passa logo, como a flor ou a sombra. Não se pode produzir alguém puro de alguém impuro. Ao orar para que Deus o esconda em secreto no Seol até que Sua ira se recue, Jó pergunta: “Morrendo o varão vigoroso, pode ele viver novamente?” Em resposta, expressa forte esperança: ‘Esperarei até vir a minha substituição.’ — 14:13, 14.

      18, 19. (a) Com que zombaria inicia Elifaz a segunda fase do debate? (b) Como considera Jó o “consolo” de seus companheiros, e em busca de que olha ele para Jeová?

      18 O debate: segunda fase (15:1-21:34). Ao iniciar o segundo debate, Elifaz zomba do conhecimento de Jó, dizendo que este ‘encheu seu ventre com o vento oriental’. (15:2) Novamente, desacredita a afirmação de Jó de ser íntegro, sustentando que nem o homem mortal, nem os santos nos céus podem reter fé aos olhos de Jeová. Acusa indiretamente a Jó de procurar mostrar-se superior a Deus e de praticar apostasia, suborno e engano.

      19 Jó retruca que seus companheiros são ‘consoladores funestos, com palavras ventosas’. (16:2, 3) Se estivessem no seu lugar, ele não os insultaria. Deseja muito ser justificado, e olha para Jeová, que tem seu registro e decidirá sua causa. Jó não encontra sabedoria nos seus companheiros. Tiram-lhe toda a esperança. O “consolo” deles é como dizer que a noite é dia. A única esperança é ‘descer ao Seol’. — 17:15, 16.

      20, 21. Que ressentimento expressa Bildade, que protesto faz Jó, e em que confia Jó, conforme ele mesmo mostra?

      20 A discussão fica acalorada. Bildade está agora ressentido, pois acha que Jó comparou seus amigos a animais sem entendimento. Pergunta a Jó: ‘Será abandonada a terra por tua causa?’ (18:4) Adverte que Jó cairá num terrível laço, como exemplo para outros. Jó não terá descendência que viva após ele.

      21 Jó responde: “Até quando ficareis irritando a minha alma e esmigalhando-me com palavras?” (19:2) Perdeu a família e os amigos, a esposa e os de sua casa se afastaram dele, e ele próprio escapou só ‘com a pele dos seus dentes’. (19:20) Confia no aparecimento de um redentor para resolver a questão em seu favor, para que finalmente ‘observe a Deus’. — 19:25, 26.

      22, 23. (a) Por que fica Zofar ressentido, e o que diz ele sobre os alegados pecados de Jó? (b) Com que argumento fulminante replica Jó?

      22 Zofar, igual a Bildade, fica ressentido por ter de ouvir a “exortação insultante” de Jó. (20:3) Repete que os pecados de Jó lhe trouxeram retribuição. Os iníquos sempre recebem o castigo de Deus, e não têm descanso, diz Zofar, mesmo enquanto gozam de prosperidade.

      23 Jó replica com um argumento fulminante: Se Deus sempre castiga assim os iníquos, por que é que os iníquos continuam vivendo, envelhecem, e se tornam superiores em riquezas? Passam seus dias desfrutando a vida. Quantas vezes lhes sobrevém a calamidade? Mostra que o rico e o pobre morrem da mesma forma. De fato, o iníquo com freqüência morre “despreocupado e tranqüilo”, ao passo que o justo talvez morra “com alma amargurada”. — 21:23, 25.

      24, 25. (a) Que calúnia mentirosa levanta Elifaz, justo aos seus próprios olhos, contra Jó? (b) Que refutação e desafio faz Jó em resposta?

      24 O debate: terceira fase (22:1-25:6). Elifaz volta a atacar ferozmente, zombando da afirmação de Jó de ser inculpe diante do Todo-poderoso. Levanta calúnia mentirosa contra Jó, declarando que este é mau, explorou os pobres, negou pão ao faminto e maltratou viúvas e órfãos de pai. Elifaz diz que a vida particular de Jó não é tão pura como afirma e que isso explica a situação calamitosa de Jó. Mas, “se retornares ao Todo-poderoso”, entoa Elifaz, “ele te ouvirá”. — 22:23, 27.

      25 Jó, em resposta, refuta a ultrajante acusação de Elifaz dizendo que deseja uma audiência perante Deus, o qual está ciente do seu proceder justo. Há aqueles que oprimem os órfãos de pai, as viúvas e os pobres, e que cometem homicídio, roubo e adultério. Talvez pareçam prosperar por algum tempo, mas receberão sua recompensa. Serão reduzidos a nada. “Por conseguinte, quem me fará de mentiroso?”, desafia Jó. — 24:25.

      26. Que mais têm a dizer Bildade e Zofar?

      26 Bildade redargúi brevemente a isto, sustentando seu argumento de que nenhum homem pode ser puro perante Deus. Zofar deixa de participar nesta terceira fase. Não tem nada a dizer.

      27. Como passa Jó a exaltar a grandeza do Todo-poderoso?

      27 O argumento concludente de Jó (26:1- 31:40). Numa dissertação final, Jó silencia completamente seus companheiros. (32:12, 15, 16) Com grande sarcasmo, diz: “Oh! de quanta ajuda foste àquele que não tem poder! . . . Quanto aconselhaste aquele que não tem sabedoria!” (26:2, 3) Nada, porém, nem mesmo o Seol, pode encobrir algo da vista de Deus. Jó descreve a sabedoria de Deus no espaço sideral, na terra, nas nuvens, no mar e no vento — os quais o homem tem visto. Estes são apenas as beiradas dos caminhos do Todo-poderoso. Mal chegam a ser um sussurro da grandeza do Todo-poderoso.

      28. Que declaração direta faz Jó sobre a integridade?

      28 Convencido de sua inocência, declara: “Até eu expirar não removerei de mim a minha integridade!” (27:5) Não, Jó não fez nada para merecer o que lhe sobreveio. Contrário às acusações deles, Deus recompensará a integridade, cuidando de que as coisas armazenadas pelos iníquos na sua prosperidade sejam herdadas pelos justos.

      29. Como descreve Jó a sabedoria?

      29 O homem sabe donde vêm os tesouros da terra (prata, ouro, cobre), “mas a própria sabedoria — donde vem”? (28:20) Ele a tem procurado entre os viventes; vasculhou o mar; não pode ser comprada com ouro ou prata. Deus é aquele que entende a sabedoria. Ele enxerga até as extremidades da terra e dos céus, proporciona o vento e as águas, e controla a chuva e a nuvem de temporal. Jó conclui: “Eis o temor de Jeová — isso é sabedoria, e desviar-se do mal é compreensão.” — 28:28.

      30. Que restabelecimento deseja Jó, mas qual é no momento sua situação?

      30 O angustiado Jó apresenta, a seguir, a história de sua vida. Deseja ser restabelecido à sua anterior posição achegada com Deus, quando era respeitado até mesmo pelos líderes da cidade. Socorria os afligidos e servia de olhos para os cegos. Seu conselho era bom, e as pessoas esperavam suas palavras. Mas, agora, em vez de ter uma posição honrosa, é escarnecido até mesmo pelos mais jovens, cujos pais nem eram dignos de estar com os cães do seu rebanho. Cospem nele e se lhe opõem. Agora, na sua maior aflição, não lhe dão descanso.

      31. No julgamento de quem expressa Jó confiança, e o que diz ele quanto ao registro verídico de sua vida?

      31 Jó descreve a si mesmo como homem dedicado, e pede para ser julgado por Jeová. “Ele me pesará em balança exata, e Deus chegará a saber a minha integridade.” (31:6) Jó defende suas ações no passado. Não foi adúltero, nem tramou contra outros. Não negligenciou a ajuda aos necessitados. Embora fosse rico, não confiava nas riquezas materiais. Não adorou o sol, a lua e as estrelas, pois “isto também seria um erro a receber a atenção dos magistrados, pois eu teria renegado o verdadeiro Deus de cima”. (31:28) Jó convida seu adversário em juízo a levantar acusações contra o registro verídico da sua vida.

      32. (a) Quem fala a seguir? (b) Por que se acende a ira de Eliú contra Jó e seus companheiros, e o que o compele a falar?

      32 Eliú fala (32:1-37:24). Nesse ínterim, Eliú, descendente de Buz, filho de Naor, e, por conseguinte, parente distante de Abraão, estava escutando o debate. Esperou porque achava que os de mais idade teriam maior conhecimento. Entretanto, não é a idade, mas o espírito de Deus que dá entendimento. A ira de Eliú se acende contra Jó, por este “declarar justa a sua própria alma em vez de a Deus”, mas fica ainda mais irado com os três companheiros de Jó, por sua deplorável falta de sabedoria ao pronunciarem Deus iníquo. Eliú fica “cheio de palavras”, e o espírito de Deus o compele a dar vazão a elas, mas sem parcialidade e sem ‘dar títulos ao homem terreno’. — Jó 32:2, 3, 18-22; Gên. 22:20, 21.

      33. Em que errou Jó, contudo que favor lhe mostrará Deus?

      33 Eliú fala com sinceridade, reconhecendo a Deus como seu Criador. Salienta que Jó tem estado mais preocupado com sua própria vindicação do que com a de Deus. Não era necessário Deus responder a todas as palavras de Jó, como se precisasse justificar suas ações, não obstante, Jó havia contendido com Deus. Entretanto, ao passo que a alma de Jó se aproxima da morte, Deus o favorece com um mensageiro, dizendo: “Isenta-o de descer à cova! Achei um resgate! Torne-se a sua carne mais fresca do que na infância; volte ele aos dias do seu vigor juvenil.” (Jó 33:24, 25) Os justos serão restabelecidos!

      34. (a) Que repreensões adicionais dá Eliú? (b) Em vez de magnificar sua própria justiça, o que deve Jó fazer?

      34 Eliú convoca os sábios a ouvir. Censura a Jó por dizer que não há proveito em manter a integridade: “Longe está do verdadeiro Deus agir iniquamente, e do Todo-poderoso agir injustamente! Pois é segundo a atuação do homem terreno que ele o recompensará.” (34:10, 11) Ele pode remover o fôlego de vida, e toda carne expirará. Deus julga sem parcialidade. Jó tem destacado demais sua própria justiça. Tem sido precipitado, não deliberadamente, mas “sem conhecimento”; e Deus tem sido longânime com ele. (34:35) Há mais coisas que precisam ser ditas para a vindicação de Deus. Deus não tirará seus olhos dos justos, mas os repreenderá. “Não preservará vivo a alguém iníquo, mas dará o julgamento dos atribulados.” (36:6) Visto que Deus é o Instrutor supremo, Jó devia magnificar Sua atividade.

      35. (a) A que deve Jó dar atenção? (b) A quem mostrará Jeová seu favor?

      35 Numa atmosfera de inspirar temor, de uma tempestade em formação, Eliú fala das grandes coisas feitas por Deus e de Seu controle sobre as forças naturais. A Jó ele diz: “Fica parado e mostra-te atento às obras maravilhosas de Deus.” (37:14) Considere o esplendor dourado de Deus e a dignidade dele, que inspira temor, muito além do escrutínio humano. “Ele é sublime em poder, e não depreciará o juízo e a abundância da justiça.” Sim, Jeová considerará aqueles que o temem, não os que são “sábios no seu próprio coração”. — 37:23, 24.

      36. Por meio de que lição objetiva e de que série de perguntas o próprio Jeová ensina a Jó?

      36 Jeová responde a Jó (38:1-42:6). Jó havia pedido que Deus falasse com ele. Agora Jeová responde majestosamente de dentro do vendaval. Propõe a Jó uma série de perguntas que são em si mesmas uma lição objetiva da pequenez do homem e da grandeza de Deus. “Onde vieste a estar quando fundei a terra? . . . Quem lançou a sua pedra angular, quando as estrelas da manhã juntas gritavam de júbilo e todos os filhos de Deus começaram a bradar em aplauso?” (38:4, 6, 7) Isso foi muito antes do tempo de Jó! Suscitam-se perguntas, uma após a outra, e Jó não consegue responder a elas, ao passo que Jeová aponta para o mar da terra, sua vestimenta de nuvens, a alva, os portões da morte, e a luz e a escuridão. “Acaso o sabes porque nasceste naquele tempo, e porque os teus dias são muitos em número?” (38:21) E que dizer dos depósitos de neve e de saraiva, o temporal e a chuva e as gotas de orvalho, o gelo e a geada, as poderosas constelações celestes, os relâmpagos e as camadas de nuvens, os animais e as aves?

      37. Que perguntas adicionais humilham a Jó, e o que é ele obrigado a admitir e a fazer?

      37 Jó admite humildemente: “Eis que me tornei de pouca importância. Que te replicarei? Pus a minha mão sobre a boca.” (40:4) Jeová ordena Jó a enfrentar a questão. Propõe mais uma série de perguntas desafiadoras que exaltam Sua dignidade, superioridade e força, conforme evidenciadas em suas criações naturais. Até mesmo o beemote e o leviatã são muito mais poderosos do que Jó! Completamente humilhado, Jó admite que seu ponto de vista era errado, e que falou sem conhecimento. Vendo agora a Deus, não por ouvir falar dele, mas com entendimento, retrata-se e arrepende-se “em pó e cinzas”. — 42:6.

      38. (a) Como arrasa Jeová Elifaz e seus companheiros? (b) Que favor e bênção confere a Jó?

      38 O julgamento e a bênção de Jeová (42:7-17). A seguir, Jeová acusa Elifaz e seus dois companheiros de não terem falado coisas verídicas sobre Ele. Precisam providenciar sacrifícios e é preciso que Jó ore por eles. Depois disso, Jeová reverte a condição cativa de Jó, abençoando-o com o dobro do que tinha. Seus irmãos, suas irmãs e seus anteriores amigos retornam a ele com presentes, e ele é abençoado com o dobro do que possuía antes em matéria de ovelhas, camelos, gado e jumentas. Tem novamente dez filhos, sendo suas três filhas as mais belas mulheres de todo o país. Sua vida é milagrosamente prolongada em 140 anos, de modo que chega a ver quatro gerações da sua descendência. Morre “velho e saciado de dias”. — 42:17.

      POR QUE É PROVEITOSO

      39. De que várias maneiras o livro de Jó exalta e enaltece a Jeová?

      39 O livro de Jó exalta a Jeová e testifica Sua sabedoria e poder insondáveis. (12:12, 13; 37:23) Só neste livro, Deus é chamado de Todo-poderoso 31 vezes, o que é mais do que em todo o restante das Escrituras. O relato exalta a Sua eternidade e posição enaltecida (10:5; 36:4, 22, 26; 40:2; 42:2), bem como sua justiça, benevolência e misericórdia (36:5-7; 10:12; 42:12). Salienta a vindicação de Jeová acima da salvação do homem. (33:12; 34:10, 12; 35:2; 36:24; 40:8) Jeová, o Deus de Israel, é indicado como sendo também o Deus de Jó.

      40. (a) De que modo o livro de Jó magnifica e explica as obras criativas de Deus? (b) Como fornece um vislumbre de ensinamentos das Escrituras Gregas Cristãs e se harmoniza com eles?

      40 O registro de Jó magnifica e explica a obra criativa de Deus. (38:4-39:30; 40:15, 19; 41:1; 35:10) Harmoniza-se com a declaração de Gênesis, de que o homem é feito do pó e ao pó retorna. (Jó 10:8, 9; Gên. 2:7; 3:19) Emprega os termos “redentor”, “resgate” e “viver novamente”, fornecendo assim um vislumbre de destacados ensinamentos das Escrituras Gregas Cristãs. (Jó 19:25; 33:24; 14:13, 14) Muitas das expressões no livro foram empregadas ou usadas como paralelo pelos profetas e por escritores cristãos. Compare por exemplo, Jó 7:17—Salmo 8:4; Jó 9:24—1 João 5:19; Jó 10:8—Salmo 119:73; Jó 12:25—Deuteronômio 28:29; Jó 24:23—Provérbios 15:3; Jó 26:8—Provérbios 30:4; Jó 28:12, 13, 15-19—Provérbios 3:13-15; Jó 39:30—Mateus 24:28.c

      41. (a) Que normas teocráticas são salientadas em Jó? (b) Em que é preeminentemente Jó, servo de Deus, um excelente exemplo para nós hoje?

      41 As normas justas de vida estabelecidas por Jeová são delineadas em muitas passagens. O livro condena fortemente o materialismo (Jó 31:24, 25), a idolatria (31:26-28), o adultério (31:9-12), alegrar-se com a desgraça de outros (31:29), a injustiça e a parcialidade (31:13; 32:21), o egoísmo (31:16-21), a desonestidade e a mentira (31:5), indicando que quem pratica tais coisas não pode ganhar o favor de Deus e a vida eterna. Eliú é um excelente exemplo de profundo respeito e modéstia, junto com denodo, coragem e exaltação de Deus. (32:2, 6, 7, 9, 10, 18-20; 33:6, 33) O próprio exercício de liderança por parte de Jó, a consideração que tinha pela família, e sua hospitalidade também fornecem excelente lição. (1:5; 2:9, 10; 31:32) Entretanto, Jó é principalmente lembrado por manter a integridade e perseverar com paciência, dando um exemplo que provou ser um baluarte fortalecedor da fé para os servos de Deus no decorrer das eras, e especialmente nestes tempos que põem à prova a nossa fé. “Ouvistes falar da perseverança de Jó e vistes o resultado que Jeová deu, que Jeová é mui terno em afeição e é misericordioso.” — Tia. 5:11.

      42. Que fundamental questão do Reino é esclarecida em Jó, e que interessantes aspectos desta questão são explicados?

      42 Jó não fazia parte da semente de Abraão, a quem foram dadas as promessas do Reino, contudo o registro de sua integridade contribui muito para tornar claro o entendimento dos propósitos referentes ao Reino de Jeová. O livro é parte essencial do registro divino, pois revela a questão fundamental entre Deus e Satanás, que envolve a integridade do homem para com Jeová como seu Soberano. Mostra que os anjos, criados antes da terra e do homem, também são espectadores e estão muito interessados nesta terra e no desfecho da controvérsia. (Jó 1:6-12; 2:1-5; 38:6, 7) Indica que essa controvérsia já existia antes dos dias de Jó, e que Satanás é uma pessoa espiritual real. Se o livro de Jó foi escrito por Moisés, trata-se da primeira ocorrência da expressão has·Sa·tán no texto hebraico da Bíblia, fornecendo uma identidade adicional para “a serpente original”. (Jó 1:6, nota; Rev. 12:9) O livro prova também que Deus não é o causador do sofrimento, das doenças e da morte dos humanos, e explica por que os justos são perseguidos, ao passo que se permite que os iníquos e a iniqüidade continuem. Mostra que Jeová está interessado em levar a questão em litígio à sua solução final.

      43. Em harmonia com as revelações divinas contidas no livro de Jó, que proceder precisam seguir hoje todos os que buscam as bênçãos do Reino de Deus?

      43 Agora é o tempo em que todos os que desejam viver sob o governo do Reino de Deus precisam responder a Satanás, “o acusador”, por manterem a integridade. (Rev. 12:10, 11) Mesmo enfrentando ‘provações intrigantes’, os que mantêm a integridade precisam continuar orando para que o nome de Deus seja santificado, e para que Seu Reino venha e destrua a Satanás e a toda a sua zombeteira prole. Esse será “o dia de peleja e de guerra” de Deus, seguido pelo alívio e pelas bênçãos das quais Jó esperava compartilhar. — 1 Ped. 4:12; Mat. 6:9, 10; Jó 38:23; 14:13-15.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, páginas 69, 280-1, 323; veja também “Gelo”, “Terra”.

      b 1987, Vol. 6, página 562.

      c Estudo Perspicaz das Escrituras, “Jó, Livro de”.

  • Livro bíblico número 19 — Salmos
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 19 — Salmos

      Escritor: Davi e outros

      Escrita Completada: c. 460 AEC

      1. O que é o livro de Salmos, e o que contém?

      O LIVRO de Salmos era o cancioneiro inspirado dos verdadeiros adoradores de Jeová dos tempos antigos, uma coleção de 150 cânticos sagrados, ou salmos, musicados e arranjados para a adoração pública de Jeová Deus no seu templo em Jerusalém. Esses salmos são cânticos de louvor a Jeová, e, não só isso, contêm também orações de pedido de misericórdia e de ajuda, bem como expressões de fé e confiança. São repletos de agradecimentos, exultações e exclamações de grande, sim, superlativa, alegria. Alguns são recapitulações de fatos históricos, e meditações sobre a benevolência de Jeová e suas grandes obras. Contêm numerosas profecias, muitas das quais tiveram notável cumprimento. Encerram muita instrução proveitosa e edificante, escrita em linguagem elevada e figurada, fazendo vibrar o coração do leitor. Os salmos constituem uma suntuosa refeição espiritual, belamente preparada e servida a nós convidativamente.

      2. (a) Que títulos têm sido aplicados aos Salmos, e que significados têm? (b) O que é um salmo?

      2 Qual é o significado do título do livro, e quem escreveu os Salmos? Na Bíblia hebraica, o livro é chamado de Sé·fer Tehil·lím, que significa “Livro de Louvores” ou simplesmente Tehil·lím, isto é, “Louvores”. Trata-se do plural de Tehil·láh, que significa “Louvor” ou “Cântico de Louvor”, encontrado no cabeçalho do Salmo 145. O nome “Louvores” é muito apropriado, visto que o livro contém principalmente louvores a Jeová. O nome “Salmos” vem da palavra Psal·moí, na Septuaginta grega, que designa cânticos entoados com acompanhamento musical. Esse termo é também encontrado em diversos lugares nas Escrituras Gregas Cristãs, como por exemplo em Lucas 20:42 e em Atos 1:20. O salmo é um cântico ou poema sagrado que serve para louvar e adorar a Deus.

      3. O que informam os cabeçalhos quanto aos escritores?

      3 Muitos dos salmos têm títulos, ou cabeçalhos, e estes indicam com freqüência o escritor. Setenta e três cabeçalhos levam o nome de Davi, “o agradável das melodias de Israel”. (2 Sam. 23:1) Sem dúvida, os Salmos 2, 72 e 95 foram também escritos por Davi. (Veja Atos 4:25, Salmo 72:20 e Hebreus 4:7.) Além disso, os Salmos 10 e 71 parecem ser uma continuação dos Salmos 9 e 70 respectivamente, e, por conseguinte, podem ser atribuídos a Davi. Doze salmos são atribuídos a Asafe, evidentemente denotando a casa de Asafe, visto que alguns desses falam de eventos posteriores aos dias de Asafe. (Sal. 79; Sal. 80; 1 Crô. 16:4, 5, 7; Esd 2:41) Onze salmos são atribuídos diretamente aos filhos de Corá. (1 Crô. 6:31-38) O Salmo 43 parece ser uma continuação do Salmo 42, e, por conseguinte, pode também ser atribuído aos filhos de Corá. Além de mencionar “os filhos de Corá”, o Salmo 88 menciona também no cabeçalho a Hemã, e o Salmo 89 menciona Etã como sendo o escritor. O Salmo 90 é atribuído a Moisés, e é bem provável que Moisés tenha escrito também o Salmo 91. O Salmo 127 é de Salomão. Mais de dois terços dos salmos são assim atribuídos a escritores diversos.

      4. Que espaço de tempo é abrangido pela escrita?

      4 O livro dos Salmos é o maior livro da Bíblia. Como evidenciado pelos Salmos 90, 126 e 137, sua escrita levou muito tempo, pelo menos desde o tempo em que Moisés escreveu (1513-1473 AEC) até depois do retorno de Babilônia e provavelmente nos dias de Esdras (537-c. 460 AEC). Assim se vê que a escrita levou aproximadamente mil anos. Mas o tempo abrangido pelo conteúdo é muito maior; começa desde o tempo da criação e narra a história das relações de Jeová com seus servos até o tempo da composição do último salmo.

      5. (a) Como reflete organização o livro de Salmos? (b) Que outras informações são fornecidas pelos cabeçalhos? (c) Por que não é necessário pronunciar a palavra “Sé·lah” na leitura dos salmos?

      5 O livro de Salmos reflete organização. O próprio Davi se refere aos “cortejos de meu Deus, meu Rei, entrando no lugar santo. Os cantores iam na frente e os que tocavam instrumentos de cordas iam atrás deles; no meio vinham as donzelas batendo pandeiros. Em multidões congregadas, bendizei a Deus, Jeová”. (Sal. 68:24-26) Isto explica a expressão freqüentemente repetida: “Ao regente”, que encontramos nos cabeçalhos, bem como os muitos termos poéticos e musicais. Alguns cabeçalhos explicam o uso ou propósito do salmo, ou fornecem as instruções musicais. (Veja os cabeçalhos dos Salmos 6, 30, 38, 60, 88, 102 e 120.) Pelo menos para 13 dos salmos de Davi, tais como os Salmos 18 e 51, os eventos que levaram à composição deles são brevemente relatados. Trinta e quatro dos salmos não têm cabeçalho algum. Pensa-se em geral que a pequena palavra “Sé·lah”, que ocorre 71 vezes no texto propriamente dito, seja um termo técnico para música ou para recitação, embora não se conheça seu significado exato. Alguns sugerem que indica uma pausa para meditação em silêncio ao se cantar ou tanto ao se cantar como ao se tocar instrumento musical. Por conseguinte, não precisa ser pronunciada na leitura.

      6. (a) Em quantos volumes foi dividido o livro de Salmos e quais são? (b) Quem, pelo que parece, colocou o livro de Salmos na sua forma final?

      6 Desde os tempos antigos, o livro dos Salmos era dividido em cinco livros, ou volumes, a saber: (1) Salmos 1-41; (2) Salmos 42-72; (3) Salmos 73-89; (4) Salmos 90-106; (5) Salmos 107-150. Parece que a primeira coleção desses cantos foi feita por Davi. Evidentemente, Esdras, o sacerdote e “copista destro da lei de Moisés”, foi aquele que Jeová usou para colocar o livro dos Salmos na sua forma final. — Esd 7:6.

      7. Que outras características dos Salmos devem ser notadas?

      7 Visto que foi formada progressivamente a coleção, isto explica, talvez, por que também alguns dos salmos são repetidos em diferentes partes, como os Salmos 14 e 53; 40:13-17 e Sal. 70; 57:7-11 e; 108:1-5. Cada uma das cinco partes termina com uma expressão que bendiz a Jeová, ou seja, uma doxologia, incluindo as quatro primeiras dessas partes responsos do povo e a última sendo composta do inteiro Salmo 150. — Sal. 41:13, nota.

      8. Explique o estilo acróstico de composição, dando um exemplo.

      8 Em nove salmos, emprega-se um estilo muito especial de composição, chamado acróstico por causa de sua estrutura alfabética. (Salmos 9, 10, 25, 34, 37, 111, 112, 119 e 145) Nessa estrutura, o primeiro ou os primeiros versos da primeira estrofe começam com a primeira letra do alfabeto hebraico, ʼá·lef (א), o(s) verso(s) seguinte(s), com a segunda letra, behth (ב), e assim por diante por todas ou quase todas as letras do alfabeto hebraico. Isto era talvez uma ajuda para a memória — imagine só os cantores do templo terem de lembrar cânticos tão compridos como o Salmo 119! É interessante notar que encontramos um acróstico do nome de Jeová no Salmo 96:11. A primeira metade desse versículo em hebraico é composta de quatro palavras, cujas letras iniciais, lendo-se da direita para a esquerda, são as quatro consoantes hebraicas do tetragrama: YHVH (יהוה).

      9. (a) Por que fazem muitos dos salmos um apelo direto à mente e ao coração? (b) Que mais contribui para os tornar poderosos e belos?

      9 Estes poemas líricos, sagrados, são escritos em poesia hebraica sem rima, num estilo de beleza indescritível, estando os pensamentos descritos ritmicamente. Falam de modo direto à mente e ao coração. Contêm imagens vívidas. A assombrosa extensão e profundeza do pensamento e dos fortes sentimentos expressos se deve em parte às extraordinárias experiências de Davi na vida, o que serve de tela de fundo para muitos dos salmos. Poucos homens tiveram uma vida tão variada: ele foi um jovem pastor, combateu sozinho contra Golias, foi músico da corte, era banido entre amigos leais e traidores, foi rei e vencedor, pai amoroso aturdido por causa das divisões dentro de sua própria família, sofreu amargamente por ter cometido dois pecados graves, mas foi sempre adorador zeloso de Jeová e amava a Sua lei. Com esses antecedentes de Davi, não é de admirar que os Salmos apresentem a inteira gama dos sentimentos humanos! O que contribui para os tornar tão poderosos e tão belos são os poéticos paralelismos e contrastes, tão característicos da poesia hebraica. — Sal. 1:6; 22:20; 42:1; 121:3, 4.

      10. O que atesta a autenticidade dos Salmos?

      10 A autenticidade destes antiqüíssimos cânticos de louvor a Jeová é amplamente atestada, estando em completa harmonia com o resto das Escrituras. O livro de Salmos é citado muitas vezes pelos escritores das Escrituras Gregas Cristãs. (Sal. 5:9 [Rom. 3:13]; Sal. 10:7 [Rom. 3:14]; Sal. 24:1 [1 Cor. 10:26]; Sal. 50:14 [Mat. 5:33]; Sal. 78:24 [João 6:31]; Sal. 102:25-27 [Heb. 1:10-12]; Sal. 112:9 [2 Cor. 9:9]) O próprio Davi disse no seu último cântico: “Foi o espírito de Jeová que falou por meu intermédio, e a sua palavra estava na minha língua.” Foi esse espírito que operou nele desde o dia da sua unção por Samuel. (2 Sam. 23:2; 1 Sam. 16:13) Além disso, os apóstolos citaram dos Salmos. Pedro fez referência à “escritura, que o espírito santo predissera pela boca de Davi”, e, em diversas citações dos Salmos, o escritor de Hebreus se referiu a eles como declarações proferidas por Deus ou mediante as palavras: “como diz o espírito santo”. — Atos 1:16; 4:25; Heb. 1:5-14; 3:7; 5:5, 6.

      11. Que declarações de Jesus coroam este testemunho confirmador?

      11 Chegamos à prova mais forte da autenticidade, citando as palavras de Jesus, como o ressuscitado Senhor, a seus discípulos: “Estas são as minhas palavras que vos falei . . . que todas as coisas escritas na lei de Moisés, e nos Profetas, e nos Salmos, a respeito de mim, têm de se cumprir.” Jesus englobou aqui as Escrituras Hebraicas todas do modo como os judeus as adotavam e as conheciam muito bem. Ao falar dos Salmos, ele incluía o terceiro grupo inteiro das Escrituras, chamado de Hagiógrafos (ou Escritos Sagrados), do qual os Salmos eram o primeiro livro. Isto é confirmado por aquilo que dissera algumas horas antes aos dois discípulos a caminho de Emaús, ao ‘interpretar-lhes em todas as Escrituras as coisas referentes a si mesmo’. — Luc. 24:27, 44.

      CONTEÚDO DOS SALMOS

      12. Como, desde o início, apresentam os Salmos a idéia central da felicidade, assim como o tema do Reino?

      12 Livro Primeiro (Salmos 1-41). Com exceção dos Salmos 1, 2, 10 e 33, todos estes são atribuídos diretamente a Davi. Desde o início, o Salmo 1 expressa a idéia central, declarando feliz o homem que tem prazer na lei de Jeová, que medita nela dia e noite a fim de a seguir, em contraste com os pecadores ímpios. Esta é a primeira declaração de felicidade encontrada nos Salmos. O Salmo 2 começa com uma pergunta desafiadora e mostra que todos os reis e altas autoridades da terra se aliaram “contra Jeová e contra o seu ungido”. Jeová ri-se deles em escárnio, e fala-lhes então na sua ira ardente, dizendo: “Eu é que empossei o meu rei em Sião, meu santo monte.” É ele que quebrará e despedaçará toda a oposição. Quanto aos demais reis e governantes, que ‘sirvam a Jeová com temor’, e reconheçam Seu Filho, do contrário, perecerão! (Vv. Sal 2:2, 6, 11) Assim, os Salmos mostram de imediato que o Reino é o tema da Bíblia.

      13. Que mais destaca a primeira coleção dos salmos?

      13 Nesta primeira coleção, são numerosas as orações de súplicas e de agradecimentos. O Salmo 8 contrasta a grandeza de Jeová com a pequenez do homem, e o Salmo 14 expõe a tolice dos que recusam submeter-se à autoridade de Deus. O Salmo 19 mostra como as maravilhas da criação de Jeová Deus manifestam a Sua glória, e os versículos 7-14 do Salmo 19 exaltam os benefícios recompensadores que recebem os que guardam a lei perfeita de Deus, o que é mais tarde refletido em escala maior no Salmo 119. O Salmo 23 é reconhecido como uma das obras-primas da literatura universal, mas é especialmente magnífico na bela simplicidade com que expressa a confiança leal em Jeová. Pudéramos todos nós ‘morar na casa de Jeová, o Grande Pastor, pela longura dos dias’! (23:1, 6) O Salmo 37 dá excelentes conselhos a pessoas tementes a Deus que vivem entre malfeitores, e o Salmo 40 expressa quão agradável é fazer a vontade de Deus como o fez Davi.

      14. O que se diz sobre a redenção no Livro Segundo dos Salmos, e que orações de Davi são destacadas?

      14 Livro Segundo (Salmos 42-72). Esta parte começa com oito salmos dos filhos de Corá. Os Salmos 42 e 43 são ambos atribuídos aos filhos de Corá, visto que juntos formam realmente um só poema em três estrofes, ligadas por um verso que se repete. (42:5, 11; 43:5) O Salmo 49 salienta a impossibilidade de o homem prover seu próprio resgatador, e dirige a atenção a Deus como aquele que é suficientemente forte para remir o homem “da mão do Seol”. (V. Salmo 49:15) O Salmo 51 é uma oração de Davi, proferida depois de seu terrível pecado com Bate-Seba, esposa de Urias, o hitita, mostrando a sinceridade de seu arrependimento. (2 Sam. 11:1-12:24) Esta parte termina com um salmo “referente a Salomão”, em que se pede que Jeová lhe conceda um reino pacífico, bem como a sua bênção. — Sal. 72.

      15. O que diz o Livro Terceiro sobre a história de Israel, sobre os julgamentos de Jeová e sobre seu pacto do Reino?

      15 Livro Terceiro (Salmos 73-89). Pelo menos dois dentre estes, os Salmos 74 e 79, foram compostos depois da destruição de Jerusalém que sobreveio em 607 AEC. Lamentam esta grande catástrofe, e imploram a Jeová para que ajude seu povo ‘por causa da glória do seu nome’. (79:9) O Salmo 78 conta a história de Israel desde Moisés até o tempo em que Davi “começou a pastoreá-los segundo a integridade do seu coração” (v. Salmo 78:72), e o Salmo 80 dirige atenção a Jeová como o verdadeiro “Pastor de Israel”. (V. Salmo 80:1) Os Salmos 82 e 83 são fortes solicitações a Jeová para que execute os seus julgamentos contra seus inimigos e os inimigos de seu povo. Longe de expressarem vingança, estas petições são para que as pessoas “procurem o teu nome, ó Jeová . . ., [e] saibam que tu, cujo nome é Jeová, somente tu és o Altíssimo sobre toda a terra”. (83:16, 18) Esta parte termina com o Salmo 89 que acentua “as expressões de benevolência da parte de Jeová”, conforme manifestadas especialmente no seu pacto feito com Davi. Isto assegura um herdeiro eterno no trono de Davi, que reinará por tempo indefinido perante Jeová! — Vv. Salmo 89:1, 34-37.

      16. Como exalta o Livro Quarto a realeza de Jeová e a sua fidelidade em guardar pactos?

      16 Livro Quarto (Salmos 90-106). Este, semelhante ao Livro Terceiro, contém 17 salmos. Começa com a oração de Moisés, pondo em nítido contraste a existência eterna de Deus e a vida curta do homem mortal. O Salmo 92 exalta as qualidades elevadas de Jeová. Daí, vem o grupo magnífico dos Salmos 93-100, que começa com o comovente brado: “O próprio Jeová se tornou rei!” Por conseguinte, “todos vós da terra”, é o convite, “cantai a Jeová, bendizei o seu nome . . . pois Jeová é grande e para ser louvado muito”. “Jeová é grande em Sião.” (93:1; 96:1, 2, 4; 99:2) Os Salmos 105 e 106 são agradecimentos a Jeová pelas maravilhosas obras que ele realizou a favor de seu povo e por guardar fielmente o seu pacto com Abraão, dando a terra à semente dele, não obstante os incontáveis resmungos e desvios daquele povo.

      17. De que interesse especial é o Salmo 104, e que tema se repete deste ponto em diante?

      17 O Salmo 104 é de interesse especial. Ele exalta a Jeová pela majestade e esplendor com que se revestiu, e descreve a sua sabedoria manifestada nas suas muitas obras e produções na terra. Salienta-se a seguir, em plena força, o tema do inteiro livro dos Salmos, ao aparecer pela primeira vez a exclamação: “Louvai a Jah!” (V. Salmo 104:35) Em hebraico, este convite para que os verdadeiros adoradores dêem a Jeová o louvor devido ao Seu nome é uma só palavra: ha·lelu-Yáh ou “Aleluia”, sendo esta última forma conhecida hoje em toda a terra. Deste versículo em diante, essa expressão ocorre 24 vezes, diversos salmos iniciando e terminando com tal expressão.

      18. (a) Que refrão destaca o Salmo 107? (b) O que são os Salmos chamados Hallel?

      18 Livro Quinto (Salmos 107-150). No Salmo 107, temos uma descrição das libertações efetuadas por Jeová, acompanhada do melodioso refrão: “Oh! agradeça-se a Jeová a sua benevolência e as suas obras maravilhosas para com os filhos dos homens.” (Vv. Salmo 107:8, 15, 21, 31) Os Salmos 113 a 118 são os chamados Salmos Hallel. Segundo a Míxena, estes eram entoados pelos judeus na Páscoa e nas festas de Pentecostes, das Barracas e da Dedicação.

      19. Como se contrastam os Salmos 117 e Sal. 119, e quais são algumas das características deste último?

      19 O Salmo 117 é poderoso na sua simplicidade, sendo o mais curto de todos os salmos e de todos os capítulos da Bíblia. O Salmo 119 é o mais comprido de todos os salmos e de todos os capítulos da Bíblia, perfazendo um total de 176 versículos nas 22 estrofes alfabéticas de 8 versos cada uma. Todos, exceto dois destes versículos (Sal 119:90 e 122), se referem de alguma forma à palavra ou à lei de Jeová Deus, repetindo diversas ou todas as expressões (lei, advertência, ordens, mandamento, decisões judiciais) do Salmo 19:7-14 em cada estrofe. A palavra de Deus é mencionada mais de 170 vezes em uma ou outra das seguintes 8 expressões: Advertência(s), decisão(ões) judicial(is), declaração(ões), lei, mandamento(s), ordens, palavra(s) e regulamentos ou estatutos.

      20, 21. (a) O que são os Cânticos das Subidas? (b) Como expressam eles o apreço de Davi pela necessidade de adoração unida?

      20 A seguir, encontramos outro grupo de salmos, os 15 Cânticos das Subidas, os Salmos 120-134. Os tradutores vertem esta expressão de diversos modos, visto que o significado dela não é plenamente entendido. Alguns dizem que se refere ao conteúdo exaltado destes salmos, embora não pareça haver razão clara para exaltá-los acima dos outros salmos inspirados. Muitos comentaristas sugerem que o título se deriva do uso que os adoradores faziam desses cânticos ao viajarem, ou ‘subirem’, a Jerusalém por ocasião das festividades anuais, sendo a viagem à capital considerada uma subida, porque a cidade se achava situada bem alto nos montes de Judá. (Compare com Esdras 7:9.) Davi reconhecia de modo especial a necessidade que o povo de Deus tinha de se unir em adoração. Ele se regozijou ao ouvir o convite: “Vamos à casa de Jeová”, à qual subiram as tribos, “para dar graças ao nome de Jeová”. Por este motivo, ele buscava sinceramente a paz, a segurança e a prosperidade para Jerusalém, orando: “Por causa da casa de Jeová, nosso Deus, vou continuar a procurar o teu bem.” — Sal. 122:1, 4, 9.

      21 O Salmo 132 fala do voto de Davi, segundo o qual não descansaria até achar um adequado lugar de repouso para Jeová, representado pela arca do pacto. Depois de se instalar a Arca em Sião, descreve-se Jeová em bela linguagem poética, dizendo que escolheu Sião, “meu lugar de descanso para todo o sempre; ali morarei, pois o almejei”. Ele reconhecia este lugar central de adoração, pois “ali Jeová ordenou que estivesse a bênção”. “Jeová te abençoe desde Sião.” — 132:1-6, 13, 14; 133:3; 134:3; veja também o Salmo 48.

      22. (a) Como é exaltado Jeová como digno de louvor? (b) De que modo vai a um crescendo, nos salmos concludentes, o glorioso tema do livro?

      22 O Salmo 135 exalta Jeová como o Deus digno de louvor, que faz tudo quanto lhe apraz, em contraste com os ídolos vãos e fúteis, iguais aos quais se tornarão os que os fabricam. O Salmo 136 é para ser cantado com responsos, concluindo cada versículo: “Pois a sua benevolência é por tempo indefinido.” Tais responsos eram usados em muitas ocasiões, segundo demonstrado. (1 Crô. 16:41; 2 Crô. 5:13; 7:6; 20:21; Esd 3:11) O Salmo 137 relata a saudade de Sião que os judeus tinham no coração quando, exilados, estavam em Babilônia, e atesta também que não haviam esquecido os cânticos, ou salmos, de Sião, embora estando longe da sua terra. O Salmo 145 exalta a bondade e a realeza de Jeová, mostrando que “guarda a todos os que o amam, mas a todos os iníquos ele aniquilará”. (V. Salmo 145:20) Por fim, como conclusão para mover a ação, os Salmos 146-150 acentuam novamente o glorioso tema do livro, e cada um desses salmos começa e termina com as palavras: “Louvai a Jah!” Este canto de louvores vai num crescendo sublime até o ponto culminante no Salmo 150, onde 13 vezes, no espaço de seis versículos, toda a criação é convidada a louvar a Jeová.

      POR QUE É PROVEITOSO

      23. (a) Que mensagem viva está contida nos Salmos? (b) Como são exaltados o nome e a soberania de Jeová?

      23 Em razão da perfeição de beleza e de estilo, os salmos da Bíblia podem ser incluídos entre as obras-primas literárias em todos os idiomas. Entretanto, são muito mais do que obra literária. São a mensagem viva do Supremo Soberano de todo o universo, do próprio Jeová Deus. Permitem aprofundarmos nosso entendimento dos ensinos fundamentais da Bíblia, falando primeiro e acima de tudo de Jeová, seu Autor. Atestam claramente que ele é o Criador do universo e de tudo quanto há nele. (8:3-9; 90:1, 2; 100:3; 104:1-5, 24; 139:14) Na verdade, o livro dos Salmos magnifica o nome “Jeová”, que aparece mais de 700 vezes. Além disso, a forma abreviada “Jah” encontra-se 43 vezes, de modo que ao todo o nome divino é mencionado cerca de 5 vezes, em média, em cada Salmo. Outrossim, fala-se de Jeová como ʼElo·hím, ou Deus, umas 350 vezes. Faz-se alusão à supremacia governamental de Jeová pela expressão “Soberano Senhor” referente a ele em diversos dos salmos. — 68:20; 69:6; 71:5; 73:28; 140:7; 141:8.

      24. O que se diz nos Salmos sobre o homem mortal, e que conselhos preciosos são dados?

      24 Faz-se contraste entre o Deus eterno e o homem mortal que nasceu no pecado e necessita de redentor, e mostra-se que ele morre e retorna “à matéria quebrantada”, indo ao Seol, a sepultura comum de toda a humanidade. (6:4, 5; 49:7-20; 51:5, 7; 89:48; 90:1-5; 115:17; 146:4) O livro dos Salmos sublinha a necessidade de obedecer à lei de Deus e de confiar em Jeová. (1:1, 2; 62:8; 65:5; 77:12; 115:11; 118:8; 119:97, 105, 165) Coloca-nos de sobreaviso contra a presunção e os “pecados escondidos” (19:12-14; 131:1), e aconselha associações honestas e salutares. (15:1-5; 26:5; 101:5) Mostra que a boa conduta traz a aprovação de Jeová. (34:13-15; 97:10) Oferece uma esperança maravilhosa, ao dizer que “a salvação pertence a Jeová”, assegurando aos que o temem que ele irá “livrar a sua alma da própria morte”. (3:8; 33:19) Isto nos leva ao aspecto profético dos Salmos.

      25. (a) Em que é rico o livro de Salmos? (b) Como usou Pedro os Salmos para revelar a identidade do Davi Maior?

      25 O livro de Salmos é rico em profecias, dirigindo a atenção a Jesus Cristo, o “filho de Davi”, bem como ao papel que desempenharia na qualidade de Ungido de Jeová e Rei.a (Mat. 1:1) Na ocasião do nascimento da congregação cristã, no dia de Pentecostes, em 33 EC, o espírito santo começou a esclarecer os apóstolos quanto ao cumprimento dessas profecias. Naquele mesmo dia, Pedro citou repetidamente os Salmos para desenvolver o tema do famoso discurso que proferiu. Dizia respeito a uma pessoa: “Jesus, o nazareno”. A última parte de sua argumentação se baseia quase inteiramente em citações dos Salmos, provando que Cristo Jesus é o Davi Maior e que Jeová não deixaria a sua alma no Hades, mas o ressuscitaria dentre os mortos. Não, “Davi não ascendeu aos céus”, mas, conforme ele predisse no Salmo 110:1, o seu Senhor ascendeu. Quem é o Senhor de Davi? O discurso de Pedro atinge o seu ponto culminante ao responder ele de modo poderoso: “Este Jesus, a quem pregastes numa estaca”! — Atos 2:14-36; Sal. 16:8-11; 132:11.

      26. Quão proveitoso foi o discurso de Pedro?

      26 Foi proveitoso o discurso de Pedro, baseado nos Salmos? O fato de que cerca de 3.000 pessoas foram batizadas e acrescentadas à congregação cristã naquele mesmo dia é em si uma resposta. — Atos 2:41.

      27. Como interpretou o “espírito santo” o Salmo 2?

      27 Pouco tempo depois, por ocasião de uma reunião especial, os discípulos apelaram para Jeová, citando o Salmo 2:1, 2. Disseram que isto se cumprira na oposição unida dos dominadores contra o ‘santo servo Jesus, a quem Deus ungiu’. E o relato passa a dizer que todos ficaram “cheios de espírito santo”. — Atos 4:23-31.

      28. (a) Fazendo referência aos Salmos, que argumento desenvolve Paulo em Hebreus, capítulos 1 a 3? (b) Como constitui o Salmo 110:4 a base da consideração que Paulo faz sobre o sacerdócio melquisedeciano?

      28 Consideremos agora a carta dirigida aos hebreus. Nos dois primeiros capítulos, encontramos diversas citações dos Salmos a respeito da superioridade de Jesus sobre os anjos como entronizado Filho celestial de Deus. Referindo-se ao Salmo 22:22 e a outras passagens, Paulo mostra que Jesus possui uma congregação composta de “irmãos” que fazem parte da semente de Abraão e são “participantes da chamada celestial”. (Heb. 2:10-13, 16; 3:1) Depois, a partir de Hebreus 6:20 até o fim do Heb. capítulo 7, o apóstolo discorre longamente sobre a outra função de Jesus como “sumo sacerdote para sempre à maneira de Melquisedeque”. Isto se refere à promessa juramentada de Deus, no Salmo 110:4, à qual Paulo se refere muitas vezes, para provar a superioridade do sacerdócio de Jesus sobre o de Arão. Paulo explica que, por juramento de Jeová, Jesus Cristo é sacerdote, não na terra, mas no céu, e “permanece sacerdote perpetuamente” — os benefícios de seu serviço sacerdotal serão eternos. — Heb. 7:3, 15-17, 23-28.

      29. Que notável modelo de devoção devemos seguir, segundo declarado nos Salmos e explicado em Hebreus 10:5-10?

      29 Outrossim, em Hebreus 10:5-10, informa-se-nos quanto Jesus apreciava o proceder sacrificial que era a vontade de Deus para ele, e que estava determinado a cumprir essa vontade. Isto se baseia nas palavras de Davi, em Salmo 40:6-8. É de máximo proveito que consideremos este modelo de devoção e o imitemos, a fim de recebermos a aprovação de Deus. — Veja também Salmo 116:14-19.

      30. Como predisseram os Salmos em pormenores a linha de conduta adotada por Jesus, e como deve ter ele derivado consolo deles?

      30 A linha de conduta adotada por Jesus, que culminou na terrível provação que suportou na estaca de tortura, fora predita nos Salmos em notáveis pormenores. Incluía que se lhe ofereceria vinagre para beber, que se lançariam sortes sobre suas vestes exteriores, que receberia tratamento cruel nas mãos e nos pés, que se zombaria dele e que na pior angústia mental ele daria o grito de agonia: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” (Mat. 27:34, 35, 43, 46; Sal. 22:1, 7, 8, 14-18; 69:20, 21) Segundo indica João 19:23-30, mesmo durante aquelas horas difíceis, Jesus deve ter obtido grande consolo e orientação dos Salmos, sabendo que todas estas passagens bíblicas tinham de se cumprir ao pé da letra. Jesus sabia que os Salmos falavam também da sua ressurreição e glória. Ele tinha sem dúvida essas coisas em mente, ao presidir, quando ‘cantou louvores’, ou salmos, com seus apóstolos na última noite antes de sua morte. — Mat. 26:30.

      31. O que prediz o livro de Salmos relativo à Semente do Reino e à congregação de Jesus?

      31 Assim, pois, o livro de Salmos identifica claramente o “filho de Davi” e a Semente do Reino como sendo Cristo Jesus, que está agora exaltado como Rei e Sacerdote na Sião celestial. O espaço não nos permite descrever em pormenores todas as passagens dos Salmos que são mencionadas nas Escrituras Gregas Cristãs e que se cumpriram neste Ungido de Jeová, mas alistamos aqui mais alguns exemplos: Sal. 78:2—Mat. 13:31-35; Sal. 69:4—João 15:25; Sal. 118:22, 23—Mar. 12:10, 11 e Atos 4:11; Sal. 34:20—João 19:33, 36; Sal. 45:6, 7—Heb. 1:8, 9. A congregação dos verdadeiros seguidores de Jesus foi também predita nos Salmos, não como indivíduos, mas como grupo favorecido por Deus, composto de pessoas de todas as nações, para participar duma obra que consiste em louvar o nome de Jeová. — Sal. 117:1—Rom. 15:11; Sal. 68:18—Efé. 4:8-11; Sal. 95:7-11—Heb. 3:7, 8; 4:7.

      32. (a) O que revela o estudo de Salmos quanto à vindicação de Jeová e aos propósitos do Reino? (b) Em apreço da Sua realeza, como devemos expressar nossa lealdade e gratidão?

      32 O estudo dos Salmos aumenta muito o nosso apreço da realeza que Jeová Deus exerce por intermédio da prometida Semente e Herdeiro do Reino, para a Sua glória e vindicação. Estejamos sempre entre os leais que exultam sobre o ‘esplendor glorioso da dignidade de Jeová’, e de quem se fala no Salmo 145 como sendo um “louvor, de Davi”: “Palestrarão sobre a glória do teu reinado e falarão sobre a tua potência, para dar a conhecer aos filhos dos homens seus atos potentes e a glória do esplendor do seu reinado. Teu reinado é um reinado por todos os tempos indefinidos, e teu domínio é durante todas as gerações sucessivas.” (145:5, 11-13) Em harmonia com o salmo profético, o esplendor do estabelecido Reino de Deus, por Cristo, é dado a conhecer mesmo agora aos filhos dos homens em todas as nações. Quão gratos devemos ser por esse Reino e seu Rei! São realmente apropriadas as palavras finais dos Salmos: “Toda coisa que respira — louve ela a Jah. Louvai a Jah!” — 150:6.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Estudo Perspicaz das Escrituras, “Salmos, Livro de”.

  • Livro bíblico número 20 — Provérbios
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 20 — Provérbios

      Proferidos por: Salomão, Agur, Lemuel

      Lugar da Escrita: Jerusalém

      Escrita Completada: c. 717 AEC

      1. Que sabedoria encontramos no livro de Provérbios?

      QUANDO Salomão, filho de Davi, se tornou rei de Israel em 1037 AEC, orou a Jeová, pedindo-lhe “sabedoria e conhecimento” para “julgar este grande povo”. Em resposta, Jeová lhe deu ‘conhecimento e sabedoria, e um coração entendido’. (2 Crô. 1:10-12; 1 Reis 3:12; 4:30, 31) Em resultado disso, Salomão chegou a “falar três mil provérbios”. (1 Reis 4:32) Parte dessas palavras de sabedoria foi assentada por escrito no livro bíblico de Provérbios. Visto que a sua sabedoria era realmente a que “Deus lhe pusera no coração”, então, ao estudarmos Provérbios, estamos estudando, com efeito, a sabedoria de Jeová Deus. (1 Reis 10:23, 24) Esses provérbios englobam verdades eternas. Têm o mesmo valor hoje como quando foram proferidos pela primeira vez.

      2. Por que era o tempo de Salomão uma época propícia para Deus prover tal orientação?

      2 O reinado de Salomão era uma época propícia para Deus guiar seu povo. Dizia-se que Salomão ‘se sentava no trono de Jeová’. O reino teocrático de Israel estava no seu apogeu, e Salomão foi favorecido com superabundante “dignidade real”. (1 Crô. 29:23, 25) Era época de paz, fartura e segurança. (1 Reis 4:20-25) Entretanto, mesmo sob aquele domínio teocrático, o povo tinha seus problemas e suas dificuldades pessoais em virtude das imperfeições humanas. É compreensível que o povo se voltasse para o sábio Rei Salomão em busca de ajuda para solucionar seus problemas. (1 Reis 3:16-28) Ao pronunciar julgamento nesses numerosos casos, ele proferiu ditos proverbiais que se adequavam a muitas circunstâncias da vida do dia-a-dia. Esses ditos breves, mas cheios de significado, foram muito prezados por aqueles que desejavam harmonizar seu modo de vida com a vontade de Deus.

      3. Como chegou a ser compilado o livro de Provérbios?

      3 O livro não diz que Salomão escreveu os Provérbios. Todavia, diz que ele ‘falou’ provérbios, também que “fez uma investigação cabal, a fim de pôr em ordem muitos provérbios”, revelando assim que tinha interesse em preservar esses provérbios para uso futuro. (1 Reis 4:32; Ecl. 12:9) Na época de Davi e de Salomão, o nome dos secretários oficiais figurava na lista dos oficiais da corte. (2 Sam. 20:25; 2 Reis 12:10) Não sabemos se esses escribas da sua corte escreveram e compilaram os provérbios de Salomão, mas as expressões de um rei tão importante seriam altamente consideradas e normalmente seriam assentadas por escrito. Admite-se em geral que o livro seja uma coleção compilada de outras coleções.

      4. (a) Como se divide geralmente o livro de Provérbios? (b) Quem originou a maior parte dos provérbios?

      4 O livro de Provérbios pode ser dividido em cinco partes. Estas são: (1) Capítulos 1-9, iniciando com as palavras: “Os provérbios de Salomão, filho de Davi”; (2) Capítulos 10-24, descritos como “Provérbios de Salomão”; (3) Capítulos 25-29, esta parte começa com as seguintes palavras: “Também estes são provérbios de Salomão transcritos pelos homens de Ezequias, rei de Judá”; (4) Capítulo 30, inicia assim: “Palavras de Agur, filho de Jaque” e (5) Capítulo 31, que abrange “Palavras de Lemuel, o rei, a mensagem ponderosa que sua mãe lhe deu em correção”. Salomão foi, pois, o originador da maior parte dos provérbios. Quanto a Agur e Lemuel, não há nenhuma informação precisa sobre a identidade deles. Alguns comentaristas sugerem que Lemuel talvez tenha sido outro nome de Salomão.

      5. Quando foi escrito e compilado Provérbios?

      5 Quando se escreveu e compilou o livro de Provérbios? A maior parte foi assentada por escrito, sem dúvida, durante o reinado de Salomão (1037-998 AEC), antes de seu desvio. Em virtude da incerteza sobre a identidade de Agur e de Lemuel, não é possível determinar a data da matéria deles. Visto que uma das coleções foi feita durante o reinado de Ezequias (745-717 AEC), a coleção final não poderia ter sido feita antes de seu reinado. Foram também as duas divisões finais compiladas sob a direção do Rei Ezequias? Em resposta, há uma nota esclarecedora, sobre Provérbios 31:31, na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas — com Referências: “Algumas ed(ições) do texto hebr(aico) apresentam o trigrama, ou três letras, Hete, Zaine, Cofe (חזק), que representam a assinatura do Rei Ezequias, nas cópias feitas pelos seus escribas, para indicar que o serviço fora terminado.”

      6. O que é um provérbio, e por que é apropriado o título hebraico do livro?

      6 Nas Bíblias hebraicas, esse livro era chamado originalmente pela primeira palavra do livro, mish·léh, que significa “provérbios”. Mish·léh é o plural, em construto, do substantivo hebraico ma·shál, substantivo este que, segundo se crê, deriva duma raiz que significa “ser parecido” ou “ser comparável”. Estes termos descrevem bem o conteúdo do livro, pois provérbios são ditos sucintos que com freqüência empregam semelhança ou comparação destinada a fazer o ouvinte refletir. A forma breve dos provérbios faz com que seja fácil seguir a linha de pensamento e entendê-los, e os torna interessantes, sendo desta forma facilmente ensinados, aprendidos e lembrados. A idéia fica gravada na memória.

      7. O que devemos notar quanto ao estilo de Provérbios?

      7 É também muito interessante examinar o estilo de expressão do livro. É escrito em estilo poético hebraico. A estrutura da maior parte do livro é em paralelismo poético. Não se expressa com rima no fim dos versos, ou com som igual. Consiste em versos rítmicos com repetição de idéias ou de pensamentos paralelos. A beleza e a força didática residem no ritmo de pensamento. Esses pensamentos podem ser sinônimos ou antíteses, e há neles a força do paralelismo que estende o pensamento, amplia a idéia e assegura que seja transmitido o significado do pensamento. Encontramos exemplos de paralelismo sinônimo em Provérbios 11:25; 16:18 e 18:15, e de paralelismo mais abundante de antítese em Provérbios 10:7, 30; 12:25; 13:25 e 15:8. No fim do livro, aparece outro tipo de estrutura. (Pro. 31:10-31) Os 22 versículos ali estão dispostos de forma tal que, em hebraico, cada um começa com a letra sucessiva do alfabeto hebraico, sendo este o estilo acróstico, também usado em diversos salmos. Quanto à beleza, este estilo é sem igual nos escritos antigos.

      8. Como o uso que os cristãos primitivos fizeram de Provérbios testifica a sua autenticidade?

      8 A autenticidade de Provérbios é também provada pelo amplo uso que os cristãos primitivos fizeram desse livro para estabelecer as regras de conduta. Parece que Tiago estava bem familiarizado com Provérbios, e empregou os princípios básicos encontrados nesse livro para dar bons conselhos sobre a conduta cristã. (Compare Provérbios 14:29; 17:27 com Tiago 1:19, 20; Provérbios 3:34 com Tiago 4:6; Provérbios 27:1 com Tiago 4:13, 14.) Citações diretas de Provérbios acham-se também nas seguintes passagens: Romanos 12:20—Provérbios 25:21, 22; Hebreus 12:5, 6—Provérbios 3:11, 12; 2 Pedro 2:22—Provérbios 26:11.

      9. Como se harmoniza Provérbios com o restante da Bíblia?

      9 Além disso, o livro de Provérbios revela estar em harmonia com o restante da Bíblia, provando assim que faz parte de “toda a Escritura”. Quando o comparamos com a Lei de Moisés, com o ensinamento de Jesus e com os escritos de seus discípulos e apóstolos, observamos uma notável união de pensamento. (Veja Provérbios 10:16—1 Coríntios 15:58 e Gálatas 6:8, 9; Provérbios 12:25—Mateus 6:25; Provérbios 20:20—Êxodo 20:12 e Mateus 15:4.) Mesmo quando se trata de pontos tais como a preparação da terra para ser a habitação do homem, há harmonia de pensamento com outros escritores da Bíblia. — Pro. 3:19, 20; Gên. 1:6, 7; Jó 38:4-11; Sal. 104:5-9.

      10, 11. Que mais atesta a inspiração divina do livro?

      10 A exatidão científica, quer se trate de provérbios que envolvam princípios da química, da medicina, quer da saúde, atesta também a inspiração divina do livro. Aparentemente, Provérbios 25:20 fala das reações ácido-alcalinas. Provérbios 31:4, 5 concorda com as últimas descobertas científicas de que o álcool inibe o raciocínio. Muitos médicos e nutricionistas concordam que o mel é alimento sadio, o que faz lembrar o provérbio: “Filho meu, come mel, pois é bom.” (Pro. 24:13) As modernas observações psicossomáticas não são novidade para Provérbios. “O coração alegre faz bem como o que cura.” — 17:22; 15:17.

      11 Deveras, o livro de Provérbios abrange de modo tão completo as necessidades do homem, bem como todas as situações em que se pode encontrar, que certa autoridade declarou: “Não há nenhuma relação na vida que não tenha a sua instrução apropriada, não há tendência boa ou má sem o seu devido incentivo ou correção. A percepção humana é em toda a parte levada em relação imediata com a Divina, . . . e o homem caminha como na presença do seu Criador e Juiz . . . Todo o tipo de humanos se encontra neste livro antigo; e, embora esboçado há três mil anos, ainda é tão fiel à natureza como se tivesse sido tirado agora do seu representante vivo.” — Dictionary of the Bible, de Smith, 1890, Vol. III, página 2616.

      CONTEÚDO DE PROVÉRBIOS

      12. (a) Que poema contínuo constitui a primeira parte de Provérbios? (b) O que nos ensina relativo à sabedoria e conduta humana? (c) Como é que Provérbios 1:7 estabelece o tema do livro inteiro?

      12 Primeira Parte (1:1–9:18). É um poema contínuo, composto de curtos discursos, como de um pai para seu filho, que recomenda a necessidade de sabedoria para guiar o coração, a pessoa inteira no seu íntimo, e para orientar seus desejos. Ensina o valor da sabedoria e as bênçãos decorrentes dela: a felicidade, o prazer, a paz e a vida. (1:33; 3:13-18; 8:32-35) Contrasta isto com a falta de sabedoria e suas conseqüências: o sofrimento e por fim a morte. (1:28-32; 7:24-27; 8:36) Considerando a infinidade de situações e possibilidades que se apresentam na vida, fornece um estudo fundamental da conduta humana e de suas conseqüências no presente e no futuro. As palavras contidas em Provérbios 1:7 constituem o tema do livro inteiro: “O temor de Jeová é o princípio do conhecimento.” Em todas as ações é preciso levar em consideração a Jeová. Há constante repetição da necessidade de não esquecermos as leis de Deus, de nos conservarmos achegados aos mandamentos dele e de não os abandonarmos.

      13. Indique os fios destacados que tecem a primeira parte de Provérbios.

      13 Os fios destacados que tecem esta primeira parte são a sabedoria prática, o conhecimento, o temor de Jeová, a disciplina e o discernimento. Há advertências contra a má companhia, contra rejeitar a disciplina de Jeová e contra as relações ilícitas com mulheres estranhas. (1:10-19; 3:11, 12; 5:3-14; 7:1-27) Duas vezes, a sabedoria é descrita como estando em lugares públicos, podendo ser assim obtida e estando disponível. (1:20, 21; 8:1-11) Ela é personificada, fala solicitamente aos inexperientes e até dá esclarecimentos sobre a criação da terra. (1:22-33; 8:4-36) Que livro notável é! Esta parte termina com o tema inicial, que “o temor de Jeová é o início da sabedoria”. (9:10) Do começo ao fim, argumenta que o reconhecimento de Jeová em todos os nossos caminhos, junto com nossa aderência à sua justiça, é o caminho da vida e pode resguardar-nos de tantas coisas indesejáveis.

      14. Que paralelismos em antíteses fazem com que se destaquem os ensinamentos práticos de Provérbios?

      14 Segunda Parte (10:1–24:34). Encontramos aqui uma variedade de máximas seletas, independentes, que aplicam sabedoria aos problemas complexos da vida. Ensinando-nos as aplicações corretas, tem por objetivo promover maior felicidade e vida agradável. As antíteses nos paralelismos fazem com que esses ensinamentos se destaquem em nossa mente. Eis aqui uma lista parcial dos assuntos que são considerados só nos capítulos 10, 11 e 12:

      o amor em oposição ao ódio

      a sabedoria em oposição à tolice

      a honestidade em oposição à fraudulência

      a fidelidade em oposição à falsidade

      a verdade em oposição à mentira

      a generosidade em oposição à avareza

      a diligência em oposição à indolência

      a integridade em oposição aos caminhos pervertidos

      os bons conselhos em oposição à falta de orientação

      a esposa capaz em oposição à esposa desavergonhada

      a justiça em oposição à iniqüidade

      a modéstia em oposição à presunção

      Se considerarmos esta lista em relação com a vida do dia-a-dia, nós nos daremos conta da utilidade prática de Provérbios.

      15. Cite alguns exemplos da variedade das situações humanas tratadas em Provérbios.

      15 O restante desta parte (13:1–24:34) faz lembrar as normas de Jeová, a fim de agirmos com perspicácia e discernimento. Uma enumeração da grande variedade de situações que os humanos têm de enfrentar mostra o amplo alcance dos assuntos tratados nesse livro. São de máximo proveito os conselhos bíblicos sobre: fingimento, presunção, manter a palavra, argúcia, associações, disciplina e educação dos filhos, o conceito do homem sobre o que é reto, a necessidade de ser vagoroso em irar-se, mostrar favor aos atribulados, fraude, oração, zombaria, contentar-se com o necessário para a vida, orgulho, lucro injusto, suborno, contendas, autodomínio, isolar-se, calar-se, parcialidade, altercações, humildade, luxo, assistência a pai e mãe, bebidas inebriantes, trapaça, qualidades de uma esposa, dar presentes, tomar empréstimo, emprestar, bondade, confiança, termos de propriedades, edificar a família, inveja, revide, vaidade, resposta branda, meditação e verdadeiro companheirismo. Que tesouro de conselhos a recorrer para orientação sadia sobre assuntos do dia-a-dia! Para alguns, diversos desses itens podem parecer sem importância, mas notamos aqui que a Bíblia não negligencia as nossas necessidades mesmo nas coisas aparentemente pequenas. Nisto, o livro de Provérbios é de valor inestimável.

      16. Que conselhos edificantes são dados na terceira parte de Provérbios?

      16 Terceira Parte (25:1–29:27). Recebemos conselhos edificantes sobre assuntos tais como honra, paciência, inimigos, como lidar com os estúpidos, como divertir-se, lisonja, ciúme, ferimentos causados por um amigo, fome, calúnia, cumprir responsabilidades, juros, confissão, conseqüências do domínio dum governo mau, arrogância, bênçãos decorrentes dum governo justo, delinqüência juvenil, relacionamento com servos, perspicácia e visão.

      17. (a) Que “mensagem ponderosa” transmite Agur? (b) Que diferentes séries de quatro coisas descreve ele?

      17 Quarta Parte (30:1-33). Trata-se da “mensagem ponderosa” atribuída a Agur. Depois de humilde reconhecimento de sua própria pequenez, o escritor faz alusão à incapacidade do homem de criar a terra e as coisas que há nela. Diz que a Palavra de Deus é refinada, e refere-se a Deus como um escudo. Pede que seja afastada dele a palavra mentirosa e que não lhe sejam dadas nem riquezas nem pobreza. Descreve em seguida uma impura, orgulhosa e gananciosa geração que amaldiçoa os próprios pais. Quatro coisas que não disseram “Basta!” são identificadas, bem como quatro coisas que são maravilhosas demais para compreender. (30:15, 16) Fala-se da atitude impudente da mulher adúltera que afirma não ter pecado. Daí, há quatro coisas que a terra não pode suportar, quatro coisas pequenas, mas instintivamente sábias, e quatro coisas que sobressaem na sua locomoção. Mediante comparações aptas, o escritor adverte que “premer a ira é o que produz a altercação”. — 30:33.

      18. O que tem a dizer o Rei Lemuel sobre (a) a mulher má e (b) a esposa capaz?

      18 Quinta Parte (31:1-31). Eis outra “mensagem ponderosa” de Lemuel, o rei. É composta em dois estilos diferentes de escrita. A primeira parte anuncia a ruína à qual se pode chegar por meio de uma mulher má, adverte como a bebida inebriante pode perverter o julgamento e exorta que se faça julgamento justo. Na parte final, o acróstico faz uma descrição clássica da esposa capaz. Descreve em pormenores as qualidades dela, falando que ela é de grande valor e inspira confiança, e é uma recompensa para seu dono. As qualidades dela incluem que é trabalhadeira, levanta-se cedo, compra com discernimento, é bondosa para com os pobres, é precavida, fala com sabedoria. Também, ela é atenta, seus filhos a respeitam e seu marido a louva. Acima de tudo, ela teme a Jeová.

      POR QUE É PROVEITOSO

      19. Como dá o próprio livro de Provérbios a conhecer o seu propósito benéfico?

      19 O propósito benéfico de Provérbios está declarado nos primeiros versículos: “Para se conhecer sabedoria e disciplina, para se discernirem as declarações de entendimento, para se receber a disciplina que dá perspicácia, justiça e juízo, e retidão, para se dar argúcia aos inexperientes, conhecimento e raciocínio ao moço.” (1:2-4) Em harmonia com tal propósito declarado, o livro salienta o conhecimento, a sabedoria e a compreensão, cada uma dessas qualidades sendo proveitosa do seu próprio modo.

      20. O que diz Provérbios sobre o conhecimento?

      20 (1) O conhecimento é a maior necessidade do homem, pois não lhe é salutar ficar na ignorância. É impossível adquirir conhecimento exato sem o temor de Jeová, pois tal temor é o início do conhecimento. O conhecimento é preferível ao ouro fino. Por quê? Porque, mediante o conhecimento, os justos são libertados; ele nos refreia de cair no pecado. Quão necessário é buscá-lo, assimilá-lo! É precioso. Portanto: “Inclina teu ouvido e ouve as palavras dos sábios, para que fixes teu próprio coração no meu conhecimento.” — 22:17; 1:7; 8:10; 11:9; 18:15; 19:2; 20:15.

      21. Qual é o ensino divino concernente à sabedoria?

      21 (2) A sabedoria, quer dizer, a habilidade de usar corretamente o conhecimento para o louvor de Jeová, “é a coisa principal”. Adquira-a. A Fonte dela é Jeová. A sabedoria vivificadora tem seu início no conhecimento e no temor de Jeová Deus — esse é o grande segredo da sabedoria. Portanto, tema a Deus, não ao homem. A sabedoria personificada faz uma proclamação, instando com todos para que endireitem os seus caminhos. A sabedoria grita em voz alta nas próprias ruas. Jeová chama a todos os inexperientes e os faltos de coração para que se voltem e se alimentem do pão da sabedoria. Serão então felizes com o temor de Jeová, mesmo que possuam pouco. Muitas são as bênçãos da sabedoria; grandemente proveitosos são os seus efeitos. A sabedoria e o conhecimento — os elementos fundamentais preliminares para se adquirir reflexão, que é uma salvaguarda. Como o mel é benéfico e agradável ao paladar, assim é a sabedoria. É mais preciosa do que o ouro; é árvore de vida. Os que não possuem sabedoria perecem, pois a sabedoria preserva a vida; ela significa vida. — 4:7; 1:7, 20-23; 2:6, 7, 10, 11; 3:13-18, 21-26; 8:1-36; 9:1-6, 10; 10:8; 13:14; 15:16, 24; 16:16, 20-24; 24:13, 14.

      22. De que nos salvaguarda a compreensão?

      22 (3) Além do conhecimento e da sabedoria, é de suma importância adquirir a compreensão; por conseguinte, “com tudo o que adquirires, adquire compreensão”. A compreensão é a habilidade de ver uma coisa nos seus elementos e na sua relação; isto significa discernimento, tendo-se sempre em mente a Deus, pois o homem não pode estribar-se na sua própria compreensão. É absolutamente impossível alguém ter compreensão ou discernimento, se as suas obras estiverem em oposição a Jeová! Precisamos buscar diligentemente a compreensão como um tesouro escondido, a fim de a possuirmos. Para adquirirmos compreensão, precisamos ter conhecimento. Quem se empenha em adquirir conhecimento é recompensado, e a sabedoria se acha diante dele. Pode evitar as inumeráveis armadilhas do mundo, tais como das incontáveis pessoas más que poderiam procurar enlaçá-lo a andar com elas no caminho das trevas. Sejam dadas graças a Jeová Deus — a Fonte do vitalizador conhecimento, sabedoria e compreensão! — 4:7; 2:3, 4; 3:5; 15:14; 17:24; 19:8; 21:30.

      23. Que conselhos sábios serão considerados a seguir?

      23 Conforme o objetivo benéfico de Provérbios, o livro apresenta uma abundância de sábios conselhos inspirados, que nos ajudam a adquirir a compreensão, e resguardam nosso coração, “pois dele procedem as fontes da vida”. (4:23) Segue-se uma seleção de conselhos sábios, acentuados do começo ao fim do livro.

      24. O que se diz a respeito dos iníquos e dos justos?

      24 Contraste entre os iníquos e os justos: Os iníquos serão apanhados nos seus caminhos pervertidos, e seus tesouros não os salvarão no dia do furor. Os justos se colocam no caminho da vida e serão recompensados por Jeová. — 2:21, 22; 10:6, 7, 9, 24, 25, 27-32; 11:3-7, 18-21, 23, 30, 31; 12:2, 3, 7, 28; 13:6, 9; 14:2, 11; 15:3, 8, 29; 29:16.

      25. Como nos adverte Provérbios contra a imoralidade?

      25 A necessidade de retidão moral: Salomão avisa constantemente contra a imoralidade. Os adúlteros receberão uma praga, bem como desonra, e o seu vitupério não será apagado. “Águas furtadas” podem parecer doces para um jovem, mas a prostituta desce à morte e arrasta consigo suas vítimas inexperientes. Os que caem no profundo abismo da imoralidade são condenados por Jeová. — 2:16-19; 5:1-23; 6:20-35; 7:4-27; 9:13-18; 22:14; 23:27, 28.

      26. O que diz sobre o autodomínio?

      26 A necessidade de autodomínio: A bebedice e a glutonaria são condenadas. Todos os que desejam ter a aprovação de Deus precisam praticar moderação no comer e no beber. (20:1; 21:17; 23:21, 29-35; 25:16; 31:4, 5) Os que são vagarosos em se irar são abundantes em discernimento e maiores do que um homem poderoso que captura uma cidade. (14:17, 29; 15:1, 18; 16:32; 19:11; 25:15, 28; 29:11, 22) O autodomínio é necessário também para se evitar a inveja e o ciúme, sendo este podridão para os ossos. — 14:30; 24:1; 27:4; 28:22.

      27. (a) O que constitui uso insensato da língua? (b) Por que é tão importante fazer uso sábio de nossos lábios e de nossa língua?

      27 O uso sábio e o uso insensato da língua: A fala pervertida, o caluniador, a testemunha falsa e o falsificador serão descobertos, pois são detestáveis a Jeová. (4:24; 6:16-19; 11:13; 12:17, 22; 14:5, 25; 17:4; 19:5, 9; 20:17; 24:28; 25:18) Se a boca de alguém fala coisas boas, é fonte de vida; mas a boca do insensato o precipita à ruína. “Morte e vida estão no poder da língua, e quem a ama comerá os seus frutos.” (18:21) A calúnia, a fraude, a lisonja e as palavras irrefletidas são condenadas. Falar a verdade e honrar a Deus é o caminho da sabedoria. — 10:11, 13, 14; 12:13, 14, 18, 19; 13:3; 14:3; 16:27-30; 17:27, 28; 18:6-8, 20; 26:28; 29:20; 31:26.

      28. Que dano causa o orgulho, mas que benefícios resultam da humildade?

      28 A tolice do orgulho e a necessidade de humildade: O orgulhoso se eleva a uma posição que realmente não deve, de modo que sofre uma queda desastrosa. Jeová detesta os que são de coração altivo, mas dá aos humildes sabedoria, glória, riquezas e vida. — 3:7; 11:2; 12:9; 13:10; 15:33; 16:5, 18, 19; 18:12; 21:4; 22:4; 26:12; 28:25, 26; 29:23.

      29. Como devemos considerar a preguiça, e de que valor é a diligência?

      29 Diligência, não indolência: Muitas são as descrições do preguiçoso. Ele devia ir ter com a formiga para aprender uma lição e se tornar sábio. Quanto ao diligente — este prosperará! — 1:32; 6:6-11; 10:4, 5, 26; 12:24; 13:4; 15:19; 18:9; 19:15, 24; 20:4, 13; 21:25, 26; 22:13; 24:30-34; 26:13-16; 31:24, 25.

      30. Como sublinha Provérbios a boa associação?

      30 A boa associação: É loucura associar-se com os que não temem a Jeová, com os iníquos ou estúpidos, com pessoas irascíveis, com mexeriqueiros ou com glutões. Antes, busque a companhia de pessoas sábias, e adquirirá mais sabedoria. — 1:10-19; 4:14-19; 13:20; 14:7; 20:19; 22:24, 25; 28:7.

      31. Que conselho sábio é dado sobre a repreensão?

      31 A necessidade de repreensão e de correção: “Jeová repreende aquele a quem ama”, e os que aceitam essa disciplina estão no caminho da glória e da vida. Quem odeia a repreensão chegará à desonra. — 3:11, 12; 10:17; 12:1; 13:18; 15:5, 31-33; 17:10; 19:25; 29:1.

      32. Que excelente admoestação é dada sobre ser boa esposa?

      32 Como ser boa esposa: Repetidas vezes os Provérbios avisam contra a esposa ser contenciosa e agir vergonhosamente. A esposa discreta, capaz e que teme a Deus tem na língua a lei da benevolência; quem encontra tal esposa obtém a boa vontade da parte de Jeová. — 12:4; 18:22; 19:13, 14; 21:9, 19; 27:15, 16; 31:10-31.

      33. Que instruções úteis são dadas sobre a educação dos filhos?

      33 Como criar os filhos: Devem-se-lhes ensinar os mandamentos de Deus regularmente para que ‘não os esqueçam’. Devem ser criados desde a infância na instrução de Jeová. Não se poupe a vara quando necessária; como expressão de amor, a vara e a repreensão dão sabedoria ao menino. Os pais que criam seus filhos no caminho de Deus terão filhos sábios que lhes trarão regozijo e muito prazer. — 4:1-9; 13:24; 17:21; 22:6, 15; 23:13, 14, 22, 24, 25; 29:15, 17.

      34. Que benefícios recebemos quando assumimos a obrigação de ajudar os outros?

      34 A obrigação de ajudar os outros: Com freqüência, salienta-se isto em Provérbios. O sábio deve difundir conhecimento para o proveito dos outros. A pessoa precisa também ser generosa em mostrar favor aos de poucos meios, e, assim fazendo, está realmente emprestando a Jeová que garante retribuir. — 11:24-26; 15:7; 19:17; 24:11, 12; 28:27.

      35. Que conselho dá Provérbios, chegando assim ao âmago de nossos problemas?

      35 Confiança em Jeová: O livro de Provérbios chega ao âmago de nossos problemas ao aconselhar-nos a depositar plena confiança em Deus. Devemos levar em conta a Jeová em todos os nossos caminhos. O homem pode fazer planos, mas é Jeová que deve dirigir seus passos. O nome de Jeová é torre forte, para a qual o justo corre e encontra proteção. Espere em Jeová e deixe-se guiar pela sua Palavra. — 3:1, 5, 6; 16:1-9; 18:10; 20:22; 28:25, 26; 30:5, 6.

      36. De que pontos de vista pode Provérbios ser descrito como sendo atual, prático e proveitoso?

      36 Quão proveitoso é o livro de Provérbios para ensinar e disciplinar tanto a nós como a outros! Parece que nenhum aspecto das relações humanas ficou despercebido. Há alguém que se isola dos co-adoradores de Deus? (18:1) É alguém em posição de responsabilidade que tira conclusões antes de ouvir ambos os lados da questão? (18:17) É brincalhão perigoso? (26:18, 19) Mostra-se parcial? (28:21) O comerciante na sua loja, o lavrador no campo, o marido, a esposa e o filho — todos recebem instrução salutar. Os pais são ajudados de modo a poderem expor os muitos laços ocultos na vereda dos jovens. Os sábios podem ensinar os inexperientes. Os provérbios são práticos onde quer que vivamos; a instrução e o conselho do livro nunca ficam antiquados. “O livro de Provérbios”, disse certa vez o educador norte-americano William Lyon Phelps, “é mais atual do que o jornal desta manhã”.a O livro de Provérbios é atual, prático e proveitoso para ensino, porque é inspirado por Deus.

      37. Como se harmoniza Provérbios com os ensinamentos do Salomão Maior?

      37 Sendo proveitoso para endireitar as coisas, o livro de Provérbios, composto em grande parte de provérbios proferidos por Salomão, conduz os homens ao Todo-poderoso Deus. Assim fez também Jesus Cristo, mencionado em Mateus 12:42 como sendo “algo maior do que Salomão”.

      38. Como nos ajuda Provérbios a aumentar nosso apreço pelo Reino de Deus e pelos seus justos princípios?

      38 Quão gratos podemos ser de que Este preeminentemente sábio é a escolha de Jeová para ser a Semente do Reino! Seu trono “será firmemente estabelecido pela própria justiça”, será um reinado pacífico muito mais glorioso do que o do Rei Salomão. Dir-se-á a respeito da dominação desse Reino: “Benevolência e veracidade — elas salvaguardam o rei; e ele amparou seu trono pela benevolência.” Isso abrirá diante da humanidade uma eternidade de governo justo, a respeito do qual Provérbios também diz: “Quando o rei julga em veracidade os de condição humilde, seu trono ficará firmemente estabelecido para todo o sempre.” Assim, reconhecemos com prazer que os Provérbios iluminam a nossa vereda, dando-nos conhecimento, sabedoria e compreensão, bem como a vida eterna; mais importante, porém, magnificam a Jeová como a Fonte da verdadeira sabedoria, que ele dá por intermédio de Cristo Jesus, o Herdeiro do Reino. O livro de Provérbios aumenta o nosso apreço pelo Reino de Deus e pelos justos princípios segundo os quais governa agora. — Pro. 25:5; 16:12; 20:28; 29:14.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Treasury of the Christian Faith, 1949, editado por Stuber e Clark, página 48.

  • Livro bíblico número 21 — Eclesiastes
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 21 — Eclesiastes

      Escritor: Salomão

      Lugar da Escrita: Jerusalém

      Escrita Completada: Antes de 1000 AEC

      1. Com que objetivo elevado foi escrito Eclesiastes?

      O LIVRO de Eclesiastes foi escrito com um objetivo elevado. Na qualidade de líder de um povo dedicado a Jeová, Salomão tinha a responsabilidade de manter este povo coeso em fidelidade à sua dedicação. Ele procurou cumprir essa responsabilidade por meio dos conselhos sábios contidos em Eclesiastes.

      2. Como se expressa esse objetivo no nome hebraico do livro de Eclesiastes, tornando-o assim mais adequado do que os nomes em grego e em português?

      2 Em Eclesiastes 1:1, ele se refere a si mesmo como o “congregante”. No idioma hebraico, esta palavra é Qo·hé·leth, e na Bíblia hebraica o livro recebe esse nome. A Septuaginta grega dá o título de Ek·kle·si·a·stés, que significa “um membro de uma eclésia (congregação; assembléia)”, do qual deriva o nome português Eclesiastes. Entretanto, a tradução mais apropriada de Qo·hé·leth é “O Congregante”, e esta designação é também mais adequada para Salomão. Expressa o objetivo de Salomão ao escrever esse livro.

      3. Em que sentido foi Salomão um congregante?

      3 Em que sentido foi o Rei Salomão um congregante, e a que congregou pessoas? Ele foi o congregante de seu povo, os israelitas, e dos companheiros destes, os residentes temporários. Congregou todos estes para a adoração do seu Deus, Jeová. Antes, ele havia construído o templo de Jeová, em Jerusalém, e, na ocasião da dedicação desse templo, ele havia convocado ou congregado todos eles para a adoração de Deus. (1 Reis 8:1) Agora, por meio de Eclesiastes, procurava congregar o seu povo para obras dignas, desviando-o das obras vãs e infrutíferas deste mundo. — Ecl. 12:8-10.

      4. Como se estabelece que Salomão é o escritor?

      4 Embora não se diga especificamente que Salomão foi o escritor, diversas passagens são bem conclusivas neste sentido. O congregante se apresenta como “filho de Davi”, que ‘veio a ser rei sobre Israel, em Jerusalém’. Isto só se poderia aplicar ao Rei Salomão, pois os seus sucessores, em Jerusalém, reinaram apenas sobre Judá. Além disso, conforme o congregante escreve: “Eu mesmo aumentei grandemente em sabedoria, mais do que qualquer outro que veio a estar antes de mim em Jerusalém, e meu próprio coração tem visto muita sabedoria e conhecimento.” (1:1, 12, 16) Isto se ajusta a Salomão. Eclesiastes 12:9 diz-nos que ele “ponderou e fez uma investigação cabal, a fim de pôr em ordem muitos provérbios”. O Rei Salomão proferiu 3.000 provérbios. (1 Reis 4:32) Eclesiastes 2:4-9 fala do programa de construção do escritor; de seus vinhedos, dos jardins e parques; do sistema de irrigação; de ter adquirido servos e servas; de ter acumulado prata e ouro e de outras consecuções. Tudo isto Salomão fez. Quando a rainha de Sabá viu a sabedoria e a prosperidade de Salomão, ela disse: “Não se me contou nem a metade.” — 1 Reis 10:7.

      5. Onde e quando deve ter sido escrito Eclesiastes?

      5 O livro identifica Jerusalém com o lugar da escrita, ao dizer que o congregante era rei “em Jerusalém”. O tempo da escrita deve ter sido antes do ano 1000 AEC, perto do fim do reinado de 40 anos de Salomão, depois de se ter empenhado nos numerosos empreendimentos referidos no livro, mas antes de sua queda na idolatria. Por volta desse tempo, ele já havia adquirido conhecimento extensivo das atividades deste mundo e do empenho deste por vantagens materiais. Nessa época, ele ainda estava no favor de Deus e sob Sua inspiração.

      6. Que objeções têm sido levantadas quanto à inspiração de Eclesiastes, mas como podem ser refutadas essas objeções?

      6 Como podemos ter certeza de que Eclesiastes é ‘inspirado por Deus’? Alguns talvez lancem dúvidas sobre a sua inspiração, porque não menciona nenhuma vez o nome divino, Jeová. Todavia, defende sem a mínima dúvida a verdadeira adoração de Deus, e encontramos ali repetidas vezes a expressão ha·ʼElo·hím, “o verdadeiro Deus”. Outra objeção talvez seja levantada, dizendo-se que não há citações diretas de Eclesiastes nos outros livros da Bíblia. Contudo, os ensinamentos apresentados e os princípios expressos no livro estão em perfeita harmonia com o resto das Escrituras. Eis o que declara o Commentary de Clarke, Volume III, página 799: “O livro, intitulado Koheleth, ou Eclesiastes, foi sempre aceito, tanto pela igreja judaica como pela cristã, como tendo sido escrito sob inspiração do Todo-poderoso; e foi considerado devidamente parte do cânon sagrado.”

      7. Que antecedentes de Salomão o tornaram altamente qualificado para escrever o livro de Eclesiastes?

      7 Os “altos críticos”, sábios segundo este mundo, afirmam que Eclesiastes não foi escrito por Salomão, e que não faz parte genuína de “toda a Escritura”, dizendo que sua linguagem e filosofia pertencem a uma época posterior. Eles ignoram o fundo de informações que Salomão pôde acumular graças ao desenvolvimento progressivo de seu comércio internacional e de sua indústria, bem como por meio de dignitários viajantes e outros contatos com o mundo exterior. (1 Reis 4:30, 34; 9:26-28; 10:1, 23, 24) Conforme escreve F. C. Cook no seu Bible Commentary (Comentário da Bíblia), Volume IV, página 622: “As ocupações diárias e os empreendimentos preferidos do grande rei hebreu certamente o levaram muito além da esfera da vida, do pensamento e da linguagem comuns dos hebreus.”

      8. Qual é a prova mais forte da canonicidade de Eclesiastes?

      8 Mas, são realmente necessárias fontes externas para provar a canonicidade de Eclesiastes? Um exame do próprio livro revelará não só sua harmonia intrínseca, mas também sua harmonia com o resto das Escrituras, das quais faz realmente parte.

      CONTEÚDO DE ECLESIASTES

      9. O que constata o congregante sobre as ocupações dos filhos dos homens?

      9 A futilidade do modo de vida do homem (1:1-3:22). As primeiras palavras ressoam o tema do livro: “‘A maior das vaidades’, disse o congregante, ‘a maior das vaidades! Tudo é vaidade!’” Que proveito tira o homem de toda a luta e labuta em que se empenha? Gerações vêm e vão, os ciclos naturais seguem seu curso na terra, e “não há nada de novo debaixo do sol”. (1:2, 3, 9) O congregante pôs o coração a buscar e perscrutar a sabedoria, no tocante às calamitosas atividades dos filhos dos homens, mas constata que, na sabedoria e na estultícia, nos empreendimentos e no trabalho árduo, no comer e no beber, tudo é “vaidade e um esforço para alcançar o vento”. Ele chega a ‘odiar a vida’, a vida cheia de calamidades e de empreendimentos materialistas. — 1:14; 2:11, 17.

      10. Qual é a dádiva de Deus, mas que evento conseqüente sobrevém ao homem pecador?

      10 Para tudo há um tempo designado — sim, Deus fez tudo “bonito no seu tempo”. Ele deseja que suas criaturas desfrutem a vida sobre a terra. “Vim saber que não há nada melhor para eles do que alegrar-se e fazer o bem durante a sua vida; e também que todo homem coma e deveras beba, e veja o que é bom por todo o seu trabalho árduo. É a dádiva de Deus.” Mas, infelizmente, para o homem pecador e para o animal há o mesmo evento conseqüente: “Como morre um, assim morre o outro; e todos eles têm apenas um só espírito, de modo que não há nenhuma superioridade do homem sobre o animal, pois tudo é vaidade.” — 3:1, 11-13, 19.

      11. Que conselhos sábios dá o congregante ao homem que teme a Deus?

      11 Conselhos sábios para os que temem a Deus (4:1-7:29). Salomão congratula os mortos, porque estão livres de “todos os atos de opressão que se praticam debaixo do sol”. Daí, continua a descrever as obras vãs e calamitosas. Ele aconselha também de modo sábio, dizendo que é “melhor dois do que um” e que o “cordão tríplice não pode ser prontamente rompido em dois”. (4:1, 2, 9, 12) Ele dá bons conselhos ao povo de Deus, ao se congregar: ‘Guarde os seus pés, sempre que for à casa do verdadeiro Deus; e haja um achegamento para ouvir.’ Não seja precipitado em falar diante de Deus; ‘as suas palavras devem mostrar ser poucas’, e pague o que vota a Deus. ‘Tema o próprio verdadeiro Deus.’ Quando os pobres são oprimidos, lembre-se de que “alguém que é mais alto do que o alto está vigiando, e há os que estão alto por cima deles”. O simples servo, observa ele, terá sono doce, mas o rico está preocupado demais para poder dormir. Contudo, nu ele veio ao mundo, e, apesar de todo o seu trabalho árduo, não pode levar nada do mundo. — 5:1, 2, 4, 7, 8, 12, 15.

      12. Que conselhos nos são dados sobre as questões sérias da vida, e qual é a vantagem da sabedoria sobre o dinheiro?

      12 Um homem talvez receba riquezas e glória, mas que adianta viver “mil anos duas vezes”, se não vir o que é bom? É melhor tomar a peito as questões sérias da vida e da morte do que associar-se com o estúpido, “na casa de alegria”; com efeito, é melhor receber a repreensão do sábio, pois como o estalar “de espinhos sob a panela é o riso do estúpido”. A sabedoria é proveitosa. “Pois a sabedoria é para proteção, assim como o dinheiro é para proteção; mas a vantagem do conhecimento é que a própria sabedoria preserva vivos os que a possuem.” Por que, então, se tornou calamitoso o caminho da humanidade? “O verdadeiro Deus fez a humanidade reta, mas eles mesmos têm procurado muitos planos.” — 6:6; 7:4, 6, 12, 29.

      13. O que nos aconselha o congregante, o que gaba ele, e que diz sobre o lugar para onde vai o homem?

      13 O mesmo evento conseqüente para todos (8:1-9:12). “Guarda a própria ordem do rei”, aconselha o congregante, mas ele observa que, visto que a sentença contra o trabalho mau não é executada prontamente, “o coração dos filhos dos homens ficou neles plenamente determinado a fazer o mal”. (8:2, 11) Ele próprio gaba a alegria, mas há outra coisa calamitosa! Toda sorte de homens segue o mesmo caminho — para a morte! Os vivos estão cônscios de que morrerão, os “mortos, porém, não estão cônscios de absolutamente nada . . . Tudo o que a tua mão achar para fazer, faze-o com o próprio poder que tens, pois não há trabalho, nem planejamento, nem conhecimento, nem sabedoria no Seol, o lugar para onde vais.” — 9:5, 10.

      14. (a) Que sabedoria prática salienta o congregante? (b) Qual é a conclusão do assunto?

      14 A sabedoria prática e a obrigação do homem (9:13-12:14). O congregante cita outras calamidades, como a “estultícia . . . em muitas posições elevadas”. Apresenta também muitos provérbios de sabedoria prática, e declara que mesmo “a juventude e o primor da mocidade são vaidade”, a menos que se acate a verdadeira sabedoria. Ele declara: “Lembra-te, pois, do teu Grandioso Criador nos dias da tua idade viril.” De outra forma, a velhice resultará meramente em a pessoa retornar ao pó da terra, isto acompanhado das palavras do congregante: “A maior das vaidades! . . . Tudo é vaidade.” Ele próprio sempre ensinou ao povo o conhecimento, pois “as palavras dos sábios são como aguilhadas”, impelindo a obras corretas, mas, quanto à sabedoria do mundo, ele adverte: “De se fazer muitos livros não há fim, e muita devoção a eles é fadiga para a carne.” Daí, o congregante leva o livro ao seu grandioso clímax, fazendo um resumo de tudo o que considerou sobre a vaidade e sobre a sabedoria: “A conclusão do assunto, tudo tendo sido ouvido, é: Teme o verdadeiro Deus e guarda os seus mandamentos. Pois esta é toda a obrigação do homem. Pois o próprio verdadeiro Deus levará toda sorte de trabalho a julgamento com relação a toda coisa oculta, quanto a se é bom ou mau.” — 10:6; 11:1, 10; 12:1, 8-14.

      POR QUE É PROVEITOSO

      15. Como diferencia Salomão as atividades calamitosas das obras dignas?

      15 Longe de ser um livro pessimista, Eclesiastes está cravejado de brilhantes gemas de sabedoria divina. Quando Salomão enumera as muitas consecuções que ele chama de vaidade, não inclui a construção do templo de Jeová, sobre o monte Moriá, em Jerusalém, nem a adoração pura de Jeová. Tampouco diz que a vida, que é uma dádiva de Deus, seja vaidade; ao contrário, mostra que o objetivo era que o homem se regozijasse e fizesse o bem. (3:12, 13; 5:18-20; 8:15) As atividades calamitosas são as que não levam em conta a Deus. Um pai pode ajuntar riquezas para seu filho, mas um desastre destrói tudo e nada lhe resta. Seria muito melhor providenciar uma herança duradoura de riquezas espirituais. É calamitoso possuir uma abundância e não poder usufruí-la. A calamidade sobrevém a todos os ricos do mundo quando ‘se vão’, de mãos vazias, na morte. — 5:13-15; 6:1, 2.

      16. Como se harmoniza Qo·hé·leth, ou Eclesiastes, com os ensinamentos de Jesus?

      16 Em Mateus 12:42, Cristo Jesus se referiu a si mesmo como “algo maior do que Salomão”. Visto que Salomão prefigurou a Jesus, podemos dizer que as palavras de Salomão, contidas no livro Qo·hé·leth, estão em harmonia com os ensinamentos de Jesus? Encontramos muitos paralelos! Por exemplo, Jesus sublinhou o grande alcance da obra de Deus, ao dizer: “Meu Pai tem estado trabalhando até agora e eu estou trabalhando.” (João 5:17) Salomão falou igualmente das obras de Deus: “E eu vi todo o trabalho do verdadeiro Deus, que a humanidade não é capaz de descobrir o trabalho que se fez debaixo do sol; por mais que a humanidade trabalhe arduamente para procurar, ainda assim não o descobre. E mesmo que dissessem que são bastante sábios para saber, não seriam capazes de o descobrir.” — Ecl. 8:17.

      17. Que outros paralelos se encontram nas palavras de Jesus e de Salomão?

      17 Tanto Jesus como Salomão encorajaram os verdadeiros adoradores a se congregarem. (Mat. 18:20; Ecl. 4:9-12; 5:1) As declarações de Jesus sobre a “terminação do sistema de coisas” e “os tempos designados das nações” estão em harmonia com as palavras de Salomão de que “para tudo há um tempo determinado, sim, há um tempo para todo assunto debaixo dos céus”. — Mat. 24:3; Luc. 21:24; Ecl. 3:1.

      18. Ao avisar sobre que armadilhas se unem Jesus e seus discípulos a Salomão?

      18 Acima de tudo, Jesus e seus discípulos se unem a Salomão para avisar sobre as armadilhas do materialismo. A sabedoria é a verdadeira proteção, pois “preserva vivos os que a possuem”, diz Salomão. Jesus diz: “Persisti, pois, em buscar primeiro o reino e a Sua justiça, e todas estas outras coisas vos serão acrescentadas”. (Ecl. 7:12; Mat. 6:33) Em Eclesiastes 5:10, está escrito: “O mero amante da prata não se fartará de prata, nem o amante da opulência, da renda. Também isto é vaidade.” Paulo nos dá um conselho bem similar, ao dizer, em 1 Timóteo 6:6-19, que “o amor ao dinheiro é raiz de toda sorte de coisas prejudiciais”. Há similares passagens paralelas sobre outros pontos de instrução bíblica. — Ecl. 3:17—Atos 17:31; Ecl. 4:1—Tia. 5:4; Ecl. 5:1, 2—Tia. 1:19; Ecl. 6:12—Tia 4:14; Ecl. 7:20—Rom. 3:23; Ecl. 8:17—Rom. 11:33.

      19. Com que perspectiva feliz podemos congregar-nos hoje para a adoração de Jeová?

      19 O governo do Reino do amado Filho de Deus, Jesus Cristo, que na carne era descendente do sábio Rei Salomão, estabelecerá uma nova sociedade terrestre. (Rev. 21:1-5) O que Salomão escreveu para a orientação de seus súditos no seu reino típico é de interesse vital para todos os que agora depositam a sua esperança no Reino sob Cristo Jesus. Debaixo da dominação deste Reino, a humanidade viverá segundo os mesmos princípios sábios que o congregante apresentou, e se regozijará eternamente com a dádiva divina de uma vida feliz. Agora é tempo de nos congregarmos para a adoração de Jeová, a fim de usufruirmos plenamente as alegrias da vida sob o seu Reino. — Ecl. 3:12, 13; 12:13, 14.

  • Livro bíblico número 22 — O Cântico de Salomão
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 22 — O Cântico de Salomão

      Escritor: Salomão

      Lugar da Escrita: Jerusalém

      Escrita Completada: c. 1020 AEC

      1. Em que sentido é este o “Cântico dos cânticos”?

      “O MUNDO inteiro não era digno do dia em que este sublime Cântico foi dado a Israel.” Assim expressou o rabino judeu Akiba, que viveu no primeiro século da Era Comum, a sua admiração pelo Cântico de Salomão.a O título do livro é uma forma abreviada das primeiras palavras: “O cântico superlativo, que é de Salomão.” No texto hebraico, é literalmente o “Cântico dos cânticos”, denotando excelência superlativa, similar à expressão “os céus dos céus” para os mais altos céus. (Deut. 10:14) Não se trata de uma coleção de cânticos, mas de um só cântico, “um cântico de extrema perfeição, um dos melhores que já existiram ou que foram escritos”.b

      2. (a) Quem foi o escritor de O Cântico de Salomão, quais eram as suas qualificações, e por que poderia esse livro ser chamado de cântico de um amor frustrado? (b) Onde foi escrito o livro, e quando?

      2 O Rei Salomão, de Jerusalém, foi o escritor desse cântico, segundo indicado na introdução. Estava altamente qualificado para escrever este supremamente belo exemplo de poesia hebraica. (1 Reis 4:32) É um poema idílico, de grande significado e muito expressivo na sua descrição de beleza. O leitor que puder visualizar o cenário oriental apreciará isto ainda mais. (Cân. 4:11, 13; 5:11; 7:4) A ocasião para a sua escrita era ímpar. O grande Rei Salomão, glorioso em sabedoria, forte em poder e deslumbrante no brilho da sua riqueza material, que suscitou até mesmo a admiração da rainha de Sabá, não conseguiu impressionar uma jovem simples do interior por quem se enamorou. Por causa da constância de seu amor por um jovem pastor, o rei não teve êxito. Portanto, o livro bem poderia ser chamado de “O Cântico do Amor Frustrado de Salomão”. Jeová Deus o inspirou a compor este cântico para o proveito dos leitores da Bíblia das eras futuras. Ele o escreveu em Jerusalém. Talvez isso se tenha dado por volta de 1020 AEC, alguns anos depois de terminar a construção do templo. Na época em que escreveu esse cântico, Salomão tinha “sessenta rainhas e oitenta concubinas”, ao passo que no fim do seu reinado possuía “setecentas esposas, princesas, e trezentas concubinas”. — Cân. 6:8; 1 Reis 11:3.

      3. Que evidência existe da canonicidade do Cântico de Salomão?

      3 Nos tempos antigos, a canonicidade do Cântico de Salomão era absolutamente incontestada. Muito antes da Era Comum, era considerado inspirado e parte integrante do cânon hebraico. Foi incorporado na Septuaginta grega. Josefo o incluiu no seu catálogo dos livros sagrados. Por conseguinte, tem as mesmas comumente citadas evidências de autenticidade que quaisquer outros livros das Escrituras Hebraicas.

      4. (a) Será que a ausência da palavra “Deus” argumenta contra ser canônico o Cântico de Salomão? (b) O que o distingue, dando-lhe um lugar sem igual no cânon da Bíblia?

      4 A canonicidade desse livro é, porém, contestada por alguns sob o pretexto de que não há nele menção de Deus. O fato de não mencionar a Deus não desqualifica o livro, assim como a mera presença da palavra “Deus” não o tornaria canônico. A realidade é que o nome divino aparece na sua forma abreviada, no capítulo 8, versículo 6, onde se diz que o amor é “a chama de Jah”. Esse livro inquestionavelmente faz parte dos escritos aos quais Jesus Cristo se referiu com aprovação, ao dizer: “Pesquisais as Escrituras, porque pensais que por meio delas tereis vida eterna.” (João 5:39) Além do mais, sua poderosa descrição da sublime qualidade de amor mútuo, tal como existe em sentido espiritual entre Cristo e sua “noiva”, distingue o Cântico de Salomão e lhe dá um lugar sem igual no cânon da Bíblia. — Rev. 19:7, 8; 21:9.

      CONTEÚDO DO CÂNTICO DE SALOMÃO

      5. (a) Como são identificados os personagens do drama? (b) Que tema comovente é expresso?

      5 A matéria do livro é apresentada na forma de uma série de conversas. Há constante mudança de personagens. As pessoas que desempenham o papel das partes faladas são Salomão, rei de Jerusalém, um pastor, sua amada sulamita, os irmãos dela, as damas da corte (“filhas de Jerusalém”) e as mulheres de Jerusalém (“filhas de Sião”). (Cân. 1:5-7; 3:5, 11) São identificadas por aquilo que elas próprias dizem ou pelas palavras dirigidas a elas. O drama se desenrola perto de Suném, ou Sulém, onde Salomão está acampado com sua comitiva da corte. Expressa um tema comovente — o amor de uma jovem camponesa, da aldeia de Suném, pelo seu companheiro pastor.

      6. Que conversação é entabulada entre a donzela e as damas da corte do acampamento de Salomão?

      6 A sulamita no acampamento de Salomão (1:1-14). A jovem aparece nas tendas reais, onde o rei a introduziu, mas ela só anseia ver seu amado pastor. Com saudades do seu amado, ela fala como se ele estivesse presente. As damas da corte (“filhas de Jerusalém”) que assistem o rei olham curiosamente para a sulamita por causa da sua tez morena. Ela explica que está queimada do sol por cuidar dos vinhedos de seus irmãos. Daí, fala ao seu amado como se ela estivesse livre, e pergunta onde o pode encontrar. As damas da corte mandam-na ir pastorear o seu rebanho perto das tendas dos pastores.

      7. Que avanços faz Salomão, mas com que resultado?

      7 Salomão entra em cena. Não está disposto a deixá-la partir. Ele exalta a beleza dela e promete adorná-la com “argolinhas de ouro” e “botõezinhos de prata”. Mas a sulamita resiste aos avanços dele e deixa-lhe saber que o único amor que ela sente é pelo seu amado. — 1:11.

      8. Como o amado da donzela a encoraja? O que anseia ela?

      8 O amado pastor aparece (1:15–2:2). O amado da sulamita consegue penetrar no acampamento de Salomão e a encoraja. Ele lhe expressa todo o seu amor. A sulamita anseia que seu querido fique perto dela e quer ter o simples prazer de viver unida com ele nos campos e nos bosques.

      9. Em que termos avaliam a moça e seu amado a beleza dela?

      9 A sulamita é uma moça modesta. “Sou apenas um açafrão da planície costeira”, diz ela. Seu amado pastor a julga incomparável: “Como lírio entre as plantas espinhosas, assim é minha companheira entre as filhas.” — 2:1, 2.

      10. O que relembra a donzela relativo ao seu amor?

      10 A donzela sente saudades de seu pastor (2:3–3:5). Separada de novo de seu amado, a sulamita mostra o quanto o preza acima de todos, e diz às filhas de Jerusalém que elas estão sob juramento de não tentarem despertar nela um amor não desejado por outro. A sulamita relembra o tempo em que seu pastor respondeu à sua chamada e a convidou a passear nas colinas na primavera. Ela o revê subir os montes, pulando de alegria. A sulamita o ouve gritar para ela: “Levanta-te, vem, ó companheira minha, minha bela, e vem.” Mas, seus irmãos, que duvidavam da sua constância, zangaram-se e ordenaram-lhe trabalhar na guarda dos vinhedos. Ela declara: “Meu querido é meu e eu sou dele”, e implora-lhe que se apresse a vir para junto dela. — 2:13, 16.

      11. De que juramento lembra a sulamita as filhas de Jerusalém?

      11 A sulamita descreve sua detenção no acampamento de Salomão. De noite, na cama, sente saudades de seu pastor. Novamente lembra as filhas de Jerusalém que estão sob juramento de não despertarem nela um amor não desejado.

      12. Que encorajamento adicional dá à donzela seu amado ao ser ela levada por Salomão a Jerusalém?

      12 A sulamita em Jerusalém (3:6–5:1). Salomão retorna com grande pompa a Jerusalém, e o povo admira o seu cortejo. Nessa hora cruciante, o amado pastor não abandona a sulamita. Ele segue a sua companheira, que está usando um véu, e entra em contato com ela. Ele encoraja a sua amada com palavras de ternura. Ela lhe diz que quer libertar-se e abandonar a cidade; ele então cai num êxtase de amor, e diz: “Tu és inteiramente bela, ó companheira minha.” (4:7) Um simples olhar dele para ela faz o coração dele bater mais rápido. Suas expressões de afeto são melhores do que o vinho, sua fragrância é como a fragrância do Líbano e a sua pele é como um paraíso de romãs. A moça convida seu amado a vir ao ‘jardim dele’, e ele aceita. As amistosas mulheres de Jerusalém os encorajam, dizendo: “Comei, companheiros! Bebei e embriagai-vos com expressões de afeto!” — 4:16; 5:1.

      13. Que sonho tem a donzela, e como descreve ela seu amado às damas da corte?

      13 O sonho da donzela (5:2–6:3). A sulamita conta às mulheres da corte um sonho em que ouve alguém bater. Seu amado está lá fora e pede-lhe que o deixe entrar. Mas ela está deitada. Quando finalmente se levanta para abrir a porta, ele desapareceu no meio da noite. Ela sai para procurá-lo, mas não o encontra. Os vigias a maltratam. Ela diz às damas da corte que estão sob juramento de dizer a seu amado, se o encontrarem, que ela desfalece de amor. Elas lhe perguntam o que faz com que ele seja tão notável. Ela responde com uma descrição encantadora dele, dizendo que ele é “deslumbrante e corado, o mais conspícuo de dez mil”. (5:10) As damas da corte lhe perguntam onde ele foi. Ela responde que foi pastorear entre os jardins.

      14. Depois de todo o empenho, como fracassa Salomão naquilo que busca?

      14 Os últimos avanços de Salomão (6:4–8:4). O Rei Salomão se aproxima da sulamita. Novamente lhe diz quão bela ela é, mais bela do que “sessenta rainhas e oitenta concubinas”, mas ela o rejeita. (6:8) Só está ali porque uma incumbência de serviço a levou perto do acampamento dele. ‘O que vê em mim?’ pergunta ela. Salomão tira partido de sua pergunta ingênua e lhe diz quão bela ela é, dos pés à cabeça, mas a donzela repele os avanços dele. Declara corajosamente sua devoção a seu pastor, clamando para que ele venha. Pela terceira vez diz às filhas de Jerusalém que estão sob juramento de não despertarem nela um amor não espontâneo. Salomão deixa-a partir. Fracassou em conquistar o amor da sulamita.

      15. (a) Com que pedido retorna a moça a seus irmãos? (b) Como triunfou a devoção exclusiva?

      15 O retorno da sulamita (8:5-14). Os irmãos dela vêem-na aproximar-se, mas ela não está sozinha. Está “encostando-se no seu querido”. Ela relembra ter conhecido seu amado debaixo de uma macieira, e declara o seu inquebrantável amor por ele. São mencionados alguns comentários anteriores de seus irmãos sobre a preocupação destes a respeito dela quando “pequena irmã”, mas ela diz que revelou ser mulher madura e estável. (8:8) Que seus irmãos consintam agora no seu casamento. O Rei Salomão pode ficar com a sua riqueza! Ela se contenta com o seu único vinhedo, pois ama alguém que lhe é exclusivamente querido. No seu caso, seu amor é tão forte quanto a morte e suas labaredas como “a chama de Jah”. A insistência na devoção exclusiva, “tão inexorável como o Seol”, triunfou e conduziu à elevação sublime de união com seu amado pastor. — 8:5, 6.

      POR QUE É PROVEITOSO

      16. Que lições valiosas podemos tirar deste cântico?

      16 Que lições, ensinadas neste cântico de amor, pode o homem de Deus achar proveitosas hoje? A fidelidade, a lealdade e a integridade aos princípios piedosos nos são claramente mostradas. O cântico ensina a beleza da virtude e da inocência numa pessoa que ama verdadeiramente. Ensina que o verdadeiro amor permanece inflexível, inextinguível, não pode ser comprado. Os jovens cristãos, homens e mulheres, bem como maridos e esposas, poderão tirar proveito deste excelente exemplo de integridade diante de tentações e seduções.

      17. (a) Como mostra Paulo que este cântico foi escrito para a instrução da congregação cristã? (b) Por que é bem provável que Paulo o tivesse em mente ao escrever aos coríntios e aos efésios? (c) Que comparações interessantes podemos fazer com os escritos inspirados de João?

      17 Este cântico inspirado é também de muito proveito para a congregação cristã como um todo. Os cristãos do primeiro século o reconheciam como parte das Escrituras inspiradas, tendo um deles escrito: “Todas as coisas escritas outrora foram escritas para a nossa instrução, para que, por intermédio da nossa perseverança e por intermédio do consolo das Escrituras, tivéssemos esperança.” (Rom. 15:4) É bem possível que esse mesmo escritor inspirado, Paulo, tivesse em mente o amor exclusivo da sulamita pelo seu pastor, quando escreveu à congregação cristã: “Pois, estou ciumento de vós com ciúme piedoso, porque eu, pessoalmente, vos prometi em casamento a um só marido, a fim de vos apresentar como virgem casta ao Cristo.” Paulo escreveu também sobre o amor de Cristo pela congregação como o de um marido para com a esposa. (2 Cor. 11:2; Efé. 5:23-27) Jesus Cristo não só é o Pastor Excelente para eles, mas é também seu Rei, e prometeu a seus seguidores ungidos a alegria indescritível do “casamento” com ele nos céus. — Rev. 19:9; João 10:11.

      18. Como podem os seguidores ungidos de Cristo Jesus tirar proveito do exemplo da sulamita?

      18 Esses seguidores ungidos de Cristo Jesus podem certamente tirar muito proveito do exemplo da sulamita. Eles também precisam ser leais no seu amor, não se deixando enlaçar pelo brilho materialista do mundo e mantendo equilíbrio na sua integridade até obterem a recompensa. Sua mente está fixa nas coisas de cima e ‘buscam primeiro o Reino’. Eles acolhem com alegria os sinais de afeto de seu Pastor, Jesus Cristo. Transbordam de alegria ao saberem que este amado, embora invisível, está perto deles, dando-lhes encorajamento para vencerem o mundo. Tendo tal amor inextinguível, tão forte quanto “a chama de Jah”, pelo seu Pastor-Rei, vencerão, sim, e se unirão a ele como co-herdeiros no glorioso Reino dos céus. Assim será santificado o nome de Jah! — Mat. 6:33; João 16:33.

      [Nota(s) de rodapé]

      a A Míxena judaica (Yadayim 3:5).

      b Commentary de Clarke, Vol. III, página 841.

  • Livro bíblico número 23 — Isaías
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 23 — Isaías

      Escritor: Isaías

      Lugar da Escrita: Jerusalém

      Escrita Completada: Depois de 732 AEC

      Tempo Abrangido: c. 778-depois de 732 AEC

      1. Em que situação se encontrava o Oriente Médio, e em especial Israel e Judá no oitavo século AEC?

      A SOMBRA ameaçadora do cruel monarca assírio pairava densamente sobre os outros impérios e reinos menores do Oriente Médio. Toda a área estava agitada com conversas sobre conspiração e confederação. (Isa. 8:9-13) No Norte, o Israel apóstata logo seria vítima dessa intriga internacional, ao passo que no Sul, os reis de Judá reinavam precariamente. (2 Reis, caps. 15-21) Novas armas de guerra vinham sendo desenvolvidas e postas em uso, aumentando o terror dos tempos. (2 Crô. 26:14, 15) Para onde era preciso voltar-se em busca de proteção e salvação? Embora o nome de Jeová estivesse nos lábios do povo e dos sacerdotes no pequeno reino de Judá, seu coração se desviara para outras direções, primeiro para a Assíria e depois para o Egito. (2 Reis 16:7; 18:21) Desvanecia a fé no poder de Jeová. Quando não se tratava de crassa idolatria, prevalecia o modo hipócrita de adorar, baseado no formalismo e não no verdadeiro temor de Deus.

      2. (a) Quem respondeu à chamada para falar em nome de Jeová, e em que época? (b) O que é significativo a respeito do nome do profeta em questão?

      2 Quem falaria então a favor de Jeová? Quem declararia o seu poder de salvar? “Eis-me aqui! Envia-me”, foi a resposta imediata. Quem falava era Isaías, que já vinha profetizando antes disso. Era cerca de 778 AEC, ano em que o leproso Rei Uzias morreu. (Isa. 6:1, 8) O nome Isaías significa “Salvação de Jeová”, que é o mesmo significado, embora escrito em ordem inversa, do nome Jesus (“Jeová É Salvação”). Desde o início até o fim, a profecia de Isaías sublinha este fato: que Jeová é salvação.

      3. (a) O que se sabe sobre Isaías? (b) Em que período profetizou ele, e quem eram os outros profetas em seus dias?

      3 Isaías era filho de Amoz (não deve ser confundido com Amós, outro profeta de Judá). (1:1) As Escrituras não dizem nada sobre o nascimento e a morte dele, embora a tradição judaica diga que ele foi serrado em pedaços por ordem do iníquo Rei Manassés. (Compare com Hebreus 11:37.) Seus escritos mostram que residia em Jerusalém com a esposa, uma profetisa, e com pelo menos dois filhos que tinham nomes proféticos. (Isa. 7:3; 8:1, 3) Serviu durante o tempo de pelo menos quatro reis de Judá: Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias; evidentemente começando por volta de 778 AEC (quando Uzias morreu, ou possivelmente antes disso) e continuando pelo menos até depois de 732 AEC (o 14.º ano de Ezequias), ou não menos que 46 anos. Já havia também assentado por escrito, sem nenhuma dúvida, a sua profecia por volta desta última data. (1:1; 6:1; 36:1) Outros profetas dos seus dias eram Miquéias, em Judá, e, ao norte, Oséias e Odede. — Miq. 1:1; Osé. 1:1; 2 Crô. 28:6-9.

      4. O que indica que Isaías foi o escritor do livro?

      4 Que Jeová ordenou a Isaías que assentasse por escrito os julgamentos proféticos, é provado por Isaías 30:8: “Agora, vem, escreve isso numa tábua, com eles, e inscreve-o até mesmo num livro, a fim de que sirva para um dia futuro, como testemunho por tempo indefinido.” Os antigos rabinos judeus reconheciam a Isaías como escritor desse livro que classificaram como o primeiro livro dos profetas maiores (Isaías, Jeremias e Ezequiel).

      5. O que atesta a unidade do livro de Isaías?

      5 Embora alguns argumentem que a mudança de estilo do livro, a partir do capítulo 40, indique que um outro escritor ou um “Segundo Isaías” redigiu essa parte, a mudança do assunto devia ser suficiente para explicar isto. Há muita evidência de que Isaías escreveu o livro inteiro que leva o seu nome. Por exemplo, a unidade do livro é indicada pela expressão “o Santo de Israel”, que aparece 12 vezes nos capítulos 1 a 39, e 13 vezes nos capítulos 40 a 66, um total de 25 vezes; ao passo que essa expressão aparece apenas 6 vezes em todo o restante das Escrituras Hebraicas. O apóstolo Paulo testifica também em favor da unidade do livro, citando de todas as partes da profecia e atribuindo a obra inteira a um só escritor, Isaías. — Compare Romanos 10:16, 20; 15:12 com Isaías 53:1; 65:1; 11:1.

      6. Como dá prova convincente o Rolo do Mar Morto de Isaías (a) de que as nossas Bíblias hoje em dia contêm a mensagem original inspirada e (b) de que o livro inteiro foi escrito por um só Isaías?

      6 É interessante notar que a partir do ano de 1947 alguns documentos antigos foram tirados da escuridão de grutas não longe de Khirbet Qumran, perto do litoral noroeste do mar Morto. Trata-se dos Rolos do Mar Morto, que continham a profecia de Isaías. Ela está belamente escrita em bem conservado hebraico pré-massorético, e tem uns 2.000 anos de idade, datando do fim do segundo século AEC. O seu texto é, pois, cerca de mil anos mais antigo do que o mais antigo manuscrito existente do texto massorético, em que se baseiam as traduções modernas das Escrituras Hebraicas. Há algumas variações pequenas de grafia, algumas diferenças na construção gramatical, mas não divergem do texto massorético quanto a doutrinas. Eis uma prova convincente de que as nossas Bíblias hoje contêm a mensagem inspirada, original, redigida por Isaías. Outrossim, estes antigos rolos refutam a teoria dos críticos quanto a haver dois “Isaías”, visto que a primeira frase do capítulo 40 começa na última linha da coluna que contém o capítulo 39 e termina no começo da coluna seguinte. Assim, é evidente que o copista não levou em conta uma suposta mudança de escritor ou qualquer divisão do livro neste ponto.a

      7. Que prova abundante há da autenticidade de Isaías?

      7 Há prova abundante da autenticidade do livro de Isaías. Além de Moisés, não há outro profeta que seja citado com mais freqüência pelos escritores cristãos da Bíblia. Há também uma abundância de evidências na história e na arqueologia que provam que o livro é genuíno, tais como as narrativas históricas dos monarcas assírios, também o prisma hexagonal de Senaqueribe, no qual ele faz seu próprio relato sobre o sítio de Jerusalém.b (Isa., caps. 36, 37) O montão de ruínas daquilo que foi outrora Babilônia ainda constitui um testemunho do cumprimento de Isaías 13:17-22.c Um testemunho vivo foi fornecido pelos milhares de judeus que voltaram de Babilônia, sendo libertados pelo rei, cujo nome, Ciro, Isaías revelara por escrito quase 200 anos antes. É bem provável que este escrito profético tenha sido mostrado mais tarde a Ciro, pois, ao libertar o restante judeu, ele declarou que foi Jeová que lhe confiou essa missão. — Isa. 44:28; 45:1; Esd 1:1-3.

      8. Como se prova a inspiração mediante o cumprimento das profecias messiânicas?

      8 São realmente notáveis no livro de Isaías as profecias messiânicas. Isaías é chamado “o profeta evangelista”, em razão de serem tantas as predições sobre os eventos da vida de Jesus que se cumpriram. O capítulo 53, que por muito tempo fora um “capítulo enigmático”, não só para o eunuco etíope, mencionado em Atos, capítulo 8, mas também para o povo judeu em geral, prediz tão vividamente o modo como Jesus seria tratado que parece narrativa de uma testemunha ocular. As Escrituras Gregas Cristãs relatam os cumprimentos proféticos deste notável capítulo de Isaías, conforme mostram as seguintes comparações: Isa 53:v. 1—João 12:37, 38; Isa 53:v. 2—João 19:5-7; Isa 53:v. 3—Marcos 9:12; Isa 53:v. 4—Mateus 8:16, 17; Isa 53:v. 5— 1 Pedro 2:24; Isa 53:v. 6— 1 Pedro 2:25; Isa 53:v. 7—Atos 8:32, 35; Isa 53:v. 8—Atos 8:33; Isa 53:v. 9—Mateus 27:57-60; Isa 53:v. 10—Hebreus 7:27; Isa 53:v. 11—Romanos 5:18; Isa 53:v. 12—Lucas 22:37. Quem senão Deus poderia ser a fonte dessas predições tão exatas?

      CONTEÚDO DE ISAÍAS

      9. Em quantas partes se divide o livro de Isaías?

      9 Os seis primeiros Isa. capítulos 1-6 descrevem as condições que existiam em Judá e em Jerusalém, expondo o pecado de Judá perante Jeová, e relatam o comissionamento de Isaías. Os Isa. capítulos 7 a 12 falam das ameaças de invasões por parte do inimigo e a promessa de libertação por meio do Príncipe da Paz comissionado por Jeová. Os Isa. capítulos 13 a 35 contêm uma série de pronúncias contra muitas nações e predizem que a salvação virá de Jeová. Os eventos históricos do reinado de Ezequias são descritos nos capítulos 36 a 39. Os capítulos remanescentes, caps. 40 a 66, têm como tema a libertação do cativeiro em Babilônia, o retorno do restante judeu e a restauração de Sião.

      10. (a) Por que convida Isaías a nação a endireitar as coisas? (b) O que profetiza ele sobre a parte final dos dias?

      10 A mensagem de Isaías “referente a Judá e Jerusalém” (1:1-6:13). Imagine-o ali, de pé em Jerusalém, vestido de serapilheira e calçado de sandálias, bradando: Ditadores! Povo! Ouvi! A vossa nação está enferma dos pés à cabeça, e cansastes a Jeová com as vossas mãos manchadas de sangue, erguidas em oração. Vinde, endireitai as coisas com ele, para que os pecados escarlates fiquem brancos como a neve. Na parte final dos dias, o monte da casa de Jeová será elevado, e todas as nações afluirão a ele em busca de instrução. Não mais aprenderão a guerra. Jeová será elevado nas alturas e santificado. Mas, atualmente, Israel e Judá, embora plantados como videira seleta, produzem uvas de anarquia. Fazem com que o que é bom seja mau e o que é mau seja bom, pois são sábios aos seus próprios olhos.

      11. Em que visão recebe Isaías a sua comissão?

      11 “Eu, no entanto, cheguei a ver Jeová sentado num trono enaltecido e elevado”, diz Isaías. Juntamente com a visão vem a comissão de Jeová: “Vai, e tens de dizer a este povo: ‘Ouvi vez após vez.’” Por quanto tempo? “Até que as cidades realmente se desmoronem em ruínas.” — 6:1, 9, 11.

      12. (a) Como são usados Isaías e seus filhos quais sinais proféticos? (b) Que promessa notável contém o capítulo 9 de Isaías?

      12 Ameaças de invasões inimigas e promessa de alívio (7:1-12:6). Jeová usa Isaías e seus filhos como ‘sinais e milagres’ proféticos para mostrar que primeiro fracassará o conluio da Síria e de Israel contra Judá, mas, com o tempo, Judá será levado ao cativeiro, e apenas um restante retornará. Uma donzela ficará grávida e dará à luz um filho. Seu nome? Emanuel (que significa: “Conosco Está Deus”). Que os inimigos combinados contra Judá prestem atenção! “Cingi-vos, e sede desbaratados!” Haverá tempos difíceis, mas depois uma grande luz brilhará sobre o povo de Deus. Pois um menino nos nasceu, “e será chamado pelo nome de Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz”. — 7:14; 8:9, 18; 9:6.

      13. (a) Que fim aguarda o insolente assírio? (b) O que resultará do governo do “renovo” de Jessé?

      13 “Ah! o assírio”, clama Jeová, “a vara para a minha ira”. Depois de usar a vara contra “uma nação apóstata”, Deus abaterá o próprio insolente assírio. Mais tarde, “um mero restante retornará”. (10:5, 6, 21) Eis agora um rebentão, um renovo da raiz de Jessé (pai de Davi)! Este “renovo” governará com justiça, e por meio dele toda a criação se regozijará, não havendo dano nem ruína, “porque a terra há de encher-se do conhecimento de Jeová assim como as águas cobrem o próprio mar”. (11:1, 9) Este renovo servirá como sinal para as nações, e haverá uma estrada principal para o restante que retornar da Assíria. Haverá exultação em tirar água das fontes de salvação e em fazer melodia para Jeová.

      14. Que queda se prediz para Babilônia?

      14 A pronúncia de condenação contra Babilônia (13:1-14:27). Isaías olha agora para além dos dias do assírio, para o tempo em que Babilônia estará no seu zênite. Ouça! O barulho de numeroso povo, o rebuliço de reinos, de nações ajuntadas! Jeová passa em revista o exército de guerra! É um dia negro para Babilônia. Rostos pasmados afogueiam e corações se derretem. Os impiedosos medos derrubarão Babilônia, “ornato dos reinos”. Ela há de se tornar desolação desabitada e covil de criaturas selvagens “geração após geração”. (13:19, 20) Os mortos no Seol se agitam para receber o rei de Babilônia. Os gusanos se tornam o seu leito e os vermes a sua cobertura. Que queda para esse “brilhante, filho da alva”! (14:12) Aspirava elevar o seu trono, mas torna-se como cadáver lançado fora, quando Jeová varre Babilônia com a vassoura da aniquilação. Não há de restar nem nome, nem restante, nem progênie, nem posteridade!

      15. Que desolações internacionais profetiza Isaías?

      15 Desolações internacionais (14:28-23:18). Isaías aponta agora para trás, para a Filístia, ao longo do mar Mediterrâneo e daí para Moabe, ao sudeste do mar Morto. Dirige sua profecia para além da fronteira setentrional de Israel, para Damasco da Síria, desce bem ao sul para a Etiópia e vai até o Nilo, no Egito, anunciando os julgamentos de Deus que trarão desolação ao longo do caminho. Fala do Rei Sargão, assírio, predecessor de Senaqueribe, que enviou o comandante Tartã contra a cidade filistéia de Asdode, situada ao oeste de Jerusalém. Nessa ocasião, Isaías recebe ordem de tirar a roupa e andar despido e descalço por três anos. Assim, representa vividamente a futilidade de se confiar no Egito e na Etiópia, que, com “nádegas desnudas”, serão levados cativos pelos assírios. — 20:4.

      16. Que calamidades estão preditas para Babilônia, Edom, o povo turbulento de Jerusalém, bem como para Sídon e Tiro?

      16 De sua torre de vigia, um atalaia vê a queda de Babilônia e de seus deuses, e anuncia adversidades para Edom. O próprio Jeová se dirige ao povo turbulento de Jerusalém que diz: “Comamos e bebamos, pois amanhã morreremos.” ‘Morrerão mesmo’, diz Jeová. (22:13, 14) Os navios de Társis, também, uivarão, e Sídon ficará envergonhada, pois Jeová expressou seu desígnio contra Tiro, para “tratar com desprezo todos os honrados da terra”. — 23:9.

      17. Que julgamento é predito para Judá, seguido de que restauração?

      17 O julgamento de Jeová e a salvação (24:1-27:13). Mas agora é a vez de Judá! Jeová devasta o país. Povo e sacerdote, servo e amo, comprador e vendedor — todos têm de perecer, pois infringiram as leis de Deus e quebraram o pacto de duração indefinida. Mas, com o tempo, ele voltará sua atenção para os prisioneiros e os ajuntará. Ele é uma fortaleza e um refúgio. Oferecerá um banquete no seu monte e tragará a morte para sempre, e enxugará as lágrimas de todas as faces. “Este é o nosso Deus”, dir-se-á. “Este é Jeová.” (25:9) Judá tem uma cidade com a salvação como muralhas. A paz duradoura Jeová reserva para os que confiam nele, “pois em Jah Jeová está a Rocha dos tempos indefinidos”. Quanto ao iníquo, “simplesmente não aprenderá a justiça”. (26:4, 10) Jeová aniquilará seus adversários, mas restaurará a Jacó.

      18, 19. (a) Que contrastantes ais e alegrias são proclamados para Efraim e Sião? (b) Em que qualidade Jeová salvará e governará seu povo?

      18 Indignação de Deus e bênçãos (28:1-35:10). Ai dos ébrios de Efraim, cujo “ornato de beleza” murchará! Mas Jeová “tornar-se-á como coroa de ornato e como grinalda de beleza” para o restante do seu povo. (28:1, 5) Contudo, os jactanciosos de Jerusalém olham para a mentira como refúgio, em vez de para a provada e preciosa pedra de alicerce em Sião. Uma enxurrada levará a todos eles. Os profetas de Jerusalém estão dormindo e o livro de Deus lhes está selado. Honram com os lábios, mas o coração deles está longe. Todavia, virá o dia em que os surdos ouvirão as palavras do livro. Os cegos enxergarão e os mansos se regozijarão.

      19 Ai dos que descem ao Egito em busca de refúgio! Este povo obstinado quer visões macias e enganosas. Será exterminado, mas Jeová restaurará um restante. Este restante verá o seu Grandioso Instrutor, e espalhará as imagens deles, considerando-as “mera sujeira”. (30:22) Jeová é o verdadeiro Defensor de Jerusalém. Um rei reinará segundo a justiça com seus príncipes. Trará paz, tranqüilidade e segurança por tempo indefinido. Os mensageiros da paz chorarão amargamente por causa de traições cometidas, mas para o Seu próprio povo, o Majestoso, Jeová, é Juiz, Legislador e Rei, e ele próprio o salvará. Nenhum residente dirá então: “Estou doente.” — 33:24.

      20. Que indignação se manifestará contra as nações, mas que bênção há em reserva para o restante restaurado?

      20 A indignação de Jeová precisa manifestar-se contra as nações. Os cadáveres cheirarão mal e os montes se derreterão com sangue. Edom tem de ser desolada. Mas, para os resgatados por Jeová, a planície desértica florescerá, e aparecerá “a glória de Jeová, o esplendor de nosso Deus”. (35:2) Os cegos, os surdos e os mudos serão curados, e abrir-se-á um Caminho de Santidade para os remidos de Jeová, ao retornarem a Sião com regozijo.

      21. Que escárnios lança o assírio sobre Jerusalém?

      21 Nos dias de Ezequias, Jeová rechaça a Assíria (36:1-39:8). É prática a exortação de Isaías, de confiar em Jeová? Pode ela suportar o teste? No 14.º ano do reinado de Ezequias, Senaqueribe, da Assíria, assenta um golpe, como que de foice, à Palestina e desvia algumas das suas tropas, tentando intimidar Jerusalém. Seu porta-voz Rabsaqué, que fala hebraico, lança perguntas escarnecedoras ao povo enfileirado ao longo da muralha da cidade: ‘Em que confiam? No Egito? Uma cana esmagada! Em Jeová? Não há deus que possa livrar das mãos do rei da Assíria!’ (36:4, 6, 18, 20) Obedecendo ao rei, o povo não dá nenhuma resposta.

      22. Como responde Jeová à oração de Ezequias, e como cumpre Ele a profecia de Isaías?

      22 Ezequias ora a Jeová, pedindo que salve seu povo por causa do Seu nome, e, por meio de Isaías, Jeová responde que Ele colocará o seu gancho no nariz do assírio e o conduzirá de volta pelo caminho donde veio. Um anjo fere mortalmente a 185.000 assírios, e Senaqueribe corre de volta para casa, onde seus próprios filhos mais tarde o assassinam no seu templo pagão.

      23. (a) O que impele Ezequias a compor um salmo a Jeová? (b) Que imprudência comete ele, e, em conseqüência, que profecia profere Isaías?

      23 Ezequias é acometido de uma doença mortal. Contudo, Jeová, milagrosamente, faz com que recue a sombra produzida pelo sol como sinal de que Ezequias será curado, e 15 anos são acrescentados à vida de Ezequias. Em agradecimento, ele compõe um lindo salmo de louvor a Jeová. Quando o rei de Babilônia envia mensageiros com felicitações hipócritas por se ter restabelecido, Ezequias imprudentemente lhes mostra os tesouros reais. Em conseqüência disso, Isaías profetiza que tudo na casa de Ezequias será um dia levado para Babilônia.

      24. (a) Que boas novas consoladoras proclama Jeová? (b) Podem comparar-se a Jeová, em grandeza, os deuses das nações, e que testemunho pede ele que apresentem?

      24 Jeová consola suas testemunhas (40:1-44:28). A primeira palavra do capítulo 40, “Consolai”, descreve bem o que contém o resto do livro de Isaías. Uma voz no ermo clama: “Desobstruí o caminho de Jeová!” (40:1, 3) Há boas novas para Sião. Jeová pastoreia o seu rebanho, carrega no colo os cordeirinhos. Dos majestosos céus, olha para baixo, para o círculo da terra. A que pode ser comparada sua grandeza? Ele dá pleno poder e energia dinâmica aos cansados e aos extenuados que esperam Nele. Declara que as imagens fundidas das nações são vento e irrealidade. O escolhido por ele será como um pacto para os povos e luz para as nações, a fim de abrir os olhos dos cegos. Jeová diz a Jacó: “Eu mesmo te amei”, e convida o nascente, o poente, o norte e o sul: ‘Entreguem! Tragam meus filhos e minhas filhas.’ (43:4, 6) Com o tribunal em sessão, ele desafia os deuses das nações que produzam testemunhas para provar que são deuses. O povo de Israel são testemunhas de Jeová, seu servo, e testificam que ele é Deus e Libertador. A Jesurum (“Aquele Que É Reto”, Israel), ele promete o seu espírito e daí cobre de vergonha os que fazem imagens que não vêem nada, não sabem nada. Jeová é o Resgatador de seu povo; Jerusalém será habitada outra vez e seu templo será reconstruído.

      25. Que chegarão a saber os homens por meio dos julgamentos de Jeová sobre Babilônia e sobre os seus deuses falsos?

      25 Vingança contra Babilônia (45:1-48:22). A fim de salvar Israel, Jeová nomeia Ciro para vencer Babilônia. Os homens terão de saber que só Jeová é Deus, o Criador dos céus, da terra e do homem sobre ela. Ele zomba dos deuses babilônicos, Bel e Nebo, pois só Ele pode predizer o fim desde o começo. A virgem filha de Babilônia terá de sentar-se no pó, destronada e despida, e a multidão de seus conselheiros será queimada como restolho. Jeová diz aos israelitas adoradores de ídolos, de ‘cerviz de ferro e de cabeça de cobre’, que poderiam ter paz, justiça e prosperidade, se escutassem a ele, mas “não há paz para os iníquos”. — 48:4, 22.

      26. Como será Sião consolada?

      26 Sião será consolada (49:1-59:21). Dando seu servo qual luz para as nações, Jeová brada aos que estão nas trevas: “Saí!” (49:9) Sião será consolada e o seu ermo se tornará como o Éden, o jardim de Jeová, com superabundância de exultação, regozijo, agradecimento e voz de melodia. Jeová fará o céu desfazer-se em fumaça, a terra gastar-se como uma veste e seus habitantes perecer como borrachudo. Por que, pois, temer o vitupério dos homens mortais? O cálice amargo que Jerusalém bebeu precisa ser passado agora às nações que a calcaram aos pés.

      27. Que boas novas são proclamadas em Sião, e o que se profetiza sobre o ‘servo de Jeová’?

      27 ‘Desperta, ó Sião, e sacode-te do pó!’ Veja o mensageiro que pula sobre os montes com boas novas, dizendo a Sião: “Teu Deus tornou-se rei!” (52:1, 2, 7) Saiam do lugar impuro e conservem-se limpos, os que estão no serviço de Jeová. O profeta passa a descrever agora ‘o servo de Jeová’. (53:11) É homem desprezado, evitado, e carrega nossas dores, contudo, é reputado como golpeado por Deus. Foi traspassado pelas nossas transgressões, mas nos curou pelos seus ferimentos. Como ovídeo levado ao abate, não fez violência e não falou engano algum. Deu a sua alma qual oferta pela culpa, a fim de levar os erros de muitos.

      28. Que descrição se faz sobre a futura condição abençoada de Sião, e isto em conexão com que pacto?

      28 Qual dono marital, Jeová diz a Sião que grite de alegria por causa de sua vindoura fertilidade. Embora afligida e sacudida pela tormenta, ela se tornará cidade de alicerce de safiras, de ameias de rubis e de portões de pedras fulgurosas. Seus filhos, ensinados por Jeová, gozarão de abundância de paz, e nenhuma arma forjada contra eles será bem-sucedida. “Eh! todos vós sedentos!” clama Jeová. Se vierem, selará com eles seu “pacto . . . referente às benevolências para com Davi”; dará um líder e comandante como testemunha aos grupos nacionais. (55:1-4) Os pensamentos de Deus são infinitamente mais elevados do que os do homem, e a sua palavra terá êxito certo. Os eunucos que guardarem a sua lei, de qualquer nacionalidade que sejam, receberão um nome melhor do que filhos e filhas. A casa de Jeová será chamada casa de oração para todos os povos.

      29. O que diz Jeová aos idólatras, mas que segurança dá ao seu povo?

      29 Jeová, Enaltecido e Elevado, cujo nome é santo, diz aos idólatras, loucos por sexo, que não contenderá indefinidamente com Israel. Os seus jejuns pretensamente piedosos são disfarces para a iniqüidade. A mão de Jeová não é curta demais para salvar nem o seu ouvido pesado demais para ouvir, mas são ‘os vossos próprios erros que se tornaram as coisas que causam separação entre vós e o vosso Deus’, diz Isaías. (59:2) É por isso que esperam a luz, mas andam às apalpadelas nas trevas. Por outro lado, o espírito de Jeová, sobre o seu fiel povo pactuado, garante que a Sua palavra permanecerá na sua boca irremovivelmente por todas as gerações futuras.

      30. Como embeleza Jeová a Sião, conforme ilustrado por meio de que novos nomes?

      30 Jeová embeleza Sião (60:1-64:12). “Levanta-te, ó mulher, dá luz, pois . . . raiou . . . a própria glória de Jeová.” Em contraste com isso, densas trevas envolvem a terra. (60:1, 2) Nesse tempo, Sião erguerá os olhos e ficará radiante, e seu coração tremerá ao ver os tesouros das nações vir a ela sobre uma massa movimentada de camelos. Como nuvens de pombas que voam, afluirão a ela. Estrangeiros edificarão as suas muralhas, reis a ministrarão, e seus portões nunca se fecharão. Seu Deus terá de ser a sua beleza, e Ele multiplicará rapidamente um em mil e o pequeno em poderosa nação. O servo de Deus proclama que o espírito de Jeová está sobre ele, ungindo-o para falar estas boas novas. Sião recebe um novo nome: Meu Deleite Está Nela (Hefzibá), e sua terra é chamada Possuída Como Esposa (Beulá). (62:4, nota) Dá-se a ordem de aterrar a estrada que sai de Babilônia e de erigir um sinal em Sião.

      31. Quem vem de Edom, e que oração faz o povo de Deus?

      31 De Bozra, em Edom, vem alguém com vestes vermelhas, cor de sangue. Na sua ira, pisou povos numa cuba de vinho, fazendo jorrar sangue. O povo de Jeová sente profundamente a sua condição impura, e faz uma oração comovente, dizendo: ‘Ó Jeová, tu és nosso Pai. Somos o barro e tu és o nosso Oleiro. Não fiques indignado ao extremo, ó Jeová. Somos todos teu povo.’ — 64:8, 9.

      32. Em contraste com os que abandonam a Jeová, por que razão pode seu próprio povo exultar?

      32 “Novos céus e uma nova terra”! (65:1-66:24). As pessoas que abandonaram a Jeová em busca dos deuses da “Boa Sorte” e do “Destino” morrerão de fome e sofrerão vergonha. (65:11) Os servos de Deus se regozijarão na fartura. Eis que Jeová cria novos céus e uma nova terra. Que alegria e exultação haverá em Jerusalém e entre seu povo! Construir-se-ão casas e plantar-se-ão vinhedos, e o lobo e o cordeiro pastarão como se fossem um. Não haverá dano nem ruína.

      33. Que regozijo, glória e permanência são preditos para os que amam a Jerusalém?

      33 Os céus são o seu trono e a terra o escabelo de seus pés; portanto, que casa podem os homens construir para Jeová? Uma nação há de nascer num só dia, e todos os que amam a Jerusalém são convidados a se regozijar quando Jeová estende sobre ela a paz como um rio. Ele chegará contra seus inimigos como o próprio fogo, como carros de tufão, retribuindo a sua ira com puro furor, e chamas de fogo contra toda carne desobediente. Mensageiros sairão por todas as nações e ilhas distantes para falar da Sua glória. Seus novos céus e nova terra hão de ser de duração permanente. De modo similar, os que o servem, assim como sua prole, permanecerão. É isso ou a morte eterna.

      POR QUE É PROVEITOSO

      34. Quais são algumas das vívidas ilustrações que dão peso à mensagem de Isaías?

      34 Em todos os aspectos, o livro profético de Isaías é uma dádiva de máximo proveito da parte de Jeová Deus. Destaca os elevados pensamentos de Deus. (Isa. 55:8-11) Os oradores públicos que apresentam as verdades bíblicas, podem recorrer a Isaías qual rica fonte de vívidas ilustrações que causam forte impressão, como as parábolas de Jesus. Isaías inculca em nós de modo poderoso a tolice do homem que usa a mesma árvore tanto como combustível como para fabricar um ídolo que ele adora. Faz-nos sentir o desconforto do homem que se deita num leito curto demais, com um lençol estreito demais, e ouvir o profundo cochilar dos profetas que são semelhantes a cães mudos, preguiçosos demais para ladrar. Se nós, pessoalmente, segundo exorta Isaías, ‘buscarmos no livro de Jeová e lermos em voz alta’, poderemos avaliar a poderosa mensagem de Isaías para os nossos dias. — 44:14-20; 28:20; 56:10-12; 34:16.

      35. Como dirige Isaías atenção para o Reino messiânico e para o precursor, João, o Batizador?

      35 Essa profecia dirige a atenção especialmente para o Reino de Deus por meio do Messias. O próprio Jeová é o supremo Rei, e é ele quem nos salva. (33:22) Mas o que dizer do próprio Messias? O anúncio do anjo a Maria sobre um filho que nasceria mostrou que Isaías 9:6, 7 havia de cumprir-se mediante receber ele o trono de Davi; e “ele reinará sobre a casa de Jacó para sempre, e não haverá fim do seu reino”. (Luc. 1:32, 33) Mateus 1:22, 23 mostra que o nascimento de Jesus por meio de uma virgem foi o cumprimento de Isaías 7:14, e o identifica com “Emanuel”. Cerca de 30 anos mais tarde, João, o Batizador, veio pregando que “o reino dos céus se tem aproximado”. Todos os quatro evangelistas citam Isaías 40:3 para mostrar que este João era aquele que ‘clamava no ermo’. (Mat. 3:1-3; Mar. 1:2-4; Luc. 3:3-6; João 1:23) Por ocasião de seu batismo, Jesus se tornou o Messias — o Ungido de Jeová e o renovo ou a raiz de Jessé — para governar as nações. É nele que devem depositar a sua esperança, em cumprimento de Isaías 11:1, 10. — Rom. 15:8, 12.

      36. Que cumprimentos proféticos abundantes identificam claramente o Messias, o Rei?

      36 Note como Isaías continua a identificar o Messias, o Rei! Jesus leu a sua comissão no rolo de Isaías para mostrar que ele era o Ungido de Jeová, e daí passou a “declarar as boas novas do reino de Deus . . . porque”, disse ele, “fui enviado para isso”. (Luc. 4:17-19, 43; Isa. 61:1, 2) Os quatro Evangelhos estão cheios de pormenores sobre o ministério terrestre de Jesus e sobre como ele morreu, conforme predito em Isaías, capítulo 53. Embora os judeus ouvissem as boas novas do Reino e vissem as obras maravilhosas de Jesus, não entenderam o significado disso por causa da incredulidade de seu coração, em cumprimento de Isaías 6:9, 10; 29:13; e 53:1. (Mat. 13:14, 15; João 12:38-40; Atos 28:24-27; Rom. 10:16; Mat. 15:7-9; Mar. 7:6, 7) Jesus foi pedra de tropeço para eles, mas tornou-se a pedra angular de alicerce que Jeová colocou em Sião e sobre a qual Ele edifica a sua casa espiritual, em cumprimento de Isaías 8:14; e 28:16. — Luc. 20:17; Rom. 9:32, 33; 10:11; 1 Ped. 2:4-10.

      37. Que citação e aplicação das palavras de Isaías fizeram os apóstolos de Jesus?

      37 Os apóstolos de Jesus Cristo continuaram a fazer bom uso da profecia de Isaías, aplicando-a ao ministério. Por exemplo, ao mostrar que são necessários pregadores para a edificação da fé, Paulo cita Isaías, quando diz: “Quão lindos são os pés daqueles que declaram boas novas de coisas boas!” (Rom. 10:15; Isa. 52:7; veja também Romanos 10:11, 16, 20, 21.) Pedro também cita Isaías, ao mostrar que as boas novas durariam eternamente: “Pois ‘toda a carne é como a erva, e toda a sua glória é como flor da erva; a erva se resseca e a flor cai, mas a declaração de Jeová permanece para sempre’. Ora, esta é a ‘declaração’, esta que vos foi anunciada como boas novas.” — 1 Ped. 1:24, 25; Isa. 40:6-8.

      38. Que glorioso tema do Reino descreve o livro de Isaías, tema este tomado de novo mais tarde por outros escritores da Bíblia?

      38 Isaías descreve magnificamente a esperança do Reino futuro! Eis que haverá “novos céus e uma nova terra”, em que “um rei reinará para a própria justiça” e príncipes governarão para o próprio juízo. Que motivo de alegria e exultação! (65:17, 18; 32:1, 2) Novamente, Pedro se refere à mensagem alegre de Isaías: “Mas, há novos céus e uma nova terra que aguardamos segundo a . . . promessa [de Deus], e nestes há de morar a justiça.” (2 Ped. 3:13) Este maravilhoso tema do Reino atinge a sua plena glória nos últimos capítulos de Revelação. — Isa. 66:22, 23; 25:8; Rev. 21:1-5.

      39. Para que magnífica esperança aponta Isaías?

      39 Destarte, o livro de Isaías, embora contenha denúncias causticantes dos inimigos de Jeová e dos que professam hipocritamente ser servos dele, aponta, em tons dignificantes, para a magnífica esperança do Reino messiânico, por meio do qual o grande nome de Jeová será santificado. Contribui muito para explicar as maravilhosas verdades do Reino de Jeová e anima nossos corações com a alegre expectativa de “salvação por ele”. — Isa. 25:9; 40:28-31.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Estudo Perspicaz das Escrituras, “Isaías, Livro de”.

      b Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 2, página 237; veja também “Senaqueribe”.

      c Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 2, página 436.

  • Livro bíblico número 24 — Jeremias
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 24 — Jeremias

      Escritor: Jeremias

      Lugares da Escrita: Judá e Egito

      Escrita Completada: 580 AEC

      Tempo Abrangido: 647-580 AEC

      1. Quando foi Jeremias comissionado, e por quem?

      O PROFETA Jeremias viveu numa época perigosa e turbulenta. No ano 647 AEC, o 13.º ano do reinado do Rei Josias de Judá, que temia a Deus, Jeová o comissionou. Durante os trabalhos de restauração da casa de Jeová, encontrou-se e leu-se perante o rei o livro da Lei de Jeová. Josias empenhou-se em fazer com que fosse cumprida, mas, no máximo, só pôde deter temporariamente o desvio para a idolatria. O avô de Josias, Manassés, que reinou 55 anos, e seu pai, Amom, que foi assassinado depois de um reinado de apenas 2 anos, ambos agiram de modo iníquo. Induziram o povo a praticar repugnantes orgias e ritos horríveis, de modo que estava habituado a oferecer incenso à “rainha dos céus” e sacrifícios humanos a deuses demoníacos. Manassés inundou Jerusalém de sangue inocente. — Jer. 1:2; 44:19; 2 Reis 21:6, 16, 19-23; 23:26, 27.

      2. Qual era a tarefa de Jeremias, e que período de anos cheios de eventos abrangeu sua obra de profetizar?

      2 A tarefa de Jeremias não era fácil. Tinha de servir na qualidade de profeta de Jeová e anunciar a desolação de Judá e de Jerusalém, bem como que o magnífico templo de Jeová seria incendiado e que seu povo seria levado ao cativeiro — catástrofes quase inacreditáveis! Havia de continuar a profetizar em Jerusalém por 40 anos, durante os reinados dos maus reis Jeoacaz, Jeoiaquim, Joaquim (Conias) e Zedequias. (Jer. 1:2, 3) Mais tarde, no Egito, tinha de profetizar contra as idolatrias dos refugiados judeus ali. Seu livro foi completado em 580 AEC. O período abrangido pelo livro de Jeremias é, portanto, de 67 anos, período este cheio de acontecimentos. — Jer. 52:31.

      3. (a) Como foram estabelecidas a canonicidade e a autenticidade do livro de Jeremias nos tempos dos hebreus? (b) Que testemunho adicional sobre isto se encontra nas Escrituras Gregas Cristãs?

      3 O nome do profeta e de seu livro é, em hebraico, Yir·meyáh ou Yir·meyá·hu, que significa, talvez: “Jeová Exalta; ou: Jeová Solta [provavelmente da madre]”. Esse livro figura em todos os catálogos das Escrituras Hebraicas, e a sua canonicidade é geralmente aceita. O modo impressionante do cumprimento de diversas profecias durante a própria vida de Jeremias atesta plenamente a sua autenticidade. Outrossim, as Escrituras Gregas Cristãs mencionam diversas vezes o nome de Jeremias. (Mat. 2:17, 18; 16:14; 27:9) Que Jesus estudou o livro de Jeremias, é evidenciado pelo fato de que, quando purificou o templo, citou a um só tempo as palavras de Jeremias 7:11 e de Isaías 56:7. (Mar. 11:17; Luc. 19:46) Por causa de sua intrepidez e coragem, algumas pessoas chegaram a pensar que Jesus fosse Jeremias. (Mat. 16:13, 14) A profecia de Jeremias relativa a um novo pacto (Jer. 31:31-34) é mencionada por Paulo, em Hebreus 8:8-12 e 10:16, 17. Paulo cita Jeremias 9:24, ao dizer: “Quem se jactar, jacte-se em Jeová.” (1 Cor. 1:31) Revelação (Apocalipse) Rev. 18:21 faz uma aplicação mais poderosa ainda da ilustração de Jeremias (51:63, 64) sobre a ruína de Babilônia.

      4. Como confirma a arqueologia a narrativa?

      4 As descobertas arqueológicas também confirmam o relato de Jeremias. Por exemplo, uma crônica babilônica fala da tomada de Jerusalém por Nabucodonosor (Nabucodorosor) em 617 AEC, quando este capturou o rei (Joaquim) e nomeou outro (Zedequias) que ele próprio escolheu. — 24:1; 29:1, 2; 37:1.a

      5. (a) O que se sabe sobre o próprio Jeremias? (b) O que se pode dizer quanto ao seu estilo?

      5 Possuímos uma biografia mais completa de Jeremias do que de quaisquer dos outros profetas da antiguidade, com exceção de Moisés. Jeremias revela muitas coisas a respeito de si mesmo, de seus sentimentos e de suas emoções, o que indica que ele era dotado de intrépido destemor e coragem, temperados pela humildade e ternura de coração. Além de sua função como profeta, era sacerdote, compilador da Escritura e historiador exato. Ele era filho do sacerdote Hilquias, de Anatote, uma cidade reservada aos sacerdotes, no interior, ao norte de Jerusalém, “na terra de Benjamim”. (1:1) O estilo de Jeremias é claro, direto e fácil de compreender. Há grande número de comparações e muita linguagem figurada, e o livro é redigido tanto em prosa como em forma de poesia.

      CONTEÚDO DE JEREMIAS

      6. Em que ordem está a matéria da profecia?

      6 A matéria não está em ordem cronológica, mas, antes, segundo os assuntos. Assim, a narrativa faz muitas mudanças quanto ao tempo e circunstâncias. Por fim, descreve-se a desolação de Jerusalém e de Judá, em todos os pormenores, no capítulo 52. Isto não só mostra o cumprimento de grande parte da profecia, mas fornece também uma tela de fundo para o livro de Lamentações que vem em seguida.

      7. Como se tornou Jeremias profeta, e como Jeová o tranqüiliza?

      7 Jeová comissiona a Jeremias (1:1-19). Será que foi porque Jeremias queria ser profeta ou porque procedia de família sacerdotal que foi comissionado? Jeová mesmo explica: “Antes de formar-te no ventre, eu te conheci, e antes de saíres da madre, eu te santifiquei. Eu te constituí profeta para as nações.” É uma designação da parte de Jeová. Está Jeremias disposto a ir? Humildemente, ele apresenta a desculpa: “Sou apenas rapaz.” Jeová o tranqüiliza, dizendo: “Eis que pus as minhas palavras na tua boca. Vê, comissionei-te no dia de hoje para estares sobre as nações e sobre os reinos, para desarraigares, e para demolires, e para destruíres, para derrubares, para construíres e para plantares.” Jeremias não deve temer. “Por certo lutarão contra ti, mas não prevalecerão contra ti, pois ‘eu estou contigo’, é a pronunciação de Jeová, ‘para te livrar’.” — 1:5, 6, 9, 10, 19.

      8. (a) Em que foi infiel Jerusalém? (b) Como vai Jeová trazer sobre ela a calamidade?

      8 Jerusalém é esposa infiel (2:1-6:30). Que mensagem traz a palavra de Jeová a Jeremias? Jerusalém esqueceu o seu primeiro amor. Ela abandonou a Jeová, a Fonte de águas vivas, e prostituiu-se com deuses estranhos. De videira seleta de casta tinta, ela se transformou “em varas degeneradas duma videira estrangeira”. (2:21) Suas saias ficaram manchadas do sangue das almas dos pobres inocentes. Até mesmo Israel, que se prostituiu, provou ser mais justa do que Judá. Deus convida esses filhos renegados a retornar a ele, pois ele é o dono marital deles. Mas agiram como esposa infiel. Poderão retornar, se se desfizerem de suas coisas repugnantes e circuncidarem seu coração. “Levantai um sinal de aviso rumo a Sião”, pois Jeová trará uma calamidade procedente do norte. (4:6) Derrocada sobre derrocada! Como leão que sai de sua moita, como vento causticante que sopra através do ermo, assim virá o executor de Jeová com seus carros como um tufão.

      9. (a) Que mensagem tem Jeremias para a Jerusalém obstinada? (b) De que valor são suas proclamações de paz?

      9 Percorra Jerusalém. O que vê? Apenas transgressões e infidelidade! O povo negou a Jeová, e a Sua palavra na boca de Jeremias tem de tornar-se um fogo para o devorar como pedaços de lenha. Visto que os israelitas abandonaram a Jeová para servir um deus estranho, Ele também os fará servir a estrangeiros, numa terra estranha. São obstinados! Têm olhos, mas não podem ver, têm ouvidos, mas não podem ouvir. Que horror! Os profetas e os sacerdotes profetizam na realidade com falsidade, “e meu próprio povo amou-o assim”, diz Jeová. (5:31) A calamidade vem do norte, e contudo, “desde o menor até mesmo ao maior deles, cada um obtém para si um lucro injusto”. Dizem: “‘Há paz! Há paz’! quando não há paz.” (6:13, 14) Mas, o assolador virá subitamente. Jeová fez de Jeremias um examinador de metais entre eles, mas não há nada senão escória e prata rejeitada. São totalmente maus.

      10. Por que terá Jerusalém o mesmo fim desastroso que Silo e Efraim?

      10 Aviso de que o templo não é proteção (7:1-10:25). A palavra de Jeová vem a Jeremias e ele tem de fazer proclamação junto ao portão do templo. Ouça-o proclamar aos que vão entrando nele: ‘Jactam-se sobre o templo de Jeová, mas o que estão fazendo? Oprimem o órfão e a viúva, derramam sangue inocente, andam atrás de outros deuses, furtam, assassinam, adulteram, perjuram e oferecem sacrifícios a Baal! Hipócritas! Têm feito da casa de Jeová “um mero covil de salteadores”. Lembrem-se do que Jeová fez a Silo. Ele fará o mesmo à sua casa, ó Judá, e os lançará fora, assim como lançou fora a Efraim (Israel), ao norte.’ — Jer. 7:4-11; 1 Sam. 2:12-14; 3:11-14; 4:12-22.

      11. Por que é inútil orar por Judá?

      11 É inútil orar por Judá. O povo até mesmo faz bolos para sacrificar à “rainha dos céus”! Deveras, “esta é a nação cujo povo não obedeceu à voz de Jeová, seu Deus, e que não aceitou a disciplina. Pereceu a fidelidade”. (Jer. 7:18, 28) Judá colocou coisas repugnantes na casa de Jeová, e queimou seus filhos e suas filhas nos altos de Tofete, no vale de Hinom. Eis que será chamado “o vale da matança”, e seus cadáveres servirão de comida para as aves e para os animais. (7:32) A alegria e a exultação hão de cessar em Judá e em Jerusalém.

      12. Em vez de paz, o que sobrevirá a Judá e aos deuses que ela adotou?

      12 Esperava-se a paz e a cura, mas eis o terror! Por causa da obstinação deles, o resultado será dispersão, extermínio e lamentação. ‘Jeová é o Deus vivente e o Rei por tempo indefinido.’ Quanto aos deuses que não fizeram os céus e a terra, não há espírito neles. São vaidade e trabalho de zombaria, e perecerão. (10:10-15) Jeová lançará fora os habitantes do país. Escute! Um grande retumbo desde a terra do norte que desolará as cidades de Judá. O profeta reconhece que ‘não é do homem terreno o dirigir o seu caminho’, e ora pedindo para ser corrigido, a fim de que não seja aniquilado. — 10:23.

      13. Por que se proíbe a Jeremias que interceda por Judá, e como o fortalece Jeová numa hora de perigo?

      13 Maldição sobre os que violam o pacto (11:1-12:17). Judá desobedeceu aos termos do seu pacto com Jeová. É em vão que o povo pede ajuda. Jeremias não deve orar por Judá, pois Jeová “acendeu um fogo” para consumir esta outrora frondosa oliveira. (11:16) Jeremias, ameaçado de morte pelo povo de Anatote, sua cidade natal, volta-se para Jeová em busca de força e ajuda. Jeová promete punir os habitantes de Anatote. Jeremias pergunta: ‘Por que é que o caminho dos iníquos tem prosperado?’ Jeová assegura-lhe: ‘Desarraigarei e destruirei a nação desobediente.’ — 12:1, 17.

      14. (a) Por meio de que ilustrações faz Jeová saber que Jerusalém é irreformável e que o julgamento contra ela é irreversível? (b) O que sentiu Jeremias depois de comer as palavras de Jeová?

      14 Jerusalém é irreformável e está condenada (13:1-15:21). Jeremias conta que Jeová lhe ordenou que pusesse um cinto de linho sobre seus quadris e daí o escondesse na fenda dum rochedo junto ao Eufrates. Quando Jeremias foi retirá-lo, estava arruinado. “Não prestava para nada.” Assim Jeová mostra a sua decisão de arruinar “o orgulho de Judá e o orgulho abundante de Jerusalém”. (13:7, 9) Jeová espatifará a ambas na embriaguez delas, como grandes talhas cheias de vinho. “Pode o cusita mudar a sua pele ou o leopardo as suas malhas?” (13:23) Da mesma forma, Jerusalém é irreformável. Jeremias não deve orar por seus habitantes. Mesmo que Moisés e Samuel intercedessem por eles a Jeová, este não os escutaria, pois já determinou devotar Jerusalém à destruição. Jeová fortalece a Jeremias para enfrentar os que o vituperam. Jeremias encontra as palavras de Jeová e as come, resultando em ‘exultação e alegria de seu coração’. (15:16) Não é momento para pilhérias, mas para confiar em Jeová que prometeu estabelecer Jeremias como muralha fortificada de cobre contra aquele povo.

      15. (a) Quão crítica é a situação, e que ordem de Jeová dá ênfase a isso? (b) Como chegará o povo a conhecer o nome de Jeová, e por que os seus pecados não o enganam?

      15 Jeová enviará pescadores e caçadores (16:1-17:27). Em vista da desolação iminente, Jeová dá a seguinte ordem a Jeremias: “Não deves tomar para ti uma esposa e não deves vir a ter filhos e filhas neste lugar.” (16:2) Não é tempo nem de se lamentar nem de banquetear-se com o povo, pois Jeová está prestes a arremessá-los daquela terra. Jeová promete também enviar ‘pescadores para pescá-los e caçadores para caçá-los’, e, com tudo isso, “terão de saber que [seu] nome é Jeová”. (16:16, 21) O pecado de Judá está gravado no seu coração com estilo de ferro, sim, com ponta de diamante. “O coração é mais traiçoeiro do que qualquer outra coisa e está desesperado”, mas Jeová pode esquadrinhar o coração. Ninguém pode enganá-lo. Os apóstatas “abandonaram a fonte de água viva, Jeová”. (17:9, 13) Se Judá não santificar o dia de sábado, Jeová fará que o fogo devore seus portões e suas torres.

      16. O que ilustra Jeová por meio do oleiro e seus vasos de barro?

      16 O oleiro e o barro (18:1-19:15). Jeová ordena a Jeremias que vá à casa do oleiro. Ele observa ali como o oleiro transforma um vaso de barro que está estragado em outro vaso segundo o seu agrado. Jeová declara então ser o Oleiro da casa de Israel, tendo o poder de demolir ou de edificar. A seguir, diz a Jeremias que leve uma botija de oleiro ao vale de Hinom e anuncie ali a calamidade que Jeová fará vir, porque o povo encheu esse lugar de sangue inocente, queimando seus filhos como holocaustos para Baal. Daí, Jeremias precisa quebrar a botija para mostrar como Jeová destroçará Jerusalém e o povo de Judá.

      17. Que experiência difícil tem Jeremias, mas será que isto o faz calar-se?

      17 Não há desistência sob perseguição (20:1-18). Pasur, o comissário do templo, irritado com a intrépida pregação de Jeremias, coloca-o no tronco por uma noite. Ao ser solto, Jeremias prediz o cativeiro e a morte de Pasur em Babilônia. Angustiado por ser objeto de escárnio e por causa do vitupério lançado contra ele, Jeremias cogita desistir. Entretanto, não consegue ficar calado. A palavra de Jeová vem a ser-lhe ‘no coração como fogo ardente, encerrado nos seus ossos’, de modo que ele se sente compelido a falar. Embora amaldiçoe o dia em que nasceu, ele clama: “Cantai a Jeová! Louvai a Jeová! Porque livrou a alma do pobre da mão dos malfeitores.” — 20:9, 13.

      18. Que mensagem anuncia Jeremias a Zedequias?

      18 A indignação de Jeová contra os governantes (21:1-22:30). Em resposta a uma pergunta de Zedequias, Jeremias lhe informa que a ira de Jeová se acendeu contra a cidade: O rei de Babilônia a sitiará, e ela será destruída pela pestilência, pela espada, pela fome e pelo fogo. Salum (Jeoacaz) morrerá no exílio, Jeoiaquim será sepultado como um jumento, e seu filho Conias (Joaquim) será lançado fora de Judá para morrer em Babilônia.

      19. O que profetiza Jeremias sobre um “renovo justo”, e o que é ilustrado pelas duas cestas de figos?

      19 Esperança num “renovo justo” (23:1-24:10). Jeová promete que verdadeiros pastores substituirão os pastores falsos, e que “um renovo justo”, da descendência de Davi, um rei, “há de reinar e agir com discrição, e executar o juízo e a justiça na terra”. Qual é o seu nome? “Será chamado: Jeová É Nossa Justiça.” Ele ajuntará o restante disperso. (23:5, 6) Se os profetas tivessem ficado no grupo íntimo de Jeová, teriam feito o povo ouvir e desviar-se do seu caminho mau. Ao contrário, diz Jeová, “fazem meu povo vaguear por causa das suas falsidades”. (23:22, 32) “Eis duas cestas de figos.” Jeremias usa os figos bons e os ruins para ilustrar que um restante fiel retornará à sua terra no favor de Deus, ao passo que outro grupo terá um fim calamitoso. — 24:1, 5, 8-10.

      20. Como usa Jeová Babilônia como seu servo, mas, por sua vez, qual será o destino dela?

      20 A controvérsia de Jeová com as nações (25:1-38). Este capítulo resume os julgamentos expostos em pormenores nos capítulos 45-49. Por meio de três profecias paralelas, Jeová pronuncia agora calamidade para todas as nações da terra. Em primeiro lugar, Nabucodorosor é identificado com o servo de Jeová para devastar a Judá e as nações em sua volta, e “estas nações terão de servir ao rei de Babilônia por setenta anos”. Depois disso, será a vez de Babilônia, e ela se tornará “baldios desolados por tempo indefinido”. — 25:1-14.

      21. Quem tem de beber do copo do furor de Jeová? Com que resultado?

      21 A segunda profecia consiste na visão do copo de vinho do furor de Jeová. Jeremias tem de levar esse copo às nações, e elas “terão de beber, e balouçar, e agir como homens endoidecidos”, porque Jeová as destruirá. Primeiro, tem de levá-lo a Jerusalém e a Judá! Daí, ao Egito, depois, à Filístia, em seguida, tem de passar para o outro lado, para Edom, depois para cima, para Tiro, a países em toda a parte, e para “todos os outros reinos da terra que há na superfície do solo; e o próprio rei de Sesaque beberá após eles”. ‘Beberão, vomitarão e cairão’. Nenhum deles será poupado. — 25:15-29.

      22. Por meio de que grande calamidade se expressará a ira ardente de Jeová?

      22 Na terceira profecia, Jeremias emprega um estilo poético de extrema beleza. “Do alto bramirá o próprio Jeová . . . contra todos os habitantes da terra.” Um barulho, uma calamidade, uma grande tormenta! “E os mortos por Jeová certamente virão a estar naquele dia de uma extremidade da terra até à outra extremidade da terra.” Não haverá lamentos nem sepultamentos. Serão como estrume sobre o solo. Os falsos pastores serão mortos junto com os majestosos do seu rebanho. Não há escape para eles. Ouça o uivo deles! O próprio Jeová “está assolando seu pasto . . . por causa da sua ira ardente”. — 25:30-38.

      23. (a) Que conspiração se faz contra Jeremias, qual é a sua defesa, e que precedentes são mencionados para o absolver? (b) Como encena Jeremias o futuro cativeiro em Babilônia, e que profecia a respeito de Hananias se cumpre?

      23 Jeremias vindicado (26:1-28:17). Os governantes e o povo conspiram matar Jeremias. O profeta faz a sua defesa. É a palavra de Jeová que ele falou. Se o matarem, terão matado um homem inocente. O veredicto: não culpado. Os anciãos relembram os precedentes dos profetas Miquéias e Urijá, ao considerarem o caso de Jeremias. A seguir, Jeová ordena a Jeremias que faça ligaduras e jugos e os ponha sobre seu pescoço, e daí os envie às nações vizinhas para anunciar que serão subjugadas pelo rei de Babilônia por três gerações de governantes. Hananias, um dos falsos profetas, opõe-se a Jeremias. Declara que o jugo de Babilônia será quebrado em dois anos, e retrata isto quebrando o jugo de madeira. Jeová reforça a sua profecia, mandando Jeremias fazer jugos de ferro e anunciar que Hananias morrerá naquele ano. Hananias morre mesmo.

      24. (a) Que mensagem envia Jeremias aos exilados em Babilônia? (b) Com quem concluirá Jeová um novo pacto, e como mostrará este ser maior do que o pacto anterior?

      24 Consolo para os exilados em Babilônia (29:1-31:40). Jeremias escreve aos exilados levados a Babilônia com Jeconias (Joaquim): Estabeleçam-se aí, pois haverá um período de 70 anos de exílio antes de Jeová os trazer de volta. Jeová ordena a Jeremias que escreva num livro a respeito do retorno deles: Jeová quebrará seu jugo, e eles “certamente servirão a Jeová, seu Deus, e a Davi, seu rei, a quem [eu, Jeová] levantarei para eles”. (30:9) Raquel deve reter sua voz do choro, pois seus filhos certamente “retornarão da terra do inimigo”. (31:16) E, agora, uma declaração tranqüilizadora de Jeová! Ele concluirá com as casas de Judá e de Israel um novo pacto. Este pacto será muito maior do que aquele que eles violaram! Jeová escreverá a sua lei no íntimo deles, no seu coração. “E vou tornar-me seu Deus e eles mesmos se tornarão meu povo.” Desde o menor até o maior, todos conhecerão a Jeová, e ele perdoará o erro deles. (31:31-34) A sua cidade será reedificada como algo santo para Jeová.

      25. Como se acentua que vem com certeza a restauração de Israel, e que novas traz a palavra de Jeová?

      25 Confirmado o pacto de Jeová com Davi (32:1-34:22). Durante o último sítio de Jerusalém, por parte de Nabucodorosor, Jeremias fica sob restrição. Todavia, como sinal de que Jeová há de restaurar Israel, Jeremias compra um campo em Anatote e guarda as escrituras num vaso de barro. A palavra de Jeová traz agora boas novas: Judá e Jerusalém se regozijarão de novo, e Jeová cumprirá o seu pacto com Davi. Mas tu, ó Zedequias, fica avisado de que o rei de Babilônia incendiará esta cidade e tu mesmo irás ao cativeiro em Babilônia. Ai dos donos de escravos que concordaram em libertar seus escravos, mas violaram o seu pacto!

      26. Que promessa faz Jeová aos recabitas, e por quê?

      26 A promessa de Jeová a Recabe (35:1-19). Nos dias do Rei Jeoiaquim, Jeová envia Jeremias aos recabitas. Estes haviam buscado refúgio em Jerusalém quando os babilônios se aproximaram pela primeira vez. Jeremias lhes oferece vinho. Eles recusam beber, por causa da ordem de seu antepassado Jonadabe, dada mais de 250 anos antes. Deveras, que notável contraste com a conduta infiel de Judá! Jeová lhes promete: “De Jonadabe, filho de Recabe, não se decepará homem, impedindo-o de ficar de pé diante de mim para sempre.” — 35:19.

      27. O que torna necessário reescrever as profecias de Jeremias?

      27 Jeremias reescreve o livro (36:1-32). Jeová ordena a Jeremias que escreva todas as palavras de suas profecias até a data. Jeremias as dita a Baruque, que então as lê em voz alta na casa de Jeová, num dia de jejum. O Rei Jeoiaquim manda trazer o rolo, e, ao ouvir uma parte dele, rasga-o furiosamente e o joga no fogo. Ele dá ordens para prenderem Jeremias e Baruque, mas Jeová os esconde e ordena a Jeremias que reescreva o rolo.

      28. (a) Que profecias persiste Jeremias em fazer? (b) Que contraste há entre a conduta de Ebede-Meleque e a dos príncipes?

      28 Os últimos dias de Jerusalém (37:1-39:18). A narrativa volta ao reinado de Zedequias. Este rei pede a Jeremias que ore a Jeová em favor de Judá. O profeta recusa fazer isso, dizendo que é certa a destruição de Jerusalém. Jeremias tenta ir a Anatote, mas é apanhado como desertor, é espancado e encarcerado por muitos dias. Daí, Zedequias manda buscá-lo. Há alguma palavra da parte de Jeová? Sim, certamente que há! “Serás entregue na mão do rei de Babilônia!” (37:17) Furiosos com a sua persistência em profetizar ruína, os príncipes lançam Jeremias numa cisterna cheia de lama. Ebede-Meleque, o etíope, eunuco na casa do rei, intercede bondosamente pelo profeta, de modo que Jeremias é socorrido da morte lenta, mas fica em detenção no Pátio da Guarda. Zedequias novamente manda buscar Jeremias que lhe dá o conselho: ‘Entregue-se ao rei de Babilônia, senão irá ao cativeiro e Jerusalém será destruída!’ — 38:17, 18.

      29. Que calamidade se abate então sobre Jerusalém, mas que acontece com Jeremias e com Ebede-Meleque?

      29 O sítio de Jerusalém dura 18 meses, e, no 11.º ano de Zedequias, faz-se uma brecha na cidade. O rei foge com o seu exército, mas é apanhado. Seus filhos e os nobres são chacinados diante de seus olhos, e ele é cegado e levado em grilhões para Babilônia. A cidade é incendiada e reduzida a ruínas, e todos, exceto alguns pobres, são levados ao exílio em Babilônia. Por ordem de Nabucodorosor, Jeremias é solto do pátio da guarda. Antes de sua soltura, o profeta fala a Ebede-Meleque sobre a promessa de Jeová de o salvar, ‘porque confiou em Jeová’. — 39:18.

      30. Como rejeita o conselho de Jeremias o povo remanescente, e que julgamento de condenação pronuncia Jeremias no Egito?

      30 Últimos eventos em Mispá e no Egito (40:1-44:30). Jeremias fica em Mispá com Gedalias, a quem os babilônios nomeiam governador sobre o povo remanescente. Dois meses mais tarde, Gedalias é assassinado. O povo procura o conselho de Jeremias, e ele lhes transmite a palavra de Deus: ‘Jeová não os desarraigará desta terra. Não temam por causa do rei de Babilônia. Se, porém, descerem ao Egito, morrerão!’ Assim mesmo, eles descem ao Egito, levando a Jeremias e a Baruque com eles. Em Tafnes, no Egito, Jeremias dá a conhecer o julgamento de condenação pronunciado por Jeová: O rei de Babilônia estabelecerá o seu trono no Egito. É em vão Israel adorar os deuses do Egito e oferecer de novo sacrifícios à “rainha dos céus”. Esqueceram os israelitas que Jeová trouxe desolação sobre Jerusalém por causa de sua idolatria? Jeová trará calamidade sobre eles na terra do Egito, e não retornarão a Judá. Como sinal, Jeová entregará o próprio Faraó Hofra nas mãos dos seus inimigos.

      31. Como é Baruque tranqüilizado?

      31 A sorte de Baruque (45:1-5). Baruque fica muito angustiado de ouvir as repetidas profecias de condenação proferidas por Jeremias. Baruque é aconselhado a pensar primeiro na obra de Jeová de edificar e de derrubar em vez de procurar “grandes coisas” para si mesmo. (45:5) Ele será salvo de toda a calamidade.

      32. Contra quem virá “a espada de Jeová”?

      32 A espada de Jeová contra as nações (46:1-49:39). Jeremias fala das vitórias de Babilônia sobre o Egito em Carquemis e em outras partes. Embora as nações sejam exterminadas, Jacó permanecerá, mas não ficará impune. “A espada de Jeová” virá contra os filisteus, contra o orgulhoso Moabe e o jactancioso Amom, contra Edom e Damasco, Quedar e Hazor. (47:6) O arco de Elão será quebrado.

      33. (a) O que acontecerá ao copo de ouro, Babilônia? (b) Em conseqüência disso, o que deve fazer o povo de Deus?

      33 A espada de Jeová contra Babilônia (50:1-51:64). Jeová fala a respeito de Babilônia: Contem-no entre as nações. Não ocultem nada. Babilônia foi capturada e os seus deuses foram envergonhados. Fujam dela. Qual malho, ela que esmagou as nações de toda a terra, ela própria foi quebrada. “Ó Presunção”, opressora dos cativos Israel e Judá, saiba que Jeová dos exércitos é o Resgatador deles. Babilônia se tornará um covil de animais uivantes. “Como se deu no derrubamento de Sodoma e de Gomorra, . . . por Deus . . ., não morará ali nenhum homem.” (50:31, 40) Babilônia tem sido um copo de ouro nas mãos de Jeová para embriagar as nações, mas, subitamente, ela caiu, de modo que ela própria está destroçada. Uivai por ela, povos. Jeová despertou o espírito dos reis dos medos para que a arruínem. Os poderosos de Babilônia deixaram de lutar. Tornaram-se como mulheres. A filha de Babilônia será pisada, tornando-se dura como a eira. “Terão de dormir um sono de duração indefinida, do qual nunca acordarão.” O mar veio e cobriu Babilônia com a multidão das ondas. “Saí do meio dela, ó meu povo, e ponde cada um a sua alma a salvo da ira ardente de Jeová.” (51:39, 45) Ouça o clamor, o grande estrondo de Babilônia! As armas de guerra de Babilônia têm de ser fragmentadas, pois Jeová é um Deus de recompensa. Sem falta, ele retribuirá.

      34. Por meio de que sinal se ilustra a queda de Babilônia?

      34 Jeremias ordena a Seraías: ‘Vai a Babilônia e lê em voz alta estas palavras da profecia contra Babilônia. Daí, amarra uma pedra no livro e lança-o no meio do Eufrates. “E terás de dizer: ‘Assim afundará Babilônia e nunca mais se levantará por causa da calamidade que trago sobre ela.’”’ — 51:61-64.

      35. Que história se segue?

      35 História da queda de Jerusalém (52:1-34). Este relato é quase idêntico ao abrangido antes em 2 Reis 24:18-20; 25:1-21, 27-30.

      POR QUE É PROVEITOSO

      36. (a) Que exemplo de zelo corajoso encontramos em Jeremias? (b) Em que sentido constituem também Baruque, os recabitas e Ebede-Meleque excelentes exemplos para nós?

      36 Esta profecia inspirada é sumamente edificante e proveitosa. Veja o corajoso exemplo do próprio profeta. Sem temer, ele proclamou uma mensagem impopular a um povo ímpio. Rejeitou a associação com os malfeitores. Compreendeu a urgência da mensagem de Jeová, devotando-se de todo o coração à obra de Jeová, sem desistir. Constatou que a palavra de Deus era semelhante a um fogo nos seus ossos, e era a exultação e a alegria de seu coração. (Jer. 15:16-20; 20:8-13) Tenhamos nós sempre igual zelo pela palavra de Jeová! Estejamos nós também sempre prontos a dar apoio leal aos servos de Deus, como deu Baruque a Jeremias. A obediência sincera dos recabitas é também um exemplo esplêndido para nós, assim como o é a bondosa consideração de Ebede-Meleque pelo perseguido profeta. — 36:8-19, 32; 35:1-19; 38:7-13; 39:15-18.

      37. Como um exame do livro de Jeremias fortalece nossa fé no poder que Jeová tem de fazer profecias?

      37 As palavras que Jeová dirigiu a Jeremias se cumpriram com surpreendente exatidão. Isto certamente fortalece a nossa fé no poder de Jeová de fazer profecias. Tome, por exemplo, as profecias, cujo cumprimento o próprio Jeremias viu, tais como: o cativeiro de Zedequias e a destruição de Jerusalém (Jer. 21:3-10; 39:6-9), o destronamento e a morte no cativeiro do Rei Salum (Jeoacaz) (Jer. 22:11, 12; 2 Reis 23:30-34; 2 Crô. 36:1-4), a deportação do Rei Conias (Joaquim) para Babilônia (Jer. 22:24-27; 2 Reis 24:15, 16) e a morte, no espaço de um ano, do falso profeta Hananias. (Jer. 28:16, 17) Todas essas profecias, e outras mais, foram cumpridas exatamente como Jeová predissera. Profetas e servos posteriores de Jeová também acharam que as profecias de Jeremias tinham peso e eram proveitosas. Por exemplo, Daniel compreendeu, lendo os escritos de Jeremias, que a desolação de Jerusalém duraria 70 anos, e Esdras chamou atenção para o cumprimento das palavras de Jeremias no fim dos 70 anos. — Dan. 9:2; 2 Crô. 36:20, 21; Esd 1:1; Jer. 25:11, 12; 29:10.

      38. (a) Que pacto, mencionado também por Jesus, é salientado na profecia de Jeremias? (b) Que esperança do Reino é anunciada?

      38 Na ocasião em que instituiu a celebração da Refeição Noturna do Senhor com seus discípulos, Jesus mostrou o cumprimento da profecia de Jeremias com relação ao novo pacto. Assim, ele se referiu ao “novo pacto em virtude do meu sangue”, por meio do qual seus discípulos obtiveram perdão de seus pecados e foram ajuntados como nação espiritual de Jeová. (Luc. 22:20; Jer. 31:31-34) Os gerados pelo espírito, convidados a participar do novo pacto, são os que Cristo introduz no pacto para o Reino, a fim de reinarem com ele nos céus. (Luc. 22:29; Rev. 5:9, 10; 20:6) Este Reino é mencionado diversas vezes na profecia de Jeremias. Em meio a todas as denúncias contra a Jerusalém sem fé, Jeremias apresentou um raio de esperança: “‘Eis que vêm dias’, é a pronunciação de Jeová, ‘e eu vou suscitar a Davi um renovo justo. E um rei há de reinar e agir com discrição, e executar o juízo e a justiça na terra’.” Este rei será chamado “Jeová É Nossa Justiça”. — Jer. 23:5, 6.

      39. Que certeza nos é dada pelo retorno de um restante do cativeiro de Babilônia, segundo predito por Jeremias?

      39 Jeremias fala de novo de uma restauração: “E certamente servirão a Jeová, seu Deus, e a Davi, seu rei, a quem levantarei para eles.” (30:9) Finalmente, ele fala da boa palavra que Jeová tem dito a respeito de Israel e de Judá, no sentido de que “naqueles dias e naquele tempo [Jeová fará] brotar um renovo justo para Davi”, para multiplicar a sua semente e para que haja “um filho reinante no seu trono”. (33:15, 21) Tão certo quanto um restante voltou de Babilônia, assim o Reino deste justo “renovo” fará com que reine a justiça e a retidão sobre toda a terra. — Luc. 1:32.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 2, página 438; veja também “Nabucodonosor, Nabucodorosor”.

  • Livro bíblico número 25 — Lamentações
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 25 — Lamentações

      Escritor: Jeremias

      Lugar da Escrita: Perto de Jerusalém

      Escrita Completada: 607 AEC

      1. Por que é bem denominado o livro de Lamentações?

      ESTE livro das Escrituras inspiradas certamente é bem denominado. É uma lamentação que expressa profundo pesar sobre aquele evento calamitoso na história do povo escolhido de Deus, a destruição de Jerusalém, em 607 AEC, por Nabucodonosor, rei de Babilônia. Em hebraico este livro é chamado segundo a sua primeira palavra, ʼEh·kháh!, que significa “Como!”. Os tradutores da Septuaginta grega chamaram o livro de Thré·noi, que quer dizer “Endechas; Lamentos”. O Talmude babilônico usa o termo Qi·nóhth, que significa “Endechas; Elegias”. Foi Jerônimo, escrevendo em latim, que lhe deu o nome de Lamentationes, de onde vem o título em português.

      2. Em que agrupamentos foi Lamentações colocado e onde foi situado na Bíblia?

      2 Nas versões em português da Bíblia, Lamentações é colocado depois de Jeremias, mas no cânon hebraico acha-se geralmente nos Hagiógrafos, ou Escritos, juntamente com O Cântico de Salomão, Rute, Eclesiastes e Ester — pequeno grupo conhecido coletivamente por cinco Meghil·lóhth (Rolos). Em algumas Bíblias hebraicas modernas acha-se colocado entre Rute ou Ester e Eclesiastes, mas nas cópias antigas diz-se que vinha depois de Jeremias, como no caso da nossa Bíblia hoje.

      3, 4. Que evidência há de que Jeremias foi o escritor?

      3 O livro não dá o nome do escritor. No entanto, há pouca dúvida de que foi Jeremias. Na Septuaginta grega, o livro tem o seguinte prefácio: “E aconteceu que, depois de Israel ter sido levado cativo e Jerusalém ter sido desolada, Jeremias sentou-se chorando e lamentando com este lamento sobre Jerusalém, e disse.” Jerônimo considerou espúrias estas palavras e omitiu-as de sua versão. No entanto, atribuir Lamentações a Jeremias é a tradição aceita dos judeus e é confirmada pela versão siríaca, pela Vulgata latina, pelo Targum de Jonatã e pelo Talmude babilônico, entre outros.

      4 Alguns críticos tentaram provar que Jeremias não escreveu Lamentações. Contudo, A Commentary on the Holy Bible (Comentário Sobre a Bíblia Sagrada) cita, como evidência de que Jeremias foi o escritor, as “vívidas descrições de Jerusalém, nos caps. 2 e 4, que são evidentemente as descrições da pena de uma testemunha ocular; da mesma forma, o teor de profunda condolência e de espírito profético do princípio ao fim dos poemas, bem como o estilo, a fraseologia e o pensamento deles, são todos muito característicos de Jeremias”.a Há muitas expressões paralelas em Lamentações e em Jeremias, tais como as de extremo pesar de ‘olhos dos quais descem águas (lágrimas)’ (Lam. 1:16; 2:11; 3:48, 49; Jer. 9:1; 13:17; 14:17) e de desagrado para com os profetas e sacerdotes por causa de sua corrupção. (Lam. 2:14; 4:13, 14; Jer. 2:34; 5:30, 31; 14:13, 14) As passagens em Jeremias 8:18-22 e Jer. 14:17, 18 mostram que Jeremias era de fato qualificado para escrever no estilo pesaroso de Lamentações.

      5. Que raciocínio nos leva a concluir qual é a época da escrita?

      5 Concorda-se, em geral, que o tempo da escrita foi logo depois da queda de Jerusalém, em 607 AEC. O horror do sítio e do incêndio da cidade ainda estavam bem vivos na mente de Jeremias, e a sua angústia é vividamente expressa. Certo comentarista observa que nenhuma faceta única de pesar é plenamente explorada em qualquer dado lugar, mas cada uma retorna, vez após vez, nos diversos poemas. Daí, ele diz: “Este tumulto de pensamento . . . é uma das mais fortes evidências de que o livro está perto dos eventos e das emoções que tenciona comunicar.”b

      6. O que é interessante no estilo e na estrutura de Lamentações?

      6 A estrutura de Lamentações é de grande interesse para quem estuda a Bíblia. Há cinco capítulos, ou seja, cinco poemas líricos. Os quatro primeiros são acrósticos, cada versículo começando sucessivamente com uma das 22 letras do alfabeto hebraico. Por outro lado, o terceiro capítulo tem 66 versículos, de modo que 3 versículos sucessivos começam com a mesma letra antes de passar para a próxima letra. O quinto poema não é acróstico, embora tenha 22 versículos.

      7. Que pesar expressa Jeremias, mas que esperança resta?

      7 Lamentações expressa extremo pesar por causa do sítio, da captura e da destruição de Jerusalém, efetuados por Nabucodonosor, e é imbatível em qualquer literatura na sua natureza vívida e patética. O escritor expressa profunda tristeza por causa da desolação, miséria e confusão que vê. A fome, a espada e outros horrores trouxeram à cidade um sofrimento pavoroso — tudo uma penalidade direta da parte de Deus, por causa dos pecados do povo, dos profetas e dos sacerdotes. No entanto, a esperança e a fé em Jeová permanecem, e a ele são dirigidas as orações pela restauração.

      CONTEÚDO DE LAMENTAÇÕES

      8. Que desolação é descrita no primeiro poema, mas como se expressa a Jerusalém personificada?

      8 “Como ela veio a ficar sentada sozinha, a cidade que abundava em povo!” Assim começa o seu lamento o primeiro poema. A filha de Sião era uma princesa, mas, seus amantes a abandonaram e seu povo foi ao exílio. Seus portões estão desolados. Jeová a puniu por causa da abundância de suas transgressões. Ela perdeu seu esplendor. Seus adversários riram-se de sua queda. Sucumbiu de modo espantoso e não tem consolador, e o povo que sobrou está faminto. Ela (a Jerusalém personificada) pergunta: “Existe alguma dor igual à minha dor?” Estende as mãos e diz: “Jeová é justo, pois foi contra a sua boca que me rebelei.” (1:1, 12, 18) Clama a Jeová para que traga calamidade sobre seus inimigos exultantes, assim como trouxe sobre ela.

      9. (a) Da parte de quem veio calamidade sobre Jerusalém? (b) Como fala Jeremias da zombaria lançada sobre ela, e das terríveis condições na cidade?

      9 “Como Jeová, na sua ira, enublou a filha de Sião!” (2:1) O segundo poema mostra que é o próprio Jeová quem derrubou por terra a beleza de Israel. Fez que se esquecesse da festividade e do sábado, e deitou fora Seu altar e santuário. Oh! as cenas patéticas em Jerusalém! Jeremias exclama: “Meus olhos acabaram em puras lágrimas. Meus intestinos estão em fermento. Meu fígado se derramou por terra por causa da derrocada da filha do meu povo.” (2:11) A que assemelhará ele a filha de Jerusalém? Como consolará a filha de Sião? Seus próprios profetas mostraram ser imprestáveis e incompetentes. Agora os que passam por ali riem zombeteiramente dela: “É esta a cidade da qual se dizia: ‘Ela é a perfeição da lindeza, uma exultação para toda a terra’?” (2:15) Os seus inimigos abriram a boca e assobiaram, e rangeram os dentes, dizendo: ‘Este é o dia que esperávamos para tragá-la.’ Seus filhos se debilitam devido à fome e mulheres comem seus próprios filhos. Cadáveres estão espalhados pelas ruas. “No dia da ira de Jeová não se mostrou haver nem fugitivo nem sobrevivente.” — 2:16, 22.

      10. Como base para esperança, que qualidades de Deus menciona Jeremias?

      10 O terceiro poema, de 66 versículos, frisa a esperança de Sião na misericórdia de Deus. Mediante muitas metáforas, o profeta mostra que foi Jeová quem trouxe o cativeiro e a desolação. Na amargura da situação, o escritor pede a Deus que se lembre de sua aflição, e expressa fé na benevolência e nas misericórdias de Jeová. Três versículos sucessivos usam no início a palavra “bom”, e mostram que é apropriado esperar a salvação da parte de Jeová. (3:25-27) Jeová causou o pesar, mas mostrará também misericórdia. Mas por ora, não obstante a confissão de rebeldia, Jeová não perdoou; bloqueou as orações do seu povo, fazendo deste um “mero rebotalho e refugo”. (3:45) Com lágrimas amargas, o profeta relembra que seus inimigos estavam à caça dele como atrás de um pássaro. Entretanto, Jeová aproximou-se dele no poço e lhe disse: “Não tenhas medo.” O profeta invoca a Jeová para que responda ao vitupério do inimigo: “Perseguirás em ira e os aniquilarás de debaixo dos céus de Jeová.” — 3:57, 66.

      11. De que modo foi a ira ardente de Jeová derramada sobre Sião, e por quê?

      11 “Como fica fosco o ouro reluzente, o ouro bom!” (4:1) O quarto poema lamenta a glória desvanecida do templo de Jeová, cujas pedras são derramadas nas ruas. Os filhos preciosos de Sião tornaram-se de pouco valor, semelhantes a talhas de barro. Não há nem água nem pão, e os que foram criados no luxo “tiveram de abraçar montes de cinzas”. (4:5) A punição é até maior do que pelo pecado de Sodoma. Os nazireus, outrora ‘mais puros do que a neve e mais brancos do que o leite’, tornaram-se ‘mais escuros do que o próprio negrume’ e estão todo enrugados. (4:7, 8) Melhor seria ter sido morto pela espada do que pela fome, numa época em que as mulheres cozinharam seus próprios filhos! Jeová derramou a sua ira ardente. Sucedeu o inacreditável — o adversário entrou pelos portões de Jerusalém! E por quê? “Por causa dos pecados dos seus profetas, pelos erros de seus sacerdotes”, que derramavam sangue justo. (4:13) A face de Jeová não está voltada para eles. Não obstante, o erro da filha de Sião chegou ao seu fim, e não mais será levada ao exílio. Agora, ó filha de Edom, é a sua vez de beber o copo amargo de Jeová!

      12. Que solicitação humilde se faz no quinto poema?

      12 O quinto poema se inicia com uma solicitação para que Jeová se lembre de seu povo que se tornou órfão. Representam-se os habitantes de Jerusalém como que falando. Seus antepassados é que pecaram, e é o erro deles que precisam agora levar. Meros servos dominam sobre eles, e são torturados pela agonia da fome. A exultação de seu coração cessou e a sua dança se transformou em luto. Seu coração está enfermo. Reconhecem humildemente a Jeová: “Quanto a ti, ó Jeová, estarás sentado por tempo indefinido. Teu trono é por geração após geração.” Clamam: “Traze-nos de volta, ó Jeová, a ti mesmo, e nós prontamente voltaremos. Traze-nos novos dias como outrora. Todavia, rejeitaste-nos positivamente. Indignaste-te muito conosco.” — 5:19-22.

      POR QUE É PROVEITOSO

      13. Que confiança expressa Lamentações, contudo, por que é proveitoso em mostrar a severidade de Deus?

      13 O livro de Lamentações expressa a completa confiança de Jeremias em Deus. Na mais extrema angústia e esmagadora derrota, sem haver absolutamente esperança de conforto de alguma fonte humana, o profeta aguarda a salvação da mão do grande Deus do universo, Jeová. Lamentações deve inspirar em todos os verdadeiros adoradores a obediência e integridade, dando ao mesmo tempo aviso temível concernente àqueles que desconsideram o maior dos nomes e o que este representa. Não há registro na história de outra cidade arruinada que tenha sido lamentada em tal linguagem patética e comovente. É, certamente, proveitoso em descrever a severidade de Deus para com os que continuam a ser rebeldes, obstinados e impenitentes.

      14. Que advertências e profecias divinas mostra Lamentações que se cumpriram, e como se harmoniza com outros escritos inspirados?

      14 Lamentações é também de proveito em mostrar o cumprimento de bom número de advertências e profecias divinas. (Lam. 1:2—Jer. 30:14; Lam. 2:15—Jer. 18:16; Lam. 2:17—Lev. 26:17; Lam. 2:20—Deut. 28:53) Note, também, que Lamentações fornece um testemunho vívido do cumprimento de Deuteronômio 28:63-65. Outrossim, o livro contém numerosas referências a outras partes das santas Escrituras. (Lam. 2:15—Sal. 48:2; Lam. 3:24—Sal. 119:57) Daniel 9:5-14 confirma Lamentações 1:5 e 3:42 em mostrar que a calamidade veio devido às próprias transgressões do povo.

      15. Para que “novos dias” aponta Lamentações?

      15 É realmente confrangedor o trágico flagelo de Jerusalém! No meio de tudo isso, porém, Lamentações expressa confiança de que Jeová mostrará benevolência e misericórdia e de que se lembrará de Sião e a trará de volta. (Lam. 3:31, 32; 4:22) Expressa esperança em “novos dias”, como no tempo antigo, quando os reis Davi e Salomão reinavam em Jerusalém. Ainda vigora o pacto de Jeová com Davi para um reino eterno! “As suas misericórdias certamente não acabarão. São novas cada manhã.” E continuarão para com os que amam a Jeová até que, sob o seu justo domínio do Reino, toda criatura que vive exclame em agradecimentos: “Jeová é o meu quinhão.” — 5:21; 3:22-24.

      [Nota(s) de rodapé]

      a 1952, editado por J. R. Dummelow, página 483.

      b Studies in the Book of Lamentations, 1954, Norman K. Gottwald, página 31.

  • Livro bíblico número 26 — Ezequiel
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 26 — Ezequiel

      Escritor: Ezequiel

      Lugar da Escrita: Babilônia

      Escrita Completada: c. 591 AEC

      Tempo Abrangido: 613–c. 591 AEC

      1. Quais eram as circunstâncias dos exilados em Babilônia, e que novas provações enfrentaram?

      NO ANO 617 AEC, Joaquim, rei de Judá, entregou Jerusalém a Nabucodonosor, que levou para Babilônia as pessoas preeminentes do país e os tesouros da casa de Jeová e da casa do rei. Entre os cativos se achavam a família do rei e os príncipes; os valentes, poderosos; os artífices e construtores; e Ezequiel, filho de Buzi, o sacerdote. (2 Reis 24:11-17; Eze. 1:1-3) Pesarosos, estes israelitas exilados haviam completado a sua cansativa jornada, de uma terra de colinas, fontes e vales para uma de vastas planícies. Moravam então junto ao rio Quebar, no meio dum poderoso império, cercados de um povo de costumes estranhos e de adoração pagã. Nabucodonosor permitiu que os israelitas tivessem as suas próprias casas, servos, e que praticassem o comércio. (Eze. 8:1; Jer. 29:5-7; Esd. 2:65) Se fossem diligentes, poderiam prosperar. Cairiam nos laços da religião e do materialismo babilônicos? Continuariam rebeldes contra Jeová? Aceitariam o seu exílio como disciplina procedente dele? Haviam de enfrentar novas provações na terra de seu exílio.

      2. (a) Que três profetas se destacaram nos anos críticos antes da destruição de Jerusalém? (b) Significativamente, com que expressão se dirige a Ezequiel, e o que significa seu nome? (c) Durante que anos profetizou Ezequiel, e o que se sabe sobre a vida e a morte dele?

      2 Durante esses anos críticos que culminaram na destruição de Jerusalém, Jeová não privou a si nem aos israelitas dos serviços de um profeta. Jeremias atuava na própria Jerusalém, Daniel na corte de Babilônia e Ezequiel era o profeta para os exilados judeus em Babilônia. Ezequiel era tanto sacerdote como profeta, distinção que gozava também Jeremias e, mais tarde, Zacarias. (Eze. 1:3) Do começo ao fim de seu livro dirige-se mais de 90 vezes a ele como “filho do homem”, um ponto importante quando se estuda a sua profecia, porque, nas Escrituras Gregas, Jesus também é chamado de “Filho do homem” cerca de 80 vezes. (Eze. 2:1; Mat. 8:20) Seu nome Ezequiel (hebraico, Yehhez·qéʼl) significa “Deus Fortalece”. Foi no quinto ano do exílio de Joaquim, em 613 AEC, que Ezequiel foi comissionado por Jeová qual profeta. Lemos que ainda estava ativo no seu trabalho no 27.º ano do exílio, 22 anos mais tarde. (Eze. 1:1, 2; 29:17) Ele era casado, mas a esposa morreu no dia em que Nabucodonosor começou o seu cerco final de Jerusalém. (24:2, 18) A data e a maneira de sua própria morte são desconhecidas.

      3. O que se pode dizer quanto a ser Ezequiel o escritor, bem como quanto à canonicidade e autenticidade do livro?

      3 Que Ezequiel realmente escreveu o livro que leva seu nome, e que este ocupa um lugar legítimo no cânon da Escritura não é contestado. Estava incluído no cânon nos dias de Esdras e aparece nos catálogos dos primitivos tempos cristãos, notadamente no cânon de Orígenes. A sua autenticidade é também atestada pela notável similaridade entre os seus simbolismos e os de Jeremias e de Revelação. — Eze. 24:2-12—Jer. 1:13-15; Eze. 23:1-49—Jer. 3:6-11; Eze. 18:2-4—Jer. 31:29, 30; Eze. 1:5, 10—Rev. 4:6, 7; Eze. 5:17—Rev. 6:8; Eze. 9:4—Rev. 7:3; Eze. 2:9; 3:1—Rev. 10:2, 8-10; Eze. 23:22, 25, 26—Rev. 17:16; 18:8; Eze. 27:30, 36—Rev. 18:9, 17-19; Eze. 37:27—Rev. 21:3; Eze. 48:30-34—Rev. 21:12, 13; Eze. 47:1, 7, 12—Rev. 22:1, 2.

      4. Que cumprimento dramático tiveram as profecias de Ezequiel?

      4 Prova adicional de autenticidade encontra-se no dramático cumprimento das profecias de Ezequiel contra nações vizinhas, como Tiro, Egito e Edom. Por exemplo, Ezequiel profetizou que Tiro seria devastada, e isso se cumpriu em parte quando Nabucodonosor tomou a cidade depois de um sítio de 13 anos. (Eze. 26:2-21) Este conflito não significou o fim completo de Tiro. Contudo, o julgamento de Jeová era que Tiro fosse totalmente destruída. Ele predissera por intermédio de Ezequiel: “Vou raspar dela o seu pó e fazer dela a lustrosa superfície escalvada dum rochedo. . . . As tuas pedras, e o teu madeiramento, e o teu pó colocarão no próprio meio da água.” (26:4, 12) Tudo isto se cumpriu mais de 250 anos mais tarde, quando Alexandre Magno investiu contra a cidade-ilha de Tiro. Os soldados de Alexandre recolheram todos os entulhos da cidade continental reduzida a ruínas e os lançaram no mar, construindo assim um caminho de acesso à cidade-ilha, de 800 metros. Daí, mediante uma intricada operação de cerco, escalaram as muralhas de 46 metros de altura para tomar a cidade, em 332 AEC. Milhares foram mortos e muitos foram vendidos como escravos. Segundo Ezequiel também predissera, Tiro se tornou a ‘superfície escalvada dum rochedo e um enxugadouro de redes de arrasto’. (26:14)a No outro lado da Terra Prometida, os traiçoeiros edomitas foram também aniquilados, em cumprimento da profecia de Ezequiel. (25:12, 13; 35:2-9)b E, naturalmente, as profecias de Ezequiel sobre a destruição de Jerusalém e a restauração de Israel também mostraram ser exatas. — 17:12-21; 36:7-14.

      5. Como reagiram os judeus às profecias iniciais de Ezequiel?

      5 Ezequiel proclamou, nos primeiros anos de sua carreira profética, os julgamentos certos de Deus contra a Jerusalém infiel e advertiu os exilados contra a idolatria. (14:1-8; 17:12-21) Os judeus cativos não mostravam genuínos sinais de arrependimento. Os homens responsáveis entre eles costumavam consultar Ezequiel, mas não davam atenção às mensagens de Jeová que ele lhes transmitia. Prosseguiam com a sua idolatria e práticas materialistas. A perda de seu templo, de sua cidade santa e de sua dinastia de reis lhes foi um terrível choque, mas isto só despertou uns poucos para se humilhar e arrepender. — Sal. 137:1-9.

      6. A que deram ênfase as profecias posteriores de Ezequiel, e como é frisada a santificação do nome de Jeová?

      6 As profecias de Ezequiel, nos anos posteriores, frisaram a esperança de restauração. Censuraram as nações vizinhas de Judá por terem exultado com a sua queda. A própria humilhação delas, juntamente com a restauração de Israel, santificaria a Jeová perante seus olhos. Em suma, o propósito do cativeiro e da restauração era: ‘Tanto judeus como pessoas das nações terão de saber que eu sou Jeová.’ (Eze. 39:7, 22) Esta santificação do nome de Jeová é frisada do começo ao fim do livro, havendo ali pelo menos 60 ocorrências da expressão: “Tereis [ou, terão] de saber que eu sou Jeová.” — 6:7, nota.

      CONTEÚDO DE EZEQUIEL

      7. Em que três partes naturais pode-se dividir o livro de Ezequiel?

      7 O livro divide-se de forma natural em três partes. A primeira, capítulos 1 a 24, contém avisos da destruição certa de Jerusalém. A segunda, capítulos 25 a 32, contém profecias de condenação para diversas nações pagãs. A última, capítulos 33 a 48, consiste em profecias de restauração, culminando na visão de um novo templo e uma nova cidade santa. De modo geral, as profecias estão em ordem cronológica, bem como de tópicos.

      8. O que vê Ezequiel na sua visão inicial?

      8 Jeová comissiona Ezequiel como vigia (1:1–3:27). Na sua visão inicial, em 613 AEC, Ezequiel nota um vento violento, do norte, junto com uma massa de nuvens e um fogo cintilante. De dentro dele saem quatro criaturas viventes, aladas, com rostos de homem, de leão, de touro e de águia. Seu aspecto é de brasas ardentes, e cada qual é acompanhada, como que de uma roda no meio de outra roda de temível altura, com cambotas cheias de olhos. Locomovem-se em qualquer direção em constante unidade. Sobre a cabeça das criaturas viventes há uma semelhança de expansão, e acima da expansão, um trono no qual está “o aspecto da semelhança da glória de Jeová”. — 1:28.

      9. O que está envolvido na comissão de Ezequiel?

      9 Jeová diz ao prostrado Ezequiel: “Filho do homem, põe-te de pé.” Daí o comissiona a ser profeta para Israel e para as nações rebeldes circunvizinhas. Não importa que escutem ou deixem de escutar. Pelo menos, saberão que houve um profeta do Senhor Jeová no meio deles. Jeová faz que Ezequiel coma o rolo de um livro, que se torna doce como mel em sua boca. Ele lhe diz: “Filho do homem, constituí-te vigia para a casa de Israel.” (2:1; 3:17) Ezequiel tem de dar fielmente o aviso, senão, morrerá.

      10. Que sinal para Israel encena Ezequiel?

      10 Encenando o sítio de Jerusalém (4:1–7:27). Jeová ordena a Ezequiel que grave num tijolo um esboço de Jerusalém. Ele tem de encenar um suposto cerco contra ela como sinal para Israel. Para frisar o ponto, ele tem de se deitar diante do tijolo 390 dias sobre o seu lado esquerdo e 40 dias sobre o seu lado direito, subsistindo ao mesmo tempo de parco regime alimentar. Que Ezequiel realmente faz a encenação é indicado pela sua solicitação lamentosa a Jeová para mudar de combustível para cozer. — 4:9-15.

      11. (a) Como retrata Ezequiel o fim calamitoso do cerco? (b) Por que não haverá alívio?

      11 Jeová faz com que Ezequiel retrate o fim calamitoso do sítio, rapando a cabeça e a barba. Uma terça parte disso tem de queimar, uma terça parte picar com uma espada e uma terça parte espalhar ao vento. Assim, no fim do sítio, alguns dos habitantes de Jerusalém morrerão pela fome, pela pestilência e pela espada, e o restante será espalhado entre as nações. Jeová fará dela uma devastação. Por quê? Por causa da ofensividade de sua depravada e detestável idolatria. A riqueza não trará alívio. No dia da fúria de Jeová o povo de Jerusalém lançará sua prata nas ruas “e terão de saber que eu sou Jeová”. — 7:27.

      12. Que coisas detestáveis são vistas por Ezequiel na sua visão sobre a Jerusalém apóstata?

      12 A visão de Ezequiel sobre a Jerusalém apóstata (8:1–11:25). É então o ano 612 AEC. Ezequiel é transportado numa visão à distante Jerusalém, onde vê as coisas detestáveis que sucedem no templo de Jeová. Há no pátio um símbolo repugnante que incita Jeová ao ciúme. Cavando através da parede, Ezequiel vê 70 anciãos adorando diante de representações, esculpidas na parede, de animais repugnantes e ídolos sórdidos. Desculpam-se, dizendo: “Jeová não nos vê. Jeová deixou o país.” (8:12) No portão norte, mulheres choram o deus pagão Tamuz. Mas, isto não é tudo! Na própria entrada do templo há 25 homens, de costas para o templo, adorando o sol. Estão profanando a Jeová na sua própria face, e ele certamente agirá em seu furor!

      13. Que ordens executam o homem vestido de linho e os seis homens com armas?

      13 Eis que surgem então seis homens com armas maçadoras nas mãos. Entre eles se acha um sétimo, vestido de linho, portando um tinteiro de secretário. Jeová ordena a este homem vestido de linho que passe no meio da cidade e ponha um sinal na testa dos homens que suspiram e gemem por causa das coisas detestáveis que se praticam na cidade. A seguir, ordena aos seis homens que avancem e matem a todos, “o idoso, o jovem, e a virgem, e a criancinha e as mulheres”, em quem não haja sinal. Eles assim o fazem, começando com os homens idosos que estavam diante da casa. O homem vestido de linho relata: “Fiz exatamente como me ordenaste.” — 9:6, 11.

      14. O que a visão mostra, por fim, quanto à glória de Jeová e seus julgamentos?

      14 Ezequiel vê outra vez a glória de Jeová, que sobe acima dos querubins. Um querubim atira brasas ardentes do meio da rodagem, e o homem vestido de linho as apanha e espalha-as sobre a cidade. Quanto aos dispersos de Israel, Jeová promete ajuntá-los outra vez e dar-lhes um novo alento. Mas, que dizer desses iníquos adoradores falsos de Jerusalém? “Hei de trazer seu próprio procedimento sobre a sua cabeça”, diz Jeová. (11:21) A glória de Jeová é vista ascendendo por cima da cidade, e Ezequiel passa a contar a visão aos exilados.

      15. Mediante que ilustração adicional mostra Ezequiel a certeza de que os habitantes de Jerusalém irão ao cativeiro?

      15 Profecias adicionais em Babilônia relativas a Jerusalém (12:1–19:14). Ezequiel se torna o ator em mais uma cena simbólica. Durante o dia, ele tira de sua casa a sua bagagem para o exílio, e daí, à noite, passa por um buraco na parede (provavelmente a parede de sua residência) com o rosto encoberto. Ele explica que isto é um portento: “Irão para o exílio, para o cativeiro.” (12:11) Estúpidos profetas esses que andam segundo o seu próprio espírito! Clamam: “Há paz!”, quando não há paz. (13:10) Mesmo que Noé, Daniel e Jó estivessem em Jerusalém, não poderiam salvar a nenhuma alma senão a si próprios.

      16. De que modo se retrata a imprestabilidade de Jerusalém, mas por que haverá uma restauração?

      16 A cidade é semelhante a uma videira imprestável. A madeira não serve para fazer estacas, nem mesmo tarugos! Ambas as extremidades são queimadas e o meio também fica abrasado — imprestável! Quão sem fé e imprestável se tornou Jerusalém! Tendo nascido da terra dos cananeus, Jeová a recolheu como bebê abandonado. Ele a criou e entrou num pacto de casamento com ela. Deixou-a bonita, “habilitada para a posição régia”. (16:13) Mas ela se tornou prostituta, voltando-se para as nações, ao passarem por ela. Adorou as imagens destas e queimou seus próprios filhos no fogo. O fim dela será a destruição às mãos dessas mesmas nações, seus amantes. Ela é pior do que suas irmãs Sodoma e Samaria. Mesmo assim, Jeová, o Deus misericordioso, fará expiação por ela e a restaurará segundo o seu pacto.

      17. O que mostra Jeová mediante o enigma da águia e da videira?

      17 Jeová propõe ao profeta um enigma e daí relata a interpretação. O enigma ilustra a futilidade de Jerusalém voltar-se para o Egito em busca de ajuda. Vem uma grande águia (Nabucodonosor) e arranca o topo (Joaquim) de um altaneiro cedro, trazendo-o a Babilônia, e planta em seu lugar uma videira (Zedequias). A videira estende seus ramos para outra águia, o Egito, mas, será bem sucedida? É arrancada pelas raízes! O próprio Jeová tomará um tenro rebento da altaneira copa do cedro e transplantá-lo-á para um monte alto e elevado. Ali ele tornar-se-á um majestoso cedro como lugar de residência para “todas as aves de toda asa”. Todos terão de saber que Jeová é quem fez isso. — 17:23, 24.

      18. (a) Que princípios declara Jeová ao repreender os judeus exilados? (b) Que julgamento aguarda os reis de Judá?

      18 Jeová repreende os exilados judeus por causa de sua expressão proverbial: “Os pais é que comem as uvas verdes, mas são os dentes dos filhos que ficam embotados.” Não, “a alma que pecar — ela é que morrerá”. (18:2, 4) Os justos continuarão a viver. Jeová não se agrada na morte dos iníquos. O seu agrado é ver o iníquo desviar-se de seus caminhos maus e viver. Quanto aos reis de Judá, semelhantes a leõzinhos novos, foram enlaçados pelo Egito e pela Babilônia. Não se ouvirá mais “a sua voz nos montes de Israel”. — 19:9.

      19. (a) Contra um fundo de ruína, que esperança dá a conhecer Ezequiel? (b) Como ilustra ele a infidelidade de Israel e de Judá e seu resultado?

      19 Denúncias contra Jerusalém (20:1–23:49). Chegamos a 611 AEC. Novamente os anciãos dentre os exilados vêm a Ezequiel para inquirir a Jeová. O que ouvem é a narração da longa história de rebelião e depravada idolatria de Israel, e um aviso de que Jeová pediu uma espada para executar julgamento contra ela. Reduzirá Jerusalém a “uma ruína, uma ruína, uma ruína”. Mas, que esperança gloriosa! Jeová guardará a realeza (“a coroa”) para aquele que vem com o “direito legal” e a ele a dará. (21:26, 27) Ezequiel recapitula as coisas detestáveis que se fazem em Jerusalém, “a cidade culpada de sangue”. A casa de Israel tornou-se como “escória”, e há de ser ajuntada em Jerusalém e liquefeita ali como numa fornalha. (22:2, 18) A infidelidade de Samaria (Israel) e de Judá é ilustrada por duas irmãs. Samaria, qual Oolá, prostitui-se com os assírios e é destruída pelos seus amantes. Judá, qual Oolibá, não aprende disso uma lição, mas age até pior, prostituindo-se primeiro com a Assíria e depois com Babilônia. Ela será totalmente destruída, “e tereis de saber que eu sou o Soberano Senhor Jeová”. — 23:49.

      20. A que é assemelhada a Jerusalém cercada, e que poderoso sinal dá Jeová com respeito ao seu julgamento sobre ela?

      20 Começa o sítio final de Jerusalém (24:1-27). É 609 AEC. Jeová anuncia a Ezequiel que o rei de Babilônia cercou Jerusalém neste décimo dia do décimo mês. Compara a cidade murada a uma panela de boca larga, sendo os seletos habitantes a carne dentro dela. Por meio de fervura, tire-se toda a impureza da abominável idolatria de Jerusalém! Naquele mesmo dia a esposa de Ezequiel morre, mas, o profeta, obedecendo a Jeová, não pranteia. Isto é sinal de que não devem prantear a destruição de Jerusalém, pois é julgamento da parte de Jeová, para que saibam quem ele é. Jeová enviará um fugitivo para notificar a destruição do “belo objeto de sua exultação” e, até que este chegue, Ezequiel não mais deve falar aos exilados. — 24:25.

      21. Como é que as nações terão de conhecer a Jeová e a sua vingança?

      21 Profecias contra as nações (25:1–32:32). Jeová prevê que as nações circundantes se regozijarão com a queda de Jerusalém e aproveitarão a ocasião para lançar vitupério sobre o Deus de Judá. Não ficarão impunes! Amom será dado aos orientais, e Moabe também. Far-se-á de Edom um lugar devastado, e serão executados contra os filisteus grandes atos de vingança. Todos eles, diz Jeová, “terão de saber que eu sou Jeová, quando eu trouxer sobre eles a minha vingança”. — 25:17.

      22. Que menção especial recebe Tiro, e como será santificado Jeová em relação com Sídon?

      22 Tiro é mencionada de modo especial. Orgulhando-se de seu próspero comércio, é semelhante a um belo navio no meio dos mares, mas logo jazerá quebrada nas profundezas das águas. “Sou deus”, jacta-se o seu líder. (28:9) Jeová faz com que seu profeta profira uma endecha relativa ao rei de Tiro: Qual belo querubim ungido, ele tem estado no Éden, jardim de Deus, mas Jeová o expulsará do seu monte como profano e será devorado por um fogo que sai de dentro dele próprio. Jeová diz que Ele será também santificado por trazer destruição sobre a desdenhosa Sídon.

      23. O que terá de saber o Egito, e como sucederá isto?

      23 Jeová manda então que Ezequiel se oponha firmemente ao Egito e seu Faraó e que profetize contra eles. “Meu rio Nilo é meu, e eu é que o fiz para mim mesmo”, jacta-se Faraó. (29:3) Faraó e os egípcios que crêem nele terão de saber que Jeová é Deus, e a lição será dada por meio de uma desolação de 40 anos. Ezequiel insere aqui algumas informações que realmente lhe foram reveladas mais tarde, em 591 AEC. Jeová dará o Egito a Nabucodonosor como compensação pelo seu serviço de desgastar a Tiro. (Nabucodonosor levou muito pouco despojo de Tiro, visto que os tírios escaparam com a maior parte de sua riqueza para a sua cidade-ilha.) Numa endecha, Ezequiel revela que Nabucodonosor despojará o orgulho do Egito, e “terão de saber que eu sou Jeová”. — 32:15.

      24. (a) Qual é a responsabilidade de Ezequiel qual vigia? (b) Ao receber a notícia da queda de Jerusalém, que mensagem proclama Ezequiel aos exilados? (c) Que promessa de bênção se frisa no capítulo 34?

      24 Vigia para os exilados; predita a restauração (33:1–37:28). Jeová recapitula com Ezequiel a sua responsabilidade qual vigia. O povo está dizendo: “O caminho de Jeová não é acertado.” Portanto, Ezequiel precisa tornar-lhes claro quão errados estão. (33:17) Mas, é agora 607 AEC, o quinto dia do décimo mês.c Chega de Jerusalém um fugitivo, para dizer ao profeta: “A cidade foi golpeada!” (33:21) Ezequiel, então livre outra vez para falar aos exilados, diz-lhes que são fúteis quaisquer pensamentos que tenham quanto a socorrer a Judá. Embora venham a Ezequiel para ouvir a palavra de Jeová, ele é para eles apenas como cantor de canções de amor, alguém que tem voz bonita e que toca bem um instrumento de cordas. Não prestam atenção. Todavia, quando isso suceder, saberão que havia no meio deles um profeta. Ezequiel repreende os falsos pastores que abandonaram o rebanho para apascentar a si mesmos. Jeová, o Pastor Perfeito, ajuntará as ovelhas dispersas e as trará a um pasto opulento, nos montes de Israel. Ali suscitará sobre eles um só pastor, ‘o Seu servo Davi’. (34:23) O próprio Jeová se tornará o Deus deles. Fará um pacto de paz e enviará sobre eles chuvas de bênçãos.

      25. (a) Por que e como fará Jeová que o país se assemelhe ao Éden? (b) O que é ilustrado pela visão dos ossos secos? Pelas duas varetas?

      25 Ezequiel profetiza mais uma vez a desolação para o monte Seir (Edom). No entanto, os lugares devastados de Israel serão reconstruídos, pois Jeová terá compaixão de seu santo nome, para o santificar perante as nações. Dará a seu povo um coração novo e um espírito novo, e a sua terra se tornará outra vez “como o jardim do Éden”. (36:35) Ezequiel vê a seguir uma visão de Israel representado por um vale de ossos secos. Ezequiel profetiza sobre os ossos. Estes começam miraculosamente a ter outra vez carne, fôlego e vida. Assim abrirá Jeová as sepulturas do cativeiro em Babilônia e restaurará Israel outra vez na sua terra. Ezequiel toma duas varetas que representam as duas casas de Israel, Judá e Efraim. Tornam-se uma só vareta na sua mão. Assim, quando Jeová restaurar a Israel, serão unidos num só pacto de paz sob o Seu servo “Davi”. — 37:24.

      26. Por que ataca Gogue de Magogue, e com que resultado?

      26 O ataque de Gogue de Magogue contra o Israel restaurado (38:1–39:29). Daí virá uma invasão de outra parte! Gogue de Magogue, atraído para o ataque pela torturante paz e prosperidade do povo restaurado de Jeová, fará o seu ataque frenético. Ele se precipitará para os engolfar. Nisto Jeová se levantará no fogo da sua fúria. Fará com que a espada de cada um se volte contra seu irmão, trará sobre eles a pestilência e o sangue e uma descarga de chuva de pedras, fogo e enxofre. Sucumbirão sabendo que Jeová é “o Santo em Israel”. (39:7) O seu povo acenderá fogos com o destroçado equipamento de guerra do inimigo e enterrará os ossos no “Vale da Massa de Gente de Gogue”. (39:11) As aves de rapina comerão a carne e beberão o sangue dos abatidos. Dali em diante, Israel habitará em segurança, não havendo ninguém para os atemorizar, e Jeová derramará sobre eles o seu espírito.

      27. O que vê Ezequiel numa visita visionária à terra de Israel, e como aparece a glória de Deus?

      27 A visão de Ezequiel sobre o templo (40:1–48:35). Chegamos ao ano 593 AEC. É o 14.º ano desde a destruição do templo de Salomão, e os arrependidos dentre os exilados necessitam de encorajamento e esperança. Jeová transporta Ezequiel numa visão à terra de Israel e o coloca sobre um monte muito alto. Aqui, em visão, ele vê um templo e “ao sul algo como a estrutura de uma cidade”. Um anjo lhe instrui: “Conta à casa de Israel tudo o que estás vendo.” (40:2, 4) Daí, mostra a Ezequiel todos os pormenores do templo e seus pátios, medindo os muros, os portões, as saletas da guarda, os refeitórios e o próprio templo, com o seu lugar Santo e o Santíssimo. Leva Ezequiel à porta oriental. “E eis que vinha a glória do Deus de Israel da direção do leste, e sua voz era como a voz de vastas águas; e a própria terra brilhava por causa da sua glória.” (43:2) O anjo instrui plenamente a Ezequiel relativo à Casa (ou templo); o altar e seus sacrifícios; os direitos e os deveres dos sacerdotes, dos levitas e do maioral e a repartição das terras.

      28. O que mostra a visão concernente ao curso de água que emana da Casa, e o que se revela quanto à cidade e ao seu nome?

      28 O anjo traz Ezequiel de volta à entrada da Casa, onde o profeta vê saírem águas do limiar da Casa para a banda do oriente, do lado sul do altar. Começam como um fio de água que fica cada vez maior até virar uma torrente. Daí, corre para o mar Morto, onde os peixes passam a viver e surge uma indústria pesqueira. Em ambos os lados da torrente, árvores fornecem alimento e cura para as pessoas. A visão dá em seguida as heranças das 12 tribos, não despercebendo os residentes estrangeiros e o maioral, e descreve a cidade santa ao sul, com os seus 12 portões chamados segundo as tribos. A cidade há de ser chamada por um nome mui glorioso: “O Próprio Jeová Está Ali.” — 48:35.

      POR QUE É PROVEITOSO

      29. De que modo os exilados judeus tiraram proveito da profecia de Ezequiel?

      29 Os pronunciamentos, as visões e as promessas que Jeová proporcionou a Ezequiel foram todos fielmente transmitidos aos judeus no exílio. Embora muitos zombassem e escarnecessem do profeta, alguns creram realmente. Estes tiraram grande proveito. Foram fortalecidos pelas promessas de restauração. Dessemelhantes de outras nações levadas ao cativeiro, preservaram a sua identidade nacional, e Jeová restaurou um restante, segundo predissera, em 537 AEC. (Eze. 28:25, 26; 39:21-28; Esd. 2:1; 3:1) Eles reconstruíram a casa de Jeová e renovaram ali a adoração verdadeira.

      30. Que princípios delineados em Ezequiel são valiosos para nós hoje?

      30 Os princípios delineados em Ezequiel são também de valor inestimável para nós hoje. A apostasia e a idolatria, juntamente com a rebelião, só podem conduzir ao desfavor de Jeová. (Eze. 6:1-7; 12:2-4, 11-16) Cada qual responderá pelo seu próprio pecado, mas Jeová perdoará àquele que se desviar de seu proceder errado. Ser-lhe-á concedida misericórdia e continuará a viver. (18:20-22) Os servos de Deus precisam ser fiéis vigias semelhantes a Ezequiel, mesmo em designações difíceis e quando ridicularizados e vituperados. Não podemos deixar os iníquos morrerem sem aviso, ficando assim o sangue deles sobre a nossa cabeça. (3:17; 33:1-9) Os pastores do povo de Deus têm a pesada responsabilidade de cuidar do rebanho. — 34:2-10.

      31. Que profecias de Ezequiel predizem a vinda do Messias?

      31 Notáveis no livro de Ezequiel são as profecias sobre o Messias. Refere-se a ele como aquele “que tem o direito legal” ao trono de Davi e a quem tem de ser dado. Em dois lugares, fala-se dele como “meu servo Davi”, também como “pastor”, “rei” e “maioral”. (21:27; 34:23, 24; 37:24, 25) Visto que Davi já há muito estava morto, Ezequiel se referia Àquele que havia de ser tanto Filho como Senhor de Davi. (Sal. 110:1; Mat. 22:42-45) Ezequiel, semelhante a Isaías, fala da plantação de um tenro rebento que será exaltado por Jeová. — Eze. 17:22-24; Isa. 11:1-3.

      32. Como se compara a visão de Ezequiel sobre o templo com a visão de Revelação sobre a “cidade santa”?

      32 É interessante comparar a visão de Ezequiel sobre o templo com a visão da “cidade santa de Jerusalém”, de Revelação. (Rev. 21:10) Há diferenças que devem ser notadas; por exemplo, o templo de Ezequiel é separado, e ao norte da cidade, ao passo que o próprio Jeová é o templo da cidade, em Revelação. Em cada caso, porém, emana um rio da vida, árvores que dão mensalmente safras de frutos e folhas para cura, e a presença da glória de Jeová. Cada visão dá a sua contribuição para que se tenha apreço da realeza de Jeová e da sua provisão de salvação para os que lhe prestam serviço sagrado. — Eze. 43:4, 5—Rev. 21:11; Eze. 47:1, 8, 9, 12—Rev. 22:1-3.

      33. O que frisa Ezequiel, e o que resultará aos que agora santificam a Jeová na sua vida?

      33 O livro de Ezequiel frisa que Jeová é santo. Revela que a santificação do nome de Jeová é mais importante que qualquer outra coisa. “‘Hei de santificar meu grande nome . . . e as nações terão de saber que eu sou Jeová’, é a pronunciação do Soberano Senhor Jeová.” Segundo mostra a profecia, ele santificará o seu nome destruindo a todos os profanadores desse nome, incluindo Gogue de Magogue. São prudentes todos aqueles que agora santificam a Jeová na sua vida, cumprindo seus requisitos para a adoração aceitável. Estes encontrarão cura e vida eterna no rio que emana de seu templo. Transcendente na glória e encantadora na beleza é a cidade que é chamada “O Próprio Jeová Está Ali”! — Eze. 36:23; 38:16; 48:35.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 2, página 643; veja também “Tiro”.

      b Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, páginas 755-6.

      c Embora o texto massorético diga que o fugitivo chegou de Jerusalém no 12.º ano, outros manuscritos rezam “décimo primeiro ano”, e o texto é assim traduzido por Lamsa e Moffatt, bem como pela An American Translation.

  • Livro bíblico número 27 — Daniel
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 27 — Daniel

      Escritor: Daniel

      Lugar da Escrita: Babilônia

      Escrita Completada: c. 536 AEC

      Tempo Abrangido: 618-c. 536 AEC

      1. Que tipo de história contém Daniel, e o que salienta ela?

      NESTES dias em que todas as nações da terra se acham à beira do desastre, o livro de Daniel traz à atenção mensagens proféticas de grande importância. Ao passo que os livros bíblicos de Samuel, Reis e Crônicas baseiam-se nos registros de testemunhas oculares da história do reino prefigurativo de Deus (a dinastia davídica), Daniel focaliza as nações do mundo e dá vislumbres da luta pelo poder das grandes dinastias desde os dias de Daniel até o “tempo do fim”. É história do mundo escrita de antemão. Conduz a um clímax empolgante ao mostrar o que sucede “na parte final dos dias”. Como Nabucodonosor, as nações têm de aprender pela maneira difícil “que o Altíssimo é Governante no reino da humanidade” e que por fim ele o dá a alguém “semelhante a um filho de homem”, o Messias e Líder, Cristo Jesus. (Dan. 12:4; 10:14; 4:25; 7:13, 14; 9:25; João 3:13-16) Com detida atenção aos cumprimentos proféticos do livro inspirado de Daniel, compreenderemos mais plenamente o poder de Jeová de fazer profecias e a sua garantia de proteção e bênção para seu povo. — 2 Ped. 1:19.

      2. O que confirma que Daniel era um personagem real, e durante que período momentoso profetizou ele?

      2 O livro leva o nome do escritor. “Daniel” (hebraico, Da·ni·yéʼl) significa “Meu Juiz É Deus”. Ezequiel, que viveu na mesma época, confirma que Daniel foi um personagem real, mencionando-o juntamente com Noé e Jó. (Eze. 14:14, 20; 28:3) Daniel data o começo de seu livro como “terceiro ano do reinado de Jeoiaquim, rei de Judá”. Isto foi em 618 AEC, o terceiro ano de Jeoiaquim como rei tributário de Nabucodonosor.a As visões proféticas de Daniel continuaram até o terceiro ano de Ciro, cerca de 536 AEC. (Dan. 1:1; 2:1; 10:1, 4) Em que anos momentosos viveu Daniel! Ele passou o começo de sua vida sob o reino de Deus, em Judá. Daí, como príncipe adolescente, foi levado junto com seus nobres companheiros judeus para Babilônia, para ali viver durante a ascensão e a queda da terceira potência mundial na história da Bíblia. Daniel sobreviveu para servir como alto funcionário do governo da quarta potência mundial, a Medo-Pérsia. Daniel deve ter vivido cerca de cem anos.

      3. Que provas há em favor da canonicidade e autenticidade do livro de Daniel?

      3 O livro de Daniel sempre foi incluído no catálogo judaico das Escrituras inspiradas. Encontraram-se fragmentos de Daniel entre os de outros livros canônicos nos Rolos do Mar Morto, alguns dos quais datam da primeira metade do primeiro século AEC. Todavia, prova ainda mais importante da autenticidade do livro pode ser encontrada nas referências a ele feitas nas Escrituras Gregas Cristãs. Jesus menciona especificamente Daniel na sua profecia sobre a “terminação do sistema de coisas”, onde faz diversas citações desse livro. — Mat. 24:3; veja também Dan. 9:27; 11:31; e 12:11—Mat. 24:15 e Mar. 13:14; Dan. 12:1—Mat. 24:21; Dan. 7:13, 14—Mat. 24:30.

      4, 5. De que modo a arqueologia arrasou as asserções de altos críticos a respeito de Daniel?

      4 Embora os altos críticos da Bíblia tenham levantado dúvidas quanto ao caráter histórico do livro de Daniel, as descobertas arqueológicas, no decorrer dos anos, arrasaram as suas asserções. Por exemplo, tais críticos escarneciam da declaração de Daniel de que Belsazar era rei em Babilônia na época em que se supunha que Nabonido fosse o governante. (Dan. 5:1) A arqueologia estabeleceu agora, sem contestação, que Belsazar era um personagem real e que foi co-regente de Nabonido nos últimos anos do Império Babilônico. Por exemplo, um antigo texto cuneiforme, chamado de “Relato Versificado de Nabonido”, confirma claramente que Belsazar exerceu autoridade régia em Babilônia e explica como se tornou co-regente de Nabonido.b Outra evidência em cuneiforme apóia o conceito de que Belsazar exerceu funções régias. Uma tabuinha, datada do 12.º ano de Nabonido, contém um juramento feito em nome de Nabonido, o rei, e Belsazar, o filho do rei, indicando assim que Belsazar estava na mesma categoria que seu pai.c Isto é também de interesse para explicar por que Belsazar ofereceu fazer de Daniel “o terceiro no reino” se conseguisse interpretar a escrita na parede. Nabonido seria considerado o primeiro, Belsazar o segundo e Daniel seria proclamado o terceiro governante. (5:16, 29) Certo pesquisador diz: “As alusões em cuneiforme a Belsazar têm lançado tanta luz sobre o papel que ele desempenhou que o seu lugar na história fica claramente revelado. Há muitos textos que indicam que Belsazar quase se equiparava a Nabonido em posição e prestígio. A regência dupla durante a maior parte do último reinado neobabilônico é um fato estabelecido. Nabonido exercia a suprema autoridade a partir de sua corte em Tema, na Arábia, ao passo que Belsazar atuava como co-regente na terra natal, sendo Babilônia seu centro de influência. É evidente que Belsazar não era um fraco vice-rei; confiara-se-lhe ‘o reinado’.”d

      5 Alguns têm tentado desacreditar o relato de Daniel sobre a fornalha ardente (cap. 3), dizendo ser uma invenção lendária. Uma carta em babilônico antigo reza, em parte: “Assim diz Rîm-Sin, teu senhor: Visto que ele lançou o moço escravo no forno, tu lanças o escravo na fornalha.” É interessante que, referindo-se a isso, G. R. Driver declarou que essa punição “consta na história dos Três Homens Santos (Dan. III 6, 15, 19-27)”.e

      6. De que duas partes se compõe o livro de Daniel?

      6 Os judeus incluíram o livro de Daniel, não com os Profetas, mas com os Escritos. Por outro lado, a Bíblia em português segue a ordem do catálogo da Septuaginta grega e da Vulgata latina, colocando Daniel entre os profetas maiores e os menores. O livro tem, na realidade, duas partes. A primeira, capítulos 1 a 6, traz, em ordem cronológica, as experiências de Daniel e seus companheiros no serviço governamental de 617 AEC a 538 AEC. (Dan. 1:1, 21) A segunda parte, que abrange os capítulos 7 a 12, está escrita na primeira pessoa pelo próprio Daniel qual registrador, e descreve visões particulares e entrevistas angélicas que Daniel teve de cerca de 553 AECf a cerca de 536 AEC. (7:2, 28; 8:2; 9:2; 12:5, 7, 8) As duas partes juntas formam o harmonioso livro único de Daniel.

      CONTEÚDO DE DANIEL

      7. O que leva Daniel e seus companheiros a entrar no serviço governamental de Babilônia?

      7 Preparação para o serviço de Estado (1:1-21). Em 617 AEC, Daniel chega a Babilônia junto com os judeus cativos. Chegam também os utensílios sagrados do templo de Jerusalém, para serem guardados numa casa de tesouros pagã. Daniel e seus três companheiros hebreus estão entre os jovens judeus da realeza escolhidos para um curso de treinamento de três anos no palácio do rei. Decidido no coração a não se poluir com as iguarias pagãs e vinhos do rei, Daniel propõe um teste de dez dias de dieta vegetariana. O resultado do teste favorece a Daniel e seus companheiros, e Deus lhes dá conhecimento e sabedoria. Nabucodonosor nomeia os quatro quais conselheiros seus. O último versículo do capítulo 1 v 21, que pode ter sido acrescentado muito depois de ter sido escrita a parte precedente, indica que Daniel ainda estava no serviço real uns 80 anos depois de ter ido ao exílio, ou seja, por volta de 538 AEC.

      8. Que sonho e interpretação revela Deus a Daniel, e como mostra Nabucodonosor o seu apreço?

      8 Sonho da estátua atemorizante (2:1-49). No segundo ano de seu reinado (provavelmente a partir da destruição de Jerusalém, em 607 AEC), Nabucodonosor fica agitado por causa de um sonho. Seus sacerdotes-magos não conseguem revelar o sonho e sua interpretação. Ele lhes oferece grandes dádivas, mas eles protestam, dizendo que ninguém senão os deuses pode mostrar ao rei o que ele está pedindo. O rei se enfurece e manda matar os sábios. Visto que os quatro hebreus estão incluídos neste decreto, Daniel pede um tempo para revelar o sonho. Ele e seus companheiros oram a Jeová pedindo orientação. Jeová revela o sonho e seu significado a Daniel, que então vai à presença do rei e diz: “Há nos céus um Deus que é Revelador de segredos, e ele fez saber ao Rei Nabucodonosor o que há de acontecer na parte final dos dias.” (2:28) Daniel descreve o sonho. É a respeito duma enorme estátua. A cabeça da estátua é de ouro, seu peito e seus braços de prata, seu ventre e suas coxas de cobre, e suas pernas de ferro, com pés parcialmente de ferro e parcialmente de argila. Uma pedra golpeia e esmiúça a estátua e se torna um grande monte que enche a terra inteira. O que significa isso? Daniel revela que o rei de Babilônia é a cabeça de ouro. Depois do seu reino virá um segundo, um terceiro e um quarto. Por fim, “o Deus do céu estabelecerá um reino que jamais será arruinado. . . . Esmiuçará e porá termo a todos estes reinos, e ele mesmo ficará estabelecido por tempos indefinidos”. (2:44) Com gratidão e apreço, o rei exalta o Deus de Daniel como “Deus de deuses” e faz de Daniel “governante de todo o distrito jurisdicional de Babilônia e prefeito supremo sobre todos os sábios de Babilônia”. Os três companheiros de Daniel são constituídos administradores no reino. — 2:47, 48.

      9. O que resulta da intrépida posição dos três hebreus contra a adoração de imagens?

      9 Três hebreus sobrevivem à fornalha ardente (3:1-30). Nabucodonosor erige uma enorme imagem de ouro, de 60 côvados (cerca de 27 metros) de altura, e ordena que os governantes do império se reúnam para a sua inauguração. Ao som de uma música especial, todos devem prostrar-se e adorar a imagem. Quem não obedecer deve ser lançado na fornalha de fogo. Relata-se que os três companheiros de Daniel, Sadraque, Mesaque e Abednego, não anuíram. São levados à presença do encolerizado rei, onde afirmam intrepidamente: “Nosso Deus, a quem servimos, poderá salvar-nos. . . . Não é a tua imagem de ouro que erigiste que adoraremos.” (3:17, 18) Enfurecido, o rei manda aquecer a fornalha sete vezes mais do que de costume, e que os três hebreus sejam amarrados e lançados nela. Ao assim fazerem, os que seriam os executores são mortos pelas chamas. Nabucodonosor fica com medo. O que vê na fornalha? Quatro homens caminham ilesos no meio do fogo, e “a aparência do quarto é semelhante à de um filho dos deuses”. (3:25) O rei pede aos três hebreus que saiam do fogo. Eles saem, não chamuscados, nem mesmo com cheiro de fogo! Em resultado de sua intrépida posição em favor da adoração verdadeira, Nabucodonosor proclama liberdade de adoração para os judeus em todo o império.

      10. Que sonho atemorizante envolvendo “sete tempos” teve Nabucodonosor, e cumpriu-se nele o sonho?

      10 Sonho dos “sete tempos” (4:1-37). Este sonho aparece no registro como transcrição feita por Daniel de um documento estatal de Babilônia. Foi escrito pelo humilhado Nabucodonosor. Primeiro, Nabucodonosor reconhece o poder e o reino do Deus Altíssimo. Daí conta um sonho atemorizante e como este se cumpriu nele próprio. Ele viu uma árvore cuja altura atingia o céu e que fornecia abrigo e alimento para toda a carne. Um vigilante clamou: ‘Derrubai a árvore. Atai o seu toco com bandas de ferro e de cobre. Passem sobre ele sete tempos, para que se saiba que o Altíssimo é Governante no reino da humanidade e estabelece nele o mais humilde da humanidade.’ (4:14-17) Daniel interpretou o sonho, revelando que a árvore representava a Nabucodonosor. Seguiu-se logo um cumprimento desse sonho profético. Numa ocasião em que expressava grande orgulho, o rei foi acometido de demência; e viveu como animal no campo por sete anos. Depois disso, ele recuperou a sanidade mental e reconheceu a supremacia de Jeová.

      11. Durante que devassidão vê Belsazar a fatídica escrita à mão, como Daniel a interpreta, e de que modo se cumpre?

      11 O banquete de Belsazar: interpretada a escrita (5:1-31). É a noite fatídica de 5 de outubro de 539 AEC. O Rei Belsazar, filho de Nabonido, como co-regente de Babilônia, oferece um grande banquete para mil de seus grandes. O rei, sob a influência de vinho, pede que lhe tragam os vasos sagrados de ouro e de prata do templo de Jeová, e nestes Belsazar e seus convidados bebem, em sua devassidão, enquanto louvam seus deuses pagãos. Subitamente, surge uma mão que escreve na parede uma mensagem enigmática. O rei fica aterrorizado. Seus sábios não conseguem interpretar a escrita. Finalmente, Daniel é trazido à sua presença. O rei oferece fazer dele o terceiro no reino, se puder ler e interpretar a escrita, mas Daniel diz-lhe que guarde para si as suas dádivas. Daí passa a explicar a escrita e seu significado: “MENE, MENE, TEQUEL e PARSIM. . . . Deus contou os dias do teu reino e acabou com ele. . . . Foste pesado na balança e achado deficiente. . . . Teu reino foi dividido e dado aos medos e aos persas.” (5:25-28) Naquela mesma noite, Belsazar é morto, e Dario, o medo, recebe o reino.

      12. Como se frustra uma trama contra Daniel, e que decreto emite então Dario?

      12 Daniel na cova dos leões (6:1-28). Altos funcionários no governo de Dario tramam contra Daniel, fazendo com que o rei emita uma lei que proíbe por 30 dias fazer qualquer petição a qualquer deus ou homem, exceto ao rei. Quem quer que desobedeça deve ser lançado aos leões. Daniel recusa-se a obedecer essa lei que afeta sua adoração e volta-se para Jeová em oração. É lançado na cova dos leões. Milagrosamente, o anjo de Jeová fecha a boca dos leões e, na manhã seguinte, o Rei Dario alegra-se de ver Daniel ileso. Os inimigos são então lançados aos leões, e o rei emite um decreto no sentido de que se tema ao Deus de Daniel, pois “ele é o Deus vivente”. (6:26) Daniel prospera no serviço governamental e continua no posto no reinado de Ciro.

      13. Num sonho pessoal, que visão tem Daniel no tocante a quatro animais e o domínio do Reino?

      13 Visões dos animais (7:1-8:27). Retornamos ao “primeiro ano de Belsazar”, cujo reinado evidentemente começou em 553 AEC. Daniel tem um sonho pessoal, que ele registra em aramaico.g Ele vê surgirem sucessivamente quatro gigantescos e atemorizantes animais. O quarto é extraordinariamente forte, e um pequeno chifre surge entre os seus outros chifres, “falando coisas grandiosas”. (7:8) Surge o Antigo de Dias e ocupa seu lugar. “Mil vezes mil” ministram-lhe. “Alguém semelhante a um filho de homem” chega a sua presença e ‘lhe é dado domínio, dignidade e um reino, para que todos os povos, grupos nacionais e línguas o sirvam’. (7:10, 13, 14) Daí, dá-se a Daniel a interpretação da visão dos quatro animais. Eles representam quatro reis, ou reinos. Dentre os dez chifres do quarto animal surge um chifre pequeno. Este torna-se poderoso e trava guerra aos santos. Contudo, a Corte celestial intervém para dar “o reino, e o domínio, e a grandiosidade dos reinos debaixo de todos os céus . . . ao povo que são os santos do Supremo”. — 7:27.

      14. Que visão tem Daniel retratando um bode e um carneiro de dois chifres? Como a explica Gabriel?

      14 Dois anos depois, muito antes da queda de Babilônia, Daniel tem outra visão, que registra em hebraico. Um bode com um chifre proeminente entre os olhos luta com um orgulhoso carneiro de dois chifres e o derrota. Quebra-se o chifre grande do bode e surgem quatro chifres menores. De um destes surge um chifre pequeno que se torna grande, ao ponto de desafiar o exército dos céus. Prediz-se um período de 2.300 dias até que o lugar santo seja levado à sua “condição correta”. (8:14) Gabriel explica a visão a Daniel. O carneiro representa os reis da Média e da Pérsia. O bode é o rei da Grécia, cujo reino será dividido em quatro. Mais tarde, um rei de semblante feroz pôr-se-á de pé “contra o Príncipe dos príncipes”. Visto que a visão “é ainda para muitos dias”, Daniel por ora tem de mantê-la em segredo. — 8:25, 26.

      15. O que leva Daniel a orar a Jeová e, daí, o que revela Gabriel sobre as “setenta semanas”?

      15 Predito o Messias, o Líder (9:1-27). “No primeiro ano de Dario . . . dos medos”, Daniel examina a profecia de Jeremias. Compreendendo que a predita desolação de Jerusalém, de 70 anos, aproxima-se do fim, Daniel ora a Jeová em confissão de seus próprios pecados e dos de Israel. (Dan. 9:1-4; Jer. 29:10) Surge Gabriel para revelar que haverá “setenta semanas . . . para acabar com a transgressão e encerrar o pecado, e para fazer expiação pelo erro”. O Messias, o Líder, virá no fim de 69 semanas, depois do que será decepado. O pacto será mantido em vigor para com os muitos até o fim da 70.ª semana e, por fim, haverá desolação e extermínio. — Dan. 9:24-27.

      16. Sob que circunstâncias aparece outra vez um anjo a Daniel?

      16 O norte contra o sul, Miguel põe-se de pé (10:1-12:13). É o “terceiro ano de Ciro”, portanto, cerca de 536 AEC, não muito depois do retorno dos judeus a Jerusalém. Depois de um jejum de três semanas, Daniel se acha à margem do rio Hídequel. (Dan. 10:1, 4; Gên. 2:14) Aparece-lhe um anjo que lhe explica que ‘o príncipe da Pérsia’ opôs-se a que ele fosse ter com Daniel, mas que “Miguel, um dos mais destacados príncipes”, o ajudou. Daí, relata a Daniel uma visão que é para a “parte final dos dias”. — Dan. 10:13, 14.

      17. Que história profética do rei do norte e do rei do sul registra agora Daniel?

      17 De início, essa fascinante visão fala da dinastia persa e duma vindoura luta com a Grécia. Pôr-se-á de pé um poderoso rei com um domínio extenso, mas o seu reino será dividido em quatro partes. Com o tempo, haverá duas longas linhagens de reis, o rei do sul em oposição ao rei do norte. A luta pelo poder terá avanços e recuos. Esses reis irremediavelmente maus a uma só mesa continuarão a falar mentira. “No tempo designado”, a guerra explodirá outra vez. Haverá profanação do santuário de Deus, e será constituída “a coisa repugnante que causa desolação”. (11:29-31) O rei do norte falará coisas estupendas contra o Deus de deuses e dará glória ao deus das fortalezas. Quando, “no tempo do fim”, o rei do sul se empenhar com o rei do norte em dar empurrões, o rei do norte inundará muitas terras, entrando também “na terra do Ornato”. Perturbado por notícias procedentes do leste e do norte, ele sairá em grande furor e armará “suas tendas palaciais entre o grande mar e o monte santo do Ornato”. Assim, “terá de chegar até o seu fim, e não haverá quem o ajude”. — 11:40, 41, 45.

      18. Que coisas ocorrem no tempo em que Miguel está de pé ‘a favor dos filhos do povo de Deus’?

      18 A grandiosa visão continua: Miguel é visto de pé ‘a favor dos filhos do povo de Deus’. Haverá “um tempo de aflição” sem precedentes na história humana, mas, os que forem achados inscritos no livro escaparão. Muitos acordarão do pó para a vida eterna, “e os perspicazes raiarão como o resplendor da expansão”. Levarão muitos à justiça. Daniel deve selar o livro “até o tempo do fim”. “Quanto tempo levará até o fim das coisas maravilhosas?” O anjo menciona períodos de três tempos e meio, de 1.290 dias e de 1.335 dias, e diz que apenas “os perspicazes entenderão”. Felizes são esses! Por fim, o anjo apresenta a Daniel a garantida promessa de que ele descansará e daí erguer-se-á para receber a sua sorte “no fim dos dias”. — 12:1, 3, 4, 6, 10, 13.

      POR QUE É PROVEITOSO

      19. Que excelentes exemplos de integridade e confiança em Jeová mediante orações se acham no livro de Daniel?

      19 Todos os que estão decididos a manter a integridade num mundo hostil fazem bem em considerar o excelente exemplo de Daniel e de seus três companheiros. Independente de quão ruim fosse a ameaça, eles continuaram a viver segundo os princípios divinos. Quando a vida deles corria risco, Daniel agia “com conselho e com sensatez” e com respeito pela autoridade superior do rei. (2:14-16) Quando a questão teve de ser decidida, os três hebreus preferiram a fornalha ardente a fazer um ato de idolatria, e Daniel preferiu a caverna dos leões a renunciar ao seu privilégio de orar a Jeová. Em cada caso, Jeová deu-lhes proteção. (3:4-6, 16-18, 27; 6:10, 11, 23) O próprio Daniel fornece esplêndido exemplo de dependência de Jeová mediante orações. — 2:19-23; 9:3-23; 10:12.

      20. Que quatro visões são registradas relativas às potências mundiais, e por que fortalece a fé considerá-las hoje em dia?

      20 As visões de Daniel são emocionantes e considerá-las fortalece a fé. Primeiro, considere as quatro visões relativas às potências mundiais: (1) Há a visão da temível estátua, cuja cabeça de ouro representa a dinastia de reis babilônios a partir de Nabucodonosor, após o que surgem três outros reinos, segundo prefigurados pelas outras partes da estátua. Estes são os reinos que são esmiuçados pela “pedra”, que, por sua vez, torna-se “um reino que jamais será arruinado”, o Reino de Deus. (2:31-45) (2) Seguem-se as visões pessoais de Daniel, a primeira sendo a dos quatro animais, que representam “quatro reis”. São semelhantes a um leão, a um urso, a um leopardo de quatro cabeças e a um animal de grandes dentes de ferro, dez chifres e, mais tarde, um chifre pequeno. (7:1-8, 17-28) (3) A seguir, há a visão do carneiro (Medo-Pérsia), o bode (Grécia) e o chifre pequeno. (8:1-27) (4) Por fim, temos a visão do rei do sul e do rei do norte. Daniel 11:5-19 descreve com exatidão a rivalidade entre os ramos egípcio e selêucida do Império Grego de Alexandre, após a morte de Alexandre, em 323 AEC. A partir do 11 versículo 20, a profecia continua a traçar o proceder das nações sucessoras do sul e do norte. A referência de Jesus à “coisa repugnante que causa desolação” (11:31), na sua profecia sobre o sinal da sua presença, mostra que esta luta pelo poder dos dois reis continua até a “terminação do sistema de coisas”. (Mat. 24:3) Quão consoladora é a garantia da profecia de que num “tempo de aflição tal como nunca se fez ocorrer, desde que veio a haver nação até esse tempo”, o próprio Miguel pôr-se-á de pé para remover as nações ímpias e trazer paz para a humanidade obediente! — Dan. 11:20-12:1.

      21. Que notável cumprimento teve a profecia de Daniel a respeito das “setenta semanas”?

      21 Há, então, a profecia de Daniel sobre as “setenta semanas”. Depois de 69 semanas havia de aparecer o “Messias, o Líder”. Notavelmente, 483 anos (69 vezes 7 anos) depois da “saída da palavra” para reconstruir Jerusalém, conforme autorizado por Artaxerxes, no seu 20.º ano, e executado por Neemias, em Jerusalém, Jesus de Nazaré foi batizado no rio Jordão e ungido com espírito santo, tornando-se Cristo, ou Messias, (isto é, Ungido).h Isto foi no ano 29 EC. Depois disso, como Daniel também predisse, houve uma “exterminação”, quando Jerusalém foi desolada, em 70 EC. — Dan. 9:24-27; Luc. 3:21-23; 21:20.

      22. Que lição aprendemos da humilhação de Nabucodonosor?

      22 No sonho de Nabucodonosor relativo à árvore que foi derrubada, conforme registrado por Daniel, no capítulo 4, informa-se que o rei, que se jactava de suas próprias consecuções e confiava no seu próprio poder, foi humilhado por Jeová Deus. Fez-se que vivesse como animal do campo até reconhecer “que o Altíssimo é Governante no reino da humanidade e que ele o dá a quem quiser”. (Dan. 4:32) Seremos hoje como Nabucodonosor, jactando-nos de nossas consecuções e pondo a nossa confiança no poder dos homens, para que Deus tenha de nos punir, ou reconheceremos sabiamente que Ele é o Governante no reino da humanidade e depositaremos nossa confiança no Seu Reino?

      23. (a) Como se realça a esperança do Reino do começo ao fim em Daniel? (b) O que nos deve incentivar a fazer este livro de profecias?

      23 A esperança do Reino é realçada do começo ao fim do livro de Daniel de um modo que inspira fé! Jeová Deus é descrito como Supremo Soberano que estabelece um Reino que jamais será arruinado e que esmiuçará a todos os demais reinos. (2:19-23, 44; 4:25) Até mesmo os reis pagãos Nabucodonosor e Dario viram-se compelidos a reconhecer a supremacia de Jeová. (3:28, 29; 4:2, 3, 37; 6:25-27) Jeová é exaltado e glorificado como o Antigo de Dias que julga a questão do Reino e dá a “alguém semelhante a um filho de homem” o eterno ‘domínio, dignidade e um reino, para que todos os povos, grupos nacionais e línguas o sirvam’. Os “santos do Supremo” é que participam com Cristo Jesus, “o Filho do homem”, no Reino. (Dan. 7:13, 14, 18, 22; Mat. 24:30; Rev. 14:14) Ele é Miguel, o grande príncipe, que exerce seu poder do Reino para esmiuçar e acabar com todos os reinos deste velho mundo. (Dan. 12:1; 2:44; Mat. 24:3, 21; Rev. 12:7-10) Entender essas profecias e visões deve incentivar os que amam a justiça a atarefar-se e a vasculhar as páginas da Palavra de Deus para encontrar as verdadeiras “coisas maravilhosas” dos propósitos do Reino de Deus que nos são reveladas por meio do proveitoso e inspirado livro de Daniel. — Dan. 12:2, 3, 6.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Estudo Perspicaz das Escrituras, “Jeoiaquim”.

      b Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, páginas 328-9.

      c Archaeology and the Bible, 1949, George A. Barton, página 483.

      d The Yale Oriental Series · Researches, Vol. XV, 1929.

      e Archiv für Orientforschung, Vol. 18, 1957-58, página 129.

      f Belsazar evidentemente começou a reinar como co-regente a partir do terceiro ano de Nabonido. Visto que se crê que Nabonido iniciou seu reinado em 556 AEC, o terceiro ano de seu reinado e “o primeiro ano de Belsazar” foi evidentemente 553 AEC. — Daniel 7:1; veja Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, página 328; veja também “Nabonido”.

      g Daniel 2:4b-7:28 foi escrito em aramaico, ao passo que o restante do livro, em hebraico.

      h Neemias 2:1-8; veja também Estudo Perspicaz das Escrituras, “Setenta Semanas”.

  • Livro bíblico número 28 — Oséias
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 28 — Oséias

      Escritor: Oséias

      Lugar da Escrita: Samaria (Distrito)

      Escrita Completada: Depois de 745 AEC

      Tempo Abrangido: Antes de 804-depois de 745 AEC

      1, 2. (a) Que nome se dá, às vezes, aos 12 últimos livros das Escrituras Hebraicas? (b) O que se sabe sobre Oséias, e a quem diz respeito a sua profecia?

      OS ÚLTIMOS 12 livros das Escrituras Hebraicas são, em geral, chamados de “os profetas menores”. A expressão comum na Alemanha, “os profetas pequenos”, parece ser mais apropriada, pois estes livros não são de modo algum menores em importância, ainda que a extensão conjunta deles seja menor do que a de Isaías ou de Jeremias. Na Bíblia hebraica eles eram considerados um só volume e chamados de “Os Doze”. Terem sido assim agrupados provavelmente visava a preservação, pois facilmente se poderia perder um rolo pequeno separado. Como é o caso em todos estes 12 livros, o primeiro deles leva o nome de seu escritor, Oséias, que é uma forma abreviada de Hoshaiah, que significa “Salvo por Jah; Jah Tem Salvo”.

      2 No livro que leva seu nome, pouco se revela sobre Oséias, exceto que era filho de Beeri. As suas profecias dizem respeito quase que exclusivamente a Israel, sendo Judá mencionado só de passagem; e, embora Jerusalém não seja mencionada por Oséias, a tribo dominante de Israel, Efraim, é mencionada nominalmente 37 vezes e a capital de Israel, Samaria, 6 vezes.

      3. Por quanto tempo profetizou Oséias, e quem eram os outros profetas desse período?

      3 O primeiro versículo do capítulo 1 do livro informa-nos de que Oséias serviu como profeta de Jeová por um período incomumente longo, desde fins do reinado do Rei Jeroboão II, de Israel, até o reinado de Ezequias, de Judá. Isto foi pelo menos desde 804 AEC até depois de 745 AEC, no mínimo 59 anos. Seu tempo de serviço profético se estendeu, sem dúvida, por alguns anos durante os reinados de Jeroboão II e Ezequias. Durante esse tempo, Amós, Isaías, Miquéias e Odede eram outros profetas fiéis de Jeová. — Amós 1:1; Isa. 1:1; Miq. 1:1; 2 Crô. 28:9.

      4. Que citações e cumprimentos proféticos confirmam a autenticidade de Oséias?

      4 A autenticidade da profecia é confirmada por ser ela citada muitas vezes nas Escrituras Gregas Cristãs. O próprio Jesus citou Oséias 10:8 ao pronunciar julgamento contra Jerusalém: “Então principiarão a dizer aos montes: ‘Caí sobre nós!’, e às colinas: ‘Cobri-nos!’” (Luc. 23:30) Esta mesma passagem é parcialmente citada em Revelação (Apocalipse) Rev. 6:16. Mateus cita Oséias 11:1, mostrando o cumprimento da profecia: “Do Egito chamei o meu filho.” (Mat. 2:15) A profecia de Oséias sobre a restauração de todo o Israel se cumpriu quando muitos do reino das dez tribos se uniram a Judá antes de seu cativeiro e seus descendentes estavam entre os que retornaram depois do exílio. (Osé. 1:11; 2 Crô. 11:13-17; 30:6-12, 18, 25; Esd 2:70) Desde o tempo de Esdras, o livro tem ocupado o seu devido lugar no cânon hebraico como a “palavra de Jeová por meio de Oséias”. — Osé. 1:2.

      5. Por causa de que infidelidade puniu Jeová a Israel?

      5 Por que enviou Jeová a Oséias como seu profeta para Israel? Por causa da infidelidade e da contaminação com a adoração de Baal por parte de Israel, em violação do pacto de Jeová. Na Terra Prometida, Israel se tornara um povo agrícola, mas, com isso, adotou não só o modo de vida dos cananeus mas também a religião deles, que incluía a adoração de Baal, um deus símbolo das forças reprodutivas da natureza. Nos dias de Oséias, Israel se havia desviado completamente da adoração de Jeová para cerimônias tumultuosas, com bebedices, que incluíam relações imorais com prostitutas de templo. Israel atribuía a sua prosperidade a Baal. Mostrou-se desleal a Jeová, indigno dele e, assim, tinha de ser disciplinado. Jeová havia de mostrar-lhe que os seus bens materiais não se originavam de Baal, de modo que ele enviou Oséias para avisar a Israel sobre o que significaria não se arrependerem. Depois da morte de Jeroboão II, Israel enfrentou o seu mais terrível período. Um reinado de terror, com diversos governantes sendo assassinados, continuou até o cativeiro assírio, em 740 AEC. Durante esse tempo, duas facções lutavam entre si, uma delas desejando formar aliança com o Egito, e a outra, com a Assíria. Nenhum dos grupos confiava em Jeová.

      6. O que é revelador quanto ao estilo de escrita de Oséias?

      6 O estilo de escrita de Oséias é revelador. Não raro é terno e sensível na sua fraseologia e repetidas vezes frisa a benevolência e a misericórdia de Jeová. Ele se delonga em qualquer pequeno sinal de arrependimento que observa. A sua linguagem é, em outros momentos, abrupta e impulsiva. Sua falta de cadência é compensada em força e poder. Expressa profundo sentimento e muda de pensamento com rapidez.

      7. O que se ilustra com a infidelidade de Gômer e ser ela mais tarde restaurada?

      7 No início de sua carreira profética, Oséias recebeu a ordem de tomar “uma esposa de fornicação”. (1:2) Jeová por certo tinha um propósito com isso. Israel havia sido para Jeová como esposa que se tornara infiel, praticando fornicação. Todavia, ele mostraria seu amor por ela e procuraria restaurá-la. A esposa de Oséias, Gômer, podia ilustrar isso com exatidão. Entende-se que, depois do nascimento do primeiro filho, ela se tornou infiel e, pelo que parece, deu à luz os outros filhos em adultério. (2:5-7) Isto é indicado pelo registro dizer que ela “lhe deu [a Oséias] um filho”, mas omite qualquer referência ao profeta em relação ao nascimento dos outros dois filhos. (1:3, 6, 8) O capítulo 3, versículos 1-3, parece falar de Oséias receber de volta a Gômer, comprando-a como se fosse escrava, e isto se enquadra com Jeová receber de volta a seu povo depois de este se arrepender do seu proceder adúltero.

      8. Que nomes são usados alternadamente no livro?

      8 O reino setentrional de Israel, das dez tribos, a quem principalmente se dirigem as palavras da profecia de Oséias, era também conhecido por Efraim, que era o nome da tribo dominante no reino. Estes nomes, Israel e Efraim, são usados alternadamente no livro.

      CONTEÚDO DE OSÉIAS

      9. O que indicam os nomes dos filhos de Gômer quanto a como Jeová lidaria com Israel?

      9 Ilustrado o proceder adúltero de Israel (1:1-3:5). A “esposa de fornicação” de Oséias dá ao profeta um filho, Jezreel. Mais tarde, ela tem mais dois filhos, uma menina, Lo-Ruama, que significa “[Com Ela] Não se Teve Misericórdia”, e um menino, Lo-Ami, que significa “Não Meu Povo”. Jeová deu estes dois nomes para indicar que ‘não mais teria misericórdia para com a casa de Israel’ e para frisar que rejeitou-a como um todo, qual povo seu. (1:2, 6, 9) Não obstante, os filhos de Judá e de Israel, quais “filhos do Deus vivente”, hão de ser ajuntados em união sob um só cabeça, “porque grande será o dia de Jezreel”. (1:10, 11) Purificado da adúltera adoração de Baal, o povo de Deus retornará a Jeová e aceitá-lo-á como seu esposo. (2:16) Jeová dará segurança a Israel e a desposará por tempo indefinido, em justiça, retidão, benevolência, misericórdias e fidelidade. Em harmonia com o nome Jezreel (que significa “Deus Semeará”), Jeová promete: “Certamente a semearei como semente para mim na terra, . . . e vou dizer aos que não são meu povo: ‘Tu és meu povo’; e eles, da sua parte, dirão: ‘Tu és meu Deus.’” (2:23) Semelhante à esposa arrependida de seu adultério, ‘Israel voltará e certamente procurará a Jeová, seu Deus, e a Davi, seu rei’. — 3:5.

      10. O que resultará à nação por rejeitar o conhecimento?

      10 Julgamentos proféticos contra Efraim (e Judá) (4:1-14:9). O primeiro versículo do capítulo 4 fornece o porquê dos avisos proféticos que se seguem: “Jeová tem uma causa jurídica contra os habitantes da terra, pois não há verdade, nem benevolência, nem conhecimento de Deus na terra.” O que resultará desta condição? “Visto que tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei para que não me sirvas como sacerdote; e visto que estás esquecendo da lei de teu Deus, eu me esquecerei dos teus filhos, sim, eu”, diz Jeová. (4:1, 6) O próprio espírito de fornicação fez que Israel se desviasse. Haverá prestação de contas para os adúlteros Israel e Judá, mas buscarão a Jeová quando estiverem “em sério aperto”. — 5:15.

      11. Que apelo faz Oséias ao povo, mas por que resultará em ai para eles?

      11 Oséias apela ao povo: “Retornemos a Jeová, pois . . . há de curar-nos.” Jeová se deleita mais em benevolência e conhecimento divino do que em sacrifícios e holocaustos, mas a benevolência de Efraim e de Judá é “como o orvalho que logo desaparece”. (6:1, 4) Efraim é “igual a uma pomba simplória sem coração”. O povo recorre ao Egito e à Assíria em busca de ajuda em vez de a Jeová. (7:11) Ai deles! Por quê? Porque vadiam, maquinam coisas más, transgridem o pacto de Jeová e infringem a sua lei. “Pois continuam a semear vento e ceifarão o tufão.” (8:7) Jeová se lembrará do erro deles e dará atenção aos pecados deles. “Tornar-se-ão fugitivos entre as nações.” (9:17) Israel é uma videira em degeneração, cujo coração tornou-se hipócrita. Em vez de semear em justiça e colher de acordo com a benevolência, Israel semeou iniqüidade e colheu injustiça. “Do Egito chamei o meu filho”, relembra Jeová. (11:1) Sim, Ele amou Israel quando este era menino, mas Israel O cercou de mentira e engano. Jeová aconselha: “Deves voltar ao teu Deus, guardando a benevolência e a justiça; e haja constantemente esperança em teu Deus.” — 12:6.

      12. (a) Que resumo faz Oséias no capítulo 13? (b) Que restauração se promete?

      12 No capítulo 13, Oséias resume tudo o que sucedeu antes relativo à antiga promessa de Israel e ao terno cuidado de Jeová, bem como o esquecimento de Israel e aquela nação finalmente se virar contra Jeová. Este declara: “Passei a dar-te um rei na minha ira e o tirarei na minha fúria.” (13:11) Mas, então, haverá restauração: “Da mão do Seol os remirei; da morte os recuperarei. Onde estão os teus aguilhões, ó Morte? Onde está a tua qualidade destrutiva, ó Seol?” (13:14) Contudo, quão horrível será, deveras, a sorte da rebelde Samaria.

      13. Com que apelo termina o livro de Oséias, e quem andará nos caminhos de Jeová?

      13 O livro conclui com um apelo confrangedor: ‘Volta deveras a Jeová, teu Deus, ó Israel, pois tropeçaste no teu erro. Busca o perdão e oferece em troca os novilhos dos teus lábios. Jeová te mostrará misericórdia e amor. Ele se tornará como orvalho refrescante para vós, e florescereis como o lírio e a oliveira.’ Os sábios e os discretos entenderão estas coisas: “Pois os caminhos de Jeová são retos e os justos serão os que andarão neles; mas os transgressores serão os que tropeçarão neles.” — 14:1-6, 9.

      POR QUE É PROVEITOSO

      14. A que cumprimentos precisos da profecia de Oséias deve-se atentar?

      14 O livro de Oséias fortalece a fé nas inspiradas profecias de Jeová. Tudo quanto Oséias profetizou relativo a Israel e a Judá se cumpriu. Israel foi abandonado pelos seus amantes dentre as nações vizinhas e idólatras e colheu a tormenta de destruição da parte da Assíria, em 740 AEC. (Osé. 8:7-10; 2 Reis 15:20; 17:3-6, 18) Contudo, Oséias havia predito que Jeová mostraria misericórdia para com Judá e o salvaria, mas não mediante poder militar. Isto se cumpriu quando o anjo de Jeová matou 185.000 dos assírios que ameaçavam Jerusalém. (Osé. 1:7; 2 Reis 19:34, 35) Não obstante, Judá foi incluído no julgamento de Oséias 8:14: “E eu hei de enviar fogo dentro das suas cidades e terá de devorar as torres de habitação de cada uma”, predição esta que teve um terrível cumprimento, quando Nabucodonosor devastou Judá e Jerusalém, em 609-607 AEC. (Jer. 34:6, 7; 2 Crô. 36:19) As muitas profecias de Oséias sobre a restauração se cumpriram quando Jeová ajuntou Judá e Israel e eles ‘subiram da terra’ de seu exílio, em 537 AEC. — Osé. 1:10, 11; 2:14-23; 3:5; 11:8-11; 13:14; 14:1-9; Esd 2:1; 3:1-3.

      15. Como aplicam as citações do livro de Oséias os escritores das Escrituras Gregas Cristãs?

      15 As referências à profecia de Oséias por parte dos escritores das Escrituras Gregas Cristãs são, também, de máximo proveito para a nossa consideração hoje. Por exemplo, Paulo faz uma poderosa aplicação de Oséias 13:14, ao considerar o assunto da ressurreição: “Morte, onde está a tua vitória? Morte, onde está o teu aguilhão?” (1 Cor. 15:55) Ao acentuar a benignidade imerecida de Jeová, segundo expressa para com os vasos de misericórdia, Paulo cita Oséias 1:10 e; 2:23: “É conforme ele diz também em Oséias: ‘Aos que não são meu povo, eu chamarei de “meu povo”, e àquela que não era amada, de “amada”; e no lugar onde se lhes disse: “Vós não sois meu povo”, ali serão chamados de “filhos do Deus vivente”.’” (Rom. 9:25, 26) Pedro parafraseia essas mesmas passagens de Oséias, ao dizer: “Porque vós, outrora, não éreis povo, mas agora sois povo de Deus; vós éreis aqueles a quem não se mostrara misericórdia, mas agora sois os a quem se mostrou misericórdia.” — 1 Ped. 2:10.

      16. Que palavras de Oséias repetiu Jesus, indicando os requisitos de Jeová para a adoração?

      16 Vê-se assim que a profecia de Oséias se cumpriu, não só no retorno de um restante, nos dias de Zorobabel, mas também em Jeová congregar de modo misericordioso um restante espiritual, que vem a ser ‘filhos amados do Deus vivente’. Mediante inspiração, Oséias viu os requisitos para tais. Não é uma aparência de adoração com cerimônia formal, mas, nas palavras de Oséias 6:6 (que Jesus repetiu em Mateus 9:13 e; 12:7): “Agrado-me da benevolência e não do sacrifício; e do conhecimento de Deus antes do que de holocaustos.”

      17. (a) O que é necessário para quem quer que tropece no adultério espiritual? (b) Que alegre promessa do Reino contém Oséias?

      17 A ilustração da esposa adúltera que foi tão vividamente encenada na própria vida de Oséias mostra que Jeová detesta os que se desviam dele para caminhos de idolatria e adoração falsa, cometendo destarte adultério espiritual. Qualquer pessoa que tenha tropeçado no erro deve retornar a Jeová em genuíno arrependimento e ‘oferecer em troca os novilhos de seus lábios’. (Osé. 14:2; Heb. 13:15) Estes podem regozijar-se com o restante dos filhos espirituais de Israel, em cumprimento da promessa do Reino, em Oséias 3:5: “Depois, os filhos de Israel voltarão e certamente procurarão a Jeová, seu Deus, e a Davi, seu rei; e certamente virão trêmulos a Jeová e à sua bondade, na parte final dos dias.”

  • Livro bíblico número 29 — Joel
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 29 — Joel

      Escritor: Joel

      Lugar da Escrita: Judá

      Escrita Completada: c. 820 AEC (?)

      1. Que eventos dramáticos dão destaque à profecia de Joel?

      EM SUCESSIVAS ondas, um enxame de insetos desola o país. O fogo à frente deles e as chamas atrás completam a devastação. Há fome por toda a parte. O sol se converte em escuridão e a lua em sangue, pois se aproxima o grande e atemorizante dia de Jeová. Ele ordena que se meta a foicinha e se junte as nações para a destruição. Contudo, alguns ‘se salvarão’. (Joel 2:32) Estudar tais eventos dramáticos torna a profecia de Joel intensamente interessante e de grande proveito para nós.

      2. O que sabemos sobre Joel e as circunstâncias em que profetizou?

      2 O livro é introduzido como “a palavra de Jeová que veio a haver para Joel, filho de Petuel”. A Bíblia nada mais nos diz sobre o próprio Joel. O que se salienta é a mensagem profética, não seu escritor. Entende-se que o nome “Joel” (hebraico, Yoh·ʼél) significa “Jeová É Deus”. A familiaridade de primeira mão que Joel tem com Jerusalém, seu templo e os pormenores do serviço no templo pode indicar que ele escreveu seu livro em Jerusalém ou em Judá. — Joel 1:1, 9, 13, 14; 2:1, 15, 16, 32.

      3. Por que razões se sugere para a profecia de Joel a data de cerca de 820 AEC?

      3 Quando foi escrito o livro de Joel? Não se pode dizer isso com certeza. Os eruditos dão datas que variam de antes de 800 AEC a cerca de 400 AEC. A descrição do julgamento de Jeová relativo às nações na baixada de Jeosafá sugere que Joel escreveu sua profecia algum tempo depois da grande vitória de Jeová em favor do Rei Jeosafá, de Judá, e, assim, depois que Jeosafá tornou-se rei, em 936 AEC. (Joel 3:2, 12; 2 Crô. 20:22-26) O profeta Amós talvez tenha citado do texto de Joel. Isto, então, significaria que a profecia de Joel foi escrita antes da de Amós, que começou a profetizar algum tempo entre 829 e 804 AEC. (Joel 3:16; Amós 1:2) A colocação do livro no cânon hebraico, entre Oséias e Amós, pode também indicar uma data anterior. Portanto, sugere-se a data de cerca de 820 AEC para a profecia de Joel.

      4. Que provas há da autenticidade de Joel?

      4 A autenticidade da profecia é provada mediante citações e referências a ela nas Escrituras Gregas Cristãs. No dia de Pentecostes, Pedro falou do “profeta Joel” e aplicou uma de suas profecias. Paulo citou a mesma profecia e mostrou o seu cumprimento tanto para com os judeus como para com os não-judeus. (Joel 2:28-32; Atos 2:16-21; Rom. 10:13) As profecias de Joel contra as nações vizinhas cumpriram-se todas. A grande cidade de Tiro foi sitiada por Nabucodonosor e, mais tarde, a cidade-ilha foi devastada por Alexandre Magno. A Filístia também pereceu. Edom tornou-se um ermo. (Joel 3:4, 19) Os judeus nunca contestaram a canonicidade de Joel e colocaram o livro em segundo lugar entre os chamados profetas menores.

      5. Em que sentido é a profecia de Joel notavelmente expressiva?

      5 O estilo de Joel é vívido e expressivo. Faz repetições para ênfase e usa notáveis analogias. Gafanhotos são chamados de nação, de povo e de exército. Seus dentes são como os de leão, sua aparência é como a de cavalos e seu estrondo como o de carros de um exército preparado para a batalha. The Interpreter’s Bible (A Bíblia do Intérprete) cita certo especialista em controle de gafanhotos, que diz: “A descrição de Joel sobre a invasão de gafanhotos nunca foi superada em sua dramática exatidão de pormenores.”a Ouça agora Joel profetizar sobre o temível dia de Jeová.

      CONTEÚDO DE JOEL

      6. Que terrível visão tem Joel inicialmente?

      6 Invasão de insetos desnuda o país; aproxima-se o dia de Jeová (1:1-2:11). Que terrível visão de calamidade tem Joel! Um ataque devastador da lagarta, do gafanhoto, da larva do gafanhoto e da barata. As videiras e as figueiras ficaram desnudas, e a fome ronda o país. Não há ofertas de cereais nem de bebidas para a casa de Jeová. Joel adverte aos sacerdotes e aos ministros de Deus que se arrependam. “Ai do dia”, clama ele, “porque está próximo o dia de Jeová, e ele virá como assolação da parte do Todo-poderoso!” (1:15) Os animais vagueiam em confusão. As chamas chamuscaram os pastos e as árvores, e o ermo ficou ressequido pelo fogo.

      7. Como é descrita a invasora força militar de Jeová?

      7 Dê-se o alarme! “Tocai a buzina em Sião e dai um grito de guerra no meu santo monte.” (2:1) O dia de Jeová está perto, um dia de escuridão e de densas trevas. Eis um povo numeroso e poderoso! Transforma em ermo desolado a terra que era semelhante ao Éden. Nada escapa. Correm como cavalos e com estrondo semelhante ao de carros de guerra nos cumes dos montes. Como povo em ordem de batalha, invadem a cidade, subindo nas muralhas e nas casas e entrando pelas janelas. A terra se agita, e os céus tremem. Jeová está no comando desta numerosa força militar. “O dia de Jeová é grande e muito atemorizante, e quem poderá resistir nele?” — 2:11.

      8. (a) Qual é a única maneira de conter a invasão de insetos? (b) Que compensação promete Jeová?

      8 Voltem a Jeová; será derramado o espírito (2:12-32). Mas, pode-se fazer algo para conter a invasão. Jeová aconselha: “Retornai a mim de todo o vosso coração, . . . rasgai os vossos corações e não as vossas vestes; e retornai a Jeová, vosso Deus.” (2:12, 13) Um toque de buzina convoca o povo para uma assembléia solene. Se retornarem a ele, “Jeová será zeloso para com a sua terra e se compadecerá de seu povo”. (2:18) Haverá bênçãos e perdão, e o invasor será rechaçado. Em vez de ser tempo de temor, é tempo de ficar jubiloso e alegre, pois haverá frutos, cereais, vinho novo e azeite. Jeová compensará os anos em que a sua grande força militar de gafanhotos comeu. A sua promessa é: “Certamente comereis, comendo e fartando-vos, e forçosamente louvareis o nome de Jeová, vosso Deus, que agiu convosco tão maravilhosamente.” (2:26) Saberão que só Jeová é o seu Deus no meio de Israel.

      9. Que emocionante profecia se segue?

      9 “E depois terá de acontecer que derramarei meu espírito sobre toda sorte de carne”, diz Jeová, “e vossos filhos e vossas filhas certamente profetizarão. Quanto aos vossos homens idosos, terão sonhos. Quanto aos vossos jovens, terão visões. E até mesmo sobre os servos e sobre as servas derramarei naqueles dias meu espírito”. Haverá aterrorizantes portentos no sol e na lua antes da vinda do dia de Jeová. Contudo, alguns sobreviverão. “Terá de acontecer que todo aquele que invocar o nome de Jeová salvar-se-á.” — 2:28-32.

      10. O que ocorrerá na baixada de Jeosafá?

      10 As nações serão julgadas na “baixada de Jeosafá” (3:1-21). Jeová trará de volta os cativos de Judá e Jerusalém. As nações serão ajuntadas; Tiro, Sídon e Filístia pagarão caro por terem vituperado e escravizado o povo de Jeová. Ouça Jeová desafiar as nações: “Santificai a guerra! Despertai os poderosos! Aproximem-se eles! Subam todos os homens de guerra!” (3:9) Que forjem espadas de suas relhas de arado e subam à baixada de Jeosafá (que significa “Jeová É Juiz”)! Soa a ordem de Jeová: “Metei a foicinha, porque a colheita ficou madura. . . . Os tanques de lagar estão realmente transbordando; porque se tornou abundante a sua maldade. Massas de gente, massas de gente estão na baixada da decisão, porque está próximo o dia de Jeová.” (3:13, 14) O sol e a lua escurecem. Jeová brame de Sião, fazendo tremer céu e terra, mas ele se mostra refúgio e baluarte para seu próprio povo. Terão de saber que ele é Jeová, seu Deus.

      11. De que modo Joel passa a descrever as bênçãos de Jeová que se seguirão?

      11 Que fartura paradísica se verá “naquele dia”! (3:18) Os montes gotejarão vinho, os morros manarão leite e os regos correrão com água abundante. Da casa de Jeová procederá um manancial refrescante. O Egito e Edom, que derramaram sangue inocente em Judá, tornar-se-ão baldios desolados, mas Judá e Jerusalém serão habitadas por tempo indefinido, “e Jeová estará residindo em Sião”. — 3:21.

      POR QUE É PROVEITOSO

      12. Que sentido profético de Joel salientou Pedro em Pentecostes?

      12 Alguns comentaristas têm descrito Joel como profeta da melancolia. Contudo, do ponto de vista do próprio povo de Deus, ele aparece como proclamador de gloriosas novas de libertação. O apóstolo Paulo acentua essa idéia em Romanos 10:13, dizendo: “Pois ‘todo aquele que invocar o nome de Jeová será salvo’.” (Joel 2:32) Houve um cumprimento notável da profecia de Joel no dia de Pentecostes de 33 EC. Nessa ocasião, Pedro foi inspirado a explicar que o derramamento do espírito de Deus sobre os discípulos de Cristo era um cumprimento da profecia de Joel. (Atos 2:1-21; Joel 2:28, 29, 32) Pedro deu muita ênfase ao sentido profético das palavras de Joel: “E todo aquele que invocar o nome de Jeová será salvo.” — Atos 2:21, 39, 40.

      13. (a) Que notáveis similaridades podem ser observadas entre Joel e Revelação? (b) Que paralelos com Joel há em outras profecias?

      13 Notáveis similaridades podem ser observadas entre a praga de gafanhotos descrita por Joel e a praga profetizada em Revelação (Apocalipse), Rev. capítulo 9. De novo o sol escurece. Os gafanhotos assemelham-se a cavalos preparados para a batalha, fazem um ruído semelhante ao ruído de carros e têm dentes semelhantes aos de leões. (Joel 2:4, 5, 10; 1:6; Rev. 9:2, 7-9) A profecia em Joel 2:31, que fala do sol tornar-se escuridão, é paralela a um evento mencionado nas palavras de Isaías 13:9, 10 e Revelação 6:12-17, e também em Mateus 24:29, 30, onde Jesus mostra que a profecia se aplica ao tempo em que ele vem como Filho do homem com poder e grande glória. As palavras de Joel 2:11, “o dia de Jeová é grande e muito atemorizante”, aparentemente são mencionadas em Malaquias 4:5. Descrições paralelas desse ‘dia de escuridão e densas trevas’ encontram-se também em Joel 2:2 e Sofonias 1:14, 15.

      14. Que passagens em Joel magnificam a soberania e a benignidade de Jeová?

      14 A profecia de Revelação aponta para “o grande dia” do furor divino. (Rev. 6:17) Joel também profetiza a respeito desse tempo, mostrando que, quando o grande “dia de Jeová” vier sobre as nações, os que O invocarem para proteção e libertação ‘salvar-se-ão’. “Jeová será refúgio para o seu povo.” Será restaurada a prosperidade edênica: “E naquele dia terá de acontecer que os montes gotejarão vinho doce, e os próprios morros manarão leite, e os próprios regos de Judá correrão todos cheios de água. E da casa de Jeová procederá um manancial.” Ao apresentar essas brilhantes promessas de restauração, Joel magnifica também a soberania de Jeová Deus e apela aos sinceros de coração à base de Sua grande misericórdia: “Retornai a Jeová, vosso Deus, porque ele é clemente e misericordioso, vagaroso em irar-se e abundante em benevolência.” Todos os que atenderem a este apelo inspirado colherão benefícios eternos. — Joel 2:1, 32; 3:16, 18; 2:13.

      [Nota(s) de rodapé]

      a 1956, Vol. VI, página 733.

  • Livro bíblico número 30 — Amós
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 30 — Amós

      Escritor: Amós

      Lugar da Escrita: Judá

      Escrita Completada: c. 804 AEC

      1. Quem era Amós?

      NÃO era profeta, nem filho de profeta, mas criador de ovelhas e riscador de figos de sicômoros — este era Amós, quando Jeová o chamou e o enviou a profetizar, não só para sua própria nação de Judá, mas em especial para o reino setentrional de Israel. Era um dos profetas mencionados em 2 Reis 17:13, 22, 23. Ele veio de Tecoa, em Judá, cerca de 16 quilômetros ao sul de Jerusalém, e cerca de um dia de viagem da fronteira sul do reino das dez tribos de Israel. — Amós 1:1; 7:14, 15.

      2. Como se pode determinar a época da profecia de Amós?

      2 O versículo inicial de sua profecia diz que foi nos dias de Uzias, rei de Judá, e de Jeroboão II, filho de Joás, rei de Israel, que ele começou a sua carreira de profeta, dois anos antes de um terremoto incomum. Isto situa a profecia dentro do período de 26 anos, de 829 a cerca de 804 AEC, durante o qual os reinados desses dois reis coincidiram. O profeta Zacarias menciona o desastroso terremoto nos dias de Uzias, ocasião em que o povo fugiu de medo. (Zac. 14:5) O historiador judeu Josefo diz que um terremoto ocorreu na época em que Uzias presunçosamente tentou oferecer incenso no templo. Contudo, parece que o terremoto mencionado por Amós ocorreu mais cedo no reinado de Uzias.

      3. (a) Por que foi oportuna a mensagem de calamidade de Amós? (b) Como magnificou ele a soberania de Jeová?

      3 O nome Amós significa “Ser uma Carga” ou “Levar Uma Carga”. Embora transmitisse mensagens carregadas de calamidades para Israel e Judá (e também para diversas nações pagãs), levou também uma mensagem de consolo a respeito da restauração do povo de Jeová. Havia todo motivo para se pronunciar um fardo de calamidade em Israel. A prosperidade, a vida luxuosa e a licenciosidade eram a ordem do dia. O povo se esquecera da Lei de Jeová. Sua aparente prosperidade os cegara ao fato de que, como uma fruta madura demais, já estavam no processo de decomposição que leva à destruição. Amós profetizou que, em poucos anos, o reino das dez tribos iria para o exílio além de Damasco. Nisto ele magnificou a justiça e a soberania de Jeová, a quem se refere 21 vezes por “Soberano Senhor”. — Amós 1:8.

      4. O cumprimento de que profecias testifica a autenticidade de Amós?

      4 O cumprimento desta e de outras profecias atesta a autenticidade de Amós. O profeta predisse também que as nações inimigas ao redor de Israel — os sírios, os filisteus, os tírios, os edomitas, os amonitas e os moabitas — seriam todas devoradas pelo fogo da destruição. É fato histórico que cada uma dessas fortalezas inimigas com o tempo foi destruída. O comportamento de Judá e de Israel era ainda mais repreensível, porque abandonaram a Jeová para praticar a adoração falsa. A última fortaleza de Israel, a cidade fortificada de Samaria, depois de ter sido sitiada pelo exército assírio sob Salmaneser V, caiu no ano 740 AEC. (2 Reis 17:1-6) Judá não aprendeu uma lição do que sucedera à sua nação irmã, portanto, foi destruída em 607 AEC.

      5. De que modo a arqueologia confirma o registro de Amós?

      5 Amós condenou a Israel por causa de sua vida luxuosa, porque os ricos defraudavam os pobres para construírem as suas “casas de marfim”, onde se regalavam suntuosamente. (Amós 3:15; 5:11, 12; 6:4-7) Os arqueólogos descobriram evidências dessa prosperidade. Encontraram-se numerosos objetos de marfim nas escavações feitas em Samaria. A Encyclopedia of Archaeological Excavations in the Holy Land (Enciclopédia de Escavações Arqueológicas na Terra Santa) diz: “Podem-se distinguir dois grupos principais: 1. Placas esculpidas em alto-relevo, . . . 2. Placas esculpidas em baixo-relevo e decoradas com pedras preciosas, vidro colorido, lâminas de ouro etc. . . . Os marfins são considerados produtos da arte fenícia e, provavelmente, eram usados como materiais embutidos na mobília palaciana dos reis israelitas. A Bíblia menciona a ‘casa de marfim’ construída por Acabe (1 Reis 22:39) e os ‘leitos de marfim’, simbolizando, nas palavras de repreensão de Amós, a vida de luxo que se levava em Samaria (6:4).”a

      6. O que comprova a autenticidade de Amós?

      6 Não restam dúvidas de que o livro de Amós pertence ao cânon da Bíblia. Comprovando a sua autenticidade há a paráfrase de três versículos, feita por Estêvão, em Atos 7:42, 43, e a citação que Tiago faz do livro em Atos 15:15-18. — Amós 5:25-27; 9:11, 12.

      CONTEÚDO DE AMÓS

      7. A que nações adverte Amós sobre os julgamentos de Jeová?

      7 Julgamentos contra as nações (1:1-2:3). “Jeová — de Sião ele bramirá.” (1:2) Amós passa a advertir sobre os julgamentos ardentes de Deus contra as nações. Damasco (Síria) trilhou Gileade com debulhadores de ferro. Gaza (Filístia) e Tiro entregaram cativos israelitas a Edom. No próprio Edom não existe misericórdia nem amor fraternal. Amom invadiu Gileade. Moabe queimou os ossos do rei de Edom para cal. A mão de Jeová está contra todas essas nações, e ele diz: “Não o farei voltar atrás.” — 1:3, 6, 8, 9, 11, 13; 2:1.

      8. Por que é também proclamado o julgamento de Jeová contra Judá e Israel?

      8 Julgamento contra Judá e Israel (2:4-16). Tampouco desviará Jeová a sua ira de Judá. Eles transgrediram por “rejeitarem a lei de Jeová”. (2:4) E Israel? Jeová aniquilou para eles os temíveis amorreus e lhes deu a boa terra. Suscitou nazireus e profetas entre eles, mas eles fizeram os nazireus quebrar seu voto e ordenaram aos profetas: “Não deveis profetizar.” (2:12) Portanto, Jeová faz com que os alicerces deles balancem como uma carroça carregada de cereal recém-cortado. Quanto aos seus homens poderosos, fugirão nus.

      9. O que prova que Jeová falou, e contra quem profetiza Amós em especial?

      9 Prestação de contas com Israel (3:1-6:14). Por meio de impressionantes ilustrações, Amós salienta que o fato de ele profetizar é, em si mesmo, uma prova de que Jeová falou. “Pois o Soberano Senhor Jeová não fará coisa alguma sem ter revelado seu assunto confidencial a seus servos, os profetas. . . . O próprio Soberano Senhor Jeová falou! Quem não profetizará?” (3:7, 8) Amós realmente profetiza, em especial contra os despojadores amantes do luxo, que moram em Samaria. Jeová os arrancará de seus luxuosos leitos e as suas casas de marfim se arruinarão.

      10. O que relembra Jeová a Israel, e que dia de calamidade está para chegar?

      10 Jeová relembra os castigos e as correções que impôs a Israel. Cinco vezes lhes relembra: “Não retornastes a mim.” Portanto, ó Israel, “apronta-te para encontrares com o teu Deus”. (4:6-12) Amós inicia uma endecha profética: “Caiu a virgem, Israel; ela não se pode levantar mais. Foi abandonada sobre o seu próprio solo; não há quem a levante.” (5:2) Contudo, Jeová, o Fazedor de coisas maravilhosas no céu e na terra, continua a chamar a Israel para que o busque e continue a viver. Sim, “buscai o que é bom e não o que é mau, para que possais continuar a viver”. (5:4, 6, 14) Mas, o que significará para eles o dia de Jeová? Será um dia de calamidade. Como torrente, arrastá-los-á ao exílio, para além de Damasco, e as casas adornadas com marfim, cenário de suas festas extravagantes, converter-se-ão em escombros e destroços.

      11. Mediante que autoridade insiste Amós em profetizar contra Israel?

      11 Amós profetiza apesar de oposição (7:1-17). Jeová mostra a seu profeta um prumo no meio de Israel. Não haverá mais desculpa. Ele devastará os santuários de Israel e se levantará contra a casa de Jeroboão II com a espada. Amazias, sacerdote de Betel, manda dizer a Jeroboão: “Amós tem conspirado contra ti.” (7:10) Amazias ordena que Amós profetize em Judá. Amós torna clara a sua autoridade, dizendo: “Jeová passou a tomar-me de trás do rebanho e Jeová prosseguiu, dizendo-me: ‘Vai, profetiza ao meu povo Israel.’” (7:15) Amós prediz então calamidade para Amazias e sua família.

      12. Que fome é predita para Israel, mas com que promessa gloriosa termina a profecia?

      12 Opressão, punição e restauração (8:1-9:15). Jeová mostra a Amós um cesto de frutas de verão. Condena a opressão dos pobres por Israel e jura “pela Superioridade de Jacó” que terão de lamentar-se por causa de suas obras más. “‘Eis que vêm dias’, é a pronunciação do Soberano Senhor Jeová, ‘e eu vou enviar uma fome à terra, uma fome, não de pão, e uma sede, não de água, mas de se ouvirem as palavras de Jeová’.” (8:7, 11) Cairão para não mais se levantarem. Quer cavem até ao Seol, quer subam até aos céus, a própria mão de Jeová os apanhará. Os pecadores dentre seu povo morrerão à espada. Daí, uma promessa gloriosa! “Naquele dia erigirei a barraca de Davi, que está caída, e certamente consertarei as suas brechas. . . . certamente a construirei como nos dias de há muito tempo.” (9:11) Os cativos ajuntados serão tão prósperos que o arador alcançará o ceifeiro antes que este consiga recolher as suas colossais colheitas. Tais bênçãos de Jeová serão permanentes!

      POR QUE É PROVEITOSO

      13. Como podemos nós hoje tirar proveito dos avisos de Amós?

      13 Os leitores da Bíblia hoje podem tirar proveito observando o motivo dos avisos que Amós proclamou a Israel, a Judá e a seus vizinhos próximos. Os que rejeitam a lei de Jeová, que defraudam e oprimem os pobres, que são cobiçosos e imorais e que praticam a idolatria, não podem ter a aprovação de Jeová. Mas Jeová perdoa os que se desviam dessas coisas e se arrependem, e lhes mostra misericórdia. Seremos sábios se nos separarmos das associações corrompedoras neste mundo mau e acatarmos a admoestação de Jeová: “Buscai-me e continuai vivendo.” — 5:4, 6, 14.

      14. Será que os judeus dos dias de Estêvão tiraram proveito dos lembretes de Amós?

      14 Por ocasião de seu martírio, Estêvão citou Amós. Relembrou aos judeus que fora a idolatria de Israel com deuses estrangeiros, tais como Moloque e Refã, que provocou o cativeiro. Será que aqueles judeus tiraram proveito de lhes terem sido repetidas as palavras de Amós? Não! Enfurecidos, apedrejaram Estêvão até a morte, colocando-se assim na condição de merecerem calamidade adicional na destruição de Jerusalém, em 70 EC. — Amós 5:25-27; Atos 7:42, 43.

      15. Que profecias de restauração são proveitosas para considerar?

      15 É proveitoso considerar o cumprimento das muitas profecias de Amós, não apenas as que se cumpriram na punição de Israel, de Judá e de outras nações, mas também as profecias de restauração. Fiel à palavra de Jeová através de Amós, os cativos de Israel retornaram em 537 AEC para construir e habitar suas cidades desoladas e plantar seus vinhedos e seus pomares. — Amós 9:14; Esd 3:1.

      16. De que modo indicou Tiago um cumprimento de Amós 9:11, 12 em conexão com a congregação cristã?

      16 Contudo, houve um cumprimento glorioso e edificante da profecia de Amós nos dias dos apóstolos. Ao considerar o ajuntamento de não-israelitas na congregação cristã, Tiago, sob inspiração, esclarece que isto fora predito na profecia de Amós 9:11, 12. Ele indica que a ‘reconstrução da barraca de Davi que havia caído’ se cumpre em conexão com a congregação cristã, “a fim de que os remanescentes dos homens possam buscar seriamente a Jeová, junto com pessoas de todas as nações, pessoas chamadas por meu nome, diz Jeová”. Aí estava, sem dúvida, o apoio das Escrituras para a nova situação, conforme relatado por Simão Pedro — que Deus tirava dentre as nações “um povo para o seu nome”. — Atos 15:13-19.

      17. Que prosperidade e perenidade prediz Amós com relação ao Reino de Deus?

      17 Jesus Cristo, o Cabeça dessa congregação cristã, é identificado em outra parte como “filho de Davi”, que herda “o trono de Davi, seu pai”, e reina para sempre. (Luc. 1:32, 33; 3:31) Assim, a profecia de Amós aponta para o cumprimento do pacto para um reino, feito com Davi. As palavras concludentes de Amós não só dão uma visão maravilhosa de superabundante prosperidade por ocasião do soerguimento da “barraca de Davi”, mas sublinham também a perenidade do Reino de Deus: “‘E eu hei de plantá-los no seu solo e não mais serão desarraigados do seu solo que lhes dei’, disse Jeová, teu Deus.” A terra abundará em bênçãos eternas quando Jeová restaurar plenamente “a barraca de Davi”! — Amós 9:13-15.

      [Nota(s) de rodapé]

      a 1978, Jerusalém, página 1046.

  • Livro bíblico número 31 — Obadias
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 31 — Obadias

      Escritor: Obadias

      Escrita Completada: c. 607 AEC

      1. O que mostra que o importante é a mensagem e não o mensageiro?

      EM APENAS 21 versículos, Obadias, o livro mais curto das Escrituras Hebraicas, proclama um julgamento de Deus que resultou no fim de uma nação, predizendo, ao mesmo tempo, o triunfo do Reino de Deus. As palavras iniciais dizem simplesmente: “Visão de Obadias.” Quando e onde nasceu, de que tribo ele era, os pormenores de sua vida — nada disso se fornece. Obviamente, a identidade do profeta não é o importante; a mensagem sim, e de direito, pois, como o próprio Obadias declarou, é “uma notícia da parte de Jeová”.

      2. Sobre que país se focaliza a profecia de Obadias, e o que fazia com que seus habitantes se sentissem seguros?

      2 A notícia focaliza sua principal atenção em Edom. Estendendo-se para o sul desde o mar Morto, ao longo do Arabá, a terra de Edom, também conhecida por monte Seir, é uma região acidentada de elevados montes e profundas ravinas. Em alguns pontos, a cordilheira para o leste do Arabá chega a uma altitude de 1.700 metros. O distrito de Temã era famoso pela sabedoria e coragem de seu povo. A própria geografia da terra de Edom, com suas defesas naturais, fazia com que seus habitantes se sentissem seguros e orgulhosos.a

      3. Agiram os edomitas como irmãos para com Israel?

      3 Os edomitas eram descendentes de Esaú, irmão de Jacó. O nome de Jacó foi mudado para Israel, de modo que os edomitas tinham parentesco chegado com os israelitas; tanto que eram considerados ‘irmãos’. (Deut. 23:7) Todavia, a conduta de Edom fora tudo menos fraternal. Pouco antes de os israelitas entrarem na Terra Prometida, Moisés pediu permissão ao rei de Edom para passar pacificamente pela sua terra, mas, numa demonstração de hostilidade, os edomitas recusaram-se friamente e reforçaram a sua recusa com uma demonstração de força. (Núm. 20:14-21) Embora fossem subjugados por Davi, mais tarde conspiraram com Amom e Moabe contra Judá, nos dias de Jeosafá, revoltaram-se contra o Rei Jeorão, filho de Jeosafá, apoderaram-se dos cativos israelitas de Gaza e de Tiro, e invadiram Judá nos dias do Rei Acaz para fazer ainda mais cativos. — 2 Crô. 20:1, 2, 22, 23; 2 Reis 8:20-22; Amós 1:6, 9; 2 Crô. 28:17.

      4. (a) Que ato desprezível evidentemente foi a base da denúncia de Obadias contra Edom? (b) Que evidência sugere 607 AEC como a data mais provável da escrita?

      4 Essa hostilidade atingiu um clímax em 607 AEC, quando Jerusalém foi desolada pelas hordas babilônicas. Os edomitas não só observaram com aprovação, mas instaram com os conquistadores a que tornassem completa a desolação. “Exponde-a! Exponde-a até o alicerce dentro dela!”, bradavam. (Sal. 137:7) Ao se lançarem sortes sobre o despojo, eles estavam entre os que partilharam do saque; e, quando fugitivos judeus tentaram escapar do país, eles bloquearam as estradas e os entregaram ao inimigo. É esta violência por ocasião da destruição de Jerusalém que, evidentemente, é a base da denúncia registrada por Obadias, e isso foi, sem dúvida, escrito quando o desprezível ato de Edom ainda estava vivo na memória. (Obd. 11, 14) Visto que aparentemente o próprio Edom foi capturado e saqueado por Nabucodonosor no período de cinco anos após a destruição de Jerusalém, o livro deve ter sido escrito antes disso; sugere-se 607 AEC como a data mais provável.

      5. (a) Que prova há de que o registro de Obadias é autêntico e verídico? (b) De que modo Obadias satisfez os requisitos de um profeta verdadeiro, e por que é apropriado seu nome?

      5 A profecia de Obadias contra Edom se cumpriu — toda ela! Ao atingir seu clímax, a profecia diz: “A casa de Esaú [tem de tornar-se] como restolho; e terão de pô-los em chamas e consumi-los. E não se mostrará haver nenhum sobrevivente da casa de Esaú; porque o próprio Jeová o falou.” (V. 18) Edom viveu pela espada e à espada morreu, e não restam vestígios de seus descendentes. Assim, o registro se mostra autêntico e verídico. Obadias tinha todas as credenciais de um profeta verdadeiro: ele falava em nome de Jeová, a sua profecia honrava a Jeová e se cumpriu, conforme a história posterior atestou. Seu nome apropriadamente significa “Servo de Jeová”.

      CONTEÚDO DE OBADIAS

      6. Como fala Jeová sobre Edom, e de onde ele a derrubará?

      6 Julgamento contra Edom (Vv. 1-16). Sob a ordem de Jeová, Obadias revela a sua visão. As nações são convocadas a unirem-se em guerra contra Edom. “Levantai-vos, e levantemo-nos contra ela em batalha”, ordena Deus. Daí, dirigindo suas observações à própria Edom, ele avalia a posição dela. Edom é bem pequena entre as nações e desprezada, contudo, é presunçosa. Sente-se segura, abrigada entre os altos rochedos, certa de que ninguém poderá derrubá-la. Não obstante, Jeová declara que, mesmo que a morada de Edom fosse tão alta como a da águia, mesmo se ela se aninhasse entre as próprias estrelas, de lá ele a derrubaria. O castigo lhe é inevitável. — V. 1.

      7. Até que ponto Edom será despojada?

      7 O que lhe sucederá? Se os ladrões despojassem a Edom, levariam apenas o que desejassem. Mesmo os vindimadores deixariam algumas rebuscas. Mas, o que está reservado para os filhos de Esaú é pior do que isso. Seus tesouros serão completamente saqueados. Os próprios aliados de Edom serão os que se virarão contra ela. Os que foram seus amigos íntimos a apanharão numa rede como alguém sem discernimento. Seus homens reputados pela sabedoria e seus renomados guerreiros de valor não lhe serão de ajuda no tempo de sua calamidade.

      8. Por que Edom é punida tão severamente?

      8 Mas, por que esta punição severa? É por causa da violência que os filhos de Edom praticaram contra os filhos de Jacó, seus irmãos! Regozijaram-se com a queda de Jerusalém, até mesmo unindo-se aos invasores em dividir os despojos. Com forte denúncia, como se Obadias estivesse presenciando os atos vis, diz-se a Edom: Não devias alegrar-te com a aflição de teu irmão. Não devias impedir a fuga de seus fugitivos e entregá-los ao inimigo. O dia de Jeová ajustar contas está próximo, e serás convocada a prestar contas. Assim como agiste, assim se agirá para contigo.

      9. Que restauração se prediz?

      9 Restauração para a casa de Jacó (Vv. 17-21). Em contraste, a casa de Jacó será restaurada. Homens retornarão ao monte Sião. Devorarão a casa de Esaú como o fogo devora o restolho. Apoderar-se-ão da terra ao sul, o Negebe, bem como da região montanhosa de Esaú e da Sefelá; ao norte, possuirão a terra de Efraim e Samaria, e a região até Sarefá; ao leste, obterão o território de Gileade. A orgulhosa Edom terá de deixar de existir, Jacó terá de ser restaurado e “o reinado terá de tornar-se de Jeová”. — V. 21.

      POR QUE É PROVEITOSO

      10. Que outras profecias predisseram a ruína de Edom, e por que será proveitoso considerá-las junto com Obadias?

      10 Atestando a certeza do cumprimento desta mensagem de julgamento contra Edom, Jeová fez com que proferimentos similares fossem feitos por outros de seus profetas. Destacam-se entre estes os registrados em Joel 3:19; Amós 1:11, 12; Isaías 34:5-7; Jeremias 49:7-22; Ezequiel 25:12-14; 35:2-15. Os proferimentos anteriores se referem obviamente aos atos de hostilidade em tempos passados, ao passo que os de data posterior são, evidentemente, acusações contra Edom por sua conduta imperdoável, a que Obadias se refere, na época em que os babilônios tomaram Jerusalém. Fortalecerá a nossa fé no poder profético de Jeová se examinarmos como as preditas calamidades sobrevieram a Edom. Ademais, edificará confiança em Jeová como sendo o Deus que sempre executa o seu propósito declarado. — Isa. 46:9-11.

      11, 12. (a) De que modo os que estavam “em paz” com Edom vieram a prevalecer contra ela? (b) Mediante que estágios chegou Edom a ser “decepada por tempo indefinido”?

      11 Obadias havia predito que “os próprios homens que estavam em pacto” com Edom, os “em paz” com ela, seriam os que prevaleceriam contra ela. (Obd. 7) A paz de Babilônia com Edom não durou. Durante o sexto século AEC, forças babilônicas sob o Rei Nabonido conquistaram Edom.b Não obstante, um século depois de Nabonido ter invadido o país, o confiante Edom ainda esperava repatriar-se e, sobre isso, Malaquias 1:4 diz: “Visto que Edom está dizendo: ‘Fomos destroçados, mas retornaremos e construiremos os lugares devastados’, assim disse Jeová dos exércitos: ‘Eles, da sua parte, construirão; mas eu, da minha parte, derrubarei.’” Apesar dos empenhos de Edom de se recuperar, por volta do quarto século AEC os nabateus estavam firmemente estabelecidos no país. Tendo sido expulsos de seu país, os edomitas moravam na parte sul da Judéia, que veio a ser chamada de Iduméia. Jamais conseguiram reconquistar a terra de Seir.

      12 Segundo Josefo, no segundo século AEC, os edomitas remanescentes foram subjugados pelo rei judeu João Hircano I, foram forçados a se submeter à circuncisão e, assim, gradualmente foram absorvidos no domínio judaico sob um governador judeu. Depois da destruição de Jerusalém pelos romanos, em 70 EC, o nome deles desapareceu da história.c Foi como Obadias predissera: “Terás de ser decepado por tempo indefinido. . . . E não se mostrará haver nenhum sobrevivente da casa de Esaú.” — Obd. 10, 18.

      13. O que sucedeu aos judeus, em contraste com os edomitas?

      13 Em contraste com a desolação de Edom, os judeus voltaram à sua terra de origem em 537 AEC, sob o governo de Zorobabel, onde reconstruíram o templo em Jerusalém e ficaram firmemente estabelecidos no país.

      14. (a) De que alerta serve o destino de Edom? (b) O que devem todos reconhecer, como fez Obadias, e por quê?

      14 Quão evidente é que o orgulho e a presunção levam à calamidade! Que o destino de Edom sirva de alerta para todos os que orgulhosamente se exaltam e cruelmente se alegram da tribulação que possa sobrevir aos servos de Deus. Reconheçam eles, como fez Obadias, que “o reinado terá de tornar-se de Jeová”. Os que lutam contra Jeová e seu povo serão totalmente exterminados por tempo indefinido, mas o majestoso Reino de Jeová e seu eterno reinado ficarão para sempre vindicados! — V. 21.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, páginas 752-3.

      b Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, páginas 755-6.

      c Jewish Antiquities, XIII, 257, 258 (ix, 1); XV, 253, 254 (vii, 9).

  • Livro bíblico número 32 — Jonas
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 32 — Jonas

      Escritor: Jonas

      Escrita Completada: c. 844 AEC

      1. Que perguntas são respondidas no livro de Jonas, e o que mostra o livro quanto à misericórdia de Jeová?

      JONAS — missionário do nono século AEC a serviço no estrangeiro! Como encarava ele a designação que recebera de Jeová? Que novas experiências isto lhe proporcionou? Achou receptivo o povo na sua designação? Quão bem-sucedida foi a sua pregação? O dramático registro do livro de Jonas responde a estas perguntas. Escrito numa época em que a nação escolhida de Jeová violara o pacto com Ele e sucumbira à idolatria pagã, o registro profético mostra que a misericórdia de Deus não se limita a uma só nação, nem mesmo a Israel. Outrossim, exalta a grande misericórdia e benevolência de Jeová, em contraste com a falta de misericórdia, paciência e fé que tão amiúde se vê no homem imperfeito.

      2. O que se sabe sobre Jonas, e por volta de que ano profetizou ele?

      2 O nome Jonas (hebraico, Yoh·náh) significa “Pomba”. Era filho do profeta Amitai, de Gate-Héfer, na Galiléia, no território de Zebulão. Em 2 Reis 14:23-25 lemos que Jeroboão, rei de Israel, estendeu as fronteiras da nação segundo a palavra que Jeová falara por meio de Jonas. Isto colocaria a época do profetizar de Jonas por volta de 844 AEC, o ano da ascensão de Jeroboão II, de Israel, e muitos anos antes que a Assíria, com sua capital em Nínive, começasse a dominar Israel.

      3. O que prova que o relato de Jonas é autêntico?

      3 Não há dúvida de que o inteiro relato de Jonas é autêntico. O “Aperfeiçoador da nossa fé, Jesus”, referiu-se a Jonas como pessoa real e forneceu a interpretação inspirada de dois dos acontecimentos proféticos em Jonas, mostrando assim que o livro contém profecia verdadeira. (Heb. 12:2; Mat. 12:39-41; 16:4; Luc. 11:29-32) Jonas sempre foi colocado pelos judeus entre seus livros canônicos e é considerado por eles como histórico. A própria candura de Jonas em descrever seus erros e fraquezas, sem tentar atenuá-los, também caracteriza o registro como genuíno.

      4. Possivelmente, que tipo de peixe engoliu a Jonas? Contudo, o que é suficiente para nossa informação?

      4 Que dizer do “grande peixe” que engoliu Jonas? Tem havido muita especulação quanto a que tipo de peixe poderia ter sido. O cachalote é perfeitamente capaz de engolir um homem inteiro. Como também o grande tubarão branco. Mas, a Bíblia diz simplesmente: “Jeová providenciou um grande peixe para engolir Jonas.” (Jon. 1:17) O tipo de peixe não é especificado. Não se pode determinar com certeza se se tratava de um cachalote, de um grande tubarão branco ou de alguma outra criatura marinha não identificada.a O registro bíblico de que foi “um grande peixe” é suficiente para nossa informação.

      CONTEÚDO DE JONAS

      5. Como reage Jonas a sua designação, e com que resultado?

      5 Jonas é designado a Nínive, mas foge (1:1-16). “E começou a haver a palavra de Jeová para Jonas, filho de Amitai, dizendo: ‘Levanta-te, vai a Nínive, a grande cidade, e proclama contra ela que subiu perante mim a maldade deles.’” (1:1, 2) Será que Jonas se alegra com essa designação? Nem um pouco! Ele foge em direção oposta, tomando um navio para Társis, possivelmente onde hoje é a Espanha. O navio de Jonas enfrenta uma grande tempestade. Os amedrontados marujos pedem ajuda, “cada um ao seu deus”, enquanto Jonas dorme no porão do navio. (1:5) Depois de acordarem Jonas, eles lançam sortes para descobrir quem é o responsável por essa aflição. A sorte cai sobre Jonas. É então que ele lhes revela que é hebreu, adorador de Jeová, e que está fugindo de uma incumbência que recebera de Deus. Ele lhes diz que o lancem ao mar. Depois de empenhos adicionais para salvar o navio, por fim lançam Jonas ao mar. O mar se acalma.

      6. Qual é a experiência de Jonas com o “grande peixe”?

      6 Engolido por “um grande peixe” (1:17-2:10). “Ora, Jeová providenciou um grande peixe para engolir Jonas, de modo que Jonas veio a ficar nas entranhas do peixe três dias e três noites.” (1:17) Ele ora fervorosamente a Jeová de dentro do peixe. “Do ventre do Seol” ele clama por ajuda e diz que pagará seu voto, pois “a salvação pertence a Jeová”. (2:2, 9) Às ordens de Jeová, o peixe vomita Jonas em terra seca.

      7. Quão eficaz é a pregação de Jonas em Nínive?

      7 Pregando em Nínive (3:1-4:11). Jeová reitera sua ordem a Jonas. Jonas não mais foge de sua designação, mas vai a Nínive. Ali, ele anda pelas ruas da cidade e clama: “Apenas mais quarenta dias e Nínive será subvertida.” (3:4) A sua pregação é bem-sucedida. Uma onda de arrependimento invade Nínive, e o povo passa a depositar fé em Deus. O rei proclama que tanto os homens como os animais têm de jejuar e vestir-se de serapilheira. Jeová misericordiosamente poupa a cidade.

      8. Como reage Jonas à expressão de misericórdia de Jeová para com a cidade, e como expõe Jeová a incoerência do profeta?

      8 Isto é demais para Jonas. Ele diz a Jeová que desde o início sabia que Ele havia de mostrar misericórdia e que foi por isso que fugiu para Társis. Sente vontade de morrer. Totalmente descontente, Jonas acampa ao leste da cidade e espera para ver o que acontecerá. Jeová faz nascer um cabaceiro para servir de sombra para seu mal-humorado profeta. A alegria de Jonas com o cabaceiro dura pouco. Na manhã seguinte, Jeová faz com que um verme ataque a planta, de modo que o confortável abrigo de Jonas é substituído pela exposição a um vento oriental abrasador e ao sol causticante. Novamente, Jonas deseja morrer. Virtuoso aos seus próprios olhos, ele justifica a sua ira. Jeová salienta a incoerência de Jonas: sentiu pena de um cabaceiro, mas está irado porque Jeová agora sente pena da grande cidade de Nínive.

      POR QUE É PROVEITOSO

      9. Que atitude e proceder de Jonas devem servir de aviso para nós?

      9 O proceder de Jonas e o que disso resultou devem servir de aviso para nós. Ele fugiu de uma tarefa dada por Deus; deveria ter posto mãos à obra e confiado em Deus para o ajudar. (Jon. 1:3; Luc. 9:62; Pro. 14:26; Isa. 6:8) Quando já ia na direção errada, demonstrou atitude negativa por não se identificar abertamente aos marujos como adorador de “Jeová, o Deus dos céus”. Ele perdera a sua intrepidez. (Jon. 1:7-9; Efé. 6:19, 20) A egocentricidade de Jonas levou-o a considerar a misericórdia de Jeová para com Nínive como afronta pessoal; tentou salvar as aparências, dizendo a Jeová que sabia desde o início que esse seria o resultado — portanto, por que enviá-lo como profeta? Ele foi repreendido por causa desta atitude desrespeitosa e queixosa, de modo que devemos tirar proveito de sua experiência e refrear-nos de achar falta em Jeová mostrar misericórdia ou no modo de ele fazer as coisas. — Jon. 4:1-4, 7-9; Fil. 2:13, 14; 1 Cor. 10:10.

      10. Como são ilustradas no livro de Jonas a benevolência e a misericórdia de Jeová?

      10 O que mais se destaca no livro de Jonas é a descrição das magníficas qualidades de benevolência e de misericórdia de Jeová. Jeová mostrou benevolência para com Nínive, enviando seu profeta para avisar sobre a iminente destruição, e estava disposto a mostrar misericórdia, quando a cidade se arrependeu — misericórdia que permitiu que Nínive sobrevivesse por mais de 200 anos, até ser destruída pelos medos e babilônios por volta de 632 AEC. Jeová demonstrou misericórdia para com Jonas, livrando-o do mar tempestuoso e providenciando o cabaceiro para “tirá-lo do seu estado calamitoso”. Por providenciar e em seguida retirar o cabaceiro protetor, Jeová fez ver a Jonas que ele mostra misericórdia e benevolência segundo Seu beneplácito. — Jon. 1:2; 3:2-4, 10; 2:10; 4:6, 10, 11.

      11. O que é “o sinal de Jonas”?

      11 Em Mateus 12:38-41, Jesus disse aos líderes religiosos que o único sinal que se lhes daria seria “o sinal de Jonas”. Depois de passar três dias e três noites no “ventre do Seol”, Jonas foi e pregou a Nínive, tornando-se assim um “sinal” para os ninivitas. (Jon. 1:17; 2:2; 3:1-4) Similarmente, Jesus passou partes de três dias na sepultura e daí foi ressuscitado. Quando os discípulos proclamaram as evidências desse acontecimento, Jesus tornou-se um sinal para aquela geração. Segundo o método judaico de medir o tempo e os fatos em cumprimento do caso de Jesus, este período de “três dias e três noites” poderia ser de menos de três dias completos.b

      12. (a) O que mais diz Jesus sobre os ninivitas e sobre os judeus de sua geração? (b) Em que sentido apareceu “algo maior do que Jonas”, tendo que ligação com o Reino de Jeová e a salvação?

      12 Naquela mesma palestra, Jesus contrasta o arrependimento dos ninivitas com a dureza de coração e a aberta rejeição que sofreu da parte dos judeus durante seu próprio ministério, dizendo: “Homens de Nínive se levantarão no julgamento com esta geração e a condenarão; porque eles se arrependeram com o que Jonas pregou, mas, eis que algo maior do que Jonas está aqui.” (Veja também Mateus 16:4 e Lucas 11:30, 32.) “Algo maior do que Jonas” — o que queria Jesus dizer com isso? Ele se referia a si mesmo como o maior profeta de todos, O enviado por Jeová para pregar: “Arrependei-vos, pois o reino dos céus se tem aproximado.” (Mat. 4:17) Não obstante, a maioria dos judeus daquela geração rejeitaram “o sinal de Jonas”. Que dizer de hoje? Embora a maioria não acate a mensagem de aviso de Jeová, muitos milhares no mundo inteiro estão tendo a gloriosa oportunidade de ouvir as boas novas do Reino de Deus que foram primeiro pregadas por Jesus, “o Filho do homem”. Como os arrependidos ninivitas, que foram abençoados através da pregação de Jonas, estes também podem partilhar da abundante e misericordiosa provisão de Jeová para uma vida prolongada, pois, realmente, “a salvação pertence a Jeová”. — Jon. 2:9.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Estudo Perspicaz das Escrituras, “Jonas, Livro de”.

      b Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, página 709.

  • Livro bíblico número 33 — Miquéias
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 33 — Miquéias

      Escritor: Miquéias

      Lugar da Escrita: Judá

      Escrita Completada: Antes de 717 AEC

      Tempo Abrangido: c. 777- 717 AEC

      1. Que tipo de homem era Miquéias?

      IMAGINE um homem maduro, que já dedicou muitos anos ao serviço fiel a Jeová. Imagine um homem intrépido, capaz de dizer aos governantes de sua nação: “Vós odiadores do que é bom e amantes da maldade . . . vós, os que comestes também o organismo de meu povo e lhes tiraste a própria pele.” Imagine um homem humilde, que dá todo o crédito pelas suas poderosas declarações a Jeová, pelo espírito de quem ele falou. Gostaria de conhecer tal homem? Que tesouro de informações e conselhos sadios poderia ele transmitir! Esse homem é o profeta Miquéias. Ainda temos acesso aos seus seletos conselhos no livro que leva seu nome. — Miq. 3:2, 3, 8.

      2. O que se sabe sobre Miquéias e o período em que profetizou?

      2 Como se dá com muitos profetas, bem pouco se diz sobre o próprio Miquéias no seu livro; o importante era a mensagem. No hebraico, o nome Miquéias é uma forma abreviada de MicaelNúm 13:13 ou MiguelDan 10:13 (que significam “Quem É Semelhante a Deus?”) ou Micaías (que significa “Quem É Semelhante a Jeová?”). Ele serviu como profeta durante os reinados de Jotão, Acaz e Ezequias (777-717 AEC), o que significa que era contemporâneo dos profetas Isaías e Oséias. (Isa. 1:1; Osé. 1:1) Exatamente por quanto tempo ele profetizou é incerto, mas foi no máximo 60 anos. Suas profecias sobre a ruína de Samaria devem ter sido proferidas antes da destruição dessa cidade, em 740 AEC, e a inteira escrita já deve ter sido completada por volta do fim do reinado de Ezequias, em 717 AEC. (Miq. 1:1) Miquéias era um profeta da zona rural, da aldeia de Moresete, na fértil Sefelá, a sudoeste de Jerusalém. Sua familiaridade com a vida rural fica evidente no tipo de ilustrações que ele usou para dar ênfase às suas declarações. — 2:12; 4:12, 13; 6:15; 7:1, 4, 14.

      3. Em que época significativa serviu Miquéias, e por que Jeová o comissionou como profeta?

      3 Miquéias viveu em tempos perigosos e significativos. Eventos em rápida sucessão prenunciavam a ruína dos reinos de Israel e Judá. A corrupção moral e a idolatria se haviam arraigado em Israel, e isso levou à destruição da nação pela Assíria, evidentemente durante os dias de Miquéias. Judá oscilava entre fazer o que é correto durante o reinado de Jotão e copiar a iniqüidade de Israel durante o reinado rebelde de Acaz, daí recuperando-se no reinado de Ezequias. Jeová suscitou Miquéias para avisar fortemente Seu povo sobre o que estava para trazer sobre eles. As profecias de Miquéias serviram para corroborar as de Isaías e Oséias. — 2 Reis 15:32-20:21; 2 Crô. caps. 27-32; Isa. 7:17; Osé. 8:8; 2 Cor. 13:1.

      4. O que prova a autenticidade do livro de Miquéias?

      4 Há muitas evidências que indicam a autenticidade do livro de Miquéias. Foi sempre aceito pelos judeus como parte do cânon hebraico. Jeremias 26:18, 19 refere-se diretamente às palavras de Miquéias: “Sião será arado como mero campo e a própria Jerusalém se tornará meros montões de ruínas.” (Miq. 3:12) Esta profecia cumpriu-se com precisão em 607 AEC, quando o rei de Babilônia arrasou Jerusalém, “para causar a ruína”. (2 Crô. 36:19) Uma profecia similar sobre Samaria, de que ela se tornaria “um montão de ruínas do campo”, também se cumpriu. (Miq. 1:6, 7) Samaria foi arruinada pelos assírios em 740 AEC, quando estes levaram o reino setentrional de Israel ao cativeiro. (2 Reis 17:5, 6) Mais tarde foi conquistada por Alexandre Magno, no quarto século AEC, e sofreu devastação da parte dos judeus sob João Hircano I, no segundo século AEC. Sobre esta última destruição de Samaria, The New Westminster Dictionary of the Bible (O Novo Dicionário Westminster da Bíblia), 1970, página 822, diz: “O vitorioso a demoliu, procurando apagar todas as evidências de que alguma vez houvesse sobre o monte uma cidade fortificada.”

      5. Que testemunho dá a arqueologia em favor do cumprimento das profecias de Miquéias?

      5 A evidência arqueológica também acrescenta sua voz em apoio dos cumprimentos da profecia de Miquéias. A destruição de Samaria pelos assírios consta nos anais assírios. Por exemplo, o rei assírio Sargão jactou-se: “Eu sitiei e conquistei Samaria (Sa-me-ri-na).”a Contudo, talvez tenha sido realmente o predecessor de Sargão, Salmaneser V, que consolidou a conquista. Sobre Salmaneser, certa crônica babilônica diz: “Ele devastou Samaria.”b A invasão de Judá no reinado de Ezequias, conforme predito por Miquéias, foi bem registrada por Senaqueribe. (Miq. 1:6, 9; 2 Reis 18:13) Ele mandou fazer um enorme relevo de quatro painéis na parede de seu palácio em Nínive, retratando a captura de Laquis. No seu prisma, ele declara: “Sitiei 46 de suas cidades fortes . . . Rechacei (delas) 200.150 pessoas . . . A ele mesmo fiz prisioneiro em Jerusalém, sua residência real, como a um pássaro numa gaiola.” Ele alista também o tributo que lhe foi pago por Ezequias, embora exagere o montante. Não menciona a calamidade que se abateu sobre as suas tropas.c — 2 Reis 18:14-16; 19:35.

      6. O que dissipa qualquer dúvida quanto à inspiração de Miquéias?

      6 Dissipando qualquer dúvida sobre a inspiração do livro, há a notável profecia de Miquéias 5:2, que prediz o lugar de nascimento do Messias. (Mat. 2:4-6) Há também passagens paralelas a declarações das Escrituras Gregas Cristãs. — Miq. 7:6, 20; Mat. 10:35, 36; Luc. 1:72, 73.

      7. O que se pode dizer sobre a capacidade de expressão de Miquéias?

      7 Embora Miquéias talvez se originasse da zona rural de Judá, por certo não lhe faltava a habilidade de se expressar. Algumas das mais belas expressões da Palavra de Deus se encontram nesse livro. O capítulo 6 está escrito em forma de notável diálogo. Transições abruptas prendem a atenção do leitor, à medida que Miquéias passa rapidamente de um ponto a outro, de maldição à bênção e vice-versa. (Miq. 2:10, 12; 3:1, 12; 4:1) Há uma profusão de figuras de retórica: Quando Jeová avançar, “terão de derreter-se os montes e as próprias baixadas se partirão qual cera por causa do fogo, quais águas que se precipitam por um lugar escarpado”. — 1:4; veja também 7:17.

      8. O que contém cada uma das três partes de Miquéias?

      8 O livro pode ser dividido em três partes, cada uma começando com “Ouvi” e contendo reprimendas, alertas sobre punição e promessas de bênçãos.

      CONTEÚDO DE MIQUÉIAS

      9. Que punições são decretadas contra Samaria e Judá?

      9 Parte 1 (1:1-2:13). Jeová sai de seu templo para punir Samaria por sua idolatria. Fará dela “um montão de ruínas” e “precipitar[á] suas pedras dentro do vale”, ao mesmo tempo esmiuçando totalmente as suas imagens entalhadas. Não haverá cura para ela. Judá também é culpada e sofrerá invasão até o “portão de Jerusalém”. Os que maquinam coisas nocivas estão condenados e se lamentarão: “Positivamente, nós fomos assolados!” — 1:6, 12; 2:4.

      10. Como é focalizada a misericórdia de Jeová?

      10 A misericórdia de Jeová é abruptamente focalizada, ao passo que, em nome de Jeová, o profeta declara: “Positivamente ajuntarei Jacó . . . Pô-los-ei em união, como o rebanho no redil, como a grei no meio do seu prado; serão barulhentos com homens.” — 2:12.

      11. (a) Que denúncia se faz agora contra os governantes de Jacó e Israel? (b) Como explica Miquéias a fonte de sua coragem?

      11 Parte 2 (3:1-5:15). Miquéias continua: “Ouvi, por favor, vós cabeças de Jacó e vós comandantes da casa de Israel.” Faz-se uma fulminante denúncia contra estes “odiadores do que é bom e amantes da maldade” que oprimem o povo. Eles ‘despedaçaram até os seus ossos’. (3:1-3) Incluídos entre eles estão os falsos profetas que não fornecem orientação correta, fazendo com que o povo de Deus ande sem destino. É preciso mais do que mera coragem humana para proclamar esta mensagem! Mas Miquéias declara confiantemente: “Eu mesmo fiquei cheio de poder com o espírito de Jeová, e de justiça e de potência, a fim de contar a Jacó a sua revolta e a Israel o seu pecado.” (3:8) Sua denúncia contra os governantes culpados de sangue atinge um clímax fulminante: “Seus próprios cabeças julgam apenas por suborno e seus próprios sacerdotes instruem somente por um preço, e seus próprios profetas praticam a adivinhação meramente por dinheiro.” (3:11) Portanto, Sião será arada como um campo e Jerusalém se tornará nada mais do que um montão de ruínas.

      12. Que grandiosa profecia é dada para a “parte final dos dias”?

      12 Em outro súbito contraste, a profecia se volta para a “parte final dos dias” para dar uma grandiosa e comovente descrição da restauração da adoração de Jeová no seu monte. (4:1) Muitas nações subirão para aprender os caminhos de Jeová, pois a sua lei e palavra procederão de Sião e de Jerusalém. Não mais aprenderão a guerra, mas cada qual se sentará debaixo da sua videira e de sua figueira. Não sentirão medo. Que os povos sigam cada um a seu próprio deus, mas os verdadeiros adoradores andarão no nome de Jeová, seu Deus, e ele reinará sobre eles para sempre. Primeiro, porém, Sião tem de ir ao exílio em Babilônia. Só quando ela for restaurada é que Jeová pulverizará os inimigos dela.

      13. Que tipo de governante sairá de Belém, e semelhantes a que serão “os remanescentes de Jacó”?

      13 Miquéias passa então a predizer que o governante em Israel “cuja origem é desde os tempos primitivos” sairá de Belém Efrata. Ele governará como ‘pastor na força de Jeová’ e será grande, não só em Israel, mas “até os confins da terra”. (5:2, 4) O êxito do invasor assírio será efêmero, pois será rechaçado e a sua própria terra ficará desolada. “Os remanescentes de Jacó” serão como “orvalho da parte de Jeová” entre o povo e como leão entre as nações, pela sua coragem. (5:7) Jeová desarraigará a adoração falsa e executará vingança sobre as nações desobedientes.

      14. (a) Com o uso de que ilustração começa a parte 3 de Miquéias? (b) Que requisitos de Jeová deixou de cumprir o povo de Israel?

      14 Parte 3 (6:1-7:20). Apresenta-se a seguir uma impressionante cena de tribunal, em forma de diálogo. Jeová tem “uma causa” com Israel, e ele convoca os próprios morros e montanhas para servirem de testemunhas. (6:1) Desafia Israel a depor contra ele, e relembra seus atos justos em favor deles. O que exige Jeová do homem terreno? Não uma grande quantidade de sacrifícios de animais, mas sim ‘que exerça a justiça e ame a benignidade e ande modestamente com o seu Deus’. (6:8) É exatamente isso o que falta em Israel. Em vez de justiça e bondade há “balança iníqua”, violência, falsidade e insídia. (6:11) Em vez de andarem de modo modesto com Deus, andam nos conselhos iníquos e na adoração de ídolos praticada por Onri e Acabe, que reinaram em Samaria.

      15. (a) O que deplora o profeta? (b) Que apropriada conclusão tem o livro de Miquéias?

      15 O profeta deplora a decadência moral de seu povo. Ora, até mesmo “o mais reto deles é pior do que uma sebe de espinhos”. (7:4) Há traição entre amigos íntimos e entre membros de família. Miquéias não fica desalentado. “Ficarei à espreita de Jeová. Mostrarei uma atitude de espera pelo Deus da minha salvação. Meu Deus me ouvirá.” (7:7) Ele alerta os outros a que não se alegrem com a punição de Jeová contra Seu povo, pois a libertação virá. Jeová pastoreará e alimentará seu povo e lhe mostrará “coisas maravilhosas”, deixando as nações atemorizadas. (7:15) Ao encerrar seu livro, Miquéias reflete o sentido de seu nome por louvar a Jeová por Sua deleitosa benevolência. Sim, ‘quem é Deus como Jeová?’ — 7:18.

      POR QUE É PROVEITOSO

      16. (a) Como se mostrou proveitosa a profecia de Miquéias nos dias de Ezequias? (b) Que poderosas admoestações contém para os dias atuais?

      16 Quase 2.700 anos atrás, o profetizar de Miquéias mostrou ser muito ‘proveitoso para repreender’, pois o Rei Ezequias, de Judá, acolheu a sua mensagem e conduziu a nação ao arrependimento e à reforma religiosa. (Miq. 3:9-12; Jer. 26:18, 19; compare com 2 Reis 18:1-4.) Hoje, essa profecia inspirada é ainda mais proveitosa. Que todos os que professam adorar a Deus ouçam os explícitos avisos de Miquéias contra a religião falsa, a adoração de ídolos, a mentira e a violência! (Miq. 1:2; 3:1; 6:1) Paulo corrobora estes avisos em 1 Coríntios 6:9-11, onde diz que os cristãos verdadeiros foram purificados, e que ninguém que se entregue a tais práticas herdará o Reino de Deus. De modo simples e claro, Miquéias 6:8 diz que o requisito de Jeová para o homem é que ande com Ele em justiça, bondade e modéstia.

      17. Que encorajamento fornece Miquéias para os que servem a Deus sob perseguição e dificuldades?

      17 Miquéias transmitiu a sua mensagem entre um povo tão dividido que ‘os inimigos do homem eram os homens da sua casa’. Os cristãos verdadeiros não raro pregam em circunstâncias similares e alguns até mesmo se deparam com traições e amarga perseguição dentro de sua própria relação familiar. Precisam sempre esperar pacientemente em Jeová, o ‘Deus de sua salvação’. (Miq. 7:6, 7; Mat. 10:21, 35-39) Sob perseguição, ou quando confrontados com uma designação difícil, os que confiam corajosamente em Jeová ficarão, como Miquéias, ‘cheios de poder com o espírito de Jeová’ ao proclamar a Sua mensagem. Miquéias profetizou que tal coragem seria especialmente evidente nos “remanescentes de Jacó”. Estes seriam como ‘leão entre as nações, no meio de muitos povos’ e, ao mesmo tempo, como orvalho e chuvas refrescantes da parte de Jeová. Tais qualidades eram certamente manifestas nos ‘remanescentes de Israel (Jacó)’ que se tornaram membros da congregação cristã do primeiro século. — Miq. 3:8; 5:7, 8; Rom. 9:27; 11:5, 26.

      18. Que profecia de Miquéias está ligada com o domínio do Reino de Deus por meio de Cristo Jesus?

      18 O nascimento de Jesus em Belém, em cumprimento da profecia de Miquéias, não só confirma a inspiração divina do livro, mas também ilumina o contexto do versículo como sendo profético da vinda do Reino de Deus sob Cristo Jesus. Jesus é aquele que vem de Belém (Casa de Pão) com benefícios vitalizadores para todos os que exercem fé em seu sacrifício. É ele quem ‘pastoreia na força de Jeová’ e se torna grande e leva a paz até os confins da terra entre o restaurado e unificado rebanho de Deus. — Miq. 5:2, 4; 2:12; João 6:33-40.

      19. (a) Que encorajamento inspirador de fé se fornece para os que vivem na “parte final dos dias”? (b) Como exalta Miquéias a soberania de Jeová?

      19 Deriva-se grande encorajamento da profecia de Miquéias sobre a “parte final dos dias”, quando “muitas nações” buscam instrução da parte de Jeová. “E terão de forjar das suas espadas relhas de arado, e das suas lanças, podadeiras. Não levantarão espada, nação contra nação, nem aprenderão mais a guerra. E realmente sentar-se-ão, cada um debaixo da sua videira e debaixo da sua figueira, e não haverá quem os faça tremer; porque a própria boca de Jeová dos exércitos falou isso.” Abandonando toda adoração falsa, juntam-se a Miquéias em afirmar: “Nós, da nossa parte, andaremos no nome de Jeová, nosso Deus, por tempo indefinido, para todo o sempre.” Realmente, a profecia de Miquéias inspira fé fornecendo um vislumbre desses momentosos acontecimentos. É notável, também, em exaltar a Jeová como Soberano e Rei eterno. Quão emocionantes são estas palavras: “Jeová realmente reinará sobre eles no monte Sião, desde agora e por tempo indefinido”! — Miq. 4:1-7; 1 Tim. 1:17.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Ancient Near Eastern Texts, editado por James B. Pritchard, 1974, página 284.

      b Assyrian and Babylonian Chronicles, de A. K. Grayson, 1975, página 73.

      c Ancient Near Eastern Texts, 1974, página 288; Estudo Perspicaz das Escrituras, “Senaqueribe”.

  • Livro bíblico número 34 — Naum
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 34 — Naum

      Escritor: Naum

      Lugar da Escrita: Judá

      Escrita Completada: Antes de 632 AEC

      1. O que se sabe da antiga Nínive?

      “PRONÚNCIA contra Nínive.” (Naum 1:1) A profecia de Naum começa com estas ominosas palavras. Mas, por que fez ele essa declaração condenatória? O que se sabe sobre a antiga Nínive? Sua história é resumida por Naum em cinco palavras: “Cidade de derramamento de sangue.” (3:1) Duas elevações localizadas na margem leste do rio Tigre, defronte da moderna cidade de Mossul, no Norte do Iraque, marcam a localização da antiga Nínive. Era altamente fortificada por muralhas e fossos e era a capital do Império Assírio na parte final de sua história. Contudo, a origem da cidade remonta aos dias de Ninrode, o “‘poderoso caçador em oposição a Jeová’. . . . [Ninrode] saiu para a Assíria e pôs-se a construir Nínive”. (Gên. 10:9-11) Portanto, Nínive teve um mau começo. Ficou especialmente famosa durante os reinados de Sargão, Senaqueribe, Esar-Hadom e Assurbanipal, no período final do Império Assírio. Por meio de guerras e conquistas, enriqueceu-se com despojos e ficou famosa por causa do tratamento cruel e desumano que seus governantes infligiam à multidão de cativos.a Diz C. W. Ceram, nas páginas 231-2 de seu livro Deuses, Túmulos e Sábios (1959): “Nínive gravou-se na consciência dos homens quase unicamente por estar ligada a assassinato, saque, repressão, violação dos fracos, guerra e terror de toda sorte; a uma série de soberanos sanguinários que reinaram pelo terror e que raramente morreram de morte natural, sendo substituídos por outros ainda piores.”

      2. Como era a religião de Nínive?

      2 Que dizer da religião de Nínive? Adorava um grande panteão de deuses, muitos dos quais importados de Babilônia. Seus governantes invocavam esses deuses quando saíam para destruir e exterminar e seus gananciosos sacerdotes estimulavam suas campanhas de conquista, aguardando rica retribuição dos despojos. Em seu livro Ancient Cities (Cidades Antigas, 1886, página 25), W. B. Wright diz: “Adoravam a força, e só dirigiam suas orações a ídolos colossais de pedra, leões e touros, cujos membros ponderosos, asas de águia e cabeça humana, eram símbolos de força, coragem e vitória. Guerrear era a principal ocupação dessa nação, e os sacerdotes eram fomentadores incessantes da guerra. Eram sustentados principalmente pelos despojos das conquistas, dos quais uma porcentagem fixa era invariavelmente destinada a eles, antes de outros partilharem deles, pois esta raça de saqueadores era extremamente religiosa.”

      3. (a) Em que sentido é apropriado o significado do nome Naum? (b) A que período pertence a profecia de Naum?

      3 A profecia de Naum, embora curta, é repleta de pontos interessantes. Tudo o que sabemos sobre o próprio profeta está contido no versículo inicial: “Livro da visão de Naum, o elcosita.” Seu nome (hebraico, Na·hhúm) significa “Confortador”. Sua mensagem por certo não era nenhum conforto para Nínive, mas, para o verdadeiro povo de Deus, prenunciava alívio certo e duradouro de um implacável e poderoso inimigo. É de conforto, também, porque Naum não faz menção alguma dos pecados de seu próprio povo. Embora a localização de Elcos não seja rigorosamente conhecida, parece provável que a profecia foi escrita em Judá. (Naum 1:15) A queda de Nínive, que ocorreu em 632 AEC, ainda estava no futuro quando Naum registrou sua profecia, e ele compara esse evento com a queda de Nô-Amom (Tebas, no Egito) que ocorreu pouco antes disso. (3:8) Assim, Naum deve ter escrito sua profecia durante aquele período.

      4. Que qualidades de redação são evidentes no livro de Naum?

      4 O estilo do livro é característico. Não há nele palavras supérfluas. Seu vigor e realismo harmonizam-se com o fato de fazer parte dos escritos inspirados. Naum prima pela linguagem descritiva, emocional e dramática, bem como pela expressão dignificante, clareza de retórica e fraseologia notavelmente vívida. (1:2-8, 12-14; 2:4, 12; 3:1-5, 13-15, 18, 19) A maior parte do primeiro capítulo parece estar no estilo de poema acróstico. (1:8, nota) O estilo de Naum é enriquecido pela singularidade de seu tema. Ele sente extrema aversão ao traiçoeiro inimigo de Israel. Não vê nada senão a ruína de Nínive.

      5. O que prova a autenticidade da profecia de Naum?

      5 A autenticidade da profecia de Naum se comprova pela exatidão de seu cumprimento. Nos dias de Naum, quem senão um profeta de Jeová ousaria predizer que a orgulhosa capital da potência mundial assíria sofreria ruptura nos “portões dos rios”, que seu palácio seria dissolvido e que ela mesma tornar-se-ia “vacuidade e vazio, e uma cidade devastada”? (2:6-10) Os eventos posteriores mostraram que a profecia foi deveras inspirada por Deus. Os anais do rei babilônio Nabopolassar descrevem a captura de Nínive pelos medos e babilônios: “[Converteram] a cidade em escombros e mon[tes (de entulho) . . . ].”b A ruína de Nínive foi tão completa que até mesmo a sua localização ficou esquecida por muitos séculos. Alguns críticos chegaram a ridicularizar a Bíblia quanto a isso, dizendo que Nínive jamais poderia ter existido.

      6. O que se escavou no local da antiga Nínive que vindica a exatidão de Naum?

      6 Contudo, somando evidência em favor da autenticidade de Naum, a localização de Nínive foi descoberta, e as escavações ali começaram no século 19. Calculou-se que, para escavá-la completamente, seria necessário remover milhões de toneladas de terra. O que se tem desenterrado em Nínive? Muitas coisas que confirmam a exatidão da profecia de Naum! Por exemplo, seus monumentos e inscrições atestam as suas crueldades, e há restos de colossais estátuas de touros e leões alados. Não é de admirar que Naum falasse dela como “caverna dos leões”! — 2:11.c

      7. O que apóia a canonicidade do livro de Naum?

      7 A canonicidade de Naum é demonstrada por ser o livro aceito pelos judeus como parte das Escrituras inspiradas. Está em completa harmonia com o restante da Bíblia. A profecia é dada em nome de Jeová, em favor de cujos atributos e supremacia dá eloqüente testemunho.

      CONTEÚDO DE NAUM

      8. Que condenação é pronunciada contra Nínive, mas que boas novas para Judá?

      8 A pronúncia de Jeová contra Nínive (1:1-15). “Jeová é um Deus que exige devoção exclusiva e que toma vingança.” Com estas palavras o profeta estabelece o cenário para a “pronúncia contra Nínive”. (1:1, 2) Embora Jeová seja vagaroso em irar-se, observe-o agora expressar vingança por meio de vento e tempestade. Os montes tremem, os morros se derretem e a terra se subleva. Quem pode ficar de pé diante do ardor de sua ira? Não obstante, Jeová é um baluarte para os que se refugiam nele. Mas Nínive está condenada. Será exterminada por uma inundação, e “a aflição não se levantará pela segunda vez”. (1:9) Jeová apagará o nome dela e o de seus deuses. Ele a enterrará. Em animador contraste, há boas novas para Judá! Quais são elas? Um anunciador de paz os insta a celebrar as suas festividades e pagar os seus votos, pois o inimigo, o “imprestável”, está condenado. “Certamente será decepado na sua inteireza.” — 1:15.

      9. Que visão profética obtemos sobre a derrota de Nínive?

      9 Previsão da destruição de Nínive (2:1-3:19). Naum lança um desafio escarnecedor a Nínive para que se reforce contra um vindouro dispersador. Jeová reajuntará os seus, ‘o orgulho de Jacó e de Israel’. Veja o escudo e a roupa carmesim de seus homens de energia vital e os fulgurosos apetrechos de ferro de Seu ‘carro de guerra no dia de sua preparação’! Os carros de guerra ‘andam como doidos’ pelas ruas, correndo como relâmpagos. (2:2-4) Obtemos agora uma visão profética da batalha. Os ninivitas tropeçam e apressam-se a defender a muralha, mas em vão. Os portões do rio se abrem, o palácio se dissolve e as escravas gemem e batem sobre os seus corações. Aos homens que fogem ordena-se que parem, mas, nenhum deles se vira. A cidade é saqueada e devastada. Corações se derretem. Onde está agora esta guarida de leões? O leão encheu sua caverna de presa para seus filhotes, mas Jeová declara: “Eis que sou contra ti.” (2:13) Sim, Jeová queimará totalmente a máquina de guerra de Nínive, enviará uma espada para devorar seus leões novos e decepar da terra a sua presa.

      10. Nínive é exposta como sendo o que, e como é o seu fim descrito adicionalmente?

      10 “Ai da cidade de derramamento de sangue . . . cheia de impostura e de roubo.” Ouça o estalo do chicote e o sacolejo da roda. Veja o cavalo galopante, o carro saltante, o cavaleiro montado, a chama da espada e o raio da lança — e daí, a pesada massa de cadáveres. “Não há fim de corpos mortos.” (3:1, 3) E por quê? Porque ela enlaçou nações com as suas prostituições e famílias com as suas feitiçarias. Uma segunda vez, Jeová declara: “Eis que sou contra ti”. (3:5) Nínive será exposta como adúltera e será despojada, seu destino não sendo melhor do que o de Nô-Amom (Tebas), a quem a Assíria levou ao cativeiro. As suas fortalezas são como figos maduros, “que, quando sacudidos, certamente cairão na boca de quem come”. (3:12) Seus guerreiros são como mulheres. Nada pode salvar a Nínive do fogo e da espada. Seus vigilantes fugirão como enxame de gafanhotos num dia ensolarado, e seu povo será espalhado. O rei da Assíria saberá que não há alívio, nem cura para esta catástrofe. Todos os que ouvirem a notícia baterão palmas, pois todos têm sofrido por causa da maldade da Assíria.

      POR QUE É PROVEITOSO

      11. Que princípios bíblicos fundamentais são ilustrados em Naum?

      11 A profecia de Naum ilustra alguns princípios fundamentais da Bíblia. As palavras iniciais da visão repetem o motivo de Deus dar o segundo dos Dez Mandamentos: “Jeová é um Deus que exige devoção exclusiva.” Imediatamente depois ele dá a conhecer a certeza de que ele “toma vingança contra os seus adversários”. O orgulho cruel e os deuses pagãos da Assíria não a puderam salvar da execução do julgamento de Jeová. Podemos ter a certeza de que, no devido tempo, Jeová igualmente aplicará a justiça a todos os iníquos. “Jeová é vagaroso em irar-se e grande em poder, e de modo algum se refreará Jeová de punir.” Assim, tendo a exterminação da poderosa Assíria como plano de fundo, exaltam-se a justiça e a supremacia de Jeová. Nínive deveras tornou-se “vacuidade e vazio, e uma cidade devastada!” — 1:2, 3; 2:10.

      12. Que restauração anuncia Naum, e como pode a sua profecia ser relacionada com a esperança do Reino?

      12 Em contraste com Nínive ser ‘inteiramente decepada’, Naum anuncia restauração para ‘o orgulho de Jacó e de Israel’. Jeová envia também notícias alegres a Seu povo: “Eis sobre os montes os pés daquele que traz boas novas, aquele que publica a paz.” Estas notícias de paz têm relação com o Reino de Deus. Como sabemos disso? É evidente do uso que Isaías faz da mesma expressão, mas à qual acrescenta as palavras: “Do portador de boas novas de algo melhor, do publicador de salvação, daquele que diz a Sião: ‘Teu Deus tornou-se rei!’” (Naum 1:15; 2:2; Isa. 52:7) Por sua vez, o apóstolo Paulo, em Romanos 10:15, aplica a expressão aos a quem Jeová envia como pregadores cristãos das boas novas. Estes proclamam as “boas novas do reino”. (Mat. 24:14) Fiel ao significado de seu nome, Naum é fonte de muito conforto a todos os que buscam a paz e a salvação que vem com o Reino de Deus. Todos estes certamente compreenderão que ‘Jeová é bom, baluarte no dia da aflição para os que procuram refugiar-se nele’. — Naum 1:7.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, página 254.

      b Ancient Near Eastern Texts, editado por J. B. Pritchard, 1974, página 305; colchetes e parênteses são deles; Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 2, página 238.

      c Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 2, página 235.

  • Livro bíblico número 35 — Habacuque
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 35 — Habacuque

      Escritor: Habacuque

      Lugar da Escrita: Judá

      Escrita Completada: c. 628 AEC(?)

      1. Que verdades sublimes são salientadas na profecia de Habacuque?

      HABACUQUE é mais um dos chamados profetas menores das Escrituras Hebraicas. Contudo, sua visão e pronúncia inspiradas por Deus não são de modo algum menores em importância para o povo de Deus. Sua profecia, sendo tanto encorajadora como fortalecedora, sustém os servos de Deus em tempos de tensão. O livro destaca duas sublimes verdades: Jeová Deus é o Soberano Universal, e o justo vive pela fé. O escrito serve também de aviso para os opositores dos servos de Deus e para os que hipocritamente professam ser Seu povo. Estabelece um padrão para se ter forte fé em Jeová, que é digno de todos os cânticos de louvor.

      2. Que informações são fornecidas sobre o escritor, Habacuque?

      2 O livro de Habacuque começa do seguinte modo: “A pronúncia visionada por Habacuque, o profeta.” (Hab. 1:1) Quem era esse profeta Habacuque (em hebraico, Hhavaq·qúq), cujo nome significa “Abraço Ardente”? Não se fornece nenhuma informação sobre a ascendência, a tribo, as circunstâncias na vida, ou a morte de Habacuque. Não se pode dizer ao certo se ele era músico levítico do templo, embora se subentenda isto da subscrição encontrada no fim do livro: “Ao regente, nos meus instrumentos de cordas.”

      3. Que circunstâncias, que envolvem Judá, ajudam a indicar o tempo da escrita de Habacuque?

      3 Quando proferiu Habacuque suas pronúncias proféticas? A subscrição acima mencionada e as palavras “Jeová está no seu santo templo” indicam que o templo em Jerusalém ainda estava de pé. (2:20) Isso, junto com a mensagem da profecia, sugere que foi proferida não muito antes da destruição de Jerusalém em 607 AEC. Mas quantos anos antes? Deve ter sido após o reinado do Rei Josias, temente a Deus, em 659-629 AEC. A própria profecia fornece o indício ao predizer uma obra que o povo de Judá não acreditará mesmo que seja relatada. De que se trata? De Deus suscitar os caldeus (babilônios) para punir a Judá sem fé. (1:5, 6) Isto se enquadraria na primeira parte do reinado do idólatra Rei Jeoiaquim, tempo em que a descrença e a injustiça grassavam em Judá. Jeoiaquim fora colocado no trono por Faraó Neco, e a nação se achava dentro da esfera de influência do Egito. Sob tais circunstâncias, o povo acharia que tinha motivos para não crer em qualquer possibilidade de invasão por parte de Babilônia. Mas, Nabucodonosor derrotou Faraó Neco na batalha de Carquemis em 625 AEC, rompendo assim o poder do Egito. Portanto, a profecia deve ter sido proferida antes desse evento. Assim, os indícios apontam para o início do reinado de Jeoiaquim (que começou em 628 AEC), o que torna Habacuque contemporâneo de Jeremias.

      4. O que prova que o livro de Habacuque é inspirado por Deus?

      4 Como podemos saber que o livro é inspirado por Deus? Antigos catálogos das Escrituras Hebraicas confirmam a canonicidade de Habacuque. Embora não citem o livro por nome, estava evidentemente incluído em suas referências aos ‘doze Profetas Menores’, pois sem Habacuque não haveria 12. O apóstolo Paulo reconheceu a profecia como parte das inspiradas Escrituras e fez citação direta de Habacuque 1:5, mencionando isso como algo “que se disse nos Profetas”. (Atos 13:40, 41) Fez diversas referências ao livro em suas cartas. Certamente, o cumprimento das pronunciações de Habacuque contra Judá e Babilônia identifica-o como verdadeiro profeta de Jeová, em cujo nome e por cuja glória ele falou.

      5. Resuma em poucas palavras o conteúdo de Habacuque.

      5 O livro de Habacuque é composto de três capítulos. Os primeiros dois capítulos 1, 2 são um diálogo entre o escritor e Jeová. Relatam a força dos caldeus, bem como a aflição em reserva para a nação babilônica que multiplica o que não é seu, que obtém lucro vil para sua casa, que edifica uma cidade por meio de derramamento de sangue, e que adora a imagem esculpida. O terceiro capítulo trata da magnificência de Jeová no dia da batalha, e é sem igual no poder e na qualidade vibrante de seu estilo dramático. Este capítulo é uma oração em endechas, e tem sido chamado de “um dos mais esplêndidos e magníficos dentro do inteiro âmbito da poesia hebraica.”a

      CONTEÚDO DE HABACUQUE

      6. Qual é a situação em Judá, e, por conseguinte, que atividade espantosa executará Jeová?

      6 O profeta clama a Jeová (1:1-2:1). A falta de fé, em Judá, tem suscitado perguntas na mente de Habacuque. “Até quando, ó Jeová, terei de clamar por ajuda e tu não ouvirás?”, pergunta ele. “Por que há assolação e violência diante de mim?” (1:2, 3) A Lei fica entorpecida, o iníquo está em torno do justo, e a justiça sai pervertida. Por causa disso, Jeová realizará uma atividade que causará espanto, algo que as ‘pessoas não acreditarão, embora seja relatado’. Ele está realmente ‘suscitando os caldeus’! É deveras temível a visão que Jeová dá sobre esta nação feroz, ao passo que ela avança velozmente. Está devotada à violência, e ajunta cativos “como areia”. (1:5, 6, 9) Nada resistirá a ela, nem mesmo reis e dignitários, pois ela se ri de todos eles. Captura toda praça forte. Tudo isso é para um julgamento e uma repreensão da parte de Jeová, o “Santo”. (1:12) Habacuque aguarda atentamente que Deus fale.

      7. Como consola Jeová a Habacuque?

      7 A visão dos cinco ais (2:2-20). Jeová responde: “Escreve a visão e assenta-a de modo claro em tábuas.” Mesmo que pareça demorar, cumprir-se-á sem falta. Jeová consola Habacuque com as palavras: “Quanto ao justo, continuará a viver pela sua fidelidade.” (2:2, 4) O arrogante inimigo não atingirá seu objetivo, mesmo que continue ajuntando para si nações e povos. Ora, estes são os que proferirão contra ele o dito proverbial dos cinco ais:

      8, 9. Contra que tipo de pessoas são dirigidos os cinco ais da visão?

      8 “Ai daquele que multiplica o que não é seu.” Ele mesmo se tornará objeto de saque. Será despojado “por causa do derramamento de sangue do gênero humano e da violência feita à terra”. (2:6, 8) “Ai daquele que obtém lucro vil para a sua casa.” Cortar ele muitos povos fará com que as próprias pedras e o madeiramento de sua casa clamem. (2:9) “Ai daquele que constrói uma cidade com derramamento de sangue.” Seus povos labutarão apenas para o fogo e para nada, declara Jeová. “Pois a terra se encherá do conhecimento da glória de Jeová assim como as próprias águas cobrem o mar.” — 2:12, 14.

      9 ‘Ai daquele que em ira embebeda seu companheiro, com o objetivo de olhar para as suas vergonhas.’ Jeová o fará beber do copo de Sua mão direita, trazendo-lhe ignomínia em lugar de glória “por causa do derramamento de sangue do gênero humano e da violência feita à terra”. De que serve a imagem esculpida para quem a fez — não são mudos tais deuses inúteis? (2:15, 17) “Ai daquele que diz ao pedaço de pau: ‘Oh! acorda!’ à pedra muda: ‘Oh! desperta! Ela mesma dará instrução’!” Em contraste com tais deuses sem vida, “Jeová está no seu santo templo. Cala-te diante dele, toda a terra!” — 2:19, 20.

      10. Que temível atividade acompanha o aparecimento de Jeová no dia da batalha?

      10 Jeová no dia da batalha (3:1-19). Em oração solene, Habacuque relembra em linguagem vívida a temível atividade de Jeová. Com o aparecimento de Jeová, “sua dignidade cobriu os céus; e do seu louvor encheu-se a terra”. (3:3) Sua claridade era igual à luz, e a peste andava diante dele. Ele ficou parado, sacudindo a terra, fazendo com que as nações pulassem e as montanhas eternas fossem despedaçadas. Jeová saiu como poderoso guerreiro, com arco descoberto e com carros de salvação. Os montes e as águas de profundeza foram agitados. O sol e a lua ficaram parados, e havia a luz de suas flechas e o relâmpago de sua lança, à medida que Ele marchava através da terra, trilhando as nações em ira. Saiu para a salvação do seu povo e do seu ungido, e para expor o alicerce do iníquo, “até o pescoço”. — 3:13.

      11. Como é Habacuque afetado pela visão, mas qual é a determinação dele?

      11 O profeta fica atônito com esta visão do poder da obra anterior de Jeová e de sua iminente atividade de sacudir o mundo. “Ouvi, e meu ventre começou a ficar agitado, meus lábios tremeram diante do som; a podridão começou a penetrar-me nos ossos; e eu estava agitado na minha situação, de aguardar tranqüilamente o dia da aflição, a sua vinda sobre o povo, para que ele os acometesse.” (3:16) Contudo, Habacuque está decidido, independente dos maus tempos que terão de ser enfrentados — a figueira não florescer, não haver produção nas videiras, nem rebanho no redil — a ainda assim exultar em Jeová e alegrar-se com o Deus de sua salvação. Conclui seu cântico de êxtase com as seguintes palavras: “Jeová, o Soberano Senhor, é minha energia vital; e ele fará os meus pés semelhantes aos das corças e me fará pisar nos meus altos.” — 3:19.

      POR QUE É PROVEITOSO

      12. Que aplicações proveitosas de Habacuque 2:4 fez Paulo?

      12 Reconhecendo a profecia de Habacuque como proveitosa para ensinar, o apóstolo Paulo citou o capítulo 2, versículo 4, em três ocasiões. Ao salientar que as boas novas são o poder de Deus para a salvação de todo aquele que tem fé, Paulo escreveu aos cristãos em Roma: “Pois nelas é que se revela a justiça de Deus em razão da fé e para com a fé, assim como está escrito: ‘Mas o justo — por meio da fé é que viverá.’” Ao escrever aos gálatas, Paulo frisou que a bênção vem por meio da fé: “É evidente que pela lei ninguém é declarado justo diante de Deus, porque ‘o justo viverá em razão da fé’.” Paulo também escreveu em sua carta aos hebreus que os cristãos precisam mostrar fé viva, que preserva a alma, e novamente se referiu às palavras de Jeová a Habacuque. Contudo, não só cita as palavras de Habacuque, “meu justo viverá em razão da fé”, mas também suas palavras adicionais, segundo a Septuaginta grega: “Se ele retroceder, minha alma não terá prazer nele.” Daí, resume por dizer: Nós somos “dos que têm fé para preservar viva a alma”. — Rom. 1:17; Gál. 3:11; Heb. 10:38, 39.

      13. O cumprimento exato das profecias de Habacuque contra Judá e Babilônia frisa o que quanto aos julgamentos de Deus?

      13 A profecia de Habacuque é de muitíssimo proveito hoje para os cristãos, que necessitam de energia vital. Ensina a depender de Deus. É também proveitosa para avisar outros sobre os julgamentos de Deus. A lição de aviso é poderosa: Não considere os julgamentos de Deus como tardios demais; ‘cumprir-se-ão sem falta’. (Hab. 2:3) A profecia sobre a destruição de Judá por meio de Babilônia cumpriu-se sem falta, e sem falta a própria Babilônia foi capturada, sendo a cidade tomada pelos medos e persas em 539 AEC. Que aviso para se crer nas palavras de Deus! Assim, o apóstolo Paulo achou proveitoso citar Habacuque quando avisou os judeus dos seus dias para não serem sem fé: “Cuidai de que aquilo que se disse nos Profetas não venha sobre vós: ‘Observai-o, desdenhadores, e admirai-vos disso, e desaparecei, porque estou fazendo uma obra nos vossos dias, uma obra que de modo algum acreditareis, mesmo que alguém a relatasse a vós em pormenores.’” (Atos 13:40, 41; Hab. 1:5, LXX) Os judeus sem fé não quiseram ouvir a Paulo, assim como não creram no aviso de Jesus sobre a destruição de Jerusalém; sofreram as conseqüências por sua falta de fé quando os exércitos de Roma devastaram Jerusalém em 70 EC. — Luc. 19:41-44.

      14. (a) De que modo a profecia de Habacuque incentiva os cristãos hoje a manter forte fé? (b) Conforme declarado na profecia, que alegre confiança podem ter agora os que amam a justiça?

      14 Da mesma forma, hoje, a profecia de Habacuque incentiva os cristãos a manter forte fé, ao passo que vivem num mundo cheio de violência. Ajuda-os a ensinar a outros e a responder à pergunta que pessoas em todo o mundo têm feito: Executará Deus a vingança sobre os iníquos? Note outra vez as palavras da profecia: “Continua na expectativa dela; pois cumprir-se-á sem falta. Não tardará.” (Hab. 2:3) Quaisquer que sejam as comoções que venham a ocorrer na terra, os do restante ungido de herdeiros do Reino relembram as palavras de Habacuque sobre os atos de vingança de Jeová no passado: “Saíste para a salvação do teu povo, para salvar o teu ungido.” (3:13) Jeová é deveras seu “Santo”, desde outrora, e a “Rocha” que repreenderá o injusto e dará vida àqueles que ele inclui no seu amor. Todos os que amam a justiça podem regozijar-se no seu Reino e na sua soberania, dizendo: “No que se refere a mim, vou rejubilar com o próprio Jeová; vou jubilar com o Deus da minha salvação. Jeová, o Soberano Senhor é minha energia vital.” — 1:12; 3:18, 19.

      [Nota(s) de rodapé]

      a The Book of the Twelve Minor Prophets, 1868, de E. Henderson, página 285.

  • Livro bíblico número 36 — Sofonias
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 36 — Sofonias

      Escritor: Sofonias

      Lugar da Escrita: Judá

      Escrita Completada: Antes de 648 AEC

      1. (a) Por que foi a mensagem de Sofonias apropriada para o seu tempo? (b) De que modo o significado do seu nome se ajustava bem à situação?

      NO INÍCIO do reinado do Rei Josias, de Judá (659-629 AEC), numa época em que a adoração de Baal grassava e os “sacerdotes de deuses estrangeiros” tomavam a dianteira nesta adoração impura, o povo de Jerusalém deve ter ficado pasmado com a mensagem proclamada pelo profeta Sofonias. Embora fosse possivelmente descendente do Rei Ezequias, da casa real de Judá, Sofonias criticou severamente as condições existentes na nação. (Sof. 1:1, 4) Sua mensagem era de ruína. O povo de Deus tornara-se desobediente, e somente Jeová podia restaurar-lhes a adoração pura e abençoá-los de modo que pudessem servir como “um nome e um louvor entre todos os povos da terra”. (3:20) Sofonias salientou que só por intervenção divina poderia alguém ‘ser escondido no dia da ira de Jeová’. (2:3) Quão apropriado é seu nome Tsefan·yáh (em hebraico), que significa “Jeová Escondeu (Entesourou)”!

      2. De que modo os esforços de Sofonias produziram resultados, mas por que foi isto apenas temporário?

      2 Os esforços de Sofonias produzem resultados. O Rei Josias, que ascendera ao trono à idade de oito anos, principiou a “limpar Judá e Jerusalém” no 12.º ano do seu reinado. Ele erradicou a adoração falsa, consertou “a casa de Jeová”, 2Cr 34:8 e reinstituiu a celebração da Páscoa. (2 Crô., caps. 34, 35) Entretanto, as reformas do Rei Josias foram apenas temporárias, pois ele foi sucedido por três de seus filhos e um de seus netos, os quais fizeram “o que era mau aos olhos de Jeová”. (2 Crô. 36:1-12) Tudo isto se deu em cumprimento das palavras de Sofonias: “Vou voltar a minha atenção para os príncipes, e para os filhos do rei, e para . . . os que encheram a casa de seus amos com violência e engano.” — Sof. 1:8, 9.

      3. Quando e onde profetizou Sofonias, e que mensagem dupla contém o livro?

      3 Com base no acima, parece que “a palavra de Jeová . . . veio a haver para Sofonias” algum tempo antes de 648 AEC, o 12.º ano de Josias. Não só o primeiro versículo o identifica como falando em Judá, mas o conhecimento pormenorizado que ele revela sobre as localidades e os costumes de Jerusalém argumenta em favor de ele residir em Judá. A mensagem contida no livro é dupla, sendo tanto ameaçadora como consoladora. Na maior parte, concentra-se em torno do dia de Jeová, um dia de terror que está iminente, mas, ao mesmo tempo, prediz que Jeová restabelecerá um povo humilde que ‘realmente se refugia no nome de Jeová’. — 1:1, 7-18; 3:12.

      4. O que prova que o livro de Sofonias é autêntico e inspirado por Deus?

      4 A autenticidade deste livro de profecia não pode ser contestada com êxito. Jerusalém foi destruída em 607 AEC, mais de 40 anos depois de Sofonias ter predito isto. Não só temos a palavra da história secular para confirmar isto, mas a própria Bíblia contém prova interna de que isso ocorreu exatamente como Sofonias havia profetizado. Pouco depois da destruição de Jerusalém, Jeremias escreveu o livro de Lamentações, descrevendo os horrores que havia testemunhado, estando estes ainda vívidos em sua mente. Uma comparação entre diversas passagens comprova que a mensagem de Sofonias é deveras “inspirada por Deus”. Sofonias adverte sobre a necessidade de arrependimento “antes que venha sobre vós a ira ardente de Jeová”, ao passo que Jeremias se refere a algo já ocorrido ao dizer: “Jeová . . . derramou a sua ira ardente.” (Sof. 2:2; Lam. 4:11) Sofonias prediz que Jeová ‘vai causar aflição à humanidade, e hão de andar como cegos. E seu sangue será realmente derramado como pó’. (Sof. 1:17) Jeremias menciona isso como fato consumado: “Andavam errantes como cegos pelas ruas. Poluíram-se com sangue.” — Lam. 4:14; compare também Sofonias 1:13 com Lamentações 5:2; Sofonias 2:8, 10 com Lamentações 1:9, 16 e Lam. 3:61.

      5. Como mostra a história que a profecia de Sofonias cumpriu-se com exatidão?

      5 A história relata igualmente a destruição das nações pagãs, Moabe e Amom, bem como a Assíria, incluindo sua capital Nínive, conforme Sofonias predissera sob a orientação de Deus. Assim como o profeta Naum predisse a destruição de Nínive (Naum 1:1; 2:10), Sofonias declarou que Jeová “fará de Nínive um baldio desolado, uma região árida como o ermo”. (Sof. 2:13) Esta destruição foi tão completa que apenas 200 anos depois, o historiador Heródoto escreveu sobre o Tigre como “o rio sobre o qual Nínive se localizava antigamente”.a Por volta de 150 EC, o escritor grego Luciano escreveu que “não resta vestígio algum dela agora”.b The New Westminster Dictionary of the Bible (O Novo Dicionário Westminster da Bíblia, 1970), página 669, declara que os exércitos invasores “foram grandemente ajudados por uma súbita elevação do Tigre, que arrastou grande parte da muralha da cidade e tornou o lugar indefensível. . . . A desolação foi tão completa que nos tempos gregos e romanos Nínive tornou-se quase que um mito. Contudo, durante todo esse tempo, parte da cidade permanecia soterrada sob montes de aparente entulho”. Na página 627, a mesma obra mostra que Moabe também foi destruída conforme profetizado: “Nabucodonosor subjugou os moabitas.” Josefo também narra a subjugação de Amom.c Por fim, tanto os moabitas como os amonitas deixaram de existir como povo.

      6. Por que, então, tem Sofonias seu devido lugar no cânon da Bíblia?

      6 Os judeus sempre concederam a Sofonias seu devido lugar no cânon das Escrituras inspiradas. Suas declarações proferidas em nome de Jeová cumpriram-se de forma notável, para a vindicação de Jeová.

      CONTEÚDO DE SOFONIAS

      7. O que significará o grande dia de Jeová para seus inimigos?

      7 Está próximo o dia de Jeová (1:1-18). O livro começa com um tom de ruína. “‘Sem falta acabarei com tudo na superfície do solo’, é a pronunciação de Jeová.” (1:2) Nada escapará, quer do homem, quer do animal. Os adoradores de Baal, os sacerdotes de deuses estrangeiros, os que nos terraços adoram os céus, os que misturam a adoração de Jeová com a de Malcão, os que retrocedem de seguir a Jeová, e os que não se interessam em buscá-lo — todos têm de perecer. O profeta ordena: “Cala-te diante do Soberano Senhor Jeová; porque está próximo o dia de Jeová.” (1:7) O próprio Jeová preparou um sacrifício. Os príncipes, os violentos, os defraudadores e os indiferentes de coração — todos serão procurados. Suas riquezas e seus bens serão reduzidos a nada. O grande dia de Jeová está próximo! É “dia de fúria, dia de aflição e de angústia, dia de tempestade e de desolação, dia de escuridão e de trevas, dia de nuvens e de densas trevas”. O sangue dos que pecam contra Jeová será derramado como pó. “Nem a sua prata nem o seu ouro os poderá livrar no dia da fúria de Jeová.” O fogo do seu zelo devorará toda a terra. — 1:15, 18.

      8. (a) Como se pode encontrar proteção? (b) Que ais são proferidos contra as nações?

      8 Buscar a Jeová; as nações serão destruídas (2:1-15). Antes que aquele dia passe como a pragana, que os mansos ‘procurem a Jeová. Procurem a justiça, procurem a mansidão’, pois é possível que sejam “escondidos no dia da ira de Jeová”. (2:3) A pronunciação de Jeová continua, proferindo ai sobre a terra dos filisteus, que mais tarde se tornará “uma região para os remanescentes da casa de Judá”. As orgulhosas Moabe e Amom ficarão desoladas como Sodoma e Gomorra, “porque vituperaram e têm assumido ares de grandeza contra o povo de Jeová dos exércitos”. Seus deuses perecerão com eles. (2:7, 10) A “espada” de Jeová também matará os etíopes. Que dizer da Assíria, com sua capital Nínive, ao norte? Tornar-se-á um baldio desolado e morada de animais selváticos, sim, “um assombro”, de modo que “todo aquele que passar por ela assobiará” de espanto. — 2:12, 15.

      9. (a) Por que se diz ai de Jerusalém, e qual é a decisão judicial de Jeová quanto às nações? (b) Com que tom alegre termina a profecia?

      9 A rebelde Jerusalém é chamada a prestar contas; um restante humilde é abençoado (3:1-20). Ai, também, de Jerusalém, a cidade rebelde e opressiva! Seus príncipes, “leões bramidores”, e seus profetas, “homens de traição”, não confiaram em seu Deus, Jeová. Ele exigirá plena prestação de contas. Será que seus habitantes temerão a Jeová e aceitarão a disciplina? Não, pois agem “prontamente em fazer ruinosas todas as suas ações”. (3:3, 4, 7) É a decisão judicial de Jeová ajuntar as nações e derramar sobre elas toda a sua ira ardente, e toda a terra será devorada pelo fogo do seu zelo. Mas, há uma promessa maravilhosa! Jeová ‘dará aos povos a transformação para uma língua pura, para que todos eles invoquem o nome de Jeová, a fim de servi-lo ombro a ombro’. (3:9) Os exultantes altivos serão removidos, e um restante humilde que pratica a justiça achará refúgio no nome de Jeová. Gritos de júbilo, brados de aplauso, regozijo e exultação irrompem em Sião, pois Jeová, o Rei de Israel, está no seu meio. Não é tempo de ter medo ou de afrouxar as mãos, pois Jeová os salvará e exultará sobre eles em seu amor e alegria. “‘Pois farei que sejais um nome e um louvor entre todos os povos da terra, quando eu recolher os vossos cativos perante os vossos olhos’, disse Jeová.” — 3:20.

      POR QUE É PROVEITOSO

      10. De que proveito foi a profecia de Sofonias nos dias do Rei Josias?

      10 O Rei Josias, da sua parte, acatou a mensagem de aviso de Sofonias e tirou grande proveito dela. Empreendeu uma grande campanha de reforma religiosa. Isto também trouxe à luz o livro da Lei, que ficara perdido quando a casa de Jeová ficou abandonada. Josias sentiu-se pesaroso 3:18 ao ouvir sobre as conseqüências pela desobediência, que lhe foram lidas desse livro, o que confirmava pela boca de outra testemunha, Moisés, o que Sofonias vinha profetizando o tempo todo. Josias se humilhou então perante Deus, resultando em Jeová prometer-lhe que a predita destruição não ocorreria nos seus dias. (Deut., caps. 28-30; 2 Reis 22:8-20) O país fora poupado da calamidade! Mas não por muito tempo, pois os filhos de Josias não seguiram o bom exemplo que ele deixou. Contudo, para Josias e seu povo, prestarem atenção à “palavra de Jeová que veio a haver para Sofonias” revelou-se, deveras, muito proveitoso. — Sof. 1:1.

      11. (a) Como se harmoniza Sofonias com o Sermão do Monte e com a carta de Paulo aos hebreus em dar sólida admoestação? (b) Por que diz Sofonias: “Provavelmente sereis escondidos”?

      11 No seu famoso Sermão do Monte, Cristo Jesus, o maior profeta de Deus, confirmou que Sofonias era verdadeiro profeta de Deus ao proferir palavras notavelmente similares às do conselho de Sofonias no capítulo 2, versículo 3: “Procurai a Jeová, todos os mansos da terra . . . Procurai a justiça, procurai a mansidão.” A admoestação de Jesus foi: “Persisti, pois, em buscar primeiro o reino e a Sua justiça.” (Mat. 6:33) Os que buscam o Reino de Deus em primeiro lugar precisam guardar-se da indiferença contra a qual Sofonias advertiu quando falou sobre “os que retrocedem de seguir a Jeová e que não procuraram a Jeová e não o consultaram” e “que dizem no seu coração: ‘Jeová não fará o que é bom e não fará o que é mau’”. (Sof. 1:6, 12) Paulo, em sua carta aos hebreus, fala igualmente sobre um iminente dia de julgamento e adverte contra retroceder. Acrescenta: “Ora, nós não somos dos que retrocedem para a destruição, mas dos que têm fé para preservar viva a alma.” (Heb. 10:30, 37-39) Não é para os desistentes ou para os que não têm apreço, mas para os que mansa e zelosamente buscam a Jeová em fé que o profeta diz: “Provavelmente sereis escondidos no dia da ira de Jeová.” Por que “provavelmente”? Porque a derradeira salvação depende do proceder da pessoa. (Mat. 24:13) Constitui também um lembrete de que não podemos ter como garantida a misericórdia de Deus. A profecia de Sofonias não deixa dúvida quanto à repentinidade com que esse dia virá sobre os incautos. — Sof. 2:3; 1:14, 15; 3:8.

      12. Que base para coragem dá Sofonias para aqueles que ‘procuram a Jeová’?

      12 Aqui, pois, se acha uma mensagem que pressagia destruição para aqueles que pecam contra Jeová, mas que fornece brilhantes vislumbres de bênçãos para aqueles que, em arrependimento, ‘procuram a Jeová’. Tais arrependidos podem criar coragem, pois Sofonias diz: “O rei de Israel, Jeová, está no teu meio.” Não é tempo para Sião ter medo ou afrouxar as mãos em inatividade. É tempo de confiar em Jeová. “Sendo Poderoso, ele salvará. Exultará sobre ti com alegria. Ficará calado no seu amor. Rejubilará sobre ti com clamores felizes.” Felizes são também aqueles que ‘buscam primeiro o Seu reino’, aguardando com expectativa sua proteção amorosa e sua bênção eterna! — 3:15-17.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Cyclopedia de McClintock e Strong, Reimpressão de 1981, Vol. VII, página 112.

      b Lucian, traduzido para o inglês por A. M. Harmon, 1968, Vol. II, p. 443.

      c Jewish Antiquities, X, 181, 182 (ix, 7).

  • Livro bíblico número 37 — Ageu
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 37 — Ageu

      Escritor: Ageu

      Lugar da Escrita: Jerusalém

      Escrita Completada: 520 AEC

      Tempo Abrangido: 112 dias (520 AEC)

      1, 2. Que informações são dadas sobre o profeta Ageu, e qual foi sua mensagem dupla?

      AGEU era seu nome; profeta e “mensageiro de Jeová” era sua posição, mas qual era sua origem? (Ageu 1:13) Quem era ele? Ageu é o décimo dos chamados profetas menores, e foi o primeiro dos três que serviram depois que os judeus retornaram à sua terra natal em 537 AEC, sendo os outros dois Zacarias e Malaquias. O nome de Ageu (em hebraico, Hhag·gaí) significa “[Nascido Numa] Festividade.” it-T Isto talvez indique que nasceu num dia festivo.

      2 Segundo transmitido pela tradição judaica, é razoável concluir que Ageu nasceu em Babilônia, retornando a Jerusalém junto com Zorobabel e o sumo sacerdote Josué. Ageu serviu lado a lado com o profeta Zacarias, e em Esdras 5:1 e Esdras 6:14 os dois são descritos incentivando os filhos do exílio a reiniciar a construção do templo. Foi profeta de Jeová em dois sentidos, pois tanto exortou os judeus a cumprir com seus deveres para com Deus como também predisse, entre outras coisas, o tremor de todas as nações. — Ageu 2:6, 7.

      3. O que os judeus haviam deixado de cumprir quanto ao objetivo de seu retorno do exílio?

      3 Por que comissionou Jeová a Ageu? Pelo seguinte motivo: Em 537 AEC, Ciro havia emitido o decreto que permitia aos judeus retornar à sua terra natal para reconstruir a casa de Jeová. Mas já estavam em 520 AEC, e faltava muito para terminar o templo. Os judeus haviam permitido que, durante todos esses anos, a oposição dos inimigos, junto com sua própria apatia e seu materialismo, os impedissem de cumprir o próprio objetivo de seu retorno. — Esd. 1:1-4; 3:10-13; 4:1-24; Ageu 1:4.

      4. O que havia impedido a construção do templo, mas o que aconteceu quando Ageu começou a profetizar?

      4 Como mostra o registro, tão logo se lançou o alicerce do templo (em 536 AEC), “o povo da terra enfraquecia continuamente as mãos do povo de Judá e o desalentava com respeito à construção, e contratava conselheiros contra eles para frustrar seu conselho”. (Esd. 4:4, 5) Por fim, em 522 AEC, tais opositores não-judeus conseguiram paralisar a obra por meio duma proscrição oficial. Foi no segundo ano do reinado do rei persa Dario Histaspes, isto é, em 520 AEC, que Ageu começou a profetizar, e isto incentivou os judeus a reiniciar a construção do templo. Nisto, os governadores vizinhos enviaram uma carta a Dario, solicitando uma decisão sobre o assunto; Dario fez vigorar outra vez o decreto de Ciro e defendeu os judeus de seus inimigos.

      5. O que prova que o livro de Ageu pertence ao cânon da Bíblia?

      5 Nunca houve dúvida entre os judeus quanto à profecia de Ageu pertencer ao cânon hebraico, e isso também é apoiado pela referência a ele em Esdras 5:1, como tendo profetizado “em nome do Deus de Israel”, bem como em Esdras 6:14. O que prova que sua profecia faz parte de ‘toda a Escritura inspirada por Deus’ é que Paulo a cita em Hebreus 12:26: “Agora ele tem prometido, dizendo: ‘Ainda mais uma vez porei em comoção não só a terra, mas também o céu.’” — Ageu 2:6.

      6. Em que consiste a profecia de Ageu, e que ênfase é dada ao nome de Jeová?

      6 A profecia de Ageu consiste em quatro mensagens proferidas no decorrer de 112 dias. Seu estilo é simples e direto, e sua ênfase ao nome de Jeová é especialmente digna de nota. Em seus 38 versículos, ele menciona o nome de Jeová 35 vezes, 14 vezes na expressão “Jeová dos exércitos”. Não deixa dúvida de que sua mensagem procede de Jeová: “Ageu, o mensageiro de Jeová, prosseguiu dizendo ao povo de acordo com a comissão de mensageiro da parte de Jeová, dizendo: ‘“Eu estou convosco”, é a pronunciação de Jeová.’” — 1:13.

      7. O que incentivou Ageu os judeus a fazer, e qual foi o teor de sua mensagem?

      7 Este era um tempo muito importante na história do povo de Deus, e o trabalho de Ageu revelou-se muitíssimo proveitoso. Ele não hesitou nem um pouco em cumprir sua tarefa como profeta, e não usou de rodeios com os judeus. Foi direto ao dizer-lhes que já era tempo de pararem de procrastinar e hora de pôr mãos à obra. Era tempo de reconstruir a casa de Jeová e de restabelecer a adoração pura, se quisessem gozar de prosperidade às mãos de Jeová. O teor inteiro da mensagem de Ageu é que para se usufruir bênçãos da parte de Jeová, é preciso servir ao verdadeiro Deus e realizar a obra que Jeová ordena que seja feita.

      CONTEÚDO DE AGEU

      8. Por que os judeus não são abençoados em sentido material por Jeová?

      8 A primeira mensagem (1:1-15). Esta é dirigida ao governador Zorobabel e ao sumo sacerdote Josué, mas aos ouvidos do povo. O povo vem dizendo: “Não chegou o tempo, o tempo de se construir a casa de Jeová.” Jeová, mediante Ageu, faz uma pergunta esquadrinhadora: “É tempo de vós mesmos morardes nas vossas casas apaineladas enquanto esta casa está devastada?” (1:2, 4) Semearam muito em sentido material, mas isso lhes trouxe pouco benefício na forma de alimento, bebida e roupa. “Fixai vosso coração nos vossos caminhos”, admoesta Jeová. (1:7) Já é hora de trazer a madeira e construir a casa, para que Jeová seja glorificado. Os judeus cuidam bem de suas próprias casas, mas a casa de Jeová está devastada. Portanto, Jeová reteve o orvalho do céu e o aumento do campo e sua bênção sobre o homem e sua labuta.

      9. Como é que Jeová incita os judeus a pôr mãos à obra?

      9 Felizmente, eles entendem a questão! Ageu não profetizou em vão. Os governantes e o povo passam “a escutar a voz de Jeová, seu Deus”. O temor de Jeová substitui o temor do homem. A garantia de Jeová mediante seu mensageiro Ageu é: “Eu estou convosco.” (1:12, 13) É o próprio Jeová que incita o espírito do governador, o espírito do sumo sacerdote, e o espírito do restante do Seu povo. Põem mãos à obra apenas 23 dias depois de Ageu começar a profetizar, e isto apesar da proscrição oficial do governo persa. =

      10. O que acham alguns judeus a respeito do templo que estão construindo, mas o que promete Jeová?

      10 A segunda mensagem (2:1-9). Passa-se menos de um mês depois de reiniciada a construção, e Ageu profere sua segunda mensagem inspirada. Esta se dirige a Zorobabel, Josué, e ao restante do povo. Evidentemente, alguns dos judeus que retornaram do exílio e que tinham visto o templo anterior de Salomão achavam que este templo não seria nada em comparação com aquele. Mas qual é a pronunciação de Jeová dos exércitos? ‘Sejam fortes e trabalhem, pois eu estou convosco’. (2:4) Jeová os lembra do pacto que fez com eles, e lhes diz para não terem medo. Ele os fortalece com a promessa de que fará tremer2:7 todas as nações e fará entrar as coisas desejáveis delas, e encherá Sua casa de glória. A glória desta última casa será ainda maior do que a da anterior, e neste lugar ele dará a paz.

      11. (a) Por meio de que alegoria salienta Ageu a negligência dos sacerdotes? (b) O que resultou disso?

      11 A terceira mensagem (2:10-19). Dois meses e três dias depois, Ageu se dirige aos sacerdotes. Emprega uma alegoria para inculcar o ponto em questão. Será que um sacerdote que leva carne santa fará com que qualquer outro alimento que ele tocar se torne santo? A resposta é: “Não.” Será que alguém que toca em algo impuro, como um corpo morto, ficará impuro? A resposta é: “Sim.” Ageu faz então a aplicação da alegoria. O povo da terra é impuro por ter negligenciado a adoração pura. Qualquer coisa que ofereça parece impuro para Jeová Deus. Por isso Jeová não tem abençoado seus labores, e, além disso, tem enviado sobre eles calor abrasador, bolor e saraiva. Que mudem seus caminhos! Aí sim, Jeová os abençoará.

      12. Que mensagem final dirige Ageu a Zorobabel?

      12 A quarta mensagem (2:20-23). Ageu profere esta mensagem no mesmo dia da terceira mensagem, mas ela é dirigida a Zorobabel. Jeová fala novamente de fazer “tremer os céus e a terra”, mas desta vez estende este tema à completa aniquilação dos reinos das nações. Muitos virão abaixo, “cada um pela espada do seu irmão”. (2:21, 22) Ageu conclui sua profecia com uma garantia do favor de Jeová para com Zorobabel.

      POR QUE É PROVEITOSO

      13. De que proveito imediato foi a profecia de Ageu?

      13 As quatro mensagens de Jeová, transmitidas por meio de Ageu, foram de proveito para os judeus daqueles dias. Eles foram incentivados a pôr mãos à obra, e em quatro anos e meio o templo foi concluído para promover a adoração verdadeira em Israel. (Esd. 6:14, 15) Jeová abençoou sua atividade zelosa. Foi nessa época da construção do templo que Dario, o rei da Pérsia, examinou os registros estatais e confirmou o decreto de Ciro. A obra do templo foi, por conseguinte, completada com seu apoio oficial. — Esd. 6:1-13.

      14. Que sábio conselho fornece Ageu para os nossos dias?

      14 A profecia contém também sábio conselho para os nossos dias. De que modo? Antes de mais nada, frisa a necessidade de se colocar os interesses da adoração de Deus à frente dos interesses pessoais. (Ageu 1:2-8; Mat. 6:33) Salienta também que o egoísmo é autodestruidor, que é fútil buscar o materialismo; é a paz e a bênção de Jeová que enriquecem. (Ageu 1:9-11; 2:9; Pro. 10:22) Enfatiza também que o serviço prestado a Deus, em si mesmo, não torna a pessoa limpa, a menos que seja puro e de toda a alma, e não pode estar contaminado com conduta impura. (Ageu 2:10-14; Col. 3:23; Rom. 6:19) Mostra que os servos de Deus não precisam ser pessimistas, recordando “os bons tempos do passado”, mas devem olhar para a frente, ‘fixando o coração nos seus caminhos’ e procurando trazer glória a Jeová. Então Jeová estará com eles. — Ageu 2:3, 4; 1:7, 8, 13; Fil. 3:13, 14; Rom. 8:31.

      15. O que mostra o livro de Ageu quanto aos resultados da obediência zelosa?

      15 Uma vez que se ocuparam na obra do templo, os judeus foram favorecidos por Jeová e prosperaram. Os obstáculos desapareceram. A obra foi realizada a tempo. A atividade destemida e zelosa para Jeová sempre será recompensada. Dificuldades, reais ou imaginárias, podem ser superadas por se exercer corajosa fé. A obediência à “palavra de Jeová” produz resultados. — Ageu 1:1.

      16. Que relação tem a profecia de Ageu com a esperança do Reino, e a que serviço nos deve incitar hoje?

      16 Que dizer da profecia de que Jeová ‘fará tremer os céus e a terra’? O apóstolo Paulo faz a aplicação de Ageu 2:6 nas seguintes palavras: “Mas agora [Deus] tem prometido, dizendo: ‘Ainda mais uma vez porei em comoção não só a terra, mas também o céu.’ Ora, a expressão ‘ainda mais uma vez’ indica a remoção das coisas abaladas como coisas feitas, a fim de que permaneçam as coisas não abaladas. Em vista disso, sendo que havemos de receber um reino que não pode ser abalado, continuemos a ter benignidade imerecida, por intermédio da qual podemos prestar a Deus serviço sagrado aceitável, com temor piedoso e com espanto reverente. Porque o nosso Deus é também um fogo consumidor.” (Heb. 12:26-29) Ageu mostra que o fazer tremer se destina a “subverter o trono de reinos e aniquilar a força dos reinos das nações”. (Ageu 2:21, 22) Ao citar a profecia, Paulo fala, em contraste, sobre o Reino de Deus “que não pode ser abalado”. Ao contemplarmos esta esperança do Reino, sejamos, pois, ‘fortes e trabalhemos’, prestando serviço sagrado a Deus. Lembremo-nos também de que, antes de Jeová subverter as nações da terra, algo precioso tem de ser incitado a sair delas, para sobreviver: “‘Vou fazer tremer todas as nações, e terão de entrar as coisas desejáveis de todas as nações; e vou encher esta casa de glória’, disse Jeová dos exércitos.” — 2:4, 7.

  • Livro bíblico número 38 — Zacarias
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 38 — Zacarias

      Escritor: Zacarias

      Lugar da Escrita: Jerusalém

      Escrita Completada: 518 AEC

      Tempo Abrangido: 520–518 AEC

      1. Qual era a situação quanto ao templo em Jerusalém quando Zacarias começou a profetizar?

      TOTALMENTE parada! Essa era a condição em que se encontrava a construção do templo de Jeová em Jerusalém quando Zacarias começou a profetizar. Ao passo que Salomão construíra o templo original em 7 anos e meio (1 Reis 6:37, 38), os judeus repatriados já haviam retornado a Jerusalém há 17 anos e ainda faltava muito para terminar a construção. A obra finalmente havia parado por completo após a proscrição da parte de Artaxerxes (Bardiia ou Gaumata). Mas agora, apesar dessa proscrição oficial, a obra estava novamente em andamento. Jeová usava Ageu e Zacarias para incitar o povo a reiniciar a construção e a continuar até terminá-la. — Esd. 4:23, 24; 5:1, 2.

      2. Por que parecia gigantesca a tarefa, mas o que lhes trouxe à atenção Zacarias?

      2 A tarefa diante deles parecia gigantesca. (Zac. 4:6, 7) Eles eram poucos, os opositores eram muitos, e, embora tivessem um príncipe da linhagem davídica, Zorobabel, não tinham rei e se achavam sob domínio estrangeiro. Quão fácil era entregar-se a uma atitude fraca e egocêntrica, quando a ocasião exigia realmente forte fé e ação vigorosa! Zacarias foi usado para lhes trazer à atenção os propósitos presentes de Deus e até mesmo propósitos futuros ainda mais grandiosos, fortalecendo-os assim para a obra a ser feita. (8:9, 13) Não era tempo de serem como seus antepassados, que não tinham apreço. — 1:5, 6.

      3. (a) Como é Zacarias identificado, e por que é apropriado o nome dele? (b) Quando foi proferida e registrada a profecia de Zacarias?

      3 Quem era Zacarias? Há cerca de 30 pessoas mencionadas na Bíblia com o nome Zacarias. Contudo, o escritor do livro que leva este nome é identificado como “Zacarias, filho de Berequias, filho de Ido, o profeta”. (Zac. 1:1; Esd. 5:1; Nee. 12:12, 16) Seu nome (em hebraico, Zekhar·yáh) significa “Jeová Lembrou-se”. O livro de Zacarias torna bem claro que “Jeová dos exércitos” se lembra do Seu povo, para tratá-los bem por causa do Seu próprio nome. (Zac. 1:3) Pelas datas mencionadas no livro, ele abrange pelo menos dois anos. Foi no “oitavo mês, no segundo ano de Dario” (outubro/novembro de 520 AEC), que a construção do templo foi reiniciada e Zacarias começou a profetizar. (1:1) O livro também faz menção do “quarto dia do nono mês, quer dizer, em quisleu”, no “quarto ano de Dario” (por volta de 1.º de dezembro de 518 AEC). (7:1) Assim, a profecia de Zacarias seria, sem dúvida, proferida e também registrada durante os anos 520-518 AEC. — Esd. 4:24.

      4, 5. (a) Por que predisse Zacarias a queda de Tiro muito depois de Nabucodonosor ter sitiado a cidade? (b) O cumprimento de que profecias específicas prova convincentemente a inspiração do livro?

      4 Os que estudam o livro de Zacarias encontrarão ampla prova de sua autenticidade. Tome-se o caso de Tiro. Foi após um sítio de 13 anos que Nabucodonosor, rei de Babilônia, arruinou Tiro. Isto, porém, não significou o fim completo de Tiro. Zacarias, muitos anos depois, predisse a total destruição de Tiro. Era a cidade-ilha de Tiro que Alexandre Magno derrotou durante sua famosa proeza de construção dum aterro; ele a incendiou sem misericórdia, cumprindo assim a profecia de Zacarias de uns dois séculos antes.a — Zac. 9:2-4.

      5 Todavia, a prova mais convincente da inspiração divina do livro acha-se no cumprimento de suas profecias sobre o Messias, Cristo Jesus, como se pode ver ao comparar Zacarias 9:9 com Mateus 21:4, 5 e João 12:14-16; Zacarias 12:10 com João 19:34-37; e Zacarias 13:7 com Mateus 26:31 e Marcos 14:27. Há também as similaridades que devem ser notadas entre Zacarias 8:16 e Efésios 4:25; Zacarias 3:2 e Judas 9; e Zacarias 14:5 e Judas 14. A harmonia encontrada na Palavra de Deus é realmente maravilhosa!

      6. (a) Qual é a razão da mudança de estilo a partir do capítulo 9 de Zacarias? (b) Qual pode ser o motivo de Mateus se referir a Zacarias como “Jeremias”?

      6 Há certos críticos da Bíblia que dizem que a mudança no estilo do capítulo 9 em diante indica que essa seção não poderia ter sido escrita por Zacarias. Contudo, a mudança de estilo certamente não é tão grande que não possa ser justificada pela mudança de assunto. Enquanto os primeiros oito capítulos tratam de assuntos de importância mais presente para o povo dos dias de Zacarias, nos capítulos 9 a 14 o profeta aguarda com expectativa um futuro mais distante. Alguns têm perguntado por que é que Mateus cita Zacarias mas atribui suas palavras a Jeremias. (Mat. 27:9; Zac. 11:12) Pelo visto, Jeremias era às vezes considerado como o primeiro dos Profetas Posteriores (em vez de Isaías, como nas nossas Bíblias atuais); assim Mateus, ao referir-se a Zacarias como “Jeremias”, podia estar seguindo a prática judaica de incluir uma seção inteira da Escritura sob o nome do primeiro livro da seção. O próprio Jesus empregou a designação “Salmos” para incluir todos os livros conhecidos como os Escritos. — Luc. 24:44.b

      7. Como está organizado o livro de Zacarias?

      7 Até o capítulo 6, versículo 8, o livro consiste numa série de oito visões, similares no tipo às de Daniel e de Ezequiel, relacionando-se de modo geral com a reconstrução do templo. Estas são seguidas de pronunciações e profecias relativas à adoração sincera, à restauração e ao dia de guerra de Jeová.

      CONTEÚDO DE ZACARIAS

      8. O que mostra a visão dos quatro cavaleiros concernente a Jerusalém e às nações?

      8 Primeira visão: Os quatro cavaleiros (1:1-17). “Retornai a mim, . . . e eu retornarei a vós”, diz Jeová, e daí pergunta: ‘Minhas palavras e meus regulamentos que ordenei aos meus servos, os profetas, não alcançaram eles os vossos pais?’ (1:3, 6) O povo admite ter recebido o que merecia. Aparece, então, a primeira visão de Zacarias. À noite, quatro cavaleiros se colocam entre árvores perto de Jerusalém, tendo retornado depois de inspecionarem a terra inteira, que encontraram quieta e sossegada. Mas o anjo de Jeová, que os entrevista, está perturbado com a situação de Jerusalém. O próprio Jeová declara sua grande indignação contra as nações que contribuíram para a calamidade de Sião, e diz que ‘certamente retornará a Jerusalém com misericórdias’. Sua própria casa será construída nela, e suas cidades “ainda transbordarão de bondade”. — 1:16, 17.

      9. Como explica Jeová a visão dos chifres e dos artífices?

      9 Segunda visão: Os chifres e os artífices (1:18-21). Zacarias vê os quatro chifres que dispersaram Judá, Israel e Jerusalém. Daí, Jeová lhe mostra quatro artífices, explicando que estes virão para arremessar para baixo os chifres das nações que se opõem a Judá.

      10. Como está Jeová associado com a prosperidade de Jerusalém?

      10 Terceira visão: A prosperidade de Jerusalém (2:1-13). Vê-se um homem medindo Jerusalém. A cidade será abençoada com expansão, e Jeová será uma muralha de fogo em torno dela e uma glória no meio dela. Ele clama: “Eh, Sião! Escapa-te”, e acrescenta o aviso: “Aquele que toca em vós, toca no globo do meu olho.” (2:7, 8) Residindo Jeová no meio dela, Sião se alegrará, e muitas nações se juntarão a Jeová. Ordena-se a toda carne que se cale diante de Jeová, “porque ele despertou na sua santa habitação”. — 2:13.

      11. Como é o sumo sacerdote Josué vindicado, e que proceder é ele exortado a seguir?

      11 Quarta visão: Liberação de Josué (3:1-10). O sumo sacerdote Josué é visto em julgamento, Satanás opondo-se a ele e o anjo de Jeová censurando a Satanás. Não é Josué “um tição arrancado do fogo”? (3:2) Josué é declarado limpo, e suas vestes imundas são trocadas por “trajes de gala” limpos. É exortado a andar nos caminhos de Jeová, que está ‘trazendo seu servo Renovo’ e que põe diante de Josué uma pedra sobre a qual há sete olhos. — 3:4, 8.

      12. Que incentivo e garantia são dados quanto à construção do templo?

      12 Quinta visão: O candelabro e as oliveiras (4:1-14). O anjo desperta Zacarias para ver um candelabro de ouro com sete lâmpadas, havendo uma oliveira de cada lado. Ele ouve a seguinte palavra de Jeová a Zorobabel: ‘Não por força militar, nem por poder, mas pelo espírito de Deus.’ Um “grande monte” será nivelado diante de Zorobabel, e a pedra de remate do templo será produzida em meio à aclamação: “Quão encantadora! Quão encantadora!” Zorobabel lançou o alicerce do templo, e Zorobabel terminará a obra. As sete lâmpadas são os olhos de Jeová que “percorrem toda a terra”. (4:6, 7, 10) As duas oliveiras são os dois ungidos de Jeová.

      13-15. O que se vê nas visões do rolo voador, do efa e dos quatro carros?

      13 Sexta visão: O rolo voador (5:1-4). Zacarias vê um rolo voador, de uns 9 metros de comprimento e 4,5 metros de largura. O anjo explica que esta é a maldição que sai afora por causa de todos os que furtam e juram falsamente em nome de Jeová.

      14 Sétima visão: O efa (5:5-11). Levanta-se a tampa da medida de um efa (cerca de 22l), revelando uma mulher chamada “Iniqüidade”. Ela é lançada de novo para dentro do efa, que então é erguido em direção ao céu por duas mulheres com asas, para ser levado a Sinear (Babilônia) e ‘ali ser depositado sobre o seu devido lugar’. — 5:8, 11.

      15 Oitava visão: Os quatro carros (6:1-8). Eis que aparecem do meio de dois montes de cobre, quatro carros, com cavalos de cores diferentes. São os quatro espíritos dos céus. Ao comando do anjo, eles saem andando pela terra.

      16. O que é profetizado quanto ao “Renovo”?

      16 O Renovo; jejum insincero (6:9–7:14). Jeová instrui agora Zacarias a pôr uma grandiosa coroa sobre a cabeça do sumo sacerdote Josué. Fala profeticamente do “Renovo”, que construirá o templo de Jeová e governará como sacerdote no seu trono. — 6:12.

      17. Quanto à adoração, o que deseja Jeová, e o que resultou aos que resistiram às suas palavras?

      17 Dois anos depois de Zacarias começar a profetizar, chega de Betel uma delegação para perguntar aos sacerdotes do templo se certos períodos de pranto e jejum devem continuar a ser observados. Mediante Zacarias, Jeová pergunta ao povo e aos sacerdotes se eles são realmente sinceros no seu jejum. O que Jeová deseja é ‘obediência, verdadeira justiça, benevolência e misericórdias’. (7:7, 9) Visto que os judeus resistiram às suas palavras proféticas com ombros obstinados e corações de pedra de esmeril, ele os lançara tempestuosamente por todas as nações.

      18. Que gloriosas promessas de restauração faz Jeová?

      18 Restauração; “dez homens” (8:1-23). Jeová declara que retornará a Sião e residirá em Jerusalém, que será chamada de “cidade da veracidade”. Os idosos se sentarão nas praças públicas, e crianças brincarão ali. Isto não é difícil demais para Jeová, o Deus verdadeiro e justo! Jeová promete a semente de paz para o restante do seu povo, dizendo: “Não tenhais medo. Sejam fortes as vossas mãos.” (8:3, 13) Devem fazer as seguintes coisas: falar verazmente uns com os outros e julgar com verdade, guardando o coração das maquinações calamitosas e dos juramentos falsos. Ora, virá o tempo em que o povo de muitas cidades certamente convidará um ao outro a subir sinceramente para buscar a Jeová, e “dez homens” dentre todas as línguas “agarrarão . . . a aba da veste dum homem judeu” e acompanharão o povo de Deus. — 8:23.

      19. Que severos pronunciamentos se seguem, mas o que se diz concernente ao rei de Jerusalém?

      19 Pronunciamentos contra nações, falsos pastores (9:1–11:17). Na segunda seção do livro, capítulos 9 a 14, Zacarias passa de visões alegóricas para o estilo profético mais costumeiro. Inicia com um pronunciamento severo contra várias cidades, inclusive a rochosa cidade-ilha de Tiro. Diz-se a Jerusalém que brade em alegre triunfo, pois “eis que vem a ti o teu próprio rei. Ele é justo, sim, salvo; humilde, e montado num jumento”. (9:9) Decepando os carros e o arco de guerra, este falará de paz às nações, e dominará até os confins da terra. Jeová lutará pelo seu povo contra a Grécia, e os salvará. “Pois, quão grande é a sua bondade e quão grande é a sua formosura!” (9:17) Jeová, o Dador da chuva, condena os adivinhos e os falsos pastores. Fará a casa de Judá superior e os de Efraim como um homem poderoso. Quanto aos remidos, “seu coração jubilará em Jeová . . . e andarão em seu nome”. — 10:7, 12.

      20. Que símbolos são representados pelos bordões “Afabilidade” e “União”?

      20 Zacarias é então designado a pastorear o rebanho, que foi vendido para matança por pastores sem compaixão, que dizem: “Bendito seja Jeová, enquanto eu ganho riquezas.” (11:5) O profeta toma dois bordões e lhes dá o nome de “Afabilidade” e “União”. (11:7) Quebrando o bordão “Afabilidade”, simboliza um pacto rompido. Daí, pede seu salário, e eles lhe pesam 30 moedas de prata. Jeová manda que Zacarias lance isso na tesouraria, e, com superlativo sarcasmo, diz: “O valor majestoso com que fui avaliado.” (11:13) Agora o bordão “União” é retalhado, rompendo a fraternidade de Judá e Israel. Uma espada virá sobre os falsos pastores que negligenciaram as ovelhas de Jeová.

      21. (a) Qual é o julgamento de Jeová para os que lutam contra Jerusalém? (b) Que dispersão e refinamento são preditos?

      21 Jeová guerreia, torna-se rei (12:1–14:21). Começa outra pronúncia. Jeová fará de Jerusalém uma taça que causa tontura nos povos e uma pedra pesada que arranha os que a levantam. Ele aniquilará todas as nações que vêm contra Jerusalém. Sobre a casa de Davi, Jeová derramará o espírito de favor e de rogos, e o povo olhará para aquele a quem traspassaram, lamentando por ele “como no lamento por um filho único”. (12:10) Jeová dos exércitos declara o decepamento de todos os ídolos e falsos profetas; os próprios pais de tal deverão feri-lo, para que em vergonha ele remova sua roupa de profeta. O pastor associado de Jeová há de ser golpeado e o rebanho há de ser espalhado, mas Jeová refinará uma “terceira parte” para invocar o seu nome. Jeová dirá: “É meu povo”, e este responderá: “Jeová é meu Deus.” — 13:9.

      22. O que há de acontecer com as nações e com Jerusalém no “dia pertencente a Jeová”?

      22 “Eis que vem um dia pertencente a Jeová.” Todas as nações atacarão Jerusalém, e metade da cidade irá ao exílio, deixando para trás um restante. Então, Jeová sairá e guerreará contra tais nações, “como no dia em que guerreia, no dia da peleja”. (14:1, 3) O monte das oliveiras, a leste de Jerusalém, se fenderá do leste para o oeste, formando um vale para refúgio. Naquele dia, águas vivas fluirão de Jerusalém para o leste e para o oeste, no verão e no inverno, e “Jeová terá de tornar-se rei sobre toda a terra”. (14:9) Ao passo que Jerusalém goza de segurança, Jeová flagelará os que guerreiam contra ela. Estando eles em pé, apodrecer-lhes-ão a carne, os olhos e a língua. A confusão lhes sobrevirá. A mão de cada um se voltará contra a do seu próximo. Os que ficarem vivos de todas as nações terão de ‘subir de ano em ano para se curvarem diante do Rei, Jeová dos exércitos’. — 14:16.

      POR QUE É PROVEITOSO

      23. Em que sentido o registro de Zacarias fortalece a fé?

      23 Todos os que estudam a profecia de Zacarias e meditam nela tirarão proveito ao adquirirem conhecimento que fortalece a fé. Zacarias traz à atenção mais de 50 vezes “Jeová dos exércitos” como Aquele que luta pelo seu povo e o protege, conferindo-lhe poder segundo a necessidade. Quando uma oposição montanhesca ameaçou a conclusão da construção do templo, Zacarias declarou: “Esta é a palavra de Jeová a Zorobabel, dizendo: ‘“Não por força militar, nem por poder, mas por meu espírito”, disse Jeová dos exércitos. Quem és tu, ó grande monte? Diante de Zorobabel tornar-te-ás uma planície.’” O templo foi terminado com a ajuda do espírito de Jeová. Da mesma forma hoje, os obstáculos se desvanecerão se forem enfrentados com fé em Jeová. É assim como Jesus disse aos seus discípulos: “Se tiverdes fé do tamanho dum grão de mostarda, direis a este monte: ‘Transfere-te daqui para lá’, e ele se transferirá, e nada vos será impossível.” — Zac. 4:6, 7; Mat. 17:20.

      24. Que ilustração de lealdade se dá no capítulo 13 de Zacarias?

      24 No capítulo 13, versículos 2 a 6, Zacarias ilustra a lealdade que identifica a organização de Jeová até hoje. Esta tem de ultrapassar toda relação humana, tal como a de parentes chegados, de carne e sangue. Caso um parente chegado profetize falsidade em nome de Jeová, isto é, fale contrário à mensagem do Reino e procure erroneamente influenciar outros na congregação do povo de Deus, os membros da família dessa pessoa devem apoiar lealmente qualquer ação judicativa tomada pela congregação. A mesma posição deve ser assumida com respeito a qualquer associado íntimo que profetizar falsamente, para que este se sinta envergonhado e ferido no coração por causa de sua ação errada.

      25. Como se harmoniza a profecia de Zacarias com outros textos bíblicos em identificar o Messias, o “Renovo”, e sua posição como Sumo Sacerdote e Rei sob Jeová?

      25 Como mostraram nossos parágrafos introdutórios, a entrada de Jesus em Jerusalém como rei, “humilde, e montado num jumento”, ser ele traído por “trinta moedas de prata”, serem seus discípulos dispersos naquela ocasião, e ser ele traspassado na estaca pela lança dum soldado, tudo isto foi predito por Zacarias em pormenores precisos. (Zac. 9:9; 11:12; 13:7; 12:10) A profecia também cita o “Renovo” como construtor do templo de Jeová. Uma comparação de Isaías 11:1-10 com Jeremias 23:5 e Lucas 1:32, 33 indica que este é Jesus Cristo, que “reinará sobre a casa de Jacó para sempre”. Zacarias descreve o “Renovo” como um “sacerdote sobre o seu trono”, o que está em harmonia com as palavras do apóstolo Paulo: “Jesus . . . se tornou sumo sacerdote para sempre à maneira de Melquisedeque”, também: “Ele se assentou à direita do trono da Majestade nos céus.” (Zac. 6:12, 13; Heb. 6:20; 8:1) Assim, a profecia aponta para o “Renovo” como sendo Sumo Sacerdote e Rei à direita de Deus nos céus, enquanto, ao mesmo tempo, proclama a Jeová como Governante Soberano sobre todos: “E Jeová terá de tornar-se rei sobre toda a terra. Naquele dia Jeová mostrará ser um só e seu nome um só.” — Zac. 14:9.

      26. A que “dia” glorioso se refere Zacarias repetidas vezes?

      26 Referindo-se a esse tempo, o profeta repete a frase “naquele dia” umas 20 vezes, e até conclui com ela sua profecia. Um exame de suas muitas ocorrências indica que se trata do dia em que Jeová decepa os nomes dos ídolos e remove os falsos profetas. (13:2, 4) É o dia em que Jeová trava guerra com as nações agressoras e espalha confusão em suas fileiras à medida que as aniquila e fornece ‘o vale dos seus montes’ qual refúgio para seu próprio povo. (14:1-5, 13; 12:8, 9) Sim, “Jeová, seu Deus, os há de salvar naquele dia como o rebanho do seu povo”, e eles chamarão um ao outro enquanto debaixo da videira e debaixo da figueira. (Zac. 9:16; 3:10; Miq. 4:4) É o dia glorioso em que Jeová dos exércitos ‘residirá no meio’ do seu povo e em que “sairão de Jerusalém águas vivas”. Estas palavras de Zacarias identificam os acontecimentos ‘daquele dia’ como presságios de “um novo céu e uma nova terra” relacionados com a promessa do Reino. — Zac. 2:11; 14:8; Rev. 21:1-3; 22:1.

      27. De que modo a profecia de Zacarias focaliza a atenção na santificação do nome de Jeová?

      27 “Quem desprezou o dia das coisas pequenas?” pergunta Jeová. Eis que esta prosperidade abrangerá a terra inteira: ‘Muitos povos e poderosas nações virão realmente para procurar a Jeová dos exércitos em Jerusalém, e dez homens dentre todas as línguas das nações agarrarão a aba da veste dum homem judeu, dizendo: “Iremos convosco, pois ouvimos que Deus está convosco.”’ “Naquele dia”, até mesmo as sinetas do cavalo levarão as palavras: “A santidade pertence a Jeová!” É muitíssimo proveitoso considerar tais profecias acalentadoras, pois mostram que o nome de Jeová será deveras santificado por meio da Semente do seu Reino! — Zac. 4:10; 8:22, 23; 14:20.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 2, página 643; veja também “Tiro”.

      b Encyclopaedia Judaica, 1973, Vol. 4, col. 828; Estudo Perspicaz das Escrituras, “Escrituras Hebraicas”.

  • Livro bíblico número 39 — Malaquias
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 39 — Malaquias

      Escritor: Malaquias

      Lugar da Escrita: Jerusalém

      Escrita Completada: Depois de 443 AEC

      1. O que indica o zelo de Malaquias por Jeová?

      QUEM foi Malaquias? Não há um fato sequer registrado sobre sua linhagem ou história pessoal. Contudo, com base no teor de sua profecia, é bem evidente que era muitíssimo zeloso em sua devoção a Jeová Deus, defendendo Seu nome e Sua adoração pura, e que sentia grande indignação para com aqueles que professam servir a Deus, mas só servem a si mesmos. O nome de Jeová é mencionado 48 vezes nos quatro capítulos de sua profecia.

      2. O que possivelmente significa o nome de Malaquias, e, pelo visto, quando viveu ele?

      2 Seu nome em hebraico é Mal·ʼa·khí, que possivelmente significa “Meu Mensageiro”. As Escrituras Hebraicas, a Septuaginta, e a ordem cronológica dos livros colocam Malaquias em último lugar entre os 12 chamados profetas menores. Segundo a tradição da Grande Sinagoga, ele viveu depois dos profetas Ageu e Zacarias, e foi contemporâneo de Neemias.

      3. O que indica que a profecia de Malaquias foi escrita depois de 443 AEC?

      3 Quando foi escrita a profecia? Durante a administração de um governador, que a situa no tempo da restauração de Jerusalém após os 70 anos de desolação de Judá. (Mal. 1:8) Mas que governador? Visto que se menciona o serviço do templo, porém sem se referir à construção do templo, deve ter sido após o tempo do governador Zorobabel, em cujo mandato o templo foi completado. Só há mais um outro governador desse período mencionado nas Escrituras, e é Neemias. Enquadra-se a profecia no tempo de Neemias? Nada é declarado em Malaquias sobre a reconstrução de Jerusalém e de sua muralha, o que elimina a parte inicial do governo de Neemias. Contudo, fala-se muito dos abusos por parte do sacerdócio, ligando Malaquias com a situação existente quando Neemias veio pela segunda vez a Jerusalém, depois de Artaxerxes chamá-lo de volta a Babilônia em 443 AEC, o 32.º ano do reinado do rei. (Mal. 2:1; Nee. 13:6) Passagens similares encontradas em Malaquias e Neemias indicam que a profecia se aplica a este período específico. — Mal. 2:4-8, 11, 12—Nee. 13:11, 15, 23-26; Mal. 3:8-10—Nee. 13:10-12.

      4. O que prova que o livro de Malaquias é autêntico e inspirado?

      4 O livro de Malaquias sempre foi aceito pelos judeus como autêntico. Citações dele nas Escrituras Gregas Cristãs, muitas das quais mostram cumprimentos de sua profecia, provam que Malaquias foi inspirado e faz parte do cânon das Escrituras Hebraicas que era reconhecido pela congregação cristã. — Mal. 1:2, 3—Rom. 9:13; Mal. 3:1—Mat. 11:10; Luc. 1:76 e 7:27; Mal. 4:5, 6—Mat. 11:14 e 17:10-13, Mar. 9:11-13 e Luc. 1:17.

      5. Que condição espiritual baixa motivou a profecia de Malaquias?

      5 A profecia de Malaquias indica que o zelo e o entusiasmo religioso suscitado pelos profetas Ageu e Zacarias por ocasião da reconstrução do templo havia passado. Os sacerdotes haviam ficado desleixados, orgulhosos e autojustos. Os serviços do templo se haviam tornado uma simulação. Os dízimos e as ofertas haviam declinado em virtude dum sentimento de que Deus não estava interessado em Israel. As esperanças centralizadas em Zorobabel não haviam sido realizadas, e, contrário a certas expectativas, o Messias não viera. A condição espiritual dos judeus se achava num nível muito baixo. Que base havia para encorajamento e esperança? Como se poderia fazer com que o povo se apercebesse de sua verdadeira condição, e fosse despertado para retornar à justiça? A profecia de Malaquias fornecia a resposta.

      6. Qual é o estilo de Malaquias escrever?

      6 O estilo de Malaquias escrever é direto e vigoroso. Primeiro faz a proposição e depois responde às objeções daqueles a quem se dirige. Por fim, reafirma sua proposição original. Isto acrescenta força e vida ao seu argumento. Em vez de atingir culminâncias de eloqüência, emprega um estilo abrupto, fortemente argumentativo.

      CONTEÚDO DE MALAQUIAS

      7. Que amor e ódio expressa Jeová?

      7 O mandamento de Jeová aos sacerdotes (1:1–2:17). Jeová expressa primeiro seu amor por seu povo. Amou a Jacó e odiou a Esaú. Que Edom tente construir seus lugares devastados; Jeová os derrubará e serão chamados de “território da iniqüidade”, o povo que Jeová verberou, pois Jeová será ‘magnificado sobre o território de Israel’. — 1:4, 5.

      8. De que modo os sacerdotes poluíram a mesa de Jeová, e por que lhes sobrevirá uma maldição?

      8 Jeová se dirige então diretamente aos ‘sacerdotes que desprezam Seu nome’. Ao passo que estes procuram justificar-se, Jeová aponta para seus sacrifícios de animais cegos, coxos e doentes, e pergunta: Será que até mesmo o governador aprovará tais ofertas? O próprio Jeová não se agrada delas. Seu nome tem de ser exaltado entre as nações, mas estes homens o estão profanando por dizer: “A mesa de Jeová é algo poluído.” Uma maldição lhes sobrevirá, porque ardilosamente puseram de lado seus votos, oferecendo sacrifícios sem valor. “‘Pois eu sou um grande Rei’, disse Jeová dos exércitos, ‘e meu nome inspirará temor entre as nações’.” — 1:6, 12, 14.

      9. Em que falharam os sacerdotes, e como profanaram eles a santidade de Jeová?

      9 Jeová dá então um mandamento aos sacerdotes, dizendo que se não tomarem a peito este conselho, ele enviará a maldição sobre eles e sobre suas bênçãos. Espalhará o esterco de suas festividades no rosto deles por deixarem de guardar o pacto de Levi. “Pois, são os lábios do sacerdote que devem guardar o conhecimento e da sua boca devem as pessoas procurar a lei; porque ele é o mensageiro de Jeová dos exércitos.” (2:7) Malaquias confessa o grande pecado de Israel e de Judá. Agiram traiçoeiramente um com o outro e profanaram a santidade de Jeová, seu Pai e Criador, por tomarem a filha de um deus estrangeiro como noiva. Foram ao extremo de fatigar a Jeová. Chegaram até a perguntar: “Onde está o Deus da justiça?” — 2:17.

      10. Para executar que obra de julgamento vem o Senhor ao seu templo?

      10 O verdadeiro Senhor e o mensageiro (3:1-18). A profecia atinge então um clímax nas palavras de “Jeová dos exércitos”: “Eis que envio o meu mensageiro e ele terá de desobstruir o caminho diante de mim. E repentinamente virá ao Seu templo o verdadeiro Senhor, a quem procurais, e o mensageiro do pacto, em quem vos agradais. Eis que virá certamente.” (3:1) Qual refinador, Ele purificará os filhos de Levi e se tornará testemunha veloz contra os iníquos que não O temeram. Jeová não muda, e, porque são filhos de Jacó, retornará misericordiosamente a eles, se eles retornarem a ele.

      11. Como devem eles agora experimentar a Deus, e que bênçãos se seguirão?

      11 Eles vêm roubando a Deus, mas que agora o experimentem por trazerem seus dízimos à casa do depósito para que haja alimento em Sua casa, confiantes de que ele derramará das comportas dos céus a própria plenitude de sua bênção. Tornar-se-ão uma terra de agrado e serão declarados felizes por todas as nações. Aqueles que temem a Jeová têm falado um ao outro, e Jeová tem prestado atenção e escutado. “E começou-se a escrever perante ele um livro de recordação para os que temiam a Jeová e para os que pensavam no seu nome.” (3:16) Hão de tornar-se de Jeová no dia de ele produzir uma propriedade especial.

      12. O que se promete relativo ao atemorizante dia de Jeová?

      12 O grande e atemorizante dia de Jeová (4:1-6). Este é o vindouro dia que devorará os iníquos, sem deixar nem raiz nem galho. Mas o sol da justiça brilhará para os que temem o nome de Jeová, e serão curados. Jeová os admoesta a lembrar-se da Lei de Moisés. Antes do seu grande e atemorizante dia, Jeová promete enviar Elias, o profeta. “E ele terá de voltar o coração dos pais para os filhos e o coração dos filhos para os pais; para que eu não venha e realmente golpeie a terra, devotando-a à destruição.” — 4:6.

      POR QUE É PROVEITOSO

      13. O que tem Malaquias a dizer sobre (a) a misericórdia e o amor de Jeová? (b) a responsabilidade dos instrutores da Palavra de Deus? (c) aqueles que violam as leis e os princípios de Deus?

      13 O livro de Malaquias ajuda a entender os imutáveis princípios e o amor misericordioso de Jeová Deus. Já de início, frisa o grande amor de Jeová por seu povo “Jacó”. Ele declarou aos filhos de Jacó: “Eu sou Jeová; não mudei.” Apesar da grande iniqüidade deles, estava pronto para retornar ao seu povo, se este retornasse a ele. Deveras, que Deus misericordioso! (Mal. 1:2; 3:6, 7; Rom. 11:28; Êxo. 34:6, 7) Jeová enfatizou, por meio de Malaquias, que os lábios dum sacerdote “devem guardar o conhecimento”. Todos os que são incumbidos de ensinar a Palavra de Deus devem dar atenção a este ponto, certificando-se de que estejam transmitindo conhecimento exato. (Mal. 2:7; Fil. 1:9-11; compare com Tiago 3:1.) Jeová não tolera hipócritas, os que pretendem que ‘fazer o mal é bom aos olhos de Jeová’. Ninguém deve pensar que pode enganar a Jeová por meramente simular uma oferta a este grande Rei. (Mal. 2:17; 1:14; Col. 3:23, 24) Jeová será testemunha veloz contra todos os que violam suas leis e seus princípios justos; ninguém pode esperar agir iniquamente e safar-se disto. Jeová os julgará. (Mal. 3:5; Heb. 10:30, 31) Os justos podem ter plena certeza de que Jeová se lembrará de seus atos e os recompensará. Devem prestar atenção à Lei de Moisés, assim como Jesus fez, pois contém muitas coisas que se cumprem nele. — Mal. 3:16; 4:4; Luc. 24:44, 45.

      14. (a) Para que, em especial, aponta Malaquias no futuro? (b) Como se cumpriu Malaquias 3:1 no primeiro século EC?

      14 Como último livro das inspiradas Escrituras Hebraicas, Malaquias aponta para eventos futuros que cercam a vinda do Messias, cujo aparecimento mais de quatro séculos depois motivou a escrita das Escrituras Gregas Cristãs. Conforme registrado em Malaquias 3:1, Jeová dos exércitos disse: “Eis que envio o meu mensageiro e ele terá de desobstruir o caminho diante de mim.” Falando sob inspiração, o idoso Zacarias mostrou que isto teve cumprimento em seu filho, João, o Batizador. (Luc. 1:76) Jesus Cristo confirmou isso, declarando ao mesmo tempo em que citou essa profecia: “Não se levantou ninguém maior do que João Batista; mas aquele que é menor no reino dos céus é maior do que ele.” João fora enviado, conforme predito por Malaquias, para ‘preparar o caminho’, de modo que não estava entre aqueles com quem Jesus fez mais tarde o pacto para um Reino. — Mat. 11:7-12; Luc. 7:27, 28; 22:28-30.

      15. Quem é o “Elias” da profecia de Malaquias?

      15 Então, em Malaquias 4:5, 6, Jeová prometeu: “Eis que vos envio Elias, o profeta.” Quem é este “Elias”? Tanto Jesus como o anjo que apareceu a Zacarias aplicam estas palavras a João, o Batizador, indicando que ele era aquele que havia de ‘restabelecer todas as coisas’ e “aprontar para Jeová um povo preparado” para receber o Messias. Contudo, Malaquias diz também que “Elias” é o precursor do “grande e atemorizante dia de Jeová”, indicando assim um cumprimento ainda futuro num dia de julgamento. — Mat. 17:11; Luc. 1:17; Mat. 11:14; Mar. 9:12.

      16. Para que dia bendito aponta Malaquias no futuro, e que caloroso incentivo dá ele?

      16 Na expectativa daquele dia, Jeová dos exércitos diz: “Meu nome será grande entre as nações desde o nascente do sol até o seu poente. . . . Pois eu sou um grande Rei, . . . e meu nome inspirará temor entre as nações.” Realmente atemorizante! Pois ‘o dia arderá como fornalha, e todos os presunçosos e todos os que praticam a iniqüidade terão de tornar-se como restolho’. Todavia, felizes são aqueles que temem o nome de Jeová, pois para eles “há de brilhar o sol da justiça, com cura nas suas asas”. Isto enfoca o tempo feliz quando os obedientes da família humana serão completamente curados — espiritual, emocional, mental e fisicamente. (Rev. 21:3, 4) Apontando para esse glorioso e bendito dia no futuro, Malaquias nos incentiva a trazer de todo o coração as nossas ofertas à casa de Jeová: “‘Experimentai-me, por favor, neste respeito’, disse Jeová dos exércitos, ‘se eu não vos abrir as comportas dos céus e realmente despejar sobre vós uma bênção até que não haja mais necessidade.’” — Mal. 1:11, 14; 4:1, 2; 3:10.

      17. As advertências de Malaquias são temperadas com que exortação ao otimismo?

      17 Embora continue a advertir sobre ‘devotar a terra à destruição’, este último livro dos Profetas exorta ao otimismo e ao regozijo em harmonia com as palavras de Jeová ao seu povo: “Todas as nações terão de declarar-vos felizes, porque vós mesmos vos tornareis uma terra de agrado.” — 4:6; 3:12.

  • Livro bíblico número 40 — Mateus
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 40 — Mateus

      Escritor: Mateus

      Lugar da Escrita: Palestina

      Escrita Completada: c. 41 EC

      Tempo Abrangido: 2 AEC–33 EC

      1. (a) Que promessa apresenta Jeová à humanidade desde o Éden? (b) Como se estabeleceu firmemente entre os judeus a esperança no Messias?

      DESDE o tempo da rebelião no Éden, Jeová apresenta à humanidade a confortadora promessa de que proverá, por meio da Semente de sua “mulher”, de libertação todos os que amam a justiça. Propôs-se a produzir esta Semente, ou Messias, através da nação de Israel. Com o passar dos séculos, fez com que dezenas de profecias fossem registradas por meio dos inspirados escritores hebreus, indicando que a Semente seria Governante no Reino de Deus e que agiria para santificar o nome de Jeová, livrando-o para sempre do vitupério que se acumulou sobre ele. Esses profetas forneceram muitos pormenores sobre este que seria o vindicador de Jeová e que traria a libertação do medo, da opressão, do pecado e da morte. Ao se completarem as Escrituras Hebraicas, a esperança no Messias se estabeleceu firmemente entre os judeus.

      2. Ao surgir o Messias, de que modo eram ideais as circunstâncias para a difusão das boas novas?

      2 No ínterim, o cenário do mundo havia sofrido mudanças. Deus manobrara as nações em preparação para o surgimento do Messias, e as circunstâncias eram ideais para a difusão das novas desse evento em toda a parte. A quinta potência mundial, a Grécia, proporcionara uma língua comum, um meio de comunicação universal entre as nações. Roma, a sexta potência mundial, unira suas nações vassalas num só império mundial e abrira estradas para que todas as partes do império fossem acessíveis. Muitos judeus haviam sido espalhados por todo este império, de modo que outros ficaram sabendo da expectativa dos judeus de um vindouro Messias. E agora, mais de 4.000 anos depois da promessa edênica, o Messias aparecera! Viera a Semente prometida, há muito aguardada! Desenvolveram-se os eventos mais importantes até então na história da humanidade, ao passo que o Messias cumpria fielmente a vontade de seu Pai aqui na terra.

      3. (a) Que provisão fez Jeová para registrar os pormenores da vida de Jesus? (b) O que distingue cada um dos Evangelhos, e por que todos os quatro são necessários?

      3 Era novamente tempo de se fazerem escritos inspirados para registrar estes acontecimentos momentosos. O espírito de Jeová inspirou quatro homens fiéis a escrever relatos independentes, provendo assim um testemunho quádruplo de que Jesus era o Messias, a Semente e o Rei prometidos, e fornecendo pormenores sobre sua vida, seu ministério, sua morte e sua ressurreição. Tais relatos são chamados Evangelhos, sendo que a palavra “evangelho” significa “boas novas”. Embora os quatro sejam paralelos e não raro abranjam os mesmos incidentes, não são absolutamente meras cópias uns dos outros. Os primeiros três Evangelhos são muitas vezes chamados de sinópticos, que significa “similar ponto de vista”, visto que adotam um enfoque similar ao narrar a vida de Jesus na terra. Mas cada um dos quatro escritores — Mateus, Marcos, Lucas e João — conta sua própria história do Cristo. Cada um tem seu próprio tema e objetivo específicos, reflete sua própria personalidade, e tem em mente seus leitores imediatos. Quanto mais examinamos seus escritos, mais apreciamos as características distintivas de cada um, e que estes quatro livros inspirados da Bíblia formam narrativas independentes, complementares e harmoniosas da vida de Jesus Cristo.

      4. O que se sabe sobre o escritor do primeiro Evangelho?

      4 O primeiro a escrever as boas novas a respeito de Cristo foi Mateus. Seu nome é provavelmente uma forma abreviada do hebraico “Mattithiah”, que significa “Dádiva de Jeová”. Ele foi um dos 12 apóstolos escolhidos por Jesus. Durante o tempo em que o Amo viajou através da terra da Palestina, pregando e ensinando sobre o Reino de Deus, Mateus gozou duma relação achegada e íntima com ele. Antes de se tornar discípulo de Jesus, Mateus era cobrador de impostos, ocupação que os judeus abominavam completamente, visto ser um lembrete constante para eles de que não mais eram livres, mas estavam sob o domínio da Roma imperial. Mateus também era conhecido por Levi, e era filho de Alfeu. Aceitou prontamente o convite de Jesus de o seguir. — Mat. 9:9; Mar. 2:14; Luc. 5:27-32.

      5. Como é Mateus firmado qual escritor do primeiro Evangelho?

      5 Embora o Evangelho atribuído a Mateus não o mencione como escritor, o testemunho sobrepujante dos primitivos historiadores da igreja o qualificam como tal. Talvez não haja livro antigo cujo escritor tenha sido mais clara e unanimemente firmado do que o livro de Mateus. Desde Pápias, de Hierápolis (início do segundo século EC), em diante, temos uma série de testemunhas primitivas de que Mateus escreveu este Evangelho e de que este é parte autêntica da Palavra de Deus. A Cyclopedia de McClintock e Strong declara: “Passagens de Mateus são citadas por Justino, o Mártir, pelo autor da carta a Diogneto (veja-se Justin Martyr, de Otto, vol. ii), por Hegesipo, Irineu, Taciano, Atenágoras, Teófilo, Clemente, Tertuliano e Orígenes. Não é meramente pelo assunto, mas pela forma das citações, pelo apelo calmo como se fosse à autoridade estabelecida, pela ausência de qualquer sinal de dúvida, que consideramos provado que o livro que possuímos não foi objeto de alguma mudança súbita.”a O fato de Mateus ser apóstolo e, como tal, ter o espírito de Deus sobre si, assegura que aquilo que escreveu seria um registro fiel.

      6, 7. (a) Quando e em que idioma foi o Evangelho de Mateus escrito primeiro? (b) O que indica que foi escrito primariamente para os judeus? (c) Quantas vezes contém a Tradução do Novo Mundo o nome Jeová neste Evangelho, e por quê?

      6 Mateus escreveu seu relato na Palestina. Desconhece-se o ano exato, mas as subscrições no fim de alguns manuscritos (todos posteriores ao décimo século EC) afirmam ter sido em 41 EC. Há evidências que indicam que Mateus escreveu originalmente seu Evangelho no hebraico popular da época e mais tarde o traduziu para o grego. Jerônimo, em sua obra De viris inlustribus (Sobre os Varões Ilustres), capítulo III, diz: “Mateus, também chamado Levi, e que de publicano se tornou apóstolo, primeiro produziu um Evangelho de Cristo na Judéia, na língua e nos caracteres hebraicos, para o benefício dos da circuncisão que haviam crido.”b Jerônimo acrescenta que o texto hebraico deste Evangelho foi preservado nos seus dias (quarto e quinto séculos EC) na biblioteca que Pânfilo colecionara em Cesaréia.

      7 No início do terceiro século, Orígenes, ao considerar os Evangelhos, é citado por Eusébio como dizendo que o “primeiro foi escrito . . . segundo Mateus, . . . que o publicou para aqueles que do judaísmo vieram a crer, estando escrito no idioma hebraico”.c Que foi escrito tendo em mente primariamente os judeus, é indicado por sua genealogia, que apresenta a linhagem legal de Jesus, a começar com Abraão, e por suas muitas referências às Escrituras Hebraicas, mostrando que apontavam para o vindouro Messias. É razoável crer que Mateus usou o nome divino Jeová na forma do Tetragrama ao citar partes das Escrituras Hebraicas que continham o nome. É por isso que na Tradução do Novo Mundo o livro de Mateus contém o nome Jeová 18 vezes, assim como a versão hebraica de Mateus produzida originalmente por F. Delitzsch no século 19. Mateus teria tido a mesma atitude de Jesus para com o nome divino e não se teria restringido por uma superstição judaica prevalecente quanto a não usar tal nome. — Mat. 6:9; João 17:6, 26.

      8. Como se reflete no conteúdo do seu Evangelho ter sido Mateus um cobrador de impostos?

      8 Visto que Mateus fora cobrador de impostos, era natural que fosse explícito ao mencionar dinheiro, números e valores. (Mat. 17:27; 26:15; 27:3) Ele apreciava profundamente a misericórdia de Deus ao permitir que ele, um desprezado cobrador de impostos, se tornasse ministro das boas novas e associado íntimo de Jesus. Portanto, notamos que Mateus é o único dentre os escritores dos Evangelhos que nos informa da repetida insistência de Jesus de que se requer misericórdia além de sacrifício. (9:9-13; 12:7; 18:21-35) Mateus foi grandemente encorajado pela benignidade imerecida de Jeová e registra apropriadamente algumas das mais reconfortantes palavras proferidas por Jesus: “Vinde a mim, todos os que estais labutando e que estais sobrecarregados, e eu vos reanimarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, pois sou de temperamento brando e humilde de coração, e achareis revigoramento para as vossas almas. Pois o meu jugo é benévolo e minha carga é leve.” (11:28-30) Quão reanimadoras foram essas palavras ternas para este ex-cobrador de impostos, contra quem, sem dúvida, seus compatriotas não haviam dirigido outra coisa senão insultos!

      9. Que tema e estilo de apresentação caracterizam Mateus?

      9 Mateus salientou especialmente que o tema do ensino de Jesus era “o reino dos céus”. (4:17) Para ele, Jesus era o Pregador-Rei. Usou com tanta freqüência o termo “reino” (mais de 50 vezes), que seu Evangelho poderia ser chamado de o Evangelho do Reino. Mateus se preocupou mais com a apresentação lógica dos discursos e dos sermões públicos de Jesus do que com a seqüência estritamente cronológica. Quanto aos primeiros 18 capítulos, o destaque que Mateus dá ao tema do Reino levou-o a desviar-se duma ordem cronológica. Contudo, os últimos dez capítulos (19 a 28) seguem em geral uma seqüência cronológica, bem como continuam salientando o Reino.

      10. Quanto do conteúdo se encontra só em Mateus, e que período abrange o Evangelho?

      10 Quarenta e dois por cento do relato do Evangelho de Mateus não se encontra em nenhum dos outros três Evangelhos.d Isto inclui pelo menos dez parábolas ou ilustrações: o joio no campo (13:24-30), o tesouro escondido (13:44), a pérola de grande valor (13:45, 46), a rede de arrasto (13:47-50), o escravo que não mostrou misericórdia (18:23-35), os trabalhadores e o denário (20:1-16), o pai e os dois filhos (21:28-32), o casamento do filho do rei (22:1-14), as dez virgens (25:1-13) e os talentos (25:14-30). Ao todo, o livro fornece o relato desde o nascimento de Jesus, em 2 AEC, até sua reunião com os discípulos pouco antes da sua ascensão, em 33 EC.

      CONTEÚDO DE MATEUS

      11. (a) Como começa logicamente o Evangelho, e que eventos iniciais são relatados? (b) Quais são alguns dos cumprimentos proféticos que Mateus traz à nossa atenção?

      11 Apresentação de Jesus e das novas do “reino dos céus” (1:1–4:25). Logicamente, Mateus inicia com a genealogia de Jesus, provando o direito legal de Jesus qual herdeiro de Abraão e de Davi. A atenção do leitor judeu é assim atraída. Daí, lemos o relato da concepção milagrosa de Jesus, seu nascimento em Belém, a visita dos astrólogos, a fúria de Herodes ao matar todos os meninos em Belém com menos de dois anos, a fuga de José e Maria para o Egito com a criancinha, e seu subseqüente retorno para residir em Nazaré. Mateus tem o cuidado de trazer à atenção o cumprimento de profecias para provar que Jesus é o predito Messias. — Mat. 1:23—Isa. 7:14; Mat. 2:1-6—Miq. 5:2; Mat. 2:13-18—Osé. 11:1 e Jer. 31:15; Mat. 2:23—Isa. 11:1, nota.

      12. O que ocorre no batismo de Jesus e imediatamente após?

      12 O relato de Mateus dá então um salto no tempo de quase 30 anos. João, o Batizador, prega no ermo da Judéia: “Arrependei-vos, pois o reino dos céus se tem aproximado.” (Mat. 3:2) Ele batiza os judeus arrependidos no rio Jordão e adverte os fariseus e os saduceus sobre o vindouro furor. Jesus vem da Galiléia e é batizado. Imediatamente, o espírito de Deus desce sobre ele, e uma voz dos céus diz: “Este é meu Filho, o amado, a quem tenho aprovado.” (3:17) Jesus é então conduzido ao ermo, onde, depois de jejuar por 40 dias, é tentado por Satanás, o Diabo. Repele a Satanás três vezes por citar a Palavra de Deus, dizendo por fim: “Vai-te, Satanás! Pois está escrito: ‘É a Jeová, teu Deus, que tens de adorar e é somente a ele que tens de prestar serviço sagrado.’” — 4:10.

      13. Que eletrizante campanha se realiza então na Galiléia?

      13 “Arrependei-vos, pois o reino dos céus se tem aproximado.” Estas palavras eletrizantes são agora proclamadas na Galiléia pelo ungido Jesus. Ele convida quatro pescadores a deixar suas redes para segui-lo e tornar-se “pescadores de homens”, e viaja com eles por “toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas deles e pregando as boas novas do reino, e curando toda sorte de moléstias e toda sorte de enfermidades entre o povo”. — 4:17, 19, 23.

      14. Em seu Sermão do Monte, sobre que felicidades fala Jesus, e o que diz ele sobre a justiça?

      14 O Sermão do Monte (5:1–7:29). À medida que multidões começam a segui-lo, Jesus sobe num monte, senta-se e começa a ensinar seus discípulos. Inicia este emocionante discurso com nove ‘felicidades’: felizes os cônscios de sua necessidade espiritual, aqueles que pranteiam, os de temperamento brando, os famintos e os sedentos da justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os pacíficos, os perseguidos por causa da justiça e os que são vítimas de vitupérios e mentiras. “Alegrai-vos e pulai de alegria, porque sua recompensa é grande nos céus.” Chama seus discípulos de “sal da terra” e de “luz do mundo”, e explica a justiça, tão diferente do formalismo dos escribas e dos fariseus, que é requerida para se entrar no Reino dos céus. “Tendes de ser perfeitos, assim como o vosso Pai celestial é perfeito.” — 5:12-14, 48.

      15. O que tem Jesus a dizer sobre a oração e sobre o Reino?

      15 Jesus adverte contra dádivas e orações hipócritas. Ensina seus discípulos a orar pela santificação do nome do Pai, pela vinda do Seu Reino e pelo sustento diário. No transcorrer do inteiro sermão, Jesus mantém em foco o Reino. Acautela os que o seguem para que não se preocupem e nem trabalhem apenas pelas riquezas materiais, pois o Pai conhece suas necessidades reais. “Persisti, pois”, diz ele, “em buscar primeiro o reino e Sua justiça, e todas estas outras coisas vos serão acrescentadas”. — 6:33.

      16. (a) Qual é o conselho de Jesus sobre relações com outros, e o que diz ele sobre aqueles que obedecem à vontade de Deus e os que não o fazem? (b) Que efeito tem seu sermão?

      16 O Amo dá conselhos sobre relações com outros, dizendo: “Todas as coisas, portanto, que quereis que os homens vos façam, vós também tendes de fazer do mesmo modo a eles.” Os poucos que encontram a estrada da vida serão os que fazem a vontade de seu Pai. Os obreiros do que é contra a lei serão conhecidos pelos seus frutos e serão rejeitados. Jesus compara aquele que obedece às suas palavras ao “homem discreto, que construiu a sua casa sobre a rocha”. Que efeito tem este discurso sobre as multidões que o ouvem? Ficam “assombradas com o seu modo de ensinar”, pois ele ensina ‘como quem tem autoridade, e não como seus escribas’. — 7:12, 24-29.

      17. Como mostra Jesus sua autoridade qual Messias, e que preocupação amorosa expressa ele?

      17 Expansão da pregação do Reino (8:1–11:30). Jesus realiza muitos milagres — cura leprosos, paralíticos e possessos de demônios. Demonstra até mesmo autoridade sobre o vento e as ondas por acalmar uma tempestade, e ressuscita uma menina. Quanta compaixão sente Jesus pelas multidões, ao ver como são esfoladas e lançadas de um lado para outro, “como ovelhas sem pastor”! Por isso ele diz aos seus discípulos: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, rogai ao Senhor da colheita que mande trabalhadores para a sua colheita.” — 9:36-38.

      18. (a) Que instrução e admoestação dá Jesus ao seus apóstolos? (b) Por que ai desta “geração”?

      18 Jesus escolhe e comissiona os 12 apóstolos. Dá-lhes instruções definidas sobre como efetuar seu trabalho e enfatiza a doutrina central do seu ensinamento: “Ao irdes, pregai, dizendo: ‘O reino dos céus se tem aproximado.’” Dá-lhes admoestação sábia e amorosa: “De graça recebestes, de graça dai.” “Mostrai-vos cautelosos como as serpentes, contudo, inocentes como as pombas.” Eles serão odiados e perseguidos, até mesmo por parentes chegados, mas Jesus lembra-lhes: “Quem achar a sua alma, perdê-la-á, e quem perder a sua alma por minha causa, achá-la-á.” (10:7, 8, 16, 39) Eles seguem seu caminho, para ensinar e pregar em suas cidades designadas! Jesus identifica João, o Batizador, como mensageiro enviado adiante dele, o prometido “Elias”, mas “esta geração” não aceita nem João nem ele, o Filho do homem. (11:14, 16) Assim, ai desta geração e das cidades que não se arrependeram ao ver suas obras poderosas! Mas aqueles que se tornam seus discípulos acharão refrigério para suas almas.

      19. Quando os fariseus questionam sua conduta no sábado, de que modo Jesus os denuncia?

      19 Refutados e denunciados os fariseus (12:1-50). Os fariseus tentam achar falta em Jesus na questão do sábado, mas ele refuta suas acusações e lança sobre eles forte condenação pela sua hipocrisia. Ele lhes diz: “Descendência de víboras, como podeis falar coisas boas quando sois iníquos? Pois é da abundância do coração que a boca fala.” (12:34) Nenhum sinal lhes será dado exceto o de Jonas, o profeta: o Filho do homem ficará três dias e três noites no coração da terra.

      20. (a) Por que fala Jesus por meio de ilustrações? (b) Que ilustrações do Reino conta ele então?

      20 Sete ilustrações do Reino (13:1-58). Por que fala Jesus por meio de ilustrações? Ele explica aos discípulos: “A vós é concedido entender os segredos sagrados do reino dos céus, mas a esses não é concedido.” Declara seus discípulos felizes porque vêem e ouvem. De que instrução reanimadora ele os provê então! Depois de explicar a ilustração do semeador, Jesus conta as ilustrações do joio no campo, do grão de mostarda, do fermento, do tesouro escondido, da pérola de grande valor e da rede de arrasto — todas retratando algo relacionado com “o reino dos céus”. Contudo, o povo tropeça por causa dele, e Jesus lhes diz: “Um profeta não passa sem honra a não ser em seu próprio território e em sua própria casa.” — 13:11, 57.

      21. (a) Que milagres realiza Jesus, e estes o identificam como sendo quem? (b) Que visão se dá concernente à vinda do Filho do homem no seu Reino?

      21 Ministério e milagres adicionais do “Cristo” (14:1–17:27). Jesus está profundamente comovido com a notícia de que João, o Batizador, fora decapitado por ordem do fraco Herodes Ântipas. Alimenta milagrosamente uma multidão de mais de 5.000; caminha sobre o mar; refuta crítica adicional dos fariseus, sobre quem ele diz que estão ‘infringindo o mandamento de Deus por causa de sua tradição’; cura possessos de demônios, “coxos, aleijados, cegos, mudos e muitos outros”; e novamente alimenta mais de 4.000, com sete pães e alguns peixinhos. (15:3, 30) Respondendo a uma pergunta de Jesus, Pedro identifica-o, dizendo: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente.” Jesus elogia a Pedro e declara: “Sobre esta rocha construirei a minha congregação.” (16:16, 18) Jesus começa então a falar de sua iminente morte e de sua ressurreição no terceiro dia. Mas também promete que alguns de seus discípulos “não provarão absolutamente a morte, até que primeiro vejam o Filho do homem vir no seu reino”. (16:28) Seis dias mais tarde, Jesus leva Pedro, Tiago e João a um alto monte, a fim de o verem transfigurado em glória. Em visão, vêem Moisés e Elias conversando com ele, e ouvem uma voz do céu dizendo: “Este é meu Filho, o amado, a quem tenho aprovado; escutai-o.” Depois de descerem do monte, Jesus lhes diz que o prometido “Elias” já veio, e eles percebem que fala a respeito de João, o Batizador. — 17:5, 12.

      22. O que aconselha Jesus sobre o perdão?

      22 Jesus aconselha seus discípulos (18:1-35). Enquanto se acham em Cafarnaum, Jesus fala aos discípulos a respeito da humildade, da grande alegria de se recuperar uma ovelha perdida e de resolver ofensas entre irmãos. Pedro pergunta: ‘Quantas vezes devo perdoar meu irmão?’, e Jesus responde: “Eu não te digo: Até sete vezes, mas: Até setenta e sete vezes.” Para dar mais força a isto, Jesus conta a ilustração do escravo cujo amo lhe perdoou uma dívida de 60 milhões de denários. Mais tarde, este escravo mandou prender um co-escravo seu por causa de uma dívida de apenas 100 denários, e, em resultado disso, o escravo que não mostrou misericórdia foi da mesma forma entregue aos carcereiros.e Jesus enfatiza o seguinte: “Do mesmo modo lidará também convosco o meu Pai celestial, se não perdoardes de coração cada um ao seu irmão.” — 18:21, 22, 35.

      23. O que explica Jesus sobre o divórcio e sobre o caminho da vida?

      23 Os dias finais do ministério de Jesus (19:1– 22:46). O ritmo dos eventos acelera, e aumenta a tensão ao passo que os escribas e os fariseus ficam mais furiosos com o ministério de Jesus. Vêm para enlaçá-lo numa questão sobre divórcio, mas fracassam; Jesus mostra que a única base bíblica para o divórcio é a fornicação. Um jovem rico vem a Jesus, perguntando qual é o caminho da vida eterna, mas vai embora contristado quando descobre que precisa vender tudo o que tem e ser seguidor de Jesus. Depois de contar a ilustração dos trabalhadores e o denário, Jesus fala novamente sobre sua morte e ressurreição, e diz: “O Filho do homem não veio para que se lhe ministrasse, mas para ministrar e dar a sua alma como resgate em troca de muitos.” — 20:28.

      24. Ao entrar na última semana de sua vida humana, que confrontos tem Jesus com os opositores religiosos, e como lida ele com as perguntas deles?

      24 Jesus entra agora na última semana de sua vida humana. Faz sua entrada triunfal em Jerusalém como ‘Rei montado num jumentinho’. (21:4, 5) Limpa o templo dos cambistas e de outros especuladores, e o ódio de seus inimigos aumenta quando lhes diz: “Os cobradores de impostos e as meretrizes entrarão na frente de vós no reino de Deus.” (21:31) Suas ilustrações oportunas do vinhedo e da festa de casamento vão diretamente ao ponto. Ele responde habilmente à pergunta dos fariseus sobre o imposto, por dizer-lhes para pagar de volta a “César as coisas de César, mas a Deus as coisas de Deus”. (22:21) De modo similar, refuta uma pergunta capciosa dos saduceus e defende a esperança da ressurreição. Os fariseus se dirigem novamente a ele com uma pergunta sobre a Lei, e Jesus lhes diz que o maior mandamento é amar a Jeová de forma plena, e que o segundo é amar ao próximo como a si mesmo. Jesus pergunta-lhes então: ‘Como pode o Cristo ser tanto filho de Davi como seu Senhor?’ Ninguém sabe responder, e depois disso ninguém se atreve a interrogá-lo mais. — 22:45, 46.

      25. Como denuncia Jesus vigorosamente os escribas e os fariseus?

      25 ‘Ai de vós, hipócritas’ (23:1–24:2). Falando às multidões no templo, Jesus faz outra denúncia mordaz contra os escribas e os fariseus. Eles não só se desqualificaram para entrar no Reino, mas utilizam-se de todas as artimanhas para impedir que outros entrem. Como sepulcros caiados, parecem belos por fora, mas por dentro estão cheios de corrupção e podridão. Jesus conclui com o seguinte julgamento contra Jerusalém: “Vossa casa vos fica abandonada.” (23:38) Ao sair do templo, Jesus profetiza sua destruição.

      26. Que sinal profético fornece Jesus sobre sua presença em glória real?

      26 Jesus fornece o ‘sinal de sua presença’ (24:3–25:46). No monte das Oliveiras, os discípulos lhe perguntam sobre ‘o sinal de sua presença e da terminação do sistema de coisas’. Em resposta, Jesus indica um período futuro de guerras, ‘nação contra nação e reino contra reino’, escassez de alimentos, terremotos, aumento do que é contra a lei, a pregação mundial destas “boas novas do reino”, a designação do “escravo fiel e discreto”, e muitos outros aspectos do sinal composto. (24:3, 7, 14, 45-47) Jesus conclui esta importante profecia com as ilustrações das dez virgens e dos talentos, que reservam alegres recompensas para os alertas e fiéis, e a ilustração das ovelhas e dos cabritos, que mostra que os semelhantes a cabritos partirão “para o decepamento eterno, mas os justos, para a vida eterna”. — 25:46.

      27. Que eventos marcam o último dia de Jesus na terra?

      27 Eventos do último dia de Jesus (26:1–27:66). Depois de celebrar a Páscoa, Jesus institui algo novo com seus apóstolos fiéis, convidando-os a partilhar um pão não-fermentado e vinho quais símbolos de seu corpo e de seu sangue. Daí, vão a Getsêmani, onde Jesus ora. Ali, Judas chega com uma multidão armada e trai a Jesus com um beijo hipócrita. Jesus é levado perante o sumo sacerdote, e os principais sacerdotes e o inteiro Sinédrio buscam falsas testemunhas contra Jesus. Fiel à profecia de Jesus, Pedro nega-o quando posto à prova. Judas, sentindo remorso, lança seu dinheiro da traição dentro do templo, sai e se enforca. Pela manhã, Jesus é levado perante o governador romano Pilatos, que o entrega para ser pregado na estaca, sob a pressão da turba, incitada pelos sacerdotes, que grita: “O sangue dele caia sobre nós e sobre nossos filhos.” Os soldados do governador zombam da sua realeza e depois o conduzem para Gólgota, onde é pregado na estaca entre dois ladrões, com uma inscrição sobre sua cabeça, que reza: “Este é Jesus, o Rei dos judeus.” (27:25, 37) Depois de horas de agonia, Jesus finalmente morre por volta das três horas da tarde e é colocado num túmulo memorial novo, pertencente a José de Arimatéia. Este foi o dia mais momentoso de toda a história!

      28. Com que melhores notícias culmina Mateus seu relato, e com que comissão conclui ele?

      28 A ressurreição de Jesus e suas instruções finais (28:1-20). Mateus culmina então seu relato com as melhores notícias. O morto Jesus é ressuscitado — está vivo novamente! Bem cedo, no primeiro dia da semana, Maria Madalena e “a outra Maria” vão até o túmulo e ouvem o anjo anunciar este fato alegre. (28:1) Para confirmar isso, o próprio Jesus lhes aparece. Os inimigos tentam até mesmo lutar contra o fato de sua ressurreição, subornando os soldados que estavam de guarda junto ao túmulo para dizerem: “Seus discípulos vieram de noite e o furtaram, enquanto estávamos dormindo.” Mais tarde, na Galiléia, Jesus se reúne outra vez com seus discípulos. Qual é sua instrução de despedida? A seguinte: “Ide . . . fazei discípulos de pessoas de todas as nações, batizando-as em o nome do Pai, e do Filho e do espírito santo.” Teriam eles orientação nesta obra de pregação? As últimas palavras de Jesus registradas por Mateus fornecem a seguinte garantia: “Eis que estou convosco todos os dias, até à terminação do sistema de coisas.” — 28:13, 19, 20.

      POR QUE É PROVEITOSO

      29. (a) De que modo Mateus serve de ponte entre as Escrituras Hebraicas e as Gregas? (b) Que privilégio usufruído por Jesus ainda está aberto aos cristãos hoje?

      29 O livro de Mateus, o primeiro dos quatro Evangelhos, serve realmente de excelente ponte para ligar as Escrituras Hebraicas às Escrituras Gregas Cristãs. Identifica, inequivocamente, o Messias e Rei do prometido Reino de Deus, torna conhecidos os requisitos para as pessoas se tornarem seus seguidores e delineia o trabalho diante deles na terra. Primeiro, João, o Batizador, depois Jesus, e finalmente seus discípulos saíram a pregar: “O reino dos céus se tem aproximado.” Ademais, a ordem de Jesus se estende até a terminação do sistema de coisas: “E estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações; e então virá o fim.” Foi deveras, e ainda é, um grandioso e maravilhoso privilégio participar nesta obra do Reino, que inclui ‘fazer discípulos de pessoas de todas as nações’, trabalhando segundo o modelo deixado pelo Amo. — 3:2; 4:17; 10:7; 24:14; 28:19.

      30. Que trecho específico de Mateus obteve reconhecimento por seu valor prático?

      30 O Evangelho de Mateus constitui deveras “boas novas”. Sua mensagem inspirada constituía “boas novas” para aqueles que a aceitaram no primeiro século da Era Comum, e Jeová Deus cuidou de que fosse preservada como “boas novas” até o dia de hoje. Até mesmo não-cristãos têm sido compelidos a reconhecer o poder deste Evangelho, como, por exemplo, o líder hindu Mohandas (Mahatma) Gandhi, que disse: “Não deixe de beber intensamente das fontes que lhe são oferecidas no Sermão do Monte . . . Pois o ensino do Sermão se destinava a cada um de nós.”f

      31. Quem tem demonstrado verdadeiro apreço pelos conselhos contidos em Mateus, e por que é proveitoso estudar este Evangelho vez após vez?

      31 Contudo, o mundo inteiro, até a parte que afirma ser cristã, continua tendo problemas. Apenas pequena minoria de cristãos verdadeiros prezam, estudam e põem em prática o Sermão do Monte e todos os demais conselhos salutares das boas novas segundo Mateus, derivando assim inestimáveis benefícios. É proveitoso estudar vez após vez as excelentes admoestações de Jesus sobre encontrar a verdadeira felicidade, bem como sobre moral e casamento, o poder do amor, a oração aceitável, valores espirituais versus valores materiais, buscar primeiro o Reino, o respeito pelas coisas sagradas, e a vigilância e a obediência. O capítulo 10 de Mateus fornece as instruções de serviço que Jesus deu àqueles que empreendem a pregação das boas novas do “reino dos céus”. As muitas parábolas de Jesus contêm lições vitais para todos os que ‘têm ouvidos para ouvir’. Ademais, as profecias de Jesus, tais como suas predições pormenorizadas sobre ‘o sinal da sua presença’, criam forte esperança e confiança no futuro. — 5:1–7:29; 10:5-42; 13:1-58; 18:1–20:16; 21:28–22:40; 24:3–25:46.

      32. (a) Ilustre como profecias cumpridas provam que Jesus é o Messias. (b) Que forte garantia nos fornecem hoje tais cumprimentos?

      32 O Evangelho de Mateus está cheio de profecias cumpridas. Muitas de suas citações das inspiradas Escrituras Hebraicas visavam mostrar tais cumprimentos. Fornecem evidência incontestável de que Jesus é o Messias, pois teria sido totalmente impossível programar de antemão todos esses pormenores. Compare, por exemplo, Mateus 13:14, 15 com Isaías 6:9, 10; Mateus 21:42 com Salmo 118:22, 23; e Mateus 26:31, 56 com Zacarias 13:7. Tais cumprimentos fornecem-nos forte garantia, também, de que todas as predições proféticas do próprio Jesus, registradas por Mateus, se cumprirão no devido tempo, ao se realizarem os gloriosos propósitos de Jeová com respeito ao “reino dos céus”.

      33. Em que conhecimento e esperança podem os que amam a justiça exultar agora?

      33 Quão exato foi Deus ao predizer a vida do Rei do Reino, até nos mínimos detalhes! Quão exato foi o inspirado Mateus ao registrar fielmente o cumprimento dessas profecias! Ao refletirem sobre todos os cumprimentos e promessas proféticos registrados no livro de Mateus, os que amam a justiça podem deveras exultar no conhecimento e na esperança do “reino dos céus” qual instrumento usado por Jeová para santificar Seu nome. É este Reino por Jesus Cristo que produz indizíveis bênçãos de vida e felicidade para os de temperamento brando e os que têm fome espiritual “na recriação, quando o Filho do homem se assentar no seu trono glorioso”. (Mat. 19:28) Tudo isto está contido nas estimulantes boas novas “segundo Mateus”.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Reimpressão de 1981, Vol. V, página 895.

      b Tradução do texto latino editada por E. C. Richardson e publicada na série “Texte und Untersuchungen zur Geschichte der altchristlichen Literatur”, Leipzig, 1896, Vol. 14, páginas 8, 9.

      c The Ecclesiastical History, VI, XXV, 3-6.

      d Introduction to the Study of the Gospels, 1896, B. F. Westcott, página 201.

      e Nos dias de Jesus, um denário equivalia ao salário de um dia; assim, 100 denários equivaliam a cerca de um terço do salário de um ano. Sessenta milhões de denários equivaliam ao salário que levaria milhares de vidas para ajuntar. — Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, página 683.

      f Mahatma Gandhi’s Ideas, 1930, de C. F. Andrews, página 96.

  • Livro bíblico número 41 — Marcos
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 41 — Marcos

      Escritor: Marcos

      Lugar da Escrita: Roma

      Escrita Completada: c. 60-65 EC

      Tempo Abrangido: 29-33 EC

      1. O que se sabe a respeito de Marcos e sua família?

      QUANDO prenderam a Jesus em Getsêmani e os apóstolos fugiram, ele foi seguido por “certo jovem, que usava uma roupa de linho fino por cima do corpo nu”. Quando a multidão tentou pegá-lo também, “ele largou a sua roupa de linho e escapou nu”. Acredita-se em geral que este jovem tenha sido Marcos. Ele é descrito em Atos como “João, cognominado Marcos”, e talvez fosse de família que gozava de boa posição social em Jerusalém, pois tinham casa própria e servos. Sua mãe, Maria, era também cristã, e a congregação primitiva usava sua casa como local de reunião. Na ocasião em que foi libertado da prisão por um anjo, Pedro foi a esta casa e encontrou os irmãos reunidos ali. — Mar. 14:51, 52; Atos 12:12, 13.

      2, 3. (a) O que, sem dúvida, incentivou Marcos a entrar no serviço missionário? (b) Que associação teve ele com outros missionários, especialmente com Pedro e Paulo?

      2 O missionário Barnabé, levita de Chipre, era primo de Marcos. (Atos 4:36; Col. 4:10) Quando Barnabé veio com Paulo a Jerusalém, em conexão com uma obra de socorros por causa da fome, Marcos chegou a conhecer Paulo também. Esta associação na congregação e com zelosos ministros visitantes, sem dúvida, instilou em Marcos o desejo de entrar no serviço missionário. De modo que o observamos qual companheiro e assistente de Paulo e de Barnabé na primeira viagem missionária deles. Por algum motivo, porém, Marcos os deixou em Perge, na Panfília, e voltou para Jerusalém. (Atos 11:29, 30; 12:25; 13:5, 13) Por causa disso, Paulo se recusou a levar Marcos consigo na sua segunda viagem missionária, e isto resultou num rompimento de relações entre Paulo e Barnabé. Paulo levou consigo Silas, ao passo que Barnabé levou seu primo Marcos e embarcou com destino a Chipre. — Atos 15:36-41.

      3 Marcos demonstrou seu real valor no ministério e se tornou uma preciosa ajuda, não só para Barnabé, mas também, mais tarde, para os apóstolos Pedro e Paulo. Marcos estava com Paulo (c. 60-61 EC) durante seu primeiro encarceramento em Roma. (Filêm. 1, 24) Daí, encontramos Marcos com Pedro em Babilônia, entre os anos 62 e 64 EC. (1 Ped. 5:13) Paulo é novamente prisioneiro em Roma, provavelmente no ano 65 EC, e, numa carta, pede a Timóteo que traga consigo a Marcos, “porque ele me é útil para ministrar”. (2 Tim. 1:8; 4:11) Esta é a última menção de Marcos no registro bíblico.

      4-6. (a) Como pôde Marcos obter os pormenores para o seu Evangelho? (b) O que indica a sua íntima associação com Pedro? (c) Dê exemplos das características de Pedro no Evangelho.

      4 A composição desse mais curto dos Evangelhos é atribuída a este Marcos. Ele foi colaborador dos apóstolos de Jesus, e colocou a própria vida a serviço das boas novas. Mas Marcos não foi um dos 12 apóstolos e não acompanhou pessoalmente a Jesus. De onde obteve os pormenores que fazem que sua narrativa do ministério de Jesus seja realmente vívida desde o começo até o fim? Segundo a mais antiga tradição de Pápias, Orígenes e Tertuliano, esta fonte foi Pedro, com quem Marcos tinha associação íntima.a Não chamou Pedro a ele de “meu filho”? (1 Ped. 5:13) Pedro foi testemunha ocular a bem dizer de tudo que Marcos registrou, de modo que ele poderia ter chegado a saber de Pedro os muitos pontos descritivos que não constam nos outros Evangelhos. Por exemplo, Marcos fala dos “homens contratados” que trabalhavam para Zebedeu, do leproso que suplicou a Jesus “de joelhos”, do homem endemoninhado que “se cortava com pedras”, e de Jesus dar a sua profecia sobre a ‘vinda do Filho do homem com grande poder e glória’, sentado no monte das Oliveiras “com o templo à vista”. — Mar. 1:20, 40; 5:5; 13:3, 26.

      5 O próprio Pedro era homem de profundas emoções, de modo que podia reconhecer e descrever a Marcos os sentimentos e as emoções de Jesus. Assim, Marcos freqüentemente relata como Jesus se sentia e reagia; por exemplo, que ele olhou “para eles, ao redor, com indignação, estando profundamente contristado”, que ele “suspirou profundamente” e que ‘gemeu profundamente com seu espírito’. (3:5; 7:34; 8:12) É Marcos que nos conta os sentimentos de Jesus para com o jovem governante rico, dizendo que “sentiu amor por ele”. (10:21) E quanta afeição notamos no relato de que Jesus não só colocou uma criancinha no meio dos discípulos, mas também ‘pôs os seus braços em volta dela’, e que em outra ocasião “tomou as criancinhas nos seus braços”! — 9:36; 10:13-16.

      6 Algumas das características de Pedro transparecem no estilo de Marcos, que é impulsivo, vivo, vigoroso, cheio de vida e descritivo. Parece quase não conseguir relatar os eventos com suficiente rapidez. Por exemplo, a palavra “imediatamente” ocorre vez após vez, conduzindo a história num estilo dramático.

      7. O que distingue o Evangelho de Marcos do de Mateus?

      7 Embora Marcos tivesse acesso ao Evangelho de Mateus, e seu registro contenha apenas 7 por cento de matéria que não consta nos outros Evangelhos, seria um erro crer que Marcos simplesmente condensou o Evangelho de Mateus e acrescentou alguns pormenores especiais. Ao passo que Mateus retratara a Jesus como o prometido Messias e Rei, Marcos considera então sua vida e seus trabalhos de outro ângulo. Apresenta Jesus como o Filho de Deus, que faz milagres, o Salvador vitorioso. Marcos frisa as atividades de Cristo mais do que seus sermões e ensinamentos. Apenas pequena parcela das parábolas e um dos mais longos discursos de Jesus são relatados, e omite-se o Sermão do Monte. É por este motivo que o Evangelho de Marcos, embora contenha tanta ação quanto os outros, é mais curto. Pelo menos 19 milagres são especificamente mencionados.

      8. Que características indicam que o Evangelho de Marcos foi evidentemente escrito tendo em vista os romanos?

      8 Ao passo que Mateus escreveu seu Evangelho para os judeus, Marcos evidentemente escreveu visando primariamente os romanos. Como sabemos isso? A Lei de Moisés é mencionada unicamente quando se relata conversa que se refira a ela, e a genealogia de Jesus é omitida. O evangelho de Cristo é apresentado como sendo de importância universal. Faz comentários explicativos sobre os costumes e ensinamentos dos judeus com os quais os leitores não-judeus talvez não estivessem familiarizados. (2:18; 7:3, 4; 14:12; 15:42) Expressões aramaicas são traduzidas. (3:17; 5:41; 7:11, 34; 14:36; 15:22, 34) Qualifica com explicações os nomes geográficos e a vida vegetal da Palestina. (1:5, 13; 11:13; 13:3) O valor das moedas judaicas é dado em moeda romana. (12:42, nota) Ele usa mais palavras latinas do que os outros escritores dos Evangelhos, sendo exemplos disso speculator (guarda pessoal), praetorium (palácio do governador), e centurio (oficial do exército). — 6:27; 15:16, 39.

      9. Onde e quando foi escrito o livro de Marcos, e o que confirma a sua autenticidade?

      9 Visto que evidentemente Marcos escreveu primariamente para os romanos, é bem provável que tenha escrito em Roma. Tanto a tradição antiga como o conteúdo do livro dão margem à conclusão de que foi escrito em Roma durante o primeiro ou o segundo encarceramento do apóstolo Paulo, e, por conseguinte, por volta de 60-65 EC. Nesses anos Marcos esteve em Roma pelo menos uma vez, e provavelmente, duas. Todas as principais autoridades do segundo e terceiro séculos confirmam que Marcos foi o escritor. O Evangelho já estava em circulação entre os cristãos em meados do segundo século. O seu aparecimento em todos os primitivos catálogos das Escrituras Gregas Cristãs confirma a autenticidade do Evangelho de Marcos.

      10. Como devem ser consideradas as conclusões longa e curta de Marcos, e por quê?

      10 Entretanto, as conclusões longa e curta que são às vezes acrescentadas depois do capítulo 16, versículo 8, não devem ser consideradas autênticas. Não aparecem na maioria dos manuscritos antigos tais como o Sinaítico e o Vaticano N.º 1209. Os eruditos do quarto século, Eusébio e Jerônimo, estão de acordo de que o registro autêntico termina com as palavras “estavam tomadas de temor”. As outras conclusões foram provavelmente acrescentadas com o fim de suavizar o modo abrupto em que termina este Evangelho.

      11. (a) O que prova que o Evangelho de Marcos é exato, e a que autoridade se dá ênfase? (b) Por que se trata de “boas novas”, e que período abrange o Evangelho de Marcos?

      11 Pode-se observar que a narrativa de Marcos é exata devido a seu Evangelho estar em plena harmonia, não só com os outros Evangelhos, mas também com todas as Escrituras Sagradas, desde Gênesis até Revelação (Apocalipse). Ademais, demonstra-se vez após vez a Jesus como sendo alguém que tem autoridade, não só na sua expressão oral, mas sobre as forças da natureza, sobre Satanás e os demônios, sobre doenças e enfermidades, sim, sobre a própria morte. Portanto, Marcos começa a sua narrativa com a impressionante introdução: “O princípio das boas novas a respeito de Jesus Cristo.” A sua vinda e o seu ministério significavam “boas novas”, de modo que o estudo do Evangelho de Marcos deverá ser proveitoso para todos os leitores. Os eventos descritos por Marcos abrangem o período entre a primavera (setentrional) de 29 EC até a primavera de 33 EC.

      CONTEÚDO DE MARCOS

      12. O que está condensado nos primeiros 13 versículos de Marcos?

      12 O batismo e a tentação de Jesus (1:1-13). Marcos começa as boas novas identificando João, o Batizador. Ele é o predito mensageiro, enviado a proclamar: “Preparai o caminho de Jeová, fazei retas as suas estradas.” A respeito Daquele que em breve vem, o batizador diz: ‘Ele é mais forte do que eu.’ Sim, ele batizará, não com água, mas com espírito santo. Jesus vem então de Nazaré da Galiléia, e João o batiza. O espírito desce sobre Jesus em forma de pomba, e ouve-se uma voz dos céus: “Tu és meu filho, o amado; eu te tenho aprovado.” (1:3, 7, 11) Jesus é tentado por Satanás no ermo, e anjos lhe ministram. Todos estes eventos dramáticos estão condensados nos primeiros 13 versículos de Marcos.

      13. De que maneiras Jesus logo demonstra a sua autoridade como sendo “o Santo de Deus”?

      13 Jesus inicia seu ministério na Galiléia (1:14-6:6). Depois de João ser preso, Jesus vai pregar as boas novas de Deus na Galiléia. Que mensagem surpreendente tem ele! “O reino de Deus se tem aproximado. Arrependei-vos e tende fé nas boas novas.” (1:15) Ele convida Simão e André, bem como Tiago e João, a deixar suas redes de pesca para se tornarem seus discípulos. Começa a ensinar no sábado na sinagoga, em Cafarnaum. O povo fica assombrado, pois ele ensina ‘como quem tem autoridade e não como os escribas’. Demonstra a sua autoridade como sendo “o Santo de Deus”, por expulsar um espírito impuro de um homem possesso, e curando a sogra de Pedro, que estava doente com febre. As notícias se espalham rapidamente, e ao anoitecer “a cidade toda” tinha-se ajuntado do lado de fora da casa de Simão. Jesus cura a muitos enfermos e expulsa muitos demônios. — 1:22, 24, 33.

      14. Como Jesus dá prova de sua autoridade de perdoar pecados?

      14 Jesus declara sua missão: “Para que eu pregue.” (1:38) Ele prega em toda a Galiléia. Aonde quer que vá, expulsa demônios e cura os doentes, incluindo um leproso e um paralítico a quem diz: “Teus pecados estão perdoados.” Alguns dos escribas raciocinam nos seus corações: ‘Isto é blasfêmia. Quem pode perdoar pecados senão Deus?’ Jesus, discernindo seus pensamentos, prova que ‘o Filho do homem tem autoridade para perdoar pecados’, dizendo ao paralítico que se levante e vá para casa. O povo glorifica a Deus. Quando o cobrador de impostos Levi (Mateus) se torna seu seguidor, Jesus diz aos escribas: “Não vim chamar os que são justos, mas pecadores.” Demonstra ser “Senhor até mesmo do sábado”. — 2:5, 7, 10, 17, 28.

      15. O que declara Jesus a respeito dos que negam seus milagres, e o que diz sobre vínculos familiares?

      15 Jesus forma então o grupo de 12 apóstolos. Seus parentes manifestam certa oposição, e daí alguns escribas de Jerusalém acusam-no de expulsar demônios por meio do governante dos demônios. Jesus lhes pergunta: “Como pode Satanás expulsar a Satanás?”, e adverte-os: “Quem blasfemar contra o espírito santo, nunca terá perdão, mas é culpado de pecado eterno.” Durante a palestra, sua mãe e seus irmãos vêm procurá-lo, e Jesus é induzido a declarar: “Todo aquele que faz a vontade de Deus, este é meu irmão, e minha irmã e minha mãe.” — 3:23, 29, 35.

      16. Mediante ilustrações, o que ensina Jesus a respeito do “reino de Deus”?

      16 Jesus começa a ensinar “o segredo sagrado do reino de Deus” mediante ilustrações. Fala a respeito do semeador da semente que cai em diversas espécies de solo (ilustrando as diferentes espécies de ouvintes da palavra) e da lâmpada que reluz no seu velador. Em outra ilustração, Jesus diz que o Reino de Deus é como quando um homem lança sementes no solo: “O solo, por si mesmo, dá gradualmente fruto, primeiro a lâmina, depois a espiga, finalmente o grão cheio na espiga.” (4:11, 28) Conta também a ilustração do grão de mostarda, que, embora seja a menor de todas as sementes, torna-se enorme com grandes ramos que servem de abrigo.

      17. Como os milagres de Jesus demonstram o âmbito de sua autoridade?

      17 Quando atravessam o mar da Galiléia, Jesus miraculosamente faz com que um vento violento se amaine, e o mar tempestuoso se acalma às suas ordens: “Silêncio! Cala-te!” (4:39) Na terra dos gerasenos, Jesus expulsa uma “Legião” de demônios de certo homem e permite que entrem numa manada de cerca de 2.000 porcos, que, por sua vez, se precipitam dum despenhadeiro e são afogados no mar. (5:8-13) Depois disso, Jesus volta à margem oposta. Uma mulher é curada de um fluxo de sangue, incurável já por 12 anos, por simplesmente tocar na vestimenta de Jesus, que está a caminho para ressuscitar a filha de 12 anos, de Jairo. Deveras, o Filho do homem tem autoridade tanto sobre a vida como sobre a morte! Entretanto, o povo no território de Jesus questiona a sua autoridade. Ele se admira de sua falta de fé, mas continua a percorrer “as aldeias num circuito, ensinando”. — 6:6.

      18. (a) Como se expande o ministério de Jesus? (b) O que impele Jesus a ensinar e a realizar milagres?

      18 Expansão do ministério na Galiléia (6:7-9:50). Os 12 são enviados de 2 em 2, com instruções e autoridade para pregar e ensinar, curar pessoas e expulsar demônios. O nome de Jesus torna-se bem conhecido, alguns pensando que ele é João, o Batizador, levantado dentre os mortos. Esta possibilidade preocupa a Herodes, durante cuja festa de aniversário natalício João fora decapitado. Os apóstolos voltam de sua viagem de pregação e fazem um relatório de suas atividades para Jesus. Uma grande multidão segue a Jesus pela Galiléia, e ele ‘tem pena deles, porque são como ovelhas sem pastor’. De modo que começa a ensinar-lhes muitas coisas. (6:34) Ele também amorosamente fornece alimento material, alimentando 5.000 homens com cinco pães e dois peixes. Pouco depois, quando os discípulos no barco estão lutando com grande dificuldade contra um vendaval, ao rumar a Betsaida, ele vem caminhando sobre o mar na direção deles e acalma o vento. Não é de admirar que até mesmo os seus discípulos fiquem “grandemente pasmados”! — 6:51.

      19, 20. (a) Como repreende Jesus os escribas e os fariseus? (b) Que circunstâncias fazem com que Pedro também seja repreendido?

      19 No distrito de Genesaré, Jesus passa a conversar com os escribas e fariseus de Jerusalém sobre comer sem lavar as mãos, e repreende-os por ‘deixarem o mandamento de Deus e apegarem-se à tradição de homens’. Diz que não é o que entra no homem que o torna impuro, mas o que sai do íntimo, do coração, a saber, “raciocínios prejudiciais”. (7:8, 21) Indo para o Norte, para as regiões de Tiro e de Sídon, realiza um milagre a favor duma pessoa gentia, expulsando um demônio da filha de uma mulher siro-fenícia.

      20 De volta a Galiléia, Jesus novamente tem pena da multidão que o segue e alimenta 4.000 homens com sete pães e alguns peixinhos. Adverte seus discípulos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes, mas nessa ocasião eles não conseguem entender o ponto. Daí, outro milagre — a cura de um cego em Betsaida. Numa palestra a caminho das aldeias de Cesaréia de Filipe, Pedro identifica convincentemente a Jesus como sendo “o Cristo”, mas daí objeta fortemente quando Jesus fala dos sofrimentos que lhe sobrevirão e da morte do Filho do homem. Por causa disso, Jesus o repreende: “Para trás de mim, Satanás, porque não tens os pensamentos de Deus, mas os de homens.” (8:29, 33) Jesus exorta seus discípulos para que o sigam continuamente por causa das boas novas; caso se envergonhem dele, ele se envergonhará deles quando chegar na glória de seu Pai.

      21. (a) Quem vê “o reino de Deus já vindo em poder” e como? (b) Como dá Jesus ênfase a pôr o Reino em primeiro lugar?

      21 Seis dias mais tarde, estando num alto monte, Pedro, Tiago e João são privilegiados em ver “o reino de Deus já vindo em poder”, ao contemplarem Jesus transfigurado em glória. (9:1) Jesus demonstra outra vez a sua autoridade, expulsando de um menino um espírito mudo, e ele fala uma segunda vez do sofrimento e da morte que lhe sobrevirão. Aconselha seus discípulos a não permitirem que nada os impeça de entrar na vida. A tua mão te faz tropeçar? Decepa-a! Teu pé? Decepa-o! Teu olho? Lança-o fora! É muito melhor entrar mutilado no Reino de Deus do que ser lançado inteiro na Geena.

      22. Que conselho destaca o ministério de Jesus na Peréia?

      22 Ministério na Peréia (10:1-52). Jesus chega às fronteiras da Judéia e “ao outro lado do Jordão” (à Peréia). Os fariseus então o interrogam sobre o divórcio, e ele aproveita a oportunidade para declarar princípios piedosos para o casamento. Certo jovem rico lhe pergunta sobre como herdar a vida eterna, mas fica contristado ao ouvir que, para ter um tesouro no céu, precisa vender os seus bens e tornar-se seguidor de Jesus. Jesus diz a seus discípulos: “É mais fácil um camelo passar pelo orifício duma agulha, do que um rico entrar no reino de Deus.” Encoraja os que abandonaram tudo por causa das boas novas, prometendo-lhes “cem vezes mais agora . . . com perseguições, e no vindouro sistema de coisas a vida eterna”. — 10:1, 25, 30.

      23. Que conversa e milagre sucedem a caminho de Jerusalém?

      23 Jesus e os 12 põem-se então a caminho de Jerusalém. Jesus fala-lhes pela terceira vez a respeito dos sofrimentos que o aguardam, e também sobre a sua ressurreição. Ele lhes pergunta se são capazes de beber do mesmo copo que ele está bebendo, e lhes diz: “Quem quiser ser o primeiro entre vós, tem de ser o escravo de todos.” Ao saírem de Jericó, um mendigo cego clama da beira da estrada: “Filho de Davi, Jesus, tem misericórdia de mim!” Jesus faz com que o cego enxergue — a sua última cura milagrosa, segundo registrado por Marcos. — 10:44, 47, 48.

      24, 25. (a) Mediante que ações testifica Jesus a sua autoridade? (b) Com que argumentos responde ele a seus oponentes? (c) Que aviso dá Jesus à multidão, e o que elogia perante seus discípulos?

      24 Jesus em Jerusalém e cercanias (11:1-15:47). A narrativa se desenrola rapidamente! Jesus entra na cidade montado num jumentinho, e o povo o aclama Rei. No dia seguinte, purifica o templo. Os principais sacerdotes e os escribas ficam com temor dele e procuram matá-lo. “Com que autoridade fazes estas coisas?”, perguntam eles. (11:28) Jesus habilmente responde propondo-lhes outra pergunta e conta a ilustração dos lavradores que mataram o herdeiro do vinhedo. Eles entendem o ponto, e o deixam.

      25 A seguir, enviam alguns dos fariseus para pegá-lo na questão do imposto. Pedindo um denário, ele pergunta: “De quem é esta imagem e inscrição?” Eles replicam: “De César.” Jesus diz então: “Pagai de volta a César as coisas de César, mas a Deus as coisas de Deus.” Não é de admirar que se maravilhem dele! (12:16, 17) Então, os saduceus, que não crêem na ressurreição, tentam apanhá-lo com a pergunta: ‘Se uma mulher teve sete maridos em sucessão, de qual deles será esposa na ressurreição?’ Jesus replica prontamente que os que se levantarem dentre os mortos serão “como os anjos nos céus”, pois não se casarão. (12:19-23, 25) “Que mandamento é o primeiro de todos?”, pergunta um dos escribas. Jesus responde: “O primeiro é: ‘Ouve, ó Israel: Jeová, nosso Deus, é um só Jeová, e tens de amar a Jeová, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de toda a tua mente, e de toda a tua força.’ O segundo é este: ‘Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.’” (12:28-31) Depois disso, ninguém mais se atreve a interrogá-lo. Fica confirmada a autoridade de Jesus como instrutor perfeito. A grande multidão o ouve com prazer, e Jesus acautela-os contra os pretensiosos escribas. Daí, elogia perante seus discípulos a viúva pobre que depositou no cofre do templo mais do que todos os outros, pois as suas duas pequenas moedas eram “tudo o que tinha, todo o seu meio de vida”. — 12:44.

      26. Qual é o único discurso longo registrado por Marcos, e com que admoestação termina?

      26 Sentado no monte das Oliveiras, com o templo à vista, Jesus fala a quatro de seus discípulos em particular sobre “o sinal” da conclusão destas coisas. (Este é o único discurso longo registrado por Marcos, e é um paralelo do de Mateus, capítulos 24 e 25.) Encerra-se com a seguinte admoestação de Jesus: “Acerca daquele dia e daquela hora ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai. Mas, o que eu vos digo, digo a todos: Mantende-vos vigilantes.” — 13:4, 32, 37.

      27. Descreva os eventos que levaram a Jesus ser traído em Getsêmani.

      27 Em Betânia, lugar bem próximo, certa mulher unge a Jesus com dispendioso óleo perfumado. Alguns protestam contra isso, dizendo que é desperdício, mas Jesus diz que foi uma ação excelente, uma preparação para o seu enterro. Na época designada, Jesus e os 12 se reúnem na cidade para a Páscoa. Ele identifica seu traidor e institui a ceia da comemoração com seus discípulos fiéis, e daí saem para o monte das Oliveiras. A caminho, Jesus diz que todos eles tropeçarão. “Eu não”, exclama Pedro. Mas Jesus lhe diz: “Esta noite, antes de o galo cantar duas vezes, até mesmo tu me terás repudiado três vezes.” Ao chegarem ao lugar chamado Getsêmani, Jesus se retira para orar, pedindo a seus discípulos para manterem-se vigilantes. Sua oração culmina com as palavras: “Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; remove de mim este copo. Contudo, não o que eu quero, mas o que tu queres.” Três vezes Jesus retorna a seus discípulos, e três vezes os acha dormindo, até mesmo “numa ocasião destas”! (14:29, 30, 36, 41) Mas chegou a hora! Eis — o traidor!

      28. Quais são as circunstâncias da detenção de Jesus e do julgamento perante o sumo sacerdote?

      28 Judas se aproxima e beija a Jesus. Este é o sinal para os homens armados dos principais sacerdotes prendê-lo. Eles o levam perante o tribunal do sumo sacerdote, onde muitos levantam falso testemunho contra ele, mas os seus depoimentos não estão em acordo. O próprio Jesus fica calado. Finalmente o sumo sacerdote interroga-o: “És tu o Cristo, o filho do Bendito?” Jesus replica: “Sou.” O sumo sacerdote clama: ‘Blasfêmia!’ Todos o condenam, dizendo que merece a morte. (14:61-64) No pátio embaixo, Pedro negou a Jesus três vezes. O galo canta pela segunda vez, e Pedro, lembrando-se das palavras de Jesus, fica abatido e chora.

      29. Que registro faz Marcos sobre o julgamento final e a execução de Jesus, e como se demonstra que a questão é o Reino?

      29 Logo ao clarear o dia, o Sinédrio reúne-se e envia Jesus amarrado a Pilatos. Ele logo percebe que Jesus não é criminoso e tenta libertá-lo. Todavia, às instâncias da turba, incitada pelos principais sacerdotes, ele finalmente entrega Jesus para ser pregado na estaca. Ele é levado à Gólgota (que significa “Lugar da Caveira”) e é pregado na estaca, estando escrito mais acima a acusação: “O Rei dos Judeus.” Os transeuntes o vituperam, dizendo: “A outros ele salvou; a si mesmo não pode salvar!” Ao meio-dia (a sexta hora) cai uma escuridão sobre todo o país até às quinze horas. Daí, Jesus clama com alta voz: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?”, e expira. Ao ver estas coisas, um oficial do exército comenta: “Certamente este homem era o Filho de Deus.” José de Arimatéia, membro do Sinédrio, mas crente no Reino de Deus, pede a Pilatos o corpo de Jesus e o coloca num túmulo aberto na rocha. — 15:22, 26, 31, 34, 39.

      30. No primeiro dia da semana, o que acontece junto ao túmulo?

      30 Eventos após a morte de Jesus (16:1-8). Bem cedo, no primeiro dia da semana, três mulheres vão ao túmulo. Para sua surpresa, notam que a grande pedra à entrada havia sido rolada. “Um jovem”, que está sentado ali dentro, lhes diz que Jesus foi levantado. (16:5) Ele não mais está ali, mas vai adiante delas para a Galiléia. Elas fogem do túmulo, tremendo e tomadas de medo.

      POR QUE É PROVEITOSO

      31. (a) Como atesta Marcos quanto a Jesus ser o Messias? (b) O que prova a autoridade de Jesus como o Filho de Deus, e o que ele enfatizou?

      31 Todos os leitores de Marcos, desde os primitivos tempos cristãos até o presente, têm podido identificar por meio desta vívida descrição de Jesus Cristo o cumprimento de muitas profecias das Escrituras Hebraicas relativas ao Messias. Da citação inicial: “Eis que eu envio o meu mensageiro diante da tua face”, até as palavras agonizantes de Jesus na estaca: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?”, o relato inteiro do seu zeloso ministério, conforme registrado por Marcos, está em harmonia com o que as Escrituras Hebraicas predisseram. (Mar. 1:2; 15:34; Mal. 3:1; Sal. 22:1) Ademais, seus milagres e suas obras maravilhosas, seu ensino salutar, suas refutações impecáveis, sua completa dependência da Palavra e do espírito de Jeová, e pastorear ele ternamente as ovelhas — todas estas coisas o identificam como sendo Aquele que veio com autoridade, como o Filho de Deus. Ele ensinava “como quem tinha autoridade”, autoridade recebida de Jeová, e frisou a ‘pregação das boas novas de Deus’, a saber, que “o reino de Deus se tem aproximado”, como sendo seu trabalho principal aqui na terra. Seu ensino provou ser de benefício inestimável para todos os que lhe têm dado atenção. — Mar. 1:22, 14, 15.

      32. Quantas vezes emprega Marcos a expressão “reino de Deus”, e quais são alguns dos princípios orientadores apresentados para se ganhar a vida por meio do Reino?

      32 Jesus disse a seus discípulos: “A vós tem sido dado o segredo sagrado do reino de Deus.” Marcos emprega a expressão “reino de Deus” 14 vezes e delineia muitos princípios orientadores para os que desejam ganhar a vida por meio do Reino. Jesus declarou: “Todo aquele que perder a sua alma por causa de mim e das boas novas, salvá-la-á.” Todo obstáculo para se ganhar a vida deve ser removido: “Melhor te é entrares com um olho no reino de Deus, do que seres com os dois olhos lançado na Geena.” Jesus declarou adicionalmente: “Quem não receber o reino de Deus como uma criancinha, de modo algum entrará nele”, e: “Quão difícil será para os de dinheiro entrar no reino de Deus!” Ele disse que aquele que discerne que guardar os dois grandes mandamentos vale muito mais do que todos os holocaustos e sacrifícios ‘não está longe do reino de Deus’. Esses e outros ensinamentos do Reino, do Evangelho de Marcos, contêm muita admoestação boa que podemos aplicar à nossa vida diária. — 4:11; 8:35; 9:43-48; 10:13-15, 23-25; 12:28-34.

      33. (a) Como nos podemos beneficiar do Evangelho de Marcos? (b) A que proceder nos deve encorajar Marcos, e por quê?

      33 Pode-se ler, talvez, o inteiro livro das boas novas “segundo Marcos” em questão de uma ou duas horas, dando ao leitor uma retrospectiva emocionante, rápida e dinâmica do ministério de Jesus. Tal leitura corrente deste relato inspirado, bem como o estudo minucioso e a meditação sobre ele, serão sempre proveitosos. O Evangelho de Marcos é de proveito para os cristãos perseguidos hoje, da mesma forma que no primeiro século, pois os verdadeiros cristãos enfrentam hoje “tempos críticos, difíceis de manejar”, e necessitam de orientação inspirada, assim como a encontrada nesse registro de nosso Exemplo, Jesus Cristo. Leia-o, vibre com a sua ação dramática, e derive encorajamento para seguir as pisadas do Agente Principal e Aperfeiçoador de nossa fé, Jesus, com a mesma alegria invencível que ele mostrou. (2 Tim. 3:1; Heb. 12:2) Sim, encare-o como homem de ação, seja imbuído do Seu zelo e imite a Sua integridade e coragem intransigentes em meio a tribulação e oposição. Derive conforto desta rica porção das Escrituras inspiradas. Permita que lhe seja de proveito em sua busca da vida eterna!

      [Nota(s) de rodapé]

      a Estudo Perspicaz das Escrituras, “Marcos, Boas Novas Segundo”.

  • Livro bíblico número 42 — Lucas
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 42 — Lucas

      Escritor: Lucas

      Lugar da Escrita: Cesaréia

      Escrita Completada: c. 56-58 EC

      Tempo Abrangido: 3 AEC-33 EC

      1. Que espécie de Evangelho escreveu Lucas?

      O EVANGELHO de Lucas foi escrito por um homem que tinha mente alerta e coração bondoso, e esta excelente combinação de qualidades, junto com a orientação do espírito de Deus, resultou numa narrativa que é tanto exata como cheia de ardor e sentimento. Nos versículos iniciais, diz: “Também eu, tendo pesquisado todas as coisas com exatidão, desde o início, resolvi escrevê-los para ti em ordem lógica.” A sua apresentação pormenorizada e meticulosa confirma plenamente esta afirmação. — Luc. 1:3.

      2, 3. Que evidências, externa e interna, indicam que o médico Lucas foi o escritor deste Evangelho?

      2 Embora Lucas não seja mencionado em parte alguma da narrativa, as autoridades antigas concordam que ele foi o escritor. O Evangelho é atribuído a Lucas no Fragmento Muratoriano (c. 170 EC), e foi aceito por escritores do segundo século tais como Irineu e Clemente de Alexandria. A evidência interna também indica fortemente Lucas. Paulo refere-se a ele em Colossenses 4:14 como “Lucas, o médico amado”, e sua obra tem o cunho erudito que se espera de uma pessoa bem instruída, como um médico. A sua boa linguagem e seu vocabulário extenso, mais amplo do que o dos escritores dos outros três Evangelhos somados, tornam possível uma consideração meticulosa e completa de seu assunto vital. A sua narrativa sobre o filho pródigo é considerada por alguns como sendo o melhor conto já escrito.

      3 Lucas usa mais de 300 termos médicos ou palavras às quais atribui sentido médico, que não são empregados do mesmo modo (se é que são usados) pelos outros escritores das Escrituras Gregas Cristãs.a Por exemplo, ao se referir à lepra, Lucas nem sempre emprega o mesmo termo que os outros. Para eles, lepra é lepra, mas para um médico há diferentes estágios de lepra, como no caso em que Lucas fala de “um homem cheio de lepra”. De Lázaro ele diz que estava “cheio de úlceras”. Nenhum outro escritor dos Evangelhos diz que a sogra de Pedro tinha “febre alta”. (5:12; 16:20; 4:38) Embora os três outros nos falem de Pedro decepar a orelha do escravo do sumo sacerdote, apenas Lucas menciona que Jesus o curou. (22:51) Soa como se um médico falasse, dizer que uma mulher tinha “um espírito de fraqueza, já por dezoito anos, e ela estava encurvada e não podia absolutamente endireitar-se”. E quem senão “Lucas, o médico amado”, teria registrado em pormenores os primeiros socorros prestados a certo homem pelo samaritano que “lhe atou as feridas, derramando nelas azeite e vinho”? — 13:11; 10:34.

      4. Quando, provavelmente, foi escrito Lucas, e que circunstâncias apóiam este parecer?

      4 Quando escreveu Lucas o seu Evangelho? Atos 1:1 indica que o escritor de Atos (que também foi Lucas) havia composto anteriormente “o primeiro relato”, o Evangelho. Atos foi mais provavelmente completado por volta de 61 EC, enquanto Lucas estava em Roma com Paulo, que esperava o seu recurso interposto a César. De modo que o relato do Evangelho feito por Lucas foi provavelmente escrito em Cesaréia, por volta de 56-58 EC, depois de ele retornar com Paulo de Filipos, no fim da terceira viagem missionária de Paulo, e enquanto este esperava por dois anos na prisão em Cesaréia, antes de ser levado a Roma para o seu recurso. Durante este tempo, visto que Lucas estava na Palestina, estava em boa posição para ‘pesquisar todas as coisas com exatidão, desde o início’, com respeito à vida e ao ministério de Jesus. Deste modo, parece que a narrativa de Lucas precedeu o Evangelho de Marcos.

      5. Em que fontes pode ter Lucas ‘pesquisado com exatidão’ os eventos da vida de Jesus?

      5 Lucas não foi, como é óbvio, testemunha ocular de todos os eventos que registra no seu Evangelho, visto que não era um dos 12 e provavelmente só tornou-se crente depois da morte de Jesus. Todavia, estava mui intimamente associado a Paulo no campo missionário. (2 Tim. 4:11; Filêm. 24) Portanto, como seria de esperar, a sua escrita evidencia influência de Paulo, conforme pode ser visto mediante a comparação dos relatos dos dois sobre a Refeição Noturna do Senhor, em Lucas 22:19, 20 e; 1 Coríntios 11:23-25. Qual fonte adicional de consulta, Lucas podia recorrer ao Evangelho de Mateus. Ao ‘pesquisar todas as coisas com exatidão’, ele podia entrevistar pessoalmente muitas testemunhas oculares dos eventos da vida de Jesus, tais como os discípulos que ainda viviam e possivelmente a mãe de Jesus, Maria. Podemos ter certeza de que ele esgotaria todos os meios para reunir pormenores fidedignos.

      6. Quanto do Evangelho de Lucas é ímpar, e para quem escreveu ele? Por que responde assim?

      6 Torna-se claro pelo exame dos quatro Evangelhos que os escritores não repetem simplesmente a narrativa um do outro, tampouco escrevem só para fornecer diversas testemunhas deste vitalíssimo registro bíblico. O relato de Lucas tem uma maneira muito peculiar de tratar o assunto. Ao todo, 59 por cento do seu evangelho é ímpar. Ele registra pelo menos seis milagres específicos e mais do que o dobro desse número de ilustrações que não são mencionados nos outros Evangelhos, devotando um terço de seu Evangelho à narrativa e dois terços à palavra oral; seu Evangelho é o mais longo dos quatro. Mateus escreveu primariamente para os judeus, e Marcos para os leitores não-judeus, em especial os romanos. O Evangelho de Lucas foi dirigido ao “excelentíssimo Teófilo” e, por intermédio dele, a outras pessoas, tanto judeus como não-judeus. (Luc. 1:3, 4) Ao dar a seu relato um atrativo universal, remonta a genealogia de Jesus até “Adão, filho de Deus”, e não só até Abraão, como faz Mateus ao escrever especialmente para os judeus. Ele menciona, particularmente, as palavras proféticas de Simeão que Jesus seria o meio de “remover das nações o véu”, e diz que “toda a carne verá o meio salvador de Deus”. — 3:38; 2:29-32; 3:6.

      7. O que testifica fortemente a autenticidade do Evangelho de Lucas?

      7 Em todo o seu livro, Lucas se revela notável narrador, sendo os seus relatos bem organizados e exatos. Estas qualidades de exatidão e fidelidade nos escritos de Lucas são forte prova de sua autenticidade. Certo escritor de assuntos legais fez a seguinte observação: “Ao passo que os romances, as lendas e o testemunho falso tomam o cuidado de colocar os eventos narrados em algum lugar distante e em algum tempo indefinido, violando assim as primeiras regras que nós, advogados, aprendemos sobre o bom patrocínio duma causa em juízo, de que ‘a declaração precisa especificar o tempo e o lugar’, as narrativas da Bíblia dão-nos a data e o lugar das coisas narradas com a máxima precisão.”b Em prova disto ele citou Lucas 3:1, 2: “No décimo quinto ano do reinado de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador da Judéia e Herodes era governante distrital da Galiléia, mas Filipe, seu irmão, era governante distrital do país da Ituréia e de Traconítis, e Lisânias era governante distrital de Abilene, nos dias do principal sacerdote Anás e de Caifás, veio a declaração de Deus a João, filho de Zacarias, no ermo.” Não há indefinição alguma aqui quanto ao tempo e lugar, mas Lucas menciona aqui nada menos do que sete autoridades públicas, de modo que podemos estabelecer o tempo do início do ministério de João e do de Jesus.

      8. Como indica Lucas, “com exatidão”, a época do nascimento de Jesus?

      8 Lucas nos dá também dois indícios para determinarmos a época do nascimento de Jesus, ao dizer, em Lucas 2:1, 2: “Ora, naqueles dias saiu um decreto da parte de César Augusto, para que toda a terra habitada se registrasse; (este primeiro registro ocorreu quando Quirino era governador da Síria).” Isso ocorreu quando José e Maria foram a Belém para se registrar, e Jesus nasceu enquanto se achavam ali.c Não podemos deixar de concordar com o comentarista que diz: “É um dos testes mais escrutinadores do senso histórico de Lucas, que ele sempre consegue perfeita precisão.”d Precisamos reconhecer que é válida a afirmação de Lucas de ter “pesquisado todas as coisas com exatidão, desde o início”.

      9. Que profecia de Jesus, registrada por Lucas, teve um notável cumprimento em 70 EC?

      9 Lucas mostra também que as profecias das Escrituras Hebraicas foram cumpridas com precisão em Jesus Cristo. Cita o testemunho inspirado de Jesus sobre isso. (24:27, 44) Além disso, registra com exatidão as próprias profecias de Jesus com respeito a eventos futuros, e muitas destas já tiveram notável cumprimento em todos os seus pormenores. Por exemplo, Jerusalém foi cercada com uma fortificação de estacas pontiagudas e sucumbiu num terrível holocausto em 70 EC, assim como Jesus predissera. (Luc. 19:43, 44; 21:20-24; Mat. 24:2) O historiador secular Flávio Josefo, que foi testemunha ocular junto ao exército romano, testifica que os arrabaldes ficaram desnudados de árvores a uma distância de uns dezesseis quilômetros para fornecer estacas, que o muro do cerco tinha sete mil e duzentos metros de comprimento, que muitas mulheres e crianças morreram de fome, e que mais de 1.000.000 de judeus perderam a vida e 97.000 foram levados cativos. Até o dia de hoje, o Arco de Tito em Roma representa a procissão da vitória romana com despojos de guerra do templo de Jerusalém.e Podemos ter certeza de que outras profecias inspiradas registradas por Lucas serão cumpridas com a mesma precisão.

      CONTEÚDO DE LUCAS

      10. O que Lucas se propôs fazer?

      10 A introdução de Lucas (1:1-4). Lucas registra que pesquisou todas as coisas com exatidão, desde o início, e que resolveu escrevê-las em ordem lógica para que o ‘excelentíssimo Teófilo saiba plenamente a certeza’ dessas coisas. — 1:3, 4.

      11. Que eventos alegres são relatados no primeiro capítulo de Lucas?

      11 Anos iniciais da vida de Jesus (1:5-2:52). Aparece um anjo ao idoso sacerdote Zacarias com a alegre notícia de que terá um filho a quem deverá dar o nome de João. Mas até que o menino nasça Zacarias não poderá falar. Segundo prometido, sua esposa Elisabete fica grávida, embora também seja ‘bem avançada em anos’. Cerca de seis meses mais tarde, o anjo Gabriel aparece a Maria e lhe diz que ela conceberá pelo “poder do Altíssimo” e dará à luz um filho que será chamado Jesus. Maria visita Elisabete, e, depois de um cumprimento alegre, declara exultantemente: “Minha alma magnifica a Jeová e meu espírito não pode deixar de estar cheio de alegria por Deus, meu Salvador.” Ela fala do santo nome de Jeová e de sua grande misericórdia para com os que o temem. Por ocasião do nascimento de João, a língua de Zacarias é solta para que também declare a misericórdia de Deus e que João será o profeta que preparará o caminho de Jeová. — 1:7, 35, 46, 47.

      12. O que se declara sobre o nascimento e a infância de Jesus?

      12 No tempo devido, Jesus nasce em Belém, e um anjo anuncia estas “boas novas duma grande alegria” aos pastores que vigiam os seus rebanhos de noite. Faz-se a circuncisão de acordo com a Lei, e então quando os pais de Jesus ‘o apresentam a Jeová’ no templo, o idoso Simeão e a profetisa Ana falam a respeito do menino. De volta a Nazaré, ele ‘continua a crescer e a ficar forte, estando cheio de sabedoria, e o favor de Deus continua com ele’. (2:10, 22, 40) À idade de 12 anos, numa visita a Jerusalém, vindo de Nazaré, Jesus surpreende os instrutores com o seu entendimento e suas respostas.

      13. O que prega João, e o que acontece por ocasião do batismo de Jesus e imediatamente depois?

      13 Preparação para o ministério (3:1-4:13). No 15.º ano do reinado de Tibério César, vem a declaração de Deus a João, filho de Zacarias, e ele sai “pregando o batismo em símbolo de arrependimento para o perdão de pecados”, para que toda carne ‘veja o meio salvador de Deus’. (3:3, 6) Quando todo o povo é batizado no Jordão, Jesus também é batizado, e, enquanto ora, desce sobre ele o espírito santo e seu Pai expressa do céu a sua aprovação. Jesus Cristo tem então cerca de 30 anos de idade. (Lucas fornece a sua genealogia.) Após o batismo, o espírito conduz Jesus pelo ermo por 40 dias. Ali o Diabo o tenta sem êxito e então se retira “até outra ocasião conveniente”. — 4:13.

      14. Onde é que Jesus esclarece a sua comissão, qual é ela, e como reagem os seus ouvintes?

      14 O ministério inicial de Jesus, mormente na Galiléia (4:14-9:62). Na sinagoga de Nazaré, sua cidade, Jesus esclarece a sua comissão, lendo e aplicando a si mesmo a profecia de Isaías 61:1, 2: “O espírito de Jeová está sobre mim, porque me ungiu para declarar boas novas aos pobres, enviou-me para pregar livramento aos cativos e recuperação da vista aos cegos, para mandar embora os esmagados, com livramento, para pregar o ano aceitável de Jeová.” (4:18, 19) O prazer inicial do povo com as suas palavras se transforma em ira ao passo que ele prossegue seu discurso, e procuram dar cabo dele. De modo que se transfere para Cafarnaum, onde cura muitas pessoas. Multidões seguem-no e procuram detê-lo, mas ele lhes diz: “Tenho de declarar as boas novas do reino de Deus também a outras cidades, porque fui enviado para isso.” (4:43) Ele passa a pregar nas sinagogas da Judéia.

      15. Descreva o convite feito a Pedro, Tiago e João, e a Mateus.

      15 Na Galiléia, Jesus provê Simão (também chamado Pedro), Tiago e João duma pescaria miraculosa. Ele diz a Simão: “Doravante apanharás vivos a homens.” De modo que abandonam tudo e o seguem. Jesus continua a orar e a ensinar, e ‘o poder de Jeová está presente para ele fazer curas’. (5:10, 17) Ele convida Levi (Mateus), um desprezado cobrador de impostos, que honra a Jesus com uma grande festa, assistida também por “uma grande multidão de cobradores de impostos.” (5:29) Isto resulta no primeiro de diversos confrontos com os fariseus que os deixam furiosos e eles tramam causar-lhe dano.

      16. (a) Após o quê, escolhe Jesus os 12 apóstolos? (b) Que pontos são destacados por Lucas ao dar uma versão correspondente do Sermão do Monte?

      16 Depois de passar a noite inteira orando a Deus, Jesus escolhe os 12 apóstolos de entre seus discípulos. Seguem-se mais obras de cura. Daí, ele profere o sermão registrado em Lucas 6:20-49, que corresponde, em forma abreviada, ao Sermão do Monte, em Mateus capítulos 5 a 7. Jesus traça o contraste: “Felizes sois vós, pobres, porque vosso é o reino de Deus. Mas, ai de vós ricos, porque já tendes plenamente a vossa consolação.” (6:20, 24) Ele admoesta seus ouvintes a amar seus inimigos, a serem misericordiosos, a praticar o dar, e a trazer para fora o que é bom do bom tesouro do coração.

      17. (a) Que milagres realiza Jesus a seguir? (b) Como responde Jesus aos mensageiros de João, o Batizador, quanto a se ele é o Messias?

      17 Ao retornar a Cafarnaum, Jesus recebe um pedido de certo oficial do exército para curar um escravo doente. Ele se sente indigno de ter Jesus sob o seu teto, e pede a Jesus que ‘diga a palavra’ de onde ele está. Conseqüentemente, o escravo é curado, e Jesus se sente impelido a comentar: “Eu vos digo: Nem mesmo em Israel tenho encontrado tamanha fé.” (7:7, 9) Pela primeira vez, Jesus ressuscita um morto, o filho único de uma viúva em Naim, de quem “teve pena”. (7:13) Ao passo que a notícia a respeito de Jesus se espalha pela Judéia, João, o Batizador, da prisão, manda perguntar-lhe: “És tu Aquele Que Vem?” Em resposta Jesus diz aos mensageiros: “Ide e relatai a João o que vistes e ouvistes: os cegos estão recebendo visão, os coxos estão andando, os leprosos estão sendo purificados e os surdos estão ouvindo, os mortos estão sendo levantados, os pobres são informados das boas novas. E feliz é aquele que não tropeçou por causa de mim.” — 7:19, 22, 23.

      18. Com que ilustrações, obras e palavras de conselho prossegue a pregação do Reino?

      18 Acompanhado dos 12, Jesus vai “de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e declarando as boas novas do reino de Deus”. Ele profere a ilustração do semeador, e conclui a palestra dizendo: “Portanto, prestai atenção a como escutais; pois a quem tiver, mais será dado, mas quem não tiver, até mesmo o que imagina ter lhe será tirado.” (8:1, 18) Jesus continua a realizar obras maravilhosas e milagres. Dá também aos 12 autoridade sobre os demônios e o poder de curar doenças e os envia “a pregar o reino de Deus e a curar”. Cinco mil pessoas são miraculosamente alimentadas. Jesus é transfigurado no monte e, no dia seguinte, sara um menino possesso de demônio a quem os discípulos não conseguiram curar. Ele acautela os que o querem seguir: “As raposas têm covis e as aves do céu têm poleiros, mas o Filho do homem não tem onde deitar a cabeça.” Para a pessoa ser apta para o Reino de Deus, ela deve colocar as mãos no arado e não olhar para trás. — 9:2, 58.

      19. Como ilustra Jesus o verdadeiro amor ao próximo?

      19 O ministério posterior de Jesus na Judéia (10:1-13:21). Jesus envia mais 70 à “colheita”, e eles ficam cheios de alegria com o êxito de seu ministério. Enquanto Jesus prega, um homem, querendo mostrar-se justo, pergunta-lhe: “Quem é realmente o meu próximo?” Em resposta, Jesus profere a ilustração do samaritano prestativo. Certo homem, que jazia semimorto à beira da estrada por ter sido espancado por salteadores, é ignorado por um sacerdote e por um levita que passam por ali. Um desprezado samaritano é quem pára, trata ternamente de seus ferimentos, carrega-o no seu próprio animal, leva-o a uma hospedaria e paga para que se tome conta dele. Sim, é “aquele que agiu misericordiosamente para com ele” que se fez o próximo. — 10:2, 29, 37.

      20. (a) Que ponto acentua Jesus à Marta e à Maria? (b) Que ênfase dá ele à oração?

      20 Na casa de Marta, Jesus a repreende brandamente por estar ansiosa demais pelas tarefas domésticas, e elogia Maria por escolher a melhor parte, sentando-se e ouvindo a sua palavra. Ensina a seus discípulos a oração-modelo e também a necessidade de persistência em oração, dizendo: “Persisti em pedir, e dar-se-vos-á; persisti em buscar, e achareis.” Mais tarde expulsa demônios e declara felizes “os que ouvem a palavra de Deus e a guardam”. Durante uma refeição, ele entra em conflito com os fariseus por causa da Lei, e profere ais sobre eles por terem tirado “a chave do conhecimento”. — 11:9, 28, 52.

      21. Que aviso dá Jesus contra a cobiça, e o que insta a seus discípulos?

      21 Estando novamente com as multidões, alguém insta com Jesus: “Dize a meu irmão que divida comigo a herança.” Jesus vai ao âmago do problema, replicando: “Mantende os olhos abertos e guardai-vos de toda sorte de cobiça, porque mesmo quando alguém tem abundância, sua vida não vem das coisas que possui.” Daí, ele profere a ilustração do homem rico que derrubou seus celeiros para construir maiores, só para morrer naquela mesma noite e deixar a sua riqueza para outros. Jesus destaca concisamente o ponto: “Assim é com o homem que acumula para si tesouro, mas não é rico para com Deus.” Após instar seus discípulos a buscar primeiro o Reino de Deus, Jesus lhes diz: “Não temas, pequeno rebanho, porque aprouve a vosso Pai dar-vos o reino.” Curar ele no sábado uma mulher que estivera doente por 18 anos, resulta em mais conflitos com seus opositores, que são envergonhados. — 12:13, 15, 21, 32.

      22. Mediante que ilustrações apropriadas instrui Jesus a respeito do Reino?

      22 O ministério posterior de Jesus, mormente na Peréia (13:22-19:27). Jesus emprega ilustrações vívidas ao chamar a atenção de seus ouvintes ao Reino de Deus. Mostra que os que buscam preeminência e honra serão rebaixados. Que aquele que oferece uma refeição convide os pobres, que não têm como retribuir; será feliz e se lhe “pagará de volta na ressurreição dos justos”. A seguir, há a ilustração do homem que oferece uma lauta refeição noturna. Um após o outro, os convidados apresentam desculpas: um comprou um campo, outro comprou algumas cabeças de gado e ainda outro acaba de tomar uma esposa. Irado, o dono da casa manda trazer “os pobres, e os aleijados, e os cegos, e os coxos”, e declara que nenhum dos primeiramente convidados nem sequer “provará” a sua refeição. (14:14, 21, 24) Ele profere a ilustração da ovelha perdida que é encontrada, dizendo: “Eu vos digo que assim haverá mais alegria no céu por causa de um pecador que se arrepende, do que por causa de noventa e nove justos que não precisam de arrependimento.” (15:7) A ilustração da mulher que varre a casa para recuperar uma moeda de dracma destaca um ponto similar.f

      23. O que se ilustrou no relato sobre o filho pródigo?

      23 Jesus fala então sobre o filho pródigo que pediu ao pai a sua parte dos bens e daí esbanjou-a “por levar um vida devassa”. Vindo a estar em grande necessidade, o filho caiu em si e voltou à casa para apelar para a misericórdia de seu pai. Seu pai, penalizado, “correu e lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou ternamente”. Providenciou-se roupa boa, preparou-se uma lauta refeição, e “principiaram a regalar-se”. Mas o irmão mais velho objetou. Com benignidade, seu pai o corrigiu: “Filho, tu sempre estiveste comigo e todas as minhas coisas são tuas; mas nós simplesmente tivemos de nos regalar e alegrar, porque este teu irmão estava morto, e voltou a viver, e estava perdido, mas foi achado.” — 15:13, 20, 24, 31, 32.

      24. Que verdades enfatiza Jesus na ilustração do rico e Lázaro, bem como na do fariseu e o cobrador de impostos?

      24 Ao ouvir a ilustração do mordomo injusto, os fariseus, amantes do dinheiro, escarnecem do ensino de Jesus, mas ele lhes diz: “Vós sois os que vos declarais justos perante os homens, mas Deus conhece os vossos corações; porque aquilo que é altivo entre os homens é uma coisa repugnante à vista de Deus.” (16:15) Mediante a ilustração do rico e Lázaro, mostra quão grande é o precipício estabelecido entre os favorecidos e os desaprovados por Deus. Jesus adverte os discípulos de que haverá causas para tropeço, mas “ai daquele por meio de quem vêm!” Fala das dificuldades que sobrevirão ‘quando o Filho do homem for revelado’. “Lembrai-vos da mulher de Ló”, diz-lhes ele. (17:1, 30, 32) Por meio de uma ilustração, assegura que Deus certamente agirá em favor dos que “clamam a ele dia e noite”. (18:7) Daí, mediante outra ilustração, ele censura os autojustos: um fariseu, orando no templo, agradece a Deus que ele não é como os outros homens. Um cobrador de impostos, de pé à distância, nem sequer disposto a levantar os olhos para o céu, ora: “Ó Deus, sê clemente para comigo pecador.” Como Jesus avalia isso? Ele declara o cobrador de impostos mais justo do que o fariseu, “porque todo o que se enaltecer será humilhado, mas quem se humilhar será enaltecido”. (18:13, 14) Jesus é recebido como hóspede, em Jericó, pelo cobrador de impostos Zaqueu, e profere a ilustração das dez minas, contrastando o resultado de a pessoa fielmente usar os interesses que lhe são confiados com o de a pessoa escondê-los.

      25. Como empreende Jesus o estágio final de seu ministério, e que avisos proféticos faz?

      25 Ministério público final em Jerusalém e nas imediações (19:28-23:25). Quando Jesus entra em Jerusalém montado num jumentinho e é aclamado pela multidão de discípulos como sendo “Aquele que vem como Rei em nome de Jeová”, os fariseus pedem-lhe que os repreenda. Jesus replica: “Se estes permanecessem calados, as pedras clamariam.” (19:38, 40) Profere a sua memorável profecia sobre a destruição de Jerusalém, dizendo que ela será cercada com estacas pontiagudas, afligida, e, junto com seus filhos, despedaçada contra o chão, e que não se deixará pedra sobre pedra. Jesus ensina o povo no templo, declarando as boas novas e respondendo às perguntas sutis dos principais sacerdotes, dos escribas e dos saduceus, por meio de ilustrações e argumentos hábeis. Jesus fornece uma descrição vigorosa do grande sinal do fim, mencionando novamente o cerco de Jerusalém por exércitos acampados. Os homens ficarão desalentados de temor das coisas que sobrevirão, mas quando essas coisas ocorrerem, seus seguidores deverão ‘erguer-se e levantar a cabeça, porque o seu livramento estar-se-á aproximando’. Devem manter-se despertos para serem bem sucedidos em escapar do que está destinado a ocorrer. — 21:28.

      26. (a) Que pactos anuncia Jesus, e com que os relaciona? (b) Como é Jesus fortalecido quando em tribulação, e que censura profere na ocasião em que o prendem?

      26 Chegamos a 14 de nisã de 33 EC. Jesus celebra a Páscoa e daí anuncia “o novo pacto” a seus apóstolos fiéis, relacionando isto com a refeição simbólica que lhes ordena observar em memória dele. Ele lhes diz também: “Eu faço convosco um pacto, assim como meu Pai fez comigo um pacto, para um reino.” (22:20, 29) Naquela mesma noite, enquanto Jesus ora no monte das Oliveiras, ‘aparece-lhe um anjo do céu e o fortalece. Mas, ficando em agonia, continua a orar mais seriamente; e seu suor torna-se como gotas de sangue caindo ao chão’. A situação fica mais tensa à medida que Judas, o traidor, conduz a turba para prender Jesus. Os discípulos clamam: “Senhor, devemos golpeá-los com a espada?” Um deles decepa a orelha do escravo do sumo sacerdote, mas Jesus os censura e cura o homem ferido. — 22:43, 44, 49.

      27. (a) Em que falha Pedro? (b) Que acusações são lançadas contra Jesus, e sob que circunstâncias é julgado e sentenciado?

      27 Jesus é levado às pressas à casa do sumo sacerdote para interrogatório, e no frio da noite Pedro se mistura com a multidão ao redor do fogo. Em três ocasiões ele é acusado de ser seguidor de Jesus, e três vezes ele o nega. Daí, o galo canta. O Senhor volta-se e olha para Pedro, e Pedro, lembrando-se de como Jesus havia predito precisamente isso, sai e chora amargamente. Após ser arrastado ao Sinédrio, Jesus é então conduzido perante Pilatos e acusado de subverter a nação, proibir o pagamento de impostos, e ‘dizer que ele mesmo é Cristo, um rei’. Pilatos, ao saber que Jesus é galileu, envia-o a Herodes, que por acaso está em Jerusalém na ocasião. Herodes e seus guardas se divertem às custas de Jesus e o mandam de volta para um julgamento diante de uma turba exaltada. Pilatos ‘entrega Jesus à vontade deles’. — 23:2, 25.

      28. (a) O que promete Jesus ao ladrão que demonstra fé nele? (b) O que registra Lucas a respeito da morte, do sepultamento e da ressurreição de Jesus?

      28 Morte, ressurreição e ascensão de Jesus (23:26-24:53). Jesus é pregado na estaca entre dois malfeitores. Um deles escarnece de Jesus, mas o outro demonstra fé e pede para ser lembrado no Reino dele. Jesus promete: “Deveras, eu te digo hoje: Estarás comigo no Paraíso.” (23:43) Daí, se abate uma escuridão incomum, a cortina do santuário rasga-se pelo meio, e Jesus clama: “Pai, às tuas mãos confio o meu espírito.” Com isto, expira, e seu corpo é retirado e deitado num túmulo escavado na rocha. No primeiro dia da semana, as mulheres que vieram com ele da Galiléia vão ao túmulo, mas não encontram o corpo de Jesus. Assim como ele próprio predissera, ressuscitou ao terceiro dia! — 23:46.

      29. Com que relato alegre conclui o Evangelho de Lucas?

      29 Aparecendo sem se identificar a dois de seus discípulos na estrada para Emaús, Jesus fala sobre os seus sofrimentos e interpreta-lhes as Escrituras. Subitamente eles o reconhecem, mas ele desaparece. Comentam então: “Não se nos abrasavam os corações quando nos falava na estrada, ao nos abrir plenamente as Escrituras?” Voltam depressa a Jerusalém para contar isto aos outros discípulos. Enquanto ainda estão falando sobre essas coisas, Jesus aparece no seu meio. Eles não conseguem acreditar de tanta alegria e admiração. Então, ‘abre-lhes plenamente a mente para que compreendam’ pelas Escrituras o significado de tudo que acontecera. Lucas conclui o seu Evangelho com a descrição da ascensão de Jesus ao céu. — 24:32, 45.

      POR QUE É PROVEITOSO

      30, 31. (a) Como edifica Lucas confiança nas Escrituras Hebraicas como sendo inspiradas por Deus? (b) Que palavras de Jesus cita Lucas em apoio disso?

      30 As boas novas “segundo Lucas” edificam confiança na Palavra de Deus e fortalecem a fé para suportar as fustigações de um mundo que nos é estranho. Lucas fornece muitos exemplos de cumprimentos exatos das Escrituras Hebraicas. Jesus é apresentado como tirando sua comissão em termos específicos do livro de Isaías, e Lucas parece usar isso como tema em todo o livro. (Luc. 4:17-19; Isa. 61:1, 2) Essa foi uma das ocasiões em que Jesus citou dos Profetas. Ele também citava da Lei, como na ocasião em que rejeitou as três tentações do Diabo, e dos Salmos, como ao perguntar a seus adversários: “Como é que dizem que o Cristo é filho de Davi?” O relato de Lucas contém muitas outras citações das Escrituras Hebraicas. — Luc. 4:4, 8, 12; 20:41-44; Deut. 8:3; 6:13, 16; Sal. 110:1.

      31 Quando Jesus entrou em Jerusalém montado num jumentinho, segundo predito em Zacarias 9:9, as multidões o aclamaram alegremente, aplicando-lhe o texto de Salmo 118:26. (Luc. 19:35-38) Num lugar, dois versículos de Lucas são suficientes para abranger seis pontos que as Escrituras Hebraicas profetizaram a respeito da morte ignominiosa de Jesus e de sua ressurreição. (Luc. 18:32, 33; Sal. 22:7; Isa. 50:6; 53:5-7; Jon. 1:17) Finalmente, após sua ressurreição, Jesus inculcou poderosamente nos discípulos a importância das inteiras Escrituras Hebraicas. “Disse-lhes então: ‘Estas são as minhas palavras que vos falei enquanto ainda estava convosco, que todas as coisas escritas na lei de Moisés, e nos Profetas, e nos Salmos, a respeito de mim, têm de se cumprir.’ Abriu-lhes então plenamente as mentes para que compreendessem o significado das Escrituras.” (Luc. 24:44, 45) Semelhantes àqueles primeiros discípulos de Jesus Cristo, nós também podemos ser esclarecidos e obter forte fé, prestando atenção aos cumprimentos das Escrituras Hebraicas, tão precisamente explicados por Lucas e pelos demais escritores das Escrituras Gregas Cristãs.

      32. Como o relato de Lucas frisa o Reino, e qual deve ser a nossa atitude para com o Reino?

      32 Em toda a sua narrativa, Lucas indica de modo contínuo o Reino de Deus ao seu leitor. Do início do livro, em que o anjo promete a Maria que o filho a quem ela dará à luz “reinará sobre a casa de Jacó para sempre, e não haverá fim do seu reino”, aos capítulos finais, em que Jesus fala sobre introduzir os apóstolos no pacto para o Reino, Lucas frisa a esperança do Reino. (1:33; 22:28, 29) Apresenta Jesus tomando a dianteira na pregação do Reino e enviando os 12 apóstolos, e mais tarde os 70, para fazerem essa mesma obra. (4:43; 9:1, 2; 10:1, 8, 9) A unicidade de devoção necessária para poder entrar no Reino é acentuada pelas oportunas palavras de Jesus: “Deixa que os mortos enterrem seus mortos, mas tu, vai e divulga o reino de Deus”, e: “Ninguém que tiver posto a mão num arado e olhar para as coisas atrás é bem apto para o reino de Deus.” — 9:60, 62.

      33. Dê exemplos da ênfase de Lucas à oração. Que lição podemos tirar disso?

      33 Lucas enfatiza a questão da oração. Seu Evangelho é notável neste respeito. Fala da multidão que orava enquanto Zacarias se achava no templo; de João, o Batizador, ter nascido em resposta a orações por um filho e de Ana, a profetisa, orar noite e dia. Descreve Jesus orando por ocasião de seu batismo, passar ele a noite inteira em oração antes de escolher os 12 e a sua oração durante a transfiguração. Jesus admoesta os seus discípulos a “sempre orarem e . . . nunca desistirem”, ilustrando esse ponto por meio de uma viúva persistente que continuamente recorria a certo juiz até que ele lhe fez justiça. Somente Lucas fala do pedido dos discípulos para que Jesus lhes ensinasse a orar e do anjo que fortaleceu a Jesus, enquanto ele orava no monte das Oliveiras; e só ele registra as palavras da oração final de Jesus: “Pai, às tuas mãos confio o meu espírito.” (1:10, 13; 2:37; 3:21; 6:12; 9:28, 29; 18:1-8; 11:1; 22:39-46; 23:46) Como na época em que Lucas registrou seu Evangelho, assim também hoje a oração é uma provisão vital para fortalecer todos os que estão fazendo a vontade divina.

      34. Que qualidades de Jesus acentua Lucas como excelente precedente para os cristãos?

      34 Tendo mente profundamente observadora e estilo fluente e descritivo, Lucas confere ardor e vivacidade ao ensino de Jesus. O amor, a benignidade, a misericórdia e a compaixão de Jesus para com os fracos, os oprimidos e os desprezados se revelam em nítido contraste com a religião fria, formal, restritiva e hipócrita dos escribas e dos fariseus. (4:18; 18:9) Jesus dá constante encorajamento e ajuda aos pobres, aos cativos, aos cegos, e aos esmagados, fornecendo assim esplêndido precedente para os que procuram ‘seguir de perto os seus passos’. — 1 Ped. 2:21.

      35. Por que podemos ser realmente gratos a Jeová por Sua provisão do Evangelho de Lucas?

      35 Assim como Jesus, o perfeito Filho de Deus que fazia maravilhas, manifestou preocupação amorosa por seus discípulos e todas as pessoas sinceras, nós também devemos esforçar-nos a realizar nosso ministério com amor, sim, “por causa da terna compaixão de nosso Deus”. (Luc. 1:78) Para este fim as boas novas “segundo Lucas” são deveras de muito proveito e ajuda. Podemos realmente ser gratos a Jeová por ter inspirado Lucas, “o médico amado”, a escrever este relato exato, edificante e encorajador, apresentando a salvação por intermédio do Reino às mãos de Jesus Cristo, “o meio salvador de Deus”. — Col. 4:14; Luc. 3:6.

      [Nota(s) de rodapé]

      a The Medical Language of Luke, 1954, W. K. Hobart, páginas xi-xxviii.

      b A Lawyer Examines the Bible, 1943, I. H. Linton, página 38.

      c Estudo Perspicaz das Escrituras, “Registro”.

      d Modern Discovery and the Bible, 1955, A. Rendle Short, página 211.

      e The Jewish War, V, 491-515, 523 (xii, 1-4); VI, 420 (ix, 3); veja também Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 3, páginas 239-40.

      f A dracma era uma moeda grega de prata que pesava cerca de 3,4 g.

  • Livro bíblico número 43 — João
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 43 — João

      Escritor: Apóstolo João

      Lugar da Escrita: Éfeso, ou perto

      Escrita Completada: c. 98 EC

      Tempo Abrangido: Depois do prólogo, 29–33 EC

      1. O que mostram as Escrituras quanto à intimidade da associação de João com Jesus?

      OS EVANGELHOS de Mateus, Marcos e Lucas já estavam em circulação por mais de 30 anos e eram prezados pelos cristãos do primeiro século como sendo obras de homens inspirados pelo espírito santo. Agora, ao se aproximar o fim do século, e ao diminuir o número dos que haviam estado com Jesus, é bem provável que surgisse a pergunta: Havia ainda algo a ser relatado? Havia ainda alguém que pudesse, de suas próprias recordações, preencher pormenores preciosos do ministério de Jesus? Sim, havia. O idoso João fora singularmente abençoado em sua associação com Jesus. Achava-se, pelo que parece, entre os primeiros discípulos de João, o Batizador, apresentados ao Cordeiro de Deus e foi um dos quatro primeiros convidados pelo Senhor a participar com ele de tempo integral no ministério. (João 1:35-39; Mar. 1:16-20) Ele continuou a ter associação íntima com Jesus durante todo o Seu ministério, e era o discípulo a quem ‘Jesus amava’, que se recostou no peito de Jesus durante a última Páscoa. (João 13:23; Mat. 17:1; Mar. 5:37; 14:33) Ele estava presente durante a cena angustiante da execução, onde Jesus o incumbiu de cuidar de Sua mãe carnal, e foi ele quem passou adiante de Pedro ao correrem para o túmulo, a fim de investigar a notícia de que Jesus fora ressuscitado. — João 19:26, 27; 20:2-4.

      2. Como estava João habilitado e como foi avigorado para escrever o seu Evangelho, e para que fim?

      2 Amadurecido por quase 70 anos de ministério ativo e estimulado pelas visões e meditações de sua recente prisão solitária na ilha de Patmos, João estava bem habilitado para escrever sobre coisas há muito guardadas em seu coração. O espírito santo então avigorou a sua mente para relembrar e assentar por escrito muitos dos preciosos e vitalizadores dizeres, para que quem lesse ‘pudesse crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e que, por crer, tivesse vida por meio do nome de Jesus’. — 20:31.

      3, 4. Quais são as evidências, externa e interna, (a) da canonicidade do Evangelho e (b) de que João é o escritor?

      3 Os cristãos do princípio do segundo século aceitavam João como o escritor desta narrativa e também consideravam a sua escrita qual parte inquestionável do cânon das Escrituras inspiradas. Clemente de Alexandria, Irineu, Tertuliano e Orígenes, todos do fim do segundo e do princípio do terceiro século, testificam que João é o escritor. Ademais, encontra-se no próprio livro muita evidência interna de que João foi o escritor. Obviamente o escritor era judeu e estava bem familiarizado com os costumes judeus e com o seu país. (2:6; 4:5; 5:2; 10:22, 23) A própria intimidade do relato indica que ele era não só apóstolo, mas um do círculo íntimo de três — Pedro, Tiago e João — que acompanhavam Jesus em ocasiões especiais. (Mat. 17:1; Mar. 5:37; 14:33) Dentre estes, Tiago (filho de Zebedeu) é eliminado, porque foi martirizado por Herodes Agripa I, por volta do ano 44 EC, muito antes de o livro ser escrito. (Atos 12:2) Pedro é eliminado, visto ser mencionado junto com o escritor, em João 21:20-24.

      4 Nestes versículos finais, o escritor é citado como o discípulo a quem “Jesus havia amado”, esta e outras expressões similares sendo empregadas diversas vezes no relato, embora o nome do apóstolo João nunca seja mencionado. A respeito dele, cita-se Jesus aqui, dizendo: “Se for a minha vontade que ele permaneça até eu vir, de que preocupação é isso para ti?” (João 21:20, 22) Isto dá a entender que o discípulo a quem se referiu aqui viveria por muito mais tempo que Pedro e os outros apóstolos. Tudo isso se enquadra no apóstolo João. É de interesse notar que João, após receber a visão de Revelação (Apocalipse) da vinda de Jesus, conclua esta notável profecia com as palavras: “Amém! Vem, Senhor Jesus.” — Rev. 22:20.

      5. Quando, segundo se acredita, escreveu João o seu Evangelho?

      5 Acredita-se de modo geral que João escreveu seu Evangelho após seu retorno do exílio na ilha de Patmos, embora os escritos de João em si não forneçam nenhuma informação definida sobre o assunto. (Rev. 1:9) O imperador romano Nerva, 96-98 EC, chamou de volta a muitos que haviam sido exilados no fim do reinado de seu predecessor, Domiciano. Depois de escrever o seu Evangelho, por volta de 98 EC, acredita-se que João morreu em paz, em Éfeso, no terceiro ano do Imperador Trajano, em 100 EC.

      6. Que evidência indica que o Evangelho de João foi escrito fora da Palestina, em Éfeso ou perto dali?

      6 Quanto a ser Eféso ou sua vizinhança o lugar de escrita, o historiador Eusébio (c. 260-c. 340 EC) cita Irineu como tendo dito: “João, o discípulo do Senhor, que até mesmo se recostou em Seu peito, produziu ele próprio o Evangelho, enquanto residia em Éfeso, na Ásia.”a Que o livro foi escrito fora da Palestina é apoiado pelas muitas referências que faz aos oponentes de Jesus pelo termo geral, “os judeus”, em vez de “fariseus”, “principais sacerdotes” e assim por diante. (João 1:19; 12:9) Também, o mar da Galiléia é identificado por seu nome romano, mar de Tiberíades. (6:1; 21:1) Em benefício dos não-judeus, João fornece explicações úteis das festividades judaicas. (6:4; 7:2; 11:55) O lugar do seu exílio, Patmos, era perto de Éfeso, e sua familiaridade com Éfeso, bem como com outras congregações da Ásia Menor, é indicada por Revelação, capítulos 2 e 3.

      7. De que importância é o Papiro Rylands 457?

      7 Relacionadas com a autenticidade do Evangelho de João, foram feitas importantes descobertas de manuscritos no século 20. Uma dessas é um fragmento do Evangelho de João, encontrado no Egito, contendo João 18:31-33, 37, 38, conhecido atualmente como Papiro Rylands 457 (P52), e preservado na Biblioteca John Rylands, Manchester, Inglaterra.b Com relação à tradição de que João foi o escritor, no fim do primeiro século, o falecido Sir Frederic Kenyon disse em seu livro The Bible and Modern Scholarship (A Bíblia e a Erudição Moderna), 1949, página 21: “Portanto, embora seja tão pequeno, é suficiente para provar que estava em circulação um manuscrito deste Evangelho, presumivelmente no Egito provincial, onde foi encontrado, por volta do período de 130-150 AD. Dando até mesmo a mínima margem de tempo para a circulação da obra, a partir de seu lugar de origem, isto situaria a data da composição tão próxima à data tradicional, a última década do primeiro século, que não há mais motivo algum de se duvidar da validez da tradição.”

      8. (a) O que é notável com respeito à introdução do Evangelho de João? (b) Que prova fornece de que o ministério de Jesus teve três anos e meio de duração?

      8 O Evangelho de João é notável por sua introdução, que revela a Palavra, que estava “no princípio com o Deus”, como Aquele por meio de quem todas as coisas vieram à existência. (1:2) Depois de dar a conhecer a preciosa relação entre o Pai e o Filho, João passa a descrever magistralmente as obras e os discursos de Jesus, especialmente do ponto de vista do amor íntimo que vincula tudo no grande arranjo de Deus. Este relato da vida de Jesus na terra abrange o período de 29-33 EC, e toma o cuidado de mencionar as quatro Páscoas a que Jesus assistiu durante o seu ministério, fornecendo assim um dos meios de provar que o seu ministério durou três anos e meio. Três dessas Páscoas são mencionadas como sendo tal. (2:13; 6:4; 12:1; 13:1) Alude-se a uma delas como “uma festividade dos judeus”, mas o contexto a coloca pouco depois de Jesus dizer que “ainda faltam quatro meses até chegar a colheita”, indicando assim que a festividade é a Páscoa, que ocorria por volta do início da colheita. — 4:35; 5:1.c

      9. O que mostra que o Evangelho de João é suplementar, e, no entanto, será que preenche todos os pormenores do ministério de Jesus?

      9 As boas novas “segundo João” são em grande parte suplementares; 92 por cento é matéria nova, não abrangida nos outros três Evangelhos. Mesmo assim, João conclui com as seguintes palavras: “Há, de fato, também muitas outras coisas que Jesus fez, as quais, se alguma vez fossem escritas em todos os pormenores, suponho que o próprio mundo não poderia conter os rolos escritos.” — 21:25.

      CONTEÚDO DE JOÃO

      10. O que diz João sobre “a Palavra”?

      10 Prólogo: Apresentando “a Palavra” (1:1-18). Com bela simplicidade, João declara que no princípio “a Palavra estava com o Deus”, que a própria vida veio por meio dele, que ele se tornou “a luz dos homens” e que João (o Batizador) deu testemunho a respeito dele. (1:1, 4) A luz estava no mundo, mas o mundo não o conheceu. Aqueles que o receberam tornaram-se filhos de Deus, tendo nascido de Deus. Assim como a Lei fora dada por meio de Moisés, da mesma forma “a benignidade imerecida e a verdade vieram à existência por intermédio de Jesus Cristo”. — 1:17.

      11. João, o Batizador, identifica Jesus como sendo o quê, e os discípulos de João aceitam Jesus como sendo o quê?

      11 Apresentando “o Cordeiro de Deus” aos homens (1:19-51). João, o Batizador, confessa que ele não é o Cristo, mas diz que há um que vem atrás dele, e que ele não é digno nem de desatar o cordão da sandália deste. No dia seguinte, à medida que Jesus se aproxima dele, João o identifica como “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. (1:27, 29) A seguir, apresenta dois de seus discípulos a Jesus, e um deles, André, leva seu irmão Pedro a Jesus. Filipe e Natanael também aceitam Jesus como ‘o Filho de Deus, o Rei de Israel’. — 1:49.

      12. (a) Qual é o primeiro milagre de Jesus? (b) O que faz Jesus quando sobe a Jerusalém para a primeira Páscoa durante o seu ministério?

      12 Os milagres de Jesus provam que ele é “o Santo de Deus” (2:1–6:71). Jesus realiza o seu primeiro milagre em Caná da Galiléia, transformando água no melhor dos vinhos, numa festa de casamento. Esse é o “princípio dos seus sinais, . . . e seus discípulos depositaram nele a sua fé”. (2:11) Jesus sobe a Jerusalém para a Páscoa. Ao encontrar vendedores ambulantes e cambistas no templo, pega um chicote e os expulsa com tanto vigor que seus discípulos reconhecem o cumprimento da profecia: “O zelo da tua casa me devorará.” (João 2:17; Sal. 69:9) Ele prediz que o templo de seu próprio corpo será demolido e levantado de novo em três dias.

      13. (a) O que mostra Jesus ser necessário para ganhar a vida? (b) Como fala João, o Batizador, de si mesmo em relação a Jesus?

      13 O temeroso Nicodemos vem a Jesus à noite. Ele confessa que Jesus é enviado de Deus, e Jesus lhe diz que a pessoa tem de nascer da água e do espírito para entrar no Reino de Deus. É necessário acreditar no Filho do homem, vindo do céu, para ganhar a vida. “Porque Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, a fim de que todo aquele que nele exercer fé não seja destruído, mas tenha vida eterna.” (João 3:16) A luz que veio ao mundo está em conflito com a escuridão, ‘mas quem faz o que é verdadeiro se chega à luz’, conclui Jesus. João, o Batizador, fica sabendo da atividade de Jesus na Judéia e declara que, embora ele mesmo não seja o Cristo, ainda assim “o amigo do noivo . . . tem muita alegria por causa da voz do noivo”. (3:21, 29) Jesus tem então de aumentar e João, diminuir.

      14. O que explica Jesus à mulher samaritana, em Sicar, e o que resulta de sua pregação ali?

      14 Jesus parte de novo para a Galiléia. No caminho, todo empoeirado e “cansado da jornada”, senta-se para descansar junto à fonte de Jacó, em Sicar, enquanto seus discípulos estão ausentes, comprando alimentos na cidade. (4:6) É meio-dia, a sexta hora. Uma mulher samaritana aproxima-se para tirar água, e Jesus pede-lhe água para beber. Daí, embora cansado, ele começa a falar-lhe sobre a verdadeira “água” que realmente reanima, dando vida eterna aos que adoram a Deus “com espírito e verdade”. Os discípulos retornam e instam com ele para que coma, e ele declara: “Meu alimento é eu fazer a vontade daquele que me enviou e terminar a sua obra.” Ele passa mais dois dias na região, de modo que muitos samaritanos passam a crer que “este homem certamente é o salvador do mundo”. (4:24, 34, 42) Ao chegar a Caná da Galiléia, Jesus cura o filho de um nobre sem nem mesmo chegar perto de seu leito.

      15. Que acusações são feitas contra Jesus em Jerusalém, mas como responde ele aos críticos?

      15 Jesus sobe de novo a Jerusalém para a festividade dos judeus. Ele cura no sábado um homem doente, e isto suscita uma grande onda de críticas. Jesus replica: “Meu Pai tem estado trabalhando até agora e eu estou trabalhando.” (5:17) Os líderes judaicos afirmam então que Jesus acrescentou blasfêmia ao crime da violação do sábado, por fazer-se igual a Deus. Jesus responde que o Filho não pode fazer nem uma única coisa de sua própria iniciativa, mas é inteiramente dependente do Pai. Ele faz a maravilhosa declaração de que “todos os que estão nos túmulos memoriais ouvirão a sua voz e sairão” para uma ressurreição. Mas, a seus ouvintes sem fé, Jesus diz: “Como podeis crer, quando aceitais a glória uns dos outros e não buscais a glória que é do único Deus?” — 5:28, 29, 44.

      16. (a) O que ensina Jesus com respeito ao alimento e à vida? (b) Como expressa Pedro a convicção dos apóstolos?

      16 Quando Jesus miraculosamente alimenta 5.000 homens com cinco pães e dois peixinhos, a multidão cogita apoderar-se dele e fazê-lo rei, mas ele se retira para o monte. Mais tarde, ele os repreende por irem atrás do “alimento que perece”. Antes, eles deveriam trabalhar “pelo alimento que permanece para a vida eterna”. Ele frisa que exercer fé nele como o Filho é partilhar o pão da vida, e acrescenta: “A menos que comais a carne do Filho do homem e bebais o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos.” Muitos de seus discípulos se ofendem com isso e o abandonam. Jesus pergunta aos 12: “Será que vós também quereis ir?” e Pedro replica: “Senhor, para quem havemos de ir? Tu tens declarações de vida eterna; e nós cremos e viemos a saber que tu és o Santo de Deus.” (6:27, 53, 67-69) Entretanto, Jesus, sabendo que Judas o trairá, diz que um deles é caluniador.

      17. Que efeito tem o ensino de Jesus no templo, durante a Festividade das Tendas?

      17 “A luz” está em desacordo com a escuridão (7:1–12:50). Jesus sobe a Jerusalém secretamente, e aparece já no meio da Festividade das Tendas, ensinando abertamente no templo. As pessoas discutem se ele é realmente o Cristo. Jesus lhes diz: “Eu não vim de minha própria iniciativa, mas aquele que me enviou é real, . . . e Este me enviou.” Em outra ocasião, ele clama à multidão: “Se alguém tiver sede, venha a mim e beba.” Os oficiais enviados para prender Jesus retornam de mãos vazias e relatam aos sacerdotes: “Nunca homem algum falou como este.” Furiosos, os fariseus respondem que nenhum dos governantes creu, nem profeta algum havia de ser levantado da Galiléia. — 7:28, 29, 37, 46.

      18. Que oposição levantam os judeus contra Jesus, e como responde ele?

      18 Numa palestra adicional, Jesus diz: “Eu sou a luz do mundo.” Às acusações malévolas de que ele é uma testemunha falsa, que é filho ilegítimo bem como que é samaritano e possesso de demônio, Jesus replica com vigor: “Se eu glorificar a mim mesmo, a minha glória não é nada. É meu Pai quem me glorifica.” Quando ele declara: “Antes de Abraão vir à existência, eu tenho sido”, os judeus fazem outro atentado malogrado contra a sua vida. (8:12, 54, 58) Frustrados, mais tarde eles interrogam um homem cuja vista Jesus miraculosamente restaurara, e lançam-no fora.

      19. (a) Como fala Jesus de sua relação com seu Pai e de seu cuidado pelas suas ovelhas? (b) Como responde ele aos judeus quando eles o ameaçam?

      19 Novamente Jesus fala aos judeus, desta vez com respeito ao pastor excelente, que chama suas ovelhas por nome e entrega a sua alma em benefício das ovelhas ‘para que elas tenham vida em abundância’. Ele diz: “Tenho outras ovelhas, que não são deste aprisco; a estas também tenho de trazer, e elas escutarão a minha voz e se tornarão um só rebanho, um só pastor.” (10:10, 16) Ele diz aos judeus que ninguém pode arrebatar as ovelhas das mãos de seu Pai, e que ele e seu Pai são um. De novo eles tentam apedrejá-lo até a morte. Em resposta à acusação de blasfêmia, lembra-lhes que, no livro dos Salmos, certos poderosos da terra são mencionados como “deuses”, ao passo que ele se referiu a si mesmo como Filho de Deus. (Sal. 82:6) Ele insta com eles para acreditarem pelo menos em suas obras. — João 10:34.

      20. (a) Que milagre notável realiza Jesus a seguir? (b) A que isto conduz?

      20 De Betânia, próximo a Jerusalém, chegam notícias de que Lázaro, irmão de Maria e Marta, está doente. Quando Jesus chega lá, Lázaro está morto e no túmulo há quatro dias. Jesus realiza o assombroso milagre de trazer Lázaro de volta à vida, fazendo com que muitos depositem fé nele. Isso provoca uma reunião extraordinária do Sinédrio, onde o sumo sacerdote, Caifás, é compelido a profetizar que Jesus está destinado a morrer pela nação. Visto que os principais sacerdotes e os fariseus deliberam matá-lo, Jesus se retira temporariamente das atividades públicas.

      21. (a) Como reagem as pessoas e os fariseus à entrada de Jesus em Jerusalém? (b) Que ilustração profere Jesus com respeito à sua morte e o propósito dela, e a que insta ele os seus ouvintes?

      21 Seis dias antes da Páscoa, Jesus, estando a caminho de Jerusalém, vem de novo a Betânia e é recebido como hóspede na casa de Lázaro. Daí, no dia após o sábado, em 9 de nisã, sentado num jumentinho, ele entra em Jerusalém em meio às aclamações de uma grande multidão; e os fariseus dizem um ao outro: “Observais que não conseguis absolutamente nada. Eis que o mundo foi atrás dele.” Mediante a ilustração do grão de trigo, Jesus dá a entender que ele precisa ser plantado na morte a fim de que seja produzido fruto para a vida eterna. Ele pede a seu Pai que glorifique o Seu nome, e ouve-se uma voz do céu: “Eu tanto o glorifiquei como o glorificarei de novo.” Jesus insta seus ouvintes a evitar a escuridão e a andar na luz, sim, a tornarem-se “filhos da luz”. À medida que as forças da escuridão se acercam dele, ele profere um vigoroso apelo público para que as pessoas depositem fé nele ‘como a luz que veio ao mundo’. — 12:19, 28, 36, 46.

      22. Que exemplo fornece Jesus na refeição da Páscoa, e que novo mandamento ele dá?

      22 Conselho de despedida de Jesus aos fiéis apóstolos (13:1–16:33). Enquanto a refeição noturna da Páscoa com os 12 está em andamento, Jesus se levanta e, tirando a sua roupagem exterior, pega uma toalha e uma bacia e passa a lavar os pés de seus discípulos. Pedro protesta, mas Jesus lhe diz que ele também precisa que se lhe lavem os pés. Jesus admoesta seus discípulos a seguirem o seu exemplo de humildade, pois “o escravo não é maior do que o seu amo”. Ele fala do traidor e então dispensa Judas. Depois de Judas sair, Jesus começa a falar intimamente com os outros. “Eu vos dou um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.” — 13:16, 34, 35.

      23. Como conforto, que esperança e que prometido ajudador considera Jesus?

      23 Jesus fala palavras maravilhosas de conforto para seus seguidores, nesta hora crítica. Eles têm de exercer fé em Deus e nele também. Na casa de seu Pai há muitas moradas, e ele virá novamente para os acolher. “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida”, diz Jesus. “Ninguém vem ao Pai senão por mim.” Consoladoramente ele diz a seus seguidores que por exercerem fé, eles farão obras maiores do que as dele e que ele concederá o que quer que eles peçam em seu nome, a fim de que seu Pai seja glorificado. Ele lhes promete um outro ajudador, “o espírito da verdade”, que lhes ensinará todas as coisas e os fará lembrar tudo o que ele lhes disse. Eles deveriam alegrar-se de que Jesus vai embora para o seu Pai, pois, diz Jesus: “O Pai é maior do que eu.” — 14:6, 17, 28.

      24. Como comenta Jesus a relação dos apóstolos com ele mesmo e com o Pai, resultando em que bênçãos para eles?

      24 Jesus fala de si mesmo como a verdadeira videira e de seu Pai como o cultivador. Ele insta com eles para que permaneçam em união consigo, dizendo: “Nisto é glorificado o meu Pai, que persistais em dar muito fruto e vos mostreis meus discípulos.” (15:8) E como pode a alegria deles tornar-se plena? Por amarem uns aos outros, assim como Jesus os amou. Ele os chama de amigos. Que preciosa relação! O mundo os odiará assim como tem odiado a ele, irá persegui-los, mas Jesus enviará o ajudador para dar testemunho dele e para guiar seus discípulos a toda verdade. O pesar atual deles dará lugar ao regozijo quando ele os vir de novo, e ninguém lhes tirará sua alegria. São consoladoras as suas palavras: “O próprio Pai tem afeição por vós, porque tivestes afeição por mim e acreditastes que saí como representante do Pai.” Eles serão certamente espalhados, mas Jesus diz: “Eu vos disse estas coisas para que, por meio de mim, tenhais paz. No mundo tereis tribulação, mas, coragem! eu venci o mundo.” — 16:27, 33.

      25. (a) O que admite Jesus em oração a seu Pai? (b) O que pede ele com respeito a si mesmo, a seus discípulos, e aos que irão exercer fé por meio da mensagem destes?

      25 A oração de Jesus em favor de seus discípulos (17:1-26). Em oração, Jesus admite a seu Pai: “Isto significa vida eterna, que absorvam conhecimento de ti, o único Deus verdadeiro, e daquele que enviaste, Jesus Cristo.” Tendo terminado a sua obra designada na terra, Jesus pede então para ser glorificado junto a seu Pai com a glória que tivera antes de haver o mundo. Ele tem feito manifesto o nome de seu Pai a seus discípulos e pede ao Pai que vigie sobre eles ‘por causa do Seu próprio nome’. Ele pede ao Pai, não que os tire do mundo, mas que os proteja do iníquo e os santifique por meio da Sua palavra da verdade. Jesus amplia a sua oração para abranger todos os que ainda exercerão fé por ouvirem a mensagem desses discípulos, “a fim de que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em união comigo e eu estou em união contigo, para que eles também estejam em união conosco, a fim de que o mundo acredite que me enviaste”. Ele pede que esses também possam partilhar com ele na sua glória celestial, pois ele tem dado a conhecer o nome do Pai a eles, para que o Seu amor permaneça neles. — 17:3, 11, 21.

      26. O que diz o relato a respeito da prisão e do julgamento de Jesus?

      26 Cristo julgado e pregado na estaca (18:1–19:42). Jesus e seus discípulos vão então ao jardim do outro lado do vale do Cédron. É aqui que Judas aparece com um destacamento de soldados e trai a Jesus, que mansamente se submete. Pedro, contudo, o defende com uma espada e é repreendido: “Não devia eu de toda maneira beber o copo que o Pai me tem dado?” (18:11) Jesus é então levado amarrado a Anás, sogro de Caifás, o sumo sacerdote. João e Pedro seguem-no de perto, e João consegue que ambos entrem no pátio do sumo sacerdote, onde Pedro nega três vezes que conhece a Cristo. Jesus é primeiro interrogado por Anás e daí levado perante Caifás. A seguir, Jesus é levado ao governador romano Pilatos, e os judeus clamam pela sentença de morte.

      27. (a) Que perguntas quanto à realeza e à autoridade são suscitadas por Pilatos, e que comentários faz Jesus? (b) Que posição adotam os judeus sobre a realeza?

      27 À pergunta de Pilatos: “És tu rei?”, Jesus replica: “Tu mesmo estás dizendo que eu sou rei. Para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade.” (18:37) Pilatos, não encontrando evidência genuína contra Jesus, oferece libertá-lo, visto ser costume na Páscoa soltar um prisioneiro, mas os judeus pedem que o salteador Barrabás seja solto, em vez de Jesus. Pilatos manda açoitar Jesus, e, de novo, tenta libertá-lo, mas os judeus gritam: “Para a estaca com ele! Para a estaca com ele! . . . porque se fez filho de Deus.” Quando Pilatos diz a Jesus que ele tem autoridade para pregá-lo na estaca, Jesus responde: “Não terias absolutamente nenhuma autoridade contra mim, se não te tivesse sido concedida de cima.” Novamente, os judeus clamam: “Fora com ele! Fora com ele! Para a estaca com ele! . . . Não temos rei senão César.” Em face disto, Pilatos entrega-o para ser pregado numa estaca. — 19:6, 7, 11, 15.

      28. O que ocorre em Gólgota, e que profecias se cumprem ali?

      28 Jesus é levado “para o chamado Lugar da Caveira, que em hebraico é chamado Gólgota”, e é pregado na estaca entre dois outros. Acima dele Pilatos prega a inscrição “Jesus, o Nazareno, o Rei dos Judeus”, escrito em hebraico, em latim e em grego, para que todos vejam e entendam. (19:17, 19) Jesus confia sua mãe aos cuidados de João e, após receber um pouco de vinho acre, exclama: “Está consumado!” Daí, inclina a cabeça e expira. (19:30) Em cumprimento das profecias, o pelotão executor lança sortes sobre as suas roupas, refreia-se de lhe quebrar as pernas e fura-lhe o lado com uma lança. (João 19:24, 32-37; Sal. 22:18; 34:20; 22:17; Zac. 12:10) Depois disso, José de Arimatéia e Nicodemos preparam o corpo para o enterro e o colocam num túmulo memorial novo ali perto.

      29. (a) Que aparições faz o ressuscitado Jesus a seus discípulos? (b) Que pontos salienta Jesus nas suas observações finais a Pedro?

      29 Aparições do ressuscitado Cristo (20:1–21:25). A série de evidências de João quanto ao Cristo conclui com o tom alegre da ressurreição. Maria Madalena encontra o túmulo vazio; Pedro e outro discípulo (João) correm para lá, mas vêem apenas as faixas e o pano para a cabeça, deixados ali. Maria, que permaneceu próximo ao túmulo, fala com dois anjos e, finalmente, segundo supõe, com o jardineiro. Quando ele responde: “Maria!”, ela imediatamente reconhece que ele é Jesus. A seguir, Jesus manifesta-se a seus discípulos atrás de portas trancadas, e fala-lhes do poder que receberão por meio do espírito santo. Depois, Tomé, que não estava presente, recusa-se a acreditar, porém, oito dias mais tarde, Jesus aparece de novo e fornece-lhe a prova, ao que Tomé exclama: “Meu Senhor e meu Deus!” (20:16, 28) Alguns dias mais tarde, Jesus torna a se reunir com os discípulos, no mar de Tiberíades; ele fornece-lhes uma miraculosa pesca, e então toma o desjejum com eles. Jesus pergunta três vezes a Pedro se ele o ama. Quando Pedro insiste que sim, Jesus diz acentuadamente: “Apascenta meus cordeiros.” “Pastoreia minhas ovelhinhas.” “Apascenta as minhas ovelhinhas.” Daí, ele prediz com que sorte de morte Pedro glorificará a Deus. Pedro pergunta sobre João, e Jesus diz: “Se for a minha vontade que ele permaneça até eu vir, de que preocupação é isso para ti?” — 21:15-17, 22.

      POR QUE É PROVEITOSO

      30. Como dá João ênfase especial à qualidade do amor?

      30 Poderoso em sua franqueza e convincente em sua descrição íntima e acalentadora da Palavra, que se tornou o Cristo, as boas novas “segundo João” dão-nos uma visão de perto desse Filho ungido de Deus, em palavra e em ação. Embora o estilo e o vocabulário de João sejam simples, identificando-o como um homem ‘indouto e comum’, há um poder enorme em sua expressão. (Atos 4:13) Seu Evangelho atinge as mais sublimes alturas ao dar a conhecer o amor íntimo entre o Pai e o Filho, bem como a amorosa e abençoada relação encontrada entre os que estão em união com eles. João usa as palavras “amor” e derivados do verbo amar mais vezes que os outros três Evangelhos juntos.

      31. Que relação é destacada em todo o Evangelho de João, e como atinge ela um clímax?

      31 No princípio, que gloriosa relação existia entre a Palavra e Deus, o Pai! Graças à providência de Deus, “a Palavra se tornou carne e residiu entre nós, e observamos a sua glória, uma glória tal como a de um filho unigênito dum pai; e ele estava cheio de benignidade imerecida e de verdade”. (João 1:14) Daí, em todo o relato de João, Jesus enfatiza sua relação como sendo de sujeição em inquestionável obediência à vontade do Pai. (4:34; 5:19, 30; 7:16; 10:29, 30; 11:41, 42; 12:27, 49, 50; 14:10) A sua expressão dessa íntima relação atinge seu glorioso clímax na comovente oração, registrada em João, capítulo 17, onde Jesus relata a seu Pai que terminou a obra que Ele lhe deu para fazer na terra, e acrescenta: “De modo que agora, Pai, glorifica-me junto de ti com a glória que eu tive junto de ti antes de haver o mundo.” — 17:5.

      32. Mediante que expressões mostra Jesus a sua própria relação com os seus discípulos e que ele é o canal exclusivo, por meio do qual vêm bênçãos de vida para a humanidade?

      32 Que dizer da relação de Jesus com seus discípulos? O papel de Jesus como canal exclusivo, por meio do qual as bênçãos de Deus são estendidas a esses e a toda a humanidade, é continuamente mantido em evidência. (14:13, 14; 15:16; 16:23, 24) Ele é mencionado como “o Cordeiro de Deus”, “o pão da vida”, “a luz do mundo”, “o pastor excelente”, “a ressurreição e a vida”, “o caminho, e a verdade, e a vida”, e “a verdadeira videira”. (1:29; 6:35; 8:12; 10:11; 11:25; 14:6; 15:1) É nesta ilustração, da “verdadeira videira”, que Jesus dá a conhecer a maravilhosa união que existe, não apenas entre os seus verdadeiros seguidores e ele, mas também com o Pai. Por dar muito fruto, eles glorificarão a seu Pai. “Assim como o Pai me tem amado e eu vos tenho amado, permanecei no meu amor”, aconselha Jesus. — 15:9.

      33. Que propósito do seu ministério expressa Jesus em oração?

      33 Daí, quão fervorosamente ele ora a Jeová para que todos esses amados, e também ‘aqueles que depositam fé nele por intermédio da palavra deles’, possam ser um com o seu Pai e com ele, sendo santificados pela palavra da verdade! Deveras, o inteiro propósito do ministério de Jesus é maravilhosamente expresso nas palavras finais de sua oração a seu Pai: “Eu lhes tenho dado a conhecer o teu nome e o hei de dar a conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e eu em união com eles.” — 17:20, 26.

      34. Que conselho benéfico deu Jesus quanto a como sair vitorioso frente ao mundo?

      34 Embora Jesus estivesse deixando seus discípulos no mundo, ele não iria deixá-los sem um ajudador, “o espírito da verdade”. Ademais, ele lhes deu conselho oportuno quanto à sua relação com o mundo, mostrando-lhes como sair vitoriosos quais “filhos da luz”. (14:16, 17; 3:19-21; 12:36) “Se permanecerdes na minha palavra, sois realmente meus discípulos”, diz Jesus, “e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. Em contraste, ele disse aos filhos da escuridão: “Vós sois de vosso pai, o Diabo, e quereis fazer os desejos de vosso pai. . . . [Ele] não permaneceu firme na verdade, porque não há nele verdade.” Sejamos, pois, determinados a sempre permanecer firmes na verdade, sim, a ‘adorar o Pai com espírito e verdade’, e a derivar força das palavras de Jesus: “Coragem! eu venci o mundo.” — 8:31, 32, 44; 4:23; 16:33.

      35. (a) Que testemunho dá Jesus com respeito ao Reino de Deus? (b) Por que dá o Evangelho de João causa para felicidade e gratidão?

      35 Tudo isso também tem relação com o Reino de Deus. Jesus testificou quando em julgamento: “Meu reino não faz parte deste mundo. Se o meu reino fizesse parte deste mundo, meus assistentes teriam lutado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas, assim como é, o meu reino não é desta fonte.” Daí, em resposta à pergunta de Pilatos, ele disse: “Tu mesmo estás dizendo que eu sou rei. Para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que está do lado da verdade escuta a minha voz.” (18:36, 37) São felizes, de fato, os que ouvem e que ‘nascem de novo’ para “entrar no reino de Deus”, em união com o Rei. Felizes são as “outras ovelhas” que escutam a voz desse Pastor-Rei e ganham a vida. Há, deveras, causa para gratidão pela provisão do Evangelho de João, pois foi escrito “para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e que, por crerdes, tenhais vida por meio do seu nome”. — 3:3, 5; 10:16; 20:31.

      [Nota(s) de rodapé]

      a The Ecclesiastical History, Eusébio, V, VIII, 4.

      b Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, página 227.

      c Estudo Perspicaz das Escrituras, “Jesus Cristo”.

  • Livro bíblico número 44 — Atos
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 44 — Atos

      Escritor: Lucas

      Lugar da Escrita: Roma

      Escrita Completada: c. 61 EC

      Tempo Abrangido: 33-c. 61 EC

      1, 2. (a) Que eventos históricos e atividades são descritos em Atos? (b) Que período abrange o livro?

      É NO 42.º livro das Escrituras inspiradas que Lucas faz uma narrativa que abrange a vida, a atividade e o ministério de Jesus e de seus seguidores até o tempo da ascensão de Jesus. O relato histórico do 44.º livro das Escrituras, os Atos dos Apóstolos, continua com a história do cristianismo primitivo, descrevendo a fundação da congregação mediante a operação do espírito santo. Descreve também a expansão do testemunho, primeiro entre os judeus e daí entre pessoas de todas as nações. A maior parte da matéria nos primeiros 12 capítulos 1-12 abrange as atividades de Pedro, e os últimos 16 capítulos 13-28, as atividades de Paulo. Lucas estava estreitamente associado com Paulo, e o acompanhou em muitas de suas viagens.

      2 O livro é dirigido a Teófilo. Visto que ele é chamado de “excelentíssimo”, ocupava provavelmente um cargo oficial ou tratava-se talvez simplesmente de uma expressão de elevada estima. (Luc. 1:3) O livro fornece um relato histórico exato da formação e do crescimento da congregação cristã. Começa narrando as aparições de Jesus a seus discípulos após a sua ressurreição, e depois relata eventos importantes que ocorreram entre 33 e cerca de 61 EC, abrangendo ao todo cerca de 28 anos.

      3. Quem escreveu o livro de Atos, e quando foi completada a escrita?

      3 Desde os tempos antigos, tem-se atribuído ao escritor do Evangelho de Lucas a escrita de Atos. Ambos os livros são dirigidos a Teófilo. Por repetir os eventos finais de seu Evangelho nos primeiros versículos de Atos, Lucas vincula as duas narrativas como sendo obra do mesmo autor. Parece que Lucas completou Atos em cerca de 61 EC, provavelmente perto do fim de sua estada de dois anos em Roma com o apóstolo Paulo. Visto que relata eventos que ocorreram naquele ano, não poderia ter sido completado antes, e o fato de o apelo de Paulo a César não estar decidido indica que foi completado por volta daquele ano.

      4. O que prova que Atos é canônico e autêntico?

      4 Desde tempos antiqüíssimos, Atos foi sempre aceito pelos eruditos bíblicos como canônico. Encontram-se trechos do livro entre alguns dos mais antigos manuscritos de papiro existentes das Escrituras Gregas, notadamente o Michigan N.º 1571 (P38), do terceiro ou quarto século EC, e o Chester Beatty N.º 1 (P45), do terceiro século. Ambos indicam que Atos estava em circulação junto com outros livros das Escrituras inspiradas, figurando, assim, bem cedo no catálogo. A escrita de Lucas no livro de Atos reflete a mesma exatidão notável que já observamos que assinala o seu Evangelho. Sir William M. Ramsay classifica o escritor de Atos “entre os historiadores de primeira categoria”, e explica o que isto significa, dizendo: “A qualidade primária e essencial do grande historiador é a verdade. O que diz precisa ser digno de confiança.”a

      5. Ilustre a exatidão de Lucas ao fazer narrativas.

      5 Para ilustrarmos a exatidão da narrativa, tão característica dos escritos de Lucas, citamos Edwin Smith, comandante de uma flotilha de navios de guerra britânicos no Mediterrâneo, durante a Primeira Guerra Mundial, que escreveu na revista The Rudder, de março de 1947: “Os antigos navios não eram governados como os dos tempos modernos por meio de um leme único preso ao cadaste, mas mediante dois grandes remos ou pás, um em cada lado da popa; daí a menção deles no plural por S. Lucas. [Atos 27:40] . . . Vimos em nosso exame que toda declaração quanto aos movimentos deste navio, desde o momento em que partiu de Bons Portos até que tocou a praia de Malta, conforme delineado por S. Lucas, foi comprovada pela evidência externa e independente da mais exata e satisfatória natureza; e que as suas declarações quanto ao tempo em que o navio permaneceu no mar correspondem à distância percorrida; e, finalmente, que sua descrição do lugar atingido está em conformidade com o lugar tal como é. Tudo isso contribui para mostrar que Lucas realmente fez a viagem conforme descrita, e mostrou além disso ser um homem cujas observações e declarações podem ser aceitas como fidedignas e dignas de crédito no mais alto grau.”b

      6. Que exemplos mostram que descobertas arqueológicas confirmam a exatidão de Atos?

      6 As descobertas arqueológicas também confirmam a exatidão da narrativa de Lucas. Por exemplo, com as escavações feitas em Éfeso, desenterrou-se o templo de Ártemis, também o antigo teatro onde os efésios se amotinaram contra o apóstolo Paulo. (Atos 19:27-41) Foram descobertas inscrições que confirmam a exatidão do título empregado por Lucas, “governantes da cidade”, que era usado para as autoridades em Tessalônica. (17:6, 8) Duas inscrições maltesas mostram que Lucas estava também certo em referir-se a Públio como “homem de destaque” de Malta. — 28:7.c

      7. Como mostram os discursos assentados por escrito que o relato de Atos é verídico?

      7 Outrossim, os diversos discursos feitos por Pedro, Estêvão, Cornélio, Tértulo, Paulo e outros, segundo assentados por escrito por Lucas, são todos diferentes no estilo e na matéria. Até mesmo os discursos que Paulo proferiu perante diferentes audiências mudavam de estilo para se adaptarem à ocasião. Isto indica que Lucas assentou por escrito apenas aquilo que ele próprio ouviu ou o que outras testemunhas oculares lhe contaram. Lucas não foi um escritor de ficção.

      8. O que dizem as Escrituras a respeito de Lucas e de sua colaboração com Paulo?

      8 Muito pouco se sabe sobre a vida de Lucas. Ele próprio não era apóstolo, mas colaborava com os que o eram. (Luc. 1:1-4) Em três casos o apóstolo Paulo menciona o nome de Lucas. (Col. 4:10, 14; 2 Tim. 4:11; Filêm. 24) Por diversos anos, foi o companheiro constante de Paulo que o chamou de “o médico amado”. A narrativa ora emprega “eles”, ora “nós”, o que indica que Lucas estava com Paulo em Trôade durante a segunda viagem missionária de Paulo, ficando possivelmente em Filipos até Paulo retornar alguns anos mais tarde e então tornando a acompanhar Paulo na sua viagem a Roma para ser julgado. — Atos 16:8, 10; 17:1; 20:4-6; 28:16.

      CONTEÚDO DE ATOS

      9. Que coisas são ditas aos discípulos na ocasião da ascensão de Jesus?

      9 Eventos ocorridos até o Pentecostes (1:1-26). No início deste segundo relato de Lucas, o ressuscitado Jesus diz a seus ansiosos discípulos que eles serão batizados em espírito santo. Será o Reino restaurado neste tempo? Não. Mas receberão poder e tornar-se-ão testemunhas “até à parte mais distante da terra”. Ao Jesus ascender, desaparecendo da vista deles, dois homens vestidos de branco lhes dizem: “Este Jesus, que dentre vós foi acolhido em cima, no céu, virá assim da mesma maneira.” — 1:8, 11.

      10. (a) Que coisas memoráveis acontecem no dia de Pentecostes? (b) Que explicação apresenta Pedro, e com que resultado?

      10 O memorável dia de Pentecostes (2:1-42). Todos os discípulos estão reunidos em Jerusalém. Subitamente, um ruído semelhante ao dum vento impetuoso enche a casa. Línguas como que de fogo se assentam sobre os que estão presentes. Eles ficam cheios de espírito santo e começam a falar em línguas diferentes sobre “as coisas magníficas de Deus”. (2:11) Os espectadores ficam perplexos. Então Pedro se levanta para falar. Ele explica que este derramamento do espírito é o cumprimento da profecia de Joel (2:28-32) e que Jesus Cristo, agora ressuscitado e enaltecido à destra de Deus, ‘derramou isto que vêem e ouvem’. Estando compungidos, cerca de 3.000 aceitam a palavra e são batizados. — 2:33.

      11. Como faz Jeová prosperar a obra de pregação?

      11 Expansão do testemunho (2:43-5:42). Jeová continua a ajuntar-lhes diariamente os que estão sendo salvos. Junto ao templo, Pedro e João encontram um homem aleijado que jamais andou na vida. “Em nome de Jesus Cristo, o nazareno, anda!”, ordena Pedro. Imediatamente, o homem começa ‘a andar, e a pular, e a louvar a Deus’. Pedro admoesta então as pessoas a se arrepender e dar meia-volta, “para que venham épocas de refrigério da parte da pessoa de Jeová”. Contrariados por Pedro e João ensinarem a ressurreição de Jesus, os líderes religiosos os prendem, mas as fileiras dos crentes aumentam para cerca de 5.000 homens. — 3:6, 8, 19.

      12. (a) Que resposta dão os discípulos, quando se lhes ordena que cessem de pregar? (b) Por que motivo são punidos Ananias e Safira?

      12 No dia seguinte, Pedro e João são levados perante os governantes judeus para interrogatório. Pedro testifica intrepidamente que a salvação só vem por meio de Jesus Cristo, e, quando se lhes ordena que cessem sua obra de pregação, tanto Pedro como João replicam: “Se é justo, à vista de Deus, escutar antes a vós do que a Deus, julgai-o vós mesmos. Mas, quanto a nós, não podemos parar de falar das coisas que vimos e ouvimos.” (4:19, 20) Eles são postos em liberdade, e todos os discípulos continuam a falar a palavra de Deus com denodo. Em virtude das circunstâncias, reúnem os seus bens materiais e fazem distribuições segundo a necessidade. Todavia, um homem chamado Ananias e sua esposa Safira vendem uma propriedade e, ao passo que dão a aparência de terem dado a soma inteira, eles retêm secretamente parte do preço. Pedro os expõe, e eles caem mortos por terem trapaceado a Deus e ao espírito santo.

      13. De que são acusados os apóstolos, como replicam e o que continuam a fazer?

      13 Os líderes religiosos, enfurecidos, tornam a lançar os apóstolos na prisão, mas, desta vez, o anjo de Jeová os liberta. No dia seguinte, são levados outra vez perante o Sinédrio, sendo acusados de ‘encher Jerusalém com o seu ensino’. Eles replicam: “Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens.” Embora chibateados e ameaçados, ainda assim se recusam a parar, e ‘cada dia, no templo e de casa em casa, continuam sem cessar a ensinar e a declarar as boas novas a respeito do Cristo, Jesus’. — 5:28, 29, 42.

      14. Como chega Estêvão a ser martirizado?

      14 O martírio de Estêvão (6:1-8:1a). Estêvão é um dos sete designados pelo espírito santo para distribuir alimento às mesas. Ele dá também poderoso testemunho a respeito da verdade, e tão zeloso é o seu apoio da fé que seus oponentes, enfurecidos, o fazem comparecer perante o Sinédrio sob a acusação de blasfêmia. Na sua defesa, Estêvão fala primeiro da longanimidade de Jeová para com Israel. Daí, com eloqüência destemida, chega ao ponto: ‘Homens obstinados, sempre resistis ao espírito santo, vós, os que recebestes a Lei, conforme transmitida por anjos, mas não a guardastes.’ (7:51-53) Isto é demais para eles! Lançam-se sobre ele, jogam-no fora da cidade e o apedrejam até morrer. Saulo observa com aprovação.

      15. O que resulta da perseguição, e que experiências de pregação tem Filipe?

      15 As perseguições, a conversão de Saulo (8:1b-9:30). A perseguição que começa naquele dia contra a congregação em Jerusalém dispersa pelo país inteiro a todos, exceto aos apóstolos. Filipe vai para Samaria, onde muitos aceitam a palavra de Deus. Pedro e João são enviados de Jerusalém para lá a fim de tais crentes receberem espírito santo “pela imposição das mãos dos apóstolos”. (8:18) Um anjo manda então Filipe para o sul, para a estrada Jerusalém-Gaza, onde encontra um eunuco da corte real da Etiópia, que, no seu carro, está lendo o livro de Isaías. Filipe lhe esclarece o significado da profecia e o batiza.

      16. Como acontece a conversão de Saulo?

      16 No ínterim, Saulo, “respirando ainda ameaça e assassínio contra os discípulos do Senhor”, empreende viagem para ir prender os que ‘pertencem ao Caminho’, em Damasco. Repentinamente, reluz em volta dele uma luz vinda do céu, e ele cai por terra, cego. Uma voz do céu lhe diz: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues.” Depois de três dias em Damasco, um discípulo de nome Ananias vem prestar-lhe ajuda. Saulo recupera a vista, é batizado e fica cheio de espírito santo, de modo que se torna um zeloso e habilitado pregador das boas novas. (9:1, 2, 5) Nessa surpreendente reviravolta de acontecimentos, o perseguidor passa a ser o perseguido e tem de fugir para salvar sua vida, primeiro, de Damasco, depois, de Jerusalém.

      17. Como chegam as boas novas aos gentios incircuncisos?

      17 As boas novas chegam aos gentios incircuncisos (9:31-12:25). A congregação então ‘entra num período de paz, sendo edificada; e, como anda no temor de Jeová e no consolo do espírito santo, continua a multiplicar-se’. (9:31) Em Jope, Pedro ressuscita a querida Tabita (Dorcas), e é ali que recebe a chamada para ir a Cesaréia, onde um oficial do exército, chamado Cornélio, o aguarda. Ele prega a Cornélio e aos de sua casa, e eles crêem, sendo derramado sobre eles o espírito santo. Discernindo que “Deus não é parcial, mas, em cada nação, o homem que o teme e que faz a justiça lhe é aceitável”, Pedro os batiza — são os primeiros gentios incircuncisos a se converter. Pedro explica mais tarde este novo acontecimento aos irmãos em Jerusalém, em vista do que eles glorificam a Deus. — 10:34, 35.

      18. (a) O que ocorre a seguir em Antioquia? (b) Que perseguição irrompe, mas atinge seu objetivo?

      18 Ao passo que as boas novas continuam a espalhar-se rapidamente, Barnabé e Saulo ensinam um grande número de pessoas em Antioquia, ‘e é primeiro em Antioquia que os discípulos, por providência divina, são chamados cristãos’. (11:26) Torna a irromper a perseguição. Herodes Agripa I manda matar à espada a Tiago, irmão de João. Lança também a Pedro na prisão, mas de novo o anjo de Jeová o liberta. Que fim lamentável do iníquo Herodes! Por não dar glória a Deus, comido de vermes, morre. Em contrapartida, ‘a palavra de Jeová continua a crescer e a se espalhar’. — 12:24.

      19. Quão extensiva é a primeira viagem missionária de Paulo, e o que se realiza?

      19 Primeira viagem missionária de Paulo, com Barnabé (13:1-14:28).d Barnabé e “Saulo, que é também Paulo”, são escolhidos e enviados de Antioquia pelo espírito santo. (13:9) Na ilha de Chipre, muitos, também o procônsul Sérgio Paulo, se tornam crentes. Na Ásia Menor continental, visitam seis ou mais cidades, e em toda a parte acontece a mesma coisa: vê-se uma distinção entre os que aceitam alegremente as boas novas e os oponentes obstinados que incitam as turbas a atirar pedras nos mensageiros de Jeová. Depois de fazerem designações de anciãos nas recém-formadas congregações, Paulo e Barnabé retornam à Antioquia da Síria.

      20. Com que decisão se soluciona a questão da circuncisão?

      20 Solução dada à questão da circuncisão (15:1-35). Com a grande afluência de não-judeus, surge a questão quanto a se estes devem ou não ser circuncidados. Paulo e Barnabé levam a questão aos apóstolos e aos anciãos em Jerusalém, onde o discípulo Tiago preside à reunião e providencia enviar a decisão unânime mediante carta formal: “Pareceu bem ao espírito santo e a nós mesmos não vos acrescentar nenhum fardo adicional, exceto as seguintes coisas necessárias: de persistirdes em abster-vos de coisas sacrificadas a ídolos, e de sangue, e de coisas estranguladas, e de fornicação.” (15:28, 29) O encorajamento desta carta faz com que os irmãos em Antioquia se regozijem.

      21. (a) Quem se junta a Paulo na sua segunda viagem missionária? (b) Que eventos marcam a visita à Macedônia?

      21 Expansão do ministério em resultado da segunda viagem de Paulo (15:36-18:22).e “Depois de alguns dias”, Barnabé e Marcos embarcam rumo a Chipre, ao passo que Paulo e Silas passam pela Síria e Ásia Menor. (15:36) O jovem Timóteo se junta a Paulo em Listra, e prosseguem para Trôade, na costa do mar Egeu. Ali, Paulo vê numa visão um homem que lhe suplica: “Passa à Macedônia e ajuda-nos.” (16:9) Lucas se junta a Paulo e eles tomam um navio para Filipos, a cidade principal da Macedônia, onde Paulo e Silas são lançados na prisão. Isto resulta em o carcereiro tornar-se crente e ser batizado. Ao serem soltos, vão a Tessalônica, e ali os judeus, ficando com ciúmes, incitam a turba contra eles. De modo que os irmãos enviam Paulo e Silas de noite a Beréia. Ali, os judeus mostram ter mentalidade nobre, recebendo a palavra “com o maior anelo mental, examinando cuidadosamente as Escrituras, cada dia”, em busca de confirmação das coisas aprendidas. (17:11) Paulo, deixando Silas e Timóteo nesta nova congregação, assim como havia deixado Lucas em Filipos, continua rumo ao sul, para Atenas.

      22. O que resulta do discurso hábil de Paulo no Areópago?

      22 Nesta cidade de ídolos, altivos filósofos epicureus e estóicos chamam, com escárnio, a Paulo de “paroleiro” e “publicador de deidades estrangeiras”, e o levam ao Areópago, ou colina de Marte. Com hábil oratória, Paulo argumenta em favor de se buscar o verdadeiro Deus, o “Senhor do céu e da terra”, que garante um julgamento justo por intermédio daquele a quem ressuscitou dentre os mortos. A menção da ressurreição divide a sua assistência, mas alguns se tornam crentes. — 17:18, 24.

      23. O que se realiza em Corinto?

      23 A seguir, em Corinto, Paulo fica com Áquila e Priscila, trabalhando com eles na profissão de fazer tendas. A oposição à sua pregação o obriga a sair da sinagoga e a realizar as suas reuniões numa casa contígua, no lar de Tício Justo. Crispo, o presidente da sinagoga, torna-se crente. Depois de uma estada de 18 meses em Corinto, Paulo parte com Áquila e Priscila para Éfeso, onde os deixa, e continua a viagem à Antioquia da Síria, completando assim a sua segunda viagem missionária.

      24, 25. (a) No tempo em que Paulo começa a sua terceira viagem, o que sucede em Éfeso? (b) Que comoção marca a conclusão da permanência de três anos de Paulo?

      24 Paulo revisita as congregações, terceira viagem (18:23-21:26).f Certo judeu de nome Apolo, procedente de Alexandria, Egito, chega a Éfeso e fala intrepidamente na sinagoga a respeito de Jesus, mas Áquila e Priscila notam a necessidade de corrigir o seu ensino antes de ele ir a Corinto. Paulo está agora na sua terceira viagem, e no devido tempo chega a Éfeso. Ao saber que os crentes ali foram batizados com o batismo de João, Paulo lhes explica o batismo em nome de Jesus. Daí, batiza cerca de 12 homens, impõe as mãos sobre eles e estes recebem o espírito santo.

      25 Nos três anos em que Paulo fica em Éfeso, ‘a palavra de Jeová continua a crescer e a prevalecer de modo poderoso’, e muitos abandonam a adoração da deusa padroeira da cidade, Ártemis. (19:20) Os fabricantes de santuários de prata, enfurecidos com a idéia de seu negócio correr perigo, criam tal alvoroço na cidade que leva horas para dispersar a turba. Logo depois, Paulo parte para a Macedônia e para a Grécia, visitando a caminho os crentes.

      26. (a) Que milagre realiza Paulo em Trôade? (b) Que conselho dá aos superintendentes de Éfeso?

      26 Paulo fica três meses na Grécia antes de retornar pela Macedônia, onde Lucas se junta outra vez a ele. Fazem a travessia até Trôade, e ali, enquanto Paulo discursa noite adentro, um rapaz adormece e cai duma janela do terceiro pavimento. É apanhado morto, mas Paulo lhe restaura a vida. No dia seguinte, Paulo e os que o acompanham partem para Mileto, onde, a caminho de Jerusalém, Paulo faz uma parada para se reunir com os anciãos de Éfeso. Ele lhes informa que não mais verão a sua face. Quão urgente é, pois, que assumam a liderança e pastoreiem o rebanho de Deus, ‘entre o qual o espírito santo os designou superintendentes’! Relembra-lhes o exemplo que ele lhes deu, e admoesta-os a permanecer despertos, não se poupando em dar de si mesmos a favor dos irmãos. (20:28) Embora advertido para não pôr os pés em Jerusalém, Paulo não volta atrás. Seus companheiros aquiescem, dizendo: “Realize-se a vontade de Jeová.” (21:14) Há grande regozijo quando Paulo relata a Tiago e aos anciãos a respeito da bênção de Deus sobre seu ministério entre as nações.

      27. Como é Paulo recebido no templo?

      27 Paulo detido e julgado (21:27-26:32). Quando Paulo aparece no templo em Jerusalém, é recebido com hostilidade. Judeus da Ásia incitam a cidade inteira contra ele, e os soldados romanos o socorrem no momento preciso.

      28. (a) Que questão levanta Paulo perante o Sinédrio, e com que resultado? (b) Para onde é então enviado?

      28 Qual a razão de todo o tumulto? Quem é este Paulo? Qual é o seu crime? O comandante militar, perplexo, quer respostas. Por causa de sua cidadania romana, Paulo escapa de ser açoitado e é levado perante o Sinédrio. Hum! Um tribunal dividido de fariseus e saduceus! Paulo, por conseguinte, levanta a questão da ressurreição, lançando uns contra os outros. Como a dissensão se torna violenta, os soldados romanos têm de arrancar Paulo do meio do Sinédrio antes que o dilacerem. Acompanhado de uma grande escolta de soldados, ele é enviado secretamente de noite ao Governador Félix, em Cesaréia.

      29. Acusado de sedição, que série de julgamentos ou audiências tem Paulo, e que apelo faz ele?

      29 Acusado de sedição, Paulo apresenta a Félix a sua defesa com habilidade. Mas Félix retém Paulo, na esperança de receber dinheiro de suborno para o soltar. Passam-se dois anos. Pórcio Festo sucede a Félix como governador, e ordena-se novo julgamento. Outra vez, sérias acusações são feitas, e Paulo torna a declarar a sua inocência. Entretanto, Festo, a fim de ganhar o favor dos judeus, sugere que seja feito mais um julgamento perante ele, em Jerusalém. Contudo, Paulo declara: “Apelo para César!” (25:11) Passa-se mais algum tempo. Por fim, o Rei Herodes Agripa II faz uma visita de cortesia a Festo, e Paulo é levado mais uma vez à sala de audiência. Tão poderoso e convincente é o seu testemunho que Agripa é movido a lhe dizer: “Em pouco tempo me persuadirias a tornar-me cristão.” (26:28) Agripa reconhece igualmente a inocência de Paulo e que poderia ser solto se não tivesse apelado para César.

      30. Quais são as experiências da viagem de Paulo até Malta?

      30 Paulo vai a Roma (27:1-28:31).g O prisioneiro Paulo e outros são levados de barco para a primeira etapa da viagem a Roma. Os ventos sendo contrários, o progresso é lento. No porto de Mirra, mudam de navio. Ao chegarem a Bons Portos, em Creta, Paulo recomenda que passem o inverno ali, mas a maioria aconselha que viajem. Mal começam a navegar, quando um vento tempestuoso se apodera deles e implacavelmente os põe à deriva. Depois de duas semanas, o barco é por fim despedaçado num banco de areia perto da costa de Malta. Conforme Paulo assegurara, nenhum dos 276 a bordo perde a vida! Os habitantes de Malta mostram extraordinário humanitarismo, e, durante aquele inverno, Paulo cura a muitos dentre eles pelo poder miraculoso do espírito de Deus.

      31. Como é acolhido Paulo ao chegar a Roma, e em que se ocupa ali?

      31 Na primavera seguinte, Paulo chega a Roma, e os irmãos vão à estrada para o acolher. Ao avistá-los, Paulo ‘agradece a Deus e toma coragem’. Embora ainda prisioneiro, permite-se que Paulo permaneça na sua própria casa alugada com um soldado de guarda. Lucas termina a sua narrativa descrevendo a bondosa acolhida de Paulo a todos os que vão ter com ele, “pregando-lhes o reino de Deus e ensinando com a maior franqueza no falar as coisas concernentes ao Senhor Jesus Cristo, sem impedimento”. — 28:15, 31.

      POR QUE É PROVEITOSO

      32. Antes e durante o Pentecostes, como testificou Pedro sobre a autenticidade das Escrituras Hebraicas?

      32 O livro de Atos constitui um testemunho em adição aos relatos dos Evangelhos em confirmar a autenticidade e a inspiração das Escrituras Hebraicas. Quando se aproximava o Pentecostes, Pedro citou o cumprimento de duas profecias “que o espírito santo predissera pela boca de Davi a respeito de Judas”. (Atos 1:16, 20; Sal. 69:25; 109:8) Pedro também disse à multidão surpresa no Pentecostes que estavam vendo realmente o cumprimento da profecia: “Isto é o que foi dito por intermédio do profeta Joel.” — Atos 2:16-21; Joel 2:28-32; compare também Atos 2:25-28, 34, 35 com Salmos 16:8-11 e Sal. 110:1.

      33. Como mostraram Pedro, Filipe, Tiago e Paulo que as Escrituras Hebraicas são inspiradas?

      33 Para convencer outra multidão reunida junto ao templo, Pedro recorreu de novo às Escrituras Hebraicas, primeiro, citando Moisés e, daí, dizendo: “E, de fato, todos os profetas, de Samuel em diante e os em sucessão, tantos quantos falaram, declararam também distintamente estes dias.” Mais tarde, perante o Sinédrio, Pedro citou o Salmo 118:22, demonstrando que Cristo, a pedra que eles rejeitaram, se tornara “a principal do ângulo”. (Atos 3:22-24; 4:11) Filipe explicou ao eunuco etíope como a profecia de Isaías 53:7, 8 havia sido cumprida, e, ao se lhe esclarecer isto, ele pediu humildemente para que fosse batizado. (Atos 8:28-35) Igualmente, falando a Cornélio sobre Jesus, Pedro testificou: “Dele é que todos os profetas dão testemunho.” (10:43) Quando a questão da circuncisão estava sendo debatida, Tiago apoiou a sua decisão, dizendo: “Com isso concordam as palavras dos Profetas, assim como está escrito.” (15:15-18) O apóstolo Paulo recorreu às mesmas autoridades. (26:22; 28:23, 25-27) O fato de os discípulos e seus ouvintes aceitarem prontamente as Escrituras Hebraicas como sendo parte da Palavra de Deus confirma que tais escritos eram considerados inspirados.

      34. O que revela Atos concernente à congregação cristã, e é isto de alguma forma diferente hoje?

      34 Atos é de grande proveito em mostrar como a congregação cristã foi fundada e como ela cresceu sob o poder do espírito santo. Em toda esta narrativa impressionante, observamos as bênçãos de Deus no sentido de expansão, o denodo e a alegria dos cristãos primitivos, bem como sua posição intransigente em face da perseguição, e a sua voluntariedade em servir, conforme exemplificado pela aceitação de Paulo dos convites de empreender o serviço no estrangeiro e de ir à Macedônia. (4:13, 31; 15:3; 5:28, 29; 8:4; 13:2-4; 16:9, 10) A congregação cristã hoje não é diferente, pois está vinculada em amor, união e interesse comum, ao passo que fala sobre “as coisas magníficas de Deus”, sob a orientação do espírito santo. — 2:11, 17, 45; 4:34, 35; 11:27-30; 12:25.

      35. Como mostra Atos de que maneira seria dado o testemunho, e que qualidade no ministério se salienta?

      35 O livro de Atos mostra precisamente como deve ser executada a atividade cristã de proclamar o Reino de Deus. O próprio Paulo foi um exemplo, dizendo: “Não me refreei de vos falar coisa alguma que fosse proveitosa, nem de vos ensinar publicamente e de casa em casa.” E acrescenta: “Eu dei cabalmente testemunho.” Este tema de ‘dar cabalmente testemunho’ chama a nossa atenção em todo o livro, e é sublinhado de modo impressionante nos últimos parágrafos, em que ressalta a devoção de todo o coração que Paulo tinha pela pregação e pelo ensino, mesmo sob os laços da prisão, nas seguintes palavras: “E ele lhes explicou o assunto por dar cabalmente testemunho a respeito do reino de Deus e por usar de persuasão para com eles concernente a Jesus, tanto pela lei de Moisés como pelos Profetas, de manhã até à noite.” Tenhamos nós sempre essa mesma sinceridade na nossa atividade do Reino! — 20:20, 21; 28:23; 2:40; 5:42; 26:22.

      36. Que conselhos práticos de Paulo se aplicam com força aos superintendentes hoje?

      36 O discurso de Paulo aos superintendentes de Éfeso contém muitos conselhos práticos para os superintendentes hoje. Visto que estes foram designados pelo espírito santo, é de suma importância que ‘prestem atenção a si mesmos e a todo o rebanho’, pastoreando as ovelhas ternamente e guardando-as contra os lobos opressivos que procuram destruí-las. Que pesada responsabilidade! Os superintendentes precisam manter-se despertos e edificar-se na palavra da benignidade imerecida de Deus. Ao passo que se esforçam em ajudar os que são fracos, precisam “ter em mente as palavras do Senhor Jesus, quando ele mesmo disse: ‘Há mais felicidade em dar do que há em receber.’” — 20:17-35.

      37. Mediante que jeitosa argumentação, no Areópago, fez Paulo entender seu ponto?

      37 Os outros discursos de Paulo são igualmente brilhantes, pois expõem de modo claro os princípios da Bíblia. Por exemplo, há a argumentação clássica do seu discurso aos estóicos e aos epicureus no Areópago. Primeiro, ele cita a inscrição do altar: “A um Deus Desconhecido”, e usa isto como motivo para explicar que o único Deus verdadeiro, o Senhor do céu e da terra, que fez de um só homem toda a nação de homens, ‘não está longe de cada um de nós’. Daí, cita as palavras dos poetas deles: “Pois nós também somos progênie dele”, para mostrar quão ridículo é supor que surgiram de ídolos de ouro, de prata ou de pedra, que não têm vida. Paulo estabelece, assim, com tato, a soberania do Deus vivente. É só nas suas palavras concludentes que ele suscita a questão da ressurreição, e, mesmo então, não menciona o nome de Cristo. Ele conseguiu fazer entender o ponto sobre a soberania suprema do único Deus verdadeiro, e, em resultado disso, alguns se tornaram crentes. — 17:22-34.

      38. Que bênçãos resultarão da espécie de estudo incentivado em Atos?

      38 O livro de Atos incentiva o estudo contínuo e diligente de “toda a Escritura”. Quando Paulo, pela primeira vez, pregou em Beréia, elogiou os judeus ali por serem de ‘mentalidade nobre’, pois “recebiam a palavra com o maior anelo mental, examinando cuidadosamente as Escrituras, cada dia, quanto a se estas coisas eram assim”. (17:11) Hoje, como naquela época, esta ávida pesquisa das Escrituras, em associação com a congregação sobre a qual repousa o espírito de Jeová, resultará em bênçãos na forma de convicção e firme fé. É mediante tal estudo que a pessoa pode chegar a ter uma clara compreensão dos princípios divinos. Há uma excelente declaração de alguns destes princípios em Atos 15:29. Ali, o corpo governante, composto dos apóstolos e de irmãos mais idosos em Jerusalém, deu a conhecer que, embora a circuncisão não fosse exigida do Israel espiritual, havia proibição explícita de idolatria, de sangue e de fornicação.

      39. (a) Como foram fortalecidos os discípulos para fazerem face às perseguições? (b) Que testemunho denodado deram eles? Foi eficaz?

      39 Aqueles primitivos discípulos estudavam realmente as Escrituras inspiradas, e sabiam citá-las e aplicá-las de acordo com a necessidade. Foram fortalecidos, mediante o conhecimento exato e o espírito de Deus, para fazerem face às perseguições violentas. Pedro e João deram o exemplo para todos os cristãos fiéis, ao dizerem denodadamente aos governantes oponentes: “Se é justo, à vista de Deus, escutar antes a vós do que a Deus, julgai-o vós mesmos. Mas, quanto a nós, não podemos parar de falar das coisas que vimos e ouvimos.” E, quando levados outra vez perante o Sinédrio, que lhes havia ‘ordenado positivamente’ que não continuassem a ensinar à base do nome de Jesus, disseram inequivocamente: “Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens.” Esta resposta destemida resultou em excelente testemunho para os governantes, e levou o célebre instrutor da Lei, Gamaliel, a fazer a sua bem-conhecida declaração a favor da liberdade de adoração, o que resultou na soltura dos apóstolos. — 4:19, 20; 5:28, 29, 34, 35, 38, 39.

      40. Que incentivo nos dá Atos para darmos testemunho cabal do Reino?

      40 O glorioso propósito de Jeová concernente a seu Reino, que permeia a Bíblia inteira como fio de ouro, destaca-se com muita proeminência no livro de Atos. No início, mostra-se Jesus durante os 40 dias antes de sua ascensão, “contando as coisas a respeito do reino de Deus”. Foi em resposta à pergunta dos discípulos a respeito da restauração do Reino que Jesus lhes disse que precisavam primeiro ser Suas testemunhas até à parte mais distante da terra. (1:3, 6, 8) Começando em Jerusalém, os discípulos pregaram o Reino com inabalável intrepidez. As perseguições causaram o apedrejamento de Estêvão e espalharam muitos dos discípulos a novos territórios. (7:59, 60) Informa-se que Filipe declarou “as boas novas do reino de Deus” com muito êxito em Samaria, e que Paulo e seus colaboradores proclamaram “o reino” na Ásia, em Corinto, em Éfeso e em Roma. Todos estes cristãos primitivos deixaram exemplos excelentes de inabalável confiança em Jeová e no Seu espírito sustentador. (8:5, 12; 14:5-7, 21, 22; 18:1, 4; 19:1, 8; 20:25; 28:30, 31) Vendo o inquebrantável zelo e a coragem deles, e notando quão abundantemente Jeová abençoou os esforços deles, temos maravilhoso incentivo também para sermos fiéis em “dar cabalmente testemunho a respeito do reino de Deus”. — 28:23.

      [Nota(s) de rodapé]

      a St. Paul the Traveller, 1895, página 4.

      b Citado na Despertai! (em inglês) de 22 julho de 1947, páginas 22-3; veja também Despertai! de 22 de outubro de 1971, páginas 27-9.

      c Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, páginas 202, 762-3; Vol. 3, página 236.

      d Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 3, página 235.

      e Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 3, página 235.

      f Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 3, página 235.

      g Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 3, página 238.

  • Livro bíblico número 45 — Romanos
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 45 — Romanos

      Escritor: Paulo

      Lugar da Escrita: Corinto

      Escrita Completada: c. 56 EC

      1. O que considera Paulo na sua carta aos romanos?

      EM ATOS, vimos Paulo, outrora violento perseguidor dos cristãos judeus, tornar-se zeloso apóstolo de Cristo junto às nações não-judaicas. Com Romanos começamos os 14 livros da Bíblia que o espírito santo inspirou este ex-fariseu, agora fiel servo de Deus, a escrever. Quando Paulo escreveu Romanos, já completara duas longas viagens de pregação e estava bem adiantado na terceira. Escrevera cinco outras cartas inspiradas: Primeira e Segunda Tessalonicenses, Gálatas e Primeira e Segunda Coríntios. Contudo, parece apropriado que, nas nossas Bíblias modernas, Romanos preceda às outras, visto que considera extensamente a nova igualdade entre judeus e não-judeus, as duas classes a quem Paulo pregou. Romanos explica a mudança nos tratos de Deus com o seu povo, e mostra que as inspiradas Escrituras Hebraicas haviam predito há muito que as boas novas seriam proclamadas também aos não-judeus.

      2. (a) Que problemas considera Paulo em Romanos? (b) O que é que esta carta estabelece firmemente?

      2 Paulo, usando a Tércio como secretário, tece um argumento rápido e cita um número espantoso de passagens das Escrituras Hebraicas num dos mais poderosos livros das Escrituras Gregas Cristãs. Com notável beleza de linguagem, ele considera os problemas que surgiram quando as congregações cristãs do primeiro século eram compostas tanto de judeus como de gregos. Tinham os judeus prioridade por serem descendentes de Abraão? Tinham os cristãos maduros, por terem sido libertos da Lei mosaica, o direito de fazer tropeçar seus irmãos judeus mais fracos, os quais ainda se apegavam aos antigos costumes? Nesta carta, Paulo estabeleceu firmemente que os judeus e os não-judeus estão em pé de igualdade perante Deus e que o serem eles declarados justos não é mediante a Lei mosaica, mas pela fé em Jesus Cristo e pela benignidade imerecida de Deus. Ao mesmo tempo, Deus requer dos cristãos que mostrem a devida sujeição às diferentes autoridades sob as quais se encontram.

      3. Como teve início a congregação em Roma, e como se explica que Paulo conhecia a tantos ali?

      3 Como teve início a congregação de Roma? Havia grande comunidade judaica em Roma, pelo menos desde o tempo em que Pompeu tomou Jerusalém em 63 AEC. Em Atos 2:10, declara-se especificamente que alguns destes judeus se achavam em Jerusalém em Pentecostes de 33 EC, onde ouviram a pregação das boas novas. Os viajantes convertidos se demoraram em Jerusalém para aprender dos apóstolos, e, mais tarde, os de Roma sem dúvida retornaram ali, alguns provavelmente no tempo em que irrompeu a perseguição em Jerusalém. (Atos 2:41-47; 8:1, 4) Outrossim, o povo naquele tempo viajava muito, e isto talvez explique a íntima familiaridade de Paulo com tantos membros da congregação de Roma, alguns dos quais ouviram provavelmente as boas novas na Grécia ou na Ásia, em resultado da pregação feita por Paulo.

      4. (a) Que informação fornece Romanos sobre a congregação naquela cidade? (b) O que indica a presença de Áquila e de Priscila em Roma?

      4 A primeira informação fidedigna sobre esta congregação se encontra na carta de Paulo. É evidente que a congregação era composta tanto de cristãos judeus como de não-judeus, e que o zelo deles era digno de louvor. Ele lhes diz: ‘Fala-se da vossa fé em todo o mundo’, e: “A vossa obediência tem sido notada por todos.” (Rom. 1:8; 16:19) Suetônio, escrevendo no segundo século, relata que, durante o domínio de Cláudio (41-54 EC), os judeus foram banidos de Roma. Voltaram, porém, mais tarde, segundo evidenciado por estarem Áquila e Priscila em Roma. Eles eram judeus a quem Paulo conhecera em Corinto e que haviam partido de Roma na época do decreto de Cláudio, mas haviam retornado a Roma no tempo em que Paulo escreveu à congregação ali. — Atos 18:2; Rom. 16:3.

      5. Que fatos estabelecem a autenticidade de Romanos?

      5 A autenticidade da carta é firmemente estabelecida. É, conforme diz a sua introdução, de “Paulo, escravo de Jesus Cristo e chamado para ser apóstolo, . . . a todos os que estão em Roma, como amados de Deus, chamados para serem santos”. (Rom. 1:1, 7) A documentação externa desta carta está entre as mais antigas existentes das Escrituras Gregas Cristãs. Pedro emprega tantas expressões similares na sua primeira carta, escrita provavelmente seis a oito anos mais tarde, que muitos eruditos acham que ele já teria visto uma cópia de Romanos. O livro de Romanos foi claramente considerado parte dos escritos de Paulo e citado como tal por Clemente, de Roma, por Policarpo, de Esmirna, e por Inácio, de Antioquia, todos os quais viveram no final do primeiro e em princípios do segundo século EC.

      6. Como atesta um antigo papiro a canonicidade de Romanos?

      6 O livro de Romanos se encontra, juntamente com outras oito cartas de Paulo, num códice chamado Papiro Chester Beatty N.º 2 (P46). Sir Frederic Kenyon escreveu a respeito desse antigo códice: “Temos aqui, pois, um manuscrito quase completo das Epístolas Paulinas, escrito pelo que parece mais ou menos no começo do terceiro século.”a Os papiros bíblicos Chester Beatty, gregos, são mais antigos do que os bem-conhecidos manuscritos Sinaítico e Vaticano N.º 1209, ambos do quarto século EC. Estes, também, contêm o livro de Romanos.

      7. Que evidência há quanto ao lugar e tempo da escrita de Romanos?

      7 Quando e de onde foi escrito Romanos? Não há discordância entre os comentaristas bíblicos de que esta carta foi escrita da Grécia, bem provavelmente de Corinto, quando Paulo fez uma visita ali, que durou alguns meses, perto do fim de sua terceira viagem missionária. A evidência interna indica Corinto. Paulo escreveu a carta da casa de Gaio, que era membro da congregação local, e recomenda Febe da congregação vizinha de Cencréia, porto marítimo de Corinto. Pelo que parece, foi Febe que levou esta carta a Roma. (Rom. 16:1, 23; 1 Cor. 1:14) Em Romanos 15:23, Paulo escreveu: “Não tenho mais território virgem nestas regiões”, e indica no versículo seguinte que tenciona levar a sua obra missionária para o oeste, em direção da Espanha. Ele podia muito bem escrever assim perto do fim da sua terceira viagem, em princípios de 56 EC.

      CONTEÚDO DE ROMANOS

      8. (a) O que diz Paulo a respeito da sua missão? (b) Como mostra que tanto os judeus como os gregos merecem a ira de Deus?

      8 A imparcialidade de Deus para com os judeus e os gentios (1:1-2:29). O que diz o inspirado Paulo aos romanos? Nas suas palavras iniciais, ele se identifica como apóstolo escolhido por Cristo para ensinar a ‘obediência pela fé’ entre as nações. Expressa o desejo ardente de visitar os santos em Roma, para usufruir “um intercâmbio de encorajamento” e declarar entre eles as boas novas que são “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que tem fé”. Conforme havia sido escrito muito tempo antes, o justo viverá “por meio da fé”. (1:5, 12, 16, 17) Tanto os judeus como os gregos, demonstra ele, merecem a ira de Deus. A impiedade do homem é inescusável, porque ‘as qualidades invisíveis de Deus são claramente vistas desde a criação do mundo em diante’. (1:20) No entanto, as nações fazem tolamente deuses de coisas criadas. Todavia, os judeus não devem julgar as nações severamente, visto que eles também são culpados de pecados. Ambas as classes serão julgadas segundo as suas obras, pois Deus não é parcial. A circuncisão da carne não é o fator determinante; “judeu é aquele que o é no íntimo, e a sua circuncisão é a do coração”. — 2:29.

      9. (a) Em que são superiores os judeus, contudo, que passagens bíblicas cita Paulo para mostrar que todos estão debaixo do pecado? (b) Como será, então, o homem declarado justo, e que exemplo apóia este argumento?

      9 Todos são declarados justos mediante a fé (3:1-4:25). “Qual é então a superioridade do judeu?” É grande, pois aos judeus foram confiadas as proclamações sagradas de Deus. Todavia, “tanto os judeus como os gregos estão todos debaixo de pecado”, e ninguém é “justo” aos olhos de Deus. Sete passagens das Escrituras Hebraicas são citadas para provar este ponto. (Rom. 3:1, 9-18; Sal. 14:1-3; 5:9; 140:3; 10:7; Pro. 1:16; Isa. 59:7, 8; Sal. 36:1) A Lei revela a pecaminosidade do homem, portanto, “por obras de lei, nenhuma carne será declarada justa”. Contudo, mediante a benignidade imerecida de Deus, e a libertação por meio do resgate, tanto judeus como gregos estão sendo declarados justos “pela fé, à parte das obras da lei”. (Rom. 3:20, 28) Paulo confirma este argumento, citando o exemplo de Abraão, declarado justo, não por causa de obras ou da circuncisão, mas por causa da sua fé exemplar. Assim, Abraão se tornou pai, não só dos judeus, mas de “todos os que têm fé”. — 4:11.

      10. (a) Como é que a morte chegou a reinar? (b) O que resultou da obediência de Cristo, mas que aviso se dá com respeito ao pecado?

      10 Não mais escravos do pecado, mas da justiça por meio de Cristo (5:1-6:23). Por meio de um só homem, Adão, entrou o pecado no mundo, e o pecado trouxe a morte, “e assim a morte se espalhou a todos os homens, porque todos tinham pecado”. (5:12) A morte reinou desde Adão até Moisés. Quando a Lei foi dada por meio de Moisés, o pecado abundou e a morte continuou a reinar. Mas, agora, a benignidade imerecida de Deus é ainda mais abundante, e, mediante a obediência de Cristo, muitos são declarados justos para a vida eterna. Contudo, isto não é licença para se viver em pecado. Os batizados em Cristo têm de estar mortos quanto ao pecado. A sua velha personalidade foi posta sobre a estaca, e vivem no que concerne a Deus. O pecado não mais reina sobre eles, mas tornam-se escravos da justiça, tendo em vista a santidade. “O salário pago pelo pecado é a morte, mas o dom dado por Deus é a vida eterna por Cristo Jesus, nosso Senhor.” — 6:23.

      11. (a) Como ilustra Paulo que os cristãos judeus foram libertados da Lei? (b) O que é que a Lei tornou evidente, portanto, que coisas guerreiam no cristão?

      11 Mortos para com a Lei, vivos pelo espírito, em união com Cristo (7:1-8:39). Paulo usa o exemplo da esposa que está amarrada a seu marido enquanto este viver, mas está livre para se casar com outro se ele morrer, para mostrar que, mediante o sacrifício de Cristo, os judeus cristãos se tornaram mortos quanto à Lei, e ficaram livres para pertencer a Cristo e produzir frutos para Deus. A Lei, que é santa, tornou mais evidente o pecado, e o pecado trouxe a morte. O pecado, que reside nos nossos corpos carnais, guerreia contra as nossas boas intenções. Conforme diz Paulo: “Pois o bem que quero, não faço, mas o mal que não quero, este é o que pratico.” Assim, “quem o produz não sou mais eu, mas o pecado que mora em mim”. — 7:19, 20.

      12. Como é que alguns se tornam co-herdeiros de Cristo, e em que são estes completamente vitoriosos?

      12 O que pode salvar o homem de tal condição lastimável? Deus, por meio de seu espírito, pode tornar vivos os que pertencem a Cristo! São adotados quais filhos, são declarados justos, tornam-se herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, e são glorificados. Paulo lhes diz: “Se Deus é por nós, quem será contra nós? Quem nos separará do amor do Cristo?” Ninguém! Ele declara triunfantemente: “Estamos sendo completamente vitoriosos, por intermédio daquele que nos amou. Pois estou convencido de que nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem governos, nem coisas presentes, nem coisas por vir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criação será capaz de nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.” — 8:31, 35, 37-39.

      13. (a) Segundo a profecia, quem são os incluídos no Israel real de Deus, e isto é segundo que princípio divino? (b) Por que fracassou o Israel carnal, mas o que é necessário para a salvação?

      13 “Israel” salvo mediante a fé e pela misericórdia de Deus (9:1-10:21). Paulo expressa “grande pesar” pelos seus co-israelitas, mas reconhece que nem todo o Israel carnal é realmente o “Israel”, visto que Deus tem a autoridade de escolher a quem quiser como filhos. Segundo demonstrado pelos tratos de Deus com Faraó e pela ilustração do oleiro, “depende, . . . não daquele que deseja, nem daquele que corre, mas de Deus, que tem misericórdia”. (9:2, 6, 16) Ele chama filhos “não somente dentre os judeus, mas também dentre as nações”, segundo predissera muito antes Oséias. (Osé. 2:23) Israel fracassou porque buscou ganhar o favor de Deus “não pela fé, mas como por obras”, e por tropeçar em Cristo, a “rocha de ofensa”. (Rom. 9:24, 32, 33) Tinham “zelo de Deus”, mas não “segundo o conhecimento exato”. Para os que exercem fé para a justiça, Cristo é o fim da Lei, e, para ganhar a salvação, a pessoa precisa declarar publicamente “que Jesus é Senhor” e exercer fé “que Deus o levantou dentre os mortos”. (10:2, 9) Enviam-se pregadores para que pessoas de todas as nações possam ouvir, ter fé e invocar o nome de Jeová, a fim de serem salvas.

      14. O que ilustra Paulo mediante a oliveira?

      14 Ilustração da oliveira (11:1-36). Em virtude da benignidade imerecida, um restante do Israel natural foi escolhido, mas, visto que a maioria tropeçou, “há salvação para pessoas das nações”. (11:11) Usando a ilustração de uma oliveira, Paulo mostra que, em razão de o Israel carnal não ter fé, não-judeus foram enxertados. Entretanto, os não-judeus não devem regozijar-se com a rejeição de Israel, pois, se Deus não poupou os ramos naturais infiéis, tampouco poupará os ramos da oliveira brava, tomados das nações e enxertados nela.

      15. O que está envolvido na apresentação de sacrifícios vivos a Deus?

      15 A renovação da mente; as autoridades superiores (12:1-13:14). Paulo aconselha os cristãos a apresentar seus corpos quais sacrifícios vivos a Deus. Não mais sejam “modelados segundo este sistema de coisas”, mas sejam ‘transformados por reformar a sua mente’. Não sejam altivos. O corpo de Cristo, semelhante a um corpo humano, possui muitos membros, que têm funções diferentes, mas operam juntos em união. Não paguem a ninguém o mal com o mal. Deixem a vingança para Jeová. Vençam “o mal com o bem”. — 12:2, 21.

      16. Como devem os cristãos proceder para com as autoridades e outros?

      16 Sujeitem-se às autoridades superiores; é o arranjo de Deus. Continuem a fazer o bem e não devam coisa alguma a ninguém, exceto amar uns aos outros. Aproxima-se a salvação, portanto, ‘ponham de lado as obras pertencentes à escuridão’ e ‘revistam-se das armas da luz’. (13:12) Andem em boa conduta, não segundo os desejos da carne.

      17. O que se aconselha sobre julgar os outros e edificar os fracos?

      17 Acolham a todos imparcialmente, sem julgar (14:1-15:33). Suportem os que, por ser fraca a sua fé, se abstêm de certos alimentos ou observam dias de festa. Tampouco julguem seu irmão, nem o façam tropeçar pelo comer e beber, visto que Deus julga a cada um de nós. Busquem a paz e as coisas edificantes, e suportem as fraquezas dos outros.

      18. (a) Que outras citações faz Paulo para mostrar que Deus aceita os não-judeus? (b) Como tira o próprio Paulo proveito da benignidade imerecida de Deus?

      18 O apóstolo escreve: “Todas as coisas escritas outrora foram escritas para a nossa instrução”, e faz mais quatro citações das Escrituras Hebraicas como prova final de que os inspirados profetas haviam predito há muito que as promessas de Deus se estenderiam às nações não-judaicas. (Rom. 15:4, 9-12; Sal. 18:49; Deut. 32:43; Sal. 117:1; Isa. 11:1, 10) “Portanto”, admoesta Paulo, “acolhei-vos uns aos outros, assim como também o Cristo nos acolheu, visando glória para Deus”. (Rom. 15:7) Paulo expressa apreço pela benignidade imerecida, que Deus lhe manifestou, tornando-o um servidor público para as nações, “ocupado na obra santa das boas novas de Deus”. Paulo procura sempre abrir novos territórios, em vez de “edificar sobre o alicerce de outro homem”. E ainda não terminou seu trabalho, pois, depois de levar contribuições a Jerusalém, ele planeja uma viagem ainda maior de pregação até à Espanha distante, e, a caminho dali, levar “uma plena medida de bênção da parte de Cristo” a seus irmãos espirituais em Roma. — 15:16, 20, 29.

      19. Com que saudações e exortações termina a carta?

      19 Saudações concludentes (16:1-27). Paulo envia saudações pessoais a 26 membros da congregação de Roma, mencionando-os por nome, bem como a outros, e exorta-os a evitar as pessoas que causam divisões e a ser “sábios quanto ao que é bom, porém inocentes quanto ao que é mau”. Tudo é para a glória de Deus “por intermédio de Jesus Cristo, para sempre. Amém.” — 16:19, 27.

      POR QUE É PROVEITOSO

      20. (a) Que motivo lógico apresenta Romanos para se crer em Deus? (b) Como estão ilustradas a justiça e a misericórdia de Deus, e isto leva Paulo a exclamar o quê?

      20 O livro de Romanos apresenta base lógica para se crer em Deus, declarando que “as suas qualidades invisíveis são claramente vistas desde a criação do mundo em diante, porque são percebidas por meio das coisas feitas, mesmo seu sempiterno poder e Divindade”. Mais do que isto, passa a exaltar a justiça de Deus e a dar a conhecer a Sua grande misericórdia e benignidade imerecida. Isto é belamente trazido à nossa atenção mediante a ilustração da oliveira, em que os ramos bravos são enxertados, ao passo que os ramos naturais são cortados. Contemplando esta severidade e benignidade de Deus, Paulo exclama: “Ó profundidade das riquezas, e da sabedoria, e do conhecimento de Deus! Quão inescrutáveis são os seus julgamentos e além de pesquisa são os seus caminhos!” — 1:20; 11:33.

      21. Como mostra Romanos o desenvolvimento adicional do segredo sagrado de Deus?

      21 É neste respeito que o livro de Romanos explica o desenvolvimento adicional do segredo sagrado de Deus. Na congregação cristã, não há mais distinção entre judeu e gentio, mas pessoas de todas as nações podem participar da benignidade imerecida de Jeová por meio de Jesus Cristo. “Com Deus não há parcialidade.” “Judeu é aquele que o é no íntimo, e a sua circuncisão é a do coração, por espírito, e não por um código escrito.” “Não há distinção entre judeu e grego, porque há o mesmo Senhor sobre todos, que é rico para com todos os que o invocam.” É mediante a fé, e não mediante obras, que todos estes são declarados justos. — 2:11, 29; 10:12; 3:28.

      22. Que conselhos práticos dá Romanos no tocante às relações com os de fora da congregação?

      22 Os conselhos práticos contidos nesta carta aos cristãos em Roma são igualmente proveitosos para os cristãos hoje que têm de enfrentar problemas similares num mundo estranho. Os cristãos são exortados a ser “pacíficos para com todos os homens”, incluindo os de fora da congregação. Toda alma precisa estar “sujeita às autoridades superiores”, pois estas constituem um arranjo de Deus e são objeto de temor, não para os que cumprem a lei, mas para os que fazem obras más. Os cristãos precisam estar em sujeição e acatar a lei, não só por causa do temor do castigo, mas por causa da consciência cristã, pagando, por conseguinte, seus impostos, rendendo o que é devido, cumprindo as suas obrigações e não devendo nada a ninguém, ‘exceto que amem uns aos outros’. O amor cumpre a Lei. — 12:17-21; 13:1-10.

      23. Como frisa Paulo a importância da declaração pública, e que exemplo dá quanto à preparação para o ministério?

      23 Paulo dá ênfase à questão do testemunho público. Ao passo que é com o coração que a pessoa exerce fé para a justiça, é com a boca que faz declaração pública para a salvação. “Todo aquele que invocar o nome de Jeová será salvo.” Mas, para que isto ocorra, é necessário que os pregadores saiam a ‘declarar boas novas de coisas boas’. Somos felizes se estivermos entre estes pregadores, cujo som já foi ouvido agora “até às extremidades da terra habitada”! (10:13, 15, 18) E em preparação desta obra de pregação, esforcemo-nos em estar tão familiarizados com as Escrituras inspiradas quanto Paulo estava, pois, nesta única passagem (10:11-21), ele cita vez após vez das Escrituras Hebraicas. (Isa. 28:16; Joel 2:32; Isa. 52:7; 53:1; Sal. 19:4; Deut. 32:21; Isa. 65:1, 2) Bem podia ele dizer: “Todas as coisas escritas outrora foram escritas para a nossa instrução, para que, por intermédio da nossa perseverança e por intermédio do consolo das Escrituras, tivéssemos esperança.” — Rom. 15:4.

      24. Que conselhos dá Paulo para suscitar zelo e incentivar relações felizes dentro da congregação?

      24 Conselhos maravilhosamente práticos são dados sobre as relações dentro da congregação cristã. Qualquer que seja a sua nacionalidade, raça ou condição social anterior, todos precisam reformar a mente para prestar a Deus serviço sagrado segundo a sua “boa, e aceitável, e perfeita vontade”. (11:17-22; 12:1, 2) Que raciocínio prático permeia todos os conselhos de Paulo em Romanos 12:3-16! Acha-se aqui, deveras, excelente admoestação para nos incitar a suscitar zelo, e para incentivar humildade e terna afeição entre todos os da congregação cristã. Nos capítulos finais, Paulo dá forte admoestação sobre vigiar e evitar os que causam divisões, mas fala também da alegria e do revigoramento mútuos resultantes das associações limpas na congregação. — 16:17-19; 15:7, 32.

      25. (a) Que ponto de vista correto e entendimento adicional dá Romanos a respeito do Reino de Deus? (b) De que maneiras deve o estudo de Romanos ser-nos proveitoso?

      25 Como cristãos, precisamos continuar a cuidar das nossas relações uns com os outros. “Pois o reino de Deus não significa comer e beber, mas significa justiça, e paz, e alegria com espírito santo.” (14:17) Tal justiça, paz e alegria são especialmente o quinhão dos “co-herdeiros de Cristo”, que hão de ser “glorificados juntamente” com ele no Reino celestial. Seja notado, também, como Romanos apresenta um passo adicional em cumprimento da promessa do Reino, feita no Éden, ao dizer: “O Deus que dá paz . . . esmagará em breve a Satanás debaixo dos vossos pés.” (Rom. 8:17; 16:20; Gên. 3:15) Acreditando nestas grandes verdades, continuemos a estar cheios de toda a alegria e paz, e abundemos em esperança. Que a nossa determinação seja a de sermos vitoriosos, junto com a Semente do Reino, pois estamos convencidos de que nada no céu acima ou na terra embaixo “nem qualquer outra criação será capaz de nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”. — Rom. 8:39; 15:13.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Our Bible and the Ancient Manuscripts, 1958, página 188.

  • Livro bíblico número 46 — 1 Coríntios
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 46 — 1 Coríntios

      Escritor: Paulo

      Lugar da Escrita: Éfeso

      Escrita Completada: c. 55 EC

      1. Que tipo de cidade era Corinto nos dias de Paulo?

      CORINTO era “célebre e voluptuosa cidade, onde se defrontavam os vícios do Oriente e do Ocidente”.a Situada no estreito istmo entre o Peloponeso e a Grécia continental, de Corinto saía a via terrestre que conduzia ao continente. Nos dias do apóstolo Paulo, a sua população de cerca de 400.000 só era ultrapassada por Roma, Alexandria e a Antioquia da Síria. Ao leste de Corinto, achava-se o mar Egeu e ao oeste, o golfo de Corinto e o mar Jônico. De modo que Corinto, a capital da província de Acaia, com seus dois portos de Cencréia e de Lecaion, ocupava uma posição estratégica para o comércio. Era também centro da cultura grega. “A sua riqueza”, segundo se diz, “era tão celebrada que se tornou proverbial; da mesma forma o era a depravação e a libertinagem de seus habitantes”.b Entre as suas práticas religiosas pagãs, achava-se a adoração de Afrodite (identificada com a Vênus de Roma). A sensualidade era produto do culto praticado em Corinto.

      2. Como foi estabelecida a congregação de Corinto, e, por conseguinte, que vínculo a unia com Paulo?

      2 Foi para esta metrópole próspera, mas moralmente decadente do mundo romano, que o apóstolo Paulo viajou perto do ano 50 EC. Durante sua estada de 18 meses estabeleceu-se uma congregação cristã ali. (Atos 18:1-11) Quanto amor sentia Paulo por aqueles crentes a quem levara primeiro as boas novas a respeito de Cristo! Por carta, ele lhes lembrou o vínculo espiritual que os unia, dizendo: “Embora tenhais dez mil tutores em Cristo, certamente não tendes muitos pais; porque eu me tornei vosso pai em Cristo Jesus por intermédio das boas novas.” — 1 Cor. 4:15.

      3. O que impeliu Paulo a escrever a sua primeira carta aos coríntios?

      3 A profunda preocupação de Paulo pelo bem-estar espiritual deles fez com que se sentisse compelido a escrever a sua primeira carta aos cristãos coríntios, no decorrer de sua terceira viagem missionária. Alguns anos haviam passado desde sua estada em Corinto. Era então cerca de 55 EC, e Paulo se achava em Éfeso. Parece que recebera uma carta da relativamente nova congregação de Corinto, e era preciso dar uma resposta. Além disso, relatos alarmantes haviam chegado a Paulo. (7:1; 1:11; 5:1; 11:18) Tão inquietantes eram estes que o apóstolo nem mesmo se referiu às perguntas da carta deles senão no primeiro versículo do capítulo 7 de sua carta. Foram especialmente esses relatos, que Paulo recebera, que fizeram com que ele se sentisse compelido a escrever a seus concristãos em Corinto.

      4. O que prova que foi de Éfeso que Paulo escreveu Primeira Coríntios?

      4 Mas, como sabemos que foi de Éfeso que Paulo escreveu Primeira Coríntios? Em primeiro lugar, porque, ao concluir a carta com cumprimentos, o apóstolo inclui os de Áquila e de Prisca (Priscila). (16:19) Atos 18:18, 19 mostra que eles se haviam mudado de Corinto para Éfeso. Visto que Áquila e Priscila residiam ali, e Paulo os incluiu nos cumprimentos finais de Primeira Coríntios, ele devia estar em Éfeso quando escreveu a carta. Um ponto, porém, que não deixa nenhuma dúvida é a declaração de Paulo, em 1 Coríntios 16:8: “Mas, vou permanecer em Éfeso até a festividade de Pentecostes.” Portanto, Primeira Coríntios foi escrita por Paulo em Éfeso, pelo que parece perto do fim de sua estada ali.

      5. O que estabelece a autenticidade das cartas aos coríntios?

      5 A autenticidade de Primeira Coríntios, também de Segunda Coríntios, é incontestável. Estas cartas foram atribuídas a Paulo e aceitas como canônicas pelos primeiros cristãos, que as incluíram nas suas coleções. Com efeito, diz-se que se faz alusão a Primeira Coríntios que é citada pelo menos seis vezes numa carta de Roma a Corinto, datada de cerca de 95 EC e chamada de Primeira Clemente. Referindo-se pelo que parece a Primeira Coríntios, o escritor instou com os destinatários dessa carta para “aceitarem a epístola do bendito Paulo, o apóstolo”.c Primeira Coríntios é também citada diretamente por Justino Mártir, Atenágoras, Irineu e Tertuliano. Há forte evidência de que um grupo, ou coleção das cartas de Paulo, inclusive Primeira e Segunda Coríntios, “foi formado e publicado na última década do primeiro século”.d

      6. Que problemas existiam na congregação coríntia, e qual era especialmente o interesse de Paulo?

      6 A primeira carta de Paulo aos coríntios nos dá oportunidade de olhar dentro da própria congregação coríntia. Estes cristãos tinham problemas a enfrentar e questões a resolver. Havia divisões dentro da congregação, porque alguns seguiam a homens. Surgiu um caso chocante de imoralidade sexual. Alguns viviam em lares divididos quanto à religião. Deveriam permanecer com seu cônjuge descrente ou separar-se? E que dizer de comer carne sacrificada a ídolos? Podiam comer de tal carne? Os coríntios precisavam ser aconselhados sobre a maneira de dirigir suas reuniões, incluindo-se a celebração da Refeição Noturna do Senhor. Qual devia ser a posição das mulheres na congregação? Além disso, havia também no meio deles os que negavam a ressurreição. Os problemas eram muitos. O apóstolo estava, porém, especialmente interessado em restabelecer a saúde espiritual dos coríntios.

      7. Com que atitude mental devemos considerar Primeira Coríntios, e por quê?

      7 Visto que as condições dentro da congregação e o ambiente da antiga Corinto, com sua prosperidade e sua licenciosidade, têm paralelos modernos, os excelentes conselhos de Paulo, escritos sob inspiração divina, exigem nossa atenção. O que Paulo disse é tão cheio de significado para a nossa época que um exame detido de sua primeira carta a seus amados irmãos e irmãs coríntios será realmente proveitoso. Relembre agora o espírito daquele tempo e lugar. Pense com escrutínio, assim como o devem ter feito os cristãos coríntios, ao reexaminarmos as palavras inspiradas, estimulantes e profundas de Paulo a seus concrentes da antiga Corinto.

      CONTEÚDO DE PRIMEIRA CORÍNTIOS

      8. (a) Como expõe Paulo a tolice do sectarismo na congregação? (b) Segundo mostra Paulo, o que é necessário para alguém entender as coisas de Deus?

      8 Paulo expõe o sectarismo e exorta a união (1:1-4:21). Paulo expressa seu desejo de que tudo vá bem com os coríntios. Mas o que dizer das divisões e dissensões entre eles? “O Cristo existe dividido.” (1:13) O apóstolo é grato de ter batizado bem poucos dentre eles, assim, não podem dizer que foram batizados no nome dele. Paulo dá testemunho a respeito de Cristo que foi pregado na estaca. Isto é causa de tropeço para os judeus e tolice para as nações. Mas Deus escolheu as coisas tolas e fracas do mundo para envergonhar os sábios e os fortes. Portanto, Paulo não se dirige aos irmãos com extravagância de linguagem, mas deixa que vejam o espírito e o poder de Deus através de suas palavras, para que a sua fé não seja na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus. Falamos as coisas reveladas pelo espírito de Deus, diz Paulo, “pois o espírito pesquisa todas as coisas, até mesmo as coisas profundas de Deus”. O homem físico não pode compreender estas coisas, só o homem espiritual pode. — 2:10.

      9. Que argumento usou Paulo para mostrar que ninguém deve jactar-se nos homens?

      9 Eles seguem a homens — alguns a Apolo, alguns a Paulo. Mas quem são estes? Apenas ministros por meio dos quais os coríntios se tornaram crentes. Os que plantam e os que regam não são nada, pois ‘Deus faz crescer’, e eles são “colaboradores” de Deus. A prova de fogo revelará quem tem obras que são duráveis. Paulo lhes diz: “Vós sois templo de Deus”, em quem mora Seu espírito. “A sabedoria deste mundo é tolice perante Deus.” Que ninguém, portanto, se jacte nos homens, pois todas as coisas pertencem realmente a Deus. — 3:6, 9, 16, 19.

      10. Por que não têm os coríntios motivo para se jactar, e que medidas toma Paulo para remediar a situação?

      10 Paulo e Apolo são mordomos humildes dos segredos sagrados de Deus, e os mordomos devem ser achados fiéis. Quem são os irmãos de Corinto para se jactar, e o que têm que não tenham recebido? Tornaram-se ricos, começaram a reinar, e se tornaram tão discretos e fortes, ao passo que os apóstolos, que se tornaram espetáculo teatral tanto para anjos como para homens, são, contudo, tolos e fracos, a escória de todas as coisas? Paulo lhes envia Timóteo para ajudá-los a se lembrarem dos seus métodos em conexão com Cristo e a se tornarem imitadores dele. Se Jeová quiser, o próprio Paulo irá em breve visitá-los e chegará a conhecer, não meramente a palavra dos que estão enfunados de orgulho, mas o seu poder.

      11. Que caso de imoralidade surgiu entre eles, o que precisa ser feito a respeito, e por quê?

      11 Conservar limpa a congregação (5:1-6:20). Relatou-se entre os coríntios um caso chocante de imoralidade! Um homem tomou a esposa de seu pai. Ele precisa ser entregue a Satanás, porque um pouco de fermento leveda toda a massa. Eles precisam deixar de se associar com alguém que diz ser irmão, mas é iníquo.

      12. (a) Que argumenta Paulo sobre a questão de irmãos levarem uns aos outros perante os tribunais? (b) Por que diz Paulo: “Fugi da fornicação”?

      12 Ora! os coríntios até mesmo têm levado uns aos outros perante tribunais. Não seria preferível deixarem-se defraudar? Visto que julgarão o mundo e os anjos, não podem encontrar alguém dentre eles capaz de julgar entre irmãos? Ademais, precisam ser limpos, pois os fornicadores, os idólatras e os semelhantes a estes não herdarão o Reino de Deus. É o que alguns deles eram, mas foram lavados e santificados. “Fugi da fornicação”, diz Paulo. “Pois fostes comprados por um preço. Acima de tudo, glorificai a Deus no corpo de vós em conjunto.” — 6:18, 20.

      13. (a) Por que aconselha Paulo a alguns que se casem? Mas, uma vez casados, o que devem fazer? (b) Em que sentido ‘faz melhor’ a pessoa que não se casa?

      13 Conselhos sobre o estado de solteiro e sobre casamento (7:1-40). Paulo responde a uma pergunta sobre casamento. Por causa da prevalência da fornicação, é talvez aconselhável que o homem ou a mulher se casem, e os que são casados não devem privar o cônjuge dos direitos maritais. É bom que as pessoas não-casadas e viúvas permaneçam sem se casar, como Paulo; mas, se não têm autodomínio, que se casem. Uma vez casados, devem permanecer juntos. Mesmo que o cônjuge da pessoa seja descrente, o crente não deve separar-se, pois assim o crente poderá salvar o cônjuge descrente. Quanto à circuncisão e escravidão, que cada um se contente em permanecer no estado em que estava quando foi chamado. Quanto à pessoa casada, ela está dividida, porque deseja ganhar a aprovação de seu cônjuge, ao passo que a pessoa solteira está ansiosa apenas pelas coisas do Senhor. Os que se casam não pecam, mas os que não se casam fazem “melhor”. — 7:38.

      14. Que diz Paulo sobre “deuses” e “senhores”, mas, quando é prudente abster-se de alimento oferecido a ídolos?

      14 Fazer todas as coisas pelas boas novas (8:1-9:27). Que dizer dos alimentos oferecidos aos ídolos? Um ídolo não é nada! Há muitos “deuses” e muitos “senhores” no mundo, mas para o cristão há “um só Deus, o Pai”, e “um só Senhor, Jesus Cristo”. (8:5, 6) Contudo, para alguns poderá ser causa de ofensa ver alguém comer carne sacrificada a um ídolo. Nesse caso, Paulo aconselha a pessoa a se abster de tal alimento, para não causar tropeço a seus irmãos.

      15. Como se comporta Paulo no ministério?

      15 Paulo priva-se de muitas coisas por causa do ministério. Na qualidade de apóstolo, ele tem o direito de ‘viver por meio das boas novas’, mas evita fazer isso. Todavia, é-lhe imposta a necessidade de pregar; com efeito, ele diz: “Ai de mim se eu não declarasse as boas novas!” Assim, ele fez de si mesmo escravo de todos, tornando-se “todas as coisas para pessoas de toda sorte”, para “de todos os modos salvar alguns”, e faz todas as coisas “pela causa das boas novas”. A fim de vencer na competição e ganhar a coroa incorruptível, ele surra seu corpo, para que, depois de ter pregado a outros, ele próprio “não venha a ser de algum modo reprovado”. — 9:14, 16, 19, 22, 23, 27.

      16. (a) De que advertência deve servir para os cristãos o que aconteceu com os “antepassados”? (b) Com relação à idolatria, como podem os cristãos fazer todas as coisas para a glória de Deus?

      16 Advertência contra coisas prejudiciais (10:1-33). Que dizer de seus “antepassados”? Eles estiveram debaixo da nuvem e foram batizados em Moisés. A maioria deles não obtiveram a aprovação de Deus, mas pereceram no ermo. Por quê? Porque desejavam coisas prejudiciais. Os cristãos devem dar-se por avisados com isto e abster-se da idolatria e da fornicação, de pôr Jeová a prova e de resmungar. Quem pensa estar de pé acautele-se para que não caia. As tentações surgirão, mas Deus não permitirá que seus servos sejam tentados além daquilo que podem suportar; proverá uma saída, para que possam suportar. “Portanto”, escreve Paulo, “fugi da idolatria”. (10:1, 14) Não podemos participar da mesa de Jeová e da mesa dos demônios. Entretanto, se estiver comendo em certa casa, não pergunte sobre a procedência da carne. Se alguém lhe disser que essa carne foi sacrificada a ídolos, então, abstenha-se de comer por causa da consciência dessa pessoa. “Fazei todas as coisas para a glória de Deus”, escreve Paulo. — 10:31.

      17. (a) Que princípio de chefia delineia Paulo? (b) Como estabelece ele uma relação entre a divisão na congregação com a consideração sobre a Refeição Noturna do Senhor?

      17 Chefia; a Refeição Noturna do Senhor (11:1-34). “Tornai-vos meus imitadores, assim como eu sou de Cristo”, declara Paulo, e passa a esclarecer o princípio divino da chefia: A cabeça da mulher é o homem, a cabeça do homem é Cristo, a cabeça de Cristo é Deus. Por conseguinte, a mulher deve usar “um sinal de autoridade” sobre a cabeça quando ora ou profetiza na congregação. Paulo não congratula os coríntios, pois, quando se reúnem, existem divisões entre eles. Nessas condições, como podem participar corretamente da Refeição Noturna do Senhor? Ele fala sobre o que se passou quando Jesus instituiu a Comemoração de sua morte. Cada um deve examinar a si mesmo antes de participar, a fim de não trazer julgamento contra si próprio por não discernir “o corpo”. — 11:1, 10, 29.

      18. (a) Embora haja variedades de dons e de ministérios, por que não deve haver divisão no corpo? (b) Por que é o amor preeminente?

      18 Dons espirituais; amor e o empenho por ele (12:1-14:40). Há variedades de dons espirituais, contudo o mesmo espírito; há variedades de ministérios e de operações, contudo o mesmo Senhor e o mesmo Deus. Da mesma forma, há muitos membros no um só corpo unido de Cristo, cada membro necessitando do outro, como no corpo humano. Deus colocou todos os membros no corpo segundo o Seu agrado, e cada um deles tem a sua função a desempenhar, para ‘que não haja divisão no corpo’. (12:25) Os que usam seus dons espirituais nada são sem o amor. O amor é longânime e benigno, não é ciumento, não se enfuna. Alegra-se só com a verdade. “O amor nunca falha.” (13:8) Os dons espirituais, como os de profetizar e de línguas, cessarão, mas a fé, a esperança e o amor permanecem. O maior destes é o amor.

      19. Que conselho dá Paulo para a edificação da congregação, e para o arranjo ordeiro das coisas?

      19 “Empenhai-vos pelo amor”, admoesta Paulo. Os dons espirituais devem ser usados com amor, para a edificação da congregação. Por este motivo, é preferível profetizar a falar em línguas. Ele prefere dizer cinco palavras com entendimento, para instruir os outros, a dez mil palavras numa língua desconhecida. As línguas servem de sinal para os descrentes, mas o profetizar é para os crentes. Não devem ser “criancinhas” no entendimento dessas coisas. Quanto às mulheres, devem estar em sujeição na congregação. “Que todas as coisas ocorram decentemente e por arranjo.” — 14:1, 20, 40.

      20. (a) Que evidência apresenta Paulo quanto à ressurreição de Cristo? (b) Qual é a ordem da ressurreição, e que inimigos serão aniquilados?

      20 A esperança da ressurreição é certa (15:1-16:24). O Cristo ressuscitado apareceu a Cefas, aos 12, a mais de 500 irmãos a um só tempo, a Tiago, a todos os apóstolos e, por último, a Paulo. ‘Se Cristo não foi levantado’, escreve Paulo, ‘a nossa pregação e a nossa fé são vãs’. (15:14) Cada um é ressuscitado na sua própria ordem: Cristo, as primícias, depois disto os que pertencem a ele durante a sua presença. Por fim, ele entrega o Reino a seu Pai, depois de todos os inimigos terem sido postos debaixo de seus pés. Mesmo a morte, o último inimigo, será reduzida a nada. Que adianta Paulo enfrentar continuamente perigos de morte, se não há ressurreição?

      21. (a) Como são ressuscitados os que hão de herdar o Reino de Deus? (b) Que segredo sagrado revela Paulo, e o que diz ele a respeito da vitória sobre a morte?

      21 Entretanto, como serão ressuscitados os mortos? O grão semeado precisa morrer para que a planta se desenvolva. Assim se dá com a ressurreição dos mortos. “Semeia-se corpo físico, é levantado corpo espiritual. . . . Carne e sangue não podem herdar o reino de Deus.” (15:44, 50) Paulo revela um segredo sagrado: Nem todos adormecerão na morte, mas, durante a última trombeta, serão mudados num piscar de olhos. Quando isto que é mortal se revestir da imortalidade, a morte será tragada para sempre. “Morte, onde está a tua vitória? Morte, onde está o teu aguilhão?” Do fundo do coração Paulo exclama: “Graças a Deus, porém, pois ele nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo!” — 15:55, 57.

      22. Que conselhos e exortações finais dá Paulo?

      22 Em conclusão, Paulo dá conselhos sobre a maneira ordeira de ajuntar as contribuições a serem enviadas para Jerusalém, a fim de ajudar os irmãos necessitados. Ele fala de sua próxima visita a eles, via Macedônia, e indica que talvez Timóteo e Apolo também os visitem. “Ficai despertos”, exorta Paulo. “Mantende-vos firmes na fé, procedei como homens, tornai-vos poderosos. Que todos os vossos assuntos se realizem com amor.” (16:13, 14) Paulo transmite os cumprimentos das congregações da Ásia, e termina com cumprimento escrito pela sua própria mão, em que expressa o seu amor.

      POR QUE É PROVEITOSO

      23. (a) Por meio de que exemplo demonstra Paulo as terríveis conseqüências dos desejos errados e da auto-confiança? (b) A que autoridade se refere Paulo ao aconselhar sobre a Refeição Noturna do Senhor e os alimentos apropriados?

      23 Esta carta do apóstolo Paulo é de muito proveito, pois nos faz compreender melhor as Escrituras Hebraicas, que ele cita muitas vezes. No capítulo dez, Paulo frisa que os israelitas, sob a direção de Moisés, beberam da rocha espiritual, que representava a Cristo. (1 Cor. 10:4; Núm. 20:11) Em seguida, ele passa a mostrar as terríveis conseqüências do desejo de coisas prejudiciais, como atesta o caso dos israelitas, sob a direção de Moisés, e acrescenta: “Ora, estas coisas lhes aconteciam como exemplos e foram escritas como aviso para nós, para quem já chegaram os fins dos sistemas de coisas.” Jamais sejamos auto-confiantes, pensando que não podemos cair! (1 Cor. 10:11, 12; Núm. 14:2; 21:5; 25:9) De novo ele usa uma ilustração da Lei. Refere-se aos sacrifícios de comunhão oferecidos em Israel, a fim de mostrar que os que participam da Refeição Noturna do Senhor devem fazer isso de modo digno da mesa de Jeová. Daí, para confirmar seu argumento de que é correto comer tudo o que se vende no açougue, ele cita Salmo 24:1, dizendo: “A Jeová pertence a terra e o que a enche.” — 1 Cor. 10:18, 21, 26; Êxo. 32:6; Lev. 7:11-15.

      24. Que outras passagens das Escrituras Hebraicas cita Paulo para apoiar sua argumentação?

      24 Mostrando a superioridade das “coisas que Deus tem preparado para os que o amam” e a futilidade dos “raciocínios dos sábios” deste mundo, Paulo de novo cita das Escrituras Hebraicas. (1 Cor. 2:9; 3:20; Isa. 64:4; Sal. 94:11) Nas suas instruções, no capítulo 5, sobre desassociar o malfeitor, ele cita como autoridade a lei de Jeová que diz “Tens de eliminar o mal do teu meio”. (Deut. 17:7) Quando Paulo diz que teria direito de viver por meio do ministério, cita de novo a Lei de Moisés, que prescrevia que os animais não deviam ser açaimados quando estivessem trabalhando, impedindo-os de comer, e que os levitas que serviam no templo deviam receber do altar a sua porção. — 1 Cor. 9:8-14; Deut. 25:4; 18:1.

      25. Quais são alguns dos pontos notáveis de instrução proveitosa contidos em Primeira Coríntios?

      25 Quantos benefícios recebemos em forma de instruções inspiradas encerradas na primeira carta de Paulo aos cristãos coríntios! Medite nos conselhos dados para nos precaver das divisões e de seguir a homens. (Capítulos 1-4) Lembre-se do caso de imoralidade e de como Paulo sublinhou a necessidade da virtude e da pureza que devem existir na congregação. (Capítulos 5, 6) Considere os seus conselhos inspirados sobre ficar sem se casar, sobre casamento e separação. (Capítulo 7) Pense em como o apóstolo tratou a questão dos alimentos oferecidos a ídolos, e com que força sublinhou a necessidade de nos resguardarmos de fazer outros tropeçar e cair na idolatria. (Capítulos 8-10) Os conselhos sobre a sujeição correta, a consideração sobre os dons espirituais, a bem prática consideração sobre a excelência da qualidade duradoura do amor que nunca falha — estas coisas também são analisadas. E quão bem o apóstolo acentuou a necessidade de ordem nas reuniões cristãs! (Capítulos 11-14) Que maravilhosa defesa da ressurreição escreveu ele sob inspiração! (Capítulo 15) Tudo isto e muito mais passou diante dos olhos da mente — e é tão valioso para os cristãos hoje em dia!

      26. (a) Que obra há muito predita realizará o ressuscitado Cristo ao reinar? (b) Com base na esperança da ressurreição, que poderoso encorajamento dá Paulo?

      26 Esta carta aumenta notavelmente o nosso entendimento do glorioso tema da Bíblia, a saber, o Reino de Deus. Dá forte aviso de que os injustos não entrarão no Reino, e alista muitas das práticas corruptas que desqualificam uma pessoa. (1 Cor. 6:9, 10) Mas é de máxima importância a explicação que ela fornece a respeito da relação existente entre a ressurreição e o Reino de Deus. Mostra que Cristo, “as primícias” da ressurreição, tem de “reinar até que Deus lhe tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés”. Daí, quando tiver exterminado a todos os inimigos, incluindo a morte, ele ‘entregará o reino ao seu Deus e Pai, para que Deus seja todas as coisas para com todos’. Por fim, em cumprimento da promessa do Reino feita no Éden, o completo esmagamento da cabeça da Serpente será efetuado por Cristo, junto com Seus ressuscitados irmãos espirituais. É, deveras, grandiosa a perspectiva da ressurreição dos que hão de participar da incorruptibilidade com Cristo Jesus no Reino celestial. É com base na esperança da ressurreição que Paulo admoesta: “Conseqüentemente, meus amados irmãos, tornai-vos constantes, inabaláveis, tendo sempre bastante para fazer na obra do Senhor, sabendo que o vosso labor não é em vão em conexão com o Senhor.” — 1 Cor. 15:20-28, 58; Gên. 3:15; Rom. 16:20.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Manual Bíblico, 1987, H. H. Halley, página 523.

      b Dictionary of the Bible, de Smith, 1863, Vol. 1, página 353.

      c The Interpreter’s Bible, Vol. 10, 1953, página 13.

      d The Interpreter’s Bible, Vol. 9, 1954, página 356.

  • Livro bíblico número 47 — 2 Coríntios
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 47 — 2 Coríntios

      Escritor: Paulo

      Lugar da Escrita: Macedônia

      Escrita Completada: c. 55 EC

      1, 2. (a) O que impeliu Paulo a escrever a sua segunda carta aos coríntios? (b) Donde escreveu Paulo, e com o que estava preocupado?

      ERA provavelmente fim do verão setentrional ou princípio do outono de 55 EC. Havia ainda alguns assuntos na congregação cristã de Corinto que preocupavam o apóstolo Paulo. Não muitos meses haviam passado desde a escrita da primeira carta aos coríntios. Desde então, Tito havia sido enviado a Corinto para ajudar na coleta feita ali para os santos na Judéia e possivelmente também para observar a reação dos coríntios à primeira carta. (2 Cor. 8:1-6; 2:13) Como reagiram eles? Que consolo foi para Paulo saber que lhes causara pesar e os induzira ao arrependimento! Tito voltara a Paulo em Macedônia com esta boa notícia, e o coração do apóstolo transbordava agora de amor pelos seus queridos concrentes coríntios. — 7:5-7; 6:11.

      2 De modo que Paulo escreveu outra vez aos coríntios. Esta acalentadora e poderosa segunda carta foi escrita de Macedônia, e foi entregue pelo que parece por Tito. (9:2, 4; 8:16-18, 22-24) Um dos assuntos preocupantes que compelira Paulo a escrever era a presença, entre os coríntios, dos “superfinos apóstolos”, aos quais ele também qualificou de “falsos apóstolos, trabalhadores fraudulentos”. (11:5, 13, 14) O bem-estar espiritual dessa congregação relativamente nova estava em perigo, e a autoridade de Paulo qual apóstolo estava sendo desacreditada. A sua segunda carta a Corinto preenchia, pois, uma grande necessidade.

      3, 4. (a) Que visitas fez o próprio Paulo a Corinto? (b) Como nos traz hoje proveito Segunda Coríntios?

      3 Note-se que Paulo disse: “Esta é a terceira vez que estou pronto para ir ter convosco.” (2 Cor. 12:14; 13:1) Planejara visitá-los uma segunda vez, quando escreveu a sua primeira carta, mas, embora estivesse pronto, esta “segunda ocasião para alegria” não se concretizou. (1 Cor. 16:5; 2 Cor. 1:15) Na realidade, Paulo havia estado ali apenas uma vez, por 18 meses, em 50-52 EC, época em que foi fundada em Corinto a congregação cristã. (Atos 18:1-18) Entretanto, Paulo realizou mais tarde seu desejo de visitar Corinto mais uma vez. Enquanto se achava na Grécia por três meses, provavelmente em 56 EC, passou pelo menos parte desse tempo em Corinto, e foi de lá que escreveu a sua carta aos romanos. — Rom. 16:1, 23; 1 Cor. 1:14.

      4 Segunda Coríntios, bem como Primeira Coríntios, e as outras epístolas paulinas foram sempre consideradas parte autêntica do cânon da Bíblia. Podemos olhar de novo o que se passava na congregação de Corinto, e tirar proveito das palavras inspiradas de Paulo em admoestação dela e nossa.

      CONTEÚDO DE SEGUNDA CORÍNTIOS

      5. (a) O que escreve Paulo relativo ao consolo? (b) O que foi realizado mediante Cristo que é uma garantia adicional?

      5 Ajuda da parte do “Deus de todo o consolo” (1:1-2:11). Paulo inclui Timóteo nas saudações iniciais. “Bendito seja”, diz Paulo, “o Pai de ternas misericórdias e o Deus de todo o consolo, que nos consola em toda a nossa tribulação”, para que nós, por nossa vez, possamos consolar a outros. Embora Paulo e seus companheiros estivessem sob extrema pressão e em perigo de vida, Deus os socorria. Os coríntios podem também ajudar com orações em favor deles. É com confiança na sua sinceridade e na benignidade imerecida de Deus que ele lhes escreve. As promessas de Deus se tornaram “Sim” mediante Jesus, e Ele ungiu os que pertencem a Cristo e lhes deu “o penhor daquilo que há de vir, isto é, o espírito”, nos seus corações. — 1:3, 4, 20, 22.

      6. O que aconselha Paulo que se deve fazer quanto ao malfeitor desassociado que está agora arrependido?

      6 Parece que o homem que era objeto dos comentários de Paulo na sua primeira carta, capítulo cinco, foi expulso da congregação. Ele se arrependeu e demonstra tristeza. Assim, Paulo diz aos coríntios que estendam genuíno perdão e confirmem o seu amor para com o penitente.

      7. Como se apresenta Paulo, bem como os coríntios, e o que afirma ele?

      7 Habilitados quais ministros do novo pacto (2:12-6:10). Paulo apresenta a si mesmo e os cristãos coríntios como estando numa procissão triunfal com Cristo. (Os coríntios estavam familiarizados com o cheiro do suave incenso que era queimado ao longo do caminho das procissões dos exércitos vitoriosos naqueles dias.) Há forte contraste entre o “cheiro” do cristão para os que irão ganhar a vida e o “cheiro” para os que irão perecer. “Não somos vendedores ambulantes da palavra de Deus”, afirma Paulo. — 2:16, 17.

      8. (a) Que credenciais tinham Paulo e seus colaboradores quais ministros? (b) Em que é superior o ministério do novo pacto?

      8 Paulo e seus colaboradores não necessitam de documentos, cartas de recomendação, escritas pelos coríntios ou para os coríntios. Os próprios crentes coríntios constituem cartas de recomendação, escritas “por nós, como ministros”, e inscritas, não em tábuas de pedra, mas “em tábuas carnais, nos corações”, declara Paulo. Deus habilitou adequadamente os ministros do novo pacto. O código escrito era a administração da morte, com glória desvanecente, e era temporário. A administração do espírito, porém, conduz à vida, é duradoura e de glória abundante. Quando “se lê Moisés”, há um véu sobre o coração dos filhos de Israel, mas, quando se volta para Jeová, o véu é removido e são “transformados na mesma imagem, de glória em glória”. — 3:3, 15, 18.

      9. Como descreve Paulo o tesouro do ministério?

      9 Daí, Paulo continua: ‘Temos este ministério segundo a misericórdia que se teve conosco. Temos renunciado às coisas dissimuladas, e não adulteramos a palavra de Deus, mas recomendamo-nos, tornando manifesta a verdade. Se a mensagem das boas novas está velada, é porque o deus deste mundo cegou a mente dos incrédulos. Nossos corações, porém, acham-se iluminados com o glorioso conhecimento de Deus pelo rosto de Cristo. Quão grande é este tesouro que temos! Está em vasos de barro, para que o poder além do normal seja o de Deus. Sob perseguição e tensão, sim, em face da própria morte, exercemos fé e não desistimos, pois a tribulação momentânea produz para nós uma glória de peso cada vez maior e é eterna. Portanto, fixamos os olhos nas coisas não vistas.’ — 4:1-18.

      10. (a) Que diz Paulo dos que estão em união com Cristo? (b) Como recomenda Paulo a si mesmo como ministro de Deus?

      10 ‘Sabemos que’, escreve Paulo, ‘a nossa casa terrestre dará lugar à eterna nos céus. No ínterim, prosseguimos em fé e temos boa coragem. Embora ausentes de Cristo, procuramos ser aceitáveis a ele’. (5:1, 7-9) Os que estão em união com Cristo são “nova criação” e têm um ministério de reconciliação. São “embaixadores, substituindo a Cristo”. (5:17, 20) De todos os modos, Paulo recomenda a si mesmo qual ministro de Deus. Como? ‘Pela perseverança em muito no sentido de tribulações, espancamentos, labores, em noites sem dormir, pela pureza, pelo conhecimento, pela longanimidade, pela benignidade, por espírito santo, pelo amor livre de hipocrisia, pela palavra veraz, pelo poder de Deus, como pobre, mas enriquecendo a muitos, como não tendo nada, e ainda assim possuindo todas as coisas.’ — 6:4-10.

      11. Que conselho e aviso dá Paulo?

      11 “Aperfeiçoando a santidade em temor de Deus” (6:11-7:16). Paulo fala aos coríntios: ‘O nosso coração alargou-se para recebê-los.’ Eles, também, devem alargar as suas ternas afeições. Mas vem, então, um aviso! “Não vos ponhais em jugo desigual com incrédulos.” (6:11, 14) Que associação tem a luz com as trevas, ou Cristo com Belial? Como templo do Deus vivo, precisam separar-se e deixar de tocar em coisa impura. Paulo diz: “Purifiquemo-nos de toda imundície da carne e do espírito, aperfeiçoando a santidade em temor de Deus.” — 7:1.

      12. Por que se regozijou Paulo com o relatório procedente de Corinto?

      12 Paulo declara ainda mais: “Estou cheio de consolo, estou transbordando de alegria em toda a nossa aflição.” (7:4) Por quê? Não só por causa da presença de Tito, mas, também, por causa do bom relatório procedente de Corinto, de terem saudades de Paulo, de seu lamento e o zelo que têm por ele. Compreende que a sua primeira carta causou tristeza temporária, mas regozija-se de que os coríntios se entristeceram em arrependimento para a salvação. Ele os elogia por terem cooperado com Tito.

      13. (a) Que exemplos de generosidade cita Paulo? (b) Que princípios considera Paulo em conexão com o dar?

      13 A generosidade será recompensada (8:1-9:15). No tocante às contribuições para os “santos” necessitados, Paulo cita o exemplo dos macedônios, cuja generosidade, não obstante a grande pobreza deles, estava realmente além de suas possibilidades; e espera então ver a mesma disposição de dar da parte dos coríntios como demonstração da genuinidade do seu amor pelo Senhor Jesus Cristo, que se tornou pobre para que eles se tornassem ricos. As dádivas que farão segundo as suas possibilidades permitirão contrabalançar as coisas, de modo que quem tem muito não terá demais, e quem tem pouco não terá pouco demais. Tito e outros estão sendo enviados a eles em conexão com estas bondosas dádivas. Paulo vem jactando-se da generosidade e da prontidão da parte dos coríntios, e não quer que fiquem envergonhados por não completarem a dádiva abundante. Sim, “quem semear generosamente, ceifará também generosamente”. Que seja do coração, pois “Deus ama o dador animado”. Ele é também capaz de fazer com que a sua benignidade imerecida abunde para com eles e de enriquecê-los para toda a sorte de generosidade. “Graças a Deus por sua indescritível dádiva gratuita.” — 9:1, 6, 7, 15.

      14. Que pontos salienta Paulo em apoio do seu apostolado?

      14 Paulo atesta seu apostolado (10:1-13:14). Paulo reconhece que tem aparência humilde. Mas os cristãos não guerreiam segundo a carne; as suas armas são espirituais, “poderosas em Deus”, para derrubar raciocínios contrários ao conhecimento de Deus. (10:4) Alguns, vendo as coisas segundo o seu valor aparente, dizem que as cartas do apóstolo são ponderosas, mas a sua fala é desprezível. Saibam eles que as ações de Paulo serão exatamente como as suas palavras por carta. Os coríntios devem entender que Paulo não se jacta de consecuções no território de outrem. Ele lhes levou pessoalmente as boas novas. Outrossim, se há de haver jactância, que esta seja em Jeová.

      15. (a) Com que ilustrações fala Paulo contra os falsos apóstolos? (b) Quais foram os antecedentes de Paulo?

      15 Paulo sente a sua responsabilidade de apresentar a congregação coríntia a Cristo como virgem casta. Assim como Eva foi seduzida pela astúcia da serpente, há perigo de que a mente deles seja corrompida. Por conseguinte, Paulo fala, com vigor contra os “superfinos apóstolos” da congregação coríntia. (11:5) São falsos apóstolos. O próprio Satanás persiste em transformar-se em anjo de luz, portanto, não é de admirar que seus ministros façam o mesmo. Mas, quanto a serem ministros de Cristo, como é que se comparam com os antecedentes de Paulo? Ele suportou muitas coisas: prisões, espancamentos, naufrágios três vezes, muitos perigos, passou muitas vezes sem dormir e sem alimento. Contudo, em tudo isto, nunca perdeu de vista as necessidades das congregações e sempre se sentiu enfurecido quando alguém tropeçava.

      16. (a) De que poderia jactar-se Paulo, mas por que prefere falar das suas fraquezas? (b) Como produziu Paulo provas do seu apostolado?

      16 Portanto, se é que alguém tem motivo de jactar-se, este é Paulo. Poderiam os outros chamados apóstolos em Corinto dizer que foram arrebatados ao paraíso para ouvir coisas inefáveis? Não obstante isto, Paulo fala das suas fraquezas. Para que não se sentisse demasiadamente exaltado, foi-lhe dado “um espinho na carne”. Paulo suplicou que isso fosse removido, mas foi-lhe dito: “Basta-te a minha benignidade imerecida.” Paulo prefere jactar-se nas suas fraquezas, para que o “poder do Cristo” permaneça sobre ele como uma tenda. (12:7, 9) Não, Paulo não se provou inferior aos “superfinos apóstolos”, e os coríntios têm visto as provas do apostolado que produziu entre eles “em toda a perseverança, e por sinais, e portentos, e obras poderosas”. Não está buscando os bens deles, assim como nem Tito nem os outros colaboradores, aos quais enviou, tiraram vantagem deles. — 12:11, 12.

      17. Que admoestação final dá Paulo aos coríntios?

      17 Todas as coisas são para a edificação deles. Entretanto, Paulo expressa temores no sentido de que, ao chegar a Corinto, encontrará alguns que não se arrependeram das obras da carne. Adverte os pecadores de antemão de que tomará a devida ação e não poupará a nenhum deles, e aconselha a todos na congregação a continuar a provar se estão na fé em união com Jesus Cristo. Paulo e Timóteo orarão a Deus por eles. Paulo ordena que se regozijem e sejam restaurados em união, para que o Deus do amor e da paz esteja com eles, e conclui enviando saudações dos santos e seus próprios votos de felicidade para a bênção espiritual deles.

      POR QUE É PROVEITOSO

      18. Que ponto de vista correto devem os cristãos ter sobre o ministério?

      18 Quão estimulante e encorajador é o apreço que Paulo tem pelo ministério cristão, segundo expresso em Segunda Coríntios! Consideremo-lo como ele o considerou. O ministro cristão adequadamente habilitado por Deus não é vendedor ambulante da Palavra, mas serve com sinceridade. O que o recomenda não é algum documento escrito, mas os frutos que produz no ministério. Todavia, ao passo que o ministério é deveras glorioso, não é causa para ficar enfunado de orgulho. Os servos de Deus, como humanos imperfeitos, têm este tesouro de serviço em frágeis vasos de barro, para que o poder possa ser nitidamente visto como sendo de Deus. Portanto, isto requer deles humildade em aceitar o glorioso privilégio de serem ministros de Deus, e que benignidade imerecida da parte de Deus é servirem como “embaixadores, substituindo a Cristo”! Quão apropriada foi, assim, a exortação de Paulo de ‘não aceitarem a benignidade imerecida de Deus e desacertarem o propósito dela’! — 2:14-17; 3:1-5; 4:7; 5:18-20; 6:1.

      19. De que vários modos forneceu Paulo um modelo notável para os ministros cristãos hoje, especialmente para os superintendentes?

      19 Paulo proveu certamente esplêndido exemplo para os ministros cristãos copiarem. Uma razão é que dava valor às inspiradas Escrituras Hebraicas e as estudava, citando-as, fazendo alusão a elas e aplicando-as repetidas vezes. (2 Cor. 6:2, 16-18; 7:1; 8:15; 9:9; 13:1; Isa. 49:8; Lev. 26:12; Isa. 52:11; Eze. 20:41; 2 Sam. 7:14; Osé. 1:10) Outrossim, como superintendente, demonstrou profunda preocupação pelo rebanho, dizendo: “Da minha parte, de muito bom grado gastarei e serei completamente gasto em prol das vossas almas.” Gastou-se inteiramente em favor dos irmãos, segundo mostra claramente o relato. (2 Cor. 12:15; 6:3-10) Era incansável nas suas labutas, ao passo que ensinava, exortava e endireitava as coisas na congregação coríntia. Deu aviso explícito contra a associação com as trevas, dizendo aos coríntios: “Não vos ponhais em jugo desigual com incrédulos.” Por causa da sua preocupação amorosa pelos coríntios, não queria ver a mente deles corromper-se, “assim como a serpente seduziu Eva pela sua astúcia”, de modo que os admoestou vigorosamente: “Persisti em examinar se estais na fé, persisti em provar o que vós mesmos sois.” Ele os incentivou à generosidade cristã, mostrando-lhes que “Deus ama o dador animado”, e ele próprio expressou os mais apreciativos agradecimentos a Deus pelo Seu indescritível dom gratuito. Deveras, seus irmãos em Corinto estavam inscritos, pelo amor, na tábua carnal do coração de Paulo, e seu ilimitado serviço pelos interesses deles era tudo o que devia marcar um zeloso e vigilante superintendente. Que modelo notável para nós hoje! — 6:14; 11:3; 13:5; 9:7, 15; 3:2.

      20. (a) Como dirige Paulo a nossa mente na direção certa? (b) Para que gloriosa esperança aponta Segunda Coríntios?

      20 O apóstolo Paulo dirige a nossa mente na direção certa, para “o Pai de ternas misericórdias e o Deus de todo o consolo” como a verdadeira fonte de força em tempo de prova. É ele quem “nos consola em toda a nossa tribulação”, para que perseveremos para a salvação no seu novo mundo. Paulo aponta também para a gloriosa esperança quanto a “um edifício da parte de Deus, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus”, e diz: “Conseqüentemente, se alguém estiver em união com Cristo, ele é uma nova criação; as coisas antigas passaram, eis que novas coisas vieram à existência.” Segunda Coríntios contém realmente palavras maravilhosas de garantia para aqueles que, como Paulo, herdarão o Reino celestial. — 1:3, 4; 5:1, 17.

  • Livro bíblico número 48 — Gálatas
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 48 — Gálatas

      Escritor: Paulo

      Lugar da Escrita: Corinto ou Antioquia da Síria

      Escrita Completada: c. 50-52 EC

      1. A que congregações se dirige Gálatas, e como e quando foram organizadas?

      AS CONGREGAÇÕES da Galácia, às quais Paulo se dirigiu em Gálatas 1:2, incluíam pelo que parece a Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe — localidades situadas em distritos diferentes, mas todas pertencentes a essa província romana. Atos, capítulos 13 e 14, fala da primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé por esta região, que resultou em serem organizadas as congregações da Galácia. Estas eram compostas de uma mistura de judeus e não-judeus, incluindo sem dúvida celtas, ou gauleses. Isto foi pouco depois da visita de Paulo a Jerusalém, por volta de 46 EC. — Atos 12:25.

      2. (a) O que resultou da segunda viagem de Paulo na Galácia, mas o que sucedeu depois? (b) Nesse meio tempo, como prosseguiu Paulo em sua viagem?

      2 No ano 49 EC, Paulo empreendeu a sua segunda viagem missionária pelo território gálata, em companhia de Silas, o que resultou em ‘as congregações serem firmadas na fé e em aumentarem em número, dia a dia’. (Atos 16:5; 15:40, 41; 16:1, 2) Todavia, imediatamente depois de partirem, vieram os falsos instrutores, judaizantes, e persuadiram alguns nas congregações da Galácia a crer que a circuncisão e a observância da Lei de Moisés eram parte essencial do verdadeiro cristianismo. Nesse meio tempo, Paulo havia viajado passando por Mísia, entrando na Macedônia e na Grécia, chegando por fim a Corinto, onde passou mais de 18 meses com os irmãos. Depois, em 52 EC, partiu, através de Éfeso, para a Antioquia da Síria, sua base de operações, chegando ali naquele mesmo ano. — Atos 16:8, 11, 12; 17:15; 18:1, 11, 18-22.

      3. Donde e quando pode ter sido escrito Gálatas?

      3 Onde e quando escreveu Paulo a carta aos gálatas? Não resta dúvida de que a escreveu logo que recebeu notícias concernentes à atividade dos judaizantes. O lugar da escrita poderia ser Corinto, Éfeso ou a Antioquia da Síria. É possível que ele tenha escrito durante a sua estada de 18 meses em Corinto, 50-52 EC, visto que daria tempo de as informações lhe terem chegado ali, procedentes da Galácia. Éfeso é improvável, visto que permaneceu ali apenas um período breve, na sua viagem de volta. Todavia, ‘passou algum tempo’ então na sua base de operações, na Antioquia da Síria, pelo que parece no verão de 52 EC, e, visto que existia pronta comunicação entre essa cidade e a Ásia Menor, é possível que tenha recebido a notícia sobre os judaizantes e tenha escrito, da Antioquia da Síria, nessa época, a sua carta aos gálatas. — Atos 18:23.

      4. O que revela Gálatas quanto ao apostolado de Paulo?

      4 A carta descreve Paulo como “apóstolo, não da parte dos homens, nem por intermédio dum homem, mas por intermédio de Jesus Cristo e de Deus, o Pai”. Revela também muitos fatos sobre a vida de Paulo e seu apostolado, provando que, como apóstolo, trabalhava em harmonia com os apóstolos em Jerusalém e que até mesmo exerceu a sua autoridade para corrigir outro apóstolo, Pedro. — Gál. 1:1, 13-24; 2:1-14.

      5. Que fatos provam a autenticidade e canonicidade de Gálatas?

      5 Que fatos provam a autenticidade e a canonicidade de Gálatas? Esta carta é mencionada por nome nos escritos de Irineu, de Clemente de Alexandria, de Tertuliano e de Orígenes. Além disso, está incluída nos seguintes manuscritos importantes da Bíblia: Sinaítico, Alexandrino, Vaticano N.º 1209, Códice Ephraemi Syri rescriptus, Códice Claromontano e Papiro Chester Beatty N.º 2 (P46). Outrossim, está em plena harmonia com os demais escritos da Escritura Grega e também com as Escrituras Hebraicas, às quais faz freqüentes referências.

      6. (a) Que dois pontos estabelece a carta aos Gálatas? (b) O que foi incomum no tocante à escrita desta carta, e o que sublinha?

      6 Na poderosa e enérgica carta de Paulo “às congregações da Galácia”, ele prova (1) que é verdadeiro apóstolo (fato este que os judaizantes procuraram desacreditar) e (2) que a justificação é pela fé em Cristo Jesus, não pelas obras da Lei, e que, portanto, a circuncisão é desnecessária para os cristãos. Embora fosse costume de Paulo fazer que um secretário escrevesse as suas epístolas, ele próprio escreveu aos gálatas em ‘grandes letras, com a sua própria mão’. (6:11) O conteúdo do livro era de máxima importância, tanto para Paulo como para os gálatas. O livro sublinha o apreço pela liberdade que os verdadeiros cristãos têm por intermédio de Jesus Cristo.

      CONTEÚDO DE GÁLATAS

      7, 8. (a) O que argumenta Paulo concernente às boas novas? (b) Como foi Paulo confirmado como apóstolo para os incircuncisos, e como demonstrou ele a sua autoridade em conexão com Cefas?

      7 Paulo defende seu apostolado (1:1–2:14). Depois de cumprimentar as congregações na Galácia, Paulo se admira de que são levadas tão rapidamente para outra sorte de boas novas, e declara firmemente: “Mesmo que nós ou um anjo do céu vos declarássemos como boas novas algo além daquilo que vos declaramos como boas novas, seja amaldiçoado.” As boas novas que Paulo declarou não são coisas humanas, tampouco lhe foram ensinadas “exceto por intermédio duma revelação de Jesus Cristo”. Outrora, como zeloso expoente do judaísmo, Paulo perseguira a congregação de Deus, mas, depois, Deus o chamou por meio de Sua benignidade imerecida para que declarasse às nações as boas novas a respeito de seu Filho. Não foi senão três anos depois de sua conversão que subiu a Jerusalém e, nessa ocasião, dos apóstolos, viu apenas a Pedro, bem como a Tiago, irmão do Senhor. Não era pessoalmente conhecido nas congregações da Judéia, embora estas tivessem ouvido a respeito dele e ‘começassem a glorificar a Deus’ por causa dele. — 1:8, 12, 24.

      8 Depois de 14 anos, Paulo subiu outra vez a Jerusalém e explicou em particular as boas novas que pregava. Não se exigiu sequer que seu companheiro Tito, embora grego, fosse circuncidado. Quando Tiago, Cefas e João viram que a Paulo haviam sido confiadas as boas novas para os incircuncisos, assim como haviam sido confiadas a Pedro as boas novas para os circuncisos, deram a Paulo e a Barnabé a mão direita da parceria, para que fossem às nações, ao passo que eles próprios foram aos circuncisos. Quando Cefas chegou a Antioquia e não andou direito “segundo a verdade das boas novas”, por medo da classe dos circuncisos, Paulo o repreendeu perante todos. — 2:14.

      9. Em que base é o cristão declarado justo?

      9 Declarados justos pela fé, não pela lei (2:15–3:29). Nós, judeus, sabemos, argumenta Paulo, “que o homem é declarado justo, não devido a obras da lei, mas apenas por intermédio da fé para com Cristo Jesus”. Ele vive agora em união com Cristo e está vivo mediante a fé, para fazer a vontade de Deus. “Se a justiça é por intermédio da lei, Cristo realmente morreu em vão.” — 2:16, 21.

      10. O que é que conta para a obtenção da bênção de Deus, e, portanto, qual era o objetivo da Lei?

      10 São os gálatas tão insensatos para crer que, tendo começado a receber o espírito em virtude da fé, podem terminar servindo a Deus mediante as obras da Lei? É o ouvir pela fé que conta, como no caso de Abraão, que “depositou fé em Jeová, e isso lhe foi contado como justiça”. Agora, segundo a promessa de Deus, “os que aderem à fé são abençoados junto com o fiel Abraão”. Foram livrados da maldição da Lei pela morte de Cristo na estaca. Cristo é a Semente de Abraão, e a Lei, dada 430 anos mais tarde, não abole a promessa concernente a essa Semente. Qual era, então, o objetivo da Lei? Era “o nosso tutor, conduzindo a Cristo, para que fôssemos declarados justos devido à fé”. Não mais estamos sob o tutor, tampouco há agora distinção alguma entre judeu e grego, pois todos são um em união com Cristo Jesus, e são “realmente descendente [semente] de Abraão, herdeiros com referência a uma promessa”. — 3:6, 9, 24, 29.

      11. (a) Que libertação desconsideram os gálatas? (b) Como ilustra Paulo a liberdade do cristão?

      11 Ficar firme na liberdade cristã (4:1–6:18). Deus enviou seu Filho para libertar os que estavam debaixo da Lei, para que ‘recebessem a adoção como filhos’. (4:5) Portanto, por que retornar à escravidão das coisas elementares, fracas e mesquinhas? Visto que os gálatas observam agora dias, meses, épocas e anos, Paulo teme que o seu trabalho para com eles tenha sido desperdiçado. Na sua primeira visita a eles, receberam a Paulo como um anjo de Deus. Tornou-se agora inimigo deles porque lhes diz a verdade? Que os que desejam estar debaixo da Lei ouçam o que diz a Lei: Abraão adquiriu dois filhos por meio de duas mulheres. Uma das mulheres, a serva Agar, corresponde à nação do Israel carnal, ligada a Jeová mediante o pacto da Lei mosaica, pacto este que produz filhos para a escravidão. Mas a mulher livre, que é Sara, corresponde à Jerusalém de cima, que, diz Paulo, “é livre, e ela é nossa mãe”. “O que diz a Escritura?”, pergunta Paulo. O seguinte: “De modo algum será o filho da serva herdeiro junto com o filho da livre.” E nós somos filhos, não da serva, “mas da livre”. — 4:30, 31.

      12. (a) Como devem então os gálatas andar? (b) Que importante contraste faz Paulo?

      12 Circuncisão ou não-circuncisão nada significam, explica Paulo, mas o que conta é a fé que opera pelo amor. A Lei inteira se cumpre na expressão: “Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.” Continuem a andar por espírito, pois “se estais sendo conduzidos por espírito, não estais debaixo de lei”. Quanto às obras da carne, Paulo avisa de antemão “que os que praticam tais coisas não herdarão o reino de Deus”. Em nítido contraste, descreve os frutos do espírito, contra os quais não há lei, e acrescenta: “Se estamos vivendo por espírito, continuemos também a andar ordeiramente por espírito”, e a pôr de lado o egotismo e a inveja. — 5:14, 18, 21, 25.

      13. Como se cumpre a lei de Cristo, e o que é de interesse vital?

      13 Se um homem der um passo em falso antes de se aperceber disto, os que são espiritualmente habilitados devem procurar restaurá-lo “num espírito de brandura”. Os cristãos cumprem a lei de Cristo, levando os fardos uns dos outros, mas cada um deve levar a sua própria carga, provando o que a sua própria obra é. A pessoa colherá segundo aquilo que semear; da carne colherá a corrupção, do espírito, a vida eterna. Só os que procuram agradar a homens e evitar a perseguição é que querem que os gálatas sejam circuncidados. A coisa de interesse vital não é a circuncisão nem a incircuncisão, mas uma nova criação. A paz e a misericórdia estarão sobre os que andam ordeiramente segundo esta regra de conduta, sim, sobre “o Israel de Deus”. — 6:1, 16.

      POR QUE É PROVEITOSO

      14. Que exemplo estabelece Paulo para os superintendentes?

      14 A carta aos gálatas revela Paulo como o devastador perseguidor que se tornou o zeloso apóstolo junto às nações, sempre pronto para defender os interesses de seus irmãos. (1:13-16, 23; 5:7-12) Paulo mostrou pelo exemplo que um superintendente deve agir rapidamente para cuidar de problemas, reprimindo os falsos raciocínios mediante a lógica e as Escrituras. — 1:6-9; 3:1-6.

      15. Como foi de proveito esta carta para as congregações da Galácia, e como guia os cristãos hoje?

      15 A carta foi proveitosa para as congregações da Galácia em estabelecer claramente a sua liberdade em Cristo e em desacreditar os pervertedores das boas novas. Demonstrou de modo explícito que a pessoa é declarada justa mediante a fé, e que a circuncisão não mais é necessária para se ganhar a salvação. (2:16; 3:8; 5:6) Por eliminar tais distinções carnais, ela permitiu unificar judeus e gentios numa só congregação. Esta libertação da Lei não tinha por objetivo induzir a pessoa aos desejos da carne, pois ainda permanecia o princípio: “Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.” Ele continua a guiar os cristãos hoje. — 5:14.

      16. Que explicações edificantes da fé se acham em Gálatas sobre as Escrituras Hebraicas?

      16 A carta de Paulo ajudou os gálatas em muitos pontos doutrinais, recorrendo às Escrituras Hebraicas para fazer poderosas ilustrações. Deu a interpretação inspirada de Isaías 54:1-6, identificando a mulher de Jeová com “a Jerusalém de cima”. Explicou o “drama simbólico” de Agar e Sara, mostrando que os herdeiros das promessas de Deus são os que Cristo libertou, e não os que permanecem na escravidão à Lei. (Gál. 4:21-26; Gên. 16:1-4, 15; 21:1-3, 8-13) Explicou claramente que o pacto da Lei não anulou o pacto abraâmico, mas foi um acréscimo a ele. Indicou também que o espaço de tempo entre os dois pactos foi de 430 anos, o que é importante na cronologia da Bíblia. (Gál. 3:17, 18, 23, 24) A escrita destas coisas foi preservada para a edificação da fé cristã hoje.

      17. (a) Que importante identificação faz Gálatas? (b) Que excelente admoestação é dada aos herdeiros do Reino e a seus colaboradores?

      17 O mais importante é que Gálatas identifica inequivocamente a Semente do Reino, aguardada por todos os profetas. “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e a seu descendente [semente] . . . que é Cristo”. Revela que os que se tornam filhos de Deus, mediante a fé em Cristo Jesus, são adotados como parte desta semente. “Se pertenceis a Cristo, sois realmente descendente [semente] de Abraão, herdeiros com referência a uma promessa.” (3:16, 29) A excelente admoestação dada em Gálatas deve ser seguida por estes herdeiros do Reino e pelos que labutam junto com eles: ‘Fiquem firmes na liberdade para a qual Cristo os libertou!’ ‘Não desistam de fazer aquilo que é excelente, pois ceifaremos na época devida, se não desfalecermos.’ ‘Façam o que é bom, especialmente para com os aparentados conosco na fé.’ — 5:1; 6:9, 10.

      18. Que poderoso aviso e admoestação finais são dados em Gálatas?

      18 Por fim, há o poderoso aviso de que os que praticam as obras da carne “não herdarão o reino de Deus”. Que todos, então, se desviem por completo da imundície e das contendas do mundo e fixem o coração inteiramente em produzir os frutos do espírito, que são “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, brandura, autodomínio”. — 5:19-23.

  • Livro bíblico número 49 — Efésios
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 49 — Efésios

      Escritor: Paulo

      Lugar da Escrita: Roma

      Escrita Completada: c. 60-61 EC

      1. Quando e em que circunstâncias escreveu Paulo a carta aos efésios?

      IMAGINE-SE na prisão. Está ali por ter sido perseguido por causa de sua atividade zelosa como missionário cristão. Agora que não pode mais viajar e visitar as congregações para fortalecê-las, o que fará? Não poderá escrever cartas aos que se tornaram cristãos mediante seu trabalho de pregação? Não estarão eles provavelmente imaginando como está, e não estarão porventura precisando de encorajamento? Com toda a certeza! De modo que você começa a escrever. É exatamente o que o apóstolo Paulo fez quando ficou preso em Roma pela primeira vez, por volta de 59-61 EC. Ele apelara a César, e, embora esperasse o julgamento e estivesse sob guarda, tinha a liberdade de se empenhar em alguma atividade. Paulo escreveu de Roma, provavelmente em 60 ou 61 EC, a sua carta “Aos Efésios”, e a enviou por intermédio de Tíquico, acompanhado de Onésimo. — Efé. 6:21; Col. 4:7-9.

      2, 3. O que prova conclusivamente que Paulo foi o escritor e, ao mesmo tempo, a canonicidade de Efésios?

      2 Paulo menciona a si mesmo como o escritor logo na primeira palavra e quatro vezes faz referências ou alusões a si próprio como “o prisioneiro no Senhor”. (Efé. 1:1; 3:1, 13; 4:1; 6:20) As contestações a ser Paulo o escritor ficaram sem efeito. O Papiro Chester Beatty N.º 2 (P46), que, acredita-se, foi escrito por volta do ano 200 EC, tem 86 folhas de um códice que contém as epístolas de Paulo. Entre elas acha-se a epístola aos efésios, revelando assim que figurava naquele tempo entre as suas cartas.

      3 Escritores eclesiásticos primitivos confirmam que Paulo escreveu essa carta e que foi dirigida “aos efésios”. Por exemplo, Irineu, do segundo século EC, citou Efésios 5:30, como segue: “Conforme diz o bendito Paulo na epístola aos Efésios, somos membros do seu corpo.” Clemente de Alexandria, da mesma época, citou Efésios 5:21, ao dizer: “Portanto, também, ele escreve na epístola aos Efésios: Estai sujeitos uns aos outros, no temor de Deus.” Orígenes, que escreveu na primeira metade do terceiro século EC, citou Efésios 1:4, ao dizer: “Mas também o apóstolo, na epístola aos Efésios, emprega a mesma linguagem, quando diz: Aquele que nos escolheu desde a fundação do mundo.”a Eusébio, outra autoridade na primitiva história cristã (c. 260-c. 340 EC), inclui Efésios no cânon da Bíblia, e a maioria dos outros primitivos escritores eclesiásticos se refere a Efésios como fazendo parte das Escrituras inspiradas.b

      4. O que levou alguns a supor que Efésios foi dirigido a outra parte, mas que evidência apóia que se destinava a Éfeso?

      4 O Papiro Chester Beatty, bem como os Manuscritos Vaticano N.º 1209 e Sinaítico, omitem as palavras “em Éfeso”, do capítulo 1, versículo 1, e assim não indicam a quem se dirige a carta. Este fato, também a ausência de saudações a indivíduos em Éfeso (embora Paulo tivesse labutado ali por três anos), tem levado alguns a supor que esta carta pode ter sido dirigida a outra parte, ou, pelo menos, deve ter sido uma circular às congregações da Ásia Menor, incluindo Éfeso. No entanto, a maioria dos demais manuscritos incluem as palavras “em Éfeso”, e, conforme observamos acima, os primitivos escritores eclesiásticos aceitaram-na como carta aos efésios.

      5. O que era digno de nota sobre a Éfeso dos dias de Paulo?

      5 Algumas informações do fundo histórico nos ajudarão a entender o propósito desta carta. No primeiro século da Era Comum, Éfeso era conhecida pela sua bruxaria, magia, astrologia e adoração da deusa da fertilidade, Ártemis.c Em volta da estátua da deusa, erigiu-se um magnífico templo considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo. Segundo as escavações feitas nesse local no século 19, o templo foi construído sobre uma plataforma que media cerca de 73 metros de largura e 127 metros de comprimento. O próprio templo tinha cerca de 50 metros de largura e 105 metros de comprimento. Tinha 100 colunas de mármore, de uns 17 metros de altura cada uma. O teto era coberto de grandes telhas de mármore branco. Diz-se que se usou ouro em lugar de argamassa nas junturas dos blocos de mármore. O templo atraía turistas de todas as partes da terra, e os visitantes chegavam a centenas de milhares de pessoas, que afluíam à cidade durante as festas. Os prateiros de Éfeso tinham negócio próspero, vendendo pequenos santuários de prata de Ártemis aos peregrinos como lembranças.

      6. Qual foi a extensão da atividade de Paulo em Éfeso?

      6 Paulo parara em Éfeso durante a sua segunda viagem missionária, para breve visita de pregação, e então deixara ali Áquila e Priscila para continuarem o trabalho. (Atos 18:18-21) Ele retornou na sua terceira viagem missionária e permaneceu ali cerca de três anos, pregando e ensinando “O Caminho” a muitos. (Atos 19:8-10; 20:31) Paulo trabalhou arduamente enquanto se achava em Éfeso. A. E. Bailey escreve em seu livro Daily Life in Bible Times (A Vida Cotidiana nos Tempos Bíblicos): “O costume normal de Paulo era trabalhar na sua profissão desde o amanhecer até às 11 horas da manhã (Atos 20:34, 35), hora em que Tirano finalizava seu ensino; daí, das 11 da manhã até às 4 da tarde, pregava no recinto, conferenciava com os assistentes, . . . daí, por fim, fazia uma visitação evangelística de casa em casa, que ia das 4 horas da tarde até altas horas da noite. (Atos 20:20, 21, 31) A pessoa se pergunta quando achava tempo para comer e dormir.” — 1943, página 308.

      7. O que resultou da pregação zelosa de Paulo?

      7 No decorrer desta zelosa pregação, Paulo expôs o uso das imagens na adoração. Isto incitou a ira dos que as faziam e as vendiam, como o prateiro Demétrio, e, em meio ao alvoroço, Paulo teve de, por fim, sair da cidade. — Atos 19:23–20:1.

      8. Em que pontos era a carta de Paulo aos efésios muito oportuna?

      8 Agora, enquanto está na prisão, Paulo pensa sobre os problemas que a congregação de Éfeso enfrenta, cercada de adoradores pagãos e à sombra do imponente templo de Ártemis. Esses cristãos ungidos necessitavam, sem dúvida, da apropriada ilustração que Paulo lhes faz agora, mostrando que eles constituem o “templo santo”, onde Jeová habita por meio de seu espírito. (Efé. 2:21) “O segredo sagrado”, que está sendo revelado aos efésios, a respeito da administração por parte de Deus (seu modo de manejar os assuntos de sua casa) por meio da qual ele restauraria a união e a paz por intermédio de Jesus Cristo, era indubitavelmente uma grande inspiração e um consolo para eles. (1:9, 10) Paulo frisa a união de judeus e gentios em Cristo. Exorta em prol da união, da unificação. Podemos assim entender o propósito, o valor e a óbvia inspiração deste livro.

      CONTEÚDO DE EFÉSIOS

      9. Como fez Deus com que seu amor abundasse, e o que pede Paulo em oração?

      9 O propósito de Deus de trazer união mediante Cristo (1:1–2:22). Paulo, o apóstolo, envia saudações. Deve-se bendizer a Deus pela sua gloriosa benignidade imerecida. Isto tem a ver com Ele escolhê-los para estarem em união com Jesus Cristo, por intermédio de quem recebem a libertação pelo resgate, mediante o seu sangue. Outrossim, Deus fez com que o seu amor abundasse para com eles, dando a conhecer o segredo sagrado da sua vontade. Pois ele propôs uma administração, a saber, “ajuntar novamente todas as coisas no Cristo”, em união com quem foram também designados como herdeiros. (1:10) Como sinal antecipado disto, foram selados com espírito santo. Paulo ora para que fiquem firmemente convictos da esperança à qual foram chamados e compreendam que Deus usará o mesmo poder para com eles que usou ao ressuscitar a Cristo e colocá-lo bem acima de todo governo e autoridade, fazendo dele Cabeça sobre todas as coisas para a congregação.

      10. Como se tornaram os efésios “concidadãos dos santos”?

      10 Deus, pela riqueza da sua misericórdia e seu grande amor, vivificou-os, embora estivessem mortos nas suas transgressões e nos seus pecados, e os assentou juntos “nos lugares celestiais, em união com Cristo Jesus”. (2:6) Tudo isto se deve à benignidade imerecida e à fé, e não como resultado de quaisquer obras deles próprios. A sua paz é Cristo, o qual derrubou o muro, a Lei dos mandamentos, que separava os gentios dos judeus. Agora, ambos os povos têm acesso ao Pai por intermédio de Cristo. Portanto, os efésios não mais são estrangeiros, mas são “concidadãos dos santos” e desenvolvem-se num templo santo para Jeová habitar por espírito. — 2:19.

      11. O que é o “segredo sagrado”, e em prol de que ora Paulo a favor dos efésios?

      11 O “segredo sagrado do Cristo” (3:1-21). Deus revela agora a seus santos apóstolos e profetas o “segredo sagrado do Cristo . . . que os das nações haviam de ser co-herdeiros e membros associados do corpo, e co-participantes conosco da promessa, em união com Cristo Jesus, por intermédio das boas novas”. (3:4, 6) Pela benignidade imerecida de Deus, Paulo se tornou ministro destas, para declarar as riquezas insondáveis do Cristo e fazer com que os homens vejam como o segredo sagrado é administrado. É mediante a congregação que a grandemente variada sabedoria de Deus se torna conhecida. Por causa disto, Paulo ora para que se tornem poderosos com força por intermédio do espírito de Deus, a fim de que conheçam plenamente o amor de Cristo, que ultrapassa o conhecimento, e reconheçam que Deus pode “fazer mais do que superabundantemente além de todas as coisas que peçamos ou concebamos”. — 3:20.

      12. (a) Como devem andar os cristãos, e por quê? (b) Que dádivas tem dado Cristo, e para que propósito? (c) O que está envolvido em revestir-se da “nova personalidade”?

      12 Revestindo-se da “nova personalidade” (4:1–5:20). Os cristãos devem andar de modo digno da sua chamada, com humildade mental, longanimidade e amor, e no vínculo unificador da paz. Pois há um só espírito, uma só esperança, uma só fé e “um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por intermédio de todos, e em todos”. (4:6) Portanto, Cristo, o “um só Senhor”, tem dado profetas, evangelizadores, pastores e instrutores, “visando o reajustamento dos santos para a obra ministerial, para a edificação do corpo do Cristo”. Portanto, escreve Paulo, “falando a verdade, cresçamos pelo amor em todas as coisas naquele que é a cabeça, Cristo”, como corpo harmoniosamente conjuntado e cada membro cooperando. (4:5, 12, 15) Os modos imorais, inúteis e ignorantes da velha personalidade devem ser postos de lado; toda pessoa deve ser renovada na força que ativa sua mente e se “revestir da nova personalidade, que foi criada segundo a vontade de Deus, em verdadeira justiça e lealdade”. Visto que todos se pertencem uns aos outros, devem falar a verdade e pôr de lado a ira, o roubo, a linguagem corrompida, a amargura maldosa — não entristecendo o espírito santo de Deus. Em vez disso, devem tornar-se ‘benignos uns para com os outros, ternamente compassivos, perdoando liberalmente uns aos outros, assim como também Deus os perdoou liberalmente por Cristo’. — 4:24, 32.

      13. Para que alguém se torne imitador de Deus, o que precisa fazer?

      13 Todos devem tornar-se imitadores de Deus. A fornicação, a impureza e a ganância não devem nem mesmo ser mencionadas entre eles, pois os que praticam tais coisas não têm herança no Reino. Paulo admoesta aos efésios: “Prossegui andando como filhos da luz.” “Mantende estrita vigilância” sobre como andais, comprando o tempo oportuno, “porque os dias são iníquos”. Com efeito, precisam ‘prosseguir percebendo qual é a vontade de Jeová’, e falar sobre os louvores de Deus com gratidão. — 5:8, 15-17.

      14. Quais são as responsabilidades mútuas dos maridos e das esposas?

      14 A sujeição correta; a luta cristã (5:21–6:24). Estejam as esposas sujeitas a seus maridos, assim como a congregação está em sujeição a Cristo, e os maridos continuem a amar suas esposas, “assim como também o Cristo amou a congregação”. Da mesma forma, “a esposa deve ter profundo respeito pelo seu marido”. — 5:25, 33.

      15. O que aconselha Paulo com respeito a filhos e pais, escravos e amos, e sobre a armadura do cristão?

      15 Vivam os filhos em união com seus pais, em obediência e correspondendo à disciplina piedosa. Os escravos e os amos também devem conduzir-se de modo a agradar a Deus, pois o Amo de todos “está nos céus, e com ele não há parcialidade”. Finalmente, que todos prossigam “adquirindo poder no Senhor e na potência da sua força”, revestindo-se da completa armadura de Deus, de modo a permanecerem firmes contra o Diabo. “Acima de tudo, tomai o grande escudo da fé”, também “a espada do espírito, isto é, a palavra de Deus”. Continuem a orar, e mantenham-se despertos. Paulo pede que orem também por ele, para que ele, com toda a franqueza no falar, ‘torne conhecido o segredo sagrado das boas novas’. — 6:9, 10, 16, 17, 19.

      POR QUE É PROVEITOSO

      16. Que perguntas encontram resposta prática em Efésios, e o que se diz sobre a personalidade que agrada a Deus?

      16 A epístola aos efésios toca em quase todos os aspectos da vida cristã. Em vista do aparecimento, nos tempos atuais, de problemas perturbadores e da delinqüência no mundo, o conselho sadio e prático de Paulo é de real proveito para os que desejam levar uma vida piedosa. Como devem os filhos comportar-se para com seus pais, e os pais para com os filhos? Quais são as responsabilidades do marido para com a esposa, e da esposa para com seu marido? O que devem fazer os indivíduos na congregação para conservar a unidade em amor e a pureza cristã no meio dum mundo iníquo? Os conselhos de Paulo abrangem todas estas perguntas, e ele passa a mostrar o que está envolvido em alguém revestir-se da nova personalidade cristã. Mediante o estudo de Efésios, todos poderão obter verdadeiro apreço pela espécie de personalidade que agrada a Deus e que é “criada segundo a vontade de Deus, em verdadeira justiça e lealdade”. — 4:24-32; 6:1-4; 5:3-5, 15-20, 22-33.

      17. O que mostra Efésios quanto à cooperação com as provisões na congregação?

      17 A carta mostra também o propósito das nomeações e designações na congregação. Isto é “visando o reajustamento dos santos para a obra ministerial, para a edificação do corpo do Cristo”, tendo por alvo a madureza. Cooperando plenamente com tais provisões na congregação, o cristão pode crescer “pelo amor em todas as coisas naquele que é a cabeça, Cristo”. — 4:12, 15.

      18. O que se esclarece quanto ao “segredo sagrado” e um templo espiritual?

      18 A carta aos efésios foi de grande proveito à congregação primitiva em aumentar seu entendimento do “segredo sagrado do Cristo”. Esclareceu-se nela que, junto com os judeus crentes, “os das nações” estavam sendo chamados para serem “co-herdeiros e membros associados do corpo, e co-participantes . . . da promessa, em união com Cristo Jesus, por intermédio das boas novas”. Fora abolido o muro de separação, “a Lei de mandamentos”, que separava os gentios dos judeus, e, agora, mediante o sangue de Cristo, todos se tornaram concidadãos dos santos e membros da família de Deus. Em nítido contraste com o templo pagão de Ártemis, estes estavam sendo edificados juntos, em união com Cristo Jesus, para se tornarem morada para Deus habitar por espírito — um “templo santo para Jeová”. — 3:4, 6; 2:15, 21.

      19. Que esperança e encorajamento continua a apresentar Efésios até os dias atuais?

      19 Com respeito ao “segredo sagrado”, Paulo falou também de “uma administração . . . [para] ajuntar novamente todas as coisas no Cristo, as coisas nos céus [os escolhidos para estarem no Reino celestial] e as coisas na terra [os que habitarão na terra no domínio do Reino]”. Assim, focaliza-se o grandioso propósito de Deus de restaurar a paz e a união. Neste respeito, Paulo orou em favor dos efésios, cujos olhos do coração haviam sido iluminados, para poderem entender plenamente a esperança à qual Deus os havia chamado e ver “as gloriosas riquezas que ele segura como herança para os santos”. Estas palavras devem ter reforçado grandemente a esperança deles. E a inspirada carta aos efésios continua a edificar a congregação nestes dias, para que ‘em tudo estejamos cheios de toda a plenitude dada por Deus’. — 1:9-11, 18; 3:19.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Origin and History of the Books of the Bible, 1868, C. E. Stowe, página 357.

      b New Bible Dictionary, segunda edição, 1986, editado por J. D. Douglas, página 175.

      c Estudo Perspicaz das Escrituras, Vol. 1, página 220.

  • Livro bíblico número 50 — Filipenses
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 50 — Filipenses

      Escritor: Paulo

      Lugar da Escrita: Roma

      Escrita Completada: c. 60-61 EC

      1. (a) Como chegaram os filipenses a ouvir as boas novas? (b) Que fundo histórico é de interesse saber sobre a cidade de Filipos?

      QUANDO, por meio de uma visão, o apóstolo Paulo recebeu a chamada de levar as boas novas para a Macedônia, ele e seus companheiros, Lucas, Silas e o jovem Timóteo, obedeceram prontamente. De Trôade, na Ásia Menor, viajaram de navio para Neápolis e partiram imediatamente para Filipos, uns 15 quilômetros continente adentro, passando por um desfiladeiro. Lucas descreve que é “a cidade principal do distrito da Macedônia”. (Atos 16:12) Era chamada Filipos, levando o nome do rei macedônio Filipe II (pai de Alexandre Magno), que capturou a cidade em 356 AEC. Mais tarde, veio a estar sob o domínio romano. Foi local de batalhas decisivas em 42 AEC; estas ajudaram a fortalecer a posição de Otaviano que mais tarde se tornou César Augusto. Em comemoração dessa vitória, ele transformou Filipos em colônia romana.

      2. Que progresso fez a pregação de Paulo em Filipos, e que eventos ocorreram por ocasião do nascimento da congregação ali?

      2 Era costume de Paulo, ao chegar a uma nova cidade, pregar primeiro aos judeus. Todavia, ao chegar pela primeira vez a Filipos, por volta de 50 EC, verificou serem eles poucos em número e parece que não tinham sinagoga, pois costumavam reunir-se para oração à beira de um rio, fora da cidade. A pregação de Paulo produziu frutos rapidamente, estando entre os primeiros conversos Lídia, negociante e prosélita do judaísmo, que aceitou prontamente a verdade a respeito de Cristo, e insistiu que os viajantes se hospedassem em sua casa. “Ela simplesmente nos fez ir”, escreve Lucas. Logo surgiu oposição, porém, sendo Paulo e Silas espancados com varas e depois lançados na prisão. Enquanto estavam detidos, houve um terremoto, e o carcereiro junto com sua família, ouvindo a Paulo e a Silas, tornaram-se crentes. No dia seguinte, eles foram soltos da prisão e, antes de deixarem a cidade, visitaram os irmãos na casa de Lídia e os encorajaram. Paulo levou consigo vívidas memórias das tribulações que cercaram o nascimento da nova congregação de Filipos. — Atos 16:9-40.

      3. Que contatos posteriores teve Paulo com a congregação de Filipos?

      3 Alguns anos mais tarde, no decorrer de sua terceira viagem missionária, Paulo pôde visitar de novo a congregação de Filipos. Daí, cerca de dez anos depois de formar a congregação, ele se sentiu impelido pela comovente expressão do amor dos irmãos em Filipos a escrever-lhes a carta inspirada que tem sido preservada nas Escrituras Sagradas e leva o nome daquela amada congregação.

      4. O que identifica o escritor de Filipenses, e o que prova a autenticidade da carta?

      4 Que Paulo escreveu, de fato, a carta, segundo declarado no versículo inicial, é aceito de modo geral e com boa razão pelos comentaristas da Bíblia. Policarpo (69?-155? EC), na sua própria carta aos filipenses, menciona que Paulo lhes havia escrito. A carta é citada como sendo de Paulo por comentaristas primitivos da Bíblia, tais como Inácio, Irineu, Tertuliano e Clemente de Alexandria. Ela é citada no Fragmento Muratoriano do segundo século EC e em todos os demais cânones primitivos, e aparece lado a lado, junto com outras oito cartas de Paulo, no Papiro Chester Beatty N.º 2 (P46), que, acredita-se, é aproximadamente do ano 200 EC.

      5. O que indica que Roma foi o lugar da escrita?

      5 O lugar e a data da escrita podem ser determinados com razoável certeza. No tempo em que foi escrita, Paulo era prisioneiro em custódia da guarda pessoal do imperador romano, e havia muita atividade cristã em progresso em volta dele. Encerrou a sua carta com saudações dos fiéis da família de César. Estes fatos se conjugam para indicar Roma como o lugar de onde esta carta foi enviada. — Fil. 1:7, 13, 14; 4:22; Atos 28:30, 31.

      6. Que evidência há quanto ao tempo da escrita de Filipenses?

      6 Mas, quando foi escrita esta carta? Parece que Paulo já estava em Roma por tempo suficiente para as notícias e os motivos do seu encarceramento como cristão se espalharem até entre a Guarda Pretoriana do imperador e entre muitos outros. Também, requeria tempo para Epafrodito vir de Filipos (a uns 1.000 quilômetros de distância) com uma dádiva para Paulo, para as notícias da enfermidade de Epafrodito em Roma voltarem a Filipos e para as expressões de tristeza, em razão disto, chegarem de Filipos a Roma. (Fil. 2:25-30; 4:18) Visto que o primeiro encarceramento de Paulo em Roma se deu provavelmente entre 59 e 61 EC, é bem possível que ele tenha escrito esta carta por volta de 60 ou 61 EC, a saber, um ano ou mais depois de chegar pela primeira vez a Roma.

      7. (a) Que vínculo existia entre Paulo e os filipenses, e o que o impeliu a lhes escrever? (b) Que espécie de carta é Filipenses?

      7 As dores de parto sentidas por ocasião do nascimento destes filhos em Filipos, mediante a palavra da verdade, a afeição e a generosidade dos filipenses, manifestadas a Paulo durante muitas de suas viagens e tribulações com dádivas de coisas que ele necessitava, e o fato de Jeová tão conspicuamente abençoar as labutas missionárias iniciais na Macedônia se conjugavam para criar um forte vínculo de amor entre Paulo e os irmãos filipenses. Agora, a generosa dádiva deles, sua ansiedade por notícias sobre Epafrodito e o progresso das boas novas em Roma, tudo isto impeliu Paulo a lhes escrever uma calorosa e afetuosa carta de encorajamento e edificação.

      CONTEÚDO DE FILIPENSES

      8. (a) Como expressa Paulo a sua confiança nos irmãos filipenses e a sua afeição por eles? (b) O que diz Paulo sobre as suas cadeias de prisão, e que conselhos dá ele?

      8 Defesa e o progresso das boas novas (1:1-30). Paulo e Timóteo enviam saudações, e Paulo agradece a Deus a contribuição dos filipenses para as boas novas “desde o primeiro dia até este momento”. Ele confia que desempenharão a sua boa obra até o fim, pois são participantes com ele da benignidade imerecida, incluindo “em defender e estabelecer legalmente as boas novas”. Tem saudades de todos eles em terna afeição, e diz: “Isto é o que continuo a orar: que o vosso amor abunde ainda mais e mais . . . que vos certifiqueis das coisas mais importantes.” (1:5, 7, 9, 10) Paulo quer que saibam que seus “assuntos têm resultado mais para o progresso das boas novas”, no sentido de que as suas cadeias da prisão se tornaram de conhecimento público, e os irmãos foram encorajados a falar a palavra de Deus destemidamente. Embora haja ganho para Paulo morrer agora, ele sabe, contudo, que, para o progresso e alegria deles, é mais necessário que permaneça. Ele os aconselha a se comportarem de modo digno das boas novas, pois, quer vá ter com eles, quer não, deseja ouvir que lutam em união, e ‘em nenhum sentido estão sendo amedrontados pelos seus oponentes’. — 1:12, 28.

      9. Como podem os filipenses manter a atitude mental de Cristo?

      9 Manter a mesma atitude mental que Cristo (2:1-30). Paulo incentiva os filipenses a ter humildade mental, ‘não visando, em interesse pessoal, apenas os seus próprios assuntos, mas também, em interesse pessoal, os dos outros’. Devem ser da mesma atitude mental que Cristo Jesus, que, embora existisse na forma de Deus, esvaziou a si mesmo para se tornar homem e humilhou-se em obediência até à morte, de modo que Deus o exaltou e lhe deu um nome acima de todo outro nome. Paulo os exorta, dizendo: “Persisti em produzir a vossa própria salvação com temor e tremor.” “Persisti em fazer todas as coisas livres de resmungos e de argüições”, e “mantende-vos firmemente agarrados à palavra da vida”. (2:4, 12, 14, 16) Espera enviar-lhes Timóteo, e confia que ele próprio também irá em breve. No momento, envia Epafrodito, que se restabeleceu de sua enfermidade, para que se regozijem outra vez.

      10. Como se empenhou Paulo para alcançar o alvo, e o que admoesta aos outros?

      10 ‘Empenho para alcançar o alvo’ (3:1-4:23). ‘Nós, os que somos da verdadeira circuncisão’, diz Paulo, ‘precisamos acautelar-nos dos cães, dos que mutilam a carne’. Se alguém tem base de confiança na carne, Paulo tem mais ainda, e seu passado como judeu circunciso e fariseu prova isto. Todavia, considerou tudo isto perda, ‘por causa do valor superior do conhecimento de Cristo Jesus, seu Senhor’. Mediante a justiça, que é pela fé, espera “alcançar a ressurreição a ocorrer mais cedo dentre os mortos”. (3:2, 3, 8, 11) Portanto, Paulo diz: “Esquecendo-me das coisas atrás e esticando-me para alcançar as coisas na frente, empenho-me para alcançar o alvo do prêmio da chamada para cima, da parte de Deus, por meio de Cristo Jesus.” Que tantos quantos forem maduros tenham a mesma atitude mental. Há aqueles cujo deus é o seu ventre, que têm a mente nas coisas da terra, e cujo fim é a destruição, mas, “quanto a nós”, afirma Paulo, “a nossa cidadania existe nos céus”. — 3:13, 14, 20.

      11. (a) Que coisas devem ser consideradas e praticadas? (b) Que diz Paulo a respeito da generosidade dos filipenses?

      11 ‘Alegrai-vos no Senhor’, exorta Paulo, e ‘seja a vossa razoabilidade conhecida de todos os homens. Continuai a considerar as coisas que são verdadeiras e de séria preocupação, coisas que são justas, castas, amáveis, de que se fala bem, virtuosas e louváveis. Praticai as coisas que aprendestes, aceitastes, ouvistes e vistes, em conexão comigo, e o Deus de paz estará convosco’. (4:4-9) Paulo se regozija grandemente com os pensamentos generosos dos filipenses para com ele, embora tenha força para todas as coisas ‘em virtude daquele que confere poder’. Ele lhes agradece calorosamente a sua dádiva. Desde o início em que declarou as boas novas na Macedônia, eles superabundaram no dar. Deus, por sua vez, lhes suprirá plenamente todas as suas “necessidades ao alcance das suas riquezas, em glória, por meio de Cristo Jesus”. (4:13, 19) Ele envia saudações de todos os santos, incluindo os da família de César.

      POR QUE É PROVEITOSO

      12. Como podemos nós, atualmente, semelhantes aos irmãos em Filipos, ganhar a aprovação de Deus e tornar-nos uma alegria para nossos irmãos?

      12 Quão proveitoso é para nós o livro de Filipenses! Desejamos certamente a aprovação de Jeová e a mesma espécie de elogio dos nossos superintendentes cristãos que a congregação de Filipos recebeu de Paulo. Poderemos conseguir isto se seguirmos o ótimo exemplo dos filipenses e o conselho amoroso de Paulo. Semelhantes aos filipenses, devemos manifestar generosidade, estar preocupados em ajudar os nossos irmãos, quando estes estão em dificuldade, e participar em defender e estabelecer legalmente as boas novas. (1:3-7) Devemos continuar a nos ‘manter firmes em um só espírito, com uma só alma, lutando lado a lado pela fé das boas novas’, brilhando como “iluminadores” no meio de uma geração pervertida e deturpada. Ao passo que fazemos estas coisas e continuamos a considerar as coisas de séria preocupação, podemos tornar-nos uma alegria para nossos irmãos do mesmo modo que os filipenses se tornaram alegria e coroa para o apóstolo Paulo. — 1:27; 2:15; 4:1, 8.

      13. De que maneiras podemos unidamente imitar a Paulo?

      13 “Tornai-vos unidamente imitadores meus”, diz Paulo. Imitadores em que sentido? Num sentido, tornando-nos auto-suficientes em todas as circunstâncias. Quer Paulo tivesse fartura, quer tivesse necessidade, aprendeu a ajustar-se às circunstâncias sem se queixar, de modo a continuar zelosamente e com regozijo no ministério de Deus. Todos devem ser semelhantes a Paulo, também, em mostrar terna afeição pelos irmãos fiéis. Com que alegria afetuosa falou ele do ministério de Timóteo e de Epafrodito! E quão achegado se sentia de seus irmãos filipenses, a quem se dirigiu como “amados e saudosos irmãos, minha alegria e coroa”! — 3:17; 4:1, 11, 12; 2:19-30.

      14. Que excelentes conselhos dá a carta aos filipenses sobre o alvo da vida e sobre o Reino, e a quem é dirigida especialmente esta carta?

      14 De que outra forma podemos imitar a Paulo? ‘Empenhando-nos para alcançar o alvo’! Todos os que fixaram a mente nas ‘coisas de séria preocupação’ estão vitalmente interessados na maravilhosa provisão de Jeová no céu e na terra, em que ‘toda língua reconhecerá abertamente que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus, o Pai’. Os excelentes conselhos em Filipenses encorajarão a todos os que esperam ganhar a vida eterna em conexão com o Reino de Deus a buscar alcançar tal alvo. A carta aos filipenses, porém, é dirigida principalmente àqueles cuja “cidadania existe nos céus” e que esperam ansiosamente “ser conforme ao . . . corpo glorioso [de Cristo]”. ‘Esquecendo-se das coisas atrás e esticando-se para alcançar as coisas na frente’, que todos estes imitem o apóstolo Paulo, ‘empenhando-se para alcançar o alvo do prêmio da chamada para cima’, sua gloriosa herança no Reino dos céus! — 4:8; 2:10, 11; 3:13, 14, 20, 21.

  • Livro bíblico número 51 — Colossenses
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 51 — Colossenses

      Escritor: Paulo

      Lugar da Escrita: Roma

      Escrita Completada: c. 60-61 EC

      1. Onde está situada a cidade de Colossos?

      DEIXANDO Éfeso para trás, dois homens viajam para o leste, através da Ásia Menor, ao longo do rio Meandro (Menderes). Ao chegarem ao tributário chamado Lico, no país da Frígia, viram para o sudeste, indo rio acima, através do vale cercado de montes. Diante deles desvenda-se uma paisagem magnífica: férteis pastos verdes com grandes rebanhos de ovelhas. (Os produtos de lã são uma das principais fontes de renda dessa região.a) Indo vale acima, os viajantes passam, à direita, pela próspera cidade de Laodicéia, centro administrativo romano do distrito. À esquerda, do outro lado do rio, podem ver Hierápolis, famosa pelos seus templos e pelas suas fontes térmicas. Há congregações cristãs em ambas as cidades, e também na pequena cidade de Colossos, cerca de 15 quilômetros mais acima, no vale.

      2. (a) Quem são os dois enviados por Paulo a Colossos? (b) O que se sabe a respeito da congregação em Colossos?

      2 Colossos é o destino dos nossos viajantes. Ambos são cristãos. Um deles, pelo menos, conhece bem a região, visto que é originário de Colossos. Chama-se Onésimo, e é escravo que está retornando a seu amo que é membro da congregação ali. O companheiro de Onésimo é Tíquico, homem livre, e ambos são enviados do apóstolo Paulo, com a missão de entregar uma carta dele dirigida aos “irmãos fiéis em união com Cristo, em Colossos”. Pelo que sabemos, Paulo nunca visitou Colossos. A congregação, que consiste principalmente em não-judeus, foi provavelmente fundada por Epafras, que labutou entre eles e se acha agora em Roma com Paulo. — Col. 1:2, 7; 4:12.

      3. O que revela a própria carta aos Colossenses quanto ao escritor, bem como quanto ao tempo e lugar da escrita?

      3 O apóstolo Paulo escreveu essa carta, conforme ele o declara nas suas palavras iniciais e finais. (1:1; 4:18) Na conclusão diz também que a escreveu da prisão. Isto deve ter sido na época de seu primeiro encarceramento em Roma, em 59-61 EC, período em que escreveu diversas cartas de encorajamento, sendo a carta aos colossenses despachada junto com a carta a Filêmon. (Col. 4:7-9; Filêm. 10, 23) Parece que foi escrita por volta do mesmo tempo que a carta aos efésios, visto que muitas idéias e frases são iguais.

      4. O que confirma a genuinidade de Colossenses?

      4 Não há base para se duvidar da autenticidade da carta aos colossenses. O fato de figurar junto com outras epístolas paulinas no Papiro Chester Beatty N.º 2 (P46), de cerca de 200 EC, mostra que era aceita pelos primitivos cristãos como sendo uma das cartas de Paulo. A genuinidade dela é confirmada pelas mesmas autoridades primitivas que testificam a autenticidade das outras cartas de Paulo.

      5. (a) O que impeliu Paulo a escrever aos colossenses? (b) A que dá ênfase a carta?

      5 O que impeliu Paulo a escrever uma carta aos colossenses? Primeiro, o fato de que Onésimo ia retornar a Colossos. Epafras encontrara-se recentemente com Paulo, e, sem dúvida, o seu relatório sobre as condições em Colossos constituiu motivo adicional para escrever esta carta. (Col. 1:7, 8; 4:12) Um perigo ameaçava a congregação cristã ali. As religiões daquela época estavam sendo desagregadas e novas religiões eram constantemente formadas pela fusão de partes das antigas. Havia filosofias pagãs que envolviam o ascetismo, o espiritismo e a superstição idólatra, e estas coisas, conjugadas com a abstinência judaica de alimentos e observância de dias, talvez tenham influenciado a alguns na congregação. Qualquer que fosse o problema, parece que foi motivo suficiente para Epafras fazer a longa viagem até Roma a fim de ir ter com Paulo. Todavia, que a congregação como um todo não estava em perigo iminente, indica-se do relatório encorajador de Epafras sobre seu amor e sua constância. Paulo, ao ouvir o relatório, manifestou-se fortemente em defesa do conhecimento exato e da adoração pura, escrevendo esta carta à congregação de Colossos. Esta dava ênfase à superioridade de Cristo, dada por Deus, diante da filosofia pagã, da adoração de anjos e das tradições judaicas.

      CONTEÚDO DE COLOSSENSES

      6. (a) Que oração faz Paulo em favor dos colossenses? (b) O que considera Paulo sobre a posição e o ministério de Jesus com relação à congregação?

      6 Tenha fé em Cristo, a cabeça da congregação (1:1-2:12). Depois dos cumprimentos iniciais da parte de Timóteo e de si mesmo, Paulo dá graças pela fé que os colossenses têm em Cristo e pelo amor deles. Aprenderam sobre a benignidade imerecida de Deus em resultado de Epafras pregar as boas novas entre eles. Desde que Paulo ouviu o relatório a respeito deles, não cessou de orar para que ficassem cheios ‘do conhecimento exato da sua vontade, em toda a sabedoria e compreensão espiritual, para andarem dignamente de Jeová’, e ‘de modo a perseverarem plenamente e serem longânimes com alegria’. (1:9-11) O Pai os livrou para “o reino do Filho do seu amor”, que é a imagem do Deus invisível, e por meio de quem e para quem todas as coisas foram criadas. Ele é a Cabeça da congregação e o primogênito dentre os mortos. Por meio do sangue de Jesus, Deus achou por bem reconciliar todas as coisas novamente consigo mesmo, sim, também os colossenses outrora alienados, ‘desde que, naturalmente, continuem na fé’. — 1:13, 23.

      7. O que prega Paulo, e para que fim?

      7 Paulo se regozija em completar os sofrimentos do Cristo em favor da congregação, cujo ministro se tornou. Isto se deu para que pregasse plenamente em favor deles a palavra de Deus concernente ao ‘segredo sagrado, as riquezas gloriosas, a respeito das quais Deus se agradou agora de dar a conhecer a seus santos’. ‘É a Cristo que estamos propalando’, diz Paulo, ‘admoestando e ensinando em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos cada homem completo em união com Cristo’. — 1:26-28.

      8. Por que trava Paulo luta em favor de seus irmãos?

      8 A luta de Paulo se trava em favor dos colossenses, dos laodicenses e de outros, a fim de que sejam consolados e se unam harmoniosamente em amor, tendo em vista ganharem ‘conhecimento exato do segredo sagrado de Deus, a saber, Cristo, em quem estão cuidadosamente ocultos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento’. Não quer vê-los iludidos por argumentos persuasivos, mas, antes, devem prosseguir andando em união com Cristo, “arraigados, e sendo edificados nele e estabilizados na fé”. Paulo dá agora um aviso: “Acautelai-vos: talvez haja alguém que vos leve embora como presa sua, por intermédio de filosofia e de vão engano, segundo a tradição de homens.” — 2:2, 3, 7, 8.

      9. Contra que espécie de adoração avisa Paulo, e por que não devem os colossenses sujeitar-se à Lei?

      9 Morrer para as obras da carne, mas ser vivificado para Cristo (2:13-3:17). Embora estivessem mortos nas suas transgressões e incircuncisão, Deus os vivificou junto com Cristo, apagando o documento manuscrito da Lei, que era contra os judeus. ‘Portanto, nenhum homem os julgue’ com respeito à Lei ou observâncias, que são meras sombras da realidade, a saber, Cristo. Também, se morreram junto com Cristo para com as coisas elementares do mundo, por que se sujeitam aos decretos: “Não manuseies, nem proves, nem toques”, segundo os mandamentos e os ensinos dos homens? Uma forma ostentosa, por imposição própria, de adoração, humildade falsa, tratamento severo do corpo — estas coisas são sem valor para combater os desejos da carne. — 2:16, 21.

      10. Como pode a pessoa prosseguir buscando as coisas de cima e ser revestida da nova personalidade?

      10 Ao contrário, Paulo aconselha isto: “Prossegui buscando as coisas de cima, onde o Cristo está sentado à direita de Deus. Mantende as vossas mentes fixas nas coisas de cima, não nas coisas sobre a terra.” Isto é possível mediante despir-se da velha personalidade e revestir-se da nova personalidade, que, mediante o conhecimento exato, não faz distinção carnal entre judeu e grego, pois “Cristo é todas as coisas e em todos”. Significa revestir-se como “escolhidos de Deus”, das ternas afeições de compaixão, benignidade, humildade mental, brandura e longanimidade. Diz o apóstolo: “Assim como Jeová vos perdoou liberalmente, vós também o fazei. Além de todas estas coisas, porém, revesti-vos de amor, pois é o perfeito vínculo de união.” Quer em palavras, quer em obra, tudo deve ser feito “no nome do Senhor Jesus, agradecendo a Deus, o Pai, por intermédio dele”. — 3:1, 2, 11-14, 17.

      11. (a) Que conselho é dado sobre a família e outras relações? (b) Que saudações são transmitidas na conclusão?

      11 Relações com os outros (3:18-4:18). Quanto às relações familiares, que as esposas estejam sujeitas a seus maridos e que os maridos amem as suas esposas, que os filhos obedeçam aos pais e que os pais não exasperem seus filhos. Os escravos devem ser obedientes a seus amos no temor de Jeová, e os amos devem tratar seus escravos com justiça. Que todos perseverem em oração e continuem a andar em sabedoria para com os de fora. Tíquico e Onésimo lhes relatarão pessoalmente as coisas concernentes a Paulo e seus colaboradores em prol do Reino de Deus. Eles enviam saudações a Colossos, e Paulo também cumprimenta os irmãos de Laodicéia, pedindo que façam uma troca das cartas que lhes envia. Paulo escreve um cumprimento final de seu próprio punho: “Continuai a lembrar-vos das minhas cadeias. A benignidade imerecida seja convosco.” — 4:18.

      POR QUE É PROVEITOSO

      12. Que verdades revigorantes fornecia a carta de Paulo aos colossenses e com que proveito para a congregação?

      12 Podemos imaginar quão rapidamente as novas da chegada dos dois irmãos de Roma circularam entre os irmãos em Colossos. Com grande expectativa, reunir-se-iam possivelmente na casa de Filêmon, para ouvir a leitura da carta de Paulo. (Filêm. 2) Que verdades revigorantes ela fornecia sobre a posição precisa de Cristo e a necessidade de conhecimento exato! Quão claramente foram as filosofias dos homens e as tradições judaicas colocadas no seu devido lugar, e exaltadas a paz e a palavra de Cristo! Eis que havia ali alimento para a mente e para o coração de todos na congregação — superintendentes, maridos, esposas, pais, filhos, amos, escravos. Havia certamente bons conselhos para Filêmon e para Onésimo, ao entrarem outra vez na relação de amo e escravo. Que excelente orientação para os superintendentes em restaurar o rebanho à doutrina correta! Como as palavras de Paulo aprofundaram o apreço dos colossenses pelo seu privilégio de trabalhar de toda a alma como para Jeová! E os conselhos edificantes aos colossenses, sobre livrar-se dos pensamentos e das práticas escravizadoras do mundo, permanecem como mensagem viva para a congregação hoje. — Col. 1:9-11, 17, 18; 2:8; 3:15, 16, 18-25; 4:1.

      13. O que admoesta Paulo relativo a palavras afáveis, oração e associação cristã?

      13 Um excelente conselho para o ministro cristão se acha em Colossenses 4:6: “Vossa pronunciação seja sempre com graça, temperada com sal, para que saibais como responder a cada um.” Palavras afáveis de verdade revelarão ser apetitosas para os de coração honesto, e ser-lhes-ão de benefício permanente. Também, as vigilantes orações do cristão, expressas de coração grato, trarão ricas bênçãos da parte de Jeová: “Persisti em oração, permanecendo despertos nela com agradecimento.” E que alegria e revigoramento edificante há na associação cristã! “Persisti em ensinar e em vos admoestar uns aos outros”, diz Paulo, “cantando em vossos corações a Jeová”. (4:2; 3:16) A pessoa encontrará muitas outras preciosidades em matéria de excelente instrução prática ao passo que for pesquisando a carta aos colossenses.

      14. (a) Que realidade é destacada em Colossenses? (b) Como se enfatiza a esperança do Reino?

      14 Quanto às observâncias da Lei, diz a carta: “Estas coisas são sombra das coisas vindouras, mas a realidade pertence ao Cristo.” (2:17) Esta realidade de Cristo é destacada em Colossenses. A carta faz freqüentes referências à gloriosa esperança reservada nos céus para os que estão em união com Cristo. (1:5, 27; 3:4) Tais podem ser muito gratos de que o Pai já os livrou da autoridade da escuridão e os transplantou “para o reino do Filho do seu amor”. De modo que se tornaram súditos Daquele que é “a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; porque mediante ele foram criadas todas as outras coisas nos céus e na terra, as coisas visíveis e as coisas invisíveis, quer sejam tronos, quer senhorios, quer governos, quer autoridades”. Este está eminentemente habilitado para dominar com justiça no Reino de Deus. Paulo admoesta, pois, aos cristãos ungidos: “Se, porém, fostes levantados junto com o Cristo, prossegui buscando as coisas de cima, onde o Cristo está sentado à direita de Deus.” — 1:12-16; 3:1.

      [Nota(s) de rodapé]

      a The New Westminster Dictionary of the Bible, 1970, página 181.

  • Livro bíblico número 52 — 1 Tessalonicenses
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 52 — 1 Tessalonicenses

      Escritor: Paulo

      Lugar da Escrita: Corinto

      Escrita Completada: c. 50 EC

      1. (a) Como é que Primeira Tessalonicenses veio a ser escrita? (b) Quando se deu isso e, portanto, que distinção goza a carta?

      FOI por volta do ano 50 EC que o apóstolo Paulo, durante a sua segunda viagem de pregação, visitou a cidade macedônia de Tessalônica e estabeleceu ali uma congregação cristã. Dentro de um ano, enquanto se achava em Corinto junto com Silvano (Silas, do livro de Atos) e Timóteo, Paulo foi impelido a escrever a sua primeira carta aos tessalonicenses para consolá-los e edificá-los na fé. Isto foi provavelmente em fins de 50 EC. Esta carta aparentemente goza da distinção de ser o primeiro dos escritos de Paulo a tornar-se parte do cânon bíblico e, com a provável exceção do Evangelho de Mateus, o primeiro livro das Escrituras Gregas Cristãs a ser escrito.

      2. Que evidência há quanto ao escritor e à autenticidade de Primeira Tessalonicenses?

      2 A evidência em favor da autenticidade e integridade desta carta é sobrepujante. Paulo identifica-se por nome como o escritor, e o livro harmoniza-se internamente com o restante da Palavra inspirada. (1 Tes. 1:1; 2:18) Esta epístola é mencionada por nome em muitos dos catálogos primitivos das Escrituras inspiradas, incluindo o Fragmento Muratoriano.a Muitos dos primitivos escritores eclesiásticos, incluindo Irineu (segundo século EC), que o menciona por nome, citam do livro de Primeira Tessalonicenses ou dele fazem menção. O Papiro Chester Beatty N.º 2 (P46), de por volta de 200 EC, contém Primeira Tessalonicenses, e outro papiro do terceiro século (P30), agora em Ghent, na Bélgica, contém fragmentos tanto de Primeira como de Segunda Tessalonicenses.b

      3, 4. Que resultou do êxito inicial do ministério de Paulo em Tessalônica?

      3 Um relance à breve história da congregação de Tessalônica, antes de esta carta ter sido escrita, dá-nos o motivo da profunda preocupação de Paulo para com os irmãos dessa cidade. Bem desde o início, a congregação sofreu severa perseguição e oposição. Em Atos, capítulo 17, Lucas fala da chegada de Paulo e Silas a Tessalônica, “onde havia uma sinagoga dos judeus”. Por três sábados Paulo pregou a eles, raciocinando com eles à base das Escrituras e há indicações de que permaneceu ali por um período mais longo, pois teve tempo de estabelecer-se na sua profissão e, acima de tudo, de fundar e organizar uma congregação. — Atos 17:1; 1 Tes. 2:9; 1:6, 7.

      4 O registro em Atos 17:4-7 relata vividamente o efeito da pregação do apóstolo em Tessalônica. Enciumados do êxito do ministério cristão de Paulo, os judeus organizaram uma turba e lançaram a cidade num alvoroço. Assaltaram a casa de Jasão e arrastaram tanto a ele como a outros irmãos perante os governantes da cidade, bradando: “Estes homens que têm subvertido a terra habitada estão também presentes aqui, e Jasão recebeu-os com hospitalidade. E todos estes homens agem em oposição aos decretos de César, dizendo que há outro rei, Jesus.” Jasão e os outros foram compelidos a pagar fiança antes de serem libertados. Em função dos irmãos na congregação, bem como em função de sua própria segurança pessoal, Paulo e Silas foram enviados de noite a Beréia. Contudo, a congregação de Tessalônica já estava estabelecida.

      5. Como mostrou Paulo sua preocupação e seu interesse amoroso pela congregação tessalonicense?

      5 A feroz oposição da parte dos judeus acompanhou Paulo até Beréia, e ameaçava parar a sua pregação ali. Ele foi então para Atenas, na Grécia. Contudo, ansiava saber como passavam seus irmãos em Tessalônica, sob tribulação. Duas vezes tentou retornar a eles, mas em ambas ‘Satanás se interpôs no seu caminho’. (1 Tes. 2:17, 18) Tomado de preocupação pela jovem congregação e dolorosamente ciente da tribulação que sofriam, Paulo enviou Timóteo de volta a Tessalônica para confortar os irmãos e firmá-los ainda mais na fé. Quando Timóteo voltou com seu relatório animador, Paulo ficou contentíssimo com as notícias sobre a destemida integridade deles em meio à violenta perseguição. Seu registro tornara-se então um exemplo para os crentes em toda a Macedônia e Acaia. (1:6-8; 3:1-7) Paulo sentia-se grato a Jeová Deus pela fiel perseverança deles, mas também apercebia-se de que, à medida que cresciam à madureza, precisavam de orientação e conselhos adicionais. Portanto, enquanto estava em Corinto junto com Timóteo e Silvano, Paulo escreveu sua primeira carta aos tessalonicenses.

      CONTEÚDO DE PRIMEIRA TESSALONICENSES

      6. Pelo que elogia Paulo os tessalonicenses?

      6 Os tessalonicenses são exemplo para outros crentes (1:1-10). Paulo começa a sua carta aos tessalonicenses com calorosos elogios de sua obra fiel, labor amoroso e perseverança na esperança. As boas novas pregadas entre eles não foram só em palavras, mas ‘também com poder e forte certeza’. Imitando o exemplo que lhes fora dado, os tessalonicenses haviam aceitado a palavra “com alegria de espírito santo” e se haviam tornado eles mesmos um exemplo para todos os crentes na Macedônia, Acaia e mesmo além. Haviam-se desviado completamente de seus ídolos, “a fim de trabalhar como escravos para um Deus vivente e verdadeiro, e para aguardar o seu Filho vindo dos céus”. — 1:5, 6, 9, 10.

      7. Que atitude Paulo e seus companheiros haviam manifestado enquanto estavam entre os tessalonicenses, e a que os haviam exortado eles?

      7 A amorosa preocupação de Paulo para com os tessalonicenses (2:1-3:13). Depois de terem sido tratados com insolência em Filipos, Paulo e seus companheiros muniram-se de intrepidez para pregar aos tessalonicenses. Isso fizeram não para agradar a homens, nem como lisonjeiros, tampouco buscando glória de homens. Ao contrário, diz Paulo, “tornamo-nos meigos entre vós, como a mãe lactante que acalenta os seus próprios filhos. Tendo assim terna afeição por vós, de bom grado não só vos conferimos as boas novas de Deus, mas também as nossas próprias almas, porque viestes a ser amados por nós”. (2:7, 8) Continuavam a exortar os tessalonicenses como um pai exorta a seus filhos, para que prosseguissem andando dum modo digno de Deus, que os chamava para o Seu Reino e glória.

      8. De que modo os tessalonicenses se tornaram uma exultação para Paulo, e o que ora ele em favor deles?

      8 Paulo os elogia por aceitarem prontamente as boas novas pelo que são, isto é, “a palavra de Deus”. Não são os únicos a serem perseguidos por seus próprios conterrâneos, pois os primeiros crentes na Judéia sofreram perseguição similar às mãos dos judeus. Ansioso pelo bem-estar deles, em duas ocasiões Paulo desejou ir ter com eles pessoalmente, mas foi impedido por Satanás. Para Paulo e seus colaboradores, os irmãos tessalonicenses são uma coroa de exultação, sua “glória e alegria”. (2:13, 20) Quando não mais podia suportar a falta de notícias deles, Paulo enviou Timóteo a Tessalônica a fim de firmar a fé deles e confortá-los. Timóteo acaba de retornar com as boas novas a respeito da prosperidade espiritual e do amor deles, e isso conforta e alegra o apóstolo. Paulo agradece a Deus e ora para que o Senhor lhes dê aumento, para que abundem em amor mútuo e que seus corações sejam “inculpáveis na santidade” perante Deus, o Pai, na presença do Senhor Jesus. — 3:13.

      9. O que exorta Paulo quanto à santificação e ao amor mútuo?

      9 Servindo em santificação e honra (4:1-12). Paulo elogia os tessalonicenses por andarem de modo a agradar a Deus, e exorta a continuarem a fazer isso mais plenamente. Que cada um “saiba obter posse do seu próprio vaso em santificação e honra, não em cobiçoso apetite sexual”. Nisto, ninguém deve usurpar os direitos de seu irmão. Pois Deus os chamou, “não com uma concessão para a impureza, mas em conexão com a santificação. Assim, pois, quem mostra falta de consideração, não desconsidera o homem, mas a Deus”. (4:4, 5, 7, 8) Paulo elogia os tessalonicenses porque demonstram amor uns aos outros, e ele os exorta a continuarem a fazer isso em medida mais plena, tomando por alvo viver sossegadamente, cuidar de seus próprios negócios e trabalhar com as suas mãos. Pois eles têm de andar decentemente “para com os de fora”. — 4:12.

      10. Que atitude devem os irmãos ter com respeito aos que adormeceram na morte?

      10 A esperança da ressurreição (4:13-18). Com respeito aos que dormem na morte, os irmãos não devem ficar tão pesarosos como ficam os que não têm esperança. Se a sua fé é que Jesus morreu e foi levantado de novo, então, também, Deus, por meio de Jesus, levantará outros que adormeceram na morte. Quando da presença do Senhor, ele descerá do céu com uma chamada dominante, “e os que estão mortos em união com Cristo se levantarão primeiro”. Depois, os sobreviventes serão “arrebatados em nuvens, para encontrar o Senhor no ar”, para estarem sempre com o Senhor. — 4:16, 17.

      11. Por que devem os tessalonicenses permanecer despertos, e o que devem continuar a fazer?

      11 Mantendo-se despertos ao se aproximar o dia de Jeová (5:1-28). “O dia de Jeová vem exatamente como ladrão, de noite”. É quando as pessoas estiverem dizendo “Paz e segurança!” que lhes há de sobrevir instantaneamente a repentina destruição. Portanto, que os tessalonicenses permaneçam despertos, como “filhos da luz e filhos do dia”, mantendo os seus sentidos e estando vestidos “da couraça da fé e do amor, e tendo por capacete a esperança da salvação”. (5:2, 3, 5, 8) É tempo de consolarem e edificarem uns aos outros. Dêem todos “mais do que extraordinária consideração em amor” aos que trabalham arduamente e que presidem entre eles. Por outro lado, os desordeiros devem ser admoestados, os fracos edificados, e a todos deve-se mostrar longanimidade. Sim, escreve Paulo, “empenhai-vos sempre pelo que é bom de uns para com os outros e para com todos os demais”. — 5:13, 15.

      12. Sobre que assuntos vitais Paulo por fim aconselha, e como termina ele a sua carta aos tessalonicenses?

      12 Por fim, Paulo aconselha sobre vários assuntos vitais: ‘Estejai sempre alegres. Orai incessantemente, dai graças por tudo. Mantende o fogo do espírito. Tende respeito para com o profetizar. Certificai-vos de todas as coisas e apegai-vos ao que é excelente. Abstende-vos de toda forma de iniqüidade.’ (5:16-22) Daí ele ora para que o próprio Deus de paz os santifique completamente e que permaneçam inculpes em espírito, alma e corpo quando da presença do Senhor Jesus Cristo. Termina a carta com palavras cordiais de encorajamento e solene instrução no sentido de que a carta seja lida a todos os irmãos.

      POR QUE É PROVEITOSO

      13. Em que eram Paulo e seus companheiros um nobre exemplo, e que efeito tem sobre a congregação a voluntária expressão de amor?

      13 Nesta carta Paulo demonstrou ter um espírito de preocupação amorosa para com seus irmãos. Ele e seus co-ministros haviam dado um nobre exemplo de terna afeição, conferindo-lhes não apenas as boas novas de Deus mas até mesmo suas próprias almas em favor de seus amados irmãos em Tessalônica. Que todos os superintendentes se empenhem em criar tais laços de amor com a sua congregação! Tal expressão de amor incitará a todos a mostrar amor uns pelos outros, como Paulo disse: “Ainda mais, que o Senhor vos faça aumentar, sim, que vos faça abundar em amor uns para com os outros e para com todos, assim como nós também fazemos convosco.” Tal amor expresso voluntariamente entre todos os do povo de Deus é muitíssimo edificante. Torna os “corações firmes, inculpáveis na santidade perante o nosso Deus e Pai, na presença de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos”. Distingue os cristãos de um mundo corrupto e imoral, para que andem em santidade e santificação, agradando assim a Deus. — 3:12, 13; 2:8; 4:1-8.

      14. Em que sentido é Primeira Tessalonicenses um excelente exemplo de conselhos jeitosos e amorosos?

      14 Esta carta fornece excelente modelo de conselhos jeitosos e amorosos na congregação cristã. Embora os irmãos tessalonicenses fossem zelosos e fiéis, havia pontos de correção a dar. Em cada caso, contudo, Paulo elogia os irmãos pelas suas boas qualidades. Por exemplo, advertindo contra a impureza moral, primeiro os elogia por andarem de um modo que agrada a Deus, daí, insta-os a fazerem isso “mais plenamente”, cada qual conservando seu vaso em santificação e honra. Daí, depois de os elogiar pelo seu amor fraterno, exorta-os a continuar neste caminho “em medida mais plena”, cuidando de seus próprios assuntos e vivendo decentemente perante os de fora. Jeitosamente, Paulo orienta seus irmãos a ‘empenharem-se sempre pelo que é bom de uns para com os outros e para com todos os demais’. — 4:1-7, 9-12; 5:15.

      15. Que indicação há de que Paulo zelosamente pregou a esperança do Reino enquanto esteve em Tessalônica, e que excelente conselho deu neste respeito?

      15 Em quatro ocasiões Paulo faz menção da “presença” de Jesus Cristo. Evidentemente, os recém-convertidos cristãos em Tessalônica estavam muito interessados neste ensinamento. Enquanto se achava na cidade deles, Paulo sem dúvida pregou destemidamente a respeito do Reino de Deus às mãos de Cristo, como indica a acusação levantada contra ele e seus companheiros: “Todos estes homens agem em oposição aos decretos de César, dizendo que há outro rei, Jesus.” (Atos 17:7; 1 Tes. 2:19; 3:13; 4:15; 5:23) Os irmãos tessalonicenses haviam fixado a sua esperança no Reino e, tendo fé em Deus, aguardavam “o seu Filho vindo dos céus, a quem ele levantou dentre os mortos, a saber, Jesus”, para livrá-los do vindouro furor. Da mesma forma, todos os que hoje depositam esperança no Reino de Deus têm de acatar os excelentes conselhos de Primeira Tessalonicenses de ser abundantes em amor, com coração firme e inculpe, para que possam ‘prosseguir andando dum modo digno de Deus, que os chama ao seu reino e glória’. — 1 Tes. 1:8, 10; 3:12, 13; 2:12.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Veja a tabela “Principais Catálogos Primitivos das Escrituras Gregas Cristãs”, página 303.

      b The Text of the New Testament, de Kurt e Barbara Aland, traduzido por E. F. Rhodes, 1987, páginas 97, 99.

  • Livro bíblico número 53 — 2 Tessalonicenses
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 53 — 2 Tessalonicenses

      Escritor: Paulo

      Lugar da Escrita: Corinto

      Escrita Completada: c. 51 EC

      1. Que indicações há quanto ao tempo e o lugar da escrita, e o que impeliu a escrita da segunda carta aos tessalonicenses?

      A SEGUNDA carta do apóstolo Paulo aos tessalonicenses foi escrita logo após a primeira. Sabemos que foi escrita não muito depois da primeira carta, e também da mesma cidade, Corinto, uma vez que os mesmos irmãos, Silvano e Timóteo, de novo se juntam a Paulo em mandar cumprimentos à congregação de Tessalônica. Eram todos servos viajantes da primitiva congregação cristã, e não há registro de que tenham estado juntos de novo depois dessa associação em Corinto. (2 Tes. 1:1; Atos 18:5, 18) O tema e a natureza do assunto indicam que Paulo sentia urgente necessidade de corrigir prontamente a congregação com respeito a um erro em que ela incorrera.

      2. O que atesta a autenticidade de Segunda Tessalonicenses?

      2 A autenticidade da carta está tão bem atestada como a de Primeira Tessalonicenses. Também é citada por Irineu (segundo século EC), bem como por outros escritores primitivos, incluindo Justino Mártir (também do segundo século), que aparentemente se refere a 2 Tessalonicenses 2:3 quando escreve sobre “o homem que é contra a lei [pecado]”. Aparece nos mesmos catálogos primitivos que Primeira Tessalonicenses. Embora não conste agora no Papiro Chester Beatty N.º 2 (P46), é quase certo que constava nas primeiras duas das sete folhas que faltam depois de Primeira Tessalonicenses.

      3, 4. (a) Que problema surgira na congregação tessalonicense? (b) Quando e onde foi escrita a carta, e o que desejava Paulo conseguir por meio dela?

      3 Qual era o objetivo desta carta? À base dos conselhos que Paulo deu aos tessalonicenses, ficamos sabendo que alguns na congregação argumentavam que a presença do Senhor era iminente, que tais especuladores pregavam ativamente essa sua teoria e que causavam não pouca agitação na congregação. Parece que alguns até mesmo usavam isso como desculpa para não trabalhar para o seu próprio sustento. (2 Tes. 3:11) Em sua primeira carta, Paulo fizera referências à presença do Senhor e, sem dúvida, quando estes especuladores ouviram a leitura da carta, prontamente torceram as palavras de Paulo e extraíram delas sentidos jamais intencionados. É também possível que uma carta erroneamente atribuída a Paulo foi interpretada como indicando que “o dia de Jeová está aqui”. — 2:1, 2.

      4 Parece que Paulo recebera notícias sobre tal condição provavelmente da pessoa que entregou sua primeira carta à congregação, e ele portanto estaria muito ansioso de corrigir a mentalidade de seus irmãos, pelos quais tinha tão grande afeição. Assim, no ano 51 EC, Paulo, em associação com os seus dois companheiros, enviou uma carta de Corinto à congregação em Tessalônica. Além de corrigir o ponto de vista errado sobre a presença de Cristo, Paulo dá caloroso encorajamento para que permaneçam firmes na verdade.

      CONTEÚDO DE SEGUNDA TESSALONICENSES

      5. Pelo que Paulo e seus companheiros agradecem a Deus, que certeza dão, e pelo que oram?

      5 A revelação do Senhor Jesus (1:1-12). Paulo e seus companheiros agradecem a Deus o excelente crescimento da fé dos tessalonicenses e seu amor uns para com os outros. Sua perseverança e fé sob perseguição provam ser justo o julgamento de Deus quanto a serem considerados dignos do Reino. Deus retribuirá tribulação aos que atribulam a congregação, e aliviará os que sofrem. Isto será “por ocasião da revelação do Senhor Jesus desde o céu, com os seus anjos poderosos, . . . no tempo em que ele vem para ser glorificado em conexão com os seus santos”. (1:7, 10) Paulo e seus companheiros oram sempre pelos tessalonicenses, para que Deus os julgue dignos de Sua chamada e que o nome do Senhor Jesus seja glorificado neles e eles em união com ele.

      6. O que tem de vir antes do dia de Jeová, e como?

      6 A apostasia virá antes da presença de Jesus (2:1-12). Os irmãos não devem ficar agitados por alguma mensagem de que “o dia de Jeová está aqui”. “Não virá a menos que venha primeiro a apostasia e seja revelado o homem que é contra a lei, o filho da destruição.” Eles sabem agora “o que age como restrição”, mas o mistério disto que é contra a lei já está operando. Quando esta restrição for removida, “então, deveras, será revelado aquele que é contra a lei, a quem o Senhor Jesus eliminará com o espírito de sua boca e reduzirá a nada pela manifestação de sua presença”. A presença daquele que é contra a lei é segundo a operação de Satanás, com obras poderosas e engano, e Deus permite que a operação do erro vá ter com os que não aceitaram o amor da verdade, para que cheguem a crer na mentira. — 2:3, 6, 8.

      7. Como podem os irmãos ficar firmes e achar proteção do iníquo?

      7 Permanecer firme na fé (2:13-3:18). Paulo continua: “Somos obrigados a agradecer sempre a Deus por vós, irmãos amados por Jeová, porque Deus vos selecionou desde o princípio para a salvação, por santificar-vos com espírito e pela vossa fé na verdade.” Para este fim as boas novas lhes foram declaradas. Os irmãos devem, portanto, permanecer firmes e manter seu apego às tradições que lhes foram ensinadas, para que Jesus Cristo e o Pai, que deram amorosamente consolo eterno e esperança, os façam “firmes em toda boa ação e palavra”. (2:13, 17) Paulo pede que orem “para que a palavra de Jeová prossiga rapidamente e seja glorificada”. (3:1) O Senhor, que é fiel, os tornará firmes e os livrará do iníquo, e Paulo ora para que o Senhor continue a dirigir seus corações com êxito no amor de Deus e na perseverança pelo Cristo.

      8. Que forte admoestação se dá, e em que deram Paulo e seu grupo o exemplo?

      8 Segue-se uma forte admoestação: “Ora, nós vos ordenamos, irmãos, no nome do Senhor Jesus Cristo, que vos retireis de todo irmão que andar desordeiramente e não segundo a tradição que recebestes de nós.” (3:6) O apóstolo lembra-lhes o exemplo que seu grupo missionário deu, labutando noite e dia, para não se tornar carga para eles, de modo que podiam ordenar: “Se alguém não quiser trabalhar, tampouco coma.” Mas agora ouvem dizer que certos desordeiros não trabalham e se intrometem na vida dos outros. Estes devem passar a ganhar o seu próprio sustento. — 2 Tes. 3:10; 1 Tes. 4:11.

      9. O que diz Paulo sobre fazer o que é correto e fazer com que o desobediente se envergonhe, e como termina ele a carta?

      9 Os irmãos não devem desistir de fazer o que é correto. Mas, se alguém não for obediente à carta de Paulo, a congregação deve fazê-lo envergonhar-se por não mais se associar com ele, ao mesmo tempo admoestando-o como irmão. A oração de Paulo é no sentido de que o Senhor da paz lhes dê “constantemente a paz, de toda maneira”, e ele conclui sua carta com cumprimentos escritos pelo seu próprio punho. — 2 Tes. 3:16.

      POR QUE É PROVEITOSO

      10. Quais são alguns dos ensinos e princípios básicos abrangidos em Segunda Tessalonicenses?

      10 Esta curta carta inspirada aos tessalonicenses toca numa ampla gama de verdades cristãs, sendo todas elas proveitosas para consideração. Considere os seguintes ensinos e princípios básicos que são abrangidos: Jeová é o Deus da salvação, e santifica por meio de espírito e fé na verdade (2:13); o cristão tem de suportar sofrimentos para ser contado digno do Reino de Deus (1:4, 5); os cristãos são ajuntados ao Senhor Jesus Cristo por ocasião de sua presença (2:1); Jeová trará julgamento justo sobre os que desobedecem às boas novas (1:5-8); os que são chamados serão glorificados em união com Cristo Jesus, em harmonia com a benignidade imerecida de Deus (1:12); eles são chamados por intermédio da pregação das boas novas (2:14); a fé é um requisito vital (1:3, 4, 10, 11; 2:13; 3:2); é correto trabalhar para prover o sustento próprio no ministério; se a pessoa não trabalha, talvez fique preguiçosa e passe a meter-se em coisas que não lhe dizem respeito (3:8-12); o amor de Deus está associado com a perseverança (3:5). Que tesouro de informações edificantes é encontrado numa só breve carta inspirada!

      11. Que importante informação e garantia se apresentam em conexão com o Reino?

      11 Paulo mostrou nesta carta profunda preocupação pelo bem-estar espiritual de seus irmãos em Tessalônica e pela união e prosperidade da congregação. Ele esclareceu-lhes sobre a chegada do dia de Jeová, mostrando que “o homem que é contra a lei” teria de aparecer primeiro, para sentar-se “no templo de O Deus, exibindo-se publicamente como sendo um deus”. Contudo, os “contados dignos do reino de Deus” podem ter absoluta certeza de que no devido tempo o Senhor Jesus será revelado do céu, tomando vingança em fogo chamejante “no tempo em que ele vem para ser glorificado em conexão com os seus santos e para ser considerado com admiração, naquele dia em conexão com todos os que exerceram fé”. — 2:3, 4; 1:5, 10.

  • Livro bíblico número 54 — 1 Timóteo
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 54 — 1 Timóteo

      Escritor: Paulo

      Lugar da Escrita: Macedônia

      Escrita Completada: c. 61-64 EC

      1, 2. (a) Que contraste se vê entre as descrições do encarceramento de Paulo em Atos e em Segunda Timóteo? (b) Quando aparentemente foi escrito Primeira Timóteo, e por quê?

      O RELATO de Lucas sobre a vida de Paulo, no livro de Atos, termina com Paulo em Roma esperando pelo resultado de seu recurso a César. Indica-se que Paulo mora na sua própria casa alugada, pregando o Reino de Deus a todos os que vão vê-lo, fazendo isso ‘com a maior franqueza no falar, sem impedimento’. (Atos 28:30, 31) Mas, em sua segunda carta a Timóteo, Paulo escreve: “Estou sofrendo o mal ao ponto de estar em cadeias como malfeitor”, e fala sobre a sua morte como iminente. (2 Tim. 2:9; 4:6-8) Que mudança! No primeiro caso, foi tratado como prisioneiro de honra, no segundo, como criminoso. O que sucedera no período entre o comentário de Lucas sobre a situação de Paulo, em 61 EC, no fim de dois anos em Roma, e a escrita do próprio Paulo a Timóteo sobre a sua condição, que parece ter sido pouco antes de sua morte?

      2 A dificuldade de enquadrar a escrita das cartas de Paulo a Timóteo e a Tito dentro do período abrangido pelo livro de Atos leva alguns comentaristas bíblicos à conclusão de que Paulo foi bem-sucedido no seu apelo a César e foi libertado por volta de 61 EC. Diz The New Westminster Dictionary of the Bible (O Novo Dicionário Bíblico de Westminster): “O versículo final de Atos ajusta-se melhor a este conceito [de que Paulo foi solto após dois anos de confinamento] do que à suposição de que a prisão descrita findou na condenação e na morte do apóstolo. Lucas frisa o fato de que ninguém obstou ao trabalho do apóstolo, dando assim certamente a impressão de que o fim de sua atividade não era iminente.a Portanto, a escrita de Primeira Timóteo se encaixa no período entre o primeiro encarceramento de Paulo em Roma e seu encarceramento final ali, ou por volta de 61-64 EC.

      3, 4. (a) Ao ser solto da prisão, o que Paulo evidentemente fez? (b) De onde escreveu ele Primeira Timóteo?

      3 Ao sair da prisão, Paulo evidentemente recomeçou sua atividade missionária junto com Timóteo e Tito. Se Paulo realmente chegou até a Espanha, como alguns supõem, não é certo. Clemente de Roma escreveu (c. 95 EC) que Paulo chegou “ao extremo limite do O[cidente]”, que podia ter incluído a Espanha.b

      4 De onde escreveu Paulo a sua primeira carta a Timóteo? Primeira Timóteo 1:3 indica que Paulo providenciou que Timóteo cuidasse de certos assuntos congregacionais em Éfeso, enquanto ele mesmo seguiu para a Macedônia. Parece que foi dali que escreveu a carta a Timóteo, que ficara em Éfeso.

      5. Que testemunho há da autenticidade das cartas a Timóteo?

      5 As duas cartas a Timóteo foram aceitas desde tempos remotos como tendo sido escritas por Paulo e como parte das Escrituras inspiradas. Os primitivos escritores cristãos, incluindo Policarpo, Inácio e Clemente de Roma, concordam com isso, e as cartas estão incluídas nos catálogos dos primeiros séculos como sendo escritos de Paulo. Certa autoridade escreve: “Existem poucos escritos do Novo Testamento melhor atestados . . . As objeções contra a autenticidade . . . , por conseguinte, devem ser reputadas como inovações modernas contrárias à mais clara evidência que nos é dada pela Igreja primitiva.”c

      6. (a) Por que várias razões escreveu Paulo Primeira Timóteo? (b) Qual era a formação de Timóteo, e que indicação há de que ele era trabalhador maduro?

      6 Paulo escreveu esta sua primeira carta a Timóteo para estabelecer claramente certos procedimentos organizacionais na congregação. Havia também necessidade de alertar Timóteo a precaver-se contra ensinos falsos e a fortalecer os irmãos a resistirem a tal ‘conhecimento falso’. (1 Tim. 6:20) A cidade comercial de Éfeso oferecia também as tentações do materialismo e do “amor ao dinheiro”, de modo que era oportuno dar alguns conselhos sobre isso também. (6:10) Timóteo por certo tinha uma excelente bagagem de experiência e treinamento para ser usado nessa tarefa. Nasceu de pai grego e mãe judia temente a Deus. Não se sabe ao certo quando Timóteo teve seu primeiro contato com o cristianismo. Quando Paulo visitou Listra na sua segunda viagem missionária, provavelmente em fins de 49 EC ou início de 50 EC, Timóteo (talvez no fim da adolescência ou com pouco mais de 20 anos) já gozava de ‘bom relato da parte dos irmãos em Listra e Icônio’. Assim, Paulo providenciou que Timóteo viajasse com ele e Silas. (Atos 16:1-3) Timóteo é mencionado por nome em 11 das 14 cartas de Paulo, bem como no livro de Atos. Paulo sempre teve por ele um interesse paterno e, em várias ocasiões, designou-o a visitar e servir diferentes congregações — uma evidência de que Timóteo fizera bom trabalho no campo missionário e estava habilitado para cuidar de pesadas responsabilidades. — 1 Tim. 1:2; 5:23; 1 Tes. 3:2; Fil. 2:19.

      CONTEÚDO DE PRIMEIRA TIMÓTEO

      7. Por que Paulo incentiva Timóteo a permanecer em Éfeso?

      7 Exortação à fé com boa consciência (1:1-20). Depois de saudar Timóteo como “filho genuíno na fé”, Paulo incentiva-o a permanecer em Éfeso. Ele deve corrigir os que ensinam uma “doutrina diferente”, que leva a questões inúteis em vez de a uma dispensação da fé. Paulo diz que o objetivo desta ordem é “o amor proveniente dum coração puro, e duma boa consciência, e duma fé sem hipocrisia”. Ele acrescenta: “Alguns, por se desviarem destas coisas, apartaram-se para conversa vã.” — 1:2, 3, 5, 6.

      8. O que frisou o fato de se ter mostrado misericórdia a Paulo, e que excelente combate incentiva ele Timóteo a travar?

      8 Embora Paulo fosse anteriormente blasfemador e perseguidor, não obstante, a benignidade imerecida do Senhor “abundou sobremaneira junto com a fé e o amor que há em conexão com Cristo Jesus”, de modo que se lhe mostrou misericórdia. Ele fora o maior dos pecadores; e assim tornou-se uma demonstração da longanimidade de Cristo Jesus, que “veio ao mundo para salvar pecadores”. Quão digno é o Rei da eternidade de receber honra e glória para sempre! Paulo encarrega Timóteo de travar um bom combate, “mantendo a fé e uma boa consciência”. Não deve ser como os que ‘sofreram naufrágio no que se refere à sua fé’, como Himeneu e Alexandre, a quem Paulo disciplinara por causa de blasfêmia. — 1:14, 15, 19.

      9. (a) Que orações devem ser feitas, e por quê? (b) O que se diz quanto às mulheres na congregação?

      9 Instruções sobre adoração e organização na congregação (2:1-6:2). Devem ser feitas orações concernentes a toda sorte de homens, incluindo os em alta posição, para que os cristãos possam viver pacificamente em devoção piedosa. É a vontade de Deus, o Salvador, que “toda sorte de homens sejam salvos e venham a ter um conhecimento exato da verdade. Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e homens, um homem, Cristo Jesus, o qual se entregou como resgate correspondente por todos”. (2:4-6) Paulo fora designado apóstolo e instrutor destas coisas. De modo que ele exorta os homens a orar em lealdade e as mulheres a se vestirem com modéstia e bom senso, dum modo próprio das que reverenciam a Deus. A mulher deve aprender em silêncio e não exercer autoridade sobre o homem, “porque Adão foi formado primeiro, depois Eva”. — 2:13.

      10. Quais são as qualificações para superintendentes e para servos ministeriais, e por que escreve Paulo estas coisas?

      10 O homem que procura ser um superintendente está desejoso duma obra excelente. Daí Paulo alista as qualificações para superintendentes e para servos ministeriais. O superintendente deve ser “irrepreensível, marido de uma só esposa, moderado nos hábitos, ajuizado, ordeiro, hospitaleiro, qualificado para ensinar, não brigão bêbedo, não espancador, mas razoável, não beligerante, não amante do dinheiro, homem que presida de maneira excelente à sua própria família, tendo os filhos em sujeição com toda a seriedade . . . , não homem recém-convertido . . . deve ter também testemunho excelente de pessoas de fora”. (3:2-7) Há requisitos similares para servos ministeriais, e estes devem ser primeiro examinados quanto à aptidão antes de servirem. Paulo escreve estas coisas a fim de que Timóteo saiba como conduzir-se na congregação de Deus, que é “coluna e amparo da verdade”. — 3:15.

      11. (a) Que problemas surgirão mais tarde? (b) Ao que deve Timóteo dar atenção, e por quê?

      11 Em tempos posteriores alguns se desviarão da fé, por meio de ensinamentos de demônios. Homens hipócritas, falando mentiras, proibirão o casamento e ordenarão a abstinência de alimentos que Deus criou para serem tomados com agradecimentos. Como ministro excelente, Timóteo tem de recusar histórias falsas e ‘contos de mulheres velhas’. Por outro lado, deve treinar-se com a devoção piedosa como alvo. “Para este fim estamos trabalhando arduamente e nos esforçamos”, diz Paulo, “porque baseamos a nossa esperança num Deus vivente, que é Salvador de toda sorte de homens, e especialmente dos fiéis”. Portanto, Timóteo precisa continuar a dar estas ordens e a ensiná-las. Não deve permitir que ninguém despreze a sua juventude, mas, ao contrário, tornar-se exemplo em conduta e serviço piedoso. Deve absorver-se nestas coisas e prestar constante atenção a si mesmo e ao seu ensino, pois, por permanecer nestas coisas, ‘salvará tanto a si mesmo como aos que o escutam’. — 4:7, 10, 16.

      12. Que conselho se dá sobre tratar as viúvas e outros na congregação?

      12 Paulo aconselha Timóteo sobre como tratar as pessoas: homens mais idosos como pais, homens mais jovens como irmãos, mulheres mais idosas como mães e mulheres mais jovens como irmãs. Deve-se aprovisionar adequadamente às que são realmente viúvas. Contudo, a família da viúva deve cuidar dela, se possível. Deixar de fazer isso seria repudiar a fé. Se tem pelo menos 60 anos de idade, a viúva pode ser colocada na lista se ‘se der dela testemunho de obras excelentes’. (5:10) Por outro lado, viúvas mais jovens, que permitem que seus impulsos sexuais as controlem, devem ser rejeitadas. Em vez de vadiarem e tagarelarem, que se casem e tenham filhos, para não dar nenhum induzimento ao opositor.

      13. Que consideração deve-se mostrar para com os anciãos, como se deve lidar com as pessoas que praticam pecado e que responsabilidade recai sobre os escravos?

      13 Os anciãos que presidem de modo excelente devem ser contados dignos de dupla honra, “especialmente os que trabalham arduamente no falar e no ensinar”. (5:17) Não se deve admitir acusação contra um ancião, exceto à base de evidência de duas ou três testemunhas. As pessoas que fazem do pecado uma prática devem ser repreendidas perante todos os espectadores, mas não deve haver nisso nenhum preconceito ou parcialidade. Os escravos devem respeitar seus donos, prestando bom serviço, especialmente aos irmãos, que são “crentes e amados”. — 6:2.

      14. O que tem Paulo a dizer sobre o orgulho e o amor ao dinheiro em conexão com a “devoção piedosa junto com a auto-suficiência”?

      14 Conselho sobre “devoção piedosa junto com a auto-suficiência” (6:3-21). O homem que não concorda com palavras salutares está enfunado de orgulho e tem mania de criar questões, levando a violentas disputas sobre ninharias. Por outro lado, a “devoção piedosa junto com a auto-suficiência” é meio de grande ganho. Deve-se estar contente com o sustento e com o que se cobrir. A determinação de ficar rico é um laço que leva à destruição e o amor ao dinheiro é a “raiz de toda sorte de coisas prejudiciais”. Paulo insta a Timóteo, como homem de Deus, a fugir destas coisas, a empenhar-se por virtudes cristãs, a travar a luta excelente da fé e a ‘apegar-se firmemente à vida eterna’. (6:6, 10, 12) Deve observar o mandamento “dum modo imaculado e irrepreensível” até a manifestação do Senhor Jesus Cristo. Os ricos ‘não devem basear a sua esperança nas riquezas incertas, mas em Deus’, a fim de se apegarem firmemente à verdadeira vida. Concluindo, Paulo incentiva Timóteo a guardar sua custódia doutrinal e a desviar-se de falatórios profanadores e das “contradições do falsamente chamado ‘conhecimento’”. — 6:14, 17, 20.

      POR QUE É PROVEITOSO

      15. Que aviso se dá contra especulações e discussões?

      15 Esta carta dá um forte aviso para os que se entregam a vãs especulações e argumentos filosóficos. “Debates sobre palavras” estão aliados ao orgulho e devem ser evitados, pois Paulo diz que eles obstruem o crescimento cristão, fornecendo apenas ‘questões para pesquisa em vez de uma dispensação de algo por Deus em conexão com a fé’. (6:3-6; 1:4) Juntamente com as obras da carne, essas disputas estão “em oposição ao ensino salutar, segundo as gloriosas boas novas do Deus feliz”. — 1:10, 11.

      16. Que conselho deu Paulo sobre o materialismo?

      16 Os cristãos na gananciosa Éfeso aparentemente precisavam de conselhos sobre combater o materialismo e suas distrações. Paulo deu tais conselhos. O mundo cita liberalmente as suas palavras: ‘O amor ao dinheiro é a raiz de todo o mal’, mas quão poucos atentam a estas palavras! Ao contrário, os cristãos verdadeiros têm de acatar este conselho constantemente. Significa vida para eles. Têm de fugir do nocivo laço do materialismo, depositando sua esperança, não “nas riquezas incertas, mas em Deus, que nos fornece ricamente todas as coisas para o nosso usufruto”. — 6:6-12, 17-19.

      17. Que conselho a Timóteo é oportuno para todos os zelosos jovens ministros hoje?

      17 A carta de Paulo mostra que o próprio Timóteo era um excelente exemplo do que um jovem cristão deve ser. Embora relativamente jovem na idade, era maduro no crescimento espiritual. Ele se empenhara em qualificar-se como superintendente e foi ricamente abençoado com os privilégios que usufruiu. Mas, como todos os zelosos jovens ministros hoje, ele tinha de continuar a ponderar estas coisas e a absorver-se nelas, para fazer contínuo progresso. O conselho de Paulo é oportuno para todos os que buscam alegria contínua em fazer progresso cristão: “Presta constante atenção a ti mesmo e ao teu ensino. Permanece nestas coisas, pois, por fazeres isso, salvarás tanto a ti mesmo como aos que te escutam.” — 4:15, 16.

      18. Que arranjos ordeiros na congregação são claramente definidos, e como usa Paulo as Escrituras Hebraicas como autoridade?

      18 Esta carta inspirada infunde apreço pelos ordeiros arranjos de Deus. Mostra como tanto homens e mulheres podem fazer a sua parte em manter a harmonia teocrática na congregação. (2:8-15) Daí, passa a considerar as qualificações para superintendentes e para servos ministeriais. De modo que o espírito santo indica os requisitos exigidos dos que servem em posições especiais. A carta incentiva também a todos os ministros dedicados a satisfazer estas normas, dizendo: “Se algum homem procura alcançar o cargo de superintendente, está desejoso duma obra excelente.” (3:1-13) A correta atitude do superintendente para com os da congregação, segundo a sua faixa etária e sexo, é apropriadamente considerada, como também o é o lidar com acusações perante testemunhas. Ao frisar que os anciãos que trabalham arduamente em falar e ensinar são dignos de dupla honra, Paulo recorreu duas vezes às Escrituras Hebraicas como autoridade: “Porque a escritura diz: ‘Não deves açaimar o touro quando debulha o grão’; também: ‘O trabalhador é digno do seu salário.’” — 1 Tim. 5:1-3, 9, 10, 19-21, 17, 18; Deut. 25:4; Lev. 19:13.

      19. De que modo se traz à tona a esperança do Reino, e que exortação se dá nessa base?

      19 Depois de dar todos esses excelentes conselhos, Paulo acrescenta que o mandamento deve ser observado dum modo imaculado e irrepreensível, ‘até a manifestação do Senhor Jesus Cristo como Rei dos que reinam e Senhor dos que dominam’. À base desta esperança do Reino, a carta termina com uma poderosa exortação aos cristãos “para praticarem o bem, para serem ricos em obras excelentes, para serem liberais, prontos para partilhar, entesourando para si seguramente um alicerce excelente para o futuro, a fim de que se apeguem firmemente à verdadeira vida”. (1 Tim. 6:14, 15, 18, 19) É sem dúvida proveitosa toda a excelente instrução de Primeira Timóteo!

      [Nota(s) de rodapé]

      a 1970, editado por H. S. Gehman, página 721.

      b The Ante-Nicene Fathers, Vol. I, página 6, “A Primeira Epístola de Clemente aos Coríntios”, cap. V.

      c O Novo Dicionário da Bíblia, 1966, editado por J. D. Douglas, página 1619.

  • Livro bíblico número 55 — 2 Timóteo
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 55 — 2 Timóteo

      Escritor: Paulo

      Lugar da Escrita: Roma

      Escrita Completada: c. 65 EC

      1. Que perseguição irrompeu em Roma por volta de 64 EC, e por que aparente motivo?

      DE NOVO Paulo era prisioneiro em Roma. Contudo, as circunstâncias de seu segundo encarceramento eram muito mais severas do que as do primeiro. Era cerca de 65 EC. Um grande incêndio alastrara-se em Roma, em julho de 64 EC, causando extensivos danos em 10 das 14 regiões da cidade. Segundo o historiador romano Tácito, o imperador Nero não conseguia “banir a sinistra crença de que a conflagração fora o resultado de uma ordem. Assim, para livrar-se do rumor, Nero lançou a culpa e infligiu as mais atrozes torturas em uma classe odiada por suas abominações, chamada de cristãos pela populaça. . . . Uma imensa multidão foi condenada, não tanto pelo crime de incendiar a cidade, como o de odiar a humanidade. As mortes eram acompanhadas de todo tipo de escárnio. Cobertos de peles de animais, os cristãos eram dilacerados pelos cães e pereciam, ou eram pregados em cruzes, ou condenados às chamas e queimados, para servirem de iluminação noturna, ao escurecer o dia. Nero ofereceu os seus jardins para o espetáculo . . . Surgiu um sentimento de compaixão; pois não era, como parecia, para o bem do público, mas sim para satisfazer a crueldade de um só homem é que estavam sendo destruídos”.a

      2. Sob que circunstâncias escreveu Paulo Segunda Timóteo, e por que fala apreciativamente sobre Onesíforo?

      2 Foi provavelmente por volta da época dessa onda de violenta perseguição que Paulo era novamente prisioneiro em Roma. Desta vez ele estava em cadeias. Não esperava ser solto, mas aguardava apenas o julgamento final e a execução. Os visitantes eram poucos. Deveras, identificar-se abertamente como cristão era correr o risco de ser preso e morto sob tortura. Assim, Paulo podia escrever com apreço sobre seu visitante de Éfeso: “O Senhor conceda misericórdia à família de Onesíforo, porque ele muitas vezes me trouxe revigoramento e não se envergonhou das minhas cadeias. Ao contrário, quando ele estava em Roma, procurou-me diligentemente e me achou.” (2 Tim. 1:16, 17) Escrevendo sob a sombra da morte, Paulo qualifica a si mesmo de “apóstolo de Cristo Jesus, pela vontade de Deus, segundo a promessa de vida que está em união com Cristo Jesus”. (1:1) Paulo sabia que a vida em união com Cristo o aguardava. Ele pregara em muitas das principais cidades do mundo então conhecido, de Jerusalém a Roma, e talvez até mesmo até a distante Espanha. (Rom. 15:24, 28) Seguira a carreira fielmente até o fim. — 2 Tim. 4:6-8.

      3. Quando foi escrita Segunda Timóteo, e como tem beneficiado os cristãos através das eras?

      3 A carta foi provavelmente escrita por volta de 65 EC, pouco antes do martírio de Paulo. Timóteo com certeza ainda estava em Éfeso, pois Paulo o incentivara a permanecer ali. (1 Tim. 1:3) Agora, duas vezes Paulo insta Timóteo a que vá ter com ele depressa, e pede que traga Marcos consigo, e também o manto e os rolos que deixara em Trôade. (2 Tim. 4:9, 11, 13, 21) Escrito numa época tão crítica, esta carta continha poderoso encorajamento a Timóteo, e tem continuado a dar encorajamento proveitoso para os cristãos verdadeiros em todas as eras desde então.

      4. O que prova que Segunda Timóteo é autêntica e canônica?

      4 O livro de Segunda Timóteo é autêntico e canônico pelos motivos já considerados sob Primeira Timóteo. Era reconhecido e usado por primitivos escritores e comentaristas, incluindo Policarpo, no segundo século EC.

      CONTEÚDO DE SEGUNDA TIMÓTEO

      5. Que tipo de fé há em Timóteo, mas, o que deve ele continuar a fazer?

      5 “Apega-te ao modelo de palavras salutares” (1:1-3:17). Paulo diz a Timóteo que ele jamais o esquece em suas orações e que anseia vê-lo. Recorda ‘a fé sem hipocrisia’ que há em Timóteo e que primeiro havia em sua avó Lóide e em sua mãe Eunice. Timóteo deve atiçar como um fogo o dom que há nele, ‘porque Deus não deu um espírito de covardia, mas sim de poder, de amor e de bom juízo’. Portanto, que ele não se envergonhe de testemunhar e de sofrer o mal por causa das boas novas, pois a benignidade imerecida de Deus se tornou claramente evidente através da manifestação do Salvador, Cristo Jesus. Timóteo deve ‘apegar-se ao modelo de palavras salutares’ que ouviu de Paulo, guardando-o como custódia excelente. — 1:5, 7, 13.

      6. Que conselho dá Paulo sobre ensino, e como pode Timóteo ser um obreiro aprovado e um vaso honroso?

      6 Timóteo deve transmitir as coisas que aprendeu de Paulo a “homens fiéis, os quais, por sua vez, estarão adequadamente qualificados para ensinar outros”. Timóteo deve provar-se soldado excelente de Cristo Jesus. O soldado evita laços comerciais. Ademais, aquele que é coroado nos jogos compete segundo as regras. A fim de ganhar discernimento, Timóteo deve ter sempre em mente as palavras de Paulo. As coisas importantes para se lembrar, e para lembrar outros, são: “Que Jesus Cristo foi levantado dentre os mortos e era do descendente de Davi”, e que a salvação e a glória eterna em união com Cristo, reinar com ele, são as recompensas dos escolhidos que perseveram. Timóteo deve fazer o máximo para apresentar-se a Deus como obreiro aprovado, evitando palavras vãs que violam o que é santo, e que se alastram como gangrena. Assim como numa casa grande um vaso honroso é guardado à parte daquele que não é honroso, Paulo também admoesta Timóteo a ‘fugir dos desejos pertinentes à mocidade, mas empenhar-se pela justiça, pela fé, pelo amor, pela paz, ao lado dos que invocam o Senhor dum coração puro’. O escravo do Senhor precisa ser meigo para com todos, qualificado para ensinar, instruindo com brandura. — 2:2, 8, 22.

      7. Por que são as Escrituras inspiradas especialmente proveitosas “nos últimos dias”?

      7 “Nos últimos dias” haverá tempos críticos, difíceis de manejar, as pessoas mostrando-se falsas para com a sua ostentação de devoção piedosa, “sempre aprendendo, contudo, nunca podendo chegar a um conhecimento exato da verdade”. Mas Timóteo seguiu de perto os ensinamentos e o proceder de Paulo, e passou pelas mesmas perseguições, das quais o Senhor o livrou. “De fato”, acrescenta, “todos os que desejarem viver com devoção piedosa em associação com Cristo Jesus também serão perseguidos”. Timóteo, contudo, deve continuar nas coisas que aprendeu desde a infância, que o podem fazer sábio para a salvação, pois “toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa”. — 3:1, 7, 12, 16.

      8. Paulo insta Timóteo a fazer o que, e, neste respeito, por que Paulo exulta?

      8 Efetuando plenamente o ministério (4:1-22). Paulo encarrega Timóteo de ‘pregar a palavra’ com urgência. (4:2) Virá o tempo em que os homens não suportarão o ensino salutar e recorrerão a falsos instrutores; que Timóteo, porém, mantenha os seus sentidos, ‘faça a obra dum evangelizador, efetue plenamente o seu ministério’. Reconhecendo que a sua morte é iminente, Paulo exulta por ter travado a luta excelente, por ter corrido a carreira até o fim e observado a fé. Agora aguarda confiantemente a recompensa, “a coroa da justiça”. — 4:5, 8.

      9. Que confiança no poder do Senhor expressa Paulo?

      9 Paulo insta Timóteo a vir ter com ele prontamente e dá-lhe instruções sobre a viagem. Quando Paulo fez a sua primeira defesa, todos o abandonaram, mas o Senhor infundiu-lhe poder de modo que a pregação pudesse ser efetuada plenamente entre as nações. Sim, ele confia que o Senhor o livrará de toda obra iníqua e o salvará para o Seu Reino celestial.

      POR QUE É PROVEITOSO

      10. (a) Que proveito específico de “toda a Escritura” é frisado em Segunda Timóteo, e em que devem os cristãos empenhar-se? (b) Que influência deve ser evitada, e como pode isso ser feito? (c) Para o que continua a haver necessidade urgente?

      10 “Toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa.” Proveitosa para o quê? Paulo responde na sua segunda carta a Timóteo: “Para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça, a fim de que o homem de Deus seja plenamente competente, completamente equipado para toda boa obra.” (3:16, 17) Assim, salienta-se nesta carta o proveito de “ensinar”. Todos os amantes da justiça hoje desejarão seguir os sábios conselhos desta carta, fazendo empenho para se tornarem instrutores da Palavra e em fazer o máximo para serem obreiros aprovados de Deus, “manejando corretamente a palavra da verdade”. Como na Éfeso dos dias de Timóteo, também nesta era moderna, há os que se entregam a “questões tolas e ignorantes”, que estão “sempre aprendendo, contudo, nunca podendo chegar a um conhecimento exato da verdade”, e que rejeitam o “ensino salutar” em favor de instrutores que lhes fazem cócegas nos ouvidos, assim como egoistamente desejam. (2:15, 23; 3:7; 4:3, 4) Para evitar esta contaminadora influência mundana, é preciso ‘apegar-se ao modelo de palavras salutares’ em fé e em amor. Ademais, há a urgente necessidade de cada vez mais pessoas tornarem-se ‘adequadamente qualificadas para ensinar outros’, tanto dentro como fora da congregação, como fazia Timóteo, “o homem de Deus”. Felizes são todos os que assumem esta responsabilidade, tornando-se ‘qualificados para ensinar com brandura’, e que pregam a palavra “com toda a longanimidade e arte de ensino”! — 1:13; 2:2, 24, 25; 4:2.

      11. Que conselho se dá com respeito aos jovens?

      11 Como Paulo declarou, Timóteo conhecia os escritos sagrados “desde a infância” por causa da amorosa instrução de Lóide e Eunice. “Desde a infância” indica também o tempo de começar a dar instrução bíblica aos filhos hoje em dia. Mas, que dizer se, em anos posteriores, o fogo inicial do zelo começar a se extinguir? O conselho de Paulo é atiçar esse fogo outra vez no espírito de “poder, e de amor, e de bom juízo”, com fé sem hipocrisia. “Nos últimos dias”, disse ele, haverá tempos críticos, com problemas de delinqüência e falsos ensinamentos. É por isso que é tão necessário que especialmente os jovens, e todos os demais, ‘mantenham os seus sentidos em todas as coisas e efetuem plenamente o seu ministério’. — 3:15; 1:5-7; 3:1-5; 4:5.

      12. (a) De que modo chamou Paulo atenção ao Descendente do Reino, e que esperança expressa ele? (b) Como podem os servos de Deus hoje ter a mesma atitude mental que Paulo?

      12 Vale a pena lutar pelo prêmio. (2:3-7) Neste respeito, Paulo chama a atenção ao Descendente do Reino, dizendo: “Lembra-te de que Jesus Cristo foi levantado dentre os mortos e era do descendente de Davi, segundo as boas novas.” A esperança de Paulo era permanecer em união com esse Descendente. Mais adiante, ele fala de sua iminente execução com palavras de triunfo: “Doravante me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, o justo juiz, me dará como recompensa naquele dia, contudo, não somente a mim, mas também a todos os que amaram a sua manifestação.” (2:8; 4:8) Quão felizes são os que podem recordar muitos anos de serviço fiel e dizer o mesmo! Contudo, isto exige servir agora com integridade, com amor pela manifestação de Jesus Cristo, e demonstrando a mesma confiança de Paulo, quando escreveu: “O Senhor me livrará de toda obra iníqua e me salvará para o seu reino celestial. A ele seja a glória para todo o sempre. Amém.” — 4:18.

      [Nota(s) de rodapé]

      a The Complete Works of Tacitus, 1942, editado por Moses Hadas, páginas 380-1.

  • Livro bíblico número 56 — Tito
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 56 — Tito

      Escritor: Paulo

      Lugar da Escrita: Macedônia (?)

      Escrita Completada: c. 61-64 EC

      1. (a) Que tarefa foi confiada a Tito? (b) Em que ambiente surgiram as congregações em Creta, e o que tinham de fazer os cristãos em Creta?

      “PAULO, escravo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo . . . a Tito, filho genuíno segundo a fé partilhada em comum.” (Tito 1:1, 4) Assim começa a carta de Paulo a seu colaborador e companheiro de longa data, Tito, a quem ele deixara na ilha de Creta para organizar melhor as congregações. Tito tinha uma grande tarefa às mãos. Esta ilha, que se dizia ser a antiga morada do “pai dos deuses e dos homens”, era a origem do ditado, em inglês, “to Crete a Cretan”, que significa “lograr um velhaco”.a A falsidade de seu povo era proverbial, de modo que Paulo até mesmo citou o próprio profeta deles, como dizendo: “Os cretenses são sempre mentirosos, feras prejudiciais, glutões desempregados.” (1:12) Os cretenses dos dias de Paulo foram também assim descritos: “O caráter do povo era volúvel, insincero e briguento; eram dados à avareza, à licenciosidade, à falsidade e à bebedice, em grau pouco comum; e parece que os judeus que se estabeleceram entre eles ultrapassaram os nativos na imoralidade.”b Foi em tal ambiente que as congregações de Creta surgiram; assim, era especialmente necessário os crentes ‘repudiarem a impiedade e os desejos mundanos e viverem com bom juízo, justiça e devoção piedosa’, como Paulo exortara. — 2:12.

      2, 3. (a) Que associação teve Tito com Paulo? (b) De onde, provavelmente, escreveu Paulo a Tito, e com que objetivo?

      2 O livro de Tito em si pouco informa sobre a associação de Paulo e Tito. Das referências a Tito nas outras cartas de Paulo, porém, podem-se colher muitas informações. Tito, que era grego, acompanhou muitas vezes a Paulo e, pelo menos uma vez, foi com ele a Jerusalém. (Gál. 2:1-5) Paulo refere-se a ele como “parceiro meu e colaborador”. Foi a Tito que Paulo enviara a Corinto depois de ter escrito de Éfeso a sua primeira carta aos coríntios. Na sua estada em Corinto, Tito estava ligado à coleta que se fazia para os irmãos em Jerusalém, e, subseqüentemente, retornou a mando de Paulo para completar a coleta. Foi na viagem de retorno a Corinto, depois de seu encontro com Paulo em Macedônia, que Tito foi usado para levar a segunda carta de Paulo aos coríntios. — 2 Cor. 8:16-24; 2:13; 7:5-7.

      3 Depois de ter sido solto de sua primeira prisão em Roma, Paulo outra vez se associou com Timóteo e Tito durante os anos finais de seu ministério. Isto parece ter incluído o serviço em Creta, Grécia e Macedônia. Por fim, fala-se de Paulo ir a Nicópolis, no noroeste da Grécia, onde, pelo que parece, foi preso e levado a Roma para seu encarceramento final e execução. Foi durante a visita a Creta que Paulo deixara Tito ali para que ‘corrigisse as coisas defeituosas e fizesse designações de anciãos numa cidade após outra’, em harmonia com as instruções que dera a Tito. Parece que a carta de Paulo foi escrita pouco depois que ele deixou Tito em Creta, mui provavelmente de Macedônia. (Tito 1:5; 3:12; 1 Tim. 1:3; 2 Tim. 4:13, 20) Parece ter servido a um objetivo similar ao de Primeira Timóteo, a saber, incentivar o colaborador de Paulo e dar-lhe apoio abalizado em seus deveres.

      4. Quando é que a carta a Tito deve ter sido escrita, e qual é a evidência de sua autenticidade?

      4 Paulo deve ter escrito a carta entre seu primeiro e segundo encarceramento em Roma, ou por volta de 61 a 64 EC. O peso da evidência em favor da autenticidade da carta a Tito é o mesmo que o das cartas contemporâneas a Timóteo, os três livros bíblicos muitas vezes chamados de “cartas pastorais” de Paulo. O estilo de escrita é similar. Tanto Irineu como Orígenes citaram de Tito, e muitas outras antigas autoridades também atestam a canonicidade do livro. Encontra-se nos manuscritos Sinaítico e Alexandrino. Na Biblioteca John Rylands há um fragmento de papiro, P32, que é uma folha de códice de por volta do terceiro século EC, contendo Tito 1:11-15 e; 2:3-8.c Não há dúvida de que o livro é parte autêntica das Escrituras inspiradas.

      CONTEÚDO DE TITO

      5. (a) Que qualificações para superintendentes frisa Paulo, e por que é isto necessário? (b) Por que deve Tito repreender com severidade, e o que se diz sobre pessoas aviltadas?

      5 Os superintendentes devem exortar mediante ensino salutar (1:1-16). Depois de um afetuoso cumprimento, Paulo delineia as habilitações para superintendentes. Frisa-se que o superintendente precisa ser “livre de acusação”, amante da bondade, justo, leal, um homem ‘que se apega firmemente à palavra fiel com respeito à sua arte de ensino, para que possa tanto exortar pelo ensino que é salutar como repreender os que contradizem’. Isto é necessário em vista dos “enganadores da mente”, que subvertem até mesmo famílias inteiras visando ganho desonesto. Portanto, Tito tem de ‘persistir em repreendê-los com severidade, para que sejam sãos na fé, não prestando atenção a fábulas judaicas’. Pessoas aviltadas talvez declarem publicamente que conhecem a Deus, mas repudiam-no pelas suas obras de desobediência. — 1:6-10, 13, 14.

      6. Que conselho se dá sobre a conduta cristã?

      6 Vivendo com bom juízo, justiça e devoção piedosa (2:1-3:15). Os homens e mulheres idosos devem ser sérios e reverentes. As mulheres mais jovens devem amar a seu marido e filhos, e sujeitar-se a seu marido, “para que não se fale da palavra de Deus de modo ultrajante”. Os homens mais jovens devem ser exemplo de obras excelentes e palavras salutares. Os escravos em sujeição devem demonstrar “plenamente uma boa fidelidade”. A benignidade imerecida de Deus, que leva à salvação, tem sido manifestada, incentivando o bom juízo, a justiça e a devoção piedosa nos a quem Deus purificou mediante Cristo Jesus para serem “um povo peculiarmente seu, zeloso de obras excelentes”. — 2:5, 10, 14.

      7. O que salienta Paulo em conexão com a sujeição, salvação e obras excelentes?

      7 Paulo acentua a necessidade de sujeição e obediência aos governos e de ‘exibir toda a brandura para com todos os homens’. Paulo e seus concristãos eram outrora tão maus quanto os outros homens. Não devido a quaisquer obras próprias deles, mas por causa da benignidade, do amor e da misericórdia de Deus, eles foram salvos por meio do espírito santo e se tornaram herdeiros da esperança de vida eterna. Portanto, os que crêem em Deus devem ‘fixar as mentes em manter obras excelentes’. Devem evitar discussões tolas e contendas sobre a Lei, e, quanto ao homem que promove uma seita, devem rejeitá-lo depois de uma primeira e uma segunda admoestação. Paulo pede a Tito que vá ter com ele em Nicópolis e, depois de dar outras instruções missionárias, frisa outra vez a necessidade de obras excelentes, para que não se seja infrutífero. — 3:2, 7, 8.

      POR QUE É PROVEITOSO

      8. O que, nos conselhos de Paulo na carta a Tito, é ‘excelente e proveitoso’ para nós hoje, e por quê?

      8 Os cristãos cretenses viviam num ambiente de mentira, corrupção e avareza. Deviam simplesmente seguir a multidão? Ou deviam dar passos definidos para se separarem completamente a fim de servir como povo santificado a Jeová Deus? Dando a conhecer por meio de Tito que os cretenses devem “fixar as mentes em manter obras excelentes”, Paulo disse: “Estas coisas são excelentes e proveitosas para os homens.” É também ‘excelente e proveitoso’ hoje, num mundo que afundou no lamaçal da falsidade e das práticas desonestas, que os verdadeiros cristãos ‘aprendam a manter obras excelentes’, sendo frutíferos no serviço de Deus. (3:8, 14) Toda a condenação feita por Paulo da imoralidade e da iniqüidade que ameaçavam as congregações em Creta permanece como aviso para nós hoje, quando ‘a benignidade imerecida de Deus nos instrui a repudiar a impiedade e os desejos mundanos, e a viver com bom juízo, justiça e devoção piedosa no meio deste atual sistema de coisas’. Os cristãos devem também estar “prontos para toda boa obra” em demonstrar obediência aos governos, mantendo boa consciência. — 2:11, 12; 3:1.

      9. De que modo se salienta a importância do ensino correto, especialmente como responsabilidade de um superintendente?

      9 Tito 1:5-9 suplementa 1 Timóteo 3:2-7 em mostrar o que o espírito santo requer dos superintendentes. Isto salienta a necessidade de o superintendente ‘apegar-se firmemente à palavra fiel’ e ser instrutor na congregação. Quão necessário isto é em conduzir todos à madureza! De fato, esta necessidade de ensino correto é salientada diversas vezes na carta a Tito. Paulo admoesta Tito a ‘persistir em falar as coisas próprias para o ensino salutar’. As mulheres idosas devem ser “instrutoras do que é bom”, e os escravos devem ‘adornar o ensino de nosso Salvador, Deus, em todas as coisas’. (Tito 1:9; 2:1, 3, 10) Frisando a necessidade de Tito, como superintendente, ser firme e destemido no seu ensino, Paulo diz: “Persiste em falar destas coisas, e em exortar e repreender com plena autoridade para mandar.” E, no caso dos que desobedecem, ele diz: “Persiste em repreendê-los com severidade, para que sejam sãos na fé.” Assim, a carta de Paulo a Tito é especialmente “proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça”. — Tito 2:15; 1:13; 2 Tim. 3:16.

      10. Que incentivo nos dá a carta a Tito, e que feliz esperança estimula ela?

      10 A carta a Tito estimula o nosso apreço pela benignidade imerecida de Deus e incentiva-nos a nos desviarmos da impiedade do mundo, ‘ao passo que aguardamos a feliz esperança e a gloriosa manifestação do grande Deus e a de nosso Salvador, Cristo Jesus’. Assim fazendo, os que foram declarados justos por intermédio de Cristo Jesus podem tornar-se “herdeiros segundo uma esperança de vida eterna” no Reino de Deus. — Tito 2:13; 3:7.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Cyclopedia de McClintock e Strong, reimpressão de 1981, Vol. II, página 564; The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge, 1958, Vol. III, página 306.

      b Cyclopedia de McClintock e Strong, reimpressão de 1981, Vol. X, página 442.

      c The Text of the New Testament, de Kurt e Barbara Aland, traduzido por E. F. Rhodes, 1987, página 98.

  • Livro bíblico número 57 — Filêmon
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 57 — Filêmon

      Escritor: Paulo

      Lugar da Escrita: Roma

      Escrita Completada: c. 60-61 EC

      1. Quais são algumas das características da carta a Filêmon?

      ESTA mui jeitosa e amorosa carta de Paulo é de grande interesse para os cristãos hoje. Não é apenas a mais curta epístola preservada escrita pela mão do “apóstolo para as nações”, mas, em toda a Bíblia, apenas Segunda e Terceira João contêm menos matéria. Também, é a única carta “particular” de Paulo, no sentido de que não foi oficialmente dirigida a uma congregação ou a um superintendente responsável, mas sim a uma determinada pessoa e tratou unicamente do problema especial que Paulo queria considerar com esse irmão cristão, o aparentemente abastado Filêmon, que residia na cidade frígia de Colossos, bem no coração da Ásia Menor. — Rom. 11:13.

      2. Com que acontecimentos de fundo e com que objetivo foi escrita a carta a Filêmon?

      2 O objetivo da carta é claramente revelado: Durante a sua primeira prisão em Roma (59-61 EC), Paulo tinha grande liberdade de pregar o Reino de Deus. Entre os que ouviram a sua pregação achava-se Onésimo, um escravo fugitivo da casa de Filêmon, amigo de Paulo. Em resultado, Onésimo tornou-se cristão, e Paulo decidiu, com o consentimento de Onésimo, enviá-lo de volta a Filêmon. Foi nessa ocasião, também, que Paulo escreveu cartas às congregações em Éfeso e Colossos. Em ambas, deu bons conselhos a escravos cristãos e a donos de escravos sobre como proceder corretamente nessa relação. (Efé. 6:5-9; Col. 3:22-4:1) Mas, além disso, Paulo redigiu uma carta a Filêmon na qual apelou pessoalmente em favor de Onésimo. Foi uma carta escrita a próprio punho — algo incomum para Paulo. (Filêm. 19) Este toque pessoal contribuiu muito para dar peso à sua súplica.

      3. Qual é a data mais provável da escrita da carta a Filêmon, e como foi ela encaminhada?

      3 A carta foi mui provavelmente escrita por volta de 60-61 EC, visto que, com certeza, Paulo já pregara em Roma o tempo suficiente para fazer conversos. Também, visto que, no versículo 22, ele expressa esperança de ser libertado, podemos concluir que a carta foi escrita depois de ele já estar preso por algum tempo. Parece que estas três cartas, uma para Filêmon e aquelas para as congregações de Éfeso e Colossos, foram encaminhadas por meio de Tíquico e Onésimo. — Efé. 6:21, 22; Col. 4:7-9.

      4. O que prova a autoria e a autenticidade de Filêmon?

      4 Que Paulo foi o escritor de Filêmon torna-se evidente do primeiro versículo, onde ele é mencionado por nome. Foi reconhecido como tal por Orígenes e Tertuliano.a A autenticidade do livro é também corroborada por estar ele alistado, junto com outras epístolas de Paulo, no Fragmento Muratoriano, do segundo século EC.

      CONTEÚDO DE FILÊMON

      5. (a) Com que cumprimentos e elogios começa a carta? (b) O que informa Paulo a Filêmon sobre seu escravo Onésimo?

      5 Onésimo é enviado de volta a seu amo “como mais do que escravo” (Vv. 1-25). Paulo envia cordiais saudações a Filêmon, a Áfia, “nossa irmã”, a Arquipo, “nosso soldado companheiro”, e à congregação na casa de Filêmon. Elogia Filêmon (cujo nome significa “Amoroso”) pelo amor e fé que ele tem pelo Senhor Jesus e pelos santos. Notícias sobre o amor de Filêmon trouxeram a Paulo muita alegria e consolo. Paulo, idoso e prisioneiro, expressa-se então com grande franqueza a respeito de seu “filho” Onésimo, de quem se tornou “pai” enquanto estava em cadeias. Onésimo (cujo nome significa “Proveitoso”) era anteriormente inútil a Filêmon, mas agora é útil tanto a Filêmon como a Paulo. — Vv. 2, 10.

      6. Que tipo de tratamento recomenda Paulo para Onésimo, e com que raciocínio jeitoso?

      6 O apóstolo gostaria de reter Onésimo para que lhe ministrasse na prisão, mas não faria isso sem o consentimento de Filêmon. De modo que o envia de volta, “não mais como escravo, mas, como mais do que escravo, como irmão amado”. Paulo pede que Onésimo seja recebido bondosamente, da mesma forma como o próprio Paulo seria recebido. Se Onésimo prejudicou a Filêmon, seja isso debitado à conta de Paulo, pois, ele diz a Filêmon: “Tu me deves até mesmo a ti próprio.” (Vv. 16, 19) Paulo espera que seja libertado em breve e que possa visitar Filêmon, e conclui com cumprimentos.

      POR QUE É PROVEITOSO

      7. Quanto a Onésimo, como apegou-se Paulo à sua elevada chamada como apóstolo?

      7 Segundo demonstrado por esta carta, Paulo não pregava um “evangelho social”, tentando acabar com o existente sistema de coisas e suas instituições, como a escravidão. Ele não libertou arbitrariamente nem mesmo escravos cristãos, mas, em vez disso, ele enviou o escravo fugitivo Onésimo numa viagem de uns 1.400 quilômetros, de Roma a Colossos, diretamente a seu amo Filêmon. Paulo apegou-se assim à sua elevada chamada como apóstolo, aderindo estritamente à sua comissão divina de ‘pregar o reino de Deus e ensinar as coisas concernentes ao Senhor Jesus Cristo’. — Atos 28:31; Filêm. 8, 9.

      8. Que aplicação prática de princípios cristãos ilustra Filêmon?

      8 A carta a Filêmon é reveladora, mostrando o amor e a união que existiam entre os cristãos do primeiro século. Nela aprendemos que os cristãos primitivos tratavam-se de “irmão” e “irmã”. (Filêm. 2, 20) Além disso, revela para os cristãos de hoje a aplicação prática de princípios cristãos entre irmãos cristãos. Da parte de Paulo, encontramos a expressão do amor fraternal, do respeito pelas relações civis e da propriedade alheia, de tato eficaz e elogiável humildade. Em vez de tentar compelir Filêmon a perdoar Onésimo, com o peso de autoridade que tinha como um dos principais superintendentes na congregação cristã, Paulo humildemente apelou a Filêmon à base do amor cristão e de sua amizade pessoal. Os superintendentes hoje podem beneficiar-se da maneira jeitosa de Paulo abordar o assunto com Filêmon.

      9. Atendendo ao pedido de Paulo, que excelente precedente, de interesse para os cristãos hoje, estabeleceria Filêmon?

      9 Paulo obviamente esperava que Filêmon atendesse o seu pedido, e o acatamento da parte de Filêmon seria uma aplicação prática do que Jesus disse em Mateus 6:14 e do que Paulo disse em Efésios 4:32. Também hoje, pode-se esperar que os cristãos sejam da mesma forma bondosos e perdoadores para com um irmão transgressor. Se Filêmon podia perdoar um escravo que lhe pertencia, e com o direito legal de maltratá-lo como bem lhe aprouvesse, os cristãos hoje devem ser capazes de perdoar um irmão transgressor — uma tarefa muito menos difícil.

      10. De que modo é evidente a operação do espírito de Jeová na carta a Filêmon?

      10 A operação do espírito de Jeová é bem evidente nesta carta a Filêmon. Manifesta-se na maneira magistral de Paulo solucionar um problema mui melindroso. Evidencia-se na empatia, na terna afeição e na confiança num concristão, manifestadas por Paulo. Vê-se do fato de que a carta a Filêmon, como as demais Escrituras, ensina princípios cristãos, incentiva a união cristã e magnifica o amor e a fé que é abundante entre os “santos”, que esperam pelo Reino de Deus e em cuja conduta se reflete a benevolência de Jeová. — V. 5.

      [Nota(s) de rodapé]

      a The International Standard Bible Encyclopedia, editada por G. W. Bromiley, Vol. 3, 1986, página 831.

  • Livro bíblico número 58 — Hebreus
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 58 — Hebreus

      Escritor: Paulo

      Lugar da Escrita: Roma

      Escrita Completada: c. 61 EC

      1. Em harmonia com que comissão escreveu Paulo a carta aos hebreus?

      PAULO é mais conhecido como o apóstolo ‘para as nações’. Mas, será que seu ministério se limitava aos não-judeus? De modo algum! Pouco antes de Paulo ser batizado e comissionado para o seu trabalho, o Senhor Jesus disse a Ananias: “Este homem [Paulo] é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome às nações, bem como a reis e aos filhos de Israel.” (Atos 9:15; Gál. 2:8, 9) A escrita do livro de Hebreus deveras se harmonizava com a comissão de Paulo de levar o nome de Jesus aos filhos de Israel.

      2. Como se pode refutar os argumentos contra ser Paulo o escritor de Hebreus?

      2 Contudo, alguns críticos duvidam que Paulo tenha escrito Hebreus. Uma das objeções é que o nome de Paulo não aparece na carta. Mas isto realmente não é obstáculo, pois muitos outros livros canônicos deixam de mencionar o escritor, que não raro é identificado pela evidência interna. Ademais, alguns acham que Paulo talvez tenha omitido deliberadamente seu nome ao escrever aos cristãos hebreus na Judéia, visto que os judeus ali haviam transformado o nome dele em objeto de ódio. (Atos 21:28) Tampouco é a mudança de estilo com relação a outras epístolas suas uma objeção genuína contra a autoria de Paulo. Quer dirigindo-se a pagãos, a judeus, quer a cristãos, Paulo sempre mostrou sua habilidade de ‘tornar-se todas as coisas para pessoas de toda sorte’. Aqui a sua argumentação é apresentada aos judeus como vinda de um judeu, argumentos que eles podiam entender e avaliar plenamente. — 1 Cor. 9:22.

      3. Que evidência interna tanto apóia ser Paulo o escritor de Hebreus como indica que ele escreveu primariamente aos judeus?

      3 A evidência interna do livro é toda em apoio da autoria de Paulo. O escritor estava na Itália e era companheiro de Timóteo. Estes fatos ajustam-se a Paulo. (Heb. 13:23, 24) Outrossim, a doutrina é típica de Paulo, embora os argumentos sejam apresentados do ponto de vista judaico, destinando-se a atrair a congregação estritamente hebraica, à qual a carta foi dirigida. Sobre este ponto, o Commentary (Comentário) de Clarke, Volume 6, página 681, diz a respeito de Hebreus: “Que foi escrita para os judeus naturais, a estrutura inteira da epístola o prova. Se tivesse sido escrita para os gentios, nem sequer um dentre dez mil deles poderia compreender a argumentação, por não estarem familiarizados com o sistema judaico; o conhecimento do qual o escritor desta epístola em toda a parte supõe.” Isto ajuda a explicar a diferença de estilo, em comparação com as outras cartas de Paulo.

      4. Que evidência adicional há quanto a ser Paulo o escritor de Hebreus?

      4 O descobrimento do Papiro Chester Beatty N.º 2 (P46), por volta de 1930, forneceu evidência adicional da autoria de Paulo. Comentando sobre este códice em papiro, escrito apenas um século e meio depois da morte de Paulo, o eminente crítico de textos britânico, Sir Frederic Kenyon, disse: “Nota-se que Hebreus foi colocado logo depois de Romanos (uma colocação quase sem precedente), o que mostra que na data primitiva, quando este manuscrito foi escrito, não havia dúvida quanto à sua autoria paulina.”a Sobre esta mesma questão, a Cyclopedia de McClintock e Strong diz explicitamente: “Não há evidência substancial, externa ou interna, em favor de qualquer pretendente à autoria desta epístola exceto Paulo.”b

      5. De que modo o conteúdo de Hebreus prova ser ele inspirado?

      5 À parte do fato de os cristãos primitivos aceitarem o livro, o conteúdo de Hebreus prova que ele é ‘inspirado por Deus’. Continuamente dirige o leitor às profecias das Escrituras Hebraicas, fazendo numerosas referências aos escritos primitivos, mostrando como estes se cumpriram todos em Cristo Jesus. Só no primeiro capítulo, nada menos de sete citações das Escrituras Hebraicas são feitas ao se apresentar o ponto que o Filho é agora superior aos anjos. O livro magnifica constantemente a Palavra e o nome de Jeová, apontando para Jesus como Agente Principal da vida e ao Reino de Deus por meio de Cristo como a única esperança da humanidade.

      6. O que indica a evidência quanto ao lugar e o tempo da escrita de Hebreus?

      6 Quanto ao tempo da escrita, já se demonstrou que Paulo escreveu a carta enquanto se achava na Itália. Ao concluir a carta, ele diz: “Tomai nota de que o nosso irmão Timóteo foi livrado, sendo que vos verei junto com ele, se vier em breve.” (13:23) Isto parece indicar que Paulo aguardava pronto livramento da prisão e esperava acompanhar Timóteo, que também fora detido, mas já estava solto. Assim, o último ano do primeiro encarceramento de Paulo em Roma é a data sugerida da escrita, a saber, 61 EC.

      7. Com que tipo de oposição se confrontavam os cristãos judeus em Jerusalém, e de que necessitavam?

      7 Durante o tempo do fim do sistema de coisas judaico, abateu-se sobre os cristãos hebreus na Judéia, e em especial sobre os em Jerusalém, um período de prova crucial. Com o aumento e a difusão das boas novas, os judeus tornavam-se implacáveis e fanáticos ao extremo na sua oposição aos cristãos. Apenas poucos anos antes, o mero aparecimento de Paulo em Jerusalém causara um motim, os judeus religiosos gritando com plena voz: “Tira tal homem da terra, pois não é apto para viver!” Mais de 40 judeus uniram-se num juramento com maldição que não comeriam e nem beberiam até que o tivessem exterminado, e foi preciso grande escolta de tropas fortemente armadas para levá-lo de noite a Cesaréia. (Atos 22:22; 23:12-15, 23, 24) Neste clima de fanatismo religioso e ódio aos cristãos, a congregação tinha de viver, pregar e manter-se firme na fé. Tinham de ter conhecimento e entendimento sólidos sobre como Cristo cumprira a Lei, a fim de não retornarem ao judaísmo e à sua observância da Lei mosaica, com a oferta de sacrifícios de animais, tudo isso então não sendo nada mais do que um ritual vão.

      8. Por que era Paulo admiravelmente bem habilitado para escrever esta carta aos hebreus, e que série de argumentos apresenta ele?

      8 Ninguém melhor do que o apóstolo Paulo podia entender a pressão e a perseguição às quais os cristãos judeus estavam sendo submetidos. Ninguém estava mais bem habilitado para fornecer-lhes fortes argumentos e refutações da tradição judaica do que Paulo, um ex-fariseu. Recorrendo ao seu vasto conhecimento da Lei mosaica, que adquirira aos pés de Gamaliel, Paulo apresentou provas incontestáveis de que Cristo é o cumprimento da Lei, de suas ordenanças e de seus sacrifícios. Ele mostrou que estes agora haviam sido substituídos por realidades muito mais gloriosas, trazendo benefícios inestimavelmente maiores, sob um novo e melhor pacto. Sua mente vívida alinhou uma prova atrás de outra, numa série clara e convincente. O fim do pacto da Lei e a chegada do novo pacto, a superioridade do sacerdócio de Cristo sobre o sacerdócio arônico, o valor real do sacrifício de Cristo, em comparação com as ofertas de novilhos e bodes, a entrada de Cristo na própria presença de Jeová nos céus em vez de numa mera tenda terrestre — todos estes impressionantes ensinamentos novos, odiosos ao extremo para os judeus descrentes, foram aqui apresentados aos cristãos hebreus com tão abundante evidência das Escrituras Hebraicas que nenhum judeu razoável podia deixar de ficar convencido.

      9. Que poderosa arma se tornou a carta aos hebreus, e em que sentido era ela uma demonstração do amor de Paulo?

      9 Armados desta carta, os cristãos hebreus tinham uma nova e poderosa arma para calar os judeus perseguidores, bem como um persuasivo argumento com que convencer e converter os judeus honestos que buscavam a verdade de Deus. A carta mostra o profundo amor de Paulo pelos cristãos hebreus e seu ardente desejo de ajudá-los de modo prático, quando mais precisavam de ajuda.

      CONTEÚDO DE HEBREUS

      10. Que dizem as palavras iniciais de Hebreus com respeito à posição de Cristo?

      10 A enaltecida posição de Cristo (1:1–3:6). As palavras iniciais focalizam a atenção em Cristo: “Deus, que há muito, em muitas ocasiões e de muitos modos, falou aos nossos antepassados por intermédio dos profetas, no fim destes dias nos falou por intermédio dum Filho.” Este Filho é o Herdeiro designado de todas as coisas e o reflexo da glória de seu Pai. Tendo feito a purificação de nossos pecados, ele agora “assentou-se à direita da Majestade nas alturas”. (1:1-3) Paulo cita seguidos textos bíblicos para provar a superioridade de Jesus sobre os anjos.

      11. (a) Por que aconselha Paulo a prestar mais do que a costumeira atenção às coisas ouvidas? (b) Devido a suas experiências e sua posição enaltecida, que coisas é Jesus capaz de realizar?

      11 Paulo escreve que “é necessário prestarmos mais do que a costumeira atenção”. Por quê? Porque, argumenta ele, se houve severa retribuição pela desobediência à “palavra falada por intermédio de anjos, . . . como escaparemos nós, se tivermos negligenciado uma salvação de tal magnitude, sendo que começou a ser anunciada por intermédio do nosso Senhor?” Deus fez “o filho do homem” um pouco menor do que os anjos, mas agora observamos este Jesus “coroado de glória e de honra por ter sofrido a morte, para que, pela benignidade imerecida de Deus, provasse a morte por todo homem”. (2:1-3, 6, 9) Ao trazer muitos filhos a glória, Deus primeiro ‘aperfeiçoou por sofrimentos’ a este Agente Principal da salvação deles. É ele quem reduz a nada o Diabo e emancipa “todos os que pelo temor da morte estavam toda a sua vida sujeitos à escravidão”. Jesus torna-se assim “sumo sacerdote misericordioso e fiel”. E, de modo maravilhoso, visto que ele próprio sofreu sob prova, “pode vir em auxílio daqueles que estão sendo postos à prova”. (2:10, 15, 17, 18) Assim, Jesus é considerado digno de maior glória do que Moisés.

      12. Que proceder devem os cristãos evitar, se hão de entrar no descanso de Deus?

      12 Entrando no descanso de Deus mediante fé e obediência (3:7–4:13). Os cristãos, mais do que quaisquer outros, devem dar-se por avisados pelo exemplo de infidelidade dos israelitas, receando desenvolver “um coração iníquo, falto de fé, por se separar do Deus vivente”. (Heb. 3:12; Sal. 95:7-11) Devido à desobediência e falta de fé, os israelitas que saíram do Egito não entraram no descanso, ou sábado, de Deus, durante o qual ele tem cessado suas obras criativas com respeito à terra. Contudo, Paulo explica: “Resta um descanso sabático para o povo de Deus. Porque o homem que entrou no descanso de Deus descansou também das suas próprias obras, assim como Deus das suas.” O padrão de desobediência demonstrado por Israel deve ser evitado. “Porque a palavra de Deus é viva e exerce poder, e é mais afiada do que qualquer espada de dois gumes . . . e é capaz de discernir os pensamentos e as intenções do coração.” — Heb. 4:9, 10, 12.

      13. (a) Como é que Cristo se tornou “sacerdote para sempre”, responsável pela salvação eterna? (b) Por que Paulo insta os hebreus a avançar à madureza?

      13 Conceito maduro sobre a superioridade do sacerdócio de Cristo (4:14–7:28). Paulo insta os hebreus a se apegarem à confissão de Jesus, o grande Sumo Sacerdote que passou pelos céus, para que achem misericórdia. O Cristo não glorificou a si mesmo, mas foi o Pai quem disse: “Tu és sacerdote para sempre à maneira de Melquisedeque.” (Heb. 5:6; Sal. 110:4) Primeiro, Cristo foi aperfeiçoado para o cargo de sumo sacerdote por aprender obediência através do sofrimento, a fim de tornar-se responsável pela salvação eterna de todos os que o obedecem. Paulo tem “muito a dizer e difícil de explicar”, mas os hebreus ainda são criancinhas necessitando de leite, quando, efetivamente, deviam ser instrutores. “O alimento sólido . . . é para as pessoas maduras, para aqueles que pelo uso têm as suas faculdades perceptivas treinadas para distinguir tanto o certo como o errado.” O apóstolo insta-os a ‘avançar à madureza’. — Heb. 5:11, 14; 6:1.

      14. Como podem os crentes herdar a promessa, e como foi estabelecida a esperança deles?

      14 É impossível que os que chegaram a conhecer a palavra de Deus e se desviaram sejam revivificados para o arrependimento, “porque eles de novo pregam para si mesmos o Filho de Deus numa estaca e o expõem ao opróbrio público”. Apenas pela fé e paciência podem os crentes herdar a promessa feita a Abraão — promessa tornada segura e firme por duas coisas imutáveis: a palavra e o juramento de Deus. A esperança deles, que é “âncora para a alma, tanto segura como firme”, foi estabelecida por Jesus entrar até o “interior da cortina” como Precursor e Sumo Sacerdote à maneira de Melquisedeque. — 6:6, 19.

      15. O que indica que o sacerdócio de Jesus, sendo à maneira de Melquisedeque, seria superior ao de Levi?

      15 Este Melquisedeque era tanto “rei de Salém” como “sacerdote do Deus Altíssimo”. Até mesmo o chefe de família Abraão pagou-lhe dízimos e, por seu intermédio, também Levi, que ainda estava nos lombos de Abraão. A bênção de Melquisedeque sobre Abraão estendeu-se pois a Levi ainda por nascer, e isto indicou que o sacerdócio levítico era inferior ao de Melquisedeque. Ademais, se a perfeição viesse por meio do sacerdócio levítico de Arão, haveria necessidade de outro sacerdote “à maneira de Melquisedeque”? Outrossim, visto que há mudança de sacerdócio, “necessariamente há também mudança da lei”. — 7:1, 11, 12.

      16. Por que o sacerdócio de Jesus é superior ao sacerdócio sob a Lei?

      16 A Lei, de fato, não aperfeiçoou nada, mas mostrou ser fraca e ineficaz. Visto que continuavam a morrer, houve muitos sacerdotes, mas Jesus “por continuar vivo para sempre, tem o seu sacerdócio sem quaisquer sucessores. Por conseguinte, ele é também capaz de salvar completamente os que se aproximam de Deus por intermédio dele, porque está sempre vivo para interceder por eles”. Este Sumo Sacerdote, Jesus, é “leal, cândido, imaculado, separado dos pecadores”, ao passo que os sumos sacerdotes designados pela Lei são fracos, precisando primeiro oferecer sacrifícios pelos seus próprios pecados antes de poderem interceder pelos outros. Portanto, a palavra do próprio juramento de Deus “designa um Filho, que é aperfeiçoado para sempre”. — 7:24-26, 28.

      17. Em que é superior o novo pacto?

      17 A superioridade do novo pacto (8:1–10:31). Jesus é revelado como “mediador dum pacto correspondentemente melhor, que foi estabelecido legalmente em promessas melhores”. (8:6) Paulo cita por extenso Jeremias 31:31-34, mostrando que aqueles que estão no novo pacto têm as leis de Deus escritas em suas mentes e corações, que todos conhecerão a Jeová e que Jeová ‘de modo algum se lembrará mais dos seus pecados’. Este “novo pacto” tornou obsoleto o anterior (o pacto da Lei), que “está prestes a desaparecer”. — Heb. 8:12, 13.

      18. Que comparação faz Paulo com relação à questão de sacrifícios em conexão com os dois pactos?

      18 Paulo descreve os sacrifícios anuais na tenda do pacto anterior como sendo “exigências legais . . . impostas até o tempo designado para se endireitar as coisas”. Contudo, quando Cristo veio como Sumo Sacerdote, foi com o seu próprio sangue precioso, não com o de bodes e de novilhos. Ter Moisés aspergido o sangue de animais validara o pacto anterior e purificara a tenda típica, mas eram necessários sacrifícios melhores para as realidades celestiais relacionadas com o novo pacto. “Porque Cristo entrou, não num lugar santo feito por mãos, que é uma cópia da realidade, mas no próprio céu, para aparecer agora por nós perante a pessoa de Deus.” Cristo não precisa fazer sacrifícios anuais, como fazia o sumo sacerdote de Israel, pois “agora ele se manifestou uma vez para sempre, na terminação dos sistemas de coisas, para remover o pecado por intermédio do sacrifício de si mesmo”. — 9:10, 24, 26.

      19. (a) O que não pôde fazer a Lei, e por quê? (b) Qual é a vontade de Deus quanto à santificação?

      19 Em suma, Paulo diz que “visto que a Lei tem uma sombra das boas coisas vindouras”, os seus sacrifícios repetidos não puderam remover a “consciência de pecados”. Contudo, Jesus veio ao mundo para fazer a vontade de Deus. “Pela dita ‘vontade’”, diz Paulo, “temos sido santificados por intermédio da oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez para sempre”. Portanto, que os hebreus se apeguem à declaração pública de sua fé sem vacilar, e ‘considerem-se uns aos outros para se estimularem ao amor e a obras excelentes’, não deixando de se ajuntar. Se continuarem a pecar deliberadamente depois de receberem o conhecimento exato da verdade, “não há mais nenhum sacrifício pelos pecados”. — 10:1, 2, 10, 24, 26.

      20. (a) O que é fé? (b) Que vívidos quadros verbais da fé pinta Paulo?

      20 Explica-se e ilustra-se a fé (10:32–12:3). A seguir, Paulo diz aos hebreus: “Persisti em lembrar-vos dos dias anteriores, em que, depois de terdes sido esclarecidos, perseverastes em uma grande competição, debaixo de sofrimentos.” Que não lancem fora a sua franqueza no falar, que tem uma grande recompensa, mas que perseverem a fim de receberem o cumprimento da promessa e que ‘tenham fé para preservar viva a alma’! Fé! Sim, isto é o que é necessário. Primeiro, Paulo a define: “A fé é a expectativa certa de coisas esperadas, a demonstração evidente de realidades, embora não observadas.” Daí, num único inspirador capítulo, em rápida sucessão ele pinta vívidos quadros verbais de homens da antiguidade que viveram, trabalharam, lutaram, perseveraram e tornaram-se herdeiros da justiça por meio da fé. “Pela fé” Abraão, morando em tendas com Isaque e Jacó, aguardava “a cidade que tem verdadeiros alicerces”, cujo Construtor é Deus. “Pela fé” Moisés permaneceu constante “como que vendo Aquele que é invisível”. “Que mais hei de dizer?”, pergunta Paulo. “Pois o tempo me faltaria se prosseguisse relatando sobre Gideão, Baraque, Sansão, Jefté, Davi, bem como Samuel e os outros profetas, os quais, pela fé, derrotaram reinos, puseram em execução a justiça, obtiveram promessas.” Outros, também, foram provados mediante escárnios, açoites, grilhões e torturas, mas recusaram o livramento “a fim de que pudessem alcançar uma ressurreição melhor”. Realmente, “o mundo não era digno deles”. Todos estes receberam testemunho por intermédio de sua fé, mas ainda têm de receber o cumprimento da promessa. “Assim, pois”, continua Paulo, “visto que temos a rodear-nos uma tão grande nuvem de testemunhas, ponhamos também de lado todo peso e o pecado que facilmente nos enlaça, e corramos com perseverança a carreira que se nos apresenta, olhando atentamente para o Agente Principal e Aperfeiçoador da nossa fé, Jesus.” — 10:32, 39; 11:1, 8, 10, 27, 32, 33, 35, 38; 12:1, 2.

      21. (a) Como podem os cristãos perseverar na competição da fé? (b) Que motivo mais forte para se acatar o aviso divino apresenta Paulo?

      21 Perseverança na competição da fé (12:4-29). Paulo exorta os cristãos hebreus a perseverarem na competição da fé, pois Jeová os disciplina como a filhos. Agora é tempo de fortalecer as mãos e os joelhos enfraquecidos e de endireitar as veredas para seus pés. Devem guardar-se estritamente contra a penetração de qualquer raiz venenosa ou profanação que poderia causar a sua rejeição, como no caso de Esaú, que não tinha apreço pelas coisas sagradas. No monte literal, Moisés disse: “Estou atemorizado e tremendo”, por causa do atemorizante espetáculo do fogo chamejante, da nuvem e da voz. Mas eles haviam-se aproximado de algo muito mais assombroso — o Monte Sião e a Jerusalém celestial, miríades de anjos, a congregação dos Primogênitos, Deus, o Juiz de todos, e Jesus, o Mediador dum novo e melhor pacto. Há agora ainda mais motivo de se ouvir o aviso divino! Nos dias de Moisés, a voz de Deus fez tremer a terra, mas agora Ele prometeu pôr em comoção tanto o céu como a terra. Paulo chega ao ponto: “Em vista disso, sendo que havemos de receber um reino que não pode ser abalado, continuemos . . . a prestar a Deus um serviço sagrado aceitável, com temor piedoso e espanto reverente. Porque o nosso Deus é também um fogo consumidor.” — 12:21, 28, 29.

      22. Com que conselhos edificantes conclui Paulo a sua carta aos hebreus?

      22 Diversas exortações em questões de adoração (13:1-25). Paulo conclui em tom de conselhos edificantes: que continue o amor fraternal, não vos esqueçais da hospitalidade, o matrimônio seja honroso entre todos, estai livres do amor ao dinheiro, sede obedientes aos que tomam a dianteira entre vós e não vos deixeis levar por ensinos estranhos. Por fim, “por intermédio dele [Jesus], ofereçamos sempre a Deus um sacrifício de louvor, isto é, o fruto de lábios que fazem declaração pública do seu nome”. — 13:15.

      POR QUE É PROVEITOSO

      23. O que argumenta Paulo quanto à Lei, e como apóia ele seu argumento?

      23 Como argumento legal em apoio de Cristo, a carta aos hebreus é uma obra-prima incontestável, de elaboração perfeita e largamente documentada com provas das Escrituras Hebraicas. Considera os vários aspectos da Lei mosaica — o pacto, o sangue, o mediador, a tenda de adoração, o sacerdócio, as ofertas — e mostra que nada mais eram do que um padrão feito por Deus apontando para coisas muito maiores por vir, todos eles culminando em Cristo Jesus e seu sacrifício, o cumprimento da Lei. A Lei ‘que se torna obsoleta e fica velha está prestes a desaparecer’, disse Paulo. Mas “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e para sempre”. (8:13; 13:8; 10:1) Quão alegres devem ter-se sentido aqueles hebreus ao lerem a carta a eles endereçada!

      24. Que arranjo, de imensurável proveito para nós hoje, é explicado em Hebreus?

      24 Mas, de que valor é isto para nós hoje, em nossas circunstâncias diferentes? Visto que não estamos debaixo da Lei, podemos encontrar algo de proveitoso nos argumentos de Paulo? Certamente que sim. Esboça-se-nos aqui o grande arranjo do novo pacto baseado na promessa feita a Abraão de que por meio de seu Descendente todas as famílias da terra se abençoariam. Esta é a nossa esperança de vida, a nossa única esperança, o cumprimento da antiga promessa de Jeová de bênção por meio do Descendente de Abraão, Jesus Cristo. Embora não estejamos sob a Lei, nascemos no pecado como prole de Adão, e necessitamos de um sumo sacerdote misericordioso, que tenha uma oferta válida pelo pecado, que possa entrar na própria presença de Jeová, no céu, e ali interceder por nós. Eis que o encontramos, o Sumo Sacerdote que pode conduzir-nos à vida no novo mundo de Jeová, que pode compadecer-se das nossas fraquezas, tendo sido “provado em todos os sentidos como nós mesmos”, e que nos convida a ‘nos aproximarmos, com franqueza no falar, do trono de benignidade imerecida, para obtermos misericórdia e acharmos benignidade imerecida para ajuda no tempo certo’. — 4:15, 16.

      25. Que esclarecedoras aplicações das Escrituras Hebraicas faz Paulo?

      25 Além do mais, na carta de Paulo aos hebreus, encontramos evidência animadora de que as profecias registradas há muito nas Escrituras Hebraicas foram, mais tarde, cumpridas de modo maravilhoso. Tudo isso é para a nossa instrução e consolo hoje em dia. Por exemplo, em Hebreus, Paulo cinco vezes aplica as palavras da profecia do Reino, no Salmo 110:1, a Jesus Cristo como o Descendente do Reino, que “se tem assentado à direita do trono de Deus”, esperando “até que os seus inimigos sejam postos por escabelo dos seus pés”. (Heb. 12:2; 10:12, 13; 1:3, 13; 8:1) Outrossim, Paulo cita o Salmo 110:4 ao explicar o importante cargo ocupado pelo Filho de Deus como “sacerdote para sempre à maneira de Melquisedeque”. Como Melquisedeque da antiguidade, que no registro bíblico é “sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo nem princípio de dias nem fim de vida”, Jesus é tanto Rei como “sacerdote perpetuamente”, para administrar os benefícios eternos de seu sacrifício de resgate a todos os que obedientemente se colocam sob o seu domínio. (Heb. 5:6, 10; 6:20; 7:1-21) É a este mesmo Rei-Sacerdote que Paulo se refere ao citar o Salmo 45:6, 7: “Deus é o teu trono para todo o sempre, e o cetro do teu reino é o cetro da retidão. Amaste a justiça e odiaste o que é contra a lei. É por isso que Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de exultação mais do que a teus associados.” (Heb. 1:8, 9) Ao citar Paulo as Escrituras Hebraicas e mostrar o seu cumprimento em Cristo Jesus, vemos as partes do padrão divino encaixarem-se no seu devido lugar, para nosso esclarecimento.

      26. Que encorajamento dá Hebreus para correr a carreira com fé e perseverança?

      26 Como mostra claramente a carta aos hebreus, Abraão aguardava o Reino, “a cidade que tem verdadeiros alicerces, cujo construtor e fazedor é Deus” — a cidade “pertencente ao céu”. “Pela fé” ele procurou alcançar o Reino, e fez grandes sacrifícios, para que recebesse as bênçãos deste mediante “uma ressurreição melhor”. Que notável exemplo encontramos em Abraão e em todos os outros homens e mulheres de fé — a “tão grande nuvem de testemunhas”, que Paulo descreve no capítulo 11 de Hebreus! Ao lermos este registro, o nosso coração exulta e pula de alegria, em apreço do privilégio e da esperança que temos junto com tais fiéis pessoas de integridade. Somos, pois, encorajados a ‘correr com perseverança a carreira que se nos apresenta’. — 11:8, 10, 16, 35; 12:1.

      27. Que gloriosas perspectivas do Reino são destacadas em Hebreus?

      27 Citando da profecia de Ageu, Paulo traz à atenção a promessa de Deus: “Ainda mais uma vez porei em comoção não só a terra, mas também o céu.” (Heb. 12:26; Ageu 2:6) Contudo, o Reino de Deus por Cristo Jesus, o Descendente, permanecerá para sempre. “Em vista disso, sendo que havemos de receber um reino que não pode ser abalado, continuemos a ter benignidade imerecida, por intermédio da qual podemos prestar a Deus serviço sagrado aceitável, com temor piedoso e com espanto reverente.” Este registro animador nos assegura de que Cristo aparece uma segunda vez “à parte do pecado e para os que seriamente o procuram para a sua salvação”. Por meio dele, pois, “ofereçamos sempre a Deus um sacrifício de louvor, isto é, o fruto de lábios que fazem declaração pública do seu nome”. Que o grande nome de Jeová Deus seja para sempre santificado por meio do Rei-Sacerdote, Jesus Cristo! — Heb. 12:28; 9:28; 13:15.

      [Nota(s) de rodapé]

      a The Story of the Bible, 1964, página 91.

      b Reimpressão de 1981, Vol. IV, página 147.

  • Livro bíblico número 59 — Tiago
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 59 — Tiago

      Escritor: Tiago

      Lugar da Escrita: Jerusalém

      Escrita Completada: Antes de 62 EC

      1. O que suscita uma pergunta quanto a se Tiago realmente escreveu o livro que leva seu nome?

      “ELE perdeu o juízo.” Isto é o que os parentes de Jesus pensavam a seu respeito. Durante seu ministério terrestre, “seus irmãos, de fato, não estavam exercendo fé nele”, e Tiago, como também José, Simão e Judas, não estava entre os primeiros discípulos de Jesus. (Mar. 3:21; João 7:5; Mat. 13:55) Assim, em que base se pode dizer que Tiago, o meio-irmão de Jesus, escreveu o livro bíblico que leva o nome de Tiago?

      2. O que atesta que o meio-irmão de Jesus foi o escritor de Tiago?

      2 O registro mostra que o ressuscitado Jesus apareceu a Tiago, e isto, por certo, convenceu-o além de qualquer dúvida de que Jesus era o Messias. (1 Cor. 15:7) Atos 1:12-14 diz que mesmo antes de Pentecostes, Maria e os irmãos de Jesus se reuniam para oração com os apóstolos num sobrado em Jerusalém. Mas, não foi um dos apóstolos, chamado Tiago, quem escreveu esta carta? Não, pois já no início o escritor se identifica, não como apóstolo, mas como ‘escravo do Senhor Jesus Cristo’. Ademais, as palavras introdutórias de Judas, similares às de Tiago, mencionam Judas também como “escravo de Jesus Cristo, mas irmão de Tiago”. (Tia. 1:1; Judas 1) Disto podemos seguramente concluir que Tiago e Judas, meios-irmãos carnais de Jesus, escreveram os livros bíblicos que levam seus nomes.

      3. Quais eram as habilitações de Tiago para a escrita?

      3 Tiago era altamente qualificado para escrever uma carta de conselhos à congregação cristã. Era grandemente respeitado como superintendente na congregação de Jerusalém. Paulo fala de “Tiago, o irmão do Senhor”, como uma das “colunas” na congregação, junto com Cefas e João. (Gál. 1:19; 2:9) Que Tiago se destacava vê-se do fato de que Pedro, ao ser solto da prisão, imediatamente mandou avisar a “Tiago e aos irmãos”. E não foi Tiago quem agiu como porta-voz dos ‘apóstolos e dos anciãos’ quando Paulo e Barnabé viajaram a Jerusalém para pedir uma decisão a respeito da circuncisão? A propósito, tanto esta decisão como a carta de Tiago começam com uma saudação similar: “Cumprimentos!” — outra indicação de que tiveram um escritor comum. — Atos 12:17; 15:13, 22, 23; Tia. 1:1.

      4. O que indica que a carta de Tiago foi escrita pouco antes de 62 EC?

      4 O historiador Josefo nos diz que foi o sumo sacerdote Ananus (Ananias), um saduceu, o responsável pela morte de Tiago por apedrejamento. Isto foi depois da morte do governador romano Festo, por volta de 62 EC, e antes de seu sucessor, Albino, assumir o cargo.a Mas, quando escreveu Tiago a sua carta? Ele endereçou a sua carta de Jerusalém às “doze tribos que estão espalhadas”, literalmente, “os da dispersão”. (Tia. 1:1, nota) Teria exigido tempo para que o cristianismo se difundisse, depois do derramamento do espírito santo em 33 EC, e teria exigido tempo, também, para que as alarmantes condições mencionadas na carta se desenvolvessem. Ademais, a carta indica que os cristãos não mais eram pequenos grupos mas que estavam organizados em congregações com “anciãos” maduros que podiam orar pelos fracos e assisti-los. Também, havia passado suficiente tempo para que se infiltrasse certa medida de complacência e formalismo. (2:1-4; 4:1-3; 5:14; 1:26, 27) É mais provável, pois, que Tiago tenha escrito sua carta numa data tardia, talvez pouco antes de 62 EC, se o relato de Josefo sobre os eventos ligados à morte de Festo e as fontes que dão a morte de Festo como tendo ocorrido por volta de 62 EC forem corretos.

      5. Que prova há da autenticidade de Tiago?

      5 Quanto à autenticidade de Tiago, o livro encontra-se nos manuscritos Vaticano N.º 1209, Sinaítico e Alexandrino. Figura em pelo menos dez catálogos antigos, anteriores ao Concílio de Cartago, em 397 EC.b Foi amplamente citado por primitivos escritores eclesiásticos. A profunda harmonia interna com o restante das Escrituras inspiradas é muito evidente nos escritos de Tiago.

      6. (a) Que circunstâncias exigiram que Tiago escrevesse a sua carta? (b) Em vez de contradizer, de que modo Tiago suplementa os argumentos de Paulo sobre a fé?

      6 Por que escreveu Tiago esta carta? Um exame cuidadoso da carta revela que havia condições internas que causavam dificuldades entre os irmãos. As normas cristãs estavam sendo rebaixadas, sim, até mesmo desconsideradas a ponto de alguns terem-se tornado adúlteros espirituais com respeito à amizade com o mundo. Ávidos de inventar supostas contradições, alguns têm afirmado que a carta de Tiago, que incentiva a fé por meio de obras, anula os escritos de Paulo a respeito da salvação pela fé, e não por meio de obras. Contudo, o contexto revela que Tiago refere-se à fé apoiada por obras, não apenas palavras, ao passo que Paulo refere-se claramente às obras da Lei. Realmente, Tiago suplementa os argumentos de Paulo, indo um passo além por definir como a fé se manifesta. Os conselhos de Tiago são muitíssimo práticos na sua cobertura dos problemas cotidianos do cristão.

      7. De que modo Tiago imita os métodos de ensino de Jesus, e com que efeito?

      7 Ilustrações da vida diária, incluindo animais, barcos, lavradores e vegetação, dão um vívido apoio aos argumentos de Tiago sobre fé, paciência e perseverança. Ter ele imitado os bem-sucedidos métodos de ensino de Jesus tornam seus conselhos sumamente poderosos. Esta carta faz a pessoa ficar impressionada com o profundo discernimento de Tiago sobre as motivações que impelem os indivíduos.

      CONTEÚDO DE TIAGO

      8. O que resultará da perseverança paciente, mas o que do desejo errado?

      8 Perseverança paciente quais “cumpridores da palavra” (1:1-27). Tiago inicia com palavras de encorajamento: “Considerai tudo com alegria, meus irmãos, ao enfrentardes diversas provações.” Mediante perseverança paciente, eles virão a ser completos. Se a pessoa tiver falta de sabedoria, deve persistir em pedi-la a Deus, não duvidando, como uma onda do mar levada pelo vento, mas com fé. Os humildes serão enaltecidos, mas os ricos desvanecer-se-ão como a flor que perece. Feliz o homem que suporta a provação, pois “receberá a coroa da vida, que Jeová prometeu aos que continuarem a amá-lo”. Deus não tenta o homem com coisas más, para causar-lhe a queda. É o próprio desejo errado da pessoa que se torna fértil e dá à luz o pecado, e este, por sua vez, produz a morte. — 1:2, 12, 22.

      9. O que está envolvido em ser “cumpridores da palavra”, e que forma de adoração é aprovada por Deus?

      9 Donde vêm todas as boas dádivas? Do invariável “Pai das luzes celestiais”. “Porque ele o quis”, diz Tiago, “ele nos produziu pela palavra da verdade, para que fôssemos certas primícias das suas criaturas”. Os cristãos, pois, devem ser rápidos no ouvir, vagarosos no falar, vagarosos no furor, e devem afastar toda a imundície e maldade moral e aceitar a implantação da palavra de salvação. “Tornai-vos cumpridores da palavra e não apenas ouvintes.” Pois aquele que olha de perto para a lei da liberdade, semelhante a um espelho, e persiste nisso, “será feliz em fazê-la”. A adoração formal do homem que não refreia a sua língua é fútil, mas “a forma de adoração que é pura e imaculada do ponto de vista de nosso Deus e Pai é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas na sua tribulação, e manter-se sem mancha do mundo”. — 1:17, 18, 22, 25, 27.

      10. (a) Que distinções devem ser evitadas? (b) Que relação há entre as obras e a fé?

      10 A fé aperfeiçoada por obras corretas (2:1-26). Os irmãos fazem distinção, preferindo os ricos aos pobres. Mas, “não escolheu Deus os que são pobres com respeito ao mundo, para serem ricos na fé e herdeiros do reino”? Não são opressores os ricos? Os irmãos devem aplicar a lei régia: “Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo”, e devem evitar o favoritismo. Que pratiquem também a misericórdia, pois, quanto à Lei, quem transgride num só ponto, transgride em todos. A fé sem obras é sem significado, como o é dizer a um irmão ou irmã em necessidade: ‘Mantenha-se aquecido e bem alimentado’, sem dar ajuda prática. Pode a fé ser mostrada à parte de obras? Não foi a fé de Abraão aperfeiçoada por meio de suas obras, em oferecer Isaque no altar? Similarmente, Raabe, a meretriz, foi “declarada justa pelas obras”. Assim, a fé sem obras é morta. — 2:5, 8, 16, 19, 25.

      11. (a) Pelo uso de que ilustrações avisa Tiago concernente à língua? (b) Como se deve demonstrar sabedoria e entendimento?

      11 Controlando a língua para ensinar sabedoria (3:1-18). Os irmãos devem acautelar-se quanto a tornar-se instrutores, temendo receber julgamento mais pesado. Todos tropeçam muitas vezes. Assim como o freio controla o cavalo e um pequeno leme um grande barco, aquele pequenino membro, a língua, tem grande poder. É como um fogo que pode incendiar uma grande floresta! É mais fácil domar animais selvagens do que a língua. Com ela os homens bendizem a Jeová, todavia, amaldiçoam seu próximo. Isto não é correto. Será que uma fonte produz tanto água amarga como doce? Pode a figueira produzir azeitonas? A videira, figos? A água salgada, água doce? Tiago pergunta: “Quem é sábio e entendido entre vós?” Mostre ele suas obras com mansidão e evite a contenda, a jactância animalesca contra a verdade. Pois “a sabedoria de cima é primeiramente casta, depois pacífica, razoável, pronta para obedecer, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, sem hipocrisia”. — 3:13, 17.

      12. (a) Que condições erradas existem na congregação, e qual é a sua fonte? (b) Que atitude deve ser evitada, e que qualidade deve ser cultivada para se ganhar a aprovação de Jeová?

      12 Evitem o prazer sensual, a amizade com o mundo (4:1-17). “Donde vêm as lutas entre vós?” Tiago responde à sua própria pergunta: “Dos vossos desejos ardentes de prazer sensual”! As motivações de alguns são erradas. Os que desejam ser amigos do mundo são “adúlteras”, e tornam-se inimigos de Deus. Portanto, ele exorta: “Oponde-vos ao Diabo, e ele fugirá de vós. Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós.” Jeová enaltecerá o humilde. Portanto, os irmãos devem parar de julgar uns aos outros. E, visto que ninguém pode ter certeza de que estará vivo no dia de amanhã, devem dizer: “Se Jeová quiser, havemos de viver e também de fazer isso ou aquilo.” O orgulho é iníquo, e é pecado saber o que é correto e não fazê-lo. — 4:1, 4, 7, 8, 15.

      13. (a) Por que se diz ai dos ricos? (b) Como ilustra Tiago a necessidade de paciência e de perseverança, e com que resultados?

      13 Felizes os que perseveram em justiça! (5:1-20). ‘Chorai e uivai, vós, ricos!’, declara Tiago. ‘A ferrugem de vossa riqueza será testemunho contra vós. Jeová dos exércitos ouviu os clamores de ajuda dos ceifeiros a quem privastes. Vivestes em luxo e prazer sensual, e condenastes e assassinastes o justo.’ Contudo, devido à iminência da presença do Senhor, os irmãos devem exercer paciência, como o lavrador que espera pela colheita, e considerar o exemplo dos profetas, “que falaram em nome de Jeová”. Felizes são os que perseveraram! Os irmãos devem lembrar-se da perseverança de Jó e o resultado que Jeová deu, “que Jeová é mui terno em afeição e é misericordioso”. — 5:1-6, 10, 11.

      14. Que conselho final se dá sobre confessar pecados e sobre oração?

      14 Que parem de jurar! Antes, que o seu “sim” signifique “sim” e o “não”, “não”. Devem confessar abertamente os seus pecados e orar uns pelos outros. Segundo demonstrado pelas orações de Elias, “a súplica do justo . . . tem muita força”. Se alguém for desencaminhado da verdade, aquele que o fizer voltar “salvará a sua alma da morte e cobrirá uma multidão de pecados”. — 5:12, 16, 20.

      POR QUE É PROVEITOSO

      15. Que aplicação faz Tiago das Escrituras Hebraicas? Ilustre.

      15 Embora Tiago mencione apenas duas vezes o nome de Jesus (1:1; 2:1), ele faz muitas aplicações práticas dos ensinamentos do Amo, segundo revela uma cuidadosa comparação entre a carta de Tiago e o Sermão do Monte. Ao mesmo tempo, o nome de Jeová aparece 13 vezes (Tradução do Novo Mundo), e as Suas promessas são salientadas como recompensas para os cristãos que conservam a fé. (4:10; 5:11) Tiago recorre repetidas vezes às Escrituras Hebraicas em busca de ilustrações e citações adequadas a fim de desenvolver seus conselhos práticos. Ele identifica a fonte usando expressões como “segundo a escritura”, “cumpriu-se a escritura” e “a escritura diz”; e daí aplica esses trechos das Escrituras ao modo de vida cristão. (2:8, 23; 4:5) Ao dar conselhos específicos e edificar fé na Palavra de Deus como um todo harmonioso, Tiago faz apropriadas referências às obras de fé de Abraão, à demonstração de fé de Raabe, por meio de obras, à fiel perseverança de Jó e à confiança de Elias na oração. — Tia. 2:21-25; 5:11, 17, 18; Gên. 22:9-12; Jos. 2:1-21; Jó 1:20-22; 42:10; 1 Reis 17:1; 18:41-45.

      16. Que conselhos e avisos dá Tiago, e de que fonte vem tal sabedoria prática?

      16 É inestimável o conselho de Tiago sobre sermos cumpridores da palavra e não apenas ouvintes, sobre continuarmos a provar a fé mediante as obras de justiça, sobre termos alegria em suportar diversas provações, sobre persistirmos em pedir sabedoria a Deus, achegando-nos sempre a ele em oração e praticando a lei régia: “Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.” (Tia. 1:22; 2:24; 1:2, 5; 4:8; 5:13-18; 2:8) São fortes os avisos contra ensinar o erro, usar injuriosamente a língua, fazer distinção de classe na congregação, ansiar o prazer sensual e confiar nas riquezas corruptíveis. (3:1, 8; 2:4; 4:3; 5:1, 5) Tiago deixa bem claro que a amizade com o mundo representa adultério espiritual e inimizade com Deus, e dá a definição da forma prática da adoração que é pura aos olhos de Deus: “Cuidar dos órfãos e das viúvas na sua tribulação, e manter-se sem mancha do mundo.” (4:4; 1:27) Todos estes conselhos, tão práticos e fáceis de entender, é justamente o que se esperaria dessa ‘coluna’ da primitiva congregação cristã. (Gál. 2:9) A sua mensagem bondosa continua como marco indicador para os cristãos em nossos tempos atribulados, pois é “sabedoria de cima”, que produz “o fruto da justiça”. — 3:17, 18.

      17. Que forte motivo se apresenta para perseverar em obras fiéis?

      17 Tiago estava ansioso por ajudar seus irmãos a alcançar o seu alvo de vida no Reino de Deus. Assim, insta com eles: “Vós também exercei paciência; firmai os vossos corações, porque se tem aproximado a presença do Senhor.” Serão felizes se continuarem a suportar a provação, porque a aprovação de Deus significa receberem “a coroa da vida, que Jeová prometeu aos que continuarem a amá-lo”. (5:8; 1:12) De modo que a promessa de Deus, da coroa da vida — seja a vida imortal no céu, seja a vida eterna na terra — é acentuada como forte motivo para perseverar em obras fiéis. Por certo, esta maravilhosa carta encorajará a todos a se empenharem pelo alvo de vida eterna, quer no céu, quer no novo mundo de Jeová, governado pela Semente do Reino, nosso Senhor Jesus Cristo. — 2:5.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Jewish Antiquities, XX, 197-200 (ix, 1); Webster’s New Biographical Dictionary, 1983, página 350.

      b Veja tabela, página 303.

  • Livro bíblico número 60 — 1 Pedro
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 60 — 1 Pedro

      Escritor: Pedro

      Lugar da Escrita: Babilônia

      Escrita Completada: c. 62-64 EC

      1. Por que haviam os cristãos de sofrer provações, e por que foi oportuna a primeira carta de Pedro?

      À MEDIDA que os cristãos primitivos divulgavam as excelências de Deus, a obra do Reino prosperava e aumentava em todo o Império Romano. Contudo, surgiram alguns mal-entendidos a respeito desse grupo zeloso. Por um lado, sua religião originara-se de Jerusalém e dentre os judeus, e alguns os confundiam com os judeus fanáticos de mentalidade política, que se agastavam com o jugo romano e eram uma constante fonte de dificuldades para governadores locais. Ademais, os cristãos eram diferentes no sentido de que se recusavam a oferecer sacrifícios ao imperador ou a participar nas cerimônias religiosas pagãs da época. Falava-se mal deles e tinham de suportar muitas tribulações por causa da fé. No tempo certo, e com previsão que denotava inspiração divina, Pedro escreveu sua primeira carta, encorajando os cristãos a permanecerem firmes e aconselhando-os sobre como se conduzirem sob Nero, o César daquele tempo. Esta carta mostrou ser muitíssimo oportuna em vista da tempestade de perseguição que se abateu quase imediatamente depois.

      2. Qual é a prova de que Pedro foi o escritor da carta que leva seu nome, e a quem foi ela dirigida?

      2 Ter sido Pedro o escritor fica estabelecido nas palavras iniciais. Ademais, Irineu, Clemente de Alexandria, Orígenes e Tertuliano citam da carta, mencionando Pedro como seu escritor.a A autenticidade de Primeira Pedro acha-se tão bem atestada como quaisquer outras das cartas inspiradas. Eusébio nos diz que os anciãos da igreja usavam amplamente a carta; na sua época, (c. 260-c. 340 EC) não havia dúvida quanto à sua autenticidade. Inácio, Hermas e Barnabé, de princípios do segundo século, fizeram referências a ela.b Primeira Pedro está em plena harmonia com o restante das Escrituras inspiradas e apresenta uma poderosa mensagem para os cristãos judeus e não-judeus que moravam como “residentes temporários espalhados por Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia” — regiões da Ásia Menor. — 1 Ped. 1:1.

      3. Que evidência há quanto à época da escrita de Primeira Pedro?

      3 Quando foi escrita a carta? O seu teor indica que os cristãos sofriam provações, quer da parte de pagãos, quer dos judeus não-convertidos, mas que a campanha de perseguição de Nero, desencadeada em 64 EC, ainda não havia começado. É evidente que Pedro escreveu a carta pouco antes disso, provavelmente entre 62 e 64 EC. Estar Marcos ainda com Pedro fortalece esta conclusão. Durante o primeiro encarceramento de Paulo em Roma (c. 59-61 EC), Marcos estava com Paulo, mas em vias de viajar para a Ásia Menor; e na época do segundo encarceramento de Paulo (c. 65 EC), Marcos estava para juntar-se novamente a Paulo em Roma. (1 Ped. 5:13; Col. 4:10; 2 Tim. 4:11) No ínterim, ele teria tido oportunidade de estar com Pedro em Babilônia.

      4, 5. (a) O que desmente a afirmação de que Pedro escreveu sua primeira carta de Roma? (b) Que indicações há de que ele escreveu da Babilônia literal?

      4 Onde foi escrita Primeira Pedro? Embora os comentaristas bíblicos concordem sobre a autenticidade, a canonicidade, a autoria e a data aproximada da escrita, eles divergem quanto ao lugar da escrita. Segundo o testemunho do próprio Pedro, ele escreveu sua primeira carta enquanto estava em Babilônia. (1 Ped. 5:13) Mas alguns afirmam que ele escreveu de Roma, dizendo que “Babilônia” era um nome críptico para Roma. A evidência, contudo, não apóia tal conceito. Em parte alguma a Bíblia indica que Babilônia especificamente se referisse a Roma. Visto que Pedro dirigiu a sua carta aos nos literais Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, segue-se logicamente que sua referência a Babilônia era ao lugar literal que tinha este nome. (1:1) Havia bons motivos para Pedro estar em Babilônia. Ele fora incumbido de levar ‘as boas novas aos circuncisos’, e havia uma grande população judia na antiga cidade de Babilônia e nas proximidades. (Gál. 2:7-9) A Encyclopaedia Judaica, ao considerar a produção do Talmude babilônico, refere-se às “grandes academias [do judaísmo] de Babilônia” durante a Era Comum.c

      5 As Escrituras inspiradas, incluindo as duas cartas escritas por Pedro, não mencionam ter ele ido a Roma. Paulo fala de estar em Roma, mas nunca se refere a Pedro como estando ali. Embora Paulo mencione 35 nomes em sua carta aos romanos e envie cumprimentos por nome a 26, por que não menciona Pedro? Simplesmente porque Pedro não estava lá naquela ocasião! (Rom. 16:3-15) A “Babilônia” de onde Pedro escreveu sua primeira carta era evidentemente a Babilônia literal às margens do rio Eufrates, na Mesopotâmia.

      CONTEÚDO DE PRIMEIRA PEDRO

      6. Sobre que esperança escreve Pedro, e em que base é possível o “novo nascimento” para esta esperança?

      6 O novo nascimento para uma esperança viva por intermédio de Cristo (1:1-25). Logo de início, Pedro dirige a atenção de seus leitores ao “novo nascimento para uma esperança viva” e a esperança imarcescível reservada para eles nos céus. Isto é segundo a misericórdia de Deus mediante a ressurreição de Jesus Cristo. Por conseguinte, os “escolhidos” se regozijam grandemente, embora contristados por várias provações, a fim de que a qualidade provada de sua fé “seja achada causa para louvor, e glória, e honra, na revelação de Jesus Cristo”. Os profetas da antiguidade, e até mesmo anjos, investigaram a respeito desta salvação. Assim, os escolhidos devem avigorar as suas mentes para atividades e fixar a sua esperança nessa benignidade imerecida, tornando-se santos em toda a sua conduta. Não é isso apropriado, em vista de terem sido livrados, não com coisas corruptíveis, mas “com sangue precioso, como o de um cordeiro sem mácula nem mancha, sim, o de Cristo”? Seu “novo nascimento” é por intermédio da palavra do Deus vivente e permanecente, Jeová, que permanece para sempre, o que lhes foi declarado como boas novas. — 1:1, 3, 7, 19, 23.

      7. (a) Como são edificados os cristãos, e com que objetivo? (b) Quais residentes temporários, como devem eles se comportar?

      7 Mantendo conduta excelente entre as nações (2:1–3:22). Quais pedras viventes, os cristãos são edificados como casa espiritual, oferecendo sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo, a pedra angular de alicerce, que se tornou a pedra de tropeço para os desobedientes. Os que exercem fé tornaram-se ‘um sacerdócio real, uma nação santa, para divulgarem as excelências daquele que os chamara da escuridão para a sua maravilhosa luz’. Como residentes temporários entre as nações, que se abstenham dos desejos carnais e mantenham uma conduta excelente. Sujeitem-se a “toda criação humana”, quer a um rei, quer a seus governadores. Sim, ‘honrem a homens de toda sorte, tenham amor à associação inteira dos irmãos, tenham temor de Deus, dêem honra ao rei’. Da mesma forma, estejam os servos em sujeição a seus donos, com boa consciência, suportando o sofrimento injusto. Até mesmo Cristo, embora sem pecado, sujeitou-se ao insulto e ao sofrimento, deixando “um modelo” para se seguir de perto os seus passos. — 2:9, 13, 17, 21.

      8. (a) Que sadia admoestação se dá a esposas e a maridos? (b) O que é necessário para que alguém venha a ter uma boa consciência perante Deus?

      8 A sujeição aplica-se também às esposas, que, por meio de conduta casta junto com profundo respeito, podem até mesmo ganhar sem palavras o marido descrente. A sua preocupação não deve ser o adorno externo. Deve ser como no caso da obediente Sara, “a pessoa secreta do coração, na vestimenta incorruptível dum espírito quieto e brando, que é de grande valor aos olhos de Deus”. Os maridos devem honrar as suas esposas como a um “vaso mais fraco” e como “herdeiros com elas do favor imerecido da vida”. Todos os cristãos devem mostrar amor fraternal. “Aquele que amar a vida . . . , desvie-se ele do que é mau e faça o que é bom; busque a paz e empenhe-se por ela. Porque os olhos de Jeová estão sobre os justos.” Em vez de temer a homens, devem sempre estar prontos para fazer uma defesa de sua esperança. É melhor sofrer por fazer o bem, se esta for a vontade de Deus, do que por fazer o mal. “Ora, até mesmo Cristo morreu uma vez para sempre quanto aos pecados, um justo pelos injustos, a fim de conduzir-vos a Deus, sendo morto na carne, mas vivificado no espírito.” A fé de Noé, expressa na construção da arca, resultou na preservação de si mesmo e de sua família. De modo correspondente, os que, à base da fé no ressuscitado Cristo, dedicam-se a Deus, são batizados em símbolo desta fé e continuam a fazer a vontade de Deus, são salvos, e Deus concede-lhes uma boa consciência. — 3:4, 7, 10-12, 18.

      9. Que disposição mental devem ter os cristãos? Apesar de quê?

      9 Alegrando-se em fazer a vontade de Deus como cristão, apesar de sofrimentos (4:1–5:14). Os cristãos devem ter a mesma disposição mental de Cristo, vivendo apenas para fazer a vontade de Deus e não mais a das nações, embora as nações falem deles de modo ultrajante por não continuarem a correr com eles “para o mesmo antro vil de devassidão”. Visto que se aproximou o fim de todas as coisas, eles devem ser ajuizados, voltados para as orações, e ter intenso amor uns pelos outros, fazendo todas as coisas de modo que Deus seja glorificado. Ao surgirem tribulações entre eles, não devem ficar intrigados, mas sim regozijar-se como participantes dos sofrimentos do Cristo. Contudo, que ninguém sofra como malfeitor. Visto que o julgamento começa na casa de Deus, que “os que estão sofrendo em harmonia com a vontade de Deus persistam em recomendar as suas almas a um Criador fiel, enquanto estão fazendo o bem”. — 4:4, 19.

      10. Que conselho se dá a anciãos e a homens mais jovens, e com que poderosa garantia termina Primeira Pedro?

      10 Os anciãos devem pastorear o rebanho de Deus espontaneamente, sim, com anelo. Serem eles exemplos para o rebanho lhes assegurará a coroa imarcescível de glória na manifestação do Pastor Principal. Que os homens mais jovens estejam em sujeição aos de mais idade, tendo todos humildade mental, “porque Deus se opõe aos soberbos, mas dá benignidade imerecida aos humildes”. Sejam eles sólidos na fé e vigilantes sobre aquele “leão que ruge”, o Diabo. Novamente, soam poderosas palavras de reafirmação, ao concluir Pedro a sua exortação: “Porém, depois de terdes sofrido por um pouco, o próprio Deus de toda a benignidade imerecida, que vos chamou à sua eterna glória em união com Cristo, completará o vosso treinamento; ele vos fará firmes, ele vos fará fortes. Dele seja o poderio para sempre. Amém.” — 5:5, 8, 10, 11.

      POR QUE É PROVEITOSO

      11. De que modo Pedro segue os conselhos de Jesus e de Paulo ao aconselhar superintendentes?

      11 A primeira carta de Pedro contém conselhos idôneos para superintendentes. Seguindo o conselho do próprio Jesus, em João 21:15-17, e o de Paulo, em Atos 20:25-35, Pedro mostra outra vez que a obra do superintendente é uma obra de pastorear, que deve ser feita de modo altruísta, voluntário e com anelo. O superintendente é subpastor, servindo em sujeição ao “pastor principal”, Jesus Cristo, e é responsável a ele pelo rebanho de Deus, de cujos interesses deve cuidar como exemplo e com toda humildade. — 5:2-4.

      12. (a) Que sujeição relativa deve-se prestar a governantes e a amos? (b) O que admoesta Pedro quanto à submissão da esposa e quanto à chefia do marido? (c) Que qualidade cristã é enfatizada em toda a carta?

      12 Muitos outros aspectos da sujeição cristã são abordados na carta de Pedro, e dão-se conselhos excelentes. Em 1 Pedro 2:13-17, aconselha-se a devida sujeição a governantes, como reis e governadores. Contudo, tem de ser uma sujeição relativa, sendo pela causa do Senhor e acompanhada de “temor de Deus”, de quem os cristãos são escravos. Os servos domésticos são exortados a sujeitar-se a seus amos, e a suportar o sofrimento, se este for “por causa da consciência para com Deus”. Às esposas também se dá inestimável admoestação quanto à sujeição aos maridos, incluindo os descrentes, sendo demonstrado que a conduta casta e respeitosa delas é “de grande valor aos olhos de Deus”, e pode até mesmo ganhar seus maridos para a verdade. Para frisar o ponto, Pedro usa a ilustração da fiel submissão de Sara a Abraão. (1 Ped. 2:17-20; 3:1-6; Gên. 18:12) Os maridos, por sua vez, devem exercer a chefia com a devida consideração para com o “vaso mais fraco”. Ainda sobre este tópico, Pedro exorta: “Igualmente vós, homens mais jovens, sujeitai-vos aos homens mais idosos.” E daí ele frisa a necessidade de despretensão mental, humildade, uma qualidade cristã que é salientada em toda a sua carta. — 1 Ped. 3:7-9; 5:5-7; 2:21-25.

      13. (a) De que modo Pedro torna claro em sua carta qual é o propósito de Deus em chamar a congregação cristã? (b) Para que alegre herança aponta Pedro, e quem a obtêm?

      13 Numa época em que tribulações e perseguições ardentes começavam a ressurgir, Pedro supriu encorajamento fortalecedor, e a sua carta é deveras de valor inestimável a todos os que enfrentam tais provações hoje. Note como ele recorre às Escrituras Hebraicas ao citar as palavras de Jeová: “Tendes de ser santos, porque eu sou santo.” (1 Ped. 1:16; Lev. 11:44) Além disso, num trecho repleto de referências a outros textos bíblicos inspirados, ele mostra como a congregação cristã é edificada como casa espiritual de pedras vivas sobre o fundamento de Cristo. E para que fim? Pedro responde: “Vós sois ‘raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo para propriedade especial, para que divulgueis as excelências’ daquele que vos chamou da escuridão para a sua maravilhosa luz.” (1 Ped. 2:4-10; Isa. 28:16; Sal. 118:22; Isa. 8:14; Êxo. 19:5, 6; Isa. 43:21; Osé. 1:10; 2:23) É a este “sacerdócio real”, o sacerdócio geral que abrange a inteira nação santa de Deus, que Pedro apresenta a promessa do Reino de “uma herança incorruptível, e imaculada, e imarcescível”, “a coroa imarcescível da glória”, a “eterna glória em união com Cristo”. Assim, estes são grandemente encorajados a continuar a se regozijar, para que ‘se alegrem e estejam também cheios de alegria durante a revelação de sua glória’. — 1 Ped. 1:4; 5:4, 10; 4:13.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Cyclopedia de McClintock e Strong, reimpressão de 1981, Vol. VIII, página 15.

      b O Novo Dicionário da Bíblia, 1966, editado por J. D. Douglas, página 1246.

      c Jerusalém, 1971, Vol. 15, col. 755.

  • Livro bíblico número 61 — 2 Pedro
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 61 — 2 Pedro

      Escritor: Pedro

      Lugar da Escrita: Babilônia (?)

      Escrita Completada: c. 64 EC

      1. Que fatos provam que Pedro é o escritor de Segunda Pedro?

      QUANDO Pedro compôs a sua segunda carta, ele sabia que a sua morte era iminente. Desejava ansiosamente lembrar concristãos da importância do conhecimento exato para ajudá-los a manter a firmeza no ministério. Haveria algum motivo para duvidar de que o apóstolo Pedro foi o escritor da segunda carta que leva seu nome? A própria carta elimina quaisquer dúvidas que porventura tenham surgido quanto a quem a escreveu. O escritor diz ser “Simão Pedro, escravo e apóstolo de Jesus Cristo”. (2 Ped. 1:1) Ele se refere a esta como “a segunda carta que vos escrevo”. (3:1) Fala de si mesmo como testemunha ocular da transfiguração de Jesus Cristo, um privilégio que Pedro compartilhou com Tiago e João, e escreve sobre isto com todo o sentimento duma testemunha ocular. (1:16-21) Menciona que Jesus predissera a sua morte. — 2 Ped. 1:14; João 21:18, 19.

      2. Que argumentos há em favor da canonicidade de Segunda Pedro?

      2 Contudo, alguns críticos têm indicado a diferença de estilo das suas cartas como motivo para não considerar a segunda carta como sendo obra de Pedro. Isto, porém, não representa um verdadeiro problema, pois o assunto e o objetivo da escrita eram diferentes. Ademais, Pedro escreveu sua primeira carta “por intermédio de Silvano, irmão fiel”, e, se Silvano teve certa liberdade na formulação de sentenças, isto poderia explicar a diferença de estilo nas duas cartas, visto que Silvano aparentemente não teve participação na escrita da segunda carta. (1 Ped. 5:12) Sua canonicidade também tem sido contestada, à base de que “é parcamente atestada pelos Pais”. Contudo, como se pode observar na tabela “Principais Catálogos Primitivos das Escrituras Gregas Cristãs”, Segunda Pedro era considerada parte do catálogo bíblico por muitas autoridades anteriores ao Terceiro Concílio de Cartago.a

      3. Aparentemente quando e onde foi escrita Segunda Pedro, e a quem foi dirigida?

      3 Quando foi escrita a segunda carta de Pedro? É bem provável que tenha sido por volta de 64 EC, de Babilônia ou das cercanias, pouco depois da primeira carta, mas não existe evidência categórica, especialmente quanto ao lugar. Na época em que foi escrita, a maioria das cartas de Paulo circulava entre as congregações e Pedro as conhecia, e ele as considerava como inspiradas por Deus e colocou-as na mesma categoria que o “resto das Escrituras”. A segunda carta de Pedro é dirigida “aos que obtiveram uma fé, tida por igual privilégio como a nossa”, e inclui aqueles a quem a primeira carta foi dirigida e outros a quem Pedro pregara. Como no caso da primeira, que circulou em muitas regiões, também a segunda carta assumiu um caráter geral. — 2 Ped. 3:15, 16; 1:1; 3:1; 1 Ped. 1:1.

      CONTEÚDO DE SEGUNDA PEDRO

      4. (a) Como devem os irmãos se esforçar para se tornarem frutíferos com respeito ao conhecimento exato, e o que se lhes promete? (b) De que modo é tanto mais assegurada a palavra profética, e por que deve ser ela acatada?

      4 Certificando-se da chamada para o Reino celestial (1:1-21). Pedro revela presteza em demonstrar preocupação amorosa pelos “que obtiveram uma fé”. Deseja que a benignidade imerecida e a paz lhes sejam incrementadas “pelo conhecimento exato de Deus e de Jesus, nosso Senhor”. Deus lhes tem dado liberalmente “as promessas preciosas e mui grandiosas”, por meio das quais podem tornar-se participantes da natureza divina. Portanto, mediante esforço sério, suplementem à fé a virtude, o conhecimento, o autodomínio, a perseverança, a devoção piedosa, a afeição fraternal e o amor. Se estas qualidades transbordarem neles, jamais se tornarão inativos ou infrutíferos com respeito ao conhecimento exato. Os irmãos devem fazer o máximo para se certificarem de sua chamada e escolha, bem como de sua entrada no Reino eterno de seu Senhor. Sabendo que ‘em breve se há de eliminar a sua habitação’, Pedro está disposto a lembrar-lhes estas coisas, para que façam menção delas depois de ele partir. Pedro foi testemunha ocular da magnificência de Cristo no monte santo, quando “pela glória magnificente lhe foram dirigidas palavras tais como estas: ‘Este é meu Filho, meu amado, a quem eu mesmo tenho aprovado.’” Assim, a palavra profética se torna tanto mais assegurada, e deve ser acatada, pois não foi produzida pela vontade do homem, “mas os homens falaram da parte de Deus conforme eram movidos por espírito santo”. — 1:1, 2, 4, 14, 17, 21.

      5. Que aviso deu Pedro contra falsos instrutores, e que poderosas ilustrações ele usa quanto à certeza dos julgamentos de Deus contra tais homens?

      5 Forte aviso contra falsos instrutores (2:1-22). Falsos profetas e instrutores introduzirão seitas destrutivas, promoverão conduta desenfreada e trarão vitupério sobre a verdade. Mas, a destruição deles não está cochilando. Deus não se refreou de punir os anjos que pecaram, de trazer um dilúvio nos dias de Noé, ou de reduzir Sodoma e Gomorra a cinzas. Mas ele livrou o pregador Noé e o justo Ló, de modo que “Jeová sabe livrar da provação os de devoção piedosa, mas reservar os injustos para o dia de julgamento, para serem decepados”. Pois estes são atrevidos, obstinados, iguais a animais irracionais, ignorantes, falam de modo ultrajante, acham prazer em ensinos enganosos, são adúlteros, cobiçosos, e, como Balaão, amam a recompensa proveniente de fazer o mal. Prometem liberdade mas são eles mesmos escravos da corrupção. Teria sido melhor para eles que não tivessem conhecido a vereda da justiça, pois aconteceu-lhes o que diz o provérbio: “O cão voltou ao seu próprio vômito e a porca lavada a revolver-se no lamaçal.” — 2:9, 22.

      6. (a) Por que escreve Pedro, e o que diz ele concernente à promessa de Deus? (b) Em contraste com os ridicularizadores, como devem os cristãos mostrar-se alertas?

      6 Tendo bem em mente o dia de Jeová (3:1-18). Pedro escreve para acordar as claras faculdades de pensar dos cristãos, para que se lembrem das declarações anteriormente feitas. Nos últimos dias virão ridicularizadores, dizendo: “Onde está essa prometida presença” de Cristo? Escapa à atenção desses homens que Deus destruiu o mundo da antiguidade por água e que “pela mesma palavra, os céus e a terra que agora existem estão sendo guardados para o fogo” e “reservados para o dia do julgamento e da destruição dos homens ímpios”. Mil anos são para Jeová como um só dia, assim, “Jeová não é vagaroso com respeito à sua promessa”, mas ele é paciente, não desejando que alguém seja destruído. Portanto, os cristãos devem estar alertas à sua conduta e devem praticar ações de devoção piedosa, enquanto aguardam e têm bem em mente a presença do dia de Jeová, pelo qual os céus serão dissolvidos por fogo e os elementos se derreterão pelo calor intenso. Mas, haverá “novos céus e uma nova terra” segundo a promessa de Deus. — 3:4, 7, 9, 13.

      7. Tendo este conhecimento adiantado, que empenho devem os cristãos fazer?

      7 Assim, devem fazer o máximo ‘para serem finalmente achados por ele sem mancha nem mácula, e em paz’. Devem considerar a paciência de seu Senhor como salvação, assim como o amado Paulo lhes escreveu. Com este conhecimento adiantado, que se guardem para que não decaiam de sua própria firmeza. “Não”, conclui Pedro, “mas prossegui crescendo na benignidade imerecida e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja dada a glória tanto agora como até o dia da eternidade”. — 3:14, 18.

      POR QUE É PROVEITOSO

      8. (a) Como atesta Pedro a inspiração tanto das Escrituras Hebraicas como das Gregas? (b) Como nos beneficiaremos por nos apegarmos ao conhecimento exato?

      8 Quão essencial é o conhecimento exato! O próprio Pedro permeia seus argumentos do conhecimento exato que adquiriu das Escrituras Hebraicas. Ele testifica que elas foram inspiradas por espírito santo: “Porque a profecia nunca foi produzida pela vontade do homem, mas os homens falaram da parte de Deus conforme eram movidos por espírito santo.” Ele diz também que a sabedoria de Paulo “lhe foi dada”. (1:21; 3:15) Tiramos grande proveito de considerar todas estas Escrituras inspiradas e por apegar-nos ao conhecimento exato. Assim, nunca nos tornaremos complacentes, como aqueles que, segundo Pedro, dizem: “Todas as coisas estão continuando exatamente como desde o princípio da criação.” (3:4) Tampouco cairemos nas armadilhas de falsos instrutores, como aqueles que Pedro descreve no capítulo 2 de sua carta. Antes, devemos atentar constantemente aos lembretes supridos por Pedro e pelos outros escritores bíblicos. Estes ajudam-nos a permanecer “firmemente estabelecidos na verdade” e a paciente e inabalavelmente ‘prosseguirmos crescendo na benignidade imerecida e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo’. — 1:12; 3:18.

      9. Que diligente esforço somos incentivados a fazer, e por quê?

      9 Como ajuda para crescer no “conhecimento exato de Deus e de Jesus, nosso Senhor”, Pedro recomenda esforço diligente de cultivar as qualidades cristãs alistadas no capítulo 1, versículos 5 a 7. Daí, no versículo 8, ele acrescenta: “Pois, se estas coisas existirem em vós e transbordarem, impedirão que sejais quer inativos quer infrutíferos no que se refere ao conhecimento exato de nosso Senhor Jesus Cristo.” Deveras, trata-se de encorajamento esplêndido para a atividade quais ministros de Deus, nestes dias críticos! — 1:2.

      10. (a) Que promessas acentua Pedro, e o que exorta ele em conexão com elas? (b) Que garantia dá Pedro concernente às profecias do Reino?

      10 Quão importante é a pessoa esforçar-se o máximo, a fim de certificar-se de partilhar das “promessas preciosas e mui grandiosas” de Jeová Deus! Assim, Pedro exorta os cristãos ungidos a manter os olhos fixos no alvo do Reino, dizendo: “Fazei tanto mais o vosso máximo para vos assegurar da vossa chamada e escolha; pois, se persistirdes em fazer estas coisas, de nenhum modo falhareis jamais. De fato, assim vos será ricamente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.” Daí, Pedro chama a atenção para a magnificência da glória do Reino de Jesus, da qual era testemunha ocular através da visão da transfiguração, e acrescenta: “Por conseguinte, temos a palavra profética tanto mais assegurada.” Sim, todas as profecias concernentes ao magnificente Reino de Jeová se cumprirão com certeza. Portanto, é com confiança que ecoamos as palavras de Pedro, citadas da profecia de Isaías: “Há novos céus e uma nova terra que aguardamos segundo a sua promessa, e nestes há de morar a justiça.” — 2 Ped. 1:4, 10, 11, 19; 3:13; Isa. 65:17, 18.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Veja tabela, na página 303.

  • Livro bíblico número 62 — 1 João
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 62 — 1 João

      Escritor: Apóstolo João

      Lugar da Escrita: Éfeso, ou perto

      Escrita Completada: c. 98 EC

      1. (a) Que qualidade permeia os escritos de João, mas, o que indica que ele não era sentimentalista? (b) Por que eram oportunas as suas três cartas?

      JOÃO, o amado apóstolo de Jesus Cristo, tinha forte amor à justiça. Isto ajudou-o a compreender profundamente a mente de Jesus. Não nos surpreende, pois, que o tema do amor predomine em seus escritos. No entanto, ele não era sentimentalista, pois Jesus referiu-se a ele como um dos “Filhos do Trovão [Boanerges]”. (Mar. 3:17) De fato, foi em defesa da verdade e da justiça que ele escreveu suas três cartas, pois a apostasia predita pelo apóstolo Paulo tornara-se evidente. As três cartas de João foram deveras oportunas, pois ajudaram a fortalecer os cristãos primitivos em sua luta contra as intromissões do “iníquo”. — 2 Tes. 2:3, 4; 1 João 2:13, 14; 5:18, 19.

      2. (a) Quais os indícios de que as cartas de João foram escritas muito depois de Mateus, de Marcos e das cartas missionárias? (b) Quando e onde aparentemente foram escritas as cartas?

      2 A julgar pelo conteúdo, estas cartas pertencem a um período muito posterior aos Evangelhos de Mateus e de Marcos — posterior, também, às cartas missionárias de Pedro e de Paulo. Os tempos haviam mudado. Não há referência ao judaísmo, a grande ameaça às congregações, quando estas se encontravam na infância; e aparentemente não há uma única citação direta das Escrituras Hebraicas. Por outro lado, João fala sobre “a última hora” e o surgimento de “muitos anticristos”. (1 João 2:18) Refere-se a seus leitores por expressões como “filhinhos meus” e a si mesmo como “o ancião”. (1 João 2:1, 12, 13, 18, 28; 3:7, 18; 4:4; 5:21; 2 João 1; 3 João 1) Tudo isto sugere uma data tardia para as suas três cartas. Também, 1 João 1:3, 4 parece indicar que o Evangelho de João foi escrito por volta da mesma época. Crê-se geralmente que as três cartas de João foram completadas por volta de 98 EC, pouco antes da morte do apóstolo, e que foram escritas nas cercanias de Éfeso.

      3. (a) Que evidências há quanto à autoria e à autenticidade de Primeira João? (b) Que trecho foi acrescentado posteriormente, mas qual é a prova de que é espúrio?

      3 Que Primeira João foi realmente escrita por João, o apóstolo, pode-se ver da grande semelhança que tem com o quarto Evangelho, que indubitavelmente foi escrito por ele. Por exemplo, João inicia a carta descrevendo a si mesmo como testemunha ocular que viu a “palavra da vida . . . , a vida eterna que estava com o Pai e nos foi manifestada”, expressões notavelmente similares às com as quais inicia o Evangelho de João. Sua autenticidade é atestada pelo Fragmento Muratoriano e por primitivos escritores, como Irineu, Policarpo e Pápias, todos do segundo século EC.a Segundo Eusébio (c. 260-c. 340 EC), a autenticidade de Primeira João jamais foi contestada.b Contudo, convém notar que algumas traduções mais antigas acrescentaram ao capítulo 5 as seguintes palavras no fim do versículo 7 e começo do 8: “No céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra.” (Almeida) Mas este texto não se encontra em nenhum manuscrito grego primitivo e foi obviamente acrescentado para sustentar a doutrina da Trindade. A maioria das modernas traduções, tanto católicas como protestantes, não incluem essas palavras no corpo do texto principal. — 1 João 1:1, 2.c

      4. Contra quem procura João proteger seus concristãos, e que falsos ensinos refuta ele?

      4 João escreve para proteger seus “amados”, suas “criancinhas”, contra os ensinos errados dos “muitos anticristos” que saíram do meio deles e que tentam seduzi-los para desviá-los da verdade. (2:7, 18) Estes apóstatas anticristos talvez fossem influenciados pela filosofia grega, incluindo o primitivo gnosticismo, cujos adeptos afirmavam ter conhecimento especial de tipo místico, da parte de Deus.d Tomando firme posição contra apostasia, João trata extensivamente de três temas: pecado, amor e o anticristo. Suas declarações a respeito do pecado, e em apoio do sacrifício de Jesus pelos pecados, indicam que esses anticristos, considerando-se justos, afirmavam ser sem pecado e não ter necessidade do sacrifício resgatador de Jesus. Seu “conhecimento” egocêntrico tornara-os egoístas e desamorosos, uma condição que João expõe à medida que continuamente acentua o verdadeiro amor cristão. Ademais, João aparentemente combate as falsas doutrinas deles à medida que expõe que Jesus é o Cristo, que teve uma existência pré-humana e que veio em carne como Filho de Deus para propiciar salvação aos crentes. (1:7-10; 2:1, 2; 4:16-21; 2:22; 1:1, 2; 4:2, 3, 14, 15) Tais falsos instrutores são claramente tachados de “anticristos” por João, e ele apresenta diversas maneiras de se reconhecer os filhos de Deus e os filhos do Diabo. — 2:18, 22; 4:3.

      5. Quais são os indícios de que Primeira João visava a inteira congregação cristã?

      5 Não sendo dirigida a nenhuma congregação específica, a carta evidentemente se destinava à inteira associação cristã. A falta de cumprimentos no começo, e saudações no fim, também parece indicar isso. Alguns chegam a classificar este escrito como tratado, em vez de carta. O emprego do plural “vós” em toda ela indica que o escritor dirige suas palavras a um grupo, e não a uma só pessoa.

      CONTEÚDO DE PRIMEIRA JOÃO

      6. Como contrasta João os que andam na luz e os que estão em escuridão?

      6 Andando na luz, não na escuridão (1:1–2:29). “Escrevemos essas coisas”, diz João, “para que a nossa alegria seja plena”. Visto que “Deus é luz”, apenas os que ‘andam na luz’ têm “parceria com ele” e uns com os outros. Estes são purificados do pecado pelo “sangue de Jesus, seu Filho”. Por outro lado, os que ‘andam na escuridão’ e que afirmam: “Não temos pecado”, estão enganando a si mesmos e a verdade não está neles. Se confessarem seus pecados, Deus será fiel e os perdoará. — 1:4-8.

      7. (a) Como mostra a pessoa que conhece e ama a Deus? (b) Como se identifica o anticristo?

      7 Jesus Cristo é identificado como “sacrifício propiciatório” pelos pecados, um “ajudador junto ao Pai”. Quem afirma conhecer a Deus mas não observa Seus mandamentos é mentiroso. Quem ama a seu irmão permanece na luz, mas quem odeia seu irmão caminha nas trevas. João aconselha fortemente a não amarmos o mundo nem as coisas do mundo, pois, diz ele, “se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele”. Surgiram muitos anticristos, e “saíram do nosso meio”, explica João, pois “não eram dos nossos”. O anticristo é aquele que nega que Jesus é o Cristo. Nega tanto o Pai como o Filho. Que os “filhinhos” permaneçam naquilo que aprenderam desde o princípio, de modo a ‘subsistirem em união com o Filho e em união com o Pai’, segundo a unção que receberam dele, que é veraz. — 2:1, 2, 15, 18, 19, 24.

      8. (a) O que distingue os filhos de Deus dos do Diabo? (b) Como vieram os “filhinhos” a conhecer o amor, e que verificação precisam fazer continuamente em seus corações?

      8 Os filhos de Deus não fazem do pecado uma prática (3:1-24). Por causa do amor do Pai, são chamados de “filhos de Deus”, e, na manifestação de Deus, serão semelhantes a ele e ‘o verão assim como ele é’. Pecado é aquilo que é contra a lei, e os que permanecem em união com Cristo não fazem dele uma prática. Quem pratica o pecado origina-se do Diabo, cujas obras o Filho de Deus desfará. Os filhos de Deus e os filhos do Diabo evidenciam-se pelo seguinte: os que se originam de Deus têm amor uns pelos outros, mas os que se originam do iníquo são semelhantes a Caim, que odiou e matou seu irmão. João diz aos “filhinhos” que chegaram a conhecer o amor porque “esse entregou a sua alma” por eles, e admoesta-os a não ‘fechar a porta das ternas compaixões’ a seus irmãos. Devem ‘amar, não em palavra nem com a língua, mas em ação e em verdade’. Para determinar se se ‘originam da verdade’, eles precisam verificar o que têm no coração e ver se ‘fazem as coisas que são agradáveis aos olhos de Deus’. Têm de obedecer Seu mandamento de ‘ter fé no nome de seu Filho Jesus Cristo e estar amando uns aos outros’. Assim, saberão que permanecem em união com Deus, e Deus com eles, por meio do espírito. — 3:1, 2, 16-19, 22, 23.

      9. (a) A que prova devem ser submetidas as expressões inspiradas? (b) O que acentua a obrigação de amar uns aos outros?

      9 Amando uns aos outros em união com Deus (4:1–5:21). As expressões inspiradas têm de ser postas à prova. As expressões que negam que Cristo veio em carne ‘não se originam de Deus’, mas sim do anticristo. Originam-se do mundo e estão em união com este, mas, a expressão inspirada da verdade vem de Deus. João diz: “Deus é amor”, e “o amor é neste sentido, não que nós tenhamos amado a Deus, mas que ele nos amou e enviou seu Filho como sacrifício propiciatório pelos nossos pecados”. Quão grande é, pois, a obrigação de amar uns aos outros! Os que amam ao semelhante fazem Deus permanecer em união com eles e, destarte, o amor é aperfeiçoado, para ‘terem franqueza no falar’, lançando fora o medo. “Quanto a nós”, diz João, “amamos porque ele nos amou primeiro”. “Aquele que ama a Deus esteja também amando o seu irmão.” — 4:3, 8, 10, 17, 19, 21.

      10. (a) Como podem os filhos de Deus vencer o mundo, e que confiança têm eles? (b) Que atitude têm de ter eles para com o pecado e a idolatria?

      10 Mostrar amor como filhos de Deus significa observar os seus mandamentos, e isto resulta em vencer o mundo, pela fé. A respeito dos que depositam fé no Seu Filho, Deus dá testemunho de que Ele deu-lhes “a vida eterna, e esta vida está em seu Filho”. Assim, podem ter confiança nele, no sentido de que os ouvirá em qualquer coisa que lhe pedirem segundo a Sua vontade. Toda injustiça é pecado, contudo, existe um pecado que não incorre em morte. Todo aquele nascido de Deus não faz do pecado uma prática. Embora ‘o mundo inteiro jaza no poder do iníquo, o Filho de Deus veio’, e tem dado a seus discípulos a “capacidade intelectual” para obterem conhecimento do verdadeiro Deus, com quem estão agora em união “por meio do seu Filho Jesus Cristo”. Devem também guardar-se dos ídolos! — 5:11, 19, 20.

      POR QUE É PROVEITOSO

      11. Como podem os cristãos hoje combater os anticristos e os desejos mundanos?

      11 Como nos anos finais do primeiro século da Era Comum, há hoje também “muitos anticristos” contra quem os cristãos verdadeiros têm de estar alertas. Estes cristãos verdadeiros têm de apegar-se ‘à mensagem que ouviram desde o princípio, ter amor uns pelos outros’ e permanecer em união com Deus e com o ensino verdadeiro, praticando a justiça com franqueza no falar. (2:18; 3:11; 2:27-29) Também da mais alta importância é o aviso contra “o desejo da carne, e o desejo dos olhos, e a ostentação dos meios de vida da pessoa”, esses males materialistas e mundanos que engolfaram a maioria dos pretensos cristãos. Os cristãos verdadeiros evitarão o mundo e seu desejo, sabendo que “aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre”. Nesta era de desejos mundanos, sectarismo e ódio, quão realmente proveitoso é estudar a vontade de Deus por meio das Escrituras inspiradas e fazer esta vontade! — 2:15-17.

      12. Que contraste faz Primeira João para nosso proveito, e como podemos vencer o mundo?

      12 É para nosso proveito que Primeira João esclarece os contrastes entre a luz, que emana do Pai, e a escuridão destruidora da verdade, que vem do iníquo, entre os ensinos vitalizadores de Deus e as enganosas mentiras do anticristo, entre o amor que permeia a inteira congregação dos que estão em união com o Pai junto com o Filho e o ódio assassino como o de Caim que sentem os que “saíram do nosso meio . . . para que se mostrasse que nem todos são dos nossos”. (2:19; 1:5-7; 2:8-11, 22-25; 3:23, 24, 11, 12) Tendo este apreço, devemos almejar ardentemente ‘vencer o mundo’. E como podemos fazer isso? Tendo forte fé e “o amor de Deus”, que significa observar Seus mandamentos. — 5:3, 4.

      13. (a) De que modo é o amor de Deus acentuado como força prática? (b) De que tipo deve ser o amor do cristão, resultando em que união?

      13 “O amor de Deus” — quão maravilhosamente esta força motivadora é acentuada em toda esta carta! No capítulo 2, encontramos o nítido contraste feito entre o amor do mundo e o amor do Pai. Mais adiante, traz-se-nos à atenção que “Deus é amor”. (4:8, 16) E quão prático é este amor! Encontrou sua expressão magnificente em ter o Pai enviado “seu Filho como Salvador do mundo”. (4:14) Isto deve inspirar em nossos corações um amor apreciativo e destemido, em consonância com as palavras do apóstolo: “Quanto a nós, amamos porque ele nos amou primeiro.” (4:19) Nosso amor deve ser do mesmo tipo que o do Pai e do Filho — um amor prático, abnegado. Como Jesus, que entregou a sua alma por nós, também nós “temos a obrigação de entregar as nossas almas pelos nossos irmãos”, sim, de abrir a porta de nossas ternas compaixões, de modo a amar os nossos irmãos, não apenas em palavras, mas “em ação e verdade”. (3:16-18) Como a carta de João claramente mostra, é este amor, combinado com o verdadeiro conhecimento de Deus, que une os que prosseguem em andar com Deus em inquebrantável união com o Pai e o Filho. (2:5, 6) É para os herdeiros do Reino neste abençoado vínculo de amor que João diz: “E nós estamos em união com o verdadeiro, por meio do seu Filho Jesus Cristo. Esse é o verdadeiro Deus e a vida eterna.” — 5:20.

      [Nota(s) de rodapé]

      a The International Standard Bible Encyclopedia, Vol. 2, 1982, editada por G. W. Bromiley, páginas 1095-6.

      b The Ecclesiastical History, III, XXIV, 17.

      c Estudo Perspicaz das Escrituras, “Espírito”.

      d O Novo Dicionário da Bíblia, 1966, editado por J. D. Douglas, páginas 674, 833.

  • Livro bíblico número 63 — 2 João
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 63 — 2 João

      Escritor: Apóstolo João

      Lugar da Escrita: Éfeso, ou perto

      Escrita Completada: c. 98 EC

      1. A quem talvez tenha sido escrito Segunda João?

      A SEGUNDA carta de João é curta — poderia ter sido escrita numa única folha de papiro — mas é muito significativa. É dirigida “à senhora escolhida e aos filhos dela”. Visto que “Kyria” (“Senhora”, em grego) existia como nome próprio naquele tempo, alguns eruditos bíblicos acham que a carta foi dirigida a uma pessoa com esse nome. Por outro lado, alguns acham que João escrevia a uma congregação cristã, referindo-se a ela como “senhora escolhida”. Talvez isto visasse confundir perseguidores. Neste caso, as saudações dos “filhos da tua irmã”, mencionadas no último versículo, (2 João 13) seriam as de membros de outra congregação. De modo que a segunda carta não visava ser tão abrangente como a primeira, pois evidentemente foi escrita quer a uma pessoa, quer a uma congregação específica. — V. 1.

      2. (a) Que evidência aponta para o apóstolo João como escritor de Segunda João? (b) Quais os indícios de que a carta foi escrita em Éfeso, ou perto dali, por volta de 98 EC, e o que corrobora a sua autenticidade?

      2 Não há do que duvidar que o escritor desta carta foi João. O escritor chama a si mesmo de “o ancião”. Isto por certo se ajusta a João, não só por causa de sua idade avançada, mas também porque, como uma das “colunas” (Gál. 2:9) e último apóstolo sobrevivente, ele de fato era um “ancião” na congregação cristã. Era bem conhecido, e não seria necessário uma identificação adicional para seus leitores. A sua autoria é também indicada pela similaridade de estilo com o da primeira carta e do Evangelho de João. Como a primeira carta, parece que também a segunda foi escrita em Éfeso, ou nas suas imediações, por volta de 98 EC. Sobre Segunda e Terceira João, a Cyclopedia de McClintock e Strong comenta: “Pela sua similaridade geral, podemos conjecturar que as duas epístolas foram escritas pouco depois da primeira Epístola, de Éfeso. Ambas aplicam-se a casos individuais de conduta, cujos princípios foram esboçados cabalmente na 1.ª Epístola.”a Corroborando a sua autenticidade, a carta é citada por Irineu, do segundo século, e foi aceita por Clemente de Alexandria, do mesmo período.b Também, as cartas de João são alistadas no Fragmento Muratoriano.

      3. Por que João escreveu a carta?

      3 Como no caso de Primeira João, o que motiva a escrita desta carta é a investida de falsos instrutores contra a fé cristã. João deseja alertar seus leitores a respeito destes, para que possam reconhecê-los e evitá-los, ao passo que continuam a andar na verdade, em amor mútuo.

      CONTEÚDO DE SEGUNDA JOÃO

      4. Por que admoesta João em especial o amor de uns para com os outros, e como devem ser tratados os que se adiantam além dos ensinos de Cristo?

      4 Amem uns aos outros; rejeitem os apóstatas (Vv. 1-13). Depois de expressar seu amor em função da verdade pela ‘senhora escolhida e os filhos dela’, João se alegra de ter encontrado alguns deles andando na verdade, segundo ordenado pelo Pai. Pede que mostrem seu amor uns pelos outros por continuarem a andar segundo os mandamentos de Deus. Pois enganadores e anticristos, que não confessam Jesus Cristo vindo na carne, saíram pelo mundo afora. Quem se adianta além do ensino de Cristo não tem Deus, mas quem permanece no seu ensino “tem tanto o Pai como o Filho”. Quem não trouxer este ensino não deve ser recebido nos seus lares, nem mesmo cumprimentado. João tem muito a escrever-lhes, mas, em vez disso, espera ir ter com eles e falar-lhes face a face, para que a alegria deles seja “plena”. — Vv. 9, 12.

      POR QUE É PROVEITOSO

      5. (a) Que situação surgiu nos dias de João, situação esta que tem surgido também nos tempos modernos? (b) Assim como João, de que modo podemos hoje mostrar apreço pela união da congregação?

      5 Parece que nos dias de João, como nos tempos modernos, havia alguns que não estavam contentes de aderir aos ensinos despretensiosos e simples de Cristo. Queriam algo mais, algo que agradasse ao seu ego, algo que os exaltasse e os colocasse na mesma categoria dos filósofos do mundo, e dispunham-se a contaminar e a dividir a congregação cristã a fim de alcançar seus objetivos egoístas. João prezava a harmonia da congregação, baseada no amor e no ensino correto, em união com o Pai e o Filho. Devemos igualmente estimar a união da congregação hoje, até mesmo recusando companheirismo ou cumprimentos aos que apostatam para outros ensinos além daquele recebido através das Escrituras inspiradas. Por continuarmos a andar segundo os mandamentos de Deus, e na plena alegria derivada da verdadeira associação cristã, podemos estar certos de que “haverá conosco benignidade imerecida, misericórdia e paz da parte de Deus, o Pai, e da parte de Jesus Cristo, o Filho do Pai, com verdade e amor”. (V. 3) Certamente, a segunda carta de João acentua a ventura de tal união cristã.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Reimpressão de 1981, Vol. IV, página 955.

      b O Novo Dicionário da Bíblia, de J. D. Douglas, 1966, editado por R. P. Shedd, Vol. II, página 836.

  • Livro bíblico número 64 — 3 João
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 64 — 3 João

      Escritor: Apóstolo João

      Lugar da escrita: Éfeso ou perto

      Escrita Completada: c. 98 EC

      1. A quem foi dirigida Terceira João, e o que se sabe a respeito dele?

      ESTA carta é dirigida a Gaio, um cristão fiel a quem João amava verdadeiramente. O nome Gaio era comum no tempo da congregação primitiva. Aparece quatro vezes em outras partes das Escrituras Gregas Cristãs, designando pelo menos três e talvez quatro homens diferentes. (Atos 19:29; 20:4; Rom. 16:23; 1 Cor. 1:14) Não há informações disponíveis que nos permitam identificar com certeza o Gaio a quem João escreve com qualquer destes. Tudo o que sabemos sobre Gaio é que era membro da congregação cristã e amigo especial de João, e que a carta foi dirigida pessoalmente a ele, razão pela qual se usa o pronome pessoal “tu”.

      2. O que identifica o escritor, o tempo e o lugar da escrita de Terceira João?

      2 Visto que o estilo dos cumprimentos iniciais e finais é o mesmo que em Segunda João, e o escritor se identifica outra vez como “o ancião”, não resta dúvida de que foi também o apóstolo João que escreveu esta carta. (2 João 1) A similaridade do conteúdo e da linguagem sugere também que foi escrita, como as duas outras cartas, em Éfeso ou perto de lá, por volta de 98 EC. Em virtude de sua brevidade, raras vezes foi mencionada por escritores primitivos, mas, junto com Segunda João, acha-se nos primeiros catálogos das Escrituras inspiradas.a

      3. O que expressa João em Terceira João, e que interessante vislumbre obtemos sobre a fraternidade que existia entre os primitivos cristãos?

      3 Na sua carta, João expressa gratidão pela hospitalidade que Gaio demonstrou aos irmãos viajantes, e menciona algumas dificuldades com certo ambicioso de nome Diótrefes. O Demétrio referido parece ser aquele que levou esta carta a Gaio, de modo que é possível que ele tenha sido enviado por João e que, em sua viagem, necessitasse da hospitalidade de Gaio, o que a carta devia assegurar. Como no caso de Gaio, nada sabemos sobre Diótrefes e Demétrio além daquilo que lemos na carta. Todavia, esta dá um interessante vislumbre da estreita fraternidade internacional que existia entre os primitivos cristãos. Entre outras coisas, isto incluía o costume de receber hospitaleiramente os que viajavam “a favor do nome”, embora talvez não fossem pessoalmente conhecidos de seus hospedeiros. —3 João V. 7.

      CONTEÚDO DE TERCEIRA JOÃO

      4. Por que motivo elogia João a Gaio, que conduta desregrada condena ele e que excelente conselho dá ele?

      4 O apóstolo recomenda a hospitalidade e as boas obras (vv. 1-14). João regozija-se de saber que Gaio ainda está “andando na verdade”. Ele o elogia pela sua obra fiel, que consiste em dar assistência afetuosa aos irmãos visitantes. “Temos a obrigação”, diz João, “de receber a tais de modo hospitaleiro, para que nos tornemos colaboradores na verdade”. João já havia escrito à congregação, mas o orgulhoso Diótrefes não recebe nada de modo respeitoso nem de João nem de outros responsáveis. Se João for lá, far-lhe-á prestar contas por ter ‘parolado com palavras iníquas’. O amado Gaio é aconselhado a ser “imitador, não daquilo que é mau, mas daquilo que é bom”. Demétrio é citado como um exemplo digno de louvor. Em vez de escrever sobre muitas coisas, João espera falar brevemente face a face com Gaio. — Vv. 4, 8, 10, 11.

      POR QUE É PROVEITOSO

      5. (a) Como revelou João ser superintendente exemplar e que espírito era importante preservar? (b) Por que era João tão franco contra Diótrefes? (c) De que devemos ser zelosos hoje, em harmonia com que princípio declarado por João?

      5 O apóstolo João revela ser um superintendente exemplar pelo seu zelo em proteger a congregação contra influências contaminadoras. O espírito de amor e de hospitalidade que reinava na congregação era elogiável, e era, deveras, a sua obrigação preservar essa condição feliz, para que os irmãos locais e os “estranhos” (os anteriormente desconhecidos de seus hospedeiros cristãos) que viessem entre eles servissem juntos como “colaboradores na verdade”. (Vv. 5, 8) Contudo, Diótrefes tinha olhos altivos, coisa detestável a Jeová, e era desrespeitoso da autoridade teocrática, chegando até a parolar iniquamente acerca do apóstolo João. (Pro. 6:16, 17) Ele punha uma barreira no caminho da hospitalidade cristã da congregação. Não é de surpreender que João fosse tão franco contra este mal e a favor do genuíno amor cristão na congregação. Devemos hoje ser igualmente zelosos a favor de manter a humildade, andar na verdade e praticar amor piedoso e generosidade, em harmonia com o princípio declarado por João: “Quem faz o bem origina-se de Deus. Quem faz o mal não tem visto a Deus.” — 3 João 11.

      [Nota(s) de rodapé]

      a Veja-se a tabela: “Principais Catálogos Primitivos das Escrituras Gregas Cristãs”, página 303.

  • Livro bíblico número 65 — Judas
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 65 — Judas

      Escritor: Judas

      Lugar da Escrita: Palestina (?)

      Escrita Completada: c. 65 EC

      1. Por causa de que condições dentro da congregação achou Judas necessário escrever a sua vigorosa carta em favor de seus irmãos?

      OS IRMÃOS cristãos de Judas estavam em perigo! Durante o tempo que decorrera desde a morte e ressurreição de Cristo Jesus, elementos estranhos se introduziram na congregação cristã. O inimigo se infiltrara com o fim de minar a fé, precisamente como o apóstolo Paulo avisara uns 14 anos antes. (2 Tes. 2:3) Como alertar os irmãos e colocá-los de sobreaviso contra tal perigo? A carta de Judas, vigorosa e forte nas suas declarações sem rodeios, fornecia a resposta. O próprio Judas declarou sua posição claramente, nos versículos 3 e 4: ‘Achei necessário escrever-vos, porque se introduziram sorrateiramente certos homens, homens ímpios, que transformam a benignidade imerecida de nosso Deus numa desculpa para conduta desenfreada.’ Os próprios fundamentos da doutrina sã e da moralidade estavam sendo ameaçados. Judas sentiu-se impelido a lutar pelos interesses de seus irmãos, para que eles, por sua vez, travassem uma luta árdua pela fé.

      2. (a) Quem era Judas? (b) Que relação com Jesus tinha Judas em mais alta estima?

      2 Mas, quem era Judas? As palavras introdutórias nos informam que a carta foi escrita por “Judas, escravo de Jesus Cristo, mas irmão de Tiago, aos chamados”. Era Judas um apóstolo, visto que 2 dos 12 apóstolos originais de Jesus se chamavam Judas? (Luc. 6:16) Judas não diz ser um dos apóstolos, mas, ao invés, fala sobre estes na terceira pessoa do plural, a saber, “eles”, excluindo claramente a si próprio. (Judas 17, 18) Além do mais, chama a si mesmo “irmão de Tiago”, referindo-se evidentemente ao escritor da carta de Tiago, que era meio-irmão de Jesus. (V. 1) Sendo este Tiago uma das “colunas” da congregação de Jerusalém, era bem conhecido, por conseguinte, Judas identifica-se com ele. Isto faz de Judas também um meio-irmão de Jesus, e é alistado como tal. (Gál. 1:19; 2:9; Mat. 13:55; Mar. 6:3) Contudo, Judas não tirou partido de seu parentesco carnal com Jesus, mas, com humildade, deu ênfase à sua relação espiritual como “escravo de Jesus Cristo”. — 1 Cor. 7:22; 2 Cor. 5:16; Mat. 20:27.

      3. O que prova a autenticidade da carta de Judas?

      3 A autenticidade deste livro da Bíblia é sustentada pela menção dele no Fragmento Muratoriano, do segundo século EC. Além disso, Clemente de Alexandria (do segundo século EC) o aceitou como canônico. Orígenes referiu-se a ele como sendo obra “de apenas poucas linhas, contudo, cheia de palavras salutares de graça celestial”.a Tertuliano também o considerava autêntico. Não resta dúvida de que tem seu lugar entre as demais Escrituras inspiradas.

      4. Que espécie de carta é Judas, onde provavelmente foi escrita e o que se sugere quanto ao tempo da escrita?

      4 Judas escreve “aos chamados”, não especificando nenhuma congregação ou pessoa determinada, de modo que a sua epístola é uma carta geral para circulação ampla entre todos os cristãos. Embora não esteja declarado, o lugar mais provável da escrita é a Palestina. É, também, difícil fixar a data com certeza. Entretanto, o desenvolvimento da congregação cristã devia estar bem avançado quando foi escrita, pois Judas chama atenção para as “declarações feitas anteriormente pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo”, e, pelo que parece, cita 2 Pedro 3:3. (Judas 17, 18) Além do mais, há forte similaridade entre Judas e o segundo capítulo de Segunda Pedro. Isto indica que escreveu por volta do mesmo tempo que Pedro, ambos estando profundamente preocupados com o perigo para a congregação naquele tempo. Portanto, sugere-se o ano 65 EC como data aproximada. Esta data é também apoiada por Judas não mencionar Céstio Galo que entrou em ação para sufocar a revolta dos judeus em 66 EC, tampouco menciona ele a queda de Jerusalém em 70 EC. Na sua epístola, Judas se refere a julgamentos divinos específicos, executados contra os pecadores, e é lógico que, se Jerusalém já tivesse caído, teria fortalecido o seu argumento por mencionar esta execução de julgamento, especialmente visto que Jesus predissera tal evento. — Judas 5-7; Luc. 19:41-44.

      CONTEÚDO DE JUDAS

      5. (a) Por que acha Judas necessário escrever aos chamados para ‘travarem uma luta árdua pela fé’? (b) Que exemplos admoestadores cita Judas?

      5 Avisos contra a fornicação e a desconsideração do senhorio (vv. 1-16). Depois de transmitir afetuosos cumprimentos aos “chamados”, Judas diz que tencionava escrever “a respeito da salvação que temos em comum”, mas achou agora necessário escrever-lhes para ‘travarem uma luta árdua pela fé’. Por que isso? Porque homens ímpios se introduziram sorrateiramente no meio deles, transformando a benignidade imerecida de Deus em desculpa para conduta desenfreada. Estes homens, diz Judas, “se mostram falsos para com o nosso único Dono e Senhor, Jesus Cristo”. (Vv. 1, 3, 4) Ele lhes lembra que, embora Jeová salvasse um povo do Egito, “destruiu depois os que não mostraram fé”. Também, Jeová reservou “para o julgamento do grande dia” os anjos que abandonaram o seu devido lugar de habitação. Da mesma forma, o castigo eterno sobre Sodoma e Gomorra e as cidades vizinhas serve de exemplo admoestador no tocante ao destino dos que ‘cometem fornicação de modo excessivo e vão após a carne para uso desnatural’. — Vv. 5-7.

      6. A que se entregam os homens ímpios, e como ilustra Judas o erro e o resultado da conduta deles?

      6 Agora, da mesma forma, homens ímpios “aviltam a carne, e desconsideram o senhorio, e falam de modo ultrajante dos gloriosos”. Ora, nem mesmo Miguel, o arcanjo, falou de modo ultrajante ao Diabo, quando disputava acerca do corpo de Moisés; ele simplesmente disse: “Jeová te censure.” Mas, estes homens usam de linguagem ultrajante, e se corrompem como animais irracionais. Seguiram a vereda de Caim, de Balaão e do rebelde Corá. São semelhantes a rochedos ocultos sob a água, semelhantes a nuvens sem água, semelhantes a árvores infrutíferas, duas vezes mortas e desarraigadas, semelhantes a ondas bravias, que espumam a sua vergonha, e semelhantes a estrelas sem rumo fixo. Para estes “está reservado para sempre o negrume da escuridão”. (Vv. 8, 9, 13) Enoque profetizou que Jeová executará julgamento contra estes ímpios. São resmungadores e queixosos, e egoistamente admiram personalidades.

      7. (a) Como advertiram os apóstolos relativo a ridicularizadores? (b) Em vista da esperança de vida eterna, o que devem fazer os “amados” para si mesmos e para outros?

      7 Conselho sobre permanecer no amor de Deus (vv. 17-25). Judas lembra aos irmãos como os apóstolos do Senhor Jesus Cristo costumavam advertir que “no último tempo haverá ridicularizadores, procedendo segundo os seus próprios desejos de coisas ímpias”. Estes causadores de dificuldades são “homens animalescos, sem espiritualidade”. Por conseguinte, que os “amados” se edifiquem na fé e se mantenham no amor de Deus, ao passo que aguardam a misericórdia de Cristo, “visando a vida eterna”. Mostrem eles, por sua vez, misericórdia e ajudem os que vacilam. Judas termina atribuindo glória por intermédio do Senhor Jesus Cristo a “Deus, nosso Salvador”, Aquele que os pode guardar de tropeçarem. — Vv. 18-21, 25.

      POR QUE É PROVEITOSO

      8. Que uso fez Judas das Escrituras inspiradas e do “livro da natureza” ao admoestar seus irmãos?

      8 O próprio Judas achou as inspiradas Escrituras proveitosas para avisar, exortar, encorajar, instruir e admoestar os “amados”. Ao expor o crasso pecado dos intrusos ímpios, usou de ilustrações expressivas extraídas das Escrituras Hebraicas, tais como as dos renegados israelitas, dos anjos que pecaram e dos habitantes de Sodoma e Gomorra, mostrando que todos os que praticam tais coisas depravadas sofrerão a mesma punição. Ele comparou os homens corruptos a animais irracionais, e disse que seguiam a vereda de Caim, precipitando-se no erro de Balaão e perecendo como Corá, por causa de sua conversa rebelde. Extraiu também quadros vívidos do “livro da natureza”. A carta de Judas, que é sem rodeios, tornou-se parte de “toda a Escritura”, que deve ser estudada junto com as outras partes das Escrituras que admoestam a conduta correta “no último tempo”. — Judas 17, 18, 5-7, 11-13; Núm. 14:35-37; Gên. 6:4; 18:20, 21; 19:4, 5, 24, 25; 4:4, 5, 8; Núm. 22:2-7, 21; 31:8; 16:1-7, 31-35.

      9. Por que se precisa ainda do aviso de Judas neste tempo, e em que questões devem os cristãos continuar a edificar-se?

      9 Oposição e tribulações de fora falharam em impedir o crescimento do cristianismo, mas agora os irmãos estavam em perigo da corrupção procedente de dentro. Rochedos ocultos ameaçavam fazer naufragar a inteira congregação. Reconhecendo que este perigo poderia ser ainda mais devastador, Judas argumentou fortemente em favor de ‘se travar uma luta árdua pela fé’. A sua carta é tão oportuna hoje como o era naquele tempo. O mesmo aviso é ainda necessário. Ainda se precisa guardar a fé e lutar por ela, desarraigar a imoralidade, ajudar aos duvidosos com misericórdia e ‘arrebatá-los do fogo’, caso isto seja possível. Nos interesses da integridade moral, da espiritualidade e da verdadeira adoração, os cristãos hoje têm de continuar a edificar-se na santíssima fé. Precisam apoiar os princípios justos e achegar-se a Deus em oração. Precisam também ter a devida consideração pelo “senhorio”, respeitando a autoridade conferida por Deus na congregação cristã. — Judas 3, 23, 8.

      10. (a) Como deve a congregação tratar os homens animalescos, e em que resultará isto? (b) Que recompensa há em reserva para os herdeiros do Reino, e em que se unem estes a Judas?

      10 “Homens animalescos, sem espiritualidade”, nunca entrarão no Reino de Deus, e só porão em perigo outros que estão no caminho da vida eterna. (Judas 19; Gál. 5:19-21) A congregação precisa ser avisada a respeito deles, e precisa livrar-se deles! Assim, “misericórdia, e paz, e amor” serão aumentados para com os amados, e estes se manterão no amor de Deus, ‘ao passo que aguardam a misericórdia de seu Senhor Jesus Cristo, visando a vida eterna’. Deus, o Salvador, estabelecerá os herdeiros do Reino “sem mácula à vista da sua glória, com grande alegria”. Certamente, estes se unem a Judas em atribuir a Ele, por intermédio de Jesus Cristo, “a glória, a majestade, o poderio e a autoridade”. — Judas 2, 21, 24, 25.

      [Nota(s) de rodapé]

      a The Canon of the New Testament, 1987, de B. M. Metzger, página 138.

  • Livro bíblico número 66 — Revelação
    “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
    • Livro bíblico número 66 — Revelação

      Escritor: Apóstolo João

      Lugar da Escrita: Patmos

      Escrita Completada: c. 96 EC

      1. (a) Com que concordam os servos de Deus quanto aos simbolismos de Revelação? (b) Por que é o livro de Revelação colocado apropriadamente em último lugar na Bíblia?

      SERÁ que os simbolismos de Revelação (ou Apocalipse) se destinam a aterrorizar? Longe disso! O cumprimento da profecia pode aterrorizar os iníquos, mas os fiéis servos de Deus concordarão com a introdução inspirada e com o comentário do anjo, no fim: “Feliz é quem lê em voz alta, e os que ouvem as palavras desta profecia.” “Feliz é todo aquele que observa as palavras da profecia deste rolo.” (Rev. 1:3; 22:7) Embora escrito antes dos outros quatro livros inspirados que João escreveu, Revelação é corretamente colocado em último lugar na coleção dos 66 livros inspirados que compõem a nossa Bíblia, pois é Revelação que leva seus leitores a um futuro distante, dando-lhes uma visão geral dos propósitos de Deus para com a humanidade e levando o grande tema da Bíblia, a santificação do nome de Jeová e a vindicação de sua soberania por meio do Reino sob Cristo, a Semente Prometida, a um glorioso clímax.

      2. Como chegou Revelação a João, e por que é bem apropriado o título do livro?

      2 Segundo o versículo titular, esta é a “revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu . . . E ele enviou o seu anjo e a apresentou por intermédio dele em sinais ao seu escravo João”. Portanto, João foi meramente o escritor, não o originador, da matéria. Por conseguinte, João não é o revelador, tampouco é o livro uma revelação de João. (1:1) Tal desvendar, a Seu escravo, dos maravilhosos propósitos de Deus para o futuro faz com que o título seja muito apropriado, pois o nome grego do livro A·po·ká·ly·psis (Apocalipse) significa “Exibição” ou “Exposição”.

      3. Segundo indica o próprio livro de Revelação, quem foi o escritor, de nome João, e como confirmam isto os antigos historiadores?

      3 Quem era este João mencionado no primeiro capítulo como o escritor de Revelação? Informa-se-nos que era escravo de Jesus Cristo, bem como irmão e compartilhador na tribulação, e que estava exilado na ilha de Patmos. Obviamente, era bem conhecido de seus primeiros leitores, para os quais não havia necessidade de identificação adicional. Deve ter sido o apóstolo João. Esta conclusão é sustentada pela maioria dos antigos historiadores. Diz-se que Pápias, que escreveu na primeira parte do segundo século EC, afirmou que o livro era de origem apostólica. Justino, o Mártir, do segundo século, em seu “Diálogo com o Judeu Trífon” (LXXXI), disse: “Havia um homem entre nós, de nome João, um dos apóstolos de Cristo, que profetizou na revelação feita a ele.”a Irineu fala explicitamente do apóstolo João como sendo o escritor, o mesmo fazem Clemente de Alexandria e Tertuliano, de fins do segundo século e início do terceiro. Orígenes, notável erudito bíblico do terceiro século, disse: “Falo daquele que se reclinou sobre o peito de Jesus, João, e que nos deixou um Evangelho, . . . e escreveu também o Apocalipse.”b

      4. (a) O que explica a diferença de estilo entre Revelação e os outros escritos de João? (b) O que prova que Revelação é parte autêntica das Escrituras inspiradas?

      4 Darem os outros escritos de João tanta ênfase ao amor não quer dizer que não pudesse ter escrito a tão poderosa e dinâmica Revelação. Ele e seu irmão Tiago foram os que ficaram tão indignados contra os samaritanos de certa cidade que queriam mandar descer fogo do céu. Foi por isso que lhes foi dado o sobrenome de “Boanerges”, ou “Filhos do Trovão”. (Mar. 3:17; Luc. 9:54) Esta diferença de estilo não deve causar dificuldade, quando nos lembramos de que a matéria tratada em Revelação é diferente. O que João viu nestas visões era dessemelhante de tudo quanto vira antes. A notável harmonia do livro com o resto das Escrituras proféticas prova inquestionavelmente que faz parte autêntica da inspirada Palavra de Deus.

      5. Quando escreveu João o livro de Revelação, e em que circunstâncias?

      5 Segundo o testemunho mais antigo, João escreveu a Revelação por volta de 96 EC, aproximadamente 26 anos depois da destruição de Jerusalém. Isto seria perto do fim do reinado do Imperador Domiciano. Atestando isto, Irineu, em sua obra “Tratado sobre as Heresias” (V, xxx), diz a respeito de Apocalipse: “Foi visto não há muito tempo, mas quase em nossa era, perto do fim do reinado de Domiciano.”c Eusébio e Jerônimo concordam com este testemunho. Domiciano era irmão de Tito, que conduziu os exércitos romanos para destruir Jerusalém. Tornou-se imperador após a morte de Tito, 15 anos antes de ser escrito o livro de Revelação. Exigiu ser adorado como deus e assumiu o título de Dominus et Deus noster (significando “Nosso Senhor e Deus”).d A adoração do imperador não perturbou aos que adoravam deuses falsos, mas não podia ser praticada pelos cristãos primitivos, que recusaram transigir a sua fé no tocante a este ponto. De modo que, perto do fim do domínio de Domiciano (81-96 EC), veio severa perseguição sobre os cristãos. Acredita-se que João foi exilado em Patmos por Domiciano. Quando este foi assassinado em 96 EC, foi sucedido pelo Imperador Nerva, mais tolerante, que evidentemente pôs João em liberdade. Foi durante esta prisão em Patmos que João recebeu as visões que assentou por escrito.

      6. Como deve ser considerado o livro de Revelação, e como pode ser dividido?

      6 Precisamos reconhecer que aquilo que João viu e se lhe ordenou que escrevesse às congregações não era meramente uma série de visões não-relacionadas e escritas a esmo. Não, o inteiro livro de Revelação, do início ao fim, nos dá um quadro coerente das coisas vindouras, passando de uma visão para outra até ser atingida no fim das visões a plena revelação dos propósitos do Reino de Deus. Devemos, por conseguinte, considerar o livro de Revelação como um todo, e como composto de partes relacionadas e harmoniosas, transportando-nos para o futuro muito distante do tempo de João. Após a introdução (Rev. 1:1-9), o livro pode ser considerado dividido em 16 visões: (1) 1:10–3:22; (2) 4:1–5:14; (3) 6:1-17; (4) 7:1-17; (5) 8:1–9:21; (6) 10:1–11:19; (7) 12:1-17; (8) 13:1-18; (9) 14:1-20; (10) 15:1–16:21; (11) 17:1-18; (12) 18:1–19:10; (13) 19:11-21; (14) 20:1-10; (15) 20:11–21:8; (16) 21:9–22:5. Essas visões são seguidas de conclusão motivadora, em que Jeová, Jesus, o anjo e João falam, fazendo a sua contribuição final como os principais no canal de comunicação. — 22:6-21.

      CONTEÚDO DE REVELAÇÃO

      7. O que diz João sobre a origem de Revelação, e que coisas declara compartilhar com as sete congregações?

      7 A introdução (1:1-9). João explica a Fonte divina e a parte angélica do canal por meio do qual a revelação é dada, e passa a dirigir-se aos das sete congregações no distrito da Ásia. Jesus Cristo fez deles “um reino, sacerdotes para seu Deus e Pai”, Jeová Deus, o Todo-poderoso. João lhes faz lembrar que é compartilhador com eles “na tribulação, e no reino, e na perseverança em companhia de Jesus”, estando exilado em Patmos. — 1:6, 9.

      8. (a) Que ordem recebe João? (b) A quem vê ele no meio dos candelabros, e o que explica Este?

      8 As mensagens às sete congregações (1:10–3:22). Quando começa a primeira visão, João, por inspiração, encontra-se no dia do Senhor. Uma forte voz, semelhante ao som duma trombeta, ordena-lhe que escreva num rolo aquilo que vê, e o envie às sete congregações, em Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia. Virando em direção da voz, João vê “alguém semelhante a um filho de homem” no meio de sete candelabros, tendo sete estrelas na sua mão direita. Este se identifica como “o Primeiro e o Último”, Aquele que estava morto, mas que agora vive para todo o sempre, e que tem as chaves da morte e do Hades. Ele é, portanto, o Jesus Cristo ressuscitado. Explica: “As sete estrelas significam os anjos das sete congregações, e os sete candelabros significam sete congregações.” — 1:13, 17, 20.

      9. Que elogios e conselhos são dados às congregações de Éfeso, Esmirna, Pérgamo e Tiatira?

      9 Ordena-se a João que escreva ao anjo da congregação de Éfeso, que, não obstante seu labor, perseverança e recusa de tolerar os homens maus, abandonou o amor que tinha no princípio, e deve arrepender-se e fazer as ações anteriores. À congregação em Esmirna, diz-se que, não obstante a tribulação e a pobreza, é de fato rica e não deve ter medo: “Mostra-te fiel até a morte, e eu te darei a coroa da vida.” A congregação em Pérgamo, morando “onde está o trono de Satanás”, continua a apegar-se ao nome de Cristo, mas tem apóstatas no seu meio, e estes precisam arrepender-se, senão Cristo guerreará com eles com a longa espada de sua boca. Em Tiatira, a congregação tem “amor, e fé, e ministério, e perseverança”, contudo tolera “aquela mulher Jezabel”. Todavia, os fiéis que permanecerem firmes receberão “autoridade sobre as nações”. — 2:10, 13, 19, 20, 26.

      10. Que mensagens são enviadas às congregações em Sardes, Filadélfia e Laodicéia?

      10 A congregação em Sardes tem a fama de estar viva, mas está morta, porque suas obras não são realizadas plenamente diante de Deus. Não se apagará, porém, do livro da vida o nome dos que vencerem. A congregação em Filadélfia tem guardado a palavra de Cristo, de modo que ele promete guardar a congregação “da hora da prova, que há de vir sobre toda a terra habitada”. Àquele que vencer, Cristo fará coluna no templo de seu Deus. Cristo diz: “Escreverei sobre ele o nome do meu Deus e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém . . . e aquele meu novo nome.” Referindo-se a si mesmo como “o princípio da criação de Deus”, Cristo diz à congregação de Laodicéia que não é nem quente nem fria, e será vomitada de sua boca. Embora se jactem de riquezas, os desta congregação são, na realidade, pobres, cegos e estão nus. Precisam de vestes exteriores brancas, e de ungüento para os olhos, a fim de enxergarem. Cristo entrará e tomará uma refeição com qualquer pessoa que lhe abrir a porta. Àquele que vencer, Cristo concederá que se sente com ele no seu trono, assim como ele se sentou com seu Pai no Seu trono. — 3:10, 12, 14.

      11. Que magnífica visão, a seguir, chama a atenção de João?

      11 A visão da santidade e da glória de Jeová (4:1–5:14). A segunda visão nos leva perante o trono celestial de esplendor de Jeová. A cena é deslumbrante na sua beleza, semelhante a pedras preciosas no brilho. Em volta do trono estão sentados 24 anciãos com coroas. Quatro criaturas viventes atribuem santidade a Jeová, e ele é adorado como sendo digno “de receber a glória, e a honra, e o poder”, por ser o Criador de todas as coisas. — 4:11.

      12. Quem é o único digno de abrir o rolo que tem sete selos?

      12 ‘Aquele que está sentado no trono’ segura um rolo com sete selos. Mas quem é digno de abrir o rolo? Apenas “o Leão que é da tribo de Judá, a raiz de Davi”, o é! Este, que também é “o Cordeiro que foi morto”, recebe o rolo de Jeová. — 5:1, 5, 12.

      13. Que visão composta acompanha a abertura dos seis primeiros selos?

      13 O Cordeiro abre seis selos do rolo (6:1–7:17). Começa agora a terceira visão. O Cordeiro passa a abrir os selos. Primeiro, sai um cavaleiro montado num cavalo branco, “vencendo e para completar a sua vitória”. Daí, o cavaleiro do cavalo cor de fogo tira a paz da terra, e outro num cavalo preto raciona os cereais. Um cavalo descorado é cavalgado pela Morte, e o Hades o segue de perto. Abre-se o quinto selo, e são vistos os “que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus”, os quais clamam pela vingança de seu sangue. (6:2, 9) Ao se abrir o sexto selo, há um grande terremoto, o sol e a lua escurecem, e os poderosos da terra pedem que os montes caiam sobre eles e os escondam de Jeová e do furor do Cordeiro.

      14. O que se vê, a seguir, com respeito aos escravos de Deus e uma inumerável grande multidão?

      14 Depois disto, começa a quarta visão. Quatro anjos são vistos segurando os quatro ventos da terra até que os escravos de Deus sejam selados na testa. O número deles é de 144.000. Depois, João vê uma grande multidão inumerável, de todas as nações, de pé diante de Deus e do Cordeiro, a quem atribuem a salvação, prestando serviço dia e noite, no templo de Deus. O próprio Cordeiro “os pastoreará e os guiará a fontes de águas da vida”. — 7:17.

      15. O que se segue à abertura do sétimo selo?

      15 O sétimo selo é aberto (8:1–12:17). Há silêncio no céu. Daí, são entregues sete trombetas aos sete anjos. Os primeiros seis toques de trombeta constituem a quinta visão.

      16. (a) O que acompanha o toque sucessivo das cinco primeiras trombetas, e qual é o primeiro dos três ais? (b) O que anuncia a sexta trombeta?

      16 Ao passo que soam sucessivamente as três primeiras trombetas, sobrevêm calamidades à terra, ao mar, aos rios e às fontes de águas. Ao soar a quarta trombeta, um terço do sol, da lua e das estrelas escurece. Ao som da quinta trombeta, uma estrela do céu solta uma praga de gafanhotos que atacam os “que não têm o selo de Deus nas suas testas”. Este é “um ai”, e virão ainda mais dois. A sexta trombeta anuncia que quatro anjos foram desatados, que saem para matar. “Duas miríades de miríades” de cavaleiros trazem mais calamidade e matança, mas ainda assim os homens não se arrependem de suas obras más. — 9:4, 12, 16.

      17. Que eventos culminam no anúncio de que passou o segundo ai?

      17 Ao começar a sexta visão, outro anjo forte desce do céu e declara que “nos dias do toque do sétimo anjo . . . o segredo sagrado de Deus, segundo as boas novas”, será levado a término. Dá-se a João um pequeno rolo para que o coma. É “doce como mel” na sua boca, mas torna o seu ventre amargo. (10:7, 9) Duas testemunhas profetizam 1.260 dias vestidas de saco; daí são mortas pela “fera que ascende do abismo”, e seus cadáveres são deixados por três dias e meio “na rua larga da grande cidade”. Os que residem na terra se regozijam por causa delas, mas isto se transforma em terror, quando Deus as ressuscita. Nessa hora há um grande terremoto. “O segundo ai já passou.” — 11:7, 8, 14.

      18. Que importante anúncio ocorre ao soar a sétima trombeta, e para o que é agora o tempo designado?

      18 O sétimo anjo toca então a sua trombeta. Vozes celestes anunciam: “O reino do mundo tornou-se o reino de nosso Senhor e do seu Cristo.” Os “vinte e quatro anciãos” adoram a Deus e lhe agradecem, mas as nações ficam furiosas. É o tempo designado de Deus para julgar os mortos e recompensar seus santos, e “para arruinar os que arruínam a terra”. Abre-se o santuário do seu templo, e vê-se nele a arca do seu pacto. — 11:15, 16, 18.

      19. Que sinal e batalha são vistos no céu e qual é o resultado?

      19 Após o anúncio do estabelecimento do Reino, a sétima visão mostra imediatamente “um grande sinal” no céu. É uma mulher que dá à luz “um filho, um varão, que há de pastorear todas as nações com vara de ferro”. “Um grande dragão cor de fogo” está pronto para devorar o filho, mas este é arrebatado para o trono de Deus. Miguel guerreia contra o dragão, e lança para a terra “a serpente original, o chamado Diabo e Satanás”. “Ai da terra”! O dragão persegue a mulher, e sai a fazer guerra contra os remanescentes da semente dela. — 12:1, 3, 5, 9, 12; 8:13.

      20. Quais são as duas feras que aparecem em seguida na visão, e como influenciam aos homens na terra?

      20 A fera que sobe do mar (13:1-18). A oitava visão mostra uma fera de sete cabeças e dez chifres, que sobe do mar. Obtém o seu poder do dragão. Uma de suas cabeças estava como que mortalmente ferida, mas sarou, e toda a terra admirava a fera. Esta profere blasfêmias contra Deus e trava guerra contra os santos. Mas, eis que João vê outra fera, esta sobe da terra. Tem dois chifres semelhantes aos de um cordeiro, mas começa a falar como um dragão. Desencaminha os habitantes da terra, e lhes ordena que façam uma imagem da primeira fera. Todos são compelidos a adorar esta imagem, do contrário serão mortos. Sem o sinal ou o número da fera, ninguém pode comprar ou vender. O seu número é 666.

      21. O que vê João no monte Sião, o que trazem e proclamam os anjos, e como se dá cabo da videira da terra?

      21 As “boas novas eternas” e as mensagens relacionadas (14:1-20). Num contraste feliz, na nona visão, João vê o Cordeiro no monte Sião, e com ele 144.000 que têm o nome do Cordeiro e do Pai nas suas testas. “Estão cantando como que um novo cântico diante do trono”, tendo sido “comprados dentre a humanidade como primícias para Deus e para o Cordeiro”. Aparece outro anjo no meio do céu, com “boas novas eternas para declarar, como boas notícias” a todas as nações, e declara: “Temei a Deus e dai-lhe glória.” E ainda outro anjo anuncia: “Caiu Babilônia, a Grande!” Outro, um terceiro, proclama que os que adoram a fera e a sua imagem beberão da ira de Deus. Alguém “semelhante a um filho de homem” mete a sua foice, e outro anjo também mete a sua foice e ajunta a videira da terra, lançando-a dentro do “grande lagar da ira de Deus”. Ao ser pisado o lagar, fora da cidade, sai sangue até à altura dos freios dos cavalos, a “uma distância de mil e seiscentos estádios” (cerca de 296 quilômetros). — 14:3, 4, 6-8, 14, 19, 20.

      22. (a) Quem, a seguir, é visto glorificar a Jeová, e por quê? (b) Onde são derramadas as sete tigelas da ira de Deus, e que acontecimentos de abalar o mundo se seguem?

      22 Os anjos com as sete últimas pragas (15:1–16:21). A décima visão começa com outro vislumbre da corte celeste. Os que ganharam a vitória sobre a fera glorificam a Jeová, o “Rei da eternidade”, pelas suas grandes e maravilhosas obras. Sete anjos saem do santuário no céu, e recebem sete tigelas de ouro cheias da ira de Deus. As seis primeiras são derramadas na terra, no mar, nos rios e nas fontes de águas, bem como sobre o sol, que é o trono da fera e sobre o rio Eufrates, secando as suas águas, para abrir caminho para “os reis do nascente do sol”. Expressões demoníacas ajuntam os ‘reis de toda a terra habitada, para a guerra do grande dia de Deus, o Todo-poderoso’, no Armagedom. A sétima tigela é despejada no ar, e, entre aterradores fenômenos naturais, a grande cidade se divide em três partes, as cidades das nações caem, e Babilônia recebe ‘o copo do vinho da ira do furor de Deus’. — 15:3; 16:12, 14, 19.

      23. (a) Como é executado o julgamento de Deus sobre Babilônia, a Grande? (b) Que anúncios e lamentação acompanham a sua queda, e que louvor alegre ressoa através do céu?

      23 O julgamento de Deus sobre Babilônia; o casamento do Cordeiro (17:1–19:10). Começa a 11.ª visão. Eis o julgamento de Deus sobre “Babilônia, a Grande, a mãe das meretrizes”, “com a qual os reis da terra cometeram fornicação”. Embriagada com o sangue dos santos, ela cavalga uma fera cor de escarlate, que tem sete cabeças e dez chifres. Esta fera “era, mas não é, contudo, está para ascender do abismo”. Os seus dez chifres batalham contra o Cordeiro, mas, porque é “Senhor dos senhores e Rei dos reis”, ele os vence. Os seus dez chifres voltam-se contra a meretriz e a devoram, e, com o começo da 12.ª visão, outro anjo, cuja glória ilumina a terra, declara: “Caiu! Caiu Babilônia, a Grande!” Ordena-se ao povo de Deus que saia dela, para que não compartilhe as suas pragas. Os reis e outros poderosos da terra choram por causa dela, dizendo: “Ai, ai, ó grande cidade, Babilônia, forte cidade, porque numa só hora chegou o teu julgamento!” As suas grandes riquezas foram devastadas. Assim como uma grande mó é lançada no mar, assim, com rápido arremesso, Babilônia foi lançada para baixo, para nunca mais ser achada. Finalmente, é vingado o sangue dos santos de Deus! Quatro vezes o céu ressoa o brado: “Louvai a Jah!” Louvai a Jah, porque ele executou o julgamento na grande meretriz! Louvai a Jah, porque Jeová começou a reinar! Alegrai-vos e estai cheios de alegria, porque “chegou o casamento do Cordeiro e a sua esposa já se preparou”! — 17:2, 5, 8, 14; 18:2, 10; 19:1, 3, 4, 6, 7.

      24. (a) Quão decisiva é a guerra travada pelo Cordeiro? (b) O que ocorre durante os mil anos e no fim destes?

      24 O Cordeiro trava guerra em justiça (19:11–20:10). Na 13.ª visão, o “Rei dos reis e Senhor dos senhores” conduz os exércitos celestiais numa guerra justa. Reis e homens fortes viram carniça para as aves do céu, e a fera e o falso profeta são lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre. (19:16) Quando começa a 14.ª visão, um anjo é visto ‘descer do céu com a chave do abismo e uma grande cadeia na mão’. O “dragão, a serpente original, que é o Diabo e Satanás”, é apanhado e amarrado por mil anos. Os que têm parte na primeira ressurreição se tornam ‘sacerdotes de Deus e do Cristo, e reinam com ele por mil anos’. Depois disso, Satanás será solto, e sairá a enganar as nações da terra, mas será lançado junto com os que o seguirem no lago de fogo. — 20:1, 2, 6.

      25. Que visão emocionante se segue, e quem são os que herdarão as coisas vistas?

      25 O Dia de Juízo e a glória da Nova Jerusalém (20:11–22:5). Segue-se a emocionante 15.ª visão. Os mortos, grandes e pequenos, são julgados diante do grande trono branco de Deus. A morte e o Hades são lançados no lago de fogo, que “significa a segunda morte”, e com eles é lançado todo aquele que não for achado inscrito no livro da vida. A Nova Jerusalém desce do céu, e Deus habita com a humanidade, enxugando todas as lágrimas de seus olhos. Não há mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor! Com efeito, Deus faz “novas todas as coisas”, e confirma a sua promessa, dizendo: “Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras.” Os que vencerem herdarão estas coisas, mas não os covardes, nem os que não têm fé, nem os que são imorais, nem os que praticam o espiritismo ou a idolatria. — 20:14; 21:1, 5.

      26. (a) Que descrição se faz da Nova Jerusalém? (b) Que coisas sustentadoras de vida são vistas na cidade, e donde vem a sua luz?

      26 Mostra-se então a João na 16.ª e última visão, “a esposa do Cordeiro”, a Nova Jerusalém, com os seus 12 portões e 12 pedras de alicerce com os nomes dos 12 apóstolos. É quadrada, e o seu esplendor majestoso é representado pelo jaspe, pelo ouro e pela pérola nela. Jeová e o Cordeiro são o templo desta cidade, são também a sua luz. Unicamente os que estão inscritos no rolo da vida do Cordeiro podem entrar nela. (21:9) Um rio puro de água da vida emana do trono, descendo pela rua larga da cidade, e em cada lado há árvores da vida que produzem novas safras de frutos cada mês, tendo folhas para cura. O trono de Deus e do Cordeiro estará na cidade, e os escravos de Deus verão a Sua face. “Jeová Deus lançará luz sobre eles e eles reinarão para todo o sempre.” — 22:5.

      27. (a) Que garantia se dá a João sobre a profecia? (b) Com que convite e aviso urgentes conclui a Revelação?

      27 A conclusão (22:6-21). Garante-se: “Estas palavras são fiéis e verdadeiras.” Felizes são, deveras, todos os que observam as palavras da profecia! Tendo ouvido e visto estas coisas, João prostra-se para adorar o anjo, que lhe faz lembrar de adorar unicamente a Deus. As palavras da profecia não devem ser seladas, “pois está próximo o tempo designado”. Felizes os que são admitidos na cidade, pois lá fora se acham os imundos e “todo aquele que gosta da mentira e a pratica”. Jesus declara que ele próprio enviou este testemunho às congregações por intermédio de seu anjo, e que ele é “a raiz e a descendência de Davi, e a resplandecente estrela da manhã”. “E o espírito e a noiva estão dizendo: ‘Vem!’ E quem ouve diga: ‘Vem!’ E quem tem sede venha; quem quiser tome de graça a água da vida.” Que ninguém acrescente e nem diminua as palavras desta profecia, senão lhe será tirado o seu quinhão “das árvores da vida e da cidade santa”. — 22:6, 10, 15-17, 19.

      POR QUE É PROVEITOSO

      28. Por meio de que exemplos podemos reconhecer que Revelação conclui o relato iniciado na primeira parte da Bíblia?

      28 Que gloriosa conclusão fornece o livro de Revelação para a coleção inspirada dos 66 livros da Bíblia! Nada foi omitido. Não há nada desconexo. Agora vemos claramente o grandioso final, bem como o princípio. A última parte da Bíblia encerra o relato iniciado na primeira parte. Portanto, como Gênesis 1:1 descreveu a criação, por parte de Deus, dos céus e da terra físicos, assim Revelação 21:14 descreve o novo céu e a nova terra, bem como as indizíveis bênçãos que serão trazidas à humanidade, segundo profetizado também em Isaías 65:17, 18; 66:22 e 2 Pedro 3:13. Assim como se disse ao primeiro homem que morreria positivamente se desobedecesse, assim Deus garante positivamente que, para os obedientes, “não haverá mais morte”. (Gên. 2:17; Rev. 21:4) Quando surgiu a Serpente como enganador da humanidade, Deus predisse que se lhe esmagaria a cabeça, e a Revelação mostra como a serpente original, que é o Diabo e Satanás, é finalmente lançada na destruição. (Gên. 3:1-5, 15; Rev. 20:2, 10) Ao passo que o homem desobediente foi afastado da edênica árvore da vida, as árvores simbólicas da vida aparecem “para a cura das nações” da humanidade obediente. (Gên. 3:22-24; Rev. 22:2) Assim como saía um rio do Éden para regar o jardim, assim também um rio simbólico, vitalizador e sustentador da vida, é representado como emanando do trono de Deus. Isto é semelhante à visão anterior de Ezequiel, e também faz lembrar as palavras de Jesus sobre “uma fonte de água que borbulha para dar vida eterna”. (Gên. 2:10; Rev. 22:1, 2; Eze. 47:1-12; João 4:13, 14) Em contraste com ser expulso da presença de Deus, como o foram o primeiro homem e a primeira mulher, os fiéis vencedores verão o seu rosto. (Gên. 3:24; Rev. 22:4) É, deveras, proveitoso considerar estas visões emocionantes de Revelação!

      29. (a) Como liga Revelação as profecias relativas à Babilônia? (b) Que semelhanças podemos notar entre as visões do Reino, bem como entre os animais do livro de Daniel e de Revelação?

      29 Note-se, também, como Revelação liga as profecias relativas à iníqua Babilônia. Isaías havia previsto a queda da Babilônia literal muito antes de acontecer isso, e declarara: “Ela caiu! Babilônia caiu!” (Isa. 21:9) Jeremias também profetizou contra Babilônia. (51:6-12) Mas a Revelação fala em símbolo de “Babilônia, a Grande, a mãe das meretrizes e das coisas repugnantes da terra”. Ela também precisa ser derrubada, e João vê isto em visão, ao declarar: “Caiu! Caiu Babilônia, a Grande!” (Rev. 17:5; 18:2) Lembra-se da visão de Daniel sobre um reino estabelecido por Deus, que esmiuçará os outros reinos e permanecerá “por tempos indefinidos”? Note como isto se relaciona com a proclamação celestial, em Revelação: “O reino do mundo tornou-se o reino de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre.” (Dan. 2:44; Rev. 11:15) E, assim como a visão de Daniel descrevia ‘alguém semelhante a um filho do homem, vindo com as nuvens do céu, para receber um domínio duradouro e dignidade e reino’, da mesma forma Revelação identifica Jesus Cristo como “Governante dos reis da terra”, e como aquele que “vem com as nuvens”, e diz que “todo olho o verá”. (Dan. 7:13, 14; Rev. 1:5, 7) Há certos paralelos que devem ser observados, também, entre os animais das visões de Daniel e as feras de Revelação. (Dan. 7:1-8; Rev. 13:1-3; 17:12) A Revelação provê vasto campo, deveras, para o estudo que fortalece a fé.

      30. (a) Que visão completa dá Revelação sobre a santificação do nome de Jeová por intermédio do Reino? (b) O que se acentua relativo à santidade, e em quem influi isto?

      30 Que maravilhosa visão pormenorizada nos dá Revelação concernente ao Reino de Deus! Focaliza de modo brilhante o que os profetas da antiguidade, Jesus e seus discípulos disseram relativo ao Reino. Temos aqui a visão completa da santificação do nome de Jeová por intermédio do Reino: “Santo, santo, santo é Jeová Deus, o Todo-poderoso.” Ele é digno de “receber a glória, e a honra, e o poder”. Deveras, é aquele que ‘assume o seu grande poder e começa a reinar’ por meio de Cristo. Quão zeloso demonstra ser este filho régio, o “Rei dos reis e Senhor dos senhores”, ao ferir as nações e pisar “o lagar de vinho da ira do furor de Deus, o Todo-poderoso”! Ao chegar ao clímax o grandioso tema bíblico da santificação de Jeová, acentua-se que deve ser santo todo aquele e tudo o que participar nos propósitos do seu Reino. O Cordeiro, Jesus Cristo, que “tem a chave de Davi”, é mencionado como sendo santo, e também o são os anjos do céu. Os que têm parte na primeira ressurreição são chamados ‘felizes e santos’, e acentua-se que “tudo o que não for sagrado, e todo aquele que praticar uma coisa repugnante”, de modo algum entrará na “cidade santa de Jerusalém”. Os que foram comprados pelo sangue do Cordeiro para serem “um reino e sacerdotes para o nosso Deus” têm, deste modo, poderoso encorajamento para manter a santidade perante Jeová. A “grande multidão”, também, precisa ‘lavar as suas vestes e embranquecê-las no sangue do Cordeiro’, para que preste serviço sagrado. — Rev. 4:8, 11; 11:17; 19:15, 16; 3:7; 14:10; 20:6; 21:2, 10, 27; 22:19; 5:9, 10; 7:9, 14, 15.

      31. Que aspectos do Reino são trazidos à nossa atenção só no livro de Revelação?

      31 A visão deste magnificente e santo Reino de Deus se cristaliza em nossa mente ao notarmos certas características que são trazidas à nossa atenção só no livro de Revelação. Temos aqui a completa visão dos herdeiros do Reino sobre o monte Sião junto com o Cordeiro, os quais cantam um novo cântico que apenas eles podem aprender. É só Revelação que nos informa o número dos comprados da terra para entrarem no Reino — 144.000 — e que este número é selado dentre as simbólicas 12 tribos do Israel espiritual. É só Revelação que mostra que estes ‘sacerdotes e reis’, que participam com Cristo na primeira ressurreição, reinarão também com ele pelos “mil anos”. É só Revelação que nos dá uma visão completa da “cidade santa, Nova Jerusalém”, mostrando a sua glória radiante, tendo a Jeová e ao Cordeiro como seu templo, com seus 12 portões e pedras de alicerce, e os reis que reinam nela para sempre, pela luz eterna que Jeová lança sobre eles. — 14:1, 3; 7:4-8; 20:6; 21:2, 10-14, 22; 22:5.

      32. (a) Como resume a visão do “novo céu” e da “cidade santa, Nova Jerusalém”, tudo o que fora predito a respeito da Semente do Reino? (b) Que bênçãos garante o Reino para a humanidade na terra?

      32 Pode-se dizer realmente que esta visão do “novo céu” e da “cidade santa, Nova Jerusalém”, resume tudo o que as Escrituras predisseram, desde os tempos antigos, relativo à Semente do Reino. Abraão aguardava uma semente em quem ‘todas as famílias da terra certamente se abençoariam’ e a “cidade que tem verdadeiros alicerces, cujo construtor e fazedor é Deus”. Agora, na visão de Revelação, esta cidade de bênção nos é claramente identificada como sendo o “novo céu” — um novo governo, o Reino de Deus, composto da Nova Jerusalém (a noiva de Cristo) e seu Noivo. Juntos administrarão um governo justo sobre toda a terra. Jeová promete aos fiéis dentre a humanidade que poderão tornar-se “seus povos” numa condição feliz, sem pecado, sem morte, tal como era usufruída pelo homem no Éden antes da rebelião. E, para dar ênfase, Revelação nos diz duas vezes que Deus “enxugará dos seus olhos toda lágrima”. — Gên. 12:3; 22:15-18; Heb. 11:10; Rev. 7:17; 21:1-4.

      33. (a) Que maravilhosa visão geral dá Revelação sobre os propósitos divinos cumpridos? (b) Como se provou que “toda a Escritura” é “inspirada por Deus e proveitosa”, e por que é agora o tempo de estudar a Palavra de Deus e obedecer a ela?

      33 Realmente, que conclusão grandiosa para as Escrituras inspiradas! Quão maravilhosas são estas “coisas que têm de ocorrer em breve”! (Rev. 1:1) O nome de Jeová, “o Deus das expressões inspiradas dos profetas”, é santificado. (22:6) Mostra-se o cumprimento dos escritos proféticos de 16 séculos, e as obras de fé de milhares de anos são recompensadas! A “serpente original” está morta, as suas hostes são destruídas, e não há mais iniqüidade. (12:9) O Reino de Deus domina como “novo céu” para Seu louvor. As bênçãos da terra restaurada, cheia e subjugada segundo o propósito de Jeová, declarado no primeiro capítulo da Bíblia, estendem-se por uma eternidade gloriosa diante da humanidade. (Gên. 1:28) Toda a Escritura se provou deveras “inspirada por Deus e proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça”. Jeová tem-na usado para conduzir os homens de fé plenamente competentes, completamente equipados, a este dia maravilhoso. Agora, pois, é o tempo para estudar estas Escrituras, para fortalecer a sua fé. Obedeça a seus mandamentos, a fim de receber as bênçãos de Deus. Siga-os na vereda reta que conduz à vida eterna. Fazendo assim, poderá também dizer, na confiança segura com que o último livro da Bíblia conclui: “Amém! Vem, Senhor Jesus.” — 2 Tim. 3:16; Rev. 22:20.

      34. Como podemos ter agora alegria incomparável, e por quê?

      34 Que incomparável alegria podemos ter agora, aclamando “o reino de nosso Senhor e do seu Cristo”, a Semente, visto que isto traz eterna santificação ao incomparável nome de “Jeová Deus, o Todo-poderoso”! — Rev. 11:15, 17.

      [Nota(s) de rodapé]

      a The Ante-Nicene Fathers, Vol. I, página 240.

      b The Ecclesiastical History, Eusébio, VI, xxv, 9, 10.

      c The Ante-Nicene Fathers, Vol. I, páginas 559-60.

      d The Lives of the Caesars (Domiciano, XIII, 2).

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